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25. Sou eu ou é minha entidade?

É possível que você não saiba o quanto esta pergunta é comum entre
médiuns. Alguns passam ao atendimento ainda com esta dúvida.

Se você for honesto consigo mesmo, sem medos, entregando-se


totalmente, posso dizer com alguma certeza de que é a sua entidade
e não você.

Como já dissemos, a incorporação acontece através da mente e não


estamos acostumados a dividir esse nosso patrimônio.

Essa pergunta ocorre por falta de segurança. Você não está seguro
sobre sua mediunidade e, caso esteja, não está seguro da capacidade
de sua entidade em cumprir determinadas tarefas.

Apesar de seus guias te acompanharem desde o ato do seu


nascimento, conhece-los através da incorporação é uma coisa
totalmente nova. Como você não os conhece, é natural que tenha
dúvidas. Mas lembre-se de que suas entidades estão prontas há muito
tempo, quem precisa de desenvolvimento é você.

Mais uma vez, venho pedir a você um ato de fé, para que confie
cegamente em suas entidades. Mesmo que você não entenda o
significado de certos comportamentos, ou por quê ela passou uma
receita para a assistência, não significa que ela esteja errada.

O mais difícil é quando a entidade fala alguma coisa que você sempre
fala, ou ensina algo que você já sabia, isso provoca um nó na cabeça
do iniciante.

Lembre-se que suas entidades viveram todas as experiências que você


já viveu, junto de você. Então não é absurdo que ela utilize algo que
você vivenciou ou aprendeu, certo?

Uma dica para quem quer começar a diferenciar sua própria mente da
entidade consiste em prestar muita atenção ao que a entidade fala,
como fala, que palavras usa e como ela se comporta. Observando bem
você verá que existem algumas poucas, porém, fundamentais
diferenças, entre você e sua entidade.

Outro conselho valioso é quando estiver sozinho, tente imitar sua


entidade. Tente reproduzir o rosto, a fala, o grito, a batida no peito, o

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riso, o grunhido, ou qualquer outra coisa. Você vai perceber que
consegue fazer parecido, mas igual, é muito difícil.

Enfim, todas as dúvidas se desvanecem com o tempo. Firme sua


cabeça, entregue-se ao trabalho mediúnico, tenha fé e verá que sua
confiança em você e nas suas entidades crescerá dia após dia.

25.1. Qual linha desenvolver primeiro: direita ou esquerda?


Sempre a direita, sem dúvida!

Esta pergunta é constante e tem uma resposta.

Na esmagadora maioria dos casos, incorporar a linha da Exu é


extremamente mais fácil, uma vez que as energias da esquerda são
extremamente densas. É por isso que é mais fácil ver uma pessoa leiga
incorporar um Exu, do que um caboclo.

Já as energias da direita são mais sutis (suaves) e necessitam de maior


concentração e entrega do médium.

Caso o médium inicie o desenvolvimento pela esquerda, ficará


“viciado” neste tipo de energia densa e sentirá enormes dificuldades
em trabalhar a direita. Isto acarreta um atraso significativo no
desenvolvimento mediúnico e é exatamente por isso que começamos
pela direita.

Contudo, também não é desejado que o desenvolvimento aconteça


somente na linha da direita, para depois se iniciar a esquerda. O irmão
deve conhecer e sentir a linha da direita, mas, depois de algumas
sessões, deverá também dar passagem para a esquerda, pois é ela que
propicia o descarrego que todo médium necessita.

Então o irmão inicia na direita, passa por algumas sessões e depois


começa com a esquerda, e o desenvolvimento das duas linhas será
concomitante. Uma vez que sinta os fluidos da direita, o médium não
se condicionará com as densas energias da esquerda.

Entretanto, caso você tenha começado seu desenvolvimento pela


esquerda, não se preocupe. Nenhuma maldição cairá sobre você e
seus Exus e Pombagiras não irão “entortar” a cabeça, como
infelizmente se comenta.

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25.2. Como acontece uma incorporação?
Durante muito tempo, algumas doutrinas acreditavam que na
incorporação, o espírito entrava no aparelho (corpo) do médium. Hoje
sabemos que não é bem assim.

De todos os materiais que já estudei, entre eles os livros “Nos


Domínios da Mediunidade” e “Mecanismos da Mediunidade”, ambos
de André Luiz, psicografados por Chico Xavier, o trabalho que mais me
causou admiração é o do Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, sobre a glândula
pineal.

O Dr. Sérgio Felipe de Oliveira é neurocientista e acadêmico da


Universidade de São Paulo (USP), que estudou cientificamente a
glândula pineal. Originalmente a glândula pineal está localizada bem
no centro de nosso cérebro e era conhecida por regular os ciclos vitais
do corpo, como o sono e a reprodução.

Ao estudar diversas pineais, entre muitas conclusões, o Dr. Sérgio


verificou que havia uma quantidade anormal de cristais em algumas
delas. Verificou, a seguir, que a pineal de médiuns atuantes possuía
uma quantidade maior de cristais do que a pineal de pessoas comuns.

Em nossa vida cotidiana, uma das maiores funções dos cristais é na


transmissão e recepção de ondas. Transmissores e receptores de TV’s
e rádios tem como peça fundamental o cristal.

A incorporação propriamente dita ocorre quando o campo espiritual


de uma entidade envolve o campo, ou ao menos a cabeça, de um
médium. A partir desse instante o espírito passa a assumir o controle
do corpo físico. Comandando o sistema nervoso central, o espírito
pode controlar a fala e os movimentos, bem como a condução de
energia.

E onde a pineal se encaixa em tudo isso? A glândula pineal é a grande


antena que capta a energia do campo espiritual da entidade. Isto
explica o porque de sentirmos uma sensação de que vamos incorporar
quando nossos guias se aproximam.

Todavia, o controle primário da mente continua sendo do proprietário


original, ou seja, o médium. E é exatamente por isso que precisamos
nos concentrar para não interferir no trabalho ou atuação das
entidades incorporadas. Do mesmo modo que podemos interferir na

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atuação do espírito, podemos romper a incorporação quando bem
desejarmos.

Por tudo isso é que dizemos que a caridade do médium é apenas


permitir que a entidade se manifeste e atue através do seu corpo, sem
dúvidas e sem interferências. Pode parecer simples, mas somente o
exercício contínuo da mediunidade, contemplado pela humildade, é
que nos levará ao desenvolvimento definitivo de nossa mediunidade.

Por fim, é costumeiro entre os médiuns de Umbanda, sentir um certo


“choque”, tanto na incorporação quanto na partida das entidades.
Esse choque pode ser seguido por tontura ou ausência, e até sensação
de perder o chão, por alguns segundos. Isso se deve ao acoplamento
e desacoplamento energético do campo espiritual da entidade junto
da pineal.

25.3. Mediunidade consciente e inconsciente


Vamos definir os termos. Mediunidade consciente é quando o médium
está presente, assistindo todo o trabalho de sua entidade e, que após
a desincorporação, consegue recordar toda a atuação de seu guia.

Mediunidade inconsciente é quando, após a desincorporação, o


médium não consegue se lembrar do trabalho de sua entidade.

Coloco aqui ainda mais um estágio, a mediunidade semi-consciente,


na qual, após a desincorporação, o médium lembra, mesmo que
vagamente, do trabalho de seu guia, mas, após alguns minutos ou
mesmo após uma noite de sono, toda a lembrança desaparece.

O assunto consciência/inconsciência da mediunidade é um tema


polêmico e desperta muito o interesse dos irmãos de fé. A maioria dos
médiuns se diz inconsciente, mas este fato não é verídico.

A inconsciência é atingida normalmente por médiuns que trabalham


há anos na seara espiritual. Como se fosse uma medalha por serviços
prestados.

Agora raramente um médium novo alcança a inconsciência. Isto por


dois motivos: o primeiro é que para se atingir a inconsciência é
necessário confiança absoluta no trabalho de seus protetores. Já o
segundo é menos óbvio, o médium acompanha conscientemente o
trabalho de sua entidade para aprender com ela, e muitas coisas que

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a entidade diz para a assistência também servem de aprendizado para
o novato.

Pai Ronaldo Linares tem um exemplo didático para compreendermos


parte do mecanismo de inconsciência. Ele nos diz que começar a
incorporar é como se você nunca tivesse carro e de repente compra
um carro zero quilometro. Ao passear com ele quer mostrar a todos
sua nova aquisição. Aí depara-se com uma pessoa que você conhece
muito pouco e ela te parabeniza pelo carro e de repente pede: - Posso
dirigir? Você, muito sem jeito de negar, concorda contrariado com o
pedido, afinal de contas você não sabe se ele dirige, se possui
habilitação. Nos primeiros movimentos você dirige junto com o
motorista, procurando frear antecipadamente sempre que acha
necessário, ou seja, a tensão é visível. Entretanto, a cada novo pedido
para dirigir, conforme você verifica que ele é um bom motorista e que
é cuidadoso com seu carro, você começa a relaxar cada vez mais, até
que um dia você até dorme no banco do carona, tamanha é a
confiança que você nele adquiriu.

As associações são óbvias. Você é o médium, o motorista é sua


entidade e o carro seu corpo físico. Este exemplo deixa bem claro
como funciona o estabelecimento da confiança entre você e seu guia,
e, um dia, você irá até “dormir no banco do carona”, que é uma alusão
forte à mediunidade inconsciente.

Independente de que forma seja a sua mediunidade, nunca se esqueça


de que todas elas são salutares e que a assistência deve confiar nos
médiuns de uma corrente, independente desta condição.

Por último, quem te garante que aquele médium, cuja entidade você
confia cegamente, não era consciente? Pense nisso.

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