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Dentes de rato

Lourença

Tinha três irmãos habilidosos, Lourença era um pouco infeliz por


ter dificuldade em aprender. Adorava maças. Sempre que fechava
os olhos vinha-lhe à ideia personagens de cinema.
Todos lhe chamavam dentes de rato porque tinha o mau hábito de
trincar as maças e deixar lá dentadinhas. Para Lourença o Artur o
irmão mais velho tinha uma vida misteriosa, o Francisco fazia
muitas asneiras e a irmã Marta gostava de inventar o seu nome,
pois umas vezes a chorar era Diana e outras Helena, ela era muito
mimada o que levava muitas vezes a chorar por coisas
insignificantes.
Lourença considerava que as pessoas andavam sempre num
vaivém, muito agitadas, e quando paravam tinham dores de
cabeça.
Falco seu irmão mais novo, era curioso e gostava de provar tudo o
que lhe aparecia.
Certo dia o barbeiro foi lá a casa aparar o cabelo de Lourença
deixando-a com o cabelo muito pequenino, facto que a deixou
desesperada. O tio António era muito brincalhão e divertido.
Quando era mais novo viveu aventuras em África e então, gostava
de contar aventuras que lá tinha passado desde as caçadas, traçava
caminhos-de-ferro, entre outras. Pai de Lourença é que não
achava piada nenhuma às brincadeiras do tio António.
A casa onde moravam era pequena, mas estava rodeada por um
terreno muito amplo. O chão cheirava a cera, o quarto da mãe
tinha um cheiro especial, e a casa de banho, no, geral, a casa
cheirava a canela em cima do creme quente.
O seu pai brincava com eles no carnaval com serpentinas e
Lourença disfarçava-se com a roupa da irmã. Na opinião de
Lourença a mãe nunca batia no seu irmão Falco, nem no Artur, e
quando a irmã Marta arranjou um namorado a mãe passou a
elogiá-la, dando-lhe prendas.
Lourença gostava de falar coisas esquisitas quando estavam a
comer, como era o caso de lagartas esmagadas e contava como se
sangravam as lampreias.
Marta tinha um carinho especial por falco e tentava protege-lo de
tudo, até quando estava destapado tinha a preocupação de o tapar.
Lourença dormia no mesmo quarto da irmã e habituou-se a viver
um pouco à parte pois a irmã ocupava grande parte do quarto com
as suas coisas. Lourença tinha uma grande imaginação, todas as
manhãs inventava histórias às quais a irmã não prestava a mínima
atenção. Lourença era muito reservada, guardando muitos
sentimentos para si própria.
Falco não ia á escola porque era muito débil e muito desastrado.
Lourença começou por ler jornais e estava a par das noticias e dos
folhetins. Leu vários como por exemplo “ sem família”, histórias
de rebolinho entre outros.
Lourença não gostava da maneira como a mãe a vestia.Lourença e
a família tinham-se mudado para outra terra, era á beira-mar e
tinha muitas escolas e colégios, café, igrejas, cinema e um
pequeno casino.
Era uma terra sempre cheia de novidades.Lourença entrou para a
escola mas ela já sabia ler e escrever, o que causou aborrecimento
á professora.
No segundo trimestre Lourença foi mudada de classe, a
professora gritava imenso, aplicava reguadas nas mãos das alunas,
era exagerada em muitas coisas.
Na terceira classe continuava a lecionar a mesma professora, e as
alunas tinham prazer em desafia-la.
A mãe de Lourença mandara Marta levar sempre a sua irmã pela
mão para a escola, coisa que ela não fazia, porque sempre que via
as amigas, esquecia-se de Lourença.
Lourença não se importava, exceto às quartas-feiras, dia de feira
da lenha, onde carros carregados de lenha eram puxados por dois
bois amarelos.
Mademoiselle Sara era quem tomava conta dos recreios e das
aulas de estudo, gostava de poesia.

O colégio velho

Era uma casa muito antiga e estava sempre muito escuro lá


dentro, não se parecia com um colégio mas sim com um
convento. Tinha freiras que viviam lá, elas ensinavam a bordar,
tocar piano, cozer roupa.
Lourença gostava delas, sentia-se bem porque elas tratavam-na
bem.
Dentes de rato nunca chegou a saber onde se estudava no colégio
velho, porque só encontrava corredores e portas fechadas com
trincos que não existiam.

Dentes de rato gostava muito de comer bananas, mas a sua mãe


não permitia que as comesse.
Mas houve um dia que se fartou de comer bananas, foi no
casamento do irmão de D. Inês.

O Casamento da Mimosa
Chegou o casamento de Mimosa e Lourença foi levar as alianças
com a menina refilona, ambas estavam vestidas de igual.
Na hora do almoço sem ninguém dar por nada Lourença fartou-se
de comer bananas.
Houve vários discursos deixando lourença com sono.
Lourença foi levada para casa pelo noivo. Ela fartou-se de chorar
porque queria ter ficado no casamento até o ultimo convidado
sair.
Lourença estava cheia de fome e fartou-se de comer arroz tostada
que a mãe tinha feito, ela imaginara-se rica e como é que havia de
fazer se chegasse a um hotel e pedisse arroz tostado.
Lembrou-se que existiam na outra casa, o altarzinho que a mãe
fazia em Maio, coberto de flores brancas. Foi no casamento que
viu pela última vez que viu D. Inês.

O Pai
O pai era uma pessoa amável, nunca falava alto e tinha uma voz
rouca, levantava-se tarde. A mãe respeitava-o, fazendo-lhe tudo
lavava-lhe os pés, preparava-lhe a comida.
Era um pouco desligado de sentimentos, trazia presentes
fabulosos sem serem datas especiais, porque dessas ele esquecia-
se.
Nos anos de Lourença eram os criados que ofereciam os
presentes, coisa que nem o pai nem a mãe reparavam.
Lourença partia as bonecas todas sem querer, por isso a mãe lhe
dizia que ela tinha um espírito de destruição.
Serafina era quem escondia os cacos, mas mais tarde tudo era
descoberto.
Falco tinha um álbum de selos oferecido pelo pai, mas para ele
não tinha grande importância.
Preferia jogar às cartas, ler revistas policiais e no fim deixava que
Lourença as lê-se.
Conhecia os desfechos delas e queria sempre contá-los á
Lourença, mas ela não gostava, tapava até os ouvidos.
Lourença sempre que o pai não estava à mesa sentia saudades
dele por isso chorava, coisa que ela achava uma perda de tempo.
Já Marta sua irmã chorava por tudo e por nada.
Um dia Lourença aleijou-se mas ninguém lhe deu importância, só
o pai parecia doer-lhe na cara, por isso lourença para não ver o pai
aflito calou-se
O pai era um homem de negócios ambiciosa e por vezes perdia
com eles.
Era a mãe quem se ocupava com tudo e Artur era quem guiava o
carro mesmo tendo apenas quinze anos.
A mãe e os filhos normalmente iam passar umas férias em
Setembro a uma quinta comprada pelo pai onde existia uma casa e
uma igreja em ruínas.
As salas eram grandes e nos corredores havia alçapões.
Dinis primo de Lourença que andava no colégio militar também
passava as férias na quinta não brincava com eles porque andava
sempre fardado.
Na casa havia dois criados que eram um casal, chamavam-se
Emília e David, cantavam e trabalhavam o tempo todo, ocupando-
se pouco de Lourença, mas ela seguia-os sempre juntamente com
brilhante o cão da quinta.
Emília era alta e David baixo, mas Emília marcou positivamente
Lourença na sua vida afectiva.
Tinha um carinho especial por esta, não a tratava como se fosse
uma boneca mas sim dava-lhe liberdade, liberdade essa que não
tinha em casa, ou seja deixava-a fazer tudo o que ela queria.
Falco passava o tempo a inventar aventuras, punha armadilhas aos
pássaros até queria experimentar a caçadeira de David mas ele
escondia-lha.
Em frente á casa existia um celeiro, que tinha por baixo as adegas,
adegas essas diferentes das outras pois tinha portam e grades que
mais pareciam prisões.
Emília dizia a Lourença que era ali onde os condes de cavaleiros
prendiam as pessoas.

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