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Embora tenhamos avançado mais do que desejávamos, gostaríamos de

voltar um pouco à segunda


metade do século XIX e lembrar que, naquela época, os estudos
iniciantes sobre o cérebro haviam feito
as pessoas pensarem que a função psíquica era originada naquele órgão,
não havendo portanto a
necessidade do espírito. Ficou muito famosa a frase de Claud Bernard
(ou a ele atribuída): “O cérebro
secreta pensamento como o fígado secreta a bile”. Cria-se, então, uma
interpretação materialista do
homem e do mundo. É nesse contexto que o Plano Espiritual decide
enviar à Terra um Espírito
Missionário, chamado Leon Hipollite Denizard Rivail, mais conhecido
como Allan Kardec cuja tarefa
será organizar um vasto material trazido pelos espíritos, material esse que
dará origem a uma nova
Psicologia que tem o nome de Doutrina Espírita.
É interessante recordar aqui que Allan Kardec possuía plena consciência
de que estava sendo o canal
para a introdução de uma nova Psicologia e, tanto isso é verdade, que,
que a Revista Espírita, criada por
ele, tem o subtítulo de Estudos de Psicologia. Ora, a palavra Psicologia
deriva do grego: Psiké = alma +
log = discurso, estudo + ia = sufixo formador de substantivos e, portanto,
significa: estudo ou ciência da
alma, entretanto, a Psicologia Moderna havia decidido negar o seu
próprio objeto. A Doutrina Espírita,
revelando e ampliando o conceito de alma (espírito encarnado) e da vida
espiritual como um todo,
propõe um novo paradigma para os estudos psicológicos. Segundo a
Doutrina dos Espíritos, o homem é
um ser eterno que caminha na direção dos Mundos Maiores. Como esta
proposta implica tempo, o
Espiritismo perfilha com clareza e objetividade a idéia da reencarnação,
mas revitalizada e despida de
todos os desvios que a caracterizaram no passado e que ainda existem em
outros paises em que é aceita.
Com a idéia da reencarnação, a Doutrina dos Espíritos associa-se,
francamente, à teoria da evolução,
imprimindo-lhe uma dimensão nova: a dimensão espiritual. Segundo a
teoria dos evolucionistas, todas as
formas de vida existes foram resultado de uma longa elaboração no
sentido de novas formas mais
adequadas às novas propostas da Natureza; entretanto, o Espírito estava
ausente da evolução. O
Espiritismo corrige essa deformação e nos diz que também o Espírito
progride e que e cada existência
ele avança no sentido do aprimoramento moral e intelectual.
A esta altura, pensamos poder colocar a tese central deste livro:
acreditamos que o Plano Espiritual,
desejoso de que o Espiritismo avançasse de um modo mais preciso e
definitivo, incumbiu um grande
número de Espíritos para ajudarem Allan Kardec em seu trabalho. O
objetivo era dar à doutrina nascente
o respaldo de seu intelecto, autoridade e fama. Todos esses espíritos
encarnaram em países com
condições culturais de influenciar o mundo em que viviam. Entre eles
podemos ressaltar: Camillie
Flamarion, Gabriel Dellane, Cesare Lomborso, Leon Denis, Ernesto
Bozzano, William Crooks, Arthur
Conan Doyle, Paul Gibier, Charles Richet, Eugene August Albert De
Rocha e médiuns como: Eusapia
Paladino, Madame D´Esperance, Daniel Dunglas Homme e as irmãs Fox
e muitos outros. Entre esses
espíritos, apenas como hipótese, incluímos Sigmund Freud e C. G. Jung
cuja tarefa segundo no parece,
seria fazer uma espécie de ponte entre a Psicologia tradicional ou
acadêmica e o Espiritismo.