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É CRISTΩ QUΣM PRΩTΣSTΔ

Clavio J. Jacinto

Publicações Bíblicas Bereianas


(48) 999947392
claviojj@gmail.com
É Cristo quem Protesta
 
 
No Novo Testamento encontramos diversos
momentos cruciais na vida de Cristo em que Ele
ensina de modo a protestar contra a sutileza da
religião humanista e formalista dos judeus da
sua época. A passagem clássica sobre esse tema
é Lucas 10:30 a 36, e nela está a parábola do bom
samaritano. O texto eloqüente do Senhor narra
a história de um homem que descia de Jerusalém
para Jericó e foi tomado de assalto por ladrões
que o deixaram semimorto a beira daquele
caminho, Cristo prossegue e revela que
passaram um sacerdote e um levita, e vendo o
homem aquele estado de agonia, entre a vida e a
morte, passaram de largo. Um samaritano
passou e ficou comovido e exerceu compaixão a
favor daquele pobre homem ferido. Cristo não
poderia protestar contra o formalismo de forma
mais obvia, a lógica da narrativa é que
a práxis dos judeus estavam erradas, não havia
harmonia entre o que professavam e o que
faziam. Cada cristão deve aprender com a
parábola, pois devemos ter ações corretas em
harmonia com os ensinos de Cristo e não em
discordância com eles. Responder a graça de
Deus significa reconhecer que não somos
merecedores da compaixão divina, mesmo assim
Ele é compassivo para conosco e assim deve ser
medido a nossa escala de valores. Não importa
se os outros não merecem nosso perdão,
devemos perdoar! Mesmo que não mereçam a
nossa ajuda, devemos ajudar! Mesmo que não
sejam dignas de nossa compaixão, devemos
ainda assim,  ser compasivos. Não andar pela luz
da graça divina corresponde a transformar a
graça de Deus em dissolução (Judas 1:4). A
religião morta e formalista do sacerdote e do
levita produziu uma insensibilidade de tal modo
que olharam com indiferença perante aquela
cena que exigia muita compaixão por parte dos
que passassem por aquele caminho. Agora veja
que ambos negavam a Deus por causa de tal
atitude fria e indiferente, Paulo fala acerca
daqueles que afirmam conhecer a Deus mas
negam com a suas obras (Tito 1:16) jamais
devemos negar a justiça dos justos (Isaias 5:23)
devemos guardar as Palavras (Os ensinos) de
Cristo (João 14:24) e do modo como Deus usou
de grande graça e misericórdia para conosco
assim devemos proceder com respeito ao nosso
semelhante, para não transformar a graça de
Deus em dissolução na nossa vida (Judas 1:4).
Cristo protesta na parábola contra o formalismo
frio, a agenda do sacerdote e do levita estava em
dia, mas estavam fora da vontade de Deus, eram
frios como a sepultura da hipocrisia. Os afetos
eram pela preservação da própria vida, o instinto
do homem natural predominava
naquela circunstância, pois temeram parar e
ajudar, pois isso colocaria em ridos a vida deles,
então passaram de largo e fugiram da
responsabilidade de ajudar quem precisava de
ajuda, naquele momento tão dramático, onde
aquele homem jazia na dor, esperando que um
coração compassivo pudesse vir em socorro. A
religião fria, institucional e formalista daquela
época, representada na  narrativa pelo sacerdote
e pelo levita é um protesto contra a indiferença
contra uma alma que carece de ajuda.
A história da igreja cristã narra que durante um
surto de peste nos primeiros séculos da era
cristã, enquanto os pagãos jogavam seus
parentes para morrerem, os cristãos primitivos
ajudavam seus entes queridos e acolhiam até
mesmo os pagãos e se responsabilizavam pelos
cuidados ainda que sofressem o risco de serem
contaminados. Isso é o amor de Cristo na prática
do verdadeiro cristianismo, uma fé viva e
verdadeira que é movida pelo coração cheio do
Espírito santo e por isso mesmo era cheio de
compaixão e amor ao próximo. Não há
espaço para o egoísmo num coração que deseja
amar e servir a Cristo, tão somente Seus ensinos
e Sua vontade  devem ocupar todo o coração que
deseja amar  a Deus de todo o coração alma e
pensamento. Cristo protesta contra os falsos
cristãos, que vivem uma vista egocêntrica ao
invés de Cristocêntrica, estão preocupados
apenas com os interesses pessoais e não
querem se comprometer com as normas e
princípios do Evangelho, tais não se interessam
pela vontade de Deus, mas apenas em satisfazer
seus corações egoístas. “Por que me chamais
Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?”
(Lucas 6:46).

Um dos maiores protestos de Cristo foi contra


Jerusalém, ele bradou em alta voz contra a
cidade santa e seus habitantes. “Jerusalém,
Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os
que te são enviados! quantas vezes quis eu,
ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus
pintos debaixo das asas, e não
quisestes?”(Lucas 13:34)
A indiferença humana contra a obra expiatória de
Cristo é fatal, não crer nEle e nem aceita-lo como
Salvador pessoal é a maior de todas as
fatalidades do gênero humano. Veio para o seu
povo, os profetas apontavam para a chegada do
Verbo, sinais de identificação seriam
apresentados, mas de tal maneira estava a
cegueira espiritual prevalecendo que não
aceitaram a Cristo nem como messias e muito
menos como Salvador. Pode haver maior
tragédia do que rejeitar o Verbo de Deus? Agora
veja que Jesus faz serias acusação, os judeus
que matam os profetas e apedrejam os que a eles
são enviados.  Uma fé em Deus, um templo, as
Escrituras, uma agenda religiosa completa e uma
reação blasfema contra a verdade e contra
aqueles que pregam a verdade! Que contradição
terrível, que formalismo pavoroso encontramos
em uma declaração tão séria quanto esta. Lá
estava Cristo, esperando amor de quem odiava
os santos, esperando uma reverencia, estima e
respeito de quem jogava pedras nos profetas.  A
Jerusalém assassina, um povo cheio de rancor,
que contradição, afirmavam que tinham a
verdade, criam possuí-la e odiavam aqueles que
proclamavam ela! Acaso não tem sido assim? há
um ódio mortal na cristandade contra aqueles
que querem viver um cristianismo sério, os
verdadeiros profetas são desprezados, muitas
vezes precisam recorrer ao exílio, e muitas
vezes, lhes é negado os púlpitos formais, então
como João Batista precisa pregar no deserto. O
formalismo religioso jamais pode substituir a
presença de Deus, não se engane com a pompa
dos templos, nem com a sofisticação da retórica
dos que ocupam púlpitos mortos, a mensagem
da vida só floresce onde Deus está presente.
Muita vida religiosa não é o mesmo que muita
vida espiritual, pode o homem ser extremamente
religioso na sua religião e rejeitar completamente
uma verdade preciosa e fundamental das
Escrituras.
Não é uma virtude espiritual possuir uma boa
agenda cheia de realizações sacramentais e
deixar Cristo fora do coração. Não é verdadeira
devoção tirar Cristo do centro da vida espiritual,
fazer isso é sair do foco da sã doutrina do Novo
testamento e desviar-se para outro Evangelho.
De nada adianta professar crença e Deus e viver
fora da vontade dEle. Deus enviou Seu Filho
unigênito para Salvar os homens de seus
pecados, mas eles amaram mais as trevas do
que a luz, assim ao nascer e vir ao mundo, nosso
Senhor se sujeitou as condições precárias da
vida humana, e ali nas ruas de Jerusalém
proclamou salvação e libertação ao povo cativo.
Que contraste! Estavam tão cheios de uma
religião que os impedia de ver a Salvação.
Quando a crença cega mais do que ilumina, o
homem torna-se inapto para enxergar a verdade,
e seguindo a própria cegueira, aceita a mentira
como se fosse uma verdade.
 

Em Mateus 15:1 a 5 encontramos uma troca de


acusações e protestos entre Judeus e Jesus. Os
judeus rigorosos no zelo religioso de suas
tradições, perguntaram ao Senhor o motivo pelo
qual eles transgrediam as tradições do judaísmo,
ao modo que Cristo também perguntou por qual
motivo eles transgrediam os mandamentos do
Senhor por causa da observação das tradições?
Note que há aqui uma razão pelo qual Cristo
advoga contra sãs tradições dos judeus, embora
sejam tradições legalistas, religiosas e
provavelmente cheia de boas intenções, eram
tradições que quebravam a ordem dos princípios
divinos. “Porque transgredis os mandamentos
de Deus pelas vossas tradições? essa era uma
pergunta acusatória, pois as tradições dos
judeus eram a porta de entrada para uma
hipocrisia muito sofisticada, atente para o
discurso pesado de Cristo contra os fariseus em
Mateus 23, aqui temos um problema sério.
Tradições não são erradas, desde que não
transgridam a doutrina dos apóstolos, não
adultere o leite espiritual que são as doutrinas do
Novo Testamento, esse leite racional deve
permanecer sempre puro, nada de acréscimos e
muito menos de adulterações, pois se o leite
racional tornar-se falsificado corrompe a sã
doutrina. (Gálatas 1:8 e 9 Colossenses 2:8 I
Pedro 2:1 e 2) Os judeus tinham as Escrituras do
Antigo Testamento como a Palavra inspirada de
Deus, alguns teólogos antigos do judaísmo como
Filo, acreditavam piamente na inspiração do
Antigo testamento. Note que num estudo bem
cuidadoso dos evangelhos, encontramos
também Cristo seguindo o mesmo caminho, pois
ele tem em grande estima o Antigo Testamento e
também o usa como autoridade nas questões
teológicas e doutrinaria, isso pode ser visto com
muita facilidade por causa da freqüência com
que Cristo discutia com fariseus e saduceus a
respeito de doutrinas.
No grego, tradição é παράδοσιν (paradosin) que
significa transmissão de um preceito religioso
dentro de um sistema de crenças. O agravo da
observância da tradição judaica é que corrompia
a religião verdadeira, tornado o praticante da
observação da tradição num falso religioso.
(Mateus 15:6) e ao invés de conduzir o praticante
para mais perto da verdade, produzia uma
inversão, pois colocava o observador contra a
verdade revelada. Esse princípio deve ser levado
sempre em contra. Quando tradições religiosas
obscurecem o plano de salvação e diminui o
poder e o valor do sacrifício de Cristo na cruz,
quando minimiza a gravidade do pecado e o
poder do sangue da expiação de Cristo na cruz,
quando desvia os olhos de Cristo como único
Salvador, então essas tradições devem ser
rejeitadas imediatamente.
As tradições estratificadas encima da religião
revelada, escondia o brilho da vontade de Deus e
apresentava as sóbrias idéias humanas
equivocadas, sempre que isso ocorre, o mérito
produzido pelo orgulho humano produzia uma
religião centrada do egoísmo, o velho homem
ocupando o lugar divino, ditando as normas para
se alcançar a graça de Deus por meio da justiça
própria. Muitos das tradições então são
formadas a partir de estereótipos religiosos
conduzidos por homens enganadores que se
servem de artimanhas sutilmente desenvolvidas
com fins de manipulação de massas. Isso tanto
ocorre no sistema político quanto no sistema
religioso A maioria das pessoas não gosta de
raciocinar, preferem ser manipuladas pelas
idéias de manipuladores. Não desejam sofrer
pelo trabalho árduo de pensar por si mesmas,
antes preferem seguir uma idéia já formatada e
empacotada aos moldes dos enganadores que
são abundantes no mundo, nisto consiste a
máxima do Mestre, quando afirma que quando
um cego guia outro cego, ambos caem no
abismo.
Que a graça de Deus não pode se transformar em
dissolução é uma verdade indiscutível, porém ela
se torna quando desdenhamos da misericórdia
divina apelando para o orgulhoso conceito de
que podemos alcançar o céu pelo esforço
humano, esse era o princípio espiritual de Babel,
homens que conquistem o infinito pela própria
finitude, um erro, uma discrepância, uma
arrogância e uma apostasia extrema
Os judeus estavam cegos com relação a verdade
quando discutiam com Cristo questionando
porque os discípulos não estavam clebrando as
tradições dos antigos, estavam cegos com
realação á Cristo como Messias e Salvador, por
causa de suas tradições a respeito de um
messias político que viria liberta-los somente do
jugo opressor do imerio romano, era essa uma
das tradições vigentes na época, e por causa
disso era teologicamente inadmissível a vidnda
de um servo sofredor descrito por Isaias usando
o óculos da tradição do Messias libertador
político. Não há uma beleza maior que o coração
possa vislumbrar do que enxergar a eternidade a
partir da luz que emana das promessas do
SENHOR
Em Mateus 23:13 a 39 escribas e fariseus são
censurados por Cristo, o texto aborda um
protesto forte contra a hipocrisia, pois é algo
extremamente abominável a pratica da hipocrisia
religiosa, se assim não fosse, Jesus não faria
uma comparação tão radical quanto chamar os
fariseus hipócritas de sepulcros caiados que por
fora estão bem arranjados e bonitos mas por
dentro estão cheio dos retos mortais de um
cadáver que está em processo de decomposição.
Há algo mais diabólico do que a hipocrisia?
Acaso o príncipe das trevas não se transfigura
em anjo de luz? Sendo ele totalmente obscuro
por dentro, esconde sua natureza maligna por
trás de um véu exuberante de transfiguração
angelical? Essa é uma forma mui horrenda de
hipocrisia espiritual, e o diabo sabe fazer muito
bem isso e seus filhos também segue o exemplo
de seu pai. O mesmo ocorre dentro da vida
religiosa, há conceitos que podem se encaixar
dentro desse protesto que Cristo faz contra essa
ordem de coisas malignas que envolvem a
hipocrisia. “Ai de vós, escribas e fariseus,
hipócritas...” bradou o Senhor Jesus a expressão
“ai” é um lamento profundo cheio de indignação,
é profético e afronta digna das mais duras
penalidades é um choro protestante do fundo da
alma de Cristo. é correto concluir todo o falso
cristão que foi iludido por um falso
cristianismo,o, procura sempre os falsos
profetas que agem conforme a natureza errônea
que possuem. Você nunca vai ver um homem
com discernimento espiritual financiando um
falso profeta. E todo o falso profeta é um
hipócrita, a hipocrisia é o útero onde é gerado
todos os enganadores, é se um útero natural dá a
luz, o útero da hipocrisia dá as trevas. “Ai de vós
escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois
semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora
realmente parecem formosos, mas interiormente
estão cehio de ossos de mortos e de toda a
imundícia” (Mateus 23:27). Cristo usou uja
linguagem pesada, intolerante, se visto pela ótica
do evangelho moderno. Muitos cristãos
modernos se escandalizariam coma expressão
de Cristo, pois é um ataque frontal, um protesto
veemente contra a falsidade religiosa.
Shekespeare em Hamlet escreveu uma frase
fenomenal “Deus deu para você uma face e você
fez outra.” Na perspectiva cristã a hipocrisia
pode ter uma expressão mais refinada do que a
de Shekespeare e eu diria que seria mais ou
menos assim: “Deus sempre nos dá uma
verdadeira face, quando você quer ser falso, o
diabo empresta as mascaras”. Da mesma forma,
é verdadeiro o fato de que o falso evangelho
produz muitos hipócritas. Uma alma enganada
busca a inclinação da sua natureza espiritual, é
por isso que falsos cristãos que crêem num falso
evangelho buscam e veneram os falsos profetas.
“Assim também vós exteriormente pareceis
justos aos homens, mas interiormente estais
cheios de hipocrisia e iniqüidade” (Mateus
23:28). Cristo debate contra a falsa aparência, ela
engana, o diabo e os falsos profetas conseguem
induzir pessoas ao erro usando o pretexto da
falsa piedade, os ministros de satanás se
disfarçam de ministros de justiça, recorrem a
essa tática de engano, e quando não, estão se
infiltrado de forma sutil a usar métodos ocultos a
fim de não mostrar a verdadeira intenção.
Poucos percebem que essa tática de sedução é
eficiente, de modo geral o engano começa pelos
olhos, Eva foi seduzida por eles, nos últimos dias
falsos profetas que apresentam sinais e
prodígios de mentira também receberão
aplausos pois conseguirão encher os olhos sem
discernimento com uma satisfação enraizada no
ver para crer. As vezes a aparência exterior pode
estar completamente polida por uma salsa
sapiência, enquanto o interior está cheio de
rapina e de iniqüidade. Cristo discursa contra
esse tipo de engano, na vida cristã não existem
mascaras, ou você reflete a gloria e a humildade
de Cristo ou você não é verdadeiramente
espiritual. Não se engane os que desejam muito
se aparecer para arrancar devoção dos homens,
são corruptos de coração, pois desejam tomar
para si mesmos, aqueles corações que deveriam
entregar-se completamente a contemplação de
Cristo. A hipocrisia é uma doença moral grave,
seus sintomas são o egoísmo e o coração altivo,
suas conseqüências são devastadoras, um
hipócrita disfarçado de santo arrasta após si uma
quantidade enorme de almas cegas, leva para o
precipício eterno, pessoas que não tem
discernimento para perceber a natureza oculta
por trás de falsas aparências.

Negação de si mesmo e o Caminho da cruz.

Jesus foi expressamente radical quando disse


que quem quisesse seguir após ele deveria
negar-se a si mesmo e tomar a cruz. Costumava
dizer á minha congregação, que há algumas
passagens difíceis nas Escrituras, uma delas
está inserido no sermão do monte na oração do
Pai nosso: “seja feita a tua vontade assim na
terra como no céu” e a outra é a ordem de negar-
se a si mesmo e tomar uma cruz. Ora a primeira
parte que antecede o tomar a cruz, é negar-se a
si mesmo, comunica um golpe ao nosso coração
orgulhoso sedento por aplausos, fama
popularidade e sucesso. Então ele nos golpeia
ainda mais e indica que devemos em seguida
tomar a cruz e então seguir após Ele. Nada pode
ser tão cru no conceito e tão nu na expressão. É
pois um convite a matar nossos desejos e
instintos do velho homem. Toda estrutura dessa
ordem é um golpe mortal a natureza pecadora
inerente no homem adâmico. Negar-se a si
mesmo? Ora essa isso é o que menos se ensina
hoje em dia, é o que menos se pratica em nossa
cristandade. Havia uma época em que muitos
religiosos faziam voto de extrema pobreza e
outros se enclausuravam para sempre dentro de
monastério, muitos vezes o ego ia vivo para lá,
pois é possível existir mais orgulho num pobre
do que num rico. Podemos nos orgulhar da
nossa humildade, nosso ego cheio de orgulho é
tão astuto que costuma tecer para si mesmo uma
sofisticada mascara de humildade para
impressionar e tirar vantagens com o disfarce. O
ego quer projeção, os judeus mais sofisticado,
principalmente os fariseus gostavam de projeção
social, amavam os primeiros lugares, usavam
vestes longas para impressionar, até mesmo as
ofertas de esmolas ou no templo era
acompanhada de algum tipo de “barulho’ para
impressionar os outros que assistiam ao
espetáculo. Esse é a inclinação do ego, orgulhar-
se para alimentar o coração depravado. Vejamos
como a religião do orgulho projetava seus
fantoches na sociedade, orgulho da tradição
“Temos por pai Abraão” traduzido a expressão:
“minha religião é mais antiga do que as
novidades que tu ensinas ó cristo nazareno!”
eram o que queriam dizer.
Negar-se a si mesmo é ser o ultimo para ser o
primeiro, e ninguém realmente quer ficar atrás,
na verdade hoje em dia, se atropelam uns aos
outros, para ver quem ganha mais status e fama.
Eu cansei de ver isso com meus próprios olhos,
presenciei e testemunhei gente que sacrificou a
verdade e a justiça, para não perder a
notoriedade, vi pessoas agirem por ciúmes, pois
quando alguém se projetava na sua vocação de
pregador, alguém que não rinha essa vocação,
ficava enciumada e não queria perder a projeção
social dentro da assembléia de irmãos. Um
homem santo e transformado pode ser evidente
pela sua humildade em desejar que os outros
sejam superiores a si mesmo, veja que Paulo na
sua posição de principal escritor do Novo
testamento, se considerava o principal dos
pecadores e não o principal dos santos. Tudo o
que existe de orgulho no coração humano, é
remanescente da natureza satânica dentro dele,
não importa o quão espiritual possa parecer, é
um enganador, pois os maiores enganadores da
religião conseguem esconder a própria
corrupção espiritual por trás de uma falsa
piedade.
Assim no negar-se a si mesmo é imperativo que
nunca pode ser negligenciado quanto a questão
dos frutos que evidenciam a verdadeira piedade,
pois foi Cristo quem colocou a condição como
um pré-requisito para viver um verdadeiro
discipulado cristão. E então? Como você
considera isso? Durante anos, a mensagem da
igreja moderna tem sido egocêntrica, humanista
e antropocêntrica. Durante anos fomos
projetados a assistir palcos erguidos em templos
e músicos exibindo estrelismo, pregadores e
pastores sendo idolatrados, a dinâmica da
estrutura eclesiástica moderna se encaixa
perfeitamente nessa condição de servir como
catapulta para projetar personagens para
servirem de ídolos e promover o culto a
personalidade, verdadeiras babilônias com seus
deuses mortais sendo idolatrados por religiosos
espiritualmente cegos. Mas Cristo não exige
apenas o negar-se a si mesmo, há outra atitude,
outra escolha, a saber: tomar a cruz. O lugar
onde o ego morre de verdade é na cruz. Nenhum
ego sente-se exaltado quando é elevado á cruz, a
elevação da cruz é uma vergonha, uma
exposição ao vitupério, rebaixa absolutamente o
orgulho ao monturo, e é pelo caminho da cruz
que encontramos o velho homem crucificado.
Nada se fala hoje em dia sobre esse quesito
fundamental, negar-se a si mesmo e carregar
uma cruz. É necessário que o homem
compreenda a obra consumada e perfeita de
Cristo para seguir o passo da consumação da
vida transformada pelo evangelho. Quase todos
os cristãos que conheço gostam de disputar os
primeiros lugares, exporem suas posições
eclesiásticas ou intelectuais para fins egoístas.
Desejam ser projeção, precisam da iluminação
do palco religioso, por isso adotam posturas
nada ortodoxas, nunca se sentem como João
Batista que desejava diminuir-se para que Cristo
se tornasse em evidencia.
A cruz acaba com o sentimento de grandeza, é
uma atitude de vergonha e desprezo aos olhos
do mundo. Lembre-se que a cristandade ama
tudo isso que Cristo condena. O preço do
discipulado tem um preço, Cristo dá um custo
muito elevado. A peregrinação cristã tem uma só
bagagem, uma cruz. O mundo materialista leva
tudo até a morte e depois a alma padece na
miséria eterna, o salvo carrega uma cruz e ganha
às riquezas insondáveis de Cristo. Deixe que te
humilhem, permita ser um nada pela causa de
Cristo. Um dia o teatro da hipocrisia será
desarmado, as mascaras não resistirão ao fogo
da verdade, e então tudo será revelado segundo
a justiça e a equidade do Senhor.
Aprendemos a lição preciosa, é necessário a
morte do ego corrupto para que o coração
contemple as glorias do evangelho. A visão do
velho homem é profundamente humana, a do
homem transformado pelo evangelho é
essencialmente celestial. Então p processo é
radical, desligar-se do sistema adâmico e
mundano, só pela morte. Pela desobediência na
queda Adão e Eva morreram para as coisas do
Espirito, e os filhos de Adão precisam morrer
para o mundo para viverem as coisas do céu.
Quero Uma Cruz

Senhor
Preciso de uma cruz
Para dar vida ao meu cristianismo

Não uma simples cruz


Ou pequena cruz
Feita para as conveniências
Do egoísmo

Eu preciso de uma cruz


Do tamanho certo, que seja
Eficaz
Para crucificar tudo o que em mim
Gera desobediência

Cansei do conforto da religião


Também da monotonia da superficialidade
E da esterilidade de uma
Espiritualidade sem vida

Quero Senhor uma cruz


Para me fazer cristão
Proficiente
Uma cruz que mesmo difícil de levar
Possa me conduzir com segurança
Para o caminho da Tua santa vontade

É JOÃO BATISTA QUEM PROTESTA

Mas não é só Cristo que fez Cristo de protestos


nos Evangelhos, o filho do trovão, João Batista,
estava no deserto clamando arrependimento e
chamando os judeus a essa contrição. Era um
lugar ermo, não uma sinagoga e menos ainda o
templo, João não tinha nenhum lugar lá. Todo o0
sistema tinha rejeitado, me João vai para a beira
do rio e chama os judeus ao arrependimento. A
vida do Batista tem sido aos olhos humanos
como uma tragédia, seu ministério terminou em
martírio da pior forma; decapitado, e qual o
motivo? Não concordou com um adultério. Não
olhou para as circunstâncias, poderia ter usado
dela para ter vantagens pessoais, afinal de
contas se ele estava presente no “casamento” é
porque esperavam que ele abençoasse aquela
suposta união conjugal. Mas a voz é de protesto,
não vai se apostatar de sua posição
conservadora por causa de interesses de
conveniências pessoais com políticos influentes
de destaque. A grande surpresa é que a verdade
proclamada suscita o ódio, esse é a realidade
mais dura da verdade, ela consegue levantar
inimigos mortais. Que os mártires sejam
testemunhas eternas desse fato, que Cristo seja
um testemunho vivo dessa verdade. Entendemos
a lição? Cada vez que você resolve ser realmente
sincero e deseje falar das doutrinas do Novo
Testamento tal como elas realmente são, você irá
ter ao seu lado pouca gente a lhe defender e
muitas milhares para lhe atacar. A perda de
oportunidades de projeção e aplausos é uma
delas, já que você não entra na moda, não é
relativo e nem pragmático então será uma
espécie de oposição direta com um viés religioso
de intolerante selado com a acusação de ser um
fanático. São esses os fatos. Você nunca terá
muitos amigos se estiver ao lado da verdade,
simplesmente porque a maioria sempre esteve a
favor da mentira, principalmente de mentiras
religiosas. A verdade pode isolar um profeta se
maioria for contra ele, olhe para a vida de Elias e
verá o quanto é correta essa analise teológica a
respeito dos que defendem uma verdade, haverá
gente lhe acusando e lhe atacando e pouca gente
ao seu lado para sofrer e chorar na medida em
que as chagas são abertas pelos inimigos da
verdade. A maior parte das pessoas ama ouvirem
mentiras e odeia ouvir verdades, porquanto
quem deseja ser fiel a Cristo precisa estar pronto
a sofrer dura oposição do mundo. Assim
aconteceu com João Batista, sua vida foi de
verdadeira devoção e fidelidade. Não estava
associado com as conveniências comuns que
caracterizava a maioria a sua volta. Lembre-se da
parábola do bom samaritano, o levita e o
sacerdote não cruzaram a linha do formalismo
religioso de uma religião fria e morte que produz
falta de sensibilidade, a agenda religiosa estava
cheia e o compromisso com ela era serio, mas
não era a religião de Cristo, não havia verdadeira
piedade. Dias atrás encontrei um homem
extremamente complicado na conduta, sei que
de alguma forma, sua vontade de servir a Deus
estava associado a dificuldade que tinha para
isso. O velho homem misturado com uma
vontade intensa de servir a Deus produz esse
tipo de cristão, mas ele era sincero, sincero e
fraco, admitia suas fraquezas, como realmente
vejo em outros que afirma que sentem a
necessidade de pedirem perdão a todo o
momento, pois são conscientes de que pecam
constantemente. Mas a tristeza é que no caso do
primeiro a ser mencionado a acima, ele afirmou
que foi expulso de certa congregação de irmãos,
porque não podia apresentar um padrão de
santidade de alto teor elevado como os membros
exigiam dos outros. Acredito que uma
espiritualidade autentica segue os passos de
Cristo, não há duvida que é um caminho santo,
mas exigir dos outros padrões imediatos quando
na verdade há muita gente que precisa de uma
lapidação muito demorada para refletir a gloria
de Cristo, torna-se um tanto legalista querer que
as pessoas se tornem perfeitas da noite para o
dia.

Assim é motivo de choro amargo, um homem


dispõe-se a falar contra a opinião equivocada da
maioria e vai ser decapitado pelo sistema
inquisitorial dos apostatas. São digno de morte,
os inimigos estavam a espreita, numa festa,
cheia de mascaras de sorrisos falsos, gente que
parecia pacata, mulheres de singeleza falsa e
homens fracos. AS garras diabólicas apareceram
no momento oportuno, silenciar a boca de João
Batista era a resposta aas suas acusações. O
preço de dispor-se a falar a verdade tem o custo
do desprezo da maioria, inclusive da maioria que
quando não é confrontada se mostra
simpatizante da causa divina. Esse é o preço do
apostolado cristão, o mundo é inóspito e a
maioria dentro da cristandade também é. Os
maiores inimigos do cristianismo não são os
ateus ou os materialistas ou ainda os pagãos, os
maiores inimigos da fé cristã são os falsos
cristãos. Duas pessoas podem professar a fé em
Cristo e crer nos relatos do Evangelho, mas uma
pode colocar a outra na fogueira, e isso mostram
que a divergência na atitude revela que o falso
pode usar termos certos que não correspondem
à natureza do interior, um hipócrita tece as suas
mascaras com palavras santas, para ocultar a
natureza demoníaca do seu coração.
Por isso meu amado leitor, devemos chorar e
lamentar pela situação das coisas como
chegaram chorar com sincera amargura.
Chorar não é apenas derramar lagrima às vezes o
choro derrama silencio. E quando mais intenso é
o choro, o silencio fecunda a profundidade do
senso de todas as ausências. O mar do
desespero pode ser uma longa trajetória entre
ondas revoltas e calamidades de indiferenças.
Mas prosseguir é necessário, você encontra
posteriormente pessoas perdidas na escuridão
que elas criaram, encontra indiferentes
naufragados nas profundezas da miséria que
promoveram. Quando você sofre, tem a
percepção da importância da sobrevivência, e
consegue atravessar as crises, e no final da
historia, acaba descobrindo que saiu cada vez
mais forte, quando suportou cada uma das
aflições que teve que enfrentar na vida.

Se você foi abençoado por essa mensagem, agradeça ao


autor, toda a literatura de Publicações Bíblicas
Bereianas são absolutamente gratuitas, a gratidão é a
única divida pendente aos que foram abençoados pela
mensagem desse livreto

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