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Capítulo 6 – Figuras de estilo

Por Sibéria Sales Queiroz de Lima


Introdução
A proposta deste capítulo é apresentar as figuras de estilo e identificar
as ligações que cada uma delas possui como recurso de expressividade do
som, da palavra, da frase e da enunciação. No entanto, é importante relembrar
que o termo estilo, muitas vezes, é associado, apenas, a um conjunto de
características da personalidade de um indivíduo, no caso dos textos, do autor.
Tal interpretação pode ser considerada como simplista, visto que a
palavra estilo se aplica a várias situações que possam apresentar as
características individuais, particulares diferenciando-as das demais, e se
torna, no caso de uma produção textual, a marca que contribui para tornar
reconhecível o que alguém escreve.
Para Georges Munin (citado por MARTINS, 2008, p. 19), “estilo é a
resultante linguística de uma conjunção de fatores múltiplos.” Deste modo,
estudar estilo em língua portuguesa, ou seja, dedicar-se a estudar a disciplina
de estilística é estudar a língua como meio de expressar estados psíquicos,
emoções, ou estudar as formas de atuação da língua como apelo ao seu
interlocutor.
Neste capítulo estudaremos as figuras de estilo e as relações
estabelecidas com o som, com a palavra, com a frase e com a enunciação. Tal
abordagem permitirá que você, estudante de Letras, tenha uma consciência
maior das inúmeras possibilidades de expressão de nossa língua que são
produzidas e exploradas por milhões de usuários da língua.
No futuro profissional, quando do exercício de sua profissão, esses
conhecimentos permitirão que você ensine aos seus alunos que o estudo da
língua portuguesa e da literatura necessita destes conhecimentos, pois a
estilística permitirá a compreensão e a valorização dos textos como produção
humana, subjetiva e, por isso, carregada de recursos que transmitem emoção e
persuasão.
Com este capítulo esperamos que você possa identificar as principais
figuras de estilo que compõem o recurso estilístico da língua portuguesa, além
de reconhecer a importância das figuras de estilo a partir do uso do som, da
palavra, da frase e da enunciação.
Deste modo, para melhor acompanhar este capítulo, você deverá estar
atento aos conteúdos já trabalhados nas disciplinas de língua portuguesa
cursadas por você no curso de Letras, pois a morfologia, anteriormente
estudada, a sintaxe, a fonética e a fonologia, além dos aspectos semânticos
que foram abordados em outras disciplinas permitirão a você a compreensão
dos recursos de estilo disponíveis na língua portuguesa. Observe, ainda, que
os capítulos anteriores desta disciplina dialogam de maneira direta com os
conteúdos que serão apresentados aqui neste capítulo.

6.1 Figuras de estilo: conceituação


Figuras de estilo, muitas vezes, tratadas como figuras de retórica são
consideradas como estratégias linguísticas, presentes em produções literárias,
ou não, que o autor aplica, em seu texto, para conseguir um efeito determinado
buscando atingir um entendimento e interpretação por parte do leitor. Estas
estratégias podem relacionar-se com aspectos fonológicos, semânticos, ou
sintáticos do texto produzido pelo autor.
A estilística estuda a utilização da linguagem, ou seja, das figuras de
estilo, como forma para exteriorização de dados emotivos e estéticos. Você
como futuro professor poderá abordar as questões de estilística em textos
literários. Porém, ao contrário do que muitos possam acreditar, textos do
cotidiano possuem inúmeras figuas de estilo que podem ser trabalhadas como
forma de demonstrar, ao aluno, como a língua portuguesa é rica em recursos e
estratégias estilísticas. A propaganda é um excepcional exemplo.
Deste modo, você poderá observar que as figuras de estilo podem ser
produzidas por meio de valores expressivos de natureza sonora que podem ser
observáveis nas palavras e nos enunciados. Podendo também trazer valores
expressivos relacionados ao uso da palavra em determinado contexto, ou da
frase , além da enunciação.
Durante um bom tempo, os estudos de língua portuguesa, em especial
voltados para o nível fundamental e médio buscaram focalizar aspectos
morfológicos, sintáticos, ortográficos, fonéticos, ou mais recentemente,
aspectos associados às variações linguísticas. Tal opção fez com que
houvesse um “silêncio” quanto às questões semânticas e estilísticas.
Essa escolha fez com que os estudos da linguagem não explorassem,
na maioria das vezes, as figuras de estilo, ou seja os recursos expressivos e
subjetivos da nossa língua, fez com que não fosse trabalhado a dialogicidade
de um texto, privilegiando, deste modo, uma abordagem monológica da língua.
Em raros momentos, muitos mais situados, no ensino literário, as figuras
de estilo eram abordadas. Vem daí algumas das lembranças de um ensino que
buscava decorar cada uma dessas figuras ligadas aos textos poéticos, em uma
postura monótona e desinteressante, o que, por vezes, provocou aversão por
parte dos alunos a esses recursos.
Neste capítulo, você verá como são formados esses recursos, como
ocorrem e algumas possibilidades de utilização. Deste modo, quando você
estiver atuando em sala de aula poderá fazer diferente e apresentar a
expressividade de Machado de Assis, de Carlos Drummond de Andrade, de
Fernando Pessoa, expressividade que ultrapassa a literatura e se faz presente
nos textos publicitários, e que utilizamos diariamente em nossos diálogos de
modo a transmitir nossas emoções ou a persuadir nosso interlocutor.
Você verá, no próximo ítem, a estilística que traz valores expressivos de
natureza sonora, ou como Martins (2008, p. 45) denomina “ fonoestilística”.

6.2 Figuras de estilo: som


Segundo Martins (2008, p. 45), os sons produzidos em língua
portuguesa podem provocar múltiplas sensações, podem agradar, desagradar,
emocionar, incomodar, podendo interferir no sentido que se quer transmitir,
sugerindo interpretações ou impressões.
Muitos autores se dedicaram a estudar sobre os recursos expressivos
presentes nos fonemas, dentre eles Bally, que em seu livro Estilística y
Lingustica General citado por Martins (2008, p. 46) afirma que
Não há dúvida de que na matéria fônica se escondem possibilidades
expressivas. Deve-se entender como tal tudo que produza sensações
musculares e acústicas: sons articulados e suas combinações, jogos
de timbres vocálicos, melodia, intensidade, duração de sons,
repetição, assonâncias e aliterações, silêncios, etc.

Porém, a expressividade, defendida na citação acima, não é de natureza


isolada, mas sim é ancorada em palavras, em elementos da frase, do contexto
e da enunciação.
Saiba mais
A obra Introdução à estilística, de Nilce Sant`Anna Martins, traz um
capítulo inteiro sobre a expressividade presente nos fonemas. A obra toda é
excelente, pois apresenta o enfoque teórico que lhe permitirá aprofundar nesse
assunto, apresentando também exemplos de elementos expressivos relativos
ao uso do som, da palavra, da frase e do enunciado, que veremos mais
adiante. No capítulo 2, a autora trabalha com as figuras de assonância,
aliteração, rima, anominação, paranomásia, dentre outras, explicando-as e
exemplificando cada uma delas. Fica, aqui, não somente a dica de leitura, mas
a dica de que você vá montando sua biblioteca de referência, pois sabemos
que livro é um artigo muitas vezes, caro, porém se você optar por obras
clássicas ao final do curso você contará com alguns materiais que lhe
auxiliarão em sua profissão. Além de poder acessar aos sítios de universidades
e revistas científicas disponíveis on-line.

Os recursos presentes nos fonemas precisam se inter-relacionar


diretamente entre o significante e significado, se não houver esta relação a
expressividade será nula. Porém, se houver a correspondência, há a motivação
sonora que é considerada como uma das propriedades da linguagem poética.
Os recursos sonoros são distintivos em três categorias:
a) imitação sonora. Ex. onomatopeia
b) transferência sonora. Sugestão de impressões sensoriais não auditivas.
Ex. como o caso da vogal [a] que segundo Martins (2008, p. 47) pode
ser associada à claridade, na construção “cascata clara”.
c) correspondência articulatória. Correspondência entre os movimentos
articulatórios da produção do som e a ideia que exprime. Ex. [ó] ajustada
à ideia de circunferência, de algo redondo, como em “bola” ou “ovo”.

Veja, a seguir, algumas figuras expressivas presentes na estilística do som.

6.2.1 Aliteração
As aliterações consistem em repetir propositadamente sons
consonantais. As repetições dos sons consonantais servem para realçar um
determinado som ou para dar ritmo à oração ou ao verso de um poema.
No simbolismo, estilo de época do século XIX, teve como um de seus
principais autores Cruz e Souza, também conhecido como o Cisne Negro do
Simbolismo Brasileiro, que utilizava as aliterações como um de seus recursos
estilísticos. Tal como podemos ver em seus versos:
Vozes velozes, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

As aliterações são muito semelhantes às assonâncias, veja porque no


próximo tópico.

6.2.2 Assonância
As assonâncias são formadas pela repetição de sons vocálicos, e tal
como as aliterações buscam realçar determinado som de modo a contribuir
para a significação de um texto. Veja um exemplo de Guilherme de Almeida:
E bamboleando em ronda
dançam bandos tontos e bambos
de pirilampos.

São muitas as figuras de estilo formadas por recursos fonéticos, porém a


onomatopeia, talvez, seja a que mais encanta os alunos, pois eles as
produzem com certa facilidade e se apropriam de seu conceito para produzirem
textos carregados de “imitações” sonoras que se tornam possíveis por meio
dessa figura de estilo. Veja um pouco sobre as onomatopeias.

6.2.3 Onomatopeia
Entendemos como onomatopeia, todo recurso que tenta reproduzir
linguisticamente sons e ruídos do mundo natural. A poesia, muitas vezes,
explora esse recurso ao tentar trazer para o texto sons de animais, de objetos,
de nossas ações, etc.
Muitos teóricos defendem que a onomatopeia é um recurso
representativo do mundo. Em sala de aula, você poderá incentivar seus alunos
a utilizarem as onomatopeias em seu texto, poderá fazer com eles gibis que
utilizem esse recurso. Veja exemplos de onomatopeia:
a) cocoró corococó, cocoró, coroccocó
o galo tem saudade da galinha carijó
b) Lá vem o vaqueiro pelos atalhos
tangendo as reses para os currais.
Blem..., blem..., blem.... cantam os chocalhos
dos tristes bodes patriarcais.
E os guizos finos das ovelhinhas ternas
Dlin....dlin...dlin
E o sino da igreja velha:
bao...bao...bao. (Ascenso Ferreira)

c) As jabuticabas tinham chegado no ponto e a menina não fazia outra


coisa senão chupar jabuticabas. Escolhia as mais bonitas, punha-as
entre os dentes e tloc! E depois do tloc, uma engolidinha de caldo e
pluf! – caroço fora. E tloc, pluf, tloc, pluf, lá passava o dia inteiro na
árvore. (Monteiro Lobato)

6.2.4 Rima
Segundo Martins (2008, p. 63), “rima é a coincidência de sons,
geralmente finais de palavras [...], que se dá na poesia, em conformidade a um
esquema mais ou menos regular.”
Veja nos exemplos, a seguir de Carlos Drummond de Andrade:
a) “Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

A rima consiste na repetição do fonemas do final das palavras “perdido”


e “confundido”. Agora veja um trecho de um poema de Cecília Meireles:
b) “ Arabela
abria a janela.
Carolina
erguia a cortina.
E Maria
olhava e sorria:
"Bom dia!"

As rimas consistem na repetição do fonemas do final das palavras


Arabela e janela, Carolina e cortina, ou ainda no final das palavras Maria, sorria
e dia. Apesar de citarmos apenas rimas presentes na poesia, elas são
esncontradas, também, nas músicas e na publicidade em frases como
“publicidade: responsabilidade que envolve solidariedade.” Na literatura, no
entanto, sua força expressiva, além de ser comum, marca, caracteriza estilos
de época, pois os autores de determinado movimento buscam certa forma
rimática, ou esquema rimático comum, o que permite contribuir para a
diferenciação dos movimentos literários.

Reflita
As rimas são estudadas com maior profundidade nas disciplinas de literatura,
portanto fique atento para estabelecer o diálogo desta disciplina com as demais
disciplinas de seu curso. Você precisa traçar paralelos entre os conteúdos das
disciplinas, pois eles podem ser vistos por duas disciplinas com enfoques
diferentes.

Nossa pretensão, neste capítulo, não é encerrar a questão sobre as


figuras de estilo, mas apresentá-las a você estimulando-o a consultar outros
materiais, a acompanhar as atividades disponibilizadas na web-aula e, claro, a
acompanhar a teleaula que tratará de explicar as questões que envolvem as
figuras de estilo, além de exemplificar a sua utilização.

6.2.5 Anominação e paronomásia


Entende-se por anominação o emprego de palavras que possuem a
derivação em um mesmo radical numa mesma frase.
Ex.: “sonho sonhado em chão duro”
O joelho cansado da vida ajoelha e pede a Deus.

Segundo Martins (2008, p. 67), Monteiro Lobato aproveita essa figura de


estilo para “pintar” o cenário imaginário do reino das Águas Claras. Tal
procedimento encanta pela delicadeza, pelo encantamento, pela suavidade.
Veja:
E canários cantando e beija-flores beijando flores, e camarões
camaronando e caranguejos caranguejando, tudo que é pequenino e não
morde pequeninando e não mordendo.

Já a paronomásia é a figura de estilo que aproxima numa mesma frase


ou verso palavras que possuem traços sonoros muito semelhantes, porém
significados bastante diferentes. Podemos dizer que a paronomásia é um jogo
de sentidos que poderá provocar efeitos humorísticos ou colaborar com outras
figuras de estilo de estrutura semântica, tal como as antíteses, que
estudaremos mais adiante neste capítulo.
Ex.: veja os versos de Manuel Bandeira no poema “Oração no Saco de
Mangaratiba” e observe o uso das palavras cumprida e comprida, veja a
sonoridade análogas e a diferença de sentido existente entre elas.
Nossa Senhora me dê paciência
Para estes mares para esta vida!
Me dê paciência para que eu não caia
Pra que eu não pare nesta existência
Tão mal cumprida tão mais comprida
Do que a restinga de Marambaia!

A figura de estilo pode ter sua composição ligada à estrutura da palavra,


veja, no próximo tópico, como funcionam.

6.3 Figuras de estilo: palavra


A estilística que se fundamenta nas estruturas das palavras, ou seja, no
léxico, busca estudar os efeitos expressivos ligados aos aspectos morfológicos
ou semânticos das palavras. Essa estilística é conhecida como estilística
léxica.
Ela busca compreender as produções realizadas por meio da fala ou da
escrita que resultam em combinações de palavras, podendo conter mudanças
ou substituições do sentido real das palavras para o sentido figurado. São
consideradas como figuras de estilo de formação na palavra: a comparação, a
metáfora, a catacrese, a metonímia, a perífrase (antonomásia) e a sinestesia.
Para o linguísta suíço Charles Bally (citado por MARTINS, 2008, p.
121), as figuras de linguagem resultam da necessidade “expressiva e se devem
à incapacidade de nosso espírito de abstrair, de apreender um conceito, de
conhecer uma ideia fora do contato com a realidade concreta”. Para Bally as
figuras de estilo lexicais podem apresentar graus diferentes de imagens que
podem ser:
a) imagens concretas, sensíveis, imaginativa, individual que evocam um quadro
que a imaginação individual completa à sua vontade.
Ex.: “Ela apreciava o casacão da noite”. Guimarães Rosa em “Primeiras
estórias”.
b) imagens afetivas: há um elemento afetivo, que salva a imagem e a impede
de desfazer-se na abstração.
Ex.: “sorriso amarelo” (sem graça); “o doente declina dia-a-dia”; “quebrar um
galho” (resolver um problema).
c) imagens mortas: não há mais imagem, nem sentimento de imagem, é
segundo Bally, pura abstração. Tal como em “quebrar o silencio”; “a boca do
rio”; “a boca da caverna”.

Veja a seguir algumas figuras de estilo lexicais. Iniciaremos pela


comparação.

6.3.1 Comparação
Consiste na comparação entre dois elementos, entre duas palavras, por
meio das suas características comuns. Na maioria das vezes se emprega uma
conjunção que possui o papel de comparar, tal como, as conjunções como, tal
qual, assim como, etc.
Ex.: “E na minha alma iluminou-se
Como um vitral ao sol.” (Florbela Espanca)
“Sejamos simples e calmos
Como os regatos e as árvores.” (Fernando Pessoa)

6.3.2 Metáfora
Consiste no emprego de uma palavra fora de seu sentido original,
próprio, na maior parte das vezes é como uma comparação implícita, uma
comparação subentendida. Você deverá estar atento, pois as metáforas são
uma das figuras de estilo mais utilizadas em nosso cotidiano, e também uma
das que oferece certo grau de dificuldade de entendimento para alguns de seus
futuros alunos.
Segundo Martins (2008, p.128), “a metáfora pode ocorrer com
substantivos, adjetivos e verbos, mas é a metáfora de substantivo que se
apresenta em formulações diversas.”
Na metáfora por substantivo existe a relação entre um substantivo
(termo A) real e um substantivo (termo B) imaginário. Tal como nos exemplos
abaixo:
x “eu mesmo, para mim mesmo, sou uma gaveta fechada, uma
rocha compacta, um abismo.”
x “Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal.”

6.3.3 Catacrese
É a utilização de um termo fora de seu sentido próprio por não haver
uma palavra apropriada para expressar o que se pretende. Muitos teóricos
defendem que a catacrese é uma metáfora desprovida de originalidade, pois já
caiu no uso corrente de nosso cotidiano. Veja os exemplos:
a) Os comentário presentes na orelha do livro ajudavam a compreender
melhor o assunto.
b) Os pés da mesa eram finos e pontiagudos, tal como palitos de
churrasco.

6.3.4 Metonímia
Consiste na substituição de um termo por outro com o qual existe uma
relação de significado. Segundo Martins (2008, p. 132),
A metonímia é a figura pela qual uma palavra que designa uma
realidade A é substituída por outra palavra que designa uma
realidade B, em virtude de uma relação de vizinhança, de
coexistência, de interdependência, que une A e B, de fato ou no
pensamento.

A metonímia pela sua concisão revela rapidamente os fatos que a


constituem, revelando sua essência, por isso a metonímia possui força
expressiva e forte teor emocional.
Veja alguns exemplos de metonímia:
a) “Qual branca vela n’amplidão dos mares.” Castro Alves. (vela = barco)
b) “O bonde passa cheio de pernas.” Carlos Drummond de Andrade
(pernas = pessoas)
c) Gosto de ler Machado de Assis e suas ironias sutis. (Machado de Assis
= literatura produzida pelo autor)
d) “Beijaria até uma caveira
Se o espumante o Madeira ali corresse.” Álvares de Azevedo. (Madeira
= vinho)
6.3.5 Perífrase ou antonomásia
É o emprego de uma expressão que identifica uma coisa ou uma
pessoa. É bom lembrar que essa expressão deve ser de domínio público, ou
seja, todos devem conhecer e ser capazes de associá-la ao elemento sugerido.
Essa figura de estilo é muito utilizada no jornalismo e na publicidade,
pois evita a repetição de nomes e acrescenta informações para o texto
conferindo a ele maior fluidez e maior inventário de informações.
Você deve utilizar frequentemente essa figura de estilo, somente não se
dava conta de seu nome. Tal como quando você associa o termo atleta do
século, rei do futebol à figura do jogador Pelé, ou seja, atleta do século e rei do
futebol são expressões que permitem uma substituição do nome Pelé por
informações, de conhecimento geral, sobre ele. Veja outros exemplos:
a) O país do futebol acredita em seus filhos. (país de futebol = Brasil)
b) A dama do teatro brasileiro foi indicada para o Oscar. (dama do teatro
brasileiro = Fernanda Montenegro)

6.3.6 Sinestesia
A sinestesia consiste na mistura de sensações que produzem uma alta
carga de sugestões. Para muitos teóricos a sinestesia consiste em misturar as
sensações promovidas por nossos órgãos de sentido, ou seja, misturar
audição, olfato, paladar, visão e o tato. Muitas vezes em alguns períodos
literários a sinestesia servia ao projeto de provocar no leitor uma forte carga de
emoções por meio das palavras que sugeriam esse estado de múltiplas
sensações, muitas vezes contraditórias.
As sensações poderiam, portanto, sugerir harmonia, conforto,
tranquilidade ou certo grau de incômodo e irritação. Veja alguns exemplos:
a) “Meu Deus! Como é sublime um canto ardente!” - Olavo Bilac (canto,
audição + ardente, tato).
b) “Os carinhos de Godofredo não tinham mais o gosto dos primeiros
tempos.” Autran dourado. (carinhos, tato + gosto, paladar)

6.4 Figuras de estilo: frase


A estilística que trabalha com os efeitos expressivos a partir dos
elementos presentes nas frases é conhecida como estilística sintática.
Segundo Martins (2008, p. 164),
na sintaxe, quem fala ou escreve escolhe entre os tipos de frase
obedecendo a um numero mais ou menos restrito de regras rígidas. À
dupla escolha do padrão sintático e léxico corresponde a criatividade
da frase, tendo o falante a possibilidade de produzir em número
infinito, frases novas e compreensíveis.

Podemos afirmar que a estilística sintática tem se interessado, ao longo


dos estudos acadêmicos que a norteia, em observar a norma comum dos tipos
de frases que podemos formular, passando a considerar os “desvios” dessas
normas como traços originais e expressivos. São esses desvios que muitas
vezes são associados à genialidade de algum autor, tal como no exemplo de
Machado de Assis, com suas inversões sintáticas.
As alterações provocadas na ordem direta das frases ficaram
conhecidas como hipérbato, anástrofe, sínquise e prolepse, porém como
precisamos trabalhar de modo mais objetivo neste capítulo trataremos apenas
como inversão. A inversão, segundo Martins (2008, p. 209), é “o processo de
colocar em evidência um termo que se deseja, rompe a monotonia da ordem
usual, podendo favorecer um ritmo mais adequado ou propiciar um tom mais
elegante.” Observe alguns exemplos de inversões sintáticas que provocaram
alta carga de expressividade.
a) “É de palha a aspereza dos cabelos quando secam com o pó da terra.”
Adonias Filho, citado por Martins (2008, p.212). Inversão verbo –
predicativo -sujeito.
b) “Amarga é a saliva quando os olhos se tornam mais verdes.” Adonias,
citado por Martins (2008, p.212). Inversão de Predicativo – verbo –
sujeito.
Deste modo, dando sequência ao nosso assunto, porém sem a pretensão
de esgotá-lo, vejamos algumas das figuras de estilo marcadamente sintáticas.

6.4.1 Anástrofe
É a inversão da ordem natural dos termos da oração. Trata-se,
normalmente, de uma inversão, considerada como simples, entre o sujeito e o
predicado, ou seja, há uma ruptura com a ordem sintática geral e direta de
seus elementos essenciais. Veja nos exemplos.
a) “Já vinha a manhã clara
Dourando os horizontes.” (Cláudio Manuel da Costa)
Ou seja:
Manhã clara: sujeito
Já vinha: predicado
b) Cantará para alegrar as noites a mulher.
Ou seja:
A mulher: sujeito
Cantará para alegrar as noites: predicado.

6.4.2 Hipérbato
Consiste na roca da ordem direta dos termos da oração, sujeito, verbo,
complementos, adjuntos, ou ainda inversão entre os nomes e seus
determinantes. Veja os exemplos.
a) Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores"
Osório Duque Estrada, no Hino Nacional Brasileiro
b) Dança, durante a noite, o casal de apaixonados no clube.

6.4.3 Elipse
A elipse é a figura de estilo resultante da omissão, ou supressão de um
termo, de uma palavra, em um enunciado. No entanto, essa omissão é, além
de intencional de fácil identificação. A presença da elipse é bem vinda quando
se quer tornar o texto mais enxuto, mais conciso, e, portanto mais elegante.
Por isso a elipse é uma figura comum no jornalismo e na publicidade
onde se pretende ser claro, direto e conciso. Veja, como funciona:
a) “No mar, tanta tormenta e tanto dano.” Camões, suprimiu o verbo haver
no verso.
b) Carlitos estava com pressa. Preferiu não entrar. Foi suprimido o termo
“ele”.

6.5 Figuras de estilo: enunciação


Faz-se necessário, inicialmente, falar um pouco sobre o que se entende
por enunciação. É considerada enunciação um ato de comunicação verbal, no
qual o usuário de uma língua faz uso dela para se expressar, para dizer alguma
coisa. Segundo Ducrot citado por Martins (2008, p. 233) “enunciação é a
atividade de linguagem exercida por aquele que fala no momento em que fala.”
Em sua obra “Dicionário das ciências da linguagem”, Tzvetan Todorov
distingue duas Estilísticas, para ele existe a estilística do enunciado que se
ocupa do aspecto verbal, suas particularidades fônicas, morfológicas,
semânticas, sintáticas; e a estilística comum à enunciação.
A estilística da enunciação se preocupa em estudar a relação entre
locutor, receptor, referente, ou seja, entre os protagonistas do discurso.
Esse tipo de estilística se interessa, diretamente, pelos efeitos subjetivos
provocados pelo uso da palavra por um sujeito que, como tal, se caracteriza
por sua subjetividade.
O índice de subjetividade mais comum é quando o falante, ou autor, se
revela, se mostra por meio da adoção do discurso em primeira pessoa,
marcado por pronomes de 1ª. pessoa, eu, me, mim, comigo, meu, no entanto
as formas de segunda pessoa, diferentemente do que muitos pensam, também
podem marcar certa subjetividade, pois elas só existem em relação com o eu
que as profere.
Existem várias formas de serem avaliadas as questões que envolvem a
subjetividade. No entanto, veremos outros aspectos que são observados na
estilística da enunciação

6.5.1 Ironia
A ironia, muitas vezes, é associada ao sarcasmo, ou à crítica.
Entendemos como ironia a figura de estilo, também associada às figuras de
pensamento, que consistem em dizer o contrário do que se pensa, adotando,
muitas vezes, um sentido oposto ao literal. Veja nos exemplos:
a) “Moça Linda bem tratada,
Três séculos de família
Burra como uma porta;
Um amor” (MÁRIO DE ANDRADE)
b) Imagine a situação de um doente na terminal, em que um de seus
visitantes diz: para um doente na cama, a conversa sobre a bolsa de
valores, e investimentos a longo prazo era realmente interessante!

6.5.2 Paradoxo
É uma figura que consiste em romper integralmente com a coerência de
sentido de um texto, é uma oposição extrema de sentido, muitas vezes pode
deixar a ideia quase que como incompreensível. Você perceberá que há uma
semelhança entre o paradoxo e a antítese, porém é bom que fique claro que o
paradoxo possui mais intensidade no contraste das ideias apresentadas como
antagônicas.
Veja alguns exemplos de paradoxo:
a) “Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente” (CAMÕES)
b) Vejo - me como um velho moço.

6.5.3 Hipérbole
Essa figura de estilo é muito utilizada em nossa comunicação cotidiana,
como forma de intensificar aquilo que gostaríamos de dizer. Certa vez,
enquanto eu era professora de turmas de 5ª. série, atual 6º. ano do Ensino
Fundamental, trabalhei esse assunto com estratégias bem interessantes, que
permitiram aos alunos compreender o conteúdo e se arriscarem na utilização
das hipérboles. Fizemos, por exemplo, o jornalzinho da hipérbole, era um
exagero só, mas muito criativo.
Veja alguns exemplos de hipérboles.
a) O pensamento ferve e é um turbilhão de lava (OLAVO BILAC).
b) Ainda bem que a aula terminou, pois estou morrendo de fome.
c) O céu está se desmanchando em água.

6.5.4 Antítese
A antítese é uma figura de estilo que consiste em expor ideias opostas.
Essa figura de estilo foi muito utilizada no Barroco brasileiro, em especial por
Gregório de Matos, o também conhecido “Boca do Inferno”. Esse poeta
buscava o contraste entre as ideias presentes em seus versos, também, como
forma de apresentar a contradição dos sentimentos humanos, da relação
homem – sagrado, moral-amoral, etc.
As antíteses contribuíram, no Barroco para a construção do veio a ser
conhecido como a arte do conflito. Veja o exemplo de Gregório de Mattos em
“inconstância das coisas do mundo” e Caetano Veloso, respectivamente:
a) Nasce o Sol e não dura mais que um dia;
Depois da Luz se segue à noite escura;
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas e alegria.
Residem juntamente no teu peito/um
demônio que ruge e um deus que chora

b) Onde queres prazer sou o que dói,


E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido sou herói.

Saiba mais
Como mais uma possibilidade de aprofundar seus estulos sobre as figuras de
estilo deixo a indiação do sítio <http://www.filologia.org.br>, que é um artigo
científico muito interessante sobre o assunto. O autor, Ruy Magalhães, trabalha
com diversas figuras de estilos, de modo que ele explica a teoria da estilística,
exemplificando com textos literários e do cotidiano. Vale a pena dar uma lida, o
texto é realmente muito bom.

6.5.5 Eufemismo
O eufemismo é conhecido como a suavização das informações, ou seja,
é a figura de estilo que busca emprega e termos mais agradáveis suavizando a
comunicação. Entre chamar um indivíduo de mentiroso e dizer que ele está
“faltando com a verdade” qual, em sua opinião, é mais suave e, portanto, mais
eufêmico? No eufemismo as expressões consideradas fortes e
desagradáveis são desconsideradas totalmente, veja:
a) “Era uma estrela divina
que ao firmamento voou” (ÁLVARES DE AZEVEDO).
A expressão “firmamento” voou possui o mesmo sentido da expressão
“morreu”.
b) Ele subtraiu os bens da mãe, coitada!
A expressão “subtraiu” possui o mesmo sentido de “furtou”.

6.5.6 Prosopopeia
Também conhecida como animização, essa figura de estilo consiste em
atribuir características humanas aos seres inanimados ou aos animais.
a) “O Gato disse ao Pássaro que tinha uma asa partida.”
b) “O Sol amanheceu triste e escondido.”
c) O lobo mau disse que iria jantar a Chapeuzinho, coitada!
Nas fábulas, a prosopopeia, ou personificação contibui para a criação do
simbólico, o que, na maior parte das vezes, serve para um projeto de
educação. No próximo capítulo, aprofundaremos nosso estudo enfocando a
sintaxe e o estilo. Consulte os materiais disponibilizados para você na web-
aula, além de consultar as indicações do saiba mais.
Para finalizarmos esta disciplina, estudaremos a relação entre as regras
gramaticais e a estilística. Veremos que a gramática, para legitimar suas
regras, busca normalmente exemplos na literatura. Mas será que ela só
encontra exemplos que estão de acordo com suas regras? Você obterá a
reposta ao estudar o próximo capítulo.

Resumo
Neste capítulo, você estudou sobre as figuras de estilo, viu sua
conceituação, além de estudar um pouco sobre a sua formação com base na
ligação de estrutura com o som, com a palavra, com a frase e com a
enunciação. Você teve a oportunidade de estudar sobre a estilística fônica,
morfológica, sintática e enunciativa. Apresentamos, neste capítulo, apesar de
saber que o assunto não foi esgotado, as figuras de estilo. Estudamos um
pouco sobre aliteração, assonância, onomatopeia, rima, anominação e
paronomásia. Vimos, ainda, comparação, metáfora, catacrese, metonímia,
perífrase, e sinestesia. Todas foram exemplificadas, tal como as figuras de
anástrofe, hipérbato, elipse, ironia, paradoxo, hipérbole, antítese, eufemismo e
prosopopeia.
Atividades
1. Observe os trechos I, II e III, apresentados a seguir e classifique as figuras
de estilo presentes em cada um deles.
I. “Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
- Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir
que vale alguma cousa neste mundo?” (Machado de Assis)
II. “Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.” (Carlos Drummond de Andrade)
III. "Rios te correrão dos olhos, se chorares!" Olavo Bilac

Assinale a única alternativa correta.


a) Prosopopeia, prosopopeia, antítese.
b) Antítese, eufemismo, ironia.
c) Ironia, prosopopeia, paradoxo.
d) Prosopopeia, sinestesia, hipérbole.

2. Veja o trecho retirado da música “Minha Alma” de Marcelo Yuka, que ficou
conhecida na interpretação do grupo O Rappa. E interprete o sentido formado a
partir das figuras de estilo que são apresentadas.
“A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego!
(Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!
(Medo! Medo! Medo! Medo!)

As vezes eu falo com a vida


As vezes é ela quem diz:
"Qual a paz que eu não quero conservar,
Prá tentar ser feliz?"

Assinale a única alternativa que corresponde a uma interpretação possível para


o trecho.
a) E “eu poético”, por meio da hipérbole presente na primeira estrofe da música
se apresenta satisfeito com a vida que leva.
b) É apresentado um diálogo real entre o “eu poético” e o medo da solidão,
como podemos notar na sinestesia presente na segunda estrofe.
c) Em uma postura critica o “eu poético” questiona a postura de silêncio
adotada pelas pessoas, e busca refletir sobre a real paz pretendida, no
fragmento é apresentado prosopopeia, nos versos das duas estrofes, como
figuras de estilo.
d) No diálogo com a pessoa amada, o “eu poético” demonstra, por meio de
uma prosopopeia presente no refrão da primeira estrofe, ter medo da arma que
se encontra apontada para ele.

3. Leia o texto Motivo de Cecília Meireles disponível no sítio


<http://www.jornaldepoesia.jor.br/ceciliameireles01.html#motivo2>, observe a
relação entre as palavras que terminam cada um dos versos e marque a única
alternativa correta a partir da análise dos termos em destaque.
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
Sou poeta

Irmão das coisas fugidias,


não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
No vento
a) Os termos em destaque, na primeira e na última estrofe formam uma figura
de anástrofe.
d) Os termos em destaque formam uma figura de hipérbole.
c) Os termos em destaque, na segunda e na última estrofe formam uma figura
de sinestesia.
d) Os termos em destaque formam rimas.

4. Observe, no trecho da música “Certas coisas” de Lulu Santos e Nelson


Motta. Em seguida, verifique os termos que se apresentam em destaque e
realize uma análise de qual figura de estilo elas formam e qual a intenção
dessa figura de estilo.
Não existiria som
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

[...]
Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz.
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer
A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim.

Comentário das atividades


Na atividade 1, a alternativa correta é a (d), pois no primeiro trecho a
figura de linguagem presente é a prosopopeia, ou personificação da agulha e
da linha, no segundo trecho há uma sinestesia, mistura de dois sentidos
humanos, tato e audição. Por fim, no terceiro trecho, há a presença de uma
hipérbole, pois por mais que choremos nunca resultará em um rio de lágrima.
A atividade 2, a alternativa correta é a letra (c), pois há prosopopeia em
“minha alma tá armada e apontada” e no verso “As vezes eu falo com a vida,
as vezes é ele quem diz”. Há, ainda, uma critica ao comportamento conformista
de algumas pessoas. A alternativa (a) está incorreta, pois apesar de haver uma
hipérbole na primeira estrofe, não há um sentimento de satisfação. Na
alternativa (b) a incorreção se dá pela afirmação equivocada da existencia de
sinestesia. Na alternativa (d) o equívoco se dá pela interpretação de que o “eu
– poético” está amedrontado, diante da arma.
A atividade 3, a alternativa correta é a letra (d), pois os termos por
aproximação sonora entre si, estabelecem várias rimas. A alternativa (a) esta
incorreta por defender a presença de anástrofe na primeira estrofe. Já, a letra
(b) está incorreta por afirmar a existência de hipérbole nas palavras em
destaque. A letra (c) está incorreta por apresentar um raciocínio incorreto
quanto à figura de estilo, sinestesia, que aproxima os sentidos humanos.
Na atividade 4, esperamos que você tenha identificado, a partir das
palavras em destaque, as antítese presentes no texto. Essa figura de estilo
busca realçar o contraste, a oposição entre sensações, sentimentos, dúvidas,
comportamentos que fazem parte da subjetividade humana. No caso
trabalhado da música “Certas coisas”, a intenção foi trabalhar a incoerência de
amar alguém, da confusão de emoções que invadem a vida de quem está
amando.

Referências
BRANDÃO, Roberto de Oliveira. As figuras de linguagem. São Paulo: Ática,
1989.
DUCROT, Oswald; TODOROV, Tzvetan. O dicionário das ciências da
linguagem. 6. ed. Lisboa: Dom Quixote, 1982.
MARTINS, Nilce Sant’Anna. Introdução à estilística: a expressividade na
Língua Portuguesa. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2008.
MATTOSO CAMARA JR.; Joaquim. Contribuição à estilística portuguesa. 3.
ed. São Paulo: Ao livro Técnico, 1978.
MONTEIRO, José Lemos. A estilística. São Paulo: Ática, 1991.

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