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Historia Ergonomia

Em nossa evolução, tivemos milhares de anos para nos desenvolvermos e,


gradativamente, nos adaptarmos às mudanças necessárias à nossa sobrevivência.
Mas neste último século, as mudanças foram e continuam sendo muito rápidas, o que
as vezes impede a adaptação do nosso corpo às novas exigências.
Ao passo que aumentam estas exigências, temos nos tornado cada vez mais
sedentários, fator de risco para diversas doenças.

Ergos = Trabalho / Nomos = Leis;

Trabalho (português), travail (francês) - origem no latim tripallium - instrumento de


tortura destinado a domesticar seres humanos para o trabalho.

- Na Grécia e Roma Antiga: o trabalho era reservado aos escravos.


- Para os Hebreus - trabalho visto de forma menos indigna - missão sagrada para a
expiação do pecado original.
- No Renascimento - houve valorização do trabalho paralelamente à valorização da
vida terrena, material.
- Na Reforma Protestante - valorização do trabalho e a obtenção de resultados
materiais.

Século 19: revolução industrial;


Máquina à vapor, tear
mecânico,máquina de fiar,etc.

1698 - Thomas Newcomen, iventa a


primeira máquina a vapor
1765 - James Watt, cria grandes
melhorias e indicações de uso da
máquina a vapor.
1814 - Surge a locomotiva à vapor,
que veio a facilitar o escoamento da
produção

Século 20 (início): As indústrias notam melhorias na produção através da organização


de "tempos e métodos";

1913: segunda revolução industrial - Fayol (hierarquia), Henry Ford e Frederick


Winslow Taylor (“administração científica” do trabalho).
Princípios de Taylor:
- Análise racional e instituição da técnica correta de trabalho
- Análise técnica do engenheiro industrial
- Adaptação do homem ao trabalho
- Pagamento diferenciado por produção

Princípios de Ford:
- Organização do trabalho em linhas de montagem
- Rítimo determinado pela velocidade da esteira
- Posto de trabalho fixo
- Produção em grandes volumes

Décadas de 20, 30 e 40: adaptação do homem à máquina

Durante a Segunda Guerra Mundial, a produção em massa de aviões, tanques e


outros veículos com "cabines apertadas", mostraram a necessidade de se considerar a
diversidade humana.
1948: Após a Guerra, a NASA começa a desenvolver a cápsula espacial norte-
americana . Para isso, fez um extenso estudo antropométrico da população americana
. Nasce assim, o conceito da ergonomia moderna;
12 de julho de 1949 - Reunião de cientistas propõem o nome Ergonomia (ergo -
trabalho), (nomia - leis).

Anos 70: Inicia-se a era da informatização que iniciou-se lentamente e hoje muda a
cada dia.

DEFINIÇÃO ERGONOMIA:

Aplicação conjunta de algumas ciências biológicas para assegurar entre o homem e o


trabalho uma mútua e ótima adaptação, com a finalidade de incrementar o rendimento
do trabalhador e contribuir para o seu bem-estar. (Jouvencel – 1961)

Conjunto dos conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários para a


concepção de ferramentas, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o
máximo de conforto, segurança e eficácia. (Wisner – 1972)

Estudo científico da relação entre o homem e seus meios, métodos e espaços de


trabalho. Seu objetivo é elaborar, mediante a constituição de diversas disciplinas
científicas que a compõem, um corpo de conhecimentos que, dentro de uma
perspectiva de aplicação, deve resultar numa melhor adaptação do homem aos meios
tecnológicos e aos ambientes de trabalho e de vida. (IV Congresso Internacional de
Ergonomia – 1989

Estudo do relacionamento entre o homem e o seu trabalho, equipamento e ambiente


e, particularmente, a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia
na solução de problemas surgidos desse relacionamento. (Ergonomics Research
Society)

Disciplina científica que trata da compreensão das interações entre os seres humanos
a outros elementos de um sistema e a profissão que aplica teorias, princípios, dados e
métodos, a projetos que visam otimizar o bem estar humano e a performance global
dos sistemas. A ergonomia visa adequar sistemas de trabalho às características das
pessoas que nele operam. Nos projetos de sistemas de produção a ergonomia faz
convergir os aspectos de segurança, desempenho e de qualidade de vida, através de
sua metodologia específica, a análise ergonômica do trabalho. (ABERGO – 1998)
Estatísticas - Dados da Human Factors and Ergonomics Society (HFES), demonstram que a
ergonomia reduz em mais de 70% o índice de doenças e acidentes de trabalho, em empresas americanas
que aplicam o conceito.
No Brasil, embora não se tenha número real, cresce o número de empresas que aplicam conceitos de
ergonomia através de profissionais qualificados. Isso porque já percebem que a ergonomia é uma
importante ferramenta para reduzir gastos e ampliar a produtividade e competitividade.
Os dados estatísticos que envolvem o assunto revelam que sem as medidas necessárias as
conseqüências podem impactar não só na vida dos funcionários, mas também no bolso dos empresários.
De acordo com os dados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) nos últimos 20 anos foram
registrados mais de 80 mil óbitos diretamente relacionados ao trabalho - mais de 12 mortes por dia, o que
coloca o País na quarta posição no ranking mundial de óbitos no local de trabalho. O Brasil está entre os
15 países do mundo com mais acidentes no trabalho.
O montante gasto com acidentes e doenças ocupacionais corresponde a cerca de 4% do Produto Bruto
do mundo (PIB). Os prejuízos diretos e indiretos atingem a média anual de R$ 22 bilhões.
Outros dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que 1,1 milhão de trabalhadores
morre, por ano, vítimas de acidentes e doenças do trabalho. Essa estatística ultrapassa a média anual de
mortes em acidentes de trânsito, guerras, violência e Aids.

A OMs (Organização Mundial da Saúde) designou o período de 2001 a 2010 como a "Década do
Osso e da Articulação", para que se realizem debates e revis ões desses temas relacionados ao
trabalho e à atividade diária. Nos Estados Unidos numa lei que acaba de ser aprovada transformou
a avaliação da dor no quinto sinal vital do ser humano. Isso é quando alguém é internado num
hospital americano, o médico precisa medir, alem dos quatro sinais tradicionais do estado de
saúde de uma pessoa a temperatura, respiração, press ão arterial e pulso, agora também deve
avaliar o nível de dor a que o paciente está sentindo. Não aliviar a dor é considerado negligência
médica, e como tal o medico pode ser denunciado.
A Revista Veja na sua edição de 2/12/2002, trouxe extensa matéria de capa sobre o problema da
Dor, baseada numa enquete cientifica de 2000 brasileiros , entre 18 e 60 anos existentes na
mesma proporção da população em geral do pais , a dor de cabeça crônica, atingiu 27% dessas
pessoas , a seguir a lombalgia, dor nas costas afetando 20% das pessoas . Dores nas pernas , nos
braços e nos ombros também estão entre as mais freqüentes . (s ão devidos a artrose, artrite,
fibromialgias , e outros padecimentos reumáticos etc..) Cerca de 63% dos 2000 entrevistados tem
um tipo de dor crônica, ou seja a dor crônica esta presente em seis de cada dez brasileiros O
número de pessoas com mais de 60 anos que se queixam de epis ódios dolorosos é 51% mas o
numero de pessoas mais jovens de 18 anos é maior 63%.
Outros tipos de dores que foram relatados como dor do trigêmeo, dor do herpes , as dores devidos
aos tumores malignos , diabete, tromboflebite nas pernas etc., são muito mais raras . Mas o
queremos chamar a atenção que a maioria dessas dores crônicas que se queixa a população são
rotuladas de "reumatismo". A reportagem trata de forma correta das dores constantes dos
portadores de LER (les ões por esforços repetitivos ) ou Dort (distúrbios osteomusculares
relacionados ao trabalho) O Datafolha realizou uma pesquisa semelhante publicada no dia
7/10/2001. Afirmando que 47% das pessoas da enquete tiveram um dos sintomas da LER e depois
deduziu que existem 310 mil paulistanos com LER/Dort Os dados estatísticos publicados na Folha
pecam pelo exagero. Essa s índrome, que é muito rara.( não mais que 1% dos queixosos ) Os
números apresentados correspondem à totalidade das doenças reumáticas , ortopédicas ,
neurológicas e dos acidentes que acometem os trabalhadores , acumulados durante toda a vida
em qualquer profiss ão e que evidentemente podem resultar em dores no punho, no braço, no
ombro, atribuídas a esses movimentos repetitivos , mas como já se sabe não são específicos de
nada e de nenhuma doença .Esse é um erro de interpretação, misturando sintomas e sinais que
podem ser identificados nos exames e associados a sintomas subjetivos , como dores difusas ,
formigamentos , choques etc., existentes em vários distúrbios ps íquicos e depressivos , que não
tem nada a ver com o trabalho repetitivo, pois a enorme porcentagem desses pacientes
entrevistados sequer associavam os sintomas ao trabalho.
Cerca de 80% das queixas de dores crônicas em todo corpo são chamadas de dores "reumáticas ",
pela população por falta de uma designação mais adequada. Um exemplo desse tipo de dor que
espalha é a LER/Dort, que em 70% dos casos trata-se de uma fibromialgia Na fibromialgia as dores
que se estabelecem junto com a LER, podem surgir nas costas , nas pernas e pés . Em 30% dos
casos rotulados de LER restantes são devido a um pinçamento dos nervos na coluna cervical, que
resultam em formigamentos nos braços , mãos e dedos .
As LER/Dort não são consideradas doenças e, por isso, não constam da Classificação Internacional
das Doenças (CID-10), da OMs . Não são reconhecidas pelo SUs nem pela perícia médica do INSs
com essas designações , mas , sim, como s índrome cervicobraquial, com o código -M54.0 (doença
relacionada à coluna vertebral, da região cervical).
Na realidade o portador de LER tem um distúrbio nervoso em relação à sensibilidade a dores em
geral e ao cansaço muscular, chamado de fibromialgia, apontado na reportagem da Veja e nem
sequer mencionado na pesquisa do Datafolha. Nas pesquisas cientificas feitas na Universidade
Federal de são Paulo revelam que 70,3% desses portadores de LER/Dort têm, além das dores ,
cansaço e outros sintomas de origem ps íquica, como ansiedade, ins ônia, alterações da ideação,
histeria e depress ão sintomas que nada têm a ver com o tipo de trabalho que desempenham.
Outros diagnósticos como miosite, s índrome do túnel do carpo , bursite etc., que pioram com os
movimentos , não têm nada a ver com LER, pois são doenças autônomas .
Apesar disso, um lobby organizado com auxílio de alguns sindicatos conseguiu algo que não existe
em nenhum lugar do mundo: que essas supostas LER/Dort fossem equiparadas a doenças
profissionais e consideradas como acidente de trabalho, ligadas a condições inadequadas de
trabalho, não fornecidas pela empresa, sob o ponto de vista ergonômico.
Uma mudança desse enfoque é fundamental. Mas esse "modelo" dá vantagens econômicas ao
trabalhador, mesmo não sendo verdade. A empresa também não fica prejudicada, porque o
trabalhador aposentado torna-se encargo do Previdência. Mas a pretensa vítima tem direitos
indenizatórios enormes alem da aposentadoria precoce a serem pagos pelo INSs e pela sociedade.
O diagnóstico de LER/Dort, que é inadequado sob o ponto de vista médico, dá direito, quando
aceito pela Previdência do Brasil a estabilidade no emprego, auxílio-acidente, aposentadoria,
quitação da casa própria, a isenção de imposto na aquisição do veículo etc. Quando não aceito
pela Previdência, os sindicatos oferecem, gentilmente, advogados para defender os
trabalhadores . O INSs tem de se defender em processos exaustivos para demonstrar o óbvio.
O pior que essa interpretação de que o LER é devido a um problema ergonômico, exclusivamente,
não tem sustentação cientifica, pois melhorando as posturas no trabalho, já ficou demonstrado
que não há melhoria dos sintomas . O Estadão publicou em 5 janeiro de 2002 matéria sobre
LER/Dort, o que chamava a atenção é que a fisioterapeuta entrevistada, autora de um estudo de
mestrado, surpreendeu-se com o fato de que 90% dos 108 trabalhadores tratados continuam
tendo dores , mesmo sem trabalhar. O Centro de Referência de Saúde do Trabalhador da Zona
Leste, aonde trabalha essa fisioterapeuta, insiste em que a solução é ergonômica, ou seja,
melhorar a postura no trabalho, e afastamento das tarefas contratadas . Já está demonstrado que
isso isoladamente, não resolve o problema, pois existe um componente psicossomático envolvido
na LER,( pois a maioria dos pacientes sofre de fibromialgia). A dor e a fadiga s ó serão aliviadas
com antidepressivos e a regularização do sono, na maioria das vezes as fisioterapias e melhoria
das posições ergonômicas ajudam pouco. Os pacientes com LER/Dort, já deprimidos e instruídos
de seus poss íveis direitos , querem a aposentadoria e a indenização, mas não são tratados
adequadamente, continuando a piorar da sua qualidade de vida. Na década de 1930, no Reino
Unido, 60% dos telegrafistas apresentavam dores do tipo LER; nos EUA eram apenas 4%.
Os sindicatos mobilizados contra as novas tecnologias transmitiam insegurança aos
trabalhadores ; as LER não tinham nada a ver com o trabalho. Nos anos 1980, foi constatado que,
na Austrália, 30% dos trabalhadores que trabalhavam com computadores em serviços públicos
tinham LER; naqueles que trabalhavam por conta própria, esse tipo de afeção não passava de 1%.

Segundo dados do governo federal os acidentes e doenças do trabalho custam,


anualmente, R$ 10,7 bilhões aos cofres da Previdência Social, através do
pagamento do auxílio-doença, auxílio-acidente e aposentadorias.

É sempre importante lembrar que estas estatísticas de acidentes de trabalho


refletem somente os acidentes registrados pela Previdência Social. Estima-se que
ainda haja no Brasil uma alta taxa de subnotificação de acidentes de trabalho.

análise ergonômica do trabalho: o Strain Index ou Índice de Moore e Garg

É um método de análise de risco de desenvolvimento de disfunções músculo tendinosas


em membros superiores.

O nome “oficial” por assim dizer é Stain Index (ou índice de esforço) e foi desenvolvido
em 1995 por MOORE, J. S e GARG, A.; com principal objetivo de avaliar o risco de
lesões em punhos e mãos.

Apresenta grande aceitação no meio acadêmico, empresarial e judicial, quando se trata


de demandas relacionadas à repetitividade, aplicação de forças e posturas forçadas para
extremidades distais de membro superior.
Para termos uma idéia do que estamos avaliando, vamos passar por algumas definições
que se fazem necessárias neste ponto do artigo. Iremos falar um pouco sobre a
repetitividade e a aplicação de forças

• O que é repetitividade?

Geralmente na indústria, as tarefas podem ser caracterizadas segundo Escorpizo &


Moore (2007) como:

1. Inteiramente automatizado, onde uma tarefa é feita por uma máquina, por um
motor, ou pelo equipamento;
2. Semi-automatizado, onde uma tarefa é compartilhada por uma máquina e por
um trabalhador; e
3. Manual, em que a tarefa é realizada inteiramente pelo trabalhador

Ainda segundo estes autores, as atividades de trabalho totalmente automatizadas e


manuais não tem representado tantos problemas quanto àquelas em que o homem
compartilha com a máquina sua tarefa. Nesta circunstância lhe é cerceado a
possibilidade de controle sobre sua tarefa.

Porém, ainda falta definir o que é ser repetitivo?

Para Hagberg e Silverstein, o conceito de repetitividade compreende:

• Mais de 50% da jornada realizando a mesma tarefa;


• Ciclos repetidos com menos de 30 segundos de duração.

Apesar de ainda muito a acrescentar nestes conceitos, eles servem de base para
“tentarmos” definir o que é uma atividade repetitiva. Vejamos que essa não é uma tarefa
fácil. Podemos até delimitar o que é uma tarefa repetitiva, porém a dificuldade está
justamente em determinar até que ponto esta tarefa é potencialmente causadora de
lesões.

E aqui entramos no segundo ponto a esclarecermos antes de chegarmos ao método em si


– a aplicação de forças.

• Aplicação de forças

Quando tratamos de aplicação de forças, estamos diretamente ligados à capacidade de


contração e relaxamento muscular. A maior (ou melhor) propriedade do músculo está
justamente na sua capacidade de contrair e distender-se, conseqüentemente gerando
força.

A estrutura músculo esquelética de membros superiores desperta grande interesse no


ambiente industrial, visto que estas estruturas não foram “programadas” para gerar
grande volume de força por longos períodos de maneira cíclica.

“Não somos máquinas, somos simplesmente humanos”.


Estudos científicos já de longa data permitem afirmar que em plenas condições físicas e
mentais, homens e mulheres tem capacidades diferentes de gerar força muscular; fator
decorrente da estrutura anatomo-fisiológica de ambos.

Em 1960, Hettinger examinou em homens e mulheres, a força máxima muscular gerada


por três grupos musculares, sendo que seus resultados apontam que a força máxima de
um destes grupos – apertar as mãos – foi de 460 N (40,67 Kg) para homens, com desvio
padrão de 120, e 280 N (28,55) em mulheres, com desvio padrão de 70 (publicado no
livro Manual de Ergonomia de KROEMER & GRANDJEAN, 2005).

Neste livro, os autores ainda permitem discutir alguns fatores que podem interferir na
geração de forças:

• Idade: trabalhadores entre 50 e 60 anos exercem 70 a 85% da força máxima


original;
• Gênero: mulheres tem 2/3 da força dos homens;
• Condicionamento Físico;
• Motivação: estímulos adequados promovem bem-estar

Portanto, conclui-se neste ponto que os parâmetros repetitividade e força são complexos
e envolvem uma gama de fatores que podem contribuir para avaliações precisas ou não
de uma situação de trabalho.

–> Parâmetros de análise do método

• FIE – Fator Intensidade do Esforço

A intensidade do esforço é uma estimação do esforço requerido para realizar a tarefa


uma vez. Trata-se de um parâmetro subjetivo de avaliação da quantidade de esforço
realizado pelo trabalhador na realização de uma tarefa. Um dos pontos a se analisar é a
expressão facial

• FDE – Fator Duração do Esforço

O percentual de duração do esforço se calcula medindo a duração do esforço durante um


período de observação dado, e dividindo-se esse tempo pelo tempo total e multiplicando
por 100. Basicamente por quanto tempo um esforço é mantido
As tabelas ao lado exemplificam o cálculo

• FFE – Fator Freqüência do Esforço

O fator freqüência do esforço nada mais é do que o número de esforços que ocorre
durante um período de observação. Deve-se observar que cada ação técnica é um
esforço distinto; Quando o esforço for estático considere a freqüência máxima.

Veja na tabela abaixo a classificação e o multiplicador da fórmula de cálculo

• FPMP – Fator Postura da Mão e Punho


A postura de mão e punho é uma estimativa da posição destas regiões corporais em
relação à posição neutra. Também se faz necessário o uso de filmagens para uma maior
fidedignidade.

A tabela abaixo à esquerda exemplifica como caracterizarmos a posição da mão e punho


e a tabela à direita os fatores para multiplicação na fórmula.

• FRT – Fator Ritmo de Trabalho

O fator ritmo do trabalho é uma estimação do quão rápido a pessoa está trabalhando.
Segundo a classificação do método o ritmo pode variar desde muito lento à muito
rápido.

A maneira mais precisa para isso é realizando a verificação da taxa de ocupação da


tarefa, por meio do estudos de tempos e métodos. Na prática se observa se o trabalhador
está com “tranquilidade” na linha, se ele realiza deslocamentos, se tem que “correr”
atrás do produto, dentre outras características
• FDT – Fator Duração do Trabalho

O fator duração do trabalho expressa, em horas, o tempo em que a pessoa fica exposta a
atividade de trabalho. Quantifica-se a jornada de trabalho

• O cálculo

Inseridos todos os “fatores de multiplicação” procede-se ao cálculo, que nada mais é do


que o produto (multiplicação) de todos os fatores.

Os critérios de interpretação seguem a seguinte ordem:

1. < ou igual a 3,0 –> trabalho seguro;


2. 3,0 a 5,0 –> duvidoso, questionável;
3. 5,0 – 7,0 –> risco de lesão da extremidade distal do membro superior;
4. > 7,0 –> Alto risco de lesão; tão mais alto quanto maior o número observado

INTERVENÇÃO ERGONOMIZADORA (IE)

Uma atuação mais responsiva no processo de concepção projetual


demanda maior atenção e conhecimento dos projetistas sobre a
importância, as implicações e os reflexos das relações humano-ambiente.
No entanto, poucos são os profissionais de projeto que reconhecem e
consideram as reais demandas e relações dos usuários dos ambientes que
concebem. Essa prática decorre da própria natureza da teoria da
arquitetura, que tem focalizado mais.

Segundo Smith e Kearny (1994), é necessário prestar maior atenção ao


que acontece quando as pessoas estão pensando e como o ambiente
interfere de maneira positiva ou negativa, especialmente nas atividades
que exigem concentração ou trabalho mental. É preciso estudar com mais
cuidado como os diferentes tipos de ambientes estimulam o pensamento
e sua posterior transformação em ações. Como as pessoas têm uma
capacidade limitada e variável para prestar atenção a estímulos externos,
uma configuração das zonas de conforto (seus limites de capacidade de
atenção) que permita eliminar ou reduzir as interferências no trabalho
mental possibilita que seu desempenho seja melhorado.

A IE tem o intuito de detectar o problema, contextualizá-lo, diagnosticá-lo e propor


soluções, com a participação dos usuários (MORAES, 2003). É uma abordagem
sistêmica - porque holística - e sistemática - pois segue uma série de etapas e
fases - do sistema-alvo e do seu ambiente, e se divide em quatro etapas:
Apreciação Ergonômica, Diagnose Ergonômica, Projetação Ergonômica e Avaliação
e Validação Ergonômica. Envolve um conjunto de procedimentos não
necessariamente exclusivos da Avaliação Ergonômica (MORAES; MONT'ALVÃO,
2005), tais como: observação assistemática e sistemática, registros de
comportamento, entrevistas, verbalizações, questionários, escalas de avaliação e
alguns métodos da engenharia - diagramas de fluxo, mapofluxogramas, cartas e
outros

1 Apreciação ergonômica

Etapa inicial e exploratória para identificação dos problemas ergonômicos


do ambiente que constitui o sistema focado. Consiste na sistematização e
compreensão integral do sistema humano-tarefa-máquina-ambiente
construído ou "coletivo", segundo Latour (2001): quem é a organização,
qual trabalho realiza, ordenação hierárquica do sistema (identificação da
posição do ambiente analisado no sistema), dados administrativos
(função, número de funcionários, turnos de trabalho, etc.) e
características das atividades.

Diagnose ergonômica

Visa aprofundar a análise dos problemas ergonômicos identificados e


compreende: Análise Comportamental da Tarefa, Análise da Ambiência da
Tarefa, Perfil e Voz dos usuários, em que são analisados os fatores
cognitivos e experienciais relativos à percepção e vivência das relações
humano × tarefa × ambiente, os fatores comportamentais relativos à
tarefa realizada e os fatores técnicos e funcionais relativos ao ambiente
em uso.

Projetação ergonômica

Etapa de concepção do ambiente construído, onde o conhecimento e a


compreensão da vivência e uso do ambiente pelos usuários no
desempenho de suas tarefas e a apreensão de suas necessidades e
expectativas devem possibilitar a concepção de projetos mais adequados
e responsivos a tais condicionantes.

Avaliação e validação ergonômica

Apresentação dos argumentos, propostas e alternativas projetuais aos


usuários
ABORDAGEM EXPERIENCIAL DA AVALIAÇÃO PÓS-OCUPAÇÃO

A APO é um processo sistematizado e rigoroso de avaliação de edifícios,


passado algum tempo de sua construção e ocupação, que focaliza os
ocupantes do edifício e suas necessidades. A partir das demandas dos
usuários são avaliadas as consequências das decisões projetuais no
desempenho da edificação e, em função dos objetivos do cliente e do
tempo necessário, a APO possibilita a adoção de melhorias a curto, médio
e longo prazo (PREISER et al., 1988).

Suas origens remontam a três vertentes distintas de pesquisa iniciadas


nos Estados Unidos e Canadá, as duas primeiras no final dos anos 40, e a
terceira no final dos anos 50: a Psicologia ambiental, que estuda as
relações entre ambiente e comportamento, o desempenho dos edifícios
(U.S. National Institute of Standards and Technology e Committee E06 on
Performance of Buildings of ASTM) e a consolidação da Architectural
Programming3 ou Programação Arquitetônica.

Tradicionalmente as pesquisas em APO têm como meta a avaliação de


três conjuntos de fatores:

a) Técnicos - aspectos construtivos, condições de conforto


ambiental, segurança e consumo energético;

b) Funcionais - estudo do dimensionamento dos ambientes, dos


fluxos presentes, das possibilidades de realizar as atividades
previstas, do desempenho organizacional e da acessibilidade; e

c) Comportamentais - elementos como atividades que acontecem


no local, relações entre uso real e uso previsto,
satisfação/aspirações dos usuários da edificação (PREISER et al.,
1988; ORNSTEIN, 1992). Rheingantz, Del Rio e Duarte (2002)
propõem uma quarta categoria de fatores:

d) Culturais - que possibilitam reconhecer as transformações


significantes produzidas nas relações entre os grupos humanos e o
ambiente construído, seus aspectos cognitivos (subjetivos), seus
valores declarados e reais que influenciam e são influenciados pelo
uso e pela operação dos edifícios.

A exemplo da contribuição de Villarouco (2002) para a Ergonomia - que


reconhece a influência direta das sensações experimentadas ao conviver
em um determinado ambiente nas ações de seus usuários - a partir de
2003, o grupo de pesquisa Qualidade do Lugar e Paisagem (ProLUGAR)4
vem desenvolvendo e testando a Abordagem Experiencial da APO (APO
Experiencial), que possibilita incorporar aos procedimentos clássicos da
APO as sensações, sentidos e emoções do observador vivenciadas durante
a observação.

A APO Experiencial implica transformação da postura ou atitude do


observador. Em lugar da neutralidade e distanciamento preconizados pela
abordagem comportamental, o observador deve atentar e registrar os
estímulos, sensações e emoções produzidos durante sua experiência de
observação. Valendo-se da empatia (THOMPSON, 1999), o observador
também deve procurar colocar-se no lugar dos usuários na tentativa de:

a) compreender e incorporar a sua experiência vivenciada no


ambiente;

b) identificar seus valores, expectativas e necessidades; e

c) propor medidas e recomendações corretivas nas etapas de


programação e de projeto (ALCANTARA; BARBOZA; RHEINGANTZ,
2006).

Para dar conta disso, além dos instrumentos tradicionalmente utilizados


em uma APO - walkthrough, questionário, entrevista, checklist de fatores
técnicos, funcionais e comportamentais, seleção visual, mapeamento
visual, preferências visuais etc. -, a APO Experiencial se vale de outros
procedimentos que possibilitam identificar a percepção ambiental dos
usuários, especialmente a observação incorporada, a matriz de
descobertas (RODRIGUES, 2005) e o poema dos desejos (SANOFF, 1991).

Enquanto a IE fundamenta-se na análise da tarefa e das atividades


humanas realizadas no ambiente construído, a APO Experiencial
fundamenta-se na análise de desempenho dos ambientes em uso como
suporte para as atividades humanas, segundo a percepção do observador
e dos usuários do ambiente. Na aplicação dos procedimentos de ambas as
metodologias, o projetista deve portar-se como um observador atento e
aberto ao que acontece no ambiente em uso

ANÁLISE ERGONÔMICA EXPERIENCIAL DO AMBIENTE


CONSTRUÍDO

Segundo Villarouco (2002), elaborar um projeto a partir de um enfoque ergonômico


é antever sua utilização, é conjugar condicionantes físicos, cognitivos, psicossociais
e culturais, objetivando identificar o elenco de variáveis envolvidas na
adequabilidade do ambiente construído. Uma completa avaliação ergonômica do
ambiente abrange um vasto leque de
variáveis composto pelos elementos da
Antropometria, da Percepção Ambiental,
da Ergonomia Cognitiva e da Análise
Ergonômica do Trabalho (AET), assim
como conceitos de conforto térmico,
acústico e lumínico e acessibilidade
integral (Figura 1)
O processo de análise foi estruturado em três grupos:

i) Análise da Tarefa - relacionada com os fatores comportamentais


e avaliados a partir dos atributos da tarefa (tarefa, duração,
constância, familiaridade, ritmo e sequência);

ii) Análise da Percepção Físico-espacial - relacionada com os


fatores técnicos, avaliados a partir dos atributos de ambiência
interna (conforto do ambiente interno e adequação dos materiais)
e fatores funcionais, avaliados a partir dos atributos de espaço
(área útil, flexibilidade de layout, circulação interna,
antropometria, acessibilidade); e

iii) Análise da Percepção Ambiental - relacionada com os fatores


cognitivos-experienciais, avaliados a partir dos atributos
cognitivos-experienciais -imaginabilidade e adaptabilidade (Figura
2).
Bibliografia:

O que é um ambiente ergonomicamente adequado? In: ENCONTRO NACIONAL DE


TECNOLOGIA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO - ENTAC, 10, São Paulo, 2004. Anais.

BINS ELY, V. Ergonomia + Arquitetura: buscando um melhor desempenho do


ambiente físico. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE ERGONOMIA E USABILIDADE
DE INTERFACES HUMANO-TECNOLOGIA: PRODUTOS, PROGRAMAS, INFORMAÇÃO,
AMBIENTE CONSTRUÍDO, 3, 2003. Anais... Rio de Janeiro: LEUI/PUC-Rio, 2003

Ambiente para o usuário, ou usuário para o ambiente? In: CONGRESSO LATINO-


AMERICANO DE ERGONOMIA, 6, CONGRESSO BRASILEIRO DE ERGONOMIA, 11,
Gramado, 2001b. Anais