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INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS DO PONTAL- ICHPO

Avaliação1 da Disciplina: História, Imagem e Mídia – 1º semestre de 2019

Profa. Dra. Angela Aparecida Teles

Discente: Rayane Aparecida Castro Silva

Instruções:

 A prova vale 50 pontos;


 As questões 1 e 2 valem 15 pontos e a questão 3 vale 20 pontos;
 A cópia de trechos da bibliografia indicada anula a questão;
 A prova deve ser enviada por e-mail (angela.teles@ufu.br/
angteles@gmail.com) até o dia 05 de junho.

Critérios de avaliação:
 Clareza, coerência e adequação da resposta à questão formulada;
 Uso adequado dos conceitos;
 Problematização do tema

1. Douglas Kellner utiliza o conceito “cultura da mídia” para realiza uma


crítica diagnóstica da sociedade estadunidense contemporânea. Defina o conceito
“cultura da mídia” a partir das reflexões de Kellner e apresente a metodologia da
crítica diagnóstica da cultura da mídia ancorada na Teoria Social Crítica. (15
pontos)

Em seu trabalho Douglas Kellner, realiza uma crítica da sociedade norte-


americana através do rap e dos filmes de Spike Lee. Ele tem o propósito de
compreender como esses grupos oprimidos – no caso os negros, se articularam dentro
da cultura da mídia. O autor ressalta a importância das produções culturais dentro do
movimento de resistência e luta. E ainda descreve como elas começaram, no decorrer
do tempo, a serem incluídas e ouvidas dentro da cultura da mídia.
A metodologia de análise de Kellner, em um primeiro momento, consiste na
interpretação dos filmes do cineasta Spike Lee. Ele faz a contextualização do
momento de produção desses filmes – década de 1980. E como essas obras, devido ao
seu pouco custo de produção, favoreceram que outros filmes com a temática centrada
ao público negro fossem realizados dentro da indústria hollywoodiana. Dessa
maneira, o autor se preocupa em analisar nos filmes os aspectos estéticos e a
concepção de moralidade e política do cineasta. Em termos específicos, Kellner
levanta as visões que Spike Lee tem sobre sexo, sexualidade, classe, raça e política
racial, utilizando-se do conceito de cultura da mídia.
A cultura da mídia é responsável por fornecer materiais para a formação
identidades. O autor observa isso no filme Faça a coisa certa (1989) e em como o
diretor constrói cada personagem e os símbolos dentro da narrativa cinematográfica.
Essas identidades são forjadas em um campo da luta, no qual os sujeitos escolhem os
significados culturais e o seu próprio estilo. Dentro dessa perspectiva, cada vez mais, a
cultura da mídia é responsável por apresentar novas alternativas para a produção de
significados e a criação de padrões identitários.
Esse processo de identificação é mediado por imagens que são produzidas para a
massa que consome essa mídia. Ocorre a supervalorização da imagem e do visual,
sofrendo mutações na maneira de compreender o mundo, dessa forma a imagem e o
estilo cultural são responsáveis pela fundação das identidades. A cultura da mídia é
responsável por criar novos padrões e grupos sociais/culturais que se identificam. Ela
ainda serve como uma criadora de padrões morais, mostrando quais comportamentos
podem ou não serem considerados certos. E para Kellner, o filme de Spike Lee é
capaz de mostrar como ocorrem esses processos da formação de identidades dentro de
um ambiente onde ocorrem diversos conflitos sociais e culturais.
Em sua pesquisa, o autor também faz análise do rap americano e como ele é
carregado pela resistência afro-americana, ele é responsável por criar uma cultura
própria de resistência contra a supremacia branca. É criada uma nova cultura de
alguns grupos dos negros americanos, com seus próprios símbolos, jeitos de ser e agir,
de falar e etc. No texto, encontramos também como o rap é carregado de contradições
e também foi engolido pela cultura do consumo, o que não o desqualifica como um
importante meio para a criação de identidades e práticas contestadoras. No entanto, a
crítica diagnóstica está interessada em questionar o que o rap significa, o que ele diz
sobre a sociedade estadunidense contemporânea. É um gênero musical com suas
subjetividades, que vai além das notas musicais, ele é responsável por criar uma
estética visual e de modos de agir de sua comunidade. Para o Kellner, o rap pode ser
considerado uma forma contra hegemônica eficaz, pois ele pode até estar presente nos
canais de tv famosos, mas ainda assim circula e é disseminado pelas comunidades
contestadoras.
Dessa maneira, podemos ao longo desse trabalho, compreender como a cultura da
mídia é responsável por intermediar imagens, essas que são responsáveis por criar
novas identidades e padrões de moralidade. Entretanto, para fazer uma crítica
diagnóstica é necessário ir além do que está presente nas grandes mídias, de acordo
com Kellner, é necessário conhecer e pesquisar as formas de cultura contestadora que
resistem a cultura predominante, são as culturas alternativas do dia a dia.

2.Como o conceito de “espetáculo! De Douglas Kellner e o conceito de “sociedade do


espetáculo de Guy Debord se relacionam? Quais as diferenças entre Douglas
Kellner e Guy Debord em relação à análise crítica do “espetáculo”? (15 pontos)

Douglas Kellner em seu trabalho, analisa o conceito de sociedade do


espetáculo de Guy Debord e também apresenta a sua própria análise sobre esse
fenômeno. Para o pesquisador, os espetáculos são eventos da cultura da mídia
responsáveis por representar valores básicos na sociedade contemporânea. Esses
fenômenos têm por finalidade determinar comportamentos, formas de agir, vestir,
comprar, socializar e até de se alimentar. Dessa forma, a cultura do espetáculo tanto é
oriunda de uma nova configuração da economia, sociedade e do político, quanto está
se tornando um dos princípios organizacionais e produtores da vida cotidiana.
Já para Debord a sociedade do espetáculo é a sociedade do conformismo, da
inércia e da alienação. Condenado a uma vida sem produção artística, é apenas
consumidor de espetáculo – espectador. “O conceito do espetáculo de Debord está
completamente ligado ao conceito de separação e passividade, pois, em espetáculos
consumistas submissos, o homem é afastado de sua vida ativamente produtiva.”
(KELLNER, 2003, p.6). Através dessa análise de Kellner, para Debord, o espetáculo
se caracterizou pelo momento em que a mercadoria ocupou totalmente o âmbito da
vida privada (#42). O lazer, os desejos e a vida cotidiana são envolvidas através da
comercialização e do consumo, ou seja, a economia invade todos as esferas da vida
privada. Dessa forma, a sociedade do espetáculo seria uma fase específica da
sociedade capitalista, caracterizando-se pela valorização da dimensão visual da
comunicação, como exercício de poder e de dominação social.
Os dois pensadores se relacionam ao concordarem que, o espetáculo está
presente em diversos âmbitos da vida social. Devemos lembrar que essa relação é
admitida por Kellner em seu trabalho, esse que é fortemente influenciado pelas ideias
do pensador francês.
Após apresentar como os conceitos de espetáculo de Kellner e Guy Debord se
relacionam, discutiremos sobre as diferenças que eles mantêm em relação a análise
crítica do espetáculo. Kellner apresenta três principais pontos de discordância de seu
trabalho e o do pensador francês. Em primeiro lugar, Kellner faz sua análise voltada
para os efeitos causados pelos espetáculos na sociedade norte-americana, buscando
compreender através dessa pesquisa os fenômenos de globalização e também a cultura
global. Já Debord, faz sua análise voltada para o viés econômico, que se caracteriza
por um estágio especifico da sociedade capitalista. Sendo assim, a mídia e a sociedade
de consumo se organizariam voltadas para o espetáculo (KELLNER, 2003, p.12)
Ainda nesse tópico, Kellner apresenta as diferenças entre sua metodologia e a de
Debord. O primeiro segue “variáveis tais como uma determinada classe, raça, gênero,
região, e etc., baseadas nos padrões americanos e apresento um modelo
multidisciplinar, usando o Marxismo[...] e outras perspectivas.” Enquanto o segundo
segue uma “perspectiva neomarxista intelectual francesa radical” (KELLNER, 2003,
p.12)
A segunda diferença é a forma de abordagem aos espetáculos. Kellner afirma sua
postura investigativa frente aos principais espetáculos da sociedade estadunidense e
global. Investigando as nuances do que cada caso analisado pode apresentar sobre a
sociedade na atualidade. Para Kellner, Debord faz sua crítica ao capitalismo e
apresenta medidas revolucionárias contra esse sistema.
Para Debord a sociedade do espetáculo se mostrou triunfante e é essa a oposição
que Kellner enfatiza em um último ponto. Para o pesquisador americano, por mais que
a sociedade do espetáculo, de acordo com a análise debordiana, se mostrou triunfante
considerando a força do capitalismo atualmente, ela deve ser questionada em suas
contradições. Para Kellner, a política do espetáculo não é sempre triunfante e pode
falhar se não conseguir manipular e despolitizar seu público.

3. Selecione um fenômeno brasileiro da Cultura da mídia (música, tv, cinema, etc.) e


faça uma análise crítica utilizando um ou mais conceitos trabalhados na
disciplina: cultura visual, indústria cultural, sociedade do espetáculo, cultura da
mídia e espetáculo. (20 pontos).

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