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INSTITUTO CAMPINENSE DE ENSINO SUPERIOR

FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU


UNIDADE: CAMPINA GRANDE

VALÉRIA RUFINO

DEUS: A MAIOR REPRESENTAÇÃO SOCIAL QUE JÁ EXISTIU

Campina Grande/PB

2016
VALÉRIA RUFINO

Deus: a maior representação social que já existiu

Artigo apresentado ao Instituto de Psicologia da


faculdade Maurício de Nassau, como parte dos
requisitos para obtenção do bacharelado em
Psicologia

Área de concentração:

Orientador: Prof. Sérgio Murilo

Campina grande

2016
Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio
convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte

Catalogação na publicação
Serviço de Biblioteca e Documentação
Instituto de Psicologia da Universidade de Campina Grande

Rufino, Valéria

Deus a maior representação social que já existiu/ Valéria Rufino; Orientador Sérgio Murilo- Campina
Grande, 2016.

Artigo (Bacharelado) -- Instituto de Psicologia da Universidade de Maurício de Nassau. Programa de


Graduação em Psicologia. Área de Concentração: .

1. Deus. 2. Representação social. 3. Psicanálise. 4. Filosofia existencial. 5. Subjetividade e


liberdade no divino. 6. Vida e existência. I. Rufino, Valéria . II. Título. A existência criacional
de um ser maior.
Nome: Valéria Rufino
Título: Deus- a maior representação social que já existiu

Artigo apresentado ao Instituto de Psicologia da Universidade


Maurício de Nassau para obtenção do título de bacharelado em
Psicologia

Aprovado em:

Banca Examinadora

Prof. Dr. ____________________________________


Instituição: _________________ Assinatura: ___________
Prof. Dr. ____________________________________
Instituição: _________________ Assinatura: ___________
Prof. Dr. ____________________________________
Instituição: _________________ Assinatura: ___________
“Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia
perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difícil não é um ser bom e
proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o
rabo da palavra.”
Guimarães Rosa

RESUMO
Rufino, Valéria. (2016). Deus- a maior representação social que já existiu. Artigo de
bacharelado, Instituto de Psicologia, Universidade Maurício de Nassau, Campina Grande.

A representação social mais imperante que já existiu, mitos e verdades sobre a criação de um
ser único, pesquisadores das ciências humanas como filósofos- Nietzsche, Shopenhauer,
psicólogos- Freud, Husserl, Frankl debruçam sobre a temática: Deus, como grande expoente
comportamental das ações humanas e ditames da vida na terrena, diversas adjetivações,
crenças e preceitos que regem a sua existência são postos aqui nesse trabalho, que ousou em
conceber a sua existência como figura mentora criacional do sujeito que já o crer, um Deus
abstrato que vive em concretude, uma figura antítese na forma em que se torna tangível em
sua intangibilidade, que se fez existente no Creio.

PALAVRAS- CHAVE: Deus. Filosofia Existencial. Psicologia.

SUMMARY

Rufino, Valéria. (2016). Deus- to maior social representação that já existiu. Artigo of
bacharelado, Institute of Psychology, University Maurício de Nassau, Campina Grande.

The most important social representation ever, myths and truths about the creation of a single
being, researchers from the humanities as filósofos- Nietzsche, Schopenhauer, psicólogos-
Freud, Husserl, look out over the theme God as a great exponent of human behavior and
actions dictates the life on earth, many adjectives, beliefs and principles governing their
existence are placed here in this work, who dared to conceive of its existence as a figure
mentor creational the guy who already believe, an abstract God who lives in concreteness, one
figure antithesis in the form that becomes tangible in its intangibility, which made the existing
I believe.

KEY WORDS: God. Philosophy Existence. Psychology.

SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO

2 DEUS MONOTEÍSTA

3 LIBERDADE NO DIVINO

4 OFERECER A OUTRA FACE

5 O QUE É A VONTADE EM DEUS

6 O ASSASSINATO DE CRISTO E O ETERNO MANEQUEISMO

7 A PROSPERIDADE ADVINDA DE DEUS

8 SEXO E RELIGIÃO

9 SERIA POSSÍVEL UM REINO DE DEUS NA TERRA

10 DEUS E O DESTINO DOS HOMENS

11 DEUS DOS ATEÍSTAS

12 DEUS PSICOLÓGICO

13 CONCLUSÕES

14 REFERÊNCIAS

1 INTRODUÇÃO
As tentativas de explicação para os acontecimentos desse e do outro mundo emergem
na criação de um ser único, poderoso e onipresente, esses são alguns predicados a figura de
representação social mais configurada nos dois últimos milênios, temática de assuntos como
conflitos religiosos fundamentalistas, crises culturais mundiais, polêmicas sobre o destino dos
homens, na busca de uma razão de ser, culminando na crença em Deus n’aquele em que mais
o sujeito acredita ser ou não o seu pai criador, as questões filosóficas mais importantes da
humanidade como a Origem- de onde viemos? Identidade- quem somos? Propósito- por que
estamos aqui? Moralidade- como devemos viver? Destino- para onde vamos? Respostas essas
que dependem da existência ou não de um ser divino, se Ele existe há um significado e
propósito de vida se não outro significado para a vida ateísta, formulando maneiras certas e
erradas de viver.

Verdades imensuráveis são consideradas ou não como verdadeiras, será que essa
verdade sobre a realidade poderá ser conhecida no divino? Esses conhecimentos podem ser
desmistificados a luz da crença, há um início do Universo segundo argumento cosmológico?
Um planejamento da vida segundo o argumento teológico? Há como confirmar a presença e
existência de Deus? Desse modo o homem vive no cumprimento de muitas profecias sobre si
mesmo, a predileção a concretização da ressurreição do senhor da criação, dos ensinamentos
enquanto ser existente na criação humana que dita os rumos da sua existência do ser.

O vernáculo representação social posto por Moscovici(2007) no volume de mesmo


título põe a criação de um poder de uma ideia como símbolo de conhecimento, quando cita a
representação social que se tem da Europa, sobre ideologias políticas da guerra fria. Com esse
exemplo visa ilustrar o papel e a influência da comunicação no processo da representação
social que se tornam senso comum, entrando para o mundo comum e cotidianamente que se
habita no ser humano, se tornando em verdadeiras sínteses que servem como principal meio
para estabelecer as associações com as quais nós nos ligamos uns aos outros.

Esse trabalho utilizou-se como guia de inspiração o livro de Wilhelm Reich o


‘Assassinato de Cristo’, um dos discípulos de Freud, no grupo ‘A sociedade das quartas-
feiras’, médico, psicanalista, onde no volume relata sobre os problemas da sociedade
contemporânea, e as possíveis soluções aparentemente imaturas e insuficientes elaboradas
pelo homem. Outro importante expoente é o fundador da logoterapia terceira escola
psicológica de Viena, Viktor Frankl explorando o sentido existencial do ser, perpassa pela
dimensão transcendental desse e sua relação como o divino, no que se refere à religião e
existência de Deus. Referenciando o filósofo Nietzsche em sua dicotomia apolíneo/dionisíaca,
a vontade de poder e a vontade de Deus como temática da sua obra filosófica existencial.

Nesse processo de construção textual em busca de argumentação sobre a existência


ou não de um Criador Universal, foi utilizada uma revisão bibliográfica entre homens das
ciências humanas- filosóficos e psicológicos tratados aqui sob a perspectiva questionadora e
comparativa os fatos e exposições apresentadas por esses autores, fundamentos esses
filosóficos e psicológicos que fecundam esse estudo, que indagam sobre o problema: a
existência de Deus, os processos de sua criação perpassando porque, onde e quando a criatura
divina se apresenta em moldes de comportamento humano como ditame de vida. Interessando
nesse a abordagem fundamental de uma realidade presumida da sua existência enquanto
crença e a problemática surgem a partir daí, definida e verificável construindo experiências
empíricas humanas de ser e agir, numa peritagem comportamental.

A fé humana pode levar o ser a cometer verdadeiros genocídios em nome do senhor


que julgam obedecer ou levar a caminhos de temperança e benevolência, acreditar ou não e
com quais argumentos os defensores da sua existência ou não a dinamizar a sua presença em
adjetivações e atributos múltiplos, em busca da salvação o homem peregrina ou almejando a
liberdade que não está na origem da criação em Deus, assim se justifica esse trabalho,
objetivando através de estudiosos, mais do que a sua existência em concretude científica, mas
tratar a temática já existente enquanto fé, pela busca de uma moralidade universal, de um
padrão de comportamento que permeia a humanidade, um unificador de crenças culturais
entre os povos uma alteridade em meio a tanto etnocentrismo. Eis a indagação: Até onde o
homem vai em nome de Deus?

2 DEUS MONOTEÍSTA

O deus “vivo” sempre foi um deus “oculto”.


Viktor Frankl
Essa é uma das citações da tese de doutorado de Victor Frankl(2007) em filosofia
intitulada “O deus inconsciente” traduzida para o português como ‘A presença ignorada de
Deus’, onde trata do inconsciente espiritual e religioso do homem moderno, a religiosidade
como temática da logoterapia corrente psicológica criada por ele, a religião seja como forma
de repressão ou busca de sentido da existência, no nível inconsciente, abordando a temática
religiosa sob enfoque fenomenológico, uma análise existencial, sendo o próprio um homem
religioso pelas suas experiências transcendentais num campo de concentração, fazia orações
em hebraico como emana a tradição judaica. Segundo o autor a vontade de sentido seria a
motivação do ser humano e que o relacionamento com o divino seria uma via de compreensão
de sentido para o homem religioso. Mais do que um inconsciente instintivo Frankl difere de
seu amigo psicanalítico Freud, construiu o conceito de inconsciente espiritual, o homem em
suas dimensões bio-psico-espiritual, incorporando a dimensão noética(do grego nous,
significando espírito). Discerne ainda sobre o que ele nomeia de indivíduo irreligioso, o ser
que ignora a transcendência da consciência, desse modo a responsabilidade de uma pessoa
religiosa é de saber respeitar a decisão do outro de não ir além, a decisão como liberdade
deseja e criada em Deus, a liberdade divina até para o não.

Deus( nome mais utilizada nas religiões) é a figura central das ações humanas pelas
expressões verbalizadas de apelo, aclamação e devoção, segundo o teórico da linguagem
Noam Chomsky, as representações mentais se constituindo uma gramática interna, que se
constitui no conjunto de regras não conscientes, análogo a um programa computacional, cada
expressão constitui um complexo de propriedades as quais fornecem instruções que
organizam os pensamentos; em seus verbetes ora de afeição, de alegria, de pedido, súplica, de
oração, a divindade central do imponderável, do que tudo realiza, do abstrato, incerto, as
adjetivações do ser iluminado a quem clamar, assim n’aquele que pode .

Deus é o ser supremo nas religiões abraâmicas, na cultura ocidental e na lusófona,


derivantes das três religiões mais influentes da atualidade- o cristianismo, o judaísmo e o islã,
o religare é a maneira de Deus notoriamente ser aclamado, referenciando entre seus adeptos e
seguidores, com uso de cultos, dogmas, e cerimônias, comungam entre si uma forma única de
compreensão de supremo, distintas em alguns elementos e com similitudes em tantos outros
aspectos; para os adeptos da perspectiva abraâmica Deus é expressão da criação e senhor do
universo, com atributos segundo os teólogos- onisciência, onipotência, onipresença, longe dos
instintos humanos e das pulsões mais egoístas, um ser resiliente.
A eternidade é a existência necessária para ser Deus é preciso transcender a vida e a
morte, eis uma de suas proezas aos que creem em sua existência: ‘aquele que venceu a morte’.

"E ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o Primeiro e o Último;e o que vive;
fui morto, mas eis que aqui estou vivo para todo o sempre. Amém! E tenho as chaves da morte e do
inferno." (Apocalipse 3.18)

Sobre o temor da morte paradoxalmente n’aquele que não morre baliza uma das
maiores de sua força - o que vence a morte e ressuscita- o homem e o medo de morrer é
crescente, devido as mudanças nas últimas décadas cada vez mais se afasta a possibilidade,
que se torna tardia e não menos temida, a morte aumenta os problemas emocionais, grande
parte pela necessidade para resolvê-lo, lidar com o problema da morte e o morrer, nunca
possível quando se trata de nós mesmos é o que denota Elisabeth Kübler(2007), que dita o
inconsciente, sempre inconcebível de causa natural ou morte matada, morrida, a morte está
ligada a uma ação má a um acontecimento medonho paradoxalmente ao ser divino.

3 A LIBERDADE NO DIVINO

Porque a necessidade de criação? De um Deus, ao criar Deus como criador de si


mesmo o homem, criou a liberdade tolhida como enuncia Jean- Jacques Rosseau no seu
‘Contrato social’, o homem livre mais acorrentado por todos os lados, firmou o dever de ser
bom, moralmente aceito, para isso ditou o castigo daquilo em que aferisse o dever do bem.

Deuteronômio - 7:9 “ Saibam, portanto, que o Senhor, o seu Deus, é Deus; ele é o Deus fiel, que
mantém a aliança e a bondade por mil gerações daqueles que o amam e guardam os seus
mandamentos”.

O repetente a aprender novamente a lição do castigo, quem lhe empunhar a pena,


aqui surge a figura paterna de um Deus que castiga, a liberdade muitas vezes contida na
religião, nas leis, nos homens do governo, ao cria-lo o homem recriou a si mesmo, sobre a
influência a origem da religião, é o que comentário de Leviatã de Thomas Hobbes( 1992):

Verificando que só no homem encontramos sinais, ou frutos da religião, não há


motivo para duvidar que a semente da religião se encontra também apenas no homem,
e consiste em alguma qualidade peculiar, ou pelo menos em algum grau eminente
dessa qualidade, que não se encontra nas outras criaturas vivas.( HOBBES, 1992,
pag.40)

Continua o autor enumerando a natureza de o homem investigar as causas dos


eventos, procurando um causador pela própria fortuna ou má sorte. A indagar sobre o começo
de todas as coisas e quem os criou, e que os animais têm apenas o gozo dos alimentos,
repouso e prazeres cotidianos, não têm memória nem há qualquer preocupação com os tempos
vindouros. Completando Reich(2007) propaga os contratos sociais como importante para
salvaguardar a vida societal, mas impossível de dissolver as angústias humanas, funcionando
apenas como paliativo, sendo iguais ao nascer e diferentes em crescimento onde a similitude
dá lugar a dispersão, criando assim grandes doutrinas que funcionaram como amarras para si
mesmo, escravos de sua própria criação.

Homem criado à imagem e semelhança de Deus, filho desse mas um pecador


inveterando, expostos ao seu duelador, o lado obscuro: o demônio, desse modo como se
estabelecer moralmente? Eis a problemática central da liberdade, tolhida, vigiada,
parcimonial. Nessa vida plástica, multifacetada com diferentes agires e momentos, surge pois
a Peste Emocional e dúvida, se vive a liberdade de uma alma prisioneira de seu destino que
tem que se mantém ereto para gozar do futuro e fatídico Jardim do Éden pelas quais fomos
expulsos historicamente expostos em algumas religiões.

4. OFERECER A OUTRA FACE

Ofereça a outra face é uma frase proferida por Jesus durante o Sermão da Montanha


e que trata de responder a um agressor sem o uso da violência. Em Deus tido como pai e
criador o homem deve conter seus instintos e reações mais indignas. Sobre as aparências e a
retaliação nesse homem que se constrói ou tenta-se construir a imagem e semelhança do
criador, vejamos o problema pela visão fenomenológica, ‘a tese da atitude ( ou
comportamento) natural’, que Husserl tematizou de epoché, a compreensão implícita do
mundo, a tese geral do homem, esse mundo essencialmente familiar, e dentro da naturalidade
pode ascender ao conhecimento do real. Não enxergar a ofensa e sim o ofensor e seus
motivos.

Com a presença do divino, da figura central de criação o homem deve seguir o


preceito, ou a ética da reciprocidade, a máxima moral, o tratar os outros como gostaria de ser
tratado, uma injunção positiva ou negativa, não acometer ao outro de nada que tentaria que
lhe fosse feito, um exemplo típico são as parábolas de ensinamento, exemplos arrastadores de
como agir, teor de linguagem figurada, protagonizada por seres humanos.

O ser existe sob várias formas como sistema econômico, como relata Reich(2007)
sob essa superestrutura da existência social, as ações guerrilheiras, onde o outro é opressor ou
visto como inimigo, movimentos políticos irracionais que ganham status de racionalidade
aparente em busca de interesse próprio, desse modo cria-se uma forma perfeita na lógica que
opõe a lei ao crime, o Estado ao povo, a moral ao sexo, a civilização à natureza, a polícia ao
criminoso que decorrem todas as misérias humanas.

5 O QUE É A VONTADE EM DEUS

O carácter e a armadilha do homem, o sentimento que guarda dentro de si, os


impulsos, os instintos que são seguros pela vontade divina, a vontade de Deus pode ser
traduzida nos dez mandamentos ou o decálogo, o conjunto de lei que segundo a bíblia teriam
sido originalmente escritos por Deus em tábuas e entregues ao profeta Moisés, as dez palavras
a lei de Deus dada ao povo de Israel no contexto da Aliança, os mandamentos do amor a
Deus( os quatro primeiros) e ao próximo( os outros seis), o caminho de uma vida liberta da
escravidão do pecado.

Encontramos a vontade de poder ou potência em Nietzsche um conceito filosófico, o


seu mais importante conceito permeia as mais altas e baixas esferas da existência, um
conceito cosmogônico, histórico e psicológico, a argumentação que encontra-se em sua forma
original em Eterno retorno( 1881) ao não admitir a existência de Deus, admite-se que a
matéria , a energia da qual é constituída o universo, não pode ser criada.

Outro conceito de vontade em Freud, uma vontade de prazer relacionada à busca do


prazer imediato, é equilibrada pela realidade, onde nem tudo que se deseja é possível ou
conveniente ; distinta da felicidade em Victor Frankl a vontade de sentido relacionada à busca
de sentido para cada momento da vida. Em Shopenhauer o mundo é uma representação, o
mundo como puro fenômeno ou representação. O centro e a essência do mundo não estão
nele, mas naquilo que condiciona o seu aspecto exterior, na "coisa em si" do mundo, a qual
Schopenhauer denomina "vontade" (o mundo por um lado é representação e por outro é
vontade).

6 O ASSASSINATO DE CRISTO E O ETERNO MANEQUEISMO

Umas das possibilidades da busca do sentido da existência do divino foi a A


Experiência Oranur, que começou em 1947, citada no Assassinato de Cristo de Reich
forneceu inesperadamente algumas soluções básicas para os problemas emocionais e sociais
da humanidade, soluções que têm sido, até agora, inteiramente inacessíveis. Um Deus de
criação, perfeição, criador da inteligência humana, de seus órgãos genitais, o funcionamento
desse ser é de acordo com a lei divina, a moral divinal, a ele o senhor o amor natural, o que
não lhe é atribuído tido como blasfêmia ou sacrilégio, o amor que inicia da criatura pelo
senhor da criação desde o nascimento, o começo prematuro da vida.

O mundo dividido em bem ou mal, maniqueísmo, há uma relação que os autores


bíblicos fazem em relação a Deus e o mal, como justificar se ele é bom o mal? Soberano e
provincialmente controla todas as coisas, seria Ele o autor do mal? Como poderá existir o mal
no mundo na criatura de Lúcifer sua antítese da bondade e benevolência, figura temida e
odiada pelos cristãos. Um meio de repressão e medo, há nessa figura a causa-ação do mal, do
sofrimento e da dor? A teodiceia humana na terra. Tudo isso circunda na ideia de poder,
adentrando nessa narrativa à guisa Foucaultiana( 2007), tomemos como exemplo a
administração dos corpos( denomina poder disciplinar) e pela gestão de vida( Deus dá a vida e
retira-a), o viver é uma problemática que carrega toda uma instrumentalidade de agir, de
conhecer, organizar-se e controle.

7 A PROSPERIDADE ADVINDA DE DEUS


“Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Pois mais fácil é
passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus”(Lucas
18:24:25) seria uma boa colocação a teologia da simplicidade para adentrar numa vida eterna
além dos princípios dos dez mandamentos, quando no Evangelho de Mateus o jovem rico
indaga a Jesus, o reino dos céus ao alcance dos benevolentes e desapegados dos bens
materiais.

Em contraponto ao Deus pobre que prega humildade e tendo como um dos pecados a
luxuria, mudou Deus ou mudou os pecados? Agora o divino é próspero, que promete riquezas
constituindo uma verdadeira teologia da prosperidade, o evangelho religioso cristã, que
defende a benção financeira como atributos do sagrado, o diálogo positivista e embriagador, o
pecuniário como material da fé, um Pai com promessas de segurança e prosperidade.

8 SEXO E RELIGIÃO

A bíblia é tida como referencial cristão nas três religiões abraâmicas, sendo objeto de
estudo e interpretação diversas, seus religiosos e adeptos defendem contextos e posições de
idolatria relacionados ao sexo, a orientações sexuais, assuntos ligados a prática carnal antes do
enlace matrimonial, uma excelente passagem de citação está em Romanos 1:26 quando fala
de rituais de idolatria dos romanos de práticas não usuais.

O que fora interpretado como contrariedade à homossexualidade, o sexo desde modo


é tratado como relação para os matrimoniados e fins procriativos, sexo anal, sexo com
posições para a subversão do que defendem com visão puramente fisiológica sem prazer e
satisfação de ambos os gêneros, pregando a naturalidade o sexo entre homem e mulher oposto
outras formas de manifestação, um uso natural de ser homem e de ser mulher, que já vem de
nascença, totalmente opositora como mulheres da história como Simoni Bevouir, quando
defende a construção do gênero afora a determinação biológica. Havendo uma fuga
propositora na visão da exegética e hermenêutica sobre o sentido de tais escritos, numa
submissão as leis, numa antiliberdade a interpretar as palavras de Cristo, tudo oposto a isso
são sinônimos de impureza ou ofensa.
9 SERIA POSSÍVEL UM REINO DO CÉU NA TERRA

Sem nenhuma dúvida Jesus Cristo como figura representacional milenar é o maior
mito que já existiu, um ser criacional com qualidades naturais e sobre naturais, de uma
energia inata, o diabo contrastantemente é o oposto, o ser suprido dessas qualidades, o
pervertido e o homem precisa ser controlado em seus instintos e penitenciado, assim a religião
nasce nas grandes sociedades com esse substrato de poder, conter o pecado, o mal o ruim
nesse dualismo maniqueísta, descobre o mal e elaboram-se conservas para adentrá-lo e
extingui-lo.

Mas se o senhor é bom como pode advir o mal D’ele? O que nos referencia o autor
no Assassinato de Cristo o Deus contido, odiado, abolido; afigura do pecado tido como má
criação do homem, o reino dos céus como defesa dentro de cada um, o que pregam as
religiões é que estamos em falta com Ele, por não o reconhecer, traindo-o e sendo desleal,
como a única forma de não pecar seria o retorno ao Pai, o que fica evidente nos
ensinamentos religiosos é a exposição que estamos expostos frente a figura antagônica que é o
diabo as tentações maléficas puras de prazer muitas vezes e cheia de misticismo
interpretativo, como realidade vista e almejada que preconiza uma vida e crença religiosa.

10 DEUS E O DESTINO DOS HOMENS

Desde os primórdios freudianos até os dias atuais o inconsciente como substrato não
intencional da mente em transpor tudo aquilo que lhe é retido e não observável pela
consciência chega à luz de uma interpretação única, uma força maior do que a vida
consciente, uma forma indireta de acesso à realidade, a vontade como enuncia Shopenhauer
através de uma representação, ou a guisa de Freud a terceira ferida narcísica, analogia ao
homem que se põe cavaleiro que dirige as rédeas e a força que lhe impulsiona não a tem.

Partindo desse pressuposto como pode através de uma realidade religiosa, de crença
conter os instintos, as inclinações mais ou menos egoístas, o homem como um controlador de
impulsos, uma existência recalcada seguindo a mesma terminologia, a lembrança de um
acontecimento tão doloroso que o ego recalca esta lembrança, voltando a Shopenhauer a
Vontade que não chega ao intelecto abortada pelo contexto sacramental da crença, desligando
o ser do seu ser.

11 O DEUS DOS ATEÍSTAS

O teísta é aquele que acredita em Deus criador do universo, mas que não é parte
desse universo a exemplo das religiões abraâmicas, por outro lado o panteísta é aquele que
acredita num Deus impessoal que literalmente é o universo- Deus é o céu, as árvores como
hinduístas por exemplo, o ateísta é aquele que não acredita em nenhum dos citados. A fé do
ateu é aquela em que precisa acreditar em qualquer outra visão de mundo que não seja
incluída no mundo do teísta ou panteísta, responder a todas as objeções que fazem aos ateus,
dizer que não tem respostas quando a toda crença a resolução da dúvida é simplesmente a fé,
é não ter razão suficientemente comprovatória. Teria ele certeza que Deus não existe? Não.

Da mesma forma que os outros dois não tem cientificidade para provar que existe,
mas existe sim? Como? Existencialmente criado, o Deus do creio, e nesse ponto ganha mais
adeptos como força impulsionadora para cria-lo à vontade nossa de cada dia, das intempéries,
dos conflitos psíquicos. Terá certeza absoluta ao Cristão da existência divina, todos os
argumentos e provas do seu existir são por ele produzidos e desmistificados a qualquer tempo,
como informação sobre Deus, na verdade de cada um seria impossível não crê-lo. Mesmo
porque o ateísmo ganha ares de materialismo, de frieza inorgânica, dizer que o poder não está
em um ser único mas numa universo cósmico já fora considerada blasfêmia e heresia, levando
certos eclesiásticos defensores da vida a condenar o suposto irmão a morte em fogueiras
inquisitórias, em seu racionalismo típico o ateu é um ser de fé para querer contestar a criação
a um cristão.

12 DEUS PSICOLÓGICO
Se tivéssemos vindo de macacos ou de uma explosão, a aquém obedecer? A quem
seguir? Embora esse símio que existe dentro do homem se esconda por diversas vezes em
outras se manifesta, o Senhor é o destituidor desse animal agora domesticado e controlado,
longe do funcionamento vermicular dos seres vivos, aqui se destaca no Assassinato de Cristo
o conhecimento e as verdades, que ultrapassa as possibilidades comuns dos homens em
sabedoria, conferido a Ele até certo maniqueísmo, quando bom ou ruim na realização do
pedido do humano, o divino por vez conhece o ser meio a suas verdades e atitudes sob o
verniz da desfaçatez que se esconde até de si mesmo.

Em sua mística existencial Ele percebe e sabe da verdade escondida através da


verdadeira feita de verdade, entende a completa conjunção entre emoções e alma, longe do
imediatismo humano se faz Deus em temperança e atitude, entendedor de almas e mais do que
isso produtor do livro arbítrio terreno, desse modo entende e julga em sua sabedoria infinita,
ausculta sonhos e delírios que humanamente emergem ao impossível e que sua realização
usam o vocábulo de milagre, conhece os problemas humanos como criador que é a espreitar
as experiências humanas.

CONCLUSÕES

Nosso objetivo nesse trabalho não foi de provar a sua não inexistência nem tão pouco
aceitar ou fazê-los aceitar uma proposição de defesa de credulidade e sim comprovar por meio
de citações históricas de homens das ciências humanas o quão Ele existe em fenômeno
criacional humano e esse fato se constitui em atos que dominam e permeiam vidas em
diversos assuntos ligados à existência, tais como sexualidade, felicidade, prosperidade, mitos
e verdades essas construídas, um ser aberto a vivência elaboradas pela credulidade, na
obtenção de tornar-se criaturas morais a escolha de destinos, um Deus explícito em revelação
dentro de si mesmo, tomado aqui alguns ponto bíblicos como dogmas e ensinamentos que
sentem sua presença direta os que creem, que fora questiona como que pudesse sobrepujar a
liberdade de ser.

REFERÊNCIAS
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