ALCIMAR NUNES DE PAULA

BIOGÁS: O COMBUSTÍVEL DO FUTURO

Monografia apresentada ao Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras, como parte das exigências do curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Fontes Alternativas de Energia, para a obtenção do título de especialista em ENERGIA ALTERNATIVA

Orientador Prof. Vitor Hugo Teixeira

LAVRAS MINAS GERAIS – BRASIL 2006

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ALCIMAR NUNES DE PAULA

BIOGÁS: O COMBUSTÍVEL DO FUTURO

Monografia apresentada ao Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Lavras, como parte das exigências do curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Fontes Alternativas de Energia, para a obtenção do título de especialista em ENERGIA ALTERNATIVA.

APROVADA em ______ de ___________ de 2006

Prof. _________________________

Prof. _________________________

Prof. ___________________ UFLA (Orientador)

LAVRAS MINAS GERAIS – BRASIL 2006

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AGRADECIMENTOS

Ao Professor _________ por sua competência, firme e sábia orientação que nos permeou durante todo o processo.

Aos Colaboradores com as nossas pesquisas, pela desinteressada doação, embora seja de grande importância.

Aos queridos membros da nossa família, pelo empenho, envolvimento e carinho do acompanhamento.

A Deus que conhece amplamente os nossos corações.

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RESUMO

O presente trabalho apresenta uma breve exposição sobre o Biogás, o combustível do futuro. Abordaremos conceitos, situações de uso do Biogás, como: energia elétrica produzida a partir do lixo urbano, como biofertilizante, utilizando o biogás para substituir derivados de petróleo e até mesmo como combustível automotivo; reduzindo os riscos de contaminação do meio ambiente.

ABSTRACT

The present work presents an abbreviation exhibition on Biogás, the fuel of the future. We will approach concepts, situations of use of Biogás, as: electric power produced starting from the urban garbage, as biofertilizante, using the biogás to substitute derived of petroleum and even as automotive fuel; reducing the risks of contamination of the environment.

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SUMÁRIO

RESUMO..............................................................................................................4 LISTA DE FIGURAS...........................................................................................7 LISTA DE TABELAS..........................................................................................8 1- INTRODUÇÃO................................................................................................9 2- BIOGÁS .........................................................................................................11 2.1 - O que é? .................................................................................................11 2.2 - A Utilização do Biogás ..........................................................................15 3 – CHINA: PIONEIRA NA PRODUÇÃO DE BIOGÁS .................................18 3.1 – Uma pequena fazenda rural na China usando o biogás. ........................20 3.2 – Os progressos alcançados na cidade de Mianyang ................................21 3.3 - Algumas mudanças com a produção de biogás......................................22 4 – OS BIODIGESTORES .................................................................................24 4.1 – A utilização do biodigestor....................................................................26 4.2 - Problemas enfrentados com biodigestores .............................................26 4.3 - O biofertilizante .....................................................................................28 5 – EXEMPLO DE BONS RESULTADOS DO BIOGÁS NO BRASIL ..........31 5.1 – Biodigestor rural no Rio Grande do Norte ............................................31 5.2 – As vantagens econômicas......................................................................31 5.3 – O Projeto e a Ativação do Biodigestor ..................................................33 5.4 – A manutenção e a integração do biodigestor na fazenda.......................35 6 – POTENCIAL DE ENERGIA VINDA DO LIXO ........................................36 6.1 – Biogás produzido com lixo urbano gera energia elétrica no Brasil.......38 6.2 - O Mercado de Carbono ..........................................................................41

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7 - BIOGÁS EM SUBSTITUIÇÃO A DERIVADOS DE PETRÓLEO............45 7.1 – A segurança do Biogás como combustível automotivo.........................46 7.2 – O fator poluição.....................................................................................48 8 – O FUTURO DO BIOGÁS A PARTIR DA CENTRAL DE RESÍDUOS DO VALE DO AÇO .................................................................................................50 8.1 - Central de Resíduos recebe lixo e material inservível ...........................50 8.2 – Projeto sobre aterro sanitário, prevê o uso do biogás. ...........................53 8.3 – Descrição do projeto..............................................................................53 8.4 - Considerações sobre o biogás gerado em aterros sanitários...................54 9 – LEGISLAÇÃO SOBRE ENERGIAS RENOVÁVEIS NÃO RESPEITA PROTOCOLO DE QUIOTO..............................................................................57 10 – CONCLUSÃO ............................................................................................60 11 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................61

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Modelo de Biodigestor ......................................................................26 Figura 2 – Biodigestor Rural com campânula de vinil .......................................31 Figura 3 - Parte visível do sistema de agitação: compressor, cilindro de armazenamento e filtros......................................................................................34 Figura 4 - Motor veicular utilizará biogás para bombear biofertilizante ............35 Figura 5 – Caminhão coletor descarregando o lixo na Central de Resíduos do Vale do Aço. .......................................................................................................51 Figura 6 – Área da Central de Resíduos do Vale do Aço. ..................................52

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Composição média da mistura gasosa ...............................................11 Tabela 2 – Poder Calorífico Inferior de diferentes Gases:..................................12 Tabela 3 - Equivalências Energéticas .................................................................14 Tabela 4 - Características do Biodigestor da Fazenda Bebida Velha .................32 Tabela 5 – Grau de segurança na utilização de gás natural ................................48

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1- INTRODUÇÃO

A partir de um ponto de vista histórico panorâmico analisaremos as diversas mudanças profundas na sociedade desde a Revolução Industrial, quando várias zonas rurais começaram a migrar para os grandes centros urbanos, em busca de emprego e consumindo cada vez mais produtos industrializados. Com isso as regiões rurais tiveram que mudar seu modelo de produção de alimentos para suprir a demanda das aglomerações urbanas. Atividades como a suinocultura, lançaram mais e mais efluentes, contaminando os recursos hídricos e o solo. Os produtores rurais começaram a exigir mais energia através de madeira e carvão e mais tarde de derivados de petróleo, e ao mesmo tempo começaram a descartar muita matéria orgânica como o lixo. O biogás se apresenta nesse contexto como uma solução viável para a maioria dos problemas, porque utiliza os próprios dejetos e materiais orgânicos desperdiçados, que contaminam o meio ambiente; além de economizar madeira e carvão, evitando os impactos ambientais na construção de hidrelétricas, contaminação do solo e dos recursos hídricos. Enfim, o biogás fornece uma forma de energia versátil e de baixo custo, e adubo orgânico de alta qualidade, o que influencia diretamente na balança comercial do agronegócio brasileiro, trazendo divisas para o país. Obtido a partir de um processo que degrada a matéria orgânica, possibilitando a produção de energia térmica e elétrica, o biogás vem de uma forma inexorável proporcionar novas aplicações para os resíduos das explorações agro-pecuárias, da atividade industrial e esgotos.

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OBJETIVOS

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Estudar a viabilidade do biogás como solução para o problema ambiental da suinocultura; Conhecer os primórdios da produção de biogás na China; Viabilizar o biogás como ferramenta de apoio à balança comercial; Analisar exemplos de bons resultados do biogás no Brasil; Conhecer a possibilidade de gerar energia elétrica por meio do biogás, através do lixo; Analisar o biogás em substituição a derivados de petróleo; Examinar o futuro do biogás a partir da Central de Resíduos do Vale do Aço.

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2- BIOGÁS
2.1 - O que é? Atribui-se o nome de Biogás (também conhecido como gás dos pântanos) à mistura gasosa, combustível, resultante da fermentação anaeróbica da matéria orgânica (decomposição de matérias orgânicas, em meio anaeróbio, por bactérias denominadas metanogênicas). A proporção de cada gás na mistura depende de vários parâmetros, como o tipo de digestor e o substrato a digerir. De qualquer forma, esta mistura é essencialmente constituída por metano (CH4), com valores médios na ordem de 55 a 65%, e por dióxido de carbono (CO2) com aproximadamente 35 a 45% de sua composição. Estando o seu poder calorífico diretamente relacionado com a quantidade de metano existente na mistura gasosa. O biogás é uma mistura de gás metano ¾ principal componente, ¾ do gás carbônico e de outros gases em menor quantidade. Os outros gases possuem um cheiro desagradável (semelhante à de ovo podre), mas como sua porcentagem é muito pequena, torna-se imperceptível. Numa análise global, o biogás é um gás incolor, geralmente inodoro (se não contiver demasiadas impurezas) e insolúvel em água. Como podemos verificar em sua composição média: Tabela 1 - Composição média da mistura gasosa Metano (CH4) Dióxido de Carbono (CO2) Hidrogênio (H2) 50 a 75 % 25 a 40 % 1a3%

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Azoto (N2) Oxigênio (O2)

0.5 a 2.5 % 0.1 a 1 %

Sulfureto de Hidrogênio (H2S) 0.1 a 0.5 % Amoníaco (NH3) Monóxido de Carbono (CO) Água (H2O) 0.1 a 0.5 % 0 a 0.1 % variável

O Biogás é, devido à presença do metano, um gás combustível, sendo o seu poder calorífico inferior (P.C.I.) cerca de 5500 Kcal/m3, quando a proporção em metano é aproximadamente de 60 %. A título de comparação, a tabela que se segue apresenta os P.C.I.’s para os outros gases correntes: Tabela 2 – Poder Calorífico Inferior de diferentes Gases: Gás Metano Propano Butano P.C.I. em Kcal /m3 8500 22000 28000

Gás de Cidade 4000 Gás Natural Biometano 7600 5500

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O biogás é um gás leve e de fraca densidade. Mais leve do que o ar, contrariamente ao butano e ao propano, ele suscita menores riscos de explosão na medida em que a sua acumulação se torna mais difícil. A sua fraca densidade implica, em contrapartida, que ele ocupe um volume significativo e que a sua liquefação seja mais difícil, o que lhe confere algumas desvantagens em termos de transporte e utilização. O biogás, em condições normais de produção, devido ao seu baixo teor de monóxido de carbono (inferior a 0.1 %) não é tóxico, contrariamente, por exemplo ao gás de cidade, cujo teor neste gás, próximo dos 20 %, é mortal. Por outro lado, devido às impurezas que contém, o biometano é muito corrosivo. O gás mais corrosivo desta mistura é o sulfureto de hidrogênio que ataca, além de outros materiais, o cobre, o latão, e o aço, desde que a sua concentração seja considerável. Quando o teor deste gás é fraco, é sobretudo o cobre que se torna mais sensível. Para teores elevados, da ordem de 1% (excepcionais nas condições normais de produção do biogás) torna-se tóxico e mortal. A presença do sulfureto de hidrogênio, pode constituir um problema a partir do momento em que haja uma combustão do gás e que sejam inalados os produtos desta combustão, dado que a formação do dióxido de enxofre (SO2) é extremamente nocivo, causando, nomeadamente, perturbações a nível pulmonar. O amoníaco, sempre em concentrações muito fracas, pode ser corrosivo para o cobre, sendo os óxidos de azoto libertados durante a sua combustão, igualmente tóxicos. Os outros gases contidos no biogás, não suscitam problemas em termos de toxicidade ou nocividade. O gás carbônico, em proporção significativa (35 %), ocupa um volume perfeitamente dispensável e obriga, quando não suprimido, a um aumento das capacidades de armazenamento. O vapor de água pode ser corrosivo para as canalizações, depois de condensado.

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Tabela 3 - Equivalências Energéticas 1 m3 de Biogás = 6000 Kcal - é equivalente a: 1,7 m3 de Metano 1,5 m3 de Gás de Cidade 0,8 L de Gasolina 1,3 L de Álcool 2 Kg de Carboneto de Cálcio 0,7 L de Gasóleo 7 Kw h de Eletricidade 2,7 Kg de Madeira 1,4 Kg de Carvão de Madeira 0,2 m3 de Butano 0,3 m3 de Propano

Toda a matéria viva, após a morte é decomposta por bactérias microscópicas. Durante esse processo, as bactérias retiram da biomassa parte das substâncias de que necessitam para continuarem vivas, e lançam na atmosfera gases e calor. Este é o chamado biogás, fonte abundante, não poluidora e barata de energia. O biogás pode ser obtido de resíduos agrícolas, ou mesmo de excrementos de animais e dos homens. Ao contrário do álcool da cana de açúcar e de óleos extraídos de outras culturas, não compete com a produção de alimentos.

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O biogás, por ser extremamente inflamável, pode ser simplesmente queimado para reduzir o efeito estufa (o metano apresenta um poder estufa cerca de 20 vezes maior que o CO2 ) ou utilizado para uso em fogão doméstico, motores de combustão interna, geladeiras, secadores de grãos, sistemas de aquecimento de aviário e geração de energia elétrica. A presença de vapor d’água, CO2 e gases corrosivos no biogás in natura, constitui-se o principal problema na viabilização de seu armazenamento e na produção de energia. Equipamentos mais sofisticados, a exemplo de motores à combustão, geradores, bombas e compressores têm vida útil extremamente reduzida. A remoção de água, H2S e outros elementos através de filtros e dispositivos de resfriamento, condensação e lavagem é imprescindível para a viabilidade de uso a longo prazo. O esforço desenvolvido pela indústria brasileira na adaptação e desenvolvimento de equipamentos para o uso do biogás é ainda muito pequeno sendo preciso avançar nesta questão, colocando a disposição dos produtores serviços, materiais e equipamentos mais adequados e confiáveis. 2.2 - A Utilização do Biogás O biogás pode ser utilizado de várias formas:

Funcionamento de motores, geradores, motopicadeiras, resfriadores de Substituição do gás liquefeito de petróleo na cozinha. Nas propriedades agrícolas, o biogás pode ser produzido em aparelhos

leite, aquecedor de água, geladeira, fogão, lampião, lança-chamas;

simples chamados biodigestores. Os resíduos que sobram em um biodigestor agrícola ainda pode ser utilizado como fertilizante. Pode se produzir um metro cúbico de biogás com os seguintes ingredientes:
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25 kg de esterco fresco de vaca ou 5 kg de esterco seco de galinha ou 12 kg de esterco de porco ou 25 kg de plantas ou casca de cereais ou 20 kg de lixo Toda matéria orgânica, como restos agrícolas, esterco ou lixo, sofre decomposição por bactérias microscópicas. Durante o processo, as bactérias retiram dessa biomassa aquilo que necessitam para sua sobrevivência, lançando gases e calor na atmosfera. O biogás é resultante da decomposição controlada do lixo doméstico, feita em aterros sanitários, ou da decomposição do esterco de gado em recipientes especiais conhecidos como biodigestores. O esgoto das nossas cidades, recolhido às estações de tratamento, também é uma fonte de biogás, que pode ser utilizado para movimentar ônibus e caminhões, ou para produzir eletricidade e calor em co-geradores. Uma política de geração e aproveitamento do biogás possibilitaria a regularização de milhares de lixões que existem no País. Isso porque, para operá-los de maneira controlada, seria necessário investir em infra-estrutura, drenagem, segurança e mão-de-obra especializada. Do mesmo modo, o esgoto, que atualmente é jogado em córregos e valas, teria de ser canalizado para estações de tratamento, resultando em ganhos ambientais, sociais e de saúde pública. A boa notícia é que já contamos com aterros sanitários funcionando regularmente e gerando biogás de lixo em cidades como Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia. Outra iniciativa muito importante seria estimular a adoção de biodigestores em áreas rurais, gerando gás de cozinha a partir do estrume bovino ou suíno, como já acontece em milhões de residências na China e Índia.

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No artigo “Mianyang e Biogás em Szechuan”, do autor Rewi Alley, podemos verificar a geração de gás de cozinha a partir do estrume bovino ou suíno, onde ele faz uma visita aos vários tipos de biodigestores instalados em Szechuan, na China:
“...Cada família possui o seu próprio biodigestor alimentado por alguns porcos, além do refugo humano.” “...Para a geração do biogás, foram construídos dois biodigestores, sendo um de 174 metros cúbicos e o segundo de 180. O esterco de 21 porcos em um chiqueiro, situado entre os dois aparelhos, é canalizado diretamente para os biodigestores, acrescentando-se cerca de 60% de palha de trigo. Se o material orgânico não for suficiente, adicionase estrume de cavalo.” Revista Eastern Horizon.

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3 – CHINA: PIONEIRA NA PRODUÇÃO DE BIOGÁS

Podendo se destacar pelo seu avançado êxito em relação ao uso biogás, e em relação à expansão do biodigestor, num mundo carente de energia e à procura de novas fontes, a China introduziu o uso do biogás (em chinês se chama shaoqi) que foi desenvolvido pela primeira vez em 1937, no distrito de Zongsyang. Logo depois se propagou para outros distritos da Província de Szechuan. Mas somente em 1970 passou a ser promovido oficialmente. Em 1973 começavam as investigações quanto às suas possibilidades, e já em 1975 a sua prática se tornava comum devido às vantagens reconhecidas por várias comunas. Hoje, um grande número de distritos o empregam, já sendo amplamente usado por grupos coletivos, como o exército, etc. A geração desse gás e a sua utilização, hoje disseminada por toda a província, veio solver o problema de combustível para inúmeras famílias, permitindo que a mesma matéria-prima, após ter sido usada para a produção de combustível, voltasse novamente à terra como fertilizante. O biogás é também utilizado como fonte de energia na geração de força e, quando usado junto com o óleo diesel, pode diminuir em mais da metade a quantidade desse óleo consumida para vários fins. Existem milhões de biodigestores produzindo biogás na China. Uma família de 5 membros pode obter todo o gás de que necessita para a cozinha e iluminação, de um digestor de 10 metros cúbicos. Em outras palavras, num digestor operado eficientemente, o gás gerado por cada metro cúbico é suficiente para uma pessoa. No entanto, a manutenção e a técnica são importantes. O gás corre mais facilmente em tempo quente. Para construir um biodigestor, se não houver pedras ou tijolos, são necessários de 250 a 300 kg de cimento. A tubulagem plástica pode ser obtida localmente. Os digestores de for18

ma redonda prestam-se melhor para o tipo de 8 a 12 metros cúbicos. Esse tipo de biodigestor deve ser pequeno, de pouca profundidade, e ligado às latrinas, aos chiqueiros e estábulos de gado, etc. Uma mistura adequada para a alimentação do biodigestor, deverá conter 30% de matéria orgânica (esterco, etc.), 20% de colmos picados e folhagem da soja, do milho, da cana e outras biomassas, 10% de capim, e 40% de água. Os biodigestores devem ser bem selados para evitar a perda de gás, e a carga deve durar de 4 a 6 meses. Caso se disponha do material necessário, será melhor instalar dois biodigestores ao mesmo tempo, de modo que, quando for esvaziado um dos digestores para limpeza, o outro continue operando. Existindo apenas um único biodigestor, haverá um intervalo de uns 3 dias para o reinício da geração de gás. Durante esse espaço de tempo, a família terá que recorrer aos antigos métodos para obter luz e combustível. O biogás pode igualmente ser aproveitado para a geração de eletricidade. O biogás é também de grande utilidade na secagem de colheitas: folhas de fumo, grãos, etc. Por sua vez, o resíduo obtido dos biodigestores é um fertilizante do mais alto valor, e a sua aplicação já tem reduzido em mais de 30% o uso de fertilizantes químicos, em vários lugares. Tendo sido esterilizados pelo calor gerado no biodigestor, esse adubo não tem cheiro e, ao mesmo tempo, o seu uso vem reduzindo a incidência de parasitos intestinais como a "esquistossomose". A manutenção técnica é indispensável, motivo pelo qual muitos empregam um técnico em biogás que visita os vários biodigestores, prestando auxílio na solução de quaisquer problemas. As pequenas indústrias começam também a utilizar o processo, para geração de eletricidade, instalando biodigestores e usando seus próprios resíduos.

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Os pequenos biodigestores domésticos aproveitam as folhas das árvores, as varreduras, o lixo, água usada, embora seja recomendável limitar o uso de água. O uso do biogás juntamente com o óleo diesel nos motores pode resultar numa economia de 70% em óleo diesel. Espera-se que, considerando o crescente problema energético que afeta o mundo inteiro, um grande progresso venha a ser feito na utilização do biogás.

3.1 – Uma pequena fazenda rural na China usando o biogás. O uso de biogás nessa fazenda foi feito pelos próprios trabalhadores em 1974, como primeira experiência. O resultado foi muito satisfatório, por isso, em seguida, eles cavaram 3 grandes biodigestores, logo abaixo dos estábulos onde ficam as vacas leiteiras, e de onde o esterco é canalizado com água e capim para dentro dos biodigestores embaixo. Esses 3 biodigestores, produzindo 20.000 kWh, já economizam 120 toneladas de carvão por ano, além de economizarem 30% da mão-de-obra previamente necessária. O resíduo exausto, retirado do biodigestor, é por sua vez levado por água morro abaixo para fertilizar as árvores frutíferas. Com a utilização do biogás, a produção da fazenda subiu em 40% em apenas um ano. Conduzido em tubos plásticos para um dos grandes refeitórios, o biogás aquece 3 grandes panelões, com grande redução no custo das refeições. Para a geração de eletricidade, encontra-se 3 grupos de geradores, o maior, com um motor de 88 HP, é movido 75% a biogás. Os outros dois, menores, são de 20 HP e 10 HP, respectivamente. Ambos usam óleo diesel apenas para a ignição inicial, passando o motor, em seguida, a usar o biogás. O motor maior recicla o calor do escapamento através de condutores colocados ao redor dos biodigestores para aquecê-los um pouco durante o grande frio do
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inverno chinês. Em duas horas, esse calor pode fazer subir a temperatura do biodigestor em 1 grau. Quanto mais quentes, melhor funcionam os biodigestores.

3.2 – Os progressos alcançados na cidade de Mianyang Com a diminuição das reservas de petróleo e a exaustão dos combustíveis fósseis no mundo, haverá uma necessidade cada vez maior de outras fontes de energia. O biogás sem dúvida é uma delas. Ocupando um lugar de destaque nas pesquisas e desenvolvimento de biodigestores, muitos visitam Mianyang a fim de obter informações sobre os avanços alcançados e os idealizadores já podem observar como o seu uso está se expandindo pelo mundo inteiro. Muitas foram as lições aprendidas dos primeiros biodigestores construídos com grande entusiasmo. Alguns haviam sido instalados longe demais dos pontos em que seriam usados. Outros foram mal projetados, tendo desabado. Nas partes montanhosas foram construídos em locais onde não havia água ou não existia suficiente material gerador. Outros ainda tinham sido mal desenhados ou tido uma manutenção defeituosa. Ainda não haviam sido bem compreendidos os três princípios básicos de que os biodigestores devem de preferência ser pequenos, redondos e de pouca profundidade. Os biodigestores são defeituosos quando cavados fundos demais ou encontram-se longe das fontes de matéria-prima, necessitando de mão-de-obra para o seu transporte. Alguns foram construídos com material deficiente. A experiência mostrou que a melhor maneira é construir dois biodigestores, para que um continue em funcionamento enquanto o outro está sendo esvaziado.

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Com a passagem dos anos, os biodigestores foram dando resultados cada vez melhores ao serem consertados os seus defeitos e eliminadas as suas falhas. Depois, verificou-se que várias famílias trabalhando em conjunto obtêm resultados mais positivos na produção do biogás do que por esforços individuais. Antes, nos países desenvolvidos, a remoção do material de esgotos e lixo era um grande e custoso problema. O uso científico do biogás aproveita uma grande fonte negligenciada até agora. Apesar do progresso alcançado em Mianyang, existem, no entanto, muitas áreas na China onde o processo poderá ser também desenvolvido. Deste modo, as latrinas abertas, com um cheiro desagradável e penetrante, poderiam ser inteiramente eliminadas, fornecendo ao mesmo tempo um fertilizante valioso, reduzindo o uso de adubos químicos, além de promover uma melhoria na saúde de todos. Vale ressaltar ainda que muitos lavradores que residem próximos a fábricas que utilizam os biodigestores, fornecem a palha em troca do resíduo-fertilizante retirado periodicamente dos biodigestores, que será aplicado como adubo em suas plantações. Outro aspecto a ser destacado ainda é o uso do biodigestor por várias famílias, que dispõem de gás suficiente para cozinhar 3 refeições por dia, além da iluminação utilizada por todos. As mulheres, sobretudo, estão satisfeitas e orgulhosas de suas cozinhas, pois finalmente estão livres das cozinhas cheias de fumaça tão comuns na China rural.

3.3 - Algumas mudanças com a produção de biogás Um grande problema que se pode perceber em relação à produção de biogás na China, foi o alto custo de combustível que levou tantas famílias a
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instalarem os seus biodigestores. Antigamente, a ração de combustível durava sete meses, depois cinco meses, logo em seguida, eram obrigados a procurá-lo onde o encontrassem - o que absorvia mais da metade dos seus ganhos. Ao instalarem os biodigestores, nunca mais olharam para trás, resumindo-se os seus problemas apenas em desenvolver uma manutenção adequada, obtida através da experiência. O uso do biogás veio trazer também grandes mudanças no nível de vida. Assim, a saúde geral melhorou consideravelmente. Com adubo melhor, obtido dos biodigestores, subiu também a produção, restando mais mão-de-obra para trabalhar as lavouras. Então, os porcos mantidos coletivamente, junto com o refugo humano, produzem toda a matéria-prima necessária para os biodigestores. Um dos maiores benefícios obtidos do biogás tem sido a luz elétrica, tão melhor do que o velho lampião a querosene. A usina elétrica dispõe de dois grandes biodigestores para a geração de luz, com uma capacidade total de 130 metros cúbicos. A sua manutenção está a cargo de dois membros de uma comuna.

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4 – OS BIODIGESTORES

O Biodigestor realiza um processo conhecido há muito tempo, a biodigestão anaeróbia. A produção de biogás para a conversão em energia de cozimento, iluminação e como biofertilizante é muito popular nos países asiáticos, a exemplo da China e Índia. Mas também, já é considerável o interesse pelo biogás em todo o mundo, pois o processo é de grande valor, especialmente para os países do Terceiro Mundo. Nas décadas de 70 e 80, aumentou-se muito o interesse pelo biogás no Brasil, em especial pelos suinocultores. Alguns programas do governo estimularam a implantação de muitos biodigestores focados principalmente, na geração de energia e na produção biofertilizante e diminuição do impacto ambiental. A finalidade dos programas governamentais era de reduzir a dependência das pequenas propriedades rurais na aquisição de adubos químicos e de energia térmica para os diversos usos (cozimento, aquecimento, iluminação e refrigeração), bem como, reduzir a poluição causada pelos dejetos animais e aumentar a renda dos criadores. Mas, infelizmente, os resultados não foram os esperados e a maioria dos sistemas implantados, acabaram sendo desativados. Uma série de fatores foram responsáveis pelo insucesso dos programas de biodigestores neste período, inclusive erros grosseiros de dimensionamento, construção e operação dos biodigestores, que contribuíram ainda mais para o fim desses programas. Ainda podemos citar outros fatores, como: 1) a falta de conhecimento tecnológico sobre a construção e operação dos biodigestores; 2) o custo de implantação e manutenção eram elevados (câmaras de alvenaria, concreto ou pedra, gasômetros de metal); 3) o aproveitamento do biofertilizante continuava a exigir equipamentos de distribuição na forma líquida, com custos
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de aquisição, transporte e distribuição elevados; 4) a falta de equipamentos desenvolvidos exclusivamente para o uso do Biogás e a baixa durabilidade dos equipamentos adaptados para a conversão do biogás em energia (queimadores, aquecedores e motores) 5) a ausência de condensadores para água e de filtros para os gases corrosivos gerados no processo de biodigestão; 6) a disponibilidade e o baixo custo da energia elétrica e do GLP e, 7) a não resolução da questão ambiental, pois biodigestores, por si só, não são considerados como um sistema completo de tratamento. Os biodigestores, após longos anos passados, ressurgem como alternativa ao produtor, graças à disponibilidade de novos materiais para a construção dos biodigestores e, é claro, da maior dependência de energia das propriedades em função do aumento da escala de produção, da matriz energética (demanda da automação) e do aumento dos custos da energia tradicional (elétrica, lenha e petróleo). O emprego de mantas plásticas na construção de biodigestores, com certeza, é um material de alta versatilidade e de baixo custo, e por isso, é o fator responsável pelo barateamento dos investimentos de implantação e da sua evolução no país. Porém, embora se conheçam os avanços obtidos no conhecimento do processo de digestão anaeróbia, na tecnologia de construção e de operação de biodigestores, da redução dos custos de investimentos e de manutenção, continua-se a praticar os mesmos erros do passado, o que poderão inviabilizar novamente o uso da tecnologia. Se o interesse dos suinocultores é de aumentar a rentabilidade econômica da atividade e adequação à legislação ambiental num país que dispõem de condições climáticas favoráveis (temperaturas agradáveis e boa distribuição de chuvas) para produzir energia e biofertilizante, derivados dos dejetos. Então se questiona: por que isso não está acontecendo?

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4.1 – A utilização do biodigestor A utilização de biodigestores para tratamento dos dejetos suínos não deve ser vista pelos produtores como uma solução definitiva e sim como parte de um processo haja vista que este sistema possui limitações. A possibilidade de utilização do biogás para geração de energia térmica e elétrica agrega valor ao dejeto diminuindo seus custos com tratamento e possibilita uma visão sistêmica do processo sob o ponto de vista da gestão ambiental da propriedade rural. Para se transferir essa tecnologia ao produtor, e para que ela não venha a cair em descrédito, como já aconteceu no passado, alguns cuidados devem ser tomados, como por exemplo, aprimorar a assistência técnica, partindo do pressuposto que para o sucesso da tecnologia o usuário precisa ter conhecimento para se evitar erros, muitas vezes primários, que podem inviabilizar o processo.

Figura 1 – Modelo de Biodigestor

4.2 - Problemas enfrentados com biodigestores

Nota-se que vem acontecendo vários problemas em relação aos biodigestores, a começar pelos princípios básicos da digestão anaeróbia que não

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estão sendo devidamente considerados, e ainda, não existe um planejamento adequado para a produção, uso e disposição dos subprodutos derivados. Os produtores não dispõem de assistência técnica treinada e com conhecimento nos processos produtivos do biogás, sendo muitas vezes, levados pela pressão a ajustar a atividade à legislação ambiental e pela oferta dos fornecedores de materiais e equipamentos, acabam por implantar processos mal dimensionados, com problemas operacionais e baixa eficiência de produção e uso do biogás, bem como a utilização do biofertilizante, inviabilizando o sistema do ponto de vista técnico e econômico. Primeiramente, a dificuldade se refere ao desconhecimento de que a fermentação anaeróbia é um processo muito sensível e que a decomposição biológica da matéria orgânica compreende quatro fases (hidrólise, acidogênese, acetogênese e metanogênese). O sucesso da digestão depende do balanceamento entre as bactérias que produzem gás metano a partir dos ácidos orgânicos e este, é dado pela carga diária (sólidos voláteis), alcalinidade, pH, temperatura e qualidade do material orgânico, ou seja, da sua operação. Qualquer variação entre eles, pode comprometer o processo. A entrada de antibióticos, inseticidas e desinfetantes no biodigestor também pode inibir a atividade biológica diminuindo sensivelmente a capacidade do sistema em produzir biogás. Logo em seguida, nota-se que, grandes volumes de biodigestores produzem altas quantidades de biogás, nem sempre é verdadeira, contudo, o dimensionamento do biodigestor deverá ser compatível com o tempo de residência hidráulica deste (aconselhável TRH maiores que 35 dias) e as demandas de biogás na propriedade. Biodigestores com grandes gasômetros representam um risco a segurança dos produtores, em face da ação mecânica dos ventos aumentando o risco de vazamentos de gás e sua combustão incontrolável pela formação de qualquer centelha. Grande parte dos dejetos são extremamente liquefeitos, com baixa concentração de sólidos voláteis fruto de um grande
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aporte de água pelo desperdício em bebedores, entrada de água de chuva e lavagem excessiva das baias o que resulta em sistemas com baixa eficiência. E ainda pode-se dizer que a formação de zonas de curto circuito, busca de caminhos preferências pelo dejeto, dentro do biodigestor e o isolamento das bactérias do contato com a mistura em biodigestão, durante a fase de metanogênese, também são fatores que diminuem a eficiência do sistema e contribuem para o assoreamento precoce do biodigestor e redução de sua vida útil. A agitação da biomassa no biodigestor pode mitigar estes problemas. E por último, sabe-se da sensibilidade dos microorganismos produtores de metano, em relação a variações de temperatura, sendo preciso assegurar a sua estabilidade, seja através do aquecimento interno ou de melhor isolamento térmico da câmara de digestão durante os meses de inverno, principalmente nos estados do Sul do Brasil. Este ponto é bastante crítico, pois nos meses de inverno é que se apresenta uma maior demanda por energia térmica e uma tendência dos biodigestores em produzirem volumes menores de biogás causados pelas baixas temperaturas. 4.3 - O biofertilizante

A aplicação do biofertilizante no solo, sob o ponto de vista da adubação orgânica, deve ser realizada levando-se em conta critérios agronômicos para evitar-se na medida do possível o impacto ambiental oriundo dessa aplicação. Ao passar pelo biodigestor, o efluente perde carbono na forma de metano e CO2 (diminuição na relação C/N da matéria orgânica), o que melhora as condições do material para fins agrícola em função do aumento da solubilidade de alguns nutrientes. Percebe-se que um grande problema se encontra nos custos de transporte e distribuição do material líquido, que exige investimento e manutenção elevada.
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Nestas condições, quanto maior for à concentração de nutriente por volume transportado e distribuído, melhor a relação custo/benefício. Porém, a realidade nos mostra um quadro inverso, os produtores geralmente não possuem um dejeto suficientemente concentrado que possa viabilizar os custos com transporte e distribuição deste. Existe também um problema em relação ao uso de dejetos animais na forma de biofertilizante, pois, verifica-se a situação de descapitalização dos pequenos e médios produtores, a topografia ondulada, o pequeno tamanho das propriedades e a escassez de áreas agrícolas próprias para a mecanização. Como um adubo orgânico diferente, o biofertilizante é o afluente dos biogestores, e resulta da fermentação anaeróbica da matéria orgânica ao produzir biogás. Pode ser sólido ou líquido:

O sólido é o seu estado natural, contém muita fibra, e utiliza-se como adubação de fundação por ocasião do plantio, bem como adubação periódica por enterramento em torno da copa da planta. Sua assimilação é lenta.

O biofertilizante líquido (biolíquido) é a parte aquosa do biofertilizante natural quando se efetua o peneiramento e a filtração, provocando-se a eliminação do conteúdo sólido. Este produto pode ser usado em aspersão como adubo folhear ou diretamente no solo junto as raízes, bem como hidroponia . A assimilação pelas plantas se efetua com muita rapidez, de modo que é muito útil na cultura de ciclo curto. Como o adubo possui uma composição altamente complexa e variável;

por ser um produto fermentado por bactérias, leveduras e bacilos, e a matéria orgânica vegetal servida de base alimentar; contém quase todos os macros e micros elementos necessários a nutrição vegetal. Além disso, já foi evidenciado
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em pesquisas realizadas em vários países, que o biofertilizante possui efeitos, tais como fito hormonal, fungistático, bacteriostático, de repelencias contra insetos, nematecida e acaricida. Agindo, portando, como um protetor natural das plantas cultivadas, contra doenças e pragas. E o mais importante: com menos danos à ecologia e sem perigo para a saúde humana.

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5 – EXEMPLO DE BONS RESULTADOS DO BIOGÁS NO BRASIL

5.1 – Biodigestor rural no Rio Grande do Norte Localizado no Rio Grande do Norte, um biodigestor rural com gasômetro de vinil, foi instalado em uma fazenda chamada “Bebida velha”. Ativado no ano de 2002, foi planejado para alimentar com biogás, em substituição ao GLP, os aquecedores do aviário da fazenda, e vem demonstrando bons resultados no fornecimento de biogás e do biofertilizante.

Figura 2 – Biodigestor Rural com campânula de vinil

5.2 – As vantagens econômicas Segundo Camilo Carneiro, proprietário e responsável pelo

empreendimento juntamente com seu pai, Adolpho Carneiro, a produção de biogás só não é maior por falta de demanda energética. Com capacidade para 600m³ de efluente (mistura de esterco bovino e água) vem produzindo um volume de biogás suficiente para substituir o consumo de 25 botijões de gás de
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13 kg por semana que se tinha anteriormente, representando uma economia de aproximadamente três mil reais mensais. A alimentação é feita com esterco de 150 fezes bovinas criadas em regime de confinamento para corte. O uso do biofertilizante na lavoura também foi contabilizado como benefício nos cálculos de viabilidade econômica e atualmente é fator consorciado de retorno do investimento. A produção é utilizada integralmente na própria fazenda. Carneiro afirma que seu uso tem demonstrado resultados melhores que o esterco cru, como era utilizado antes do biodigestor. A higienização é outra vantagem da implantação do biodigestor, evitando odores e proliferação de parasitas. Segundo o proprietário, o biodigestor rural é viável, desde que haja demanda para utilização global de seus produtos, biogás e biofertilizante. As considerações de aspectos locais no projeto devem ser minuciosas. Disponibilidade de água, regime de criação em confinamento, proximidade entre o curral e o biodigestor são fatores essenciais. O retorno do investimento vai depender muito dessas condições, que, para ele, se não forem favoráveis, inviabilizam o empreendimento, principalmente pelo custo da mão de obra necessária. Disse ainda que seu biodigestor deve se pagar após três anos de uso. Mas, acrescentou que se a demanda energética fosse maior, esse tempo poderia ter sido de dois anos aproximadamente. Quanto ao custo de implantação, calcula que a preços de hoje deve ficar em torno de oitenta mil reais.

Tabela 4 - Características do Biodigestor da Fazenda Bebida Velha Modelo Câmara de Fermentação Alimentação. Material orgânico saneado Horizontal de formato retangular Em alvenaria, com capacidade para 600 m 3 Contínua com operação de pré-mistura Esterco bovino de 150 fezes diluído em água

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Proporção de mistura Sistema de agitação Campânula Utilização atual Produção energética atual Mão de obra para operação Início da ativação Retorno do investimento

Um litro de água para cada Kg de esterco Insuflação do biogás pressurizado a 120 libras Em vinil com selo d’água sobre as bordas Aproximadamente 50% da capacidade de produção O equivalente a 325 Kg de GLP por semana Um funcionário Janeiro de 2002 Previsto para três anos

5.3 – O Projeto e a Ativação do Biodigestor A concepção do biodigestor da Fazenda Bebida Velha foi em função do aproveitamento do biogás para alimentação do aviário, mas, seu planejamento considerou todas as atividades mantidas na fazenda: lavoura, criação de gado de corte e avicultura. Todas foram integradas e beneficiadas. O projeto do biodigestor foi encomendado à empresa paranaense Bioma. A campânula de vinil foi comprada diretamente do fabricante Sansuy. O projeto e a construção foram acompanhados passo a passo pelos proprietários e toda mão de obra e material utilizado, exceto a campânula de vinil, foi adquirido localmente ou na capital do estado, Natal. Para garantir baixa utilização de mão de obra, o curral mudou de local vindo para junto do local da construção do biodigestor. Um cuidado tomado está no piso, todo cimentado. O que, na coleta do esterco, evita mistura de areia ou pedras. Por possuir campânula de vinil, o biodigestor foi construído junto a uma barreira vegetal,
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formada por eucaliptos, para evitar ataque de ventos. Posteriormente, uma outra foi providenciada para complementar esta proteção. Em relação ao modelo do biodigestor (figura 1), trata-se de um modelo horizontal (a altura não é a maior medida) de formato retangular, com campânula de vinil vedada por selo d'água, funcionamento em ciclo contínuo. O sistema de agitação, indispensável em modelos com esta capacidade, funciona com insuflação do próprio biogás pressurizado a 120 libras. A injeção é feita por tubos de PVC para alta pressão distribuídos no fundo da câmara de fermentação. Além do compressor e cilindro de armazenamento o sistema conta com filtros para eliminar traços de gases indesejáveis resultantes da fermentação. A condução do biogás produzido até o local de consumo é feita por tubos de PVC comuns, para isso foi utilizado um redutor de pressão alimentado por uma derivação do mesmo sistema de pressurização utilizado na agitação. O redutor permite uma pressão de trabalho no circuito de distribuição de 40 libras.

Figura 3 - Parte visível do sistema de agitação: compressor, cilindro de armazenamento e filtros

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5.4 – A manutenção e a integração do biodigestor na fazenda

De acordo com o proprietário da fazenda, a ativação do biodigestor não apresentou problemas. Em mais de dois anos de funcionamento os principais reparos ocorridos foram na campânula, mas que ele considera aceitáveis e de fácil execução, sendo feitos no próprio local. O crescimento da vegetação utilizada na segunda barreira contra o vento deverá diminuir as incidências, acredita ele. Um dos pontos altos do empreendimento foi a integração do biodigestor com a fazenda. A única coisa que percebemos ter sido subtraída foi o “cheirinho de esterco curtido”. Como o biodigestor possui selo de água, nenhum cheiro escapa do biodigestor. Não se percebe também presença de moscas. A interação do responsável pelo empreendimento com o sistema é constante. Melhoramentos estão sendo implantados a cada dia. A aplicação e distribuição do biofertilizante, por exemplo, atualmente feitas por trator-pipa com pulverizador, em breve passarão a ser feito por dutos. O bombeamento será feito por motor a combustão veicular (figura 2), já adquirido, que será adaptado para utilizar biogás como combustível.

Figura 4 - Motor veicular utilizará biogás para bombear biofertilizante
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6 – POTENCIAL DE ENERGIA VINDA DO LIXO

Há vários anos, muitas pesquisas estão sendo feitas em relação a produção de biogás, e em conseqüência, em relação a geração de energia elétrica, a partir dos aterros sanitários. A idéia inicial era valorizar, em primeira instância os grandes aterros existentes, que se formaram ao longo dos anos, e, em seguida, projetar um novo tipo de aterro, sob o prisma da valorização futura dos gases: estanqueidade do fundo, corte, bom sistema de dreno, irrigação, etc. Já em 1981, a Gaz de France, iniciou experiências para produzir e utilizar o biogás produzido nos aterros sanitários. Especulou-se um convênio entre a Gaz de France, interessada na produção e utilização do metano, e a ANRED (Agência Nacional para a Recuperação e a Eliminação dos Detritos), cuja principal preocupação é a eliminação dos detritos. Em um trabalho publicado na França, em 1982, podemos verificar esse interesse da Gaz de France na produção e utilização do biogás:
“A Gaz de France está interessada nessa técnica, que foi tema de uma comunicação dos Srs. Jean-Pierre Lasneret, da Gaz de France, e Claude Mouton, da ANRED, ao Congresso da Association Technique de I’Industrie du Gaz de France, realizado em 1981. Há uma experiência em curso em Montaubert por iniciativa da Gaz de France, que nos é comentada pelo Sr. Donat, responsável de Estudos Avançados da DETN. Nesse aterro, foi feita uma série de 17 perfurações de 30 a 310 m3, para drenar o gás através do poço.” Elisabeth LIégeols

Diversas experiências foram realizadas, como parte de um programa global dirigido pela ANRED, em associação com a Gaz de France, programa esse que recebeu apoio financeiro da Comunidade Econômica Européia.

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Citemos as de Pateaux, Arnon-ville-les-Mantes, Fretin, Bouvry e Barlin. O objetivo era aperfeiçoar a produção de metano nos aterros, sem se opor aos métodos clássicos de exploração. Em outras palavras, trata-se de aumentar o rendimento global em metano dos detritos, controlar o ritmo de produção e diminuir o custo das obras. Porém, fica aí uma indagação: Como esse biogás é gerado? Por fermentação anaeróbica, que se produz num espaço de tempo que varia de alguns meses a dois anos. Quando o processo se inicia, o aterro pode produzir gás durante um período que oscila entre 10 e 20 anos. Na época foram analisadas as utilizações possíveis em relação ao uso do biogás:
“Foram consideradas duas possibilidades de utilizações: combustível ou carburante. Os estudos realizados mostraram que a segunda possibilidade era a melhor. Poderia ser bastante interessante injetar, quando a situação geográfica permitir, o biogás numa rede de utilização de gás natural. Essa solução, pouco exigente quanto às características da produção, proporciona várias vantagens: 1- a diluição num gás mais rico, com uma vazão geralmente considerável, o que permite uma qualidade medíocre do biogás; 2- a irregularidade da produção compensada pela rede de base, o que faz com que não seja perceptível a nível de consumidor; e 3- os aparelhos de utilização podendo ser adaptados à qualidade do gás.” Elisabeth LIégeols

O tratamento de esgoto é uma tarefa essencial para a manutenção da saúde da população e do meio-ambiente. Melhor ainda seria se esse lixo pudesse ser transformado em energia, o que baratearia o custo do seu tratamento, além de diminuir a exigência de exploração de outros recursos energéticos. Pois esta foi justamente a proposta dos engenheiros do Instituto Nacional de Ciências

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Avançadas e Tecnologia (AIST), do Japão, que no ano de 2004, inauguram a primeira usina de biogás do mundo capaz de gerar hidrogênio e metano a partir de lixo doméstico. A pequena usina, em escala piloto, utiliza um processo de fermentação em duas etapas para transformar lixo orgânico doméstico em gases que poderão ser utilizados de diversas formas, seja para a geração direta de calor, produção de energia elétrica ou, no futuro, até mesmo para abastecer veículos movidos a células de combustível a hidrogênio. Os dois estágios do processamento - solubilização e fermentação do hidrogênio e fermentação do metano - conseguiram reduzir o tempo total de processamento de 25 para apenas 15 dias, com uma recuperação de energia de até 55%. A solubilização e fermentação do hidrogênio utiliza uma complexa microflora isolada pelos pesquisadores como um estágio preliminar à fermentação do metano, derivando hidrogênio e metano de lixo orgânico sólido que contenha um alto teor de água. 6.1 – Biogás produzido com lixo urbano gera energia elétrica no Brasil O biogás gerado pela decomposição do lixo disposto em Aterros Sanitários, tem grande potencial energético, e já existem grandes projetos brasileiros consolidados para o seu aproveitamento. Como por exemplo, um projeto feito para o Aterro Sanitário Delta, em Campinas, São Paulo. De acordo com o estudo, o aterro deve atingir a capacidade máxima de produção um ano após o seu fechamento, previsto para ocorrer em junho de 2006. Estima-se que estarão sendo produzidos no local, no período de pico, perto de 15 milhões de metros cúbicos de metano, um dos componentes do biogás, que equivalem a 4 MW de energia elétrica.
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Ao se decompor, a matéria orgânica presente no lixo gera o biogás, que é constituído basicamente por metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2). A proporção de cada gás na mistura depende, entre outros parâmetros, do tipo de material degradado. No caso do Aterro Delta, a proporção encontrada foi a seguinte: 55% de CH4, 44% de CO e 1% de “outros” gases. É justamente o metano, combustível nobre obtido após um processo de separação das demais substâncias, que pode ser empregado para movimentar motores automotivos ou geradores de energia elétrica, para citar as aplicações mais conhecidas. Até hoje, porém, o biogás produzido pelo aterro campineiro tem sido desperdiçado. É queimado em “poços de monitoramento”, como medida de segurança. O aterro recebe diariamente cerca de 800 toneladas de dejetos, a grande maioria de origem domiciliar. Segundo o projeto, o ideal teria sido dar uma destinação econômica ao biogás desde o primeiro ano de operação do Delta. Como isso não foi feito, resta aproveitar a capacidade de produção futura do aterro. Pelos cálculos do pesquisador, o pico de geração de biogás deverá ocorrer em 2007, um ano depois da suspensão das atividades. Depois, a tendência é que o volume de combustível vá sendo reduzido gradativamente. Por isso, é preciso ter um projeto que leve em conta essa característica. Para cada momento, o combustível deverá ter uma indicação, de modo que o investimento seja economicamente viável. Deste modo, confirmadas as projeções, o Delta estará produzindo biogás suficiente para gerar 4 MW de energia elétrica entre os anos de 2007 e 2009. Depois, esse volume cairá para 3MW (2010 a 2016), 2MW (2017 a 2027) e 1 MW (2018 a 20045). Projetos bem-sucedidos de aproveitamento do biogás, implementados sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, levam essa energia através de redes de transmissão até indústrias localizadas nas proximidades dos aterros, que pagam por ela. Mais do que lançar de uma fonte energética
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alternativa e barata, o aproveitamento do biogás também traz importantes ganhos ambientais. A queima pura e simples do combustível, como vem sendo feita atualmente, contribui para o aumento da poluição atmosférica e, conseqüentemente, para a ampliação do efeito estufa, fenômeno responsável pelo aquecimento gradual do planeta. Existem empresas estrangeiras que estão muito interessadas no biogás brasileiro. Elas sabem que, por meio do Protocolo de Quioto, podem obter recursos para desenvolver projetos que transformam o metano, um gás que concorre para o efeito estufa, em dióxido de carbono. Apenas para se ter uma idéia do potencial da energia vinda do lixo, basta saber que os Estados Unidos têm atualmente algo como 500 projetos de aproveitamento de biogás gerado por aterros sanitários, administrados tanto pelo poder público como pela iniciativa privada. No Brasil, felizmente, estamos despertando para essa importante alternativa. Outro exemplo de geração de energia a partir dos Aterros Sanitários está no rio Grande do Sul. Consolidou-se uma cooperação entre o presidente da Eletrobrás e o presidente da Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), para se estudar a viabilidade técnica, financeira e ambiental para a produção de biogás com os resíduos sólidos urbanos da capital gaúcha para a geração de energia elétrica na Usina Nutepa, da CGTEE, localizada na entrada da cidade de Porto Alegre. A iniciativa está inserida no Projeto Nacional de Bioeletricidade do Grupo Eletrobrás, que busca fontes alternativas de geração de energia que resultem em menor impacto ambiental, como já ocorre com projetos de aproveitamento da mamona e da soja na produção de biodiesel para geração de energia elétrica em outras regiões do país. De acordo com o presidente da Eletrobrás, a geração de energia por fontes limpas é um investimento que trará retorno social, econômico e político ao país.
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O termo de cooperação foi uma das medidas para a revitalização da usina da CGTEE, aproveitando sua localização estratégica para distribuição e a abundante fonte energética que do ponto de vista ambientalmente adequado pode se viabilizar pelo uso do biogás como fonte geradora de energia. Atualmente a Usina Nutepa tem capacidade instalada para gerar 24MW a partir da queima do óleo combustível, e opera na condição de “reserva fria”, sendo ativada somente em casos emergenciais, como ocorreu em 2001, por ocasião do risco de “apagão” no RS. Em Porto Alegre são produzidas 600 toneladas/dia de lixo orgânico, que são tratadas em aterros sanitários. Calcula-se que a transformação deste volume de resíduo orgânico em biogás pode resultar na produção de 6.000 quilowats/hora de energia elétrica, suficiente para abastecer quase 20 mil domicílios. Os resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil são estimados em 45 milhões de toneladas/ano (IBGE-2000) e se 30% destes resíduos forem próprios e aproveitados na reciclagem, o restante seria capaz de gerar 100 MW de energia elétrica – cerca de 30% do consumo nacional 6.2 - O Mercado de Carbono A falta de sistemas de coleta de gás nos aterros sanitários, mesmo quando existentes permite consideráveis perdas de GEE (Gás Efeito Estufa) para a atmosfera. Conseqüentemente o objetivo com a ratificação pelo Brasil do Protocolo de Quioto é explorar as oportunidades de coleta e utilização do gás de aterro sanitário das regiões metropolitanas como forma de alterar o quadro caótico do saneamento por resíduos urbanos. Isto permitirá alocação adicional de investimentos em sistemas de coleta de gás para converter a parcela de metano em dióxido de carbono e ainda endereçar outras soluções para os demais problemas ambientais de disposição de lixo. A queima pura e simples do metano
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já é uma oportunidade para mitigar as emissões do inventário nacional de emissões. Acrescente-se a este cenário a oportunidade de geração de energia renovável junto aos grandes centros consumidores de eletricidade. Alguns dos pressupostos feitos para o cálculo dos créditos de carbono: 1- Os créditos de carbono serão elegíveis em um cenário de 10 anos. 2- Os Aterros sanitários possuem drenos de gás por demanda de segurança e não por controle ambiental. 3- A Capacidade de captação de gás varia de 50% para um lixão, 60% para um aterro controlado e 70% para um aterro sanitário. 4- São Considerados os créditos de carbono referentes a queima do metano mas não aqueles referentes a geração de energia elétrica. O método mais adequado para determinar o volume de biogás gerado nos diversos locais de disposição de lixo seria através da instalação de um programa de monitoramento em drenos representativos, verificando vazão, pressão e análise química por determinado período de tempo. Na ausência de análises nos diversos locais de disposição de lixo - e considerado como base neste trabalho - o método usual é a aplicação da equação desenvolvida pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), ajustada á realidade brasileira: • • Considera-se a tempo de queima do gás, como 100% (via motores a combustão e, na ausência destes, através de flare). Considera-se o percentual de matéria orgânica com composição fixa nas diversas regiões metropolitanas. Por conta de tendência apontada pelo Business As Usual (Cenário de Referência) ser tão diferente da mistura de tecnologia de geração atual e dada a aceleração da introdução da geração térmica, a expectativa é de que os FECs (Fatores de Emissão de Carbono) utilizados nesse cenário de referência devem ser baseados nos futuros aumentos da capacidade marginal.
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Os dados usados para a estimativa foram extraídos do Plano Decenal de Expansão 2000/ 2009, do Ministério de Minas e Energia, e da OCDE. Outras hipóteses consideradas são de que a eletricidade é fornecida basicamente para a Rede Interconectada e o fator de carga da usina para tecnologias de rede é considerado 70%, refletindo o fator de carga médio do sistema de rede elétrica brasileira. Projetos de energia a partir do biogás satisfazem a adicionalidade de programas, pois asseguram que o manejo do aterro sanitário das regiões metropolitanas seja executado segundo os mais recentes padrões ambientais, visando à coleta da mais alta quantidade de gases de aterro sanitário. Um dos objetivos deste trabalho é demonstrar que o manejo adequado dos aterros sanitários, coleta e utilização de gases, pode proporcionar retornos financeiros suficientes para justificar o investimento necessário, ajudando a demonstrar um novo paradigma do manejo e utilização de lixo. O valor adicional potencial pela venda de créditos de carbono pode ser suficiente para aumentar os retornos financeiros do projeto além do limiar mínimo para justificar os riscos inerentes, associados às decisões de investimento de longo prazo e à alocação de capital para sistemas de coleta de gás de aterro sanitário e equipamentos para geração de eletricidade. Além do mais, a atividade serve de reserva no caso de problemas, atrasos, flutuações de preços, possivelmente associados à venda de eletricidade em um mercado semidescentralizado. Este papel principal que os créditos de carbono podem desempenhar na decisão de investimento e na viabilidade financeira do projeto indica que este investimento levará a reduções de emissão em relação à referência de cenário de investimento. O estudo considerou um total de 107 municípios, que totalizam 58,6 milhões de habitantes (34% da população nacional) e que utilizam 52 aterros. Desse total 91 efetivamente responderam ao questionário e/ou foram visitados
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para o levantamento de dados. Estes tiveram seus potenciais energéticos calculados, abrangendo 46,4 milhões de habitantes em 37 aterros (projetos). O potencial de geração de metano e energia nos lixões já fechados é bastante limitado, pois esses depósitos, via de regra, foram operados sem qualquer preocupação com a drenagem e aproveitamento de biogás, necessitando de grandes ajustes técnicos (investimentos que não são desprezíveis) antes do desenvolvimento do sistema de captação de biogás e geração de energia. Se o lixão tiver mais de cinco anos, por mais que o depósito seja grande, se não houver possibilidade de ampliação da área para futuros depósitos de resíduos sólidos urbanos de forma adequada para gerar futuras emissões de metano, possivelmente não oferecerá viabilidade econômica, pois a curva de biogás de mais 15 anos será insuficiente. A única forma de viabilizar esses antigos aterros é por meio de incentivos maiores e da criação rápida de um mercado (com incentivos). Dessa forma o período de 15 anos não seria um problema para o investidor; os motores usados teriam mercado e poderiam ser comercializados em outros empreendimentos o que não ocorre nos cálculos de viabilização no presente momento.

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7 - BIOGÁS EM SUBSTITUIÇÃO A DERIVADOS DE PETRÓLEO

Com o aumento do preço internacional do petróleo, que mesmo assim nem sempre esteve disponível, tornou-se necessária a intensificação das pesquisas relativas a fontes alternativas de energia, de forma que as mesmas condições de desempenhar expressivo papel na substituição do petróleo e seus derivados. Como no presente estágio da economia mundial, os combustíveis fósseis ocupam substancial parcela no setor energético, a alternativa que se basear em fontes renováveis terá, de médio a longo prazo, perspectivas decididamente positivas. O processo de encarecimento progressivo dos combustíveis fósseis irá de forma progressiva, tornando viáveis outras fontes energéticas hoje consideradas ainda não econômicas. A crise energética mundial evidenciou a nossa vulnerabilidade; cerca de 50% dos nossos derivados de petróleo, nos quais se apóiam praticamente todo nosso transporte terrestre, marítimo, fluvial e todo aquecimento para fins industriais, dependem exclusivamente do petróleo que existe no Oriente Médio, a mais explosiva área do mundo. A produção nacional de petróleo não é suficiente para atender a demanda interna, apontando-nos uma necessidade imediata de se diversificar as fontes e a natureza dos combustíveis, de modo a garantir a nossa sobrevivência, o nosso desenvolvimento e a nossa tranqüilidade. Gás metano, nosso combustível doméstico mais limpo e mais barato, praticamente inesgotável, pois existe em qualquer lixão e esgoto (além de jazidas naturais), se apresenta aqui, como importante alternativa energética, com

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condições de desempenhar expressivo papel na substituição do petróleo e seus derivados.

7.1 – A segurança do Biogás como combustível automotivo

O gás metano, principal constituinte do biogás purificado, apresenta consideráveis vantagens sobre os outros combustíveis em termos de segurança. Ele é o único gás (com exceção do hidrogênio e do hélio) que apresenta densidade inferior ao ar (0,555). Isto significa que em caso de vazamento ele tende a se dispersar para a atmosfera, por ser mais leve que o ar, necessitando apenas de ventilação e evacuação. Logo é evitada a perigosa característica de combustíveis líquidos (gasolina, álcool, diesel) de acúmulo formando poças. Outra propriedade relevantes são os altos limites de inflamabilidade do metano, 5 a 15%, o que significa que é necessário um volume maior (em comparação com outros gases) em mistura com o ar para que haja a combustão. O gás metano em mistura com o ar deflagra a uma velocidade de 40cm/s sem detonar, não ocasionando explosões por ondas de choque de altas velocidades. Ele também apresenta uma temperatura mínima de acendimento (537° C) mais alta que outros combustíveis (gasolina 280º e GLP 365º). Logo, uma mistura deste gás com o ar, dentro da faixa de inflamabilidade, só terá ignição espontânea (sem auxílio de calor externo) se a temperatura ambiente estiver no nível mínimo acima mencionado. Isto tudo torna a possibilidade de um incêndio ou explosão pouco provável, em caso de vazamento deste gás combustível. Devido às propriedades

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acima mencionadas, uma mistura de metano com ar não explode em espaços não confinados, o que não é o caso dos combustíveis líquidos. Além disso, os fatos de ser não tóxico e de conter em odorizante para facilitar sua detecção em caso de vazamentos, contribuem para diminuir os riscos para os usuários. Do ponto de vista da conversão dos veículos para uso do gás metano, a tecnologia desenvolvida no país para os motores ciclo Otto é satisfatórias, sendo que para os motores ciclo Diesel (transporte de passageiros e de carga) o CENPES/Petrobrás desenvolveu um sistema de combustão com uma mistura de 70% de CH4 e 30% de óleo diesel (composição volumétrica). Estes dois ciclos já foram amplamente testados e estão em fase operacional normal nas regiões próximas aos postos de abastecimento. O Kit de carburação usado na frota da CEMIG possui em sistema de segurança automático, que garante a proteção do usuário na operação normal, ou em caso de acidente onde exista um eventual rompimento na linha de pressão do gás. Neste caso todo o sistema é desarmado automaticamente, fechando totalmente a saída do gás dos cilindros. Veículos convertidos para gás natural tem rodado os Estados Unidos desde 1900. A taxa de incidência de prejuízos por milha rodada pelo veículo para a frota nos EUA a gás natural é 84% menor que a média nacional para todos os veículos registrados. Nenhum acidente com vítimas foi registrado nos 434,1 milhões de milhas rodadas pela frota norte-americana a gás natural. Os cilindros para armazenar gás metano são mais resistentes do que os tanques de gasolina, e tem passado por uma larga variedade de testes de uso, incluindo fogo de artilharia, aquecimento excessivo, fogo, colisões e até dinamite. A tabela demonstra o alto grau de segurança na utilização de gás natural em cilindros para alta pressão dos veículos italianos:
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Tabela 5 – Grau de segurança na utilização de gás natural Ano Circulação Veículos Explosões Incidentes por 1000 veículos em circulação 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 407655 586663 729174 761298 804236 859807 922223 969065 995626 1001912 104889 170029 210753 229188 253470 275756 304469 324336 328187 342273 6 5 2 1 2 2 2 0,0147 0,0085 0,0027 0,0013 0,0024 0,0023 0,0021 0 0 0

7.2 – O fator poluição A poluição do ar nos centros urbanos é em grande parte decorrente das emissões para a atmosfera de produtos da combustão de derivados de petróleo (óxido de enxofre, vanádio, fuligem, monóxido de carbono e óxido de nitrogênio), conforme demonstrado na tabela. A combustão do metano com excesso de ar é completa, liberando como produtos apenas o dióxido de carbono e o vapor de água, componentes não

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poluentes e não tóxicos. O uso deste energético no setor de transporte de passageiros, e de carga, além de contribuir sensivelmente na redução dos poluentes emitidos para a atmosfera, irá substituir o óleo diesel nos veículos, o que implica numa economia de divisas, pois este combustível é em grande parte importado.

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8 – O FUTURO DO BIOGÁS A PARTIR DA CENTRAL DE RESÍDUOS DO VALE DO AÇO

A coleta e tratamento do lixo em Ipatinga, localizada no Vale do Aço, leste de Minas Gerais, teve início em 1989. Nessa época, as cerca de 30 toneladas de resíduos recolhidas diariamente eram depositadas em um lixão, colocando em risco a vida de catadores e degradando o meio ambiente. Já em 1989, a coleta de lixo em Ipatinga saltou para 180 toneladas e hoje está em 223. A implantação do Aterro Sanitário foi concluída em 1990. Atualmente, o local funciona como um equipamento de educação ambiental e área de lazer. A Central de Resíduos Sólidos do Vale do Aço, mantida pela empresa Queiroz Galvão, concessionária do serviço de limpeza urbana de Ipatinga, é o destino do lixo produzido na cidade. A empresa venceu o processo de licitação para concessão do serviço.

8.1 - Central de Resíduos recebe lixo e material inservível A Central de Resíduos do Vale do Aço foi fundada em 15 de setembro de 2003 para substituir o antigo aterro sanitário, cujo espaço para utilização havia se esgotado. Localizada no município de Santana do Paraíso, a Central, que possui área de 144 mil metros quadrados (sendo 100 mil metros quadrados de área verde e 44 mil metros quadrados para o depósito do lixo), recebe em média por dia, 210 toneladas de lixo.

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Os caminhões coletores que chegam à Central de Resíduos são pesados em uma balança apropriada para que seja feito o controle de espécie e quantidade do lixo que chega (lixo domiciliar, hospitalar, galhos, terra). Após a pesagem os caminhões descarregam no local apropriado para cada tipo de lixo.

Figura 5 – Caminhão coletor descarregando o lixo na Central de Resíduos do Vale do Aço.

O lixo domiciliar segue para uma área cujo terreno foi preparado para proteger o lençol freático do líquido resultante da decomposição do material orgânico, o chorume. A proteção baseia-se em uma camada de argila, uma manta de polietileno e uma camada de terra. O chorume é escoado através de três canaletas que caem em duas caixas com capacidade para 10.000 litros cada uma e segue para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da COPASA, onde recebe tratamento para aí então, ser lançado no rio.

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Figura 6 – Área da Central de Resíduos do Vale do Aço.

Recolhido separadamente, o lixo hospitalar é lançado e aterrado em uma vala apropriada para seu depósito, sendo que seu terreno também é protegido por uma camada de argila compactada. Os galhos de árvore e restos de feira seguem para as leras de compostagem, onde são tratados para se transformarem em adubo natural, que será utilizado no Viveiro Municipal. A previsão é de que a Central de Resíduos possa ser utilizada por 30 anos. Esse período de utilização pode ser ainda maior se houver colaboração da população no sentido de separar o lixo orgânico do lixo "seco", ou seja, do lixo reciclável. Através da coleta seletiva, o volume de lixo diminuirá e o meio ambiente será preservado. O gás metano, proveniente da decomposição do lixo, é canalizado e queimado todos os dias. Atualmente ele não é reaproveitado, mas já existem propostas para que ele sirva como gás alternativo ou até mesmo como combustível.

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8.2 – Projeto sobre aterro sanitário, prevê o uso do biogás. Com o intuito de aproveitar o gás metano desperdiçado todos os dias pela Central de Resíduos do Vale do Aço, um projeto foi elaborado para que esse gás possa ser reaproveitado ao invés de ser queimado. O projeto visa mitigar os impactos ambientais causados pelos gases de efeito estufa emitidos pelo aterro, gerados por meio de processo da decomposição bioquímica dos resíduos. É objetivo ainda a geração de energia elétrica, sendo o biogás uma fonte limpa, renovável e um subproduto de resíduos descartados pela sociedade que não teriam aproveitamento algum. 8.3 – Descrição do projeto

Este estudo tem por objetivo apresentar, uma estimativa de produção e aproveitamento do biogás gerado na Central de Resíduos do Vale do Aço, localizada no município de Santana do Paraíso, Estado de Minas Gerais, com a finalidade de mitigar os impactos ambientais causados pelos gases de efeito estufa emitidos pelo aterro, gerados por meio de processo da decomposição bioquímica dos resíduos. A captação desses gases pode ser encaminhada a um conjunto de motogeradores que utilizam o gás metano, principal componente do biogás, representando cerca de 50% a 55% em volume, como combustível e transformando a energia mecânica resultante dos motores em eletricidade, por meio de um gerador acoplado. Este sistema fornece um ganho ambiental muito importante pois, além de contribuir para a diminuição da emissão de gases de efeito estufa, torna o aterro sanitário uma fonte renovável de energia.
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Assim, as curvas de captação e aproveitamento do biogás, apresentam a quantidade estimada de eletricidade que o sistema poderá produzir. Apresentam, ainda, a quantidade de biogás que deverá ser queimado sob condições controladas, permitindo o ganho ambiental comentado.

8.4 - Considerações sobre o biogás gerado em aterros sanitários O biogás é um subproduto da decomposição anaeróbica de resíduos sólidos urbanos por ação de microorganismos que os transformam em substâncias mais estáveis, como dióxido de carbono, água, gás metano, gás sulfídrico, mercaptanas e outros componentes minerais. Carboidratos provenientes de papel, papelão, etc., que formam a maioria dos detritos são decompostos inicialmente em açúcares, depois em ácido acético e finalmente em CH4 e CO2. A composição do biogás resulta basicamente em 55% de metano, 40% de gás carbônico e 5% de nitrogênio e outros gases. O gás metano, principal componente do biogás, é 21 vezes mais danoso que o dióxido de carbono em termos de efeito estufa. A geração de gás, aí incluída taxa e composição, ocorre através de quatro fases características da vida útil de um aterro. A primeira fase é a aeróbia (com Oxigênio – O2 disponível) e o gás produzido é o CO2. A segunda fase é caracterizada pelo esgotamento de O2, resultando em um ambiente anaeróbio com grandes quantidades de CO2 e um pouco de hidrogênio (H2) produzido. Na terceira fase, anaeróbia, começa a produção de CH4, com uma redução na quantidade de CO2 produzido. O conteúdo de nitrogênio (N2) é inicialmente elevado na primeira fase, aeróbia, declinando bruscamente à medida que o aterro passa para a segunda e terceira fases, anaeróbias.
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Na quarta fase a produção de CH4, CO2 e N2 torna-se quase estável. A duração das fases e o tempo de geração do gás variam com as condições do aterro (composição do resíduo, material de cobertura, projeto e estado anaeróbio) e pode variar ainda com as condições climáticas como taxa de precipitação, umidade e temperatura. O Brasil possui uma população estimada em 169.590.693 habitantes, sendo que 81,2% dessa população habitam em áreas urbanizadas, produzindo diariamente cerca de 60 mil toneladas de resíduos sólidos (IBGE, 2000). Tais resíduos, por apresentarem elevados teores de matéria orgânica e devido ao clima tropical e subtropical típico do país, oferecem condições favoráveis à produção de metano e, portanto, à potenciais iniciativas de recuperação energética, além do ganho ambiental que se verifica com a redução das emissões desse gás de efeito estufa. Segundo o Inventário Nacional de Emissões de Metano Gerado pelos Resíduos no Brasil (CETESB, 1998), cerca de 805 mil toneladas de metano foram geradas em 1994, com 84% desse total sendo resultante dos resíduos sólidos municipais. A redução da porcentagem do metano emitido à atmosfera pelos resíduos e o aproveitamento otimizado dessa fonte de energia será verificado na Central de Resíduos do Vale do Aço, que serão providos de sistemas capazes de confinar, captar e aproveitar o gás metano produzido pelos resíduos, reduzindo sensivelmente impactos ambientais ocasionados pela disposição efetuada sem critérios técnicos. O biogás coletado servirá para a geração de eletricidade, através da implantação de uma usina termelétrica. O biogás excedente será queimado em flares de forma controlada, evitando a emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera.

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Portanto, espera-se que em um futuro próximo, esse projeto sobre o reaproveitamento do gás metano gerado na Central de Resíduos do Vale do Aço, se concretize, produzindo o biogás, e servindo como gás alternativo e até mesmo como combustível.

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9 – LEGISLAÇÃO SOBRE ENERGIAS RENOVÁVEIS NÃO RESPEITA PROTOCOLO DE QUIOTO

Em primeiro lugar, porque penaliza a digestão anaeróbia, processo a partir do qual os resíduos orgânicos são transformados em fertilizante e em biogás utilizado para a produção de energia elétrica renovável. Com efeito, nesta nova legislação a eletricidade produzida a partir de biogás proveniente da reciclagem de resíduos orgânicos baixou de 0,065 euros por kWh para 0,055 euros por kWh. Esta medida é incompreensível, uma vez que diversos documentos relativos às alterações climáticas (PNAC - Programa Nacional para as Alterações Climáticas) referem à importância do processo de digestão anaeróbia como forma de controlar as emissões de metano, assim como de contribuir para a produção de energia renovável. Incrivelmente, a incineração de resíduos urbanos que, pela queima de plásticos, dá origem a significativas emissões de dióxido de carbono, acaba por ser premiada, subindo de 0,065 euros por kWh para 0,076 euros por kWh. Ou seja, esta legislação dá um claro incentivo à emissão de gases com efeito de estufa. Ao invés de assumir como um dos seus principais objetivos reduzir as emissões de gases com efeito de estufa ao fomentar fontes energéticas renováveis, acaba por privilegiar soluções de fim de linha, com claras contribuições diretas para o agravamento do efeito de estufa.

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Por outro lado, ao penalizar fortemente a digestão anaeróbia, esta legislação torna mais difícil a devida aplicação deste processo para o tratamento de grandes volumes de resíduos, tais como a fração orgânica dos resíduos urbanos, as lamas de ETAR, os efluentes de suinoculturas, os resíduos da indústria agro - alimentar e muitos resíduos agrícolas. A título de exemplo, a ERB - Estratégia Nacional para a Redução de Resíduos Urbanos Biodegradáveis destinados a Aterros (no âmbito da transposição da Diretiva Aterros) prevê a instalação de diversas unidades de digestão anaeróbia de forma a reciclar os resíduos orgânicos, reduzindo a sua colocação em aterro, dando assim cumprimento à diretiva comunitária sobre aterros. Com esse objetivo em mente, diversos sistemas de gestão de resíduos urbanos apresentaram projetos para tratamento dos resíduos orgânicos através da digestão anaeróbia. Curiosamente, o biogás proveniente da matéria orgânica colocado nos aterros é premiado com uma tarifa de 0,105 euros por kWh, ou seja cerca do dobro do valor atribuído ao biogás proveniente da reciclagem da matéria orgânica. Estamos assim a fomentar claramente o incumprimento da Diretiva Aterro! A Quercus considera urgente que o novo Governo reveja rapidamente esta situação, de forma a que o tarifário sobre energias renováveis reflita de fato uma aposta nas fontes energéticas que não contribuem para as alterações climáticas e que entre os processos de tratamento dos resíduos seja dada prioridade à reciclagem, como a digestão anaeróbia, e preteridos processos mais poluentes e de fim de linha como a incineração e o aterro. A Quercus não vê assim que haja qualquer impedimento para que o biogás proveniente da reciclagem dos resíduos orgânicos não seja pago a um

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valor igual ou superior ao biogás proveniente da colocação desse tipo de resíduos em aterro. Também em relação à incineração de resíduos sólidos urbanos (na VALORSUL, LIPOR e Madeira), a Quercus não consegue encontrar qualquer tipo de suporte legal para se considerar que a queima de plástico - produto proveniente do petróleo - seja uma forma de energia renovável .

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10 – CONCLUSÃO
Até há pouco tempo, o Biogás era simplesmente encarado como um subproduto, obtido a partir da decomposição anaeróbica (sem presença de oxigênio) de lixo urbano, resíduos animais e de lamas provenientes de estações de tratamento de efluentes domésticos. No entanto, o acelerado desenvolvimento econômico dos últimos anos e a subida acentuada do preço dos combustíveis convencionais têm encorajado as investigações na produção de energia a partir de novas fontes alternativas e economicamente atrativas, tentando sempre que possível, criar novas formas de produção energética que possibilitem a poupança dos recursos naturais esgotáveis. Relativamente ao grande volume de resíduos provenientes das explorações agrícolas e pecuárias, assim como aqueles produzidos por matadouros, destilarias, fábricas de lacticínios, esgotos domésticos e estações de tratamento de lixos urbanos (a partir dos quais é possível obter Biogás), estes apresentam uma carga poluente de tal forma elevada que impõe a criação de soluções que permitam diminuir os danos provocados por essa poluição, gastando o mínimo de energia possível em todo o processo. Assim, o tratamento desses efluentes pode processar-se por intermédio da fermentação anaeróbica (metânica) que, além da capacidade de despoluir, permite valorizar um produto energético (Biogás) e ainda obter um fertilizante, cuja disponibilidade contribui para uma rápida amortização dos custos da tecnologia instalada. Espera-se que os avanços em relação ao biogás ocorram rapidamente, pois necessitamos de novas fontes de energia que não agridam o meio ambiente. E consequentemente, com a alta dos combustíveis, necessitamos também novos produtos no mercado, afim de que possam competir ecologicamente com os produtos que destroem a natureza, e em decorrência a nossa vida.
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11 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASSINI, Sérvio

Túlio;

Digestão

de

resíduos

sólidos

orgânicos

e

aproveitamento do biogás. Vitória, ES: ABES, 2003. GERAIS, FUNDAÇÃO CENTRO TECNOLÓGICO DE MINAS; Estado da arte da digestão anaeróbica. Belo Horizonte: CETEC, 1982. ALLEY, Rewi. A expansão do biodigestor na China. In revista Eastern Horizon. Hong Kong, 10 de outubro, 1980, vol. XIX. LIÉGEOLS, Elisabeth. Biogás a partir dos aterros sanitários. In revista Techniques de I’Energie. França, fev/mar. de 1982. GREENPEACE. O Biogás. Disponível em: http://www.greenpeace.org.br/tour 2004_energia/renováveis. Acesso em 15 de mar. 2006. Sérvio PROJETO BIOGÁS. Disponível em http://www.Net11.com.br/eecc/biogás/. Acesso em 18 de mar. de 2006. BIOGÁS. Disponível em http://www.demec.ufmg.br/disciplinas/ema003/

gasosos/biogás/biogás.htm. Acesso em 03 de mar. de 2006.

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O BIOGÁS. Disponível em http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ Acesso em 26 de fev. de 2006. CENTRAL DE RESÍDUOS DO VALE DO AÇO. Disponível em

http://www.Ipatinga.mg.gov.br. Acesso em 05 de abril de 2006.

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