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Roméro da Costa

Machado

A Sociedade Secreta
de Jesus
IBRASA
Instituição Brasileira de Difusão Cultural Ltda.

São Paulo – SP

Sumário
O Avô de Deus
Erros e Contradições Bíblicas: Antigo
Testamento
Erros e Contradições Bíblicas: Novo Testamento
Os Ensinamentos de Jesus
O Sermão da Montanha e As bem-aventuranças
A Sabedoria e os Ensinamentos de Jesus
Os Essênios
A Sociedade Secreta de Jesus
1 º Final Jesus Morre na Cruz
2 º Final Jesus NÃO Morre na Cruz
"A dor, o medo e o sofrimento são o combustível
das religiões. E o que se costuma chamar de "fé",
na maioria das vezes não passa de uma
expectativa desesperada do ser humano em ver
resolvido seus problemas, por algo ou alguém
alheio ao seu conhecimento."

O Avô de Deus
— "Pai, você não acha que Deus deve ser muito
triste???..."
— "Triste? Triste, por que, filho?"
— "Claro que ele é triste, pai. Ele não tem avô!"
Essa observação, de um dos meus filhos, antes de
alcançar os dez anos de idade, tomou-me de
surpresa, embora, em si, o tema não tenha ou
contenha novidade alguma. Entretanto, levado a
sério, sério mesmo, não há como desviar-se da
questão, passar ao largo de uma observação como
esta, simplesmente porque ela é apresentada num
formato infantil... ou mesmo não se pode contar
uma historinha qualquer para iludir uma criança,
fugindo ao tema... são recursos simples de
adultos, inaceitáveis face aos danos que podem
ser produzidos caso a questão não seja esclarecida
adequadamente, ainda que para uma criança, e
também por tal fato ser um escapismo tolo, uma
fuga ao tema que, aparentemente infantil, merece
um aprofundamento muito além das
considerações triviais. Afinal, encarada com
sinceridade e honestidade, a questão tida como
infantil é muito mais séria, muito mais complexa e
profunda do que parece.
Principia pelo fato de que para uma criança, a
figura do avô é tudo, é a felicidade suprema. O avô
é o "pai com açúcar". É o avô quem leva o neto
para passear nas férias e em alguns finais de
semana. É o avô quem leva o neto para pescar,
para passear nos parques temáticos, que conta
pacientemente histórias encantadas. O avô, para
um neto, é a felicidade em vida. E, segundo este
neto, coitado de Deus, ele não tinha avô. Deus era
menos feliz do que qualquer menino da Terra que
tem um avô.
Aí, neste ponto, enquanto eu disfarçava meu
embaraço em responder honestamente a um
questionamento simples de uma criança e tentava
organizar meus pensamentos, meu filho
aprofundou o tema e foi mais radical ainda... Deus
não tinha avô, não tinha pai, não tinha mãe, não ti-
nha irmãos... era um solitário, coitado.
— "Coitado de Deus, né pai? Ele vive sozinho!!!"
Pronto, estava estabelecida a questão de uma
forma simples e singela, numa clareza de uma
argumentação infantil, cristalina, e que ao mesmo
tempo apresentava-se de uma complexidade
terrível, uma vez que nada podia ser simplificado.
A questão exigia uma resposta honesta, correta e
direta.
—"Olha, filho, tudo que você vê, tudo que existe
no mundo, tudo, tudo, foi Deus quem criou. E se
algo existe no mundo, neste ou em qualquer outro
planeta, no sistema solar, ou não, em qualquer
outra galáxia, é porque foi criado por alguém. E
esse alguém é Deus, o criador do universo."
—"Pai, e onde Ele mora? Onde Ele vive? Como Ele
é?"
—"A gente costuma dizer poeticamente que ele
mora no coração das pessoas. Ele não tem forma,
ou tem a forma que você quiser. Chame-o de
Criador do Universo, de Espírito Santo, de "Mãe
Natureza", do que você quiser. Deus existe e está
em todos os lugares e em todas as coisas. Mas,
lembre-se que Deus é o que mora no seu coração
e que não tem forma, muito menos uma forma
humana. O Deus barbudo, sentado numa nuvem,
perseguindo e castigando as pessoas, é uma coisa
burra, tão improvável quanto velha. Esse Deus
barbudo é uma figura mitológica, cópia malfeita e
contraditoriamente escarrada da mitologia grega
ou romana, onde os deuses viviam de roupão
branco, no Olimpo, e virava e mexia interferiam na
vida das pessoas, privilegiando uns e castigando
outros."
— "Mas, pai, se Deus existe e ele é bom, é do
bem... por que ele deixa existir o mal?"
— "Por causa de uma coisa chamada livre arbítrio.
Imagine o seguinte: Existe Deus. Existe o plano
divino (que é a vontade de Deus), do qual nós não
temos o mínimo conhecimento ou interferência.
Mas, além do plano divino (destino, maktub) existe
o livre arbítrio (que é a vontade do ser humano, a
interferência pessoal de cada um). O livre arbítrio
existe para que cada um tome seu destino nas
mãos e siga o caminho que achar mais
conveniente, arcando com as conseqüências de
agir bem ou mal. Deus foi muito sábio em dar ao
ser humano o livre arbítrio. O mundo seria
horroroso com tudo igual, tudo certinho, todo
mundo fazendo as mesmas coisas, ninguém se
esforçando para melhorar. Seria um tédio só. Não
fosse o livre arbítrio e todos nós, seres humanos,
seríamos iguais, todos bonzinhos, como se
fôssemos robôs. Não haveria o mal. Só haveria o
bem. Tudo já estaria previamente escrito. E nin-
guém precisaria fazer nada. Era só cruzar os
braços e deixar a vida seguir seu curso pois tudo já
estaria previamente escrito por Deus, sem a
interferência humana."
— "Mas pai, se ele não é um velho barbudo, como
você diz, como é que ele é?"
— "Eu não sei, ninguém sabe e quem disser que
sabe estará mentindo. Ninguém jamais viu Deus.
Guarde isso como uma verdade absoluta para o
resto de sua vida. Ninguém sabe ou saberá sobre
a forma de Deus, sobre como é Deus, sobre o
início da humanidade ou sobre o fim dela. A vida é
uma festa em que entramos nela depois dela já ter
começado e saímos dela antes de acabar. Tudo
que for dito sobre o antes e o depois, de onde nós
viemos e para onde nós iremos, ou sobre o início
da vida e o após a morte, será uma grande
invenção humana sem qualquer base lógica ou
científica. São meras conjecturas e invencionices
para tentar esclarecer o que ninguém sabe ou tem
certeza. Pois de certo, certo mesmo, só os
mistérios que o homem viverá uma vida inteira e
jamais encontrará as respostas."
— "Filho, essas histórias inventadas sobre o início
do mundo e das vidas passadas ou do após a
morte decorrem do fato do ser humano sempre
querer ter uma explicação para tudo. O ser
humano não se conforma que haja uma só questão
a que ele não responda. O ser humano não admite
dizer "eu não sei". Daí as pessoas inventam
histórias mirabolantes sobre a origem da
humanidade e a criação do mundo ou de como é
ou será o mundo dos seres humanos após a morte.
A humanidade não aceita o fato de que os seres
humanos (todos os que já viveram até hoje) não
tenham conseguido responder com inquestionável
acerto as questões sobre o significado da vida:
Como o mundo começou? Como é e para onde nós
vamos após a morte? Este é o grande mistério da
vida, irrespondível."
"O ser humano, apesar de haver caminhado mais
de dez mil anos de "vida inteligente" mal deu um
passo além da idade da pedra. Contínua o mesmo
selvagem pré-histórico, ignorante, e que sequer
conhece a si mesmo. Não consegue resolver coisas
muito mais elementares e simples (se é que isso
pode ser chamado de simples) como entender e
controlar as ações humanas involuntárias."
— "Pai, o que é esse negócio de ações humanas
involuntárias?"
— "De uma forma simples, é mais ou menos assim:
Você manda o olho piscar, ele pisca. Você manda
a boca falar, ela fala. Você manda a perna andar,
ela anda. E assim por diante. Essas são as ações
humanas voluntárias. São as ações do corpo
humano que você pode comandar.
As ações humanas involuntárias são aquelas que
Deus deu a você e que não dependem de você
mandar que aconteça ou de sua vontade. Você
não manda a unha crescer, mas ela cresce
independentemente de você mandar. Você não
manda o cabelo crescer, mas ele cresce. Você não
manda os ossos crescerem, mas eles crescem.
Você não manda as células se multiplicarem, mas
elas se multiplicam. Você não manda criar um
óvulo, e muito menos criar um espermatozóide, e
eles são criados independentemente da sua
vontade.
Já imaginou você monitorando milhões de
espermatozóides? "Isso! Agora! Vamos lá! Todo
mundo junto! Vamos invadir o óvulo, vamos criar
vida"... O ser humano, coitado, imagina saber
muito, mas não sabe e não domina sequer os mais
"elementares" segredos contidos nele mesmo, que
dirá do que está além dele.
Além destas questões, de natureza física, os seres
humanos têm muita dificuldade em assimilar e
trabalhar com o que não pode ser visto, com o que
é imaterial. O amor, ele confunde com prazer da
carne. A bondade, ele confunde com dar esmola. E
assim com muitas e muitas coisas que são
imateriais. O ser humano não se conforma com o
imaterial. Tenta dar forma para as coisas
imateriais, mas coitado, cria toscas figuras pobres
para coisas tão complexas que ele não sabe como
são ou como foram formadas.
— "Você é capaz de imaginar fisicamente a paz, o
amor, a bondade, o perdão? Pois é... com Deus é a
mesma coisa. O ser humano, incapaz de lidar com
um Deus imaterial, desconhecido, tratou de criar
uma forma para Ele, como se pudesse dar uma
forma para o amor, para a compreensão, para a
paz, para o perdão e tantas outras coisas
imateriais. Mas, principalmente, foi em razão do
medo do ser humano diante da vida e da falta de
respostas para a sua origem e existência que o
homem criou um Deus à sua imagem e
semelhança."
— "Ué... Deus criou o homem ou o homem criou
Deus? Deus então é fruto do medo do ser
humano?"
— "Não é bem assim... Apesar de John Lennon
haver dito na música "God" (Deus) que "God is a
concept by which we measure our pain" (Deus é
um conceito pelo qual nós medimos nossa dor),
Deus não é só fruto da dor, do sofrimento ou do
medo. Embora eu reconheça que a dor, o
sofrimento e o medo são campos fertilíssimos para
a idolatria a Deus, de uma maneira exacerbada e
exagerada, onde o ser humano, medroso,
sofredor, torna-se vítima fácil dos gerentes de
religião e dos exploradores da fé alheia. E aí, neste
caso, Deus passa a ser uma idolatria absurda,
fruto do medo e da dor, com o qual eu não
concordo a mínima, pois Deus não é isso e não é
só isso. Razão pela qual eu escrevi (em 1992) que
eu não era "Nem tão estúpido para ser ateu, nem
tão medroso para acreditar em Deus."
— "Peraí... agora confundiu um monte de coisa...
Ateu é burro, estúpido? Você acredita ou não
acredita em Deus? Só os medrosos acreditam em
Deus? Foi Deus quem criou o ser humano ou
fomos nós que criamos Deus? Deus Não existe?"
—"Calma... vamos por parte. Ser ateu sem lógica
(negar por negar) é burrice, é estupidez, pois nega
a sua própria existência. Ser ateu por discordar de
um Deus personificado à imagem e semelhança
dos homens, é até inteligente.
Eu, de minha parte, acredito que Deus existe.
Claro que alguém criou o que conhecemos por
universo. E em razão disso eu assumo que Deus
existe. A prova da existência de Deus é a
existência do mundo. Se o mundo existe, alguém
criou. E este alguém que criou, nós chamamos de
Deus, de criador do universo ou dê você o nome
que quiser. Mesmo que alguém algum dia diga
para você que o mundo foi criado pelo "Big Bang"
(uma grande explosão), alguém criou o "Big Bang",
e este alguém é Deus. Mas, daí dizer que ele é um
velho barbudo sentado numa nuvem a distância é
grande.
— "Tudo bem... mas quem criou Deus?"
— "Filho, tente imaginar dois conceitos de Deus.
Um Deus, imaterial, sem forma definida,
desconhecido, que existe antes de tudo, que criou
tudo que existe no mundo, e que nada sabemos
dele. É a história do antes do nascimento e do
depois da morte. Ninguém tem a resposta. Nin-
guém sabe. E quem disser que sabe, seja quem
for, estará mentindo. E outro Deus, o Deus
barbudo sentado na nuvem, o Deus mitológico,
que é uma invenção do ser humano, que,
sentindo-se só, com medo, com muito medo da
vida e da falta de respostas para a sua origem e
existência, este homem criou um Deus à sua
imagem e semelhança. É o tal Deus velho,
barbudo, sentado numa nuvem, mitológico, e que
promove um monte de justiças e injustiças, in-
terferindo diariamente na vida das pessoas. De
uma maneira bastante genérica. É o Deus
personificado que algumas religiões criam,
inventam, pregam e vendem por aí a torto e a
retalho."
— "Esse Deus personificado pelas religiões, então,
é uma invenção como se fosse o Papai Noel dos
adultos?"
— "É por aí... Mais ou menos isso... Se um dia apre-
sentarem a você a imagem física de Deus, pode rir
porque você estará diante de um mentiroso que
acredita no Papai Noel dos adultos. Mas, se você
conseguir sentir no seu coração, amor pelo seu
semelhante, paz interior, perdão para aqueles que
errarem (mesmo que sejam seus adversários ou
inimigos), fraternidade, harmonia, você estará
diante de Deus. Ele está em todas as coisas da
humanidade e é um mistério profundo e absoluto.
Ele está na sua gargalhada, que eu tanto adoro.
Está na bondade do ser humano. Está no amor ao
próximo. Está numa planta que nasce. Está na
chuva que cai e traz vida. Está no sol que aquece.
Está na bênção de cada dia que nasce. Está em
tudo que existe e em todas as partes. Não busque
Deus em uma forma. Busque Deus em um
sentimento."
— "Então, pai, se eu tiver um bom sentimento eu
me aproximo de Deus? Se eu der esmola ou um
brinquedo meu para uma pessoa que precisa eu
me aproximo de Deus?"
— "Não tão simples assim. Antes de mais nada, se
você, por exemplo, pegar uma moeda, uma roupa
ou um brinquedo e der a alguém que esteja
necessitando, faça a sua doação em segredo e não
deixe a sua mão esquerda saber o que a direita
está fazendo. Não faça seu ato em público e nem o
divulgue, pois isso é um assunto particular e
restrito entre você e Deus. Ao repartir o que você
tem a mais com quem não tem, você estará
praticando alguns dos maiores ensinamentos
cristãos, como a piedade, o amor ao próximo e a
humildade. E entre tantas as formas de se aproxi-
mar de Deus essa é apenas uma dessas
pequeninas formas. Entretanto, o mais importante
ainda não foi feito. Ou seja, agradecer a Deus por
ter e por poder dar. Agradeça pela sua saúde, pelo
seu corpo perfeito, pela boa vida que você tem e
pela chance de você ter a graça e a oportunidade
de poder ajudar a alguém materialmente. E aí,
filho, aí sim, diante deste sentimento nobre, que
preenche o seu coração de amor ao próximo, você
estará diante de Deus.
Como na prece franciscana, a felicidade em
encontrar Deus está em dar mais do que receber,
consolar mais do que ser consolado, buscar a
fraternidade no amor ao próximo e a paz no
silêncio do coração. Reconhecer-se no seu
semelhante. São coisas aparentemente simples,
mas de uma dificuldade muito terrível de ser
superada.
— "Então, pai, toda vez que eu der esmola ou um
brinquedo meu para alguém que precisa, sou eu
quem está recebendo o presente por poder dar e
por poder me aproximar de Deus?"
— "Mais ou menos isso. Não basta dar uma esmola,
uma ajuda ou um brinquedo. Não é a esmola que
te aproxima de Deus. O que te aproxima de Deus
é o sentimento de piedade pelos que têm menos e
na sua vontade em ajudar ao próximo. Pois a
esmola sozinha, sem o sentimento de ajuda ao
próximo, é nada, é só um ato mecânico e material,
mais nada.
Antes de mais nada entenda a diferença entre o
material (o ato material de dar) e o imaterial (o
sentimento de querer ajudar ao próximo) e que a
coisa funciona de forma bastante oposta e
diferente do que possa parecer, pois você (e não a
pessoa a quem você está ajudando
materialmente) é que está recebendo uma dádiva.
Você está tendo uma oportunidade de através de
uma ato material ajudar um semelhante, e com
isso receber uma oportunidade (imaterial) de
crescer e melhorar como ser humano. Você está
chegando-se a Deus (sentimento imaterial)
através de um gesto material. E aí, sim, agradeça
a Deus, pois você recebeu uma graça de poder
ajudar a alguém e de poder melhorar como ser
humano. Ou seja, é você quem deve agradecer a
Deus por ter tido a chance de melhorar como ser
humano. Entendeu agora?"
—"Tá certo, pai. Agora eu entendi legal."
—"Na busca pelo sentimento nobre de caráter, na
busca pelo aperfeiçoamento como ser humano é
que você irá encontrar Deus. Mas você não precisa
buscar Deus somente numa esmola ou numa
ajuda ao seu semelhante. Você poderá vê-lo numa
planta, numa paisagem, num rio, numa cachoeira,
num animal, num ser que nasce, num por do sol,
num arco íris, e em todos os nascimentos que
representam o milagre da vida. Principalmente
busque Deus no seu semelhante. Basta você abrir
o coração com sentimento que Ele entra e ilumina
a sua vida. E por isso, agradeça a Deus, todos os
dias pelo milagre da vida e por você fazer parte
deste milagre.
Isso representa dizer, meu filho, respondendo à
sua pergunta, que Deus não sendo uma pessoa, à
imagem e semelhança do ser humano, como ele
foi erradamente inventado pelos homens, Deus
não tem avô, não tem mãe, não tem irmãos, não
se sabe se Ele é homem ou mulher, se é preto ou
branco, e muito menos qual é a sua real forma.
Conforme eu havia dito, isso é um mistério sobre o
início e o fim da vida. Ninguém sabe como ele é.
Ninguém nunca o viu pessoalmente, e quem disser
em contrário estará mentindo para você.
—"Mas, pai, e as imagens que a gente vê?"
—"São apenas isso... imagens. Frutos das
religiões. Conforme eu já havia dito, o ser humano
tem muita dificuldade em lidar com o que não vê,
com o imaterial. E Deus, como o amor, a bondade,
o perdão, e todas as coisas imateriais, para poder
ser melhor compreendido, precisava ser
personificado. Daí a necessidade das religiões de
se ter uma imagem para Deus e para seus
auxiliares. E como o ser humano não sabia como
lidar com o imaterial, passou a personificar o
amor, o perdão, a bondade, a fraternidade, a
esperança inventando formas para Deus. Criou
vários tipos de imagens, que mudaram com o tem-
po, através da história da humanidade. Zeus, por
exemplo, já foi uma imagem de Deus muito
popular na Grécia. Assim como a sua versão
romana Júpiter. Em quase todas as religiões os
seres humanos inventam imagens para retratar
Deus ou seus auxiliares, semideuses, anjos,
santos, etc. E isso decorre fundamentalmente
daquilo que já foi dito: da incapacidade do ser
humano em lidar com o imaterial.
Independentemente de religião, Deus, o criador do
universo, Mãe Natureza, ou o nome que você
queira dar, é um só. Cada religião dá a sua versão
para Deus. Cada um personifica Deus como
quiser... índios acreditavam no Deus Sol e na
Deusa Lua. Gregos acreditavam num Deus, ou
Zeus, cercado de deuses e deusas. Deus do Vento,
Deus do Mar, Deus do Vinho, Deusa da Beleza,
Deusa da Caça, etc. Tinha Deus para tudo que era
gosto. Tudo que existia na natureza, na face da
terra, tinha um Deus específico por trás regendo
essa coisa.
— "Puxa vida, pai, os índios e os antigos eram
muito ignorantes."
— "Não, filho. Não é ignorância, é mais solidão, dor
e medo diante do desconhecido e da vida do que
ignorância. O ser humano sempre foi assim.
Sempre teve muito medo diante da vida e do
desconhecido. E sentindo-se incapaz de resolver
sozinho, as coisas que desconhecia e do medo que
sentia inventava um Deus capaz de resolver as
coisas que ele sozinho achava-se impossibilitado
de resolver. E a grande maioria da humanidade faz
exatamente isso. Incapaz de buscar em si, em seu
interior, as forças para enfrentar a vida, transfere
para Deus a responsabilidade de resolver seus
problemas particulares.
Em resumo, o ser humano sempre transferiu para
Deus a responsabilidade de resolver as coisas para
ele, ser humano. Desde que o mundo é mundo,
nada mudou. Ainda hoje é assim, acredite. O ser
humano de hoje é exatamente igual ao selvagem
primitivo ou ao índio de milhares de anos atrás.
Teme muito mais a Deus do que o ama de
verdade. O sol, a lua e os astros ainda hoje são tão
adorados com a mesma intensidade e o mesmo
fervor quanto nos milhares de anos passados, só
que atualmente esses astros são adorados sob a
forma de ciência (?), chamada de astrologia.
Ainda hoje, pessoas ditas e tidas como sérias se
apresentam como: Eu sou sagitariano, eu sou de
libra, eu sou de leão, etc., como se a posição dos
astros no dia do nascimento de alguém pudesse
determinar caráter, forma de conduta, etc. Na
realidade, o ser humano do século vinte e um tem
os mesmos medos e anseios do homem da idade
da pedra, apavorado diante da vida, e buscando
proteção num astro, numa estrela, num sol, numa
lua, num planeta qualquer...
Ensinamentos cristãos e budistas são bastante
claros a respeito disso e alertam para este fato ao
dizerem: "Parem de buscar pelo sagrado no céu.
Abram as janelas de seus corações e com um
transbordamento de luz o sagrado virá e trará a
alegria ilimitada... Vocês fingem que precisam
adorar o sol... mas o sol não atua
espontaneamente, e sim pela vontade do Criador
do Universo, que o fez"
Dizendo assim, friamente, até parece cruel retratar
que o ser humano não evoluiu nada em mais de
vinte séculos. Mas, por mais constrangedor que
possa parecer, em mais de vinte séculos de
"evolução", o ser humano está somente a um
passo adiante da idade da pedra, pois ainda hoje
muita gente transfere seus medos e suas
responsabilidade para Deus e seus "assistentes" e
carregam badulaques, amuletos, estátuas,
imagens de semideuses, anjos ou santos de sua
devoção, buscando "proteção" contra seus medos
e suas fragilidades, transferindo para Deus e seus
auxiliares a responsabilidade de resolver os
problemas dos seres humanos.
Basta você visitar uma igreja, templo, sinagoga,
mesquita, terreiro (de qualquer religião) para
conferir todo o medo do ser humano diante da
vida, quer pela idolatria das imagens (mais por
medo do que por amor), incentivada pelas
religiões, quer pelas ofertas de ex-votos (pagado-
res de promessas) pelas "curas" e "graças"
recebidas, quer pelos amuletos — coisas
inanimadas — e que tais, vendidos para darem
sorte ou "proteger" a quem os carregar, como se
isso, sendo algo além de seus poderes pessoais
reais, pudesse mudar ou interferir na vida das
pessoas."
— "O ser humano, pai, ao invés de buscar se
fortalecer interiormente para sua defesa, por
medo, então transfere seus problemas para coisas
(amuletos, imagens) que supostamente possam
protegê-lo?"
—"Mais ou menos, filho. Não se pode generalizar,
pois existem religiões que ensinam a busca
permanente do aperfeiçoamento interior e o
autoconhecimento como formas de buscar a Deus.
Algumas religiões até têm máximas como: "Se
queres um escudo impenetrável, fica dentro de ti
mesmo."
Mas, não pense que o medo e a fragilidade
humana param por aí na idolatria de imagens e
personificações em metal, barro ou gesso. Há
coisa muito mais antiga do que a idolatria de
imagens, que persistem até hoje e que são ter-
ríveis. São os sacrifícios de animais (e até de
gente) para "aplacar a ira dos Deuses" ou para
buscar uma "graça" ou "ajuda" espiritual,
exatamente como era feito há milhares e milhares
de anos, desde a idade da pedra, por pessoas ou
povos tidos como "ignorantes".
Isso mesmo. Pessoas medrosas diante da vida
matavam ou ainda matam pobres e inocentes
animais (e até pessoas), sob a desculpa de fazer
oferenda a deuses, santos, anjos ou coisa que o
valha, como se Deus fosse um ser sanguinário que
bebesse o sangue de animais e seres humanos. E
esperam, essas pessoas (ignorantes), com isso,
obter algum tipo de graça pelo holocausto e
mortandade de gente e animais.
Conforme você pode ver, meu filho, não há limite
para o medo do homem e a superstição do ser
humano. Este ser humano tem um longo caminho
a cumprir, pois evoluiu muito pouco desde a idade
da pedra ou mesmo comparado ao selvagem, ao
índio, ao silvícola.
—E falando em índio, silvícola, outro grande
engano geral da humanidade é o ser humano dito
civilizado, contrapondo-se à "ignorância" do índio,
dizer-se monoteísta, achando que é monoteísta,
sem jamais ter sido monoteísta.
Ou seja, o ser humano sempre praticou o
politeísmo, dizendo-se monoteísta
independentemente da religião que professava. O
ser humano sempre aceitou Deuses, Deusas e
respectivos auxiliares, sob as mais variadas
formas, semideuses, anjos, santos, apóstolos,
espíritos (santo ou não). Muito dificilmente você
encontrará um ser humano que acredite em Deus,
somente em Deus e mais nada, sem semideuses,
anjos ou quaisquer outros auxiliares. (Não que isso
— politeísmo — seja bom ou ruim. É só um registro
para deixar bem claro que as pessoas, no afã de
sentirem-se superiores aos "ignorantes" silvícolas,
sequer se dão conta que são tão politeístas quanto
os silvícolas, embora imaginando-se monoteístas)
Da mesma forma, assim como existe a crença na
pluralidade de Deuses e ajudantes, a pluralidade
de crenças faz parte do gênero humano. Sempre
haverá pluralidade de religião, mesmo nos
domínios mais austeros e totalitários, pois a
liberdade de fé ou crença religiosa é um dos mais
importantes dos direitos humanos (Direito à vida,
Direito à liberdade... de pensamento... de
expressão... de crença religiosa).
Embora nem sempre aconteça esta liberdade de
crença religiosa nos regimes totalitários, vez por
outra, até mesmo nos países hipocritamente
chamados de democráticos, como os Estados
Unidos, por exemplo, o Estado sempre procura dar
uma interferência direta na religião do povo em
geral, procurando impor a "sua" religião como
oficial.
Na moeda americana, por exemplo, há a inscrição
religiosa de que "Nós acreditamos em Deus" (In
God we trust). E os ateus? Como ficam? Não têm o
direito de não acreditar no Deus do dólar e de Wall
Street? São obrigados a acreditar no Deus do
Governo? O Governo pode ter um Deus particular?
Pode impor uma religião?
Outro exemplo desta interferência estatal na
religiosidade das pessoas é o caso dos
julgamentos americanos, onde há a
obrigatoriedade de não ser ateu e ter que "jurar
por Deus", sobre a Bíblia, que você está dizendo a
verdade ("So help me God"). Felizmente, num
julgamento famoso, o editor Larry Flynt desafiou a
corte americana e não jurou sobre a Bíblia,
dizendo que ele tinha o direito constitucional de
não jurar pelo Deus do governo americano, e que
a pátria não podia ter um Deus oficial. Ele queria
ter a liberdade de pensamento, a liberdade de
expressão e a liberdade de crença religiosa. Foi
uma das maiores vitórias do americano comum
contra a hipócrita religião oficial governamental
americana. ("O povo contra Larry Flynt")
— "Puxa pai, eu nunca imaginei que isto pudesse
acontecer num país como os Estados Unidos.
Ainda bem que aqui no Brasil isso não existe. Não
é?"
— "Nada disso. Aqui no Brasil também tem esse
tipo de autoritarismo religioso institucionalizado.
Só que disfarçado e ninguém reclama.
Oficialmente foi decretado pelo governo brasileiro
o dia 12 de outubro (que sempre foi "Dia da
criança") como sendo feriado nacional por ser o
Dia de Nossa (deles) Senhora de Aparecida, a
padroeira do Brasil (dos Católicos).
Ora... e quem não é católico? É obrigado a ter uma
tal de Nossa Senhora Deles como a padroeira do
Brasil de todos? É uma aberração e uma violação
constitucional a imposição de uma religião oficial
do Estado ao povo brasileiro. E as demais
religiões? Como ficam? Já pensou se cada religião
obrigar o governo a decretar dia tal como feriado
nacional em razão de cada religião? Isso é um
absurdo total."
—Cada qual tem a sua crença e deve ser
respeitado em suas convicções. Até porque cada
um tem o livre arbítrio para escolher aquilo em
que quer acreditar. Não existe uma religião única,
muito menos uma que seja mais certa do que a
outra. Quem quiser acreditar em Jesus, que
acredite. Quem quiser acreditar em Maomé, que
acredite. Quem quiser acreditar em Buda, que
acredite. Quem quiser acreditar em Orixás, que
acredite. Quem quiser acreditar em Moisés, David
e Abraão, que acredite. Quem quiser acreditar em
espíritos, que acredite. Quem quiser acreditar em
pedras, cristais, paralelepípedos, que acredite. O
ser humano é e deve ser livre para escolher o que
e no que acreditar. Você mesmo, quando crescer,
vai escolher aquilo em que você quiser acreditar,
independentemente da minha interferência ou da
interferência da sua mãe.
Independentemente da crença que você vier a ter,
tenha em mente uma única coisa: Seja tolerante
com toda e qualquer convicção religiosa, mesmo
das que você discorde, total ou parcialmente, pois
até mesmo o ateu tem lá as suas convicções que
devem ser respeitadas, ainda que você acredite
em Deus como o criador do universo e isso seja
para você a mais absoluta verdade. Respeite
sempre qualquer crença, mesmo que o que você
acredita seja o contrário do que os outros
acreditam. Mesmo que essa pessoa seja ateu ou
acredite em números, em pedras ou paralele-
pípedos.
— "Mas pai, esse negócio de acreditar em pedras e
paralelepípedos é brincadeira sua, não é?"
— "Que brincadeira que nada. Tem gente que
acredita em videntes, ciganas, números, em cartas
ou mesmo que as coisas de Deus, mesmo
inanimadas como uma pedra, possam conter ou
captar uma energia e por isso cultuam uma pedra,
um cristal ou um paralelepípedo. Entretanto,
mesmo que você não entenda, ache estranho ou
não acredite, você deve respeitar a crença dessas
pessoas, até porque ninguém é dono da verdade e
você pode estar redondamente enganado nas suas
convicções."
—É direito de qualquer ser humano acreditar no
que quiser, ou se quiser, até de não acreditar em
nada. Pode, por exemplo, depositar sua crença ou
superstição em símbolos ou ícones de aparente
resultado imediatista como fadas, duendes,
pedras, cristais, paralelepípedos, números, cartas,
e coisas do gênero, ainda que isso contrarie tudo
que você possa pensar a respeito.
É um direito seu discordar de uma pessoa que
cultua um duende, uma fada, uma pedra, um
cristal, um número, uma carta ou coisa do gênero.
Tanto quanto é direito destas pessoas acreditarem
no que quiserem."
— "Mas pai, adorar pedra e paralelepípedo?"
— "O que tem demais nisso? Eu não adoro pedra e
nem paralelepípedo. Essa é uma convicção minha,
mas eu tenho que respeitar a convicção de quem
acredita em pedras e paralelepípedos. Até porque,
adorar pedra não é tão novo assim. Em séculos
passados, por exemplo, pessoas adoravam as
pedras em Stonehenge (local sagrado, na Grã-
Bretanha, onde cultuava-se um monte de menires
— grandes pedras pontiagudas — colocadas em
círculo). Outros adoravam os deuses gigantes de
pedra da Ilha de Páscoa. Os egípcios e os gregos
adoravam imagens de pedra e esperavam com
isso que seus espíritos, depois da morte carnal,
fossem ascender aos Deuses. Portanto, adorar
pedra não é tão novo assim. Mas, o importante e
inegável é o direito dessas pessoas em terem a
sua crença, secreta ou abertamente, cultuando
Deus ou não, ou quantos Deuses queiram."
— "Mas pai... se você defende o ponto de vista de
que Deus existe, você não está negando o direito
do ateu em não acreditar em Deus? Não está?"
— "Não... eu não estou negando o direito do ateu
acreditar que não existe Deus. Ele, o ateu, acredita
no que quiser acreditar, problema dele. Ele pode
negar o mundo, negar a natureza, negar até a sua
própria existência. Problema dele. Ele pode até
acreditar na ausência de Deus. Problema dele. Eu
estou simplesmente expondo o meu ponto de vista
em acreditar em Deus, embora contrário ao dele,
mas sem negar o direito dele — ateu — em sua
crença. Pois ainda que eu discorde dele (ateu),
luto pelo inalienável direito dele ter a convicção
que quiser. Isto não tem nada a ver com concordar
ou discordar do ateu. Tem a ver com democracia,
com liberdade de pensamento, liberdade de
opinião, liberdade de crença religiosa. O que eu
estou dizendo é a minha convicção, que não tem
nada a ver com o direito dele ter ou não ter um
Deus. Eu tenho minhas convicções, que não são as
dele, acredito que eu existo, que você existe,
acredito que o mundo existe, e que alguém criou
isso. E esse alguém que criou tudo isso,
convencionou-se chamar de Deus, Criador do
Universo. Só isso. Eu não estou defendendo a
existência do meu Deus como o único Deus certo e
correto. Estou simplesmente expondo o meu ponto
de vista em relação à existência do mundo, da
natureza, da criação, do universo. Isso, não tem
nada a ver com o direito ou não do sujeito querer
ser ateu."
—"Veja bem, filho. Se hoje eu discriminar o ateu,
amanhã eu discrimino uma religião por ser
exótica, depois discrimino outra porque eu acho
absurdo, e daí para a intolerância religiosa é um
pulo. Logo estarei achando que só a minha religião
é a certa e a única que presta."
— "E qual a religião melhor que existe?"
— "Não, filho. Não existe uma religião melhor do
que as outras. A melhor religião que existe é
aquela que você acredita, que você se sente bem
e na qual tenha fé, independentemente dela ser
popular ou não. Toda religião, qualquer que seja
ela, tem uma função social útil, disciplinadora, que
alimenta a auto-ajuda. Mas, ao mesmo tempo,
toda religião tem em seu bojo uma inevitável fun-
ção destrutiva, que é exploração financeira da fé
alheia e a quase automática intolerância religiosa,
supondo ser a "sua" religião a única religião
correta sobre a face da Terra.
Seja qual for a religião que você venha a ter, tenha
em mente sempre e acima de tudo a tolerância
religiosa e o respeito às convicções alheias. Cada
ser humano tem direito ao seu Deus, ainda que
cada qual tenha um íntimo e inconfesso
sentimento de que o seu Deus é o único "salva-
dor". E no fundo, bem lá no íntimo, cada ser
humano tem uma pena enorme das demais
religiões que não têm um Deus como o seu. E é
exatamente isso que eu gostaria que você
evitasse, essa certeza de que o seu Deus é o único
Deus que existe e o único Deus do mundo, o único
que salva. Não caia nesta tentação. Isso é uma
armadilha terrível que leva imediatamente à
intolerância religiosa.
—Tudo isso é como uma verdade árabe, existe a
minha verdade, a sua verdade e a verdade. Existe
o meu Deus, o seu Deus e Deus.
O importante não é a religião que você professa ou
como é o seu Deus. Desde que você acredite e que
aquilo te faça bem, a religião já estará cumprindo
uma função social útil. O que não pode e não deve
existir nunca é o lado negro da religião, o
sectarismo religioso, a intolerância religiosa. Até
porque a intolerância religiosa é a maior assassina
da humanidade. Nunca matou-se tanto na
humanidade como o que se matou (e ainda se
mata) em nome de Deus. Foram santas
inquisições, caça às bruxas, carnificinas das santas
cruzadas e a libertação do santo sepulcro. Cristãos
contra mouros. Católicos contra protestantes.
Judeus contra Muçulmanos. Homens matando
homens, mulheres e crianças, tudo "em nome de
Deus".
Deus não tem nada a ver com isso. Deus não tem
nada a ver com a ignorância humana. Deus nunca
pediu para ninguém matar ninguém ou impor
credo algum em seu nome.
—"E a nossa religião, pai, qual é? A gente é
católico?"
—"A sua eu não sei, você vai ter que escolher
quando crescer e quando tiver maior
conhecimento. Mas, por enquanto, a gente procura
dar a você os ensinamentos baseados nos
ensinamentos que a gente teve de berço. Ou seja,
você foi batizado na igreja católica, tem aulas de
catecismo, aprende coisas sobre a Bíblia, vai fazer
primeira comunhão... e quando crescer vai fazer a
sua opção religiosa, seguindo aquela que melhor
se adaptar às suas convicções."
—"E a Bíblia, pai, não é uma boa religião?"
—"Não... Bíblia não é religião. A Bíblia é um livro
de ensinamentos, embora seja tido como sagrado
por algumas religiões e até mesmo considerado
por algumas religiões como sendo a palavra de
Deus, assim como é Alcorão (O Corão) para os
muçulmanos, ou a Torah (e Talmud) para os
judeus. São livros de sabedoria, importantíssimos
como fonte de ensinamento, bases de suas
religiões (Cristãs, Muçulmanas, Judaicas). Sendo
que a Bíblia, é mais conhecida nossa, por sermos
ocidentais, com cultura diferente dos orientais ou
médios-orientais. O que não quer dizer que ela, a
Bíblia, seja mais certa ou mais errada que Alcorão
(O Corão) ou a Torah."
— "A Bíblia, sozinha, é a base de trocentas
religiões, sendo que muitas delas são, na verdade
a maioria, conhecidas como religiões cristãs ou
evangélicas, pelo fato de valorizarem mais os
evangelhos do Novo Testamento, que enfoca,
fundamentalmente, a vida e obra de Jesus. Mas,
por mais estranho que possa parecer, lembre-se
que muita gente e muitas religiões seguem os
ensinamentos de Jesus, mas não são
necessariamente cristãos. Quer pelo fato de Jesus
ser maior do que o próprio cristianismo
controverso, quer por não aceitarem certas
versões da Bíblia (existem várias), tidas como
imprecisas, fantasiosas e inverídicas e por isso
consideram Jesus como um grande espírito de luz
(como em muitas religiões espíritas), como um
profeta (como em algumas ramificações da
religião muçulmana), onde Jesus é um grande e
importante profeta, ou, para outras religiões, um
espírito altamente iluminado que habitou o planeta
Terra. E por isso, ou seja, por serem seguidores
parciais dos ensinamentos de Jesus, e não
radicalmente integrais, não se confessam como
unicamente cristãos."
— "É bom lembrar e deixar bem claro, contudo,
que não existe uma só e única Bíblia. Ao contrário,
existem várias Bíblias, várias versões de Bíblia, e
que não necessariamente dizem a mesma coisa,
assim como nem sempre centralizam suas
atenções em Jesus."
— "Quer dizer, pai, que existem tantas versões de
Bíblia e tantas versões de cristianismo que nem os
cristãos não se entendem entre si?"
— "Como sempre, fruto da intolerância religiosa, do
sectarismo religioso, cada qual fica querendo
impor sua versão da Bíblia como sendo a versão
única e definitiva, esquecendo-se que Deus é Deus
e que a Bíblia é só um conjunto de livros, escritos
e feitos por homens, seres humanos, de uma
enorme sabedoria, é bem verdade, mas que deve
ficar restrito a isso: um livro, conjunto de vários li-
vros, escrito por seres humanos, encerrando uma
enorme gama de conhecimento e sabedoria."
— "Talvez a Bíblia, para nós ocidentais, seja o livro
mais importante da humanidade, até porque,
embora contenha contradições incríveis (assim
como Alcorão e a Torah), registra ensinamentos
fantásticos. O mínimo que pode-se dizer da Bíblia
é que (independentemente dos erros e
contradições) é uma enorme fonte de sabedoria e
um dos maiores registros antropológicos que
existe. E como todo livro, escrito por seres
humanos, lamentavelmente, tem muitos erros,
muitas contradições, muita incongruência, muito
exagero, algumas bobagens, que chegam até a ser
infantis diante do que a humanidade evoluiu e do
que se conhece hoje, principalmente no tocante à
lógica, biologia, zoologia, astronomia e física. O
que, no entanto, não retira da Bíblia a importância
como um livro importantíssimo de enorme fonte
de sabedoria e ensinamento. Mas, daí a ser um
"Livro Sagrado" ou "A palavra de Deus"... a
distância é enorme.

Erros e Contradições Bíblicas


Antigo Testamento
— "Pai, se a Bíblia tem tantos erros, por que
ninguém fala deles?"
— "Fala sim, filho. Você é que não sabe. O proble-
ma é que esta questão de contestar a Bíblia
arrasta-se por séculos e séculos. Vem de muito
longe. Do tempo em que o Estado e a igreja viviam
juntos abertamente, eram parceiros e faziam uma
união terrível. Obrigavam as pessoas a acreditar
no que estava escrito na Bíblia. Quem discordasse
da Bíblia era queimado vivo, era um ateu, um
bruxo, um herege. E, logicamente, ninguém queria
ser queimado vivo ou ter sua família perseguida
porque alguém fora (fora) considerado herege.
Mas, ainda assim, mesmo diante de todo este
risco, a Bíblia foi muito contestada e é muito
contestada ainda hoje em dia, pois até mesmo
entre membros de uma mesma convicção religiosa
existem divergências bíblicas quase que
insuperáveis. Haja vista que os próprios cristãos se
dividem em muitas centenas de denominações
(igrejas) de agremiações diferentes. Nem eles se
entendem entre si, cada qual criando e inventando
suas interpretações pessoais e particulares para as
coisas que estão escritas na Bíblia.
A bem da verdade, os cristãos, de uma maneira
geral, não hoje em dia, mas ao longo dos séculos,
não primavam pelos princípios da liberdade. Para
eles, liberdade resumia-se no direito de forçar os
outros na crença de sua religião. Tudo que fugisse
ou escapasse do cristianismo era heresia.
Qualquer contestação à Bíblia era considerada
heresia.
Essa técnica de impor a sua religião cristã como
sendo a única religião certa, considerando como
herege tudo mais que fosse diferente, embora
fosse uma técnica autoritária bastante simples,
sempre mostrou-se de uma eficácia avassaladora.
Os defensores da Bíblia consideravam a Bíblia
como sendo "a palavra de Deus" e ao mesmo
tempo apresentavam-se como sérios moralistas
(em geral, "uniformizados" de moralista, pois para
demonstrar um aparente moralismo usavam
sóbrios "uniformes", que mais assemelham-se a
fantasias, e dependendo do século estas
vestimentas ora são roupões sóbrios, túnicas
cheias de paramentos, ora como, recentemente,
paletó e gravata), e quem não acreditasse na
Bíblia e na "moralidade" dos representantes
sóbrios "bem vestidos" da Bíblia era considerado
um imoral, um herege.
E tendo como pano de fundo as fogueiras da
inquisição para atormentar a sanidade das
pessoas, guiadas pelo medo, as pessoas passaram
a "acreditar" na Bíblia muito mais por medo e
imposição do que por qualquer outra coisa.
O certo é que, independentemente de toda essa
questão, a Bíblia passou a ser (autoritariamente)
imposta e considerada como um livro sagrado, ou
o mais grave, imposta autoritariamente como
sendo a "palavra de Deus". E por ser a "palavra de
Deus" não havia como alguém contestar as sábias
"palavras de Deus" (senão era fogueira na certa).
Foi preciso muita força e coragem daqueles que
sabiam que a Bíblia não era a "palavra de Deus"
para contestar as bobagens que estavam na Bíblia
e com isso trazer a luz (renascença) à idade das
trevas (idade média).
Hoje em dia, libertos do massacrante poder da
igreja (embora a igreja ainda detenha um certo
poder hipócrita), não temos mais que sujeitarmo-
nos às regras imperiais da igreja ou enfiar a
cabeça na areia como avestruzes esperando que
Deus nos proteja do medo e da superstição por
estarmos contestando palavras e preceitos errados
passados pela Bíblia.
Ainda assim, embora atualmente ninguém seja
mais mandado para a fogueira da santa inquisição
por discordar do que está escrito na Bíblia, a
maioria das pessoas sente-se intimidada e
ameaçada pela excomunhão, pelas pragas que são
rogadas, pelas maldições e ameaças de arder no
inferno, ao apontarem erros e incoerências do que
está escrito na Bíblia. Em geral, estas pessoas que
contestam a Bíblia são acusadas (pela via fácil da
defesa religiosa) de serem o anticristo ou de
estarem incorporadas ou orientadas pelo diabo."
— "Mas, pai, você não vai ser acusado de
anticristo, né pai?"
— "Não sei. Pode até ser. Tem ignorante para tudo.
A via mais fácil de defesa da Bíblia é excomungar
a quem contesta, ameaçar com o inferno, chamar
de herege ou coisa do gênero. Mas também, se
excomungarem, não faz a menor diferença. Não
será isso que irá alterar o rumo da minha vida ou a
firmeza das minhas contestações.
De uma forma errada e fundamentalista, os
cristãos do mundo inteiro são doutrinados a
acreditar cegamente no que está escrito na Bíblia,
de preferência o mais cegamente possível, sem
perguntar, sem contestar e estão condicionados a
idolatrar a Bíblia como sendo a "palavra de Deus",
e a aceitar e acreditar, fervorosamente, em tudo e
qualquer coisa, por mais estúpida que seja, sem
questionar, de verdade. Porque, questionar, para a
igreja, é proibido, é profano, é anticristão.
Para você, filho, entender as críticas à Bíblia,
primeiramente você tem que entender que a
crítica e o questionamento não são sacrilégio,
heresia ou imoralidade. Porque perguntar,
questionar, tentar entender, não são sinais ou
sintomas de heresia. E, acima de tudo, antes de
qualquer coisa, você tem que ter a mente aberta.
Até porque, os seus questionamentos têm uma
direção, uma finalidade, que é a busca da verdade
e de Deus.
Para saber o que diz a Bíblia, antes é necessário
saber o que é a Bíblia, como ela está composta e
dividida, para depois você tentar entender o seu
conteúdo.
A Bíblia é um conjunto de livros, escritos por
pessoas normais, comuns, de carne e osso como
eu e você, diferentes somente por serem
estudiosos de religião, que anotaram o que era
passado pela tradição oral, boca a boca, e que
também copiaram e plagiaram grande parte do
que está escrito em outros livros e ensinamentos
mais antigos, como a Torah dos judeus, por
exemplo. As palavras da Bíblia, em grande parte,
são palavras de sabedoria e ensinamento, mas
também tem muita bobagem, muita mentira,
muito erro, muita contradição, conforme a gente
vai ver a seguir. Portanto, a Bíblia não têm nada
de "palavra de Deus", no sentido literal. Isso é
invencionice e historinha que aos poucos você vai
entender perfeitamente.
A Bíblia, embora existam muitas versões e
traduções, uma pluralidade de Bíblias, por isso
mesmo não é um livro único, de texto único, é um
dos maiores focos de discórdia entre os cristãos.
Mas, de uma maneira geral, a Bíblia está dividida
em Antigo Testamento (com vários livros e vários
autores, sendo que o mais tradicional e idolatrado
por determinados segmentos religiosos é o
Pentateuco, ou os cinco livros de Moisés) e Novo
Testamento (composto por quatro evangelhos
teoricamente escritos por quatro evangelistas:
Mateus, Marcos, Lucas e João, e mais alguns livros,
cartas ou epístolas, entre eles o Apocalipse, que
dependendo do século e da versão da Bíblia o
Apocalipse ora está na Bíblia, ora não está). Ou
seja, resumidamente, Antigo Testamento, Novo
Testamento.
Inicialmente a Bíblia era somente o Pentateuco (os
cinco livros de Moisés), posteriormente foram
acrescentados outros livros ao Antigo Testamento,
e foi somente em 185 d.C., com o pronunciamento
do Bispo Irineu, que os cristãos começaram a
aceitar os quatro evangelhos do Novo Testamento.
Entretanto, de fato, de fato mesmo, foi em 367
d.C. com a epístola papal de Atanásio que os
quatro evangelhos foram oficialmente aceitos,
compondo o Novo Testamento.
O Antigo Testamento, ou o livro do velho Deus, na
parte do Pentateuco, é parecido com um livrinho
de histórias infantis, falando sob a criação do
mundo, da perseguição do povo judeu e do
sofrimento desse povo no Egito. Nele Deus é
apresentado de uma forma muito pequena, como
um Deus tribal, um Deus apenas dos hebreus (ju-
deus), preocupado com o povo hebreu (judeu) e
com o seu quintal, como se o infinito fosse
pequeno e o mundo girasse somente em torno de
Israel, do Oriente Médio, Norte da África e o Oeste
da Ásia. E é neste livro de historinhas que é
contado a historinha fantástica de Adão e Eva, do
dilúvio e da arca de Noé, entre outras historinhas
mirabolantes..., enfim, tirando a parte de
sabedoria, provérbios, ensinamentos e salmos, o
Antigo Testamento é um livro de conto de fadas
dos adultos, tendo como protagonista um Deus
personificado como velho, barbudo, sentado numa
nuvem, muito semelhante ao ser humano, que
numa hora é vingativo e que em outra enche-se de
culpa e perdoa. Ou seja, carrega todos os amores,
paixões, ódios e defeitos do bicho-homem. É o
Deus velho, inventado e criado pelo homem, à
imagem e semelhança do ser humano.
Esse Deus velho "sentado numa nuvem", — que
não tem nada a ver com o Deus imaterial, criador
do universo —, coitado, é digno de pena. Parece
uma caricatura estereotipada de um marido
mandão, machista, preguiçoso, indesejável, e que
qualquer esposa reconheceria nele seu parceiro de
infortúnio. Só faltando sentar-se em frente da
televisão e gritar pedindo para a mulher trazer
uma lata de cerveja.
Esse Deus personificado, quase humano, descrito
pelos escribas autores do Antigo Testamento,
assemelha-se muito aos Deuses gregos e
romanos, pois além de possuir emoções e desejos
notadamente humanos, Ele é do sexo masculino
(mulher naquele tempo não valia nada), tratava a
mulher como escrava ou como um ser ignóbil e
inferior. Ficava bravo com facilidade,
espraguejava, vociferava, gritava, enganava,
mentia, se enfurecia, castigava, era vaidoso,
exibicionista, gostava de ser bajulado e de receber
oferendas. Tinha até umas pessoas de quem Ele
gostava mais, e outras de quem Ele gostava
menos. E, tinha até um povo (judeu) de sua
preferência.
Por isso, filho, com um Deus tão humano como
esse descrito no Antigo Testamento, eu não me
surpreendi quando você me perguntou se Deus
tinha avô, se Ele era homem ou mulher, se era
preto ou branco, se tinha pai, mãe. Você não está
errado não. É perfeitamente cabível a sua dúvida.
Esse Deus velho, do Antigo Testamento, asseme-
lha-se muito a um Papai Noel dos adultos.
Não bastasse o Antigo Testamento apresentar um
Deus velho improvável, acrescente-se ainda os
erros e contradições gritantes do Antigo
Testamento (a Terra era chata, era o centro do
universo, o Sol é que girava em torno da Terra. As
estrelas e os planetas eram fixos e pareciam
lâmpadas pregadas e penduradas no céu. Sem
contar que o Sol poderia ser parado durante algum
tempo diante da Terra ou a Terra diante do Sol e
nada acontecer ao planeta Terra e ao sistema
solar).
Diante de tantos descalabros, ao longo dos anos,
nem com as fogueiras da inquisição e nem com as
ameaças para que a Bíblia fosse lida e
interpretada diferentemente do que estava escrito
e fosse sempre dado uma interpretação alucinada
e mirabolante para as bobagens ali escritas, o
Deus velho do Antigo Testamento, o tal "velho
barbudo sentado numa nuvem", desacreditado,
coitado, não resistiu e teve que passar para a
aposentadoria, imposta pelos próprios cristãos,
que renegaram este Deus e trataram de criar um
novo Deus, específico para o Novo Testamento.
Hoje em dia, as religiões cristãs (salvo os
tradicionais ortodoxos) evitam falar desse Deus
velho, do Antigo Testamento, evitam fazer
referência a Ele, têm vergonha d'Ele. Rezam para
que não se fale do Deus velho do Antigo Testa-
mento. Preferem o Deus novo do Novo
Testamento. O novo Deus. O Deus da moda. O
Deus do terceiro milênio.
— "E quais são esses tantos erros bíblicos do
Antigo Testamento, pai?"
— "Vamos por parte, com calma. Eu não quero que
você entenda a Bíblia na base da brincadeira,
embora as vezes o assunto descambe para o
ridículo. Mas, ao contrário, quero abordar a
questão de maneira séria, citando os principais
casos de erros e contradições, para que, munido
de fatos e dados, você tire as suas próprias
conclusões.
Da mesma forma, eu não gostaria que você, por
falta de informação, achasse que os budistas estão
errados porque vivem a vida somente
preocupados com o lado espiritual e esquecem da
vida material, ou que os muçulmanos são uns
fundamentalistas radicais mandando todo mundo,
que contrariar as leis de Alá, arder no mármore do
inferno. Ou qualquer outra religião que tenha este
ou aquele senão.
Diante de qualquer religião, por mais absurda que
possa parecer, respeite. Questione, mas respeite.
Entretanto, não abra mão de sua sanidade, de sua
inteligência e de exercer o seu direito de crítica.
Questione. Questione sempre. Busque a verdade e
o conhecimento. Jamais leia a Bíblia ou qualquer
outro livro religioso de mente entorpecida, dis-
posto a aceitar coisas improváveis e absurdas,
aceitando as coisas por aceitar. Muito menos leia
os ensinamentos religiosos com desdém ou
menosprezo. Busque a verdade como uma coisa
universal, atemporal, que viva e resista por sé-
culos e séculos, não por perseguição ou imposição,
mas porque é lógica, racional e compreensível.
Antes e acima de qualquer coisa, tenha em mente
que Deus não é regional, não é tribal. Deus não é
um tiraninho de aldeia, preocupado com coisas
pequenas, com um povo, com um lugar
geográfico. Deus não é privilégio das Américas, da
Europa, da África, ou da Ásia. Assim como não é
privilégio de país algum, seja da China, do Japão,
de Israel ou dos países Árabes. Deus é e tem que
pertencer a uma verdade universal. E toda vez que
você estiver contrariando a verdade universal você
estará sendo tribal, regional, tendo um ser
pequeno de mente estreita como sendo um Deus,
restrito à sua tribo, ao seu mundinho, ao seu país
ou continente.
O cristão radical (fundamentalista), como qualquer
fundamentalista de qualquer religião, embora
pense que tem, não possui a verdade-verdadeira.
O muçulmano radical, embora pense que tem, não
possui a verdade-verda-deira. Cada religião
arroga-se no direito de achar-se única e soberana
religião dona da verdade, chegando mesmo a
sentir pena e comiseração das demais religiões,
acreditando que lodo mundo pode ter uma
religião, mas o seu Deus, o seu Deus particular, é
o único e verdadeiro Deus. E que o resto do mundo
está enganado a respeito de Deus.
Não caia nessa armadilha. Não crie um Deus para
você. Não invente um Deus. Busque o
ensinamento, busque a sabedoria, busque a
universalidade da vida e você encontrará Deus no
amor, porque Deus é amor, Deus é paz, é perdão,
é o respeito e o amor ao próximo, independente-
mente da religião que você professe. Pois só neste
tipo de universalismo o ser humano é solidário e
compreensivo."
—"Universalismo? O que é isso?"
—"É o seguinte: O ser humano só concorda entre
si nas coisas universais. Paz, por exemplo, é
universal e todo mundo é a favor. Todo mundo
concorda. Fome, por exemplo, é universal e todo
mundo é contra. Mas, se o seu vizinho — no
particular — fizer uma besteirinha, der uma
pisadinha no seu calo... aí o tempo fecha. E com
Deus é mais ou menos a mesma coisa, pois, em
princípio, todo mundo concorda com Deus (salvo
os ateus). Mas, quando você sai do universalismo
e particulariza a religião, dividindo quem fica com
o que... aí a coisa descamba e acaba partindo até
para o fundamentalismo e a intolerância religiosa.
Por isso é que eu estou dizendo que a gente deve
primeiro buscar as coisas imateriais e universais
(paz, amor, perdão, amor ao próximo, etc.) e fazer
as religiões convergirem para este foco, pois na
particularidade cada religião puxa a brasa para a
sua sardinha.
O maior dos problemas causados pela religião, de
uma maneira geral, é a intolerância religiosa, o
sectarismo, o egoísmo e egocentrismo religioso.
Cada qual achando a sua religião a melhor do
mundo, se não a única correta. E é desta
convicção tola, estúpida, de mente estreita, que
nasce o sectarismo, o fundamentalismo, a
intolerância religiosa. Isto porque, as religiões não
colocam como fundamento principal de sua
existência o ensinamento, o conhecimento, o
questionamento, até mesmo da própria existência
do ser humano diante de Deus. Antes pelo
contrário, preferem a exploração da religião pelo
domínio do medo (o castigo "divino", o inferno e
satanás, são a base disso) como uma forma de
manter o devoto da religião em permanente esta-
do de dúvida entre o céu e o inferno para manter a
religião viva acima de todas as coisas. Baseiam-se
primordialmente na ameaça da punição, do
castigo, do céu contra a ameaça do inferno.
As pessoas que temem o inferno ficam
assombradas com a punição eterna, cegas e
dominadas pelo medo. A idéia de inferno (como
um lugar, uma região fixa e determinada) é uma
invenção maquiavélica para garantir a hegemonia
religiosa e estabelecer uma ditadura religiosa
dominada pelo medo. Essas pessoas que temem e
acreditam no inferno (como região, lugar fixo)
vivem sua vida debaixo de uma tirania muito
maior do que qualquer ditador humano possa
estabelecer. Essas pessoas sentem-se
constantemente vigiadas e acreditam até que
permanentemente haja um olho "divino" vigiando
todos os seus atos e até mesmo lendo os seus
maus pensamentos. Essas pessoas acreditam que
todas suas palavras estão sendo registradas, todas
suas ações estão sendo anotadas, até mesmo seus
pensamentos mais íntimos são conhecidos e
julgados pelo mestre cruel, pronto para aplicar,
sem dó nem piedade, o castigo eterno."
— "Então não existe o Diabo, pai?"
— "Personificado... não. Com rabo e chifre, não. As-
sim como não existe o Deus personificado, como
um velho barbudo sentado numa nuvem. O bem
existe, tanto quanto o mal existe. A bondade
existe, tanto quanto a maldade existe. Mas, daí
você personificar Deus e o Diabo, à imagem e
semelhança do homem, colocando um barbudo
sentado numa nuvem e o outro de rabo e chifre
numa fogueira, a diferença é grande.
Se você falar no bem como forças de luz, tudo
bem. Se você falar no mal como forças das trevas,
tudo bem, também. São sentidos figurativos
aceitáveis. Se você falar na lei do retorno, ou seja,
se você praticar o bem ele volta para você ou se
você praticar o mal você será vítima da sua pró-
pria maldade, é compreensível. Pode-se até dizer
que é uma "lei universal" (a lei do retorno). Mas,
colocar imagem para o bem ou para o mal, aí já
não faz mais sentido. Errado é personificar, dar
forma humana a uma coisa imaterial como a
bondade e a maldade, o bem e o mal, a Deus ou
ao Diabo.
Quando as religiões transmitem ensinamentos
(salmos, provérbios, etc.) essas religiões são lindas
e caminham na direção certa. Mas, quando partem
para a ameaça de você (ou sua alma) arder no
inferno, do castigo perpétuo, na abusiva e
descarada exploração do medo do ser humano ao
desconhecido, ao invés da pregação do amor, da
sabedoria e do conhecimento, essas religiões
praticam o que há de pior na humanidade. Voltam
a agir como na época do obscurantismo, como na
idade média ou idade do terror, como se o ser
humano fosse o mesmo ignorante da idade da
pedra. E tratam o ser humano da pior forma que
existe, mantendo-o permanentemente
amedrontado e em profundo estado de
ignorância."
— "Mas, pai, eu não quero saber muito das outras
religiões, depois a gente discute isso. Vamos falar
sobre a Bíblia e os problemas da Bíblia que é a
religião mais perto da gente."
— "Veja bem, filho, quando eu falei de outras
religiões era para deixar bem claro que eu não
estava apontando esta ou aquela como a religião
ideal. Ao contrário, eu queria mostrar que qualquer
que seja a religião que você siga, fuja do
sectarismo e da intolerância religiosa. Adote a reli-
gião que quiser, mas seja ecumênico na postura.
Aceite antes de tudo o ecumenismo como regra de
convivência."
— "Ecumenismo? O que é isso? É religião?"
— "Não. O ecumenismo não é religião, é um tipo de
comportamento, como aquilo que eu falei ainda há
pouco sobre o universalismo. Mas, se você quiser
adotar isso como regra de vida, o ecumenismo até
pode ser uma religião ou uma convicção. O
ecumenismo surgiu no início do cristianismo sob a
forma de gnosticismo, como uma solução para a
pregação do evangelho, de maneira a alcançar a
maior quantidade de gente possível. Foi a forma
(gnóstica) encontrada para congregar todas as
tendências e denominações religiosas debaixo da
mesma religião cristã. Ou seja, manter os cristãos
unidos. Embora a idéia fosse boa, não deu certo,
pois a igreja católica quis coordenar o ecumenismo
e centrar em si o ecumenismo, daí veio o fracasso
e a dispersão (mas a idéia de respeito e tolerância
ecumênica é muito boa).
Hoje em dia, o sentido de ecumenismo é bem mais
amplo do que o que foi tentado pela igreja católica
no início. O Ecumenismo é uma universalidade de
religiões centrada na disposição de convivência e
no diálogo entre várias tendências religiosas. Em
termos simples, quer dizer, aceitação de diálogo
entre todas as religiões possíveis.
Mas, voltando ao cristianismo e à Bíblia,
abordando claramente a religião cristã, em
especial a religião católica, que é a que está mais
próxima de você. Se você puder ler a Bíblia e tirar
dela os ensinamentos que ela contém, ótimo. Leia
os salmos, leia os provérbios, leia os
ensinamentos. Há muita coisa linda na Bíblia. É um
livro fantástico. Mas leia a Bíblia com a mente
aberta, entendendo as coisas com o coração, mas
sem abrir mão do questionamento, da sua
sanidade e da sua inteligência. Não aceite as
coisas por aceitar. Não aceite interpretações
burras ou estúpidas para remendar as bobagens
do que foi escrito. Não aceite por ter que aceitar,
muito menos tenha a Bíblia como "a palavra de
Deus". A Bíblia foi escrita por seres humanos, de
carne e osso como você. E principalmente tenha
em mente que assim como existem estes livros
que compõem a Bíblia, existem trocentos outros
que foram retirados ou negados a sua inclusão na
Bíblia por serem gnósticos ou "apócrifos",
contradizendo a verdade regional e local do
oriente médio nos séculos em que aquela
realidade foi retratada.
Nós estamos falando da Bíblia (e não do Corão
(Alcorão), Torah, etc.) porque você, filho, está
sendo parcialmente direcionado para uma religião
cristã quase que por hereditariedade ou por uso e
costume do país católico em que você vive, porque
é uma questão de cultura do nosso povo. Fomos
colonizados e catequizados por jesuítas. Fomos
criados e educados na religião católica, aceitando
todos os rituais e sacramentos da religião:
comunhão, batizado, casamento, etc. Eu fui
batizado, crismado, ia sempre à missa, participava
das atividades regulares da igreja, fiz encontro de
casais com Cristo, fui coroinha, congregado
mariano, ajudei missa, estudei teologia,
acompanhei procissão. E, queira ou não, os filhos
tendem a adquirir as convicções religiosas dos
pais. Se eu fosse judeu, certamente você teria
ensinamentos da religião judaica. Se eu fosse
muçulmano, você estaria tendo ensinamentos da
religião muçulmana. E assim por diante.
O que eu estou querendo dizer é que, embora
você esteja tendo toda a base e ensinamento da
religião cristã, por causa da formação de seus
pais, porque sua mãe é católica e eu um dia fui
católico, você não tem necessariamente que
seguir os passos do que os seus pais são ou foram
um dia, e muito menos o que somos agora. Ao
contrário, você está livre para escolher a religião
que quiser. Não se atenha aos seus pais como
exemplos, até porque da mesma forma que eu
questionei a religião católica, a que eu pertencia,
assim como questionei várias outras religiões,
antes de pensar em adotá-las, cedo ou tarde você
deverá questionar, também, tudo isso que ora eu
passo a você como informação.
—"Se você não é católico, pai, qual é a sua
religião?"
—"Eu até poderia me considerar católico, na
acepção da palavra Katholikós = Universal,
conforme usado pela primeira vez no ano 110 por
Inácio da Antióquia. Mas, jamais me consideraria
católico-apostólico-romano, por sérias e quase
irreconciliáveis divergências com a igreja romana
(do riquíssimo Papa que mora no Vaticano). Desta
igreja, embora mantenha respeito, estou dela
divorciado.
Honestamente eu não saberia classificar
nominalmente a minha religião, se é que o que eu
acredito seja religião, c se religião for, se ela tem
nome.
No futuro, quando você tiver maior conhecimento,
você também poderá e deverá questionar tudo
isso que estamos debatendo agora.
Por agora, entenda somente que, racionalmente,
nem a Bíblia, nem Alcorão, nem a Torah, nem livro
religioso algum, embora sejam livros inspirados,
com grandes e preciosos ensinamentos, nenhum
desses livros é a "palavra de Deus" (literalmente).
São livros que foram escritos por escribas, seres
humanos, e como tal, são imperfeitos.
Esses livros não são a palavra de Deus,
literalmente, porque nunca um ser humano viu
Deus, nunca um ser humano falou com Ele, e
muito menos Deus se prestou ao pequeno papel
de escrever um livro ou vários livros para dar aos
seres humanos um manual ou guia de sobrevivên-
cia na Terra, como algumas religiões, de uma
maneira geral, querem fazer crer.
A bem da verdade, por mais contraditório que
possa parecer, todos os livros religiosos, sejam de
quais religião forem — no sentido figurado — são a
palavra de Deus, porque toda palavra inspirada,
de sabedoria, é tida como a palavra de Deus. Mas,
acontece que espertos religiosos, aproveitam-se
do sentido figurado, garantem literalmente que tal
e qual livro é a palavra de Deus, como se Deus
fosse um executivo ditando o que lhe convém,
enquanto um escriba qualquer faz o papel de
secretário particular de Deus. Isso é uma bobagem
infinita e de um fanatismo religioso sem
precedentes.
Note bem que isso de considerar determinado livro
como "a palavra de deus" não é privilégio da
religião cristã. Acontece em qualquer religião. E,
por esta razão, por terem sido escritos por seres
humanos, todos os livros religiosos, seja de que
religião for, têm erros, têm contradições, têm
mentiras, tanto quanto é próprio dos seres
humanos cometerem estes tipos de erros. Até
porque a perfeição humana não existe."
—"Ah, então quer dizer que os erros que existem
na Bíblia também existem nos outros livros
religiosos?"
—"Claro que existem."
—"E estes erros, pai, existem porque esses livros
foram escritos por seres humanos iguais a nós? E
por isso esses escritores da Bíblia cometeram um
monte de erros?"
— "Exatamente isso."
— "Que erros bíblicos são esses, pai?"
—"Bom, vamos ver se agora a gente engrena.
Vamos parar um pouco de explicações paralelas e
começar a falar sobre os erros e contradições da
Bíblia sem fugir do tema. Vamos falar primeiro do
Antigo Testamento. OK?
Comecemos pela tentativa de explicação de como
Deus criou o universo e todas as outras coisas. Já
aí, bem no comecinho, a Bíblia vira um livro de
conto de fadas, quando tenta explicar a criação do
mundo, do primeiro homem, da primeira mulher
(Adão e Eva). A questão torna-se confusa,
imprecisa, ilógica e irracional. A criação do mundo,
das coisas e dos primeiros seres humanos, não
resiste à menor análise, pois, conforme eu havia
falado antes para você, todo aquele que estiver
revelando para você como o mundo começou
(Gênesis) e como ele terminará (Apocalipse), esse
alguém estará mentindo e falando de algo que
nenhum ser humano sabe e jamais saberá.
Não bastasse essa invencionice tola de conto de
fadas, da criação do mundo, os dois filhos de Adão
e Eva, Caim e Abel entram em disputa, um mata o
outro, não se explica como foi a questão dos
sucessivos incestos dos filhos com a mãe Eva
(porque não havia outra mulher) para a criação da
humanidade. E aí, solenemente, os primeiros seres
do mundo saem de onde estão e encontram um
povo distante. Isso mesmo... um povo (Surgido
como e de onde, se Adão e Eva eram os primeiros
seres humanos?). É como a historinha de Papai
Noel que precisamente à meia noite ele chega na
casa de todo mundo, no mundo todo, ao mesmo
tempo. Ou como o coelhinho da Páscoa que
mesmo não sendo ovíparo, coloca ovos, e de
chocolate, e dá de presente para todas as pessoas.
Se você acreditar em Papai Noel e Coelho da
Páscoa você tem tudo para acreditar na história da
criação do mundo relatada pela Bíblia.
Outra história fabulosa é a do dilúvio e da arca de
Noé, onde após chover terrível e
ininterruptamente na Terra, por dezenas de dias,
alagando tudo, todos os animais da humanidade,
de todas as partes do mundo: das Américas, da
Europa, da África, da Ásia, da Oceania e mais os
do Polo Norte e do Pólo Sul — lembrem-se que o
mundo é muito maior do que Israel ou o oriente
médio, e os autores do Antigo Testamento
esqueceram-se disso -, todos os animais do mundo
dirigiram-se para um único local do planeta, onde
estava a tal arca de Noé. E milhares de espécies
diferentes de animais, muitos deles carnívoros e
predadores entre si, foram recolhidos numa arca e
sobreviveram milagrosamente. Como se os
carnívoros pudessem comer vegetais e como se os
animais não se comessem entre si e não fizessem
suas necessidades fisiológicas na arca.
Já pensou milhares e milhares de animais, vindos
de todas as partes da Terra, a maioria composta
de predadores entre si, não comerem nada, nem
uns aos outros e ainda por cima fazendo xixi e
cocô na arca? Isso faz parecer a história de Papai
Noel e do Coelhinho da Páscoa ter uma
credibilidade acima de qualquer suspeita.
Envergonhados com isso e com outras histórias
tolas e absurdas, a maioria dos cristãos admite:
"Acredito na Bíblia, mas não acredito em Adão e
Eva e na arca de Noé". Como se isso fosse resolver
o problema de credibilidade da Bíblia. A falta de
credibilidade da Bíblia e os grandes erros bíblicos
estão muito além de Adão e Eva e da arca de Noé.
Daí, quando você mostra mais e mais erros e
contradições da Bíblia, os mesmos cristãos,
justificando, argumentam: "Eu acredito na Bíblia,
mas só no Novo Testamento". Como se isso
também resolvesse a questão. Renegam o velho
Deus do Antigo Testamento, sentado na nuvem,
em troca de um Novo Deus, novinho em folha,
mais bonito e mais charmoso,
Os cristãos não admitem, mas a maioria deles
desejaria que o Antigo Testamento nunca tivesse
sido escrito. Por isso, eles, envergonhados do
velho Deus do Antigo Testamento, estão mudando
a adoração do sentido bíblico genérico de religião
(Antigo e Novo Testamento) para focarem a
religião bíblica somente num segmento evangélico
específico de um novo Deus exclusivo dos
evangelhos do Novo Testamento.
— "Mas, pai, além dessas historinhas que você
citou, existe ainda tanto erro e contradição assim
na Bíblia?"
— "Existe, filho. Muito mais do que você possa pen-
sar. Alguns teólogos e pesquisadores chegaram a
apontar mais de dois mil erros e contradições
bíblicas. Logicamente, não vamos falar sobre todos
esses erros e contradições bíblicas, mas somente
alguns mais relevantes, mais gritantes, para você
poder compreender e entender bem o que estou
falando, até para que você entenda, de vez, que a
Bíblia é um livro de humanos, escrito por
humanos, para humanos. (Sem que isso seja
vergonha ou demérito algum) Vamos começar
pelo Antigo Testamento do velho Deus sentado
numa nuvem. Vejamos alguns exemplos:"

Quem é Deus e o que é Deus, segundo a


Bíblia?

Por uma questão de tradução do texto original da


Bíblia para diversos idiomas, a palavra Deus é
freqüentemente utilizada como uma palavra só:
Deus. Entretanto, o próprio nome "Deus", no
original, era considerado tão sagrado, tão sagrado,
que era representado por um tetragrama (quatro
letras) que nem pronunciar seu nome era possível
ou permitido. Assim é que nos textos originais
existem várias palavras que referem-se a Deus.
Porém, o mais estranho disso, não é chamar Deus
por vários nomes diferentes, mas tratá-lo como se
Deus fossem várias pessoas diferentes e
existissem vários Deuses. Senão, vejamos os
nomes pelo qual Deus ou os Deuses são citados
pela Bíblia, no original:

1) Elohim / Eloah (Vindos do céu).


2) El Chaddai (Onipotente / O todo poderoso)
3) Elión (O Altíssimo)
4) Adonai (Divino)
5) Javé (O Deus vivo) Jeová de Jehovah,
transliteração das quatro letras impronunciáveis
(IHVH, JHVH, JHWH, YHVH e YHWH) que
designavam Deus, cujo nome era tido por
sacratíssimo, não podendo sequer ser pronunciado
em voz alta.

— "Afinal de contas, pai: Quem é Elohim? Quem é


Eloah? Quem é El Chaddai? Quem é Elión? Quem é
Adonai? Quem é Javé? Quem é Jeová? São todos a
mesma pessoa? Ou são vários deuses?"
—"Aparentemente, filho, são a mesma pessoa.
Mas como a própria Bíblia diz que existem vários
Deuses..."
— "Vários Deuses? Mas Deus não é um só?"
— "Pois é... veja só:"

Quantos Deuses existem? — (Deuteronômio


6:4) "O senhor vosso Deus é o único Senhor."
Essa é uma presunção universal bastante
conhecida, e que defende a tese do monoteísmo.
Só não é dito se este Deus único é homem ou
mulher, preto ou branco, novo ou velho, tem pai
ou mãe, tem avô... aceita-se, informalmente, como
um Papai Noel de adultos, um Deus velho, mito-
lógico, sentado numa nuvem. Uma versão mais
moderna do mitológico Zeus (Deus dos gregos) ou
de Júpiter (Deus dos romanos).

(Gênesis 1.26) "Também disse Deus: Façamos o


homem à Nossa imagem, à Nossa semelhança."
Opa... pera aí... Nossa? No plural? Se Deus é único,
não pode haver plural... É uma questão de lógica
elementar.

(Gênesis 3.22) "Então disse o senhor Deus: "Aqui


está o homem, que pelo conhecimento do bem e
do mal, se tornou como um de Nós.
Novamente aqui Deus fala dele e de seus
companheiros Deuses, no plural, deixando claro
que Deus é plural (mais de um) e não singular
(único).
Essa questão pode ser resolvida de algumas
formas. A mais simples é atribuindo erro na
"versão" da Bíblia que você possui. Afinal, as
Bíblias são muitas, têm várias traduções, e muitas
versões, tendo sempre uma com redação mais
propícia e mais adequada ao gosto de cada grupo
religioso a que pretende convencer.
A outra forma é alegar que o plural, no caso, é
uma figura de estilo, usado como um "plural
majestático". Exatamente igual quando uma
pessoa fala "nós isso... nós aquilo" querendo dizer
"eu'. (É uma desculpa até que razoável, diante das
tantas coisas indesculpáveis, mas ainda assim é
uma desculpa bastante esfarrapada)
Bem, a seguir, vem a perfil cruel de Deus."
— "Como assim?"
Um Deus cruel e assassino — (Números 15.32)
"...encontraram um homem a apanhar lenha num
dia de sábado (...) Então o Senhor disse a Moisés:
Esse homem deverá ser punido com a morte (...) e
o apedrejaram até morrer, como o Senhor tinha
ordenado a Moisés."
Caramba!!! Veja só !!! Só porque o pobre coitado
do homem estava apanhando lenha num sábado,
e antigamente o sábado era santificado para os
judeus, lá veio o velho Deus rancoroso dos
hebreus, raivoso e assassino, sentado na nuvem, e
mandou seu discípulo predileto, Moisés (e maior
figura do judaísmo) apedrejar até matar o pobre
coitado do apanhador de lenha.
Em resumo, um sujeito, um pobre coitado, foi apa-
nhar lenha, e só porque era sábado, Deus vai e
manda Moisés apedrejar e matar o pobre coitado.
E o pior... Moisés vai lá e mata o sujeito,
cumprindo uma determinação "sagrada", "divina".
Você acredita neste Deus, filho? É esse o seu
Deus? Vamos a mais exemplos:"

(Êxodo 20.13) "Não Matarás"


Um belo ensinamento, como tantos outros que
existem na Bíblia. Até aí nada demais. É parte
daquilo que foi dito antes... quando a Bíblia cria
normas de conduta, de comportamento ou
ensinamentos tudo vai muito bem... mas quando
descamba para atender os interesses dos sa-
cerdotes donos da religião...

(Levítico 24.17) "Quem matar alguém, será morto"


Aí já começa a "Lei de Talião". Olho por olho, dente
por dente. É a lei da vingança. É o Deus vingativo,
odioso. Um Deus de amor não pode, jamais,
possuir uma lei destas. Não existe sabedoria
alguma nisso. Isso é de uma falta de sabedoria
assustadora. Algo bem medíocre, bem ao estilo
dos sacerdotes e escribas do templário judeu que
mandaram escrever a Bíblia sob encomenda. Aliás,
Mahatma Gandhi destroçou esse ensinamento
odioso, raivoso, praticando aquilo que os gurus e
pacifistas (como Cristo) sempre praticaram: a não-
violência.
Inspiradíssimo, Gandhi ensinou: "Olho por olho,
dente por dente, e a humanidade terminará cega e
banguela". (Perfeito!!!)
Ressalte-se que Jesus também se insurgiu contra
este "ensinamento" bíblico, contra esta "Lei de
Talião". E foi exatamente nesta hora que Ele falou
que não devemos revidar, mas sim oferecer a
outra face.

(Samuel 6.19) "O Senhor... feriu deles setenta


homens. O povo chorou, porquanto o Senhor fizera
tão grande castigo...Quem poderá estar na
presença do Senhor? E para onde poderá se
afastar?"
Meu Deus !!! Mas o que é isso? Um Deus que
deveria ser somente amor, paz, fraternidade,
impondo o medo e o terror? Que Deus louco é
esse, que castiga, impõe tanto medo que nem
deixa espaço sequer para onde o povo possa
correr?

(Oséias 14.1) "Os seus filhos cairão ao fio da


espada, serão despedaçados, e aberto os ventres
das mulheres grávidas".
Pelo amor de Deus!!! (Do meu Deus,
logicamente... não esse Deus velho aí) Um Deus
que despedaça filhos e mulheres grávidas,
abrindo-as ao meio... ??? Esse não é o meu Deus,
de maneira alguma. E ainda querem que adore-
mos um Deus assassino desse calibre, que passa
os pobres no fio da espada e despedaça mulheres
grávidas abrindo-lhes os ventres.

(Deuteronômio. 20. 16) "Quanto às cidades


daqueles povos que o Senhor teu Deus dá para ti
por herança, não deixará subsistir nelas uma só
alma."
Um Deus justo e universal, que prega o amor, a
paz, a fraternidade entre as pessoas nunca falaria
para religiosos selvagens sacrificarem pessoas
indefesas, derrotadas, não deixando vivo uma só
alma. Isso é uma mentira de sacerdotes saduceus
selvagens e tribais para justificar o roubo e
assassinato de seus vizinhos. Isso é a pregação do
ódio, do medo. Foi sustentado nisso que muitas
religiões se mantiveram por séculos e séculos. Na
pregação do medo, do terror, da ameaça.
Ensinava-se antes temer a Deus do que a amá-lo.
Ensinava-se a matar o inimigo e não deixar subsis-
tir uma só alma.
Desde quando "não deixará subsistir nelas uma só
alma" é um ensinamento divino ou um conselho de
Deus?
Deus, o verdadeiro, o de verdade mesmo, é amor.
E um Deus que é amor não pode mandar fazer
carnificina, matar apedrejando, matar crianças e
abrindo mulheres grávidas ao meio ou matando
tudo que respire.
Esse Deus, velho e caduco do Antigo Testamento,
é exatamente o Deus que mata os cristãos de
vergonha e faz com que sintam vergonha do
Antigo Testamento e procurem abrigo e um novo
Deus no Novo Testamento.

O império do terror — (Deuteronômio 28.16)


"Serás maldito na cidade e nos campos... malditos
serão os frutos de suas entranhas... serás maldito
quando entrares e maldito quando saíres... O
Senhor suscitará em tua casa a infelicidade, a
desordem, a ruína... até que sejas aniquilado. O
Senhor enviar-te-á a peste... O Senhor ferir-te-á
com a consumpção (definhar), com a febre, com
inflamações de toda espécie, com apatia, com
icterícia que te perseguirão até que sucumbas. O
Senhor afligir-te-á... com hemorróidas, com sarna
seca e sarna úmida, de que não poderás curar.
Casarás com uma mulher e outro a possuirá.
Edificarás uma casa e não morarás nela. Plantarás
vinhas e não colhereis frutos. O Senhor ferir-te-á
nos joelhos e nas coxas com furúnculos maus,
incuráveis, que se estenderão da planta dos pés
ao cimo da cabeça. Todas essas maldições cairão
sobre ti se não obedeceres à voz do senhor".
Este é o império do terror. (Você será maldito,
seus filhos serão malditos, sua mulher se deitará
com outro, você terá furúnculos incuráveis,
hemorróidas, peste, icterícia, sarna seca, etc., etc.,
etc.). Esta é a forma odiosa e repulsiva como os
religiosos saduceus, gerentes de templo,
amedrontavam e aterrorizavam as pessoas
medrosas e ignorantes, obrigando-as a
acreditarem na Biblia como sendo a voz e a
"palavras de Deus" (As pragas de ontem, são o
inferno e o diabo de hoje). E, infelizmente, é
baseado neste medo, neste terrorismo, que as
religiões inspiradas na Bíblia se mantiveram por
séculos e séculos e se mantêm nos dias de hoje.
Nada disso tem a ver com Deus. Nada disso tem a
ver com amor, são insanidades feitas e pregadas
na Bíblia por religiosos espertos e interesseiros,
visando manter os fiéis debaixo de um regime de
terror e na ignorância como se as palavras da
Bíblia fossem infalíveis e tivessem sido ditadas por
Deus e feitas em nome de Deus.

O Deus vingativo — (Jeremias 13.14) "Fá-los-ei


em pedaços, atirando uns contra os outros, tanto
os país como os filhos, diz o Senhor. Não terei
compaixão, nem piedade, nem clemência, para
que não os destrua."
(Deuteronômio 21.18) "Se um homem tiver um
filho rebelde... este será levado ao conselho de
anciãos e morrerá apedrejado por todos os
habitantes da cidade. Assim eliminarás o vício, e
todo o Israel, ao sabê-lo, terá grande temor."
(Êxodo 11.4) "Assim falou o Senhor: Pelo meio da
noite passarei pelo Egito, todo primogênito
morrerá, desde o primogênito do faraó até o
primogênito da escrava..."
Deus! Deus! Deus! Quem poderia adorar um Deus
como esse? É um Deus tirano, raivoso, vingativo. É
o Deus dos hebreus, dando força específica ao
sinédrio ("será levado ao conselho de anciãos...").
Mostra o lado mais negro e cruel do ser humano.
Isso só faz com que "fiéis" amedrontados que não
pensam, não raciocinam, não questionam, apenas
se abaixem e rastejem diante desse Deus tirano.
Só um ser humano acovardado, amedrontado e
ameaçado poderia adorar cegamente a um Deus
assassino, sanguinário, tirano, vingativo como o
que a Bíblia descreve como o Deus velho do Antigo
Testamento, sentado numa nuvem.
Esse é o Deus que mata os cristãos de vergonha.
Esse Deus, hebreu (judeu), amigo de Moisés, é tão
estranho e íntimo de Moisés que até fornece o seu
roteiro de viagem... "pelo meio da noite passarei
pelo Egito"... e depois, num grande conluio com
Moisés e com o povo hebreu (judeu), volta toda
sua ira contra os egípcios, ameaçando desde o
faraó até a última escrava. (Dá para acreditar num
Deus desses?)
Que Deus é esse que ameaça fazer as pessoas em
pedaços, atirando uns contra os outros, pais contra
filhos, sem ter compaixão, piedade ou clemência?

O Deus Mentiroso — (Êxodo 20.16) "Não dirás


falso testemunho contra teu próximo"
É um belo ensinamento. Mas, no entanto, veja a
seguir...
(Reis 22.23) "O Senhor pôs o espírito da mentira
na boca de todos os profetas, e o senhor falou o
que é mau contra ti."
Vamos tentar entender... A "palavra de Deus", ou
o que querem que seja a "palavra de Deus" diz
para não haver falso testemunho contra o
próximo. Mas, ao mesmo tempo essa tal "palavra
de Deus" diz que foi o Deus velho do Antigo
Testamento, aquele velho barbudo sentado numa
nuvem, quem pôs o espírito mentiroso na boca dos
profetas...???... É isso?
(II Tessalonicenses 2.11) (Aqui indo adiante ao
Novo Testamento) "Por isso é que Deus lhes
mandará uma potência enganadora, a operação
do erro, para darem crédito à mentira."
E ainda reforça... Deus manda errar, induz ao erro,
para dar crédito às mentiras.
Realmente, os seres humanos que se diziam
inspirados por Deus para escrever os textos
bíblicos apresentaram-se de corpo inteiro, com
todos os seus enormes defeitos humanos, nos
textos que redigiram.
Esse Deus, descrito no Antigo Testamento, (e
corroborado por Paulo em Tessalonicenses) não
pode ser o Deus de qualquer ser humano com um
mínimo de raciocínio e discernimento.

Adoração de imagens — (Êxodo 20.4) "Não


farás para ti imagens esculpidas."
Aqui a Bíblia fala para não fazer ou adorar imagens
e esculturas. Ou seja, não adorar essas tais
esculturas de santos que você vê espalhado por
tudo quanto é igreja por aí... esculturas e imagens
de santos, anjos, padroeiros, etc., dessas que a
gente vê, adora, venera e compra a retalho por aí
nas lojas e nas igrejas.

(Êxodo 25.18) "Farás dois querubins de ouro


batido... um em cada lado das extremidades do
propiciatório."
Veja bem... em Êxodo 20 diz que é para não
adorar imagens. Já em Êxodo 25 a ordem é para
fazer imagens (esculturas) de querubins de ouro. E
tem gente que acha que isso não é contradição.

O Deus perfeito, sem arrependimento? —


(Números 23.19) "Deus não é mortal para mentir,
nem filho de Adão para que se arrependa ou mude
de opinião."
Aqui Deus não mente e não se arrepende. Embora
já tenhamos visto anteriormente Deus mentindo e
colocando a mentira na boca dos profetas.

(Êxodo 32.14) "E o Senhor arrependeu-se do mal e


das ameaças que proferira contra o seu povo."
Aqui, o Deus que não se arrepende, já se
arrependeu. É ou não é contradição?

(Gênesis 6.7) "Então arrependeu-se o Senhor de


haver feito o homem sobre a terra, e isso lhe
pesou no coração (...) pois me arrependo de os
haver feito."
Aqui, mais uma vez, o Deus perfeito que não se
arrepende, se arrepende novamente. São
contradições e mais contradição, fruto da
pluralidade, diversidade, de escribas, seres
humanos, que escreveram a Bíblia sob encomenda
dos sacerdotes e religiosos. Mas, o mais estranho
é como na Bíblia Deus é feito de bobo, de idiota...
Todo mundo (na Bíblia) é esperto e bonzinho...
David é espertíssimo, Moisés é super esperto, 'Noé
é inteligentíssimo... só Deus, coitado, é um bobo
aloprado e tem que ser instruído e acalmado a
todo instante.
Na história do bezerro de ouro, Deus é um
destemperado, perde a compostura, se irrita, diz
que vai fazer e acontecer, vai mandar matar todo
mundo e Moisés, o calmo, o tranqüilo, o
equilibrado, dá uma acalmada no Deus
temperamental (e mata somente três mil
pessoas). No caso anterior, de Gênesis 6.7, Deus
se irrita (é quase o seu estado normal, a irritação),
fica arrependido de ter criado o ser humano, e
revoltado diz que vai acabar com a humanidade.
Aí, o "calmo" e sapiente Noé dá uma lição de
moral em Deus, ri da birra e da infantilidade de
Deus, acalmando-o e fazendo-o voltar ao
equilíbrio...
Como os hebreus (judeus) vivos, Noé e Moisés, são
bonzinhos e como Deus é um destrambelhado,
segundo a Bíblia...dos hebreus (judeus).

A escravidão abençoada por Deus — (Levíticos


25.44-46) "O escravo ou escrava que pretendais
adquirir, devem sair dos povos que vos rodeiam...
Podê-los também comprar entre os filhos dos
estrangeiros... Podeis deixá-los em herança aos
vossos filhos, afim de que os possuam depois de
vós, tratandoos perpetuamente como escravos..."
Aqui Deus não só incentiva a escravidão como cria
verdadeiras normas (na realidade um tratado
escravagista) regulando a escravidão, incitando os
"senhores" a comprar escravos dos filhos dos
forasteiros e dos povos vizinhos, como se os
forasteiros não fossem gente. (Uma visão bem
tribal do povo judeu que habitava o Oriente Médio
e que espalhou variantes de sua religião pelo
mundo).

(Êxodo 21.2,7) "Se comprares um escravo hebreu,


seis anos servirá; mas ao sétimo sairá forro de
graça...Se um vender sua filha para ser escrava,
esta não sairá como saem os escravos."
Como um Deus tribal, o Deus dos hebreus,
estabelece dois tipos de escravidão: 1) Para os
escravos não judeus, adquiridos dos povos
vizinhos a escravidão era perpétua (Levíticos
25.46). 2) Mas, se o escravo fosse um judeu
(hebreu) a escravidão só durava seis anos...
(Esperta essa lei...!!!)
Legal esse Deus hebreu!!! Escravidão eterna para
todo mundo e escravidão máxima de seis anos
para os hebreus (judeus).
Para deixar bem claro que o Deus velho do Antigo
Testamento é feito, criado e inventado à imagem e
semelhança dos homens que o inventaram, e que
este Deus não passa de um Deus tribal dos
hebreus, um tiraninho de aldeia, aqui, novamente,
faz a pregação em favor da escravidão, visando
manter e garantir os privilégios dos senhores no-
bres e sacerdotes, assim como atender aos
interesses econômicos da época. E, logicamente,
mesmo garantindo o interesse econômico da
escravidão, estabelece que a escravidão para
todas é perpétua, mas para os hebreus (judeus) é
só por seis anos...
Igualdade e justiça não são o forte desse Deus
hebreu velho do Antigo Testamento. Atender aos
interesses religiosos de amor, perdão, e
compreensão que deveriam nortear uma religião
realmente inspirada em sentimentos divinos, nem
pensar...

(Êxodo 21.4) "Mas se for o senhor quem lhe deu


uma esposa, e ele teve dela filhos ou filhas; a
esposa e as crianças dele serão de seu senhor e
ele escravo sairá apenas com suas roupas do
corpo."
Aqui, é dado seqüência ao tratado bíblico
escravagista de como deve ser o comportamento
tribal dos senhores nobres diante dos escravos e
da plebe ignara.
Esse é o Deus velho do Antigo Testamento,
sentado numa nuvem, o Papai Noel dos adultos,
que os cristãos têm tanto medo e vergonha de
admitir como Deus, pois não só incentiva a
escravidão, como estabelece normas e regras para
se manter e cuidar de um bom escravo.

(Êxodo 21.5-6) "E se o escravo disser claramente,


amo meu senhor, minha esposa, e minhas
crianças: Não sairá livre... então o senhor o trará
até os juízes... e o amo dele furará a sua orelha
com uma sovela; e ele o servirá sempre como
escravo."
Decididamente, isso não é um livro santo, isso é
um tratado escravagista. Não é a palavra de Deus,
e esse não é o Deus que uma pessoa com um
mínimo de inteligência possa aceitar.
Isso que está escrito em Êxodo 21 é vergonhoso,
mostra exatamente a pequenez do Deus tribal de
Israel que foi criado à imagem e semelhança do
homem. A igreja, de uma maneira geral, sempre
esteve ao lado do Estado por séculos e séculos, e
sempre apoiou a escravidão. Sempre serviu ao
atraso da humanidade, defendendo as classes
dominantes. Sempre foi o cerne do obscurantismo.
Esses dispositivos religiosos, bíblicos, são a prova
mais viva disso e a mais contundente das provas.
E o pior é que considerando-se a Bíblia como "a
palavra de Deus" todos estes textos em defesa da
escravidão são textos tidos como se fossem
santos, inspirados como se fosse Deus falando, e
foi desta forma c|ue estes textos bíblicos serviram
para justificar a escravidão no mundo todo por
muitos e muitos séculos e até recentemente
justificavam (a sério) o apartheid na África do Sul,
como se fosse algo divino, inspirado.
Acredite ou não, os escravagistas, os defensores
da escravidão e do apartheid racial justificavam, a
sério, para o povo e para o mundo, que a
escravidão e a superioridade de uns homens sobre
outros era legítima e fruto da inspiração divina e
que esta superioridade dos brancos sobre os
negros estava, inclusive, em Êxodo, e portanto era
a "palavra de Deus" valorizando os brancos e
escravizando os negros.

A vingança hereditária — (Deuteronômio 24.16)


Os pais não serão mortos pela culpa dos filhos,
nem o filho pela culpa dos pais.
Até aí tudo bem. Parece um ensinamento lógico
que fundamenta até um princípio legal, de direito
(princípio da personalização da pena e da sua não-
transmissibilidade).
(Isaias 14.21) "Preparai-vos para a matança dos
filhos por causa da maldade de seus pais."
Pronto... lá vem de novo o velho Deus do Antigo
Testamento pregando a matança de inocentes, o
morticínio, a chacina, a mortandade. E
principalmente difundindo o terror, o medo,
atribuindo aos filhos a punição hereditária por
culpa dos pais.
Esse não é e não pode ser o Deus de quem quer
que seja que tenha um mínimo de raciocínio
elementar.

O Deus tribal, um tirano de aldeia —


(Deuteronômio 13.6-8) "Se teu irmão, o filho de
tua mãe. Ou teu filho, ou tua filha, ou tua esposa a
quem trazes no teu seio. Ou teu amigo a quem
amas como a tua alma, te quiser persuadir,
dizendo-te em segredo, vamos servir outros
Deuses... Tens o dever de matar... Apedrejá-lo-ás
porque ele quis apartar-te do Senhor teu Deus,
que te tirou da terra do Egito da casa da
servidão."
Aqui, o Deus velho do Antigo Testamento, sentado
numa nuvem, mostra toda a sua pequenez, sua
face menor. Não só está distante de questões
realmente importantes como: amor, paz,
compreensão, fraternidade, justiça, perdão e de
questões cósmicas e universais, como exibe-se na
qualidade de um Deus tribal, um tiraninho de
aldeia, preocupado com os adeptos que possam
deixar de contribuir para a riqueza de sua religião
de hebreus e que possam passar para outras
religiões, adorando outros deuses.
O Deus velho do Antigo Testamento é tão
claramente humano e tão descaradamente
inventado pelos humanos que quase pode-se ver o
choramingo de Deus: "Não vão me abandonar por
outros Deuses. Afinal de contas quem te mandou
ser escravo no Egito não fui eu, mas quem te li-
bertou da escravidão egípcia fui eu... no mínimo,
você me deve gratidão".
Pobre velho Deus velho do Antigo Testamento,
sentado numa nuvem, criado e inventado por
homens... Chega a ser ridículo assistir o
choramingo desse Deus velho, implorando para
que não o deixem só e não o troquem por outros
Deuses ou por outras religiões e invocando uma
reserva de mercado, um "direito de preferência"
na escolha religiosa.
Acredito em Deus. Lógico que acredito em Deus.
Mas não tenho nenhum tipo de desespero ou
medo suficiente a ponto de ter que acreditar num
Deus medíocre, falho, falso, como esse Deus
hebreu medíocre do velho do Antigo Testamento.
Acredito em um Deus de amor, que é grande,
infinito, mas nunca poderia acreditar em um Deus
bizarro, pequeno, tribal, exclusivo dos judeus,
odiosamente pequeno. O verdadeiro Deus do
universo não é pequeno. O Deus que a Bíblia
descreve no Antigo Testamento é um Deus muito
insignificante para uma crença inteligente. Quem
poderia adorar um Deus como esse Deus do
Antigo Testamento que é uma ofensa e afronta à
inteligência alheia?
Não posso e não acreditarei num Deus assim. Esse
Deus c uma mentira, uma impostura. É uma
blasfêmia contra a própria idéia de Deus.
Com um Deus medíocre como o Deus descrito no
Antigo Testamento, os sacerdotes saduceus e os
escribas nem precisavam se dar ao trabalho de
criar a figura do Diabo. O próprio Deus já é uma
ameaça de sofrimento eterno.

(Êxodo 29.45-46) "Residirei entre os filhos de


Israel, e serei o seu Deus....e eles saberão que eu
sou o Senhor seu Deus que os tirei fora da terra do
Egito e que eu posso morar entre eles: Eu sou o
Senhor seu Deus."
Quanta arrogância !!! E quanta estreiteza
geográfica. Um Deus tribal, restrito aos hebreus,
aos filhos de Israel, um tirano de aldeia, sem
grande alcance, preocupado somente com a tribo
de Israel e o seu relacionamento com o Egito. É
um Deus pequeno demais, tribal demais, criado
por sacerdotes hebreus, para justificar as
cobranças de dízimos e de prestação de serviços
de sacramentos e para justificar as atrocidades
que a tribo dos hebreus cometeu durante séculos.
Pobre Deus velho, do Antigo Testamento. E
querem fazer desses escritos bíblicos a "palavra
de Deus".
Claro que isso, esse amontoado de bobagens e
atrocidades, não é a palavra de Deus.
Deus é bom e é da paz? — (Deuteronômio 32.4)
"Ele é justo e reto.
Este é e deve ser o princípio do que seja Deus. O
Deus inspirado no amor, cósmico, universal,
baseado no princípio de justiça e da retidão de
caráter."

(Isaias 45.7) "Eu sou o Senhor... formo a luz, e crio


as trevas, eu faço a paz e crio o mal, faço a
felicidade e a infelicidade..."
Pronto, aí já começa o dedo humano com suas
bobagens, invencionices e as interferências dos
desejos dos escribas e sacerdotes.

(Êxodo 15.3) "O Senhor é um guerreiro, ele é


quem dirige as batalhas."
Aí está, de corpo inteiro, o retrato fiel do Deus dos
hebreus, o Deus particular de Israel.. Tem que ser
forte, tem que ser guerreiro, tem que matar, tem
que mandar matar, tem que impor o medo e o
terror, senão eles acreditam que Deus não será
temido o bastante para ser respeitado como Deus.
Já o Deus do amor, da paz, da compreensão, da
fraternidade, da justiça, do perdão, não passa nem
perto dos textos bíblicos do Antigo Testamento.

O incitamento à caça às bruxas — (Êxodo


22.18) "Não deixarás viver a feiticeira. (20) Aquele
que oferecer sacrifício a outros deuses será
exterminado.
Tu castigarás de morte aqueles, que usarem de
sortilégios, t de encantamentos."
Guarde bem esta passagem bíblica. Foi
exatamente este trecho raivoso e discriminatório
que fundamentou os maiores assassinatos da
história da humanidade. Foi alegando obedecer à
Bíblia e perseguir a bruxaria, sortilégios e
encantamentos que, sacerdotes e religiosos,
dizendo-se agir em nome de Deus, que se praticou
chacinas (orno a caça às bruxas, a santa inquisição
e trocentas perseguições religiosas espalhadas
pelo mundo obscuro da regueira religiosa. Bastava
alguém ser acusado de bruxaria ou sortilégio ou
de estar usando de encantamento para ser
acusado, pela igreja, de ser bruxa para ser
"purificada" na fogueira.
Esta citação bíblica — "Não deixarás viver a
feiticeira" inspirou um dos episódios mais negros
da humanidade, e uma das maiores vergonhas
pela qual o ser humano se viu rebaixado. Uma
mancha indelével e que jamais será esquecida
pelos registros históricos.
Outro importante destaque é para a exclusividade
do "franchising" religioso. Ou seja, Aquele que
oferecer sacrifício a outros deuses será
exterminado. Quer dizer, você somente poderá dar
dinheiro para este templo, para esta religião. Sua
alma e seu dinheiro Me pertencem. Se fores adorar
outros Deuses serás exterminado...
Lamentável... Terrivelmente lamentável. Não é à
toa que cristãos do mundo inteiro sentem
vergonha do Antigo Testamento, evitam-no de
todas as formas e restringem-se a reconhecer
basicamente o Novo Testamento.

As exigências de ofertas para Deus —


(Gênesis 22.2) "Deus disse a Abrahão: "Toma teu
filho, teu único filho Isaac, e a quem amas, e vai-te
à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto,
sobre um dos montes, que eu te mostrarei."
(Êxodo 22.29) "Não tardarás em trazer ofertas do
melhor das tuas ceifas e das tuas vinhas; o
primogênito de teus filhos me darás. Procederás
da mesma forma com o primogênito de sua vaca e
de sua ovelha..."
Holocausto perpétuo — (Êxodo 29. 38) "Sobre o
altar oferecereis o seguinte: dois cordeiros de um
ano, diariamente e para sempre. Um oferecido de
manhã e outro à tarde. Com o primeiro cordeiro,
oferecerás um décimo de flor de farinha,
amassada, com um quarto de azeite, e um quarto
de vinho... este holocausto será perpétuo..."
É o império do terror e da vigarice religiosa.
Existe alguma dúvida de que este Deus velho do
Antigo Testamento, sentado numa nuvem, tal qual
Zeus (Deus dos gregos) ou Júpiter (Deus dos
romanos), é o Deus dos hebreus (judeus)? Esperto,
esse Deus... antes de cuidar das questões
existenciais e universais (amor, perdão, compai-
xão, fraternidade, etc.) trata de instituir um
esquema de ofertas para manutenção dos
espertos sacerdotes e religiosos representantes
comerciais de Deus na Terra. Na verdade, além de
instituir o sistema de ofertas, estabelece a oferta
como algo sagrado, pertencente a Deus, e que,
portanto, se for desobedecido poderá ensejar
grande castigo, inclusive a ira de Deus, que
conforme já vimos anteriormente, domina tudo e a
todos pelo medo, pelo terror, matando ou
mandando matar.
Aqui nesta passagem bíblica os espertos
sacerdotes, como se fosse Deus falando, instituem
a vigarice do dízimo perpétuo, para manter as
igrejas ("oferecerás um décimo de flor de farinha")
e ainda criam a exigência de ofertas obrigatórias,
mantendo o pobre coitado do povo sofrido em
permanente estado de miséria, obrigado a dar
tudo que é seu para a manutenção dos espertos
sacerdotes dos templos, representantes
comerciais do Deus de Israel na Terra..
A cumprir essa vigarice de Êxodo 29, o pobre
coitado do crente e temente a Deus deveria viver
em função de dar "dízimo" perpétuo à igreja e de
não fazer outra coisa na vida a não ser dar seus
bens para a igreja. Isto porque de manhã e de
tarde ele, o pobre crente, tinha que dar "dois
cordeiros de um ano, diariamente e para
sempre. Um oferecido de manhã e outro à tarde".
E o mais apavorante: "este holocausto será
perpétuo..."
Mas, o mais cruel é perceber a interferência
humana dos escribas judeus nesta história toda.
Veja bem. Segundo a Bíblia, a "palavra de Deus",
oferecer sacrifício ao Deus dos hebreus é mais do
que obrigatório, para poder sustentar e manter os
sacerdotes que vendiam estes mesmos animais
nos templo (motivo da ira de Jesus) para serem
mortos em sacrifício (holocausto) ao Deus dos
hebreus.
Entretanto, os "espertos" sacerdotes vigaristas (a
quem Cristo expulsou do templo como vendilhões)
fizeram constar na Bíblia, como se fosse a "palavra
de Deus", que oferecer sacrifício a outros Deuses
(que não fosse o Deus dos hebreus) deveria ser
punido com a morte.
Isso é uma descarada vigarice religiosa. Isso é a
exploração religiosa mais desavergonhada e
cretina que possa existir. Isto é ofender à
inteligência alheia e tratar o povo "temente" a
Deus como um bando de imbecis obrigados
eternamente a servir e a manter os espertalhões
do templo (diariamente e para sempre. Um
cordeiro oferecido de manhã e outro à tarde". E o
mais apavorante: "este holocausto será
perpétuo...)
Jesus tinha total razão em enfurecer-se com as leis
e com as palavras "divinas" dos sacerdotes
vigaristas do templo. Essa exploração humana
feita pelos religiosos (representantes comerciais
de Deus na Terra), como se fosse em nome de
Deus, foi o grande divisor de águas da religião e o
principal motivo que levou Jesus à crucificação. Ou
seja, o embate frontal entre Jesus e os sacerdotes
vigaristas do templo foi o maior e o grande motivo
que levou Jesus à crucificação.
Foram os sacerdotes do sinédrio e não os romanos
que impuseram a crucificação e o castigo a Jesus
por ser contra o comércio na igreja, contra os
vendilhões do templo, contra as cobranças de
pobres coitados para manter a riqueza e grandeza
da igreja.
Mil vezes Jesus venha à Terra e mil vezes se
indisporá contra a enganadora cobrança coercitiva
do dízimo por sacerdotes vigaristas,
representantes comerciais de Deus na Terra. Mil
vezes Jesus se indisporá contra as "ofertas" divinas
obrigatórias para beneficiar os vigaristas dos
templos. Mil vezes se indisporá contra a matança
de animais. Mil vezes se indisporá contra este
holocausto de animais e contra a exploração de
pobres "tementes" a Deus.
Essa vigarice de pregação religiosa de dízimo
obrigatório, de holocausto de animais, de "ofertas"
obrigatórias a Deus, perdura por séculos e é a
base e riqueza das religiões. Uma contradição
completa. Isso porque, ainda hoje, algumas
religiões endeusam Jesus e contraditoriamente
vivem da exploração em seu nome, ao mesmo
tempo exigindo, coercitivamente, o dízimo
obrigatório para se manterem, enquanto, ao
mesmo tempo, abençoam as ofertas e o
holocausto dos animais.
É claro que uma igreja, um templo, deve viver de
seu trabalho e das doações (voluntárias, é claro)
de seus membros ou componentes. Agora, daí a
tornar obrigatória a doação ou o dízimo,
enganando o povo, dizendo que isso é a vontade e
a palavra de Deus, que está na Bíblia, e por isso
não pode e não deve ser desobedecido, é uma
grande, uma enorme vigarice religiosa.

Morcego virou ave? — (Deuteronômio 14:11-18)


"Toda a ave pura comereis. Porém estas são as
que não comereis: a águia, (...) a poupa e o
morcego."
Para deixar bem claro que a Bíblia não é a palavra
de Deus, e que o que ali está escrito foi escrito e
inspirado por humanos, expondo toda sua
ignorância e todas as suas fragilidades, aqui vai
mais uma dessas fragilidades: a ignorância (o
desconhecimento) em zoologia.
A águia é uma ave, a poupa, para quem
desconhece, é uma ave (da família dos corvos), o
morcego, apesar de voar, é um mamífero. Não é
uma ave.
A cultura científica universal e a zoologia
evoluíram bastante, mas independentemente
desta evolução, se a Bíblia fosse a palavra de
Deus, se tivesse sido ditada por Deus, o morcego
seria naquele tempo o mesmo morcego que é
agora, um mamífero, e Deus, sendo Deus,
sapiente atemporal, saberia naquele tempo o
mesmo que sabe agora, não se enganaria numa
questão tão simples de zoologia. Mas como a
Bíblia não é a palavra de Deus, foi escrita por
escribas comuns, a mando de sacerdotes e
religiosos humanos, ignorantes em zoologia, que
naquele tempo não sabiam diferenciar uma ave de
um mamífero, fica aqui a evidência e prova de
quanto o ser humano interferiu pessoalmente na
Bíblia.

Insetos têm quatro patas? — (Levítico 11.21-


23) Mas de todo inseto que voa, que anda sobre
quatro pés, podereis comer...
Aqui mais uma ignorância dos sacerdotes e dos
religiosos humanos que escreveram a Bíblia e que
colocaram a culpa em Deus. Insetos não têm
quatro patas (ou pés). Insetos têm três pares de
pernas, na realidade seis patas.
E ainda querem fazer crer que Deus naquela época
desconhecia isso, ditou errado para os escribas da
Bíblia e só agora, com a evolução do
conhecimento da humanidade, é que os escribas
ficaram sabendo que os insetos possuem seis
patas.
Essa é mais uma, dentre as tantas provas e
evidências, de que a Bíblia, a despeito dos
inúmeros erros, é um grande livro de
ensinamentos filosóficos, sim, mas que está longe,
muito longe de ser a palavra de Deus ou de ter
sido escrita por Sua ordem ou inspiração.
Apesar de ser um livro que em alguns momentos
contém grande sabedoria espiritual, a Bíblia é um
livro de humanos, escrito, feito e impresso pelos
humanos, com todos os erros e defeitos inerentes
ao ser humano. Falsear isto, é falsear tudo.

Dúvida terrível — Temos que amar a Deus


(Deuteronômio 6.5), ou temos que ter medo de
Deus (Deuteronômio 6.15)?
Essa "obrigação" de ter que amar a Deus, em si, já
desqualifica o Deus bíblico do Antigo Testamento
como um verdadeiro Deus de amor, isto porque
amor não se impõe e não se obriga. Ao contrário, o
Deus do Antigo Testamento é um. Deus
ameaçador, que nada tem a ver com amor, é um
Deus imposto, obrigatório, onde você é obrigado a
temê-lo antes de amá-lo. Isto porque, segundo a
Bíblia, antes de tudo e acima de qualquer outra
coisa, você deve temer a Deus. (Até
recentemente, os religiosos confessavam-se como
povos tementes a Deus, o que é um absurdo
completo e total)
Isso não é Deus. Isso não pode ser Deus. Isso não
tem nada a ver com amor, com perdão, com paz,
com fraternidade, amor ao próximo. Isso é um
Deus específico e particular, um Deus dos
hebreus, para servir ao sinédrio judaico. Só e tão
somente isso.

O céu amparado por colunas? — (Jó 26.11) As


colunas do céu tremem, e se espantam da sua
ameaça.
Mantendo aquela ignorância já citada, de que a
Terra era plana, que o céu era uma coisa fixa que
cobria-nos a cabeça, que os planetas e as estrelas
eram coisas fixas no céu, como se fossem
lâmpadas pregadas no teto, aqui o céu é
amparado por colunas...
Santa ignorância dos sacerdotes que ordenaram
aos escribas para colocarem na Bíblia essas coisas
tolas e colocaram a culpa em Deus, dizendo que a
Bíblia é a palavra de Deus.
O "santo" Moisés — (Números 31.14.17.18)
Indignou-se Moisés grandemente contra os oficiais
do exército (...) Disse-lhes: Por que deixastes com
vida todas as mulheres? (...) Agora matai todas as
crianças do sexo masculino. E matai também a
todas as mulheres que coabitaram com algum
homem, deitando-se com ele... mas todas as
donzelas que não conheceram homem e deitaram
com ele, trinta e dois mil, reservem-nas vivas para
vocês mesmos."
Grande imagem do patrono e figura principal da
religião judaica. Assassino cruel, matador de
mulheres e crianças (do sexo masculino, pois as
do sexo feminino ele tomava-as para si e para os
seus) e de mulheres casadas (que coabitam com
homem), pois as donzelas serviam de pasto para o
"grande" Moisés e seus homens.
Aliás, Moisés era mesmo um "santo", mandou
passar no fio da espada milhares e milhares de
pessoas que adoravam o bezerro de ouro, menos,
é lógico, seu "santo" irmão. Moisés tinha um senso
de justiça fantástico, bastante peculiar e
particular.
Graças aos escribas hebraicos, que escreveram a
Bíblia como se fosse a palavra de Deus, fica para
toda a eternidade o perfil exato e por inteiro das
"santas" figuras bíblicas, como Moisés.

Bom conselho — (Deuteronômio 21.10) "Quando


fores à guerra... se vires uma mulher de bela
aparência... primeiramente levá-la-ás para a sua
casa... despirás teu vestido de cativa... ela chorará
durante um mês... depois disso ela será tua
mulher."
Isso não é nem pode ser um texto bíblico inspirado
por Deus. Isso é um manual de rapto, seqüestro e
estupro. Que não ponham a culpa em Deus, como
se sua palavra fosse, pelos relatos das atrocidades
contidas na Bíblia. E nem se atribua a Deus a
origem de tais relatos. Isso é uma insanidade da
associação dos seres humanos (sacerdotes) que
escreveram a Bíblia e do Deus velho do Antigo
Testamento, que não tem nada a ver com o Deus
de verdade.

O "santo" David — (Samuel 11.2) O Rei David


obteve uma das suas muitas esposas por
seqüestro, estupro e assassinato. Bathsheba
(Betsabá), esposa de Uriah, ficou grávida de
David. Para se livrar de Uriah, David manda-o
numa missão suicida, onde é morto. Sem Uriah,
David traz Bathsheba (Betsabá) para viver em sua
casa. E, por "castigo", o Senhor perdoou o pecados
de David mas golpeou, matando, a criança que a
esposa de Uriah teve de Davi.
Mas que belo exemplo de "justiça divina" do Deus
velho do Antigo Testamento. A pobre da
Bathsheba (Betsabá), esposa de Uriah, depois de
ter sido seduzida e seviciada por David, de ver seu
marido ser morto por artifício de David, foi
estuprada por David, teve um filho ilegítimo pro-
veniente desse estupro... e o que fez o Deus velho
do Antigo Testamento? Puniu David? Não! Matou o
filho da viúva de Uriah estuprada por David.
Mas que bela "justiça divina".
E o "santo" David continua a ser, como o "santo"
Moisés, uma das figuras patriarcais centrais da
religião judaica.

A face de Deus — (Êxodo 33.20) "Não poderás


ver a minha face, pois homem nenhum pode ver a
minha face, e viver."
Este é o grande preceito bíblico e grande dogma
universal. Ninguém vê Deus. Ninguém nunca viu
Deus. Ninguém pode ver Deus.

(Êxodo 33.23) — "Depois, quando eu tirar a mão,


me verás pelas costas, mas a minha face não se
verá."
Voltamos ao reino da fantasia, da mentirinha.
Apesar de não se ver a face de Deus, vê-se a
personificação do Deus velho do Antigo
Testamento, de roupão branco, sentado numa
nuvem, mas de costas. Sem mostrar a face... mas
conversando normalmente.
Belo progresso. Não mostra a face, mas mostra...
as costas.

(Gênesis 32.30) "Jacó chamou àquele lugar Peniel,


pois disse: Vi a Deus face a face, e a minha vida
foi poupada."
A mentira vai evoluindo, evoluindo, evoluindo
gradativamente. Primeiro ninguém pode ver a face
de Deus. Depois, Deus só aparece de costas, sem
mostrar a face, mas conversando. Agora Deus já
aparece cara a cara para uns apaniguados...
Jacó, para ser santificado pelos simpatizantes
escribas da Bíblia, diz ter visto Deus, face a face
(cara a cara), como se isso fosse possível.
Mentira? Erro? Contradição? Ou pura bobagem dos
escribas, seres humanos, que redigiram a Bíblia
como se fosse a palavra de Deus, atribuindo ao
livro uma santificação inexistente?

(Êxodo 33.11) "Falava o Senhor a Moisés face a


face, como qualquer um fala com o seu amigo."
Pelo visto, Moisés, David e Jacó têm grande
prestígio com os escribas da Bíblia. Seqüestram,
estupram e matam, e nada de mal lhe acontece.
Jacó esteve com Deus cara a cara e sua vida foi
poupada. E agora é a vez de Moisés, que esteve
com Deus, cara a cara, como com um amigo,
numa conversa bastante coloquial e informal.
E ainda querem que o Antigo Testamento tenha
credibilidade...
Depois das bobagens sobre a criação do mundo,
de Adão e Eva, da arca de Noé, de parar o Sol
diante da Terra, do Sol girar em volta da Terra
plana, onde o céu é fixo e sustentado por pilastras,
dos planetas e estrelas serem fixos pendurados no
céu como se fossem lâmpadas num teto; do
morcego virar ave; dos insetos terem quatro
patas; agora apresentam Deus como um sujeito
velho e barbudo sentado numa nuvem e que nos
momentos de folga, na falta do que fazer, mantém
conversas coloquiais com Moisés, David e Jacó.
E depois não sabem como e porque o Antigo
Testamento é tão repudiado (pelos próprios
cristãos) e criticado pela parte inteligente da
humanidade.

(Êxodo 24.9-11) Subiram Moisés e Aarão, Nadab e


Abiú, e setenta dos anciãos de Israel, e viram o
Deus de Israel. Debaixo dos seus pés havia como
que uma calçada de pedra de safira que se
parecia com o céu na sua claridade. Mas Deus não
estendeu a sua mão contra os escolhidos dos
filhos de Israel... eles contemplaram a Deus, e
comeram e beberam.
Virou festa. Decididamente não é de Deus, do
Deus verdadeiro, que estamos falando. É uma
"coisa" qualquer apelidada de Deus de Israel
(aquele tal Deus tribal, aquele tiraninho de aldeia
que mata, manda matar, que xinga, esbraveja,
que odeia, que se vinga). É o tal Deus dos
hebreus, íntimo de Moisés, o grande patrono dos
hebreus. Aquele que é um assassino cruel,
matador de mulheres e crianças (do sexo
masculino, pois as do sexo feminino ele tomava-as
para si) e de mulheres casadas (que coabitam com
homens), pois as donzelas serviam de pasto para o
"grande" Moisés e seus homens.
Pois é, este mesmo Moisés, íntimo que estava do
Deus dos hebreus, o Deus velho do Antigo
Testamento, Deus de Israel (o tal Deus tribal),
agora não só encontrava-se cara a cara com Deus
como Deus ainda recebia Moisés e seus amigos
Aarão, Nadab e Abiú e mais setenta anciãos do
sinédrio para uns comes e bebes informal, onde o
máximo de protocolo que Deus exigia era não
estender a mão aos convidados.
Esse é o momento exato em que as religiões
bíblicas deixam a condição de religião e assumem
a face de mitologia bíblica. As mitologias grega e
romana eram tão fantasiosas quanto a mitologia
bíblica, mas ninguém era obrigado a acreditar num
livro grego ou romano como se fosse a "palavra de
Deus" (embora os gregos fossem excelentes
intelectuais, escritores e escultores)

O incentivo ao incesto — (Gênesis 19.31-32) "A


mais velha disse à mais jovem: "Nosso Pai é velho,
e não há um homem na terra com quem possamos
casar, segundo o costume de todo o mundo.
Venha, vamos fazer nosso pai beber vinho, e
deitaremos com ele, que podemos preservar a
semente de nosso pai."
(Gênese 19.36) "Assim estavam ambas as filhas
de Ló esperando um filho de seu pai."
Desde os relatos da criação do mundo, a Bíblia, de
uma maneira geral e direta, entende o incesto
como uma coisa normal, natural. Foi assim na
historinha fantasiosa de Adão e Eva e seus
descendentes, e é assim em Ló e suas filhas,
sendo que ao longo da Bíblia diversos casos de
estupro e incesto são praticados como atos de
pura normalidade. É a moral "atemporal" dos
"sólidos" ensinamentos tribais bíblicos.
À bem da verdade, esse Deus dos hebreus pouca
diferença faz dos Deuses gregos e romanos. Os
Deuses gregos e romanos costumavam estuprar e
engravidar virgens, praticar o incesto, tendo filhos
com suas filhas... um hábito que foi passado para
os hebreus como uma cultura normal da época.
As diversas semelhanças entre as mitologias grega
e romana e a mitologia das religiões bíblicas são
mais do que claras e evidentes.

Incentivo à prostituição — (Oséias 1.2) "O


Senhor começou a falar com Oséias: "Vai, toma
por mulher uma prostituta e gera filhos de
prostituição, porque a nação não cessa de se
prostituir"
Dizer o quê diante de um descalabro desses? Esse
sábio conselho, segundo a Bíblia, é o que de
melhor Deus podia fazer por Oséias em termos de
ensinamento.
Esse, por acaso, é o seu Deus? Você pode imaginar
o seu Deus dando um conselho desses?
Sábios conselhos — (Provérbios 26.4) Não
respondas ao tolo segundo a sua estultícia, para
que também não te faças semelhante a ele.
(Provérbios 26.5) Responde ao tolo segundo a
sua estultícia, para que também não te faças
semelhante a ele.
(Em algumas versões bíblicas, esses provérbios
são em relação ao louco e sua loucura, ao invés do
tolo e sua tolice. Mas o sentido é o mesmo)
Sábio conselho:
Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia.
Responde ao tolo segundo a sua estultícia.
Parece o Oráculo de Delfos, que quando pergunta-
do o que aconteceria na guerra entre os dois
maiores impérios gregos da época, o oráculo deu
como "sábia" resposta que "um grande império
iria ser destruído". Mas é claro. Se os dois maiores
impérios gregos iriam lutar entre si, um iria ser
destruído e deixaria de ser um grande império.
Como no Oráculo de Delfos: "Responda e não
responda ao tolo segundo a sua estultícia". É um
sábio conselho. Digno de um oráculo grego.

Matando o que não mais existia — (Êxodo 9:3-


6) Deus mata todos os animais dos egípcios com
uma forte pestilência; nenhum deles sobreviveu à
pestilência.
Depois, no mesmo Êxodo, (Êxodo 9.19-21,25)
Deus mata todos os animais dos egípcios com
uma chuva de granizo.
Como Ele (Deus) poderia matar novamente todos
os animais dos egípcios com uma chuva de granizo
se Ele já havia matado antes todos os animais de
pestilência e não havia sobrado nenhum?
É claro que esta é somente mais uma das
trocentas contradições bíblicas em que ora é dito
uma coisa e a seguir é dito outra, completamente
diferente.

Questões indigestas
Que me perdoem pela abordagem voltaireana, a
seguir, mas vejamos alguns questionamentos,
pertinentes, surgidos em razão de dúvidas do
nosso dia a dia, imaginando-se as questões como
tendo sido levantadas em razão do seguimento fiel
ao texto do Antigo Testamento da Bíblia.
— O Brasil é tido como a terra do churrasco,
mesmo longe do Rio Grande do Sul, onde a carne
de boi é quase um objeto de adoração. Assim
sendo, questiono: Quando eu faço um churrasco e
queimo a carne como um touro no altar de
sacrifício, e sei que de uma maneira bíblica, isso
cria um odor agradável para Deus, conforme
Levíticos 1.9. Entretanto, surge um grande
problema: os meus vizinhos enlouquecem com o
cheiro do churrasco. Eles reclamam que o odor é
terrível para eles. Devo matá-los por heresia,
conforme manda a Bíblia?
— Face às desigualdades sociais existentes nos
países do terceiro mundo, um pobre conhecido
meu gostaria de vender sua filha como escrava,
como é permitido na Bíblia em Êxodo 21.4 a 7.
Entretanto, tenho uma grande dúvida de
aconselhamento quanto à questão financeira: Qual
seria o preço bíblico justo por ela, como escrava?
Continua valendo somente trinta moedas ou o
câmbio mudou?
— Em Levíticos 25.44 a Bíblia afirma que eu posso
possuir escravos, tanto homens quanto mulheres,
se eles forem comprados de nações vizinhas. Ou
seja, posso comprar nos países vizinhos do Brasil,
mas não posso comprar escravos aqui no Brasil.
Um amigo meu diz que essa permissão de compra
de escravos nos países vizinhos somente se aplica
aos paraguaios, mas não aos argentinos. Por que
eu não posso comprar um escravo argentino?
— Um conhecido meu insiste em trabalhar aos
sábados. Em Êxodo 35.2 claramente afirma que
ele deve ser morto por trabalhar aos sábados. Daí
eu pergunto: Eu sou moralmente obrigado a matá-
lo mesmo? Devo usar que prática religiosa para
este fim? Apedrejamento, passar no fio da espada,
abri-lo ao meio igual o que se fazia com as
mulheres grávidas, segundo a Bíblia?
— Um outro amigo acha que comer marisco,
camarão e lagosta é uma abominação (Levíticos
11.10). Seria esta abominação (comer marisco,
camarão e lagosta) uma abominação maior ou
menor que a homossexualidade, que para a Bíblia
também é uma abominação passível de morte?
— Naquele tempo em que os escribas fizeram a
Bíblia não existiam os óculos. E em Levíticos
21.18-20-21 afirma que eu não posso me
aproximar de Deus se eu tiver algum defeito na
visão. Como eu uso óculos para ler, a minha visão
para perto não é lá muito boa, eu questiono: Devo
me afastar de Deus por problema de visão? Será
que é por isso que algumas igrejas mandam os
fiéis atirarem fora seus óculos durante certos
cultos públicos em estádios e os transmitidos pela
televisão?
— Eu confesso: Eu corto meus cabelos e aparo a
barba e o bigode, inclusive o cabelo das têmporas,
mesmo que isso seja expressamente proibido em
Levíticos 19.27. Como isso é um crime, segundo a
Bíblia, eu devo me matar ou pedir a alguém que
me mate em nome de Deus?
— Eu sei que comer a carne de porco, por ser um
animal com pés bifurcados, me faz impuro
(Levíticos 11.7-8). Mas eu adoro torresmo,
lingüiça, costeleta de porco, e feijoada. Devo me
matar biblicamente pelo crime da feijoada?
— Eu tenho uma horta, planto diversas árvores
frutíferas e tenho uma plantação variada de
verduras e vegetais. Sei que isso viola Levíticos
19.19 (plantando dois tipos diferentes de vegetais
no mesmo campo) pois a Bíblia proíbe plantar
duas plantas diferentes no mesmo campo. Minha
esposa também viola Levi ticos 19.19, porque usa
roupas feitas de dois tipos diferentes de tecido
(algodão e poliéster), que a Bíblia também proíbe
o uso de dois tecidos diferentes na mesma roupa.
Além do mais, quando eu me enfureço, tenho o
hábito de xingar e blasfemar muito, como o Deus
da Bíblia. Será que eu corro o risco de morrer ape-
drejado conforme Levíticos 24.14-16? Aliás, eu
tenho um monte de conhecidos meus que agem
da mesma forma. Será que eu poderia queimá-los
em uma cerimônia privada, conforme previsto em
Levíticos 20.14?
A bem da verdade, esses questionamentos,
voltaireanos, entram aqui como um testemunho
do absurdo que é quando ao invés da Bíblia estar
tratando de questões universais sérias, entra na
discussão de pormenores tribais como: pragas e
ameaças divinas, castigos divinos, maldições
divinas, vinganças divinas, assassinatos divinos,
ou estabelecendo como possuir escravos, inclusive
fixando uma tabela de preços de escravos.
Quando o Antigo Testamento da Bíblia deixa de se
preocupar com coisas sérias e universais e passa a
definir e a estabelecer regras para pureza e
impurezas de animais e de seres humanos,
virgindade, incesto, sacrifícios e holocausto de
animais, dízimo e ofertas, brigas tribais, que não
têm o menor sentido para um Deus cósmico,
universal, a Bíblia transforma-se, a partir daí, num
livro absolutamente comum. Pois somente um
Deus pequeno, tribal, como o Deus velho do
Antigo Testamento, é que questões tribais como
estas passam a ter sentido.
Envergonhados com este Deus tribal do Antigo
Testamento, os cristãos não admitem, mas a
maioria deles desejaria que o Antigo Testamento
jamais tivesse sido escrito. Por isso, a nova
geração de cristãos é predominantemente
evangélica, ou seja, adoradores do evangelho, em
especial os quatro evangelhos que compõem o
Novo Testamento, envergonhados que estão do
velho Deus velho do Antigo Testamento, e por isso
mesmo estão mudando de Deus, trocando o Deus
velho do Antigo Testamento para um Deus novo, o
Deus do Novo Testamento: Jesus.
Erros e Contradições Bíblicas
Novo Testamento
— "E Jesus, pai? É Deus de verdade?"
— "Não, filho... Deus é Deus, Jesus é Jesus.
Pretender transformar Jesus em Deus, trocando
um Deus pelo outro, fingir que o Deus do Antigo
Testamento não existe, nunca existiu, e que
somente existe o Deus do Novo Testamento, não
modifica muita coisa. Ao contrário, sob certos
aspectos, até complica e desacredita o Novo
Testamento. Isto porque, se Jesus é filho do
mitológico e personificado Deus velho da Bíblia,
conforme faz crer a Bíblia, então Jesus sendo filho
do Deus personificado do Antigo Testamento...
continua a história... filho do Deus mitológico velho
do Antigo Testamento, barbudo, de roupão branco,
sentado numa nuvem... etc."
— "Como é que é? Não entendi, pai...!!!"
— "Se o novo Deus do Novo Testamento, Jesus, não
é filho de José e sim filho de um outro Deus
personificado (um outro Deus que não o Deus
mitológico e velho do Antigo Testamento)... então
estão criando um outro Deus, também
personificado como no Antigo Testamento, e in-
correndo em novos e velhos erros. Isto porque, ao
personificar o novo Deus, tratando-o como uma
pessoa (seja o Deus velho ou um novo Deus
criado), sendo Ele a imagem do ser humano, e
como tal, responsável pela fecundação de Maria,
mantendo ou não relações sexuais com ela
(exatamente como os Deuses da mitologia grega e
romana faziam para "produzir" novos deuses,
semideuses, etc.), volta-se a todo aquele
questionamento de Deus ser uma figura mitológica
criado e inventado à imagem e semelhança do ser
humano, e aí vem todo o questionamento de ser
homem ou mulher, preto ou branco, ter pai e mãe,
avô, etc.
Entendeu agora, filho? Realmente admitir a
fecundação de Maria, por Deus, é trocar seis por
meia dúzia. Voltaríamos à estaca zero do Deus
velho do Velho Testamento ou de um Deus
personificado.
Para facilitar a compreensão e não entrar numa
discussão interminável que remete ao Antigo
Testamento e todos os questionamentos de um
Deus velho e mitológico que envergonha os
cristãos — embora eles não admitam — vamos
admitir que Jesus é filho de Deus (o verdadeiro
criador do universo, sem forma, que ninguém sabe
como é e que jamais foi visto por quem quer que
seja) como todos nós somos filhos de Deus e tudo
mais que existe no mundo é filho ou criação de
Deus. (Sem falar na fecundação física de Maria,
feita por Deus, pois aí a questão fica interminável)
Vamos admitir dessa forma e ignoremos, por
instantes, essa fantasia mitológica de que Deus
(como se fosse gente) veio ao mundo, teve
relações sexuais com Maria, engravidou-a, e ela
continuou virgem. Isso é coisa de mitologia, e
sequer chega a ser original, posto que é uma cópia
mal feita das mitologias grega e romana."
— "Quer dizer, pai, que antes de Cristo os Deuses
também engravidavam pessoas para fazer novos
Deuses?"
— "Pois era assim, filho, que funcionavam as
mitologias, principalmente a mitologia grega."
— "E a mãe de Jesus, pai? Como foi que ela
engravidou?"
— "Normalmente, ora. Como todo mundo. Jesus in-
clusive teve irmãos e irmãs."..
— "Teve irmãos e irmãs? Por que é que não se fala
disso?"
— "Não só falam como está escrito e documentado,
na própria Bíblia. A gente vai ver isso com mais
detalhe e precisão mais para a frente. Por
enquanto entenda que Maria, apesar de muito
jovem (e por isso as traduções oportunamente
"confundem" jovem com virgem), teve uma vida
de casada absolutamente normal. Casada com
José, Maria teve filhos, e vários (ao todo foram
sete. Ou seja, Jesus, mais quatro irmãos e duas
irmãs), conforme Mateus confirma em seu
evangelho (13:55-56): "Por acaso não é Ele o filho
do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria?, e
seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas, e suas ir-
mãs não vivem elas todas entre nós?"
À bem da verdade, nestes versículos só existe um
equívoco, é tratar Jesus e José como carpinteiro,
quando na realidade a palavra correta utilizada é
"tekton", que é uma espécie de "faz tudo", um
camponês, um artesão, que além de cuidar do
campo faz de tudo um pouco, inclusive carpintaria.
E Jesus era bem isso, um artesão camponês (que
também fazia serviços de carpintaria). Tanto que
em suas parábolas estão bastante presentes e
impregnadas sua vida de camponês com exemplos
ligados à agricultura e à pecuária.
E tem mais. Em Gálatas (1:19) está claramente
dito: "Não vi mais nenhum dos apóstolos, a não
ser Tiago, irmão do Senhor".
Recentemente foi encontrado a funerária de Tiago,
irmão de Jesus, com a inscrição original em
aramaico: "Yaákóv, bar Yosef, akhui di Yeshua"
(Tiago, filho de José, irmão de Jesus)"
— "Mas pai, se Maria teve uma vida comum e
normal, como todo mundo, por que inventaram
essa história de virgindade?"
— "Para tornar Jesus "puro" desde o nascimento.
Quem acompanhar outros versículos dos
evangelhos da Bíblia, meu filho, entenderá
perfeitamente a razão e o porquê de ter sido
inventado a história da virgindade de Maria. Pois,
se Jesus fosse uma pessoa comum, um qualquer,
filho de um camponês, um carpinteiro, ninguém
lhe daria credibilidade, pois "santo de casa não faz
milagre". Ou conforme registrado em Mateus
(13:57-58): "Mas Jesus disse-lhes: “um projeta só é
desprezado na sua pátria e em sua casa.” E não
fez ali muitos milagres por falta de fé daquela
gente". Ou seja, para que acreditassem em Jesus
foi preciso que Ele fosse fazer milagre longe de
sua terra natal, e com isso foi criado uma história
mitológica de que Ele era filho de Deus, fecundado
em uma virgem, e que Maria ficou virgem até
morrer. Como se a conjunção carnal de Maria
desacreditasse Jesus e sua obra."
— "Então "eles" (os religiosos escribas) queriam
Deus ou um quase Deus que já nascesse puro
como se fosse um Deus?"
— "É mais ou menos isso. A Bíblia até promove
uma grande confusão, ora chamando Jesus de
Filho do Homem (porque ele é, realmente, filho de
José), ora chamando Jesus de Filho de Deus
(porque também ele é, como todos nós somos —
só que a Bíblia não esclarece isso e cria uma
grande confusão, dando a entender que Jesus é
filho carnal de Deus — o que é uma bobagem
terrível)
Em João (5:25) é dito: "Em verdade, em verdade
vos digo que a hora vem, e já chegou, em que os
mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a
ouvirem viverão". Entretanto, no mesmo João
(5:27) é dito: "E lhe deu o poder e autoridade para
julgar, porque é o Filho do Homem".
Veja bem, filho, que João mesmo cria a confusão,
ora chamando Jesus de Filho de Deus, ora
chamando Jesus de Filho do Homem.
Mas, isso não é um caso isolado, pois tanto João
quanto os outros evangelistas chamam Jesus, em
várias passagens, alternadamente, de Filho de
Deus e de Filho do Homem, demonstrando que
Jesus era homem de carne e osso, filho do homem
(com direito até a árvore genealógica, conforme
traçado por Mateus), nascido e concebido como
todo e qualquer ser humano. E Maria, sem que isso
a desmereça, só foi virgem até o casamento, pois
daí em diante teve vários e vários filhos e Jesus
teve irmãos e irmãs.
Quer ver exemplos, na própria Bíblia?
(Mateus 13:55-56): "Por acaso não é Ele o filho do
carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria?, e seus
irmãos Tiago, José, Simão e Judas, e suas irmãs
não vivem elas todas entre nós?"
(Mateus 12:46) "Estava Ele ainda a falar à
multidão, quando apareceram Sua mãe, Seus
irmãos, que do lado de fora procuravam falar-Lhe."
(Lucas 8:19) "Sua mãe e Seus irmãos vieram ter
com Ele, mas não podiam aproximar-se por causa
da multidão.
(João 7:3-6) "Disseram-Lhe, pois, Seus irmãos: ‘Sai
daqui e vai para a Judéia, a fim de os Teus
discípulos também verem as tuas obras, pois
ninguém que pretende ser conhecido atua em
segredo. Já que fazes estas coisas, manifesta-te ao
mundo’." De fato, nem Seus irmãos acreditavam
Nele. Jesus disse-lhes: ‘O Meu tempo ainda não
chegou’.
Está mais do que claro. Não está? Inclusive é bom
reparar na citação anterior, de João, que de uma
vez só, cita no mesmo versículo os irmãos e os
discípulos de Jesus, mostrando que são diferentes
irmãos e discípulos. Jogando por terra, desta
forma, a desculpa esfarrapada, inventada por
alguns religiosos (exegetas de bicicleta), de que o
termo "irmãos" referia-se aos discípulos de Jesus
ou a Seus primos ou parentes distantes.
Se os verdadeiros irmãos de sangue de Jesus, não
são seus verdadeiros irmãos, pelo simples
argumento cínico de que "irmãos" queria dizer
qualquer parente ou amigo, então Maria também
não seria mãe de Jesus, pois Jesus só a tratava por
"Mulher", e quase nunca por mãe.
Essa história de nascimento de virgem decorre
simplesmente de uma cópia judaica das mitologias
existentes, principalmente das mitologias grega e
romana, onde os Deuses para criar novos Deuses
ou semideuses ou heróis, engravidavam virgens
como uma forma de — desde o nascimento —
considerar a autoridade do novo Deus como sendo
inquestionável. O novo Deus ou semideus, ao ser
fecundado por Deus em uma virgem, já nascia
poderoso por ter sido fecundado por um Deus, e
isento de "pecado", por ter sido gerado em uma
virgem.
Outro fator que contribuiu para a invenção
mitológica de Jesus ter nascido de uma virgem,
decorre de uma necessidade de se adaptar a vinda
do messias às profecias existentes no Antigo
Testamento, que diziam que o messias viria do
ventre de uma virgem. Entretanto, meu filho, nem
isso é verdade, pois nos textos originais a palavra
mal traduzida por "virgem" é "almah", que na
realidade, bem traduzida, em sua forma mais
exata, significa simplesmente "jovem mulher",
"rapariga", "menina", "donzela". Não
necessariamente uma virgem."
— "Mas, pai... eles não poderiam ter confundido e
errado na tradução?"
— "De maneira alguma... Não se pode nem alegar
que a virgindade de Maria foi um mero "erro de
tradução", pois a palavra que realmente significa
"virgem" é "bethulah". Tanto que no livro de
Isaías, "bethulah", como "virgem", aparece quatro
vezes (23:12, 37:22, 47:1, 62:5). Ou seja, os
tradutores sabiam o tempo todo que "almah" não
significava virgem, e que a palavra "bethulah",
significando realmente virgem, jamais foi usada
em relação a Maria ou em relação à profecia da
vinda do messias.
Resumidamente, até mesmo no texto da Bíblia,
em hebreu, a virgindade de Maria e a alegada
virgindade na profecia da vinda do messias não
existem e são obra da invenção humana, mais
especificamente de religiosos interessados em
adaptar os textos da Bíblia (Antigo Testamento)
aos interesses religiosos momentâneos,
pretendendo, com isso, manter os "fiéis" na
mesma ignorância que sempre tentaram manter
em relação à parte de conto de fadas do Antigo
Testamento."
— "Quer dizer, pai, que em momento algum a
Bíblia fala em virgem Maria?"
— "No original, não. Só nas traduções e versões. O
correto a respeito de Maria é jovem mulher
("almah"), que não quer dizer, necessariamente,
virgem. Mas, alguns poderão alegar que nos
evangelhos de Mateus (1:18-25) e Lucas (1:26-35)
consta que Jesus nasceu de uma virgem (embora a
maioria dos textos destes evangelhos seja cópia
entre si, adulterados pela igreja e adaptados às
profecias do Antigo Testamento, para fazer
coincidir as profecias do Antigo Testamento com o
que ocorreu no Novo Testamento).
Vejamos: Só Mateus (1:23) apela para as
escrituras hebraicas (Antigo Testamento) como
explicação para a virgindade de Maria, induzindo o
leitor da Bíblia a acreditar que isso era profético,
que há muito estava escrito no Antigo Testamento
e que profeticamente iria acontecer. Entretanto,
não é bem isso que está no Antigo Testamento.
Veja:
Isaias (7:14) "Por isso mesmo, o Senhor, por Sua
conta e risco, vos dará um sinal: Olhai: A jovem
(palavra correta) mulher está grávida e dará a luz
a um filho, por-lhe-á o nome de Emmanuel".
Veja bem. O Antigo Testamento não fala em
virgem, mas sim numa jovem mulher, e que o filho
desta jovem mulher, segundo o profeta Isaias, irá
chamar-se Emmanuel.
Se por um lado Mateus adultera o texto bíblico do
Antigo Testamento, pois "almah" não significa
virgem e sim jovem mulher. Por outro lado Mateus
adultera mais ainda a "profecia", posto que Jesus
não se chama Emmanuel, conforme previsto na
profecia do Antigo Testamento. Aliás, o próprio
nome de Jesus é de um mistério absoluto.
— "Mistério como? O nome dele não é Jesus?"
— "Também..."
— "Também como? É ou não é Jesus?"
—"Ele chama-se Jesus ou Yesus em latim. Ou
Yeshua também em latim ou Jeshua em hebraico.
Mas também é Josué ou Giosué ou Joshua ou
Yoshua, dependendo de onde Ele é chamado. E
até mesmo atende pelo título de Cristo ou Christós
em grego."
— "Não entendi nada. Qual o seu verdadeiro nome
de Jesus?"
— "Para nós é Jesus e pronto. Pois todos esses
nomes, na realidade não são nomes como nós
conhecemos. Na verdade são títulos honoríficos ou
apelidos que significam "Salvador", "Ramo",
"Vara", "Ungido", "Messias", "Escolhido".
Coincidência ou não, é assim também em relação
a Deus que, no texto original da Bíblia, é chamado
de Elohim, Eloah (Vindos do céu), El Chaddai
(Onipotente / O todo poderoso), Elión (O Altíssimo),
Adonai (Divino), Javé (O Deus vivo) ou Jeová. E no
caso de Jesus aconteceu algo bem semelhante,
vez que ele recebeu vários nomes, ou melhor,
vários apelidos, significando títulos honoríficos.
Um outro apelido de Jesus bastante comum é o de
"Jesus de Nazaré", adaptado do hebraico Yeshua
(Salvador) Netser (Ramo). Entretanto, "Jesus de
Nazaré" ou Yeshua Netser não é um nome, e sim
um título, que significa o Salvador de Nazaré, ou o
Ramo de Nazaré, ou o Ramo Salvador de Nazaré.
Isto porque, havia a necessidade de se adaptar o
nome de Jesus às benditas profecias do Antigo
Testamento, como em Isaias 11:1, ao tentar
predizer que de Jessé (pai do Rei David) nasceu a
Vara ou o Ramo, predizendo um messias "E sairá
uma Vara do tronco de Jessé, e um Ramo crescerá
fora de suas raízes..."
— "Ah... então quer dizer que o nome d'Ele, na
verdade, é um título, e como Ele chama-se Jesus e
não Emmanuel não se cumpriu a profecia do
Antigo Testamento?"
— "Exatamente isso. O nome de Jesus é um título
honorífico (O Salvador). E por Jesus não se chamar
Emmanuel, não se cumpriu a profecia do Antigo
Testamento."
— "Bom, pai, mas qualquer que seja o nome de
Jesus, isso não modifica a vida dele... Ou
modifica?"
— "Não. Claro que isso não modifica a vida de
Jesus. Estes registros em relação a Jesus não
modificam em nada a sua história e nem
pretendem modificar, pois qualquer que seja ou
tenha sido seu nome, mundialmente será conheci-
do simplesmente como Jesus para a maioria, com
direito a variações como Jesus de Nazaré, Jesus
Cristo e para uns tantos será Joshua, ou Jeshua.
Veja bem, filho, eu somente abordei a questão do
nome de Jesus por dois aspectos: Primeiro, porque
os apelidos e os nomes na "Sociedade Secreta de
Jesus" é absolutamente fundamental (Jesus é Xpto,
Simão é Pedro, João irmão de Tiago é Boanerges,
Batolomeu é Natanael, Levi é Mateus, Tomé é
Dídimo, etc.)."
— "É mesmo?"
— "É sim !!!"
— "Segundo, porque o nome desmistifica a profecia
falsificada no Novo Testamento, feita às avessas.
Ou seja, inicialmente foi dito no Antigo Testamento
que o messias seria o filho de uma virgem (na
verdade uma "jovem") e que se chamaria
Emmanuel. E posteriormente tentou-se adulterar
esta história e foi colocado no Novo Testamento,
70 anos depois de Jesus ter nascido, uma nova
"profecia retroativa" dizendo que o filho da
"virgem" se chamaria Jesus e com isso tentando
enganar as pessoas como se a "profecia" tivesse
acontecido."
— "Nossa... mas tanta briga só por causa de um
nome?"
— "Não existe briga. O que existe é o fato de, se
você questionar e pesquisar, a verdade sempre
acaba aparecendo, apesar das pessoas ficarem
escondendo para tentar transformar Jesus em
Deus, como se isso fosse salvar a humanidade.
(Aliás, se isso, essa bobagem de Mateus, fosse
fundamental, a humanidade já estaria salva e não
haveria mais sofrimento)."
— "Bom... então a história parou por aí...??? Não in-
sistiram mais no fato da profecia e nem que Jesus
é Deus?"
— "Que nada. Até hoje insistem em transformar
Jesus em Deus, esquecendo-se do mais elementar
disso tudo: Deus é Deus e Jesus é Jesus. Isso é
inquestionável.
Você quer ver uma coisa? Veja como a própria
igreja ensina errado para você. Por exemplo: reze
a "Ave Maria".
— "Ave Maria cheia de graça, o Senhor é
convosco, bendito é o fruto do Vosso ventre: Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus..."
—"Pode Parar!!! Viu só? Você mesmo repete a
bobagem sem sequer notar. Santa Maria, Mãe de
Deus? Desde quando Jesus é Deus? E desde
quando Deus tem mãe?
Essa confusão com relação à questão de Jesus ser
filho de Deus ou filho do homem (José), acontece
porque a própria Bíblia, para variar, confunde isso
tudo, inúmeras vezes, e em passagens até não
muito distantes."
— "Mas, pai, se isso é tão claro, Deus é Deus e
Jesus é Jesus, conforme você diz, por que e como
foi criada a confusão originalmente?"
— "Por vários motivos, mas sendo o principal deles
devido à invencionice de João (Evangelista), que
em 10:30 afirma que Jesus teria dito que Ele
(Jesus) e o pai (Deus) eram um só ("Eu e o pai
somos um"). Daí, para explicar a diferença entre a
verdade e a força de expressão, são séculos de
disse que disse, falou mas não disse. Falou mas
não foi bem isso que quis dizer... uma
complicação.
Na verdade, essa bobagem de confundir Jesus com
Deus só interessa ao segmento religioso que,
sentindo-se incapaz de amar a Deus sem uma
forma definida, atribui a Jesus a condição de ser
Deus. Mais especificamente, à imagem bonita de
Jesus, cada vez mais bonita fisicamente, que
começou com uma figura bizantina feia, foi
aformoseando, aformoseando, sendo melhorado
por pintores, até que hoje em dia já há imagens
lindíssimas de Jesus com cabelos louros e de olhos
azuis. Repare que ninguém quer a imagem de
Jesus bizantino feio, muito menos a imagem de
Jesus que foi criada por computador, retratando-o
como Ele deveria ser fisicamente, segundo
estudos antropológicos de como deveria ser o
judeu mediano daquela época.
— "Mas, pai, não há um meio de desmentir isso?
Jesus mesmo não poderia desmentir isso?"
— "Ele mesmo, Jesus, já desmentiu, filho. Os
homens é que não querem ver. Jesus renegou esta
condição de ser Deus inúmeras vezes. Até mesmo
a sua condição de rabino judeu, sábio essênio
religioso, não lhe permitia assumir a identidade de
Deus, o que seria uma heresia para ele, justo Ele,
um "rabi" (mestre), profundo conhecedor das leis
divinas judaicas. Seria uma blasfêmia inominada.
Isto, sem contar que a própria Bíblia relata os
diálogos de Jesus com Deus, na cruz, onde,
primeiramente, ele pede perdão a Deus pelos seus
algozes, dizendo: "Pai, perdoa-lhes, eles não sa-
bem o que fazem". (Logicamente, se Jesus fosse
Deus este diálogo seria impossível). E no clímax do
martírio, Jesus chega mesmo a duvidar de seu
relacionamento com Deus, ao questionar: "Pai,
Pai, por que Me abandonaste?" (Coisa que ele não
faria se fosse Deus e se tivesse conhecimento dos
planos — de Deus — divinos). E rendendo-se a
Deus e aos planos divinos que Ele desconhecia,
conclui: "Está consumado. Seja feita a Vossa
vontade" (a vontade de Deus e não a vontade de
Jesus).
—"Quer dizer que Jesus duvidou de Deus?"
—"Não é bem assim... Jesus achava que sabia
tudo, conhecia todos os planos de Deus, mas não
conhecia. E quando viu-se frente a frente com a
morte, sem entender os planos de Deus, Ele
duvidou e perguntou: "Pai, por que Me
abandonaste?" Mas, rapidamente, Ele lembrou-se
de Suas reflexões no horto. Lembrou-se que Ele
teria que tomar daquele "cálice amargo", e
rendendo-se a Deus concluiu: "Seja feita a Vossa
vontade".
Filho, é absolutamente desnecessário alongar a
questão se Jesus é Deus ou não é Deus. Pois
somente para atender interesses religiosos
comerciais de determinados segmentos de igrejas
é que Jesus é confundido com Deus, sob a
afirmativa dúbia e tola de que "Jesus Cristo é o
Senhor", como se "Senhor" (dono de escravos)
fosse designativo de Deus. Só isso. Nada mais do
que isso.
Entenda bem e de uma vez por todas: Jesus não é
Deus. Jesus não é Senhor, pois Senhor é feitor de
escravos. Jesus é Jesus. Deus é Deus e Senhor é
uma herança maldita dos tratados escravagistas
implantados na Bíblia e que os representantes
comerciais das igrejas fazem questão de manter.
Chamar Deus ou Jesus de Senhor é uma bobagem
do tamanho do universo.
—"Quer dizer então que Jesus ser Deus é
meramente para atender a uma questão de
interesse financeiro-religioso?"
—"É isso aí. Só isso. Exatamente isso."
Resta alguma dúvida de que Deus é Deus e Jesus é
Jesus? Não? Então abordemos a questão da
segunda metade da Bíblia (Novo Testamento), já
que o Antigo Testamento, excluído a parte
mitológica e fantasiosa da criação do mundo, Adão
e Eva, arca de Noé, dilúvio e etc., sobra exa-
tamente o mais importante e o que vale a pena ler
na Bíblia, que são as belas palavras dos salmos,
dos provérbios, e dos ensinamentos e sabedorias.
Diferentemente do Antigo Testamento, que
messianicamente é tido como a "palavra de Deus",
escrito e inspirado por Deus, o Novo Testamento
(ou a principal parte dele) foi escrito por quatro
apóstolos ou evangelistas, seres humanos, de
carne e osso, que contaram a saga e a vida de
Jesus. São eles: Mateus (que foi um coletor de
impostos — Levi —, que também viveu na época
de Jesus e foi Seu discípulo); Marcos (que não
conheceu Jesus, registrou o evangelho por ouvir
dizer. É tido por alguns como o autor do primeiro
evangelho); Lucas (um médico que também não
conheceu Jesus e reproduziu seus escritos por
ouvir dizer, a quem atribui-se, também, o "Ato dos
Apóstolos") e João (que viveu na mesma época de
Jesus, foi Seu discípulo, foi evangelista, pregador
do evangelho — boas novas — de Jesus, a quem
atribui-se, também, o "Apocalipse", e algumas
cartas ou epístolas).
Com muita boa vontade, e bota boa vontade nisso,
aceita-se que os quatro evangelhos sejam de
autoria de Mateus, Marcos, Lucas e João, isso
porque os evangelhos não são assinados, não
existe qualquer prova, qualquer referência ou
comprovação histórica quanto os evangelhos
terem sido de autoria destes apóstolos, e o mais
grave, não existe sequer prova material da
existência física desses manuscritos originais em
aramaico (Os manuscritos originais não eram
assinados, suas autorias são questionáveis, os tex-
tos eram folhas soltas, foram misturadas,
traduzidas, refundidas pelas igrejas de acordo com
os interesses e a convicção religiosa da época).
A bem da verdade, sabe-se que estas autorias
foram atribuídas e impostas pela igreja de modo a
conferir um certo ar de credibilidade a estes
manuscritos. (Embora isto possa parecer
irrelevante, é de vital importância para a aceitação
dos evangelhos e a sua propagação no mundo
cristão).
De uma maneira geral os quatro evangelhos
ficaram divididos em três evangelhos chamados
sinópticos (do grego "synoptikós", que quer dizer
sinopse, ou várias coisas vistas de maneira
resumida), que são os de Mateus, Marcos e Lucas,
mas que na realidade são os que foram assumi-
damente copiados uns dos outros, como se fosse
uma coisa só e refundidos (reescritos) pela igreja.
E o quarto evangelho é o "não-sinótico", que é o
de João, o vaidoso, o pernóstico e carente João
Evangelista, que de versículo em versículo achava
sempre um jeito de se incluir no próprio texto,
escrevendo sobre ele mesmo como "o discípulo a
quem Jesus amava". Entretanto, esta separação
entre evangelho sinótico e não sinótico é
absolutamente irrelevante, haja vista que a igreja
refundiu (reescreveu) os quatro evangelhos,
pasteurizando-os com o mesmo interesse e
atribuiu-lhes as autorias que ora são as
conhecidas.
Independentemente das questionáveis autorias
dos evangelhos, há que se fazer o registro que
somente o evangelho de Mateus foi originalmente
escrito em aramaico (língua falada na Galiléia e na
Judéia), mas ainda assim, estes manuscritos foram
perdidos, restando somente versões em grego.
Enquanto que os outros três evangelhos,
estranhamente, foram "encontrados" já escritos
em grego (língua que mal se falava na região da
Galiléia e na Judéia).
O que representa dizer que, de tudo que existe
como registro histórico dos evangelhos, restam
somente cópias em grego (e não em aramaico) e
que as exatas palavras de Jesus — em aramaico —
estão perdidas para sempre. E isso talvez explique
a confusão de palavras trocadas, palavras não
ditas e/ou conflitantes quando comparadas entre
os evangelhos.
Os evangelhos seriam "perfeitos" se as autorias
pudessem ser determinadas e confirmadas e se os
manuscritos existissem fisicamente em original
(manuscritos e em aramaico) e pudessem ser
estudados. Entretanto, a igreja colocou tudo a
perder, pois o que resta são cópias "refundidas" e
traduções do que seriam os originais. Sem contar
que a igreja primeiro selecionou quais folhas soltas
ela queria e quais não queria, em seguida atribuiu
suas autorias a Mateus, Marcos, Lucas e João, para
finalmente excluir e banir os evangelhos que,
cinicamente, a igreja chama de apócrifos (os
Gnósticos, o evangelho dos hebreus, o evangelho
dos essênios, o evangelho dos ebionitas, o
evangelho dos egípcios, o de Tomé, o proto-
evangelho de Tiago, o de André, o de Bartolomeu,
o de Filipe, o de Maria Madalena, o de Nicodemos,
o de Barnabé, o de Pedro, e até mesmo os
Manuscritos do Mar Morto) que não interessavam e
não interessam porque conflitam muito com os
quatro evangelhos (também apócrifos) escolhidos
pela igreja, vez que estes evangelhos banidos —
considerados cinicamente como apócrifos
("cinicamente, porque todos os evangelhos são
apócrifos, inclusive os quatro de Mateus, Marcos,
Lucas e João, uma vez que nenhum evangelho é
assinado e suas autorias são imputadas e não
podem ser comprovadas) — pois os chamados
raivosamente pela igreja de evangelhos apócrifos
assim foram considerados pois retratavam a vida
de Jesus, do nascimento aos 30 anos, que a igreja
tanto queria esconder e por isso desmistificavam
as interpretações mirabolantes criadas pela igreja
a respeito de Deus e de Jesus.
Este banimento dos evangelhos, raivosa e
vingativamente alcunhados pela igreja como
"apócrifos", teve lugar durante o Concílio de
Nicéia, 325 d.C., quando a igreja mandou destruir
as cópias dos evangelhos que desagradavam as
versões da igreja, bem como mandou condenar à
morte quem possuísse cópia dos evangelhos
"apócrifos", como por exemplo os cinco
evangelhos de Tation que demonstram Maria e
Jesus como não pertencentes à nobre
descendência da casa de Davi; o evangelho
egípcio demonstra a passagem adulta de Jesus no
Egito e sua experiência no zoroastrismo; o
evangelho essênio destaca a vida de Jesus como
essênio; o evangelho dos hebreus apresenta a
atuação de Tiago na condição clara de irmão de
Jesus, enfocando a infância de Jesus como um
simples ser humano; o evangelho de Barnabé
mostra as viagens de Jesus ao extremo oriente
(principalmente China e Índia) não registradas na
Bíblia; os evangelhos de Tomé e Filipe relatam que
os cristãos não acreditavam que Jesus havia
morrido na cruz; e em atos de Tomé é
demonstrado que não só Jesus viveu na Índia
como Tomé foi o introdutor do cristianismo na
Índia. Tomé foi proscrito principalmente por relatar
em seu evangelho que Jesus não nasceu de
nenhuma virgem. O evangelho de Filipe, por sua
vez, não só destaca a ida de Jesus para a Índia
como acrescenta como companheiros de viagem a
sua mãe Maria e a consorte de Jesus, Madalena.
Logicamente, a igreja não queria e não quer nem
de perto (e nem de longe) ouvir falar desses
evangelhos. Mas, apesar dos esforços e ameaças
da igreja os registros destes evangelhos
atravessaram séculos e séculos, sobreviveram e
estão aí desmentindo e desmistificando as coisas
que a igreja tanto se empenhou em ocultar.
Hoje, não há mais como a igreja esbravejar,
ameaçar de morte ou sustentar as mentiras contra
os evangelhos que ela cinicamente chama de
"apócrifos" (embora evite discutir sobre o tema)
pois diante das evidências gritantes o melhor é
silenciar e quem sabe daqui a mil anos pedir
perdão, novamente, como teve que fazer em
relação às cruzadas e os crimes praticados por ela,
igreja, durante a santa inquisição.
Entretanto, apesar disso tudo, é bom que se
enalteça a atual posição da igreja católica, onde já
há um grande avanço, pelo fato da igreja
reconhecer nas próprias explicações (bulas) das
Bíblias atuais que os quatro evangelhos do Novo
Testamento (Mateus, Marcos, Lucas e João) são
realmente apócrifos e que foram montados ao
gosto e interesse da igreja, com fins meramente
de catequese. Ou seja, a igreja confessa que
pegou as folhas soltas que interessavam, montou
os quatro evangelhos que haviam sido escolhidos
por ela, reescreveu-os a bel-prazer, de acordo com
os interesses da igreja da época, visando
basicamente ter algo escrito para as missões de
catequese."
— "E como foi que a igreja criou esses evangelhos
e atribuiu aos quatro evangelistas, pai?"
— "Começou por volta do ano 150 da nossa era. A
igreja pegou aquela "papelada" toda — isso
porque os evangelhos não eram livros completos,
eram folhas soltas — e foi separando e atribuindo
autoria: Isso é de fulano, isso é de sicrano, isso é
de beltrano... e no final, depois de ter pilhas de
papéis amontoadas, separou em evangelhos por
autoria, reescreveu tudo, dando uma redação final
a seu gosto, e criou um salseiro terrível. Pois, na
tentativa de harmonizar os textos e fazer tudo
coincidir (Mateus copiava Marcos, daí Marcos
copiava Mateus, e Lucas copiava os dois. A tal
ponto isso aconteceu, que acabou até perdendo a
importância se quem escreveu primeiro foi Marcos
ou não, pois tudo acabou sendo cópia de tudo e
pasteurizado pela igreja), e então a própria igreja
acabou deparando-se com um problema enorme.
Ou seja, quando os evangelhos estavam narrando
o mesmo fato, quando aparecia contradição e
discrepância... a quem dar maior credibilidade?"
—"A quem? A qual evangelista?"
—"A ninguém... pois se originalmente já havia
discrepância e contradição entre os textos, até
mais não poder, na dúvida a igreja preferiu deixar
as contradições entre os textos a ter que dar razão
a um e tirar a razão de outro."
—"Como assim, pai?"
—"Por exemplo, se um evangelista dizia que tal
coisa havia acontecido numa determinada hora ou
num determinado lugar, e outro evangelista dizia
que havia acontecido noutra hora ou noutro lugar,
a igreja preferiu deixar as duas versões, mesmo
sabendo que uma das duas versões estava errada,
porque ela não sabia qual das duas versões era a
versão correta. E como ela, igreja, caso fizesse
uma escolha, poderia estar fazendo a escolha da
versão errada, foi preferível manter as duas
versões mesmo sabendo que uma estava certa e a
outra estava errada. Até porque, seria mais fácil
colocar a culpa em quem lê do que remendar o
texto."
—"Colocar a culpa em quem lê? De que maneira?"
—"Simples. Basta chamar de herege a pessoa que
questiona qualquer parte do texto bíblico. Basta
ameaçar de excomunhão quem duvidar do texto e
amaldiçoar com a pena de penitência eterna.
Basta dizer que quem duvidar da legitimidade do
texto está possuído pelo demônio. É só chamar de
anticristo a pessoa que contesta."
—"E tem gente que acredita nisso?"
—"Se tem? Como tem... A maioria acredita
cegamente nos quatro evangelhos!!!"
—"Mas a igreja reescreveu mesmo os
evangelhos?"
—"Olha... para não ficar parecendo opinião pessoal
minha, vou citar a própria versão do Vaticano, a
própria palavra oficial, inscrita na Bíblia Sagrada —
Nova Edição Papal, feita pelos missionários
capuchinhos de Lisboa, Portugal.
Pág. 973 — "Atualmente temos quatro Evangelhos
canônicos: segundo Mateus, segundo Marcos,
segundo Lucas e segundo João. Tais livros não
nasceram desses autores de uma só assentada,
como geralmente acontece com os livros
modernos. Antes de verem a luz, eles passaram
por um período de gestação nas primitivas
comunidades cristãs. Por isso, não têm apenas a
garantia dum simples autor, mas também a da
igreja, em cujo seio nasceram."
"Uma primeira compilação de tais "folhas soltas"
deve ter sido feita em Jerusalém, em arameu; o
seu autor, segundo a tradição, foi o apóstolo
Mateus. Mas este original não chegou até nós.
Traduzido para o grego, e muito ampliado por
volta do ano 70, é o atual Evangelho segundo
Mateus. Esta refundição deve ter-se verificado
provavelmente em Antióquia."
"Estas narrações, à força de serem repetidas,
tendiam a tomar uma forma unitária e fixa. Pouco
a pouco começaram a pôr-se por escrito para
atender às necessidades catequéticas."
"A presente obra leva por título "Evangelho
segundo S. Mateus". Este título, porém, não
pertence ao original. Os autores não costumavam
assinar os seus escritos. Mas a igreja, já por volta
do ano 150, atribui esta obra a Mateus, um dos
doze, identificado como Levi, o cobrador de
impostos."
Dá para perceber como foi feito? Primeiro foram
coletadas folhas soltas, que eram uma coletânea
de citações de Jesus (Sem história, só frases
soltas. As histórias foram montadas mais tarde).
Depois, em suas respectivas igrejas na Antióquia /
Anatólia (Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes,
Filadélfia, e Laodicéia) o texto foi refundido
(montado uma história para harmonizar com o
texto), posteriormente os evangelhos foram
novamente refundidos e adaptados aos interesses
da catequese. Daí surgiram Marcos como o
primeiro evangelho a ser escrito e Mateus como a
primeira compilação dessas folhas soltas
compondo um evangelho, observando-se a
seguinte cronologia:

— 60 a 70 d.C. — Evangelho atribuído a Marcos


— 70 a 85 d.C. — Evangelho atribuído a Mateus
— 85 a 95 d.C. — Evangelho atribuído a Lucas
— 95 a 110 d.C. — Evangelho atribuído a João
—150 d.C. — Refundição dos quatro evangelhos
pela igreja

Qualquer pessoa que queira aprofundar-se no


estudo da vida de Jesus, e que queira chegar o
mais próximo possível da verdade jamais poderá
aceitar somente estes quatro evangelhos como os
únicos evangelhos de Jesus, e muito menos aceitar
o texto desses evangelhos como de autoria
inquestionável, absolutamente corretos e
inalterados, pois eles foram reescritos de acordo
com os interesses das igrejas, na época. E a
própria igreja católica confessa e assume ter sido
feita esta "refundição" dos textos.
Infelizmente, a igreja do passado, aquela que
impôs o Antigo Testamento pelo medo e pela
ameaça, que praticou as barbaridades das santas
cruzadas, das santas inquisições, que levou a
humanidade ao seu mais negro período: o
obscurantismo da idade média; fiel às suas origens
reescreveu os evangelhos fabricando e montando
uma "verdade" editada, que ela, igreja queria
como verdade, e ao mesmo tempo impondo quais
evangelhos deveriam ser lidos e quais deveriam
ser banidos.
Ocultando e renegando os demais evangelhos e
manuscritos, a igreja omitiu, com isso, por
exemplo, uma vida inteira de Jesus, do nascimento
até sua morte (?). Reescrevendo os textos dos
evangelhos, fala parcialmente e de maneira
equivocada do nascimento de Jesus. Omite a in-
fância de Jesus e conta a entrada na adolescência
(Bar Mitzvah) como uma precocidade de Jesus
(12/13 anos) numa tal "conversa com os sábios",
quando na realidade tratava-se de um conhecido
ritual judaico de Bar Mitzvah (um ritual judaico que
representa a saída da infância e entrada na
juventude, onde o adolescente deve dizer aos
adultos, amigos e parentes, porque merece deixar
de ser criança e ser recebido no mundo dos
adultos). Tudo isso numa competição religiosa
tola, para descaracterizar a forte ligação de Jesus
com sua religião de berço, o judaísmo. Como se
Jesus não fosse judeu e nunca tivesse sido judeu.
E daí, a igreja omite toda a adolescência,
juventude e vida de Jesus até os 30 anos,
aproximadamente.
Bom, mas comparando-se o Antigo e o Novo Testa-
mento, pelo menos nesta questão de "autoria”,
tem uma coisa de bom nos quatro evangelhos
também apócrifos (apesar de estarem na Bíblia)
que foram escolhidos para formar o Novo
Testamento, os autores são assumidamente seres
humanos, de carne e osso, são conhecidos:
Mateus, Marcos, Lucas, e João, criando, assim, um
aspecto de maior credibilidade que o Antigo
Testamento e não se impinge ao povo, como
"verdade" absoluta, que o evangelho seja a "pa-
lavra de Deus". Ao contrário, os evangelhos
passam a ser o relato de quatro pessoas, seres
humanos, falando sobre a vida do ser humano
mais fantástico e mais importante que a
humanidade já produziu até hoje: Jesus."
—"Bom, então aí fica tudo certo, né pai?"
—"Não. Melhora, mas não resolve. Porque existem
três grandes fatores de complicação: 1) O fato da
igreja ser co-autora dos textos. 2) A falta de
provas de que foram eles mesmos (os quatro
evangelistas) que escreveram os textos e que
estes textos em folhas soltas não foram
misturados com os dos escribas saduceus e
fariseus. 3) O fato do relato ser pessoal e com isso
cada um interferir diretamente no texto."
—"De que maneira?"
—"Sabe-se que a história contada por cada um dos
quatro evangelistas é o relato de pessoas (seres
humanos) que, segundo o que viram ou o que
ouviram falar, estão contando a vida de Jesus
como um relato "histórico", ainda que observados
pela ótica estritamente religiosa.
Embora os evangelhos sejam de autoria conhecida
(pelo menos imputadas a certas pessoas) e de
serem uma espécie de relatos "históricos" de uma
vida, existe embutido no relato a interferência
humana e pessoal de quem relata a história, a
paixão de quem conta, a emoção, a vontade de
fazer uma coisa tão bonita e tão perfeita que
acaba incorrendo em sérios e quase irreparáveis
erros, onde a cada conto é aumentado um ponto,
e a soma desses pontos acrescentados acaba
comprometendo o próprio relato. Sendo salvo,
somente, pela grandiosidade da verdadeira vida
de Jesus, que é maior do que o que os evangelistas
pretenderam contar.
A bem da verdade, os relatos dos quatro
evangelistas da Bíblia só não prejudicam mais a
vida de Jesus porque a vida d'Ele é tão fantástica,
tão fantástica, tão fantástica (mesmo tirando os
erros e absurdos dos relatos), que torna-se
proveitosa sob qualquer aspecto."
— "Mas, será, pai, que os evangelistas interferiram
tanto assim nos textos bíblicos?"
— "O que? A melhor forma de demonstrar o quanto
os quatro evangelistas interferiram pessoalmente
nos relatos bíblicos é citando exemplos.
Inúmeras são as distorções dos fatos e da
realidade, algumas chegam a ser tão gritantes que
mal se pode supor que tais barbaridades tivessem
sido ditas ou vividas por Jesus.
Assim como no Antigo Testamento, em certas
oportunidades os quatro evangelistas escorregam,
carregam nas tintas, e pintam um Jesus tão
medíocre, arrogante e autoritário quanto o Deus
do Antigo Testamento, como por exemplo quando
atribuem a Jesus a frase: "Ninguém vai ao Pai
senão por mim".
—"Sim... E daí?"
—"E daí? Dá para imaginar um Jesus arrogante?
Dá para imaginar Jesus excluindo todas as demais
religiões e dizendo que só Ele pode levar as
pessoas a Deus?"
—"É... Eu não tinha pensado nisso."
—"Quem estudou a vida de Jesus sabe que Ele
jamais foi arrogante. Sabe que jamais Ele diria
semelhante barbaridade. Esta frase, se fosse
verdadeira, supõe dizer que antes de Jesus existir
ninguém ia a Deus porque Jesus nem existia... e se
Ele não existia, como ir a Deus, se para ir a Deus
tinha que passar por Jesus? Ou seja, antes d'Ele
(Jesus) existir ninguém ia a Deus pois não passava
por Jesus. E depois d'Ele (Jesus) existir somente os
cristãos vão até Deus... (Uma bobagem total e
completa)
Isso é fanatismo religioso, isso é excludência, isso
é sectarismo, isso é fundamentalismo puro.
Segundo essa bobagem evangélica, os
muçulmanos estão desgraçados, os judeus estão
desgraçados, os budistas estão desgraçados, os
espíritas estão desgraçados, etc., toda a
humanidade que não for cristã está desgraçada,
pois na concepção fundamentalista cristã, "só
Jesus Cristo salva" e leva as pessoas a Deus.
Quando é mais do que sabido que Jesus disse
exatamente o oposto: — "Na casa de Meu Pai há
muitas moradas" (João 14:2), e aí sim, nesta
citação de João, Jesus mostra-se universal,
ecumênico, afinado com um Deus aberto a todas
as religiões."
— "É, pai... olhando assim, dessa maneira, você
tem razão. Acho que Jesus não falaria aquilo de só
Ele levar as pessoas a Deus."
— "Filho, esta frase fundamentalista,
profundamente infeliz ("Ninguém vai ao Pai senão
por mim") é de um sectarismo, de uma arrogância,
de uma intolerância religiosa incompatível com a
postura e o legado do próprio Jesus. Esta frase,
além de ufanistamente burra é de uma intole-
rância inconcebível para com tudo que Jesus fez e
pregou para a humanidade.
Dá para acreditar que uma bobagem dessas
tivesse sido dita por Jesus? Pois é, mas, no
entanto, assim como essa bobagem está na Bíblia
atribuída a Ele, certamente cultivada por escribas
saduceus, muitas outras foram cometidas pelos
quatro evangelistas, isto porque eles (ou quem
escreveu por eles e a eles atribuiu os escritos)
eram frutos do meio em que viviam, e em razão
disso os escritores dos evangelhos aceitavam e
acreditavam nas velhas bobagens do Antigo
Testamento. É só ver as passagens do Antigo e do
Novo Testamento para verificar que quase nada
mudou em relação a questões semelhantes a esta.
Ou seja, continuavam a tratar a mulher como um
ser inferior e como um ser de segunda classe;
achavam natural a escravidão; a separação da
sociedade por castas, e coisas do gênero (coisas
que Jesus jamais pregou o u compactuou). E em
razão disso, ao não atentarem corretamente para
a postura pacifista de Jesus, para a postura de
não-violência de Jesus, para a postura humanitária
de perdão e amor ao próximo, os evangelistas
inverteram a prioridade em seus relatos e
passaram a valorizar coisas menores como o
curandeirismo, os milagres e coisas do gênero
(que qualquer pregador ou mistificador de esquina
faz — "em nome de Jesus" — para auferir lucros e
benefícios, contrário ao que Jesus ensinava), e
deixaram em segundo plano exatamente a maior
obra de Jesus, que foram os seus ensinamentos.
Jesus é o que é... não porque Ele sofreu. Porque
muita gente sofre ou sofreu até mais do que Ele.
Jesus é o que é... não porque Ele morreu na cruz.
Porque todo mundo morre um dia e teve gente
que teve morte muito pior do que a de Jesus na
cruz. Inclusive, no dia de sua crucificação, dois
ladrões foram crucificados ao seu lado e nem por
isso os ladrões merecem ser santificados.
Jesus é o que é... simplesmente porque o que Ele
disse ninguém jamais disse ou havia dito antes. O
que Ele passou de ensinamentos ninguém jamais
passou. O que Ele deixou como legado e exemplo
de vida, ninguém jamais deixou.
Super valorizar curas e curandeirismo, como
"milagres", é fazer o jogo dos algozes de Jesus, os
saduceus. É deixar de dar importância ao
humanitarismo essênio de Jesus e valorizar o
curandeirismo, os holocaustos de animais, e a
venda, no templo, de produtos "bentos" e
milagrosos para curas, é reeditar os fariseus
vendilhões do templo que Jesus um dia expulsou
do templo às chicotadas."
— "E por que você, pai, acha que alguém escreveu
os evangelhos e atribuiu a autoria aos
evangelistas?"
— "Eu não digo que eles, os quatro evangelistas,
não tenham escrito os evangelhos. Eu digo que
eles não assinaram o que escreveram (e por isso
os evangelhos bíblicos são apócrifos), e que não
escreveram sozinhos os evangelhos. Tem muita
co-autoria nisso. Tem os escribas saduceus (que
não acreditavam na imortalidade da alma e por
isso valorizavam o lado material e o curandeirismo
que é atribuído a Jesus), tem os fariseus que
impuseram suas idéias contrárias aos essênios,
tem a igreja que refundiu os escritos todos. Nunca
esqueça que os manuscritos eram "folhas soltas" e
que estas "folhas soltas" escritas em aramaico fo-
ram perdidas, e que as versões em grego podiam
ser acrescentadas e subtraídas conforme o gosto
de quem montou o evangelho. (E o detalhe mais
importante: À época quase ninguém sabia ler ou
escrever na Judéia. E basicamente a leitura e a
escrita eram privilégios de uns poucos dos
saduceus e fariseus, o que não era o caso dos
discípulos de Jesus.)
— "E como a gente vai saber o que cada
evangelista escreveu? Como saber o que os
escribas saduceus escreveram? E o que a igreja
escreveu ou "refundiu"?"
— "Não vamos saber nunca. O máximo que a gente
vai conseguir é agir por eliminação."
— "Como assim?"
— "Como Michelângelo, por exemplo. Certa feita
uma pessoa maravilhada com as esculturas de
Michelângelo (as mais belas e mais perfeitas que o
mundo já viu), perguntou a ele, como é que ele
olhava para um bloco de pedra mármore e
conseguia fazer sair dali uma escultura tão
perfeita, sem um erro, sem um remendo, como se
fosse viva. No que Michelângelo respondeu: "É
simples, basta você imaginar o objeto que você vai
esculpir, como um cavalo, por exemplo, e tirar do
bloco de pedra tudo que não for cavalo."
Com os evangelhos deve ser feito a mesma coisa.
Basta imaginar o Jesus humilde e humanitário
como conhecemos, como um pregador do amor ao
próximo, da fraternidade, um humilde, um
pacifista, e retirar do texto tudo que for
discrepante disso.
- "Falando assim, pai, até parece fácil."
— "Eu não digo que seja fácil. Mas, ao menos sei
que tudo que me revoltar e parecer incompatível
com o que Jesus foi como figura humanitária, tudo
que for contrário ao que Ele viveu, ensinando, com
humildade, as mais belas palavras de sabedoria,
eu posso atribuir como obra de um escriba
saduceu, fariseu ou da própria igreja. Ou seja, O
Jesus ecumênico que disse que "Na casa de Meu
Pai há muitas moradas", não é o mesmo radical
excludente e sectarista que "disse" que ninguém
ia ao Pai senão por Ele (Jesus).
Tudo que for diferente e incompatível com: Amai-
vos uns aos outros como eu vos amei; Se alguém
bater em tua face, oferece a outra, Não deixes a
tua mão esquerda saber o que faz a mão direita;
ou como em Mateus (6:1-5): Quando fizeres
milagres, não se exiba e não o faças em público;
Quando orares, não seja como os hipócritas que
gostam de rezar de pé nas sinagogas e nas ruas
para serem vistos pelos homens; Quando fizeres o
bem a alguém não permitas que trombeteiem por
ti. Porque todas estas lições de humildade que
Jesus sempre passou são incompatíveis com as bo-
bagens que os escribas saduceus alegam que Ele
disse ou fez, como o curandeirismo super
valorizado nos evangelhos, o exibicionismo, a
arrogância e a soberba atribuída a Jesus. E por
isso, tudo o que for diferente de humildade,
humanitarismo, amor, paz, fraternidade, não-
violência, é incompatível com a imagem de Jesus.
Desculpe eu insistir, filho, mas a frase atribuída a
Jesus, "Ninguém vai ao Pai senão por mim", ela é
emblemática e um dos exemplos mais claros do
que Jesus jamais diria. Pois esta frase representa o
que de pior pode exprimir em termos de
sentimento cristão. É fundamentalismo cristão
puro.
—"E cristão também é fundamentalista, pai?"
—"Mas é claro, filho. Qualquer religião pode
ensejar o radicalismo, o fundamentalismo.
Diferentemente do que supõe os cristãos, como se
radicais e fundamentalistas fossem somente os
outros, o fundamentalismo atinge toda e qualquer
religião baseada na intolerância religiosa. Até por-
que Deus não é propriedade privada de qualquer
seita ou religião. E, "Ninguém vai ao Pai senão por
mim" é uma frase basicamente fundamentalista,
pois não só os cristãos vão a Deus.
O fato de os fundamentalistas de todas as
espécies, cristãos, judeus, muçulmanos (seja de
que religião for) clamarem que eles e apenas eles
vão para o céu e que o "seu
Deus" é o único e verdadeiro Deus, joga por terra
toda a base e todo o castelo de areia que
fundamenta a base da religião a que os
fundamentalistas professam.
Os fundamentalistas, de qualquer religião, não só
agem com base na suposição de que eles são os
únicos que estão certos e que só eles vão a Deus,
como agem com base no terrorismo religioso, na
base da ameaça, do terror, sempre apelando para
o lado frágil das "vítimas", induzindo-as a
acreditarem no que eles querem ameaçando-as e
aterrorizando-as.
A insensibilidade dos fanáticos religiosos, funda-
mentalistas, cristão ou não-cristão, é revelada em
sua pregação oportunista, tendo como alvo as
pessoas frágeis e desesperadas, que num
determinado momento de dor estejam passando
por dificuldades, por privações, ou por grande
necessidades. E, sob o pretexto de levar conforto
espiritual e conhecimento religioso às pessoas,
acabam por incutir-lhes grande e terrível ameaça
(Diabo, Satã, Satanás, Inferno) aterrorizando ainda
mais as pessoas frágeis e inseguras, como se
quem não acreditasse em suas palavras e
pregações fosse sofrer o terrível mal do castigo do
sofrimento eterno."
- "Quer dizer, pai, que o terror e a ameaça de
pragas que existia no Antigo Testamento persiste
no evangelho?"
- "Pior, filho, muito pior. Acabaram com aquelas
pragas malucas do Antigo Testamento, como ser
consumido por hemorróidas, icterícia, furúnculos,
sarna seca e sarna úmida ou que a esposa iria ser
possuída por outro, e acabaram criando coisa
muito pior. Substituíram a promessa e crença de
vida eterna por uma ameaça de sofrimento eterno.
Os fundamentalistas religiosos, interessados na
manutenção da "clientela", por mero interesse
econômico e financeiro, trataram de difundir o
medo, a ameaça, o pavor, antes mesmo do amor
ao próximo. E com isso, a igreja materialista cristã
criou, fundou e inaugurou um cristianismo
baseado e fundamentado no medo, na ameaça da
tortura perpétua, no fogo eterno. E essa injustiça
perpétua — essa ameaça permanente — tornou-se
a base e o coração da religião cristã. As pessoas
passaram a "acreditar" e a depender da religião
cristã não pela razão, não pelo desejo de amor ao
próximo, não pelo sentido de melhorar e evoluir
espiritualmente, mas pelo medo, pelo simples
medo da tortura eterna em substituição à vida
eterna."
—"Mas os evangelistas pregam isso na Bíblia?"
—"Se pregam? Chega a ser criminoso o que Lucas
diz em 12:4-5, atribuindo tais palavras a Jesus:
"Não temais os que matam o corpo e depois nada
mais podem fazer. Vou mostrar-vos a quem deveis
temer: Temei a aquele que depois de matar-vos
tem o poder para lançar-vos na Geena (no
inferno). Eu digo a vós, esse é a quem deveis
temer."
("Geena" — ficava nos arredores de Jerusalém, era
uma espécie de lixeira da cidade, onde, inclusive,
imolava-se pessoas pelo fogo. Razão pela qual a
Bíblia refere-se à "Geena" como um inferno bem
próximo, bem aterrorizante, um lugar de suplícios,
martírios e sofrimentos.)
Essa é uma das piores faces do fundamentalismo
cristão: A pregação do medo e do terrorismo. Estas
palavras de Lucas, atribuídas a Jesus, jamais
seriam proferidas pelo Jesus pacifista, da pregação
do amor ao próximo.
Um enviado de Deus, pregador de palavras de
sabedoria, jamais iria difundir o medo pela ameaça
do sofrimento eterno. Isso, é substituir o velho
Deus do Antigo Testamento por um Deus muito
pior, que ao invés de amor e perdão prega o medo
e a ameaça do sofrimento eterno. É a substituição
da vida eterna pelo fogo eterno.
Declarações como estas, atribuídas a Lucas, que
sabemos são palavras de homens materialistas,
cruéis, avarentos, insensíveis, de mente pequena,
são palavras de ameaça, de terror e vingança. São
palavras usadas para assustar e oprimir. São
palavras para dar poder ao pregador, ao pastor, ao
padre, à igreja e aos gerentes de religião de uma
maneira geral. São palavras para destruir a razão
do ser humano e fazer da mente humana um
escravo.
Com certeza, essa é uma lasca de mármore que
deve ser excluída do bloco. Porque "isso",
seguramente, não é uma citação que Jesus faria."
- "Mas, pai, como eu vou saber, com certeza, o que
é de Jesus e o que não é de Jesus?"
- "Filho, o seu coração dirá. Basta ter a mente
aberta. Basta questionar. Não tenha medo de
questionar. Não aceite as coisas pacificamente só
porque foram impostas como um dogma religioso.
Busque a verdade, sempre, e a verdade te
libertará.
Aqueles que formam sua base religiosa
fundamentada no medo do sofrimento eterno do
inferno, e que temem e acreditam na
personificação do diabo com rabo e chifre, no
inferno como um lugar indesejável onde se é
jogado nele, no fogo eterno que queima as almas
e quetais, tornam-se servos e escravos da religião.
Nunca terão condições de questionamento e de
libertação da alma. Estarão abrindo mão de um
ensinamento cristão precioso, que é a busca da
verdade ("Conhecereis a verdade e a verdade vos
libertará") e jamais saberão a verdade, pois quem
abre mão de questionar, de raciocinar, de buscar a
verdade, de perguntar, e passivamente aceita
essa ameaça de sofrimento eterno, estará cego e
escravizado pelo medo fundamentalista religioso.
A idéia de inferno foi inventada para subjugar a
humanidade e estabelecer uma ditadura religiosa
tão terrível que aqueles que nela acreditam vivem
toda sua vida sob uma tirania muito maior e muito
pior do que qualquer tirania imposta por um tirano
humano.
A religião deve servir como base de paz e para o
consolo dos seres humanos, nos momentos de
angústia, nos momentos de dor e sofrimento.
Jamais ser usada para ameaçar.
Toda religião que ameaça, ao invés de consolar,
está no caminho errado.
A Bíblia, em seus salmos, provérbios e
ensinamentos, é um instrumento poderoso para
meditação, oração, consolo e conforto nas horas
de solidão, tristeza ou adversidade, mas quando
usada como uma arma de terror, tortura, ameaça
e propagação do medo, ela perde a sua validade,
transformando algo sagrado em uma paródia
bizarra.
O conceito de inferno, do fogo eterno, do castigo
eterno, diabo, ou satã, ou demônio, é uma paródia
bizarra sim, uma invenção religiosa que visa
basicamente estabelecer o domínio pelo medo. A
própria personificação de "Satã" (com chifres, rabo
e pata bifurcada) é uma invenção religiosa
deturpada, vez que a própria palavra "Satã" é
derivada de uma palavra hebraica que significa
"obstáculo".
Com isso, à partir deste "obstáculo" foi criado uma
entidade "divina", personificada, com chifre, rabo
e pata bifurcada, para rivalizar com um Deus,
também personificado como um velho, de roupão,
sentado numa nuvem, tocando harpa.
Estabelecendo assim uma batalha cósmica eterna
entre o bem e o mal, entre Deus e o Diabo, como
se o mal, ou sua personificação: o Diabo, pudesse
deixar de ser algo humano e passasse a ser uma
falha ou um lapso do próprio Deus.
Sim, porque se o mal (ou sua personificação: o
Diabo) ao invés de ser algo criado pelo livre
arbítrio do ser humano, passa a ser personificado
como uma divindade do mal, logicamente passa a
ser uma divindade criada e permitida pelo próprio
Deus, tão poderoso quanto Deus, lutando di-
retamente com Deus, por toda a eternidade.
Com isso, ao inventarem o Diabo personificado
com rabo e chifre, dando a ele poderes tão
grandes quanto os poderes de Deus, logicamente
esse Deus, também personificado, então passa a
ser um Deus falho e medianamente poderoso, vez
que tem que se sujeitar a viver, conviver e lutar,
permanentemente, com o Diabo, que é o mal que
Ele (Deus) mesmo criou, tão poderoso quanto
Deus. Ou seja, esse terrorismo de personificação
de Deus e Diabo é uma bobagem total.
Assim como nas demais religiões onde o Diabo
rivaliza com Deus, a obsessão dos cristãos,
amedrontados com o Diabo, passou a ser tão
importante, tão essencial, tão vital para a
sobrevivência do cristianismo como religião
quanto Deus. E passou-se a prestar muito mais
atenção no mal e na sua erradicação do que na
prática do bem. O Diabo virou figura de destaque e
o responsável direto pela caça às bruxas, que foi,
na verdade, um endurecimento e uma propagação
muito maior ainda do que o que a igreja tanto
tentou reprimir por quase mil e quinhentos anos.
Ou seja, a maioria das religiões não só criou a
figura personificada do Diabo como adversário
natural de Deus (para explicar e justificar a
existência da maldade, como coisa imaterial, não
personificada), como criou, com isso, a pior de
suas invenções: o culto ao ocultismo, o culto ao
medo, o culto ao terror e à maldade. Pois, como
ensina Aldous Huxley, "Pensando primeiramente
no mal nós tendemos, mesmo com excelentes
intenções, a criar oportunidades para o mal se
manifestar".
Com a institucionalização desse culto às avessas
ao Diabo, personificado com rabo e chifre, passou-
se a atribuir ao Diabo tudo que de errado
acontecesse na humanidade e tudo mais que não
fosse do agrado dos dirigentes religiosos.
Fundamentalistas religiosos passaram a ver as
pegadas (de patas bifurcadas) do demônio em
toda parte e em tudo que não se lhes agradasse.
Tudo que existisse de errado passava
automaticamente a ser "obra do Diabo". E é com
base nesta justificativa que passaram a impor e
governar as religiões (de várias denominações,
cristãs e não-cristãs) com base no medo e no
terror, ameaçando tudo e a todos com o estigma
do Diabo.
Se você ficou doente, foi obra do Diabo. Se algum
ente querido morreu, foi obra do Diabo. Se
qualquer coisa deu errado na sua vida, foi obra do
Diabo. Até mesmo os questionamentos bíblicos
como os que agora estão sendo feitos não só
passam a ser heresia, como, também, são
atribuídos a obra do Diabo, que é para que as
pessoas fiquem cegas religiosas, devotadamente
exploradas por diretores de religião, de modo a
que ninguém jamais venha a questionar os erros e
as contradições religiosas ou bíblicas."
—"Então, pai, Deus existe e o Diabo não existe?"
—"Não é bem assim. Deus, o criador do universo
existe, mas não é um velho barbudo sentado
numa nuvem. O Diabo (a maldade) existe, mas
não é um ser de rabo, chifre e pata bifurcada. O
Diabo conforme equivocadamente apresentado
pelas religiões é a personificação (material) da
maldade (imaterial). A maldade, que é imaterial, é
fruto e obra do ser humano, exclusivamente do ser
humano e não tem nada a ver com Deus, o criador
do universo."
- "Pai, mas como a gente consegue se livrar do
terrorismo dessas pessoas (pregadores) que citam
textos da Bíblia e ameaçam as pessoas, com o
Diabo e com o inferno, dizendo que estão agindo
"em nome de Jesus"?"
- "Combatendo fogo com a razão. Citando para o
pregador os textos da própria Bíblia. Afinal, ele
não é pregador? Não diz que age em nome de
Jesus? Não diz que faz curas e expulsa demônios?
Não prega e diz que acredita piamente que toda
palavra da Bíblia é verdadeira? Então que prove do
próprio veneno, nos textos da Bíblia.
(Marcos 16:17-18) "Eis os milagres que
acompanharão aqueles que acreditarem: Em Meu
nome expulsarão os demônios, falarão línguas
novas, apanharão serpentes com as mãos e se
ingerirem alguma bebida mortífera não sofrerão
nenhum mal; imporão as mãos sobre os enfermos
e eles recuperarão a saúde."
Agora ficou bastante simples identificar e
desmascarar os charlatões religiosos que vivem
ameaçando as pessoas com o Diabo, com o
inferno, dizendo-se capaz de expulsar demônios e
fazendo cura "em nome de Jesus". Basta mandá-
los pegar — como manda a Bíblia — uma serpente
venenosa com as mãos para serem picados, e
ingerirem bebida mortífera (veneno). Se forem
pregadores verdadeiros e crentes com fé em
Jesus, não sofrerão mal algum. Não é mesmo? Eles
não estão operando "em nome de Jesus"? Então?
Não há o que temer. Não é isso que está na Bíblia?
Ou será que desta vez, para este caso, os
charlatões não acreditam mais na Bíblia?"
—"Mas você, pai, não pode ser acusado de estar
distorcendo ou profanando a Bíblia?"
— "Depende. Acusar qualquer um pode acusar
qualquer um do que quiser. Ter razão é diferente.
Isso que eu fiz não é distorcer as palavras da
Bíblia, porque se pregadores vigaristas
aproveitam-se de incautos, dizendo que — como
manda a Bíblia — expulsam demônios e operam
milagres "em nome de Jesus", então que provem
que estão agindo "em nome de Jesus". Que sejam
picados por uma serpente venenosa e que bebam
veneno e provem estar agindo "em nome de
Jesus". Não te parece lógico que o texto da Bíblia
seja usado neste sentido? Ou será que somente
neste caso o texto da Bíblia não deverá ser lido e
entendido conforme está escrito?
Isso, filho, não é heresia ou profanação, é
questionamento. Não se deve abrir mão do
questionamento pelo simples e mero receio de
estar sendo profano. Pois o inverso disso é a
ignorância e a total submissão aos textos da Bíblia
interpretados por vigaristas, ou pior, sujeitando-se
a uma submissão incontestável aos textos bíblicos
e rendendo-se a um ícone muito pior do que tudo
que possa existir, ou seja, a bibliolatria (idolatria à
Bíblia acima de todas as coisas).
Na realidade, esta bibliolatria nasceu e foi
concebida juntamente com a idolatria a um
absurdo Deus do Antigo Testamento, forjado
inicialmente por escribas saduceus, seguido pelo
culto ao terror, na personificação exacerbada do
Diabo (no Novo Testamento). A bibliolatria foi
inventada, por gerentes de religião,
fundamentalistas cristãos, como se a Bíblia fosse
um ícone, um ídolo para ser adorado, e jamais
questionado suas palavras sob qualquer forma,
sob pena de profunda heresia e cultuamento ao
Diabo e às forças das trevas.
A bem da verdade, no sentido contrário a esta
estúpida e burra bibliolatría, quem quiser saber e
conhecer Jesus e o cristianismo há que questionar
cada palavra da Bíblia em busca da verdade cristã
("Conhecereis a verdade e a verdade vos
libertará") e ter uma mente bem aberta, sem pre-
conceito, para poder enxergar os erros, as
contradições, as bobagens e os exageros contidos
não só no Antigo Testamento, como os erros, as
contradições, as bobagens e os exageros contidos
no Novo Testamento, principalmente nos quatro
evangelhos. A começar pelo fato de que os
evangelhos foram manipulados e escritos nos
interesses da igreja e que deliberadamente esta
mesma igreja ditatorialmente excluiu outros
evangelhos, proibindo-os de compor a Bíblia, por
estrito interesse econômico e financeiro das reli-
giões cristãs, acomodadas na manutenção da
ignorância dos fiéis e ao mesmo tempo amparadas
pelo chicote e pela ameaça do sofrimento eterno
aos "hereges" que ousavam contestar as "santas e
sábias palavras" da Bíblia ou que fossem
contrários à bibliolatria (idolatria da Bíblia como
um ícone ou um ídolo).
Antes de aceitar cegamente as palavras escritas
na Bíblia como verdade absoluta, há que se
questionar, questionar, questionar e questionar as
contradições gritantes, as incoerências evidentes
entre os próprios textos da Bíblia que se
desmentem seguidamente. Há que se questionar a
autenticidade de quem relata, e principalmente se
os fatos narrados condizem com o que se conhece
historicamente sobre o fato ou sobre tal pessoa.
Há que se questionar e buscar, permanentemente,
a verdade, até como forma de libertação religiosa.
— "Pai, dá para citar algum exemplo de coisas que
estão na Bíblia, mas que você tem certeza de que
não deveriam estar porque Jesus não falaria ou
não agiria assim?"
—"Mas é claro que dá. São trocentos os exemplos.
Vamos ver alguns dos exemplos principais ou os
mais significativos, pois não dá para listar todos
eles, uma vez que são muitos os casos de
absurdos, erros, discrepancias e contradições.
Por exemplo, filho, dá para imaginar Jesus dizendo
que Ele não é da paz e sim da guerra?"
- "De maneira alguma, pai."
- "Alguém em sã consciência pode imaginar que
Jesus teria dito que não veio trazer a paz e sim a
guerra?
Pois então é só conferir Mateus (10:34) para
verificar esta bobagem saída da boca de Mateus
(ou de quem quer que seja que a ele atribuiu a
autoria do evangelho) afirmando que Jesus disse:
"Não pensais que estou vindo para enviar paz para
a terra: Eu não vim trazer a paz, mas a espada."
Na realidade esta passagem representa bem o
sonho do povo hebreu (judeu), mormente os
saduceus e fariseus, que queriam um messias
forte, vigoroso, um guerreiro, de espada na mão,
montado em um cavalo branco e que viesse
libertar o povo hebreu, e que antes de tudo, que
fosse nascido de um Deus e parido por uma
virgem.
Jesus era justamente o oposto. Não tinha cavalo
branco e sim um jumento (e emprestado, ainda
por cima). Não era forte fisicamente, mas franzino.
Era filho de um homem comum, um simples
camponês ou carpinteiro. Não era um guerreiro,
mas sim um humilde pacifista, adepto da não-
violência. Sua mãe não era virgem e sim uma
mulher comum e mãe como tantas outras, com
vários filhos. Essa era a realidade e o grande
pesadelo dos judeus (hebreus) que esperavam o
messias. E por isso, para tentar alterar essa
realidade, dura e cruel para quem esperava tanto,
é que os evangelistas (na realidade, ajudado por
escribas saduceus e fariseus), e mais a igreja
católica que no ano 150 da nossa era selecionou e
reescreveu os manuscritos, tentando alterar a
realidade dos fatos, interferiram pessoalmente nos
relatos da vida pessoal de Jesus, atribuindo a Ele
fatos e situações absolutamente incompatíveis
com a figura de Jesus.
E quem pensa que o relato evangélico de Mateus é
só um pequeno equívoco e um caso isolado,
observe-se a seqüência em Mateus (10:35),
atribuído a uma pregação de Jesus: "Porque eu
vim separar, o filho do seu pai, e a filha da sua
mãe, e a nora da sua sogra. (36) de tal modo que
os inimigos de um homem serão seus próprios
familiares. (37) Aquele que amar pai ou mãe mais
que a mim não é digno de mim: E aquele que
amar o filho ou filha mais do que a mim não é
digno de mim."
- "Meu Deus do céu, pai. Jesus disse isso mesmo?"
—"Claro que não. É aquela história que a gente
havia conversado antes. É só tirar do bloco de
pedra tudo que não for da escultura. E no caso do
evangelho, é só tirar do evangelho tudo que não
for de Jesus...
"Isso", essa coisa, essa aberração, não pode ser
palavras de Jesus. É inimaginável que Jesus,
humilde, como pacifista e humanitário, um
pregador do amor e da não-violência, um religioso
e sábio essênio (a ser visto em relatos sobre "A
Sociedade Secreta de Jesus") tenha dito que não
veio trazer a paz e sim que veio trazer a guerra e a
espada. Isso é muito semelhante às bobagens
ditas sob encomenda pelos
judeus/saduceus/fariseus "autores" e "inventores"
do Deus velho do Antigo Testamento. Isso parece-
se muito com aquele Deus pequeno, tribal,
rancoroso do Antigo Testamento. Não se parece
em nada com quem realmente foi Jesus.
Alguém pode imaginar Jesus jogando filho contra
pai, filha contra mãe? Só mesmo na mente
tortuosa dos escribas do Antigo Testamento e dos
judeus/saduceus/fariseus que "inspiraram" os
trechos dos quatro evangelistas do Novo Testa-
mento. Razão pela qual as pessoas interessadas
em religião de uma forma geral, os estudiosos, os
pesquisadores e os teólogos têm que questionar,
questionar, questionar e questionar, e ter a mente
bastante aberta, comparar e entender que no rela-
to dos quatro evangelistas existe muita coisa de
opinião pessoal e particular, e que os quatro
evangelistas ao relatarem os acontecimentos da
vida de Jesus acrescentaram coisas segundo a
crença do templário da época e/ou segundo suas
convicções pessoais. Pois, qualquer pessoa, por
mais leiga que seja, sabe que Jesus não era cruel,
a ponto de jogar filho contra pai e filha contra
mãe, e que não era arrogante a ponto de dizer que
só ele salvaria e levaria as pessoas a Deus."
— "Pai, isso não é um caso isolado?"
— "Não!"
— "Uma exceção?"
— "Não!"
— "Um caso de interpretação errada?"
—"Não! Se bem que sempre haverá um religioso
tentando inventar uma versão ou interpretação
mirabolante para algo tão simples, claro, cristalino.
Até porque, é mais fácil inventar uma versão ou
interpretação mirabolante para as barbaridades
que estão escritas na Bíblia, como se tivessem
sido ditas por Jesus, do que admitir que foram os
próprios religiosos da igreja que manusearam,
manipularam e "refundiram" os textos dos
manuscritos adaptando-os aos interesses da
própria igreja.
Religiosos supõem que admitir, agora, os erros
bíblicos retiraria da Bíblia a aura de livro santo.
Daí, insistem na manutenção do erro e da mentira,
até como forma de sobrevivencia da própria igreja,
pois é mais fácil converter uma pessoa à
cristandade pelo símbolo da cruz do que pelo
símbolo do peixe; pelo sofrimento do que pelo
altruísmo; do curandeirismo do que pelos
ensinamentos humanitários. E com isso os erros
bíblicos são secularmente mantidos."
— "Tem outros exemplos como este?"
— "Mais exemplos? São vários. Marcos diz que
Jesus mandou as pessoas cortarem suas mãos,
seus pés, e arrancarem seus olhos, ante o pecado.
Marcos (9:43:48): "E se tua mão te ofende, corte-
a: é melhor para ti entrar na vida eterna mutilado,
que tendo duas mãos, ir para o inferno, para o
fogo que nunca apaga: (44) onde o bicho que rói
nunca morre, e o fogo nunca apaga. (45) e se teu
pé te ofende, corte-o; é melhor para ti entrar na
vida eterna coxo, que tendo dois pés ser lançado
no inferno, no fogo que nunca será extinto: (46)
onde o bicho que rói nunca morre, e o fogo nunca
apaga. (47) e se o teu olho te ofende, arranque-o
fora: é melhor para ti entrar no Reino de Deus com
um olho, que tendo dois olhos ser lançado no fogo
de inferno: (48) onde o bicho que rói não morre, e
o fogo não é extinto."
— "Meu Deus do céu, pai!!! Jesus falou isso?"
— "Estas não são palavras sensatas de um
humanitário sensato como Jesus. Não são palavras
do Jesus que a humanidade conhece como
humilde, humanitário, manso, pacifista, adepto da
não-violência. Estas são palavras de loucura, dos
insanos escribas judeus/saduceus/fariseus, os
mesmos que criaram as ameaças, as maldições e
as pragas do Antigo Testamento. É só atentar para
o tanto de terror, de ameaça, de crueldade que
existe no texto para perceber, claramente, a
caligrafia dos religiosos saduceus/fariseus in-
teressados na manutenção do terrorismo religioso
e do "status quo" de benesses e benefícios
destinados aos donos, gerentes e senhores do
templo.
Os exemplos dessas insanidades são tantos,
tantos, tantos que dá para se perceber claramente
a intenção da igreja em manusear os "escritos
sagrados" do evangelho. São vários os casos
atribuindo citações como se fossem de Jesus, mas
que na realidade são pensamentos e desejos
pessoais de quem redigiu os evangelhos e de
quem os "revisou", como se fossem palavras de
Jesus. São aberrações gritantes. São casos
assustadores.
Pode alguém imaginar, por exemplo, Jesus dizendo
que quem tem muito vai ter mais ainda, e que o
pobre miserável que nada tem terá menos ainda?"
— "De maneira alguma, pai. Jesus jamais diria que
os ricos terão mais e mais, e que os pobres terão
cada vez menos. Isso é loucura."
— "Pois é exatamente esta bobagem, na realidade
uma opinião pessoal de quem escreveu, que após
relatar a magnífica parábola do semeador, contada
por Jesus, eis que inventa a parábola dos talentos
e acrescenta uma opinião pessoal, interferindo na
história, como se fosse Jesus falando. Vejamos
Mateus (13:12): "Pois a aquele que tem, dar-se-
lhe-á e terá em abundância; mas aquele que não
tem, ser-lhe-á tirado até o pouco que tem". (Um
absurdo completo)
É possível alguém acreditar que algo desse tipo
tivesse sido dito por Jesus? Sim, porque das duas
uma: Ou Jesus nunca disse uma barbaridade
dessas e os evangelistas (ou quem escreveu por
eles) estão mentindo e interferindo na história. Ou
Jesus não é nem perto e nem parecido com o que
se conhece dele. E obviamente entre as duas
opções é mais crível que os evangelistas (ou quem
escreveu por eles) estejam mentindo (como
fizeram muitas vezes em seus relatos) e que Jesus
jamais teria dito uma bobagem dessas."
— "Pai, esta citação não poderia estar no lugar
errado, referindo-se a outra coisa?"
— "Não!"
— "Não poderia ter uma interpretação diferente?"
— "Não! É a bobagem contada e repetida na
"Parábola dos Talentos". A questão é clara,
cristalina. Embora, conforme a gente já viu,
sempre haverá um religioso tentando inventar
uma versão ou interpretação mirabolante para
algo tão simples, claro, cristalino."
— "Meu Deus, pai... realmente os casos
apresentados são terríveis. Jesus jamais diria algo
desse jeito. Está muito claro que as pessoas que
escreveram os evangelhos interferiram demais no
relato."
— "É, filho, mas Jesus foi profético e via longe, veja
o que ele disse sobre os escribas pregadores.
— "Tomai cuidado com os escribas pregadores que
gostam de se exibir de vestes sóbrias, de pregar e
ser reconhecido nas praças e de ocupar os
primeiros lugares no templo; eles devoram as
casas dos pobres e das viúvas a pretexto de
orações. Estes receberão um castigo mais
severo."(Marcos 12:38-40)
Os escribas pregadores, os saduceus e os fariseus
que interferiram e co-escreveram os evangelhos,
assim como a igreja que "refundiu" os textos
atribuindo a autoria a quatro evangelistas, erraram
muito, principalmente ao invés de valorizarem os
ensinamentos de Jesus e a Sua pregação de fé,
passaram a apresentar Jesus como um simples cu-
randeiro, um farsante que fazia milagres a torto e
a direito, em geral exibindo-se em público,
contrário ao que Jesus mesmo pregava. Este Jesus
incongruente, apresentado pelos evangelistas
como curandeiro, exibicionista, arrogante, não é
nem perto e nem parecido com o Jesus que se tem
conhecimento.
Eles, os escribas, abriram mão de valorizar as
pregações e ensinamentos de Jesus, para
valorizar, prioritariamente as curas e o
curandeirismo. Os escribas saduceus e fariseus,
co-autores dos evangelhos como se fossem os
citados evangelistas, supervalorizam o
curandeirismo, sem explicar, por exemplo, por que
ressuscitar alguns mortos? (ocupando o mesmo
corpo material) Por que ressuscitar uns e não
outros? Por que não ressuscitar todos os justos?
Jesus não acreditava numa vida eterna? Jesus não
acreditava na imortalidade da alma? Por que Jesus
ressuscitou Lázaro? Só porque Jesus chegou
atrasado a um encontro com Lázaro e porque era
íntimo de uma de suas irmãs? Por que Jesus
ressuscitou Lázaro e não José, Seu próprio pai?
(Pois quando José morreu, e Jesus tinha cerca de
30 anos, Jesus entrou em pânico, desespero e
profundo sofrimento) Por que curar alguns doentes
e não outros? Acaso todos os justos não merecem
cura?
Com essa história de curandeirismo bíblico, Jesus
acabou sendo pintado pelos escribas como um
vulgar curandeiro, arrogante, presunçoso e
exibicionista, bem diferente do Jesus conhecido
como humilde e pacifista, avesso a exibição e
arrogância. E com isso, os escribas acabaram
criando uma nódoa, uma mancha quase que
irreparável na biografia de Jesus. E pior, passaram
a incentivar o curandeirismo e a vigarice religiosa
das curas imediatas "em nome de Jesus". Senão
vejamos:
Ao invés de mostrar Jesus procedendo com
humildade, sem vaidade, sem soberba e sem
arrogância, não deixando a mão esquerda saber o
que a mão direita fazia (como ele mesmo
ensinou); fazendo o bem sem dar publicidade do
fato, ou conforme citado em Lucas 8:57, em que —
numa das poucas vezes de humildade e sensatez
— recomenda aos beneficiários da cura para que
não contassem o "milagre" da cura para ninguém,
os escribas saduceus e fariseus, misturados aos
evangelistas "pintam" um Jesus como um
curandeiro, presunçoso, vaidoso, arrogante e
exibicionista, praticando todos os seus atos de
curandeirismo em público, exibindo-se, e mais,
mandando que todos tomassem conhecimento do
fato, para a glória d'Ele mesmo."
— "Puxa vida, pai... é muita maldade apresentar
Jesus desta maneira, como arrogante e
curandeiro."
— "Mas foi bem isso que os escribas fizeram, filho.
No interesse de valorizar o curandeirismo ao invés
dos ensinamentos humanitários e pacifistas de
Jesus, os escribas pregadores, visando o lucro dos
templos com a venda de curas milagrosas "em
nome de Jesus", em proveito próprio, para que
pregadores curandeiros de toda espécie saíssem
por aí praticando curandeirismo "em nome de
Jesus", eles pintaram Jesus como um presunçoso e
arrogante curandeiro.
Nas "Bodas de Caná", por exemplo, por pura
exibição, sem qualquer fundamento religioso, os
escribas pintam Jesus exibindo-se e transformando
água em vinho, na frente de muitos, simplesmente
para que houvesse vinho numa festa em que ele
estava presente. (Em outras passagens exibe-se
como um curandeiro, fazendo curas públicas mila-
grosas)
Qual o sentido bíblico desse "milagre" de
transformar água em vinho? Qual a necessidade
disso? Que lição tirar desse "milagre"? (Se bem
que sempre haverá um religioso — exegeta de
bicicleta — tentando inventar uma versão ou
interpretação mirabolante para algo tão simples,
tão claro, tão cristalino).
Numa outra oportunidade, Jesus é apresentado
pelos escribas exibindo-se na frente de todos
fazendo o "milagre" da multiplicação de pães e
peixes, no seu estrito interesse pessoal, para
alimentar pessoas interessadas em vê-Lo e ouvi-Lo
fazer um sermão.
De início, é de se deixar bem claro que o "milagre"
da multiplicação de pães e peixes, conforme
contado na Bíblia, é exatamente o oposto de como
é relatado. Isto porque, não existe a multiplicação
de pães e peixes. O que existe é a divisão de pães
e peixes, o que é bem diferente. Ou seja, ao invés
de um "milagre" de mágica de multiplicação de
pães e peixes, que não encerra ensinamento
religioso algum, é só um mero ato público de
magia, existe, sim, o milagre — verdadeiro — da
divisão de pães e peixes, que encerra um
magnífico ensinamento cristão de dividir o que se
tem com os irmãos mais necessitados.
E, de mais a mais, Jesus jamais faria um milagre
ou qualquer coisa que O beneficiasse
pessoalmente, como no caso da alimentação a seu
público ouvinte com pães e peixes, como uma
forma de "pagamento" às pessoas que vieram
para escutá-Lo e segui-Lo em pregações. Ele
mesmo disse isso de maneira bem clara e
inconteste: (João 5:30) "Eu nada posso fazer por
mim mesmo".
Estas "mágicas" em público, estas curas em
público, estes "milagres" em público, toda esta
exibição pública, é totalmente incompatível com o
recatado Jesus, humilde, que conhecemos, despido
de qualquer vaidade (Mateus 6:2) "Não permitais
que toquem trombetas por ti"; "Guardai-vos de
fazer as vossas obras diante dos homens para vos
tornardes notados por eles. (Mateus 6:1). Pois, até
para dar esmola Jesus recomenda que se dê em
segredo; que até para orar Jesus recomenda que
se faça recluso e não nas ruas e praças para ser
visto pelos homens.
Como pode este exemplo e símbolo de humildade
ser pintado por escribas saduceus e fariseus como
um curandeiro, um mágico, um exibicionista, um
arrogante, exibindo-se em público? Como pode
isto estar na Bíblia e as pessoas aceitarem
pacificamente e não questionarem este contra-
senso?
É só questionar e as intenções pessoais dos
escribas aparecem por inteiro: Qual o sentido
bíblico de Jesus fazer esta mágica em público ou
este milagre de alimentar, ora 4.000, ora 5.000
pessoas, fora mulheres e crianças? À troco de que?
Mostrar poder? Exibir-se em público? Isso contraria
tudo que Jesus sempre pregou sobre anonimato,
segredo, silêncio e humildade. E, se era para
alimentar os famintos... por que alimentar
somente a sua platéia, seu público ouvinte e os
seus "amigos" e não os necessitados? Se era para
curar alguns... por que não os justos e somente al-
guns? Se era para ressuscitar alguém, por que
ressuscitar Lázaro e não seu pai, José? E por que
não ressuscitar todos os justos e todos que
necessitassem?
Esse curandeiro exibicionista não é Jesus. Jesus
jamais agiria conforme o relatado pelos escribas.
Qual o sentido de ressuscitar Lázaro? Para que?
Trazer de volta à vida uma pessoa que estava
fedendo, cheirando a carniça depois de quatro dias
de morto? Só porque Jesus chegou atrasado na
casa de Lázaro e não pôde curá-lo quando estava
doente?
Isso é uma bobagem atroz.
Não existe um único motivo para Jesus ressuscitar
Lázaro que não seja exibicionismo. Até porque, se
Jesus fosse ressuscitar alguém que merecesse,
teria ressuscitado seu pai, José, que foi uma perda
enorme para Ele, que apesar de sofrer, chorar e
pedir a Deus por seu pai, Jesus foi incapaz de
ressuscitar a quem ele mais amava na vida, que
foi seu pai, José. Assim como transformar água em
vinho nas bodas de Caná (de seu primo Benjamim)
não passa de mero relato atribuindo publicamente
poderes mágicos a Jesus.
A ressurreição de Lázaro é uma das piores
invenções da Bíblia, pois não só joga por terra o
conceito de renascimento e vida eterna
(valorizando sobremaneira a vida material) como
retira da morte o caminho natural de Deus. Isto
porque, a única coisa certa na vida é a morte e a
morte da matéria é a maior de todas as justiças de
Deus. A morte nivela igualmente a todos: ricos,
pobres, cultos, incultos, religiosos, ateus. Todos
são inapelavelmente igualados pela morte. E o que
a ressurreição de Lázaro faz é desdizer todos os
conceitos de espiritualidade. E pelo motivo mais
fútil do mundo... algo como: "...desculpe-me por
ter chegado atrasado, e como compensação vou
ressuscitar Lázaro para me desculpar pelo
atraso..." (Inimaginável na mente de uma pessoa
normal, mas bastante compreensível para quem
escreveu as pragas e as historinhas fantasiosas do
Antigo Testamento)
Na realidade, os fatos aconteceram de maneira
bem diferente do narrado pelos escribas. Claro que
aconteceram. E nesse caso, é bom atentar para o
que Jesus realmente disse dos escribas e alertou
sobre eles:
"Tomai cuidado com os escribas pregadores..."
(Marcos 12:38)
"Se a vossa virtude não superar a dos escribas e
fariseus, não entrareis no reino dos céus." (Mateus
5:20)
"Vós, portanto, acautelai-vos, pois de tudo vos
preveni." (Marcos 13:23)
(Nota: Num sentido bíblico, escribas e pregadores
têm o mesmo significado, (Marcos 1:22, 2:6, e
2:16), uma vez que os escribas também exerciam
o sacerdócio e eram pregadores)
Atentem! Tomem tento! Jesus está claramente
alertando: "Cuidado com os escribas pregadores,
não se deixem enganar pelas palavras. Usem a
inteligência. Pensem. Questionem. Quem souber
ler, leia. Quem tiver ouvidos, ouça."
O "milagre" dos pães, por exemplo, é tão absurdo
quanto controverso, e choca-se frontalmente
quando Jesus foi instado a fazer milagre
semelhante, diante da tentação do Diabo, no
deserto. Posto que Ele mostrou-se incapaz de
transformar pedra em pão, pois os milagres de
Jesus não são para serem exibidos em público, não
são para serem usados em proveito próprio. Não
são para fazer Deus exibir Seu poder e Sua força.
Portanto, os escribas erraram, e muito, em
apresentar Jesus como um exibicionista público.
Esse curandeiro exibicionista não é Jesus.
Não sabendo como lidar com determinados fatos,
por falta de conhecimento da doutrina cristã que
principiava nascer, e não sabendo dimensionar a
importância do que Jesus fazia (achando que
mágica e milagre são mais importantes que as
lições de vida e os ensinamentos deixados por
Jesus), os escribas confundem o fato de Jesus não
querer fazer com não conseguir fazer. E assim é o
caso relatado como não tendo conseguido fazer
"milagres" de cura em sua própria terra, jogando a
culpa nos "homens de pouca fé", alegando que
ninguém faz milagre em sua própria terra.
A bem da verdade, por ignorância dos escribas,
este é só mais um triste e pobre retrato, dentre
tantos casos, de um messias curandeiro, arrogante
e exibicionista, pintado pelos escribas que a igreja
selecionou como o ideal para retratar a vida de
Jesus. Vejamos mais alguns casos incompatíveis
com Jesus:

—(Mateus 17:17) — Após curar um louco, Jesus


vocifera — "Geração descrente e perversa, disse
Jesus, até quando estarei convosco? Até quando
vos hei de suportar?"
Será esse o Jesus humilde, manso, pregador da
paz, da fraternidade, do amor, que por simples e
humana intolerância diz claramente estar de saco
cheio dos homens e da humanidade? É esse o
retrato de Jesus que a igreja e os escribas querem
passar? "Até quando vos hei de suportar?"

— (Marcos 2:1-12) — Jesus exibe-se curando um


paralítico na frente de todos, "para que todos
soubesse do poder do Filho do Homem" (Ele) e Ele
fosse glorificado".
É esse o significado da "obra de Jesus" retratado
pelos escribas? Um curandeiro vaidoso e
exibicionista que realiza uma cura de um paralítico
somente para dar uma demonstração de força e
poder do "Filho do Homem"?

— (João 9:13) — Jesus cura um cego cuspindo na


terra e fazendo uma pasta de lodo para colocar
nos olhos do cego.
Curandeirismo?
Se isso — cuspir na terra e fazer lama para colocar
no olho do paciente — não é curandeirismo, então
o significado de curandeirismo mudou muito.
Esse relato dos escribas saduceus/fariseus só
interessa mesmo aos dirigentes vigaristas
curandeiros do templo, os quais Jesus expulsou
como vendilhões.
Que outra mensagem os escribas pretenderam
passar com esse relato que não fosse o do
curandeirismo, do qual eles eram devotos,
praticantes e beneficiários?

— (Marcos 7:33-34) — Jesus cura um surdo-gago


enfiando o dedo no ouvido do surdo e cuspindo na
boca do gago.
Curandeirismo? Mais curandeirismo? É essa a
mensagem que a Bíblia quer passar
reiteradamente com o evangelho de Jesus?

— (Marcos 5:19-20) —Após curar um


"endemoniado", Jesus recomenda que seja dado
grande publicidade de seus milagres: "Vai para a
tua casa, para junto dos teus, e conta-lhes tudo
que o Senhor fez por ti”. Ele retirou-se e começou
a apregoar na Decápole o que Jesus fizera por ele,
e todos ficavam admirados.
Esse retrato de curandeiro exibicionista, muito
mais do que um retrato imperfeito de Jesus, é todo
o pretexto e mau exemplo que pregadores
vigaristas e curandeiros, que exploram o povo "em
nome de Jesus", precisam para saírem vendendo
curas, remédios, amuletos e "objetos santos" ou
de sorte. Pois, se o próprio Jesus está sendo apre-
sentado na Bíblia pelos evangelistas como um
curandeiro que exorciza, retira demônios em
público e ainda se exibe com ampla publicidade do
feito, nada mais natural que atualmente hordas de
pregadores curandeiros ajam da mesma maneira,
"em nome de Jesus", vendendo, pelas praças e
pelas esquinas: curas, "milagres", amuletos e
objetos tidos como sagrados para cura imediata de
"fiéis".
Felizmente Jesus vê mais longe, é sábio o
suficiente para saber que os escribas distorcerão
suas palavras, curandeiros vigaristas irão sair pelo
mundo prometendo e fazendo falsos milagres "em
nome de Jesus", e que muita mentira será dita em
seu nome. Daí, Jesus, por ser especial, diferente de
tudo que existiu na Terra, deixou-nos um legado
que simplesmente explica tudo.

Jesus alerta contra os pregadores,


escribas e profetas.
— "Tomai cuidado com os pregadores escribas que
gostam de se exibir de vestes sóbrias, de pregar e
ser reconhecido nas praças e de ocupar os
primeiros lugares no templo; eles devoram as
casas dos pobres e das viúvas a pretexto de
orações, listes receberão um castigo mais severo."
(Marcos 12:38-40)
— "Muitos Me dirão: Senhor, Senhor, não foi em
Teu nome que profetizamos? Em Teu nome que
expulsamos os demônios? Em teu nome que
fizemos muitos milagres? E então dir-lhes-ei:
"Nunca vos conheci, afastai-vos de mim, vós que
praticais a iniqüidade." (Mateus 7:22-23)
— "Surgirão muitos falando em meu nome. E
seduzirão muitos". (Marcos 13:6)
— "Acautelai-vos para que ninguém vos iluda".
(Marcos 13:5)
— "Acautelai-vos dos falsos pregadores e falsos
profetas que se vos apresentam disfarçados de
ovelhas, mas que por dentro são lobos vorazes."
(Mateus 7:15)
— "... pois surgirão falsos pregadores e falsos
profetas que farão sinais e prodígios a fim de
enganarem."(Marcos 13:22)
"Se a vossa virtude não superar a dos escribas e
fariseus, não entrareis no reino dos céus." (Mateus
5:20)

—"Vós, portanto, acautelai-vos, pois de tudo vos


preveni." (Marcos 13:23)

Simplesmente perfeito. Profético. Irretocável.


Filho, a maldade que foi feita com Jesus, pelos
escribas, após a sua "morte", assemelha-se com
toda a maldade que os saduceus e fariseus
fizeram com Ele em vida, levando-O à crucificação.
Se em certos momentos não for pior.
Veja, por exemplo, que existiam dois grandes
homens, pertencentes à Sociedade Secreta dos
Essênios, que (inclusive nasceram com diferença
de seis meses entre um e outro) vieram para
mudar o mundo, e que eram muito amigos e
quase irmãos: Jesus e João Batista. Inclusive, havia
uma grande dúvida, na época, até mesmo dentro
da Sociedade Secreta dos Essênios, se o messias
era Jesus ou se o messias era João Batista.
E, no entanto, o que fizeram os escribas saduceus
e fariseus para se vingar, ao mesmo tempo,
desses dois amigos, quase irmãos, para toda a
posteridade? Simplesmente jogam um contra o
outro e apresentam um Jesus pequeno, vaidoso,
mesquinho, preocupado com a rivalidade mes-
quinha e pequena com João Batista. Veja:
— (Marcos 7:22-23) — "(Jesus) Tomando a palavra
disse aos enviados: ‘lde contar a João o que vistes
e ouvistes: Os cegos vêem, os coxos andam, os
leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos
ressuscitam, a boa nova é anunciada dos pobres,
e feliz de quem não tiver em Mim ocasião de
queda’".
É esse o messias-curandeiro cuja "grande obra"
são somente curas? É esse o messias esperado,
pintado pelos escribas como um curandeiro? É
esse o messias que em Sua enorme vaidade
disputa e rivaliza com João Batista a preferência
em ser o primeiro ou "o maior"? É uma maldade
terrível dos escribas atribuírem tamanha pequenez
e vaidade a Jesus.
Mas, as vinganças contra João Batista e contra
Jesus não param por aí. Vejamos (Marcos 11:12).
Jesus procura uma figueira para comer uns figos e
não acha os frutos. Irritado com a falta de frutos
na árvore Ele amaldiçoa a figueira. No dia seguinte
— (Marcos 11:20) — a figueira secou e morreu.
É esse o "Jesus superstar", irritadiço,
temperamental e vaidoso messias que o mundo
tanto esperou? Um sujeito que fica irritadinho
porque a árvore não tem frutos para alimentá-lo e
com isso amaldiçoa-a secando-lhe até a morte?
Que exemplo de vida é esse? Esse não é Jesus...
Essa é mais uma lasca de pedra a ser retirada do
bloco, pois esse não é Jesus.
(João 2:18:20) — Exibindo-se para os religiosos
que o questionavam por haver expulso os
vendilhões do templo, Jesus garante que se quiser
poderá destruir o templo dos judeus e que mesmo
sem ajuda poderá reerguer, sozinho, em apenas
três dias, o templo que levou 46 anos para ser
construído.
É esse fanfarrão e exibido o messias que
esperavam? Que destrói e constrói quando quiser?
É essa a imagem que esperam poder passar?
É esse o messias que sai por aí fanfarronando e
dizendo que é o tal, é o maior, e que se quiser
destrói e constrói quando quiser, como fez com a
pobre figueira...???
Esse não é o Jesus dos sonhos de ninguém!
Esse é um retrato mal acabado de um messias
pintado pelos escribas saduceus e fariseus, que
por não ser o messias que eles esperavam,
vingativamente, pelos escritos que deixaram,
agora querem enterrá-Lo, mesmo depois de "mor-
to" e "ressuscitado".
Mas, o mais lamentável nesta história toda de
textos irreais e inadmissíveis é que embora um
grupo de religiosos cristãos, ao invés de enxergar
fatos como estes como sendo erro dos escribas,
prefere inventar e criar interpretações
mirabolantes e fantasiosas, levando o sentido do
texto para longe, muito longe, do sentido do que
realmente está escrito.
Este segmento de igreja, por falta de coragem em
apontar os erros dos escribas saduceus e fariseus,
e incapaz de reconhecer seus próprios erros na
montagem da "salada de frutas" das folhas soltas
que viriam a compor os evangelhos, prefere
inventar interpretações fantasiosas e mirabolantes
através de exegetas (pessoas que fazem exegese
= interpretação de palavras ou textos) para
montar explicações sobre o inexplicável. Ou seja,
ao invés de reconhecerem o erro dos saduceus,
fariseus e da própria igreja, no que está escrito,
como está escrito, a igreja inventa e cria uma
história tão fantasiosa que às vezes até acaba
dizendo coisa muito pior do que o que está escrito,
quando não troca seis por meia dúzia e diz a
mesma coisa com uma interpretação diferente.
São os exegetas de bicicleta."
—"Exegeta de bicicleta? O que é isso, pai?"
—"O exegeta de bicicleta é aquele que interpreta
qualquer texto, não importando o que esteja
escrito, levando o sentido das palavras sempre
para o mesmo local ou conclusão, no interesse do
que ele quer como resultado.
Por exemplo, se alguém diz: "Deus mata as
pessoas". Qualquer pessoa interpreta que Deus
mata as pessoas. Pura e simplesmente. Mas se for
colocado na Bíblia a mesma expressão: "Deus
mata as pessoas", o exegeta de bicicleta dirá que
a frase é igual bicicleta, mas só que completamen-
te diferente. Ou seja, é isso que está escrito, mas
não é isso que se quer dizer. Que nem bicicleta, só
que completamente diferente.
Para o exegeta de bicicleta, tudo que ele não sabe
explicar fica sendo igual a bicicleta, só que
completamente diferente. Por exemplo: Um carro
é que nem bicicleta (tem roda, direção, se
movimenta, mas...), só que completamente
diferente. Ou seja, interpreta, explica, mas não
quer dizer absolutamente nada.
Pergunte ao exegeta de bicicleta sobre o que é o
amor. Ele dirá que o amor é que nem bicicleta (dá
prazer, mas...), só que completamente diferente.
Pergunte ao exegeta de bicicleta sobre o que é o
ódio. Ele dirá que o ódio é que nem bicicleta (às
vezes machuca, mas...), só que completamente
diferente.
Pois é, religiosos "exegetas de bicicleta" criaram
uma "versão" fantasiosa e mirabolante para este
caso da destruição do templo e reconstrução em
três dias, dizendo que o que Jesus quis dizer é que
Ele, Jesus, se quisesse, poderia destruir o templo
dos judeus (não fisicamente, mas pela comoção
pela sua morte), e que com a sua ressurreição,
após três dias, ele reconstruiria o templo (ou
construiria outro).
Pura exegese de bicicleta. É que nem bicicleta (a
gente desmonta e monta, mas...), só que
completamente diferente.
Primeiro: Em que, isso muda a história? Jesus
continua sendo apresentado como o mesmo
arrogante e prepotente, conforme descrito no
versículo, dizendo que é o tal, o poderoso, que
destrói e constrói quando quiser. (Isso não muda
nada a história).
Segundo: Jesus colocava as suas pregações de
duas maneiras bem distintas: 1) Quando Ele queria
que as pessoas pensassem sobre o que Ele estava
falando, ele falava por parábolas para que as
pessoas pensassem, raciocinassem, interpre-
tassem, e chegassem a uma conclusão. 2) Quando
Jesus não queria que distorcessem o que Ele
estava dizendo, Jesus falava diretamente, (para
evitar os exegetas de bicicleta) como é o caso das
bem-aventuranças; amai-vos uns aos outros;
conhecereis a verdade e a verdade vos libertará;
buscai primeiramente o reino de Deus e sua
justiça e todas as coisas materiais vos serão
acrescentadas; sereis medidos com a medida que
empregardes para medir, etc. E, no caso da
citação do templo e dos três dias, mesmo que
fosse parábola, ainda assim, a explicação é tão
ruim quanto a citação do texto original.
É mais fácil, simples e honesto, reconhecer que os
versículos do caso são obra da "criatividade" dos
escribas saduceus e fariseus, e da "refundição"
dos textos pela igreja que não foi bem isso que
Jesus disse, do que tentar inventar uma história de
exegese de bicicleta para melhorar a infelicidade
que foi colocada como um texto evangélico de
Jesus.

Mas, continuemos com os exemplos... — (João


10:9) "Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim
salvar-se-á."
Mesmo interpretando-se o texto como sendo um
indicativo de que Jesus é o caminho, a verdade e a
vida, aqui Jesus aparece como um messias auto-
proclamado. Ou seja, um messias vaidoso
proclamado por Ele mesmo (e não por terceiros)
como a salvação do mundo. "Eu sou. Eu posso. Eu
faço... Eu, eu, eu... irritante "Eu". Essa falta de
humildade não é de Jesus.

— (João 10:11) "Eu sou o bom pastor"


Aqui, novamente, Jesus aparece como um messias
auto-proclamado, tipo: "Eu... Eu... Eu... Eu sou o
bom. Eu sou o máximo. Eu sou o bom pastor. Eu,
eu, eu... irritante Eu". Essa falta de humildade não
é de Jesus.

— (João 10:18) "Ninguém me tira a vida. Sou eu


que a dou a Mim mesmo". Tenho o poder para dá-
la e tornar a tomá-la."
Eu, eu, eu... irritante "Eu". E Deus? Onde Deus fica
nisso? Deus é mero coadjuvante? Isso é um
absurdo total e completo. Como Jesus poderia ter
dito isso dessa forma arrogante, presunçoso,
pretensioso? Justo Ele que sabia de Sua sina e que
até havia prevenido os discípulos em relação ao
cálice amargo (sacrifício e morte) que Ele iria ter
que tomar, segundo os planos de Deus. É
inconcebível esta descrição feita pelos escribas, da
arrogância de Jesus, supondo-se Ele como o todo
poderoso. Jesus, jamais falaria isso. Inclusive, este
texto choca-se total e violentamente com a Sua
confissão aos discípulos de que Ele nada podia
fazer por Ele mesmo, conforme (João 5:30) "Eu
nada posso Jazer por mim mesmo".
Resta a você, filho, retirar do bloco de pedra tudo
que não é escultura, retirar dos textos evangélicos
tudo que não for de Jesus, pois como ele mesmo
ensinou: "Se a vossa virtude não superar a dos
escribas e fariseus, não entrareis no reino dos
céus." (Mateus 5:20). Ou seja, não seja refém dos
escribas. Não adianta nada ler o texto do
evangelho, se você não puder perceber com o
coração o que Jesus realmente disse e fez, e o que
os escribas escreveram distorcendo a Sua vida,
sua obra e suas palavras."
— "Mas pai, Jesus não poderia estar dizendo uma
coisa querendo dizer outra?"
— "De maneira alguma. Jesus sabia exatamente o
valor de cada palavra. Tanto que quando Ele dizia
uma frase ou um pensamento, Ele sabia
exatamente o sentido e o significado de cada
palavra e do que Ele estava dizendo. Jesus era
essênio, sabia a força e o poder das palavras e as
usava como um mantra, como uma reza, como
uma oração. As palavras eram para ser entendidas
exatamente como Ele as havia dito, sem
interpretações mirabolantes e fantasiosas. Pois
quando Ele queria que o que Ele estivesse dizendo
fosse fruto de reflexão, de meditação, de interpre-
tação Ele falava por parábolas. (E por isso ele
deixou um número enorme de parábolas para
serem interpretadas, meditadas, refletidas).
A frase: "Ninguém me tira a vida. Sou eu que a
dou a Mim mesmo" não tem nada de parábola, é
uma frase, somente uma frase, medíocre, ufanista,
arrogante, prepotente. E que jamais teria sido dita
por Jesus que sabia da Sua morte e da Sua
submissão a Deus. Quer dizer, uma frase como
esta jamais seria dita pelo Jesus que nós
conhecemos.
Bom, mas voltemos aos exemplos das
barbaridades bíblicas dos textos dos escribas
saduceus e fariseus:

— (João 15:5) "... porque sem mim nada podeis


fazer."
Aqui, Jesus é retratado como um arrogante e
fundamentalista. Sempre focado no próprio
umbigo do Eu, eu, eu... irritante "Eu".

— (João 8:12) "... já não vos chamo servos."


Quer dizer que já não chama mais os discípulos de
servos, mas antes chamava? Só interessava ter
discípulos se fossem servos? De maneira alguma
isso é verdade. Jesus era um humilde sábio
essênio, chamava os discípulos de discípulos e os
discípulos chamavam-no de rabi (mestre). Jamais
um humilde-humanitário como Jesus pregaria a es-
cravidão, a servidão.
— (João 15:6) "Se alguém não estiver em Mim,
será lançado jora como uma vara e secará; lança-
lo-ão ao jogo e arderá."
Aqui dá para perceber, claramente, o terrorismo e
fundamentalismo que nortearam a maior parte do
Antigo Testamento escrito pelos escribas saduceus
e fariseus. Aqui está, por inteiro, a caligrafia dos
saduceus e dos fariseus. Algo do tipo: "Eu faço e
aconteço, e quem não estiver comigo vai arder no
inferno". Terrorismo puro.

— (João 15:14) "Vós sereis Meus amigos se


fizerdes o que eu vos mando."
O mínimo que se pode dizer desta infeliz frase
medíocre dos escribas saduceus, atribuída a Jesus,
é que trata-se de uma chantagem. Pretendem
apresentar Jesus como um chantagista? Querem
os escribas que ele condicione a amizade à
obediência?

— (João 8:12) "Eu sou a luz do mundo"


Eu, eu, eu... irritante "Eu". Vejam a mediocridade
dos escribas saduceus. Aqui pretendem apresentar
Jesus como um presunçoso, arrogante. Mas, no
entanto, em outra passagem colocam a coisa da
maneira correta. Ou seja, ao dizer que: "Vós sois a
luz do mundo... vós sois o sal da terra..." (Esse
sim, é Jesus. Esse é o Jesus que humildemente
reconhece o valor do ser humano e que vê além
do próprio umbigo, não o que se acha o máximo, o
tal, o poderoso, e que se titula como a luz do
mundo e o sal da terra).
Portanto, é preciso ter discernimento, a mente
bastante livre e aberta, para separar a lasca de
pedra da estátua. Separar o texto que é de Jesus
do texto saduceu, fariseu ou "refundido" pela
igreja imperial do segundo e terceiro séculos.
Ao se ler o Novo Testamento tem-se que ter o
cuidado permanente, permanente, permanente,
de que TODOS os textos foram escritos em folhas
soltas, e por isso mesmo, muitas outras folhas
soltas foram acrescentadas por escribas saduceus
e fariseus, misturadas e incorporadas às dos
verdadeiros evangelistas e depois "refundidos"
pela igreja. Portanto, as autorias dos textos pelos
quatro evangelistas são presumidas e não
necessariamente verdadeiras, geradas pela co-
autoria, pela pasteurização e uniformização dos
textos pela igreja.

— (João 14:6) "Ninguém vai ao Pai senão por mim"


Arrogante, presunçoso e fundamentalista. Nada é
mais arrogante, presunçoso e fundamentalista do
que esta frase. Pois encerra como ensinamento
que na humanidade inteira, antes de Jesus,
ninguém ia a Deus e depois de Jesus somente
quem fosse cristão iria a Deus. (Esta frase é de
uma imbecilidade fundamentalista a toda prova)
Jesus, por ser um humilde pacifista humanitário,
um manso ao extremo, pertencente à Sociedade
Secreta dos Essênios (o que irritava
profundamente aos saduceus e aos fariseus), e
sendo Ele um profundo conhecedor das escrituras,
um rabi, um mestre, jamais seria portador de
tamanha arrogância e vaidade pintada pelos
escribas saduceus e fariseus.
Exatamente porque Jesus era essênio e conhecia
muito bem as escrituras e os ensinamentos
essênios, jamais se enredaria na arrogância e na
vaidade, pois um dos primeiros ensinamentos dos
essênios era a humildade. E o contrário da
humildade, é a vaidade, que está claramente con-
denada no ensinamento essênio, retratada
inclusive em Eclesiastes, ao qual Jesus jamais
desobedeceria.

(Eclesiates 1:2 "Vaidade das vaidades, dizia o


pregador, vaidade das vaidades, tudo é vaidade"
("Vanitas vanitatum, eclesiastes dixit, vanitas
vanitam, omnia vanitas")

Para melhor compreender a luta surda que existia


entre os diversos grupos de hebreus (saduceus,
fariseus, essênios, zelotes), simplificadamente
chamados de judeus, vejamos algumas das
principais características de cada grupo:

— Saduceus — Eram a elite religiosa, sacerdotal e


aristocrática de Jerusalém. Dominavam tudo. Eram
ricos, em geral sabiam ler e escrever (o que era
raro na época); tinham o poder, juntamente com
os romanos, que dominavam os povos daquela
região. Eram conservadores. Só admitiam o
Pentateuco (os cinco livros de Moisés), não
aceitavam nem mesmos os outros livros de
sabedoria, salmos e ensinamentos. Não aceitavam
a ressurreição. Não acreditavam em vida após a
morte. Não acreditavam na imortalidade da alma.
Só existia um Deus: o Deus tribal de Israel. Os
saduceus foram os responsáveis diretos pela
crucificação de Jesus.
— Fariseus — Fariseu quer dizer "o que está
separado". Eram parecidos com os saduceus,
também pertenciam a uma elite (mas não tão
importante ou com tanto poder quanto os
saduceus). Eram extremamente racistas e radi-
cais. Não aceitavam os Gentios (os não judeus).
Diferenciavam-se dos saduceus por acreditarem
na ressurreição (No caso a ressurreição final, só no
fim dos tempos).
— Essênios — Sociedade secreta a que Jesus e
João Batista pertenciam. Os essênios eram
parcialmente vegetarianos (Não comiam carne
"vermelha", mas comiam peixe e gafanhotos).
Viviam separados dos demais judeus. Eram doutos
e sábios. Tinham sólidos conhecimentos religiosos
e doutrinários. Eram essencialmente
espiritualistas, acreditavam na imortalidade da
alma, na ressurreição, na reencarnação e na vida
eterna. Pregavam o batismo como o renascimento
para uma nova vida ainda nesta vida terrena.
Adotavam a liturgia da ceia de pão e vinho como a
celebração de irmandade e união. A direção da
seita era composta por 12 "homens da santidade".
Eram adeptos da humildade como norma de vida.
Pregavam a não-violência. Praticavam a imposição
de mãos. Faziam curas gratuitas aos doentes
através da emanação de energia corporal. Eram
odiados por saduceus, fariseus e zelotes. Os
essênios adoravam mais a Jesus e a João Batista
do que a Moisés. E por isso eram odiados pelos
demais judeus, e por este motivo, principalmente
os essênios, foram dizimados pelos outros grupos
de judeus na diáspora de 70.
— Zelotes — Grupo radical, ultranacionalista.
Odiavam os romanos dominadores. Promoviam
protestos e constantes rebeliões, embora quase
nunca tivessem muito sucesso nestes atos de
insubordinação, pois os zelotes eram minoria, um
grupo, embora barulhento, era muito pequeno. Os
zelotes achavam que Jesus era um pacifista
traidor, que não tinha coragem de enfrentar Roma.
(Jesus bar Abas - Jesus filho de Abas — mais
conhecido como Barrabás, foi o zelote mais
conhecido, citado pelos textos bíblicos) — Gentios
— Os não-judeus.

Erros e contradições do Novo


Testamento
Não contentes em apresentar Jesus como um
curandeiro, vaidoso, arrogante e presunçoso, até
porque esta era a convicção do símbolo de poder
de um Deus dos saduceus da época, haja vista a
forma como atribuíam o "poder" de Deus no Antigo
Testamento, os escribas saduceus e fariseus,
misturando seus escritos aos dos evangelistas,
ainda cometeram um número enorme de erros e
contradições em seus relatos. Senão vejamos:
Confronto entre espírito e matéria
(Lucas 20:38) "Ora, Deus não é Deus dos mortos,
mas dos vivos, pois, para Ele, todos estão vivos."
(João 11:25) "Eu sou a ressurreição e a vida; quem
crê em mim, ainda que esteja morto, viverá."
Viverá... sim... mas... como espírito ou como
matéria?
Existe um conceito básico, universalmente aceito,
de que matéria é matéria (concreto) e que espírito
é espírito (imaterial), e a evolução deste raciocínio
é que nós, seres humanos, enquanto estivéssemos
vivendo a nossa vida material, aqui na Terra,
seríamos espíritos (imateriais), energia imaterial,
fundido (aprisionado) dentro de um corpo físico
(material) e usando o corpo temporariamente e
meramente como meio de locomoção e não como
um fim. Entretanto, como nem sempre este
conceito foi assim. Ou melhor, o conceito entre
matéria e espírito, dois mil anos atrás, era bem
diferente disso, os escribas do Novo Testamento
acabaram provocando uma confusão terrível sobre
o assunto, principalmente em duas situações. A
primeira na ressurreição de Lázaro e a segunda na
ressurreição de Jesus.
Na ressurreição de Lázaro, depois de quatro dias
morto, após o espírito já ter abandonado o corpo
físico, com a sepultura fétida de carne podre,
conforme relatado na própria Bíblia, Jesus faz
Lázaro voltar à vida e retomar o seu corpo podre.
(Afinal... A vida eterna não é espiritual? Então,
para que ressuscitar Lázaro e fazer sua carne
podre voltar à vida? Isso contradiz todo o conceito
entre carne e espírito. Contradiz, destrói e aniquila
com o conceito e a valorização da vida espiritual,
para supervalorizar o apego à vida material e
física).
Na ressurreição de Jesus, num primeiro momento,
nenhum dos discípulos reconhece Jesus (Nem
Maria Madalena, nem as outras mulheres, nem os
discípulos no caminho de Emaús, nem os
discípulos no outeiro santo). Sinal de que a
materialização do espírito de Jesus era bem
diferente do corpo físico original de Jesus, pois
nem as pessoas mais íntimas O reconheceram.
Mas o mais espantoso é que o "espírito" de Jesus
ressuscitado é material. Isso mesmo: espírito
material. Ou seja, Jesus sente sede, sente fome,
conversa com os discípulos e pede para que
toquem nele (espírito), na sua carne/espírito, e
para que tirem a dúvida Ele pede a Tomé que
toque nas chagas, nas mãos e nos pés, onde os
cravos haviam feito as perfurações na cruz. Um
absurdo total, somente imaginável no conceito dos
saduceus que não tinham o conceito de vida
eterna e não acreditavam em reencarnação. E por
isso, está mais do que claro que este texto é de
um judeu saduceu e não de um essênio. (A não ser
que Jesus não tenha morrido na cruz e a
"ressurreição" não seja verdadeiramente uma
ressurreição. Será?)
Aparição para Maria Madalena (João 20:4) "Dito
isto, (Maria Madalena) voltou-se para trás e viu
Jesus de pé, mas não sabia que era Jesus."
Sinal de que a aparição estava diferente do corpo
original de Jesus
Aparição para dois discípulos no caminho de
Emaús, sem reconhecerem Jesus (Marcos 16:12)
"Depois disso, apareceu, com um aspecto
diferente, a dois deles (discípulos) que iam a
andar a caminho do campo (Emaús)."
Sinal de que a aparição estava diferente do corpo
original de Jesus.
Aparição, novamente, para os discípulos, sem
reconhecerem Jesus (Marcos 16:14) "Apareceu aos
próprios onze, quando estavam à mesa, e
censurou-lhes a incredulidade e a obstinação em
não acreditarem naqueles que O tinham visto
ressuscitado (Lucas 24:36-39) "Jesus apresentou-
se no meio deles e disse-lhes: ‘A paz esteja
convosco’... Vede minhas mãos e meus pés, sou
eu mesmo. Apalpai-me e olhai que o espírito não
tem carne nem ossos, mas verificais que Eu
tenho."
Sinal de que a aparição não só estava diferente do
corpo original de Jesus, como a aparição era física
a ponto de Jesus pedir para que o tocassem, que o
apalpassem.
Com fome após ter morrido e ressuscitado, Jesus
pede comida: (Lucas 24:41-42) "Ele perguntou-
lhes: ‘Tendes aí alguma coisa que se coma?’.
Então deram-Lhe uma posta de peixe assado; e
tomando-a, comeu diante deles."
Como assim? Fome física (material)? Um espírito,
imaterial, que acabara de ressuscitar estava com
fome? Morrer dá fome? Que tipo de mensagem
esperavam os escribas saduceus e os
"evangelistas", os pregadores e a igreja com esse
tipo de relato? (A não ser que Jesus não tenha
morrido na cruz e a "ressurreição" não seja
verdadeiramente uma ressurreição. Será?)
Não há como atribuir ao leitor uma outra
interpretação ou a falta de compreensão do texto.
Não há como imputar culpa do texto ao leitor por
falta de fé. Não há como solicitar profunda
ignorância do leitor para se poder fazer um texto
como esses ser digerível e compreensível. Decidi-
damente, a própria falta de conhecimento dos
escribas sobre o que era físico e imaterial, carne e
espírito e de como seria ou deveria ser o processo
de reencarnação, é que provocam erros grosseiros
e absurdos como estes. (A não ser que Jesus não
tivesse morrido na cruz. Ou melhor, não tivesse
morrido na crucificação, e antes de morrer na cruz,
houvesse sido salvo da morte e posteriormente, já
curado, apareceu como corpo material. Será?)
Esta questão, no mínimo confusa, sobre
reencarnação, material e imaterial, somente se
torna compreensível a partir do ponto em que
você assume que Jesus era um sábio essênio,
pertencente à Sociedade Secreta dos Essênios
(odiada pelos saduceus, fariseus e zelotes, e que
foi dizimada por eles na diáspora de 70), e que
tinha convicções muito próprias sobre
ressurreição, reencarnação, incorporação, e
materialização, como sendo quatro coisas distintas
e bem diferentes, e que o espírito e a
materialização de Jesus ocorreram de acordo com
a crença daquela sociedade. Ou seja, ressurreição
(ressurgir dos mortos, como Jesus, indicando a
existência de vida eterna); reencarnação (como
Lázaro que reencarnou no próprio corpo);
incorporação (no corpo alheio, como o possesso,
cujos "demônios" ou espíritos ruins incorporaram-
se nele e depois transferiram-se para os porcos, ou
como em (Marcos 6:14) quando Herodes diz que
Jesus estava incorporado por João Batista); e
materialização (que é transformar algo imaterial
em matéria, como o espírito — imaterial — de
Jesus que se materializa para Paulo/Saulo, no
caminho de Damasco, ou quando aparece aos
discípulos).
Mas, continuando sobre os erros e contradições do
Novo Testamento:
A terra perecerá? (Como no Novo Testamento)
(II Pedro 3:10) "Os céus passarão com um grande
estrondo... a Terra e todas as obras que nela há
serão consumidas."
(Hebreus 1:10-11). "Tu, Senhor, no princípio
fundaste a Terra e os céus, são obras das Tuas
mãos. Elas perecerão, mas Tu permanecerás."
Ou a terra vai durar para sempre? (Como no
Antigo Testamento)
(Salmos 104:5) "Fundastes a Terra sobre bases
sólidas, inabaláveis para sempre."
(Eclesiastes 1:4)...mas a Terra subsiste sempre."
Afinal, a Terra vai acabar ou vai durar para
sempre?

O reino dos céus está próximo?


(Mateus 4:17) "Arrependei-vos, porque está
próximo o reino dos céus."
Ou já chegou?
(Lucas 17:20-21) "O reino dos céus já chegou. Ele
está dentro de vós."
Afinal, o reino dos céus chegou ou não chegou?
O testemunho de Jesus é verdadeiro?
(João 8:14) "Ainda que Eu dê testemunho de Mim
mesmo, é verídico o Meu testemunho, porque sei
de onde vim e para onde vou."
Ou Jesus era contraditório e o Seu
testemunho é falso?
(João 5:31) "Se Eu dou testemunho a respeito de
Mim mesmo, o Meu testemunho não é
verdadeiro."
Afinal, o testemunho de Jesus é falso ou
verdadeiro?

Jesus pregava a paz e o amor?


(João 13:34 e 15:12) "Amai-vos uns aos outros
como eu vos amei."
(Mateus 5:44) Eu, porém, vos digo: "Amai a vossos
inimigos e orai pelos que vos perseguem."

Ou pregava a desunião e a guerra?


(Mateus 10:34-36) "Não penseis que vim trazer
paz à Terra. Não vim trazer a paz, mas a espada.
Porque eu vim separar, o filho do seu pai, e a filha
da sua mãe, e a nora da sua sogra. (36) de tal
modo que os inimigos de um homem serão seus
próprios familiares."
(Lucas 22:36) "...e quem não tem espada, venda
sua capa e compre uma."
Afinal, Jesus pregava a paz ou a guerra?
À bem da verdade, isso já foi abordado antes. É
claro que Jesus era essênio, humanitário, pacifista,
pregador da não violência. Atribuir a Jesus a
pregação da guerra é mais uma das tantas
violências cometidas contra Ele pelos escribas
saduceus e deve ser retirada do contexto assim
como o escultor retira da pedra bruta o que não é
escultura.

Quem foi o pai de José, e avô de Jesus: Jacó


ou Heli?
(Mateus 1:16) "E Jacó gerou a José, marido de
Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo."
(Lucas 3:23) "Ao iniciar o Seu ministério Jesus
tinha cerca de trinta anos, sendo filho, como se
supunha, de José, filho de Heli"
Afinal, quem era o avô de Jesus? Jacó ou Heli?
Aqui está uma daquelas situações que havíamos
comentado antes. Quando a igreja revisou e
"refundiu" os textos dos quatro evangelhos,
tentando harmonizar ao máximo os escritos entre
si, em diversas situações deparou-se com a dúvida
atroz: "Diante de relatos conflitantes e
contradissentes dos evangelistas, a quem dar
maior credibilidade?" "Qual texto deve ser
considerado o correto?"
Ante a este impasse, a igreja preferiu deixar os
dois textos, contraditoriamente, exatamente como
estavam, pois se escolhesse uma das versões
poderia estar fazendo a escolha errada, e com isso
destruindo uma possível versão correta. Razão
pela qual diversas contradições bíblicas como esta
passaram a fazer parte da Bíblia, sem qualquer
constrangimento ou justificativa maior.
E assim, na mesma situação de dúvida histórica e
genealógica da igreja, ficamos sem saber: Afinal,
quem era o avô de Jesus? Jacó ou Heli?
Deus confiou o julgamento a Jesus?
(João 5:22) "O Pai não julga ninguém, mas
entregou ao Filho o poder de tudo julgar"
(João 5:27) "... e deu-lhe o poder de julgar por ser
Filho do homem"
(João 5:30) "Eu nada posso jazer por mim mesmo;
conforme ouço é que julgo, e o Meu juízo é justo,
porque não busco a Minha vontade, mas a
vontade Daquele que a Mim enviou".
(João 8:26) "Tenho a vosso respeito, muito o que
dizer e que julgar"
(II Corintos 5:10) "Porque todos havemos de
comparecer perante o tribunal de Cristo, para que
cada um receba o que mereceu, conforme o bem
ou o mal que tiver jeito, enquanto estava no
corpo."
Jesus, porém, disse que não julga ninguém.
(João 8:15) "Vós julgais segundo a carne, Eu não
julgo ninguém"
(João 12:47) "... não sou Eu que condeno, porque
não vim para condenar o mundo, mas para o
salvar."
Os santos é que irão julgar o mundo?
(I Corintos 6:2) "Por ventura não sabeis que os
santos hão de julgar o mundo?"
Aqui repete-se a mesma situação de dubiedade de
narração dos evangelistas, sendo que no caso, o
próprio João Evangelista, o vaidoso e pernóstico
João, que se definia como: "o discípulo a quem
Jesus amava" — é quem mais se contradiz.
Para os cristãos, a última ceia foi na quinta-
feira, a prisão de Jesus foi na madrugada de
quinta para sexta-feira, a morte de Jesus foi
na sexta feira, e a ressurreição foi no
domingo (páscoa cristã).
Há que se considerar inicialmente duas coisas bem
distintas: A páscoa judaica, não é um único dia,
mas uma semana, e se inicia com a festa dos
ázimos (comida de pães não fermentados), por
isso mesmo, pode começar em qualquer dia da
semana, dependendo da fase da lua e termina
uma semana após em qualquer dia da semana; e a
páscoa dos cristãos, que é celebrada sempre,
sempre, sempre aos domingos. Ou seja, os sete
dias de semana da páscoa judaica (que começa e
termina em qualquer dia da semana) não têm
necessariamente correlação com o domingo da
páscoa cristã.
A páscoa judaica inicia-se com os ázimos (pães
não fermentados) para celebrar a fuga dos judeus
escravos do Egito, onde os judeus fugiram com
sacos de farinha nas costas, e que em razão do
suor do corpo molhando e secando a farinha nas
costas, fabricavam, espontaneamente, pães não
fermentados (ázimos) que serviam de alimento
para os judeus em fuga. E este ato —
extremamente simbólico para os judeus — passou
a ser o início da celebração pascal, preconizada
por um grande jejum semanal, cujo início era a
festa dos ázimos e terminava com a fartura da
morte do cordeiro pascal (churrasco de cordeiro).
Onde se pode constatar que as páscoas judaicas e
cristãs são completamente diferentes, sendo a
judaica regida pelas fases da lua enquanto que a
cristã é regida pelo calendário solar.

A santa (última) ceia foi na quinta-feira?


(João 13:1-2) "Antes da festa da páscoa, sabendo
Jesus que chegara Sua hora de passar deste
mundo para o Pai... E no decorrer da ceia..."
Ou seja, a última ceia podia ser qualquer dia da
semana antes da festa da páscoa judaica. Supor
que a última ceia tenha ocorrido na quinta-feira é
absolutamente falta de qualquer fundamento
histórico, concreto.

Ou a santa (última) ceia foi na terça-feira?


(Mateus 26:17) "No primeiro dia dos ázimos, os
discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-lhe:
‘Onde queres que façamos os preparativos para
comer a páscoa?’."
João diz que a ceia foi antes da páscoa e Mateus
diz que a ceia foi no primeiro dia da páscoa (no
primeiro dia dos ázimos, quando não se comia
fermento, para celebrar a páscoa judaica, que era
a celebração da libertação do povo Judeu do
Egito). Mas, independentemente de ter sido antes
da páscoa (como quer João) ou no seu primeiro dia
(como quer Mateus) não se sabe qual foi o dia da
semana em que isto ocorreu, porque a páscoa
judaica poderia iniciar-se em qualquer dia da
semana.
Flávio Josefo, o maior historiador judaico
conhecido, afirma que a morte de Cristo ocorreu
no 14° dia de Nissan (o dia de preparação da
Páscoa dos Judeus), que naquele ano havia caído
numa sexta-feira (nossa sexta-feira santa).
Diversos outros registros religiosos também
indicam que a morte de Jesus ocorreu numa sexta-
feira.
Entretanto, não se pode concluir de imediato que
se Jesus morreu numa sexta-feira (véspera do
sagrado sábado judaico), sua prisão foi feita no
mesmo dia (nossa madrugada de quinta para
sexta-feira) e que a última (santa) ceia foi feita no
dia anterior (quinta-feira). Isto porque, após Jesus
ter sido preso, Ele foi levado até Anás no Sinédrio
(Anás era membro dirigente do Sinédrio), e ali
Jesus foi interrogado. Posteriormente saiu dali e foi
enviado a Caifás (sumo sacerdote) no templo, e
Jesus foi novamente interrogado. Depois foi
enviado ao palácio de Pôncio Pilatos, e foi
novamente interrogado. Reconhecendo Pilatos que
Jesus era galileu, foi encaminhado ao palácio de
Herodes, e foi mais uma vez interrogado (Aqui
uma observação: No primeiro interrogatório de
Pilatos, Jesus declarou-se galileu de nascimento —
Galiléia, no norte — e como Pilatos tinha poderes
somente na Judéia — no sul — não poderia
interferir na jurisdição de Herodes (no norte). Daí o
motivo de Jesus ter sido enviado a Herodes).
Absolvido por Herodes, Jesus retorna a Pilatos,
agora com a autorização para julgar sobre crimes
locais, pois nenhum crime contra Roma havia sido
encontrado por Herodes. Pilatos, interroga
novamente Jesus e Ele é levado para terrível
castigo físico de chicoteamento na masmorra do
palácio, para ver se esse castigo aplacaria a ira
dos saduceus contra Jesus. No dia seguinte, os
saduceus inconformados com a simples prisão e
chicoteamento de Jesus, exigem de Pilatos um jul-
gamento público para a crucificação de Jesus.
Finalmente, Jesus volta da masmorra (chicoteado e
sangrando) para um julgamento público de Pilatos,
exigido pelos saduceus, onde Jesus é confrontado
com Barrabás (Jesus bar Abas). Depois segue-se o
coroamento de espinhos, a "via crucis" até o
Gólgota, e a crucificação na terceira hora (nove
horas da manhã) (Marcos 15:25) "Era a hora
terceira quando o crucificaram. "
Logicamente, é física e humanamente impossível
acontecer tudo isso num espaço de tempo tão
curto entre o nascer do sol até as nove horas da
manhã. Isso é física e praticamente impossível.
(Prisão, Anás, Caifás, Pilatos, Herodes, Pilatos e
chicoteamento, Pilatos novamente no dia seguinte
em julgamento público, coroação de espinhos, via
crucis, e crucificação às nove da manhã)
Assim, a data da morte de Jesus (sexta-feira) não
tem relação automática com o dia da Sua prisão.
Que, por sua vez, não tem relação automática com
a data da última (santa) ceia.
Os escritos tidos como "apócrifos" e os
manuscritos do Mar Morto (Qunram) desmentem
estas datas bíblicas confusas dos evangélicos. A
própria Bíblia católica reconhece o crasso erro
entre João e os outros três evangelistas,
mostrando ser impossível determinar estas datas,
senão vejamos:
"Bíblia Sagrada — Nova Edição Papal — Traduzida
dos "originais" pelos missionários capuchinhos de
Lisboa — Pág. 1004 — Nota sobre Mateus 26:17 —
"É difícil harmonizar o texto de João 19:31, para
quem o primeiro dia dos ázimos cairia numa
sexta-feira santa à tarde, com esta data dos
sinóticos. Descobertas recentes dão ensejo à
possibilidade de haver discrepância a cerca dos
calendários. Qunram e outros seguiriam o
calendário solar, indicando a celebração da páscoa
na terça-feira, ao passo que, oficialmente, no
templo, a páscoa teria sido celebrada na sexta-
feira."
Aqui um caso raro. Pela primeira vez a Igreja
Católica Apostólica Romana cita nominalmente e
admite (num comentário — bula — da própria
Bíblia) o que não mais pode ser escondido: a
importância dos Manuscritos do Mar Morto e dos
evangelhos raivosamente alcunhados de apócrifos
("Qunram e outros seguiriam o calendário solar"),
posto que os manuscritos de Qunram são os
únicos documentos historicamente autênticos,
verdadeiros e irrepreensíveis sobre os
acontecimentos envolvendo a vida de Jesus. E os
documentos de Qunram desmentem
categoricamente muitas fantasias, erros e
contradições dos quatro evangelhos "refundidos"
pela igreja.
Em outras palavras, a data da última (santa) ceia,
assim como a data da Sua prisão, pode ter
acontecido em qualquer dia da semana —
presumivelmente segunda e terça-feira.
De comum acordo, em toda esta história, somente
o fato da morte ter sido na sexta-feira, véspera do
sábado sagrado dos judeus. E a "ressurreição" ter
ocorrido no domingo, que acabou se
transformando na data da páscoa cristã. Mas daí a
dizer que de sexta-feira a domingo passaram-se
três dias para fazer coincidir com as profecias do
Antigo Testamento, "ao terceiro dia ressurgiu dos
mortos", a distância é grande, pois de sexta para
sábado é um dia, e de sábado para domingo é um
segundo dia e não terceiro.
O terceiro dia cairia na segunda-feira. Em número
de horas é pior ainda. Pois se Jesus morreu na
tarde de sexta-feira e ressuscitou na manhã de
domingo, não havia se passado sequer 48 horas.
Essa história de ressurgir dos mortos depois de
três dias, é para fazer coincidir a "profecia
retroativa" de Mateus (escrita mais de 70 anos
depois da data do nascimento de Jesus) com a
profecia bíblica de Jonas (da baleia) e o relatado
pelo próprio Mateus como tendo acontecido
semelhantemente com Jesus:
(Mateus 12:40) "Assim como Jonas esteve no
ventre da baleia por três dias e três noites, assim
o Filho do Homem estará no seio da Terra três dias
e três noites."
Especializando-se em "profecias retroativas",
Mateus cria, inventa "profecias" sobre fatos que
ele mesmo irá relatar como se tivessem
acontecidos como profecia. Isto porque, Mateus
estava escrevendo o evangelho mais de 70 anos
depois da data do nascimento de Jesus, e mais de
40 anos depois da "morte" de Jesus. E com isso, já
que Mateus não podia reescrever o Antigo
Testamento, Mateus "previu" (posteriormente ao
ocorrido) que Jesus ressuscitaria dos mortos ao
terceiro dia, conforme a previsão que ele mesmo
inventou em 20:19: "Entregá-lo-ão aos pagãos,
para o encarnecerem, açoitarem e crucificarem.
Mas ele ressuscitará ao terceiro dia."
Conforme dito anteriormente, da morte de Jesus,
na sexta-feira à tarde até a Sua "ressurreição" no
domingo de manhã, não são três dias e três noites.
Sequer chegam a 48 horas. E quanto a Jonas ter
sido engolido por uma baleia (na realidade "grande
peixe"), a impossibilidade resulta do lato da baleia
ser um animal que não se alimenta de carne
humana, e que biologicamente, em razão do
tamanho do esôfago de uma baleia, alimenta-se
basicamente de pequenos peixes, crios (uma
espécie de camarões) e plancton. Seria um caso
único, na humanidade, de uma impossibilidade
biológica, tão irreal quanto ressurgir intacto do
estômago da baleia após três dias e três noites,
sendo bombardeado por poderosos sucos
estomacais que destroem ossos, espinhas e
couraças de crustáceos. Mas, como na Bíblia,
morcego é ave e insetos têm quatro patas... pode
ser que o caso de Jonas com a baleia seja mais um
caso bíblico zoológicamente raro e impossível.

Jesus foi crucificado na hora terceira, sexta


ou nona?
(Marcos 15:25) "Era a hora terceira quando o
crucificaram."
(João 19:14) "Era a parasceve pascal (dia da
preparação da páscoa judaica), e quase na sexta
hora. Pilatos disse aos judeus: "Eis aqui vosso rei".
Marcos garante que Jesus foi crucificado na hora
terceira, ou seja, nove horas da manhã. Mas
segundo João, foi bem depois da hora sexta (meio-
dia). Ou seja, algum tempo após Pilatos ter
apresentado Jesus aos judeus/saduceus e fariseus,
condenado, na hora sexta (meio dia).
Já para Mateus, a crucificação foi próximo da hora
nona (três horas da tarde).
Decididamente, não há como harmonizar estes
horários. E, como a igreja, ao "refundir"
(reescrever) os textos das folhas soltas que viriam
a ser os evangelhos, recusou-se a eleger um
horário como o definitivo, fica a critério de cada
um admitir o horário que melhor aprouver.
Para melhor compreensão da contagem do tempo
naquela época, o dia não se iniciava à meia-noite,
iniciava-se ao anoitecer, às seis horas da tarde e
terminava às seis horas da tarde do dia seguinte,
quando só a partir daí eram iniciadas as horas. Ou
seja, o dia iniciava-se pelo anoitecer e terminava
com o fim da luz do dia seguinte e neste período
as horas não eram contadas. As horas só eram
contadas com a luz do dia.
A nossa zero hora coincide com a meia noite, e daí
segue-se pela madrugada: 1 da manhã, 2 da
manhã, 3 da manhã etc. A zero hora judaica
iniciava-se às seis horas da manhã e a primeira
hora era às 7h, a segunda hora era às 8h, a
terceira hora era às 9h, a quarta hora era às 10h, a
quinta hora era às 11h, a sexta hora era às 12h, a
sétima hora era às 13h, a oitava hora era às 14h, a
nona hora era às 15h, a décima hora era às 16h, a
décima primeira ou undécima hora era às 17h, a
décima segunda hora era às 18h.
Quantas mulheres foram ao sepulcro?
Uma mulher foi ao sepulcro?
(João 20:1) "Na madrugada do primeiro dia da
semana, sendo ainda escuro, Maria Madalena foi
as sepulcro, e viu que a pedra fora revolvida da
entrada. Correu ela e foi ter com Simão Pedro e
com o outro discípulo, a quem Jesus amava..."
Duas mulheres foram ao sepulcro?
(Mateus 28:1) "Passado o sábado, ao alvorecer do
primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra
Maria foram visitar o sepulcro."
Três mulheres foram ao sepulcro?
(Marcos 16:1-2) "Passado o sábado, Maria
Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé
compraram aromas para irem embalsamar o corpo
de Jesus. Muito cedo, no primeiro dia da semana,
logo depois do nascer do sol, foram ao sepulcro."
Várias mulheres foram ao sepulcro?
(Lucas 23:54-55; 24:1; 24:10) "Era o dia da
preparação e ia começar o sábado. As mulheres
que tinham vindo com Ele da Galiléia, seguiram a
José e viram o sepulcro, e como o corpo fora ali
depositado (...) No primeiro dia da semana bem
cedo, elas foram ao sepulcro, levando os perfumes
que tinham preparado (...) Voltando do sepulcro,
foram contar tudo aos onze e a todos os restantes.
Eram elas Maria Madalena, Joana, Maria, mãe de
Tiago e as outras que com elas estavam..."

Quais foram as últimas palavras de Jesus?


Mateus (27:46) "E por volta da hora nona
exclamou Jesus em alta voz: "Elli, Elli, lema
sabacthani?." (Deus, Deus, por que me
abandonaste?) e que alguns até pensaram que Ele
estava chamando por Elias.
Marcos (15:34) "Eloí, lama sabachthni" (Deus, por
que me abandonaste?)
Lucas (23:46) "... Jesus clamou com grande voz-
‘Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito’.
Havendo dito isto, expirou".
João (19:30) Quando Jesus recebeu o vinagre
oferecido por um soldado, embebido em uma
esponja, disse: ‘Tudo está consumado!’ E
inclinando a cabeça, entregou o seu espírito.

Jesus profetizou que Pedro o negaria antes


do galo cantar uma vez.
(Mateus 26:34) "Jesus retorquiu-lhe: "Em verdade
te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo
cante, três vezes me negarás.
Ou duas vezes?
(Marcos 14:30) "Jesus disse-lhe: "Em verdade te
digo que hoje, esta noite, antes que o galo cante
duas vezes, três vezes me negarás"."

Pedro negou conhecer Jesus...


... três vezes, antes do galo cantar uma vez...
(Mateus 26:74-75) Então começou ele a praguejar
e a jurar, dizendo: "Não conheço esse homem." E
imediatamente o galo cantou. Então Pedro se
lembrou das palavras que Jesus lhe dissera: "Antes
que o galo cante, três vezes me negarás."
(Lucas 22:60) "...e Pedro lembrou-se da palavra
que o Senhor lhe havia dito: Hoje, antes que o galo
cante, três vezes me negarás."
... três vezes, antes do galo cantar duas
vezes...
(Marcos 14:70-72) "Mas ele negou a segunda vez,
(e pela terceira vez Pedro nega a Jesus) "Não
conheço esse homem que dizeis". E,
imediatamente o galo cantou pela segunda vez.
Pedro lembrou-se então do que Jesus havia dito:
"Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me
negarás." E desatou a chorar"
... duas vezes, antes do galo cantar uma
vez...
(João 18:27) "Pedro negou novamente (a Jesus), e
naquele momento um galo começou a cantar."
... ou três vezes, sem que o galo cantasse
uma única vez?
(João 13:38) Disse-lhe Jesus: "Tu darás a tua vida
por mim? Em verdade, em verdade te digo: Não
cantará o galo antes que tu Me negues três
vezes."

Será que dá para perceber algum tipo de


contradição, nisso?

Judas beijou Jesus durante a traição?


(Lucas 22:48) — "Judas é com um beijo que
entregas o Filho do Homem?" (Porém, segundo
Mateus, Jesus teria dito: "Amigo, a que vieste?" ou
também "Amigo, foi para isso que vieste?")
Ou não?
Em João 18:1-11, numa longa narrativa, Jesus
sequer fala com Judas, e aparece como um
valentão apresentando-se aos guardas. "A quem
buscais?", "A Jesus, O Nazareno?", "Sou eu". "Já
vos disse que sou eu". "Se é a Mim que buscais,
deixai partir os demais (discípulos)".

— O anjo que anunciou a virgindade de Maria


apareceu para José?
(Mateus 1:19-21) — "José, seu marido, que era um
homem justo e não queria difamá-la, resolveu
deixá-la secretamente. Andando ele a pensar
nisto, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em
sonhos e lhe disse: ‘José, da casa de David, não
temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela
foi fecundado é obra do Espírito Santo. Ela dará a
luz a um filho e por-lhe-ás o nome de Jesus’."
Ou para Maria?
(Lucas 1:28-31) — "Ao entrar na casa dela, o anjo
disse-lhe:’Salve Maria, cheia de graça, o Senhor
está contigo... Hás de conceber em teu seio e dar
à luz a um filho, ao qual porás o nome de Jesus’."

Os três reis magos eram três? Eram reis?


Eram magos?
(Mateus 2:1-3) — "Tendo Jesus nascido em Belém,
na Judéia, no tempo do rei Herodes, chegaram a
Jerusalém uns magos vindos do oriente. ‘Onde
está o rei dos judeus que acaba de nascer? —
perguntavam. Vimos sua estrela no oriente e
viemos adorá-lo’."
Um pequeno trecho e um amontoado de erros.
Primeiro, Jesus, de Nazaré, não nasceu em Belém,
conforme iremos verificar em outra oportunidade.
Segundo, a Bíblia não fala em reis e não existe o
registro de três reis vindos do oriente. Aliás, a
Bíblia não fala em reis e sim em magos e não em
três, mas sim em "uns" magos. Muito menos diz
que estes "reis" se chamam Gaspar, Baltazar e
Belquior (ou Melchior). Estes registros da visita dos
"três reis magos" estão em trechos aleatórios nos
evangelhos proibidos pela igreja e que a própria
igreja rejeita.
Terceiro, não existe qualquer registro histórico que
dê veracidade a que algum dia tenha existido no
oriente, em qualquer país, três reis com os nomes
de Gaspar, Baltazar e Belquior (ou Melchior).
Em quarto, registre-se que a expressão "magos"
está traduzida errada, pois na realidade a
expressão original refere-se a "magi" como
sacerdotes mitrais (usando mitra, chapéus
pontudos), confundido assim estas figuras de sa-
cerdotes mitrais com mágicos ou magos.
E finalmente, em quinto, a coisa mais patética:
Estavam seguindo uma estrela? Como alguém
segue uma estrela? Como alguém acha o fim de
um arco íris? Uma estrela somente é seguida para
orientar uma direção, e não um lugar, como no
caso das navegações, em que ao seguir-se numa
direção baseado num ponto fixo de uma estrela
segue-se sempre para o norte, ou para o sul, ou
para o leste ou para oeste. É como orientar-se pelo
sol. Mas seguir uma estrela, igual a uma placa
luminosa, indicando: "É aqui, chegaram", é abusar
demais da paciência, da credulidade e da
ignorância de quem lê.
Existe ainda um outro erro geográfico terrível.
Segundo Mateus, os tais "reis" foram visitar
Herodes, o Grande, em Belém/Jerusalém (na
Judeia, no sul), quando Herodes, O grande,
naquela época estava situado na Galileia, no
norte. Um erro de cerca de 150km de distância.

"Será chamado Nazareno?"


(Mateus 2:23) — "... assim se cumpriu o que foi
anunciado pelos profetas: ‘Ele será chamado
Nazareno’."
Aqui, num pequenino trecho, não só um
amontoado de erros, como muita mentira e má fé
de Mateus (ou do escriba que fez o texto e atribuiu
a ele a autoria do versículo). Mateus especializou-
se em inventar "profecias retroativas" que
aconteciam muitos anos (pelo menos 40 anos)
depois dos fatos terem sido relatados como
acontecido. Como também Mateus inventava
muitas profecias do Antigo Testamento, sem que
as citadas profecias realmente estivessem no
Antigo Testamento. Isto porque, não existe um
único registro no Antigo Testamento a respeito de
Nazaré ou Nazareno. Trata-se de invencionice de
Mateus (ou do escriba que escreveu por ele),
escrevendo sobre a vida de Jesus mais de 70 anos
após o seu nascimento e após a destruição de
Jerusalém no ano 70, e tentando fazer coincidir, no
ano 70, "profecias retroativas", como se elas
tivessem realmente se realizado. Aliás, Nazaré
sequer existia como cidade quando Jesus nasceu.
Existia, sim, o lago de Genesaré (Mar de
Tiberíades), mas não a cidade de Nazaré, que
somente veio a existir alguns anos (cerca de
quinze anos) após Jesus ter nascido.
Vejamos a má fé de Mateus (ou do escriba que
escreveu por ele). Ele afirma, após o ano 70,
época da destruição de Jerusalém e da diáspora e
extermínio dos essênios, portanto 70 anos depois
de Jesus já ter nascido, que 70 anos antes iria se
realizar uma "profecia retroativa" e que Jesus iria
ser chamado de Nazareno.
Uma profecia ao contrário, relatada depois do fato
ter acontecido, passados mais de 70 anos. Porém,
o mais gritante é que além de Nazaré sequer
existir quando Jesus nasceu, sendo impossível,
dessa forma, tal registro, Mateus ainda confunde
Nazireu com Nazareno, que são coisas
completamente diferentes.
Para efeito de argumentação, vamos conceder o
benefício da dúvida e admitir que Mateus
estivesse com falhas mentais (pois ele era
contemporâneo de Jesus e que quando
teoricamente escreveu o seu evangelho,
logicamente já tinha mais de 80 anos) e com isso
não se lembrou ou "confundiu" que Nazaré (a
cidade) não existia quando Jesus nasceu, mas tão
somente o lago de Genesaré.
Entretanto, como Mateus pode ter "confundido",
novamente, Nazareno (nascido em Nazaré) com
Nazireu (de Nazir), que é um judeu que tomou os
votos de sacrifícios especiais, de não beber vinho,
não comer uvas e não cortar os cabelos, que não
era o caso de Jesus, pois Jesus era essênio, e como
tal era adepto da eucaristia, do ritual do pão e do
vinho, e comia uvas. Não podendo, por isso mes-
mo, ser um Nazireu.
A profecia do Antigo Testamento a respeito do
Nazireu, refere-se a Sansão e não a Jesus. Dessa
forma, Mateus ao "confundir" a profecia do Antigo
Testamento sobre Sansão, que era Nazireu, que
não bebia vinho, não comia uvas e não cortava os
cabelos, com Jesus, chamando-o de Nazareno, não
é o que se pode dizer como um caso do acaso,
quando a má fé e má intenção estão bastante
claras. Mas o pior de tudo é dizer que cumpriu-se a
profecia do Antigo Testamento afirmando que o
messias se chamaria Jesus, quando os nomes de
"Jesus", assim como Nazaré, sequer são citados no
Antigo Testamento. Muito pelo contrário, o
messias, segundo o Antigo Testamento, não viria
de Nazaré e sim de Belém e deveria chamar-se
Emannuel, conforme:
Isaias (7:14) "Por isso mesmo, o Senhor, por Sua
conta e risco, vos dará um sinal: Olhai: A jovem
(palavra correta) mulher está grávida e dará a luz
a um filho, por-lhe-á o nome de Emmanuel".
Portanto, a mãe de Jesus, Maria, era uma jovem
mulher ("almah", que não quer dizer virgem), e
não uma virgem ("bethulah"), e Jesus de Nazaré,
não era de Nazaré (e nem de Belém) e não se
chama Emmanuel conforme previsto pelas
profecias de Isaias no Antigo Testamento. Ou seja,
as profecias alegadas por Mateus como tendo sido
cumpridas, jamais se realizaram (mesmo ele
"prevendo" isso 70 anos depois do
acontecimento). As profecias de Isaias, no Antigo
Testamento também não se realizaram, pois Jesus
chama-se Jesus e não Emmanuel.

Jesus nasceu em Nazaré, na Galiléia (Norte)?


(João 7:41) "O Cristo virá da Galileia?"
Ou em Belém, na Judeia (Sul)?
(João 7:42) "Não diz a escritura que é da
descendência de David e do povoado de Belém,
de onde vem David, que vem o messias?"
(João 7:52) "Investiga e verás que projeta algum
surgiu na Galiléia"
Vezes há em que a Bíblia afirma que Jesus é de
Nazaré, na Galileia, no norte. Outras vezes a Bíblia
afirma que Jesus é de Belém, na Judéia, no sul. E
na maioria das vezes refere-se a Jesus como o
Nazareno, como se fosse nascido em Nazaré, na
Galiléia, no norte. Mas, percebendo que messias
algum nasceu na Galiléia e isso seria "menos
nobre" para o messias, os escribas mantêm a
confusão bíblica em relação ao local de
nascimento de Jesus e transferem o Seu nasci-
mento para a Judéia (Belém), no sul, para que
Jesus pudesse ter como local de nascimento o
mesmo local nobre e santificado do nascimento de
David, o mais famoso dos hebreus, o grande
expoente do povo hebreu,.
Por mais contraditório que possa parecer, Jesus
não nasceu em Nazaré pelo fato de Nazaré sequer
existir como cidade à época do nascimento de
Jesus (existia, sim o Lago de Genesaré ou Mar de
Tiberíades). Assim como Jesus também não nasceu
em Belém (na Judéia), pelo fato de Jesus ser
galileu, natural da Galileia (mas não da cidade de
Nazaré), e isto é sobejamente comprovado no
julgamento de Jesus. Pois, quando Pôncio Pilatos
(na Judéia, no sul) pretendeu julgar Jesus (na
Judéia, no sul, sob o domínio de Arquelau), foi
constatado um erro de jurisdição, vez que Jesus
era galileu e confessava-se galileu de nascimento
(da Galileia, no norte, sob o domínio de Herodes),
por isso Jesus teve que ser enviado primeiro para
Herodes (que tinha a Galiléia como sua jurisdição),
para só depois, somente após a recusa de Herodes
em condenar Jesus e ter aberto mão de sua
jurisdição é que Jesus retornou (mais uma vez)
para ser julgado por Pilatos, na jurisdição de
Arquelau, a Judéia, no sul.
Portanto, é assustador a quantidade de erros
bíblicos, que vão desde um aparente erro de "má
tradução" da palavra "virgem", atribuída a Maria,
Mãe de Jesus, até este falso, contraditório e
confuso local de nascimento de Jesus, passando
pelas contradições, já citadas ao longo deste
relato, onde a cada hora aparece um fato
contradizendo outro, ou as mais puras e simples
invencionices dos escribas que redigiram os
evangelhos, sejam estes escribas quais forem.
Sejam eles os quatro evangelistas apontados pela
igreja: Mateus, Marcos, Lucas e João. Sejam eles
saduceus e fariseus. Sejam eles religiosos da
própria igreja, os que "refundiram" as folhas soltas
dos manuscritos no que ora conhecemos como os
quatro evangelhos.
Mas o mais estarrecedor são as ofensas à
inteligência do leitor do evangelho, com as
afrontosas falsificações de profecias, na realidade
"profecias retroativas", feitas após o ano 70 da
nossa era. Ou seja, muito tempo depois dos fatos
terem ocorrido (no mínimo quarenta anos após a
morte de Jesus e dos fatos já terem acontecido).
Assim como é de todo lamentável que os escribas
tenham aberto mão de priorizar a vida de
ensinamentos de Jesus, para dar prioridade ao
enfoque de Jesus como um simples curandeiro
exibicionista, e com isso interferindo e
desacreditando o texto bíblico, pintando Jesus
como um arrogante, vaidoso e presunçoso,
obrigando as pessoas de bom senso a separar o
verdadeiro Jesus, grandioso e humanitário, com
profundos e definitivos ensinamentos, do rascunho
mal desenhado criado pelos escribas, autores e co-
autores, do evangelho de Jesus.
Tentando minimizar os enormes danos causados
pelos escribas bíblicos, a igreja adota uma postura
evangélica (priorizando o evangelho em
detrimento do Antigo Testamento) e praticamente
finge que o Antigo Testamento não existe (é até
compreensível que a igreja abandone a parte de
historinhas mitológicas do Antigo Testamento e
valorize somente os ensinamentos, salmos,
provérbios e sabedorias) e em relação ao Novo
Testamento (apesar de tentar fugir do Deus
mitológico sentado numa nuvem) a igreja tenta
minimizar o impacto dos erros e contradições
bíblicas, hipocritamente, como tendo sido erros
menores, oriundos de relatos despretensiosos de
seguidores de Jesus, transmitidos originalmente
pela tradição oral, sem que os quatro evangelistas
tivessem a preocupação em registrar
detalhadamente a "vida de Jesus" como se eles,
evangelistas, fossem repórteres apurando cada
fato e cada detalhe da vida de Jesus.
Ora! Se não era para relatar fiel e historicamente a
vida de Jesus, a Sua vivência, a Sua experiência,
com precisão e exatidão, então por que o
detalhamento de árvore genealógica completa de
Jesus desde Adão e Eva? Por que a precisão de
locais, datas e até mesmo de horas? Por que
esconder a Sua vida do nascimento até os 30
anos? Por que a censura e o banimento dos outros
evangelhos chamando-os de gnósticos e de
apócrifos? Por que, hipocritamente, tentar
esconder e minimizar o relacionamento e envolvi-
mento de Jesus com mulheres, com vagabundos e
com prostitutas? Se Ele mesmo disse que não
tinha que se preocupar com os que já estão salvos,
mas sim com os que precisavam de salvação..
E assim, manquitolando, a igreja tenta fugir de um
Deus mitológico do Antigo Testamento, velho,
barbudo, sentado numa nuvem, e cai na
invencionice dos escribas (uma mistura de folhas
soltas de quatro evangelistas, mais manuscritos de
escribas saduceus e fariseus, "refundidos" pela
própria igreja) que pintam Jesus como um Deus de
carne e osso, preocupado com o curandeirismo,
arrogante, vaidoso, presunçoso, que chega a ficar
difícil enxergar, nos mal escritos e mal orientados
textos bíblicos, a grandiosidade da maior figura
humana que o mundo já viu: Jesus.
Felizmente, o próprio Jesus, com sua inspiração
divina, nos alerta — sistematicamente —
justamente para o perigo dos escribas e do quanto
de mal eles podem produzir para a humanidade,
por toda a eternidade, com seus textos dúbios,
confusos, muitas vezes mentirosos e de con-
traditórias informações, levando-nos a refletir
sobre a veracidade do que está escrito e atribuído
a ele, Jesus, como se o que está relatado fosse
realmente verdade.
"Se a vossa virtude não superar a dos escribas e
fariseus, não entrareis no reino dos céus." (Mateus
5:20)
"Vós, portanto, acautelai-vos, pois de tudo vos
preveni." (Marcos 13:23)
Estes "proféticos" versículos de citações de Jesus,
atribuídos a Mateus e a Marcos, incitam
claramente ao questionamento sobre o que os
escribas escreveram, e dizem claramente — os
versículos — que se a virtude de sua/nossa
inteligência não enxergar além do que foi escrito
pelos escribas, nada do que foi lido teve valia. Em
verdade, em verdade, vos digo: Questione. Quem
tiver olhos que veja. Quem tiver ouvidos que ouça.
Quem tiver cérebro que use.

Os Ensinamentos de Jesus

O verdadeiro Jesus, humilde, humanitário,


pacifista, pregador da não-violência, está
presente, e de corpo inteiro, em sua grande obra,
que são os seus sábios ensinamentos que
modificaram o mundo.
O mundo todo se modificou, parou e começou uma
nova era e até uma nova contagem de tempo a
partir do nascimento de Jesus. O mundo passou a
ter seu tempo cronometrado antes de Jesus Cristo
e depois de Jesus Cristo, em função de sua gloriosa
vida de sabedoria e ensinamento.
O mundo não se modificou pela dor e sofrimento
na cruz, pois muitos seres humanos sofreram e
sofrem, ainda hoje, dores iguais ou piores do que
as sofridas por Jesus. O mundo não se modificou
pelas suas curas, pois Deus cura pessoas todos os
dias. O mundo não se modificou pela dor da cruz,
símbolo do sofrimento, mas pelas palavras, pelos
ensinamentos e exemplos que Ele nos deixou.

O Sermão da Montanha e
As bem-aventuranças
1) Bem-aventurado os pobres de espírito, porque
deles é o reino dos céus.
2) Bem-aventurado os que choram, porque serão
consolados.
3) Bem-aventurado os mansos, porque possuirão a
Terra.
4) Bem-aventurado os que têm fome e sede de
justiça, porque serão saciados.
5) Bem-aventurado os misericordiosos, porque
alcançarão a misericórdia.
6) Bem-aventurado os puros de coração, porque
eles verão a Deus.
7) Bem-aventurado os pacíficos, porque serão
chamados filhos de Deus.
8) Bem-aventurado os que sofrem perseguição por
causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
9) Bem-aventurado sereis quando vos insultarem e
perseguirem, mentindo, disserem todo o gênero
de calúnias contra vós, por minha causa.

A Sabedoria e os Ensinamentos de
Jesus
—Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Marcos
12:31)
— Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.
(João 13:34 e 15:12)
— Amai a vossos inimigos e orai pelos que vos
perseguem (Mateus 5:44)
— Sereis medidos com a medida que empregardes
para medir (Marcos 4:24)
— Não julgueis e não sereis julgados. Não
condeneis e não sereis condenados. Perdoai e
sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado (Lucas
6:37-38)
— Se alguém te bater najace direita, oferece a
outra face (Mateus 5:40)
— Se alguém te pedir para acompanhá-lo por uma
milha, acompanha-o por duas (Mateus 5:41)
— Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta
que conduz ao caminho da perdição (Mateus 7:13)
— Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará
(João 8:32)
— Quem exaltar a si mesmo será humilhado. E
quem for humilde será exaltado (Mateus 23:12)
— Guardai-vos de Jazer as vossas obras diante dos
homens para vos tornardes notados por eles.
(Mateus 6:1)
— Quando orardes, não sejais como os hipócritas
que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nas
ruas para serem vistos pelos homens (Mateus 6:5)
— Quando deres esmola, não permitais que
toquem trombetas por ti, como jazem os hipócritas
nas sinagogas e nas ruas (Mateus 6:2)
— Quando deres esmola, que a tua mão esquerda
não saiba o quejez a direita, afim de que tua
esmola permaneça em segredo (Mateus 6:3-4)
— Buscai primeiramente o reino de Deus e sua
justiça e todas as coisas materiais vos serão
acrescentadas (Mateus 6:33)
— Na casa de Meu Pai há muitas moradas (João
14:2)
— Pelo fruto se conhece a árvore (Mateus 12:33)
— Não é o que entra pela boca que torna o homem
impuro, mas o que saí pela boca (Mateus 15:11)
— Pelas tuas palavras serás condenado (Mateus
12:37)
— Os últimos serão os primeiros, e os primeiros
serão os últimos (Mateus 20:16)
— Muitos são os chamados, mas poucos serão os
escolhidos (Mateus 20:16)
— A quem muito joi dado, muito mais será exigido
(Lucas 12:48)
— Por que reparas no cisco do olho de teu irmão,
se não reparas no tronco que está no seu olho?
(Mateus 7:3)
— Dá a quem te pede e não voltes as costas a
quem te pedir emprestado (Mateus 5:42)
— Orai e vigiai, para não cairdes em tentação
(Mateus 26:41)
— A carne é fraca. O espírito está pronto, mas a
carne é fraca (Mateus 26:41)
— Nem só de pão vive o homem (Lucas 4:4)
— Tudo quanto ligares na Terra ficará ligado no
Céu, e tudo que desligares na Terra será desligado
no Céu (Mateus 16:19)
— Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores
(Marcos 2:17)
— Meu reino nao é deste mundo (João 18:36)
— O céu e a Terra passarão, mas as minhas
palavras não passarão (Mateus 24:35)
— Minha paz vos deixo, minha paz vos dou (João
14:27)
— Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois
ou três, lá estarei no meio deles (Mateus 18:20)
— Ninguém pode servir a dois senhores, pois há de
amar a um e odiar o outro (Mateus 6:24)
— Vinde a mim ejarei de vós pescadores de
homens (Marcos 1:17)
— Deixai vir a mim as criancinhas, pois é delas o
reino dos céus (Marcos 10:14 e Mateus 19:14)
— Ninguém deita remendo de pano novo em
vestido velho, pois o remendo novo arranca parte
do velho e o rasgão fica maior (Marcos 2:21)
— O sábado foi feito por causa do homem e não o
homem por causa do sábado (Marcos 2:27)
— Afasta de mim este cálice (Mateus 26:39)
— Não permitais que vos tratem por doutores
(Mateus 23:10)
— Quem não é contra nós, é por nós (Marcos 9:40)
Para maior compreensão dos ensinamentos de
Jesus, é recomendável que sejam lidas as
parábolas, em especial a do convite à humildade
(Lucas 14:7-11), a do semeador (Mateus 13:3-9), a
do joio e do trigo (Mateus 13:24-30) e a do grão de
mostarda (Mateus 13:31-32).
— "A paz esteja convosco." (João 20:19)

Os Essênios
O maior pesquisador e historiador judeu de todos
os tempos, autor de "Antigüidades Judaicas",
Flávio Josefo, com toda a autoridade que lhe é
conferida mundialmente afirma que: "Existem,
com efeito, entre os judeus, três escolas
filosóficas: os adeptos da primeira são os fariseus;
os da segunda, os saduceus; os da terceira, que
apreciam justamente praticar uma vida venerável,
são denominados essênios: são judeus pela raça,
mas, além disso, estão unidos entre si por uma
afeição mútua, maior que a dos outros"
A origem dos essênios é bastante discutível e
improvável. Alguns acreditam que, por volta do
ano 170 a.C., os primeiros judeus que fugiram do
Egito com a finalidade de estabelecer uma
civilização própria, rumou para o deserto na Judéia
e passou a viver às margens do Mar Morto, criando
os primeiros grupos de essênios. E, por isso,
sofreram forte influência religiosa dos egípcios,
durante o período de dominação. (Os
"Rosacruzes", por exemplo, defendem a origem
dos essênios ligada a uma ramificação da Grande
Fraternidade Branca, fundada no Egito, no tempo
do faraó Akenaton). Outros, no entanto, crêem que
a titulação "Essênio" deriva de "Essen", filho
adotivo de Moisés, a quem foi confiada a
incumbência de dar continuidade na tarefa de
manter pura as tradições religiosas dos
ensinamentos bíblicos do povo hebreu. Isto
porque, os hebreus começaram a dividir-se tanto
em relação aos conceitos religiosos, formando
grupos distintos, e proliferava tanto a corrupção
religiosa em seu meio, comandada por um
mercantilismo em nome da religião e de Deus, que
Moisés teria atribuído ao seu filho adotivo Essen a
incumbência de conservar as tradições hebraicas e
os segredos da doutrina pura.
De certo, somente a comprovação histórica de que
os essênios, já por volta de 150 a.C. encontravam-
se nos arredores de Jerusalém e Belém (em
Qunram), e viviam isolados da opulência e
corrupção de costumes em que Jerusalém estava
mergulhada.
Independentemente de sua origem e do silêncio
em que viviam, a marca da passagem dos
essênios pelo mundo é uma das mais significativas
da história da humanidade. No ano 70 d.C.,
quando houve a diáspora (dispersão do povo
hebreu (judeus) por motivos políticos e religiosos),
e a destruição de Jerusalém pelas legiões
romanas, a maior das perseguições foi
empreendida, contra os essênios, não só pelos
romanos, mas principalmente pelos próprios ju-
deus (saduceus e fariseus), onde quase todos os
essênios foram mortos e os que escaparam jamais
puderam retornar às suas comunidades de
trabalho e oração. Mas, no entanto, antes de
fugirem, deixaram o maior legado que o cristia-
nismo e a arqueologia poderia encontrar: "Os
Manuscritos do Mar Morto".
Em 1947 (historicamente bastante recente), nas
cavernas em Khirbet Qunram, guardados em
urnas, potes e vasos, hermeticamente lacrados por
quase dois mil anos, foram descobertos os
"Manuscritos do Mar Morto" ou os "Manuscritos de
Qunram". E, diferentemente dos evangelhos, que
são traduções do grego e não do aramaico, de
autenticidade e idade nem sempre comprovadas,
agora havia uma quantidade imensa de
manuscritos, de idade e autenticidade
comprovada, que viria jogar nova luz sobre a his-
tória das religiões, principalmente sobre o
cristianismo.
A descoberta de Qunram se tornou a maior prova
e o maior marco histórico palpável do cristianismo.
As ruínas de cinco mosteiros no deserto da Judéia
são o marco da existência dos essênios em
passado distante, além de outros mosteiros
dispersos por diversas regiões na Samaria e na
Galiléia.
Antes de Qunram, ou dos "Manuscritos do Mar
Morto", a maior crítica e acusação que se fazia — e
com justiça — era que os documentos
(manuscritos em grego e não em aramaico) que
formavam o Novo Testamento eram inconfiáveis,
sem autoria certa e definida, e de autenticidade
questionável. No entanto, após a descoberta dos
manuscritos de Qunram, não só novas informações
surgiram como revalidaram, fortificaram e
consolidaram algumas já existentes.
Enquanto o Antigo Testamento, em especial o
Pentateuco, ou os cinco livros de Moisés, o Deus
ali descrito era um Deus quase humano e um Deus
tribal, muito particular do povo hebreu, só dos
judeus (O tal Deus velho, barbudo, sentado numa
nuvem) após as revelações dos manuscritos de
Qunram — surpreendentemente — aparece, pela
primeira vez para os judeus (no caso, essênios),
um Deus universal (e não tribal) que iria enviar um
messias, que não seria rei, mas um salvador, e
que viria para redimir, não só o povo judeu, mas
toda a humanidade.
Está certo que as bases de expansão do
cristianismo estão bastante ligadas à peregrinação
de Paulo (Saulo) Apóstolo. No entanto, a expansão
empreendida por Paulo também esteve ligada a
uma propagação errada, torta e destorcida do que
foi Jesus. Principalmente quando se valorizava o
Jesus curandeiro, arrogante e presunçoso e um
Jesus sofredor pregado na cruz, em detrimento do
Jesus humanitário, doutrinador, pregador da paz,
mensageiro da boa palavra e dos ensinamentos de
Deus.
De fato, a importância do surgimento dos
documentos dos essênios conhecidos como "Os
manuscritos do Mar Morto" foi corretamente
retratada pelo jornalista do New York Times,
Edmund Wilson, numa série de reportagens
históricas sobre os documentos de Qunram,
encontrados em 1947, que sem paixão, sem
fanatismo, escreveu: "O convento, esse prédio de
pedras, junto às águas amargas do Mar Morto,
com seus fornos, tinteiros e piscinas sacras,
túmulos, é mais do que Belém e Nazaré, é o berço
do cristianismo".
Em 1951, quatro anos apenas após a descoberta
dos manuscritos de Qunram, Hempel escreveu:
"Verdadeiramente esclarecida a origem dos
cristãos. O cristianismo é apenas essênio. Essênio
ou cristão, dá no mesmo."
No ano de 1923, cerca de quarenta anos antes dos
manuscritos de Qunram serem descobertos, o
teólogo e pesquisador religioso húngaro, Edmond
Szekely, obteve permissão do Papa para pesquisar
os arquivos da biblioteca do Vaticano, e qual não
foi sua surpresa ao traduzir uma obra antiquíssima
(originária do primeiro século d.C.), ocultada dos
meios religiosos, principalmente católicos, cha-
mada de "O evangelho essênio da paz", que falava
sobre os essênios e suas características (mas que
a igreja não gostaria que fosse divulgado, ou pelo
menos de conhecimento do grande público, de
modo a não causar controvérsia com o que até
então era dito e tido como verdade).
Antes mesmo disso acontecer, já em 1880, o
reverendo inglês Gideon Jasper Ouseley traduziu
do aramaico (língua que Jesus falava, que é a
maior garantia de autenticidade que um
documento em princípio possa ter — e não o grego
como nos evangelhos), um manuscrito essênio
chamado "O Evangelho dos doze santos", que
também foi ocultado do grande público, pois
representava a versão mais autêntica do Novo
Testamento de Jesus, e conflitava terrivelmente
com as "versões" dos quatro evangelistas que a
igreja reescreveu ou "refundiu".
Neste evangelho essênio, Jesus aparece como uma
figura que veio inspirar um segmento religioso
muito forte. Segmento este de grande humildade,
extrema devoção a Deus e imensurável piedade
pelos seres humanos e pelos animais, que de fato
orientou a ordem franciscana de São Francisco de
Assis. Jesus é apresentado neste evangelho como
um vegetariano parcial (no máximo comia peixe e
gafanhotos) e sua mansidão e paz são descritos
assim: "As aves se reuniam ao seu redor e lhes
davam boas-vindas com seu canto e outras
criaturas vivas se postavam à seus pés e ele as
alimentava com suas mãos."
Claro que não interessava à igreja, impregnada
pelo Deus velho do Antigo Testamento, que fosse
divulgado um Jesus simbolizado pelo peixe (ao
invés da cruz), humilde, manso, humanitário e
pacifista (sem grandes apelos de mídia e de
marketing) ao invés do carismático curandeiro pre-
sunçoso e arrogante, conforme descrito nos quatro
evangelhos, principalmente caracterizado pelo
impacto da emoção e piedade causados pelo
sofrimento que a cruz representava. Tudo isso, um
revisionismo religioso, poderia causar um cisma e
uma tremenda divisão entre e dentro das igrejas
cristãs. E de fato, para a maioria que tomou
conhecimento da realidade, criou-se este
divisionismo, vez que um segmento religioso
esclarecido, fiel à verdade, desejava trazer à baila
a verdadeira história de Jesus, humilde, manso,
humanitário e pacifista. Entretanto, o tradicio-
nalismo religioso, receoso em mexer no sucesso
de marketing do Jesus sofredor, pregado na cruz,
era tão imenso, tão maior, que a própria igreja
desencorajou-se em alterar algo tão
fantasticamente carismático e tão
mercadologicamente vitorioso.
E, entre manter o sucesso secular do Jesus
sofredor, pregado na cruz, simbolizando o
cristianismo ou ter que colocar em risco todo este
sucesso de marketing, admitindo os erros e as
mentiras, revendo os conceitos errados emanados
pelos evangelhos, assumindo o símbolo do
cristianismo como o peixe e restituindo a Jesus a
imagem de humilde, manso, humanitário e
pacifista, a igreja mais uma vez optou pelo
vencedor sucesso de marketing ao invés da
verdade. (Foi uma opção de marketing, comercial,
de mercado)
Talvez o Papa ainda leve mais mil ou mil e
quinhentos anos para novamente pedir desculpas
pelas mentiras e atrocidades praticadas pela igreja
católica, conforme recentemente o Papa fez ao
admitir, pela primeira vez, e pedir perdão pelo o
que a igreja fez durante as chacinas de caças às
bruxas e as mortandades das "santas" cruzadas,
libertações do "santo" sepulcro e "santas"
inquisições. Talvez daqui a mil anos um novo Papa
venha nos pedir desculpas pelas ocultações de
verdades, pela ocultação de documentos e pelas
mentiras e perseguições contra os evangelhos
tidos como apócrifos, os evangelhos gnósticos e os
Manuscritos do Mar Morto.
Mas, voltando aos essênios. Sobre esta
extraordinária vida comunitária dos essênios, diz
Flávio Josefo (a maior autoridade histórica e o
maior pesquisador de antiqüidades judaicas) que
entre os essênios todos partilhavam igualmente de
todos os bens pertencentes à comunidade. Quan-
do um novo membro entrava para a sociedade os
seus bens eram igualmente divididos entre todos,
evitando, com isso, que houvesse pobres e ricos
na sociedade essênia.
Com efeito, esta prática essênia era uma lei.
Aqueles que entravam para o grupo entregavam
seus bens à comunidade para serem partilhados
por todos, de tal forma que entre eles não se visse
absolutamente nem a humilhação da pobreza nem
o orgulho da riqueza. As posses eram comuns e
encontravam-se disponíveis a todos, não existindo
senão um único haver, comunitário, como ocorre
entre irmãos. (Comparativamente, foi exatamente
isso que Jesus propôs àquele jovem rico que queria
seguí-lo com os discípulos. Ou seja: (Mateus
19:21) — "Se queres ser perfeito, disse-lhe Jesus,
vai, vende tudo que possuíres, dá o dinheiro aos
pobres e terás um tesouro nos céus; depois vem e
segue-Me").
Esclarecendo melhor esta questão. Na citação
anterior, Jesus não pregava contra a prosperidade,
mas sim contra o acúmulo desnecessário e
desmedido de riqueza e não diz a todas as pessoas
que façam o abandono das coisas materiais, mas
sim somente àqueles que querem se tornar
discípulos e seguí-lo numa vida de simplicidade,
humildade e de desapego material. Isto porque,
Jesus, não como mestre da humanidade, mas
como um discípulo de Deus, no caso, observava
um princípio essênio que afirma que a maior
abundância é ter poucos desejos e fáceis de serem
satisfeitos.
Esta simplicidade essênia, muito rara entre os
religiosos de uma maneira geral e principalmente
entre as pessoas comuns, mesmo
comparativamente com outras épocas e com
vários costumes e culturas, assemelhava-se — em
simplicidade, mansidão e humildade — aos
conhecidos monges tibetanos, e foram fortemente
exemplo e inspiração para a vida de Jesus e dos
frades franciscanos. E a vida comunitária essênia
era de tal forma igualitária, que em suas reuniões
a cadeira principal era deixada sempre vazia,
como uma forma de demonstrar que não havia lí-
der, não havia chefia e não havia alguém que
pudesse se violentar a ponto de abrir mão da
humildade para vestir a arrogância de ser melhor
ou mais importante do que os demais "irmãos".
(Comparativamente, esta humildade é exatamente
o que Jesus propõe no convite à humildade (Lucas
14:7-11) e na citação — "Quem exaltar a si mesmo
será humilhado. E quem for humilde será
exaltado" (Mateus 23:12).
A aversão dos essênios pela empáfia e pela
arrogância ia muito além dos homens comuns,
atingia diretamente quem mais deveria prezar a
humildade ao invés de valorizar a arrogância,
como os sacerdotes, oradores e escribas, que com
as pomposas vestimentas dos doutores das leis,
lideravam seus templos com presunção, soberba e
arrogância. Desnecessário dizer o quanto Jesus se
indispôs com sacerdotes e escribas,
principalmente pela soberba deles, pela arrogância
deles, até mesmo pelas vestimentas pomposas e
pelos títulos que "se" auto-concediam de "douto-
res". — "Não permitais que vos tratem por
doutores" (Mateus 23:10). Logicamente, o Jesus
arrogante, presunçoso, vaidoso, e curandeiro,
equivocadamente apresentado nos quatro
evangelhos "refundidos" pela igreja, não
representa e não pode retratar e representar o
que foi e o que é Jesus. Razão pela qual sugerimos
retirar estes textos dos evangelhos como as lascas
que são retiradas do bloco de pedra para dar lugar
a uma irretocável estátua.
Embora hebreus (judeus), os essênios não comiam
carne vermelha, principalmente cordeiro, pelo
aspecto de paz e mansidão do animal. Eram
parcialmente vegetarianos (mas comiam peixe e
eventualmente gafanhotos), e em razão disso
desligaram-se das festas tradicionais do judaísmo,
inclusive a da Páscoa, dos tabernáculos e outras
mais, mormente quando nelas envolvia matança e
holocausto de animais (em especial o cordeiro).
Comparativamente, Jesus insurge-se contra a
matança de animais, ao expulsar os vendilhões do
templo que vendiam cordeiros, cabras, pombos e
outros animais para serem sacrificados "no altar
de Deus". Desnecessário dizer que os essênios
praticavam a liturgia da eucaristia — a celebração
do pão e do vinho — exatamente a liturgia que
Jesus passou aos seus discípulos como um dos
principais sacramentos.
Se as semelhanças dos usos e costumes e dos
ensinamentos dos essênios com os ensinamentos
de Jesus podem parecer poucas, vejamos algumas
práticas, usos e costumes, e ensinamentos dos
essênios: 1) Os essênios ensinavam o amor ao
próximo mais do que a si mesmo, que é
exatamente o foco central dos ensinamentos que
Jesus pregava; 2) Pregavam a busca da verdade
como a maior fonte do conhecimento e uma das
suas maiores diretrizes religiosas. Que é o
ensinamento de Jesus, muito pouco valorizado
pelas igrejas cristãs: "Conhecereis a verdade e a
verdade vos libertará"; 3) Acreditavam na
ressurreição, reencarnação, na imortalidade da
alma e na vida eterna (Exatamente o que Jesus
ensinava, contrariando saduceus e fariseus); 4) O
conselho que dirigia a entidade essênia era
composto por doze membros, exatamente como
Jesus instituiu os doze apóstolos para criar a base
de sua pregação. 5) O nascimento do essênio
dava-se pelo batismo, que foi um dos principais
sacramentos que Jesus incorporou à sua pregação;
6) Eram humildes, humanitários e pregadores da
paz, que é o perfil mais exato de Jesus; 7) Mas o
mais surpreendente: os essênios possuíam como
seu mantra (reza) principal, um hino sobre as bem-
aventuranças, cuja idéia central é o "Sermão da
Montanha" de Jesus.
Vivendo em comunidades distantes, os essênios
sempre procuravam encontrar na solidão do
deserto (o lugar de reflexão escolhido por Jesus) o
lugar ideal para desenvolverem a sua
espiritualidade. Prezavam o silêncio como um
instrumento de disciplina e norma de conduta.
Sabiam guardá-lo como uma jóia preciosa ("O falar
é de prata, mas o silêncio é de ouro"). A voz era
usada como um instrumento e tinha um grande
poder, não podendo jamais ser desperdiçada.
Através da voz, dependendo do ritmo, da
freqüência e da intensidade podia ser estabelecido
um contato com Deus e até ser objeto de
transmissão de energia (boas e más) entre
pessoas. Por isso, evitavam falar alto, jamais
discutiam em público, jamais gritavam, e sempre
ouviam em silêncio a argumentação de seu
interlocutor, respeitando o direito de palavra de
cada um.
Diferentemente de outros religiosos que também
se abstiveram de bens materiais (como os monges
budistas), os essênios trabalhavam a terra
(plantavam, irrigavam, colhiam) e em seus
cuidados com a terra mantinham hortas e
pomares irrigados com a captação de água das
chuvas guardadas em cisternas. Estudavam,
escreviam e dedicavam-se às artes. Entretanto, o
que obtinham pelo fruto de seus trabalhos era o
necessário para a manutenção e sustento da
comunidade. Viviam pelo necessário para a vida.
Apenas o necessário.
Não era possível encontrar entre eles açougueiros
ou fabricantes de armas, mas sim grande
quantidade de mestres, pesquisadores,
instrutores, que .através do ensino passavam, de
forma sutil, os pensamentos da ordem religiosa
aos leigos.
Cultivavam hábitos saudáveis, zelando pela
alimentação, pelo físico e pela higiene pessoal.
Antes e após as refeições — realizadas em
completo silêncio — oravam e agradeciam a Deus
pelo alimento vindo da terra, o qual consideravam
como algo vivo e sagrado.
Faziam manipulações com ervas, eram profundos
conhecedores das propriedades curativas das
ervas e eram excelentes médicos, praticando uma
medicina estritamente natural. Faziam visitas
constantes a pessoas enfermas, por entenderem
como obrigação dos sãos o permanente cuidado
pelos doentes, assim como respeitavam — e quase
que idolatravam — os velhos, cuidando deles com
as próprias mãos, como filhos gratos. E estendiam
esse cuidado e atenção, dispensados aos velhos,
também aos antepassados, cultuando-os e
respeitando-os.
Contrastando com esta vida de absoluta
simplicidade, preocupavam-se com questões de
física, astronomia e ciências em geral, buscando,
inclusive, a harmonia das ciências com a
existência de Deus e a origem do universo.
Um assunto, entretanto, causava repulsa,
indignação e até mesmo intolerância aos essênios:
a escravidão. Consideravam a escravidão um
ultraje, uma violação à vida, à missão do homem
dada por Deus. Não só porque destruía a
igualdade entre os seres humanos, como atentava
ao mais elementar princípio da irmandade e
fraternidade que torna os seres humanos iguais e
irmãos.
Por mais estranho que possa parecer, um essênio
jamais jurava. Para eles a jura era um sacrilégio
tão grande quanto a mentira. Isto porque tinham
na palavra dita a sustentação da honra, e somente
o mentiroso, que não honra o que fala, é que
precisava jurar para tornar verdadeiro o que disse
ou que tenha soado como falso. Aliás, este pre-
ceito está muito bem definido nos relatos do
evangelho atribuído a Mateus (5:33-37) em que
Jesus prega que não se deve jurar em hipótese
alguma.
Conforme dito, os essênios eram humanitários,
pacifistas, e não toleravam a guerra sob hipótese
alguma. Mas, no entanto, falavam constantemente
de uma espécie de guerra: a dos filhos da luz
contra os filhos das trevas, uma luta constante que
se trava principalmente no interior de cada
criatura.
Para os essênios não existia nem a personificação
(imagem) do bem e nem a personificação
(imagem) do mal. Toda a essência do bem era
uma dádiva de Deus e toda a raiz do mal era fruto
do livre arbítrio do próprio homem. E ambos, o
bem e o mal residiam dentro de cada ser humano,
cumprindo a cada um domar o seu mal interior e
fazer florescer o bem.
A principal razão de viver dos essênios consistia
em aperfeiçoar-se como ser humano, buscando a
Deus como amor e perdão, e buscando
eternamente o bem dentro de si mesmo,
sufocando toda e qualquer forma do mal.
De costumes irrepreensíveis, moralidade
exemplar, de extrema boa fé, dedicavam-se aos
estudos espiritualistas, à contemplação e à
caridade, longe do materialismo avassalador que
imperava entre os saduceus e fariseus. Os
essênios suportavam com admirável estoicismo os
maiores sacrifícios para não violar o menor
preceito religioso. Procuravam servir à Deus,
auxiliando o próximo, sem imolações no altar e
sem cultuar imagens.
Embora os essênios fossem judeus,
diferentemente dos saduceus e dos fariseus, não
consideravam Israel como o centro de todas as
coisas, nem como o grande bem a ser preservado,
mas sim o mundo. O Deus dos essênios não era
tribal, personificado, e a promessa de uma "Nova
Jerusalém", por ser uma idéia, tribal, dos
saduceus, de visão estreita e limitada, era
inconcebível para os essênios. Entretanto, um
novo mundo, um novo porvir, como uma nova
visão de esperança, adequava-se perfeitamente à
filosofia essênia. Até porque os essênios
acreditavam que Deus é a causa de todo o bem e
de nenhum mal. O ser humano, sim, que tendo
recebido a bondade como herança divina e usando
o livre arbítrio concedido por Deus é quem cria as
possibilidades do mal.
Para ser um essênio, o pretendente a discípulo era
preparado desde a infância na vida comunitária de
suas aldeias isoladas. Em geral, os essênios
recebiam esses futuros adeptos ainda muito
jovens, em geral crianças, para serem educadas, e
tratavam-nos como se fossem realmente filhos.
Já adulto, o adepto, após cumprir várias etapas de
aprendizado, recebia uma missão definida que ele
deveria cumprir até o fim da vida.
Vestidos sempre com roupas brancas, muito alvas,
o que era muito raro para a época e para a região,
pois o traje comum era o tecido cru (bege);
ficaram conhecidos em sua época como aqueles
de branco que "são do caminho".
Os essênios eram como santos que habitavam
muitas aldeias e vilas ao sul da Palestina. Não se
uniam por clã lamiliar ou por raça, mas sim por
meio de associações voluntárias, formadas com o
intuito de melhor praticar a virtude e o amor entre
as criaturas humanas.
O celibato era um dos raros assuntos bastante
contraditórios, vez que mesmo não sendo
obrigatório o celibato, muitos não se casavam
porque acreditavam que matrimônio era
impedimento à vida simples do sacerdócio. Outros,
no entanto, afirmavam que os que não se casavam
recusavam a melhor parte da vida doada por
Deus, que é a propagação da espécie.
Havia uma forte preparação religiosa ao iniciado
na comunidade essênia. Liam muito, debatiam
muitas questões religiosas, e principalmente
recebiam muitos ensinamentos através de
parábolas, que acabavam fazendo parte de suas
bases religiosas.
Os mais velhos e mais preparados explicavam aos
mais novos a simbologia usada nos ensinamentos.
Entretanto, não necessariamente os graus mais
elevados eram ocupados pelos mais velhos, pois o
grau de cada um dependia mais de sua
capacidade prática em ensinar e passar as men-
sagens e ensinamentos do que da idade e do nível
de cultura geral de cada um. Isto porque o mais
importante era que as mensagens pudessem
chegar com clareza ao maior número de pessoas.
Os essênios formavam uma ordem religiosa
extremamente devotada, muito diferente da dos
saduceus materialistas, e completamente oposta à
dos hipócritas e vaidosos fariseus. Evitavam a
vaidade, o egoísmo, o individualismo e toda
menção de si próprios, tendo na vaidade um dos
piores males corruptores do caráter. (Razão pela
qual são irreais e inimagináveis as citações
imputadas a Jesus nos quatro evangelhos,
retratando-O como vaidoso, presunçoso e
arrogante)
Ainda hoje em dia, alguns conceitos e práticas
essênios são considerados como absolutamente
revolucionários. E para a época, então, eram
inimagináveis e incompreensíveis para a maioria
das pessoas. Como, por exemplo, o fato dos
essênios praticarem a imposição de mãos (como
Jesus), tendo como premissa que todo ser humano
emana energias, boas e ruins, e que toda
negatividade provém da desarmonia e do
desequilíbrio entre as energias boas e ruins de
cada um, como uma doença. Baseado nisso,
aprendiam a reconhecer as diferentes vibrações
da matéria, bem como manter todas estas
vibrações sob controle, para atingir a harmonia do
corpo e da mente.
O conceito de tempo e espaço era outro conceito
ex-I ternamente revolucionário para a época. O
pensamento dos essênios não estava voltado
apenas para sua vida atual. A vida era vista como
um eterno presente. O passado, o presente e o
futuro se tornavam uma unidade na grande
harmonia divina. Para os essênios tudo sempre
estava interrelacionado, ligado com tudo e com
todos. E como numa ciranda ou numa mandala, a
vida conduzia à morte. A morte conduzia à vida, e
o nascimento ou renascimento era sempre um
retorno à condição material e primitiva do ser hu-
mano.
Embora os hábitos e práticas dos essênios possam
ser provados e documentados (mais seriamente
do que em qualquer outra religião) é certo que
nenhum dos Manuscritos do Mar Morto comprova
nominalmente a vivência essênia de Jesus (pois os
essênios, sabendo das perseguições que sofriam,
não citavam nomes e até mudavam seus nomes
após o batismo), tanto quanto é certo que
historicamente há muita contestação quanto a
comprovação documentalmente séria da própria
existência real de Jesus. No entanto, os
documentos de Qunram, que registram e
comprovam a vida essênia, que são documentos
verdadeiros, sérios e incontestáveis, demonstram
que todos os atos (sérios) relatados a respeito de
Jesus em "versões" evangélicas indicam a
educação de Jesus como tendo sido, inega-
velmente, essênia.
O mais espantoso entre todos os ramos judeus, é
que, ao contrário dos demais ramos judaicos, os
essênios não aguardavam um só messias, e sim,
dois. Um messias era esperado para preparar a
vinda do segundo messias. Nasceria e seguiria a
tradição da linhagem sacerdotal dos grandes
mártires. Sua morte representaria o sofrimento e
humilhação por que teria que passar, em vida, por
destino previamente traçado por Deus.
Para muitos, a figura do pregador João Batista se
encaixa perfeitamente no perfil deste messias
preparador do messias salvador.
Um segundo e definitivo messias, salvador, que
viria para legislar e estabelecer a justiça restituiria
ao povo a sua soberania, restauraria a dignidade e
semearia a esperança, instaurando um novo
período de paz social e de prosperidade, que não
ficaria restrito às tribos de Israel, mas resta-
beleceria uma nova ordem para o mundo inteiro.
Jesus foi recebido por muitos como a encarnação
deste messias salvador.
Muito se tem dito a respeito de Jesus e de João
Batista, sobre a importância de cada um,
dependendo da linha religiosa que se adote, mas o
que surpreende é a indicação de forma alternada
de que ora Jesus é considerado como o messias,
ora João Batista é esse messias. Para a maioria dos
cristãos, Jesus é o messias. Já para alguns batistas,
João Batista é o messias.
Até os nossos dias, no sul do Irã, os mandeanos,
sustentam ser João Batista o verdadeiro messias
essênio. O rei da Prússia, escrevendo a Voltaire,
afirma: "Jesus foi o messias essênio". Gratz, em
sua obra, afirma: "João Batista, era o messias
essênio". Entretanto, para os essênios, nunca
houve esta dúvida se eles eram de fato o messias,
pois eles esperavam, de fato, a vinda de dois
messias, que mais tarde viria a se materializar nas
figuras de João Batista e de Jesus. (Os essênios só
não sabiam qual dos dois teria a missão prepa-
ratória que antecederia o derradeiro messias e
qual teria a missão de reformar a humanidade)
Harvey Spencer Lewis, assim como muitos
teólogos e estudiosos do assunto, afirma que Jesus
recebeu desde o início, na infância e na
adolescência, educação conforme os preceitos
essênios. Inclusive, foi previamente preparado
num mosteiro localizado no Monte Carmelo, na
Palestina para se tornar o Cristo, o Messias, o
Salvador. (A bem da verdade, João Batista também
recebeu, juntamente com Jesus, este tratamento
por parte dos essênios, uma vez que (Jes — os
essênios — tinham nos dois a imagem dos dois
messias que estavam por vir e por isso não sabiam
qual seria o messias preparador da vinda do
messias salvador e qual seria o derradeiro messias
salvador)
Posteriormente à essa iniciação e preparação
essênia, os jovens João Batista e Jesus levaram o
pânico à comunidade essênia ao abandonarem
temporariamente a vida essênia de preparação
para a vida messiânica e começam então a
estudar profundamente as antigas religiões
egípcias, algumas religiões orientais (Índia, Nepal
e China) e diversas seitas que influenciaram o
desenvolvimento da civilização mundial. Para isso
teriam feito diversas viagens pelo mundo antigo,
indo para a Índia e o Nepal, onde conviveram
durante alguns anos com os principais sábios
budistas. Ao deixarem a índia, viajaram para a
Pérsia (atual Irã), onde estiveram com os religiosos
eruditos do país, aprenderam também com os
sábios da Assíria e já nessa época atraíam
multidões à sua volta, por seus poderes de imposi-
ção de mãos e por suas palavras.
Em seguida, atravessaram a Babilónia, estiveram
na Grécia e por fim voltaram ao Egito, onde teriam
sido iniciados nos mistérios da Grande
Fraternidade Branca.
Terminada toda essa preparação, João Batista e
Jesus voltaram a Qunram e aos essênios, onde
reiniciaram suas vidas de pregação e seus
ministérios.
Foi somente no momento do batismo de Jesus, por
João Batista, que foi decidido quem batizaria
quem. Isto porque, até aquele momento, não
existia, por parte dos essênios, uma definição de
quem batizaria quem. Se Jesus batizaria João
Batista. Ou se João Batista batizaria Jesus.
Inclusive este momento é descrito figurativamente
nos evangelhos como tendo sido o momento em
que o Espírito Santo faz a escolha entre os dois e
desce sobre Ele, Jesus, em forma de uma pomba
branca, transformando-o no Cristo, no Messias, no
Salvador.
Segundo alguns estudiosos, foi com base na
cultura essênia de Jesus, aliada aos conhecimentos
adquiridos durante estas viagens aos diversos
países pelos quais passou, que Jesus adquiriu
maturidade e conhecimento que o levaram à vida
apostólica relatada pela Bíblia, infelizmente res-
trita somente à idade de 30 anos.
A igreja, de uma maneira geral, procura ocultar a
prática e os hábitos de Jesus como judeu (e
principalmente como essênio). Tanto que quando
a igreja admite ser Jesus um judeu, não O
enquadra como saduceu (que Jesus chamava de
hipócritas e víboras); como fariseu (que Jesus nem
podia se imaginar como um arrogante e
presunçoso fariseu); ou como um louco,
destemperado e revolucionário zelote (que Jesus
sequer podia ser enquadrado como tal, uma vez
que os zelotes tinham Jesus como um covarde
pacifista e um traidor, por ser um manso e
humilde). Em outras palavras, a igreja admite que
Jesus era judeu, mas nega que Jesus tenha sido
saduceu, fariseu ou zelote. E hipocritamente furta-
se em admitir ter sido Jesus um essênio.
Não obstante esta omissão hipócrita, a igreja lança
um silêncio sepulcral sobre a infância de Jesus,
sobre Suas viagens pelo oriente (seguindo a rota
da seda) e sobre Sua vida entre os 13 e 30 anos, e
principalmente oculta, de todas as maneiras, a
formação religiosa de Jesus como um mestre
religioso (rabi) essênio, apesar de tratá-lo na Bíblia
como "rabi" essênio (mesmo sem ser saduceu,
fariseu ou zelote).

A Sociedade Secreta de Jesus

No ano sete a.C., data em que, segundo o


conhecido astrônomo britânico da Universidade de
Cambridge, Colin Humprey, em 1991, e
confirmado por antigos astrônomos chineses, teria
havido um cometa bastante visível, formando um
brilho todo especial no céu, na noite de 08 para 09
de novembro, nas montanhas da tribo de Judá, na
Judeia, nascia o primogênito de Isabel e Zacarias,
um menino que iria mudar o mundo, chamado João
(Batista).
No ano seis a.C., data em que, segundo o
astrônomo alemão Johannes Kepler, houve a
conjunção de Júpiter e Saturno, formando um
brilho todo especial no céu, como se fosse um
cometa ou uma lenta estrela cadente, na noite de
19 para 20 de abril, em Cafarnaum, na Galileia,
nascia o primogênito de Maria e José, um menino
que iria mudar o mundo, chamado Jeshua, e que
para nós é simplesmente: Jesus.

(Notas do autor: 1) O monge Dionísio, o


Pequeno, (500-545 d.C.) cometeu um erro de
cálculo na determinação do ano zero, entre
6 a 8 anos. 2) A igreja, impossibilitada em
determinar com precisão o dia exato do
nascimento de Jesus, e submetida às leis de
Roma, acatou a data de nascimento de Jesus
como 25 de dezembro, fixada entre 525 d.C.
e 533 d.C., para celebrar uma festa pagã de
Roma (e não religiosa) que tinha como
motivo a confraternização da felicidade,
semelhante ao natal de hoje em dia.
Chamava-se "Dies Natalis Invicti".

Primas entre si, Isabel e Maria tiveram uma sina de


vida muito semelhante, isto porque os primos João
(que o mundo viria a conhecer por João Batista) e
Jesus, criados juntos como irmãos, tiveram vidas
bastante próximas e entrelaçadas e que muitas e
muitas vezes e em momentos absolutamente
decisivos para os dois e para toda a humanidade
protagonizaram uma das mais fantásticas
vivências experimentadas pelo ser humano.
Por enorme coincidência, os pais de João Batista
(Zacarias) e de Jesus (José), tiveram sérias e quase
que irreconciliáveis dúvidas a respeito de suas
paternidades e da fidelidade de suas mulheres.
Isto porque Zacarias, pai de João Batista possuía
idade muito avançada para ter filhos, e sua esposa
Isabel era considerada estéril, pois apesar das
inúmeras tentativas, jamais havia engravidado na
juventude e na maturidade, e não era imaginável
que justamente agora, em idade avançada, estar
esperando um filho.
José, por sua vez, tinha semelhantes suspeições a
respeito de Maria, pois sendo ela uma moça muito
jovem, e ele com idade bem superior à dela, não
conseguia entender como após tanto tempo de
casada, Maria ainda permanecia como se fosse
virgem. (E daí a sua dúvida, pois se mesmo depois
de casada ainda aparentava "virgindade"... como
acreditar que quando havia se casado era virgem
de verdade?)
À época, não se conhecia e sequer se falava em
hímen complacente (que não se rompe e retorna
ao seu estado anterior, mesmo após a relação
sexual, mantendo uma impressão de permanente
virgindade). Mas, no entanto, após o parto de
Jesus, constatando José que ainda assim Maria
aparentava virgindade, conforme continuou, ape-
sar dos vários filhos que Maria teve, José passou a
acredi-lar que algo diferente havia com a
"virgindade" de sua esposa, e que a sua aparente
virgindade não deveria ser empecilho para seu
relacionamento com tão devotada esposa.
Com o tempo, as dúvidas sobre possíveis
infidelidades que assombravam Zacarias e José
finalmente foram sanadas e os relacionamentos
com Isabel e com Maria, foram restabelecidos sem
as suspeições de traição que pairavam no ar. E
isso trouxe um grande alívio para ambos, pois
Zacarias era um sacerdote, um fervoroso religioso,
e José, que apesar de um humilde camponês, tinha
profundo respeito e devoção pelas leis religiosas. E
estas leis religiosas eram bem claras em relação
às mulheres infiéis: Deveriam ser apedrejadas e
mortas publicamente. E, logicamente, pelo amor
que devotavam às suas esposas, ambos não
queriam ler que fazer cumprir as leis divinas que
determinavam a morte de ambas por
apedrejamento.
Restabelecer o convívio matrimonial foi mais do
que um alívio imenso para Zacarias e para José,
pois foi também, coincidentemente, um
restabelecimento de suas saúdes. Vez que, por
motivos inexplicáveis, Zacarias havia perdido a
voz e José passara a ter sua saúde bastante
debilitada, sem ânimo sequer para o trabalho. E o
restabelecimento das relações conjugais de ambos
resultou no coincidente restabelecimento da saúde
de ambos. Pois Zacarias recuperou sua voz e José
voltou ao trabalho com o ânimo que antes havia
perdido.
Pela época do nascimento de Jesus, em
Cafarnaum, no norte, na região da Galiléia,
apareceram uns pregadores religiosos, praticando
a catequese e falando de um novo mundo, um
novo porvir. Iam de casa em casa, vestiam seus
paramentos religiosos, suas mitras (chapéus
pontudos semelhantes aos chapéus de magos) e
iniciavam suas pregações. Falavam de um novo
Deus, uma nova consciência, uma nova ordem
religiosa, e como era hábito nas pregações de
nômades vindos do oriente, faziam uma série de
previsões de futuro para os moradores que os
recebiam em troca de abrigo e comida. Até que
deparando-se com o recém nascido, Jesus, foram
tomados por uma intensa energia, um grande
impacto e comoção. E como que inspirados ou
tomados por entidades divinas começaram a falar
torrencialmente e a fazer profecias a respeito do
recém nascido, principalmente em razão de seu
nascimento ter coincidido com a grande
luminosidade do céu causado por uma luz que não
sabiam bem como explicar.
Entre as profecias que faziam para o recém
nascido, uma assustou muito a José e Maria.
Exatamente a que predizia que Jesus viria a ser
um rei, que mudaria o mundo, iria trazer muita
paz, mas que antes disso seria responsável por
muita dor e sofrimento. (As profecias eram muito
comuns na época, e ainda hoje em dia o são —
não sob o nome de profecia, mas como
adivinhações ou "previsões do futuro" — pois
muitas predições ou previsões são feitas
simplesmente por dinheiro ou para angariar
simpatizantes para seitas, ordens e religiões, e em
geral dificilmente qualquer dessas previsões se
concretiza)
José, apesar de camponês, bronco, estava
acostumado com previsões, vez que era muito
comum a prática de adivinhação ou premonição
em troca de alimentos. Entretanto, embora
respeitasse e temesse certas previsões, como a
maioria das pessoas, ficou muito assustado e
situado entre o medo de estar traindo a sua
religião judaica (por estar dando ouvidos à
religiosos de outra agremiação religiosa) e a
possibilidade de seu filho vir a ter um trágico
destino messiânico.
Então, José, usando como pretexto a possibilidade
de poder vir a se concretizar a profecia dos
religiosos, e isso tornar-se um risco para seu filho
e para a sua família, diferentemente das outras
vezes em que José insistentemente tentou mudar-
se para Belém, sua terra natal, José aproveitou
que dentro de alguns meses seria a época de
recenseamento judaico, instituído por Roma para
poder aumentar a coleta de impostos, José passou
a pressionar Maria para que ambos fossem para
Belém.
Após alguns meses, com muita insistência, José
conseguiu convencer Maria de que deveriam
aproveitar a oportunidade do recenseamento e
irem juntos para a sua terra natal, Belém, na
Judéia, afastando-se, desta forma, de Cafarnaum,
na Galileia, e da proximidade de Herodes, o
Grande, que poderia vir à saber da tal profecia
messiânica dos religiosos da nova ordem e
insurgir-se contra seu filho, considerando-o como
uma ameaça ao império de Herodes, o Grande.
Embora Maria não acreditasse piamente que isso
fosse
possível, pois aquela deveria ser mais uma das
tantas profecias que são feitas diariamente, a cada
pessoa, em troca de alimentos ou algum outro
pagamento e que nunca se concretizam, Maria,
entre a dúvida e o medo, concordou com a
mudança para Belém e a longa viagem (cerca de
150 km, ou dois a três dias de viagem).
Das vezes anteriores em que José quis mudar-se
de Cafarnaum para Belém, Maria sempre
demonstrava má vontade com a viagem e
recusava insistentemente alegando,
principalmente, que não podia viajar em razão de
sua gravidez. Mas agora, diante de uma ameaça
de perigo real, e com o filho (Jesus) já com alguns
meses de vida, Maria poderia, finalmente, atender
à vontade de seu marido e ir a Belém, ao menos
por um breve período de tempo.
Procurando pousada em Belém, José e Maria
buscam ajuda com parentes, em especial na casa
da prima Isabel. E ao visitarem a casa de Zacarias
e Isabel algo de inusitado aconteceu. Pois o
primeiro encontro entre João Batista e Jesus foi
arrepiante para os pais de ambos. Isto porque,
Zacarias e Isabel incentivavam a aproximação
entre os primos e tentando ensinar João Batista a
falar corretamente o nome de seu primo Jesus
(Jeshua). Ficavam repetindo: — "Seu primo, Jeshua
(Yeshua), Jeshua (Yeshua), Jeshua (Yeshua)".
Subitamente João Batista balbuciou algo como: —
"lesthus", e abraçou Jesus apertado para só largá-
lo após grande insistência dos pais.
Foi um espanto geral, pois o que João falara
("lesthus") tanto poderia ser "Jeshua" (Yeshua),
como poderia ser "Ichtus", que em grego significa
"Peixe". Ou... o final da palavra "Christus". Foi algo
tão inesperado e surpreendente que ninguém
sabia o que realmente havia sido balbuciado por
João Batista e a estranha razão de tamanha
afinidade assombrosa, repentina e imediata entre
João Batista e Jesus.
Embora isso possa parecer algo comum entre
crianças, e até mesmo possa acontecer muitas e
muitas vezes entre pessoas, o olhar de admiração
de João Batista para Jesus e a paixão instantânea
que foi estabelecida entre ambos foi algo que
tornou-se marcante para os pais de João Batista e
de Jesus que chegou a assombrá-los, assustando-
os mesmo.
Esse vínculo inexplicável entre João Batista e
Jesus, como se fossem "duas almas gêmeas", dois
irmãos inseparáveis de outras vidas, viria a se
estender por toda a existência de ambos.
Já havia se passado mais de seis meses do
encontro de José e Maria com os religiosos da nova
ordem mitral, quando Herodes, o Grande, por
reclamação de religiosos hebreus, temendo a
concorrência de novas e proibidas religiões, com
adorações a novos deuses, toma conhecimento de
que alguns religiosos de terras distantes, do Egito
e da Índia, estavam profetizando sobre gente do
seu povo.
Chamados ao palácio de Herodes, o Grande, os
religiosos da nova ordem mitral apresentam-se a
Herodes, o Grande, mas nada do que foi dito por
eles era novidade ou coisa que já não tivesse
ouvido. Eram as religiosidades de sempre e as
previsões habituais, das quais ele, Herodes, estava
cansado de ouvir. Aparentemente, eram só mais
uns profetas e visionários, iguais aos demais que
trocam previsões por dinheiro ou alimento,
exatamente iguais aos tantos que existiam
espalhados da Judéia à Galileia. Entretanto, um
detalhe não escapou de Herodes, o Grande: O fato
de que entre as previsões havia uma que
detalhava sobre um dos primogênitos recém
nascidos na Galileia que um dia viria a ser rei.
Percebendo que Herodes, o Grande, havia se
interessado em especial pela profecia do novo rei
e que hipocritamente mal disfarçava sua ira ao
solicitar aos religiosos mitrais que fossem até
Cafarnaum e Genesaré, recomendando que
fossem até a criança que viria a ser rei e
trouxessem-na para que ele mesmo, Herodes, o
Grande, adorasse o "futuro rei". Foi o suficiente
para que os religiosos mitrais percebessem as
reais intenções de Herodes, o Grande.
Uma vez percebido as intenções mal ocultadas de
Herodes, o Grande, demonstrado por um incontido
rancor sobre a possibilidade de haver um rei
ameaçando seu trono, os religiosos da nova
ordem, com a consciência pesada pelo possível
mal que tal previsão poderia causar, partem então
em busca dos pais de Jesus para alertá-los sobre o
descontentamento de Herodes, o Grande, e de
uma possibilidade de vingança ou retaliação sobre
o "futuro rei".
Como José, Maria e Jesus não foram encontrados
em Cafarnaum ou em Genesaré, os religiosos
mitrais começam então a perguntar sobre o
paradeiro deles, até que são informados por
amigos que a família havia se mudado para Belém.
Como Belém ficava no sul, no exato caminho para
o Egito, de onde os religiosos mitrais haviam
vindo, eles foram até Belém, sua passagem
obrigatória, e por estranha coincidência
encontram-se com José em um mercado público
(uma espécie de feira) e alertam do acontecido no
palácio de Herodes, o Grande.
Assustado, e temendo por sua família, José
convence Maria a fugir mais uma vez, posto que
agora o perigo não era só uma suposição, era real.
E, aceitando a oferta de abrigo e esconderijo
oferecido pelos religiosos mitrais preparam-se
para uma fuga para o Egito, longe do alcance de
Herodes e seus filhos, que dominavam a Judéia e a
Galiléia.
Temendo também pela vida de João Batista, seu
sobrinho, filho de Zacarias e Isabel, de quem tanto
havia recebido ajuda, José tenta convencer
Zacarias e Isabel a deixar João Batista fugir com
eles para o Egito, uma vez que, segundo os
religiosos mitrais, Herodes, o Grande, iria mandar
matar todos os primogênitos nascidos nos dois
últimos anos para evitar que um rei nascesse em
seu reino.
Sabendo que João Batista, agora com pouco mais
de um ano, se ficasse em Belém, iria ser morto
pelos guardas de Herodes, o Grande, pois João
Batista era somente quase seis meses mais velho
do que Jesus, Zacarias consente em que João
escape com os tios para o Egito. Entretanto,
Zacarias recusa-se a ir junto, pois sendo um
sacerdote muito conhecido em Belém e pelo fato
de ter tido um filho já em idade avançada, com
uma mulher tida como estéril, e que o fato do
nascimento de seu filho ser de grande
conhecimento público, Zacarias preferiu ficar em
Belém, com Isabel, e simular a morte do próprio
filho, para garantir a sua sobrevivência no Egito.
Nesse meio tempo, de fato, Herodes, o Grande,
manda vasculhar seu reino, da Galiléia à Judéia,
em busca do tal primogênito que poderia um dia
vir a ser um rei. E após longa e incessante busca,
frustrada em seu intento em localizar o "menino-
rei", e sentindo-se traído pelos religiosos mitrais,
que poderiam ter advertido à família do menino
sobre as suas reais intenções, eis que ele chega à
conclusão de que não tendo sido possível localizar
pacificamente o tal "futuro rei", a única solução
seria mandar matar todos os primogênitos, da
Galiléia à Judéia, que tivessem menos de dois anos
de vida.
Ensandecido, Herodes, o Grande, passa das
palavras à ação e determina a "matança dos
inocentes". Algo dantesco, inimaginável, uma
chacina terrível, cruel. Eram mães e pais
desesperados, vendo seus filhos sendo arrastados
por soldados de Herodes, o Grande, para serem
assassinados friamente, na presença do rei, para
que ele tivesse a certeza de que nenhum
primogênito (varão) com idade inferior a dois anos
pudesse escapar com vida.
Embora nos níveis de hoje em dia, 30 a 40
crianças, primogênitos do sexo masculino, possa
parecer um número pequeno, em razão da
explosão demográfica do mundo atual,
proporcionalmente à população de cerca de dois
mil habitantes, entre Cafarnaum, Genesaré e
Belém, é um número altamente significativo, em
termos de mortandade, sem falar na crueldade
que é, para um pai, a morte prematura de um
filho, primogênito ainda por cima.
Felizmente, graças à providencial informação dos
religiosos mitrais, Jesus havia escapado com vida
da matança dos inocentes. E João Batista também,
pois tendo menos de dois anos e se seus pais não
tivessem sido alertados por seus tios, dos riscos
que corria, teria tido um triste fim caso houvesse
permanecido em Belém.
Durante três longos anos, José, Maria, Jesus e João
Batista, passam a viver no Egito, e com isso a
conviver e a aprender outra cultura, novas línguas,
a confrontar sua religião com outras religiões e a
adquirir novos ensinamentos e a sofrer um
processo de aculturação. Que acabaram sendo
basicamente a "cultura de berço" de Jesus e João
Batista.
Ao fim de três longos anos, eis que finalmente
Herodes, O Grande, vem a falecer, deixando seu
reino para os seus filhos: Herodes Antipas
(Galiléia), Arquelau (Judéia) e Filipe (Cesaréia de
Filipe e Transjordânia). Quando então Zacarias vai
até o Egito e avisa a José e Maria da morte de
Herodes, o Grande, e que com isso eles agora
poderiam voltar em paz, pois o perigo de vida (ou
de morte) para Jesus e João Batista havia passado.
Foi uma festa enorme o retorno de Jesus e João
Batista a Belém. Zacarias e Isabel não cabiam em
si de contentamento pela volta de João Batista, e
de seus primos e sobrinho. Até porque, agora,
após três anos sendo criados juntos, Jesus e João
Batista eram quase que como irmãos, a afinidade
entre os dois (um com quatro para cinco anos e o
outro com três para quatro anos) era algo
incrivelmente indescritível. Pois se desde o
nascimento já havia algo de transcendental e
inexplicável entre os dois, imagine agora após os
três primeiros anos sendo criados juntos... como
irmãos.
Embora houvesse uma afinidade muito grande
entre José e Zacarias, e entre Maria e Isabel, José
não se sentia bem em Belém, embora fosse sua
terra natal. Algo de assustador e muito negativo
José via em Arquelau (filho de Herodes o Grande)
que governava a Judeia, pois seu perfil era de um
grande corrupto e meio louco. No íntimo José
sentia que Arquelau era muito parecido com o pai,
Herodes, o Grande, e que a loucura e os atos
públicos de Arquelau, poderiam causar grande
revolta popular, ou até mesmo uma revolução ou
um período de muita conturbação (que de fato
acabou acontecendo), o que colocaria em risco a
família de José. Conseqüentemente, isto não
inspirava confiança para que José permanecesse
em Belém.
A ter que escolher um lugar para morar dentre os
três reinos dos filhos de Herodes, o Grande, José
escolheu retornar à região da Galiléia, onde
morara antes, e que agora era governada por
Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande, e que
parecia mais confiável do que o pai e o irmão
Arquelau. Vez que sua quase única e grande
preocupação era construir, construir e deixar um
grande legado de construções, de modo a deixar
sua marca para a posteridade.
E foi assim que José mudou-se novamente para
Cafarnaum (na Galileia), às margens do Lago de
Genesaré (Mar da Galileia ou Mar de Tiberíades),
vizinho às cidades de Corozaim e Betsaida, onde
ele tinha grandes amigos e muitos conhecidos, o
que, por sua vez, tornaria a vida mais fácil para
seus trabalhos.
Foi uma grande, sentida e dolorosa separação
entre os quase irmãos João Batista e Jesus e os
parentes Zacarias e Isabel, José e Maria.
Em Cafarnaum, a vida seguia normalmente para
José e Maria. Mas, no entanto, algo de muito
estranho acontecia com Jesus, pois, por mais que
os pais tentassem ocultar e esconder dos vizinhos
os dons de Jesus, não conseguiam ocultar um
incontrolável poder dele sobre a matéria, que
causava danos, transtornos e problemas para os
vizinhos e para a comunidade.
Sem que Jesus desejasse, ou soubesse como, as
coisas aconteciam à sua revelia, coisas estranhas
aconteciam ao seu toque, e às vezes nem ao seu
toque. Era algo inexplicável. E por ser algo que
ele, criança, não sabia como direcionar ou
controlar, logicamente muitas coisas boas
aconteceram, mas principalmente muitos
problemas foram criados por Jesus para José e
Maria, que nada entendiam sobre o que se
passava.
O fenômeno mais comum era a telecinesia,
explicada pela parapsicologia (e no espiritismo)
como a movimentação de objetos inanimados, à
distância, sem qualquer ação mecânica humana.
Eram objetos que caiam sem que ninguém os
houvesse tocado, eram coisas que se moviam sem
que ninguém conseguisse explicar. E o estranho
disso tudo é que todos sabiam que era Jesus quem
fazia aquilo acontecer, mas quando ele era instado
a fazer deliberadamente o que se pedia para fazer
acontecer, ele não conseguia... tinha o poder mas
não sabia como usá-lo ou direcioná-lo.
Logicamente, a fama dos acontecimentos não
tardaram a se espalhar pela vizinhança e não
faltava gente apegando-se às coisas de Jesus,
como suas vestes, restos de suas roupas, água em
que ele tivesse sido banhado, qualquer coisa que
ele tivesse tocado ou usado, para serem utilizados
como amuletos de sorte ou objeto das mais varia-
das curas, sendo a mais comum a de
enfermidades. E como costuma acontecer nos
casos em que pessoas esperançosas de
determinados acontecimentos desejarem tanto,
tanto, tanto a realização de um acontecimento
que, por sugestão, indução ou coisa que o valha,
muitos "milagres" (frutos do acaso, coincidência
ou não) passaram a ser atribuídos a Jesus.
Sua fama logo correria por toda a cidade e pelas
cidades vizinhas. E logo não tardaram a se formar
verdadeiras romarias ao menino abençoado, em
busca de soluções de problemas. Mas o que viam
era simplesmente um menino parecido com quase
todos os meninos de sua idade e que realizava
coisas estranhas e inexplicáveis, mas todas elas
independente de sua vontade.
Por outro lado, não tardou que as opiniões
ficassem divididas à respeito dos "milagres" de
Jesus. Uns achando que realmente muitas pessoas
foram curadas pelo seu toque divino ou por
objetos pertencentes a Jesus, mas muitos (a
maioria, frustrada por não alcançar a graça ou o
resultado esperado) achando que os casos
acontecidos eram mera coincidência, pois somente
alguns casos (a minoria) havia surtido efeito.
Os que alcançaram o resultado esperado
acrescentavam ao seu resultado alguns outros
acontecidos com terceiros para dar maior
credibilidade e veracidade à sua história. E não
faltavam histórias de que Jesus ressuscitava
pássaros mortos, ou que matava pássaros
acidentalmente. Ou que fazia árvores secarem a
um simples toque ou rebrotarem depois de
mortas. Ou que fazia levitação em pleno campo
aberto. Enfim, muitas histórias eram contadas a
respeito de Jesus.
Por outro lado, muitos descontentes tratavam de
espalhar como falsos os poderes de Jesus e
citavam casos e mais casos de gente que havia
buscado a cura e nada havia acontecido, quando
não havia piorado do estado em que estava. Gente
que estava "quase" sadia e que morrera sem
maiores explicações. Enfim, as opiniões dividiam-
se muito, até que com o passar do tempo as
pessoas passaram a conviver com naturalidade
com as coisas estranhas que Jesus fazia, e não
tardou que Jesus voltasse à vida normal de
qualquer criança. E as coisas inexplicáveis que
Jesus fazia passaram a ser recebidas sem espanto
ou sem maiores alardes.
Como as coisas ditas, boas e ruins, sobre uma
pessoa não ficam aprisionadas e circunscritas ao
seu convívio direto, não tardou que a fama de
Jesus chegasse a um ou outro em Belém e em
Jerusalém. E em lá chegando a fama dos
acontecimentos de Jesus, não tardou que chegasse
ao conhecimento de seu tio, Zacarias, um
conhecido sacerdote hebreu.
Tão logo pôde, Zacarias foi a Cafarnaum, a
pretexto de uma visita para conhecer Tiago, o
mais novo filho de José e Maria e de aproveitar dos
prazeres da vida próxima ao mar, no lago de
Genesaré. E em lá chegando, demonstrou enorme
satisfação pelo seu mais novo sobrinho, Tiago,
mas, sem disfarçar, apressou-se a verificar o que
ouvira a respeito de Jesus. E para sua surpresa,
constatou a realidade e assustou-se com as coisas
que via e com os poderes de seu sobrinho Jesus.
Para, logo em seguida, recuperando-se do susto,
ter uma visão muito clara do proceder.
A José, Zacarias confessa, então, estar ensinando a
seu filho João, a ler e escrever, juntamente com
fundamentação religiosa (Para a época, saber ler,
escrever e interpretar era muito pouco comum
para as pessoas de uma maneira geral. O ensino
básico era aprendido, em geral, para somente
alguns privilegiados, na juventude).
Zacarias, mostrava-se espantado com os prodígios
de seu filho João Batista, com alguns de seus
poderes inexplicáveis (semelhantes aos de Jesus)
e confessava-se temeroso de ensinar na mesma
velocidade com que seu filho aprendia. E, por isso,
ele preferia que João Batista fosse educado de
maneira mais competente por sábios religiosos,
estudiosos, próximo a Belém, em Monte Carmelo
ou Qunram. E, sendo João Batista e Jesus
praticamente irmãos, e com claros dotes especiais
e incomuns de pessoas super especiais, ele,
Zacarias, entendia que seria bastante proveitoso
para Jesus se José permitisse que Jesus fosse
aprender o ensino fundamental (ler, escrever e
interpretar) juntamente com seu primo João
Batista.
A primeira reação de José foi totalmente negativa.
Era inconcebível entregar Jesus para Zacarias para
que ele enviasse Jesus e João Batista para serem
educados por sábios em um mosteiro em Monte
Carmelo ou Qunram. A resposta era "não", "não" e
"não".
José, entre assombrado e curioso, questiona então
a Zacarias se, sendo ele um sacerdote saduceu,
não o incomodava ou se não era um contra-senso
confiar a educação de seu próprio filho João a um
grupo essênio. No que Zacarias contesta e garante
que quer para seu filho o melhor que a cultura
pudesse dar. Descontente com sua própria
religião, Zacarias diz que Belém e Jerusalém estão
à beira do caos, com corrupção moral e de
costumes, uma versão "moderna" de Sodoma e
Gomorra. Os ensinamentos religiosos dos
saduceus e dos fariseus estavam menos educando
do que a própria ignorância. Por isso, a melhor so-
lução para a educação estava em tirar João Batista
de Belém ou Jerusalém e enviá-los a quem
pudesse dar bons ensinamentos de base e uma
sólida orientação religiosa ortodoxa, pautada na
humildade, na caridade e na sabedoria do
autoconhecimento.
Zacarias, apelando para o sentimentalismo e para
a dívida de gratidão, argumentou com José que
pelo bem de seu filho uma vez confiara a vida de
João Batista a José, quando da fuga para o Egito.
Agora, não era só uma questão de confiança, mas
José deveria pensar primeiro no futuro e bem estar
de Jesus antes de querê-lo agarrado a si, sem dar
uma chance dele ter uma oportunidade de ser al-
guma coisa diferente de um simples camponês. E,
de mais a mais, José não poderia esquecer que
Jesus iria ser tratado como a um filho, como é
habito entre os essênios, e que iria estar
permanentemente na companhia de seu quase
irmão João Batista, o que seria ótimo para a
formação de caráter e o desenvolvimento de
ambos.
Maria foi mais sensível às palavras de Zacarias do
que José. Ela reconheceu de imediato que Zacarias
iria fazer por Jesus o mesmo que iria fazer por seu
filho João Batista. Iria dar-lhe a melhor instrução, o
melhor preparo para a vida e quem sabe ter até
um destino conforme o previsto nas profecias... e,
de mais a mais, Maria e José não ficariam sós, vez
que estavam com um filho nascido há pouco
(Tiago) e Maria já estava grávida de outro.
E foi dessa maneira, com o apoio de Maria e com
José meio a contragosto, que Jesus foi enviado por
meio de Zacarias para ser educado junto com seu
primo João Batista.
No início, João Batista e Jesus foram enviados para
a iniciação dos ensinamentos não em Qunram,
mas no mosteiro essênio em Monte Carmelo, ao
sul de Belém e Jerusalém, onde tiveram a
instrução elementar. Posteriormente, foram
enviados para Qunram para a fase mais profunda
e madura do aprendizado.
Durante o período em que estiveram sob a
orientação dos essênios, João Batista e Jesus
receberam várias vezes as visitas de seus pais, o
que não era um fato comum entre os internos do
mosteiro. Nas principais festas religiosas eles iam
para a casa de suas famílias e para as celebrações
festivas. E a cada ano João Batista e Jesus iam
passar uma curta temporada em casa com seus
pais, o que também era algo incomum, e que
denotava um tratamento especial e diferenciado
que era destinado a Jesus e a João Batista.
Esta liberdade de ir e vir e este procedimento
pouco comum, permitido a João Batista e a Jesus,
criava um grande embaraço e constrangimento
entre os essênios. Isto porque, em geral as
crianças eram entregues nos mosteiros essênios,
nas mais tenras idades, eram tratados verdadeira-
mente como filhos, e somente após estarem
totalmente prontos, na puberdade, com o caráter
bastante forjado com sólidos ensinamentos, é que
voltavam a ter saídas mais freqüentes dos
mosteiros e contatos com seus familiares. En-
tretanto, percebendo a luz interior de ambos e os
seres especiais que eram João Batista e Jesus,
foram-lhes concedidas condições diferenciadas e
especiais de tratamento.
Embora Jesus fosse pobre (e João Batista nem
tanto), o aprendizado da leitura e da escrita, assim
como a interpretação de textos, parábolas e
ensinamentos era algo incomum e quase
inalcansável para sua classe social. Essa
aculturação provocou uma gradativa ascensão
social de Jesus, que passou a freqüentar e a privar
de determinados grupos sociais, antes inatingíveis
para a sua classe social.
Judeus convictos, circuncisados desde os oito dias
do nascimento (nota do autor, deixar a palavra
circuncisado, pois circuncidado é mais uma das
tantas "preciosidades" de dicionaristas), aos 12
anos João fez o seu tradicional Bar Mitzvah (uma
festividade judaica que consiste na entrada da
puberdade, onde a criança deve justificar e dizer
aos adultos como e porque merece adentrar à vida
adulta), o que não se constituiu numa grande
surpresa, pois sendo João Batista um filho de um
sacerdote, presumia-se uma grande cultura capaz
de impressionar os mais velhos, no templo, no seu
discurso de entrada na juventude. Era algo
esperado. Mas, quando no ano seguinte Jesus fez
seu Bar Mitzvah, que para surpresa geral ninguém
esperava tamanha fonte de conhecimento por
parte de um humilde filho de camponês, foi algo
absolutamente marcante, isto porque, além de
demonstrar um incrível e fantástico conhecimento,
incompatível para um filho de camponês (os
religiosos do templo não sabiam da instrução
essênia de Jesus), e por isso Jesus foi sendo mais e
mais questionado pelos mais velhos, e quanto
mais questionado, mais conhecimento Ele
demonstrava. A ponto de estarrecer os sacerdotes
e seniores do templo, com tamanho conhecimento
das leis religiosas, bem como demonstrando uma
impressionante cultura geral.
Inegavelmente, Jesus era o irmão destacado de
uma família comum, tradicional da época. Nada de
especial havia sido manifestado em seus irmãos.
Tiago já estava bastante crescido, com quase sete
anos. Os outros irmãos, José, Simão, e Judas, eram
crianças absolutamente normais, comuns. Sem
que merecessem registro destacado. Mas, para
Jesus (e também para João Batista) de certa
maneira, a chegada dos doze/treze anos acabou
marcando não só uma posição de passagem para
a adolescência, como expôs de maneira mais
acirrada as contradições entre a doutrina e a vida
dos essênios e o convívio com os demais grupos
judeus, como os saduceus e os fariseus. As
disparidades eram muito grandes e gritantes.
Os essênios, por seu turno, não estavam contentes
com os rumos das vidas duplas de costumes
diferentes de João Batista e Jesus. Assim como eles
(Jesus e João) não estavam plenamente satisfeitos
em ater-se a uma só cultura. A curiosidade e a
fome de saber consumiam os dois jovens. E,
coincidentemente, estava chegando o momento
de ambos decidirem (ou os pais de ambos) se
iriam dar seqüência à doutrina essênia, optando
por tornarem-se mestre (rabi) ou sacerdote
essênio, ou se optariam por outro tipo de rumo ou
religiosidade.
De certo, certo mesmo, somente as sólidas bases
de cultura geral e religiosa, passadas pelos
essênios, que eles haviam adquirido. Mas, isso era
muito pouco ante o fogo e a fome de saber que
ardia em ambos, visto que eles ansiavam por mais
e mais conhecimentos, que eles sabiam que
existia mundo a fora, e que por esta razão não se
contentavam com o que tinham, apesar de muitos
acreditarem que era conhecimento suficiente. Mas
que para eles era muito pouco.
A inquietude e o fogo da adolescência
empurravam João Batista e Jesus para aventuras
além das terras da Palestina. Os propalados
mistérios do Egito e da índia, e mais os desafios de
suas culturas e religiosidades, colocavam os agora
jovens João Batista e Jesus em verdadeiro estado
de tormento e ânsia pelos desafios que se
apresentavam.
Com a chegada da juventude aumentaram a
inquietude, a angústia e o tormento. O chão
queimava sob seus pés.
Foram mais alguns anos vivendo a contragosto
entre a Galiléia e a Judéia, até que a força e o
ímpeto da juventude os empurrou definitivamente
para o mundo de aventuras em viagens de
experiências fantásticas.
Foram viagens ao Egito (a sudoeste), para rever
velhos conceitos, ensinamentos e relembrar dos
primeiros anos de vida, quando haviam fugido
para o Egito e passados os primeiros anos de suas
vidas. Mas, o principal motivo das viagens era o de
confrontar e adicionar novos conhecimentos,
verificando, de perto, ciências que despertavam
enorme curiosidade como o ocultismo, previsões e
o zoroastrismo (Religião de Zoroastro ou
Zaratustra, nascido na Média, no século sete a.C.,
criador da casta dos magos e reformador do
masdeísmo — religião antiga dos iranianos =
persas e medas -, caracterizada pela divinização
das forças naturais e pela admissão de dois
princípios em luta, aura-masda e arimã (o bem e o
mal), do qual conservou-se a concepção dualística
do universo.)
Como conseqüência da curiosidade pelos
conhecimentos egípcios (os essênios cultuavam
muito a cultura egípcia e respeitavam a influência
que tiveram da ramificação da Grande
Fraternidade Branca, fundada no Egito pelos
ascendentes do faraó Akenatom, em cerca de
1450 a.C.), interligado aos conhecimentos dos
persas (Irã), e à cultura budista da Índia e do
Nepal, mormente referente à meditação
transcendental dos monges tibetanos e aos
ensinamentos humanitários, pacifistas e adeptos
da não-violência, isto sem falar em reencarnação,
vida eterna e evolução espiritual (que o judaísmo
saduceu e fariseu se furtavam a discutir e sequer
queria ouvir falar), não tardou que uma longa
jornada fosse empreendida no sentido oposto ao
Egito. Ou seja, seguindo a Rota de Seda, a
nordeste (Síria e Turquia) e depois ao sudeste e
sul, atravessando os países hoje conhecidos como
Iraque, Irã, Paquistão, Índia e Nepal.
A vida de Jesus, dos 16 aos 28 anos, período em
que esteve em constantes viagens e aprendizado
no extremo oriente, pode ser lido em diversas
publicações de diversos pesquisadores (conforme
citado em grande bibliografia anexa), mas de uma
maneira séria e inconteste, pode ser confirmado
pela própria igreja católica, na biblioteca do
Vaticano, onde existem 63 (sessenta e três)
manuscritos variados, em diversas línguas
orientais, referindo-se às viagens de Jesus ao
extremo oriente: Egito, Arábia, Síria, Turquia,
Índia, Nepal e China, com especial vivência na
índia e no Nepal, onde Jesus era conhecido e
chamado de "Issa", conforme constatado em 1887
pelo pesquisador russo, da Criméia, Nicolai
Notovitch.
Outros manuscritos (atos e evangelhos) que
tratam do assunto, e que por isso mesmo haviam
sido banidos pela igreja nos primeiros quinhentos
anos da era cristã, foram redescobertos e trazidos
por missionários cristãos, entre eles os Atos de
Tomé, publicados em 1823, Atos de Barnabé,
publicado em 1870, o evangelho de Pedro 1893, o
evangelho secreto de Tomé, descoberto no alto
Egito, em 1945, dois anos antes (1947) dos
manuscritos (Qunram) do Mar Morto.
Outro que pesquisou a fundo estes documentos no
Vaticano foi o alemão Holger Kersten, o que
ensejou a autoria do livro "Jesus viveu na Índia",
onde descreve com riqueza de detalhes a longa
estada de Jesus ("Issa") na índia e no Nepal. E não
diferente são os estudos e pesquisas do teólogo-
pesquisador russo Nicolai Notovich, que aliás foi o
primeiro a descobrir (em 1887) os manuscritos
sigilosos da biblioteca do Vaticano, e que foram
por muito tempo ocultados do mundo cristão,
assim como seu livro "A vida desconhecida de
Jesus" (The unknown life of Jesus).
Portanto, escrever sobre a vida de Jesus, dos 16
aos 28 anos, baseado em manuscritos do Vaticano
e livros sérios já editados e confirmados, parece
ser um ato repetitivo e que muito pouco
acrescentaria ao relato atual sobre a vida de Jesus,
vez que o foco de nossa abordagem é especifica-
mente "A Sociedade Secreta de Jesus".
Assim sendo, retornemos a Jesus e João Batista,
aos 27 e 28 anos, após as longas viagens de
ambos ao extremo oriente.
De volta à Palestina, impregnados de novos e
sólidos conhecimentos religiosos, do zoroastrismo
ao budismo, com uma visão espiritualista
amplificada, Jesus e João Batista deparam-se com
uma terrível corrupção de costumes, da Judeia à
Galileia. Era como uma antevisão muito próxima
de Sodoma e Gomorra. Havia uma séria inversão
de valores e uma tremenda injustiça social que
infelicitava e empobrecia cada vez mais o povo.
A política dos romanos era perversa. Exigiam mais
e mais, cada vez mais e contavam com total apoio
e cumplicidade da elite dos judeus (saduceus) para
ajudar cada vez mais a Roma. Enquanto que os
judeus pobres e os gentios (não-judeus) viviam em
lastimável estado de miséria.
A tática dos romanos era mais ou menos simples:
Não impunham seus Deuses e as várias divindades
do panteão romano, e permitiam que a elite dos
judeus (saduceus), sabidamente corrupta e
canalha, controlasse o povo pela religião casuística
deles e pela cega e inconteste adoração a Javé.
Em troca, exigiam que os saduceus sangrassem o
povo ao máximo, com tributos escorchantes, para
"honra e glória de Roma". E com isso o povo tinha
que trabalhar mais e mais, cada vez mais, para
sustentar essas duas classes da elite parasitária.
É certo que isso (injustiça social e corrupção de
costumes, principalmente a desenfreada
libertinagem que havia se instalado nas classes
dominantes) revoltava e indignava terrivelmente a
João Batista e a Jesus. Mas cada um tinha sua
revolta particular dirigida para um foco da
questão. À João Batista indignava mais a
promiscuidade, a libertinagem, a devassidão e a
corrupção de costumes. À Jesus indignava mais a
corrupção religiosa, pois os templos haviam se
transformados em verdadeiros mercados e casas
de câmbio, onde alguns dos impostos só poderiam
ser pagos com a moeda "tetradracma tíria", que
obrigatoriamente tinha que ser trocada no templo
dos saduceus (como se fosse uma casa de
câmbio), enquanto que ao mesmo tempo os
espertalhões saduceus obrigavam — sob ameaça
dos "fiéis" arderem em fogo eterno do inferno —
aos pobres coitados ansiosos por melhorar de vida,
que para melhorarem de vida tinham que fazer
sacrifício de animais, comprar amuletos e
oferendas no templo, pagar dízimo, e seguir
determinados rituais que beneficiavam
diretamente os gerentes e mercadores do templo.
O poder de exploração da ignorância alheia pelos
gerentes e mercadores do templo dos saduceus
era de tal ordem que aos pobres "fiéis",
amedrontados ante o fogo eterno do inferno, nem
o direito de trazer seus próprios animais para
serem sacrificados era permitido. Nem trazer sua
água para ser benzida. Nem trazer seus azeites e
óleos para serem benzidos. Nem trazer seus
próprios amuletos. Tudo isso era considerado
impuro pelos vigaristas do templo. Os "fiéis"
ignorantes só podiam oferecer em holocausto ani-
mais "puros", comprados com exclusividade no
templo dos vigaristas. A água, os azeites, os óleos
e os amuletos para serem santos, bentos, tinham
que ser "puros" e para isso tinham que ser
comprados no templo dos gerentes, sacerdotes e
mercadores vigaristas, que detinham uma exclusi-
va reserva de mercado, concedida por Roma — em
retribuição à subserviência dos saduceus e
fariseus — e que ao mesmo tempo era garantido
pela ignorância do povo ameaçado pela igreja.
(Esta exploração religiosa da ignorância, desejada
e mantida por uma igreja que se pretende fazer e
manter próspera, em benefício dos gerentes do
templo, foi o que tanto irritou Jesus a ponto de —
em determinada ocasião — perder o controle e
expulsar os vendilhões do templo).
Não se pode nem dizer que as lutas de João Batista
e Jesus ficaram centradas somente neste aspecto
de revolta contra a exploração do povo e as
desigualdades sociais. Claro que isso não é a
verdade inteira. Isso era, também, um tema e um
assunto de interesse permanente dos revolucio-
nários ultranacionalistas zelotes. Que infelizmente
tinham uma visão desfocada do problema e a tudo
atribuíam a culpa a Roma, esquecendo-se que
seus próprios irmãos judeus (saduceus e fariseus)
eram os maiores culpados de tudo.
Não se pode esquecer e nem perder de vista que
de alguma forma este aspecto de uma vida
corrupta e mundana de romanos, saduceus e
fariseus, influenciou o direcionamento e a vida de
João Batista e de Jesus.
Estas corrupções, religiosa — que tanto revoltou,
irritou e angustiou Jesus — e a de costumes, pela
degradação de valores morais, ligados à
libertinagem e devassidão — que tanto revoltou,
irritou e angustiou João Batista, acabaram sendo
decisivas para suas vidas e responsáveis pela
"sorte" e tragicidade de seus destinos.
Os quase irmãos, João Batista e Jesus,
decepcionados com a permissividade e corrupção
instalada por toda a Palestina, vendo e assistindo
a degradação de Belém e Jerusalém espalhando-se
por toda a Judéia e Galileia, voltam então ao
mosteiro essênio em Qunram para retomar seus
antigos contatos, trocar conhecimentos e
experiências com os "irmãos" essênios, e
estabelecer uma forma de resistência e luta contra
o que estava acontecendo com o povo hebreu
(judeu).
Puros como o branco das roupas que vestiam
(conforme já explicado, o branco não era uma cor
tão comum quanto possa parecer. Ao contrário,
eram raros os tecidos brancos, bem brancos, pois
como os tecidos eram todos feitos artesanalmente,
por isso tinham a cor crua original e característica
dos tecidos (bege) ou a cor de seus tingimentos
mais berrantes: vermelho, azul, amarelo, etc.
Exceto o branco que era uma descoloração difícil
de ser conseguida) os essênios juntaram-se a João
Batista e a Jesus em suas preocupações quanto à
corrupção de costumes que havia tomado conta
do povo hebreu (judeu), associado à degradação
dos romanos.
Algo deveria ser feito para conter aquele avanço
incontrolável de devassidão e corrupção. E foi
exatamente diante deste quadro que um grupo de
essênios (não era a maioria) resolveu organizar
um combate sistemático à podridão de costumes
que campeava pelas cidades.
Inicialmente falavam em ir às ruas fazer pregações
e usar o poder de convencimento. Mas esta idéia
encontrou bastante resistência por vários motivos.
Primeiro, porque os essênios mais velhos e
tradicionais primavam pela vida reclusa dos
mosteiros e não se aventuravam por pregações
abertas em ruas. Segundo, porque a pregação
aberta em ruas envolveria críticas além da
religiosidade e esta não era a finalidade da religião
essênia. Aliás, sem sucesso os zelotes já criavam
tumulto suficiente (e sem muito sucesso) com-
batendo e se insubordinando contra a corrupção
de costumes dos romanos, dos saduceus e dos
fariseus. Terceiro, porque grande parte das críticas
iria encontrar resistência religiosa junto aos grupos
saduceus e fariseus, com conseqüências drásticas
para os essênios, onde a menor delas seria a
perseguição pessoal aos essênios: Quarto, porque
identificando abertamente os revoltosos essênios
eles seriam presas fáceis e colocariam em risco
não só suas vidas como a de seus familiares.
Era uma situação extremamente difícil, mas da
necessidade e do debate surgiu então uma
solução alternativa, qual seja: uma irmandade,
uma fraternidade, uma sociedade agindo
secretamente — em princípio desvinculada dos
mosteiros essênios — visando combater a
corrupção de costumes e de religião, onde seus
membros usariam nomes falsos de batismo de
modo a dificultar as suas identificações e para não
terem seus parentes, familiares e amigos
perseguidos.
Suas regras de funcionamento eram bastante
simples. Iriam fazer pregações dos conceitos
religiosos tradicionais dos essênios (ampliados e
associados aos conhecimentos religiosos
adquiridos por João Batista e por Jesus, quando de
suas viagens ao extremo oriente. Basicamente
índia, Nepal e China); iriam revolucionar e
despertar a religiosidade de cada pessoa, iniciando
pelo renascimento, pelo batismo, dando a cada
alma uma nova oportunidade de renascimento e
uma vida nova a cada pecador. Iriam manter
rituais sagrados como a eucaristia (pão e vinho)
para selar os laços da arca da amizade. Iriam
pregar a paz e o amor acima de todas as coisas,
pois só a paz e o amor conduzem à harmonia com
Deus. Iriam pregar a busca da verdade como meta
a ser alcançada, sempre, como uma forma de
libertação (até para que os fiéis parassem de ser
enganados por pregadores vigaristas). Iriam
pregar a reencarnação e a vida eterna, como a
base da esperança de vida do ser humano e
estabelecer um ritual de reza (mantra) com as
principais aspirações do ser humano, conforme
encontram-se colocadas no hino dos essênios,
sobre as bem-aventuranças. Estas eram as
principais metas de orientação. Mas ainda faltava
a questão prática de operacionalidade. Ou seja,
como fazer isso tudo funcionar sem despertar a ira
dos saduceus e dos fariseus.
Assim como a sociedade dos essênios, a sociedade
secreta que dali estava surgindo iria ser dividida
por responsabilidades. Os mais capacitados iriam
formar a base da sociedade secreta, num grupo de
doze mestres, rabinos, que iriam buscar a
evolução dentro do grupo, para que
posteriormente cada um dos doze mestres viesse
a formar seu próprio grupo de doze, onde cada um
dos doze formaria novo grupo de doze discípulos e
assim sucessivamente, numa progressão
matemática assustadora. Ou seja, a missão não
buscava somente convencer o discípulo às convic-
ções religiosas, mas convencê-lo a convencer
outros, que convenceriam outros e assim
sucessivamente, sempre em grupos fechados e
sucessivos de doze.
Para que os membros da sociedade secreta não
pudessem ser identificados publicamente, ou pelo
menos dificultar a sua identificação, todos teriam
um novo nome dentro da sociedade, adquirido
depois de um batismo especialmente feito para
celebrar a entrada de cada membro na sociedade
secreta, e por este nome deveriam ser tratados
em público para que nenhum vínculo pudesse ser
estabelecido com suas famílias e seus amigos, ou
que pelo menos fosse dificultado a identificação
direta, e com isso preservar a segurança familiar e
o círculo de amizades dos pregadores.
O símbolo da sociedade seria o peixe, um dos
poucos seres vivos que comiam e que representa
o milagre da vida, a fonte de energia e
alimentação da sabedoria dos seres humanos e a
perpetuação das espécies, pois mesmo sendo
adeptos de um parcial vegetarianismo, os essênios
entendiam que o homem precisava de nutrientes
animais para a sua dieta, sustentada pobremente
à base de vegetais, e que o peixe e o sal, ligado ao
peixe, tinham um significado simbólico de
sobrevivência do ser humano e por isso o peixe foi
escolhido como um símbolo muito especial para a
sociedade secreta originária dos essênios ("Vós
sois o sal da terra. Imprescindíveis. Sem o sal não
há gosto, não há vida. Sem o peixe não há
alimento que haste ao homem sobre a Terra, e
sem alimento o homem não vive").
E aperfeiçoando o símbolo do peixe, foi sugerido
que o perfeito equilíbrio e a perfeita harmonia do
peixe seria exatamente a colocação de dois peixes
em posições opostas. Ou melhor, um peixe com a
cabeça apontada para a cauda do outro, dando a
dimensão exata da harmonia e do equilíbrio, que
poderiam significar, o bem e o mal, o certo e o
errado, o dia e a noite, o corpo e a alma, a matéria
e o espírito, num eterno dualismo.
Do símbolo do peixe surgiu o sinal (código) de
comunicação secreta da sociedade em público.
Pois, os membros da sociedade, que
eventualmente não se conhecessem entre si, ou
que quisessem ter uma conversa reservada, longe
dos olhos das demais pessoas identificavam-se
pelo desenho do peixe. Ou seja, faziam um arco
como se fosse um semicírculo, abrindo os dedos
polegar e indicador, e o outro membro da
irmandade fazia o mesmo, e em seguida tocavam
polegar com polegar e faziam o dedo indicador
passar pelo indicador de seu companheiro,
completando, com isso, o desenho de um peixe.
Vezes havia em que este mesmo desenho era feito
riscando-se na areia, com gravetos ou com os
próprios dedos, fazendo cada um o seu
semicírculo, que juntos, ao se cruzarem, perfaziam
o desenho do peixe.
Partindo do planejamento teórico para a prática,
inicialmente foram nomeados doze jovens mestres
(Jesus, João Batista, Benjamim, Samuel, Isaac,
Jacob, Aarão, Josias, Nicodemos, Amós, Silas e
Oséas), indicados pelos doze mestres veteranos
que dirigiam a comunidade essênia. Estes mestres
veteranos, que elegeram os doze membros da
sociedade secreta, mas que a ela não pertenciam,
em princípio não iriam se envolver diretamente
com as atividades da sociedade secreta, mantendo
suas vidas normais como mestres essênios,
reclusos nos mosteiros. Enquanto isso, cada um
destes doze jovens mestres (rabi), membros da
sociedade secreta, deveria ir buscar junto ao povo,
através de pregação, doze discípulos (cada um)
para segui-los e levar adiante a sociedade secreta,
para que no futuro cada discípulo constituísse sua
própria irmandade de doze, e assim
sucessivamente. Este era o sistema de irradiação
de idéias que daria sustentação prática à
sociedade ou irmandade.
Para cada um dos membros da sociedade secreta,
além das atividades normais desenvolvidas,
caberia uma atividade específica e prioritária. A
Jesus coube a pregação visando a recuperação da
religiosidade e a recomposição das tradições
religiosas, contra o mercantilismo dos templos. A
João coube a pregação contra a libertinagem, a
devassidão, e a corrupção dos costumes. Aos
outros dez (Benjamim, Samuel, Isaac, Jacob,
Aarão, Josias, Nicodemos, Amós, Silas, Oséas)
coube temas diferentes como orientadores de suas
pregações e objetivos.
E foi com esta sociedade secreta instituída e
constituída dessa forma que Jesus e João Batista
iniciaram as suas pregações específicas pela
Judeia e pela Galileia, cumprindo a grande
orientação e determinação da sociedade essênia:
— "Ide. Batizai a todos. Pesquem almas como
peixes".
Em muito pouco tempo, João Batista na Judeia e
Jesus na Galiléia já haviam conquistado seus doze
discípulos, embora vivessem rodeados de um
número muito maior de seguidores do que o
número de doze discípulos. A receptividade às
suas pregações eram fantásticas, imediatas, muito
além do que havia sido planejado ou esperado.
Eles diziam exatamente aquilo que o povo,
cansado da degradação moral e religiosa, queria
ouvir. Logo se formavam imensos grupos e
pequenas multidões para ouvir os pregadores
essênios, sem que fosse dito — obviamente — que
eles eram essênios ou sequer que pertenciam a
qualquer religião. Pois até mesmo nos templos dos
saduceus eles faziam as suas pregações
livremente, como rabinos independentes, vez que
eles não se definiam a que ramo hebreu
pertenciam. Foi uma revolução de pregação
religiosa como nunca dantes vista.
Às margens do Lago Genesaré (Mar de Tiberíades
ou Mar da Galiléia), com todos os seguidores
reunidos, especialmente convocados para uma
grande reunião, Jesus explicou que, dentre todos,
dezenas de seguidores, Ele iria convocar 12 (doze)
discípulos que iriam assumir a função de apóstolos
e que iriam seguí-lo permanentemente. E após a
escolha dos doze discípulos, Jesus explicou a cada
um o funcionamento da Sociedade Secreta de
Jesus, de modo a que cada um dos doze se
tornasse responsável pela difusão e propagação
das idéias da sociedade secreta.
Os discípulos escolhidos eram, e sua esmagadora
maioria, da Galiléia, e por isso tinham uma forte
ligação com o mar, com a pesca, com o peixe, até
por serem, na maioria, pescadores ou viverem nas
proximidades do mar. Os 12 (doze) primeiros
discípulos a quem Jesus batizou como membros da
Sociedade Secreta de Jesus foram: Simão a quem
Jesus batizou como Pedro; André irmão de Simão/
Pedro; Bartolomeu a quem Jesus batizou como
Natanael; Levi a quem Jesus batizou como Mateus;
Tomé a quem Jesus batizou como Dídimo; Tiago a
quem Jesus batizou como Boanerges Maior; João
irmão de Tiago e filho de Zebedeu, a quem Jesus
batizou como Boanerges Menor (os irmãos Filhos
do Trovão); Tiago irmão de Judas Tadeu e filho de
Alfeu; Judas Tadeu irmão de Tiago e filho de Alfeu;
Filipe; Simão o cananeu e Judas Iscariotes, que por
ser o mais próximo e chegado a Jesus e de sua
maior confiança foi escolhido como o tesoureiro da
irmandade de Jesus. Isto porque, em cada
irmandade de 12 membros sempre havia um
tesoureiro, independente, para que cada
irmandade trabalhasse de forma autônoma e
independente, ficando o tesoureiro responsável
pelo controle das doações recebidas e do fruto do
trabalho de cada um dos membros da sociedade,
de modo a garantir a manutenção e sustento da
irmandade.
Junto com a nova vida os discípulos eram
instruídos da importância do novo nome que
assumiam perante a Sociedade Secreta de Jesus e
as razões de se ter uma outra identidade, de
acordo com os preceitos da sociedade a que agora
pertenciam. E como uma recomendação de prática
religiosa, seguiam o conselho de Jesus:
— "Ide pelo mundo. Eu vos dou a Minha
autoridade. Pregai a liberdade, a vida nova e a
revolução pela paz. Não carreguem nada exceto o
que Deus vos deu. Usem vestimentos simples,
carreguem somente um cajado e calcem as
sandálias da humildade do pescador. Eu vos farei
pescadores de homens. Batizai a todos. Pescai
almas como peixes. E Eu estarei convosco até o
fim dos tempos.", Disse Jesus.
Além dos doze discípulos, Jesus foi chamando e
batizando um a um de seus demais seguidores
(eram dezenas, no início, e chegou rapidamente a
milhares posteriormente), sem dar-lhes novos
nomes, pois o batismo especial da sociedade
secreta era aplicável somente aos doze membros,
apóstolos, discípulos da Sociedade Secreta de
Jesus. E pelo batismo aos demais seguidores Jesus
foi purificando-os pela água, e explicando o
significado e a importância do batismo,
demonstrando que à partir daquele ritual cada um
estaria tendo a oportunidade de começar uma vida
nova, independentemente dos erros e dos pecados
anteriores. Essa era a idéia da conversão batismal.

(Nota do autor: A fim de evitar confusão de alguns


nomes ao longo do relato, esclareça-se que
existiam muitos nomes comuns e corriqueiros para
a época, razão pela qual deve-se fazer distinção
entre eles, quais sejam:
— Tiago irmão de João e filho de Zebedeu
— Tiago Irmão de Judas Tadeu e filho de Alfeu
— Tiago irmão de Jesus e filho de José
— Judas (Tadeu) irmão de Tiago e filho de Alfeu
—Judas (Iscariotes), o tesoureiro, a quem atribuiu-
se traição.
— Judas irmão de Jesus
— José pai de Jesus
— José irmão de Jesus — José (de Arimatéia)
— Simão discípulo a quem Jesus chamou de Pedro.
— Simão irmão de Jesus
— Simão o cananeu
—João (Batista) — Primo de Jesus, que batizou
Jesus e teve uma vida fantástica, paralela à de
Jesus.
— João (Evangelista) — A quem atribui-se um dos
evangelhos e que vaidosamente e
pernosticamente arrasta seus escritos insinuando-
se como "o discípulo a quem Jesus amava" (Como
se Jesus só amasse a ele)
— Maria mãe de Jesus
— Maria (Madalena) seguidora de Jesus
— Maria irmã de Jesus
— Maria irmã de Lázaro

Na escolha dos discípulos de Jesus e de João


Batista, de imediato, apresentou-se uma grande e
quase irreconciliável diferença. Pois, enquanto
João Batista escolheu, como discípulos,
basicamente jovens de vida regular e correta,
praticamente sem grandes vícios aparentes e que
por isso mesmo foram facilmente doutrinados,
Jesus escolheu uma corja, um bando totalmente
heterogêneo. Pessoas comuns, a maioria muito
mais velha do que ele, com muitos vícios e muitos
pecados, inclusive com descrentes e materialistas
absolutos dentre eles.
Certa feita, após um banquete na casa de Levi, o
publicano (coletor de impostos) a quem Jesus
batizou como Mateus (a quem atribui-se um dos
evangelhos), a título de provocação, uns fariseus
questionaram Jesus por ter Ele se banqueteado
com comerciantes, coletores de impostos,
prostitutas e vagabundos que bebiam e tinham
grandes vícios. No que Jesus respondeu que não
são os que têm saúde que precisam de médico,
mas os que estão doentes. Não foram os justos,
mas os pecadores a quem Ele veio chamar.
Demonstrando claramente, com isso, que Seus
discípulos e Seus seguidores não são santos e
muito mais do que isso, são declarados pecadores,
pessoas normais, comuns, e que pelo batismo
estavam renascendo para a vida. (Parcialmente
relatado em Lucas 5:27-32)
— "Mas alguns de seus discípulos sequer acreditam
em Deus, são materialistas como ele, Tomé". —
Retrucou o fariseu.
— "Mais uma razão para tê-lo entre os Meus. Existe
maior mérito do que a conversão de um
descrente?" — Acrescentou Jesus.
Insistindo nas provocações, os fariseus tentam
jogar os discípulos e os conceitos de João Batista
contra Jesus, dizendo que os discípulos de Jesus
não eram como os de João Batista. Os discípulos
de Jesus não jejuavam, não faziam orações antes
das refeições, não faziam abluções (higiene antes
e após as refeições), eram mal educados e agiam
como animais. No que Jesus retrucou, entre
conformado e com graça, que não se põe remendo
novo em pano velho, como que a explicar que
existiam coisas muito mais profundas a serem
ensinadas aos discípulos e à humanidade do que
jejuar ou fazer higiene às refeições. Eles iriam mu-
dar no que fosse preciso, ou seja, na questão
religiosa, mas que poderiam continuar mantendo
velhos hábitos, pois ninguém muda tudo
radicalmente, de uma hora para outra, e para
Jesus bastava que eles mudassem o essencial.
(Parcialmente relatado em Lucas 5:33-39)
No fundo, Jesus reconhecia que o caminho dos
discípulos era longo, árduo e não era pelo fato
d'Ele havê-los escolhidos que se deveria esperar
desses discípulos uma imediata santificação e
beatificação (Aliás, se a santificação feita por
homens já é um erro, outro erro muito maior e
mais terrível ainda é essa automática santificação
destes discípulos, pela igreja, considerando-os
como "santos homens" baseado somente no fato
de Jesus tê-los escolhidos para discípulos, e não
pelos seus méritos de vida).
Jesus não se incomodou com as provocações dos
fariseus. Sabia muito bem que estas não seriam as
únicas provocações e que muitas outras viriam. E
com esta certeza, um tanto a contragosto, Jesus
dá continuidade à sua pregação na Galiléia,
mesmo sabendo que seu alvo era e deveria ser
Jerusalém, pois a sua maior meta era o faraônico
templo de Jerusalém, onde estava o coração da
religiosidade dos saduceus e dos fariseus, e por
conseqüência o foco da corrupção religiosa.
Lentamente Jesus vai fazendo pregações cada vez
maiores, em Cafarnaum, e aos poucos vai
conquistando adeptos em todos os lugares por
onde passava: Genesaré, Corozaim, Betsaída, Tiro,
Sidónia. Por onde passava arrastava multidões de
adeptos às suas pregações e aos seus
ensinamentos religiosos, absolutamente
revolucionários para a época.
Enquanto isso, os outros 11 (onze) líderes
religiosos da sociedade secreta (João Batista,
Benjamim, Samuel, Isaac, Jacob, Aarão, Josias,
Nicodemos, Amós, Silas, Oséas) tratavam de
arregimentar 12 (doze) discípulos cada um, e
espalhar as idéias da nova ordem religiosa.
De longe, acompanhando tudo com muita curiosi-
dade e apreensão, os 12 líderes (mestres)
essênios permaneciam no mosteiro e
coordenavam a irmandade monasterial dos
essênios, que não necessariamente intervinham
diretamente na sociedade secreta composta pelos
novos 12 jovens mestresQesus, João Batista,
Benjamim, Samuel, Isaac, Jacob, Aarão, Josias,
Nicodemos, Amós, Silas, Oséas) que havia sido
formada à partir da fraternidade essênia, e da qual
João Batista e Jesus eram destacadamente
considerados mais do que mestres ou rabi, mas
como messias.
Sendo João Batista e Jesus os messias que a
comunidade essênia esperava, e não tendo ainda
sido ambos batizados, pois eles eram tidos como
essênios desde criança quando estudavam no
mosteiro, daí não haver sentido em um batismo
imediato de quem já era purificado desde a infân-
cia... Entretanto, como eles iriam continuar
pregando o batismo como forma de renascer para
uma vida nova, ainda em vida, nada mais natural
que eles mesmo (Jesus e João Batista) fossem
oficialmente e formalmente batizados.
Surge então a grande dúvida: Se eles iriam ser
batizados, quem os batizaria?
Eis que chegam, então, à conclusão de que ambos
deveriam ser batizados publicamente, em
cerimônia de grande conhecimento de todos e que
João Batista batizaria Jesus e Jesus batizaria João
Batista, numa simbólica igualdade, a fim de evitar
conflitos. Vez que quem batizasse Jesus ou
batizasse João Batista seria tido como um ser
humano privilegiado. Um privilégio que a nenhum
essênio jamais seria concedido.
Em razão desta decisão, Jesus é chamado à Judéia
para o seu batismo e a ambos (João Batista e
Jesus) é comunicado a decisão dos 12 mestres
sábios essênios a respeito do batismo recíproco.
Jesus e João Batista passam, simultaneamente aos
seus discípulos e à comunidade essênia, a imagem
messiânica da condição de quase irmãos. Cada
qual enaltecendo o outro e julgando-se inferior ao
seu quase irmão e atribuindo-lhe a condição de
verdadeiro messias salvador.
Jesus se opõe a batizar João Batista e diz que não
existe entre os homens, nascidos e a nascer,
alguém que se iguale a João Batista. E garante que
João Batista, sim, é o verdadeiro messias. — "Ele é
o Elias que está por vir."
João Batista, por sua vez, se opõe a batizar Jesus.
Perguntando: — "Quem sou eu para batizar a Ti?
Eu é que tenho a necessidade de ser batizado por
Ti. E Tu vens a mim para que eu te batize?"
E foi ante a este impasse, que a comunidade
essênia tomou a salomônica decisão de ambos
batizarem-se mutuamente. O que de fato ocorreu
com grande pompa e circunstância, pois era algo
tão inusitado, tão fabulosamente espetacular, que
foi tido como um dos eventos religiosamente
históricos mais importantes acontecido na
humanidade.
Contando com a presença dos doze discípulos de
João Batista, dos doze discípulos de Jesus, dos
discípulos dos outros dez líderes da sociedade
secreta, dos demais membros da irmandade
essênia, cerca de trezentas pessoas assistiram, no
Rio Jordão, ao batismo de João Batista e de Jesus.
Primeiramente, Jesus batizou João Batista, nas
águas do Rio Jordão, numa cerimônia
absolutamente carregada de uma energia
fantástica que tomava conta de todos. Em
seguida, João Batista começou a batizar Jesus.
Segundo alguns, no momento em que João Batista
estava batizando Jesus, uma pomba branca pairou
por alguns instantes sobre a cabeça de Jesus, e em
razão deste acontecimento, atribuiu-se como um
sinal do Espírito Santo a presença da pomba,
indicando que, entre os dois, Jesus teria sido
escolhido como o messias salvador e que João
Batista seria o messias que iria anunciar a vinda
do Salvador, o Cristo. E de fato João Batista disse
para que todos ouvissem: "Tu és o Cristo. Tu és o
Salvador. Que a irmandade te conheça como
XPTO"
À partir daquele instante, João Batista assumiu a
sua sina de pregar a vinda do messias e de lutar
contra a devassidão, a libertinagem e a corrupção
de costumes instalada por toda a Palestina. E de
imediato iniciou esta sua missão por uma
pregação pelo deserto, para que nenhum canto
ficasse sem ouvir a boa nova da vinda dos novos
tempos com a chegada do messias salvador.
Da árdua peregrinação do deserto, João Batista
volta após longo jejum, comendo somente pães
não fermentados, uvas secas e alguns gafanhotos
encontrados no deserto. E satisfeito pela missão
cumprida, por falar e anunciar ao vento e aos
quatro cantos vazios do mundo a vinda do
messias, João Batista retorna à cidade para a
complementação de sua obra, iniciando por
Jerusalém.
Jesus, por seu turno, temporariamente afastado da
Galiléia, principia tentar acomodar seus discípulos
nas terras da Judéia. E já conformado por ter sido
ungido por João Batista como o messias, como o
Cristo, assume a sua missão e sina como o
messias salvador, e por conseqüência a identidade
de XPTO (letras que designam, na comunidade
secreta, o Cristo).
Embora tivessem tido a mesma educação, as
personalidades de Jesus e a de João Batista eram
marcadamente diferentes. Pois enquanto Jesus era
mais calmo, comedido e manso, João Batista era
mais explosivo, mais impulsivo, mais vibrante
messianicamente.
Dentro do seu estilo e comportamento, João
Batista questiona seu quase irmão Jesus sobre as
suas amizades com bêbados, vagabundos,
desocupados e prostitutas. E até mesmo a escolha
dos discípulos de Jesus foi objeto de crítica por
parte de João Batista.
Jesus, com um leve sorriso e com a serenidade e
calma que Lhe era peculiar, responde a João
Batista, com um certo humor nos lábios, o mesmo
que havia respondido aos fariseus. Ou seja, Ele
estava interessado nos que haviam que ser
curados e não por aqueles que não necessitavam
de cura.
João Batista contra-argumenta que ele, João, não
teria como criticar os corruptores sociais se Jesus
andava em bando com pecadores, vagabundos,
bêbados e prostitutas, e que até mesmo entre
seus discípulos vários exemplos destes eram
visíveis e reconhecidos.
Jesus, mantendo a serenidade messiânica,
responde aconselhando a João Batista: — "Não
critique os que estão errados, João. Recupere-os.
Não amaldiçoe a escuridão. Acenda uma luz."
Reconhecendo a clareza de raciocínio de Jesus,
seu quase irmão, eis que João Batista aceita a lição
e volta à sua missão de pregação em Jerusalém.
Jesus, por seu turno, tentava administrar um
bando quase que incontrolável. Eram vaidades
exacerbadas, brigas por posições dentro do grupo,
disputas por proximidades com Jesus (para ver
quem ficava mais próximo ou mais perto de Jesus),
ciúmes terríveis. Era realmente um bando
disforme onde quase todos brigavam com todos.
Pedro tinha ciúmes terríveis da amizade de Jesus
com Maria Madalena, a quem Jesus
freqüentemente beijava na boca. Mateus era
olhado com desdém por ser um publicano (coletor
de impostos), que era muito mal visto pelos povos
dominados, como um explorador. Tomé era de
uma incredulidade a toda prova. Faltava pouco
para ser ateu. Tiago e João (Evangelista) eram um
poço só de vaidades. Inclusive chegaram ao
desplante de pedirem à sua própria mãe que
rogasse a Jesus para que Ele deixasse que os dois
sentassem à sua esquerda e à sua direita como
símbolo máximo da vaidade e do privilégio
pessoal. Sem falar no ridículo e na futilidade de
João (Evangelista), posteriormente, atravessar um
evangelho inteiro referindo-se a si mesmo como "o
discípulo a quem Jesus amava", como se Jesus
amasse só a ele. E Judas Iscariotes, a quem Jesus
tratava com especial carinho e amizade,
demonstrando ter mais proximidade com ele do
que com os demais, gerando grandes ciúmes e até
porque Judas era o tesoureiro da sociedade, cargo
de extrema confiança, mas que — por despeito —
reiteradamente era acusado de materialista,
apegado ao dinheiro e a valores de propriedade.
Quase ninguém escapava às brigas por posições
dentro do grupo, às vaidades exacerbadas e aos
ciúmes mesquinhos.
Não bastassem os problemas que Jesus tinha com
seus próprios discípulos e com as provocações
feitas pelos saduceus e pelos fariseus, uma coisa
preocupava a Jesus mais do que tudo no mundo:
era a posição extremamente crítica de João
Batista, que de maneira quase que suicida,
apontava abertamente os erros das maiores
autoridades e governantes.
Praticamente esquecendo a recomendação de
Jesus para salvar e recuperar antes de criticar,
para trazer a luz ao invés de amaldiçoar a
escuridão, João Batista passou a criticar
abertamente o governante máximo, Herodes
Antipas, por ele estar tendo relações carnais
espúrias com a sua cunhada, Herodíade, esposa
de seu irmão Filipe.

(Nota do autor: Com o afastamento de Arquelau,


pelas tantas loucuras que cometeu e corrupções
que praticou e acobertou, seu irmão Herodes
Antipas havia assumido o controle não só da
Galileia, que lhe era de direito, como o controle da
Judéia, deixada por Arquelau. E em razão disso,
Herodes Antipas, agora, não só governava, como
tinha palácios na Galiléia assim como na Judéia)
E tantas críticas abertas João Batista fez ao
relacionamento de Herodes Antipas e Herodíade,
que pressionado por Herodíade (a esta altura
considerada publicamente como uma vagabunda
real, amante do rei), Herodes Antipas resolve
mandar prender João Batista. Prisão esta que tinha
a finalidade muito mais intimidativa para tentar
silenciar João Batista do que propriamente
punitiva, vez que Herodes tinha muito medo
pessoal de João Batista e de suas maldições. Sem
contar o grande receio de fazer-lhe algum mal, por
causa de uma possível reação popular por estar
tiranizando um profeta respeitado e adorado pelo
povo.
Ao contrário, sem medo algum, mesmo preso, João
Batista enfrenta Herodes Antipas e diz que não é a
ele, João Batista, que Herodes Antipas deve temer,
e sim a Jesus, o messias que irá fazer um novo
reino na Terra. E, complementando, João Batista
profetiza para Herodes Antipas: — "Aquele que
vem depois de mim é muito mais poderoso do que
eu. Eu não sou sequer digno de Lhe levar as
sandálias."
Com medo de João Batista e ao mesmo tempo não
querendo se indispor com Herodíade, Herodes
Antipas mantém por algum tempo João Batista em
cárcere, mas com planos de soltá-lo na primeira
oportunidade. Até que Herodíade engendra um
plano de vingança terrível contra João Batista.
Sem o menor pudor, usando a própria filha,
Salomé, como arma e instrumento, Herodíade
convence sua filha Salomé a oferecer-se, também,
na cama, como concubina ao seu cunhado e
amante Herodes Antipas e com ele partilhar o
leito, não sem antes fazê-lo assumir publicamente
a sua palavra imperial de que, em troca, satisfaria
ao menos a um grande desejo de Salomé.
Isto planejado e feito, Salomé oferece-se em leito
a Herodes Antipas (seu padrasto) e logo após,
numa festividade no palácio, dança lascivamente,
provocativamente, publicamente, no salão
principal do palácio, na presença de todos.
Extasiado, Herodes Antipas enaltece as "virtudes"
de Salomé (sua "sobrinha", enteada e amante).
Enquanto que esta, espertamente, pergunta,
publicamente, em alto e bom som, se Herodes
Antipas não estaria devendo-lhe um desejo.
Sem perceber totalmente a maldade que estava
por trás daquele plano, Herodes Antipas, meio
constrangido, confirma estar devendo, sim, um
desejo a Salomé. Mas não sem antes, de sustentar
a sua palavra imperial, jocosamente perguntar o
que Salomé queria: Parte de seu reino? Ouro?
Prata? Jóias? O que queria?
Salomé, espertamente, garante não querer parte
do reino, nem ouro, nem prata, nem jóias. Queria
tão somente algo simples que Herodes nem dava
importância, a ponto de considerar desprezível e
jogar fora tratando como lixo.
Certo de que não perderia nada de importante,
Herodes Antipas cai na armadilha engendrada por
Herodíade e pomposamente honrando a posição
imperial de governante, garante a sua palavra real
empenhada.
Salomé, então, industriada por Herodíade, sua
mãe, constrange Herodes Antipas e publicamente
declara que não quer ouro nem jóias.
Simplesmente ela quer a cabeça de um preso
vagabundo. Quer a cabeça de João Batista,
literalmente, numa bandeja.
Assustado, mas não tendo como descumprir a sua
palavra dada publicamente, Herodes Antipas,
mesmo com medo e a contragosto, manda cortar a
cabeça de João Batista e servi-la numa bandeja de
prata a Salomé.
Este episódio, aos chegar ao conhecimento de
Jesus, perturba-o terrivelmente. O choque pela
perda de alguém tão próximo, o Seu quase irmão,
companheiro de uma vida inteira... é demais para
Jesus.
Seguido ao primeiro choque, pela perda de João
Batista, Jesus começa a experimentar um pânico
até então nunca antes sentido.
Com visível medo, e não sabendo bem avaliar toda
a situação e o que estava se passando, Jesus
literalmente foge com os discípulos para a Galileia
e retoma Sua pregação em Sua terra natal.
Abalado pelo incidente da morte de João Batista,
Jesus perde o equilíbrio emocional e não consegue
coordenar seus controles, e seguidamente falha na
tentativa de cura de diversos doentes. A ponto de
ser ridicularizado, ser chamado de charlatão e de
ser hostilizado pelas próprias pessoas que um dia
o endeusaram.
Sem entender completamente o que estava
acontecendo, e experimentando o fracasso
inusitado, ante um mau momento de sua vida,
Jesus atribui este fracasso ao fato de que ninguém
faz milagre em sua própria terra. Ou seja, usa
como desculpa que "santo de casa não faz
milagre." (Esquecendo-se que antes, tantas vezes,
já havia feito muitos milagres em sua terra natal e
nas cidades vizinhas).
Não convencendo a si mesmo e muito menos aos
Seus discípulos e seguidores, Jesus principia a
imprecar e a amaldiçoar as cidades onde um dia
Ele havia feito tanto bem e levado tanto conforto a
tanta gente.
— "Ai de ti Corozaim! Ai de de ti Batsaída! E tu,
Cafarnaum, julgas que serás exaltada até o céu?
Haverá mais tolerância para Sodoma e Gomorra,
no dia do juízo final, do que para ti."
Percebendo o erro em atribuir a terceiros e culpar,
maldizendo e amaldiçoando, as cidades e seu
povo pelas falhas por não conseguir realizar o que
antes realizara com facilidade, Jesus reconhece
que não está bem, e que na realidade Ele estava
fugindo, com medo, por não querer enfrentar o
Seu destino, que Ele bem sabia qual era.
Refletindo sobre Seu erro, mais calmo e buscando
a paz interior, Jesus arrepende-se de ter fugido de
Jerusalém e comunica a Seus discípulos a Sua
vontade em voltar para enfrentar a Sua sina e o
Seu destino. E que, para tanto, eles, seus
discípulos, se preparassem para a volta a
Jerusalém e para assistir ao que estava por vir. Ou
seja, um grande embate entre as forças das trevas
e as forças da luz.
Retomando a serenidade, e aí já sem demonstrar
medo, Jesus reúne seus discípulos e simpatizantes,
e organiza uma entrada triunfal em Jerusalém.
Para tanto, pede que toda a Sociedade Secreta
reúna seus discípulos e junte todos os
simpatizantes para a entrada em Jerusalém e para
que assistam o enfrentamento com os saduceus e
fariseus junto ao maior templo judeu já erigido.
A dois dos discípulos, Jesus pede que dirijam-se
até a um casebre num monte próximo ao Monte
das Oliveiras, na direção de Betânia, e que façam
o sinal (do peixe) e peçam emprestado um
jumentinho para servir de montaria a Ele, Jesus.
Aos demais apóstolos e simpatizantes Jesus pede
que colham ramos de palmeiras e lancem pelo
caminho até o templo judeu, de modo a marcar o
novo caminho religioso que será traçado para o
povo hebreu.
Os dois discípulos, irmãos, Tiago e Judas Tadeu,
aflitos e sem saber como agir, questionam a Jesus
como iriam obter um jumentinho de uma pessoa
tão pobre, que possivelmente era seu maior bem
material, e provavelmente o seu maior
instrumento de trabalho.
No que Jesus tranqüiliza-os e responde a ambos,
orientando que o dono do jumentinho é um
simpatizante da Sociedade Secreta de João
Batista, e que facilmente reconhecerá o sinal
secreto da sociedade. E dizendo isso recomendou
que fizessem o sinal da sociedade secreta, o peixe,
e que dissessem ao dono do jumentinho que
tratava-se de um empréstimo e que logo o
jumentinho seria devolvido. O uso temporário era
somente para atender a uma necessidade
imediata do Cristo, XPTO. (E aí Jesus fez o desenho
dos dois semicírculos na areia, formando o peixe, e
colocou ao lado as letras XPTO).
Meio desconfiados, sem entender os reais planos
de Jesus, os discípulos questionam ao mestre o por
quê de usar como montaria um simples e humilde
jumentinho para uma entrada em Jerusalém,
acompanhado de uma multidão.
Jesus então explica que não veio ao mundo para
se exibir, demonstrar ostentação ou força física.
Os que O esperavam num cavalo branco estavam
enganados. Os que O esperavam fisicamente forte
e com o domínio e a força da espada, estavam
enganados. Jesus queria que O vissem como um
ser normal, comum, igual a todos, vestindo as
sandálias da humildade de pescador, trajando as
roupas simples e comuns dos homens do povo,
montado num animal a quem os poderosos
desprezam pois só trabalha, trabalha e trabalha, e
tendo como "exército" um bando de pessoas
comuns, pecadores recuperados, vagabundos e
prostitutas renascidos para uma nova vida.
A entrada de Jesus em Jerusalém foi triunfal
naquele "domingo de ramos". Montado num
jumentinho, era saudado pelo "Seu povo" com
ramos de palmeiras. E à Sua passagem os ramos
eram jogados ao chão indicando o caminho da
nova era que estava por vir, conforme queria
Jesus. E logo não tardou que outras e outras
pessoas se juntassem ao movimento para ver e
ouvir àquele que chamavam de o Cristo
(Salvador).
Chegando ao maior templo judeu até então
construído (havia levado 46 anos para ser
construído) Jesus tem seu primeiro embate com os
religiosos judeus.
Alguns fariseus, assustados com aquele alarido
todo e tamanho movimento de gente,
recepcionam Jesus, cinicamente, à porta da
sinagoga e ironizam o "novo rei". Saúdam-No
hipocritamente como a um grande imperador e
apontam para um povo pobre e miserável que O
seguia e perguntam se aquele bando era o Seu
"reinado".
Jesus não recua ante as provocações dos fariseus
e afirma que Seu reino não é deste mundo, e que
deste mundo orgulha-se muito da amizade dos
humildes. E apontando para o templo diz: — "Vede
aquela pedra que ampara o templo? Foi comprada
com o dinheiro dado por um destes pobres. E
outros destes pobres a colocaram no lugar. Vede a
vossa roupa suntuosa que a vós causa tanto
orgulho? Foi comprada com o dinheiro que estes
pobres dão ao templo para sustentar-vos. Quem
sois vós para desdenhar daqueles pobres que vos
alimentam?"
Irritados, os fariseus questionam Jesus: — "Acaso
és contra os dízimos sagrados instituídos pelas leis
de Moisés?"
— "Não sou contra as contribuições voluntárias
dadas ao templo por aqueles que querem e que
podem ofertar à Deus ou para garantir a
sobrevivência daqueles que oram e têm como tra-
balho levar a palavra de Deus ao povo. Afinal, o
templo precisa ser mantido, assim como os
sacerdotes que no templo trabalham. No entanto,
sou contra a obrigação e a cobrança exploratória
do dízimo como um imposto devido a Deus.
Porque Deus não possui publicanos cobrando
impostos em Seu nome." Diz Jesus.
Constrangidos, os fariseus tentam uma ironia para
contradizer a parte material que Jesus tanto
criticava, de modo a demonstrar que Jesus era um
cabotino por colocar-se ao lado dos pobres e dos
humildes. E ao mesmo tempo, questionam Jesus,
na frente de simpatizantes de Herodes Antipas,
por estar incitando o povo contra Roma,
incentivando as pessoas a não pagarem impostos
"devidos" e "justos": — "És contra o tetradracma
tíria que trocamos no templo? (Moeda romana que
só podia ser trocada pelos judeus no templo, como
se o templo fosse uma casa de câmbio)
Percebendo a armadilha e a hipocrisia dos
fariseus, Jesus firmemente questionou: — "Por que
me tentais, fariseus hipócritas? Não luto contra
Roma como insinuais, mas contra o pecado dos
homens. Por acaso o dinheiro dos impostos não é
o dinheiro de Roma, com as inscrições de Roma e
com a efígie de César? Então? Daí a César o que é
de Cesar e a Deus o que é de Deus!".
Estupefata, a multidão riu com ironia pela
armadilha mal traçada pelos fariseus e pelo
desfecho imprevisível que todos acabavam de
presenciar.
Imaginando poder reverter a situação, os fariseus
então apelam para o lado religioso, tentando
demonstrar que Jesus era um herege e que
desrespeitava as leis sagradas.
Dirigindo-se a Jesus, um fariseu questiona: — "Tu,
falso profeta, viste dois de Teus discípulos
roubando espigas de milho num sábado e não lhes
repreendeu, nem pelo furto nem pelo desrespeito
ao sábado. E Tu mesmo, falso messias, herege,
desrespeita o sábado fazendo curas e obrando aos
sábados".

Indignado e sabendo onde os fariseus queriam


pegá-Lo em truques e armadilhas, Jesus responde
que não poderia repreender a quem furtava por
fome. Água e comida não podem ser negadas a
qualquer ser vivente. E quanto aos sábados, Jesus
questionou aos fariseus: — "Bando de hipócritas,
raça de víboras. Por acaso desconhecem as
escrituras? Não sabem que David, o idolatrado
David, quando teve fome, furtou do templo e
comeu os pães não fermentados, num sábado?
Vós mesmos e os sacerdotes saduceus comem,
violam o sábado e não se culpam, pois a vós, vós
mesmos vos permitem criar leis que vos
beneficiem... Bando de hipócritas!."
E continuou Jesus: — "Acaso se vísseis uma de
vossas ovelhas presa num poço ou num atoleiro...
não a salvariam simplesmente porque era sábado?
O que é preferível? Salvar uma vida ou perdê-la?
Fazer o bem ou fazer o mal? Então? Por que não
posso Eu curar um necessitado num dia de
sábado? O que vale mais? Por acaso a vida de
uma ovelha vale mais do que a vida de um
homem? Raça de víboras!"
A multidão encanta-se com o conhecimento de
Jesus e ri da falta de preparo dos fariseus.
— "Estás desvirtuando a conversa, falso messias!",
dizem os fariseus. "Fazes as curas e dizes agir em
nome de Deus, mas o teu Deus não é o nosso
Deus. Dizes expulsar os demônios das pessoas,
mas o fazes em nome de Belzebu."
Acostumado a este tipo de argumentação
estapafúrdia, Jesus surpreende uma vez mais os
fariseus e ironicamente contesta: — "Vós dizeis
que ajo em nome de Belzebu, o que não é
verdade. Mas, ainda que fosse, Eu estaria
expulsando demônios em nome do próprio
demônio. E com isso, dividindo o poder das forças
do mal. E se o mal se divide e enfraquece, logo Eu
estou agindo em favor do bem. Ou não?"
—"Vós, fariseus, nem bem sabem o que é Belzebu
ou o que são demônios. Colocam culpa numa
imagem para explicar coisas que desconhecem".
Inconformados, diante de tantos fracassos públicos
perante Jesus, os fariseus tentam uma última
cartada. Arrastam uma prostituta até Jesus,
sabendo que pelas leis de Moisés a prostituta tem
que ser apedrejada até a morte. E se Jesus fizesse
isso, teria que fazer o mesmo com as demais
prostitutas que O acompanhavam (Madalena,
Verônica e outras).
—"E então falso messias, dizes que conhece as
escrituras sagradas. O que devemos fazer com
esta prostituta que corrompe a nossa sociedade e
leva a devassidão e a libertinagem às famílias
corrompendo lares honestos?" — Questiona o
"príncipe" dos sacerdotes saduceus.
Jesus fica impassível... calado.
A multidão faz um silêncio sepulcral, sabendo que
Jesus teria que mandar matar a prostituta a
pedradas, conforme as leis de Moisés.
Subitamente Jesus abaixa, pega uma pedra, como
quem vai começar a apedrejar a prostituta e
levanta a pedra com a mão, oferecendo-a a todos:
— "Atire a primeira pedra aquele que não tem
pecado."
Foi um silêncio sepulcral.
Os fariseus e alguns saduceus saem em retirada
para dentro do templo e Jesus, adentrando ao
templo depara-se com uma cena dantesca, uma
verdadeira feira livre. Pessoas vendendo animais
para serem usados em oferendas de sacrifício
(holocausto). Amuletos eram vendidos por merca-
dores para tirar o mal das pessoas. Vendia-se água
benta, óleos bentos, e um monte de amuletos e
bugigangas para trazer sorte aos pobres coitados,
"fiéis", crédulos, que supunham que usando ou
fazendo determinado ritual com aquelas
bugigangas iriam afastar os males de suas vidas.
A população, pobre coitada, sofrida,
desesperançosa, ansiosa por melhorar de vida, era
industriada pelos vigaristas do templo no sentido
de que as pessoas para poderem melhorar de vida
tinham que fazer sacrifício de animais, comprar
amuletos e oferendas no templo, pagar dízimo, e
seguir determinados rituais que beneficiavam
diretamente os gerentes e mercadores do templo.
Este mercantilismo, esta corrupção religiosa
indignava a Jesus mais do que qualquer outra
coisa em sua vida. A criatividade dos sacerdotes
vigaristas era tamanha, que até alguns dos
impostos só poderiam ser pagos com a moeda
"tetradracma tíria", que só podia ser trocada no
templo dos saduceus vigaristas. Ou seja, o templo
era uma verdadeira casa de câmbio misturada
com sinagoga e um mercado varejista.
A exploração da credulidade religiosa das pessoas
era tanta que — além de ser uma enorme
ignorância esta credulidade e gigantesca vigarice
estas vendas de amuletos e uma maldade atroz a
mortandade de animais — os pobres não podiam
nem sequer trazer sua própria água para ser
benzida. Não podiam sequer trazer seus azeites e
seus óleos para serem benzidos. Não podiam
trazer ou fazer seus próprios amuletos. Pois tudo
isso era considerado impuro pelos vigaristas do
templo. Os "fiéis", ignorantes, pobres coitados, só
podiam oferecer em holocausto animais "puros",
comprados com exclusividade no templo dos
vigaristas. Era exploração demais. Era a
degradação total da religião.
Irritado, perdendo a têmpera e o controle, como
seu quase irmão João Batista, Jesus passa a mão
num chicote preso a uma barraca de venda de
animais para sacrifício e sai distribuindo
chicotadas nos vendilhões do templo, empurrando
e derrubando as barracas e as pessoas, enquanto
que estupefatos os discípulos assistiam a tudo
boquiabertos pois nunca haviam visto o mestre, o
calmo e pacífico rabi, descontrolado como João
Batista.
— "Bando de hipócritas! Raça de víboras! Estais
profanando a casa de meu Pai. A César o que é de
César e a Deus o que é de Deus. Aqui é a casa de
meu Pai, não um lugar de compra e venda" —
Bradava Jesus, enquanto chicoteava os vendilhões
e derrubava suas barracas.
— "Como podem vender oferendas? Como podem
vender animais para serem mortos em
holocausto? Como podem enganar o povo desta
maneira? Como podem vender amuletos, coisas
inanimadas, como se Deus residisse nelas? Como
podem comercializar a fé? Como podem vender
Deus em barracas?" — Esbravejava Jesus.
Ante ao tumulto generalizado que ali se instalara,
e com medo que o descontrole de Jesus pudesse
comprometer a sua própria vida ou segurança,
alguns dos discípulos seguraram Jesus e
conduziram-no para um lugar onde pudesse ser
acalmado.
Mais calmo e recobrando o controle, Jesus viu com
clareza que aquele era o grande divisor de águas
da sua vida. Aquele era seu destino que, por
alguns instantes quis evitar de acontecer, como se
Ele pudesse evitar sua missão, sua sina, os planos
de Deus.
Era impossível tamanha exploração religiosa
continuar. Era impossível o ser humano se
rebaixar tanto, a ponto de se deixar explorar em
nome da fé. Aquela estrutura religiosa
exploradora, massacrante, tinha que ser destruída,
nem que isso custasse sua própria vida.
Pedro, Tiago e Mateus acercam-se de Jesus e
questionaram o Seu procedimento e o destempero
diante de algo que parecia tolerável, mas que
havia causado tamanha repulsa a Jesus.
—"Acaso tu não vês, Pedro, que estás diante da
maior luta de nossas vidas? Não percebes que
esta exploração religiosa é o maior e o pior dos
males que se pode praticar em nome de Deus?
Esses religiosos hipócritas e exploradores não
podem transformar a casa do Pai Eterno num
negócio, num grande negócio, baseado na
exploração da fé das pessoas!"
Pedro então retrucou: — "A religião, Mestre,
transformou-se num grande negócio. Um grande e
lucrativo negócio, com grandes lucros e prestígio
para os exploradores da religião, que ainda se
fazem passar por santos homens, agindo em nome
de Deus".
—"Eu sei, Pedro. A religião transformou-se num
grande negócio e os exploradores da religião
acostumaram-se tanto e de tal forma com as
vantagens e os benefícios desta exploração
religiosa que lutarão até a morte pela manutenção
destes privilégios. E não permitirão que uma
verdade, uma simples verdade, uma mera
verdade se torne uma ameaça à religião lucrativa
deles."— Retrucou Jesus.
Continuou Jesus: — "De pouco adianta, agora, Eu
dizer que só a verdade e o conhecimento liberta o
ser humano. As pessoas continuarão a ser
enganadas por exploradores religiosos, sem
buscar a verdade, e acreditando que a verdade é a
que está sendo dita pelo farsante escriba ou pelo
farsante pregador dissimulado".
— "Pois é, Senhor, há de se passar muito tempo
até que a humanidade compreenda a sua revolta
e se indigne contra o comércio nos templos".
Retorquiu Pedro.
— "Mas o pior, Pedro, é que esse Deus que ora eles
exploram irá falir, sucumbir e irão criar outros e
outros Deuses, e até mesmo em meu nome e em
teu nome, Pedro, algum dia, ainda farão
explorações como estas e ainda dirão que estão
agindo em meu nome, em teu nome e em nome
de Deus. O que me angustia, Pedro, é que esse
Deus que eles cultuam hoje é um Deus falido e
particular, e que não há de durar. O Deus verda-
deiro, o verdadeiro criador do mundo, que
prevalecerá acima de todas as religiões, não é um
Deus particular que mora em um templo.
— "É, Senhor, mas o que Deus tenta mostrar,
revelar, aos homens, os religiosos são os primeiros
a tentar esconder E é com base nisso que estes
religiosos se mantêm e iludem o mundo."
— "Precisamos que Deus seja consolo e
compreensão, Pedro. Um Deus infinito. Um Deus
de amor, que seja para nos civilizar e não para nos
manter selvagens matando e sacrificando animais.
Precisamos que as religiões não sejam um insulto
à nossa compreensão e à nossa inteligência. Este
Deus que é vendido e comercializado nos templos
é um sacrilégio e uma ofensa ao próprio nome de
Deus."
Jesus estava muito angustiado, muito
desesperado. Sabia que aquele era o momento
crucial de sua vida. Sabia que aquele era o início
do cálice amargo da sua missão.
Para libertar os que n'Ele acreditavam Ele
precisava enfrentar aquele falso altar, aquele falso
templo, aquela falsa adoração a Deus, aquela
mercantlização religiosa e a grande exploração em
nome do santo nome de Deus.
Antevendo o que sucederia e que já se mostrava
claramente desenhado, Jesus começa a jejuar e
pede aos discípulos que O aguardem pois Ele
precisava repousar, refletir, conversar com Deus.
Afastando-se de Jerusalém, Jesus chega a uma
parte deserta a caminho de Qunram, começa a
refletir e pede que Deus o inspire e que dê forças
para enfrentar todo aquele poderio, mantido e
sustentado com o dinheiro do povo fiel a Deus.
Primeiramente Jesus pede a Deus que dê forças e
que o ajude a destruir o templo para dar um
exemplo àqueles falsos adoradores. Mas percebe
que se fosse tão fácil e simples assim, Deus não
precisaria de Jesus e nem do Seu sacrifício
pessoal. Deus mesmo faria sozinho o trabalho e
pronto, estaria feito.
Refletindo, Jesus conclui que Deus não iria dar-Lhe
superpoderes para que Ele destruísse seus
inimigos. Deus não iria fazer milagres
transformando pedras em pães, pois os homens
precisam resolver sozinhos as suas questões e não
transferir a Deus esta responsabilidade. Os
homens precisam acreditar com o coração e não
com os olhos. E Deus indicava o caminho que
Jesus teria de enfrentar sozinho o mal, se é que Ele
queria realmente acabar com o mal.
Recuperado, Jesus retorna de sua reflexão no
isolamento desértico e reúne os apóstolos
explicando-lhes o que está para acontecer, que
certamente acontecerá, e como os apóstolos
deverão proceder.
— "Os pregadores, escribas, saduceus e fariseus,
instalaram-se na santa casa de Deus, na cátedra
de Moisés. Observai bem o que eles vos disserem.
Buscai a verdade, porque ela vos libertará. Não
avaliai a importância dos que vos falam pelas
aparências que possam ter. Não imitai as obras
dos pregadores fariseus e dos escribas saduceus.
Eles dizem e não fazem. Atam fardos pesados, nas
costas dos homens, difíceis de serem trans-
portados. E eles mesmos, pregadores e escribas,
não movem um dedo para retirar estes fardos das
costas dos homens. Tudo o que fazem é em
benefício próprio, para serem notados, e por isso
encobrem suas falsidades com roupas que os
façam parecer sérios. Por fora parecem sepulcros
caiados, mas por dentro estão cheios de osso e de
imundice. Por fora, com suas sérias roupas,
parecem honrados e justos homens, mas por
dentro estão cheios de hipocrisia e iniqüidade.
Gostam de ocupar os primeiros lugares em todos
os lugares onde compareçam. Querem ser
saudados e reconhecidos como pregadores, como
pais (palavra latina = padres), como mestres, e
serem saudados pelos homens. Culpam de falta de
fé aos fiéis e crentes pela falha do que não
conseguem realizar ou fazer. Eles, fariseus e
saduceus perseguirão implacavelmente a Mim e a
vós, Meus discípulos. Eles são um bando de
hipócritas, raça de víboras. A vós, meus discípulos,
recomendo que não se preocupem por mim, pois
estou com a paz de Deus. Cuidai de vós e passai a
diante as mensagens de que são portadores.
Mantenham a irmandade e a fraternidade acima
de tudo. Espalhem pelo mundo a mensagem de
um novo mundo, porque Jerusalém está perdida."
— "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e
apedreja os que te são enviados. Quantas vezes
quis reunir teus filhos como uma galinha reúne
seus píntinhos sob suas asas e tu não quiseste.
Pois bem, a vossa casa ficará deserta e vosso
templo se destruirá. Jamais haverá paz sobre
Jerusalém."
Assustados, os discípulos sentem que além dos
sábios conselhos Jesus está profetizando sobre seu
próprio futuro, o futuro da irmandade e sobre os
destinos do templo e de Jerusalém.
Neste meio tempo, os saduceus conspiram contra
Jesus. Os sacerdotes Anás, Caifás, Ariel, Hedi, Soari
e Silas querem a cabeça de Jesus como Herodíade
queria a cabeça de João Batista. Os judeus
saduceus e fariseus queriam a morte de Jesus
antes da páscoa pois não queriam que aquela
morte causasse qualquer tipo de alvoroço ou
confusão pública durante os festejos. O que seria
praticamente impossível, pois já era véspera do
primeiro dia de ázimos e não haveria tempo
suficiente para prisão, julgamento e execução.
Decepcionados, planejavam para que pelo menos
Ele não morresse no sábado sagrado. Mas o certo
é que seria melhor cortar o mal pela raiz, com a
morte de um só para exemplo, do que a morte de
muitos, caso frutificassem as idéias de Jesus.
Anás, o dirigente do sinédrio, inconformado com o
incidente da expulsão dos vendilhões do templo
queria um castigo exemplar para Jesus. Era
inadmissível que ele entrasse no templo, na casa
de Deus, e fizesse o que fez, desrespeitando a
"santidade" do templo.
Caifás, o sumo sacerdote, revoltado, dizia que
Jesus queria acabar com as sagradas ofertas a
Deus e impedir a venda de animais puros nos
templos, contrariando as sagradas escrituras
(feitas por eles mesmos).
Ariel, o pregador racista e beligerante, vociferava,
pois Jesus estava falando em paz e justiça, e
pregando igualdade dos hebreus com os gentios
(não judeus).
Hedi, o sacerdote materialista, mostrava-se
estupefato por Jesus insurgir-se contra a venda de
sacramentos. — "Como a igreja vai sobreviver sem
venda? De onde virá o dinheiro para a
manutenção do nosso templo? Como poderemos
honrar a Deus?", questionava Hedi.
Soari, o sacerdote dissimulado, ironizava Jesus,
questionando como um hebreu pobre, da Galileia,
ousava interferir na Judeia, curando pessoas sem
nada cobrar por isso.
— "Amanhã, dizia Soari, todos hão de querer curas
gratuitas, sem pagar nada ao templo. Isso é uma
subversão dos valores de Deus."
Silas, o pregador simuladamente enfurecido,
arrogantemente, ridicularizava Jesus, um messias
camponês, sem espada, sem lança, sem cavalo
branco, que entrara em Jerusalém montado num
jumentinho, seguido por uma multidão de
maltrapilhos, vagabundos e prostitutas. — "Que
messias maltrapilho é esse que diz ter vindo para
redimir o povo de Israel?", questionava Silas.
Estava mais do que claro que Jesus havia ferido
profundamente o mercantilismo do templo, os
saduceus e os fariseus. Jesus havia atentado
contra a sociedade religiosa lucrativa que se
instalara no mundo hebreu e que não queria abrir
mão de seus privilégios. Jesus havia tocado
profundamente na ferida da religiosidade: o
comércio eclesiástico, o comércio nas igrejas. E
por este motivo, sabia Ele que estava com a morte
sendo encomendada pelos sacerdotes hebreus.
Terça-feira, dois dias após a entrada triunfal em
Jerusalém, no "domingo de ramos", e um dia após
ter ido refletir no deserto, Jesus encontra-se com
os discípulos para combinar como seria a ceia
pascal, vez que era o início dos Ázimos (pães não
fermentados, feitos somente com farinha e água).
Ao ser perguntado pelos discípulos sobre como e
onde seria realizado a celebração da páscoa
(judaica), Jesus explica que não irá comer o
tradicional "cordeiro pascal" dos judeus, pois Ele
(por ter formação essênia) não comia carne (com
sangue) de determinados animais. Iria comer so-
mente peixe, os pães não fermentados e beber
vinho. E recomenda aos discípulos que a
celebração da ceia seja feita na casa de um
simpatizante da Sociedade Secreta de Jesus que já
havia sido ofertada anteriormente. — "Vá até a
casa dele, faça o nosso sinal (o peixe) e diga que
precisamos de sua casa para a celebração da ceia
pascal, pois o Meu tempo está terminando e esta
será a nossa última ceia e reunião", diz Jesus.
Os discípulos de Jesus entram em pânico diante de
Suas palavras e de Sua certeza sobre o que estava
por vir.
Após a décima segunda hora, ou seja: depois das
seis horas da tarde, noite de terça para quarta-
feira, reunida toda a Sociedade Secreta de Jesus —
com seus doze membros à mesa —Jesus principia
a explicar aos doze discípulos que o Seu fim está
próximo e que por Ele haver expulso os vendilhões
do templo e exposto a toda gente as vigarices dos
sacerdotes, Ele, Jesus sabia que naquele momento
estaria havendo uma grande trama contra Sua
vida pelos saduceus e pelos fariseus.
A primeira reação dos discípulos foi no sentido de
que Ele, Jesus, poderia ficar e sentir-Se seguro,
oculto e protegido pela fraternidade da Sociedade
Secreta.
Jesus contesta e diz que fugir ao próprio destino
seria abrir mão de fazer o trabalho em nome de
Deus para simplesmente sobreviver, ou melhor:
viver escondido como um covarde e medroso.
Pois, se era vontade do Pai que Ele acabasse com
a corrupção religiosa, com a iniqüidade, com o
comércio dentro dos templos religiosos, não cabia
a Ele, Jesus, fugir ao Seu destino, Sua sina,
escondendo-Se e alterando a vontade de Deus.
Iniciando a última ceia, Jesus principia o ritual da
eucaristia dizendo aos discípulos: — "Pai,
agradecemos pelo alimento justo e honrado,
conseguido com o suor de nossos rostos".
E tendo dito isso pegou os pães e foi repartindo
(dividindo, e não multiplicando) um a um (cada
pão) com cada discípulo. — "Dividam sempre
vosso alimento com vossos irmãos e com os mais
necessitados. Tomai e comei, este é meu corpo".
Pegando uma jarra de vinho, foi servindo os
discípulos e dizendo: — "Tomai e bebei, este é
meu sangue. Celebrai e fazei em cada rejeição
estes gestos para que seja perpetuada a sagrada
aliança de nossa irmandade, nossa fraternidade,
nossa sociedade".
Atônitos, os discípulos vêem nas palavras de Jesus
uma triste e sentida despedida. E retornam as
argumentações no sentido de salvar a vida de
Jesus pois era preciosa demais para ser
desperdiçada com um covarde e cruel assassinato.
Jesus intervém e explica que Deus tem tudo muito
bem traçado, pois se os saduceus e os fariseus
realmente levarem a cabo o plano de matá-Lo,
mais do que um grande erro, este será o início do
fim do templo deles (saduceus e fariseus) que
ruirá como se fosse feito só de areia e água. E que,
com isso, ao mesmo tempo, seria o início de uma
nova conscientização religiosa que dali nasceria.
Um fortalecimento para uma sociedade religiosa
mais humana, mais igualitária, como a que eles
pertenciam, voltada para o bem e não para o
comércio; voltada para a paz e a fraternidade e
não para a guerra, para o ódio ou para a ameaça e
o terrorismo religioso.
— "Mestre, e como podemos protegê-Lo?",
questiona Pedro.
— "Vós não podeis me proteger e nem devem.
Aliás vós não podeis proteger-me sequer de um de
vós mesmos.", complemente Jesus.
—"Como assim, rabi?"
— "Somos todos humanos, Pedro. Um ser humano
já é um mundo inteiro de contradições e
sentimentos. Imagine o quanto de diferente existe
entre todos nós. Neste exato momento, cada um
aqui está tendo vários sentimentos e muitas e
diferentes idéias de como proceder para que isso
tudo acabe. E pode até ser que dentre vós um
venha a Me trair, ainda que isso possa ter como
motivo ou justificativa uma explicação compre-
ensível em função de como se queira ver."
— "Traição? Tu dizes, rabi, que dentre nós, onde
somos como irmãos, um poderá ser traidor?,
questiona Pedro, abismado e perplexo com a
possibilidade de traição.
— "Mas é claro, Pedro. Não só poderá acontecer a
traição como se Eu for arrastado preso e
perseguirem a vós pelas ruas, muitos poderão
fugir e até simular jamais ter-Me conhecido."
Indignado, Pedro garante que se alguém for trair
Jesus não haveria de ser ele, Pedro. E que se Jesus
for arrastado preso, ele, Pedro, jamais haverá de
negar ser irmão de fé, Jesus.
— "Pedro, Pedro, Pedro. Vós sois humanos. Ao
ferirem o pastor, as ovelhas se dispersarão. Esse é
o plano dos saduceus e dos fariseus, que logo hão
de por em prática. É a mim que querem, num
primeiro momento. De vocês eles querem a
dispersão. E você, como qualquer um outro aqui
poderá fugir como uma ovelha foge do rebanho
sem o pastor", explica Jesus.
— "Poderá acontecer com qualquer um. Menos
comigo. Eu jamais te negarei, Senhor", diz Pedro.
— "Como qualquer um de vós, Pedro, tu poderás
Me negar ou Me trair antes mesmo do galo
cantar.", vaticina Jesus.
—"Eu, Senhor? justo eu, Senhor?, espanta-se
Pedro
—"Sim, Pedro, no que tu presumes ser dijerente
de nós?, questiona Tomé.
O clima da ceia transforma-se numa espécie de
anunciação de um velório, e nem mesmo é
amenizado pelos cânticos e salmos após a ceia.
Após a ceia, enquanto uns conversavam e outros
dirigiam-se ao Monte das Oliveiras para reflexões e
aprendizado com Jesus, Judas Iscariotes, que era o
mais chegado e de maior confiança de Jesus, o
tesoureiro da Sociedade Secreta e o responsável
pela manutenção e guarda dos bens comuns da
sociedade, e por isso mesmo tinha uma visão bas-
tante prática de tudo, dirige-se à casa de Anás,
"príncipe" dos sacerdotes saduceus e um dos
dirigentes do sinédrio, com um plano na cabeça.
Sabendo que Jesus já tem como certo que Ele será
preso e morto pelos saduceus e pelos fariseus, e
que Jesus mesmo sabe que isso é inevitável e
espera que isso aconteça nas próximas horas,
Judas Iscariotes, segundo suas convicções, tenta
evitar o pior, ou seja, que Jesus seja morto
covardemente pelas costas num local isolado e
solitário. E, tentando evitar essa morte silenciosa e
covarde, Judas Iscariotes imagina poder fazer
prender Jesus às claras, na presença de seus dis-
cípulos, de modo a garantir um julgamento justo,
onde Ele, certamente, sairá ileso, uma vez que
Jesus não havia cometido nenhum pecado
religioso, assim como não havia praticado nenhum
crime contra Roma. E Judas Iscariotes confiava
mais num julgamento justo dos romanos, pelas leis
romanas, pelo direito romano, do que nos próprios
judeus, pois apesar dos romanos serem
imperialistas dominadores, tinham um rígido
código de leis e de direito romano.
Isto posto, Judas Iscariotes encontra-se com Anás,
"príncipe" dos sacerdotes saduceus e dirigente do
sinédrio, e propõe entregar Jesus em troca de um
julgamento público e justo pelos romanos, visando
poupar-lhe a vida.
Enquanto isso, Jesus, consciente do fato de que os
saduceus e fariseus lutariam de todas as maneiras
e usariam de todos os recursos para garantir e
manter os privilégios e vantagens financeiras que
a religiosidade dissimulada proporciona, e que por
Jesus haver tocado profundamente no cerne da
questão Ele tornara-se a maior ameaça para os
saduceus e fariseus; conseqüentemente Sua vida
estaria por um fio.
Com o espírito tumultuado, confuso, com grandes
dúvidas e ao mesmo tempo triste, Jesus recolhe-se
ao horto das oliveiras, num lugar chamado
Getsêmani, com o propósito de meditar, orar,
aconselhar-se, pedindo a Deus que O ilumine
diante do cálice amargo que Ele sabia que estava
prestes a beber.
Jesus sabia que os saduceus e fariseus iriam
resistir ferozmente à revolução religiosa que Jesus
começara e que com isso os saduceus e fariseus
iriam atentar contra a Sua vida, de todas as
maneiras.
A uma certa distância, Pedro, Tiago e Judas Tadeu
observam Jesus, enquanto Ele prostrava-se no
chão, com os braços abertos e o rosto na terra,
falando baixinho palavras incompreensíveis àquela
distância.
Após alguns tempo, Jesus levanta-se e dirige-se
aos três discípulos e conta o que ele falara e
meditara.
— "Meu Deus, não me recuso ao sacrifício. Mas
valerá a pena ser o cordeiro pascal em nome de
Deus? Não serei Eu só mais um profeta? E João
Batista? E Isaias? E se em Meu nome muitos se
matarem? E se em Meu nome muitos explorarem
muitos? E se Eu for objeto de exploração da fé
alheia? E se, em Meu nome, Eu virar objeto de
comércio como meu Pai nas mãos dos vendilhões
do templo que negociam em Teu nome, Meu Pai?
Será esta é a Tua vontade, Pai? Valerá a pena este
sacrifício?"
Orando a Deus Jesus disse: — "Pai, afasta de mim
este cálice amargo. Mas, se este cálice amargo
não puder passar sem que Eu o beba, seja feita a
Tua vontade, Senhor. Se este Meu sacrifício for
livrar a Tua casa, Meu Deus, dos mercadores, dos
vendilhões, dos pregadores hipócritas e falsos,
então terá valido à pena o sacrifício."
— "E Tu não tens medo, Jesus?", questiona Pedro.
— "Pedro, eu sou tão humano como vós todos. O
espírito está calmo e preparado pela paz de Deus,
mas o que fazer se a carne é fraca. O que fazer? É
claro que Eu estou em agonia.", Jesus falou isso
suando muito, embora estivesse uma noite fresca.
O suor de Jesus estava amarelado, como se fosse
suor misturado com sangue.
— "Senhor, o que queres que façamos? Queres
ervas para acalmar os sentidos? Queres que
oremos por Ti? O que queres? O que devemos
fazer", perguntou Pedro, aflito.
— "Não, Pedro. Não preciso de nada em especial.
Basta orar e vigiar. Orai e vigiai! A minha alma
está numa tristeza de morte, pois esta poderá ser
a noite em que Meus inimigos venham a ter
comigo. A oração lava-Me o espírito, mas a vigilân-
cia garante a sobrevivência do corpo que os
saduceus e fariseus querem destruir."
Isto posto, os discípulos organizaram-se para que
cada um vigiasse por uma hora o sono dos demais,
de modo a que Jesus não ficasse jamais sozinho,
para que não fosse preso e morto covardemente.
Judas Iscariotes, por seu turno, consegue de Anás
a sua palavra de que Jesus ao ser preso terá um
julgamento romano limpo e isento. Segundo Anás,
os próprios romanos irão julgá-lo.
Para ter certeza de que Jesus não seria morto
covardemente, Judas Iscariotes vai com os
guardas, convocados por Anás, até o Monte das
Oliveiras, e ao chegar onde todos estavam
dormindo, inclusive o discípulo que montava
guarda e que deveria estar protegendo Jesus,
Judas toma a frente e dirige-se a Jesus. Abraça-O e
nervosamente dá-lhe um beijo na boca (que pelas
tradições significa transmissão de sabedoria).
Jesus, sabendo perfeitamente o que estava
acontecendo, entendeu o gesto de Judas e nada
falou que pudesse censurar-lhe. E, apesar da
agonia que passara momentos antes no horto,
desta vez sem demonstrar qualquer receio, pois a
prisão era mais do que esperada, Jesus pergunta
para a coorte (grupo de soldados): — "A quem
buscais?"
—"A Jesus, que se diz messias! — responde um dos
guardas.
—"Sou Eu!" — apresenta-se Jesus.
Como houvesse uma certa indecisão e um certo
constrangimento pela reação inesperada de
destemor de Jesus, os guardas ficam sem saber
como agir por alguns instantes, diante daquelas
pessoas todas (discípulos de Jesus).
—"Já vos disse que sou Eu. S e é a Mim que
procuram, deixai partir estes inocentes que não
têm nada comigo", disse Jesus.
Então numa reação surpreendente, Pedro
desembainha a espada e fere um dos servos de
Anás, na orelha direita. No que, imediatamente,
Jesus coloca-se à frente e impede que Pedro
continue com a impulsiva reação que começara. E,
virando-se para dois dos discípulos, Jesus solicita
que coloquem medicamentos curativos de ervas
no corte feito na orelha do servo de Anás.
Aparentemente cumprindo o que havia sido
combinado entre Judas Iscariotes e Anás, Jesus é
conduzido pelos guardas (coorte) à presença de
Anás, "príncipe dos sacerdotes" e um dos
dirigentes do sinédrio.
Anás, já não tão cortês como na conversa inicial
com Judas Iscariotes, interpela Jesus ainda de pé,
cercado pelos guardas:— "Então, Tu és o
criminoso que procuramos?"
— "Tu o dizes!", respondeu secamente Jesus.
— "Não foste tu que profanaste o templo?"
— "Eu jamais profanei templo algum!"
— "Profanaste a casa de Deus, sim!"
— "Não profanei a casa de Meu Pai. Estive sim,
num mercado religioso de exploradores da fé."
— "Não és o falso messias a quem os maltrapilhos
e as vagabundas vivem a seguir?"
— "Tu o dizes. Sempre falei e preguei abertamente
nos templos e em todos os lugares públicos onde
os hebreus (judeus) se reúnem e nada disse em
segredo. Pergunta aos que Me ouviram se alguma
vez preguei contra os ensinamentos hebreus
(judeus). Por que me interrogas, se não cometi
crime algum?"
Irritado com o tom firme e destemido de Jesus,
Anás manda secamente que os soldados amarrem
as mãos de Jesus e conduzam-no a Caifás (de
quem Anás era genro), para saber a opinião de
Caifás (que era mais velho e o sumo sacerdote do
templo) e se o sinédrio (tribunal em Jerusalém
formado por sacerdotes, anciãos e
pregadores/escribas que julgavam questões
criminais e administrativas referentes ao povo
judeu) poderia reunir-se pela manhã, logo nas
primeiras horas, para que os juizes pudessem
julgar Jesus o mais rápido possível.
Chegando na presença de Caifás, seguiram-se
perguntas semelhantes às de Anás, e as respostas
de Jesus foram as mesmas em tom desafiador e
firme.
Irritado com a insolência de Jesus, Caifás
determina que sejam convocados os membros do
sinédrio, imediatamente, para o julgamento de
Jesus.
Após longa espera, até que fossem convocados
todos os sacerdotes, todos os pregadores e
escribas, todos os anciãos, após a hora sexta
(meio-dia) daquela quarta-feira, iniciou-se o
julgamento de Jesus no sinédrio.
O clima era de extrema exaltação por parte dos
julgadores de Jesus, uma vez que agiam em causa
própria, na defesa de seus interesses e benefícios,
e ao mesmo tempo a firmeza de Jesus nas
respostas era como se fossem lanças perfurando
cada sacerdote, cada pregador, cada ancião, cada
juiz do sinédrio.
Jesus conhecia muito bem as leis dos hebreus e
buscava em cada brecha da lei uma saída e uma
resposta de modo a desautorizar o julgamento
pelo sinédrio.
Com isso, Jesus irritava profundamente os
membros do sinédrio, principalmente pela certeza
de Jesus de que o sinédrio nada poderia fazer
contra Ele. Isto porque, Jesus era galileu (natural
da Galileia) e não poderia estar sendo julgado por
crimes religiosos na Judéia. Não havia cometido
crime algum e a todas as acusações Ele respondia
com firmeza e segurança, mostrando que estava
absolutamente seguro de si e no estrito respeito
às leis dos hebreus.
Os membros do sinédrio mais irritados eram Ariel,
Hedi, Soari e Silas. Consideravam um ultraje e um
desrespeito a "baderna" feita por Jesus expulsando
"honrados" comerciantes autorizados do templo.
Alegavam que não eram justas as razões de Jesus
impedindo a venda de animais puros no templo, a
venda dos amuletos, bugigangas e coisas bentas,
bem como pela cobrança dos sacramentos
religiosos.
Enfurecidos questionavam se Ele, Jesus,
considerava-se rei.
Percebendo que isto — declarar-se rei — o
colocaria cometendo um crime contra Roma
(confrontando o poder do imperador e ameaçando
o império), Jesus responde, mais uma vez
secamente: — "Tu o disseste!".
Vendo que não conseguiriam pegar Jesus pela
palavra, confrontam-no com uma coisa sobre a
qual esperava-se que Jesus não pudesse desviar-
se da pergunta, acabando por confessar-se
culpado.
—"Tu és o messias?", perguntaram-Lhe
—"Se eu vos disser que sou o messias, vós não Me
acreditareis. Se Eu mesmo vos perguntar se sou o
messias, vós mesmos me negareis." — retrucou
Jesus.
Procurando forjar uma confissão, Caifás conclui: —
"Então confessas que só não dizes porque não
acreditaremos. Isso é uma confissão."
E apressadamente concluindo para vaticinar o
veredicto, arremata: — "Não há mais nada o que
questionar. Ele confessou ser o messias. Isso é
heresia. Todos ouviram a blasfêmia. Não
precisamos sequer de testemunhas. É réu de
morte"
Irritados, e buscando a esperada revanche contra
o homem que ousou tentar acabar com a
comercialização no templo, os juízes do sinédrio,
literalmente atropelando a lei a todo custo,
agridem fisicamente Jesus com socos e pontapés,
cuspindo-lhe na face e para completar dão uma
sentença ameaçadora: condenam Jesus à morte
dolorida e lenta pela crucificação, por fazer-se
passar por rei dos judeus, por ridicularizar e
ultrajar a religião, dizendo-se messias montando
um jumentinho, seguido por uma multidão de
infiéis maltrapilhos, vagabundos e prostitutas.
(Quando, na realidade, todos estes motivos eram
simples e meros pretextos, pois o único e real
motivo para a condenação de Jesus era a ameaça
em acabar com o próspero negócio em que o
templo se transformara, tomando dinheiro e
aproveitando-se do desespero de gente humilde,
pobre, desesperada e aflita).
Apesar das agressões físicas e das ofensas, após
algum tempo, Jesus se recompõe e absolutamente
seguro repete que não havia cometido crime
algum, nem contra os romanos e nem contra a
religião dos hebreus, e que não existia previsão
nas leis dos hebreus para a pena de morte confor-
me queria o sinédrio; pois somente Roma (através
de um governante seu) poderia determinar a pena
de morte. E que o que o sinédrio estava fazendo
ou o que quer que fosse feito com Ele seria uma
arbitrariedade e um crime coletivo praticado pelo
sinédrio, e que pelo Seu assassinato Roma poderia
punir todo o sinédrio.
Temerosos e sabendo que Jesus conhecia as leis e
estava certo, vez que de fato não poderiam impor
a Jesus uma pena maior do que a que queriam,
resolvem mandá-lo a julgamento ao governador
romano local, Pôncio Pilatos.
Ainda na mesma tarde de quarta-feira, Jesus é
enviado a Pilatos já com a "condenação" prévia do
sinédrio.
Pilatos recebe Jesus, interroga-o detidamente e
espanta-se ante o saber e conhecimento das leis
romanas e das leis religiosas dos judeus.
— "És rei dos judeus?", pergunta Pilatos
— "Tu o disseste!", responde Jesus.
— "Mas aqui existe uma condenação do sinédrio
dizendo que Tu Te consideras rei dos judeus!"
— "Outros disseram isto por mim. Não confessei
por minhas palavras ou gestos"
—"Cometeste algum crime contra Roma?"
—"Não há qualquer ato meu que possa ser
considerado ofensa contra Roma ou contra os
romanos"
Pilatos confirma o que já sabia por informantes
seus, enviados para ouvir as pregações de um
homem que arrastava multidões para ouvi-lo. E
vendo a inocência em Jesus, irrita-se com os
sacerdotes do sinédrio e diz para que levem-No
pois ele não via crime ou pecado em Jesus. — "A
questão é religiosa, resolvam vocês entre vocês.
Eu não sou judeu!", concluiu Pilatos.
—"Mas nós só podemos punir com penas leves, e
somente Roma pode decretar a pena de morte
pela crucificação, pelos vilipêndios religiosos
cometidos por Ele", argumentam os juízes do
sinédrio.
Pilatos vira-se para Jesus e questiona: — "O que
dizes?".
—"Sou galileu, prego o amor a Deus, da Galiléia à
Judéia. Não cometi crime algum e tu mesmo
disseste que sou inocente.", retorquiu Jesus.
Com receio por estar julgando um galileu em
terras da Judéia, e sabendo da antipatia que
Herodes Antipas, que era rei e filho de rei, tinha
por Pilatos, que era poderoso, mas era somente
um governador, eis que Pilatos decide: — "Esse
homem é galileu, mandem-no para o rei Herodes
Antipas para que o julgue como um dos seus
galileus."
Isto posto, Jesus é levado pelos guardas,
acompanhado dos juízes do sinédrio, até Herodes
Antipas, no palácio de Arquelau, ali mesmo na
Judéia, vez que por aquele tempo Herodes Antipas,
irmão de Arquelau, não estava em seu suntuoso
palácio na Galiléia e sim na Judéia, posto que
estava ocupando os dois palácios (na Galileia e na
Judéia) em razão do afastamento de seu irmão
Arquelau, que governara a Judéia.
No dia seguinte, quinta-feira pela manhã, com pro-
fundo desdém por cuidar de pequenas questões
tribais dos judeus, o rei Herodes Antipas recebe
Jesus no palácio e faz questionamentos
semelhantes aos que Pilatos já havia feito. E
entendendo que não havia crime algum contra
Roma, não havia porquê, ele, um romano, julgar
questiúnculas religiosas de judeus. E com muita
má vontade conclui que o assunto não é relevante
e nem importante para ele julgar, e portanto Jesus
foi devolvido a Pilatos para que ele fizesse o que
bem entendesse, pois por ele, Herodes Antipas,
não havia o que punir naquele homem.
De volta a Pilatos, devolvido por Herodes Antipas,
com autorização para decidir o destino de Jesus,
ainda na metade do dia, Jesus é novamente
interrogado por Pilatos, que chega à mesma
conclusão anterior, considerando Jesus inocente.
Entretanto, para evitar problemas com o sinédrio,
e para evitar problemas em sua própria casa, pois
sua esposa havia ouvido secretamente a algumas
pregações de Jesus, e que por isso pediu a Pilatos
que poupasse Sua vida, eis que Pilatos tenta uma
solução alternativa. Ou seja, manda prender Jesus
e chicoteá-Lo, para ver se, com isso, atendia tanto
ao sinédrio, aplacando a sua ira, quanto à sua
esposa, que não queria ver Jesus morto.
Os discípulos de Jesus, que até então
esgueiravam-se pelos cantos e perambulavam
pelas ruas procurando saber a respeito do
andamento do julgamento de Jesus, ao saberem
da prisão e do chicoteamento, covardemente
começam a esconder-se. Fogem todos, sumindo
para não serem localizados e apanhados como
cúmplices dos mesmos "crimes" de Jesus.
Até mesmo Pedro, que acompanhava mais de
perto as inquirições a Jesus, indo às portas do
templo, do sinédrio, e dos palácios de Pilatos e
Herodes, agora Pedro fugia como um coelho
assustado. Até que subitamente próximo à es-
cadaria do palácio de Pilatos uma escrava que
ouvira Jesus pregar, questiona Pedro: — "Tu és
amigo de Jesus, o galileu. Tu estavas com ele."
E Pedro, amedrontado, responde: — "Não sei
quem ele é. Não conheço este homem." E corre
apavorado, até que mais adiante pára por um
instante e assustado teve arrepios ao lembrar do
que Jesus havia dito sobre a traição e a negação
pelos amigos.
Judas Iscariotes, por sua vez, estava inconsolável,
pois tudo estava saindo errado, completamente
diferente do que ele imaginara. O julgamento
"justo", que deveria livrar Jesus duma morte
traiçoeira, pelas costas, havia se transformado
num verdadeiro linchamento moral. Os romanos,
tradicionais inimigos dos judeus, não condenaram
Jesus e nem queriam condená-Lo, mas seu próprio
povo, os próprios judeus (saduceus e fariseus)
estavam arrastando-O à crucificação. E Jesus,
mesmo diante da morte que se desenhava não
fazia nada para alterar Seu destino. Não procurava
Se salvar. Deixava-Se conduzir à morte como um
cordeiro. Era incompreensível. Inaceitável. De
nada havia adiantado o beijo na boca, transmitin-
do sabedoria a Jesus. Isso tudo torturava Judas
Iscariotes e consumia-lhe em vida.
No dia seguinte, sexta-feira, ao saberem da pena
alternativa aplicada a Jesus, sem execução por
crucificação, os juízes do sinédrio enfrentam
Pilatos e veladamente fazem-no ver que não punir
Jesus exemplarmente com a crucificação, por ter-
se declarado "rei dos judeus" poderia chegar aos
ouvidos de César como uma conspiração de Pilatos
contra o imperador, que àquela altura vivia uma
paranóia profunda com alucinações sobre
conspirações de novos reinos.
Entendendo o recado dos saduceus e fariseus, e
mesmo assim não querendo punir pessoalmente
Jesus por algo que Ele não havia feito, Pilatos
propõe um julgamento público de Jesus, com o
voto do povo. (O que é um preceito romano
normal de julgamento. Uma espécie de júri popu-
lar).
Jesus, então, é trazido preso a grilhões e
amarrado, com as roupas marcadas de sangue nas
costas, devido às chicotadas. E apresentando Jesus
ao povo, para julgamento em frente à escadaria do
palácio, Pilatos anuncia: "Ecce Homo!" (Eis aqui o
homem).
Abaixo das escadarias o povo (orientado e
manipulado pelos saduceus e fariseus) se
amontoava e gritava pedindo a crucificação de
Jesus. Era até compreensível, pois os discípulos e
simpatizantes de Jesus estavam fugidos,
escondidos, com medo de serem presos. Os
saduceus e fariseus insuflavam pessoas a pedir a
morte de Jesus. Os zelotes, embora simpatizassem
com algumas das teorias de Jesus, acham que
Jesus era fraco demais, calmo demais, moderado
demais, um covarde. E, de mais a mais, um zelote
arruaceiro, bastante conhecido, estava preso, de
nome Barrabás (Jesus bar Abás ou Jesus filho de
Abás). E, como os zelotes sabiam que pela
passagem da páscoa um preso seria solto,
logicamente eles queriam que libertassem
Barrabás e não Jesus.
Pilatos, ainda tentando salvar Jesus, que mesmo
sofrendo teimava em não salvar-se, eis que vira-se
para Jesus e questiona: — "Quem realmente és
Tu? És o messias deste povo?"
Jesus fica impassível, não responde. Teimava em
não defender-se.
Pilatos se irrita e diz para Jesus que ele era
insolente, pois ele, Pilatos, como governador da
Judéia, tinha o poder de soltá-lo ou de crucificá-lo e
Jesus sequer fazia algo em seu próprio favor.
Para piorar a situação, Jesus responde mais uma
vez de maneira altiva e firme: — "Tu não tens
poder algum se Deus não o te der. Só Deus tem
poder sobre Mim e sobre ti"
Pilatos mais irritado ainda: — "Então, não posso te
tirar a vida?"
Jesus volta a afirmar: — "Podes mandar Me matar.
Mas ainda assim viverei junto a Deus e só Deus
pode tirar-Me esta vida eterna."
Incrédulo com o que via e irritado com a
intransigência de Jesus, Pilatos ainda tenta uma
última cartada para salvar a vida de Jesus: — "Que
pecado fez este homem? Por que querem
crucificá-lo?", questiona Pilatos enfurecido e aos
berros.
— "Crucifica-o. Crucifica-o. Crucifica-o.", brada a
multidão.
A esposa de Pilatos, atrás dele, sussurra dizendo
que Pilatos não deveria manchar seu nome com o
sangue daquele inocente. Mas, por outro lado,
Pilatos não poderia contrariar uma decisão de um
julgamento popular.
Pilatos, então, joga sua derradeira alternativa para
tentar salvar Jesus da crucificação. Diz ao povo
que conforme o costume, pela época da páscoa,
perdoava-se um culpado, libertando-o. E assim,
sugere que Jesus seja solto. Mas, a multidão
ensandecida, comandada pelos saduceus e pelos
fariseus, e ainda ajudada, desta vez, pelos zelotes,
pedem a libertação do zelote Barrabás.
Sem alternativas, Pilatos não vê outra saída senão
render-se à decisão popular. Não sem antes
mandar vir uma ânfora cheia d'água e uma bacia,
e simbolicamente lava suas mão para que não as
sujasse com o sangue daquele inocente.
— "Não vejo crime ou pecado neste homem. Mas
não posso contrariar uma decisão de um
julgamento popular. Portanto, lavo minhas mãos
para que não as suje com o sangue deste
inocente. E s e é a vontade de todos que seja
crucificado, levem-no e cumpram vocês mesmos,
judeus, a justiça que acabam de fazer."

1 º . Final
Jesus Morre na Cruz

Começam os maus tratos a Jesus, com Ele sendo


entregue à multidão ensandecida e os guardas
simplesmente cumprindo a determinação de
Pilatos de se fazer cumprir a vontade popular, mas
ao mesmo tempo permitindo que os saduceus e os
fariseus encarniçassem, humilhassem e
tripudiassem sobre Jesus. As cenas seguintes
transformam-se praticamente em um linchamento.
Populares arrancam um arbusto espinhoso e
tecem uma coroa de espinhos para ser colocada
em Jesus. Entregam-na a um dos guardas. Os
guardas riem-se do escárnio que aquilo tudo havia
virado. Eram seres primitivos (não-romanos)
aguilhoando sua própria gente. Judeus humilhando
judeus. Era a confissão pública da autoridade
moral de Roma e a baixeza e selvageria dos
primitivos povos conquistados.
De fato, simulando uma solenidade, com
menosprezo e profundo deboche, um dos guardas
coloca a coroa de espinhos na cabeça de Jesus,
fazendo-o sangrar na cabeça.
— "Eu te corôo, oh rei dos judeus!"
Em seguida colocam nos ombros de Jesus uns
trapos cor de púrpura simulando um manto real, e
na mão direita uma cana, como se fosse um
cajado real.
A multidão ria zombeteira e dizia toda sorte de
ofensas. Uns simulavam respeito debochado e
ajoelhavam diante de Jesus e faziam saudações
irônicas. Outros simplesmente cuspiam-lhe no
rosto.
Em seguida, arrastam uma trave de madeira, a
parte superior da cruz à qual Jesus irá ser pregado,
e obrigam Jesus a levá-la dali até o local da
crucificação, no alto do morro conhecido como
Gólgota (lugar da caveira ou da calva). Tem então
início a "via crucis" ou "caminho do calvário", do
palácio de Pilatos (Hoje Fortaleza Antônia) até o
Gólgota.
Por entre ruas estreitas, espremido por uma
multidão que se comprimia para assistir a tudo,
carregando a trave superior da cruz e vez por
outra recebendo chibatadas, Jesus cai pela
primeira vez.
Seguindo pelas vielas, Jesus depara-se com seu
maior desespero, Ele sofre como nunca ao ver Sua
mãe e Seu irmão Tiago presenciando tudo e
sofrendo por Ele.
Guardas empurram-No e chicoteiam-No para que
continue andando. Mas Jesus abate-se moralmente
ao ver o sofrimento e a dor de Sua mãe e Seu
irmão mais querido presenciando aquilo tudo.
Quando então, um homem aparece da multidão e
se oferece para ajudar Jesus. É Simão Cireneu
quem socorre Jesus e ajuda-O a carregar a trave
superior da cruz, com a autorização de um dos
guardas que permite que Jesus seja ajudado.
Suado e sangrando na cabeça, em razão da coroa
de espinhos, surge uma mulher para limpar-lhe o
rosto, é Verônica, uma de suas seguidoras, que se
apieda de Jesus e transmite-lhe coragem e
compaixão.
Já em direção ao morro (lugar da caveira), Jesus
cai pela segunda vez, apesar da ajuda de Simão
Cireneu.
Um guarda irritado, aplica novas chibatadas em
Jesus.
Arrastando a trave superior da cruz pela subida do
morro, Jesus vê as mulheres, aos prantos, que
seguiam-no fervorosamente: Verônica, Salomé,
Maria Madalena, Maria Sua mãe, Marta e duas
outras Marias. Jesus diz: "Filhas de Jerusalém, não
choreis por mim. Chorai por vós mesmas e pelos
vossos filhos."
Chegando ao alto do Gólgata, Jesus não resiste de
cansaço e cai pela terceira vez. E mais uma vez
Simão Cireneu ajuda-o a levantar-se. Ao longe,
disfarçados e cobrindo o rosto, alguns dos "santos"
discípulos, covardemente, não se atreviam a
chegar perto.
Os guardas despem Jesus de suas vestes
andrajosas, deixando-o somente com um pano
cobrindo a cintura e a virilha.
Alguns saduceus e fariseus, ansiosos pela
crucificação de Jesus, pregam, na parte superior
da cruz, a trave horizontal trazida por Jesus. Fixam
o apoio para os pés. Colocam Jesus deitado para
pregá-Lo na cruz. Amarram-Lhe cordas envolvendo
os bíceps, os pulsos e os tornozelos... Em seguida
crucificam-No, colocando um cravo em cada mão e
nos pés. E como um deboche final, os guardas
colocam uma placa, acima de sua cabeça, com a
inscrição INRI (Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum),
que significa Jesus Nazareno Rei dos Judeus.

Nota do autor: Por um exagero do "evangelista"


João, o pernóstico, que a cada parágrafo estava
mais preocupado em titular-se como "o discípulo a
quem Jesus amava", do que relatar fatos com
isenção, diz em João 19:20 que o letreiro estava
escrito em três idiomas: hebraico, grego e latim.
(Só faltando dizer que quem não pudesse ou não
soubesse ler deveria perguntar a quem soubesse)

Os saduceus e fariseus que até então divertiam-se


com tudo que acontecia, revoltam-se com a placa
chamando Jesus de rei dos judeus. Bradam e
dizem que aquilo era uma blasfêmia. Tentam
forçar os guardas a retirar a placa, mas
firmemente os guardas garantem que a placa é
instrução e ordem de Pôncio Pilatos. A placa é
mantida.
Mesmo diante de tanto escárnio, num gesto de
piedade e comiseração, Jesus pede pela alma dos
que o agrediam: — "Pai, perdoai, eles não sabem o
que fazem."
Uma vez amarrado e pregado na cruz, esta é
levantada e fixada no lugar, com Jesus crucificado,
sob o olhar de uma pequena multidão, tendo à
frente as piedosas e corajosas mulheres de
Jerusalém (Verônica, Salomé, Maria Madalena,
Maria Sua mãe, Marta e duas outras Marias).
Quando Jesus olha para sua mãe e diz: — "Mulher,
eis aqui o Teu filho!" (como que a dizer: — "Veja
no que me transformaram") e virando-se para seu
adorado irmão Tiago, que a tudo acompanhava de
perto, junto de sua mãe, diz: — "Irmão, eis aí a sua
mãe. Zele por ela."
Indiferente aos choros e lamentações, os soldados,
após repartirem as vestes de Jesus, disputam a
sorte nos dados para saber com quem ficará o
manto púrpura de Jesus.
Crucificados pouco antes de Jesus, postados ao
Seu lado, um à direita e outro à esquerda, dois
ladrões esqueciam de seus próprios sofrimentos e
zombeteiam de Jesus: — "Tu não é o messias? Não
fazes milagres? Livra-te a Ti mesmo desta cruz!"
Imediatamente arrependido, um dos ladrões pede
perdão a Jesus e suplica que o abençoe, pedindo
um lugar, no reino de Jesus, nos céus. No que
Jesus abençoa-o e diz que ainda hoje, naquele
mesmo dia, eles irão se encontrar junto ao Pai, no
reino dos céus.

Nota do autor: Ao contrário do que se supõe, a


morte na cruz não é imediata e nem rápida. Na
realidade, a verdadeira intenção da crucificação é
que o crucificado sofra bastante e fique por muito
e muito tempo penando na cruz, até que com o
tempo e o sofrimento, lentamente, o crucificado
venha a morrer. E isso pode demorar até dias, pois
na crucificação nenhum órgão vital é atingido. Ou
seja, os cravos são enfiados entre os osso das
mãos e dos pés e a perfuração corta a pele e um
pouco de carne. E dependendo do caso, raramente
pega uma veia que sangre muito. (E a intenção é
esta mesmo, fazer o crucificado sofrer e morrer
aos poucos, lentamente)

Jesus estava na cruz havia três horas (o que em


termos gerais de uma crucificação é muito pouco
tempo), e desde a hora sexta (meio-dia) até a hora
nona (quinze horas ou três horas da tarde) tinha
ocorrido simultaneamente dois fenômenos
naturais coincidentes: um eclipse e próximo ao
final do eclipse houve um ligeiro tremor de terra, o
que fez com que muita gente, com medo de ser
um prenúncio dos céus, fugisse dali.
Sentindo muitas dores, Jesus solta um brado,
quase que de revolta, e questiona Deus: — "Pai,
Pai, por que me abandonastes?" ("Elli, Elli, lema
sabacthani?"). Mas quase que imediatamente,
arrepende-se, lembrando de suas meditações no
horto das oliveiras e como que pedindo perdão a
Deus exclama: — "Seja feita a vossa vontade."
Os guardas e um dos ladrões na cruz, não
entendem direito as palavras murmuradas por
Jesus, e fazem troça com o que Jesus fala. E
ironizam dizendo que Ele estava chamando por
Elias, pedindo que Elias o salvasse. Quando na
verdade Jesus chamava por Deus (Elli) e não pelo
profeta Elias.
Sofrendo muitas dores, Jesus pede água: —
"Tenho sede. Dai-me de beber!", diz. E um guarda,
apiedando-se d'Ele, pega a água de seu cantil (que
na realidade era água com um pouco de vinagre,
conforme era comum aos guardas da legião
romana e à qual eles estavam bastante
acostumados, isto porque os guardas não
carregavam água pura em seus cantis, sem nada,
pois água pura, sozinha, não alimenta e não mata
a sede, por isso os guardas romanos carregavam
sempre água misturada com um pouco de
vinagre), e embebendo um chumaço de pano das
próprias vestes de Jesus na água misturada com
vinagre, oferece a Ele para matar a sede.
Entretanto, Jesus supondo tratar-se de mais um
deboche, mais um escárnio, ante o gosto estranho
da água, cospe e rende-se: — "Tudo está con-
sumado. Pai, em tuas mãos eu entrego meu
espírito."
Como era sexta-feira, véspera de um sábado —
que é sagrado para os judeus -, dois essênios
pertencentes à irmandade de Jesus, José de
Arimatéia (um rico comerciante e que era
simpatizante, mantenedor e permanente doador
de recursos às causas essênias ) e Nicodemos (um
mestre essênio, um dos doze primeiros essênios
que compunham a Sociedade Secreta e um
fervoroso admirador de Jesus) vão até Pilatos e
fazem um pedido respeitoso em razão de suas
religiões, ou seja, como aproximava-se o sábado
sagrado dos judeus (que começava às seis horas
da tarde da sexta-feira, ou na décima segunda
hora, deles), nenhum judeu poderia atravessar o
sábado sagrado em sofrimento a caminho da
morte. E em razão disso, solicitavam, José de
Arimatéia e Nicodemos, que fossem apressadas as
mortes dos três crucificados, e em especial
pediam autorização a Pilatos para sepultar o corpo
de Jesus, uma vez que ele era essênio e seu corpo
não poderia ficar insepulto num sábado sagrado.
Contrariado com o que havia acontecido durante o
julgamento de Jesus, e parcialmente arrependido
por ter cedido às pressões dos saduceus e fariseus
do sinédrio, Pilatos autoriza que sejam apressadas
as mortes dos três crucificados e que o corpo de
Jesus fosse entregue aos dois religiosos essênios.
Acompanhados por um guarda para garantir o
cumprimento das ordens de Pilatos, José de
Arimatéia e Nicodemos, que sabiam que nenhum
dos três crucificados havia morrido ainda, uma vez
que a morte na cruz demora muitas e muitas
horas e em geral até dias, engendravam um plano
para ver se conseguem salvar Jesus da morte.
Em lá chegando, o guarda enviado por Pilatos
transmite aos outros três guardas, que guardavam
o local da crucificação, que a morte dos três
crucificados deveria ser abreviada por ordem de
Pilatos e que o corpo de Jesus fosse entregue, para
sepultamento, aos dois religiosos essênios.
Cumprindo as ordens de Pilatos, os guardas soltam
as amarras dos tornozelos de um dos ladrões
crucificados, arrancam o suporte dos pés e
quebram-lhe as pernas para que, com o corpo
pendente, sem sustentação, morresse por asfixia
em função do seu próprio peso.
O mesmo é feito com o outro ladrão, mas quando
isto vai ser feito com Jesus, José de Arimatéia e
Nicodemos interferem e dizem que pela religião
deles (essênia) nenhum osso poderia ser quebrado
após um homem estar morto e alegam que não é
necessário quebrar as pernas de Jesus, pois Ele já
estaria morto.
Concordando, em princípio, um dos guardas então
pega uma lança e dá uma estocada abaixo da
costela esquerda de Jesus para certificar-se de que
Jesus havia realmente morrido. E imediatamente
escorre sangue e soro (um líquido como água).
Com a descida do corpo de Jesus da cruz,
consuma-se o maior de todos os sofrimentos sobre
a face da Terra, o derradeiro sofrimento, a agonia
e desespero de uma mãe, que depois de assistir à
todas as maldades, ofensas, humilhações, torturas
e selvagerias feitas contra seu filho, toma-O no
colo, após a crucificação, e consola-O mesmo
morto. É a imagem da "Pietá".
Entretanto, José de Arimatéia e Nicodemos, ainda
supondo estar Jesus vivo, em estado de letargia ou
em estado de coma, envolvem-No em um lençol
branco, apressam-se em carregá-Lo até o
sepulcro, e ao mesmo tempo pedem às mulheres,
que estavam acompanhando Jesus o tempo in-
teiro, que trouxessem panos, ataduras, unguentos,
óleos e ervas curativas.
Desconfiados, dois guardas colocam-se na porta
de entrada do sepulcro, aguardando a saída das
pessoas para fechar a entrada do sepulcro com
uma pedra. Entretanto, como eles demorassem
muito a sair, os guardas ficaram bastante irritados
e desconfiados daquela atitude.
Após um longo período no sepulcro, os seguidores
de Jesus justificam a demora na saída dizendo que
as ervas, óleos e perfumes que foram levadas
eram para embalsamar o corpo e que os rituais
essênios para a encomenda da alma eram
bastante demorados. (Na realidade, o ritual de
embalsamento e um tratamento curativo, como no
caso de Jesus, têm procedimentos semelhantes e
por isso demoram aproximadamente o mesmo
tempo)
Contrariados, finalmente os dois guardas rolam a
pedra fechando a entrada do túmulo, e principiam
a vigiar para que não roubassem o corpo de Jesus,
pois os sacerdotes saduceus haviam pedido a
Pilatos que os guardas não se afastassem do
túmulo por pelo menos três dias, vez que Jesus
havia prometido ressuscitar após o terceiro dia, e
eles não queriam histórias e invencionices de
ressurreição.
Junto com os guardas, velando a entrada do
sepulcro, ficaram as seguidoras de Jesus, as
mulheres de Jerusalém, até tarde da noite.
Entretanto, no alvorecer do dia seguinte, sábado
sagrado dos judeus, o sepulcro estava aberto, sem
a pedra que fechava a entrada e os guardas não
estavam mais guarnecendo o sepulcro. Mas, o
mais misterioso é que o corpo de Jesus havia
sumido.
Segundo o evangelista Mateus (28:11-15), os
sacerdotes saduceus e os guardas, sabendo do
misterioso desaparecimento do corpo de Jesus,
ainda no sábado, teriam inventado uma história de
que os discípulos de Jesus teriam vindo à noite e
roubado o Seu corpo.
Ainda segundo Mateus, esta "mentira" estaria
vigorando até a data em que ele escreveu o
evangelho.
Os dois evangelistas (Marcos e João) pouco falam
do corpo de Jesus, exceto que o corpo
misteriosamente sumiu e nunca foi encontrado.
Entretanto Lucas é mais rico em detalhes. Fala que
as mulheres (as primeiras que viram o sepulcro
aberto e as primeiras que viram Jesus ressuscita-
do. Mas isso não contava, pois eram mulheres,
seres inferiores, eram somente mulheres. Suas
palavras não valiam nada) ao visitarem o sepulcro
viram dois essênios, da irmandade de Jesus,
vestidos de branco, muito alvo, resplandecente,
que pareciam anjos e que com elas conversaram.
(Marcos, no entanto, diz que era somente um
jovem essênio vestido de branco. Já Mateus atribui
esta pessoa a um anjo)
Lucas, sempre mais rico em detalhes, afirma em
(24:4-5) "Estando elas perplexas com o caso (do
desaparecimento do corpo de Jesus), apareceram-
lhe dois homens em trajes resplandecentes (os
dois essênios já citados). Como estivessem
amedrontadas e voltassem o rosto para o chão,
eles disseram-lhes: “Por que buscais entre os
mortos Aquele que vive?"
Lucas segue dizendo que Jesus não estava mais
ali, havia ressuscitado, exatamente conforme Ele
havia prometido, ressurgir dos mortos ao terceiro
dia (Embora de sexta-feira a domingo houvesse se
passado muito menos de três dias. Ou seja, um dia
e meio de luz ou duas noites completas).
Nota do autor: Desse ponto em diante, é preciso
entender a ressurreição de Jesus como uma
questão de fé e religiosidade e não somente como
uma simples e documentada questão de história.
Razão pela qual, neste livro, para que o leitor
possa ter a liberdade de escolha entre a fé e a
razão, foram colocados dois finais, onde em um
final são atendidos os interesses religiosos, da fé,
em que Jesus ressuscita dos mortos, assombrando
e modificando o mundo; e no segundo final, que
atende aos interesses frios e documentados da
história em si, até então pouco conhecida, em que
Jesus não morre na cruz e tem uma vida
grandiosa, após escapar dos seus algozes. (A
escolha do final é do leitor)

Mas, voltando ao primeiro final: Jesus ressurge


entre os mortos, mas estranhamente ninguém O
reconhece. Maria Madalena não reconhece
Jesus. Os dois seguidores de Jesus que seguiam no
caminho de Emaús, andam quilômetros pelo
caminho inteiro com Ele e não O reconhecem.
Nem mesmo quando Ele aparece aos 10 discípulos
(Judas Iscariotes e Tomé não estavam presentes),
estes não O reconhecem num primeiro momento.
Lamentavelmente, sendo o episódio mais
significativo de toda a Bíblia, que é a ressurreição
e a prova definitiva da vida eterna, os apóstolos
pouco falam a esse respeito, proporcionalmente ao
tanto que se fala de outras coisas, como
curandeirismo, por exemplo, sem esta relevância.
Mateus quase não fala sobre a ressurreição de
Jesus. Quando fala é vagamente sobre as mulheres
(sem precisar quantas) que o viram e num curto
relato, apresenta Jesus, muito tempo depois,
aparecendo aos discípulos, não mais na Judéia,
mas já na Galiléia.
Marcos é muito sucinto e fala muito pouco a
respeito de ressurreição. Muito rapidamente fala
da aparição para Madalena, aos dois de Emaús e
aos discípulos ainda na Judéia.
Lucas é o mais pródigo nos detalhes sobre a
ressurreição, em 24:36-42. Fala do aparecimento
de Jesus aos dois a caminho de Emaús, mas ao
falar na aparição de Jesus aos discípulos apresenta
um espírito de Jesus materializado, em carne e
osso, pedindo que O toquem para sentir Sua
carne. E depois, depois da morte, com fome e
sede, Jesus pede comida (servem peixe a Ele) e
bebida.
João Evangelista fala quase tanto quanto Lucas. Só
que no aparecimento de Jesus para Madalena, que
ela não o reconhece, Ele aparece junto com o
essênio vestido de branco. E ainda, no relato de
João Evangelista, um dado muito curioso e místico,
Jesus diz que ainda não subira aos céus. E, horas
depois, de tarde, Jesus aparece aos discípulos
(Sem Judas Iscariotes e sem Tomé). Entretanto,
Tomé, que estivera ausente, ao saber da
ressurreição de Jesus, duvida do renascimento e
diz que quer tocar as feridas de Jesus para
acreditar na reencarnação.
E oito dias após, ainda sem subir aos céus, Jesus
aparece novamente aos 11 (Sem Judas Iscariotes)
ainda na Judéia e desta vez com Tomé presente.
Tomé, entretanto, somente acredita em Jesus
tocando-Lhe as feridas físicas, materiais (feitas no
espírito?). E muito tempo depois Jesus aparece na
Galiléia a Pedro, Tomé e Natanael.
E com este relato, a Bíblia encerra os seus quatro
evangelhos narrando a vida de Jesus.
É certo que todo esses registros sobre a história de
Jesus poderia ter-se perdido no tempo e o
cristianismo sequer ter se desenvolvido e tomado
as proporções que tomou, não fosse, entre outras
coisas, a participação abnegada de um homem,
um discípulo — a posteriori — que tornou-se o
maior responsável pela difusão e propagação do
cristianismo como religião, e que contribuiu mais
do que qualquer outro discípulo de Jesus para a
implantação mundial do cristianismo: Saulo / Paulo
de Tarso.
Natural da cidade de Tarso, na Turquia, Paulo de
Tarso, nascido Saul (hebreu) ou Saulo (romano) e
mais tarde passando a Paulo, era um defensor do
judaísmo ortodoxo, colocando-se a serviço de
Roma (tinha a cidadania romana), como uma
espécie de oficial assistente, ferrenho perseguidor
de cristão. Perseguiu e matou muitos cristãos, e
que de tanto perseguir cristão e de tanto perseguir
Jesus ("Saulo, Saulo, por que me persegues?") e
aprender sobre Sua vida, acabou transformando-
se no maior admirador do cristianismo e o seu
maior propagador.
A transformação e conversão de Paulo de Tarso foi
uma questão tão importante e acima de tudo tão
surpreendente e inimaginável (algo como um dia
ser possível haver paz sobre o povo de Israel), que
merece por si só um registro destacado. Paulo era
hebreu, mas também era um cidadão romano,
defensor das tradições judaicas, que não aceitava
Jesus como o messias, como a maioria dos judeus,
e que durante a perseguição a Jesus, no caminho
de Damasco, converte-se diante de Jesus e
transformando-se em seu discípulo, contra a
opinião de todos os demais discípulos, e
principalmente enfrentando os ciúmes, a
presunção e arrogância de Pedro (que considerava
a si mesmo como o discípulo número um), João (o
evangelista pernóstico e fútil, que achava que
Jesus amava somente a ele) e Tiago (irmão de
Jesus, que imaginava herdar o cristianismo pelo
parentesco, e a quem a Bíblia chama de Tiago de
Jerusalém, com receio de identificá-lo
corretamente como irmão de Jesus, para não
descaracterizar Maria como "virgem").
Paulo de Tarso deixou o maior de todos os legados
do cristianismo. Escreveu, pregou e deixou obras,
registros e ensinamentos mais do que todos os
outros discípulos juntos. Foi o maior e mais claro
propagador das verdadeiras "boas novas"
(evangelho) de Jesus. Centrou seus ensinamentos
na verdadeira pregação de Jesus, na divulgação do
humanitarismo, na paz, na esperança, no perdão,
ao invés de valorizar o curandeirismo conforme
fizeram os quatro "evangelistas". E principalmente
Paulo de Tarso difundiu o conceito de ressurreição
e vida eterna, com a possibilidade de um
renascimento e um novo porvir, como a maior
dádiva dos ensinamentos de Jesus. Correu o
mundo difundindo o cristianismo e fundando várias
e importantes igrejas. Na Anatólia / Antióquia,
atual Turquia (e não na Síria, como querem alguns,
pois a Antióquia da Síria não tem nada a ver com a
Antióquia da Turquia), levadas por Saulo, foram
criadas as bases de expansão do cristianismo. Pois
foi nas sete igrejas da Ásia (Éfeso, Esmirna,
Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia —
Todas próximas umas das outras) que o
cristianismo, como religião, teve o seu nascimento,
sua base e propagação. E foi na Anatólia /
Antióquia (Turquia) que pela primeira vez falou-se
numa nova religião que surgia, chamada
cristianismo, e chamando seus seguidores de
cristãos.
Pode parecer estranho que o cristianismo surgido
com Jesus na Palestina, tenha tido a sua base e
propagação surgido a muitos quilômetros da
Judéia e da Galiléia, exatamente na Turquia. Mas a
explicação é razoavelmente simples. Pois o
cristianismo da Palestina era só e pobremente um
dos muitos ramos do judaísmo, e deveria ficar
preso e restrito às bases judaicas, com todos os
seus ritos e sacramentos (principalmente a
circuncisão), conforme mantido e preconizado por
Tiago (irmão de Jesus), intolerante e intransigente
com os gentios (não-judeus), de quem não queria
a conversão ao cristianismo. Entretanto, Paulo de
Tarso queria e fez o inverso. Ou seja, tirou o
cristianismo da obscuridade e da limitação de
simples ramo religioso judeu, restrito somente a
judeus, para o universalismo da prática cristã,
aberto a gentios (não-judeus) adeptos de outras
religiões que quisessem se converter, sem ter que
seguir os ritos judeus (circuncisão, jejum, etc.). E
mais atrevido ainda foi Paulo de Tarso, ao
enfrentar os judeus ortodoxos, separando, de vez,
o judaísmo do cristianismo, atribuindo importância
maior a Jesus do que a Adão (em quem ele não via
importância alguma), e do que Moisés (a quem
atribuía somente relativa importância), e
estabelecendo o nascimento de Jesus como o
maior marco da humanidade, o ano zero, que
dividiria a humanidade em antes e depois de
Jesus.
Com esta prática e abertura ousadas, Paulo de
Tarso tirou o cristianismo da condição de uma
religião judaica tribal, restrita à palestina e aos
judeus, como queria Tiago, para lançar as bases
de uma gigantesca religião universal. E com isso
Jesus deixou de ser apenas um messias judeu,
renegado pelos próprios judeus, e passou a ser o
salvador de todos os povos. (Só isso merecia um
lugar único e de destaque para o discípulo Saul /
Saulo ou Paulo de Tarso)

2° Final
Jesus NÃO Morre na Cruz

(Nota do autor: Conforme alertado


anteriormente, o primeiro final, em que Jesus
morre na cruz, é um final em respeito à f é que
cada um possa ter e não é intenção do autor
discutir a fé. Entretanto, abstraindo-se a questão
da fé tradicionalista, caso seja de interesse do
leitor buscar um Jesus histórico, que não
necessariamente altera a fé (em sua essência),
baseado em documentos, fatos, evidências e
provas, o leitor poderá se informar neste
segundo final em que Jesus não morre na cruz)

Tão logo Jesus foi levado pelos judeus (saduceus


e fariseus) e pelos guardas para ser crucificado,
diferentemente dos discípulos de Jesus que
estavam apavorados e com muito medo de ter o
mesmo destino do mestre, dois seguidores
arquitetam um plano de salvamento de Jesus:
José de Arimatéia (um rico comerciante e o maior
doador e mantenedor individual dos essênios) e
Nicodemos (um dos doze essênios que formavam
a primeira Sociedade Secreta: Jesus, João Batista,
Benjamim, Samuel, Isaac, Jacob, Aarão, Josias,
Nicodemos, Amós, Silas e Oséas)
Sabendo de antemão que a crucificação não
mata rapidamente e sim por demorada e muito
prolongada exposição ao tempo e à dor, e que
Jesus por ser essênio, de vida bastante regrada,
e de cuja formação fazia parte a doutrinação do
controle da mente sobre o corpo, Ele suportaria
dores que as pessoas comuns normalmente não
suportam, e por isso, as chances de Jesus
suportar a dor na cruz, mais do que as pessoas
normais, seriam ainda muito maiores do que as
de uma pessoa comum. E com isso a chance de
sobrevivência de Jesus à crucificação seria muito
grande.
De posse deste conhecimento e certeza, José de
Arimatéia e Nicodemos iniciam então a execução
do plano de salvamento de Jesus. Vão até Pilatos
e convencem-no de que por ser sexta-feira,
véspera do sábado sagrado dos judeus, e que a
agonia e sofrimento dos crucificados deveria
ultrapassar a décima segunda hora (seis horas
da tarde) e conseqüentemente após aquele
horário já seria sábado. Pedem então que Pilatos
autorize antecipar a agonia dos crucificados,
matando-os, para que não morressem no sábado
sagrado. E em especial pediram também a
autorização de Pilatos para sepultar o corpo de
Jesus, uma vez que José de Arimatéia era rico e
dispunha de um sepulcro particular disponível e
que Jesus, por ser essênio, Seu corpo não poderia
ficar insepulto.
Sem perceber o plano de José de Arimatéia e
Nicodemos, e achando justa a solicitação
religiosa, Pilatos autoriza a antecipação da morte
dos três crucificados (Jesus e os dois ladrões
crucificados), assim como autoriza, também, a
entrega do corpo de Jesus a José de Arimatéia e
Nicodemos para sepultamento.
De fato, em chegando ao local da crucificação,
conforme o esperado, constataram que nenhum
dos três crucificados havia morrido (Jesus e os
dois ladrões estavam vivos), pois havia se
passado somente cerca de três horas que
estavam sofrendo aquela tortura. O que em
termos de sofrimento é bastante, mas em termos
de ser fatal ou mortal, é muito pouco tempo.
Cumprindo as determinações de Pilatos, os
guardas soltam as amarras dos tornozelos dos
ladrões crucificados, arrancam os suportes dos
pés, quebram-lhe as pernas para que morressem
por asfixia em função do peso de seu próprio
corpo.
Quando o mesmo procedimento é iniciado com
Jesus, espertamente José de Arimatéia e
Nicodemos interferem dizendo que pela religião
deles (essênia) nenhum osso poderia ser
quebrado após um homem estar morto e alegam
que não seria necessário quebrar as pernas de
Jesus, pois Ele já estaria morto (e de fato Jesus
estava como se estivesse morto, em estado de
letargia, semelhante a um coma).
Para que não restasse dúvidas quanto a morte
de Jesus, um dos guardas então pega uma lança
e dá uma estocada abaixo da costela esquerda
de Jesus. E imediatamente escorre sangue e soro
(um líquido como água).
É o suficiente para que Nicodemos (por ser um
sábio essênio, dominando perfeitamente a cura e
a medicina) constatasse que Jesus realmente
estava vivo, uma vez que se não houvesse mais
vida em Jesus não haveria como ter a fluidez
sangüínea apresentada. Pois não havendo mais
vida não havia como o sangue circular e jorrar
como jorrou.
Acreditando piamente ainda estar Jesus vivo, em
estado de letargia, José de Arimatéia e
Nicodemos apressam-se em retirar Jesus da cruz,
envolvendo-O rapidamente em um lençol branco,
carregando-O até o sepulcro, e ao mesmo tempo
pedindo às mulheres, que estavam acompanhan-
do Jesus o tempo inteiro, que trouxessem,
rapidamente, panos, ataduras, assim como os
unguentos, óleos e várias ervas curativas
previamente preparadas e já separadas na casa
de um "irmão" essênio.
Sem muita surpresa, constataram, que de fato,
Jesus estava muito mal, ferido e traumatizado
pela tortura, mas estava vivo, sem nenhum osso
quebrado, e sem haver sido atingido qualquer
grande artéria ou veia que pudesse causar
grande hemorragia.
Enfim, Jesus estava vivo e podia ser curado...
Usando os conhecimentos curativos das ervas,
dos unguentos, e dos óleos medicinais, que os
essênios conheciam muito bem, Nicodemos e
José de Arimatéia, trataram de todos os
ferimentos e colocaram ervas, unguentos e óleos
medicinais cobertos por ataduras em todos os
locais de feridas. Enquanto que para simular o
sepultamento de Jesus, as mulheres que
acompanhavam Jesus rezavam alto e
pranteavam de modo a não gerar desconfiança
por parte dos guardas.
Como demorassem muito no tratamento das
feridas, os guardas que estavam vigiando a
entrada do sepulcro começaram a reclamar e a
pedir o término daquele "funeral".
Após completar todo o serviço de curativos em
Jesus, o seu corpo é parcialmente coberto com o
lençol usado para carregá-lo da cruz e saem
todos para não despertar maiores suspeitas nos
guardas.
Para garantir que Jesus estaria em segurança, as
mulheres que acompanharam Jesus
permaneceram em frente ao sepulcro, montando
vigília juntamente com dois guardas, após o
sepulcro ser fechado por um pedra.
Altas horas da noite, José de Arimatéia e
Nicodemos retornam com mais dois essênios
mestres, pertencentes àquela primeira formação
de doze mestres que compunham a primeira
base essênia da Sociedade Secreta, com Jesus,
João Batista e outros dez, vestidos de branco, um
branco resplandecente, bastante incomum de se
ver habitualmente, e dispensaram as mulheres
que seguiam Jesus, para que pudessem ir para
casa descansar, enquanto José de Arimatéia e
Nicodemos montavam vigília durante a noite
toda.
Como trouxessem vinho, pão, azeite e queijo
para passarem a noite em vigília, com o avançar
das horas ofereceram aos dois guardas um dos
vinhos especialmente preparado com uma
beberagem de modo a apressar-lhes o sono. E,
realmente, pouco tempo depois os guardas
estavam dormindo em sono profundo, e os
quatro (Nicodemos, José de Arimatéia e os outros
dois mestres essênios) entram no sepulcro,
retiram os primeiros curativos aplicados em Jesus
(que mais tarde são achados por Pedro,
espalhados pelo chão e por toda parte, conforme
relatado em João (20:5-7), refazem os curativos e
cuidadosamente carregaram Jesus para um
abrigo seguro, na casa de um "irmão" da
sociedade dos essênios, mantendo-O oculto até
Sua completa recuperação.
Segundo o receituário essênio, uma combinação
de doze plantas, óleos e medicamentos foram
aplicados em Jesus: 1) Cera branca; 2) Goma
Gugal (também conhecida como bálsamo
dendron mukul) ; 3) Plumbi oxidum; 4) Mirra
(também conhecida como bálsamo dendron
myrrh); 5) Galbanaum; 6) Aristoelchia longa; 7)
Subacetato de cobre; 8) Goma ammonicum; 9)
Resina de pinus longifolia; 10) Olibanum; 11)
Aloés; 12) Óleo de oliva (azeite).
Ao raiar do dia, no sábado, vendo o sepulcro
aberto e tendo o corpo de Jesus sumido, os
guardas, com medo de Pilatos, vão até os
sacerdotes saduceus e contam-lhes a história do
desaparecimento do corpo de Jesus. No que os
sacerdotes saduceus tranqüilizam os guardas e
garantem que, caso a história chegue aos
ouvidos de Pilatos, eles (os sacerdotes) iriam
convencer Pilatos a não punir os guardas,
deixando-os em paz, pois era sabido que os
discípulos de Jesus iriam mesmo tentar roubar o
corpo.
Esta história está parcialmente contada em
Mateus (28:11-15) Entretanto, como o cadáver
de Jesus jamais apareceu e isto desmoronaria a
tese da ressurreição, pois ninguém ressuscita
sem morrer e para morrer tem que haver um
cadáver; este corpo de Jesus morto jamais
apareceu. E Mateus, novamente, conta
exatamente esta história do roubo do corpo, mas
depois diz que é mentira.
Para os próprios cristãos, segundo evidências
claras na Bíblia, Jesus não morreu na cruz. Senão
vejamos:
João (20:11-17) — Dois essênios de branco
(confundidos como anjos) são vistos no sepulcro
e Jesus — depois de "morto" — diz para
Madalena, dentro do sepulcro, que ainda não
havia morrido.
"Jesus disse-lhe: = Não Me detenhas porque
ainda não subi para Meu Pai."
Lucas (24:4-5) — Dois essênios de branco,
resplandecentes, estão no sepulcro vazio e falam
para Madalena, Joana e Maria mãe de Tiago: —
"Por que buscais entre os mortos Aquele que
vive?"
Mateus (28:3) — Um essênio, vestido de branco,
estava no sepulcro e fala às mulheres sobre o
desaparecimento do corpo de Jesus. (Aqui uma
questão simples: Se Jesus tivesse morrido
(matéria) e ressuscitado (espírito)... onde foi
parar o corpo? Tinha de haver um corpo. Tinha
de haver a matéria).
Marcos (16:5) — Um jovem essênio, vestido de
branco, guardava o túmulo de Jesus e fala com
Madalena, Salomé e Maria Mãe de Tiago. — Aqui
sai Joana e entra Salomé, mas tudo bem —
(Novamente a mesma questão simples: Se Jesus
tivesse morrido e ressuscitado... onde foi parar o
corpo?)
João (20:5-7) — Pedro entra no sepulcro e
encontra ataduras de curativos e ligaduras
espalhadas por toda parte. (Se Jesus havia
morrido na cruz... por que colocaram ataduras,
remédios, unguentos e ligaduras num "morto",
como as que Pedro encontrou no sepulcro?
Coloca-se atadura e remédio em morto?)
Lucas (24:36-43) — Diante do espanto dos
discípulos que imaginavam estar vendo um
espírito, Jesus confessa aos discípulos, com todas
as palavras que Ele não havia morrido na cruz. E
para provar que era Ele mesmo, Jesus diz: —
"Vede as Minhas mãos e os Meus pés?; Sou Eu
mesmo!" E para provar que não era espírito e
sim carne, complementa:— "Apalpai-me e olhai
que um espírito não tem carne, nem ossos, como
verificais que eu tenho!"
E para encerrar de vez a discussão sobre espírito
e matéria, Jesus pede comida aos discípulos
ainda assombrados: — "Tendes aí alguma coisa
que se coma?". Deram-lhe então uma posta de
peixe assado e, tomando-a, comeu diante deles."
Pode um relato ser mais claro? Ou seja, nem
mesmo os cristãos, mais cegamente fiéis
seguidores da Bíblia, podem acreditar na morte
de Jesus na cruz, pois o relato de Lucas (24:26-
43) é claro demais, cristalino demais,
insofismável, resistente até ao mais insano dos
exegetas de bicicleta. Jesus diz claramente que
não havia morrido na cruz ("não ascendi ao pai"),
que não era espírito e sim carne ( e para provar
que não era espírito e sim carne, complementa:
Apalpai-me e olhai que espírito não tem carne
nem ossos como verificais que eu tenho") e para
finalizar Jesus pede comida e bebida, e de fato
come peixe assado e bebe com os discípulos.
Por mais algum tempo Jesus ainda permaneceu
escondido na casa de um seguidor da Sociedade
Secreta Essênia, arranjado por José de Arimatéia
e Nicodemos. Até que, por segurança, foi levado
para o mosteiro essênio de Qunram, conforme
relatado em "The Crucifixion by an Eye-Witness
(A crucificação, por uma testemunha ocular).
Livro de pesquisa lançado em 1873, relançado
em Chicago, USA, em 1907, mas que foi
rapidamente retirado de circulação e todos os
exemplares destruídos. Uma cópia ficou em po-
der da Ordem Maçônica em Massachussets.
Outra com a Fraternidade Maçônica da Alemanha
e uma última na Ordem dos Essênios, em
Alexandria.
À partir do restabelecimento de Jesus e da
realidade de sua nova vida, um terrível dilema
passou a tomar conta dos essênios. Ou seja, se
Jesus aparecesse novamente, muito certamente
seria crucificado mais uma vez e desta vez seus
algozes iriam tomar mais precaução no sentido
de garantir que Ele fosse morto, de verdade. Por
outro lado, estando Jesus vivo e mantê-lo oculto,
todos os seus ensinamentos e legados de uma
vida inteira poderiam ser perdidos. E para piorar,
os discípulos de Jesus, que já viviam em disputas
pequenas, menores, com jogos de vaidades,
ciúmes tolos, agora sem uma liderança efetiva
de Jesus, estavam se dispersando e
absolutamente fora de controle.
Então, os mestres essênios da Sociedade Secreta
que se formara originariamente, (Jesus, João
Batista, Benjamim, Samuel, Isaac, Jacob, Aarão,
Josias, Nicodemos, Amós, Silas, Oséas) agora
com Seth ocupando o lugar deixado por João
Batista, após longas discussões, chegam à
conclusão de que Jesus deveria decidir seu
próprio destino, para que, à partir daí, a
sociedade essênia tivesse uma continuidade nor-
mal. Ou seja, ou Jesus aceitaria ficar em
definitivo no mosteiro, incógnito, para sempre,
como se efetivamente tivesse morrido, ou Jesus
deveria sair da Palestina, também incógnito, para
não comprometer a vida de seus discípulos e
seguidores, e ir para um lugar distante onde
ninguém conhecesse a sua história.
Resumindo: qualquer que fosse a decisão de
Jesus, Ele teria que assumir que havia morrido e
jamais poderia aparecer novamente como Jesus.
Sem um plano perfeitamente definido, e ainda
bastante confuso com todos os acontecimentos
que transformaram terrivelmente a sua vida, e
emparedado pela única alternativa de ter que
assumir que havia morrido, Jesus opta por deixar
a comunidade essênia e partir para fazer a via-
gem que um dia ele e João Batista haviam feito,
rumo ao extremo oriente, seguindo a rota de
seda, até a China, passando por Irã, Iraque, Índia,
Paquistão, etc.
Embora os essênios soubessem que esta era
uma das opções possíveis de Jesus, deixar a
comunidade essênia foi um choque tremendo
para a irmandade. Os essênios estavam
perdendo sua referência maior, o seu messias e
o ser iluminado em quem eles depositaram tanta
fé e esperaram por tantos e tantos anos. E para
piorar, juntamente com Jesus, mais quatro
mestres daquela primeira sociedade também
estavam deixando o mosteiro seguindo os passos
de Jesus. Restando somente seis dos essênios da
primeira Sociedade Secreta que se formou, que
ficaram na Palestina e se dedicaram à luta de
resistência e fundamentação religiosa conforme
a tradição essênia pura, dentro do mosteiro.
Estes seis essênios da primeira formação da
sociedade secreta, e mais os "irmãos" que viviam
na clausura dos mosteiros, ficaram, resistiram e
documentaram para a posteridade a vida de
Jesus e João Batista e deixaram registrado suas
vivências e ensinamentos em vários documentos
manuscritos, que posteriormente alguns destes
documentos foram encontrados ao longo de
vários séculos, sendo os mais importantes
descobertos nos séculos 19 e 20 como as
descobertas arqueológicas religiosas mais
importantes até hoje encontradas, onde os
documentos mais conhecidos — e por isso mais
importantes — são os Manuscritos do Mar Morto
ou Manuscritos de Qunram.
Lamentavelmente, esta resistência essênia e a
devoção e idolatria a Jesus e João Batista, mesmo
depois de mortos (ou "morto") acarretou mais
uma grande tragédia para os essênios, vez que
provocou uma enorme ira dos saduceus e
fariseus, a ponto de, quando da invasão das
legiões romanas destruindo Jerusalém em 70
d.C., e da diáspora do mesmo ano, os essênios
sofrerem terrível e implacável perseguição, onde
foram praticamente dizimados, não sem antes
lacrar hermeticamente seus manuscritos em
potes (urnas) de barro, guardados em
catacumbas, que duraram por séculos e séculos
até serem encontrados quase dois mil anos
depois.
Os cinco membros que saíram da comunidade
essênia (Jesus e mais quatro membros da
formação da primeira Sociedade Secreta),
uniram-se aos discípulos de Jesus de modo a
debaterem e decidirem qual o caminho a ser
tomado dali em diante.
Inicialmente foi um choque. Os discípulos não
acreditavam que Jesus estivesse vivo. Mas aos
poucos, foram se recompondo e a felicidade
passou a tomar conta de todos pela volta e
retorno do rabi. Entretanto, os planos de Jesus
não eram bem o que os discípulos esperavam.
A vontade de Jesus era sair da Palestina e seguir,
com uma outra identidade, rumo ao extremo
oriente. E tão fortemente Jesus colocou esta
questão que passou a ser ponto pacífico, a ponto
de não se discutir mais sobre isso. Quer dizer,
discutia-se muito sobre várias coisas, mas a
única certeza era que Jesus deixaria seus
discípulos (na Palestina ou espalhados pelo
mundo), mas Ele partiria incógnito, numa viagem
sem volta.
Jesus tinha irrestrita convicção sobre sua crença
e por isso assumiu que iria continuar a fazer suas
pregações "em outros apriscos", sem identificar-
se como Jesus (até para preservar sua vida, de
sua mãe, de seus irmãos e dos discípulos).
Entretanto, os demais seguidores de Jesus não ti-
nham o menor consenso sobre quais caminhos
seguir sem o messias e grande mestre. E o pior,
o que fazer com tanto ensinamento, tanta
sabedoria deixada por Jesus? Uma vida inteira de
ensinamentos estaria perdida? E os discípulos e
os seguidores de Jesus? Fariam o que? Teria
valido a pena acreditar em Jesus e depois
desperdiçar tudo?
O primeiro impulso do grupo foi manter a
sociedade unida e continuar com a pregação
religiosa, levando a palavra de Jesus a cada
canto da Terra, como se nada tivesse acontecido.
Ou melhor, como se os acontecimentos havidos
só tivessem fortalecido ainda mais a sociedade.
Jesus, de imediato foi contra esta idéia, mas à
força dos argumentos, aos poucos deu-se por
vencido ao ser convencido pelos discípulos de
que não tendo o mestre para ser perseguido, não
haveria como os saduceus e fariseus
perseguirem os seguidores de Jesus, que iriam se
espalhar por todos os cantos do mundo,
seguindo a dialética de Jesus. Entretanto, Jesus
colocou um ponto crucial: O que seria dito às
pessoas a respeito de Jesus? Isto porque, se
falassem a verdade, que Jesus não havia morrido
na cruz, haveria perseguição à sua mãe, seus
irmãos, seus parentes, seus discípulos e demais
seguidores. E rapidamente a sociedade seria
destruída. Sem contar que ninguém seria con-
vencido por uma pregação religiosa, por melhor
que ela fosse, onde o líder espiritual estava
oculto, escondido com medo de aparecer.
Por outro lado, se dissessem que Jesus havia
morrido na cruz, ressuscitado, e deixado um
legado enorme de ensinamentos, as chances de
sucesso na evangelização seriam enormes, mas
esbarraria num ponto crucial: as pregações
estariam encobertas por uma grande mentira. E
como iniciar uma pregação religiosa, embora
cheia de bons e profundos ensinamentos, cuja
base fundamental era uma mentira?
A maneira encontrada por Jesus e passada aos
discípulos para resolver este impasse foi quase
que salomônica. Ou seja, em todos os locais
onde pudessem existir registros escritos, a
verdade sobre a não-morte de Jesus seria conta-
da sempre (em todos os evangelhos, em todos os
manuscritos, em tudo que pudesse ficar
registrado para a posteridade) e claramente seria
evidenciado que Jesus não havia morrido na
crucificação. Exatamente conforme está regis-
trado em todos os evangelhos existentes
(inclusive nos da Bíblia).
Estes registros seriam guardados e ocultados em
locais seguros, secretamente, como de fato o
foram, de modo a que quando aparecessem
estes registros, no futuro, um dia, já não
estariam vivos Jesus e os primeiros discípulos,
tornando-se impossível a perseguição pessoal a
eles e a seus parentes. E ao mesmo tempo a
verdade, a história real sobre a não-morte de
Jesus estaria preservada, claramente
documentada e enquanto isso o cristianismo já
estaria alastrado pelo mundo todo, tendo como
base os ensinamentos de Jesus. E o fato de Jesus
ter morrido ou não na cruz não teria mais
importância alguma, vez que o que importava
era o legado de Jesus, sua pregação, seus
ensinamentos, suas parábolas, suas obras.
Por outro lado, na pregação oral, que é a que
convence, que atrai o adepto às idéias de
evangelização, seria dito uma mentira
temporária, provisoriamente, simplesmente
dizendo que Jesus havia morrido na cruz e que
havia ressuscitado. O que seria suficiente para
que não houvesse perseguição aos discípulos de
Jesus e para que estes mesmos discípulos
pudessem fazer suas pregações em paz, sem
serem incomodados. Pois as pregações orais
seriam feitas de imediato, enquanto que os
registros por escrito (evangelhos manuscritos)
somente seriam divulgados muitos anos após as
pregações verbais terem sido difundidas e con-
solidadas.
Ou seja, seria dito — de imediato — uma coisa
nas pregações (e com isso seriam evitadas as
perseguições) mas ao mesmo tempo a verdade
ficaria registrada, para todo o sempre, por
escrito, em todos os lugares, para serem
divulgadas mais tarde, para demonstrar que a
verdade tinha sido ocultada por bons e sólidos
motivos e que esta havia sido a única forma
encontrada para se falar da vida e obra de Jesus,
sem expor ao perigo ou risco de vida os
discípulos, os familiares de Jesus e os familiares
dos discípulos.
Assim, ciente de que Seus discípulos e
companheiros da "Sociedade Secreta de Jesus" e
os demais "irmãos" essênios iriam deixar
registrado a verdade (que Jesus não havia
morrido na cruz) em vários documentos
manuscritos, e que seus discípulos também
contariam a verdade em vários evangelhos que
seriam escritos, Jesus então concordou em que
nas pregações dos discípulos fosse dito que Jesus
teria morrido na cruz e ressuscitado.
Diante desta nova realidade, foi estabelecido o
plano de evangelização mundial, onde cada
discípulo foi orientado para seguir evangelizando
numa determinada direção geográfica, de modo
a espalhar pelo mundo os ensinamentos da
cristandade.
Alguns ficariam na Palestina mesmo. Outros
seguiriam o rumo norte, indo em direção a Roma
e ao centro da Europa (como Pedro). À oeste os
ensinamentos seriam espalhados pela África,
começando pelo norte da África. À leste, bem na
direção extrema, seriam lançadas as bases do
cristianismo no que hoje é a Rússia (a sóbria
igreja ortodoxa cristã). Ao sul, uma parte cobriria
o Egito e região, enquanto que outros seguiriam
passos semelhantes aos de Jesus (como Tomé)
pela rota da seda em direção à Índia e China.
Nesta longa viagem sem volta, aos poucos Jesus
vai se despedindo dos discípulos e indicando os
caminhos a serem seguidos: A Pedro, pede que
ele seja a base (a pedra) de sua igreja e designa
como sua função atingir a Grécia e toda a
Europa, principalmente o centro do império
romano: Roma. À Tiago e João é pedido que lan-
cem as bases religiosos e façam suas pregações
pela Palestina, Síria e terras vizinhas. À Tomé,
Jesus pede que evangelize pelo mesmo caminho
que ele irá seguir, no extremo oriente. À
Bartolomeu, Jesus pede que siga o caminho do
extremo leste, até onde hoje é a Rússia. E assim
vai indicando o caminho de evangelização a cada
um dos discípulos.
Passando pela Síria até chegar à Turquia
(Anatólia/ Antióquia), Jesus inicialmente detém-se
temporariamente na Síria, e novamente em
Damasco, com Saul/Saulo, a quem ele batizara
como Paulo (de Tarso), Jesus estabelece o maior
plano de evangelização que o mundo já viu. Ou
seja, cria as bases para que Paulo e Pedro
(principalmente), junto com alguns discípulos
pudessem criar as sete igrejas da Ásia, e dali
fazer a maior propagação religiosa sobre a face
da Terra.
Eufórico, Paulo garante a Jesus: — "Mestre,
iremos evangelizar o mundo, levar a palavra do
Senhor a cada canto da Terra e criar uma nova
Jerusalém."
Ao que Jesus contesta: — "Não Paulo. Nova
Jerusalém não! Jerusalém está perdida para
sempre. E sempre será alvo de disputas
encarniçadas, com chacais e hienas disputando
cada resto de carniça. Jamais haverá paz sobre
Jerusalém. A nossa direção é muito maior do que
Jerusalém. É um novo mundo, uma nova vida,
um novo futuro, um novo porvir!"
Repassando mais uma vez aos discípulos os seus
ensinamentos e as diretrizes religiosas da
irmandade, basicamente os ensinamentos
essênios que ele tanto pregou, difundiu,
encantou e reconfortou tantos e tantos seguido-
res; Jesus reforça então o aspecto organizacional
da irmandade, explicando que com base em doze
discípulos, que ele transformaria em doze
mestres eles conquistariam o mundo e fariam a
maior propagação de idéias religiosas que o
mundo jamais havia visto: doze discípulos se
tornam mestre e convencem doze discípulos a
que cada um convença mais doze a convencer
outros doze e assim sucessivamente, até atingir
a maior quantidade de gente possível, numa
perfeita irradiação e propagação de idéias.
Despedindo-se definitivamente de seus
discípulos, Jesus deixa Paulo na Turquia, com a
missão de estabelecer sete pontos, em sete
igrejas, para que depois de estabelecido estes
sete pontos dali seguisse numa peregrinação
percorrendo o mundo e difundindo as boas novas
de Jesus. Enquanto que Jesus partiria para sua
nova vida como um homem sem nome e sem
passado. Assumindo uma vida inteiramente
nova, fazendo as mesmas pregações que sempre
fizera ao longo de toda a sua vida, sem,
entretanto, poder dizer que Ele era Jesus e que
não havia morrido na cruz.
Em seu rastro vai deixando para trás a Palestina,
Síria e Turquia onde torna-se um profeta para os
muçulmanos (logicamente sem falar em
crucificação, reencarnação, pois estes são
aspectos inadmissíveis para os muçulmanos). E
como profeta muçulmano, desce pelo que hoje é
o Iraque, Irã e Paquistão. (Embora
lamentavelmente mais de 90% — noventa por
cento — dos cristãos não saibam, Jesus também
é um profeta muçulmano, tem uma importância
fantástica para aquela religião, como nenhum
outro de qualquer religião, salvo Maomé)
Chegando na Índia e Nepal, arregimenta não só
seguidores muçulmanos que o têm como um
profeta, como passa a ser idolatrado no
hinduísmo e no budismo, como um iluminado.
(Um caso único no mundo. Idolatrado pelo cris-
tianismo, pelos muçulmanos, pelo hinduísmo e
pelos budistas)
Para os muçulmanos não ortodoxos, do ramo
Ahmadiyya, fundado no século dezenove por
Hazrat Mirza Ghulam Ahmad de Qadian,
Paquistão, com milhões de seguidores
espalhados pelo mundo todo, após longa
pesquisa por toda a Ásia, e os caminhos
percorridos por Jesus após a crucificação, eles
têm como certo e verdadeiro que Jesus não
morreu na cruz, sobreviveu à crucificação em
estado de torpor e letargia, com o coração lento
e pulso fraco, quase imperceptíveis, foi salvo
pelos essênios que fizeram atendimento médico
com ervas curativas, óleos medicinais e
unguentos, ainda no sepulcro e foi viver na
região da Caxemira (entre a Índia e o Paquistão),
onde teria se casado, teve um filho, e morreu de
velho, com cerca de quase 100 anos.
A maioria dos escritos muçulmanos refere-se a
Jesus (Yesus) como "Yuz" ou como Yuz (Líder)
Asaf (Curador), líder das curas (ou Yuzu Asaph).
Em amplas descrições muçulmanas, inclusive
ligando Jesus a Maria e Tiago, não deixam a
menor dúvida que Jesus adotou como nome pro-
fético o "título" que lhe atribuíram: Yuz (Líder)
Asaf (Curador), líder das curas.
Nas tradições Iranianas, por exemplo, contadas
por Agha Mustafai, Yuz Asaf veio pregando do
oeste (Palestina e Síria) arrebanhando muitos
seguidores, a sua pregação era a mesma que
Jesus pregava quando na Palestina. Entretanto, a
única diferença é que Ele não falava em
reencarnação. Ou porque isso era contra os
conceitos do Islam, ou porque os documentos
muçulmanos não quiseram registrar casos
polêmicos como reencarnação que só interessa-
vam aos cristãos.
E, finalmente, na região de destino de Jesus (Yuz
Asaf) que inicialmente era Índia e Nepal e que
acabou tendo como residência final a região da
Caxemira (área de disputa entre Índia e
Paquistão), lá encontramos o seu último e
derradeiro registro: A sepultura em Srinagar,
capital da Caxemira (Índia) como o profeta Yuz
Asaf.
Em documentos existentes em mosteiros na
Índia há a versão de que Jesus teria vivido com o
nome de Yuz Asaf, até a velhice, em Srinagar,
capital de Caxemira, onde se casou, teve filho e
viveu até próximo dos cem anos.
Ainda em Srinagar, há um monumento em
homenagem ao trono de Salomão, que foi
parcialmente destruído pelos Sikhs em 1819,
mas que restaram quatro inscrições em Persa,
das quais as duas últimas foram descritas pelo
historiador muçulmano da Caxemira, Mulla
Nadiri, em 1413, como:
"Nesta época, Yuz Asaj, proclamado como
profeta, no ano cinqüenta e quatro do reinado do
Marajá Gopadatta, é Ele mesmo Jesus, profeta
das crianças de Israel."

Nota do autor: A data, ano 54 do reinado do


Marajá Gopadatta, é tido como ano 107 da nossa
era, pelo historiador alemão Holger Kersten,
enquanto que o professor Fida Hassnain, diretor
arqueólogo da Caxemira e especializado em
antigüidades aponta o ano 78 d.C. como sendo o
ano 54 do reinado de Gopadatta.

Há na cidade de Srinagar uma sepultura com a


placa na qual se lê Rozabal ou Roza bal (Túmulo
Sagrado) "Tumulo de Yuz Asaf". Nesses
documentos, diz-se que Yuz Asaf (que em Persa
quer dizer algo como "líder das curas") foi um ho-
mem que chegou à Índia no reino do rajá
Gopadatta e passava os dias rezando a Deus e
meditando. Ressalta também que ele "pregou a
existência de um único Deus até a morte".
A sepultura de Srinagar (Roza bal) é reconhecida
mundialmente como um monumento santo
desde 1766 e anualmente milhões de
muçulmanos, cristãos, hindus e budistas, do
mundo inteiro, fazem romaria ao túmulo de
Jesus/Yuz Asaf e prestam homenagem a um
exemplo único no mundo, capaz de reunir ao
mesmo tempo as quatro maiores religiões do
mundo venerando uma única pessoa: Jesus.