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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 11ª VARA

CÍVEL DO TERMO JUDICIÁRIO DE SÃO LUÍS DA COMARCA DA ILHA


DE SÃO LUÍS

, devidamente qualificado nos autos em epígrafe, por


seu advogado regulamente constituído por instrumento de mandato em
anexo, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, interpor recurso
de APELAÇÃO em face da decisão prolatada pelo MM. Juízo, que julgou
improcedentes os pedidos deduzidos pelo autor, requerendo, após o
recebimento deste recurso, em ambos os efeitos, e da apresentação ou
não das contrarrazões pela apelada, o encaminhamento dos autos ao
Egrégio Tribunal de Justiça do Maranhão.

Requer ainda o apelante que seja o presente recurso


recebido por Vossa Excelência e encaminhado à superior instância sem
recolhimento do respectivo preparo, porte de remessa e de retorno, por se
tratar de beneficiário da justiça gratuita nos termos do art. 5º, LXXVII, da
CF, combinado com o art. 98, do CPC/2015 c/c art. 4º, caput, da Lei
1.060/50.

Termos em que pede e espera deferimento.

São Luís, 01 de julho de 2019.

EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO MARANHÃO

RAZÕES DE APELAÇÃO

COLENDA TURMA,

EMINENTE RELATOR,

1. DA TEMPESTIVIDADE E DO PREPARO
A Recorrente foi intimada do inteiro teor da sentença no
dia 10/06/2019 (segunda-feira). Desse modo, como o os prazos somente
começam a correr do primeiro dia útil após a intimação, este deve ser
contado a partir primeiro dia útil seguinte.
Conforme o novo CPC, o prazo para interpor a apelação é
de 15 (quinze) dias úteis. Portanto, Tempestivo, pois, o ato processual ora
praticado.
Ademais, requer o recebimento do presente recurso com
a dispensa do recolhimento do preparo, por se tratar de beneficiário da
justiça gratuita nos termos do art. 5º, LXXVII, da CF, combinado com o art.
98, do CPC/2015 c/c art. 4º, caput, da Lei 1.060/50.

2. DA SINOPSE FÁTICA

3. DO DIREITO

3.1. DA SENTENÇA RECORRIDA

A r. Sentença proferida pelo juiz a quo na Ação de


obrigação de fazer proposta pela apelante em face do apelado, julgando o
seu pedido improcedente, deve ser modificada in totum, uma vez que água
contaminada também abastece a residência do apelante.

Na sentença, o juízo a quo alega que o laudo foi o


único meio de prova anexado pelo o apelante, e que seria insuficiente
para comprovar o alegado. Nesse sentido, coleciono trecho da sentença, in
verbis:

Ressalto, por oportuno, que o laudo retro mencionado foi a única


prova juntada pelo autor, e que na oportunidade concedida para
contraditar as alegações apostas na contestação, quedou-se
inerte o requerente.

No entanto, a apelante juntou outros meios de


provas, além do laudo mencionado. Foi anexado pela recorrente dos
arquivos de vídeos, contendo duas reportagens do jornal da TV
Mirante em que é apurado que água fornecida para Bairro Vivendas do
Turu está imprópria para o consumo. Entretanto, o nobre magistrado
do primeiro grau, não se manifestou em relação a esse outro meio de
prova.

Na matéria do jornal da TV Mirante, anexado nos


autos, é dito expressamente que água contaminada foi colhida no Bairro
Vivendas do Turu. Entretanto, o Juiz de 1º Grau não se manifestou sobre
essa prova.

Portanto, conforme pode se verificar nos autos do


processo, existe outros meios de provas anexado no processo, razão que
os argumentos da sentença não encontra respaldo.

Cabe destacar, nobres Desembargadores, que o


Apelante requereu na peça exordial, a inversão do ônus da prova,
devido hipossuficiência técnica e financeira do mesmo, conforme
previsto no art. 6º., VIII, do CDC. Entretanto, o juízo a quo não se
manifestou sobre o pedido da inversão do ônus da prova, tendo a
sentença sendo omissa sobre esse ponto.

Em que pese à omissão do pedido de inversão do ônus


da prova, o juiz de primeiro grau alegou que “ônus incumbia a parte
autora”. Ocorre que, Insignes Desembargadores que o processo trata-se
de uma relação de consumo, por consequência o Código de Defesa do
Consumidor assegura ao consumidor o direito a inversão do ônus da
prova, quando ficar demonstrado a hipossuficiência técnica e
financeira do consumidor.

Destarte, o apelante não tem condições financeiras


e técnicas para promover a produção de provas necessárias, tendo em
vista que é necessário conhecimentos técnicos e recursos financeiros para
tal. Razão pela qual, deveria o juízo a quo ter determinado a inversão do
ônus da prova.

Ademais, o juízo a quo julgou de forma antecipada o


mérito, com base no art. 355, inciso I, do CPC/2015, dispensando a
produção de provas em audiência, o magistrado de 1º grau entendeu não
haver necessidade de produção de provas, senão vejamos de trecho de
sua sentença, ipisis litteris:

Dispõe o art. 355, inciso I, do CPC/2015 que o juiz conhecerá


diretamente do pedido, proferindo sentença, quando a questão a
ser resolvida for unicamente de direito, ou sendo de direito e de
fato, não houver necessidade de produzir prova em audiência.

Contudo, o apelante requereu na petição inicial,


provar o alegado por todos os meios em Direito admitidos,
notadamente pelo depoimento pessoal da requerente, juntada ulterior
de documentos, além de quaisquer outras providências necessárias.

Portanto, havia necessidade de produção de provas


em audiência, inclusive prova testemunhal. Destarte, não era caso de
julgamento antecipado do mérito. Os requisitos do julgamento antecipado
do pedido não foram atendidos. Razão pela qual a sentença recorrida deve
ser anulada.

Com efeito, não caberia à espécie, o julgamento


antecipado nos autos, porquanto os elementos probatórios não
permitiram formar a convicção do julgador quanto a existência ou não do
dano.

Destarte, laborou em equívoco o Juízo a quo ao lançar


sentença julgando improcedentes os pedidos do apelante, sem
oportunizar a devida instrução probatória. Logo, em sintonia fina com a
jurisprudência e a doutrina, não há outra solução jurídica ao caso em
tela, a não ser a anulação da sentença apelada, porquanto configurado o
error in procedendo do Juízo de origem.

Ante o exposto, requer anulação da sentença atacada


e, por conseguinte, que seja determinado o retorno dos autos ao 1º Grau
de Jurisdição a fim de que seja realizada a regular instrução processual.

5. DO PEDIDO
Ante o exposto, requer que seja conhecido e provido o presente
recurso, para anular a sentença recorrida e, por conseguinte, que seja
determinado o retorno dos autos ao 1º Grau de Jurisdição a fim de que
seja realizada a regular instrução processual.
Requer a inversão do ônus da prova;
Requer a inversão do ônus da sucumbência.

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