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O Cérebro e a Mente

É muito comum se fazer confusão entre os conceitos de cérebro e


mente, ou seja, serem tomados como sinônimos. Muitos querem atribuir ao
cérebro a função de criador de pensamento/consciência, assim como o fígado
produz bile, ou rim produz a urina, a questão é que a bile ou a urina são
substâncias bioquímicas, enquanto o cérebro produz elementos subjetivos
como ideias, emoções e inteligência. Mais de acordo com a doutrina dos
espíritos é o conceito de que a mente seria a entidade inteligente que comanda
o órgão material cérebro, semelhante ao motorista que dirige um grande
caminhão. Poderíamos melhor comparar com o que na informática chamamos
de hardware e software. Onde hardware seriam os circuitos eletrônicos digitais
e o software seriam os programas que agirão nesse hardware. Dessa forma o
hardware (matéria) seria o cérebro e o software (Inteligência), a mente. Ou
seja, um é o agente, o outro é o instrumento.

Cérebro: Lado Esquerdo x Lado Direito

O cérebro é, portanto, um sofisticado e complexo circuito bio-eletrônico,


por onde trafegam ideias que recebe, interpreta, processa e despacha. Há uma
simetria na forma do cérebro, conjugada com uma assimetria de suas funções.
O hemisfério esquerdo controla o lado direito do corpo e dele recebe as
sensações correspondentes, ao passo que o hemisfério direito do corpo
controla o lado esquerdo. À exceção dos canhotos, a fala e o pensamento
espacial constituem atribuições praticamente exclusivas do hemisfério
esquerdo. Por outro lado, o direito é especializado em aspectos não verbais,
tais como: aspectos imateriais, emoções, música e artes em geral, sendo-lhe,
pois, indiferente que passem por esse ou aquele hemisfério.
O pensamento consciente costuma ser eminentemente verbal, portanto
no domínio do lado esquerdo, enquanto o lado direito como não verbal sediaria
os pensamentos inconscientes.
Curioso observar que nos canhotos todas as funcionalidades do cérebro
estão invertidas. Mais ainda, se um dos hemisférios se danifica, o outro pode
assumir tarefas para as quais, em princípio, não estaria programado.

Individualidade e Personalidade:
Seguindo as estruturas desse estudo, precisamos de dois conceitos
fundamentais, abalizados pela experiência do Hermínio C. Miranda.

Individualidade:
O ser inteligente, o espírito eterno.
Guarda em si, todas as experiências fisiológicas e psicológicas desde a
sua criação, todas as memórias de suas vidas na matéria e fora dela;
normalmente instalada (conectada) no hemisfério direito; a mente.

Personalidade:
O mesmo ser individual, porém sem todos os recursos da
individualidade. Dispõe, regra geral, da memória da vida atual, do núcleo dos
instintos, das aquisições morais e de Inteligência, sem, no entanto, lembrar-se
das memórias arquivadas das existências anteriores; normalmente instalada no
hemisfério esquerdo; a alma.
O espírito, esse ser consciente, responsável, lúcido e permanentemente
ligado à mente cósmica, está instalado no hemisfério cerebral direito seu posto
de monitorização e comando. É a Individualidade que traz nas suas próprias
estruturas espirituais, não apenas a vivência de todo um passado de
experiências, como a programação para cada nova experiência que se inicia na
carne. Uma vez colocados na memória operacional da criança, no hemisfério
esquerdo, os programas necessários à manutenção da vida, ela se retira para
o contexto que lhe é próprio e, através de seus terminais no lobo direito,
monitora a atividade que a Personalidade vai desenvolvendo.
Pelo mecanismo da reencarnação, a Individualidade vai aprendendo a
vencer as limitações da matéria e a dominá-la, sendo cada vez mais ela
própria, até que a personalidade não lhe constitua mais empecilho à sua
manifestação. Assim quando uma Individualidade atinge o nível evolutivo do
Cristo, a matéria na qual se acha mergulhada a Personalidade não oferece
mais nenhum obstáculo à expressão da Individualidade. Nesse caso
praticamente não é mais perceptível a diferença entre a individualidade e a
personalidade encarnada.

A Alma
Pequeno vocábulo que apresenta segundo o dicionarista, 26
significados. Relacionemos alguns que interessam ao nosso estudo para
análises:

Verbete: alma
1. Princípio de vida. (Princípio Vital)
2. Filos. Entidade a que se atribuem, por necessidade de um
princípio de unificação, as características essenciais à vida (do nível orgânico
às manifestações mais diferenciadas da sensibilidade) e ao pensamento: as
faculdades da alma.
3. Princípio espiritual do homem concebido como separável do corpo
e imortal: "A alma precisa de silêncio e prece" (Cruz e Sousa, Últimos Sonetos,
p. 95): Reza pelas almas dos vivos... (Perispírito).
4. O conjunto das funções psíquicas e dos estados de consciência
do ser humano que lhe determina o comportamento, embora não tenha
realidade física ou material; espírito: Seu estado de alma sempre lhe
transparece nos olhos.
5. Pop. Espírito desencarnado: Diz ele que anda vendo almas.
(Perispírito)
6. Pessoa, indivíduo: Era uma boa alma; Mora num lugarejo de dez
mil almas.
Quando o Allan Kardec perguntou aos espíritos que lhe assessoravam
“O que é a alma? ”, responderam simplesmente que “é o espírito encarnado”,
mas que isso dependeria do entendimento que se quisesse dar a essa palavra.
A reposta, apesar de curta, apresenta uma grande objetividade e coerência
com os demais postulados da doutrina dos espíritos. Para o sentido popular “6.
Espírito desencarnado”, temos o conceito de perispírito, que é mesmo “Ka” dos
egípcios, ou corpo espiritual (ou pneumático) no dizer do apóstolo Paulo.
A alma, portanto seria no presente estudo um sinônimo para
personalidade. É, portanto uma entidade da mesma natureza que o espírito (ou
individualidade), porém não dispondo de todos os seus recursos; ou seja, é um
espírito encarnado, e dessa forma limitado pelas circunstâncias que lhe são
imposta pela sua condição de encarnado.

Consciente e Inconsciente

Fonte: https://www.libertas.com.br/freud-consciente-pre-consciente-e-inconsciente/

Podemos agora relacionar essas duas definições com os conceitos


geralmente utilizados na psicologia.
Consciente: é a interface entre a Personalidade e a vida/mundo
material.
Inconsciente: é a parte da Individualidade não incorporada à
personalidade.
Os habituais conceitos da psicanálise de consciente e inconsciente nos
induzem a crer que há dois seres “dentro” de cada pessoa encarnada. Não
podemos deixar de reconhecer que suas dissemelhanças apresentam-se tão
veementes que justifica em parte o pensamento acima. Apesar disso, não há
dois seres distintos em nós, o que há é uma realidade única, o psiquismo
superior, ou Individualidade, que, mergulhado por uma de suas pontas na
matéria densa, tem a outra acoplada ao que poderíamos chamar de psiquismo
cósmico. O Livro dos Espíritos, no capitulo VIII, “da emancipação da alma”,
trata dessa questão, ou seja, das atividades que o espírito encarnado exerce
nos seus momentos de liberdade relativa. HCM observa que não deve ser
qualificado de inconsciente, um processo consciente de si mesmo e que sabe o
que quer e para que metas se dirige.

Acesso à Memória Integral


Sendo assim e tendo em mente as estruturas de tempo e espaço, nada
há de surpreendente no fato de que se empregando técnicas apropriadas seja
possível ter acesso tanto à memória da vida atual (própria da Personalidade)
quanto à memória integral pertencente a Individualidade.
HCM sugere que a memória integral é semelhante a um conjunto de
disquetes (eu diria hoje, CD regraváveis que são mais duráveis e de maior
capacidade). Para cada nova existência, um novo disquete é preparado para
armazenar toda aquela vida. Ao final da experiência na carne os dados seriam
transferidos para a área de armazenamento da individualidade. Isso explicaria
em parte o fenômeno da recapitulação panorâmica no momento da morte,
conforme relatos mediúnicos e as pesquisas de experiências de quase morte. A
personalidade teria então um fácil acesso as gravações da vida presente.
Durante o transe numa seção de Regressão de Memória, a personalidade
adquire momentaneamente alguns recursos a mais da individualidade,
incluindo aí o recurso de acesso aos disquetes armazenados de existências
passadas, e até mesmo de períodos entre as encarnações.
Dessa forma o mecanismo envolvido na recuperação das lembranças
seria tão somente uma questão de memória, ou seja, a capacidade de
recuperar todas as informações gravadas anteriormente, e não envolveria
diretamente a dimensão tempo e, portanto, não explicaria as progressões de
memória.
Um outro esquema possível para acesso à memória integral é como se o
lado direito do cérebro (ou comandado por ele) pudesse sintonizar da mesma
forma como em um receptor de ondas eletromagnéticas de rádio ou TV, com
um tempo não-presente e obter as informações detalhadas de todos os
períodos das suas existências. Assim explicaria tanto as progressões de
memória, quanto a grande carga emocional que o sujeito apresenta quando
regride e também o fato dele se sentir lá como se tivesse revivendo a cena.
Muitas vezes, em transe profundo, é como se fizesse uma viagem no túnel do
tempo.
Talvez também possa ser um misto das duas ideias. De qualquer forma
é bom ter em mente essas ideias e quem sabe em futuro breve possamos
pesquisar mais profundamente essas questões. Por enquanto nos limitaremos
a pesquisar o fenômeno da regressão em si, sem nos preocuparmos qual o
mecanismo intimo do armazenamento e acesso às informações.

A REGRESSÃO DE MEMÓRIA

A regressão de memória é uma técnica, bastante antiga, que foi utilizada


e restrita somente a sociedades esotéricas fechadas.
Hoje vem sendo pesquisada de uma maneira científica pela psicologia
contemporânea e empregue na resolução de comportamentos inadequados
quando as causas lógicas são aparentemente desconhecidas.
Quando pensamos em regressão, várias perguntas brotam em nossa
mente:

O que é regressão?
Regressão é a busca, em seus arquivos de memória, de situações
traumáticas que vivem em nosso inconsciente, dando origem a distúrbio físico
ou comportamento emocional inadequado que a pessoa tende a repetir mesmo
que, conscientemente, não o deseje.

Porque regressão?
Porque nela não há somente a lembrança do fato traumático mas,
principalmente, a sua vivência, que é a maneira mais efetiva de conseguirmos
modificar as gravações que dele
derivam e nos acompanham,
dificultando o nosso
desenvolvimento.

Para que regressão?


Primeiro, para buscar
estas situações primárias que,
uma vez conscientizadas e Fonte: http://ispnl.com.br/regressao-hipnotica/

vivenciadas, perdem sua


intensidade de atuação. Depois, para que a pessoa possa se liberar das
consequências, desagradáveis e muito prejudiciais, resultantes desta situação
traumática original.
Todo comportamento inadequado, seja ele físico (doença
psicossomática) ou emocional é resultante de uma defesa estruturada
realizada sem o concurso da razão.
O objetivo é fazer com que o indivíduo possa ser livre para escolher
racionalmente o comportamento que realmente lhe convém.

Quando fazer regressão?


Sempre que detectamos, em nós, comportamentos repetitivos
indesejáveis, sem causa lógica, que se impõe de uma maneira praticamente
incontrolável, assim como: medos incompreensíveis, irritabilidade gratuita,
dificuldade de desempenho diante de situações específicas, etc.
Em resumo, quando a nossa reação não apresenta um fundamento
lógico e real aparente, causando problemas de relacionamento e atuação
desajustados no ambiente em que vivemos, dificultando o nosso aprendizado,
crescimento e desenvolvimento.
Por exemplo, sentirmos medo de um cachorro bravo é um
comportamento natural de preservação. Porém, sentirmos este mesmo medo
diante de um cachorrinho pequeno e manso, denota uma reação deturpada
frente a um estímulo. Nascemos para sermos livres e certas situações que não
conseguimos controlar nos tolhem esta liberdade.
No caso anterior, esta pessoa não é livre para conviver em ambientes
onde existam cachorros (poderá até mesmo perder uma pessoa que gosta
muito, pelo fato de ter medo de ir a casa dela onde existe um pequeno e
simpático cachorrinho).

Até que idade é possível regredir?


Em princípio, podemos regredir para qualquer idade, porque temos
gravado todos os fatos de nossa vida desde o útero materno.

A regressão abrange vivências anteriores?


Não há maneira científica de se provar a existência de outras vidas.
Porém, existe em nossa inconsciente gravação de histórias inteiras, com
emoção e dor física, de origem desconhecida e que interferem diretamente em
nossa vida dando origem a vários comportamentos e tendências que
apresentamos hoje.
Se estas histórias provêm ou não de vidas passadas, na prática não
importa muito, o que importa é que as conscientizando e vivenciando-as, a
pessoa se torna mais apta a modificar certas situações e comportamentos
indesejáveis que, em síntese, são provocadas pela própria pessoa.

Como é feita a regressão?


Pode ser feita individualmente, através de técnicas esotéricas ou pode
ser feita acompanhada por alguém que saiba como induzi-la, química ou
psiquicamente.
Como são empregadas estas técnicas?
Sempre buscando um estado alterado de consciência, através de uma
pulsação cerebral reduzida.
Individualmente ela é conseguida através de técnicas progressivas,
principalmente aquelas ligadas ao yoga, em que a pessoa vai reinando
lentamente até atingir o grau necessário.
Com acompanhamento, pode ser feito através da narcoanálise, hipnose
ou relaxamento profundo.
Na narcoanálise o indivíduo ingere certas drogas que o levam à
inconsciência, portanto, há sempre o risco de dano físico.
Na hipnose e no relaxamento profundo o indivíduo é levado a um estado
alterado de consciência, através de técnicas psíquicas; porém, na hipnose não
há lembrança, nem consciência do que se vivencia.
No relaxamento profundo a consciência é preservada durante todo o
processo.
Finalizando, gostaria de dizer que a experiência mostra que a regressão
é uma arma útil no combate aos bloqueios, um instrumento mágico de
autoconhecimento e, consequentemente, de um valor inestimável para o
autodesenvolvimento.

A Leitura da Alma

Poucas línguas preservaram o sentido original da palavra “magia”, como


em francês, por exemplo, em que a palavra “magie”, deve ser considerada
como “mistérios” no sentido de conhecimento de uma realidade superior e
transcendental.
“As tradições orais que chegaram até nós, à falta de documentos mais
confiáveis, foram de grande valor, mas, no curso dos séculos, tornaram- se
desfiguradas, como medalhões corroídos, cuja idade os arqueólogos tentam
decifrar... (Christian Paul, 1972)”

No Antigo Egito

Fonte: http://aumagic.blogspot.com/2018/04/os-rituais-de-iniciacao-espiritual-do.html

O Antigo Egito era possuidor dessa “magia”, tinha conhecimento da


realidade espiritual, o Deus único, a lei de ação e reação e a doutrina da
reencarnação era uma das colunas mestras dessa estrutura de conhecimento e
sabedoria. Tecnologia adequada foi desenvolvida para obter-se o
desdobramento, ou seja, a separação temporária e controlada entre o
períspirito e o corpo físico, no ser encarnado.
Relativamente livre da prisão celular, a Personalidade tinha condições de
utilizar-se da memória integral; de deslocar-se no tempo e no espaço; de entrar
em contato com seres desencarnados; realizar diagnósticos em si mesmo ou
em outras pessoas, recomendando tratamento adequado para os males do
corpo e da mente. Não era, pois, de se admirar que tão rigorosos fossem os
testes criados para não deixarem a mínima dúvida quanto às faculdades e à
moral do candidato à posse de tais conhecimentos. Ali se operavam o
desdobramento, a regressão de memória, a autoscopia, diagnose por
psicometria ou vidência, a telediagnose, o tratamento por passes, a
mediunidade, materializações, etc.
Vejamos uma descrição do processo de iniciação, descritos por alguém,
durante uma seção de regressão:
•Os iniciados eram levados até uma porta, o véu de
Osíris. Entravam numa sala onde estavam representados os
sete símbolos sagrados da vida. Havia então uma série de
portas e tinha que descobrir a porta da sabedoria.
•Então ele passava a uma sala escura e fria, onde um
poço profundo e uma passagem estreita simbolizava a
passagem da sabedoria cega para a racionalização do
espírito. Ele devia descobrir a saída dessa sala.
•Depois ele passaria pela segunda sala, a prova da
água, simbolizava o batismo, era a prova da sabedoria e da
coragem.
•Com sabedoria e coragem, chegava até a terceira
prova, a do fogo, o véu de Osíris e a sabedoria de Rá.
•E a última prova, a mais difícil de todas, a tentação
da carne. Mulheres lindas que lhes tentam os sentidos,
comidas finas, vinhos saborosos. Se sucumbir, será escravo
de nossas pirâmides, para sempre. Se passar, será então
admitido á iniciação.
•Estudará astrologia, os segredos da filosofia, um
mundo de sabedoria, mas ainda não terá conhecido Osíris
nem Rá.
•Somente após anos de estudo, quando ele aprender
a ser humilde e destituído, de tudo, então será levado aos
grandes mestres, à sala de Osíris. Lá ele será levado, a um
sarcófago. Será encerrado vivo e, por uma longa noite,
conhecerá tudo que já foi.

Todos esses conhecimentos foram aos poucos se perdendo, até que ma


idade média forma quase que totalmente esmagados pelo poder dogmático da
igreja dominante.
A Chave do Universo
“A alma é a chave do universo”, escreveu Schuré na introdução de Os
grandes iniciados. Mas era necessário o segredo para usar a chave. Por
séculos esse segredo ficou oculto ao ocidente, e uma das áreas mais
prejudicas foi a medicina, que ainda hoje vê no homem apenas o corpo
material. Após o término do período de tirania da Igreja Católica, houve uma
retomada no pensamento nessa área do conhecimento humano.
Um dos pioneiros foi Paracelso (1.493), o médico maldito, que
reconhecia o aspecto espiritual do homem e questões como a reencarnação.
Reencarnaria depois como Hahnemann (1.755) com as mesmas ideias e criaria
a homeopatia. Antonie Mesmer (1.733), médico excêntrico, que descobriu o
magnetismo-animal, ou seja, o fluido- animal, que pode ser utilizado com fins
curativos, e que hoje é aplicado hoje nos centros espíritas.
Se a alma é a chave do universo, então podemos concluir que a chave
da alma é a reencarnação. Nenhuma abordagem racional aos problemas da
alma, bem como elevada percentagem dos problemas do corpo físico será
viável sem levar em conta o conceito das vidas sucessivas e tendo como pano
de fundo a responsabilidade pessoal de cada um pelos seus atos. Junto ao
conceito de reencarnação, está o de evolução do ser espiritual, onde a cada
nova etapa absorve novos conhecimentos e novas experiências.

Leitura da Alma
Alquimia da mente, pudemos conjeturar como seria o mecanismo de
armazenamento e recuperação das informações na memória. Reconhecemos
ali a impossibilidade, no atual estágio de pesquisa, de chegarmos a alguma
conclusão. No entanto, as técnicas e métodos de leitura dessas lembranças
estão muito bem definidas e documentadas, e são elas que nos deteremos a
detalhar nesse momento.
Com certeza as técnicas a serem utilizadas para acessar a memória
integral da Individualidade, não podem ser as mesmas que investigam os
fenômenos de âmbito e natureza essencialmente materiais. O caminho é
desenvolver técnicas que reduzam a influência inibidora do corpo físico sobre a
Personalidade, ou seja, provocando o desligamento parcial e controlado entre
um e outro. É o fenômeno do desdobramento onde o períspirito se afasta pelo
menos um pouco do corpo continuando a ele ligado, e nessas condições possa
transmitir seu pensamento, que como Individualidade, pode acessar os seus
“arquivos secretos” e transmitir informações por intermédio de seu próprio
corpo físico. Trata-se, portanto de um fenômeno anímico.

Estado Alterado de Consciência


É, consegue fazer com o seu perispírito se afastasse um pouco do corpo
físico, as suas ondas cerebrais apresentam claros sinais de alteração, podendo
inclusive ser mensuradas por aparelhos específicos para essa função. As
ondas cerebrais variam de 25 Hz, que é o estado de vigília e 0 Hz, que é o
estado de morte cerebral.
Classificação das Frequências Cerebrais

Hz Onda Descição
14 a 25 Beta Vigília
08 a 13 Alfa Relaxamento
04 a 07 Teta Hipnose Profunda
01 a 03 Delta Estado de sono profundo

Quando o cérebro passa a emitir ondas na faixa de 01 a 13 Hz, dizemos


que esse indivíduo está em um estado alterado de consciência. Podemos ver
claramente pela tabela que quanto menor o acoplamento do perispírito, menor
a frequência das ondas cerebrais.
Há várias maneiras de conseguir as condições necessárias para o
desdobramento, ou seja, de conseguir esse acoplamento entre os a memória
integral e os sensores do indivíduo encarnado. Em princípio, portanto, qualquer
técnica que provoque o desprendimento parcial é válida: hipnose,
magnetização, uso de drogas específicas (anestesia, por exemplo), choques
elétricos e emocionais, rebaixamento do nível de vitalidade, sono comum,
relaxamento muscular profundo, hiper- oxigenação, sopros, fixação do olhar,
etc.
Aqui vamos nos concentrar no estudo e aplicação dessas duas técnicas:
Magnetismo animal e Hipnose, que embora para muitos seja a mesma coisa,
manteremos a diferenciação. Magnetismo utiliza passes e/ou toques, enquanto
a hipnose fica restrita à sugestão verbal, transmitindo as instruções, em
cadência e tom de voz adequada. Sendo que os dois métodos tanto podem ser
usados separadamente, como ser combinados e aplicados simultaneamente,
conforme teremos a oportunidade de aprofundarmos no assunto a seguir.

O Hipnotismo Primórdios

A hipnose (hipo – radical grego para sono) é a prática para se conseguir


o desdobramento, que utiliza basicamente a sugestão verbal do hipnotizador
para o sensitivo. O primeiro a definir técnicas de hipnotismo foi o Dr. James
Braid (1847), com isso reformulou alguns conceitos do que se chamava até
então de magnetismo animal, mas também caindo no erro de pensar que tudo
era explicado somente pela sugestão. Na realidade são conceitos distintos,
mas que produzem basicamente o mesmo resultado; dois caminhos diferentes,
mas que chegam ao mesmo destino. Pessoas refratárias a um método podem
ceder ao outro, bem como os insensíveis a um certo método por uma pessoa
podem mergulhar em um transe profundo com o mesmo método aplicado por
outra pessoa. O Dr Liébaut, um dos pioneiros, determinou que cerca de 87%
das pessoas são susceptíveis de chegar a um estágio de transe mais profundo.
Atualmente usada na psicologia e na odontologia (em pacientes a que
não lhes podem ser administrados sedativos ou analgésicos) a hipnose é
aceite na comunidade científica atual desde 1965, data em que num congresso
médico em Paris a hipnose foi considerada válida cientificamente. Quando digo
na «comunidade científica», refiro-me a minoria de cientistas, claro que nem
todos aceitam o valor da hipnose.

Teoria
A teoria do mecanismo de funcionamento da hipnose ainda hoje é muito
vaga, exatamente porque ela trata diretamente dos mecanismos internos da
mente, e sabemos que isso é de difícil exame. No entanto vamos seguir o
raciocínio de HCM, nesse terreno:
Existe semelhança entre o hipnotismo e o Sono comum?
Sim. Existem semelhanças e também diferenças. Assemelha-se no
aspecto externo e por ambos serem desdobramento. A principal diferença está
no diálogo que pode ser mantido entre Operador e Sensitivo.

Por que tantas sugestões são aceitas e cumpridas sem exame


crítico?
Não nos ocorre por que nenhum argumento racional, para explicar por
que o indivíduo em estado hipnótico cumpra ordem que recusaria prontamente
em estado normal, como, por exemplo, tocar um violino imaginário ou comer
uma cebola achando que uma deliciosa maçã. No entanto essa aceitação se
verifica quase sempre, somente nas fases iniciais do transe. Na fase mais
profunda do transe, a chamada sonambúlica pelos magnetizadores, não ocorre
mais essa cega obediência, e muito pelo contrário, às vezes o sensitivo se
recusa a obedecer e repreende o operador.

—E, por quê a obediência nesses casos?


Não sei. Talvez seja, como sugere Dr. Pavlov, similar a paralisação
automática que ocorre em certos animais quando sem possibilidades de fuga,
incapaz de fugir ou reagir ele se faz de morto para não chamar atenção do
predador. Mecanismo semelhante parece fazer com que em estágio
intermediário, o indivíduo enquanto não completa o processo de
desdobramento, prefere “agradar” o operador, no qual, confia desconfiando.
Uma vez que a Individualidade considera a posição de certa forma segura,
reassume as posições de crítica.

Considerações
A ideia de controlar a vontade de qualquer outra pessoa é totalmente
impossível, pois ela deve estar pré-disposta e aceitar esse “controle”.
Auto-hipnose assistida seria provavelmente o nome mais adequado a
ser atribuído a uma sessão de hipnose, já que o sensitivo precisa estar pré-
disposto a ser hipnotizado, e o hipnotizador não será mais que um mero guia,
condutor ou explorador.
Uma analogia interessante é a visualização de um filme no cinema: o
espectador sabe que é apenas um filme, contudo assume que a história é real
durante o tempo que dura o filme.
Não é necessário ao condutor qualquer tipo de faculdades paranormais
ou mediúnicas.
Os indivíduos demasiado rígidos (conservadores) ou que se acham
espertos (como aqueles que desafiam que se lhes tente hipnotizar) não são,
obviamente, bons candidatos.
Pessoas inteligentes e calmas, ou então inseguras ou inquietas são
preferíveis. Deve-se sempre esclarecer que a hipnose não é controlada pelo
hipnotizador, mas pelo sensitivo, que pode sempre interromper a sessão a
qualquer momento.
Existem dezenas de livros e manuais de técnicas de indução hipnótica,
um confiável é manual de Hipnose Médica e Odontológica do Professor
Osmard de Andrade.

Técnica
Existem várias técnicas de Indução hipnótica, a seguir descrevemos
uma técnica como exemplo:

• Preparação do local da sessão: Uma divisão isolada de som, sem


elementos distrativos é preferível. O sensitivo deverá estar confortavelmente
instalado, preferivelmente numa cadeira reclinável e com braços. Gravata e
objetos dos bolsos deverão ser retirados antes da sessão.
• Preparação do sensitivo: Para que a experiência aconteça, é
necessário que o sensitivo esteja calmo e totalmente confiante no condutor. Um
modo de testar e acalmá-lo é a «queda para trás»: Estando ambos de pé e
direitos, o condutor apóia as mãos nos ombros do sensitivo e verifica que os
pés estão juntos e paralelos. Para confirmar que o sensitivo está relaxado,
levanta-se-lhe um braço em cerca de 30° e larga-se - deverá cair sem qualquer
resistência. Em seguida pede-se ao sensitivo para fechar os olhos, levar as
pupilas acima (olhando para cima) e levantar a cabeça um pouco para trás.
Dizer-lhe algo como «Agora eu vou contar até dez, a cada número vai
pensando intensamente em cair para trás. Quando eu chegar ao número dez tu
cairás para trás - na minha direção - tranquila e confiantemente». Proceder a
uma contagem lenta. Importante: segurar o sensitivo para que não caia.

Resultados:
O sensitivo deverá oscilar ligeiramente sobre si, estando em pé, reflexo
de falta de tensão; Será visíveis uma ausência de suor e deglutição, e a boca
entreaberta.
• Bloqueio: Nesta fase o sensitivo já estará mais sugestionável e
receptivo. Proceder-se-á ao bloqueio de um membro, como uma perna.
Olhando o sensitivo a cerca de meio metro, dir-se-á algo como «agora as tuas
pernas estão a ficando insensíveis... e ao som da minha voz vais ficando com
sono... cada vez mais insensíveis... bloqueados na cadeira...», «quando eu
bater as palmas voltarás ao normal e sentir-te-ás perfeitamente bem». Pedir ao
sensitivo que se levante devagar e sem esforço e bater as palmas assim que
possível.

• Bloqueio ocular : O objetivo é produzir cansaço nos músculos


oculares, para que eles se mantenham fechados durante o resto da sessão.
Há várias opções, como fixar-lhe o teu olhar, fazê-lo seguir um objeto oscilando
ou então - a minha escolha - pedir que se abram e fechem os olhos de um
modo repetido e monótono enquanto são introduzidas sugestões de cansaço
«... as tuas pálpebras estão ficando mais pesadas... quanto mais as tentas
abrir... mais te pesam... já não consegues abrir as pálpebras porque estão
muito pesadas... já não queres abrir...», «só poderás fazê-lo quando eu
disser».

Avaliar o tempo entre a abertura e fecho das pálpebras, que deverá


aumentar progressivamente; A pupila deverá dilatar-se e «fugir» para cima.
Fase do «sono hipnótico» alcançada. O sensitivo está consciente.

• Verificação e aprofundamento: Pedir ao sensitivo que levante um


braço (este deverá subir lentamente) enquanto se lhe é instruído
«... Os teus olhos estão perfeitamente fechados... Agora levanta o braço
bem esticado e com o punho fechado... Devagar... O teu braço começa a ficar
insensibilizado, começando pelo ombro...
Passando pelo cotovelo... à mão fechada... Vou contar até dez, a cada
número que eu contar o teu braço estará cada vez mais insensível. Quando eu
disser "dez" podes abrir os olhos, sentir-te- ás bem, mas não consegues dobrar
o braço. Só poderás fazê-lo quando eu disser

Nota: Se desejares acordar o sensitivo nesta fase, é recomendável


esperar pelo menos um minuto. O despertar deve ser suave, usando uma
contagem algo como «vou contar até cinco, a cada número vais-te sentindo
mais desperto. Quando eu disser "cinco" sentir-te-ás perfeitamente bem e
sereno».

• Sugestão verbal: Esta fase é dirigida para o terreno mais fértil: a


imaginação. Deveremos ter previamente, uma ideia do campo pessoal dos
desejos, aptidões, esperanças, tensões, ocupações e diversões do sensitivo. É
perguntado ao sensitivo se prefere a praia, o campo ou a cidade. Há que saber
se o sensitivo sofre de claustrofobia ou outros medos que serão evitados a
partir deste ponto. É requerida do condutor uma linguagem adequada, criando
um cenário tridimensional, rico em detalhes e sensações, incluindo o olfato.
• Contagem de ajuste: «Agora vou contar até vinte, e a cada número
você ficará cada vez com mais sono, o seu sono vai-se tornar cada vez mais
profundo. Quando eu chegar a vinte você estará completamente adormecido».
Iniciar a contagem.

Toda a atenção do sensitivo deverá estar centrada no que o operador


está dizendo, pelo que se aconselha sugerir «você dorme profundamente,
muito profundamente. Tudo no mundo está distante para você... Só ouve a
minha voz... O seu sono torna-se cada vez mais profundo...», «está ouvindo a
minha voz e a seguindo o que eu estou dizendo».
Se o sensitivo tiver mostrado preferência pela cidade, pode-se-lhe
administrar a sugestão do elevador, caso tenha escolhido o campo, a sugestão
do prado. Pessoalmente recomendo uma combinação das duas sugestões
(ligando-as mais ou menos assim: «saia do elevador, estás agora num
prado...») a não ser que uma aversão por um dos cenários seja evidente.
Aprofundar com a visualização de:

a) Um elevador pequeno, cômodo, quente, acolhedor que vai descendo


lentamente, enquanto aprofunda o sono». Insistir na sua segurança. Alguns
detalhes como luzes azuladas (que têm o efeito de relaxamento) ou o fato de
ser silencioso contribuem para uma sensação de relaxamento. A viagem deve
ser lenta, mas não longa (Maximo 3 minutos). Parar o elevador, sair para o
sono profundo.
b) Um prado descrito com os seus aromas e cores, o perfume da erva
recém cortada, uma leve e tépida brisa primaveril.
«Não tens problemas de tempo, não tens nenhuma preocupação, a tua
mente está em branco, estás perfeitamente calmo e tranquilo, sentes-te
incrivelmente bem. No ar morno, movido por uma leve brisa, há um aroma
muito agradável de erva acabada de cortar. Ao longe ouve-se o som claro de
um riacho a correr.
Sentas-te e respiras este ar balsâmico a plenos pulmões e, desse modo,
voltas a carregar-te de energia vital. Tudo é paz e bem- estar... à tua volta... e
dentro de ti.

Verificar as expressões faciais. Num estado mais profundo perguntar o que vê.
Caso surjam elementos perturbadores no sensitivo, acordamos sem perder a
calma, contando até vinte. Não permitir que as recordações desagradáveis
sejam recordadas.