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Deus

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Nota: Este artigo é sobre Deus de uma perspectiva monoteísta. Veja divindade para


informações do ponto de vista não-monoteísta. Veja também o artigo deidade. Para outros
significados da palavra, veja Deus (desambiguação).

Parte de uma série sobre

Deus

Conceitos gerais[Expandir]

Concepções específicas[Expandir]

Concepções religiosas[Expandir]

Termos relacionados[Expandir]

Experiências e práticas[Expandir]

Tópicos relacionados[Expandir]

v • e

Os Elementos: Terra, Ar, Água e Fogo.


Deus é desde suas origens a divindade central nas religiões abraâmicas, preponderantes
na cultura ocidental e na lusófona, da qual derivam-se, entre outras, três das mais
influentes religiões da atualidade, explicitamente ocristianismo, o judaísmo e o islã. Deus é
notoriamente definido em modernidade segundo as perspectivas de tais religiões
monoteístas, sobretudo no ocidente.
Contudo, nas religiões não abraâmicas, com destaque nas religiões orientais, aideia de
existência; as definições e formas de compreensão dos deuses - deus em uma
perspectiva monoteísta quando presente - por vezes assumem formas significativamente
distintas; encontrando-se tais distinções também em praticamente todas sociedades e
grupos pré-abraâmicos já existentes bem como em grupos contemporâneos contudo
daquele isolados; variando desde as primitivas formas de crença pré-clássicas
provenientes das tribos da Antiguidadeou das formas oriundas de culturas ameríndias pré-
colombianas até os dogmasde várias religiões modernas menos expressivas contudo
igualmente difundidas.
Segundo as perspectivas abraâmicas, as doravante enfocadas [1] , Deus é muitas vezes
expressado como o Criador e Senhor do Universo. Teólogos têm relacionado uma
variedade de atributos utilizados para estabelecer as váriasconcepções de Deus. Os mais
comuns entre essas
incluem onisciência,onipotência, onipresença, benevolência ou bondade perfeita, simplicid
ade divina,zelo, sobrenaturalidade, transcendentalidade, eternidade e existência
necessária.
Deus também tem sido compreendido como sendo incorpóreo, um ser intangível
com personalidade divina e justa; a fonte de toda a obrigação moral; em suma, o "maior
existente".[2]
Tais atributos foram todos anteriormente defendidos e suportados em diferentes graus
pelos filósofos teológicos judeus, cristãos e muçulmanos, incluindo-se entre eles Rambam,
[3]
 Agostinho de Hipona[3] e Al-Ghazali,[4] respectivamente. Muitosfilósofos
medievais notáveis desenvolveram argumentos para a existência de Deus,[4] intencionando
entre outros elucidar as "aparentes" contradiçõesdecorrentes de muitos destes atributos
quando justapostos.

Índice
  [esconder] 

 1Etimologia e uso
 2Nome
 3A existência de Deus
 4Concepções de Deus
 5Abordagens teológicas
o 5.1Teísmo e deísmo
 6Posições científicas e críticas a respeito da ideia de Deus
o 6.1Antropomorfismo
 7Referências
 8Ver também

Etimologia e uso
Ver artigo principal: Deus (palavra)

Tanto a forma capitalizada do termo Deus quanto seu diminutivo - que simboliza
divindades, deidades em geral - têm origem no termo latino "deus", significando divindade
ou deidade. O português é a única língua românica neolatina que manteve o termo em sua
forma nominativa original, com o final do substantivo em "us", diferindo-se assim do
espanholdios, francês dieu, italiano dio, e do romeno, que distingue o criador
monoteísta, Dumnezeu, de zeu, um ser idolatrado.
Os termos latinos Deus e divus, assim como o grego διϝος = "divino", descendem do Proto-
Indo-Europeu *deiwos = "brilhante/celeste", termo esse encerrando a mesma raiz
que Dyēus, a divindade principal do panteão indo-europeu, igualmente cognato do grego
Ζευς (Zeus).
Na era clássica, o vocábulo em latim era uma referência generalizante a qualquer figura
endeusada e adorada pelos pagãos. Em um mundo dominado pelas religiões abraâmicas,
com destaque ao cristianismo, o termo é usado hodiernamente com sentido mais restrito -
designando uma e a única deidade - em frases e slogans religiosos tais como:Deus sit
vobiscum, variação de Dominus sit vobiscum, "o Senhor esteja convosco"; no título do
hino litúrgico católico Te Deum, proveniente de Te Deum Laudamus, "A Vós, ó Deus,
louvamos". Mesmo na expressão que advém da tragédia grega Deus ex machina,
de Públio Virgílio, Dabit deus his quoque finem, que pode ser traduzida como "Deus trará
um fim à isto", e no grito de guerra utilizado no Império Romano Tardio e no Império
Bizantino, nobiscum deus, "Deus está conosco", assim como o grito das cruzadas Deus
vult, que em português traduz-se por "assim quer Deus", ou "esta é a vontade de Deus",
verifica-se tal sentido restrito.
Em latim existiam as expressões interjectivas "O Deus meus" e "Mi Deus", delas derivando
as expressões portuguesas "(Oh) meu Deus!", "(Ah) meu Deus!" e "Deus meu!".
Dei é uma das formas flexionadas ou declinadas de "Deus" no latim. É usada em
expressões utilizadas pelo Vaticano, como as organizações católicas apostólicas
romanas Opus Dei (Obra de Deus, sendo obra oriunda de opera), Agnus Dei(Cordeiro de
Deus) e Dei Gratia (Pela Graça de Deus). Geralmente trata-se do caso genitivo ("de
Deus"), mas é também a forma plural primária adicionada à variante di. Existe o outro
plural, dii, e a forma feminina deae ("deusas").
A palavra Deus, através da forma declinada Dei, é a raiz
de deísmo, panteísmo, panenteísmo, e politeísmo, e ironicamente referem-se todas a
teorias na qual qualquer figura divina é ausente na intervenção da vida humana. Essa
circunstância curiosa originou-se do uso de "deísmo" nos séculos XVII e XVIII como forma
contrastante do prevalecente "teísmo". Teísmo é a crença em um Deus providente e
interferente.
Seguidores dessas teorias, e ocasionalmente seguidores do panteísmo, podem vir a usar
em variadas línguas, especialmente no inglês, o termo "Deus" ou a expressão "o Deus"
(the God), para deixar claro de que a entidade discutida não trata-se de um Deus
teísta. Arthur C. Clarke usou-o em seu romance futurista, 3001: The Final Odyssey. Nele, o
termo "Deus" substituiu "God" no longínquo século XXXI, pois "God" veio a ser associado
com fanatismo religioso. A visão religiosa que prevalece em seu mundo fictício é o
Deísmo.
São Jerônimo traduziu a palavra hebraica Elohim (‫ אלהים‬,‫ )אֱ לֹוהִ ים‬para o latim como Deus.
A palavra pode assumir conotações negativas em algumas conotações. Na filosofia
cartesiana, a expressão "Deus deceptor" é usada para discutir a possibilidade de um
"Deus malévolo" que procura iludir-nos. Esse personagem tem relação com um argumento
cético que questiona até onde um demônio ou espírito mau teria êxito na tentativa de
impedir ou subverter o nosso conhecimento. Outra é deus otiosus ("Deus ocioso"), um
conceito teológico para descrever a crença num Deus criador que se distancia do mundo e
não se envolve em seu funcionamento diário. Um conceito similar é deus
absconditus ("Deus absconso ou escondido") de São Tomás de Aquino. Ambas referem-se
a uma divindade cuja existência não é prontamente reconhecida nem através
de contemplação nem via exame ocular de ações divinas in loco. O conceito de deus
otiosus frequentemente sugere um Deus que extenuou-se da ingerência que tinha neste
mundo e que foi substituído por deuses mais jovens e ativos que efetivamente se
envolvem, enquanto deus absconditus sugere um Deus que conscientemente abandonou
este mundo para ocultar-se alhures.
A forma mais antiga de escrita da palavra germânica Deus vem do Codex
Argenteus cristão do século VI. A própria palavra inglesa é derivada da Proto-
Germânica "ǥuđan". A maioria dos linguistas concordam que a forma reconstruída
da Proto-Indo-Europeia (ǵhu-tó-m) foi baseada na raiz (ǵhau(ə)-), que significa também
"chamar" ou "invocar".[5]
A forma capitalizada Deus foi primeiramente usada na tradução gótica Wulfila do Novo
Testamento, para representar o grego "Theos". Na língua inglesa, a capitalização continua
a representar uma distinção entre um "Deus" monoteísta e "deuses" no politeísmo [6] .
Apesar das diferenças significativas entre religiões como
o Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo, a Fé Bahá'í e o Judaísmo, o termo "Deus"
permanece como uma tradução inglesa comum a todas. O nome pode significar deidades
monoteísticas relacionadas ou similares, como no monoteísmo primitivo
de Aquenáton e Zoroastrismo.

Nome
Ver artigo principal: Nomes de Deus

A palavra latina Deus, em inglês God, bem como suas traduções em outras línguas, a


exemplo Θεός em grego, Бог em eslavo, Ishvara em sânscrito, ou Alá em árabe, são
normalmente usadas para toda e qualquer concepção. O mesmo acontece no hebraico El,
mas no judaísmo, Deus também é utilizado como nome próprio, o Tetragrama YHVH, que
acredita-se referir-se à origem henoteística da religião. Na Bíblia, quando a palavra
"Senhor" está em todas as capitais, isto significa que a palavra representa o tetragrama
específico.[7]
Deus também pode ser reverenciado por nomes próprios que enfatizem a natureza
pessoal desse em correntes monoteísticas do hinduísmo, alguns remontando a referências
primitivas como Krishna-Vasudeva na Bhagavata, posteriormente Vixnu e Hari,[8] , ou
mesmo mais recentemente, caso do termo Shakti.
É difícil desenhar uma linha entre os nomes próprios e epitetas de Deus, como os nomes e
títulos de Jesus no Novo Testamento; os nomes de Deus no Qur'an, Alcorão ou Corão; e
as várias listas com milhares de nomes de Deus, a citar-se a lista de títulos e nomes de
Krishna, no Vixnuísmo.
Nas religiões monoteístas atuais, a citarem-se
o Cristianismo, judaísmo, zoroastrismo, islamismo, sikhismo e a Fé Bahá'í, o
termo "Deus" refere-se à ideia de um ser supremo, infinito, perfeito, criador do universo,
que seria a causa primária e o fim de todas as coisas. Os povos da mesopotâmia o
chamavam pelo Nome, escrito em hebraico como ‫( יהוה‬o Tetragrama YHVH), que quer
dizer "Yahweh", que muitos pronunciam em português como "Jeová" . Mas com o tempo
deixaram de pronunciar o seu nome diretamente, apenas se referindo por meio de
associações e abreviações, ou através de adjetivos como "O Senhor", "O Salvador", "O
Todo-Poderoso", "O Deus Altíssimo", "O Criador" ou "O Supremo", "O Deus de Israel", ou
títulos similares.
Um bom exemplo desse tipo de associação entre Deus e suas características ou ações,
bem como da expressão do relacionamento dos homens com deus, ainda fazem-se
explícitas em alguns nomes e expressões hebraicas, como Rafael, "curado - (Raf) - por
Deus - (El)"; e árabes, por exemplo em "Abdallah", "servo - (abd) - de Deus - (Allah)".
Muitas traduções das Bíblias cristãs grafam a palavra, opcionalmente, com a inicial
em maiúscula, ou em versalete (DEUS), substituindo a transcrição referente ao tetragrama,
YHVH, conjuntamente com o uso de SENHOR em versalete, para referenciar que se tratava
do impronunciável nome de Deus, que na cultura judaica era substituído pela
pronúncia Adonay.
As principais características deste Deus-Supremo seriam:

 a Onipotência: poder absoluto sobre todas as coisas;


 a Onipresença: poder de estar presente em todo lugar; e:
 a Onisciência: poder de saber tudo.
 a Onibenevolência: poder da bondade infinita.
Essas características foram reveladas aos homens através de textos contidos nos Livros
Sagrados, quais sejam:

 o Bagavadguitá, dos hinduístas;


 o Tipitaka, dos budistas;
 o Tanakh, dos judeus;
 o Avesta, dos zoroastrianos;
 a Bíblia, dos cristãos;
 o Livro de Mórmon, dos santos dos últimos dias;
 o Alcorão, dos islâmicos;
 o Guru Granth Sahib dos sikhs;
 o Kitáb-i-Aqdas, dos bahá'ís;
Esses livros relatam histórias e fatos envolvendo personagens escolhidos para
testemunhar e transmitir a vontade divina na Terra ao povo de seu tempo, tais como:

 Abraão e Moisés, na fé judaica, cristã e islâmica;


 Zoroastro, na fé zoroastriana;
 Krishna, na fé hindu;
 Buda, na fé budista;
 Jesus Cristo, na fé cristã e islâmica;
 Maomé, na fé islâmica;
 Guru Nanak, no sikhismo,
 Báb e Bahá'u'lláh, na fé Bahá'í

A existência de Deus
Ver artigo principal: Existência de Deus

Há milênios, a questão da existência de Deus foi levantada dentro do pensamento do


homem. As principais correntes filosóficas que investigam e procuram dar respostas para a
questão são:

 Deísmo – Doutrina que considera a razão como a única via capaz de nos


assegurar da existência de Deus, rejeitando, para tal fim, o ensinamento ou a prática
de qualquer religião organizada. O deísmo é uma postura filosófica-religiosa que
admite a existência de um Deus criador, mas rejeita a ideia de revelação divina.
Percentagem de pessoas que, na Europa, afirmaram acreditar em Deus. Os países da Europa
Oriental de maioria ortodoxa (como Grécia eRoménia) ou muçulmano (Turquia) apresentam
percentagem mais elevadas.

 Teísmo – O teísmo é um conceito que surgiu no século XVII.[9]Contrapõe-se


ao ateísmo, deísmo e panteísmo. O teísmo sustenta a existência de um Deus (oposto
ao ateísmo), ser absoluto transcendental (contra o panteísmo), pessoal, vivo, que atua
no mundo através de sua providência, mantendo-o (contra o deísmo). No teísmo a
existência de um Deus pode ser provada pela razão e por evidências empíricas,
prescindindo da revelação; mas não a negando, contudo. Seu ramo principal é o
teísmo Cristão, que fundamenta sua crença em Deus e na Sua revelação sobrenatural
através da Bíblia.
 Teísmo agnóstico - Existe ainda o teísmo agnóstico, que é a filosofia que engloba
tanto o teísmo quanto o agnosticismo. Um teísta agnóstico é alguém que admite não
poder ter conhecimento algum acerca de Deus, mas decide acreditar em Deus mesmo
assim. A partir do teísmo se desenvolve a Teologia, que é encarada principalmente,
mas não exclusivamente, do ponto de vista da fé. Embora tenha suas raízes no
teísmo, pode ser aplicada e desenvolvida no âmbito de todas as religiões. Não deve
ser confundida com o estudo e codificação dos rituais e legislação de cada credo.
 Agnosticismo – Dentro da visão agnóstica, não é possível provar racional e
cientificamente a existência de Deus, como também é igualmente impossível provar a
sua inexistência. O agnóstico pode ser teísta ou ateísta, dependendo da posição
pessoal de acreditar (sem certeza) na existência ou não de divindades.
 Ateísmo – O ateísmo engloba tanto a negação da existência de divindades quanto
a simples ausência da crença em sua existência.
Em resumo, podem-se distinguir três linhas centrais de pensamento:
Entre os teístas, além das revelações oriundas de livros considerados sagrados, como
a Bíblia, muitos argumentam que pode-se conhecer Deus e suas qualidades observando
a natureza e suas criações. Argumentam que existem evidênciascientíficas suficientes que
inequivocamente implicam uma fonte de energia ilimitada, e que esta seria o criador
dasubstância do universo. Alegam que, observando a ordem, o poder e a complexidade
da criação, tanto macroscópica quanto microscópica, podem inequivocamente concluir
pela existência de Deus. Como exemplo, uma das correntes cristãs que defendem tal
posição é a dos protestantes norte-americanos engajados no movimento do Desenho
Inteligente. William Dembski é um dos defensores dessa linha de pensamento.
Para vários ateístas e agnósticos a situação é diferente. Para a maioria desses, a definição
de Deus, conforme proposta pelos teístas, se faz por sentença não testável frente ao
mundo natural, que segue seu curso seguindo regras inexoráveis; e nesses termos Deus é
sustentado apenas por fé, não havendo razão física natural que permita decisão racional
ou a favor ou contra Sua existência. Citam não raramente, a fim de corroborar seu
posicionamento, a postura similar adotada pela ciência moderna; a de que deus(es)
transcende(m) aos "tubos de ensaio"; e que por tal não se pode entrar empiricamente nos
"métiros daqEle(s)". Adotam em essência o posicionamento definido pela ciência,
sendo Marcelo Gleiser um dos defensores dessa linha de pensamento.
Há ainda os que vão além, e afirmam que a situação inicial se inverte. Para alguns ateístas
a análise fria do universo e do que nele e na Terra ocorrem mostra-nos claramente que
não há um Deus ou mesmo outra deidade onipotente qualquer atrelados. Segundo essa
corrente de pensamento, o universo, se fosse projetado e concebido por um ser
onipotente, onisciente, justo e paternal - como geralmente definido pelos teístas - teria
certamente características muito distintas das cientificamente observadas. Richard
Dawkins é um dos mais famosos defensores dessa linha de pensamento.

Concepções de Deus
Ver artigo principal: Concepções de Deus

Detalhe da Capela sistina frescoCriação do sol e da lua porMichelangelo (completada em 1512).

As concepções de Deus variam amplamente. Filósofos e teólogos têm estudado inúmeras


concepções de Deus desde o início das civilizações, focando-se sobretudo nas
concepções socializadas ou institucionalizadas, já que concepções de Deus formuladas
por pessoas individuais usualmente variam tanto que não há claro consenso possível
sobre a natureza de Deus.

 As concepções abraâmicas de Deus incluem a visão cristã da Trindade, adefinição


cabalística de Deus do misticismo judaico, e os conceitos islâmicos de Deus.
 As religiões indianas diferem no seu ponto de vista do divino: pontos de vista
deDeus no hinduísmo variam de região para região, seita, e de casta, que vão desde
as monoteístas até as politeístas; sendo o ponto de vista sobre Deus no
budismo praticamente não teísta.
 Nos tempos modernos, mais alguns conceitos abstratos foram desenvolvidos, tais
como teologia do processo e teísmo aberto[10] . O filósofo francês
contemporâneo Michel Henry tem proposto entretanto uma definição fenomenológica
de Deus como a essência fenomenológica da vida.
 Doutrina espírita – Considera Deus a inteligência suprema, causa primeira de
todas as coisas, eterno, imutável, imaterial, único, onipotente e soberanamente justo e
bom. Reconhecem a inexorabilidade das leis naturais, contudo todas as leis da
natureza são leis divinas, pois Deus é seu autor.
 Martinismo – Nesta doutrina, podemos encontrar no livro Corpus Hermeticum a
seguinte citação: "vejo o Todo, vejo-me na mente… No céu eu estou, na terra, nas
águas, no ar; estou nos animais, nas plantas. Estou no útero, antes do útero, após o
útero - estou em todos os lugares."
 Teosofia, baseada numa interpretação não-ortodoxa das doutrinas místicas
orientais e ocidentais, afirma que o Universo é, em sua essência, espiritual, e o
homem é um ser espiritual em progresso evolutivo cujo ápice é conhecer e integrar a
Realidade Fundamental, que é Deus.
 Algumas pessoas especulam que Deus ou os deuses são seres extraterrestres.
Muitas dessas teorias sustentam que seres inteligentes provenientes de outros
planetas visitaram a Terra no passado e influenciaram no desenvolvimento das
religiões. Alguns livros, como o livro "Eram os Deuses Astronautas?" de Erich von
Däniken, propõem que tanto os profetas como também os messias foram enviados ao
nosso mundo com o objetivo exclusivo de ensinar conceitos morais e encorajar o
desenvolvimento da civilização.
 Especula-se também que toda a religiosidade do homem criará no futuro uma
entidade chamada Deus, a qual emergirá de uma inteligência artificial. Arthur Charles
Clarke, um escritor de ficção científica, disse em uma entrevista que: "Pode ser que
nosso destino nesse planeta não seja adorar a Deus, mas sim criá-Lo".
 Vários pensadores de renome e muitos não tão conhecidos especulam que as
religiões e mitos são derivados do medo. Medo da morte, medo das doenças, medo
das calamidades, medo dos predadores, medo de um "inferno eterno", ou mesmo
medo do desconhecido. Com o passar do tempo, essas religiões foram subjugadas
sob a tutela das autoridades dominantes, as quais se transformaram em governantes
divinos ou enviados pelos deuses. Nessa linha de raciocínio, a religião é vista
simplesmente como um meio para se dominar a massa que se vale das fraquezas
humanas intrínsecas. Napoleão Bonaparte disse: "o povo não precisa de Deus, mas
precisa de religião"; afirmando em essência que a massa necessita de uma doutrina
que lhe discipline e lhe estabeleça um rumo, sendo que Deus é um detalhe
meramente secundário, o meio para um fim.

Abordagens teológicas
Ver artigo principal: Teologia

Teólogos e filósofos atribuíram um número de atributos para Deus,


incluindo onisciência, onipotência, onipresença, amorperfeito, simplicidade, e eternidade e
de existência necessária. Deus tem sido descrito como incorpóreo, um ser com
personalidade, a fonte de todos as obrigações morais, e concebido como o melhor ser
existente.[2] Estes atributos foram todos atribuídos em diferentes graus por
acadêmicos judeus, cristãos e muçulmanos desde épocas anteriores, incluindoSanto
Agostinho,[3] Al-Ghazali[4] e Maimônides.[3]
Muitos argumentos desenvolvidos por filósofos medievais para a existência de
Deus[4] buscaram compreender as implicações precisas dos atributos divinos. Conciliar
alguns desses atributos gerou problemas filosóficos e debates importantes. A exemplo, a
onisciência de Deus implica que Deus sabe como agentes livres irão escolher para agir.
Se Deus sabe isso, a aparente vontade deles pode ser ilusória, ou o conhecimento não
implica predestinação, e se Deus não sabe, então não é onisciente. [11]
Nos últimos séculos tem-se visto na filosofia vigorosas perguntas acerca dos argumentos
para a existência de Deus, essas propostas por filósofos tais como Immanuel Kant, David
Hume e Antony Flew. Mesmo Kant, embora considerasse que oargumento de
moralidade era válido, fez várias críticas aos usuais argumentos empregados.
A resposta teísta tem sido usualmente fundada em argumentos, como os de Alvin
Plantinga, que afirmam que a fé é "adequadamente básica", ou em argumentos,
como Richard Swinburne, fundados na posição evidencialista.[12] Algunsteístas concordam
que nenhum dos argumentos para a existência de Deus são vinculativos, mas alegam que
a fé não é um produto da razão, mas exige risco. Não haveria risco, dizem, se os
argumentos para a existência de Deus fossem tão sólidos quanto as leis da lógica, uma
posição assumida por Pascal bem ao estilo: "O coração tem razões que a razão não
conhece."[13]
A maior parte das grandes religiões consideram Deus não como uma metáfora, mas um
ser que influencia a existência de cada um no dia a dia. Muitos fiéis acreditam na
existência de outros seres espirituais, e dão-lhes nomes
como anjos,santos, djinni, demônios, e devas.
Teísmo e deísmo
O teísmo sustenta que Deus existe realmente, objetivamente, e independentemente do
pensamento humano, sustenta que Deus criou tudo; que é onipotente e eterno, e é
pessoal, interessado, e responde às orações. Afirma que Deus é tanto imanente e
transcendente, portanto, Deus é infinito e de alguma forma, presente em todos os
acontecimentos do mundo.
A teologia católica sustenta que Deus é infinitamente simples, e não está sujeito
involuntariamente ao tempo. A maioria dos teístas asseguram que Deus é onipotente,
onisciente e benevolente, embora esta crença levante questões acerca da
responsabilidade de Deus para com o mal e sofrimento no mundo. Alguns teístas atribuem
a Deus uma autoconsciência ou uma proposital limitação da onipotência, onisciência, ou
benevolência.
O Teísmo aberto, pelo contrário, afirma que, devido à natureza do tempo, a onisciência de
Deus não significa que a divindade pode prever o futuro. O "Teísmo" é por vezes utilizado
para se referir, em geral, para qualquer crença em um Deus ou deuses, ou seja, politeísmo
ou monoteísmo.[14] [15]
O Deísmo afirma que Deus é totalmente transcendente: Deus existe, mas não intervém no
mundo para além do que era necessário para criá-lo. Em vista desta situação, Deus não
é antropomórfico, e não responde literalmente às orações ou faz milagres acontecerem. É
comum no deísmo a crença de que Deus não tem qualquer interesse na humanidade e
pode nem sequer ter conhecimento dela.
O pandeísmo e o panendeísmo, respectivamente, combinam as crenças do deísmo com
o panteísmo ou panenteísmo.

Posições científicas e críticas a respeito da ideia de Deus


Stephen Jay Gould propôs uma abordagem dividindo o mundo da filosofia no que ele
chamou de "magistérios não sobrepostos". Nessa visão, as questões do sobrenatural, tais
como as relacionadas com a existência e a natureza de Deus, são não-empíricas e estão
no domínio próprio da teologia. Os métodos da ciência devem ser utilizadas para
responder a qualquer questão empírica sobre o mundo natural, e a teologia deve ser
usada para responder perguntas sobre o propósito e o valor moral.
Nessa visão, a percepção de falta de qualquer passo empírico do magistério do
sobrenatural para eventos naturais faz da ciência o único ator no mundo natural. [16]
Outro ponto de vista, exposto por Richard Dawkins, é que a existência de Deus é uma
questão empírica, com o fundamento de que "um universo com um deus seria um tipo
completamente diferente de um universo sem deus, e poderia ser uma diferença científica
".[17]
Carl Sagan argumentou que a doutrina de um Criador do Universo era difícil de provar ou
rejeitar e que a única descoberta científica concebível que poderia trazer desafio seria um
universo infinitamente antigo.[18]
Stephen Hawking argumenta que, em vista das recentes descobertas e avanços da
ciência, sobretudo na área dacosmologia, a existência de um deus responsável pela
existência e pelos eventos do universo mostra-se não apenas desnecessária mas também
altamente improvável, para não dizer incompatível.
Antropomorfismo
Ver artigo principal: Antropomorfismo

Pascal Boyer argumenta que, embora exista uma grande variedade de conceitos


sobrenaturais encontrados ao redor do mundo, em geral seres sobrenaturais tendem a se
comportar tanto como as pessoas. A construção de deuses e espíritos como as pessoas é
um dos melhores traços conhecidos da religião. Ele cita exemplos de mitologia grega, que
é, na sua opinião, mais como uma novela moderna do que outros sistemas religiosos.
[19]
 Bertrand du Castel e Timothy Jurgensendemonstram através de formalização que o
modelo explicativo de Boyer corresponde ao que a epistemologia física faz ao trabalhar
com entidades não diretamente observáveis como intermediários. [20]
O antropólogo Stewart Guthrie afirma que as pessoas projetam características humanas
sobre os aspectos não-humanos do mundo porque isso os torna mais familiares e por tal
"compreensíveis". Sigmund Freud também sugeriu que os conceitos de Deus são
projeções de um pai.[21]
Da mesma forma, Émile Durkheim foi um dos primeiros a sugerir que os deuses
representam uma extensão da vida social humana para incluir os seres sobrenaturais. Em
linha com esse raciocínio, o psicólogo Matt Rossano afirma que quando os humanos
começaram a viver em grupos maiores, eles podem ter criado os deuses como um meio
de garantir a moralidade. Em pequenos grupos, a moralidade pode ser executada por
forças sociais, como a fofoca ou a reputação. No entanto, é muito mais difícil impor a moral
usando as forças sociais em grupos muito maiores. Ele indica que, ao incluir sempre
deuses e espíritos atentos, os humanos descobriram uma estratégia eficaz para a
contenção do egoísmo e a construção de grupos mais cooperativos. [22]
O anarquista Mikhail Bakunin faz uma crítica à ideia de Deus posicionando-O como sendo
uma ideia criada pelas elites - reis, senhores de escravos, senhores feudais, sacerdotes,
capitalistas, etc. - que busca justificar a sociedade autoritária projetando ideologicamente
as relações de dominação para o universo como um todo: Deus como senhor ou rei, e o
universo como escravo ou súdito. A ideia de Deus serviria, segundo ele, como um mero
instrumento de dominação cuja função seria fazer os dominados aceitarem sua exploração
como se fosse um fato natural, cósmico e eterno, ou seja, um fato do qual não podem
fugir, restando-lhes apenas a opção de resignarem-se.[23]

Referências
1. Ir para cima↑ Para outras perspectivas, há nesta mesma enciclopédia diversos artigos
específicos. Uma lista com as principais religiões pode ser encontrada sob título
"Anexo:Lista de religiões e tradições espirituais"; e uma lista de divindades encontra-se sob
título "Anexo:Lista de divindades".
2. ↑ Ir para:a b Swinburne, R.G. "God" in Honderich, Ted. (ed)The Oxford Companion to
Philosophy, Oxford University Press, 1995.
3. ↑ Ir para:a b c d Edwards, Paul. "Deus e os filósofos" em Honderich, Ted. (ed)The Oxford
Companion to Philosophy, Oxford University Press, 1995.
4. ↑ Ir para:a b c d Plantinga, Alvin. "Deus, Argumentos para a sua Existência," Enciclopédia
Routledge de Filosofia, Routledge, 2000. Erro de citação: Invalid  <ref>  tag;
name "Plantinga" defined multiple times with different content
5. Ir para cima↑ A etimologia ulterior é disputada. À parte a hipótese improvável de adoção de
uma língua estrangeira, o OTeut. "ghuba" implica como seu tipo pretérito também
"*ghodho-m" ou "*ghodto-m". O anterior não parece admitir explicação; mas o posterior
representaria o neutro "pple" da raiz "gheu-". Existem duas raízes arianas da forma
requerida ("*g,heu-" with palatal aspirate) uma significando 'invocar' (Skr. "hu") a outra "a
derramar, para oferecer sacrifícios" (Skr "hu", Gr. χεηi;ν, OE "geotàn" Yete v). OED
Compact Edition, G, p. 267
6. Ir para cima↑ "Michaelis Deus - sm (lat Deus)". 1 O Ser supremo; o espírito infinito e eterno,
criador e preservador do Universo. 2 Teol Ente tríplice e uno, infinitamente perfeito, livre e
inteligente, criador e regulador do Universo. 3 Cada uma das pessoas da Santíssima
Trindade. 4 Indivíduo ou personagem que, por qualidades extraordinárias, se impõe à
adoração ou ao amor dos homens. 5 Objeto de um culto, ou de um desejo ardente que se
antepõe a todos os outros desejos ou afetos. 6 Cada uma das divindades masculinas do
politeísmo. Pl: deuses. Fem: Deusa. Deus-dará: na locução adverbial ao deus-dará: à toa,
descuidadamente, a esmo, ao acaso. Nem à mão de Deus Padre: por forma nenhuma,
apesar de todas as contradições.
7. Ir para cima↑ Barton, G. A.. A Sketch of Semitic Origins: Social and Religious.
[S.l.]: Kessinger Publishing, 2006. ISBN 142861575X
8. Ir para cima↑ Hastings 2003, p. 540.
9. Ir para cima↑ R. Cudworth, 1678.
10. Ir para cima↑ "DOES GOD MATTER? A Social-Science Critique". by Paul Froese and
Christopher Bader. Consultado em2007-05-28.
11. Ir para cima↑ Wierenga, Edward R. "Divino conhecimento", em Audi, Robert. The
Cambridge Companion to Philosophy.Cambridge University Press, 2001.
12. Ir para cima↑ BEATY, Michael. (1991). "God Among the Philosophers".The Christian Century.
Visitado em 2007-02-20.
13. Ir para cima↑ Pascal, Blaise. Pensées, 1669.
14. Ir para cima↑ "Philosophy of Religion.info - Glossary - Theism, Atheism, and Agonisticism".
Philosophy of Religion.info. Consultado em 16 de julho de 2008.
15. Ir para cima↑ "Theism - definiton of thesim by the Free Online Dictionary, Thesaurus and
Encyclopedia".TheFreeDictionary. Consultado em 16 de julho de 2008.
16. Ir para cima↑ DAWKINS, Richard. The God Delusion. Great Britain: Bantam Press, 2006. ISBN
0-618-68000-4
17. Ir para cima↑ Dawkins, Richard. "Why There Almost Certainly Is No God". The Huffington
Post. Consultado em 2007-01-10.
18. Ir para cima↑ SAGAN, Carl. The Demon Haunted World p.278. New York: Ballantine Books,
1996. ISBN 0-345-40946-9
19. Ir para cima↑ BOYER, Pascal. Religion Explained,. New York: Basic Books, 2001. 142–243
p. ISBN 0-465-00696-5
20. Ir para cima↑ DU CASTEL, Bertrand. Computer Theology,. Austin, Texas: Midori Press,
2008. 221–222 p. ISBN 0-9801821-1-5
21. Ir para cima↑ BARRETT, Justin. (1996). "Conceptualizing a Nonnatural Entity:
Anthropomorphism in God Concepts".
22. Ir para cima↑ ROSSANO, Matt. (2007). "Supernaturalizing Social Life: Religion and the
Evolution of Human Cooperation". Visitado em 2009-06-25.
23. Ir para cima↑ Mikhail Bakunin, Deus e o Estado (1882)

Ver também
Outros projetos Wikimedia também contêm
material sobre este tema:
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Citações no Wikiquote

Categoria no Commons

 Divindade
 Deidade
 Nomes de Deus
 Deusa mãe
 Existência de Deus
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v • e

Religião
Categorias: 
 Deus (monoteísmo)
 Conceitos religiosos

Representações sociais
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Representações Sociais são o conjunto de explicações, crenças e ideias que nos


permitem evocar um dado acontecimento, pessoa ou objecto. Estas representações são
resultantes da interacção social, pelo que são comuns a um determinado grupo de
indivíduos.

Índice
  [esconder] 

 1Aparecimento do conceito
 2Elaboração das Representações Sociais
 3Referências Bibliográficas
 4Ligações externas

Aparecimento do conceito[editar | editar código-fonte]


As representações sociais têm no psicólogo social Serge Moscovici a sua primeira base
teórica, em 1961, através da obra A Psicanálise, sua imagem e seu público.
O objectivo da Teoria das Representações Sociais é explicar os fenómenos do homem a
partir de uma perspectiva colectiva, sem perder de vista a individualidade. Uma
conceituação formal, entretanto, Moscovici (SÁ, 2004, p. 30) se negou a fazer de forma
contundente: "A demanda por exactidão de significado e por definição precisa de termos
pode ter um efeito pernicioso, como eu acredito ter tido freqüentemente nas ciências do
comportamento".
Portanto, a Teoria das Representações Sociais preconizada por Moscovici está
principalmente relacionada com o estudo das simbologias sociais, tanto no nível de macro
como de micro análise - ou seja, com o estudo das trocas simbólicas infinitamente
desenvolvidas em nossos ambientes sociais e nas nossas relações interpessoais -, e de
como esses símbolos influenciam a construção do conhecimento compartilhado, da
cultura. Isto nos leva a situar o Moscovici entre os chamados interacionistas simbólicos,
tais como Peter Berger, George Mead e Erving Goffman.
O contexto histórico das representações sociais se define pelo fato de que elas, ao serem
apresentadas como uma "modalidade de conhecimento particular que tem por função a
elaboração de comportamentos e a comunicação entre indivíduos" (Moscovici, 1978), são
sustentadas tanto por conhecimentos oriundos da experiência cotidiana como pelas
reapropiações de significados historicamente consolidados.
Portanto, considera-se que as representações sociais são resultado, de um lado, da
reapropriação de conteúdos vindos de períodos cronológicos distintos e, de outro,
daqueles gerados por novos contextos.
As representações sociais têm como uma de suas finalidades tornar familiar algo não
familiar, isto é, uma classificar, categorizar e nomear novos acontecimentos e ideias com
as quais não tínhamos tido contato anteriormente, possibilitando, assim, a compreensão e
manipulação desses novos acontecimentos e ideias a partir de ideias, valores e teorias
preexistentes e internalizados por nós e amplamente aceitas pela sociedade,
"As representações que fabricamos – de uma teoria científica, de uma nação, de um
objeto, etc. – são sempre o resultado de um esforço constante de tornar real algo que é
incomum (não familiar), ou que nos dá um sentimento de não familiaridade. Através delas,
superamos o problema e o integramos em nosso mundo mental e físico, que é, com isso,
enriquecido e transformado. Depois de uma série de ajustamentos, o que estava longe,
parece ao alcance de nossa mão; o que era abstrato torna-se concreto e quase normal (...)
as imagens e ideias com as quais nós compreendemos o não usual apenas trazem-nos de
volta ao que nós já conhecíamos e com o qual já estávamos familiarizados (Moscovici,
2007,p.58)"
Buscamos compreender, abstrair significados das novas informações e fatos produzidos
constantemente em função da proliferação dos centros de pesquisas científicas, da
enorme profusão de ideias e "filosofias" escancaradas pelos meios de comunicação de
massas e também criadas pelos "sábios amadores" nas ruas, bares e esquinas do senso
comum e operacionalizá-los em nossos cotidianos. A criação e transformação da
informação levam a uma transformação de nossos valores, que, conseqüentemente, irão
influenciar as diretrizes dos relacionamentos humanos, na forma como o ser humano se
percebe no mundo e com o outro – o que era certo para a geração anterior para a geração
atual não o é. Digere-se a nova informação e a reapresenta buscando, ao mesmo tempo,
tanto enriquecer e transformar nossos esquemas cognitivos anteriores no que for possível
e aceitável à nossa idiossincrasia; como também adaptá-la a nossos antigos esquemas
cognitivos, na busca de manter o nosso mundo estável e seguro, “(...) a dinâmica das
relações é uma dinâmica de familiarização, onde os objetos, pessoas e acontecimentos
são percebidos e compreendidos em relação a prévios encontros e paradigmas (...) a
memória prevalece sobre a dedução, o passado sobre o presente a resposta sobre o
estímulo e as imagens sobre a ‘realidade’ (Moscovici, 2007, p. 55)
Partindo dos estudos de Moscovici nasceram inúmeras pesquisas sobre diversas
representações sociais, como a representação social de beleza.
Denise Jodelet definiu sinteticamente as representações sociais como uma forma de
conhecimento, socialmente elaborada e partilhada, tendo uma visão prática e concorrendo
para a construção de uma realidade comum a um conjunto social(apud SÁ, 2004, p. 32).
Há muitas formas de conceber e de abordar as representações sociais, relacionando-as ou
não ao imaginário social.

Elaboração das Representações Sociais[editar | editar código-fonte]


Segundo Moscovici existem dois processos das representações sociais: a objectivação e
a ancoragem.
Na objectivação as ideias abstractas transformam-se em imagens concretas, através do
reagrupamento de ideias e imagens focadas no mesmo assunto.
A ancoragem prende-se com a assimilação das imagens criadas pela objectivação, sendo
que estas novas imagens se juntam às anteriores, nascendo assim novos conceitos.
Vale ressaltar que, as representações sociais são modalidades de pensamento prático
orientadas para a compreensão e o domínio do ambiente social, material e ideal. Enquanto
tal, elas apresentam características específicas no plano da organização dos conteúdos,
das operações mentais e da lógica.

Referências Bibliográficas[editar | editar código-fonte]


JODELET, D. Representations sociales: un domaine en expansion. In: D. Jodelet (Ed.) Les
representations sociales. Paris: PUF, 1989 (Tradução: Tarso Bonilha Mazzotti. UFRJ,
1993).
MOSCOVICI, S. Representações sociais: investigações em psicologia social. Rio de
Janeiro, Vozes, 2003.
VILLAS BÔAS, L. Uma abordagem da historicidade das representações sociais.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


 [1] Serge Moscovici e as representações sociais
 [2] Denise Jodelet e as representações sociais
Categoria: 
 Psicologia social

Karen Horney
Horney é considerada uma neopsicanalista, formada em medicina e psicanálise, entretanto
utilizou a base psicanalítica para formar sua própria teoria da personalidade, divergindo de
Freud em vários fatores.

As características principais da sua teoria pousam na fundamental ênfase dos fatores


culturais e sociais no desenvolvimento da personalidade, e baseado nisso, a diferença entre
as psicologias masculinas e femininas. Horney também explorou as minúcias das relações
maritais.
Podemos estabelecer os seguintes pontos principais da teoria de Horney:

1. Fundamental importância à cultura no desenvolvimento da neurose;


2. A característica central da neurose é a alienação do eu real causado pelas forças
opressivas no ambiente;
3. O somatório das experiências na infância é responsável pelo desenvolvimento
neurótico.
É importante ressaltar os fundamentos pelos quais levaram Horney a conferir tanta ênfase
no fenômeno cultural no desenvolvimento da personalidade.  Foram basicamente três
fatores principais, e outras considerações que a psicanalista observou em sua prática
clínica, os quais veremos no decorrer do texto.

1. A observação das diferenças na estrutura da personalidade entre seus pacientes na


Europa e EUA.
2. As diferenças nas concepções do que é masculino e feminino, socialmente
construídos e difundidos.
3. Sua associação com Erich Fromm, que ampliou sua percepção sobre fatores sociais
e culturais.
PONTOS DE DISCORDÂNCIA COM A TEORIA FREUDIANA

Horney discordava com vários pontos da teoria freudiana, que sintetizamos aqui:

1. Inveja do pênis. Horney não acreditava que a inveja do pênis seria fator
dominante da psicologia feminina, que teria por base uma ênfase exagerada no
relacionamento amoroso e na falta de auto-confiança;
2. Caráter sexual-agressivo do Complexo de Édipo. A psicanalista via este
conflito como a vivência de uma ansiedade decorrente de perturbações básicas como
rejeição, superproteção e punição no relacionamento da criança com o pai e a mãe.
3. Agressividade inata. A agressividade não seria um sentimento inato, como
pressupunha o pai da psicanálise, mas apenas um modo pelo qual os seres humanos
tentam garantir sua segurança.
4. Narcisismo como auto-amor. O narcisismo seria o resultado decorrentes do
sentimento de insegurança, levando à auto-inflação e a supervalorização defensivos.
SÍNTESE DA TEORIA DE HORNEY

Os indivíduos internalizam os estereótipos culturais negativos na forma de ansiedade


básica e conflitos internos. As preocupações com segurança, a alienação intrapsíquica e as
preocupações interpessoais compõem as motivações primárias da personalidade. No cerne
das perturbações mentais estão as tentativas inconscientes de lidar com a vida, apesar do
medo, do desamparo e do isolamento.
TEORIA DA PERSONALIDADE

Para Horney, o desenvolvimento da personalidade ocorre pela influência mútua de forças


biológicas e psicossociais. O centro de personalidade é denominado Self real, cujo conceito
se assemelha ao ego freudiano, posto que combina escolha, vontade, espontaneidade,
responsabilidade, identidade e vivacidade. Há no organismo humano uma tendência para a
autorrealização, que impulsiona o desenvolvimento psicológico do indivíduo em 3 direções:

1. Em direção aos outros: na expressão de amor e confiança;


2. Contra os outros: para a expressão de uma oposição sadia;
3. Para longe dos outros: em direção à autossuficiência;
Horney acreditava que as condições durante a infância podem bloquear o desenvolvimento
psicológico, que pode seguir seu rumo de desenvolvimento normal quando os bloqueios são
removidos. Para explicar, desenvolveu uma teoria da neurose.

TEORIA DA NEUROSE

A neurose não é considerada uma perturbação apenas do relacionamento com os outros,


mas também do relacionamento com nós mesmos. Dessa forma, a neurose foi definida
tanto em termos intrapsíquicos como interpessoais. Horney baseou-se, para tanto,em sua
própria experiência clínica, ao verificar que seus pacientes não se queixavam das neuroses
sintomáticas (como fobias e compulsões, apesar de recorrentes), mas de infelicidade, de
falta de sentido no trabalho e na inabilidade de estabelecer ou manter relacionamentos.
Horney definiu esses sintomas como complexos sistemas de padrões defensivos,
autoperpetuantes contra a ansiedade basca que teve início na primeira infância (neuroses
de caráter, busca de segurança).

A Teoria da Neurose pressupõe a existência de tendências neuróticas, que são


compreendidas como o resultado do enrijecimento de padrões de comportamento e de
crescentes bloqueios ao crescimento. A origem dessas tendências neuróticas seriam a
combinação entre as condições ambientais desfavoráveis e os sentimentos conflitantes no
inconsciente, que geram na criança um senso de desconforto, apreensão, ansiedade e uma
sensação de Self inseguro.

ANSIEDADE BÁSICA

De acordo com Horney, as crianças experimentam espontaneamente ansiedade, desamparo


e vulnerabilidade decorrentes das ameaças impostas pela sociedade. Caso a criança não
tenha uma orientação amorosa que possa lhe ajudar a lidar com esses temores, ela pode
desenvolver a ansiedade básica, que pode ser definida como o temor da criança em estar
sozinha e desamparada num mundo hostil.
A ansiedade básica impede a criança de se relacionar com os outros com a espontaneidade
de seus sentimentos reais, forçando-a a desenvolver estratégias defensivas.

Tudo o que perturba a segurança da criança em relação aos pais provoca ansiedade básica.
Horney chama esses fatores de “mal básico” e são eles: indiferença, falta de respeito às suas
necessidades, dominação direta ou indireta, atitudes depreciativas, falta de orientação,
admiração excessiva ou falta de admiração, inconsistência no carinho, responsabilidade
exagerada ou insuficiente, superproteção,injustiça, discriminação, tendência para tomar
partido nas discussões parentais, isolamento de outras crianças,  promessas não cumpridas,
etc. (Hall, Lindzey e Campbell).

O mal básico vivenciado pela criança provoca espontaneamente ressentimento ou


“hostilidade básica”. Isto é fonte de conflito para a criança, pois a expressão dessa
agressividade pode se voltar contra ela, ao entender que dessa forma pode colocar em risco
o amor dos pais por ela.

A criança reprime a hostilidade independente da causa. A repressão amplia o conflito e


conduz a um ciclo vicioso, pois a ansiedade produz uma necessidade excessiva de afeição
que se não satisfeita, causa sentimento de rejeição, aumentando a ansiedade e hostilidade.
Assim, a criança e, posteriormente, o adulto, fica aprisionado neste ciclo de angustia cada
vez mais intenso.

Para aliviar sua ansiedade, a criança move-se psicologicamente em três direções:

1. Busca de afeto e aprovação;


2. Tornam-se hostis;
3. Elas se retraem;
10 PADRÕES DE NECESSIDADES NEURÓTICAS

Horney designou 10 necessidades neuróticas, as quais são baseados em coisas que todos
nós precisamos, mas que se tornam distorcidas em sua manifestação pelas dificuldades
enfrentadas pelo indivíduo. Todas as necessidades neuróticas são irrealistas, na medida em
que estão na origem dos conflitos internos.

 
1. NECESSIDADE NEURÓTICA DE AFEIÇÃO E APROVAÇÃO. Caracteriza-se por um
desejo indiscriminado em agradar os outros e cumprir suas expectativas.s, mas que
se tornam distorcidas em sua manifestação pelas dificuldades enfrentadas pelo
indivíduo. Todas as necessidades neuróticas são irrealistas, na medida em que estão
na origem dos conflitos internos.
2. NECESSIDADE NEURÓTICA DE UM PARCEIRO QUE ASSUMA A VIDA DA
PESSOA. Baseado na fantasia de que irá surgir um amor e que dessa forma todos os
seus problemas estarão resolvidos. A pessoa desenvolve um pavor imenso de ser
abandonada.
3. NECESSIDADE NEURÓTICA DE RESTRINGIR A VIDA A LIMITES ESTREITOS.
Individuos que se contentam com pouco, sem exigências, prefere a modéstia acima
de tudo e prefere viver na obscuridade.
4. NECESSIDADE NEURÓTICA DE PODER. Desespero pelo poder. Necessita do
domínio para seu próprio bem, geralmente acompanhado pelo desrespeito pelos
outros, glorificação indiscriminada pela força.
5. NECESSIDADE NEURÓTICA DE EXPLORAR OS OUTROS. Consiste em
manipular os outros para tirar benefícios próprios. Esta neurose também pode
envolver medo de ser manipulado pelos outros.
6. NECESSIDADE NEURÓTICA DE PRESTÍGIO. São pessoas que necessitam de
supervalorização, reconhecimento público e popularidade. Temem serem ignoradas
ou sentirem-se deslocadas.
7. NECESSIDADE NEURÓTICA DE ADMIRAÇÃO PESSOAL. Com uma autoimagem
supervalo
rizada de si próprios, essas pessoas exigem ser admiradas nesta mesma proporção,
sentindo-se desesperadas caso outros não a vejam nesta mesma posição.
8. AMBIÇÃO NEURÓTICA DE REALIZAÇÃO PESSOAL. É uma obsessão pela
realização pessoal. Essas pessoas obrigam-se a realizações cada vez maiores, como
resultado de uma insegurança básica.
9. NECESSIDADES NEURÓTICAS DEAUTOSSUFICIENCIA E INDEPENDENCIA. 
São pessoas que tendem a recusar ajuda. Muitas vezes tornam-se pessoas
solitárias,afastando-se e recusando-se a formar vínculos como uma forma de
proteção.
10. NECESSIDADE NEURÓTICA DE PERFEIÇÃO E NÃO VULNERABILIDADE. Essas
pessoas tem pavor de reconhecer seus erros, por isso estão em constante busca para
tornar-se infalíveis.
Cada uma dessas tendências superenfatizam um dos elementos envolvidos na ansiedade
básica, e por isso são classificadas nestes três grupos:

1. Desamparo – nabusca de aproximar-se das pessoas;


2. Isolamento – ao afastar-se das pessoas;
3. Hostilidade – ir contra as pessoas;
Os principais tipos de caráter preconizado por Horney foram estabelecidos segundo a forma
que um indivíduo lida com a ansiedade básica, o que estabelece padrões de personalidade.
São eles:

TIPO SELF-APEGADO

Resulta na operação defensiva de agarrar-se aos outros. São pessoas que tentam obter o
favor dos outros através de lisonja, tendem a subordinar-se aos outros e são relutantes em
discordar deles por medo de perder o favor. Podemos observar neste tipo a tentativa de
lidar com a insegurança através da ideia de que ser amado é a garantia de que não será
abandonado. (desamparo)
TIPO EXPANSIVO

São as pessoas agressivas. Resulta da tentativa do sujeito utilizar manobras contra outros
indivíduos, bem como uso do poder e do domínio para obter segurança. A solução vista
como agressão é resultante da crença do sujeito de que,detendo o poder, ninguém
conseguirá magoá-lo. (hostilidade)

TIPO DESAPEGADO

Com resignação, o individuo resolve afastar-se dos outros para evitar tanto a dependência
como o conflito. Esta busca de afastamento dos outros representa a tentativa neurótica de
solucionar o conflito a partir da crença de que se afastando de todos, ninguém poderá
magoá-lo. (isolamento)
Dentro destas três formas predominantes de lidar com o mundo, o indivíduo desenvolve
meios complementares para aliviar a tensão interna. Sendo assim, uma harmonia artificial
pode ser obtida através do uso de mecanismos psicológicos. O superdesenvolvimento de um
dos três estilos básicos suprime os outros dois, que, entretanto, continuam ativos e
produzindo conflitos.
A consequência mais séria do desenvolvimento neurótico é a alienação do self, que resulta
da combinação entre a negação repetida da realidade externa e a repressão dos conteúdos
genuínos. Com o avanço contínuo do processo de alienação, o indivíduo perde o contato
com o cerne do seu ser e não podem determinar ou agir sobre o que é o certo para elas.

PRÁTICA CLÍNICA

Segundo a visão de Horney, a psicanálise é um empreendimento cooperativo que capacita


os pacientes a liberarem-se de suas estruturas neuróticas, podendo assim se mobilizar em
direção à autorrealização. A função principal do analista é ajudar os pacientes de seus
bloqueios e das forças que os impedem o crescimento saudável.

Inicialmente, dois tipos de bloqueios são identificados e examinados: o primeiro grupo de


bloqueios estão orientados à segurança, que ajudam a evitar a ansiedade causada pela
autopercepção;o segundo grupo de bloqueios são os protetores, incluem o silêncio, o atraso,
a depreciação da pessoa do analista, o uso de drogas e até mesmo a autoacusação. Este
processo de percepção dos bloqueios é denominado “processo de desilusão”. Os bloqueios
de valor positivo reforçam a satisfação dos pacientes consigo mesmos e apoiam seus “eus”
idealizados. No processo de desilusão, o analista identifica ambos tipos de bloqueio,
expondo os bloqueios protetores antes de expor os bloqueios que defendem a imagem
idealizada, pois analisar os bloqueios de valor positivo primeiro causaria medo excessivo.

Seus métodos de trabalho são baseados na análise de sonhos e na exploração do


relacionamento paciente- Horney acreditava que as mudanças fundamentais são o melhor
meio para mudar comportamentos autoalienantes. Então ela criou um cenário no qual os
pacientes podiam avaliar a si mesmos, em  segurança, afim que possam descobrir e escolher
valores pessoais que se encaixam com seus eus reais. Este tipo de reorientação era realizado
após a fase de desilusão. Dessa forma, os sonhos são utilizados para levar os pacientes a
entrarem em um melhor contato com seus eus reais.

Na medida em que os pacientes mobilizam suas forças construtivas, eles experimentam a


luta entre o sistema de orgulho e o eu real, somado aos sentimentos de incerteza, dor
psíquica, e auto-ódio. Quando o conflito central é resolvido com êxito, os pacientes passam
para a fase final do tratamento, a descoberta e o uso dos seus eus internos reais.

O Mundo como Vontade e Representação


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Página título da primeira edição - 1819

O mundo como vontade e representação (Die Welt als Wille und Vorstellungno seu
título alemão original) é a grande obra de Schopenhauer, composta por quatro livros (mais
o apêndice da crítica da filosofia kantiana), e publicada em 1819. O primeiro livro é
dedicado à teoria do conhecimento ("O mundo como representação, primeiro ponto de
vista: a representação submetida ao princípio de razão: o objeto da experiência e da
ciência."); o segundo, àfilosofia da natureza ("O mundo como vontade, primeiro ponto de
vista: a objetivação da vontade"); o terceiro, à metafísica do belo("O mundo como
representação, segundo ponto de vista: a representação independente do princípio
de razão. A idéia platônica, objeto da arte"); e o último, à ética ("O mundo como vontade,
segundo ponto de vista: atingindo o conhecimento de si, afirmação ou negação da
vontade"). Toda sua produção posterior pode ser definida como comentários e acréscimos
aos temas ali tratados.

Índice
  [esconder] 

 1Livro I
 2Livro II
 3Livro III
 4Livro IV
 5Ligações externas
Livro I[editar | editar código-fonte]
"Graças à força da gravidade da terra é possível medir o peso da resistência com a ajuda de uma
balança"

"O mundo é a minha representação": com estas palavras Schopenhauer inicia essa sua
principal obra filosófica. A tese básica de sua concepção filosófica é a de que o mundo só
é dado à percepção como representação: o mundo, pois, é puro fenômeno ou
representação. O centro e a essência do mundo não estão nele, mas naquilo que
condiciona o seu aspecto exterior, na "coisa em si" do mundo, a qual Schopenhauer
denomina "vontade" (o mundo por um lado é representação e por outro é vontade). O
mundo como representação é a "objetividade" da vontade (vontade feita objeto -
submetida ao princípio formal do conhecimento, o princípio de razão). Essa objetividade se
faz em diferentes graus, passando pelas forças básicas da natureza, pelo mundo orgânico,
pelas formas de vida primitivas e avançadas, até chegar no grau de objetividade mais alto
por nós conhecido, o ser humano. Entre o objeto e a vontade há um intermediário, o qual
Schopenhauer identifica com a "idéia platônica". A ideia é a "objetivação adequada da
vontade" em determinado grau de objetivação. Esses graus crescem em complexidade,
cada um objetivando a vontade de forma mais completa e detalhada.
Livro II[editar | editar código-fonte]
Mas a totalidade do mundo como representação, a qual é o "espelho da vontade" só existe
na manifestação concomitante e recíproca das diferentes ideias, as quais disputam a
matéria escassa para manifestarem suas respectivas características. As formas superiores
assimilam as inferiores e as subjugam("assimilação por dominação"), até que elas próprias
são vencidas pela resistência das inferiores e sucumbem (eis a morte), devolvendo a elas
a matéria delas retirada e permitindo-lhes expressar as suas características a seu próprio
serviço (eis o ciclo da natureza). Entre todas as ideias, e portanto entre todas as formas de
vida e forças naturais, mantém-se "guerra eterna". Devido a essa eterna luta, os objetos
nunca conseguem expressar suas respectivas ideias de forma perfeita, eles apresentam-
se sempre com um certo "turvamento" (é por isso que apenas as ideias são objetividades
adequadas da vontade).

Schopenhauer utiliza a palavra representação (Vorstellung) para designar a ideia ou imagem mental
de qualquer objeto vivenciado como externo à mente.

Livro III[editar | editar código-fonte]


"No terceiro livro estuda-se a arte, a qual permite o conhecimento da representação
independentemente do princípio de razão. No momento da contemplação estética o objeto
preenche completamente a consciência do sujeito. A conseqüência objetiva é o
conhecimento completamente objetivo do objeto, o qual passa a categoria de idéia
(objetividade adequada da vontade); a conseqüência subjetiva é o auto-esquecimento do
indivíduo, o qual passa a categoria de pura faculdade cognitiva (puro sujeito do
conhecimento), daí (desse auto-esquecimento, quando o conhecimento liberta o indivíduo
de sua vontade) provém a satisfação proporcionada pela contemplação estética. Quanto
mais belo for um objeto mais próximo ele está de expressar a sua respectiva idéia, livre de
turvamentos. O autor estuda diversas formas de arte, buscando demonstrar que todas elas
buscam permitir o conhecimento das objetividades adequadas da vontade (idéias, no
sentido platônico, não kantiano), das mais simples às mais complexas.
Livro IV[editar | editar código-fonte]
"É no quarto livro que Schopenhauer se revelará uma fonte para oexistencialismo e para
o niilismo. A questão aqui é "a grande questão" já levantada pelo famoso verso
de Hamlet: ser ou não ser? O filósofo começa investigando a vida e a morte e como uma
anula a outra por meio da procriação, garantindo a sobrevivência da espécie (e a
continuação da expressão da ideia). Depois estuda a liberdade; conclui que a mesma, no
sentido rigoroso do termo (liberdade da causalidade), restringe-se à coisa em si (a
vontade) e que todo fenômeno, sempre submetido ao princípio de razão, não é livre. É
apenas em um caso que a liberdade da vontade penetra no fenômeno: quando este se
nega, chega a renúncia ascética (negação da vontade). Antes de descrever melhor o que
é "afirmação da vontade" e "negação da vontade" o autor escreveu aquelas célebres
páginas (capítulos 56 a 58) em que tenta demonstrar que "a dor não se interrompe" e
que "toda vida é sofrimento". A afirmação da vontade ocorre quando o conhecimento do
mundo torna-se um motivo para se fazer de forma mais intensiva o que já se fazia
naturalmente. No caso da negação o conhecimento do mundo torna-se um "quietivo" da
vontade, levando-a, no caso extremo, à renúncia ascética (à abnegação e à santidade). O
autor estuda como as diferentes relações entre vontade, conhecimento e sofrimento (quer
conhecido quer sentido) podem levar aos diferentes caráteres: cruel, mal, egoísta (que é o
natural, aqueles que todos possuem conforme a natureza), justo, bom, e santo. Por fim,
Schopenhauer faz uma apologia da santidade como o único caminho para libertar a vida
de suas dores e levar à "redenção do mundo".

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


 SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. Trad.
Jair Barboza. São Paulo: Ed Unesp, 2005. ISBN 8571395861 (visualização no Google
livros).
[Esconder]

v • e

Arthur Schopenhauer
Sobre a Raiz Quádrupla do Princípio da Razão Suficiente · O Mundo como Vontade e Representação ·Sobre a Liberdade da
Livros
Vontade  · Sobre as Bases da Moralidade  · Parerga e Paralipomena
Crítica Filosofia kantiana · Esquemas de Kant · Provas do postulado das paralelas

Filosofia Anti-natalismo · Estética · Dilema do ouriço · A Arte de Ter Razão

  Portal da literatura
Jesus e o jovem rico
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

«Pois mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de
Deus.» (Lucas 18:24-25)
Igreja de São Bonifácio em Dortmund, naAlemanha.

Jesus e o jovem rico é um episódio da vida de Jesus que trata da vida eterna[1] [2] . Ele
pode ser encontrado nos três evangelhos sinópticos: Mateus 19:16-30, Marcos 10:17-
31 e Lucas 18:18-30. É neste episódio que Jesus faz referência a «Quão dificilmente
entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Pois mais fácil é passar um camelo pelo
fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus»(Lucas 18:24-25), uma
frase que se tornaria uma de suas mais famosas expressões.

Índice
  [esconder] 

 1Narrativa bíblica
 2Interpretação
 3Ver também
 4Referências
 5Ligações externas

Narrativa bíblica[editar | editar código-fonte]


No Evangelho de Mateus, um jovem rico pergunta a Jesus quais atos levariam à "vida
eterna". Primeiro Jesus recomenda ao rapaz que obedeça aos mandamentos. Quando ele
responde que já os observa, Jesus então acrescenta:
«Se queres ser perfeito, vai vender tudo o que tens, e dá-o aos pobres, e terás um
“ tesouro nos céus; depois vem seguir-me.» (Mateus 19:21) ”
No Evangelho de Lucas, a reação foi uma das frases mais conhecidas de Jesus:

«Jesus, olhando-o, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm
“ riquezas! Pois mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar
um rico no reino de Deus.» (Lucas 18:18-30) ”
Os discípulos então perguntam a Jesus quem poderá ser salvo, ao que Ele responde: "O
que é impossível aos homens, é possível a Deus."

Interpretação[editar | editar código-fonte]
Esta parábola iguala a "vida eterna" com a entrada no Reino de Deus[3] .
A expressão "buraco de uma agulha" tem sido interpretada [quem?] como sendo um portão
em Jerusalém, que abria após o portão principal ter se fechado à noite. Um camelo só
poderia passar por este portão, menor, se se agachasse e fosse descarregado. Esta
história tem sido apresentada desde pelo menos o século XV e, possivelmente, desde o
século IX.[carece  de fontes] Porém, não há nenhuma evidência da existência de tal portão.
Variações sobre a história incluem uma versão sobre antigas estalagens tendo portões
pequenos para atrapalhar bandidos ou uma história sobre um passo entre as montanhas
conhecido como "olho da agulha", tão estreito que os mercadores teriam que desmontar
de seus camelos, ficando assim vulneráveis a salteadores.
Cirilo de Alexandria afirmou que "camelo" é um erro de
impressão grego. Kamêlos ("camelo") seria a versão errada ekamilos ("corda" ou "cabo")
seria o correto[4] [5] . Contudo, evidências para um erro assim são fracas, com nenhum
apoio em manuscritos. Além disso, esta interpretação é contra o princípio da crítica
textual de que os erros tendem a acontecer na direção da leitura mais simples e não
contra ela.

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoriacontendo imagens e outros ficheiros sobre Jesus e o jovem rico

 Harmonia evangélica

Referências
1. Ir para cima↑ Matthew for Everyone: Chapters 16-28 by Tom Wright 2004 ISBN
0664227872 page 47
2. Ir para cima↑ The Bible Exposition Commentary: New Testament: Volume 1 by Warren W.
Wiersbe 2003 ISBN 1564760308page 251
3. Ir para cima↑ Matthew by David L. Turner 2008 ISBN 0801026849 page 473
4. Ir para cima↑ "'The camel and the eye of the needle', Matthew 19:24, Mark 10:25, Luke
18:25". Hebrew New Testament Studies. Consultado em 21 June 2011.
5. Ir para cima↑ Manlio Simonetti - 2002 -"Cyril of Alexandria: By "camel" here he means not
the living thing, the beast of burden, but the thick rope33 to which ... "This interpretation —
"rope" (kamilos) and not "camel" (kamelos) — rests on the homonymic character of the
two .."

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


 "What's the meaning of Jesus' teaching about the camel going through the eye of a
needle?"
Categorias: 
 Eventos narrados nos Evangelhos
 Evangelho de Lucas
 Evangelho de Marcos
 Evangelho de Mateus
 Provérbios de Jesus
 Ministério de Jesus

Homossexualidade na Bíblia
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A Bíblia, uma coleção de livros catalogados e considerados como divinamente inspirados


pelas três religiões abraâmicas(cristianismo, islamismo e judaísmo), possui três principais
passagens nas quais é supostamente abordado, em contextos de idolatria, um
ato homossexual masculino.
Com efeito, a Bíblia também chega a mencionar em Romanos 1:26 - quando fala dos
rituais de idolatria dos romanos, sobre a relação para physin ("incomum", "não usual" ou
"contrária a natureza") entre mulheres, o que poderia ser entendido como uma quarta
referência à homossexualidade. Entretanto, o texto não deixa claro se essas relações são
fora do comum por quaisquer razões que não fossem o sexo para fins de procriação - sexo
anal, sexo em pé etc.[1] - ou se assim o seriam por se tratar de sexo lésbico. Devido à
ambigüidade do texto, não há como se afirmar com certeza que a Bíblia faça menção ao
sexo entre mulheres, ao contrário do ato homossexual masculino, que é mencionado.
Porém no capitulo 27 fica mais claro "E, semelhantemente, também os homens, deixando
o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros,
homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que
convinha ao seu erro" Romanos 1:27
Não obstante, em especial com a expansão das pesquisas exegéticas e hermenêuticas,
não existe um consenso pleno sobre como exatamente deveriam ser interpretadas essas
passagens bíblicas. Dentre os cristãos, o protestantismo tem como um de seus principais
princípios a interpretação privada ou juízo privado dos textos bíblicos,[2] fruto da Reforma
Protestante, quando Lutero, em outubro de 1516, enviou seu escrito "A Liberdade de um
Cristão" ao Papa, acrescentando a frase significativa "Eu não me submeto a leis ao
interpretar a palavra de Deus". Isso posteriormente acabou originando odireito
fundamental de liberdade religiosa, bem como a própria ideia de democracia,[3] ao
consagrar a ideia de horizontalidade dos fieis protestantes, ao contrário da verticalidade do
catolicismo, cuja última opinião em matéria de interpretação bíblica pertence ao Papa.
Portanto, no protestantismo, a opinião de cada um dos fiéis em matéria de interpretação
bíblica tem o mesmo peso.
Além da diversidade de posicionamentos por parte de estudiosos, existem, atualmente
muitas denominações religiosasprotestantes históricas - como as Igreja
Luterana e Anglicana e setores minoritários da Igreja Batista, Metodista, entre outras, que,
num processo revisionista, vêm discordando das interpretações mais restritas comuns
entre as doutrinascristãs mais influentes, de modo que elas aceitam membros que são
assumidamente gays e lésbicas, e algumas destas igrejas até os ordenam ao sacerdócio,
como o famoso caso de Gene Robinson que, mesmo gay assumido, foi
eleito bispoda diocese episcopal de New Hampshire na Igreja Episcopal dos Estados
Unidos

Índice
  [esconder] 

 1Referências bíblicas a atos homossexuais


o 1.1Queda de Sodoma e Gomorra
 2Referências
 3Ligações externas

Referências bíblicas a atos homossexuais[editar | editar código-


fonte]
Existem três passagens da Bíblia que fazem referência a atos homossexuais. As duas
primeiras no Velho Testamento, no contexto da purificação preconizada pela Lei Mosaica,
a Torá. A terceira passagem se situa no Novo Testamento quando o
apóstolo Paulo descreve os rituais orgiásticos idólatras dos gentios romanos:

Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso


é toevah (também no grego bdelygma, ambos significam "impureza" ou
"ofensa ritual"). —
Levítico18:22

Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos


cometerão "toevah"."
— Levítico 20:1
3
...visto que, conhecendo a Deus, não lhe renderam nem a glória… pelo
contrário… tornaram-se estultos… trocaram a glória do Deus incorruptível
por imagens que representam o Deus corruptível, pássaros, quadrúpedes,
répteis… por este motivo, Deus os entregou a paixões infames: as suas
mulheres mudaram o uso physiken (natural, usual comum) em outro uso
que é para physin (não natural, fora do comum, inusitado). Do mesmo
modo também os homens, deixando o uso physiken da mulher,
abrasaram-se em desejos, praticando uns com os outros o que é
—Apóstolo São
indecoroso e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu PauloCarta aos
desregramento" Romanos1:18-32

Além destas há uma passagem na Primeira Epístola aos Coríntios que gera controvérsias
entre os religiosos e teólogos:

Não errais: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros,


nem malakoi, nemarsenokoitai… herdarão os reino de Deus"
— I Coríntios
6:9-10

Esta passagem - em que São Paulo lembra aos cristãos de Corinto acerca da lei judaica a
fim de alertá-los dos erros que cometiam - tem sido alvo de intensas discussões quanto a
sua tradução. As palavras malakoi e arsenokoitai ao longo dos séculos têm sido traduzidas
de forma bem distintas.
Quanto a palavra malakoi (que literalmente significa "mole", "macio") já houve versões
bíblicas que a traduziram como "depravados", "pervertidos", "efeminados", "efebos",
"meninos prostitutos" e algumas versões modernas chegaram até mesmo a falar em
"homossexuais". Entretanto, até a Reforma no século XVI e no Catolicismo no século XX,
pensava-se que tal palavra significasse "masturbadores". Sabe-se, porém, que para além
de seu sentido literal de "mole" ou "macio", tal termo, quando usado para adjetivar
pessoas, pode também ser entendido como "lasso", "irrefreável", "devasso" ou mesmo
"efeminado". E é a partir dessa última tradução que se tem entendido por parte dos
religiosos tradicionais que, portanto, existiria no texto uma condenação aos homossexuais.
Segundo essa concepção um homem lasso, promíscuo e efeminado só poderia se tratar
de um homossexual.
Não obstante, há uma séria contra-argumentação a esse entendimento. Uma grande, e
hoje crescente, parte dos estudiosos tem questionado essa interpretação, mostrando que
a palavra malakoi, mesmo quando traduzida como "efeminado" jamais pode ser entendida
como uma referência a homossexuais. Para tal intento, mostram que tal tradução é
ambígua uma vez que o termo "efeminado" filologicamente sempre significou, para além
de "pusilânime", também "mulherengo" .
Já em relação à palavra arsenokoitai a controvérsia é ainda maior. Uma vez que ela, em
um intervalo de três séculos, somente aparece em dois escritos de Paulo e,
posteriormente nos Oráculos Proféticos (Sibylline Oracles) e em mais nenhuma outra
literatura na história - e em ambos dois casos a palavra se encontra dentro de uma lista,
de modo a seu significado não poder ser alcançado a partir de um contexto - fica
impossível determinar seu significado literal. Há, porém, um certo consenso que esta
palavra se trata de um neologismo criado por Paulo, que teria juntado as palavras arsen,
que significa "homem" e koiten, que significa "cama". Vale notar que para alguns religiosos
- como os tradutores da NVI e A Bíblia na Linguagem de Hoje - tal dado já seria suficiente
para levá-los a crer que tal palavra se referiria, sim, à "homossexual", uma vez que o
pecado que um homem pode fazer na cama seria, em seus pontos de vista, quase
certamente, um ato homossexual. Tal entendimento - acusado de simplista e homofóbico
pelos liberais - com efeito, não pareceu não dar conta de desvendar a palavra em questão
para a maioria dos exegetas e acadêmicos.
Diante da impossibilidade de encontrar o significado literal da palavra arsenokoitai, uma
ampla gama de estudos acadêmicos foi feita ao longo do século XX no intuito de
compreender de fato o termo e evitar sua tradução de modo precipitado e controverso. É,
então, que pelo método histórico-crítico pôde-se, enfim, compreender o que tem sido
amplamente aceito como o mais provável sentido do neologismo paulino.
Arsenokoitai remete ao conceito de prostituição cultual muitíssimo comum no Antigo
Testamento, quando meninos eram vendidos como kadeshim, ou "prostitutos cultuais",
para os templos pagãos, como os de Dionísio, Baal e Diana, ou mesmo homens livres se
faziam sacerdotes sexuais para se dedicarem a esses templos de freqüente idolatria
orgiástica. A exatidão dessa teoria se provaria uma vez que a Septuaginta, que eram as
escrituras sagradas que Paulo lia à sua época, usa os exatos mesmos termos que o
apóstolo usou em Levítico 18:22: Como homem (arsenos), não te deitarás (koiten), como
mulher…(Kai meta arsenos ou koimethese koiten…), e o texto se finaliza afirmando que tal
ato seria toevah, uma palavra que, como vimos, no hebraico é sempre usada num
contexto de ritual religioso, de impureza no sentido religioso, o que é praticamente um
consenso entre os hermenêutas veterotestamentários.
Há fartas outras comprovações bíblicas que suportam essa teoria de que Paulo quando
fala em sua Carta aos Coríntios 6:9-10, ele esta a afirmar que são os prostitutos cultuais
que não herdarão o reino dos céus, da mesma forma que o texto de Levítico o faz. A
começar pela própria introdução do texto da Lei Mosaica que se inicia (Levítico 18:3)
mostrando que as proibições do capítulo são proibições de práticas que os egípcios e
canaanitas faziam por "estatuto", o que deixa, assim, inquestionável que se tratam de
práticas de cunho religioso pagão. Vários outros textos como Deuteronômio 12:30,I
Reis 14:23, Deuteronômio 23:4, 1 Reis 15:12-13, Deuteronômio 23:17, I Reis 22:46 e II
Reis 23:7 fazem comprovar que Paulo, em Coríntios, em vez de falar de homossexuais,
apenas repete o claro mandamento bíblico de condenação aos prostitutos cultuais.
Devido a esses fortes argumentos, muitas igrejas cristãs históricas, e mesmo muitos
setores da Igreja Romana têm em definitivo desconsiderado esta passagem de Coríntios,
e mesmo a de Romanos, como referentes à homossexualidade. Entendem que os textos
condenam somente o sexo idolátrico, lascivo e promíscuo (entre pessoas do mesmo sexo
ou não). Essa interpretação é ratificada por importantes círculos acadêmicos,
especialmente na Europa e Canadá, e mesmo nos EUA, nos seus setores mais liberais.
Na América Latina, em especial no Brasil, somente a Igreja Evangélica de Confissão
Luterana e a Igreja Anglicana parecem adotar posicionamentos similares. A Nova Bíblia
Anotada Oxford, considerada uma das mais relevantes academicamente do mundo, traz
notas que validam a não condenação dessas passagens aos homossexuais, também
a Bíblia de Jerusalém, umas das traduções mais respeitadas no mundo teológico, não
aceita a tradução desses textos como sendo referentes aos homossexuais. No entanto,
alguns religiosos levantam fortes críticas a essa teologia - também chamada de Teologia
Inclusiva - acusando-a de excessivamente liberal. Afirmam que, mesmo que em se
tratando de prostituição idólatra, as condenações de Paulo também incluiriam os
homossexuais de nosso tempo pois estes, ao adotarem o estilo de vida gay, estariam
optanto por uma prática sexual caída, antinatural e aversa aos valores dividos e, por isso,
recairiam da mesma forma em uma forma também de paganismo idólatra.
É fato notório, não obstante, que importantes teólogos cristãos, até mesmo não liberais,
têm se manifestado a favor da teologia inclusiva em nossos dias. Philip Yancey, Desmond
Tutu, Leonardo Boff, Caio Fábio, Frei Beto, Neemias Mariem,Dom Evaristo Arns, Martin
Luther King Jr, entre outros grandes intelectuais do mundo teológico, têm se manifestado
sistematicamente contra a homofobia da Igreja e pela inclusão teológica dos
homossexuais. No início do ano de 2008, o pastor Philip Yancey, considerado um dos
maiores e mais influentes autores cristãos atuais, colunista da famosa revistaChristianity
Today, deu uma polêmica entrevista à revista gay americana Whosoever na qual afirma
que os homossexuais que não são aceitos em suas igrejas como eles são, deveriam
deixá-las para se socorrerem em outros grupos que os aceitem, pois "estas igrejas
precisam de educação". Já o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, um dos mais
importantes líderes anti-apartheid, quando ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 1984,
declarou também que o ódio contra gays é tão condenável quanto o racismo. "Penalizar
alguém por sua orientação sexual é o mesmo que penalizar alguém por algo que a pessoa
nada pode fazer a respeito, como a cor da pele. Ao fazer isso, a Igreja persegue um grupo
que já é perseguido", disse. Leonardo Boff, por sua vez disse que "é fundamental
reconhecer a criação do amor de Deus e dizer que onde há amor entre casais, ou entre
homossexuais, seja mulher ou homem, onde há amor há ato de Deus, porque Deus é
amor.
Queda de Sodoma e Gomorra[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Sodomia e Sodoma e Gomorra

Muitos religiosos, especialmente os tidos como conservadores, e também o senso-comum


associam a queda de Sodoma e Gomorra com a prática de relações homossexuais,[4] o
que teria feito com que as cidades fossem destruídas. No entanto, estudiosos mostram
que o pecado cometido teria sido o da falta de hospitalidade com os estrangeiros, e a
intenção de estupro dos visitantes, já que o termo conhecer, fundamental para o
entendimento de tal trecho, significaria ali claramente um abuso sexual[carece  de fontes], e em
nada se vincularia a um relacionamento homoafetivo, mas sim ao abuso e à violência.
Segundo o relato bíblico, os habitantes dessa terra seriam cananeus.[5] O território antes
do cataclismo, era paradisíaco. Ocupava uma área aproximadamente circular no vale
inferior do Mar Morto (chamada de Distrito ou Bacia, do hebr.Kik.kár).[6]
Após o retorno de Abrão (Abraão) do Egipto, menciona que "eram maus os homens de
Sodoma, e grandes pecadores contra YHVH (traduzido comumente como SENHOR)".
[7]
 Mas isso não chegou a impedir uma tolerância entre os habitantes de Sodoma (cidade-
estado) com o patriarca Abrão, e com o seu sobrinho, Ló.[8]
Dois anjos de Deus, materializados, teriam dito a Abrão que "o clamor de Sodoma e
Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito." Abrão
intercede 3 vezes pelos sodomitas. A resposta final é: "Se houver em Sodoma 10 pessoas
justas, não será destruída".[9] Qual era o pecado grave dos Sodomitas?
Esses dois anjos entram na cidade, que fica em uma região desértica, para pedir abrigo e
proteção. Ló se apiedou desses viajantes e os hospedou em sua casa, porém, sem
conhecer a real identidade angelical destes.[10] Antes de se deitarem, os homens da
cidade, descontentes com o fato de Ló, que também era um homem de fora, ter trazido
dois outros estranhos para a cidade, cercaram então sua casa, desde do rapaz até o
velho, todo o povo numa só turba, exigindo que Ló pusessem os visitantes para fora de
sua casa para que fossem estuprados, [11] o que era uma prática freqüente na Antigüidade,
quando prisioneiros, guerreiros, ou exércitos vencidos eram comumente violentados
sexualmente como forma de desonra, humilhação ou castigo. Ló roga para que os homens
não fizessem esse mal ao seus visitantes, mas a turba, ainda mais irada com ele, o ataca
dizendo que faria, então, a Ló ainda mais maldades do que com os visitantes. O texto
então termina afirmando que os anjos protegeram, ao fim, a Ló e a sua família e, em
seguida, toda a cidade teria sido destruída por Deus com fogo e enxofre.
Há atualmente teológos e acadêmicos que afirmam que esta passagem do livro de
Gênesis não se refere à homossexualidade, mas ao abuso, ao desamor e a falta de
piedade. A Bíblia Anotada New Oxford afirma: "…a questão principal aqui é a
hospitalidade aos visitantes divinos. Nesta passagem a sacralidade da hospitalidade é
ameaçada pelos homens da cidade que queriam violentar os hóspedes. O ponto principal
desta passagem parece ser a ameaça que os habitantes representam ao valor da
hospitalidade. Esta é tão valorizada neste contexto, a ponto de neutralizar a negatividade
da atitude de Ló ao oferecer suas filhas em lugar de seus hóspedes o que, hoje, seria uma
atitude impensável e repugnante à qualquer leitor". Segundo hermenêutas, a história de
Sodoma e Gomorra faz, assim, uma alusão profética à vinda de Cristo que, assim como os
anjos, é o enviado de Deus à terra e seria acolhido pelos homens justos, mas também
seria recebido cruelmente pelos homens sem piedade e maus que aviltariam e atacaram
seu corpo, mas, ao fim, sua glória e justiça prevaleceriam.
Porém, o entendimento laico comum da passagem é, não obstante, que Sodoma e
Gomorra teriam de fato sido destruídas porque os habitantes dessas cidades seriam todos
homossexuais. Essa concepção popular é fruto da filosofia de São Tomás de Aquino que,
na Idade Média, pela primeira vez se referiu ao sexo entre homens como "sodomia". Tal
autor inclui a homossexualidade entre os pecados contra naturam, junto com a
masturbação e a relação sexual com animais. Para Tomás esses pecados sexuais são
mais graves do que os pecados secundum naturam, embora estes se oponham
gravemente à ordem da caridade, por exemplo: adultério, violação, sedução. Isto porque,
para Aquino, a ordem natural foi fixada por Deus e sua violação constitui uma ofensa ao
Criador, o que seria para ele mais grave do que uma ofensa feita ao próximo (cf. Suma
Teológica, II-II, questão 154, artigo 11, corpo). Santo Tomás de Aquino chega a colocar a
prática da homossexualidade no mesmo plano de pecados torpíssimos, como o de
canibalismo.

A neutralidade desse artigo (ou seção) foi questionada, conforme razões apontadas na página
de discussão.
Justifique o uso dessa marca na página de discussão e tente torná-lo mais imparcial.

David e Jônatas, "La Somme le Roy",1290. Detalhe de iluminura de manuscrito francês.


Museu Britânico.

 Homossexualidade e cristianismo

Referências
1. Ir para cima↑ O sexo procriativo seria a única forma natural em que o sexo era pensado na
cultura judaica, especialmente em se tratando das mulheres[carece  de fontes]
2. Ir para cima↑ Christ Church (Reformed Presbyterian Church of North America). "Private
Interpretation" (em inglês). Consultado em 16 de outubro de 2009.
3. Ir para cima↑ SWEET, William Warren. American Culture and Religion. Six Essays. Dallas:
Southern Methodist University Press, 1951, p. 36.
4. Ir para cima↑ Bible.org Homosexuality: The Christian Perspective, Q. 3; White-Neill 2002;
Bahnsen 1978
5. Ir para cima↑ Génesis 10:19
6. Ir para cima↑ 13:10
7. Ir para cima↑ Génesis 13:13
8. Ir para cima↑ Génesis 13 e 14
9. Ir para cima↑ Génesis 18:20-33
10. Ir para cima↑ Génesis 19:1-3
11. Ir para cima↑ 19:4,5

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


 Lésbicas e Gays na Bíblia - artigo no site PortugalGay.pt

  Portal LGBT
 

  Portal do Cristianismo
Categorias: 

 Bíblia
 Homossexualidade e cristianismo

História

 Deus

Acreditar é pior ou melhor?


Depende. A fé tanto pode levar a tragédias humanas quanto abrir um caminho para a paz e a
harmonia entre os homens

Edição

263a

Março de 2009

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Texto Tarso Augusto

Acreditar ou não acreditar em algum Deus? Essa talvez seja a pergunta mais difícil - e
angustiante - da história. A cada mistério do Universo desvendado pela ciência, ou a
cada cura milagrosa atestada até pela medicina, ateus e religiosos vão colecionando
argumentos tanto para a defesa quanto para o ataque. Uns dizem que a crença no divino
é um freio, um obstáculo para a evolução do homem. Outros garantem que é a salvação.
Afinal, crer em Deus traz algum benefício para a humanidade? Algum prejuízo? Para
que lado essa balança pesa?

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MORTE SÚBITA

O primeiro argumento dos críticos da fé é muito simples: não precisamos dela para dar
sentido à vida. A arte, a filosofia e a ciência seriam capazes de fazê-lo com muito mais
consistência. Sigmund Freud (1856-1939), pai da psicanálise, dizia que a crença em
Deus "é uma ilusão e deriva sua força do fato de atender a desejos instintivos". Para ele,
nos afastaríamos desse "estado de atraso" à medida que a ciência avançasse.

Outras mentes brilhantes, contudo, discordam de Freud. Para o escritor irlandês C.S.
Lewis (1898-1963), um dos intelectuais mais influentes do século 20, intervenção
divina seria a única explicação para o que ele chamava de "moralidade universal": um
padrão de comportamento que permeia a humanidade, independentemente de diferenças
culturais ou religiosas entre os povos. "Deus sussurra em nossos ouvidos na
prosperidade, mas, como somos maus ouvintes, não escutamos", costumava dizer.
"Então, Ele gira o botão do amplificador por meio do sofrimento. Aí, finalmente
ouvimos Sua voz."

De acordo com o filósofo e educador Mário Sérgio Cortella, professor do Departamento


de Ciências da Religião na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, é um
equívoco achar que a fé em Deus, como previu Sigmund Freud, um dia vai desaparecer.
"A ciência não substitui a religião porque ela responde o ‘como’, mas nem sempre o
‘porquê’ das coisas. Quando um filho pergunta por que seu pai morreu, e o médico diz
que foi por causa de um enfarto, essa explicação costuma ser insuficiente."

Questões existenciais à parte, a fé em Deus vira um problema quando é usada por


extremistas religiosos para desencadear guerras, matar inocentes, censurar ou barrar o
progresso da ciência (leia mais nas reportagens das págs. 46 e 58). "A história está cheia
de exemplos", diz o engenheiro José Colucci Júnior. Ateu e doutor em bioengenharia,
ele trabalha para o Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA. "Galileu
precisou renunciar ao heliocentrismo quando a Inquisição o ameaçou com a fogueira.
Darwin, em crise com as próprias convicções, atrasou em 17 anos a publicação de sua
teoria evolucionista. E, hoje, milhares de vidas talvez pudessem ser salvas se as
pesquisas com células-tronco avançassem. Mas a Igreja simplesmente não deixa, porque
considera que estamos nós brincando de Deus."

O escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura, também é contundente


na crítica ao que chama de "fator Deus". "Não faltam ao espírito humano inimigos, mas
esse [o fator] é um dos mais pertinazes e corrosivos", escreveu num artigo publicado em
jornais do mundo todo logo depois dos ataques de 11 de setembro de 2001. Da Faixa de
Gaza ao Sri Lanka, do Iraque ao Afeganistão, muitos conflitos perderiam o sentido -
segundo Saramago - se a fé em Deus sofresse uma "morte súbita".

NEUROSE UNIVERSAL

Por mais corretos que pareçam os raciocínios de Colucci e Saramago, eles não abalam a
convicção de quem prefere acreditar em um ser Todo-Poderoso. Como o teólogo Jorge
Cláudio Ribeiro, professor da PUC de São Paulo. Para Ribeiro, guerras, atentados e
quaisquer outros crimes praticados em nome de Deus são deturpações da fé e não
expressam sua essência. "Ao preconizar paz e harmonia na Terra, a crença em Deus só
pode fazer bem à humanidade."

O filósofo Mário Sérgio Cortella também defende a fé, apesar dos maus usos que alguns
fazem dela. "A crença em Deus pode ser um instrumento de alienação e dominação,
mas também de consolo e de libertação. Tudo depende da intenção de quem se utiliza
dela." A própria ciência, diz Cortella, está sujeita a essa lógica. "Ela também pode ser
usada para o mal." Bombas atômicas e armas químicas ou biológicas, segundo o
filósofo, estão aí para não deixar dúvida.

A verdade é que, para encontrar aspectos positivos e negativos, seja na ciência, seja na
religião, basta querer. Freud, entre muitas críticas à fé, também escreveu que quem a
tem "está bem protegido contra certas doenças da mente, pois, ao aceitar a neurose
universal, livra-se de construir uma neurose para si próprio". E Colucci lembra que, sem
a crença, muitas obras de caridade não existiriam.

Afinal, é melhor acreditar ou não acreditar em Deus? Provavelmente, jamais


encontraremos a resposta definitiva.

Para saber mais

• Deus em Questão
Armand M. Nicholi Jr., Ultimato, 2005