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Técnicas em

Equipamento Fotográfico
Material Teórico
Parâmetros de Exposição

Responsável pelo Conteúdo:


Prof.ª Me. Elga Lilian Buck Martins

Revisão Textual:
Prof. Esp. Claudio Brites
Parâmetros de Exposição

• O que traz este módulo?;


• O Sensor e o Triângulo de Exposição;
• Pilares do Triângulo de Exposição;
• Fotometria.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Conhecer de forma individual os recursos que preparam a câmera
para cada situação fotográfica considerando a iluminação e a neces-
sidade de cada tipo de cena
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;

No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
UNIDADE Parâmetros de Exposição

O que traz este módulo?


Existe um conceito entre os praticantes de fotografia chamado point-and-shoot, que
significa literalmente apontar para o objeto e fotografá-lo de maneira automática,
sem modificar qualquer um dos parâmetros da câmera. Trata-se de uma abordagem
mais rápida, porém sem qualquer tipo de ajuste que possa ajudar na melhoria da
composição para deixar sua foto ainda mais interessante.

Entretanto, agora que você já está familiarizado com os tipos de câmera


digitais e a qualidade e resolução ofertadas por elas, é possível aprofundar-se em
como compreender o manuseio desses equipamentos explorando seus recursos e
testando diferentes resultados para cada tipo de combinação entre os componentes
da exposição da luz.

Para produzir uma imagem na fotografia digital, além de uma adequada


iluminação, você precisará de requisitos básicos como um equipamento apto a
registrar as imagens e ter conhecimento para manuseá-lo. Você também precisará
aprimorar seu senso estético, que se desenvolverá ao longo da aprendizagem e de
suas preferências.

Embora a etapa estética seja de extrema importância durante o processo de


criação de imagens, neste módulo você conhecerá as partes componentes do
triângulo de exposição, passo fundamental para que você possa compreender
como comandar o equipamento durante a entrada de luz em sua câmera, construindo
imagens nítidas e legíveis.
Explor

Documentário sobre evolução da fotografia: https://youtu.be/Pwrri5s7Xg8

O Sensor e o Triângulo de Exposição


Você já sabe que o sensor tem o papel de registrar a imagem e sua qualidade
está diretamente ligada ao seu tamanho e à quantidade de pixels que podem ser
registrados por ele, formando a imagem.

Embora ele seja uma parte fundamental no resultado de uma foto, ele não opera
sozinho. Para que a imagem seja gravada nesse sensor de forma eficiente, é neces-
sário um conjunto de fatores que trabalham juntos, permitindo que a luz chegue até
o fim de seu caminho em volume e tempo adequados, para cada tipo de situação.

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Você Sabia? Importante!

Você sabia que as primeiras câmeras digitais têm sua origem em pesquisas Norte
Americanas realizadas durante a Segunda Guerra Mundial? Somente a partir de 1981
a marca Sony disponibilizou para o mercado o modelo Mavica com resolução de 0,3
megapixels pelo valor de USD 12 mil. A capacidade de armazenamento dessa câmera
era de no máximo 50 imagens.

A fotografia acontece quando o sensor da câmera é exposto à luz pelo tempo


necessário até que a imagem seja registrada. No corpo da câmera, existem com-
ponentes que atuam de forma conjunta para que a fotografia aconteça, como você
pode verificar na Figura 1 a seguir:

Figura 1 – O corpo da câmera visto por dentro, destacando as lentes da objetiva, diafragma, obturador e sensor
Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images

Os fatores primordiais ligados à eficiência no uso do sensor são a sensibilidade


ISO, a velocidade do obturador e a abertura do diafragma. Juntos, eles formam o
triângulo de exposição, representado pela Figura 2:

Sensibilidade ISO
(sensor)

EXPOSIÇÃO

Velocidade Abertura
(obturador) (objectiva)

Figura 2 – O triângulo de exposição. Equilíbrio ente ISO, velocidade e abertura

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UNIDADE Parâmetros de Exposição

Enquanto o ISO é responsável pela qualidade de gravação da imagem no


sensor, o obturador se encarrega do tempo em que ele ficará exposto à luz e o
diafragma, da profundidade de campo e quantidade de luz que a objetiva receberá
para formar a cena.

ISO: sensibilidade do sensor, responsável pela qualidade da imagem.


Explor

Obturador: responsável pelo tempo de exposição do sensor à luz.


Diafragma: responsável pela profundidade de campo e volume de entrada de luz na objetiva.

Assim, o conteúdo a seguir fará o desdobramento de cada uma dessas etapas para
que você possa compreender e utilizar de forma correta o triângulo de exposição,
necessário para operar a câmera corretamente em modos não automáticos.

Pilares do Triângulo de Exposição


ISO
A expressão ISO significa International Organization of Standardization.
Diz respeito também a normas criadas especificamente para a área da fotografia,
ligadas à qualidade aceitável de ruídos para os padrões de leitura da fotografia
digital. Nesse caso,
o ISO é uma escala de medida da sensibilidade do sensor à luz, sendo
que, quanto menor a numeração, menor a sensibilidade do sensor/
película, tendo assim, um grão mais fino. Quanto maior o ISO, maior a
sensibilidade à luz. O uso do ISO elevado é ideal para locais com baixa
luminosidade, porém, ao se elevar muito o valor do ISO, aumenta-se
também o tamanho do grão, resultando em ruídos na imagem. No caso
da fotografia digital, os pixels se tornam maiores, bastando um simples
zoom para se enxergar os pontos que constroem a imagem (CURSO
GUIA BÁSICO, 2016, p. 32).

O ISO é para as câmeras digitais comparável (mas não substituto) a uma medida
conhecida como ASA nas câmeras analógicas, com uso de filme. Enquanto o ISO
pode ser alterado a cada foto, a numeração ASA era predefinida para todo o rolo de
película, não sendo permitida a mudança até todo o conteúdo fosse usado. Assim,
o filme era adquirido em ASA 100, 200, 400 ou 800, de acordo com a situação de
iluminação e tipo de cena esperada pelo fotógrafo. A medida equivalia para todas
as “poses” contidas nos filmes de 12, 24, 36 ou 48 fotos, não podendo ser alterada.
Hoje, com o avanço da tecnologia digital, as configurações são modificadas de
acordo com cada cena ou assunto a ser registrado.

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Existe um mito na fotografia digital de que o ISO posicionado em 100, por ser
um valor considerado baixo, é o ideal para a qualidade da imagem. É verdade que
valores menores tendem a manter uma gama variada de cores e granular menos
a imagem, como você pode observar nos exemplos das figuras 3 e 4, porém
ISOs mais baixos requerem maiores quantidades de luz. Dependendo da situação
de iluminação a que as cenas estão expostas, faz-se a escolha do valor ISO para
números maiores ou menores.

Figura 3 – Granulações resultantes da numeração ISO, combinadas à velocidade do


obturador e abertura do diafragma. Números menores representam menos ruídos na imagem
Fonte: fotografiaprofissional.org

Graduação do ISO

... 100 200 400 800 1600 3200 6400 ...

menor SENSIBILIDADE À LUZ maior

maior NITIDEZ menor

menor RUÍDO NA FOTOGRAFIA maior

maior RIQUEZA DE CORES menor

Figura 4 – Resultantes da graduação do ISO


Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images

Existem três pilares de regulagem para que uma fotografia tenha boas condições
de leitura: a sensibilidade ISO, a velocidade do obturador e a abertura do diafragma.
Por isso, quando combinados esses três pilares, são alcançados diferentes resultados
na fotografia, ampliando ou diminuindo a qualidade visual de acordo com cada
combinação e aproveitamento da luz que passa pela objetiva.

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UNIDADE Parâmetros de Exposição

Junto com a abertura e a velocidade do obturador, essa configuração de-


sempenha um papel fundamental na exposição de uma imagem. Os ISOS
baixos são por vezes descritos como “lentos”, porque usá-los faz com que
normalmente uma velocidade lenta do obturador seja necessária. Valores
altos costumam ser chamados de “rápidos” porque eles permitem que uma
velocidade “rápida” seja usada [...]. O sensor de imagem é receptivo à luz e
tem uma corrente eletrônica, ou sinal, que passa por ele e alimenta o pro-
cessador com a informação de imagem antes dos dados serem transferidos
para o cartão de memória. Quando você muda o ISO, na verdade não está
aumentando a sensibilidade do sensor à luz, mas, ajustando a intensidade do
sinal que passa por ele. Aumentar o sinal tem o efeito colateral indesejado
de aumentar o ruído que se torna mais visível nas fotos com ISOS rápidos.
Quanto maior o ISO, mais forte o sinal e, portanto, maior quantidade de
ruído presente nas imagens (GUIA FOTOGRAFIA DIGITAL, 2016, p. 30).

Daí a importância de compensar essa granulação típica de valores altos (ou


rápidos) do ISO através de velocidades mais altas ou aberturas maiores.

Um bom exemplo é uma foto produzida em competições esportivas, dentro de


museus ou espetáculos onde não é permitido o uso de flash. Em situações como
essas, é muito provável que o ISO posicionado em 100 não resulte em uma boa
foto, devido à baixa condição de luminosidade. Nesse caso, você poderá compensar
o aumento do ISO acelerando a velocidade do obturador.

Na prática, você pode testar a granulação de uma escala ISO mantendo a mes-
ma abertura do diafragma e modificando a velocidade da câmera, até encontrar o
equilíbrio (lembre-se de apoiar a câmera quando utilizar velocidades muitos baixas),
como mostram as figuras 5 e 6:

Figura 5 – Diferentes resultados utilizando ISOs extremos ofertados pela câmera DSLR Canon EOS Rebel T6i com
abertura do diafragma em f4.5 para todas as imagens. Foto realizada sem auxílio de flash. Luz ambiente
Fonte: Acervo do conteudista

Figura 6 – Imagem ampliada da tampa do frasco indicando a granulação resultante dos diferentes ajustes do ISO
Fonte: Acervo do conteudista

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Como conclusão do experimento acima, perceba que as três imagens parecem
satisfatórias até que sejam ampliadas. Veja com atenção:
• A imagem à esquerda parece satisfatória ao usar o ISO 100; contudo, note
que a velocidade para alcançar esse resultado é extremamente baixa, neces-
sitando, obrigatoriamente, de um ponto de apoio para a câmera. Não seria
uma boa ideia fazer esta foto com a câmera apoiada nas mãos ou com você
em movimento;
• A foto central, apesar do ISO bastante elevado, não perdeu qualidade, mantendo-
-se tão limpa de ruídos quanto a imagem em ISO 100 com a vantagem de
usar a velocidade um pouco mais elevada. Ainda que nesse experimento seja
necessário um apoio para a câmera, você provavelmente terá menos chances
de perder a foto por tremores no equipamento;
• Já a imagem da direita mostra que, mesmo utilizando a escala ISO em 12800,
ainda há uma ótima leitura; porém, quando em modo zoom, é possível ver a
quantidade de ruídos ocasionados pela alta exposição do sensor.

Importante! Importante!

Você pode perceber que a escala ISO oferece uma gama bastante grande de combinações
junto à velocidade e abertura da câmera, sendo adaptável a muitos tipos de situação,
ainda mais em áreas de sombra, pouca luminosidade ou onde não seja possível o uso
de flash. Ainda que com números ISO elevados, é possível conseguir uma boa foto.
Experimente treinar com objetos em casa.

Obturador
Enquanto o diafragma, nosso próximo assunto, está localizado dentro da ob-
jetiva, o obturador se encontra dentro da câmera, mais exatamente, na frente do
sensor. Ele opera como uma cortina, que, além de proteger o sensor, abre e fecha
permitindo que a luz chegue até ele para formar e gravar as imagens no cartão de
memória (MIYAGUSKU, 2007).

O obturador é a última barreira a ser vencida pela entrada de luz. Sua cortina
só fica aberta por alguns rápidos instantes, enquanto acontece o disparo. Assim
como o diafragma, o obturador pode ser comandado de forma manual, conforme
a necessidade do assunto, ou de forma automática, definida pela própria câmera,
que faz a leitura da luz e define esses pontos por conta própria.

Segundo Ramalho (2004), a velocidade com que essa cortina abre e fecha é
chamada de tempo de exposição. Esse tempo é expresso em frações de segundos
com valores que podem variar entre 30” (extremamente lento), 1”,1/2, 1/8, 1/30
(lento), 1/80 (normal), 1/250 (médio), 1/600 (rápido), 1/1000 (muito rápido),
1/4000 (extremamente rápido), dependendo do modelo da DSLR. Para uma cena
com bastante claridade, é necessário um tempo curto de exposição, ou de cortina

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UNIDADE Parâmetros de Exposição

aberta; já uma cena de baixa luminosidade precisa manter essa cortina aberta por
mais tempo, ampliando o tempo de exposição para que o sensor tenha condições
de registrar a informação.

Portanto, para definir a velocidade correta do obturador, alguns fatores iniciais


serão levados em conta, como a luminosidade do local e se o assunto está em
movimento ou parado.

Frações com números maiores = menor tempo de exposição.


Frações com números maiores = maior tempo de exposição à luz.

Note que na Figura 7, a seguir, o assunto está em movimento e, por isso, para
que a imagem seja congelada, é necessário usar uma fração mais elevada para o
tempo de exposição à luz.

1/500 1/250 1/125 1/60 1/30 1/15 1/8 1/4 1/2


Figura 7 – Tempo de exposição para assuntos em movimento.
Velocidade do obturador mais rápida para uma correta captura
Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images

Importante! Importante!

O obturador fica aberto somente durante o momento do disparo, em tempo pré-definido


pelo fotógrafo ou pelo modo automático da câmera.

Embora haja muitos modos automáticos nas câmeras atuais, você pode escolher
manipular o tempo de exposição para conseguir efeitos em suas fotos – como, por
exemplo, congelar um movimento através de uma velocidade alta ou capturar rastros
de movimentos com uma velocidade extremamente baixa, provocando o efeito blur.
Explor

Efeito blur (do inglês, borrão) é o efeito para cenas borradas, com pouca nitidez, provocado
pelo longo tempo de exposição do obturador.

Alguns modelos de câmeras DSLR possuem no seletor de modos um botão B


(Bulb) ou T (Time), permitindo que a obturador da câmera fique aberto pelo perí-
odo necessário para o registro de sua cena ou assunto. Outros modelos possuem
a marcação desse tempo nas opções de velocidade do equipamento, sendo as ve-
locidades mais baixas que o equipamento consegue operar (GUIA FOTOGRAFIA
DIGITAL, 2016).

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Um exemplo seria a captura de luzes noturnas, fogos de artifício ou movimentos
de astros no céu. As figuras 8, 9, 10 e 11 a seguir exemplificam velocidades
extremas para captura de movimentos:

Figura 8 – Rastros de luz noturna na Avenida Paulista em São Paulo.


Fotografia realizada em longo tempo de exposição do obturador
Fonte: iStock/Getty Images

Figura 9 – Pessoas em movimento no shopping. Lento tempo de exposição do


obturador para capturar os rastros de movimento, que vão além do assunto principal
Fonte: iStock/Getty Images

Figura 10 – Cavalos em movimento. Obturador operando em velocidades elevadas


Fonte: iStock/Getty Images

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UNIDADE Parâmetros de Exposição

Figura 11 – Beija-flor pousando (esq.) e levantando voo (dir.)


Fonte: Acervo do conteudista

A Figura 11 acima é um exemplo de diferentes resultados para a mesma cena


e o mesmo tempo de exposição. Ambas foram feitas com velocidade de 1/400,
contudo, na cena à esquerda, o pássaro pousou, desacelerando os movimentos;
enquanto que na cena à direita, o pássaro levantou voo, acelerando a batida das asas.

O resultado de efeito blur na imagem à direita seria minimizado se o tempo de


ajuste do obturador fosse elevado para 1/500, ou acima disso.

As objetivas profissionais possuem um complemento chamado estabilizador de


imagem. Ele permite a redução de ruídos nas fotografias mesmo em situações de
vibração do equipamento – como fotografar segurando a câmera nas mãos ou mo-
vimentar-se enquanto fotografa. Quando você utiliza uma lente sem estabilizador,
precisará redobrar sua atenção no momento da escolha dessa velocidade, assim cor-
rerão menos riscos de perder a nitidez de suas fotos por conta de ruídos na imagem.

Importante! Importante!

Ao fotografar com objetivas sem estabilizador de imagens, procure utilizar velocidades


acima de 1/60 se estiver com a câmera nas mãos, e acima de 1/90 se estiver se
movimentando. Caso contrário, é recomendado apoiar a câmera sobre uma superfície
estável, como um banco ou um tripé.

Por isso é tão importante compreender a relação de velocidade do obturador


versus a abertura do diafragma. Uma correta velocidade de exposição resultará em
imagens mais nítidas e iluminadas, ou ainda poderá produzir efeitos interessantes
como o congelamento de imagens. À medida que você for se familiarizando com as
ferramentas de formação da fotografia, explorar as possibilidades será uma tarefa
cada vez mais interessante.

Se você deseja congelar a ação de um movimento muito acelerado, como crianças ou animais
Explor

correndo, experimente um tempo de exposição mais rápido, com frações acima de 1/400.
Ao contrário, se deseja captar rastros de movimento, ou figuras estáticas, aumente esse
tempo de exposição com frações abaixo de 1/80. Lembre-se apenas de apoiar firmemente a
câmera se usar velocidades muito baixas. Saiba mais: https://goo.gl/m2tP6C.

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Diafragma
O diafragma é um mecanismo de lâminas metálicas situado dentro das lentes
objetivas. A objetiva é um conjunto de lentes que deverá concentrar e permitir
a passagem da luz refletida nas cenas, composições ou qualquer assunto a ser
fotografado. A luz que passa por ela segue caminho até o sensor da câmera para
gravar a imagem. Ela também é responsável pela distância focal, que será estudada
mais adiante (MIYAGUSKU, 2007).

Essas lâminas se movimentam em forma de abertura para permitir maior ou


menor entrada de luz na câmera através do orifício que se forma para a passagem
da luz – visto de forma ampliada na Figura 12:

Figura 12 – Vista do conjunto de lâminas do diafragma e orifício para a passagem de luz


Fonte: iStock/Getty Images

Durante a regulagem desse comando em sua câmera, será necessário compre-


ender a nomenclatura para essa abertura:
A unidade de medida dessa abertura é denominada “f-stop” e nas especi-
ficações das lentes das câmeras digitais vemos definições do tipo: 1, 1.4,
2, 2.8, 4, 5.6, 8, 11, 16, 22, 32 etc., sendo que o menor número indica
maior quantidade de luz e o maior número indica menos quantidade de luz
que passará pelo diafragma (MIYAGUSKU, 2007a, p. 12).

Maior abertura do diafragma = maior entrada de luz.


Menor abertura do diafragma = menor entrada de luz.

A leitura do tamanho para essa abertura é indicada pelo valor f/x. Quanto
maior o valor de f/x, menor será o orifício de abertura dessa objetiva. A exemplo:
enquanto em f/16 a abertura é bastante fechada, em f/1.4, o diafragma está
aberto em seu limite. Na Figura 18, a seguir, é possível perceber como as lâminas
se movimentam permitindo uma área menor ou maior para a passagem da luz.

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UNIDADE Parâmetros de Exposição

Figura 13 – Diferentes diâmetros de abertura do diafragma


Fonte: iStock/Getty Images
Explor

Numa situação de baixa luminosidade, você utilizaria o diafragma com maior ou


menor abertura?

Comparando com o dia a dia, é possível exemplificar com clareza através de


uma torneira que se abre para encher um copo de água. A abertura do diafragma
(no caso, a torneira) trabalha conjuntamente ao tempo em que o obturador leva
para abrir e fechar (movimento de abrir e fechar a torneira mais rápido ou mais
lentamente), permitindo a passagem dessa luz (aqui representada pela água) de
forma mais ou menos acelerada.

A Figura 14 esclarece essa relação, que forma o triângulo de exposição, onde


juntos, ISO, velocidade e abertura, operam para capturar a imagem com qualidade.

f/16 f/11 f/8

1/30 f/11 1/60 1/125

Figura 14 – Analogia para o triângulo de exposição e os diferentes números


de abertura do diafragma em relação ao tempo de exposição do obturador
Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images

A interpretação da imagem acima é uma relação que requer atenção. Enquanto


o relógio aponta o tempo de exposição à luz (função do obturador), a torneira
representa o diafragma, sendo a água o feixe de luz passando pelo diafragma; o
copo representa o sensor formando a imagem.

Note que, quanto maior a entrada de luz na câmera (dir.), mais rápido o
movimento do obturador, ou seja, menor o tempo de exposição a essa luz. É como
abrir e fechar rapidamente a torneira passando muita água por um orifício grande.

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Ao contrário, a imagem à esquerda mostra o relógio marcando um tempo de
torneira aberta muito maior, para que a água passe em volume menor por um
orifício pequeno e encha o copo na mesma proporção. Portanto, quanto menor a
abertura do diafragma (esq.), passando menos luz, mais lento deverá ser o tempo
de exposição a essa luz ao gravar uma imagem com a mesma qualidade.

A Figura 15 exemplifica a relação da imagem com as diferentes aberturas


conseguidas por uma objetiva de 50 mm. No exemplo, foi utilizado o mesmo valor
ISO 100 e o tempo de exposição de 1/80 para as três imagens.

Figura 15 – Abertura f1.8 (esq.), f2.8 (centro) e f4 (dir.).


Diferentes resultados de aproveitamento de luz e desfoque ao fundo
Fonte: Acervo do conteudista

Note que, nessa condição pré-determinada de ISO e velocidade, uma abertura


mais fechada em f4 permite menos entrada de luz na câmera. Assim, além de
resultar em uma foto mais escura, há também uma alteração na profundidade de
campo (nosso próximo assunto).

Poder controlar a abertura do diâmetro de sua objetiva lhe dará autonomia para
construir imagens melhor definidas, com foco selecionado e destaque para suas
composições, seja qual for o assunto.

Perceba na Figura 16 que a abertura do diafragma possui uma relação inversa


com a velocidade do obturador:

Figura 16 – Relação inversa entre abertura e velocidade para operar a entrada de luz até o sensor
Fonte: Santos, 2010

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UNIDADE Parâmetros de Exposição

Se você possui um equipamento que permite modificar os diâmetros de abertura do


diafragma, experimente realizar a experiência da Figura 15 utilizando os mesmos
parâmetros desse exemplo.

Distância focal e profundidade de Campo


A profundidade de campo está ligada ao tipo de objetiva usada na cena e como
ela perceberá o assunto principal, o que está à sua frente e atrás dele.

Essa diferença de posições é o que se pode chamar de distância entre os assuntos.


Ao capturar um assunto, a objetiva prioriza o que será motivo principal na cena,
mantendo seu foco sobre ele e desconsiderando a área restante; ou, caso não
haja um motivo principal, registrará com a mesma importância todos os assuntos
da composição, dependendo do tamanho da abertura projetada naquela situação.
Assim, dependendo do tipo de objetiva e tamanho da abertura, será possível obter
áreas com maior ou menor focagem em suas fotos (RAMALHO, 2004).

Em outras palavras, a profundidade de campo possui direta relação sobre a


focagem e nitidez de um assunto principal dentro da composição. É a parte da
fotografia responsável por obter os atraentes efeitos de “fundo desfocado” – não
como uma regra, mas como uma possibilidade a ser explorada em suas imagens,
sejam retratos, fotos de natureza, casamentos ou outras áreas.

Importante! Importante!

Não confunda efeito desfocado com efeito blur. O desfoque é controlado pela abertura
do diafragma e distância entre os planos. Já o blur, são rastros de movimento provocados
pelo longo tempo de exposição do obturador.

As objetivas operam com diferentes alcances de profundidade de campo.


Portanto, o desfoque na imagem possui relação direta com:
a) o comprimento focal da objetiva;
b) o tamanho da abertura do diafragma;
c) a distância da objetiva entre os planos a serem fotografados;

Para entender melhor cada um desses pontos, considere uma etapa de cada
vez. Veja na Figura 17 a seguir a relação do desfoque com o comprimento focal
da objetiva:

20
35MM

50MM

80MM

120MM
Figura 17 – Simulação de distância focal da objetiva
Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images

No exemplo acima, o fotógrafo que registrou a cena está parado em um mesmo


ponto e utilizando diferentes comprimentos focais para capturar a mesma imagem.
Quanto maior o comprimento focal da lente, mais o assunto principal se aproxima e
se destaca, sobretudo, em relação ao plano de fundo. Você também deve considerar
que o comprimento focal está ligado ao distanciamento mínimo ao qual a câmera
deve se posicionar em relação ao assunto principal. Quando a distância mínima de
focagem é desrespeitada, o botão de disparo trava, até que a câmera seja posicio-
nada de forma correta. Uma objetiva operando em 18 mm pode ficar fisicamente
muito mais próxima do assunto principal do que uma objetiva em 80 mm.

A segunda possibilidade está relacionada à abertura do diafragma. Uma grande


abertura do diafragma tem como vantagem principal a maior entrada de luz, mesmo
em ambientes pouco iluminados. Essa elevada abertura faz com que o assunto
principal salte ao primeiro plano, desfocando de forma severa os demais planos da
foto, como mostra a Figura 18:

21
21
UNIDADE Parâmetros de Exposição

Figura 18 – Lente Canon 50 mm 1.8. Sensibilidade ISO 2500, Velocidade 1/640, Abertura f1.8.
Note que posicionando o ponto de foco nos olhos da modelo, a lente despreza a nitidez para
os demais elementos da cena (pessoas ao fundo e confetes em primeiro plano)
Fonte: Acervo do conteudista

Por ser uma objetiva pequena e leve, em geral, as lentes 50 mm têm preços
acessíveis e operam com aberturas muito grandes como f1.8, f1.4 e f1.2. A mais
comum no mercado é a 50 mm f1.8, sendo também mais leve e mais barata
que as outras duas opções citadas. Essa objetiva é capaz de registrar closes com
grandes efeitos de desfocagem, mesmo em situações de pouca luz e trepidação do
equipamento. Assim, os diferentes efeitos de desfoque nas cenas tem direta ligação
com o tamanho da abertura do diafragma. Aberturas maiores priorizam assuntos
mais próximos à objetiva (mantendo a distância mínima) e desprezam outros planos
não priorizados; aberturas maiores consideram planos mais amplos ou distantes
com a mesma importância de foco (GUIA FOTOGRAFIA DIGITAL, 2016).

F1,4 F2 F2,8 F4 F5,6 F8 F11 F16 F22 F32


Figura 19 – Diferentes prioridades de foco da objetiva para cada tamanho de abertura
Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images

22
Na prática, perceba na Figura 20 que, ao diminuir a abertura do diafragma,
amenta-se o valor de f e também a profundida de campo. Enquanto na imagem à
esquerda só é possível ver a miniatura de torre Eiffell com clareza, à direita é possí-
vel até mesmo fazer a leitura dos títulos dos livros ao fundo da composição.

Figura 20 – Fotos realizadas com lente 50 mm com aberturas f2 (esq.), f8 (centro) e f16 (dir.)
Fonte: Acervo do conteudista

Importante! Importante!

Quanto maior o diâmetro da abertura, menor seu valor numérico e sua profundidade de
campo – a objetiva prioriza o que está mais próximo a ela. Ao contrário, quanto menor
o diâmetro da abertura, maior o seu valor numérico e sua profundidade de campo, reg-
istrando com nitidez não apenas partes de uma cena, mas o assunto em sua totalidade.

Com relação à distância da objetiva entre o assunto principal e o fundo, essa


medida também interfere no resultado de nitidez, ou efeito de desfoque na imagem.
Quanto mais distantes estiverem a objetiva, o assunto principal e o fundo, maiores
as chances de construir um efeito desfocado em suas imagens.

3m

1,5m

3m

50cm

4,5m

50cm

Figura 21 – Distância da objetiva em relação ao assunto x distância do assunto em relação ao fundo


Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images

23
23
UNIDADE Parâmetros de Exposição

Através do exemplo da Figura 21, fica claro que o melhor resultado de plano de
fundo desfocado aconteceu para a cena onde a objetiva estava mais próxima do
assunto principal, porém mais distante do fundo.

Você Sabia? Importante!

O modo de fotografia comercial fla tlay despreza a ideia de profundidade de campo.


Os objetos são fotografados como vistos de cima e não têm distância significativa entre
o assunto principal e o fundo. Assista: https://goo.gl/NURczC

Fotometria
Dentro da câmera, existe um sistema de medição denominado fotômetro. Esse
sistema conhecido como TTL (through the lens) é responsável por fazer a leitura
de entrada de luz através da objetiva e calcular o cruzamento de informações
entre a abertura do diafragma versus o tempo de exposição do obturador, além da
sensibilidade ISO, como já visto no triângulo de exposição.
Os fotômetros podem ser embutidos ou externos. Os fotômetros embuti-
dos nas câmeras calculam a luz que é refletida pelo objeto a ser fotogra-
fado, levando em conta a luz que será perdida ao passar pela objetiva. Já
os fotômetros externos trabalham com a luz incidente na cena, baseado
nas definições de sensibilidade do sensor estabelecidas pelo fotógrafo. A
principal diferença em relação ao fotômetro embutido é que não é ne-
cessário se preocupar com a cor do cenário ou com os objetos de forma
independente (GUIA CURSO DE FOTOGRAFIA, 2016, p. 32)

Nos visores de câmeras digitais, ele aparece como uma escala que varia para
números negativos (à esquerda) e positivos (à direita), tendo na marcação central o
que se considera um equilíbrio durante o disparo.

Figura 22 – Painel touch screen da câmera Cânon EOS Rebel T6i. O leitor do fotômetro
aparece destacado em moldura, abaixo dos valores de velocidade (esq.) e abertura (dir.)
Fonte: Acervo do conteudista

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O marcador do fotômetro se movimenta de forma linear nessa faixa de números.
Valores negativos indicam que há pouca luz chegando até o sensor, ocasionando
fotos mais escuras, subexpostas. Enquanto isso, números positivos mostram que
o sensor está recebendo mais luz do que precisa para registrar o assunto, resultando
em fotos cada vez mais claras, ou superexpostas.

Dessa forma, ao operar a câmera em modo manual, você compensará a fo-


tometria através dos ajustes de abertura do diafragma, velocidade do obturador e
sensibilidade ISO, quando necessário buscando uma imagem equilibrada.

Para medir a luz da composição, a objetiva precisa ser direcionada a encontrar


o ponto onde o fotógrafo deseja trabalhar. A medição dessa iluminação pode ser
realizada de forma total ou parcial.
Dependendo do modelo e da marca da câmera, você terá fotômetros mais
ou menos sofisticados que fazem a medição da luz necessária dividindo a ima-
gem em zonas. Existem três modelos de medição mais utilizados: o matricial,
o central e o pontual. Quando usadas no modo automático, o fotômetro faz
o ajuste automático de abertura do diafragma (RAMALHO, 2004, p.62).

Modo MATRICIAL: A medição de luz é feita para todos os pontos da composição, de uma
Explor

única vez.
Modo CENTRAL: A medição é feita como um todo, priorizando um ponto central, escolhido
pelo fotógrafo.
Modo PONTUAL: A medição é realizada a partir de um único alvo na cena, ignorando
demais áreas.
Fotos escuras: fotos subexpostas.
Fotos muito claras: fotos superexpostas.
Fotos equilibradas: definição de cores e destaque de formas, agradáveis aos olhos.

É recomendável a constante experimentação da fotografia, porém, ao testar


os modos de medição de luz, você pode considerar alguns fatores importantes.
Para cenas amplas, onde todas as partes da composição merecem destaque (como
paisagens e grupos de pessoas), você pode usar a medição matricial. Para cenas
com destaques de cores onde a iluminação é importante para toda a composição,
porém com destaque na área central da composição, tente a medição central
(ponderada). Se você deseja fotografar assuntos que devem aparecer destacados
em relação ao fundo, priorizando apenas a iluminação do assunto principal, tente
usar a medição pontual (spot) (GUIA CURSO DE FOTOGRAFIA, 2016).

Matricial Central Pontual


Figura 23 – Ícone dos modos de medição de luz pelo fotômetro

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UNIDADE Parâmetros de Exposição

A medição de luz ideal, portanto, é a que mais se aproxima do ponto central,


bastando que o resultado seja agradável aos olhos do fotógrafo e permita a
visualização de todos os detalhes desejados na composição, sem perder informações
da imagem, como demonstra a Figura 24:

Figura 24 – Câmera Canon EOS Rebel T6i, lentes 50 mm. Fotos realizadas com
abertura f1.8 e ISO 100. Velocidades 1/20 (esq.), 1/40 (centro) e1/100 (dir.)
Fonte: Acervo do conteudista
Explor

Analise as fotos acima e responda: por que as fotos à direita e à esquerda tiveram um
desequilíbrio da leitura da fotometria?

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Sites
História da Fotografia Digital
https://goo.gl/PV7zdg
Glossário de fotografia
https://goo.gl/PV7zdg
Veja a função do diafragma, obturador e ISO
https://goo.gl/kNMC7L
Como funciona o diafragma da câmera
https://goo.gl/ifj1WE
Sobre profundidade de campo
https://goo.gl/v4rpYX
https://goo.gl/v9pdTj

27
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UNIDADE Parâmetros de Exposição

Referências
DUBOIS, Philippe. O ato fotográfico e outros ensaios. 14. ed. São Paulo:
Papirus, 2012.

FABRIS, A. O desafio do olhar: fotografia e artes visuais no período das vanguardas


históricas. v. 1. São Paulo: Martins Fontes, 2011.

GUIA CURSO DE FOTOGRAFIA. Fotografia – básico I. São Paulo: Editora On-


Line, 2016.

GUIA DE FOTOGRAFIA PARA INICIANTES. São Paulo: Editora Europa, 2014.


(Biblioteca Fotografe)

GENERICO, Tony. Estúdio – fotografia, arte, publicidade e splashes. Santa


Catarina: Editora Photos, 2011.

LEITE, Enio. Fotografia digital: aprendendo a fotografar com qualidade. São


Paulo: Editora Viena, 2014.

MIYAGUSKU, Renata H. M. Curso prático de fotografia digital com CD. São


Paulo: Digerati Books, 2007.

RAMALHO, José A. Escola de fotografia – o guia básico, da técnica a estética.


São Paulo: Elsevier Editora, 2013.

RAMALHO, José A. Fotografia Digital. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

TRIGO, Thales. Equipamento fotográfico: teoria e prática. 2. ed. São Paulo:


Senac, 2012.

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