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Coleção

APRENDER +
LÍNGUA PORTUGUESA 7.
º
ano

ENSINO FUNDAMENTAL
ANOS FINAIS

AUTOR
FRANCIS BEHEREGARAY

2ª edição
Curitiba – 2019
Dados Internacionais para Catalogação na Publicação (CIP)
(Mônica Catani M. de Souza, CRB-9/807, PR, Brasil)

B419 Beheregaray, Francis Cabral.


Língua portuguesa, 7º ano, ensino fundamental, anos
iniciais / Francis Cabral Beheregaray. — 2. ed. — Curitiba :
INCA, 2019.
— (Coleção aprender +).

ISBN 978-85-95952-05-9 (Livro do aluno)


ISBN 978-65-80151-32-5 (Livro do professor)

1. Língua portuguesa. 2. Ensino fundamental. I. Título.


CDU 811.134.3

Coleção Aprender +
Língua Portuguesa 7º ano
© 2019 Francis Beheregaray
Especialista em Narrativas Visuais pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR),
graduado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Atua nas áreas de edição,
revisão e iconografia para livros didáticos da Educação Básica e Ensino Superior.

Direitos de publicação
© 2019 INCA Tecnologia

Coordenadora Pedagógica Rejeane Alexandre Coelho


Coordenadora de Projeto Karina Hollanda
Revisão Juliana Primi
Projeto gráfico Karina Hollanda
Editoração Juliane Ramos e Renata Correia
Ilustrações Antonio Domingues
Capa Larissa Timofeiczyk Cardoso e
Mariana Karas Zella
Iconografia Mariana Honorato

Todos os direitos reservados à


INCA Tecnologia
Emanuel Kant, nº 60 – 13º andar – Sala: 1309/1307
Vendas e atendimento: (41) 3377-2054
www.editorainca.com.br
2019
Olá, aluno!
Você é convidado principal para a jornada de novas aprendizagens que
se inicia com este material que está recebendo. Pensamos e elaboramos
cada lição com muito entusiasmo e responsabilidade, pensando sempre em
proporcionar momentos de descobertas e reflexões.
Esperamos que cada questão seja um desafio a ser superado. E,
quando finalizada, que dela restem a experiência e a inquietação por mais
conhecimento por aprender sempre mais. Afinal, conhecimento não ocupa
espaço e dura para sempre!
Neste livro, muitas das questões apresentadas podem ser feitas por
conta própria, exercitando sua iniciativa, independência e responsabilidade.
Entretanto, outras serão orientadas pelo seu professor ou professora para que
você possa desenvolver ao máximo seu potencial.
Você, com a ajuda do livro, do professor e até os colegas, pode enfrentar
todos os desafios propostos assim concluir as questões com aquela sensação
de dever cumprido!
Desejamos que essa jornada seja de grandes aprendizado e que você se
lembre sempre de que o conhecimento não tem preço e pode ser muito
divertido!
Bons estudos!
SUMÁRIO
Lição 1 – ????...........................................................................................................................00
Lição 2 – ????...........................................................................................................................00
Lição 3 – ?????.........................................................................................................................00
Lição 4 – ??????.......................................................................................................................00
Lição 5 – ?????????................................................................................................................00
Testando seus conhecimentos 1................................................................................00
Lição 6 – ????????????..........................................................................................................00
Lição 7 – ?????????????????...............................................................................................00
Lição 8 – ???????????............................................................................................................00
Lição 9 – ????????????..........................................................................................................00
Lição 10 – ????????????.......................................................................................................00
Testando seus conhecimentos 2................................................................................00
Lição 11 – ???????????.........................................................................................................00
Lição 12 – ??????????...........................................................................................................00
Lição 13 – ??????????...........................................................................................................00
Lição 14 – ????????................................................................................................................00
Lição 15 – ????????................................................................................................................00
Testando seus conhecimentos 3................................................................................00
Lição 16 – ??????....................................................................................................................00
Lição 17 – ?????????..............................................................................................................00
Lição 18 – ????........................................................................................................................00
Lição 19 – ????........................................................................................................................00
Lição 20 – ????........................................................................................................................00
Testando seus conhecimentos 4................................................................................00
Lição 1 IA
D E M EMÓR
REL ATO

Relato de memória é um texto que tem o intuito de relembrar,


por meio da uma narração de um fato ou acontecimento marcante na
vida, isto é, no passado, de uma pessoa ou personagem , ou pode ser
recontado sob o ponto de vista de quem participou dessas memórias.
Ele pode ser tanto real quanto ficcional.

Leia o fragmento de texto a seguir.

Olhos d’água
Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta
explodiu de minha boca. De que cor eram os olhos de minha mãe? [...] E
a insistente pergunta martelando, martelando. De que cor eram os olhos
de minha mãe? [...] Naquele momento, entretanto, me descobria cheia
de culpa, por não recordar de que cor seriam os seus olhos. Eu acha-
va tudo muito estranho, pois me lembrava nitidamente de vários deta-
lhes do corpo dela. [...] Um dia, brincando de pentear boneca, alegria
que a mãe nos dava quando, deixando por uns momentos o lava-lava,
o passa-passa das roupagens alheias e se tornava uma grande boneca
negra para as filhas, descobrimos uma bolinha escondida bem no couro
cabeludo dela. Pensamos que fosse carrapato. A mãe cochilava e uma
de minhas irmãs, aflita, querendo livrar a boneca-mãe daquele padecer,
puxou rápido o bichinho. A mãe e nós rimos e rimos e rimos de nosso en-
gano. A mãe riu tanto, das lágrimas escorrerem. Mas de que cor eram os
olhos dela? [...] Lembro-me de que muitas vezes, quando a mãe cozinha-
va, da panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse, ali, apenas
o nosso desesperado desejo de alimento. As labaredas, sob a água soli-
tária que fervia na panela cheia de fome, pareciam debochar do vazio
do nosso estômago, ignorando nossas bocas infantis em que as línguas
brincavam a salivar sonho de comida. E era justamente nesses dias de

Língua Portuguesa 5
parco ou nenhum alimento que ela mais brincava com as filhas. [...] Às
vezes, no final da tarde, antes que a noite tomasse conta do tempo, ela se
sentava na soleira da porta e, juntas, ficávamos contemplando as artes
das nuvens no céu. Umas viravam carneirinhos; outras, cachorrinhos; al-
gumas, gigantes adormecidos, e havia aquelas que eram só nuvens, algo-
dão doce. A mãe, então, espichava o braço, que ia até o céu, colhia aquela
nuvem, repartia em pedacinhos e enfiava rápido na boca de cada uma
de nós. Tudo tinha de ser muito rápido, antes que a nuvem derretesse e
com ela os nossos sonhos se esvaecessem também. Mas de que cor eram
os olhos de minha mãe? Lembro-me ainda do temor de minha mãe nos
dias de fortes chuvas. Em cima da cama, agarrada a nós, ela nos protegia
com seu abraço. E com os olhos alagados de prantos balbuciava rezas a
Santa Bárbara, temendo que o nosso frágil barraco desabasse sobre nós.
E eu não sei se o lamento-pranto de minha mãe, se o barulho da chuva...
Sei que tudo me causava a sensação de que a nossa casa balançava ao
vento. Nesses momentos os olhos de minha mãe se confundiam com os
olhos da natureza. Chovia, chorava! Chorava, chovia! Então, por que eu
não conseguia lembrar a cor dos olhos dela? [...]

EVARISTO, Conceição. Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas/Fundação Biblioteca Nacional, 2014.

1 O texto de Conceição Evaristo tem diversas características de um relato


de memória. Releia o fragmento de texto e aponte os trechos em que o
relato de memória fica evidente e por quê.

6 7º. ano
Leia os trechos a seguir:

“E a insistente pergunta martelando, martelando. De que cor eram


os olhos de minha mãe?”

“Um dia, brincando de pentear boneca, alegria que a mãe nos dava
quando, deixando por uns momentos o lava-lava, o passa-passa das
roupagens alheias e se tornava uma grande boneca negra para as filhas”.

2 Qual é o efeito de sentido causado por essas repetições?

3 No trecho “Nesses momentos os olhos de minha mãe se confundiam


com os olhos da natureza”. O pronome demonstrativo “nesses” refere-se:
a) ao frágil barraco.
b) à cor dos olhos da mãe
c) aos momentos de fortes chuvas.
d) aos dias em que faltava alimento.

Língua Portuguesa 7
Leia o fragmento de texto e responda às questões a seguir.

Mercador de escravos
Quando eu morei na Nigéria, ouvi de vários descendentes de ex-es-
cravos retornados do Brasil que seus antepassados trouxeram consigo,
um saquinho de ouro em pó. E que os menos afortunados desembar-
cavam em Lagos com os instrumentos de seu ofício e alguns rolos de
tabaco, mantas de carne-seca e barriletes de cachaça, para com eles
reiniciar a vida. É provável que tenha sido também assim, com seu con-
trabando de ouro ou o seu tanto de fumo e jeritiba, que alguns dos tra-
ficantes brasileiros instalados no golfo do Benin começaram os seus
negócios.
Não foi este, porém, ao que parece, o caso de Francisco Félix de Sou-
za. A menos que estivesse mentindo, quando disse ao reverendo Tho-
mas Birch Freeman que chegara à Costa sem um tostão e que foram de
indigência os seus primeiros dias africanos confissão corroborada por
um parágrafo de Theophius Conneau, no qual se afirma que Francisco
Félix começou a carreira a sofrer privações e toda a sorte de problemas.
Outro contemporâneo, o comandante Frederick E. Forbes, foi menos
enfático, porém claro: Francisco Félix era um homem pobre, quando
desceu na África.
Que ele tenha, de início, como declarou, conseguido sobreviver com
os búzios que furtava dos santuários dos deuses, não é de estranhar-
-se. Os alimentos eram muito baratos naquela parte do litoral. Numa
das numerosíssimas barracas cobertas de palha do grande mercado de
Ajudá, recebia-se da vendedora, abrigada sob o teto de palha ou senta-
da num tamborete atrás da trempe com seu tacho quente, um naco de
carne salpicado de malagueta contra dois ou três cauris. Custava outro
tanto um bocado de inhame, semienvolto num pedaço de folha de ba-
naneira e encimado por lascas de peixe seco. E talvez se obtivesse por
uma só conchinha um acará.

SOUZA, Francisco Félix de. Mercador de escravos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira/Editora da UERJ, 2004.

8 7º. ano
4 O fragmento de texto tem palavras grifadas. Escreva o significado delas
com suas próprias palavras.

5 O pronome “ele”, no terceiro parágrafo de texto, refere-se a quem?

Língua Portuguesa 9
6 Produza um relato de memória de acordo com um momento marcante
em sua vida.

10 7º. ano
Lição 2
POEMA

Poema é um texto literário feito em versos e estrofes. Trata, por


vezes, de sentimentos, pensamentos ou opiniões de quem o escre-
ve. Traz elementos de subjetividade, ou seja, muitas informações não
estão explícitas; portanto, devem ser interpretadas.

Vento
De onde vem o vento?

Chega sem aviso.


Pastoreia as nuvens,

©Shutterstock/fotorince
atropela as ondas,
arrepia o rio.

Como brinca o vento!

Gira em corrupios
com as folhas mortas.
Assobia em frestas.
Feliz, se balança
nos mais altos ramos,
inventa a dança das sombras
no chão dos caminhos.

Língua Portuguesa 11
Que segura o vento?

Quando se enfurece,
ruge violento
Derruba, destelha,
Mata.

Como é doce o vento


quando é brisa leve
e passa de mansinho!

Livre como veio, vai-se embora o vento.

KOLODY, Helena. Infinita sinfonia. Curitiba: Inventa, 2014. p. 138.

Em um poema, versos são as linhas que constituem o poema;


e as estrofes são o conjunto de versos. Por exemplo: no poema de
Helena Kolody, apresentado anteriormente, “Chega sem aviso.” é um
verso. Já a estrofe pode ser vista no conjunto:
“Chega sem aviso.
Pastoreia as nuvens,
atropela as ondas,
arrepia o rio.”
Você sabia que algumas canções são feitas com base em poe-
mas? O poema “E agora, José”, de Carlos Drummond de Andrade foi
transformado em canção pelo cantor Paulo Diniz, no álbum E agora
José, de 1972.

12 7º. ano
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
[...]

ANDRADE, Carlos Drummond de. José. Intérprete: Paulo Diniz. E agora José. Rio de Janeiro: Odeon, 1972.

O autorretrato
No retrato que me faço
– traço a traço –
às vezes me pinto nuvem
às vezes me pinto árvore...

às vezes me pinto coisas


de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

Língua Portuguesa 13
e, desta lida, em que busco
– pouco a pouco –
minha eterna semelhança,

no final, que restará?


Um desenho de criança
Corrigido por um louco!

QUINTANA, Mario. Quintana de bolso. Porto Alegre: L&PM, 2008. p. 47.

1 O poema de Mário Quintana apresenta quantos versos e quantas estro-


fes?

2 A que se refere o eu poético do poema?

3 As transformações tratadas pelo eu poético são internas ou externas a


ele? Explique e aponte versos em que se pode inferir essa afirmação.

14 7º. ano
As borboletas
Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas.

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então...
Oh, que escuridão!

MORAES, Vinicius. A arca de Noé. Rio de Janeiro: Sabiá, 1970.

Língua Portuguesa 15
4 O texto de Vinicius de Moraes fala sobre várias borboletas. Todas as bor-
boletas citadas gostam de fazer a mesma coisa? Explique sua resposta.

16 7º. ano
Lição 3
HAICAI

O Haicai é um poema curto, originário do Japão e sua grafia origi-


nal trazia o significado:
Hai: brincadeira, gracejo Kai: harmonia e realização.
É um texto conciso e objetivo. Embora muitos escritores não a
apliquem, sua estrutura tradicional apresenta uma temática relaciona-
da à natureza ou a interação entre o ser humano e ela, além de 17 síla-
bas poéticas divididas em três versos (o primeiro e o último verso com
apenas cinco sílabas poéticas e o segundo verso com as outras sete).
Alguns haicais não têm títulos ou rimas.
No Brasil, os poetas Guilherme de Almeida, Paulo Leminski, Millôr
Fernandes e as poetizas Olga Savary e Alice Ruiz são conhecidas famo-
sos por escreverem haicais.

Leia o haicai a seguir:

amei em cheio
meio amei-o
meio não amei-o

LEMINISKI, Paulo. Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p. 235.

1 Qual é o efeito de sentido proporcionado pela palavra amei-o?

Língua Portuguesa 17
2 O haicai de Paulo Leminski tem a estrutura tradicional?

3 Qual é o tema do haicai de Paulo Leminski?


a) metade c) amor
b) natureza d) leveza
Leia o texto a seguir:

Lua nebulada
No alto da montanha
A solitária árvore

Alonso Alvarez
Agora responda:
4 Quem está sozinho?

5 O texto remete que está de dia ou de noite?

Leia o haicai a seguir:

Esta vida é uma viagem


pena eu estar
só de passagem.

Paulo Leminski

18 7º. ano
5 Descreva o haicai com suas palavras.

Língua Portuguesa 19
6 Produza um haicai sobre alguma experiência em sua vida. Fique atento
à forma e aos temas utilizados. Depois, compartilhe com os colegas.

20 7º. ano
editor, completar

Língua Portuguesa 21
editor, completar

22 7º. ano
Lição 4 IO E
I ST É R
DE M
CONTO SE
SUSPEN

Assim como nos filmes, os contos de mistério e suspense trazem


um enigma a ser desvendado, uma grande surpresa ou um segredo,
prendendo a atenção do leitor até o fim, justamente porque tudo o
que acontece na história traz uma ligação que conduz a um desfecho
inesperado.
Contos populares, como o do Lobisomem e da Mula sem cabeça
podem ser enquadrados nesse gênero.

©Shutterstock/KPDMedia

Língua Portuguesa 23
Conto de mistério

©Shutterstock/serpeblu
Com a gola do paletó levantada e a aba do chapéu abaixada, cami-
nhando pelos cantos escuros, era quase impossível a qualquer pessoa
que cruzasse com ele ver seu rosto. No local combinado, parou e fez
o sinal que tinham já estipulado à guisa de senha. Parou debaixo do
poste, acendeu um cigarro e soltou a fumaça em três baforadas com-
passadas. Imediatamente um sujeito mal-encarado, que se encontrava
no café em frente, ajeitou a gravata e cuspiu de banda.
Era aquele. Atravessou cautelosamente a rua, entrou no café e pe-
diu um guaraná. O outro sorriu e se aproximou:
Siga-me! – foi a ordem dada com voz cava. Deu apenas um gole no
guaraná e saiu. O outro entrou num beco úmido e mal-iluminado e ele
– a uma distância de uns dez a doze passos – entrou também.
Ali parecia não haver ninguém. O silêncio era sepulcral. E o ho-
mem que ia na frente olhou em volta, certificou-se de que não havia
ninguém de tocaia e bateu numa janela. Logo uma dobradiça gemeu e
a porta abriu-se discretamente.
Entraram os dois e deram numa sala pequena e enfumaçada onde,
no centro, via-se uma mesa cheia de pequenos pacotes. Por trás dela
um sujeito de barba crescida, roupas humildes e ar de agricultor

24 7º. ano
parecia ter medo do que ia fazer. Não hesitou – porém – quando o
homem que entrara na frente apontou para o que entrara em seguida
e disse: “É este”.
O que estava por trás da mesa pegou um dos pacotes e entregou
ao que falara. Este passou o pacote para o outro e perguntou se trou-
xera o dinheiro. Um aceno de cabeça foi a resposta. Enfiou a mão no
bolso, tirou um bolo de notas e entregou ao parceiro. Depois virou-se
para sair. O que entrara com ele disse que ficaria ali.
Saiu então sozinho, caminhando rente às paredes do beco. Quan-
do alcançou uma rua mais clara, assoviou para um táxi que passava e
mandou tocar a toda pressa para determinado endereço. O motorista
obedeceu e, meia hora depois, entrava em casa a berrar para a mulher:
– Julieta! Ó Julieta… consegui.
A mulher veio lá de dentro enxugando as mãos em um avental,
a sorrir de felicidade. O marido colocou o pacote sobre a mesa, num
ar triunfal. Ela abriu o pacote e verificou que o marido conseguira
mesmo.
Ali estava: um quilo de feijão.

PONTE PRETA, Stanislaw. Dois amigos e um chato. 8. ed. São Paulo: Moderna, 1986.

1 Quem são as personagens do conto?

2 Em que espaço se passa a narrativa?

Língua Portuguesa 25
3 Quais elementos da narrativa dão a atmosfera de suspense?

4 Qual é o enigma a ser desvendado?

5 No trecho “Ali parecia não haver ninguém. O silêncio era sepulcral. E o


homem que ia na frente olhou em volta”, a conjunção “e” tem valor:
a) aditivo
b) adversativo
c) conclusivo
d) explicativo

26 7º. ano
6 Em sua opinião, por que existiu todo esse suspense apenas para com-
prar um simples alimento?

Língua Portuguesa 27
7 Elabore um conto de mistério e suspense de acordo com algo que
aconteceu em sua vida ou uma história que lhe foi contada.

28 7º. ano
Lição 5
D E C A NÇÃO
L ETRA

As canções fazem parte do nosso cotidiano e são veiculadas em


diversos locais, como a televisão o rádio e até mesmo nossos dispositi-
vos portáteis, quando selecionamos e ouvimos a canção que nos inte-
ressa. Mas você já parou para prestar atenção nas letras? Em sua grande
maioria, elas trazem uma mensagem e muitas delas foram escritas em
momentos da história e servem como lembranças ou críticas a diversos
períodos históricos. Outras são feitas com o intuito apenas de entreter e
uma grande parcela conta histórias de amor e desilusões.
Assim como os poemas, as letras de canção estão estruturadas em
estrofes e versos, que podem conter rimas, figuras de linguagem como
forma de expressão.

Leia a letra desta canção:

Somos quem podemos ser

Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão


Um dia me disseram que os ventos às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro, um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro, um disparo para um coração

A vida imita o vídeo, garotos inventam um novo inglês


Vivendo num país sedento, um momento de embriaguez
Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter

Língua Portuguesa 29
Um dia me disseram quem eram os donos da situação
Sem querer eles me deram as chaves que abrem esta prisão
E tudo ficou tão claro, o que era raro ficou comum
Como um dia depois do outro, como um dia, um dia comum

A vida imita o vídeo, garotos inventam um novo inglês


Vivendo num país sedento, um momento de embriaguez
Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter

Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão


Sem querer eles me deram as chaves que abrem esta prisão
Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem

GESSINGER, Humberto. Intérprete: Engenheiros do Hawaii. Ouça o que eu digo: não ouça ninguém. Rio de Janeiro:
BMG-Ariola, 1988.

1 De acordo com seu conhecimento de mundo, a que tipo de prisão se


refere o eu poético?

30 7º. ano
2 Qual era a percepção de mundo do eu poético?

3 De acordo com seu conhecimento de mundo, quem são os donos da


situação?

4 Reescreva a letra da canção em forma de narrativa.

Língua Portuguesa 31
editor, completar

32 7º. ano
TEST
ANDO
SEUS
CONH
ECIM
ENTO
S

Minha despedida
Vania Staggemeier
Não é um adeus definitivo... Preciso de tempo...
Vou sair pelo mundo... Vou viajar...Estudar..
Vou curar as feridas da alma... E também do coração....
Vou analisar o mundo os Astros...
Mas levo todos vocês em meu coração...
Vou deixar a porta aberta para quem quiser...
Visitar-me e deixar o seu recado...
Onde quer que eu esteja...
Sempre que der passarei para lhe visitar...
Sou errante...Viajante do tempo...
Eu sou como o vento...
Apenas eu passo...
Se sentires um leve aroma de jasmim....
Serei eu que estarei chegando...
Pra matar minha saudade...
Dos amigos que aqui deixei...
Vou passar na Argentina...
Vou dançar um tango de Gardel...
Vou levar meu violão...
Vou rimar meus versos...
Vou ouvir meu coração...
Vou apreciar a natureza...

LÍNGUA PORTUGUESA 33
Vou observar o colorido das flores...
Vou melhorar meu visual...
Vou aos anjos agradecer...
Não é um adeus...Apenas uma partida...
Na vida precisamos inovar novos caminhos...
E eu ainda sou uma mera aprendiz...

Disponível em: <https://sitedepoesias.com/poesias/10635>. Acesso em: 29 jul. 2019.

Questão 1
Podemos concluir que o poema tem a finalidade de:
a) apresentar uma informação.
b) convencer o leitor de uma opinião.
c) causar humor no leitor.
d) relatar sobre a experiência de viajar.
Questão 2
No texto apresentado, podemos inferir que o narrador (eu poético) par-
ticipa da história/do relato pois:
a) os verbos estão em primeira pessoa.
b) os verbos estão em terceira pessoa.
c) o tempo verbal está no passado.
d) o tempo verbal está no futuro.
Questão 3
No verso “Para matar minha saudade...”, podemos identificar que o verbo
“matar” não está sendo utilizado em seu sentido original, denotativo.
Podemos substituir o verbo “matar”, sem alterar o sentido, pelo verbo:
a) amar. c) aumentar.
b) eliminar. d) comemorar.

34 7º. ano
Questão 4
Com base na leitura do poema, observamos que existe a repetição do
verbo “ir” em vários versos (vou sair, vou viajar, vou...). Essa repetição tem
a função de:
a) confundir a leitura do poema.
b) causar um efeito irônico para o leitor.
c) reforçar uma ideia ou uma atitude.
d) causar espanto no leitor.
Questão 5
O verbo “ir”, utilizado várias vezes no poema, está conjugado em que
tempo verbal?
a) presente c) subjuntivo
b) passado d) futuro
Questão 6
A frase “Vou deixar a porta aberta para quem quiser”, o termo destacado
é:
a) uma preposição. c) um substantivo.
b) um verbo. d) um adjetivo.

Questão 7
Em hospitais é muito comum observarmos imagens como esta:
©Shutterstock/Aaron Amat

Língua Portuguesa 35
O significado dessa imagem pode ser descrito pela frase “Faça silêncio!
”, podemos concluir que o locutor utiliza o verbo no modo imperativo
pois:
a) ele faz um pedido. c) ele está sendo engraçado.
b) ele está sendo irônico. d) ele se refere ao passado.

Questão 8
Leia a tirinha abaixo:

Fonte: INCA/Evandro Marenda

Podemos identificar na tirinha uma certa ironia na fala do doutor, o que


causa o efeito de humor. A fala do médico que causa esse efeito está
localizada:
a) no primeiro quadrinho. c) no terceiro quadrinho.
b) no segundo quadrinho. d) no quarto quadrinho.
Leia o texto e responda às questões 9 e 10.

PUBLICIDADE INFANTIL: PERIGOSO ARTIFÍCIO


Redação de Larissa Freisleben que recebeu nota mil no Enem.
Uma criança imitando os sons emitidos por porcos já foi atitude
considerada como falta de educação. No entanto, após a populari-
zação do programa infantil “Peppa Pig”, essa passou a ser uma cena
comum no Brasil. O desenho animado sobre uma família de porcos
falantes não apenas mudou o comportamento dos pequenos como
também aumentou o lucro de uma série de marcas que se utilizaram
do encantamento infantil para impulsionar a venda de produtos rela-
cionados ao tema. Peppa é apenas mais um exemplo do poder que a
publicidade exerce sobre as crianças.

36 7º. ano
Os nazistas já conheciam os efeitos de uma boa publicidade: são
inúmeros os casos de pais delatados pelos próprios filhos o que mos-
tra a facilidade com que as crianças são influenciadas. Essa vulnera-
bilidade é maior até os sete anos de idade, quando a personalidade
ainda não está formada. Muitas redes de lanchonetes, por exemplo,
valem-se disso para persuadir seus jovens clientes: seus produtos vêm
acompanhados por brindes e brinquedos. Assim, muitas vezes a crian-
ça acaba se alimentando de maneira inadequada na ânsia de ganhar
um brinquedo.
A publicidade interfere no julgamento das crianças. No entanto,
censurar todas as propagandas não é a solução. É preciso, sim, que
haja uma regulamentação para evitar a apelação abusiva tarefa desti-
nada aos órgãos responsáveis. No caso da alimentação, a questão é es-
pecialmente grave, uma vez que pesquisas mostram que os hábitos ali-
mentares mantidos até os dez anos de idade são cruciais para definir
o estilo de vida que o indivíduo terá quando adulto. Uma boa solução,
nesse caso, seria criar propagandas enaltecendo o consumo de frutas,
verduras e legumes. Os próprios programas infantis poderiam contri-
buir nesse sentido, apresentando personagens com hábitos saudáveis.
Assim, os pequenos iriam tentar imitar os bons comportamentos.
Contudo, nenhum controle publicitário ou bom exemplo sob a for-
ma de um desenho animado é suficiente sem a participação ativa da
família. É essencial ensinar as crianças a diferenciar bons produtos de
meros golpes publicitários. Portanto, em se tratando de propaganda
infantil, assim como em tantos outros casos, a educação vinda de casa
é a melhor solução.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/204230-publicidade-infantil-perigoso-artificio.shtml

Língua Portuguesa 37
Questão 9
Em relação ao texto lido, podemos concluir que:
a) É um texto narrativo que conta uma história fictícia, com elemen-
tos verídicos.
b) É um texto dissertativo que emite opinião argumentando sobre o
tema.
c) É um texto informativo que se utiliza de uma linguagem clara e
concisa e que pretende informar o leitor.
d) É um texto científico, baseado em experimentos e discursos de es-
pecialistas.

Questão 10
Um dos argumentos utilizados no texto que corrobora com a tese apre-
sentada é:
a) Que uma criança imitando os sons emitidos por animais é conside-
rado como falta de educação
b) Que os pequenos tentam imitar os bons comportamentos.
c) Que a publicidade interfere no julgamento das crianças.
d) Que os programas infantis contribuem com hábitos saudáveis

38 7º. ano
Nome:___________________________________________________________
_________________________________________________________________

Turma:________________________ Data:______________________________

Folha de respostas
Língua Portuguesa
Caderno 1 Lições 1 a 5

Para cada questão, pinte apenas um quadradinho.


Observe no exemplo, a forma correta de preenchimento.

A B C D

01 A B C D

02 A B C D

03 A B C D

04 A B C D

05 A B C D

06 A B C D

07 A B C D

08 A B C D

09 A B C D

10 A B C D
Lição 6
DE IM AGEM
I T U R A
LE

Você sabia que imagens também são textos? Elas também podem
contar histórias, produzir sentidos, conterem códigos, assim como os tex-
tos escritos.

Observe a imagem a seguir.

BORGES, José Francisco. Fugindo da seca. Xilogravura: 66 cm x 48 cm.

A imagem apresentada anteriormente é uma xilogravura, técnica na


qual a madeira é talhada com a finalidade de produzir figuras em relevo,
que são reproduzidas em papel, como se fosse um carimbo.

1 Qual é o título da obra? Quem é o autor?

Língua Portuguesa 41
2 Qual é o tema da gravura?

3 Descreva a gravura. O que as pessoas estão fazendo? Qual é o cenário?


Leia o fragmento de texto a seguir:

Triste partida

Meu Deus, meu Deus.


Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
[...]

Patativa do Assaré

4 A xilogravura e o texto têm relação? Justifique sua resposta.

42 7º. ano
5 Analise a imagem a seguir. A qual brincadeira ela se refere?

©Shutterstock/Happy Together

Leia o trecho da crônica de Rubem Braga.

Os amigos na praia
Éramos três velhos amigos na praia quase deserta. O sol estava
bom; e o mar, violento. Impossível nadar: as ondas rebentavam lá fora,
enormes, depois avançavam sua frente de espumas e vinham se empi-
nando outra vez, inflando, oscilantes, túmidas, azuis [...]. Mal a gente
entrava no mar a areia descaía de chofre, quase a pique, para uma ba-
cia em que não dava pé; alguns metros além havia certamente uma
plataforma de areia onde o mar estourava primeiro. Demos alguns
mergulhos, apanhamos fortes lambadas de onda e nos deixamos ficar
conversando na praia; o sol estava bom. [...]

BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 1977.

Descair: deixar cair.


Chofre: de modo repentino.
Túmida: inchada, grande.

Língua Portuguesa 43
6 Com base no fragmento da crônica, faça uma representação em ima-
gem do texto escrito. Você pode fazer uma colagem, desenhar ou usar
outras técnicas.

44 7º. ano
editor, completar

Língua Portuguesa 45
editor, completar

46 7º. ano
editor, completar

Língua Portuguesa 47
Lição 7
T R E V ISTA
EN

Entrevista é uma forma de obter informações por meio de perguntas


e respostas. Elas podem ser feitas de forma oral ou escrita e pode abranger
diversos temas, de acordo com a escolha e a motivação do entrevistador.
É importante que o entrevistador prepare as questões a serem per-
guntadas antes de encontrar o entrevistado, para que o objetivo da entre-
vista seja cumprido.
Veja um exemplo de entrevista.

Entrevista com Mauricio de Sousa


Mauricio de Sousa é uma figura praticamente onipresente na vida
de todos os brasileiros. Há mais de três gerações, sua maior criação,
a Turma da Mônica, vem ajudando crianças a ler suas primeiras pa-
lavras e a entender que o mundo pode ser bem mais divertido do que
parece.
[...]
No auge dos seus 82 anos, tivemos a oportunidade de entrevistá-
-lo dentro da Mauricio de Sousa Produções, um imponente prédio de
3.200 metros quadrados que abriga mais de trezentos funcionários e
parece ter saído de dentro dos sonhos de todas as crianças fãs da Tur-
ma da Mônica. Aqui, você vai descobrir um pouco mais sobre quem
verdadeiramente é Mauricio de Sousa.
Mais de cinquenta anos produzindo quadrinhos e ainda nessa pro-
fissão. Qual o segredo para manter a criatividade e continuar apaixo-
nado pelo seu trabalho depois de tanto tempo?
O trabalho de quadrinista, e dos artistas de forma geral, não tem

48 7º. ano
fim e não deve ter. A gente acha que sempre pode fazer melhor e criar
coisas que superem as anteriores. Você sempre acha que pode melho-
rar a mensagem que está passando. Não tem fim, não tem aposenta-
doria, não tem tempo de validade. É um trabalho sem fim, ainda bem!
Porque se não fosse, eu estaria meio preocupado de não poder estar
mais aqui nessa profissão.
Nosso estúdio vai fazer sessenta anos em 2019. Todos os anos faze-
mos uma festa de comemoração e, neste ano em especial, vamos pre-
miar alguns funcionários que vão fazer cinquenta anos de casa. Aqui
ninguém sai cedo. As pessoas só nos deixam quando a idade as obriga,
quando chega a hora de descansar um pouco. E para esses funcioná-
rios que nos deixaram depois de tanto tempo nós damos uma ajuda de
custo para ninguém ficar desamparado, sem remédio ou sem comida.
Não é que somos “bonzinhos”, mas sim que isso faz parte da natu-
reza do nosso trabalho. Lidamos todos os dias com histórias, e isso nos
permite ter essas ações de uma maneira sincera, sem nenhum tipo de
demagogia. Nós sempre tivemos um cuidado especial com o ser huma-
no que trabalha conosco. Isso está na nossa essência.
[...]
Nos velhos tempos, quando eu era mais jovem, eu era meio nervo-
sinho. Eu ficava louco da vida quando chegava para mim um desenho
malfeito produzido por um bom desenhista. Aí eu soltava os cachorros
mesmo.
Fora isso, naquela época tudo era festa e as coisas eram mais fáceis
de certa forma. Eu costumava pegar um avião de repente para visitar
meus colegas quadrinistas de Nova Iorque, do Rio de Janeiro. E lá no
Rio tem a praia de Copacabana, e você sabe como a coisa é bonita.
Nesses contatos eu aprendi muita coisa que me inspirou a escrever
histórias e a construir o estúdio como ele é hoje.
É engraçado notar a mudança que a infância passou de anos atrás
para agora. Em algumas entrevistas, você até mesmo fala que a in-
fância “encolheu”. Como que a Turma da Mônica se adaptou a essas

Língua Portuguesa 49
transformações e por que você acha que a infância mudou tanto?
Com certeza não mudou por minha culpa. Mudou porque tudo
muda o tempo inteiro. Ainda mais hoje com os meios de comunicação
alcançando lugares de forma cada vez mais rápida.
De qualquer maneira nós temos que nos adaptar aqui dentro tam-
bém. Principalmente com a caçada às bruxas do politicamente corre-
to que está cada vez mais forte. Temos que ter alguns cuidados com
assuntos que até pouco tempo atrás falávamos de um jeito e agora pre-
cisam ter um outro enfoque, até porque as redes sociais não perdoam
os erros.
Temos de ficar ligados e sentir o que vale a pena mudar radical-
mente ou não. As pessoas vivem me perguntando por que não têm
homossexuais nas nossas histórias, por exemplo. Bem, a hora que a
sociedade aceitar todas as mudanças que estão acontecendo, inclusi-
ve no terreno da sexualidade, nós vamos mudar também.
Eu digo para os nossos roteiristas que nossas personagens não
podem levantar bandeiras, mas sim devem segurar as bandeiras que
estão passando.
[...]
E a relação família e escola? Como você encara isso?
A família não deve ser o elo perdido, mas sim o elo atuante, que
está lá do lado da criança. Sem os pais ou a família estando juntos, a
criança não tem ânimo nem mesmo para estudar. No Japão, por exem-
plo, há uma preocupação grande em trazer os pais para a escola e não
a transformar em um depósito para crianças.
E falando nisso, meu filho que mais me levou à escola era o Mauri-
cio, que inspirou o Do Contra. Era porque ele dava muito problema. Ele
aprontava porque era muito esperto e inteligente. Vivia questionando
as professoras querendo saber o sentido das coisas. Por exemplo, ele
chegava na aula de religião e queria explicação para coisas que eram
dogmas de fé. Aí me chamavam na escola falando que não estavam
conseguindo dar aula de religião com ele dentro da sala.

50 7º. ano
Outra história legal é que houve uma vez um concurso para criar
a bandeira dos jogos de primavera. Ele fez um desenho lindo e foi es-
colhido. Só que um tempo depois me chamaram na escola e disseram
que o Mauricio estava rebelde porque se recusava a terminar de dese-
nhar a bandeira que fez ele vencer o concurso. Ele então me deu uma
explicação que até hoje é muito engraçada: “Pai, eu já fiz a ideia da
bandeira. Eles querem que eu faça a arte-final, mas lá no seu estúdio
cada um faz uma coisa. Um faz o desenho, o outro a arte-final. Então
deixa alguém terminar, poxa”.
[...]

SOUZA, Maurício. Entrevista com Maurício de Souza. Revista Pais Atentos, 2019. Disponível em: <http://www.revista-
paisatentos.com.br/escola-bosque/artigo/entrevista-com-mauricio-de-sousa-98>. Acesso em: 7 ago. 2019.

Leia a entrevista a seguir.

‘A criança nunca muda’, diz Ziraldo


Antes de escrever “O Menino Maluquinho” (1980), Ziraldo traba-
lhava como jornalista e dava palestras sobre política pelo país. Em
uma delas, falou para pais e professores sobre a educação dos filhos.
“Disse que devíamos preparar os filhos para o dia de hoje, pois o
futuro será feito de muitos hojes.”
Quando chegou em casa, já tinha a ideia do livro na cabeça. Nasceu
Maluquinho, que vive um dia por vez, intensamente.
Folhinha: Você foi o Menino Maluquinho?
Ziraldo: Fui um menino feliz. Meus pais eram muito simples, mas
me passaram a sensação de que estavam cuidando, todos os dias, para
que seus filhos fossem dormir felizes. Eu, por exemplo, podia desenhar
em tudo quanto é parede, papel, livro ou móvel que achasse pela fren-
te. Minha mãe brincava conosco como se fosse uma criança.
Folhinha: As crianças de hoje mudaram em relação às daque-
la época?

Língua Portuguesa 51
Ziraldo: Desde o Menino Jesus, as crianças são as mesmas. So-
frem e se sentem felizes pelas mesmíssimas razões. O que mudou
foi seu entorno. Quem soltava papagaio hoje quer voar de asa delta;
quem montava um rádio domina a internet; quem rodava pião joga no
computador.
Folhinha: O que se pode esperar do musical?
Ziraldo: O que ele tem de diferente é o seu alto nível profissional. O
Maluquinho já virou tudo: HQ, tira de jornal, peça de teatro, balé, cine-
ma, série de TV e até ópera. Só faltava fazer o musical, né?

ZIRALDO. A criança nunca muda, diz Ziraldo. Entrevista concedida a Kátia Calsavara. Folha de S. Paulo, 19 abr. 2014.
Folhinha. Entrevista. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2014/04/1441786-a-crianca-nunca-
-muda-diz-ziraldo-leia-entrevista.shtml>. Acesso em: 28 jul. 2019.

1 A que público-alvo se destina esta entrevista

2 Como é possível identificar a fala do entrevistador e do entrevistado?

3 Quais outros tipos de entrevista você conhece?

4 Em uma entrevista de emprego, por exemplo, qual desses temas não


deveria ser perguntado ao candidato?
a) Experiência profissional.
b) Escolaridade.
c) Com quantos quilos ela nasceu.
d) Tipo de atividades que deseja desempenhar na empresa.

52 7º. ano
5 Escolha um colega, familiar ou alguém da comunidade para realizar
uma entrevista. Observe os aspectos já estudados e elabore as cinco
questões que irá fazer ao entrevistado. Não se esqueça de situar o leitor,
isto é, indicar quem é o entrevistado.

Língua Portuguesa 53
Lição 8
CARTA

A carta é um meio de comunicação escrito. A principal característi-


ca desse gênero é a existência de um emissor (remetente) e um receptor
(destinatário). Quanto à linguagem, ela pode ser formal (quando fazemos
solicitações, por exemplo) ou informal (quando conversamos com alguém
que já conhecemos e somos próximos).
Quando encaminhada pelos Correios, a carta deve conter no envelo-
pe informações como endereço, cidade, estado e CEP tanto do remetente
quanto do destinatário, além do selo – elemento que confirma o paga-
mento da correspondência.

Observe os envelopes a seguir:


Destinatário:

Remetente:

54 7º. ano
Quando aportou em 1500 no litoral desconhecido, das terras do atual
Brasil, Pero Vaz de Caminha, escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral,
anunciou uma descoberta: a D. Manuel I, monarca português, por meio de
uma carta. Leia um trecho dela a seguir.

Senhor:
Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capi-
tães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra
nova, que ora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar
disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda
que – para o bem contar e falar – o saiba pior que todos fazer.
Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e
creia bem por certo que, para aformosear nem afear, não porei aqui
mais do que aquilo que vi e me pareceu.
Da marinhagem e singraduras do caminho não darei aqui conta a
Vossa Alteza, porque o não saberei fazer, e os pilotos devem ter esse
cuidado. Portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo:
A partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9
de março. Sábado, 14 do dito mês, entre as oito e nove horas, nos acha-
mos entre as Canárias, mais perto da Grã-Canária, e ali andamos todo
aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E do-
mingo, 22 do dito mês, às dez horas, pouco mais ou menos, houvemos
vista das ilhas de Cabo Verde, ou melhor, da ilha de S. Nicolau, segundo
o dito de Pero Escolar, piloto.
Na noite seguinte, segunda-feira, ao amanhecer, se perdeu da frota
Vasco de Ataíde com sua nau, sem haver tempo forte nem contrário
para que tal acontecesse. Fez o capitão suas diligências para o achar,
a uma e outra parte, mas não apareceu mais! E assim seguimos nosso
caminho, por este mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de
Páscoa, que foram 21 dias de abril, estando da dita Ilha obra de 660
ou 670 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de
terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os
mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de

Língua Portuguesa 55
rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que
chamam fura-buxos.
Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeira-
mente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais
baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte
alto o capitão pôs nome – o Monte Pascoal e à terra – a Terra da Vera
Cruz. [...]

CAMINHA, Pero Vaz de. Carta a El-Rei D. Manuel sobre o achamento do Brasil. Lisboa: Euro 98, 1997.

Durante muito tempo, a carta foi um dos principais meios de comunica-


ção para comunicações formais, ou seja para comunicações pessoais. Contu-
do, com a criação de novas tecnologias, que enviam e recebem informação
em segundos, como o e-mail e os aplicativos de mensagens instantâneas,
esse recurso é cada vez menos utilizado.
Veremos a seguir duas situações: a carta pessoal e a carta de solicitação.
Observe as cartas a seguir.

Carta 1
Curitiba, 29 de julho de 2019.

Ana Victória,
Faz um tempo desde a última vez que nos vimos. Não tenho
certeza de quando, mas as gatinhas ainda eram bem pe-
quenas e pediam atenção a quem fosse, com miadinhos su-
tis, até que alguém as agradasse com um petisco. Lembra o
quanto elas dormiam?
Sabe, escrevi porque senti saudade das nossas conversas
no fim da tarde, de quando ainda havia tempo e pouca dis-
tância entre nós.
Sinto falta de você. Venha me visitar quando puder e
quando a vida deixar.

Beijo
Francis.

56 7º. ano
Carta 2
Campina Grande, 25 de maio de 2019.

Caro Senhor Rossi,


Venho informá-lo que o apartamento 401, que pertence
ao senhor, está com deterioração. Isso tem ocasionado
diversos danos ao meu próprio apartamento (301), vis-
to que dividimos o mesmo encanamento. São evidentes e
visíveis os sinais de infiltração e mofo no teto. Diante
disso, peço que avalie a situação e solicito que tome
as providências necessárias e urgentes para resolver
esse impasse, visto que o problema só poderá ser re-
solvido após o conserto do seu encanamento.

Atenciosamente,
Carlos Alberto Silva.

1 Quais são as diferenças entre as duas cartas?

2 A quem se destinam as cartas?

3 O que evidencia a informalidade na Carta 1?

Língua Portuguesa 57
4 O que evidencia a formalidade na Carta 2?

5 Converse com os colegas e verifique as demandas necessárias em sua


escola ou comunidade. Agora, de acordo com a informações estudadas,
produza uma carta de solicitação.

58 7º. ano
6 Reúna-se com um colega e, de acordo com o estudado, produza uma
carta pessoal com o intuito de entregá-la a ele.

Língua Portuguesa 59
editor, completar

60 7º. ano
Lição 9 ÇÃO
V U LGA
E X TO DE DI
T ICA
CIENTÍF

Quando uma descoberta científica é feita, ela é divulgada não só para


especialistas da área e comunidade científica, mas para todos os interessa-
dos, por meio do texto de divulgação científica. Essas informações são
veiculadas em diversos meios, como jornais, revistas e sites da internet.
Textos como esse apresentam caráter expositivo e argumentativo,
indicando dados mais aprofundados, apontando os resultados alcança-
dos ou as descobertas feitas por determinado estudo. Esse texto pode
ser acompanhado de figuras que ilustrem o assunto tratado ou outros
materiais gráficos que possam contribuir com o assunto, como esque-
mas e infográficos, visando auxiliar o leitor na compreensão do assunto.

Novo tecido: quase nu


Para os que já passaram por um verão tropical – a cidade do Rio de
Janeiro é uma experiência única nesse sentido –, a notícia é mais do que
bem-vinda: um tecido é capaz de manter a temperatura de seu corpo
mais baixa, como se o usuário nada estivesse vestindo.
O novo material faz a temperatura corporal aumentar apenas 0,7
grau celsius, segundo Po­Chun Hsu, da Universidade Stanford (EUA),
membro da equipe que desenvolveu o tecido. É quase como estar com
a pele descoberta. Uma malha de algodão fina, segundo ele, pode fazer
a temperatura da pele aumentar cerca de 3,4 graus celsius. Mesmo os
tecidos ‘refrigeradores’ hoje no mercado, ressalta Hsu, chegam a elevar a
temperatura em 2,8 graus celsius.
A composição e a porosidade do material fazem com que ele seja
muito permeável tanto ao vapor de água quanto ao calor (infravermelho)
que a pele emite – neste último caso, sua textura de nanoporos permite
que 96% do calor o atravessem. A sensação, segundo os autores, é a de
estar nu. O plástico usado na confecção do tecido é semelhante ao usado
nos ‘filmitos’ para recobrir os alimentos.

Língua Portuguesa 61
À base de polietileno, o novo material – que reúne doses de nano-
tecnologia, fotônica e química – não vai sair direto das bancadas do
laboratório para a indústria têxtil. Há inconvenientes nele que fariam
um estilista suar de pavor: i) o tecido, por enquanto, só pode ser na cor
bege, pois qualquer corante o faria provavelmente perder a capacida-
de de ‘transpirar’ vapor e calor; ii) como plástico, ele não tem muita
flexibilidade, e, no corpo, dá aquela sensação de que você está usando
algo de… plástico.
Detalhes do novo tecido estão publicados em Science. E a dica
para esta nota veio do músico norte-americano Ian Murphy, da cidade
de Nova York (EUA), sempre ligado em novidades tecnológicas.
Segundo especialistas, o uso em larga escala desse tipo de material
permitiria baixar o ar-condicionado em alguns graus e, assim, econo-
mizar quantidade significativa de energia. Ou seja, refrigerar a pessoa
e não o ambiente.

LEITE, Cassio Vieira Leite. Novo tecido: quase nu. Ciência Hoje, 17 nov. 2016. Disponível em: <http://cienciahoje.org.
br/novo-tecido-quase-nu>. Acesso em: 29 jul. 2019.

1 De que assunto trata o texto?


a) verão tropical na cidade do Rio de Janeiro
b) descoberta de um novo tecido
c) aumento da temperatura corporal
d) economia de energia no verão
2 Quais são os argumentos usados no texto para sustentar o uso do nano-
tecido?

62 7º. ano
3 Quais aspectos evidenciam que é um texto de divulgação científica?

4 Qual universidade desenvolveu o tecido?

5 Por que o tecido ainda não é adequado à indústria?

Língua Portuguesa 63
Leia o texto a seguir:

Fábrica inusitada
Sacos de supermercado, garrafas de refrigerante, vasilhas e brin-
quedos são só alguns dos incontáveis objetos que podem ser feitos de
plástico. E quem aí sabe qual é a matéria-prima desse material? Se al-
guém respondeu petróleo, acertou em parte…
Há um plástico diferente que é produzido por bactérias. Ele é bio-
degradável – ou seja, decompõe-se com grande facilidade, desapare-
cendo do meio ambiente em cerca de doze meses, tempo muito menor
do que o plástico convencional, que pode levar centenas de anos para
ser decomposto.
O plástico biodegradável é feito de polihidroxialcanoatos. O nome
é tão difícil de pronunciar que os pesquisadores usam a sigla PHAs
para facilitar. São moléculas produzidas por inúmeros microrganis-
mos, entre eles, algumas bactérias. Elas produzem essas moléculas em
seu interior na forma de grânulos e as utilizam como fonte energética.
Manipulados pelos cientistas, os PHAs adquirem propriedades simila-
res às do plástico convencional.
O plástico biodegradável tem muitas utilidades: pode ser usado na
fabricação de embalagens para produtos de limpeza, higiene, cosméti-
cos e medicamentos, entre outros. Na área médica, o bioplástico serve
também para fazer fios de sutura, próteses ósseas e cápsulas – que,
inseridas debaixo da pele, liberam gradualmente medicamentos na
corrente sanguínea.
A grande vantagem do plástico biodegradável é reduzir a poluição
do meio ambiente. Enquanto o plástico comum depende de uma fonte
que pode acabar (o petróleo) e se acumula, sujando rios, lagos e terre-
nos, o bioplástico desaparece da natureza com rapidez e é produzido
a partir de uma fonte que se desenvolve com facilidade (as bactérias).
E aí, o que achou?

ABREU, Ednéa Oliveira. Fábrica inusitada. Ciência Hoje das Crianças, São Paulo, v. 207, nov. 2009.

64 7º. ano
6 Qual é o assunto do texto?
a) petróleo
b) plástico biodegradável
c) meio ambiente
d) poluição
7 Qual é Sobre o título “Fábrica inusitada”, é correto afirmar que:
a) refere-se às bactérias que produzem o bioplástico
b) refere-se à degradação do plástico
c) refere-se ao petróleo
d) refere-se às fábricas de plástico

Língua Portuguesa 65
Lição 10
E
SINOPS

A sinopse é o texto que resume ou faz uma síntese de um livro, de


um evento ou de um filme, de uma exposição, entre outros. Esse texto
serve para fazer com que o leitor se interesse por assistir ou ler a obra
por inteiro, reunindo os pontos principais e fazendo algum suspense
a respeito do desfecho. Esse tipo de texto nos esclarece também se
somos o público-alvo da obra. Normalmente são veiculadas em sites,
jornais e panfletos de divulgação de filmes, espetáculos e shows.

Leia a sinopse a seguir:

Homem-Aranha no Aranhaverso
Miles Morales é um jovem negro do Brooklyn que se tornou o Ho-
mem-Aranha inspirado no legado de Peter Parker, já falecido. Entre-
tanto, ao visitar o túmulo de seu ídolo em uma noite chuvosa, ele é
surpreendido com a presença do próprio Peter, vestindo o traje do he-
rói aracnídeo sob um sobretudo. A surpresa fica ainda maior quando
Miles descobre que ele veio de uma dimensão paralela, assim como
outras vers0t56ões do Homem-Aranha.

Disponível em: <http://www.adorocinema.com/filmes/filme-233998>. Acesso em 29 jul. 2019.

1 Qual é o assunto do texto?

66 7º. ano
2 A sinopse apresentada tem como objetivo:
a) trazer informações referentes à história com o intuito de despertar
o interesse do público.
b) estabelecer uma crítica sobre a história e analisar as personagens.
c) fazer publicidade sobre os atores e atrizes que participaram do fil-
me.
d) contar aspectos minuciosos da história, incluindo o fim dela.
3 O termo “seu ídolo” refere-se a quem?

4 Qual é o público-alvo dessa sinopse?

5 De acordo com os elementos vistos nas duas sinopses, elabore a sinop-


se do último seu último filme assistido.

Língua Portuguesa 67
No Tomie Ohtake, artistas dialogam sobre identidade
e violência em nova mostra
A frase “jamais me olharás lá de onde te vejo” do psicanalista Ja-
cques Lacan inspirou a exposição homônima que abre no Instituto
Tomie Ohtake nesta quarta (7) —a mostra faz parte da oitava edição
do programa Arte Atual, que busca fomentar pesquisas artísticas
experimentais.
Dividida em três salas, a proposta é promover uma reflexão a par-
tir do trabalho de três artistas, Éder Oliveira, Regina Parra e Virginia
de Medeiros, que, em comum, retratam pessoas em seus trabalhos por
meio de pinturas e fotografias. Assim, a exposição reconhece e atribui
uma identidade aos retratados. Na Bienal de São Paulo, em 2014, ele
pintou nas paredes do pavilhão imagens de detentos de Belém.
Oliveira, por exemplo, é reconhecido por retratos coloridos de dife-
rentes tamanhos e suportes, que vão desde a tela a muros espalhados
pela cidade. Ele retrata, em sua maioria, pinturas de homens extraídas
do caderno policial. Neste trabalho, ele tem como objetivo discutir so-
bre os altos níveis de violência no Norte do Brasil.
Já Regina Parra apresenta uma obra dela mesma em posições con-
torcidas, além de pinturas e néons com pano de fundo de peças como
“Dias Felizes” e “Eu Não”, do dramaturgo Samuel Beckett. Por fim, Vir-
ginia de Medeiros traz fotografias da liderança feminina do MSTC, Mo-
vimento Sem-Teto do Centro. O projeto surgiu depois de uma convi-
vência da artista no movimento.
Instituto Tomie Ohtake - R. dos Coropés, 88, Pinheiros, tel. 2245-
1900. Ter. a dom.: 11h às 20h. Até 29/9. Livre. Abertura qua. (7), às 20h.
institutotomieohtake.org.br. Grátis.

Disponível em: < https://guia.folha.uol.com.br/exposicoes/2019/08/no-tomie-ohtake-tres-artistas-dialogam-sobre-i-


dentidade-e-violencia.shtml>

68 7º. ano
1 Onde acontecerá a exposição?

2 Quem são os artistas participantes?

3 Qual é o público-alvo da exposição

4 O que discutem as obras?

Língua Portuguesa 69
EDITOR COMPLETAR

70 7º. ano
EDITOR COMPLETAR

Língua Portuguesa 71
e n tos
m
sc o nheci
s e u
sta n do
Te

Leia a entrevista para responder às questões 1 a 7.

“É preciso separar o joio do trigo”


ENTREVISTA DO MINISTRO TARSO GENRO
Publicada no Jornal do Brasil em 26/03/2005
Na quarta-feira, termina o prazo do recebimento de críticas e de
sugestões ao anteprojeto da reforma universitária apresentado pelo
MEC. Mas as discussões, de acordo com o ministro da Educação, Tarso
Genro, estão apenas começando. Uma segunda versão preliminar do
projeto deve ser divulgada em 15 de abril, quando, novamente, a socie-
dade civil poderá avaliar os tópicos propostos. A perspectiva é que o
projeto final seja encaminhado ao Presidente da República no meio de
junho. A criação de um conselho social regulado pelo poder público, de
um curso básico para todas as faculdades e da política de cotas são os
pontos mais questionados, especialmente pelas instituições privadas
do ensino superior. Uma polêmica a mais foi criada semana passada
com a divulgação de uma pesquisa de mapeamento racial – a porcen-
tagem de negros nas universidades seria equivalente à declarada pela
população em geral. O ministro assegura, no entanto, que esses dados
apenas ratificam a existência da ação afirmativa:
– Se já existe essa presença proporcional do afrodescendente na
universidade, então não há problema para que a lei seja aprovada e
aplaudida por todos. As contradições presentes nos debates sobre a
reforma, segundo o ministro, serão restritas à etapa preliminar. “O pro-
jeto vai ser de responsabilidade do MEC, que ouviu a sociedade. Não
vai ser um Frankenstein abrigando propostas contraditórias”, pondera.
– Como o senhor avalia a reação ao anteprojeto de reforma
universitária?

72 7º. ano
Qual a razão de tanta gritaria?
– A reação em geral foi boa. Ela é dividida em três vertentes, embo-
ra a que tenha sido mais divulgada pela impressa seja a crítica de parte
das instituições privadas. Mas são três posições: acolhimento da pro-
posta da reforma, como algo positivo, mas evidentemente com suges-
tões de modificações secundárias; posição de que é pertinente a pro-
posta do MEC de colocar em debate, porque o documento serve para
construir a reforma; e a terceira é agudamente crítica, originária de
alguns setores da chamada esfera privada educacional. A proposta de
reforma foi publicada com o título Versão preliminar de anteprojeto.
Ou seja, era um anteprojeto justamente para suscitar esse documento-
-base com propostas da sociedade, das instituições, da sociedade civil
sobre a reforma.
– Quais são pontos que o senhor modificaria no projeto, de acordo
com as propostas recebidas?
– Uma questão muito cara à Sociedade Brasileira para o Progresso
da Ciência (SBPC) e às próprias universidades paulistas, às estaduais
e à Academia Brasileira de Ciências (ABC) é que possamos colocar,
desde logo, algumas regras gerais para obtenção de metas de qualida-
de nas universidades. Acreditamos que, num primeiro momento, não
seria pertinente colocar essa questão, porque isso poderia ser resolvi-
do no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), mas de qualquer
forma não há problema que se coloque desde logo essas regras. [...]

Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/entrevista%202603.pdf

Questão 1
Qual é o tema central do texto apresentado?
a) Informações sobre um projeto de reforma universitária.
b) O ponto de vista das universidades privadas sobre um projeto do
MEC.
c) Informações sobre a política de cotas nas universidades.
d) Informações sobre as responsabilidades do MEC com as universi-
dades públicas.

Língua Portuguesa 73
Questão 2
Quem é a personalidade entrevistada?
a) O Presidente da República.
b) O reitor de uma universidade pública.
c) O Ministro da Ciência e Tecnologia.
d) O Ministro da Educação.

Questão 3
Segundo uma pesquisa apresentada na entrevista, a porcentagem de
negros nas universidades seria equivalente à declarada pela população
em geral. Com isso, o entrevistado tem a seguinte opinião:
a) que as políticas de cotas não são necessárias.
b) que não há problema para a lei das cotas ser aprovada.
c) que as universidades privadas não deveriam oferecer a possibilida-
de de cotas raciais.
d) que as universidades são contra a lei das cotas raciais.

Questão 4
Em relação ao anteprojeto de reforma universitária, o texto apresenta:
a) posições positivas e semelhantes da iniciativa privada e da socieda-
de civil.
b) posições negativas, tanto da sociedade civil quanto das esferas pri-
vada e pública educacionais.
c) que a posição crítica mais divulgada pela imprensa foi a da esfera
privada educacional.
d) que a sociedade civil e as instituições não se manifestaram a respei-
to do anteprojeto.

Questão 5
No trecho: “O projeto vai ser de responsabilidade do MEC, que ouviu a
sociedade. Não vai ser um Frankenstein abrigando propostas contraditó-
rias”, a palavra destacada pode ser substituída, sem alterar o sentido, por:

74 7º. ano
a) sucesso. c) triunfo.
b) benefício. d) problema.

Questão 6
A palavra Frankenstein utilizada no texto pode ser classificada como um
adjunto adnominal, pois:
a) atribui uma característica ao substantivo “projeto”.
b) atribui uma característica ao adjetivo “contraditórias”.
c) atribui uma característica ao substantivo “MEC”.
d) atribui uma característica ao substantivo “sociedade”.

Questão 7
No trecho “Uma questão muito cara à Sociedade Brasileira para o Pro-
gresso da Ciência (SBPC) [...]”, o adjunto adverbial muito:
a) modifica o sentido do substantivo “questão”.
b) intensifica o sentido do adjetivo “cara”.
c) intensifica o sentido do trecho “Sociedade Brasileira para o Progres-
so da Ciência”.
d) intensifica o substantivo “questão”.
Leia o fragmento de um livro sobre ficção científica para responder às
questões de 8 a 10.

Eu tinha ânimo forte. Queria aprender, mas não aprender qualquer


coisa: eu queria aprender os segredos do céu e da terra. Eu tinha atra-
ção pela metafísica, pelos segredos científicos do mundo. Enquanto
isso, Clerval tinha o sonho de entrar para a história como um benfeitor
da humanidade. Quando eu tinha uns 13 anos, li por acaso um livro
de um alquimista. Fiquei muito entusiasmado e mostrei o livro para o
meu pai. Ele olhou a capa e me disse para não perder tempo com aqui-
lo, que o livro era uma bobagem. Se o meu pai tivesse me explicado que
a alquimia era uma coisa antiga, eu ia ter me concentrado em estudar
coisas que valessem a pena.

Língua Portuguesa 75
[...] Talvez eu nem tivesse tido a ideia que no fim me levou a tanto
erro, a tanta tristeza. Mas aquele jeito do meu pai me fez achar que
ele não conhecia o livro tão bem assim, e eu li com mais vontade ain-
da. Depois comecei a ler outros livros de alquimia. Eu acreditava em
tudo o que eles diziam. Isso pode parecer estranho, porque eles diziam
coisas bem ultrapassadas para a época. Mas eu era jovem e estava es-
tudando sozinho. Acabei estudando sobre a pedra filosofal e sobre o
elixir da vida. Imagine se alguém conseguisse acabar para sempre com
as doenças e pudesse proteger os seres humanos da morte!

Esse é um fragmento do livro Frankenstein, de Mary Shelley.


Disponível em: http:// www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=5257

Questão 8
A narrativa acima tem a finalidade de:
a) entreter, divertir e instigar o leitor a pensar e a refletir sobre o tema
descrito.
b) levar o leitor a consumir algum produto ou serviço oferecido.
c) causar um efeito de humor ou de ironia no leitor.
d) apresentar uma opinião pessoal, com argumentos e citações.

Questão 9
Qual é o tempo da narrativa?
a) Presente. c) Futuro.
b) Passado. d) Não há um tempo determi-
nado.

Questão 10
Na narrativa apresentada, encontramos um narrador:
a) onisciente.
b) personagem.
c) em terceira pessoa.
d) não há como identificar o narrador.

76 7º. ano
Nome:___________________________________________________________
_________________________________________________________________

Turma:________________________ Data:______________________________

Folha de respostas
Língua Portuguesa
Caderno 2 Lições 6 a 10

Para cada questão, pinte apenas um quadradinho.


Observe no exemplo, a forma correta de preenchimento.

A B C D

01 A B C D

02 A B C D

03 A B C D

04 A B C D

05 A B C D

06 A B C D

07 A B C D

08 A B C D

09 A B C D

10 A B C D
Lição 11 Á R I AE
C I T
A N H A PUBLI
CAMP I T U C I ONAL
INST

Alguns anúncios que vemos nos meios de comunicação podem


ser classificados como campanhas publicitárias ou institucionais. As
campanhas publicitárias apresentam os produtos das empresas, en-
quanto as institucionais promovem a empresa, seus valores e sua ex-
periência. As campanhas de anúncios possuem o objetivo claro de pro-
mover um produto ou marca, com o intuito de fazer com que ambos
sejam reconhecidos e desejados pelo público

Analise a campanha publicitária a seguir:

Língua Portuguesa 79
1 Para quem essa campanha foi escrita?

2 Qual é a temática da campanha?

3 Qual é a finalidade dessa peça publicitária?

80 7º. ano
EDITOR COMPLETAR

Língua Portuguesa 81
EDITOR COMPLETAR

82 7º. ano
EDITOR COMPLETAR

Língua Portuguesa 83
EDITOR COMPLETAR

84 7º. ano
Lição 12
E
VERBET

O verbete é um gênero de caráter informativo e predominante-


mente descritivo. Seu objetivo é explicar um conceito, uma palavra,
atribuindo-lhe um conjunto de significados e exemplos. Mais comu-
mente, os verbetes são encontrados em um dicionário ou enciclopédia.
Quando a enciclopédia é organizada, os verbetes são utilizados
para explicações e notas.
Alguns exemplos de como os verbetes são apresentados:
Ética: ramo da filosofia que investiga os princípios que
motivam e orientam o comportamento humano. Conjunto de re-
gras seguido por um grupo ou sociedade.
Elefante: membros da família Elephantidae, mamíferos de grande
porte que possuem três espécies (duas africanas e uma asiática).
Catálogo: lista ou numeração por ordem alfabética de pessoas ou
coisas.

1 Para quem essa campanha foi escrita?

2 Qual é a temática da campanha?

Língua Portuguesa 85
1 Agora que você já sabe o que é um verbete de enciclopédia, complete
os itens a seguir, considerando apenas os seus conhecimentos e depois
debata as suas respostas com os colegas.

Aluno:

Caderno:

Livro:

Fotografia
A fotografia é uma imagem, em preto e branco ou em cores, obtida
através de uma câmera fotográfica e registrada em um filme ou em
outro material.
A fotografia é uma forma de comunicação útil. Os fotógrafos re-
gistram informações sobre pessoas, lugares, objetos e eventos que as
palavras, muitas vezes, não poderiam descrever.
Desde o século XIX, jornais e revistas estampam fotografias de
pessoas e eventos importantes. Os anunciantes e as agências de pro-
paganda usam fotografias para promover seus produtos. Cientistas,

86 7º. ano
médicos e delegacias de polícia as utilizam para registrar informações
importantes.
Além de ser um registro, a fotografia é uma forma de arte — muitos
museus e galerias apresentam fotos criadas por artistas. Além disso,
é um hobby popular. As pessoas costumam fotografar suas viagens,
festas, aniversários, casamentos, nascimento de filhos e reuniões com
amigos e familiares.
Disponível em: <https://escola.britannica.com.br/artigo/fotografia/482208>. Acesso em: 29 jul. 2019.

2 Leia o fragmento: “Além de ser um registro, a fotografia é uma forma de


arte — muitos museus e galerias apresentam fotos criadas por artistas.
Além disso, é um hobby popular”. O termo hobby popular refere-se a:
a) museus e galerias
b) às fotos criadas por artistas
c) aos artistas
d) a um registro
e) à fotografia

Amor
Leve, como leve pluma
Muito leve, leve pousa
Muito leve, leve pousa

Na simples e suave coisa


Suave coisa nenhuma
Suave coisa nenhuma

Língua Portuguesa 87
Sombra, silêncio ou espuma
Nuvem azul
Que arrefece

Simples e suave coisa


Suave coisa nenhuma
Que em mim amadurece

Leve, como leve pluma


Muito leve, leve pousa
Muito leve, leve pousa

APOLINÁRIO, João; RICARDO, João. Intérprete: Secos & Molhados. Secos & Molhados. Rio de Janeiro: Continental,
1973.

Amor
1 forma de interação psicológica ou psicobiológica entre pessoas,
seja por afinidade imanente, seja por formalidade social
2 atração afetiva ou física que, devido a certa afinidade, um ser
manifesta por outro

HOUAISS, A.; VILLAR, M. de S. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. versão 3.0. Rio de Janeiro: Instituto
Antônio Houaiss; Objetiva, 2009. 1 CD-ROM.

3 Compare as duas visões da palavra amor. Qual é a diferença entre elas?

88 7º. ano
EDITOR COMPLETAR

Língua Portuguesa 89
EDITOR COMPLETAR

90 7º. ano
Lição 13 ARGE
U M E CH
ART
TIRA, C

Tirinhas, charges e cartuns são formas de contar uma história ou


abordar um assunto de forma rápida e ilustrada, usando uma imagem
ou uma sequência de quadrinhos.
Elas são normalmente encontradas em revistas, gibis, jornais e em
sites da internet.
Tirinhas normalmente são histórias curtas, que trazem conteúdo
engraçado ou crítico, que leva o leitor a refletir sobre algum tema. Cada
autor pode dar uma característica própria às suas tirinhas, especialmen-
te nos traços dos desenhos.
Já o cartum é formado apenas por texto visual, enquanto a charge
é um desenho jornalístico de caráter crítico, que faz uso da caricatura
para satirizar alguma situação ou transformar uma situação cotidiana
em algo engraçado.

Observe o cartum a seguir.

Língua Portuguesa 91
1 Descreva o cartum.

2 De acordo com o cartum, podemos afirmar que a poluição é um pro-


blema nas cidades? Por quê?

Observe a charge a seguir.

3 O que no texto acima não condiz com a realidade de um surfista?


a) O mar e a prancha.
b) O homem de sunga e a linguagem no balão.
c) O homem de terno e a linguagem no balão.
d) O dia ensolarado e a praia.
e) A cor das pranchas.

92 7º. ano
Leia a tirinha abaixo:

4 Descreva os sentimentos demonstrados pelo paciente no último qua-


drinho.

Analise o cartum a seguir

5 O cartum acima expressa uma inversão de papéis. Destaque um outro


exemplo de inversão de papeis que você já presenciou.

Língua Portuguesa 93
Veja a tirinha a seguir.

6 Em quase todos os quadrinhos, a parte escrita está dentro de balões de


diálogo arredondados. No último quadrinho, porém, quando a mulher
avisa que há fogo na casa, ela está em um balão diferente dos demais.
Qual tipo de emoção o autor da tirinha quis destacar usando um balão
de conversa diferente no último quadrinho?
a) Alegria.
b) Medo.
c) Tristeza.
d) Raiva.

94 7º. ano
EDITOR COMPLETAR

Língua Portuguesa 95
EDITOR COMPLETAR

96 7º. ano
Lição 14
????

EDITOR COMPLETAR

Língua Portuguesa 97
EDITOR COMPLETAR

98 7º. ano
EDITOR COMPLETAR

Língua Portuguesa 99
EDITOR COMPLETAR

100 7º. ano


EDITOR COMPLETAR

Língua Portuguesa 101


EDITOR COMPLETAR

102 7º. ano


Lição 15
????

EDITOR COMPLETAR

Língua Portuguesa 103


EDITOR COMPLETAR

104 7º. ano


EDITOR COMPLETAR

Língua Portuguesa 105


e n tos
m
sc o nheci
s e u
sta n do
Te

Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 5.

O SARGENTO VERDE
Figueiredo Pimentel
Formosa, elegante, bem prendada era Carolina, filha dum importan-
te capitalista, que vivia na cidade do Ouro.
Um dia, apresentou-se no palacete paterno um moço muito bem
apessoado, que vinha pedi-la em casamento.
A rapariga exultou de alegria; e, com grande satisfação dos pais,
aceitou-o.
Marcaram o dia das núpcias. À noite, enquanto os convidados dan-
çavam e folgavam, N. S. da Conceição, que era madrinha de Carolina,
apareceu-lhe e disse-lhe:
– Minha filha: fica sabendo que te casaste com o diabo, metido na
figura desse bonito moço. Não faz mal, porém. Logo mais, ele há de te
levar para casa. Deves, então, dizer a teu pai que queres ir montada no
cavalo mais magro e mais feio que aqui houver. Quando chegares à en-
cruzilhada do caminho, teu marido há de tomar a direita; tu tomarás a
esquerda, mostrando-lhe o teu rosário. Verás, então, o que acontecerá.
Perto da meia-noite, o marido manifestou desejos de se retirar, man-
dando selar os cavalos. Para Carolina, veio um esplêndido alazão, muito
gordo e lustroso. A moça, porém, recusou-o, declarando que só montaria
no animal mais feio, magro e lazarento que houvesse na estrebaria.
O pai admirou-se muito daquele pedido, mas atendeu aos desejos da
filha. Os noivos cavalgaram e partiram.

106 7º. ano


Chegando ao lugar em que a estrada fazia uma cruz, o demônio
quis que a moça tomasse a direita e fosse adiante.
–Não; vá você na frente, que sabe o caminho de sua casa. Eu nunca
fui lá, respondeu Carolina sem mais demora.
Tomou a esquerda e mostrou-lhe o rosário.
Ouviu-se, então, um grande berro, que o diabo soltou. A terra
abriu-se. Sentiu-se forte cheiro de enxofre, e o demônio sumiu-se para
as profundezas do inferno.
Carolina disparou o cavalo até chegar muito longe. Aí, cortou os
cabelos e vestiu uma roupa de homem – calça, colete e paletó, feitos de
uma fazenda verde, completamente verde.
Continuou a viagem e chegou à capital do reino, onde foi servir no
exército. Sendo promovida, pouco depois, ao posto de sargento, ficou
sendo conhecida por sargento Verde.
O rei, ao ver aquele formoso inferior das suas guardas, tomou-lhe
grande amizade e destacou-o para sua ordenança particular, queren-
do-o sempre em sua companhia.
A rainha apaixonou-se por ele e tentou seduzi-lo, chegando mes-
mo a propor-lhe casamento, porque naquele país toda a gente podia
casar-se quantas vezes quisesse. No entanto, o sargento Verde recusou
trair o seu soberano.
Em vista disso, a rainha foi ao marido e disse-lhe:
– Saiba Vossa Majestade que o sargento Verde declarou ser capaz
de subir e de descer as escadas do palácio, montado no seu cavalo, a
toda a brida, dançando e atirando ao ar três ovos e aparando-os, sem
que nenhum deles caia e se quebre.
O rei mandou chamá-lo e perguntou se era verdade aquilo.
– Eu não disse tal coisa, real senhor; mas como a rainha, minha
senhora, afirmou-o, vou tentar fazê-lo.

Língua Portuguesa 107


O sargento Verde saiu dali muito triste e sentou-se à porta da casi-
nha que lhe haviam dado para morar, quando seu cavalo o sossegou,
dizendo:
– Não tenha receio. No dia marcado, faça o que tem de fazer.
Assim sucedeu; e a rainha ficou desesperada, vendo-o executar
fielmente o que ela havia inventado.
Algum tempo depois, ela tentou novamente seduzi-lo; mas, como
da primeira vez, ele não quis atraiçoar o rei.
– Saiba Vossa Majestade que o sargento Verde disse ser capaz de
plantar uma laranjeira pequenina, à hora do almoço, e que, à hora do
jantar, já estará carregada de laranjas.
O rei chamou-o e mandou fazer aquele milagre; tendo o sargento
consultado o seu cavalo, conseguiu executá-lo, com grande mágoa da
rainha, que queria vê-lo enforcado.
Mas a perversa criatura nem por isso cessou de persegui-lo; e, pela
terceira vez, dirigiu-se ao rei:
– Saiba Vossa Majestade que o sargento Verde declarou ser capaz
de ir ao fundo do mar e tirar a princesa, que ali está encantada.
Carolina, dessa vez, quase morreu de desânimo, julgando impossí-
vel sair-se bem daquela dificílima empreita.
O cavalo, porém, acalmou-a, aconselhando:
– Muna-se a senhora de um garrafão de azeite, de um punhado de
cinza e de um agulheiro. Monte em mim; chegue à praia e, com a es-
pada, corte as ondas em cruz, as águas hão de se abrir. Entre pelo mar
adentro; chegará à caverna, onde jaz a princesa encantada. Aí encon-
trará um dragão-marinho, que guarda a moça. Roube-a, monte-a na
garupa e corra a todo galope. O monstro há de persegui-la. Assim que
estiver quase a nos pegar, derrame primeiro o azeite; depois a cinza; e,
por último, o agulheiro.

108 7º. ano


Carolina procedeu como lhe ensinara o cavalo. Entrou no mar;
raptou a princesa; partiu a todo dar.
O dragão-marinho perseguiu-a. Quando ia quase pegando-a, ela
derramou o garrafão de azeite; formou-se uma grande lagoa, onde o
dragão se meteu, quase se afundando.
Conseguiu, finalmente, vencer o primeiro obstáculo; e seguiu no
encalço dos fugitivos.
Ia novamente alcançá-los. Carolina despejou a cinza. Formou-se
um nevoeiro espesso atrás dela, como se fosse uma montanha.
O monstro, depois de inúmeras dificuldades, passou e voou.
Ia quase pegar o sargento Verde, quando este espalhou o agulheiro.
Apareceu uma cerca de espinhos, que entraram no corpo do dragão-
-marinho, matando-o logo.
Chegando ao palácio, o sargento Verde contou a sua história e vol-
tou a ser a formosa Carolina. A rainha foi condenada à morte para cas-
tigo das suas diversas mentiras.
Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000137.pdf

Questão 1
Após a leitura, podemos concluir que este se trata de um texto:
a) descritivo. c) dissertativo.
b) informativo. d) narrativo.
Questão 2
No texto apresentado, podemos afirmar que a situação inicial se carac-
teriza:
a) pelo casamento de Carolina com o formoso jovem.
b) pela transformação da bela moça no sargento Verde.
c) pela batalha do Sargento Verde com o dragão-marinho.
d) pela morte da rainha.

Língua Portuguesa 109


Questão 3
O texto apresentado está localizado em qual tempo?
a) Presente, pois as ações estão acontecendo no momento em que
são contadas.
b) Futuro, pois as ações estão sendo previstas.
c) Passado, pois as ações relatadas já aconteceram.
d) Imperativo, pois as ações são caracterizadas por ordens e conse-
lhos.
Questão 4
Sobre o narrador da história podemos concluir que:
a) é um narrador onisciente, ou seja, ele não participa da história.
b) é um narrador-personagem, pois ele participa da história.
c) é um narrador em primeira pessoa.
d) é um narrador irônico, que faz comentários engraçados durante a
história.
Questão 5
O trecho “Não; vá você na frente, que sabe o caminho de sua casa.” pode
ser classificado como uma frase:
a) exclamativa.
b) interrogativa.
c) negativa.
d) imperativa.

110 7º. ano


Observe a propaganda para responder às questões 6 a 10.

Publicidade Projeto Tamar. Disponível em: http://www.tamar.org.br/interna.php?cod=122.

Questão 6
Em relação à propaganda apresentada, podemos concluir que ela pre-
tende:
a) divulgar um projeto.
b) vender um produto.
d) anunciar um curso.
d) vender um serviço.

Língua Portuguesa 111


Questão 7
Essa propaganda se dirige a que tipo de público-alvo?
a) Idosos. c) Adultos.
b) Jovens. d) Todo tipo de público.
Questão 8
Nessa propaganda, temos a utilização de um texto que chama a aten-
ção do leitor e que se refere a uma imagem de uma tartaruga nadando.
O texto, junto à imagem, pretende:
a) comparar o tempo de existência do projeto com o tempo de exis-
tência da empresa que o patrocina.
b) realçar o tempo de existência do projeto, comparando a tartaruga
nadando com um pássaro voando.
c) pedir doações para o projeto por meio da imagem da tartaruga.
d) sinalizar para a preocupação que devemos ter com o meio am-
biente.
Questão 9
A expressão “até que estes quinze anos passaram voando” significa que:
a) os quinze anos demoraram para passar.
b) os quinze anos não passaram.
c) os quinze anos passaram rapidamente.
d) os quinze anos foram lentos.
Questão 10
Na oração: “O mar não está para peixe”, podemos concluir que o sujeito
é:
a) o mar.
b) o peixe.
c) está.
d) para.

112 7º. ano


Nome:___________________________________________________________
_________________________________________________________________

Turma:________________________ Data:______________________________

Folha de respostas
Língua Portuguesa
Caderno 3 Lições 11 a 15

Para cada questão, pinte apenas um quadradinho.


Observe no exemplo, a forma correta de preenchimento.

A B C D

01 A B C D

02 A B C D

03 A B C D

04 A B C D

05 A B C D

06 A B C D

07 A B C D

08 A B C D

09 A B C D

10 A B C D
Lição 16
SONETO

Os poemas denominados sonetos são característicos por apresen-


tar uma estrutura fixa, com quatro estrofes, das quais as duas primeiras
são quartetos, compostos por quatro versos, e as duas últimas, tercetos,
estrofes compostas por três versos.
Na estrutura clássica, tanto os versos dos quartetos quanto dos
tercetos possuem dez sílabas poéticas, chamadas de decassílabos.
Veja o exemplo a seguir.

A Carolina
Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro


Que, a despeito de toda humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, – restos arrancados


Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa separados.

Língua Portuguesa 115


Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.
ASSIS, Machado. Poesias completas. Rio de Janeiro: Livraria Garnier, 1901.

Leia o soneto a seguir, de Fernando Pessoa.

Sonhei, confuso, e o sono foi disperso


Sonhei, confuso, e o sono foi disperso,
Mas, quando despertei da confusão,
Vi que esta vida aqui e este universo
Não são mais claros do que os sonhos são.

Obscura luz paira onde estou converso


A esta realidade da ilusão.
Se fecho os olhos, sou de novo imerso
Naquelas sombras que há na escuridão.

Escuro, escuro, tudo, em sonho ou vida,


É a mesma mistura de entre-seres
Ou na noite, ou ao dia transferida.

Nada é real, nada em seus vãos moveres


Pertence a uma forma definida,
Rastro visto de coisa só ouvida.
PESSOA, Fernando. Novas poesias inéditas. Lisboa: Ática, 1973, p. 93.

116 7º. ano


1 Sobre o que o soneto versa? Argumente sua resposta reproduzindo tre-
chos dele.

2 Sobre o que o soneto versa? Argumente sua resposta reproduzindo tre-


chos dele.

3 O poema é composto por quantos versos e estrofes?

4 Há rimas? Aponte algumas.

Língua Portuguesa 117


EDITOR COMPLETAR

118 7º. ano


EDITOR COMPLETAR

Língua Portuguesa 119


Lição 17 G EM
O RTA
E REP
NOTÍCIA

Embora tanto a notícia quanto a reportagem pertençam à área


jornalística, esses textos têm suas diferenças. A notícia apresenta acon-
tecimentos pontuais, cotidianos, têm compromisso em informar os
fatos, ser objetiva e trazer certa imparcialidade, tem como finalidade
a publicação imediata e o conteúdo é apresentado por meio de pirâ-
mide invertida, isto é, as informações mais relevantes são apresentadas
primeiro. Enquanto a reportagem trata o fato de uma forma mais am-
pla, traz pesquisas, dados, diálogos. Nesse caso, ela também apresenta
o ponto de vista do repórter e, normalmente, é assinada por ele. Há
uma apuração maior sobre os fatos, e o conteúdo tem uma duração
maior, ou seja, não se limita apenas ao cotidiano.

Texto 1
Celular ganha cada vez mais espaço nas escolas,
mostra pesquisa
Apesar de proibido na maior parte das salas de aula do país, o uso
do celular em atividades pedagógicas cresce ano a ano. Mais da me-
tade dos professores dizem que utilizam o celular para desenvolver
atividades com os alunos, que podem ser desde pesquisas durante as
aulas, até o atendimento aos estudantes fora da escola. O uso não se
restringe aos docentes: mais da metade dos estudantes afirmam que
utilizaram o celular, a pedido dos professores, para fazer atividades es-
colares. [...]
> TOKARNIA, Mariana. Celular ganha cada vez mais espaço nas escolas, mostra pesquisa. Agência Brasil, Brasília, 24
ago. 2018. Disponível em: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2018-08/celular-ganha-cada-vez-
-mais-espaco-nas-escolas-mostra-pesquisa>. Acesso em: 29 jul. 2019.

120 7º. ano


Texto 2
Sala de aula é lugar de celular?
Sim, os celulares podem ter aplicações positivas e pedagógicas,
mas eles também podem representar uma distração para crianças e
adolescentes (e convenhamos que nem adultos escapam desse proble-
ma). “Os alunos, hoje, em sua grande maioria, não possuem maturida-
de para esse tipo de autonomia. Com o dispositivo na mão, a chance de
chegar uma mensagem em um aplicativo de conversas e o aluno entrar
para ler e perder totalmente o foco é real e altíssima”, opina Stanley*.
[...]
* Jonas Stanley, vice-diretor pedagógico de uma rede de escolas
particulares presente no Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Paraná.
COUTINHO, Dimítria. Sala de aula é lugar de celular? Ada, São Paulo, 27 ago. 2018. Disponível em: <https://ada.
vc/2018/08/27/celulares-em-escolas/>. Acesso em: 8 abr. 2019.

1 Em relação aos trechos reproduzidos acima é correto afirmar que:’


a) O uso de celulares é permitido em na maior parte das salas de aulas
do Brasil
b) Os professores nunca recomendam o uso de celulares em sala de
aula.
c) Celulares não devem ter aplicações pedagógicas
d) Os celulares podem representar uma distração para crianças e ado-
lescentes.
Leia a reportagem:

Crianças que têm alimentação saudável são mais


felizes, diz estudo
Pesquisa analisou dados de mais de 7 mil crianças europeias
Por Crescer online 23/01/2018 16h30
O ditado “somos o que comemos” acaba de ganhar ainda mais res-
paldo científico. Um estudo da Universidade de Gothenburg, na Suécia,

Língua Portuguesa 121


analisou dados de 7675 crianças europeias entre 2 e 9 anos e descobriu
uma sólida conexão entre alimentação e bem-estar psicológico.
Quando o estudo começou, os pais dos participantes responde-
ram a um questionário indicando quantas vezes por semana os filhos
consumiam determinados tipos de alimentos. As crianças então rece-
beram uma tabela mostrando que mudanças deveriam fazer para ter
uma dieta mais saudável, consumindo menos açúcar e gordura e mais
frutas e vegetais.
Após 2 anos, elas foram entrevistadas sobre autoestima, proble-
mas emocionais e relacionamentos com pais e colegas. Os estudiosos
descobriram que as crianças que mantiveram uma alimentação sau-
dável no período demonstraram ter mais autoestima e melhores rela-
cionamentos com os colegas do que as que não seguiram as recomen-
dações alimentares.
O resultado foi independente do peso das crianças e da situação
socioeconômica de suas famílias, o que surpreendeu os pesquisado-
res. Mesmo crianças acima do peso que mantiveram uma alimentação
saudável demonstraram ter boa autoestima.
Disponível em: https://revistacrescer.globo.com/Voce-precisa-saber/noticia/2018/01/ criancas-que-tem-alimenta-
cao-saudavel-sao-mais-felizes-diz-estudo.html. Acesso em: 29 jul. 2019.

2 Agora responda:
a) O que os estudiosos da Universidade de Gothenburg, descobriram
quanto a conexão entre alimentação e bem-estar psicológico?

b) Quantas crianças e em que faixa etária foram analisadas?

122 7º. ano


3 Observe a imagem a seguir.

a) O que é o abandono de animais?

b) Por que as pessoas abandonam animais?

c) Qual solução você apresentaria para esse problema às autorida-


des?

Língua Portuguesa 123


4 Com base nas questões levantadas anteriormente, escreva um texto no
formato reportagem a respeito do abandono de animais. Não esqueça
de incluir título e subtítulo que chamem atenção ao seu texto.

124 7º. ano


5 Agora é a sua vez! Vamos mudar a notícia. Escolha um dos temas a se-
guir e produza uma pequena notícia sobre ele
a) Como gerir melhor nossos recursos hídricos?
b) Por que alimentar-se de maneira saudável produz bem-estar?

Língua Portuguesa 125


Lição 18
F IA
BIOGRA

Biografia é um texto em que são narrados fatos ou histórias da


vida de uma pessoa ou figura histórica. O texto é narrado em terceira
pessoa, possui cronologia dos fatos e traz aspectos da vida de alguém.

Clarice Lispector
Clarice Lispector (1925-1977) foi uma escritora e jornalista brasi-
leira, de origem judia, foi reconhecida como uma das mais importan-
tes escritoras do século XX. Fez parte do Terceiro Tempo Modernista,
que com seu romance inovador e com sua linguagem altamente poéti-
ca, põe em xeque os modelos narrativos tradicionais. “A Hora da Estre-
la” foi seu último romance, publicado em vida.
Disponível em: <https://www.ebiografia.com/clarice_lispector/>. Acesso em: 30 jul. 2019.

1 De acordo com o texto, em que ano nasceu Clarice Lispector?

126 7º. ano


2 A “põe em xeque os modelos narrativos tradicionais” refere-se:
a) ao romance
b) à Clarice Lispector
c) ao Terceiro Tempo Modernista
d) à linguagem poética
3 Agora, é a sua vez de elaborar uma biografia. Escolha um colega ou al-
guém de sua família e escreva a biografia.

Língua Portuguesa 127


EDITOR COMPLETAR

128 7º. ano


EDITOR COMPLETAR

Língua Portuguesa 129


EDITOR COMPLETAR

130 7º. ano


EDITOR COMPLETAR

Língua Portuguesa 131


Lição 19 L
O T E ATRA
TEXT

O texto teatral é outra forma de apresentar uma história. Ele foi


produzido com um propósito de ser encenado, por isso mostra diver-
sas indicações – as rubricas – sobre como o personagem ou ator tem
de se comportar em cena, ou como deve se movimentar. Normalmen-
te é dividido em atos.

Veja um exemplo de texto teatral:

UM CREDOR DA FAZENDA NACIONAL


PERSONAGENS:
Credor
Porteiro
Um Major
Um Contínuo
Empregados da repartição
Outros: credor
Leopoldino, Contador
Chefe de seção
Sr. Barbosa

ATO PRIMEIRO
UM CREDOR - (entrando em uma repartição pública; para o Porteiro)
- Está o Sr. Inspetor?

132 7º. ano


PORTEIRO - Está; mas não se lhe pode agora falar.

CREDOR - Por quê?

PORTEIRO - Está muito ocupado!

CREDOR - Em quê?

PORTEIRO - Tem gente aí com ele.

CREDOR - Quem é?

PORTEIRO - Um Major!

CREDOR - Demorar-se-á muito?

PORTEIRO - Ignoro.

CREDOR - Pois diga-lhe que lhe quero falar!

PORTEIRO - Não posso ir lá agora.

CREDOR - Quantas horas estarei eu aqui à espera que o Sr. Major saia
para que eu entre! (Passeia). (O MAJOR, saindo e encontrando-se com
o Credor.)

CREDOR (para o MAJOR) - Oh! O Sr. por aqui! Julgava-o quem sabe
onde! Disseram-me que tinha ido para Rio Pardo há dias!

MAJOR - Tenho tido aqui numerosos afazeres, por isso não sei quando
irei.

CREDOR - Fique certo que sinto o mais vivo prazer em vê-lo no gozo
da mais perfeita saúde.

Língua Portuguesa 133


MAJOR - Onde é aqui a tesouraria?

CREDOR - Na Tesouraria estamos; mas o Tesoureiro está lá embaixo.

PORTEIRO - Lá, não; lá está o pagador!

CREDOR - Ah! Então é cá em cima; porém nos fundos; creio que na


última sala.

MAJOR - Então para lá vou. (Segue.)

CREDOR - Agora entro eu. (Dirigindo-se à repartição.)

PORTEIRO - Está lá o Sr. Leopoldino Contador!

CREDOR - Ë célebre! Então vou à seção respectiva saber se foi informa-


do o meu requerimento! (Caminha, e entra.)

PORTEIRO - Que diabo de homem este! Tem vindo mais de um cento


de vezes à repartição... se há de...

CONTÍNUO - Faz ele muito bem vir cá ! Deve-se lhe, por que não se lhe
há de pagar?

CONTÍNUO - Homem; isso é verdade! Qual a razão por que esta repar-
tição há de paliar meses e anos!?

PORTEIRO - Custa a crer a retardação de pagamento ou a preguinha,


segundo dizem alguns empregados!

CONTÍNUO - O caso é que ele tem procedido sempre com a maior


prudência!

134 7º. ano


PORTEIRO - Isso é verdade. Mas quantos terão sofrido pela falta de
cumprimento de deveres de alguns funcionários públicos?

CONTÍNUO - Ë verdade! Tem havido tantos males, que enumerá-los


talvez fosse impossível.

PORTEIRO - Mas tu sabes o que os empregados querem? Talvez não


saibas. Pois eu te digo:

1º - Acabar com a Monarquia Constitucional e Representativa!

2º - Pôr termo às repartições públicas; isto é, acabarem com todas es-


tas imposturas!

3º - Mudar a forma de governo para República.

4º - Fazerem uma liga entre todos que...

CONTÍNUO - (pondo as mãos na cabeça e puxando as orelhas) - Estás


louco! Homem! D’onde vieram-te esses pensamentos!? Se não mudas
de modo de pensar, vais parar à Caridade.

PORTEIRO - Ah! Tu não ouves! És surdo! Não vês. Tens olhos e não
enxergas! Ouvidos, e não ouves! Só falas! Tu verás a revolução que em
breve se há de operar! Olha; eu estou vendo o dia em que entra por aqui
uma força armada; vai aos cofres, papéis. e rouba quanto neles se acha.
Acende um facho, e laça fogo em tudo quanto é papéis.

[...]

QORPO-SANTO, José Joaquim de Leão. Teatro completo. São Paulo: Iluminiuras, 2011, p. 232-239.

Língua Portuguesa 135


Leia o texto a seguir:

3º ato
Padre: Não benzo de jeito nenhum.
Chicó: Mas padre, não vejo nada de mal em se benzer o bicho.
João Grilo: No dia em que chegou o motor novo de Antônio Morais o
senhor não benzeu?
Padre: Motor é diferente, é uma coisa que todo mundo benze cachorro
é que eu nunca ouvi falar.
Chicó: Eu acho cachorro uma coisa muito melhor do que motor.
Padre: É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo o cachorro.
João Grilo: É, Chicó, o padre tem razão. Quem vai ficar engraçado é ele
e uma coisa é benzer motor de Major Antônio Morais e outra é benzer
cachorro de Major Antônio Morais.
Padre: Como?
João Grilo: Eu disse que uma coisa era motor e outra era cachorro de
Major Antônio Morais.
Padre: E o dono do cachorro é o Major Antônio Morais?
João Grilo: É, eu não queria vir, com medo de que o senhor se zangasse,
mas o Major é rico e poderoso e eu trabalho na mina dele. Com medo
de perder meu emprego, fui forçado a obedecer; mas disse a Chicó:
padre vai se zangar.
Padre: Zangar que nada, João! Quem é um ministro de Deus para ter
direito de se zangar? Falei por falar, mas também vocês não tinham
dito de quem era o cachorro!
João Grilo: Quer dizer que benze, não é? Padre: E você, o que é que
acha?
Chicó: Eu não acho nada demais!
Padre: Nem eu, não vejo mal nenhum em se abençoar as criaturinhas
de Deus!

136 7º. ano


João Grilo: Então fica tudo na paz de Deus, com cachorro benzido e
todo mundo satisfeito.
Padre: Diga ao major que venha. Eu estou esperando! (padre entra na
igreja)
[...]

SUASSUNA, Ariano. O auto da compadecida. Rio de Janeiro: Agir, 2005.

1 O enredo é construído em cima de qual conflito?

2 Explique por que o Padre mudou de ideia quanto ao benzimento do


cachorro.

3 Observe a frase:
“Padre: Diga ao major que venha. Eu estou esperando! (padre entra na
igreja)”
Explique com suas palavras por que o final da frase “(padre entra na igre-
ja)” está entre parênteses.

Língua Portuguesa 137


0
Lição 2 ÃO
E O P I N I
D
ARTIGO

O artigo de opinião é amplamente aplicado no contexto jornalísti-


co, principalmente jornais e sites. Esse gênero textual visa convencer o
leitor a respeito de uma opinião ou tema atual.

Veja um exemplo de artigo de opinião:

O Brasil queimou – e não tinha água


para apagar o fogo
Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã.
Então descobri que não tinha mais passado.
Diante de mim, o Museu Nacional do Rio queimava.
O crânio de Luzia, a “primeira brasileira”, entre 12.500 e 13 mil anos,
queimava. Uma das mais completas coleções de pterossauros do
mundo queimava. Objetos que sobreviveram à destruição de Pompeia
queimavam. A múmia do antigo Egito queimava. Milhares de artefatos
dos povos indígenas do Brasil queimavam.
[...]
O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O ex-
cesso de realidade nos joga no não tempo. No sem tempo. No fora do
tempo.
[...]
O Museu Nacional queimando. A PM impedia as pessoas de avançar
para tentar salvar alguma coisa. O Museu Nacional queimando. Ou-
tras pessoas tentavam furtar o celular e a carteira de quem tentava

138 7º. ano


entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos portões tentando
compreender como viver sem metáforas.
Brasil, é você. Não posso ser aquele que não é
[...]
Quando soube que o museu queimava, eu dividi um táxi com um jor-
nalista britânico e uma atriz brasileira com uma câmera na mão. “Não
é só como se o British Museum estivesse queimando, é como se junto
com ele estivesse também o Palácio de Buckingham”, disse Jonathan
Watts. “Não há mais possibilidade de fazer documentário”, afirmou
Gabriela Carneiro da Cunha. “A realidade é Science Fiction.”
Eu, que vivo com as palavras e das palavras, não consigo dizer. Sem
passado, indo para o Museu do Amanhã, sou convertida em muda. Es-
vazio de memória como o Museu Nacional. Chamas dentro de todo ele,
uma casca do lado de fora. Sou também eu. Uma casca que anda por
um país sem país. Eu, sem Luzia, uma não mulher em lugar nenhum.
A frase ecoa em mim. E ecoa. Fere minhas paredes em carne viva.
“O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em di-
mensões continentais.”
A frase reverbera nos corredores vazios do meu corpo. Se a primeira
brasileira incendiou-se, que brasileira posso ser eu?
O que poderia expressar melhor este momento? A história do Brasil
queima. A matriz europeia que inventou um palácio e fez dele um mu-
seu. Os indígenas que choram do lado de fora porque suas línguas se
incineram lá dentro. E eu preciso alcançar o Museu do Amanhã. Mas
o Brasil já não é o país do futuro. O Brasil perdeu a possibilidade de
imaginar um futuro. O Brasil está em chamas.
[...]
O Brasil está queimando.
E o meteoro estava dentro do museu.

BRUM, Eliane. O Brasil queimou e não tinha água para apagar o fogo. El País, 3 set. 2018. Disponível em: <https://bra-
sil.elpais.com/brasil/2018/09/03/opinion/1535975822_774583.html>. Acesso em: 7 ago. 2019.

Língua Portuguesa 139


Leia os textos a seguir.
Texto 1

Instagram deixa de mostrar número de curtidas das


postagens
Mudança põe tema entre os mais discutidos na internet
Usuários da rede social Instagram no Brasil perceberam hoje (17) uma
importante mudança. Entre os recursos da plataforma o número de
“curtidas”, também conhecidas como “likes” que uma publicação re-
cebe, não fica mais visível para todos os usuários. O tema foi um dos
mais discutidos do dia em outra rede social, o Twitter, e esteve entre os
mais buscados no Google.
A mudança no Brasil está entre os testes anunciados em abril deste
ano durante um evento de desenvolvedores do Facebook, empresa
controladora do Instagram.
A experiência faz parte de uma série de medidas que o Instagram vem
anunciando nos últimos meses para combater práticas nocivas na
rede, como o discurso de ódio ou o bullying na web. Tais ações são uma
resposta a críticas recebidas pela plataforma de que sua arquitetura
e lógica de funcionamento favoreceriam um ambiente prejudicial ao
bem-estar de seus integrantes.
[...]

VALENTE, Jonas. Instagram deixa de mostrar número de curtidas das postagens. Agência Brasil, 17 jul. 2019. Dispo-
nível em: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-07/instagram-deixa-de-mostrar-numero-de-curtidas-
-das-postagens>. Acesso em: 29 jul. 2019.

Texto 2

E o Instagram acabou com as curtidas


O Instagram deixou de mostrar publicamente o número de curtidas
em uma postagem. A medida, já testada em maio deste ano no Cana-
dá, entrou em funcionamento no Brasil no último dia 17. É um adeus

140 7º. ano


às publicações repletas de likes e às disputas pelo “troféu simbólico de
post mais curtido entre os coleguinhas de Instagram”.
O número de curtidas, até então, sempre foi uma das principais in-
formações públicas para medir a popularidade do post e do perfil de
seu autor. A busca incessante pelo maior número de curtidas em uma
postagem era uma prática da grande maioria dos usuários dessa rede
social e, por vezes, privilegiava-se o like em detrimento da qualidade.
O leitor deve ter visto que, publicamente, a principal justificativa oficial
para esta mudança foi proporcionar uma relação mais saudável entre
usuário e ferramenta, sem a preocupação obsessiva por likes. Faz sen-
tido, visto que na Inglaterra, em 2017, um estudo apontou o Instagram
como a rede social mais prejudicial para a saúde mental do ser humano.
[...]
As curtidas passaram a ser credenciais rumo ao estrelato, mas nem
todos estavam (e estão) preparados para lidar com as rejeições e insu-
cessos. Essa competição por atenção aumentou em proporções inima-
gináveis, e a curtida é apenas mais um ingrediente dessa receita nem
sempre digestiva.
Assim, de fato, a justificativa para o fim da exibição das curtidas é coe-
rente, e acredito que teve relevância para essa mudança. Mas o Ins-
tagram é uma empresa com fins lucrativos, e dizer que a única mo-
tivação foi a preocupação com o bem-estar do ser humano não me
convence. “Não existe almoço grátis”, e o histórico das mudanças nas
ferramentas das principais redes sociais nos últimos anos demons-
tra que a preocupação principal sempre é voltada para a perpetuação
da plataforma e aumento em suas receitas. Sempre há um desejo da
plataforma em querer manter-se no poder máximo da relação entre
usuário e ferramenta. Um desejo legítimo, pois, se há investimento, é
preciso haver retorno, e todos os termos de uso das redes sociais em
geral deixam claro que a autonomia para toda e qualquer decisão sem-
pre estará do outro lado da força. Infelizmente, não temos o hábito de
ler aqueles textos longos e (intencionalmente) prolixos dos termos de
uso, e clicamos em “aceitar” quase que por impulso.

Língua Portuguesa 141


[...]
Ocultar o número de curtidas é também uma forma de tentar reduzir
a independência na relação publicitária entre o produtor de conteúdo
e o anunciante. É importante lembrar que existe um mercado paralelo,
amplamente gerador de receitas, do qual a plataforma não participa
diretamente, em que o anunciante procura diretamente um influen-
ciador e negocia a divulgação do seu produto em posts do usuário. Isso
não vai deixar de existir de forma alguma, e tampouco pode ser con-
siderada uma prática ilegal, mas, quanto mais os anunciantes depen-
derem de informações oficiais da plataforma, maior será o controle
que plataforma tem sobre tudo que está sendo comercializado dentro
dela. Portanto, é importante também sempre ficarmos atentos a estas
mudanças repletas de “boa vontade” por parte das redes sociais.

RODRIGUES, Sandro. E o Instagram acabou com as curtidas. Gazeta do Povo, 24 jul. 2019. Disponível em: <https://
www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/e-o-instagram-acabou-com-as-curtidas>. Acesso em: 30 jul. 2019.

1 Quais são as semelhanças e diferenças entre os textos apresentados?

142 7º. ano


2 Exponha quais são os argumentos usados para sustentar o Texto 2.

3 Qual é o sentido dado às aspas no trecho: “Portanto, é importante tam-


bém sempre ficarmos atentos a estas mudanças repletas de “boa vonta-
de” por parte das redes sociais”?
a) Metalinguagem
b) Ironia
c) Citação de outro autor
d) Estrangeirismo
4 Por que o articulista afirma: “Não existe almoço grátis”?

Língua Portuguesa 143


e n tos
m
sc o nheci
s e u
sta n do
Te

Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 4.

Satélites do tamanho de latinhas foram à procura de


vida no espaço
Quinta edição da CanSat Portugal aconteceu em Santa Maria, nos
Açores. Ao todo, as 16 equipes participantes centraram-se em procu-
rar vida no espaço, mas também em reflorestar o país.
Há um ano, Ricardo Sousa estava do outro lado da competição CanSat,
na expectativa do lançamento final do microssatélite feito à imagem
de uma lata de refrigerante. Ocupava a tenda de trabalho dos estudan-
tes e dos professores do ensino secundário, a alguns metros da pista do
aeroporto de Santa Maria, e preocupava-se com a antena que iria rece-
ber os dados de telemetria do pequeno CanSat (lata + satélite). “Olho
para os alunos e penso: ‘Sei o que estás a pensar, já passei por isso.’” A
equipe do jovem mariense venceu por duas vezes a competição nacio-
nal e chegou mesmo ao primeiro lugar europeu. Agora, com 21 anos,
Ricardo Sousa está a estagiar na empresa que presta apoio técnico ao
concurso – a Edisoft, gestora da Estação de Rastreio de Satélites da
Agência Espacial Europeia (ESA) na ilha açoriana – e responde às dú-
vidas das equipas que tentam a sorte neste ano. A equipe que venceu
o concurso no último fim de semana vai representar Portugal na fi-
nal da competição europeia de microssatélites, que também acontece
em Santa Maria, de 28 de junho a 1 de julho. “Neste momento, devem
preocupar-se em ligar o satélite e apontar a antena. Se não estiverem a
receber dados, é mau sinal”, vai descrevendo o antigo aluno da Escola
de Novas Tecnologias dos Açores, em Ponta Delgada. E é mesmo isso
que as 16 equipes participantes de todo o país vão fazendo, enquanto
a ordem de colocação das “latinhas” no lançador – que faz a vez de

144 7º. ano


um foguetão e é posteriormente acoplado ao ultraleve pilotado por
Rui Pacheco – não é dada. Fazem os últimos preparativos, afinam os
sistemas eletrônicos e montam estações terrestres na antiga pista de
“karts” de Vila do Porto, para seguirem a queda dos satélites, largados
aos mil metros de altitude ao som das comunicações do piloto com a
torre de controle do aeroporto.
A equipe do Colégio Luso-francês viajou do Porto com um objetivo claro:
“Medir a presença de microplásticos que estão em suspensão na atmos-
fera.”, assim se explicam a lupa binocular e o microscópio pousados na
mesa de trabalho. Palavra à professora de Biologia, Rita Rocha, que falou
na vez dos alunos mais tímidos: “O paraquedas tem uns discos brancos
embebidos numa solução de silicone. Em queda, tudo o que estiver em
suspensão, esperamos nós, fica agarrado aos discos, para ser analisado.”
Essa, que era a missão secundária da equipe LusoX, foi cumprida com
sucesso. Mas a primária, comum a todas as equipes – medição da tem-
peratura do ar e da pressão atmosférica e “transmissão por telemetria
dos parâmetros para a estação terrestre, pelo menos uma vez por segun-
do”, de acordo com o regulamento –, falhou.
A reflorestação do território nacional após os incêndios de 2017, por
meio do lançamento de sementes a partir dos microssatélites, foi um
propósito popular entre várias equipes. E tentar perceber se é possível
haver vida noutros planetas também reuniu o interesse de várias es-
colas. [...]

Disponível em: https://www.publico.pt/2018/04/30/ciencia/noticia/sao-satelites-do-tamanho-de-latinhas-e-foram-


-a-procura-de-vida-no-espaco-1815839

Questão 1
O texto pode ser caracterizado como um artigo científico pois:
a) apresenta a opinião de um autor sobre determinado assunto.
b) apresenta uma história fictícia sobre um tema.
c) apresenta dados e informações sobre uma competição científica.
d) apresenta o relato de uma viagem de aventuras.

Língua Portuguesa 145


Questão 2
Qual é a ideia principal do texto?
a) Falar sobre a viagem dos alunos para a cidade do Porto.
b) Falar sobre a realização de um evento científico.
c) Questionar se existe vida fora do planeta Terra.
d) Realizar o reflorestamento do país.
Questão 3
O texto apresentado possui algumas características que explicam o
tema ao leitor. Uma das formas que o autor utiliza para interagir com o
leitor é:
a) uso de aspas para identificar o discurso de especialistas.
b) linguagem informal e repleta de termos técnicos.
c) uso de mapas e de infográficos que comprovem as afirmações.
d) linguagem figurada, que fornece um sentido implícito ao texto.
Questão 4
No trecho: “A equipe do Colégio Luso-Francês viajou do Porto com um
objetivo claro: ‘Medir a presença de microplásticos que estão em sus-
pensão na atmosfera.”, podemos concluir que o que motivou a viagem
dos estudantes foi:
a) a necessidade de medir a temperatura atmosférica.
b) realizar o reflorestamento por meio de sementes lançadas por mi-
crossatélites.
c) realizar a medição de microplásticos.
d) participar de um experimento ambiental.
Leia o texto abaixo para responder às questões 5 a 10.

A FALTA DE ÁGUA PODE VOLTAR


O Nordeste brasileiro é conhecido principalmente pela escassez de água
que vem assolando a região há séculos. Entretanto, nos últimos tempos,

146 7º. ano


o Sertão (onde a seca é mais gritante) vem recebendo um importante
programa para reverter esse cenário de desolação e servir como alívio
para esse povo sertanejo que tem sofrido tanto com a seca que teima em
nos castigar ano a ano. O alento tem vindo por meio dos chamados “po-
ços semiartesianos”, que estão trazendo de volta a esperança aos nativos
e matando a sede do povo nordestino, pois esses poços têm a tecnologia
de retirar água do subsolo encontrada em grandes profundidades.
Esse é um programa que vem atendendo a minha cidade há algum tem-
po: a pequena Jaçanã, localizada no interior do Rio Grande do Norte, no
topo de uma serra árida, onde há crescente procura por essa ferramenta
que tem sido de suma importância, sobretudo para a agricultura local.
No entanto, há um paradoxo bem relevante que precisa ser levado em
consideração em relação a essa questão.
Para a maioria dos jaçanaenses, esse mecanismo de busca de água atra-
vés de poços profundos traz o otimismo e a esperança dos munícipes, já
que eles retiram a água do subsolo e a conduz a lugares antes inimagi-
náveis, beneficiando principalmente os agricultores, que começaram a
produzir mais e melhor, abrindo também espaço para o cultivo de novas
culturas, para o desenvolvimento da pecuária e, consequentemente, im-
pulsionando a economia local, principalmente por meio da irrigação do
maracujá e de outras tantas culturas agrícolas.
Entretanto, apesar dos benefícios que tais poços trazem, há quem defen-
da que o grande número de perfurações feitas no município, sem qual-
quer critério, e a retirada da água, sem qualquer restrição, têm provoca-
do o rebaixamento do nosso lençol freático, que tem se mostrado mais e
mais profundo, levando-o à escassez da água em algumas áreas, à redu-
ção da sua vazão e à seca total de alguns deles, tornando-os inoperantes.
De acordo com técnicos da Emater local, esses fatores acima citados se
devem principalmente às condições climáticas e geológicas do estado
do Rio Grande do Norte, onde 80% das terras de seu relevo estão sob a
rocha cristalina, na qual a água da chuva fica infiltrada em pequenas
fraturas e a parte arenosa faz a água evaporar mais rápido, nada tendo
a ver, portanto, com a quantidade de poços escavados. No meu modo

Língua Portuguesa 147


muito particular de perceber e analisar essa questão, já que sou filho de
agricultores e conheço bem a realidade da minha
terra, os poços tubulares são de fato importantes para amenizar os ter-
ríveis efeitos da crise hídrica aqui na região; porém, defendo veemente-
mente que suas perfurações só devam ser realizadas em áreas de extre-
ma necessidade e controladas pelos órgãos competentes para fazê-lo.
Creio que não podemos mais continuar com essa falsa impressão de que
a água é um recurso inesgotável e infinito, daí necessidade de usá-la com
respeito e moderação. Se os poços trazem alento para nós, sertanejos,
isso é ótimo, mas não podemos fazer uso deles desenfreadamente, agin-
do como se a água que eles puxam do subsolo estará ali abundantemen-
te para sempre.
Nesse sentido, preocupado com essa questão, defendo a criação de cam-
panhas educativas para viabilizar uma efetiva conscientização dos agri-
cultores a respeito da utilização dos poços com racionalidade, já que eles
são de extrema importância para a região e pouco se discute sobre o uso
racional na nossa comunidade.
A meu ver, outra forma de resolver essa questão seria a proibição da es-
cavação de poços muito próximos uns dos outros. Nesse sentido, seria
interessante que um sitiante contemplado com a escavação de um poço
em sua propriedade fosse obrigado a dividi-lo com outros agricultores de
sítios próximos.
Essa obrigação poderia vir com a criação de leis estaduais e municipais
específicas para tratar dessas questões, afinal, como dizia o escritor Ru-
bem Alves: “A água é um recurso que não pertence a apenas um indiví-
duo, mas a todos que vivem ao seu redor, e a sua preservação é o desafio
mais importante do momento presente”. Se não tivermos cuidado, a fal-
ta de água pode voltar!

Disponível em: https://www.escrevendoofuturo.org.br/arquivos/6138/textos-finalistas2016.pdf.

148 7º. ano


Questão 5
Qual é a temática central apresentada no texto (o assunto polêmico)?
a) A falta de água no sertão nordestino.
b) A quantidade de perfurações de poços semiartesianos.
c) A questão do solo arenoso, que dificulta a retenção de água.
d) A crença de que a água é um tipo de recurso inesgotável.
Questão 6
Qual é a solução apresentada pelo autor do texto para a questão polê-
mica abordada?
a) A proibição total da escavação de poços semiartesianos.
b) O fechamento dos poços já escavados.
c) A realização de campanhas educativas para a conscientização de
uso racional dos poços.
d) A utilização de caminhões-pipa para o abastecimento de água.
Questão 7
Podemos inferir que a linguagem utilizada no texto se caracteriza como:
a) formal, pois utiliza muitos termos teóricos e científicos
b) informal, pois utiliza termos como “matando a sede do povo nor-
destino”, aproximando-se do leitor.
c) não-verbal, pois é repleta de figuras e de imagens.
d) mista, fazendo uso de linguagem verbal e não verbal.
Questão 8
Na frase “Entretanto, nos últimos tempos, o Sertão (onde a seca é mais
gritante) vem recebendo um importante programa para reverter esse
cenário”, a expressão destacada se refere a uma locução adverbial que
representa:

Língua Portuguesa 149


a) lugar.
b) intensidade.
c) negação.
d) tempo.
Questão 9
Na frase “A água é um recurso que não pertence a apenas um indivíduo”,
a expressão “apenas” caracteriza:
a) Tempo.
b) Negação.
c) Intensidade.
d) Lugar.
Questão 10
Na expressão “[...] no Sertão, onde a seca é mais gritante”, podemos con-
cluir que o advérbio “onde” dá ideia de:
a) movimento.
b) lugar.
c) tempo.
d) intensidade.

150 7º. ano


Nome:___________________________________________________________
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Turma:________________________ Data:______________________________

Folha de respostas
Língua Portuguesa
Caderno 4 Lições 16 a 20

Para cada questão, pinte apenas um quadradinho.


Observe no exemplo, a forma correta de preenchimento.

A B C D

01 A B C D

02 A B C D

03 A B C D

04 A B C D

05 A B C D

06 A B C D

07 A B C D

08 A B C D

09 A B C D

10 A B C D