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UNIVERSIDADE PEDAGOGICA DE MOÇAMBIQUE

Composição das Despesas Publicas

Autor: Sérgio Alfredo Macore


Celular: +258 846458829 / 826677547
Email: Sérgio.macore@gmail.com
Pemba – Cabo Delgado

Pemba, Maio 2021

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ÍNDICE

INTRODUÇÃO...............................................................................................................................5
REVISÃO DE LITERATURA........................................................................................................6
1.A COMPOSIÇÃO DAS DESPESA PÚBLICA...........................................................................6
1.1 Noções Básicas......................................................................................................................6
1.2 Tipologia de Despesas Públicas.............................................................................................6
1.3 A despesa pública e a despesa nacional.................................................................................8
1.4.Evolução das despesas públicas.........................................................................................9
1.4.1 Generalidades..................................................................................................................9
1.4.2 O aumento das despesas públicas..................................................................................10
1.4.3 Aumento real e aumento aparente das despesas públicas.............................................10
1.4.4 Causas do aumento real das despesas públicas.............................................................10
2. O SISTEMA FISCAL................................................................................................................11
2.1 Caracteres do sistema fiscal.................................................................................................11
3.2 Os princípios estruturantes dos impostos.............................................................................12
3.2.1 A Justiça Fiscal..............................................................................................................12
3.2.2 A legalidade fiscal.........................................................................................................13
3.2.3 A Igualdade Fiscal.........................................................................................................13
3.2.4 A eficiência do sistema fiscal........................................................................................14
3.2.5 A capacidade fiscal........................................................................................................15
Conclusão......................................................................................................................................16
Bibliografia....................................................................................................................................17

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INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como o tema ‘’Composição das Despesas Publicas’’. O Estado visando
garantir a satisfação das necessidades da colectividade arrecada receitas públicas e realiza
despesas públicas.

Entende – se por receita pública os recursos previstos em legislação e arrecadados pelo poder
público com a finalidade de realizar gastos que atenda as necessidades da sociedade e por
despesas públicas o conjunto de dispêndios realizados pelos entes públicos para o funcionamento
e manutenção dos serviços públicos prestados a sociedade.

O sistema fiscal, entendido no seu sentido amplo, como um conjunto de normas jurídicas que
regulam a actividade fiscal e ou tributária de uma nação, constitui um dos meios de assegurar o
desenvolvimento do aparelho de Estado, parte fundamental do crescimento dos serviços
administrativos e consequentemente desenvolvimento do pais, dai a necessidade de estrutura – lo
de forma abrangente e ou inclusiva com a finalidade de garantir o bem-estar comum.

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REVISÃO DE LITERATURA

1.A COMPOSIÇÃO DAS DESPESA PÚBLICA

É o conjunto de dispêndios realizados pelos entes públicos para o funcionamento e manutenção


dos serviços públicos prestados à sociedade. (CATARINO, 2012)

1.1 Noções Básicas

O conceito de despesa pública tem, de resto, de ser construído em termos de poder abranger
realidades tão distintas como, por exemplo, o pagamento de um funcionário público, a
construção de uma estrada, a concessão de um subsídio a uma empresa, a amortização de um
empréstimo anteriormente contraído pelo Estado, a aquisição de material de guerra, a atribuição
de uma bolsa de estudo, etc. (FRANCO, 2012:1)

1.2 Tipologia de Despesas Públicas

Segundo FRANCO (2012:2), Mais importante do que a arrumação orçamental das despesas
publicas é, entanto, a consideração da sua natureza económica e, dentro de uma perspectiva de
integração entre economia e finanças, o estudo dos efeitos globais.

a)Despesas de Investimento e Despesas de funcionamento

Uma primeira distinção, segundo esse critério – que se aproxima, aliás , bastante da classificação
de despesas correntes e de capital -, separa as despesas de funcionamento dos gastos de
investimento.

Despesas de investimento seriam aquelas que consistem na formação de capital (técnico) do


Estado. As despesas de funcionamento corresponderiam apenas aos dispêndios necessários ao
normal desenvolvimento da máquina administrativa.

Apesar da proximidade das despesas de investimento com as despesas de capital, não há


coincidência de critério, já que podem encontrar – se despesas de capital (como seja o reembolso
de um empréstimo) que se não integram no conceito de despesa de investimento, e despesas
correntes (como o pagamento de juros) que não são despesas de funcionamento.

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b)Despesas em bens e serviços e despesas de transferência

Despesas em bens e serviços são aquelas que asseguram a criação de utilidades, por meio de
compra de bens ou serviços do Estado, enquanto despesas de transferência são aquelas que se
limitam a proceder a uma redistribuição de recursos, atribuindo – os a novas entidades que se
situam no sector público ou sector privado.

c) Diversidade das despesas de transferência

O conceito de transferência comporta, ainda assim, realidades bastante diversas. Têm – se pois
tentado fazer diversas classificações de transferências.

Uma primeira distinção separa as transferência de rendimento das transferências de capital,


sendo as primeiras aquelas que não alteram a situação do património duradouro da Nação (por
exemplo bolsa de estudo) e as segundas aquelas que a alteram (por exemplo subvenção do
Estado para a construção de um imóvel particular ou para investimento de uma empresa publica).

Todas estas transferências internas, que não alteram o rendimento nacional. E há ainda
transferências para o exterior, que beneficiam economias externas e diminuem o rendimento
nacional.

d) Despesas produtivas e reprodutivas

Quanto à produtividade, há despesas públicas que se limitam a criar directamente utilidades: pela
segurança que resulta de haver polícias, pela contribuição que as forças armadas dão à defesa
nacional, pelo que os museus representam de produção cultural. São gastos simplesmente
produtivos.

Outras despesas, porem, contribuem para o aumento da capacidade produtiva, gerando assim
utilidades acrescidas no futuro: são despesas reprodutivas. Assim, o investimento em estradas,
transportes e meios de comunicação; assim, o investimento imaterial em investigação, educação
e saúde.

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1.3 A despesa pública e a despesa nacional

a) Generalidades

I. Importa acentuar que os efeitos económicos das despesas públicas serão diversos, consoante
adoptemos uma óptica clássica ou keynesiana. (FRANCO, 2012:4)

Para os clássicos, o efeito económico típico das despesas públicas seria a satisfação pura e
simples de necessidades públicas, sendo todos os outros efeitos perversos, desregrados e
indesejáveis (por violarem a regra da neutralidade)

Segundo a visão keynesiana, para além daquele, haveria que distinguir dois outros tipos de
efeitos económicos:

 A despesa pública consistirá, também, num processo de distribuição de rendimentos a


alguém: toda a despesa implica pagamentos feitos a servidores, fornecedores,
empreiteiros, etc.
 Por esta via, toda a despesa altera a repartição do rendimento nacional que se verificaria
sem ela, gera fluxos sucessivos de novas despesas (de consumo ou de investimento), com
recursos que provem dos contribuintes ou de prestamistas e tem, em princípio efeitos
expansionistas.

Com esta segunda óptica é mais ampla do que a primeira – e não impede a autónoma relevância
daquela – toma – lo - emos como guia.

II. Assim, a despesa pública é, em termos macro - económicos, uma parcela da despesa nacional.

Esta reparte – se por diversas rubricas principais. Consoante a origem institucional, pode ser
feita: a) pelos indivíduos, famílias e outros sujeitos privados não produtivos; b) pelo Estado e
outros sujeitos públicos; c) pelas empresas e outros sujeitos produtivos. Consoante a natureza das
despesas, pode ser de consumo, de investimento ou de transferência.

III. Combinando os dois critérios, distinguiremos três modalidades principais de despesa


nacional:

1º. Consumo privado: total das despesas não produtivas (ou equivalentes) feitas pelas famílias e
outras unidades não produtivas.

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2º. Despesas das empresas: são despesas de investimento privado ou de funcionamento das
empresas.

3º. Despesas públicas: as realizadas pelo sector público, quer de consumo, quer de investimento
– se forem em bens e serviços – quer de transferência (excluindo o sector empresarial público).

b) As despesas públicas nas contas nacionais

Como já vimos dentro das despesas públicas, poderemos ainda distinguir as transferências – que
transferem rendimentos para outros sujeitos económicos – e as despesas públicas em bens e
serviços. Estas últimas podem ser de três espécies:

1º. – Despesas civis de consumo (que são consumos públicos): são as despesas com o
funcionamento dos serviços da administração civil. São relativamente regulares e variam pouco:
nem crescem, em regra, subitamente, nem podem ser facilmente compridas num período curto.

2º. – Despesas militares (também consumos públicos) umas com aquisição de equipamentos e
materiais, outras com o pagamento de serviços e sustento das forças armadas. São muito
heterogéneas, algumas chegando a confinar com os investimentos pela sua natureza (aquisição
de um avião produzido no interior do país: todavia, mesmo que sejam em bens duradouros, são
sempre considerados gastos de consumo e não de investimento).

3º. – Despesas de investimento público: são feitas pelo sector público com o fim de formar
capital; consistem na aquisição de bens duradouros, desde que sejam produtivos (stock de
capitais circulantes e bens de equipamento). Os investimentos públicos são, como as despesas
militares, susceptíveis de variações muito rápidas.

1.4.Evolução das despesas públicas

1.4.1 Generalidades

As despesas públicas conhecem uma evolução muito marcada a partir do liberalismo económico
do século passado, muito em particular no decurso do século XX. O estudo dessa evolução pode
ser empreendido por duas vias: analise do crescimento das despesas públicas que parece ter
acompanhado o crescimento económico ou analise da alteração na estrutura das despesas e no
seu peso relativo. (FRANCO, 2012:7)

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Qualquer destes caminhos parece relativamente frutuoso, embora o segundo, quando conjugado
com o primeiro, seja mais decisivo para a compreensão das modernas Finanças Públicas.

1.4.2 O aumento das despesas públicas

Desde finais do século XIX, a partir da obra do financeiro alemão Adolfo Wagner, se fala numa
tendência para aumentar que as despesas públicas revelariam nas sociedades modernas. Designa
– se essa tendência por lei de Wagner.

Wagner partiu para a formulação desta lei de um estudo empírico, que os acontecimentos
posteriores viriam confirmar amplamente: ele baseava – se nos dados que conseguira recolher. A
sua lei foi formulada apenas em relação às sociedades onde se dera uma revolução industrial e
em que se afirma, no plano prático, o liberalismo político económico. Configura – se como uma
tendência de longo prazo, compatível, pois, com oscilações de curto prazo, determinadas, por
exemplo, pela alteração das forcas politicamente dominantes num dado pais; os conservadores
ou os liberais tendem a gastar menos, os progressistas ou os socialistas mais. (FRANCO, 2012:7)

1.4.3 Aumento real e aumento aparente das despesas públicas

A circunstância de os quadros utilizados se referirem em regra a percentagens das despesas


públicas em relação ao Produto Nacional Bruto serve para ilustrar uma preocupação que tem de
ser elevada em conta: a de distinguir aquilo que pode ser chamado aumento real das despesas
públicas, em confronto com o seu aumento aparente.

Podem apontar – se, segundo FRANCO (2012:8), como factores de crescimento aparente das
despesas públicas, entre outros menos importantes;

1º. – Desvalorização monetária

2º. – Aumento da população

3º. – Crescimento do produto nacional bruto

1.4.4 Causas do aumento real das despesas públicas

Para determinar as razões por que aumentaram as despesas públicas, pode – se seguir uma de
duas vias: procurar uma explicação global, forçosamente dependente de um posicionamento

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ideológico ou doutrinário; ou determinar, a partir da análise detalhada da própria natureza das
despesas públicas, factores concretos que influenciaram o crescimento. (FRANCO, 2012:9)

a) O progresso técnico e a acumulação de capital

b) A transformação dos sistemas sociais

c) Causas instrumentais

Embora menos importantes do que estas, outras causas se tem feito sentir:

i) O aumento do custo dos serviços públicos

ii) As modificações demográficas

iii) A influência das guerras

iv) Causas financeiras

2. O SISTEMA FISCAL

2.1 Caracteres do sistema fiscal

a) Estruturas e Sistema

Ao falar em estrutura fiscal, tem se em vista desde logo, o estudo relacionado e integrado do
sistema fiscal, com a estrutura económico-social em que se integra. Por sistema fiscal
entendemos apenas o conjunto de impostos e a forma como entre si eles se relacionam
globalmente, na sua articulação lógica e na coerência social. (FRANCO, 2012:167)

b) Caracteres principais do sistema fiscal

Uma mera verificação empírica permitira determinar, que as formas como se podem organizar os
impostos variam muito de país para país, e de situação histórica para situação histórica. A
variação pode respeitar a meros aspectos da técnica fiscal ou derivar da própria filosofia
subjacente a tributação (neutralidade ou intervencionismo por exemplo); ou pode consistir na
extensão do sacrifício pedido aos particulares e até na própria relação entre impostos e outras
receitas públicas. (FRANCO, 2012:168)

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Quaisquer que sejam as condicionantes ou causas que determinaram o estabelecimento de
determinados sistemas fiscais, pode dizer-se que todos eles apontam para determinados
objectivos ou funções, que poderiam ser considerados como definidores do sistema fiscal ideal
(numa perspectiva teórica idealista) ou do sistema fiscal óptimo (numa óptica de óptimo
paretiano). Portanto, os caracteres essências do sistema fiscal podem reconduzir-se a três:
rendimento justiça e eficiência fiscal.

3.2 Os princípios estruturantes dos impostos

3.2.1 A Justiça Fiscal

Do ponto de vista dos contribuintes, o primeiro requisito de um sistema fiscal é o da justiça,


conceito que obviamente esta longe de ser simples e unívoco e é muitas vezes condicionado pelo
posicionamento político ou ideológico dos financeiros. Ele é, numa economia capitalista, mais
do que justiça fiscal - pois equivale a justa distribuição dos encargos públicos. (FRANCO,
2012:176)

No plano dos princípios inspiradores de qualquer sistema fiscal, a ideia de justiça fiscal deve de
alguma forma ter prioridade sobre qualquer outra; até (que mais não fosse) porque ela condiciona
a própria eficiência e rendimento do sistema, na medida em que uma distribuição injusta
estimulará a fraude e evasão fiscais e distorcera comportamentos. Por outro lado, as
consequências políticas de uma tributação sentida pela população como injusta são por demais
perigosas: abundam os exemplos históricos de rebeliões por ela determinadas.

Da ideia da justiça fiscal como conceito central e inspirador resulta, como Concepção -base que
deve presidir a qualquer sistema fiscal moderno, a noção de igualdade entre os cidadãos,
consistindo a maior dificuldade deste problema no entendimento que é preciso dar a esse
conceito, o qual, como é óbvio, se reveste de fortes aspectos políticos.

Segundo FRANCO (2012:177), Além deste, outros três princípios concretizam a ideia de justiça
fiscal. São eles:

1. O princípio da legalidade tributária, segundo o qual o imposto deve ser estabelecido por
lei oriunda do Parlamento.

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2. O princípio da generalidade tributária, que determina que, como regra, todos os
residentes num determinado pais estão sujeitos ao pagamento de impostos segundo critérios
gerais.

3. O princípio da capacidade fiscal, em especial o das faculdades contributivas, de harmonia


com o qual cada um deve ser tributado na medida da sua capacidade.

3.2.2 A legalidade fiscal

O princípio da legalidade do imposto foi teorizado pelo liberalismo, coerentemente com as suas
concepções sobre o papel do Estado e as garantias e direitos dos particulares.

A afirmação deste princípio representou importante conquista da revolução liberal e determinou


a quebra estatistas anteriormente praticados, pondo o fim do absolutismo no domínio fiscal, na
sua afirmação observa-se que ela ligou-se sobre tudo à defesa da propriedade privada na sua
forma absoluta e individualista. (FRANCO, 2012:182)

No rigor dos princípios, a exigência de autorização parlamentar em material tributária tem como
consequências que não só a criação de novos impostos, como a alteração do regime jurídico dos
já existentes em qualquer ponto considerado como essencial (p. ex., incidência, taxa, etc.), deva
ser feita por lei; e que esse é um direito da pessoa. (FRANCO, 2012:182)

3.2.3 A Igualdade Fiscal

a) Modalidades de igualdade

I.O princípio da igualdade pode, numa primeira acepção limitar-se ao conteúdo formal da
igualdade perante a lei de imposto (isto é, a lei de tributação, que rege as matérias substantivas
do sistema fiscal,). Nesse caso, a regra da igualdade de tratamento dos cidadãos pela lei fiscal, na
disposição e na aplicação, e ainda a proibição de qualquer privilégio ou benefício - bem como
prejuízo ou privação - em razão dos fundamentos ai invocados, daqui resulta a
inconstitucionalidade material de isenções ou outros benefícios fiscais que tenham os
fundamentos referidos na lei fiscal. (FRANCO, 2012:178)

II. Depois da igualdade perante – sem a qual não há sequer Estado de Direito - outras acepções
da igualdade relevam no domínio financeiro. Em primeiro lugar, a igualdade de sacrifícios.
(FRANCO, 2012:178)

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Com efeito, os impostos representam sempre absorção pelo Estado de uma parte da riqueza -
mais normalmente do rendimento - dos particulares pelo Estado. A igualdade perante o imposto
deve estabelecer-se então mediante a igualdade de sacrifício. Mas que é, em rigor, a igualdade de
sacrifícios?

b) Igualdade, generalidade e uniformidade; igualdade horizontal e vertical

I. A igualdade tem duas expressões fundamentais: a generalidade (todos vem pagar imposto, sem
distinções de casta, classe, ordem); e a uma uniformidade, que significa que a repartição dos
impostos pelos cidadãos deve obedecer ao mesmo critério para todos.

II. O princípio da uniformidade impõe que todos os que são titulares das mesmas formas de
riqueza sejam tributados da mesma forma. Pode demonstrar-se que oi principio da igualdade não
é quebrado se todos os rendimentos forem tributados independentemente da sua afectação a
consumo ou forro. De qualquer forma, há um choque de critérios entre igualdade e
redistribuição: pois se não há igualdade na sociedade, só uma desigualdade compensatória na
tributação realizara a igualdade mais profunda (para os modelos sociais em que a igualdade e
substancial, e não meramente formal, constitui critério e objectivo)

III. A igualdade vertical é expressão que informa os critérios de repartição do sacrifício fiscal
entre pessoas com rendimentos diferentes.

3.2.4 A eficiência do sistema fiscal

a) A eficiência segundo critérios de neutralidade

I. Poderemos definir eficiência fiscal como a medida em que o sistema fiscal (ou cada uma das
suas espécies) é adequado às finalidades que por ele haveriam de ser prosseguidas, relativamente
à actuação sobre a estrutura e a conjuntura económico – social (eficiência politica).

II. Uma primeira forma de encarar a questão da eficiência do sistema fiscal, é considerar que o
sistema é eficiente na medida em que é neutral, ou seja, em que não interfere nem perturba a
melhor afectação dos recursos na economia, tal como será feito pelo normal funcionamento do
mercado. Mas quando há impostos, ele será sempre causa de certas distorções.

III. Importa destacar que a óptica da neutralidade aceita desvios: o sistema fiscal nunca é 100%
neutro. E o estudo desses desvios, não apenas deve ter tido em conta ao estudar as interacções

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entre sistema fiscal e vida económico - social, como constitui a forma mais eficiente de ver o que
deveria ser eliminado para reduzir ao mínimo as distorções não queridas – indesejadas e ate
indesejáveis – do sistema fiscal. (FRANCO, 2012:198)

b) A eficiência segundo critérios de funcionalidade

Com a afirmação do intervencionismo estatal, o critério da aferição da eficiência fiscal passou a


ser completamente distinto. Passou – se então a considerar um sistema fiscal eficiente na medida
em que se adequasse à prossecução de objectivos de política económica e social. Dentro de um
princípio de orientação pelo Estado de uma actividade económica livre, quer de forma
intervencionista ou dirigista, a eficiência fiscal é configurada em termos de funcionalidade ou
adequação à prossecução de determinados objectivos económico - sociais.

3.2.5 A capacidade fiscal

Se é verdade que todos (ou quase todos) estão de acordo em que o sistema fiscal deve ser justo,
também é verdade que na determinação do que deve entender-se por sistema justo há as maiores
duvidas, para além da ideia básica de que cada um deve pagar uma parcela adequada dos
encargos públicos. Duas concepções se defrontam nesta matéria a partir do liberalismo.
(FRANCO, 2012:185)

A primeira aproximação é feita pela via comutativa do princípio do benefício, entendendo-se que
cada um deve pagar na medida dos benefícios que recebe do Estado; ideia que exigirá na sua
execução prática uma conjugação com a análise de estrutura da despesa pública e assenta as suas
bases filosóficas nas teorias contratualistas do estado, desde Locke e Hobbes.

A crítica a essa concepção pode ser feita por vários motivos, que vão desde a incomparabilidade
relativa dos benefícios obtidos por cada elemento da colectividade, até à rigidez orçamental que
se introduziria por esta via (se ficar-se num plano meramente técnico). Passando ao plano mais
amplo da discussão politica, parece corresponder a uma concepção de Estado e das suas funções
já ultrapassada, a qual teria a consequência de serem, de alguma forma, os mais desfavorecidos a
suportar os maiores encargos (imposto regressivo), pois seria difícil computar, por exemplo, o
beneficio concreto que adviria para as grandes fortunas da protecção assegurada pelo Estado, ao
permitir as suas funções de garante da ordem e da segurança.

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Conclusão

Chegando-o fim deste trabalho, podemos afirmar que, a sociedade vem crescendo, este
crescimento é geralmente acompanhado pelo incremento do nível de despesas públicas como
consequência disso, e para fazer face a isso o Estado precisa traçar metas mais rígidas no sentido
de captar mais recursos para a gestão dos bens públicos visando satisfazer a colectividade.

O fenómeno supracitado deve ser acompanhado também pela revisão e actualização constante do
sistema fiscal nacional como forma de captar a abranger as entidades económicas que vem
surgindo dia pós dia, devido a dinâmica e constante crescimento dos mercados. Um sistema
fiscal sempre actualizado contribui um grande meio para o progresso económico dos países.

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Bibliografia

CATARINO, João Ricardo. Finanças Públicas e Direito Financeiro. Almeida editora, Coimbra,
2012.
FRANCO, A. L. Sousa, Finanças Publicas e Direito Financeiro, Edição da associação académica
da faculdade de Lisboa, Lisboa, 1980.

FRANCO, António L. Sousa. Manual de finanças públicas. Ministério do Plano e Finanças,


Governo de Moçambique.2002.

GIL, António Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisas Sociais. 4ª Edição. São Paulo. Editora
Atlas S.A.2007.

KOHAMA, Hélio. Contabilidade pública: Teoria e Prática.8ª edição. São Paulo: Atlas, 2001.

PEREIRA, T. Paulo, AFONSO, António, ARCANJO, Manuela, SANTOS, J. Gomes, Economia


e Finanças Publicas.

RIBEIRO, J. Teixeira, Lições de Finanças Publicas, 5a ed, Refundida e Actualizada.

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