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APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕES & CONCURSOS

construção de ações que possibilitam responder às


CONHECIMENTOS necessidades sociais em saúde. No SUS, a estratégia de
promoção da saúde é retomada como uma possibilidade
ESPECÍFICOS – AGENTE de enfocar os aspectos que determinam o processo
saúde-adoecimento em nosso País – como, por exemplo:
DE COMBATE À violência, desemprego, subemprego, falta de saneamento
básico, habitação inadequada e/ou ausente, dificuldade
ENDEMIAS de acesso à educação, fome, urbanização desordenada,
qualidade do ar e da água ameaçada e deteriorada; e
POLÍTICAS NACIONAIS DE SAÚDE potencializam formas mais amplas de intervir em saúde.
Tradicionalmente, os modos de viver têm sido abordados
numa perspectiva individualizante e fragmentária, e
As mudanças econômicas, políticas, sociais e colocam os sujeitos e as comunidades como os
culturais, que ocorreram no mundo desde o século XIX e responsáveis únicos pelas várias mudanças/arranjos
que se intensificaram no século passado, produziram ocorridos no processo saúde-adoecimento ao longo da
alterações significativas para a vida em sociedade. Ao vida.
mesmo tempo, tem-se a criação de tecnologias cada vez Contudo, na perspectiva ampliada de saúde,
mais precisas e sofisticadas em todas as atividades como definida no âmbito do movimento da Reforma
humanas e o aumento dos desafios e dos impasses Sanitária brasileira, do SUS e das Cartas de Promoção da
colocados ao viver. Saúde, os modos de viver não se referem apenas ao
A saúde, sendo uma esfera da vida de homens e exercício da vontade e/ ou liberdade individual e
mulheres em toda sua diversidade e singularidade, não comunitária. Ao contrário, os modos como sujeitos e
permaneceu fora do desenrolar das mudanças da coletividades elegem determinadas opções de viver como
sociedade nesse período. O processo de transformação desejáveis, organizam suas escolhas e criam novas
da sociedade é também o processo de transformação da possibilidades para satisfazer suas necessidades, desejos
saúde e dos problemas sanitários. Nas últimas décadas, e interesses pertencentes à ordem coletiva, uma vez que
tornou-se mais e mais importante cuidar da vida de modo seu processo de construção se dá no contexto da própria
que se reduzisse a vulnerabilidade ao adoecer e as vida.
chances de que ele seja produtor de incapacidade, de Propõe-se, então, que as intervenções em saúde
sofrimento crônico e de morte prematura de indivíduos e ampliem seu escopo, tomando como objeto os problemas
população. e as necessidades de saúde e seus determinantes e
Além disso, a análise do processo saúde- condicionantes, de modo que a organização da atenção e
adoecimento evidenciou que a saúde é resultado dos do cuidado envolva, ao mesmo tempo, as ações e os
modos de organização da produção, do trabalho e da serviços que operem sobre os efeitos do adoecer e
sociedade em determinado contexto histórico e o aparato aqueles que visem ao espaço para além dos muros das
biomédico não consegue modificar os condicionantes nem unidades de saúde e do sistema de saúde, incidindo
determinantes mais amplos desse processo, operando um sobre as condições de vida e favorecendo a ampliação de
modelo de atenção e cuidado marcado, na maior parte escolhas saudáveis por parte dos sujeitos e das
das vezes, pela centralidade dos sintomas. No Brasil, coletividades no território onde vivem e trabalham.
pensar outros caminhos para garantir a saúde da Nesta direção, a promoção da saúde estreita sua
população significou pensar a redemocratização do País e relação com a vigilância em saúde, numa articulação que
a constituição de um sistema de saúde inclusivo. reforça a exigência de um movimento integrador na
Em 1986, a 8ª Conferência Nacional de Saúde construção de consensos e sinergias, e na execução das
(CNS) tinha como tema “Democracia é Saúde” e agendas governamentais a fim de que as políticas
constituiu-se em fórum de luta pela descentralização do públicas sejam cada vez mais favoráveis à saúde e à
sistema de saúde e pela implantação de políticas sociais vida, e estimulem e fortaleçam o protagonismo dos
que defendessem e cuidassem da vida (Conferência cidadãos em sua elaboração e implementação, ratificando
Nacional de Saúde, 1986). Era um momento chave do os preceitos constitucionais de participação social. O
movimento da Reforma Sanitária brasileira e da afirmação exercício da cidadania, assim, vai além dos modos
da indissociabilidade entre a garantia da saúde como institucionalizados de controle social, implicando, por meio
direito social irrevogável e a garantia dos demais direitos da criatividade e do espírito inovador, a criação de
humanos e de cidadania. mecanismos de mobilização e participação como os
O relatório final da 8ª CNS lançou os vários movimentos e grupos sociais, organizando-se em
fundamentos da proposta do SUS (BRASIL, 1990a). Na rede.
base do processo de criação do SUS encontram-se: o O trabalho em rede, com a sociedade civil
conceito ampliado de saúde, a necessidade de criar organizada, exige que o planejamento das ações em
políticas públicas para promovê-la, o imperativo da saúde esteja mais vinculado às necessidades percebidas
participação social na construção do sistema e das e vivenciadas pela população nos diferentes territórios e,
políticas de saúde e a impossibilidade do setor sanitário concomitantemente, garante a sustentabilidade dos
responder sozinho à transformação dos determinantes e processos de intervenção nos determinantes e
condicionantes para garantir opções saudáveis para a condicionantes de saúde.
população.
Nesse sentido, o SUS, como política do estado Objetivo geral
brasileiro pela melhoria da qualidade de vida e pela
afirmação do direito à vida e à saúde, dialoga com as Promover a qualidade de vida e reduzir
reflexões e os movimentos no âmbito da promoção da vulnerabilidade e riscos à saúde relacionados aos seus
saúde. A promoção da saúde, como uma das estratégias determinantes e condicionantes – modos de viver,
de produção de saúde, ou seja, como um modo de pensar condições de trabalho, habitação, ambiente, educação,
e de operar articulado às demais políticas e tecnologias lazer, cultura, acesso a bens e serviços essenciais.
desenvolvidas no sistema de saúde brasileiro, contribui na
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Objetivos específicos e municípios, destacamos as estratégias preconizadas


para implementação da Política Nacional de Promoção da
I – Incorporar e implementar ações de promoção da Saúde.
saúde, com ênfase na atenção básica; I – Estruturação e fortalecimento das ações de promoção
II – Ampliar a autonomia e a corresponsabilidade de da saúde no Sistema Único de Saúde, privilegiando as
sujeitos e coletividades, inclusive o poder público, no práticas de saúde sensíveis à realidade do Brasil;
cuidado integral à saúde e minimizar e/ou extinguir as II – Estímulo à inserção de ações de promoção da saúde
desigualdades de toda e qualquer ordem (étnica, racial, em todos os níveis de atenção, com ênfase na atenção
social, regional, de gênero, de orientação/opção sexual, básica, voltadas às ações de cuidado com o corpo e a
entre outras); saúde; alimentação saudável e prevenção, e controle ao
III– Promover o entendimento da concepção ampliada de tabagismo;
saúde, entre os trabalhadores de saúde, tanto das III – Desenvolvimento de estratégias de qualificação em
atividades-meio, como os da atividades-fim; ações de promoção da saúde para profissionais de saúde
IV – Contribuir para o aumento da resolubilidade do inseridos no Sistema Único de Saúde;
Sistema, garantindo qualidade, eficácia, eficiência e IV – Apoio técnico e/ou financeiro a projetos de
segurança das ações de promoção da saúde; qualificação de profissionais para atuação na área de
V – Estimular alternativas inovadoras e socialmente informação, comunicação e educação popular referentes
inclusivas/ contributivas no âmbito das ações de à promoção da saúde que atuem na Estratégia Saúde da
promoção da saúde; Família e Programa de Agentes Comunitários de
VI – Valorizar e otimizar o uso dos espaços públicos de Saúde:
convivência e de produção de saúde para o a) estímulo à inclusão nas capacitações do SUS de temas
desenvolvimento das ações de promoção da saúde; ligados à promoção da saúde; e
VII – Favorecer a preservação do meio ambiente e a b) apoio técnico a estados e municípios para inclusão nas
promoção de ambientes mais seguros e saudáveis; capacitações do Sistema Único de Saúde de temas
VIII – Contribuir para elaboração e implementação de ligados à promoção da saúde.
políticas públicas integradas que visem à melhoria da V – Apoio a estados e municípios que desenvolvam ações
qualidade de vida no planejamento de espaços urbanos e voltadas para a implementação da Estratégia Global,
rurais; vigilância e prevenção de doenças e agravos não
IX – Ampliar os processos de integração baseados na transmissíveis;
cooperação, solidariedade e gestão democrática; VI – Apoio à criação de Observatórios de Experiências
X – Prevenir fatores determinantes e/ou condicionantes Locais referentes à Promoção da Saúde;
de doenças e agravos à saúde; VII – Estímulo à criação de Rede Nacional de
XI – Estimular a adoção de modos de viver não-violentos Experiências Exitosas na adesão e no desenvolvimento
e o desenvolvimento de uma cultura de paz no País; e da estratégia de municípios saudáveis:
XII – Valorizar e ampliar a cooperação do setor Saúde a) identificação e apoio a iniciativas referentes às Escolas
com outras áreas de governos, setores e atores sociais Promotoras da Saúde com foco em ações de alimentação
para a gestão de políticas públicas e a criação e/ou o saudável; práticas corporais/atividades físicas e ambiente
fortalecimento de iniciativas que signifiquem redução das livre de tabaco;
situações de desigualdade. b) identificação e desenvolvimento de parceria com
estados e municípios para a divulgação das experiências
Diretrizes exitosas relativas a instituições saudáveis e ambientes
saudáveis;
I – Reconhecer na promoção da saúde uma parte c) favorecimento da articulação entre os setores da
fundamental da busca da equidade, da melhoria da saúde, meio ambiente, saneamento e planejamento
qualidade de vida e de saúde; urbano a fim de prevenir e/ou reduzir os danos
II – Estimular as ações intersetoriais, buscando parcerias provocados à saúde e ao meio ambiente, por meio do
que propiciem o desenvolvimento integral das ações de manejo adequado de mananciais hídricos e resíduos
promoção da saúde; sólidos, uso racional das fontes de energia, produção de
III – Fortalecer a participação social como fundamental na fontes de energia alternativas e menos poluentes;
consecução de resultados de promoção da saúde, em d) desenvolvimento de iniciativas de modificação
especial a equidade e o empoderamento individual e arquitetônicas e no mobiliário urbano que objetivem a
comunitário; garantia de acesso às pessoas portadoras de deficiência
IV – Promover mudanças na cultura organizacional, com e idosas; e
vistas à adoção de práticas horizontais de gestão e e) divulgação de informações e definição de mecanismos
estabelecimento de redes de cooperação intersetoriais; de incentivo para a promoção de ambientes de trabalho
V – Incentivar a pesquisa em promoção da saúde, saudáveis com ênfase na redução dos riscos de acidentes
avaliando eficiência, eficácia, efetividade e segurança das de trabalho.
ações prestadas; e VIII – Criação e divulgação da Rede de Cooperação
VI – Divulgar e informar das iniciativas voltadas para a Técnica para Promoção da Saúde;
promoção da saúde para profissionais de saúde, gestores IX – Inclusão das ações de promoção da saúde na
e usuários do SUS, considerando metodologias agenda de atividades da comunicação social do SUS:
participativas e o saber popular e tradicional. a) apoio e fortalecimento de ações de promoção da saúde
inovadoras utilizando diferentes linguagens culturais, tais
ESTRATÉGIAS E AÇÕES DE EDUCAÇÃO E como jogral, hip hop, teatro, canções, literatura de cordel
PROMOÇÃO DA SAÚDE e outras formas de manifestação;
X – Inclusão da saúde e de seus múltiplos determinantes
Estratégias de implementação e condicionantes na formulação dos instrumentos
ordenadores do planejamento urbano e/ou agrário (planos
De acordo com as responsabilidades de cada diretores, agendas 21 locais, entre outros);
esfera de gestão do SUS – Ministério da Saúde, estados
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XI – Estímulo à articulação entre municípios, estados e governamentais e não-governamentais, organismos


Governo Federal valorizando e potencializando o saber e internacionais, setor de comunicação e outros), definindo
as práticas existentes no âmbito da promoção da saúde: os compromissos e as responsabilidades sociais de cada
a) apoio às iniciativas das secretarias estaduais e setor, com o objetivo de favorecer/garantir hábitos
municipais no sentido da construção de parcerias que alimentares mais saudáveis na população, possibilitando
estimulem e viabilizem políticas públicas saudáveis; a redução e o controle das taxas das DCNT no Brasil;
XII – Apoio ao desenvolvimento de estudos referentes ao e) articulação e mobilização dos setores público e privado
impacto na situação de saúde considerando ações de para a adoção de ambientes que favoreçam a
promoção da saúde: alimentação saudável, o que inclui: espaços propícios à
a) apoio à construção de indicadores relativos as ações amamentação pelas nutrizes trabalhadoras, oferta de
priorizadas para a Escola Promotora de Saúde: refeições saudáveis nos locais de trabalho, nas escolas e
alimentação saudável; práticas corporais/atividade física e para as populações institucionalizadas; e
ambiente livre de tabaco; e f) articulação e mobilização intersetorial para a proposição
XIII – Estabelecimento de intercâmbio técnico-científico e elaboração de medidas regulatórias que visem
visando ao conhecimento e à troca de informações promover a alimentação saudável e reduzir o risco do
decorrentes das experiências no campo da atenção à DCNT, com especial ênfase para a regulamentação da
saúde, formação, educação permanente e pesquisa com propaganda e publicidade de alimentos.
unidades federativas e países onde as ações de III – Disseminar a cultura da alimentação saudável em
promoção da saúde estejam integradas ao serviço público consonância com os atributos e princípios do Guia
de saúde: a) criação da Rede Virtual de Promoção da Alimentar da População Brasileira:
Saúde. a) divulgação ampla do Guia Alimentar da População
Brasileira para todos os setores da sociedade;
AÇÕES ESPECÍFICAS b) produção e distribuição de material educativo (Guia
Alimentar da População Brasileira, 10 Passos para uma
Para o biênio 2006-2007, foram priorizadas as ações Alimentação Saudável para Diabéticos e Hipertensos,
voltadas a: Cadernos de Atenção Básica sobre Prevenção e
Tratamento da Obesidade e Orientações para a
Divulgação e implementação da Política Nacional de Alimentação Saudável dos Idosos);
Promoção da Saúde c) desenvolvimento de campanhas na grande mídia para
orientar e sensibilizar a população sobre os benefícios de
I – Promover seminários internos no Ministério da Saúde uma alimentação saudável;
destinados à divulgação da PNPS, com adoção de seu d) estimular ações que promovam escolhas alimentares
caráter transversal; saudáveis por parte dos beneficiários dos programas de
II – Convocar uma mobilização nacional de sensibilização transferência de renda;
para o desenvolvimento das ações de promoção da e) estimular ações de empoderamento do consumidor
saúde, com estímulo à adesão de estados e municípios; para o entendimento e uso prático da rotulagem geral e
III – Discutir nos espaços de formação e educação nutricional dos alimentos;
permanente de profissionais de saúde a proposta da f) produção e distribuição de material educativo e
PNPS e estimular a inclusão do tema nas grades desenvolvimento de campanhas na grande mídia para
curriculares; e orientar e sensibilizar a população sobre os benefícios da
IV – Avaliar o processo de implantação da PNPS em amamentação;
fóruns de composição tripartite. Alimentação saudável g) sensibilização dos trabalhadores em saúde quanto à
I – Promover ações relativas à alimentação saudável importância e aos benefícios da amamentação;
visando à promoção da saúde e à segurança alimentar e h) incentivo para a implantação de bancos de leite
nutricional, contribuindo com as ações e metas de humano nos serviços de saúde; e
redução da pobreza, a inclusão social e o cumprimento do i) sensibilização e educação permanente dos
direito humano à alimentação adequada; trabalhadores de saúde no sentido de orientar as
II – Promover articulação intra e intersetorial visando à gestantes HIV positivo quanto às especificidades da
implementação da Política Nacional de Promoção da amamentação (utilização de banco de leite humano e de
Saúde por meio do reforço à implementação das diretrizes fórmula infantil).
da Política Nacional de Alimentação e Nutrição e da IV – Desenvolver ações para a promoção da alimentação
Estratégia Global: saudável no ambiente escolar:
a) com a formulação, implementação e avaliação de a) fortalecimento das parcerias com a SGTES,
políticas públicas que garantam o acesso à alimentação Anvisa/MS, Ministério da Educação e FNDE/MEC para
saudável, considerando as especificidades culturais, promover a alimentação saudável nas escolas;
regionais e locais; b) divulgação de iniciativas que favoreçam o acesso à
b) mobilização de instituições públicas, privadas e de alimentação saudável nas escolas públicas e privadas;
setores da sociedade civil organizada visando ratificar a c) implementação de ações de promoção da alimentação
implementação de ações de combate à fome e de saudável no ambiente escolar;
aumento do acesso ao alimento saudável pelas d) produção e distribuição do material sobre alimentação
comunidades e pelos grupos populacionais mais pobres; saudável para inserção de forma transversal no conteúdo
c) articulação intersetorial no âmbito dos conselhos de programático das escolas em parceria com as secretarias
segurança alimentar, para que o crédito e o financiamento estaduais e municipais de saúde e educação;
da agricultura familiar incorpore ações de fomento à e) lançamento do guia “10 Passos da Alimentação
produção de frutas, legumes e verduras visando ao Saudável na Escola”;
aumento da oferta e ao consequente aumento do f) sensibilização e mobilização dos gestores estaduais e
consumo destes alimentos no país, de forma segura e municipais de saúde e de educação, e as respectivas
sustentável, associado às ações de geração de renda; instâncias de controle social para a implementação das
d) firmar agenda/pacto/compromisso social com diferentes ações de promoção da alimentação saudável no ambiente
setores (Poder Legislativo, setor produtivo, órgãos escolar, com a adoção dos dez passos; e
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g) produção e distribuição de vídeos e materiais A CF-88 e posteriormente, a Lei Orgânica da


instrucionais sobre a promoção da alimentação saudável Saúde, de nº 8.080, de 19 de setembro de 1990,
nas escolas. intensificam debates já existes acerca do conceito. Nesse
V – Implementar as ações de vigilância alimentar e contexto, entende-se que saúde não se limita apenas a
nutricional para a prevenção e controle dos agravos e ausência de doença, considerando, sobretudo, como
doenças decorrentes da má alimentação: a) qualidade de vida, decorrente de outras políticas públicas
implementação do Sisvan como sistema nacional que promovam a redução de desigualdades regionais e
obrigatório vinculado às transferências de recursos do promovam desenvolvimentos econômico e social.
PAB; Dessa maneira, o SUS, em conjunto com as
b) envio de informações referentes ao Sisvan para o demais políticas, deve atuar na promoção da saúde,
Relatório de Análise de Doenças Não Transmissíveis e prevenção de ocorrência de agravos e recuperação dos
Violências; doentes.  A gestão das ações e dos serviços de saúde
c) realização de inquéritos populacionais para o deve ser solidária e participativa entre os três entes da
monitoramento do consumo alimentar e do estado Federação: a União, os Estados e os municípios.
nutricional da população brasileira, a cada cinco anos, de A rede que compõem o SUS é ampla e abrange
acordo com a Política Nacional de Alimentação e tanto ações, como serviços de saúde. Ela engloba a
Nutrição; d) prevenção das carências nutricionais por atenção básica, média e alta complexidades, os serviços
deficiência de micronutrientes (suplementação universal urgência e emergência, a atenção hospitalar, as ações e
de ferro medicamentoso para gestantes e crianças e serviços das vigilâncias epidemiológica, sanitária e
administração de megadoses de vitamina A para ambiental e assistência farmacêutica.
puerperais e crianças em áreas endêmicas);
e) realização de inquéritos de fatores de risco para as Princípios do SUS
DCNT da população em geral a cada cinco anos e para
escolares a cada dois anos, conforme previsto na Agenda Universalização: a saúde é um direito de cidadania de
Nacional de Vigilância de Doenças e Agravos Não todas as pessoas e cabe ao Estado assegurar este
Transmissíveis, do Ministério da Saúde; direito, sendo que o acesso às ações e serviços deve ser
f) monitoramento do teor de sódio dos produtos garantido a todas as pessoas, independentemente de
processados, em parceria com a Anvisa e os órgãos da sexo, raça, ocupação, ou outras características sociais ou
vigilância sanitária em estados e municípios; e pessoais.
g) fortalecimento dos mecanismos de regulamentação, Equidade: o objetivo desse princípio é diminuir
controle e redução do uso de substâncias agrotóxicas e desigualdades. Apesar de todas as pessoas possuírem
de outros modos de contaminação dos alimentos. direito aos serviços, as pessoas não são iguais e, por
VI – Reorientação dos serviços de saúde com ênfase na isso, têm necessidades distintas. Em outras palavras,
atenção básica: equidade significa tratar desigualmente os desiguais,
a) mobilização e capacitação dos profissionais de saúde investindo mais onde a carência é maior.
da atenção básica para a promoção da alimentação Integralidade: este princípio considera as pessoas como
saudável nas visitas domiciliares, atividades de grupo e um todo, atendendo a todas as suas necessidades. Para
nos atendimentos individuais; isso, é importante a integração de ações, incluindo a
b) incorporação do componente alimentar no Sistema de promoção da saúde, a prevenção de doenças, o
Vigilância Alimentar e Nutricional de forma a permitir o tratamento e a reabilitação. Juntamente, o
diagnóstico e o desenvolvimento de ações para a princípio de integralidade pressupõe a articulação da
promoção da alimentação saudável; e saúde com outras políticas públicas, para assegurar uma
c) reforço da implantação do Sisvan como instrumento de atuação Inter setorial entre as diferentes áreas que
avaliação e de subsídio para o planejamento de ações tenham repercussão na saúde e qualidade de vida dos
que promovam a segurança alimentar e nutricional em indivíduos.
nível local.
Princípios Organizativos
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – SUS
Regionalização e Hierarquização: os serviços devem
Conforme a Constituição Federal de 1988 (CF- ser organizados em níveis crescentes de complexidade,
88), a “Saúde é direito de todos e dever do Estado”. circunscritos a uma determinada área geográfica,
Assim foi criado o Sistema Único de Saúde (SUS), um planejados a partir de critérios epidemiológicos, e com
dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, que definição e conhecimento da população a ser atendida. A
abrange desde o simples atendimento para avaliação da regionalização é um processo de articulação entre os
pressão arterial até o transplante de órgãos, garantindo serviços que já existem, visando o comando unificado dos
acesso integral, universal e gratuito para toda a população mesmos. Já a hierarquização deve proceder à divisão de
do país. níveis de atenção e garantir formas de acesso a serviços
No período anterior a CF-88, o sistema público que façam parte da complexidade requerida pelo caso,
de saúde prestava assistência apenas aos trabalhadores nos limites dos recursos disponíveis numa dada região.
vinculados à Previdência Social, aproximadamente 30 Descentralização e Comando Único: descentralizar é
milhões de pessoas com acesso aos serviços redistribuir poder e responsabilidade entre os três níveis
hospitalares, cabendo o atendimento aos demais de governo. Com relação à saúde, descentralização
cidadãos às entidades filantrópicas. objetiva prestar serviços com maior qualidade e garantir o
Com a sua criação, o SUS proporcionou o controle e a fiscalização por parte dos cidadãos. No SUS,
acesso universal ao sistema público de saúde, sem a responsabilidade pela saúde deve ser descentralizada
discriminação. A atenção integral à saúde, e não somente até o município, ou seja, devem ser fornecidas ao
os cuidados assistenciais, passou a ser um direito de município condições gerenciais, técnicas, administrativas
todos os brasileiros, desde a gestação e por toda a vida, e financeiras para exercer esta função. Para que valha o
com foco na saúde com qualidade de vida. princípio da descentralização, existe a concepção
constitucional do mando único, onde cada esfera de
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governo é autônoma e soberana nas suas decisões e ações de promoção à saúde, com o monitoramento
atividades, respeitando os princípios gerais e a epidemiológico das doenças transmissíveis e não
participação da sociedade. transmissíveis, de atividades sanitárias programáticas, de
Participação Popular: a sociedade deve participar no vigilância em saúde ambiental e saúde do trabalhador,
dia-a-dia do sistema. Para isto, devem ser criados os elaboração e análise de perfis demográficos
Conselhos e as Conferências de Saúde, que visam epidemiológicos, proposição de medidas de controle etc.
formular estratégias, controlar e avaliar a execução da A Vigilância encontra-se distribuída em patamares
política de saúde. hierárquicos técnico-administrativos, nas esferas federal,
estadual, municipal e regional, sendo que a base de todas
VIGILÂNCIA E PRIORIDADES EM SAÚDE as informações é a região, mais precisamente a
microárea.
Vigilância em saúde A Vigilância em Saúde tem um fluxograma de
informações e apresenta várias interfaces entre diferentes
A Saúde Pública apresentou um processo sistemas: Vigilância; Atendimento (Primário, Secundário e
dinâmico de transformação nos últimos anos, com sérias Terciário); laboratórios; centros de pesquisa; centros
mudanças estruturais e a proposição de modelos universitários; outras secretarias etc. A Vigilância em
inovadores de gestão, sempre objetivando a melhoria da Saúde está incluída no campo de ação do SUS e
qualidade dos serviços e da assistência destinados à desenvolve programas relevantes de prevenção e
população, em sintonia com os princípios do Sistema controle, devendo ser utilizada para o estabelecimento de
Único de Saúde (SUS). O SUS representa um moderno prioridades, alocação de recursos e orientação
modelo de organização dos serviços de saúde, com eixos programática, em várias áreas:
norteadores relacionados à universalidade, à
integralidade, à acessibilidade, à resolutividade, à
hierarquização, à regionalização, à descentralização e ao
controle social. Diante dessa logística, os municípios
foram valorizados, assim como todos os serviços
municipais direcionados para a saúde de sua
comunidade, entre eles os de Vigilância em Saúde,
representantes da “inteligência sanitária” desse complexo
contexto. Essas propostas inovadoras desenham novos
caminhos para os modelos de gestão aplicáveis ao setor,
os quais pretendem redundar, em última análise, em
menos desperdício, e em maior agilidade, nas decisões e
nas respostas para melhoria da qualidade dos serviços
oferecidos aos munícipes.
Langmuir apresentou, em 1963, o seguinte
conceito de vigilância: Vigilância é a observação contínua
da distribuição e tendências da incidência de doenças
mediante a coleta sistemática, consolidação e avaliação
de informes de morbidade e mortalidade, assim como de
outros dados relevantes, e a regular disseminação dessas
informações a todos os que necessitam conhecê-la
(LANGMUR, 1963).
Atualmente, a construção e a consolidação da
Vigilância em Saúde são produtos vitoriosos herdados
pela institucionalização do SUS, em 1988; pela criação do
Centro Nacional de Epidemiologia (CENEPI), em 1990;
pela estruturação do financiamento das ações de
vigilância e controle de doenças e, mais recentemente,
pela criação da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS)
do Ministério da Saúde – em 2003 –, que coordena o
Sistema Nacional de Vigilância em Saúde em todo o
território brasileiro.
O acesso universal, igualitário e ordenado às
ações e serviços de saúde, se inicia pelas portas de
entrada do SUS e se completa na rede regionalizada e
hierarquizada, de acordo com a complexidade do serviço,
contendo: Atenção Primária; urgência e emergência;
atenção psicossocial; atenção ambulatorial especializada
e hospitalar; Vigilância em Saúde. Os níveis de saúde da
população expressam a organização social e econômica
do país.
A definição ampliou-se, sendo que a Vigilância
em Saúde é responsável por todas as ações de vigilância,
prevenção e controle de agravos, prioritariamente com

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O desenvolvimento de sistemas de vigilância prazos de execução, bem como os critérios objetivos de


implica o acesso à elevada gama de informações, avaliação de desempenho mediante indicadores de
especialmente as relativas à morbidade, à mortalidade, à qualidade e de produtividade. Além disso, o contrato deve
estrutura demográfica, ao estado imunitário e nutricional da prever os limites e critérios para despesas com
população, à situação socioeconômica e ao saneamento remuneração e vantagens a serem percebidos pelos
ambiental, sendo que a Saúde atualmente tem sido a porta dirigentes e empregados da Organização Social, além de
de entrada para vários sistemas, tendo íntima relação com outras cláusulas julgadas convenientes pelo Poder Público.
a situação social regional. A Vigilância deve trabalhar de A eficácia do contrato de gestão está precisamente
forma integrada e harmônica com todas as Unidades de na possibilidade do exercício do controle de desempenho,
Atendimento à Saúde – também intersetorialmente e havendo indicadores objetivos de qualidade e
intersecretarialmente. Na Saúde da Família e da produtividade, metas a serem alcançadas e prazos de
Comunidade, a Estratégia Saúde da Família (ESF) execução, muitos deles de vigilância. O Poder Público pode
desencadeou todo um processo de regionalização também perfeitamente acompanhar os trabalhos da entidade privada
na Vigilância. e verificar a atuação de seus dirigentes, para tomar as
A ESF tem como diretriz a existência da providências cabíveis, entre elas a Vigilância.
territorialização e a determinação de área geográfica com o Diante da ampliação do conceito de Vigilância em
delineamento das áreas de abrangência de cada uma das Saúde e das inovadoras propostas administrativas para a
Unidades Básicas de Saúde. Nas áreas cobertas pela ESF área da saúde, focando a Saúde da Família e Comunidade,
se trabalha com micro áreas e área de abrangência, que a equipe de profissionais da Vigilância desencadeou uma
são de responsabilidade sanitária das equipes. Na ESF, a reforma na logística de seu processo de trabalho e
Vigilância tem como parceiros as organizações sociais e os fluxograma de informações com os equipamentos de
parceiros contratados pelas secretarias municipais de prestação de serviços em saúde sob sua responsabilidade
saúde. As entidades privadas qualificadas pelos estados, regional, mantendo como princípios norteadores:
pelo Distrito Federal e pelos municípios como organizações • A manutenção da qualidade na coleta de dados;
sociais, são declaradas de interesse social e utilidade • A consolidação desses dados em informações fidedignas;
pública, desde que haja reciprocidade e a legislação local • A ampla disseminação dessas referidas informações a
não contrarie os mandamentos dessa lei e a legislação todos aqueles que as geraram e que delas necessitam
federal específica. tomar conhecimento, servindo de ferramenta para: ‚
Nos termos legais, o contrato de gestão ● A elaboração de programas, a identificação de fatores de
discriminará as atribuições, responsabilidades e obrigações risco, a aplicação de medidas de controle; ‚
do Poder Público e da Organização Social, mas sobretudo ● A capacitação e o aprimoramento de pessoal; ‚
deverá especificar o programa de trabalho proposto, a A aquisição de equipamentos e tecnologias; ‚
fixação das metas a serem atingidas e os respectivos ● O desenvolvimento de produções científicas.
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usuário do serviço. Na prática, o aspecto humano


O espaço físico adequado para o Setor de permanece em segundo plano. E o maior prejuízo dessa
Vigilância dos serviços de saúde também é muito atitude é que o enfoque essencialmente técnico se limita à
importante, pois oferece um local para o arquivo de cura e à manutenção da vida, desconsiderando aspectos de
materiais informativos oficiais atualizados, a organização suma importância relativos às necessidades psíquicas dos
dos casos em acompanhamento e de todos os casos cidadãos.
notificados pelo serviço, facilitando a interlocução com a Podemos dizer que, em geral, não existe um
Vigilância de Saúde Local (SUVIS) e com a Interlocução de esforço significativo para melhorar o contato humano ao
Vigilância em Saúde dos parceiros e organizações sociais, comunicar um diagnóstico ou mesmo conduzir um
se houver, para a realização de um trabalho integrado. tratamento. Tanto os procedimentos médicos quanto o
É imprescindível a realização de um projeto modelo de atendimento que hoje é colocado em prática
conjunto de educação continuada de Vigilância em Saúde, subestimam as necessidades emocionais dos usuários do
pactuada e registrada em plano de trabalho, com o serviço, subtraindo muito da qualidade no atendimento de
estabelecimento de cronograma anual dos processos saúde. O desinteresse e a pouca sensibilidade que por
educativos, segundo perfis epidemiológicos regionais e diversas vezes marcam o atendimento realizado pelos
sazonais dos agravos e DNC, e seguindo as diretrizes dos profissionais de saúde são traços comportamentais que
serviços de Vigilância em Saúde das secretarias municipais sinalizam o quão urgente é discutir a qualidade desse
da Saúde. atendimento na saúde pública.
O processo sempre deve estar alicerçado na É cada vez mais importante, portanto, avaliar a
prioridade de melhorar a qualidade de saúde da população necessidade de promoção de campanhas de prevenção, de
da área de abrangência, sendo que o planejamento fazer valer um uso mais eficiente do prontuário médico e de
conjunto na Assistência à Saúde da região e a participação investir na melhoria da relação entre médicos e usuários do
popular, em seu papel de controle social e de formador de serviço.
opinião da comunidade, são fundamentais para que os
serviços também estejam cientes de suas reais Qual a realidade da saúde pública no Brasil?
necessidades.
Alguns fatores processuais são imprescindíveis para Queremos, primeiramente, que conheça alguns
uma adequada Vigilância em Saúde: dados relevantes sobre o estilo de vida dos brasileiros e
• O comprometimento, a disciplina, a competência e o papel sobre o acesso que têm aos serviços de saúde. Parte da
integrador da equipe multidisciplinar técnica da Vigilância Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizada pelo Instituto
Local (SUVIS); Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada em
• A importância do trabalho integrado de todos os gestores dezembro de 2014 trazia informações acerca da percepção
locais, dividindo tarefas no desempenho dos treinamentos, do estado de saúde dos brasileiros. De acordo com o
capacitações e outras ações; estudo, quase metade dos indivíduos do país é sedentária,
• O comprometimento de todos os profissionais da Atenção cerca de 30% passa tempo demais assistindo TV,
Básica e da ESF na cobertura de sua área de abrangência; aproximadamente 15% fuma e quase 25% da população
• A possibilidade de propor e desenvolver projetos novos consome alguma bebida alcoólica com frequência.
com os recursos já existentes, apenas organizando os E é claro que informações sobre o estilo de vida da
serviços, demonstrando a notável capacidade de adaptação população — justamente os usuários dos serviços públicos
aos modelos de gestão em saúde pública. de saúde — são importantes para que se tenha um
Os dados gerados pela Vigilância devem ser panorama do quadro atual, bem como uma perspectiva
utilizados para análise, acompanhamento e utilização no futura das demandas por atendimento. Dados como os
planejamento estratégico local. divulgados nessa pesquisa do IBGE deixam claro que, em
Para isso se trabalha com indicadores técnicos e razão dos eventuais problemas causados pelos maus
operacionais, tais como: hábitos de saúde dos cidadãos, as demandas tendem a
• Notificações de agravos e DNC/equipamento de crescer. Assim, a já complexa tarefa de gerenciar as
saúde/ano, que geram coeficientes de incidência, instituições pode vir a se agravar. O melhor é, portanto,
prevalência, detecção e outros; tomar algumas decisões o quanto antes para que as
• Coberturas vacinais, comparativamente com o restante do mudanças sejam implementadas desde já.
município e com as metas regionais e outros indicadores A mesma pesquisa também registrou se os
relacionados aos imunobiológicos, sejam técnicos- indivíduos buscaram algum tipo de atendimento de saúde
científicos ou de armazenamento, manutenção e transporte; nas semanas anteriores à realização do questionário. 30,7
• Indicadores específicos por agravos: percentual de milhões disseram que sim. No entanto, dentre os que não
sintomáticos respiratórios examinados, porcentagem de alta conseguiram atendimento, a maioria informou não haver
por cura em tuberculose, porcentagem de diagnóstico de médico disponível, o que denota um nível de precariedade
formas leves de hanseníase e outros, para os quais são do atendimento infinitamente acima do aceitável. Desde
utilizados os dados do SINAN; sempre, alcançar a esperada eficiência na aplicação
• Número de notificações de agravos e DNC pelos dos recursos públicos é uma necessidade das unidades
Ambulatórios Médicos Assistenciais (AMA); de saúde, com sua gestão insatisfatória causando a
• Número de notificações de agravos e DNC dos hospitais fragilidade do setor. Nesse sentido é que surge a
regionais humanização, ótima alternativa para trazer mais qualidade
aos serviços oferecidos à população.
HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE Outro dado interessante da pesquisa indica que,
dentre os domicílios cadastrados em Unidades de Saúde da
O desafio mais evidente da saúde pública no Brasil Família, 17,7% jamais receberam visita de algum agente ou
sem dúvida envolve a melhoria da qualidade dos serviços de um membro da equipe. Conhecer a realidade ajuda a
oferecidos. Enquanto, por um lado, as soluções refletir mais precisamente sobre alguns desafios já notórios
tecnológicas trouxeram a evolução de algumas técnicas no cenário quando o objetivo é expandir (ou mesmo
importantes, por outro, não foram suficientes para promover manter) campanhas de saúde da família. Podemos citar
o devido avanço na humanização do atendimento ao o fortalecimento das estruturas dos estados e municípios, a
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fim de que supervisionem adequadamente a atuação das Mas antes mesmo de reconhecer a necessidade
equipes, e uma gestão que promova a revisão contínua dos da humanização no atendimento e na rotina das unidades
processos de trabalho com o propósito de identificar erros de saúde, é preciso lembrar que as instituições refletem
para então avançar, aprimorando os resultados das posturas da sociedade. De fato, a humanização não está
campanhas. ausente apenas do ambiente hospitalar. O diálogo escasso
Ainda sobre a questão da precariedade do e a deficiência na atenção disponibilizada aos usuários são
atendimento em muitas das unidades públicas de saúde, a características presentes em diversos outros segmentos da
pesquisa do IBGE revela que cerca de 15 milhões de prestação de serviços. Em meio a esse cenário, humanizar
pessoas acreditam ter sofrido discriminação em instituições é bem mais que chamar pelo nome e olhar nos olhos.
da esfera pública ou privada, sendo o principal motivo Considerar o fator humano exige implementar iniciativas
relacionado a fatores socioeconômicos. Esse dado apoiadas em compreensão, respeito mútuo e solidariedade.
certamente pode ser entendido como um fator determinante É impossível ser de outra forma.
da necessidade em se discutir a humanização do
atendimento e do assistencialismo na saúde pública. Humanização do ambiente de trabalho

De que os usuários dos serviços mais precisam? É fundamental ressaltar que, para colocar em
prática um atendimento humanizado, a própria unidade de
As principais reivindicações voltadas à saúde saúde deve adotar princípios de humanização entre os
pública são também as mais evidentes. Dentre elas estão a profissionais, as equipes e os gestores em sua rotina
diminuição do tempo de espera dos usuários nas filas, a interna. Isso porque a satisfação dos que recebem a
oferta de um atendimento mais humanizado, melhorias em assistência depende da satisfação de quem a realiza!
relação à acessibilidade a medicamentos, avanços na Quando uma instituição ignora a necessidade de
relação entre médicos e cidadãos, prática de um serviço de proporcionar boas condições de trabalho a seus
melhor qualidade, entre outras diversas necessidades. profissionais, acaba por diminuir as chances de
Aliás, o que podemos observar hoje é que a percepção implementação de políticas de atendimento humanizado
sobre as verdadeiras necessidades dos usuários do serviço aos usuários. Como todo o sistema funciona em conjunto,
têm mudado bastante ao longo do tempo. tanto os indivíduos que atuam a partir da instituição quanto
Vivemos um período em que a evolução das os cidadãos que procuram seus serviços merecem ter
ferramentas tecnológicas pode trazer a alguns a sensação respeitadas suas condições.
de que apenas a eficiência dos procedimentos técnicos É simples: contar com uma equipe devidamente capacitada
importa. Mas, na verdade, lidar com seres humanos para prestar um atendimento pautado na solidariedade
envolve diversos outros fatores. O ideal é que a tecnologia pode ser consequência de um ambiente orientado por esse
seja o ponto de partida para proporcionar um atendimento mesmo princípio. E vale ainda lembrar que, para resolver
mais humanizado e não que ela se limite à mecânica do problemas internos, sempre existem diversas maneiras. Por
atendimento. Como qualquer relação com os usuários isso, procurar a alternativa mais adequada aos princípios da
envolve princípios de relações humanas, ética e valores humanização é o primeiro passo para implementar
como empatia, solidariedade, respeito e compreensão mudanças no atendimento prestado ao usuário. Saber
devem sempre estar presentes, independentemente de dialogar, reconhecer as limitações do outro, respeitar
quão avançados sejam os recursos envolvidos na posicionamentos e evitar situações constrangedoras são
prestação dos serviços. algumas formas de contribuir para a melhoria do
relacionamento interpessoal.
Qual a importância da humanização no atendimento?
Além de ser extremamente benéfica aos envolvidos, a Humanização das consultas e do atendimento
humanização no atendimento pode ser encarada como
parte de uma estratégia maior para alcançar mais eficiência Aqui chegamos a um ponto crucial: como
nas unidades públicas de saúde. A integração e a humanizar o atendimento? A resposta passa longe da
comunicação fluida entre profissionais de saúde e usuários obviedade, dividindo-se em muitas informações
dos serviços, assim como entre as equipes de profissionais complementares. Por isso, vale a pena segmentar em
e os gestores da instituição geram um vínculo entre os tópicos:
indivíduos e um reconhecimento mútuo a respeito da - É preciso proporcionar um atendimento que vá além das
necessidade de se estabelecer um contato mais questões técnicas que objetivam o bem-estar físico do
humanizado em todas as instâncias. E isso acaba por usuário do serviço, dando atenção equivalente às
proporcionar, automaticamente, mais eficácia no necessidades mais gerais do cidadão. Na abordagem a um
atendimento aos cidadãos. usuário em tratamento oncológico, por exemplo, o ideal é
Para compreender melhor a importância da humanização orientá-lo sobre aspectos referentes à melhoria da
no atendimento, basta considerar que o usuário do serviço, qualidade de vida, abordando os efeitos colaterais do
ao procurar uma instituição, busca não só a resolução tratamento e as possíveis alternativas para lidar melhor com
técnica de um problema de saúde, mas também algum tais consequências. Deve-se também considerar seu
alívio e conforto pessoal. Humanizar o atendimento também estado afetivo, além de fatores relacionados à estética, à
envolve, portanto, considerar necessidades sexualidade e ao apetite, que podem ser afetados pelo
existenciais. Atender com solidariedade e ser capaz de tratamento. A ideia não é que o atendimento se aprofunde
confortar quem procura pelo serviço de saúde são em todas essas questões, mas que não ignore as evidentes
iniciativas que destacam profissionais e equipes, condições humanas envolvidas, levando assim mais
caracterizando uma postura diferenciada. E como a conforto ao usuário.
tecnologia promoveu transformações categóricas, trazendo - É preciso atender levando em conta as queixas de cunho
melhorias ao tratamento e atendimento dos usuários, agora emocional, buscando induzir o usuário do serviço a um
é o momento de usar o tempo economizado pela estado mais equilibrado para receber melhor o atendimento
consequente eficiência para promover um atendimento que e cooperar com o tratamento, exame ou procedimento
seja realmente humanizado. cabível à situação.

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- É preciso comunicar as informações com clareza, pois a de bons resultados em qualquer instituição é consequência
ausência de informações gera angústia e um sentimento de da disponibilização de atendimento humanizado ao público.
ansiedade, além de dar margem a especulações que Cuidar para que políticas de relacionamento saudáveis
podem piorar o estado de saúde do cidadão. Isso sem sejam desenvolvidas é, portanto, passo fundamental para
contar que o contexto também pode interferir na aderência estender a prática da humanização até os serviços de
do usuário do serviço ao tratamento ou aos procedimentos saúde prestados aos usuários.
que devem ser realizados. É importante observar que a comunicação é à
- É preciso levar em consideração o conforto do usuário. base da humanização. No entanto, apesar dessa evidência,
Para isso, basta imaginar que grande parte dos os avanços tecnológicos têm sido interpretados por muitos
procedimentos envolve algum incômodo, de modo que o profissionais como um prevalecimento da técnica em
melhor é não tratar esse aspecto com leviandade. Como detrimento da comunicação. Mas colocar a interação
exemplos podemos citar a marcação de exames que humana a segundo plano faz com que o papel do usuário
exigem jejum, mas que são agendados para a parte da do serviço esteja limitado a ser objeto de intervenção
tarde, ou ainda rotinas hospitalares que demandam a técnica, ignorando assim suas particularidades humanas,
aplicação de medicação em horários em que os usuários já suas angústias e expectativas. Nesse sentido, o diálogo
estão em repouso. entre usuários e profissionais de saúde se torna a principal
- É preciso ceder à preferência do usuário do serviço, desde ferramenta capaz de viabilizar um reconhecimento mútuo
que não comprometa a eficácia do tratamento. Caso o entre as partes, sempre com responsabilidade e
cidadão esteja submetido a uma rotina de tratamento que solidariedade.
inibe alguns hábitos (sejam de postura ou de alimentação),
o melhor é fornecer orientações do que pode ser feito em Como se dá a melhoria de processos na gestão em
vez de apenas entregar aquela checklist padronizada saúde?
enorme de tudo o que não se deve fazer. Abordando as
preferências do usuário do serviço é possível proporcionar A lógica de gestão das instituições é um dos
mais relaxamento e conforto, o que pode levar a mais parâmetros que apoiam a política de humanização do
comprometimento em relação ao tratamento. assistencialismo à saúde. Análise, reflexão, promoção de
campanhas, elaboração de ações e implementação de
E sobre a relação entre médicos e usuários? melhores políticas assistenciais: tudo é parte de um
processo de gestão que busca efetivamente trazer o status
Esse é um ponto absolutamente primordial no humanizado à instituição. No que se refere à melhoria dos
processo de humanização dos serviços de saúde. Mas para processos de gestão na saúde pública, vale lembrar que
construir uma relação de qualidade na interação entre cada município possui condições de desenvolvimento
médicos e usuários do serviço é preciso que os determinantes da assistência prestada à população.
profissionais vão além, sendo capazes de lidar com os Estruturar a saúde pública é, portanto, uma tarefa que
aspectos emocionais dos cidadãos. Além disso, é preciso precisa levar em conta as especificidades de cada local,
que novas atitudes pautem essa interação, a fim de que os não dependendo apenas das iniciativas do governo, mas de
fatores humanos não sejam deixados de fora da uma articulação entre governo e comunidade.
comunicação e do entendimento de forma geral. A tarefa Quanto mais articulação houver, maiores se
assistencial de saúde é tão complexa exatamente porque é tornam as chances de conseguir que o sistema de saúde
inevitável que envolva vertentes humanas. funcione satisfatoriamente, propiciando um atendimento
Tudo bem que é fundamental precisar diagnósticos mais humanizado aos usuários do serviço. Por isso, a
e entregar informações sobre qualquer que seja o quadro participação da comunidade — seja por meio de conselhos
de saúde em questão, mas tão importante quanto trilhar o municipais, estaduais ou de algum outro agrupamento
caminho da cura é respeitar a realidade e a condição social representativo — tem o importante papel de dar uma maior
do usuário do serviço. Já parou para pensar que atitudes visibilidade às decisões dos gestores. Essa é uma atitude
simples — como se certificar de que o cidadão tem as que amplia e marca fortemente a participação da sociedade
condições financeiras necessárias para adquirir os na transformação da dinâmica de funcionamento
medicamentos prescritos, por exemplo — podem do Sistema Único de Saúde (SUS).
determinar interações com abordagens mais humanas?
De que forma as campanhas de prevenção ajudam?
Como efetivamente melhorar com a humanização?
Lançar uma campanha de saúde é uma forma de
O Programa Nacional de Humanização da transmitir e perpetuar uma mensagem, garantindo assim
Assistência Hospitalar (PNHAH) apresentado pelo governo que informações-chave cheguem ao conhecimento da
há alguns anos trouxe orientações básicas e parâmetros população. As campanhas são extremamente úteis,
para dar andamento a essa transformação, tendo por portanto, para educar, inspirar e motivar os cidadãos,
finalidade promover mudanças na cultura do atendimento cuidando para que seu envolvimento com as unidades de
de saúde no Brasil. Por meio da requalificação das saúde tragam benefícios e contribuam para a melhoria do
unidades públicas de saúde e da valorização da condição sistema como um todo. De fato, com usuários mais
humana, o PNHAH serviu de referência para guiar as envolvidos, todos saem ganhando.
instituições de saúde na implementação de um atendimento Nesse contexto, usuários do serviço e suas
mais humanizado. famílias passam a ter espaço e liberdade de atuação,
A verdade é que, apesar da atenção ao usuário ser assumindo uma postura mais ativa no aprimoramento da
um dos pontos mais críticos do sistema de saúde brasileiro saúde pública. E acredite: um sistema de saúde articulado
desde seus primórdios, não é possível operar com a comunidade passa muito mais confiança
transformações que afetem a qualidade da atenção especialmente em relação ao atendimento. Isso sem contar
dedicada ao usuário sem que, para isso, leva-se em conta que os profissionais de saúde também têm grandes
a humanização da relação entre cidadãos e profissionais de chances de trabalhar melhor ao poderem contar com uma
saúde, as figuras ativas do processo de atendimento em si. rede colaborativa participando das tarefas voltadas para a
Com o passar do tempo, tem ficado claro que a obtenção saúde da comunidade.
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muitos e complexos desafios a serem superados para


Dentre os diversos possíveis objetivos que justifiquem consolidar-se enquanto tal.
a realização de uma campanha, estão: No âmbito da reorganização dos serviços de
saúde, a estratégia da saúde da família vai ao encontro dos
- Gerar conscientização; debates e análises referentes ao processo de mudança do
- Dar conhecimento a prováveis soluções; paradigma que orienta o modelo de atenção à saúde
- Incentivar a doação de força de trabalho — participação vigente e que vem sendo enfrentada, desde a década de
da comunidade; 1970, pelo conjunto de atores e sujeitos sociais
- Alertar sobre riscos; comprometidos com um novo modelo que valorize as ações
- Conseguir apoio para promover mudanças; de promoção e proteção da saúde, prevenção das doenças
- Posicionar melhor a instituição de saúde. e atenção integral às pessoas.
Na prática, preparar uma campanha eficiente Estes pressupostos, tidos como capazes de
requer organização e a elaboração de um plano de ações. produzir um impacto positivo na orientação do novo modelo
Para isso, antes de mais nada é preciso definir um objetivo e na superação do anterior, calcado na supervalorização
mensurável e realista — como, por exemplo, reduzir a das práticas da medicina curativa, especializada e
ocorrência de determinado tipo de acidente. Além do plano hospitalar, e que induz ao excesso de procedimentos
de ação, também é necessário ajustar a campanha ao tecnológicos e medicamentosos e, sobretudo, na
público certo, considerando o contexto de vida da fragmentação do cuidado, encontra, em relação aos
população e cuidando para que a mensagem fique recursos humanos para o Sistema Único de Saúde (SUS),
suficientemente clara, ao alcance do entendimento dos um outro desafio. Tema também recorrente nos debates
indivíduos para a qual foi direcionada. sobre a reforma sanitária brasileira, verifica-se que, ao
longo do tempo, tem sido unânime o reconhecimento
Qual o papel do prontuário médico nesse processo? acerca da importância de se criar um "novo modo de fazer
saúde".
Um atendimento humanizado não pode abrir mão Atualmente, o PSF é definido com Estratégia
de informação confiável e privilegiada sobre o usuário do Saúde da Família (ESF), ao invés de programa, visto que o
serviço. Sem informação confiável disponível, tudo o que termo programa aponta para uma atividade com início,
resta aos profissionais de saúde é tomar decisões apenas desenvolvimento e finalização. O PSF é uma estrátégia de
pautados por dados exclusivamente relativos ao momento reorganização da atenção primária e não prevê um tempo
em que o cidadão é atendido. Com o uso de uma para finalizar esta reorganização.
ferramenta de registro como o prontuário médico, os No Brasil a origem do PSF remonta criação do
profissionais passam a compreender melhor o histórico do PACS em 1991, como parte do processo de reforma do
indivíduo e, assim, ampará-lo a partir de uma abordagem setor da saúde, desde a Constituição, com intenção de
mais humanizada. É no prontuário, afinal, que se aumentar a acessibilidade ao sistema de saúde e
concentram informações sobre o quadro de saúde do incrementar as ações de prevenção e promoção da saúde.
usuário, incluindo episódios anteriores em que tenha Em 1994 o Ministério da Saúde, lançou o PSF como política
precisado recorrer aos serviços assistenciais. nacional de atenção básica, com caráter organizativo e
O uso adequado do prontuário viabiliza substitutivo, fazendo frente ao modelo tradicional de
um atendimento mais assertivo, uma vez que o documento assistência primária baseada em profissionais médicos
reúne informações particulares sobre o usuário cadastrado, especialistas focais. Atualmente, reconhece-se que não é
representando o principal registro do percurso do cidadão mais um programa e sim uma Estratégia para uma Atenção
pela instituição. De posse de informações complementares, Primária à Saúde qualificada e resolutiva.
organizadas e precisas, os profissionais de saúde são Percebendo a expansão do Programa Saúde da
capazes de realizar um atendimento mais amplo e Família que se consolidou como estratégia prioritária para a
satisfatório. E é nesse ponto que a tecnologia pode reaorganização da Atenção Básica no Brasil, o governo
contribuir significativamente para a melhoria do processo, emitiu a Portaria Nº 648, de 28 de Março de 2006, onde
com uma ferramenta de registro eletrônico das informações: ficava estabelecido que o PSF é a estratégia prioritária do
o prontuário eletrônico. Ministério da Saúde para organizar a Atenção Básica —
O registro eletrônico em um sistema informatizado que tem como um dos seus fundamentos possibilitar o
faz com que os dados fiquem mais bem organizados, além acesso universal e contínuo a serviços de saúde de
de mais acessíveis e disponíveis para consulta. Com qualidade, reafirmando os princípios básicos do SUS:
informações à mão, de forma rápida e facilitada, os universalização, descentralização, integralidade e
profissionais de atendimento têm acesso tanto a dados de participação da comunidade - mediante o cadastramento e
saúde quanto a informações relativas à situação social do a vinculação dos usuários.
cidadão em atendimento. Tudo isso contribui para que as Como consequência de um processo de
necessidades particulares do usuário do serviço sejam mais des_hospitalização e humanização do Sistema Único de
rapidamente percebidas, o que soma pontos a um Saúde, o programa tem como ponto positivo a valorização
atendimento humanizado, pautado por uma abordagem que dos aspectos que influenciam a saúde das pessoas fora do
considera a realidade única de cada indivíduo. ambiente hospitalar.

PSF (PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA) Características e composição

De acordo com a Portaria Nº 648, de 28 de Março


A origem do Programa Saúde da Família (PSF), teve início, de 2006, além das características do processo de trabalho
em 1994, como um dos programas propostos pelo governo das equipes de Atenção Básica ficou definido as
federal aos municípios para implementar a atenção básica. características do processo de trabalho da Saúde da
O PSF é tido como uma das principais estratégias de Família:
reorganização dos serviços e de reorientação das práticas 1. manter atualizado o cadastramento das famílias e
profissionais neste nível de assistência, promoção da dos indivíduos e utilizar, de forma sistemática, os dados
saúde, prevenção de doenças e reabilitação. Traz, portanto, para a análise da situação de saúde considerando as
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características sociais, econômicas, culturais, demográficas 5. realizar busca ativa e notificação de doenças e
e epidemiológicas do território; agravos de notificação compulsória e de outros agravos e
2. definição precisa do território de atuação, situações de importância local;
mapeamento e reconhecimento da área adstrita, que 6. realizar a escuta qualificada das necessidades dos
compreenda o segmento populacional determinado, com usuários em todas as ações, proporcionando atendimento
atualização contínua; humanizado e viabilizando o estabelecimento do vínculo;
3. diagnóstico, programação e implementação das 7. responsabilizar-se pela população adscrita,
atividades segundo critérios de risco à saúde, priorizando mantendo a coordenação do cuidado mesmo quando esta
solução dos problemas de saúde mais frequentes; necessita de atenção em outros serviços do sistema de
4. prática do cuidado familiar ampliado, efetivada por saúde;
meio do conhecimento da estrutura e da funcionalidade das 8. participar das atividades de planejamento e
famílias que visa propor intervenções que influenciem os avaliação das ações da equipe, a partir da utilização dos
processos de saúde doença dos indivíduos, das famílias e dados disponíveis;
da própria comunidade; 9. promover a mobilização e a participação da
5. trabalho interdisciplinar e em equipe, integrando comunidade, buscando efetivar o controle social;
áreas técnicas e profissionais de diferentes formações; 10. identificar parceiros e recursos na comunidade que
6. promoção e desenvolvimento de ações possam potencializar ações intersetoriais com a equipe, sob
intersetoriais, buscando parcerias e integrando projetos coordenação da SMS;
sociais e setores afins, voltados para a promoção da saúde, 11. garantir a qualidade do registro das atividades nos
de acordo com prioridades e sob a coordenação da gestão sistemas nacionais de informação na Atenção Básica;
municipal; 12. participar das atividades de educação permanente;
7. valorização dos diversos saberes e práticas na e
perspectiva de uma abordagem integral e resolutiva, 13. realizar outras ações e atividades a serem
possibilitando a criação de vínculos de confiança com ética, definidas de acordo com as prioridades locais.
compromisso e respeito;
8. promoção e estímulo à participação da Do Enfermeiro do Programa Agentes Comunitários de
comunidade no controle social, no planejamento, na Saúde
execução e na avaliação das ações; e
9. acompanhamento e avaliação sistematica das 1. planejar, gerenciar, coordenar e avaliar as ações
ações implementadas, visando à readequação do processo desenvolvidas pelos ACS;
de trabalho. 2. supervisionar, coordenar e realizar atividades de
Baseado nesta mesma portaria foi estabelecido que para a qualificação e educação permanente dos ACS, com vistas
implantação das Equipes de Saúde da Família deva existir ao desempenho de suas funções;
(entre outros quesitos) uma equipe multiprofissional 3. facilitar a relação entre os profissionais da Unidade
responsável por, no máximo, 4.000 habitantes, sendo que a Básica de Saúde e ACS, contribuindo para a organização
média recomendada é de 3.000. Esta equipe, composta por da demanda referenciada;
minimamente médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem 4. realizar consultas e procedimentos de enfermagem
(ou técnico de enfermagem) e Agentes Comunitários de na Unidade Básica de Saúde e, quando necessário, no
Saúde, deve ter uma jornada de trabalho de 40 horas domicílio e na comunidade;
semanais para todos os integrantes. 5. solicitar exames complementares e prescrever
medicações, conforme protocolos ou outras normativas
Atribuições dos membros da Equipe de Saúde da técnicas estabelecidas pelo gestor municipal ou do Distrito
Família Federal, observadas as disposições legais da profissão;
As atribuições dos profissionais pertencentes à Equipe 6. organizar e coordenar grupos específicos de
ficaram estabelecidos também pela Portaria Nº 648, de 28 indivíduos e famílias em situação de risco da área de
de Março de 2006, podendo ser complementadas pela atuação dos ACS; e
gestão local. 7. participar do gerenciamento dos insumos
necessários para o adequado funcionamento da UBS.
Atribuições comuns a todos os Profissionais que
integram as equipes Do Enfermeiro
1. participar do processo de territorialização
(http://www.hygeia.ig.ufu.br/viewarticle.php?id=26) e 1. realizar assistência integral (promoção e proteção
mapeamento da área de atuação da equipe, identificando da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento,
grupos, famílias e indivíduos expostos a riscos, inclusive reabilitação e manutenção da saúde) aos indivíduos e
aqueles relativos ao trabalho, e da atualização contínua famílias na USF e, quando indicado ou necessário, no
dessas informações, priorizando as situações a serem domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas,
acompanhadas no planejamento local; associações etc), em todas as fases do desenvolvimento
2. realizar o cuidado em saúde da população humano: infância, adolescência, idade adulta e terceira
adscrita, prioritariamente no âmbito da unidade de saúde, idade;
no domicílio e nos demais espaços comunitários (escolas, 2. conforme protocolos ou outras normativas técnicas
associações, entre outros), quando necessário; estabelecidas pelo Conselho Federal de Enfermagem
3. realizar ações de atenção integral conforme a (COFEN) aprova a Resolução n.º 195, de 18/02/97,
necessidade de saúde da população local, bem como as observadas as disposições legais da profissão, realizar
previstas nas prioridades e protocolos da gestão local; consulta de enfermagem, solicitar exames complementares
4. garantir a integralidade da atenção por meio da e prescrever medicações;
realização de ações de promoção da saúde, prevenção de 3. planejar, gerenciar, coordenar e avaliar as ações
agravos e curativas; e da garantia de atendimento da desenvolvidas pelos ACS;
demanda espontânea, da realização das ações 4. supervisionar, coordenar e realizar atividades de
programáticas e de vigilância à saúde; educação permanente dos ACS e da equipe de
enfermagem;
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5. contribuir e participar das atividades de Educação acompanhamento do usuário e o segmento do


Permanente do Auxiliar de Enfermagem, ACD e THD; e tratamento;
6. participar do gerenciamento dos insumos 5. coordenar e participar de ações coletivas voltadas
necessários para o adequado funcionamento da USF. à promoção da saúde e à prevenção de doenças
bucais;
Do Médico 6. acompanhar, apoiar e desenvolver atividades
referentes à saúde bucal com os demais membros
1. realizar assistência integral (promoção e proteção da Equipe de Saúde da Família, buscando
da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, aproximar e integrar ações de saúde de forma
tratamento, reabilitação e manutenção da saúde) multidisciplinar.
aos indivíduos e famílias em todas as fases do 7. contribuir e participar das atividades de Educação
desenvolvimento humano: infância, adolescência, Permanente do THD, ACD e ESF;
idade adulta e terceira idade; 8. realizar supervisão técnica do THD e ACD; e
2. realizar consultas clínicas e procedimentos na USF 9. participar do gerenciamento dos insumos
e, quando indicado ou necessário, no domicílio necessários para o adequado funcionamento da
e/ou nos demais espaços comunitários (escolas, USF.
associações etc);
3. realizar atividades de demanda espontânea e Do Técnico em Higiene Dental (THD)
programada em clínica médica, pediatria,
ginecoobstetrícia, cirurgias ambulatoriais, 1. realizar a atenção integral em saúde bucal
pequenas urgências clínico-cirúrgicas e (promoção, prevenção, assistência e reabilitação)
procedimentos para fins de diagnósticos; individual e coletiva a todas as famílias, a
4. encaminhar, quando necessário, usuários a indivíduos e a grupos específicos, segundo
serviços de média e alta complexidade, programação e de acordo com suas competências
respeitando fluxos de referência e contrareferência técnicas e legais;
locais, mantendo sua responsabilidade pelo 2. coordenar e realizar a manutenção e a
acompanhamento do plano terapêutico do usuário, conservação dos equipamentos odontológicos;
proposto pela referência; 3. acompanhar, apoiar e desenvolver atividades
5. indicar a necessidade de internação hospitalar ou referentes à saúde bucal com os demais membros
domiciliar, mantendo a responsabilização pelo da equipe de Saúde da Família, buscando
acompanhamento do usuário; aproximar e integrar ações de saúde de forma
6. contribuir e participar das atividades de Educação multidisciplinar.
Permanente dos ACS, Auxiliares de Enfermagem, 4. apoiar as atividades dos ACD e dos ACS nas
ACD e THD; e ações de prevenção e promoção da saúde bucal; e
7. participar do gerenciamento dos insumos 5. participar do gerenciamento dos insumos
necessários para o adequado funcionamento da necessários para o adequado funcionamento da
USF. USF.

Do auxiliar de Consultório Dentário (ACD)


Do Auxiliar e do Técnico de Enfermagem
1. realizar ações de promoção e prevenção em
1. participar das atividades de assistência básica saúde bucal para as famílias, grupos e indivíduos,
realizando procedimentos regulamentados no mediante planejamento local e protocolos de
exercício de sua profissão na USF e, quando atenção à saúde;
indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos 2. proceder à desinfecção e à esterilização de
demais espaços comunitários (escolas, materiais e instrumentos utilizados;
associações etc); 3. preparar e organizar instrumental e materiais
2. realizar ações de educação em saúde a grupos necessários;
específicos e a famílias em situação de risco, 4. instrumentalizar e auxiliar o cirurgião dentista e/ou
conforme planejamento da equipe; e o THD nos procedimentos clínicos;
3. participar do gerenciamento dos insumos 5. cuidar da manutenção e conservação dos
necessários para o adequado funcionamento da equipamentos odontológicos;
USF. 6. organizar a agenda clínica;
Do Cirurgião Dentista 7. acompanhar, apoiar e desenvolver atividades
1. realizar diagnóstico com a finalidade de obter o referentes à saúde bucal com os demais membros
perfil epidemiológico para o planejamento e a da equipe de saúde da família, buscando
programação em saúde bucal; aproximar e integrar ações de saúde de forma
2. realizar os procedimentos clínicos da Atenção multidisciplinar; e
Básica em saúde bucal, incluindo atendimento das 8. participar do gerenciamento dos insumos
urgências e pequenas cirurgias ambulatoriais; necessários para o adequado funcionamento da
3. realizar a atenção integral em saúde bucal USF.
(promoção e proteção da saúde, prevenção de
agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e A trajetória do Programa
manutenção da saúde) individual e coletiva a todas
as famílias, a indivíduos e a grupos específicos, de Década de 70
acordo com planejamento local, com
resolubilidade; 1974 Projeto de Saúde Comunitária da Unidade São José
4. encaminhar e orientar usuários, quando do Murialdoda Secretaria de Saúde do Rio Grande do
necessário, a outros níveis de assistência, Sulcom Projeto Voluntários de Saúde (pessoal da
mantendo sua responsabilização pelo
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comunidade atuando junto à equipe de saúde comunitária 2003 — Início da execução do Programa de Expansão e
do Murialdo. Consolidação da Estratégia de Saúde da Família (Proesf),
cuja proposta inicial era a ampliação do programa em
1976 PIASS municípios de grande porte, ou seja, com mais de 100 mil
Início dos primeiros programas de Residênia Médica na habitantes, e publicação dos Indicadores 2000, 2001 e 2002
área (Saúde Comunitária, Medicina Integal e Medicina do Sistema de Informação da Atenção Básica.
Comunitária. 2006 — Considerando a expansão do PSF, que se
consolidou como estratégia prioritária para reorganização
Década de 80 - início da experiência de Agentes da atenção básica no Brasil e primeiro nível da atenção à
Comunitários e Saúde pelo Ministério da Saúde. saúde no SUS, o Ministério da Saúde publicou a Portaria Nº
1991 – Criação oficial do PACS (Programa de Agentes 648, de 28 de Março de 2006 e outras de importância.
Comunitários de Saúde) pelo Ministério da Saúde
1994 – Realização do estudo “Avaliação Qualitativa do Programa Saúde da Família
PACS”; criação do Programa Saúde da Família; primeiro
documento oficial “Programa Saúde da Família: dentro de Departamento de Atenção Básica - Secretaria de Políticas
casa”; e criação de procedimentos vinculados ao PSF e ao de Saúde
PACS na tabela do Sistema de Informações Ambulatoriais  
do SUS (SIA/SUS); a população coberta pelo PSF era em A partir da promulgação da Constituição Federal
torno de 1 milhão de pessoas. em 1988, foram definidas como diretrizes do Sistema Único
1996 – Legalização da Norma Operacional Básica (NOB de Saúde (SUS) a universalização, a equidade, a
01/96) para definição de um novo modelo de financiamento integralidade, a descentralização, a hierarquização e a
para a atenção básica à saúde. participação da comunidade. Ao ser desenvolvido sobre
1997 – Lançamento do Reforsus, um projeto de esses princípios, o processo de construção do Sistema
financiamento para impulsionar a implantação dos Pólos de Único de Saúde visa reduzir o hiato ainda existente entre os
Capacitação, Formação e Educação Permanente de direitos sociais garantidos em lei e a capacidade efetiva de
Recursos Humanos para Saúde da Família; publicação de oferta de ações e serviços públicos de saúde à população
um segundo documento oficial “PSF: uma estratégia para a brasileira.
reorientação do modelo assistencial”, dirigido aos gestores Apesar de esses princípios ainda não terem sido atingidos
e trabalhadores do SUS e instituições de ensino; PACS e em sua plenitude, é impossível negar os avanços obtidos
PSF são incluídos na agenda de prioridade da Política de na última década no processo de consolidação do SUS,
Saúde; publicação da Portaria MS/GM nº. 1882, criando o dentre os quais se destaca a descentralização com efetiva
Piso de Atenção Básica (PAB), e da portaria MS/GM nº. municipalização.
1886, com as normais de funcionamento do PSF e do O modelo assistencial ainda predominante no país
PACS. caracteriza-se pela prática "hospitalocêntrica", pelo
1998 — O PSF passa a ser considerado estratégia individualismo, pela utilização irracional dos recursos
estruturante da organização do SUS; início da transferência tecnológicos disponíveis e pela baixa resolubilidade,
dos incentivos financeiros fundo a fundo destinados ao PSF gerando alto grau de insatisfação para todos os partícipes
e ao PACS, do Fundo Nacional de Saúde para os Fundos do processo gestores, profissionais de saúde e população
Municipais de Saúde; primeiro grande evento: “I Seminário que utiliza os serviços.
de Experiências Internacionais em Saúde da Família”; Como consequência, o bom senso milenar do
edição do “Manual para a Organização da Atenção Básica”, "prevenir para não remediar" foi sendo reescrito com o
que ser serviu como importante respaldo organizacional abandono da prevenção e promoção da saúde em todas as
para o PSF; definição, pela primeira vez, de orçamento suas dimensões.
próprio para o PSF, estabelecido no Plano Plurianual. Sob esse raciocínio, a rede básica de saúde,
1999 — Realização do 1º Pacto da Atenção Básica e do constituída pelos postos, centros ou unidades básicas de
segundo grande evento, “I Mostra Nacional de Produção saúde, passou a ser assessória e desqualificada. Com isso,
em Saúde da Família — construindo um novo modelo”; perdeu seu potencial de resultados, alimentando a própria
realização do estudo “Avaliação da implantação e lógica que a excluía de antemão. O que era para ser básico
funcionamento do Programa Saúde da Família”; edição da se tornou descartável e o topo da cadeia de atenção se
Portaria nº. 1.329, que estabelece as faixas de incentivo ao transformou em porta de entrada.
PSF por cobertura populacional. Essa situação não se consubstanciaria se não
2000 — Criação do Departamento de Atenção Básica para houvesse o mínimo de resultados. No entanto, a síntese
consolidar a Estratégia de Saúde da Família; publicação desse quadro é um modelo caro, ineficiente e desumano,
dos Indicadores 1999 do Sistema de Informação da que degrada a prática profissional e não atende às
Atenção Básica; a população atendida alcança o percentual necessidades da população.
de 20% da população brasileira. Ao longo dos anos, diversas pesquisas indicaram
2001 — Edição da “Norma Operacional da Assistência à que unidades básicas de saúde, funcionando
Saúde — NOAS/01”, ênfase na qualificação da atenção adequadamente, de forma resolutiva, oportuna e
básica; realização de um terceiro evento, “II Seminário humanizada, são capazes de resolver, com qualidade,
Internacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da cerca de 85% dos problemas de saúde da população. O
Família”; apoio à entrega de medicamentos básicos às restante das pessoas precisará, em parte, de atendimento
Equipe de Saúde da Família (ESF); incorporação das ações em ambulatórios de especialidades e apenas um pequeno
de saúde bucal ao PSF; realização da primeira fase do número necessitará de atendimento hospitalar.
estudo “Monitoramento das equipes de Saúde da Família Analisando todo esse contexto e visando,
no Brasil”. enquanto estratégia setorial, a reorientação do modelo
2002 — Realização de um quarto evento: “PSF — A saúde assistencial brasileiro, o Ministério da Saúde assumiu, a
mais perto de 50 milhões de brasileiros” e da segunda fase partir de 1994, como resposta intencional a essa
do estudo “Monitoramento das equipes de Saúde da conjuntura, a implantação do Programa Saúde da Família -
Família no Brasil”; A população coberta pelo PSF PSF. Em alguns contextos, ela se motivou mais pelo
ultrapassa os 50 milhões de pessoas. resgate de valores profissionais; em outros, pela
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APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕES & CONCURSOS

capacidade de melhorar os indicadores de saúde e quais ela está exposta, neles intervindo de forma
reordenar o modelo assistencial. apropriada.
Não apenas as unidades básicas, mas todo o
O programa saúde da família sistema deverá estar estruturado segundo a lógica da
estratégia em questão, pois a continuidade da atenção deve
Ao priorizar a atenção básica, o PSF não faz uma ser garantida pelo fluxo contínuo setorial, sem solução de
opção econômica pelo mais barato, nem técnica pela continuidade nesse processo. A unidade básica de saúde,
simplificação, nem política por qualquer forma de exclusão. sob a estratégia da Saúde da Família, deve ser a porta de
A tecnologia, é bom que se reafirme, é uma conquista que o entrada do sistema local de saúde, mas a mudança no
setor saúde entende como fundamental para o sistema, modelo tradicional exige a integração entre os vários níveis
mas que vem sendo utilizada de forma excludente, de atenção.
deixando de fora boa parcela da população. O PSF não é O PSF representa ações combinadas a partir da
uma peça isolada do sistema de saúde, mas um noção ampliada de saúde que engloba tudo aquilo que
componente articulado com todos os níveis. Dessa forma, possa levar a pessoa a ser mais feliz e produtiva e se
pelo melhor conhecimento da clientela e pelo propõe a humanizar as práticas de saúde, buscando a
acompanhamento detido dos casos, o programa permite satisfação do usuário pelo estreito relacionamento dos
ordenar os encaminhamentos e racionalizar o uso da profissionais com a comunidade, estimulando-a ao
tecnologia e dos recursos terapêuticos mais caros. O PSF reconhecimento da saúde como um direito de cidadania e,
não isola a alta complexidade, mas a coloca portanto, expressão e qualidade de vida.
articuladamente a disposição de todos. Racionalizar o uso, Uma das principais estratégias da Saúde da
nesse sentido, é democratizar o acesso. Família é sua capacidade de propor alianças, seja no
Com base nessas premissas, o Programa Saúde interior do próprio sistema de saúde, seja nas ações
da Família representa tanto uma estratégia para reverter a desenvolvidas com as áreas de saneamento, educação,
forma atual de prestação de assistência à saúde como uma cultura, transporte, entre outras. Por ser um projeto
proposta de reorganização da atenção básica como eixo de estruturante, deve provocar uma transformação interna do
reorientação do modelo assistencial, respondendo a uma sistema, com vistas à reorganização das ações e serviços
nova concepção de saúde não mais centrada somente na de saúde. Essa mudança implica na ruptura da dicotomia
assistência à doença, mas, sobretudo, na promoção da entre as ações de saúde pública e a atenção médica
qualidade de vida e intervenção nos fatores que a colocam individual, bem como entre as práticas educativas e
em risco pela incorporação das ações programáticas de assistenciais.
uma forma mais abrangente e do desenvolvimento de Configura, também, uma nova concepção de
ações intersetoriais. Caracteriza-se pela sintonia com os trabalho, uma nova forma de vínculo entre os membros de
princípios da universalidade, equidade da atenção e uma equipe, diferentemente do modelo biomédico
integralidade das ações. Estrutura-se, assim, na lógica tradicional, permitindo maior diversidade das ações e busca
básica de atenção à saúde, gerando novas práticas e permanente do consenso. Sob essa perspectiva, o papel do
afirmando a indissociabilidade entre os trabalhos clínicos e profissional de saúde é aliar-se à família no cumprimento de
a promoção da saúde. sua missão, fortalecendo-a e proporcionando o apoio
Assim, ao encaminhar os pacientes com mais necessário ao desempenho de suas responsabilidades,
garantia de referência e menos desperdício, o Programa jamais tentando substituí-la.
Saúde da Família amplia o acesso de todos aos benefícios Tal relação de trabalho, baseada na
tecnológicos. interdisciplinaridade e não mais na multidisciplinaridade,
O modelo de atenção preconizado pela Saúde da associada à não-aceitação do refúgio da assistência no
Família já foi testado em vários países, com contextos positivismo biológico, requer uma nova abordagem que
culturais de diferentes dimensões e níveis diferenciados de questione as certezas profissionais e estimule a
desenvolvimento socioeconômico, como por exemplo, permanente comunicação horizontal entre os componentes
Canadá, Reino Unido e Cuba, resolvendo mais de 85% dos de uma equipe.
casos o percentual restante destina-se a unidades mais Um dos principais objetivos é gerar novas práticas
complexas. Além do mais, o programa permite uma forte de saúde, nas quais haja integração das ações clínicas e de
integração entre o Ministério, as secretarias estaduais, os saúde coletiva. Porém, não se pode conceber a
municípios, a comunidade local e outros parceiros, em organização de sistemas de saúde que conduzam à
benefício de todos. realização de novas práticas sem que, de forma
Por seus princípios, o Programa Saúde da Família concomitante, se invista em uma nova política de formação
é, nos últimos anos, a mais importante mudança estrutural e num processo permanente de capacitação dos recursos
já realizada na saúde pública no Brasil. Junto ao Programa humanos.
dos Agentes Comunitários de Saúde com o qual se Para que essa nova prática se concretize, faz-se
identifica cada vez mais permite a inversão da lógica necessária a presença de um profissional com visão
anterior, que sempre privilegiou o tratamento da doença nos sistêmica e integral do indivíduo, família e comunidade, um
hospitais. Ao contrário, promove a saúde da população por profissional capaz de atuar com criatividade e senso crítico,
meio de ações básicas, para evitar que as pessoas fiquem mediante uma prática humanizada, competente e
doentes. Porém, se o programa restringir-se apenas à resolutiva, que envolve ações de promoção, de proteção
atenção básica, fracassará. A aposta do Brasil é no SUS, específica, assistencial e de reabilitação. Um profissional
na atenção integral e em todos os níveis de complexidade. capacitado para planejar, organizar, desenvolver e avaliar
A estratégia do PSF propõe uma nova dinâmica ações que respondam às reais necessidades da
para a estruturação dos serviços de saúde, bem como para comunidade, articulando os diversos setores envolvidos na
a sua relação com a comunidade e entre os diversos níveis promoção da saúde. Para tanto, deve realizar uma
e complexidade assistencial. Assume o compromisso de permanente interação com a comunidade, no sentido de
prestar assistência universal, integral, equânime, contínua mobilizá-la, estimular sua participação e envolvê-la nas
e, acima de tudo, resolutiva à população, na unidade de atividades todas essas atribuições deverão ser
saúde e no domicílio, sempre de acordo com as suas reais desenvolvidas de forma dinâmica, com avaliação
necessidades, além disso, identifica os fatores de risco aos
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permanente, pelo acompanhamento de indicadores de Um dos caracteres de diferenciação desse


saúde da área de abrangência. processo é que os profissionais das equipes de saúde
Entretanto, os sistemas de saúde não dispõem, devem residir no município onde atuam, trabalhando em
hoje, de um número satisfatório de profissionais regime de dedicação integral.
qualificados com esse novo perfil. Consciente dessa Por sua vez, para garantir a vinculação e
necessidade, o Ministério da Saúde, pelo Departamento de identidade cultural com as famílias sob sua
Atenção Básica da Secretaria de Políticas de Saúde, tem responsabilidade, os agentes comunitários de saúde (ACS)
investido na formação de Polos de Capacitação, Formação também devem residir nas respectivas áreas de atuação.
e Educação Continuada em Saúde da Família, com o Responsabilidades da equipe do PSF
objetivo de articular o ensino e o serviço, estimulando-os a • As atribuições básicas de uma equipe de Saúde da
reformarem seus cursos de graduação e a implantarem Família são:
programas de pós-graduação (especialização e residência • conhecer a realidade das famílias pelas quais são
em saúde da família) com vistas a essa nova realidade o responsáveis e identificar os problemas de saúde mais
que vem sendo respondido de forma sensível pelas comuns e situações de risco aos quais a população está
faculdades e escolas de saúde de todo o país. exposta;
Nos últimos dois anos, foram investidos R$12,4 • executar, de acordo com a qualificação de cada
milhões para a instalação dos Polos de Capacitação, profissional, os procedimentos de vigilância à saúde e de
Formação e Educação Continuada em Saúde da Família, e vigilância epidemiológica, nos diversos ciclos da vida;
54 instituições universitárias já estão envolvidas nesses • garantir a continuidade do tratamento, pela adequada
projetos de capacitação e formação dos novos profissionais referência do caso;
de saúde necessários. Esses esforços têm sido enviados • prestar assistência integral, respondendo de forma
no sentido de apoiar a formação profissional em nível de contínua e racionalizada à demanda, buscando contatos
graduação, as pesquisas e, ainda, a constituição de com indivíduos sadios ou doentes, visando promover a
programas de capacitação em serviço, num diálogo saúde por meio da educação sanitária;
permanente entre as universidades e o setor público de • promover ações intersetoriais e parcerias com
prestação de serviços. É importante ressaltar que esse organizações formais e informais existentes na comunidade
processo visa, também, a abertura de novos postos de para o enfrentamento conjunto dos problemas;
trabalho. • discutir, de forma permanente, junto à equipe e à
Financiamento comunidade, o conceito de cidadania, enfatizando os
A NOB 01/96, do Ministério da Saúde, vem direitos de saúde e as bases legais que os legitimam;
contribuindo para a consolidação do programa, pois • incentivar a formação e/ou participação ativa nos
modificou a lógica de financiamento (anteriormente conselhos locais de saúde e no Conselho Municipal de
baseada na produção de serviços) passando a estabelecer Saúde.
o pagamento em função da cobertura populacional e
introduzindo o incentivo do Programa Saúde da Família, Os números atuais:
além de outros mecanismos técnico-gerenciais.
Para o PSF, a Portaria nº 1.329, de 12.11.99, O número de equipes de Saúde da Família continua
estabelece que, de acordo com a faixa de cobertura, os crescendo: atualmente, até junho último, trabalham 7.991
municípios passam a receber incentivos diferenciados, equipes de Saúde da Família, distribuídas em 2.614
conforme demonstra a tabela a seguir: municípios brasileiros, nas 27 unidades federadas,
conferindo cobertura a mais de 27,5 milhões de habitantes.
  Para dezembro desse ano, o Ministério da Saúde e seus
parceiros estaduais e municipais trabalham com a meta de
implantação de 11.000 equipes.
O modelo garante maior vínculo e humanização da atenção
básica mesmo em cidades grandes, onde a relação dos
hospitais com os pacientes é fria e nem sempre resolve os
problemas de quem os procura. A diversidade é a maior
riqueza. Em algumas localidades existem propostas como o
uso de terapias não-convencionais plantas medicinais,
  homeopatia etc.; em outras, organizam-se grupos de
A diferenciação existente nos valores dos incentivos deve- caminhada e apresentações teatrais, por exemplo, sempre
se ao fato de que quanto maior o número de pessoas buscando-se ações integrais e melhores soluções para a
cobertas pelo PSF, maior o seu impacto. Existe, ainda, um assistência.
incentivo adicional para a implantação de novas equipes, Os resultados já observados em todo o país e a
num valor de R$ 10.000/equipe, pagos em duas parcelas. potencialidade do Programa Saúde da Família fizeram com
As diretrizes programáticas do PSF já são bem que o Ministério da Saúde refletisse a prioridade no seu
conhecidas. A reorganização da atenção à saúde implica orçamento. Em 1998, o Programa Saúde da
numa reordenação da própria lógica de montagem das Família/Agentes Comunitários de Saúde recebeu um
equipes. Essas equipes devem ser compostas por, no orçamento de R$ 218 milhões; em 1999, esse valor subiu
mínimo, um médico de família, um enfermeiro, um auxiliar para R$ 380 milhões e para o presente ano, R$ 680
de enfermagem e cinco a seis agentes comunitários de milhões. Esses recursos são transferidos como forma de
saúde outros profissionais, tais como psicólogos, dentistas, incentivo aos municípios que implantam o Programa de
fisioterapeutas, por exemplo, poderão ser incorporados de Agentes Comunitários de Saúde e as equipes de Saúde da
acordo com as características e demandas dos serviços Família.
locais de saúde. Cada equipe é responsável pelo A meta para expansão imediata do Programa já foi
acompanhamento de, no máximo, mil famílias ou 4.500 anunciada e indica, para 2002, 150 mil agentes
pessoas que residam ou trabalhem no território de comunitários e 20 mil equipes de Saúde da Família.
responsabilidade da unidade de saúde, agora denominada Em termos percentuais, isso representará o
"Unidade Básica de Saúde da Família". acompanhamento, por essas equipes, de aproximadamente
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metade da população brasileira. Representa, também, a enfermagem eficiente e com o apoio de consultores e
decisão política de iniciar pela atenção básica a especialistas visitantes. Os Centros de Saúde Primários
reorientação do modelo de atenção à saúde. variam em seu tamanho e complexidade de acordo com as
Do ponto de vista político, ressalve-se que esse necessidades locais, e com sua localização na cidade ou
programa não é um projeto de um gestor, nem mesmo de no país. Mas, a maior parte deles são formados por clínicos
um governo. Desenvolvido nos três níveis de gestão, sua gerais dos seus distritos, bem como os pacientes
importância é associada ao impacto identificado no pertencem aos serviços chefiados por médicos de sua
desenvolvimento atual da proposta, pelos administradores própria região. (Ministry of Health, 1920).
setoriais e pela própria população, donde se constata a Esta concepção elaborada pelo governo inglês
tendência de sua perenidade, garantindo o permanente influenciou a organização dos sistemas de saúde de todo o
avanço na melhoria do modelo de atenção à saúde dos mundo, definindo duas características básicas da APS. A
brasileiros. primeira seria a regionalização, ou seja, os serviços de
A relativa novidade do modelo ainda não permite saúde devem estar organizados de forma a atender as
um amplo estudo de índices de impacto dessas ações no diversas regiões nacionais, através da sua distribuição a
quadro sanitário nacional. Já existem, entretanto, muitos partir de bases populacionais, bem como devem identificar
indicadores qualitativos, medidos em pesquisas de as necessidades de saúde de cada região. A segunda
satisfação dos usuários e quantitativos, como o de índices característica é a integralidade, que fortalece a
de coberturas vacinais, aleitamento materno e mortalidade indissociabilidade entre ações curativas e preventivas.
infantil, que permitem inferir as vantagens da presente Os elevados custos dos sistemas de saúde, o uso
proposta. indiscriminado de tecnologia médica e a baixa
resolutividade preocupavam a sustentação econômica da
ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE saúde nos países desenvolvidos, fazendo-os pesquisar
novas formas de organização da atenção com custos
Internacionalmente tem-se apresentado 'Atenção menores e maior eficiência. Em contrapartida, os países
Primária à Saúde' (APS) como uma estratégia de pobres e em desenvolvimento sofriam com a iniquidade dos
organização da atenção à saúde voltada para responder de seus sistemas de saúde, com a falta de acesso a cuidados
forma regionalizada, contínua e sistematizada à maior parte básicos, com a mortalidade infantil e com as precárias
das necessidades de saúde de uma população, integrando condições sociais, econômicas e sanitárias.
ações preventivas e curativas, bem como a atenção a Em 1978 a Organização Mundial da Saúde (OMS)
indivíduos e comunidades. Esse enunciado procura e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)
sintetizar as diversas concepções e denominações das realizaram a I Conferência Internacional sobre Cuidados
propostas e experiências que se convencionaram chamar Primários de Saúde em Alma-Ata, no Cazaquistão, antiga
internacionalmente de APS. União Soviética, e propuseram um acordo e uma meta
No Brasil, a APS incorpora os princípios da entre seus países membros para atingir o maior nível de
Reforma Sanitária, levando o Sistema Único de saúde possível até o ano 2000, através da APS. Essa
Saúde (SUS) a adotar a designação Atenção Básica à política internacional ficou conhecida como 'Saúde para
Saúde (ABS) para enfatizar a reorientação do modelo Todos no Ano 2000'. A Declaração de Alma-Ata, como foi
assistencial, a partir de um sistema universal e integrado chamado o pacto assinado entre 134 países, defendia a
de atenção à saúde. seguinte definição de APS, aqui denominada cuidados
Historicamente, a ideia de atenção primária foi primários de saúde:
utilizada como forma de organização dos sistemas de Os  cuidados primários de saúde  são cuidados
saúde pela primeira vez no chamado Relatório Dawnson, essenciais de saúde baseados em métodos
em 1920. Esse documento do governo inglês procurou, de e  tecnologias  práticas, cientificamente bem fundamentadas
um lado, contrapor-se ao modelo flexineriano americano de e socialmente aceitáveis, colocadas ao alcance universal
cunho curativo, fundado no reducionismo biológico e na de indivíduos e famílias da comunidade, mediante sua
atenção individual, e por outro, constituir-se numa plena participação e a um custo que a comunidade e o país
referência para a organização do modelo de atenção inglês, possam manter em cada fase de seu desenvolvimento, no
que começava a preocupar as autoridades daquele país, espírito de autoconfiança e autodeterminação. Fazem parte
devido ao elevado custo, à crescente complexidade da integrante tanto do sistema de saúde do país, do qual
atenção médica e à baixa resolutividade. constituem a função central e o foco principal, quanto do
O referido relatório organizava o modelo de desenvolvimento social e econômico global da comunidade.
atenção em centros de saúde primários e secundários, Representam o primeiro nível de contato dos indivíduos, da
serviços domiciliares, serviços suplementares e hospitais de família e da comunidade com o sistema nacional de saúde,
ensino. Os centros de saúde primários e os serviços pelo qual os cuidados de saúde  são levados o mais
domiciliares deveriam estar organizados de forma proximamente possível aos lugares onde pessoas vivem e
regionalizada, onde a maior parte dos problemas de saúde trabalham, e constituem o primeiro elemento de um
deveriam ser resolvidos por médicos com formação em continuado processo de assistência à saúde. (Opas/OMS,
clínica geral. Os casos que o médico não tivesse condições 1978)
de solucionar com os recursos disponíveis nesse âmbito da No que diz respeito à organização da APS, a
atenção deveriam ser encaminhados para os centros de declaração de Alma-Ata propõe a instituição de serviços
atenção secundária, onde haveria especialistas das mais locais de saúde centrados nas necessidades de saúde da
diversas áreas, ou então, para os hospitais, quando população e fundados numa
existisse indicação de internação ou cirurgia. Essa perspectiva interdisciplinar envolvendo médicos,
organização caracteriza-se pela hierarquização dos níveis enfermeiros, parteiras, auxiliares e agentes comunitários,
de atenção à saúde. bem como a participação social na gestão e controle de
Os serviços domiciliares de um dado distrito suas atividades. O documento descreve as seguintes ações
devem estar baseados num Centro de Saúde Primária - mínimas, necessárias para o desenvolvimento da APS nos
uma instituição equipada para serviços de medicina diversos países: educação em saúde voltada para a
curativa e preventiva para ser conduzida por clínicos gerais prevenção e proteção; distribuição de alimentos e nutrição
daquele distrito, em conjunto com um serviço de apropriada; tratamento da água e saneamento; saúde
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materno-infantil; planejamento familiar; imunização; Essas experiências somadas à constituição do


prevenção e controle de doenças endêmicas; tratamento de SUS (Brasil, 1988) e sua regulamentação (Brasil, 1990)
doenças e lesões comuns; fornecimento de medicamentos possibilitaram a construção de uma política de ABS que
essenciais. visasse à reorientação do modelo assistencial, tornando-se
A Declaração de Alma-Ata representa uma o contato prioritário da população com o sistema de saúde.
proposta num contexto muito maior que um pacote seletivo Assim, a concepção da ABS desenvolveu-se a partir dos
de cuidados básicos em saúde. Nesse sentido, aponta para princípios do SUS, principalmente a universalidade, a
a necessidade de sistemas de saúde universais, isto é, descentralização, a integralidade e a participação popular,
concebe a saúde como um direito humano; a redução de como pode ser visto na portaria que institui a Política
gastos com armamentos e conflitos bélicos e o aumento de Nacional de Atenção Básica, definindo a ABS como:
investimentos em políticas sociais para o desenvolvimento Um conjunto de ações de saúde no âmbito individual e
das populações excluídas; o fornecimento e até mesmo a coletivo que abrangem a promoção e proteção da saúde,
produção de medicamentos essenciais para distribuição à prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação
população de acordo com a suas necessidades; a e manutenção da saúde. É desenvolvida através do
compreensão de que a saúde é o resultado das condições exercício de práticas gerenciais e sanitárias democráticas e
econômicas e sociais, e das desigualdades entre os participativas, sob forma de  trabalho em equipe, dirigidas a
diversos países; e também estipula que os governos populações de territórios bem delimitados, pelas quais
nacionais devem protagonizar a gestão dos sistemas de assume a responsabilidade sanitária, considerando a
saúde, estimulando o intercâmbio e o apoio tecnológico, dinamicidade existente no território em que vivem essas
econômico e político internacional (Matta, 2005). populações. Utiliza  tecnologias  de elevada complexidade e
Apesar de as metas de Alma-Ata jamais terem sido baixa densidade, que devem resolver os problemas de
alcançadas plenamente, a APS tornou-se uma referência saúde de maior frequência e relevância em seu território. É
fundamental para as reformas sanitárias ocorridas em o contato preferencial dos usuários com os sistemas de
diversos países nos anos 80 e 90 do último século. saúde.
Entretanto, muitos países e organismos internacionais, Orienta-se pelos princípios da  universalidade,
como o Banco Mundial, adotaram a APS numa perspectiva acessibilidade e coordenação do cuidado, vínculo e
focalizada, entendendo a atenção primária como um continuidade, integralidade,responsabilização, humanizaçã
conjunto de ações de saúde de baixa complexidade, o,  equidade, e  participação social. (Brasil, 2006)
dedicada a populações de baixa renda, no sentindo de Atualmente, a principal estratégia de configuração
minimizar a exclusão social e econômica decorrentes da da ABS no Brasil é a saúde da família que tem recebido
expansão do capitalismo global, distanciando-se do caráter importantes incentivos financeiros visando à ampliação da
universalista da Declaração de Alma-Ata e da ideia de cobertura populacional e à reorganização da atenção. A
defesa da saúde como um direito (Mattos, 2000). saúde da família aprofunda os processos
No Brasil, algumas experiências de APS foram de territorialização e responsabilidade sanitária das equipes
instituídas de forma incipiente desde o início do século XX, de saúde, compostas basicamente por médico generalista,
como os centros de saúde em 1924 que, apesar de enfermeiro, auxiliares de enfermagem e agentes
manterem a divisão entre ações curativas e preventivas, comunitários de saúde, cujo trabalho é referência de
organizavam-se a partir de uma base populacional e cuidados para a população adscrita, com um número
trabalhavam com educação sanitária. A partir da década de definido de domicílios e famílias assistidos por equipe.
1940, foi criado o Serviço Especial de Saúde Pública (Sesp) Entretanto, os desafios persistem e indicam a
que realizou ações curativas e preventivas, ainda que necessidade de articulação de estratégias de acesso aos
restritas às doenças infecciosas e carenciais. Essa demais níveis de atenção à saúde, de forma a garantir o
experiência inicialmente limitada às áreas de relevância princípio da integralidade, assim como a necessidade
econômica, como as de extração de borracha, foi ampliada permanente de ajuste das ações e serviços locais de
durante os anos 50 e 60 para outras regiões do país, mas saúde, visando à apreensão ampliada das necessidades de
represada de um lado pela expansão do modelo médico- saúde da população e à superação das iniquidades entre as
privatista, e de outro, pelas dificuldades de capilarização regiões do país.
local de um órgão do governo federal, como é o caso do Ressalta-se também na ABS a importante
Sesp (Mendes, 2002). participação de profissionais de nível básico e médio em
Nos anos 70, surge o Programa de Interiorização saúde, como os agentes comunitários de saúde, os
das Ações de Saúde e Saneamento do Nordeste (Piass) auxiliares e técnicos de enfermagem, entre outros
cujo objetivo era fazer chegar à população historicamente responsáveis por ações de educação e vigilância em saúde.
excluída de qualquer acesso à saúde um conjunto de ações
médicas simplificadas, caracterizando-se como uma política O TRABALHO DO AGENTE EPIDEMIOLÓGICO
focalizada e de baixa resolutividade, sem capacidade para
fornecer uma atenção integral à população. Vistoria de residências, depósitos, terrenos baldios
Com o movimento sanitário, as concepções da e estabelecimentos comerciais para buscar focos
APS foram incorporadas ao ideário reformista, endêmicos. Inspeção cuidadosa de caixas d’água, calhas e
compreendendo a necessidade de reorientação do modelo telhados. Aplicação de larvicidas e inseticidas. Orientações
assistencial, rompendo com o modelo médico-privatista quanto à prevenção e tratamento de doenças infecciosas.
vigente até o início dos anos 80. Nesse período, durante a Recenseamento de animais. Essas atividades são
crise do modelo médico previdenciário representado pela fundamentais para prevenir e controlar doenças como
centralidade do Instituto Nacional de Assistência Médica da dengue, chagas, leishmaniose e malária e fazem parte das
Previdência Social (Inamps), surgiram as Ações Integradas atribuições do agente de combate de endemias (ACE), um
de Saúde (AIS), que visavam ao fortalecimento de um trabalhador de nível médio que teve suas atividades
sistema unificado e descentralizado de saúde voltado para regulamentadas em 2006, mas que ainda tem muito o que
as ações integrais. Nesse sentido, as AIS surgiram de conquistar, especialmente no que diz respeito à formação.
convênios entre estados e municípios, custeadas por Assim como os agentes comunitários de saúde
recursos transferidos diretamente da previdência social, (ACS), os ACEs trabalham em contato direto com a
visando à atenção integral e universal dos cidadãos. população e, para o secretário de Vigilância em Saúde do
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Ministério da Saúde, Gerson Penna, esse é um dos fatores Eduardo Batistella, pesquisador da EPSJV, a definição das
mais importantes para garantir o sucesso do trabalho. “A competências dos agentes de endemias é importante para
dengue, por exemplo, representa um grande desafio para que eles também venham a ter uma identidade mais forte.
gestores e profissionais de saúde. E sabemos que um “Se compararmos os agentes de endemia aos agentes
componente importante é o envolvimento da comunidade comunitários de saúde, creio que, apesar de todos os
no controle do mosquito transmissor. Tanto o ACS como o enfrentamentos, os ACS se veem com mais clareza como
ACE, trabalhando diretamente com a comunidade, são uma categoria profissional”, diz.
atores importantes para a obtenção de resultados Quanto à formação, a ideia que está se
positivos”, observa. configurando é a de oferecer não apenas uma qualificação
O ACE é um profissional fundamental para o inicial, mas um curso técnico em vigilância. De acordo com
contole de endemias e deve trabalhar de forma integrada às Gerson Penna, uma formação ampla certamente atenderia
equipes de atenção básica na Estratégia Saúde da Família, de forma mais integral às necessidades da comunidade.
participando das reuniões e trabalhando sempre em “Quando falamos de endemias, muitos são os fatores que
parceria com o ACS. “Além disso, o agente de endemias determinam esse problema ou interferem nele: há questões
pode contribuir para promover uma integração entre as ambientais, sociais, culturais e econômicas, entre outras.
vigilâncias epidemiológica, sanitária e ambiental. Como está Uma formação mais ampla torna possível compreender os
em contato permanente com a comunidade onde trabalha, problemas e realizar o diagnóstico com clareza,
ele conhece os principais problemas da região e pode identificando seus determinantes e optando por ações mais
envolver a população na busca da solução dessas eficazes, numa abordagem integral”, opina.
questões”, acredita o secretário.
Precarização Um pouco de história
Durante muito tempo, as ações de controle de
endemias foram centralizadas pela esfera federal, que, Quando as ações de vigilância foram
desde os anos 70, era responsável pelos chamados descentralizadas, em 1999, coube à Funasa capacitar e
‘agentes de saúde pública’. Mas, seguindo um dos ceder aos estados e municípios seus 26 mil agentes,
princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS), em conhecidos como guardas sanitários, supervisores, guardas
1999 as ações de vigilância passaram a ser de endemias ou mata-mosquitos. “O trabalho deles era
descentralizadas e hoje o município é o principal caracterizado por uma atuação quase especificamente em
responsável por elas. O problema é que boa parte dos uma doença: havia os guardas da malária, os guardas da
agentes ficou precarizada, sem um piso salarial comum e dengue, os guardas da esquistossomose e assim por
trabalhando por contratos temporários. diante. Esses profissionais conheciam bem uma ou duas
Apenas em 2006 foi publicada a lei 11.350, que doenças, e sua formação era basicamente instrumental, ou
descreve e regulamenta o trabalho dos ACEs e ACS. O seja, dissociada de qualquer base científica maior ou de
texto diz que o trabalho dos agentes deve se dar conteúdos de formação mais
exclusivamente no âmbito do SUS, que a contratação ampla. A formação estava absolutamente restrita ao
temporária ou terceirizada não é permitida (a não ser em conteúdo técnico para o controle daquela determinada
caso de surtos endêmicos) e que deve ser feita por meio de doença, de modo que eram feitos treinamentos de curta
seleção pública – alguns municípios já vêm realizando duração, respaldados por guias ou cartilhas elaborados
seleções. A lei diz ainda que um dos requisitos para o dentro da própria Funasa”, diz Batistella.
exercício da atividade do agente de endemias é ter Para dar conta de um processo formativo voltado
concluído um curso introdutório de formação inicial e para esses trabalhadores, surgiu o Programa de Formação
continuada. E aí surge um problema: se, por um lado, a de Agentes Locais de Vigilância em Saúde (Proformar),
qualificação é requisito para exercer esse trabalho, por através de um convênio entre a EPSJV, a Funasa e, mais
outro, apenas alguns estados oferecem cursos de formação tarde, a SGTES. O programa ofereceu cursos de formação
para esses profissionais. “Ainda não existe um padrão inicial entre 2003 e 2006, com o objetivo de fazer com que
definido nacionalmente. É nessa proposta que stamos os agentes atuassem mais articuladamente com a própria
trabalhando”, explica Gerson Penna. realidade. “A ideia era levar os alunos a realizarem um
O secretário se refere a um processo coordenado trabalho de campo nas áreas em que já atuavam, fazendo
pelo Departamento de Gestão da Educação na Saúde da um diagnóstico das condições de vida e saúde da
Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde população, identificando situações de risco, potencialidades
do Ministério da Saúde (Deges/ SGTES/MS), com e vulnerabilidades do local”, explica Batistella, que
participação da Secretaria de Vigilância Sanitária (SVS), da coordenou o programa.
EPSJV/Fiocruz e da Agência Nacional de Vigilância Para estruturar o curso, teve início em 2001 uma série de
Sanitária (Anvisa), que pretende estabelecer referenciais oficinas em todos os estados brasileiros, elaborando
curriculares para orientarem as escolas técnicas na diagnósticos e estudando o tipo de formação mais
elaboração de seus cursos, além de resolver uma outra apropriado para atingir os trabalhadores da Funasa. “Mas, à
questão: a definição do perfil de competências dos medida em que realizamos as oficinas, nos deparamos com
profissionais de nível médio. Isso porque o ACE é, na a seguinte realidade: além dos profissionais estimados, já
prática, responsável pelas atividades descritas no início havia outros milhares contratados pelos municípios e pelas
deste texto, mas essas atribuições ainda não estão secretarias estaduais. Em 2001, em vez de 26 mil, havia 85
formalmente delimitadas. “As atribuições dependem do mil trabalhadores a serem formados”, diz Batistella. Em
perfil epidemiológico da localidade onde os agentes quase três anos o Pro formar qualificou 32 mil
trabalham e da organização dos serviços de saúde, pois o trabalhadores.
gestor municipal é soberano na definição de suas Próximos passos
prioridades. Mas sabemos da necessidade de definir mais De acordo com Batistella, o Pro formar poderia ser
claramente os papéis de cada profissional quando encarado como uma qualificação inicial – um primeiro
pensamos o trabalho em equipe, e estamos empenhados módulo comum a todo o país – para um curso técnico em
nesse sentido”, explica Penna. vigilância em saúde. “Nosso curso não aprofundava
Os ACS já têm suas ações estabelecidas pela nenhuma prática específica da vigilância sanitária,
Política Nacional de Atenção Básica e, segundo Carlos epidemiológica, ambiental ou da saúde do trabalhador, mas
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dava um conhecimento comum do SUS e da área de indicadores de saúde. Você já deve ter visto na televisão ou
vigilância. Assim, como já tinha expressão em todo o país, lido no jornal reportagens que abordem taxas de
poderia ser concebido como módulo introdutório em um mortalidade infantil, de morbidade, de prevalência e de
itinerário formativo”, afirma, explicando que essa ideia incidência.
acabou não se tornando uma diretriz nacional. “Os Estes são alguns exemplos de indicadores de
trabalhadores têm reivindicado a continuidade da formação, saúde. Eles facilitam a nossa vida! Esta é uma importante
inclusive devido à obrigatoriedade estabelecida pela lei ferramenta que nos permite observar quais são os
11.350. Os agentes que já atuam no SUS e aqueles que problemas na área de saúde e tomar as providências
passaram nos processos de seleção querem ter seus necessárias para minimizá-los. Os indicadores de saúde
certificados, e outras pessoas querem ter a formação são expressos em taxas ou proporções e, desta forma, a
justamente para participarem do processo seletivo”, ressalta comparação entre os dados se torna bem simples.
Batistella.
Desde que o programa terminou, o MS começou a
organizar o processo de construção de um itinerário
formativo semelhante ao realizado para ACS e técnicos em
higiene dental (THD). É justamente esse o processo que
está em curso na SGTES, para definir o tipo de curso que
se deseja oferecer e o profissional que se quer formar. E o
primeiro passo desse processo foi uma pesquisa relativa às
atribuições dos trabalhadores de nível médio nas áreas de
vigilância epidemiológica, sanitária, ambiental e de saúde
do trabalhador, para verificar se havia perfis nítidos ou se
as áreas se sobrepunham. A análise das entrevistas
mostrou que, em muitos municípios, trabalhadores
vinculados à vigilância atuavam em mais de uma área. “Isso
foi registrado, em geral, nos municípios pequenos, que são
a maioria no país. Neles, há uma espécie de atuação
complexa. Enquanto isso, nos municípios de médio e
grande porte e, em especial, nas capitais, a diferenciação
nas ações é muito maior. Há uma certa especialização e os
profissionais atuam com identidade forte em apenas uma
das vigilâncias”, diz Batistella. “Assim, percebeu-se que a Figura 5.1: Casos e taxas de incidência de hanseníase,
variação nas atividades está bastante vinculada ao regiões brasileiras.
tamanho e à capacidade de organização dos municípios
para o desenvolvimento dessas práticas”, completa. Indicadores de saúde Em geral, os indicadores de
De acordo com Batistella, até o momento as questões saúde são elaborados por meio de números. Mas não por
levantadas ao longo desse processo, seja pelos números absolutos, e sim por frequências relativas. Essas
trabalhadores seja pelas instituições formadoras, apontam frequências relativas são expressas em forma de taxas ou
para a necessidade de uma formação técnica integrada, proporções.
envolvendo trabalhadores de todas as vigilâncias em uma Existem vários indicadores na área da saúde.
formação ampla. A ideia é que, após as definições do MS, Dada a grande quantidade desses índices, veremos apenas
as escolas desenvolvam suas propostas de curso para os que são mais utilizados:
apresentarem nos conselhos estaduais, à luz do perfil de • indicadores de mortalidade:
competências e dos referenciais estabelecidos. “Hoje, – taxa de mortalidade infantil;
algumas escolas já estão se movimentando para organizar – taxa de mortalidade por causas;
essas propostas, que depois só vão precisar ser revisadas – mortalidade proporcional por causas.
pelos referenciais. Como oferecemos na EPSJV o curso
técnico de vigilância em saúde, recebemos em 2008 mais • indicadores de morbidade:
de dez escolas que pediram assessoria para construção – taxa de incidência;
curricular. Fizemos uma oficina de trabalho, procurando – taxa de prevalência;
auxiliar as escolas na busca de referenciais teóricos e – proporção de casos existentes de uma doença.
metodológicos para a estruturação de suas propostas”,
conta Batistella, lembrando que, quando o referencial • indicadores de cobertura de serviços:
nacional estiver pronto, todas as Escolas deverão tê-lo – proporção de consultas por especialidade;
como base. – proporção de partos cesáreos.

INDICADORES SOCIOECONÔMICOS, CULTURAIS E Alguns dos índices serão apresentados na forma de taxas e
EPIDEMIOLÓGICOS: CONCEITOS, APLICAÇÃO. outros na forma de proporções.

Indicadores de saúde Indicadores de mortalidade

Indicadores de saúde: O que são? Para que servem? Para entendermos os indicadores de mortalidade, antes
precisamos conhecer bem dois conceitos:
Quando coletamos dados sobre saúde, como o • mortalidade infantil: corresponde a todos os óbitos de
número de casos de uma doença ou o número de óbitos na crianças abaixo de um ano de idade.
população, como analisar esses dados? Números absolutos • mortalidade por causas: corresponde a todos os óbitos
na área da saúde, como o total de casos de doenças, de causados por determinada doença.
pessoas infectadas com um vírus ou de mortes não nos dão
informações suficientes sobre a situação de saúde de uma Taxa de mortalidade infantil
população. É preciso transformar esses números em
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A taxa de mortalidade infantil é definida como o os municípios brasileiros. No entanto, ela é mais elevada
total de óbitos de crianças menores de um ano de idade, nas regiões mais pobres.
para cada mil crianças nascidas vivas, em um determinado
ano e região. Como interpretar essa taxa? Ela corresponde SOCIOECONÔMICOS
ao risco de uma criança nascida viva morrer antes de
completar um ano de idade. Taxa de analfabetismo
É um indicador que representa as condições gerais
de vida ou saúde de uma população. Nas regiões menos 1. Conceituação Percentual de pessoas com 15 e mais
desenvolvidas, esse indicador apresenta valores mais anos de idade que não sabem ler e escrever pelo menos
elevados (ex.: Região Nordeste do Brasil). um bilhete simples, no idioma que conhecem, na população
Essa informação é importante, pois os total residente da mesma faixa etária, em determinado
formuladores de políticas públicas podem implementar espaço geográfico, no ano considerado.
medidas para reduzir a mortalidade infantil nessas regiões.
Você, como Técnico em Gerência de Saúde 2. Interpretação Mede o grau de analfabetismo da
precisa saber calcular e analisar esse indicador. Vamos ver população adulta.
como se faz esse cálculo e análise?
3. Usos
- Analisar variações geográficas e temporais do
analfabetismo, identificando situações que podem
demandar necessidade de avaliação mais profunda.
- Dimensionar a situação de desenvolvimento
Aplicando a fórmula teremos, para cada mil nascidos vivos socioeconômico de um grupo social em seu aspecto
em um ano, o total de óbitos de menores de 1 ano de idade. educacional.
Para ficar mais claro, vamos imaginar a seguinte situação: - Propiciar comparações nacionais e internacionais.
em uma pequena cidade do interior foi feito o registro de - Contribuir para a análise das condições de vida e de
450 nascimentos no ano passado. No mesmo ano, foram saúde da população, utilizando esse indicador como proxy
registrados óbitos de 9 crianças com menos de um ano de da condição econômico-social da população. A atenção à
idade. Qual a taxa de mortalidade infantil nessa cidade, em saúde das crianças é influenciada positivamente pela
2008? Faça o cálculo! alfabetização da população adulta, sobretudo das mães.
- Subsidiar processos de planejamento, gestão e avaliação
de políticas públicas de saúde e de educação. Pessoas não
alfabetizadas requerem formas especiais de abordagem
nas práticas de promoção, proteção e recuperação da
saúde.

4. Limitações

Vamos analisar o resultado? Para cada mil - A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD),
crianças nascidas vivas na cidade, pode-se dizer que nove uma das fontes usualmente utilizadas para construir esse
correm o risco de morrerem antes de completar um ano de indicador, não cobre a zona rural da região Norte (exceto o
idade. Veja bem: apesar de termos apenas 450 nascidos estado do Tocantins) até 2003 e não permite a
vivos, fazemos a análise considerando uma situação de desagregação dos dados por município.
1.000 nascimentos. Devemos seguir a fórmula! - Uma vez que a amostra da PNAD não foi desenhada para
ser representativa para todas as cores/raças, os
indicadores para índios, amarelos e pretos devem ser vistos
com muita cautela, pois estes grupos são muito pequenos
em alguns estados e regiões. Quanto aos brancos e
pardos, suas amostras são mais robustas, oferecendo
maior garantia de uso.

5. Fonte IBGE: Pesquisa Nacional por Amostra de


Domicílios (PNAD).

6. Método de cálculo

Como podemos observar no gráfico, tem sido 7. Categorias sugeridas para análise
significativa a redução da mortalidade infantil no estado de
São Paulo, ao longo dos anos. Essa redução é decorrente - Unidade geográfica: Brasil, grandes regiões, estados,
de vários fatores, entre eles: a ampliação dos serviços de Distrito Federal e regiões metropolitanas. Municípios das
saúde (cobertura vacinal, pré-natal) e a melhoria das capitais, em anos censitários.
condições ambientais. Além disso, o aumento da - Faixa etária: 15 a 24 anos, 25 a 59 anos e 60 e mais anos
escolaridade das mães, da utilização da terapia de de idade.
reidratação oral e das taxas de aleitamento materno - Sexo: masculino e feminino.
também colaborou para esta diminuição. A mortalidade - Situação do domicílio: urbana e rural.
infantil tem caído de forma significativa, também em todos - Cor/raça, conforme a classificação do IBGE: branca, preta,
amarela, parda e indígena.
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8. Dados estatísticos e comentários Abrange toda a população brasileira e envolve práticas


e processos de trabalho voltados para:
Taxa de analfabetismo, segundo sexo Brasil e grandes  A vigilância da situação de saúde da população;
regiões, 1993, 1997, 2001 e 2005  A detecção oportuna e adoção de medidas adequadas
para a resposta às emergências de saúde pública;
 A vigilância, prevenção e controle das doenças
transmissíveis;
 A vigilância das doenças crônicas não transmissíveis,
dos acidentes e violências;
 A vigilância de populações expostas a riscos ambientais
em saúde;
 A vigilância da saúde do trabalhador;
 Vigilância sanitária.

Vigilância em Saúde no Território

Os problemas de saúde ocorrem em espaços territoriais


concretos.
 Os grupos populacionais que vivem nesses espaços
compartilham problemas de saúde.
 A resolução desses problemas exige ações de promoção,
proteção, prevenção e recuperação.
Fonte: IBGE: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. *
Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, A Vigilância em Saúde tem de estar presente em todos os
Roraima, Pará e Amapá em 1993, 1997 e 2001. municípios.
** População rural apenas para o estado do Tocantins em 1993,
1997 e 2001. A organização de seu processo de trabalho deve ser
norteada pela sistematização das ações e serviços
Entre 1993 e 2005, houve redução da taxa de descritos na RENASES, com base na situação de saúde do
analfabetismo no país, em todas as regiões, com pequenas território.
diferenças na distribuição por sexo. Observa-se, contudo,
que uma parcela significativa da população adulta brasileira Renases
(11,1%) ainda era analfabeta em 2005. Na região Nordeste,
a proporção de analfabetos correspondia a mais de um Ações e Serviços da Vigilância em Saúde Ações voltadas
quinto da população com 15 e mais anos de idade (21,9%). para a saúde coletiva, com intervenções individuais ou em
As regiões Sudeste e Sul apresentam taxas bem grupo, prestadas por serviços de vigilância sanitária,
menores (6,6 e 5,9%), porém acima de valores máximos epidemiológica, saúde ambiental e do trabalhador, e por
aceitáveis internacionalmente. Dados analisados segundo a serviços da atenção primária, de urgência e emergência, da
situação do domicílio (não constantes da tabela) indicam atenção psicossocial e da atenção ambulatorial
grandes disparidades. Nas áreas urbanas, a taxa de especializada e hospitalar.
analfabetismo para 2005 variou de 16,4%, no Nordeste, a
5,1%, no Sul, enquanto no meio rural destas mesmas
regiões oscilou entre 36,4% e 9,8%, respectivamente.

VIGILÂNCIA NO TERRITÓRIO

A Vigilância em Saúde constitui um processo


contínuo e sistemático de coleta, consolidação, análise e
disseminação de dados sobre eventos relacionados à
saúde, visando o planejamento e a implementação de
medidas de saúde pública para a proteção da saúde da
população, a prevenção e controle de riscos, agravos e
doenças, bem como para a promoção da saúde.
Ações e Serviços de VS

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Uma agenda a ser fortalecida A TERRITORIALIZAÇÃO COMO INSTRUMENTO BÁSICO


DE RECONHECIMENTO DO TERRITÓRIO PARA A
 Consolidar a descentralização: municípios exercendo ATUAÇÃO DA VIGILÂNCIA.
suas atribuições, com apoio dos estados, da União e de
outros municípios. A territorialização consiste em um dos
 Analisar o cenário epidemiológico: conhecimento pressupostos da organização dos processos de trabalho e
detalhado da realidade local e definição de prioridades de das práticas de saúde, considerando-se uma atuação em
intervenção, planejamento e programação de ações e uma delimitação espacial previamente determinada. A
serviços. territorialização de atividades de saúde vem sendo
Acelerar a introdução de novas estratégias e tecnologias: preconizada por diversas iniciativas no interior do Sistema
metodologias de análise, testes rápidos, tratamentos, Único de Saúde (SUS), como o Programa Saúde da
medidas de prevenção. Família, a Vigilância Ambiental em Saúde, Cidades
 Integrar com a atenção à saúde. Saudáveis e a própria descentralização das atividades de
 Estabelecer linhas de cuidado relacionadas aos agravos assistência e vigilância. No entanto, essa estratégia, muitas
de relevância para a VS. vezes, reduz o conceito de espaço, utilizado de uma forma
 Avaliar resultados das ações, com a utilização de meramente administrativa, para a gestão física dos serviços
indicadores adequados à realidade local. de saúde, negligenciando-se o potencial deste conceito

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para a identificação de problemas de saúde e de propostas eminentemente monocausal do pensamento clínico a


de intervenção. concepções ampliadas de saúde, que articulam saúde com
Muito além de ser meramente o espaço político- condições de vida, o que a Carta de Ottawa e todo o
operativo do sistema de saúde, o território do distrito movimento contemporâneo da promoção social da saúde
sanitário ou do município, onde se verifica a interação incorporaram plenamente. Essa nova visão considera a
população-serviços no nível local, caracteriza-se por uma saúde como uma acumulação social, expressa num estado
população específica, vivendo em tempo e espaço de bem-estar, que pode indicar acúmulos positivos ou
determinados, com problemas de saúde definidos e que negativos. Portanto, compreende que a dinâmica das
interage com os gestores das distintas unidades relações sociais seja o fator que define as necessidades de
prestadoras de serviços de saúde. Esse espaço apresenta, cuidados à saúde.
portanto, além de uma extensão geométrica, um perfil Para o setor saúde, a perspectiva do modelo da
demográfico, epidemiológico, administrativo, tecnológico, vigilância em saúde configura-se no constructo operacional
político, social e cultural, que o caracteriza como um que se propõe a dar resposta aos problemas de saúde.
território em permanente construção. Castellanos 6 aponta que o entendimento dos problemas
O reconhecimento desse território é um passo que estruturam uma situação de saúde parte do ponto de
básico para a caracterização da população e de seus vista do ator social que a descreve e explica. O autor
problemas de saúde, bem como para a avaliação do propõe que os fenômenos de saúde e doença ocorrem em
impacto dos serviços sobre os níveis de saúde dessa diferentes dimensões: as singulares, entre indivíduos ou
população. Além disso, permite o desenvolvimento de um entre agrupamentos de população por atributos individuais;
vínculo entre os serviços de saúde e a população, mediante as particulares, isto é, entre grupos sociais em uma mesma
práticas de saúde orientadas por categorias de análise de sociedade, e as gerais, que são os fluxos e fatos que
cunho geográfico. Essa proposta, contida no novo modelo correspondem à sociedade em geral. A definição de
de vigilância em saúde, é justificada pelo agravamento das problema de saúde e o seu potencial de transformação são
desigualdades sociais associado a uma segregação diretamente correspondentes a cada uma dessas
espacial aguda, que restringem o acesso da população a dimensões.
melhores condições de vida. Especialmente interessante para a vigilância em
A concepção tradicional de saúde, pautada no saúde são os problemas definidos na dimensão
modelo médico-assistencial, fez com que o setor saúde conceituada como particular, pois, nesse nível, os
ficasse impotente em face dos problemas provocados pelo problemas emergem como características de grupos de
intenso processo de aglomeração e exclusão social 2. população, em conjunto com seus processos de reprodução
Dessa forma, vem se fortalecendo a ideia das ações de social, configurando-se em comunidades, ou "grupos sócio
promoção da saúde, orientadas para as ações coletivas e espaciais particulares". Não por acaso, a noção usual de
intersetoriais, independentemente do sistema de atenção à comunidade envolve citações de palavras-chave como
saúde. A atenção voltada para a produção social da saúde lugar, laços sociais e ação. As ações e práticas que
das populações gera a necessidade de esclarecer as derivam dessa abordagem particular permitem trabalhar em
mediações que operam entre as condições reais em que períodos mais precoces do processo de determinação e, ao
ocorre a reprodução dos grupos sociais no espaço e a mesmo tempo, ampliar as estratégias de atenção primária
produção da saúde e da doença. como um conjunto de ações sociais dirigidas a essas
Neste trabalho, é destacado o papel do território comunidades para a promoção da qualidade de vida.
utilizado pelas populações na compreensão das situações Para a constituição de uma base organizativa dos
de saúde, utilização que se dá em face de diferentes processos de trabalho nos sistemas locais de saúde em
contextualidades, entendidas por meio da análise direção a essa nova prática, é importante o reconhecimento
processual das práticas sociais cotidianas. O objetivo dos territórios e seus contextos de uso, uma vez que estes
principal desta pesquisa é contribuir para a construção de materializam diferentemente as interações humanas, os
metodologias de reconhecimento do território, voltadas para problemas de saúde e as ações sustentadas na
a vigilância em saúde, mediante a incorporação de intersetorialidade. Cabe à vigilância em saúde exercer o
determinadas categorias geográficas. Posteriormente, por papel organizativo dos processos de trabalho em saúde
intermédio da abordagem teórica de dois autores principais, mediante operações intersetoriais, articuladas por
Milton Santos e Anthony Giddens, são relacionados diferentes ações de intervenção (promoção, prevenção,
conceitos e categorias do processo de territorialização para atenção), fincada em seus três pilares estratégicos: os
a organização e instrumentalização de práticas de vigilância problemas de saúde, o território e a prática intersetorial.
em saúde nos serviços. Diante disso, o conceito de espaço, de onde se origina a
  noção de território, pode exercer importante papel na
Práticas de vigilância em saúde e a territorialização organização das práticas de vigilância em saúde.
A vigilância em saúde tem sido compreendida de
Os problemas de saúde apresentam uma três formas: como análise e monitoramento de situações de
diversidade de determinações, fazendo com que propostas saúde; como integração institucional entre atividades de
de resolução sejam baseadas em múltiplas estratégias, vigilância epidemiológica e sanitária; como elemento que
medidas e atores. Destaca-se, ainda, nesse processo, o pressupõe a organização tecnológica do trabalho de
conhecimento popular e a participação social decorrente redefinição das práticas sanitárias. Essa redefinição está
desse saber como base para a formulação conceitual e das voltada para o planejamento, seja numa dimensão técnica,
ações de promoção da saúde. ao conceber a "vigilância da saúde" como um modelo
Para Mendes, a reorientação dos sistemas de assistencial alternativo, que combina tecnologias distintas,
saúde na direção de afirmar-se como "espaço da saúde", e destinadas a controlar determinantes, riscos e danos 10,
não exclusivamente da atenção à doença, exige um seja numa dimensão gerencial, que organiza os processos
processo de construção social de mudanças que se darão, de trabalho em saúde sob a forma de operações, para
concomitante e dialeticamente, na concepção do processo confrontar problemas num território delimitado. A "vigilância
saúde-doença, no paradigma sanitário e na prática da saúde" é entendida como "uma dada organização
sanitária. O entendimento do processo saúde-doença tem tecnológica do trabalho", que atua produzindo práticas sob
evoluído consideravelmente de uma concepção a forma de operações que se estruturam de acordo com as
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diferentes fases ou dimensões do processo saúde-doença, geográficas. O cotidiano imediato, localmente vivido, traço
desde os agravos a situações de exposição, às de união de todos esses dados, é a garantia da
necessidades sociais de saúde 1. comunicação 13. Assim, a análise da "dimensão espacial do
  cotidiano" 13 permite, sobretudo, concretizar as ações e as
A natureza do território, a dimensão local e o cotidiano práticas sociais, conduzindo ao entendimento diferenciado
dos usos do território, das ações e as formas geográficas
A análise do território serve, antes de tudo, como que podem formar contextos vulneráveis para a saúde.
meio operacional para avaliação objetiva das condições  
criadas para a produção, circulação, residência, Aproximação metodológica do território utilizado e a
comunicação e sua relação com as condições de vida. situação de saúde
Além disso, esse território é um meio percebido,
subordinado a uma avaliação subjetiva de acordo com A categoria de análise fundamental para a
representações sociais específicas. O seu entendimento é territorialização em vigilância em saúde é a de "território
ainda impreciso e abordado de acordo com diversos pontos utilizado" 15, que supera o antigo problema de análise para o
de vista, estando não só associado a uma porção entendimento da interação pessoa-mundo, considerando-se
específica da Terra, identificada pela natureza, pelas o sentido da "interdependência e a inseparabilidade entre a
marcas que a sociedade ali imprime, como também a uma materialidade e o seu uso, o que inclui a ação humana" (p.
simples localização, referida indiscriminadamente a 247). Conforme os autores, a categoria território somente
diferentes escalas, como a global, regional, da cidade, da pode ser usada mediante o reconhecimento dos atores que
rua e até de uma casa apenas. dele se utilizam. Os usos se diferenciam conforme os
O espaço geográfico é definido por Santos (p. 51) períodos históricos, fazendo com que se busque a
como um "conjunto indissociável de sistemas de ações e "evolução dos contextos e, assim, as variáveis trabalhadas
objetos". Para que adquiram materialidade, esses objetos, no interior de uma situação". Para se discutir o território
tanto naturais, quanto elaborados tecnicamente, e, ainda, utilizado, deve-se analisar a "constituição do território", que
os eventos da vida precisam estar situados no espaço e no consiste numa proposta para uma geografia eminentemente
tempo. Para Santos (p. 52), os objetos "são esse extenso, empiricista. "O mundo das coisas, das ações e das
essa objetividade, isso que se cria fora do indivíduo e se relações é perceptível, ao menos tendencialmente, em
torna instrumental de sua vida, tal uma cidade, barragem, todos os lugares (...) e o processo da construção da teoria
estradas de rodagem, portos, etc. São do domínio tanto da pode fundar-se, então, muito mais no empírico, no
Geografia Física quanto da Geografia Humana que, através realmente existente"(p. 20). Esta nova situação histórica é
da história desses objetos, da forma como foram chamada de "produção da universalidade empírica"(p. 20).
produzidos e mudam, essas geografias se encontram". Essas relações sociais são projetadas no espaço e
Com a técnica – conceito-chave da obra de são menos duradouras que o espaço em si 16. Por
Santos –, o indivíduo em sociedade forma um conjunto de intermédio da categoria território utilizado, o planejamento
meios instrumentais e sociais com os quais realiza sua vida da vigilância em saúde pode ampliar seu campo de atuação
produz e, ao mesmo tempo, cria espaço. Essa concepção formal sobre o espaço, que, por sua vez, modifica-se
de espaço leva em conta todos os objetos existentes numa conforme a dinâmica das relações sociais. Assim, a escala
extensão contínua, supondo a co-existência desses objetos geográfica operativa para a territorialização emerge,
como sistemas e não apenas como coleções: a utilidade principalmente, dos espaços da vida cotidiana,
atual dos objetos, passada ou futura, vem exatamente do compreendendo desde o domicílio (dos programas de
seu uso combinado pelos grupos humanos que os criaram saúde da família) a áreas de abrangência (de unidades de
ou que os herdaram das gerações anteriores. Seu papel, saúde) e territórios comunitários (dos distritos sanitários e
porém, além de funcional, é também simbólico. Desse municípios). Esses territórios abrangem, por isso, um
modo, a identificação desses objetos, seus usos pela conjunto indissociável de objetos cujos conteúdos são
população e sua importância para os fluxos das pessoas e usados como recursos para a produção, habitação,
de materialidades são de grande relevância para o circulação, cultura, associação e lazer.
reconhecimento da dinâmica social, hábitos e costumes, Segundo Giddens, o reconhecimento das fontes de
bem como na determinação de vulnerabilidades para a cerceamento da atividade humana, produzidas pela
saúde humana, originadas nas interações de grupos natureza do próprio corpo humano e pelos espaços físicos
humanos em determinados espaços geográficos. em que a atividade ocorre, permite identificar os limites para
A racionalidade do espaço, entendida o comportamento das pessoas nos territórios de vida. Ao se
historicamente e fruto das redes, é expressa por meio do observarem as rotinas descritas, são reconhecidas as
"conteúdo geográfico do cotidiano". Esse conceito pode formas geográficas cujos conteúdos lhes dão existência
contribuir para desvendar a (re)produção do sistema concreta. Os padrões típicos dos movimentos das pessoas,
através de sua obviedade e concretude. A globalização fez em outras palavras, podem ser representados como a
redescobrir a corporeidade, revelada como uma certeza repetição de atividades de rotina ao longo dos dias ou de
materialmente sensível, em virtude da fluidez, velocidade e períodos mais longos. As pessoas movimentam-se em
referência a lugares e coisas distantes. Esse processo fez espaços físicos cujas propriedades interagem com suas
reaparecer, no cenário científico, a dimensão local, capacidades, dadas as restrições apontadas por suas
aproximando os verdadeiros significados da realidade social fronteiras físicas, sociais e simbólicas. Portanto, na maior
através da consideração do cotidiano. parte dos dias, a mobilidade se dá dentro de áreas restritas.
A característica mais importante do lugar é, antes A conduta da vida cotidiana de um indivíduo
de tudo, de natureza interna, cuja extensão confunde-se promove a apreensão sucessiva de características dos
com sua própria existência, tendo uma configuração física, territórios (cenários de interação, segundo Giddens), tais
ou melhor, territorial. Essa característica fundam a escala como outras pessoas, objetos dos territórios do cotidiano e
do cotidiano e seus parâmetros são a co-presença, a materialidades, como o ar, água e alimentos.
vizinhança, a intimidade, a emoção, a cooperação e a O termo lugar deve, assim, ser associado não só à
socialização com base na contiguidade, reunindo na localização no espaço, mas à ideia de presença, explicado
mesma lógica interna todos os seus elementos: pessoas, tanto pela sua espacialidade, quanto pela sua
empresas, instituições, formas sociais e jurídicas e formas temporalidade, ou seja, da mutualidade da presença do
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corpo e da "ausência presente" contida nas instituições da recursos para utilização do território são apropriados pela
vida social (tanto formais quanto informais). As população nas práticas sociais da vida cotidiana.
propriedades do lugar são usadas permanentemente pelas A identificação de problemas de saúde no território
pessoas na constituição dos encontros através do espaço e deve, consequentemente, suplantar a listagem de agravos
do tempo. É nos lugares onde se dá a interseção das prevalentes e evidenciáveis, mediante notificações, para
atividades de rotina de diferentes pessoas, que as abordar e contemplar a compreensão das vulnerabilidades
características do espaço são usadas rotineiramente para e dos determinantes. O ponto de partida desse processo é
constituir o conteúdo significativo da interação de pessoas a territorialização do sistema de saúde, isto é, o
na vida social 3. A rede territorial de conexões dessas reconhecimento e o esquadrinhamento do território do
interações humanas, ao se intensificar coletivamente, município, segundo a lógica de relações entre condições de
revela-se em fluxos, nos quais uma certa tipologia se vida, saúde e acesso às ações e serviços de saúde, o que
institucionaliza, ditando regras, comportamentos e funções. implica um processo de coleta e sistematização de dados
Cabe ao espaço interagir e acolher usos característicos a demográficos, sócio-econômicos, político-culturais,
esses fluxos e interações. epidemiológicos e sanitários. Nesse sentido, as técnicas de
A proposta de identificação dos territórios de vida geoprocessamento têm auxiliado na organização e análise
dos grupos sociais e suas práticas cotidianas deve ter como espacial de dados sobre ambiente, sociedade e saúde,
ponto de partida o mapeamento dos percursos e fluxos permitindo a elaboração de diagnósticos de situação e o
diários, interações e a malha de redes microgeográficas, intercâmbio de informações entre setores (ver, por exemplo,
que serão úteis para trabalhar uma "epidemiologia o número temático de Cadernos de Saúde Pública sobre
geográfica do cotidiano", entendida com base nas análise de dados espaciais em saúde). Esse conjunto de
necessidades e nos problemas de saúde de populações. técnicas vem sendo gradativamente incorporado à prática
Alguns elementos de dimensão espacial devem ser de vigilância em saúde 20, e, paralelamente, observa-se um
destacados nessa abordagem. Os objetos (fixos) e as intenso debate no Brasil sobre a incorporação do conceito
ações (fluxos) no espaço produzem elementos espaciais de espaço geográfico no campo da saúde coletiva. Deve-
básicos para a vida cotidiana, que realizam o diálogo da se, nesse caso, avaliar as propostas metodológicas e os
pessoa com o mundo, estabelecendo com isso uma conceitos de espaço geográfico subjacentes a essas
"conexão materialística" de uma pessoa com a outra. técnicas.
Estruturam-se, assim, as seguintes "dimensões espaciais Frequentemente, nos diagnósticos de condições
do cotidiano” (p. 257): de vida e de situação de saúde, os elementos constitutivos
• os percursos podem ser objetos geográficos que da reprodução da vida social nos diversos lugares são
propiciam as ações e os seus diversos fluxos de matéria e listados e tratados como conteúdos desarticulados do
pessoas, como as estradas, vias de pedestres, linhas de território analisado. Uma proposta de vigilância em saúde
transportes públicos, canais de navegação, ferrovias, ruas e baseada no território deve, também, considerar os sistemas
becos; de objetos naturais e construídos, identificando seus
• por barreiras físicas ou margens 17 deve-se entender diversos tipos de ações, a forma como são percebidos pela
interrupções lineares de continuidades, ou fronteiras físicas população, o papel das regras de utilização dos recursos
dos objetos, não utilizadas como percursos pelos indivíduos para promover determinados hábitos e comportamentos,
e grupos sociais, mas que canalizam as ações num sentido bem como problemas de saúde cujas características são
ou outro. Por exemplo, margens de rios, de grandes passíveis de identificação.
avenidas, margens de desenvolvimento de construções, de Para (re)conhecer os usos diversificados do
prédios, muros e rugosidades naturais diversas do terreno; território, é necessário investigar as práticas sociais
• por nós entendem-se os pontos em direção aos quais e a transformadas em rotina no espaço. Uma das propostas
partir dos quais o indivíduo se movimenta: agem em fase de deste trabalho é conjugar o estudo da "constituição do
concentração – uma praça, a esquina – e de conjunção – território", já apontada por Milton Santos 23, à teoria da
os cruzamentos das estradas, os portos e aeroportos, os estruturação de "constituição da sociedade", do sociólogo
caminhos etc. A ideia de nó está intimamente relacionada à inglês Anthony Gidden, para compreender os contextos de
de percurso, podendo também ser compreendido como utilização do território por parte das populações.
ponto ou estação, onde as interações sociais convergem A teoria da estruturação de Giddens é uma
para objetos (fixos) que detêm uma determinada tipologia tentativa de formular uma descrição plausível da atividade
de ações (fluxos); humana e de sua estrutura. Giddens assinala que a base
• a ideia de estação, portanto, ajuda no entendimento de sua teoria não é privilegiar o ator individual e nem a
proposto; é o lugar ou ponto de parada onde a mobilidade existência de qualquer forma de totalidade social, mas
física das trajetórias dos agentes e de materialidades é lançar os olhos sobre as práticas sociais que são
suspensa ou reduzida nos encontros ou nas ocasiões ordenadas no tempo e no espaço. Essa ordenação se dá
sociais. O lugar em que se estabelece o nó é onde por meio da integração social, em circunstâncias de co-
acontece a interseção de atividades de diferentes presença ou de conexões com aqueles que estão
indivíduos. Pode ser um espaço para a produção, o fisicamente ausentes. Um exemplo são os processos de
comércio ou para os serviços, o exercício do lazer, da trabalho instituídos por organizações sociais. Seu
cultura e da religião, ou de associativismos diferenciados. mecanismo pressupõe a integração social, que é distinta da
Nesses movimentos, as características dos cenários, que está envolvida em contexto de co-presença, e uma
segundo Giddens, e do conjunto de objetos, conforme organização espacial particular. A integração sistêmica traz
Santos são usadas rotineiramente para dar o conteúdo à em si as questões das instituições sociais, normatizadas
interação. A concentração da vida social em determinados tanto formalmente, como informalmente. É a natureza da
locais está intimamente ligada a uma especificidade do ser interação que caracteriza e explica a conduta social nos
social, ou seja, aglomera ou acumula as suas atividades em contextos. As contextualidades são lugares dotados de
torno de centros ou nós geográficos passíveis de serem bidimensionalidade, reconhecíveis à medida que neles são
identificados. Essas dimensões espaciais ordenadoras, e difundidas características particulares, nos quais os
ao mesmo tempo ordenadas, pelo uso dado ao território, indivíduos e os grupos sociais atuam. Em outros termos, é
estruturam materialmente o espaço através dos objetos e o que atribui um significado singular ao lugar, como
ações que configuram contextualidades, cujas regras e
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resultado de uma rede de ações construídas barreiras, como também estações de encontro. Sendo
historicamente. assim, os objetos geográficos relevantes para a vigilância
Dessa forma, entende-se que os lugares e sua em saúde são: a infra-estrutura de ocupação do lugar
constituição territorial tornam-se vitais para assegurar a (estradas e ruas, caminhos, sistemas de esgoto e de água,
fixidez subjacente às instituições. A conduta humana depósitos de lixo, núcleos habitacionais, novos
nesses contextos é reproduzida mediante atividades assentamentos e invasões) e suas condições ecológicas e
humanas recursivas, continuamente recriadas pelas geomorfológicas (áreas florestadas e desmatadas, fauna e
pessoas através dos próprios meios pelos quais elas se flora, relevo, hidrografia).
expressam. Em outras palavras, a vida social ostenta uma Os agrupamentos populacionais podem apresentar
repetitividade essencial, passível, assim, de aproximações contextos de uso de recursos que condicionam, muitas
metodológicas para seu entendimento. vezes, determinados comportamentos. O território
As interações, por sua vez, envolvem a reprodução socialmente utilizado adquire características locais próprias,
de práticas sociais de pessoas e seus encontros, sendo as e a posse de determinados recursos expressa a
regras e recursos implicados nessa reprodução essenciais diferenciação de acesso aos resultados da produção
para a manutenção da vida social. Mantêm, no entanto, coletiva, da sociedade. Albuquerque ressalta uma
uma repetitividade criadora, em que os contextos de associação que baseia o uso de categorias geográficas
interação social nunca são exatamente os mesmos; são para a vigilância em saúde. Para a autora, a constituição do
únicos, singulares. Essa estrutura sócio espacial pode ter território "refletiria as posições ocupadas pelas pessoas na
pequena extensão, na qual determinadas regras se sociedade e consequência de uma construção histórica e
manifestam pela interação entre pessoas em situações de social, sendo, por isso, capaz de refletir as desigualdades
co-presença, ou grande extensão, em que a expressão de existentes"(p. 613). Indica, com isso, que os "hábitos e
outras regras não depende da co-presença, mas das comportamentos considerados como fatores causais ou
instituições. Entretanto, as regras não podem ser protetores para essas doenças ou eventos, tais como fumo,
conceituadas separadamente dos recursos, pois estes se alimentação, agentes tóxicos, uso de preservativos etc,
constituem nos meios necessários para a realização parecem circular de forma diferenciada em grupos
material das ações e práticas sociais. populacionais” (p. 613). A essa abordagem soma-se a
A estruturação da interação humana, que interessa preocupação crescente em distinguir níveis e perfis de risco
particularmente para as análises de situação de saúde, decorrentes das desigualdades sociais.
implica reciprocidade das práticas baseadas nas regras e O reconhecimento do território na escala do
recursos (de autonomia e dependência) entre pessoas e cotidiano não exclui a identificação de relações de
coletividades. Portanto, o conceito de contexto de uso do verticalidade com outros níveis de decisão que podem
território orienta a articulação teórica entre as categorias influenciar sobremaneira a vida social local. Importante
que possibilitam compor analiticamente a "constituição do exemplo dessa influência traduz-se nos efeitos da presença
território", de Milton Santos, e "da sociedade", de Anthony de firmas multinacionais. A ação global exercida por firmas
Giddens, propostas na Figura 1. globais escolhe frações do mundo sobre as quais deseja
atuar e as fragmenta ainda mais. Esses efeitos podem
trazer inúmeros problemas de saúde, tanto diretos, pela
emissão de poluentes, quanto indiretos, em virtude da ação
desestruturadora de sua inserção local. Por outro lado, a
partir da localização territorial de problemas de saúde,
pode-se apreender o feixe de relações que caracterizam a
situação-problema. Extrapolando as escalas territoriais de
trabalho da vigilância em saúde, por intermédio da noção
de horizontalidade, pode-se situar espacialmente o
problema de saúde e analisar as influências, seja no seu
entorno, seja no seu contexto mais amplo.
 
Considerações finais

Ao longo do desenvolvimento científico, a


geografia e a epidemiologia têm intercambiado conceitos e
paradigmas, o que tem provocado mudanças de método e
do próprio foco de atenção de pesquisas. A evolução da
Os recursos implicados na reprodução da vida social epidemiologia foi sintetizada por Susser & Susser, que
podem ter uso comum, pelo coletivo social no território, destacam três períodos com métodos e concepções
estabelecido nos fluxos de pessoas e de matéria, tais como teóricas diferentes: as estatísticas sanitárias e a teoria
os equipamentos urbanos. Os recursos individuais são miasmática; a epidemiologia das doenças infecciosas e a
relativos às condições do domicílio e às instalações teoria dos germes; finalmente, a epidemiologia das doenças
sanitárias da habitação. O nível de renda materializa-se crônicas e a teoria da multicausalidade. Esses mesmos
nessas condições do domicílio e na posse de equipamentos autores apontam a necessidade de desenvolvimento de
domésticos que, por sua vez, podem condicionar regras uma "eco-epidemiologia", que dê conta dos múltiplos níveis
específicas de comportamento. em que os problemas de saúde se manifestam, desde as
Os recursos coletivos compreendem um "conjunto vulnerabilidades individuais até os macrodeterminantes
dos sistemas naturais, herdados por uma determinada sociais e ecológicos.
sociedade e os sistemas de engenharia, isto é, objetos Da mesma maneira que cada um desses períodos
técnicos e culturais historicamente estabelecidos"(p. 26), produziu metodologias para a análise de condições de
que são apenas condições. Sua significação real advém saúde, estruturou um modo de pensar e agir no campo.
das ações realizadas sobre elas. Esses objetos Assim, a vigilância em saúde pautou-se, no primeiro
estabelecem uma conexão entre pessoas, promovendo ou período, nos levantamentos ambientais, que explicariam o
limitando essas ações. Implicam não só percursos, "contágio", a produção local de doenças, e permitiriam
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intervir sobre características do terreno que as gerou. No Os agentes etiológicos da LV são protozoários
segundo período, o trabalho no campo foi voltado para a tripanosomatídeos do gênero Leishmania, parasita
identificação da "história natural das doenças", os vetores, intracelular obrigatório sob forma aflagelada ou amastigota
microorganismos, clima e hospedeiros, que, formando das células do sistema fagocítico mononuclear. Dentro do
ciclos de contaminação-transmissão, produziriam doenças. tubo digestivo do vetor, as formas amastigotas se
No terceiro período, o trabalho de campo é marcado pela diferenciam em promastigotas (flageladas). Nas Américas,
busca de "fatores de risco", que explicariam a produção de a Leishmania (Leishmania) chagasi é a espécie comumente
doenças. Este último paradigma produziu a maior parte dos envolvida na transmissão da LV.
roteiros utilizados atualmente para a prática de vigilância
em saúde, como os questionários de investigação Reservatórios
epidemiológica, voltados para a arguição do doente sobre
possíveis formas de exposição. Esse enfoque traz Na área urbana, o cão (Canis familiaris) é a principal fonte
importantes vieses para a compreensão do processo de de infecção. A enzootia canina tem precedido a ocorrência
saúde-doença. Em primeiro lugar, procura causas da de casos humanos e a infecção em cães tem sido mais
doença na sua própria vítima, reforçando estigmas para prevalente que no homem. No ambiente silvestre, os
indivíduos enfermos. Em segundo lugar, o resgate das reservatórios são as raposas (Dusicyon vetulus e
condições socioambientais que promoveram a doença é Cerdocyon thous) e os marsupiais (Didelphis albiventris).
realizado procurando reaver o contato do indivíduo já
doente com outros indivíduos e o ambiente, o que Vetores
certamente não representa a complexidade das relações
sociais existentes em uma comunidade. No Brasil, duas espécies, até o momento, estão
A busca de novos paradigmas para o campo da relacionadas com a transmissão da doença, Lutzomyia
saúde coletiva deve ser acompanhada pelo longipalpis e Lutzomyia cruzi. A primeira é considerada a
desenvolvimento de métodos que articulem os níveis do principal espécie transmissora da Leishmania (Leishmania)
indivíduo e das coletividades, vistas não como um agregado chagasi, mas a L. cruzi também foi incriminada como vetora
de pessoas, mas como um todo, com características em uma área específica do estado do Mato Grosso do Sul.
particulares, organização própria e território. Dessa forma, a São insetos denominados flebotomíneos, conhecidos
vigilância em saúde carece de instrumentos que incorporem popularmente como mosquito palha, tatuquiras, birigui,
a dimensão do lugar, como expressão do relacionamento entre outros.
entre grupos sociais e seu território. A compreensão do A distribuição geográfica de L. longipalpis é ampla
conteúdo geográfico do cotidiano na dimensão local tem e parece estar em expansão. Essa espécie é encontrada
grande potencial não só explicativo, como também de nas cinco regiões geográficas do país, sendo que, na região
identificação de situações-problema para a saúde e, com Sul, o primeiro registro ocorreu em dezembro de 2008. A L.
base nisso, de planejamento e de organização das ações e longipalpis adapta-se facilmente ao peridomicílio e a
práticas de saúde nos serviços. A análise sistêmica do variadas temperaturas, podendo ser encontrada no interior
contexto local, em escalas geográficas do cotidiano como dos domicílios e em abrigos de animais domésticos. Há
as apresentadas no trabalho, permite identificar a formação indício de que o período de maior transmissão da
contextual de uma situação de saúde, no espaço e no leishmaniose visceral ocorra durante e logo após a estação
tempo, podendo ser de grande utilidade para a vigilância chuvosa, quando há aumento da densidade populacional do
em saúde. inseto. A atividade dos flebotomíneos é crepuscular e
noturna. No intra e peridomicílio, a L. longipalpis é
LEISHMANIOSE: CARACTERÍSTICAS encontrada, principalmente, próxima a uma fonte de
EPIDEMIOLÓGICAS: CICLO, MODO DE TRANSMISSÃO, alimento. Durante o dia, esses insetos ficam em repouso,
PERÍODO DE INCUBAÇÃO, SUSCETIBILIDADE E em lugares sombreados e úmidos, protegidos do vento e de
IMUNIDADE predadores naturais.

LEISHMANIOSE VISCERAL Modo de transmissão

Características gerais No Brasil, a forma de transmissão é através da


Descrição picada dos vetores – L. longipalpis ou L. cruzi – infectados
pela Leishmania (L.) chagasi. A transmissão ocorre
A leishmaniose visceral (LV) era, primariamente, uma enquanto houver o parasitismo na pele ou no sangue
zoonose caracterizada como doença de caráter periférico do hospedeiro. Alguns autores admitem a
eminentemente rural. Mais recentemente, vem se hipótese da transmissão entre a população canina através
expandindo para áreas urbanas de médio e grande portes e da ingestão de carrapatos infectados e, mesmo, através de
se tornou crescente problema de saúde pública no país e mordeduras, cópula e ingestão de vísceras contaminadas,
em outras áreas do continente americano, sendo uma porém não existem evidências sobre a importância
endemia em franca expansão geográfica. É uma doença epidemiológica desses mecanismos de transmissão para
crônica, sistêmica, caracterizada por febre de longa humanos ou na manutenção da enzootia. Não ocorre
duração, perda de peso, astenia, adinamia e anemia, dentre transmissão direta da LV de pessoa a pessoa.
outras manifestações. Quando não tratada, pode evoluir
para óbito em mais de 90% dos casos. Período de incubação

Sinonímia É bastante variável tanto para o homem, como


para o cão. No homem, é de 10 dias a 24 meses, com
Calazar, esplenomegalia tropical, febre dundun, dentre média entre 2 a 6 meses, e, no cão, varia de 3 meses a
outras denominações menos conhecidas. vários anos, com média de 3 a 7 meses.

Agente etiológico Suscetibilidade e imunidade

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Crianças e idosos são mais suscetíveis. Existe


resposta humoral detectada através de anticorpos Caso canino confirmado
circulantes, que parecem ter pouca importância como
defesa. A Leishmania é um parasito intracelular obrigatório Critério laboratorial – cão com manifestações clínicas
de células do sistema fagocitário mononuclear e sua compatíveis de LVC e que apresente teste sorológico
presença determina uma supressão reversível e específica reagente ou exame parasitológico positivo.
da imunidade mediada por células, o que permite a
disseminação e multiplicação incontrolada do parasito. Só Critério clínico-epidemiológico – cão proveniente de
uma pequena parcela de indivíduos infectados desenvolve áreas endêmicas ou onde esteja ocorrendo surto e que
sinais e sintomas da doença. Após a infecção, caso o apresente quadro clínico compatível de LVC, sem a
indivíduo não desenvolva a doença, observa-se que os confirmação do diagnóstico laboratorial.
exames que pesquisam imunidade celular ou humoral
permanecem reativos por longo período. Isso requer a Cão infectado Todo cão assintomático com sorologia
presença de antígenos, podendo-se concluir que a reagente ou parasitológico positivo, em município com
Leishmania ou alguns de seus antígenos estão presentes transmissão confirmada.
no organismo infectado durante longo tempo, depois da
infecção inicial. Essa hipótese está apoiada no fato de que Ações de vigilância As ações de vigilância do
indivíduos que desenvolvem alguma imunossupressão reservatório canino deverão ser desencadeadas,
podem apresentar quadro de LV muito além do período conforme descrito a seguir:
habitual de incubação.
• alertar os serviços e a classe médica veterinária quanto ao
Aspectos clínicos e laboratoriais risco da transmissão da LVC;
• divulgar à população sobre a ocorrência da LVC na região
Manifestações clínicas e alertar sobre os sinais clínicos e os serviços para o
diagnóstico, bem como as medidas preventivas para
A infecção pela L.(L.) chagasi caracteriza-se por um amplo eliminação dos prováveis criadouros do vetor;
espectro clínico, que pode variar desde as manifestações • o poder público deverá desencadear e implementar as
clínicas discretas (oligossintomáticas) e moderadas até às ações de limpeza urbana em terrenos, praças públicas,
graves, que, se não tratadas, podem levar o paciente à jardins, logradouros, entre outros, destinando de maneira
morte. adequada a matéria orgânica recolhida;
• na suspeita clínica de cão, delimitar a área para
Infecção inaparente ou assintomática investigação do foco. Define-se como área para
investigação àquela que, a partir do primeiro caso canino
São aquelas em que não há evidência de manifestações (suspeito ou confirmado), estiver circunscrita em um raio de
clínicas. O diagnóstico, quando feito, é pela coleta de no mínimo 100 cães a serem examinados. Nessa área,
sangue para exames sorológicos (imunofluorescência deverá ser desencadeada a busca ativa de cães
indireta/IFI ou enzyme linked immmunosorbent assay/Elisa) sintomáticos, visando a coleta de amostras para exame
ou através da intradermorreação de Montenegro reativa. Os parasitológico e identificação da espécie de Leishmania.
títulos de anticorpos em geral são baixos e podem Uma vez confirmada a L. chagasi, coletar material
permanecer positivos por longo período. Vale a pena sorológico em todos os cães da área, a fim de avaliar a
lembrar que os pacientes que apresentam cura clínica ou prevalência canina e desencadear as demais medidas.
aqueles com leishmaniose tegumentar (formas cutânea e
mucosa) podem apresentar reatividade nos exames Monitoramento
sorológicos e na intradermorreação de Montenegro.
É importante destacar que os pacientes com Inquérito sorológico amostral – deverá ser realizado nas
infecção inaparente não são notificados e não devem ser seguintes situações:
tratados. A suspeita clínica da LV deve ser levantada • municípios silenciosos e receptivos – isto é, onde L.
quando o paciente apresentar febre e esplenomegalia longipalpis ou L. cruzi foram detectadas, mas não tenha
associada ou não à hepatomegalia. Considerando a sido confirmada a transmissão da LV humana ou canina,
evolução clínica da doença e para facilitar a compreensão, com a finalidade de verificar ausência de enzootia;
optou-se em dividi-la em três períodos: inicial, de estado e • municípios com transmissão moderada e intensa –
final. permitirá avaliar as taxas de prevalência em cada setor, a
fim de identificar as áreas prioritárias a serem trabalhadas.
ASPECTOS CLÍNICOS NO CÃO; MEDIDAS
PREVENTIVAS DIRIGIDAS À POPULAÇÃO HUMANA, O inquérito poderá ser realizado em todo ou em
AO VETOR E À POPULAÇÃO CANINA; PROTOCOLO DE parte do município, dependendo do tamanho do mesmo e
EXAMES DE LABORATÓRIO. da distribuição do vetor. Será utilizada amostragem
estratificada por conglomerados, onde o estrato poderá ser
Vigilância no cão o setor do PEAa, bairro ou quarteirão. Para cada setor será
Definição de caso calculada a amostra de cães, considerando-se a
prevalência esperada e o número de cães do setor. Para
Caso canino suspeito aqueles municípios que já tenham uma estimativa de
prevalência conhecida, utilizar esse valor como parâmetro.
Todo cão proveniente de área endêmica ou onde Caso contrário, utilizar a prevalência de 2%. Setores com
esteja ocorrendo surto, com manifestações clínicas população canina inferior a 500 cães deverão ser
compatíveis com a leishmaniose visceral canina (LVC), agrupados com um ou mais setores contíguos, para o
como febre irregular, apatia, emagrecimento, descamação cálculo da amostra. Por outro lado, em municípios com
furfurácea e úlceras na pele, em geral no focinho, orelhas e população inferior a 500 cães, deverá ser realizado
extremidades, conjuntivite, paresia do trem posterior, fezes inquérito canino censitário. Informações mais detalhadas
sanguinolentas e crescimento exagerado das unhas.
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ver no Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Orientações dirigidas para o diagnóstico precoce e
Visceral, Ministério da Saúde, 2006. tratamento adequado dos casos humanos

Inquérito sorológico censitário – deverá ser realizado De acordo com a política de saúde vigente em no
nas seguintes situações: país, o controle da LV é de responsabilidade do SUS.
Inicialmente, a execução das ações era de
• zona urbana de município classificado como silencioso e responsabilidade do governo federal. Com o processo de
receptivo, com população canina menor que 500 cães; descentralização das endemias, as ações passaram a ser
• setores urbanos de municípios acima de 20.000 executadas pelos níveis estadual e municipal. Para cada
habitantes, classificados como de transmissão moderada uma dessas instâncias, as atribuições estão estabelecidas
ou intensa; na Portaria GM/MS nº 1.172, de 15 de junho de 2004.
• zona rural de municípios em qualquer uma das situações As secretarias municipais de saúde, com o apoio
de transmissão de LV. Esse tipo de inquérito terá como das secretarias de estado de saúde, têm a responsabilidade
objetivo o controle, através da identificação de cães em organizar a rede básica de saúde para suspeitar,
infectados, para a realização da eutanásia, como também assistir, acompanhar e/ou encaminhar para referência
para avaliar a prevalência. Deverá ser realizado hospitalar os pacientes com LV. Para tanto, é necessário
anualmente, no período de agosto a novembro, estabelecer um fluxo de referência e contrarreferência, bem
preferencialmente, por no mínimo 3 anos consecutivos, como oferecer as condições para diagnosticar e tratar
independente da notificacão de novos casos humanos precocemente os casos de LV. O atendimento pode ser
confirmados de LV. A fim de não sobrecarregar os realizado através da demanda passiva, registro e busca
laboratórios centrais de saúde pública na realização dos ativa de casos em áreas de maior risco ou quando
exames, o planejamento das ações deverá ser realizado em indicadas pela vigilância epidemiológica, ou ainda onde o
conjunto com as instituições que compõem o Programa de acesso da população à rede é dificultado por diversos
Vigilância de LV, no estado. fatores.
É importante que, na fase de organização dos
Técnicas de diagnóstico em cães serviços de saúde para atendimento precoce dos pacientes,
seja viabilizado:
Existem duas técnicas sorológicas recomendadas • identificar os profissionais e unidades de saúde de
pelo Ministério da Saúde para avaliação da soroprevalência referência para o atendimento aos pacientes, bem como
em inquéritos caninos amostrais ou censitários, o ELISA e a para a execução dos exames laboratoriais;
imunofluorescência indireta (RIFI). O ELISA é recomendado • capacitar os recursos humanos que irão compor a equipe
para a triagem de cães sorologicamente negativos e a RIFI multiprofissional das unidades básicas de saúde ou
para a confirmação dos cães sororreagentes ou hospitalar responsáveis pelo atendimento e realização dos
indeterminados ao teste ELISA, ou como uma técnica exames laboratoriais;
diagnóstica de rotina. Os exames sorológicos poderão ser • sensibilizar todos os profissionais da rede para a suspeita
realizados nos laboratórios centrais estaduais (Lacen) ou clínica;
nos laboratórios e centros de controle de zoonoses (CCZ) • suprir as unidades de saúde com materiais e insumos
municipais. É importante que seja realizado periodicamente necessários para os diagnósticos clínico e laboratorial e
o controle de qualidade dos exames realizados. tratamento, visando assim melhorar a resolutividade e
As amostras de soro, a serem analisadas na contribuir para diagnóstico e tratamento precoces e,
referência nacional, devem ser impreterivelmente consequentemente, para a redução da letalidade;
encaminhadas pelo Lacen. É importante ressaltar que, em • integrar as equipes do PACS e do PSF; • estabelecer um
situações em que o proprietário do animal exigir uma fluxo de atendimento para os pacientes, integrando as
contraprova, essa deverá ser uma prova sorológica, ações de vigilância e assistência;
realizada por um laboratório da rede. O tempo estimado • oferecer condições necessárias para o acompanhamento
para liberação do resultado dependerá do tempo de dos pacientes em tratamento, evitando assim o abandono e
deslocamento da amostra até as complicações da doença;
Os resultados liberados pelo laboratório serão • aprimorar o sistema de informação e estar sempre
considerados oficiais para fins de diagnóstico da infecção e divulgando, informando e atualizando os profissionais de
da doença. Os laboratórios particulares ou pertencentes a saúde sobre a situação epidemiológica da doença, bem
universidades e clínicas veterinárias, que realizem o como os sensibilizando para a suspeita clínica;
diagnóstico da LVC, deverão participar do programa de • realizar atividades de educação em saúde, visando à
controle de qualidade preconizado pelo Ministério da participação ativa da comunidade para que busque o
Saúde, enviando os soros para as referências estaduais ou atendimento precoce, bem como contribua, de forma
nacional. participativa, para as medidas de controle da doença
(manejo ambiental, controle vetorial, controle do
Medidas preventivas reservatório entre outras).

Dirigidas à população humana Assistência ao paciente


- Medidas de proteção individual.
Dirigidas ao vetor Todo caso suspeito deve ser submetido à
- Manejo e saneamento ambiental. investigação clínica, epidemiológica e aos métodos
Dirigidas à população canina auxiliares de diagnóstico. Caso seja confirmado, inicia-se o
• Controle da população canina errante; tratamento segundo procedimentos terapêuticos
• doação de animais: fazer exame sorológico para LV antes padronizados e acompanha-se o paciente mensalmente
da doação; (para avaliação da cura clínica). Os casos de LV com maior
• uso de telas em canis individuais ou coletivos; risco de evoluir para óbito devem ser internados e tratados
• coleiras impregnadas com deltametrina a 4%, como em hospitais de referência, e os leves ou intermediários
medida de proteção individual para os cães. devem ser assistidos no nível ambulatorial, em unidades de
saúde com os profissionais capacitados.
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Nesse sentido, a qualidade da água para consumo


Qualidade da assistência humano, contaminantes ambientais, qualidade do ar,
qualidade do solo, notadamente em relação ao manejo dos
É comum o diagnóstico de pacientes com LV em resíduos tóxicos e perigosos, os desastres naturais e
fase avançada, podendo ser atribuído pela demora com que acidentes com produtos perigosos, são objetos de
os doentes procuram os serviços de saúde e, por outro monitoramento dessa vigilância seja de forma direta e
lado, pela baixa capacidade de detecção dos casos pelos contínua ou por meio de ações em parceria com outros
profissionais da rede básica de saúde. Portanto, o serviço órgãos e secretarias.
de vigilância local deve estruturar as unidades de saúde, Com o intuito de promover e preservar a saúde e qualidade
promovendo a capacitação de profissionais para suspeitar, de vida dos cidadãos, essa Coordenação, desenvolve entre
diagnosticar e tratar precocemente os casos, bem como outras, as seguintes ações:
organizar o serviço para agilizar o diagnóstico laboratorial e •  Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano
a assistência ao paciente. Deve ser definido, estabelecido e
divulgado o fluxo das unidades de referência e        Água de Abastecimento Público: Análise
contrarreferência. laboratorial Inspeções nas Estações de Tratamento de
Na área de transmissão intensa, bem como nas Água                  
áreas cobertas pelo PACS/PSF, é recomendada a       Água de Fontes Alternativas :poços, nascentes e
realização de busca ativa de casos, encaminhando os caminhões transportadores de água potável
suspeitos para atendimento médico. Todos os profissionais
de saúde devem ser alertados e sensibilizados para o • Avaliação e Monitoramento dos Planos de Gerenciamento
problema e é importante que a população seja dos Resíduos de Serviços de Saúde.
constantemente informada sobre os serviços disponíveis, • Expansão do conhecimento sobre as questões de Saúde
bem como sobre a necessidade de buscar atendimento Ambiental, buscando o desenvolvimento no setor técnico e
precocemente. na população, uma consciência crítica e responsável sobre
a gravidade e importância das relações homem/meio
PROMOÇÃO, PREVENÇÃO E MONITORAMENTO DAS ambiente.
SITUAÇÕES DE RISCO AMBIENTAL E SANITÁRIO. • Participação intersetorial em discussões de projetos
propostas e problemas relacionados às questões
A Vigilância em Saúde Ambiental é um conjunto de ambientais.
ações que proporciona o conhecimento e detecção de
qualquer mudança nos fatores determinantes e Coordenação de Vigilância e Controle dos Fatores de
condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde Risco Biológicos (Cofab)
humana, com a finalidade de identificar as medidas de
prevenção e controle dos fatores de risco ambientais A vigilância ambiental dos fatores de riscos biológicos fica
relacionados às doenças ou outros agravos à saúde. desmembrada em três áreas de concentração: vetores;
Assim, essa vigilância acompanha a interação do hospedeiros e reservatórios e animais peçonhentos, de
indivíduo com o meio ambiente, enfocando o espaço acordo com esquema abaixo:
urbano e coletivo e as diversas formas de intervenção sobre
este meio entendendo que essa relação possa se dar de
maneira harmônica e resultados positivos ou de maneira
nociva, resultando em doenças e agravos à saúde.

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a) Vetores A vigilância de fatores de riscos biológicos relacionados aos vetores (Anopheles, Aedes aegypti, Culex,
Flebótomos e Triatomíneos) transmissores de doenças (Malária, Febre Amarela, Dengue, Leishmanioses entre outras) tem
como finalidade o mapeamento de áreas de risco em determinados territórios utilizando a vigilância entomológica
(características, presença, índices de infestação, avaliação da eficácia dos métodos de controle), e as suas relações com a
vigilância epidemiológica quanto à incidência e prevalência destas doenças e do impacto das ações de controle, além da
interação com a rede de laboratórios de saúde pública e a inter-relação com as ações de saneamento, visando o controle
ou a eliminação dos riscos.
b) Hospedeiros e Reservatórios A vigilância de fatores de riscos biológicos relacionados aos hospedeiros e reservatórios
(caramujos, cães, gatos, morcegos, roedores, saguis, raposas, suínos, bovinos e aves) de doenças (raiva, leishmanioses,
equinococose, leptospirose, peste, doença de Chagas, sarna, toxicoplasmose e mais recentemente hantavírus) tem como
finalidade o mapeamento de áreas de risco em determinados territórios utilizando a vigilância ambiental e as suas relações
com a vigilância epidemiológica quanto à incidência e prevalência destas doenças e do impacto das ações de controle,
além da interação com a rede de laboratórios de saúde pública e a inter-relação com as ações de saneamento, visando ao
controle ou à eliminação dos riscos.
c) Animais Peçonhentos A vigilância de fatores de riscos biológicos relacionados a animais peçonhentos (serpentes,
escorpiões, aranhas, himenópteras e lepidópteros), que podem resultar em acidentes de interesse para a saúde pública,
tem como finalidade o mapeamento de áreas de risco em determinados territórios, suas relações com a vigilância
epidemiológica para avaliação dos acidentes e das medidas de controle utilizadas, além da interação com a rede de
laboratórios de saúde pública.

o cruzamento dessas informações com outras variáveis


epidemiológicas e ambientais, fornecerão subsídios para o
planejamento de programas e ações de prevenção e de
controle do risco de contaminação. Em situações
detectadas como de risco à saúde decorrente de
contaminações ambientais, faz-se importante estudar as
suas relações com a vigilância epidemiológica quanto à
incidência e prevalência das doenças e do impacto das
ações utilizadas, além da interação com a rede de
laboratórios de saúde pública e a inter-relação com as
ações de saneamento, visando ao controle ou à eliminação
dos riscos.
Algumas ações de controle poderão ser realizadas
pelo setor saúde que nestes casos poderá demandar ações
corretivas aos responsáveis pelas contaminações
ambientais e aos órgãos de controle e fiscalização
ambiental. A área de contaminantes ambientais também
tem como atribuição identificar e catalogar o perfil
toxicológico dos fatores ambientais físicos e químicos de
interesse à saúde pública. Considerando o grande volume
de novos produtos que são disponibilizados para o
consumo e para a economia humana, esta área deverá
atualizar permanentemente o conhecimento dos potenciais
A vigilância dos fatores de risco relacionados aos efeitos à saúde humana decorrentes da exposição humana
contaminantes ambientais caracteriza-se por uma série de a estes fatores. Como atividade processual, deverá também
ações, compreendendo a identificação de fontes de desenvolver e disseminar metodologias de gerenciamento e
contaminação e modificações no meio ambiente que se avaliação de risco ambiental e de gerenciamento e
traduza em risco à saúde. avaliação de risco à saúde humana decorrente de
O levantamento destes dados e a sua análise, contaminação ambiental química e física.
incluindo a coleta de amostras para exames laboratoriais e
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Servirá de âncora técnica para o desenvolvimento


de legislação ambiental, especialmente no que se refere à
definição de limites máximos de exposição humana a estes
fatores ambientais.
O sistema de informação de contaminantes
ambientais deverá ser concebido e desenvolvido de acordo
com a necessidade de identificação de riscos,
caracterização de riscos, identificação da população
exposta, identificação dos danos à saúde, alternativas de
remediação e/ou descontaminação ambiental, ÉTICA NO TRABALHO EM SAÚDE
monitoramento da saúde da população sob risco e
avaliação (relatórios e análises). Ética na saúde
Deverá considerar as demandas já existentes,
apoiando o desenvolvimento do sistema de informação para "Para que haja conduta ética é preciso que exista o
vigilância em saúde de análise de risco de exposição agente consciente, isto é, aquele que conhece a diferença
humana ao benzeno, ao amianto, ao chumbo e ao mercúrio entre bem e mal, certo e errado, permitido e proibido,
entre outros, bem como auxiliar no aprimoramento de virtude e vício. A consciência moral não só conhece tais
sistemas já existentes, como é o caso do monitoramento de diferenças, mas também reconhece-se como capaz de
agrotóxicos desenvolvido pela Anvisa. julgar o valor dos atos e das condutas e de agir em
Do ponto de vista do SUS, tem a atribuição de conformidade com os valores morais, sendo por isso
desenvolver indicadores de saúde e meio ambiente, responsável por suas ações e seus sentimentos pelas
elaborar e acompanhar as ações e metas de vigilância consequências do que faz e sente. Consciência e
ambiental da PPI/ECD, além de acompanhar o responsabilidade são condições indispensáveis da vida
desenvolvimento de tecnologias de remediação, ética.
descontaminação e recuperação ambiental. A consciência moral manifesta-se, antes de tudo,
na capacidade para deliberar diante de alternativas
b) Qualidade da Água para Consumo Humano possíveis, decidindo e escolhendo uma delas antes de
lançar-se na ação. Tem a capacidade para avaliar e pesar
A vigilância da qualidade da água de consumo as motivações pessoais, as exigências feitas pela situação,
humano tem como finalidade o mapeamento de áreas de as consequências para si e para os outros, a conformidade
risco em determinado território, utilizando a vigilância da entre meios e fins (empregar meios imorais para alcançar
qualidade da água consumida pela população, quer seja fins morais é impossível), a obrigação de respeitar o
aquela distribuída por sistemas de abastecimento de água e estabelecido ou de transgredi-lo (se o estabelecido for
aquelas provenientes de soluções alternativas (coletados moral ou injusto). A vontade é esse poder deliberativo e
diretamente em mananciais superficiais, poços ou decisório do agente moral. Para que se exerça tal poder
caminhões pipa), para avaliação das características de sobre o sujeito moral, a vontade deve ser livre, isto é, não
potabilidade, ou seja, da qualidade e quantidade pode estar submetida à vontade de um outro nem pode
consumida, com vistas a assegurar a qualidade da água e estar submetida aos instintos e às paixões, mas, ao
evitar que as pessoas adoeçam pela presença de contrário, deve ter poder sobre eles e elas.
patógenos ou contaminantes presentes nas coleções O campo ético é, assim, constituído pelos valores
hídricas. e pelas obrigações que formam o conteúdo das condutas
Em situações detectadas como de risco à saúde, morais, isto é, as virtudes. Estas são realizadas pelo sujeito
decorrente da má qualidade da água consumida, são moral, principal constituinte da existência ética." (SPOB -
importantes as relações com a vigilância epidemiológica Dr. Heitor A. da Silva e Dra. Ivone Boechat).
quanto à incidência e prevalência das doenças e do  
impacto das medidas de monitoramento e controle “Para que não haja  problemas, as condutas de intervenção
utilizadas, além da interação com a rede de laboratórios de e diagnóstico profissional deve ser sempre realizada por
saúde pública e a inter-relação com as ações de um profissional legalmente habilitado para tal prática.”
saneamento, visando o controle ou a eliminação dos riscos.  
Algumas ações de controle poderão ser realizadas A ética através da prática baseada em evidências
pelo setor saúde e/ ou também demandando ações
corretivas aos responsáveis pela prestação de serviços de “Praticar Medicina Baseada em Evidências
fornecimento e tratamento da água, quando for o caso, ver significa integrar a experiência clínica com as melhores
esquema proposto no quadro seguinte. Este setor será o evidências disponíveis derivadas de pesquisas
responsável pela coordenação do sistema de informação de sistemáticas. É Uma forma nova de ensino e prática da
vigilância e controle da qualidade da água de consumo medicina que atribui um papel menos destacado para o
humano - Siságua e pela identificação, acompanhamento e raciocínio fisiopatológico para a intuição e para a
avaliação das ações e as metas da PPI-ECD experiência clínica não sistematizada. Enfatiza o exame
correspondentes a sua competência. das evidências de pesquisas clínicas como instrumento
adequado para a prática de uma medicina mais eficiente.
Requer que o médico tenha novas habilidades tais como
capacidade para elaborar questões clínicas corretamente,
para realizar busca de respostas a estas questões, criticar
a informação obtida através da aplicação de regras de
evidência, capacidade de decisão com base nestas
informações, mais que na opinião de autoridades ou em
experiências não sistemáticas.”
Em todas as outras profissões das Ciências da
Saúde tem-se buscado a fundamentacão das técnicas de
tratamento, condutas de manejo e intervenção, através da
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pesquisa. Através das pesquisas foi possível compreender ou intervenções terapêuticas não são executadas por
melhor o funcionamento das estruturas biológicas em geral profissionais com membros de sua própria família para
e, portanto comprovar através de parâmetros, evitar a influência emocional ou mesmo a banalização da
delineamentos metodológicos e análise de dados o efeito intervenção.
de diversas intervenções terapêuticas. O conhecimento dos h) É dever de cada profissional estadiar e admitir os limites
mecanismos orgânicos possibilita através do raciocínio de intervenção técnica e ética de sua profissão,
lógico de causa e efeito determinar os riscos, benefícios e encaminhando o paciente a um especialista de acordo com
efeitos colaterais de intervenções terapêuticas. Assim as necessidades clinicas específicas de cada situação,
sendo a pesquisa contribui em muito para determinar a sempre explicando claramente ao paciente.
eficácia dos métodos terapêuticos a serem empregados.  i) Nunca desacreditará ou menosprezará ao médico ou
qualquer outro profissional de saúde, valorizando sempre o
Condutas éticas com o paciente: seu trabalho e quando houverem diagnósticos equivocados,
os mesmos devem ser primariamente debatidos e
Muitos profissionais em várias especialidades das discutidos com o profissional antes de trazer algum dolo
ciências da saúde tem condutas inapropriadas quanto à moral do aludido profissional perante o paciente
ética e mesmo a moral. Casos, como o do pediatra e j) Ter cautela ao comentar casos de pacientes com outros
psicanalista carioca, já há algum tempo em custódia, que pacientes mesmo com a intenção de encorajá-los, pois isto
enquanto medicava   crianças com dormonid (um sedativo tanto foge da técnica quanto amedronta o paciente.
conhecido) abusava sexualmente destes pacientes, sempre  
do sexo masculino, documentando tais atos através de Condutas éticas na equipe multidisciplinar
vídeo; ou do cirurgião plástico de Porto Alegre que abusava  
de suas pacientes sedadas. Na realidade nem sempre uma O conhecimento na área da saúde tem crescido de
conduta antiética pode necessariamente acompanhar tal forma avassaladora nas últimas décadas, levando a um
nível de gravidade. Alguns profissionais, muito incremento considerável dos conteúdos, artigos e relatos
frequentemente mentem sobre os efeitos fisiológicos e clínicos ou científicos sobre as mais diversas
benefícios terapêuticos, conduzindo os pacientes que são especialidades e disciplinas em saúde. Desta forma cada
leigos, a realizarem tratamentos ou pacotes terapêuticos, vez mais um único problema de saúde em um dado
desnecessários, indevidos ou mesmo iatrogênicos. paciente, tem merecido a assistência conjunta de vários
profissionais. 
Premissas éticas importantes na relação com o A atuação em mútua colaboração de vários
paciente: profissionais em prol da recuperação de um paciente torna
necessário o estabelecimento de políticas éticas para o
a) Respeitar o libido do paciente, conquistando relacionamento entre estes profissionais, diminuindo assim
gradualmente a confiança técnica, ética e moral do possíveis atritos que possam interromper um sincronismo e
paciente. Desta forma todo procedimento realizado deve uma harmonia que possam ser vitais para a saúde e a
ser explanado, fazendo com que o mesmo se mantenha qualidade de vida dos pacientes.
sempre seguro. “O paciente não tem dono: Todo profissional deve realizar e
b) Manter registros, relatórios e evoluções clínicas do desejar o melhor para seu paciente, enquanto a
paciente sempre atualizadas. intervenção, diagnóstico e mesmo encaminhamento a
c) Não divulgar, em particular ou em público, quaisquer outros profissionais, mesmo que a sua intervenção tenha
informes que tenham origem nas palavras dos pacientes, que ser suspensa, de forma temporária ou permanente. .”
mesmo que estes tenham dito que os mesmos não eram  
segredáveis. Da mesma forma deve se manter em sigilo as São premissas importantes
informações clínicas ou de estudo clínico compartilhadas
entre a equipe multidisciplinar, as quais forem obtidas em a) Manter um bom relacionamento com os demais membros
discussões clínicas, prontuários e relatos para atuação multi da equipe multidisciplinar em saúde.
inter ou transdisciplinar. b) Nunca diminuir o respeito e a consideração técnica do
d) Ética profissional: Regulamento tomado como consenso paciente a um outro profissional.
para se seguir de acordo com os conceitos morais c) Nunca cercear o exercício profissional de outrem.
intrínsecos específicos de cada profissão. Vide: Código de d) Respeitar as normas internas, titulações, condutas éticas
Ética Profissional específicas e legislações, estabelecidas pela ordem,
f) Na massoterapia muitos profissionais de ambos os sexos associação ou conselho profissional das demais profissões.
tem reportado sobre ataques de assédio proveniente de f) Seguir as normas legais de sua própria profissão.
pacientes ipsi ou contra-lateralmente de ambos os sexos. g) Manter a humildade como uma ferramenta de diálogo
Quando tal fato ocorrer o profissional deve estar preparado entre a equipe de saúde, facilitando assim a troca de
para explicar os limites dos procedimentos exercidos de informações entre especialidades e disciplinas de saúde.
forma que não haja constrangimento ou que o                  ... Se fossemos apenas viventes biológicos,
constrangimento seja eufemisado pelo profissional, que em subordinados às leis do funcionamento dos sistemas vivos,
primeira instância deve ser claro quanto às intenções e “dar não nos colocaríamos questões éticas, mas como
a volta “na situação. Caso haja reincidência, condutas mais existências conscientes e livres, tomamos sempre novas
duras devem ser tomadas, no intuito de preservar a decisões e orientações: somos a única natureza que
integridade física e moral do profissional. controla seu devir.
g) Ter cuidado ao gerar aproximações emocionais com um
paciente. Deve haver uma separação formal do profissional CONHECIMENTOS BÁSICOS SOBRE DOENÇAS
e do amigo, do profissional e do esposo. Deve-se utilizar de
um ritual formal a ser incorporado para que haja uma Doenças mais comuns em comunidades: doenças
sinalização da distinção destas partes do todo. transmissíveis e não transmissíveis, (tuberculose,
Instrumentos como o tratamento pela titulação profissional, hanseníase, dsts/AIDS, hipertensão arterial, diabetes,
uso do jaleco ou uniforme auxiliam neste ritual, mas o dengue, hepatites, leptospirose, meningite, rubéola,
comportamento também deve modificar. Muitas condutas sarampo, tétano, neoplasias, saúde mental)
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indivíduo fica com a imunidade baixa é possível


TUBERCULOSE que a bactéria em questão fique ativa e causa os
sintomas da tuberculose.
O que é tuberculose, sintomas, tratamento e tipos  O organismo mesmo em contato direto com a
bactéria consegue eliminá-la sem que o indivíduo
O que é Tuberculose? em questão sinta os sintomas decorrentes da
doença.
Doença altamente contagiosa, a tuberculose –
também conhecida como TB – pode ser facilmente Conheça os diferentes tipos de tuberculose
transmitida pelo ar, saliva ou a partir do contato direto com Tuberculose extrapulmonar
outros tipos de secreções corporais do indivíduo
contaminado pela bactéria. O problema é considerado A doença acomete outros órgãos do corpo, que não sejam
grave e pode afetar diferentes órgãos do corpo. A os pulmões.
bactéria Mycobacterium tuberculosis ou Bacilo de
Koch (BK), responsável pela infecção pode chegar aos Tuberculose pleural
ossos, rins, cérebro, pele e inclusive coluna vertebral.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, Esse tipo atinge uma membrana do pulmão conhecida
surgem no mundo até 6 milhões de novos casos da doença como pleura. Os sintomas mais frequentes são: dor na
anualmente. Só no Brasil, os casos chegam a atingir 70 mil região do tórax falta de ar e água na membrana pleural.
pessoas e levam à morte até 4,6 mil delas.
Na África, a tuberculose ainda é uma doença muito Tuberculose ganglionar
perigosa e que pode levar muitas pessoas à morte,
principalmente os indivíduos com HIV, indígenas, pessoas Extremamente comum entre as pessoas com o vírus HIV, a
que vivem nas ruas e população privada de liberdade. tuberculose ganglionar afeta principalmente os gânglios
Ainda hoje ela é considerada um problema para a (linfonodos) da região do pescoço. A bactéria responsável
saúde pública do país. Mas, felizmente, os dados têm (bacilo de Koch) causa o aumento da região e, apesar de
sofrido reduções positivas nos últimos anos, apesar de não causar dor, o crescimento dos gânglios pode gerar o
ainda serem preocupantes. desenvolvimento de fístulas na pele.
O aumento de casos de indivíduos com o vírus da AIDS
influenciou diretamente no aparecimento de novos casos de Tuberculose óssea
tuberculose. Isso, porque o sistema imunológico debilitado
dessas pessoas se tornou mais suscetível à contração da Acomete a região da coluna vertebral e pode causar dores
bactéria causadora da tuberculose. na região das costas. Os sintomas tendem a piorar com o
Apesar disso, o seu diagnóstico nem sempre é tempo e quando não é tratada corretamente pode causar
fácil. Os sintomas podem passar despercebidos pelo alterações no sistema neurológico e inclusive afetar os
paciente, fazendo com que o mesmo demore muito tempo motivos do corpo.
para procurar ajuda médica. Isso pode piorar o seu estado
de saúde, considerando que até lá o indivíduo estará com o Tuberculose urinária
organismo extremamente enfraquecido e vulnerável.
O problema pode ser confundido facilmente com casos
Sintomas mais comuns de infecção urinária devido aos sintomas sentidos. Na hora
do diagnóstico é essencial que o médico responsável
É comum que o paciente sofra com alguns prescreva o uso de antibióticos específicos e também
sintomas característicos da doença, como: febre alta, tosse, realize exames como a urocultura. Esse tipo de tuberculose
dores na região do tórax, falta de ar, sensação de mal- requer cuidados rápidos, para evitar que a situação se
estar, perda de peso considerável e palidez. Por isso, esteja agrave e cause insuficiência renal.
atento e observe atentamente o desenvolvimento da
doença, para que ela possa ser analisada corretamente Tuberculose cerebral
pelo médico pneumologista. É possível que em algum
momento os sintomas possam ser confundidos com sinais Esse tipo merece atenção redobrada. Quando o tratamento
de outros problemas de saúde como, a pneumonia, mas se correto não é realizado é possível que o quadro evolua para
observados o tempo em que eles surgiram, é possível uma meningite e forme tumores no sistema nervoso central.
distinguir os dois problemas.
Tuberculose ocular
Como acontece?
Os casos de tuberculose ocular costumam atingir
O quadro infeccioso se inicia nos pulmões a partir primeiramente os pulmões e, de forma secundar, a infecção
de uma bactéria responsável pela irritação do local. Quando acaba afetando o globo ocular. Esse tipo, que é
atinge outras partes do corpo, é possível que ela se considerado raro, é mais comum entre os homens e
multiplique e atinja diretamente o sistema imunológico do indivíduos negros. Também pode ser mais frequente em
paciente. Existem 3 possíveis formas para que a doença se pessoas com as defesas imunológicas fracas
aloje no organismo: (soropositivas, diabéticas ou com câncer).

 O sistema imunológico debilitado entra em contato Tuberculose cutânea 


direto com as bactérias, que acabam se
multiplicando no organismo após um determinado A tuberculose de pele ocorre com maior frequência em
período. Comum em casos de tuberculose países tropicais e com muita umidade. É comum entre os
pulmonar. indivíduos de baixa renda social ou imunodeprimidos. A
 A bactéria pode ficar adormecida no organismo infecção, assim como em outros casos, atinge
durante um longo período de tempo. Quando o
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primeiramente o pulmão, e pode acabar se dissipando para O tratamento deve consistir basicamente na
outras partes do corpo. prescrição de antibióticos. O problema necessita de
cuidados constantes por aproximadamente 6 meses.
Tuberculose do coração (pericardite)  Período em que o indivíduo ainda pode ter resquícios da
doença em seu organismo. Boa parte dos pacientes acaba
O saco que fica em volta do coração, conhecido como largando o tratamento antes da sua finalização, por isso é
pericárdio, acaba sofrendo uma inflamação (pericardite) e, essencial que existam médicos e enfermeiros responsáveis
devido a isso, acaba afetando à saúde do paciente, pelo acompanhamento do processo. Os medicamentos
causando diversas complicações em outros órgãos do mais utilizados são:
corpo.  Bromidrato de Fenoterol
 Rifampicina
Tuberculose do peritônio
 Isoniazida
Costuma ser um problema muito raro e grave. Os
Atenção! 
altos índices de mortalidade causados por esse tipo de
tuberculose acontecem devido à dificuldade em
NUNCA se automedique ou interrompa o uso de
diagnosticar a doença e realizar o seu tratamento. Os
um medicamento sem antes consultar um médico. Somente
sintomas são, em sua grande maioria, pouco suficientes
ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do
para conseguir um diagnóstico concreto. É essencial que o
tratamento é o mais indicado para o seu caso em
paciente realize exames como a laparoscopia para
específico. As informações contidas nesse site têm apenas
conseguir afirmar a existência dos casos de tuberculose
a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma,
gastrointestinal e do peritônio.
substituir as orientações de um especialista ou servir como
recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga
O isolamento pode ser necessário?
sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem,
procure orientação médica ou farmacêutica.
Na maior parte dos casos, os pacientes com o tipo
de tuberculose extrapulmonar não necessitam se preocupar
Prevenção
com possíveis restrições, pois o problema não é
transmissível a partir de bactérias. Já os quadros
A prevenção da doença se torna eficaz a partir da
de tuberculose pulmonar ou laríngea exigem que o
imunização massiva da população. Por isso, o próprio
indivíduo se mantenha isolado por pelo menos 15 dias, até
Ministério da Saúde aconselha que logo após o nascimento
que o seu tratamento tenha surtido o efeito desejado e as
os bebês já sejam vacinados contra a doença. A doença
pessoas do seu convívio social não corram mais riscos.
BCG é essencial principalmente em indivíduos debilitados,
Essas exigências são realizadas porque por
como bebês prematuros ou com o vírus HIV (transmitido
aproximadamente 2 semanas o problema ainda pode ser
através do parto).
transmitido facilmente.
Apesar disso, outras recomendações podem ser
importantes na hora de evitar a doença, como evitar
Formas de transmissão e fatores de risco
ambientes fechados e sem a circulação necessária do ar,
evitar colocar as mãos nos olhos, nariz ou boca quando
Entre as principais formas de transmissão estão:
elas não estiverem higienizadas.
má higiene, má alimentação, além de contato com
Para prevenir a doença é necessário imunizar as crianças
indivíduos contaminados pela doença, através da tosse ou
obrigatoriamente no primeiro ano de vida ou no máximo até
de espirros. A transmissão de pessoa para pessoa
quatro anos, com a vacina BCG. Crianças soropositivas ou
acontece quando a bactéria é inspirada pelo paciente
recém-nascidas que apresentam sinais ou sintomas
saudável e entra em contato com os pulmões.
de AIDS não devem receber a vacina. A prevenção inclui
O consumo de bebidas alcoólicas e cigarro também pode
evitar aglomerações, especialmente em ambientes
afetar o sistema imunológico, aumentando as chances da
fechados, mal ventilados e sem iluminação solar. A
bactéria se alojar no organismo.
tuberculose não se transmite por objetos compartilhados.
Indivíduos que não receberam a vacina BCG nos
Diagnóstico
primeiros anos de vida devem realizar o teste PPD (também
conhecido como Mantoux) para evitar um possível contato
 Baciloscopia do escarro: a coleta de escarro é com a bactéria. Quando esse teste não apresenta nenhum
essencial para que o diagnóstico consiga tipo de reação, significa que a vacinação contra a
diferenciar o problema, que muitas vezes pode ser tuberculose nunca foi realizada.
confundido com os casos de pneumonia. A Os cuidados são extremamente necessários em
análise, que será realizado a partir de uma casos de tuberculose. Quando não recebe o devido
amostra de escarro coletada diretamente da tosse tratamento, o problema pode ser perigoso e inclusive levar
do paciente, deve ser feita antes de iniciar a à morte. Por isso, procure ajuda médica assim que os
administração de qualquer medicação. sintomas surgirem. Ficou com alguma dúvida sobre a
 Radiológico:  o raio-x do tórax é essencial para doença? Entre em contato com a nossa equipe.
ajudar no diagnóstico do problema. Ele ajuda a Tentaremos responder as suas perguntas o quanto antes.
reconhecer modificações na estrutura dos
pulmões. HANSENÍASE
 Prova Tuberculínica (PT):  analisa os antígenos
da bactéria responsável pelo desenvolvimento da O que é hanseníase (lepra), sintomas, tratamento e
tuberculose (M. Tuberculosis). transmissão

Formas de tratamento O que é hanseníase?

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A hanseníase, comumente conhecida como lepra, Os tipos de hanseníase são classificados de


é uma doença infecciosa causada pela acordo com a resposta do nosso organismo à presença da
bactéria Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, que bactéria. A doença se apresenta em quatro formas clínicas:
lesiona os nervos periféricos e diminui a sensibilidade da indeterminada, tuberculóide ou paucibacilar (com poucos
pele. Geralmente, o distúrbio ocasiona manchas bacilos), borderline ou dimorfa e lepromatosa ou
esbranquiçadas em áreas como mãos, pés e olhos, mas multibacilar (com muitos bacilos).
também podem afetar o rosto, as orelhas, nádegas, braços,
pernas e costas. Hanseníase indeterminada
A doença tem cura, porém exige tratamento
prolongado para não desencadear problemas ao paciente Fase inicial da doença que espontaneamente se
ou a transmissão da bactéria para indivíduos de convívio evolui para cura, por conta do sistema imunológico do
próximo. Nos dias de hoje, sabe-se que não há indivíduo ser capaz de combater a bactéria. Nota-se apenas
necessidade do isolamento dos indivíduos, pois o SUS uma pequena mancha na pele, hipopigmentada ou
fornece a medicação necessária para recuperação dos avermelhada com distúrbio de sensibilidade e bordas
portadores da hanseníase. levemente elevadas. Representa 90% dos casos,
normalmente em crianças.
História Quando a hanseníase começa nesse estágio,
somente 25% dos casos evoluem para outras formas mais
A hanseníase detém o título de uma das doenças graves, o que pode ocorrer entre 3 a 5 anos.
mais antigas da história da humanidade, com relatos que
datam até 1350 a.C. O registro oficial aconteceu somente Hanseníase tuberculóide ou paucibacilar
em 1873, pelo médico norueguês Gerhard Armauer
Hansen, responsável pela identificação do bacilo causador A hanseníase paucibacilar é a forma mais benigna
da doença. e localizada, que ataca os indivíduos com alta resistência
Antigamente, por falta de conhecimentos ao bacilo de Hansen. O sistema imunológico não consegue
específicos, a hanseníase carregava um grande destruí-lo, porém também não permite que se espalhe pelo
preconceito, associando os portadores ao pecado, à corpo. Esse tipo é caracterizado pela presença de poucos
impureza e a desonra. O tratamento dos pacientes consistia bacilos, que podem não ser detectados quando são
em excluí-los da sociedade, com o impeditivo de visitar retiradas amostras das lesões. A doença não é contagiosa
ambientes sociais, como igrejas e escolas, obrigação de nesse estágio.
usar roupas e luvas específicas e carregar sinos que Como na forma indeterminada, as lesões que se
anunciasse sua presença. A enfermidade era manifestam na hanseníase paucibacilar são
constantemente confundida com outras doenças de pele e hipopigmentadas ou avermelhadas. As manchas são
venéreas, que também não apresentavam a cura. poucas, ou únicas, de limites bem definidos, pouco
No Brasil, até 1962, a política visava afastar os elevados e dormentes, que podem causar dor e atrofiar os
portadores da doença ao obrigá-los a se isolar em músculos próximos, geralmente em quantidades mínimas.
leprosários e queimar todos seus pertences. Após a
internação compulsória deixar de ser obrigatória, a Hanseníase borderline ou dimorfa
Organização Mundial da Saúde passou a recomendar o
tratamento com a poliquimioterapia, que se trata do uso Forma intermediária da doença que resulta de uma
de antibióticos oferecidos gratuitamente para todos os imunidade também intermediária. Há mais manchas na pele
pacientes do mundo. O avanço das descobertas e o que podem atingir grandes áreas da pele, envolvendo
fornecimento da cura da hanseníase fez 5,4 milhões de partes da pele sadia. Acomete os nervos próximos as
casos registrados em 1985 se reduzirem a pouco mais de lesões, podendo ocorrer neurites agudas de grave
200.000, em 2008. prognóstico.
Atualmente, a prevalência da doença está
diretamente ligada a condições precárias de higiene, Hanseníase multibacilar, lepromatosa ou virchowiana
afetando regiões mais carentes, como Brasil, Índia,
Madagascar, Moçambique, Miamar e Nepal. O Brasil é o Manifestação grave e contagiosa da doença,
país com maior número de casos de hanseníase na caracterizada pela presença de 6 ou mais lesões de pele
América Latina, com o valor estimado de mais de 33 mil com muitos bacilos. A hanseníase multibacilar se apresenta
doentes, em 2011. quando o paciente possui o sistema imune incapaz de
controlar a proliferação da bactéria, por isso há amostras
Dia mundial do Hanseniano positivas para o bacilo de Hansen.
Formam-se várias lesões avermelhadas, elevadas,
Celebrado sempre no último domingo de janeiro, o e, em casos graves, há o aparecimento de nódulos que
Dia Mundial do Hanseniano teve sua origem através do podem ser deformantes. Os inchaços são generalizados e
jornalista francês Raul Fourreaux, que, em 1954, motivou a há erupções cutâneas, dormência e fraqueza muscular.
Organização das Nações Unidas (ONU) a lembrar sobre a Geralmente, atingem o lobo das orelhas e o cotovelo, mas o
doença até o dia em que a cura estivesse acessível a nariz, rins e órgãos reprodutivos masculinos também
todos. podem ser afetados.
A data tem como objetivo reduzir o preconceito
contra os portadores da doença, que ainda sofrem com Causas da hanseníase
julgamentos baseados em informações ultrapassadas.
Assim, são intensificadas ações de assistência ao redor do A hanseníase é uma doença causada pela
mundo, na intenção de evitar o contágio e conscientizar bactéria Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, um
sobre os tratamentos e cura disponibilizado aos pacientes. parasita que atinge especialmente as células da pele e
células nervosas. A bactéria penetra o organismo por meio
Tipos de hanseníase das vias respiratórias ou secreções como a saliva, sendo
transmitido da mesma forma, até se instalar nos nervos
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periféricos e na pele. O tempo de incubação é lento, em países com clima temperado, subtropical ou tropical,
levando da contaminação até o surgimento dos sintomas, como o Brasil.
em média, de dois a cinco anos. As pessoas em maior risco são aquelas que vivem
A contaminação do vírus pode ocorrer a partir da nessas regiões, principalmente onde a hanseníase é
exposição das condições higiênicas inadequadas ou do endêmica, como partes da Índia, China, Japão, Nepal,
contato íntimo com o portador sem tratamento. Egito, entre outros. Além disso, um número elevado de
pessoas convivendo em um mesmo ambiente influencia o
Como ocorre a transmissão da hanseníase? risco de adoecer.

Dentre as pessoas que abrigam o bacilo, há Contato com animais portadores do Mycobacterium
situações que o sistema autoimune apresenta resistência, leprae
consistindo nos casos com número baixo de bactérias,
incapaz até mesmo de transmitir para outros. Essa forma é Pessoas que lidam diariamente com certos
descrita como paucibacilar, e às vezes pode chegar a se animais que transportam a bactéria estão em risco de
curar espontaneamente. também adquiri-la, especialmente se não usar luvas
No entanto, os casos multibacilares são potenciais durante o contato.
fortes de transmissão. Um número menor de indivíduos
apresenta reduzida ou inexistente imunidade a bactéria, Quais são os sintomas da hanseníase?
que se multiplica em seu organismo e pode infectar outras
pessoas. A hanseníase se manifesta através de sinais e
A transmissão da doença ocorre a partir do contato sintomas dermatológicos e neurológicos. As alterações
com o paciente infectado que não está sob tratamento. As neurológicas, quando não diagnosticadas e tratadas
bactérias são eliminadas e transmitidas através do aparelho adequadamente, podem causar incapacidades físicas e
respiratório em meio às secreções nasais, gotículas de deformidades.
saliva, tosse e espirro, tal como na tuberculose. A doença atinge a pele e os nervos periféricos,
Entretanto, a hanseníase não é transmitida com tanta porém, ela também pode acometer outras regiões, como os
facilidade como resfriados, pois depende do contato íntimo olhos (o que pode causar cegueira), cílios e sobrancelhas,
e prolongado, como familiares e amigos que dividem a os tecidos do interior do nariz, planta dos pés e,
mesma casa. eventualmente, alguns órgãos. Com o período de
Acredita-se, também, que possa haver incubação lento, o indivíduo pode se contaminar com a
transmissão através das feridas na pele. Porém, deve-se bactéria e somente manifestar anos depois.
lembrar que se o portador de hanseníase estiver realizando
o tratamento quimioterápico não há risco de transmissão. Sintomas dermatológicos
A manifestação da doença na pessoa infectada
dependerá do sistema imunológico do indivíduo, que pode O distúrbio se caracteriza pelo aparecimento de
ser exposto ao bacilo e ser capaz de dizimá-lo antes que manchas arredondadas de cor parda, branca ou
cause a hanseníase. O período de incubação é de 2 a 5 avermelhada, às vezes pouco visíveis, que se espalham
anos. pelo corpo. As lesões costumam apresentar alteração na
sensibilidade, fazendo com que o indivíduo deixe de sentir
Animais diferenças de temperatura, pressão e dor no local da ferida.
Essa característica que difere a hanseníase da maioria das
Embora seja raro, existem espécies de animais que doenças na pele.
carregam a bactéria e podem transmiti-las a humanos, são As lesões mais comuns são:
elas:  Manchas pigmentares ou discrômicas: resultam
 Tatu; da alteração — ausência, diminuição ou aumento
 Chimpanzé africano; — de melanina ou depósito de outros pigmentos e
 Macaco mangabey; substâncias na pele. As manchas são de
coloração branca.
 Macaco cinomolgo.
 Placa: se estende no corpo por vários centímetros,
Grupos de risco seja individual ou em um aglomerado de outras
lesões.
A hanseníase pode atingir pessoas de todas  Infiltração: aumento da espessura e consistência
idades e de ambos os sexos, mas observa-se maior da pele, limites imprecisos, às vezes
incidência em homens do que em mulheres. Crianças são acompanhado de rubor.
mais propensas a adquirir a doença, no entanto, como  Tubérculo: denominação pouco usada, tubérculo
demora a se manifestar, é comum ter mais casos relatados se refere ao nódulo que evolui deixando uma
em adultos. Menores de quinze anos adoecem mais cicatriz.
quando a hanseníase é endêmica em sua região.  Nódulo: lesão sólida, limitada, elevada ou não, de
Contato íntimo e prolongado com portadores sem 1 a 3 cm de tamanho, em maioria mais palpável do
tratamento é descrito como o principal fator de risco, porém que visível. Pode se localizar nas camadas da
também há existência de outros, como: epiderme, derme e/ou hipoderme.
A sensibilidade comprometida das lesões pode ocorrer da
Condições higiênicas e climáticas seguinte forma:
 Hipoestesia: sensibilidade reduzida.
A doença está associada a condições sanitárias
 Anestesia: sensibilidade ausente.
insuficientes, falta de higiene, condições precárias de saúde
e habitação precária. Ambientes sujos, quentes e úmidos  Hiperestesia: aumento da sensibilidade.
são ideais para a sobrevivência do bacilo, por isso é comum
Sintomas neurológicos

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Além das lesões na pele, a hanseníase se


manifesta através de lesões nos nervos periféricos. Essas Exame laboratorial
lesões são decorrentes de um processo inflamatório
chamado neurite, causado tanto pela ação da bactéria O dermatologista pode requisitar uma pequena
quanto pela reação imunológica do organismo para raspagem nas feridas e enviar para análise em laboratórios
expulsão do bacilo. Em alguns casos, pode ser causada por para confirmar a presença do bacilo de Hansen. A ausência
ambos. da bactéria descarta a forma multibacilar, mas não a forma
As lesões se manifestam pelos seguintes sintomas: paucibacilar.
 Dor e espessamento dos nervos são os primeiros
sinais de inflamação; Hanseníase tem cura? Qual o tratamento?
 Perda da sensibilidade nos membros inervados
afetados, como olhos, mãos e pés; A hanseníase tem cura, porém depende da
persistência do paciente ao realizar o tratamento
 Comprometimento dos nervos periféricos,
corretamente. O procedimento é feito através da
caracterizado pela perda da força em
Poliquimioterapia (PQT), que se trata do uso de antibióticos
determinados músculos inervados, principalmente
de via oral que interrompem a evolução da doença até a
nas pálpebras e nos membros superiores e
eliminação completa da bactéria. A PQT previne as
inferiores, como braços e pernas.
incapacidades e deformidades causadas pela hanseníase e
A neurite é um processo agudo que acompanha dor intensa
rompe a cadeia epidemiológica do bacilo. Assim, após
e edema, inchaço causado pela retenção de líquidos. O
iniciar o uso dos medicamentos, a doença deixa de ser
comprometimento do nervo é evidenciado quando a
transmissível em cerca de 4 dias.
condição passa a se tornar crônica, ocasionando:
O tratamento é gratuito, fornecido pelo Sistema
 Sensação de dormência, causada pela inflamação Único de Saúde (SUS) e administrado em doses vigiadas
dos nervos; nas Unidades Básicas de Saúde, sempre sob a supervisão
 Alterações na secreção de suor, causando a perda de médicos ou enfermeiros. Pode durar entre seis meses
da capacidade de suor, consequentemente, na forma paucibacilar, e um ano ou mais na forma
ressecamento da pele. multibacilar.
 Redução da força muscular, caracterizada pela Certos medicamentos não devem ser tomados por
dificuldade para segurar objetos. Isso causa mulheres grávidas. Caso a paciente esteja grávida deve
paralisia nas áreas afetadas pelos nervos informar ao médico para análise de métodos alternativos.
comprometidos, como braços ou pernas;
 O acometimento neural não tratado pode provocar Medicamentos para hanseníase
incapacidades e/ou deformidades pela alteração
de sensibilidade nas áreas atingidas. A alteração O tratamento da hanseníase, realizado a partir da
na musculatura esquelética ocorre principalmente Poliquimioterapia (PQT), consiste na administração
nas mãos. associada de três antibióticos:
 Dapsona;
Outros sintomas  Rifampicina;
 Clofazimina.
Podem ocorrer, também, as seguintes sensações:
 Impotência e esterilidade. A infecção pode reduzir A associação dos medicamentos evita a
a quantidade de testosterona, quanto à quantidade resistência medicamentosa do bacilo, que não é eliminado
de espermatozoides produzidos pelos testículos; com o uso de um único medicamento. A Rifampicina
 Áreas da pele que foram afetadas sofrem costuma eliminar até 90% da bactéria, por isso a
alterações na sensibilidade térmica e com a perda necessidade de complementar com a Dapsona, que pode
de pelos; ser usado diariamente em casa até o término do
 Caroços ou inchaços nas partes mais frias do tratamento. Em casos de multibacilar, é acrescentado uma
corpo, como orelhas, mãos e cotovelos. dose diária e outra vigiada de Clofazimina.
A informação sobre a classificação do paciente é
Como é feito o diagnóstico da hanseníase? de extrema importância para selecionar o esquema-padrão
que os medicamentos serão administrados, estes variando
O médico dermatologista deve ser consultado para realizar de acordo com o tipo de hanseníase: Pauci ou Multibacilar.
o diagnóstico eficiente a partir da observação das manchas,
análise dos sintomas do paciente e realização de testes Hanseníase paucibacilar
específicos. Os exames requisitados podem ser em
consultório, para testar a sensibilidade das feridas, ou Para o tratamento paucibacilar é utilizado uma
laboratoriais. combinação de Rifampicina e Dapsona, dispostos em 6
cartelas fornecidas aos pacientes. O indivíduo deve ir a um
Exames de sensibilidade posto de saúde uma vez ao mês para receber a dose
mensal da Rifampicina e pelo menos uma dose
supervisionada de Dapsona. O critério de alta consiste em 6
 Temperatura: o exame consiste em testar a
doses mensais supervisionadas de rifampicina, em até 9
sensibilidade de temperatura mergulhando a
meses.
região atingida em dois tubos, um com água fria e
outro com água quente.
O esquema funciona da seguinte forma:
 Dor: para testar a sensibilidade com a dor é
 Rifampicina: uma dose mensal supervisionada;
pressionado a ponta de uma caneta esferográfica
na região atingida pela doença.  Dapsona: uma dose mensal supervisionada e
uma dose diária auto-administrada.
 Tato: consiste no uso de uma fina mecha de
algodão para testar a sensibilidade tátil.
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Hanseníase multibacilar
Doença contagiosa causada pelo vírus da rubéola.
Na forma multibacilar são fornecidas 12 cartelas ao Também é conhecida como sarampo de três dias. Contrair
paciente com combinação da Rifampicina, Dapsona e rubéola no início da gravidez pode também causar
Clofazimina. Uma vez ao mês o paciente deve visitar o anomalias no bebê.
posto de saúde para receber uma dose supervisionada de
cada medicamento. Para receber alta, o indivíduo deve se Tratamento
submeter a 12 doses mensais supervisionadas, em até 18
meses. Não há um remédio específico que cure a doença.
O esquema-padrão para multibacilar ocorre da seguinte Existem remédios contra coceira, dores e febre.
forma:
 Rifampicina: uma dose mensal supervisionada; Cuidados que devem ser tomados em casa.
 Clofazimina: uma dose mensal supervisionada e
uma dose diária auto-administrada; Enquanto tiver erupções cutâneas, permanecer em
casa. Tomar cuidados gerais. Escola: se não tiver febre
 Dapsona: uma dose mensal supervisionada e uma nem erupções cutâneas, pode ir à escola. Fazer uma
dose diária auto-administrada.
consulta médica se a criança estiver muito abatida, sem
forças e a febre durar mais que três dias.
Pacientes que iniciam o tratamento com
 
numerosas lesões podem apresentar regressão mais lenta
HEPATITE B
das manchas na pele. A maioria continuará melhorando
após os 12 meses, porém, se o indivíduo demonstrar pouca
melhora, pode ser necessário 12 doses adicionais de O vírus da Hepatite B é transmitido pelo sangue,
tratamento. sêmen, secreções vaginais e saliva. Acomete o fígado e
sua sintomatologia inclui: falta de apetite, febre, vômitos,
Esquema para crianças náuseas, diarreia, icterícia, dores articulares. Como
consequência pode trazer: hepatite crônica, cirrose
A dose dos medicamentos do esquema-padrão hepática, câncer do fígado, coma hepático e morte. Não
Pauci e Multibacilar são ajustadas com a orientação de um existem remédios para combater o vírus. Os sintomas são
profissional de saúde e de acordo com a idade do paciente. tratáveis e a doença é prevenida por vacina.
 
Esquemas alternativos  Hepatite A

Para pacientes que apresentam intolerância a Infecção causada pelo vírus da hepatite A (HAV).
determinados medicamentos do esquema-padrão são Durante o período de incubação, que varia de 2 a 6
indicados esquemas alternativos, como o ROM, que deve semanas, o vírus se reproduz no fígado do indivíduo
ser usado exclusivamente para tratar pacientes paucibacilar infectado e é eliminado nas fezes duas semanas antes e
com lesão única, sem envolvimento de troncos nervosos. O até uma semana depois do início do quadro clínico. O vírus
esquema consiste nos seguintes medicamentos, pode ser encontrado, também, no soro e na saliva, embora
recomendados somente para uso em centros de referência: em concentração menor do que nas fezes. A forma de
 Rifampicina: uma dose única supervisionada; transmissão mais comum é oro-fecal, ou de pessoa para
 Minociclina: uma dose única supervisionada; pessoa nos contatos sexuais ou intradomiciliares, ou por
 Ofloxacina: uma dose única supervisionada. alimento ou água contaminada. Como a viremia ocorre
durante a fase aguda, a transmissão sanguínea raramente
ocorre. A imunização é a forma mais efetiva de prevenção
da infecção pelo HAV.
SARAMPO
 
HIPERTENÇÃO ARTERIAL
Doença infecciosa causada pelo vírus do sarampo.
Por ser uma doença altamente contagiosa e com frequente
O que é Hipertensão arterial, causas, sintomas e tratamento
aparecimento de complicações decorrentes de outras
enfermidades, é considerada uma doença séria.
O que é hipertensão arterial
 
Tratamento
A hipertensão arterial, também conhecida
popularmente como pressão alta, é considerada como uma
Não há um meio para se curar propriamente o
doença silenciosa por, muitas vezes, não manifestar os
sarampo. Pode-se, no entanto, fazer uso de medicamentos
sintomas e atrasar, assim, o diagnóstico por parte do
para atenuar as fortes tosses e antibióticos para prevenção
médico. A doença se dá quando a pressão arterial do
da pneumonia, entre outros remédios.
paciente, maior de 18 anos, é superior a 140 x 90 mmHg
(milímetro por mercúrio) – ou 14 por 9.
Cuidados que devem ser tomados em casa
Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão
(SBS), estima-se que 25% da população brasileira sofra de
Alimentação: ingerir bastante líquidos e caso
hipertensão, sendo que em pessoas com mais de 60 anos
consiga comer, dar alimentos de fácil digestão.
de idade a porcentagem sobe para mais de 50%.
Banho: se 3 dias depois que a febre baixar, a tosse
Além disso, a doença também é a causadora de:
diminuir e a criança parecer mais disposta, pode-se dar
banho.  40% dos infartos;
Escola: depois de passados mais de 3 dias após a febre ter  80% dos derrames;
cedido, pode ir à escola.  25% dos casos de insuficiência renal em todo o
país.
RUBÉOLA
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Classificação   Arteriosclerose.

A hipertensão possui uma classificação que varia Diagnóstico


de acordo com a sua gravidade, conforme a tabela abaixo:
As pessoas que sofrem de pressão alta devem ir ao
cardiologista uma vez a cada seis meses; já as que
possuem a pressão normal, uma vez ao ano. As crianças
também devem ter o devido acompanhamento de sua
pressão com seus pediatras.
Como já mencionado, muitas vezes os sintomas da
hipertensão não são detectados, porém existem exames
laboratoriais que os detectam de forma precoce, como os
seguintes:
 Urinálise;
 Hematócrito;
 Ureia e/ou Creatinina;
 Potássio;
 Glicose em jejum;
 Cálcio;
 TSH e T4;
Fique atento em sua pressão para que possa procurar
auxílio médico o quanto antes, caso haja indícios de  Lipidograma.
hipertensão.
Prevenção e Tratamento
Causas 
Se você já é hipertenso, ou tem tendência a ser, os
A pressão arterial se eleva por vários motivos, mas itens abaixo servem tanto como prevenção contra a doença
principalmente porque os vasos em que o sangue passa se quanto como tratamento para estabilizar a pressão arterial:
contraem. Além disso, diversos fatores podem influenciar
no desenvolvimento da hipertensão, tais como:  Reduzir o sal de cozinha e os alimentos que
 Histórico de hipertensão na família; contenham muito sal;
 Obesidade;  Reduzir o consumo de álcool;
 Diabetes;  Abandonar o tabagismo, caso seja fumante;
 Dieta rica em sódio;  Exercitar-se regularmente;
 Tabagismo;  Controlar as alterações das gorduras sanguíneas.
 Excesso de gordura no sangue;
DIABETES
 Excesso de bebida alcoolica;
 Sedentarismo; Diabetes Tipo 1 e Tipo 2, Diferenças, O que é, Como
 Estresse. Evitar e Prevenir Diabetes

Sintomas da hipertensão A diabetes é um problema de saúde que afeta


crianças de todas as idades, mas não é desenvolvida tão
Além do check-up que deve ser feito constantemente, é facilmente como um esfriado. Em alguns casos, a diabetes
importante prestar atenção aos sintomas da hipertensão: pode ser evitada. Como? Vamos descobrir.
 Dor na região da nuca;
 Visão embaçada; O Que É A Diabetes?
 Cansaço; A diabetes é uma doença que afeta o modo como
 Tontura; o corpo usa a glicose, o açúcar que é a principal fonte de
 Sangramento no nariz; combustível para o corpo. Assim como um tocador de CD
 Náusea e vômito – esses normalmente aparecem precisa de pilhas, seu corpo precisa de glicose para
em casos mais avançados. funcionar. Esta é a forma como ela deve funcionar:
Riscos o 1. Nós comemos.
o 2. A glicose contida nos alimentos entra na
Se não tratada no momento certo e da forma corrente sanguínea.
correta, a hipertensão pode acarretar em diversas o 3. O pâncreas produz um hormônio chamado
consequências: insulina.
 Insuficiência cardíaca; o 4. A insulina ajuda a glicose a entrar nas células
 Infarto do miocárdio; do corpo.
 Arritmias cardíacas; o 5. O corpo obtém a energia de que necessita.
 Morte súbita;
Diferenças Entre Diabetes Tipo 1 E Tipo 2
 Aneurismas;
 Perda da visão; O pâncreas é uma glândula, larga e plana,
 Insuficiência renal crônica; localizada no abdômen, que ajuda o organismo a digerir os
 AVC isquêmico e hemorrágico; alimentos. Também produz insulina. A insulina é como uma
 Demência por micro infartos cerebrais; chave que abre as portas para as células do corpo. E isso
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permite que a glicose entre. Então, pode passar a glicose de acordo com a altura. Combater o Sedentarismo pode
do sangue para as células. significar algo simples como passear com o cão, correr ao
No entanto, quando uma pessoa tem diabetes, ou redor do jardim ou jogar futebol com os amigos. Tente
o corpo não produz insulina (chamado de diabetes tipo 1), praticar alguma atividade física.
ou a insulina no organismo não está funcionando comoo Se você ainda é um jovem e está preocupado com seu
deveria (isso é chamado de diabetes tipo 2). Como a peso, pergunte a sua mãe ou pai se eles podem lhe
glicose não consegue entrar nas células, normalmente, os acompanhar ao seu médico. Um médico pode ajudar você,
níveis de açúcar no sangue ficam demasiado elevados. a saber, se o seu peso é saudável e ensiná-lo a mantê-lo.
Quando uma pessoa tem níveis elevados de açúcar no
sangue e não recebe tratamento, fica doente. PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLE DA DENGUE,
ZICA VÍRUS, FEBRE CHIKUNGUNYA: O QUE É,
Diabetes Tipo 1, Não É Evitável SIGNIFICADO DO NOME, ÁREA DE CIRCULAÇÃO,
SITUAÇÃO NAS AMÉRICAS, TRANSMISSÃO,
A diabetes tipo 1 não é evitável. Mesmo os NOTIFICAÇÃO DE CASO E PREVENÇÃO
médicos, não podem determinar quem irá desenvolver esta
doença e quem não. DENGUE
Ninguém sabe ao certo por que algumas crianças
tem diabetes tipo 1, mas os cientistas acreditam que esta A dengue é uma doença viral transmitida pelo
doença não está relacionada com a genética. Os genes que mosquito Aedes aegypti, considerada epidemia no Brasil e
são passados de pais para filhos, são instruções que com grande proliferação em regiões de clima tropical e
determinam a aparência e o funcionamento do corpo. No subtropical por conta da facilidade de procriação do inseto.
entanto, para ter diabetes, não é suficiente ter herdado os A palavra "dengue" tem origem espanhola e
genes. Na maioria dos casos, para uma pessoa ter diabetes significa "manha", "melindre", referindo-se ao estado em
tipo 1, deve haver um outro fator, como a presença de uma que se encontra o indivíduo doente. .
infecção viral. A estimativa, segundo boletim epidemiológico
divulgado pelo Ministério da Saúde, é de que anualmente
A diabetes tipo 1 não é contagiosa. Portanto, não se no Brasil 1,4 milhões de pessoas são infectadas pelo vírus,
pode passar para outra pessoa. Além disso, comer muito sendo que em 2015 mais de 700 mortes foram confirmadas
açúcar pode provocar diabetes tipo 1. devido à infecção, número recorde. A melhor forma de se
precaver é realizando a prevenção contra o mosquito, que
Diabetes Tipo 2, Pode Ser Prevenida também é o transmissor de outras doenças virais, como a
febre chikunguya, zika vírus e a febre amarela.
A diabetes tipo 2 é diferente. Em alguns casos, Em nosso país a doença foi identificada pela
pode ser prevenida. Na diabetes tipo 2, o pâncreas produz primeira vez em 1986. Os sintomas podem ocorrer dentro
insulina, mas o corpo não responde a este hormônio como de 3 a 6 dias após a picada do mosquito, por isso é sempre
deveria. bom estar atento a qualquer um dos sintomas que alertam
A maioria das pessoas com diabetes tipo 2 estão para a dengue. Confira aqui tudo o que é preciso saber
acima do peso. No passado, os adultos que sofriam de sobre essa doença.
excesso de peso, tinham especialmente diabetes tipo 2.
Hoje, há um maior número de crianças com diabetes tipo 2,
provavelmente porque há mais crianças com sobrepeso.
Como você pode prevenir diabetes tipo 2? Por
exemplo, atingir um peso saudável. Excesso de peso faz
com que seja mais difícil para o corpo usar a insulina
adequadamente. Duas boas opções para prevenir a
diabetes são escolher alimentos saudáveis e fazer
exercícios o suficiente.
Se você quiser ajudar a prevenir a diabetes tipo 2,
ou simplesmente se sentir saudável de muitas outras
maneiras, siga estas etapas:

Evitar E Prevenir A Diabetes Tipo 2


Principais sintomas da dengue
o Escolha alimentos que são saudáveis. Tente comer
alimentos que são de baixa gordura, mas contém uma Os sintomas da dengue em fase inicial podem ser
grande quantidade de outros nutrientes. Estas são algumas facilmente confundidos com gripe. É comum que as
boas opções: cereais e pães, frutas, legumes, leite, iogurte, suspeitas sejam levantadas somente quando a infecção já
queijo, carnes magras e outras fontes de proteína. Restrinja tomou proporções mais graves no organismo, levando em
o consumo de fast food e refrigerantes açucarados. O consideração vômitos recorrentes, fortes dores de cabeças
consumo excessivo de gorduras e açúcar pode levar ao e as famosas manchas vermelhas que caracterizam a
excesso de peso. Quando você estiver com sobrepeso, é doença.
maior a probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2. Tente
reduzir o consumo de alimentos rápidos, com alto teor de Os principais sinais que ajudam no diagnóstico da doença
gordura e bebidas açucaradas como refrigerantes, sucos e são:
chás gelado.  Febre alta com início repentino;
o Levantar e avançar. Quando se trata de prevenir o  Fortes dores de cabeça;
diabetes e se manter saudável, permanecer ativo é melhor  Dor atrás dos olhos, ficando pior com a
do que assistir televisão ou passar o tempo com movimentação destes;
videogames ou jogos eletrônicos, isso seria de grande  Perda da vontade de comer e do sentido
ajuda para prevenir o diabetes e manter um peso saudável degustativo;
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 Tonturas e cansaço extremo; subtropicais e tropicais são os que têm maiores problemas
 Manchas semelhantes as do sarampo; de saúde que envolvam a doença. Abaixo dos 16°C a
 Náuseas e vômitos; possibilidade de transmissão é muito baixa, pois os ovos
 Moleza e fraqueza no corpo; das fêmeas só conseguem se transformar em larvas em
 Dores nos ossos e articulações; locais quentes e úmidos.
 Dificuldades respiratórias. Mesmo assim, os embriões conseguem sobreviver
por mais de um ano de seca e serem transportados por
No entanto é possível variações dessas sensações. No
longas distâncias grudados em recipientes. Isso faz com
caso da dengue hemorrágica, por exemplo, logo depois dos
que seja muito difícil erradicar o mosquito transmissor, o
sintomas iniciais de dores de cabeça e cansaço extremo já
que resta é controlar os locais para evitar focos da dengue
é o suficiente para que aconteça um choque de circulação
próximos a centros populosos.
no sangue capaz de levar ao óbito. 

Sintomas da febre hemorrágica

Os dois tipos de dengue mais comum são a


dengue clássica e a dengue hemorrágica. Os sintomas
iniciais são geralmente os mesmos, porém a dengue
hemorrágica tem características específicas após o fim da
febre e o quadro clínico se acentua rapidamente, podendo
levar a morte em até 24 horas.

Estes são os principais sintomas da dengue hemorrágica:

 Dores fortes e contínuas na região do abdômen;


 Vômitos ininterruptos;
 A pele fica pálida, úmida e fria;
 Sangramento na gengiva e nas cavidades nasais;
 Agitação e confusão mental;
 Sede demasiada e boca ressecada;
 Perda de consciência e alucinações.

Por isso é preciso procurar o médico o quanto


antes após a identificação de algum desses sintomas, na
questão dengue, o quanto antes agir, maiores são as
chances de curado.
A dengue é dividida em 4 tipos, a DEN-1, DEN-2,
DEN-3, DEN-4, sendo quatro vírus diferentes da doença, é
impossível contrair o mesmo vírus duas vezes como, por
exemplo: se você tiver a dengue tipo 1, é impossível que
esse tipo seja contraído novamente, só o tipo 2, tipo 3 e/ou
tipo 4.
A infecção de cada variação do vírus é chamada
de sorotipos 1 a 4. Cada vez que se pega um novo tipo de
dengue, a doença volta mais forte e com mais danos ao
corpo, com possibilidade de deixar sequelas cognitivas e
físicas.

Como a dengue é transmitida

A dengue é transmitida pelo mosquito fêmea do


gênero Aedes aegypti e não é contagiosa, ou seja, não é
transmitida de pessoa para pessoa.
Acontece que o mosquito fêmea deposita os ovos
em água parada. No momento que os ovos se transformam
em larvas a mãe irá buscar sangue humano e de animais
para sustentar os filhotes, nisso, ela pode se alimentar de
indivíduos que já estão infectados com a dengue. O vírus
irá se proliferar nas glândulas salivares do mosquito que,
por sua vez, irá transmiti-los para as larvas. Todos os
mosquitos que portam o vírus da dengue e picarem
pessoas num período de 10 a 14 dias poderão contaminar
novas pessoas.
Dessa forma existirão milhares de mosquitos que
portam o vírus da dengue e que, ao picar pessoas, irão
realizar a contaminação massiva. Por tanto o Aedes aegypti
não se configura como o causador da doença e sim o
disseminador do contágio.
Como a condição de sobrevivência desses insetos
é em locais de temperatura entre 30°C a 32°C, os países
43
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Roteiro da investigação epidemiológica


Área não infestada – o objetivo da vigilância
A depender da situação entomológica e de circulação epidemiológica (VE) é impedir a introdução do Aedes,
prévia do vírus da dengue em cada área, fazem-se procurando detectar precocemente os focos (vigilância
necessárias condutas de vigilância e controle diferenciadas, entomológica), debelá-los em tempo hábil e fazer a
que exigem roteiros e condutas de investigação específicos. vigilância de casos suspeitos, de acordo com as definições
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de caso preconizadas.
Realizar monitoramento viral - conforme rotina
estabelecida pela vigilância epidemiológica estadual/Lacen,
 Notificar os casos, de acordo com o fluxo
e investigar imediatamente os óbitos notificados para a
estabelecido para o estado.
identificação e correção dos seus fatores determinantes.
 Solicitar a coleta de sangue e encaminhar ao Adotar, concomitantemente, as seguintes medidas:
laboratório de referência para confirmação laboratorial.
 Investigar o caso para detectar o local provável de
infecção; no caso de suspeita de autoctonia, solicitar à  Organizar imediatamente a atenção médica pela
equipe de controle vetorial pesquisa de Aedes aegypti na rede básica de saúde;
área.  Capacitar os profissionais de saúde, de acordo
 Preencher a ficha de investigação de dengue com a necessidade, no diagnóstico e tratamento da doença,
enviá-la ao nível hierárquico superior e encerrar o caso. nas suas diversas apresentações clínicas;
 Disponibilizar o protocolo de atendimento
Área infestada sem transmissão de dengue – o objetivo padronizado para toda a rede;
da VE é monitorar os índices de infestação predial,  Divulgar as unidades de referência para casos
acompanhando as atividades das equipes de controle, com graves;
vistas a conhecer a distribuição geográfica do vetor e seus  Intensificar o combate ao Aedes;
índices de infestação, identificando as áreas de maior risco  Incrementar as atividades de educação em saúde
para a introdução do vírus e acionando as medidas e mobilização social;
pertinentes, detectando oportunamente os casos e
 Reorganizar o fluxo de informação para garantir o
determinando o local provável de infecção.
acompanhamento da curva epidêmica; analisar a
Nesta situação, recomenda-se implementar a vigilância das
distribuição espacial dos casos para orientar as medidas de
febres agudas exantemáticas e a vigilância sorológica
controle; acompanhar os indicadores epidemiológicos (taxa
(realizar sorologia de dengue em pacientes com suspeita
de ataque, índices de mortalidade e letalidade) para
inicial de rubéola e/ou sarampo, que tiveram resultado
conhecer a magnitude da epidemia e a qualidade da
sorológico negativo para ambos).
assistência médica.
Quando houver suspeita de dengue, proceder à notificação
e investigação imediata de todos os casos suspeitos.
Definição de caso
Área com história prévia de transmissão de dengue
Caso suspeito de dengue clássico – paciente que tenha
(Fluxogramas 3 e 4) – o objetivo é detectar precocemente
doença febril aguda, com duração máxima de 7 dias,
a circulação viral, nos períodos não-epidêmicos; e diminuir
acompanhada de pelo menos dois dos seguintes sintomas:
o número de casos e o tempo de duração da epidemia nos
cefaleia, dor retroorbital, mialgia, artralgia, prostração,
períodos epidêmicos.
exantema. Além desses sintomas, deve ter estado nos
últimos quinze dias em área onde esteja ocorrendo
 Períodos não-epidêmicos transmissão de dengue ou tenha a presença de Aedes
 Notificar, de acordo com o fluxo estabelecido para aegypti.
o estado.
 Investigar os casos suspeitos, com a busca ativa Caso suspeito de FHD – é todo caso suspeito de dengue
de casos no local de residência, trabalho, passeio, etc., do clássico que também apresente manifestações
paciente suspeito. hemorrágicas, variando desde prova do laço positiva até
fenômenos mais graves como hematêmese, melena e
 Coletar material para sorologia de todos os
outros. A ocorrência de manifestações hemorrágicas,
pacientes suspeitos e concluir os casos.
acrescidas de sinais e sintomas de choque cardiovascular
 Atentar para as normas e procedimentos de coleta, (pulso arterial fino e rápido ou ausente, diminuição ou
de acordo com o Anexo 1. ausência de pressão arterial, pele fria e úmida, agitação),
 Realizar monitoramento viral, conforme rotina levam a suspeita de síndrome de choque.
estabelecida pela vigilância epidemiológica
municipal/estadual e pelo Lacen. Caso confirmado de dengue clássico – é o caso
 Manter as medidas de combate ao vetor e confirmado laboratorialmente. No curso de uma epidemia, a
desenvolver atividades educativas e de participação confirmação pode ser feita através de critério clínico-
comunitária. epidemiológico, exceto nos primeiros casos da área, que
 Investigar imediatamente os óbitos notificados deverão ter confirmação laboratorial.
para a identificação e correção dos seus fatores
determinantes. Caso confirmado de FHD – é o caso em que todos os
 Períodos epidêmicos critérios abaixo estão presentes:
 Notificar, de acordo com o fluxo estabelecido para
o estado.  Febre ou história de febre recente, com duração
de 7 dias ou menos;
Recomenda-se a realização da sorologia em apenas uma  Trombocitopenia (< = 100 mil/mm3);
amostra dos pacientes com dengue clássico, pois a  Tendências hemorrágicas evidenciadas por um ou
confirmação da maioria dos casos será feita pelo critério mais dos seguintes sinais: prova do laço positiva,
clínico-epidemiológico após a confirmação laboratorial da petéquias, equimoses ou púrpuras e sangramentos de
circulação viral na área. Em geral, tem se estabelecido que mucosas, do trato gastrointestinal e outros;
se colha um a cada dez pacientes com suspeita de dengue.  Extravasamento de plasma, devido ao aumento de
A coleta é obrigatória para 100% dos casos suspeitos de
permeabilidade capilar, manifestado por: hematócrito
FHD e para os casos de dengue grave. Atentar para as
apresentando um aumento de 20% do valor basal (valor do
normas e procedimentos de coleta.
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hematócrito anterior à doença) ou valores superiores a: nas portas e janelas. Não é necessário isolamento, uma vez
45% em crianças; 48% em mulheres e 54% em homens; ou que a infecção não se transmite de pessoa a pessoa, nem
queda do hematócrito em 20%, após o tratamento; ou por meio dos fluidos, secreções orgânicas ou fômites.
presença de derrame pleural, ascite e hipoproteinemia;
 Confirmação laboratorial específica. Confirmação diagnóstica – a depender da situação
epidemiológica, coletar material para diagnóstico
Caso de dengue com complicações – é todo caso que laboratorial, de acordo com as orientações do Anexo I.
não se enquadre nos critérios de FHD e a classificação de
dengue clássico é insatisfatória, dada a gravidade do Proteção da população – logo que se tenha conhecimento
quadro clínico-laboratorial apresentado. Nessa situação, a da suspeita de casos de dengue, deve-se organizar ações
presença de um dos itens a seguir caracteriza o quadro: de bloqueio na área provável de transmissão, visando a
alterações neurológicas; disfunção cardiorrespiratória; diminuição da população adulta de mosquitos. A adoção de
insuficiência hepática; plaquetopenia igual ou inferior a 50 medidas de controle não deve aguardar resultados de
mil/mm3; hemorragia digestiva; derrames cavitários; exames laboratoriais para confirmação dos casos
leucometria global igual ou inferior a 1 mil/mm3; óbito. suspeitos.
A integração das atividades de vigilância
Caso descartado epidemiológica e controle vetorial é de fundamental
importância para o sucesso do controle da doença. É
 Caso suspeito com diagnóstico laboratorial necessário que o repasse de informações da localização
negativo (2 resultados negativos, amostras pareadas IgM), dos casos suspeitos para a vigilância entomológica ocorra
desde que se comprove que as amostras foram coletadas e da forma mais ágil possível, viabilizando ações de bloqueio
transportadas adequadamente. em momento oportuno.
Ações de esclarecimento à população, através de
 Caso suspeito de dengue com diagnóstico
meios de comunicação de massa (rádio e televisão), visitas
laboratorial de outra entidade clínica.
domiciliares pelos agentes de endemias/saúde e palestras
 Caso suspeito, sem exame laboratorial, cujas nas comunidades devem ser organizadas. Conhecimento
investigações clínica e epidemiológica são compatíveis com sobre o ciclo de transmissão, gravidade da doença e
outras patologias. situação de risco devem ser veiculadas, assim como
medidas de proteção individual, como o uso de repelentes e
Notificação telas nas portas e janelas.
Por ser uma doença de notificação compulsória, todo caso Investigação – envolve uma sequência de ações
suspeito e/ou confirmado deve ser comunicado ao Serviço diferenciadas, de acordo com a situação epidemiológica do
de Vigilância Epidemiológica, o mais rapidamente possível. município.
Este deverá informar, imediatamente, o fato à equipe de
controle vetorial local para a adoção das medidas Dados consolidados - até a 7ª semana epidemiológica
necessárias ao combate do vetor. Em situações (28/2/2013), pelo Programa Regional da Dengue da
epidêmicas, a coleta e o fluxo dos dados devem permitir o OPAS/OMS, registraram 279,540 casos da doença, 1,752
acompanhamento da curva epidêmica, com vistas ao caso graves e 84 óbitos na Região das Américas.
desencadeamento e avaliação das medidas de controle. Dentre as áreas com transmissão ativa destacam-se o
Cone Sul com 242,639 casos (Brasil 204,650 casos e
Primeiras medidas a serem adotadas Paraguai 37,642), seguida da sub-região América Central &
México com 16,907 casos (México 7,566 e Costa Rica
Atenção médica ao paciente – o atendimento dos 3,221), e Andina com 14,983 casos (Venezuela, 7,179 e
pacientes doentes deve ser deslocado para as unidades Peru 3,455).  
básicas, onde deverão ter a oferta de pelo menos duas Os países que registraram os maiores números de casos
consultas, uma inicial e outra 48 a 72 horas após. Só graves foram:  México (543), Venezuela (377) e Brasil
deverão ser referenciados para as unidades de emergência, (324), o que equivale a 71% dos casos graves. Quanto aos
ou de maior complexidade, os pacientes que necessitarem óbitos destaca-se a situação do Brasil (33), Paraguai (27) e
de hidratação venosa e observação continuada. Os Republica Dominicana (15). Veja os dados sumarizados no
pacientes que apresentarem piora dos sinais e sintomas quadro 1. Com relação à circulação do vírus dengue foram
devem permanecer sob tratamento e observação rigorosa detectados os quatros sorotipos (DENV1, 2,3 e 4).
nas 24 horas seguintes, pois apresentam risco de
desenvolver síndrome de choque da dengue. CHIKUNGUNYA
Qualidade da assistência – verificar se os casos estão
sendo atendidos em unidades de saúde com capacidade O que é o Chikungunya?
para prestar atendimento adequado e oportuno. Considerar
a necessidade de adequação da rede para prestar A Febre Chikungunya é uma doença transmitida
atendimento, inclusive provendo infra-estrutura para realizar pelos mosquitos Aedes aegyptie Aedes albopictus. No
hematócrito, contagem de plaquetas e hidratação venosa. Brasil, a circulação do vírus foi identificada pela primeira
Na maioria das vezes, os pacientes que apresentam a vez em 2014. Chikungunya significa "aqueles que se
forma clássica da doença não necessitam de cuidados dobram" em swahili, um dos idiomas da Tanzânia. Refere-
hospitalares. Entretanto, os pacientes que venham a se à aparência curvada dos pacientes que foram atendidos
desenvolver quadros graves ou FHD, principalmente na primeira epidemia documentada, na Tanzânia, localizada
seguidos de choque, demandam internamento em unidades no leste da África, entre 1952 e 1953. 
de saúde de maior complexidade. Os principais sintomas são febre alta de início
rápido, dores intensas nas articulações dos pés e mãos,
Proteção individual para evitar circulação viral – se o além de dedos, tornozelos e pulsos. Pode ocorrer ainda dor
paciente estiver em centro urbano infestado por Aedes de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na
aegypti, é recomendável que sua residência possua tela pele. Não é possível ter chikungunya mais de uma vez.
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Depois de infectada, a pessoa fica imune pelo resto da vida.


Os sintomas iniciam entre dois e doze dias após a picada Como não existe transmissão autóctone no Brasil, é
do mosquito. O mosquito adquire o vírus CHIKV ao picar necessário que o paciente evite deslocamento, utilize
uma pessoa infectada, durante o período em que o vírus medidas de proteção individual e permaneça em repouso
está presente no organismo infectado. Cerca de 30% dos durante o período de viremia.
casos não apresentam sintomas.
O que as pessoas podem fazer para se prevenir?
Ações de vigilância
Como a doença é transmitida por mosquitos, é fundamental
Todo caso suspeito de chikungunya deve ser que as pessoas reforcem as medidas de eliminação dos
notificado imediatamente ao serviço de vigilância criadouros de mosquitos nas suas casas e na vizinhança.
epidemiológica, conforme fluxo estabelecido em cada As medidas que as pessoas devem tomar são exatamente
município. O diagnóstico laboratorial pode ser realizado por as mesmas recomendadas para a prevenção da dengue.
meio de técnicas moleculares (PCR) e testes sorológicos
(titulação IgM), sendo necessário considerar o tempo de Existe vacina?
evolução da doença.
Amostras coletadas do primeiro ao oitavo dia de Não.
início de sintomas podem ser encaminhadas para as provas
moleculares e sorológicas. A partir do oitavo dia de início de VÍRUS DA ZICA
sintomas, devem-se encaminhar as amostras somente para
testes sorológicos. Por se tratar de um evento O vírus da zica ou vírus da zika ou, ainda, vírus
potencialmente epidêmico, uma vez identificada a de Zika (em inglês, Zika virus; abreviatura: ZIKV é
circulação do vírus em uma determinada localidade, não há um vírus do gênero Flavivirus. Em humanos, transmitido
necessidade de coletar amostras de todos os casos através da picada do mosquito Aedes aegypti, causa a
suspeitos. doença também conhecida como zika — que embora
Deve ser priorizado o diagnóstico laboratorial das raramente acarrete complicações para seu portador,
formas graves e atípicas da doença, seguindo as apresenta indícios de poder causar microcefalia
recomendações do serviço de vigilância. congênita (quando adquirido por gestante, podendo
O vírus circula em alguns países da África e da prejudicar o feto em alguns casos). O nome Zika tem sua
Ásia, do Caribe e, recentemente, chegou à América do Sul. origem na floresta de Zika, perto de Entebbe, capital
O primeiro caso registrado no Brasil foi em setembro de da República de Uganda, onde o vírus foi isolado pela
2014. primeira vez em 1947. É relacionado aos vírus da dengue,
da febre amarela e encefalite do Nilo, os quais igualmente
Notificação de casos fazem parte da família Flaviviridae.
Atualmente, a América Latina vem enfrentando um
Já existem casos no Brasil surto de vírus da zica. Suspeita-se que a entrada do vírus
no Brasil tenha se dado durante a Copa do Mundo de 2014,
No Brasil, os três primeiros casos importados foram quando o país recebeu turistas de várias partes do mundo,
identificados em 2010. Em 2014 foram notificados os inclusive de áreas tropicais atingidas de forma mais intensa
primeiros casos autóctones no país. O Ministério da Saúde pelo vírus, como a África — onde surgiu — e a Polinésia
tem alertado as Secretarias Estaduais de Saúde para Francesa na Oceania. No primeiro semestre de 2015, já
manterem os serviços de saúde atentos às pessoas que havia casos confirmados em estados de todas as regiões
venham de áreas com transmissão e apresentem os do país. Com sintomas mais brandos que os da dengue e
sintomas da doença. os da febre chikungunya (doenças também transmitidas
pelo mosquito Aedes aegypti), a zica chegou a ser
Que medidas podem ser adotadas para evitar a inicialmente ignorada pelas autoridades de saúde; porém
disseminação do vírus há evidências de que a infecção pelo vírus da zica está
associada a casos mais graves, como microcefalia
O mais importante é evitar os criadouros dos mosquitos que congênita e síndrome de Guillain-Barré, que, embora
podem transmitir a doença.  Isso previne tanto a ocorrência continuem sendo condições raras, aumentaram de maneira
de surtos de dengue como de Chikungunya. Quando há incomum no país no ano de 2015.
notificação de caso suspeito, as Secretarias Municipais de Outras doenças podem provocar problemas na
Saúde devem adotar ações de eliminação de focos do formação do feto, sobretudo se adquiridas pela gestante
mosquito nas áreas próximas à residência, ao local de nos três primeiros meses de
atendimento dos pacientes e nos aeroportos internacionais gestação. Rubéola, toxoplasmose, sífilis e infecções
da cidade em que aqueles residam. causadas pelo citomegalovírus são as principais causas
da microcefalia. Existem também outras causas, como o
Tratamento e prevenção uso de drogas, consumo excessivo de álcool e exposição
a produtos químicos. A microcefalia pode ocorrer em
Como é feito o tratamento decorrência de todas elas. Existem ainda poucos casos
comprovados cientificamente da relação entre o zika e a
Até o momento não existe um tratamento específico para microcefalia. Por enquanto, há muitos casos inferidos
Chikungunya, como no caso da dengue. Os sintomas são (sintomas similares aos do zika, mas sem comprovação por
tratados com medicação para a febre (paracetamol) e as teste de material genético). Embora a dengue e
dores articulares (antiinflamatórios). Não é recomendado a chikungunya sejam também febres causadas por
usar o ácido acetil salicílico (AAS) devido ao risco de um arbovírus, como a zika, nunca se estabeleceu (de
hemorragia. Recomenda‐se repouso absoluto ao paciente, acordo com a OMS) nenhuma relação entre a infecção por
que deve beber líquidos em abundância. essas doenças e o nascimento de bebês com microcefalia
congênita.
É necessário isolar o paciente?
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Mosquitos transmitindo o vírus zika epidemia. Segundo relatório da OMS (Organização Mundial
da Saúde) do fim de 2017, 24 nações tiveram registros de
Em quais locais o vírus zika circula? doenças em recém-nascidos e 15 de doenças e síndromes
neurológicas ligados ao vírus.
A transmissão local do vírus zika pelos Do total de 55 países, 47 contaram com casos
mosquitos Aedes tem sido notificada nos continentes da locais. As duas principais exceções foram Chile e Canadá
África, nas Américas, no sudeste asiático e no Pacífico que, por conta das baixas temperaturas, registraram
Ocidental. apenas casos de trânsito, ou seja, “importados” de outras
Existem dois tipos de mosquitos Aedes conhecidos localidades. A forma principal de transmissão se dá pela
por serem capazes de transmitir o zika. Na maioria dos picada de duas espécies de mosquito do gênero Aedes
casos, ele é propagado pelo Aedes aegypti em regiões (Aedes albopictus e Aedes aegypti). Sabe-se que a
tropicais e subtropicais. O Aedes albopictus também infecção por zika pode acontecer também por transfusões
transmite o vírus e pode hibernar para sobreviver em de sangue, através de contato sexual e até geneticamente,
regiões com temperaturas mais baixas. Ambas as espécies sendo transmitida da mãe para o bebê.
procriam e vivem perto ou dentro de habitações humanas, Estima-se que 4 em cada 5 pessoas podem nem
preferindo picar seres humanos a animais. mesmo saber que portam o vírus por não apresentarem
Um estudo conduzido pela Fiocruz Pernambuco sintomas. Quando se manifestam, as complicações
detectou a presença do vírus zika em mosquitos Culex envolvem febres, dores no corpo e olhos avermelhados.
quinquefasciatus. Estudos laboratoriais recentes têm Pacientes podem apresentar também dores de cabeça e
mostrado que as espécies Culex são experimentalmente vômito. Problemas mais sérios, como complicações
incapazes de transmitir o vírus zika e é improvável que eles neurológicas e autoimunes, já apareceram associados à
desempenhem um papel na atual epidemia. ação do zika. Da lista, destacam-se encefalite e a síndrome
de Guillain-Barré, doença que tem como principais sintomas
A rota do vírus da zika pelas Américas, fraqueza e paralisia muscular.
O surto de 2016 revelou outra faceta de uma
Levantamento mapeou a disseminação da doença doença congênita, a microcefalia. A condição rara faz com
em sua última epidemia, que atingiu dezenas de países do que a circunferência craniana de recém-nascidos seja
continente americano entre 2015 e 2016  menor que 34 cm, o que resulta em problemas de
Após ter seu primeiro caso identificado no Brasil desenvolvimento intelectual e motores, e pode, até mesmo,
em 2014, a febre causada pelo vírus da zika se transformou causar a morte da criança. A descoberta da associação
em emergência de saúde pública mundial ao final de 2015. entre infecção materna por zika e microcefalia em bebês foi
Países da América Latina, incluindo o Brasil, foram feita primeiro por Celina Maria Turchi Martelli,
as primeiras regiões a serem afetadas diretamente pelo epidemiologista brasileira.
surto, que depois se espalhou, também, para as Américas
Central e do Norte. Um estudo publicado na última quinta- Situação atual do zika
feira (24) na revista científica Cell Host & Microbe mapeou a
forma como essa propagação aconteceu. Para determinar a Em 2017, foram registrados 17.594 casos
rota do zika pelas Américas, foram analisadas ao todo 95 prováveis de febre pelo vírus zika no Brasil. O número é
amostras de sangue e urina contaminadas pelo vírus, bem menor que o de 2016, quando 216.207 possíveis
recolhidas entre janeiro e agosto de 2016. casos foram analisados. Ainda que as Américas não
Do material estudado, 59 amostras eram do estejam mais vivendo uma epidemia, casos esporádicos de
México, 16 da Nicarágua, 9 de Honduras, 8 da Guatemala e infecção por zika seguem acontecendo no Brasil. Um
3 de El Salvador. De acordo com o levantamento, o zika relatório do Ministério da Saúde divulgado em março de
proveniente do Brasil teria entrado na América Central por 2018 aponta o registro de 330 casos prováveis. Desse total,
Honduras, no verão de 2014. O vírus, então, circulou pelo 48 foram confirmados. Segundo dados do Sinan (Sistema
continente durante mais de um ano, até manifestar seu de Informação de Agravos de Notificação), órgão do
primeiro caso em novembro de 2015. Ministério da Saúde, dos 93 casos de gestantes infectadas
Os pesquisadores puderam cravar também que o que foram apontados no mesmo período, 9 foram
primeiro surto registrado em território mexicano aconteceu confirmados.
antes do que se imaginava. Ao invés de meados de 2016, o A queda brusca nas epidemias locais não se deve
surto de infecções por zika teria despontado na região no a ações para conter o avanço do mosquito, mas sim ao
começo de 2015. O vírus foi introduzido no continente mais ciclo natural de aumento e queda da enfermidade. Isso
de uma vez, mas apenas uma cepa dominante acabou se porque, quando uma população é contaminada, a tendência
espalhando por entre os países vizinhos. Outra descoberta é que passe a desenvolver anticorpos capazes de combater
que integra a pesquisa diz respeito à ocorrência de dois aquela variedade de doença. Como destaca este texto do
picos anuais da epidemia em certas localidades. Nexo de maio de 2015, contrair zika uma única vez implica
Normalmente, o período em que mosquitos se imunidade para o resto da vida. O mesmo acontece com a
alimentam de sangue e transmitem doenças corresponde à chikungunya. Em uma população mais imunizada, a chance
época de reprodução. “O que encontramos não era aquilo de um mosquito picar alguém infectado diminui.  Assim, a
que esperávamos”, explicou em comunicado Julien Thézé, velocidade de propagação do vírus por regiões inteiras
professor de biologia evolutiva na Universidade de Oxford, também cai. Uma pesquisa publicada em 2016 na revista
no Reino Unido. “Normalmente há apenas um período de científica Science estima que um novo surto de zika deve
reprodução por ano, mas encontramos dois surtos voltar a ocorrer após dez anos. O tempo em questão leva
independentes em um país relativamente pequeno, como em conta a taxa de mutação do vírus, bem como a
Honduras.” capacidade de resistência adquirida pela população.
Espera-se que o modelo possa servir para o
acompanhamento de futuras epidemias no continente, Transmissão
possibilitando a previsão da trajetória de dispersão do vírus.
Estima-se que o zika tenha infectado cerca de 100 milhões O principal modo de transmissão descrito do vírus é pela
de pessoas por toda a América apenas durante a última picada do Aedes aegypti. Outras possíveis formas de
48
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transmissão do vírus zika precisam ser avaliadas com mais • Leptospirose


profundidade, com base em estudos científicos. Não há • Malária na região amazônica 
evidências de transmissão do vírus zika por meio do leite • Malária na região extra Amazônica
materno, assim como por urina e saliva. Conforme estudos • Peste
aplicados na Polinésia Francesa, não foi identificada a • Raiva Humana
replicação do vírus em amostras do leite, assim como a • Tuberculose
doença não pode ser classificada como sexualmente
transmissível. Também não há descrição de transmissão Temos ainda zoonoses comuns como: “bicho
por saliva. É crescente a evidência de que o vírus pode ser geográfico”, verminoses, sscabiose (sarna), giardíase,
sexualmente transmissível.  micoses, entre outras.
  Os cães e gatos são agentes que interferem na
Prevenção promoção da saúde, positiva ou negativamente,
dependendo da guarda responsável e das políticas públicas
Ainda não existe vacina ou medicamentos contra zika. implantadas, seja para a estabilização dessas populações e
Portanto, a única forma de prevenção é acabar com o prevenção das zoonoses e demais agravos que esses
mosquito, mantendo o domicílio sempre limpo, eliminando animais possam produzir ao indivíduo e coletividade, seja
os possíveis criadouros. Roupas que minimizem a para o bem estar dos próprios animais (GARCIA, 2006).
exposição da pele durante o dia, quando os mosquitos são A Leishmaniose Tegumentar Americana e Visceral,
mais ativos, proporcionam alguma proteção às picadas e os acidentes por animais potencialmente transmissores da
podem ser adotadas principalmente durante surtos. raiva e a ocorrência propriamente dita da Raiva Humana
Repelentes e inseticidas também podem ser usados, são atualmente a causa primária de preocupação em
seguindo as instruções do rótulo. Mosquiteiros relação às populações de cães (especialmente os que
proporcionam boa proteção para aqueles que dormem permanecem em situação de rua), particularmente para os
durante o dia (por exemplo: bebês, pessoas acamadas e governos locais, que têm responsabilidade quanto às
trabalhadores noturnos). A OMS recomenda, dentre outras questões de saúde pública. A raiva é uma doença fatal e os
medidas, a prática de sexo seguro por mulheres gestantes cães são considerados os vetores de transmissão mais
que vivem em áreas de alta transmissão do vírus. comuns para humanos, por isso o controle dessa doença é
frequentemente o principal motivo para o controle da
CONTROLE ÉTICO DA POPULAÇÃO DE CÃES E população canina.
GATOS: GUARDA RESPONSÁVEL E CONTROLE Ao longo do tempo os animais (especialmente
POPULACIONAL DE CÃES E GATOS. cães e gatos) vêm mudando de status social dentro das
organizações familiares, ocorrendo grandes mudanças no
Entende-se “Saúde Pública” como um conjunto de convívio e nas relações domésticas entre eles e os
práticas e saberes que objetivam um melhor estado de humanos – origem da “família multiespécie”.
saúde possível das populações. É a ciência de promover, Cães e gatos, como membro das famílias, devem
proteger e restaurar a saúde dos indivíduos e da ser inseridos no conceito de “coletividade” para o
coletividade, e obter um ambiente saudável, por meio de desenvolvimento das ações de proteção e promoção da
ações e serviços resultantes de esforços organizados e saúde e prevenção de agravos. Desta forma o controle
sistematizados. populacional de cães e gatos está inserido na área de
A saúde pública deve ocupar-se da dimensão saúde pública, sendo necessária uma mudança no
biológica, das relações entre o ser humano e o meio paradigma em relação a este controle.
ambiente, da reprodução das formas de consciência e de O Ministério da Saúde, a partir da década de 90,
comportamento e das relações sociais e econômicas com o processo de descentralização das atividades das
(PAIM; ALMEIDA FILHO, 2000). grandes endemias transmitidas por vetores, passou a
O termo “zoonose” é utilizado para designar aplicar recursos e apoiar os municípios na implantação e
aquelas doenças naturalmente transmissíveis entre animais implementação das unidades de zoonoses integradas ao
e seres humanos. Segundo a OMS (Organização Mundial SUS. Sendo esta, portanto, uma responsabilidade
da Saúde), 60% dos patógenos humanos são zoonóticos e primariamente municipal. O planejamento e a execução de
75% das doenças emergentes e reemergentes do mundo ações de manejo das populações de cães e gatos em áreas
são de origem animal. urbanas constituem grandes desafios para os gestores. A
Enfatizando a importância das zoonoses na saúde transição de animais apenas como potenciais zoonóticos
pública, a Lista Nacional de Notificação Compulsória de para seres integrantes das famílias e comunidades traz à
doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços discussão o controle ético dessas populações.
de saúde públicos e privados, definida pela portaria do Durante muito tempo o poder público tentou sem
Ministério da Saúde Nº 1.271 (2014), traz, dentre as 38 sucesso controlar a superpopulação de animais errantes
doenças e agravos de notificação compulsória, 18 de por meio da “metodologia de captura e extermínio” dos
origem zoonótica: mesmos. Este entendimento decorria de uma primeira
abordagem da OMS, datada de 1973 e consubstanciada no
• Acidente por animal potencialmente transmissor da raiva  6º Relatório do Comitê de Especialistas em Raiva, que
• Botulismo considerava que a captura e o sacrifício de cães em
• Dengue situação de rua eram efetivos no controle de zoonoses e da
• Doença de Chagas Aguda população destes animais. Além da inadequação ética, este
• Esquistossomose método foi posteriormente considerado ineficaz pela própria
• Febre Amarela OMS, por não atuar na raiz do problema: o excesso de
• Febre de Chikungunya  nascimentos.
• Febre Maculosa e outras Riquetsioses  Sendo assim, desde 1992 a OMS recomenda que
• Hantavirose o controle populacional de cães e gatos seja feito por meio
• Hepatite de esterilização cirúrgica, identificação pela microchipagem
• Leishmaniose Tegumentar Americana e educação pela guarda responsável (OMS, 1992; OMS,
• Leishmaniose Visceral 2008).
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a eliminação da vida de cães e gatos pelos órgãos de


Em relação à prevenção do abandono e a consequente controle de zoonoses e canis públicos”.
superpopulação de animais o 8º Informe Técnico da Caberá então aos protetores e população em geral de
OMS (1992) recomenda: cidades onde o assassinato de animais abandonados ainda
é realizado pela prefeitura, negociar programas de adoção
a) controle da população/natalidade através da para preservar a vida de cães e gatos resgatados.
esterilização; O Projeto de Lei original de 2003, de autoria do deputado
b) promoção de uma alta cobertura vacinal; federal Affonso Alves de Camargo Neto, trazia uma
c) incentivo de uma educação ambiental voltada para a preocupação para com o extermínio de animais
guarda responsável; abandonados: “O método atualmente empregado, além de
d) elaboração e efetiva implementação de legislação ser oneroso para os cofres públicos, carece de ética e de
específica; eficácia, o que atenta contra os princípios da moralidade e
e) controle do comércio de animais;  da eficiência, estampados no caput do art. 37 da
f) identificação e registro dos animais; Constituição, de observância permanente e obrigatória para
g) recolhimento seletivo dos animais em situação de rua. a Administração Pública”. E ele citava: “Ao manter o
extermínio de cães e gatos saudáveis, o Poder Público está
Albino J. Belotto, coordenador do Programa de praticando uma equivocada e ultrapassada política de
Saúde Pública Veterinária da Organização Pan-Americana saúde pública que ainda segue as recomendações do 6º
de Saúde (OPAS/OMS, Washington, D. C., USA), em Informe Técnico da Organização Mundial de Saúde, datado
palestra intitulada “Situação epidemiológica da raiva – de 1973 e em desuso na maior parte do mundo, que
Panorama Mundial”, ministrada em simpósio internacional consistem na captura e morte de animais errantes como
sobre “Controle de Zoonoses e as interações homem – método de controle populacional.
animal” (realizado em São Paulo, de 17 a 19 de setembro Entretanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS), com
de 2001), afirmou: “A vacinação sistemática de cães nas base em pesquisa realizada entre os anos de 1981 e 1988
áreas de risco, o controle populacional, por meio da captura sobre raiva canina e humana nos países em
e esterilização, aliados à educação para a posse desenvolvimento, concluiu ser caro e ineficaz o método de
responsável de animais são as estratégias aceitas sacrifício no tocante ao vírus rábico e ao controle da
mundialmente com diferentes níveis de implementação para população desses animais. A renovação das populações
cada região do mundo”. caninas é muito rápida e a taxa de sobrevivência delas se
O Instituto Pasteur, em seu Manual Técnico nº 5 sobrepõe facilmente à taxa de eliminação”. Do PL original
(Educação e promoção da saúde no Programa de Controle foram vetados o 4º e 5º artigos, deixando de determinar
da Raiva) afirma que “as zoonoses são “resultados do alto prazo para implantação dos programas de castração e
contingente populacional de animais mantidos sem também a origem dos recursos. E a alteração do artigo 1º
controle, sem cuidados de prevenção de doenças e em más pode gerar polêmica e preocupação porque diz respeito aos
condições de vida. A diminuição do número de animais métodos de esterilização. Diz o PL original: “O controle da
abandonados é de grande importância para promover o natalidade de cães e gatos em todo o território nacional
controle da raiva e de outras zoonoses...” Portanto, não há será regido de acordo com o estabelecido nesta lei,
controle de zoonoses sem controle reprodutivo. mediante o emprego da esterilização cirúrgica, vedada a
Assim, concluímos que a captura e a “eliminação” prática de outros procedimentos veterinários”. Pela Lei que
(eutanásia) de cães e gatos não é eficiente no combate às entra em vigor agora, outras formas de esterilização podem
zoonoses, tanto do ponto de vista econômico, quanto ser autorizadas.
técnico e ético, além de reforçar a guarda de animais sem A castração química, por exemplo, tem dividido
responsabilidade. opiniões. Acompanhe em breve matéria para tirar dúvidas e
O poder público deve dar prioridade à implantação provocar uma reflexão a respeito da castração química.
de programas educativos que levem os tutores de animais a
assumirem seus deveres, com o objetivo de diminuir o RAIVA: NOÇÕES SOBRE A DOENÇA, VACINAÇÃO
número de cães soltos nas ruas e a consequente ANTIRRÁBICA ANIMAL, CONTROLE DE MORCEGOS
disseminação de zoonoses, além de promover a vacinação, EM ÁREAS URBANAS
desverminação, esterilização (controle populacional ético de
cães e gatos) e o registro e identificação dos animais, além Raiva
de realizar monitoramento epidemiológico, especialmente
no tocante à raiva e às leishmanioses. Características gerais

SITUAÇÃO DO PROGRAMA DE CONTROLE Descrição


POPULACIONAL DE CÃES E GATOS
A raiva é uma zoonose viral, que se caracteriza como uma
Segundo o Artigo 1º da Lei Nº 13.426/2017, encefalite progressiva aguda e letal. Todos os mamíferos
sancionada pelo presidente Michel Temer em 30 de março, são suscetíveis ao vírus da raiva e, portanto, podem
o controle da natalidade de cães e gatos em todo o território transmiti-la. A doença apresenta dois principais ciclos de
nacional deve ser feito mediante esterilização permanente transmissão: urbano e silvestre, sendo o urbano passível de
por cirurgia, ou por outro procedimento que garanta eliminação, por se dispor de medidas eficientes de
eficiência, segurança e bem-estar ao animal. prevenção, tanto em relação ao ser humano, quanto à fonte
Agora a população pode exigir a criação de de infecção.
políticas públicas de castração em massa em suas cidades,
mas infelizmente ainda não pode impedir que animais Agente etiológico
abandonados não sejam mortos. Isso porque a Lei que
entra em vigor se refere a controle da natalidade, mas não O vírus rábico pertence à ordem Mononegavirales,
determina que esses animais não sejam mortos, como família Rhabdoviridae e gênero Lyssavirus. Possui aspecto
prega a Lei Feliciano (Nº 12.916/2008) em SP: “Fica vetada de um projétil e seu genoma é constituído por RNA.
Apresenta dois antígenos principais: um de superfície,
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constituído por uma glicoproteína, responsável pela período de incubação menor que no indivíduo adulto. O
formação de anticorpos neutralizantes e adsorção vírus- período de incubação está diretamente relacionado à:
célula, e outro interno, constituído por uma nucleoproteína, • localização, extensão e profundidade da mordedura,
que é grupo específico. arranhadura, lambedura ou contato com a saliva de animais
infectados;
Reservatório • distância entre o local do ferimento, o cérebro e troncos
nervosos;
Em relação à fonte de infecção, didaticamente, pode-se • concentração de partículas virais inoculadas e cepa viral.
subdividir a transmissão urbana e rural em quatro ciclos
epidemiológicos: – ciclo aéreo, que envolve os morcegos; – Período de transmissibilidade
ciclo rural, representado pelos animais de produção; – ciclo
urbano, relacionado aos cães e gatos; – ciclo silvestre Nos cães e gatos, a eliminação de vírus pela saliva
terrestre, que engloba os saguis, cachorros do mato, ocorre de 2 a 5 dias antes do aparecimento dos sinais
raposas, guaxinim, entre outros animais selvagens (Figura clínicos, persistindo durante toda a evolução da doença. A
1). morte do animal acontece, em média, entre 5 a 7 dias após
a apresentação dos sintomas. Em relação aos animais
Figura 1. Ciclos epidemiológicos de transmissão da silvestres, há poucos estudos sobre o período de
raiva transmissibilidade, que pode variar de acordo com a
espécie. Por exemplo, especificamente os quirópteros
podem albergar o vírus por longo período, sem
sintomatologia aparente.

Suscetibilidade e imunidade

Todos os mamíferos são suscetíveis à infecção


pelo vírus da raiva. A imunidade é conferida por meio de
vacinação, acompanhada ou não por soro; dessa maneira,
pessoas que se expuseram a animais suspeitos de raiva
devem receber o esquema profilático, assim como
indivíduos que, em função de suas profissões, se mantêm
constantemente expostos. Aspectos clínicos e laboratoriais
Manifestações clínicas Após um período variável de
incubação aparecem os pródromos que duram de 2 a 4 dias
e são inespecíficos.
O paciente apresenta mal-estar geral, pequeno
aumento de temperatura, anorexia, cefaleia, náuseas, dor
de garganta, entorpecimento, irritabilidade, inquietude e
sensação de angústia. Podem ocorrer hiperestesia e
parestesia no trajeto de nervos periféricos, próximos ao
Modo de transmissão local da mordedura, e alterações de comportamento. A
infecção progride, surgindo manifestações de ansiedade e
A transmissão da raiva se dá pela penetração do hiperexcitabilidade crescentes, febre, delírios, espasmos
vírus contido na saliva do animal infectado, principalmente musculares involuntários, generalizados e/ou convulsões.
pela mordedura e, mais raramente, pela arranhadura e Espasmos dos músculos da laringe, faringe e língua
lambedura de mucosas. O vírus penetra no organismo, ocorrem quando o paciente vê ou tenta ingerir líquido,
multiplica-se no ponto de inoculação, atinge o sistema apresentando sialorreia intensa. Os espasmos musculares
nervoso periférico e, posteriormente, o sistema nervoso evoluem para um quadro de paralisia, levando a alterações
central. cardiorrespiratórias, retenção urinária e obstipação
A partir daí dissemina-se para vários órgãos e intestinal.
glândulas salivares, onde também se replica e é eliminado O paciente se mantém consciente, com período de
pela saliva das pessoas ou animais enfermos. Existe, na alucinações, até a instalação de quadro comatoso e
literatura, o relato de oito casos de transmissão inter- evolução para óbito. Observa-se, ainda, a presença de
humana por meio de transplante de córnea. disfagia, aerofobia, hiperacusia, fotofobia. O período de
Nos Estados Unidos, em 2004, foram registrados evolução do quadro clínico, depois de instalados os sinais e
quatro casos de raiva humana referentes a indivíduos que sintomas até o óbito, é em geral de 5 a 7 dias.
receberam órgãos doados (fígado, dois rins e artéria ilíaca)
de um indivíduo que morreu por infecção pelo vírus da Tratamento
raiva. O mesmo ocorreu na Alemanha, em 2005, com três
indivíduos após transplante de órgãos (pulmão, rim e Em 2004, foi registrado nos Estados Unidos o
pâncreas) de um indivíduo que faleceu devido àquela primeiro relato de tratamento de raiva humana em paciente
infecção. Em ambos os países, os doadores dos órgãos que não recebeu vacina ou soro antirrábico e evoluiu para
não tiveram suspeita diagnóstica de raiva. Possibilidade cura. A descrição detalhada da terapêutica realizada nessa
remota de transmissão sexual, respiratória, digestiva (em paciente encontra-se publicada no protocolo de Milwaukee.
animais) e vertical também são relatadas. No Brasil, em 2008, foi confirmada raiva em um paciente do
sexo masculino, de 15 anos, proveniente do município de
Período de incubação Floresta, estado de Pernambuco. A investigação
demonstrou que o menino foi mordido por um morcego
É extremamente variável, desde dias até anos, hematófago. Após suspeita clínica, foi iniciado o protocolo
com uma média de 45 dias, no homem, e de 10 dias a 2 de Milwaukee adaptado à realidade brasileira, resultando no
meses, no cão. Em crianças, existe tendência para um primeiro registro de cura de raiva humana, no país. A
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evolução do paciente para cura abriu perspectivas para Deve ser aplicada em locais de drenagem linfática,
tratamento de uma doença que, até o momento, era geralmente nos braços, na inserção do músculo deltóide.
considerada letal. Importante A vacina não deve ser aplicada na região
Diante disso, a Secretaria de Vigilância em Saúde glútea.
(SVS) e colaboradores elaboraram o protocolo de
tratamento de raiva humana, que deve ser adotado frente a Contraindicação – a vacina não tem contraindicação
casos suspeitos da doença. Importante ressaltar que o (gravidez, mulheres lactantes, doença intercorrente ou
tratamento deve ser aplicado o mais precoce possível; outros tratamentos), devido à gravidade da doença que
assim é imprescindível que, ao suspeitar de raiva humana, apresenta letalidade de aproximadamente 100%. Sempre
o caso seja notificado de imediato à vigilância que possível, recomenda-se a interrupção do tratamento
epidemiológica municipal, estadual e federal, para que com corticóides e/ou imunossupressores, ao iniciar o
sejam providenciados os exames laboratoriais e esquema de vacinação. Não sendo possível, tratar a
medicamentos necessários à condução do caso. pessoa como imunodeprimida.
Esse protocolo consiste, basicamente, na indução Eventos adversos – as vacinas contra a raiva produzidas
de coma, uso de antivirais e reposição de enzimas, além da em meios de cultura são seguras. De acordo com os
manutenção dos sinais vitais do paciente. Para maiores trabalhos publicados na literatura, causam poucos eventos
informações entrar em contato com o Grupo Técnico da adversos e, na quase totalidade dos casos, de pouca
Raiva, da Coordenação de Vigilância das Doenças gravidade. No entanto, como qualquer imunobiológico,
Transmitidas por Vetores e Antropozoonoses, da SVS/MS. deve-se ficar atento a possíveis reações de maior
O paciente deve ser atendido na unidade gravidade, principalmente neurológicas ou de
hospitalar de saúde mais próxima, sendo evitada sua hipersensibilidade.
remoção. Quando imprescindível, ela tem que ser
cuidadosamente planejada. Manter o enfermo em Imunoglobulina humana antirrábica – Soro homólogo
isolamento, em quarto com pouca luminosidade, evitar
ruídos e formação de correntes de ar, proibir visitas e A imunoglobulina humana antirrábica, uma solução
somente permitir a entrada de pessoal da equipe de concentrada e purificada de anticorpos, preparada a partir
atendimento. de hemoderivados de indivíduos imunizados com antígeno
As equipes de enfermagem, higiene e limpeza rábico, é um produto mais seguro que o soro antirrábico,
devem estar devidamente capacitadas para lidar com o porém de produção limitada e, por isso, de baixa
paciente e com o seu ambiente e usar equipamentos de disponibilidade e alto custo. Deve ser conservada entre + 2°
proteção individual, bem como estarem préimunizados. e + 8° C, protegida da luz, observando-se o prazo de
Recomenda-se como tratamento de suporte: dieta por validade do fabricante. A imunoglobulina deve ser indicada
sonda nasogástrica e hidratação para manutenção do somente para pacientes que se enquadram num dos itens
balanço hídrico e eletrolítico; na medida do possível, usar abaixo:
sonda vesical para reduzir a manipulação do paciente; • ocorrência de quadros anteriores de hipersensibilidade;
controle da febre e vômito; betabloqueadores na vigência • uso prévio de soros de origem equídea, e;
de hiperatividade simpática; uso de antiácidos, para • a existência de contatos frequentes com animais,
prevenção de úlcera de estresse; realizar os procedimentos principalmente com equídeos, por exemplo, nos casos de
para aferição da pressão venosa central (PVC) e correção contato profissional (veterinários) ou por lazer. A dose
da volemia na vigência de choque; tratamento das arritmias indicada é de 20UI/kg de peso.
cardíacas. Sedação de acordo com o quadro clínico, não Deve-se infiltrar a maior quantidade possível na
devendo ser contínua. lesão. Quando a lesão for muito extensa e múltipla, a dose
indicada pode ser diluída, o menos possível, em soro
VACINA HUMANA fisiológico para que todas as lesões sejam infiltradas.
Caso a região anatômica não permita a infiltração
Vacina de cultivo celular de toda a dose, a quantidade restante, a menor possível,
deve ser aplicada por via intramuscular, na região glútea.
São vacinas mais potentes, seguras e isentas de
risco. Produzidas em cultura de células (diplóides humanas, Conduta em caso de adentramento de morcegos
células Vero, células de embrião de galinha, etc.), com
cepas de vírus Pasteur (PV) ou Pittman-Moore (PM) Adentramento é definido como a entrada de
inativados pela betapropiolactona, estas vacinas são morcegos no interior de edificações. Nessa situação de
apresentadas sob a forma liofilizada, acompanhadas de adentramento, deve-se avaliar o risco de exposição do
diluente; devem ser conservadas em geladeira, fora do paciente. A profilaxia da raiva, com uso de soro e vacina,
congelador, na temperatura entre + 2º a + 8ºC, até o deve ser indicada nos casos de contato com o morcego e,
momento de sua aplicação, observando o prazo de validade também, nos casos duvidosos em que não é possível
do fabricante. A potência mínima destas vacinas é descartar o contato, como, por exemplo, quando o
2,5UI/dose. informante ao acordar se depara com um morcego no
interior de sua casa. Importante Orientar as pessoas para
Dose e via de aplicação nunca matar ou manipular diretamente um morcego. Se
possível, o mesmo deve ser capturado, isolando-o com
Via intramuscular – são apresentadas na dose 0,5ml e panos, caixas de papel, balde ou mantê-lo em ambiente
1ml, dependendo do fabricante (verificar embalagem e/ou fechado para posterior captura por pessoas capacitadas. Se
lote). A dose indicada pelo fabricante NÂO DEPENDE da possível, enviar o morcego para identificação e diagnóstico
idade ou do peso do paciente. A aplicação intramuscular laboratorial da raiva. Para isso, entrar em contato com a
deve ser profunda, na região do deltóide ou vasto lateral da secretaria municipal ou estadual de saúde.
coxa. Em crianças até 2 anos de idade, está indicado o
vasto lateral da coxa. Via intradérmica – a dose da via ROEDORES/LEPTOSPIROSE: CONTROLE DE
intradérmica é de 0,1ml. ROEDORES EM ÁREAS URBANAS

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Medidas de prevenção e controle presença desses animais, como, por exemplo, roçar o
terreno em volta da casa, dar destino adequado aos
Em relação aos roedores A estratégia de controle entulhos existentes, manter alimentos estocados em
será definida com base no conhecimento prévio da biologia recipientes fechados e à prova de roedores, além de outras
e do comportamento dos roedores, de acordo com seus medidas de efeito imediato e necessárias à situação
habitats em cada área (domiciliar, peridomiciliar ou específica.
silvestre). Dessa forma, o controle pode abranger três
linhas de ação, a seguir apresentadas: Em relação aos locais prováveis de infecção (LPI) ou
outros locais potencialmente contaminados
Antirratização
• Limpeza e descontaminação do interior de ambientes dos
• Eliminar todos os resíduos, entulhos e objetos inúteis que supostos LPI, devem ser feitas por uma equipe orientada
possam servir para abrigos, tocas e ninhos de roedores, para realizar essas atividades, sempre munida de
bem como reduzir suas fontes de água e alimento. equipamentos de proteção individual de nível de
• Armazenar insumos e produtos agrícolas (grãos, biossegurança 3, seguindo as normas de biossegurança.
hortigranjeiros e frutas) em silos ou tulhas situados a uma • Abrir as portas e janelas das residências, habitações, silos
distância mínima de 30 metros do domicílio. O silo ou tulha paióis, etc. para serem arejadas por, no mínimo, 30 minutos
deverá estar suspenso a uma altura de 40cm do solo, com antes de ingressar no ambiente para proceder à limpeza do
escada removível e ratoeiras dispostas em cada suporte. local.
• Os produtos armazenados no interior dos domicílios • Umedecer pisos, paredes e utensílios no interior dos
devem ser conservados em recipientes fechados e a 40cm imóveis contaminados, bem como roedores mortos ou
do solo. Essa altura é necessária para se realizar a limpeza presença ou sinais de fezes e urina de ratos, com uma
com maior facilidade. solução de água sanitária a 10% (1 litro de água sanitária +
• Vedar fendas e quaisquer outras aberturas com tamanho 9 litros de água) ou de detergente. Aguardar, pelo menos,
superior a 0,5cm, para evitar a entrada de roedores nos meia hora antes de iniciar a limpeza, que deve ser sempre
domicílios. feita com o piso e locais bastante úmidos.
• Remover diariamente, no período noturno, as sobras dos • Os alimentos e outros materiais com evidências de
alimentos de animais domésticos. contaminação devem ser eliminados em sacos plásticos
• Caso não exista coleta regular, os lixos orgânicos e resistentes, previamente molhados com desinfetante e
inorgânicos devem ser enterrados separadamente, enterrados a uma profundidade de pelo menos 50cm.
respeitando-se uma distância mínima de 30 metros do • Utilizar luvas de borracha durante a manipulação de
domicílio e de fontes de água. roedores mortos e objetos ou alimentos contaminados. Ao
• Qualquer plantio deve sempre obedecer a uma distância término do trabalho, as luvas devem ser lavadas com
mínima de 50 metros do domicílio. solução de desinfetante, antes de serem retiradas; e, em
• O armazenamento em estabelecimentos comerciais deve seguida, lavar as mãos com água e sabão.
seguir as mesmas orientações para o armazenamento em
domicílio e em silos de maior porte. ANIMAIS PEÇONHENTOS: OFÍDEOS, ARACNÍDEOS
• Em locais onde haja coleta de lixo rotineira, os lixos (ARANHAS E ESCORPIÕES) E LEPIDÓPTEROS
orgânico e inorgânico devem ser acondicionados em latões (LONOMIA OBLIQUA): NOÇÕES BÁSICAS SOBRE
com tampa ou em sacos plásticos e mantidos sobre suporte CONTROLE, PREVENÇÃO DE ACIDENTES E
a, pelo menos, 1,5 metro de altura do solo. PRIMEIROS SOCORROS.

Desratização Vigilância epidemiológica

Em áreas rurais e silvestres, não é rotineiramente Objetivos


recomendado o controle químico de roedores, tendo em
vista que as medidas de antirratização geralmente são Reduzir a incidência dos acidentes por animais
suficientes. Se necessário, frente a uma alta infestação, a peçonhentos por meio da promoção de ações de educação
mesma só poderá ser feita nas áreas limite entre o domicílio em saúde. Diminuir a gravidade, a frequência de sequelas e
e peridomicílio, sempre por profissionais especializados. a letalidade, mediante uso adequado da soroterapia.

Manejo ambiental Definição de caso

As medidas de prevenção e controle devem ser Paciente com evidências clínicas compatíveis com
fundamentadas em manejo ambiental através, envenenamento por animal peçonhento, com ou sem a
principalmente, de práticas de higiene e medidas corretivas identificação do animal causador do acidente. O diagnóstico
no meio ambiente, tais como saneamento e melhoria nas etiológico se faz quando, além das alterações decorrentes
condições de moradia, tornando as habitações e os locais do envenenamento, o animal causador do acidente é
de trabalho impróprios à instalação e à proliferação de levado pelo paciente ou familiares e identificado. Entretanto,
roedores (antirratização), associados às desratizações para efeito de tratamento e de vigilância epidemiológica,
focais (no domicílio e/ou no peridomicílio), quando são considerados confirmados todos os casos que se
extremamente necessário. enquadrem na definição do quadro acima.

Em relação à população em geral Notificação

Informar os moradores da região sobre a doença, Agravo de interesse nacional, todo acidente por
os roedores envolvidos e as vias de transmissão. Orientá- animal peçonhento atendido na unidade de saúde deve ser
los sobre as medidas de prevenção e controle da notificado, independentemente do paciente ter sido ou não
hantavirose e a importância de procederem às ações de submetido à soroterapia. Existe uma ficha específica de
antirratização aos reservatórios para manter a área livre da investigação no Sinan, que se constitui instrumento
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fundamental para se estabelecer normas de atenção ao • Evitar trepadeiras encostadas a casa, folhagens entrando
paciente e para a distribuição de soros antipeçonhentos, de pelo telhado ou mesmo pelo forro.
acordo com as características regionais da ocorrência dos • Controlar o número de roedores existentes na área: a
acidentes. diminuição do número de roedores pode evitar a
aproximação de serpentes peçonhentas que deles se
Primeiras medidas a serem adotadas alimentam.
• Não montar acampamento junto a plantações, pastos ou
Assistência médica ao paciente matos, áreas onde há normalmente roedores e maior
número de serpentes.
Todo paciente deve ter atendimento por • Não fazer piquenique às margens dos rios ou lagoas,
profissional médico para avaliação e indicação do deles mantendo distância segura, e não se encostar a
tratamento indicado. Recomenda-se que todos os pacientes barrancos durante pescarias.
submetidos à soroterapia sejam hospitalizados para • Afastar camas das paredes e evitar pendurar roupas fora
monitorar o aparecimento de reações, avaliar a eficácia da de armários.
soroterapia (mediante parâmetros para verificar a • Limpar regularmente móveis, cortinas, quadros, cantos de
neutralização dos efeitos do envenenamento) e a parede e terrenos baldios.
ocorrência de complicações locais e sistêmicas, em • Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros,
especial a insuficiência renal aguda. As unidades de saúde meias-canas e rodapés.
que aplicam soros devem contar com materiais e • Utilizar telas, vedantes ou sacos de areia em portas,
medicamentos essenciais para intervenção, em caso de janelas e ralos.
reação alérgica ao antiveneno, e para abordagem inicial • Manter limpos os locais próximos das residências, jardins,
das complicações. quintais, paióis e celeiros.
• Combater a proliferação de insetos, principalmente
Qualidade da assistência baratas e cupins, pois são alimentos para escorpiões.
• Preservar os predadores naturais de escorpiões, como
O diagnóstico precoce e o tratamento adequado seriemas, corujas, sapos, lagartixas e galinhas.
são fatores fundamentais para o prognóstico do paciente.
Assim, o profissional da vigilância epidemiológica deve Investigação
verificar se as equipes de assistência estão capacitadas
para realizar o diagnóstico e aplicar corretamente a Consiste na obtenção detalhada de dados do
soroterapia, e se as unidades de saúde dispõem de acidente, mediante o preenchimento da ficha de
antivenenos em quantidade adequada e para todos os tipos investigação de caso, com o objetivo de determinar o tipo
de envenenamento. de envenenamento ocorrido, a gravidade das
Por outro lado, a inoculação de pequena manifestações clínicas e a soroterapia instituída. A
quantidade de veneno pode determinar o aparecimento investigação deve ser realizada em todos os casos
insidioso dos sintomas. Desse modo, indica-se a confirmados, independentemente da aplicação de
observação mínima de 6 a 12 horas em todos os casos antiveneno.
cujas manifestações clínicas não sejam evidentes no
momento da admissão. Roteiro de investigação epidemiológica
O paciente deve ser avaliado minuciosamente para
se evitar a administração desnecessária de soro, nos casos Identificação do paciente Preencher todos os campos dos
de acidente sem envenenamento ou por animal não itens da ficha de investigação de caso do Sinan, relativos
peçonhento. aos dados gerais, notificação individual e dados de
residência.
Proteção individual para evitar acidentes
Coleta de dados clínicos e epidemiológicos
• Não andar descalço: sapatos, botinas sem elásticos, botas
ou perneiras devem ser usados, pois evitam 80% dos • Anotar na ficha de investigação dados dos antecedentes
acidentes. epidemiológicos e dados clínicos, para determinar o tipo de
• Olhar sempre com atenção o local de trabalho e os acidente compatível com o quadro clínico-epidemiológico.
caminhos a percorrer. • Verificar a compatibilidade do tipo e quantidade de soro
• Usar luvas de couro nas atividades rurais e de jardinagem. administrado com o diagnóstico e a gravidade do
• Não colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos envenenamento.
de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes • Acompanhar a evolução após a soroterapia, para
de lenha ou entre pedras, usar antes um pedaço de pau, identificar a ocorrência de complicações e eventual óbito.
enxada ou foice.
• No amanhecer e no entardecer, evitar a aproximação da Encerramento de caso
vegetação muito próxima ao chão, gramados ou até mesmo
jardins, pois é nesse momento que as serpentes estão em As fichas epidemiológicas devem ser analisadas visando
maior atividade. definir, a partir do diagnóstico, a evolução de cada caso,
• Usar calçados e luvas nas atividades de jardinagem e ao considerando as seguintes alternativas:
manusear materiais de construção. Cura completa – paciente que, após soroterapia,
• Examinar calçados e roupas pessoais, de cama e banho, apresenta evolução sem complicações locais ou sistêmicas.
antes de usá-las. Cura com sequelas – nos acidentes ofídicos e no
loxoscelismo, independentemente da soroterapia, podem
Proteção da população ocorrer complicações em decorrência de infecção ou
necrose extensa.
• Não depositar ou acumular material inútil junto à Desse modo, registra-se com alguma frequência
habitação, como lixo, entulhos e materiais de construção; déficit funcional ou amputação do membro acometido em
manter sempre a calçada limpa ao redor da casa. acidentes ofídicos. Lesão renal irreversível também
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determina a ocorrência de sequelas. Para o escorpionismo para a não realização de práticas caseiras e alternativas no
e foneutrismo, usualmente a resolução do quadro se faz manejo dos pacientes, tais como:
sem sequelas, que só ocorrem devido a complicações de • o uso de torniquete ou garrote, embora ainda bastante
procedimentos invasivos, geralmente em pacientes que difundido, tem sido associado a complicações locais nos
necessitaram de hospitalização em unidade de terapia acidentes botrópicos e laquéticos, por favorecer a
intensiva. concentração de veneno e agravar a isquemia na região da
Óbito – quando relacionado diretamente ao picada;
envenenamento, consequente a complicações ou a reações • sucção e incisão no local da picada propiciam, além de
adversas à soroterapia. infecção cutânea, a ocorrência de hemorragia, não tendo
Relatório final - A elaboração dos relatórios deve ser feita nenhuma eficácia na redução da absorção do veneno;
sistematicamente, em todos os níveis do sistema, e sua • a colocação de substâncias, como alho, esterco, borra de
periodicidade depende da situação epidemiológica e da café e outros produtos, permanece como prática ainda
organização do fluxo de informações. fortemente arraigadas na população. A crença nessas
medidas provoca o retardo no encaminhamento do paciente
Instrumentos disponíveis para controle para unidade de saúde, que é feito tardiamente para a
administração do soro, muitas vezes quando o indivíduo já
Por serem animais silvestres, estão proibidos a apresenta complicações;
captura e transporte não autorizados legalmente. Porém, • medicamentos fitoterápicos e outras terapias alternativas
em ambientes urbanos, os animais peçonhentos fazem não encontram respaldo na literatura científica para o
parte da fauna sinantrópica, que é passível de controle, tratamento dos acidentes por animais peçonhentos,
desde que haja um programa com esse fim no Ministério da devendo-se desestimular o seu uso.
Saúde. Então, algumas medidas podem ser adotadas para
que a ocorrência de animais peçonhentos seja controlada. ANIMAL PEÇONHENTO é aquele que possui veneno e
O controle de escorpiões é uma iniciativa que foi apresenta uma estrutura para inocular este veneno:
implantada em alguns municípios do país, demonstrando serpentes (presas), aranhas (quelíceras), escorpiões
que é possível a diminuição da ocorrência de animais (aguilhão) e lagartas (cerdas).
peçonhentos em área urbana. ANIMAL VENENOSO é aquele que possui veneno, mas
não apresentam estrutura para inocular este veneno: sapos,
Vigilância ambiental outros.

Os animais peçonhentos podem estar presentes Exemplos de animais peçonhentos:


em vários tipos de ambientes. No caso de serpentes, há
espécies que vivem em ambientes florestais e aquelas que LAGARTA: taturana
ocorrem em áreas abertas, como campos, cerrados e ARANHAS: aranha-marrom, caranguejeira, armadeira e
caatingas, o que torna inviável o monitoramento da aranha-de-jardim
presença desses animais na natureza. A diversidade de COBRAS: coral verdadeira, cascavel, jararaca e cruzeira
hábitos alimentares é grande e várias espécies alimentam- ESCORPIÕES: preto, amarelo e manchado
se de invertebrados, como moluscos, minhocas e
artrópodes, ao passo que outras se alimentam de PRIMEIROS SOCORROS EM CASO DE PICADA DE
vertebrados, como peixes, anfíbios, lagartos, serpentes, COBRA, ARANHA, ESCORPIÃO E CONTATO COM
aves e mamíferos. TATURANA:
De importância no meio periurbano, é a presença
de roedores, que aumenta a proximidade dos ofídios ao  Não amarre a perna ou braço, nem faça
homem. A proteção de predadores naturais de serpentes, torniquetes. O garrote impede a circulação
como as emas, as siriemas, os gaviões, os gambás e sanguínea e pode produzir necrose ou gangrena.
cangambás, e a manutenção de animais domésticos como Muitas vezes o garrote agrava os efeitos da
galinhas e gansos próximos às habitações, em geral, mordida.
afastam as serpentes.  Não faça sucção, corte ou perfure o local (ou
O crescimento da população dos escorpiões e de próximo da) picada, pois agrava o acidente.
aranhas do gênero Loxosceles, no meio urbano, dificulta o
controle desses animais, principalmente na periferia das
 Não coloque folhas, pó de café ou qualquer
substância que possa contaminar a ferida e não
cidades, onde encontram alimento farto, constituído por
faça uso de qualquer prática caseira que possa
baratas e outros insetos. Inseticidas e outros produtos
retardar o atendimento médico.
tóxicos não têm ação na eliminação dos animais no
ambiente. Apesar de não serem bem conhecidos os fatores  Não dê álcool, querosene ou qualquer outro líquido
que acarretam mudanças no padrão das populações de tóxico à vítima.
animais peçonhentos em um determinado meio, como é o  Remova anéis, relógios, prevenindo assim
caso de Loxosceles e Lonomia. No Sul do país, complicações decorrentes do inchaço.
desequilíbrios ecológicos ocasionados por desmatamentos,  Mantenha o acidentado deitado e quieto, com o
uso indiscriminado de agrotóxicos e outros produtos mínimo de movimentos possíveis, pois os
químicos em lavouras e alterações climáticas ocorridas ao movimentos facilitam a absorção do veneno.
longo de vários anos, certamente, têm participação no  Mantenha o membro ferido em posição elevada
incremento dos acidentes e, consequentemente, sua para que não aumente a circulação sanguínea no
importância em termos de saúde pública. local e espalhe mais rapidamente o veneno.
 Lave o local ferido com água e sabão, faça a
Ações de educação em saúde
higiene no local, acima e abaixo do mesmo. Se o
local apresentar dois furinhos, é certeza de que se
As estratégias de atuação junto às comunidades
trata de serpente peçonhenta.
expostas ao risco de acidentes devem incluir, além das
noções de prevenção dos acidentes, medidas de orientação
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 Leve o acidentado para o posto de saúde mais nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra
próximo e sempre que possível, encaminhe o condição.
animal junto à vítima. Os direitos humanos incluem o direito à vida e à
liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o direito
Se causado por COBRAS: ao trabalho e à educação, entre e muitos outros. Todos
merecem estes direitos, sem discriminação.
Procure identificar a serpente (se possível, matar e levar O Direito Internacional dos Direitos
com o paciente). Se isso não for possível, ver se tem Humanos estabelece as obrigações dos governos de
chocalho no final da cauda (cascavel) ou, se é colorida em agirem de determinadas maneiras ou de se absterem de
preto, vermelho e branco (coral). Em nenhuma certos atos, a fim de promover e proteger os direitos
circunstância a extremidade deve ser envolvida com gelo. humanos e as liberdades de grupos ou indivíduos.
Se já passou mais de 30 minutos desde o momento da Desde o estabelecimento das Nações Unidas,
picada, não adiantará qualquer medida local de primeiros em 1945 – em meio ao forte lembrete sobre os horrores da
socorros. Deve-se manter os cuidados gerais de repouso e Segunda Guerra Mundial –, um de seus objetivos
apoio psicológico: verificando os sinais vitais prevenindo de fundamentais tem sido promover e encorajar o respeito aos
estado de choque e transportar a vítima o mais rápido direitos humanos para todos, conforme estipulado na Carta
possível ao serviço de emergência médica. das Nações Unidas:
“Considerando que os povos das Nações Unidas
Se causado por ESCORPIÃO/ARANHA/TATURANA: reafirmaram, na Carta da ONU, sua fé nos direitos
humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser
Aplicar compressas frias ou gelo sobre o local da humano e na igualdade de direitos entre homens e
ferroada/picada/contato para auxiliar no alívio da dor. mulheres, e que decidiram promover o progresso social e
melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,
ORIENTAÇÕES PARA PREVENÇÃO DE ACIDENTES … a Assembleia Geral proclama a presente Declaração
POR ANIMAIS PEÇONHENTOS: Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser
 Sacuda e examine calçados e roupas antes de atingido por todos os povos e todas as nações…”
usar. Preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos,
1948
 Mantenha limpos os locais próximos a residências
(evite acúmulo de lixo, etc.).
Contexto e definição dos direitos humanos
 Não coloque mãos ou pés em buracos, montes de
pedra ou lenha. Os direitos humanos são comumente
 Use sempre calçados e luvas durante as compreendidos como aqueles direitos inerentes ao ser
atividades rurais. humano. O conceito de Direitos Humanos reconhece que
 Use telas e vedantes em portas e janelas. cada ser humano pode desfrutar de seus direitos humanos
 Crie aves domésticas (predadores naturais) em sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião
zonas rurais. política ou de outro tipo, origem social ou nacional ou
condição de nascimento ou riqueza.
 Evite contato com lagartas, olhando atentamente
Os direitos humanos são garantidos legalmente pela lei de
para as folhas e troncos de árvores.
direitos humanos, protegendo indivíduos e grupos contra
ações que interferem nas liberdades fundamentais e na
Como coletar esses animais?
dignidade humana.
Estão expressos em tratados, no direito
LAGARTAS URTICANTES – use luva e camisa de manga
internacional consuetudinário, conjuntos de princípios e
longa para sua proteção; use pinça longa ou graveto;
outras modalidades do Direito. A legislação de direitos
coloque em frasco com tampa furada ou com garrafa de
humanos obriga os Estados a agir de uma determinada
refrigerante cortada ao meio e furada com algumas folhas
maneira e proíbe os Estados de se envolverem em
da vegetação onde se encontrava; acondicione em potes
atividades específicas. No entanto, a legislação não
com no máximo 20 lagartas e em garrafas com no máximo
estabelece os direitos humanos. Os direitos humanos são
50 lagartas; não esqueça de tampar firmemente a
direitos inerentes a cada pessoa simplesmente por ela ser
embalagem.
um humano.
ARANHAS – coloque uma embalagem plástica ou de vidro
Tratados e outras modalidades do Direito
sobre o animal; passe, cuidadosamente, uma folha de papel
costumam servir para proteger formalmente os direitos de
firme (duro) entre a embalagem e a superfície onde o
indivíduos ou grupos contra ações ou abandono dos
animal se encontra e inverta o conjunto (embalagem e
governos, que interferem no desfrute de seus direitos
papel); faça furos na tampa para ventilar.
humanos.
SERPENTES – use um gancho ou galho de árvore
resistente; coloque o animal em caixa de madeira ou de
Algumas das características mais importantes dos
plástico, de tamanho adequado, com abertura (furos) para
direitos humanos são:
ventilar; verifique se a caixa está bem fechada.
ESCORPIÕES – utilize uma pinça longa (ou gravetos);
o Os direitos humanos são fundados sobre o
coloque em embalagem plástica transparente com tampa respeito pela dignidade e o valor de cada pessoa;
de boca larga e furada. o Os direitos humanos são universais, o que quer
dizer que são aplicados de forma igual e sem discriminação
DIREITOS HUMANOS. a todas as pessoas;
o Os direitos humanos são inalienáveis, e ninguém
O que são os direitos humanos? pode ser privado de seus direitos humanos; eles podem ser
limitados em situações específicas. Por exemplo, o direito à
Os direitos humanos são direitos inerentes a todos liberdade pode ser restringido se uma pessoa é
os seres humanos, independentemente de raça, sexo, considerada culpada de um crime diante de um tribunal e
com o devido processo legal;
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o Os direitos humanos são indivisíveis, inter- entanto, uma reserva não pode derrotar o objeto e o
relacionados e interdependentes, já que é insuficiente propósito do tratado.
respeitar alguns direitos humanos e outros não. Na prática, Além disso, mesmo que um Estado não faça parte
a violação de um direito vai afetar o respeito por muitos de um tratado ou não tenha formulado reservas, o Estado
outros; pode ainda estar comprometido com as disposições do
o Todos os direitos humanos devem, portanto, ser tratado que se tornaram direito internacional
vistos como de igual importância, sendo igualmente consuetudinário ou constituem normas imperativas do
essencial respeitar a dignidade e o valor de cada pessoa. direito internacional, como a proibição da tortura. Todos os
tratados das Nações Unidas estão reunidos
Normas internacionais de direitos humanos em treaties.un.org.

A expressão formal dos direitos humanos inerentes Costume


se dá através das normas internacionais de direitos
humanos. Uma série de tratados internacionais dos direitos O direito internacional consuetudinário – ou
humanos e outros instrumentos surgiram a partir de 1945, simplesmente “costume” – é o termo usado para descrever
conferindo uma forma legal aos direitos humanos inerentes. uma prática geral e consistente seguida por Estados,
A criação das Nações Unidas viabilizou um fórum decorrente de um sentimento de obrigação legal.
ideal para o desenvolvimento e a adoção dos instrumentos Assim, por exemplo, enquanto a Declaração
internacionais de direitos humanos. Outros instrumentos Universal dos Direitos Humanos não é, em si, um tratado
foram adotados a nível regional, refletindo as preocupações vinculativo, algumas de suas disposições têm o caráter de
sobre os direitos humanos particulares a cada região. direito internacional consuetudinário.
A maioria dos países também adotou constituições
e outras leis que protegem formalmente os direitos Costume
humanos básicos. Muitas vezes, a linguagem utilizada
pelos Estados vem dos instrumentos internacionais de O direito internacional consuetudinário – ou
direitos humanos. simplesmente “costume” – é o termo usado para descrever
As normas internacionais de direitos humanos consistem, uma prática geral e consistente seguida por Estados,
principalmente, de tratados e costumes, bem como decorrente de um sentimento de obrigação legal.
declarações, diretrizes e princípios, entre outros. Assim, por exemplo, enquanto a Declaração
Universal dos Direitos Humanos não é, em si, um tratado
Tratados vinculativo, algumas de suas disposições têm o caráter de
direito internacional consuetudinário.
Um tratado é um acordo entre os Estados, que se
comprometem com regras específicas. Tratados Declarações, resoluções etc. adotadas pelos órgãos
internacionais têm diferentes designações, como pactos, das Nações Unidas
cartas, protocolos, convenções e acordos. Um tratado é
legalmente vinculativo para os Estados que tenham Normas gerais do direito internacional – princípios
consentido em se comprometer com as disposições do e práticas com os quais a maior parte dos Estados
tratado – em outras palavras, que são parte do tratado. concordaria – constam, muitas vezes, em declarações,
Um Estado pode fazer parte de um tratado através de uma proclamações, regras, diretrizes, recomendações e
ratificação, adesão ou sucessão. princípios.
A ratificação é a expressão formal do Apesar de não ter nenhum feito legal sobre os
consentimento de um Estado em se comprometer com um Estados, elas representam um consenso amplo por parte
tratado. Somente um Estado que tenha assinado o tratado da comunidade internacional e, portanto, têm uma força
anteriormente – durante o período no qual o tratado esteve moral forte e inegável em termos na prática dos Estados,
aberto a assinaturas – pode ratificá-lo. em relação a sua conduta das relações internacionais.
A ratificação consiste de dois atos processuais: a O valor de tais instrumentos está no
nível interno requer a aprovação pelo órgão constitucional reconhecimento e na aceitação por um grande número de
apropriado – como o Parlamento, por exemplo. A nível Estados e, mesmo sem o efeito vinculativo legal, podem ser
internacional, de acordo com as disposições do tratado em vistos como uma declaração de princípios amplamente
questão, o instrumento de ratificação deve ser formalmente aceitos pela comunidade internacional.
transmitido ao depositário, que pode ser um Estado ou uma A Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos
organização internacional como a ONU. dos Povos Indígenas, por exemplo, recebeu o apoio dos
A adesão implica o consentimento de um Estado Estados Unidos em 2010, o último dos quatro Estados-
que não tenha assinado anteriormente o instrumento. membros da ONU que se opuseram a ela.
Estados ratificam tratados antes e depois de este ter Ao adotar a Declaração, os Estados se
entrado em vigor. O mesmo se aplica à adesão. comprometeram a reconhecer os direitos dos povos
Um Estado também pode fazer parte de um indígenas sob a lei internacional, com o direito de serem
tratado por sucessão, que acontece em virtude de uma respeitados como povos distintos e o direito de determinar
disposição específica do tratado ou de uma declaração. A seu próprio desenvolvimento de acordo com sua cultura,
maior parte dos tratados não são auto executáveis. Em prioridades e leis consuetudinárias (costumes).
alguns Estados tratados são superiores à legislação interna,
enquanto em outros Estados tratados recebem status TÉCNICAS DE LEVANTAMENTO DAS CONDIÇÕES DE
constitucional e em outros apenas certas disposições de um VIDA E DE SAÚDE/DOENÇA DA POPULAÇÃO.
tratado são incorporadas à legislação interna.
Um Estado pode, ao ratificar um tratado, formular A atuação do agente comunitário de saúde e agente de
reservas a ele, indicando que, embora consinta em se endemias na promoção da saúde e na prevenção de
comprometer com a maior parte das disposições, não doenças
concorda com se comprometer com certas disposições. No
1 Introdução
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comunidade que possam ser potencializados pela equipe.


O Programa de Saúde da Família – PSF é adotado Neste texto aborda-se como foco principal as
pelo Ministério da Saúde desde 1994 como modelo ações do ACS na Promoção da Saúde e na Prevenção de
substitutivo da rede básica tradicional, de cobertura Doenças, porém como várias das atribuições acima são
universal, assumindo como princípio norteador a equidade. intrínsecas a estas atribuições, serão descritas ao longo do
Este programa, considerado uma estratégia de mudança de trabalho.
modelo da assistência à saúde, tem como ponto central a
criação de vínculos e de laços de compromisso e de 2 Um caminho a percorrer:
corresponsabilidade entre os profissionais de saúde e a
população, dentro de um espaço geograficamente Promover a saúde e prevenir as doenças Há o
delimitado. reconhecimento pela sociedade de que saúde não é uma
Essa inversão só é possível por meio da mudança conquista, nem uma responsabilidade exclusiva do setor,
do objeto da atenção à saúde, deslocando-se do individual mas o resultado de um conjunto de fatores sociais,
para o coletivo e da mudança de atuação e organização econômicos, políticos e culturais, que se articulam de forma
geral dos serviços, com a reorganização da prática particular em cada sociedade, a partir de conjunturas
assistencial dos profissionais em novas bases e critérios. A específicas, o que possibilita a existência de sociedades
organização de uma equipe de saúde da família - ESF, mais ou menos saudáveis. A Promoção da Saúde, a
constituído por médico generalista, enfermeiro, auxiliar de prevenção de doenças e o tratamento e reabilitação das
enfermagem e agente comunitário de saúde, torna-se então enfermidades são as três principais estratégias para intervir
o principal instrumento para a consolidação do Programa de no processo saúde-doença. Essas estratégias encontram-
Saúde da Família, por trabalhar com a família, em uma área se situadas em campos de conhecimento bastante
adstrita e ter acesso ao modo de vida dessa população. complexos e exigem esforços integrados para levá-las a
Nesse contexto, acredita-se que o Agente melhorar a saúde das populações.
Comunitário de Saúde - ACS se torna o articulador do Ainda que muitas pessoas tenham vidas
processo de trabalho da equipe, exatamente por morar na saudáveis, mas para isso “necessitam de situações sociais,
sua área de atuação, conhecer muito bem a comunidade econômica e cultural favoráveis, ambiente saudável,
em que vive e ter maior facilidade de acesso aos domicílios. alimentação adequada, prevenção de problemas
Por definição, o ACS “trabalha fora do posto, fazendo a específicos de saúde e informação”. Na realidade concreta,
ligação entre a comunidade e os serviços de saúde”. Esse a percepção de que os problemas de saúde das diferentes
elo acontece de várias maneiras, mas principalmente na sociedades não são decorrentes da capacidade da atenção
visita domiciliar, quando o ACS tem a oportunidade de médica curativa para manejar a enorme demanda
conhecer os agravos que acometem aquela população, representada pelos problemas sanitários originados pelo
percebidos ou explicitados pelas pessoas, comunicar à subdesenvolvimento e pelos agravos à saúde decorrentes
equipe do PSF a sua percepção e retornar à comunidade das doenças crônico-degenerativas tem levado as
com orientações, encaminhamentos ou outras atividades sociedades a buscarem novos caminhos para dar maior
que possam evitar, diminuir ou solucionar os problemas efetividade às ações derivadas de uma das estratégias
encontrados, juntamente com os profissionais de saúde e a supramencionadas.
própria população. Isso nos revela que as sociedades estão
Em Minas Gerais, grande parte dos municípios já incorporando novos saberes no seu cotidiano a partir do
implantaram o PSF. Divinópolis, situado na região Centro- conhecimento de que a saúde de um determinado grupo
Oeste do Estado, iniciou esse trabalho em 1996, sem a populacional, em um dado momento, está recebendo os
estrutura proposta pelo Ministério da Saúde, ou seja, a efeitos de múltiplos processos determinantes e
Equipe de Saúde da Família – ESF – não tinha na sua condicionantes que na realidade expressam o modo de vida
constituição o Agente Comunitário de Saúde. Com o da sociedade e suas interações em processos mais
propósito de estender a Saúde da Família a mais regiões singulares inerentes ao estilo de vida pessoal. Outro ponto
do município, em 1998 novas equipes foram implantadas e de convergência para a aplicação das estratégias é o
as existentes reformuladas de acordo com o modelo reconhecimento de que a situação de saúde está
proposto pelo Ministério da Saúde. intimamente ligada com o modo de vida do indivíduo e das
O Ministério da Saúde define como atribuições populações.
básicas do ACS realizar mapeamento de sua área de O dia-a-dia do indivíduo na sociedade é, portanto,
atuação; cadastrar as famílias e atualizar permanentemente o espaço onde se manifesta a articulação entre os
este cadastro; identificar indivíduos e famílias expostos a processos biológicos e sociais que determinarão o seu
situações de risco; identificar áreas de risco; orientar as processo saúde doença naquela sociedade. Todavia, desde
famílias para a utilização adequada dos serviços de saúde, o surgimento da promoção da saúde para o enfrentamento
encaminhando-as e até agendando consultas, exames e dos problemas que afetam a saúde das populações, essa
atendimento odontológico, quando necessário; realizar tem sido incorporada em diferentes contextos e em
ações e atividades, no nível de suas competências, nas propostas distintas de intervenção.
áreas prioritárias da Atenção Básica; realizar, por meio da Assim, dividimos a prática da promoção em dois
visita domiciliar, acompanhamento mensal de todas as grandes grupos:
famílias sob sua responsabilidade; estar sempre bem a- aquelas atividades voltadas à transformação dos
informado, e informar aos demais membros da equipe, comportamentos do indivíduo, dirigidas ao estilo de vida e
sobre a situação das famílias acompanhadas, localizando-os no seio da família e, no máximo, no
particularmente aquelas em situações de risco; desenvolver ambiente cultural. A adesão a esta linha nos conduz à
ações de educação e vigilância à saúde, com ênfase na realização de atividades de promoção da saúde voltadas
promoção da saúde e na prevenção de doenças; promover para os componentes educativos relacionados com os
educação e a mobilização comunitária, visando desenvolver riscos comportamentais passíveis de mudança e sob o
ações coletivas de saneamento e melhoria do meio controle do próprio cidadão. Exemplo: higiene pessoal,
ambiente, entre outras; traduzir para a ESF a dinâmica hábito de fumar, etc.;
social da comunidade, suas necessidades, potencialidades b - aquelas atividades relacionadas ao coletivo de
e limites; identificar parceiros e recursos existentes na indivíduos e ao ambiente no sentido amplo (ambiente físico,
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social, político, econômico e cultural). As atividades de Outros elementos da Declaração de Alma-Ata que
promoção neste segundo grupo se dariam através de devem ser considerados são a necessidade da intervenção
políticas públicas intersetoriais, participação da sociedade e de diversos setores sociais e econômicos, além do setor
do poder público. saúde, para se atingir um elevado grau de saúde; a
promoção e proteção da saúde é fundamental para o
2.1 Promoção da saúde desenvolvimento econômico e social sustentável, para a
melhoria da qualidade de vida e para a conquista da paz
A compreensão do que seja ‘Saúde’ é mundial; e a participação individual e coletiva na
imprescindível para desenvolvermos estratégias que planificação e aplicação das ações de saúde como um
permitam aos serviços de saúde atuarem no nível da direito e dever da população.
promoção da saúde. Saúde é entendida como “estado de A Declaração de Alma-Ata deu um novo
completo bem-estar físico, mental e social, e não direcionamento às políticas de saúde, com ênfase na
simplesmente a ausência de doença ou enfermidade”. participação comunitária, na cooperação entre os diferentes
Neste sentido, as condições e os recursos setores da sociedade e nos cuidados primários de saúde
fundamentais para atingirmos o proposto neste conceito como seus fundamentos conceituais. A declaração foi um
são: paz, habitação, educação, alimentação, renda, estímulo para a continuidade da luta pela estratégia da
ecossistema estável, recursos sustentáveis, justiça social e promoção da saúde, que culminou com a I Conferência
equidade. O termo promoção da saúde tem sido associado Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada em
a valores como qualidade de vida, saúde, solidariedade, Ottawa, Canadá, 1986. A Promoção da Saúde foi
equidade, democracia, cidadania, desenvolvimento, definida, neste documento, como “o processo de
participação e parceria, e a uma combinação de estratégias capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua
tais como ações do Estado (políticas públicas saudáveis), qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior
da comunidade (reforço da ação comunitária), de indivíduos participação no controle deste processo”.
(desenvolvimento de habilidades pessoais), do sistema de A Carta de Ottawa deixa claro que a saúde é o
saúde (reorientação do sistema de saúde) e de parcerias maior recurso para o desenvolvimento social, econômico e
intersetoriais. pessoal, assim como importante dimensão da qualidade de
Faz-se claro que a promoção da saúde não é só vida. Portanto, a saúde é compreendida como um recurso
responsabilidade do setor saúde, mas de uma integração essencial para a vida cotidiana.
entre os diversos setores do governo municipal, estadual e Este documento apresentou como condições e
federal na articulação de políticas e ações que culminem requisitos necessários à saúde a “paz, educação,
com a melhoria das condições de vida da população e da habitação, alimentação, renda, ecossistema estável,
oferta de serviços essenciais ao ser humano. recursos sustentáveis, justiça social e equidade”, assim
A promoção da saúde vem sendo discutida por como a defesa da saúde, a capacitação e a mediação
diversas instâncias na área da saúde ao longo das últimas política como indispensáveis para alcançá-la. Na Carta de
três décadas, principalmente no Canadá, Estados Unidos e Ottawa são identificados cinco campos de ações para a
países da Europa Ocidental. Podemos destacar como promoção da saúde: “construção de políticas públicas
marco no desenvolvimento de suas bases conceituais e saudáveis; criação de ambientes favoráveis à saúde;
políticas as Conferências Internacionais sobre promoção da desenvolvimento de habilidades; reforço da ação
saúde realizadas em Ottawa (1986), Adelaide (1988), comunitária; reorientação dos serviços de saúde”.
Sundsvall (1991) e Jacarta (1997). A construção de políticas públicas saudáveis
O movimento de promoção da saúde foi implica que a saúde tenha prioridade entre políticos e
formalizado no Canadá, em 1974, com a divulgação do dirigentes de todos os setores e em todos os níveis, com
Informe Lalonde – A New Perspective on the Health of responsabilização pelas consequências das políticas sobre
Canadians. A elaboração deste documento parece ter sido a saúde da população. A criação de ambientes favoráveis à
ocasionada pelos crescentes custos da assistência médica saúde se dá a partir da inserção, na agenda de prioridades
e pela abordagem exclusivamente médica para as doenças da saúde, de ações como a proteção do meio ambiente e a
crônicas, que apresentava poucos resultados na melhoria conservação dos recursos naturais, o acompanhamento
da saúde dos canadenses. Os fundamentos do Informe sistemático do impacto que as mudanças no meio ambiente
Lalonde baseiam-se no conceito de campo da saúde, causam sobre a saúde, a conquista de ambientes que
composto por quatro amplos componentes: biologia facilitem e favoreçam a saúde, como o trabalho, o lazer, o
humana, ambiente, estilo de vida e organização da lar, a escola e a cidade.
assistência à saúde, nos quais estão presentes diversos O desenvolvimento de habilidades favoráveis à
fatores que influenciam a saúde. saúde acontece em decorrência da divulgação de
O informe Lalonde e a abertura da China informações e da educação para a saúde, em todos os
Nacionalista ao mundo exterior serviram de bases para a espaços coletivos, preparando o indivíduo para as diversas
Conferência de AlmaAta (1978), cujas metas foram a de fases da existência e o enfrentamento das enfermidades.
alcançar a “Saúde Para Todos no Ano 2000” e a formulação Neste campo também está presente a ideia de
da estratégia de Atenção Primária da Saúde, composta por empowerment, ou seja, a aquisição de poder técnico
oito elementos essenciais: a educação sobre os principais (capacitação) e político pelos indivíduos e pela comunidade.
problemas de saúde e sobre os métodos de prevenção e de O incremento do poder das comunidades, por meio da
luta correspondentes; a promoção da aportação de posse e controle dos seus próprios esforços e destino,
alimentos e de uma nutrição apropriada; um abastecimento produz ações comunitárias concretas e efetivas no
adequado de água potável e saneamento básico; a desenvolvimento das prioridades, na tomada de decisão, na
assistência materno-infantil, com inclusão da planificação definição de estratégias e na sua implementação, com
familiar; a imunização contra as principais enfermidades vistas à melhoria das condições de saúde.
infecciosas; a prevenção e luta contra enfermidades
endêmicas locais, o tratamento apropriado das Prevenção das doenças
enfermidades e traumatismos comuns; e a disponibilidade
de medicamentos essenciais. Baseado no conceito de saúde da OMS, Leavell &
Clark consideram que todos indivíduos têm algum “grau” de
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saúde, seja quando se encontra em ótimas condições até centro de discussão a integração entre ações coletivas e
quando estão enfermos, o que permite pensar na saúde, na individuais, tomando como base a concepção ecológica a
doença e na invalidez em uma “escala graduada”. A perda do processo saúde-doença e a organização dos níveis de
da saúde pode ser causada por “agentes patológicos prevenção /níveis de atenção à saúde em sistemas
animados e inanimados, pelas características inerentes ou descentralizados, hierarquizados, regionalizados.
adquiridas pelo homem e pelos muitos fatores de meio No momento atual, a tensão conceitual e política
ambiente em que o homem vive”. Assim, a doença é vista em torno de distintas abordagens acerca do processo
como um processo contínuo, ocasionada pelo desequilíbrio saúde/doença e das formas de organização social que
entre as forças biológicas, físicas, mentais e sociais. respondem aos problemas e necessidades de saúde,
Estes autores acreditam que o processo da evidencia-se em duas tendências (opostas, mas
doença acontece em dois períodos, denominados pré- complementares) na produção científica em saúde,
patogênese e patogênese. O primeiro ocorre por meio da originando várias propostas e estratégias de ação no
interação entre os fatores relacionados com o agente âmbito da atenção médica, da saúde pública e da saúde
potencial, o hospedeiro e o meio ambiente. No segundo, a coletiva.
primeira interação do homem com os fatores determinantes
da doença, sem que o equilíbrio seja restabelecido ou São instrumentos potencialmente capazes de modificar
alcançado, resulta na mudança de forma e função, até um suas práticas. Trazendo essas reflexões para a
defeito, invalidez ou morte. assistência à saúde do adolescente, o que deve ser
A associação destes dois períodos, com vistas às compreendido é que o profissional da saúde deve pautar
ações preventivas, foi denominada a História Natural de sua conduta considerando o meio ambiente como um fator
uma Doença que compreende todas as inter-relações do de importância capital na compreensão da problemática do
agente, hospedeiro e do meio ambiente que afetam o adolescente.
processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras
forças que criam o estímulo patológico no meio ambiente ou Ações estratégicas de promoção da saúde
em qualquer outro lugar, passando pela resposta do
homem ao estímulo, até às alterações que levam a um As ações estratégicas voltadas para a promoção
defeito, invalidez, recuperação ou morte. Assim, baseados da saúde do adolescente devem requerer o envolvimento
na história natural, sugerem a prevenção da doença em três de sujeitos e coletivos, visando desenvolver a autonomia.
níveis: primário, secundário e terciário. Dessa forma, compreende-se que a participação conjunta
Prevenção entendida como o ato de “antecipar, na construção de ambientes saudáveis pode reduzir não
preceder, tornar impossível por meio de uma providência somente o adoecimento, mas esse comprometimento
precoce”. A prevenção primária, feita no período da pré- favorece, também, a sustentabilidade e a efetividade das
patogênese, desenvolve medidas de proteção específica do ações intersetoriais que podem se configurar no SUS.
homem contra agentes patológicos ou estabelece barreiras
contra os agentes do meio ambiente. Na prevenção Dentre as principais estratégias a serem adotadas pela
secundária, o processo patológico já está instalado equipe, o Ministério da Saúde cita:
(patogênese), portanto a mesma se dá por meio do • Adotar o planejamento das ações de promoção da saúde,
diagnóstico precoce e tratamento imediato e adequado, a partir de um território sanitário ou região de saúde, que
procurando evitar as sequelas e a invalidez. tenha como centro a articulação entre os atores sociais,
Posteriormente, na presença de defeitos ou incluindo atores sociais jovens, e a consolidação das
invalidez, atua-se na prevenção terciária, por meio da sinergias já em desenvolvimento, ampliando as redes de
reabilitação. A medicina preventiva tem como objetivos compromisso e de corresponsabilização na construção
“promover um estado de saúde positivo ou ótimo, evitar a conjunta da equidade no modo de viver saudável;
perda da saúde e a invalidez depois que o homem foi • Levar em conta, nas ações de promoção para a saúde das
atacado pela doença”. Neste contexto, a clínica tem como pessoas jovens, os projetos de vida e o contexto
objeto a doença em sua dimensão individual. Assim, sociocultural e econômico em que eles se realizarão e o
considera que a medicina preventiva amplia o objeto de desenvolvimento da cultura de paz promovida em trabalhos
intervenção à categoria problemas de saúde, incluindo não articulados a escolas e com as comunidades e famílias. As
só as doenças em sua expressão populacional, mas escolas, por excelência, concentram grandes números de
também os fatores populacionais que a condicionam. adolescentes e jovens, mas o setor de saúde não deve
Esta noção de níveis de prevenção foi incorporada limitar-se apenas a essa parceria;
ao discurso da Medicina Comunitária, na década de 60, e • Os serviços de saúde devem apoiar e valorizar iniciativas,
serviu de orientação para o estabelecimento de níveis de governamentais ou não, que fomentem a participação
atenção no sistema de serviços de saúde, o que foi juvenil, a convivência comunitária, a inserção social e as
amplamente difundido com o movimento da Saúde Para atividades culturais e esportivas que podem constituir-se
Todos no Ano 2000 e da Atenção Primária à Saúde - APS. em excelentes parceiros das equipes de saúde que atuam
Nos países em desenvolvimento, a APS vem no mesmo território. Para isso, é preciso estabelecer
subsidiando a elaboração e implementação de políticas de mecanismos de referência e contrarreferência;
descentralização da gestão e redefinição da oferta de • Favorecer o exercício da cidadania de adolescentes e
serviços nos sistemas de saúde, constituindo-se um dos jovens integrantes de grupos comunitários, esportivos,
eixos das propostas de reforma preconizadas pelos bancos culturais, religiosos, dentre outros, assim como estudantes
credores por meio da implantação de programas de saúde com características de liderança, capacitando-os como
da família. promotores de saúde junto a seus pares e para
O modelo biomédico hegemônico e o participarem do planejamento, execução e avaliação das
desenvolvimento de práticas de saúde centradas no ações de saúde afeta ao seu bem-estar, assim como nas
cuidado individual, com a incorporação de tecnologia de instâncias de controle social do SUS;
produção extremamente desenvolvida e de elevados • Incorporar, nas ações desenvolvidas no serviço de saúde
custos, têm gerado a necessidade de reformas dos e nas ações intersetoriais, a abordagem transversal dos
sistemas de saúde. No Brasil, a maior parte das propostas temas estruturantes, recomendados neste documento, para
de reforma do modelo médico-assistencial, tem como a reflexão sobre as desigualdades e iniquidades
60
APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕES & CONCURSOS

relacionadas à raça, etnia, gênero e orientação sexual, e a § 2º A iniciativa privada poderá participar do Sistema
outras formas de exclusão e discriminação; Único de Saúde (SUS), em caráter complementar.
• Abordar a ética e a cidadania na promoção da saúde, o
que significa criar oportunidades para que os adolescentes CAPÍTULO I
e jovens possam discutir, reconhecer, refletir, vivenciar e Dos Objetivos e Atribuições
praticar princípios éticos, em bases universais, plurais,
transreligiosas e transculturais, sem qualquer Art. 5º São objetivos do Sistema Único de Saúde
fundamentalismo, dogmatismo ou proselitismo (BRASIL, SUS:
2010a). I - a identificação e divulgação dos fatores
condicionantes e determinantes da saúde;
LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE 1990. II - a formulação de política de saúde destinada a
promover, nos campos econômico e social, a observância
Dispõe sobre as condições para a promoção, do disposto no § 1º do art. 2º desta lei;
Mensagem de
proteção e recuperação da saúde, a III - a assistência às pessoas por intermédio de ações
veto
organização e o funcionamento dos serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde, com a
Regulamento
correspondentes e dá outras providências. realização integrada das ações assistenciais e das
Regulamento
atividades preventivas.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que Art. 6º Estão incluídas ainda no campo de atuação do
o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Sistema Único de Saúde (SUS):
lei: I - a execução de ações:
a) de vigilância sanitária;
DISPOSIÇÃO PRELIMINAR b) de vigilância epidemiológica;
c) de saúde do trabalhador; e
Art. 1º Esta lei regula, em todo o território nacional, d) de assistência terapêutica integral, inclusive
as ações e serviços de saúde, executados isolada ou farmacêutica;
conjuntamente, em caráter permanente ou eventual, por II - a participação na formulação da política e na
pessoas naturais ou jurídicas de direito Público ou privado. execução de ações de saneamento básico;
III - a ordenação da formação de recursos humanos
TÍTULO I na área de saúde;
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS IV - a vigilância nutricional e a orientação alimentar;
V - a colaboração na proteção do meio ambiente,
Art. 2º A saúde é um direito fundamental do ser nele compreendido o do trabalho;
humano, devendo o Estado prover as condições VI - a formulação da política de medicamentos,
indispensáveis ao seu pleno exercício. equipamentos, imunobiológicos e outros insumos de
§ 1º O dever do Estado de garantir a saúde consiste interesse para a saúde e a participação na sua produção;
na formulação e execução de políticas econômicas e VII - o controle e a fiscalização de serviços, produtos
sociais que visem à redução de riscos de doenças e de e substâncias de interesse para a saúde;
outros agravos e no estabelecimento de condições que VIII - a fiscalização e a inspeção de alimentos, água
assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos e bebidas para consumo humano;
serviços para a sua promoção, proteção e recuperação. IX - a participação no controle e na fiscalização da
§ 2º O dever do Estado não exclui o das pessoas, da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e
família, das empresas e da sociedade. produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;
Art. 3o  Os níveis de saúde expressam a organização X - o incremento, em sua área de atuação, do
social e econômica do País, tendo a saúde como desenvolvimento científico e tecnológico;
determinantes e condicionantes, entre outros, a XI - a formulação e execução da política de sangue e
alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio seus derivados.
ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade § 1º Entende-se por vigilância sanitária um conjunto
física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à
essenciais.         (Redação dada pela Lei nº 12.864, de saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do
2013) meio ambiente, da produção e circulação de bens e da
Parágrafo único. Dizem respeito também à saúde as prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo:
ações que, por força do disposto no artigo anterior, se I - o controle de bens de consumo que, direta ou
destinam a garantir às pessoas e à coletividade condições indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas
de bem-estar físico, mental e social. todas as etapas e processos, da produção ao consumo; e
II - o controle da prestação de serviços que se
TÍTULO II relacionam direta ou indiretamente com a saúde.
DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE § 2º Entende-se por vigilância epidemiológica um
DISPOSIÇÃO PRELIMINAR conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a
detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores
Art. 4º O conjunto de ações e serviços de saúde, determinantes e condicionantes de saúde individual ou
prestados por órgãos e instituições públicas federais, coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as
estaduais e municipais, da Administração direta e indireta e medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos.
das fundações mantidas pelo Poder Público, constitui o § 3º Entende-se por saúde do trabalhador, para fins
Sistema Único de Saúde (SUS). desta lei, um conjunto de atividades que se destina, através
§ 1º Estão incluídas no disposto neste artigo as das ações de vigilância epidemiológica e vigilância
instituições públicas federais, estaduais e municipais de sanitária, à promoção e proteção da saúde dos
controle de qualidade, pesquisa e produção de insumos, trabalhadores, assim como visa à recuperação e
medicamentos, inclusive de sangue e hemoderivados, e de reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos
equipamentos para saúde. riscos e agravos advindos das condições de trabalho,
abrangendo:
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I - assistência ao trabalhador vítima de acidentes de XI - conjugação dos recursos financeiros,


trabalho ou portador de doença profissional e do trabalho; tecnológicos, materiais e humanos da União, dos Estados,
II - participação, no âmbito de competência do do Distrito Federal e dos Municípios na prestação de
Sistema Único de Saúde (SUS), em estudos, pesquisas, serviços de assistência à saúde da população;
avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à XII - capacidade de resolução dos serviços em todos
saúde existentes no processo de trabalho; os níveis de assistência; e
III - participação, no âmbito de competência do XIII - organização dos serviços públicos de modo a
Sistema Único de Saúde (SUS), da normatização, evitar duplicidade de meios para fins idênticos.
fiscalização e controle das condições de produção, XIV – organização de atendimento público específico
extração, armazenamento, transporte, distribuição e e especializado para mulheres e vítimas de violência
manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas e de doméstica em geral, que garanta, entre outros,
equipamentos que apresentam riscos à saúde do atendimento, acompanhamento psicológico e cirurgias
trabalhador; plásticas reparadoras, em conformidade com a Lei
IV - avaliação do impacto que as tecnologias nº 12.845, de 1º de agosto de 2013.           (Redação dada
provocam à saúde; pela Lei nº 13.427, de 2017)
V - informação ao trabalhador e à sua respectiva
entidade sindical e às empresas sobre os riscos de CAPÍTULO III
acidentes de trabalho, doença profissional e do trabalho, Da Organização, da Direção e da Gestão
bem como os resultados de fiscalizações, avaliações
ambientais e exames de saúde, de admissão, periódicos e Art. 8º As ações e serviços de saúde, executados
de demissão, respeitados os preceitos da ética profissional; pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seja diretamente ou
VI - participação na normatização, fiscalização e mediante participação complementar da iniciativa privada,
controle dos serviços de saúde do trabalhador nas serão organizados de forma regionalizada e hierarquizada
instituições e empresas públicas e privadas; em níveis de complexidade crescente.
VII - revisão periódica da listagem oficial de doenças Art. 9º A direção do Sistema Único de Saúde (SUS) é
originadas no processo de trabalho, tendo na sua única, de acordo com o inciso I do art. 198 da Constituição
elaboração a colaboração das entidades sindicais; e Federal, sendo exercida em cada esfera de governo pelos
VIII - a garantia ao sindicato dos trabalhadores de seguintes órgãos:
requerer ao órgão competente a interdição de máquina, de I - no âmbito da União, pelo Ministério da Saúde;
setor de serviço ou de todo ambiente de trabalho, quando II - no âmbito dos Estados e do Distrito Federal, pela
houver exposição a risco iminente para a vida ou saúde dos respectiva Secretaria de Saúde ou órgão equivalente; e
trabalhadores. III - no âmbito dos Municípios, pela respectiva
Secretaria de Saúde ou órgão equivalente.
CAPÍTULO II Art. 10. Os municípios poderão constituir consórcios
Dos Princípios e Diretrizes para desenvolver em conjunto as ações e os serviços de
saúde que lhes correspondam.
Art. 7º As ações e serviços públicos de saúde e os § 1º Aplica-se aos consórcios administrativos
serviços privados contratados ou conveniados que integram intermunicipais o princípio da direção única, e os
o Sistema Único de Saúde (SUS), são desenvolvidos de respectivos atos constitutivos disporão sobre sua
acordo com as diretrizes previstas no art. 198 da observância.
Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes § 2º No nível municipal, o Sistema Único de Saúde
princípios: (SUS), poderá organizar-se em distritos de forma a integrar
I - universalidade de acesso aos serviços de saúde e articular recursos, técnicas e práticas voltadas para a
em todos os níveis de assistência; cobertura total das ações de saúde.
II - integralidade de assistência, entendida como Art. 11. (Vetado).
conjunto articulado e contínuo das ações e serviços Art. 12. Serão criadas comissões intersetoriais de
preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos âmbito nacional, subordinadas ao Conselho Nacional de
para cada caso em todos os níveis de complexidade do Saúde, integradas pelos Ministérios e órgãos competentes
sistema; e por entidades representativas da sociedade civil.
III - preservação da autonomia das pessoas na Parágrafo único. As comissões intersetoriais terão a
defesa de sua integridade física e moral; finalidade de articular políticas e programas de interesse
IV - igualdade da assistência à saúde, sem para a saúde, cuja execução envolva áreas não
preconceitos ou privilégios de qualquer espécie; compreendidas no âmbito do Sistema Único de Saúde
V - direito à informação, às pessoas assistidas, sobre (SUS).
sua saúde; Art. 13. A articulação das políticas e programas, a
VI - divulgação de informações quanto ao potencial cargo das comissões intersetoriais, abrangerá, em especial,
dos serviços de saúde e a sua utilização pelo usuário; as seguintes atividades:
VII - utilização da epidemiologia para o I - alimentação e nutrição;
estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos e a II - saneamento e meio ambiente;
orientação programática; III - vigilância sanitária e farmacoepidemiologia;
VIII - participação da comunidade; IV - recursos humanos;
IX - descentralização político-administrativa, com V - ciência e tecnologia; e
direção única em cada esfera de governo: VI - saúde do trabalhador.
a) ênfase na descentralização dos serviços para os Art. 14. Deverão ser criadas Comissões
municípios; Permanentes de integração entre os serviços de saúde e as
b) regionalização e hierarquização da rede de instituições de ensino profissional e superior.
serviços de saúde; Parágrafo único. Cada uma dessas comissões terá
X - integração em nível executivo das ações de por finalidade propor prioridades, métodos e estratégias
saúde, meio ambiente e saneamento básico; para a formação e educação continuada dos recursos
humanos do Sistema Único de Saúde (SUS), na esfera
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correspondente, assim como em relação à pesquisa e à VII - participação de formulação da política e da


cooperação técnica entre essas instituições. execução das ações de saneamento básico e colaboração
Art. 14-A.  As Comissões Intergestores Bipartite e na proteção e recuperação do meio ambiente;
Tripartite são reconhecidas como foros de negociação e VIII - elaboração e atualização periódica do plano de
pactuação entre gestores, quanto aos aspectos saúde;
operacionais do Sistema Único de Saúde IX - participação na formulação e na execução da
(SUS).         (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011). política de formação e desenvolvimento de recursos
Parágrafo único.  A atuação das Comissões humanos para a saúde;
Intergestores Bipartite e Tripartite terá por X - elaboração da proposta orçamentária do Sistema
objetivo:         (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011). Único de Saúde (SUS), de conformidade com o plano de
I - decidir sobre os aspectos operacionais, saúde;
financeiros e administrativos da gestão compartilhada do XI - elaboração de normas para regular as atividades
SUS, em conformidade com a definição da política de serviços privados de saúde, tendo em vista a sua
consubstanciada em planos de saúde, aprovados pelos relevância pública;
conselhos de saúde;           (Incluído pela Lei nº 12.466, de XII - realização de operações externas de natureza
2011). financeira de interesse da saúde, autorizadas pelo Senado
II - definir diretrizes, de âmbito nacional, regional e Federal;
intermunicipal, a respeito da organização das redes de XIII - para atendimento de necessidades coletivas,
ações e serviços de saúde, principalmente no tocante à sua urgentes e transitórias, decorrentes de situações de perigo
governança institucional e à integração das ações e iminente, de calamidade pública ou de irrupção de
serviços dos entes federados;        (Incluído pela Lei nº epidemias, a autoridade competente da esfera
12.466, de 2011). administrativa correspondente poderá requisitar bens e
III - fixar diretrizes sobre as regiões de saúde, distrito serviços, tanto de pessoas naturais como de jurídicas,
sanitário, integração de territórios, referência e sendo-lhes assegurada justa indenização;
contrarreferência e demais aspectos vinculados à XIV - implementar o Sistema Nacional de Sangue,
integração das ações e serviços de saúde entre os entes Componentes e Derivados;
federados.        (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011). XV - propor a celebração de convênios, acordos e
Art. 14-B.  O Conselho Nacional de Secretários de protocolos internacionais relativos à saúde, saneamento e
Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias meio ambiente;
Municipais de Saúde (Conasems) são reconhecidos como XVI - elaborar normas técnico-científicas de
entidades representativas dos entes estaduais e municipais promoção, proteção e recuperação da saúde;
para tratar de matérias referentes à saúde e declarados de XVII - promover articulação com os órgãos de
utilidade pública e de relevante função social, na forma do fiscalização do exercício profissional e outras entidades
regulamento.        (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011). representativas da sociedade civil para a definição e
§ 1o  O Conass e o Conasems receberão recursos do controle dos padrões éticos para pesquisa, ações e
orçamento geral da União por meio do Fundo Nacional de serviços de saúde;
Saúde, para auxiliar no custeio de suas despesas XVIII - promover a articulação da política e dos
institucionais, podendo ainda celebrar convênios com a planos de saúde;
União.           (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011). XIX - realizar pesquisas e estudos na área de saúde;
§ 2o  Os Conselhos de Secretarias Municipais de XX - definir as instâncias e mecanismos de controle e
Saúde (Cosems) são reconhecidos como entidades que fiscalização inerentes ao poder de polícia sanitária;
representam os entes municipais, no âmbito estadual, para XXI - fomentar, coordenar e executar programas e
tratar de matérias referentes à saúde, desde que vinculados projetos estratégicos e de atendimento emergencial.
institucionalmente ao Conasems, na forma que dispuserem
seus estatutos.          (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011). Seção II
Da Competência
CAPÍTULO IV
Da Competência e das Atribuições Art. 16. A direção nacional do Sistema Único da
Seção I Saúde (SUS) compete:
Das Atribuições Comuns I - formular, avaliar e apoiar políticas de alimentação
e nutrição;
Art. 15. A União, os Estados, o Distrito Federal e os II - participar na formulação e na implementação das
Municípios exercerão, em seu âmbito administrativo, as políticas:
seguintes atribuições: a) de controle das agressões ao meio ambiente;
I - definição das instâncias e mecanismos de b) de saneamento básico; e
controle, avaliação e de fiscalização das ações e serviços c) relativas às condições e aos ambientes de
de saúde; trabalho;
II - administração dos recursos orçamentários e III - definir e coordenar os sistemas:
financeiros destinados, em cada ano, à saúde; a) de redes integradas de assistência de alta
III - acompanhamento, avaliação e divulgação do complexidade;
nível de saúde da população e das condições ambientais; b) de rede de laboratórios de saúde pública;
IV - organização e coordenação do sistema de c) de vigilância epidemiológica; e
informação de saúde; d) vigilância sanitária;
V - elaboração de normas técnicas e IV - participar da definição de normas e mecanismos
estabelecimento de padrões de qualidade e parâmetros de de controle, com órgão afins, de agravo sobre o meio
custos que caracterizam a assistência à saúde; ambiente ou dele decorrentes, que tenham repercussão na
VI - elaboração de normas técnicas e saúde humana;
estabelecimento de padrões de qualidade para promoção V - participar da definição de normas, critérios e
da saúde do trabalhador; padrões para o controle das condições e dos ambientes de
trabalho e coordenar a política de saúde do trabalhador;
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VI - coordenar e participar na execução das ações de VII - participar das ações de controle e avaliação das
vigilância epidemiológica; condições e dos ambientes de trabalho;
VII - estabelecer normas e executar a vigilância VIII - em caráter suplementar, formular, executar,
sanitária de portos, aeroportos e fronteiras, podendo a acompanhar e avaliar a política de insumos e equipamentos
execução ser complementada pelos Estados, Distrito para a saúde;
Federal e Municípios; IX - identificar estabelecimentos hospitalares de
VIII - estabelecer critérios, parâmetros e métodos referência e gerir sistemas públicos de alta complexidade,
para o controle da qualidade sanitária de produtos, de referência estadual e regional;
substâncias e serviços de consumo e uso humano; X - coordenar a rede estadual de laboratórios de
IX - promover articulação com os órgãos saúde pública e hemocentros, e gerir as unidades que
educacionais e de fiscalização do exercício profissional, permaneçam em sua organização administrativa;
bem como com entidades representativas de formação de XI - estabelecer normas, em caráter suplementar,
recursos humanos na área de saúde; para o controle e avaliação das ações e serviços de saúde;
X - formular, avaliar, elaborar normas e participar na XII - formular normas e estabelecer padrões, em
execução da política nacional e produção de insumos e caráter suplementar, de procedimentos de controle de
equipamentos para a saúde, em articulação com os demais qualidade para produtos e substâncias de consumo
órgãos governamentais; humano;
XI - identificar os serviços estaduais e municipais de XIII - colaborar com a União na execução da
referência nacional para o estabelecimento de padrões vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras;
técnicos de assistência à saúde; XIV - o acompanhamento, a avaliação e divulgação
XII - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e dos indicadores de morbidade e mortalidade no âmbito da
substâncias de interesse para a saúde; unidade federada.
XIII - prestar cooperação técnica e financeira aos Art. 18. À direção municipal do Sistema de Saúde
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o (SUS) compete:
aperfeiçoamento da sua atuação institucional; I - planejar, organizar, controlar e avaliar as ações e
XIV - elaborar normas para regular as relações entre os serviços de saúde e gerir e executar os serviços públicos
o Sistema Único de Saúde (SUS) e os serviços privados de saúde;
contratados de assistência à saúde; II - participar do planejamento, programação e
XV - promover a descentralização para as Unidades organização da rede regionalizada e hierarquizada do
Federadas e para os Municípios, dos serviços e ações de Sistema Único de Saúde (SUS), em articulação com sua
saúde, respectivamente, de abrangência estadual e direção estadual;
municipal; III - participar da execução, controle e avaliação das
XVI - normatizar e coordenar nacionalmente o ações referentes às condições e aos ambientes de trabalho;
Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados; IV - executar serviços:
XVII - acompanhar, controlar e avaliar as ações e os a) de vigilância epidemiológica;
serviços de saúde, respeitadas as competências estaduais b) vigilância sanitária;
e municipais; c) de alimentação e nutrição;
XVIII - elaborar o Planejamento Estratégico Nacional d) de saneamento básico; e
no âmbito do SUS, em cooperação técnica com os Estados, e) de saúde do trabalhador;
Municípios e Distrito Federal; V - dar execução, no âmbito municipal, à política de
XIX - estabelecer o Sistema Nacional de Auditoria e insumos e equipamentos para a saúde;
coordenar a avaliação técnica e financeira do SUS em todo VI - colaborar na fiscalização das agressões ao meio
o Território Nacional em cooperação técnica com os ambiente que tenham repercussão sobre a saúde humana
Estados, Municípios e Distrito Federal.        (Vide Decreto nº e atuar, junto aos órgãos municipais, estaduais e federais
1.651, de 1995) competentes, para controlá-las;
Parágrafo único. A União poderá executar ações de VII - formar consórcios administrativos
vigilância epidemiológica e sanitária em circunstâncias intermunicipais;
especiais, como na ocorrência de agravos inusitados à VIII - gerir laboratórios públicos de saúde e
saúde, que possam escapar do controle da direção hemocentros;
estadual do Sistema Único de Saúde (SUS) ou que IX - colaborar com a União e os Estados na
representem risco de disseminação nacional. execução da vigilância sanitária de portos, aeroportos e
Art. 17. À direção estadual do Sistema Único de fronteiras;
Saúde (SUS) compete: X - observado o disposto no art. 26 desta Lei,
I - promover a descentralização para os Municípios celebrar contratos e convênios com entidades prestadoras
dos serviços e das ações de saúde; de serviços privados de saúde, bem como controlar e
II - acompanhar, controlar e avaliar as redes avaliar sua execução;
hierarquizadas do Sistema Único de Saúde (SUS); XI - controlar e fiscalizar os procedimentos dos
III - prestar apoio técnico e financeiro aos Municípios serviços privados de saúde;
e executar supletivamente ações e serviços de saúde; XII - normatizar complementarmente as ações e
IV - coordenar e, em caráter complementar, executar serviços públicos de saúde no seu âmbito de atuação.
ações e serviços: Art. 19. Ao Distrito Federal competem as atribuições
a) de vigilância epidemiológica; reservadas aos Estados e aos Municípios.
b) de vigilância sanitária;
c) de alimentação e nutrição; e CAPÍTULO V
d) de saúde do trabalhador; Do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena
V - participar, junto com os órgãos afins, do controle
dos agravos do meio ambiente que tenham repercussão na (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
saúde humana; Art. 19-A. As ações e serviços de saúde voltados
VI - participar da formulação da política e da para o atendimento das populações indígenas, em todo o
execução de ações de saneamento básico; território nacional, coletiva ou individualmente, obedecerão
64
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ao disposto nesta Lei.       (Incluído pela Lei nº 9.836, de níveis da medicina preventiva, terapêutica e
1999) reabilitadora.        (Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002)
Art. 19-B. É instituído um Subsistema de Atenção à § 3o O atendimento e a internação domiciliares só
Saúde Indígena, componente do Sistema Único de Saúde – poderão ser realizados por indicação médica, com expressa
SUS, criado e definido por esta Lei, e pela Lei no 8.142, de concordância do paciente e de sua família.         (Incluído
28 de dezembro de 1990, com o qual funcionará em pela Lei nº 10.424, de 2002)
perfeita integração.        (Incluído pela Lei nº 9.836, de
1999) CAPÍTULO VII
Art. 19-C. Caberá à União, com seus recursos DO SUBSISTEMA DE ACOMPANHAMENTO
próprios, financiar o Subsistema de Atenção à Saúde DURANTE O TRABALHO DE PARTO, PARTO E PÓS-
Indígena.       (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999) PARTO IMEDIATO
Art. 19-D. O SUS promoverá a articulação do (Incluído pela Lei nº 11.108, de 2005)
Subsistema instituído por esta Lei com os órgãos
responsáveis pela Política Indígena do País.       (Incluído Art. 19-J. Os serviços de saúde do Sistema Único de
pela Lei nº 9.836, de 1999) Saúde - SUS, da rede própria ou conveniada, ficam
Art. 19-E. Os Estados, Municípios, outras instituições obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de 1
governamentais e não-governamentais poderão atuar (um) acompanhante durante todo o período de trabalho de
complementarmente no custeio e execução das parto, parto e pós-parto imediato.          (Incluído pela Lei nº
ações.        (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999) 11.108, de 2005)
Art. 19-F. Dever-se-á obrigatoriamente levar em § 1o O acompanhante de que trata o  caput deste
consideração a realidade local e as especificidades da artigo será indicado pela parturiente.        (Incluído pela Lei
cultura dos povos indígenas e o modelo a ser adotado para nº 11.108, de 2005)
a atenção à saúde indígena, que se deve pautar por uma § 2o As ações destinadas a viabilizar o pleno
abordagem diferenciada e global, contemplando os exercício dos direitos de que trata este artigo constarão do
aspectos de assistência à saúde, saneamento básico, regulamento da lei, a ser elaborado pelo órgão competente
nutrição, habitação, meio ambiente, demarcação de terras, do Poder Executivo.       (Incluído pela Lei nº 11.108, de
educação sanitária e integração institucional.        (Incluído 2005)
pela Lei nº 9.836, de 1999) § 3o Ficam os hospitais de todo o País obrigados a
Art. 19-G. O Subsistema de Atenção à Saúde manter, em local visível de suas dependências, aviso
Indígena deverá ser, como o SUS, descentralizado, informando sobre o direito estabelecido no caput deste
hierarquizado e regionalizado.       (Incluído pela Lei nº artigo.        (Incluído pela Lei nº 12.895, de 2013)
9.836, de 1999) Art. 19-L. (VETADO)          (Incluído pela Lei nº
§ 1o O Subsistema de que trata o caput deste artigo 11.108, de 2005)
terá como base os Distritos Sanitários Especiais
Indígenas.        (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999) CAPÍTULO VIII
§ 2o O SUS servirá de retaguarda e referência ao (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, devendo, para DA ASSISTÊNCIA TERAPÊUTICA E DA INCORPORAÇÃO
isso, ocorrer adaptações na estrutura e organização do DE TECNOLOGIA EM SAÚDE” 
SUS nas regiões onde residem as populações indígenas,
para propiciar essa integração e o atendimento necessário Art. 19-M.  A assistência terapêutica integral a que
em todos os níveis, sem discriminações.        (Incluído pela se refere a alínea d do inciso I do art. 6o consiste em:       
Lei nº 9.836, de 1999) (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
§ 3o As populações indígenas devem ter acesso I - dispensação de medicamentos e produtos de
garantido ao SUS, em âmbito local, regional e de centros interesse para a saúde, cuja prescrição esteja em
especializados, de acordo com suas necessidades, conformidade com as diretrizes terapêuticas definidas em
compreendendo a atenção primária, secundária e terciária à protocolo clínico para a doença ou o agravo à saúde a ser
saúde.        (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999) tratado ou, na falta do protocolo, em conformidade com o
Art. 19-H. As populações indígenas terão direito a disposto no art. 19-P;         (Incluído pela Lei nº 12.401, de
participar dos organismos colegiados de formulação, 2011)
acompanhamento e avaliação das políticas de saúde, tais II - oferta de procedimentos terapêuticos, em regime
como o Conselho Nacional de Saúde e os Conselhos domiciliar, ambulatorial e hospitalar, constantes de tabelas
Estaduais e Municipais de Saúde, quando for o caso.        elaboradas pelo gestor federal do Sistema Único de Saúde
(Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999) - SUS, realizados no território nacional por serviço próprio,
conveniado ou contratado.
CAPÍTULO VI Art. 19-N.  Para os efeitos do disposto no art. 19-M,
DO SUBSISTEMA DE ATENDIMENTO E INTERNAÇÃO são adotadas as seguintes definições: 
DOMICILIAR I - produtos de interesse para a saúde: órteses,
próteses, bolsas coletoras e equipamentos médicos; 
(Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002) II - protocolo clínico e diretriz terapêutica: documento
Art. 19-I. São estabelecidos, no âmbito do Sistema que estabelece critérios para o diagnóstico da doença ou do
Único de Saúde, o atendimento domiciliar e a internação agravo à saúde; o tratamento preconizado, com os
domiciliar.        (Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002) medicamentos e demais produtos apropriados, quando
§ 1o Na modalidade de assistência de atendimento e couber; as posologias recomendadas; os mecanismos de
internação domiciliares incluem-se, principalmente, os controle clínico; e o acompanhamento e a verificação dos
procedimentos médicos, de enfermagem, fisioterapêuticos, resultados terapêuticos, a serem seguidos pelos gestores
psicológicos e de assistência social, entre outros do SUS.         (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
necessários ao cuidado integral dos pacientes em seu Art. 19-O.  Os protocolos clínicos e as diretrizes
domicílio.       (Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002) terapêuticas deverão estabelecer os medicamentos ou
§ 2o O atendimento e a internação domiciliares serão produtos necessários nas diferentes fases evolutivas da
realizados por equipes multidisciplinares que atuarão nos doença ou do agravo à saúde de que tratam, bem como
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aqueles indicados em casos de perda de eficácia e de § 1o  O processo de que trata o caput deste artigo
surgimento de intolerância ou reação adversa relevante, observará, no que couber, o disposto na Lei n o 9.784, de 29
provocadas pelo medicamento, produto ou procedimento de de janeiro de 1999, e as seguintes determinações
primeira escolha.         (Incluído pela Lei nº 12.401, de especiais:          (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
2011) I - apresentação pelo interessado dos documentos e,
Parágrafo único.  Em qualquer caso, os se cabível, das amostras de produtos, na forma do
medicamentos ou produtos de que trata o caput deste regulamento, com informações necessárias para o
artigo serão aqueles avaliados quanto à sua eficácia, atendimento do disposto no § 2o do art. 19-Q;  (Incluído pela
segurança, efetividade e custo-efetividade para as Lei nº 12.401, de 2011)
diferentes fases evolutivas da doença ou do agravo à saúde II - (VETADO);        (Incluído pela Lei nº 12.401, de
de que trata o protocolo.         (Incluído pela Lei nº 12.401, 2011)
de 2011) III - realização de consulta pública que inclua a
Art. 19-P.  Na falta de protocolo clínico ou de diretriz divulgação do parecer emitido pela Comissão Nacional de
terapêutica, a dispensação será realizada:         (Incluído Incorporação de Tecnologias no SUS;        (Incluído pela Lei
pela Lei nº 12.401, de 2011) nº 12.401, de 2011)
I - com base nas relações de medicamentos IV - realização de audiência pública, antes da
instituídas pelo gestor federal do SUS, observadas as tomada de decisão, se a relevância da matéria justificar o
competências estabelecidas nesta Lei, e a responsabilidade evento.        (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
pelo fornecimento será pactuada na Comissão § 2o  (VETADO).        (Incluído pela Lei nº 12.401, de
Intergestores Tripartite;        (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
2011) Art. 19-S.  (VETADO).          (Incluído pela Lei nº
II - no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, 12.401, de 2011)
de forma suplementar, com base nas relações de Art. 19-T.  São vedados, em todas as esferas de
medicamentos instituídas pelos gestores estaduais do SUS, gestão do SUS:           (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
e a responsabilidade pelo fornecimento será pactuada na I - o pagamento, o ressarcimento ou o reembolso de
Comissão Intergestores Bipartite;        (Incluído pela Lei nº medicamento, produto e procedimento clínico ou cirúrgico
12.401, de 2011) experimental, ou de uso não autorizado pela Agência
III - no âmbito de cada Município, de forma Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA;         (Incluído
suplementar, com base nas relações de medicamentos pela Lei nº 12.401, de 2011)
instituídas pelos gestores municipais do SUS, e a II - a dispensação, o pagamento, o ressarcimento ou
responsabilidade pelo fornecimento será pactuada no o reembolso de medicamento e produto, nacional ou
Conselho Municipal de Saúde.        (Incluído pela Lei nº importado, sem registro na Anvisa.” 
12.401, de 2011) Art. 19-U.  A responsabilidade financeira pelo
Art. 19-Q.  A incorporação, a exclusão ou a alteração fornecimento de medicamentos, produtos de interesse para
pelo SUS de novos medicamentos, produtos e a saúde ou procedimentos de que trata este Capítulo será
procedimentos, bem como a constituição ou a alteração de pactuada na Comissão Intergestores
protocolo clínico ou de diretriz terapêutica, são atribuições Tripartite.          (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
do Ministério da Saúde, assessorado pela Comissão
Nacional de Incorporação de Tecnologias no TÍTULO III
SUS.        (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) DOS SERVIÇOS PRIVADOS DE ASSISTÊNCIA À SAÙDE
§ 1o  A Comissão Nacional de Incorporação de CAPÍTULO I
Tecnologias no SUS, cuja composição e regimento são Do Funcionamento
definidos em regulamento, contará com a participação de 1
(um) representante indicado pelo Conselho Nacional de Art. 20. Os serviços privados de assistência à saúde
Saúde e de 1 (um) representante, especialista na área, caracterizam-se pela atuação, por iniciativa própria, de
indicado pelo Conselho Federal de Medicina.        (Incluído profissionais liberais, legalmente habilitados, e de pessoas
pela Lei nº 12.401, de 2011) jurídicas de direito privado na promoção, proteção e
§ 2o  O relatório da Comissão Nacional de recuperação da saúde.
Incorporação de Tecnologias no SUS levará em Art. 21. A assistência à saúde é livre à iniciativa
consideração, necessariamente:        (Incluído pela Lei nº privada.
12.401, de 2011) Art. 22. Na prestação de serviços privados de
I - as evidências científicas sobre a eficácia, a assistência à saúde, serão observados os princípios éticos
acurácia, a efetividade e a segurança do medicamento, e as normas expedidas pelo órgão de direção do Sistema
produto ou procedimento objeto do processo, acatadas pelo Único de Saúde (SUS) quanto às condições para seu
órgão competente para o registro ou a autorização de funcionamento.
uso; (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) Art. 23.  É permitida a participação direta ou indireta,
II - a avaliação econômica comparativa dos inclusive controle, de empresas ou de capital estrangeiro na
benefícios e dos custos em relação às tecnologias já assistência à saúde nos seguintes casos:        (Redação
incorporadas, inclusive no que se refere aos atendimentos dada pela Lei nº 13.097, de 2015)
domiciliar, ambulatorial ou hospitalar, quando I - doações de organismos internacionais vinculados
cabível.         (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) à Organização das Nações Unidas, de entidades de
Art. 19-R.  A incorporação, a exclusão e a alteração cooperação técnica e de financiamento e
a que se refere o art. 19-Q serão efetuadas mediante a empréstimos;        (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015)
instauração de processo administrativo, a ser concluído em II - pessoas jurídicas destinadas a instalar,
prazo não superior a 180 (cento e oitenta) dias, contado da operacionalizar ou explorar:         (Incluído pela Lei nº
data em que foi protocolado o pedido, admitida a sua 13.097, de 2015)
prorrogação por 90 (noventa) dias corridos, quando as a) hospital geral, inclusive filantrópico, hospital
circunstâncias exigirem.         (Incluído pela Lei nº 12.401, especializado, policlínica, clínica geral e clínica
de 2011) especializada; e        (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015)

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b) ações e pesquisas de planejamento § 1° Os servidores que legalmente acumulam dois


familiar;        (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) cargos ou empregos poderão exercer suas atividades em
III - serviços de saúde mantidos, sem finalidade mais de um estabelecimento do Sistema Único de Saúde
lucrativa, por empresas, para atendimento de seus (SUS).
empregados e dependentes, sem qualquer ônus para a § 2° O disposto no parágrafo anterior aplica-se
seguridade social; e         (Incluído pela Lei nº 13.097, de também aos servidores em regime de tempo integral, com
2015) exceção dos ocupantes de cargos ou função de chefia,
IV - demais casos previstos em legislação direção ou assessoramento.
específica.          (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) Art. 29. (Vetado).
Art. 30. As especializações na forma de treinamento
CAPÍTULO II em serviço sob supervisão serão regulamentadas por
Da Participação Complementar Comissão Nacional, instituída de acordo com o art. 12 desta
Lei, garantida a participação das entidades profissionais
Art. 24. Quando as suas disponibilidades forem correspondentes.
insuficientes para garantir a cobertura assistencial à
população de uma determinada área, o Sistema Único de TÍTULO V
Saúde (SUS) poderá recorrer aos serviços ofertados pela DO FINANCIAMENTO
iniciativa privada. CAPÍTULO I
Parágrafo único. A participação complementar dos Dos Recursos
serviços privados será formalizada mediante contrato ou
convênio, observadas, a respeito, as normas de direito Art. 31. O orçamento da seguridade social destinará
público. ao Sistema Único de Saúde (SUS) de acordo com a receita
Art. 25. Na hipótese do artigo anterior, as entidades estimada, os recursos necessários à realização de suas
filantrópicas e as sem fins lucrativos terão preferência para finalidades, previstos em proposta elaborada pela sua
participar do Sistema Único de Saúde (SUS). direção nacional, com a participação dos órgãos da
Art. 26. Os critérios e valores para a remuneração de Previdência Social e da Assistência Social, tendo em vista
serviços e os parâmetros de cobertura assistencial serão as metas e prioridades estabelecidas na Lei de Diretrizes
estabelecidos pela direção nacional do Sistema Único de Orçamentárias.
Saúde (SUS), aprovados no Conselho Nacional de Saúde. Art. 32. São considerados de outras fontes os
§ 1° Na fixação dos critérios, valores, formas de recursos provenientes de:
reajuste e de pagamento da remuneração aludida neste I - (Vetado)
artigo, a direção nacional do Sistema Único de Saúde II - Serviços que possam ser prestados sem prejuízo
(SUS) deverá fundamentar seu ato em demonstrativo da assistência à saúde;
econômico-financeiro que garanta a efetiva qualidade de III - ajuda, contribuições, doações e donativos;
execução dos serviços contratados. IV - alienações patrimoniais e rendimentos de capital;
§ 2° Os serviços contratados submeter-se-ão às V - taxas, multas, emolumentos e preços públicos
normas técnicas e administrativas e aos princípios e arrecadados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS);
diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), mantido o e
equilíbrio econômico e financeiro do contrato. VI - rendas eventuais, inclusive comerciais e
§ 3° (Vetado). industriais.
§ 4° Aos proprietários, administradores e dirigentes § 1° Ao Sistema Único de Saúde (SUS) caberá
de entidades ou serviços contratados é vedado exercer metade da receita de que trata o inciso I deste artigo,
cargo de chefia ou função de confiança no Sistema Único apurada mensalmente, a qual será destinada à recuperação
de Saúde (SUS). de viciados.
§ 2° As receitas geradas no âmbito do Sistema Único
TÍTULO IV de Saúde (SUS) serão creditadas diretamente em contas
DOS RECURSOS HUMANOS especiais, movimentadas pela sua direção, na esfera de
poder onde forem arrecadadas.
Art. 27. A política de recursos humanos na área da § 3º As ações de saneamento que venham a ser
saúde será formalizada e executada, articuladamente, pelas executadas supletivamente pelo Sistema Único de Saúde
diferentes esferas de governo, em cumprimento dos (SUS), serão financiadas por recursos tarifários específicos
seguintes objetivos: e outros da União, Estados, Distrito Federal, Municípios e,
I - organização de um sistema de formação de em particular, do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
recursos humanos em todos os níveis de ensino, inclusive § 4º (Vetado).
de pós-graduação, além da elaboração de programas de § 5º As atividades de pesquisa e desenvolvimento
permanente aperfeiçoamento de pessoal; científico e tecnológico em saúde serão co-financiadas pelo
II - (Vetado) Sistema Único de Saúde (SUS), pelas universidades e pelo
III - (Vetado) orçamento fiscal, além de recursos de instituições de
IV - valorização da dedicação exclusiva aos serviços fomento e financiamento ou de origem externa e receita
do Sistema Único de Saúde (SUS). própria das instituições executoras.
Parágrafo único. Os serviços públicos que integram o
Sistema Único de Saúde (SUS) constituem campo de § 6º (Vetado).
prática para ensino e pesquisa, mediante normas CAPÍTULO II
específicas, elaboradas conjuntamente com o sistema Da Gestão Financeira
educacional.
Art. 28. Os cargos e funções de chefia, direção e Art. 33. Os recursos financeiros do Sistema Único de
assessoramento, no âmbito do Sistema Único de Saúde Saúde (SUS) serão depositados em conta especial, em
(SUS), só poderão ser exercidas em regime de tempo cada esfera de sua atuação, e movimentados sob
integral. fiscalização dos respectivos Conselhos de Saúde.

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§ 1º Na esfera federal, os recursos financeiros, exceto em situações emergenciais ou de calamidade


originários do Orçamento da Seguridade Social, de outros pública, na área de saúde.
Orçamentos da União, além de outras fontes, serão Art. 37. O Conselho Nacional de Saúde estabelecerá
administrados pelo Ministério da Saúde, através do Fundo as diretrizes a serem observadas na elaboração dos planos
Nacional de Saúde. de saúde, em função das características epidemiológicas e
§ 2º (Vetado). da organização dos serviços em cada jurisdição
§ 3º (Vetado). administrativa.
§ 4º O Ministério da Saúde acompanhará, através de Art. 38. Não será permitida a destinação de
seu sistema de auditoria, a conformidade à programação subvenções e auxílios a instituições prestadoras de
aprovada da aplicação dos recursos repassados a Estados serviços de saúde com finalidade lucrativa.
e Municípios. Constatada a malversação, desvio ou não DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
aplicação dos recursos, caberá ao Ministério da Saúde Art. 39. (Vetado).
aplicar as medidas previstas em lei. § 1º (Vetado).
Art. 34. As autoridades responsáveis pela § 2º (Vetado).
distribuição da receita efetivamente arrecadada transferirão § 3º (Vetado).
automaticamente ao Fundo Nacional de Saúde (FNS), § 4º (Vetado).
observado o critério do parágrafo único deste artigo, os § 5º A cessão de uso dos imóveis de propriedade do
recursos financeiros correspondentes às dotações Inamps para órgãos integrantes do Sistema Único de
consignadas no Orçamento da Seguridade Social, a Saúde (SUS) será feita de modo a preservá-los como
projetos e atividades a serem executados no âmbito do patrimônio da Seguridade Social.
Sistema Único de Saúde (SUS). § 6º Os imóveis de que trata o parágrafo anterior
Parágrafo único. Na distribuição dos recursos serão inventariados com todos os seus acessórios,
financeiros da Seguridade Social será observada a mesma equipamentos e outros bens móveis e ficarão disponíveis
proporção da despesa prevista de cada área, no Orçamento para utilização pelo órgão de direção municipal do Sistema
da Seguridade Social. Único de Saúde - SUS ou, eventualmente, pelo estadual,
Art. 35. Para o estabelecimento de valores a serem em cuja circunscrição administrativa se encontrem,
transferidos a Estados, Distrito Federal e Municípios, será mediante simples termo de recebimento.
utilizada a combinação dos seguintes critérios, segundo § 7º (Vetado).
análise técnica de programas e projetos: § 8º O acesso aos serviços de informática e bases de
I - perfil demográfico da região; dados, mantidos pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério
II - perfil epidemiológico da população a ser coberta; do Trabalho e da Previdência Social, será assegurado às
III - características quantitativas e qualitativas da Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde ou órgãos
rede de saúde na área; congêneres, como suporte ao processo de gestão, de forma
IV - desempenho técnico, econômico e financeiro no a permitir a gerencia informatizada das contas e a
período anterior; disseminação de estatísticas sanitárias e epidemiológicas
V - níveis de participação do setor saúde nos médico-hospitalares.
orçamentos estaduais e municipais; Art. 40. (Vetado)
VI - previsão do plano quinquenal de investimentos Art. 41. As ações desenvolvidas pela Fundação das
da rede; Pioneiras Sociais e pelo Instituto Nacional do Câncer,
VII - ressarcimento do atendimento a serviços supervisionadas pela direção nacional do Sistema Único de
prestados para outras esferas de governo. Saúde (SUS), permanecerão como referencial de prestação
§ 2º Nos casos de Estados e Municípios sujeitos a de serviços, formação de recursos humanos e para
notório processo de migração, os critérios demográficos transferência de tecnologia.
mencionados nesta lei serão ponderados por outros Art. 42. (Vetado).
indicadores de crescimento populacional, em especial o Art. 43. A gratuidade das ações e serviços de saúde
número de eleitores registrados. fica preservada nos serviços públicos contratados,
§ 3º (Vetado). ressalvando-se as cláusulas dos contratos ou convênios
§ 4º (Vetado). estabelecidos com as entidades privadas.
§ 5º (Vetado). Art. 44. (Vetado).
§ 6º O disposto no parágrafo anterior não prejudica a Art. 45. Os serviços de saúde dos hospitais
atuação dos órgãos de controle interno e externo e nem a universitários e de ensino integram-se ao Sistema Único de
aplicação de penalidades previstas em lei, em caso de Saúde (SUS), mediante convênio, preservada a sua
irregularidades verificadas na gestão dos recursos autonomia administrativa, em relação ao patrimônio, aos
transferidos. recursos humanos e financeiros, ensino, pesquisa e
extensão nos limites conferidos pelas instituições a que
CAPÍTULO III estejam vinculados.
Do Planejamento e do Orçamento § 1º Os serviços de saúde de sistemas estaduais e
municipais de previdência social deverão integrar-se à
Art. 36. O processo de planejamento e orçamento do direção correspondente do Sistema Único de Saúde (SUS),
Sistema Único de Saúde (SUS) será ascendente, do nível conforme seu âmbito de atuação, bem como quaisquer
local até o federal, ouvidos seus órgãos deliberativos, outros órgãos e serviços de saúde.
compatibilizando-se as necessidades da política de saúde § 2º Em tempo de paz e havendo interesse
com a disponibilidade de recursos em planos de saúde dos recíproco, os serviços de saúde das Forças Armadas
Municípios, dos Estados, do Distrito Federal e da União. poderão integrar-se ao Sistema Único de Saúde (SUS),
§ 1º Os planos de saúde serão a base das atividades conforme se dispuser em convênio que, para esse fim, for
e programações de cada nível de direção do Sistema Único firmado.
de Saúde (SUS), e seu financiamento será previsto na Art. 46. o Sistema Único de Saúde (SUS),
respectiva proposta orçamentária. estabelecerá mecanismos de incentivos à participação do
§ 2º É vedada a transferência de recursos para o setor privado no investimento em ciência e tecnologia e
financiamento de ações não previstas nos planos de saúde, estimulará a transferência de tecnologia das universidades
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e institutos de pesquisa aos serviços de saúde nos Estados, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, na execução
Distrito Federal e Municípios, e às empresas nacionais. das atividades de responsabilidade dos entes federados,
Art. 47. O Ministério da Saúde, em articulação com mediante vínculo direto entre os referidos Agentes e órgão
os níveis estaduais e municipais do Sistema Único de ou entidade da administração direta, autárquica ou
Saúde (SUS), organizará, no prazo de dois anos, um fundacional.
sistema nacional de informações em saúde, integrado em § 1º É essencial e obrigatória a presença de Agentes
todo o território nacional, abrangendo questões Comunitários de Saúde na Estratégia Saúde da Família e
epidemiológicas e de prestação de serviços. de Agentes de Combate às Endemias na estrutura de
Art. 48. (Vetado). vigilância epidemiológica e ambiental. (Redação dada pela
Art. 49. (Vetado). Lei nº 13.708, de 2018)
Art. 50. Os convênios entre a União, os Estados e os § 2º Incumbe aos Agentes Comunitários de Saúde e
Municípios, celebrados para implantação dos Sistemas aos Agentes de Combate às Endemias desempenhar com
Unificados e Descentralizados de Saúde, ficarão zelo e presteza as atividades previstas nesta Lei. (Incluído
rescindidos à proporção que seu objeto for sendo absorvido dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Art. 3º O Agente Comunitário de Saúde tem como
Art. 51. (Vetado). atribuição o exercício de atividades de prevenção de
Art. 52. Sem prejuízo de outras sanções cabíveis, doenças e de promoção da saúde, a partir dos referenciais
constitui crime de emprego irregular de verbas ou rendas da Educação Popular em Saúde, mediante ações
públicas (Código Penal, art. 315) a utilização de recursos domiciliares ou comunitárias, individuais ou coletivas,
financeiros do Sistema Único de Saúde (SUS) em desenvolvidas em conformidade com as diretrizes do SUS
finalidades diversas das previstas nesta lei. que normatizam a saúde preventiva e a atenção básica em
Art. 53. (Vetado). saúde, com objetivo de ampliar o acesso da comunidade
Art. 53-A.  Na qualidade de ações e serviços de assistida às ações e aos serviços de informação, de saúde,
saúde, as atividades de apoio à assistência à saúde são de promoção social e de proteção da cidadania, sob
aquelas desenvolvidas pelos laboratórios de genética supervisão do gestor municipal, distrital, estadual ou
humana, produção e fornecimento de medicamentos e federal. (Redação dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
produtos para saúde, laboratórios de analises clínicas, Parágrafo único. (Revogado). (Redação dada pela
anatomia patológica e de diagnóstico por imagem e são Lei nº 13.595, de 2018)
livres à participação direta ou indireta de empresas ou de I - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.595, de
capitais estrangeiros.           (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2018)
2015) II - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.595, de
Art. 54. Esta lei entra em vigor na data de sua 2018)
publicação. III - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.595,
Art. 55. São revogadas a Lei nº. 2.312, de 3 de de 2018)
setembro de 1954, a Lei nº. 6.229, de 17 de julho de 1975, IV - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.595,
e demais disposições em contrário. de 2018)
V - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.595, de
Brasília, 19 de setembro de 1990; 169º da 2018)
Independência e 102º da República. VI - (revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.595,
de 2018)
FERNANDO COLLOR § 1º Para fins desta Lei, entende-se por Educação
Popular em Saúde as práticas político-pedagógicas que
Alceni Guerra decorrem das ações voltadas para a promoção, a proteção
e a recuperação da saúde, estimulando o autocuidado, a
LEI Nº 11.350, DE 5 DE OUTUBRO DE 2006 prevenção de doenças e a promoção da saúde individual e
coletiva a partir do diálogo sobre a diversidade de saberes
Regulamenta o § 5º do culturais, sociais e científicos e a valorização dos saberes
art. 198 da Constituição, populares, com vistas à ampliação da participação popular
dispõe sobre o no SUS e ao fortalecimento do vínculo entre os
Conversão da MPv nº 297, deaproveitamento de pessoal trabalhadores da saúde e os usuários do SUS. (Incluído
2006 amparado pelo parágrafo pela Lei nº 13.595, de 2018)
(Vide § 5º do art. 198 daúnico do art. 2º da Emenda § 2º No modelo de atenção em saúde fundamentado
Constituição) Constitucional nº 51, de 14 na assistência multiprofissional em saúde da família, é
de fevereiro de 2006, e dá considerada atividade precípua do Agente Comunitário de
outras providências. Saúde, em sua área geográfica de atuação, a realização de
visitas domiciliares rotineiras, casa a casa, para a busca de
Faço saber que o PRESIDENTE DA pessoas com sinais ou sintomas de doenças agudas ou
REPÚBLICA adotou a Medida Provisória nº 297, de 2006, crônicas, de agravos ou de eventos de importância para a
que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, saúde pública e consequente encaminhamento para a
Presidente da Mesa do Congresso Nacional, para os efeitos unidade de saúde de referência. (Incluído dada pela Lei nº
do disposto no art. 62 da Constituição Federal, com a 13.595, de 2018)
redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, § 3º No modelo de atenção em saúde fundamentado
combinado com o art. 12 da Resolução nº 1, de 2002-CN, na assistência multiprofissional em saúde da família, são
promulgo a seguinte Lei: consideradas atividades típicas do Agente Comunitário de
Art. 1º As atividades de Agente Comunitário de Saúde, em sua área geográfica de atuação: (Incluído dada
Saúde e de Agente de Combate às Endemias, passam a pela Lei nº 13.595, de 2018)
reger-se pelo disposto nesta Lei. I - a utilização de instrumentos para diagnóstico
Art. 2º O exercício das atividades de Agente demográfico e sociocultural; (Incluído dada pela Lei nº
Comunitário de Saúde e de Agente de Combate às 13.595, de 2018)
Endemias, nos termos desta Lei, dar-se-á exclusivamente
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II - o detalhamento das visitas domiciliares, com paciente para a unidade de saúde de referência; (Incluído
coleta e registro de dados relativos a suas atribuições, para dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
fim exclusivo de controle e planejamento das ações de II - a medição de glicemia capilar, durante a visita
saúde; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) domiciliar, em caráter excepcional, encaminhando o
III - a mobilização da comunidade e o estímulo à paciente para a unidade de saúde de referência; (Incluído
participação nas políticas públicas voltadas para as áreas dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
de saúde e socioeducacional; (Incluído dada pela Lei nº III - a aferição de temperatura axilar, durante a visita
13.595, de 2018) domiciliar, em caráter excepcional, com o devido
IV - a realização de visitas domiciliares regulares e encaminhamento do paciente, quando necessário, para a
periódicas para acolhimento e acompanhamento: (Incluído unidade de saúde de referência; (Incluído dada pela Lei nº
dada pela Lei nº 13.595, de 2018) 13.595, de 2018)
a) da gestante, no pré-natal, no parto e no IV - a orientação e o apoio, em domicílio, para a
puerpério; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) correta administração de medicação de paciente em
b) da lactante, nos seis meses seguintes ao situação de vulnerabilidade; (Incluído dada pela Lei nº
parto; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) 13.595, de 2018)
c) da criança, verificando seu estado vacinal e a V - a verificação antropométrica. (Incluído dada pela
evolução de seu peso e de sua altura; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
Lei nº 13.595, de 2018) § 5º No modelo de atenção em saúde fundamentado
d) do adolescente, identificando suas necessidades na assistência multiprofissional em saúde da família, são
e motivando sua participação em ações de educação em consideradas atividades do Agente Comunitário de Saúde
saúde, em conformidade com o previsto na Lei nº 8.069, de compartilhadas com os demais membros da equipe, em sua
13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do área geográfica de atuação: (Incluído dada pela Lei nº
Adolescente); (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) 13.595, de 2018)
e) da pessoa idosa, desenvolvendo ações de I - a participação no planejamento e no mapeamento
promoção de saúde e de prevenção de quedas e acidentes institucional, social e demográfico; (Incluído dada pela Lei
domésticos e motivando sua participação em atividades nº 13.595, de 2018)
físicas e coletivas; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de II - a consolidação e a análise de dados obtidos nas
2018) visitas domiciliares; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de
f) da pessoa em sofrimento psíquico; (Incluído dada 2018)
pela Lei nº 13.595, de 2018) III - a realização de ações que possibilitem o
g) da pessoa com dependência química de álcool, conhecimento, pela comunidade, de informações obtidas
de tabaco ou de outras drogas; (Incluído dada pela Lei nº em levantamentos socioepidemiológicos realizados pela
13.595, de 2018) equipe de saúde; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de
h) da pessoa com sinais ou sintomas de alteração 2018)
na cavidade bucal; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de IV - a participação na elaboração, na
2018) implementação, na avaliação e na reprogramação
i) dos grupos homossexuais e transexuais, permanente dos planos de ação para o enfrentamento de
desenvolvendo ações de educação para promover a saúde determinantes do processo saúde-doença; (Incluído dada
e prevenir doenças; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de pela Lei nº 13.595, de 2018)
2018) V - a orientação de indivíduos e de grupos sociais
j) da mulher e do homem, desenvolvendo ações de quanto a fluxos, rotinas e ações desenvolvidos no âmbito
educação para promover a saúde e prevenir da atenção básica em saúde; (Incluído dada pela Lei nº
doenças; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) 13.595, de 2018)
V - realização de visitas domiciliares regulares e VI - o planejamento, o desenvolvimento e a
periódicas para identificação e acompanhamento: (Incluído avaliação de ações em saúde; (Incluído dada pela Lei nº
dada pela Lei nº 13.595, de 2018) 13.595, de 2018)
a) de situações de risco à família; (Incluído dada VII - o estímulo à participação da população no
pela Lei nº 13.595, de 2018) planejamento, no acompanhamento e na avaliação de
b) de grupos de risco com maior vulnerabilidade ações locais em saúde. (Incluído dada pela Lei nº 13.595,
social, por meio de ações de promoção da saúde, de de 2018)
prevenção de doenças e de educação em saúde; (Incluído Art. 4º O Agente de Combate às Endemias tem como
dada pela Lei nº 13.595, de 2018) atribuição o exercício de atividades de vigilância, prevenção
c) do estado vacinal da gestante, da pessoa idosa e e controle de doenças e promoção da saúde, desenvolvidas
da população de risco, conforme sua vulnerabilidade e em em conformidade com as diretrizes do SUS e sob
consonância com o previsto no calendário nacional de supervisão do gestor de cada ente federado.
vacinação; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) § 1º São consideradas atividades típicas do Agente
VI - o acompanhamento de condicionalidades de de Combate às Endemias, em sua área geográfica de
programas sociais, em parceria com os Centros de atuação: (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
Referência de Assistência Social (Cras). (Incluído dada pela I - desenvolvimento de ações educativas e de
Lei nº 13.595, de 2018) mobilização da comunidade relativas à prevenção e ao
§ 4º No modelo de atenção em saúde fundamentado controle de doenças e agravos à saúde; (Incluído dada pela
na assistência multiprofissional em saúde da família, desde Lei nº 13.595, de 2018)
que o Agente Comunitário de Saúde tenha concluído curso II - realização de ações de prevenção e controle de
técnico e tenha disponíveis os equipamentos adequados, doenças e agravos à saúde, em interação com o Agente
são atividades do Agente, em sua área geográfica de Comunitário de Saúde e a equipe de atenção
atuação, assistidas por profissional de saúde de nível básica; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
superior, membro da equipe: (Incluído dada pela Lei nº III - identificação de casos suspeitos de doenças e
13.595, de 2018) agravos à saúde e encaminhamento, quando indicado, para
I - a aferição da pressão arterial, durante a visita a unidade de saúde de referência, assim como
domiciliar, em caráter excepcional, encaminhando o
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comunicação do fato à autoridade sanitária Art. 4º-A. O Agente Comunitário de Saúde e o


responsável; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) Agente de Combate às Endemias realizarão atividades de
IV - divulgação de informações para a comunidade forma integrada, desenvolvendo mobilizações sociais por
sobre sinais, sintomas, riscos e agentes transmissores de meio da Educação Popular em Saúde, dentro de sua área
doenças e sobre medidas de prevenção individuais e geográfica de atuação, especialmente nas seguintes
coletivas; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) situações: (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
V - realização de ações de campo para pesquisa I - na orientação da comunidade quanto à adoção de
entomológica, malacológica e coleta de reservatórios de medidas simples de manejo ambiental para o controle de
doenças; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) vetores, de medidas de proteção individual e coletiva e de
VI - cadastramento e atualização da base de imóveis outras ações de promoção de saúde, para a prevenção de
para planejamento e definição de estratégias de prevenção doenças infecciosas, zoonoses, doenças de transmissão
e controle de doenças; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de vetorial e agravos causados por animais
2018) peçonhentos; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
VII - execução de ações de prevenção e controle de II - no planejamento, na programação e no
doenças, com a utilização de medidas de controle químico desenvolvimento de atividades de vigilância em saúde, de
e biológico, manejo ambiental e outras ações de manejo forma articulada com as equipes de saúde da
integrado de vetores; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de família; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
2018) III - (VETADO); (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de
VIII - execução de ações de campo em projetos que 2018)
visem a avaliar novas metodologias de intervenção para IV - na identificação e no encaminhamento, para a
prevenção e controle de doenças; (Incluído dada pela Lei nº unidade de saúde de referência, de situações que,
13.595, de 2018) relacionadas a fatores ambientais, interfiram no curso de
IX - registro das informações referentes às doenças ou tenham importância epidemiológica; (Incluído
atividades executadas, de acordo com as normas do dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
SUS; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) V - na realização de campanhas ou de mutirões para
X - identificação e cadastramento de situações que o combate à transmissão de doenças infecciosas e a outros
interfiram no curso das doenças ou que tenham importância agravos. (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
epidemiológica relacionada principalmente aos fatores Art. 4º-B. Deverão ser observadas as ações de
ambientais; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) segurança e de saúde do trabalhador, notadamente o uso
XI - mobilização da comunidade para desenvolver de equipamentos de proteção individual e a realização dos
medidas simples de manejo ambiental e outras formas de exames de saúde ocupacional, na execução das atividades
intervenção no ambiente para o controle de dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de
vetores. (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) Combate às Endemias. (Incluído dada pela Lei nº 13.595,
§ 2º É considerada atividade dos Agentes de de 2018)
Combate às Endemias assistida por profissional de nível Art. 5º O Ministério da Saúde regulamentará as
superior e condicionada à estrutura de vigilância atividades de vigilância, prevenção e controle de doenças e
epidemiológica e ambiental e de atenção básica a de promoção da saúde a que se referem os arts. 3º , 4º
participação: (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) e 4º-A e estabelecerá os parâmetros dos cursos previstos
I - no planejamento, execução e avaliação das ações no inciso II do caput do art. 6º , no inciso I do caput do art.
de vacinação animal contra zoonoses de relevância para a 7º e no § 2º deste artigo, observadas as diretrizes
saúde pública normatizadas pelo Ministério da Saúde, bem curriculares nacionais definidas pelo Conselho Nacional de
como na notificação e na investigação de eventos adversos Educação. (Redação dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
temporalmente associados a essas vacinações; (Incluído § 1º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.595, de
dada pela Lei nº 13.595, de 2018) 2018)
II - na coleta de animais e no recebimento, no § 1º Os cursos a que se refere o caput deste artigo
acondicionamento, na conservação e no transporte de utilizarão os referenciais da Educação Popular em Saúde e
espécimes ou amostras biológicas de animais, para seu serão oferecidos ao Agente Comunitário de Saúde e ao
encaminhamento aos laboratórios responsáveis pela Agente de Combate às Endemias nas modalidades
identificação ou diagnóstico de zoonoses de relevância para presencial ou semipresencial durante a jornada de
a saúde pública no Município; (Incluído dada pela Lei nº trabalho. (Incluído pela Lei nº 13.595, de 2018)
13.595, de 2018) § 2º A cada 2 (dois) anos, os Agentes Comunitários
III - na necropsia de animais com diagnóstico de Saúde e os Agentes de Combate às Endemias
suspeito de zoonoses de relevância para a saúde pública, frequentarão cursos de aperfeiçoamento. (Redação dada
auxiliando na coleta e no encaminhamento de amostras pela Lei nº 13.708, de 2018)
laboratoriais, ou por meio de outros procedimentos § 2º-A Os cursos de que trata o § 2º deste artigo
pertinentes; (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) serão organizados e financiados, de modo tripartite, pela
IV - na investigação diagnóstica laboratorial de União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos
zoonoses de relevância para a saúde pública; (Incluído Municípios. (Incluído pela Lei nº 13.708, de 2018)
dada pela Lei nº 13.595, de 2018) § 3º Cursos técnicos de Agente Comunitário de
V - na realização do planejamento, desenvolvimento Saúde e de Agente de Combate às Endemias poderão ser
e execução de ações de controle da população de animais, ministrados nas modalidades presencial e semipresencial e
com vistas ao combate à propagação de zoonoses de seguirão as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional
relevância para a saúde pública, em caráter excepcional, e de Educação. (Incluído pela Lei nº 13.595, de 2018)
sob supervisão da coordenação da área de vigilância em Art. 6º O Agente Comunitário de Saúde deverá
saúde. (Incluído dada pela Lei nº 13.595, de 2018) preencher os seguintes requisitos para o exercício da
§ 3º O Agente de Combate às Endemias poderá atividade:
participar, mediante treinamento adequado, da execução, I - residir na área da comunidade em que atuar,
da coordenação ou da supervisão das ações de vigilância desde a data da publicação do edital do processo seletivo
epidemiológica e ambiental. (Incluído dada pela Lei nº público;
13.595, de 2018)
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II - ter concluído, com aproveitamento, curso de III - flexibilização do número de imóveis, de acordo
formação inicial, com carga horária mínima de quarenta com as condições de acessibilidade local. (Incluído pela Lei
horas; (Redação dada pela Lei nº 13.595, de 2018) nº 13.595, de 2018)
III - ter concluído o ensino médio. (Redação dada Art. 8º Os Agentes Comunitários de Saúde e os
pela Lei nº 13.595, de 2018) Agentes de Combate às Endemias admitidos pelos
§ 1º Quando não houver candidato inscrito que gestores locais do SUS e pela Fundação Nacional de
preencha o requisito previsto no inciso III do caput deste Saúde - FUNASA, na forma do disposto no § 4º do art. 198
artigo, poderá ser admitida a contratação de candidato com da Constituição, submetem-se ao regime jurídico
ensino fundamental, que deverá comprovar a conclusão do estabelecido pela Consolidação das Leis do Trabalho -
ensino médio no prazo máximo de três anos. (Redação CLT, salvo se, no caso dos Estados, do Distrito Federal e
dada pela Lei nº 13.595, de 2018) dos Municípios, lei local dispuser de forma diversa.
§ 2º É vedada a atuação do Agente Comunitário de Art. 9º A contratação de Agentes Comunitários de
Saúde fora da área geográfica a que se refere o inciso I Saúde e de Agentes de Combate às Endemias deverá ser
do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 13.595, precedida de processo seletivo público de provas ou de
de 2018) provas e títulos, de acordo com a natureza e a
§ 3º Ao ente federativo responsável pela execução complexidade de suas atribuições e requisitos específicos
dos programas relacionados às atividades do Agente para o exercício das atividades, que atenda aos princípios
Comunitário de Saúde compete a definição da área de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
geográfica a que se refere o inciso I do caput deste artigo, eficiência.
devendo: (Incluído pela Lei nº 13.595, de 2018) § 1º Caberá aos órgãos ou entes da administração
I - observar os parâmetros estabelecidos pelo direta dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios
Ministério da Saúde; (Incluído pela Lei nº 13.595, de 2018) certificar, em cada caso, a existência de anterior processo de
II - considerar a geografia e a demografia da região, seleção pública, para efeito da dispensa referida no parágrafo
com distinção de zonas urbanas e rurais; (Incluído pela Lei único do art. 2º da Emenda Constitucional nº 51, de 14 de
nº 13.595, de 2018) fevereiro de 2006, considerando-se como tal aquele que tenha
III - flexibilizar o número de famílias e de indivíduos a sido realizado com observância dos princípios referidos
serem acompanhados, de acordo com as condições de no caput. (Renumerado do Parágrafo único pela Lei nº
acessibilidade local e de vulnerabilidade da comunidade 13.342, de 2016)
assistida. (Incluído pela Lei nº 13.595, de 2018) § 2º O tempo prestado pelos Agentes Comunitários
§ 4º A área geográfica a que se refere o inciso I do de Saúde e pelos Agentes de Combate às Endemias
caput deste artigo será alterada quando houver risco à enquadrados na condição prevista no § 1º deste artigo,
integridade física do Agente Comunitário de Saúde ou de independentemente da forma de seu vínculo e desde que
membro de sua família decorrente de ameaça por parte de tenha sido efetuado o devido recolhimento da contribuição
membro da comunidade onde reside e atua. (Incluído pela previdenciária, será considerado para fins de concessão de
Lei nº 13.595, de 2018) benefícios e contagem recíproca pelos regimes
§ 5º Caso o Agente Comunitário de Saúde adquira previdenciários. (Incluído pela Lei nº 13.342, de 2016)
casa própria fora da área geográfica de sua atuação, será Art. 9º-A. O piso salarial profissional nacional é o
excepcionado o disposto no inciso I do caput deste artigo e valor abaixo do qual a União, os Estados, o Distrito Federal
mantida sua vinculação à mesma equipe de saúde da e os Municípios não poderão fixar o vencimento inicial das
família em que esteja atuando, podendo ser remanejado, na Carreiras de Agente Comunitário de Saúde e de Agente de
forma de regulamento, para equipe atuante na área onde Combate às Endemias para a jornada de 40 (quarenta)
está localizada a casa adquirida. (Incluído pela Lei nº horas semanais. (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
13.595, de 2018) § 1º O piso salarial profissional nacional dos Agentes
Art. 7º O Agente de Combate às Endemias deverá Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às
preencher os seguintes requisitos para o exercício da Endemias é fixado no valor de R$ 1.550,00 (mil quinhentos
atividade: e cinquenta reais) mensais, obedecido o seguinte
I - ter concluído, com aproveitamento, curso de escalonamento: (Redação dada pela lei nº 13.708, de 2018)
formação inicial, com carga horária mínima de quarenta I - R$ 1.250,00 (mil duzentos e cinquenta reais) em
horas; (Redação dada pela Lei nº 13.595, de 2018) 1º de janeiro de 2019; (Incluído pela lei nº 13.708, de 2018)
II - ter concluído o ensino médio. (Redação dada pela II - R$ 1.400,00 (mil e quatrocentos reais) em 1º de
Lei nº 13.595, de 2018) janeiro de 2020; (Incluído pela lei nº 13.708, de 2018)
Parágrafo único. (Revogado). (Redação dada pela III - R$ 1.550,00 (mil quinhentos e cinquenta reais)
Lei nº 13.595, de 2018) em 1º de janeiro de 2021. (Incluído pela lei nº 13.708, de
§ 1º Quando não houver candidato inscrito que 2018)
preencha o requisito previsto no inciso II do caput deste § 2º A jornada de trabalho de 40 (quarenta) horas
artigo, poderá ser admitida a contratação de candidato com semanais exigida para garantia do piso salarial previsto
ensino fundamental, que deverá comprovar a conclusão do nesta Lei será integralmente dedicada às ações e aos
ensino médio no prazo máximo de três anos. (Incluído pela serviços de promoção da saúde, de vigilância
Lei nº 13.595, de 2018) epidemiológica e ambiental e de combate a endemias em
§ 2º Ao ente federativo responsável pela execução prol das famílias e das comunidades assistidas, no âmbito
dos programas relacionados às atividades do Agente de dos respectivos territórios de atuação, e assegurará aos
Combate às Endemias compete a definição do número de Agentes Comunitários de Saúde e aos Agentes de
imóveis a serem fiscalizados pelo Agente, observados os Combate às Endemias participação nas atividades de
parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde e os planejamento e avaliação de ações, de detalhamento das
seguintes: (Incluído pela Lei nº 13.595, de 2018) atividades, de registro de dados e de reuniões de
I - condições adequadas de trabalho; (Incluído pela equipe. (Redação dada pela Lei nº 13.708, de 2018)
Lei nº 13.595, de 2018) I - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.708, de
II - geografia e demografia da região, com distinção 2018)
de zonas urbanas e rurais; (Incluído pela Lei nº 13.595, de II - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.708,
2018) de 2018)
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§ 3º O exercício de trabalho de forma habitual e § 1º Para fins do disposto no caput deste artigo, é o


permanente em condições insalubres, acima dos limites de Poder Executivo federal autorizado a fixar em
tolerância estabelecidos pelo órgão competente do Poder decreto: (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
Executivo federal, assegura aos agentes de que trata esta I - parâmetros para concessão do incentivo;
Lei a percepção de adicional de insalubridade, calculado e (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
sobre o seu vencimento ou salário-base: (Incluído pela Lei II - valor mensal do incentivo por ente
nº 13.342, de 2016) federativo. (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
I - nos termos do disposto no art. 192 da § 2º Os parâmetros para concessão do incentivo
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada considerarão, sempre que possível, as peculiaridades do
pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, quando Município. (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
submetidos a esse regime; (Incluído pela Lei nº 13.342, de § 3º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.994, de
2016) 2014)
II - nos termos da legislação específica, quando § 4º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.994, de
submetidos a vínculos de outra natureza. (Incluído pela Lei 2014)
nº 13.342, de 2016) § 5º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.994, de
§ 4º As condições climáticas da área geográfica de 2014)
atuação serão consideradas na definição do horário para Art. 9º-E. Atendidas as disposições desta Lei e as
cumprimento da jornada de trabalho. (Incluído pela Lei nº respectivas normas regulamentadoras, os recursos de que
13.595, de 2018) tratam os arts. 9º-C e 9º-D serão repassados pelo Fundo
§ 5º O piso salarial de que trata o § 1º deste artigo Nacional de Saúde (FNS) aos fundos de saúde dos
será reajustado, anualmente, em 1º de janeiro, a partir do Municípios, Estados e Distrito Federal como transferências
ano de 2022. (Incluído pela lei nº 13.708, de 2018) correntes, regulares, automáticas e obrigatórias, nos termos
Art. 9º-B. (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.994, de do disposto no art. 3º da Lei nº 8.142, de 28 de dezembro
2014) de 1990. (Redação dada pela Lei nº 13.595, de 2018)
Art. 9º-C. Nos termos do § 5º do art. 198 da Art. 9º-F. Para fins de apuração dos limites com
Constituição Federal, compete à União prestar assistência pessoal de que trata a Lei Complementar nº 101, de 4 de
financeira complementar aos Estados, ao Distrito Federal e maio de 2000, a assistência financeira complementar
aos Municípios, para o cumprimento do piso salarial de que obrigatória prestada pela União e a parcela repassada
trata o art. 9º-A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.994, de como incentivo financeiro que venha a ser utilizada no
2014) pagamento de pessoal serão computadas como gasto de
§ 1º Para fins do disposto no caput deste artigo, é o pessoal do ente federativo beneficiado pelas
Poder Executivo federal autorizado a fixar em decreto os transferências. (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
parâmetros referentes à quantidade máxima de agentes Art. 9º-G. Os planos de carreira dos Agentes
passível de contratação, em função da população e das Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às
peculiaridades locais, com o auxílio da assistência Endemias deverão obedecer às seguintes
financeira complementar da União. (Incluído pela Lei nº diretrizes: (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
12.994, de 2014) I - remuneração paritária dos Agentes Comunitários
§ 2º A quantidade máxima de que trata o § 1º deste de Saúde e dos Agentes de Combate às
artigo considerará tão somente os agentes efetivamente Endemias; (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
registrados no mês anterior à respectiva competência II - definição de metas dos serviços e das
financeira que se encontrem no estrito desempenho de equipes; (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
suas atribuições e submetidos à jornada de trabalho fixada III - estabelecimento de critérios de progressão e
para a concessão do piso salarial. (Incluído pela Lei nº promoção; (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
12.994, de 2014) IV - adoção de modelos e instrumentos de avaliação
§ 3º O valor da assistência financeira complementar que atendam à natureza das atividades, assegurados os
da União é fixado em 95% (noventa e cinco por cento) do seguintes princípios: (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
piso salarial de que trata o art. 9º-A desta Lei. (Incluído pela a) transparência do processo de avaliação,
Lei nº 12.994, de 2014) assegurando-se ao avaliado o conhecimento sobre todas as
§ 4º A assistência financeira complementar de que etapas do processo e sobre o seu resultado final; (Incluído
trata o caput deste artigo será devida em 12 (doze) pela Lei nº 12.994, de 2014)
parcelas consecutivas em cada exercício e 1 (uma) parcela b) periodicidade da avaliação; (Incluído pela Lei nº
adicional no último trimestre. (Incluído pela Lei nº 12.994, 12.994, de 2014)
de 2014) c) contribuição do servidor para a consecução dos
§ 5º Até a edição do decreto de que trata o § 1º objetivos do serviço; (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
deste artigo, aplicar-se-ão as normas vigentes para os d) adequação aos conteúdos ocupacionais e às
repasses de incentivos financeiros pelo Ministério da condições reais de trabalho, de forma que eventuais
Saúde. (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014) condições precárias ou adversas de trabalho não
§ 6º Para efeito da prestação de assistência prejudiquem a avaliação; (Incluído pela Lei nº 12.994, de
financeira complementar de que trata este artigo, a União 2014)
exigirá dos gestores locais do SUS a comprovação do e) direito de recurso às instâncias hierárquicas
vínculo direto dos Agentes Comunitários de Saúde e dos superiores. (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014)
Agentes de Combate às Endemias com o respectivo ente Art. 9º-H Compete ao ente federativo ao qual o
federativo, regularmente formalizado, conforme o regime Agente Comunitário de Saúde ou o Agente de Combate às
jurídico que vier a ser adotado na forma do art. 8º desta Endemias estiver vinculado fornecer ou custear a
Lei. (Incluído pela Lei nº 12.994, de 2014) locomoção necessária para o exercício das atividades,
Art. 9º-D. É criado incentivo financeiro para conforme regulamento do ente federativo. (Redação dada
fortalecimento de políticas afetas à atuação de agentes pela Lei nº 13.708, de 2018)
comunitários de saúde e de combate às endemias. (Incluído Art. 10. A administração pública somente poderá
pela Lei nº 12.994, de 2014) rescindir unilateralmente o contrato do Agente Comunitário
de Saúde ou do Agente de Combate às Endemias, de
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APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕES & CONCURSOS

acordo com o regime jurídico de trabalho adotado, na Endemias, no âmbito do Quadro Suplementar referido no
ocorrência de uma das seguintes hipóteses: art. 11, com retribuição mensal estabelecida na forma
I - prática de falta grave, dentre as enumeradas do Anexo desta Lei, cuja despesa não excederá o valor
no art. 482 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT; atualmente despendido pela FUNASA com a contratação
II - acumulação ilegal de cargos, empregos ou desses profissionais.
funções públicas; § 1º A FUNASA, em até trinta dias, promoverá o
III - necessidade de redução de quadro de pessoal, enquadramento do pessoal de que trata o art. 12 na tabela
por excesso de despesa, nos termos da Lei nº 9.801, de 14 salarial constante do Anexo desta Lei, em classes e níveis
de junho de 1999 ; ou com salários iguais aos pagos atualmente, sem aumento de
IV - insuficiência de desempenho, apurada em despesa.
procedimento no qual se assegurem pelo menos um § 2º Aplica-se aos ocupantes dos empregos referidos
recurso hierárquico dotado de efeito suspensivo, que será no caput a indenização de campo de que trata o art. 16 da
apreciado em trinta dias, e o prévio conhecimento dos Lei nº 8.216, de 13 de agosto de 1991.
padrões mínimos exigidos para a continuidade da relação § 3º Caberá à Secretaria de Recursos Humanos do
de emprego, obrigatoriamente estabelecidos de acordo com Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão disciplinar
as peculiaridades das atividades exercidas. o desenvolvimento dos ocupantes dos empregos públicos
Parágrafo único. No caso do Agente Comunitário de referidos no caput na tabela salarial constante do Anexo
Saúde, o contrato também poderá ser rescindido desta Lei.
unilateralmente na hipótese de não-atendimento ao Art. 16. É vedada a contratação temporária ou
disposto no inciso I do art. 6º , ou em função de terceirizada de Agentes Comunitários de Saúde e de
apresentação de declaração falsa de residência. Agentes de Combate às Endemias, salvo na hipótese de
Art. 11. Fica criado, no Quadro de Pessoal da combate a surtos epidêmicos, na forma da lei
Fundação Nacional de Saúde - FUNASA, Quadro aplicável. (Redação dada pela Lei nº 12.994, de 2014)
Suplementar de Combate às Endemias, destinado a Art. 17. Os profissionais que, na data de publicação
promover, no âmbito do SUS, ações complementares de desta Lei, exerçam atividades próprias de Agente
vigilância epidemiológica e combate a endemias, nos Comunitário de Saúde e Agente de Combate às Endemias,
termos do inciso VI e parágrafo único do art. 16 da Lei nº vinculados diretamente aos gestores locais do SUS ou a
8.080, de 19 de setembro de 1990. entidades de administração indireta, não investidos em
Parágrafo único. Ao Quadro Suplementar de que cargo ou emprego público, e não alcançados pelo disposto
trata o caput aplica-se, no que couber, além do disposto no parágrafo único do art. 9º , poderão permanecer no
nesta Lei, o disposto na Lei nº 9.962, de 22 de fevereiro de exercício destas atividades, até que seja concluída a
2000, cumprindo-se jornada de trabalho de quarenta horas realização de processo seletivo público pelo ente federativo,
semanais. com vistas ao cumprimento do disposto nesta Lei.
Art. 12. Aos profissionais não-ocupantes de cargo Art. 18. Os empregos públicos criados no âmbito da
efetivo em órgão ou entidade da administração pública FUNASA, conforme disposto no art. 15 e preenchidos nos
federal que, em 14 de fevereiro de 2006, a qualquer título, termos desta Lei, serão extintos, quando vagos.
se achavam no desempenho de atividades de combate a Art. 19. As despesas decorrentes da criação dos
endemias no âmbito da FUNASA é assegurada a dispensa empregos públicos a que se refere o art. 15 correrão à
de se submeterem ao processo seletivo público a que se conta das dotações destinadas à FUNASA, consignadas no
refere o § 4º do art. 198 da Constituição, desde que tenham Orçamento Geral da União.
sido contratados a partir de anterior processo de seleção Art. 20. Esta Lei entra em vigor na data de sua
pública efetuado pela FUNASA, ou por outra instituição, sob publicação.
a efetiva supervisão da FUNASA e mediante a observância Art. 21. Fica revogada a Lei nº 10.507, de 10 de julho
dos princípios a que se refere o caput do art. 9º . de 2002.
§ 1º Ato conjunto dos Ministros de Estado da Saúde
e do Controle e da Transparência instituirá comissão com a Brasília, 9 de junho de 2006; 185º da Independência
finalidade de atestar a regularidade do processo seletivo e 118º da República.
para fins da dispensa prevista no caput.
§ 2º A comissão será integrada por três LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
representantes da Secretaria Federal de Controle Interno José Agenor Álvares da Silva
da Controladoria-Geral da União, um dos quais a presidirá, Paulo Bernardo Silva
pelo Assessor Especial de Controle Interno do Ministério da
Saúde e pelo Chefe da Auditoria Interna da FUNASA. PORTARIA NO - 204, DE 17 DE FEVEREIRO DE 2016
Art. 13. Os Agentes de Combate às Endemias
integrantes do Quadro Suplementar a que se refere o art. Define a Lista Nacional de Notificação Compulsória de
11 poderão ser colocados à disposição dos Estados, do doenças, agravos e eventos de saúde pública nos
Distrito Federal e dos Municípios, no âmbito do SUS, serviços de saúde públicos e privados em todo o
mediante convênio, ou para gestão associada de serviços território nacional, nos termos do anexo, e dá outras
públicos, mediante contrato de consórcio público, nos providências.
termos da Lei nº 11.107, de 6 de abril de 2005,  mantida a
vinculação à FUNASA e sem prejuízo dos respectivos O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, INTERINO, no uso
direitos e vantagens. das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do
Art. 14. O gestor local do SUS responsável pela parágrafo único do art. 87 da Constituição, e
admissão dos profissionais de que trata esta Lei disporá Considerando a Lei nº 6.259, de 30 de outubro de 1975,
sobre a criação dos cargos ou empregos públicos e demais que dispõe sobre a organização das ações de Vigilância
aspectos inerentes à atividade, observadas as Epidemiológica, sobre o Programa Nacional de
determinações desta Lei e as especificidades Imunizações, estabelece normas relativas à notificação
locais. (Redação dada pela Lei nº 13.595, de 2018) compulsória de doenças, e dá outras providências;
Art. 15. Ficam criados cinco mil, trezentos e sessenta Considerando o art. 10, incisos VI a IX, da Lei nº 6.437, de
e cinco empregos públicos de Agente de Combate às 20 de agosto de 1977, que configura infrações à legislação
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APOSTILA ELABORADA PELA EMPRESA DIGITAÇÕES & CONCURSOS

sanitária federal, estabelece as sanções respectivas, e dá vulnerabilidade, bem como epizootias ou agravos
outras providências; Considerando a Lei nº 8.069, de 13 de decorrentes de desastres ou acidentes;
julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do VI - notificação compulsória: comunicação obrigatória à
Adolescente; autoridade de saúde, realizada pelos médicos, profissionais
Considerando a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, de saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de
que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção saúde, públicos ou privados, sobre a ocorrência de suspeita
e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento ou confirmação de doença, agravo ou evento de saúde
dos serviços correspondentes e dá outras providências; pública, descritos no anexo, podendo ser imediata ou
Considerando a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, semanal;
que dispõe sobre o Estatuto do Idoso, alterada pela Lei nº VII - notificação compulsória imediata (NCI): notificação
12.461, de 26 de julho de 2011, que determina a notificação compulsória realizada em até 24 (vinte e quatro) horas, a
compulsória dos atos de violência praticados contra o idoso partir do conhecimento da ocorrência de doença, agravo ou
atendido em estabelecimentos de saúde públicos ou evento de saúde pública, pelo meio de comunicação mais
privados; rápido disponível;
Considerando a Lei nº 10.778, de 24 de novembro de 2003, VIII - notificação compulsória semanal (NCS): notificação
que estabelece a notificação compulsória, no território compulsória realizada em até 7 (sete) dias, a partir do
nacional, do caso de violência contra a mulher que for conhecimento da ocorrência de doença ou agravo;
atendida em serviços de saúde, públicos ou privados; IX - notificação compulsória negativa: comunicação
Considerando a Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, semanal realizada pelo responsável pelo estabelecimento
que regula o acesso às informações previsto no inciso de saúde à autoridade de saúde, informando que na
XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do semana epidemiológica não foi identificado nenhuma
art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei nº 8.112, de doença, agravo ou evento de saúde pública constante da
11 de dezembro de 1990; revoga a Lei nº 11.111, de 5 de Lista de Notificação Compulsória; e
maio de 2005, e dispositivos da Lei nº 8.159, de 8 de X - vigilância sentinela: modelo de vigilância realizada a
janeiro de 1991; e dá outras providências; partir de estabelecimento de saúde estratégico para a
Considerando o Decreto Legislativo nº 395, publicado no vigilância de morbidade, mortalidade ou agentes etiológicos
Diário do Senado Federal em 13 de março de 2009, que de interesse para a saúde pública, com participação
aprova o texto revisado do Regulamento Sanitário facultativa, segundo norma técnica específica estabelecida
Internacional, acordado na 58ª Assembleia Geral da pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS).
Organização Mundial de Saúde, em 23 de maio de 2005;
Considerando o Decreto nº 7.616, de 17 de novembro de CAPÍTULO II
2011, que dispõe sobre a declaração de Emergência em DA NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA
Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) e institui a
Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS); e Art. 3º A notificação compulsória é obrigatória para os
Considerando a necessidade de padronizar os médicos, outros profissionais de saúde ou responsáveis
procedimentos normativos relacionados à notificação pelos serviços públicos e privados de saúde, que prestam
compulsória no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), assistência ao paciente, em conformidade com o art. 8º da
resolve: Lei nº 6.259, de 30 de outubro de 1975.
§ 1º A notificação compulsória será realizada diante da
CAPÍTULO I suspeita ou confirmação de doença ou agravo, de acordo
DAS DISPOSIÇÕES INICIAIS com o estabelecido no anexo, observando-se, também, as
normas técnicas estabelecidas pela SVS/MS.
Art. 1º Esta Portaria define a Lista Nacional de Notificação § 2º A comunicação de doença, agravo ou evento de saúde
Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública de notificação compulsória à autoridade de saúde
pública nos serviços de saúde públicos e privados em todo competente também será realizada pelos responsáveis por
o território nacional, nos termos do anexo. estabelecimentos públicos ou privados educacionais, de
Art. 2º Para fins de notificação compulsória de importância cuidado coletivo, além de serviços de hemoterapia,
nacional, serão considerados os seguintes conceitos: unidades laboratoriais e instituições de pesquisa.
I - agravo: qualquer dano à integridade física ou mental do § 3º A comunicação de doença, agravo ou evento de saúde
indivíduo, provocado por circunstâncias nocivas, tais como pública de notificação compulsória pode ser realizada à
acidentes, intoxicações por substâncias químicas, abuso de autoridade de saúde por qualquer cidadão que deles tenha
drogas ou lesões decorrentes de violências interpessoais, conhecimento.
como agressões e maus tratos, e lesão autoprovocada; Art. 4º A notificação compulsória imediata deve ser
II - autoridades de saúde: o Ministério da Saúde e as realizada pelo profissional de saúde ou responsável pelo
Secretarias de Saúde dos Estados, Distrito Federal e serviço assistencial que prestar o primeiro atendimento ao
Municípios, responsáveis pela vigilância em saúde em cada paciente, em até 24 (vinte e quatro) horas desse
esfera de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS); atendimento, pelo meio mais rápido disponível.
III - doença: enfermidade ou estado clínico, independente Parágrafo único. A autoridade de saúde que receber a
de origem ou fonte, que represente ou possa representar notificação compulsória imediata deverá informa-la, em até
um dano significativo para os seres humanos; 24 (vinte e quatro) horas desse recebimento, às demais
IV - epizootia: doença ou morte de animal ou de grupo de esferas de gestão do SUS, o conhecimento de qualquer
animais que possa apresentar riscos à saúde pública; uma das doenças ou agravos constantes no anexo.
V - evento de saúde pública (ESP): situação que pode Art. 5º A notificação compulsória semanal será feita à
constituir potencial ameaça à saúde pública, como a Secretaria de Saúde do Município do local de atendimento
ocorrência de surto ou epidemia, doença ou agravo de do paciente com suspeita ou confirmação de doença ou
causa desconhecida, alteração no padrão agravo de notificação compulsória.
clínicoepidemiológico das doenças conhecidas, Parágrafo único. No Distrito Federal, a notificação será feita
considerando o potencial de disseminação, a magnitude, a à Secretaria de Saúde do Distrito Federal.
gravidade, a severidade, a transcendência e a Art. 6º A notificação compulsória, independente da forma
como realizada, também será registrada em sistema de
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informação em saúde e seguirá o fluxo de 4 Botulismo X X X


compartilhamento entre as esferas de gestão do SUS
estabelecido pela SVS/MS. 5 Cólera X X X
6 Coqueluche X X
CAPÍTULO III
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS 7 a. Dengue - Casos X
b. Dengue - Óbitos X X X
Art. 7º As autoridades de saúde garantirão o sigilo das
informações pessoais integrantes da notificação 8 Difteria X X
compulsória que estejam sob sua responsabilidade 9 Doença de Chagas Aguda X X
Art. 8º As autoridades de saúde garantirão a divulgação
atualizada dos dados públicos da notificação compulsória Doença de Creutzfeldt-
10 X
para profissionais de saúde, órgãos de controle social e Jakob (DCJ)
população em geral. a. Doença Invasiva por
Art. 9º A SVS/MS e as Secretarias de Saúde dos Estados, 11 "Haemophilus Influenza" X X
do Distrito Federal e dos Municípios divulgarão, em
endereço eletrônico oficial, o número de telefone, fax, b. Doença Meningocócica e
X X
endereço de e-mail institucional ou formulário para outras meningites
notificação compulsória. 12 Doenças com suspeita de X X X
Art. 10. A SVS/MS publicará normas técnicas disseminação intencional:
complementares relativas aos fluxos, prazos, instrumentos, a. Antraz pneumônico b.
definições de casos suspeitos e confirmados, Tularemia c. Varíola
funcionamento dos sistemas de informação em saúde e
demais diretrizes técnicas para o cumprimento e 13 Doenças febris X X X
operacionalização desta Portaria, no prazo de até 90 hemorrágicas
(noventa) dias, contados a partir da sua publicação. emergentes/reemergentes:
Art. 11. A relação das doenças e agravos monitorados por a. Arenavírus b. Ebola c.
meio da estratégia de vigilância em unidades sentinelas e Marburg d. Lassa e. Febre
suas diretrizes constarão em ato específico do Ministro de purpúrica brasileira
Estado da Saúde. a. Doença aguda pelo vírus
Art. 12. A relação das epizootias e suas diretrizes de 14 X
Zika
notificação constarão em ato específico do Ministro de
Estado da Saúde. b. Doença aguda pelo vírus
Art. 13. Esta Portaria entra em vigor na data de sua Zika em gestante X X
publicação. Art. 14. c. Óbito com suspeita de
Fica revogada a Portaria nº 1.271/GM/MS, de 06 de junho X X X
doença pelo vírus Zika
de 2014, publicada no Diário Oficial da União, nº 108,
Seção 1, do dia 09 de junho de 2014, p. 37. 15 Esquistossomose X
Art. 14. Fica revogada a Portaria nº 1.271/GM/MS, de 06 de 16 Evento de Saúde Pública X X X
junho de 2014, publicada no Diário Oficial da União, nº 108, (ESP) que se constitua
Seção 1, do dia 09 de junho de 2014, p. 37. ameaça à saúde pública
(ver definição no Art. 2º
JOSÉ AGENOR ÁLVARES DA SILVA desta portaria)
ANEXO Eventos adversos graves
17 ou óbitos pós-vacinação X X X
Lista Nacional de Notificação Compulsória 18 Febre Amarela X X X
 
19 a. Febre de Chikungunya X
b. Febre de Chikungunya
Nº DOENÇA OU AGRAVO Periodicidade de em áreas sem transmissão X X X
(Ordem alfabética) notificação c. Óbito com suspeita de
X X X
Imediata (até Semanal* Febre de Chikungunya
24 horas) para* Febre do Nilo Ocidental e
MS SES SMS outras arboviroses de
importância em saúde
a. Acidente de trabalho com 20 pública X X X
exposição a material
1 biológico X Febre Maculosa e outras
21 X X X
Riquetisioses
b. Acidente de trabalho:
grave, fatal e em crianças e X 22 Febre Tifoide X X
adolescentes 23 Hanseníase X
Acidente por animal 24 Hantavirose X X X
2 peçonhento X
 
Acidente por animal
potencialmente transmissor 25 Hepatites virais X
3 da raiva X
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* Informação adicional: Notificação imediata ou semanal


2 HIV/AIDS - Infecção pelo Vírus da X
seguirá o fluxo de compartilhamento entre as esferas de
6 Imunodeficiência Humana ou Síndrome da
gestão do SUS estabelecido pela SVS/MS; Legenda: MS
Imunodeficiência Adquirida
(Ministério da Saúde), SES (Secretaria Estadual de Saúde)
2 Infecção pelo HIV em gestante, parturiente ou X ou SMS (Secretaria Municipal de Saúde) A notificação
7 puérpera e Criança exposta ao risco de imediata no Distrito Federal é equivalente à SMS.
transmissão vertical do HIV  

2 Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência


8 Humana (HIV) X  
2 Influenza humana produzida por novo subtipo
9 viral X X X
3 Intoxicação Exógena (por substâncias X
0 químicas, incluindo agrotóxicos, gases
tóxicos e metais pesados)
3
1 Leishmaniose Tegumentar Americana X
3
2 Leishmaniose Visceral X
3
3 Leptospirose X
3
4 a. Malária na região amazônica X
b. Malária na região extra Amazônica X X X
3 X
5 Óbito: a. Infantil b. Materno
3
6 Poliomielite por poliovirus selvagem X X X
3
7 Peste X X X
3
8 Raiva humana X X X
3
9 Síndrome da Rubéola Congênita X X X
4 Doenças Exantemáticas: a. Sarampo b. X X X
0 Rubéola
4 Sífilis: a. Adquirida b. Congênita c. Em X
1 gestante
4
2 Síndrome da Paralisia Flácida Aguda X X X
4 Síndrome Respiratória Aguda Grave X X X
3 associada a Coronavírus a. SARS-CoV b.
MERS- CoV
4 X
4 Tétano: a. Acidental b. Neonatal
4
5 Toxoplasmose gestacional e congênita X
4
6 Tu b e r c u l o s e X
4
7 Varicela - caso grave internado ou óbito X X
4 a. Violência doméstica e/ou outras violências X
8
b. Violência sexual e tentativa de suicídio X

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