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O DIREITO APLICADO À INFORMÁTICA

No Brasil, a aplicação da Internet tem crescido muito nesses últimos anos, na indústria, nos
serviços e no comércio. Este último movimenta entre os consumidores e usuários milhões de
reais. O aumento do uso da Internet é assunto de destaque entre os brasileiros, que são líderes
mundiais em horas on-line por mês, superando os internautas de países como França, Japão e até
Estados Unidos.

Essa utilização crescente está contribuindo para o surgimento e desenvolvimento de especialistas


em direito informático no Brasil e no mundo. Direito informático é o resultado da relação entre a
ciência do Direito e a ciências das novas tecnologias (informática e telemática), instituindo um
novo ramo na ciência do Direito. Esse novo ramo exibe as principais implicações jurídicas
surgidas com a utilização da moderna tecnologia da informação, além de analisar os reflexos que
a relação da Internet com o Direito traz na área jurídica.

Entre os temas que são tratados podem ser citados: os crimes contra a honra, calúnia, difamação,
pedofilia, fraudes bancárias, spams e estelionato. Além desses temas, pode ser destacada também
a questão dos direitos autorais na criação de conteúdos digitais, como os softwares, e-books e
MP3. Com relação a isso, é importante ressaltar que até os sites, usados na navegação pela
Internet, são criações intelectuais protegidas pelos direitos autorais.

Esse presente trabalho tratará mais especificamente sobre a defesa do consumidor na Internet,
pontuando as questões relativas ao direito de arrependimento consagrado no artigo 49 do referido
código.

A constituição Federal de 1988 prevê em seu art. 5º, inciso XXXII, que “O Estado promoverá, na
forma da lei, a defesa do consumidor”. Este artigo foi criado para preencher uma lacuna
legislativa existente no Direito do Brasil, onde as relações comerciais eram tratadas de forma
obsoleta por um Código Comercial que não trazia nenhuma proteção ao consumidor. Foi então
criada uma comissão de juristas para elaboração do Código de Defesa do Consumidor (CDC). O
CDC foi promulgado em 1990 passando a gerar uma grande mudança nas relações de consumo
no Brasil. Os artigos 2º e 3º do CDC definem consumidor e fornecedor, respectivamente, assim
como os §§ 1º e 2º do artigo 3º definem produtos e serviços de forma respectiva, conforme
transcrição a seguir:

Art. 2º - Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço
como destinatário final.

Art. 3° - Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou


estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção,
montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou
comercialização de produtos ou prestação de serviços.

§ 1° - Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.

§ 2° - Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração,


inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das
relações de caráter trabalhista.

No final do ano 2000, algumas empresas passaram a explorar a Internet, tendo como suporte o
advento dos protocolos de segurança nas transações na Web e da tecnologia de acesso DSL, para
começar a disponibilizar seus produtos pela rede mundial de computadores. Essa relação
comercial ganhou grande aceitação com o passar dos anos, ficando conhecida como comércio
eletrônico ou e-commerce.

Como qualquer outra forma de comércio, o e-commerce utiliza-se de contratos para definição do
vinculo jurídico entre as partes. Pelas peculiaridades intrínsecas aos meios eletrônicos, Marisa
Delapievi Rossi (in Aspectos Legais do Comércio Eletrônico – Contratos de Adesão, Anais do
XIX Seminário Nacional de Propriedade Intelectual da ABPI, 1999, p. 105) divide a contratação
eletrônica em três categorias:
 Intersistemática, a qual se estabelece por meio e sistemas aplicativos pré-programados,
utilizando a Internet como ponto convergente de vontades pré-existentes, estabelecidas em uma
negociação prévia.
 Interpessoal, cuja contratação pressupõe uma comunicação eletrônica (correio
eletrônico, por exemplo), não havendo vontade pré-constituída.
 interativas, sendo esta a mais usual no comércio eletrônico, pois se estabelece em caráter
permanente através de um estabelecimento virtual (site), cujo usuário ao acessar manifesta a
sua vontade em efetuar o negócio (compra e venda).

Apesar de não existirem, no Brasil, normas específicas para situações típicas da Internet, faz-se
necessário elucidar que as leis são aplicadas no mundo virtual, assim como no mundo real. Para
reforço disso, é citado o que disse o Excelentíssimo Senhor Desembargador do Egrégio TRF - 3ª
Região, Dr. Newton de Lucca: "Dizer-se por exemplo, que o mundo virtual é inteiramente
diverso do nosso e que as nossa normas a ele não se aplicam me soa tão impróprio quanto
afirmar-se o contrário, isto é, que as normas existentes têm inteira aplicabilidade e que nem
precisaríamos nos preocupar com a aplicação de novas". ( palestra proferida no dia 22/10/97,
por ocasião do curso "Internet, Acesso Remoto e Seus Problemas Jurídicos", publicada
posteriormente na Revista TRF - 3ª Região, vol.33, jan a mar/98).

Portanto, é completamente cabível a aplicação do CDC nos contratos eletrônicos. Visto que, os
usuários da grande rede seriam potenciais consumidores e as empresas que disponibilizam seus
produtos e serviços seriam os fornecedores.

Por outro lado, o CDC não prevê algumas situações pertinentes às relações oriundas de contratos
eletrônicos. Essas situações criam controvérsias no meio jurídico, como a que diz respeito ao
direito de arrependimento, disposto no artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº
8.078, de 11 de setembro de 1990):

“Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura
ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de
produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a
domicílio.
Parágrafo único. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto neste artigo, os
valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão devolvidos,
de imediato, monetariamente atualizados.”

Observa-se no artigo que é direito do consumidor devolver o que foi adquirido fora do
estabelecimento comercial, dentro do prazo de 7 dias. Em se tratando de meio virtual, a definição
de estabelecimento comercial acaba gerando correntes doutrinas contrárias.

Há quem sustente que o site é um loja on-line e que se difere de um física (clássica) apenas pela
forma de acesso. Nesta basta o deslocamento físico dos consumidores para acessá-la, enquanto
aquela o acesso seria por meio eletrônico. Levando em consideração este raciocínio, o artigo 49
não seria aplicável, visto o consumidor adquiriu o produto ou serviço em um estabelecimento
comercial.

A outra corrente diz que o site é apenas um dos elementos do estabelecimento e não
necessariamente ele. Com esse raciocínio o artigo 49 é aplicável.

Palavras-chave: comércio; eletrônico; direito de arrependimento; internet; fornecedor;


estabelecimento; virtual; contratos eletrônicos; consumidor

Referências:
Comércio Eletrônico. Disponível em: http://www.mct.gov.br/temas/info/imprensa/comercio
eletronico.htm. Acesso em 25 abril de 2009.

Informática Jurídica e Direito da Informática.Disponível em:


http://www.informaticajur.hpg.com.br.Acesso em: 26 de abril de 2009.

Direito na Web.Disponível em:


http://www.direitonaweb.adv.br/espacojur/informaticajur.Acesso em: 25 de abril de 2009.

DireitoNet. Disponível em: http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/1744/Peculiaridades-dos-


contratos-eletronicos e http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/2002/O-Codigo-de-Defesa-
do-Consumidor-e-o-Comercio-Eletronico .Acesso em: 28 de abril de 2009.

BuscaLegis. Disponível em:


http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/index.php/buscalegis/article/view/27435/26993. Acesso
em: 28 de abril de 2009.

Âmbito Jurídico. Disponível em: http://www.ambito-


juridico.com.br/pdfsGerados/artigos/2167.pdf. Acesso em: : 28 de abril de 2009.

Universo Jurídico. Disponível em:


http://www.uj.com.br/publicacoes/doutrinas/4400/Consumidor_e_Fornecedor_sob_a_Otica_do_
CDC. Acesso em: 28 de abril de 2009.

Rede Brasil. Disponível em: http://www.redebrasil.inf.br/0artigos/procon.htm. Acesso em: 28 de


abril de 2009.
Wikipedia.