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BIOQUÍMICA DA

NUTRIÇÃO ESPORTIVA

Autoria: Kharla Janinny Medeiros

1ª Edição
Indaial - 2021
UNIASSELVI-PÓS
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090

Reitor: Prof. Hermínio Kloch

Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol

Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD:


Carlos Fabiano Fistarol
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
Jóice Gadotti Consatti
Norberto Siegel
Julia dos Santos
Ariana Monique Dalri
Jairo Martins
Marcio Kisner
Marcelo Bucci

Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais

Diagramação e Capa:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Copyright © UNIASSELVI 2021


Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial.

M488b

Medeiros, Kharla Janinny

Bioquímica da nutrição esportiva. / Kharla Janinny Medeiros. –


Indaial: UNIASSELVI, 2021.

132 p.; il.

ISBN 978-65-5646-172-4
ISBN Digital 978-65-5646-173-1
1.Bioquímica. – Brasil. 2. Metabolismo de nutrientes. – Brasil.
II. Centro Universitário Leonardo da Vinci.

CDD 610

Impresso por:
Sumário

APRESENTAÇÃO.............................................................................5

CAPÍTULO 1
Bioquímica e Metabolismo de Nutrientes.................................... 7

CAPÍTULO 2
Fisiologia e Metabolismo de Nutrientes No
Exercicio e No Esporte............................................................... 55

CAPÍTULO 3
Nutrição Aplicada À Atividade Física E Performance............. 95
APRESENTAÇÃO
Olá, estaremos juntos em uma viagem de estudo da nutrição esportiva. Entra-
remos em contato com conhecimentos de bioquímica e metabolismo, abordando
o processo de digestão e absorção de nutrientes e utilização de energia para você
compreender o rendimento esportivo e a participação da nutrição nesse contexto.

Atualmente, a nutrição esportiva tem sido reconhecida como imprescindível


no acompanhamento de diversos esportes, desde a infância até a idade avança-
da. Uma boa alimentação, um estado de hidratação adequado e o sistema imu-
nológico preparado para as adversidades nas quais o atleta está inserido, fazem
parte dos cuidados que o profissional de nutrição deve desempenhar. Estar atu-
alizado cientificamente, ter conhecimentos teóricos e experiências práticas, bem
como uma atuação ética-profissional, além da consideração de o indivíduo como
um todo, respeitando suas limitações e trabalhando sua individualidade bioquími-
ca, é um grande diferencial para o nutricionista no futuro.

Para tanto, é importante conhecer o metabolismo dos nutrientes, enfatizan-


do-se a estrutura e a função biológica e de descrever a digestão e a absorção
dos nutrientes que contribuirão para o fornecimento de substrato no metabolismo
energético. Além disso, conhecer o metabolismo energético e a contribuição dos
nutrientes no exercício e no esporte, considerando a bioquímica do sangue, teci-
dos e variações metabólicas que irão interferir diretamente na prática de esportes
e na performance do atleta de acordo com as exigências das diferentes modalida-
des esportivas. Por fim, apresentar as características da nutrição aplicada à ativi-
dade física e performance; explicar a estimativa do gasto energético e a avaliação
do consumo alimentar; esclarecer as particularidades na prescrição dietética e
reposição hidroeletrolítica para praticantes de exercícios e atletas.

Em nosso livro estaremos a todo momento em interação com conhecimentos


técnico-científicos, oportunizando-os de forma compreensível para você ter acesso
a informações atualizadas, além de orientá-lo a buscar os caminhos do saber para
auxiliá-lo no que aqui faremos juntos. O objetivo deste livro será sempre para seu
maior aprendizado, compreensão e apreensão dos conteúdos para a obtenção de
melhores competências e habilidades em bioquímica da nutrição esportiva.

Tenha uma excelente e nutritiva experiência!


C APÍTULO 1
BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE
NUTRIENTES

A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Apontar as considerações a respeito do metabolismo de nutrientes, enfatizando


a estrutura e função biológica dos nutrientes.

 Descrever a digestão e absorção dos nutrientes que contribuirão para o forneci-


mento de substrato no metabolismo energético.

 Esquematizar os conteúdos apresentados como forma de fixação e apreensão


dos temas relacionados à bioquímica e ao metabolismo de nutrientes que com-
põem o processo de aprendizagem significativa em nutrição esportiva.
Bioquímica da Nutrição Esportiva

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Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Você já se perguntou o que acontece com o alimento que você ingere após a
mastigação e a deglutição? Pois bem, vamos abordar o processo de digestão, o
qual se inicia na boca, sendo o lugar por onde passa o conteúdo que você ingeriu
e que, a partir desse ponto, não é mais chamado de alimento.

O que ocorre ao longo do trato digestório com todas as transformações, o


que são e quem são as enzimas e os hormônios envolvidos no percurso de diges-
tão e absorção até que os nutrientes estejam disponíveis para nosso corpo utili-
zá-los e desempenharem as funções que cabem a cada um deles, principalmente
em relação ao fornecimento de energia, indispensável à nossa sobrevivência.

Você sabia que o nosso cérebro funciona basicamente a partir da glicose que
ingerimos diariamente? Nosso raciocínio, por exemplo, para compreender o que
você está lendo neste momento necessita da ingestão de carboidratos. Por isso,
vamos esclarecer a importância da ingestão dos diferentes tipos de carboidratos
ao organismo humano. Nosso metabolismo funciona com o auxílio de enzimas e
hormônios na regulação e equilíbrio das funções vitais, sendo formados por prote-
ínas e lipídeos, portanto, é indispensável a ingestão adequada desses nutrientes.

Quanto às vitaminas e minerais? À água? E às fibras? Todos estão envolvi-


dos no metabolismo sim, auxiliando cada um em determinada etapa do processo
para que, como uma máquina, cada parte desempenhe seu papel e quando jun-
tas as engrenagens interdependentes trabalhem para o bom um desempenho.
Nesse caso, a máquina é o corpo humano que precisa estar saudável. Então va-
mos lá, a partir de agora veremos o conteúdo dividido entre capítulos para facilitar
a compreensão e através dos quais você irá construir o seu saber com os conhe-
cimentos adquiridos em cada momento.

2 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE
NUTRIENTES

2.1 ESTRUTURA E FUNÇÃO


BIOLÓGICA DOS NUTRIENTES
O corpo humano é formado por bilhões de células que desempenham inúme-
ras funções biológicas e estão interligadas entre os órgãos e sistemas. Os nutrien-

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Bioquímica da Nutrição Esportiva

tes são substâncias presentes nos alimentos que desempenham cada um deles
funções especificas que contribuem para o normal funcionamento do organismo
(GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

Os nutrientes são divididos em macronutrientes e micronutrien-


tes. Os macronutrientes são assim chamados por serem necessários
em maiores quantidades no nosso organismo (g/dia). Os micronu-
trientes são os que necessitamos em menores proporções (mg ou
mcg/dia), contudo, não são menos importantes. As proteínas, os lipí-
deos, os carboidratos e as fibras são macronutrientes que fornecem
energia ao organismo; as vitaminas e minerais são micronutrientes
que não fornecem valor calórico quando ingeridos (GIBNEY; VORS-
TER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

a) Carboidratos

Os carboidratos têm a fórmula geral [C(H2O)]n e também são chamados


de “hidratos de carbono”. Alguns carboidratos possuem em sua estrutura Ni-
trogênio (N), Fósforo (P) ou Enxofre (S). São moléculas que desempenham
várias funções no organismo humano, entre elas: fonte de energia; reserva
de energia, estrutural e matéria-prima para a biossíntese de outras moléculas.

São classificados pelo número de subunidades: monossacarídeos, dissaca-


rídeos e polissacarídeos. A principal função desse nutriente é fornecer energia
(4kcal/g), além de ser uma das moléculas orgânicas mais abundantes da nature-
za (WHITNEY; ROLFES, 2008).

De acordo com sua estrutura química, os carboidratos são classificados


como complexos (polissacarídeos) ou simples (mono e dissacarídeos). São Mo-
nossacarídeos: glicose, frutose e galactose; Dissacarídeos: lactose, maltose e sa-
carose; Polissacarídeos: amido, glicogênio e celulose.

Como já comentei, o principal carboidrato é a glicose, pois atua como com-


bustível exclusivo para o funcionamento do sistema nervoso central, o equivalente
a 6g/glicose/hora é utilizado no metabolismo. Conhecida comumente como glico-
se do sangue, ela serve como fonte essencial de energia para todas as células do
corpo humano. A glicose está presente em todos os dissacarídeos e é a unidade

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Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

que forma os polissacarídeos, sendo o amido a principal fonte de energia conti-


da nos alimentos. Além do amido, o glicogênio é outro polissacarídeo importante,
pois é a forma de armazenamento de energia no corpo.

Os quadros 1 e 2 a seguir apresentam as estruturas químicas dos carboidra-


tos (CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

QUADRO 1 – ESTRUTURA QUÍMICA DE MONO E DISSACARÍDEOS

FONTE: Adaptado de Cardoso (2006) e Whitney e Rolfes (2008)

QUADRO 2 – ESTRUTURA QUÍMICA DOS POLISSACARÍDEOS

FONTE: Adaptado de Cardoso (2006) e Whitney e Rolfes (2008)


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Bioquímica da Nutrição Esportiva

b) Frutose

A frutose, também chamada de levulose, é o mais doce dos açúcares. Pos-


sui estrutura química igual à glicose, diferenciando-se apenas na posição do gru-
pamento OH no C3 (Quadro 3). É conhecida como o “açúcar das frutas”, podendo
ser utilizado como adoçante e está presente no mel que possui frutose e glicose
em proporções iguais. O xarope de milho também contém frutose, que é utilizado
em altas concentrações em bebidas industrializadas (sucos, xaropes, licores etc.)
(GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

QUADRO 3 – ESTRUTURA QUÍMICA DA GLICOSE E FRUTOSE

FONTE: Adaptado de Gibney, Vorster e Kok (2005)

c) Galactose

A galactose tem a estrutura química semelhante à frutose, aparecendo pou-


cas vezes livremente na natureza e faz parte da lactose, que é um dissacarídeo. A
galactose possui os mesmos números e tipos de átomos que a glicose e a frutose,
mas em uma posição diferente da hidroxila (OH), em posição alfa e beta quando
fica abaixo ou acima do plano do anel furanosídico.

https://brasilescola.uol.com.br/quimica/ciclizacao-das-oses.htm

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Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

QUADRO 4 – ESTRUTURA QUÍMICA DA GALACTOSE EM COMPARAÇÃO À GLICOSE

FONTE: Adaptado de Gibney, Vorster e Kok (2005)

d) Lactose

A lactose é a combinação de galactose e glicose, um dissacarídeo que pro-


duz o principal carboidrato do leite, contribuindo com 5% do peso do leite e, de-
pendendo da quantidade de gordura presente no leite, a lactose pode contribuir
com até 50% da energia fornecida pelo leite (WHITNEY; ROLFES, 2008).

A lactose tem o poder adoçante menor do que a glicose, sendo 1/6 da mes-
ma. É exclusivamente presente nas glândulas mamárias de animais em estado de
lactação, portanto, não é encontrada naturalmente em produtos de origem vegetal
(ARAÚJO et al., 2012; ABATH, 2013).

e) Maltose

A maltose consiste em duas unidades de glicose, sendo produzida com a


quebra do amido e também na germinação das plantas e fermentação que produz
o álcool. A maltose está presente basicamente na cevada e em grãos em germi-
nação (WHITNEY; ROLFES, 2008).

f) Sacarose

A sacarose é composta por glicose e frutose, responsável por uma parte da


doçura natural das frutas, hortaliças e grãos. O açúcar branco de mesa é produ-
zido com o refinamento da sacarose a partir da cana de açúcar ou de beterraba
(WHITNEY; ROLFES, 2008).

g) Amido

O amido é formado por várias unidades de glicose ligadas entre si por liga-
ções alfa (1,4) e alfa (1,6), ou pontos de ramificação ao longo da cadeia de carbo-

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Bioquímica da Nutrição Esportiva

nos chamados de amilopectina. Quando a cadeia não possui ramificações, é de-


nominado de Amilose, que pode ser visualizada no quadro 2. O amido é a forma
de armazenamento de glicose ou energia das plantas. A hidrolise total do amido
produz moléculas de glicose, enquanto a hidrolise parcial produzia a maltose já
citada acima (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006).

Os cereais são as fontes alimentares mais ricas em amido e, portanto, os


melhores alimentos fornecedores de energia para o ser humano. Outras fontes
alimentares de amido são: cereais e grãos (arroz, trigo, aveia, painço, centeio,
cevada e milho); leguminosas (feijões, lentilha, soja e ervilha); legumes (cenoura,
abobrinha, chuchu), tubérculos (batatas, aipim, inhame) e seu produtos/subprodu-
tos (pães, biscoitos, tapioca, farinha de mandioca, farinha de trigo, fubá, massas,
farinha de arroz etc.) (ORNELLAS; LIESELOTTE, 2001; PHILIPPI, 2006).

O amido é insolúvel em água fria, portanto, somente o calor realiza a cocção


dos grãos, que rompem as células, favorecendo o processo digestivo enzimático,
bem como a formação do gel característico do cozimento dos grãos (ORNELLAS;
LIESELOTTE, 2001).

h) Glicogênio

O glicogênio é um polissacarídeo composto por glicose, produzido e arma-


zenado no fígado e músculos como forma de depósito de glicose, sendo a forma
de armazenamento de energia no organismo animal e no ser humano. O glicogê-
nio pode estar presente nas carnes em pequenas quantidades, contudo, não é
contabilizado como fonte de carboidratos complexos na alimentação (WHITNEY;
ROLFES, 2008).

2.2 FIBRAS
As fibras são parte estrutural das plantas, são encontradas em hortaliças, fru-
tas, grãos, leguminosas, cereais e tubérculos. São compostas por polissacarídeos
que são diferentes do amido. Devido a ligações entre suas moléculas, o organis-
mo humano não possui enzimas para realizar a hidrólise (quebra) das fibras, que
não fornecem energia ao organismo. Por este motivo são chamadas de “polissa-
carídeos não amiláceos”.

Dos polissacarídeos não amiláceos, têm-se a celulose, a hemicelulose, as


pectinas, as gomas e as mucilagens. Das fibras que não são polissacarídeos,
têm-se as lignanas, as cutinas e os taninos, que possuem ligações diferentes
entre si e os monossacarídeos que as compõem, desempenhando, assim, dife-

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Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

rentes funções (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY;


ROLFES, 2008).

A celulose é o principal constituinte das paredes celulares das plantas com-


postas por moléculas de glicose em longas cadeias não ramificadas. Essas liga-
ções não podem ser hidrolisadas pelas enzimas digestivas humanas, conforme
citado anteriormente e visto na estrutura química apresentada no Quadro 2.

A hemicelulose faz parte da estrutura dos cereais compostas por vários es-
queletos de monossacarídeos (xilose, manose e galactose) com cadeias laterais
ramificadas.

As pectinas são compostas por monossacarídeos, alguns ramificados, al-


guns outros não e com esqueleto constituído por ácido hialurônico. Geralmente,
estão presentes nas hortaliças, frutas cítricas e maçãs. Podem ser isoladas e utili-
zadas na indústria de alimentos pelo seu poder de geleificação como espessante
na fabricação de geleias e de temperos para saladas, controlando a textura e
consistência dos mesmos (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006;
WHITNEY; ROLFES, 2008).

As Gomas e mucilagens são compostas de vários monossacarídeos e seus


derivados. A goma guar e a arábica são usadas como aditivos na indústria ali-
mentícia como espessantes em alimentos industrializados. As mucilagens são
semelhantes às gomas, em sua estrutura incluem-se o psyllium e a carragenina,
que são utilizadas como estabilizantes em produtos alimentícios industrializados
(GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

A lignina é considerada um tipo de fibra com estrutura monossacarídea tridi-


mensional, que lhe dá mais resistência. Possui moléculas de fenol com fortes liga-
ções internas, o que as tornam indigeríveis pelas enzimas humanas. Por causa de
sua rigidez, a lignina está presente em apenas alguns alimentos, nas partes mais rí-
gidas de legumes como a cenoura e nas sementes de frutas como morangos e kiwi
(GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

Os amidos resistentes são considerados fibras porque não sofrem digestão


e absorção pelo organismo humano. Estão presente na maioria das leguminosas
inteiras, batatas cruas e bananas verdes (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CAR-
DOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

As fibras, de maneira geral, desempenham funções importantes no


Importante na
metabolismo, tais como o aumento do bolo fecal e a mudança na compo- função intestinal.
sição das fezes, auxiliando em situações de constipação, sendo, portanto,
importante na função intestinal; na redução da absorção de gorduras, re-

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Bioquímica da Nutrição Esportiva

duzindo o risco de desenvolvimento de problemas cardiovasculares e no excesso


de peso; no aumento da saciedade, reduzindo a ingestão de alimentos e contribuin-
do para a redução da obesidade; na redução da glicemia, auxiliando no controle de
diabetes de pessoas que não são insulino dependente (CARDOSO, 2006; BER-
NAUD; RODRIGUES, 2013).

As fibras não
fornecem valor As fibras não fornecem valor calórico quando ingeridas, pois o cor-
calórico quando po humano não possui enzimas para sua digestão. Contudo, por conter
ingeridas, pois o fitatos e outros compostos antinutricionais, o excesso de ingestão de
corpo humano não
fibras reduz a biodisponibilidade de ferro, zinco e cálcio (BERNAUD;
possui enzimas para
sua digestão. RODRIGUES, 2013).

Biodisponibilidade de Ferro, Zinco e Cálcio

As fibras são divididas de acordo com suas características físicas e efeitos


no organismo, entre insolúveis ou solúveis; as fibras solúveis são viscosas (for-
mam gel) e são fermentáveis (de fácil digestão para as bactérias intestinais). Es-
sas fibras estão associadas a benefícios contra o surgimento de doenças cardio-
vasculares, diabetes e obesidade.

As fibras insolúveis não absorvem água, não são fermentáveis e não formam
gel. Elas são encontradas nos grãos e nos vegetais, e favorecem os movimentos
peristálticos intestinais, aliviando os sintomas de constipação.

É importante citar dois temas relacionados aos carboidratos, o


índice glicêmico e os FODMAPS. Nos próximos capítulos abordare-
mos a prescrição dietética e nela o IG dos alimentos e os FODMAPs
como tema atual, além de queixas frequentes de desconforto gastrin-
testinal na prática clínica, coisas que são muito importantes de serem
considerados no planejamento dietético.

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Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

O Índice Glicêmico (IG) foi proposto pelo Dr. David Jenkins,


pesquisador da Universidade de Toronto, no Canadá, em 1981. O
IG representa o efeito sobre a glicemia de uma quantidade fixa de
carboidrato disponível de um determinado alimento em relação a um
alimento-controle, que normalmente é o pão branco ou a glicose por
meio da análise da curva glicêmica produzida por 50g de carboidrato
(disponível) de um alimento teste em relação à curva de 50g de car-
boidrato do alimento padrão. Atualmente, utiliza-se o pão branco por
ter resposta fisiológica melhor que a da glicose.

https://www.diabetes.org.br/publico/colunistas/96-dra-gisele-ros-
si-goveia/1267-indice-glicemico-ig-e-carga-glicemica-cg

O Índice Glicêmico é a velocidade com que o açúcar de deter-


minado alimento chega na corrente sanguínea. Alimentos com alto
índice glicêmico elevam rapidamente a glicemia, favorecendo a velo-
cidade de reposição do glicogênio muscular. Deve-se evitar alimen-
tos de alto índice glicêmico para não ocasionar um pico de açúcar no
sangue. Quanto mais lentamente o açúcar do alimento chegar à cor-
rente sanguínea, menos insulina é produzida pelo pâncreas, resul-
tando em maior tempo de saciedade. Podem-se alterar os efeitos IG,
analisando por meio da carga glicêmica desses alimentos (CARUSO;
MENEZES, 2000).

O conceito de Carga Glicêmica (CG) foi proposto em 1997 pelo


Dr. Salmeron, pesquisador da Harvard School. A CG é um produto do
IG e da quantidade de carboidrato presente na porção de alimento
consumido quando comparado com o alimento padrão. Esse marca-
dor mede o impacto glicêmico da dieta, sendo calculado pelo produto
do IG do alimento e pela quantidade de carboidrato contido na por-
ção consumida do alimento.

Equação: CG = IG x teor de carboidrato disponível na porção /100.

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Bioquímica da Nutrição Esportiva

Considerando a glicose como controlada (CG=100), os alimen-


tos podem ser classificados em baixa carga glicêmica (CG <10) e
alta carga glicêmica (CG>20).

Classificação do Índice Glicêmico nos alimentos:

• Baixo índice Glicêmico (≤55): resposta glicêmica baixa após a in-


gestão de alimentos.
• Médio Índice Glicêmico (56 a 69): resposta glicêmica média.
• Alto índice Glicêmico (70 ou mais): resposta glicêmica elevada
após a ingestão de alimentos.

O quadro a seguir apresenta alguns alimentos separados de


acordo com o IG.

QUADRO 5 – ÍNDICE GLICÊMICO DE ALGUNS ALIMENTOS

FONTE: Adaptado de Sociedade Brasileira de Diabetes (2013-14)

FARIA, V. C. et al. Influência do índice glicêmico na glicemia em


exercício físico aeróbico. Motriz: rev. educ. fis. (Online), Rio Claro,
v. 17, n. 3, p. 395-405, Set. 2011.

FODMAPs (Fermentable Oligossacharides, Dissacharides, Mo-


nossacharides And Poliols), sigla em inglês que se refere aos tipos de
carboidratos fermentáveis que são os oligossacarídeos, dissacaríde-
os/monossacarídeos e polióis, carboidratos mal absorvidos pelo nosso
organismo que provocam sensações de desconforto gastrintestinal.
Por não serem absorvidos por completo, eles acabam chegando ao
intestino grosso onde as bactérias começam o processo fermentativo.

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Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

Essa fermentação produz dióxido de carbono, hidrogênio e me-


tano, que acabam gerando os sintomas de intolerância alimentar,
como inchaço abdominal, gases, diarreia, constipação, dores de ca-
beça, azia, má digestão, entre outros. Esses tipos de carboidratos
são comumente encontrados em frutas, legumes, grãos, laticínios,
açúcares e adoçantes (PENSABENE et al., 2019).

A dieta brasileira e os FODMAPs: alguns carboidratos de di-


fícil digestão fazem parte da alimentação dos brasileiros. Vejamos
a seguir tipos existentes de FODMAPs e em quais alimentos estão
presentes.

• GALACTANOS (feijões, lentilhas, soja): galactanos são oligos-


sacarídeos difíceis de serem absorvidos pelo nosso organismo e
é por isso que algumas pessoas relatam que após comer feijão
sentem-se “estufados”.
• FRUTANOS (trigo, cebola, alho, brócolis, repolho): esses são
alguns dos alimentos que estão com frequência na mesa do bra-
sileiro que possuem frutanos, um outro oligossacarídeo. O trigo é
a maior fonte de frutanos da nossa dieta, mas eles também estão
presentes na cebola, no alho, brócolis, repolho, nos aspargos, na
beterraba e melancia.
• LACTOSE (leite, creme de leite, iogurte e outros derivados
de leite): todos os alimentos lácteos, sejam eles de vaca, ovelha,
búfala ou outro animal, possuem lactose em sua composição. A
lactose é um dissacarídeo e faz parte da lista de FODMAPs. Lác-
teos com redução de lactose pelo processo enzimático ou pelo
processo natural de redução da lactose (como é o caso de man-
teiga e queijos maturados) são os mais indicados para uma dieta
isenta de FODMAPs.
• FRUTOSE (frutas e mel): a frutose está presente em teor mais
alto em algumas frutas e no mel. Ela é um monossacarídeo e
também faz parte do FODMAPs. As frutas com maior teor de fru-
tose são as maçãs, peras, mangas, frutas secas e sucos de fruta
concentrados. Se você consumir mais frutose do que seu orga-
nismo consegue absorver, a frutose não absorvida vira alimento
para as bactérias do seu intestino.
• POLIÓIS (xilitol, sorbitol, maltitol): esses adoçantes contêm
polióis, também chamados de álcoois de açúcar. Eles funcionam
como substitutos do açúcar e são comumente encontrados em
gomas de mascar. O xilitol virou febre neste último ano, com os
benefícios de ser um adoçante natural, que não provoca cáries
e possui baixo índice glicêmico (bastante usado em dietas para
emagrecimento e por diabéticos). Porém, quando consumido em
excesso, ele, assim como os demais adoçantes listados, pode
provocar sintomas de desconforto gastrintestinal.

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Bioquímica da Nutrição Esportiva

Veja a seguir um quadro com alimentos e seus respectivos teo-


res de FODMAPs.

QUADRO 6 – TEOR DE FODMAPs DE ALGUNS ALIMENTOS

VEGETAIS: aspargo, alcachofra, beterraba, cebola, couve de bruxelas, bróco-


lis, couve flor, repolho, erva doce, alho, alho-poró, quiabo, cogumelos, rabanete,
cebolinha verde, nabo, chicória, abóbora, batata em conserva e batata yacon.

FRUTAS: maçã, pera, pêssego, manga, melancia, melão, damasco, cereja, pi-
tomba, lichia, nectarina, ameixa, abacate, caqui, figo, tomate, frutas enlatadas,
frutas secas e suco de frutas concentrados.

LEITE E DERIVADOS: leite animal (vaca, cabra, ovelha), leite de soja, sorve-
tes, iogurtes, queijos e leite condensado.
ALTO TEOR DE
CEREAIS: trigo, centeio, cevada (pães, massas, biscoitos, cereais matinais
FODMAPs
etc.).

LEGUMINOSAS: feijão, ervilha, grão de bico, soja, lentilha e tremoço.

PROTEÍNAS: embutidos (salsicha, linguiça, presunto, patês etc.), carnes ver-


melhas, aves e frutos do mar marinados.

OLEAGINOSAS E SEMENTES: pistache e castanha de caju.

ADOÇANTES: mel, xarope de milho, manitol, sorbitol, xilitol e outros termina-


dos com “ol”.

VEGETAIS: cenoura, milho verde, berinjela, alface, endívia, espinafre, abobri-


nha, acelga, batata, broto de bambu, milho, chuchu, alfafa, batata doce, inha-
me, pepino, agrião, almeirão, jiló, palmito, vagem e mandioca.

FRUTAS: banana, uva, kiwi, laranja, mamão, framboesa, morango, carambola,


tangerina, abacaxi, coco e goiaba.

LEITE E DERIVADOS: leite sem lactose, queijo e iogurte sem lactose, e “leites
vegetais” (amêndoas e coco).
BAIXO TEOR
DE FODMAPs
CEREAIS: massas e pães sem glúten, painço, quinoa, arroz, tapioca e flocos
de milho.

PROTEÍNAS: frango, peixe e carne bovina.

OLEAGINOSAS E SEMENTES: nozes, amêndoas, avelã, macadâmia, semen-


te de abóbora, gergelim, amendoim e semente de girassol.

ADOÇANTES: estevia e sucralose.

FONTE: Adaptado de Federação Brasileira de Gastroenterologia (2020)

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Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

SILVA, M.D.O. Problemas gastrointestinais em desportos de


endurance. 2018. Disponível em: https://repositorio-berto.up.pt/bits-
tream/10216/115838/2/289928.pdf

1 - Carboidratos são encontrados em todos os alimentos, EXCETO:


( ) Leite.
( ) Carnes.
( ) Pães.
( ) Legumes.

2 - Dissacarídeos contêm duas moléculas de carboidratos, IN-


CLUINDO:
( ) Amido, glicogênio e fibra.
( ) Amilose, pectina e dextrose.
( ) Sacarose, maltose e lactose.
( ) Glicose, galactose e frutose.

3 - A forma de armazenamento da glicose no organismo é atra-


vés de:
( ) Insulina.
( ) Maltose.
( ) Sacarose.
( ) Glicogênio.

2.3 PROTEÍNAS
Do grego protos: primeiro; significado de “constituintes básicos da vida”. As
proteínas são moléculas orgânicas também formadas como os carboidratos e os
lipídeos constituídos por carbono (C), hidrogênio (H) e oxigênio (O), mas, além
destes, as proteínas contêm átomos de nitrogênio (N) e enxofre (S) a partir de um
conjunto de aminoácidos ligados entre si (ligações denominadas de peptídicas).

As proteínas desempenham uma série de funções importantes, destacando


que não há um processo biológico sequer em que as proteínas não participem,

21
Bioquímica da Nutrição Esportiva

porque além de estarem envolvidas de forma ativa no conjunto de reações quími-


cas, muitas células são compostas por proteínas.

São funções das proteínas: toda proteína é uma enzima que influencia di-
retamente nas reações químicas; contração muscular (realizado pela miosina e
actina); composição hormonal; fazem parte dos anticorpos; participam do proces-
so da coagulação sanguínea e transporte de oxigênio (hemoglobina).

Agora você deve estar se perguntando: é por isso que os pratican-


Pode-se dizer que tes de exercícios se preocupam tanto em tomar suplementos de pro-
a principal função teínas? Em parte sim, por isso veremos nos capítulos 2 e 3 que em
das proteínas é
algumas situações apenas a alimentação é o suficiente para garantir as
estrutural, uma vez
demandas metabólicas que o indivíduo praticante de esporte e os atle-
que promovem
tas necessitam (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006;
a síntese e o
crescimento WHITNEY; ROLFES, 2008).
dos tecidos do
nosso corpo. Pode-se dizer que a principal função das proteínas é estrutural,
Carnes, ovos uma vez que promovem a síntese e o crescimento dos tecidos do nos-
e laticínios são so corpo. Carnes, ovos e laticínios são alimentos ricos em proteínas.
alimentos ricos em Assim como os carboidratos, as proteínas fornecem 4kcal/g ao orga-
proteínas. nismo (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY;
ROLFES, 2008).

2.4 AMINOÁCIDOS
Aminoácidos são substâncias orgânicas que apresentam em sua constitui-
ção um grupo carboxila e um grupo amino, que você pode observar no Quadro 7.
É importante destacar que existem 20 (vinte) tipos de aminoácidos, os quais se
ligam de forma variada para originarem diferentes proteínas. São eles: alanina, ar-
ginina, aspartato, asparagina, cisteína, fenilalanina, glicina, glutamato, glutamina,
histidina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, prolina, serina, tirosina, treonina,
triptofano e valina (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHIT-
NEY; ROLFES, 2008).

22
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

QUADRO 7 – ESTRUTURA QUÍMICA DE UM AMINOÁCIDO

FONTE: <www.infoescola.com>. Acesso em: 19 mar. 2020

2.5 AMINOÁCIDOS ESSENCIAIS E


NÃO ESSENCIAIS
Alguns aminoácidos, o organismo humano não consegue sintetizar. Ao todo
são nove tipos: histidina, lisina, leucina, metionina, isoleucina, fenilalanina, treo-
nina, triptofano e valina. Por essa razão, são chamados de aminoácidos essen-
ciais e são obtidos através da alimentação nas proporções adequadas para que
aconteça a realização das funções metabólicas.

Há também outros 11 (onze) tipos, que são produzidos pelo organismo, cha-
mados de aminoácidos não essenciais; contudo, isto não significa que eles não
são importantes para o metabolismo. Em algumas situações, o organismo pode
necessitar de alguns aminoácidos além da capacidade de síntese, como na infân-
cia ou em situações de infecções. Por isso, eles também são chamados de con-
dicionalmente essenciais (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006;
WHITNEY; ROLFES, 2008).

QUADRO 8 – AMINOÁCIDOS E SUA CLASSIFICAÇÃO DE


ACORDO COM A NECESSIDADE BIOLÓGICA

Essenciais Fenilalanina, triptofano, valina, leucina, isoleucina, metionina, treonina e lisina.


Condicionalmente Glicina, prolina, tirosina, serina, cisteina, cistina, taurina, arginina, histidina e
essenciais glutamina.
Não essenciais Alanina, ácido aspártico, ácido glutâmico e asparagina.
FONTE: Adaptado de Cuppari (2014)

23
Bioquímica da Nutrição Esportiva

2.6 QUALIDADE DA PROTEÍNA


As proteínas de alta qualidade, ou biologicamente completas, contêm todos
os aminoácidos essenciais na quantidade adequada para a síntese proteica. Dois
fatores interferem na qualidade de uma proteína, são eles: a digestibilidade da
proteína e a sua composição de aminoácidos. A digestibilidade depende de fato-
res como a fonte de proteína ingerida e outros alimentos ingeridos ao mesmo tem-
po. As proteínas de origem animal geralmente têm alta digestibilidade (90-99%),
já as proteínas de origem vegetal são menores (entre 70-90%), com alguma exce-
ção para as leguminosas, que são maiores (aprox. 90%).

O fígado pode produzir qualquer um dos aminoácidos não essenciais que


possam se ligar aos demais aminoácidos essenciais nos filamentos de proteína.
Contudo, se algum aminoácido não estiver presente, ou estiver em proporção in-
suficiente, ele é então chamado de aminoácido limitante.

A qualidade das proteínas é determinada baseando-se nas necessidades de


aminoácidos essências de crianças em idade pré-escolar. Uma proteína referên-
cia é a que atende a todas essas necessidades; o ovo e a caseína são proteínas
referências, pois têm o PDCAA (escore de aminoácidos corrigido pela digestibili-
dade da proteína) igual a 1,00, que é o escore máximo que uma proteína de um
alimento pode receber (CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).

As proteínas de origem vegetal são consideradas complementares, ou bio-


logicamente incompletas, ou de baixo valor biológico (BVB), quando contêm
aminoácidos limitantes. São elas: Gliadina (trigo), Excelsina (castanha do Pará),
Legunina (ervilha), Faseolina (feijão), Glicinina e Legumelina (soja), Zeína (milho
– falta triptofano e tirosina), Gelatina (falta triptofano e tirosina), Arroz (falta lisina,
treonina e triptofano) e Feijão (falta metionina) (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005;
CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

As proteínas de origem animal são as biologicamente completas, ou de alto


valor biológico (AVB), e estão presentes nos seguintes alimentos: Caseína (leite),
Ovoalbuminas e ovovitelinas (ovo), Lactoalbuminas (leite e queijo), Albumina e
miosina (carne) (CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).

As Leguminosas são deficientes em aminoácidos sulfurados (metionina +


cistina) e cereais são limitantes em lisina. Então, da combinação de proteínas
vegetais na proporção de 3:1 obtém-se uma proteína de alto valor biológico. Por
exemplo: Arroz (3 partes) + feijão (1 parte) = ptn biologicamente completa.

Para você ter noção da qualidade da proteína na alimentação, o quadro a


seguir apresenta o PDCAA de alguns alimentos em comparação com a proteína
do soro do leite (whey protein).

24
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

QUADRO 9 – VALORES DE PDCAAS DE ALGUNS ALIMENTOS


Alimento PDCAA Alimento PDCAA
Caseína (proteína WPI (whey protein isolate - isolado de proteína do soro
1,00 1,00
do leite) do leite)
Clara do ovo 1,00 Isolado proteico de soja 1,00
Soja (isolada) 0,99 Lentilhas 0,52
Bife 0,92 Amendoim 0,52
Farinha de ervilha 0,69 Trigo integral 0,40
Aveia 0,57 Glúten de trigo 0,25

FONTE: Adaptado de Whitney e Rolfes (2008)

Em relação à estrutura e composição, quando há dois aminoácidos, ele é cha-


mado de dipeptídeo; quando há três, é chamado de tripeptídeos; e quando há uma
longa cadeia de aminoácidos, é chamada de polipeptídio, sendo que toda proteína
é constituída de uma ou mais cadeias de aminoácidos, conferindo a ela característi-
cas e funções diferenciadas (CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).

2.7 SÍNTESE PROTEICA


O processo que envolve RNA, enzimas, ribossomos e aminoácidos, é cha-
mado de síntese proteica, um procedimento capaz de realizar a produção de
outras proteínas todas elas estabelecidas pelo DNA. O uso dos Aas diz respeito à
síntese de proteínas como enzimas, hormônios, vitaminas e proteínas estruturais.
A síntese proteica requer todos os aminoácidos essenciais. Os não essenciais
devem ser fornecidos, ou pelo menos o esqueleto de carbonos e grupos ami-
no derivados de outros aminoácidos disponíveis pelo processo de transaminação
(CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).

Esse processo ocorre no citoplasma, e é dividido em duas etapas: a trans-


crição e a tradução. O DNA funciona como um molde para a síntese de várias
formas de RNA que participaram na síntese proteica. A energia é fornecida pelo
ATP obtido do metabolismo celular (CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).

25
Bioquímica da Nutrição Esportiva

FIGURA 1 – SÍNTESE PROTEICA E SUAS ETAPAS

FONTE: Adaptado de Whitney e Rolfes (2008)

4 - Qual parte da estrutura química diferencia um aminoácido do


outro?
( ) Seu grupo lateral.
( ) Seu grupo ácido.
( ) Seu grupo amino.
( ) Suas ligações químicas.

5 - Isoleucina, leucina e lisina são:


( ) Enzimas proteicas.
( ) Polipeptídios.
( ) Aminoácidos essenciais.
( ) Proteínas biologicamente incompletas.

6 - O PDCCA é usado para:


( ) Determinar a qualidade de proteínas.
( ) Avaliar a desnutrição.

26
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

( ) Calcular o percentual de calorias do alimento.


( ) Determinar as necessidades energéticas.

2.8 LIPÍDIOS
Do grego lipos, gordura são ésteres, isso quer dizer que são formados pela
associação de uma molécula de ácido (ácido graxo) e uma de álcool, geralmente
o glicerol. O ácido graxo é um ácido orgânico que apresenta, mais comumente,
dez átomos de carbono em sua molécula.

Os lipídeos são uma classe de macromoléculas compostas de C, H e O, sen-


do que há uma proporção maior de carbonos e hidrogênios do que de oxigênio.
Desta forma, eles fornecem mais energia por grama (9kcal/g) do que fornecem os
carboidratos e as proteínas (CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).

Os lipídios são substâncias químicas de baixa polaridade, por isso, são in-
solúveis em água em temperatura ambiente, tendem a ser hidrofóbicos e apola-
res, porém, solúveis em compostos ou solventes orgânicos, como o álcool, o éter,
o clorofórmio, a acetona. São representados pelos triglicerídeos, fosfolipídios e
colesterol. O triacilglicerol é a forma mais comum encontrada nos alimentos; os
fosfolipídios são elementos estruturais das membranas celulares e o colesterol é
precursor de hormônios e constituinte da bile (CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROL-
FES, 2008).

2.9 ÁCIDOS GRAXOS


Um ácido graxo é composto por uma cadeia de átomos de carbono com hi-
drogênio ligados a ela, que possui um grupo ácido (COOH) em uma extremidade
e um grupo metil (CH3) na outra. Os ácidos graxos de maior ocorrência na natu-
reza contêm números pares de carbonos em suas cadeias com até 24 carbonos
(CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).

a) Ácidos graxos saturados

Compostos de uma cadeia hidrocarbonada saturada (todas as valências


do C ligadas a átomos de H); quanto maior o tamanho da cadeia maior o peso
molecular, o ponto de fusão e a insolubilidade. Na dieta: ácido esteárico (18:0) na

27
Bioquímica da Nutrição Esportiva

manteiga de cacau e gordura animal; ácido palmítico (16:1) e ácido láurico (12:0)
(CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).

b) Ácidos graxos insaturados

Contém a cadeia hidrocarbonada com uma ou mais ligações duplas, tem pon-
to de fusão mais baixos do que os ácidos graxos saturados; quando os átomos de
H ligados ao C da dupla ligação estão do mesmo lado da cadeia, eles são chama-
dos de cis (são os de importância biológica) e quando estão em lados opostos é
trans. Os ácidos graxos trans são encontrados em produtos industrializados (gor-
dura vegetal hidrogenada) (CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).

c) Ácido graxo monoinsaturado

Possui uma única dupla ligação. Constitui quase 50% da gordura do toucinho
e 75% do azeite de oliva. O ácido oleico (cis 18:1 n-9) é um exemplo presente em
vários alimentos (CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).

d) Ácidos graxos polinsaturados

Contêm mais de duas duplas ligações. São elas: ômega-6 (ácido linoleico,
18:2, n-6) presentes nos óleos vegetais (milho, canola, girassol e açafrão, nozes)
e o ômega-3, ambos derivados do ácido linolênico (linhaça e chia) e no ácido alfa
linolênico (ALA), o 18:3 n-3 (EPA - ácido eicosapentaenoico e o DHA - ácido doco-
sa-hexanóico (peixes e frutos do mar, carnes de peru e em alguns óleos)), sendo
a principal ação dos ômega-3, a inibição da síntese de triglicerídeos no fígado
(CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).

2.3 COLESTEROL
Pertence ao grupo dos esteróis – grupo hidroxila ligado ao anel, comportan-
do-se como álcool. O colesterol é exclusivamente presente no tecido animal, pre-
cursor do ácido cólico que é constituinte da bile; hormônios (estrógenos, proges-
terona) e vitamina D. Pode estar livre ou combinado com ácidos graxos. Fontes
alimentares: gema do ovo, laticínios, carnes, vísceras (fígado, coração e cérebro)
(CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).

a) Ácidos graxos essenciais

São os ácidos que o organismo humano não sintetiza, por isso precisam ser
ingeridos pela alimentação, pois desempenham funções essenciais. São eles: áci-

28
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

do linoleico (18:2 n-6) e ácido linolênico (18:3 n-3) são polinsaturados (CUPPARI,
2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).

O ácido esteárico (18C) é o mais abundante nos alimentos, é um ácido gra-


xo saturado (possui somente ligações simples na sua cadeia de carbonos). Os
ácidos graxos de cadeias longas (12 a 24C) estão presentes nas carnes, peixes
e óleos vegetais e são os mais abundantes na alimentação e os ácidos graxos de
cadeia média (6 a 10C) estão presente nos laticínios.

Os ácidos graxos insaturados (contêm uma ou mais duplas ligações ou insa-


turações na cadeia de carbonos) são chamados de monoinsaturados e polinsatu-
rados. Na figura a seguir são apresentados os ácidos graxos e as fontes alimenta-
res (CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).

FIGURA 2 – COMPARAÇÃO DE GORDURAS NA DIETA EM RELAÇÃO À COMPOSIÇÃO


DE ÁCIDOS GRAXOS SATURADOS, MONOINSATURADOS E POLINSATURADOS

FONTE: Adaptado de Whitney e Rolfes (2008)

No Quadro 11 a seguir, você pode observar a estrutura química de um fosfo-


lipídio.

29
Bioquímica da Nutrição Esportiva

QUADRO 11 – ESTRUTURA QUÍMICA DOS LIPÍDIOS

FONTE: <https://www.khanacademy.org>. Acesso em: 12 mar. 2020

A seguir, você irá rever os tipos de lipídeos e exemplos destes no organismo


humano.

• Carotenoides: são pigmentos alaranjados presentes nas células de to-


das as plantas que participam na fotossíntese junto com a clorofila além
de trazerem benefícios para o sistema imunológico e atuarem como an-
ti-inflamatórios. Ex.: betacaroteno presente na cenoura que se torna pre-
cursora da vitamina A, importante no metabolismo da visão.

• Ceras: são constituídas por uma molécula de álcool e um ou mais ácidos


graxos. Estão presentes nas superfícies das folhas de plantas e nas ce-
ras de abelhas.

• Fosfolipídios: são os principais componentes das membranas das cé-


lulas, é um glicerídeo (um glicerol unido a ácidos graxos) combinado
com um fosfato.

• Glicerídeos: os glicerídeos podem ter de um a três ácidos graxos unidos


a uma molécula de glicerol (um álcool, com 3 carbonos unidos a hidroxi-
las-OH). O exemplo mais conhecido é o triglicerídeo, que é composto
por três moléculas de ácidos graxos.

• Esteroides: são compostos por quatro anéis de carbonos interligados,


unidos a hidroxilas, oxigênio e cadeias carbônicas. Como exemplos de
esteroides, têm-se os hormônios sexuais masculinos (testosterona), os
hormônios sexuais femininos (progesterona e estrogênio), outros hormô-
nios e o colesterol (CUPPARI, 2014; WHITNEY; ROLFES, 2008).
30
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

b) Funções dos lipídios

Reserva energética: o armazenamento de energia é importante para os mo-


mentos em que o organismo necessitar de energia e não haver carboidratos dis-
poníveis.

Estrutural: alguns lipídios fazem parte da composição das membranas celu-


lares, sendo formadas pela associação de lipídios e proteínas (lipoproteicas). Os
mais importantes são: os fosfolipídios e o colesterol.

Isolante térmico: auxiliam na manutenção da temperatura dos animais endo-


térmicos (aves e mamíferos) por meio da formação de uma camada de tecido deno-
minado hipoderme, a qual protege o indivíduo contra as variações de temperatura.

Absorção de vitaminas: auxiliam na absorção das vitaminas A, D, E e K,


que são lipossolúveis e necessitam da presença dos lipídeos para serem absor-
vidas e utilizadas pelo organismo. Como essas moléculas não são produzidas no
corpo humano, por isso é importante o consumo desses óleos na alimentação
(GIBNE; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

7 - Ácidos graxos saturados:


( ) Têm sempre 18 carbonos na cadeia.
( ) Possuem pelo menos, uma ligação dupla.
( ) São inteiramente carregados com hidrogênios.
( ) São sempre líquidos em temperatura ambiente.

8 - São tipos de ácidos graxos essenciais:


( ) Ácido esteárico e ácido oleico.
( ) Ácido oleico e ácido linoleico.
( ) Ácido palmítico e ácido linolênico.
( ) Ácido linoleico e ácido linolênico.

9 - O termo ômega-3 diz respeito a quais ácidos graxos?


( ) Ácidos graxos monoinsaturados.
( ) Ácidos graxos trans.
( ) Ácidos graxos saturados.
( ) Ácidos graxos polinsaturados.

31
Bioquímica da Nutrição Esportiva

3 ÁGUA
A água é a principal substância responsável pelo planeta em que vivemos.
Sem ela, nenhuma forma de vida conhecida atualmente existiria ou sobreviveria.
O corpo humano composto por mais de 70% de água e ela exerce funções essen-
ciais para garantir o equilíbrio e funcionamento adequado do organismo como um
todo. Dentre essas funções, destaca-se o seu papel como solvente, garantindo
um meio propício para a realização da grande maioria das reações químicas.

A água também participa na eliminação de substâncias tóxicas através da


urina, que é composta 95% de água. Como um importante componente do plas-
ma sanguíneo, a água é responsável pelo transporte de nutrientes, oxigênio e sais
minerais para as células (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006;
WHITNEY; ROLFES, 2008).

Outra função da água é sua participação em processos fisiológicos. Na di-


gestão, por exemplo, faz parte da composição dos sucos digestivos e da saliva.
Além da digestão, a água também atua na absorção e na excreção dos nutrientes
ingeridos, além de auxiliar nos movimentos peristálticos, eliminando o conteúdo
que não foi utilizado pelo organismo, as fezes (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005;
CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

A água também garante a proteção de algumas estruturas do corpo: na


forma do líquido presente nas articulações que evita o atrito entre os ossos; o
líquido amniótico, que protege o embrião em desenvolvimento e as lágrimas, que
evitam o ressecamento das córneas (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDO-
SO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

Durante a prática de exercícios, há um aumento da temperatura corporal,


perda de eletrólitos pelo suor e urina, com isso, a água desempenha importante
papel no equilíbrio e controle da temperatura corporal, evitando a desidratação
e interrupção da atividade (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006;
WHITNEY; ROLFES, 2008).

Há água presente em todos os alimentos, estando em menor ou em maior


quantidade, a depender do alimento analisado. São alimentos ricos em água as
frutas, verduras e legumes (melancia, tomate, nabo, cenoura, melão entre outras)
(GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

32
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

4 VITAMINAS
Do latim vita: significa “vida”. A palavra vitamina surgiu na língua portuguesa
através do termo em inglês vitamin, que foi criado em 1912, a partir da junção do
latim vita, que significa “vida”, e amine, retirada de aminoacid, que quer dizer “ami-
noácido” ou “essenciais à vida“ (WHITNEY; ROLFES, 2008).

As vitaminas fazem parte dos micronutrientes, não fornecem energia ao or-


ganismo e são consideradas um componente dietético essencial requerido por um
organismo em pequenas quantidades (mg ou mcg/dia). Assim como os macronu-
trientes, as vitaminas são compostos ou moléculas orgânicas que contêm em sua
estrutura carbono e hidrogênio. São componentes de várias coenzimas, as quais
participam de importantes reações metabólicas do organismo (DUTRA DE OLI-
VEIRA; MARCHINI, 2003).

As diferentes vitaminas não se correlacionam entre si, nem quimicamente,


nem funcionalmente. Cada uma desempenha função própria no organismo, não
podendo ser substituída por nenhuma outra substância. Em condições normais, o
seu aporte ao organismo se faz através da ingestão de uma variedade e quantida-
de de alimentos de origem animal e vegetal.

São classificadas em hidrossolúveis e lipossolúveis. As lipossolúveis são so-


lúveis em gordura, armazenadas no tecido adiposo ou em outros tecidos, não são
eliminadas na urina e podem provocar intoxicação quando consumidas em mega-
doses. São elas: as vitaminas A, D, E e K.

As hidrossolúveis são solúveis em água e eliminadas pela urina, mas tam-


bém podem causar prejuízos ao organismo quando ingeridas além das reco-
mendações diárias, assim como os problemas causados pela ausência delas. As
vitaminas hidrossolúveis são as do complexo B e a vitamina C (DUTRA DE OLI-
VEIRA; MARCHINI, 2003; WHITNEY; ROLFES, 2008; CUPPARI, 2014).

As vitaminas hidrossolúveis atuam em muitos aspectos do metabolismo de


carboidratos, lipídios e proteínas como coenzimas ou grupo de enzimas respon-
sáveis por reações químicas essenciais, são pouco armazenadas no organismo e
são particularmente importantes nos aspectos relacionadas à produção de ener-
gia; são compostos necessários à manutenção, ao crescimento e ao funciona-
mento adequado do organismo; são várias as doenças associadas à deficiência
de vitaminas: pelagra, beribéri, escorbuto e anemia megaloblástica.

As principais vitaminas hidrossolúveis são:

33
Bioquímica da Nutrição Esportiva

• B1 = Tiamina.
• B2 = Riboflavina.
• B3 = Niacina, PP ou ácido nicotínico.
• B5 = ácido pantotênico.
• B6 = piridoxina ou piridoxal.
• B12 = cianocabalamina ou cobalamina.
• B9 = Folacina ou ácido fólico.
• H ou B7 = Biotina.
• Vitamina C = ácido ascórbico e Colina.

A figura a seguir apresenta as funções, sintomas de deficiência, toxicidade


e fontes alimentares das vitaminas hidrossolúveis (DUTRA DE OLIVEIRA; MAR-
CHINI, 2003; WHITNEY; ROLFES, 2008; CUPPARI, 2014).

FIGURA 3 – FUNÇÕES, SINTOMAS DE DEFICIÊNCIA, TOXICIDA-


DE E FONTES ALIMENTARES DAS VITAMINAS HIDROSSOLÚVEIS

FONTE: Adaptado de Whitney e Rolfes (2008)

Na figura a seguir, há um resumo das diferenças entre as vitaminas hidros-


solúveis e lipossolúveis em relação ao metabolismo, toxicidade e necessidades
diárias.

34
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

FIGURA 4 – DIFERENÇAS ENTRE AS VITAMINAS HIDROSSOLÚVEIS E LIPOSSOLÚ-


VEIS EM RELAÇÃO AO METABOLISMO, TOXICIDADE E NECESSIDADES DIÁRIAS

FONTE: Adaptado de Whitney e Rolfes (2008)

As vitaminas lipossolúveis e suas funções, fontes alimentares, deficiência e


toxicidade podem ser vistas no quadro a seguir.

QUADRO 12 – FONTES ALIMENTARES, FUNÇÕES, DEFICIÊN-


CIA E TOXICIDADE DAS VITAMINAS LIPOSSOLÚVEIS

FONTE: Adaptado de Dutra de Oliveira e Marchini (2003)

Na figura a seguir, há um resumo dos benefícios dos micronutrientes.

35
Bioquímica da Nutrição Esportiva

FIGURA 5 – BENEFÍCIOS DOS MICRONUTRIENTES


(VITAMINAS E MINERAIS) AO ORGANISMO HUMANO

FONTE: OPAS (2020)

Atletas - Treinamento intenso  Aumento da demanda?!


Em que medida a demanda de micronutrientes aumenta com a
prática regular de exercícios? Deveria haver tabelas específicas para
atletas com valores indicados de ingestão de micronutrientes?
36
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

Ingestões de micronutrientes superiores às recomendadas au-


mentam o desempenho físico?

www.abne.org.br
www.rgnutri.com.br

5 MINERAIS
Os minerais, ou sais minerais, assim como as vitaminas, fazem parte dos micro-
nutrientes, mantém o funcionamento normal dos tecidos e células. Desempenham
diversas funções dentre elas: proporcionam estrutura para a formação de ossos e
dentes; mantém o ritmo cardíaco normal e a contratilidade muscular; e regulam o
metabolismo, sendo parte das enzimas e hormônios envolvidos neste processo (GIB-
NEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

É importante destacar a biodisponibilidade dos minerais que estão sujeitos a


fatores que interferem em sua absorção nos tipos de alimento: minerais de origem
animal são prontamente absorvidos pelo intestino delgado, os de origem vegetal
não; Interação mineral-mineral: minerais com mesmo peso molecular competem
pela absorção; Interação vitamina-mineral: vitaminas afetam a biodisponibilidade
dos minerais; Interação fibra-mineral: a alta ingestão de fibras reduz a absorção
de alguns minerais (Ca, Fe, P, Mg) (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO,
2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

5.1 ANTIOXIDANTES
Algumas vitaminas e minerais desempenham função antioxidante, reduzindo
a ação dos radicais livres produzidos pelo organismo no processo de respiração
celular. Na prática de esportes, essa produção de substâncias faz com que o en-
velhecimento celular seja maior. São estes: a vitamina C, a vitamina E, a vitamina
A (betacaroteno), o selênio, o zinco e o cobre (MUSSOI, 2017).

37
Bioquímica da Nutrição Esportiva

QUADRO 13 – FUNÇÕES, RECOMENDAÇÃO DE INGESTÃO


DIÁRIA, FONTES ALIMENTARES, SINAIS E SINTOMAS DE
INSUFICIÊNCIA E SUPERDOSAGEM DE MINERAIS
NUTRIENTE INGESTÃO UI/DIA INSUFICIÊNCIA SUPERDO- FONTES FUNÇÃO
DIÁRIA SAGEM
(H-M)
IODO 150 mcg 1100 mcg Perturbações no Suprimir a Sal de cozinha Necessário para a pro-
150 mcg crescimento, de- atividade ti- iodado, frutos do dução do hormônio da
senvolvimento se- reoidiana. mar, verduras tireóide.
xual e intelectual. folhosas e frutas. Envolvido na taxa de
metabolismo, cresci-
mento e reprodução.
ZINCO 11 mg 40 mg Diminuição dos Anemia, fe- Pão integral, fru- Atua no controle cerebral
8 mg hormônios mas- bre e distúr- tos do mar, feijão, dos músculos.
culinos, infecções bios do sis- carne magra, se- Ajuda na respiração dos
virais, resfriados e tema nervoso mente de abóbo- tecidos, participa no me-
herpes. central. ra, nozes, leite, tabolismo das proteínas e
iogurte e queijo. carboidratos.
Mantém o sistema imuno-
lógico, maturação sexual
masculina, crescimento e
formação de tecidos.
FERRO 8 mg 45 mg Anemia hipocrômi- Convulsões, “Não heme”: Antioxidante, aumenta
18 mg ca e macrocística, náuseas, vô- leguminosas, ve- as defesas do orga-
glóbulos verme- mito, hipoten- getais verdes e nismo.
lhos diminuídos, são e paladar folhosas, leite. Formação da hemoglo-
palidez, franqueza, metálico. “Heme”: carne bina, oxidação celular
fadiga, falta de ar e vermelha e peixe. e participa de reações
cefaleia. enzimáticas.
CÁLCIO 1000 mg 2,5 g Osteapenia e os- Aglomerados Leite, iogurte, Transmissão nervosa,
1000 mg teoporose. Unhas de oxalato de queijos, peixes, coagulação do sangue
quebradiças, pro- cálcio, (“pe- gema do ovo, e contração muscular.
pensão e cáries, dras” no rim). brócolis, couve, Formação e manuten-
hipertensão, dor- Reduçãode chicória, gerge- ção deossos e dentes.
mência no corpo e magnésio e lim e feijão.
palpitações. ferro.
Calcificação
dos ossos e
tecidos mo-
les.
FÓSFORO 700 mg 4g Dor nos ossos, S e n s a ç ã o Leite, peixe, fíga- Presente na composi-
700 mg o s t e o m a l á c i a , de peso nas do, ovos e feijão. ção do código genético
miopatias, acidose pernas, con- (DNA e RNA).
metabólica, taqui- fusão mental, Formação de ossos e
cardia e perda de hipertensão, dentes, absorção da
memória. derrame e glicose, metabolismo
ataque cardí- de proteínas, gorduras
aco. e carboidratos.
Participa de sistemas
enzimáticos.
Equilibrar ph do corpo.
POTÁCIO 4,7 g ND Hipocalemia, fra- D i s t ú r b i o s Frutas (banana, Transmissão nervosa,
4,7 g queza muscular, c a r d í a c o s , laranja), vegetais contração muscular e
desorientação e c o n f u s ã o verdes folhosos, equilíbrio de fluidos no
fadiga, câimbra mental e pa- legumes, tomate, organismo.
muscular. ralisia mus- batata. Produção de energia, e
cular. sintese de proteínas e
ácidos nucléicos.
SÓDIO 1,5 mg 2,3 mg Hiponatremia (con- Hipertensão, Sal, alimentos Transmissão nervosa,
1,5 mg centração anor- c e f a l é i a , p r o c e s s a d o s , contração muscular e
malmente baixa de parada e embutidos, quei- equilíbrio de fluidos no
sódio no sangue). respiratória jos. organismo.
Convulsões, fra- e eritema da
queza e letargia. pele.

38
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

SELÊNIO 55 mcg 400 mcg Mialgia, degene- Fadiga mus- Castanha do Antioxidante. Estimula
55 mcg ração pancreática, cular, unhas Pará, cereais no o sistema imunológico.
sensibilidade mus- fracas, con- pescados, nas Funcionamento da
cular e maior susce- gestão vascu- carnes e nos glândula tireóide.
tibilidade ao câncer. lar, dermatite. ovos.
MANGANÊS 2,3 mg 11 mg Dermatite, perda Acumula-sa Cereais inte- Antioxidante.
1,8 mg de peso prejudica no fígado e grais, castanhas, Parte de diversas enzi-
capacidade repro- no sistema nozes, vegetais mas e estimula a ativi-
dutiva e o metabo- nervoso cen- verdes folhosos. dade de muitas outras,
lismo dos carboi- tral, poden- processos de produção
dratos. do levar a de energia.
Parkinson.

FONTE: Adaptado de Dutra de Oliveira e Marchini (2003)

10 - A proporção do micronutriente que pode ser encontrado na


circulação após sua absorção, estando disponível para ser
utilizado, é conhecida como:
( ) Biodisponibilidade.
( ) Digestão.
( ) Efeito fisiológico.
( ) Fator intrínseco.

11 - A vitamina que protege contra defeitos no tubo neural du-


rante a gestação é:
( ) Vitamina C.
( ) Folato.
( ) Riboflavina.
( ) Vitamina E.

12 - São considerados antioxidantes que combatem a ação dos


radicais livres:
( ) Zinco, ferro, vitamina C e A.
( ) Vitamina C , vitamina A, selênio e ferro.
( ) Zinco, selênio, cobre, vitamina A e E.
( ) Zinco, selênio, cobre, vitamina A, E, e C.

39
Bioquímica da Nutrição Esportiva

6 DIGESTÃO E ABSORÇÃO DOS


ALIMENTOS E NUTRIENTES
Você sabia que o processo de digestão se inicia na boca e que o número de
vezes que você mastiga um alimento reflete no processo de absorção do nutriente
que você ingeriu, bem como da sua saciedade? Bem, nessa seção vamos abor-
dar resumidamente sobre o processo de digestão e absorção dos nutrientes.

6.1 DIGESTÃO E ABSORÇÃO DE


CARBOIDRATOS
A digestão inicia na boca, e especificamente falando dos carboidratos, com o
auxílio da enzima amilase salivar, ou ptialina, que quebra as ligações alfa 1-4 en-
tre as moléculas de glicose do amido, fazendo a hidrólise. Esse processo dura o
tempo em que o alimento está na boca. As ligações alfa 1-6 não são hidrolisadas
nesse momento.

Na boca, o alimento passa a ser chamado de bolo alimentar. Ao passar pelo


esôfago e chegar ao estômago, que possui um pH ácido, tornando inativa a ação
da amilase salivar, ocorrendo apenas a mistura do conteúdo vindo do esôfago
com os sucos digestivos, o que é chamado de quimo (GIBNEY; VORSTER; KOK,
2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

Ao chegar no duodeno (a primeira parte do intestino delgado) são liberadas


as enzimas presentes no suco pancreático, a amilase pancreática, para fazer a
digestão do amido, sendo degradados os polissacarídeos ou monossacarídeos.

A digestão final irá ocorrer no intestino delgado, pelas enzimas na borda em


escova, sendo que o quimo ácido será neutralizado pelo bicarbonato de sódio
liberado e presente no suco pancreático para que as enzimas possam atuar.

A enzima maltase irá hidrolisar (quebrar) a maltose em duas unidades de


glicose. As enzimas lactase, sacarase e isomaltase irão quebrar a lactose, a saca-
rose e a isomaltose até chegar aos monossacarídeos glicose, frutose e galactose,
que posteriormente serão absorvidos pelas células do intestino (enterócitos), indo
para circulação ou veia porta para o fígado (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005;
CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

40
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

FIGURA 6 – DIGESTÃO E ABSORÇÃO DOS CARBOIDRATOS NA BORDA EM ESCOVA

FONTE: <https://image.slidesharecdn.com/digestoeabso-
rodecarboidratos>. Acesso em: 15 mar. 2020

Esses monossacarídeos chegam ao enterócito (células intestinais) por meio


de transportadores específicos, auxiliados pela diferença do gradiente de concen-
tração gerado pelo sódio, no caso do cotransportador de glicose 1, dependente
de íons de sódio (SGLT-1), os quais fazem o transporte do sódio, da glicose e da
galactose. Já o transportador GLU-T5, é responsável pela passagem da frutose
para o enterócito.

Esses monossacarídeos, depois da absorção pelo enterócito, vão para a cor-


rente sanguínea com auxílio da GLUT-2 e chegarão no fígado, que irá liberar par-
te da glicose para a corrente sanguínea como fonte de energia e o restante será
armazenada na forma de glicogênio (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDO-
SO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

41
Bioquímica da Nutrição Esportiva

FIGURA 7 – PROCESSO DE DIGESTÃO DOS CARBOIDRATOS

FONTE: Adaptado de Whitney e Rolfes (2008)

6.2 DIGESTÃO DE LIPÍDEOS


Cerca de 80% dos lipídios provenientes da dieta são predominantemente
triacilgliceróis ou triglicerídeos. O início da digestão de lipídeos da alimentação
não começa na boca efetivamente. Embora, nenhuma hidrólise de triglicérides
ocorra na boca, os lipídeos estimulam a secreção da lipase das glândulas serosas
na base da língua (lipase lingual), mas tem muito pouco de ação digestiva.

No estômago, o quimo sofre a ação da lipase gástrica, porém, o pH ácido do


estômago impede a ação integral dessa lipase, diminuindo a velocidade de sua
ação enzimática, havendo a quebra de algumas ligações de ácidos graxos de
cadeia curta. A ação gástrica na digestão dos lipídios com os movimentos peristál-
ticos do estômago, produz a emulsificação dos lipídios, deixando-os prontos para
passarem ao intestino (ANDRADE et al., 2006; MUSSOI, 2017).

42
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

No duodeno, o quimo está acidificado pelo ácido do estomago, isso induz a libe-
ração do hormônio colecistocinina CCK (pancreozimina) que, por sua vez, promove a
contração da vesícula biliar, liberando a bile para o duodeno e estimulando a secreção
pancreática para a digestão dos lipídeos (ANDRADE et al., 2006; MUSSOI, 2017).

Os ácidos biliares são derivados do colesterol e sintetizados no fígado. São


denominados primários (ácido cólico, taurocólico, glicocólico, quenodesoxicólico
e seus derivados) quando excretados no duodeno, sendo convertidos em secun-
dários (desoxicólico e litocólico) por ação das bactérias intestinais. A bile ainda
excreta o colesterol sanguíneo juntamente com a bilirrubina (produto final da de-
gradação da hemoglobina) (ANDRADE et al., 2006).

Os sais biliares fazem a emulsificação da gordura para que a enzima lipa-


se pancreática possa agir, quebrando os triglicerídeos em diglicerídeos e ácidos
graxos livres. Os diglicerídeos sofrem uma nova ação da lipase, dando origem a
monoglicerídeos, ácidos graxos e glicerol. Cerca de 70% dos diglicerídeos são
absorvidos pela mucosa intestinal, o restante (30%) é o que será convertido em
monoglicerídeos, glicerol e ácidos graxos. A CCK possui, ainda, a função de es-
timular o pâncreas para a liberação do suco pancreático juntamente com outro
hormônio liberado pelo duodeno, a secretina (WHITNEY; ROLFES, 2008).

FIGURA 8 – DIGESTÃO DE GORDURAS NO TRATO GASTRINTESTINAL

FONTE: Adaptado de Whitney e Rolfes (2008)

43
Bioquímica da Nutrição Esportiva

O suco pancreático possui várias enzimas digestivas (principalmente proteases


e glicosidases). Os ácidos graxos livres e monoglicerídeos produzidos pela digestão
formam complexos chamados micelas, que facilitam a passagem dos lipídeos através
do ambiente aquoso do lúmen intestinal para a borda em escova. Os sais biliares são
então liberados de seus componentes lipídicos e devolvidos ao lúmen do intestino
(GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

6.3 ABSORÇÃO E TRANSPORTE DOS LIPÍDIOS


Na célula da mucosa, os AG e os monoglicerídeos são reagrupados em no-
vos triglicerídeos, estes juntamente com o colesterol e os fosfolipídios são cir-
cundados e são chamados de quilomícrons (QM). Os QM são transportados e
esvaziados na corrente sanguínea, então são levados para o fígado, onde os
triglicerídeos são reagrupados em lipoproteínas e transportados especialmente
para o tecido adiposo, para o metabolismo e para o armazenamento.

O Colesterol é absorvido de modo semelhante após ser hidrolisado da forma


de éster pela esterase colesterol pancreática. As vitaminas lipossolúveis A, D, E e
K também são absorvidas de maneira micelar (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005;
CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

Os quilomicrons atingem finalmente a corrente sanguínea, mas antes de


chegar ao fígado, eles passam pelo tecido muscular e adiposo, aumentando sua
densidade, pois são enriquecidos com proteínas, podendo resultar em: VLDL
(Very Low Density Lipoprotein), com 80-90% de lipídios; LDL (Low Density Lipo-
protein), com 70% lipídios; e HDL (High Density Lipoprotein), com 45% de lipídios.
O tamanho da lipoproteína se refere à quantidade de proteína e lipídio, sendo que
VLDL apresenta mais lipídio e menos proteína, enquanto que o HDL é o inverso.
O LDL também leva triglicérides para os tecidos.

O HDL troca colesterol por triglicérides com os tecidos e então volta para o
fígado e recolhe colesterol dos quilomicrons, este colesterol que foi recolhido é
então excretado na forma de sais biliares (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CAR-
DOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

Quando necessário, a gordura armazenada é hidrolisada em glicerol e áci-


dos graxos que são lançados na corrente sanguínea como ácidos graxos livres,
podendo ser utilizados pelo fígado e músculos. Células musculares degradam e
queimam ácidos graxos até CO2 e H2O, utilizando a energia liberada para a produ-
ção de ATP para a contração muscular.

O fígado utiliza ácidos graxos para a produção de triglicerídeos e colesterol, que


são utilizados para a produção de sais biliares e corpos cetônicos que serão lança-
dos para a corrente sanguínea e consumidos pelos músculos em caso de excesso,
excretado pelos pulmões e rins. Assim, o fígado é o principal sintetizador de gordura
(GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).
44
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

6.4 DIGESTÃO DE PROTEÍNAS


As proteínas ingeridas não sofrem na boca modificações químicas, elas são
apenas reduzidas a partículas menores. No estômago, as proteínas e polipeptí-
dios são desnaturados por ação do HCl e hidrolisadas pela pepsina. A digestão no
estômago representa apenas 10-20% da digestão total proteica.

A maior parte desta digestão ocorre no lúmen do duodeno e jejuno sob a


influência do suco pancreático, processando-se, quase completamente, no íleo
terminal. No intestino delgado, a enteropeptidase, em pH neutro, ativa o tripsi-
nogênio a tripsina que, por sua vez, promove a ativação das outras propeptida-
ses do suco pancreático. Ocorre, então, a hidrólise de proteínas e polipeptídios,
produzindo aminoácidos (AA) livres e pequenos peptídios (2-6 aminoácidos). Os
AA e pequenos peptídios, produtos da hidrólise luminal, são então hidrolisados
pelas peptidases da borda em escova a AA, di e tripeptídios que são absorvidos,
principalmente, no jejuno proximal (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO,
2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

FIGURA 9 – DIGESTÃO DE PROTEÍNAS NO TRATO GASTRINTESTINAL

FONTE: Adaptado de Whitney e Rolfes (2008)

45
Bioquímica da Nutrição Esportiva

6.5 ABSORÇÃO E TRANSPORTE DE


PROTEÍNAS
Após a digestão, os peptídeos e os aminoácidos absorvidos são transporta-
dos ao fígado através da veia porta. Esse processo produz compostos nitrogena-
dos tóxicos como a amônia (NH3), a qual precisa ser convertida em compostos
menos tóxicos para ser eliminada pelo organismo. A ureia é um composto orgâni-
co menos tóxico do que a amônia, de fórmula química CH4N2O, que será filtrada
pelos rins e eliminada na urina.
O conjunto de reações de conversão da amônia em ureia para a sua elimina-
ção, compõe o que chamamos de ciclo da ureia, que ocorre no fígado. Apenas
1% da proteína ingerida é excretada nas fezes (WHITNEY; ROLFES, 2008).
Os aminoácidos participarão na construção e manutenção e renovação dos
tecidos, formação de enzimas, hormônios, anticorpos, no fornecimento de energia
e na regulação de processos metabólicos (anabolismo e catabolismo) (WHITNEY;
ROLFES, 2008).

6.6 DIGESTÃO E ABSORÇÃO DE


VITAMINAS E MINERAIS
Os micronutrientes não sofrem digestão, pois são absorvidos na forma como
são ingeridos, sendo alguns transformados na sua forma ativa para então serem
absorvidos por transporte ativo na luz intestinal ou passivo. Como citado ante-
riormente, os minerais e vitaminas podem ter sua biodisponibilidade reduzida por
fatores antinutricionais, como o fitato, a cafeína e a presença de cálcio, que pode
reduzir a absorção de ferro e zinco, entre outras (COZZOLINO, 1997).

7 METABOLISMO ENERGÉTICO
O organismo humano é um todo feito de muitas partes e processos. O me-
tabolismo é a soma de vários processos químicos pelos quais a energia se torna
disponível para o funcionamento do organismo. Existem duas fases no metabolis-
mo: a fase anabólica e a catabólica (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDO-
SO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

A fase anabólica inicia quando há ingestão de alimento (refeição). Ocorre a


quebra do jejum, então se tem a liberação de insulina, que é um hormônio com
ação anabólica. A fase anabólica pode se prolongar por 4 a 6 horas, dependendo
da quantidade de alimento e nutrientes ingeridos. É a fase de armazenamento ou
síntese de energia (glicogênese, lipogênese e síntese proteica) (GIBNEY; VORS-
TER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

46
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

A fase catabólica é o processo inverso da anabólica. Acontece no jejum, du-


rante o repouso, ou durante a prática de exercícios. Por exemplo, é quando ocorre
a mobilização das reservas energéticas com ação dos hormônios catabólicos glu-
cagon e cortisol. Ocorre, nesse momento, a quebra das moléculas armazenadas
para a produção de energia, ou seja, é o momento da lipólise, glicólise, neoglico-
gênese e proteólise. No jejum noturno, chama-se de fase catabólica fisiológica,
na qual o organismo se mantém com uma taxa menor de lipólise sem prejudicá-lo
(GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

FIGURA 10 – MANUTENÇÃO DA HOMEOSTASE DA GLICEMIA

FONTE: Adaptado de Whitney e Rolfes (2008)

7.1 ATP: Adenosina Trifosfato


Antes de entender os processos de obtenção de energia, você deve saber
como a energia fica armazenada nas células até o momento de uso. Quem faz isso,
é o ATP (Adenosina Trifosfato), molécula responsável pela liberação de energia na
quebra da glicose. Ele é formado por adenina e ribose, formando a adenosina.

47
Bioquímica da Nutrição Esportiva

Assim, a adenosina se une a três radicais fosfato, formando a adenosina tri-


fosfato. A ligação entre os fosfatos é altamente energética. No momento em que
a célula precisa de energia para alguma reação química, as ligações entre os
fosfatos são quebradas e a energia é liberada (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005;
CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

7.2 MECANISMOS PARA OBTENÇÃO


DE ENERGIA
A fotossíntese é um processo de síntese da glicose a partir de gás carbônico
(CO2) e água (H2O), na presença de luz. Ela corresponde a um processo realizado
por seres que possuem clorofila, como as plantas, as bactérias e as cianobacté-
rias (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES,
2008).

A respiração celular é o processo de quebra da molécula de glicose para a


liberação da energia que nela se encontra armazenada e é o que ocorre na maio-
ria dos seres vivos. Esta pode ser realizada na presença (aeróbia) ou ausência
de oxigênio (anaeróbia). A respiração aeróbia ocorre através de três fases: a gli-
cólise, o ciclo de Krebs e a cadeia respiratória, a fosforilação oxidativa (GIBNEY;
VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

A glicólise é a primeira etapa da respiração celular e ocorre no citoplasma


das células. Ela consiste em um processo bioquímico em que a molécula de gli-
cose (C6H12O6) é quebrada em duas moléculas menores de ácido pirúvico ou pi-
ruvato (C3H4O3) (GIBNEY; VORSTER; KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY;
ROLFES, 2008).

O Ciclo de Krebs corresponde a uma sequência de oito reações, ocorrendo


na matriz mitocondrial das células. Ele tem a função de promover a degradação
de produtos finais do metabolismo dos carboidratos, lipídios e de diversos ami-
noácidos. Essas substâncias são convertidas em acetil-CoA, com a liberação de
CO2 e H2O e síntese de ATP.

48
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

QUADRO 14 – CICLO DE KREBS – PRODUÇÃO DE


ENERGIA PARA AS FUNÇÕES VITAIS

FONTE: <www.ufpel.edu.br>. Acesso em: 12 dez. 2020

A fosforilação oxidativa é o estágio final do metabolismo energético dos orga-


nismos aeróbicos. Responsável pela maior parte da produção de energia, o saldo
energético é de 38 ATPs. Durante a glicólise e ciclo de Krebs, parte da energia
produzida na degradação de compostos foi armazenada em moléculas intermedi-
árias, como o NAD+ e o FAD. Essas moléculas intermediárias liberam os elétrons
energizados e os íons H+ que irão passar por um conjunto de proteínas transpor-
tadoras que constituem a cadeia respiratória. Assim, os elétrons perdem sua ener-
gia que passa a ser armazenada nas moléculas de ATP (GIBNEY; VORSTER;
KOK, 2005; CARDOSO, 2006; WHITNEY; ROLFES, 2008).

49
Bioquímica da Nutrição Esportiva

FIGURA 11 – RESUMO DA PRODUÇÃO DE ENERGIA VIA CICLO DE KREBS

FONTE: <https://biologiaparaavida.com/2016/08/21/bioenerge-
tica-respiracao-parte-i/>. Acesso em: 12 dez. 2020

13 - Se as células musculares podem obter energia por meio da


respiração aeróbica ou da fermentação, quando um atleta
desmaia após uma corrida de 1000 m por falta de oxigenação
adequada de seu cérebro, o gás oxigênio que chega aos mús-
culos também não é suficiente para suprir as necessidades
respiratórias das fibras musculares, que passam a acumular:
( ) Glicose.
( ) Ácido acético.
( ) Ácido lático.
( ) Gás carbônico.
( ) Álcool etílico.

14 - São processos biológicos relacionados diretamente a trans-


formações energéticas celulares:
( ) Respiração e fotossíntese.
( ) Digestão e excreção.
( ) Respiração e excreção.
( ) Fotossíntese e osmose.
( ) Digestão e osmose.

50
Capítulo 1 BIOQUÍMICA E METABOLISMO DE NUTRIENTES

15 - O processo de respiração celular é responsável por:


( ) Consumo de dióxido de carbono e liberação de oxigênio para as
células.
( ) Síntese de moléculas orgânicas ricas em energia
( ) Redução de moléculas de dióxido de carbono em glicose.
( ) Incorporação de moléculas de glicose e oxidação de dióxido de
carbono.
( ) Liberação de energia para as funções vitais celulares.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Vamos fazer algumas considerações sobre o que você aprendeu neste pri-
meiro capítulo. Começamos falando sobre as funções e estruturas químicas dos
macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos), da água e dos micronutrien-
tes (vitaminas e minerais).

A ênfase foi dada para a função, importância biológica e fontes alimentares


de cada um para você compreender em quais alimentos há presente cada um
dos nutrientes e quais as funções que eles desempenham no organismo humano,
pois, do contrário, teremos carências ou toxicidade que são situações indesejá-
veis ao bom funcionamento do organismo.

A biodisponibilidade de nutrientes foi citada quando se falou de carboidratos,


bem como dos micronutrientes, pois o que for ingerido deve ser absorvido e utili-
zado, não podendo se perder no caminho.

Foram disponibilizados alguns links de sites com assuntos sobre nutrição es-
portiva ao longo de todo o capitulo para que você pesquise sobre o que veremos
nos demais capítulos. Na sequência foi abordado o metabolismo dos nutrientes,
resumindo o processo de digestão e absorção dos nutrientes para que, por último,
fosse possível a sua compreensão e aprendizado sobre o metabolismo energéti-
co, como o organismo obtém, armazena e mobiliza a energia que é vital ao orga-
nismo dos seres vivos, em especial para o metabolismo do corpo humano.

Assim, o ciclo de Krebs não poderia deixar de ser apresentado, sistema tão
temido em bioquímica por ser uma série de reações químicas que ocorrem em ca-
deia, mas que no fim das contas produz energia (ATP), molécula tão nobre, sendo
o combustível para o todas as reações metabólicas.

51
Bioquímica da Nutrição Esportiva

De forma intercalada algumas questões de estudo foram colocadas como


forma de fixação e apreensão do conteúdo, bem como esquemas, quadros e ima-
gens para facilitar o entendimento do conteúdo, para que ao final você pudesse
compreender a importância do todo e seguir em frente nos demais capítulos sobre
fisiologia do esporte e nutrição aplicada à atividade física e performance.

Espero que você esteja animado(a).


Você sairá desta disciplina com grandes conhecimentos sobre nutrição es-
portiva!

REFERÊNCIAS
ANDRADE, P. M. M.; RIBEIRO, B. G.; DO CARMO, M. G. T. Papel dos lipídios
no metabolismo durante o esforço. Instituto de Nutrição Josué de Castro,
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. MN - Metabólica - abril/
junho 2006; v. 8, n. 2., p.80-88.

ABATH, T. Substitutos de leite animal para intolerantes à lactose. 2013. 34f.


Monografia (Bacharelado em Nutrição) – Universidade de Brasília, 2013.

ARAÚJO, G. D. et al. Aspectos morfológicos e fisiológicos de glândulas mamárias


de fêmeas bovinas – revisão de literatura. PUBVET. Londrina, v. 6, n. 36, Ed.
223, Art. 1478, 2012.

BERNAUD, F. S. R.; RODRIGUES, T. C. Fibra alimentar: ingestão adequada


e efeitos sobre a saúde do metabolismo. Arq Bras Endocrinol Metab [online].
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53
Bioquímica da Nutrição Esportiva

54
C APÍTULO 2
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE
NUTRIENTES NO EXERCICIO E NO
ESPORTE
A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes
objetivos de aprendizagem:

 Conhecer o metabolismo energético e a contribuição dos nutrientes no exercí-


cio e no esporte.

 Considerar a bioquímica do sangue, tecidos e variações metabólicas que irão


interferir diretamente na prática de esportes e na performance do atleta de
acordo com as exigências das diferentes modalidades esportivas.

 Diferenciar as contribuições metabólicas e fisiológicas dos nutrientes no exercí-


cio e no esporte.

 Estar apto a aplicar os conhecimentos adquiridos para o entendimento das par-


ticularidades na prescrição dietética na prática de exercícios e esportes.
Bioquímica da Nutrição Esportiva

56
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Vamos continuar nossa viagem? A partir de agora vamos entrar no campo da
fisiologia do exercício. Segundo Wilmore e Costill (2001), a Fisiologia do Exercício
(também chamada de Fisiologia do Esforço ou da Atividade Física) é uma área do
conhecimento derivada da disciplina Fisiologia, que estuda como as funções or-
gânicas respondem e se adaptam ao estresse imposto pelo exercício físico. Ela é
caracterizada pelo estudo dos efeitos agudos e crônicos do exercício físico sobre
as estruturas e as funções dos sistemas do corpo humano.

Com isso, você conseguirá identificar os sistemas de produção de energia


e sua relação com as demandas metabólicas nutricionais que justificarão a pres-
crição de determinados nutrientes vistos nos capítulos deste livro. Assim, ao es-
tudarmos o metabolismo energético, a bioquímica do sangue e os tecidos, alguns
conceitos básicos serão relembrados no início do capítulo para que você não te-
nha dúvidas e para que você possa organizar seu pensamento e raciocínio no
andamento dos conteúdos.

2 FISIOLOGIA E METABOLISMO DE
NUTRIENTES NO EXERCÍCIO E NO
ESPORTE
Antes de iniciarmos, é importante relembrar alguns conceitos como o de
exercício e atividade física para que você não tenha problemas na compreensão
dos conteúdos que serão abordados neste momento, uma vez que são frequen-
temente confundidos por muitas pessoas, inclusive em publicações na internet.

O quadro a seguir mostra conceitos importantes que serão citados ao longo


deste livro.

QUADRO 1 – DIFERENÇAS ENTRE AS DEFINIÇÕES


DE ATIVIDADE FÍSICA E EXERCÍCIO
Definição Exemplos
Qualquer movimento corporal pro- Andar, correr, andar de bicicleta,
duzido pela contração da muscu- subir escadas, caminhar de casa
Atividade Física latura esquelética (voluntária), que até o supermercado.
aumenta o gasto energético acima
do nível basal.

57
Bioquímica da Nutrição Esportiva

É a atividade física repetida, pro- Musculação, futebol, natação,


Exercício ou Exercício
gramada e que tem como objetivo triatlo.
Físico
obtenção ou melhora da aptidão física.
FONTE: Adaptado de McArdle e Katch et al. (2014)

2.1 ESPORTE
O termo esporte pode ser definido como uma forma de atividade física pra-
ticada com finalidade recreativa, educativa, sociocultural, profissional, ou como
meio de melhorar a saúde. Também pode ser definido como um sistema ordenado
de práticas corporais com certa complexidade que envolve atividades de com-
petição institucionalmente regulamentada, que se fundamente na superação de
competidores ou de marcas/resultados anteriores estabelecidos pela categoria ou
esporte (GENERALITAT DE CATALUNYA, 1991; GUEDES et al., 1995; BRASIL, 2004).

FORJAZ, C. L. M; TRICOLI, V. V. A Fisiologia em Educação Físi-


ca e Esporte. Rev. bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v.25, p.7-13.
2011. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbefe/v25nspe/02.pdf

2.2 PERFORMANCE
Performance, ou Desempenho Esportivo, é a capacidade física definida
como o potencial anátomo-fisiológico que o atleta possui, cabendo ao preparador
físico utilizar métodos de treinamento e controle para que o treinador possa usu-
fruir deste atleta com plenitude física (AOKI, 2002).

2.3 ATLETA AMADOR, ATLETA


PROFISSIONAL E ESPORTISTA
O esportista, ou desportista, é aquela pessoa que realiza alguma atividade
esportiva, que se dedica a um esporte como corrida, natação e esportes coletivos
sem caráter profissional. A palavra atleta provém do grego athletes e do termo

58
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

aethos, que significa esforço. O atleta é aquele que pratica alguma modalidade
relacionada ao esporte, mais especificamente ao atletismo. Atualmente o termo
“atleta” estende-se a outros esportes.

O atleta amador é aquele que pratica esportes por lazer e sem a intenção
de rendimentos financeiros pela prática da atividade. O atleta profissional, ou de
elite, é o que atinge altos níveis de desempenho, tendo como foco a competição,
dedica grandes jornadas de horas durante os seus treinos e preparação física.
Em resumo, o atleta profissional tem a prática de esporte como sua profissão e
rendimento financeiro.

2.4 ESPORTE DE ALTO RENDIMENTO


Caracteriza-se o esporte de alto rendimento como estruturado, orientado a
uma tarefa e com demanda de comprometimento e esforço, sendo esse o nível
que define o esporte profissional, bem como o ápice da carreira esportiva (DIMAN-
DE, 2010).

A própria definição de esporte de alto rendimento assemelha-se muito com a


definição de trabalho, que consiste na força concentrada dos esforços de um indi-
víduo para executar uma tarefa ou meta (CAMPOS et al., 2017).

Os esportes de alto rendimento, por exemplo, corridas e natação de longa


distância, ciclismo, triathlon, entre outros que envolvem a prática de atividades
que promovem grande gasto energético durante um longo período, geralmente
acima de duas horas de duração (GUEDES et al., 1995).

2.5 ENDURANCE
O treinamento de endurance é caracterizado pelo alto volume (tempo e re-
petições) e baixa intensidade (carga) de trabalho, o que possibilita a melhora no
desempenho em provas de longa duração, porém com baixa margem de efeito na
flexibilidade muscular e na potência aeróbia, ou ainda, a capacidade de resistên-
cia aeróbia de longa duração, ou seja, a capacidade de manter contrações mus-
culares por um período de tempo prolongado (WEINECK, 1991).

59
Bioquímica da Nutrição Esportiva

2.6 EXERCÍCIOS DE FORÇA E


EXERCÍCIOS DE RESISTÊNCIA
Resistência, segundo Weineck (1991), pode ser definida como a capacidade
psicofísica do indivíduo resistir à fadiga sob a forma de resistência muscular loca-
lizada em geral; aeróbia ou anaeróbia, de curta, média e longa duração; resistên-
cia de força, resistência de força rápida e resistência de velocidade.

2.7 MÚSCULOS
São estruturas individualizadas que cruzam uma ou mais articulações, sendo
responsáveis pelo movimento que é efetuado por células especializadas denomi-
nadas fibras musculares. Assim, os músculos são capazes de transformar energia
química em energia mecânica. Os músculos representam entre 40-50% do peso
corporal total de um indivíduo (GUEDES et al., 1995).

3 FADIGA MUSCULAR
Conjunto de manifestações produzidas por trabalho, ou exercício prolonga-
do, tendo como consequência a diminuição da capacidade funcional de manter
ou continuar o rendimento esperado. A fadiga é o mecanismo de proteção para
impedir que se esgote completamente as reservas de energia do organismo. Ma-
nifesta-se por declínio do nível da atividade realizada, queda da força, espasmos
musculares e diminuição da velocidade (GUEDES et al., 1995).

4 VOLUME DE OXIGÊNIO MÁXIMO


(VO2MÁX)
VO2máx, ou volume de oxigênio (O2), é a capacidade máxima do corpo de um
indivíduo de transportar e metabolizar oxigênio durante a execução de um exer-
cício físico tipicamente feito em uma esteira ergométrica, sendo que a variável
fisiológica é a que melhor reflete a capacidade aeróbica de um indivíduo.

Embora a sigla tenha volume em seu nome, a variável expressa volume por
unidade de tempo, geralmente intervalo de um minuto. É uma grandeza expressa
em litros de oxigênio por minuto (LO2/min) de forma absoluta e em mililitros de

60
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

oxigênio por quilograma por minuto (mL/kg·min) de forma relativa ao peso do indi-
víduo. A forma relativa geralmente é usada para comparação entre diferentes atle-
tas (WILMORE; COSTILL, 2001; DLUGOSZ et al., 2013; MCARDLE et al., 2014).

O VO2máx é usado para medir o condicionamento e o quão condicionável é o


indivíduo, por isso, é o melhor índice fisiológico para classificação e triagem de
atletas (DLUGOSZ et al., 2013).

O VO2máx de um homem sedentário é aproximadamente 30 a


35 mL/kg/min, enquanto que os maratonistas têm um VO2máx de 70
mL/kg/min. Mulheres têm VO2máx um pouco menor, variando entre
20 a 25 mL/kg/min nas sedentárias, até 60 mL/kg/min nas atletas, por
possuírem naturalmente uma maior quantidade de gordura e menor
quantidade de hemoglobina.

Teste do VO2máx: para medir o VO2, pode-se realizar o teste


de ergoespirometria, também chamado de teste da capacidade pul-
monar, ou teste do esforço, que é realizado numa esteira ou bicicleta
ergométrica com a pessoa usando uma máscara no rosto e com ele-
trodos colados no corpo. Esse teste mede o VO2máx, a frequência
cardíaca, a troca de gases na respiração e a percepção de esforço
conforme a intensidade do treino.

O teste é normalmente solicitado pelo cardiologista ou médico do


esporte para avaliar atletas, ou para avaliar a saúde de pessoas que
sofrem de problemas pulmonares ou cardíacos, e em alguns casos,
também se mede a quantidade de lactato no sangue, no final do teste.

BRUCE, C. VO2 Máximo: O que é, como medir e como aumen-


tar. 2020.

Disponível em: https://www.tuasaude.com/vo2-máximo/

a) Limiar anaeróbio
Ponto onde a produção de lactato é aumentada, mas ainda existe um equilí-
brio entre a produção e a remoção, as fontes aeróbias continuam sendo predomi-
nantes no fornecimento de energia (MCARDLE; KATCH et al., 2014).

61
Bioquímica da Nutrição Esportiva

b) Lactato
Lactato é um composto orgânico produzido naturalmente pelo organismo,
principalmente pelos músculos, glóbulos vermelhos e células cerebrais durante a
produção de energia anaeróbica após a glicólise (o organismo busca esta energia
em fontes alternativas, produzindo o lactato). O acúmulo desta substância nos
músculos pode gerar uma hiperacidez, que causa dor e desconforto logo após o
exercício. Assim, a determinação da concentração sanguínea do lactato permite
avaliar indiretamente a acidose metabólica do exercício, sendo uma das ferra-
mentas em avaliação fisiológica de atletas (WILMORE; COSTILL, 2001; MCARD-
LE; KATCH et al., 2014).

c) Equivalente Metabólico (MET)


O equivalente metabólico (MET), múltiplo da taxa metabólica basal, equivale
à energia suficiente para um indivíduo se manter em repouso, representado na
literatura pelo consumo de oxigênio (VO2), aproximadamente 3,5 ml/kg/min.

Quando se exprime o gasto de energia em METs, representa-se o número de


vezes pelo qual o metabolismo de repouso foi multiplicado durante uma atividade.
Por exemplo, pedalar a quatro METs implica em gasto calórico quatro vezes maior
do que o que vigora em repouso (FARINATTI, 2003; MCARDLE; et al., 2014; CO-
ELHO-RAVAGNANI et al., 2013).

Para saber mais sobre os Equivalentes Metabólicos (MET) de


algumas modalidades esportivas. https://nutritotal.com.br/pro/mate-
rial/met-multiplos-de-equivalentes-metabolicos/

MET (Múltiplos de Equivalentes Metabólicos). Nutritotal. 2020.


Disponível em: https://nutritotal.com.br/pro/material/met-multi-
plos-de-equivalentes-metabolicos/

62
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

5 BIOQUÍMICA DO SANGUE,
TECIDOS ÓSSEOS E VARIAÇÕES
METABÓLICAS

5.1 BIOQUÍMICA DO SANGUE


O sangue humano faz parte do sistema circulatório, formado também pelo
coração e vasos sanguíneos. Sua principal função é a distribuição dos nutrientes,
gás oxigênio e hormônios para as células do corpo humano.

É formado pelo plasma (parte líquida do sangue que contém diversas substân-
cias), hemácias (glóbulos vermelhos), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas (frag-
mentos celulares). Os glóbulos e as plaquetas representam 45% da composição do
sangue, que circula pelos vasos sanguíneos (artérias, veias e capilares) (WILMORE;
COSTILL, 2001; DLUGOSZ et al., 2013; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

5.2 PLASMA SANGUÍNEO


É uma solução aquosa amarelada constituída de água, sais minerais e pro-
teínas. Sua função é transportar essas substâncias pelo corpo. O plasma repre-
senta cerca de 55% do volume sanguíneo e a água constitui 95% da massa, os
outros 5% são de proteínas, sais, hormônios, nutrientes, gases e excreções.

As principais proteínas do plasma são a albumina, com papel importante na


manutenção da pressão osmótica do sangue, e as imunoglobulinas, importantes
anticorpos (WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014; JUN-
QUEIRA; CARNEIRO, 2013).

a) Hemácias

Também chamadas de eritrócitos ou glóbulos vermelhos, são células com-


postas por moléculas de hemoglobina, proteína responsável pela cor vermelha do
sangue. Sua função é transportar o oxigênio. As hemácias correspondem a cerca
de 42 a 47% do volume do sangue. Homens adultos saudáveis possuem entre 4,1
e 6 milhões de hemácias por milímetros cúbicos de sangue. Já mulheres adultas
saudáveis, entre 3,9 e 5,5 milhões por milímetros cúbicos de sangue (WILMORE;
COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

63
Bioquímica da Nutrição Esportiva

b) Leucócitos

São os glóbulos brancos responsáveis por defender o organismo contra mi-


crorganismos invasores e correspondem a 1% do volume do sangue no corpo.
Em condições normais há entre 4 a 12 mil leucócitos em cada milímetro cúbico de
sangue humano (WILMORE; COSTILL, 2001; JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013).

c) Plaquetas (trombócitos)

São importantes na coagulação do sangue e correspondem a menos de 1%


do volume do sangue. O organismo humano possui cerca de 300 mil por milímetro
cúbico. No caso de um ferimento, as plaquetas são ativadas e aderem ao local da
lesão, liberando a enzima tromboplastina, que resulta na coagulação do sangue
(WILMORE; COSTILL, 2001).

5.3 BIOQUÍMICA DO TECIDO


MUSCULAR
O tecido muscular possui células alongadas e ricas em filamentos contráteis.
As células musculares são alongadas, por isso também são chamadas de fibras
musculares, compostas por filamentos de actina e de miosina, responsáveis pela
sua contração (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013).

A matriz extracelular consiste na lâmina basal (ou externa) e nas fibras reti-
culares. As células musculares lisas secretam colágeno, elastina, proteoglicanas
e fatores de crescimento, sendo que alguns desses elementos ajudam na adesão
entre as células. O tecido muscular é dividido em: músculo estriado esquelético,
músculo estriado cardíaco e músculo liso (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013).

As células do músculo estriado esquelético são originadas da fusão de cente-


nas de células precursoras, os mioblastos, o que as tornam grandes e alongadas,
de formato cilíndrico e com diâmetro de 10 a 100µm, até 30cm de comprimento e
são multinucleadas em posição periférica (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013).

64
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

FIGURA 1 – CÉLULAS MUSCULARES

FONTE: <www.descomplica.com.br/caracteristicas>. Acesso em 12 dez. 2020

As células musculares esqueléticas do adulto não se dividem. No entanto,


é possível a formação de novas células no processo de reparo após lesão ou de
hipertrofia decorrente do exercício intenso através da divisão e fusão de mioblas-
tos quiescentes, as células satélites. Elas são fusiformes, mononucleadas, com
o núcleo escuro e menor do que aquele da célula muscular. Estão posicionadas
entre a lâmina basal e a membrana plasmática dessa célula. O termo esquelético
é devido à sua localização, já que está ligado ao esqueleto. Esse músculo está
sob controle voluntário (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013).

As células possuem uma pequena quantidade de retículo endoplasmático


rugoso e ribossomos. O retículo endoplasmático liso (geralmente chamado de re-
tículo sarcoplasmático) é bem desenvolvido e armazena íons Ca2+, importantes
para o processo de contração. As mitocôndrias são numerosas nas fibras tipo I e
fornecem energia ao processo.

Para a obtenção da energia, elas armazenam glicogênio e gotículas lipídicas.


Contêm pigmentos de mioglobina, que são proteínas transportadoras de oxigênio
semelhantes à hemoglobina (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013).

O músculo estriado cardíaco apresenta estriações devido ao arranjo dos fila-


mentos contráteis e localiza-se no coração. É formado por células cilíndricas (10
a 20µm de diâmetro e 80 a 100µm de comprimento), ramificadas, com um ou dois
núcleos em posição central ou próxima.

65
Bioquímica da Nutrição Esportiva

Quase metade do volume celular é ocupado por mitocôndrias, o que reflete


a dependência do metabolismo aeróbico e a necessidade contínua de ATP. Gli-
cogênio e gotículas lipídicas formam o suprimento energético. Como o consumo
de oxigênio é alto, há uma abundante quantidade de mioglobina. O retículo endo-
plasmático é relativamente esparso (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013).

As células do músculo liso são fusiformes, com 3 a 10µm de diâmetro (na


região mais larga, onde está o núcleo) e comprimento variado, sendo 20µm nos
pequenos vasos sanguíneos, 200µm no intestino e 500µm no útero gravídico com
núcleo central e alongado.

A disposição dos feixes de filamentos contráteis em diferentes planos faz


com que as células não apresentem estriações, por isso a denominação de mús-
culo liso. A contração desse músculo é involuntária e lenta, controlada pelo siste-
ma nervoso autônomo (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013).

Contração Muscular

A contração muscular refere-se ao deslizamento da actina sobre


a miosina nas células musculares, permitindo os movimentos do cor-
po. As fibras musculares contêm os filamentos de proteínas contrá-
teis de actina e miosina, dispostas lado a lado. Esses filamentos se
repetem ao longo da fibra muscular, formando o sarcômero.

O sarcômero é a unidade funcional da contração muscular. Para


que ocorra a contração muscular são necessários três elementos:

• Estímulo do sistema nervoso;


• As proteínas contráteis, actina e miosina;
• Energia para contração, fornecida pelo ATP.

O cérebro envia sinais através do sistema nervoso para o neurô-


nio motor que está em contato com as fibras musculares. Quando
próximo da superfície da fibra muscular, o axônio perde bainha de
mielina e dilata-se, formando a placa motora. Os nervos motores se
conectam aos músculos através das placas motoras.

66
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

FIGURA 2 – CONTRAÇÃO MUSCULAR

FONTE: <www.anatomiadocorpo.com>. Acesso em: 12 dez. 2020

Com a chegada do impulso nervoso, as terminações axônicas


do nervo motor lançam sobre suas fibras musculares a acetilcolina,
uma substância neurotransmissora. A acetilcolina liga-se aos recep-
tores da membrana da fibra muscular, desencadeando um potencial
de ação. Nesse momento, os filamentos de actina e miosina se con-
traem, levando à diminuição do sarcômero e consequentemente pro-
vocando a contração muscular (MCARDLE; KATCH et al., 2001).

5.4 PRINCIPAIS DETERMINANTES


DA FADIGA COM IMPLICAÇÕES
NUTRICIONAIS
• Depleção de glicogênio muscular e hepático;
• Níveis de glicose sanguínea reduzidos;
• Acidez muscular devido ao acúmulo de ácido láctico;
• Níveis de amônia no plasma e músculo;

67
Bioquímica da Nutrição Esportiva

• Volume sanguíneo corporal devido a desidratação;


• Temperatura corporal em função da desidratação (MCARDLE; KATCH et
al., 2014).

6 BIOQUÍMICA DO TECIDO ÓSSEO,


CONJUNTIVO E VARIAÇÕES
METABÓLICAS
O osso é um tecido multifuncional, metabolicamente muito ativo e constituído
por uma população heterogênea de células, em diferentes estágios de diferencia-
ção celular. Está em equilíbrio dinâmico, com regulação da mobilização e deposi-
ção mineral durante toda a vida.

É um tecido que metabolicamente sofre processo contínuo de renovação e


remodelação. Esta atividade é consequência, em sua maior parte, da atividade de
dois tipos celulares principais e característicos do tecido ósseo: os osteoblastos
e os osteoclastos. Há também um terceiro tipo celular, os osteócitos, que são
derivados dos osteoblastos e metabolicamente menos ativos (JUNQUEIRA; CAR-
NEIRO, 2013).

O processo de remodelação óssea se desenvolve com base em dois proces-


sos antagônicos, mas acoplados: a formação e a reabsorção ósseas. O acopla-
mento dos dois processos permite a renovação e a remodelação óssea, é mantido
a longo prazo por um complexo sistema de controle que inclui hormônios, fatores
físicos e fatores humorais locais.

Uma série de condições, como idade, doenças ósteo-metabólicas, mobilida-


de diminuída, ação de algumas drogas etc., podem alterar este equilíbrio entre
formação e reabsorção, levando ao predomínio de um sobre o outro.

Nutrientes presentes em menores quantidades nas dietas, os minerais são


fundamentais para o funcionamento das rotas metabólicas. A interação entre es-
tas classes de nutrientes é perfeita e a disponibilidade deles determina o melhor
desempenho dos animais. Os minerais apresentam uma função estrutural (ex.:
cálcio e fósforo) e/ou metabólica (MCARDLE; KATCH et al., 2014; JUNQUEIRA;
CARNEIRO, 2013).

O esqueleto contém 99% do Ca++ do organismo e funciona como uma reser-


va desse íon, cuja concentração no sangue (calcemia) deve ser mantida constan-
te para o funcionamento normal do organismo.

68
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

Há um intercâmbio contínuo entre o Ca++ do plasma sanguíneo e o dos os-


sos. O Ca absorvido da alimentação que faria aumentar a concentração sanguí-
nea deste íon é depositado rapidamente no tecido ósseo, e, inversamente, o Ca++
dos ossos é mobilizado quando diminui sua concentração no sangue (MCARDLE;
KATCH et al., 2014; JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013).

O osso é constituído aproximadamente por 70% de minerais, 20% de matriz


orgânica e cerca de 10% de água, o que o diferencia de outros tecidos conjuntivos
menos rígidos (RATH et al., 2000).

A matriz mineral, ou inorgânica, é formada predominantemente por Ca++ e P


na forma de cristais de hidroxiapatita Ca3(PO4)2, constituindo aproximadamente de
60 a 70% do peso do osso e sendo responsável pelas propriedades de rigidez e
resistência à compressão. Outros minerais também são encontrados, como 13% de
carbonato de Ca (CaCO3) e 2% de fosfato de magnésio Mg (PO4) (FIELD, 2000).

Para a homeostase do Ca, três hormônios estão envolvidos com grande im-
portância no controle do seu metabolismo: a vitamina D ativa, o Paratormônio
(PTH) e a calcitonina.

O osso está intimamente relacionado ao processo de crescimento do orga-


nismo, sofrendo adaptações constantes quanto à sua constituição, podendo estar
hipertrofiado quando é mais exigido, ou atrofiado, quando em desuso. Serve de
reserva metabólica de cálcio e fósforo no organismo, os quais podem ser mobili-
zados durante alterações da homeostase (MCARDLE; KATCH et al., 2014).

A matriz extracelular, em sua maior parte, é composta por colágeno, substân-


cia fundamental. O colágeno é encontrado em todos os tecidos do corpo, sendo
uma proteína fibrosa sintetizada por fibroblastos e células relacionadas, tais como
os condroblastos da cartilagem e os osteoblastos do osso.

A formação de fibrilas de colágeno envolve reações no meio intracelular e ex-


tracelular. As ligações cruzadas são as principais responsáveis pela estabilização
da molécula e das fibras de colágeno e pela modulação das propriedades de resis-
tência à tração conferida ao osso pelo colágeno, conferindo força ao tecido para su-
portar tais pressões (WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

69
Bioquímica da Nutrição Esportiva

6.1 CONTRIBUIÇÃO METABÓLICA


DOS TECIDOS HEPÁTICO, RENAL,
CARDÍACO E ADIPOSO PARA O
DESEMPENHO MUSCULAR
No processo de contração, e consequente desempenho muscular, ajustes
químicos, neurais e hormonais ocorrem antes e durante a prática de exercícios.
Antes ou após o início do exercício, ocorrem alterações cardiovasculares a partir
dos centros nervosos que estão acima da região medular.

Tais ajustes proporcionam um aumento significativo na frequência e na força


de bombeamento do coração, bem como promovem alterações previsíveis no flu-
xo sanguíneo regional, que são proporcionais à intensidade do exercício (WILMO-
RE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

Com o prosseguimento da atividade física, a saída de informação simpática


colinérgica, junto com fatores metabólicos locais que atuam sobre os nervos qui-
miossensíveis, além de atuar diretamente sobre os vasos sanguíneos, causam
a dilatação dos vasos de resistência dentro do músculo (WILMORE; COSTILL,
2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

Essa resistência periférica reduzida permite que as áreas ativas recebam


maior irrigação sanguínea. Quando o exercício se prolonga, há ajustes de con-
tração adicionais nos tecidos menos ativos que, assim, mantêm uma pressão de
perfusão adequada, mesmo com uma grande vasodilatação muscular.

Essa ação permite a correta redistribuição do sangue para satisfazer as ne-


cessidades dos músculos ativos. Os nervos, os hormônios e os fatores metabó-
licos atuam sobre as bandas de músculo liso nos vasos sanguíneos. Isso causa
uma alteração de seu diâmetro interno, regulando o fluxo sanguíneo: as fibras
simpáticas adrenérgicas liberam noradrenalina, que causa vasoconstrição; e os
neurônios simpáticos colinérgicos secretam acetilcolina, que produz vasodilata-
ção (WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

O exercício físico produz dois tipos de reações do ponto de vista fisiológico,


de acordo com o tempo de duração em que se desenvolve: uma tem ação aguda,
como a resposta imediata ao estímulo do exercício; a outra tem ação cumulativa,
progressiva e sistemática no organismo, que age de forma crônica quando a ati-
vidade física é realizada por 24 semanas ou mais (WILMORE; COSTILL, 2001;
MCARDLE; KATCH et al., 2014).

70
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

O treinamento bem planejado permite modificações necessárias nas varia-


ções hematológicas, tanto com fins de alto rendimento, como nos programas de
saúde dirigidos à população e essas modificações são menos bruscas pela adap-
tação ao exercício (WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

A respiração é uma função vital do organismo, que tem como fim primordial
o aporte de O2 da atmosfera até os tecidos e a eliminação de CO2 para o exterior.
Para isso, o sistema respiratório usa uma série de músculos (músculos respirató-
rios), que produzem variações de pressão e volume na cavidade torácica, possibi-
litando a aeração dos alvéolos.

Durante o exercício vigoroso, a frequência respiratória de adultos jovens sa-


dios aumenta normalmente para 35-45 respirações/min (embora tenham sido re-
gistradas em esportistas de elite, frequências respiratórias tão altas quanto 60-76
durante exercício máximo). Volumes correntes de 2 L/min são comuns durante o
exercício (WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

Homens jovens sadios treinados alcançam durante um exercício intenso, um


volume ventilatório máximo de 140 a 180 L/min; as mulheres alcançam de 80 a
120 L/min. A diferença diminui nas esportistas de alto rendimento. Foram relata-
dos valores de 200 L/min em homens esportistas de competição de alto nível. Em
pacientes com patologia obstrutiva, diminui-se até 40% do considerado normal
com relação à idade e tamanho corporal.

O pH do sangue mantém-se levemente alcalino (7,4), qualidade que não


pode sofrer modificações importantes para a correta homeostase do organismo.
A realização do exercício sempre gera um aumento na produção de CO2, quase
sempre de ácido láctico e com um aumento da concentração do íon hidrogênio
(H+); por isso, durante o exercício há uma tendência à acidose metabólica. Isso
pode ser compensado com sistemas tamponadores, presentes nos líquidos cor-
porais, como o tampão bicarbonato, o fosfato e as proteínas plasmáticas.

Esses sistemas químicos esgotam-se com certa rapidez, razão pela qual ne-
cessitam de tamponadores físicos, como os pulmões e os rins, os quais atuam a
médio e longo prazos e, além disso, potencializam a atividade dos tamponadores
químicos (WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

O sistema endócrino é um dos grandes mecanismos de controle de que o


organismo dispõe, fundamentando-se nos mensageiros químicos, os hormônios,
que são produzidos em glândulas especializadas. Eles são liberados diretamente
no sangue e, assim, distribuem-se por todo o organismo e exercem suas ações a
distância nos órgãos-alvo correspondentes.

71
Bioquímica da Nutrição Esportiva

A secreção dos diferentes hormônios ocorre em resposta às alterações es-


pecíficas do meio, ou seja, do estimulo dos exercícios. Os hormônios são classi-
ficados de acordo com sua estrutura química em: peptídeos e derivados dos ami-
noácidos (que correspondem à maioria dos hormônios) e esteroides, derivados
do colesterol (que incluem hormônios do córtex suprarrenal, hormônios sexuais e
hormônios metabólitos ativos da vitamina D) (WILMORE; COSTILL, 2001; MCAR-
DLE; KATCH et al., 2014; SANDOVAL, 2014).

A resposta do hipotálamo ao exercício possui cronologicamente três compo-


nentes:

Uma resposta rápida a cargo do sistema simpático suprarrenal, com a li-


beração de catecolaminas (adrenalina, noradrenalina etc.), que se produzem até
antes do exercício em resposta a ordens recebidas de centros motores ou do
sistema límbico. No início do exercício incorporam-se estímulos procedentes dos
proprioceptores.

Uma resposta intermediária (após algum tempo de exercício) por meio da


secreção de hormônios hipofisários: hormônio de crescimento (GH), adrenocorti-
cotropina (ACTH), prolactina (PRL), hormônio antidiurético (ADH), TSH hipofisário
(hormônio tireoestimulante), etc. Estes, por sua vez, acompanham-se da produ-
ção de suas glândulas periféricas correspondentes, como, por exemplo, o ACTH
da hipófise e a produção de cortisol.

Um componente lento, depois de pelo menos 60 minutos de exercício, pro-


cedente das modificações do meio interno, como a hipoxia, o ácido láctico e, em
especial, a hipoglicemia, que modula as respostas anteriores e estimula a ativida-
de vagal, com secreção dos hormônios gastrenteropancreáticos, como glucagon,
insulina e peptídeo inibidor vasoativo (VIP) (WILMORE; COSTILL, 2001; MCARD-
LE; KATCH et al., 2014; SANDOVAL, 2014).

Assim, são acionados no metabolismo uma das duas fases, a anabólica ou a


catabólica, para que todo esse processo possa ocorrer com estímulo ou inibição
de hormônios. A seguir vamos falar sobre essas fases.

O início de um exercício se caracteriza pelo aumento plasmático da concentra-


ção da maioria dos hormônios, embora alguns diminuam. A resposta hormonal não
é determinada pelo exercício por si mesmo, mas pelas próprias necessidades das
células musculares ativas mediante sinais que provocam as modificações orgânicas.

Desse modo, por exemplo, o exercício físico prolongado aumenta a afinida-


de dos receptores para a insulina nos músculos (SANDOVAL, 2014; WILMORE;
COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

72
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

A duração e a intensidade do exercício estão muito relacionadas à produção


e ao equilíbrio dos hormônios. Com o treinamento, a célula muscular aumenta a
sensibilidade aos hormônios. Quando existe uma relação equilibrada entre treina-
mento e recuperação, os mecanismos de adaptação endócrina ao exercício fun-
cionam adequadamente (SANDOVAL, 2014; WILMORE; COSTILL, 2001; MCAR-
DLE; KATCH et al., 2014).

O metabolismo é o conjunto de todas as reações bioquímicas que ocorrem


no organismo, dividido em duas formas: o anabolismo e o catabolismo. A regula-
ção do metabolismo varia conforme as características de cada indivíduo, como:
peso, idade, sexo e atividades físicas exercidas.

O funcionamento adequado do nosso organismo depende do correto balan-


ceamento e integração entre o anabolismo e o catabolismo que podem ocorrem
na prática de exercícios (MCARDLE; KATCH et al., 2014).

FIGURA 3 – METABOLISMO ENERGÉTICO E A PARTICIPAÇÃO


DOS TECIDOS NA FASE ANABÓLICA

FONTE: A autora

73
Bioquímica da Nutrição Esportiva

O anabolismo compreende as reações que formam moléculas complexas a


partir de outras mais simples, com gasto de energia. Em resumo, o anabolismo é
o conjunto de reações de síntese ou construção. Pessoas que objetivam o ga-
nho de peso ou de massa muscular devem estimular o anabolismo.

Isso pode ser feito com a prática de exercícios físicos e consumo de alimen-
tos. Quando o suprimento de energia é pouco, o organismo realiza o catabolismo.
O catabolismo abrange todas as reações em que compostos orgânicos comple-
xos são convertidos em moléculas mais simples. Portanto, o catabolismo se re-
sume em reações de degradação ou quebra (MCARDLE; KATCH et al., 2014;
MORAES; MEDEIROS; MUSSOI apud MUSSOI, 2017).

FIGURA 4 – METABOLISMO ENERGÉTICO E A PARTICIPAÇÃO


DOS TECIDOS NA FASE CATABÓLICA

FONTE: A autora

7 SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE
ENERGIA
Nosso organismo precisa de energia para manter suas funções básicas,
como o metabolismo basal, respiração, contração muscular, crescimento, desen-
volvimento, entre outras.

74
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

Essa energia é obtida através dos sistemas de produção de energia que,


através do ATP, faz existir uma capacidade limitada de energia em cada célula.
Além disso, o organismo consegue obter energia de outras fontes, pois há um
“estoque” limitado de ATP no músculo.

Com a realização do exercício, há um aumento da demanda de energia ar-


mazenadas nas ligações do ATP, portanto, é necessário ressintetizar a molécula
para quebrá-la e gerar energia (MCARDLE; KATCH et al., 2014; MORAES; ME-
DEIROS; MUSSOI apud MUSSOI, 2017).

Os sistemas de produção de energia se dividem em: anaeróbios (ATP-CP


- glicogenólise e glicólise anaeróbia); e os aeróbios (vias oxidativas com degra-
dação de glicogênio, glicose, aminoácidos e ácidos graxos). Com isso, um indiví-
duo pode se manter em atividade por inúmeras horas (MCARDLE; KATCH et al.,
2014; MORAES; MEDEIROS; MUSSOI apud MUSSOI, 2017).

A escolha do substrato de energia utilizado durante o exercício irá depender


do tipo de exercício, intensidade e duração. São três os sistemas de produção/
obtenção de energia: ATP-CP (do fosfagênio) ou Anaeróbio Alático; ou Anaeróbio
lático ou glicolítico; e o sistema Aeróbio (MCARDLE; KATCH et al. 2014).

Lembremos que INTENSIDADE é o nível de esforço para a realização de


uma atividade física determinada pela frequência cardíaca durante o treino. É
importante ressaltar que essa afirmação é bastante discutível se o exercício for
aeróbio devido à quebra da linearidade entre FC e VO2 com aumento da intensi-
dade. Adicionalmente, ela é incorreta para exercícios anaeróbios.

A tabela a seguir apresenta uma classificação de intensidade do exercício


baseada em um treinamento de até 60 minutos, também descreve a relação entre
a intensidade relativa de esforço, baseada no percentual da FCmáx, no percentual
da reserva de FCmáx (ou no percentual do VO2máx) e o índice de percepção de es-
forço (IPE) da escala de Borg.

TABELA 1 – CLASSIFICAÇÃO DA INTENSIDADE DO EXERCÍCIO BASEA-


DA EM UM TREINAMENTO DE ENDURANCE DE 20 A 60 MINUTOS

Intensidade relativa (%) Índice de percepção do esforço Classificação de intensidade


FCmáx VO2máx
<35% <30 % <10 Muito leve
35-59% 30-49% 10-11 Leve
60-79% 50-74% 12-13 Moderada
80-89% 75-84% 14-16 Pesada
≥90% ≥85% >16 Muito pesada
FONTE: Adaptado de American College Of Sports Medicine (1998)

75
Bioquímica da Nutrição Esportiva

Posicionamento Oficial: a quantidade e o tipo recomendados


de exercícios para o desenvolvimento e a manutenção da aptidão
cardiorrespiratória e muscular em adultos saudáveis. Rev Bras Med
Esporte. Niterói, v. 4, n. 3, p. 96-106, 1998.

7.1 SISTEMA ATP-CP (DO FOSFAGÊNIO)


OU ANAERÓBIO ALÁTICO
O sistema ATP-CP é a forma mais rápida de ressintetizar energia. A fosfocre-
atina é armazenada nas células musculares. Ela é semelhante ao ATP por tam-
bém possuir uma ligação de alta energia no grupo fosfato.

A quantidade de ATP disponível a partir do sistema fosfagênio equivale a


uma quantidade entre 5,7 e 6,9 kcal, não representando muita energia para ser
utilizada durante o exercício (MCARDLE; KATCH et al., 2014).

O sistema do fosfagênio representa a fonte de energia disponível mais rápida


do ATP para ser usado pelo músculo, pois:

• Não depende de uma longa série de reações químicas;


• Não depende do transporte do oxigênio que respiramos para os múscu-
los que estão realizando trabalho;
• Tanto o ATP quanto o CP estão armazenados diretamente dentro dos
mecanismos contráteis dos músculos.

Ex.: As reservas de fosfagênio nos músculos ativos serão esgotadas, prova-


velmente, após 10 segundos de exercício extenuante, como: dar um pique de 80
metros, levantamento de peso (10/15s), 25m natação (11s), corrida de 100m (10s)
e cortada no voleibol (WILMORE; COSTILL, 2001).

7.2 SISTEMA ANAERÓBIO LÁTICO OU


GLICOLÍTICO
Esse sistema envolve a desintegração incompleta da glicose (carboidrato)
em ácido lático, que é então chamado de glicólise anaeróbia. Pode ser utilizado

76
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

dessa forma ou armazenado no fígado e nos músculos, como glicogênio muscular


e hepático.

A glicólise anaeróbia é mais complexa do que o sistema do fosfagênio, pois


envolve várias reações no processo. O acúmulo mais rápido e os níveis mais altos
de ácido lático são alcançados durante um exercício que pode ser sustentado por
60 a 180 segundos. Exemplo: corrida 400m (48s), natação 100m (54 s) e muscu-
lação (MCARDLE; KATCH et al., 2014).

7.3 SISTEMA AERÓBIO


Consiste no término da oxidação dos carboidratos, envolvendo a oxidação
dos ácidos graxos. São exercícios físicos de intensidade baixa a moderada com
a frequência cardíaca abaixo do limiar (demanda de ácido lático baixa) que pro-
move a transformação do ácido pirúvico em Acetil-CoA, causando a produção de
energia através do ciclo de Krebs. Exemplos: corridas 5000m, ciclismo (+10km),
aulas de hidroginástica (40-60 min) (WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KA-
TCH et al., 2014).

A leitura desse artigo é importante para complementar o enten-


dimento sobre o sistema aeróbio:

BERTUZZI, R. et al. Energy System Contributions during Incre-


mental Exercise Test. Journal of Sports Science and Medicine, v.
12, 2013. p. 454-460.

• Sistema ATP-CP: quebra do ATP, energia imediata (<10s), curta duração


e alta intensidade. Atividades de força e velocidade.
• Sistema Anaeróbio lático: quebra da glicose, energia a curto prazo (1 a 2
min), duração moderada e alta intensidade.
• Sistema aeróbio: intensidade baixa para moderada. Longa duração. Ati-
vidades de resistência.

Na presença de oxigênio, 1 mol de glicogênio é transformado completamente


em dióxido de carbono (CO2) e água (H2O), liberando energia suficiente para a

77
Bioquímica da Nutrição Esportiva

ressíntese de 38 mols de ATP. As reações do sistema do oxigênio ocorrem dentro


da célula, nas mitocôndrias, presentes em maiores proporções nos músculos es-
queléticos (WILMORE; COSTILL, 2001).

As reações do sistema aeróbio podem ser divididas em três séries principais:

a) Glicólise aeróbia

A glicose (C6H12O6) proveniente da degradação dos carboidratos se converte-


rá em duas moléculas de ácido pirúvico ou piruvato (C3H4O3). A glicose é degrada-
da através da Glicólise, e é uma das principais fontes de Acetil-CoA. A descarboxi-
lação oxidativa do piruvato dá início ao ciclo de Krebs. Ela corresponde à remoção
de CO2 do piruvato, gerando o grupo acetil, que se liga à coenzima A (CoA) e
forma o Acetil-CoA, conforme pode ser visto na Figura 5 (WILMORE; COSTILL,
2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

FIGURA 5 – GLICÓLISE AERÓBIA

FONTE: <http://educacao.globo.com/biologia>. Acesso em: 13 mar. 2020

b) Ciclo de Krebs

78
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

Também chamado de ciclo do ácido cítrico, ou ciclo do ácido tricarboxíli-


co, é uma das fases da respiração celular descoberta pelo bioquímico Hans Adolf
Krebs, no ano de 1938. Essa fase da respiração ocorre na matriz mitocondrial
(WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

No ciclo de Krebs, o ácido pirúvico (C3H4O3) proveniente da glicólise sofre


uma descarboxilação oxidativa pela ação da enzima piruvato desidrogenase, exis-
tente no interior das mitocôndrias dos seres eucariontes e reage com a coenzima
A (CoA). O resultado dessa reação é a produção de acetilcoenzima A (acetil-
-CoA) e de uma molécula de gás carbônico (CO2).

Em seguida, o acetil-CoA reage com o oxaloacetato, ou ácido oxalacético,


liberando a molécula de coenzima A, que não permanece ao ciclo, formando áci-
do cítrico (WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

Depois de formar o ácido cítrico, haverá uma sequência de oito reações, na


qual ocorrerá a liberação de duas moléculas de gás carbônico, elétrons e íons
H+. Ao final das reações, o ácido oxalacético é restaurado e devolvido à matriz
mitocondrial, onde estará pronto para se unir a outra molécula de acetil-CoA para
recomeçar o ciclo.

Os elétrons e os íons H+ que foram liberados nas reações são apreendidos


por moléculas de NAD, que se convertem em moléculas de NADH e também
pelo FAD (dinucleotídeo de flavina-adenina), outro aceptor de elétrons (WILMO-
RE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

No ciclo de Krebs, a energia liberada em uma das etapas forma, a partir


do GDP (difosfato de guanosina) e de um grupo fosfato inorgânico (Pi), uma mo-
lécula de GTP (trifosfato de guanosina), que difere do ATP apenas por conter a
guanina como base nitrogenada ao invés da adenina. O GTP é o responsável por
fornecer a energia necessária a alguns processos celulares, como a síntese de
proteínas (MCARDLE; KATCH et al., 2014).

Por fim, o ciclo de Krebs é uma reação catabólica porque promove a oxi-
dação do acetil-CoA a duas moléculas de CO2 e conserva parte da energia livre
dessa reação na forma de coenzimas reduzidas, que serão utilizadas na produção
de ATP na fosforilação oxidativa, a última etapa da respiração celular.

O ciclo de Krebs também tem função anabólica, sendo, por isso, classifica-
do como um ciclo anfibólico. Para que esse ciclo tenha ao mesmo tempo a função
anabólica e catabólica, as concentrações dos compostos intermediários formados
são mantidas e controladas através de um complexo sistema de reações auxiliares
que chamamos de reações anapleróticas. Um exemplo de reação anaplerótica é a

79
Bioquímica da Nutrição Esportiva

carboxilação de piruvato para se obter oxalacetato, catalisado pela enzima piruvato


carboxilase (WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

Assista ao vídeo sobre o ciclo de Krebs


KHAN ACADEMY BRASIL. Ciclo de Krebs - Ciclo do ácido cítri-
co (17min48s). 2014. Disponível em: https://youtu.be/mlDME8k92E0

c) Sistema de transporte dos elétrons

Cadeia respiratória, ou cadeia transportadora de elétrons, ou fosforilação oxi-


dativa, é a terceira etapa da respiração celular que se caracteriza pelo transporte
de elétrons na membrana interna da mitocôndria de células em várias etapas li-
beradoras de energia para síntese de ATP. É na cadeia respiratória que ocorre a
maior parte do ATP produzido pelo processo de respiração celular (WILMORE;
COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

Nessa etapa, os elétrons obtidos na quebra do átomo de hidrogênio são


transportados através do NADH e FADH2 até o oxigênio. Há várias substâncias
transportadoras de elétrons na membrana interna da mitocôndria, como proteínas
que recebem elétrons do NADH, compostos orgânicos e proteínas que possuem
ferro ou cobre em sua composição. Elas formam verdadeiros complexos chama-
dos de cadeias transportadoras de elétrons por se encontrarem enfileiradas
na membrana interna da mitocôndria (WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE;
KATCH et al., 2014).

À medida que são transferidos pela cadeia respiratória, os elétrons perdem


energia e, no final da cadeia, conseguem combinar com o gás oxigênio, formando
água. É importante lembrar que na respiração celular, o gás oxigênio só partici-
pa da última etapa, embora não esteja envolvido em nenhuma etapa do ciclo de
Krebs. Se houver ausência desse gás no ciclo, ele será interrompido (WILMORE;
COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH et al., 2014).

7.4 RESTAURAÇÃO DO ATP-CP


Grande parte da reserva de ATP depletada no músculo durante o exercício,
é restabelecida em poucos minutos após o exercício, faz-se necessário que haja

80
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

oxigênio disponível na circulação sanguínea (MCARDLE; KATCH et. al, 2014;


MAHAN; RAYMOND, 2018).

QUADRO 2 – TEMPO DE RECUPERAÇÃO DO SISTEMA ATP-CP

Tempo de recuperação do sistema ATP-CP


30seg 70 %
1 min 80 %
2 a 3 min 90 %
5 a 10 min 100%
FONTE: Adaptado de MCArdle e Katch et al. (2014)

7.5 RESSÍNTESE DO GLICOGÊNIO


MUSCULAR
É a plena restauração das reservas de glicogênio após um exercício. O pro-
cesso leva vários dias e depende de dois fatores principais:

• O tipo de exercício realizado;


• A quantidade de carboidratos dietéticos consumidos durante a recuperação.

QUADRO 3 – TEMPO PARA CONCLUSÃO DE PROCESSOS


BIOQUÍMICOS DURANTE DESCANSO

Processos Tempo de Recuperação


Recuperação de reservas de O2 do organismo 10 a 15seg
Recuperação de reservas anaeróbio muscular 2 a 5 min
Eliminação do acido lático 30 a 90 min
Ressintese das reservas intra-musculares de glicogênio 12 a 48h
Recuperação das reservas de glicogênio hepático 12 a 48h
FONTE: Adaptado de MCArdle e Katch et al. (2014)

Depósito de glicogênio hepático e muscular – 1200 a 2000 kcal


Deposito de Lipídeos – 70000 a 75000 kcal

81
Bioquímica da Nutrição Esportiva

1 - Durante o metabolismo, a energia liberada é capturada e


transferida:
( ) Pelas enzimas.
( ) Pelo piruvato.
( ) Pelo acetil-CoA.
( ) Pela adenosina trifosfato.

2 - A glicólise ______.:
( ) Requer oxigênio para a sua realização.
( ) Gera energia abundante após a sua finalização.
( ) Converte glicose em piruvato para a obtenção de energia.
( ) Produz amônia como subproduto.

3 - A glicogenólise é ______.:

( ) A produção ácido láctico.


( ) A fase do catabolismo energético.
( ) O processo de armazenamento de energia.
( ) Mobilização de energia à partir do glicogênio.

4 - Durante o jejum, quando as reservas de glicogênio são esgo-


tadas, o organismo começa a sintetizar glicose a partir de:

( ) Acetil CoA.
( ) Aminoácidos.
( ) Ácidos graxos.
( ) Corpos cetônicos.

5 - Antes de entrar no Ciclo de Krebs, cada um dos nutrientes


fornecedores de energia é quebrado em:

( ) Acetil CoA.
( ) Piruvato.
( ) Elétrons.
( ) Amônia.

8 CONTRIBUIÇÃO DOS NUTRIENTES


NO EXERCÍCIO

82
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

8.1 SISTEMA AERÓBIO E O


METABOLISMO LIPÍDICO
A gordura armazenada representa a mais abundante fonte corporal de ener-
gia potencial, considerada uma produção quase ilimitada de energia via metabo-
lismo lipídico. Representa cerca de 90 000 a 110 000 kcal de energia, enquanto a
reserva de energia na forma de carboidratos é inferior a 2 000 kcal.

CALDAS, P. B. Efeito dos exercícios de alta intensidade aeróbios e


anaeróbios na oxidação de gordura corporal: uma revisão sistemática.
Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo.
v.8. n.43. p.50-61. Jan/Fev. 2014. Disponível em: https://bit.ly/3qg7yzD

FIGURA 6 – NUTRIENTES COMO SUBSTRATO ENERGÉTICO


CONFORME INTENSIDADE DO EXERCÍCIO

FONTE: Adaptado de MCArdle e Katch et al. (2014)

83
Bioquímica da Nutrição Esportiva

Para exercícios acima de duas horas de duração, ocorre a redução da con-


centração nos músculos de ácido pirúvico oriundos da glicólise. Quando os esto-
ques de carboidratos são depletados, é então reduzida a oxidação de gorduras.
Portanto, “a gordura queima na chama dos carboidratos” (MCARDLE; KATCH et
al., 2014, p. 56).

8.2 AS PROTEÍNAS NO
METABOLISMO AERÓBIO
O papel das proteínas no metabolismo aeróbio é secundário durante o re-
pouso e na maioria das condições de exercício, quase não desempenha signifi-
cativas contribuições. Contudo, inanição ou jejum em condições de privação de
carboidratos, ou em atividades extremas de longa duração, como em uma corrida
de seis dias, o catabolismo das proteínas pode ser significativo, pois desempenha
função energética, doando esqueletos de carbono para a produção de glicose,
combustível para a contração muscular (MCARDLE; KATCH et al., 2014; MAHAN;
RAYMOND, 2018).

“Proteína pode substituir exercícios


físicos e academia”, diz estudo

Cientistas dos Estados Unidos apontam possível ligação entre


acúmulo de Sestrin no organismo e resistência física

Pesquisadores da Universidade de Medicina de Michigan,


nos Estados Unidos, podem ter descoberto uma maneira de fazer
com que o corpo humano se beneficie de um treino na academia
sem ao menos sair de casa. Após estudarem, em moscas e camun-
dongos, a classe de uma proteína natural chamada Sestrin, os cien-
tistas descobriram que ela consegue imitar os efeitos do exercício e
garante maior resistência.

Para testar a descoberta, os pesquisadores construíram uma


espécie de escada rolante, onde treinaram as moscas de Drosophila
por três semanas, para comparar seus níveis de resistência e habi-
lidades os de moscas que haviam recebido injeções de Sestrin em
seus músculos.

84
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

Jun Hee Lee, um dos professores da Universidade envolvidos


no estudo, disse em comentário que ele e sua equipe observaram
uma melhora na habilidade das moscas com Sestrin, além de terem
desenvolvido maior resistência: Propomos que o Sestrin possa coor-
denar essas atividades biológicas ativando ou desativando diferentes
vias metabólicas. Esse tipo de efeito combinado é importante para
produzir os efeitos do exercício”, completou.

Essas descobertas são capazes de, eventualmente, auxiliar os


cientistas a achar uma maneira de diminuir a perda de massa muscu-
lar devido ao envelhecimento – já que analisaram que o Sestrin pode
ficar armazenado nos músculos. Lee ainda auxiliou em outro estu-
do da Universidade Pompeu Fabra, na Espanha, que relatou que o
Sestrin consegue prevenir a atrofia de um músculo que fica imobiliza-
do por bastante tempo.

Disponível em: https://exame.abril.com.br/ciencia/proteina-po-


de-substituir-exercicios-fisicos-e-academia-diz-estudo/

8.3 ENERGIA AERÓBIA A PARTIR DO


GLICOGÊNIO
O sistema aeróbio é particularmente adequado para a produção de ATP du-
rante o exercício prolongado tipo resistência (endurance). Nesses tipos de exercí-
cios, o principal fornecedor de ATP é o sistema aeróbio.

Os sistemas do ácido lático e do ATP-CP também contribuem, porém apenas


no início do exercício antes de o consumo de O2 alcançar um novo nível de estado
estável (steady-state); durante esse período há déficit de O2. Depois que o consu-
mo de O2 alcança novo nível de estado estável (cerca de 2 ou 3 minutos), torna-se
suficiente para fornecer toda a energia ATP exigida pelo exercício (MCARDLE;
KATCH et al., 2014; MAHAN; RAYMOND, 2018).

Assim, a glicólise anaeróbia cessa uma vez, alcançando o consumo de O2


(estado estável) e a pequena quantidade de ácido lático previamente acumulado
se mantém constante até o término do exercício (MCARDLE, KATCH et al., 2014;
MAHAN; RAYMOND, 2018).

85
Bioquímica da Nutrição Esportiva

Metabolismo do glicogênio muscular durante o exercício físico:


mecanismos de regulação

O metabolismo energético durante o exercício, em especial do


glicogênio muscular, tem sido amplamente investigado. Bergstrom et
al. demonstraram que o tempo de sustentação de determinado exer-
cício está relacionado com a quantidade de glicogênio muscular dis-
ponível para ressíntese da molécula de adenosina trifosfato (ATP).

Nesse estudo verificou-se que níveis aumentados de glicogênio


muscular, obtidos por combinação exercício-dieta (supercompensa-
ção), prorrogam o tempo de permanência no esforço, enquanto níveis
reduzidos por jejum ou reposição inadequada de carboidratos dieté-
ticos levam a uma diminuição no tempo de atividade. A partir desses
achados, técnicos, treinadores e nutricionistas passaram a utilizar es-
tratégias dietéticas para aumentar as reservas desse substrato.

Com o prolongamento do exercício, as reservas de glicogênio


muscular diminuem progressivamente e parte da energia despendi-
da no esforço passa a ser fornecida pelos triglicerídeos musculares,
por glicose e por ácidos graxos livres (AGL) circulantes no plasma4.
Entretanto, o conhecimento acerca dos mecanismos bioquímicos e
fisiológicos que controlam a alternância dos substratos energéticos
predominantes é limitado. Estudos recentes sugerem que uma com-
binação entre ação hormonal (adrenalina, noradrenalina e insulina) e
a própria estrutura molecular do glicogênio muscular regulam a en-
trada de substratos na fibra muscular.

Uma série de estudos tem sido realizada para compreensão do


metabolismo de glicogênio muscular durante o exercício. Estudos
clássicos apontaram uma associação entre as reservas iniciais de
glicogênio muscular e o tempo de sustentação do esforço. O glicogê-
nio muscular diminui de forma semi-logarítmica em função do tempo,
mas a concentração desse substrato não chega a zero, o que suge-
re a participação de outros mecanismos de fadiga na interrupção do
exercício prolongado.

Nesse tipo de atividade, a depleção de glicogênio, primeiro,


ocorre nas fibras de contração lenta, seguida pela depleção nas de
contração rápida. A diminuição na taxa de utilização de glicogênio
muscular está sincronicamente ligada ao aumento no metabolismo

86
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

de gordura, mas o mecanismo fisiológico é pouco compreendido. Es-


tudos recentes sugerem que uma diminuição da insulina durante o
exercício limitaria o transporte de glicose pela membrana plasmática,
causando um aumento no consumo de ácidos graxos.

Alguns estudos têm demonstrado, também, que a própria es-


trutura do glicogênio muscular pode controlar a entrada de ácidos
graxos livres na célula, via proteína quinase. Fisicamente, a molécula
de glicogênio se apresenta de duas formas, uma com estrutura mole-
cular menor (Proglicogênio) e outra maior.

Aparentemente, a forma Proglicogênio é metabolicamente mais


ativa no exercício e a Macroglicogênio mais suscetível a aumentar
com dietas de supercompensação. Maior concentração de hipoxan-
tinas e amônia no exercício com depleção de glicogênio muscular
também foi relatada, mas estudos com melhor controle da intensida-
de do esforço podem ajudar a elucidar essa questão.

LIMA-SILVA, A. E et al. Metabolismo do glicogênio muscular du-


rante o exercício físico: mecanismos de regulação. Rev. Nutr. 2007,
vol.20, n.4, pp.417-429. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rn/
v20n4/09.pdf. Acesso em: 20 jan. 2020.

FIGURA 7 – CONCENTRAÇÃO DE LACTATO E PROGRESSÃO DO EXERCÍCIO

FONTE: Adaptado de MCArdle e Katch et al. (2014)

87
Bioquímica da Nutrição Esportiva

Na Figura 8, visualizamos como alguns fatores controlam a utilização do


substrato energético. Observa-se que com o passar do tempo de exercício, há
predomínio da utilização de gordura como fonte energética no lugar do carboidra-
to, que era a fonte principal nos primeiros minutos de atividade, uma vez que são
mobilizadas as reservas de glicogênio (MCARDLE; KATCH et al., 2014; MAHAN;
RAYMOND, 2018).

FIGURA 8 – FATORES QUE CONTROLAM A UTILIZAÇÃO DO SUBSTRATO


.

FONTE: Adaptado de MCArdle e Katch et al. (2014)

Quando o exercício atinge intensidade superior à capacidade de transporte


e entrega de O2 pelo sistema cardiovascular, o metabolismo aeróbio passa a ser
substituído por mecanismos anaeróbios (ácido lático) (ver Fig. 8).

Em exercícios de alta intensidade, a disponibilidade dos ácidos graxos fica


comprometida, em parte, por causa do acúmulo de ácido lático que ocorre. Então,
ocorre menor velocidade de captação de lipídeos para utilização pelo músculo e
oxidação (MCARDLE; KATCH et al., 2014; MAHAN; RAYMOND, 2018).

Assim, quanto maior a intensidade e duração do exercício, maior será a con-


tribuição dos lipídeos como fonte energética.

88
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

O exercício físico modifica diretamente a regulação do metabo-


lismo da gordura corporal, como o consumo, o gasto e o armazena-
mento de energia, podendo ter influências benéficas no tratamento
da obesidade.

Objetivo: Esta revisão bibliográfica teve como objetivo, apre-


sentar as alterações no metabolismo da gordura corporal promovidas
pelo exercício físico.

Método: Para a realização da pesquisa foram selecionados:


material bibliográfico textual (livros) e artigos científicos de revistas
indexadas nos bancos de dados da Pubmed, LILACS, Scielo, CA-
PES, Science Direct.

Discussão: A intervenção com exercícios promoveria o aumen-


to na taxa de metabolização de gorduras, a perda de peso corporal
ou manutenção desta perda, seguido de significativa redução nos es-
toques lipídicos e ainda, aumentaria os valores percentuais de mas-
sa magra, tendo como reflexo, o aumento na taxa de metabolismo de
repouso, fatores estes, importantes para o emagrecimento.

Conclusão: Portanto, o exercício físico, apresentou-se como


uma intervenção comportamental efetiva e funcional no tratamento
obesidade.

CARNEIRO, J.A.; BRAGA, M.A.O. Exercício físico e o metabo-


lismo de gordura: influências na obesidade. FDeportes.com - Re-
vista Digital. Buenos Aires, Ano 16, n. 155, 2011. Disponível em:
https://bit.ly/3plCXQ3.

6 - Com o prolongamento do exercício, as reservas de glico-


gênio muscular diminuem progressivamente. Neste caso, a
energia passa a ser fornecida por quem?

( ) Pelos triglicerídeos musculares, glicose e ácidos graxos livres


circulantes no plasma.
( ) Pela glicose sanguínea exclusivamente.
( ) Incialmente pelos ácidos graxos livres e na sequência pelos
aminoácidos.

89
Bioquímica da Nutrição Esportiva

( ) Pelos aminoácidos exclusivamente.

7 - Qual alternativa significa melhor a frase:

“A gordura queima na chama dos carboidratos”

( ) Que isso ocorre na fase anabólica do metabolismo onde ocorre a


glicogênese e a lipogênese.
( ) Que o organismo precisa da ingestão de aminoácidos para que
ocorra a oxidação de lipídeos.
( ) Que a lipólise acontece com o auxílio da ingestão de carboidra-
tos, em especial, antes dos exercícios.
( ) Que a mobilização de energia depende exclusivamente da oxida-
ção de carboidratos.

8 - O catabolismo das proteínas pode ser significativo, pois ele


desempenha função energética, doando esqueletos de car-
bono para a produção de glicose e combustível para a con-
tração muscular. Isso ocorre em qual momento?

( ) Após os exercícios, etapa normal do metabolismo energético


para recuperação muscular.
( ) No jejum, nas condições de privação de carboidratos ou em ativi-
dades extremas de longa duração.
( ) No repouso, pois nesse momento ocorre hipoglicemia, então é
necessário obter energia imediata.
( ) Durante exercícios anaeróbios, pois neste momento o organismo
não consegue obter glicose de forma eficiente.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Neste capítulo, fizemos a revisão de alguns termos e conceitos necessários à
compreensão do conteúdo. A bioquímica e a fisiologia do exercício, muito presen-
tes, foram o foco do estudo nessa disciplina. Por isso, passamos pela bioquímica
e fisiologia dos tecidos muscular, ósseo e do sangue, e sua participação na fisio-
logia do exercício.

O metabolismo e suas fases, anabólica e catabólica, são imprescindíveis


para o processo da construção do seu conhecimento em nutrição esportiva a fim

90
FISIOLOGIA E METABOLISMO DE NUTRIENTES NO
Capítulo 2 EXERCICIO E NO ESPORTE

de ensiná-lo a identificar as fases de síntese e mobilização de energia. Aprofunda-


mo-nos também no conhecimento a respeito dos sistemas de produção de ener-
gia para então entrar no estudo da participação dos nutrientes no metabolismo
energético.

Para o próximo capítulo, falaremos sobre as recomendações de nutrientes e


as intervenções nutrionais no exercício e no esporte. Por fim, sugiro uma pausa
para que você releia os conteúdos deste capítulo antes de irmos para a última
parte da disciplina.

REFERÊNCIAS
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manutenção da aptidão cardiorrespiratória e muscular em adultos saudáveis. Rev
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Paulo: Manole, 2001.

93
Bioquímica da Nutrição Esportiva

94
C APÍTULO 3
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE
FÍSICA E PERFORMANCE
A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes
objetivos de aprendizagem:

 Apresentar as características da nutrição aplicada à atividade física e perfor-


mance.

 Explicar a estimativa do gasto energético e a avaliação do consumo alimentar.

 Esclarecer as particularidades na prescrição dietética e reposição hidroeletrolí-


tica para praticantes de exercícios e atletas.

 Selecionar, de acordo com a exigência metabólica, a prescrição dietética ade-


quada de forma individualizada ao atleta conforme modalidade esportiva prati-
cada, estado nutricional, composição corporal e período de treinos e/ou compe-
tições, e processos de recuperação de lesões.
Bioquímica da Nutrição Esportiva

96
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Prezado acadêmico, chegamos ao capítulo final deste livro didático. Ago-
ra vamos reunir os conhecimentos adquiridos nos dois capítulos iniciais sobre
bioquímica da nutrição esportiva, fisiologia do exercício e nutrição para apre-
sentar as características da nutrição aplicada à atividade física e performance;
explicar a estimativa do gasto energético e a avaliação do consumo alimentar; es-
clarecer as particularidades na prescrição dietética e a reposição hidroeletrolítica
para praticantes de exercícios.

Ao final desse capítulo, você será capaz selecionar, de acordo com a exi-
gência metabólica, a prescrição dietética adequada de forma individualizada ao
atleta conforme modalidade esportiva praticada, estado nutricional, composição
corporal e período de treinos e/ou competições, bem como em processos de recu-
peração de lesões, isto é, colocar em prática seus conhecimentos em nutrição
esportiva. Perfeito, não é? Com certeza é o que você mais espera, estou certa?

De início, vamos a algumas perguntas importantes: o que é a nutrição es-


portiva e quais são os seus objetivos? Como a nutrição esportiva auxilia os atle-
tas? O que é permitido ao nutricionista desempenhar ou quais as atribuições téc-
nicas do nutricionista na área de nutrição em esportes?

Irei responder a essas perguntas no início deste capítulo para depois iniciar-
mos o conteúdo sobre estimativas do gasto energético na prática de exercícios;
a avaliação do consumo alimentar e nutricional no exercício e no esporte e, por
fim, a prescrição dietética e reposição de perdas hidroeletrolíticas nas diferentes
modalidades esportivas baseado nas recomendações nacionais e internacionais
dos Consensos ou Guidelines (falando nisso, você sabe o que é um consenso ou
guideline? Sabe como ele é realizado/elaborado? Vamos lá!).

2 NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE


FÍSICA E PERFORMANCE

2.1 DIRETRIZES OU GUIDELINES


As diretrizes, ou guidelines ou consensos, em amplo sentido, são documen-
tos informativos que incluem recomendações dirigidas a otimizar o cuidado pres-
tado ao paciente ou ao cliente, neste caso, a atletas e a praticantes de esportes.

97
Bioquímica da Nutrição Esportiva

As diretrizes são baseadas em evidências construídas com base em uma re-


visão sistemática de evidências científicas e na avaliação dos benefícios e danos
de diferentes opções na atenção à saúde (QASEEM et al., 2012).

Devido ao grande volume de informações e variabilidade na qualidade das


informações científicas geradas na área da saúde, há necessidade de elaboração
de sínteses que facilitem o acesso a essas informações e que possibilitem re-
comendações baseadas nos resultados oriundos de múltiplas fontes, fornecendo
subsídio científico para a tomada de decisão para o profissional de saúde.

Como estes documentos são elaborados? São convidados especialistas na


área em que se fará o consenso ou diretriz; estes realizam reuniões para dis-
cussão dos temas e apresentação de estudos e pesquisas para definir níveis de
evidência e grau de recomendação de determinado medicamento, suplemento,
nutrientes, entre outros.

No caso das diretrizes da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte


(SBME), em 2003, hoje chamada Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício
e do Esporte (SBMEE), a diretriz contou com a participação de eminentes profis-
sionais e pesquisadores de medicina e demais ciências do esporte do Brasil, com
objetivo principal de contribuir para um processo de educação continuada que
veicule informações aos profissionais que trabalham com atletas e em programas
de exercícios físicos destinados à população em geral, sendo adotados critérios
sugeridos pela Comissão de Cardiologia.

Estas diretrizes são baseadas em evidências coletadas pela Sociedade Bra-


sileira de Cardiologia e Associação Médica Brasileira. Para melhor compreensão
deste assunto, sugiro que você leia a diretriz na íntegra.

Versões (ou edições) mais atuais dessas diretrizes brasileiras foram realiza-
das em 2009, bem como guidelines internacionais desde os anos 1990 até 2019,
que são utilizados como referência de condutas em nutrição esportiva.

Por fim, sugiro mais uma vez a leitura desde a primeira edição das diretrizes
brasileiras da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte para compreensão do
processo que se iniciou, de como foi realizado e o que se definiu naquele momen-
to antes de ler a segunda edição, que atualizou recomendações.

CARVALHO, T. et al. Diretriz da Sociedade Brasileira de Medicina


do Esporte. Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos

98
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais


riscos para a saúde. Rev Bras Med Esporte. v. 9, n. 2 - Mar/Abr, 2003
Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbme/v9n2/v9n2a02.pdf

HERNANDEZ, A. J.; NAHAS, R. M. et al. Modificações dietéti-


cas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprova-
ção de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Suplemen-
to. Rev Bras Med Esporte. v. 15, n. 3 - Mai/Jun, 2009. Disponível
em: https://www.scielo.br/pdf/rbme/v15n3s0/v15n3s0a01.pdf

2.2 NUTRIÇÃO ESPORTIVA


A nutrição esportiva envolve a aplicação de princípios nutricionais para apri-
morar o desempenho esportivo, no qual se envolve disponibilidade de substrato;
peso e composição corporal; tempo de recuperação e saúde (WILLIAMS, 2002).

Dentre os objetivos da nutrição esportiva, têm-se: recuperação ou manu-


tenção da saúde; ganho de massa muscular; definição muscular; redução mas-
sa adiposa; treinamento para competições; desempenho e qualidade de vida
(WILLIAMS, 2002).

É importante ressaltar o que há de legislação, no Brasil, quanto à atuação do


nutricionista em esportes.

RESOLUÇÃO Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) nº


380/2005 revogada pelo Resolução 600/2018

Definição das áreas de atuação do nutricionista e suas atribui-


ções, indica parâmetros numéricos mínimos de referência, por área
de atuação, para a efetividade dos serviços prestados à sociedade e
dá outras providências.

Art. 2º Sem prejuízo do pleno exercício profissional nos termos


da Lei Federal nº 8.234, de 17 de setembro de 1991, esta Resolução
dispõe sobre as atividades dos nutricionistas nas seguintes áreas de
atuação:

99
Bioquímica da Nutrição Esportiva

I. Nutrição em Alimentação Coletiva.

II. Nutrição Clínica.

III. Nutrição em Esportes e Exercício Físico.

IV. Nutrição em Saúde Coletiva.

V. Nutrição na Cadeia de Produção, na Indústria e no Comércio de


Alimentos.

VI. Nutrição no Ensino, na Pesquisa e na Extensão.

III. ÁREA DE NUTRIÇÃO EM ESPORTES E EXERCÍCIO FÍSICO

1. Para realizar as atribuições de Nutrição em Esportes e Exercício


Físico, o nutricionista deverá desenvolver as seguintes atividades
obrigatórias:
1.1. Avaliar e acompanhar o perfil antropométrico, bioquímico e a com-
posição corporal do atleta ou do desportista, conforme as fases do
treinamento, e considerando a perda de peso antes de competi-
ções, o aumento de massa muscular e a melhora no desempenho.
1.2. Identificar o gasto energético do indivíduo.
1.3. Elaborar o plano alimentar do indivíduo, adequando-o à modali-
dade esportiva ou exercício físico desenvolvido, considerando as
diversas fases (manutenção, competição e recuperação).
1.4. Manter registro evolutivo individualizado de avaliações nutricio-
nais, composição corporal e prescrições dietéticas e outras con-
dutas pertinentes.
1.5. Promover a educação e orientação nutricional do indivíduo e,
quando pertinente, dos familiares ou responsáveis.
1.6. Estabelecer estratégias de reposição hídrica e energética antes,
durante e após a prática de exercícios e participação em eventos
competitivos.
1.7. Orientar quanto à execução do plano alimentar para atletas em
viagem para competição.
1.8. Elaborar relatórios técnicos de não conformidades e respectivas
ações corretivas, impeditivas da boa prática profissional e que co-
loquem em risco a saúde humana, encaminhando-os ao superior
hierárquico e às autoridades competentes, quando couber.

2. Para realizar as atribuições de Nutrição em Esportes e Exercício Físico,


ficam definidas como atividades complementares do nutricionista:

100
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

2.1. Solicitar exames complementares à avaliação nutricional, pres-


crição dietética e evolução nutricional dos clientes, quando ne-
cessário.
2.2. Prescrever suplementos nutricionais, bem como alimentos para
fins especiais, em conformidade com a legislação vigente, quan-
do necessário.
2.3. Acompanhar e prestar atendimento nutricional aos atletas e des-
portistas em treinamentos e competições individuais ou coletivas.
2.4. Desenvolver material educativo para orientação de clientes, trei-
nadores e colaboradores.
2.5. Promover periodicamente o aperfeiçoamento e atualização de
funcionários por meio de cursos, palestras e ações afins, quando
pertinente.
2.6. Interagir com a equipe multiprofissional responsável pelo treina-
mento/acompanhamento do atleta e desportista.
2.7. Realizar e divulgar estudos e pesquisas relacionados à sua área
de atuação, promovendo o intercâmbio técnico-científico.
2.8. Participar do planejamento e supervisão de estágios para estu-
dantes de graduação em nutrição e de curso técnico em nutrição
e dietética e programas de aperfeiçoamento para profissionais de
saúde, desde que sejam preservadas as atribuições privativas do
nutricionista.

Disponível em: https://bit.ly/37eLP3L

Os benefícios da nutrição esportiva para atletas são muitos. Para que você
tenha noção prática, leia a matéria a seguir:

O que é a nutrição esportiva e quais são seus objetivos?

Como a nutrição esportiva ajudar os atletas?

Disponível em: https://bit.ly/3pl9ZQa

101
Bioquímica da Nutrição Esportiva

3 ESTIMATIVA DE GASTO
ENERGÉTICO NA PRÁTICA DE
EXERCÍCIOS
O equilíbrio de energia pode ser definido como a resultante
zero entre a ingestão de alimentos, bebidas e suplementos,
e seu consumo, pelo metabolismo basal, efeito térmico do ali-
mento e a atividade física voluntária. Ingestão insuficiente de
macro e micronutrientes, resultando em balanço calórico nega-
tivo, pode ocasionar perda de massa muscular e maior incidên-
cia de lesão, disfunções hormonais, osteopenia/osteoporose e
maior frequência de doenças infecciosas, ou seja, algumas das
principais características da síndrome do overtraining, compro-
metendo o treinamento pela queda do desempenho e rendi-
mento esportivo (ABRANCHES; DELLA LUCIA, 2014, p. 47).

A necessidade calórica dietética é influenciada pela hereditariedade, sexo,


idade, peso e composição corporal, condicionamento físico e fase de treinamento,
levando em consideração frequência, intensidade, duração e modalidade.

Para esses, o cálculo das necessidades calóricas nutricionais está entre 1,5
e 1,7 vezes a energia produzida, o que, no geral, corresponde a consumo entre
37 a 41kcal/kg de peso/dia e, dependendo dos objetivos, pode apresentar varia-
ções mais amplas, entre 30 a 50kcal/kg/dia.

Tabelas com gasto energético estimado por minuto de prática estão dis-
poníveis em diversas publicações, sinalizando para atletas do sexo masculino,
praticantes de modalidades de longa duração, consumos que vão de 3 000 a 5
000kcal por dia. As necessidades energéticas para adultos de ambos os sexos,
saudáveis, leve a moderadamente ativos, é de 2 000 a 3 000kcal por dia (HER-
NANDEZ et al., 2009).

É importante considerar que quando a necessidade de redução de massa


gorda é um dos objetivos do acompanhamento nutricional, os resultados devem
ser monitorados periodicamente para que não ocorra perda de massa magra, o
que é indesejável para o rendimento esportivo e saúde do atleta.

É preciso atenção com transtornos alimentares que podem surgir, dependen-


do da pressão emocional sofrida pelo atleta para atingir o “peso ideal” da catego-
ria, ou quando determinado pelo treinador/técnico, especialmente atletas do sexo
feminino, por maior suscetibilidade a variações no peso corporal e insatisfação
com imagem corporal (OLIVEIRA et al., 2003; HERNANDEZ et al., 2009; FOR-
TES et al., 2012).

102
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

O ritmo de perda de peso em programas de redução de massa corporal deve


ser de 0,5 a 1kg por semana através da ingestão calórica reduzida com escolha
de alimentos de baixa densidade energética, principalmente ingestão de lipídeos,
nutriente em excesso na alimentação da população.

Em atletas, a redução de 10 a 20% na ingestão calórica total promove altera-


ção na composição corporal, redução de massa adiposo e redução do percentual
de gordura corporal sem prejuízos em relação à fome e à fadiga, como ocorre
com dietas de baixo valor calórico.

É importante ressaltar que a restrição severa de lipídeos na prescrição dieté-


tica pode ocasionar perdas musculares importantes por falta de nutrientes ativos
na recuperação após o exercício físico, como as vitaminas lipossolúveis e proteí-
nas (HERNANDEZ et al., 2009).

3.1 EQUIVALENTE METABÓLICO (MET)


O Equivalente Metabólico (MET) é o múltiplo da taxa metabólica basal, é
equivalente à energia de um indivíduo em repouso representado na literatura pelo
consumo de oxigênio (VO2) de, aproximadamente, 3,5 ml/kg/min.

Quando se exprime o gasto de energia em METs, representa-se o número de


vezes pelo qual o metabolismo de repouso foi multiplicado durante uma atividade.
Por exemplo, pedalar a quatro METs implica em gasto calórico quatro vezes maior
que o repouso.

O American College of Sport Medicine sugere que a unidade MET seja utili-
zada como método para indicar e comparar a intensidade absoluta, e gasto ener-
gético de diferentes atividades físicas.

Nesse contexto, o conceito de MET é aplicado nas orientações gerais a po-


pulação em relação ao gasto energético das atividades. Portanto, o MET é uma
medida de intensidade de esforço. No compêndio de atividades físicas, traduzido
para o português, as diferentes atividades são classificadas em relação ao gasto
energético e equivalente metabólico (COELHO-RAVAGNANI et al., 2013).

Para saber o quanto se gastou em uma sessão de exercícios, é preciso


multiplicar o MET da atividade pelo peso corporal do indivíduo e pelo tempo de
exercício.

103
Bioquímica da Nutrição Esportiva

QUADRO 1 – FÓRMULA MET

GE = MET da atividade x 0,0175 x Peso Corporal (kg)


x Duração do exercício (minutos) = kcal/kg/h

Ou usar fórmula simplificada

GE = MET x Peso x Duração do Exercício (horas) = kcal/kg/h

FONTE: Adaptado de Coelho-Ravagnani et al. (2013) e MCArdle e Katch et al. (2014)

A seguir, veja o MET de alguns esportes e modalidades esportivas.

QUADRO 2 – EQUIVALENTES METABÓLICOS DE ALGUNS


ESPORTES E ATIVIDADES ESPORTIVAS

FONTE: Adaptado de MCArdle (2014)

Ressalta-se que o MET é utilizado como opção para saber do gasto energéti-
co de diferentes modalidades esportivas quando não há oportunidade de medição

104
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

do gasto energético real do indivíduo com obtenção do consumo de oxigênio (VO-


2máx) por calorimetria indireta, ou através do exame de ergoespirometria (MCARD-
LE, KATCH et al., 2014).

1 - Consulte os Quadros 1 e 2 com a fórmula e os cálculos dos


METs, depois faça os cálculos para cada modalidade espor-
tiva a seguir:
Cálculo 1 - Atleta do sexo masculino, 25 anos, 80 kg, corredor. Quan-
to gasta em 60 minutos de corrida a uma velocidade de 17,5 km/h?
Cálculo 2 - Qual o gasto calórico de um triatleta de 72 kg, sexo
masculino, em um dia de treino de natação (45 min) + ciclismo
(2h) + corrida (42 km) em 1h30min?
Cálculo 3 - Mulher de 35 anos, 58 kg. Quanto ela gasta em uma
hora de aula de ginástica?

3.2 NECESSIDADES ENERGÉTICAS


A recomendação de ingestão calórica para atletas, de acordo com as diretrizes
da SBMEE (2009), é entre 30 a 50kcal/kg de peso/dia, dependendo dos objetivos,
frequência, intensidade e duração da atividade praticada, bem como da modalidade
esportiva, pois em nutrição esportiva a individualidade é muito importante e não há
um padrão de prescrição para este ou aquele esporte, mas sim para cada atleta e
suas particularidades (CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et al.; 2009).

O que se tem são recomendações de ingestão de energia e nutrientes de-


terminadas por estudos clínicos, pesquisas e consensos baseados em evidên-
cias científicas; estas são influenciadas pela hereditariedade, sexo, idade, peso e
composição corporal, condicionamento físico e fase de treinamento e em média
podem variar de 3 000 a 5 000 kcal diárias a necessidade de ingestão calórica
para atletas; para adultos, de ambos os sexos, em condição saudável e ativos, a
média é de 2 000 a 3 000 kcal/dia (CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et al.;
2009; INTERNATIONAL SOCIETY FOR SPORTS NUTRITION, 2013; AMERICAN
COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2016).

Contudo, a recente revisão das diretrizes para exercício e nutrição esportiva


do Colégio Americano de Nutrição Esportiva e do Comitê Olímpico Internacional

105
Bioquímica da Nutrição Esportiva

apresenta recomendações energéticas de acordo com a intensidade e duração


da atividade praticada (ver Quadro 3) (INTERNATIONAL SOCIETY FOR SPORTS
NUTRITION, 2013; MAUGHAN et al., 2018)

QUADRO 3 – NECESSIDADES ENERGÉTICAS PARA ATIVIDADE FÍSICA

Nível de atividade física Kcal/kg/dia Kcal /dia


Atividade física generalizada 30 a 40 min/dia, Dieta normal
1800-2400a
3 vezes por semana 25-35
Nível moderado de treinamento intenso
50-80 2500-8000c
2-3h/dia, 5-6 vezes por semanab
Alto volume de treinamento
50-80 2500-8000c
3-6h/dia, 1 a 2 sessões/dia, 5-6 vezes por semanab
Atletas de elited 150-200 Acima de 12000e
Grandes atletasd 6000-12000f
FONTE: Adaptado de Potgieter (2013)

a
: valores estimados para um indivíduo de 50-80kg
b
: níveis moderados de treinamento intenso usar menor valor e alto volume e
treinamentos intensos usar o maior valor
c
: valores estimados para um indivíduo de 50-100kg
d:
dependendo da periodização, volume e intensidade dos treinos
e
: valores estimados para um atleta de 60-80kg
f
: valores estimados para um atleta de 100-150kg

3.2 AVALIAÇÃO DO CONSUMO


ALIMENTAR E NUTRICIONAL NO
EXERCÍCIO E NO ESPORTE
A avaliação nutricional do atleta é imprescindível para sua prescrição do pla-
no alimentar, respeitando-se particularidades conforme fase do treinamento, pre-
ferencias e hábitos alimentares para que haja máxima adesão do atleta.

Aos indivíduos praticantes de exercícios sem o objetivo de performance, para


a avaliação e a prescrição nutricional não são dadas diferenciações, conforme
recomendações nacionais e internacionais das Diretrizes da SBMME.

Para os indivíduos que praticam exercícios físicos sem maio-


res preocupações com o desempenho, uma dieta balanceada,
que atenda às recomendações dadas à população em geral,
é suficiente para a manutenção da saúde e possibilitar bom
desempenho físico (HERNANDEZ et al., 2009, p. 3).

106
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

Na revisão de literatura para a diretriz na qual sou co-autora, identificamos


que vários estudos demonstram baixa ingestão calórica e desequilíbrio nutricional
nas dietas de atletas profissionais e/ou amadores. Embora consistente a compro-
vação científica da eficiência sobre a participação do carboidrato na recuperação
do glicogênio muscular, atletas profissionais ainda demonstram resistência para o
consumo deste nutriente (CARVALHO et al., 2003).

A alimentação que oferece carboidratos de forma adequada, contribui para a


manutenção do peso e sua adequada composição, o que maximiza resultados do
treinamento e colabora com a manutenção da saúde.

Foi comprovado que o balanço calórico negativo, acompanhado de menor in-


gestão de micronutrientes, ocasiona perda de massa muscular, disfunção hormo-
nal, osteopenia, maior incidência de fadiga crônica, lesões músculo-esqueléticas
e doenças infecciosas. Essas são consideradas algumas das principais caracte-
rísticas da Síndrome do Excesso de Treinamento, ou Overtraining (CARVALHO et
al., 2003).

O efeito ergogênico da ingestão de carboidratos durante a prática de exercí-


cios demonstrado consistentemente em vários experimentos, mostra que o exer-
cício prolongado reduz acentuadamente o nível de glicogênio muscular, sendo
necessária reposição. Contudo, observa-se baixo consumo de carboidratos por
atletas de diferentes modalidades esportivas (CARVALHO et al., 2003).

A energia consumida durante os treinos e competições depen-


de da intensidade e duração dos exercícios, sexo e do estado
nutricional inicial do atleta. Desta forma, segundo quanto maior
a intensidade dos exercícios maior será a participação dos car-
boidratos como fornecedores de energia. A contribuição da
gordura pode ser importante para todo o tempo em que durar o
exercício, tendendo a se tornar mais expressiva quando a ati-
vidade se prolonga e se mantém em intensidade francamente
aeróbia. Contudo, a proporção de energia advinda da gordura
tende a diminuir quando a intensidade de exercício aumenta, o
que exige maior participação dos carboidratos. A proteína, com
a maior a duração do exercício, aumenta a sua participação, o
que contribui para a manutenção da glicose sanguínea, princi-
palmente por meio da gliconeogênese hepática (CARVALHO
et al., 2003, p. 4).

Para o estudo de avaliação do consumo alimentar de atletas, publicações


científicas têm demonstrado consumo alimentar insuficiente por diferentes inqué-
ritos dietéticos (Recordatório 24h, habitual e questionário de frequência alimen-
tar), tanto em atletas, como em indivíduos praticantes de exercícios (PANZA et al.,
2007; LIMA et al., 2015; MORAIS et al., 2018; HOKAMA et al., 2019).

107
Bioquímica da Nutrição Esportiva

FIGURA 1 – RECORDATÓRIO 24 HORAS

FONTE: A autora

108
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

FIGURA 2 – QUESTIONÁRIO DE FREQUÊNCIA DE CONSUMO ALIMENTAR

FONTE: Adaptado de Ribeiro et al. (2006)

109
Bioquímica da Nutrição Esportiva

Visite o site da Associação Brasileira de Nutrição esportiva


(ABNE). Lá você encontrará muitas informações valiosas, como:
conteúdos técnicos, guidelines, legislação ligada a área, agenda de
eventos em nutrição esportiva entre outras informações.

Fundada em 2003, na cidade de São Paulo, por nutricionistas,


a ABNE tem por finalidade, entre outras, transmitir o conhecimento
na área de nutrição esportiva, desenvolver o raciocínio lógico e crí-
tico do aluno e/ou profissional, organizar, apoiar, orientar e auxiliar
eventos na área, como: Congressos Nacionais, Regionais e Interna-
cionais, Simpósios, Jornadas, Cursos e Reuniões Científicas de inte-
resse da especialidade.

Acesse: www.abne.org.br

3.3 A ANAMNESE ALIMENTAR E


NUTRICIONAL
A anamnese alimentar criteriosa, não apenas na prática em nutrição espor-
tiva, permite que se estabeleçam estratégias para introdução de eventuais modi-
ficações dietéticas necessárias. No caso de atletas, é extremamente importante
que eles não sejam privados dos seus alimentos preferidos, ou de iniciar uma
dieta com regras e obrigações incompatíveis com sua realidade.

Para uma boa adesão ao plano alimentar, e consequente obtenção de resul-


tados positivos em competições-alvo, a prescrição de alimentos e/ou suplementos
deve ser flexível, com alterações gradativas identificadas pelo nutricionista duran-
te avaliação nutricional.

O conhecimento dos hábitos alimentares, rotinas de treino, competições-al-


vo, preferências e intolerâncias a determinados alimentos criam vínculo entre atle-
ta e nutricionista, assim, há adesão ao plano alimentar e resultados positivos na
performance esportiva.

110
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

3.4 NECESSIDADES NUTRICIONAIS


Em relação às necessidades nutricionais, estas podem ser calculadas atra-
vés de protocolos apropriados já estabelecidos para serem utilizados em atendi-
mentos de nutrição clínica ambulatorial.

Outros pontos importantes a serem considerados, são a modalidade espor-


tiva praticada, a fase de treinamento, o calendário de competições e os objetivos
da equipe técnica em relação ao desempenho, dados referentes ao metabolismo
basal, a demanda energética de treino, necessidades de modificação da compo-
sição corporal e fatores clínicos presentes, como as condições de mastigação,
digestão e absorção.

As necessidades energéticas são calculadas com base na necessidade


energética basal (protocolo de livre escolha), gasto energético médio em treino e
consumo extra ou reduzido para controle de composição corporal (CARVALHO et
al., 2003; HERNANDEZ et al.; 2009; INTERNATIONAL SOCIETY FOR SPORTS
NUTRITION, 2013; AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2016; MAU-
GHAN et al., 2018).

Os ajustes na prescrição dietética, principalmente em relação aos macronu-


trientes, devido à alta demanda energética da prática esportiva, deve, também,
proporcionar um concomitante ajuste no consumo dos micronutrientes.

É importante lembrar que se deve seguir as recomendações das IDRs (In-


gestão Diária Recomendada) pelo Institute of Medicine (2002), não ultrapassando
as ULs (Upper Limit), ou seja, o limite máximo de ingestão tolerável de um nu-
triente que não cause prejuízo à saúde (CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et
al., 2009; INTERNATIONAL SOCIETY FOR SPORTS NUTRITION, 2013; AMERI-
CAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2016; MAUGHAN et al., 2018).

3.5 MICRONUTRIENTES
As recomendações de micronutrientes para atletas, principalmente os de alto
rendimento intenso, têm sugerido o uso, embora controverso, de vitamina C; entre
500-1500mg/dia por causa de sua ação antioxidante necessária para quem está
em constante produção de radicais livres e oxidação celular.

Outro benefício importante da vitamina C para atletas, seria a melhora da


resposta imunológica que pode se comprometer em virtude da carga de treinos,
em tempo, duração ou intensidade (CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et al.,

111
Bioquímica da Nutrição Esportiva

2009; INTERNATIONAL SOCIETY FOR SPORTS NUTRITION, 2013; AMERICAN


COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2016; MAUGHAN et al., 2018).

A suplementação de vitamina E, também com ação antioxidante, é indicada


para atletas de alto rendimento. Os consensos nacionais e internacionais, base-
ados em evidências científicas consistentes, permitem que os profissionais qua-
lificados, nutricionistas e médicos, prescrevam de forma sistemática vitamina C
e E para atletas, com a ressalva de que esta atitude se baseia em baixo grau de
evidência científica (CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et al., 2009; INTER-
NATIONAL SOCIETY FOR SPORTS NUTRITION, 2013; AMERICAN COLLEGE
OF SPORTS MEDICINE, 2016; MAUGHAN et al., 2018).

Em relação ao zinco, este micronutriente está envolvido no processo respi-


ratório celular; sua deficiência em atletas pode gerar anorexia, significativa perda
de peso, fadiga, queda no rendimento em provas de resistência e risco de oste-
oporose, razão pela qual tem sido sugerida sua suplementação (CARVALHO et
al., 2003; HERNANDEZ et al., 2009; INTERNATIONAL SOCIETY FOR SPORTS
NUTRITION, 2013; AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2016;
MAUGHAN et al., 2018).

No trecho do último consenso sobre esportes de alto rendimento, confirma-


-se o que já se tinha até o momento para os minerais ferro, cálcio e vitamina D
(Ver Quadro 4).

QUADRO 4 – EXEMPLOS DE SUPLEMENTAÇÃO DE


ALGUNS MICRONUTRIENTES EM ATLETAS*

Micronutriente Visão geral Diagnóstico insuficiência Protocolos de suplementação


É importante na Não há consenso sobre A suplementação entre 800UI e
regulação da a concentração sérica da 100-200UI/dia é recomendado
transcrição ge- 25-hidroxivitamina D (mar- para população em geral.
nética na maioria cador do estado da vit. As diretrizes de suplementação
dos tecidos. Sua D), que define deficiência, ainda não foram estabelecidas
insuficiência/defi- insuficiência, suficiência para atletas. A curto prazo e em
Vitamina D
ciência afeta mui- e o limite superior tolerá- altas doses inclui 50 000 UI/se-
tos sistemas no vel. A necessidade de su- mana por 8-16 semanas ou 10
organismo. plementar depende da 000 UI/dia por algumas semanas
exposição aos raios UVB para atletas com deficiência. O
e tipo de pele do atleta. monitoramento é necessário
para evitar a toxicidade.

112
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

O estado subótimo Medidas realizadas simul- Atletas que não tem o estado
de ferro pode ser taneamente fornecem uma adequado de ferro podem pre-
por ingestão limita- melhor avaliação e deter- cisar de suplementação em
da ou insuficiente, minam o estágio de defici- doses acima da RDA (ou seja
baixa biodisponi- ência do atleta. São elas: > 18mg/dia para mulheres e >8
bilidade; ingestão dosagem de ferritina sérica, mg/dia para homens). Os que
energética insufi- saturação de transferrina, têm deficiência de ferro neces-
ciente; aumento ferro sérico, receptor de sitam de acompanhamento clí-
Ferro da necessidade de transferrina, protoporfirina nico, incluindo suplementação
ferro pelo proces- de zinco, hemoglobina, he- com maiores doses via oral em
so de crescimento, matócrito e volume corpus- conjunto com ajustes na dieta.
treinamento em cular médio. Importante ressaltar que nume-
altas altitudes; per- rosas formas de suplementação
das por via mens- oral estão disponíveis e são
trual; hemólise; eficazes, contudo só devem ser
suor, urina e fezes. realizadas após confirmada a
deficiência de ferro.
Evitar laticínios e Não há indicador apropria- Consumo de cálcio de 1500mg/
outro alimentos do do estado do cálcio. A dia e 1500-2000 UI de vit. D são
ricos em cálcio, análise da densidade mine- recomendados para otimizar a
restrição energéti- ral óssea pode ser indicati- saúde óssea em atletas com bai-
ca e/ou distúrbios va da baixa ingestão xa disponibilidade energética ou
Cálcio alimentares au- Crônica de cálcio, mas ou- disfunção menstrual.
mentam o risco do tros fatores, incluindo esta-
estado de cálcio do subótimo de vit. D e dis-
abaixo do ideal. túrbios alimentares também
são importantes.

FONTE: Adaptado de Maughan et al. (2018)

*Obs.: A suplementação indiscriminada com qualquer um dos nutrientes acima não é reco-
mendada. As deficiências devem ser primeiro identificadas através da avaliação nutricional,
que inclui ingestão alimentar, marcador sanguíneo ou urinário, quando disponível.

É necessário especial cuidado para atletas femininas em dietas de restrição


calórica, uma vez que podem sofrer deficiências de minerais, como o cálcio, que é
importante na contração muscular, formação e manutenção óssea.

A recomendação diária é de 1000mg/dia de cálcio para adultos, incluindo as


atletas. A baixa ingestão de ferro, que ocorre em cerca de 15% da população
mundial, causa fadiga e anemia, afetando o desempenho atlético e o sistema imu-
nológico. Por isso, recomenda-se atenção especial para o consumo de alimentos

113
Bioquímica da Nutrição Esportiva

com ferro de alta biodisponibilidade, com oferta recomendada de 15mg/dia para


mulheres e de 10mg/dia para homens (CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et
al., 2009; INTERNATIONAL SOCIETY FOR SPORTS NUTRITION, 2013; AMERI-
CAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2016; MAUGHAN et al., 2018).

3.6 ANTIOXIDANTES

As últimas publicações de diretrizes sobre nutrição esportiva demonstram


que a ingestão combinada ou isolada de vitaminas C, A, E, cobre e zinco e coen-
zima Q10 produzem efeitos antioxidantes em atletas de alto rendimento, contudo,
em altas doses podem não apresentar os efeitos esperados e trazer prejuízos
à saúde (HERNANDEZ et al., 2009; INTERNATIONAL SOCIETY FOR SPORTS
NUTRITION, 2013; AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2016;
MAUGHAN et al., 2018).

Segundo as Diretrizes da SBMEE (2009), algumas considera-


ções são importantes em relação ao estágio de vida para atletas ou
praticantes de exercícios (HERNANDEZ et al., 2009). Leia o capítulo
sobre crianças, adolescentes e idosos na diretriz.

3.7 PRESCRIÇÃO DIETÉTICA


E REPOSIÇÃO DE PERDAS
HIDROELETROLÍTICAS NAS
DIFERENTES MODALIDADES
ESPORTIVAS
Hernandez et al. (2009), nas diretrizes sobre modificações dietéticas, reposi-
ção hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica
e potenciais riscos para a saúde, enfatizam que não restam dúvidas quanto às
mudanças favoráveis da composição corporal e a influência positiva sobre o de-

114
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

sempenho esportivo de atletas após o manejo dietético com uso de suplementa-


ção alimentar para casos específicos.

Assim, uma alimentação saudável e adequada ao esforço/esporte/exercício


deve ser entendida e compreendida pelos atletas de alto rendimento como o pon-
to de partida para obter o desempenho máximo com estratégias nutricionais que
auxiliam de forma complementar.

Maughan et al. (2018) citam que os suplementos alimentares são utilizados


por atletas de todos os níveis esportivos, refletindo a alta prevalência de uso na
sociedade em geral. Cerca de metade da população adulta dos Estados Unidos
usa alguma forma de suplementos alimentares e, embora existam diferenças re-
gionais, culturais e econômicas, é provável uma prevalência semelhante em mui-
tos outros países.

Os atletas descrevem uma variedade de razões/motivos/justificativas diferen-


tes para a escolha do uso de suplementos e produtos que se encaixam na descri-
ção de um suplemento, bem como nas funções que atuam no plano de desempe-
nho, treinamento e objetivos do atleta.

Essas informações são bastante preocupantes, pois há muito já se comprova


sobre o uso indiscriminado de substâncias ergogênica. Entende-se como finalida-
de ergogênica e estética, no Brasil, o uso abusivo de suplementos alimentares e
drogas ilícitas, tratando de uma atitude que tem crescido em ambientes de prática
de exercícios físicos.

O mais importante nesse contexto é que se trata muitas vezes


de um comércio ilegal, sem controle dos setores da vigilância
sanitária no Brasil sem a prescrição médica e/ou orientação de
nutricionista com formação em ciência do esporte. Além disso,
muitos suplementos tem sido ingeridos por indivíduos para os
quais não há nenhuma indicação de uso. Existe, de uma forma
geral, uma falta de comprovação científica que justifique a ação
proposta desse ou daquele suplemento. A situação, em parte,
decorre da falta do conhecimento de que uma alimentação ba-
lanceada e de qualidade, salvo em situações especiais, atende
às necessidades nutricionais de um praticante de exercícios físi-
cos, inclusive de atletas de nível competitivo, o que dispensaria
o uso de suplementos alimentares. Quando se trata do uso de
algumas drogas e hormônios de comprovada ação ergogêni-
ca, mas que oferecem riscos para a saúde e são considerados
doping, a situação caracteriza-se não somente como antiética,
mas até mesmo criminosa (CARVALHO et al., 2003, p. 45).

115
Bioquímica da Nutrição Esportiva

Sugiro a leitura do consenso sobre suplementos alimentares e


atletas de alta performance do Comitê Olímpico Internacional (2018)
- IOC (International Olympic Committee) Consensus statement: dietary
supplements and the high-performance athlete.

Os consensos e recomendações nutricionais em nutrição esportiva, medicina


do esporte e fisiologia do exercício confirmam desde as primeiras edições até as
publicações atuais, a necessidade de atenção à prescrição adequada de carboi-
dratos que se apresentam deficientes nas análises de registro alimentar de atletas
em diversas pesquisas cientificas; o estado de hidratação e o uso inadequado
de suplementos nutricionais (CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et al., 2009;
INTERNATIONAL SOCIETY FOR SPORTS NUTRITION, 2013; AMERICAN COL-
LEGE OF SPORTS MEDICINE, 2016; MAUGHAN et al., 2018).

3.8 ESPORTES INDIVIDUAIS E


COLETIVOS - PARTICULARIDADES
NA PRESCRIÇÃO DIETÉTICA
De acordo com minha experiência prática, de 20 anos, no atendimento de
atletas de diversas modalidades esportivas; os esportes coletivos e individuais
apresentam particularidades de acordo com a posição que o atleta desempenha,
ou na categoria na qual ele se enquadra ou escolhe, exigindo demandas metabó-
licas específicas comprovadas pela fisiologia do esporte.

Entretanto, os guidelines apresentam recomendações e orientações genera-


lizadas, devendo o profissional de nutrição e a equipe interdisciplinar considera-
rem essas particularidades para alcançar os objetivos de melhora de rendimento,
estado de hidratação, prevenção de lesões e/ou otimização no processo de recu-
peração do atleta.

Recentemente, as orientações do ACSM (2016) e IOC (2018) reforçam a im-


portância da prescrição de energia e macronutrientes em kcal/kg/dia e g/kg/dia para
a garantia do aporte necessário aos atletas, não apresentando diferença para indi-
víduos fisicamente ativos, ou também chamados praticantes de exercícios/esportes
(CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et al.; 2009; MAUGHAN et al., 2018).

116
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

4 ESPORTES COLETIVOS
Nos esportes coletivos (futebol, voleibol, handebol etc.), a posição em que
o atleta joga é importante para que se saiba o substrato energético exigido para
o seu desempenho esportivo. Outro ponto a considerar é o acompanhando do
nutricionista durante treinos e viagens para melhor conhecimento das condições
ambientais dos treinos, uso dos suplementos e alimentos prescritos, bem como
do acesso aos alimentos e refeições.

Desta forma, há maior cuidado em garantir as exigências e intensidade dos


treinos e competições, podendo chegar a 60-90% de VO2 máximo, intercalando-
-se atividades aeróbias, tiros e picos de esforços que usam o chamado sistema
ATP-CP (WILMORE; COSTIL, 2001; HIRSCHBRUCH, 2014).

O estado de hidratação em esportes coletivos, como no futebol, a reposição


de água, carboidratos e eletrólitos só é possível no intervalo entre o primeiro e
segundo tempo de jogo, ou no momento de parada, ou nas trocas de jogadores.

Com isso, nas sessões de treinos e nas orientações aos atletas, o reforço da
importância da reposição de líquidos aos jogadores é muito importante, pois no
momento de jogo, o profissional de nutrição não poderá intervir, o que também
não é muito diferente para esportes como voleibol, handebol, basquete, entre ou-
tros (ISSN, 2013; ACSM, 2016).

5 ESPORTES INDIVIDUAIS
O atleta de esportes individuais, como a natação, o triatlo, a maratona e o atle-
tismo, organiza suas atividades e ajusta seus horários nos treinos para levar ali-
mentos e suplementos de forma adequada ao que foi prescrito pelo nutricionista e
médico do esporte, exceto para os atletas de alguns esportes, como ginástica ar-
tística, judô e boxe, os quais, na prática clínica, observamos maior dificuldade, pois
o intervalo para ingestão de água é limitado e, no caso dos esportes de luta, como
no judô, a vestimenta conta negativamente, aumentando a perda de líquidos, o que
prejudica o estado de hidratação e rendimento (HIRSCHBRUCH, 2014).

No remo e no tênis temos dificuldades em relação ao atleta conseguir fazer a


ingestão de líquidos e suplementos em virtude da logística dos treinos e do espa-
ço físico para a realização do esporte, como no caso do remo. A orientação nutri-
cional acontece quando é possível, garantindo-se o mínimo possível de ingestão
(ISSN, 2013; HIRSCHBRUCH, 2014).

117
Bioquímica da Nutrição Esportiva

6 ESTADO DE HIDRATAÇÃO
O estado de hidratação é um fator determinante para a prática de atividades
físicas. O conhecimento sobre o estado de hidratação do indivíduo antes, durante
e após o exercício se torna importante à sua prática constante. Além disso, avaliar
o estado de hidratação é fundamental para evitar problemas de saúde devido à
desidratação (MACHADO-MOREIRA et al., 2006).

A variação do peso corporal pode ser utilizada para avaliação do estado de


hidratação. A partir da diferença do peso corporal antes e após o exercício, é pos-
sível calcular o percentual de perda de peso para classificar o estado de hidrata-
ção que pode ser observada no Quadro 5.

Outro método prático para a estimativa da hidratação corporal, é a análise da


coloração da urina, utilizando-se a escala proposta por Armstrong et al. (1994). A
escala apresenta uma boa correlação com a densidade e a osmolalidade urinária
e plasmática.

O índice de coloração da urina adota oito cores gradativas para urina, pela
qual se obtém o resultado comparando-se a cor da urina coletada com as cores
da escala.

Assim, é possível encontrar as seguintes classificações: euhidratação (cor


nível um a três), desidratação moderada (cor nível quatro a seis) e desidratação
severa (cor nível maior que seis).

QUADRO 5 - ESTADO DE HIDRATAÇÃO CONFORME VARIAÇÃO


DE PESO CORPORAL E COLORAÇÃO DA URINA

Índices de Estado de Hidratação


Estado de hidratação % variação de peso corporal Coloração da urina
Euhidratação +1 a -1 1 ou 2
Desidratação mínima -1 a -3 3 ou 4
Desidratação significativa -3 a -5 5 ou 6
Desidratação grave >-5 >6

FONTE: Adaptado de Casa et al. (2000)

6.1 REPOSIÇÃO HÍDRICA


Assunto discutido por diversos estudos, revisões e publicações em medicina
do esporte, fisiologia do exercício e nutrição esportiva, com publicações em con-
sensos/diretrizes/guidelines nacionais e internacionais.

118
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

O estado de hidratação adequado durante a atividade física de caráter recre-


ativo, ou competitivo, pode garantir que o desempenho eficiente evite alterações
metabólicas prejudiciais ao atleta.

Para isso, é necessário conhecimento dos fatores que influenciam o momen-


to adequado e a quantidade a ser ingerida de água. As recomendações depen-
dem do tipo de atividade e de fatores individuais, como condicionamento físico,
idade, modalidade praticada, estresse ambiental, entre outros.

O estresse do exercício é acentuado pela desidratação, que


aumenta a temperatura corporal, prejudica as respostas fisio-
lógicas e o desempenho físico, com riscos para a saúde. Esses
efeitos podem ocorrer mesmo que a desidratação seja leve ou
moderada, com até 2% de perda do peso corporal, agravando-
-se à medida que ela se acentua. Com 1 a 2% de desidratação
inicia-se o aumento da temperatura corporal em até 0,4º Cel-
sius para cada percentual subsequente de desidratação. Em
torno de 3%, há redução importante do desempenho; com 4 a
6% pode ocorrer fadiga térmica; a partir de 6% existe risco de
choque térmico, coma e morte (CARVALHO et al., 2003, p.48).

Com isso, a desidratação afeta o desempenho aeróbio, diminui o volume de


ejeção ventricular pela redução no volume sanguíneo e aumenta a frequência
cardíaca. Essas alterações são acentuadas em climas ou ambientes quentes e
úmidos, pois a maior vasodilatação cutânea transfere grande parte do fluxo san-
guíneo para a periferia, ocasionando uma redução acentuada da pressão arterial,
bem como do retorno venoso e do débito cardíaco.

Quando a reposição hídrica ocorre em volumes equivalentes ao das perdas


pelo suor, pode prevenir o declínio no volume de ejeção ventricular, sendo, tam-
bém, benéfica para a termorregulação, aumentando o fluxo sanguíneo periférico e
facilitando a transferência de calor interno para a periferia.

O reconhecimento dos sinais e sintomas da desidratação é fundamental, quan-


do leve a moderada, ela se manifesta com fadiga, perda de apetite e sede, pele ver-
melha, intolerância ao calor, tontura, oligúria e aumento da concentração urinária.
Quando grave, ocorre dificuldade para deglutir, perda de equilíbrio, a pele se apre-
senta seca e murcha, olhos afundados e visão fosca, disúria, pele dormente, delírio
e espasmos musculares (CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et al., 2009).

A seguir, um resumo das principais alterações da desidratação induzida pelo


exercício.

119
Bioquímica da Nutrição Esportiva

QUADRO 6 – ALTERAÇÕES PROVOCADAS PELA DESIDRATAÇÃO


Aumento Redução
Frequência cardíaca submáxima. Volume plasmático.
Concentração de lactato e osmolaridade
Volume sistólico, débito cardíaco e VO2máx.
sanguínea.
Fluxo sanguíneo para pele e músculos ativos,
Índice de percepção do esforço.
fígado e outros órgãos.
Náuseas e vômitos. Taxa de sudorese.
Requerimento de glicogênio muscular. Pressão arterial (hipotensão).
Temperatura interna: hipertermia. Componentes cognitivos.
Caibras, exaustão ou choque térmico. Motivação.
FONTE: Adaptado de Hernandez et al. (2009)

As evidências cientificas demonstram que a ingestão de líquidos, indepen-


dentemente da presença de carboidrato, melhora o desempenho para a primeira
hora de exercício aeróbio em alta intensidade.

Como a desidratação decorrente do exercício pode ocorrer não apenas devi-


do à sudorese intensa, mas, também, devido à ingestão insuficiente e/ou deficien-
te absorção de líquidos, é importante reconhecer os elementos que contribuem na
qualidade da hidratação (HERNANDEZ et al., 2009)

6.2 RECOMENDAÇÃO PARA


REPOSIÇÃO HÍDRICA
Qual o melhor momento para a ingestão de líquidos?

As evidências científicas recomendam ingerir líquidos antes, durante e após


o exercício. Para garantir que o indivíduo inicie o exercício bem hidratado, reco-
menda-se que ele beba cerca de 250 a 500ml de água duas horas antes do exer-
cício (CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et al., 2009).

Durante o exercício, recomenda-se iniciar a ingestão nos primeiros 15 mi-


nutos e continuar bebendo a cada 15 a 20 minutos. O volume a ser ingerido varia
conforme as taxas de sudorese, geralmente entre 500 e 2000ml/hora. Se a ativi-
dade durar mais de uma hora, ou se for intensa, do tipo intermitente, mesmo com
menos de uma hora, devemos repor carboidrato na quantidade de 30 a 60g·h-1 e
sódio na quantidade de 0,5 a 0,7g·l-1.

120
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

A bebida deve estar em temperatura em torno de 15 a 22° C e apresentar


um sabor de acordo com a preferência do indivíduo, favorecendo a palatabilidade
(CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et al., 2009).

Após os exercícios, a recomendação é continuar a ingestão de líquidos para


compensar as perdas adicionais de água pela diurese e sudorese. Nesse momen-
to, orienta-se a ingestão de carboidratos, em média de 50g de glicose, nas primei-
ras duas horas após o exercício para que se promova a ressíntese do glicogênio
muscular e o rápido armazenamento de glicogênio muscular e hepático (CARVA-
LHO et al., 2003; MACHADO-MOREIRA et al., 2006; HERNANDEZ et al., 2009).

6.3 CARBOIDRATOS DURANTE O


EXERCÍCIO
Confirmando o que vimos ao longo do capítulo, a ingestão de carboidratos
é imprescindível, em especial durante o exercício prolongado, que melhora o de-
sempenho e pode retardar a fadiga nas modalidades esportivas que envolvem
exercícios intermitentes de alta intensidade, prevenindo episódios de hipoglicemia
após duas horas de exercício.

Estudos indicam que uma bebida com 8% de carboidrato ocasiona maior len-
tidão na absorção e no esvaziamento gástrico em comparação à água e às bebi-
das que contêm até 6% de carboidrato. Com isso, recomenda-se, preferencial-
mente, uma mistura de glicose, frutose e sacarose, tendo cuidado do uso isolado
de frutose que pode causar distúrbios gastrintestinais.

Durante exercícios, treinos e competições, a reposição necessária de carboi-


dratos para manter a glicemia e retardar a fadiga é de 30 a 60g/hora, com con-
centração de 4 a 8g/decilitro. (CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et al., 2009)

6.4 REPOSIÇÃO DE SÓDIO


Como perdemos sódio através do suor, em algumas situações justifica-se a
ingestão durante o exercício, pois a concentração de sódio no suor varia individual-
mente, com fatores como idade, grau de condicionamento e aclimatização ao calor.

A concentração média de sódio no suor de um adulto está em


torno de 40mEq/L então, supondo que um indivíduo de 70kg
corra por três horas e perca dois litros de suor por hora, a perda
total de sódio é de 240mEq, ou seja 10% do total de Na+ do

121
Bioquímica da Nutrição Esportiva

espaço extracelular. Esta perda seria irrelevante, não fosse o


risco de hiponatremia, concentração de sódio plasmático me-
nor que 130mEq·l-1, decorrente de uma reposição hídrica com
líquidos isentos de sódio ou com pouco sódio, principalmente
em eventos muito prolongados. A diminuição da osmolarida-
de plasmática produz um gradiente osmótico entre o sangue
e o cérebro, causando apatia, náusea, vômito, consciência
alterada e convulsões, que são algumas das manifestações
neurológicas da hiponatremia. A inclusão de sódio nas bebidas
reidratantes promove maior absorção de água e carboidratos
pelo intestino durante e após o exercício. Isto se dá porque
o transporte de glicose na mucosa do enterócito é acoplado
com o transporte de sódio, resultando numa maior absorção
de água. Em exercícios prolongados, que ultrapassam uma
hora de duração, recomenda-se beber líquidos contendo de
0,5 a 0,7g/l (20 a 30mEq·l-1) de sódio, que corresponde a uma
concentração similar ou mesmo inferior àquela do suor de um
indivíduo adulto (HERNANDEZ et al., 2009, p.6).

7 DIETA NO TREINAMENTO
Nos treinamentos, a prescrição dietética de suplementos é colocada em prá-
tica. Cabe ao profissional de nutrição buscar feedback com o atleta para que ajus-
tes sejam feitos para que a prescrição seja corretamente seguida para que os
resultados possam ser avaliados e repensados.

Nesse momento, a realização de atividades de educação nutricional, como


palestras, material educativo, atividades práticas de elaboração de preparações
culinárias, degustação de alimentos e suplementos, são inseridas na fase pré-
-competição para intervir como reforço das orientações já repassadas (CARVA-
LHO et al., 2003; HERNANDEZ et al., 2009; ISSN, 2014; ACSM, 2016).

A escolha dos alimentos, fontes de carboidrato, assim como a preparação da


refeição que antecede o evento esportivo, deve respeitar as características gas-
trintestinais individuais dos atletas. A recomendação do fracionamento da dieta
em três a cinco refeições diárias deve considerar o tempo de digestão necessária
para a refeição pré-treino, ou prova.

O tamanho da refeição e a composição da mesma em quantidades de pro-


teínas e fibras podem exigir mais de três horas para o esvaziamento gástrico. Na
impossibilidade de esperar por mais de três horas para a digestão, pode-se evitar
o desconforto gástrico com refeições pobres em fibras e ricas em carboidratos.
Sugere-se escolher uma preparação com consistência leve ou líquida, com ade-
quação na quantidade de carboidratos (CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et
al., 2009; ISSN, 2014; ACSM, 2016).

122
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

NUTRIÇÃO E SAÚDE IMUNE DOS ATLETAS: NOVAS


PERSPECTIVAS SOBRE UM VELHO PARADIGMA

As infecções respiratórias e gastrointestinais limitam a disponibi-


lidade do atleta para treinar e competir. Para entender melhor como
um atleta ficará doente quando tiver uma infecção, é apresentado
um paradigma recentemente adotado pela imunologia ecológica que
inclui os conceitos de resistência imune (a capacidade de destruir
micróbios) e tolerância imune (a capacidade de amortecer a defesa e
ainda controlar a infecção a um nível não prejudicial).

Isso fornece uma nova perspectiva teórica sobre como a nutri-


ção pode influenciar a saúde imunológica do atleta; abrindo caminho
para esforços de pesquisa focados em suplementos nutricionais to-
lerogênicos para reduzir a carga de infecção em atletas. De fato, há
evidências limitadas de que as práticas alimentares dos atletas supri-
mem a imunidade, por exemplo, baixa disponibilidade de energia e
treinar ou dormir com pouco carboidrato.

A nova perspectiva teórica fornecida aprimora o foco nos suple-


mentos nutricionais tolerogênicos que demonstram reduzir a carga de
infecção em atletas, por exemplo, probióticos, vitamina C e vitamina D.

Disponível em: http://bit.ly/3u6YnnF

Segue um exemplo de cardápio para dieta de treinamento de atleta de nata-


ção, sexo masculino, adolescente, 17 anos. Início do treino de natação às 14h00-
15h00, intervalo de 20 min, início de treino físico (musculação) das 15h30 às
16h00, novo treino de natação das 16h00 às 18h00.

QUADRO 7 – EXEMPLO DE CARDÁPIO DIETA DE TREINAMENTO

Horário/refeição Alimentos e/ou preparações


Salada de folhas verdes
Legumes cozidos
Almoço (antes do primeiro treino de natação) Arroz com frango ao molho de tomate
Farofa
Suco de uva

123
Bioquímica da Nutrição Esportiva

Ingestão de água intercalado com suco de


Durante a natação e musculação
frutas diluído ou água de coco - 500mL/hora

Banana
Antes do treino da musculação
Pão com pasta de amendoim

Uva passa e mix de nuts (castanhas, amen-


doim, nozes)
Após o treino de natação (último treino do dia)
Whey protein com água
Janta ao chegar em casa
FONTE: A autora

7.1 DIETA DA PRÉ-COMPETIÇÃO


A garantia de bons estoques de energia no organismo do atleta, é o objetivo
principal da dieta da pré-competição, enfatizando-se horas de sono, abstinência
alcoólica (particularmente uma grande dificuldade para jogadores de futebol) e
treinos de menor intensidade ou interrupção dos mesmos.

Assim, a dieta do atleta terá ênfase na ingestão de carboidratos, mantendo-


-se cuidado com as diferentes fontes alimentares e índice glicêmico. A contribui-
ção dos antioxidantes, neste momento, é de extrema importância, sendo geral-
mente prescritos na forma de suplementos para que seja garantida a adequação
desses nutrientes.

Não menos importante, associar atividades de educação nutricional (pales-


tras, material educativo, oficinas culinárias de elaboração e degustação de ali-
mentos e/ou suplementos) em todos os momentos do acompanhamento nutricio-
nal de atletas (CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et al., 2009).

Algumas orientações são importantes na dieta pré-competição. Veja a seguir


o quadro com exemplos.

QUADRO 8 – ORIENTAÇÕES NUTRICIONAIS NA PRÉ-COMPETIÇÃO

Evitar Dar preferência


- Alimentos integrais (pão integral, saladas - Ingestão de alimentos produzidos, elaborados
verdes, arroz integral), pois podem causar e preparados em casa ou local da confiança e
desconfortos gastrointestinais. hábito do indivíduo/atleta evitando episódios
- Alimentos que contenham enxofre, que te- gastrointestinais como intoxicações ou toxinfec-
nham alto grau de fermentação e/ou digestão ção alimentares.

124
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

prolongada (ovos, feijões, lentilhas, alho, bróco- - Alimentação habitual ao período pré-compe-
lis, cebola, pimentão). tição.
- Qualquer alimento e/ou suplemento que não - Aumentar a ingestão de carboidratos pelo me-
seja o habito do indivíduo/atleta, ou seja: não nos 3 dias antes da competição para otimizar
experimentar alimentos ou suplementos nas os estoques de glicogênio muscular.
provas ou competições.
FONTE: A autora

7.2 DIETA NA COMPETIÇÃO E NA


RECUPERAÇÃO
No dia da competição, ou da prova, cuidado com o horário da refeição pré-
-competição e com o início da prova, bem como do intervalo entre uma compe-
tição e outra. Em alguns esportes, como provas de natação que ocorrem duas
ou três vezes no mesmo dia em intervalos de 3 a 5 horas, deve fazer parte da
planilha de acompanhamento e prescrição do profissional de nutrição, para que
a disponibilidade de energia e nutrientes sejam garantidos sem comprometa o
desempenho e eficiência do atleta (CARVALHO et al., 2003; HERNANDEZ et al.,
2009; ISSN, 2014; ACSM, 2016).

No período de recuperação, ou seja, após treinos ou competições, ou prova de


uma competição, nesse momento, o organismo está metabolicamente depletado e
a recuperação virá através do repouso e da alimentação. Contudo, é exatamente
nesta fase que os atletas referem não ter lembrado das orientações ou de ter ingeri-
do qualquer tipo de alimento, não ter feito a reposição de água e carboidratos ou ter
feito de forma insuficiente, ou ter se preocupado apenas com a ingestão de suple-
mentos por acreditar que estes são mais importantes ou eficientes.

Por isso, a importância da presença do nutricionista em treinos, competições


e viagens para monitoramento e ajustes necessários a tempo de serem corrigi-
dos, sem comprometimento do rendimento do atleta (CARVALHO et al.,2003;
HERNANDEZ et al., 2009; ISSN, 2014; ACSM, 2016).

No quadro a seguir há um exemplo de cardápio para competição: atleta, sexo


masculino, 34 anos, maratonista. Início da prova às 8h00. Tempo estimado de
prova: 2h30min.

125
Bioquímica da Nutrição Esportiva

QUADRO 9 – EXEMPLO DE CARDÁPIO DIETA DA COMPETIÇÃO E RECUPERAÇÃO


Horário/refeição Alimentos e/ou preparações

Café da manhã (1h30-2h antes Suco de laranja com beterraba.


da prova) Sanduiche com creme de ricota e atum.

Ingestão de água intercalada com bebida esportiva e água de


coco - 500mL/hora.
Durante a maratona Reposição de carboidrato (gel) - 1 sachê após a 1ª hora com
ingestão de água.

Whey protein com água.


Almoço priorizando ingestão de carboidratos (massas, arroz,
batatas) e proteínas (carnes, frango ou peixe) e suco de frutas.
Após a prova
Reposição de água e carboidratos para reposição dos esto-
ques de glicogênio hepático e muscular.

FONTE: A autora

2 - CASE
C.R.S, 23 anos, sexo masculino, atleta de triatlo, treinos 6 x se-
mana, sendo 5 x semana 2h/dia, intercalando 1h de ciclismo e 1h
de corrida ou natação, e 1 x semana treino de transição (1h nata-
ção, 2h ciclismo e 1 hora de corrida); 1,70 m, peso 62 kg, 12% de
gordura corporal.
Em uso de whey protein, antioxidantes (vit. C, E e zinco) e BCAA.
Refere intercorrência em uma prova de triatlo, sentiu-se mal e
decidiu beber 300ml de Coca-Cola, sentindo-se bem imediata-
mente, contudo, após 30 min voltou a sentir náuseas, redução do
rendimento e energia na prova. Refere que bebeu 500ml de água
oferecida na prova e continuou a sentir-se mal. Bebeu 300ml de
Coca-Cola novamente, melhorou dos sintomas, mas finalizou a
prova com 2 horas a mais do que o planejado.
Diante das informações, o que você acha que ocorreu? Qual
seria a sua conduta? Você adicionaria ou excluiria algum su-
plemento?

126
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

As diretrizes do ACSM (2016) citam alguns pontos que considerei importan-


tes para finalizar este capítulo. Com o passar das décadas, têm-se observado
um aumento de publicações científicas e consensos de organizações esportivas
relacionados à nutrição esportiva e dietética, o que confirma a nutrição esportiva
como área dinâmica da ciência em constante crescimento, tanto no apoio que
oferece aos atletas, quanto na força das evidências que sustentam as diretrizes.

Os atletas realizam programas periodicos de preparação fisica para a obten-


ção do desempenho máximo através da integração de diferentes tipos de exerci-
cios divididos em ciclos nas planilhas de treinos para as competições programa-
das ao longo de um determinado periodo.

O suporte nutricional também precisa ser periodizado, levan-


do em consideração as necessidades das sessões diárias de
treinamento e objetivos nutricionais programados para aquele
atleta conforme suas individualidades. Os planos alimentares
precisam ser personalizados para cada atleta, a fim de levar
em consideração a especificidade e a exclusividade do evento,
metas de desempenho, desafios práticos, preferências alimen-
tares e respostas a várias estratégias. O objetivo principal do
treinamento é adaptar o corpo para desenvolver eficiência e
flexibilidade metabólica, enquanto as estratégias de nutrição
se concentram em fornecer reservas de substrato adequadas
para atender às demandas de combustível do evento e apoiar
a função cognitiva. A disponibilidade de energia considerando
a ingestão energetica em relaçao ao gasto calórico do exerci-
cio, estabelece uma base importante para a saúde e o sucesso
das estrategias de nutriçao esportiva. A melhora da composi-
ção corporal associada ao desempenho ideal é reconhecida
como uma meta importante, desafiadora, que precisa ser in-
dividualizada e periodizada. Aqui também temos a participa-
çao da nutrição nas estratégias nutricionais para mudanças da
composiçao corporal e consequente melhora de desempenho
ou resultados seja para atletas ou individuos praticantes de
exericios (ACSM, 2016, p.561).

O treinamento e a nutrição têm forte interação na adaptação do corpo ao


desenvolvimento de adaptações funcionais e metabólicas. Atletas de esportes de
alto rendimento se mantêm entre treinamento de força suficiente para obter um
estímulo máximo de treinamento e evitar o risco de doença/lesão associado a um
volume excessivo de treinamento.

Com isso, finalizo enfatizando a importância da atualização científica do


profissional de nutrição em Nutrição Esportiva, pois a ciência está em constante
evolução com suas novas descobertas a respeito do metabolismo e desempenho
humano no exercício e no esporte.

127
Bioquímica da Nutrição Esportiva

Tríade da mulher atleta. Leia sobre o consenso atual sobre es-


sas alterações ocorridas em mulheres atletas que devem ser con-
sideradas em todo o planejamento e prescrição dietética. MOUNT-
JOY M, et al. Br J Sports Med. 2018; 52:687-697.

IOC consensus statement on relative energy deficiency in sport


(RED-S)

Disponível em: https://bit.ly/2N7xzTh

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Chegamos ao fim do terceiro capítulo, no qual abordamos temas os quais
você fosse capaz de compreender as características da nutrição aplicada à ativi-
dade física e performance; estimativa do gasto energético e avaliação do consu-
mo alimentar; particularidades na prescrição dietética e reposição hidroeletrolítica
para praticantes de exercícios e atletas.

Assim, elencamos o que vimos neste capitulo:

• Conceito sobre diretrizes ou guidelines que determinam as recomenda-


ções nutricionais em nutrição esportiva;
• O que é a nutrição esportiva e a resolução do CFN 380/2005 com as
áreas de atuação do nutricionista e suas atribuições, especificamente na
área de nutrição esportiva.

Demos início a este capítulo, entendendo a estimativa do gasto energético na


prática de exercícios, abordando o equivalente metabólico como estratégia para
o cálculo do gasto energético nos diferentes esportes, bem como as recomenda-
ções energéticas e nutricionais. Ademais, elaborei atividades de estudo em forma
de case, para cálculo de gasto energético em algumas situações.

Ao falarmos sobre estado de hidratação e recomendações de ingestão de


líquidos, apresentei um case para você resolver, assim você vivencia um exemplo
real, atuando na prática.

128
NUTRIÇÃO APLICADA À ATIVIDADE FÍSICA
Capítulo 3 E PERFORMANCE

Sobre as recomendações de energia e nutrientes, apresentamos segundo as


guidelines nacionais e internacionais e as especificidades quanto aos antioxidan-
tes e alguns micronutrientes como ferro e cálcio.

Na sequência estudamos sobre avaliação do consumo alimentar e nutricio-


nal, para então irmos à prescrição dietética de acordo com o esporte coletivo ou
individual, bem como em momentos de treinamento, competição e recuperação
com particularidades; apresentei exemplos de cardápios em casos reais de atle-
tas atendidos durante minha experiência prática em nutrição esportiva com base
em recomendações, preferências e hábitos referidos pelos indivíduos/atletas.

É importante destacar particularidades para crianças, adolescentes e adultos


praticantes de esporte que estão em estágios de vida de crescimento/desenvolvi-
mento e envelhecimento celular, respectivamente.

Assim, você está apto(a) a selecionar, de acordo com a exigência metabóli-


ca, a prescrição dietética adequada de forma individualizada ao atleta, conforme
modalidade esportiva praticada, estado nutricional, composição corporal e perío-
do de treinos e/ou competições, bem como processos de recuperação de lesões.

Bom trabalho e bons estudos, pois a atualização é constante na prática pro-


fissional em nutrição! Parabéns pela escolha e sucesso em sua trajetória!

REFERÊNCIAS
ABRANCHES, M. V.; DELLA LUCIA, C. M. Nutrição aplicada ao esporte:
estratégias nutricionais que favorecem o desempenho em diferentes
modalidades. 2 ed. Viçosa: A. S. Sistemas, 2014.

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129
Bioquímica da Nutrição Esportiva

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NUTROLOGIA. Projeto Diretrizes: gasto


energético avaliado pela calorimetría indireta. 2009. Disponível em: https://
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