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Módulo I - Formação Básica em Fotografia

Uma breve história da fotografia


de Niépce à Kodak A primeira fotografia reconhecida remonta ao ano de
1826 e é atribuída ao francês Joseph Nicéphore Niépce.
Contudo, a invenção da fotografia não é obra de um só
Câmera escura autor, mas um processo de acúmulo de avanços por parte
As primeiras experiências fotográficas são de químicos e de muitas pessoas, trabalhando, juntas ou em paralelo, ao
alquimistas da mais remota antiguidade, que começaram longo de muitos anos.
a perceber através da câmara escura que ao colocar-se
um corpo iluminado em frente a um orifício em uma A imagem foi produzida com uma câmera, sendo exigidas
caixa escura, teremos a projeção invertida do objeto na cerca de oito horas de exposição à luz solar. Nièpce
parede oposta. chamou o processo de "heliografia", gravura com a luz do
Sol.
Mas foi Joseph Nicéphore Niépce quem obteve imagens
com cloreto de prata sobre papel e, em 1826, fez da sua
janela a primeira fotografia do mundo. A janela está
preservada até hoje.

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Uma breve história da fotografia
de Niépce à Kodak

daguerreotipia
Paralelamente, outro francês, Louis Daguerre, produzia com uma câmera escura efeitos visuais em um
espetáculo denominado "Diorama". Daguerre e Niépce trocaram correspondência durante alguns anos,
vindo finalmente a firmarem sociedade. Após a morte de Nièpce, Daguerre desenvolveu um processo com
vapor de mercúrio que reduzia o tempo de revelação de horas para minutos.
O processo foi denominado daguerreotipia. Daguerre descreveu seu processo à Academia de Ciências e
Belas Artes, na França e logo depois recorreu a patente do seu invento na Inglaterra.
A popularização dos daguerreótipos, deu origem às especulações sobre o "fim da pintura", inspirando o
Impressionismo.

Calotipo
Já britânico William Fox Talbot, que já efetuava pesquisas com papéis fotossensíveis, desenvolveu um
diferente processo denominado calotipo, usando folhas de papel cobertas com cloreto de prata, que
posteriormente eram colocadas em contato com outro papel, produzindo a imagem positiva.
Este processo é muito parecido com o processo fotográfico em uso hoje, pois também produz um negativo
que pode ser reutilizado para produzir várias imagens positivas.

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Uma breve história da fotografia
de Niépce à Kodak

"Você pressiona o botão,


nós fazemos o resto."
George Eastman

Foi com o uso deste slogan que a fotografia então popularizou-se como produto
de consumo a partir de 1888. A empresa Kodak abriu as portas com um discurso
de marketing onde todos podiam tirar suas fotos, sem necessitar de fotografos
profissionais com a introdução da câmera tipo "caixão" e pelo filme em rolos
substituíveis criados por George Eastman.

Desde então, o mercado fotográfico tem experimentado uma crescente evolução


tecnológica, como o estabelecimento do filme colorido como padrão e o foco
automático, ou exposição automática.
Essas inovações indubitavelmente facilitam a captação da imagem, melhoram a
qualidade de reprodução ou a rapidez do processamento, mas muito pouco foi
alterado nos princípios básicos da fotografia.

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Tipos de Câmeras
Pinhole Câmera digital monoreflex
É uma câmera artesanal que de pequeno formato
funciona através dos princípios da Câmera digital monoreflex de peque-
fotografia. Uma caixa escura, com no formato: É a câmera mais utilizada
um pequeno orifício. por profissionais.
Dá controle total de velocidade de
obturação, diafragma e ISO, as lentes
são intercambiáveis.

Câmera digital compacta Câmera digital monoreflex


(sem zoom óptico) de médio formato
Câmera digital compacta sem Câmera digital monoreflex de médio
zoom óptico: é uma câmera de formato: O sensor é maior, o que
baixo custo, bastante limitada e permite maior detalhamento e maior
com baixa qualidade. resolução.

Câmera digital compacta Câmera digital monoreflex


(com zoom óptico) de grande formato
Câmera digital compacta com Câmera digital monoreflex de grande
zoom óptico: São câmeras mais formato:
versáteis que já possuem a função Utilizada em fotos de altíssima
de zoom óptico, porém não é precisão. O fole permite correções de
possível trocar de lente. perspectiva.

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Partes da Câmera Fotográfica
Câmera digital monoreflex de pequeno formato (DSLR)

Acessórios

Filtros e adaptadores Tripés


CORPO Sensor Lente

Pentaprisma de topo
O desenho em perspectiva mostra a reflexão da
luz configuração mais usual de um pentaprisma
de topo em uma câmera reflex monobjetiva.

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Princípios da Fotografia
Lei da reciprocidade

O ingrediente principal da fotografia é a LUZ. Temos três maneiras de expor o sensor à luz. Pelo obturador, pelo
diafragma e pelo ISO. Cada uma destas opções trará uma característica estética para a imagem. Podemos comparar
a formação da imagem fotográfica com encher um copo de água.

Quanto maior o tempo escorrendo mais água sairá pela torneira. Quanto mais
tempo o sensor da câmera ficar exposto mais luz o atingirá.

Quanto maior a “boca” da torneira mais água passará de uma só vez. O mesmo
acontece com a abertura da objetiva em relação a luz.

A exposição correta de uma fotografia é como um copo cheio de água na medida


certa. Nem muito cheio e nem muito vazio.

Para encher o copo eu posso deixar a torneira mais tempo aberta (tempo de
obturador) ou posso aumentar a boca da torneira fazendo com que mais água
passe de uma vez só. (diafragma)

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Exposição

Como expor corretamente Ou seja: ao apontar para uma cena, você vai mexer nas configurações da sua câmera para que o ponteiro
fique centralizado, controlando a quantidade de luz que vai entrar pela lente.
A câmera possui um mecanismo feito para nos
ajudar a chegar na exposição correta: é o
fotômetro. Sub-Exposição Exposição Correta Super Exposição
Ao olhar para o visor da sua câmera, você verá
uma pequena régua parecida com esta:

O pequeno retângulo/ponteiro embaixo da


régua mostra o que a sua câmera acha da
exposição atual. Quando ele está exatamente
no meio, como na imagem acima, quer dizer
que sua câmera considera que a exposição está
equilibrada.
Se vai para a esquerda, ela considera que a
foto está subexposta, se vai para a direita,
superexposta. Falta luz, a foto fica escura. O que aparece na foto é o que O sensor foi atingido por luz
enxergamos, a quantidade de luz demais, a foto fica clara, com
Quando o ponteiro está à direita, a sua câmera está correta. pontos estourados.
está dizendo que há muita luz!
O resultado será uma foto superexposta. Sua câmera usa o fotômetro para medir uma cena de várias formas diferentes.
Os modos de medição permitem que você escolha o jeito mais adequado e assim trabalhe com o
Quando o ponteiro está à esquerda, a sua fotômetro de forma avançada.
câmera está dizendo que não há luz suficiente!
O resultado será uma foto subexposta. Para controlar essa luz, você vai usar três configurações: a abertura, o tempo de exposição e o ISO.

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Velocidade do Obturador
Esta é uma característica da câmera, refere-se ao tempo que o sensor ficará exposto a luz.
Como consequência estética a velocidade do obturador pode borrar ou congelar movimentos.
O tempo de obturação é fácil de ser compreendido pois é baseado nos segundos e nas frações de segundo.

Quando mais tempo você deixar o obturador aberto,


mais luz vai entrar e expor o sensor. Se você deixa
menos tempo, menos luz entra. Como o tempo de
exposição normalmente se mede em frações de
segundo, a maioria das câmeras mostra somente a
parte de baixo da fração.

Ou seja: se estou deixando meu sensor ser exposto à


luz durante 1/100 de segundo, a minha câmera vai
mostrar somente o número“100”.

Quando passamos a lidar com exposições mais


longas, de 1 segundo ou mais, a câmera mostra com À esquerda vemos os carros borrados porque foi utilizada uma velocidade baixa de obturação, que
uma apóstrofe: 1’ é um segundo. não foi suficiente para congelar os veículos, já na foto da direita a velocidade de obturação foi
aumentada possibilitando a visualização dos carros congelados em toda a cena.

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Abertura do Diafragma
É uma característica da objetiva. É o tamanho da abertura da objetiva por onde entra a luz. Quanto maior a abertura, mais luz chega ao sensor de uma só vez.
A consequência estética da abertura do diafragma é a profundidade de campo. Quanto maior a profundidade de campo mais planos da imagem estarão em
foco. Quanto menor a profundidade de campo menos planos estarão em foco na cena fotografada. Outros fatores que influenciarão na profundidade de
campo são:

1) A distância em que se encontra o seu primeiro plano: Quanto mais perto você estiver do seu primeiro plano, menor será a profundidade de campo.
2) O tamanho do sensor da sua câmera: Quanto maior o sensor, menor a profundidade de campo, menos planos em foco.
3) A distância entre os planos: Quanto mais distantes eles estiverem, maior o desfoque.
4) Tipo de objetiva utilizada: Objetivas tele-objetiva tem menor profundidade de campo do que as grande angular.

Note que na primeira foto temos apenas o plano na primeira lâmpada focado, conforme o diafragma é fechado maior a nitidez dos planos subsequentes.

Quanto maior a abertura, mais luz entrará, menor a profundidade de campo menor é o número da abertura.

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Iso
No filme o ISO se referia ao tamanho dos grãos de prata, que são sensíveis à luz. Já as câmeras digitais não possuem grãos de prata, porém o ISO se refere ao
tamanho dos sensores digitais que captam a luz. Portanto, o princípio é o mesmo. Como consequência estética para a imagem os ISO alto traz uma granulação
para a imagem. Já os ISO mais baixos produzem imagens mais limpas.

ISO 100 à 800 com menor granulação

Note que nos ISO mais baixos não há quase granulação.


Normalmente o ISO alto só é utilizado em situações de
baixíssima luz, quando o fotógrafo não quer utilizar o
flash.

ISO 1600 à 12300 com maior granulação

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Distância Focal
É uma característica da objetiva e refere-se a aproximação. Lentes que tem angulação mais aberta, são conhecidas como grande angular (< 50mm). As lentes
que se aproximam do ângulo de visão humana são conhecidas como normais (=50mm) e as lentes que aproximam e tem o ângulo mais fechado são as tele-ob-
jetivas (>50mm).

Quanto menor o número da distância focal, maior o ângulo que a lente


abrange. Existem lentes, chamadas de zoom que possibilitam a
variação da distância focal. Ou seja, eu posso ter desde uma grande
angular até um tele-objetiva em uma única lente.

Além de aproximar, ou se distanciar dos objetos as lentes possuem


características. As grande angulares tendem a ter um arredondamento
das bordas. Já as tele-objetivas tem menor profundidade de campo.

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Fotômetro e Fotometria
É o dispositivo que serve de guia. Ele mostra quanto de luz está entrando no sensor.
Existem dois tipos de fotômetro o de luz refletida e o de luz incidente. O fotômetro de luz refletida vem acoplado em câmeras que possibilitam o controle
manual. Ele mede a luz que chega até o sensor e mostra qual a quantidade de luz necessária para que a exposição fique correta.
As três mais famosas medições de fotometria são a matricial, de centro ponderada e pontual.

medição matricial
Na medição Matricial (Multi-Segment) o equipamento faz uma medição
Fotômetro de luz incidente
da luz avaliando toda a área do sensor, dividindo-a por zonas, que na
maioria das vezes são 35 zonas

Centro de medição de média ponderada


Na medição Ponderada ao Centro (Average) o equipamento faz uma
medição da luz com uma média ponderada ao centro da luz é como se
fosse um efeito "Dégradé" do centro para as extremidades.

medição pontual
Fotometria Pontual fará a medição exata do ponto selecionado mesmo
ponto do foco. Na medição Pontual (Spot) o equipamento faz uma
medição da luz avaliando um ponto central no sensor, cerca de 3% do
mesmo.

O fotômetro de luz incidente é usado em


estúdios ou em cenas onde a luz é mais
controlada.

Ele mede a luz que chega até o objeto, por isso


é mais preciso. Porém sua utilização não é
rápida como o fotômetro de luz refletida,
encontrado nas câmeras.

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Balanço de branco (WB)
O balanço de branco (‘White Balance’ ou WB) é o processo de remoção de cores não reais, de modo a tornar brancos os objetos que aparentam ser brancos
para os nossos olhos. O correto balanço de brancos deve levar em consideração a “temperatura de cor” de uma fonte de luz, que se refere a quão ‘quente’
ou ‘fria’ é uma fonte de luz. Os nossos olhos são muito bem treinados para julgar o que é branco em diferentes situações de luz, mas as máquinas digitais
normalmente não conseguem fazer essa distinção. Um balanço de brancos incorreto gera imagens com predominância de cor (azul, laranja ou até verde).

Automático: Este é o modo que a máquina calcula automaticamente o balanço de brancos pela cor mais clara existente na imagem.

Luz do dia: Este modo deve ser usado em dias de sol onde existe bastante luz. Não deve ser usado em dias nublados ou de pouca luz, para isso
existem outros modos

Sombra: Este modo, tal como o ícone indica, deve ser usado em casos onde o objeto está à sombra mas o resto da imagem está com luz normal.

Nublado: Nos dias em que o céu está cinzento ou muito nublado onde a luz é menos intensa que um dia de céu limpo.

Luz Halogéneo: Este tipo de ambientes cria tons amarelados. É muito frequente tirarmos uma fotografia de noite e tanto os objetos como as
pessoas ficarem com tons amarelados. Esta opção serve para tentar corrigir essa alteração de tom.

Luz Fluorescente Branca: As fotografias tiradas em ambientes de luz fluorescente criam tonalidades azuladas. Se possível use sempre que tirar
fotografias em ambiente de luzes fluorescentes.

Flash: A luz do flash é intensa e produz muitos brancos que não são reais, se puder tente tirar uma fotografia com o balanço de brancos
automático e outra com este modo para poder comparar os resultados.

Customizável: Este sim é o melhor modo, porém dá mais trabalho pois teremos que escolher manualmente qual o balanço de brancos que
pretendemos. Mas acaba por ter um resultado melhor. Sua medição é feita em K(kelvin).

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Composição
Composição fotográfica é a seleção e o arranjo agradáveis dos assuntos dentro da área a ser fotografada.
O que torna uma fotografia mais atraente do que a outra? Colocando-se figuras ou objetos em determinadas posições. Às vezes, na mudança do ângulo de
tomada você pode deslocar sua câmera suavemente, acarretando numa mudança considerável na composição. Uma foto bem composta exige planejamento
e paciência.

Regra dos terços e Fração Áurea


Imagine a área da fotografia dividida simultaneamente em 3 terços verticais e horizontais, isto é, trace três linhas paralelas imaginárias no sentido horizontal
e no sentido vertical da fotografia. As interseções destas linhas imaginárias sugerem quatro opções para a colocação do centro de interesse para uma boa
composição.

Fração Áurea - Fibonacci | Henri Cartier Bresson Regra dos terços - Paisagem Regra dos terços - Retrato

A opção depende do assunto e como o fotógrafo quer que ele seja apresentado. Geralmente, fotos com assuntos centralizados, tendem a ter uma característi-
ca mais estática e menos interessante do que fotos com o assunto fora do centro. Você deve sempre considerar a direção do movimento dos assuntos, e
deixar um espaço na frente, dentro do qual possam se movimentar. Pode-se também aplicar a orientação da regra dos terços na colocação da linha do hori-
zonte em sua foto, pois a linha do horizonte dividindo a foto ao meio, dá uma sensação de estática. O mesmo vale para assuntos verticais. Estes pontos em
que se cruzam estas linhas chamam-se “Pontos de Ouro”.

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Flash TTl
O uso do Flash TTL efetua o cálculo de potência que será feito pela câmera utilizando seus sistema interno de medição, mesmo que sejam usados diversos
flashes ao mesmo tempo, sendo assim bem mais prático pois dispensará o tempo gasto com contas, dispensará o uso de um fotômetro de mão e será absolu-
tamente preciso, desde que o fotógrafo se dedique a estudar e treinar o suficiente.

O sistema TTL, de forma geral é o cálculo do disparo de um pré flash


antes do disparo final, que quase nunca vemos, ele é muito rápido e
ocorre numa fração de segundo antes da fotografia de fato ser tomada
pela câmera. O flash é disparado numa fração de sua potência e o
reflexo desse disparo prévio é medido pela câmera com o sistema TTL
que então determina a força necessária ao disparo final.

Além do reflexo da luz que é captado e medido, sendo essa a essência do


sistema TTL, muitas câmeras levam em conta a distância entre o objeto
fotografado e a câmera.

Com isso é possível para o equipamento tomar conclusões sobre a tonalidade ou reflexão do objeto fotografado. Já que objetos opacos e de tonalidade
média tem sua reflexão previsível, se a câmera captar um reflexo maior ou menor do que o previsto, é possível para o equipamento em algum grau com-
preender que o que está diante de suas lentes é algo mais claro ou mais reflexivo, ou mais escuro ou pouco reflexivo, e assim a câmera adapta a força de
disparo do flash às várias situações possíveis.

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Iluminação de Estúdio - Pessoas

Retratos - Portrait

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1: Luz de fundo
2: Luz principal
3: Luz de preenchimento ou Luz secundária
4: Fundo Infinito
5: Pessoa ou objeto que será fotografado
Barack Obama
6: Câmera
7: Bandeira (elemento de cena)

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Iluminação de Estúdio - Produtos

Flash direto: Utilizado apenas como último recur- Flash Rebatido: Com o flash direcionado para o Flash de cima: Direcionado acima do objeto, aqui
so possível, pois ele emite uma luz dura e direta, teto ou paredes, a luz bate e volta no seu assunto ele é utilizado apenas como demonstração e para
perdendo sombras e deixando o objeto mais deixando uma luz mais “natural” ganhando que você possa usar o flash em vários lugares do
“lavado” sem tridimensionalidade. volume e detalhes. Ao usar apenas quando o teto seu objeto e conseguir resultados totalmente
ou as paredes forem brancas, pois se for colorido a diferentes em cada situação.
luz vai rebater incidindo a luz do teto e prejudican-
do a sua fotografia.

Flash de cima com sombrinha: A suavidade está Flash direto a 45° do objeto: Podemos observar Flash com sombrinha, a 45° do objeto: Nota-se
na sombra e nos detalhes do objeto causam uma mais detalhes devido a luz “dura” que o flash uma luz mais suave, amplamente usada em
boa impressão e iluminando muito bem a cena. proporciona. estúdio, pois proporciona detalhes mais suaves
que a luz dura.

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Linguagem Fotográfica
Elementos de linguagem
Cada fotógrafo deve estar consciente da ação de fotografar, que além de "captar imagens", é um registro de sua opinião sobre as coisas, sobre o mundo. A
sua abordagem sobre qualquer tema o define e o expressa. Há aqueles que só aplicam a técnica fotográfica e outros que a utilizam como meio, extrapolando
o seu bidimensionalismo, expandindo-se no tridimensional da informação e da expressão. Cabe a nós adequarmos a fotografia aos nossos sentimentos, sensi-
bilidade e criatividade.

A fotografia tem linguagem própria e seus elementos podem ser manipulados pelo estudo e a pesquisa ou pela própria intuição do fotógrafo. Temos que
saber que o equipamento nos permite que a fotografia aconteça com certa precisão, mas estes aparatos somente são instrumentos que o fotógrafo utiliza
dependendo do seu posicionamento, conhecimento e vivência da realidade que pretende retratar. O fotógrafo deve utilizar o plano visual com elementos
precisos, como se fosse uma "mala de viagem", cuja ocupação requer racionalidade e utilidade dos componentes. É a elaboração criativa destes elementos
dentro do quadro visual , que permite a sintetização da idéia na retratação da realidade, não é somente o conjunto de processos de uma arte ou ciência, mas
um texto não verbal em que, na ausência de palavras, encontramos o silêncio da imagem que comunica.

O estudo dos elementos da linguagem fotográfica interessa não só pela capacidade narrativa desses elementos, como também pelo seu conteúdo dramático.

Como elementos da linguagem fotográfica temos:

Planos - corte, enquadramento


Foco - foco diferencial, desfoque, profundidade de campo
Movimento - em maior e em menor grau, estaticidade
Forma - espaço
Ângulo - posição da máquina
Cor - gradação de cinzas, as cores
Textura - impressão visual
Iluminação - sombras, luzes
Aberrações - óticas, químicas
Perspectiva - linhas
Equilíbrio e composição - balanço, arranjo visual dos elementos.

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Linguagem Fotográfica
Elementos de linguagem
Planos
Leva em relação o distanciamento da câmara em relação ao objeto fotografado, a organização dos elementos internos do enquadramento, onde verifica-se
que há distinção entre os planos e não somente uma diferença formal, cada um possui uma capacidade narrativa, um conteúdo dramático próprio.

Os planos se dividem em três grupos principais:

- Planos Gerais
- Planos Médios
- Primeiros Planos

Grande Plano Geral


O ambiente é o elemento primordial. O sujeito é um elemento dominado pela situação geográfica. A área do quadro é preenchida pelo ambiente deixando
uma pequena parcela deste espaço para o sujeito que também o dimensiona. Pode enfatizar a dominação do ambiente sobre o homem ou, simbolicamente,
a solidão.

Plano Geral
Neste enquadramento, o ambiente ocupa uma menor parte do quadro: divide, assim, o espaço com o sujeito. Existe aqui uma integração entre eles.

Plano Médio
É o enquadramento em que o sujeito preenche o quadro - os pés sobre a linha inferior, a cabeça encostando na superior do quadro, até o enquadramento
cuja linha inferior corte o sujeito na cintura. Eles permitem variações, sendo definidos muito mais pelo equilíbrio entre os elementos do quadro, do que por
medidas formais exatas. Os planos médios são bastante descritivos, diferem dos planos gerais que narram a situação geográfica, porque descrevem a ação e
o sujeito.

Primeiro Plano
Enquadra o sujeito dando destaque ao seu semblante. Sua função principal é registrar a emoção da fisionomia. O primeiro plano isola o sujeito do ambiente,
portanto, "dirige" a atenção do espectador.

Plano de Detalhe
Isola uma parte do rosto do sujeito. Evidentemente, é um plano de grande impacto pela ampliação que dá. Pode chegar a criar formas quase abstratas.

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Linguagem Fotográfica
Elementos de linguagem
Foco
Dentro dos limites técnicos, temos possibilidades de controlar não só a localização do foco, como também limitar ou quantificar oselementos que ficarão
nítidos. Além disso, podemos também trabalhar com a falta de foco, ou seja, o desfoque.

Podemos enfatizar melhor um elemento da fotografia sobre os demais, selecionando-o como ponto de maior nitidez dentro do quadro. A escolha depende
do autor mas a força da mensagem deve muito ao foco. É ele que vai ressaltar um certo objeto em detrimento dos outros constantes no enquadramento. A
pequena falta de foco de todos os elementos que compõem a imagem pode servir para a suavização dos traços, o contrário acontece quando há total nitidez,
que demonstra a rudeza ou brutalidade da realidade.

Movimento
O captar ou não o movimento do sujeito é também uma escolha do fotógrafo. Às vezes, um objeto é realçado quando a sua ação é registrada em movimento,
ou o movimento é o principal elemento. Outras vezes, a força maior da ação reside na sua estagnação, na visão estática obtida pelo controle na máquina.

Forma
Não se trata só do contorno; é o modo como o objeto ocupa o espaço. As possibilidades normais da fotografia, fornecem aspectos bidimensionais da imagem;
a forma, enquanto aspecto isolado, pode fornecer a sensação tridimensional. A maneira pela qual a câmara pode fornecer a sensação tridimensional,
depende de como as imagens são compostas com o uso de efeitos na perspectiva e a relação entre os objetos mais distantes e próximos.

Ângulo
A câmara pode ser situada tanto na mesma altura do sujeito, como também abaixo ou acima dele. Ao fotografarmos com a máquina de "cima para baixo" ou
de "baixo para cima" temos que nos preocupar com a impressão subjetiva causada por esta visão. A máquina na posição de "cima para baixo", tende a
diminuir o sujeito em relação ao espectador e pode significar derrota, opressão, submissão, fraqueza do sujeito; enquanto que o "baixo para cima" pode
ressaltar sua grandeza, sua força, seu domínio. Evidentemente estas colocações vão depender do contexto em que forem usadas.

Cor
É a mais imediata evidência da visão. Ela pode propiciar uma maior proximidade da realidade, limitando a imaginação do espectador, o que já não acontece
nas fotos “preto e branco” que nos fornece, nos meios tons, a sensação de diferença das cores. A escolha de “P&B” ou colorido, vai determinar diferentes
respostas do espectador, já que as cores também são uma forma de sugerir uma realidade enganosa. A cor pode e deve ser usada desde que sob um cuidado-
so controle estético.

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Linguagem Fotográfica
Elementos de linguagem
Textura
A textura fornece a idéia de substância, densidade e tato. A textura pode ser vista isoladamente. A superfície de um objeto pode apresentar textura lisa,
porosa ou grossa, dependendo do ângulo, dos cortes ou da intensidade ou não da luz. A eliminação da textura na fotografia pode causar impacto, uma vez
que é a forma de eliminar aspectos da realidade, distorcendo-a. A textura é elemento muito importante para a criação do real dentro da fotografia, embora
possa, também, desvirtuá-lo.

Iluminação
A iluminação fornece inúmeras possibilidades ao fotógrafo. Ela está interligada aos outros elementos da linguagem, funcionando de forma decisiva na
obtenção do clima desejado, seja de sonho, devaneio ou de impacto, surpresa e suspense. A iluminação pode enfatizar um elemento, destacando-o dos
demais como também pode alterar sua conotação.

Aberrações
As aberrações podem ser causadas quimicamente ou oticamente. Todas as deformações da imagem, que a técnica fotográfica nos permite usar, têm por sim
só conotações bastante marcantes. As deformações, causadas nas proporções das formas dos elementos da foto, fogem à realidade causando um forte
impacto. Outras aberrações, como a mudança dos tons das cores, podem criar um clima de sonho, de "fora do tempo". Todas estas mudanças da realidade
provocadas intencionalmente pelo fotógrafo, têm como objetivo primordial a alteração do clima de realidade e portanto, devem ser muito bem elaboradas.

Perspectiva
A perspectiva auxilia a indicação da profundidade e da forma, uma vez que cria a ilusão de espaço tridimensional. Ela se determina a partir de um ponto de
convergência que centraliza a linha, ou as linhas principais da fotografia.

Composição e Equilíbrio
A Composição é o arranjo visual dos elementos, e o equilíbrio é produzido pela interação destes componentes visuais. O equilíbrio independe dos elementos
individuais, mas sim do relativo peso que o fotógrafo dá a cada elemento. Desta maneira, considera-se que o mais importante para o equilíbrio é o interesse
que determinará a composição dos outros elementos, tais como: volume, localização, cor, conceituação. Como todos os outros elementos, o equilíbrio será
conseguido de acordo com os propósitos do fotógrafo, de evocar ou não estabilidade, conforto, harmonia, etc...

“As tentativas para se conseguir uma bela fotografia fazem com que as imagens geradas atráves das lentes não fiquem apenas gravadas na mente de quem
as realiza, mas sim impressa nos corações daqueles que as vêem com os mesmos olhos.”
Geraldo Hoffmann Júnior

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Anotações

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