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Sarampo

O Sarampo é uma doença de origem vírica que ataca principalmente crianças até 10 anos;
esporadicamente ocorrem alguns casos em adultos.

Vírus:

• Grupo: Grupo V ((-)ssRNA) [ou ARNcs(-)]


• Ordem: Mononegavirales
• Família: Paramyxoviridae
• Gênero: Morbillivirus
• Espécie: Vírus do sarampo

O vírus do sarampo é um vírus com genoma de RNA simples de sentido negativo (a sua cópia
é que é DNA e serve para síntese proteica). É um vírus envelopado (com membrana lipídica
externa) pleomórfico com cerca de 150-300 nanômetros.

Induz a fusão de células infectadas formando células gigantes, o que facilita a sua circulação e
multiplicação sem ser reconhecido e inativado por anticorpos circulantes, e é resistente ao
complemento. Ele infecta as células fundindo a sua membrana (envelope) com a da célula
após acoplagem da sua proteína envelopar, ocorrendo a fusão a receptor específico.
Reproduz-se no citoplasma da célula. A sua multiplicação destrói as células exceto nos
neurónios. Os eritemas cutâneos são causados mais pela acção do sistema imunitário contra o
vírus que por ele próprio. A resolução da doença dá imunidade para toda a vida.

Epidemiologia
O sarampo é um dos cinco exantemas da infância clássicos, com a varicela, rubéola, eritema
infeccioso e roséola. É altamente infeccioso e transmitido por secreções respiratórias como
espirros e tosse. Após o início de uso da vacina tornou-se raro nos países que a utilizam de
forma eficaz, como América do Norte e Europa. Contudo, ainda causa 40 milhões de casos e
um a dois milhões de mortes por ano em países sem programas de vacinação eficientes. As
epidemias tendem a ocorrer a cada dois ou três anos, necessitando do nascimento de novos
bebês susceptíveis para se propagar.

Sinais
As manifestações iniciais são febre alta, tosse rouca e persistente, coriza, conjuntivite e
fotofobia (medo de luz).

Surgem manchas brancas na mucosa da boca (que são diagnósticas). Após isso surgem
manchas maculopapulares avermelhadas na pele, inicialmente no rosto e progredindo em
direção aos pés, durando pelo menos três dias, e desaparecendo na mesma ordem de
aparecimento. A mortalidade é de 0,1% em crianças de boa saúde e nutrição, mas pode subir
até 25% em crianças subnutridas.

Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é clinico devido às características muito típicas, especialmente as manchas de
Koplik - manchas brancas na mucosa da boca-parte interna da bochecha. Pode ser feita
detecção de antigénios em amostra de soro.

A prevenção é por vacina de vírus vivo atenuado. O tratamento é sintomático.

Prevenção

A prevenção é feita por vacinas. Quando não ocorrem complicações, o doente fica curado em
poucos dias.

História
O sarampo hoje é uma doença de infância pouco perigosa, mas não foi sempre assim. A alta
mortalidade que provocou nos ameríndios sem defesas imunológicas ou genéticas quando foi
introduzido na América, logo após a descoberta de Colombo, indica que a sua introdução na
Europa pode ter sido igualmente traumática, e teria provavelmente ocorrido nos últimos séculos
da existência do Império romano - em cujo declínio e queda as suas epidemias combinadas
com as da varíola teriam sido fatores importantes.

A doença era desconhecida antes da era cristã; Hipócrates não descreve nada parecido. A
epidemia pode ter surgido na Europa nos séculos II e III d.C., matando grande proporção da
população totalmente não imune do Império romano, como mais tarde faria na América, e
sendo um fator principal do declínio dessa civilização. Segundo alguns autores conceituados (o
historiador William McNeil entre outros) pode ter sido a queda da população de Roma e do seu
império devido às doenças antes desconhecidas varíola, sarampo e varicela que diminuiu a
população do império ao ponto de leis serem decretadas da hereditariedade das profissões,
postos oficiais e redução à servidão dos agricultores antes livres, dando origem ao feudalismo.
Nesta situação de debilidade, os povos germânicos e outros encontraram a oportunidade de se
estabelecer nas terras quase vazias devido à epidemia no império, de início com a aquisciência
dos oficiais romanos, desesperados com a queda dos rendimentos fiscais. Só depois desta
época a varíola e o sarampo se tornaram frequentes na Europa, e naturalmente atingindo as
crianças não imunes, ao contrário das epidemias raras, que matam os adultos. A infecção das
crianças, com morte das suscetíveis mas imunidade para as sobreviventes, é menos danosa
para uma civilização que a de adultos já formados e economicamente ativos - o que explica os
graves problemas criados em Roma pela morte de adultos que não tinham encontrado a
doença na infância.

Na China o panorama pode ter sido semelhante, e também aí caiu pela mesma altura o Império
Han. Julga-se[quem?] que estas doenças foram importadas simultaneamente nessa altura da Índia
para as duas grandes civilizações dos extremos da Eurásia, e talvez não por coincidência que
foi precisamente nos século I e século II DC que as rotas comerciais para a Índia e a rota da
seda para a China foram estabelecidas pela primeira vez, ligando as três regiões com grande
débito de mercadorias e comerciantes.

O sarampo foi um dos principais responsáveis pela destruição das populações nativas da
América após a sua importação da Europa com Colombo. Juntamente com a Varíola, Varicela
e outras doenças, ela matou mais de 90% da população do continente, derrotando e destruindo
as civilizações Asteca e Inca muito mais que Hernán Cortés e Francisco Pizarro alguma vez
seriam capazes.
A primeira descrição reconhecível do sarampo é atribuída ao médico árabe Ibn Razi (860-932)
(conhecido como Rhazes na Europa). O vírus foi isolado apenas em 1954, e a vacina foi
desenvolvida em 1963.

Rubéola

A Rubéola ou Rubela é uma doença causada pelo vírus da rubéola e transmitida por via
respiratória. É uma doença geralmente benigna, mas que pode causar malformações no
embrião em infecções de mulheres grávidas.

Vírus da Rubéola
• Grupo: Grupo IV ((+)ssRNA);
• Família: Togaviridae;
• Género: Rubivirus;
• Espécie: Rubella virus;
• Doença infecciosa aguda benigna;
• Disseminação: Respiratória e contato pessoal intimo e persistente.;
• Período de incubação:12 a 19 dias.

O vírus da rubéola é um togavírus com genoma de RNA unicatenar (simples) de sentido


positivo (serve de mRNA para síntese protéica diretamente). Possui um capsídeo icosaédrico e
um envelope bilipídico.

Epidemiologia
A rubéola é um dos cinco exantemas (doenças com marcas vermelhas na pele) da infância. Os
outros são o sarampo, a varicela, o eritema infeccioso e a roséola.

Progressão,transmissão e sintomas

A transmissão é por contato direto, secreções ou pelo ar. O vírus multiplica-se na faringe e nos
órgãos linfáticos e depois dissemina-se pelo sangue para a pele. O período de incubação é de
duas a três semanas; e o período de trasmissão ocorre em uma semana antes de aparecer o
exantema cutâneo,(manchas avermelhadas na pele)geralmente na pior fase da doença.

A infecção, geralmente, tem evolução benigna e em metade dos casos não produz qualquer
manifestação clínica. As manifestações mais comuns são febre baixa (até 38 °C), aumento dos
gânglios linfáticos no pescoço, hipertrofia ganglionar retro-ocular e suboccipital, manchas
(máculas) cor-de-rosa (exantemas) cutâneas, inicialmente no rosto e que evoluem rapidamente
em direção aos pés e em geral desaparecem em menos de 5 dias. Outros sintomas são a
vermelhidão (inflamação) dos olhos (sem perigo), dor muscular das articulações, de cabeça e
dos testículos, pele seca e congestão nasal com espirros.
O vírus da rubéola só é realmente perigoso quando a infecção ocorre durante a gravidez, com
invasão da placenta e infecção do embrião, especialmente durante os primeiros três meses de
gestação. Nessas circunstâncias, a rubéola pode causar aborto, morte fetal, parto prematuro e
malformações congênitas (cataratas, glaucoma, surdez, cardiopatia congênita, microcefalia
com retardo mental ou espinha bífida). Uma infecção nos primeiros três meses da gravidez
pelo vírus da rubéola é suficiente para a indicação de aborto voluntário da gravidez.

Diagnóstico
O diagnóstico clínico é difícil por semelhança dos sintomas com os dos outros exantemas. É
mais freqüentemente sorológico, com detecção de anticorpos específicos para o vírus, ou por
ELISA (teste imunoenzimático que permite a detecção de anticorpos específicos no soro).

A doença não é séria mas crianças de sexo masculino necessitam tomar vacina, que
freqüentemente são inoculadas para prevenir as epidemias ou que depois infectem, no futuro,
companheira grávida não vacinada. Às de sexo feminino é administrada sempre, devido ao
risco de que apareça mais tarde durante períodos de gravidez. A vacina é composta por vírus
vivo atenuado e causa a doença em 15% dos casos [carece de fontes], mas como já foi dito, em
crianças é inócua. A vacina permitiu a sua erradicação em Cuba em 1993 — o primeiro país a
consegui-lo[carece de fontes]. A doença só é grave em mulheres grávidas.

Prevenção
A prevenção da rubéola é feita através da vacinação. A vacina contra a rubéola contém o vírus
vivo atenuado, isto é enfraquecido, mas com capacidade de induzir o organismo humano a
produzir anticorpos.

No calendário de vacinação de rotina a vacina é aplicada aos 15 meses (junto com as vacinas
contra o sarampo e a caxumba).

Vacina
A vacina é composta por vírus atenuados, cultivados em células de rim de coelho ou em
células diplóides humanas. Pode ser produzida na forma monovalente, associada com
sarampo (dupla viral) ou com sarampo e caxumba (tríplice viral). A vacina se apresenta de
forma liofilizada, devendo ser reconstituída para o uso. Após sua reconstituição, deve ser
conservada à temperatura positiva de 2º a 8 °C, nos níveis local e regional. No nível central, a
temperatura recomendada é de menos 20 °C. Deve ser mantida protegida da luz, para não
perder atividade. A vacina é utilizada em dose única de 0,5 mL via subcutânea.

Parotidite infecciosa (Caxumba)


A parotidite infecciosa, popularmente conhecida como papeira (em Portugual) ou caxumba (No
Brasil) é uma doença de transmissão respiratória, causada pelo vírus da parotidite infecciosa.
É uma doença da infância geralmente inócua, mas pode causar alguns problemas no adulto.

Vírus da Parotidite

• Grupo: Grupo V ((-)ssRNA)


• Ordem: Mononegavirales
• Familia: Paramyxoviridae
• Gênero: Rubulavirus
• Espécie: Vírus da parotidite

É um vírus da família dos paramixovirus, parente do vírus do sarampo. O seu genoma é de


RNA simples, de sentido negativo (a cópia é que serve de mRNA para síntese proteica). É
envelopado, pleomorfico variando de 100-600nm, e de formato esférico, muitas vezes
filamentoso. O envelope contém as proteínas hemaglutinina e neuraminidas, que participam
das reações imunológicas, sendo antígenos virais.

Fonte: Trabulsi, Microbiologia, 4ª edição

Epidemiologia
É altamente infeccioso. Os vírus são transmitidos por gotas de espirros, tosse, respiração em
ambiente fechado ou por contato direto. O vírus pode continuar a ser transmitido 2 meses após
a infecção.

Progressão e sintomas
A parotidite infecciosa é uma enfermidade contagiosa aguda caracterizada por um aumento
não supurativo de uma ou ambas glândulas salivares parótidas, e também as outras glândulas
salivares, sendo outros órgãos também acometidos. O período de incubação é de 12 a 24 dias.

O vírus penetra pela boca e vai até à glândula parótida (canal de Stenon) onde se dá a
multiplicação primária, viremia e localização nos testículos, ovários, pâncreas, tireóide, cérebro,
próstata, fígado, baço e timo. A multiplicação também se pode dar no epitélio superficial
respiratório, viremia e localização nas glândulas salivares e outros órgãos.

Os sintomas são inchaço das parótidas (dos lados da face junto às orelhas) com dor, febre,
dores de cabeça, garganta inflamada e dores de testículo em 20% dos casos. Um terço das
infecções pelos vírus da caxumba são assintomáticos.

Ocasionalmente em adultos ou adolescentes, mas raramente em crianças, quando tratada de


forma equivocada ou displicente, pode comprometer o sistema nervoso central
(meningoencefalite) e testículos (orqui-epididimite), raramente resultando em surdez e
esterilidade. A esterilidade só ocorre em individuos do sexo masculino durante ou após a
puberdade e nunca em crianças.

A imunidade após resolução é para toda a vida. A mortalidade é baixa e principalmente em


adultos.

Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é pela detecção de anticorpos específicos contra o vírus, ou por
imunofluorescência.[carece de fontes]

É usada uma vacina viva atenuada que previne eficazmente a parotidite.

O tempo de repouso recomendado é de três semanas.

Prevenção
A prevenção para não pegar caxumba é a vacina ‘tríplice viral’, que deve ser administrada aos
15 meses de idade.