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NÚCLEO DE MONITORIA JURÍDICA

DISCIPLINA: DIREITO CONSTITUCIONAL I


MATERIAL DE REVISÃO
PERÍODO: 2017.2

DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS

1. Introdução. 2. Classificação das normas constitucionais. 2.1. Quanto à hierarquia. 2.2.


Quanto ao conteúdo. 2.3. Quanto à eficácia. 2.3.1. Classificação de José Afonso da Silva.
2.3.1.1. Subespécie. 2.3.2. Classificação de Maria Helena Diniz. 2.3.3. Classificação de
Celso Ribeiro Bastos e Carlos Ayres Brito. 2.3.4. Outras classificações. 3. Normas
constitucionais no tempo. 3.1. Teoria da desconstitucionalização. 3.2. Revogação. 3.3.
Recepção. 3.4. Repristinação. 3.5. Mutação constitucional. 3.6. Constitucionalidade
superveniente. 4. Conflito entre normas. 4.1. Tipos de conflitos. Referências.

1. INTRODUÇÃO

Com o objetivo de compreender os efeitos produzidos pelas normas jurídicas, é de


suma importância diferenciar os diversos planos normativos, a saber:
• Existência: quando a norma é valorada pela autoridade competente para sua
criação;
• Vigência: existência no mundo jurídico;
• Validade (obrigatoriedade); relação entre norma inferior e superior, isto é,
quando a norma existente e vigente está em conformidade com seu fundamento de validade;
• Eficácia; capacidade da norma para produção de efeitos;
• Efetividade; quando ocorre a produção concreta dos efeitos.

2. CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS

2.1. QUANDO À HIERARQUIA

Normas constitucionais, como o próprio nome sugere, são as previstas nas


constituições e que se encontram em posição hierárquica superior a todas as normas do
ordenamento jurídico.

Material de Revisão – Das normas constitucionais Observação: Esse material é destinado apenas à
Monitor(a): Nathália Medeiros Marques revisão do conteúdo ministrado em Aula, não devendo
Orientador(a): Ms. Monara Michelly de Oliveira Cabral ser utilizado como fonte única de estudo da Disciplina.
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Normas infraconstitucionais são todas as que estão em posição hierárquica


inferior à constituição.

2.2. QUANTO AO CONTEÚDO

Normas materialmente constitucionais são as que tratam de estrutura do estado,


organização dos poderes e direitos e garantias fundamentais.
Normas formalmente constitucionais não tratam de matéria constitucional.

2.3. QUANTO À EFICÁCIA

2.3.1. CLASSIFICAÇÃO DE JOSÉ AFONSO DA SILVA

José Afonso da Silva classifica as normas constitucionais de acordo com a aptidão


para produção de seus efeitos, identificando-as em:
Normas constitucionais de eficácia plena são as que possuem aplicabilidade
integral, direta e imediata e que não dependem de legislação posterior para produzir seus
efeitos, como, por exemplo, os artigos 1º e 2º da Constituição da República Federativa do
Brasil de 1988 (CRFB/88).
Normas constitucionais de eficácia contida possuem aplicabilidade direta,
imediata, mas possivelmente não integral. São acompanhadas, geralmente, de expressões
como: “nos termos da lei” ou “ na forma da lei”, por exemplo, art. 5º, inciso XIII da
CRFB/88.
Normas constitucionais de eficácia limitada apresentam aplicabilidade indireta,
mediata e reduzida, além disso, dependem de legislação posterior para que possam produzir
seus efeitos. A título de exemplo pode-se citar os direitos sociais.

2.3.1.1. SUBESPÉCIE

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Normas de princípio institutivo (ou organizatório) são normas que necessitam


de intermediação de entidades, órgãos ou instituições para produzir efeitos. Exemplos: art. 18,
§2º; art. 22, parágrafo único; art. 33; art. 37, XI;
Normas de princípio programático são as quais envolvem conteúdo social e
necessitam de prestações positivas do Estado. Exemplos: art. 196; art. 205; art. 215.

2.3.2. CLASSIFICAÇÃO DE MARIA HELENA DINIZ

Maria Helena Diniz também classifica as normas constitucionais observando a


eficácia destas, a saber:
Normas supereficazes ou com eficácia absoluta são as quais não podem ser
emendadas;
Normas com eficácia plena estão aptas a produzirem efeitos;
Normas com eficácia relativa restringível correspondem às normas de eficácia
contida na classificação proposta por José Afonso da Silva, isto é, produzem os efeitos de
forma direta e imediata, mas passíveis de restrição na forma da lei;
Normas com eficácia relativa complementável, por sua vez, possuem aplicação
indireta, mediata e reduzida, assim como as normas de eficácia limitada na célebre
classificação de José Afonso da silva.

2.3.3. CLASSIFICAÇÃO DE CELSO RIBEIRO BASTOS E CARLOS AYRES BRITO

A classificação de Celso Bastos e Carlos Ayres Britto sugere a diferenciar as


normas de aplicação das normas de integração.
As normas de aplicação são as que dispensam a aplicação da legislação
infraconstitucional, subdividindo-se em duas espécies: irregulamentáveis e
regulamentáveis. As normas de aplicação irregulamentáveis são as que incidem diretamente
sobre os fatos e prescindem de outro tratamento que não seja o constitucional. As normas de
aplicação regulamentáveis, embora possuam aplicação imediata, necessitam de uma melhor
conformação de seu preceito. (NOVELINO, 2017, p.116)

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As normas de integração são as que permitem que a legislação infraconstitucional


as complemente, possuindo duas espécies: restringíveis e complementáveis. As normas de
integração restringíveis permitem que legislador reduza seu alcance. As normas de integração
complementáveis são as que exigem uma complementação para produção de seus efeitos.

2.3.4. OUTRAS CLASSIFICAÇÕES

A doutrina faz menção à outra classificação, destacando normas de eficácia


exaurida (ou esvaída), compreendendo como normas que estão vigentes no ordenamento
jurídico, mas que já produziram seus efeitos. Essas normas encontram-se no Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), como, por exemplo, o art. 2º e o art. 3º.

3. NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO

É de suma importância analisar as relações no tempo entre normas constitucionais ou


entre estas e normas infraconstitucionais, para compreensão da vigência e eficácia dessas no
ordenamento jurídico.

3.1. TEORIA DA DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO

Nos moldes da teoria da desconstitucionalização, as normas formalmente


constitucionais anteriores, compatíveis com a nova constituição, seriam recepcionada como
normas infraconstitucionais. No entanto, tal teoria não foi aceita.

3.2. REVOGAÇÃO

O fenômeno da revogação pressupõe normas de mesma densidade normativa e


produzidas pelo mesmo órgão, de modo que a norma posterior revoga a anterior. A forma
dessa revogação pode se dá de maneira expressa, isto é, quando encontra-se de forma clara no

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texto da lei posterior; ou ainda de forma tácita, onde não existe clareza, ou seja, a norma
posterior regula uma matéria que uma norma anterior já tratava.
Quanto à extensão, a revogação pode ser total (ab-rogação) se extingue todo o
dispositivo, ou parcial (derrogação), se alcançar apenas parcialmente a lei.

3.3. RECEPÇÃO

A instalação de uma nova constituição faz com que todas as demais normas do
ordenamento jurídico percam seu fundamento de validade, e, consequentemente, sua vigência.
Dessa forma, objetivando a continuidade das relações sociais, as normas infraconstitucionais
elaboradas poderão ser recepcionadas se compatíveis materialmente com a atual constituição.
(NOVELINO, 2017, p. 133).
No entanto, caso a incompatibilidade com a nova ordem constitucional seja
apenas formal, a norma poderá ser recepcionada, mas conferindo-lhe uma nova roupagem. A
título de exemplo pode-se citar o Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66), ao qual foi
criado por meio de lei ordinária, em consonância com os ditames exigidos na Constituição de
1946 e, em seguida, recepcionado como lei complementar pela Constituição de 1967.

3.4. REPRISTINAÇÃO

A repristinação significa a restauração de uma condição anterior. No âmbito do


direito, este fenômeno ocorre quando uma norma restaura sua vigência em virtude da
revogação de uma norma que a revogou. Como regra, no âmbito constitucional só admite-se a
repristinação de forma expressa. (NOVELINO, 2017, p. 134)

3.5. MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL

O fenômeno da mutação constitucional ocorre quando, por meios informais,


altera-se a constituição sem modificação do texto constitucional. As mudanças de podem
ocorrerem com o surgimento de costumes constitucionais ou pela interpretação, no entanto,

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não podem contrariar a constituição. Ademais, vale por bem dizer que somente o Supremo
Tribunal Federal (STF) é responsável por interpretar a constituição.

3.6. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE

A constitucionalidade superveniente ocorre quando uma norma inconstitucional,


ao tempo de sua edição, vem a tornar-se constitucional devido ao surgimento de uma nova
constituição. Dessa forma, a norma que outrora era inconstitucional, adquire o status de
norma constitucional.
O STF entende que a lei inconstitucional é um ato nulo e por ser um vício de
origem insanável, a modificação de parâmetro constitucional não possui a força de tornar a
norma válida e existente no ordenamento jurídico, dessa maneira, repudiando a teoria da
constitucionalidade superveniente.

4. CONFLITO ENTRE NORMAS CONSTITUCIONAIS

O conflito entre normas ocorre quando duas normas regulam uma mesma situação
de maneira diversa, estabelecendo uma antinomia jurídica. No entanto, previamente, faz-se
necessário distinguir princípio de regra jurídica.
Regras são normas que estabelecem consequências jurídicas a serem
automaticamente aplicadas quando se realizam as condições nelas previstas. Os princípios,
por sua vez, por serem fundamentos das regras, designam uma função interpretativa relevante
em relação a estas e possuem incidência mais ampliativa. (NOVELINO, 2016, p.122)
Para solução de conflitos entre duas normas contraditórias que regulam uma
mesma situação, os critérios são:
I) Hierárquico (lex superior derogat inferior);
II) Cronológico (lex posterior derogat priori);
III) Especialidade (lex generalis non derogat speciali).

4.1. TIPOS DE CONFLITOS

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Conflitos de primeiro grau, isto é, entre normas, exclui-se uma delas com base
em um dos critérios de solução supramencionados.
Conflitos de segundo grau envolvem mais de um critério de solução, como
ocorre, por exemplo, entre uma norma constitucional anterior e norma legal posterior
(hierárquico x cronológico); ou uma norma constitucional geral e uma norma legal especial
(hierárquico x especialidade); ou ainda entre uma norma geral de lei posterior x norma
especial de lei anterior (especialidade x cronológico). Com exceção da primeira hipótese,
onde o critério hierárquico sempre prevalece sobre o cronológico, a solução para as outras
hipóteses irá depender da análise do caso concreto.
Quando o conflito ocorre entre princípios, a solução se dará por meio da técnica
da ponderação. No entanto, quando o conflito for entre princípio e norma, prevalece a
regra, exceto quando é inconstitucional ou quando sua aplicação provoca uma situação de
manifesta injustiça.

REFERÊNCIAS

NOVELINO, Marcelo. Manual de direito constitucional. 9. ed. rev. e atual. – Rio de


Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2016..

LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 19. ed. rev., atual. e ampl. – São
Paulo: Saraiva, 2016.

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