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JULIANO RAMOS DE OLIVEIRA

KELY CORDOBA LIMA

SENTIDO, MARIONETE!

“AS FORÇAS POLICIAIS E SEU PAPEL PARA COM A SOCIEDADE FRENTE


AO ESTADO NA FIGURA DO GOVERNO”

Campo Grande - MS
2021
JULIANO RAMOS DE OLIVEIRA
KELY CORDOBA LIMA

SENTIDO, MARIONETE!

“AS FORÇAS POLICIAIS E SEU PAPEL PARA COM A SOCIEDADE FRENTE


AO ESTADO NA FIGURA DO GOVERNO”

Projeto de pesquisa apresentado para a disciplina de


Metodologia da Pesquisa e do Trabalho Científico, do curso
de Especialização em Gestão em Segurança Pública, da
Faculdade de Direito da Universidade Federal do Mato
Grosso de Sul, sob a responsabilidade da Profª. Natalia
Pompeu.

Campo Grande - MS
2021
1. TEMA

O presente estudo tem a intenção de traçar delimitações a respeito das forças policiais em
relação a abordagem/ enfoque que é dada a sociedade frente ao estado.
Entendemos que as forças Policiais, são instituições que organizam, regulam e controlam a
vida em sociedade, são em verdade pilares da estruturação social, resultado da atividade humana, e
sua criação se dá em razão de uma exigência da vida em sociedade.
Sendo assim pretendesse abordar através de pesquisas na área jurídica, qual o entendimento
contemporâneo em relação a legitimidade das políticas públicas, autoridades governamentais e
instituições policiais aos olhos dos cidadãos.

2. PROBLEMA

As forças policiais atuam cumprindo o que a legislação estabelece no desempenho de suas


atividades, entretanto como a sociedade contempla tais atribuições?

3. JUSTIFICATIVA

Vivemos em tempos turbulentos tanto em termos sociais, políticos quanto econômicos, logo a
principal motivação para sustentar o presente projeto de pesquisa, reside na importância de
debatermos ponto relevante para uma sociedade que clama por uma segurança pública mais eficaz, e
na outra ponta temos as forças policiais cumprindo ordens de seus governantes que através da
justificativa que o propósito e manter a ordem pública.
4. OBJETIVO(S)

Pretende-se com a presente pesquisa demostrar que as forças policiais desempenham suas
funções em conformidade com a legislação, entretanto aos olhos dos cidadãos como a instituição
policial é vista.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

 Demonstrar a origem histórica da polícia no Brasil.

 Identificar a função da polícia no estado de direito.

 Analisar o uso das forças policiais pelo Estado.


5. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

5.1 Bases históricas do surgimento das forças policiais no Brasil

As polícias são órgãos repressivos e preventivos, braços do Estado, instituídas pela


Constituição Federal em seu Art. 144, como segue:
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é
exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do
patrimônio, através dos seguintes órgãos:

I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.
VI - polícias penais federal, estaduais e distrital.

O Art. 144 da Constituição Federal segue, até ao 10º parágrafo, descrevendo de forma
suscinta o papel de cada força policial na estrutura do Estado. Desta forma, observa-se como
encontram-se distribuídas as forças de segurança pública pelo país, dentro da estrutura da
administração pública.
Mas, qual o papel das forças policiais dentro de uma sociedade? É interessante pontuar esse
enfoque, antes de tratar propriamente da historiografia das forças policiais. BRETAS, ROSEMBERG
(2013, p. 162) classificam o papel das forças policiais com base no enfoque que se dá para sua
atuação. Os autores explicam que, do ponto de vista liberal, as forças policiais faziam parte de um
grande esquema progressista, pouco fluente em um Estado que buscava ideais mais racionais e
democráticos. Já sob um enfoque Marxista, as forças policiais atuavam de forma repressiva, para
fazer valer as ordens do Estado ou da burguesia dominante. Por fim, tem-se que o período pós-
ditadura militar acabou por manchar ainda mais a imagem das forças policiais dentro desse esquema
interpretativo, para que se pudesse fazer uma avaliação mais concisa.
De toda forma, o que se pretende é procurar as origens históricas da polícia no Brasil, para
entender onde começam e o que esperar dessas instituições. As primeiras forças policiais no país
remontam ao Império. BRETAS; ROSEMBERG (2013, p. 167) assim se manifestam sobre o tema:
o período em que a Coroa portuguesa esteve no Brasil se situa num lugar bastante
específico, entre o século XVIII e o Brasil independente. É o momento em que a
datação tradicional consagra a criação tanto da Intendência Geral de Polícia (1808)
como da Guarda Real de Polícia (1809), ponto de fundação da Polícia brasileira. São
os primeiros organismos públicos a carregarem em seu nome a concepção de polícia,
nos obrigando a refletir sobre os conteúdos históricos e os nexos dessas definições

Para os autores, o ponto chave do nascimento das forças policiais se deu com a chegada da
família real portuguesa ao Brasil. De fato, a criação da Intendência Geral de Polícia e da Guarda Real
de Polícia, em 1808 e no ano seguinte, delineiam um marco histórico do início das forças policiais no
país.
Dali em diante, acompanhando as mudanças da sociedade, as forças policiais foram se
alterando e as nomenclaturas foram se diversificando. CRUZ (2013, p. 02) esclarece que após alguns
anos, a Guarda Real veio a ser substituída por um corpo de vigilantes voluntários, os quais foram o
embrião das polícias militares dos Estados membros, os chamados Guardas Municipais Voluntários
Permanentes. Sobre o tema, aduzimos:
No Período Regencial (1831), a Guarda Real foi substituída pelo Corpo de Guardas
Municipais Voluntários Permanentes por província, com a finalidade de enfrentar a
agitação inerente à época. Mais tarde, a denominação foi alterada e cada província
determinou seu título conforme a Unidade Federativa (Polícia Militar do Estado do
Rio de Janeiro, Polícia Militar do Estado do Ceará e outros).

Desde sempre, observa-se que as forças policiais atuavam de forma a preservar a integridade
politica do Estado, agindo na repressão de conflitos e na manutenção, mesmo que forçada, da ordem.
Nesse sentido, COSTA (apud CRUZ, 2013, p. 03) preceitua:
As violências cometidas pelos senhores continuavam a encontrar, em certos casos, o
apoio da polícia. A polícia e a justiça não impediam as arbitrariedades dos senhores;
seus membros recrutados entre as categorias dominantes ou pertencentes à sua
clientela colaboravam para a manutenção do regime

É fato que as forças policias atuam de forma favorável ao regime, mesmo que em contraponto
ao seu papel constitucional de garantia da ordem e proteção do cidadão. A partir de 1930 o papel das
polícias se torna político. A Era Vargas e as incipientes revoluções tornaram por talhar as polícias
civis e militares como um aparato de manipulação de poder por parte do governo. Tal premissa se
manteve até a promulgação da Constituição Federal de 1988, onde se delinearam as polícias e seus
papéis intrínsecos, de modo que tudo restou delimitado, sem ingerências.
5.2 A Função da Polícia no Estado de Direito.

Agora, necessário tratar da função da polícia no Estado de Direito. As forças policiais


concentram um enorme poder em suas mãos. São o braço armado dos governos estaduais. Para
ZAVERUCHA (2004, p. 18):
Estado de Direito pressupõe existência de segurança jurídica e esta só pode florescer
quando há uma ordem conhecida e respeitada. Ordem no sentido de que são pessoas
que convivem sob determinada forma e não apenas um conjunto de leis. A polícia é a
instituição responsável pela segurança dos indivíduos e de seu patrimônio neste tipo
de ordem

Do excerto acima transcrito se depreende que a ordem e a segurança jurídicas são


fundamentais para a manutenção de um estado baseado no positivismo e segurança jurídicos. A
função policial então deve ser a de sustentar e garantir a ordem pública, de modo que as regras e
preceitos jurídicos sejam estáveis e garantidas.
Um Estado em que as normas são voláteis gera insegurança, tanto na população quanto nos
investidores e no capital externo, que acaba por deixar ou não trazer investimentos para o país. A
segurança jurídica é excepcional, principalmente para a garantia de vida saudável da população e seu
crescimento econômico.
CORREA (2009, p. 50) reforça essa ideia, quando preleciona:
Muito embora a noção de Estado de Direito tenha sido trazida ao ordenamento
jurídico brasileiro pela Constituição do Império, foi somente na carta de 1988 que o
conceito de Estado Democrático de Direito aparece como norteador da organização e
desenvolvimento da sociedade brasileira.
Sendo o Estado de Direito aquele onde vigora o império da lei, não só a sociedade
como o próprio Estado deve submeter-se ao regramento por ele imposto. Nesta senda,
tem como características essenciais a unidade do ordenamento jurídico, o primado da
lei, a divisão dos poderes estatais e o reconhecimento e proteção dos direitos e
garantias fundamentais.

Assim, podemos perceber que a atuação das forças de segurança pública se mostra mais
necessárias do que o senso comum pode prever. A função da garantia da ordem pública e da
segurança jurídica, pela escorreita aplicação da Lei faz com que o trabalho das forças de segurança
seja essencial para própria manutenção da forma de Estado como o conhecemos.
5.3 O Uso da Força Policial pelo Estado
Desta forma, partimos para o questionamento final deste trabalho, que é analisar como o Estado faz o
uso das suas forças de segurança e qual a percepção que a população tem da aplicação do aparato de
força estatal em prol de sua liberdade e segurança. Esse questionamento é importante, vez que o
Estado gerencia as massas. O Estado governa para todos, mas seu público maior é aquele apresenta
maior dependência financeira. De qualquer forma, o modelo capitalista é excludente, no sentido de
gerar excedente, tanto de produção quanto de mão-de-obra, os quais puxam os preços para baixo e
aumentam os lucros.
A mão-de-obra precificada pra baixo gera pouca renda, sendo que acaba por se tornar
dependente assistencialmente do Estado. Forma-se um ciclo de dependência e dominação, onde o
Estado faz as vezes de gestor da pobreza. Nesse sentido, PAIVA; CARRARO; SEC (2018, p. 15)
assim se manifestam:
Na América Latina (...) a grande maioria da população trabalhadora está submetida ao
trabalho braçal e pesado, tanto no campo, quanto nas cidades, sob regimes de
terceirização no setor de serviços, nos mais diversos setores da economia, por meio do
trabalho informal. Em todos os casos, sem ou com reduzidas garantias de proteção
social vinculada ao trabalho (sobretudo, a previdência social), que não os isenta de
demandar a política de assistência social. É claro, além desses, há um contingente
expressivo de trabalhadores desempregados que legitimam e contribuem para esse
sistema de trabalho superexplorado

Logo, para as massas é para onde a atuação das forças policiais deve se concentrar. A polícia,
embora tenha uma distribuição não uniforme, com um quantitativo de policiais per capita
diferenciado quando se olham os dados do atendimento aos bairros ricos e pobres (MACHADO;
NORONHA, 2002, p. 203) estimam que nos bairros ricos de Salvador exista 01 policial para cada
150 moradores. Já em contrapartida, nos bairros pobres, a taxa desce para 1 policial para cada 2.272
habitantes.
Esses dados também nos fazem entender os motivos pelos quais as polícias, em especial a
Polícia Militar carece de apreço pelos cidadãos comuns, não marginais, conforme se vê
(MACHADO; NORONHA, 2002, p. 204):
Entre as duas polícias, os moradores demonstram mais simpatia pela civil. A PM é
vista com mais desconfiança pelo método mais padronizado de trabalho, pela maior
impessoalidade e uso ostensivo da força em operações “pesadas”. Os PMs usam farda
e corte de cabelo militar, exibem armas pesadas, andam em bandos e se deslocam em
carros oficiais. São descritos ora como arrogantes, quando fazem demonstração de
força e desrespeitam os habitantes, ora como ineptos, por não serem capazes de
reconhecer e tomar medidas enérgicas contra os marginais. Tal como a PM, a Polícia
Civil é considerada violenta, mas em contraste com a primeira, a sua maneira é mais
do agrado dos moradores. Sendo menos freqüente a rotatividade dos efetivos que
integram suas expedições, moradores estabelecem familiaridade com os policiais e
podem, desta forma, exercer alguma influência sobre as ações destes. Por outro lado,
essa polícia tem uma forma de agir mais seletiva e direcionada aos suspeitos, e suas
ações não parecem assumir o caráter espetacular imputado aos PMs

Assim, observa-se que a forma como a sociedade recebe as forças policiais se alterna e se
divide, de modo que o cidadão que deveria, in tese, receber de braços abertos aqueles que teriam a
missão de lhes proteger, julgam que serão vítimas de seus heróis, na realidade.
É um processo mitigador da paz social, que merece estudo e compreensão de forma mais
linear e ampla, motivo deste trabalho.
6. METODOLOGIA

O presente estudo trata-se de uma Pesquisa Bibliográfica, onde será utilizado como meios de
pesquisa fontes de informação como doutrinas (impressa ou on line), livros, periódicos, leis, normas
jurídicas em geral, artigos científicos, monografias e pesquisas na internet, e tem por finalidade
compreender qual o entendimento contemporâneo em relação a legitimidade das políticas públicas,
autoridades governamentais e instituições policiais aos olhos dos cidadãos.
7. SUMÁRIO PROVISÓRIO

1 INTRODUÇÃO
2 NOÇÕES HISTÓRICAS
2.1 ORIGEM HISTÓRICA DA POLÍCIA NO BRASIL
3 FUNÇÃO DA POLÍCIA NO ESTADO DE DIREITO
3.1 MENSURAÇÃO DA LEGITIMIDADE DA POLÍCIA
3.1.1 Legitimidade das Instituições
3.1.2 Eficácia Policial
4 OS MILITARES E O ESTADO
4.1 AS FORÇAS POLICIAIS E O GOVERNO
5 CONCLUSÃO
6 REFERÊNCIAS FINAIS
8. CRONOGRAMA DA CONFECÇÃO DA MONOGRAFIA

2021 Atividades
Fevereiro e Marco/2021 Escolha do tema. Definição do problema de pesquisa.
Abril 2021 Definição dos objetivos, justificativa e metodologia.
Maio 2021 Entrega da primeira versão do pré-projeto de pesquisa.
Junho 2021 Pesquisa bibliográfica e elaboração da fundamentação teórica.
Agosto 2021 Pesquisa bibliográfica e elaboração da fundamentação teórica.
Setembro 2021 Pesquisa bibliográfica e elaboração da fundamentação teórica.
Outubro 2021 Pesquisa bibliográfica e elaboração da fundamentação teórica.
Novembro e Dezembro 2021 Entrega e apresentação final do projeto de pesquisa.
9. REFERÊNCIAS FINAIS

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília,


DF: Presidência da República, [2021]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ Constituiçao.htm. Acesso em: 31 maio 2021.

BRETAS, Marcos Luiz; ROSEMBERG, André. A história da polícia no Brasil: balanço e


perspectivas. Revista de História - Topoí, Rio de Janeiro, v. 14, n. 26, p. 162-173, jul. 2013.
Semestral. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/topoi/v14n26/1518-3319-topoi-14-26-
00162.pdf. Acesso em: 31 maio 2021.

CORRÊA, Vanessa Pitrez de Aguiar. O Papel da Polícia Judiciária no Estado Democrático de


Direito. Segurança Pública e Cidadania, Brasília, v. 2, n. 1, p. 39-54, jun. 2009. Disponível em:
https://periodicos.pf.gov.br/index.php/RSPC/article/view/82/84. Acesso em: 31 maio 2021.

CRUZ, Gleice Bello da. A historicidade da Segurança Pública no Brasil e os desafios da participação
popular. Cadernos de Segurança Pública, Rio de Janeiro, v. 5, n. 4, p. 1-9, mar. 2013. Disponível
em: http://www.isprevista.rj.gov.br/download/Rev20130403.pdf. Acesso em: 31 maio 2021.

PAIVA, Beatriz Augusto de; CARRARO, Dilceane; SEK, Tereza Cristina Mitsuo. ESTADO E
CAPITALISMO DEPENDENTE: NOTAS SOBRE SUA PROCESSUALIDADE. Anais do 16º
Encontro Nacional dos Pesquisadores em Serviço Social, Vitória, v. 1, n. 1, p. 1-20, dez. 2018.
Disponível em: https://periodicos.ufes.br/abepss/article/view/23478/16181. Acesso em: 31 maio
2021.

ZAVERUCHA, Jorge. POLÍCIA, DEMOCRACIA, ESTADO DE DIREITO E DIREITOS


HUMANOS. Revista Brasileira de Direito Constitucional, Pernambuco, p. 37-54, jun. 2004.
Semestral. Disponível em: https://app.uff.br/riuff/bitstream/1/5838/1/61-120-1-SM.pdf. Acesso em:
31 maio 2021.