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SUMÁRIO

Pág.
DISCIPLINA 1 – VOCAÇÃO MINISTERIAL -------------------------------------------------2
1 - CHAMADOS PARA COOPERAR
2 - A CHAMADA PARA O MINISTÉRIO
3 - O CARÁTER DO OBREIRO
4 - TENTAÇÕES DA VIDA DE UM VOCACIONADO POR DEUS

DISCIPLINA 2 – RELACIONAMENTO INTERPESSOAL --------------------------------11


1. O QUE É RELACIONAMENTO INTERPESSOAL?
2. INGREDIENTES PARA RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS SAUDÁVEIS
3. CONFLITOS – PROBLEMAS INTERPESSOAIS
4. COMPORTAMENTO GERA COMPORTAMENTO
5. COMUNICAÇÃO

DISCIPLINA 3 – O OBREIRO E A FAMÍLIA ---------------------------------------------20


1 – AS QUALIDADES DO OBREIRO E A FAMÍLIA
2 – O OBREIRO E O RELACIONAMENTO FAMILIAR
3 – O ENVOLVIMENTO DA FAMÍLIA NO MINISTÉRIO
4 – PRIORIDADES NA VIDA DO OBREIRO E A FAMÍLIA
5 – QUESTÕES PARA UMA REFLEXÃO DIALÉTICA DO CASAL

DISCIPLINA 4 – CARÁTER CRISTÃO -----------------------------------------------------28


1 – DEFINIÇÃO
2 - O CARÁTER CRISTÃO – FORMAÇÃO, INFLUÊNCIAS E VIRTUDES
3 - A ÉTICA MINISTERIAL

DISCIPLINA 5 – DOUTRINA E COSTUMES ----------------------------------------------36


DISCIPLINA 6 – HERMENÊUTICA BÍBLICA ---------------------------------------41
1 - DEFINIÇÃO DE “HERMENÊUTICA”
2 - INTERPRETAR
3 - A NECESSIDADE DA HERMENÊUTICA
4 - A IMPORTÂNCIA DA HERMENÊUTICA
5 - PRINCÍPIOS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DAS SAGRADAS ESCRITURAS
6 - PRINCÍPIOS GRAMATICAIS DE INTERPRETAÇÃO
7 - PRINCÍPIOS HISTÓRICOS DE INTERPRETAÇÃO

DISCIPLINA 7 – HOMILÉTICA -----------------------------------------------------------62


INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA HOMILÉTICA
A VIDA ESPIRITUAL DO PREGADOR
A ÉTICA DO PREGADOR
O SERMÃO
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

DISCIPLINA 1 – VOCAÇÃO MINISTERIAL

INTRODUÇÃO

Nenhum homem pode se autonomear para ser o embaixador de sua nação para
outra nação e nenhum grupo pode nomeá-lo para fazer isso, a não ser o presidente. O
presidente deve nomeá-lo! Da mesma forma e ainda mais, o ministro do evangelho deve
ser enviado por Deus para o exercício de um chamado.

A palavra de Deus claramente ensina que Deus chama os homens ao ministério.


Cinco passagens do Novo Testamento lidam diretamente com a necessidade de um
chamado de Deus para o ministério:

1. O texto de Mateus 9:38 diz que o Senhor da colheita deve enviar trabalhadores.

2. Atos 13:2 diz como o Espírito Santo chamou Paulo e Barnabé para serem
pregadores/missionários.

3. Atos 20:28 diz que o Espírito Santo torna os homens bispos das igrejas.

4. Romanos 10:14-15 diz que ninguém pode crer num Cristo do qual não ouviu falar e
ninguém ouvirá sem um pregador e ninguém poderá pregar sem ser enviado ou
chamado.

5. Efésios 4:11-12 diz que Cristo dá pastores para suas igrejas e a ênfase no grego está
na palavra Ele no versículo 11.

Deus é Aquele que chama os homens ao ministério do evangelho! Aquele que os


envia à seara - é Deus! E aqueles que se intrometem no ministério sem um chamado de
Deus são culpados do pecado da presunção, como foram Coré, Datã, Abirão e Uzias, que
ousaram entrar no ofício sacerdotal no Israel do Antigo Testamento.

É presunção entrar apressadamente no ministério sem ser chamado por Deus! Fazer
isso é pisar solo sagrado com pés não lavados.

Um pastor que não é verdadeiramente chamado por Deus provocará muitos


problemas em sua própria vida e em sua igreja. Quando sofrer ataques das forças de
Satanás, esse homem experimentará temores irracionais que produzirão incerteza e
confusão para ele. Isso será prejudicial à sua mensagem porque sua trombeta dará um
som indistinto e seus seguidores ficarão confusos.

Aquele que prega sem ter sido chamado por Deus logo será forçado pela
honestidade a questionar seu próprio trabalho e não demorará muito para que seu povo
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comece a questionar o trabalho dele. Um pregador que tem dúvidas quanto ao seu
chamado não conseguirá deixar de criar dúvidas na mente de seus ouvintes. Um pregador
que se sente inseguro acerca de seu chamado começará a questionar se há mesmo uma
coisa tal como um chamado na vida dos outros.

Ministros sem chamado também sempre terão dúvidas persistentes de que talvez
eles tenham realmente perdido algo na vida que outras pessoas estejam gozando.

No fim os ministros, pastores, evangelistas e obreiros sem chamado, farão com que
o ministério seja alvo de zombaria.

1 - CHAMADOS PARA COOPERAR


“Porque nós somos cooperadores de Deus...” (1 Cor. 3:9).

O termo grego para cooperador (synergós), que também pode significar ajudador,
co-obreiro, muito presente nos escritos do apóstolo Paulo, é derivado do termo sinergia,
que em termos gerais, significa a “união de força na realização de um trabalho, de uma
atividade”.

Assim sendo, se alguma coisa fazemos, se alguma projeção alcançamos, de algum


público temos, é resultado de uma dinâmica sinérgica, onde, de um lado, existe uma ação
soberana de um Deus misericordioso, e de outro lado, paradoxalmente, existe uma
absurda condição humana ansiosa de se deixar ser usada por este Deus. Assim, nenhum
pastor, professor, pregador, missionário, enfim, nenhum humano que se disponibiliza a ser
portador das boas novas, deve pensar que se torna arauto porque tem alguma capacidade.
“Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a
nossa capacidade vem de Deus” (2 Cor.3:5).

A criação de departamentos ou ministérios específicos na Igreja, voltadas para dar


oportunidade a cada cristão de exercer um tipo eficiente de trabalho conforme seus
talentos é uma forma dinâmica, bíblica e comprovada, de funcionamento da Igreja, que, de
fato, glorificam a Deus prioritariamente, e como consequência, suprem as necessidades do
corpo. Ao mesmo tempo criam um senso sadio de realização pessoal no serviço sagrado,
quanto à vocação de cada crente diante de Deus. Melhor de tudo, é que Deus é
grandemente glorificado através de um crescente número de almas salvas, acompanhadas
e edificadas num discipulado sério e constante.

No dicionário informal cooperador significa: “Ajudador, auxiliador, colaborador,


associado de cooperativa; é uma palavra composta co-operador: co = junto; operador = o
que opera  aquele que esta junto ao que opera. Exemplo: Co-piloto; ele é um
cooperador do piloto, opera junto ao piloto”.

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No âmbito do Reino de Deus, um cooperador é aquele que opera junto a Deus ou


com Deus. Diz respeito ao trabalho com espontaneidade ou voluntariedade na Causa (I Co
3.9). Na ótica humana, ele é aquele que trabalha ao lado ou auxilia a um determinado
pastor ou líder.

2 - A CHAMADA PARA O MINISTÉRIO


Tipos de chamada

Em todas as questões do ministério, a primeira de todas as perguntas que se faz, é


se a pessoa foi realmente chamada por Deus para o ministério. Vejamos os dois tipos de
chamadas de Deus:

 Chamada Universal  há um sentido em que todos os crentes são chamados


para a obra, e essa chamada se caracteriza pelo amor as almas e por um intenso
espírito de evangelização (Lc 19.10; Mc 15.16 e Rm 10.18).

 Chamada Específica  certas pessoas, porém, são chamadas e escolhidas pelo


Senhor para servirem de modo definido e marcante. Comparando a Igreja do
Senhor como um grande exército, torna-se necessário uma variedade de
ministérios, como: pastores, evangelistas, missionários, diáconos, intercessores,
mantenedores, professores, porteiros, visitadores, líderes, e muitos outros, todos
“cooperadores” na obra de Deus. Cada crente tem o seu trabalho que é
“determinado pelo Senhor”, e é um privilégio receber a tarefa específica dada
pelo Senhor (Jo 15.16; Ef 4.15,16);

Variedades de ministérios

Assim como um corpo precisa de uma variedade de membros para funcionar em


harmonia, a Igreja do Senhor, como um corpo, mantém o mesmo princípio (Rm 10.15;
12.4-8; Ef 4.8,11; ITm 3 e Ex 31.6);

Ministérios falsos

Infelizmente muito escolhem do ministério com motivações erradas, uns escolhem


o ministério como profissão (Lv 10.1-3), outros para adquirir prestígio (Nm 16.1-3), e
alguns pelo simples prazer de querer ser (IISm 18.22; Ez 3.3,6).

Quem Deus chama para a sua obra?

a) A jovens, como Timóteo (I Tm 4:12)

b) A velhos, como Moisés e Arão (Êx 7:1-7)

c) A intelectuais, como Saulo de Tarso (At 26:24)


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d) A iletrados, como Pedro e João (At 4:13)

e) A ricos, como Mateus (Lucas 5:27-29)

f) A pobres, como José e Maria (Lv 12:8; Lc 2:23,24)

g) A judeus, como Davi (I Sm 16:1,13)

h) A estrangeiros, como Tito (Gl 2:3)

Obs. Deus não depende do que somos ou do que temos, mas sim do que Ele mesmo pode fazer
de nós (ver. Fl 2:13).

Que atitudes são reprovadas por Deus quando este chama alguém para efetuar sua obra?

a) Incredulidade: se alguém não pode crer em Deus, não poderá depender d’Ele.

b) Covardia: a covardia não se adequa a alguém que está prestes a entrar na maior
de todas as batalhas.

c) Rebeldia: a rebeldia torna o homem incapaz de ser dirigido por Deus.

d) Autodesvalorização: aquele que se subestima estará sempre bloqueado para


receber capacitação de Deus.

Obs. Atitudes como estas foram encontradas em Gideão, Moisés, Jonas, Elias e outros.
Porém, sempre com a reprovação de Deus.

O que Deus exige da pessoa chamada?

a) Renúncia: para que nada o impeça de atender o chamamento.

b) Ousadia: para que haja prontidão em executar ao seu mandado.

c) Submissão: para que Deus possa lhe confiar tarefas, sabendo que as mesmas
serão efetuadas segundo as suas ordens.

d) Humildade: para que haja sempre a consciência da dependência de Deus.

e) Perseverança: para que todas as tarefas sejam realizadas integralmente.

f) Diligência: para que a obra seja feita com eficiência.

g) Responsabilidade: para que a pessoa chamada seja confiável.

Obs. Todas as exigências de Deus são imprescindíveis ao obreiro cristão. E, serão profundamente
producentes, tanto para ele como para o Reino de Deus.

O que Deus concede a pessoa por Ele chamada?


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a) Sua companhia, para ajudar. (Mt 28:18-20);

b) Sua direção, para que se saiba quando, como e onde se deve agir. (Jo 16:13);

c) Sua proteção, para que o opositor da obra não o atinja. (Is 43:1,2);

d) Sua graça, para que o obreiro não desfaleça em meio ao trabalho. (II Cr 13:8-10);

e) Sua unção, para que o obreiro tenha poder. (Is 61:1-3);

f) Sua provisão, para que o obreiro não sofra necessidades. (Fl 4:19);

Se as empresas terrenas têm o cuidado de oferecer aos seus contratados os recursos


necessários para que esses possam executar suas tarefas, muito mais Deus terá zelo por
aqueles, aos quais Ele chama para trabalhar na construção do Seu Reino.

3 - O CARÁTER DO OBREIRO
Todo vocacionado por Deus precisa ter um excelente caráter. O caráter é de suma
importância porque afeta a vida do Obreiro tanto para o bem como para o mal. O caráter
determina o fruto do seu ministério e de seu reconhecimento para sociedade, para a Igreja
e para Deus.

Em (1Tm 3.1- 16) podemos tirar o caráter do Obreiro do Senhor. Paulo aplica vários
deveres para com aqueles que querem ou são chamados para o Ministério. Vamos estudar
ponto a ponto destes requisitos.

Primeiro Requisito

Irrepreensível (1Tm 3.2): ou seja, um homem cuja maneira de viver, reputação e


atitudes não podem sofrer qualquer reprovação. É bom associar com “mas sê o exemplo
dos fiéis” (1Tm 4.12).

  Segundo Requisito

Marido de uma mulher (1Tm 3.2): o vocacionado tem que prestar à sua esposa o
devido respeito em todos os sentidos dentro e fora do lar. A obra do Senhor tem sofrido
muito por causa de muitos Obreiros que não sabem lidar com o sexo oposto; Que DEUS
conceda fidelidade matrimonial a todos que desejam o ministério.

Quando a BIBLIA diz “marido” está associado a tratar a mulher com respeito e amor
como vaso mais frágil e não como carrasco, bruto e autoritário dentro de nossos lares e
fora. Vamos ser maridos e Obreiros segundo o modelo que a BIBLIA diz e ordena a todos
nós. (Ef 5.25-33).

  Terceiro Requisito
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Vigilante (1Tm 3.2): ou seja, diligente, cauteloso. São chamadas de vigilantes e


temperantes uma pessoa que é moderada nos seus apetites quanto à bebida, comida, sexo
e todas as coisas que diz respeito de si.

  Quarto Requisito

Sóbrio (1Tm 3.2): ou seja, sensato, cordato, prudente, sem luxo, sem excessos. Ter
autocontrole, moderado, prudente em todas os aspectos da vida. É humilde, não se
precipita. É prudente aguardando no seu DEUS.

  Quinto Requisito

Honesto (1Tm 3.2): convém ao Obreiro ser honesto em tudo. Tanto no sentido
interior como no exterior. Em todos os aspectos de sua vida. O Obreiro que não for
honesto logo perderá a autoridade e convicção do seu ministério para com todos, portanto
convém ao chamado por Deus guardar está virtude em sua vida, pois, muitos darão valores
especiais ao seu ministério.

  Sexto Requisito

Hospitalidade (1Tm3.2): a hospitalidade é uma das “estacas” do ministério do


Obreiro, pois hospitalidade significa: “que acolhe com satisfação”. O Obreiro tem que ser
hospitaleiro com todos aqueles que vir até si, e em todos os aspectos da sua vida para com
o próximo deve ser hospitaleiro. Quantos Obreiros são incomunicáveis e acanhados! Não
dão acesso a ninguém. A BIBLIA diz em (Hb 13.2) “Não vos esqueçais da hospitalidade,
porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos”. Vamos ser hospitaleiros,
comunicativos e amorosos.

  Sétimo Requisito

Apto para ensinar (1Tm 3.2): o ensino é parte fundamental para levar o povo de
DEUS a maturidade. O Obreiro tem que ser apto para ensinar. Em vários ministérios e
Igrejas o ensino é de responsabilidade do Pastor, mas como estamos tratando de Obreiro
deve buscar e estudar todos os assuntos ligados à salvação e a Igreja para que quando for
designado para algum ou qualquer tipo de estudo ele não venha se embaraçar, mas seja
apto e digno de ser ouvido e respeitado, ou seja, pregue o que está vivendo, e seja um
Obreiro aprovado naquilo que ensina a Igreja.

  Oitavo Requisito

Não dado ao vinho (1Tm 3.3): Não beber nada que é embriagante ou alcoólico, pois
tira a identidade do Obreiro. Para maior profundidade no assunto é conveniente que o
Obreiro estude sobre o vinho no Antigo Testamento e no Novo Testamento.

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  Nono Requisito

Não espancador (1Tm 3.3): Há muitos Obreiros que não tem este ponto, pois são
espancadores, ou seja, brigão e valentão. Gostam de tirar satisfação e ao mesmo tempo
revidar com palavras no púlpito em pregações etc... No lar, na vida particular e em todos
os aspectos o Obreiro tem que ser equilibrado.

  Décimo Requisito

Não ser cobiçoso de torpe ganância (1Tm 3.3): a cobiça e a ganância é uma das
maiores inimigas do Obreiro. Todo Obreiro deve ser moderado e equilibrado no que toca a
este assunto. Muitos Obreiros são tachados de aproveitadores e insatisfeitos por não
terem essa virtude em sua vida. O Obreiro que falha aqui estará em queda e no caminho
da derrota. Leia (At 20.28-36).

  Décimo Primeiro Requisito

Moderado (1Tm 3.3): virtude essa que evita qualquer tipo de excesso, seja, em
qualquer situação em que se encontrar. Convém ao Obreiro ser moderado e modelo para
a Igreja em moderação.

Décimo Segundo Requisito

Não contencioso (1Tm 3.3): o Obreiro deve ser uma pessoa sem dívida e
reclamações, digo no sentido e aspecto espiritual de sua vida, não deve ser uma pessoa
que gere contendas e nem a provoque, Leia (2Tm 2.24;Rm 12.16-21;14.19; Ef 4.1-3)

  Décimo Terceiro Requisito

Não avarento (1Tm 3.3): ou seja, que não dá, mesquinho. Convém ao Obreiro do
SENHOR não ser mercenário fazendo do seu ministério fonte de enriquecimento ou lucro
próprio. A obra de DEUS tem recebido um certo descrédito por causa de Obreiros
avarentos que fazem da Igreja ou ministério ganho ou fonte de enriquecimento particular
e leviano por sua parte. Há muitos exemplos que poderíamos tirar das SAGRADAS
ESCRITURAS de homens que caíram por causa da avareza. (Js 7.21; Nm 31.15-16 e 22.5-23.
8; Jd 11. Mt 26.14-16).

Décimo Quarto Requisito

Que governe bem a sua família (1Tm 3.5): quantos Obreiros são irrepreensíveis em
todos os aspectos ministeriais, mas quando se trata ou entra na área familiar são
reprovados. O lar é o primeiro lugar onde o Obreiro deve realizar e executar os requisitos
da obra do SENHOR, sendo um bom pai, cabeça, administrador, Obreiro, servo, crente,
filho de DEUS em todos os assuntos tocantes a seu ministério.
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  Décimo Quinto Requisito

Não Neófito (1Tm 3.6): pessoas que se converteram há pouco tempo ao evangelho,
traduz também como sem raiz. O Obreiro deve ter maturidade espiritual. Quantos
Obreiros crianças, meninos na obra do SENHOR! A maturidade é de suma importância na
vida do Obreiro e se ele não for maduro não terá muito proveito. Sempre necessitará de
alguém para guiá-lo e socorrê-lo em muitas enrascadas. Devemos lembrar-nos de João
Marcos que voltou do campo por não ter maturidade da responsabilidade que assumia,
portanto convém ao Obreiro Ter maturidade.

  Décimo Sexto Requisito

Bom testemunho (1Tm 3.7): fala-se de uma vida pública irrepreensível para com os
de fora. Quantos Obreiros que na Igreja tem uma certa credibilidade afetada por não ser
testemunha verdadeira e real de seu serviço ministerial? Todos esperam que o Obreiro
seja uma testemunha primordial e exemplar para a Igreja e a todos que convém, seja
verdadeiro e não falso porque logo nossas atitudes vão soar mais do que nossas palavras.

4 - TENTAÇÕES DA VIDA DE UM VOCACIONADO POR DEUS


São muitas as tentações na vida do Obreiro chamado por Deus, muitos pensam que
o Obreiro é uma pessoa isenta de tentações e problemas. Estão enganados, pois o Obreiro
do Senhor sofre várias tentações. Por isso deve se preparar e depender de seu DEUS e
vigiar para que alcance a vitória.

1) Acomodação

Muitos Obreiros são tentados com o passar do tempo a se relaxarem e se


acomodarem. Deixando assim, a desejar no exercício de seus chamados. São comuns
Obreiros com mesma mensagem sempre, que não se esmeram e nem estudam. Sem
iniciativa na obra, preguiçoso, sem ânimo, não oferece nada de novo, e nem mesmo perigo
ao diabo.

2) Profissionalismo.

  Muitos Obreiros são tentados a considerarem o trabalho do Senhor como uma


profissão. O verdadeiro Obreiro realiza a obra sem qualquer tipo de profissionalismo ou
também interesse de dinheiro ou qualquer outro tipo de atitude que não identifique com o
caráter do ministério da Igreja.

3) Sexo

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  O sexo é uma das maiores dádivas do casamento, mas também pode ser a causa da
queda de muitos Obreiros do Senhor. Eis alguns dos motivos das tentações do Ministro
nesta área:

 Relaxamento na autodisciplina;
 Mau relacionamento com a esposa;
 Aproximação ou envolvimento exagerado com alguma irmã. Cuidado com visitas,
conversas, etc;
 Vasão a pensamentos pecaminosos;
 E outras coisas que poderíamos sugerir aqui, mas convém ao Obreiro discernir e
tomar conhecimento dos perigos.

4) Dinheiro

O amor ao dinheiro é raiz de todos os males diz o apóstolo Paulo (1Tm 6.10), por
esse motivo o Obreiro deve tomar muito cuidado, pois muitos caíram por causa do
dinheiro, como o caso de Judas (Mt 26.14-16).

5) Inveja no ministério

a) Muitos Obreiros têm caído na cilada do maligno e do inconformismo, da inveja e


cobiça. Nunca estão satisfeitos com o que estão fazendo, na obra do SENHOR.
b) Se estiverem dirigindo uma Igreja, acham que tem capacidade para dirigir outra
maior e outra mais bem localizada;
c) Quantos Obreiros estão caindo no mesmo pecado de Miriã e Arão e de Coré e seus
d) Seguidores (Nm 12.1-8 ; 16.1-35)?
e) O Obreiro tem que ser humilde e se colocar na posição que DEUS o colocou. A
inveja e ambição maligna foram à razão da queda de Lúcifer do céu e infelizmente
muitos Obreiros estão caindo por causa do mesmo motivo. Temos que nos
contentar com aquilo que DEUS tem confiado em nossas mãos.

Evite o espírito de rivalidade e competição na obra do Senhor. 

DISCIPLINA 2 – RELACIONAMENTO INTERPESSOAL

INTRODUÇÃO

Os seres humanos são criaturas sociais. Na época da criação, Deus disse que não era
bom que o homem estivesse só. Ele deu a Adão uma companheira, disse à espécie humana

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para se multiplicar e permitiu que nos expandíssemos até os bilhões de pessoas que
ocupam o planeta Terra atualmente.

Conviver é “viver com”. Consiste em partilhar a vida, as atividades, com os outros.


Em todo grupo humano, (inclusive na igreja) existe a necessidade de conviver, de estar em
relação com outros indivíduos. Além disso, a convivência é também formativa, pois ajuda
no processo de reflexão, interiorização pessoal e auto regulação do indivíduo.

O homem começa a ser pessoa quando é capaz de relacionar-se com os


outros, quando se torna capaz de dar e receber e deixa o egocentrismo dar lugar ao
alterocentrismo (estado de espírito que foca o interesse em outros).

Sempre que duas ou mais pessoas se juntam, ocorrem relações interpessoais. Às


vezes, essas relações são tranquilas, com todo mundo apoiando todo mundo e com uma
comunicação clara, concisa e eficiente. Frequentemente, no entanto, as relações
interpessoais são tensas e marcadas por conflitos. Os homens e mulheres de hoje tem
orgulho de seu individualismo, sua independência e autodeterminação, mas esses traços
de personalidade: às vezes nos afastam dos outros e nos tornam mais insensíveis,
solitários e incapazes de nos relacionar bem com outras pessoas. Vivemos na era da
informação, com multimídias e dispositivos mecânicos para auxiliar a comunicação e a
interação, mas ainda temos muitos mal-entendidos, não conseguimos nos dar bem uns
com os outros e muitas vezes nos sentimos isolados e sozinhos.

1. O QUE É RELACIONAMENTO INTERPESSOAL?


 É o relacionamento entre os indivíduos de um grupo, seja profissional, familiar ou social;
cujos membros estejam constantemente integrados em torno de um objetivo em
comum.

 É a maneira como você se relaciona com as pessoas à sua volta;

 A forma como você reage às pessoas, como você interage com elas. Suas emoções,
ações e atitudes quanto às pessoas que você se relaciona;

 Por exemplo, se você é fechado com as pessoas, grosseiro e agressivo nas palavras, seu
relacionamento interpessoal é negativo e prejudicial para você e para as outras pessoas.

2. INGREDIENTES PARA RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS SAUDÁVEIS


1. Amor

Como ministros, querer bem ao próximo, tratando-o com carinho deve ser o nosso
principal anseio. O amor é um atributo divino, oferecido e compartilhado ao homem, para

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esse relacionar-se qualitativamente com outras pessoas, tendo oportunidade de


demonstrar afetuosidade e apreço.

“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns
aos outros.” (Rm. 12.10).

“A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem
cumprido a lei.” (Rm. 13.8).

“O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.” (Rm.
13.10).

“Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti
mesmo.” (Gl. 5.14).

“Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há tropeço.” (1 Jo. 2.10).

2. Respeito

Qualquer indivíduo merece ser tratado com atenção e consideração, independente


de sua cor, grau de instrução ou posição social. Entre essas pessoas, o grupo mais
desprezado neste quesito são os idosos, num total desrespeito à pessoa humana e
também uma grave desobediência à Palavra de Deus.

“A glória dos jovens é a sua força; e a beleza dos velhos são as cãs.” (Pv. 20.29).

“Ora, rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, presidem sobre
vós no Senhor e vos admoestam; e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da
sua obras. Tende paz entre vós.” (1 Ts. 5.12-13).

“... e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.”
(Hb. 10.24).

“Dai a cada um o que lhe é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a
quem temor, temor; a quem honra, honra.” (Rm. 13.7).

3. Suporte

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É uma qualidade que não pode ser confundida com tolerância, pois, como uma das
ações essenciais para a saudável comunhão cristã, suportar é a capacidade de
oferecimento voluntário e espontâneo que o crente possui para sustentar os mais fracos
na fé. Portanto, dá-nos uma clara ideia de um tipo de esteio que suporta uma pesada e
frágil parede, impedindo-a de cair e se espatifar ao chão.

“Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós
mesmos.” (Rm. 15.1).

“Como prisioneiro no Senhor, rogo-lhes que vivam de maneira digna da vocação que
receberam. Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns
aos outros com amor.” (Ef. 4.1-2).

“Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros.
Perdoem como o Senhor lhes perdoou.” (Cl. 3.13).

4. Humildade

Qualidade extremamente importante no caráter de qualquer pessoa. A humildade


é a virtude que manifesta o sentimento de nossa fraqueza. É a forma simples, modesta e
equilibrada como alguém age e define a si mesmo.

“Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo
se humilhar será exaltado.” (Lc. 14.11).

“Por isso, pela graça que me foi dada digo a todos vocês: Ninguém tenha de si mesmo um
conceito mais elevado do que deve ter; mas, ao contrário, tenha um conceito equilibrado,
de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu.” (Rm. 12.3).

“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os
outros superiores a si mesmo.” (Fl. 2.3).

“Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas
estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a
padecer necessidade.” (Fl. 4.12).

“Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos
outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos
humildes.” (1 Pe. 5.5).
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5. Compaixão

A Wikipédia traz a seguinte definição para o termo: “Compaixão (do latin


compassione) pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional de outrem;
não deve ser confundida com empatia. A compaixão frequentemente combina-se a um
desejo de aliviar ou minorar o sofrimento de outra pessoa, bem como demonstrar especial
gentileza com aqueles que sofrem. A compaixão pode levar alguém a sentir empatia por
outra pessoa. A compaixão é frequentemente caracterizada através de ações, na qual uma
pessoa agindo com espírito de compaixão busca ajudar aqueles pelos quais se
compadece.”
“A compaixão diferencia-se de outras formas de comportamento prestativo
humano no sentido de que seu foco primário é o alívio da dor e sofrimento alheios. Atos
de caridade que busquem principalmente conceder benefícios em vez de aliviar a dor e o
sofrimento existentes são mais corretamente classificados como atos de altruísmo,
embora, neste sentido, a compaixão possa ser vista como um subconjunto do altruísmo,
sendo definida como o tipo de comportamento que busca beneficiar os outros minorando
o sofrimento deles.”

“E, Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e possuído de íntima compaixão para com ela,
curou os seus enfermos.” (Mt. 14.14).

“Então Jesus, movido de íntima compaixão, tocou-lhes nos olhos, e logo viram; e eles o
seguiram.” (Mt. 20.34).

“Tenho compaixão da multidão, porque há já três dias que estão comigo, e não têm o que
comer.” (Mc. 8.2).

3. CONFLITOS – PROBLEMAS INTERPESSOAIS


Porque as pessoas não conseguem se relacionar bem umas com as outras? Essa
pergunta é feita há séculos e cada situação tem uma resposta diferente.

Para David Augsburger, o conflito é uma coisa natural, normal, neutra e, às vezes,
até agradável. “Pode até ter um resultado ruim ou desastroso, mas não precisa ser assim.
[...] Não é com os conflitos que temos que nos preocupar, mas sim com o modo como os
enfrentamos. [...] O modo como vemos, abordamos e tratamos as nossas diferenças
determina – em grande parte – todo o nosso modo de viver.”

1. O que é um conflito

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

 A oposição que surge quando existe um desacordo dentro ou entre indivíduos,


equipes, departamentos ou organizações.
 Oposição de interesses, sentimentos, ideias. Luta, disputa, desentendimento. Briga,
confusão, tumulto, desordem.

2. Como surgem os conflitos

 Interpretação dos fatos de forma diferente.


 Quando há um pré-julgamento dos fatos ou das pessoas.
 Várias diferenças individuais, a forma de agir, a forma de pensar de cada pessoa.
 Discordâncias de opiniões, cada pessoa tem a sua própria opinião, que vai chocar
com as dos outros.

3. Evitando os conflitos

 Não tire conclusões sem antes ter convicção de fatos;


 Não tome atitudes drásticas enquanto irado;
 Seja empático (se coloque no lugar do outro);
 Peça perdão;
 Perdoe e esqueça – “Bola pra frente”;
 Abra mão de algo quando necessário;
15
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

 Não seja orgulhoso;


 Aceite a opinião dos outros;
 Não discuta com as pessoas, principalmente sobre assuntos sem importância;
 Controle a sua língua;
 Seja pacificador;
 Seja “bombeiro” – “Apague o fogo de prováveis discussões, não jogue mais lenha”;
 Evite as represálias – “não torneis a ninguém mal por mal”.

4. Solucionando os conflitos

Quando indivíduos, grupos ou nações estão em conflito, há quatro direções que eles
podem tomar. 1ª) Eles podem tentar eliminar o conflito; 2ª) Mantê-lo em seu nível atual;
3ª) Aumentá-lo; 4ª) Ou reduzi-lo.

É bom lembrar, que as pessoas nem sempre desejam que o conflito termine, e às
vezes os participantes podem decidir tomar direções diferentes. Por exemplo: um dos
cônjuges pode querer evitar enfrentar o conflito, achando que ele irá desaparecer se for
ignorado. Já o outro cônjuge pode querer aumentar o nível do conflito, talvez para
conseguir poder ou para trazer as diferenças à tona.

A solução dos conflitos geralmente acaba levando o conselheiro a assumir o papel


de negociador e mediador. Fazendo isso ele deve procurar:

 Demonstrar respeito pelas partes.


 Compreender ambas as posições, sem tomar partido abertamente.
 Restaurar a confiança das pessoas e lhes dar esperança, se sentir que há razão para
isso.
 Estimular as partes a se comunicarem com sinceridade e ouvir uns aos outros.
 Concentrar a atenção no que pode ser mudado.
 Tentar impedir que o conflito se intensifique (já que isso poderia interromper a
comunicação).
 De vez em quando, fazer um resumo da situação e das posições de cada um.
 Ajudar os aconselhados a encontrar ajuda se a sua mediação não resolver o
problema.

4. COMPORTAMENTO GERA COMPORTAMENTO

AGRESSIVIDADE GERA AGRESSIVIDADE

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

SIMPATIA GERA SIMPATIA

5. COMUNICAÇÃO
A essência do bom relacionamento interpessoal é a boa comunicação. Quando a
comunicação está deficiente ou está em vias de ser interrompida, surgem tensões
interpessoais e mal entendidos.

Regras da comunicação

1. Lembre-se de que as ações falam mais do que as palavras; a comunicação não verbal
geralmente é mais eloquente do que a verbal. Evite mensagens ambíguas, em que as
mensagens verbais e não verbais são contraditórias.

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

2. Decida o que é importante e enfatize esse ponto; decida o que não é importante e dê
pouca ênfase a esse ponto, ou ate ignore-o. Evite as críticas.

3. Comunique se de uma forma que mostre respeito pela outra pessoa como ser humano.
Evite frases que comecem com “Você nunca..."

4. Seja claro e especifico em suas palavras. Evite as frases vagas.

5. Seja realista e razoável. Evite os exageros e as palavras que começam com “Você
sempre...”

6. Teste todas as suas hipóteses verbalmente, perguntando se estão corretas. Procure não
tomar nenhuma atitude antes de fazer isso.

7. Reconheça que uma situação pode ter diferentes interpretações. Evite presumir que a
outra pessoa esta vendo as coisas da mesma maneira que você.

8. Reconheça que seus familiares e amigos conhecem você e o seu comportamento muito
bem. Evite a tendência de negar as observações que eles fazem a seu respeito –
principalmente se você não tem certeza de que eles estão errados.

9. Reconheça que o desentendimento pode ser uma forma significativa de comunicação.


Evite os desentendimentos destrutivos.

10. Seja franco e aberto em relação aos seus sentimentos e opiniões. Fale a verdade em
amor. Evite ficar calado e emburrado.

11. Não menospreze nem manipule a outra pessoa com táticas como ridicularizar,
interromper, xingar, mudar de assunto, jogar a culpa, aborrecer, usar de sarcasmo, criticar,
fazer birra, provocar sentimento de culpa, etc. Evite assumir ares de superioridade.

12. Preocupe-se mais com o modo como sua comunicação afetou os outros do que com o
que você pretendia dizer. Evite zangar-se quando for mal compreendido.

13. Aceite todos os sentimentos e tente compreender os sentimentos e atitudes dos,


outros. Evite dizer "você não deveria se sentir desse jeito".

14. Tenha tato, consideração e cortesia. Evite tirar partido dos sentimentos dos outros.

15. Faça perguntas e escute com atenção. Não pregue sermão e nem faça discursos.

16. Não dê desculpas. Evite cair nas desculpas do outros.

17. Fale de forma agradável, educada e suave. Evite as reclamações, gritos e lamúrias.

18. Reconheça o valor do senso de humor e da seriedade. Evite as provocações.

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

A habilidade de se comunicar eficazmente e sem irritar o outro é uma arte. Como


toda arte, o aprendizado é lento e precisa de prática. Ela começa com uma compreensão
básica das normas da boa comunicação, mas a verdadeira comunicação envolve mais do
que o uso de técnicas.

A verdadeira comunicação, do tipo que diminui a tensão interpessoal e constrói


bons relacionamentos, só ocorre quando existe um genuíno desejo de respeitar, aceitar,
compreender e dar atenção aos outros. Embora sejam importantes, as técnicas de
comunicação, em si mesmas, são de pouca valia sem a boa vontade e a sinceridade dos
interlocutores.

DISCIPLINA 3 – O OBREIRO E A FAMÍLIA

INTRODUÇÃO
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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

Ser obreiro do Senhor é a tarefa mais gloriosa na face da Terra. Além dos
galardões a que todo crente tem direito, é previsto um, específico para o obreiro: A
coroa de glória (1 Pe 5.2-4). Por outro lado, é a tarefa mais pesada, mais
incompreendida e a que exige mais responsabilidade diante de Deus. Ele precisa ser
exemplo do rebanho (1 Pe 5.3), exemplo dos fiéis (1 Tm 4.12), e exemplo para a sua
família.

Para tamanho desafio, o Obreiro precisa também contar com o apoio de uma
família feliz, exemplar, envolvida com o Reino e equilibrada emocionalmente e
espiritualmente; pois Se sua família for uma família desestruturada ou destruída, a
sociedade inteira e a igreja serão seriamente afetadas. A base da sociedade e da
igreja é a família.

O obreiro deve ser o exemplo da família, a esposa e os filhos devem afirmar


que ele é: “homem de Deus”. E será que eles têm esta perspectiva de você? Vale a
pena lembrar que depois de Deus as melhores pessoas para avaliarem a vida
espiritual do “chefe da casa”, é a esposa e os filhos, que convivem diariamente e
sabem as atitudes com as circunstâncias que enfrenta na vida cotidiana. Não adianta
subir no púlpito e pregar um belo sermão, quando em casa as coisas não vão muito
bem, por isso o apóstolo Paulo disse a Timóteo: “… se alguém não tem cuidado dos
seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel” (1 Tm
5.8).

1 - AS QUALIDADES DO OBREIRO E A FAMÍLIA


Na lista de nada menos de 16 qualificações que se exigem para um obreiro,
conforme 1 Tm 3.1-7, temos destaque para o relacionamento familiar: "marido de
uma mulher...que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição,
com toda a modéstia; porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá
cuidado da igreja de Deus?". Nas qualificações previstas para o presbítero, temos
igual referência (Tt 1.6). Se ponderarmos, veremos que há um peso muito forte das
qualidades familiares no meio das listas de qualificações para ser obreiro.

2 - O OBREIRO E O RELACIONAMENTO FAMILIAR


O OBREIRO COMO ESPOSO

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

O ministério não dispensa o obreiro dos deveres de esposo. Como tal, ele
deve agir da melhor maneira possível. Nenhuma outra atividade exige da família
identificação com o trabalho do esposo como a atividade de obreiro.

Como o obreiro pode (e deve) comportar-se como esposo?

Amando a esposa (Ef 5.25-29).

Isso exige demonstrações práticas de carinho, de afeto. (Pv 31.29; Ct 4.1;


1.16), através de palavras, gestos (cf. 1 Jo 3.18). Para muitos, as expressões "eu te
amo", "gosto de você" e outras são coisas do passado. Sem essas pequenas coisas, o
casamento do obreiro torna-se azedo, sem graça, e pode abrir brecha para a ação
do inimigo.

Comunicando-se com a esposa.

a) TEMPO PARA A ESPOSA. O obreiro precisa dar tempo para conversar com a
esposa; ter diálogo com ela: saber ouvir (Tg 1.19; Pv 18.23). Um dia a esposa
estava triste, chorando. O marido disse “não te entendo, moramos numa
ótima casa, com todo conforto, te dou muitos presentes caros, joias e etc.”
Ela disse: “querido eu não quero as coisas que você me dá. Quero você!”

b) Pensar antes de falar (Pv 21.23). Só falar a verdade (Ef 4.15,25).

c) Desenvolver a Comunicação Significativa. Evitar a comunicação rotineira.


Não responder com raiva (Pv 14.29). Não dar silêncio como resposta: é
pirraça; não é para crente. Evitar aborrecer (Pv 10.19).

d) Quando errar, PEDIR PERDÃO (Tg 5.16). PERDOAR (Cl 3.13; 1 Pe 4.8). Não
discutir em público. Não discutir diante dos filhos.

Zelando pela esposa (Ef 5.29)

Zelar significa “Tomar conta com dedicação”. Há obreiros que só querem zelo
para si, no entanto, devemos amar as nossas esposas zelando por sua vida com
prioridade, lembrando sempre da sua sensibilidade (o apóstolo Pedro retrata bem
esse princípio em I Pe 3.7 , quando ensina que devemos considerar a mulher como a
parte mais frágil, devendo ser tratada com consideração e dignidade) e importância
na família.

Cuidar da parte sexual ( 1 Co 7.3,5).

21
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

Este cuidado é superimportante para o equilíbrio espiritual, emocional e físico


do obreiro e sua esposa. Quando o casal não vive bem nessa parte, o diabo procura
prejudicar o relacionamento, a fim de destruir o ministério e a família.

Honrando a esposa (1 Pe 3.7)

Há obreiros que se envergonham de suas esposas. Isso não é de Deus.

O mundo acena para nossa mulher com resplendor, falsas promessas de


realização e verdadeira significação. Se deixarmos de honrá-la e estimá-la como uma
mulher distinta, será apenas uma questão de tempo: ela começará a desgastar-se e
buscará sua valorização em outro lugar, ou viverá uma vida de frustração.

Compreendendo seu papel de líder no lar (Ef 5.22; 1 Co 11.3)

É a liderança fundada no amor, "NO SENHOR", e não no autoritarismo. Deve


ser exemplo para os lares.

O OBREIRO E SEUS FILHOS

1) Vantagens em ser filho de obreiro:

Estão debaixo das bênçãos do ministério do pai. É preciso, no entanto, que os


pais ensinem que os filhos dos pastores ou obreiros não devem ter privilégios na
igreja. Há jovens que se prevalecem da condição de filhos de obreiros para
cometerem abusos, e irreverências. Por vezes, o pai "passa a mão por cima". Isso é
ruim.

2) Desvantagens em ser filho de obreiro:

Dos filhos do obreiro se exige mais do que dos filhos dos outros; são muito
olhados; parece que são mais tentados! Daí, a importância da atenção aos filhos.

3) Ataques do inimigo na vida dos filhos de obreiros:

a) Comportamento dúbio do pai: Na igreja é um santo; em casa, neurastênico,


violento, sem amor. Isso destrói o lar. Exemplo da família do pastor que quis mudar-
se para a igreja.

b) Escândalos na vida do obreiro: Assassina a confiança dos filhos.

c) Escândalos na vida dos crentes: Os filhos duvidam da fé, da igreja, e criam


certa repulsa ao ministério.
22
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

d) Ingratidão da igreja: Tratamento injusto ao obreiro; rejeição e


murmurações por parte dos membros. Tiram todo o desejo dos filhos de um dia
seguirem os passos do pai no ministério.

RELACIONAMENTO COM OS FILHOS

Deve ser o mesmo que o de todo pai cristão. (Ao lado da esposa).

a) Afeto (Fp 2.1,2; Sl 2.12; Os 11.1a,4a);

b) Cuidados espirituais (Dt 11.18-21; Ef 6.4). O culto doméstico é


indispensável.

c) Cuidados gerais: Alimento, educação, saúde e demais necessidades.

d) Comunicação: É preciso dar tempo para conversar com os filhos. Não


provocá-los à ira (Ef 6.4); não irritá-los (Cl 3.21). PEDIR PERDÃO, quando errar.

e) Disciplina (Hb 12.7; Pv 19.18). Ver Jr 31.20.

3 – O ENVOLVIMENTO DA FAMÍLIA NO MINISTÉRIO


 Todo obreiro deve entender que sua família pode somar e muito em seu
ministério.
 É preciso também que o Obreiro acredite no potencial e capacidade de sua
esposa e filhos em lhe auxiliar em suas funções.
 O obreiro deve investir e incentivar os filhos a se envolverem com os
ministérios da igreja. Ex: Colocar na aula de música, canto, etc.
 O ministro não pode deixar sua família para traz, ele deve trazê-la junto de
si. Ex: Noé não entrou sozinho na arca, mas ele e sua família foram salvos
do dilúvio. Porque não lembrar também de Josué? Canaã estava num
tempo de lassidão moral e idolatria. Naturalmente, o povo de Deus foi
influenciado por este contexto de trevas. Mas Josué não deixou de se
posicionar e, categoricamente, afirmou: “se vos parece mal aos vossos
olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: [...]; porém eu e a
minha casa serviremos ao Senhor”.

Quando toda a família do obreiro está engajada no servir ao Reino de Deus,


fica bem mais fácil exercer um ministério frutífero e exemplar.

4 – PRIORIDADES NA VIDA DO OBREIRO E A FAMÍLIA


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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

O obreiro precisa ter visão correta das prioridades do seu ministério. É saber
definir o que deve ser feito primeiro numa série de atitudes ou comportamentos. É
uma questão de ordem nas coisas.

Visão equivocada

Normalmente, há muitos obreiros que colocam suas atenções na seguinte


ordem:

1°) DEUS, 2°) IGREJA, 3°) OBREIRO, 4°) ESPOSA, 5°) FILHOS.

Qual o equívoco nessa ordem de coisas?

A Bíblia não diz “... em primeiro lugar o reino de Deus?” (Mt 6.33). É verdade.
Mas é necessário entender o que deve em primeiro lugar, em segundo, etc., não em
importância, mas na ordem das coisas.

O Pastor Paul Yong Cho, de Seul, na Coréia do Sul, teve uma experiência com
Deus muito séria nesse assunto. Numa vida de viagens e campanhas evangelísticas,
mal tinha tempo para conversar com a esposa. Quase desfez o seu lar. Orou a Deus
e o Senhor disse que ele estava errado e sua esposa estava certa, quando reclamava
sua maneira de tratá-la: "Se perderes tua mulher, ninguém mais dará ouvidos ao
que disseres. Podes construir uma grande igreja, mas se o teu lar se despedaçar,
perderás o teu ministério... a igreja depende de tua vida familiar. Trarás mais
desgraça ao ministério com teu divórcio do que todos os outros benefícios...
ademais, todos os crentes estão olhando para teus filhos... teu ministério primário
deve ser teus filhos. Eles devem ser os membros principais de tua igreja. Então,
juntos, tu, tua esposa e teus filhos edificareis a igreja. CONSIDERA TUA ESPOSA
COMO PARTE MUITO IMPORTANTE DO TEU MINISTÉRIO E ALIMENTA TEU
RELACIONAMENTO COM ELA".

O Pr. Cho reformulou sua vida. Tirou UM DIA para estar só voltado para sua
esposa (àquele tempo não tinha filhos). Passou a ORAR JUNTO COM ELA, planejar
junto com ela. Os resultados, segundo ele, foram excelentes. O ministério progrediu
mais ainda.
Deve ter acontecido o que S. Pedro recomenda em 1 Pe 3.7. 3.2.

Visão correta

1°) DEUS, 2°) OBREIRO, 3°) ESPOSA, 4°) FILHOS, 5°)IGREJA.

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

A igreja por último? Exatamente. Ela é MUITO IMPORTANTE. Para cuidar dela,
é necessário:

 Primeiro: buscar a Deus (Mt 6.33); Isso é indiscutível.

 Segundo: cuidar da própria vida de obreiro (1 Tm 4.16) para ser exemplo (1


Tm 4.12b; Tg 2.12);

 Terceiro: cuidar da esposa (1 Tm 3.2a; Tt 1.5,6a; 1 Tm 3.12); A falta desse


cuidado tem dado brecha para o Diabo destruir muitos ministérios, outrora
tão promissores.

 Quarto: cuidar dos seus próprios filhos (antes de cuidar dos filhos dos outros)
(1 Tm 3.4-5;5.8). É triste procurar ganhar os filhos dos outros e perder toda a
família.

 Quinto: CUIDAR DA IGREJA. Ela é o alvo mais importante. Sem as pré-


condições, há muito insucesso. No Brasil, já se conhecem diversos casos de
obreiros que perderam seu ministério de prestígio nacional e internacional
por não entenderem esse assunto. Que Deus nos ajude a compreendê-lo bem
e colocar em prática a orientação baseada na Bíblia.

A melhor credencial do obreiro é a família

• A aprovação divina começa no lar.

• Seu primeiro ministério é sua família.

• Nunca o seu ministério poderá ser mais importante que seu lar.

A família do obreiro não precisa ser “vitrine doutrinária”. Ela é normal como
todas as outras (não coloque esse peso sobre seus familiares).

O obreiro precisa evitar que a agenda da igreja interfira na qualidade de vida


da sua família.

QUESTÕES PARA UMA REFLEXÃO DIALÉTICA DO CASAL


1. Ele trata melhor o cachorrinho do que eu quando chega do trabalho.

2. A língua dela é um instrumento que fere. (Marido)

3. Nosso desequilíbrio financeiro tem provocado constantes conflitos.

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

4. Ele é bom para todo mundo, menos pra mim. (Esposa)

5. Ele(a) só sabe me criticar, nunca faz elogio. (Esposa/Marido)

6. Por que não nos Comunicamos na vida a dois? (Marido/Esposa)

7. Meu marido pastoreia o coração de todas as ovelhas, menos a "ovelha mais


próxima" que sou eu, sua esposa.

8. Eu tenho dificuldade em perdoar. Ela(e) nunca me pede perdão quando erra.

9. Preciso de toque, carinho, sem sexo (esposa).

10. Ele nunca toma decisão alguma. Eu tenho que resolver tudo. (Esposa)

11. Ele é uma coisa na igreja, outra na rua e outra em casa. (Esposa)

12. Ela sempre me diz que submissão é auto escravizar-se ou ser "empregada
doméstica de luxo" do marido.

13. Á luz da Bíblia, o que é submissão? (Marido)

14. O excesso de TV está destruindo meu casamento. (Marido/Esposa)

15. Ele nunca vai ao supermercado, à feira ou ao shopping center comigo. Só


ando sozinha (esposa)

16. Ele não se arruma. (Esposa)

17. Sempre brigamos, ela(e) joga os filhos contra mim. (Marido/Esposa)

18. Ele é viciado em Internet. Já tivemos sérias brigas por causa disso. (Esposa).

19. Ele me magoa o dia inteiro; e depois, à noite quer ter relações sexuais comigo.
Ele só pensa nele, e nunca se preocupa com a minha satisfação sexual. (Esposa)

20. Ele quer que eu pratique sexo anal. (Esposa)

21. Nós nem bem começamos o ato sexual e ele já termina (Esposa)

22. Ele fica indiferente e me despreza quando eu estou menstruada. (Esposa)

23. Não aguento mais o mau-humor pré-menstrual da minha esposa. (Marido)

24. Tudo indica que está com problema na próstata, porém não quer ir ao
médico. (Esposa)
26
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

25. Até que idade o casal pode praticar o ato sexual?

CONCLUSÃO

Esperamos que Deus, o criador da Família, antes mesmo de criar a Igreja ou o


Ministério, nos faça entender pelo Espírito Santo, o Professor Excelente, que Ele fez
tudo a seu tempo (prioridade) e há tempo para todo o propósito debaixo do céu
(oportunidade) e mais ainda que a família tem um importante lugar nas prioridades
de Deus. Ela não pode nem deve ser negligenciada. É alto o preço a pagar por
aqueles que, em nome da Obra ou da Igreja, não levam em conta o valor da esposa,
dos filhos ou da família. Que Deus nos ajude a entender que o primeiro púlpito deve
ser o do Culto Doméstico; que as primeiras almas que temos o dever de ganhar para
Jesus são nossos queridos familiares.

Para refletir: “Nenhum sucesso no ministério, compensa o fracasso de sua


família”.

DISCIPLINA 4 – CARÁTER CRISTÃO


INTRODUÇÃO

Vivemos numa época em que os valores estão sendo descartados dia-a-dia. A


sociedade tem andado num ritmo acelerado de inversão de valores a ponto de não
nos espantarmos mais com a infinidade de absurdos que nos são comunicados.

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

O mundo tenta impor, através de diversos meios, que Deus, a família, a igreja,
o bom caráter e a moral não são relevantes ou necessários. Nesta sociedade
relativista, o valor absoluto das coisas se perdeu, e cada qual cria seu próprio
mundo, sua própria cosmovisão. Desta forma, os valores que o cristianismo apregoa
são considerados por muitos como falidos e ultrapassados.

Valores estranhos que outrora não faziam parte da realidade da igreja passam
a ser tolerados. A igreja que antes era caracterizada por andar na contramão dos
valores materialistas tem se deixado levar por modismos e novidades que passam a
moldar seu “novo” jeito de ser. Neste ritmo, já não podemos brilhar como luz do
mundo e nem temperar como sal da terra. Neste ritmo, a moral e o bom caráter não
têm um valor tão intenso como deveria ter. Não importa se a igreja faz a diferença
no meio em que está inserida, em sua comunidade, mas o que importa é ser
numérica, mesmo que não tenha qualidade.

O objetivo com este estudo é definir e apresentar uma proposta para trazer
para a aplicação pessoal a essência do caráter cristão, entendendo como ele é
formado, quais são seus valores, suas virtudes. Veremos como isso faz toda
diferença.

1 - DEFINIÇÃO
Segundo o Dicionário Aurélio, caráter é definido por: “qualidade inerente a
uma pessoa, animal ou coisa; o que os distingue de outra pessoa, animal ou coisa; o
conjunto dos traços particulares, o modo de ser de um indivíduo, ou de um grupo;
índole, natureza, temperamento”.

O significado literal do termo grego charaktēr é “estampa”, “impressão”,


“gravação”, “sinal”, “marca” ou “reprodução exata”.

Caráter é algo que vai sendo formado e impresso com o tempo em nosso
interior, uma verdadeira marca. O caráter de cada qual não é formado do dia para
noite. É um processo gradual que está relacionado a um amplo conjunto de fatores
que influenciam na formação de cada um.

Meios como TV, internet, família, religião, infância, desprazeres, decepções,


alegrias, enfim, uma gama variada de fatores influencia na formação do caráter de
cada indivíduo. Desde o berço.

 2 - O CARÁTER CRISTÃO – FORMAÇÃO, INFLUÊNCIAS E VIRTUDES


Assim como o caráter de cada indivíduo é formado desde o berço, nosso
caráter cristão também passa a ser moldado desde o primeiro passo de nossa
28
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

caminhada com Cristo (Jo 1.12; 3.3). Os valores do Reino de Deus passam a ser
impressos em nós, para que verdadeiramente possamos ser seguidores de Jesus
Cristo genuinamente.

Deus usa de muitos meios e formas para que o caráter de seus filhos seja
formado, mas sem dúvida alguma, o principal fator de influência é o agir da Palavra
dEle na vida de cada um, bem como o consolo e direção que o Espírito Santo dá aos
Seus (Ef 1.13). Afinal, o que pode ser considerado como um caráter cristão?
Podemos relacionar alguns pontos, que evidentemente, não serão os únicos:

1) Não se trata apenas de bons valores morais | Apesar do cristianismo


carregar implicitamente um forte viés moral – pois a Bíblia nos dá parâmetros
morais – o caráter cristão não está repousando apenas sobre o fato de ser “bom”. A
boa moral está contida, mas de modo algum é o todo. Cada um de nós pode dar
exemplos de pessoas que confessam ser cristãs, mas que não são bons exemplos de
conduta digna, bem como pessoas não cristãs que são cidadãos de bem.

2) O cristão genuinamente bíblico admite suas falhas | Cada um de nós, sem


exceção, é um pecador (Rm 3.23). Todos temos o pecado dentro de nós, e isso
produz limitações e consequentemente falhas. A virtude do cristão de caráter é ser
transparente, é ter dignidade suficiente para admitir que é limitado e que depende
completamente da misericórdia e graça do Senhor.

3) O caráter moldado cria controle | Quando nosso caráter entra em fase de


maturidade, conseguiremos controlar situações que de algum modo podem
manchar a marca de Jesus em nós, afetando nosso testemunho cristão. Neste ponto
de plenitude, não haverá espaço para amargura, ira, discórdia, egoísmo, arrogância,
discussões, facções. Apesar de – eventualmente – tais coisas ocorrerem, precisam
ser enfrentadas e enfraquecidas. Nosso ser por completo, mente, atitude, palavras,
precisa ser um meio de culto e adoração permanente (Mc 12.30; Gl 5.22).

Com tal caráter formado em nós, passaremos a frutificar em atitudes que


atestam que somos de Deus e temos Sua Palavra em nossas vidas. Passamos a
frutificar em virtudes, como: 

 Amor | “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor
uns aos outros” (Jo 13.35).
 Pureza | vida separada – santificação – para o Senhor. Uma vida distinta num
mundo corrupto (Fp 4.8).
 Imparcialidade | trataremos a todos – seja quem for – de modo único, sem
acepção de pessoas. Seremos justos com as pessoas, independente de
afinidade, sejam amigos, parentes, irmãos, parceiros de caminhada (1Ts 5.15).

29
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

 Sem fingimento | é prezar pela verdade. Não existe espaço para máscaras e
ânimo duplo (1Pe 2.1; Tg 4.8).
 Humildade | ninguém é autossuficiente. Vaidade e soberba não devem
encontrar espaço no coração do cristão; tais coisas devem ser banidas de
nosso meio! Somos um corpo e dependemos uns dos outros (Mt 5.3).
 Mansidão | serenidade. Ser manso, não permitindo que disputas e discórdias
tomem conta. Gentil, sensível e paciente com todos (Mt 5.5).
 Misericórdia | compaixão pela dor, “pela miséria do coração” alheio.
Entender que nosso próximo pode passar por lutas, dores, infelicidades
extremas. Experimentar e participar do sofrimento alheio (Mt 5.7)
 Coração puro | ser livre de impurezas no altar – no coração. Relacionamento
constante com Deus e com a Sua presença, nos limpando genuinamente
daquilo que nos separa dEle (Mt 5.8).

  O modelo supremo de caráter – fonte de inspiração

Nosso modelo supremo de formação de caráter é nosso Senhor e Salvador


Jesus Cristo! Ele deve ser nosso alvo, razão, adoração, modelo, tudo! Afirmar que
somos cristãos é carregar nos ombros a responsabilidade de sermos seguidores e
praticantes dos ensinos do Mestre.

Ter um modelo é fundamental na formação do caráter, e para formação do


caráter cristão, o modelo do Senhor nos leva a amá-Lo, admirá-Lo, imitá-Lo, segui-
Lo. Ele nos faz, dia-a-dia ver que podemos aplicar, viver e frutificar em tudo que
vimos acima.

Que possamos afirmar, assim como Paulo que somos imitadores de Jesus (1Co
11.1). Para tal, devemos:

- Conhecer o Filho de Deus | Buscar estar em pura intimidade com o mestre e


o auxílio do Consolador (Ef 4.13; Jo 15.5; 26-27; 1Jo 1.1-3). O testemunho da Palavra
e do Espírito Santo nos levam a conhecer e ter intimidade com Ele.

- Submeter-se ao senhorio de Jesus | Rm 10.8-9 – estar submetido


completamente ao governo e autoridade de Cristo sobre nós. Não basta reconhecer
e ter Jesus como Salvador, mas sim estar submisso a Seu senhorio.

- Obediência irrestrita | A época em que vivemos tem ressaltado cada vez


mais que o ser humano vive em rebeldia contra Deus e Sua Palavra. Jesus nos
mostrou que a obediência ao Pai deve ser praticada (Fp 2.8).

- Negar a si mesmo | Matar nossa carne e viver para ele; o negar a si mesmo é
um verdadeiro atestado de compromisso com o Reino. Jesus serviu e não foi
30
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

servido. Adoramos ao Senhor de modo especial quando estamos negando ao nosso


ego e mortificando nossa vontade, deixando que Ele viva em nós (Gl 2.20).

Que possamos caminhar moldando nosso caráter de glória em glória (2Co


3.18) e que isso seja como aroma suave subindo à presença de Deus. Um verdadeiro
meio de adoração!

3 - A ÉTICA MINISTERIAL

  A ética ministerial na vida do Obreiro é de suma importância para que saiba se


conduzir nas suas tarefas ministeriais sem qualquer embaraço.

Definição da palavra "ética" é estudo crítico da Moralidade, ou seja, uma


análise da natureza da vida humana, incluindo os padrões do certo e errado, pelos
quais sua conduta possa ser guiada e dirigida.

3.1. Ética no trajar e outros comportamentos.

a) Sabemos que o Obreiro não é nenhum “mega star” que tem muitas roupas
luxuosas que possa vestir-se em cada reunião, porém temos por necessidade de
orientar os Obreiros do Senhor a se comportar de maneira ética vestindo-se de
acordo com sua capacidade financeira, mas é importante que o Obreiro não ande
tudo sujo, despenteado, barbado, roupa suja e rasgada e de pé descalços. Sabemos
que muitos de nossos Obreiros não ganham o suficiente para possuir um guarda
roupa rico e sobejaste, porém é de suma importância que o Obreiro ande com
roupas bem passadas e lavadas e que não seja motivo de chacotas;

  b) Cuidados indispensáveis como ter os sapatos sempre lustrados, cabelos


sempre bem aparados e penteados, barba feita diariamente, unhas sempre limpas e
aparadas para que não gere nenhum tipo de resignação e objeção por parte
daqueles que irão falar e /ou trabalhar.

c) Os dentes também são fundamentais na vida do Obreiro. A escovação dos


dentes é um hábito necessário e deve ser feita logo após as refeições e antes de
dormir. Ir ao dentista pelo menos uma vez por ano. Com tais cuidados evitaremos
mal hálito, perca de dentes pela ação das cáries etc. Lembre-se dentes bem
cuidados é uma “carta de apresentação” quando sorrimos!

d) É importante que se banhe pelo menos uma vez ao dia para evitar qualquer
cheiro de suor etc... É necessário que o Obreiro se perfume e evite cheiros corporais
que possam vir a constranger aqueles que se aproximar perto dele.

3.2. Ética no Púlpito.


31
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

O Obreiro deve ter em mente e conhecer a responsabilidade de reverenciar,


ao tomar o púlpito da igreja. Muitos Obreiros ficam com ministério sujo, critico e
ruim por não saber fazer o uso do púlpito do Senhor. Sabemos e cremos que são até
chamados por DEUS e são grandes homens de DEUS, mas por não saber fazer uso do
púlpito acabam sendo negligenciados por parte do ministério e de todos.
Entendemos porque Paulo dizia e escreveu que era para nós portarmos de modo
que não gerem escândalos (1Co 10.32).

REGRAS BÁSICAS PARA USAR COM REVERÊNCIA O PÚLPITO

a) O púlpito deve ser usado por homens nascido de novo, puros, santos e com
vocação ministerial. Quantas pessoas que fazem uso do púlpito e não são dignas e
nem possuem caráter e vida com DEUS para usá-lo.

b) O púlpito é lugar do Atalaia de DEUS dar a mensagem e de onde as almas


recebem o alimento do céu e onde as almas são conduzidas e guiadas para o céu.

c) O púlpito não é lugar de brincadeira, também não é picadeiro de circo para


contar anedotas para fazer a congregação rir. Muitos usam o púlpito para
apresentar suas histórias e seus espetáculos de diversão. Precisamos de pregadores
que tragam em seus corações a chama do Espírito Santo para inflamar a
congregação.

3.3. Tentações no Púlpito

a) A auto exaltação: o Obreiro é tentado a achar-se um grande pregador ou


ensinador;

b) Confiança em sua capacidade: o Obreiro é tentado a confiar em suas habilidades


e conhecimentos e eloquência, ao invés de depender do Espírito Santo e sua
preciosa inspiração;

c) Pregar a palavra sem que ela seja uma realidade em sua vida: nos dias de hoje há
muitos atores nos púlpitos das Igrejas, pois só representam papéis. Quando estão
em suas vidas particulares não são o que dizem ser nos púlpitos, só representam um
papel, mas não vivem o que pregam ( Mt 23.3-4 );

d) Mentir ou exagerar quando está contando uma ilustração e estória (Pv12.19 ; Ef


4.25);

e) Falar o que as pessoas querem ouvir ao invés de obedecer ao Espírito Santo, (At
4.20);

f) Manipular os ouvintes com estórias e ilustrações emocionantes;


32
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

g) Usar o púlpito como martelo, para descarregar suas frustrações e nervosismo;

h) Relaxar nas pregações da palavra de DEUS, por causa da preguiça e desculpar-se


que é o Espírito que dá a mensagem (At 17.11 – Rm 15.4 – 1Tm 4.13-15 – Sl 1.2).

Poderíamos colocar muitos outros pontos para conhecimento do obreiro


sobre o uso do púlpito, mas para encerrarmos deixaremos para meditação (2Tm
4.2). O púlpito é lugar da pregação e exposição da Palavra de DEUS (Sl 119.130)

3.4. O obreiro deve preocupar-se com a linguagem sã.

É determinação do velho apóstolo e mestre aos seus discípulos, (1 Tm 4.12b).

a) Tonalidade de voz: o obreiro deve moderar sua voz para que não fale
gritando, nem tão baixo que seja difícil ouvi-lo. Falar alto demais pode demonstrar
exaltação, falta de convicção do que se fala ou até mesmo falta de educação.

b) Vocabulário: o vocabulário do obreiro não dever ser recheado de gírias e


palavras obscenas, (Ef. 5.3; Sl 34.13; Pv 13.3; 21.23), portanto, deverá ser observado
o auditório.

c) Tipo de conversação: a palavra de Deus condena a conversação torpe e vã,


(Ef. 5,3,4,19; 1 Co 15.33; Pv 17.27; Cl 4.6; Tt 2.8; Tg 3.2).

d) Gestos: a fala também envolve os gestos e o obreiro deve ter cuidado para
não ser exagerado nos seus gestos ao falar.

e) Os compromissos: o obreiro tem um compromisso inalienável com a


verdade. A bíblia recomenda que o servo de Deus seja de uma só palavra, (1Tm 3.8;
Mt 5.37). Muitas pessoas se escandalizam ou rejeitam o evangelho porque fizeram
tratos com um obreiro que posteriormente negaram-se em cumprir, (Pv 6.16,17;
19.5; Zc 8.16; 2 Co 13.8). Dívidas são compromissos.

    3.5. Ética com os companheiros de ministério.

O sucesso do ministério do Obreiro também está focalizado com seu


comportamento com seus amigos de ministério, muitos têm falhado aqui, por isso
que esboçamos o comentário que pode ser muito útil ao Obreiro de Senhor.

a) Tratar os Obreiros como Cooperadores na qualidade de coparticipantes das


responsabilidades do ministério que DEUS lhe confiou;

b) Nunca tomar decisões a respeito do ministério sem antes consultar seus


colegas e Cooperadores de trabalho;
33
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

c)  Não force seus colegas e Cooperadores a aceitarem suas ideias e opiniões.


É bom ouvi-los e considerar suas opiniões;

d) Evite liberar por decretos se quiser gozando da simpatia de seus


Cooperadores;

e) Evite criticar seus Cooperadores principalmente do púlpito, diante da


Igreja. Escolha um lugar à parte e longe dos outros; se persistir leva ao
conhecimento dos outros em reunião ministerial;

f) Sê sábio nas distribuições de serviços ministeriais e de acordo com a


capacidade de seu cooperado;

g) Não centralize o trabalho em você. Dê o trabalho na responsabilidade de


seus Cooperadores e tenha em mente o companheirismo ministerial;

h) Evite brigas, desavenças, discussões e falatórios que não levam a nada e


não produzem edificações;

i) Ame seus colegas ministeriais e seja um grande amigo e se for necessário


até pai em algumas ocasiões, mas ame e desfrute do companheirismo de seus
Cooperadores.

Seja um Obreiro aprovado em relações ao trato com seus amigos ministeriais,


e DEUS prosperará seu ministério fazendo-o brilhar e ser visto por todos, e o nome
de DEUS será glorificado no seu ministério e serviço.

OS DEZ “NUNCA” DO MINISTRO

1) Nunca convide membros de outras igrejas para se filiarem à sua.


2) Nunca tome partido numa questão sem ouvir os dois lados.
3) Nunca deixe de pregar a Palavra com medo de ofender as pessoas.
4) Nunca use o púlpito para atacar pessoas ou descarregar suas ansiedades e
preocupações pessoais.
5) Nunca fale no púlpito sobre experiências de aconselhamento sem autorização.
6) Nunca peça dinheiro emprestado.
7) Nunca manuseie finanças da igreja.
8) Nunca subestime a historia de sua igreja e o ministério anterior ao seu.
9) Nunca se isole no ministério.
10)Nunca tenha inveja de seu companheiro de ministério.

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

DISCIPLINA 5 – DOUTRINAS E COSTUMES

DEFINIÇÃO

Constantemente verificamos que as pessoas fazem uma certa confusão a respeito


do significado dessas duas palavras. Embora elas se pareçam na prática, mas em sua
significação elas são distintas. Doutrina é o ensinamento bíblico de forma sistemática.

Costume é o nome dado a qualquer forma social resultante de uma prática,


observada de forma generalizada e prolongada, o que resulta numa certa convenção de
obrigatoriedade, trata-se do comportamento do crente, da sua postura diante do mundo.

Exemplos bíblicos: No Velho Testamento: Jr 10.3 (Nação – prática)


35
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

No Novo Testamento: Lc 1.9 (Grupo); Lc 4.16 (Pessoal); 1Co 11.12 a 16 (costumes da igreja
local); 1Co 15.33 (Bons)

Exemplos atuais: Costumes superados: Bigode e chapéu

O tema “usos e costumes” é uma velha questão nos círculos pentecostais. A


tradição faz parte de todas as instituições e sociedades. Assim, é correto afirmar que
todas as igrejas têm os seus costumes, impostos ou espontâneos, mas igualmente
estabelecidos. Por muito tempo se confundiu costumes com doutrina, mas há
diferenças significativas entre esses dois conceitos.
O que é costume? O lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda definiu costume
como “uso, hábito ou prática geralmente observada” [1]. O dicionarista Adriano da
Gama Cury definiu, de maneira mais completa, a palavra costume como “uso,
prática habitual; modo de proceder; característica, particularidade; prática jurídica
ou religiosa não escrita, baseada no uso; moda; traje característico ou adequado...”
[2]. Essas definições mostram que o costume é um hábito repetidamente adotado
por um determinado grupo social. Os costumes fazem parte da identidade de uma
instituição.
O que é doutrina? No Novo Testamento a palavra mais usada para doutrina é
didache e significa ensino, instrução, tratado ou doutrina. Segundo o teólogo
Claudionor Corrêa de Andrade, doutrina é a “exposição sistemática e lógica das
verdades extraídas da Bíblia, visando o aperfeiçoamento espiritual do crente” [3].
Doutrina, portanto, é o resultado do um ensino teológico, adotado por uma
denominação ou religião.
O pastor Antônio Gilberto apresentou em seu livro Manual da Escola
Dominical algumas diferenças entre usos e costumes, e neste artigo será
apresentada outras diferenças, além da lista exposta pelo teólogo pentecostal.

a) A doutrina é de origem divina, o costume é de origem humana.

A doutrina é divina, pois está baseada na inspirada Palavra de Deus. Para uma
ideia ser doutrina bíblica é preciso que ela esteja exposta por todo o texto sagrado.
Nunca uma verdadeira doutrina é baseada em textos isolados.

O costume é imposto por convenções humanas de maneira espontânea ou


obrigatória, sendo assim, o costume é humano. Há muitos que tentam achar textos
bíblicos para justificar a perpetuação de sua tradição, mas normalmente praticam a
eisegese, ou seja, dizem o que bem querem e tentam justificar na Bíblia. O teólogo
Esdras Costa Bentho, escrevendo sobre a eisegese, disse: “O intérprete está cônscio
36
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

de que a interpretação por ele asseverada não está condizente com o texto, ou
então está inconsciente quanto aos objetivos do autor ou do propósito da obra.
Entretanto, voluntária ou involuntariamente, manipula o texto a fim de que sua
loquacidade possa ser aceita como princípio escriturístico.”
Tentar justificar na Bíblia as tradições é uma tarefa que tem levado a muitas
distorções bíblicas. O melhor é reconhecer que elas são humanas.

b) A doutrina é imutável, o costume muda.

A doutrina é permanente, ela nunca muda. A doutrina da “justificação pela


fé”, exposta principalmente nos primeiros capítulos de Romanos, nunca mudou e
nem deve ser mudada. Doutrina (bíblica) mudada é heresia. Quando Lutero
resgatou a doutrina da justificação pela fé, ele orientou a igreja a voltar na
perspectiva bíblica sobre o assunto. São passados mais de dois mil anos e essa
doutrina nunca mudou no verdadeiro cristianismo.
O costume não é imutável. No Brasil era comum os cidadãos andarem pelas
ruas de chapéus, tanto homens como mulheres, passados os anos não há mais esse
costume no país. Antigamente, os pais escolhiam com quem a sua filha casaria, mas
também esse costume mudou. É necessário que o costume mude, pois ele está
ligado à cultura local, e toda cultura é dinâmica. Mudar alguns costumes não
significa passar do são para o diabólico, como muitos pregam. A mudança é
inevitável e deve ser bem orientada, mas como enfatizado, é sempre necessária. É
bem relevante o que o teólogo britânico John Stott escreveu no seu livro
Cristianismo Equilibrado:
Quando resistimos a mudanças - sejam elas na igreja ou na sociedade
devemos perguntar-nos se são na realidade, as Escrituras que estamos
defendendo (como é nosso costume insistir ardorosamente) ou, se ao
contrário, é alguma tradição apreciada pelos anciãos eclesiásticos ou de
nossas heranças cultural. Isto não quer dizer que todas as tradições,
simplesmente por serem tradicionais, devam a qualquer custo ser
lançadas fora. Iconoclasmo sem crítica é tão estúpido quanto
conservantismo sem crítica, e é algumas vezes mais perigoso. O que
estou enfatizando é que nenhuma tradição pode ser investida com uma
espécie de imunidade diplomática à examinação.

Algumas igrejas estão impondo mudança de costumes, isso é um erro, que


sempre levará a exageros. Os costumes mudam naturalmente, mas devem seguir
37
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

orientação para não levar a práticas antibíblicas. As igrejas sem orientação pastoral
tem aderido a costumes extravagantes, como bailes funks em meio ao culto. Tudo
deve ser feito com equilíbrio, nada de permissividade em excesso e nem de
legalismo.

c) A doutrina é universal, o costume é local.

A doutrina é universal no sentido que é para todos os povos em todas as


culturas. Proclamar Jesus como Salvador faz sentido no Brasil em 2007, como para
os indianos que foram evangelizados pelo apóstolo Tomé, o primeiro missionário
daquela nação, ainda no primeiro século da Era Cristã.
O costume é local. Os homens na Escócia usam um tipo masculino de saia. No
Siri Lanka é, também, costume para homens a vestimenta com saias. Enquanto a
saia, na maior parte do Ocidente, é uma roupa exclusivamente feminina. No Brasil é
comum comer peixe cozido ou frito, mas no Japão se come peixe-cru.

d) A doutrina santifica, o costume não santifica.

A doutrina bíblica santifica o crente mediante a Palavra de Deus. Jesus disse:


“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). O ensino da Palavra
de Deus, ou seja, das doutrinas bíblicas, é um dos meios que Deus usa para levar o
crente a uma vida reta, assim como escreveu o salmista: “Como purificará o jovem o
seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra”(Sl 119.9). John Henry Jowett
disse: “Você não pode abandonar os grandes temas doutrinários e ainda assim
produzir grandes santos”. O pastor A. W. Tozer escreveu: “O propósito que está por
trás de toda doutrina é garantir a ação moral”. Por isso, é bom lembrar que a
doutrina bíblica produz, naturalmente, bons costumes.
O costume não pode santificar. Quem acredita na santificação por meio dos
costumes, normalmente, é um escravo do legalismo. O pastor Antonio Gilberto
escreveu a respeito dos erros em relação a santificação e citou o engano de associar
exterioridade com santidade: “Usos, práticas e costumes. Esses últimos, quando
bons, devem ser o efeito da santificação, e não a causa dela’’. É bem relevante o que
escreveu o pastor Ciro Zibordi no prefácio do livro Verdades Pentecostais:
Conservar não significa possuir uma falsa santidade, fazendo dos usos e
costumes uma causa, e não um efeito. Como pode ser ao longo dessa obra, a
observância da sã doutrina leva-nos a ter santidade interna e externa, o que implica
vida santa a partir do espírito (1Ts 5.23) e manutenção dos bons costumes. Estes,

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

pois, não devem gerar doutrinas, como vem acontecendo em algumas igrejas não
legitimamente avivadas, para prejuízo de seus membros.
O farisaísmo se caracterizava por associar sua obras com salvação. Há muitos
que fazem dos costumes “doutrinas” e, assim, pensam que para serem salvos
precisam fazer isso ou aquilo. Como dizia Lutero: “As boas obras não fazem o
homem bom; mas o homem bom pratica as boas obras”. A inversão dessa ordem
cria escravos do farisaísmo e não servos do Altíssimo.

e) A doutrina é um princípio, o costume é um preceito.

Há diferença entre princípio e preceito? Sim. O pastor José Gonçalves


escreveu: “Os preceitos apontam para princípios e não o contrário. Um princípio é
aquilo que está por trás do preceito ou norma”[10]. Por exemplo, usar uma roupa
social em um tribunal é uma norma, um preceito. O princípio ou doutrina por trás
dessa norma é que o tribunal é um lugar sério e não ambiente de entretenimento,
onde se possa ir de jeans ou short.

f) A doutrina é verdade absoluta, o costume é uma verdade relativa.

A doutrina é sempre verdade absoluta, ou seja, é para todos, em todas as


épocas e em todos os lugares. O costume é relativo, como lembra Geremias do
Couto:
Ao insistirmos nos absolutos, não queremos afirmar que não haja
também conceitos relativos. Essa diversidade se manifesta, por exemplo,
nas comidas típicas de cada país, nos estilos da arquitetura, no estilo da
vestimenta e até mesmo em relação à hora de dormir, que depende do
fuso horário. Mas tais circunstâncias relativas acabam apontando para
princípios biológicos absolutos; todos precisam alimentar-se, todos
precisam dormir.
O costume, por ser relativo, não deveria ser imposto como obrigação. Era
comum missionários europeus tentarem impor os costumes do norte em países da
Ásia e da América. Hoje, o conceito de “transculturação” está ajudando muito em
relação a esse problema.
Há muitas outras diferenças entre doutrina e costumes, mas fica apontado
que ambas não são a mesma coisa, porém estão ligadas. O bons costumes são
aqueles que não escravizam o crente, colocando um jugo que Jesus tirou na cruz,
mas sim, é resultado da boa doutrina.

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

Conclusivamente esclarecemos que, nós, obreiros do Senhor, necessitamos


manter os bons costumes da Assembleia de Deus. Dentro da contextualização atual.

DISCIPLINA 6 – HERMENÊUTICA BÍBLICA


INTRODUÇÃO

Em assuntos espirituais, é de grande importância que tenhamos princípios


sólidos de interpretação da Bíblia, ou então nos desencaminharemos mediante uma
compreensão pervertida da Revelação de Deus à humanidade. Toda heresia que já
causou destruição na raça humana ocorreu porque alguém interpretou a Palavra de
Deus de modo errado em algum ponto, ou então, como é menos comum, agiu em
consciente oposição à Verdade.

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

Vê-se a importância da correta interpretação da Bíblia na exortação de 2


Timóteo 2:15: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem
de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." "Procura" no
português moderno é mais restrito do que o significado antigo em português e a
palavra grega (spoudazo), que das onze vezes em que aparece é traduzida "com
diligência; esforçar-se, procurar". Essa palavra, embora inclua o processo mental de
estudar (no sentido moderno), inclui muito mais. Não só isso, mas o grego para
"maneja bem" (orthotomos) era usado na antiga Grécia para fazer uma linha reta ou
arar um sulco reto de arado.

1 - DEFINIÇÃO DE “HERMENÊUTICA”
a) A origem deste nome deve-se, provavelmente, a Hermes, nome de um deus
grego que segundo a mitologia grega transmitia e interpretava as comunicações dos
deuses aos homens.

b) Hermenêutica bíblica = a ciência e a arte de interpretação bíblica.

• Ciência: Possui regras classificadas num sistema ordenado;

• Arte: A comunicação é flexível, impedindo uma aplicação mecânica e rígida das


regras.

A Hermenêutica Bíblica é divida em:

Hermenêutica Geral: Estuda as regras que se aplicam a qualquer texto bíblico de


toda a Bíblia.

Hermenêutica específica: É o estudo de regras que se aplicam aos gêneros


específicos como narrativas, milagres, linguagem figurada, etc.

2 - INTERPRETAR
Interpretar um texto bíblico é explicar o seu significado. O alvo da
interpretação é chegar ao sentido claro do texto. A preocupação da interpretação é
descobrir o que significa o texto para o momento presente.

Exegese: do Grego exegeomai, exegesis; tem o sentido de extrair, externar, exteriorizar, expor, arrancar do
texto. É a prática da hermenêutica sagrada que busca a real interpretação dos textos que formam o Antigo e
o Novo Testamento. Vale-se, pois, do conhecimento das línguas originais (hebraico, aramaico e grego), da
confrontação dos diversos textos bíblicos e das técnicas aplicadas na lingüística e na filosofia. A exegese
utiliza as ferramentas da hermenêutica.

“Hermenêutica é como um livro de receitas, com regras de como fazer um bolo; exegese é a preparação41
do
bolo; exposição é a entrega do bolo para alguém comer.” (Roy Zuck).
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

3 - A NECESSIDADE DA HERMENÊUTICA
1. O pecado obscureceu o entendimento do homem e exerce influência
perniciosa em sua mente e torna necessário o esforço especial para evitar erros. (II
Pd 3:16 e De 7:10)

2. Nem todos os “significados claros” são igualmente claros para todos os


cristãos.

Ex.: As mulheres devem guardar silêncio na igreja (I Co.14:34-35)? Muitos afirmam


que este versículo diz claramente que sim.

3. A natureza dupla, humana e divina da Bíblia.

A Bíblia é a palavra de Deus dada nas palavras de pessoas na história. Antes


de falar a nós, ela falou a pessoas condicionadas a uma cultura própria daqueles
tempos e circunstâncias. Ela foi expressa no vocabulário e nos padrões de
pensamento daquelas pessoas.

Deus, para comunicar Sua Palavra a toda humanidade, usou quase todo tipo
de comunicações disponíveis: A história em narrativa, as genealogias, as crônicas,
leis, poesias, provérbios, profecias, drama, biografias, parábolas, cartas, sermões,
etc.. Por exemplo, ao lermos uma “lei”, que é circunstancial e temporal, como
separá-la da “lei moral” que vale em todas as circunstâncias?

4. Em toda a ciência, observamos que regras e leis universais são necessárias.


Quando estudamos a Bíblia e procuramos compreender o seu significado, logo nos
deparamos com a necessidade de usarmos leis e regras universais para o
entendimento da mensagem bíblica.

5. Algumas atitudes erradas na interpretação também demonstram que a


hermenêutica é essencial:

Algumas pessoas dizem: "Você não precisa interpretar a Bíblia, faça apenas o
que ela diz". Se levássemos em conta conselhos como este, então teríamos que
apedrejar falsos profetas, como se fazia no Antigo Testamento, o que nos conduziria
a problemas com a justiça. Comportamentos como este, tem originado doutrinas e

42
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

práticas cristãs erradas. A interpretação é necessária, para que possamos discernir


como as atitudes, valores e comportamentos bíblicos serão aplicados aos dias de
hoje.

Acreditamos que a Bíblia é um instrumento de autoridade e fé para nós.


Através da hermenêutica aprendemos a discernir como aplicar os princípios da
revelação aos dias de hoje.

4 - A IMPORTÂNCIA DA HERMENÊUTICA
A hermenêutica é a matéria mais importante no currículo do estudante da
Bíblia, pois um erro de interpretação pode produzir grandes estragos. Earl
Radmacher, um estudioso do assunto disse: “Tendo ensinado e escrito na área de
hermenêutica há quase trinta anos, estou convicto do fato de que não há matéria
mais importante no currículo do seminário para o treinamento nas Escrituras.”

Mas enfim, porque a hermenêutica é tão importante?

1. Por causa da variedade dos Escritores da Bíblia (de 38 a 45 escritores


aproximadamente)

Entre seus escritores, achamos pessoas de tão variada categoria de educação,


como sejam, sacerdotes, como Esdras; poetas, como Salomão; profetas, qual Isaías;
guerreiros, como Davi; boiadeiros, qual Amós; estadistas, como Daniel; sábios, como
Moisés e Paulo, e "pescadores, homens sem letras", como Pedro e João. Destes, uns
formulam leis, como Moisés; outros escrevem história, como Josué; este escreve
salmos, como Davi; aquele provérbios, como Salomão; uns profecias, como
Jeremias; outros biografias, como os evangelistas; outros cartas, coma as apóstolos.

2. Por causa da variedade de assuntos contidos na Bíblia

Poesia, história, geografia, leis, doutrinas, profecias, criação, queda, redenção,


parábolas, provérbios, promessas. As escrituras tratam de temas que abarcam os
céus e a terra, o que é eterno e o que é temporal, o que é visível e invisível, o que é
material e o que é espiritual, o divino e o humano, o que é perfeito e o que é
imperfeito, e o que é corrupto e o que é incorrupto.

3. Por causa da variedade de épocas, lugares e situações

43
CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

Toda a Bíblia contendo seus 66 livros foi escrita num espaço de tempo de
1600 anos aproximadamente, muitos desses livros, foram escritos em uma época e
lugares diferentes, e também em situações diferenciadas, sem seus escritores se
combinarem entre si para escreverem.

4. Por causa dos abismos entre nós e os escritores da Bíblia Sagrada

Abismo histórico  Há um abismo histórico que nos separa dos escritores bíblicos e
das culturas primitivas. Precisamos transpor este bloqueio, se quisermos
compreender o significado da revelação. A antipatia de Jonas pelos ninivitas, por
exemplo, assume maior significado, quando compreendermos os motivos históricos,
que fizeram Jonas desprezar os ninivitas.

Abismo cultural  Cada um de nós vê a realidade, através de olhos condicionados


pela cultura. O conjunto de valores culturais, científicos e ideológicos de uma cultura
é o que chamamos de cosmovisão Para entendermos algumas passagens da Bíblia
precisamos compreender, a cosmovisão das culturas bíblicas. Como entender, por
exemplo, I Coríntios 14:34? Será que está recomendação se aplica nos mesmos
termos aos dias de hoje? Como, era a visão primitiva do universo? Como eram os
relacionamentos sociais? A forma de se vestir? De comercializar? De se educar?

Estas questões, quando resolvidas, definem alguns aspectos de como era a


cosmovisão das culturas bíblicas. Se falharmos em reconhecer um ambiente cultural
que é diferente do nosso, podemos falhar também na interpretação do significado
das palavras e ações bíblicas.

Abismo linguístico  A Bíblia foi escrita em hebraico, aramaico e grego — três


línguas que possuem estruturas e expressões idiomáticas muito diferentes da nossa
própria língua. Estamos habituados a escrever e pensar com frases em nossa língua
na sequência sujeito, verbo, predicado. Esta forma de raciocínio e escrita não existe
nas línguas primitivas. Existem ainda diferenças nas estruturas verbais, na forma de
se organizar as frases, etc. A língua é um grande obstáculo para a interpretação
bíblica.

5 - PRINCÍPIOS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DAS SAGRADAS ESCRITURAS


1. ESTUDE A BÍBLIA COMO A PALAVRA DE DEUS.

Deus usou homens para comunicar sua verdade de maneira infalível. O que a
Bíblia diz Deus diz. Ao inspirar os escritores bíblicos, Deus respeitou sua cultura,
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posição social e capacidade intelectual. Daí a variedade de estilos dos escritores


bíblicos. Daí a necessidade de estudarmos a Bíblia levando em conta a língua, a
cultura e a personalidade dos apóstolos e profetas. O Espírito Santo supervisionou e
transmitiu a verdade de maneira que podemos dizer com o apóstolo Paulo: “Toda
Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a
correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e
perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (2 Tm 3:16 e 17).

Por que a Bíblia é a Palavra de Deus, ela é o juiz supremo que define todas as
questões de fé e prática do cristão. Nem a tradição, nem a razão, nem a experiência
têm a última palavra e sim a Bíblia.

2. A BÍBLIA EXPLICA A BÍBLIA

O conhecimento da história e cultura seculares nos ajudam a entender a


Bíblia, mas devemos ser cuidadosos. Muitas explicações não passam de
especulações. Antes de partirmos para outras fontes, examinemos o que a Escritura
tem a nos dizer.

3. PRECISAMOS DO ESPÍRITO SANTO PARA ESTUDAR A BÍBLIA

Paulo é categórico: "Ora, o homem natural não aceita as cousas do Espírito de


Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las porque elas se discernem
espiritualmente." (1 Co 2:14). Aquele que não nasceu de novo, não consegue
compreender a verdade de Deus. Mesmo aquele que nasceu de novo precisa orar
para que o Espírito Santo lhe dê compreensão das verdades espirituais. Paulo ora
pelos crentes "para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos
conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele." (Ef
1:17).

4. ESTUDE A BÍBLIA PARA COLOCÁ-LA EM PRÁTICA

“Se alguém quiser a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é


de Deus ou se eu falo por mim mesmo.” (Jo 7:17);

“Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a
um homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha.” (Mt 7:24);

“Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes,


enganando-vos a vós mesmos.” (Tg 1:22).

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5. CADA CRISTÃO TEM O DEVER E O DIREITO DE ESTUDAR A BÍBLIA

“Não cesses de falar deste livro da lei; antes medita nele dia e noite, para que
tenhas cuidado de fazer segundo a tudo quanto nele está escrito; então farás
prosperar o teu caminho e serás bem sucedido.” (Js 1:8);

“Ora, estes de Beréia eram mais nobres do que os de Tessalônica; pois


receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para
ver se as cousas eram de fato assim.” (At 17:11).

6 - PRINCÍPIOS GRAMATICAIS DE INTERPRETAÇÃO


Primeiro, vamos entender o que é um sentido literal, figurativo e simbólico de
uma Palavra. Vejamos um exemplo. As três sentenças seguintes trazem a palavra
coroa, sendo usada em três dimensões diferentes:

• Literal: Coroa de ouro na cabeça do rei

• Figurativo: Não me chame de coroa, pois eu sou muito novo.

• Simbólico: “[...] vi uma coroa de 7 pontas que eram 7 nações [...]”

1. A BÍBLIA TEM SOMENTE UM SENTIDO, E DEVE SER TOMADA LITERALMENTE

Quando alguém nos diz, "Vou para o Rio de Janeiro", ele quer que
entendamos exatamente isso. Ele ficaria no mínimo contrariado se tentássemos
encontrar um sentido “mais profundo”, naquilo que foi dito. Respeitanto as figuras
de linguagem e os estilos literários, devemos lembrar que Deus procurou comunicar
Sua mensagem de maneira clara. Ele quer que tomemos a sua palavra literalmente.
Hoje, como em épocas passadas, é muito comum os cristãos tentarem se desviar do
claro ensino bíblico alegorizando-o ou espiritualizando-o. Não existe um sentido
“mais profundo” revelado as pessoas espiritualmente superiores. Não existe urn
outro sentido ocultado por Deus por séculos e só agora revelado a novos profetas.
As aplicações são muitas, mas o sentido é um só.

2. INTERPRETE AS PALAVRAS NO SEU CONTEXTO

“Quando você estiver perdido numa floresta de interpretação, suba numa árvore
contextual.”

“Texto sem contexto é pretexto”.

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

Intepretar as palavras no seu contexto é vê-las dentro do conjunto, do todo, e não


isoladas.

Exemplo: A palavra "tudo" em Fl 4:13.

Ao estudar uma palavra específica, verique estas coisas:

a) O uso que dela fez o escritor.

b) Sua relação com o contexto imediato. Compreenda o uso de substantivos, verbos,


adjetivos, preposições, etc.

c) Seu uso corrente na época em que foi escrita

d) Seu sentido etimológico. A etimologia se preocupa em estudar as origens das


palavras.

3. INTERPRETE AS PASSAGENS NO SEU CONTEXTO

Faça as seguintes perguntas:

a) Como a passagem se relaciona com o material circunvizinho?

b) Como se relaciona com o restante do livro?

c) Como se relaciona com a Bíblia como um todo?

d) Como se relaciona com a cultura e história?

4. RESPEITE AS FIGURAS DE LINGUAGEM

I. Que é uma figura de linguagem?

Figuras de linguagem são estratégias literárias que o escritor ou falante cria


para dar maior expressividade ao seu texto ou à sua mensagem, para conseguir um
efeito determinado na interpretação do leitor ou ouvinte.

A importância em reconhecer as figuras de linguagem da Bíblia, está no fato


de que tal conhecimento, além de auxiliar a compreender melhor os textos bíblicos,
deixa-nos mais sensíveis à beleza da linguagem e ao significado simbólico das
palavras e dos textos.

II. Por que se utilizam figuras de linguagem?

- As figuras de linguagem acrescentam cor e vida. (SI 18:2);


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- As figuras de linguagem chamam a atenção. (Fl 3:2);

- As figuras de linguagem torna conceitos abstratos mais concretos. (Dt 33:27);

- As figuras de linguagem ajudam a memória. (Os 4:16);

- As figuras de linguagem resumem uma ideia. (SI 23:1);

- As figuras de linguagem estimulam a reflexão. (Is 1:8).

III. Como distinguir entre o literal e o figurado?

- Adote sempre o sentido literal, a menos que haja boas razões de não fazê-lo;

- O sentido é literal se o figurado implicar em uma impossibilidade. (SI 57:1);

- Adote o sentido figurado se o literal implicar em imoralidade. (Jo 6:53-58);

- Repare se urna expressão figurada vem acompanhada de uma explicação literal. (Ef
2:1).

IV. Algumas figuras de linguagem no texto bíblico:

1. Símile

É a figura literária em que uma coisa, ação ou relação se compara em forma


explícita ou similar, empregando as palavras: como, assim, semelhante, etc.

Ex.: “Como o espinho que entra na mão do ébrio, assim é o provérbio na boca dos
tolos.” (Pv 26:9).

Mais exemplos: Salmos 2:9b; 1:3; 102:6 / Isaías 1:8; 57:20 / Provérbios 25:11 / II
Pedro 2:17 / I Pedro 1:24.

2. Metáfora (Não usa as palavras: semelhante ou como)

É uma comparação abreviada. Consiste quando um objeto é assemelhado ao


outro, afirmando ser o outro, ou falando de si como se fosse o outro. Normalmente
utiliza os verbos “ser” e “estar”.

Ex.: “Vós sois o sal da terra e se o sal for insípido, com que se há de salgar?
Para nada mais presta senão para se lançar fora, ser pisado pelos homens.” (Mt
5:13). (Nós somos o sabor agradável que damos sentido ao mundo, somos cristãos
indispensáveis).

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

Mais exemplos: Gênesis 49:9 / Salmos 71:3; 84:11; 23:1 / João 15:1; 10:9;
6:51;14:6 / Mateus 5:14; 6:22; 26:26 / Isaías 40:6

3. Antropopatia

Antropopatia é a atribuição de sentimentos humanos a Deus. Observando que


Deus é Espírito e não possui sentimentos iguais aos humanos, essa é uma forma que
o homem usa para aproximar do seu entendimento os sentimentos de Deus.

Ex.: “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Tenho grandes zelos de Sião...” (Zc
8:2).

Mais exemplos: Êxodo 34:14 / Gênesis 6:6 / Deuteronômio 13:17 / Efésios 4:30.

4. Antropomorfismo

É a atribuição de características corporais e atividades físicas a Deus.

Ex.: "Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os Seus ouvidos atentos ao
seu clamor". (Sl 34:15)

Mais exemplos: Tiago 5:4 / Êxodo 15:16 / Salmos 34:16; 10:12; 8:3 / Lamentações
3:56.

5. Metonímia

Emprega-se esta figura quando se emprega a causa pelo efeito, ou o sinal ou


símbolo pela realidade que indica o símbolo.

Ex.1: Vale-se Jesus desta figura empregando a causa pelo efeito ao dizer: "Eles
têm Moisés e os profetas; ouçam-nos", em lugar de dizer que têm os escritos de
Moisés e dos profetas, ou seja o Antigo Testamento. (Lc 16:29).

Ex.2: Emprega também o sinal ou símbolo pela realidade que indica o sinal
quando disse a Pedro: "Se eu não te lavar, não tens parte comigo". Aqui Jesus
emprega o sinal de lavar os pés pela realidade de purificar a alma, porque faz saber
ele mesmo que o ter parte com ele não depende da lavagem dos pés, mas da
purificação da alma. (Jo 13:8).

Ex.3: Do mesmo modo João faz uso desta figura pondo o sinal pela realidade
que indica o sinal, ao dizer: "O sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo
pecado", pois é evidente que aqui a palavra sangue indica toda a paixão e morte

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expiatória de Jesus, única coisa eficaz para satisfazer pelo pecado e dele purificar o
homem. (1 Jo 1:7).

6. Sinédoque

Faz-se uso desta figura quando se toma a parte pelo todo ou o todo pela
parte, o plural pelo singular, o gênero pela espécie, ou vice-versa.

Ex.: Toma a parte pelo todo o Salmista ao dizer: "Minha carne repousará
segura", em lugar de dizer: meu corpo ou meu ser, que seria o todo, sendo a carne
só parte de seu ser (Sl 16:9).

Mais exemplos: Salmos 73:9 (Língua = palavra) / Salmos 52:4 (Língua está no lugar
da pessoa) / Coríntios 11:26 / Atos 24:5 / Provérbio. 1:16 / Lucas 2:1.

7. Personificação

Quando se atribui características ou ações humanas a coisas inanimadas, a


conceitos ou animais.

Ex.: “O deserto e o lugar solitário se alegrarão disto; e o ermo exultará e


florescerá como a rosa.” (Is 35:1).

Mais exemplos: Salmos 35:10 / Gênesis 4:10 / l Coríntios 15:55 / I Pedro 4:8 / Jó 12:
7,8 / Isaías 55:12.

8. Zoomorfismo

Atribuição de características animais a Deus.

Ex.: “Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a
sua verdade será o teu escudo e broquel.” (Sl 91:4).

Mais exemplos: Rute 2:12b / I Pedro 4:8 / Jó 12: 7,8 / Isaías 55:12.

9. Eufemismo

Consiste em disfarçar, abrandar, suavizar expressões rudes, chocantes,


desagradáveis.

Ex.: “Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o
ventre, e é lançado fora?” (MT 15:17).

Mais exemplos: Atos 7:60 / II Tessalonicenses 4:14.


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10. Ironia

É uma forma de ridicularizar indiretamente sob a forma de louvor ou elogio.


(Consiste em dizer o contrário do que pensamos e geralmente em tom de
zombaria).

Ex.: “E, voltando Davi para abençoar a sua casa, Mical, a filha de Saul, saiu a
encontrar-se com Davi, e disse: Quão honrado foi o rei de Israel, descobrindo-se
hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre qualquer dos
vadios.” (II Sm 6:20).

Mais exemplos: Jó 12:2 / I Reis 22:15; 18:27 / I Coríntios 4:6,8 / II Coríntios 11:5;
12:11; 11:13.

11. Hipérbole

É um exagero que extrapola o sentido literal para destacar a idéia e chamar a


atenção.

Ex.: “Já estou cansado do meu gemido, toda a noite faço nadar a minha cama;
molho o meu leito com as minhas lágrimas...” (Sl 6:6).

Mais exemplos: Números 13:33 / Deuteronômio 1:28 / Gênesis 22:17 / II Crônicas


28:4 / Salmos 119:136 / Jó 21:25.

12. Litotes

Afirmação moderada que suaviza o sentido literal. É o oposto da hipérbole.

Ex.: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser
chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus.” (I Co 15:9).

Mais exemplos: Salmos 51:7 / Isaías 45:3 / I Tessalonicenses 3:2b.

13. Pergunta Retórica

Figura pela qual o orador ou leitor se dirige ao seu interlocutor ou leitor, em


tom de pergunta, sabendo de antemão que ninguém vai responder. Seu objetivo é
forçar o interlocutor/leitor a respondê-la mentalmente e avaliar suas implicações.

Ex.: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus
habita em vós?” (ICo 3:16).

Mais exemplos: Gênesis 18:25 / Amós 3:34 / Romanos 8:33,34 / Hebreus 1:14
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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

14. Pleonasmo

É a palavra ou expressão redundante: repetição da mesma idéia, com a


finalidade reforçar e avivar a expressão e o pensamento.

Ex.: “Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi.” (Jó 42:5).

Mais exemplos: I Reis 21:13 / Mateus 13:15 / Josué 7:25 / Atos 2:30.

15. Antítese

É a inclusão na mesma frase de duas palavras ou dois pensamentos que faz


um contraste um com o outro. (O mau e o falso servem de contraste ou fundo que
dá realce ao bom e ao verdadeiro)

Ex.: "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a


vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor." (Rm 6:23).

Mais exemplos: Deuteronômio 30:15,19 / Mateus 7:13 e 14; 17 e 18; 21 a 23; 24 a


27 / II Coríntios 3:6 - 18 (Antigo pacto e Novo pacto; Lei e Evangelho).

16. Paradoxo

É uma proposição ou declaração oposta à opinião comum; a uma afirmação


contrária a todas as aparências e à primeira vista absurda, impossível, ou em
contraposição ao sentido comum, porém que, se estudada demoradamente, ou
meditando nela, torna-se correta e bem fundamentada.

Ex.: “Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer
que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.” (Mc 8:35).

Mais exemplos: Mateus 16:6 / Lucas 9:60 (Explicação vs 61 e 62) / Mateus 23:24 /
Lucas 18:25.

17. Parábola (Significa “colocação de uma coisa ao lado de outra”, ou seja,


comparação).

Narrativa alegórica constituída de personagens, incidentes, atitudes, fatos


naturais ou acontecimentos possíveis, sempre com o objetivo de declarar ou ilustrar
uma ou várias verdades importantes.

Ex.: Em Lucas 18:1-7 expõe Jesus a verdade de que é preciso orar sempre e
sem desfalecer, ainda que tardemos em receber a resposta para aclarar e imprimir
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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

nos corações esta verdade, serve-se do exemplo ou parábola de uma viúva e um


mau juiz, que nem teme a Deus nem tem respeito aos homens. Comparece a viúva
perante o juiz pedindo justiça contra seu adversário. Porém o juiz não faz caso; mas
em razão de voltar e molestá-lo, a viúva consegue que o juiz injusto lhe faça justiça.
E assim Deus ouvirá aos seus "que a ele clamam dia e noite, embora pareça
demorado em defendê-los".

Mais exemplos: Mateus 13: 3-8 / Mateus 13: 24-30 / Lucas 18: 10-14.

18. Alegoria

Representação figurativa de idéias ou seres abstratos. Por meio desta figura,


uma realidade abstrata, e por isso de mais difícil apreensão, é substituída por, ou
comparada com, uma realidade mais concreta e, portanto, mais compreensível.
Apresentada sob a forma de ficção e tem como objetivo tornar mais acessível uma
mensagem complexa.

Ex.: Tal exposição alegórica nos faz Jesus ao dizer: “Eu sou o pão vivo que
desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei
pela vida do mundo, é a minha carne... Quem comer a minha carne e beber o meu
sangue tem a vida eterna”, etc. Esta alegoria tem sua interpretação na mesma
passagem da Escritura. (Jo 6:51-65).

Mais exemplos: Salmos 80:8-15 / João 10:1-18 / Isaías 5:1-7 / Gálatas.4.21-31.

19. Tipos

O tipo é uma classe de metáfora que não consiste meramente em palavras,


mas em fatos, pessoas ou objetos que designam fatos semelhantes, pessoas ou
objetos no porvir. Estas figuras são numerosas e chamam-se na Escritura “sombra
dos bens vindouros”, e se encontram, portanto, no Antigo Testamento.

Ex.: Jesus mesmo faz referência à serpente de metal levantada no deserto,


como tipo, prefigurando a crucificação do Filho do homem. (João 3:14).

Mais exemplos: Hb 9:8,9 / Mt 12:40 / Rm 5:14 / 1 Co 5:7.

20. Símbolos

É uma espécie de tipo pelo qual se representa alguma coisa ou algum fato,
por meio doutra coisa ou fato conhecido, para servir de semelhança ou
representação. É diferente do tipo por não prefigurar a coisa que representa. Ele
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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

simplesmente representa o objeto (I Pe.5.8; Js.2.18). Os símbolos podem ser


apresentados na forma de objetos (sangue, ouro, etc.); nomes (Abraão, Israel, Jacó,
etc); números (seis, sete, oito, etc.) e cores (púrpura, escarlate, etc.).

Exemplos: O leão é considerado o rei dos animais do bosque; assim é que


achamos nas Escrituras a majestade real simbolizada pelo leão. Do mesmo modo se
representa a força pelo cavalo e a astúcia pela serpente. (Apoc. 5:5; 6:2; Mat.
10:16.). O número 7 (sete) simboliza plenitude, perfeição, repouso. Abraão
simboliza pai de multidões.

Mais exemplos: Mt 16:19 / Rm 6:3,4 / Mt 16:18 / Ap 1:20.

V. Como devemos interpretar as figuras de linguagem?

1. Descobrir se existe alguma figura de linguagem.

2. Descobrir a imagem e o objeto na figura de linguagem.

3. Especificar o elemento da comparação - em que sentido?

4. Não presumir que uma figura sempre signifique a mesma coisa.

5. Sujeitar as figuras aos princípios da lógica e da comunicação.

5. RESPEITE OS ESTILOS LITERÁRIOS

Deus se comunicou conosco através de diveros estilos literários. Na Bíblia temos


leis, história, profecia, poesia, ditos dos sábios, evangelhos, cartas, literatura
apocalítica, etc. Não se interpreta uma carta da mesma maneira como se interpreta
um salmo que é uma poesia. Os estilos literários devem ser respeitados na
interpretação da Biblia.

I. Diretrizes para a interpretação de provérbios

1. Os provérbios são frequentemente parabólicos, isto é, figurados, e apontam para


além de si mesmos.

2. Os provérbios são intensamente práticos, não teoricamente teológicos.

3. Os provérbios têm uma redação fácil de memorizar, mas não tecnicamente


precisa.

4. Os provérbios não objetivam apoiar o comportamento egoísta - muito pelo


contrário!
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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

5. Os provérbios que refletem fortemente a cultura antiga precisam de uma


contextualização sensata, para não perder sua importância.

6. Os provérbios não são garantias da parte de Deus, mas, sim, diretrizes poéticas
para o bom comportamento.

7. Os provérbios podem empregar linguagem altamente especifica, exagero, ou


qualquer uma de uma variedade de técnicas literárias para transmitir sua
mensagem.

8. Os provérbios dão bons conselhos para abordagens sábias de certos aspectos da


vida, mas não são exaustivos naquilo que abrangem.

9. Empregados erroneaneamente, os provérbios poderiam justificar um estilo de


vida crasso e materialista. Corretamente usados, os provérbios fornecerão
conselhos práticos para o viver de todos os dias.

II. Diretrizes para a interpretação de Salmos

1. Os salmos devem ser lidos como poesias musicadas.

2. Os salmos usam deliberadamente a linguagem metafórica.

3. Os salmos existem em diversos tipos, funções e padrões.

4. Cada salmo dever ser lido como uma unidade literária.

5. Os salmos são uma orientação para adoração.

6. Os salmos demonstram como podemos ter um relacionamento honesto para com


Deus.

7. Os salmos demonstram a importância da reflexão e da meditação sobre as coisas


que Deus fez por nós.

8. Os salmos não garantem uma vida agradável.

III. Diretrizes para a interpretação das narrativas (As partes históricas da


Bíblia)

1. Geralmente uma narrativa não ensina diretamente uma doutrina.

2. Uma narrativa no geral ilustra uma doutrina exposta noutros lugares.

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

3. As narrativas registram o que aconteceu - não necessariamente o que deveria ter


acontecido ou o que deve acontecer todas as vezes. Nem toda narrativa, portanto,
tem uma moral da história, indentificável e individual.

4. O que as pessoas fazem nas narrativas não é necessariamente um bom exemplo


para nós. Frequentemente, é exatamente o contrário.

5. A maior parte dos personagens nas narrativas está longe de ser perfeita.

6. Nem sempre somos informados no fim de uma narrativa se aquilo que aconteceu
foi bom ou mau. Espera-se de nós que possamos julgar a história com base no que
Deus já nos ensinou na Escritura, de modo direto ou categórico.

7. Todas as narrativas são seletivas e incompletas. Nem sempre todos os


pormenores relevantes são dados. O que realmente aparece na narrativa é tudo
quanto o autor inspirado considerava importante para nós sabermos.

8. As narrativas não são escritas para responderem a todas as nossas perguntas


teológicas. Têm propósitos limitados, específicos e particulares, e tratam de certas
questões, deixando as demais para serem tratadas noutros lugares, doutras
maneiras.

9. As narrativas podem ensinar lições explícita ou implicitamente.

10. Em última análise, Deus é o herói de todas as narrativas bíblicas.

IV. Diretrizes para a interpretação da lei mosaica

1. Veja a lei do AT como a palavra plenamente inspirada de Deus para você. Não
veja a lei do AT como o mandamento direto de Deus dirigido a você.

2. Veja a lei do AT como a base da Antiga Aliança, e, portanto, da história de Israel.


Não veja a lei do AT como obrigatória para os cristãos da Nova Aliança, a não ser
onde foi especificamente renovada.

3. Veja a justiça, o amor e os altos padrões de Deus revelados na lei do AT. Não se
esqueça de ver que a misericórdia de Deus é feita igual a severidade dos padrões.

4. Não veja a lei do AT como completa. Não é tecnicamente abrangente. Veja a lei
do AT como um paradigma que fornece exemplos para a gama inteira do
comportamento que se espera.

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

5. Não espere que a lei do AT seja frequentemente citada pêlos profetas nem pelo
NT. Lembre-se que a essência da Lei (os Dez Mandamentos e as duas leis principais)
é repetida pelos profetas e renovada no NT.

6. Veja a lei do AT como uma dádiva generosa a Israel, trazendo muitas bênçãos
quando é obedecida. Não veja a lei do AT como um agrupamento de regulamentos
arbitrários e irritantes que limitam a liberdade das pessoas.

V. Diretrizes para a interpretação de parábolas

1. Deve-se buscar seu objetivo; em outras palavras, qual é a verdade ou quais as


verdades que ilustra. Encontrado isso, tem-se a explicação da parábola, e note-se
que às vezes consta o objetivo na sua introdução ou no seu término. Outras vezes se
descobre seu objetivo tendo presente o motivo com que foi empregada.

2. Devemos ter em conta os traços principais das parábolas, deixando-se de lado o


que lhes serve de adorno ou para completar a narrativa. Jesus mesmo nos ensina a
proceder assim na interpretação de suas próprias parábolas. Como existe perigo de
equivocar-se neste ponto, vamos aclará-lo chamando a atenção para a de Lucas
11:5-8. Nesta parábola Cristo ilustra a verdade de que é necessário orar com
insistência, valendo-se do exemplo de uma pessoa que necessita de três pães. É
noite e vai pedi-los emprestados a um amigo seu que já tem a porta fechada e está
deitado, bem como os seus filhos. Este amigo preguiçoso não quer levantar-se para
dá-los, mas, por força da insistência e importunação no pedido, o homem consegue
o que deseja.

É fácil ver que aqui é o homem necessitado e suplicante quem nos oferece o
bom exemplo e representa o cristão na parábola. Igualmente fácil é entender que
seu amigo representa Deus. Porém, que absurdo seria interpretar tudo o que se
disse do amigo, aplicando-o a Deus, a saber, que tem a porta fechada, estão ele e
seus filhos deitados e, sendo preguiçoso, não quer levantar-se! É evidente que esta
parte constitui o que chamamos adorno da parábola e que se deve deixar de lado,
por não corresponder e se aplicar à realidade. Observemos, pois, sempre a
totalidade da parábola e suas partes principais, fazendo caso omisso de seus
detalhes menores.

3. Não se esqueça de que as parábolas, como as demais figuras, servem para ilustrar
as doutrinas e não para produzi-las.

7 - PRINCÍPIOS HISTÓRICOS DE INTERPRETAÇÃO


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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

1. CONHEÇA A HISTÓRIA BÍBLICA

a) A quem foi escrita a carta ou o livro?

b) Qual era o contexto histórico do escritor?

c) O que deu origem ao escrito?

d) Quem são os principais personagens do livro?

2. A REVELAÇÃO PROGRESSIVA NA BÍBLIA FORMA UMA UNIDADE

A Bíblia, na verdade, é uma coleção de 66 livros escritos por cerca de 38 à 45


escritores num período de 1400 a 1600 anos. Seria de se esperar, diante disso, uma
série de contradições. Contudo, por que a Bíblia foi inspirada pelo Deus onisciente,
sábio e todo-poderoso, o que encontramos é uma unidade sobrenatrual e
maravilhosa como se fosse um só livro.

3. CONHEÇA OS COSTUMES CULTURAIS BÍBLICOS

A cultura é “o conjundo de moldes de comportamento, crenças, instituições e


valores espirituais e materiais característicos de uma sociedade.” “A religião, a
política, as operações militares, as leis, a agricultura, a arquitetura, o comércio, a
economia e a geografia da região onde o indivíduo vive e por onde viaja, o que ele e
outros escreveram e leram, o que ele veste e a(s) língua(s) que fala - tudo isso
influencia seu modo de vida e, no caso de um escritor bíblico, o que ele escreve.”

Na verdade a hermenêutica nos convida a fazermos uma viagem ao mundo


bíblico com todos seus costumes e valores. Não devemos levar o século XX para lá,
mas aprender como Deus se comunicou com aquelas pessoas e como se comunica
conosco através da Sua Palavra.

Elementos como a política, a religião, a economia, as leis, a agricultura, a


arquitetura, as vestimentas, a vida doméstica, a geografia, a organização militar, a
estrutura social e as manifestações artísticas, devem ser levados em conta numa
correta interpretação da Bíblia.

4. CONTEXTUALIZE OS PRINCÍPIOS BÍBLICOS

Depois de compreendermos o que a Palavra de Deus signficou para o povo da


época, devemos também compreender o que ela significa para nós. Muitos ensinos
bíblicos são claros e óbvios que dispensam qualquer adaptação cultural. São ensinos
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permanentes, válidos para todas as épocas. Por outro lado, existem ensinos
temporários que eram válidos somente para aquela época e outras são válidos não
na sua forma, mas no seu conteúdo em forma de principio. Tente identificar o que é
permanente e o que é temporário nas seguintes passagens bíblicas:

Assinale com (P) os ensinos Permanentes e com (T) os ensinos Temporários:

1. ( ) Cumprimentar uns aos outros com beijo santo (Rm 16:16).

2. ( ) Abster-se de carnes oferecidas a ídolos (At 15:29).

3. ( ) Ser batizado (At 2:38).

4. ( ) Lavar os pés uns dos outros (Jo 13:14).

5. ( ) Oferecer a destra da comunhão (Gl 2:9).

6. ( ) Ordenação por “imposição de mãos” (At 13:3).

7. ( ) Proibir mulheres de falar na igreja (1 Co 14:34).

8. ( ) Ter um horário fixo para orar (At 3:1).

9. ( ) Cantar salmos, hinos e cânticos espirituais (Cl 3:16).

10. ( ) Abster-se de comer sangue (At 15:29).

11. ( ) Os escravos devem obedecer aos seus senhores terrenos (Ef 6:5).

12. ( ) Celebrar a Ceia do Senhor (1 Co 11:24).

13. ( ) Não fazer juramentos (Tg 5:12).

14. ( ) Ungir os enfermos com óleo (Tg 5:14).

15. ( ) Proibir mulheres de ensinar aos homens (1 Tm 2:12).

16. ( ) A pregação deve ser feita em dupla (Mc 6:7).

17. ( ) Pregar em sinagogas judaicas (At 14:1).

18. ( ) Comer o que lhe oferecem sem fazer perguntas por motivo de consciência
(1 Co 10:27).

19. ( ) Proibir as mulheres de usar cabelo frisado, ouro ou pérolas (1 Tm 2:9)

20. ( ) Abster-se de relações sexuais ilícitas (At 15:29).


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21. ( ) Não procurar casamento (1 Co 7:26).

22. ( ) Ser circuncidado (At 15:5).

23. ( ) As mulheres devem orar com cabeça coberta (1 Co 11:5).

24. ( ) Tomar ceia num único cálice (Mc 14:23).

25. ( ) Fazer votos religiosos formais (At 18:18).

26. ( ) Evitar orar em público (Mt 6:5,6).

27. ( ) Falar em línguas e profetizar (1 Co 14:5).

28. ( ) Realizar reuniões da igreja em casa (Cl 4:15).

29. ( ) Trabalhar com as próprias mãos (1 Ts 4:11).

30. ( ) Levantar as mãos ao orar (1 Tm 2:8).

31. ( ) Dar a quem lhe pede (Mt 5:42).

32. ( ) Orar antes das refeições (Lc 24:30).

33. ( ) Não sustentar viúvas com menos de 60 anos de idade (1 Tm 5:9).

34. ( ) Dizer “amém” ao final das orações (1 Co 14:16).

35. ( ) Jejuar para fins de ordenação (At 13:3).

36. ( ) Usar sandálias e uma só túnica (Mc 6:9).

37. ( ) As mulheres devem submeter-se a seus maridos (Cl 3:18).

38. ( ) Não agir com favoritismo em relação aos ricos (Tg 2:1-7).

39. ( ) Usar pães asmos na ceia (Lc 22:13,19).

40. ( ) Lançar sortes para a ocupação dos cargos na igreja (At 1:26).

41. ( ) Não dever nada a ninguém (Rm 13:8).

42. ( ) Deve haver sete diáconos na igreja (At 6:3).

43. ( ) Não comer a carne de animais mortos por estrangulamento (At 15:29).

44. ( ) Mão deixar comer quem não quer trabalhar (2 Ts 3:10).

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45. ( ) Abrir mão de bens pessoais (At 2:44, 45).

46. ( ) Os sacerdotes devem sustentar a si próprios (2 Ts 3:7,8).

47. ( ) Fazer coletas nas igrejas a favor dos pobres (1 Co 16:1).

48. ( ) Os homens não devem usar cabelo comprido (1 Co 11:14).

DISCIPLINA 7 – HOMILÉTICA

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA HOMILÉTICA

HOMILÉTICA: É a ciência que estuda os princípios fundamentais do discurso em


público, aplicados na proclamação do evangelho. Este termo surgiu durante o
Iluminismo, entre os séculos XVII e XVIII, quando as principais doutrinas teológicas
receberam nomes gregos, como, por exemplo, dogmática, apologética e
hermenêutica. As disciplinas que mais se aproximam da homilética são a
hermenêutica e exegese que se complementam.

HOMILETIKE – (Grego) ensino em tom familiar

HOMILIA – (do verbo homileo) Pregação cristã, nos lares em forma de conversa.

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PREGAÇÃO – Ato de pregar a palavra de Deus. Pregação é o ato de pregar a palavra


de Deus. Pregador (aquele que prega) vem do latim, “prae” e “dicare” anunciar,
publicar. Apalavra grega correspondente a pregador é “Keryx”, arauto, isto é, aquele
que tem uma mensagem (Kerygma) do reino de Deus, uma boa notícia, uma boa-
nova – evangelho, “evangelion”.

A VIDA ESPIRITUAL DO PREGADOR


Baseando-se em três passagens da vida de Pedro o pregador deve ser:

1 – Aquele que esteve com Jesus - Atos 4:13

2 – Aquele que fala como Jesus – Mateus 26:73

3 – Aquele que fala de Jesus – Atos 40:10

A proclamação do evangelho é trazer as Boas Novas da Salvação. Apresentar


ao público Jesus Cristo, seus ensinamentos e seu propósito, para isso, é preciso que
o mensageiro tenha uma identificação completa com Cristo. Conhecer a Cristo de
forma especial é além de ser convertido Ter certeza de uma chamada (missão)
específica para o ministério da palavra o que só é possível a aquele que “esteve com
Jesus”.

CARACTERÍSTICAS DE UM PREGADOR

SOB O PONTO DE VISTA ESPIRITUAL SOB O PONTO DE VISTA TÉCNICO


Chamado para obra (ordenança) Mt 28:19 Dom da palavra Rm 12: 6,7.8
Conhecer Deus Atos 4:13 Conhecimento da palavra II Tm 2:15
Ter uma mensagem Atos 5:20 Manejo da palavra II Tm 2:15
Unção 2 Reis 2.9 Guardar a palavra no coração Sl 119
Autoridade/ousadia Mc 1:21 Instrumento II Tm 2:15

A palavra de Deus afirma que a fé vem pela pregação da palavra e a pregação


pela palavra de Cristo”. Rm 10:17. Entretanto, a falta de preparo adequado do
pregador, falta de unidade corporal no sermão, falta de vivência real do pregador na
fé cristã, falta de aplicação prática às necessidades existentes na igreja, falta de
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equilíbrio na seleção de textos bíblicos e a falta de um bom planejamento


ministerial trazem dificuldades na proclamação da palavra.

DOM – Dádiva, presente; Qualidade inata; Mérito, merecimento; Poder.

TALENTO – Dom natural ou adquirido; Inteligência excepcional.

HABILIDADES – Aptidão; Capacidade para algo.

TÉCNICA – Conjunto de processos de uma arte.

(Minidicionário da língua portuguesa – Aurélio B. Holanda Ferreira)

Deus tem preparado e escolhido pessoas, por meio do Espírito Santo, para
realização de obras específicas. Ele fala através daqueles que tenham um mínimo de
alfabetização, mas, também fala através de pessoas capacitadas e dotadas de dons,
técnicas, habilidades e talentos. Se quiser atravessar fronteiras levando a palavra de
Deus, é preciso ter certeza de que recebeu o Dom e talento para fazê-lo. Antes de ir
é preciso ficar (Atos 1:8), se preparar e se transformar.

APRENDA COM JESUS...

1. Ore – Marcos 14:37-39 Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão,


dormes? não pudeste vigiar uma hora? Vigiai e orai, para que não entreis em
tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Retirou-se de
novo e orou, dizendo as mesmas palavras.

2. Tenha alvos e objetivos – João 4:34 Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a
vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra.

3. Conheça a Palavra – Marcos 12:24 Respondeu-lhes Jesus: Porventura não errais


vós em razão de não compreenderdes as Escrituras nem o poder de Deus?

4. Observe tudo cuidadosamente – Marcos 11:11 Tendo Jesus entrado em


Jerusalém, foi ao templo; e tendo observado tudo em redor, como já fosse tarde,
saiu para Betânia com os doze.

5. Compreenda primeiro. Não Julgue - Mateus 7:1 Não julgueis, para que não sejais
julgados.

6. Saiba remir o tempo. Repouse – Marcos 6:31 Ao que ele lhes disse: Vinde vós, à
parte, para um lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que
vinham e iam, e não tinham tempo nem para comer.
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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

7. Aprenda com a experiência dos outros – Mateus 8:9-10 Pois também eu sou
homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai,
e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz. Jesus,
ouvindo isso, admirou-se, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que a
ninguém encontrei em Israel com tamanha fé.

8. Pratique – João 14:12 Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê em mim,
esse também fará as [obras] que eu faço, e as fará maiores do que estas; porque eu
vou para o Pai;

9. Torne-se competente a respeito do que fala – Mateus 7 : 28-29 Ao concluir Jesus


este discurso, as multidões se maravilhavam da sua doutrina porque as ensinava
como tendo autoridade, e não como os escribas.

10. Cumpra a sua missão – João 19:30 Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre,
disse: está [consumado]. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

A ÉTICA DO PREGADOR
“A primeira impressão é a que fica”;

“Em meio ao desenvolvimento da reunião, atravessa todo o corredor


principal, aquele que será o preletor do encontro. Toda atenção está voltada para
ele, que observado é dos pés a cabeça.”

Seu comportamento, imagem e exemplo são atributos influentes na


transmissão da mensagem como um todo. Devemos considerar que, quando existe
uma indisposição do ouvinte para com o mensageiro, maior será sua resistência ao
conteúdo da mensagem.

 Não existe uma forma correta de se apresentar. Esteja de acordo com local
e ocasião. Para os homens o uso do “terno e gravata” é adequado a quase
todos os locais e ocasiões.

 Como são os membros da igreja que visita? Quais são as características da


denominação? Qual é o horário de início e término do culto? Em que bairro
se localiza?

É muito importante que o orador saiba como comportar-se em um púlpito ou


tribuna. A sua postura pode ajudar ou atrapalhar sua exposição.

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A fisionomia é muito importe, pois transmite os nossos sentimentos, Vejamos:

 Ficar em posição de nobre atitude.


 Olhar para os ouvintes.
 Não demonstrar rigidez e nervosismo.
 Evitar exageros nos gestos.
 Não demonstrar indisposição.
 Evitar as leituras prolongadas.
 Cabelos penteados melhora muito a aparência.
 O assentar também é muito importante.

Observe com atenção estes aspectos errados que devem ser considerados
pelo pregador:

 Fazer uma Segunda e auto apresentação;

 Manter a mão no bolso ou na cintura o tempo todo;

 Molhar o dedo na língua para virar as páginas da bíblia;

 Limpar as narinas, coçar-se, exibir lenços sujos, arrumar o cabelo ou a


roupa;

 Usar roupas extravagantes;

 Apertar a mão de todos. (basta um leve aceno)

 Fazer gestos impróprios;

 Usar esboços de outros pregadores, principalmente sem fonte;

 Contar gracejos, anedotas ou usar vocabulário vulgar.

 Evitar desculpas, você começa derrotado (não confundir com humildade);

 Chegar atrasado;

 O pregador não precisa aparecer.

Quando convidado para pregar em outras igrejas, o pregador deve considerar as


normas doutrinárias, litúrgicas e teológicas da igreja em questão.

1 – Evite abordar questões teológicas muito complexas;

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2 – Não peça que a congregação faça algo que não esteja de acordo com os
preceitos;

3 – Procure estar dentro dos padrões da denominação;

4 – Procure dar conotações evangelísticas a mensagem;

5 – Respeite o horário (mesmo que seja pouco tempo);

6 – Converse sempre com o Pastor antes do início do culto.

Obs.:

A) Caso não concorde com alguns aspectos, não aceite o convite.

B) Doutrina e mudanças cabem ao pastor da igreja

C) Se acredita Ter recebido uma mensagem de Deus dentro desses aspectos:


Fale com o Pastor.

O SERMÃO
O homem tem um esqueleto que sustenta toda a sua massa e “conteúdo”.
Imagine se não tivéssemos o esqueleto? Seríamos uma massa sem forma, uma
bolha. Não tendo o seu sermão uma estrutura que o sustente, ele será sem forma e
confuso, podendo causar emoção, mas, sem efeito consistente.

OBJETIVO, ALVO E ASSUNTO

Todo sermão deve Ter inspiração divina. Um sermão sem unção, ainda que
tenha uma excelente estrutura, não apresentará poder para conversão, consolação
e edificação.

Devemos lembrar que ao transmitir um sermão não estamos transmitindo


conhecimento humano, mas a Palavra de Deus, e esta é a única que penetra até a
divisão da Alma e Espírito, portanto é fundamental a unção.

O objetivo da homilética, de uma forma geral, é a conversão, a comunhão, a


motivação e a santificação para vida cristã.

O assunto de uma mensagem é algo particular entre o pregador e Deus.

Para ter assunto é preciso viver em comunhão e oração para que o Espírito Santo
possa falar em seu coração.
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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

A grande questão é: como Deus fala conosco? A forma de Deus falar é


individual e peculiar.

Algumas pessoas acreditam que Deus fala somente de forma sobrenatural.


Entretanto, Deus pode falar com você de todas as formas possíveis, fique atento,
inclusive aquelas que você menos imagina. No ônibus, em casa, no trabalho, no
banho, lendo a bíblia, olhando a paisagem, ouvindo uma mensagem, conversando,
pensando, através de pessoas ou coisas, em sonho, em revelação, no meio de uma
crise, ouvindo testemunhos, através de crianças, ouvindo uma música, em seu lazer,
em um acidente, uma lição de vida, viajando, etc.

A ESTRUTURA DO SERMÃO

Qualquer explicação requer organização, ordenação, lógica e clareza. Sendo o


sermão uma explicação da palavra e vontade de Deus esse deve ser didático. A
prática de pregações através dos tempos levou os estudiosos do assunto a
relacionarem alguns elementos básicos que devem estar presentes nos sermões,
dando a eles uma estrutura que facilita o desenvolvimento da mensagem. Esses
elementos, Alvo, texto, tema, introdução, corpo, conclusão e apelo compõem o que
chamamos de estrutura do sermão são imprescindíveis, pois norteiam a linha de
pensamento do pregador direcionando o ouvinte para o conteúdo da mensagem.

"A estrutura propriamente dita é a organização do sermão com suas divisões


técnicas, que servem para orientar o pregador na apresentação da mensagem."

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Um sermão precisa ter UNIDADE, ORDEM, SIMETRIA E PROGRESSÃO.

1. ALVO OU OBJETIVO – Nesta etapa do sermão, o objetivo ou assunto, o


pregador deverá estar inspirado por Deus. É exatamente aqui que ele recebe a
mensagem que tem a pregar e a partir deste ponto estruturá-la para levar a
igreja. Se você não tem nada para falar, não fale nada. Se o Espírito Santo lhe
der algo a falar, fale, mas fale direito.
2. TEXTO BÍBLICO – O assunto do sermão deverá ser baseado em um texto
bíblico.
3. TEMA – Para que o ouvinte possa Ter uma ideia do que você tem a falar é
imprescindível o emprego de um tema. O ouvinte realmente estará adentrando
no seu sermão.
4. INTRODUÇÃO – Começar bem é provocar interesse e despertar atenção.
Aproximar o ouvinte do sermão e dar a ele uma noção ou explicação do que vai
ser falado.
5. CORPO - Essa é a principal parte. Onde deverá estar o conteúdo de toda
mensagem, ordenado de forma lógica e precisa. Neste ponto também deverão
ser abordadas algumas aplicações utilizadas durante o sermão como,
ILUSTRAÇÕES, FIGURAS DE LINGUAGEM, MATERIAL DE PREPARAÇÃO.
6. CONCLUSÃO – “Uma conclusão desanimada, deixará os ouvintes
desanimados”. Baseados no objetivo específico do sermão a conclusão é uma
síntese do mesmo e deve ser uma aplicação final à vida do ouvinte.
7. APELO – Um esforço feito para alcançar a consciência, o coração e a vontade
do ouvinte. São os frutos do sermão.

TIPOS DE SERMÃO

SERMÃO TEMÁTICO

É aquele onde a divisão faz-se pelo tema. Todas as divisões devem derivar do
tema. A melhor forma é fazer perguntas ao tema escolhido, tais como: Por que?
Como? Quando? O Que? Onde?

Exemplo:

Tema: PARA QUÊ DEUS NOS CHAMA?

Texto: I Samuel 3:4-6

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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

Introdução: Deus sempre separou alguém como líder para salvar um povo. Chamou
Moisés, Josué, Gideão e muitos outros. Em todas as páginas da Bíblia, vemos este
interesse de Deus em chamar alguém para fazer a sua obra.

Transição: Neste texto que lemos, Deus chama o menino Samuel. Naquele tempo
não havia profetas e as visões eram poucas; não havia homens consagrados. O
mesmo Deus que chamou Samuel também nos chama hoje...

I. PARA O ARREPENDIMENTO

a) Arrependimento foi a mensagem de João Batista (Mt 3:2);

b) Pedro também pregou sobre o arrependimento (At 3:19);

c) Deus sempre nos leva ao arrependimento (Rm 2:4).

Deus não somente nos chama para o arrependimento, mas também nos chama...

II. PARA A CONSAGRAÇÃO

a) Deus pede um coração consagrado (Pv 23:26);

b) O Apóstolo Paulo era uma pessoa consagrada (Fp 3:7 e 8);

c) É Deus quem nos santifica (I Ts 5:23).

Depois de Deus nos chamar para a consagração, Ele nos chama...

III. PARA O TRABALHO

a) Para cooperar com Deus (Ag 2:4);

b) Para evangelizar (II Tm 4:5);

c) Para pregar a palavra a todo o mundo (Mc 16:15);

d) Nosso galardão é garantido (I Co 15:58).

Conclusão: Qual é o chamado de Deus para sua vida hoje? Apresente se a Ele
arrependido, consagrado e desejoso de trabalhar.

Apelo:

SERMÃO TEXTUAL
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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

São aqueles onde a sua divisão encontra-se no próprio texto. É um método


muito bom, pois oferece aos ouvintes a oportunidade de acompanhar, passo a
passo a exposição do sermão.

Exemplo:

Tema: REQUISITOS PARA ANDAR COM JESUS

Texto: Mateus 16:24

Introdução: Muitas pessoas querem seguir a Cristo, mas a maioria destas, o querem
seguir de qualquer maneira. Querem continuar levando a mesma vida de sempre.

Transição: Este texto também é narrado em Marcos e em Lucas. O Senhor Jesus


esclarece as prioridades para se caminhar com Ele...

I. NEGAR A SI MESMO

a) Renúncia total (Lc 14:33);

b) O Apóstolo Paulo renunciou seus diplomas e sua alta posição para caminhar com
Jesus (Fp 3:8);

c) Os discípulos abriram mão de tudo (Mt 4:22).

Cristo ensina que devemos negar a nós mesmos, mas também ordena que cada um
deve...

II. TOMAR A SUA CRUZ

a) A cruz de Cristo é símbolo de sofrimento (I Pe 2:21);

b) Quem não agir assim não pode andar com Jesus (Mt 10:38);

c) Aqueles que participam do sofrimento de Cristo serão bem aventurados na


revelação do Senhor (I Pd 3:13).

Cristo ainda, exige mais uma coisa daqueles que querem caminhar com Ele. Estes
devem...

III. SEGUI-LO

a) Segui-lo com prontidão (Mt 8:22);

b) Os que seguem a Jesus conhecem a sua voz (Jo 10:27);


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CURSO DE PREPARAÇÃO DE OBREIROS - MINISTROS

c) Os que seguem a Jesus encontram a Palavra de vida eterna (Jo 6:68).

Conclusão: Para caminhar com Jesus é necessário: negar a si mesmo, tomar a sua
cruz e segui-lo. Você está disposto a caminhar com Cristo?

Apelo:

SERMÃO EXPOSITIVO

Quando os textos são longos. Este pode expor uma história ou uma doutrina.
(Parábola, Milagre, Peregrinação, Pecado).

Em certo sentido todo sermão é expositivo, mas aqui indica a extensão do


texto.

Exemplo:

Tema: O SALMO DO CONTENTAMENTO

Texto: Salmo 23.

Introdução:

Transição:

I. O PASTOR DAS OVELHAS. V 1

a) Um pastor Divino (Senhor) v 1;

b) Um pastor pessoal (meu) v 1 .

II. A PROVISÃO DAS OVELHAS. V 2-5

a) Descanso (repousar) v 2;

b) Direção (leva-me) v 3;

c) Conforto (não temerei) v 4;

d) Fartura (mesa, cálice transbordante) v 5.

III. O FUTURO DAS OVELHAS. V 6

a) Um brilhante futuro para esta vida (v 6a);

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b) Um bendito futuro para o além (v 6b).

Conclusão:

Apelo:

*Lugares vazios, indicam espaços do sermão para completar na aula.

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