Você está na página 1de 12

UCS

Trabalho de Direito Ambiental

O vazamento do petroleiro Exxon


Valdez e o princípio do “poluidor-
pagador”

Rafael Henrique Visentini

CURSO DE DIREITO

Caxias do Sul, RS, Brasil


Abril de 2006
2

ÍNDICE

1. Introdução.................................................................................................................3
2. O Vazamento do Petroleiro Exxon Valdez...............................................................3
3. O Princípio do Poluidor-Pagador..............................................................................6
4. O Princípio do Poluidor-Pagador e o caso Exxon Vadez.........................................8
5. Conclusão................................................................................................................10
6. Bibliografia.............................................................................................................10
7. Anexo......................................................................................................................12
3

1. Introdução

Foi vinculada na edição 1904 da revista IstoÉ, de 19 de abril de 2006


(Anexo), a tradução da reportagem da revista norte-americana Time, onde
se constata que o vazamento do navio petroleiro Valdez na costa do Alasca
nos EUA, em 1989, pertencente à maior companhia petrolífera do mundo, a
Exxon Mobil, ainda não foi sanado, tanto ecológica quanto financeiramente.
Apesar de vários anos terem se passado, a disputa ainda continua nos
tribunais, onde milhares de ações contra a Exxon requerem indenizações
pessoais, além da reparação do meio ambiente. E neste ponto há grande
discussão, pois se trata de responder se a Exxon deve pagar uma
indenização punitiva.
Apesar de tal fato ocorrer fora de nossa instância jurisdicional, serve
tal fato para um aprofundamento sobre o princípio do poluidor-pagador, pois
este pilar é encontrado mundialmente como princípio do polluter-pays.
Ainda, não se pode olvidar os desastres semelhantes em nosso território,
originados principalmente pela empresa pública Petrobrás S.A. Optou-se
pelo caso da Exxon Valdez devido ao fato de ser mundialmente conhecido e,
provavelmente, o mais estudado.
Primeiramente, faz-se um relato do acidente do navio petroleiro
Valdez e de suas conseqüências ambientais; segue-se por uma explicação
quanto ao princípio do poluidor-pagador e da responsabilidade objetiva por
danos ambientais causados; posteriormente, associa-se o princípio ao fato
citado, para, por fim, fazer-se a conclusão deste artigo.

2. O Vazamento do Petroleiro Exxon Valdez

Prince Willian Sound, no Alasca, EUA, era conhecida como a


“pequena Suíça do Alasca”. Na primavera, era o lugar procurado pelas
baleias, salmões, pássaros marítimos e outras espécies. Nesse paraíso
ecológico, único no mundo, que, no dia, 24 de março de 1989, um petroleiro
da Exxon - então uma das 5 maiores empresas dos EUA com faturamento
de 80 bilhões de dólares – se chocou com o “Bligh Reef ”, um gigantesco
iceberg de 10 quilômetros de comprimento. O choque furou o casco do
4

petroleiro provocando o vazamento de 11 milhões de galões


(aproximadamente 42 milhões de litros) de óleo.1
O saldo desse despejo incluiu mais de 36 mil aves, focas, lontras,
salmões, ovas de arenque e até baleias morreram; a mancha negra
contaminou uma área de 3.300 quilômetros quadrados e 1.500 quilômetros
de praia.2 O problema se agravou porque, no frio, o óleo demora para se
tornar solúvel e ser consumido por microorganismos marítimos, pois a
biodegradação ocorre com eficácia apenas a partir dos 15 ºC. Cerca de 2%
do petróleo continuam poluindo a costa da região.
Dez anos depois, em fevereiro de 1999, apenas duas espécies
animais – a águia careca e a lontra de água doce – foram tidas como
recuperadas dos efeitos do vazamento. Focas, várias espécies de aves
marinhas, pingüins e uma espécie de baleias foram classificadas como “não
recuperáveis". Estudos posteriores mostraram que os cardumes de peixes
ainda estão suscetíveis aos efeitos do vazamento, mesmo por
concentrações relativamente baixas de compostos químicos encontrados no
petróleo. Apesar da Exxon alegar que o local foi completamente recuperado
e limpo, bolsões de óleo permanecem sobre a superfície em diversas áreas.3
Em 2003, 14 anos após a tragédia, o vazamento ainda
prejudicava a fauna do Alasca, porque uma área de 28 acres de
praias continuava contaminada por 15.850 galões de óleo, além do
que os animais sofriam de estresse, segundo cientistas do Serviço
Nacional de Pesca Marinha dos EUA.4
Segue abaixo matéria extraída do site da ONG Greenpeace.
“Em 1989, o desastre do navio da maior petrolífera do mundo
derramou 41 milhões de litros na costa do Alasca, afetando a vida
animal até hoje. Em 1991, a Exxon Mobil foi considerada culpada por
infringir inúmeras leis ambientais e foi multada em mais de US$ 1
bilhão. Essa foi a maior punição da história com o objetivo de
minimizar os danos causados por um desastre ambiental corporativo.
(...)
No início da década de 90, a Exxon Mobil financiou pesquisas
que afirmavam que a área atingida estava saudável e se recuperando
bem. Entretanto, novas pesquisas científicas, conduzidas por mais de
14 anos, atestam o contrário. O mais recente desses estudos,
publicado pela revista científica Science concluiu que a recuperação
da área está longe de alcançar um nível ideal. A região continua a
apresentar problemas resultantes dos resíduos do petróleo
derramado.

1 Jeremy Caplan, trad. Clara Allain. Problema não resolvido. Revista IstoÉ, Editora Três: São Paulo, ed. 1904,19 de abril de 2006,
p.108.

2 In http://epoca.globo.com/especiais/milenio/verg7.htm. Acesso em 20 de abril de 2006.


3 In http://www.greenpeace.org.br/oceanos/oceanos.php?conteudo_id=1373&content=1. Acesso em 20 de abril de 2006.
4
Id. Ibid.
5

Com 500 milhas de costa coberta com petróleo, a mortalidade


de animais após o derramamento foi alta. Lontras, aves marinhas e
populações de focas foram os que mais sofreram. Ao contrário do que
afirmam as pesquisas da Exxon Mobil, até hoje a área está
contaminada pelo óleo, além de substâncias tóxicas persistentes,
resultando em impactos a longo prazo.(...)
A empresa também conduz campanhas organizadas para
minar as constatações científicas sobre as mudanças climáticas. Em
uma época em que o mundo sofre as conseqüências do aquecimento
global, como inundações e secas, a Exxon Mobil defende que são
necessários mais estudos antes de se iniciar uma ação efetiva de
combate às causas do problema. A versão da empresa para o
derramamento de petróleo de seu navio há 15 anos é uma história
cheia de mentiras. Uma herança que a empresa mantém em suas
atividades até os dias de hoje.”5
No final de 1999, 10 anos após o acidente, o Endeavour, o
petroleiro mais moderno do mundo, que faria a mesma rota do Exxon
Valdez, foi o primeiro de uma geração construído com casco duplo,
para que, numa colisão ou encalhe, apenas a camada externa se
danifique, permitindo ao casco interno impedir o vazamento do óleo. A
partir de 2010, todos os petroleiros deverão ter dois cascos. 6
O comércio mundial de petróleo e seus derivados utilizam-se
basicamente de oleodutos e navios petroleiros para transportar seu produto.
E nos navios marítimos se encontra uma grande preocupação ecológica,
devido aos vários estragos ocasionados por eles, tendo em vista sua
fragilidade. A tabela abaixo, estabelece os vinte maiores vazamentos de
óleo por navios considerando a quantidade vazada. Grande parte destes
acidentes, apesar da grande quantidade lançada no mar, causou um
pequeno ou mesmo nenhum dano ambiental significativo, pois foram em mar
aberto não atingindo a costa. O acidente com o Exxon Valdez, no entanto foi
incluído entre os vinte maiores face aos danos ao meio ambiente, pois
considerando somente a quantidade vazada, figura em trigésimo quarto
lugar. 7 Segue abaixo tabela com os maiores acidentes com navios
petroleiros no mundo.

5 Desastre do Exxon Valdez: uma contínua história de mentiras. In http://www.greenpeace.org.br/oceanos/oceanos.php?


conteudo_id=1132&content=1&PHPSESSID=f54722d2985b765832fd3d0733e66649. Acesso em 21 de abril de 2006.

6 Engel Paschoal. Desastres de petroleiros representam só 2% do óleo derramado. In http://www.maxpressnet.com.br/noticia-boxsa.asp?

TIPO=PA&SQINF=172640. Acesso em 20 de abril de 2006.


7 Id. Ibid.
7
6

Fonte: ITOPF – Federação Internacional dos armadores de navios


petroleiros
Tabela 1: Os vinte maiores vazamentos de óleo provenientes de navios. 8

3. O Princípio do Poluidor-Pagador

A Constituição de 1988, em relação às anteriores, pode ser


considerada como um divisor de águas no tocante a tutela do meio
ambiente. Destinou um capítulo inteiro à matéria. O legislador constituinte no
art. 225 da Constituição erigiu o meio ambiente à categoria de bem de uso
comum do povo, asseverando assim, ser direito de todos tê-lo de maneira
ecologicamente equilibrado, e em contrapartida determinou que sua defesa
e preservação para as presentes e futuras gerações é dever do Poder
Público e de toda a coletividade. Vejamos o parágrafo 3º do referido artigo:
“§ 3º. As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio
ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções
penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os
danos causados.”
Tal prerrogativa torna obrigatória a reparação do mal causado por
qualquer pessoa, a fim de manter o meio ambiente propício para a
continuidade da vida. Através do princípio do poluidor-pagador, extraído da
8 In http://www.ebape.fgv.br/radma/doc/POP/POP-042.pdf. Acesso em 20 de abril de 2006.
7

norma acima citada, “busca-se fazer com que os agentes que originaram as
externalidades assumam os custos impostos a outros agentes, produtores
e/ou consumidores”. 9
Entretanto, como bem afirma José Afonso da Silva,10 “o chamado
princípio do poluidor-pagador é equivocado quando se pensa que dá o
direito de poluir, desde que pague.” Esta interpretação não pode ser dada de
outra forma, pois o fulcro da proteção constitucional do meio ambiente
basea-se em evitar a poluição, mantendo-o íntegro; visa tal norma a
responsabilização do poluidor quando à reparação da natureza, acarretando
em todos encargos necessários para a reestruturação do ecossistema. Nas
palavras de Luís Roberto Gomes:
“Numa sociedade como a nossa, em que, por um lado, o
descaso com o meio ambiente ainda é regra, e, por outro lado, a
Constituição Federal prevê o meio ambiente como ‘bem de uso
comum do povo’, só podemos entender o princípio do poluidor-
pagador como significando internalização total dos custos da
poluição. Nem mais, nem menos.” 11
Dessa forma, este pilar não pode ser deve ser considerado uma
autorização para poluir, desde que se pague, mas uma sanção ao poluidor,
buscando evitar ao máximo a destruição do meio ambiente.
Ainda, o supra citado artigo sujeita os infratores, pessoas físicas ou
jurídicas, responderem por suas condutas e atividades consideradas lesivas
ao meio ambiente, no plano penal e administrativo, independente da
obrigação de reparar os danos causados. Podemos entender tal princípio
como sendo um instrumento econômico capaz de compelir o agente poluidor
a arcar com os efeitos nocivos ou degradadores que sua atividade poluidora
promoveu.
Tal responsabilização é objetiva, conforme artigo 14, § 1º, da Lei
6.938/81:
“§ 1º. Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo,
é o poluidor obrigado, independentemente de existência de culpa, a
indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros,
afetados por sua atividade.” (grifo nosso)
Denota-se a tendência do nosso sistema jurídico consagrar a
responsabilidade baseada na subjetividade, portanto na culpa. Mas para fins
de proteção ambiental este modelo torna-se inviável, até porque o
tratamento dispensado ao meio ambiente é totalmente diferente, não
estamos nos reportando a um direito individual violado e sim a um direito
difuso, que segundo o próprio dispositivo constitucional (art. 225) todos têm
direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
povo e essencial à sadia qualidade de vida...

9
Antonio H. V. Benjamin (coord.). Dano Ambiental: prevenção, reparação e repressão. São Paulo:
Revista dos tribunais, 1993, p. 227.
10
José Afonso da Silva, apud Luís Roberto Gomes. Princípios Constitucionais de Proteção ao Meio
ambiente.
11
Luís Roberto Gomes. Op. Cit.
8

Sendo o meio ambiente um bem difuso, de direito de todos, torna-se


imperioso a tória da responsabilidade objetiva. Na maioria das vezes, o dano
ambiental atinge proporções, que o tornam irreparável; caso o autor da
denúncia tivesse que munir-se dos meios de prova contra o infrator para
demonstrar sua conduta lesiva, tornar-se-ia quase impossível obter uma
prestação jurisdicional favorável, até porque quase sempre são fortes grupos
econômicos, mais uma forte razão para desestimular o cidadão a levar
adiante uma querela ambiental.
O princípio do poluidor–pagador adido à responsabilidade civil
objetiva serve como um importante mecanismo à proteção ambiental, já que
induz o poluidor a tornar sua atividade adequada e respeitosa ao meio
ambiente, tendo em vista que a postura contrária a esta será
responsabilizada independentemente de existência de culpa. Conforme
conclui Fabíola Santos de Albuquerque:
“A aplicação conjunta desses institutos, representa uma grande
evolução para o meio ambiente (...) Afinal o princípio do poluidor-
pagador somente terá eficácia e solidez mediante a adoção da
responsabilidade civil objetiva pela legislação pátria.”12
É imperioso que, em termos ambientais, a idéia de culpa seja
abstraída, dando espaço à responsabilidade civil objetiva, que preconiza
como condição necessária e suficiente a existência do nexo de causalidade
para que se apliquem as devidas penalidades, pois “não se aprecia
subjetivamente a conduta do poluidor, mas a ocorrência do resultado
prejudicial ao homem e seu ambiente.”13

4. O Princípio do Poluidor-Pagador e o caso Exxon Vadez

Conforme reportagem anexa, a Exxon Mobil ainda enfrenta uma ação


indenizatória aberta há 17 anos por 32.677 autores, os quais requerem 4,5
bilhões de dólares. Tal ação tem fulcro, entre outros, ao princípio do
poluidor-pagador; visa indenizar as pessoas afetadas pelo vazamento, além
do meio ambiente.
Como informa o porta-voz da empresa, a companhia assumiu a
responsabilidade imediata pelo vazamento, fez a limpeza necessária e
compensou voluntariamente as indenizações por perdas e danos. Mas
pergunta-se: é suficiente? Conforme preceitua o princípio citado, não apenas
o dano imediato deve ser sanado, mas sim a reparação total do meio
ambiente. Tratar do problema com vista imediatista é uma interpretação
errada, pois configura o descaso da empresa através do pensamento de

12
Fabíola Santos Albuquerque. A responsabilidade civil e o princípio do poluidor-pagador. In
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1694. Acesso em 21 de abril de 2006.
13
Paulo Afonso Leme Machado. Direito Ambiental Brasileiro. 3ª ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 1991, p. 200.
9

“poluo, mas pago”, o qual, como já demonstrado acima, não é o objetivo do


princípio. De acordo como professor Paulo Machado:
“A reparação do dano não pode minimizar a prevenção do
dano. É importante salientar esse aspecto. Há sempre o perigo de se
contornar a maneira de se reparar o dano estabelecendo-se uma
liceidade para o ato poluidor, como se alguém pudesse afirmar:
‘poluo, mas pago’.”14
Como citado na reportagem, estudos já foram realizados e
demonstraram o impacto extenso e de longo prazo do vazamento de óleo;
conforme os pescadores da área afetada, 11 das 13 (aproximadamente
85%) últimas temporadas de pesca foram estragadas. Ao analisar-se estes
dados de longo prazo, constata-se que a reestruturação do meio ambiente e
sua preservação não pode ser feita de forma pontual, mas gradativa durante
o lapso temporal necessário para o restabelecimento do status quo anterior
ao dano. Conforme citado à página três, o vazamento ainda prejudica a
fauna do Alasca porque se mantém uma área de 28 acres contaminada por
óleo naquela região.
De acordo com o porta-voz da Exxon Mobil, a questão em litígio
“trata-se de verificar se a indenização punitiva se aplica neste caso.”15 Ao
comentar sobre a indenização punitiva refere-se ao princípio em tela, pois é
dele que abstraímos o sancionamento de forma indenizatória; como citado
na reportagem, o juiz H. Russel Holland, julgador desta lide, já sentencionou,
por duas vezes, que é aplicável tal punição, tendo em vista os danos
provocados a longo prazo. Como os prejuízos dos pescadores atingem 700
milhões de dólares, e, haja vista a sentença de 4,5 bilhões de dólares,
através da dedução dos valores citados na reportagem, o valor restante (3,8
bilhões de dólares) é destinado à recuperação do meio ambiente.
Outro trecho que comprova a incidência do princípio do poluidor-
pagador sobre o caso segue abaixo:
“... dizem que apenas o pagamento da indenização punitiva vai dar à
Exxon o incentivo necessário para prevenir vazamentos de petróleos futuros.
‘A percepção que o setor petrolífero tem é de que só precisa se preocupar
com os custos imediatos – que pode simplesmente poluir e pagar’, diz o
advogado principal...”16
Com este argumento do advogado da causa, percebe-se que toda a
lide basea-se no princípio analisado. Ao comentar que somente a
indenização punitiva pode evitar desastres futuros estende-se não apenas à
Exxon, mas a todas as demais empresas petrolíferas. É o princípio do
poluidor-pagador exercendo a função de vigilante e amedrontador das
empresas poluidoras, as quais deverão atuar com maior respeito e
responsabilidade em relação ao ecossistema.

14
Idem, p. 191.
15
Jeremy Caplan. Op. Cit. p. 109.
16
Id. Ibid. p. 109.
10

5. Conclusão

O princípio do poluidor-pagador é um pilar extremamente importante


para o direito ambiental, pois não se trata apenas de nortear as demais
normas – função dos princípios –, mas também como um mecanismo de
atuação e reparação ao meio ambiente, à medida que configura alicerce
para decisões judiciais indenizatórias. Neste sentido, evoluiu com grande
valia a nossa Carta Magna, pois inseriu um capítulo especial ao meio
ambiente e expressou este princípio claramente, de forma a manter nosso
ecossistema com proteção legal. Resta aos tribunais aplicar este regramento
em casos práticos, atentando para que a indenização realmente seja
punitiva às empresas poluidoras e que traga reestruturação adequada a
longo prazo ao meio ambiente prejudicado.
Devido ao processo americano que envolve o vazamento do
petroleiro Valdez, da Exxon Mobil, no qual a empresa já investiu 400 milhões
de dólares em sua defesa, torna-se fácil responder a pergunta do autor da
reportagem originária deste artigo: “por que a maior e mais rentável
companhia petrolífera do mundo não paga as vítimas, simplesmente, e
resolve essa questão?”17 Afinal, a Exxon lucrou 36 bilhões de dólares em
2005, e a indenização está valorada em um oitavo desse montante. Trata-se
de não assumir a responsabilidade pelos danos a longo prazo, pois caso
seja admitida, abre-se um precedente de extrema valia ao meio ambiente e
muito perigoso às empresas poluidoras. Fato que, para a população mundial
e para as futuras gerações, deve ser amplamente divulgado e, em
conseqüência, ser exigida da Exxon, e de todas as empresas que venham a
ser processadas por poluição, uma indenização significativa e que possa
trazer ao meio ambiente sua estrutura anterior ao dano sofrido.

6. Bibliografia

ALBUQUERQUE, Fabíola Santos. A responsabilidade civil e o princípio do


poluidor-pagador. In http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1694.
Acesso em 21 de abril de 2006.
BENJAMIN, Antonio H. V. (coord.). Dano Ambiental: prevenção, reparação e
repressão. São Paulo: Revista dos tribunais, 1993.
CAPLAN, Jeremy, trad. Clara Allain. Problema Não Resolvido. Revista IstoÉ,
Editora Três: São Paulo, ed. 1904, 19 de abril de 2006.
Desastre do Exxon Valdez: uma contínua história de mentiras. In
http://www.maxpressnet.com.br/noticia-boxsa.asp?
TIPO=PA&SQINF=172640. Acesso em 20 de abril de 2006.
GOMES, Luís Roberto. Princípios Constitucionais de Proteção ao Meio
Ambiente.
17
Id. Ibid. p. 108.
11

http://epoca.globo.com/especiais/milenio/ver7.htm. Acesso em 20 de abril de


2006.
http://www.ebape.fgv.br/radma/doc/POP/POP-042.pdf. Acesso em 20 de
abril de 2006.
http://www.greenpeace.org.br/oceanos/oceanos.php?
conteudo_id=1373&content=1. Acesso em 20 de abril de 2006.
MACHADO, Paulo Afonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. 3ª ed. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 1991.
PASCHOAL, Engell. Desastres de petroleiros representam só 2% do óleo
derramado. In http://www.maxpressnet.com.br/noticia-boxsa.asp?
TIPO=PA&S
QINF=172640. Acesso em 20 de abril de 2006.
12

7. Anexo

Você também pode gostar