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COMUNICAÇÃO DE RISCO

REDE CIEVS
Secretaria de Vigilância em Saúde | Ministério da Saúde Número 14 | 28.05.2021

APRESENTAÇÃO

A Comunicação de risco tem como objetivo apoiar na divulgação rápida e eficaz de conhecimentos
às populações, parceiros e partes intervenientes possibilitando o acesso às informações fidedignas que
possam apoiar nos diálogos para tomada de medidas de proteção e controle em situações de emergência em
saúde pública.

Comunicação de risco
Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde – CIEVS
Coordenação Geral de Emergências em Saúde Pública - CGEMSP
Departamento de Saúde Ambiental, do Trabalhador e Vigilância das Emergências em Saúde Pública –
DSASTE
Secretaria de Vigilância em Saúde – SVS
Ministério da Saúde – MS

Secretário de Vigilância em Saúde


Arnaldo Correia de Medeiros

Diretora DSASTE
Daniela Buosi

Coordenadora CGEMSP
Janaína Sallas

Ponto Focal do CIEVS Nacional


Pedro Henrique Presta Dias

Equipe Técnica de Monitoramento de Eventos


Ariadine Kelly Pereira Rodrigues Francisco
Rianna Carvalho Moraes

Colaboração
Equipe Cievs
COMUNICAÇÃO DE RISCO | CIEVS | CGEMSP | DSASTE | SVS | MS Número 14| 28.05.2021

COMUNICAÇÃO DE RISCO
Provável caso de fungo negro em paciente imunossuprimido em Manaus-AM

Descrição do evento:
Em 28/05, o CIEVS Nacional recebeu HDA: Paciente diabético, tipo 2, já
notificação do CIEVS/AM sobre o usuário de insulina com interrupção do
comunicado da Fundação de Medicina tratamento nas últimas semanas segundo
Tropical-HVD com o resultado do exame do acompanhante. Evoluiu com sintomas gripais
paciente LPP, 56 anos, residente de Manaus, após receber vacina para COVID-19 e prurido
no bairro Crespo, com laudo de exame em olho D, onde passou a aplicar óleo vegetal
patológico consistente com e evoluiu com infecção local.
MUCORMICOSE, laudo emitido em Evoluiu a óbito no dia 16/04/21, na
27/04/21. Amostra havia sido encaminhada DO consta: Choque Séptico; Mucormicose
para análise pelo HPS Dr. João Lúcio, em Rinocerebral; e Diabete Mellitus, tipo 2.
investigação no prontuário, consta internação
em 12/04/21.

Ações realizadas: em monitoramento pelo CIEVS Nacional.

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MUCORMICOSE

O termo mucormicose é usado para se referir a toda infecção fúngica causada por fungo
da classe Zygomycetes e ordem Mucorales.1
Mucormycose (às vezes chamada de zigomycose) é uma infecção fúngica grave, mas
rara, causada por um grupo de moldes chamados mucormycetes. Esses fungos vivem em todo o
ambiente, particularmente no solo e em matéria orgânica em decomposição, como folhas,
pilhas de adubo ou madeira podre.2
As pessoas contraem mucormicose entrando em contato com os esporos fúngicos no
ambiente. Por exemplo, as formas pulmonares ou sinusais da infecção podem ocorrer depois
que alguém respira em esporos. Essas formas de mucormicose geralmente ocorrem em pessoas
que têm comorbidades ou utilizam medicamentos que diminuem a capacidade do corpo de
combater algumas doenças. A mucormicose também pode se desenvolver de forma cutânea
depois que o fungo entra na pele através de um corte, raspagem, queimadura ou outro tipo de
trauma.2
O ECDC elenca os principais tipos de Mucormicose:
A mucormicose rinoceronte (sinusal e cerebral) é uma infecção nos seios que pode se
espalhar para o cérebro. Essa forma de mucormicose é mais comum em pessoas com diabetes
descontrolada e em pessoas que fizeram um transplante de rim.
Mucormicose pulmonar (pulmão) é o tipo mais comum de mucormicose em pessoas
com câncer e em pessoas que fizeram um transplante de órgãos ou um transplante de células-
tronco.
A mucormicose gastrointestinal é mais comum entre crianças jovens do que adultos,
especialmente bebês prematuros e com baixo peso ao nascer com menos de 1 mês de idade, que
tomaram antibióticos, cirurgias ou medicamentos que diminuem a capacidade do corpo de
combater germes e doenças.
Mucormicose cutânea (pele): ocorre após os fungos entrarem no corpo através de uma
ruptura na pele (por exemplo, após cirurgia, queimadura ou outro tipo de trauma da pele). Esta
é a forma mais comum de mucormicose entre pessoas que não têm o sistema imunológico
enfraquecido.
A mucormicose disseminada ocorre quando a infecção se espalha pela corrente
sanguínea para afetar outra parte do corpo. A infecção afeta mais comumente o cérebro, mas
também pode afetar outros órgãos, como o baço, o coração e a pele.

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Sintomas mais comuns

A progressão da doença leva a uma sequência de sintomas que se iniciam com dor
orbital unilateral ou facial súbita, podendo conter obstrução nasal e secreção nasal necrótica.
Há a possibilidade de ocorrer lesão lítica escura na mucosa nasal ou dorso do nariz, celulite
orbitária e facial, febre, ptose palpebral, amaurose, oftalmoplegia, anestesia de córnea,
evoluindo em coma e óbito.1
Tratamento

Embora a infecção possa começar com uma infecção de pele, pode se espalhar para
outras partes do corpo. O tratamento envolve remover cirurgicamente todos os tecidos mortos e
infectados. Em alguns pacientes, isso pode resultar em perda da mandíbula superior ou às vezes
até mesmo do olho. A cura também pode envolver de 4 a 6 semanas de terapia antifúngica
intravenosa. Como afeta várias partes do corpo, o tratamento requer uma equipe de
microbiologistas, especialistas em medicina interna, neurologistas intensivistas,
oftalmologistas, dentistas, cirurgiões e outros.3

CASO PROVÁVEL NO BRASIL

O CIEVS Nacional foi comunicado em 28/05 pelo CIEVS/AM sobre o resultado do


exame pela Fundação de Medicina Tropical-HVD, do paciente LPP, 56 anos, residente de
Manaus, no bairro Crespo, com laudo de exame patológico consistente com MUCORMICOSE,
laudo emitido em 27/04/21.

Amostra havia sido encaminhada para análise pelo HPS Dr. João Lúcio, em
investigação no prontuário, consta internação em 12/04/21.

HDA: Paciente diabético, tipo 2, já usuário de insulina com interrupção do tratamento


nas últimas semanas segundo acompanhante. Evoluiu com sintomas gripais após receber vacina
para COVID-19 e prurido em olho D, onde passou a aplicar óleo vegetal e evoluiu com
infecção local.

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O mesmo evoluiu a óbito no dia 16/04/21, DO nº 31169242-7.

a)     Choque Séptico.
b)    Mucormicose Rinocerebral.

Parte II: Diabete Mellitus, tipo 2.

O mesmo possui teste rápido positivo para IGG, realizado em 12/04/21:

·         Nome teste: Hightop


·         Lote: COV125204C. Val: 04/21

Realizado busca no SINAN WEB e não foi encontrado notificação para HIV/AIDS.

Em pesquisa no SIM, não foi encontrado outro caso por óbito, CID B46.1.

O LACEN/AM, está coletando material junto a FMT-HDV, para encaminhar para análise na
referência.

Realizado busca junto ao PNI Municipal e identificada vacinação realizada no dia 01/04/2021,
1ª dose, Covid-19-Coronavac-Sinovac/Butantan lote nº210077, aplicada no Município de
Maués.

REFERÊNCIAS
1. Xavier SD, Korn GP, Granato L. Mucormicose rinocerebral: apresentação de caso com
sobrevida e revisão de literatura. Relato de Caso • Rev. Bras. Otorrinolaringol. 70 (5) •
Out 2004.
2. Centers for Disease Control and Prevention. Mucormycosis. January, 2021. Disponível
em : < https://www.cdc.gov/fungal/diseases/mucormycosis/definition.html >.
3. Ministry of Health and Family Welfare of India. Stay Safe from Mucormycosis - a
Fungal Complication being Detected in COVID-19 Patients. Disponível em: <
https://pib.gov.in/PressReleseDetailm.aspx?PRID=1718501>.

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