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trovartpublications.blogspot.com/ ( Uni ) verso Magmáhtico Página 1

Magmah Rio de Janeiro/Rio de Janeiro: Edição Independente, 2011. 40p. Rio de Janeiro 2011. Todos os direitos reservados Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Capa: Axills Revisão e Formatação: Alessandra Bertazzo

Capa: Axills

Revisão e Formatação:

Alessandra Bertazzo Produção Editorial:

Samuel Achilles

2011

Trovart Publications

Editorial: Samuel Achilles 2011 Trovart Publications trovart@globo.com ( Uni ) verso Magmáhtico Página 2

trovart@globo.com

Editorial: Samuel Achilles 2011 Trovart Publications trovart@globo.com ( Uni ) verso Magmáhtico Página 2

SUMÁRIO

trovartpublications.blogspot.com/ SUMÁRIO   Prefácio 5 (Uni) verso magmáhtico 6 Elucubrações 7
 

Prefácio

5

(Uni) verso magmáhtico

6

Elucubrações

7

Traço sutil

8

O

que é o amor?

9

Pandora

10

Apelo ao deus chronos

11

Decrepitude

12

Um quê de caos

13

Mãos que tecem

14

Palavra mágica

15

Nada

16

Dançando com a vida

17

Continuum

18

Meros arquejos

19

Balada em lá bemol

20

O

que escrevo

21

Simbólico

22

O

canto da sereia

23

Placebo

24

Salto quântico

25

Mormaço

26

Porta fechada

27

Pai lírico

28

A

letra e a serpente

29

Letras embriagadas

30

Transmutação

31

Círculos de fogo

32

33

Pássaro sulista

34

Desabrochar

35

Cyclus

36

Vento norte

37

Posfácio

38

Minibiografia

39

Contatos com a autora

40

trovartpublications.blogspot.com/ No ato da criação poética há um oscilar entre a realidade e a fantasia e

No ato da criação poética há um oscilar entre a realidade e a fantasia e inexiste senso ou lógica. Estar nele é colocar a alma na vitrine, acarinhar a Musa, dar-lhe colo, entregar-se a ela. No silêncio que antecede a inspiração, permitir-se ser simbiótica e mutante, vestir- se de nudez e sonhar mesmo estando acordada.

Magmah

PREFÁCIO

trovartpublications.blogspot.com/ PREFÁCIO Meus versos são para mim pais, filhos, irmãos, amantes e amores. Educam-me,

Meus versos são para mim pais, filhos, irmãos, amantes e amores. Educam-me, rejeitam, abraçam; ora me estupram, ora fazem amor comigo. São homens cujo olhar me enxerga a essência.

Gritos que ressoam mesmo mudos, transformando a realidade em fantasia: passeios pelas profundezas de uma alma inquieta e desassossegada; melancólicos suspiros de saudade e a busca incessante pelo sagrado.

São os passos de uma dança insana com o tempo e a vida, o flerte entre a morte e a loucura. São voos de um pássaro criando asas sem saber voar. Dão à luz criaturas mágicas e lendárias, em meio ao vômito involuntário que

Há náuseas e há anseios. Piruetas num trapézio, malabares,

navios atracados num só porto, lançando âncoras ao acaso, com

destempero: “lucidezes” perigosas e cortantes.

precede o ato

Compô-los é embriaguez de sentidos: pesadelos, maldições e bruxarias. É o alto risco com toques de mistério, overdose de incoerências e impropérios.

Por sabê-los meus, tais versos são ebulições “magmáhticas” derramando-se em meu solo, incandescendo-o como num fluxo explosivo de emoção. Rios de lavas líricas que, fluindo, tecem manto no meu peito, aquecem-no e libertam-se sob a fúria de um vulcão.

Magmah

Assim eu quereria o meu último poema

[

que fosse ardente como um soluço sem lágrimas [

A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Manuel Bandeira

]

]

Ele é meu pai, amante, filho, amigo, Um homem cuja essência me abstrai. Me estupra e também faz amor comigo, Educa-me, rejeita, abraça e trai.

Compasso de uma dança insana e espúria, O alto risco, a overdose, o riso sério; Um breve flerte com a dor e a fúria, Vilipêndio à incoerência e o impropério.

Constrói um muro em volta como escudo, Se esconde e só se mostra quando incauto, Silencia e se desnuda ainda mudo.

Entrego-me em suas mãos ao escrevê-lo, Sanando a náusea que antecede o ato. Compô-lo está entre o sonho e o pesadelo.

a náusea que antecede o ato. Compô-lo está entre o sonho e o pesadelo. ( Uni

ELUCUBRAÇÕES

Para não serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos: embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira.

Charles Baudelaire

Precisamos de umas doses de abstração, O poeta, com razão, já bem dizia, Que nos turve a mente em bafos de ilusão, Seja o ópio, seja o vinho, ou poesia.

Quando ébria, olvidadas as defesas, Ouço música bem alta, me regalo. Sem cuidados, subterfúgios, sutilezas, Digo tudo que quiser e nem me abalo.

Eu rejeito o equilíbrio

Mas por falta de opção, como em delito. Sobriedade não é boa companheira, Ela e os sonhos se debatem num conflito.

não que eu queira,

- Lucidez, me deixe agora, se recolha, Pois a vida não me deu uma outra escolha.

Lucidez, me deixe agora, se recolha, Pois a vida não me deu uma outra escolha. (

Arranco do meu crânio as nebulosas. E acho um feixe de forças prodigiosas Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!

Augusto dos Anjos

Meu traço é sutil, entre o instinto e a razão, Sou bruxa e princesa, sou ilusionista. De pele macia, veneno em poção, Qual Eva que um deus esculpiu como artista.

Siso de senhora, sorriso em menina, Mistério contido por baixo véu. Capricho, incoerência e ilusão, minha sina, Criatura pagã e tão perto do céu!

Me levas contigo qual bênção divina, Habito recintos do teu coração, Fatio tua alma em camadas bem finas.

Sou anjo e animal, sou pra ti sedução, A esfera sublime no vão da retina. Meus tons: cor-de-rosa e vermelho-paixão.

A esfera sublime no vão da retina. Meus tons: cor-de-rosa e vermelho-paixão. ( Uni ) verso

O QUE É O AMOR?

É um não querer mais que bem querer

É um andar solitário entre a gente

É nunca contentar-se de contente

É um cuidar que ganha em se perder.

Camões

É a nostalgia do que não se sabe.

Um sentimento a mais do que paixão Vem, nos preenche, até que já não cabe, Por si se basta e é prenhe de ilusão.

Um paradoxo e a única certeza,

O frenesi da gargalhada triste,

A fome com banquete sobre a mesa.

Mais redundante e intenso, não existe.

Pro cético, é um bafo de existência; Na língua, a polpa da fruta, pro crente; Pra quem o busca, a louca experiência.

Velou-me os olhos pleno anoitecer

E um sumo ácido inundou-me a boca:

Enfim o Amor que eu quis conhecer

anoitecer E um sumo ácido inundou-me a boca: Enfim o Amor que eu quis conhecer (

E

desde então, sou porque tu és

E

desde então és, sou e somos

E por amor serei

Pablo Neruda

serás

seremos

sou e somos E por amor serei Pablo Neruda serás seremos Halo de vida que te

Halo de vida que te toma e contamina, qual brisa indômita em seu sopro benfazejo, que tu não sabes de onde vem, mas que ilumina uma faísca, nos teu olhos, de desejo

Sou eu, que às vezes me transformo em animal

e até assusto

a fera solta que é volátil, que faz mal,

te prejudica, que é danosa, mas tu gostas.

Desmascaro e deixo exposta

Conceito vago que é abstrato, sem sentido,

- faca afiada, perigosa e fascinante -

casta imprudência visitante de ti mesmo

É deliciosa essa certeza de ter sido gosto de sangue na tua boca delirante,

o susto atávico que mais te pôs a esmo.

APELO AO DEUS CHRONOS

Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas

Mário Quintana

Ah, tempo, tu consomes meus ensejos, Somente fazes deles o desvelo Teórico, calado por meus pejos, E acalmas-me o espírito ao não crê-lo.

Então dá-me o arrimo e o consolo Na cura pra melancolia vã, Pro ter saudade, sentimento tolo, Que é febre inulta, estéril e tão malsã!

Desdém pra crença na felicidade, Ignoto desespero em agonia, De um’alma torturada e assim vencida.

Abstém-me da absurda hilaridade, Do escárnio e da ridícula ironia De eu reputar-me morta em plena vida.

Do escárnio e da ridícula ironia De eu reputar-me morta em plena vida. ( Uni )

DECREPITUDE

A sorte deste mundo é mal segura;

[

Sem que o possam deter, o tempo corre; E para nós o tempo, que se passa, Também, Marília, morre.

Tomás Antonio Gonzaga

]

O tempo fez em mim os seus estragos:

Flor murcha, alma ferida, asa quebrada. Eu, hoje, sem carinho e sem afagos, Outrora, até podia ser amada.

De mim, a juventude, num crescendo, Esvai-se em cotidiano desencanto. Ausências, solidões se vão tecendo, Deixando-me somente mágoa e pranto.

Segredos esquecidos e eu calada, Janelas se fechando pro horizonte, Mil sonhos se perdendo nessa estrada.

Minh’alma é imortal e se faz ponte,

E eu preciso aprender novas toadas,

Bem antes qu’outra vida em mim desponte.

E eu preciso aprender novas toadas, Bem antes qu’outra vida em mim desponte. ( Uni )

UM QUÊ DE CAOS

Que farás, meu Deus, se eu perecer? Eu sou o teu vaso – e se me quebro? Eu sou tua água – e se apodreço? [ Comigo perdes Tu o teu sentido.

Rainer Maria Rilke

]

Eu calo a minha alma a Vos ouvir, Pois que sois Deus, renascereis em mim.

E se criastes meu começo e fim,

Cá dentro então Vos poderei sentir.

Quero um resumo em Vossa mente ser, Pois também sou do mundo esse pulsar. Já acrescento a um tão sagrado olhar Um quê de caos, de místico prazer.

Quero o infinito como enfim meu lar, Estar no cosmo mesmo que transverso,

E conhecer-me, ser meu bem-estar;

Ser consciência livre no Universo, Todo o mistério abrir e clarear, Saber que o céu só se descreve em verso.

Todo o mistério abrir e clarear, Saber que o céu só se descreve em verso. (

MÃOS QUE TECEM

A cada qual, como a ‘statura é dado

A justiça: uns faz altos

O fado, outros felizes

Nada é prêmio, sucede o que acontece.

Ricardo Reis

Repente, a Roda faz andar a nossa vida

e, ponto a ponto, vai cosendo num bordado,

feito por dedos calejados com a lida, um só destino, crochetado e costurado,

em fios de renda, refazendo os nós desfeitos. Se a linha é curta, o Artesão põe mãos à obra, desfia e monta mais um rolo que é imperfeito.

A perfeição é a perspectiva que não sobra,

imperfeito. A perfeição é a perspectiva que não sobra, pois não existe e nós sabemos que

pois não existe e nós sabemos que não há, mas disfarçamos, aos remendos, nossos panos

e nos cobrimos com farrapos destroçados.

Se a fibra é forte, no tecido ficará firme o sagrado, emaranhado com o profano. Não cabe a nós o palpitar nesse traçado.

PALAVRA MÁGICA

Eu Imperfeito? Incógnito? Divino? Não sei Eu

Álvaro de Campos

Eu hoje sinto um mal estar de tudo, Lâmina fria em toque de metal. Ouço um silêncio que se faz mais mudo Na abstração desse sentir-me mal.

Pedi pra vida um pouco e nada tive:

Não me pesar o conhecer que existo,

O

respeitar a todo o ser que vive,

E

um riso puro ou sentimento misto

Pir lim pim pim ou uma palavra mágica Pra desfazer o mal estar de tudo

E transportar-me dessa fase trágica.

Pedi tão pouco! Aliviar o peito Desse pesar, que se transforme em arte e Metaforize o podre no perfeito.

peito Desse pesar, que se transforme em arte e Metaforize o podre no perfeito. ( Uni

NADA

Tudo o que vemos ou parecemos não passa de um sonho dentro de um sonho.

Edgar Allan Poe

Eu mato em minha alma uma ara santa, No que antes era já silêncio e espanto. Tão firme e forte o brado na garganta, Querendo diluir a dor em pranto.

Há um fogo de paixões que só me rende, Cativa a mim, qual fosse seu refém.

E de onde vem, me diz, por que me prende?

Por que me impede de eu sentir-me alguém?

Eu sigo meu destino reservado,

Preservo a mente sã e condenada

A um mundo vão de sonho e sem pecado.

Mas trago aqui a dúvida calada:

Por que cumprir à risca o lasso fado, Se tudo é pó e se resume a nada?

Por que cumprir à risca o lasso fado, Se tudo é pó e se resume a

DANÇANDO COM A VIDA

Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda

Seguindo o compasso sonoro e atonal,

Esgrima sem armas

Num jogo de corpo, a promessa que jaz

De vida e de morte, começo e final.

Pra frente e pra trás

São passos pra lá e pra cá, tanto faz, Apenas um tango, uma valsa, um aval. Num fogo cruzado e uma ginga fatal, Vã troca de pernas já não satisfaz.

Desenho de giz é esse brilho fugaz, Ao som do atabaque, bongô, berimbau, Nos braços que calam, trançados em paz.

A mão sobre a pélvis, abrindo um portal, Estouro de fogos e um som pertinaz:

Do olho no olho se faz carnaval.

um portal, Estouro de fogos e um som pertinaz: Do olho no olho se faz carnaval.

CONTINUUM

Porque o tempo é uma invenção da morte não o conhece a vida em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira.

Mário Quintana

Sabes aquele meio de segundo Que há entre o inspirar e o expirar, Sustado e já sumido desse mundo, Mensura não captada num piscar?

Aquele lapso e tempo que só há No espaço paralelo, como o halo Da vela que acabamos de soprar, Do sino, o vão suspenso do badalo.

Por invisível, tende a ser perdido, Etéreo, em nossa falta de atenção, Levado pro outro lado e esquecido.

À nossa volta, sempre profusão De indícios e sinais despercebidos, Mas falta-nos o tino e a percepção

De indícios e sinais despercebidos, Mas falta-nos o tino e a percepção ( Uni ) verso

MEROS ARQUEJOS

Todas as vozes que procuro e chamo Ouço-as dentro de mim porque eu as amo Na minha alma volteando arrebatadas.

Cruz e Souza

Há veios de anseios nas aras Dos parcos e esparsos solfejos Que entôo, em notas tão caras Qual súplicas, meros arquejos.

Procuro canções em searas, Aquelas que sinto e que vejo; Que cheguem-me puras e claras E banhem-me a alma no ensejo.

Somente as encontro em escaras,

Sem lira, sem rimas

Canônico som que não pára,

sobejos

Que fere os ouvidos sem pejo, Avilta a ferida e não sara, Transforma o suspiro em bafejo.

ouvidos sem pejo, Avilta a ferida e não sara, Transforma o suspiro em bafejo. ( Uni

BALADA EM LÁ BEMOL

E a música cessa como um muro que desaba Pelo despenhadeiro dos meus sonhos interrompidos

Fernando Pessoa

Vertendo do passado e traduzida, Escrita hieroglifada em pergaminho Ness’hora eu não estava prevenida Pro vento norte e o cheiro de azevinho.

Bem dizem que um sentido sempre fixa Em micros, quântuns, píxeis, decibéis, Aquela imagem n’alma, a mais prolixa:

Memórias que são elos, são anéis.

Estava com Chopin meu pensamento

E não deixou passar esse momento:

Enleado no compasso, em lá bemol.

Um óleo perfumado então me ungiu

O misto de um calor fractal e frio

Enregelante, termo ativo - um Sol

me ungiu O misto de um calor fractal e frio Enregelante, termo ativo - um Sol

O QUE ESCREVO

Que se eu levo dentro n’alma quanto devo, de transladar em papéis, vede qual melhor lereis:

se a mim, se aquilo que escrevo?

Camões

O que escrevo vem de mim, me subjuga. Já até tentei calar, manter silente Esse fogo que o meu prantear enxuga. Mas de nada me valeu até o presente.

Vaidade nunca tive com meus versos, Eles surgem logo após a contração Ventre lírico num parto bem transverso, Pois que nascem sempre gêmeos e pagãos.

Sem magia, o amadorismo rege a pena e De uma fonte, que eu não sei qual é, respinga Rima fácil, poesia que é tão plena!

Então deixo que eles venham desse jeito:

Doloridos, iguaizinhos e impacientes. Só assim sinto limpar-me o inulto peito

Doloridos, iguaizinhos e impacientes. Só assim sinto limpar-me o inulto peito ( Uni ) verso Magmáhtico

SIMBÓLICO

Além do livro, colossal, enorme, Que nunca dorme perscrutando os céus!. Acima dele supernal, potente Está somente, tão-somente Deus!

Cruz e Sousa

potente Está somente, tão-somente Deus! Cruz e Sousa A vida ensina, pondo pedras nos caminhos. Os

A vida ensina, pondo pedras nos caminhos. Os pés sangrando, cabe a nós, por nossa vez, Filtrar nos karmas mais cruéis e mais mesquinhos Crueza e intentos de perfídia e insensatez

Se tropeçamos ou caímos, pouco importa, Pois isso em nada o fluxo do universo altera. Ponta de pedra amputa, talha, extirpa e corta, Purgando as crostas, vinho impuro na cratera.

Fica pra trás toda a lisura do que é findo. Pisando em cacos, evitando-os se o pudermos, Em carne viva ou ilesos, vamos indo.

Textos akáshicos, em prosa ou poesia, Vão registrando no entre mundos, dimensões, Formando o Livro que é composto de energia.

Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve

Cecília Meireles

Sou eu os tons de rosa em teu vermelho, Teu estado alterado de consciência, Reflexo bem no fundo lá do espelho Que ainda põe à prova tua incoerência.

A

droga que circula na tua veia

E

o assunto que te faz sair do sério.

O

canto cego e surdo da sereia,

A

que será eterna em seu mistério.

Por ti desconsidero regras várias, Permeias os meus sonhos mais secretos

E somos um do outro, é lei sumária.

Fartaste minha vida como um deus E, inspiração nas noites solitárias, Serei pra sempre a Lira em versos teus.

E, inspiração nas noites solitárias, Serei pra sempre a Lira em versos teus. ( Uni )

PLACEBO

Rasgas os meus versos

Como se um grande amor cá nessa vida Não fosse o mesmo amor de toda gente!

Florbela Espanca

Pobre endoidecida!

Soluços sufocados, mãos crispadas, Mil grutas dentre o peito, nebulosas Qu’expandem e se encolhem alternadas, Inflando-me as moléculas nervosas

A vastidão de um sonho malsinado,

Falácia sem sentido e essa cegueira,

Que rende a nós somente um triste fado

E dores que se tornam rotineiras

Teimo em manter os olhos ora enxutos,

E a voz então insiste em se calar.

Cultivo sentimentos que são brutos, Destarte ‘inda eu não soube lapidar.

O amor se faz presente, esse resiste,

Malgrado o jeito meu de estar tão triste.

amor se faz presente, esse resiste, Malgrado o jeito meu de estar tão triste. ( Uni

SALTO QUÂNTICO

Ah, quanto do meu passado Foi só a vida mentida De um futuro imaginado!

Fernando Pessoa

Não importa a longitude dessa vida Nem o tempo que levar pra que esmoreça, Encho o cálice com o fel da despedida Nele cuspo, o quebro e deixo que feneça.

o fel da despedida Nele cuspo, o quebro e deixo que feneça. Corrosiva a flor magoada

Corrosiva a flor magoada na ferida, Que se espalha, com a intenção de que apodreça Corpo e mente que não servem mais pra lida, Pois que então lhes foi lavrada tal sentença.

Já descrente, com arroubos de homicida, Perco a fé e peço a Deus que me enlouqueça, Pra evitar a dor de ver-me assim perdida.

Desafeta condição, até que eu esqueça E que molde uma existência já parida, Paralelamente rasa, vã e travessa.

MORMAÇO

Por muito tempo achei que a ausência é falta E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo [

Porque a ausência assimilada Ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

]

Busquei na memória naquele segundo Pela calmaria, após tempestade. Se o tempo parasse - nem vão nem fecundo - Restolhos havidos viraram saudade.

Ninguém pra contar, dividir sentimentos. Pecados guardados em quantuns possíveis Ficaram na tela só em bits, fomentos

Pra serem lembrados

nem mesmo mais críveis

Comicham mormaços e geram descrença:

Se tudo foi sonho e a memória me trouxe, O tempo se conta a partir da lembrança?

Passado ou futuro? Não faz diferença, Podia ser hoje e é como se fosse, Pois foram momentos sentidos - herança.

Podia ser hoje e é como se fosse, Pois foram momentos sentidos - herança. ( Uni

PORTA FECHADA

E mais eleva o coração de um homem Ser de homem sempre e, na maior pureza, Ficar na terra e humanamente amar.

Olavo Bilac

Deixaste minha vida como um homem

que sente que perdeu, não teve escolha.

E foi assim da forma como somem

as gostas do orvalho sobre a folha

e as pétalas das flores, quando, ativo,

o sol se mostra forte e incandescente.

Ficaste, os olhos quedos, pensativo, sabendo que era a hora e consciente.

Então, retendo o uivo e meio mudo,

o lobo que havia no teu peito,

rosnando em sua fúria e seu lamento,

usou do teu silêncio como escudo, sem sábia eloqüência e tão sem jeito!

Saíste

Fecho a porta aqui de dentro

sem sábia eloqüência e tão sem jeito! Saíste Fecho a porta aqui de dentro ( Uni

PAI LÍRICO

Só quem embala no peito Dores amargas e secretas É que em noites de luar Pode entender os poetas.

Florbela Espanca

Em teus escritos, música e magia, nascidas dos acordes do violão. Eu sempre me perdi na poesia das asas que voavam de tua mão,

pousavam na tua alma, que é tua casa, pois alma de poeta é como um templo. Senti que poetando é que estravasas

e não escondes nada, és meu exemplo

de sensibilidade e transparência. Um Pai com tantas filhas! Coração confuso entre os amores e as carências.

Teus versos e tuas prosas: a paixão, um tanto de nostálgica vivência

e uísque pra molhar a Solidão.

a paixão, um tanto de nostálgica vivência e uísque pra molhar a Solidão. ( Uni )

A LETRA E A SERPENTE

Se Narciso se encontra com Narciso

e um deles finge que ao outro admira

(para sentir-se admirado),

o

outro pela mesma razão finge também

e

ambos acreditam na mentira.

Ferreira Gullar

Eis que hoje de mim mesma fui senhora, assim tão tolamente, que assustei! Olhava-me no espelho como outrora, num lapso, fui-me vendo, me espreitei

de um jeito que jamais havia feito. Havia um brilho extra e eu era aquela,

a outra, a estranha - nunca a vi direito - que sempre esteve lá, como a aquarela

que prende-se à parede e então se esquece,

e todo mundo a vê e se acostuma.

Mas eis que hoje as duas, feito um “esse”,

serpentearam-se e se confundiram. Sou ambas, esse “esse” e essa serpente as metaforizaram e se viram.

Sou ambas, esse “esse” e essa serpente as metaforizaram e se viram. ( Uni ) verso

LETRAS EMBRIAGADAS

Mas que na forma se disfarce o emprego Do esforço: e trama viva se construa De tal modo, que a imagem fique nua Rica mas sóbria, como um templo grego.

Olavo Bilac

Compor para um poeta é mais sublime, Porque ele sabe que a palavra é só:

Solidão que liberta e que reprime, Costura a inspiração e dá um nó;

Que em letras um poema faz amor, Carinho consoante entre vogais; Que diz tão pouco quem só fala em flor, E quem descreve a dor já diz demais.

Que hiatos e ditongos abraçados Transformam sobriedade em histeria, Misturam versos brandos com pecados

Compor para um poeta em lucidez, - Joelhos postos a pedir perdão - Redime o turbilhão da embriaguez.

lucidez, - Joelhos postos a pedir perdão - Redime o turbilhão da embriaguez. ( Uni )

TRANSMUTAÇÃO

Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera Mais viver, mais penar e amar cantando!

Olavo Bilac

Sim, tem a morte, sobre a qual pouco falei, Que quando vem machuca fundo, nos destrói, Causa feridas que não curam, mas não sei Até que ponto nos ensinam quanto sói

O não saber que a vida e a morte é uma só:

Uma termina, a outra vem e continua.

São tudo ciclos

A alma ascende pra que nutra e reconstrua

Quando o corpo vira pó,

ascende pra que nutra e reconstrua Quando o corpo vira pó, Um outro ciclo, e isso

Um outro ciclo, e isso nunca tem um fim.

É transcendência o compreender esse caminho,

Pureza d’alma amar os corpos que se esvaem,

Mesmo sabendo que são findos e são sim Porém espíritos não perdem o carinho, Se reencontram, reconhecem-se e se atraem.

CÍRCULOS DE FOGO

Se eu soubesse que no mundo Existia um coração Que só por mim palpitasse De amor em terna expansão

Casimiro de Abreu

Por inóspitos caminhos percorridos, Tateando, passo firme e olhar tão brando, Invadiu, mediu o espaço e foi ficando. Fez-se ímpeto e bravura: um aguerrido.

Soube ser, estar presente e esperar Que emergisse bem do centro desse chão - Cada pétala, uma nova sensação - Flor exótica, crescendo devagar.

Como em círculos de fogo no sentido Do limite que ultrapassa dimensões, Mas sem susto, sem pensar e num instante,

Territórios antes meio que escondidos E cavernas habitadas por dragões Abraçaram corajoso visitante.

que escondidos E cavernas habitadas por dragões Abraçaram corajoso visitante. ( Uni ) verso Magmáhtico Página

Quem ama inventa as penas em que vive; E, em lugar de acalmar as penas, antes Busca novo pesar com que as avive.

Olavo Bilac

Distância que se fez do que era perto cingiu na mente a comoção do frio,

a despedida e o súbito arrepio,

ditando o medo de um futuro incerto.

A tela em branco a remexer vazios,

temor da sensação de estar liberto, da repentina Luz do espaço aberto, da falta que farão os desvarios

Já nos tornamos irritante grito, um eco que ressoa e se repete. Que mais dizer, se tudo já foi dito?

A silhueta nas paredes nuas

pra sempre há de assombrar-nos, ao luar:

apenas uma sombra e nunca as duas.

pra sempre há de assombrar-nos, ao luar: apenas uma sombra e nunca as duas. ( Uni

Mas nós sabemos por que é Que o vento xucro não pára:

São suspiros da Jussara Chamando o índio Sepé!

Jaime Caetano Braun

Desfolham-se os umbus ao minuano Nas curvas das estradas do meu Pampa. Ventaneira que se desloca e escampa, Gelando os prados nesse mês do ano.

Como gemidos e lamentos, chora Um eco de queixume e solidão:

Som de fundo às querelas do peão, Das paredes da cabana, espaço afora.

Pelas coxilhas, longe, já se avista O poncho serpenteante do campeiro, Como as asas de um pássaro sulista

Que volta ao lar num voo bem ligeiro, Deixando para trás somente a pista Dos rastros do bagual pelo atoleiro.

Deixando para trás somente a pista Dos rastros do bagual pelo atoleiro. ( Uni ) verso

DESABROCHAR

Nem acredites se pensas que te falo: palavras São meu jeito mais secreto de calar.

Lya Luft

Meu canto vem em gotas virginais, Orquídeas num jardim d’água repleto. E crescem no meu peito, feito abeto, Incautas fantasias ancestrais.

Crisálida ‘inda dentro do casulo, Eclipse parcial, lua encoberta, Qual cálida manhã que me desperta, Sou flor que desabrocha em chão seculo.

Tu vens cheio de afagos e carinhos, Cortejos, galanteios, desatinos Eu sinto, te aproximas mais e mais.

Por mais que te convoquem meus caminhos, Só peço: não surpreendas o destino. Não venhas sem convites, sem sinais.

Só peço: não surpreendas o destino. Não venhas sem convites, sem sinais. ( Uni ) verso

Um poeta é sempre irmão do vento e da água:

deixa seu ritmo por onde passa.

Cecília Meireles

Soprou em mim selvagem, forte vento daqueles que ao passar promove estragos, as árvores caídas ao relento os rios turvos, oceanos, lagos

E foi-se inverno, retornou verão,

de vendaval, passou à brisa leve. Mas não importa o tempo ou a estação,

a força que é in natura não prescreve.

Ainda o sinto, trança o meu cabelo

- o meu e o seu - emaranhando os fios,

dá nós, transpassa, os costurando em teia.

Assim como as marés e a lua cheia,

as regras da mulher, o parto e o cio,

o vento vem e vai, não sei detê-lo

as regras da mulher, o parto e o cio, o vento vem e vai, não sei

Deixa que o vento corra coroado de espuma, que me chame e me busque,

galopando nas sombras (

)

Pablo Neruda

Redemoinho com força de homem, Que excita o corpo e arrepia os cabelos, Mexe comigo, desperta-me apelos De sexo, angústia, de sede e de fome.

Bolhas no estômago e febre que ferve

É a inspiração na essência do vento.

Pesa no peito, me move em intentos, Faz-se poesia, alimenta-me a verve.

É inevitável a comparação,

Provocas em mim o mesmo que o vento, Os meus desejos mais caros tu apuras.

Meu sentimento eu atrelo à paixão, Se me bolinas a alma é um alento

E eu gozo

sinto o prazer e a fissura

paixão, Se me bolinas a alma é um alento E eu gozo sinto o prazer e

POSFÁCIO

trovartpublications.blogspot.com/ POSFÁCIO Esmiuçados os versos, rimados, diversos, restamos posseiros de temas tidos e

Esmiuçados os versos, rimados, diversos, restamos posseiros de temas tidos e havidos como nossos próprios, nossos ópios a nos emular as emoções que tantos sabemos sentir mas poucos de nós ousamos registrar.

Assim são os versos de Magmah. Parecem coisas vindas de nossas próprias sensações, mas são de tal forma bem escritos, de tal forma construídos e tão musicais que superam os sentimentos, sempre iguais a toda a humanidade.

Nesse aspecto o poema bem ritmado e tecido se torna mais do que o som e o tema supostamente conhecido, a apologia da verdade.Não do óbvio, mas daquela verdade que trazemos escondida, lutando para ser revelada, embora renegada por vanguardistas de oportunidade.

O poema, o bom poema, é a expressão maior de uma vontade. A vontade do mate, do frio sulista, do coração que nos passa em revista e aponta o pó no coturno e, a seu turno, embora marcando a espora a nossa pele igual, o faz com maestria, com rimas perfeitas, com métricas estreitas entre si, revelando a construção esmerada de uma arquitetura tão conhecida quanto inesperada.

Se a forma nos é familiar, o conteúdo, contemporâneo e por tantas vezes invulgar, tanto surpreende quanto afaga, tanto embala que fica difícil separar da forma clássica e bem elaborada a atualidade e a profundidade inequívoca dos sentimentos dissecados.

Assim nos chegam recados, para que nunca nos esqueçamos do cuidado na elaboração dos versos, mesmo quando acontece de querermos fazer uma simples prece.

Ruy Villany, poeta.

MINIBIOGRAFIA

trovartpublications.blogspot.com/ MINIBIOGRAFIA Meu eu lírico é intenso, irracional e vive noutro mundo, uma espécie de

Meu eu lírico é intenso, irracional e vive noutro mundo, uma espécie de universo paralelo. É apaixonado, egocêntrico e voraz. Daí o pseudônimo, inspirado no “magma”, a rocha ígnea localizada no interior da terra que está em constante estado de ebulição e só é lançada à superfície por atividade vulcânica, sempre iminente, de cuja solidificação se formam pedras preciosas.

Eu própria não passo de uma mulher simples, nascida nos pagos gaúchos, que ama poesia e gosta do exercício lírico como distração e desabafo. Desenvolvi o pouco que sei sobre a teoria e a prática da Poesia em comunidades orkutianas, como o “Cadafalso Poético” (criada em junho/2007), da qual eu tenho o maior orgulho de participar, em meio a tantos jovens talentos que amam a Literatura e possuem uma veia poética como poucos nos nossos dias.

Também orgulho-me de estar na comunidade e nas primeira e segunda Antologias Poéticas do “Bar do Escritor”, com colegas poetas do Brasil todo.

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Fazendo Amor em Versos http://safoapoetisa.blogspot.com

Violetas e Açafrão http://sarah-magmah.blogspot.com

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Esmiuçados os versos, rimados, diversos, restamos posseiros de temas tidos e havidos como nossos próprios, nossos ópios a nos emular as emoções que tantos sabemos sentir mas poucos de nós ousamos registrar.

Assim são os versos de Magmah. Parecem coisas vindas de nossas próprias sensações, mas são de tal forma bem escritos, de tal forma construídos e tão musicais que superam os sentimentos, sempre iguais a toda a humanidade.

Ruy Villany, poeta.

os sentimentos, sempre iguais a toda a humanidade. Ruy Villany, poeta. ( Uni ) verso Magmáhtico
os sentimentos, sempre iguais a toda a humanidade. Ruy Villany, poeta. ( Uni ) verso Magmáhtico