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VOL. 1
u
n

M T 11
A MATEMÁTICA A
11.º ANO
CRISTINA VIEGAS
SÉRGIO VALENTE

OFERTA Novo MANUAL CERTIFICADO


DE SIMULADOR Programa
DE TESTES Metas FACULDADE DE CIÊNCIAS MANUAL DO
Curriculares UNIVERSIDADE DO PORTO PROFESSOR
Apresentação do Manual
O Manual é composto por cinco temas,
que se distribuem por três volumes.

Será que...?
Atividades que pretendem
Tema introduzir conceitos de
uma forma prática.
Este tema está organizado em:

1. Extensão
Extensão da da trigonometria
trigonometria aa ângulos
ângulos retos e obtusos
retos e obtusos e de triângulos
e resolução
resolução de triângulos
5 + 5 | Teste 1

1
5 + 5 | Teste 1
Síntese
Síntese

Trigonometria
Exercícios Propostos
Exercícios Propostos
2. Ângulos orientados, ângulos
2. ???
Tema

generalizados e rotações.

e Funções + 5 | Teste
5Razões 2
trigonométricas
ângulos generalizados
Síntese
Exercícios Propostos
5 + 5 | Teste 2
de

Trigonométricas Síntese
+Exercícios Propostos
Exercícios Propostos

3. Funções trigonométricas
Caça aos erros!
5 + 5 | Teste 3
Síntese
Exercícios Propostos

+Exercícios Propostos

Cada tema divide-se em capítulos, que, por sua vez,


têm uma organização semelhante à que aqui se
apresenta.

Testes 5+5
Caça aos erros!
Teste 1 Caça aos erros! Destaques Mais sugestões
Grupo I

5 Os cinco itens deste grupo são de escolha múltipla.


Para cada um deles, escolhe a única opção correta.

1. Um escuteiro desloca-se 10 km
no rumo 30° NE.
As respostas aos itens seguintes têm um ou mais erros.
Descobre todos os erros!
1 Acerca de um ângulo agudo a sabe-se que tg a = 2 .
Determina sen a e cos a .
3
Pretendem salientar
o que é essencial
de trabalho
Ao longo do Manual são
5
O seu deslocamento para Este é: Resposta de um aluno:
(A) 5 km. sen
tg = cos ; sen a = 2 e cos a = 3
(B) inferior a 5 km.
(C) superior a 8 km.
(D) um valor entre 6 e 7 km.

2. A figura seguinte representa um hexágono regular de lado 20.


2 Seja a å d , p c tal que sen a = .
p
2
a) Determina o valor exato de cos a .
2
3

b) Determina a . Apresenta o resultado arredondado às centésimas.


no estudo de um feitas remissões para os
O valor exato de d é:
(A) 10 "3
(B) 20 "3
d
Resposta de um aluno:
a) sen a + cos a = 1 §
2 2 22
3
4
+ cos a2 = 1 § cos a = 1 - § cos a =
Å 9
5
Å9

a b ) 0,588 .
2
determinado conteúdo. Exercícios propostos.
(C) 25 "2
-1
b) Recorrendo à calculadora, obtém-se a = tan
3
(D) 25
Simplifica a expressão sen (x + p) + cos a - xb .
3 p
3. Um valor aproximado ao grau para a amplitude do ângulo das diagonais de 2
um retângulo em que o comprimento é triplo da largura é: Resposta de um aluno:

sen (x + p) + cos a - xb = sen x + sen p + cos a b + cos (- x) =


p p
(A) 18°
2 2
(B) 37°
= sen x + 0 + 0 - cos x = sen x - cos x
(C) 60°
(D) 72° 4 Na figura está representado um triângulo retângulo [ABC] ; sabe-se que AC = 3 e que
C
CAW B = x . Determina uma expressão da área do triângulo em função de x .
4. Um poste partiu-se durante um temporal. A extremidade superior do poste
ficou a 7 m da base e a parte caída faz um ângulo de 25° com o solo. O valor, Resposta de um aluno:
x
aproximado ao metro, da altura do poste antes de partir é: P = AC + AB + BC = 3 + AB + BC . Num triângulo retângulo, o cosseno é o cateto adjacente
A B
(A) 9 m e o seno é o cateto oposto. Portanto, P = 3 + cos x + sen x .

(B) 10 m 1
5 Resolve, em Z , a equação cos x = - .
(C) 11 m 2
(D) 12 m Resposta de um aluno:

= , portanto, - = - cos = cos a- b .


p 1 1 p p

Remissões
Tem-se cos
3 2 2 3 3
5. Qual das afirmações seguintes é falsa?
§ cos x = cos a- b § x = ¿ + 2kp, k å R
1 p p
cos x = -
(A) sen (180º - a) - sen a = 0 , para qualquer amplitude a estritamente 2 3 3
compreendida entre 0° e 180°
(B) sen 45° + cos 45° = 1,414 213 562 6 1
Ajuda Determina os valores de x que pertencem ao intervalo [0, 2p[ e satisfazem sen x = - .
2
(C) sen2 25º + cos2 155º = 1 Resposta de um aluno:
"3
Se precisares de ajuda para
resolver algum destes itens, 1 1 p p p p 5p
(D) tg 30° + =2 sen x = - § sen x = - § x = - › x = p - § x = - › x =
consulta a página 187.

24 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


tg 60° 3 2 6 6 6 6 6

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 107


As remissões para o Caderno de Exercícios permitem, se
o tiver adquirido, reforçar a componente prática.
Testes compostos por cinco itens de escolha múltipla
e por cinco itens de construção, são uma boa Caderno de exercícios
oportunidade para testar aprendizagens. Cada teste
tem uma Ajuda , que pode ser consultada no fim
de cada volume. No desenvolvimento de conteúdos há remissões para as
Em cada tema há ainda um desafio para encontrar os instruções das seguintes calculadoras gráficas:
erros nas respostas às questões colocadas. Calculadoras gráficas
Casio fx-CG 20
Texas Instruments TI-84 Plus C SE / CE-T
Texas Instruments TI-Nspire CX

Indicação para não escrever no Manual.


Exercícios
A par com o desenvolvimento
de conteúdos encontram-se
exercícios de aplicação.

Exercícios Resolvidos
Constituem um momento de reforço
dos conteúdos apresentados.

As resp
respostas dos exercícios propostos
e as re
resoluções dos testes 5+5 são
apresentadas nas páginas finais de
aprese
cada um
u dos volumes.
Síntese
Exercícios propostos +Exercícios propostos
Síntese Exercícios propostos +Exercícios propostos
A função seno é a função real de va- y 15 Determina o valor de cada uma das seguintes 20 No retângulo [ABCD] representado na figura, Itens de escolha múltipla
riável real definida por f (x) = sen x . 1 expressões, sem usar a calculadora. tem-se AB = 2 BC . Resolução de triângulos. Lei dos senos e lei dos cossenos
"8 cos 60° · sen 45° + 2 sen 30° + tg 45°
r Domínio: R , pois, para qualquer 2␲ 4␲ M é o ponto médio do lado [BC] .
a)
número real x , existe sen x . -␲ O ␲ 3␲ x D C
"3
142 Na figura ao lado está representado um triângulo retângulo de área 30.
-1 b) 9 tg2 30° +
sen 60° M Sabe-se que tg a = 2,4 .
r Contradomínio: [- 1, 1] . Portanto, tem máximo igual a 1 e mínimo igual a - 1. ␣
Qual é o perímetro do triângulo?
p. 81
Função p
seno r Maximizantes: + 2kp, k å Z 16 Mostre que, se x é um ângulo agudo: A B
(A) 26 (B) 28
2
p Detemina a amplitude do ângulo a , com aproxi-
r Minimizantes: - + 2kp, k å Z a) (sen x - cos x)2 + 2 sen x · cos x = 1 (C) 30 (D) 32
2 mação às décimas. ␣
r Zeros: kp, k å Z sen2 x sen x
b) =1+
1 - cos x tg x
r Período: periódica de período fundamental 2p . 21 Considera o triângulo [ABC] , em que BC = 2 , 143 De um triângulo sabe-se que o perímetro é 24 e que as medidas dos comprimentos dos lados são
r Simetrias: tem-se Ax å R, sen (- x) = - sen x . Portanto, a função seno é ímpar. AH = 1 e [BH] é a altura relativa ao vértice B . três números naturais consecutivos.
Logo, o seu gráfico é simétrico relativamente à origem do referencial. 17 B
Calcula o valor de tg x , sabendo que x é Qual é a amplitude do maior ângulo desse triângulo (valor em graus, arredondado às décimas)?
3"13
A função cosseno é a função real de y um ângulo agudo e que sen x = . (A) 71,2 (B) 73,4 (C) 74,6 (D) 76,1
13 θ
variável real definida por f (x) = cos x . 1
A
H
C

-3␲ 3␲ 7␲
r Domínio: R , pois, para qualquer 2 2 2 a) Determina a área do triângulo [ABC] , para q = 60° . 144 De um triângulo sabe-se um dos lados mede 6 e que os ângulos adjacentes a esse lado têm 36
número real x , existe cos x . x 18 Observa os dados da figura e calcula AC ,
-␲ O ␲ 5␲ 9␲
2 2 2 2
b) Mostra que, se q está estritamente compreendi- e 42 graus de amplitude.
sabendo que:
-1
do entre 0° e 90°: Qual é o perímetro do triângulo, arredondado às décimas?
r Contradomínio: [- 1, 1] . Portanto, tem máximo igual a 1 e mínimo igual a - 1. a) BD = 13,2 cm
Função b1) BH = 2 sen q e AC = 1 + 2 cos q ; (A) 13,7 (B) 13,9 (C) 14,1 (D) 14,3
p. 82
cosseno r Maximizantes: 2kp, k å Z b) AD = 12 cm
b2) a área do triângulo [ABC] é
r Minimizantes: p + 2kp, k å Z B (1 + 2 cos q) · sen q .
p
r Zeros: + kp, k å Z Ângulos orientados e ângulos generalizados. Razões trigonométricas de ângulos generalizados.
2
Propriedades fundamentais
r Período: periódica de período fundamental 2p . 22 Na figura seguinte está representada uma pirâ-
52° 42°
A C
r Simetrias: tem-se Ax å R, cos (- x) = cos x . Portanto, a função cosseno é par. D mide quadrangular regular.
Logo, o seu gráfico é simétrico relativamente ao eixo Oy . 145 Na figura ao lado estão representados, em referencial o.n. xOy , y
Apresenta os resultados em cm, arredondados às a circunferência trigonométrica e um triângulo [OAB] . 1
centésimas. A
A função tangente é a função real de y r Os pontos A e B pertencem à circunferência.
variável real definida por f (x) = tg x . ␣ C
r O segmento [AB] é perpendicular ao semieixo positivo Ox .
19 No triângulo retângulo [PQR] tem-se que O 1 x
r Domínio: r O ponto C é o ponto de interseção da circunferência com o semieixo
sen a = 0,4 .
R\ex å R : x =+ kp, k å Z f
p positivo Ox . B
- 3␲ -␲ -␲ O ␲ ␲ 3␲ 2␲ 5␲ x 70º
2 2 2 2 2 2
Seja a a amplitude do ângulo COA aa å d 0, cb .
S R p
p. 83
Função r Contradomínio: R . Portanto, 6
tangente ␣ 2
não tem máximo nem mínimo. P Q Tendo em conta os dados apresentados na figura ante-
rior, determina o volume da pirâmide, com aproxima-
Qual das expressões seguintes dá o perímetro do triângulo [OAB] em função de a ?
r Zeros: kp, k å Z
Calcula: ção às unidades. (A) 2 sen a + cos a (B) sen a + 2 cos a
r Período: periódica de período fundamental p .
Sempre que, em cálculos intermédios, procederes
a) cos a e tg a ; (C) 2 + 2 cos a (D) 2 + 2 sen a
r Simetrias: tem-se Ax å R, tg (- x) = - tg x . Portanto, a função tangente é ímpar. a arredondamentos, conserva, no mínimo, três casas
Logo, o seu gráfico é simétrico relativamente à origem do referencial. b) PS e PQ , supondo que PR = 15 cm. decimais. Adaptado de Exame Nacional, 1.a fase, 2.a chamada, 2002

110 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas Capítulo 1 | Extensão da trigonometria a ângulos retos e obtusos e resolução de triângulos 27 116 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas

No fim de cada capítulo sistematizam-se No final de cada tema surgem mais


conteúdos e apresentam-se os Exercícios propostas de exercícios, que incluem
propostos. exercícios retirados/adaptados do Caderno
de Apoio, 11.o ano, dos autores do Programa
e Metas Curriculares de Matemática A.
Índice vol. 1

1
Tema

Trigonometria e Funções
Trigonométricas

1. Extensão da trigonometria a ângulos retos 3. Funções trigonométricas 74


e obtusos e resolução de triângulos 10 Funções trigonométricas 74
Seno, cosseno e tangente de um ângulo agudo 10 Funções trigonométricas inversas 95
Seno, cosseno e tangente de 30°, 45° e 60° 12 Caça aos erros! 107
Lei dos senos (analogia dos senos) 14 5 + 5 | Teste 3 108
Seno de um ângulo reto e seno Síntese 110
de um ângulo obtuso 15 Exercícios propostos 112
Lei dos cossenos (teorema de Carnot) 17
+Exercícios propostos 116
Cosseno de um ângulo reto e cosseno
de um ângulo obtuso 18
5 + 5 | Teste 1 24
Síntese 26
Exercícios propostos 27

2. Ângulos orientados, ângulos generalizados


e rotações. Razões trigonométricas de ângulos
generalizados 32
Ângulos orientados 32
Rotação segundo um ângulo orientado 33
Ângulos generalizados 34
Rotação segundo um ângulo generalizado 36
Razões trigonométricas de um ângulo orientado 36
Seno, cosseno e tangente de um ângulo generalizado 43
Linhas trigonométricas 45
O radiano como unidade de amplitude 46
Graus e radianos 49
Razões trigonométricas de ângulos cujas amplitudes
são expressas em radianos 52
Redução ao primeiro quadrante 54
Equações trigonométricas 57
5 + 5 | Teste 2 66
Síntese 68
Exercícios propostos 70
2
Tema

Geometria
Analítica
No início encontras:
1. Declive e inclinação de uma reta. Índice remissivo 6
Produto escalar 128
Declive e inclinação de uma reta 128
Produto escalar de vetores 132
Ângulo de vetores 134 No final encontras:
Vetores perpendiculares 137
Ajuda 187
Propriedades do produto escalar 138
Resolução de problemas 140 Calculadoras gráficas
5 + 5 | Teste 4 142 Casio fx-CG 20 190
Cálculo do produto escalar a partir das Texas Instruments TI-84 Plus C SE /
coordenadas dos vetores 144 / CE-T 193
Texas Instruments TI-Nspire CX 195
Relação entre declives de retas do plano
perpendiculares 146 Respostas
Exercícios propostos 198
Lugares geométricos 147
Resolução de problemas 150 Resoluções
5 + 5 | Teste 5 152 Testes | 5 + 5 209
Equações de planos no espaço 154
Resolução de problemas
Caça aos erros!
163
165
No volume 2 encontras:
5 + 5 | Teste 6 166

3
Demonstrações facultativas 168
Síntese 170
Tema

Exercícios propostos 173

+Exercícios propostos 179 Sucessões

No volume 3 encontras:

4 Funções Reais
Tema

de Variável
Real

5
Tema

Estatística
Índice Remissivo
Funções trigonométricas 74
A Funções trigonométricas inversas 95
Amplitude de um ângulo generalizado 35
Ângulo de vetores 134
Ângulo generalizado (ângulo trigonométrico) 34 G
Ângulo orientado 32 Grado 46
Ângulos complementares 55 Grau 46

C
Carnot, Nicolas 17 I
Círculo trigonométrico 36 Inclinação 129

Circunferência 149
Circunferência trigonométrica 36
Cosseno 10
L
Lado extremidade 32
Lado origem 32
D Lei dos cossenos (teorema de Carnot) 17
Declive (coeficiente angular) 128 Lei dos senos (analogia dos senos) 14
Linhas trigonométricas 45
E
Eixo das tangentes 45
Eixo do seno 45 M
Eixo dos cossenos 45 Mediatriz de um segmento de reta 147
Equação reduzida 128
Equação cartesiana de um plano 156
Equação vetorial de um plano 161
N
Norma 134
Equações paramétricas do plano 161
Equações trigonométricas 57

O
F Ordenada na origem 128
Fórmula fundamental da trigonometria 11
Função arco-cosseno 98
Função arco-seno 96 P
Função arco-tangente 100 Período fundamental 75
Função cosseno 82 Período positivo mínimo 75
Função inversa 95 Planos concorrentes 154
Função periódica 75 Planos paralelos 154
Função seno 81 Produto escalar (produto interno) de vetores 133
Função tangente 83 Projeção ortogonal de um ponto sobre uma reta 133

6
R T
Radiano 46 Tangente 10
Redução ao primeiro quadrante 54 Teorema de Carnot 17
Referencial ortonormado direto 36
Resolução de triângulos 15
Restrição principal da função cosseno 98
V
Vetor normal a um plano 154
Restrição principal da função seno 96
Vetor paralelo a um plano 160
Restrição principal da função tangente 100
Vetores perpendiculares 137
Reta perpendicular a um segmento num ponto 149
Reta tangente à circunferência 148
Rotação segundo um ângulo generalizado 36
Rotação segundo um ângulo orientado 33

S
Seno 10
Sentido negativo 32
Sentido positivo 32
Sinusoide 78
Superfície esférica 149

7
1 Trigonometria
Tema

e Funções
Trigonométricas
Este tema está organizado em:

1. Extensão
Extensão da da trigonometria
trigonometria aa ângulos
ângulos retos e obtusos
retos e obtusos e de triângulos
e resolução
resolução de triângulos
5 + 5 | Teste 1
5 + 5 | Teste 1
Síntese
Síntese
Exercícios Propostos
Exercícios Propostos
2. Ângulos orientados, ângulos
2. ???
generalizados e rotações.
+ 5 | Teste
5Razões 2
trigonométricas de
ângulos generalizados
Síntese
Exercícios Propostos
5 + 5 | Teste 2
Síntese
+Exercícios Propostos
Exercícios Propostos

3. Funções trigonométricas
Caça aos erros!
5 + 5 | Teste 3
Síntese
Exercícios Propostos

+Exercícios Propostos
1. Extensão da trigonometria
a ângulos retos e obtusos
e resolução de triângulos
Vamos iniciar o estudo da trigonometria fazendo uma revisão do que aprendeste
Resolução no 9.° ano sobre este tema. Esta revisão será apoiada, fundamentalmente, na
Exercícios de «Extensão resolução de alguns exercícios.
da trigonometria
a ângulos retos e
obtusos e resolução
de triângulos» Seno, cosseno e tangente de um ângulo agudo
Comecemos por recordar o conceito de seno, cosseno e tangente de um ângulo agudo.
Dado um ângulo agudo a , podemos considerar um triângulo retângulo em que a
seja um dos seus ângulos internos.

c
a

b

Recorda que:

cateto oposto ao ângulo a a


r sen a = =c
hipotenusa
cateto adjacente ao ângulo a b
r cos a = =c
hipotenusa
cateto oposto ao ângulo a a
r tg a = =
cateto adjacente ao ângulo a b

1 Na figura seguinte está re- Exercício resolvido


presentada uma semicircunfe-
rência e um triângulo nela ins- Observa a figura seguinte e determina o valor de sen b , cos b e tg b .
crito.
10

C

6

A B
26
Resolução
a) Justifica que o triângulo é
retângulo em C . Seja x o cateto oposto ao ângulo b .

b) Sabendo que AB = 26 e que Atendendo ao teorema de Pitágoras, tem-se x2 + 62 = 102 .


12 Ora, x2 + 62 = 102 § x2 + 36 = 100 § x2 = 64 § x = 8 .
cos a = , determina a área
13
da região colorida a verde. Portanto,
8 4 6 3 8 4
sen b = = cos b = = tg b = =
10 5 10 5 6 3

10 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


SERÁ QUE…? Propriedades fundamentais

Tendo em conta os valores obtidos no exercício resolvido da página anterior,


resolve as seguintes questões.
sen b
a) Determina o valor de e compara o valor obtido com tg b .
cos b
2 2
b) Determina o valor de (sen b) + (cos b) .

Será que recordas as propriedades aqui exemplificadas?

Com a resolução desta atividade, certamente te recordaste das seguintes proprie-


dades, válidas para qualquer ângulo agudo a :

sen a RECORDA
r tg a =
cos a sen2 a é uma forma abreviada de es-
crever (sen a)2 e cos2 a é uma for-
r sen2 a + cos2 a = 1 (fórmula fundamental da trigonometria) ma abreviada de escrever (cos a)2 .

Exercícios resolvidos
2
1. De um certo ângulo agudo a , sabe-se que sen a = . 2 Mostra que:
3
Determina cos a e tg a . 2 . sen x . cos x
= tg x
1 + cos2 x - sen2 x
Resolução
Como, para qualquer ângulo agudo a , se tem sen2 a + cos2 a = 1 , vem:
2

a b + cos2 a = 1
2
3
Ora,
2

a b + cos2 a = 1 § + cos2 a = 1 § cos2 a = 1 - § cos2 a =


2 4 4 5
3 9 9 9

Uma vez que, para qualquer ângulo agudo a , se tem cos a > 0 , vem
"5
cos a = .
3
sen a
Como, para qualquer ângulo agudo a , se tem tg a = , vem:
cos a
2
sen a 3 2 2"5
tg a = = = =
"5 "5
cos a 5
3
1
2. Mostra que, para qualquer ângulo agudo a , se tem tg2 a + 1 = .
cos2 a
Resolução
Tem-se:
sen2 a sen2 a cos2 a sen2 a + cos2 a 1
tg2 a + 1 = 2
+ 1 = 2
+ 2
= 2
= RECORDA
cos a cos a cos a cos a cos2 a tg2 a é uma forma abreviada de es-
crever (tg a)2 .
continua

Capítulo 1 | Extensão da trigonometria a ângulos retos e obtusos e resolução de triângulos 11


continuação
3 Na figura seguinte está re-
12
presentado um triângulo retân- 3. De um certo ângulo agudo a , sabe-se que tg a = . Determina sen a .
gulo [ABC] . 5
Resolução
B
Como, para qualquer ângulo agudo a , se tem sen2 a + cos2 a = 1 , vem:
2
a b +1=
1 12 1
x 5 cos2 a
A C 2
Ora, a b + 1 =
1 D 12 1 144 1 169 1
§ +1= § = §
Tem-se que AD = DB = 1 . 5 2
cos a 25 2
cos a 25 cos2 a
25
a) Mostra que o perímetro do § cos2 a =
triângulo [ABC] é: 169
Uma vez que, para qualquer ângulo agudo a , se tem cos a > 0 , vem
1 + cos x + sen x + "2 + 2cos x 5
cos a = .
b) Determina o perímetro do 13
sen a
triângulo [ABC] , sabendo Como, para qualquer ângulo agudo a , se tem tg a = , vem:
cos a
3
que tg x = . 12 sen a 12 5 12
4 = pelo que sen a = * =
5 5 5 13 13
13

RECORDA
No 9.° ano aprendeste que ângulos
Seno, cosseno e tangente de 30°, 45° e 60°
agudos com a mesma amplitude
Vamos deduzir os valores do seno, do cosseno e da tangente de 30°, 45° e 60°.
têm o mesmo seno, o mesmo cos-
seno e a mesma tangente, pelo que Comecemos pelo ângulo de 45°.
faz sentido falar em seno, cosseno e Num triângulo retângulo isósceles, os ângulos não retos têm 45° de amplitude
tangente de uma amplitude. Em
particular, faz sentido falar em
cada um.
seno, cosseno e tangente de 30°,
45° e 60°.

a h

45°

Designando por a a medida do comprimento de qualquer um dos catetos, que


são iguais, vejamos qual é a medida h do comprimento da hipotenusa.
Pelo teorema de Pitágoras, tem-se: h2 = a2 + a2 .
Portanto, h2 = 2a2 , donde resulta que h = "2a2 = "2a . Tem-se, então:
a a 1 "2 a "2 a
sen 45° = = = = cos 45° = = tg 45° = a = 1
h "2a "2 2 h 2
Determinemos agora o seno, o cosseno e a tangente de 30° e de 60°.
Num triângulo equilátero, os ângulos internos têm 60° de amplitude cada um.

a a

60°

12 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Tracemos uma das alturas do triângulo anterior.
2

Pelo teorema de Pitágoras, tem-se: a2 = a b + h2 .


a
30°
2 a a
h
a2
3a "3 2
Portanto, h2 = a2 - , donde resulta que h = = a.
4 Å 4 2 60°

Tem-se, então: a

"3 1
"3
a a
h 2 2 1
r sen 60° = a = a = r sen 30° = a =
2 2
1 "3
"3
a a
2 1 h 2
r cos 60° = a = r cos 30° = a = a =
2 2
"3 1 1
"3
a a a
= "3
h 2 2 2 1
r tg 60° = = r tg 30° = = = =
1 1 h "3 "3 3
a a a
2 2 2
Calculadoras gráficas
Podemos sintetizar os valores do seno, do cosseno e da tangente de 30°, 45° Casio fx-CG 20 ...... pág. 190
e 60° num quadro: TI-84 C SE / CE-T .... pág. 193
TI-Nspire CX .......... pág. 195
30° 45° 60°
4 Determina o valor de
1 "2 "3
sen 4 sen 60° - 2 cos 30°
2 2 2 -
3 tg 30°
cos "3 "2 1 - 2 sen 45° + tg 45° .
2

2 2 2

"3
tg 1 "3 5
3 Na figura seguinte está re-
presentado um triângulo retân-
gulo [ACD] .
Exercícios resolvidos Tem-se AD = 1 .
1. Determina o valor de 4 sen 30° + "8 sen 45° + (tg 60°) .
2 C

Resolução
"2 Q
4 sen 30° + "8 sen 45° + (tg 60°)2 = 4 *
1 "
+ "3 R =
2
?
+ 8*
2 2
"16 B
=2+ +3=7
2
2. Determina a área do triângulo retângulo B
15°
[ABC] representado na figura ao lado.
6
Resolução 45°
AB 1 AB A D
Tem-se: sen 30° = § = § 30° 1
6 2 6 A C
1 Qual é o comprimento do seg-
§ AB = 6 * § AB = 3
2 mento [BC] ?
"3 AC "3
§ AC = 3"3
AC
cos 30° = § = § AC = 6 *
6 2 6 2 Mais sugestões de trabalho
AB * AC 3 * 3"3 9"3
Área do triângulo [ABC] = = = Exercícios propostos n.os 15 a 37
2 2 2 (págs. 27 a 30).

Capítulo 1 | Extensão da trigonometria a ângulos retos e obtusos e resolução de triângulos 13


Lei dos senos (analogia dos senos)
SERÁ QUE…? Estabelece uma conjetura

Como sabes, dá-se o nome de triângulo acutângulo a um triângulo em que


os ângulos são todos agudos.
Desenha um triângulo acutângulo [ABC] .
Designa os ângulos internos cujos vértices são A , B e C por essas mesmas
letras e designa por a , b e c as medidas dos comprimentos dos lados
opostos aos ângulos A , B e C , respetivamente.
Utilizando os instrumentos de medição apropriados, mede os lados e os
ângulos do triângulo.
sen A sen B sen C
Recorrendo à calculadora, determina os quocientes a , b e c .
Será que consegues estabelecer uma conjetura?

Tem-se a seguinte propriedade (lei dos senos):

Seja [ABC] um triângulo acutângulo. C

Designemos os ângulos internos cujos vértices são A ,


B e C por essas mesmas letras e designemos por a , b a
b e c as medidas dos comprimentos dos lados opos-
tos aos ângulos A , B e C , respetivamente.
A c B
sen A sen B sen C
Tem-se: a = b = c

Demonstração:

Seja h a altura relativa ao vértice C .


C
h h
Tem-se: sen A = e sen B = a .
b
b a
Então: h

h = b sen A e h = a sen B , pelo que b sen A = a sen B ,


sen A sen B A c B
donde a = b . (1)

Seja agora h' a altura relativa ao vértice A .


C
h' h'
Tem-se: sen B = c e sen C = .
b
b a
Então:
h'
h' = c sen B e h' = b sen C , pelo que c sen B = b sen C ,
sen B sen C A c B
donde = c . (2)
b

sen A sen B sen C


De (1) e (2) resulta o pretendido: a = b = c .

14 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Exercício resolvido
Na figura ao lado está representado um triân- A

gulo [ABC] , onde a e c designam as medi-


das dos comprimentos dos lados opostos aos c 6
ângulos A e C , respetivamente. Tendo em
62° 43°
conta as medidas apresentadas, determina: B C
a
a) a amplitude do ângulo interno com vértice em A ;
b) os valores de a e de c , arredondados às centésimas.

Resolução
a) A amplitude do ângulo interno com vértice em A é igual a
180° - (62° + 43°) , ou seja, 75°.
sen A sen B sen 75° sen 62° 6 * sen 75°
b) Tem-se:
a = b § a =
6
§ a=
sen 62° 6 Resolve o seguinte triângulo.
Portanto, a ) 6,56 . C
sen B sen C sen 62° sen 43° 6 * sen 43°
= c § = c § c=
b 6 sen 62°
Portanto, c ) 4,63 . 5,3

O exercício que acabámos de resolver é um exemplo de um dos objetivos mais 82°


importantes da trigonometria, que é a resolução de triângulos. A B
4,2

Resolver um triângulo é determinar os elementos desconhecidos desse triân- Apresenta os valores arredonda-
dos às décimas.
gulo (lados e ângulos internos) a partir dos que são conhecidos.

Seno de um ângulo reto e seno


de um ângulo obtuso
Provámos que a lei dos senos é válida em triângulos acutângulos. RECORDA
Um triângulo obtusângulo é um
O desafio que nos propomos agora é o seguinte: qual terá de ser a definição de
triângulo em que um dos seus ân-
seno de um ângulo reto e a definição de seno de um ângulo obtuso, de forma que gulos internos é obtuso.
a lei dos senos seja válida em triângulos retângulos e em triângulos obtusângulos?
Comecemos pelo caso do ângulo reto.
Seja [ABC] um triângulo retângulo em A . Admitamos que é possível definir sen A B
e tentemos responder à seguinte questão: qual terá de ser o valor de sen A para que
seja válida a lei dos senos neste triângulo?
a
c
Para a lei dos senos ser válida neste triângulo, terá, em particular, de ser válida
sen A sen B
a igualdade a = b .
Vem: A C
b b
sen A sen B sen A a sen A 1
a = b § a = b § a = a § sen A = 1
Conclusão: a lei dos senos é válida num triângulo retângulo se e só se o seno de
um ângulo reto for igual a 1, o que motiva a seguinte definição:

sen 90° = 1

Capítulo 1 | Extensão da trigonometria a ângulos retos e obtusos e resolução de triângulos 15


Vejamos, agora, o caso de um ângulo obtuso.

Seja [ABC] um triângulo em que o ângulo interno em A é obtuso.


C Designemos por a a amplitude deste ângulo. Admitamos que é pos-
sível definir sen a e tentemos responder à seguinte questão: qual
a terá de ser o valor de sen a para que seja válida a lei dos senos neste
b triângulo?

A c
B Seja a a amplitude do ângulo interno em A , seja h a altura relativa ao
vértice C e seja C' a projeção ortogonal do ponto C sobre a reta AB .

C Repare-se que os triângulos [CBC'] e [CAC'] são triângulos retângulos.


Para a lei dos senos ser válida no triângulo [ABC] , terá, em particular,
sen a sen B
a de ser válida a igualdade a = .
h b b
180° - ␣ ␣
Tem-se:
c B
C' A h
sen a sen B sen a a h
a = b § a = b § b sen a = a * a § b sen a = h §
h
§ sen a = § sen a = sen (180° - a)
b

Conclusão: a lei dos senos é válida num triângulo obtusângulo se e só se o seno


de um ângulo obtuso for igual ao seno do seu suplementar, o que motiva a se-
guinte definição:

Se a é a amplitude de um ângulo obtuso, sen a = sen (180° - a) .

Assim, tem-se, por exemplo: sen 140° = sen (180° – 140°) = sen 40° .

Exercício resolvido
Determina o valor de 6 * sen 150° + 8 * sen2 135° - 4 * sen2 120° .
Resolução
6 * sen 150° + 8 * sen2 135° - 4 * sen2 120° =
= 6 * sen 150° + 8 * (sen 135°)2 - 4 * (sen 120°)2 =
= 6 * sen (180° - 150°) + 8 * [sen (180° - 135°)]2 – 4 * [sen (180° – 120°)]2 =
= 6 * sen 30° + 8 * (sen 45°)2 - 4 * (sen 60°)2 =
"2 b "3 b
2 2

= 6* +8*a -4*a
1
=
2 2 2
7 Mostra que: 2 3
= 3+8* -4* =
[sen 90° + sen 170°]2 + cos2 10° = 4 4
= 2(1 + sen 10°) =3+4-3=4

16 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Lei dos cossenos (teorema de Carnot)
Tem-se a seguinte propriedade (lei dos cossenos ou teorema de Carnot):

Seja [ABC] um triângulo. C

Designemos os ângulos internos cujos vértices são


A , B e C por essas mesmas letras e designemos por b a

a , b e c as medidas dos comprimentos dos lados


opostos aos ângulos A , B e C , respetivamente. A B
c
Admitamos que o ângulo A é agudo.
Tem-se: a2 = b2 + c 2 - 2bc cos A Nicolas Carnot (1796-1832) foi um famoso
físico, matemático e engenheiro francês.

Demonstração:
Simulador
Nesta demonstração, iremos admitir que o ângulo B é agudo. Fica como desafio
Geogebra: Lei dos
a demonstração para o caso em que o ângulo B é obtuso. cossenos

Seja h a altura relativa ao vértice C e seja C' a projeção ortogonal do ponto C


sobre a reta AB .
C

b a
h

A B
C'
c

AC'
Tem-se: cos A = , pelo que AC' = b cos A .
b

Tem-se também:
BC' = AB - AC' = c - b cos A

Por outro lado, do teorema de Pitágoras, vem:


2 2 2 2 2 2
AC = AC' + CC' e BC = BC' + CC'

Portanto, b2 = (b cos A)2 + h2 e a2 = (c – b cos A)2 + h2 ,


donde vem h2 = b2 - (b cos A)2 e h2 = a2 - (c – b cos A)2 .

Logo:
a2 - (c - b cos A)2 = b2 - (b cos A)2
Como:
a2 - (c - b cos A)2 = b2 - (b cos A)2 §
§ a2 - [c 2 - 2bc cos A + (b cos A)2] = b2 - (b cos A)2 §
§ a2 - c 2 + 2bc cos A - (b cos A)2 = b2 - (b cos A)2 §
§ a2 = b2 + c2 - 2bc cos A
conclui-se que a2 = b2 + c2 - 2bc cos A .

Capítulo 1 | Extensão da trigonometria a ângulos retos e obtusos e resolução de triângulos 17


Exercício resolvido
Tendo em conta os dados da figura ao lado, C
resolve o triângulo [ABC] .
Resolução 6 7

Como já vimos, resolver um triângulo é deter-


minar os elementos desconhecidos, que, nes- A B
8
te caso, são as amplitudes dos seus ângulos
internos.
Pela lei dos cossenos, tem-se: a2 = b2 + c2 - 2bc cos A . Vem:
72 = 62 + 82 - 2 * 6 * 8 * cos A § 49 = 36 + 64 - 96 cos A §
51
§ 96 cos A = 51 § cos A =
96
Portanto, A ) 57,9° .
8 Determina o perímetro do Utilizando novamente a lei dos cossenos, tem-se: b2 = a2 + c2 - 2ac cos B .
triângulo representado na figura
seguinte. Vem:
2 62 = 72 + 82 - 2 * 7 * 8 * cos B § 36 = 49 + 64 - 112 cos B §
77
20° § 112 cos B = 77 § cos B =
3 112
Portanto, B ) 46,6° .
Apresenta o resultado arredon-
dado às décimas. Como A + B + C = 180° , tem-se C ) 75,5° .

Cosseno de um ângulo reto e cosseno


de um ângulo obtuso
A igualdade a2 = b2 + c 2 - 2bc cos A foi enunciada no caso em que o ângulo A
era agudo.
O desafio que agora nos propomos resolver é o seguinte: qual terá de ser a defi-
nição de cosseno de um ângulo reto e a definição de cosseno de um ângulo
obtuso, de forma que a lei dos cossenos seja válida nos casos em que o ângulo A
é reto ou é obtuso?
Comecemos pelo caso em que o ângulo A é reto.
Seja [ABC] um triângulo retângulo em A .
B Admitamos que é possível definir cos A e tentemos responder à seguinte
questão: qual terá de ser o valor de cos A para que seja válida a igualdade
a2 = b2 + c 2 - 2bc cos A ?
a
c Como, pelo teorema de Pitágoras, se tem a2 = b2 + c 2 , vem:
a2 = b2 + c 2 - 2bc cos A § a2 = a2 - 2bc cos A §
A C § 2bc cos A = 0 § cos A = 0
b
Conclusão: a igualdade a2 = b2 + c 2 - 2bc cos A é válida no caso em que
o ângulo A é reto se e só se o cosseno de um ângulo reto for igual a 0, o que
motiva a seguinte definição:

cos 90° = 0

18 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Vejamos, agora, o caso em que A é um ângulo obtuso.

C
Seja [ABC] um triângulo em que o ângulo interno em A é obtuso.

Tentemos responder à seguinte questão: qual terá de ser o valor de cos A a


b
para que se mantenha válida a igualdade a2 = b2 + c2 - 2bc cos A ?

B
Seja h a altura relativa ao vértice C e seja C' a projeção ortogonal do A c

ponto C sobre a reta AB .


C
Repare-se que os triângulos [CBC'] e [CAC'] são triângulos retângulos.

a
Seja a a amplitude do ângulo interno em A . h b

180° - ␣ ␣
Pelo teorema de Pitágoras, tem-se:
c B
2 2 C' A
b2 = h2 + AC' e a2 = h2 + BC'

Portanto,
2 2
h2 = b2 - AC' e h2 = a2 - BC'

Tem-se:

b2 - AC' = a2 - BC' § b2 - AC' = a2 - 1 c + AC' 2 §


2 2 2 2

§ b2 - AC' = a2 - 1 c2 + 2c AC' + AC' 2 §


2 2

2 2
§ b2 - AC' = a2 - c2 - 2c AC' - AC' §

§ b2 = a2 - c2 - 2c AC'

Vem, então:

a2 = b2 + c2 - 2bc cos A § a2 = b2 + c2 - 2bc cos a §

§ a2 = a2 - c2 - 2c AC' + c2 - 2bc cos a §

§ 0 = - 2c AC' - 2bc cos a §

§ 2bc cos a = - 2c AC' §

§ b cos a = - AC' §
AC'
§ cos a = - §
b
§ cos a = - cos (180° - a)

Conclusão: a igualdade a2 = b2 + c2 - 2bc cos A é válida no caso em que


o ângulo A é obtuso se e só se o cosseno de um ângulo obtuso for igual ao
simétrico do cosseno do seu suplementar, o que motiva a seguinte definição:

Se a é a amplitude de um ângulo obtuso, cos a = - cos (180° - a) .

Por exemplo, cos 130° = - cos (180° - 130°) = - cos 50° .

Capítulo 1 | Extensão da trigonometria a ângulos retos e obtusos e resolução de triângulos 19


Exercícios resolvidos
Calculadoras gráficas 1. Determina o valor de cos2 150° + 2 * cos2 135° - 3 * cos 120° .
Casio fx-CG 20 ...... pág. 190
TI-84 C SE / CE-T .... pág. 193 Resolução
TI-Nspire CX .......... pág. 195
cos2 150° + 2 * cos2 135° - 3 * cos 120° =
= (cos 150°)2 + 2 * (cos 135°)2 - 3 * cos 120° =
2 2
= [- cos (180° - 150°)] + 2 * [- cos (180° - 135°)] - 3 * [- cos (180° - 120°)] =
= (- cos 30°)2 + 2 * (- cos 45°)2 - 3 * (- cos 60°) =

"3 b "2 b
2 2

= a- + 2 * a- - 3 * a- b =
9 Determina o valor de 1
sen 150° * cos 120° + 2 2 2
+ sen 90° - cos 90° . 3 2 3 13
= +2* + =
4 4 2 4

2. Tendo em conta os dados da figura seguinte, resolve o triângulo [ABC] .


A

b
5
140°

C
B 8

Resolução
Utilizando a lei dos cossenos, tem-se: b2 = a2 + c2 - 2ac cos B .
Vem, então:
b2 = 82 + 52 - 2 * 8 * 5 * cos 140° § b2 = 89 - 80 cos 140° §
§ b = "89 - 80 cos 140°
Portanto, b ) 12,26 .
Utilizando agora lei dos senos, tem-se:
sen A sen B sen A sen 140° 8 * sen 140°
a = b § 8 = 12,26 § sen A = 12,26
Portanto, A ) 24,8° .
10 Tendo em conta os dados Logo, C ) 180° - (140° + 24,8°) , ou seja, C ) 15,2° .
apresentados nas figuras, resolve
os seguintes triângulos.
3. Na figura seguinte estão representados dois polígonos regulares de lado 2.
Apresenta os valores arredon-
dados às décimas. Determina, em cada um deles, a medida c assinalada. Apresenta o valor
a) C
arredondado às décimas.
3 4 E D
D
A B
6
b) C
E C F C
9
c G
23° c
A B
6,3 A B A B

continua

20 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


continuação

Resolução
Comecemos por uma observação de ordem geral. NOTA
Em qualquer polígono regular com
Como, em qualquer polígono regular com n lados, o ângulo externo n lados, o ângulo externo associado
360° 360°
associado a cada vértice tem n de amplitude, vem que o ângulo inter- a cada vértice tem de ampli-
n
360° tude.
no correspondente tem amplitude 180° - n .
Vejamos o caso do pentágono [ABCDE] .
O ângulo interno associado a cada vértice tem amplitude:
360°
180° - = 108°
5
Considerando agora o triângulo [ABC] e aplicando a lei dos cossenos,
tem-se: c2 = 22 + 22 - 2 * 2 * 2 * cos 108° . Portanto, c ) 3,2 .
Vejamos agora o caso do hexágono [ABCDEF] .
O ângulo interno associado a cada vértice tem amplitude: 11 Na figura seguinte está repre-
360° sentado um heptágono regular
180° - = 120°
6 de lado 2.

Como o triângulo [ABF] é isósceles, os ângulos ABF e AFB são iguais.


Portanto, o ângulo ABF tem 30° de amplitude.
De igual modo se conclui que o ângulo BAC tem também 30° de amplitude.
Considerando agora o triângulo [ABG] , concluímos que o ângulo AGB 2
tem 120° de amplitude. Determina a área da região colo-
sen 120° sen 30° rida a azul. Apresenta o resul-
Aplicando a lei dos senos neste triângulo, tem-se: = c .
2 tado arredondado às décimas.
Portanto, c ) 1,2 .

4. Na figura ao lado está represen- C


tado um triângulo isósceles obtu-
sângulo [ABC] 1 AB = AC = a 2, 2 a
bem como o ponto D , projeção ␣
ortogonal do ponto C sobre a D
A a
B
reta AB . Seja a = CBW A .
2"2
Sabe-se que CD = 2 e que cos a = .
3
Determina o perímetro do triângulo [ABC] .

Resolução
2"2 b
2

Tem-se: sen a + cos a = 1 § sen a + a


2 2 2
12 Tendo em conta os dados
=1 §
3 apresentados na figura seguinte,
8 determina o valor exato da área
1
§ sen2 a + = 1 § sen2 a = do triângulo.
9 9
1 冑 10
Como sen a > 0 , vem sen a = . 冑3
3
CD 1 2
Vem: sen a = § = § BC = 6
BC 3 BC 冑 12

continua

Capítulo 1 | Extensão da trigonometria a ângulos retos e obtusos e resolução de triângulos 21


continuação

Considerando agora o triângulo [ABC] e aplicando a lei dos cossenos, tem-se:


2"2
a2 = a2 + 62 - 2 * a * 6 * cos a § 0 = 36 - 12 * a * §
3
9"2
§ 8"2a = 36 § a =
36 9
§ a= § a=
8"2 2"2 4

Portanto, o perímetro do triângulo [ABC] é:

9"2 9"2 9"2 + 12


2* +6= +6=
4 2 2

5. Tendo em conta os dados da figura, determina o comprimento da ilha.

104˚ 105˚
47˚ 42˚
A B
150 m

Resolução

13 Tendo em conta os dados Aplicando a lei dos senos no triângulo C


apresentados na figura seguin- [ABC] , vem: 180° - (104° + 42°) = 34°
te, determina a distância entre sen B sen C sen 42° sen 34°
o ponto A e o ponto D . = c § = § 34°
b AC 150 a
C D b
150 * sen 42°
§ AC =
sen 34° 104°
35 m
42°
Portanto, AC ) 179,5 . A B
50° 150 m
B 80°
50 m
A
Aplicando a lei dos senos no triângulo D
Apresenta o resultado em me-
tros, arredondado às unidades. [ABD] , vem: 180° - (105° + 47°) = 28°
sen B sen D sen 105° sen 28°
= § = § 28°
Caderno de exercícios b d AD 150
Extensão da trigonometria a 150 * sen 105° b
ângulos retos e obtusos e § AD = a
sen 28°
resolução de triângulos
105°
Portanto, AD ) 308,6 . 47°

Animação A B
Resolução do 150 m
exercício 13

continua

22 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


continuação

Aplicando a lei dos cossenos no triângulo [ACD] , vem: D


a
a = c + d - 2cd cos A §
2 2 2
C
§ CD = 308,6 + 179,5 - 2 * 308,6 * 179,5 * cos 57°
2 2 2

Portanto, CD ) 259 . c
d
Conclusão: a ilha tem 259 metros de comprimento. 57°

104° - 47° = 57°


6. Tendo em conta os dados da figura seguinte, determina a altitude do cume A
da montanha, sabendo que os pontos A , B e D estão todos à mesma
altitude de 450 metros.

14 Na figura seguinte, [CD]


representa um poste que se
ergue verticalmente no meio de
um lago. Os pontos A e B
D estão na margem do lago.
53° Tendo em conta os dados apre-
A 78° sentados na figura, determina
85°
a altura do poste.
126 m
B D

Resolução

Aplicando a lei dos senos no triângulo [ABD] , vem: C


sen B sen D sen 85° sen 17° 126 * sen 85° 35°
= § = § AD =
b d AD 126 sen 17°
A 47°
52°
Portanto, AD ) 429,3 . 9,4 m
B
O triângulo [ACD] é retângulo em D . Vem, então:
Apresenta o resultado em me-
CD tros, arredondado às décimas.
tg 53° = § CD = AD * tg 53°
AD
Portanto, CD ) 429,3 * tg 53° ) 570 .
Mais sugestões de trabalho
Tem-se: 450 + 570 = 1020 .
Exercícios propostos n.os 38 a 42
(págs. 30 e 31).
Conclusão: o cume da montanha está a 1020 metros de altitude.

Os dois últimos problemas que resolvemos ilustram a aplicação da trigonometria


à topografia, que tem como finalidade a construção de mapas.
Para medir ângulos do tipo dos que são exemplificados nestes problemas são
utilizados uns instrumentos chamados teodolitos, tal como se ilustra na fotogra-
fia ao lado.

Capítulo 1 | Extensão da trigonometria a ângulos retos e obtusos e resolução de triângulos 23


Teste 1 Grupo I

5 Os cinco itens deste grupo são de escolha múltipla.


Para cada um deles, escolhe a única opção correta.

1. Um escuteiro desloca-se 10 km
no rumo 30° NE.

5
O seu deslocamento para Este é:
(A) 5 km.
(B) inferior a 5 km.
(C) superior a 8 km.
(D) um valor entre 6 e 7 km.

2. A figura seguinte representa um hexágono regular de lado 20.


O valor exato de d é:
(A) 10 "3 d
(B) 20 "3
(C) 25 "2
(D) 25

3. Um valor aproximado ao grau para a amplitude do ângulo das diagonais de


um retângulo em que o comprimento é triplo da largura é:
(A) 18°
(B) 37°
(C) 60°
(D) 72°

4. Um poste partiu-se durante um temporal. A extremidade superior do poste


ficou a 7 m da base e a parte caída faz um ângulo de 25° com o solo. O valor,
aproximado ao metro, da altura do poste antes de partir é:
(A) 9 m
(B) 10 m
(C) 11 m
(D) 12 m

5. Qual das afirmações seguintes é falsa?


(A) sen (180º - a) - sen a = 0 , para qualquer amplitude a estritamente
compreendida entre 0° e 180°
(B) sen 45° + cos 45° = 1,414 213 562
Ajuda
(C) sen2 25º + cos2 155º = 1
"3
Se precisares de ajuda para
resolver algum destes itens, 1
(D) tg 30° + =2
consulta a página 187. tg 60° 3

24 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Grupo II
Na resposta a cada um dos cinco itens deste grupo, apresenta todos os cálculos
que efetuares, explica os raciocínios e justifica as conclusões.
V
1. A figura ao lado representa uma pirâmide quadrangular
C
regular com as arestas todas iguais. D

Determina a amplitude de cada um dos ângulos internos


A B
do triângulo [AVC] .

1m
2. A janela da figura tem as portadas entreabertas. Deter-
30°
mina o valor de d , aproximado ao milímetro, quando
as portadas fazem um ângulo de 30° com a janela.

3. Seja A(x) = - tg x · cos (180° - x) , sendo x a amplitude


em graus de um ângulo agudo. d

a) Mostra que A(x) = sen x .

b) Determina o valor exato de:


A(30°)
b1) e apresenta o resultado na forma de fração com o denomina-
A(60°)
dor racional;
5
b2) A(q) , sabendo que tg q = .
3

4. O vento conserva o fio do papagaio


sempre esticado. Quando o vento
mudou, o ângulo do fio com a hori-
zontal passou de 60º para 70º e o
papagaio subiu 3 metros. Qual é o
comprimento do fio e a que altura
está agora o papagaio, sabendo que 60º
a mão da criança segura a pega do
fio à altura de 90 cm? Apresenta os
resultados em metros, arredonda-
dos às centésimas.

5. A figura representa parte de um 17,5 cm

jogo de matraquilhos. Compara o B M A


ângulo de remate à baliza nas
posições A e M e indica valores 38 cm

aproximados ao grau para esses


ângulos. A baliza tem 19 cm de
largura e M está à mesma distân- 19 cm
cia dos «postes». 65 cm

Capítulo 1 | Extensão da trigonometria a ângulos retos e obtusos e resolução de triângulos 25


Síntese
Dado um ângulo agudo a , podemos considerar um triângulo retângulo em que a
seja um dos seus ângulos internos.
Tem-se:
Seno, cosseno cateto oposto ao ângulo a a
r sen a = =c
p. 10
e tangente de hipotenusa
um ângulo c
cateto adjacente ao ângulo a b a
agudo r cos a = =c
hipotenusa ␣
cateto oposto ao ângulo a a b
r tg a = =
cateto adjacente ao ângulo a b

Para qualquer ângulo agudo a , tem-se:


sen a
r tg a = cos a
p. 11
Propriedades
fundamentais r sen2 a + cos2 a = 1 (fórmula fundamental da trigonometria)
1
r tg2 a + 1 =
cos2 a

30° 45° 60°

sen
1 "2 "3
Seno, cosseno 2 2 2
p. 13 e tangente de
30°, 45° e 60° cos "3 "2 1
2 2 2

"3
tg 1 "3
3

r sen 90° = 1
Seno e cosseno r cos 90° = 0
pp. 15,
de um ângulo
16, 18
reto e de um Para qualquer amplitude a tal que 0° < a < 180° , tem-se:
e 19
ângulo obtuso r sen (180° - a) = sen a
r cos (180° - a) = - cos a

Seja [ABC] um triângulo. C

Designemos os ângulos internos cujos vértices são A , B e C


por essas mesmas letras e designemos por a , b e c as medidas b a
dos comprimentos dos lados opostos aos ângulos A , B e C ,
pp. 14 Lei dos senos e respetivamente.
e 17 lei dos cossenos A B
Tem-se: c

sen A sen B sen C


r a = = c (lei dos senos)
b
r a2 = b2 + c2 - 2bc cos A (lei dos cossenos)

26 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Exercícios propostos
15 Determina o valor de cada uma das seguintes 20 No retângulo [ABCD] representado na figura,
expressões, sem usar a calculadora. tem-se AB = 2 BC .
"8 cos 60° · sen 45° + 2 sen 30° + tg 45°
M é o ponto médio do lado [BC] .
a)
D C
"3
b) 9 tg2 30° +
sen 60° M

16 Mostre que, se x é um ângulo agudo: A B

Determina a amplitude, em graus, do ângulo a ,


a) (sen x - cos x)2 + 2 sen x · cos x = 1
com aproximação às décimas.
sen2 x sen x
b) =1+
1 - cos x tg x
21 Considera o triângulo [ABC] , em que BC = 2 ,
AH = 1 e [BH] é a altura relativa ao vértice B .
17 B
Calcula o valor de tg x , sabendo que x é
3"13
um ângulo agudo e que sen x = .
13 θ
C
A
H

a) Determina a área do triângulo [ABC] , para q = 60° .


18 Observa os dados da figura e calcula AC ,
sabendo que: b) Mostra que, se q está estritamente compreendi-
do entre 0° e 90°:
a) BD = 13,2 cm
b1) BH = 2 sen q e AC = 1 + 2 cos q ;
b) AD = 12 cm
b2) a área do triângulo [ABC] é
B (1 + 2 cos q) · sen q .

22 Na figura seguinte está representada uma pirâ-


52° 42°
A C
D mide quadrangular regular.

Apresenta os resultados em cm, arredondados às


centésimas.

19 No triângulo retângulo [PQR] tem-se que


sen a = 0,4 .
70º
S R
6

P Q Tendo em conta os dados apresentados na figura ante-
rior, determina o volume da pirâmide, com aproxima-
Calcula: ção às unidades.
Sempre que, em cálculos intermédios, procederes
a) cos a e tg a ;
a arredondamentos, conserva, no mínimo, três casas
b) PS e PQ , supondo que PR = 15 cm. decimais.

Capítulo 1 | Extensão da trigonometria a ângulos retos e obtusos e resolução de triângulos 27


23 A figura ao lado B 26 Na figura seguinte está representado um trapézio.
A
α
representa um prisma
7
quadrangular regular.
4
Determina o seu volume
60º
quando AB = 10 cm e 30º

a = 30° .
Tendo em conta os dados apresentados na figura,
24 Na figura está representado um triângulo. determina a área do trapézio (valor exato).
a + b"3
Apresenta a tua resposta na forma c , com
a , b e c números naturais.

27 Na figura seguinte, [PQ] e [QR] representam

118º dois suportes da ponte QA .


35º
Q A
6
10
Tendo em conta os dados apresentados na figura
32°
anterior, determina a área do triângulo, com apro- S 12
P
ximação às unidades.
Sempre que, em cálculos intermédios, procederes
T R
a arredondamentos, conserva, no mínimo, três casas
decimais.
Tendo em conta que PQ Y QR , PS // TR e ainda
25 Na figura seguinte estão representados dois que PQ = 10 m , QR = 12 m e SPW Q = 32° , cal-
cula:
triângulos retângulos, o triângulo [ABE] e o triân-
gulo [DBC] . WT ;
a) QR
O ponto D pertence ao segmento de reta [AB] e
o ponto E pertence ao segmento de reta [BC] . b) a área da figura plana [PQRTS] .
Em ambos os triângulos, a medida do comprimento Apresenta o resultado em m2, arredondado às
da hipotenusa é igual a 10. centésimas.
C

28 Tendo em conta os dados apresentados na

E figura seguinte, determina x (valor exato).

58º
32º
A B
D
x
Tendo em conta os dados apresentados na figura
anterior, determina CE , com aproximação às cen-
tésimas. Sempre que, em cálculos intermédios, pro- 2
45º
cederes a arredondamentos, conserva, no mínimo,
30º
quatro casas decimais.

28 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


29 Na figura seguinte, os triângulos [RST] e 32 O navegador de um barco estava em mar alto
[RUV] são retângulos e ST = 30 . quando avistou dois faróis que sabe que estão a
S 3 km um do outro, em linha reta.

Determinou os ângulos formados pelos dois raios


U
30 dirigidos do barco para A e B com a perpendicu-
lar à linha AB .
20° 40°
R T
V

Calcula UV e RV . Apresenta os resultados arre- A B

dondados às centésimas. 3 km
15°
35°

30 Tendo em conta os dados apresentados na fi-


gura seguinte, determina DB , com aproximação
às centésimas.

Sempre que, em cálculos intermédios, procederes


a arredondamentos, conserva, no mínimo, quatro
casas decimais.
C
Nota: a figura não está à escala.
6 40º
a) Calcula a distância do barco à linha AB dos
20º faróis.
A B
D
b) Determina a distância do barco ao farol A .

Apresenta os resultados em km, arredondados às


31 Na figura seguinte está representado um prisma
décimas.
triangular regular.

33 Na figura seguinte está representado um


60º
triângulo isósceles [ABC] de base AC = 2,8 .

2,8
A B' C

x B
103°
Determina x , sabendo que o volume do prisma é 48
e tendo em conta o valor apresentado na figura,
Determina o raio da esfera azul (tem centro em O).
relativo à amplitude do ângulo que uma diagonal
de uma face lateral faz com uma aresta da base. Apresenta o resultado arredondado às centésimas.

Capítulo 1 | Extensão da trigonometria a ângulos retos e obtusos e resolução de triângulos 29


34 A figura seguinte representa duas circunferên- 37 Na figura seguinte está representado um retân-
cias tangentes, uma de centro C e raio a e outra de gulo [ABQP] e um arco de circunferência QR com
. .
centro D e raio b . As semirretas OA e OB estão centro em B .
contidas, respetivamente, na reta dos centros e P Q
numa tangente comum às duas circunferências.
D C
B

b
4
a
θ
O
C D A
x

A
3 B S R

O ponto C desloca-se sobre esse arco, nunca coin-


Mostra que: cidindo com o ponto R , mas podendo coincidir
"ab com o ponto Q .
cos q =
a+b O ponto D desloca-se sobre o segmento [AP] ,
2 acompanhando o ponto C , de tal modo que [CD]
(isto é, cos q é igual à razão entre a média geomé- é sempre paralelo a [AR] .
trica e a média aritmética dos raios a e b).
Tem-se AB = 3 e BC = 4 .
Sugestão: traça por C uma reta paralela a OB e
começa por calcular sen q . Para cada posição do ponto C , seja x a amplitude
do ângulo RBC .
a) Mostra que a área do quadrilátero [ABCD] é
35 Sendo q um ângulo agudo, mostra que:
dada por A(x) = 12 sen x + 8 sen x cos x .
tg2 q + 1 1 b) Determina A(90°) e interpreta o valor obtido
a) 2
=
tg q sen2 q no contexto da situação descrita.
1 sen q 1
b) - + =0
tg q 1 - cos q sen q 38 Sem recorreres à calculadora, determina o

valor de "12 * sen 120° - cos 90° + tg 135° .


36 Na figura seguinte está representado um triân-
gulo isósceles [ABC] de base AC = 8 , bem como 39 Resolve os seguintes triângulos, apresentando,
a circunferência nele inscrita. quando necessário, valores aproximados à décima
B de grau para a amplitude dos ângulos e aproxima-
dos à décima da unidade para os comprimentos
dos lados.
a)
A C B

Sabe-se que ABW C = 120° .


3,2
Determina o raio da circunferência.
Apresenta o resultado aproximado às centésimas. 51˚ 32˚
A C
in Caderno de Apoio, 11.° ano

30 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


b) 42 Na figura seguinte está representado um lago.
C

10 D
5
40°
E

A B 80°
6
75°
C
40 Na figura seguinte está representado um pris- 50°
100°
20°
ma reto cuja base é um trapézio retângulo (o ângu- A B
560 m
lo ADC é reto e as arestas [AD] e [BC] são pa-
ralelas). Os pontos C , D e E designam locais nas mar-
H G gens do lago.
4 Tendo em conta os dados apresentados na figura
73,3° 43,3°
F anterior, determina quanto tempo demora um na-
E
dador a ir de D até E , supondo que nada a uma
D
velocidade constante de 1,3 metros por segundo.
C
Apresenta o resultado em minutos e segundos (estes
29,9° arredondados às unidades).
B
A
Sempre que, em cálculos intermédios, procederes a
Tendo em conta os valores indicados na figura ante- arredondamentos, conserva, no mínimo, três casas
rior, determina o volume do prisma. decimais.
Apresenta o resultado arredondado às décimas.
Sempre que, em cálculos intermédios, procederes a
arredondamentos, conserva, no mínimo, três casas
decimais.

41 Um jovem foi tomar banho numa praia sem


vigilância. Sentiu-se mal e começou a pedir ajuda.
Foi visto simultaneamente pelos nadadores salva-
dores de duas praias próximas que entraram no
mar no mesmo instante. Em virtude das correntes,
o nadador salvador da esquerda nada 50 metros
num minuto e o da direita nada 60 metros num
minuto. Qual deles chega primeiro ao banhista?

40° 30°
600 m

Nota: a figura não está à escala.

Capítulo 1 | Extensão da trigonometria a ângulos retos e obtusos e resolução de triângulos 31


2. Ângulos orientados, ângulos
generalizados e rotações.
Razões trigonométricas de
ângulos generalizados
Ângulos orientados
O Na figura ao lado está representada uma semirreta com origem no ponto O .
Considera que esta semirreta está fixa.
Considera agora outra semirreta que roda em torno do ponto O .
+ Quando ela roda no sentido contrário ao dos ponteiros de um relógio, diz-se
O que ela roda em sentido positivo. Quando ela roda no sentido dos ponteiros de
-
um relógio, diz-se que ela roda em sentido negativo.
Considera que, inicialmente, esta semirreta (que roda em torno do ponto O)
coincide com a semirreta fixa. Imagina que, partindo dessa posição inicial, esta
semirreta roda no sentido indicado até à posição indicada na figura ao lado.
A amplitude da rotação foi de 90°. Diz-se, então, que na figura está representado
um ângulo orientado de 90° de amplitude. À semirreta fixa dá-se o nome de lado
origem e à posição final da semirreta que rodou em torno do ponto O dá-se o
O
nome de lado extremidade.

EXEMPLOS

Ângulo orientado de Ângulo orientado de Ângulo orientado de


120° de amplitude - 45° de amplitude - 270° de amplitude

extremidade
Lado origem
O

Lado
ext
La ida

La
rem
do de

do
ex
tr

Lado origem
em

O Lado origem
id

O
ad
e

De um modo geral, um ângulo orientado é um um ângulo não nulo nem giro


no qual se fixa um dos lados para lado origem, designando o outro por lado
extremidade.
O lado origem e o lado extremidade são semirretas com a mesma origem O .
O lado extremidade é a posição final de uma semirreta que, partindo da posi-
ção coincidente com o lado origem, roda em torno do ponto O até atingir
Resolução a posição do lado extremidade. Quando esta semirreta descreve o ângulo
Exercícios de «Ângulos
rodando no sentido contrário ao dos ponteiros de um relógio, diz-se que o
orientados, ângulos
generalizados e ângulo orientado tem orientação e amplitude positiva; caso contrário, diz-se
rotações. Razões que tem orientação e amplitude negativa.
trigonométricas
de ângulos Resulta desta definição que a amplitude, em graus, de um ângulo orientado é um
generalizados»
valor diferente de zero estritamente compreendido entre - 360° e 360°.

32 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Rotação segundo um ângulo orientado
Tem-se a seguinte definição:

Seja O um ponto pertencente a um certo plano e seja M um ponto desse


plano distinto de O . Seja a um ângulo orientado nesse plano.
Diz-se que M' é a imagem do ponto M pela rotação de centro O e ângulo 43 Sejam f e g as funções, de
orientado a quando: domínio R , definidas por
r OM' = OM ; f(x) = x2 e g(x) = 2"3x - 3 .
.
r a semirreta OM' é o lado extremidade do ângulo orientado cujo lado ori- Considera, em referencial o.n.
. xOy , os gráficos de f e de g .
gem é a semirreta OM e cuja amplitude é igual à do ângulo a .
Seja P o ponto de interseção
dos dois gráficos.
M' Considera, neste plano, um ân-
gulo orientado a cuja ampli-
tude seja - 150°.
␣ M
Seja Q a imagem do ponto P
pela rotação de centro na ori-
gem e ângulo orientado a .
Determina as coordenadas do
O ponto Q .

Exercício resolvido
Na figura ao lado estão representados, em referencial o.n. xOy , os pon- y
tos P(1, 1) e A(3, 3) .
3 A
Considera, neste plano, um ângulo orientado a cuja amplitude seja
- 45°.
P
Seja B a imagem do ponto A pela rotação de centro no ponto P e 1
ângulo orientado a .
O 1 3 x
Determina as coordenadas do ponto B .

Resolução
Uma vez que os pontos P e A pertencem à bissetriz do primeiro qua- y
drante, a imagem de A , na rotação de centro P e ângulo orientado a , A
3
pertence à reta de equação y = 1 .
冑8 - 45°
Por outro lado, tem-se PB = PA .
P
Determinemos PA . 1
B

Tem-se: PA = "(3 - 1) + (3 - 1) = "8 .


2 2
O 1 3 x

Assim, as coordenadas do ponto B são Q 1 + "8, 1 R .

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 33
Ângulos generalizados
Simulador
Geogebra:
Representação de um Considera que uma semirreta, partindo da posição indicada na figura por lado
ângulo generalizado origem, rodou em torno do ponto O , em sentido contrário ao movimento dos
ponteiros de um relógio.

Lado extremidade O Lado origem

Admite que essa semirreta descreveu uma volta e meia e concluiu o seu movi-
mento na posição indicada por lado extremidade.
Diz-se, então, que a semirreta descreveu uma amplitude de 540° (180° + 1 * 360°).
Trata-se de um exemplo de ângulo generalizado (ou ângulo trigonométrico).
Vejamos mais dois exemplos de ângulos generalizados.

EXEMPLOS

1. Ângulo generalizado Podemos identificar este ângulo com o par ordena-


de 1020° do (a, 2) :
(300° + 2 * 360°) r a é o ângulo orientado representado abaixo;
r 2 é o número de voltas completas que o lado
extremidade rodou, em sentido positivo.

Lado origem Lado origem


La

La
do

do
ext

ext
rem

rem
ida

ida
de

de

2. Ângulo generalizado Podemos identificar este ângulo com o par ordena-


de - 450° do (b, - 1) :
(- 90° - 1 * 360°) r b é o ângulo orientado representado abaixo;
r 1 é o número de voltas completas que o lado
extremidade rodou, em sentido negativo.

Lado origem Lado origem


Lado extremidade
Lado extremidade

34 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


De um modo geral, podemos definir ângulo generalizado como um par orde-
nado (a, k) , onde a é um ângulo orientado ou um ângulo nulo e k é um
número inteiro, com k ≥ 0 se a tiver orientação positiva e com k ≤ 0 se a
tiver orientação negativa.
Podemos interpretar o ângulo generalizado (a, k) como o resultado de rodar
o lado extremidade (do ângulo a) |k| voltas completas, no sentido determi-
nado pelo sinal de k .
Define-se a amplitude do ângulo generalizado (a, k) como sendo a + k * 360° ,
onde a é a amplitude, em graus, do ângulo orientado ou ângulo nulo a .

Designamos o lado origem (respetivamente, extremidade) de um ângulo orienta-


do a também por lado origem (respetivamente, extremidade) dos ângulos gene-
ralizados (a, n) .
Como caso particular importante, destacamos o seguinte: se designarmos o
ângulo nulo por w , então o ângulo generalizado (w, k) tem o lado extremidade
coincidente com o lado origem e a sua amplitude é k * 360° .

EXEMPLOS

Seja w o ângulo nulo.


1. Ângulo generalizado (w, 3)
1080° de amplitude (3 * 360°)

2. Ângulo generalizado (w, - 2)


- 720° de amplitude (- 2 * 360°)

44 Considera, em referencial
o.n. xOy , um ângulo generali-
zado cujo lado origem coincide
com o semieixo positivo Ox .
Indica a posição do lado extre-
midade, se a amplitude do ân-
gulo for:
Pode provar-se que, fixado o lado origem e dada uma amplitude x , existe um e
a) 360°
um só ângulo generalizado cuja amplitude é x , ou seja, dada uma amplitude x ,
existe apenas uma amplitude a , tal que -360° < a < 360° , e um número in- b) 585°
teiro k , com a e k do mesmo sinal de x , tal que x = a + k * 360° . c) - 315°
Portanto, dois ângulos generalizados (a, k) e (a', k') têm a mesma amplitude d) - 810°
se e só se a e a' têm a mesma amplitude e k = k' .

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 35
Rotação segundo um ângulo generalizado
Tem-se a seguinte definição:

Seja O um ponto pertencente a um certo plano P e seja (a, k) um ângulo


generalizado nesse plano.
Define-se rotação de centro O e ângulo generalizado (a, k) como sendo
a função f: P " P tal que:
r no caso em que a é o ângulo nulo, f é a função identidade em P ;
r no caso em que a não é o ângulo nulo, f é a função que a cada ponto dis-
tinto de O associa a imagem desse ponto pela rotação de centro O e
ângulo orientado a e ao ponto O associa o próprio ponto.

Observação: uma vez que, fixado o lado origem e dada uma amplitude x , existe
um e um só ângulo generalizado (a, k) cuja amplitude é x , podemos dizer
«rotação de centro O e amplitude x» com o significado de «rotação de centro O
e ângulo generalizado (a, k)».
Note-se que, fixado num plano um ponto O , a rotação de centro O e ampli-
tude a coincide com a rotação de centro nesse ponto e amplitude a + 360° ,
a - 360° , a + 2 * 360° , a - 2 * 360° , a + 3 * 360° , a - 3 * 360° , etc.
De um modo geral, duas rotações de centro no mesmo ponto coincidem se e só
se a diferença das suas amplitudes é um múltiplo inteiro de 360°.

Razões trigonométricas de um
ângulo orientado
Já recordámos os conceitos de seno, cosseno e tangente de um ângulo agudo,
que tinhas aprendido no 9.° ano. Também já definimos seno e cosseno de um
ângulo reto e de um ângulo obtuso.
O nosso objetivo é, para já, estender os conceitos de seno, cosseno e tangente
a um ângulo orientado.
Como iremos ver, tais conceitos apoiam-se na representação dos ângulos num
referencial ortonormado do plano.
Comecemos por apresentar duas definições:

y Circunferência trigonométrica (círculo trigonométrico)


1 Num referencial ortonormado xOy do plano, dá-se o nome de circunferência tri-
gonométrica à circunferência de centro na origem e raio 1 (por abuso de lingua-
gem, também se chama círculo trigonométrico à circunferência trigonométrica).

O 1 x
Referencial ortonormado direto
Diz-se que um referencial ortonormado xOy é direto se, dado um ângulo
orientado de 90° de amplitude e cujo lado origem coincida com o semieixo
positivo Ox , o lado extremidade coincide com o semieixo positivo Oy .

36 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Vamos agora definir seno e cosseno de um ângu-
lo orientado.
Para isso, vamos partir das definições já conheci- 45 Determina valores aproxi-
das para ângulos agudos. mados às décimas do seno e do
cosseno dos ângulos orienta-
Consideremos, então, um ângulo agudo e seja a ␣ dos cujas amplitudes são 37° e
um ângulo orientado com a mesma amplitude. - 127°, percorrendo as seguin-
tes etapas:
Vamos considerar um referencial ortonormado y 1.Desenha, numa folha de pa-
direto, de tal forma que o semieixo positivo Ox 1 pel quadriculado, a circunfe-
coincida com o lado origem do ângulo a . Con- P rência trigonométrica, tal
y como se mostra na figura
sideremos, nesse referencial, a circunferência tri-
(o lado de uma quadrícula
gonométrica. ␣
corresponde a 0,1).
O x 1 x
Seja P o ponto de interseção do lado extremi- y
1
dade do ângulo a com a circunferência trigono-
métrica.
Seja x a abcissa de P e seja y a ordenada de P . 1
y O x
Designemos por Q a projeção ortogonal do 1
ponto P no eixo Ox . P

Considerando o triângulo retângulo [OPQ] , y



tem-se:
x
O Q 1 2.Para cada um dos ângulos
cateto oposto ao ângulo a PQ y x
sen a = = = =y referidos:
hipotenusa OP 1
r desenha o lado extremidade
cateto adjacente ao ângulo a OQ x (utiliza um transferidor);
cos a = = = =x
hipotenusa OP 1 r assinala o ponto de inter-
Tem-se, portanto, sen a = y e cos a = x . seção desse lado extremi-
dade com a circunferênia
A definição de seno e cosseno por meio destas igualdades pode aplicar-se a trigonométrica;
qualquer ângulo orientado, mantendo-se a definição que já conhecemos para r regista a abcissa e a orde-
ângulos agudos. nada desse ponto (valores
aproximados às décimas).
Tem-se, então, a seguinte definição: 3. Tendo em conta a definição
de seno e de cosseno de um
Seja a um ângulo orientado. ângulo orientado, preenche
a seguinte tabela (valores
Considerando um referencial ortonormado direto xOy , de tal forma que o aproximados às décimas):
semieixo positivo Ox coincida com o lado origem do ângulo a , seja P o Seno Cosseno
ponto de interseção do lado extremidade com a circunferência trigonométrica.
37°
Seja x a abcissa de P e seja y a ordenada de P .
- 127°
Então, sen a = y e cos a = x .

Por exemplo, relativamente ao ângulo orientado b y


4
representado na figura ao lado, tem-se sen b = e P
1
NOTA
3 5
cos b = - . Facilmente se verifica, por seme-
5 ␤ lhança de triângulos, que o seno e o
Nota: a partir de agora, sempre que nos referir- cosseno de um ângulo orientado
mos a ângulos orientados, admitiremos que o O 1 x não dependem da escolha do refe-
rencial, ou seja, não dependem da
seu lado origem coincide com o semieixo positi- unidade de comprimento escolhida
vo Ox , a não ser que se explicite o contrário. para unidade dos eixos coordena-
dos.

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 37
Vamos ver que as definições de seno e cosseno que acabámos de dar coincidem
com as já conhecidas para ângulos retos e obtusos.

Comecemos pelo caso do ângulo reto.


y
1 P Um ângulo orientado com 90° de amplitude tem o seu lado extremidade coinci-
dente com o semieixo positivo Oy , pelo que a interseção deste lado extremida-
90˚ de com a circunferência trigonométrica é o ponto P(0, 1) .

1 x Portanto,
r sen 90° = ordenada de P = 1
r cos 90° = abcissa de P = 0

Vejamos agora o caso de um ângulo obtuso.


Um ângulo orientado cuja amplitude esteja estritamente compreendida entre
90° e 180° tem o seu lado extremidade contido no segundo quadrante. Seja P
o ponto de interseção deste lado extremidade com a circunferência trigonomé-
trica.

y Seja Q o ponto do primeiro quadrante que pertence à circunferência trigono-


métrica e tem ordenada igual à de P . Designemos por a a amplitude do ângulo
1 .
orientado cujo lado extremidade é a semirreta OQ .
180˚-
P a Q

Então, a amplitude do ângulo orientado cujo lado extremidade é a semirreta


a .
O 1 x OP é 180° - a (os triângulos representados na figura ao lado são iguais).

Tem-se, então:
r sen (180° - a) = Ordenada de P =
= Ordenada de Q =
= sen a
r cos (180° - a) = Abcissa de P =
= - Abcissa de Q =
= - cos a

y
Conclusão: as definições de seno e de cosseno de um ângulo orientado estendem
1 as definições já anteriormente conhecidas de seno e cosseno de um ângulo geo-
métrico convexo (agudo, reto ou obtuso).

x Note-se também que a fórmula fundamental da trigonometria, que sabemos ser
O 1 x
válida para ângulos agudos, também é válida para qualquer ângulo orientado.
De facto, sendo a um ângulo orientado, seja P(x, y) o ponto de interseção do
y
P seu lado extremidade com a circunferência trigonométrica. Como P pertence
a esta circunferência, que está centrada na origem do referencial e tem raio 1,
RECORDA
tem-se x2 + y2 = 1 .
Uma equação da circunferência de
centro na origem e raio 1 é x2 + y2 = 1 . Uma vez que x = cos a e y = sen a , vem cos2 a + sen2 a = 1 .

38 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Portanto:

Qualquer que seja o ângulo orientado a , tem-se:


sen2 a + cos2 a = 1

Resulta da definição de seno e da definição de cosseno de um ângulo orientado


que o sinal do seno e do cosseno dependem do quadrante em que se situa o lado
extremidade do ângulo, de acordo com a seguinte tabela:

Quadrante Seno Cosseno

1.° + +

2.° + -

3.° - -

4.° - +

y y y y
1 1 1 1

1 1 1 1
O x O x O x O x

1.° quadrante 2.° quadrante 3.° quadrante 4.° quadrante

Resulta também da definição de seno e da definição de cosseno de um ângulo


orientado o valor do seno e o valor do cosseno de ângulos orientados cujo lado
extremidade está sobre um dos eixos coordenados, de acordo com a seguinte
tabela:

Amplitude Seno Cosseno

90 ° ou - 270 ° 1 0

180° ou - 180 ° 0 -1

270° ou - 90° -1 0

y y y
1 1 1

1 1 1
O x O x O x

90˚ 180˚ 270˚


-270˚ -180˚ -90˚

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 39
Exercícios resolvidos
46 Determina o valor de:
1. Determina o valor de sen 90° - cos 180° + sen 270° .
cos (- 90°) + sen 180° +
Resolução
+ sen (- 270°)
sen 90° - cos 180° + cos 270° = 1 - (- 1) + 0 = 2

2. De um certo ângulo orientado a , sabe-se que sen a * cos a > 0 e que


sen a + cos a < 0 . Em que quadrante está situado o lado extremidade do
ângulo a ?
Resolução
47 De um certo ângulo orien- Como sen a * cos a > 0 , podemos concluir que sen a e cos a têm
tado a , sabe-se que sen a < 0 o mesmo sinal, ou seja, são ambos positivos ou ambos negativos. Mas, se
e que 0° < a < 270° . fossem ambos positivos, então ter-se-ia sen a + cos a > 0 , o que não
Em que quadrante está situado acontece. Logo, são ambos negativos. Portanto, o lado extremidade
o lado extremidade do ângulo
a? do ângulo a está situado no terceiro quadrante.

3. De um certo ângulo orientado a , sabe-se que a sua amplitude está com-


5
preendida entre 90° e 360° e que cos a = .
13
Determina o valor de sen a .
Resolução
Como a amplitude do ângulo orientado a está compreendida entre 90°
e 360° e como o valor de cos a é positivo, o lado extremidade do ângulo a
está situado no quarto quadrante. Portanto, tem-se sen a < 0 .
48 De um certo ângulo orienta- Uma vez que sen2 a + cos2 a = 1 , vem:
do a , sabe-se que a sua ampli- 2
sen2 a + ab = 1 § sen2 a +
5 25 25
tude está compreendida entre = 1 § sen2 a = 1 - §
1 13 169 169
- 270° e - 90° e que sen a = . 144
3 § sen2 a =
Qual é o valor de 169
"18 cos (180° - a) ? Como sen a < 0 , tem-se sen a = -
144
, ou seja, sen a = -
12
.
Å 169 13
4. Determina o valor de cos 225° .
Resolução
Tem-se 225° = 180° + 45° . Portanto, o y
lado extremidade do ângulo orientado 1
cuja amplitude é 225° é a bissetriz do ter-
225˚
ceiro quadrante. Qualquer ponto desta
semirreta tem as duas coordenadas negati- x
O 1 x
vas e iguais. Assim, o ponto de interseção
desta semirreta com a circunferência trigo- y
nométrica é o ponto P(x, y) tal que x < 0 , P
x = y e x 2 + y2 = 1 .
1
Vem, então: x = y ‹ x2 + y2 = 1 ± x2 + x2 = 1 ± 2x2 = 1 ± x2 =
2
1 1 "2
Como x < 0 , vem x = - =- =- .
Å2 "2 2
49 Determina o valor de
"2
Portanto, cos 225° = - .
sen (- 45°) . 2

40 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Vamos agora definir tangente de um ângulo
orientado.

Consideremos um ângulo agudo e seja a um
ângulo orientado com a mesma amplitude.
50 Determina valores aproxi-
Tal como anteriormente, vamos considerar um y r
mados às décimas do seno e do
s
cosseno dos ângulos orienta-
referencial ortonormado direto, de tal forma que y P dos cujas amplitudes são - 130º
o semieixo positivo Ox coincida com o lado e 119º, percorrrendo as seguin-
origem do ângulo a e vamos considerar, nesse 1 tes etapas:
referencial, a circunferência trigonométrica. 1. Desenha, numa folha de pa-
pel quadriculado, a circunfe-
␣ rência trigonométrica e a
Seja r a reta de equação x = 1 . A reta r é tan- Q
1 x reta de equação x = 1 , tal
gente à circunferência trigonométrica no ponto O
como se mostra na figura
Q(1, 0) . (o lado de uma quadrícula
corresponde a 0,1).
Seja s a reta suporte do lado extremidade do y
2
ângulo a .
Na reta suporte do lado extre-
Seja P o ponto de interseção das retas r e s . midade do ângulo orientado, é
habitual distinguir este lado
Seja y a ordenada de P . extremidade do seu prolonga- 1
mento, desenhando este pro-
Considerando o triângulo retângulo [OPQ] , tem-se: longamento a tracejado.

cateto oposto ao ângulo a PQ y 1


tg a = = = =y O x
cateto adjacente ao ângulo a OQ 1
Tem-se, portanto, tg a = y .
A definição de tangente por meio desta igualdade mantém a que já conhecemos -1
para ângulos agudos e pode aplicar-se a qualquer ângulo orientado em que
o lado extremidade não seja perpendicular ao lado origem.
-2
Tem-se, então, a seguinte definição:
2. Para cada um dos ângulos
y referidos:
Seja a um ângulo orientado de lados não
1 r desenha o lado extremida-
perpendiculares. Considerando um refe-
de (utiliza um transferidor);
rencial ortonormado direto xOy , de tal
␣ r assinala o ponto de inter-
forma que o semieixo positivo Ox coin- seção da reta suporte desse
cida com o lado origem do ângulo a , seja lado extremidade com a
P o ponto de interseção da reta suporte O 1 x reta de equação x = 1 ;
do lado extremidade com a reta de equa- P r regista a ordenada desse
y
ponto (valor aproximado
ção x = 1 . Seja y a ordenada de P . às décimas).
Então, tg a = y . 3. Tendo em conta a definição
de tangente de um ângulo
orientado, preenche a seguin-
Note-se a importância da ressalva de que os lados do ângulo não podem ser te tabela (valores aproxima-
dos às décimas):
perpendiculares. De facto, se o lado extremidade for perpendicular ao lado ori-
gem, então a reta suporte do lado extremidade coincide com o eixo Oy , pelo Tangente

que não interseta a reta de equação x = 1 . - 130°

Note-se, também, que esta definição estende a definição de tangente de um ângulo 119°

agudo.

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 41
Resulta da definição de tangente de um ângulo orientado que o sinal da tangente
depende do quadrante em que se situa o lado extemidade do ângulo, de acordo
com a seguinte tabela:

Quadrante Tangente

1.° +

2.° -

3.° +

4.° -

y y y y
1 1 1 1

O 1x O 1x O 1x O 1x

1.° quadrante 2.° quadrante 3.° quadrante 4.° quadrante


y
1
Não se define tangente de ângulos orientados de amplitudes 90°, 270°, -90° e
-270°, uma vez que o lado extremidade destes ângulos não interseta a reta de
1x
O equação x = 1 .
Os ângulos de amplitudes 180° e - 180°, que têm lado extremidade sobre o eixo
180˚ das abcissas, têm tangente igual a zero.
-180˚
sen a
Como sabemos, para qualquer ângulo agudo a , tem-se tg a = .
cos a
Vamos ver que esta propriedade é válida para qualquer ângulo orientado de
lados não perpendiculares.
Seja, então, a um ângulo orientado de lados não perpendiculares.
y Seja A o ponto de interseção do lado extremidade com a circunferência trigo-
1 nométrica.

A O ponto A tem coordenadas (cos a, sen a) .


sen ␣
␣ A reta suporte do lado extremidade do ângulo a é a reta OA .
cos ␣ O 1 x Como esta reta passa nos pontos O(0, 0) e A(cos a, sen a) , o seu declive
tg ␣ B sen a - 0 sen a
é igual a , ou seja, é igual a .
cos a - 0 cos a
sen a
Portanto, a equação reduzida da reta OA é y = x.
cos a
Seja B a interseção da reta OA com a reta de equação x = 1 .
Tem-se que a ordenada do ponto B é igual a tg a (por definição de tg a ).
Como o ponto B(1, tg a) pertence à reta OA , as suas coordenadas satisfazem
sen a
a equação y = x.
cos a
sen a sen a
Portanto, tg a = * 1 , donde vem tg a = .
cos a cos a

42 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Seno, cosseno e tangente de um
ângulo generalizado
Tem-se a seguinte definição:

Seja q = (a, n) um ângulo generalizado.


Define-se sen q , cos q e tg q como sendo sen a , cos a e tg a .

Consideremos um referencial ortonormado direto xOy , de tal forma que


o semieixo positivo Ox coincida com o lado origem do ângulo generalizado q .
y
Resulta imediatamente da definição que o seno, o cosseno e a tangente de q
1
dependem apenas da posição do lado extremidade.
A
Mais precisamente: seja A o ponto de interseção deste lado extremidade com a sen ␪

circunferência trigonométrica e seja B o ponto de interseção da reta suporte ␪


cos ␪ 1 x
deste lado extremidade com a reta de equação x = 1 . Então: O

r sen q = ordenada de A tg ␪ B

r cos q = abcissa de A
r tg q = ordenada de B

Recorda que, uma vez fixado o lado origem, dada uma amplitude x , existe
um e um só ângulo generalizado cuja amplitude é x .
Podemos, assim, identificar sen x , cos x e tg x com o seno, o cosseno e a
tangente do ângulo generalizado cuja amplitude é x .

Tem-se, evidentemente, dado k å Z :

r sen (a + k * 360°) = sen a


r cos (a + k * 360°) = cos a NOTA
r tg (a + k * 360°) = tg a* *Admitindo que existe tg a .

Vejamos agora quais são os valores de sen 0° , cos 0° e tg 0° . y

O ângulo generalizado de amplitude 0° tem o lado extremidade coincidente com 1

o lado origem. A interseção deste lado extremidade com a circunferência trigo-


nométrica e com a reta de equação x = 1 é o ponto P(1, 0) , pelo que se tem:
P
r sen 0° = 0 O 1 x

r cos 0° = 1
r tg 0° = 0

Resulta imediatamente da definição de seno, cosseno e tangente de um ângulo


generalizado que se mantêm válidas as fórmulas que relacionam o seno, o cosseno
e a tangente de um mesmo ângulo, ou seja, tem-se:
r sen2 x + cos2 x = 1 , para qualquer amplitude x
sen x
r tg x = cos x , para qualquer amplitude x para a qual exista tg x
1
r 1 + tg2 x = , para qualquer amplitude x para a qual exista tg x
cos2 x

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 43
Exercícios resolvidos
51 Observa a figura seguinte 1. Observa a figura e determina o valor de y
e determina o valor de 5 sen b - 10 cos b + 3 tg b . 1
15 cos2 a + tg a Resolução
y
Por observação da figura, podemos
2
4 O
concluir imediatamente que sen b = - x
3 5 1
1 e cos b = - . ␤
5
4

-
sen b 5 4
Daqui vem: tg b = = = .
1 x cos b 3 3
O -
5
Portanto,
5 sen b - 10 cos b + 3 tg b = 5 * a- b - 10 * a- b + 3 * =
4 3 4
5 5 3
= -4 + 6 + 4 = 6

2. Determina o valor de sen 450° + 2 * cos 780° + tg (- 540°) .


Resolução
sen 450° + 2 * cos 780° + tg (- 540°) =
= sen (90° + 360°) + 2 * cos (60° + 2 * 360°) + tg (- 180° - 360°) =
1
52 Sem utilizares a calculado- = sen 90° + 2 * cos 60° + tg (- 180°) = 1 + 2 * + 0 = 1 + 1 = 2
2
ra, determina o valor de
sen (- 810°) + 6 * cos 420° +
+ tg 765° 3. Determina o valor de sen x , sabendo que 1080° < x < 1260° e que
tg x = - "8 .

Resolução
Tem-se 1080° = 0° + 3 * 360° e 1260° = 180° + 3 * 360° , pelo que
o ângulo generalizado cuja amplitude é x tem o seu lado extremidade no
primeiro quadrante ou no segundo quadrante.
Como tg x < 0 , o referido lado extremidade não pode estar no primeiro
quadrante.

Portanto, o ângulo generalizado cuja amplitude é x tem o seu lado extre-


midade no segundo quadrante. Logo, sen x > 0 e cos x < 0 .
Vem, então:
§ 1 + Q - "8 R =
1 2 1 1 1
1 + tg2 x = § 9= § cos2 x =
cos x
2
cos x
2
cos x
2
9
1
Portanto, cos x = - .
3
sen x
53 Determina o valor de tg x , Uma vez que tg x = cos x , tem-se:
sabendo que - 630° < x < - 450° 1 "8
1 sen x = tg x * cos x = - "8 * a- b =
e que sen x = . 3 3
3

44 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Linhas trigonométricas
As razões trigonométricas (seno, cosseno e tangente) de um ângulo são números.
eixo dos eixo das
No entanto, é habitual utilizarem-se segmentos de reta para as representar. senos tangentes
A esses segmentos de reta dá-se o nome de linhas trigonométricas.

Consideremos um referencial o.n. direto, munido da circunferência trigonomé-


trica e da reta de equação x = 1 .
eixo dos
A reta de equação x = 1 pode ser considerada como um eixo orientado idêntico cossenos

ao eixo Oy . Designa-se este eixo por eixo das tangentes.

O eixo Oy é o eixo dos senos. O eixo Ox é o eixo dos cossenos.

Dado um ângulo, podemos utilizar estes três eixos para representar o seno,
o cosseno e a tangente desse ângulo por meio de linhas trigonométricas, como se
exemplifica a seguir (em todas as figuras apresentadas abaixo, a linha que repre-
senta o seno é vermelha, a que representa o cosseno é verde e a que representa a
tangente é azul).

Ângulo de lado extremidade Ângulo de lado extremidade


no 1.° quadrante no 2.° quadrante
y y

1 1

O 1 x O 1 x

Ângulo de lado extremidade Ângulo de lado extremidade


no 3.° quadrante no 4.° quadrante
y y
1
1

O 1 x
O 1 x

Repare-se que, em todos os casos, a medida do comprimento da linha trigono- 54 Traça as linhas trigonomé-
métrica é igual ao valor absoluto da razão trigonométrica que ela representa. tricas do ângulo de amplitude
O sinal desta pode ser determinado através da respetiva linha trigonométrica da 200°.
seguinte forma: se a linha trigonométrica está contida na parte positiva do res-
petivo eixo, então é positiva a razão trigonométrica por ela representada; se a
linha trigonométrica está contida na parte negativa do respetivo eixo, então
é negativa a razão trigonométrica por ela representada.

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 45
O radiano como unidade de amplitude
Simulador
Geogebra: Noção de
radiano Existem três unidades utilizadas internacionalmente para medir amplitudes de
ângulos e de arcos de circunferência: o grau, o grado e o radiano. O grau é a
1
unidade mais antiga. Pode definir-se como a amplitude de do ângulo reto.
90
1
O grado é uma unidade pouco utilizada. Define-se como a amplitude de
100
do ângulo reto. Por isso, o ângulo reto tem 100 grados de amplitude e o ângulo
giro tem 400 grados de amplitude.

Vejamos agora como se pode definir o radiano.

Comecemos por recordar que a amplitude de um arco de circunferência é igual


à amplitude do ângulo ao centro correspondente.

Por exemplo, na figura ao lado, o arco de circunferência representado a azul tem


a mesma amplitude do ângulo ao centro correspondente, cujos lados estão re-
presentados a cor de laranja.
O
Vamos agora definir radiano.

Radiano é a amplitude de um arco de circunferência (e do ângulo ao centro


correspondente) cujo comprimento é igual ao raio.

Na figura ao lado, o arco representado com cor vermelha tem comprimento


igual ao raio (representado com cor verde).

O Por isso, esse arco tem 1 radiano de amplitude.

O ângulo ao centro correspondente, cujos lados estão representados a azul, tem


também um radiano de amplitude.

O nome radiano vem de radius (que significa


raio, em latim e em inglês).

Podes construir experimentalmente um ângulo


com um radiano de amplitude, percorrendo as
seguintes etapas:
r utilizando um copo, desenha uma circunferência;
r obtém o centro da circunferência (por exemplo, atra-
vés da interseção das mediatrizes de duas cordas);
r utilizando uma tesoura, corta um cordel de forma
que este fique com comprimento igual ao raio;
r põe o copo sobre a circunferência que desenhaste
e coloca o cordel em torno do copo, obtendo as-
sim um arco com 1 radiano de amplitude;
r o ângulo ao centro correspondente a esse arco
tem também 1 radiano de amplitude.

46 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Para a definição apresentada de radiano ser coerente, é preciso garantir que
o radiano não depende da circunferência escolhida.

A justificação rigorosa deste facto exige conhecimentos que irás aprender mais
tarde. Por isso, iremos apresentar uma justificação informal.

Consideremos, na circunferência de centro O representada na figura ao lado, A B


o arco AD , no qual estão assinalados mais dois pontos (B e C).
C
Estes quatro pontos definem a linha poligonal ABCD (representada na figura
com cor verde), cujo comprimento é uma aproximação do comprimento do
arco AD . O
D
Essa aproximação é tanto melhor quantos mais pontos intermédios forem con-
siderados no arco AD .

A B
Consideremos agora uma segunda circunferência, concêntrica com a anterior.

Tracemos os raios determinados pelos pontos A , B , C e D . Esses raios vão A' B' C
intersetar a segunda circunferência nos pontos A' , B' , C' e D' , os quais defi- C'
nem uma linha poligonal cujo comprimento é uma aproximação do comprimento
O
do arco A'D' . D' D

Repare-se que o arco AD tem a mesma amplitude do arco A'D' , sendo essa
amplitude a do ângulo AOD .

Tem-se que o triângulo [AOB] é semelhante ao triângulo [A'OB'] , pelo que


AB e A'B' são proporcionais aos raios das respetivas circunferências. De igual
modo se conclui que BC e B'C' são também proporcionais aos raios das res-
petivas circunferências. E de igual modo para CD e C'D' .

Logo, os comprimentos das linhas poligonais são proporcionais aos raios das
respetivas circunferências. Repare-se que esta conclusão é independente do
número de pontos intermédios considerados no arco AD .

Assim, não custa aceitar que os comprimentos dos arcos AD e A'D' são pro-
porcionais aos raios das respetivas circunferências.

Por exemplo, se o raio da circunferência maior é o dobro do raio da menor,


então o comprimento do arco AD é o dobro do comprimento do arco A'D' .

Concluímos, assim, que arcos com a mesma amplitude em circunferências de


raios diferentes têm comprimentos proporcionais aos respetivos raios. A recí-
proca também é verdadeira, isto é, têm a mesma amplitude arcos de circunferên-
cia cujos comprimentos são proporcionais aos respetivos raios.

Conclusão: dadas duas circunferências e considerando em cada uma delas um


arco de comprimento igual ao respetivo raio, os dois arcos assim obtidos têm
a mesma amplitude, o mesmo acontecendo com os respetivos ângulos ao centro.

Assim, o radiano não depende da circunferência escolhida.

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 47
Exercícios resolvidos
1. Na figura ao lado está representa- B
da uma circunferência de centro
no ponto O e cujo raio mede
3 cm.
C
O A
a) O arco AB tem 3 cm de com-
primento. Qual é a amplitude,
em radianos, do ângulo AOB ?
b) O arco BC tem 6 cm de com-
primento. Qual é a amplitude, E
D
em radianos, do ângulo BOC ?
c) O arco CD tem 4,5 cm de comprimento. Qual é a amplitude, em radia-
nos, do ângulo COD ?
d) O arco DE tem 2,4 cm de comprimento. Qual é a amplitude, em radia-
nos, do ângulo DOE ?
Resolução
a) O arco AB tem comprimento igual ao raio. A amplitude do ângulo
AOB é 1 radiano.
b) O comprimento do arco BC é o dobro do raio. A amplitude do ângulo
BOC é 2 radianos.
c) O comprimento do arco CD é 1,5 vezes o raio. A amplitude do ângulo
COD é 1,5 radianos.
d) O comprimento do arco DE é 0,8 vezes o raio. A amplitude do ângulo
DOE é 0,8 radianos.

55 Na figura seguinte está re- 2. Na figura ao lado está representada uma


B
presentada uma circunferência circunferência de centro no ponto O e
de centro O e raio 1,2 cm.
cujo raio mede 2 cm. C
B C
a) A amplitude, em radianos, do ângulo O A
AOB é 2. Qual é o comprimento do
D arco AB ?
O
A b) A amplitude, em radianos, do ângulo D

BOC é 0,5. Qual é o comprimento do


arco BC ?
Os pontos A , B , C e D
pertencem à circunferência. c) A amplitude, em radianos, do ângulo COD é 1,3. Qual é o compri-
a) Indica a amplitude, em ra- mento do arco CD ?
dianos, do ângulo ADB , Resolução
sabendo que o arco AB tem
1,8 cm de comprimento. a) Como a amplitude do ângulo AOB é 2 radianos, o comprimento do arco
b) Indica o comprimento do AB é o dobro do raio, ou seja, o arco AB tem 4 cm de comprimento.
arco BC , sabendo que o b) Como a amplitude do ângulo BOC é 0,5 radianos, o comprimento do
ângulo BOC tem 0,4 radia-
nos de amplitude. arco BC é metade do raio, ou seja, o arco BC tem 1 cm de comprimento.
c) Indica a amplitude, em ra- c) Como a amplitude do ângulo COD é 1,3 radianos, o comprimento do
dianos, do ângulo COD , arco CD é 1,3 vezes o raio, ou seja, o arco CD tem 2,6 cm de com-
sabendo que o arco CD
primento.
tem 90° de amplitude.

48 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Graus e radianos
Simulador
Geogebra: O radiano
Vamos agora estudar a relação entre graus e radianos. e o perímetro da
circunferência
Para isso, vamos começar por tentar responder à seguinte questão: qual será
a medida, em radianos, do ângulo giro (360° de amplitude)?

Como sabemos, para obtermos o comprimento de uma circunferência, multipli-


camos o comprimento do raio por 2p . Como o arco de 1 radiano de amplitude
tem comprimento igual ao raio, temos de multiplicar esse comprimento por 2p
para obter o comprimento da circunferência. Portanto, o arco de volta inteira
tem 2p radianos de amplitude.

Logo, o ângulo giro tem 2p radianos de amplitude.

Podemos, assim, escrever:


360° = 2p radianos

Desta igualdade resulta a seguinte tabela:

Graus 360 180 90 270 60 45 30


p 3p p p p
Radianos 2p p 2 3 4 6
2
1,5
2
1
Na figura ao lado está representado um transferidor em radianos.
2,5
0,5
Na tabela acima, podemos ver que 180° = p radianos .
3
Ora, como sabemos, tem-se p ) 3,14 . ␲ 0

Concluímos, assim, que o ângulo raso mede aproximadamente 3,14 radianos


(um pouco mais de 3 radianos, tal como se pode ver na figura anterior).
p
Na referida tabela, também podemos ver que 90° = radianos .
2 2
1,5
1
p
Tem-se ) 1,57 . 2,5
2 0,5
Concluímos, assim, que um ângulo reto mede aproximadamente 1,57 radianos
3
(um pouco mais de um radiano e meio, tal como se pode ver na figura ao lado). ␲ 0

Tentemos agora responder à seguinte questão: qual é a medida, em graus, de um


ângulo com 1 radiano de amplitude?

Tem-se a seguinte proporção: Radianos Graus


p 180
1 x
1 * 180 180
Daqui vem: x = p = p .
180
Podemos, assim, escrever: 1 radiano = p graus .
180
Como p ) 57,296 , concluímos que um ângulo com 1 radiano de amplitude
mede aproximadamente 57 graus.

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 49
Exercícios resolvidos
1. Considera uma circunferência de centro O e raio 3 cm.
a) Seja AB um arco dessa circunferência cujo comprimento é 3p cm .
Qual é a amplitude, em graus, do ângulo AOB ?
W D = 150° .
b) Sejam C e D dois pontos dessa circunferência, tais que CO
b1) Qual é a amplitude, em radianos, do ângulo COD ?
b2) Qual é o comprimento do arco CD ?
b3) Qual é a área do setor circular definido pelo ângulo COD ?

Resolução
a) O comprimento do arco AB é p vezes o raio.
Portanto, o arco AB tem p radianos de amplitude, ou seja, 180°.
Logo, o ângulo AOB (ângulo ao centro correspondente ao arco AB)
tem 180° de amplitude.
b1) Tem-se: 150° = 180° - 30° .
p
Como 180° = p radianos e 30° = radianos, vem:
6
150° = ap - b radianos = a - b radianos =
p 6p p 5p
radianos
6 6 6 6
b2) O arco CD tem amplitude igual à do ângulo COD .
5p
Portanto, o arco CD tem radianos de amplitude.
6
56 Considera uma circunferên-
O arco cuja amplitude é 1 radiano tem comprimento igual ao raio (3 cm).
5p 5p
cia de centro O e raio 5 cm. Logo, o arco CD tem * 3 cm de comprimento, ou seja, cm.
6 2
Sejam A e B dois pontos des-
sa circunferência, tais que: b3) A área do círculo é p r2 = p * 32 = 9p .
AO W B = 10° Podemos agora considerar a seguinte proporção:
a) Qual é a amplitude, em ra- Amplitude Área
dianos, do ângulo AOB ? 360° 9p
b) Qual é o comprimento do 150° x
arco AB ?
150 * 9p
c) Qual é a área do setor circular Daqui vem: x = = 3,75p .
definido pelo ângulo AOB ? 360
Logo, a área do setor circular definido pelo ângulo COD é 3,75p cm2 .

2. Na figura ao lado está representado


um losango.
20°
a
Exprime a amplitude, em radianos,
b
de todos os ângulos assinalados.
Resolução
1
Tem-se que 20° é de 180°.
9
p
Como 180° = p radianos , vem que 20° =  radianos.
9
p 2p
57 Converte em radianos: Portanto, a amplitude, em radianos, do ângulo a é 2 * = .
9 9
a) 18° Os ângulos a e b são suplementares.
b) 54° 2p 9p 2p 7p
Logo, a amplitude, em radianos, do ângulo b , é p - = - = .
c) 306° 9 9 9 9

continua

50 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


continuação

3. Converte 10 radianos em graus, minutos e segundos, estes arrendondados Calculadoras gráficas


às unidades. Casio fx-CG 20 ...... pág. 190
TI-84 C SE / CE-T .... pág. 193
Resolução TI-Nspire CX .......... pág. 195

Tem-se a seguinte proporção:


Radianos Graus
p 180
10 x
10 * 180 1800
Daqui vem: x = p = p ) 572,9577951 graus .
Tem-se agora a proporção:
Graus Minutos
1 60
0,9577951 x
Daqui vem: x = 0,9577951 * 60 ) 57,4677 minutos .
Tem-se mais esta proporção:
Minutos Segundos
1 60
0,4677 x
58 Converte 2 radianos em
Daqui vem: x = 0,4677 * 60 ) 28 segundos . graus, minutos e segundos, estes
arrendondados às unidades.
Portanto, 10 radianos ) 572° 57' 28'' .

4. Converte 52° 24' 43'' em radianos, arrendondados às milésimas.

Resolução
Tem-se 24' = 1440'' (24 * 60 = 1440).
Portanto, 24' 43'' = 1483'' (1440 + 43 = 1483).
Tem-se agora a proporção:
Graus Segundos
1 3600
x 1483
1483
Daqui vem: x = ) 0,41194 graus .
3600
Portanto, 52° 24' 43'' ) 52,41194 graus .
Tem-se mais esta proporção:
Graus Radianos
180 p
52,41194 x
52,41194 * p
Daqui vem: x = ) 0,915 radianos . 59 Converte 25° 53' 16'' em
180
radianos, arrendondados às
Portanto, 52° 24' 43'' ) 0,915 radianos . milésimas.

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 51
Razões trigonométricas de ângulos cujas
amplitudes são expressas em radianos
Comecemos por recordar a tabela que resume os valores do seno, do cosseno
e da tangente de 30°, 45° e 60°, mas agora com estas amplitudes expressas em
radianos:
NOTA
p p p
Dado um número real a ,
expressões como sen a , cos a e 6 4 3
tg a significam, respetivamente,
sen (a radianos) , cos (a radianos) e sen
1 "2 "3
tg (a radianos) . 2 2 2

cos "3 "2 1


2 2 2

"3
tg 1 "3
3

Como sabemos, tem-se, para qualquer k inteiro:


se x = a + k * 360° , então sen x = sen a , cos x = cos a e tg x = tg a .

NOTA Se estivermos a trabalhar com amplitudes medidas em radianos, escrevemos:


A expressão k * 2p é apresentada
usualmente na forma 2kp .
se x = a + k * 2p (k å Z), então sen x = sen a , cos x = cos a e tg x = tg a .

EXEMPLOS
NOTA
De acordo com a primeira nota,
p "3
r sen a + 2pb = sen =
p
a expressão sen a + 2pb significa
p
3 3 3 2
sen ca + 2pb rad iano sd p "2
p
r cos a + 14pb = cos a + 7 * 2pb = cos =
3 p p
p 4 4 4 2
e a expressão sen significa
p "3
3
sen a rad iano sb . r tg a - 10pb = tg a + (- 5) * 2pb = tg =
p p p
3 6 6 6 3

Na tabela seguinte apresentam-se os valores do seno, do cosseno e da tangente


p 3p
dos ângulos cujas amplitudes, em radianos, são 0, , p , e 2p (ou seja, 0°,
2 2
90°, 180°, 270° e 360°). Também se apresentam, como síntese, os sinais das
razões trigonométricas nos diferentes quadrantes.

p 3p
0 1.° quad. 2.° quad. p 3.° quad. 4.° quad. 2p
2 2
Seno 0 + 1 + 0 - -1 - 0

Mais sugestões de trabalho Cosseno 1 + 0 - -1 - 0 + 1

Exercícios propostos n.os 80 a 87 Tangente 0 + n.d. - 0 + n.d. - 0


(pág. 70).
n.d. - não definida

52 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Exercícios resolvidos
+ tg a- b.
13p 25p 15p
1. Determina o valor de sen + cos
6 3 4
Resolução

+ tg a- b=
13p 25p 15p
sen + cos
6 3 4

= sen a + b + cos a + b + tg a- + b=
12p p 24p p 16p p
6 6 3 3 4 4

= sen a2p + b + cos a8p + b + tg a- 4p + b =


p p p 60 Determina o valor de
6 3 4
+ cos a- b-
19p 11p
sen
= sen a2p + b + cos a4 * 2p + b + tg a- 2 * 2p + b =
p p p 3 6
6 3 4
- tg a b
25p
p p p 1 1 3
= sen + cos + tg = + + 1 = 2
6 3 4 2 2

2. Escreve uma expressão geral das amplitudes, em radianos, dos ângulos


que têm:
a) seno igual a 1; b) cosseno igual a - 1.

Resolução
a) Recordemos que, dado um ângulo generali-
y
zado de amplitude x , se tem que sen x é a 1

ordenada do ponto de interseção do lado ␲


extremidade do ângulo com a circunferência 2

trigonométrica. Ora, nesta circunferência, só O 1x


há um ponto de ordenada 1, que é o ponto
(0, 1) . Logo, o lado extremidade do ângulo
tem de coincidir com o semieixo positivo Oy .
A expressão geral das amplitudes dos ângulos
que têm lado extremidade coincidente com o
semieixo positivo Oy é:
p
+ 2kp, k å Z
2
b) Recordemos que, dado um ângulo generali-
y
zado de amplitude x , se tem que cos x é a 1

abcissa do ponto de interseção do lado



extremidade do ângulo com a circunferência
trigonométrica. Ora, nesta circunferência, só O 1x
há um ponto de abcissa - 1, que é o ponto
(- 1, 0) . Logo, o lado extremidade do ângulo
tem de coincidir com o semieixo negativo Ox .
A expressão geral das amplitudes dos ângu-
los que têm lado extremidade coincidente 61 Escreve uma expressão ge-
com o semieixo negativo Ox é: ral das amplitudes, em radia-
p + 2kp, k å Z nos, dos ângulos que têm cos-
seno igual a 1.

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 53
Redução ao primeiro quadrante
Simulador
Geogebra: Razões
trigonométricas de a
Sabemos que: sen (2p + x) = sen x cos (2p + x) = cos x tg (2p + x) = tg x
e de 180° - a
As duas primeiras igualdades são verdadeiras para qualquer amplitude x e a
Simulador
Geogebra: Razões
terceira é verdadeira para qualquer amplitude x para a qual exista tg x . Note-
trigonométricas de a -se que 2p + x é uma soma de duas amplitudes, em que uma delas (2p) corrres-
e de 180° + a ponde a um ângulo cujo lado extremidade está contido num dos eixos do
Simulador referencial. Vamos estudar mais algumas relações idênticas a estas. Para cada
Geogebra: Razões
trigonométricas de a uma delas, a respetiva demonstração está apoiada numa figura. Na maioria dos
e de 90° + a casos, essa demonstração baseia-se numa igualdade de triângulos. Deixamos ao
teu cuidado a identificação desses triângulos e a justificação da sua igualdade.
p
Em todos os casos, considerou-se que 0 < x < . Convidamos-te a adaptar
2
a demonstração a outros casos.
Tem-se, para qualquer amplitude x para a qual as expressões envolvidas têm
significado:

1 1 1
␲-x
r sen (p - x) = sen x
x
O O 1 O 1 O 1
r cos (p - x) = - cos x
r tg (p - x) = - tg x

sen (␲-x) = sen x cos (␲-x) = -cos x tg (␲-x) = -tg x

1 1 1
␲+x
r sen (p + x) = - sen x
x
O O 1 O 1 O 1 r cos (p + x) = - cos x
r tg (p + x) = tg x

sen (␲ +x) = -sen x cos (␲+ x) = -cos x tg (␲ + x) = tg x

1 1 1

r sen (- x) = - sen x
x
O -x O 1 O 1 O 1 r cos (- x) = cos x
r tg (- x) = - tg x
sen (-x) = -sen x cos (-x) = cos x tg (-x) = -tg x

Tem-se também:

␲ +x 1 1
2
r sen a + xb = cos x
p
x 2
O x O 1 O 1
r cos a + xb = - sen x
p
2
sen ␲ + x = cos x
( ) cos ␲ + x = -sen x
2 (2 )

54 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


De modo análogo se justificam as seguintes igualdades:
Simulador
Geogebra: Razões
trigonométricas de a

r sen a - xb = cos x
p e de - a
2 Simulador
Geogebra: Razões

r cos a - xb = sen x
trigonométricas de a
p
e de 90° - a
2

r sen a
3p NOTA
- xb = - cos x
2
␤ c
a
r cos a
3p
- xb = - sen x ␣
2
b

r sen a + xb = - cos x
3p Relativamente ao triângulo retân-
gulo da figura, tem-se que os ângu-
2
los a e b são complementares,
sendo o seno de um igual ao cosse-
r cos a
3p
+ xb = sen x no do outro e vice-versa (de facto,
2 a b
sen a = = cos b e cos a = = sen b ).
c c

A propósito das igualdades sen a - xb = cos x e cos a - xb = sen x , observe-se


p p
2 2
p
o seguinte: x e - x são amplitudes de ângulos complementares (recorde-se
2
que se dá o nome de ângulos complementares a dois ângulos tais que a soma das
suas amplitudes é igual à amplitude do ângulo reto).

Portanto, as referidas igualdades traduzem a seguinte propriedade: o seno de um


ângulo é igual ao cosseno do seu complementar e o cosseno de um ângulo é
igual ao seno do seu complementar. O prefixo co na palavra cosseno vem preci-
samente deste facto: cosseno é o mesmo que seno do complementar.

Exercícios resolvidos
1. Simplifica a expressão:

cos a
3p
- xb + 3 sen (p - x) - tg (p + x) * cos (- x)
2
Resolução

cos a
3p
- xb + 3 sen (p - x) - tg (p + x) * cos (- x) =
2
= - sen x + 3 sen x - tg x * cos x =
sen x 62 Simplifica a expressão:
= 2 sen x - cos x * cos x =
sen a + xb * cos (2p - x) +
p
= 2 sen x - sen x = 2
= sen x + sen (p + x) * tg (- x) * cos x

continua

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 55
continuação

2. Determina o valor de 13 sen a


3p
+ xb - 24 tg (p - x) , sabendo que
2

x å c , 2pd e que cos a + xb = -


p p 5
.
2 2 13
Resolução

Tem-se cos a + xb = -
p 5 5 5
§ - sen x = - § sen x = .
2 13 13 13

Como x å c , 2pd e como sen x > 0 e sen x 0 1 , tem-se que x å d , p c .


p p
2 2
Queremos saber o valor de 13 sen a + xb - 24 tg (p - x) .
3p
2

Tem-se 13 sen a
3p
+ xb - 24 tg (p - x) = - 13 cos x + 24 tg x .
2

5
Como sen x = , vem:
13
2

sen2 x + cos2 x = 1 § a b + cos2 x = 1 §


5
13
25
§ cos2 x = 1 - §
169
144
§ cos2 x =
169

Como x å d , p c , tem-se cos x = -


p 12
.
2 13
63 Determina o valor de Tem-se:
5
sen a + xb + 5 cos (- x) ,
3p
sen x 13 5
2 tg x = cos x = =-
12 12
sabendo que x å fp, 2pg e -
13
que tg (p + x) = "15 . Portanto,

- 13 cos x + 24 tg x = - 13 * a- b + 24 * a- b = 12 - 10 = 2
12 5
13 12

29p
3. Determina o valor de sen .
6
Resolução

= sen a - b = sen a5p - b = sen a4p + p - b =


29p 30p p p p
64 Determina o valor de: sen
6 6 6 6 6

2 cos a- b
17p
= sen a2 * 2p + p - b = sen ap - b = sen =
p p p 1
6 6 6 6 2

Observação
29p p
Na resolução do último exercício, concluímos que sen = sen .
6 6
å c0, d , diz-se que fizemos uma redução ao primeiro quadrante.
p p
Como
6 2
Vejamos, na página seguinte, mais exemplos de reduções ao primeiro quadrante.

56 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


EXEMPLOS

65 Reduz ao primeiro quadrante


= sen a + b = sen a3p + b = sen a2p + p + b = sen ap + b = - sen
28p 27p p p p p p tg (- 4,3 p) .
r sen
9 9 9 9 9 9 9

= cos a - b = cos a8p - b = cos a- b = cos


38p 40p 2p 2p 2p 2p
r cos
5 5 5 5 5 5

= tg a - b = tg a7p - b = tg a6p + p - b = tg ap - b = - tg
53p 56p 3p 3p 3p 3p 3p
r tg
8 8 8 8 8 8 8

Equações trigonométricas
Equações do tipo sen x = a
Consideremos o seguinte problema: quais são as amplitudes dos ângulos cujo
1
seno é igual a ?
2
1
A equação que traduz este problema é sen x = . Vamos resolvê-la.
2
Na figura ao lado está representada a circunferência trigonométrica. y
1
Conforme se pode verificar, existem duas posições possíveis para o lado extremi-
1 1
dade dos ângulos cujo seno é igual a . 2
2
Em c0, d , existe um único valor de x para o qual se tem sen x = .
p 1
2 2 O 1 x
p
Como sabemos, esse valor é . Portanto, uma expressão geral das amplitudes
6 1
dos ângulos que têm seno igual a e que têm o lado extremidade no primeiro
p 2
quadrante é + 2kp , com k å Z .
6

Em c , pd , também existe um único valor de x para o qual se tem sen x = .


p 1
2 2
p 5p
Esse valor é p - , ou seja, . Portanto, uma expressão geral das amplitudes
6 6 1
dos ângulos que têm seno igual a e que têm o lado extremidade no segundo
5p 2
quadrante é + 2kp , com k å Z .
6
1
No terceiro e quarto quadrantes não existem ângulos cujo seno seja igual a .
2
1 p 5p
Portanto, sen x = § x = + 2kp › x = + 2kp, k å Z .
2 6 6
1 p
Nesta equivalência, se substituirmos por sen , vem:
2 6
p p 5p
sen x = sen § x = + 2kp › x = + 2kp, k å Z
6 6 6
Mais sugestões de trabalho
De um modo geral, tem-se:
Exercícios propostos n.os 88 a 93
sen x = sen a § x = a + 2kp › x = p - a + 2kp, k å Z (págs. 70 e 71).

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 57
Exercícios resolvidos
1. Resolve, em R , as equações:
a) 1 + 8 sen x = - 3 b) 4 sen (3x) - "12 = 0 c) sen (2x) = sen x

d) sen ax + b = cos
x x
e) 4 sen x = 1
2
4 3
Resolução
-4
a) 1 + 8 sen x = - 3 § 8 sen x = - 4 § sen x = §
8

§ sen x = sen a- b §
1 p
66 Resolve a equação: § sen x = -
2 6
10 sen x = 5"3
+ 2kp › x = p - a- b + 2kp, k å Z §
p p
§ x=-
6 6
p p
§ x=- + 2kp › x = p + + 2kp, k å Z§
6 6
p 7p
§ x = - + 2kp › x = + 2kp, k å Z
6 6

b) 4 sen (3x) - "12 = 0 § 4 sen (3x) = "12 § 4 sen (3x) = 2"3 §

2"3 "3 p
§ sen (3x) = § sen (3x) = § sen (3x) = sen §
67 Resolve a equação: 4 2 3
p p
"2 + 2 sen x = 0 § 3x = + 2kp › 3x = p - + 2kp, k å Z §
3 3
p 2p
§ 3x = + 2kp › 3x = + 2kp, k å Z §
3 3
p 2kp 2p 2kp
§ x= + ›x= + , kåZ
9 3 9 3

c) sen (2x) = sen x § 2x = x + 2kp › 2x = p - x + 2kp, k å Z §

§ x = 2kp › 3x = p + 2kp, k å Z §
p 2kp
§ x = 2kp › x = + , kåZ
3 3
68 Resolve a equação:
d) sen ax + b = cos § sen ax + b = sen a - b §
p x p p x
"27 + 6 sen (2x) = 0
4 3 4 2 3

= - + 2kp › x + = p - a - b + 2kp, k å Z §
p p x p p x
§ x+
4 2 3 4 2 3
x p p p p x
§ x + = - + 2kp › x + = p - + + 2kp, k å Z §
3 2 4 4 2 3
4x p x p p
§ = + 2kp › x - = p - - + 2kp, k å Z §
3 4 3 2 4
3p 2x p
§ 4x = + 6kp › = + 2kp, k å Z §
4 3 4
3p 6kp 3p
69 Resolve a equação: § x= + › 2x = + 6kp, k å Z §
16 4 4
3p 3kp 3p
sen (2x) = sen ax - b
p § x= + ›x= + 3kp, k å Z
5 16 2 8

continua

58 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


continuação

1 1 1 y
e) 4 sen x = 1 § sen x =
2 2
§ sen x = › sen x = - § 1
4 2 2 5␲
6
› sen x = sen a- b §
p p ␲
§ sen x = sen 6
6 6
7␲ O -␲ 1 x
p 5p p 7p 6 6
§ x = + 2kp › x = + 2kp › x = - + 2kp › x = + 2kp §
6 6 6 6
p p
§ x = + kp › x = - + kp, k å Z
6 6

2. Quais são os ângulos de amplitudes compreendidas entre - p e p cujo


seno é igual ao cosseno?
Exprime a amplitude, em radianos, de todos os ângulos assinalados.

Resolução
Em R , tem-se: sen x = cos x § sen x = sen a - xb §
p
2

- x + 2kp › x = p - a - xb + 2kp, k å Z §
p p
§ x=
2 2
p p
§ 2x = + 2kp › x = p - + x + 2kp, k å Z §
2 2
twwwuwwwv
condição impossível*
p p
§ 2x = + 2kp, k å Z § x = + kp, k å Z
2 4
NOTA
Para obtermos as soluções da equação que estão compreendidas entre - p * A condição é impossível, pois é
e p , podemos atribuir valores inteiros a k . p
equivalente a 0x = + 2kp e não
p 2
k=0 " x= existe um número inteiro k tal que
4 p
+ 2kp seja igual a 0.
p 3p 2
k = -1 " x = - p = -
4 4

anão serve, pois


p 5p 5p
k=1 " x= +p= é maior do que pb
4 4 4

anão serve, pois -


p 7p 7p
k = -2 " x = - 2p = - é maior do que - pb
4 4 4 70 Resolve a equação:
Para outros valores inteiros de k , as soluções obtidas também não estão Q 2 sen x + "2 R Q 2 sen x - "3 R = 0
compreendidas entre - p e p . Assim, os ângulos de amplitudes com-
preendidas entre - p e p cujo seno é igual ao cosseno são os ângulos de
3p p
amplitudes - e .
4 4
Este problema também poderia ser resolvido da y
seguinte maneira: para que um ângulo tenha seno 1
igual ao cosseno, as coordenadas do ponto de in-
terseção do lado extremidade do ângulo com a ␲
O 4
circunferência trigonométrica têm de ser iguais. 1 x
- 3␲
Por isso, o lado extremidade do ângulo tem de 4

estar contido na bissetriz dos quadrantes ímpares.


Assim, os ângulos de amplitudes compreendidas entre - p e p cujo seno
3p p 71 Resolve, em [0, 3p] ,
é igual ao cosseno são os ângulos de amplitudes - e .
4 4 a equação sen x + cos x = 0 .

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 59
Caso particular das equações sen x = 0 , sen x = 1 e sen x = - 1
Como é evidente, estas equações podem ser resolvidas como as anteriores.
Por exemplo:
sen x = 0 § sen x = sen 0 § x = 0 + 2kp › x = p - 0 + 2kp, k å Z §
§ x = 2kp › x = p + 2kp, k å Z

y
1 Atribuindo valores inteiros a k , verificamos que as soluções da equação sen x = 0
são: …, - 4p , - 3p , - 2p , - p , 0 , p , 2p , 3p , 4p , …
Portanto, sen x = 0 § x = kp, k å Z .
O 1x
De facto, os ângulos cujo seno é zero são aqueles cujo lado extremidade interseta
a circunferência trigonométrica nos pontos de ordenada zero, ou seja, são aque-
les cujo lado extremidade está contido no eixo Ox .
y
1
Tem-se também que:
Os ângulos cujo seno é 1 são aqueles cujo lado extremidade interseta a circunfe-
O 1x rência trigonométrica no ponto de ordenada 1, ou seja, são aqueles cujo lado
extremidade coincide com o semieixo positivo Oy .
p
Portanto, sen x = 1 § x = + 2kp, k å Z .
2
y
1 Os ângulos cujo seno é - 1 são aqueles cujo lado extremidade interseta a circun-
ferência trigonométrica no ponto de ordenada - 1, ou seja, são aqueles cujo lado
extremidade coincide com o semieixo negativo Oy .
O 1x p
Portanto, sen x = - 1 § x = - + 2kp, k å Z .
2
Em resumo, tem-se:

r sen x = 0 § x = kp, k å Z
p
r sen x = 1 § x = + 2kp, k å Z
2
p
r sen x = - 1 § x = - + 2kp, k å Z
2

Exercício resolvido
Resolve, em R , as equações:
a) 1 + 3 sen (2x) = 1 - sen (2x) b) cos x = 1 + sen x
2

c) 2 sen x = 3 sen x - 1
2

Resolução
a) 1 + 3 sen (2x) = 1 - sen (2x) § 4 sen (2x) = 0 § sen (2x) = 0 §
kp
§ 2x = kp, k å Z § x = , kåZ
2
b) cos x = 1 + sen x § 1 - sen x = 1 + sen x §
2 2

§ - sen x - sen x = 0 § sen2 x + sen x = 0 §


2

§ sen x (sen x + 1) = 0 § sen x = 0 › sen x + 1 = 0 §


p
§ sen x = 0 › sen x = - 1 § x = kp › x = - + 2kp, k å Z
2
continua

60 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


continuação

c) 2 sen x = 3 sen x - 1 §
2

3 ¿ "9 - 4 * 2 * 1
§ 2 sen2 x - 3 sen x + 1 = 0 § sen x = §
2*2
3¿1 1
§ sen x = § sen x = › sen x = 1 §
4 2
p 5p p 72 Resolve, em [- p, p] , a equa-
§ x = + 2kp › x = + 2kp › x = + 2kp, k å Z
6 6 2 ção sen x (2 sen x + 1) = 1 .

Equações do tipo cos x = a


Consideremos o seguinte problema: quais são as amplitudes dos ângulos cujo
1
cosseno é igual a ?
2
1
A equação que traduz este problema é cos x = . Vamos resolvê-la.
2
Na figura ao lado está representada a circunferência trigonométrica.
y
1
Conforme se pode verificar, existem duas posições possíveis para o lado extremi-
1
dade dos ângulos cujo cosseno é igual a .
2

Em c0, d , existe um único valor de x para o qual se tem cos x = .


p 1 1 x
O 1
2 2 2
p
Como sabemos, esse valor é . Portanto, uma expressão geral das amplitudes
3
1
dos ângulos que têm cosseno igual a e que têm o lado extremidade no primei-
p 2
ro quadrante é + 2kp , com k å Z .
3

Em c- , 0d , também existe um único valor de x para o qual se tem cos x = .


p 1
2 2
p
Esse valor é - . Portanto, uma expressão geral das amplitudes dos ângulos que
3
1
têm cosseno igual a e que têm o lado extremidade no quarto quadrante é
2
p
- + 2kp , com k å Z .
3
1
No segundo e terceiro quadrantes não existem ângulos cujo cosseno seja igual a .
2

Portanto,
1 p p
cos x = § x = + 2kp › x = - + 2kp, k å Z
2 3 3

1 p
Nesta equivalência, se substituirmos por cos , vem:
2 3
p p p
cos x = cos § x = + 2kp › x = - + 2kp, k å Z
3 3 3

De um modo geral, tem-se:

cos x = cos a § x = a + 2kp › x = - a + 2kp, k å Z

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 61
Exercícios resolvidos
NOTA
* Faz sentido pedir para resolver, 1. Resolve, em R , as equações*:
em R , estas equações (e outras se-
melhantes) pois já se atribuiu signi- "3 "3
ficado ao seno, cosseno e tangente a) cos x = b) cos x = -
2 2
de números reais.
"8 cos a4x + b + 1 = 3
p
c) d) (1 + 2 cos x)(1 + 2 sen x) = 0
4

e) cos ax - b = cos x f) cos ax + b + cos


p p p
=0
3 5 10

Resolução

"3 p p p
a) cos x = § cos x = cos § x = + 2kp › x = - + 2kp, k å Z
2 6 6 6

"3
§ cos x = cos ap - b § cos x = cos
p 5p
b) cos x = - §
73 Resolve a equação: 2 6 6
3 + 6 cos x = 0 5p 5p
§ x= + 2kp › x = - + 2kp, k å Z
6 6

c) "8 cos a4x + p b + 1 = 3 § "8 cos a4x + p b = 2 §


4 4

§ cos a4x + b = § cos a4x + b =


p 2 p 2
§
4 "8 4 2"2

p "2
§ cos a4x + b = § cos a4x + b =
p 1
§
4 "2 4 2

§ cos a4x + b = cos §


p p
4 4
p p p p
§ 4x + = + 2kp › 4x + = - + 2kp, k å Z §
4 4 4 4
p
§ 4x = 2kp › 4x = - + 2kp, k å Z §
2
kp p kp
§x= ›x= - + , kåZ
2 8 2

d) (1 + 2 cos x)(1 + 2 sen x) = 0 §


§ 1 + 2 cos x = 0 › 1 + 2 sen x = 0 §
1 1
§ cos x = - › sen x = - §
2 2

§ cos x = cos ap - b › sen x = sen a- b §


p p
3 6

› sen x = sen a- b §
2p p
§ cos x = cos
3 6
2p 2p
74 Resolve a equação: §x= + 2kp › x = - + 2kp ›
3 3
c "3 - 2 cos a2x + bd(1 + sen x) = 0
p
p 7p
6 › x = - + 2kp › x = + 2kp, k å Z
6 6

continua

62 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


continuação

e) cos ax - b = cos x § x - = x + 2kp › x - = - x + 2kp, k å Z §


p p p
3 3
twwuwwv 3
condição impossível
p
§x- = - x + 2kp, k å Z §
3
p
§ 2x = + 2kp, k å Z §
3
p
§ x = + kp, k å Z
6

f) cos ax + b + cos = 0 § cos ax + b = - cos


p p p p
§
5 10 5 10

§ cos ax + b = cos ap - b § cos ax + b = cos


p p p 9p
§
5 10 5 10
p 9p p 9p
§x+ = + 2kp › x + = - + 2kp, k å Z §
5 10 5 10
75 Resolve a equação:
9p p 9p p
§x= - + 2kp › x = - - + 2kp, k å Z § cos (2x) + cos x = 0
10 5 10 5
7p 11p
§x= + 2kp › x = - + 2kp, k å Z
10 10

x
2. Resolve, em [- 2p, 3p] , a equação cos = cos x .
2
Resolução

Em R , tem-se:
x x x
cos = cos x § = x + 2kp › = - x + 2kp, k å Z §
2 2 2
§ x = 2x + 4kp › x = - 2x + 4kp, k å Z §
§ - x = 4kp › 3x = 4kp, k å Z §
4kp
§ x = - 4kp › x = , kåZ
3

Para obtermos as soluções da equação que pertencem ao intervalo [- 2p, 3p] ,


podemos atribuir valores inteiros a k e destacar (a vermelho) as soluções
que pretencem a este intervalo.
4p
k=0 " x=0›x=0 § x=0 k = - 1 " x = 4p › x = -
3
4p 8p
k = 1 " x = - 4p › x = k = - 2 " x = 8p › x = -
3 3
8p
k = 2 " x = - 8p › x = k = 3 " x = - 12p › x = 4p
3

Para outros valores inteiros de k , as soluções obtidas não pertencem ao


intervalo [- 2p, 3p] . Assim, as soluções da equação que pertencem ao 76
Resolve, em c- , d , a equa-
p p
4p 4p 8p
intervalo [- 2p, 3p] são: 0 , - , e . 2 2
3 3 3 ção 4 cos (5x) + 14 = 12 .

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 63
y Caso particular das equações cos x = 0 , cos x = 1 e cos x = - 1
1
Os ângulos cujo cosseno é zero são aqueles cujo lado extremidade interseta
a circunferência trigonométrica nos pontos de abcissa zero, ou seja, são aqueles
O 1x cujo lado extremidade está contido no eixo Oy .
p
Portanto, cos x = 0 § x = + kp, k å Z .
2
y
1
Os ângulos cujo cosseno é 1 são aqueles cujo lado extremidade interseta a cir-
cunferência trigonométrica no ponto de abcissa 1, ou seja, são aqueles cujo lado
O 1x extremidade coincide com o semieixo positivo Ox .
Portanto, cos x = 1 § x = 2kp, k å Z .

y
1
Os ângulos cujo cosseno é - 1 são aqueles cujo lado extremidade interseta a cir-
cunferência trigonométrica no ponto de abcissa - 1, ou seja, são aqueles cujo
O 1x lado extremidade coincide com o semieixo negativo Ox .
Portanto, cos x = - 1 § x = p + 2kp, k å Z

Em resumo, tem-se:

p
r cos x = 0 § x = + kp, k å Z
2
r cos x = 1 § x = 2kp, k å Z
r cos x = - 1 § x = p + 2kp, k å Z

Exercício resolvido
Resolve, em R , as equações:

a) 3 - 2 cos ax + b=1
p
b) 2 sen x = 1 + cos x
2
5
Resolução

a) 3 - 2 cos ax +
b = 1 § - 2 cos ax + b = - 2 § cos ax + b = 1 §
p p p
5 5 5
p p
§ x + = 2kp, k å Z § x = - + 2kp, k å Z
5 5
b) 2 sen x = 1 + cos x § 2(1 - cos x) = 1 + cos x §
2 2

§ 2(1 - cos x)(1 + cos x) = 1 + cos x §


§ 2(1 - cos x)(1 + cos x) - (1 + cos x) = 0 §
§ (1 + cos x)f 2(1 - cos x) - 1 g = 0 § (1 + cos x)(1 - 2 cos x) = 0 §
1
§ cos x = - 1 › cos x = §
2
77 Resolve, em [0, 3] , a equa- p p
§ x = p + 2kp › x = + 2kp › x = - + 2kp, k å Z
ção 6 cos (px) + 10 = 4 . 3 3

64 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Equações do tipo tg x = a
Consideremos o seguinte problema: quais são as amplitudes dos ângulos cuja
tangente é igual a 1?
A equação que traduz este problema é tg x = 1 . Vamos resolvê-la. y
Na figura ao lado está representada a circunferência trigonométrica. Em c0, d ,
p 1
2
existe um único valor de x para o qual se tem tg x = 1 . Como sabemos, esse
p ␲ ␲
valor é . 4
4 x
O 1
Tal como se pode observar na figura ao lado: ␲
r de p em p radianos existe uma nova solução da equação tg x = 1 ;
r não existem outras soluções.
Portanto, uma expressão geral das amplitudes dos ângulos que têm tangente
p p
igual a 1 é + kp , com k å Z . Assim, tg x = 1 § x = + kp, k å Z .
4 4
p
Na equivalência anterior, se substituirmos 1 por tg , vem:
4
p p
tg x = tg § x = + kp, k å Z
4 4
De um modo geral, tem-se:
tg x = tg a § x = a + kp, k å Z

Exercícios resolvidos
1. Determina os números reais que são solução de cada equação seguinte.
a) 3 tg x - "3 = 0 b) "12 + 2 tg (3x) = 0
Resolução
"3
Caderno de exercícios
a) 3 tg x - "3 = 0 § 3 tg x = "3 § tg x =
p
§ tg x = tg § Ângulos orientados, ângulos
p 3 6 generalizados e rotações.
§ x = + kp, k å Z Razões trigonométricas de
6
"12 ângulos generalizados
b) "12 + 2 tg (3x) = 0 § 2 tg (3x) = - "12 § tg (3x) = - §
2
2"3
§ tg (3x) = - "3 § tg (3x) = tg a- b §
p 78 Determina os números reais
§ tg (3x) = -
2 3 que são solução da equação:
p p kp
§ 3x = - + kp, k å Z § x = - + , k å Z
tg a2x + b * cos x = sen x
p
3 9 3 3
2. Determina o conjunto dos números reais que pertencem ao intervalo
[- 5p, 2p] e que são solução da equação tg2 a b - "3 tg a b = 0 .
x x
3 3 79 Determina o conjunto dos
Resolução números reais que pertencem
ao intervalo [- 1, 1] e que são
No conjunto dos números reais para os quais tem significado a expressão
soluções da equação:
que figura no primeiro membro da equação, tem-se:
1
+ tg (px) = 1
tg a b - "3 tg a b = 0 § tg a b ctg a b - "3d = 0 §
x2 x x x cos2 (px)
3 3 3 3
§ tg a b = 0 › tg a b = "3 § = kp › = + kp, k å Z §
x x x x p
3 3 3 3 3 Mais sugestões de trabalho
§ x = 3kp › x = p + 3kp, k å Z
Assim, a resposta à questão colocada é: 5 - 5p, - 3p, - 2p, 0, p 6 .
Exercícios propostos n.os 94 a 114
(págs. 71 a 73).

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 65
Teste 2 Grupo I

5 Os cinco itens deste grupo são de escolha múltipla. Para cada um deles, escolhe
a única opção correta.

1. Um ângulo de amplitude 6 radianos pertence


a que quadrante?
y

5
(A) 1.° ? ?
(B) 2.° O x
(C) 3.° ? ?
(D) 4.°

2. Qual das seguintes equações tem uma única solução, sendo 0° ≤ x < 360° ?
(A) cos x = 0
(B) sen x = - 1
(C) tg x = 0
(D) tg x = 1

1
3. Sendo sen x = - , qual das afirmações seguintes é necessariamente verda-
3
deira?

2
(A) cos x =
3
1
(B) sen (p + x) = -
3
1
(C) sen (p - x) = -
3
(D) cos a + xb = -
p 1
2 3

4. Qual dos seguintes pares é constituído por equações equivalentes em R ?


1 "3
(A) sen x = e cos x =
2 2
(B) sen x = 1 e cos x = 0
(C) tg x = 1 e sen x = cos x
(D) tg x = 0 e cos x = 1

5. Os braços de um compasso medem 11 cm.


p
Quando fazem um ângulo de radianos,
3
qual é, em centímetros, o perímetro da cir-
cunferência que permitem desenhar?
(A) 5,5p

Ajuda (B) 11p


(C) 19p
Se precisares de ajuda para
resolver algum destes itens, (D) 22p
consulta a página 187.

66 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Grupo II
Na resposta a cada um dos cinco itens deste grupo, apresenta todos os cálculos
que efetuares, explica os raciocínios e justifica as conclusões.

1. Na figura ao lado está representado um retângulo inscrito numa circunfe-



rência de raio 5 cm.

a) Mostra que a área do retângulo pode ser expressa, em cm2, por


a a
A(a) = 100 sen cos , sendo a o ângulo das diagonais.
2 2
b) Usa a expressão da alínea anterior para determinares a área do quadrado
inscrito naquela circunferência.

2. Determina o valor de 2 sen a + xb + 3 cos (- x) + 4 tg (3p - x) , sabendo


p
2
3
que x å f 0, p g e que tg x = - .
4

3. Determina o conjunto dos valores de a para os quais é possível a seguinte


condição (na variável x):
5
x å f p, 2p g ‹ sen x = a2 - a
2

4 sen q
4. Seja A(q ) = e considera o triângulo [ABC] representa-
cos q - sen a + qb
3p C
2
do na figura ao lado.

a) Mostra que A(q ) = 2 tg q e que A(q ) representa a área do triângulo

[ABC] para q å d 0, c.
p ␪
2 A B
2 cm
b) Determina o valor de q para o qual a área do triângulo [ABC] é 2"3 cm2 .

5. Seja [ABC] um triângulo isósceles em que BA = BC .


C


B A

a) Mostra que a área do triângulo [ABC] é:


2
BC
* sen a , a å g 0, p f
2
b) Determina o comprimento dos lados do triângulo de área 2"3 cm2
p
quando a = .
3
c) Calcula as amplitudes dos ângulos internos do triângulo [ABC] quando,
para BC = 4 cm , se obtém um triângulo com área 4 cm2.

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 67
Síntese
Ângulo orientado é um ângulo não nulo nem giro no

La xtr
e
qual se fixa um dos lados para lado origem, designando 135º

do em
o outro por lado extremidade.

id
ad
e
O lado origem e o lado extremidade são semirretas O Lado
origem
com a mesma origem O .
-225º
Ângulo
p. 32
orientado O lado extremidade é a posição final de uma semirreta que, partindo da posição coinci-
dente com o lado origem, roda em torno do ponto O até atingir a posição do lado
extremidade. Quando esta semirreta descreve o ângulo rodando no sentido contrário
ao dos ponteiros de um relógio, diz-se que o ângulo orientado tem orientação e ampli-
tude positiva; caso contrário, diz-se que tem orientação e amplitude negativa.
A amplitude, em graus, de um ângulo orientado é um valor diferente de zero estrita-
mente compreendido entre - 360 e 360.

Um ângulo generalizado é um par ordenado (a, k) ,


855º
onde a é um ângulo orientado ou um ângulo nulo e k
é um número inteiro, com k ≥ 0 se a tiver orientação
positiva e com k ≤ 0 se a tiver orientação negativa. O
O ângulo generalizado (a, k) pode ser interpretado
Ângulo
p. 35
generalizado como o resultado de rodar o lado extremidade (do ân- Ângulo generalizado de amplitude
gulo orientado a) |k| voltas completas, no sentido de- 135° + 2 * 360° . Podemos identificá-
terminado pelo sinal de k . -lo com o par ordenado (a, 2) , onde
A amplitude do ângulo generalizado (a, k) é a é o ângulo orientado de 135° de
a + k * 360° , onde - 360° < a < 360° e a é a ampli- amplitude acima representado.

tude do ângulo orientado ou ângulo nulo a .


Circunferência
Num referencial ortonormado xOy do plano, dá-se o nome de circunferência trigo-
trigonométrica
p. 36 nométrica à circunferência de centro na origem e raio 1 (por abuso de linguagem,
(círculo
trigonométrico) também se chama círculo trigonométrico à circunferência trigonométrica).

Referencial Diz-se que um referencial ortonormado xOy é direto se, dado um ângulo orientado de
p. 36 ortonormado 90° de amplitude e cujo lado origem coincida com o semieixo positivo Ox , o lado
direto extremidade coincide com o semieixo positivo Oy .

Seja a um ângulo orientado. y


1
Considerando um referencial ortonormado direto xOy , P
sen ␣
de tal forma que o semieixo positivo Ox coincida com
Seno, cosseno ␣
e tangente de
o lado origem do ângulo a , seja P o ponto de interse-
pp. 37
e 41 um ângulo ção do lado extremidade com a circunferência trigono- cos ␣ O 1 x
orientado métrica e seja Q o ponto de interseção da reta suporte
do lado extremidade com a reta de equação x = 1 .
Define-se: sen a = ordenada de P , cos a = abcissa de P
Q
e tg a = ordenada de Q . tg ␣

Seja q = (a, n) um ângulo generalizado. Define-se sen q , cos q e tg q como sendo


Seno, cosseno sen a , cos a e tg a (admitindo que existe tg a).
p. 43
e tangente de Ângulos generalizados com a mesma amplitude têm o mesmo seno, o mesmo cosseno e
um ângulo a mesma tangente, pelo que faz sentido falar em seno, cosseno e tangente de amplitudes.
generalizado Se x = a + k * 360° (k å Z), então sen x = sen a , cos x = cos a e tg x = tg a (admi-
tindo que existe tg a).

68 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Radiano é a amplitude de um arco de circunferência (e do ângulo ao centro correspon-
dente) cujo comprimento é igual ao raio.
O radiano
pp. 46 Tem-se:
e 49
como unidade
de amplitude Graus 360 180 90 270 60 45 30
p 3p p p p
Radianos 2p p
2 2 3 4 6

Valores do seno,
do cosseno e da p 3p
tangente dos 0 1.° quad.
2
2.° quad. p 3.° quad. 4.° quad. 2p
2
ângulos de
amplitude, em Seno 0 + 1 + 0 - -1 - 0
p
p. 52 radianos, 0 , ,
3p 2 Cosseno 1 + 0 - -1 - 0 + 1
p, e 2p e
2
sinais das razões Tangente 0 + n.d. - 0 + n.d. - 0
trigonométricas
nos diferentes n.d. – não definida
quadrantes

Tem-se, para qualquer amplitude x para a qual as expressões seguintes têm significado:

r sen (- x) = - sen x r cos (- x) = cos x r tg (- x) = - tg x

r sen (p - x) = sen x r cos (p - x) = - cos x r tg (p - x) = - tg x

r sen (p + x) = - sen x r cos (p + x) = - cos x r tg (p + x) = tg x

Redução
r sen a - xb = cos x r cos a - xb = sen x
p p
pp. 54
e 55
ao primeiro 2 2
quadrante
r sen a + xb = cos x r cos a + xb = - sen x
p p
2 2

r sen a r cos a
3p 3p
- xb = - cos x - xb = - sen x
2 2

r sen a r cos a
3p 3p
+ xb = - cos x + xb = sen x
2 2

Em todas as expressões seguintes, tem-se x, a å R e k å Z e considera-se que, sendo


a um número real, sen a = sen (a rad) , cos a = cos (a rad) e tg a = tg (a rad) .
r sen x = sen a § x = a + 2kp › x = p - a + 2kp

pp. 57, r cos x = cos a § x = a + 2kp › x = - a + 2kp


Equações
60, 61,
64 e 65 trigonométricas r tg x = tg a § x = a + kp

Casos particulares:
p p
r sen x = 0 § x = kp r sen x = 1 § x = + 2kp r sen x = - 1 § x = - + 2kp
2 2
p
r cos x = 0 § x = + kp r cos x = 1 § x = 2kp r cos x = - 1 § x = p + 2kp
2

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 69
Exercícios propostos
80 Considera as amplitudes: - 0,3 rad; 4,5 rad; 84 Se a roda de uma bicicleta percorre 25 metros
2,6 rad e -5 rad. Na figura estão assinalados os em 10 voltas, determina a medida do seu raio apro-
lados extremidade de quatro ângulos orientados, ximada ao centímetro.
.
todos com lado origem sobre Ox , tendo cada um
deles uma das quatro amplitudes referidas. Faz 85 Investiga a latitude do Funchal e de Ponta Del-
corresponder a cada amplitude o respetivo lado gada (em graus, aproximada às unidades). Supondo
extremidade. que a Terra é uma esfera de raio 6367 km, determi-
y
α
na a distância de cada uma daquelas cidades ao
β equador.

86 Qual a amplitude, em graus e em radianos, do


O x
θ menor ângulo formado pelos ponteiros de um reló-
gio às 9 h 30 min?
γ
87 Indica a que quadrante pertencem os ângulos
de amplitudes:
81 Escreve, por ordem crescente, as amplitudes:
a) 1470º b) - 3210º c) - 500º
3p
- 2 rad, 1,5 rad, 0,7p rad, - 0,6π rad e - rad. 121 313
2 d) 20 rad e) p rad f) - p rad
3 6
82 Supõe que a Terra é uma esfera com 6367 km
88 Simplifica cada uma das expressões seguintes.
de raio.
a) cos (p - a) + sen a
p
a) Investiga qual a latitude do local da tua esco- + ab
2
la e determina a distância, aproximada ao
cos a + ab
km, a que se encontra do equador. p
2
b) A que distância estão dois locais, situa- b) tg (p + a) +
sen a - ab
p
dos no mesmo meridiano, que determi- 2
nam, nesse meridiano, um arco de 0,2 ra- c) sen2 q + cos 2 (p + q)
dianos?
d) sen (90º – a) + cos (a – 540º)
c) Qual a latitude de um local da superfície
terrestre que está 3000 km a norte do 89 Calcula o valor exato de:
equador? Obtém a latitude em radianos e
a) sen a + sen2 a pb
4 5p 11
converte depois em graus. Apresenta a la- pb - 2 cos
3 6 4
titude em radianos arredondada às centé-
+ 2 sen a- pb + cos
simas e a latitude em graus arredondada 1 29p 5 11p
b) tg
às unidades. 2 3 6 6
c) cos 210º – sen 330º + tg 225º
83 A figura ao lado representa o d) sen (p + x) , sabendo que

sen a + xb = - e x å d , p c .
conta-rotações de um automóvel. 4 p 2 p
3
Determina a área da zona verme- 2 6 2 3 2
lha, sabendo que corresponde a 1
20 7 e) cos (3p – x) – 2 tg (p + x) , sabendo que

tg a + xb = e x å d - , 0 c .
um ângulo de 0,6 rad num círculo p 1 p
de 5 cm de raio. 2 2 2

70 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


90 Descobre o quadrante a que pertence um ân- 97 Resolve, em R , as equações seguintes.
gulo a , sabendo que:
a) tg a- x + b = - "3
p
a) sen a + ab < 0 ‹ tg (p + a) > 0
p 3
2
b) sen2 (2x) = 1
b) cos (7p + a) < 0 ‹ sen (- a) > 0
p
c) tg (2x) = 2 sen
2
4
91 Sendo a um ângulo do 2.º quadrante e tal que
d) tg a
p
- xb = tg (2x)
sen a = , calcula sen a - ab e tg a + ab sem
2 p p
6
5 2 2
calculadora (valores exatos).
e) cos a2x + b=1
p
3

92 Considera a expressão sen (2q ) - cos2 aa + p b


2
e determina o número que esta representa quando: 98 Resolve, em R , cada uma das equações
5 p p 7 seguintes e indica, para cada uma delas, a maior
a) q = p e a = b) q = - e a= p
4 3 6 4 solução negativa.

a) sen ax + b = sen
p p
93 Sabendo que tg x = - 1 e p < x < 3p , deter-
2 2 2 3 6
mina o valor exato de:
b) 2 cos aa - b + "3 = 0
p
a) cos x 6
b) sen (- 9p + x) – cos a
11p
- xb c) sen t = cos t
2
1
d) =2
94 Determina as soluções que pertencem ao inter- cos2 x
valo ]- p, p[ de cada uma das equações seguintes. e) 8 sen q + 4 = 0

b) cos x = cos a- b
2p p
f) 2 cos a b+1=0
a) sen x = sen pt
3 6
6
7p 5p
c) sen x = sen d) cos x = cos
6 4 "2 "2
5p p g) sen x = ‹ cos x = -
e) tg x = tg f) tg x = - tg 2 2
6 4
1 1
g) sen x = h) sen x = -
2 2
i) tg x = "3 ‹ cos x = -
1 99 Resolve, em R , as equações seguintes.
2

a) sen ax + b = cos (2x)


p
cos a2x + b = 1 é
95 Mostra que a equação p 3
3
p b) sen2 x – sen x cos x = 0
equivalente, em R , a x = – + kp, k å Z e deter-
6
mina as soluções da equação que pertencem ao c) sen (3x) + sen x = 0
intervalo [- 2p, 2p] .
d) cos (3x) + cos x = 0

96 Verifica que os números da forma p + kp, k å Z e) 2 cos2 x – 1 = sen x


3
3 f) sen x = cos
p
são soluções da equação sen 5x = .
( ) 2
4 5

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 71
100 Determina os valores de t å R para os quais 104 Numa pequena composição, explica porque
cada uma das equações seguintes é possível, nos são impossíveis em R as equações seguintes.
intervalos indicados.
a) sen x – cos x = 2

em c , c.
t p 3p
a) sen x = 2 - b) sen a + cos b = 3
3 2 2

b) tg x = t2 em d 0, d.
p
4 105 Resolve as inequações seguintes nos intervalos
Animação
Resolução do indicados.
c) tg x = - 2t em d , p c .
p exercício 100 e)
2 1
a) cos x < - em [0, 2p] e em [- p, p] .
2
em d , c.
t+3 p 2p
d) sen x = b) 2 sen x + 1 ≥ 0 em [0, 2p] e em [- p, p] .
2 6 3
"2
e) cos x =
1 - 2t
em d - , c .
p p c) 0 sen x 0 > em [0, 2p] .
3 6 3 2

f) sen x = 3 - t2 em R .
106 Resolve:

101 Determina os valores de k para os quais as a) 2 sen x ≤ "2 sendo x tal que 0° ≤ x < 360° e
sendo x å ]- p, p[ .
condições seguintes são possíveis em R .
1+k k-1 1
a) sen x = ‹ cos x = b) |cos x| ≤ em [0, 2p[ e sendo x tal que
2 2 2
- 180° < x < 180° .
1
b) tg x = k ‹ cos x =
2k
107 Prova que:
102 Resolve, no universo das amplitudes de ângulo
a) Ax å R, cos4 x – sen4 x = 1 – 2 sen2 x
expressas em graus, as equações:
W + cos 1 BW + C
b) cos A W 2 = 0 , num triângulo [ABC]
a) sen a b = - 1
t
b) cos (3y) = 1
2
2 cos y
c) Ay å R \ e , k å Z f, sen y - sen y =
kp 1
c) 2 sen (3q) = 0
2
d) sen (3x) = sen (x + 60°) 2 tg y

d) Ax å R \ e + kp, k å Z f,
e) 2 cos2 x = cos x f) sen (2x) = cos x p
"3 = 0
2
g) 3 tg (x + 45°) + (sen x + cos x)2 - 1
cos x = 2 sen x

103 Resolve, em R , as equações seguintes.


108 Considera os vários triân- P

"3 = 0
px gulos [OAP] que se obtêm
a) 2 sen q + b) cos +1=0
2 quando P percorre a semicir- ␪
O A
d) cos (3x) = cos ax + b
c) tg a = - tg
p p cunferência de centro O e raio
6 4 OA = 5 cm .
1
e) cos2 x – sen2 x = 0 f) cos2 x – sen2 x = a) Mostra que a área do triângulo [OAP] pode
2
g) "3 sen q – cos q = 0 ser dada por A(q) = 12,5 sen q .

1 "3 b) Determina os valores de q para os quais a área


h) cos x = - ‹ sen x =
2 2 do triângulo [OAP] é superior a 6,25 cm2.

72 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


109 [ABCD] é um quadra- D C 112 Considera os triângulos [ABC] e [PQR] a
F
do e [AECF] é um losango. seguir representados.
q é a medida da amplitude, C
em radianos, do ângulo EAF .
R
a) Determina o perímetro
E 2 cm
do losango, com aproxi- 2 cm
A 4 cm B ␪
mação ao mm, quando ␪
p A B P 4 cm Q
q= .
3
2
8"2 Prova que Área˚[ABC] =
tg q
e Área˚[PQR] = 4 cos q
b) Mostra que a expressão representa, em cm,
q e determina q de modo que os dois triângulos
cos
2 tenham a mesma área.
o perímetro do losango para q å d 0, d .
p
2 Mostra que, para esse valor de q , os triângulos são
iguais.
c) Deterina q pertencente a d0, d de modo que
p
2
o perímetro do losango seja:
c1) 13 cm (2 c.d.); 113 q é um ângulo ao
C
c2) 16 cm e interpreta o Animação centro de uma circunfe-
resultado no contexto Resolução do rência de raio 1.
exercício 109 θ
do problema. a) Mostra que:
A O D B
W
a1) OAC =
q
110 A circunferência da figura tem raio 2 e o pon- 2
to P , sobre o lado extremidade do ângulo de ampli- a2) CD = sen q e OD = cos q
tude a , tem ordenada 1,2. q sen q
a3) tg =
y 2 1 + cos q
P
b) Usa o resultado anterior para obteres o valor
␣ p
exato de tg .
O x 8

114 A figura ao lado ilus-


tra o fenómeno da refração meio A
Calcula o valor de sen a , tg a e cos (180º + a) . da luz na passagem de um i
meio A para um meio B.
111 Considera todos os retângulos que se podem A relação entre os ângulos i
e r foi descoberta no sécu-
inscrever numa circunferência de raio 5 cm. r
meio B
lo xvii:
sen i = n · sen r
onde n é uma constante (que depende dos meios A
e B), chamada índice de refração.

a) Determina n supondo que, para determinados

a) Mostra que a área do retângulo é 25"3 cm2,


meios A e B, se tem:
p p p p p
quando q = . a1) i = e r= a2) i = e r=
6 4 6 3 4
b) Verifica se a área de cada retângulo pode ser p "3
b) Determina r , sabendo que i = e n= .
dada por A(q) = 100 sen q cos q . 6 3

Capítulo 2 | Ângulos orientados, ângulos generalizados e rotações. Razões trigonométricas de ângulos generalizados 73
3. Funções trigonométricas

Funções trigonométricas
Resolução
Exercícios de «Funções
trigonométricas» Dá-se o nome de:

r função seno à função definida por f (x) = sen x ;

r função cosseno à função definida por f (x) = cos x ;

r função tangente à função definida por f (x) = tg x .

Estas funções são funções reais de variável real.

Tal como já foi referido, dado um número real x ,


r sen x significa seno de x radianos,
r cos x significa cosseno de x radianos,
r tg x significa tangente de x radianos.

Analisemos agora o domínio de cada uma das três funções.

Tem-se:
r para qualquer número real x , existe sen x ; por isso, a função seno tem do-
mínio R ;
r para qualquer número real x , existe cos x ; por isso, a função cosseno tam-
bém tem domínio R ;
r não existe tangente de um ângulo cujo lado extremidade esteja contido no
eixo Oy , já que, nesse caso, a reta suporte do lado extremidade não interseta
a reta de equação x = 1 ; uma expressão geral das amplitudes (em radianos)
p
dos ângulos cujo lado extremidade está contido no eixo Oy é + kp, k å Z ;
2
por isso, a função tangente tem domínio R \ e x å R: x = + kp, k å Z f .
p
2

Uma caraterística importante das funções trigonométricas tem a ver com o facto
de se ter:

r sen (a + 2np) = sen a r cos (a + 2np) = cos a r tg (a + 2np) = tg a

para qualquer a pertencente ao domínio da respetiva função e para qualquer


número natural n .

Por isso, diz-se que, para qualquer n natural, as funções seno, cosseno e tangente
são periódicas de período 2np .

74 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


De um modo geral, tem-se a seguinte definição:
Simulador
Seja P um número real positivo e seja f uma função real de variável real. Geogebra: Período da
função seno
Diz-se que f é periódica de período P se, para qualquer x pertencente ao
Simulador
domínio de f : Geogebra: Período da
função cosseno
r x + P å Df
Simulador
r f (x + P) = f (x) Geogebra: Período da
função tangente

Portanto, 2p , 4p , 6p , 8p , … são períodos das funções seno, cosseno e tangente.

Qual será, para cada uma destas funções, o menor período possível?

No caso do seno, o período mínimo é 2p , já que não existe nenhum número real
positivo P inferior a 2p para o qual se tenha a Ax å R, sen (x + P) = sen x .

De igual modo, no caso do cosseno, o período mínimo é 2p .

No caso da tangente, o período mínimo é p , pois:

r como já sabemos, tem-se, para qual-


quer x pertencente ao domínio da fun- y
1
ção tangente, tg (x + p) = tg x ;

r não existe nenhum número real positi- x+ ␲


vo P inferior a p para o qual se tenha
x
tg (x + P) = tg x , qualquer que seja x
O 1 x
pertencente ao domínio da tangente.

Em linguagem informal, podemos dizer que, à medida que o lado extremidade


do ângulo generalizado (cuja amplitude é x) vai rodando em torno da origem
do referencial, o seno e o cosseno repetem-se de volta em volta, enquanto a tan-
gente se repete de meia em meia volta.

Dizemos, então, que:


r as funções seno e cosseno têm período fundamental ou período positivo mínimo
igual a 2p ;
r a função tangente tem período fundamental ou período positivo mínimo igual a p .

De um modo geral, tem-se a seguinte definição:

Seja P0 um número real positivo e seja f uma função real de variável real.
Diz-se que P0 é período fundamental de f ou período positivo mínimo de f se:
r f for períodica de período P0 ;
r f não admitir outro período P inferior a P0 .

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 75


Para traçar o gráfico de uma função de período fundamental P0 , basta começar
Simulador por fazê-lo num intervalo de comprimento P0 , pois o gráfico repete-se sucessi-
Geogebra: Gráficos das vamente em intervalos com esse comprimento.
funções seno, cosseno
e tangente

EXEMPLOS

1. Os gráficos seguintes são de duas funções periódicas cujo período funda-


mental é P0 .

y y

O x O x
P0 P0

Se f é uma função de período fundamental P0 , então os períodos de f são


exatamente os da forma nP0 , com n å N . Portanto,

r 2p , 4p , 6p , 8p , … são os períodos das funções seno e cosseno;

r p , 2p , 3p , 4p , … são os períodos da função tangente.

Vamos utilizar o estudo efetuado sobre funções periódicas para obter os gráficos
das funções seno, cosseno e tangente.

Uma vez que a função seno tem período fundamental igual a 2p , para obter
o gráfico desta função, basta começar por traçá-lo no intervalo [0, 2p] .

Em c0, d , a função seno é crescente (quanto maior é x , maior é sen x).


p
2
p
À medida que x varia de 0 a , sen x varia de 0 a 1.
2
p p p
O conhecimento dos valores de sen , sen e sen permite obter um traçado
6 4 3
mais preciso do gráfico.

y y
1 1
冑3 冑3
冑2 2 冑2 2
2 2
1 1
2 2

O 1x O ␲ ␲ ␲ ␲ x
6 4 3 2

76 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Em c , pd , a função seno é decrescente (quanto maior é x , menor é sen x).
p
2
p
À medida que x varia de a p , sen x varia de 1 a 0.
2

Determinemos o valor de sen x para alguns valores de x deste intervalo:

p "3
= sen ap - b = sen =
2p p
r sen
3 3 3 2

p "2
= sen ap - b = sen =
3p p
r sen
4 4 4 2

= sen ap - b = sen =
5p p p 1
r sen
6 6 6 2

y y
1 1
冑3 冑3
2 冑2 冑2 2
2 2
1 1
2 2

O 1x O ␲ 2␲ 3␲ 5␲ ␲ x
2 3 4 6

Em cp, d , a função seno é decrescente (quanto maior é x , menor é sen x).


3p
2
3p
À medida que x varia de p a , sen x varia de 0 a - 1.
2

Determinemos o valor de sen x para alguns valores de x deste intervalo:

= sen ap + b = - sen = -
7p p p 1
r sen
6 6 6 2

"2
= sen ap + b = - sen = -
5p p p
r sen
4 4 4 2

"3
= sen ap + b = - sen = -
4p p p
r sen
3 3 3 2

y y
1
1

7␲ 5␲ 4␲ 3␲
6 4 3 2
O 1x O ␲ ␲ x
2
-1 -1
2 冑 2 冑
- 2 - 2
冑 2 冑3 2
- 3 -
2 2
-1

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 77


Em c
3p
, 2pd , a função seno é crescente (quanto maior é x , maior é sen x).
2 3p
À medida que x varia de a 2p , sen x varia de - 1 a 0.
2
Determinemos o valor de sen x para alguns valores de x deste intervalo:
"3
= sen a2p - b = - sen = -
5p p p
r sen
3 3 3 2
"2
= sen a2p - b = - sen = -
7p p p
r sen
4 4 4 2

= sen a2p - b = - sen = -


11p p p 1
r sen
6 6 6 2

y y
1
1

3␲ 5␲ 7␲ 11␲
2 3 4 6 2␲
O 1x O ␲ ␲ x
2
-1 -1
冑 2 2 冑
- 2 - 2
2 冑3 冑3 2
- -
2 2
-1

Concluímos assim que, no intervalo [0, 2p] , o gráfico da função seno é:

1
3␲
2 2␲
O ␲ ␲ x
2
-1

Como a função seno é periódica de período fundamental 2p , o seu gráfico


repete-se sucessivamente nos intervalos [2p, 4p] , [4p, 6p] , [6p, 8p] , …, bem
como nos intervalos [- 2p, 0] , [- 4p, - 2p] , …
Assim, o gráfico da função seno é:

2␲ 4␲
-␲ O ␲ 3␲ x

-1

Esta linha chama-se sinusoide, nome que deriva da palavra seno.


Uma linha com aspeto semelhante a esta diz-se sinusoidal.

78 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Vejamos agora o gráfico da função cosseno.
Como se tem, para qualquer número real x , cos x = sen ax + b , o gráfico da
p
2
função cosseno pode ser obtido, a partir do gráfico da função seno, através de
uma translação associada ao vetor de coordenadas a- , 0b .
p
2
Assim, o gráfico da função cosseno é:
y

1
- 3␲ 3␲ 7␲
2 2 2
-␲ O ␲ 5␲ 9␲ x
2 2 2 2
-1

Vejamos o gráfico da função tangente.


Como a função tangente é periódica de período fundamental p , basta começar
por traçar o gráfico num intervalo com comprimento p . Uma possibilidade é o

intervalo d - , c .
p p
2 2
Por outro lado, tem-se, para qualquer x pertencente ao domínio da tangente,
tg (- x) = - tg x . Portanto, a função tangente é ímpar, pelo que o seu gráfico
é simétrico em relação à origem do referencial. Logo, basta começar por traçar o

gráfico no intervalo c0, c .


p
y
2

Em c0, c , a função tangente é crescente (quanto maior é x , maior é tg x).


p
2
Tem-se tg 0 = 0 , pelo que o gráfico da função tangente passa na origem do
referencial.
Tal como a figura ao lado sugere, tem-se também que tg x pode assumir valores
tão grandes quanto se queira.
x
Portanto, o contradomínio da restrição da função tangente a c0, c é o intervalo
p O

2
f 0, +∞ f .
p p p
O conhecimento dos valores de tg , tg e tg permite obter um traçado
6 4 3
mais preciso do gráfico.

y y

冑3 冑3
1
1
冑3 冑3
3 3

O 1x O ␲ ␲␲ ␲ x
6 4 3 2

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 79


Tal como já referimos, como a função tangente é ímpar, o seu gráfico é simétrico
em relação à origem do referencial.

Assim, o gráfico da função tangente em d - , c é:


p p
2 2

-␲ O ␲ x
2 2

Como a função tangente é periódica de período fundamental p , o seu gráfico é:

- 3␲ -␲ -␲ O ␲ ␲ 3␲ 2␲ 5␲ x
2 2 2 2 2

Apresentamos em seguida uma síntese relativa ao estudo das funções seno,


cosseno e tangente.

80 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Função seno

A função seno é a função definida por:


f (x) = sen x

Domínio
O domínio da função seno é R , pois, para qualquer número real x , existe sen x .

Contradomínio
O contradomínio da função seno é [- 1, 1] .
Portanto, a função seno tem máximo igual a 1 e mínimo igual a - 1.

Maximizantes
p
+ 2kp, k å Z
2

Minimizantes
p
- + 2kp, k å Z
2

Zeros
kp, k å Z

Período
A função seno é periódica de período fundamental 2p .

Simetrias
Tem-se:
Ax å R, sen (- x) = - sen x
Portanto, a função seno é ímpar.
Logo, o seu gráfico é simétrico relativamente à origem do referencial.

Gráfico

2␲ 4␲
-␲ O ␲ 3␲ x

-1

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 81


Função cosseno

A função cosseno é a função definida por:


f(x) = cos x

Domínio
O domínio da função cosseno é R , pois, para qualquer número real x , existe cos x .

Contradomínio
O contradomínio da função cosseno é [- 1, 1] .
Portanto, a função cosseno tem máximo igual a 1 e mínimo igual a - 1.

Maximizantes
2kp, k å Z

Minimizantes
p + 2kp, k å Z

Zeros
p
+ kp, k å Z
2

Período
A função cosseno é periódica de período fundamental 2p .

Simetrias
Tem-se:
Ax å R, cos (- x) = cos x
Portanto, a função cosseno é par.
Logo, o seu gráfico é simétrico relativamente ao eixo Oy .

Gráfico

1
- 3␲ 3␲ 7␲
2 2 2
-␲ O ␲ 5␲ 9␲ x
2 2 2 2
-1

82 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Função tangente

A função tangente é a função definida por:


f (x) = tg x

Domínio
O domínio da função tangente é R \ e x å R: x = + kp, k å Z f .
p
2
Contradomínio
O contradomínio da função tangente é R .
Portanto, a função tangente não tem máximo nem mínimo.

Zeros
kp, k å Z

Período
A função tangente é periódica de período fundamental p .

Simetrias
Tem-se:
Ax å R, tg (- x) = - tg x
Portanto, a função tangente é ímpar.
Logo, o seu gráfico é simétrico relativamente à origem do referencial.

Gráfico
y

- 3␲ -␲ -␲ O ␲ ␲ 3␲ 2␲ 5␲ x
2 2 2 2 2

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 83


Exercícios resolvidos
Calculadoras gráficas 1. Seja f : [0, 2p] " R a função definida por f (x) = 1 - 2 sen x .
Casio fx-CG 20 ...... pág. 191
TI-84 C SE / CE-T .... pág. 193 a) Determina os zeros da função f .
TI-Nspire CX .......... pág. 196
b) Esboça o gráfico da função f .
c) Indica o contradomínio da função f .
d) Indica o valor de x para o qual a função f toma o valor máximo.

Resolução
1
a) f(x) = 0 § 1 - 2 sen x = 0 § sen x =
2
1 p 5p
Em [0, 2p] , tem-se sen x = § x= ›x= .
2 6 6
p 5p
Portanto, os zeros da função f são e .
6 6
b) Em [0, 2p] , o gráfico da função definida por y = sen x é:

1
3␲
2 2␲
O ␲ ␲ x
2
-1

Portanto, em [0, 2p] , o gráfico da função definida por y = 2 sen x é:

y
2

1
3␲
2 2␲
O ␲ ␲ x
2
-1

-2

Logo, em [0, 2p] , o gráfico da função definida por y = - 2 sen x é:


O ␲ 3␲ 2␲ x
2 2
-1

-2

continua

84 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


continuação

Portanto, o gráfico da função f é:

y
3
f
2

1

2 115 Seja g: [- p, p] " R a fun-
O ␲ 3␲ 2␲ x ção definida por:
2
-1 g(x) = 2 + 4 cos x
a) Determina os zeros da fun-
-2
ção g .
b) Esboça o gráfico da função g .
c) Por análise do gráfico, conclui-se que o contradomínio da função f c) Indica o contradomínio da
é [- 1, 3] . função g .
d) Indica o valor de x para o
d) Por análise do gráfico, podemos concluir que o valor de x para o qual qual a função g toma o va-
3p lor máximo.
a função f toma o valor máximo é .
2

2. Seja f a função, de domínio c- , d , definida por f (x) = cos x .


p 2p
2 3
Determina o contradomínio da função f .

Resolução

Em [- p, p] , o gráfico da função definida por y = cos x é:

-␲ 2␲
-␲ 2 O 3 ␲
x
-1
2
-1

Portanto, o gráfico da função f é:

-␲ 2␲
2 O 3
x
-1 116 Seja a função h , de domí-
2
nio c- p, d , definida por:
p
3
h(x) = sen x
Assim, o contradomíno de f é c- , 1d .
1 Determina o contradomínio da
2 função h .

continua

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 85


continuação

3. Na figura seguinte está a representação gráfica da função f , definida, no


intervalo [0, 2p] , por f (x) = cos x .
Tal como a figura sugere, tem-se f (k) = f a b .
7p
12
y

7␲
12 k
O 2␲ x

Determina o valor de k .
Resolução
Pretende-se determinar k å cp, d
3p y
2 1
7p
tal que cos k = cos . 7␲
12 12
Tem-se:
1 x
= cos a- b = cos a-
7p 7p 7p O
cos + 2pb =
12 12 12 - 7␲
117 12
= cos a- b = cos
7p 24p 17p
Determina k å cp, d tal que
3p +
2 12 12 12
19p 17p
sen k = sen . Portanto, k = .
10 12

4. Na figura ao lado está representada a circun- y


ferência trigonométrica. 1
Considera que um ponto P parte de A(1, 0)
e que, deslocando-se sobre a circunferência, x
dá uma volta completa no sentido contrário A
O 1x
ao dos ponteiros do relógio, terminando o
seu percurso novamente em A .
P
Para cada posição do ponto P , seja x a me-
dida, em radianos, da amplitude do ângulo
cujo lado origem é o semieixo positivo Ox e
.
cujo lado extremidade é a semirreta OP .
Seja g a função que, a cada valor de x , faz corresponder a área da região
colorida a azul.
a) Carateriza a função g , indicando o domínio e uma expressão analítica
que a defina.
b) Esboça o gráfico da função g .
c) Indica o contradomínio da função g .
d) Determina os valores de x para os quais a área da região colorida
1
é igual a .
4
continua

86 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


continuação

Resolução

a) É referido que o ponto P parte de A , dá uma volta completa (em


sentido contrário ao movimento dos ponteiros do relógio) e termina
o seu percurso novamente em A .

À medida que o ponto P descreve esta volta, x (medida, em radianos,


da amplitude do ângulo cujo lado origem é o semieixo positivo Ox e
.
cujo lado extremidade é a semirreta OP) varia de 0 a 2p .

Portanto, o domínio da função g é [0, 2p] .


Determinemos agora uma expressão analítica que defina a função g .
Para cada posição do ponto P , seja Q a sua projeção ortogonal sobre
o eixo Ox .

y y
1 1
P

x
x A Q A
O Q 1x O 1x

A área da região colorida é dada por:

OA * PQ 1 * 0 sen x 0 0 sen x 0
= =
2 2 2
0 sen x 0
Conclusão: g é a função de domínio [0, 2p] , definida por g (x) = .
2

b) Em [0, 2p] , o gráfico da função definida por y = sen x é:

y
1

3␲
2 2␲
O ␲ ␲ x
2

-1

Portanto, em [0, 2p] , o gráfico da função definida por y = 0 sen x 0 é:

y
1

O ␲ ␲ 3␲ 2␲ x
2 2

continua

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 87


continuação

Logo, o gráfico da função g é:

1
2

O ␲ ␲ 3␲ 2␲ x
2 2

c) Por análise do gráfico, conclui-se que o contradomínio da função g

é c0, d .
1
2
d) Tem-se:
0 sen x 0 1
y
1
1
g (x) = § = §
4 2 4

§ 0 sen x 0 =
1 1 1 1x
§ sen x = › sen x = - §
2 2 2
p p p p
§ x = › x = p - › x = p + › p = 2p - §
6 6 6 6
p 5p 7p 11p
§x = › x = ›x= ›x=
6 6 6 6

cos x
5. Considera a função f , de domínio ]- p, p[ , definida por f (x) = .
1 + cos x
a) Determina a ordenada do ponto de interseção do gráfico da função f
com o eixo Oy .

b) Na figura ao lado está represen- y


tada, em referencial o.n. xOy , f
Q
uma parte do gráfico da fun- R

ção f e um trapézio [OPQR] .


P x
O ponto O é a origem do re- O

ferencial e os pontos P e R
pertencem aos eixos Ox e Oy ,
respetivamente. Os pontos P e Q pertencem ao gráfico da função f .
1
Sabendo que o ponto R tem ordenada , determina a área do trapézio.
3
Resolução
cos 0 1 1
a) Tem-se f (0) = = = .
1 + cos 0 1 + 1 2
Portanto, a ordenada do ponto de interseção do gráfico da função f
1
com o eixo Oy é igual a .
2
base maior + base menor
b) A área de um trapézio é dada por * altura .
2
Neste caso tem-se:
r base maior = OP = abcissa do ponto P
O ponto P é ponto de interseção do gráfico de f com o semieixo
positivo Ox . Portanto, a sua abcissa é um dos zeros da função f .
continua

88 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


continuação

De acordo com o enunciado, o domínio da função f é o intervalo


]- p, p[ . Logo, a abcissa do ponto P pertence ao intervalo ]0, p[ .
Neste intervalo, tem-se:
cos x p
f (x) = 0 § = 0 § cos x = 0 § x =
1 + cos x 2
p
Portanto, a base maior é .
2
r base menor = RQ = abcissa do ponto Q
1
O ponto Q pertence ao gráfico de f , tem ordenada e abcissa em
3
]0, p[ .
Neste intervalo, tem-se:
cos x 1 1 p
= § 3 cos x = 1 + cos x § cos x = § x =
1 + cos x 3 2 3
p
Portanto, a base menor é .
3
1
r altura = OR = ordenada do ponto R =
3
p p 3p 2p
+ +
2 3 1 6 6 5p
Logo, a área do trapézio é * = = .
2 3 6 36

6. Considera a expressão f (x) = a + b sen2 x .


Sempre que se atribui um valor real a a e um valor real a b , obtemos
uma função de domínio R .
1
a) Nesta alínea, considera a = 2 e b = - 5 . Sabe-se que tg q = .
2
Calcula f (q) .
b) Mostra que, quaisquer que sejam a, b å R , f é periódica de período p .

c) Para um certo valor de a e um certo


y
valor de b , a função f tem o seu
1
gráfico parcialmente representado
na figura ao lado. -␲
2
O ␲ x
Conforme essa figura sugere, tem-se:
r f (0) = 1

r f a- b = - 3
p
2
-3
Determina a e b .
Resolução
a) Tem-se:
2
§1+a b =
1 1 1 5 1 4
1 + tg2 q = § = § cos2 q = §
cos2 q 2 cos2 q 4 cos2 q 5
4 1
§ sen2 q = 1 - § sen2 q =
5 5
1
Portanto, f (q ) = 2 - 5 sen2 q = 2 - 5 * =1
5
continua

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 89


continuação

b) Tem-se:
f(x + p) = a + b sen2 (x + p) = a + b [sen (x + p)]2 =
= a + b (- sen x)2 = a + b sen2 x = f (x)
Logo, quaisquer que sejam a, b å R , f é periódica de período p .
c) f (0) = 1 § a + b sen 0 = 1 § a = 1
2

f a- b = - 3 § a + b sen2 a- b = - 3 §
p p
2 2
§ 1 + b * (- 1)2 = - 3 § b = - 4

7. Considera a função f definida por f(x) = tg x + sen x .


a) Determina o domínio da função f .
118 Considera a função f defi-
b) Prova que a função f é periódica de período 2p .
nida por:
c) Determina os zeros da função f .
f (x) = cos (2x) + sen (4x)
a) Prova que a função f é pe- Resolução
riódica de período p .
a) Df = R \ e x å R: x = + kp, k å Z f
p
b) Seja A o ponto de interse- 2
ção do gráfico de f com o
b) f (x + 2p) = tg (x + 2p) + sen (x + 2p) = tg x + sen x = f (x)
eixo Oy .
Dos pontos de interseção do c) Em Df , tem-se:
gráfico de f com o semieixo sen x
f (x) = 0 § tg x + sen x = 0 § cos x + sen x = 0 §
positivo Ox , sejam B e C
os que têm menor abcissa. § sen x + sen x cos x = 0 § sen x (1 + cos x) = 0 §
Determina a área do triân- § sen x = 0 › cos x = - 1 § x = kp › x = p + 2kp, k å Z §
gulo [ABC] .
§ x = kp, k å Z

Calculadoras gráficas 8. Sejam f e g as funções, de domínio [0, 2p] , definidas respetivamente


Casio fx-CG 20 ...... pág. 191 por f (x) = 1 + sen x e g (x) = cos2 x - sen2 x .
TI-84 C SE / CE-T .... pág. 194
TI-Nspire CX .......... pág. 196 a) Determina as coordenadas dos pontos de interseção dos dois gráficos.
b) Calcula os zeros da função f * g .
c) Determina todos os pares de pontos (P, Q) , tais que:
r P pertence ao gráfico de f e Q pertence ao gráfico de g ;
r P e Q têm a mesma abcissa;
r P e Q distam de uma unidade.
1
d) Resolve a inequação f (x) > .
2
Resolução
a) Em [0, 2p] , tem-se:
1 + sen x = cos2 x - sen2 x § 1 + sen x = 1 - sen2 x - sen2 x §
§ 2 sen2 x + sen x = 0 § sen x (2 sen x + 1) = 0 §
1
§ sen x = 0 › 2 sen x + 1 = 0 § sen x = 0 › sen x = - §
2
p p
§ x = 0 › x = p › x = 2p › x = p + › x = 2p - §
6 6
7p 11p
§ x = 0 › x = p › x = 2p › x = ›x=
6 6
continua

90 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


continuação

Para x = 0 , 1 + sen x = 1 + sen 0 = 1 + 0 = 1 " Ponto (0, 1)


Para x = p , vem 1 + sen x = 1 + sen p = 1 + 0 = 1 " Ponto (p, 1)
Para x = 2p , vem 1 + sen x = 1 + sen (2p) = 1 + 0 = 1 " Ponto (2p, 1)

= 1 - = " Ponto a , b
7p 7p 1 1 7p 1
Para x = , vem 1 + sen x = 1 + sen
6 6 2 2 6 2

= 1 - = " Ponto a , b
11p 11p 1 1 11p 1
Para x = , vem 1 + sen x = 1 + sen
6 6 2 2 6 2
Portanto, as coordenadas dos pontos de interseção dos dois gráficos são:

(0, 1) , (p, 1) , (2p, 1) , a , b e a , b


7p 1 11p 1
6 2 6 2

b) Em [0, 2p] , tem-se:


(1 + sen x)(cos2 x - sen2 x) = 0 §
§ 1 + sen x = 0 › cos2 x - sen2 x = 0 §
§ sen x = - 1 › (cos x - sen x)(cos x + sen x) = 0 §
§ sen x = - 1 › cos x = sen x › cos x = - sen x §
3p p 5p 3p 7p
§ x= ›x= ›x= ›x= ›x=
2 4 4 4 4

c) Em [0, 2p] , tem-se:

0 f (x) - g (x) 0 = 1 §
§ 0 1 + sen x - (cos2 x - sen2 x) 0 = 1 §
§ 0 1 + sen x - (1 - sen2 x - sen2 x) 0 = 1 §
§ 0 1 + sen x - (1 - 2 sen2 x) 0 = 1 §
§ 0 1 + sen x - 1 + 2 sen2 x 0 = 1 §
§ 0 sen x + 2 sen2 x 0 = 1 §
§ sen x + 2 sen2 x = 1 › sen x + 2 sen2 x = - 1 §
§ 2 sen2 x + sen x - 1 = 0 › 2 sen2 x + sen x + 1 = 0 §
twwwwuwwwwv
Equação impossível

- 1 ¿ "1 - 4 * 2 * (- 1) -1 ¿ 3
§ sen x = § sen x = §
2*2 4
1 3p p 5p
§ sen x = - 1 › sen x = § x = ›x= ›x=
2 2 6 6
p
Para x = , vem:
6

f a b = 1 + sen = 1 + = e g a b = cos2 - sen2 = - =


p p 1 3 p p p 3 1 1
6 6 2 2 6 6 6 4 4 2

Assim, tem-se P a , b e Q a , b .
p 3 p 1
6 2 6 2

continua

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 91


continuação

5p
Para x = , vem:
6
f a b = 1 + sen = 1 + = e g a b = cos2
5p 5p 1 3 5p 5p 5p 3 1 1
- sen2 = - =
6 6 2 2 6 6 6 4 4 2

Assim, tem-se P a , b e Qa , b .
5p 3 5p 1
6 2 6 2
3p
Para x = , vem:
2
f a b = 1 + sen = 1 - 1 = 0 e g a b = cos2
3p 3p 3p 3p 3p
- sen2 = 0 - 1 = -1
2 2 2 2 2

Assim, tem-se P a , 0b e Q a , - 1b .
3p 3p
2 2
y
d) Em [0, 2p] , tem-se:

1 1
1 + sen x > § sen x > - § 7␲ 11␲
2 2 6 O 6
x
§ x å c0, c∂d
7p 11p
, 2pd -1
6 6 2

9. Na figura ao lado está representada, em refe- y


rencial o.n. xOy , uma circunferência de cen- A r

tro O e raio r , que interseta o eixo Oy nos


pontos A e B e o semieixo positivo Ox ␪
no ponto C . C
O r x
Considera que um ponto P se desloca ao
longo do arco BCA , nunca coincidindo
com A , nem com B . P

Para cada posição do ponto P , seja q a medida B

da amplitude do ângulo BAP , em radianos.


Seja d a medida da distância do ponto A ao ponto P .
a) Prova que d = 2 r cos q .
b) Admite que r = 2 e que PB = PC .
Determina o valor de d , arredondado às décimas.
c) Admite que d = r . Determina q .
Para esse valor de q , obtém uma expressão, em função de r , para
a área do triângulo [AOP] .
d) Admite que r = 1 e que d = "3 .
Determina o valor de q e o comprimento do arco BP .
e) Admite agora que o ponto P se desloca ao longo do arco BC , nunca
coincidindo com B , nem com C . Seja Q o ponto de interseção da
reta AP com o eixo Ox .
1
Mostra que a área do triângulo [OPQ] é dada por r2 tg q cos (2q ) .
2
f) Admite que r = 2 .
Determina, utilizando uma calculadora gráfica, os valores de q para
os quais a área do triângulo [OPQ] é igual a 0,5. Apresenta os valores
com aproximação às décimas.

continua

92 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


continuação

Resolução
a) O ângulo APB é um ângulo inscrito numa semicircunferência, sendo,
portanto, um ângulo reto. Logo, o triângulo [APB] é retângulo em P .
y
A r


C
O r x

P
B

AP d
Tem-se, então: cos q = = .
AB 2r
Portanto, d = 2 r cos q .

b) Como se tem PB = PC , podemos concluir que os arcos PB e PC têm


p
a mesma amplitude: .
4
y
A 2


C
O 2 x

P

B 4

O ângulo BAP é um ângulo inscrito. Portanto, a sua amplitude é


metade da amplitude do arco PB .
p
4 p
Logo, q = = .
2 8
p
Portanto, d = 2 r cos q = 2 * 2 * cos ) 3,7 .
8
c) Tem-se d = 2r cos q . Admitindo que
y
d = r , vem r = 2 r cos q , pelo que A r
r 1
cos q = = . r
2r 2 ␪
p r P
Uma vez que se tem 0 < q < , vem h
p 2
q= . C
3 O r x
A área do triângulo [AOP] é igual a:
p "3
"3 r2
r * r sen r2 *
r*h 3 2
= = = B
2 2 2 4

continua

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 93


continuação

d) Tem-se d = 2 r cos q . Admitindo que r = 1 e que d = "3 , vem


"3
"3 = 2 cos q , donde cos q = .
2
p p
Uma vez que se tem 0 < q < , vem q = .
2 6
p
A amplitude do arco BP é 2q , ou seja, .
3
y
119 A Rita foi andar num car- A r

rocel. A figura seguinte ilustra


a situação. ␲
6
M
C
O r
d(x)
R P
8 B

B 3
x
C
A
O 5 Como o raio da circunferência é 1, o comprimento de qualquer arco
é igual à medida da sua amplitude, em radianos.
p
Portanto, o comprimento do arco BP é .
3
e) Na figura ao lado: y
Em cada volta, que se inicia no A
ponto A , a Rita descreve uma r P' é a projeção ortogonal do pon-
circunferência, centrada no to P sobre o eixo Oy ;
ponto O , com 5 metros de ␪
r h é a altura do triângulo [OPQ] r
raio, rodando no sentido indi-
relativa à base [OQ] . Q C
cado na figura.
O r x
A mãe da Rita ficou a observá- A área do triângulo [OPQ] é dada h
-la de um ponto M , situado à 2␪
r
distância de 8 metros de O e
OQ * h
por . P’ P
tal que o ângulo AOM é reto. 2
B 2␪
Para cada posição R da Rita, Tem-se:
fica determinado um ângulo de
OQ OQ
amplitude x , medida em ra- r tg q = = r , pelo que OQ = r tg q ;
dianos, que tem como lado ori- OA
.
gem a semirreta OA e como OP’ h
r cos (2q ) = r = r , pelo que h = r cos (2q ) .
lado extremidade a semirreta
. Assim, a área do triângulo [OPQ] é igual a:
OR .
OQ * h r tg q * r cos (2q ) 1 2
= r tg q cos (2q ) , com q å d 0, c
a) Mostra que, para cada valor p
=
de x , a distância d(x) , da 2 2 2 4
Rita à mãe, é dada, em me-
tros, por: f) Para r = 2 , a área do triângulo [OPQ] é y
d(x) = "89 - 80 sen x dada por 2 tg q cos (2q) .

b) Calcula d a b e justifica o
p Reproduz-se ao lado o gráfico da função de-
2
finida em d 0, c por y = 2 tg x cos (2x) ,
p
valor obtido, no contexto
4
do problema.
bem como a reta de equação y = 0,5 ,
O 0,3 0,6 x
obtidos na calculadora.
Mais sugestões de trabalho As soluções procuradas são as abcissas dos pontos de interseção das
Exercícios propostos n.os 124 a 132
duas linhas. Portanto, os valores de q para os quais a área do triângu-
(págs. 112 a 114). lo [OPQ] é igual a 0,5 são (aproximadamente) 0,3 e 0,6.

94 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Funções trigonométricas inversas
Função arco-seno
Comecemos por recordar o conceito de função inversa de uma função bijetiva.
Seja, por exemplo, f : {1, 2, 3} " {a, b, c} a função definida pelo seguinte diagrama
de setas:

1 f a

2 b

3 c

A função inversa de f designa-se por f - 1 e é a função definida pelo seguinte


diagrama:

1 f -1 a

2 b

3 c

A função f - 1 inverte o sentido das setas.

De um modo geral, dada uma função bijetiva f : A " B , dá-se o nome de RECORDA
Apenas as funções bijetivas têm in-
função inversa de f à função f - 1 : B " A tal que, para qualquer y perten- versa.
cente a B , f - 1 (y) é o elemento x pertencente a A tal que f (x) = y .
A B
f

x y

f -1

Tem-se, portanto, f - 1 (y) = x § f (x) = y .

Vejamos agora a seguinte questão:


Poder-se-á falar na função inversa da função seno?

O contradomínio da função seno é o intervalo [- 1, 1] .

Será que se pode falar na função inversa da função g : R " [- 1, 1] definida


por g (x) = sen x ?
Não, porque a função g não é injetiva.

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 95


Observando o gráfico desta função, verificamos que a sua restrição ao intervalo

c- , d é injetiva e tem contradomínio [- 1, 1] . Designa-se esta restrição por


p p
2 2
restrição principal da função seno.

-␲ 3␲
-␲ 2 ␲ 2 2␲
␲ 5␲ x
- 3␲ O
2
2 2

-1

A restrição principal da função seno é, portanto, a função:

f : c- , d " [- 1, 1]
p p
2 2
x |" sen x

Na figura seguinte está representado o gráfico desta função.

1
f
-␲
2
O ␲ x
2

-1

Dá-se o nome de arco-seno à função inversa da restrição principal da função seno;


assim, arco-seno de um número x å [-1, 1] é o número de intervalo c- , d
p p
2 2
cujo seno é x .
A função arco-seno representa-se por arcsen.
Tem-se, portanto:

arcsen x é a medida da amplitude aem radianos e pertencente a c- , d b do


p p
2 2
ângulo (ou arco) cujo seno é x .

Como a função arco-seno é a função inversa da restrição principal da função


seno, tem-se:

r Ax å f - 1, 1 g , sen (arcsen x) = x

r Ax å c- , d, arcsen (sen x) = x
p p
2 2

96 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Recordemos que, sendo f uma função y
(real de variável real) bijetiva e sendo f - 1 f -1
f
a sua inversa, o gráfico de f - 1 é simétrico
do gráfico de f relativamente à bissetriz
dos quadrantes ímpares.
O x
Desta forma, podemos obter o gráfico da
função arco-seno a partir do gráfico da
restrição principal da função seno, como
se ilustra na figura ao lado.

A função arco-seno: y
r tem domínio f - 1, 1 g ; ␲
2

r tem contradomínio c- , d ;
p p
2 2
r é crescente; -1
O 1 x
r é ímpar;
r tem um zero, que é 0.
-␲
2

EXEMPLOS

"2 p p "2
apois å c- , d e sen = b
p p p
r arcsen =
2 4 4 2 2 4 2
"3 p p "3
apois å c- , d e sen = b
p p p
r arcsen =
2 3 3 2 2 3 2

r arcsen a- b = - apois - å c- , d e sen a- b = - b


1 p p p p p 1
2 6 6 2 2 6 2

Nas calculadoras, a função arco-seno é representada por sin- 1 .

Assim, estando selecionado o modo radiano, sin- 1 x fornece o número do


intervalo c- , d (eventualmente aproximado) cujo seno é x .
p p
2 2
Por exemplo: em modo radiano, o número apresentado pela calculadora para
aalgumas calcu-
p
sin- 1 (0,5) é 0,523 598 7756, que é um valor aproximado de
6
ladoras apresentam b.
p NOTA
* A função arco-seno é uma função
6
real de variável real e, como tal,
Observe-se que, estando selecionado o modo grau, sin- 1 x fornece o valor arcsen x é um número real (sendo
x å [- 1, 1]). No entanto, é frequente
(eventualmente aproximado) da medida da amplitude (em graus e entre - 90 e o abuso de linguagem que consiste
90) do ângulo cujo seno é x . em escrever a = arcsen x , sendo a
um ângulo ou uma amplitude, que-
Por exemplo: em modo grau, o valor fornecido pela calculadora para sin- 1 (0,5) rendo significar que a é um ângulo
é 30; escreve-se, por vezes, embora de forma incorreta, arcsen (0,5) = 30°* . agudo orientado e que sen a = x .

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 97


Função arco-cosseno
A função g : R " [- 1, 1] definida por g (x) = cos x não tem inversa, uma vez
que não é injetiva.

Observando o gráfico da função g , verificamos que a sua restrição ao intervalo


[0, p] é injetiva e tem contradomínio [- 1, 1] . Designa-se esta restrição por
restrição principal da função cosseno.

1
3␲ 7␲
-␲ ␲ 2 3␲ 2
-␲ O ␲ 2␲ 5␲ 4␲ x
2 2 2
-1

A restrição principal da função cosseno é, portanto, a função:

f : f 0, p g " [- 1, 1]
x |" cos x

Na figura seguinte está representado o gráfico desta função.

y
1
f


O ␲ x
2

-1

Dá-se o nome de arco-cosseno à função inversa da restrição principal da função


cosseno; assim, arco-cosseno de um número x å [-1, 1] é o número do interva-
lo [0, p] cujo cosseno é x .

A função arco-cosseno representa-se por arccos.


Tem-se, portanto:

arccos x é a medida da amplitude (em radianos e pertencente a [0, p]) do


ângulo (ou arco) cujo cosseno é x .

Como a função arco-cosseno é a função inversa da restrição principal da função


cosseno, tem-se:

r Ax å f - 1, 1 g , cos (arccos x) = x
r Ax å f 0, p g , arccos (cos x) = x

98 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


y

Podemos obter o gráfico da função arco-


f -1
-cosseno a partir do gráfico da restrição
principal da função cosseno, como se ilus-
tra na figura ao lado (tendo em conta que
os dois gráficos são simétricos um do
outro relativamente à bissetriz dos qua-
drantes ímpares). O x
f

A função arco-cosseno:
y
r tem domínio f - 1, 1 g ; ␲

r tem contradomínio f 0, p g ;

r é decrescente;
r tem um zero, que é 1.

-1 O 1 x

EXEMPLOS

"3 p apois p å f 0, p g e cos p = "3 b


r arccos =
2 6 6 6 2

"2 b 3p "2
r arccos a- apois = cos ap - b = - b
3p 3p p
= å f 0, p g e cos
2 4 4 4 4 2
r arccos (- 1) = p (pois p å [0, p] e cos p = - 1)

Nas calculadoras, a função arco-cosseno é representada por cos- 1 .

Assim, estando selecionado o modo radiano, cos- 1 x fornece o número do


intervalo [0, p] (eventualmente aproximado) cujo cosseno é x .

Por exemplo: em modo radiano, o número apresentado pela calculadora para


cos- 1 (- 1) é 3,141 592 654, que é um valor aproximado de p (algumas calcula-
doras apresentam p).

Observe-se que, estando selecionado o modo grau, cos- 1 x fornece o valor


(eventualmente aproximado) da medida da amplitude (em graus e entre 0 e 180) NOTA
* Tal como já foi referido em relação
do ângulo cujo cosseno é x .
à função arco-seno, também aqui se
comete um abuso de linguagem ao
Por exemplo: em modo grau, o valor fornecido pela calculadora para cos- 1 (- 1) escrever a = arccos x , sendo a um
é 180; escreve-se, por vezes, embora de forma incorreta, arccos (- 1) = 180°*. ângulo ou uma amplitude.

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 99


Função arco-tangente
A função g : R \ e x å R : x =+ kp, k å Z f " R definida por g (x) = tg x não
p
2
tem inversa, uma vez que não é injetiva.
Observando o gráfico da função g , verificamos que a sua restrição ao intervalo
d - , c é injetiva e tem contradomínio R . Designa-se esta restrição por restrição
p p
2 2
principal da função tangente.
y

O ␲ ␲ x
- 3␲ -␲ -␲ 3␲ 2␲ 5␲
2 2 2 2 2

A restrição principal da função tangente é, portanto, a função:

f: d - , c " R
p p
2 2
x |" tg x
Na figura seguinte está representado o gráfico desta função.
y

-␲ O ␲ x
2 2

Dá-se o nome de arco-tangente à função inversa da restrição principal da função


tangente; assim, arco-tangente de um número real x é o número do intervalo
d - , c cuja tangente é x .
p p
2 2
A função arco-tangente representa-se por arctg. Tem-se, portanto:

arctg x é a medida da amplitude aem radianos e pertencente a d - , c b do


p p
2 2
ângulo (ou arco) cuja tangente é x .

Como a função arco-tangente é a função inversa da restrição principal da função


tangente, tem-se:

r Ax å d - , c, arctg (tg x) = x
p p
r Ax å R, tg (arctg x) = x
2 2

100 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


y
f

Podemos obter o gráfico da função arco-tan-


gente a partir do gráfico da restrição princi-
f -1
pal da função tangente, como se ilustra na
figura ao lado (tendo em conta que os dois O x
gráficos são simétricos um do outro relativa-
mente à bissetriz dos quadrantes ímpares).

A função arco-tangente:
r tem domínio R ; y

r tem contradomínio d - , c ;
p p 2
2 2
r é crescente; O x

r é ímpar;
-␲
2
r tem um zero, que é 0.

EXEMPLOS

"3 p p "3
apois å d - , c e tg = b
p p p
r arctg =
3 6 6 2 2 6 3

r arctg "3 = apois å d - , c e tg = "3b


p p p p p
3 3 2 2 3

apois - å d - , c e tg a- b = - 1b
p p p p p
r arctg (- 1) = -
4 4 2 2 4

Nas calculadoras, a função arco-tangente é representada por tan- 1 .


Assim, estando selecionado o modo radiano, tan- 1 x fornece o número do inter-
valo d - , c cuja tangente é x .
p p
2 2
Por exemplo: em modo radiano, o número apresentado pela calculadora para
tan- 1 Q - "3 R é - 1,047 197 551, que é um valor aproximado de - aalgumas
p
3
calculadoras apresentam - b.
p
3
Observe-se que, estando selecionado o modo grau, tan- 1 x fornece o valor
(eventualmente aproximado) da medida da amplitude (em graus e entre - 90 e
NOTA
90) do ângulo cuja tangente é x . * Chama-se a atenção para o facto
de se tratar de um abuso de lingua-
Por exemplo: em modo grau, o valor fornecido pela calculadora para gem a escrita de a = arctg x , sendo
tan- 1 Q - "3 R é - 60; escreve-se, por vezes, embora de forma incorreta, a um ângulo ou uma amplitude, dado

arctg Q - "3 R = -60°*.


que a função arco-tangente é uma
função real de variável real.

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 101


Exercícios resolvidos
1. Determina o valor de 4 arcsen (- 1) + 6 arccos a- b - arctg 0 .
1
2
Resolução

4 arcsen (- 1) + 6 arccos a- b - arctg 0 =


1
2
120 Determina o valor de:
= 4 * a- b + 6 * ap - b - 0 =
p p
"3 b
arcsen a b + arccos a-
1 2 3
+
2 2 2p
+ 4 arctg (- 1) = - 2p + 6 * =
3
= - 2p + 4p =
= 2p

2. Prova que Ax å [- 1, 1], cos (arcsen x) = "1 - x2 .


Resolução

Seja x å [- 1, 1] e seja a = arcsen x .

Então, a å c- , d e sen a = x .
p p
2 2

Portanto,
cos2 a = 1 - sen2 a = 1 - x2

Como a å c- , d , tem-se cos a ≥ 0 , pelo que cos a = "1 - x2 .


p p
2 2
Logo,
cos (arcsen x) = cos a = "1 - x2

3. Determina o valor de 10 sen aarcsen b - 5 cos carcsen a- bd .


2 3
121
5 5
a) Prova que Ax å [- 1, 1] , Resolução
sen (arccos x) = "1 - x2 .
10 sen aarcsen b - 5 cos carcsen a- bd =
2 3
b) Determina o valor de: 5 5
cos aarccos b +
1 2
- 5 * 1 - a- b =
2 3
3 = 10 *
5 Å 5
"5 b
+ sen c arccos a- d
3 9
= 4-5* 1- =
Å 25

16
= 4-5* =
Å 25
4
= 4-5* =
5
= 4-4 =
=0
continua

102 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


continuação

4. a) Prova que:
1
Ax å R, cos (arctg x) =
"1 + x2

b) Tendo em conta a alínea anterior, prova que:


5 12 p
arctg + arcsen =
12 13 2
Resolução
a) Seja x å R e seja a = arctg x .

Então, a å d - , c e tg a = x .
p p
2 2

1 1
Portanto, 2
= 1 + tg2 a = 1 + x2 , pelo que cos2 a = .
cos a 1 + x2

Como a å d - , c , tem-se cos a > 0 , pelo que cos a =


p p 1
.
2 2 Å 1 + x2

1 1
Logo, cos (arctg x) = cos a = = .
Å 1 + x2 "1 + x2

5 12 p
b) arctg + arcsen = § NOTA
12 13 2
Como a função arco-seno é a fun-
12 p 5 ção inversa da restrição principal da
§ arcsen = - arctg § função seno, tem-se, para qualquer
13 2 12
x å [-1, 1] e para qualquer y per-
tencente a c- , d ,
p p
§ sen a - arctg b =
p 5 12
§ 2 2
2 12 13 arcsen x = y § sen y = x .
12
å f-1, 1g e
§ cos aarctg b=
5 12 Neste caso, tem-se
§ 13
12 13
å c- , d , pelo que
p 5 p p
- arctg
2 12 2 2
1 12 12 p 5
§ = § arcsen = - arctg §
2 13
1+a b
5 13 2 12
Å § sen a - arctg b =
p 5 12
12
2 12 13
1 12
§ = §
25 13
1+
Å 144

1 12
§ = §
169 13
Å 144

1 12
§ = §
13 13
12
12 12
§ = , o que é verdade.
13 13

continua

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 103


continuação

5. Seja f a função definida por f (x) = arcsen ax - b.


x2
2
Determina:
a) o domínio de f ;
b) os zeros de f .

Resolução
a) O domínio da função arco-seno é [- 1, 1] . Assim, o domínio de f é

e x å R: - 1 ≤ x -
x2
≤ 1f .
2
Tem-se:
x2
-1 ≤ x - ≤1 §
2
§ - 2 ≤ 2x - x2 ≤ 2 §
§ - 2 ≤ 2x - x2 ‹ 2x - x2 ≤ 2 §
§ x2 - 2x - 2 ≤ 0 ‹ - x2 + 2x - 2 ≤ 0 §
§ x2 - 2x - 2 ≤ 0 ‹ x2 - 2x + 2 ≥ 0

Determinemos os zeros da função definida por y = x2 - 2x - 2 .


Tem-se:
2 ¿ "4 - 4 * 1 * (- 2) 2 ¿ "12
x2 - 2x - 2 = 0 § x = § x= §
2 2
2 ¿ 2"3
§ x= § x = 1 ¿ "3
2
Portanto,
x2 - 2x - 2 ≤ 0 § 1 - "3 ≤ x ≤ 1 + "3

A equação x2 - 2x + 2 = 0 é impossível.
Portanto, função definida por y = x2 - 2x + 2 não tem zeros.
Logo, x2 - 2x + 2 ≥ 0 é uma condição universal.
Assim,
x2 - 2x - 2 ≤ 0 ‹ x2 - 2x + 2 ≥ 0 §
§ x2 - 2x - 2 ≤ 0 §
§ 1 - "3 ≤ x ≤ 1 + "3
Portanto, o domínio de f é f 1 - "3, 1 + "3 g .

122 Seja f a função definida por


b) Tem-se:

f (x) = 6 arccos a b.
x+3
f (x) = 0 § arcsen ax - b=0 §
x2
2
2
Determina:
= 0 § x a1 - b = 0 §
x2 x
a) o domínio de f ; § x-
2 2
b) a abcissa do ponto de inter-
x
seção do gráfico de f com a § x=0›1- =0 § x=0›x=2
reta de equação y = 4p . 2

continua

104 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


continuação

6. Determina o valor de x , com aproximação à centésima, que verifica cada


uma das seguintes condições:

a) 1 + 3 sen x = 0 ‹ x å c- , d
p p
2 2

b) tg x = - 4,7 ‹ x å c
5p
, 3pd
2

c) cos (2x) = - 0,6 ‹ x å c-


3p
, - pd
2
Resolução
1
a) Tem-se 1 + 3 sen x = 0 § sen x = - .
3

Como se pretende x å c- , d , tem-se x = arcsen a- b .


p p 1
2 2 3
Utilizando agora a calculadora em modo radiano, obtém-se

sin - 1 a- b ) 0,34 .
1
3
Portanto, x ) 0,34 .

b) Utilizando a calculadora em modo radiano, tan- 1 (- 4,7) dá um valor

aproximado de a å d - , 0c tal que tg a = - 4,7 .


p
2

Pretende-se x å c
5p
, 3pd tal que tg x = tg a .
2
Tem-se tg x = tg a § x = a + kp (k å Z) .

Como a å d - , 0c e x å c , 3pd , tem-se x = a + 3p .


p 5p
2 2
Portanto, x = a + 3p = tan- 1 (- 4,7) + 3p ) 8,06 .

c) Utilizando a calculadora em modo radiano, cos- 1 (- 0,6) dá um valor


aproximado de a å [0, p] tal que cos a = - 0,6 .

Pretende-se x å c-
3p
, - pd tal que cos (2x) = cos a .
2
Tem-se:
cos (2x) = cos a § 2x = a + 2kp › 2x = - a + 2kp §
a a
§ x = + kp › x = - + kp (k å Z)
2 2

å c0, d e - å c- , 0d .
a p a p
Como a å [0, p] , vem
2 2 2 2

+ kp å ckp, + kpd e - + kp å c- + kp, kpd .


a p a p
Portanto, 123 Determina o valor de x ,
2 2 2 2
com aproximação à centésima,
cos - 1 (- 0,6) tal que:
Como x å c- , - pd , tem-se x = - - p = -
3p a
- p ) - 4,25
2 - 5 sen x = 0 ‹ x å c d
2 2 2 13p 15p
,
2 2

continua

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 105


continuação

7. Um satélite S tem uma órbita elíp-


tica em torno da Terra, tal como se S x

representa na figura ao lado. Tem


d
em atenção que os elementos nela
A P
desenhados não estão na mesma
escala.
Na elipse estão assinalados dois
pontos:
r o apogeu, A , que é o ponto da órbita mais afastado do centro da Terra;
r o perigeu, P , que é o ponto da órbita mais próximo do centro da Terra.

O ângulo x , assinalado na figura, tem o seu vértice no centro da Terra;


o seu lado origem passa no perigeu, o seu lado extremidade passa no
satélite e a sua amplitude está compreendida entre 0 e 360 graus.
A distância d , em quilómetros, do satélite ao centro da Terra, é dada por:
7820
d=
1 + 0,07 cos x
Considera que a Terra é uma esfera de raio 6367 km.
a) Determina a altitude do satélite (distância à superfície da Terra) quando
este se encontra no apogeu.
Apresenta o resultado em quilómetros, arredondado às unidades.
b) Num certo instante, o satélite está na
posição indicada na figura ao lado.
x
A distância do satélite ao centro da
Terra é, então, de 8200 km.
Determina o valor de x , em graus,
arredondado às unidades.
Adaptado de Exame Nacional, 1.a fase,
2.a chamada, 2000 S
Resolução
a) Quando o satélite se encontra no apogeu, tem-se x = 180° .
Portanto, a altitude do satélite é:
7820
- 6367 ) 2042 (quilómetros)
1 + 0,07 cos 180°
7820 380
b) = 8200 § 7820 = 8200 + 574 cos x § cos x = -
1 + 0,07 cos x 574
Utilizando a calculadora em modo grau, obtém-se cos - 1 a- b ) 131°
380
574
Caderno de exercícios (note-se que, tal como já referimos, estando selecionado na calculadora
Funções trigonométricas o modo grau, cos- 1 dá um valor entre 0 e 180).
No entanto, por observação da figura, verifica-se que 180° < x < 270° .
Mais sugestões de trabalho Pretende-se, assim, o valor x , compreendido entre 180° e 270°, tal que
cos x = cos 131° .
Exercícios propostos n.os 133 a 141
(págs. 114 e 115). Ora, cos 131° = cos (360° - 131°) = cos 229° .
+Exercícios propostos Portanto, x ) 229° .
(págs. 116 a 125).

106 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Caça aos erros!
As respostas aos itens seguintes têm um ou mais erros.
Descobre todos os erros!
1 2
Acerca de um ângulo agudo a sabe-se que tg a = .
3
Determina sen a e cos a .
Resposta de um aluno:
sen
tg = cos ; sen a = 2 e cos a = 3

Seja a å d , p c tal que sen a = .


2 p 2
2 3
a) Determina o valor exato de cos a .

b) Determina a . Apresenta o resultado arredondado às centésimas.


Resposta de um aluno:
22 4 5
a) sen a + cos a = 1 §
2 2
+ cos a2 = 1 § cos a = 1 - § cos a =
3 Å 9 Å9

a b ) 0,588 .
-1 2
b) Recorrendo à calculadora, obtém-se a = tan
3

Simplifica a expressão sen (x + p) + cos a - xb .


3 p
2
Resposta de um aluno:

sen (x + p) + cos a - xb = sen x + sen p + cos a b + cos (- x) =


p p
2 2
= sen x + 0 + 0 - cos x = sen x - cos x

4 Na figura está representado um triângulo retângulo [ABC] ; sabe-se que AC = 3 e que C


W
CAB = x . Determina uma expressão da área do triângulo em função de x .
Resposta de um aluno:
x
P = AC + AB + BC = 3 + AB + BC . Num triângulo retângulo, o cosseno é o cateto adjacente
A B
e o seno é o cateto oposto. Portanto, P = 3 + cos x + sen x .

5 1
Resolve, em Z , a equação cos x = - .
2
Resposta de um aluno:

= , portanto, - = - cos = cos a- b .


p 1 1 p p
Tem-se cos
3 2 2 3 3

§ cos x = cos a- b § x = ¿ + 2kp, k å R


1 p p
cos x = -
2 3 3

6 1
Determina os valores de x que pertencem ao intervalo [0, 2p[ e satisfazem sen x = - .
2
Resposta de um aluno:
1 p p p p 5p
sen x = - § sen x = - § x = - › x = p - § x = - › x =
2 6 6 6 6 6

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 107


Teste 3 Grupo I

5 Os cinco itens deste grupo são de escolha múltipla. Para cada um deles, escolhe
a única opção correta.

1. Na figura ao lado está representado um triângulo


retângulo [ACD] .
C

5
Tem-se AD = 1 . ?

Qual é o comprimento do segmento [BC] ? B

(A) "3 - 1
15°
(B) "3 + 1
"3
(C) 1 - 45°
3 A D

"3
1
(D) 1 +
3

2. Em que quadrante está o lado extremidade do ângulo generalizado de am-


plitude - 700°, supondo que, como habitualmente, o lado origem coincide
com o semieixo positivo Ox ?
(A) 1.° (B) 2.° (C) 3.° (D) 4.°

3. Considera, numa circunferência de raio 20 cm, um arco com 30 cm de com-


primento.
Qual é a amplitude, em radianos, do ângulo ao centro correspondente?
(A) 1,5 (B) 2 (C) 2,5 (D) 3

4. Na figura seguinte está representada a circunferência trigonométrica.

y
1

O 1 x

Qual é o valor de sen x ?


(A) - 0,3 (B) - 0,6 (C) 0,4 (D) 0,8

Ajuda
5. Qual é o valor de sen2 (arctg 2) - p arctg asen b?
1 19p
Se precisares de ajuda para 2
resolver algum destes itens, 17 19 21 23
consulta a página 188. (A) (B) (C) (D)
20 20 20 20

108 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Grupo II
Na resposta a cada um dos cinco itens deste grupo, apresenta todos os cálculos
que efetuares, explica os raciocínios e justifica as conclusões.

1. Determina o valor de sen a + xb + 2 cos (- x) , sabendo x å c , 2pd e que


3p p

2"2
2 2
sen x = .
3
2. Determina os valores de x pertencentes ao intervalo [- p, p] que são solu-
ções da equação 2 cos2 x + 5 sen x = - 1 .

3. Na figura ao lado está represen- y


tado, em referencial o.n. xOy , B
um arco AB , que é um quarto P
de circunferência de centro na 2 6
origem e raio 2. Um ponto P ␣
O R A Q x
desloca-se ao longo desse arco.
Um ponto Q desloca-se ao longo do eixo Ox , acompanhando o movimento
do ponto P , de tal forma que se tem sempre PQ = 6 .
Para cada posição de P , seja a a amplitude, em radianos, do ângulo AOP .
a) Mostra que a abcissa do ponto Q é dada por f (a) = 2 cos a + "36 - 4 sen a .
2

b) Determina f (0) e interpreta o valor obtido no contexto do problema.

4. Uma roda gigante de um parque de diversões tem doze cadeiras.


No instante em que a roda gigante começa a girar, as cadeiras estão na posi- 4
5 3
ção indicada na figura ao lado.
A distância, em metros, da cadeira 1 ao solo, t segundos após a roda gigante 6 2

ter começado a girar, é dada por d(t) = 7 + 5 sen a b .


pt
30 7 1
a) Determina a distância a que a cadeira número 1 se encontra do solo no
instante em que a roda gigante começa a girar.
8 12
b) Determina o contradomínio da função d e indica, justificando, qual é o 10
9 11
raio da roda gigante.
c) Mostra que a função d é periódica de período 60.

5. Na figura ao lado está representada a circunferência trigonométrica, bem


como duas semirretas que a intersetam nos pontos A e B . y
Tal como a figura sugere, a medida da amplitude (em radianos) do ângulo A
. p
cujo lado extremidade é OA está compreendida entre e p e a medida
2 .
da amplitude (em radianos) do ângulo cujo lado extremidade é OB está
3p O x
compreendida entre e 2p .
2 B
Sabe-se que:
.
r a amplitude do ângulo cujo lado extremidade é OB é tripla da do ângulo
.
cujo lado extremidade é OA ;
ra ordenada de A é igual à abcissa de B .
.
Determina a amplitude do ângulo cujo lado extremidade é OA .

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 109


Síntese
A função seno é a função real de va- y
riável real definida por f (x) = sen x . 1

r Domínio: R , pois, para qualquer 2␲ 4␲


número real x , existe sen x . -␲ O ␲ 3␲ x

-1

r Contradomínio: [- 1, 1] . Portanto, tem máximo igual a 1 e mínimo igual a - 1.


p. 81
Função p
seno r Maximizantes: + 2kp, k å Z
2
p
r Minimizantes: - + 2kp, k å Z
2
r Zeros: kp, k å Z
r Período: periódica de período fundamental 2p .
r Simetrias: tem-se Ax å R, sen (- x) = - sen x . Portanto, a função seno é ímpar.
Logo, o seu gráfico é simétrico relativamente à origem do referencial.

A função cosseno é a função real de y


variável real definida por f (x) = cos x . 1
-3␲ 3␲ 7␲
r Domínio: R , pois, para qualquer 2 2 2
número real x , existe cos x . -␲ O ␲ 5␲ 9␲ x
2 2 2 2
-1

r Contradomínio: [- 1, 1] . Portanto, tem máximo igual a 1 e mínimo igual a - 1.


Função
p. 82
cosseno r Maximizantes: 2kp, k å Z
r Minimizantes: p + 2kp, k å Z
p
r Zeros: + kp, k å Z
2
r Período: periódica de período fundamental 2p .
r Simetrias: tem-se Ax å R, cos (- x) = cos x . Portanto, a função cosseno é par.
Logo, o seu gráfico é simétrico relativamente ao eixo Oy .

A função tangente é a função real de y


variável real definida por f (x) = tg x .

r Domínio:

R\ex å R : x =+ kp, k å Z f
p
- 3␲ -␲ -␲ O ␲ ␲ 3␲ 2␲ 5␲ x
2 2 2 2 2 2
p. 83
Função r Contradomínio: R . Portanto,
tangente não tem máximo nem mínimo.
r Zeros: kp, k å Z
r Período: periódica de período fundamental p .
r Simetrias: tem-se Ax å R, tg (- x) = - tg x . Portanto, a função tangente é ímpar.
Logo, o seu gráfico é simétrico relativamente à origem do referencial.

110 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


Dá-se o nome de arco-seno à função inversa da restrição da função seno ao intervalo c- , d .
p p
2 2
A função arco-seno representa-se por arcsen.
Portanto, arcsen x , com x å [- 1, 1] , é o número do intervalo c- , d cujo seno é x .
p p
2 2
A função arco-seno: y
r tem domínio [- 1, 1] ; ␲
2
r tem contradomínio c- , d ;
p. 96
Função p p
arco-seno 2 2
r é crescente;
-1
r é ímpar, pelo que o seu gráfico é simétrico relativa- O 1 x
mente à origem do referencial;
r tem um zero, que é 0.
Nas calculadoras, a tecla associada à função arco- -␲
2
-seno é sin- 1 , no modo radiano.

Dá-se o nome de arco-cosseno à função inversa da restrição da função cosseno ao interva-


lo [0, p] . A função arco-cosseno representa-se por arccos.
Portanto, arccos x , com x å [- 1, 1] , é o número do intervalo [0, p] cujo cosseno é x .
A função arco-cosseno: y
r tem domínio [- 1, 1] ; ␲
Função
p. 98 r tem contradomínio [0, p] ;
arco-cosseno
r é decrescente;
r tem um zero, que é 1.
Nas calculadoras, a tecla associada à função arco-
-cosseno é cos- 1 , no modo radiano.
-1 O 1 x

Dá-se o nome de arco-tangente à função inversa da restrição da função tangente ao inter-

valo d - , c . A função arco-tangente representa-se por arctg.


p p
2 2
Portanto, arctg x , com x å R , é o número do intervalo d - , c cuja tangente é x .
p p
2 2
A função arco-tangente:
r tem domínio R ;
r tem contradomínio d - , c ;
p p y
Função
p. 100 2 2 ␲
arco-tangente r é crescente; 2
r é ímpar, pelo que o seu gráfico é simétrico
relativamente à origem do referencial;
O x
r tem um zero, que é 0.
Nas calculadoras, a tecla associada à função
-␲
arco-tangente é tan- 1 , no modo radiano. 2

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 111


Exercícios propostos
124 Mostra que a expressão cos x + 3 toma o Sabe-se que:
2 r os vértices A e D do trapézio [ABCD] perten-
valor mínimo 1 e o valor máximo 2 e determina a cem ao eixo Ox ;
expressão geral dos seus maximizantes e minimi-
r o vértice B do trapézio [ABCD] pertence ao
zantes em R .
eixo Oy ;
p
125 r o vértice D do trapézio [ABCD] tem abcissa - ;
6
a) Qual o sinal do seno num quadrante em que o
r os pontos A e C pertencem ao gráfico de f ;
cosseno é positivo e decrescente? r a reta CD é paralela ao eixo Oy .
b) Qual o sinal do cosseno num quadrante em que Determina o valor exato da área do trapézio [ABCD] .
a tangente é negativa e o cosseno é crescente?
in Exame Nacional, 1.a fase, 2011

126 Considera as seguintes funções, ambas de


domínio R \ {0} : 128 Na figura está representado um triângulo isósce-
x+1 les [ABC] inscrito numa circunferência de raio 2.
x se x < 0
r a função g definida por g (x) = μ D
sen x
se x > 0
2x B

1
r a função h definida por h (x) = x Animação
3x C
O G
E
Resolução do
a) No intervalo [- 1, 1000p] , os gráficos de g e exercício 128

de h intersetam-se em vários pontos. Quantos A


são esses pontos?
F
b) Dos pontos referidos na alínea anterior, seja A
o que tem menor abcissa positiva. Determina as Os diâmetros [CE] e [DF] são perpendiculares.
coordenadas desse ponto (apresenta os valores na Considera que o ponto B se desloca ao longo do
forma de dízima, com aproximação às décimas). arco DE e que o ponto A se desloca ao longo do
Adaptado de Exame Nacional, Militares, 2000 arco EF , de tal forma que o lado [AB] é sempre
paralelo a [DF] .
127 Na figura seguinte está representada, num re-
ferencial o.n. xOy , parte do gráfico da função f , Para cada posição do ponto B , x designa a ampli-

tude, em radianos, do ângulo EOB ax å d 0, db .


de domínio R , definida por f (x) = 4 cos (2x) . p
2
y
a) Mostra que a área e o perímetro do triângulo
[ABC] são dados, em função de x , respetiva-
mente por:
f
A(x) = 4 sen x + 4 sen x cos x

C B
P(x) = 4 sen x + 2"8 + 8 cos x

b) Determina A a b e interpreta geometricamente


p
2
o valor obtido.

c) Seja a å d 0, d tal que cos a = .


p 1
D O A x 2 8
Determina P(a) .

112 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


129 A figura seguinte representa uma mesa de a) No dia 24 de março, Dia Nacional do Estudante,
p o Sol nasceu às seis e meia da manhã. Em que
tampo circular com área m2 e um foco luminoso
4 instante ocorreu o pôr do Sol? Apresenta o resul-
colocado na vertical do centro da mesa. tado em horas e minutos (minutos arredondados
Seja a o ângulo de corte do cone de luz, assinalado às unidades).
na figura.
Notas:
r Recorda que, no ano 2000, o mês de fevereiro
teve 29 dias.
r Sempre que, nos cálculos intermédios, proce-
␣ deres a arredondamentos, conserva, no míni-
mo, três casas decimais.

b) Em alguns dias do ano, o tempo que decorreu


entre o nascer e o pôr do Sol foi superior a
14,7 horas.
Recorrendo à tua calculadora, determina em
quantos dias do ano é que isso aconteceu.
Adaptado de Exame Nacional, 1.a fase,
1.a chamada, 2000

a) Quando a = 40º , determina o raio do círculo


de luz projetado na mesa se o foco luminoso 131 A profundidade da água do mar, à entrada de
estiver 1,5 m acima dela. Apresenta o resultado um certo porto de abrigo, varia com a maré.
em cm, arredondado às décimas.
Admite que, num certo dia, a profundidade é de
b) Exprime a área do círculo de luz sobre a mesa 11 metros, na maré alta, e de 7 metros, na maré
em função de a , supondo que a luz está coloca- baixa.
da 1 m acima da mesa. Admite ainda que o tempo que decorre entre cada
maré baixa e cada maré alta é de 6 horas, sendo
c) Determina a amplitude de a , de modo que o
igualmente de 6 horas o tempo que decorre entre
foco luminoso, colocado 1,2 m acima da mesa,
cada maré alta e cada maré baixa.
ilumine, exatamente, o tampo. Apresenta o re-
sultado em graus e minutos (estes arredondados Nestas condições, apenas uma das expressões se-
às unidades). guintes pode definir a função que dá a profundidade,
em metros, da água do mar, à entrada desse porto,
t horas após a maré baixa.
130 No ano 2000, em Lisboa, o tempo que decor-
(A) 9 - 2 cos a (B) 9 - 2 cos a
p p
tb tb
reu entre o nascer e o pôr do Sol, no dia de ordem n 6 3
do ano, foi dado em horas, aproximadamente, por:
(C) 11 - 4 cos a (D) 9 + 2 cos a
p(n - 81) p
tb
p
tb
f (n) = 12,2 + 2,64 sen
183 12 6
com n å {1, 2, 3, …, 366} . Qual é a expressão correta? Numa pequena com-
Por exemplo: posição explica as razões que te levam a rejeitar as
outras três expressões (apresenta três razões dife-
No dia 3 de fevereiro, trigésimo quarto dia do ano,
rentes, uma por cada expressão rejeitada).
o tempo que decorreu entre o nascer e o pôr do Sol
foi de f (34) ) 10,3 horas. in Banco de Itens, IAVE

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 113


132 A figura 1 representa um depósito de forma c) Determina, em metros cúbicos, o volume do
combustível existente no depósito, no momento
cilíndrica, que contém um certo volume de um 1
combustível. em que a sua altura é da altura máxima.
4

C
A

B Apresenta o resultado arredondado às unidades.


Figura 1
Nota: se, nos cálculos intermédios, procederes a
arredondamentos, conserva, no mínimo, três
casas decimais.
in Exame Nacional, 1.a fase, 2004

x 133 Sem recorreres à calculadora, determina o


A C
valor de:
"2
a) 12 arcsen a b + 16 arccos a- b-
B 1
Figura 2 2 2
- 3 arctg Q - "3 R
Admite que a função V , de domínio [0, 2p] , defi-
b) arcsen asen b + arccos asen b-
nida por V(x) = 80(x - sen x) , dá o volume, em 3p 11p
metros cúbicos, de combustível existente no depósi- 4 6

- arctg a sen b
to, em função da amplitude x , em radianos, do 1 2 4p
arco ABC (que, como se sabe, é igual à amplitude 2 3 3
do ângulo ao centro correspondente, assinalado na
figura 2).
134 Prova que:
a) Qual é a capacidade total do depósito, em me- x
Ax å R, arctg x = arcsen Animação
"1 + x2
tros cúbicos? Resolução do
exercício 134
Apresenta o resultado arredondado às unidades.
Nota: se, nos cálculos intermédios, procederes a 135 Recorrendo à calculadora, e com aproxima-
arredondamentos, conserva, no mínimo, três
casas decimais. ção às décimas, indica o valor de:

a) a å d 0, c tal que cos a = 0,6 ;


p
b) Recorre à calculadora para determinar grafica-
2
mente a solução da equação que te permite resol-
b) q å d p, c tal que cos q = - 0,2 ;
ver o seguinte problema: 3p
2
Qual terá de ser a amplitude, em radianos, do
c) x å d , p c tal que tg x = - 2 ;
arco ABC , para que existam 300 m3 de com- p
bustível no depósito? 2

d) a å d p, c tal que sen a = - 0,6 .


Apresenta o resultado na forma de dízima, arre- 3p
dondado às décimas. 2

114 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


136 Indica uma expressão das soluções das equa- 140 O volume de ar nos pulmões de um certo indi-
ções seguintes (usa duas casas decimais). víduo, t segundos após uma primeira expiração,
é dado, em litros e aproximadamente, por:
a) 3 cos x = 1
3 V(t) = 2,5 – 0,3 cos (1,5t)
b) sen (2x) =
4
Em que instantes, durante os primeiros 10 segundos,
c) tg (x + 1) = 2 o volume de ar nos pulmões é de 2,4 litros? Apresenta
os resultados aproximados às décimas de segundo.
137 Determina x , com aproximação ao grau,
sabendo que: 141 Uma partícula move-se numa trajetória circu-
a) cos x = 0,6 e 270º < x < 360º lar de raio 5 cm, em sentido positivo, a velocidade
b) sen x = - 0,8 e 180º < x < 270º constante, dando uma volta em 24 segundos.
No instante zero, a partícula encontra-se na posi-
c) tg x = - 3 e 0 < x < 360º
ção assinalada na figura seguinte.

138 Determina x , com aproximação às centési- y

mas, sabendo que:

e x å d , pc
1 p
a) tg x = -
5 2
O x

b) sen x = 0,8 e x å d , p c
p
2

c) cos x = - 0,3 e x å d p, c
3p
2
a) Qual é, em radianos, a amplitude do arco descrito
139 Resolve, em pela partícula ao fim de 9 segundos?
R , cada uma das equações
E ao fim de 1 min 4 s?
seguintes, apresentando os valores aproximados
com duas casas decimais. b) Qual o comprimento do arco descrito pela par-
a) 2 sen x – 0,8 = 0 tícula ao fim de 15 s?

b) 1 = 3 cos x + 1,8

c) tg (x – 3) = - 10

Capítulo 3 | Funções trigonométricas 115


+Exercícios propostos
Resolução
Exercícios de
Itens de escolha múltipla «+ Exercícios
propostos» – Tema 1
Resolução de triângulos. Lei dos senos e lei dos cossenos

142 Na figura ao lado está representado um triângulo retângulo de área 30.

Sabe-se que tg a = 2,4 .


Qual é o perímetro do triângulo?
(A) 26 (B) 28
(C) 30 (D) 32

143 De um triângulo sabe-se que o perímetro é 24 e que as medidas dos comprimentos dos lados são
três números naturais consecutivos.
Qual é a amplitude do maior ângulo desse triângulo (valor em graus, arredondado às décimas)?
(A) 71,2 (B) 73,4 (C) 74,6 (D) 76,1

144 De um triângulo sabe-se um dos lados mede 6 e que os ângulos adjacentes a esse lado têm 36
e 42 graus de amplitude.
Qual é o perímetro do triângulo, arredondado às décimas?
(A) 13,7 (B) 13,9 (C) 14,1 (D) 14,3

Ângulos orientados e ângulos generalizados. Razões trigonométricas de ângulos generalizados.


Propriedades fundamentais

145 Na figura ao lado estão representados, em referencial o.n. xOy , y


a circunferência trigonométrica e um triângulo [OAB] . 1
A
r Os pontos A e B pertencem à circunferência.
␣ C
r O segmento [AB] é perpendicular ao semieixo positivo Ox .
O 1 x
r O ponto C é o ponto de interseção da circunferência com o semieixo
positivo Ox . B

Seja a a amplitude do ângulo COA aa å d 0, cb .


p
2
Qual das expressões seguintes dá o perímetro do triângulo [OAB] em função de a ?
(A) 2 sen a + cos a (B) sen a + 2 cos a
(C) 2 + 2 cos a (D) 2 + 2 sen a
Adaptado de Exame Nacional, 1.a fase, 2.a chamada, 2002

116 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


146 Na figura ao lado está representada a circunferência trigonométrica y
1
e um retângulo [ABCD] .
A B
Sabe-se que:
r o lado [CD] está contido no eixo das abcissas; D O C 1 x

r os vértices A e B pertencem à circunferência.

Seja a a amplitude do ângulo COB aa å d 0, cb .


p
2
Qual das expressões seguintes dá o perímetro do retângulo [ABCD] em função de a ?

(A) 2 sen a + 4 cos a (B) 4 sen a + 2 cos a


(C) 2 sen a + 2 cos a (D) 4 sen a + 4 cos a

147 Na figura ao lado estão representados, em referencial o.n. xOy : y

r um quarto de círculo, de centro na origem e raio 1;


A
r uma semirreta paralela ao eixo Oy , com origem no ponto (1, 0) ;
r um ponto A pertencente a esta semirreta; ␣
O 1 x
r um ângulo de amplitude a , cujo lado origem é o semieixo positivo Ox
.
e cujo lado extremidade é a semirreta OA .

Qual das expressões seguintes dá o perímetro da região colorida a azul, em


função de a ?
p + 4 1 + sen a p + 4 1 + cos a
(A) + (B) +
4 cos a 4 sen a
p + 2 1 + sen a p + 2 1 + cos a
(C) + (D) +
2 cos a 2 sen a

Adaptado de Exame Nacional, 1.a fase, 2.a chamada, 2001

148 Na figura ao lado está representada a circunferência trigonométrica.


y
1B
Os pontos A , B e C têm coordenadas (1, 0) , (0, 1) e (0, - 1) , res-
petivamente. P

O ponto P desloca-se ao longo do arco AB , nunca coincidindo com o x A


ponto B . O 1 x

Para cada posição do ponto P , seja x a amplitude do ângulo AOP .


Qual das expressões seguintes dá o perímetro do triângulo [OPC] ? C

(A) 2 + "2 + 2 cos x (B) 2 + "2 + 2 sen x

(C) 2 + "2 + cos x (D) 2 + "2 + sen x

Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas 117


149 De uma certa amplitude a compreendida entre 0 e p , sabe-se que tg (2p - a) = 4 .

Qual é o valor de sen a + ab + cos a - ab ?


p 3p
2 2
5"17 3"17 3"17 5"17
(A) - (B) - (C) (D)
17 17 17 17

150 Quais são as soluções da equação 4 + 4 tg2 x = 16 que pertencem ao intervalo [p, 2p] ?

2p 4p 4p 5p
(A) e (B) e
3 3 3 3
5p 7p 7p 11p
(C) e (D) e
4 4 6 6

151 Quantas são as soluções da equação 4 sen x = 1 que pertencem ao intervalo [0, 5p] ?

(A) 3 (B) 4 (C) 5 (D) 6

152 Considera, em [- 2p, 2p] , a equação sen x + cos x = "2 .

Qual das afirmações seguintes é verdadeira?

(A) A equação é impossível. (B) A equação tem exatamente uma solução.

(C) A equação tem exatamente duas soluções. (D) A equação tem exatamente quatro soluções.

Funções trigonométricas e funções trigonométricas inversas

153 Seja f a função, de domínio R , definida por:

f (x) = sen a + xb + cos (p - x) - cos a + xb - sen (2p - x)


3p p
2 2
Qual das expressões seguintes também define a função f ?
(A) sen x + 3 cos x (B) 3 sen x - cos x

(C) 2 sen x + 2 cos x (D) 2 sen x - 2 cos x

154 Uma função real de variável real f é tal que f (0) = 1 .

Qual das seguintes expressões poderá ser f (x) ?


1 + tg x
(B) 2 sen a5x + b (D) 2 cos ax + b
p p
(A) 1 + cos x (C)
6 2 6

155 Uma função f tem domínio R e contradomínio [1, 7] .

Qual das seguintes expressões poderá ser f (x) ?

(A) 3 + 4 sen x (B) 4 + 3 sen x (C) 3 + 4 tg x (D) 4 + 3 tg x

118 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


156 Seja f uma função par, de domínio R , que não admite zeros.

Qual das seguintes expressões pode definir a função f ?

(A) 3 + tg2 x (B) cos2 x (C) 2 + cos x (D) 3 + sen x

157 Seja f : [3p, 5p] " R a função definida por f (x) = 1 - 5 sen x .

Indica o valor de x para o qual f (x) é máximo.


3p 5p 7p 9p
(A) (B) (C) (D)
2 2 2 2

158 Seja f a função, de domínio c 5p , 2pd , definida por f (x) = 1 + sen x .


6
Qual é o contradomínio de f ?

(A) c0, d (B) c1, d (C) c0, d (D) c , 1d


3 3 1 1
2 2 2 2

159 Um navio encontra-se atracado num porto.

A distância de um dado ponto do casco do navio ao fundo do mar varia com a maré.
Admite que, num certo dia, essa distância é dada, em função do tempo t , medido em horas e contado
a partir das zero horas desse dia, por h (t) = 10 + 2 sen a b .
pt
6
A que horas desse dia ocorre a primeira maré baixa?

(A) 3 (B) 6 (C) 9 (D) 12

160 Qual dos seguintes conjuntos está contido no domínio da função f , definida por f (x) = 3
?
1 + tg x

(A) c0, d (B) d , c


p p 3p
2 4 4

(C) d , p c (D) d c
p 3p 5p
,
2 4 4

161 Qual é a solução da equação 3 arcsen (2x + 1) + p = 3p ?


2
1 1
(A) - (B) -
4 2
1 1
(C) (D)
4 2

Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas 119


Itens de construção
Resolução de triângulos. Lei dos senos e lei dos cossenos.
Propriedades fundamentais

162 Observa a figura ao lado e de-


termina a altura do farol.
Apresenta o resultado em metros,
arredondado às décimas. Sempre
que, nos cálculos intermédios, pro-
35°
cederes a arredondamentos, conser-
va, no mínimo, três casas decimais.
Nota: a ilustração não está à escala. 1,5 m

46 m

163 Os espigueiros são construções que servem para guardar cereais, ao mesmo tempo que os prote-
gem da humidade e dos roedores. Por isso, são construídos sobre estacas (pés do espigueiro), de forma
que não estejam em contacto direto com o solo.
Se o terreno for inclinado, os pés do espigueiro assentam num degrau, para que o espigueiro fique na
horizontal, como mostra a fotografia (figura A).
0,5

Espigueiro
3,7

0,8
5

17° 5
Degrau a

Figura A Figura B

A figura B é um esquema do espigueiro da fotografia. Neste esquema, estão também representados os


seis pés do espigueiro, bem como o degrau no qual eles assentam.
O esquema não está desenhado à escala. As medidas de comprimento indicadas estão expressas em
metros. As questões a) e b) referem-se a este esquema.
a) O degrau onde assentam os pés do espigueiro é um prisma triangular reto.
As duas bases deste prisma são triângulos retângulos.
Determina (em metros) a altura, a , do degrau. Indica o resultado arredondado às décimas.
b) O espigueiro é um prisma pentagonal reto, cujas bases são pentágonos não regulares. Cada pentá-
gono pode ser decomposto num retângulo e num triângulo isósceles.
Determina (em metros cúbicos) o volume do espigueiro.
in Exame Nacional, 9.° ano, 2005

120 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


164 Na figura ao lado está representado um pentágono regular [ABCDE] D
inscrito numa circunferência de centro O .

a) Justifica a afirmação: «O triângulo [AOB] é isósceles.» E C


O

b) Mostra que a amplitude do ângulo OAB é 54°.

c) Supondo que OA = 12 cm, determina a área colorida a azul na figura.


A B
Apresenta o resultado arredondado às unidades.
Sempre que, nos cálculos intermédios, procederes a arredondamentos,
conserva, no mínimo, três casas decimais.

165 Mostra que a área de um polígono regular de n lados inscrito numa circunferência de raio 1 é
180° 180°
dada por n cos n sen n .

166 A figura seguinte representa uma ponte sobre um rio.

y
m

18°
25

53° x
14°

Tendo em conta os dados da figura, determina sucessivamente:

a) a distância, x , do tabuleiro ao rio;

b) o comprimento total do tabuleiro (de uma margem à outra);

c) a distância, y , do tabuleiro ao topo do pilar.

Apresenta os valores em metros, arredondados às unidades.

167 Em cada uma das alíneas seguintes são dadas algumas medidas relativas a lados e ângulos de um
triângulo (A , B e C designam as amplitudes dos ângulos opostos aos lados a , b e c , respetiva-
mente).

Resolve os triângulos.

a) A = 73° ; B = 28° ; c = 42 (apresenta os valores de a e b arredondados às unidades)

b) B = 112° ; C = 19° ; c = 23 (apresenta os valores de a e b arredondados às unidades)

c) A = 71,2° ; b = 5,32 ; c = 5,03 (apresenta o valor de a arredondado às centésimas e os valo-


res de B e C arredondados às décimas)

d) a = 32,9 ; b = 42,4 ; c = 20,4 (apresenta os valores de A , B e C arredondados às décimas)

Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas 121


168 Num triângulo, sejam A , B e C as amplitudes dos ângulos opostos aos lados a , b e c ,

respetivamente.

Prova que:

cos A cos B cos C a2 + b2 + c2


a)
a + b + c = 2abc

b) a = b cos C + c cos B

169 Prova as seguintes identidades, para todo o número real x tal que x 0 p + kp, k å Z .
2
1 + sen x cos x 2
a)
cos x + 1 + sen x = cos x

b) tg2 x - sen2 x = tg2 x * sen2 x

Ângulos orientados e ângulos generalizados.


Razões trigonométricas de ângulos generalizados

170 Na figura ao lado estão representadas 12 semirretas com a mesma D


E
C
origem O . O ângulo convexo formado por duas semirretas consecutivas F
tem sempre 30º de amplitude. B
G
a) Qual é o lado extremidade do ângulo orientado cujo lado origem é a A
. H O
semirreta OA e cuja amplitude é:
L
I
a1) 60º a2) - 90º a3) 120º J K

a4) - 150º a5) 180º a6) - 270º

b) Qual é a amplitude, compreendida entre 0º e 360º, do ângulo orien-


.
tado cujo lado origem é a semirreta OD e cujo lado extremidade é a
semirreta:
. . . . . .
b1) OE b2) OI b3) OJ b4) OL b5) OA b6) OC

c) Qual é a amplitude, compreendida entre - 360º e 0º, do ângulo orientado cujo lado origem é a
.
semirrreta OH e cujo lado extremidade é a semirreta:
. . . . . .
c1) OF c2) OE c3) OB c4) OA c5) OK c6) OJ

.
d) Qual é o lado extremidade do ângulo generalizado cujo lado origem é a semirreta OA e cuja
amplitude é:

d1) 450º d2) - 360º d3) 750º d4) - 390º d5) 810º d6) - 930º

122 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


171 Simplifica o mais possível as seguintes expressões:

a) sen (180° - a) + cos (90° - a) + 2 cos (- a) + sen (270° - a)

b) tg (5p + x) - sen (- 3p - x) - cos a-


p
- xb + sen (- x)
2

172 Sem recorreres à calculadora, determina o valor da expressão:

sen a b + 2 cos a- b - 3 tg a b
11p 17p 15p
2 3 4

173 Indica, justificando, o valor lógico de cada uma das proposições seguintes.

b) A a å d , p c, sen a * cos a < 0


p
a) E x å R : 2 sen x = 3
2

Funções trigonométricas e funções trigonométricas inversas

174 Na figura ao lado está representado um quadrado [ABCD] de


D G C
lado 1 e um arco de circunferência BD cujo centro é o vértice A . P
H F
Considera que um ponto P se move ao longo deste arco, sem coincidir
com o ponto B .
1
Para cada posição do ponto P , fica definida a região colorida [ABCP] .

Seja x a amplitude, em radianos, do ângulo BAP ax å d 0, db .


p
x
2
A B
E
a) Mostra que a área da região colorida [ABCP] é dada, em função de
x , por:
1 + sen x - cos x
a (x) =
2
b) Mostra que o perímetro da região colorida [ABCP] é dado, em função de x , por:

p(x) = 3 + "3 - 2(sen x + cos x)

c) Determina a a b e p a b e interpreta os valores obtidos.


p p
4 2
p 5
d) Para um certo b compreendido entre 0 e , tem-se tg b = .
2 12
Determina a (b) .

175 Sejam a , b , c e d números reais, com b > 0 e c > 0 .

Seja f a função, de domínio R , definida por f (x) = a + b sen (cx) .

a) Mostra que o contradomíno de f é [a - b, a + b] .

2p
b) Mostra que o período positivo mínimo de f é
c .

Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas 123


176 A função cujo gráfico se apresenta ao lado é definida
y
por uma expressão do tipo: f

f (x) = a + b sen (cx) , com b > 0 e c > 0


1
O 1 x
Indica os valores de a , b e c .

177 A função cujo gráfico se apresenta ao lado é definida


y
por uma expressão do tipo: f
1
f (x) = a + b sen [c(x - d)] , com b > 0 e c > 0 O 1 x

a) Indica os valores de a , b e c .

b) Justifica que existe uma infinidade de valores possí-


veis para d .

c) Indica o menor valor positivo possível para d .

178 De uma função periódica f , de domínio R , contradomínio [10, 16] e período positivo

minímo 12, sabe-se que:

r é definida por uma expressão do tipo f (x) = a + b sen [c(x - d)] , com b > 0 e c > 0 ;

r tem máximo para x = 8 .

Indica os valores de a , b e c e indica um valor possível para d .

179 Na figura ao lado está representada uma circunferência de


r
diâmetro [AB] e uma reta r . P d(x)

Considera que um ponto P , partindo de A , se desloca sobre a


circunferência.
B A
Sabe-se que, x segundos após o início do movimento, a distância, em

metros, do ponto P à reta r é dada por d (x) = 5 + 4 sen c (x - 3) d .


p
6

a) Qual é a distância do ponto A à reta r ?

b) Qual é o raio da circunferência?

c) Quanto tempo demora o ponto P a descrever uma volta completa?

d) Durante a primeira volta, existem dois instantes em que a distância do ponto P à reta r é igual a 3.
Determina-os.

124 Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas


180 Seja f a função definida por f (x) = 1 + cos x .
cos x
a) Determina o domínio da função f .

b) Mostra que a função f é par.

c) Determina os zeros da função f .

d) Determina f a b - f (2p) .
7p
4
e) Mostra que f é periódica de período 2p .
3 - 2"3
f) Determina as soluções da equação f (x) = que pertencem ao intervalo [4p, 6p] .
3
g) Considera o triângulo [ABC] tal que:

r A é o ponto de interseção do gráfico de f com o eixo Oy ;


r B e C são pontos de interseção do gráfico de f com a reta de equação y = 3 ;
r a abcissa de B pertence ao intervalo [- p, 0] e a abcissa de C pertence ao intervalo [0, p] .
Determina a área do triângulo [ABC] .

181 Seja f a função definida por f (x) = p + 3 arcsen a x - 1 b .


2
a) Determina o domínio da função f .

b) Determina o contradomínio da função f .

c) Seja P o ponto de interseção do gráfico de f com o eixo Ox . Seja Q o ponto de interseção do


gráfico de f com o eixo Oy . Seja O a origem do referencial.
Determina a área do triângulo [OPQ] .

«Os quatro mais»


Resolve os quatro itens que a seguir se apresentam sem utilizar a calculadora.
D E C

* 182 Na figura ao lado está representado um quadrado [ABCD] . Os pontos E


e F são os pontos médios dos lados [CD] e [BC] , respetivamente. F

Determina cos a . ␣
A B
90

* 183 Determina o valor de sen2 (1°) + sen2 (2°) + … + sen2 (90°), ou seja, a sen2 (k°) .
k=1

* 184 Indica, justificando, qual das expressões seguintes define uma função de domínio R que seja
sempre positiva.
(A) sen (x2 + 1) (B) cos (sen x) (C) sen (cos x)

2 sen2 x + 3 cos x - 3 2 cos x - 1


* 185 Prova que, para qualquer x 0 kp (k å Z), se tem
sen2 x
=
1 + cos x
.

Tema 1 | Trigonometria e Funções Trigonométricas 125


2
Tema

Geometria
Analítica
Este tema está organizado em:

1. Declive e inclinação de uma reta.


Produto escalar
5 + 5 | Teste 4
5 + 5 | Teste 5
Caça aos erros!
5 + 5 | Teste 6
Síntese
Exercícios Propostos

+Exercícios Propostos
1. Declive e inclinação de uma reta.
Produto escalar

Declive e inclinação de uma reta


Resolução
Exercícios de «Declive
e inclinação de uma
O conceito de declive de uma reta já te é familiar. Vamos agora introduzir o conceito
reta. Produto escalar» de inclinação de uma reta. Os termos declive e inclinação são utilizados frequentemen-
te em linguagem corrente, mas tens de ter cuidado porque o seu significado não coin-
cide, em muitas situações, com o significado «matemático».

SERÁ QUE…? Declive de retas no plano

RECORDA Considera as retas r , s , t e u representadas em referencial o.n. xOy .


y = mx + b é a equação reduzida
y
da reta que tem declive m e or-
t s
denada na origem b :
u2 "
Pm= , sendo u (u1, u2) um vetor
u1 r
diretor da reta; u
P b é a ordenada do ponto em que a
reta interseta o eixo das ordenadas.
O x
y u
u2
u1
b

O x

a) Designando por mr , ms , mt e mu os declives das retas r , s , t e u ,


escreve os declives das retas por ordem crescente, completando adequa-
damente as desigualdades seguintes: m__ < m__ < m__ < m__ .
b) Considera os pontos R , S , T e U que pertencem, respetivamente,
às retas r , s , t e u .

y
t s
T
u U
S
1
R

O 1 x
r
1 Escreve a equação reduzida
da reta:
a) de declive - 2 e que passa Sabendo que todas as retas passam na origem do referencial, determina:
no ponto de coordenadas
b1) as coordenadas de um vetor diretor de cada uma delas;
(- 1, 3) ;
b2) o declive de cada uma das retas.
b) que passa nos pontos
A(1, 2) e B(0, - 3) . Será que confirmas a ordenação dos declives que escreveste na alínea a?

128 Tema 2 | Geometria Analítica


A inclinação de cada uma das retas r , s , t e u é a amplitude do ângulo assi- 2 Faz uma estimativa da incli-
nalado com a mesma cor. nação de cada uma das retas
r , s , t e u representadas ao
y lado. Depois, recorrendo a um
s
transferidor, obtém o valor arre-
dondado ao grau da inclinação
t
de cada uma das retas.
u

O x

Repara que o semieixo positivo das abcissas é sempre um dos lados de cada um
dos ângulo assinalados.
3 Num referencial o.n. xOy
Fixado um plano munido de um referencial ortonormado xOy e dada uma
representa, recorrendo a mate-
reta r que passa na origem do referencial e é distinta do eixo Ox , a inclina- rial de desenho (régua, esqua-
ção de r é a amplitude do ângulo convexo formado pelo semieixo positivo dro e transferidor), as retas r ,
. s e t , tais que:
das abcissas e a semirreta OP , onde P é um qualquer ponto de r de orde-
nada positiva. a) a reta r passa na origem
A inclinação do eixo das abcissas é nula. e tem 60º de inclinação;
b) a reta s passa na origem
e tem 130º de inclinação;
Seja s uma reta e seja r a reta que passa na origem e é paralela à reta s .
c) a reta t passa no ponto de
A reta s tem inclinação igual à da reta r de acordo com a definição seguinte: coordenadas (- 1, 2) e tem
110º de inclinação.

Fixado um plano munido de um referencial ortonormado xOy , define-se


inclinação de uma reta s como a inclinação da reta paralela a s que passa na
origem do referencial.

4 Na figura seguinte estão


As retas r , s , t e u , representadas abaixo, têm inclinações 40º, 125º, 90º e 0º,
representados, em referencial
respetivamente. o.n. xOy , um triângulo equi-
látero [AOB] e um quadrado
y r
s
y y
t
y [OCDE] . Os vértices A e D
u 0° pertencem ao eixo das abcissas.
125° 90°
40° y
O x O x O x O x

B C

A D
A inclinação, q , de uma reta é tal que: O x

r 0º≤ q < 180º (considerando o grau como unidade de medida da amplitude de E

ângulo);
Indica a inclinação das retas
OC , OB , AB , CD , ED e
r 0 rad ≤ q < p rad (considerando o radiano como unidade de medida da am- OE .
plitude de ângulo).

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 129


Da definição de inclinação de uma reta e do que conheces acerca da relação
entre o declive, m , de uma reta não vertical e a sua representação em referen-
cial o.n., decorre que, designando a inclinação por a :
r a inclinação das retas com declive positivo é a amplitude de um ângulo agudo:
m > 0 § 0° < a < 90°
r a inclinação das retas com declive negativo é a amplitude de um ângulo obtuso:
m < 0 § 90° < a < 180°
r a inclinação das retas com declive zero é a amplitude nula:
m = 0 § a = 0°
Mas podemos ir mais longe na relação entre inclinação e declive de uma reta.

SERÁ QUE…? Inclinação e declive

5 Num referencial o.n. xOy , No referencial o.n. xOy estão representadas a reta r , que passa na origem do
"3
sejam r e s as retas definidas
por y = mx e por y = - mx , referencial e cuja inclinação é 60º, e a reta s , definida pela equação y = - x.
respetivamente (m 0 0). 3
Sabendo que a inclinação da y
reta r é 135º, indica qual é a r
inclinação da reta s .
y = – V√—
3x
3

60°

O x

Será que és capaz de obter o declive da reta r e a inclinação da reta s ?


Mostra que sim!

Num referencial o.n. xOy , seja r a reta de equação y = mx e seja a a sua


inclinação. Vamos ver que m = tg a .
Comecemos por analisar o caso em que m > 0 .
y y = mx

P (1, m)

m

x
O 1

Seja P o ponto da reta r de abcissa igual 1. Então, P (1, m) .


Ora, da definição que demos de tangente de um ângulo orientado, definição essa
que estende a definição de tangente de um ângulo agudo, decorre que a tangente
de a é a ordenada do ponto P .
Portanto, tg a = m .

130 Tema 2 | Geometria Analítica


Consideremos agora o caso em que m < 0 , e seja P o
y
ponto da reta r que tem abcissa 1. O ponto P tem coor-
denadas (1, m) e é o ponto de interseção da reta suporte
y = mx
do lado extremidade do ângulo a com a reta de equação ␣
x = 1 . Portanto, a tangente de a é a ordenada de P , ou
Q(1, 0)
seja, tg a = m .
O x

Finalmente, dado que a inclinação e o declive da reta defi-


nida pela equação y = mx + b são iguais à inclinação e ao
P (1, m)
declive da reta definida por y = mx , pode afirmar-se que:

Fixado um plano munido de um referencial o.n., o declive de uma reta não


vertical é igual à tangente trigonométrica da respetiva inclinação, ou seja, se NOTA
a reta r é definida por y = mx + b e se a é a inclinação da reta r , tem-se: Ao declive de uma reta também se
tg a = m chama coeficiente angular.
Portanto:
r se m ≥ 0 , então a = arctg (m) apois arctg (m) å c0, c e a å c0, c b;
p p
2 2
r se m < 0 , então a = arctg (m) + p apois arctg (m) å d - , 0c e a å d , p c b.
p p
2 2

Exercícios resolvidos
6 Determina a inclinação de
1. Escreve a equação reduzida da reta que passa em A (- 3, 2) e tem inclina- cada uma das retas definidas
p pelas equações seguintes.
ção rad .
6 Apresenta o resultado em graus,
y arredondado às unidades.
a) y = 2,5x + 1
A b) y = - 1,2x + 1
2

-3 O x
7 Escreve a equação reduzida
da reta que passa no ponto de
Resolução coordenadas (- 3, 2) e tem
p 2p
Como vimos, m = tg , e tem-se: inclinação radianos.
6 3
p "3
m = tg § m =
6 3
8
"3
Escreve uma equação veto-
A equação da reta é, então, do tipo y = x + b , e a determinação de b rial da reta que passa no ponto
3 de coordenadas (1, 5) e tem
faz-se atendendo a que as coordenadas de A têm de satisfazer a equação inclinação 30º.

"3
y= x+b :
3
"3
2= * (- 3) + b § 2 + "3 = b
3 Simulador
Geogebra: O declive de
"3
x + 2 + "3 é a equação pedida.
uma reta não vertical
A equação y = é a tangente da sua
3 inclinação
continua

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 131


continuação
9 Considera as retas r e s de
1 2. Determina a inclinação das retas r e s definidas, respetivamente, por:
equações y = x e y = - 4x ,
(x, y) = (- 2, 3) + lQ "2, "6 R, l å R e 3x + 2y = 1
3
representadas em referencial o.n.
y
Apresenta a inclinação da reta r em radianos e apresenta a inclinação da
B reta s em graus e minutos, com erro inferior a 1.
A Resolução

O x O vetor de coordenadas Q "2, "6 R é vetor diretor da reta r e, portanto,


r
s
"6
m= = "3 .
O ponto A pertence à reta r e "2
o ponto B pertence à reta s . p
Então, a inclinação da reta r é rad , pois a reta tem declive positivo
WB . 3
e arctan "3 = .
Determina AO p
Apresenta o resultado em graus 3
e minutos, com os minutos
arredondados às unidades. Relativamente à reta s , comecemos por obter a sua equação reduzida.
3 1
3x + 2y = 1 § 2y = - 3x + 1 § y = - x +
2 2
3
O declive da reta é - e, dado que o declive é um número negativo,
2
já sabemos que a inclinação da reta é uma amplitude entre 90º e 180º.

Recorrendo à calculadora, obtemos arctg a- b ) - 0,983 rad .


3
2
Tem-se - 0,983 rad ) - 56,31° .

Portanto, a ) - 56,31° + 180° , ou seja, a ) 123,69° .


Dado que 0,69° = 0,69 * 60' = 41,4' , tem-se a ) 123° 41' .

Produto escalar de vetores


NOTA O cálculo vetorial tem aplicações nas mais diversas áreas. O produto escalar,
" "
u · v designa o produto escalar que vamos agora estudar, tem largas aplicações na Física, mas também nas enge-
" "
de u e v . Quando não houver am-
biguidade, pode ler-se «produto de
nharias, em Estatística e em Economia. O termo «escalar» indica que o resultado
" " " "
u e v » ou «u vezes v ». deste produto de vetores não é um vetor mas sim um número (escalar).
O produto escalar também se de- " "
Vejamos como vai ser definido o produto escalar de dois vetores não nulos u e v ,
signa por produto interno e, por- " "
" " "
tanto, u · v também se lê «u in- que vamos representar por u · v .
"
terno v ». " "
Suponhamos fixada uma unidade de comprimento e sejam u e v dois vetores.

Situação 1 Situação 2 Situação 3

v
v v
Mais sugestões de trabalho
Exercícios propostos n.os 39 a 41
(pág. 173). u u u

132 Tema 2 | Geometria Analítica


2" " 2" "
Consideremos um ponto qualquer, O . Sejam P e Q , tais que OP = u e OQ = v , NOTA
A projeção ortogonal de um ponto
e seja Q' a projeção ortogonal de Q na reta OP . P sobre uma reta r é o ponto de
interseção de r com a reta que pas-
Situação 1 Situação 2 Situação 3 sa em P e é perpendicular a r .
Q Da definição decorre que, se P å r ,
Q então P coincide com a sua proje-
ção sobre r .
Q v
v O valor do produto escalar não
v depende do ponto O escolhido, pois
os triângulos [OQQ'] são sempre
O u Q' P Q' O u P O = Q' u P
geometricamente iguais (têm um

u · v = 0 1 OQ' = 0 2
lado igual e os ângulos iguais).
" " " " " "
u · v = OP * OQ' u · v = - OP * OQ'

Os resultados apresentados para cada situação seguem a seguinte definição.

" "
Suponhamos fixada uma unidade de comprimento e sejam u e v dois vetores
Simulador
não nulos. Sejam também: Geogebra:
r O um ponto fixo qualquer; Interpretação
2"
"
geométrica do produto
r P , tal que OP = u ; escalar
22" "
r Q , tal que OQ = v ;
r Q' a projeção ortogonal de Q na reta OP .
" " " "
O produto escalar dos vetores u e v representa-se por u · v e é o núme-
22" 2"
ro OP * OQ' ou é o número - OP * OQ' , consoante os vetores OQ' e OP NOTA 2"
tenham o mesmo sentido ou tenham sentidos opostos*. * No caso de o vetor O Q ' ser o ve-
" " tor nulo (vetor com direção e senti-
No caso de algum dos vetores u e v ser o vetor nulo, o produto escalar do indefinidos), tem-se O Q ' = 0 e
é zero. " "
u ·v =0.

SERÁ QUE…? Aplicação da definição de produto escalar

" " " " "


Considera os vetores u , v , w , r e s .

10 O quadrilátero [ABCD] é
s um quadrado de lado 3.
w
r M é o ponto médio de [AB] .
B C

u v
M

A D
Reproduz os vetores no quadriculado do teu caderno. Considera para unidade
Determina:
de comprimento o lado da quadrícula. 2" 2" 2" 2"
a) AD · AC b) AD · CB
Relê a definição de produto escalar de vetores e calcula: 2"
c) AD · BA
2" 2"
d) AD · DB
2"

" " " " " " " " " " 2" 2" 2" 2"
a) u · v b) u · w c) s · w d) v · w e) u · r e) AB · CA f) MC · AD
2" 2" 2" 2"

Será que és capaz de explicar a um colega como procedeste? g) CD · MC h) MB · CD

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 133


Ângulo de vetores
" " " "
Dados dois vetores não nulos u e v , ângulo dos vetores u e v é qualquer
NOTA ângulo convexo, nulo ou raso, AOB , em que A e B são pontos tais que
2" 2"
" "
* A amplitude do ângulo dos vetores
" "
OA = u e OB = v *.
u e v não depende do ponto O .
A amplitude desse ângulo também se designa por ângulo formado pelos veto-
res u e v e representa-se por 1 u W v 2 .
" " " "

a B
u
Não v A
convexo Convexo v
ou côncavo u
b O

r O ângulo de vetores não é um ângulo orientado: 1 u W v 2 = 1 v W u 2 .


" " " "

v r A amplitude do ângulo de dois vetores varia entre 0º e 180º (0 rad e p rad):


O
u – a amplitude do ângulo de dois vetores colineares e com o mesmo sentido
v u é 0º (0 rad);
O – a amplitude do ângulo de dois vetores colineares e com sentidos opostos
é 180º (p rad).
Importante: para identificares o ângulo de dois vetores deves considerar repre-
sentantes desses vetores com a mesma origem.
11 O triângulo [ABC] é equi-
látero e M é o ponto médio de
[AB] . EXEMPLOS
C

No hexágono regular de centro O :


r 1 OB W OC 2 = 60°
2" 2"
A B

r 1 FC W ED 2 = 1 FC W FO 2 = 0°
2" 2" 2" 2"
A B
M
r 1 AB W DE 2 = 1 OC W OF 2 = 180°
2" 2" 2" 2"
F C
Determina as amplitudes seguin-

r 1 AB W BC 2 = 1 AB W AO 2 = 60°
O
tes: 2" 2" 2" 2"

a) 1 AC W AB 2 b) 1 AC W CB 2
2" 2" 2" 2"

r 1 AB W BO 2 = 1 AB W AF 2 = 120°
2" 2" 2" 2"

c) 1 BC W CM 2 d) 1 AM W MB 2
2" 2" 2" 2"
E D

" "
RECORDA Sejam u e v dois vetores não nulos. Vamos provar que:
A norma de um vetor é a medida do
u · v = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos 1 u W v 2
comprimento de um seu represen- " " " " " "
tante.

Consideremos, separadamente, os casos:


r 1 u W v 2 = 0°
" "

r 1 u W v 2 = 180°
" "

r 1 u W v 2 = 90°
" "

r 0° < 1 u W v 2 < 90°


Simulador " "
Geogebra: Ângulo de

r 90° < 1 u W v 2 < 180°


vetores no plano " "

134 Tema 2 | Geometria Analítica


2" "
Seja
2"
O um ponto fixo qualquer e sejam P e Q pontos tais que OP = u e
"
OQ = v ; seja Q' a projeção ortogonal de Q na reta OP .

r 1 u W v 2 = 0°
" "

" " v
Neste caso, os vetores u e v são colineares e com o mesmo sentido e,
2" 2"
u
portanto, OQ' e OP também têm o mesmo sentido, pois Q' coincide
O Q = Q' P
com Q .
" "
Então, u · v = OP * OQ' .

Atendendo a que:
rcos 0° = 1     rOP = 0 0 u 0 0     rOQ' = OQ = 0 0 v 0 0
" "

tem-se:
u · v = OP * OQ' = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * 1 = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos 0° = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos 1 u W v 2
" " " " " " " " " "

r 1 u W v 2 = 180°
" "

" " v
Neste caso, os vetores u e v são colineares e com sentidos opostos e, portan- 180°
2" 2" u
to, OQ' e OP também têm sentidos opostos, pois Q' coincide com Q .
Q = Q' O P
" "
Então, u · v = - OP * OQ' .

Atendendo a que:
rcos 180° = - 1     rOP = 0 0 u 0 0     rOQ' = OQ = 0 0 v 0 0
" "

tem-se:
u · v = - OP * OQ' = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * (- 1) = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos 180° =
" " " " " "

= 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos 1 u W v 2
" " " "

r 1 u W v 2 = 90°
" "

v Q
Neste caso, já vimos que u · v = 0 e, portanto, u · v = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos 1 u W v 2 ,
" " " " " " " "

pois cos 1 u W v 2 = cos 90° = 0 .


" " u
O = Q' P

r 0° < 1 u W v 2 < 90°


" "

" "
Já sabemos que u · v = OP * OQ' .
v Q
Dado que o triângulo [Q'OQ] é um triângulo retângulo,

tem-se cos 1 Q'O


W Q 2 = OQ' e, portanto,
OQ
OQ' = OQ * cos 1 Q'OW Q2
u O Q' P

Então, OP * OQ' = OP * OQ * cos 1 Q'O


W Q2 .

Atendendo a que:
 rQ'OW Q = 1"
u W v 2     rOP = 0 0 u 0 0     rOQ = 0 0 v 0 0
" " "

tem-se:
u · v = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos 1 u W v 2
" " " " " "

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 135


r 90° < 1 u W v 2 < 180°
" "

Q
v

u Q' O P
" "
Neste caso tem-se u · v = - OP * OQ' .

Por outro lado:


OQ' = OQ * cos 1 180° - PO
W Q 2 = - OQ * cos 1 PO
W Q2

Portanto:
u · v = - OP * OQ' = - OP * 1 - OQ * cos PO
W Q 2 = OP * OQ * cos 1 PO
W Q2 =
" "

= 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos 1 u W v 2
" " " "

Exercícios resolvidos
1. Determina u · v , sabendo que 0 0 u 0 0 = 2 , 0 0 v 0 0 = 3 e que 1 u W v 2 =
" " " " " " 5p
NOTA .
A igualdade 6
u · v = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * co s 1 u W v 2 ,
" " " " " "
Resolução
"3 b
u · v = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos 1 u W v 2 = 2 * 3 * cos = 2 * 3 * a- = - 3"3
válida para vetores não nulos, " " " " " " 5p
é equivalente a: 6 2
co s 1 u W v 2 = " · "
" "
" " u v
00u 00 * 00 v 00
2. Determina 1 u W v 2 , sabendo que u · v = 3 e que 0 0 u 0 0 = 0 0 v 0 0 = 2 .
" " " " " "

e também é equivalente a:
1 u" W " v 2 = arco s " · "
" "
u v Apresenta a amplitude pedida em radianos, arredondada às décimas.
00u 00 * 00 v 00
pois 0 rad ≤ 1 u W v 2 ≤ p rad .
" " Resolução
u · v = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos 1 u W v 2 § 3 = 2 * 2 * cos 1 u W v 2 § cos 1 u W v 2 =
" " " " " " " " " " 3
4
Então, 1 u W v 2 = arcos ) 0,72 rad .
" " 3
4

12 Sejam " " 3. A figura ao lado representa um cubo de aresta 3. D C


u e v dois vetores,
00 u 00 = 4 e 00 v 00 = 3 .
" "
2" 2"
tais que Determina AC · AF . A
B
" "
a) Calcula u · v supondo que H
1"
u W v 2 = 120° .
Resolução G
Tem-se AC · AF = 0 0 AC 0 0 * 0 0 AF 0 0 * cos 1 AC W AF 2 .
"
2" 2" 2" 2" 2" 2"
E F
b) Justifica que o produto esca-
" "
lar u · v não pode ser igual Ora, [AC] e [AF] são diagonais faciais de um cubo de aresta 3, logo,
a 20.
AC = AF = 3"2 .
c) Indica entre que valores pode
" "
variar u · v . Por outro lado, o triângulo [FAC] é um triângulo equilátero e, portanto,
W C = 60° .
FA

Dado que 1 AC W AF 2 = FA
2" 2"
W C , tem-se:
Mais sugestões de trabalho
AC · AF = 3"2 * 3"2 * cos 60° = 9 * 2 *
2" 2"
1
Exercícios propostos n.os 42 a 48 =9
2
(págs. 173 e 174).
continua

136 Tema 2 | Geometria Analítica


continuação

4. Considera, num referencial o.n. do espaço, os pontos A (1, - 2, 0) , B (0, 2, 2)


e C (5, 0, 1) .
2" 2"
Determina AB · AC , sabendo que cos BA WC = 2 .
7
Resolução
Começa por observar que 1 AB W AC 2 = BA
2" 2"
WC .

Portanto, AB · AC = 0 0 AB 0 0 * 0 0 AC 0 0 *
2"
2" 2" 2"
2
.
7
2"
As coordenadas de AB são (0, 2, 2) - (1, - 2, 0) = (- 1, 4, 2) e as coor-
2"
denadas de AC são (5, 0, 1) - (1, - 2, 0) = (4, 2, 1) .
0 0 AB 00 = "(- 1)2 + 42 + 22 = "21 e 0 0 AC 00 = "42 + 22 + 12 = "21
2" 2"

Então, AB · AC = "21 * "21 *


2" 2"
2
=6 .
7

De u · v = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos 1 u W v 2 , sendo u 0 0 e v 0 0 , decorre que o produto


" " " " " " " " " "
NOTA
Se a å f0, pg , então:
escalar de dois vetores não nulos é um número real positivo, negativo ou nulo,
conforme cos 1 u W v 2 seja positivo, ou nulo, já que o produto 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 P co s a > 0 § a å c0, c
" " " " p
"
negativo
" 2
" "
é sempre positivo. Assim, se u 0 0 e v 0 0 , tem-se: P co s a = 0 § a =
p

ru · v > 0 § cos 1 u W v 2 > 0 § 0 ≤ 1 u W v 2 <


2
" " " " " " p
P co s a < 0 § a å d , pd
p
2
ru · v = 0 § cos 1 u W v 2 = 0 § 1 u W v 2 =
2
" " " " " " p
2
ru · v < 0 § cos 1 u W v 2 < 0 § < 1 u W v 2 ≤ p
" " " " p " "
2

Vetores perpendiculares 13 Seja [PQR] um triângulo.


Classifica o triângulo [PQR]
" " quanto aos ângulos, sabendo
Diz-se que dois vetores u e v são perpendiculares se algum deles é o vetor
que:
nulo ou se, não sendo nulo nenhum dos vetores, o ângulo dos dois vetores 2" 2"

é reto. a) PQ · PR = 0
2" 2"
" " " "
Escreve-se u Y v para indicar que os vetores u e v são perpendiculares. b) PQ · PR < 0
2" 2"
c) PQ · RQ < 0

EXEMPLOS

Na figura ao lado está representado um cubo. G H


2" 2" 2" B
r Os vetores AA e FC são perpendiculares porque AA C
é o vetor nulo.
2" 2" F
E
r Os vetores AB e AD são perpendiculares porque o
A
ângulo BAD é reto, dado que [ABCD] é um quadrado. D
2" 2"
r Os vetores BC e CE são perpendiculares, pois BC é perpendicular a todas as
NOTA
retas do plano DCH que passam em C e, portanto, é perpendicular a CE*. * BC é perpendicular a CH e é per-
2" 2" 2" 2"
pendicular a CD , então é perpendi-
r Os vetores AB e CH são perpendiculares, pois CH = BG e o ângulo ABG
cular ao plano DCH e, portanto, é
é reto. perpendicular a todas as retas desse
plano que passam em C .

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 137


Já vimos que, se u 0 0 e v 0 0 , então u · v = 0 § 1 u W v 2 = , ou seja, o pro-
" "
" " " " " " p
2
duto escalar de dois vetores não nulos é zero se e só se os vetores são perpen-
diculares.
Ora, por definição:
" " "
r A u , 0 ' u (o vetor nulo é perpendicular a qualquer vetor);
" " "
r A u , 0 · u = 0 (o produto escalar de dois vetores, sendo um dos vetores o vetor
nulo, é zero).
Portanto, dois vetores são perpendiculares se e só se o produto escalar dos vetores
é igual a zero:
" "
Dados quaisquer vetores u e v , tem-se:
" " " "
u·v = 0 § u ' v

Vamos apresentar, em seguida, outros resultados relativos ao produto escalar.

Propriedades do produto escalar


"
Dado um vetor u , tem-se:
u · u = 0 0 u 0 02
" " "

Justificação:
r Se u = 0 , então u · u = 0 e 0 0 u 0 0 2 = 0 , pelo que u · u = 0 0 u 0 0 2 .
" " " " " " " "

r Se u 0 0 , então u · u = 0 0 u 0 0 * 0 0 u 0 0 * cos 1 u W u 2 = 0 0 u 0 0 2 * cos 0 = 0 0 u 0 0 2 * 1 = 0 0 u 0 0 2 .


" " " " " " " " " " "

" "
Dados vetores u e v , tem-se:
" " " "
u · v = v · u (propriedade comutativa)
Justificação:
" " " " " " " " " " " "
r Se u = 0 ou v = 0 , u · v = 0 e v · u = 0 , pelo que u · v = v · u .
" " " "
r Se u 0 0 e v 0 0 , então a comutatividade do produto escalar é uma conse-
quência imediata da multiplicação de números reais ser comutativa e de o ân-
gulo de vetores não depender da ordem por que são considerados:
u · v = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos 1 u W v 2 = 0 0 v 0 0 * 0 0 u 0 0 * cos 1 v W u 2 = v · u
" " " " " " " " " " " "

NOTA " "


" " " " Dados vetores u e v e um número real l , tem-se:
1 lu"2 · "
v = l 1 u · v 2 (propriedade associativa mista)
Pu·v =0 § u 'v
P u · u = 0 0 u 0 02
" "
" " "

" " " "


Pu·v = v·u
P 1 lu 2 · v = l1 u · v 2 A demonstração deste resultado é facultativa; na página 168 deste manual en-
" " " "

P w· 1u + v 2 = w· u + w· v contras uma demonstração geométrica.


" " " " " " "

" " "


Dados vetores u , v e w , tem-se:
w · 1 u + v 2 = w · u + w · v (propriedade distributiva)
" " " " " " "

A demonstração deste resultado é facultativa; nas páginas 168 e 169 deste


manual encontras uma demonstração geométrica.

138 Tema 2 | Geometria Analítica


Exercícios resolvidos
14 Sejam " " "
u , v e w vetores
" " " " " " "
1. Sejam a , b e c vetores tais que a · b = 10 e b · c = 3 . " " " "
tais que u · v = 5 e w · v = 7 .
Calcula os produtos escalares seguintes. Determina:
a) 1 u + w 2 · 1 - 3 v 2
a) a · 1 4b 2
" " "
" "

b) 2 v · 1 w - u 2
" " "

b) 1 c + a 2 · b
" " "

c) 1 - 2a 2 · 1 - b 2
" "

Resolução

a) a · 1 4b 2 = 1 4b 2 · a =
" " " "

= 41 b · a 2 =
" " 15 " "
Sejam e e f vetores tais
que 0 0 e 0 0 = 0 0 f 0 0 = 1 e e ' f .
" "

= 41 a · b 2 =
" "
" "

Determina:
a) 1 3 e - 2 f 2 . f
= 4 * 10 = " " "

b) 1 e - f 2 · 1 - 2 f 2
= 40 " " "

b) 1 c + a 2 · b = c · b + a · b = c) 1 e + f 2 · 1 e - 2 f 2
" " " "
" " " " " " "

d) 1 2 e + 3 f 2 · 1 3 e - 2 f 2
" " " "
" " " "
= b· c + a·b =
= 3 + 10 =
= 13

c) 1 - 2a 2 · 1 - b 2 = - 2 1 a · 1 - b 22 =
" " " "

= - 2 11 - b 2 · a 2 =
" "

= 21 b · a 2 =
" "

= 21 a · b 2 =
" "

= 2 * 10 =
= 20

2. Sejam u e v vetores tais que 0 0 u 0 0 = 3 , 0 0 v 0 0 = 2 e 1 u W v 2 = 60° .


" " " " " "

Determina 1 u + 2v 2 · 1 - 2u 2 .
" " "

Resolução
Vamos recorrer a propriedades do produto escalar (tal como no exercício 1),
mas sem explicitar todas as «passagens».
1"
u + 2v 2 · 1 - 2u 2 = u · 1 - 2u 2 + 1 2v 2 · 1 - 2u 2 =
" " " " " "

= - 2(u · u 2 - 41 v · u 2 =
" " " "

= - 2 0 0 u 0 0 2 - 4 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos ( u W v 2 =
" " " " "

= - 2 * 32 - 4 * 3 * 2 * cos 60° =
1 Mais sugestões de trabalho
= - 18 - 24 * =
2
Exercícios propostos n.os 49 a 51
= - 30 (pág. 174).

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 139


Resolução de problemas
Problemas resolvidos
A B
1. Na figura ao lado está representado um quadrado [ABCD] .
Sabe-se que:
J r o ponto I é o ponto médio do lado [CD] ;
r o ponto J é o ponto médio do lado [BC] .
Prova que:
1 0 0 2" 00 2 00 00
D I C
2" 2" 2" 2" 2" 2
a) AB · DI = AB b) AI · AJ = AB
2
Adaptado de Teste Intermédio, 11.º ano, 2011

Resolução
2" 2" 2" 2" 2" 2"

A K B a) Seja AK = DI ; então, AB · DI = AB · AK .
Como a projeção ortogonal de K em AB é o próprio K e dado que
2" 2"
os vetores AB e AK têm o mesmo sentido, tem-se:
AB · AK = AB * AK = 0 0 AB 00 * 0 0 AB 00 = 0 0 AB 00
J 2" 2" 2"
1 2" 1 2" 2
2 2
2" 2"
1 0 0 2" 00 2
Portanto, AB · DI = AB .
D C
2
I 2" 2" 2" 2" 2" 2"
b) Tem-se AI = AD + DI e AJ = AB + BJ .
Então:
AI · AJ = 1 AD + DI 2 · 1 AB + BJ 2 =
2" 2" 2" 2" 2" 2"

2" 2" 2" 2" 2" 2" 2" 2"


= AD · AB + AD · BJ + DI · AB + DI · BJ =
2" 2" 2" 2"
NOTA = 0 + AD · BJ + DI · AB + 0 =
2" 2" 2" 2"
* Provámos em a) que: = AD · BJ + DI · AB = *
AB · D I = 0 0 AB 00 e, portanto,
= 0 0 AB 00 + 0 0 AB 00 = 0 0 AB 00
2" 2"
1 2" 2 1 2" 2 1 2" 2 2" 2
2
também D I · AB = 0 0 AB 00 .
2" 2"
1 2" 2
2 2 C

2 2. Na figura está representado um triângulo equilátero [ABC] .


De modo análogo, conclui-se que:
AD · BJ = 0 0 AD 00 = 0 0 AB 00
M
2" 2"
1 2" 2 1 2" 2 Seja a o comprimento de cada um dos lados do triân-
2 2 gulo. Seja M o ponto médio do lado [BC] .
2" 2"
3a2 A B
Mostra que AB · AM = . a
4
in Teste Intermédio, 11.º ano, 2014
Resolução
NOTA 1.º processo

AB · AM = 0 0 AB 00 * 0 0 AM 00 * cos 1 AB W AM 2 = a *
* A altura de um triângulo equiláte- 2" 2" 2" 2" 2" 2" "3 *
a * cos 30° =
"3 2
"3 "3 3a2
ro de lado a é igual a a.
2
=a* a* =
2 2 4
2.º processo
AB · AM = AB · 1 AB + BM 2 = AB · AB + AB · BM =
2" 2" 2" 2" 2" 2" 2" 2" 2"

= 0 0 AB 00 + 0 0 AB 00 * 0 0 BM 00 * cos 1 AB W BM 2 = a2 + a *
2" 2 2" 2" 2" 2"
a
* cos 120° =
2
* a– b = a2 - =
a2 1 a2 3a2
= a2 +
2 2 4 4
continua

140 Tema 2 | Geometria Analítica


continuação

" "
3. Sejam v e w dois vetores não nulos.

a) Prova que 00 "


v 0 0 = 0 0 w 0 0 se e só se v + w e v - w são perpendiculares.
" " " " "

2" " 2" "


b) Considera um quadrilátero [ABCD] tal que AB = v , AD = w e
AB + AD = AC . Se 0 0 v 0 0 = 0 0 w 0 0 , de que tipo de quadrilátero se trata?
2" 2" 2" " "

in Caderno de Apoio, 11.º ano

Resolução
" " " "
a) Os vetores v + w e v - w são perpendiculares se e só se 16 Prova, recorrendo ao pro-
1 v + w2 · 1 v - w2 = 0 .
" " " " duto escalar, que as diagonais
de um losango são perpendi-
1"
v + w2 · 1 v - w2 = 0 § v · v + w · v - v · w - w · w = 0 §
" " " " " " " " " " "
culares.

§ 0 0 v 0 02 - 0 0 w 0 02 = 0 § 0 0 v 0 02 = 0 0 w 0 02 § 0 0 v 0 0 = 0 0 w 0 0
" " " " " "

2" 2" 2" 2" 2" 2" 2" 2" 2" 2"
b) Tem-se: AB + AD = AC ± BA + AB + AD = BA + AC ± AD = BC
Portanto, o quadrilátero [ABCD] é um paralelogramo. Se é um parale-
logramo e tem dois lados consecutivos congruentes, todos os seus lados
são congruentes, de onde se conclui que o quadrilátero é um losango.

" "
4. Considera dois vetores não nulos u e v .

u + v 0 0 2 = 0 0 u 0 0 2 + 21 u · v 2 + 0 0 v 0 0 2 .
00 "
" " " " "
a) Prova que

00 "
u 00 = 00 v 00 = 00 u + v 00 .
" " "
b) Admite agora que
" " "
Determina a amplitude do ângulo formado pelos vetores u + v e v .
in Caderno de Apoio, 11.º ano

Resolução

a) 0 0 u + v 0 0 = 1 u + v 2 · 1 u + v 2 = u · u + u · v + v · u + v · v =
" " 2 " " " " " " " " " " " "

= 0 0 u 0 0 2 + 21 u · v 2 + 0 0 v 0 0 2
" " " "

11 " " 2
0 0 u + v 0 0 - 0 0 u 0 0 2 - 0 0 v 0 0 22 .
" " " "
b) Da alínea a) podemos concluir que u · v =
2
Como, neste caso, 0 0 u 0 0 = 0 0 v 0 0 = 0 0 u + v 0 0 , tem-se:
" " " "

1 1 " 2 " 2 " 22


" "
u·v = 00 v 00 - 00 v 00 - 00 v 00 = - 1 00 "
v 00
2

2 2

Por outro lado, 1 u + v 2 · v = 0 0 u + v 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos 11 u + v 2 W v 2 e, portanto,


" " " " " " " " "
v

1"
u + v 2· v
u +

u
cos 11 u + v 2 W v 2 =
" "
" " "

00 "
u + v 00 * 00 v 00
" " . Assim,
v

- 00 v 00 + 00 v 00
1 " 2 " 2 1 " 2
00 v 00
cos 11 u + v 2 W v 2 = "
" " " "
" " u·v + v·v
" 2 2 1
00 v 00 * 00 "
v 00 00 v 00 00 v 00
= " 2 = " 2 =
2
Mais sugestões de trabalho

Então, cos 11 u + v 2 W v 2 = e, portanto, 11 u + v 2 W v 2 = 60° .


" " " 1 " " "
Exercícios propostos n.os 52 e 53
2 (pág. 174).

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 141


Teste 4 Grupo I

5 Os cinco itens deste grupo são de escolha múltipla. Para cada um deles, escolhe
a única opção correta.

1. Num plano munido de um referencial o.n., considera a reta r de equação


2x + 3y = 1 . Seja a a inclinação da reta r . Em qual das opções está o valor

5
de a , em radianos, arredondado às décimas?
(A) - 0,6 (B) 0,6 (C) 2,3 (D) 2,6

2. Designa-se por ângulo de duas retas concorrentes, não perpendiculares, qual-


quer dos ângulos agudos que elas determinam num plano que as contenha.
Considera fixado um plano em que está instalado um referencial ortonormado.
"3 "3
Sejam r e s as retas de equações y = x e y= - x.
3 3
Qual é a amplitude do ângulo das duas retas?
(A) 30º (B) 45º (C) 60º (D) 120º

3. Num plano em que está instalado um referencial o.n., considera uma reta r .
A inclinação da reta r é 60º.
Em qual das opções estão as coordenadas de um vetor diretor de r ?
(A) (2, 1) (B) Q - 1, - "3 R (C) Q "3, 1 R (D) Q 2, "3 R

" "
4. Em qual das situações seguintes o produto escalar u · v é negativo?
(A) (B) (C) (D)

u v u
u v

v u v

P 5. Na figura ao lado está representada uma circunferência de centro O e raio 1.

x
Os pontos A e B são extremos de um diâmetro da circunferência.
B A Considera que um ponto P , partindo de A , se desloca sobre o arco AB ,
O
terminando o seu percurso em B .
Para cada posição do ponto P , seja x a amplitude, em radianos, do ângulo
AOP .
Seja f a função que a cada valor de x å f 0, p g faz corresponder o valor
2" 2"
do produto escalar OA · OP .
Um dos gráficos seguintes é o gráfico da função de f . Qual?
(A) (B) (C) (D)
Ajuda y
1
y
1
y
1
y
1

Se precisares de ajuda para ␲


O x O ␲ x O ␲
– ␲ x O ␲ x
resolver algum destes itens, 2
-1 -1
consulta a página 188.

142 Tema 2 | Geometria Analítica


Grupo II
Na resposta a cada um dos cinco itens deste grupo, apresenta todos os cálculos
que efetuares, explica os raciocínios e justifica as conclusões.

1. No referencial da figura ao lado está representado um hexágono regular y


E D
[ABCDEF] de centro no ponto G . O vértice A tem coordenadas (- 1, 0)
e o vértice B tem coordenadas (2, 0) .
a) Determina a inclinação de cada uma das retas BC , CD , AD e FB . F G C
b) Escreve as equações reduzidas das retas AD e FB .
2" 2" 2" 2" 2" 2" 2" 2"
c) Determina: ED · FC , BE · BC , AF · AC e DA · AB .
A O B x

sabe-se que: 0 0 u 0 0 = 3 , u ·(2v ) = 9 e


" " " " "
2. Acerca de dois vetores u e v
1"
u W v 2 = 30° .
"

a) Determina:

a1) 1"
u W (- v ) 2
"

a2) 00 "
v 00
" " " "
a3) ( u + v ) · ( u + v )
" 1" "
b) Mostra, recorrendo ao produto escalar, que os vetores u e u - v são
2
perpendiculares. V

3. A pirâmide representada na figura ao lado é uma pirâmide quadrangular


2" 2"
regular. Sabe-se que AC · AV = 12 .
a) Determina a medida da aresta da base da pirâmide. D C

b) Admite agora que AV = 2AB e determina o volume da pirâmide. A B

4. Considera a figura na margem. O ponto P move-se de A para B sobre P


uma semicircunferência. Seja PAW B = x rad . A área do triângulo [APB] é

dada, em função de x , por A(x) = 4 sen (2x) , x å d 0, c .


p
x
2 A B
a) Determina a área do triângulo [APB] quando este é isósceles e conclui
qual a medida do raio da semicircunferência.

b) Investiga se existe x å d 0, c tal que A(x) = 4 sen x .


p
2
c) Determina os valores de x para os quais a área do triângulo [APB] é
superior a 2.

5. Prova, recorrendo ao produto escalar, que um ângulo inscrito numa semicir-


cunferência é um ângulo reto.
Sugestão: numa circunferência de centro C , seja [AB] um diâmetro e seja P
2" 2"
um ponto da circunferência. Escreve os vetores PA e PB como soma de
dois vetores.

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 143


Cálculo do produto escalar a partir
das coordenadas dos vetores
Vamos de seguida ver como o produto escalar de vetores pode ser expresso em
termos de coordenadas.
NOTA "
Consideramos que, supondo fixado Fixado um referencial ortonormado xOy no plano, sejam u (u1, u2) e
"
um referencial o.n. xOy , as coorde- v (v1, v2) dois vetores. Então:
nadas dos vetores são referidas à " "
u · v = u1v1 + u2v2
base canónica, que representamos
por 1 e 1 , e 2 2 .
" "

Justificação
Em primeiro lugar, é imediato concluir que:
r e1 · e1 = 1 , pois e1 · e1 = 0 0 e1 0 0 e e2 · e2 = 1 , pois e2 · e2 = 0 0 e2 0 0 ;
" " " " " 2 " " " " " 2

" " " "


r e1 · e2 = 0 , pois e1 ' e2 .
Então: u · v = 1 u1e1 + u2e2 2 · 1 v1e1 + v2e2 2 =
" " " " " "

= 1 u1e1 2 · 1 v1e1 2 + 1 u1e1 2 · 1 v2e2 2 + 1 u2e2 2 · 1 v1e1 2 + 1 u2e2 2 · 1 v2e2 2 =


" " " " " " " "

= u1v1 1 e1 · e1 2 + u1v2 1 e1 · e2 2 + u2v1 1 e2 · e1 2 + u2v2 1 e2 · e2 2 =


" " " " " " " "

= u1v1 * 1 + u1v2 * 0 + u2v1 * 0 + u2v2 * 1 =


= u1v1 + u2v2
17 Num referencial o.n. do
plano, determina o produto es- De modo análogo se reconhece que:
" "
calar u · v , sendo:
" "
Fixado no espaço um referencial ortonormado Oxyz e dados os vetores
a) u (- 1, 3) e v (2, 4) " "
u (u1, u2, u3) e v (v1, v2, v3) , tem-se:
" "
b) u (0, - 3) e v (1, - 2) " "
u · v = u1v1 + u2v2 + u3v3

18 Num referencial o.n do


Exercícios resolvidos
espaço, determina o produto
" "
escalar u · v , sendo: 1. Num referencial o.n. do plano, considera os vetores u (- 1, 4) e v (2, 3) .
" "

" "
a) u (2, - 1, 4) e v ( - 2, 0, 1) " "
Determina u · v e u · (2v ) .
" "

b) u (1, - 3, 3) e v a2, - 2, b
" " 1
Resolução
3
" "
u · v = (- 1, 4 ) · (2, 3) = - 1 * 2 + 4 * 3 = 10
" " " " " "
Já sabemos que u · (2v ) = 2( u · v ) e, portanto, u · (2v ) = 20 .

2. Num referencial o.n. do plano, considera os pontos A(- 1, 3) , B(0, - 1)


e C(2, - 3) . Determina a amplitude do ângulo ABC .
19 Num referencial o.n. do Apresenta o resultado em radianos, arredondado às décimas.
espaço, considera os pontos Resolução
P(3 , - 2, 1) , Q(1, 0,1) e 2" 2"
R(2, 4, 0) . O ângulo ABC é o ângulo dos vetores BA e BC .
a) Determina a amplitude do ân- Vamos determinar o cosseno desse ângulo:
2" 2"

cos 1 ABW C 2 = cos 1 BA W BC 2 = 2"


2" 2"
gulo dos vetores PQ e PR . 2" 2"
BA · BC
0 0 BA 00 * 0 0 BC 00
2"
b) Determina a amplitude do
ângulo PRQ .
2"
Apresenta os resultados em ra- r BA(- 1, 4)
dianos, arredondados às déci- 2"

mas. r BC(2, - 2)

continua

144 Tema 2 | Geometria Analítica


continuação

2" 2"
r BA · BC = (- 1, 4) · (2, - 2) = - 1 * 2 + 4 * (- 2) = - 10
r 0 0 BA 00 = "(-1) + 42 = "17
2" 2

r 0 0 BC 00 = "22 + (- 2)2 = "8


2"

Portanto, cos 1 ABW C 2 =


- 10
, pelo que:
"17 * "8

ABW C = arccos a- b ) 2,6 rad


10
"136
"
3. Num referencial o.n. do plano, considera o vetor u (4, 2) .
" "
a) Verifica que o vetor v (- 2, 4) é perpendicular a u
e determina as
"
coordenadas do outro vetor perpendicular a u e com norma igual
"
à de u .
b) Escreve uma expressão geral das coordenadas dos vetores perpen- NOTA
" "
diculares a u . Dado um vetor u (u 1 , u 2 ) , não nulo,
" "
os vetores v (- u 2 , u 1 ) e w(u 2 , - u 1 )
"
Resolução são perpendiculares a u e têm
"
" " norma igual à de u .
a) u · v = (4, 2) · (- 2, 4) = 4 * (- 2) + 2 * 4 = - 8 + 8 = 0 " "
" " u (u 1 , u 2 ) u (u 1 , u 2 )
O outro vetor que é perpendicular a u e tem norma igual à de u é o
"
simétrico do vetor v , ou seja, é o vetor de coordenadas (2, - 4) . " "
v (- u 2 , u 1 ) w(u 2 , - u 1 )
" "
b) Todos os vetores perpendiculares a u são colineares com v e são,
"
portanto, da forma lv , l å R .
"
Assim, os vetores perpendiculares a u são os vetores de coordenadas
(- 2l, 4l), l å R .

"
4. Num referencial o.n. do espaço, considera o vetor u (4, 2, - 1) . Determi-
" NOTA
na as coordenadas de três vetores perpendiculares a u que tenham dire-
* Observa que esta exigência não é
ções diferentes*. concretizável no plano.
Já no espaço, podemos obter uma
Resolução infinidade de vetores perpendicula-
" " " " res a um vetor dado, todos com dire-
Um vetor v (a, b, c) é perpendicular a u se e só se u · v = 0 , ou seja, se ções diferentes. Na figura seguinte
e só se 4a + 2b - c = 0 . estão representados cinco vetores
2"
perpendiculares a AB , todos com
Uma resposta a este problema pode ser, por exemplo, os vetores de coor- direções diferentes.
denadas (2, - 4, 0) , (0, 1, 2) e (3, - 2, 8) .

"
5. Num referencial o.n. do espaço, considera os vetores u (1, 2, - 1) e
"
v (- 1, 1, 3) .
" "
Mostra que todos os vetores perpendiculares aos vetores u e v são A B
colineares. ** Poder-se-ia começar por obter as
coordenadas de um vetor perpendi-
Resolução** "
cular ao vetor u . Mas só por muita
coincidência é que esse vetor seria
Vamos equacionar o problema. "
perpendicular ao vetor v , pois há
" " "
Seja n (a, b, c) um vetor perpendicular a u e a v . uma infinidade de direções perpendi-
"
" " " " culares a u e, de acordo com o enun-
Então, u · n = 0 ‹ v · n = 0 . ciado, há um única direção que é si-
"
multaneamente perpendicular a u e
"
continua a v.
Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 145
continuação

(1, 2, - 1) · (a, b, c) = 0 a + 2b - c = 0
u · n = 0 ‹ v ·n = 0 § e §e
" " " "

(- 1, 1, 3) · (a, b, c) = 0 - a + b + 3c = 0
20 Num referencial o.n. do
espaço, considera os vetores Trata-se de um sistema com duas equações e três incógnitas. Este sistema
" "
u (- 1, 3, 0) e v (1, 1, 1) . tem uma infinidade de soluções. Vamos obter uma expressão geral dessas
Determina uma expressão das soluções.
coordenadas dos vetores perpen-
a + 2b - c = 0 a = - 2b + c a = - 2b + c
e §e §e
" "
diculares aos vetores u e v . §
- a + b + 3c = 0 - (- 2b + c) + b + 3c = 0 3b + 2c = 0

a = - 2 * a- cb + c
2 7
a = - 2b + c a= c
§μ §μ
3 3
§| 2
b=- c 2 2
3 b=- c b=- c
3 3

Então, as soluções do sistema são da forma a c, - c, cb , com c å R .


7 2
3 3
Dado que a c, - c, cb = c a , - , 1b , concluímos que todos os vetores
7 2 7 2
3 3 3 3
" "
perpendiculares aos vetores u e v são colineares com o vetor de coor-
denadas a , - , 1b e, portanto, são colineares entre si.
7 2
3 3

Relação entre declives de retas do plano


Simulador
Geogebra: Relação
perpendiculares
entre o declive de
retas perpendiculares
no plano SERÁ QUE…? Declives de retas perpendiculares

Num referencial o.n. do plano, considera duas retas r e s de vetores dire-


" "
tores r (- 5, 2) e s (2, 5) , respetivamente.
" "
a) Verifica que os vetores r e s são perpendiculares.
b) Mostra que o produto dos declives das retas r e s é igual a - 1.

Será que o produto dos declives de retas perpendiculares (não paralelas aos
eixos coordenados) é sempre igual a - 1?

A resposta à questão anterior é afirmativa.


NOTA Fixado um plano munido de um referencial ortonormado, duas retas r e s
A condição mr * ms = - 1 é equiva-
1 (não paralelas aos eixos coordenados) de declives mr e ms , respetivamente,
lente a ms = - , o que sugere que
mr são perpendiculares se e só se mr * ms = - 1 .
se diga que duas retas não parale-
las aos eixos coordenados são per-
Justificação
pendiculares se e só se o declive de " "
uma é simétrico do inverso do decli- Sejam r (r1, r2) e s (s1, s2) vetores diretores das retas r e s ; como as retas não
ve da outra. são paralelas aos eixos coordenados, tem-se r1 0 0 , s1 0 0 , r2 0 0 e s2 0 0 .
" "
As retas r e s são perpendiculares se e só se os vetores r e s são perpendi-
" "
culares, ou seja, se e só se r · s = 0 .
" "
Mais sugestões de trabalho r · s = 0 § ( r1 , r 2 ) · ( s 1 , s 2 ) = 0 §
Exercícios propostos n.os 54 a 60 § r1s1 + r2s2 = 0 § (dividindo os dois membros por r1s1)
(pág. 175). rs rs r s
§ r 1 s 1 + r 2 s 2 = 0 § 1 + r 2 * s 2 = 0 § 1 + mr * m s = 0 § m r * m s = - 1
1 1 1 1 1 1

146 Tema 2 | Geometria Analítica


EXEMPLOS
21 Fixado num plano um refe-
1
1. As retas de equações y = 2x - 3 e y = - x + 5 são perpendiculares, rencial o.n., considera a reta r
2 de equação 2x + 3y = 1 .
pois 2 * a- b = - = - 1 .
1 2
Determina o declive de uma
2 2
reta perpendicular à reta r .
2 5
2. Qualquer reta perpendicular à reta de equação y = x - 3 tem declive -  .
5 2

O produto escalar permite resolver de forma mais expedita alguns exercícios que 22 Determina os declives de
envolvem o conceito de perpendicularidade e que te foram colocados no 10.º ano: duas retas r e s , sabendo que
as duas retas são perpendicula-
o determinar a equação reduzida da mediatriz de um segmento de reta; res e que a soma dos seus decli-
o determinar a equação reduzida da reta tangente a uma circunferência num ves é igual a 2.
ponto.

Lugares geométricos
Exercícios resolvidos
1. Num plano em que está fixado um referencial o.n., considera os pontos
A(- 1, 3) e B(5, - 1) . Escreve a equação reduzida da mediatriz do seg-
mento de reta [AB] .
Resolução
A mediatriz do segmento de reta [AB] é a reta perpendicular a [AB] que
passa no ponto médio do segmento de reta.
As coordenadas do ponto médio de [AB] são a b = 2, 1) .
-1 + 5 3 - 1 (
,
2"
2 2
O vetor AB tem coordenadas (5, - 1) - (- 1, 3) = (6, - 4) .
A partir daqui podemos optar por um dos seguintes processos.
1.º processo
4 2
O declive da reta AB é mAB = - = - e, como a mediatriz é perpendi-
6 3
ainverso do simétrico de - b.
3 2
cular a AB , o respetivo declive é
2 3
3 NOTA
A equação reduzida da mediatriz é, então, da forma y = x + b . Dados dois pontos A e B de um
2
plano e sendo M o ponto médio de
Substituindo x e y pelas coordenadas do ponto médio de [AB] , obtém-se: [AB] , o lugar geométrico dos pon-
3 tos P do plano tais que:
1 = * 2 + b § 1 - 3 = b § b = -2 2" 2"
2 MP · AB = 0
Portanto, a equação reduzida da mediatriz do segmento de reta [AB] é é a mediatriz do segmento de reta
3 [AB] .
y= x -2
2
P
2.º processo
B
Seja P(x, y) um ponto qualquer. O ponto P(x, y) pertence à mediatriz do
2" 2"
M
segmento de reta [AB] se e só se os vetores MP e AB são perpendicula-
2" 2"
A
res, ou seja, se e só se MP · AB = 0 .
continua

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 147


continuação
23 Considera um plano munido
2" 2"
de um referencial o.n. As coordenadas de MP são (x - 2, y - 1) e as coordenadas de AB são
Escreve a equação reduzida da (6, - 4) .
mediatriz do segmento de reta
[AB] , sendo: Portanto:
2" 2"
a) A(2, - 1) e B(6, 1) MP · AB = 0 § (x - 2, y - 1) · (6, - 4) = 0 §
b) A(- 1, - 3) e B(0, - 1) § 6(x - 2) - 4(y - 1) = 0 §
§ 6x - 12 - 4y + 4 = 0 §
§ - 4y = - 6x + 8 §
-6 8
§y= x+ §
-4 -4
3
§ y= x-2
2

2. Num plano em que está fixado um referencial o.n., considera a circunfe-


2 2
rência de equação (x + 2) + (y - 3) = 20 .
Determina a equação reduzida da reta que é tangente à circunferência no
ponto A(0, 7) .

Resolução
Sabemos que a reta tangente a uma circunfe- y
rência num ponto é perpendicular ao raio A(0, 7)
que passa no ponto de tangência.
O centro da circunferência é o ponto C(- 2, 3) , C
2"
portanto, as coordenadas de AC são:
(- 2, 3) - (0, 7) = (- 2, - 4) O x

Também, neste caso, podemos seguir dois pro-


cessos.

1.º processo
-4
O declive da reta AC é mAC = = 2 e, portanto, o declive da reta tan-
-2
1
gente é m = - .
NOTA 2
Dada uma circunferência de centro no 1
A equação reduzida da reta tangente à circunferência em A é y = - x + 7 .
ponto C e que passa num ponto A , 2
o lugar geométrico dos pontos P
2" 2"
do plano tais que AP · AC = 0 é a 2.º processo
reta tangente à circunferência
no ponto A . Um ponto P(x, y) pertence à reta tangente à circunferência no ponto A
2" 2"
y se e só se AP · AC = 0 .
2" 2"
P As coordenadas de AP são (x, y - 7) e as coordenadas de AC são
A (- 2, - 4) .
2" 2"
AP · AC = 0 § (x, y - 7) · (- 2, - 4) = 0 § - 2x - 4(y - 7) = 0 §

C § - 2x - 4y + 28 = 0 § - 4y = 2x - 28 §
1
O x § y=- x+7
2

148 Tema 2 | Geometria Analítica


SERÁ QUE…? Identificar um lugar geométrico
Simulador
Geogebra: O produto
Num plano em que está fixado um referencial o.n., considera os pontos A(2, 3) , escalar na definição da
2" 2"
B(-3, 2) e P(x, y) . Considera também a condição AB · BP = 0 . circunferência
2" 2"
a) Mostra que AB · BP = 0 § 5x + y = - 13 .
b) De acordo com o resultado expresso na alínea a), o conjunto dos pontos
2" 2"
P(x, y) tais que AB · BP = 0 é a reta da equação 5x + y = -13 .
Representa essa reta num plano munido de um referencial o.n.
A reta que representaste é perpendicular ao segmento [AB] no ponto B .
Será que poderias ter previsto este resultado?

A pergunta que ficou no ar sugere outra: o que se entende por identificar um 24 Considera no plano uma
lugar geométrico? Será que uma tal identificação é necessariamente traduzida reta r .
por uma condição cartesiana? a) Qual é o lugar geométrico
2" 2"
Claro que não. O conjunto dos pontos P tais que AB · BP = 0 pode ser identifi- dos centros das circunferên-
cias de raio 3 cm, que são
cado referindo que se trata da reta perpendicular ao segmento [AB] no ponto B tangentes à reta r ?
e esta identificação pode decorrer imediatamente da observação de que, sendo
2" 2" b) Seja A um ponto de r .
AB · BP = 0 , as retas AB e PB são perpendiculares e se intersetam no ponto B . Qual é o lugar geométrico
dos centros das circunferên-
Vejamos outro exemplo. cias tangentes à reta r no
2" 2"
Considera dois pontos A e B e a condição AP · BP = 0 . ponto A ?

Observa as representações seguintes, uma no plano e a outra no espaço.


P P
RECORDA
Um ângulo inscrito numa semicir-
cunferência é um ângulo reto.
A B A B

Tal como as figuras sugerem, prova-se que, dados dois pontos A e B :


2" 2"
r o conjunto dos pontos P do plano tais que AP · BP = 0 é a circunferência de
diâmetro [AB] ;
2" 2"
r o conjunto dos pontos P do espaço tais que AP · BP = 0 é a superfície esférica
de diâmetro [AB] .

EXEMPLO

Fixado no espaço um referencial cartesiano o.n. e dados os pontos A(- 2, 5, 1)


2" 2"
e B(2, 3, - 1) , o conjunto dos pontos P(x, y, z) tais que AP · BP = 0 é a
superfície esférica de diâmetro [AB] .
O centro da superfície esférica é, portanto, MfABg(0, 4, 0) e o raio é: Mais sugestões de trabalho
AB "(2 + 2) + (3 - 5) + (- 1 - 1) "16 + 4 + 4 "24 "
2 2 2
Exercícios propostos n.os 61 a 64
= = = = 6 (págs. 175 e 176).
2 2 2 2

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 149


Resolução de problemas
Problemas resolvidos
1. Num plano munido de um referencial o.n., considera os pontos A(- 2, 1)
e B(2, 4) .

Determina as coordenadas de um ponto C que determina com A e B


um triângulo retângulo em A e com área 10.

Resolução
2" 2"
O vetor AC tem de ser perpendicular ao vetor AB e tal que:

0 0 AC 00 * 0 0 AB 00
2" 2"

= 10
2
2"
Ora, o vetor AB tem coordenadas B - A = (2, 4) - (- 2, 1) = (4, 3) ,
portanto, 0 0 AB 00 = "42 + 32 = 5 .
2"

Então,

0 0 AC 00 * 0 0 AB 00
= 10 § 0 0 AC 00 =
2" 2"
2"
20
=4
2 5
" 2"
O vetor u (- 3, 4) é perpendicular a AB e tem norma 5.

Então,
2"
2"
4" 4"
AC = u ou AC = - u
5 5

ou seja,

AC a- , b ou AC a , - b
2"
12 16 2"
12 16
5 5 5 5

y y
C B
B

5 5
4

A A

O x O x
4
C

2"
Tem-se C = A + AC e, portanto, o ponto C é o ponto de coordenadas

a- 2 - , 1 + b = a- , b ou a- 2 + , 1 - b = a , - b
12 16 22 21 12 16 2 11
5 5 5 5 5 5 5 5

continua

150 Tema 2 | Geometria Analítica


continuação

2. Na figura seguinte estão representadas duas retas u e t num plano mu-


nido de um referencial ortonormado. A reta t tem inclinação de 30º,
interseta Ox no ponto C e é perpendicular à reta u num ponto B .
Sabe-se ainda que a reta u interseta o eixo Ox no ponto A(5, 0) .

y
u

t
B

C 30° A
O x

a) Determina a equação reduzida da reta u . 25 Num plano munido de um


b) Sabendo que B tem abcissa 4, determina a abcissa do ponto C . referencial o.n., considera o
ponto A(0, - 4) e a reta r de
in Caderno de Apoio, 11.º ano 1
equação y = x + 1 .
2
Resolução Determina a distância do pon-
to A à reta r .
W
a) Observando a figura, concluímos que CAB = 60º e, portanto, a reta u
tem inclinação de 120º. Então, o seu declive é tg 120° = - "3 .

Dado que a reta u passa no ponto de coordenadas (5, 0) , tem-se:

0 = - "3 * 5 + b

Portanto, b = 5"3 e a equação reduzida da reta u é y = - "3x + 5"3 .

"3
b) Tem-se mt = tg 30° = . Então, a equação reduzida da reta t é da
3
"3
forma y = x + b . Para obtermos o valor de b vamos recorrer às
3
coordenadas do ponto B , que tem abcissa 4 e pertence à reta u .

Assim, a ordenada de B é y = - "3 * 4 + 5"3 = 5"3 - 4"3 = "3 .

"3
Substituindo as coordenadas de B em y= x + b , obtém-se
3
"3 "3
"3 = * 4 + b , ou seja, b = - . Logo, a equação reduzida da
3 3
"3 "3
reta t é y = x- .
3 3

O ponto C é o ponto da reta t com ordenada 0:

"3 "3
0= x- § x=1 Mais sugestões de trabalho
3 3
Exercícios propostos n.os 65 a 68
A abcissa do ponto C é igual a 1. (pág. 176).

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 151


Teste 5 Grupo I

5 Os cinco itens deste grupo são de escolha múltipla. Para cada um deles, escolhe
a única opção correta.

1. Os segmentos de reta [AB] e [BC] são lados consecutivos de um hexágono


regular de perímetro 12.

5
2" 2"
Qual é o valor do produto escalar BA · BC ?
(A) - 3 (B) - 2 (C) 2 (D) 3

" "
2. Considera os vetores a e b representados no y
plano da figura ao lado em que está fixado um a

referencial o.n.
" "
b
1
Qual é o valor do produto escalar a · b ?
O 1 x
(A) 1 (B) 6
(C) 17 (D) 18

3. Seja k um número real. Considera os pontos A(2, - 1, 0) e B(0, 1, 1) e o


"
vetor u (k, 3, 2) .
2"
Qual é o conjunto dos valores de k para os quais o ângulo dos vetores AB
"
e u é obtuso?
(A) g -∞, 4 f (B) g -∞, 4 g (C) g 4, +∞ f (D) f 4, +∞ f

4. Considera, num referencial o.n. xOy , a circunferência definida pela equa-


2
ção x2 + (y + 1) = 5 .
Esta circunferência interseta o eixo Ox em dois pontos. Destes pontos,
seja A o que tem abcissa positiva.
Seja r a reta tangente à circunferência no ponto A .
Qual é a equação reduzida da reta r ?
(A) y = - x + 2 (B) y = - x + 4
1
(C) y = - x + 2 (D) y = - 2x + 4
2

5. Na figura ao lado está representado um hexágono B A

regular inscrito numa circunferência com centro no


ponto O e raio 1. C
O
F
Qual é o lugar geométrico dos pontos P da circunfe-
2" 2"
1
rência que satisfazem a condição OP.OB ≤ - ? D E
2
(A) Arco AC
Ajuda
(B) Arco maior AC
Se precisares de ajuda para
resolver algum destes itens, (C) Arco DF
consulta a página 188. (D) Arco maior DF

152 Tema 2 | Geometria Analítica


Grupo II
Na resposta a cada um dos cinco itens deste grupo, apresenta todos os cálculos
que efetuares, explica os raciocínios e justifica as conclusões.

1. No plano em que está fixado um referencial o.n., considera o triângulo y


[ABC] representado na figura. Sabe-se que o triângulo é retângulo em A e C
que A(4, - 2) e B(8, 1) .
a) Determina a inclinação da reta AB .
B
Apresenta o valor pedido em graus, arredondado às unidades.
O x
b) Determina a equação reduzida da reta AC .
A
c) Determina as coordenadas do vértice C , sabendo que o triângulo [ABC]
tem área 20 (u.a.).
d) Identifica o lugar geométrico dos pontos P do plano que satisfazem
2" 2"
a condição BP · BC = 0 .

2. Na figura ao lado está representado um prisma hexagonal regular, em que A B


AB = 3 cm e OA = 9 cm. F C
2" 2" 2" 2" 2" 2" 2" 2"
E D
a) Calcula: a1) FA · AC a2) AB · RQ a3) TO · DC a4) AD · CQ
b) Fixado o centímetro para unidade de comprimento, considera o referen-
cial o.n. com origem O , com S no semieixo positivo Ox , P no semieixo O P
positivo Oy e A no semieixo positivo Oz . T Q

b1) Determina as coordenadas dos pontos A , S , R e P . S R


2"
b2) Escreve as coordenadas de um vetor perpendicular a AR .
b3) Determina, em radianos e com aproximação às décimas, a amplitude
do ângulo SAP .

3. Considera o cubo representado na figura ao lado. E H


a) Prova, recorrendo ao produto escalar de vetores, que a diagonal espacial F
G
[FC] é perpendicular à diagonal facial [BH] .
Sugestão: considera o cubo num referencial o.n. adequado do espaço.
D C
b) Identifica os vértices do cubo que pertencem ao lugar geométrico dos
2" 2"
pontos P do espaço que satisfazem a condição FP · HP = 0 . A B

4. Determina o conjunto S , sabendo que x å f 0, p f e que S é o conjunto das


1
soluções da condição sen x ≥ ‹ cos x < 0 . Em seguida, indica o intervalo
2
a que pertencem os declives das retas cuja inclinação é um ângulo de S .

5. Seja [ABC] um triângulo tal que AC = 13,2 cm .


Determina AB , admitindo que:
W B = 72° ;
a) BC = 12,5 cm e AC
W C = 25° e ABW C = 55° .
b) BA

Apresenta os resultados em centímetros, arredondados às décimas. Sempre


que, em cálculos intermédios, fizeres arredondamentos, conserva, no míni-
mo, três casas decimais.

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 153


Equações de planos no espaço
Vetor normal a um plano
NOTA " "
Vetores normais ao plano a :
Dado um plano a e um vetor v , diz-se que o vetor v é normal ao plano a
"
se v for o vetor nulo ou se, não sendo o vetor nulo, as retas de vetor diretor
"
v forem perpendiculares a a .

␣ No espaço, dois planos podem ser:


r paralelos (estritamente paralelos ou coincidentes)

␣ ␤

Estritamente paralelos Coincidentes

r concorrentes (perpendiculares ou oblíquos)


NOTA ␤

Planos perpendiculares
no século XIX…
«Um plano diz-se perpendicular a
outro plano, quando não se inclina
nem para um lado nem para o outro
deste último». Concorrentes perpendiculares Concorrentes oblíquos
Bezout, M. (1827), Elementos de Geometria

SERÁ QUE…? Posição relativa de planos e dos respetivos vetores normais

Na figura ao lado está representado um G H


cubo.
B
C
a) Identifica um vetor normal ao plano ABC
e um vetor normal ao plano ADG .

b) Identifica dois planos que admitam o vetor F


E
2"
BC como vetor normal. Qual é a posição
A D
relativa desses dois planos?
2"
c) O vetor AB é normal ao plano BCH .
2"
Identifica um vetor perpendicular ao vetor AB e um plano que admita
esse vetor como vetor normal. Qual é a posição relativa desses dois planos?

Será que podes identificar dois planos concorrentes que admitam como veto-
2" 2"
res normais AB e HE ?
Será que podes identificar dois planos paralelos que admitam como vetores
2" 2"
normais AB e BH ?

154 Tema 2 | Geometria Analítica


A resposta às duas questões anteriores só pode ter sido: «Não!»
A impossibilidade de identificar planos nas condições indicadas deve-se ao con-
teúdo das afirmações seguintes.
" "
Sejam a e b dois planos e sejam n a e n b vetores não nulos, normais a a
e a b , respetivamente.
" "
r Os planos a e b são paralelos se e só se os vetores n a e n b são colineares.

"
Justificação: Suponhamos que os planos a e b são paralelos. Dado que n a é
"
normal a a , qualquer reta de vetor diretor n a é perpendicular a a . Ora, se
uma reta é perpendicular a um de dois planos paralelos, também é perpendi-
"
cular ao outro e, portanto, qualquer reta de vetor diretor na é perpendicular ao
" "
plano b . Então, n a é colinear com n b .
" "
Reciprocamente, suponhamos que n a e n b são colineares e seja r uma reta de
" "
vetor diretor n a . Então, n b também é vetor diretor da reta r e, portanto, r é
perpendicular ao plano b . Ora dois planos perpendiculares a uma mesma reta
são paralelos e, portanto, a e b são paralelos.
" "
r Os planos a e b são perpendiculares se e só se os vetores n a e n b são
perpendiculares.

␤ n␤
n␣

Justificação: Se os dois planos são perpendiculares, o ângulo formado pelos dois


planos é reto. Se AOB é ângulo dos dois planos, com A å a , B å b e O å a © b ,
2" " ␤ B
então AO é perpendicular a b e, portanto, AO é colinear com n b e BO é
2" "
perpendicular a a e, portanto, BO é colinear com n a . Como AO e BO são
" "
perpendiculares, também n a e n b são perpendiculares. ␣ O A
" "
Reciprocamente, suponhamos que os vetores n a e n b são perpendiculares.
Seja O um ponto da reta de interseção dos dois planos e sejam OA e OB
" "
retas com a direção de n b e de n a , respetivamente.
Então, a reta OB é perpendicular a a e, como a reta OA é perpendicular à
reta OB , conclui-se que a reta OA está contida no plano a . Então, existe em a
uma reta perpendicular a b e, portanto, os planos a e b são perpendiculares.

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 155


Equações cartesianas de planos no espaço
"
Sejam a um plano, n um vetor não nulo normal ao plano e P0 um ponto do
plano.
n

P0 P

Um qualquer ponto P do espaço pertence ao plano a se e só se os vetores


22" " 22" "
P0P e n são perpendiculares, ou seja, P å a § P0P · n = 0 .

Propriedades que estudaste nos anos anteriores permitem justificar esta afirmação:
22"
r Suponhamos que P å a . Se P coincide com P0 , o vetor P0P é o vetor nulo,
2" "
de onde se conclui que P0P · n = 0 . Se P é um ponto distinto de P0 , então,
22"
como P0 å a , a reta P0P está contida no plano a e, portanto, os vetores P0P
e n são perpendiculares 1 ou seja, P0P · n = 0 2.
" 22" "

22" "
r Reciprocamente, suponhamos que P0P · n = 0 , ou seja, suponhamos que os
22" " 22"
vetores P0P e n são perpendiculares. Se P0P é o vetor nulo, então P coin-
22"
cide com P0 e, portanto, P å a . Admitamos, agora, que P0P não é o vetor
nulo. Então, o ponto P é distinto de P0 .
Seja r a reta perpendicular a a que passa em P0 . Assim, r tem a direção de
" 22" "
n e, como P0P · n = 0 , a reta P0P é perpendicular à reta r . Então, a reta
P0P está contida no plano a , de onde se conclui que P å a .
"
Portanto, dados um ponto P0 e um vetor n não nulo, o conjunto dos pontos P
22" " "
tais que P0P · n = 0 é um plano que passa em P0 e é perpendicular a n . Ora,
"
sendo r uma reta com a direção de n e que passe em P0 , existe um único
plano perpendicular a r e que passe em P0 , o que quer dizer que o plano defi-
22" "
nido pela equação P0P · n = 0 é o único plano que passa em P0 e é perpendi-
"
cular a n .
" 22" "
Se n (a, b, c) e P(x0, y0, z0) , então a equação P0P · n = 0 , com P(x, y, z) ,
é equivalente a (x - x0, y - y0, z - z0) · (a, b, c) = 0 .
Assim:
22" "
P0P · n = 0 § a(x - x0) + b(y - y0) + c(z - z0) = 0

26 Fixado um referencial o.n.


Fixado um referencial ortonormado do espaço e dados um vetor não nulo
do espaço, escreve uma condi- "
n (a, b, c) e um ponto P0(x0, y0, z0) , o conjunto dos pontos P(x, y, z) que
ção cartesiana do plano do qual
"
n é vetor normal e que passa
satisfazem a equação
no ponto A , sendo: a(x - x0) + b(y - y0) + c(z - z0) = 0
" "
a) n (3, - 1, 2) e A(1, 0, - 3) é o plano que passa em P0(x0, y0, z0) e de que n (a, b, c) é vetor normal.
"
b) n (1, 0, - 2) e A(3, - 4, 1) Esta equação é uma equação cartesiana desse plano.

156 Tema 2 | Geometria Analítica


Tem-se ainda:
a(x - x0) + b(y - y0) + c(z - z0) = 0 § ax + by + cz + (- ax0 - by0 - cz0) = 0
"
Portanto, o plano que passa em P0(x0, y0, z0) e do qual o vetor não nulo n (a, b, c)
é vetor normal é definido por uma equação do tipo ax + by + cz + d = 0 .

Reciprocamente, toda a equação do tipo ax + by + cz + d = 0 , em que


a, b, c, d å R e (a, b, c) 0 (0, 0, 0) , define um plano. Mais concretamente, sen- NOTA
do (x0, y0, z0) uma solução desta equação*, tem-se ax0 + by0 + cz0 + d = 0 e, * Esta equação nunca é ímpossível
portanto: porque a , b e c não são simulta-
neamente nulos.
ax + by + cz + d = 0 § ax + by + cz + d = ax0 + by0 + cz0 + d §
twwuwwv
0
§ a(x - x0) + b(y - y0) + c(z - z0) = 0
Então, a equação ax + by + cz + d = 0 define o plano que passa em P0(x0, y0, z0) ,
"
sendo n (a, b, c) um seu vetor normal. 27 Fixado um referencial o.n.
do espaço, identifica as coorde-
As equações da forma ax + by + cz + d = 0 , em que a, b, c, d å R e nadas de um vetor normal ao
plano de equação:
(a, b, c) 0 (0, 0, 0) , são equações cartesianas de planos de que o vetor de coor-
denadas (a, b, c) é vetor normal. Reciprocamente, todo o plano de que o ve- a) 2x + 3y - z + 1 = 0

tor, não nulo, de coordenadas (a, b, c) é vetor normal pode ser definido por b) 2y - x = z + 1
uma equação cartesiana daquela forma. c) 2x - 3z + 1 = 0

Exercícios resolvidos
1. Fixado um referencial o.n. no espaço, considera o ponto A(2, - 1, 0) e o
" "
vetor n (- 2, 4, 3) . Seja a o plano que passa em A e do qual o vetor n é
vetor normal. Considera também o plano b de equação 2x - 4y + 3z = 4 .
a) Determina uma equação cartesiana do plano a .
b) Mostra que os planos a e b não são paralelos nem são perpendi-
culares.
Resolução NOTA
Como não podia deixar de ser, as
a) Podemos obter uma equação cartesiana do plano a por, pelo menos,
equações
dois processos: - 2(x - 2) + 4(y + 1) + 3(z - 0) = 0
1.º processo: recorrendo à equação a(x - x0) + b(y - y0) + c(z - z0) = 0 . e
- 2x + 4y + 3z + 8 = 0
- 2(x - 2) + 4(y + 1) + 3(z - 0) = 0 é uma equação cartesiana do plano a .
são equivalentes:
2.º processo: recorrendo à equação ax + by + cz + d = 0 . - 2(x - 2) + 4(y + 1) + 3(z - 0) = 0 §
§ - 2x + 4 + 4y + 4 + 3z = 0 §
O plano a admite uma equação cartesiana da forma:
§ - 2x + 4y + 3z + 8 = 0
- 2x + 4y + 3z + d = 0
Para obter o valor de d recorremos ao facto de o ponto A pertencer
ao plano:
- 2 * 2 + 4 * (- 1) + 3 * 0 + d = 0 § - 4 - 4 + 0 + d = 0 § d = 8
- 2x + 4y + 3z + 8 = 0 é uma equação cartesiana do plano a .

continua

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 157


continuação
28 Fixado no espaço um refe-
rencial o.n., considera o plano a b) Os planos a e b são paralelos se e só se os vetores que lhes são nor-
de equação: mais forem colineares e são perpendiculares se e só se os vetores que
2x - y + 3z = 4 lhes são normais forem perpendiculares.
" "
Escreve uma equação do plano Tem-se n a(- 2, 4, 3) e n b(2, - 4, 3) .
paralelo a a que passa: " "
r Os vetores n a e n b não são colineares, pois, por exemplo,
a) na origem do referencial;
4 * 3 0 3 * (- 4) .
b) no ponto A(- 1, 3, 0) . " " " "
r Os vetores n a e n b não são perpendiculares, pois n a · n b 0 0 :
" "
n a · n b = (- 2, 4, 3) · (2, - 4, 3) = - 2 * 2 + 4 * (- 4) + 3 * 3 = - 11

2. Fixado um referencial o.n. do espaço, considera o plano a de equação


x - 3z - 1 = 0 , a reta r definida por (x, y, z) = (1, 1, 1) + k(- 1, 2, 3), k å R
e o ponto P(4, 2, -2) .

a) Determina um sistema de equações paramétricas da reta perpendicular


ao plano a e que passa em P .
b) Determina uma equação do plano b que passa em P e é perpendi-
cular à reta r .

Resolução
Animação a) Um vetor normal ao plano a é vetor diretor de qualquer reta perpen-
"
Resolução do
dicular ao plano. Um vetor normal ao plano a é o vetor n de coor-
exercício 28
denadas (1, 0, -3) .

n

Portanto, um sistema de equações paramétricas da reta perpendicular


ao plano a e que passa no ponto P(4, 2, - 2) é:

29 Fixado um referencial o.n. x=4+l


do espaço, considera o plano a |y = 2 , låR
de equação 4x - 3y + z - 1 = 0 z = - 2 - 3l
e a reta r definida por
x=1‹y=0 .
a) Define por uma condição a b) Um vetor diretor da reta r é vetor normal ao plano b . Portanto, uma
reta perpendicular ao plano a equação do plano b é:
no ponto em que o plano in-
- (x - 4) + 2(y - 2) + 3(z + 2) = 0
terseta o eixo Ox .
Efetuando os cálculos e reduzindo os termos semelhantes, obtém-se
b) Define por uma equação
cartesiana o plano perpendi- a equação - x + 2y + 3z + 6 = 0 .
cular à reta r que passa na
origem do referencial.

continua

158 Tema 2 | Geometria Analítica


continuação

3. Fixado um referencial o.n. do espaço, considera os pontos A(- 2, 5, 1) e


B(0, 3, 5) .

a) Determina uma equação cartesiana do plano mediador do segmento de


reta [AB] .
30 Fixado um referencial o.n.
b) Determina uma equação cartesiana do plano tangente no ponto A à do espaço, considera os pontos
superfície esférica de centro em B e que passa em A . A(0, - 2, 1) e B(4, 0, - 1) .
a) Determina uma equação car-
Resolução
tesiana do plano mediador
a) O plano mediador do segmento de reta [AB] é o plano normal a AB de [AB] .
no ponto médio de [AB] . b) Identifica o conjunto dos pon-
tos P do espaço tais que
B 2" 2"
AP · MP = 0 , sendo M o
ponto médio de [AB] .

M[AB]

A
2"
As coordenadas do vetor AB são (0 - (- 2), 3 - 5, 5 - 1) e, portanto,
2"
AB(2, - 2, 4) .

As coordenadas do ponto médio de [AB] são a b e,


-2 + 0 5 + 3 1 + 5
, ,
2 2 2
portanto, MfABg(- 1, 4, 3) .
Então, uma equação cartesiana do plano mediador do segmento de
reta [AB] é 2(x + 1) - 2(y - 4) + 4(z - 3) = 0 ou, de forma mais sim-
ples, x - y + 2z = 1 .

b) Tem em consideração que o raio [BA] é perpendicular ao plano tan-


gente à superfície esférica no ponto A . 31 Fixado um referencial o.n.
do espaço, considera a superfí-
cie esférica de equação:
A (x - 1)2 + y2 + (z + 2)2 = 10
Determina uma equação carte-
siana do plano tangente à super-
B fície esférica no ponto de cota
negativa em que a superfície
esférica interseta o eixo Oz .

2"
Então, o vetor BA(- 2, 2, - 4) é normal ao plano e a equação do plano
é da forma - 2x + 2y - 4z + d = 0 .
Como o ponto A(- 2, 5, 1) pertence ao plano, tem-se:
- 2 * (- 2) + 2 * 5 - 4 * 1 + d = 0
de onde se conclui que d = - 10 .
Uma equação do plano tangente no ponto A à superfície esférica de
centro em B e que passa em A é - 2x + 2y - 4z - 10 = 0 ou, de forma
mais simples, x - y + 2z + 5 = 0 .
continua

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 159


continuação
32 Seja ABC um plano. Iden-
tifica e define, recorrendo ao 4. Considera fixado no espaço um referencial o.n. e os pontos A(- 2, 0, 3) ,
2" 2"
produto escalar, o lugar geomé- B(1, 1, - 1) e P(x, y, z) . Considera também a condição AB · AP = 0 .
trico dos centros das superfí-
2" 2"
cies esféricas tangentes ao pla- a) Mostra que AB · AP = 0 § 3x + y - 4z + 18 = 0 .
no ABC no ponto A .
b) Determina uma equação cartesiana do plano que passa no ponto A
2"
e de que AB é vetor normal.
c) Completa a afirmação seguinte:

«O lugar geométrico dos pontos P(x, y, z) do espaço tais que


2" 2"
AB · AP = 0 é o plano _________________________________________
___________________.»

Resolução
2"
a) As coordenadas do vetor AB são (1 + 2, 1 - 0, - 1 - 3) = (3, 1, - 4)
2"
e as coordenadas do vetor AP são (x + 2, y - 0, z - 3) = (x + 2, y, z - 3) .
2" 2"
AB ·AP = 0 § (3, 1, - 4) · (x + 2, y, z - 3) = 0 §
§ 3(x + 2) + y - 4(z - 3) = 0 §
§ 3x + 6 + y - 4z + 12 = 0 §
§ 3x + y - 4z + 18 = 0
2"
b) As coordenadas de AB são (3, 1, - 4) . As equações dos planos de
2"
vetor normal AB são do tipo 3x + y - 4z + d = 0 e, como o plano pas-
sa no ponto A , tem-se: 3 * (- 2) + 0 - 4 * 3 + d = 0 , ou seja, d = 18 .
Obtém-se, portanto, a equação 3x + y - 4z + 18 = 0 .
2" 2"
c) «O lugar geométrico dos pontos P(x, y, z) do espaço tais que AB · AP = 0
2"
é o plano que passa no ponto A e de que AB é vetor normal.»

33 Fixado um referencial o.n. 5. Considera fixado no espaço um referencial o.n.


do espaço, considera dois pon-
Sejam R e S dois pontos. Descreve o lugar geométrico dos pontos P do
tos A e B . 2" 2"

Identifica o conjunto dos pon- espaço que satisfazem a equação PR · SR = 0 .


tos P do espaço tais que
2" 2" Resolução
AP · BP > 0 .
É o plano que passa em R e é perpendicular à reta SR .

NOTA
Vetores paralelos ao plano a :

␣ Vetor paralelo a um plano


Mais sugestões de trabalho " "
Dado um plano a e um vetor v , diz-se que o vetor v é paralelo ao plano a
" "
Exercícios propostos n.os 69 a 71 se v for o vetor nulo ou se, não sendo o vetor nulo, v for vetor diretor de
(pág. 177). uma reta do plano.

160 Tema 2 | Geometria Analítica


Exercício resolvido
"
Fixado um referencial o.n. no espaço, seja n um vetor normal a um pla-
no a .
"
Mostra que um vetor não nulo v é paralelo ao plano a se e só se
"
é perpendicular a n .
Resolução
" "
Se o vetor v é paralelo ao plano a , então v é vetor diretor de uma reta
"
do plano a . Seja r uma reta do plano a de vetor diretor v e conside-
remos um ponto A de r .
"
Seja s a reta de vetor diretor n que passa em A . A reta s é perpendi-
cular ao plano a no ponto A e, portanto, é perpendicular a r .
s
v

n

A r

"
34 Fixado um referencial o.n.
Então, dado que são perpendiculares duas retas de vetores diretores v e do espaço, considera o plano a
"
n , estes vetores são perpendiculares. de equação x + y - 3z - 1 = 0 e
"
" " o vetor v (2, - 1, k) , paralelo a
Reciprocamente, suponhamos que os vetores v e n são perpendicula-
" a , sendo k um número real.
res. Seja s uma reta de vetor diretor n e seja A o ponto em que essa
" a) Determina k .
reta interseta o plano a . A reta de vetor diretor v que passa em A é
perpendicular à reta s e, portanto, está contida no plano a . Então, existe b) Determina as coordenadas
" " de dois vetores paralelos ao
em a uma reta de vetor diretor v , o que permite concluir que o vetor v plano a , não colineares entre
é paralelo ao plano a . "
si, nem colineares com v .

Equações vetoriais de planos no espaço


" "
Dados um plano a , um ponto A å a e dois vetores u e v , paralelos a a NOTA
e não colineares, prova-se* que, para qualquer ponto P do espaço: * A demonstração é facultativa. Po-
" " des aceitar o desafio e construíres
P å a § Es, t å R : P = A + su + t v
" "
uma demonstração ou, se estiveres
A equação P = A + su + t v , s, t å R diz-se equação vetorial do plano a . interessado, podes consultar o ma-
nual na página 169.

Considerando fixado no espaço um referencial o.n., se P(x, y, z) , A(a1, a2, a3) ,


" " " "
u (u1, u2, u3) e v (v1, v2, v3) , a equação P = A + su + t v , s, t å R pode ser escrita
na forma (x, y, z) = (a1, a2, a3) + s(u1, u2, u3) + t(v1, v2, v3), s, t å R .
Esta equação também se pode escrever na forma de conjunção:
x = a1 + su1 + tv1 ‹ y = a2 + su2 + tv2 ‹ z = a3 + su3 + tv3, s, t å R
x = a1 + su1 + tv1
ou na forma de sistema: | y = a2 + su2 + tv2 , s, t å R
z = a3 + su3 + tv3

Este sistema designa-se por sistema de equações paramétricas do plano a .

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 161


Exercício resolvido
Fixado um referencial o.n. no espaço, considera os pontos A(2, 0, 1) ,
B(0, - 3, 2) e C(1, 1, 1) . Verifica que estes pontos não são colineares
e escreve uma condição que defina o plano que eles determinam.

Resolução
2" 2"
Comecemos por determinar as coordenadas dos vetores AB e AC :
(0, - 3, 2) - (2, 0, 1) = (- 2, - 3, 1) e (1, 1, 1) - (2, 0, 1) = (- 1, 1, 0)
2" 2"
Portanto, AB(- 2, - 3, 1) e AC( - 1, 1, 0) .
Estes dois vetores não são colineares (basta observar que a terceira coor-
2" 2"
denada do vetor AC é zero e a terceira coordenada do vetor AB é dife-
rente de zero), o que permite concluir que os pontos A , B e C não são
colineares.
Então, definem um plano: o plano ABC .
Se optarmos por definir o plano por uma equação vetorial, basta ter em
2" 2"
35 Determina uma equação ve- consideração que os vetores AB e AC são dois vetores não colineares,
torial do plano definido pela paralelos ao plano ABC , pois são vetores diretores de duas retas do plano,
equação cartesiana: AB e AC .
2x + 3y - 4z = 6
Então, o plano ABC é definido pela equação:
(x, y, z) = (2, 0, 1) + s(- 2, - 3, 1) + t(- 1, 1, 0), s, t å R
Se pretendermos definir o plano por uma equação cartesiana, devemos
obter as coordenadas de um vetor normal ao plano.
Um vetor é vetor normal ao plano se e só se for perpendicular a dois ve-
tores não colineares paralelos a esse plano.

n
B

A C

36 Determina uma equação car- Vamos, portanto, determinar as coordenadas de um vetor não nulo,
" 2" 2"
tesiana do plano definido pela n (a, b, c) , que seja perpendicular aos vetores AB e AC .
equação vetorial: 2" "
AB · n = 0 (- 2, - 3, 1) · (a, b, c) = 0 - 2a - 3b + c = 0
(x, y, z) = (0, 1, 1) + s(2, 2, 1) + e 2" " § e § e §
+ t(-1, 0, 1), s, t å R AC · n = 0 (- 1, 1, 0) · (a, b, c) = 0 -a + b = 0
- 2a - 3b + c = 0 - 2a - 3a + c = 0 c = 5a
§ e § e § e
b=a b=a b=a
"
Portanto, qualquer vetor n (a, a, 5a) , com a å R , é um vetor normal ao
NOTA plano ABC .
* Facilmente se pode verificar que
Substituindo, por exemplo, a por 1, obtemos o vetor de coordenadas
as coordenadas dos pontos A , B e
C satisfazem esta equação, o que (1, 1, 5) , que é um vetor não nulo normal ao plano ABC .
garante que ela está correta (pois
há um único plano a que pertencem
Uma equação cartesiana deste plano é 1(x - 2) + 1(y - 0) + 5(z - 1) = 0 ,
simultaneamente três pontos não que é equivalente à equação, mais simples, x + y + 5z = 7*.
colineares).

162 Tema 2 | Geometria Analítica


Resolução de problemas
Problemas resolvidos
1. Fixado um referencial o.n. no espaço, considera o plano a definido pela
equação 2x - y - z = 8 e o ponto A(3, 3, 1) . Verifica que o ponto A não
pertence ao plano e determina a distância de A ao plano a .

Resolução
Comecemos por verificar que as coordenadas do ponto A não satisfa-
zem a equação do plano a : 2 * 3 - 3 - 1 = 8 § 2 = 8
A distância pedida é a distância de A à respetiva projeção ortogonal no
plano a .
Por sua vez, a projeção ortogonal de A no plano a é o ponto de inter-
seção com o plano da reta que passa em A e é perpendicular a a .
Uma equação dessa reta é:
A
(x, y, z) = (3, 3, 1) + l(2, - 1, - 1), l å R
n
x = 3 + 2l
A'
ou seja, | y = 3 - l , l å R
z=1-l
Substituindo as expressões de x , y e z na equação do plano, obtém-se:
2 * (3 + 2l) - (3 - l) - (1 - l) = 8 § l = 1
Então, a projeção ortogonal de A no plano a é o ponto A' de coorde-
nadas (5, 2, 0) .
A distância de A ao plano a é igual AA' :
d(A, a) = AA' = "(5 - 3) + (2 - 3) + (0 - 1) = "6
2 2 2

2. Fixado um referencial o.n. no espaço, seja [ABCDE] uma pirâmide qua- 37 Considera fixado no espaço
drangular. A base da pirâmide é o quadrado [ABCD] , que está contido um referencial o.n.
no plano de equação x + y - z + 2 = 0 . Seja A(3, 0, 4) e sejam a e b
os planos de equações:
Os vértices A e C são os pontos de coordenadas (2, - 1, 3) e (0, 3, 5) , x - 2y - 3z = 2 e 2y + z = 1
respetivamente, e o vértice da pirâmide é o ponto E de coordenadas
a) Mostra que a interseção dos
(5, 5, - 2) . Seja F o centro da base. planos a e b é a reta r de
a) Mostra que a pirâmide não é uma pirâmide regular. equação:
(x, y, z) = (5, 0, 1) + k(4, - 1, 2),
b) Determina as coordenadas do vértice de uma pirâmide quadrangular kåR
regular de base [ABCD] e volume 20"3 (unidades cúbicas). b) Determina uma equação car-
c) Determina as coordenadas dos vértices B e D . tesiana e uma equação veto-
rial do plano que passa em A
Resolução e é perpendicular a a e a b .

a) Se a pirâmide é regular, então a projeção ortogonal do vértice da pirâ-


mide no plano que contém a base é o centro da base (pois numa pirâ-
mide regular as arestas laterais são iguais).
Sendo F o centro da base da pirâmide, então, se a pirâmide é regular,
2" "
Caderno de exercícios
o vetor EF é colinear com o vetor n (1, 1, - 1) . Declive e inclinação de uma
reta. Produto escalar
continua

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 163


continuação

O centro do quadrado é o ponto médio do segmento de reta [AC] que


tem coordenadas a b . Portanto, F(1, 1, 4) .
2+0 -1+3 3+5
, ,
2 2 2
2"
EF tem coordenadas (1, 1, 4) - (5, 5, - 2) = (- 4, - 4, 6) .
2"
Então, EF não é normal ao plano que contém a base da pirâmide,
" 2"
porque os vetores n (1, 1, - 1) e EF(- 4, - 4, 6) não são colineares,
de onde se conclui que a pirâmide não é uma pirâmide regular.

b) A base da pirâmide é um quadrado de diagonal [AC] .

Tem-se AC = "(0 - 2) + (3 + 1) + (5 - 3) = "4 + 16 + 4 = "24 .


2 2 2

Q "24 R
NOTA 2
A área de um quadrado de diagonal
d2 Então, a área da base é = 12 .
d é . 2
2
Determinemos a altura, h , da pirâmide:
38 Fixado um referencial o.n.
* 12 * h = 20"3 § h = 5"3
1
Oxyz no espaço, considera uma
pirâmide quadrangular regular 3
de vértice V e base [ABCD] . Designando o vértice da pirâmide por H , e sendo F o centro da base,
2" "
z este ponto H é tal que FH é colinear com o vetor n (1, 1, - 1) e tem
norma 5"3 .
Tem-se 0 0 n 0 0 = "12 + 12 + (- 1) = "3 ; portanto, FH = 5n ou FH = - 5n .
2" 2"
V " 2 " "
D
" "
Uma solução do problema é H = F + 5n e a outra é H = F - 5n :
A O
C y (1, 1, 4) + (5, 5, - 5) = (6, 6, -1) ou
(1, 1, 4) + (- 5, - 5, 5) = (- 4, - 4, 9)
B
x
c) Para que P(x, y, z) seja vértice da base, diferente de A e de C :
Sabe-se que C(0, 2, 0) , D(0, 0, 2)
e que a reta BC é paralela ao r P tem de pertencer ao plano que contém a base da pirâmide;
eixo Ox . 2"

a) Determina as coordenadas r o vetor FP(x - 1, y - 1, z - 4) tem de ser perpendicular ao vetor


2"
dos pontos A e B . FA(1, - 2, - 1) ;
r é necessário que 0 0 FP 00 = 0 0 FA 00 .
2" 2"
b) Designando o centro da base
da pirâmide por E , deter-
mina uma equação vetorial
da reta EV .
Traduzindo estas condições em linguagem simbólica matemática, tem-se:
c) Determina as coordenadas x+y-z+2=0
de V , sabendo que a altura
| (x - 1, y - 1, z - 4) · (1, - 2, - 1) = 0
da pirâmide mede 3"2 .
"(x - 1) + (y - 1) + (z - 4) = "12 + ( - 2) + ( - 1)
2 2 2 2 2

in Caderno de Apoio, 11.º ano


Resolvendo:
x+y-z+2=0 x= -y+z-2
Animação | x - 2y - z + 5 = 0 § | - y + z - 2 - 2y - z + 5 = 0 §
2 2 2 2 2 2
Resolução do (x - 1) + (y - 1) + (z - 4) = 6 (x - 1) + (y - 1) + (z - 4) = 6
exercício 38
x=z-3 x=z-3 x=z-3 x=z-3
Mais sugestões de trabalho § |y = 1 § |y = 1 § |y = 1 § |y = 1
z - 4 = ¿ "3 z = 4 ¿ "3
2 2
2(z - 4) = 6 (z - 4) = 3
Exercícios propostos n.os 72 a 78
(págs. 177 e 178). As soluções, ou seja, as coordenadas dos vértices B e D da base da
pirâmide são: Q 1 + "3, 1, 4 + "3 R e Q 1 - "3, 1, 4 - "3 R .
+Exercícios propostos
(págs. 179 a 186).

164 Tema 2 | Geometria Analítica


Caça aos erros!
As respostas aos itens seguintes têm um ou mais erros.
Descobre todos os erros!
1 Fixado um referencial o.n. no espaço, considera os pontos
A(- 2, 0, 4) e B(2, - 2, 6) .
Determina a equação reduzida da superfície esférica de diâmetro [AB] .
Resposta de um aluno:
2" 2"
Tem-se AB = B - A . Portanto, as coordenadas de AB são (4, - 2, 2) .
Como o centro é metade do diâmetro, o centro tem coordenadas (2, - 1, 1) .
2 2 2 2
Então, (x - 2) + (y + 1) + (z - 1) = r .
2 2 2
Substituindo x , y e z pelas coordenadas de A , tem-se (- 2 - 2) + (0 + 1) + (4 - 1) = 26 .
2 2 2 2
A equação reduzida da superfície esférica de diâmetro [AB] é (x - 2) + (y + 1) + (z - 1) = 26 .

2 Fixado no plano um referencial o.n. xOy , considera a reta r de equação y = - 3,5x + 1 .


Determina a inclinação da reta r . Apresenta o resultado em graus, arredondado às unidades.
Resposta de um aluno:
tg–1 (- 3,5) = - 74° . A inclinação da reta é 74°.

3 Na figura está representado, num referencial o.n. no espa- z


ço, o cubo [OABCDEFG] de aresta 3. Os vértices A , C e D G
D
pertencem aos eixos e o ponto H tem coordenadas (3, - 2, 3) . F
H E
Seja a a amplitude, em radianos, do ângulo AHC .
C O
Determina o valor exato de cos a . y
B A
Resposta de um aluno:
2" x
A(3, 0, 0) , AH = (3, - 2, 3) - (3, 0, 0) = (0, - 2, 3)
2"
C(0, - 3, 0) , HC = (0, - 3, 0) - (3, - 2, 3) = ( - 3, - 1, - 3)
0 0 AH 00 = "0 + 4 + 9 = "13 e 0 0 HC 00 = "9 + 1 + 9 = "19
2" 2"

2" 2"
AH · HC = (0, - 2, 3) · (- 3, - 1, - 3) = 0 + 2 - 9 = - 7
-7
cos a =
"13 * "19

4 Fixado um referencial o.n. no espaço, considera o plano a definido por 2x - 2y + kz = 0 ,


sendo k um número real, e a reta r definida por (x, y, z) = (1, 2, - 3) + l(- 1, 1, 2), l å R .
Determina k de modo que a reta r seja paralela ao plano a .
Resposta de um aluno:
Para a reta r ser paralela ao plano a , o vetor de coordenadas (- 1, 1, 2) , que é vetor
diretor da reta, deve ser paralelo ao vetor de coordenadas (2, - 2, k) , que é vetor diretor do
plano. Então, as coordenadas dos dois vetores devem ser diretamente proporcionais e, por-
tanto, k = - 4 .

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 165


Teste 6 Grupo I

5 Os cinco itens deste grupo são de escolha múltipla. Para cada um deles, escolhe
a única opção correta.

1. De um triângulo isósceles [ABC] sabe-se que os lados iguais são [AB] e


[AC] , tendo cada um deles 8 unidades de comprimento, e que cada um dos

5
dois ângulos iguais tem 30º de amplitude.
2" 2"
Qual é o valor do produto escalar AB · AC ?
(A) - 32"3 (B) - 32
(C) 64 (D) 64"3

2. Considera, num referencial o.n. Oxyz , o ponto A , de coordenadas (1, 0, 3) ,


e o plano a , definido por 3x + 2y - 4 = 0 . Seja b um plano perpendicular
ao plano a e que passa no ponto A .
Qual das equações seguintes pode definir o plano b ?
(A) 3x + 2y - 3 = 0 (B) 2x - 3y + z = 0
(C) 2x - 3y - z + 1 = 0 (D) 3x + 2y = 0
in Exame Nacional, 2.ª fase, 2014

3. Seja a um número real. Num referencial o.n. Oxyz , considera a reta r


definida por:
x = 1 + 2k
|y = 3 - k , k å R
z = ak
A reta r é paralela ao plano definido pela equação 4x - 2y + 3z = 0 .
Qual é o valor de a ?
3 3 10 10
(A) - (B) (C) - (D)
2 2 3 3

4. Na figura ao lado está representado, num referencial o.n. xOy , um triângu-


y
A lo equilátero [ABC] .
Sabe-se que:
r o ponto A tem ordenada positiva;
O B C x r os pontos B e C pertencem ao eixo Ox ;
r o ponto B tem abcissa 1 e o ponto C tem abcissa maior do que 1.
Qual é a equação reduzida da reta AB ?
(A) y = x - 1 (B) y = x - "3 (C) y = "3x - 1 (D) y = "3x - "3
in Exame Nacional, 1.ª fase, 2015

Ajuda 1
5. Quantas soluções tem a equação cos2 x = , no intervalo f - 20p, 20p g ?
Se precisares de ajuda para 3
resolver algum destes itens, (A) 20 (B) 40 (C) 60 (D) 80
consulta a página 189.

166 Tema 2 | Geometria Analítica


Grupo II
Na resposta a cada um dos cinco itens deste grupo, apresenta todos os cálculos
que efetuares, explica os raciocínios e justifica as conclusões.

1. Considera, num referencial o.n. Oxyz , o plano b definido pela condição:


2x - y + z - 4 = 0
a) Escreve uma equação cartesiana do plano paralelo ao plano b que
passa em O .
b) Considera o ponto P(- 2, 1, 3a) , sendo a um número real. Sabe-se que
a reta OP é perpendicular ao plano b . Determina o valor de a .
c) Considera o ponto A(1, 2, 3) . Seja B o ponto de interseção do plano b
com o eixo Ox e seja C o simétrico do ponto B relativamente ao plano
yOz . Determina o valor exato de sen 1 BAC
W 2.
d) Determina a equação reduzida da superfície esférica de centro na origem
do referencial que é tangente ao plano b .

2. Considera o segmento de reta [AB] definido pela condição:


(x, y, z) = (1, - 3, 0) + l(2, 1, - 2), l å f 0, 1 g
a) Determina as coordenadas do ponto médio de [AB] .
b) Escreve uma equação cartesiana do plano mediador de [AB] .

3. Na figura está representada, num referencial o.n. Oxyz , a pirâmide [ABCOD] . z


Sabe-se que: D
r os pontos A , C e D pertencem aos eixos Ox , Oy e Oz , respetivamente;
r o ponto B pertence ao plano xOy , tem abcissa igual à de A e tem orde-
nada - 3;
r 0 0 CD 0 0 = 41 ;
2" 2
C O
y
r a reta AD é definida por (x, y, z) = (3, 0, 0) + l(3, 0, - 5), l å R . B A
a) Determina as coordenadas dos pontos D , B e C .
x
b) Escreve uma equação vetorial e uma equação cartesiana do plano que
contém a face [BCD] .
c) Seja R um ponto do plano xOz . Sabe-se que o ponto R tem cota igual
ao cubo da abcissa e que as retas AR e AD são perpendiculares.
Determina a abcissa do ponto R recorrendo à calculadora gráfica. Apre-
senta o(s) gráfico(s) que visualizaste e apresenta o valor pedido arredon-
dado às centésimas. R
A'

A
4. Na figura está representada uma circunferência de centro O . O segmento
[AB] é um diâmetro da circunferência e R é um ponto exterior à circunfe-
O
rência. O segmento [RA] interseta a circunferência no ponto A' .
2" 22" 2" 2" B
Mostra que RA · RA' = RA · RB .

5. a) Determina o conjunto dos valores de k å R para os quais a equação


tem soluções em c- , d .
3 - 2k p p
cos x =
2 3 3
3
b) Para k = , resolve, em R , a equação da alínea a).
2

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 167


Demonstrações facultativas
" " " " " "
pág. 138 r Sejam u e v vetores e seja l um número real. Então, (lu ) · v = l( u · v ) .
"
Vamos fazer uma demonstração geométrica deste resultado, no caso de u e
"
v serem vetores não nulos (se algum dos vetores for o vetor nulo, a demons-
tração é trivial).
Consideremos vetores u e v tais que 0° < ( u W v ) < 90° e seja l > 0 .
" " " "

v

u
O P Q' R

2" " 22" "


Fixado
2"
um ponto O , sejam P , Q e R tais que OP = u , OQ = v e
"
OR = lu .
Designemos por Q' a projeção ortogonal de Q sobre OP .
.
Dado que l é um número positivo, R pertence à semirreta OP .
.
A projeção ortogonal de Q sobre OP também pertence à semirreta OP (caso
contrário, o triângulo [QOQ'] seria um triângulo retângulo com um ângulo
obtuso, pois o ângulo QOQ' seria suplementar do ângulo agudo POQ).
2" 222"
Portanto, os vetores OR e OQ' têm o mesmo sentido e, por definição de
produto escalar, tem-se:
" " " "
(lu ) · v = OR * OQ' = (lOP) * OQ' = l(OP * OQ') = l( u · v )
As demonstrações no caso de o ângulo dos vetores não ser agudo e no caso
de  l ser um número negativo ou zero fazem-se recorrendo a construções e
raciocínios semelhantes.

" " " " " " " " " "
pág. 138 r Sejam u , v e w vetores. Então, w·( u + v ) = w · u + w · v .
Se algum dos vetores é o vetor nulo, a demonstração é trivial.
Consideremos, agora, dois casos em que nenhum dos vetores é o vetor nulo.

1.º caso: os ângulos (w W u ) , (w W v ) e 1w W ( u + v )2 são agudos.


" " " " " " "

" " "


Dados os vetores u , v e w , fixemos um ponto O e sejam P , Q , R e S
2" 222" 22" 2"
" " " " "
tais que OP = w , OQ = u , OR = v e OS = u + v .
Designemos por Q' , por R' e por S' as projeções ortogonais, respetivamen-
te, de Q , de R e de S sobre OP .
S

u Q
v
R
T

O P

w Q' R' S'

168 Tema 2 | Geometria Analítica


Então,
" " "
— w · ( u + v ) = OP * OS'
— w·u + w· v = OP * OQ' + OP * OR' = OP * 1 OQ' + OR' 2
" " " "

Ora, dado que os triângulos [OQQ'] e [RST] são geometricamente iguais,


tem-se OQ' = R'S' e, portanto, OS' = OR' + R'S' = OQ' + OR' .
" " " " " " "
Então, w · ( u + v ) = w · u + w · v .

2.º caso: (w W u ) é um ângulo agudo e (w W v ) e 1w W ( u + v )2 são ângulos obtusos.


" " " " " " "

" " "


Dados os vetores u , v e w , fixemos um ponto O e sejam P , Q , R e S
22" " 222" " 22" " 22" " "
tais que OP = w , OQ = u , OR = v e OS = u + v .
Designemos por Q' , por R' e por S' as projeções ortogonais, respetivamente,
de Q , de R e de S sobre OP .
S

v
R T
u
Q

P

w R' S' O Q'

Então,
" " "
— w · ( u + v ) = - OP * OS'
— w · u + w · v = OP * OQ' - OP * OR' = OP * 1 OQ' - OR' 2
" " " "

Ora, dado que os triângulos [OQQ'] e [RST] são geometricamente iguais,


tem-se OQ' = R'S' e, portanto, OS' = OR' - R'S' = OR' - OQ' .
" " " " " " "
Então, - OS' = OQ' - OR' e, finalmente, w · ( u + v ) = w · u + w · v .
As visualizações noutras situações fazem-se recorrendo a construções e racio-
cínios semelhantes.
" "
pág. 161 r Dados um plano a , um ponto A å a e dois vetores u e v , não colineares
e paralelos a a , vamos provar que um qualquer ponto P do espaço pertence
" "
a a se e só se Es, t å R : P = A + su + t v .
"
Dado que o vetor u é paralelo ao plano a , então existe no plano a uma
" "
reta u com a direção de u . E dado que o vetor v é paralelo ao plano a ,
"
então existe no plano a uma reta v com a direção de v .
Seja P å a . No plano a , seja r1 a reta paralela a u que passa em A e seja
r2 a reta paralela a v que passa em P .
Como as retas não são paralelas e estão no mesmo plano, intersetam-se num
ponto; seja B å a o ponto de interseção das retas r1 e r2 .
" "
Dado que B å r1, Es å R : B = A + su e dado que B å r2, Et å R : P = B + tv .
" "
Então, P = A + su + t v .
" "
Reciprocamente, seja P um ponto do espaço tal que Es, t å R : P = A + su + tv .
" " " "
Se n é um vetor normal de a , então n é perpendicular quer a u quer a v
" " 2"
e, portanto, é perpendicular a su + t v , ou seja, é perpendicular a AP. Então,
2" "
AP · n = 0 , de onde se conclui que P å a .
Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 169
Síntese
Declive e inclinação de uma reta
r Fixado um plano munido de um referencial ortonormado xOy :
 r e dada uma reta r que passa na origem do referencial e é distinta do eixo Ox , a incli-
nação de r é a amplitude do ângulo convexo formado pelo semieixo positivo das
.
abcissas e a semirreta OP , onde P é um qualquer ponto de r de ordenada positiva;
 r define-se inclinação de uma reta s como a inclinação da reta paralela a s que passa
na origem do referencial.
r A inclinação do eixo das abcissas é nula.
r As retas r e s , representadas abaixo, têm inclinações 40º e 125º, respetivamente.
Inclinação y y
p. 129 r
de uma reta s
125°
40°
O x O x

r A inclinação, q , de uma reta é tal que:


- 0º ≤ q < 180º (considerando o grau como unidade de medida da amplitude de ângulo)
- 0 rad ≤ q < p rad (considerando o radiano como unidade de medida da amplitude de
ângulo)

O declive de uma reta não vertical é igual à tangente trigonométrica da respetiva inclina-
ção, ou seja, se a reta r é definida por y = mx + b e se a é a inclinação da reta r ,
Inclinação tem-se m = tg a .
p. 131
e declive de Portanto:
r se m ≥ 0 , então a = arctg (m) apois arctg (m) å c0, c e a å c0, c b ;
uma reta p p
não vertical 2 2
r se m < 0 , então a = arctg (m) + p apois arctg (m) å d - , 0 c e a å d , p c b .
p p
2 2

Produto escalar
" " " "
r Dados dois vetores não nulos u e v , ângulo dos vetores u e v é qualquer ângulo
22" " 22" "
convexo, nulo ou raso, AOB , em que A e B são tais que OA = u e OB = v .
" "
A amplitude desse ângulo também se designa por ângulo formado pelos vetores u e v
e representa-se por 1 u W v 2 .
" "

u B
Ângulo v
p. 134 A
de vetores v
u
O

r A amplitude do ângulo de dois vetores varia entre 0º e 180º (0 rad e p rad):


- a amplitude do ângulo de dois vetores colineares e com o mesmo sentido é 0º (0 rad);
- a amplitude do ângulo de dois vetores colineares e com sentidos opostos é 180º (p rad).

170 Tema 2 | Geometria Analítica


" " " "
O produto escalar de dois vetores u e v representa-se por u · v e tem-se:
" " " " " "
r se u = 0 ou v = 0 , então u · v = 0 ;
" "
r se u e v são dois vetores não nulos, então:
u · v = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0 * cos 1 u W v 2
" " " " " "

 r u · v > 0 § cos 1 u W v 2 > 0 §


" " " "
Produto

§ 0 ≤ 1u W v2 <
escalar de " " p
p. 137
dois vetores 2
 r u · v = 0 § cos 1 u W v 2 = 0 §
" "
u·v " " " "

§ 1u W v2 =
" " p
2
 r u · v < 0 § cos 1 u W v 2 < 0 §
" " " "

§ < 1u W v2 ≤ p
p " "
2
" "
r Diz-se que dois vetores u e v são perpendiculares se algum deles é o vetor nulo ou
se, não sendo nulo nenhum dos vetores, o ângulo dos dois vetores é reto. Escreve-se
" " " "

p. 137
Vetores u ' v para indicar que os vetores u e v são perpendiculares.
perpendiculares " "
r Dados quaisquer vetores u e v , tem-se:
" " " "
u· v = 0 § u ' v
" " "
Dados vetores u , v e w e um número real l , tem-se:
r u · u = 0 0 u 0 02
" " "

Propriedades
" " " "
p. 138 do produto r u · v = v · u (propriedade comutativa)
escalar " " " "
r (lu ) · v = l( u · v ) (propriedade associativa mista)
" " " " " " "
r w · ( u + v ) = w · u + w · v (propriedade distributiva)

Expressão Num referencial ortonormado,


do produto " "
r dados os vetores u (u1, u2) e v (v1, v2) , tem-se:
escalar nas " "
p. 144 coordenadas u · v = u1v1 + u2v2
dos vetores, " "

em referencial
r dados os vetores u (u1, u2, u3) e v (v1, v2, v3) , tem-se:
" "
o.n. u · v = u1v1 + u2v2 + u3v3

Declives Num referencial ortonormado, duas retas r e s (não paralelas aos eixos coordenados)
de retas
de declives mr e ms , respetivamente, são perpendiculares se e só se mr * ms = - 1 , ou
p. 146 perpendiculares, 1
em referencial seja, mr = - m .
s
o.n.

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 171


Equações de planos no espaço
" " "
Dado um plano a e um vetor v , diz-se que o vetor v é normal ao plano a se v for
"
o vetor nulo ou se, não sendo o vetor nulo, as retas de vetor diretor v forem perpendi-
culares a a .
p. 154
Vetor normal
a um plano

" "
Sejam a e b dois planos e sejam n a e n b vetores não nulos, normais a a e a b ,
Planos respetivamente.
paralelos " "
p. 155
e planos r Os planos a e b são paralelos se e só se os vetores n a e n b são colineares.
" "
perpendiculares r Os planos a e b são perpendiculares se e só se os vetores n a e n b são perpendi-
culares.

" "
Sejam a um plano e r uma reta e sejam n a e r , respetivamente, um vetor normal a
Reta a e um vetor diretor de r .
perpendicular " "
p. 156
e reta paralela r A reta r é perpendicular ao plano a se e só se os vetores n a e r são colineares.
"
a um plano r A reta r é paralela ao plano a se e só se, não estando contida em a , os vetores n a
"
e r são perpendiculares.

"
r Dados um vetor não nulo n (a, b, c) e um ponto P0(x0, y0, z0) , o conjunto dos pontos
P(x, y, z) que satisfazem a equação
a(x - x0) + b(y - y0) + c(z - z0) = 0
"
é o plano que passa em P0(x0, y0, z0) e de que n (a, b, c) é vetor normal.
Equação
Esta equação é uma equação cartesiana desse plano.
p. 156 cartesiana
do plano r As equações da forma ax + by + cz + d = 0 , em que a, b, c, d å R e (a, b, c) 0 (0, 0, 0) ,
são equações cartesianas de planos de que o vetor de coordenadas (a, b, c) é vetor
normal.
Reciprocamente, todo o plano de que o vetor, não nulo, de coordenadas (a, b, c) é
vetor normal, pode ser definido por uma equação cartesiana daquela forma.

" " "


p. 160
Vetor paralelo Dado um plano a e um vetor v , diz-se que o vetor v é paralelo ao plano a se v for
"
a um plano o vetor nulo ou se, não sendo o vetor nulo, v for vetor diretor de uma reta do plano.

" "
Dados um plano a , um ponto A å a e dois vetores u e v , paralelos a a e não coli-
Equação neares, tem-se, para qualquer ponto P do espaço:
p. 161 vetorial de " "
um plano P å a § Es, t å R : P = A + su + t v
" "
A equação P = A + su + t v , s, t å R diz-se equação vetorial do plano a .

172 Tema 2 | Geometria Analítica


Exercícios propostos
39 Na figura está representado, num plano munido 41 Designa-se por ângulo de duas retas concor-
de um referencial o.n. xOy , o triângulo [OAB] . rentes, não perpendiculares, qualquer dos ângulos
Sabe-se que o ponto B pertence ao semieixo posi- agudos que elas determinam num plano que as con-
tivo Ox e que [OA] é congruente com [AB] . tenha.
y Determina a inclinação e escreve as equações redu-
A
zidas das retas:
a) que passam no ponto A(0, 2) e que fazem com
a reta de equação y = 2 um ângulo de 30º;
b) que passam na origem do referencial e fazem
D
com a reta de equação y = "3x um ângulo de
C
60º.
Sugestão: começa por representar as retas num pla-
O B x no munido de um referencial o.n. xOy .

A reta OC contém a altura do triângulo relativa à 42 O hexágono representa- A B


.
base [AB] e a semirreta BD é a bissetriz do ângu- do na figura é regular e tem
lo OBA . lado 2. F C
a) Admite que OA W B = 20° . Determina a inclina- a) Determina FB .
ção de cada uma das retas: Sugestão: recorre ao triân-
E D
a1) AO a2) AB
gulo [FBE] .
2" 2" 2" 2" 2" 22"
b) Determina FC · FA , AB · CF , ED · DC
a3) OC a4) BD 2" 22"
e FB · FD .
b) Seja a a amplitude, em radianos, do ângulo
OAB . Exprime, em função de a e em radianos,
a inclinação de cada uma das retas: 43 A figura representa um cubo de aresta 3.
b1) AO b2) AB Determina:
2" 22"
D C
b3) OC b4) BD a) AB · HG A
2" 22" B
b) DB · EG
H
2" 2" G
40 Num plano munido de um referencial o.n. xOy , c) AC · CF E
F
2
considera as retas r e s de equações y = x - 2 e
5
y = - 3x + 1 , respetivamente. 44 Sejam " "
u e v vetores não nulos. Identifica a
a) Identifica, para cada uma delas: "
amplitude do ângulo dos vetores u e v , no caso de:
"

a1) o declive e a ordenada na origem; " "


a) u · v = 0

b) u · v = 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0
a2) as coordenadas de um vetor diretor; " " " "

a3) as coordenadas de dois pontos que lhe per-


c) u · v = - 0 0 u 0 0 * 0 0 v 0 0
" " " "
tençam.
b) Determina a inclinação de cada uma das retas r " " 00 "
u 00 * 00 v 00
"

d) u · v = -
e s . Apresenta a inclinação em graus, arredon- "2
dada às unidades.

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 173


45 Na figura está representado, em referencial 49 O triângulo [ABC] é retângulo e é isósceles.
o.n. xOy , um quadrado [OABC] . O quadrado Sabe-se que AB = AC = 5 .
tem 8 unidades de área e o vértice B pertence ao
C
eixo das abcissas.
y A 5

A 5 B
O B x Calcula:
2" 2"
a) AB · AC
C
2" 22"
b) AB · BC
Determina:
c) AB · 1 BC + BA 2
22" 2" 2" 2" 2"
a) OA · AB ;
22" 22"
b) OA · BO ;
c) a abcissa de um ponto P do eixo Ox , sabendo 50 Seja k um número real. Acerca dos vetores "
u
e v sabe-se que 0 0 u 0 0 = 2 , 0 0 v 0 0 = 3 e u · v = - 4 .
22" 22"
que OA · OP = -10 . " " " " "

Determina k de modo que:


46 Considera, em referencial o.n., dois vetores "
u " " "
a) 2v · (3u - kv ) = - 2 ;
e v . Sabe-se que 0 0 u 0 0 = 3 e 0 0 v 0 0 = 6 .
" " "
" " "
b) os vetores u e ku - v sejam perpendiculares;
a) Qual é o maior valor e qual é o menor valor que
" " " "
" "
o produto escalar u · v pode tomar? c) ( u + kv )·( u + kv ) = 4 .

b) Determina um valor aproximado, em graus,


arredondado às unidades, do ângulo dos veto- 51 Acerca de dois vetores " "
" " " " u e v sabe-se que
res u e v , no caso de u · v = 12,5 . " " " " " " " "
( u + v )·( u + v ) = 25 e ( u - v )·( u - v ) = 9 .
" "

47 Os triângulos [ABC] e [ABD]


Determina u · v .
C
são equiláteros e têm 6 unidades
de perímetro. 52 Observa a figura ao lado. B
Determina: A B O triângulo [DEC] é isósce-
2" 22"
a) AC · BD les e retângulo e [ABCD] é
2" 22"
A C
b) AC · AD um quadrado.
2" 22"
c) AC · CD D
Mostra que:
22" 22" 22" 22"
DB · DC + DB · CE = 0 D E
48 O trabalho W , expresso em joule (J), da força
"
F , expressa em newton (N), que provoca o deslo-
"
camento d , com parte escalar expressa em metros 53 Na figura está representado um quadrado
" "
(m), é dado por F · d . [ABCD] . Os pontos M e N são os pontos médios
"
O trabalho produzido pela força F de 20 N de dos lados [AB] e [AD] , respetivamente.
intensidade é 550 J. B C

F Animação
d M
Resolução do
O 30 m exercício 53
A N D
Determina o valor em graus, arredondado às unidades, 2" 22"
do ângulo definido pela força e pelo deslocamento. Prova que os vetores NB e MC são perpendiculares.

174 Tema 2 | Geometria Analítica


54 Seja a um número real. Considera, num refe- 59 Considera, fixado um referencial o.n. Oxyz no
rencial o.n. xOy , os pontos A(a, - 2) , B(6, 7) e espaço, o prisma quadrangular [ABCDGOEF] .
C(0, - 1) . Determina, recorrendo ao produto esca-
A base [GOEF] está contida no plano xOy e o
lar de vetores, o valor de a para o qual o triângulo
vértice F pertence ao semieixo positivo Oy .
[ABC] é retângulo:
O vértice C tem coordenadas (0, 4, 6) .
a) em B ; b) em A .
z
B
55 Considera, num plano em que está fixado um re- A C

ferencial ortonormado xOy , os vetores u Q 1, - "3 R ,


" D

v Q 2, "12 R e w Q k, "3 R , sendo k um número real.


" "

1"
u W v 2 . Apresenta o resultado em
"
E
a) Determina O
F y
graus e em radianos. G
x
" "
b) Determina k de modo que os vetores v e w
sejam colineares. a) Determina as coordenadas dos restantes vértices
do prisma.
c) Determina o conjunto dos valores de k para os
" " 2" 22" 2" 2"
quais o ângulo dos vetores v e w é um ângulo b) Calcula BC · DG e BF ·AE .
agudo.
c) Determina a amplitude do ângulo AGC .
Apresenta o resultado em graus, arredondado às
56 Considera, num plano em que está instalado
unidades.
um referencial o.n. xOy , as retas de equações:
2
y = - x - 2 e (x, y) = (0, 1) + l(2, 3), l å R
5 60 Considera, num referencial o.n., os vetores
Estas retas determinam, no plano, quatro ângulos, " "
u (2, 0, 3) e v (- 3, 2, 4) .
iguais dois a dois. Determina as amplitudes desses
"
ângulos. Apresenta os resultados em radianos, arre- a) Sejam a e b números reais e seja x (a, b, 2) .
"
dondados às décimas. Determina a e b de modo que o vetor x seja
" "
perpendicular quer a u , quer a v .
57 Fixado num plano um referencial o.n., consi-
b) Determina a expressão geral das coordenadas dos
"
dera o vetor u (4, 3) . vetores perpendiculares quer a u , quer a v .
" "

"
a) Determina a norma de u .

b) Determina as coordenadas dos vetores perpen-


"
61 Num plano munido de um referencial o.n.,
diculares a u :
considera o triângulo de vértices A(- 7, 2) , B(2, 5)
b1) com norma 10;
e C(5, 0) . Seja M o ponto médio de [AB] .
b2) com norma 1;
a) Escreve a equação reduzida da reta AC .
b3) com norma 12.
b) Escreve a equação reduzida da reta que contém
58 Considera fixado no espaço um referencial o.n. a altura do triângulo relativa à base [AC] .
Escreve as coordenadas de dois vetores perpendi- c) Identifica e define por uma condição cartesiana
"
culares ao vetor u com direções diferentes, sendo: o lugar geométrico dos pontos P do plano que
" " " 2" 2"
a) u (2, - 1, 3) b) u (0, 0, 5) c) u (3, 0, - 1) satisfazem a condição MP · AB = 0 .

Capítulo 1 | Declive e inclinação de uma reta. Produto escalar 175


62 Considera, num plano em que está instalado um 66 Fixado no plano um referencial o.n., seja
referencial o.n. xOy , a circunferência de centro no [PQR] um triângulo isósceles com RP = RQ .
2
ponto C , definida pela equação (x + 1) + y2 = 10 . Determina quais podem ser as coordenadas de R ,
Sejam A e B os pontos da circunferência que têm sabendo que:
abcissa 2, sendo A o que pertence ao quarto qua-
r P(5, - 2) ;
drante.
r Q(- 1, 0) ;
a) Determina as coordenadas dos pontos A e B .
r a altura relativa a [PQ] mede o dobro do com-
b) Escreve a equação reduzida da reta tangente primento de [PQ] .
à circunferência no ponto A .

c) Identifica e define por uma condição cartesiana


67 Fixado um referencial ortonormado no plano,
o conjunto dos pontos P do plano que satisfa-
2" 2" considera o círculo definido pela inequação:
zem a condição PB · CB = 0 .
2 2
(x + 1) + (y - 2) ≤ 5

a) A interseção da reta r com o círculo é um seg-


63 Num referencial o.n. do espaço, considera os
mento de reta de comprimento 4. Define, por
pontos A(2, 0, - 1) e B(0, - 6, 1) . O conjunto dos equações, três retas que possam ser a reta r .
pontos P do espaço que satisfazem a condição
2" 2"
b) Determina as equações reduzidas das retas tan-
AP · BP = 0 é uma superfície esférica.
gentes ao círculo com a direção do vetor de
Identifica as coordenadas do centro dessa superfície coordenadas (2, 1) .
esférica e determina a sua equação reduzida.

68 Na figura seguinte estão representadas, num


64 Na figura seguinte está representado, em refe-
plano munido de um referencial o.n. xOy , duas
rencial ortonormado, o triângulo retângulo [ABC] .
retas s e r tangentes a uma circunferência de cen-
y tro C nos pontos A(1, 1) e B(2, 3) , respetiva-
B mente.

A O C x C

Define analiticamente este triângulo, sabendo que A


os vértices pertencem aos eixos coordenados e que
x O x
a equação reduzida da reta AB é y = + 3 .
2
Determina as coordenadas do ponto C , sabendo
que as retas têm por equações:
65 Num plano munido de um referencial orto-
r: x + y = 5
normado tem-se que A(1, 2) é o centro de um
quadrado e B(4, 6) é um dos seus vértices. Deter- e
mina as coordenadas dos outros três vértices. s: x + 7y = 8
in Caderno de Apoio, 11.º ano in Caderno de Apoio, 11.º ano

176 Tema 2 | Geometria Analítica


69 Fixado um referencial o.n. no espaço, considera 72 Considera fixado no espaço um referencial
o plano a e a reta r definidos, respetivamente, o.n. Oxyz . Sejam a e b os planos definidos, res-
pelas equações: petivamente, por:
2x - 3y + z = 1 e r x - 2y + 3z = 0

(x, y, z) = (- 1, 0, 2) + l(3, 1,- 4), l å R r (x, y, z) = (0, 1, 2) + k(1, 0, - 1) + l(1, 2, 2) ,


k, l å R
a) Determina uma equação cartesiana do plano b ,
a) De