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Bolsões e pontos de pobreza de Londrina

Yoshiya N akagawara Ferreira (Coord.) *


Grupo Interdisciplinar de Pesquisa da DEL

RESUMO
Identificação dos "bolsães de pobreza do município Londrina". Trata-se de um levantamento realizado nas
áreas urbanas e rurais do município por uma equipe multidisciplinar, cujo objetivo foi a elaboração do mapa da
fome. Tarefa realizada por oito equipes voluntárias da Universidade Estadual de Londrina, envolvendo docentes,
discentes e comunidade.

PAlAVRAS-CHAVES: Pobreza, Indigência, Mapa da Fome.

1. INTRODUÇÃO na área urbana como rural, tem merecido especial


atenção não só do governo federal, mas também
A Universidade Estadual de Londrina de todos os segmentos civis e políticos da
discutiu amplamente, no mês de abriV93, com sociedade.
vários docentes e funcionários de Departamentos No Brasil são 9 milhões de famílias, ou cerca
e Coordenadorias, o documento divulgado pelo de milhões de brasileiros, que se defrontam
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ­ diariamente com o problema da fome 1, nos 4.400
IPEA - , sobre "O Mapa da Fome no Brasil". Os municípios.
vários Departamentos e Unidades da Essa população faminta localiza-se
Universidade, foram sensibilizados, principalmente no Nordeste (7,2 milhões de
constituindo-se então oito grupos de trabalho, indigentes), mas, uma parcela apreciável dos
envolvendo também alguns segmentos da famintos urbanos está nas regiões metropolitanas
sociedade, como grupos religiosos e de apoio ( a 4,5 milhões pessoas ,representando
Pastoral da Criança, Pastoral Social), grupos de aproximadamente 30% do total de indigentes
produção (Cooperativas), Institutos de Pesquisa que vivem nas cidades brasileiras 2.
Agropecuária, Secretarias da Prefeitura O PARANÁ, tradicionalmente conhecido
Municipal de Londrina e pessoas da comunidade, como" o celeiro do Brasil' ,3 é um dos sete estados
interessadas em participar do desafio colocado que apresenta um dos índices mais elevados de
perante à sociedade brasileira, no sentido de indigência e carências alimentares (antecedido
minorar a fome e a miséria no Brasil. pelos seguintes estados: Bahia, Minas Gerais,
O presente Relatório, denominado de Ceará, São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro),
Preliminar, foi elaborado por um desses grupos, com cerca de 2 milhões de indigentes, segundo
denominado de "Grupo Interdisciplinar de o IPEA.
Pesquisa", cuja finalidade é apresentar o Resultado N os três Estados da Região Sul, Paraná, Santa
dos Primeiros Levantamentos feitos no campo, Catarina e Rio Grande do Sul, foram localizados
objetivando a identificação de "áreas de pobreza 4.082.314 pessoas indigentes, sendo que no Paraná,
urbana e rural" do Município de Londrina. esta população representa cerca de 46,0%, isto é, é
A indigência e a fome no Brasil, indicadores o mais pobre dos estados sulinos, em termos de
da baixa qualidade de vida da população, tanto indigência, conforme a tabela a seguir:

* Docente do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina. e-mai!: yoshíya@ldnet.com.br

Geografia, Londrina, v. 8, n. 1, p. jan./ jun. 1999 65


Tabela 1 Estimativa do total de pessoas indigentes(1), por situação do domicilio

TOTAL METROPOLITANA URBANA RURAL


METROPOLITANA
N. % N. % N. % N. %
ABSOLUTO ABSOLUTO ABSOLUTO ABSOLUTO
Paraná 1883043 46.12 147708 39.53 60727847.37 1128057 46.48
Santa Catarina 664375 16.27 241545 18.84 422831 17.42
Rio Grande do Sul 153489537.60 225946 60.47 432979 33.78 875971 36.10
Total Região Sul 4082313 100 373654 100 1281802 100 2426859 100
FONTE DOS DADOS BRUTOS: IBGE Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios, 1990
(I) Pessoas cuja renda familiar corresponde, no máximo, ao valor de aquisição da cesta básica de alimentos

que atenda, para a família como um todo, os requerimentos nutricionais recomendados pela
FAO/OMS/ONU.

A tabela 1 demonstra ainda que a situação é Com relação ao rendimento familiar dos
mais grave na área rural do Paraná (60% do total). Conjuntos Habitacionais, o resultado foi o
Se, a nível mundial, a situação é caótica, com seguinte: 6, 4 % de domicilios com renda familiar
1,3 bilhão de pessoas cerca de um terço da até salário, 7,4% de domicílios com renda
população vivendo abaixo do nível de pobreza familiar de Yz a 1 salário, perfazendo 13,8% de
absoluta 4 -, segundo a Organização das Nações famílias residindo nos Conjuntos.
Unidas (ONU), no Brasil, e, mais particularmente Nessa pesquisa, constatou-se a presença de
no Paraná, a situação é alarmante, com iminência aproximadamente 1.500 famílias residindo em
de uma explosão social. Na pesquisa realizada em favelas, distribuídas em 13 áreas geralmente
1983, sobre a " Mão-de-Obra de Londrina" 5, numa próximas aos córregos da área periférica urbana
amostra de 2.692 domicílios, foi constatada a e mais 3 áreas com menos de 10 barracos,
presença de 3,42% de domicilios com rendimentos constituindo habitações sub-normais.
até llz salário mínimo, 6,95% de Yz a 1 salário Com relação à situação sócio-econômica do
mínimo, isto é, 10,37% de domicilios considerados londrinense, em nível global, essa foi a última
como próximos da miséria. pesquisa realizada e divulgada. Há uma série de
A mesma pesquisa demonstrou que o nível pesquisas setoriais e também estudos de casos
de escolaridade da população ocupada ( ou realizados, que demonstraram a precária situação
trabalhando ), acima de 10 anos, é baixo, pois, da população londrinense, em sistematização
13,8% da po. nunca frequentou escola, e, 34,5% pela equipe de trabalho.
possuem apenas o nível elementar, até a 4 a série Infelizmente, os dados especificos do último
do "primário", perfazendo estas duas categorias, censo de 91 ainda não foram divulgados, e nem
quase a metade da população ocupada (48,3%). há previsão para a sua divulgação, segundo
Um dado importante dessa pesquisa é com informações obtidas em contatos realizados junto
relação à forma ocupação: 26,1% da População à agência do de Curitiba e de Londrina.
Ocupada é do Setor Informal, ou seja, não Todos os dados e estimativas divulgados pelas
legalizada, do ponto de vista fiscal ou da legislação pesquisas e pela imprensa em geral, revelam que
trabalhista, atuando nos vários setores de atividade, o quadro de indigência e de miséria absoluta teve
realizando comércio ou prestando serviços um declínio, alargando a base da pirâmide, da
(camelôs, bicos, costureiras, encanadores, pintores, década de 80 para 90, mas, considerando-se os
manicures, cabeleireiras, vendedores ambulantes, percentuais dessa pesquisa, de 1983, hoje, podem
empregadas domésticas não registradas, auxiliares ser feitas algumas estimativas, em nível de
de escritório, etc). Somando-se a População Londrina. O censo de 1991 acusou 107.978
Ocupada não remunerada ou recebendo em domicílios ocupados, com uma média de 3,86
benefícios, totalizava nessa época, 29,7% da pessoas por domicílio na área urbana. Aplicando­
população do Setor Informal (Amostra de 4.072 se o percentual da pesquisa de 1983, que
pessoas ocupadas). apresentou 10,37% de domicílios com

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rendimentos até 1 salário mínimo, seriam 11.197 favelada é de aproximadamente 20.000 pessoas,
em 1991, e, considerando que o IBGE avalia o representando mais de 140,00 % de crescimento.
rendimento familiar percapíta de até Y4 de salário A tabela a seguir, indica a distribuição
mínimo como o nível de pobreza absoluta, pode­ aproximada do número de famílias distribuídas
se inferir que, tendo em Londrina 3.693 em favelas de Londrina.
domicílios, os seus moradores, numa estimativa Em suma, apresentadas essas questões gerais,
aproximada de 14.255 pessoas, estariam abaixo qualquer cidadão verá que a situação sócio­
da "linha de pobreza absoluta". econômica do londrinense é preocupante, não
Nessa pesquisa sobre a Mão-de-Obra, havia diferindo das periferias urbanas das áreas
7.500 pessoas residindo em habitações precárias metropolitanas brasileiras, pois apenas 22,82%
(favelas), e, hoje, dez anos depois, a população da população londrinense percebe acima de 3
salários mínimos.

Tabela 2 Áreas de pobreza da cidade de Londrina -levantamento realizado em 15.04.93

DE
FAMÍLIAS
A­ URBANIZADAS 968
1 Novo Perobal 246
2 Francisca to I 202
3 Franciscato II 94
4 Sérgio Antonio (atrás da Anderson Clayton) 24
5 Nova Conquista (ex-OK) 151
6 Nossa Sra. da Paz (ex·Caixa Econômica) 251
B­ EM PROCESSO DE URBANIZAÇÃO 516
1 Santa Mônica : Estas Estão 19
2 Rosa Branca I : entre os 127
3 Rosa Branca II :Jd. Ideal 18
4 Santa Inês : Maraba 44
5 Vila Rica : Interlagos 150
6 Marísia 158
C­ NÃO URBANlZADAS 377
1 Zirconio (Ideal) 22
2 Colosso (N. Sra. da Paz) 68
3 Paulista (]d. Paulista e V. Recreio) 28
4 N. Ricardo (perto do Antonio) 18
5 Alto da Boa Vista 56
6 Paraizo (ao lado da Via Ferrea) 26
7 Pacaembu (ao lado do M. Gavettí) 15
8 Quati (cam. do autódromo na 10 de Dez.) 22
9 Cativa 25
10 Núcleo Cristal 7
11 Núcleo Portal de Versalles (prÓx. do Tókio) 7
12 Núcleo Cilo m 19
13 Núcleo Lixão 12
r
! 14 Núcleo centro Comunitário e Fábrica de Sabão 7
15 Núcleo V. Ricardo 15
16 Núcleo Italiano 16
17 Núcleo Sta. Mônica 9
18 Núcleo Taliano 5
D­ ASSENTAMENTOS 2691
1 União da Vitória 1800
r Obs.: da metade de 92 para cá, houve 300 invasões
2 Santa Fé (Marabá) 356
380

I
155
4552
FONTE: COHAB/Secretaria de Ação Social·PML
Laboratório de Pesquisas Urbanas e Regionais, do Centro de Ciências Exatas, da Universidade
I de Londrina e Grupo Interdisciplinar de Pesquisa sobre "O Mapa da fome de Londrina".
Univ. Est. de Londrina, Prefeitura Municiapal e Arquídiocese de Londrina.
r
J Geografia, Londrina, v. 8, n. 1, p. 65-82, jarr. / jun. 1999 67
1.1. Algumas considerações sobre a mundo vem mostrar que as verdadeiras causas
conceituação de "pobreza" da fome não se resumem aos aspectos apontados
por Walford.
o problema da fome parece acompanhar o Dimensionar a qualidade e o grau da "fome"
próprio surgimento da sociedade humana. A de uma determinada população, em verdade, é
persistência dessa problemática durante longos avaliar as condições de carência alimentar que
séculos demonstra a sua complexidade, pois, no definem essa população como faminta.
limiar do século XXI, ainda se convive com a Em publicação da Fundação Getúlio Vargas 7
violência social expressa na morte de milhões de afirma-se que .~ .. a desnutrição t; sem dúvida,
seres humanos, que foram privados do ato de um dos melhores indicadores das precárias
comer. Parece inútil discutir se a origem da fome condições de vida, porquanto uma alimentação
é natural, econômica ou sócio-política, pois, de inadequada e insuEciente, tanto em quantidade
antemão, já se sabe que todos esses fatores se quanto em qualidade pode afetarprofundamente
interdependem, formando uma trama, cuja o desenvolvimento físico e mental dos seres
expressão mais trágica é a fome que assola humanos nos primeiros anos de vida, e,
diferentes partes do mundo. Claro está que não consequentemente, sua capacidade de
se pode entendê-la como "fenômeno natural", aprendizado. Por outro lado, carências
pois o homem já dispõe de meios técnicos e nutricionais diminuem, de modo bastante
científicos suficientemente eficazes para solucionar significativo, a resistência do indivíduo às
esse problema. A questão da fome é como uma moléstias, além de reduzir sensivelmente sua
decorrência de causas variadas e complexas. produtividade no trabalho'~ Tal perspectiva
As discussões científicas sobre a fome são considera que indicadores como condições de
recentes. Segundo Brun (1985), no fim do século moradia, nível de renda, acesso à educação
passado, o cientista Cornélius Walford formal e atendimento médico estão relacionados
apresentou à sociedade de Londres "... dois com o problema da fome.
importantes comunicados sobre a fome no Remete-se então a análise para a conceituação
mundo, nos quais analisava as causas de mais de de pobreza. Por uns, definido como "penúria de
350 surtos de fome que haviam flagelado os bens econômicos" ou uma condição de vida
povos ao longo dos séculos. Ele classificava como associada a uma renda insuficiente para manter
'causas naturais' as secas, as inundações, o gelo, ao menos um grau mínimo de saúde e decênciaS.
os tremores de terra, o tifo, os ataques de Ou ainda como Bastos Ávila (1981) 9:
predadores (como as pragas de gafanhoto e os "Pobreza - um estado habitual de privação
ratos), as infestações parasitárias, como a que de bens supérfluos, carência de bens necessários
destruiu as colheitas de batatas na Irlanda em à condição social e restrita suficiência bens
1845-1847 e as causa sociais: guerras, baixa necessários à subsistência;
produtividade agrícola, a ausência de vias de A indigência - um estado habitual de privação
comunicação, perturbação do comércio, de bens supérfluos e dos bens necessários à
especulação, desvio de cereais do consumo direto condição social e insuficiência dos bens
para uso em cervejaria"6. necessários à condição social e insuficiência dos
A fome dita "natural" que afeta hoje em dia as bens necessários à vida '~.
populações pobres do Terceiro Mundo, em E, por Em, a miséria - um estado habitual de
particular as populações camponesas, mostra-se, carência, tanto dos bens supérfluos e necessários
como dizia Walford, consequência da interação de à condição socia~ quanto dos bens necessários à
três fatores: um acidente climático e cataclisma, o vida'~
desgaste de um sistema de produção e de comércio Diretamente, Monteiro (1992) 10 encaminha
tradicional de baixa produtividade e a a questão colocando a dificuldade de se ter um
impossibilidade de socorrer rapidamente com parâmetro único de definição de pobreza.
alinhamentos as populações famintas, seja por Normalmente, "( ..) mensurar a pobreza absoluta
razões políticas, seja pela insuficiência na a partir da renda familiar, adota-se determinado
infraestrutura de comunicação e transporte. nívelde renda (poverty line) como o limite abaixo
A existência de conhecimentos técnicos e do qual as necessidades básicas dos indivíduos
científicos que permitem dar fim à fome no presumivelmente não estariam sendo atendidas'~

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Mas se ignoraria eventuais imprecisões nas por consequência uma definição de pobreza,
informações sobre renda, diferenças nos custos deve levar em consideração atualmente os
regionais da cesta básica e no acesso a serviços indicadores aceitos (e incluir os que venham a
públicos. Iáis limitações são igualmente ser aceitos) como garantias sociais das condições
apontados por j\1.aria V L. Nogueira (1992) pág de vida, os quais são até então: trabalho e renda
11, ao apontar o ((caráter reducionista/ (Art. XXIII da Declaração Universal dos Direitos
economic1sta " da maion'a das concepções 11 . do Homem); educação (Art. XXVI); saúde e bem
Em verdade, mais que deficiência teórica, a estar (acesso a serviços públicos); alimentação e
condição humana deixou de ser mensurada a habitação, considerando os diferentes padrões
partir de um único índice, quando novas de consumo (Art. XXV da Declaração).
"necessidades básicas" se impuseram, quando do Não por acaso, é nesse sentido que caminham
surgimento das lutas das minorias étnicas e alguns dos últimos estudos sobre pobreza
sexuais, dos trabalhadores, presos políticos ou produzidos no país 16 . Igualmente, num dos
estudantes, isto é, a luta pelos direitos humanos. últimos documentos produzidos pelas Nações
Em nosso século viu-se a proliferação de Unidas, o "Projeto Regional para a Superação da
exigências novas para garantir as condições de Pobreza na América Latina", afirma que '~ .. asraízes
existência 12.
da pobreza nas casas e nas pessoas são expressas
A criação de inúmeros órgãos públicos e
através das insufJciências das fontes de bem estaJ;
legislação a respeito nos estados americanos
garantidaspor: oportunidades de trabalho e renda)
demonstram essa ligação entre a eclosão das lutas
direito de acesso a serviços gratuitos; ativos de
sociais e a multiplicação de atenção dispensadas
consumo básico e satisfação de necessidade no
às "necessidades básicas"!3. A "Declaração dos
campo da saúde e educação') 17.
Direitos do Homem" da ONU vem consumar
Em suma, a conceituação de pobreza que se
essa alteração nas avaliações da pobreza.
define considera pelo menos os cinco indicadores
'}in. XXV citados acima - e como bem aponta o estudo do
1. Todo homem tem direito a um padrão de SEADE, cada um deles equivalentes a "linhas
vida capaz de assegurar a sie a sua fámília saúde de pobreza específicas" para caracterizar as
e bem-estai; inclusive alimentação) vestuário, condições de vida da pobreza estudada - em suas
habitação) cuidados médicos e os serviços sociais variações de graus de carência (absoluta e
f indispensáveis) e direito à segurança em caso de relativa) 18.
r desemprego) doença) inva1Jde0 víuve0 velhice e Para efeito de delimitação inicial do universo
,L outros casos de perda de subsistência em de pesquisa, toma-se alguns desses indicadores
I circunstâncias fora de seu controle "14. conforme os seguintes parâmetros 19 :
A evolução dos estudos sobre condições de Renda: US$ 0,3 salário mínimo) para
saúde da Organização Panamericana de Saúde garantir a aquisição de uma cesta básica de
compõem-se da busca de novas perspectivas de alimentos por família ao
avaliação em 1961) a Carta de Punta del Este alimentação: 2.800 calorias como consumo
definia que»... para avaliar o grau de mínimo, por pessoa ao dia 20.
desenvolvimento relativo se levará em conta não Tais parâmetros serão reavaliados no decorrer
só... o nívelmédio de ingresso real ou de produto da pesquisa, adequando-se às condições
bruto por habitante) mas também os fndices de específicas de Londrina. Pode ser o caso, por
mortalidade infantil e de analfábetismo e o exemplo, dos padrões de consumo alimentar e o
número de calorias diárias por habitante JJ15 • custo de aquisição de uma cesta básica de igual
quantidade calórica. Com respeito ao indicador
Já em 1990, num documento da XXIII carência alimentar, cabe inclusive mais
Conferência Sanitária Panamericana, o algumas considerações.
desenvolvimento passa a ser medido pela redução Segundo publicação da Fundação Getúlio
das desigualdades e a atenção às necessidades Vargas (~ .. em nosso país, o panorama alimentar
humanas essenciais, dentre elas, a saúde e a luta não se acha constrallgido por obstáculos
contra a pobreza extrema. irremovíveis) tais como a falta de terras
Apesar da imprecisão dos termos usados, fica agricultáveis ou uma incapacidade de gerar
claro como toda análise das condições de vida, e recursos para a compra de gêneros alimentícios,

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caso surgisse a necessídade de importá-los para No documento inicial de Referência
suprir wna escassez momentânea. despeito do - o objetivo geral assinalado era:
apreciável volume da nossa produção agrícola, a Diagnosticar as condições sócio-econômicas
insuficiência alimentar se concretiza nos ((bolsões e a distribuição espacial da população indigente
de pobreza" localizado nas concentrações do Município de Londrina.
urbanas periféricas das metrópoles e em Quanto a este objetivo, neste primeiro
determinadas áreas mais pobres do país N21 • relatório, as condições sócio-econômicas foram
A fome, propriamente dita, implica em altas levantadas apenas em nível de reconhecimento,
taxas de mortalidade infantil, deficiência de deixando para a segunda etapa a pesquisa
desenvolvimento mental e cerebral, além de quantitativa e qualitativa mais aprofundada.
morbidade. A subnutrição reduz a capacidade Neste primeiro relatório, são apresentados os
física, a força de trabalho e a oportunidade de "bolsões de pobreza" onde estaria concentrada
empregos, já demonstrados em vários trabalhos a população carente das áreas e rurais
de pesquisadores, Institutos de Pesquisa, etc. do Município de Londrina.
Segundo inquérito, ENDEF, constatou-se
que o principal problema alimentar no Brasil
podia ser caracterizado como eminentemente Objetivos Específicos
quantitativo. Uma importante parcela de
população se alimentava, acima de tudo, pouco, Para a segunda etapa, estão previstos estudos
e secundariamente mal. A desnutrição protéica aprofundados sobre a pobreza urbana e rural de
existe, é grave, mas afeta contingentes Londrina, assinalando-se como principais
proporcionalmente menores da população total objetivos específicos, os seguintes:
e, com exceção das famílias mais pobres, sua 1. Estudar a procedência, a constituição familiar,
incidência é muito inferior à da desnutrição grau de instrução formal e informal da
calórica 22. população pobre do Município;
Bolsões de pobreza, particularmente 2. Levantar a situação locacional, instalação e
desvinculados de centros urbanos com maior disponibilidade de serviços básicos e
envolvimento de instituições assistenciais, creches equipamentos de consumo coletivo dessa
e recebendo merenda escolar, sofrem com maior população.
impacto a falta de distribuição adequada de renda 3. Verificar as condições de moradia, e as formas
e consequentemente, de alimentos. de ocupação do espaço domiciliar;
De modo geral, o problema da fome mostra­ 4, Estudar as condições de saúde familiar;
se resultante de um grau de pobreza que 5, Identificar as condições de trabalho e de
impossibilita o acesso às garantias necessárias à renda familiar dos envolvidos;
manutenção da vida. Há algum tempo a 6. Avaliar as condições alimentares e nutricionais
preocupação constante pelo gerenciamento da dessa população;
população, tanto a atenção aos problemas de 7. Estudar as estratégias sobrevivência
carência, quanto à instituição de direitos do familiar da população "pobre" de Londrina;
homem garantidos pelo Estado, passaram a 8. Levantar as alternativas propostas pela
ocupar o centro da ação política moderna, população envolvida na pesquisa quanto às
compondo esta estratégia que Michel Foucault soluções para a melhoria das condições de
chamou de "governamentabilidade" 23. vida.

1.2. Objetivos 1.3. Metodologia da pesquisa

Objetivos Gerais A equipe de trabalho composta por técnicos,


profissionais liberais e professores da
O objetivo geral deste primeiro Relatório Universidade Estadual de Londrina, tendo em
Preliminar foi identificar "as áreas de pobreza vista a necessidade urgente de levantar alguns
do Munícípio de Londrina", tanto localizadas na dados que subsidiassem a localização de áreas
cidade como na área rural. que poderiam ser reconhecidas como "áreas de

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pobreza" em Londrina, decidiu realizar entidades, grupos filantrópicos ou voluntários
inicialmente, um reconhecimento de campo que vêm trabalhando de forma direta ou indireta
denominado "rastreamento". Este primeiro com a população mais carente de Londrina.
rastreamento possibilitaria a indicação de alguns Os resultados aqui apresentados são apenas
"bolsões de pobreza" em Londrina. um primeiro rastreamento de indicações de áreas
A equipe foi subdividida em 8 grupos de geográficas de pobreza, havendo necessidade de
trabalho, constituídos conforme especificação um levantamento posterior qualitativo, que
abaixo: especifique os vários tipos e graus de pobreza
10. grupo: responsável pelo rastreamento da área
urbana e rural, incluindo as condições sanitárias,
Central da Cidade de Londrina;
nutricionais, de saúde e sócio-econômicas dessa
2°. grupo: responsável pelo rastreamento da área
população.
Norte da cidade;

3°. grupo: responsável pelo rastreamento da área

Leste da cidade;
2. RESULTADO DO RASTREAMENTO DE
4°. grupo: responsável pelo rastreamento da área
CAMPO
Sul da cidade;

Y. grupo: responsável pelo rastreamento da área


O primeiro rastreamento de campo feito pelas
Oeste da cidade;
equipes resultou na localização de pontos
6°. grupo: responsável pelo rastreamento dos
específicos da pobreza, tanto nas áreas urbanas
Distritos e Patrimônios da cidade;
como rurais. Nas áreas urbanas, foram
r. grupo: responsável pelo rastreamento dos
localizados alguns "pontos de pernoite", fixos ou
"pontos de pernoite' da área urbana de Londrina
temporários, em que se constatou carência
(fixos ou temporários);
alimentar e de assistência à saúde, entre outras.
8°. grupo: responsável pelo mapeamento dos
Quanto às localizações da pobreza rural, percebe­
dados levantados.
se nitidamente uma difusão espacial da
Esse rastreamento geral abrangeu cerca de população, maior do que na área urbana, onde a
cinco semanas, incluindo a compilação de dados localização da pobreza é mais concentrada.
secundários já existentes nas bibliotecas públicas Com o rastreamento, foi possível determinar
e particulares de Londrina; alguns "bolsães" específicos de pobreza,
Dessa primeira fase de levantamento geral, principalmente na área urbana.
cada equipe elaborou um relatório das Deve-se registrar que nesses bolsões foram
observações de campo, bem como da compilação localizadas famílias e pessoas, tanto adultos como
de dados sobre a indicação direta ou indireta que crianças, em extremo estado de desnutrição,
levassem ao primeiro levantamento geral dos aparentando precária saúde, assim como, famílias
"bolsões de pobreza" de Londrina. que, à primeira vista, encontravam-se em
O conteúdo dos relatórios foi discutido em condições de pobreza absoluta.
reuniões semanais com as diversas equipes Uma melhor avaliação destas situações só
interdisciplinares, possibilitando trocas de poderá ser feita após uma pesquisa efetiva no
experiências, ressaltando a importância e a riqueza campo - 2a etapa deste Projeto -, o que também
das discussões, viabilizando complementação de possibilitará a apresentação de dados qualitativos
conteúdo e de novas metodologias. e quantitativos, em um contexto amplo, no
Além destes grupos de trabalho de processo de crescimento capitalista, em uma
rastreamento de campo, desde o início dos região de recente incorporação econômica ao
trabalhos havia uma equipe que vinha macro pólo paulista, Paraná/Londrina.
trabalhando com os aspectos teóricos ligados à
noção de "pobreza". Neste particular, foram
feitos levantamentos bibliográficos nas 2.1. Localizacão dos "Bolsões de Pobreza!
bibliotecas das Universidades de São Paulo e Indigência" ~
Campinas, além das existentes em Londrina.
Os relatórios pardais possibilitaram o O mapeamento sobre os "Bolsões de
mapeamento dos possíveis "bolsões de pobreza", Pobreza" indica claramente alguns "bolsões"
como também a indicação de instituições, (esta expressão foi utilizada para indicar um

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aglomerado de pessoas identificadas como de o maior "bolsão" - que será denominado de
baixa renda e carentes, com respeito a alguns "bolsão N -localizado no setor Sul-sudeste da
indicadores de pobreza) específicos de grande cidade no contato entre a área urbana e rural da
concentração populacional, como também uma cidade, é constituído de seis núcleos de
difusão espacial dos pontos de pobreza de população carente, denominados de:
Londrina. (Figura 1)

IAHldrhul w IHtl""iu-s t'


)JUNtos €I,. lud)f'('Zll

LEGENDA:

fig.01

72 Geografia, Londrina, v. 8, n. 1, p. 65-82, jan. / jun. 1999

I
- Franciscato I urbana", localizam-se cerca de 20.000 pessoas,
- Franciscato li das quais, cerca de 14.300 pessoas em estado de
- Novo Perobal indigência.
Núcleo Cristal
Núcleo Jardim Itapoã 2.1.1. Alguns "Pontos de Indigência"
- União da Vitória I, li, li, IV
Nesse "bolsão" residem cerca de 9.300 Além dos "Bolsões" e alguns pontos isolados,
pessoas; trata-se de um "bolsão" de considerados como "áreas de pobreza urbana",
assentamento recente, iniciado na década de 80, foi feito um rastreamento durante a noite e
mas o maior núcleo desse "bolsâo", denominado algumas madrugadas, na tentativa de identificar
de União da Vitória, começou a ser povoado de os pontos de pernoite da população '~,em teto'~
forma mais intensa no início desta década de 90. N o mapa das áreas de pobreza de Londrina,
O núcleo União da Vitória é o maior estão localizados os pontos de pernoite; alguns
assentamento populacional de Londrina, são temporários, mas a maioria desses pontos já
podendo ser considerado como um núcleo bem são «quase permanentes", pois há famílias ou
carente, aglutinando indigentes com vários tipos pessoas desagregadas da família, tanto adultos
de carência (alimentar, educacional, sanitária, como crianças que fazem de alguns pontos
renda, etc.). Nesse núcleo residem mais de 8.000 públicos como as calçadas, praças, construções
pessoas, com um dos maiores índices de abandonadas ou áreas próximas aos banheiros
desemprego de Londrina. Segundo informações públicos, o seu local de morada.
de Associações de Moradores da Região, o índice Durante cerca de 30 dias, foram cadastradas
de desemprego atinge mais de 50% dos chefes aproximadamente 70 pessoas, nesses "pontos de
de família. pernoite". Algumas famílias dessa população, em
Devido ao grande número de crianças na passado recente, já conseguiram pagar aluguel
composição familiar, foram observadas carências na cidade de Londrina, residindo na Vila Nova,
na instalação de creches, escolas, postos de saúde, Vila Casoni ou em alguma área periférica da
como também, ausência de um centro cidade, segundo depoimentos coletados; outras
comunitário. Além dessas observações, podem procedem de áreas rurais próximas ou distantes
ser citadas as de natureza mais complexa, como de Londrina.
a desnutrição aguda e baixo índice de higidez. Foram encontrados alguns profissionais como
Estes aspectos ainda merecem estudos encanadores, carregadores profissionais,
específicos e aprofundados. pedreiros, serventes, ex-empregadas domésticas
O segundo maior "bolsão denominado de com carteira assinada, papeleiros, ajudantes de
"bolsão B", localiza-se às margens do Ribeirão serviços gerais nas feiras da cidade, ex­
Quati, no setor Norte da cidade, nas trabalhadores na cafeicultura, ex-vendedores
proximidades da BR-369, que faz ligações com com carteira registrada, ex-trabalhadores das
São Paulo e interior do Norte do Paraná, na transportadoras locais, com carteira assinada, ex­
direção Oeste de Londrina. Estão aí instalados trabalhadores em empresas de construção, como
nove núcleos populacionais bem carentes. Os na "Tend-Tudo", ex-trabalhadores em chácaras
núcleos mais antigos são a ex-favela da Caixa da cidade, etc. Em termos de instrução, foi
Econômica, atualmente denominada Conjunto localizado um menino que estudou até a oitava
Nossa Sra. da Paz. Já saneada em parte, residindo série, sendo este o de maior grau, mas geralmente
cerca de 251 famílias e, a favela Marisia com o curso primário não tinha sido completado, pela
aproximadamente 700 pessoas. Estes dois maioria dessa população.
núcleos situam-se entre os mais antigos de Algumas entidades de caráter filantrópico e
Londrina. Nesse "bolsão" residem religioso distribuem sopas em determinados
aproximadamente 3.700 pessoas. locais, geralmente uma vez por semana. O estado
O "Bolsão C". localiza-se no Setor Leste da de conformismo, de desespero, indignação e
cidade, numa região de antiga ocupação, tristeza, foram os sentimentos expressados nos
aglutinando-se aí 3.000 pessoas. depoimentos.
Nos 3 Bolsões de Pobreza e nos outros pontos A Casa do Bom Samaritano e o Albergue
localizados no mapa, como "área de pobreza acolhem cerca de 150 pessoas, em dias críticos,

Geografia, Londrina, v. 8, n. 1, p. 65·82, jan.! jun. 1999 73


geralmente nos dias mais frios, porém, são A partir desta década, com o esgotamento da
pernoites temporários. fronteira agrícola e a desestruturação rural
As ruas, avenidas, praças públicas servem causada pelo início do processo de modernização,
também como os primeiros locais de morada da o ritmo deste fluxo perde seu impulso e passa a
população que tem procurado Londrina como ocorrer em sentido contrário: ou seja, a cidade
uma esperança para encontrar trabalho, morada passa a atrair elevados contingentes de
e condição de dar educação para seus filhos. trabalhadores rurais, que são dispensados das
Um dos depoimentos contundentes, foi o de propriedades com a da modernização no
uma senhora que reside com a família sob uma campo e a vigência de leis voltadas ao amparo e
marquise de um edifício público, que disse: ((nunca proteção social do trabalhador rural.
vi tanta miséria e fome, como tenho visto Nesse período, há uma mudança profunda do
ultimamente em Londrina... '; ((égentepedindo até quadro agrano regional, determinada
águapara bebeI; porque não tem maÍs forças e nem basicamente pelas transformações ocorridas na
coragem para andar e pedir um pedat;:o de pão'~ estrutura fundiária e pela incorporação
tecnológica no campo.
Entre as transformações que tiveram um reflexo
2.2. Pobreza Rural direto na região de Londrina destacam-se:
1° - A implantação do Estatuto do Trabalhador
2.2.1. A pobreza rural Rural, em 1963, transformando a estrutura
das relações trabalho e dispensando
Nos últimos anos tem-se observado que o
milhares de trabalhadores rurais das
agravamento do problema da fome como
propriedades às quais estavam vinculados;
problemática social possuí uma relação direta
2° - A erradicação da cultura cafeeira, que era
com os processos de deslocamento e
absorvedora mão-de-obra;
concentração populacional, processos esses que
3° - Introdução de tecnologias modernas na
dizem respeito à migração rural-urbana.
produção (máquinas e insumos modernos);
Segundo Sampaio e (1977: 22), a
migração rural-urbana apresenta várias origens: 4° - O aumento da pecuarização e área de
1- Migrações de população com renda pastagem;
ascendente em busca de melhores condições 5° - A especulação de Terras;
de vida (educação, saúde, lazer, etc.); 6° - Introdução da cultura de soja, que alcança
2- Migrações de população que sofreu preços no mercado internacional, em
adversidades inesperadas (seca, cheia, morte) detrimento de outras destinadas ao mercado
sendo atraída pela industrialização nas interno e à sobrevivência.
cidades; A soma desses fatores ocasionou o êxodo rural
3- Migrações do excesso de população intenso e o aparecimento do trabalhador
(crescimento) provocado por restrição em um temporário na agricultura, que, segundo
dos fatores de produção (terra, ou capital) el Nakagawara (1986 : 115) se explica pela
ou por restrição ao aumento de produção "acelerada evasão demográfica, principalmente
agrícola. da área rural para os centros urbanos, que não
Destas origens, podemos destacar que no caso encontrando o necessário apoio para a
Norte Paranaense, constatamos que as migrações sobrevivência dos migrantes, através do emprego
populacionais rural-urbanas apresentam fatores formal"; muitos se transformam em bóias-frias.
determinados pela apropriação concentrada da Esses trabalhadores, também conhecidos como
terra e de capitais. "volantes", passam a habitar a periferia das
Esta concentração de terra e capitais possui grandes cidades, mas muitos permaneceram no
uma relação direta com o que ocorre a partir dos meio rural, junto aos distritos e patrimônios,
anos 60, processo esse que se convencionou existentes em número significativo neste
chamar de Modernização da Agricultura. município.
O Paraná, de maneira geral, apresentou um As características desse trabalhador volante
afluxo populacional até a década de 60 sendo a já são bem conhecidas: trata-se em sua maioria
área rural do Norte do estado a que atraiu a maior de trabalhadores que não possuem nem
parte dessa população. qualificação profissional, nem documentação

74 Geografia, Londrina, v, 8, n. 1, p. 65-82, jan. / jun. 1999


legal, uma grande parte analfabeta e outros superiores a 100 ha. As propriedades com módulos
poucos com baixo grau de instrução, sujeitam­ inferiores a 100 ha. correspondiam a 91,93% dos
se a condições precárias de trabalho, transporte estabelecimentos, mas ocupavam somente 33,42%
e salário. A diária desse trabalhador girava em da área total. (Sinopse Preliminar do Censo
tomo de Cr$ 150,00 cruzeiros reais, quantia esta Agropecuário de 1985-IBGE).
que, ao final do mês não soma um salário mínimo. Segundo a Emater, em 1985, o módulo de O
Considerando ainda que isso não acontece em 100 ha., mesmo com 1/3 da área agrícola do
virtude de inúmeros fatores, como a pouca oferta município, representava 61% das lavouras
de trabalho, a sazonalidade agrícola (as permanentes, 53% das lavouras temporárias, 72%
intempéries) e os acidentes de trabalho. Sendo do pessoal ocupado no setor, 64% dos tratores,
assim, esse trabalhador e sua família passam a 22% do plantel bovino, 81% do rebanho suíno e
engrossar o contingente de miseráveis que 95% do número de cabeças de aves.
povoam as áreas rurais, que plantam os alimentos Tal fato se deu possivelmente em função do
sem ter direito a eles, constituindo-se nos aumento das áreas de culturas com a sucessão
famintos da zona rural. soja/trigo, tomando bastante difícil a manutenção
da maioria das pequenas propriedades, pois, tais
2.2.2. A situação dos distritos de Londrina culturas exigem investimentos significativos em
insumos e maquinários para que se possa obter
o Município de Londrina conta com oito índices de produtividade satisfatórios. A
distritos rurais: Tamarana, Lerrovile, Warta, !rerê, manutenção das pequenas propriedades toma­
Paiquerê, Maravilha, São Luiz e Guaravera, mais se viável para aqueles que buscam a diversificação
o Distrito Sede. com base em um planejamento racional para o
O Distrito de Warta é o menor deles, processo produtivo.
ocupando uma área de 27.730 km 2 e Tamarana é Os dados obtidos através do primeiro
o maior, ocupando uma área de 466.103 km 2 . contacto com os distritos rurais, revelam que 87%
Tamarana compreende os seguintes Patrimônios dos bóias-frias da zona rural vivem na zona Sul
povoados: Apucaraninha, e Bairro do Rio Preto. do Município de Londrina, nos distritos de
conta com os Patrimônios de Taquaruma Paiquerê, !rerê, Guaravera, Lerrovile, Tamarana.
e Serrinha, Paiquerê com Guairacá e Bairro dos Outros 13% encontram-se dispersos nos distritos
Nogueiras, Guaravera, com Barro Preto. rurais de São Luiz, Maravilha e Warta, sendo que
Maravilha, com Gaviãozinho. O Distrito Sede, este último se destaca por possuir o maior número
com os Patrimônios de Três Bocas, Limoeiro de de bóias-frias. Ressalta-se ainda que existem outros
Baixo, Limoeiro de Cima, Venda dos Pretos, milhares de bóias-frias vivendo na periferia da zona
Heimital, Espírito Santo, Regina, Campo da urbana e arredores do distrito Sede.
Aviação Velha e Selva. No rastreamento dos distritos, foi observado
No CENSO de 1991, a população rural de que em alguns, como Tamarana e Guaravera há
Londrina totalizava 23.397 pessoas. Observou­ agrupamentos de famílias de bóias-frias, vivendo
se um constante decréscimo da população rural, em habitações e condições de saneamento
nas décadas consideradas de 1950 a 90. precárias; em outros, encontram-se dispersos na
sede do distrito. Constatou-se também alguns
2.2.3. Estrutura fundiária do município de assentamentos rurais nos distritos de Tamarana
Londrina e Lerrovíle (Pó-de-Serra, Pari-Paro, Colônia
Penal, Serraria e Parque das Indústrias) somando
Em Londrina, a estrutura fundiária dos um total de aproximadamente 65 famílias.
últimos vinte anos caracteriza-se pelo elevado N o distrito de Tamarana existe ainda a reserva
grau de concentração de terra, com expropriação Indígena de Apucaraninha dos índios Kaingang;
do homem do campo e crescente número de bóias­ situada a cerca de 65 quilômetros da Sede do
frias, estes, vivendo em condições de pobreza, Município, vivem 110 famílias, um total
presentes em todos os distritos e patrimônios. aproximado de 520 pessoas. Suas habitações, no
Em 1985, 66,58% da área agrícola do município geral, são casas de madeira construídas pela
era ocupada por apenas 8,07% dos FUNAI, que presta atendimento através de um
estabelecimentos rurais, todos com módulos posto localizado próximo à Cachoeira (Salto do

Geografia, Londrina, v. 8, n. 1, p. 65-82, jan. / jun. 1999 75


Apucaraninha). que a reprodução e 2.3. A questão da saúde nos "bolsães"
a vida dos índios está comprometida, na medida
em que existe uma baixa oferta de trabalho local O sistema público de atenção à saúde, em
e regional, tanto interna quanto externamente. Londrina, é estruturado em uma de 48
O número total aproximado de pessoas postos e centros de saúde, implantados
carentes na zona rural de Londrina, estimado em principalmente em bairros e
aproximadamente 4.500 pessoas, pode ser localidades rurais, que procuram atender as
referendado a partir dos seguintes dados/ fontes: necessidades básicas de saúde da população, tais
1° Considerando os dados obtidos e cruzados como: curativos, vacinação, acompanhamento
junto as Subprefeituras dos distritos, os pré-natal, puericultura, controle de doenças
dados levantados pela SEPLAN, pela crônicas como hipertensão arterial, diabetes
Secretaria Ação Social, projetos de mellitus, além de consultas médicas, em
pesquisa e extensão da UEL; pediatria, ginecologia-obstetrícia e clínica
2° Considerando que a população carente da médica, realização de exames complementares
zona rural tem apresentado nos últimos 3 de laboratório e radiológicos, atendimento
anos uma flutuação muito grande no que odontológico a crianças de O 14 anos e dispersão
diz respeito à fixação de seu domicílio; gratuita de medicamentos básicos.
3° - Considerando que a média familiar da zona Essa rede básica de saúde é complementada
rural do Município, fornecida pelo IBGE por três hospitais gerais, de porte médio,
é de 4,22 pessoas. Porém, em se tratando localizados na Zona Norte, na Zona Sul e em
de famílias bóias-frias, as pesquisas Tamarana, uma maternidade municípal, e pelo
e observações realizadas pela
'-.lU;>C\""-C\_" Centro Regional de Especialidades, além dos
equipe constatou que esta média sobe grandes hospitais, maior complexibilidade,
aproximadamente 2 pessoas/família; principalmente o Hospital Universitário, e
4° Considerando que em cada domicílio também o Hospital Evangélico e a Santa Casa
(barraco), é encontrada uma de Londrina, através de convênio com o SUS.
estrutura familiar muito diversa da que A rede básica de saúde produziu no primeiro
tradicionalmente conhecemos. Normalmente, semestre de 1993,225.983 consultas médicas e
moram pai, mãe e filhos, também avós, realizou 1.938.723 atendimentos básicos de
enteados, filhos de outros casamentos, saúde (atendimento enfermagem, curativos,
primos, sobrinhos e netos, que convivem vacínação, dispensação de medicamentos, etc).
geralmente em moradias adicionais ao Apesar desse número expressivo de
barraco original. atendimentos prestados, essa rede básica de
Vale destacar ainda que os dados acima saúde não atende a toda a demanda da
descritos foram obtidos de fontes secundárias ­ população, que acaba sobrecarregando os
IBGE (1991) e SEPLAN/PML (1991) -e de um Prontos Socorros dos grandes hospitais, com
levantamento preliminar da equipe que esteve casos de baixa complexidade, que poderiam ser
nos distritos colhendo informações de lideranças resolvidos em nível de rede básica de saúde.
locais (leigas e religiosas), sub-prefeituras e Os grandes hospitais, além de servir de
fazendo observações próprias. Os dados referência local, sào referência regional para grande
divergem segundo a fonte, talvez pelo enfoque número de municípios nào só os da 1r Regional
da pesquisa (IBGE e SEPLAN, 1991), pela de Saúde, aos quais compete o atendimento
escassez de locais ou desconhecimento terciário de Londrina, mas também para grande
de sua própria realidade. Mostra-se premente a número de outras cidades, inclusive de outros
criação de uma estrutura de produção de estados e até outros países. (Tabela 3).
informação, constante e atualizada, que Esse sistema público de atenção à saúde é
forneça subsídios para ações de planejamentos complementado por um bem estruturado sistema
da administração local, criação de políticas de privado, de modo que se pode afirmar que a
ação-sodal, outras medidas que venham grande maioria da clientela do sistema público é
benefídar a comunidade e que sirva também para composta pela classe média-baixa da população
avaliar o impacto destas medidas. realmente carente.

76 Geografia, Londrina, v. 8, n. 1, p. 65-82, jan./ jun. 1999

Tabela 3 Atendimento de pessoas no Sistema de Saúde de Londrina.

ÁREA DA Ir OUTRAS OUTROS


LONDRINA REGIONAL DE CIDADES ESTADOS E TOTAL
SAÚDE DOPR PAÍSES
N. % N. % N. % N. % N. %
HUNPR 8142 74,7 1569 14,4 1140 10,5 55 0,5 10906 100
ISCAL 9605 1913 114 12912 100
TOTAL 17747 74,5 3482 14,6 10,2 169 0,7 23818 100
Fonte: coleta "in loco}~ pela equipe 1993

A grande maioria dos bolsões de pobreza assistenciais disponíveis para a população. Pelo
localiza-se na área de abrangência dos postos de preceito constitucional de que " a saúde é um
saúde, de modo que o acesso é fácil, a direito de todos e um dever do Estado", muito
Somente o assentamento União da Vitória ainda pouco tem se podido avançar, na perspectiva mais
não possui posto de saúde, apenas uma Unidade ampla do conceito de saúde e doença,
Volante se desloca 3 vezes por semana a este entendendo e praticando a saúde não apenas
assentamento, prestando atendimento médico e como assistência médica e muito mais como um
de enfermagem no local. Mas a população instrumento da melhoria da qualidade de vida
também é atendida em três outros postos de de toda a população, identificando os problemas
saúde da Zona Sul (São Lourenço, Parque das prioritários e atacando-os com maior ênfase de
Indústrias e Ouro Branco), além do Hospital da maneira multiprofissional.
Zona Sul.
O atendimento à saúde dessa população
carente torna-se extremamente difícil, devido às 2.4. Aspectos gerais referentes à infra­
precárias condições de vida da mesma. Além de estrutura social e urbana dos bolsões de
doenças carenciais principalmente anemias e pobreza
desnutrição, observa-se grande incidência de
doenças mentais, alcoolismo e doenças crônico­ Um dos quadros dramáticos do
degenerativas. O controle dessas doenças esbarra "rastreamento" foi a constatação dos contrastes
na dificuldade de dietas especiais, do suprimento do espaço urbano de Londrina.
regular de medicamentos, etc. É uma cidade que se "orgulha" dos seus 400
As habitações não apresentam adequado mil habitantes, formando já uma área pré­
esgotamento sanitário, o que leva à contaminação metropolitana, com uma multiplicidade de
dos recursos hídricos próximos, amplamente funções de caráter regional, com externalidades
utilizados para a lavagem de roupas e até para o que a posícíona como a terceira cidade mais
abastecimento domiciliar. Uma dessas nascentes importante da Região Sul. Entretanto, é uma
encontra-se atualmente em vigilância pela grande cidade inorgânica, do ponto de vista de
Fundação Nacional de Saúde, por apresentar sua estrutura social e urbana, e com um alto custo
moluscos infestados com Shistossoma mansoni, de urbanização, pela desarticulação entre espaços
descobertos após a ocorrência de casos de vazios, áreas de grande concentração

I
esquistossomose aguda na população ribeirinha. populacional e áreas de densidade rarefeita.
Observa-se, portanto, como a precariedade Nesse conjunto, os equipamentos coletivos
das condições de vida se reflete no estado de sociais não são suficientes para atender a
saúde da população, apesar do enorme esforço população, tanto na área de saúde, da educação,
das intervenções médico-sanitárias que muito como também na sua articulação funcional com
tem contribuído para a modificação do perfil de outros equipamentos de uso comum.
morbi-mortalidade em Londrina. No entanto, a A questão de saneamento é crucial, não só,
f prática de saúde é representada hoje, quase que mas principalmente nas "áreas de pobreza". A
exclusivamente, por aparelhos médico­ falta de higiene e noções mínimas de bem estar

Geografia, Londrina, v. 8, n. 1, p. 65-82, jan. / jun. 1999 77


estão ausentes; a saúde dos adultos e das crianças o "rastreamento" urbano e rural, deve ser
é precaríssima, as condições de habitação considerado como uma primeira aproximação de
evidenciam contrastes urbanos anti-éticos e anti­ dados sobre a identificação das de pobreza,
solidários, enquanto há até elevadores necessitando de uma pesquisa que complemente,
panorâmicos e piscinas nos edifícios da área aprofunde e caracterize melhor o problema, tarefas
central. Nas "áreas de pobreza", onde a fome é da segunda etapa do Grupo Interdisciplinar.
o reflexo do processo de degeneração social e Na área urbana foram localizadas 34 "áreas
política de um país, os habitantes fazem suas de pobreza" e 10 "pontos de na área
necessidades primeiras juntos aos córregos, em central, totalizando aproximadamente 20.000
cujas águas são também lavadas as suas roupas, pessoas, das quais, cerca de 14.300 em estado
usadas para consumo; águas que são fonte de de pobreza absoluta, representando cerca de 4%
contaminação de doenças já erradicadas nos da população urbana da áreas de
países "mais evoluídos". pobreza, quando próximas geograficamente,
A evolução da Coletora de Esgoto da foram denominadas de "bolsões". Três foram os
cidade, demonstra a precariedade e a inexistência grandes conjuntos que caracterizam os "bolsões".
de redes necessárias no saneamento básico da O maior está localizado no extremo SuVSudeste
população. Os "bolsões" de pobreza localizam­ da área urbana, com cerca de 9.300 pessoas.
se justamente onde o esgoto não é tratado, "é a Trata-se de uma área de recente assentamento
céu aberto", causando poluição e perigos à estimulado pela Prefeitura local. O segundo
população. "bolsão" fica ao longo do Córrego Quati,
N as praças e locais públicos, onde os próximo à Rodovia BR 369 Av. Brasília,
indigentes cozinham e esquentam a sua refeição, concentrando nessa região, cerca de 3.700
em latas "catadas", a escura noite faz brilhar o pessoas. O terceiro maior "bolsão" está localizado
fogo, acendendo um pouco de calor para os que no setor Leste da Cidade, com cerca de 3.000
foram "desgarrados" sociedade. Sem que pessoas. É uma das áreas de antiga ocupação,
desejassem esse futuro-presente aos tristes olhos estando aí uma das favelas mais precárias de
dos seus filhos, que se agacham e sentam na terra Londrina, denominada de Marísa, com
fria da escura noite, esperando a rala sopa do mais de 30 anos de existência.
fim do dia. N a área rural, foram identificadas algumas
áreas semelhantes às favelas urbanas, como em
Guaravera e Tamarana. A população pobre da
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS área rural totaliza cerca de 4.500 pessoas.
Esta experiência do Grupo Interdisciplinar de
Este documento é um primeiro diagnóstico Pesquisa, participando de múltiplas atividades,
sobre as áreas pobreza de Londrina, formado em vários subgrupos, para os primeiros
localizadas através do método de observação e rastreamentos e elaboração do "mapa da fome"
múltiplas entrevistas realizadas, tanto nas áreas de Londrina, demonstrou um espírito de
urbanas como rurais do município. solidariedade em situações distintas e
O ponto de partida foi a concepção de que imprevisíveis, cuja colaboração foi fundamental
em áreas urbanas com habitações precárias, com na elaboração primeiro documento sobre
favelas, barracos provisórios em locais públicos, a "pobreza" em Londrina.
barrancos, estaria o maior contingente da pobreza
urbana, como também em albergues, praças
públicas, ruas e casas abandonadas. Nas áreas NOTAS
rurais, "Iocus" também de grande pobreza, as
entrevistas realizadas e o cruzamento de dados, 1 Segundo o Documento nO 14 do Instituto de
tanto primários como secundários, permitiu uma Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA -, "O
primeira aproximação quanto à localização das Mapa da "Fome: subsídios à formulação de uma
áreas de pobreza. O processo de identificação política de segurança alimentarJ~ mar./93, p. 5.
dessas áreas foi denominado de "rastreamento", 2 As estatísticas Brasileiras não são muito precisas,

pois, não se trata ainda de uma pesquisa efetiva pela falta de normatização e sistematização. E,
sobre a problemática da "Fome" em Londrina. dependendo da época, o desemprego e a fome

78 Geografia, Londrina, v. 8, n. 1, p. 65-82, jan. / jun. 1999


são maiores, pois, a sazonalidade agrícola influi 15 Citado em Castelhanos, Pedro Sistemas
nesse quadro. nadonales de vigilanda de la situacion de salud
3 Em verdade, a simples afirmação de alta segun condiciones de vida y dei empacto de
produção agrícola não parece suficiente para las acciones salud y bienestar. San Juan,
traduzir as reais condições de aproveitamento Oficina Sanitária Panamericana, s/d, p. 6.
desta produção. A péssima situação nutricional 16 Vide Baltear, Paulo Eduardo de A.. (Coord.).
de parte expressiva da população já denuncia Situação da pobreza no Brasil: plincipais causas
isto. Por outro lado, dados oficiais informam e alternativas de políticas corredvas. Campinas,
que há perdas por desperdício de grãos, em Ins!. de Economia (UNICAMP), 1989,
nível nacional, de aproximadamente 30% da mimeo.; e SEADE. Pobreza e Riqueza:
produção, provocadas em muitos casos por pesquisa de condições de vida na Região
falta de adequação da infra-estrutura de Metropolitana de São Paulo: uma amostragem
armazenagem (folha de São Paulo), 2/junho/ muldssetodal S.E, SEADE, 1992
1993, p.2). No caso da região de Londrina, 17 In: EstudosAvançados, v. 16, pp 157-158, out/
existem indícios de que em armazéns sob a dez 1992
responsabilidade do governo federal ou 18 O IBGE indica o nível de rendimento familiar
estadual ocorreria a deterioração de alimentos per capita de até Y4 salário mínimo para definir
estocados. Questionar as condições em que se o nível de pobreza absoluta, e Y2 salário mínimo
dá a produção e a distribuição de alimentos para o de pobreza relativa. Cf. Saboia, Ana
levam a um possível desdobramento da Lucia (Coord.). Crianças & Adolescentes
presente pesquisa em relação ao problema. indicadores sodais. R.J., IBGE, 1989, p. 19.
r 4 Segundo Relatório Mundial sobre o 19 Cf. Scott, Wolf. Concepsts andmeasuremente
Desenvolvimento :Humano, apud Gazeta ofpoverty; Genebra, UNRISD, 1981. Sobre
, Mercantil de 26/05/93, p. 5.
5 NAKAGAWARA, Yoshiya (Coord.) -lvfão­
esse parâmetro ver também Pollit, E .. A
pobreza infantil da América do SuL Texas,
de-Obra em Londrina - a situação do emprego, CC.S. da Universidade do Texas, 1980
desemprego e subemprego. 2 v. 20 Sobre a complexidade de se estabelecer um
6 In Brun (1985), Thierry A.. "Des famines valor satistatório de calorias para consumo
dimatiques aux famines économiques". in: Revue mínimo ver Viacava, . De Figueiredo, C M.
lJers iVfonde, t. XVI, nO 63, julho/set. 1985 E; Oliveira, W A .. A desnutrição no Brasil
7 FGV/IBGE. Dietas de Custo Mínimo. RJ, FGV/
Vozes, Petrópolis, RJ 1993, e também Pryer,
Div. de Estatística e Econometria, 1978, p.l.
] ane; Crook Nigel. Cities ofhunger: urban
8 Dicionário de Ciências Sociais, R.J., FG\T, 1986,
malnutrition developing countáes. Oxford,
pp. 906 e 907. Oxfam, 1990
9 AVILA, Fernando B.. Desafio da pobreza: 21 FGV!IBGE, op. dt., p.l.
debates sociais. R.J., CBCISS, v. 17, n° 33, 22 Cf. Viacava, F.; de Figueiredo, op. dt., p. 151.

1981, pp. 6 e 7. 23 In: Microfísica do Poder - 5a. ed. - R.J., Graal,

10 MONTEIRO, Carlos A.. "O mapa da pobreza 1985, pp. 277 a 293
no Brasil". in: Cadernos de Nutrição, s/n,
SBA.N, voL 4, p. 1, 1992
11 "Uma Representação conceitual da pobreza". BIBLIOGRAFIA
in: Serviço Social e Sociedade, s.n.) n° 36, pp.
101-113,1992 ABRAMOVAY, Ricardo. O que é fome. lQa ed. São
12 Sobre os direitos humanos e suas implicações na Paulo: Brasiliense 1992
avaliação da política moderna ver texto de Claude AVILA, Fernando B .. Desafio da pobreza. RJ CBCISS
Lefort, "Direitos do homem e política", in: A Debates Sociais. v. 17, n° 33, 1981
BALTEAR, Paulo Eduardo de A.. (Coord.). Situação
invenção democrádca. S.E, Brasiliense, 1982
da pobreza no Brasil: principais causas e
13 Cf. Direitos Humanos nos Estados
altematívas de políticas corretivas. Campinas, Inst.
Americanos, Washington, D.C., União de Economia (UNICAl\1P), 1989, mimeo.
Panmericana, 1961 BRUN, Thierry A.. "Des farnines climatiques aux
14 In: PORTO, Walter C. Dedaração de Direitos. famines économiques". In: Revue lk:rs Monde, t.
Brasília, Fund. Projeto Rondon, 1988, p. 5. XVI, nO 63, julho/set. 1985

Geografia, Londrina, v. 8, n. 1, p. 65-82, jan./ jun. 1999 79


CASTELHANOS, Pedro L.. Sistemas nacionales de 1. BIBLIOTECA CENTRAL
vigl1ancia de la situacÍon de salud segun ELIZABETE PUIA
condiciones de vida y deI empaeto de las aeciones
de salud y bienestar. San Juan, Oficina Sanitária 2. CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS:
Panamericana, s/d, p. 6.
Profa. LUCIA MIGLIORANZA Tecnologia de
CASTRO, Ana M. Fome, um tema proibido. Últimos
escritos de Josué de Castro. Rio de Janeiro: Alimentos e Medicamentos
Petrópolis, 1984 3. CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS
CASTRO, Josué de. Geopolítica da fàme. São Paulo: Profa. ANA SATIE YOTSUMOTO Matemática
Brasiliense, 1965 Aplicada
DICIONÁRIO DE CIÊNCIAS SOCIAIS. RJ: FGV, Profa. KUMAGAE KASUKUO STIER Geociências
1986 Prof. PEDRO EVANGELISTA Matemática
ESTUDOS AVANÇADOS. São Paulo: USp, v. 16, Aplicada
outldez 1992. P. 157-158 Profa. YOSHIYA NAKAGAWARA FERREIRA
FGVIIBGE. Dietas de Custo Afínimo. R] : FGV/Div.
Geociências
de Estatística e 1978
Profa. VANDERLI MAURO MELEM Matemática
FOUCAULT, Michael. doPoder-5 a. ed.
- RJ: Graal, 1985. Aplicada
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA Profa. JACINTA LUDOVICO ZAMBOTI
APLICADA IPEA O Mapa da Fome: subsídios Matemática Aplicada
à formulação de uma política de segurança ACADÊMICO DE ECONOMIA PAULO H. M.
alimentar. Documento nO 14 mar./93 BRAMBILLA Geociências
LACAZ, Baruzzi; SIQUEIRA JR. Introdução à
Geografia médica no São Paulo, 1974 4. CENTRO DE CIÊNCIAS DE SAÚDE:
LEFORT, Claude. Direitos do homem e política. In:
Prof. JOÃO CAMPOS HURNP/Materno Infantil
A invenção democrática. S.E, Brasiliense, 1982
e Saúde Comunitária
MONTEIRO, Carlos A. O mapa da pobreza no
BrasiL In: Cadernos de Nutrição, s/n, SBA:\", voI. Profa. BARBARA TURINI HURNP/Materno
4, 1992 Infantil e Saúde Comunitária
NAKAGAWARA, Yoshíya (Coord.)- Mão-de-Obra
em Londrina - a situação do emprego, desemprego 5. CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS APLICADOS:
e subemprego. 2 v. Londrina. UEL. 1985. Profa. EDNÉM. lv1ARIA MACHADO Serviço Social
PORTO, Walter C .. Declaração de Direitos. Brasília, Profa. MARIA CLEMENTINA E. COUTO ­
Fund. Projeto Rondon, 1988 Serviço Social
SABOIA, Ana Lucia (Coord.). Crianças &
Adolescentes indicadores sociais. R.J: IBGE, 1989
SCOTT, Wolf. Concepsts measuremente oI
6. CENTRO DE LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS:
poverty. Genebra, UNRlSD, 1981 Prof. EDUARDO R. DE OLIVEIRA História
VIACAVA, F.; DE FIGUEIREDO, C. M. E; Prof. JOÃO BATISTA FILHO Sociologia
OLIVEIRA, W. A.. A desnutrição no Brasil. Prof. JOSÉ CÉZAR DOS REIS História
Petrópolis RJ: Vozes, 1993 Profa. MARIA REGINA C. CAPELO Sociologia
ProL PAULO BASSANI Sociologia

7. NÚCLEO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL:


GARCIA ALEJANDRO VERGARA FIGUEROA
Entidades e pessoas diretamente comprometidas com ]OELMA DA SILVA TEIXEIRA
o Projeto de Mapeamento da Pobreza no município
de Londrina: II - PREFEITRUAMUNICIPAL DE LONDRINA:
1. SECRETARIA DE PLANEJAMENTO:
I UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARIA YORIKA HINO
LONDRINA: EUNICE DE BIAGI MORAES
Reitor: JOÃO CARLOS THOMPSOM
Vice-reitora: LUZIA YAMASHITADELIBERADOR 2. SECRETARIA DE AÇÃO SOCIAL:
MARlAANGELA SANTINI GONÇf.1VES

80 Geogl'afla, Londrina, v. 8, n. 1, p. 65-82, jan. í jun. 1999

3. COHAB: V - ALUNOS E EX-ALUNOS DO CURSO DE


JOÃO ALBERTO VERÇOSA GEOGRAFIA DA UEL
ANDRÉ LUIZ VARGAS ILÁRIO ALICE APARECIDA E SILVA
SUELYDA SILVA NÉCIO TURRA NETO
ANGELA BENTO LADEIA ODILA SILVIA Kl\OBE ZA:\fI

li-IBGE Apoio Logístico e Institucional:

ANGELA MARIA BARBOSA CEC - Coordenadoría de Extensão à Comunidade

da Universidade Estadual de Londrína

IV ARQUIDIOCESE DE LONDRINA Prof. TADEU FELISMINO.

DON ALBANO CAVALIN - Arcebispo de Londrina


ELVIM DUARTE DE MORAZ - Pastoral da Criança *' *
FERNANDO FRANZO! DA SILVA - Pastoral Social

Geografia, Londrina, v. 8, n. 1, p. 65·82, jan.! jun. 1999 81

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