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RECURSO ESPECIAL Nº 1897390 - SP (2020/0249581-0)

RELATOR : MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA


RECORRENTE : AMIL ASSISTÊNCIA MÉDICA INTERNACIONAL S.A
ADVOGADOS : PAULO ROBERTO VIGNA - SP173477
BRUNA SUES MARQUES NEVES - SP378750
RECORRIDO : L G P (MENOR)
REPR. POR : DGPP
ADVOGADOS : KARINA DE PAULA LOURENÇO FONSECA - SP262250
DANIELLE APARECIDA SERRANO - SP256876

DECISÃO

Trata-se de recurso especial interposto contra acórdão proferido pelo


TJSP assim ementado (e-STJ fl. 519):
AGRAVO INTERNO - Interposição contra decisão do relator que negou
provimento ao recurso - Inconformismo - Desacolhimento - Inexistência de
ofensa ao princípio da colegialidade - Art. 932 do Código de Processo Civil
que confere ao relator a prerrogativa de julgar o recurso monocraticamente -
Interposição de agravo interno ou de agravo regimental que afasta, ademais,
a alegada violação ao referido princípio - Precedentes do Colendo Superior
Tribunal de Justiça - Parte agravada, portadora de síndrome de down,
transtorno do espectro autista, comprovou que é usuária do plano de
saúde/seguro saúde e necessita realizar o tratamento multidisciplinar
prescrito - Abusividade da negativa de cobertura, nos termos da Súmula 102
deste Egrégio Tribunal de Justiça - Decisão mantida - Pretensão que é
manifestamente improcedente - Aplicação de multa de 5% sobre o valor
atualizado da causa - Inteligência do art. 1.021, § 4°, do Código de Processo
Civil - Recurso desprovido com imposição de multa.

No especial (e-STJ fls. 529/540), fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da
CF, a parte recorrente alega ofensa:

(i) aos arts. 355 do CPC/2015, 51, IV, do CDC e 10, § 4º, da Lei n.
9.656/1998, porque (e-STJ fls. 532/537):
A ora recorrente, no momento procedimental oportuno, ou seja, na fase
instrutória, requereu a produção de prova pericial, pois através da realização
de prova pericial, seria possível comprovar a real necessidade e eficácia das
indicações dos tratamentos em questão.
9. Não há, in casu, nenhuma prova concreta, contundente, apta a
demonstrar a real necessidade em específico, de todos os tratamentos
propostos no caso do autor.
[...] É sabido que apenas através de uma perícia técnica é que se poderia
analisar a real necessidade do tratamento em questão e tal fato deve ser

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cabalmente demonstrado por profissional habilitado e estranho a lide.
12. Há flagrante cerceamento de defesa, a qual fora asseverada no bojo da
petição de apelação e passada in albis na decisão desse recurso, sendo
imperiosa a realização de uma perícia técnica neste caso.
[...] caso superado o entendimento acima defendido, o v. aresto impugnado
incorreu em equívoco ao deixar de apreciar a presente controvérsia sob o
enfoque de que a negativa de cobertura em questão se encontra em total
conformidade com a Lei 9.656/98, como amplamente sustentado nas razões
de apelação.
[...] É de conhecimento notório que os procedimentos não previstos pelo rol
da ANS normalmente abrangem os tratamentos que exigem estudos para
comprovação da sua eficácia.
18. Na espécie, não há comprovação da urgência do tratamento e muito
menos a inexistência ou insuficiência de outros tratamentos convencionais.
[...] Bem é de se ver, pois, que a cláusula do contrato que prevê a cobertura
de custos de número limitado de sessões por ano está redigida em total
conformidade com a Lei dos Planos de Saúde e com a Resolução da ANS,
de tal sorte que não há falar em sua abusividade.
[...] caso seja garatinda a cobertura ora pleiteada, sem limite de sessões,
deve-se adotar, por ora, o critério de coparticipação, a fim de preservar o
equilibrio contratual, não sendo possível concedê-las indiscriminadamente.

(ii) ao art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, pois (e-STJ fl. 538):


[...] a aplicação da multa prevista no § 4° do art. 1.021 do CPC/2015 não é
automática, não se tratando de mera decorrência lógica do não provimento
do agravo interno em votação unânime. A condenação da parte ao
pagamento da aludida multa, deve ser analisada em cada caso concreto, em
decisão fundamentada; pressupõe-se que o agravo interno mostre-se
manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma
evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano,
como abusiva ou protelatória, o que, contudo, não ocorreu na hipótese em
questão.

O recorrido apresentou contrarrazões (e-STJ fls. 569/586).

O recurso foi admitido na origem (e-STJ fls. 610/612).

Parecer do MPF pelo não conhecimento do recurso (e-STJ fls. 623/627).

É o relatório.

Decido.

Da prova pericial

O TJSP assim analisou (e-STJ fls. 520/521):


No mais, a decisão hostilizada foi proferida nestes termos:
[...] Rejeita-se a preliminar de cerceamento de defesa em razão do julgamento
antecipado da lide, pois os elementos necessários para o convencimento do
juiz encontram-se presentes. Aliás, as suspeitas em relação à genitora da

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parte apelada é matéria preclusa, em razão do princípio da eventualidade, já
que não suscitada na contestação (v. fls. 347 e 406). A perícia, por sua vez,
afigura-se desnecessária à vista dos relatórios médicos que instruem a inicial.

Para rever as conclusões da Corte local e considerar que era imprescindível


a prova pericial, como pretende a recorrente, seria necessário reexaminar os fatos e as
provas dos autos, o que é incabível no recurso especial, ante a Súmula n. 7 do STJ. A
propósito:
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE
SAÚDE. INDEFERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL.
REEXAME. SÚMULA 7/STJ. RECUSA DE TRATAMENTO DOMICILIAR.
HOME CARE. ABUSIVIDADE. ACÓRDÃO EM HARMONIA COM O
ENTENDIMENTO DO STJ. DANO MORAL. VERIFICADO. VALOR DA
INDENIZAÇÃO. RAZOABILIDADE RESPEITADA. REVISÃO. SÚMULA
7/STJ.
1. O Tribunal estadual, à luz dos princípios da livre apreciação da prova e do
livre convencimento motivado, indeferiu o pedido de produção de prova
pericial em razão de haver prova suficiente sobre a necessidade do
tratamento domiciliar prescrito pelo médico. Desse modo, insindicável a
conclusão do Tribunal por esta Corte Superior, ante o óbice da Súmula
7/STJ.
2. Encontra-se pacificado na jurisprudência desta Corte o entendimento de
que é abusiva a cláusula contratual que veda a internação domiciliar (home
care) como alternativa à internação hospitalar. Precedentes.
3. Caso em que o Tribunal de origem concluiu pela ocorrência do dano moral
indenizável diante da recusa injustificada pela operadora de plano de saúde.
Revisão da conclusão obstada pela Súmula 7 do STJ.
4. A quantia indenizatória fixada em R$ 10.000,00 (dez mil reais) não se
mostra desproporcional, e sua revisão demandaria, inevitavelmente, o
reexame de matéria fático-probatória, o que é vedado pela Súmula n. 7 do
Superior Tribunal de Justiça.
5. Agravo interno não provido.
(AgInt no AREsp 1679841/SP, Rel. Ministro PAULO DE TARSO
SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/03/2021, DJe
18/03/2021.)

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.


INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME. SÚMULA
7/STJ. PLANO DE SAÚDE. CUSTEIO DE TRATAMENTO MÉDICO EM
REDE NÃO CREDENCIADA. URGÊNCIA CONSTATADA. POSSIBILIDADE.
SÚMULA 83/STJ. REEXAME. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO
DESPROVIDO.
1. De acordo com a orientação jurisprudencial vigente nesta Corte Superior,
pertence ao julgador a decisão acerca da conveniência e oportunidade sobre
a necessidade de produção de determinado meio de prova, inexistindo
cerceamento de defesa quando, mediante decisão fundamentada, indefere-
se pedido de dilação da instrução probatória.
2. A verificação da necessidade de produção da prova pericial requerida pela
recorrente esbarra na Súmula 7/STJ.
3. Segundo o entendimento jurisprudencial do STJ, o plano de saúde deve

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arcar com as despesas médicas de urgência/emergência do segurado
quando não for possível a utilização de serviços de estabelecimentos
integrados à rede credenciada, situação atestada no caso em exame.
4. A modificação do posicionamento do Tribunal a quo acerca da
inviabilidade da rede credenciada do plano de saúde para a realização do
tratamento médico exige o revolvimento de fatos e provas, o que não é
possível diante da incidência da Súmula 7/STJ.
5. Agravo interno desprovido.
(AgInt no AREsp 1699331/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE,
TERCEIRA TURMA, julgado em 26/10/2020, DJe 29/10/2020.)

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE


OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS
MORAIS. PLANO DE SAÚDE. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015.
ACÓRDÃO ESTADUAL DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO. NULIDADE DA
PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO.
ALTERAÇÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7 DO STJ. ATENDIMENTO FORA
DA REDE CREDENCIADA. IMPOSSIBILIDADE DE ATENDIMENTO NA
LOCALIDADE E COMPROVADA URGÊNCIA NO PROCEDIMENTO.
COBERTURA DEVIDA. DECISÃO DE ACORDO COM A JURISPRUDÊNCIA
DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83 DO STJ. AGRAVO DESPROVIDO.
1. Não configura ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 o fato de o Tribunal de
origem, embora sem examinar individualmente cada um dos argumentos
suscitados pelo recorrente, adotar fundamentação contrária à pretensão da
parte, suficiente para decidir integralmente a controvérsia.
2. Mediante análise do conjunto fático-probatório dos autos, o eg.
Tribunal de origem concluiu pela desnecessidade de produção de prova
pericial, bem como afastou o alegado cerceamento de defesa. Nesse
contexto, afigura-se inviável rever tal conclusão, tendo em vista o óbice da
Súmula 7/STJ.
3. Em casos de urgência ou emergência, em que não seja possível a
utilização dos serviços médicos próprios, credenciados ou conveniados, a
operadora do plano de saúde responsabiliza-se pelo custeio das despesas
de assistência médica realizadas pelo beneficiário, mediante reembolso. A
obrigação, nessas circunstâncias, é limitada aos preços e tabelas
efetivamente contratados com o plano de saúde, à luz do art. 12, VI, da Lei
9.656/98. Precedentes desta Corte.
4. Estando a decisão recorrida de acordo com a jurisprudência desta Corte, o
recurso especial encontra óbice na Súmula 83 do STJ.
5. Agravo interno desprovido.
(AgInt no AREsp 1611192/MS, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA
TURMA, julgado em 08/06/2020, DJe 25/06/2020.)

Da cobertura

A Corte local assim entendeu (e-STJ fls. 520/521):


No mais, a decisão hostilizada foi proferida nestes termos:
[...] No mais, a parte autora, portadora de síndrome de down, transtorno do
espectro autista, comprovou que é usuária do plano de saúde/seguro saúde e
necessita realizar o tratamento multidisciplinar prescrito (v. fls. 104/116). A
parte requerida, por seu turno, negou a cobertura, sob o fundamento de se

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tratar de tratamento experimental, não previsto em contrato e tampouco no rol
de procedimentos da ANS. Requereu, subsidiariamente, a limitação das
sessões.
Contudo, se o tratamento da doença está coberto pelo contrato de plano de
saúde/seguro saúde, não é razoável a negativa de cobertura e/ou a limitação
do uso (por meio de limites de sessão) de tratamentos necessários ao pleno
restabelecimento da saúde de pacientes com referida patologia. A
abusividade reside exatamente no impedimento de a parte autora realizar o
tratamento multidicisplinar prescrito decorrente da evolução da medicina,
considerada moderna e disponível.
É dizer, a negativa de cobertura do tratamento discutido restringe direito
inerente à natureza do contrato, nos termos do art. 51, § 1°, inc. II, do Código
de Defesa do Consumidor, sendo patente a abusividade da cláusula invocada
pela ré, aplicando-se ao caso, ainda, a Súmula 102 deste Egrégio Tribunal de
Justiça.

Com efeito, "esta Corte já se posicionou no sentido de que o plano de saúde


pode estabelecer as doenças que terão cobertura, mas não pode limitar o tipo de
tratamento a ser utilizado pelo beneficiário, (...) consideradas necessárias ao pleno
restabelecimento da saúde do segurado" (AgInt no AREsp n. 1.699.300/SP, Rel.
Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/12/2020, DJe
18/12/2020). Ainda nesse sentido:
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE
SAÚDE. TRATAMENTO PRESCRITO PELO MÉDICO. LIMITAÇÃO DE
SESSÕES DE TERAPIA. CONDUTA ABUSIVA. INDEVIDA NEGATIVA DE
COBERTURA. PRECEDENTES. PLEITO ALTERNATIVO DE
COPARTICIPAÇÃO. INVIABILIDADE. AUSÊNCIA DE
PREQUESTIONAMENTO. AGRAVO DESPROVIDO.
1. A jurisprudência desta Corte entende ser abusiva a cláusula contratual ou
o ato da operadora de plano de saúde que importe em interrupção de terapia
por esgotamento do número de sessões anuais asseguradas no Rol de
Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS.
2. O prequestionamento é exigência inafastável contida na própria previsão
constitucional, impondo-se como um dos principais pressupostos ao
conhecimento do recurso especial. Incide, ao caso, a Súmula 211/STJ.
3. Agravo interno desprovido.
(AgInt no AREsp n. 1.575.837/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO
BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 01/03/2021, DJe 03/03/2021.)

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.


DIALETICIDADE RECURSAL. OBSERVÂNCIA. DECISÃO DA
PRESIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO. PLANO DE SAÚDE.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. PARALISIA
CEREBRAL. TERAPIA MULTIDISCIPLINAR. DOENÇA COBERTA PELO
PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE TRATAMENTO ABUSIVA. CLÁUSULA
CONTRATUAL QUE PREVÊ LIMITE DE SESSÕES DE TERAPIA E
COBRANÇA DE COPARTICIPAÇÃO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO.
AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO
ESPECIAL.
(...)
4. "O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que, embora a seguradora, com

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alguma liberdade, possa limitar a cobertura do plano de saúde, a definição
do tratamento a ser prestado cabe ao profissional médico, de modo que, se a
doença está acobertada pelo contrato, a operadora do plano de saúde não
pode negar o procedimento terapêutico adequado. Precedentes" (AgInt no
REsp 1.828.289/RS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA
TURMA, julgado em 30/03/2020, DJe de 02/04/2020)
5. Agravo interno provido para afastar a falta de dialeticidade recursal,
conhecer do agravo e negar provimento ao recurso especial.
(AgInt no AREsp n. 1.603.974/RJ, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA
TURMA, julgado em 24/08/2020, DJe 15/09/2020.)

Desse modo, devendo o tratamento ser coberto pelo plano de saúde,


também não poderia a operadora limitar seu tempo, estando a decisão recorrida em
conformidade com o entendimento desta Corte sobre o tema.

Incidência da Súmula n. 83 do STJ.

Da multa

O Tribunal de origem assim decidiu (e-STJ fl. 522):


Considerando que a parte agravante, apesar de formalmente advertida,
tornou a insistir em pretensão manifestamente improcedente, impõe-se a
aplicação de multa de 5% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do
art. 1.021, § 4°, do Código de Processo Civil.

A Segunda Seção desta Corte fixou o entendimento de que a multa prevista


no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 não decorre automaticamente do desprovimento do
agravo interno, devendo ser verificado, em cada caso, o intuito protelatório. Confira-se:
AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO
ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO CONHECIDO APENAS NO
CAPÍTULO IMPUGNADO DA DECISÃO AGRAVADA. ART. 1.021, § 1º, DO
CPC/2015. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA APRECIADOS À LUZ DO
CPC/73. ACÓRDÃO EMBARGADO QUE NÃO CONHECEU DO RECURSO
ESPECIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA 7/STJ. PARADIGMAS QUE
EXAMINARAM O MÉRITO DA DEMANDA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL
NÃO DEMONSTRADO. REQUERIMENTO DA PARTE AGRAVADA DE
APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO § 4º DO ART. 1.021 DO CPC/2015.
AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO,
IMPROVIDO.
1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, merece ser conhecido o
agravo interno tão somente em relação aos capítulos impugnados da
decisão agravada.
2. Não fica caracterizada a divergência jurisprudencial entre acórdão que
aplica regra técnica de conhecimento e outro que decide o mérito da
controvérsia.
3. A aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 não é
automática, não se tratando de mera decorrência lógica do não provimento
do agravo interno em votação unânime. A condenação do agravante ao
pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso concreto, em
decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno mostre-se

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manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma
evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano,
como abusiva ou protelatória, o que, contudo, não ocorreu na hipótese
examinada.
4. Agravo interno parcialmente conhecido e, nessa extensão, improvido.
(AgInt nos EREsp 1120356/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE,
SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 24/8/2016, DJe 29/8/2016.)

No mesmo sentido:
PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO
INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE
QUALQUER DOS VÍCIOS ELENCADOS NO ART. 1.022 DO CPC/2015.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
1. Os embargos de declaração somente são cabíveis quando houver na
decisão obscuridade, contradição, omissão ou erro material, consoante
dispõe o art. 1.022 do CPC/2015.
2. No caso concreto, não se constata o vício alegado pela parte embargante,
pois não foi apresentada impugnação com pedido de aplicação de multa.
3. "A aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 não é
automática, não se tratando de mera decorrência lógica do não provimento
do agravo interno em votação unânime. A condenação do agravante ao
pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso concreto, em
decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno mostre-se
manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma
evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano,
como abusiva ou protelatória, o que, contudo, não ocorreu na hipótese
examinada" (AgInt nos EREsp 1.120.356/RS, Rel. Ministro MARCO
AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 24/8/2016, DJe
29/8/2016).
4. Embargos de declaração rejeitados.
(EDcl no AgInt no AREsp 1338849/SP, de minha relatoria, QUARTA
TURMA, julgado em 25/3/2019, DJe 1/4/2019.)

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM


RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE COBRANÇA C/C PEDIDO
CONDENATÓRIO - ACÓRDÃO DESTE ÓRGÃO FRACIONÁRIO QUE
NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO DA PARTE ADVERSA.
INSURGÊNCIA RECURSAL DOS AUTORES.
1. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver, na sentença ou
no acórdão, obscuridade, contradição, omissão ou erro material, consoante
dispõe o artigo 1.022 do CPC/15.
1.1. Na hipótese, verifica-se omissão no acórdão embargado quanto ao
pleito de aplicação das penalidades deduzidas na impugnação ao agravo
interno e da majoração da verba honorária.
1.2. Conforme entendimento da Segunda Seção desta Corte Superior, "a
aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/15 não é
automática, não se tratando de mera decorrência lógica do não provimento
do agravo interno em votação unânime. A condenação do agravante ao
pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso concreto, em
decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno mostre-se
manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma
evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano,

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como abusiva ou protelatória [...]". (cf. AgInt nos EREsp 1120356/RS, Rel.
Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em
24/08/2016, DJe 29/08/2016).
1.3. In casu, não se verificou conduta abusiva ou protelatória imputável à
agravante, razão pela qual não se fazia aplicável a aludida sanção.
1.4. Não há falar em litigância de má-fé, pois a parte ora embargada interpôs
recurso legalmente previsto no ordenamento jurídico, sem abusar do direito
de recorrer, pelo que não se verifica afronta ou descaso com o Poder
Judiciário. Precedentes.
1.5. Na hipótese, apesar de satisfeitos os requisitos para fixação dos
honorários recursais, esses não foram arbitrados na decisão monocrática
que negou provimento ao agravo em recurso especial, tampouco no acórdão
que a manteve em sede de agravo interno, quadro que viabiliza o
arbitramento na presente etapa.
2. Embargos de declaração parcialmente acolhidos, para sanar as omissões
apontadas e fixar honorários sucumbenciais recursais.
(EDcl no AgInt no AREsp 1239649/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI,
QUARTA TURMA, julgado em 26/3/2019, DJe 29/3/2019.)

Não tendo sido verificado e fundamentado o intuito protelatório pela Corte


local, deve ser afastada a aplicação da multa.

Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial, a fim de


afastar a multa do art. 1.021, § 4º, do CPC/2015.

Publique-se e intimem-se.

Brasília, 19 de abril de 2021.

Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA


Relator

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