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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

INSTITUTO UFC VIRTUAL


CURSO DE ADMINISTRAÇÃO SEMI-PRESENCIAL

ANDRÉ FELIPE SILVA TORRES


MICHELLE PARENTE SAMPAIO
COSMO SILVA LEMOS

TECNOLOGIA E INOVAÇÃO NA CAJUÍNA SÃO GERALDO

Juazeiro do Norte
2010
ANDRÉ FELIPE SILVA TORRES
MICHELLE PARENTE SAMPAIO
COSMO SILVA LEMOS

TECNOLOGIA E INOVAÇÃO NA CAJUÍNA SÃO GERALDO

Trabalho realizado e apresentado à disciplina de


Seminário Temático de Tecnologia e Inovação como
requisito parcial para obtenção de nota relativa ao
curso.

Juazeiro do Norte
2010

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SUMÁRIO

1 INTRODUCAO............................................................................................................ 4

2 OBJETIVOS................................................................................................................. 6
2.1. Objetivo Geral.......................................................................................................... 6
2.2. Objetivos Específicos............................................................................................... 6

3 METODOLOGIA.......................................................................................................... 7

4 INOVACAO.................................................................................................................... 9
4.1 Conceito....................................................................................................................... 9
4.2 Tipologias da Inovação................................................................................................ 9
4.3 Fatores da Inovação..................................................................................................... 10
4.4 Fontes de tecnologia.................................................................................................... 10
4.5 Teoria das inovações segundo Christensen (2007)...................................................... 11
4.6 Estratégias competitivas e estratégias tecnológicas..................................................... 12

5 INOVAÇÕES E A CAJUÍNA SÃO GERALDO........................................................... 14


5.1 Breve histórico............................................................................................................ 14
5.2 INOVAÇÃO SELECIONADA................................................................................... 15

6 CONCLUSÃO............................................................................................................... 19

7 REFERÊNCIAS........................................................................................................... 20

8 ANEXO........................................................................................................................ 21
Questionário enviado à Colaboradora da empresa Cajuína São Geraldo....................... 21

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1. INTRODUÇÃO

Inovação, sem dúvida, é o grande tema do momento, recorrente nas grandes, médias,
pequenas e microempresas, bem ainda para empreendedores que estão visualizando seus
negócios em fase embrionária. Trata-se de uma ação que traz reflexos positivos para a
empresa, eis que proporciona crescimento, conquista de novos mercados e implica em
imagem positiva da empresa perante o mercado e a sociedade. E o que seria a Inovação?

Simplificadamente, uma inovação significa algo novo, mas que possua utilidade,
percebidas de imediato ou ainda latentes no mercado. Portanto, inovação pressupõe demanda
da sociedade por esta coisa nova, real ou latente, imediata ou menos imediata, e também de
um mercado definido, para sua utilização. A invenção é a implementação de um produto ou
processo completamente novo, sem nenhum similar. No entanto, a invenção só se torna
inovação quando esta implementação tem como escopo um objetivo bem definido, que é a sua
aplicabilidade no mercado. E, complementarmente, inovação pode se aplicar a um produto, a
um processo (de produção, atendimento, serviços, etc). Segundo a OCDE (2005, p. 46), além
das duas aplicações já descritas, as inovações podem ser ainda um método de marketing e
organizacional.

Em relação à tecnologia, ressaltamos esta afirmação interessante: “tecnologia é o


encontro entre ciência e engenharia”. A ciência pressupõe conhecimento, enquanto que a
engenharia presume habilidade para construir e manusear adequadamente artefatos úteis. A
tecnologia é o meio de que as pessoas usam para inovar, criar utilidades para a satisfação do
mercado, ou produzir esta necessidade. De posse dos conhecimentos aplicados a algo
concreto, com aplicabilidades bem definidas, está se usando tecnologia, e a consecução
poderá ser a inovação.

Uma organização, para sobreviver e desenvolver-se frente às forças e exigências do


mercado precisa ter uma integração entre seus departamentos, através de um sistema de
planejamento estratégico que contemple todas as forças e oportunidades, e que mitigue as
fraquezas e ameaças. No entanto, deve ela primar pela inovação de seus produtos e serviços,
ou, conforme o caso, seus processos internos e externos, com a finalidade de adquirir

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vantagens competitivas que a deixem em posição de destaque em relação às demais. A
inovação tecnológica hoje é um fato importantíssimo na vida da empresa, e deve ser bem
cultivada para o sucesso na empreitada empresarial.

Cientes da importância deste tema, não só acadêmica, mas sobretudo prática, pretende-
se neste trabalho estudar inovações propostas nos produtos e nos processos produtivos da
Cajuína São Geraldo, grupo empresarial atuante na cidade de Juazeiro do Norte, no estado do
Ceará; trata-se de fabricante de refrigerantes, (em especial o refrigerante de Caju).
Objetivamos estudar os impactos da adoção e implementação da inovação proposta no
desempenho da organização. A sistemática do trabalho seguiu um roteiro no qual se procedeu
à classificação do tipo de inovação e a identificação de seus fatores condicionantes e a fonte
da tecnologia., Outrossim, identificação da estratégia competitiva adotada pela empresa e da
oportunidade de inovação de acordo com o consumidor de seus produtos. Para tanto, o
método de coleta de dados arrolou observação sistemática e realização de entrevistas semi-
estruturadas com os dirigentes da entidade.

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2. OBJETIVOS

2.1. Objetivo Geral

Analisar uma inovação de produto na empresa Cajuína São Geraldo, identificando sua
influência no desempenho da Organização.

2.2. Objetivos Específicos

• Classificar as inovações propostas conforme as tipologias de inovação, conforme


as tipologias da OCDE (2005), Freeman (1997) Christensen (1997) e outros
autores;
• Identificar o tipo de inovação dominante, se abertas ou fechadas;
• Examinar como a empresa estudada seleciona suas fontes de tecnologia;
• Identificar os fatores condicionantes das inovações propostas;
• Criticar o tipo de estratégia tecnológica, à luz de Freeman e Soete (2008).

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3. METODOLOGIA

O presente estudo segue uma linha de pesquisa, no que se refere aos objetivos, de
descritiva.. Esta metodologia é a mais indicada, pois o objetivo do trabalho é analisar uma
empresa local, identificar uma inovação em seus produtos e/ou processos e classificá-lo à luz
dos conceitos e tipologias da inovação. A classificação proposta é importante para identificar
prováveis deficiências na implementação de seu planejamento estratégico, bem como
examinar as suas forças e a razão do sucesso de sua empreitada.

É imprescindível, no entanto, pesquisa bibliográfica acerca do tema, para o


levantamento dos critérios e a fim de se procederem às associações entre a prática,
demonstrada e verificada na empresa estudada e a teoria. Utilizamos documentação indireta
no sentido de conhecer a história da Cajuína São Geraldo e seus objetivos estratégicos, bem
como lançamos mãos de documentos contábeis para aferir seu crescimento ao longo de um
período.

O trabalho assume, em sua parte prática, de pesquisa de campo, e escolheu-se,


conforme já descrito anteriormente, a empresa Cajuína São Geraldo, que integra o Grupo São
Geraldo. Trata-se de uma indústria de refrigerantes, entre as quais o famoso refrigerante de
caju. Como instrumento de coleta de dados, procedeu-se à entrevista semi-estruturada com
colaboradores da empresa. Concomitantemente, foi utilizada a técnica da observação direta no
ambiente da organização, objetivando incluir os demais aspectos não coletados na entrevista.

Por fim, a análise de conteúdo foi realizada associando as proposições e conceitos


teóricos levantados na pesquisa bibliográfica, e o presente relatório de pesquisa segue a
estrutura analítica linear.

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4. INOVAÇÃO

4.1. Conceito

Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE),


o conceito de Inovação, conforme descrito na última versão do Manual de Oslo:

“É a implementação de um produto (bem ou serviço) novo


ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um
novo método de marketing, ou um novo método
organizacional nas práticas de negócios, na organização do
local de trabalho ou nas relações externas.” (OCDE, 2005,
apud Instituto UFC Virtual).

De fato, uma inovação pressupõe a constituição de algo completamente novo, ou de


algo que, embora conhecido no mercado, mude trazendo novas utilidades e serventias,
preenchendo a lacuna que o anterior não proporcionava. O campo para estudo da inovação é
surpreendentemente vasto, pois, em suma, tudo pode ser inovado. Simplificadamente, a
inovação é uma invenção que deu certo, que tem uma utilidade prática fácil de ser percebida.
A inovação também se coaduna com a ideia de evolução, pois o curso natural das
organizações e de seus produtos, serviços, processos, estratégias de marketing, etc, é se
desgastar com o tempo e encaminhar-se ao declínio. A inovação, desde que bem percebida,
estanca este processo de declínio, dando novo fôlego e aumentando a vida do produto.

Interessante notar que neste ambiente de intenso desenvolvimento tecnológico, a


inovação pode dar-se através da concepção de novos produtos completamente diferentes, em
sua tecnologia e concepção, dos antecessores. No entanto, mantém eles as mesmas utilidades,
desde que com um plus: pode ser maior agilidade e confiabilidade, beleza, conforto,
segurança, entre outros atributos valorizados pelos consumidores. Os destinatários da
inovação podem ser as próprias organizações, quando lançam inovadores processos de
produção, logística, atendimento, etc, visando redução de custos e incremento de receitas
frente ao ganho de escala. Enfim, uma inovação levada a efeito implica em consequências
positivas para as empresas.

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Em um ambiente ainda mais afetado pela grande concorrência e disputas competitivas
entre as empresas, inovar torna-se ainda um grande trunfo na manga. Trata-se da aquisição de
vantagens competitivas, que deixa a empresa líder em posição de destaque no mercado em
relação às demais. No entanto, as vantagens competitivas não são absolutas, visto que a
difusão tecnológica se encarrega de prover igualdade entre as partes. Desta forma, a inovação
gera ainda mais inovação.

4.2. Tipologias da Inovação

Quanto ao objeto, conforme classificação da OCDE, as inovações podem ser de


produto, de processo, inovações organizacionais e inovações de marketing. Os conceitos são
bem parecidos entre si, mantendo o mesmo denominador comum do “algo novo ou
significativamente melhorado”.

Quanto ao grau de novidade, destacamos a classificação proposta por Freeman (1997


apud Instituto UFC Virtual), que foca as mudanças tecnológicas e seu grau de extensão:

1) Inovações incrementais: inovações que


proporcionam apenas melhoramentos e modificações
constantes no objeto. Contrapõe-se a:
2) Inovação radical: que representa uma quebra de
paradigma em relação às mudanças incrementais. Trata-se
de um verdadeiro salto descontínuo, gerando um patamar
de trajetória tecnológica incremental;
3) Inovações que proporcionam um novo sistema
tecnológico: mudanças profundas que acarretam mudanças
e transformações de setores da economia;
4) Inovações que proporcionam um novo paradigma
técnico-econômico: são inovações que não ocorrem de
forma drástica, mas que altera substancialmente toda uma
economia ou um modo de vida. Podemos dizer hoje que
estamos na era da informação, não se concebe mais, na
atualidade, práticas negociais sem os meios de comunicação
como internet, celular, redes sociais e outras mídias.

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Já a diferença entre inovação aberta e inovação fechada reside no comportamento do
sujeito considerado, no caso, as empresas. A inovação fechada é conduzida no âmbito interno
das organizações, geralmente sob a responsabilidade de um departamento de P & D bem
delimitado. Parte-se da premissa de se manter os maiores talentos no âmbito da empresa,
proteção de sua propriedade industrial, enfim, é todo um processo de pesquisa e
desenvolvimento realizado internamente, e os resultados potenciais são enfim apresentados ao
mercado. A inovação aberta, pelo contrário, desenvolve-se não só no ambiente interno da
organização, mas resultados, ideias e pesquisas externas são também consideradas para a
consecução do objetivo final. “Pode proporcionar uma ampla gama de resultados, devido ao
crescimento de redes de operações entre empresas, e a grande competitividade existente entre
empresas de uma mesma rede” (INSTITUTO UFC VIRTUAL, 2010). Ademais, está presente
principalmente entre setores como informática e telecomunicações.

4.3. Fatores da Inovação

Existem dois extremos do processo de inovação. Mas, para grande parte dos casos, não
se verifica nenhum deste dois extremos, e sim, uma combinação de ambos. O primeiro vem a
ser a oferta de produtos inovadores, criando o mercado ou a necessidade nos usuários. O
segundo, por sua vez, é a demanda do mercado, ou seja, consumidores que exigem cada vez
mais melhorias inovadoras para a satisfação de suas necessidades. Segundo TIGRE (2006,
apud Instituto UFC Virtual), a “difusão tecnológica tende a ser induzida pela oferta de novos
conhecimentos, enquanto que a difusão destas tecnologias é determinada pela demanda”. E
por outro lado, as próprias políticas públicas e trajetórias tecnológicas determinam os avanços
da ciência. Portanto, o que se verifica é uma interação entre essas duas forças, determinando o
sentido do desenvolvimento tecnológico. Os fatores condicionantes da difusão tecnológica
podem ser de ordem técnica, de ordem econômica-financeira, relativos à cadeira produtiva e
institucionais.

4.4. Fontes de tecnologia

As fontes de tecnologia são os, por assim dizer, locais ou meios nos quais a

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organização usa para desenvolver tecnologicamente seus produtos, processos e etc. Podem ser
internos ou externos, e a tendência é, para facilitar a inovação, deve-se utilizar uma
combinação de ambos. Existem várias fontes de tecnologia, e destacamos, conforme TIGRE
(2006, apud Instituto UFC Virtual), as seguintes:

• Desenvolvimento tecnológico próprio;


• Contratos de transferência de tecnologia;
• Tecnologia incorporada;
• Conhecimento codificado;
• Conhecimento tácito;
• Aprendizado cumulativo.

4.5. Teoria das Inovações segundo Christensen (2007)

Nesta teoria, há uma associação entre o desempenho de uma tecnologia (que pode ser
um processo, produto, etc) e a demanda dos consumidores (o desempenho de que podem
usufruir), ao longo do tempo. Desta forma, existem três tipos de inovação, que são:

• Inovações sustentadoras: Melhorias constantes de produtos e/ou serviços, fazendo com


que os consumidores valorizem ainda mais a tecnologia. Pode-se fazer um paralelo
com as inovações incrementais, mas, naquele caso, há a variável tempo e o feedback
dos consumidores.
• Inovação disruptiva de baixo mercado: Ocorre quando há os produtos existentes são
melhorados de forma a não mais chamar a atenção dos consumidores, eis que estes já
estão saciados. Desta forma, qualquer melhoria existente não aumentará o lucro
marginal da organização. A inovação disruptiva de baixo mercado ocorre quando se
implementa um modelo de negócios inferior ao original, mas de baixo custo. Com o
tempo, a organização tende a melhorar os seus produtos e serviços, acompanhando a
trajetória de demanda do consumidor, que também é crescente, a fim de aumentar sua
fatia de receitas.
• Inovação disruptiva de novo mercado: Aqui, há uma concorrência contra o não-
consumo, ou seja, um esforço em angariar consumidores que antes não o eram. Trata-

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se de uma inovação de ruptura, que com o tempo, serve-se a novos ou emergentes
mercados.

Essas teorias procuram explicar a trajetória das inovações tecnológicas com a


demanda do consumidor, sendo de grande valia seu conhecimento para a tomada de ações
práticas nas organizações.

4.6 Estratégias Competitivas e Estratégias Tecnológicas

As estratégias competitivas relacionam-se com os meios de que a organização se vale


para atingir os fins, em relação ao mercado. Ela pode ser vista sob a ótica da inovação fechada
e da inovação aberta. Sob a ótica da inovação fechada, ela costuma assumir a ideia de criar
barreiras para os entrantes no mercado, através da melhoria contínua de seus produtos e
serviços. Com essa barreira, a organização assume a estratégia de liderança em custos
(redução de custos incrementando a receita e a margem de lucro). Ela também pode assumir a
estratégia de diferenciação, através do desenvolvimento de produtos e serviços que criem
valor para o cliente.

Sob a ótica da inovação aberta, no entanto, existem vários estudos que tentam explicar
as respostas para possíveis questionamentos e problemas associados ao tipo de estratégia
competitiva. No entanto, há consenso de que a estratégia utilizada não busca a liderança em
custos e diferenciação, já que não há a ideia de se criar barreiras parar novos entrantes. Há,
pelo contrário, a busca pelo crescimento, por cooperação, pelo crescimento da rede.

Em relação à estratégia tecnológica:


“A estratégia tecnológica de uma empresa relaciona-se
diretamente com os seus objetivos de atuar no mercado
(ex.: missão e negócios). A empresa tem como obstáculo
inicial avaliar o ambiente no qual deseja se posicionar,
oportunidades e ameaças a sua atuação, além de suas
vantagens e desvantagens” (INSTITUTO UFC VIRTUAL,
2010)

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A estratégia tecnológica, por assim dizer é bem intrínseco à organização estudada.
Depende de seus objetivos estratégicos, sua missão, de todo o seu contexto interno e externo e
até mesmo da cultura da mesma. Desta forma, segundo Freeman e Soete (2008, apud Instituto
UFC Virtual), as estratégias tecnológicas podem ser de seis tipos, a saber, ofensivas,
defensivas, imitativa, dependente, tradicional e oportunista.

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5. INOVAÇÕES E A CAJUÍNA SÃO GERALDO

5.1. Breve histórico

A história da Cajuína São Geraldo começa no ano de 1934, a princípio uma pequena
fábrica de bebidas alcoólicas, localizada em Juazeiro do Norte, que produzia vinhos
compostos de frutas, tais como: caju, jurubeba e jenipapo.

No início da década de quarenta, a pequena fábrica é vendida ao senhor Luciano


Teófilo de Melo, tendo suas atividades continuadas e implementadas com novos produtos:
Aguardente – composta de hortelã, Vinagre e Conhaque. Todos os produtos recebiam a marca
São Geraldo.

Em 1946, José Amâncio de Sousa, começa a integrar o quadro de funcionários do


senhor Luciano Teófilo. Posteriormente, em 1948, torna-se proprietário da pequena fábrica.

A década de cinquenta foi marcada pela aquisição dos primeiros maquinários (todos
totalmente manuais), pelo ingresso dos irmãos Francisco de Sousa e Tarsila de Sousa como
sócios do empreendimento, mais precisamente em 1957, e pelo início da fabricação do
primeiro refrigerante – O Guaraná Brasil – um refrigerante à base de guaraná que circulou no
mercado até o início dos anos 70.

Com a chegada da energia elétrica na região, em 1962, houve uma ampliação do


processo, os maquinários manuais foram substituídos por máquinas semi-automáticas,
aumentando a produção para trezentas grades por dia. Nesse mesmo ano surge o Refrigerante
de Caju, recebendo o nome de Cajuína. Porém, somente em 1976 é oficializada a razão social
Cajuína São Geraldo LTDA.

Ainda na década de 80, inicia-se os investimentos na marca São Geraldo. Em 1987 um


novo terreno é adquirido para a transferência da fábrica para um local mais amplo, já que o
antigo galpão estava pequeno para comportar a quantidade de pedidos. Esse terreno foi
totalmente reformado, as edificações foram melhoradas e ampliadas.

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Em 1991, descobre-se que há uma fonte de Água Mineral no terreno da empresa. A
conclusão de todo o processo para a concessão de lavra e expedição de autorização para
exploração e envase de água mineral, bem como a construção das instalações e compra de
equipamentos demora aproximadamente 7 anos. Em agosto de 1998, surge a São Geraldo
Águas Minerais.

O Grupo São Geraldo, do qual fazem parte a Cajuína São Geraldo, São Geraldo Águas
Minerais e Cemitério Parque das Flores, é pioneiro na produção de Refrigerante de Caju na
Região do Cariri, sendo a único no mundo a preparar o refrigerante de caju à base do suco
natural. Presente em Juazeiro há mais de 70 anos, e mantém até hoje seu principal produto, o
Refrigerante de Caju; produz outros sabores como: laranja, uva e cola, todos nos tamanhos
600ml (retornáveis), 350ml, 1 litro e 2 litros (descartáveis). Produz em média 330.000
volumes/mês em suas 07 linhas de envase.

5.2. Inovação selecionada

Para atender aos objetivos do trabalho, selecionamos uma tecnologia (no caso, um
produto), a fim de fazer as classificações propostas nos objetivos específicos. Selecionamos o
famoso Refrigerante de Caju, como produto.

A “Cajuína”, por assim dizer popularmente o refrigerante de Caju, é realmente um


produto diferente dos demais refrigerantes. Trata-se de um refrigerante que lembra um
guaraná, mas que possui um leve gosto de caju. É utilizado, em sua fabricação, suco natural
de caju, o que faz ser um produto único no mercado. Começou a ser comercializado em
garrafas âmbar, das de cerveja, de 600 ml, mantendo a tradição até hoje (típica dos
refrigerantes baratos, de sabor duvidoso). No entanto, não é assim que se verifica com o
produto. Posteriormente, com a explosão da utilização das embalagens PETI, a empresa se viu
compelida a utilizá-la, e hoje a maior parte de sua produção é engarrafada nestas garrafas, em
embalagens de 2 litros, 1 litro e 350 ml.

Embora há um bom tempo no mercado, a Cajuína São Geraldo possui mercado

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relativamente limitado, que é o Nordeste. No entanto, a presença de produtos de sua marca
não é assim tão uniforme: é muito presente na região do Cariri, mas, à medida que vai se
afastando desta região, a presença de seus produtos é mais escassa. Conforme entrevista com
colaboradora da empresa, a meta, em relação à expansão do mercado, “é em 2026 estar
presente em todo o mundo”. No entanto, não obtivemos informações detalhadas e precisas de
quais estratégias a empresa tomará para executar seus planos.

Conforme entrevista e observação, não há na empresa um departamento responsável


pela promoção de novos produtos e novo design. Isso se torna evidente pelo fato de os
produtos da linha manterem o mesmo rótulo desde que foi criada. A empresa também não
lançou refrigerantes em novas embalagens há muitos anos. A empresa possui contrato apenas
com agências de publicidade.

Não há dúvida de que a “cajuína” é uma inovação, ainda mais sentida quando em
novos mercados geográficos. Pelo objeto, trata-se evidentemente de uma inovação de produto.
Quanto ao grau de novidade, deverá haver alguns melhoramentos e variantes do produto (por
exemplo, envasar o refrigerante em latinhas, já que muitos gostam das latinhas; uma versão
zero; versões em novos volumes de embalagens; alguma promoção, com tampinhas e rótulos
premiados, etc), para que hajam inovações incrementais.

Quanto ao sujeito, o produto citado é fruto de inovação fechada, eis que trata-se de
uma invenção produzida por um particular, levada à aceitação satisfatória do mercado.

Em relação aos fatores condicionantes da inovação, ocorre exatamente o que se foi


debatido no item 4.3. Quando lançado no mercado, o refrigerante de caju era realmente uma
inovação fruto do desenvolvimento tecnológico, tornando-se uma alternativa às líderes do
setor (como a Coca-Cola, a Fanta, Pepsi). Posteriormente, a demanda do mercado “puxa” a
produção, obrigando a empresa a produzir mais, com menores custos. Como foi falado
anteriormente, o produto ainda carece de versões novas, também demandadas pelo mercado.

A fonte de tecnologia predominantemente utilizada é do desenvolvimento tecnológico


próprio. A empresa utilizou, para lançamento do produto, suas próprias pesquisas e fórmulas,

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até a implementação do produto final. No entanto, como discutido em outra ocasião, a
empresa não se preocupou em promover inovações no produto, o que pode gerar estagnação
no mercado local e com o tempo, em outros mercados.

Quanto à identificação da oportunidade de inovação de acordo com o tipo de


consumidor, utilizamos a teoria de Christensen. Para angariar novos mercados, a empresa
lançou novos sabores de refrigerantes, de laranja, cola e uva. Esta estratégia da empresa foi
alcançar novos consumidores, que gostam da marca São Geraldo mas que estão dispostos a
experimentar algo novo, bem como para novos consumidores que trocam de marca de
refrigerante apenas pelo preço mais baixo. No entanto, o próprio mercado é muito volúvel
neste caso, já que o preço dos produtos são baixos e as características são pelo menos
semelhantes. Quando lançou os novos sabores, a Cajuína São Geraldo inovou de forma
disruptiva de baixo mercado, de forma a angariar novos consumidores, através de um produto
mais barato.

Os concorrentes da Cajuína São Geraldo são as grandes líderes do mercado, como a


Coca-Cola, e outros refrigerantes, de empresas de menor porte. A estratégia competitiva da
empresa parece ser claramente a da liderança em custos, visto que possui fábrica na região, os
custos com distribuição são menores, há grande demanda, etc. No entanto, a empresa precisa
ser mais agressiva, de modo a promover outras versões de seu produto, e promovê-los com
mais afinco, a fim de buscar maiores fatias no mercado em que seja entrante.

Quanto estratégia tecnológica, a Cajuína São Geraldo se enquadra na estratégia


tradicional. De fato, trata-se de produção de um mesmo produto, estático, com inovações
mínimas. A concorrência costuma fazer inovações incrementais. Sugere-se à empresa
promover inovações incrementais em seu produto, de forma a angariar novos mercados,
reduzir mais custos e aumentar a eficiência.

Enfim, o produto analisado é inovador, mas carece de aperfeiçoamentos a serem feitos


de forma incrementais. Como foi debatido, a estratégia tecnológica da empresa é voltada para
o tradicional, devido até mesmo à linha de produtos fabricados e comercializados. Outras
ações visando aumento da produção, maior eficiência e redução de custos são também bem-

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vindos para a empresa, que possui um ambicioso objetivo de estar presente em todo o mundo
em um futuro próximo.

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6. CONCLUSÃO

O presente trabalho seguiu um roteiro pré-definido, da escolha de tecnologia presente


em uma empresa local e a classificação conforme as tipologias de Inovação segundo os mais
consagrados autores. De fato, o refrigerante de caju é um produto inovador, por ser único no
mercado com as características referentes ao sabor. No entanto, percebe-se uma carência da
empresa em incrementar o produto, de forma a tornar mais atrativo e angariar novos
consumidores

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7. REFERÊNCIAS

Instituto UFC Virtual. Aulas Seminário Temático de Tecnologia e Inovação. 2010, UFC

Portal Inovação. Seis fatores que estimulam a inovação nas empresas. Disponível em
http://www.portalinovacao.mct.gov.br/pi/?tp=noticia&id=2033#/pi/ noticias/noticia$MzYw
OQ== (Acesso em 03/11/2010)

SHIMENES, Stefan. O que é inovação? In: http://www.mundoinnova.com.br/index.php?


option=com_content&view=article&id=199&Itemid=218 (Acesso em 03/11/2010)

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8. ANEXO

Questionário enviado à Colaboradora da empresa Cajuína São Geraldo:

1) Como e quando a Cajuína São Geraldo percebeu que precisava criar novos sabores
para os refrigerantes? Como se deu esse processo?
2) Em relação à água mineral, em que ano se deu a entrada da Cajuína São Geraldo no
ramo, e, se foi feita antes alguma pesquisa de mercado?
3) Quais os tipos de embalagem usados nos refrigerantes? Existe alguma proposta de
uma inovação, ou seja, novas embalagens?
4) Quais as empresas que são as maiores concorrentes da Cajuína São Geraldo? No
que se refere aos refrigerantes e à água mineral.
5) Qual a estratégia da Cajuína São Geraldo para diferenciar-se de seus concorrentes, e
assim, incrementar seu faturamento e suas receitas?
6) Existe algum departamento na Cajuína São Geraldo que cuida especialmente da
promoção de novos produtos, novo design? Como eles realizam o trabalho, de forma
independente ou atento aos movimentos dos concorrentes?
7) Há na empresa algum setor que trabalha na melhoria dos processos produtivos da
empresa, caso positivo, como eles realizam o trabalho?
8) Quais, na sua opinião, são os produtos mais inovadores da empresa?
9) Quais, na sua opinião, são os processos produtivos mais inovadores da empresa
(Trata-se de maquinários mais eficientes, estrutura de trabalho que otimize a produção, etc)?
Porquê?
10) As inovações propostas foram responsáveis por incremento na receita,
desenvolvimento da empresa e melhor aceitação no mercado? Explique, se possível, falando
sobre o antes (das inovações) e o depois), como era a situação.
11) Em quais regiões os produtos da marca São Geraldo estão mais presentes? Existe
proposta de ampliação destes mercados, e para quais lugares?

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