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MANUAL DO FORMANDO

UFCD 3534- Animação e Lazer

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FICHA TÉCNICA

Tipologia de Recurso: Manual do Formando


Curso: UFCD 3534 – Animação e lazer – 20 horas (das 50 horas da UFCD)
Formador(es): Adriane Alves
Autoria: Adriane Alves
Data: 2020

ÍNDICE
Introdução..................................................................................................................................................4
Âmbito do manual......................................................................................................................................4

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Objetivo Geral.............................................................................................................................................4
Objetivo específico......................................................................................................................................4
Conteúdos Programáticos...........................................................................................................................5
Recursos da comunidade............................................................................................................................6
A actividade lúdica......................................................................................................................................7
Tipologia de actividades lúdicas..................................................................................................................8
Técnicas de animação adequadas à especificidade de cada cliente/utilizador............................................8
Técnicas de animação para idosos.............................................................................................................10
Meios de expressão...................................................................................................................................14
Meios audiovisuais....................................................................................................................................17
Técnicas de observação.............................................................................................................................18
Trabalho de grupo.....................................................................................................................................21
Actividades no exterior.............................................................................................................................21
Condução e dinamização do grupo............................................................................................................25
Bibliografia................................................................................................................................................29

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Introdução

O conceito de animação, segundo Lobrot(1977), “animar implica, como opróprio sentido


etimológico regista, uma acção dinâmica, exercida de forma directa, que produz movimento, vida,
actividade, induzindo as propostas e sugestões que orientem, seduzam, solicitem, despertem e influenciem
a imaginação, sem qualquer coercitividade.
Animação e lazer, segundo a etiologia Lazer significa vagar, descanso, passatempo, no contexto da
animação podemos dizer que o lazer é a ocupação desses tempos de descanso através de estímulos
agradáveis de emoções combinados com um elevado grau de escolha individual.
É importante perceber a área do lazer enquanto estado de bem-estar físico, mental e social, a
mesma apresenta três funções essenciais: Repouso; Divertimento e Desenvolvimento pessoal. O animador
sociocultural poderá desenvolver actividades em momentos e espaços de lazer específicos e com grupos
sociais muito diferenciados nomeadamente: actividades de animação dos tempos livres(culturais,
desportivos, de entretinimento, etc.), com crianças, jovens e até adultos em centros culturais, casa de
jovens, museus, autarquias, etc. Animação com turistas, desenvolvendo programas e iniciativas de
animação de formação a proporcionar aos turistas actividades de entretinimento e lazer complementares
aos restantes serviços(alojamento, restauração, etc.)
Embora o lazer seja um conceito complexo, com diferentes significados, dependendo do contexto
sociocultural e do próprio indivíduo, podemos considerá-lo como ; lazer como tempo livre; lazer como
actividade recreativa e lazer como atitude.

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de curta duração
nº 3534 – Animação e lazer, de acordo com o Catálogo Nacional de Qualificações.

Objetivo Geral

Aplicar técnicas de animação tendo em conta as necessidades e interesses do clientes/utilizadores, com


supervisão. Colaborar na organização e realização de atividades no exterior seguindo instruções direta.

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Objetivo específico

No final da ação os formandos deverão ser capazes de:


 Compreender a temática de animação e lazer em ontexto institucional.
 Elucidar as técnicas de animação adequadas a cada cliente/utilizador.
 Enunciar os meios de expressão e trabalhos em grupo com crianças e idosos.
 Compreender a expecificidade das atividades no exterior da instituição
 Realizar teste para aferir o conhecimento e a aprendizagem.

Conteúdos Programáticos

 Técnicas de animação e lazer


o Recursos da comunidade
o A atividade lúdica
o Técnicas de animação adequadas à especificidade de cada cliente/utilizador
o Técnicas de animação segundo o grupo etário
o Jogos de interior
o Jogos de exterior
o Atividade física
o Meios de expressão
- Arte plástica
- Arte dramática
- Música
- Literatura
o Meios audiovisuais
- Televisão
- Cinema
- Vídeo
o Técnicas de observação
o Entrevista
o Trabalho de grupo
o Atividades no exterior
o Excursões
o Colónias de férias
o Espectáculos
o Exposições

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Recursos da comunidade

Aquando a realização de uma actividade de animação devemos ter em conta os recursos que a
comunidade nos oferece, nomeadamente os locais disponíveis para utilizar em actividades de
animação, considerando:
 O objectivo da actividade
 Os eventuais condicionalismos do público-alvo.

Pavilhões
Pavilhões

Rios
Rios Escolas
Escolas

Recursos
Recursos
Ruas
Ruas Piscinas
Piscinas

Jardins
Jardins Clubes
Clubes

Torna-se, então, muito importante efectuar um levantamento rigoroso dos recursos de que
dispomos para realizar as actividades de animação e classificar cada local em categorias,
justificando a categoria atribuída a cada local:
 Utilizáveis: Descrever quais as actividades possíveis de realizar e verificar a necessidade de
proceder a alguma adaptação ou alteração
 Pouco utilizáveis: Mencionar os motivos e indicar as alterações a realizar de forma a tornar
o espaço mais utilizável
 Não utilizáveis: Especificar as razões.

Está bastante difundida a ideia preconcebida que a animação exige a utilização de materiais
equipamentos e recursos em grande quantidade e de elevado custo. Na verdade o volume e o
custo do material apresentam-se sempre directamente proporcionais à ambição e à dimensão que
se quer dar aos programas de animação.

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Recursos humanos
os recursos humanos são imprescindíveis na realização de actividades de animação.
O animador deve pensar em soluções e horários alternativos de utilização e identificar espaços
para a realização de espectáculos, para realização de actividades infantis, culturais, lúdicas e de
interior.

A actividade lúdica

No contexto da animação podemos dizer que o lazer é a ocupação desses tempos de descanso
através de estímulos agradáveis de emoções combinados com um elevado grau de escolha
individual.

É a actividade (ou actividades) às quais os indivíduos se entregam livremente, fora das suas
necessidades e obrigações profissionais, familiares e sociais para se descontraírem, divertirem ou
aumentarem os seus conhecimentos e a sua espontânea participação social no uso do livre
exercício da sua capacidade criadora.

O Lazer é todo o tempo excedente ao tempo devotado ao trabalho, sono e outras necessidades,
ou seja, considerando as 24 horas do dia e eliminando o trabalho, o sono, a alimentação, e as
necessidades fisiológicas, obtemos o tempo de lazer.

O Lazer é uma série de actividades e ocupações com as quais o indivíduo pode comprazer-se de
livre e espontânea vontade, quer para descansar, divertir-se, enriquecer os seus conhecimentos,
aprimorar as suas habilidades ou para simplesmente aumentar a sua participação na vida
comunitária.

Hoje o Lazer é socialmente construído para grupos de sexo, idade e estratificação social
diferenciados, donde podem extrair valores semelhantes de prazer.

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O Lazer de que as pessoas precisam hoje não é tempo livre, mas um espírito livre, em lugar de
hobbies ou diversões, uma sensação de graça e paz, capaz de nos erguer acima da nossa vida tão
ocupada
A actividade lúdica é aquela que tem por objectivo a diversão das pessoas ou grupos durante o
tempo de lazer. Visa a ocupação de tempos livres, a promoção do convívio, a divulgação do
conhecimento, das artes e dos saberes. É vocacionada essencialmente para o lazer, o
entretenimento e a brincadeira.
Podemos considerar que as actividades lúdicas são aquelas que remetem directamente para a
diversão ou jogo e que não apresentem outro objectivo externo.

Tipologia de actividades lúdicas

Desportivas
Desportivas

Recreativas
Recreativas Turísticas
Turísticas

Culturais
Culturais Ambientais
Ambientais

Sociais
Sociais

Técnicas de animação adequadas à especificidade de cada cliente/utilizador

Crianças
Os jogos são muito apreciados e devem ser organizados por idades. A atribuição de um prémio
funciona como um estímulo.

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Assim, em função do número de crianças que frequenta o espaço, é frequente existir um espaço
específico reservado aos mais pequenos.
Exemplos de actividades de animação infantil:
 Jogos de Mesa Diversos
 Mesa de Desenhos
 Bolas de Sabão Gigantes
 Histórias Enfeitadas (PowerPoint, teatro de fantoches, contos através de objectos e
através de imagens)
Jovens
Em termos genéricos os jovens e os adolescentes demonstram uma forte necessidade de se
destacarem, de viver experiências novas e de quebrar as regras estabelecidas. Não têm idade
suficiente para participar em todas as actividades destinadas aos adultos, mas também não se
enquadram na animação infantil.

Como temem ser ridicularizados, preferem observar antes de participar. Optam pelas actividades
mais activas e que se aproximem das actividades dos adultos; são pouco comunicadores e podem
mostrar indiferença para com o programa de animação.

As actividades lúdicas de competição, em particular as desportivas, mesmo na sua vertente de


aventura, são boas opções.
Adultos
Demonstram uma tendência natural para aderir a diversas actividades, essencialmente as que
favorecem a convivência. O nível de participação nas actividades diurnas e nocturnas é elevado,
com especial incidência nas últimas.

As actividades são essencialmente lúdicas e socioculturais. Variam entre espectáculos


profissionais, actuações por parte de animadores ou dos próprios turistas, jogos lúdicos, festas
temáticas, entre outras.

Grupos com necessidades especiais

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No que concerne à animação, nem todos os programas estão adaptados a este tipo de clientes,
fazendo-os sentir excluídos. Por outro lado, nem sempre é fácil encontrar um animador com o
dom da paciência, da tolerância e da compreensão.

Actividades recomendadas:
 Jogos de mesa e de tabuleiro
 Desportos adaptados
 Passeios
 Visitas turísticas
 Observação de fauna e flora
 Ateliers e workshops

Técnicas de animação para idosos

Antes de pensar num plano de actividades para idosos em prática, há que realizar uma avaliação
psicológica, social e física de cada um dos indivíduos, no sentido de perceber quais as capacidades
e motivações reais de cada idoso em relação a cada uma das actividades propostas.
Ao estabelecer uma relação com um idoso, deveremos ter em conta a nossa comunicação não
verbal e também a dele. Pois só mantendo uma boa atitude corporal é que podemos obter bons
resultados na sua adesão às actividades propostas.
Devemos dividir os idosos em três grupos:
 O grupo A, constituído por idosos autónomos;
 O grupo B, constituído por idosos fisicamente dependentes e frágeis
 O grupo C, constituído por idosos muito dependentes.
Como um dos princípios da animação de idosos é uma animação personalizada, cada um destes
grupos precisa de uma metodologia própria de acção.

As regras principais da animação de idosos são:


 Perguntar-lhes o que gostam de fazer e querem fazer

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 Não desistir de trabalhar com eles mas ao mesmo tempo não insistir demasiado;
 Tentar realizar as actividades no mesmo horário, não alterando muito as rotinas
 Muitos dos jogos para crianças e jovens podem ser adaptados aos idosos
 Ser paciente e alegre
 Que seja do interesse dos participantes para poder contar com a máxima atenção
 Que desenvolva a sociabilidade e seja adequada à idade com a qual estamos a trabalhar
 Que trace metas exequíveis em recursos e tempo
 Que desenvolva a iniciativa pessoal e grupal
 Que envolva a todos no projecto, no qual desde o início se delegarão responsabilidades,
autoridade e direcção da actividade
 Que se desenvolva em local adequado, significando isto, livre de distracções, com
iluminação, assentos suficientes e espaço adequado para a aplicação das técnicas, com boa
acústica e ventilação.

Diferentes facetas da animação


a) Animação física ou motora
b) Animação cognitiva
c) Animação através da expressão plástica
d) Animação através da comunicação
e) Animação associada ao desenvolvimento pessoal e social
f) Animação lúdica
g) Animação comunitária

a) Animação física ou motora

É aquela em que o idoso faça algum tipo de movimento.

O principal deficit no idoso, no que respeitante à realização de uma tarefa, incide sobre o ritmo de
trabalho. Uma certa lentidão nas respostas psico-motoras parece verificar-se com o aumento
progressivo da idade.

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A psicomotricidade considera o movimento como uma acção relativa a um sujeito, visando
essencialmente:
 Mobilizar e reorganizar as funções mentais
 Aperfeiçoar a conduta consciente e o acto mental
 Elevar as sensações e percepções a níveis de consciencialização, simbolização e
conceptualização da acção dos símbolos, passando pela verbalização
 Maximizar o potencial motor, afectivo-relacional e cognitivo
 Fazer do corpo uma síntese integrada da personalidade

b) Animação cognitiva
Jogos que possam trabalhar a concentração, memória, raciocínio lógico e etc.

c) Animação através da expressão plástica

Neste tipo de animação pretendemos que o idoso trabalhe a sua faceta artística e consiga exprimir
algumas das suas emoções. A animação plástica é simultaneamente motora e cognitiva também.
A animação expressiva plástica visa proporcionar ao idoso a possibilidade de se exprimir através
das artes plásticas e dos trabalhos manuais. Por requerer algum tipo de equipamento específico,
nem sempre é dado a possibilidade aos idosos de poderem experimentar estas técnicas, no
entanto é possível realizar quase todas as actividades recorrendo a materiais simples e acessíveis.

d) Animação de comunicação

Neste tipo de animação queremos que os idosos comuniquem com os outros, transmitindo os
seus sentimentos e emoções através da voz, do comportamento, da postura e do movimento.

e) Animação de desenvolvimento pessoal

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Aqui queremos desenvolver o “eu” do idoso, as suas experiências de vida, as suas emoções e
sentimentos. Esta animação tem por objectivo desenvolver as competências pessoais e sociais da
pessoa e, principalmente, da pessoa como elemento de um grupo.

Com esta animação estimula-se o autoconhecimento, a interacção entre a pessoa e o grupo e a


dinâmica de grupo. Incluímos nesta animação toda a componente de religião, espiritualidade e
meditação.

f) Animação lúdica

A animação lúdica, como o seu nome indica, é a animação que tem por objectivo divertir as
pessoas e o grupo, ocupar o tempo, promover o convívio e divulgar os conhecimentos, artes e
saberes.

É vocacionada principalmente para a essência da animação: o lazer, o entretenimento e a


brincadeira

g) Animação comunitária

A animação comunitária é aquela em que o idoso participa activamente no seio da comunidade


como elemento válido, activo e útil.

Esta animação destina-se essencialmente a idosos autónomos que ainda querem ter uma voz
activa na comunidade em que vivem. Nesta área o voluntariado assume um papel principal, visto
que a grande maioria das actividades exercidas pelos idosos na comunidade são embutidas de um
espírito voluntário.

Jogos de interior

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Os jogos constituem um segmento importante das actividades lúdicas, essencialmente pelo
carácter pedagógico que encerram.

Jogos de exterior

Os jogos exteriores são normalmente realizados em equipas e alguns jogos podem ser praticados
sem a utilização de qualquer material.

Actividade física

A animação desportiva conquistou o seu próprio espaço dentro da animação e do sistema


desportivo. Cada vez mais se recorre à animação no desenvolvimento das actividades desportivas
e exercício físico, com o intuito de aumentar o número de participantes e o seu nível de
motivação.

As actividades de animação desportiva podem ser realizadas:


Nas instalações do estabelecimento que juntamente com o espaço e material disponível, vão
determinar o tipo de actividades desportivas a desenvolver.

Estas actividades podem ser programadas e apresentadas de diversas formas: torneios e ligas
(competições), aulas (aprendizagem) ou demonstrações.

Meios de expressão

Arte plástica

A área de Expressão Plástica procura activar conhecimentos ao nível da compreensão das


dimensões expressivas dos diversos materiais, valorizando a manipulação experimental de
diversas técnicas e materiais.

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A animação expressiva plástica visa proporcionar ao idoso a possibilidade de se exprimir através
das artes plásticas e dos trabalhos manuais. As actividades de expressão têm ainda a vantagem de
desenvolverem a motricidade fina, a precisão manual e a coordenação psicomotora.

A expressão plástica livre pode ser tridimensional, e neste âmbito podem ser desenvolvidas várias
técnicas de escultura, como por exemplo:
 Modelagem (de barro, plasticina, pasta de papel),
 Aproveitamento de materiais de desperdício (caixas de papel, frascos, tampas),
 Construção de objectos específicos (instrumentos musicais, fantoches, etc.)

A realização de workshops de artesanato, no qual se recriam técnicas tradicionais, surge como


uma forma especial de animação a aplicar nos centros rurais, por forma a valorizar as
competências dos mais velhos e estimular a aprendizagem dos mais jovens de técnicas que se
encontram em risco de desaparecimento.

Exemplos de actividades a desenvolver/ recriar:


 Desenho  Bordados
 Pintura  Cestaria
 Recorte  Olaria
 Colagem  Latoaria
 Tecelagem  Ourivesaria

Arte dramática

A expressão dramática e corporal favorece o conhecimento do corpo, a prática de exercícios de


relacionamento interpessoal bem como a representação espontânea, estética e simbólica de um
objecto, de uma personagem ou de um lugar que são fundamentais neste percurso de formação.

A arte em geral e o teatro, em particular, têm a particularidade de favorecer:


 O desenvolvimento global da personalidade de quem a pratica e de quem a frui;

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 O desabrochar e o fortalecimento de uma consciência exigente e activa relativamente ao
meio, físico social e cultural que começa na nossa rua, no nosso bairro, na nossa cidade,
para dar a volta ao mundo.
Nas actividades dramáticas e performativas, é clara a intenção de comunicação, de construção e
interpretação de sentidos como forma de comunicar com o nosso mundo interior e com o mundo
em que vivemos.

Este processo fornece, ainda, um contexto favorável para falar e ouvir (dialogar) que é central no
trabalho teatral. Por outro lado, ao criar desafios que promovem a criatividade na resolução de
problemas contribui, através da superação dos constrangimentos presentes neste processo
criativo, para um sentimento de realização que promove a auto-estima e a autoconfiança.

Música

As experiências com ensino e aprendizagem de música apresentam motivos semelhantes e


constituem uma alternativa educacional para o isolamento social do idoso.

A música nacional e internacional permite alegrar a vida de qualquer pessoa, incentivando os


utentes para a interacção em grupo, o convívio e o enriquecimento da cultura de cada um.

A dança é uma forma de animação que pode e deve ser desenvolvida com os mais velhos, uma vez
que para estes a dança está associada a memórias e experiências importantes na sua vida.

Esta actividade será desenvolvida através de organização de festas, de bailes e de tardes de dança
onde os utentes poderão praticar danças de salão, dança tradicional, dança de roda.

Literatura

O trabalho de muitas bibliotecas está marcado por sessões de animação à leitura. Estas práticas,
assentam na sua maior parte em estratégias de suporte à criação de uma envolvente atractiva

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com o livro e com a leitura e têm por objectivo, a divulgação de livros, de autores e a dinamização
das colecções existentes nas bibliotecas.

Meios audiovisuais

Televisão

A televisão, no exercício da sua função de entretenimento, oferece aos telespectadores o escape à


realidade social.
A televisão e as novas tecnologias (a Internet) são instrumentos válidos e positivos no nosso
quotidiano e que poderão ser utilizados como recursos/instrumentos facilitadores para as
dinâmicas e processos de Animação Sociocultural em muitos contextos sociais e culturais no
exercício da profissão do Animador.

Cinema

O cinema insere-se numa série de actividades culturais de contemplação (juntamente com o


teatro, ópera, musicais ou outros espectáculos), as quais não requerem uma intervenção activa
por parte do destinatário.

A “Sétima arte” constituiu, desde o seu aparecimento, um meio privilegiado das práticas de lazer
da população, de forma transversal a todas as faixas etárias.
A exploração do cinema no âmbito da programação de lazer dos idosos passará por duas
estratégias distintas:
 Visualização de filmes e documentários no próprio espaço institucional, como por exemplo
alguns clássicos do cinema;
 Deslocação do grupo a um cinema público, para visualização de um determinado filme.

Vídeo

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A utilização do vídeo e dos meios audiovisuais é essencial para o trabalho do animador, em vários
sentidos:
 Por um lado, numa perspectiva de integrar os indivíduos mais desfavorecidos
(particularmente os idosos) no novo contexto tecnológico e social;
 Por outro, porque permite o registo das actividades realizadas, facilitando o seu impacto na
comunidade e a respectiva avaliação.

Desta forma, recomenda-se ao animador o perfeito domínio das tecnologias inerentes à utilização
dos diversos equipamentos.

Técnicas de observação

Entrevista

Exemplo de um guião de entrevista a aplicar a idosos, de forma a servir de suporte à planificação


de actividades de animação:

QUESTIONÁRIO
“ACTIVIDADES DE ANIMAÇÃO PARA A TERCEIRA IDADE”
O presente guião pretende ser um instrumento preparatório do diagnóstico de identificação de necessidades e gostos,
relativos à animação para a terceira idade. O animador enquanto agente dinamizador de actividades, terá que fazer
um levantamento das carências e das características sócio-culturais envolventes, para o planeamento e execução, de
uma acção de animação social.

1.DADOS DE IDENTIFICAÇÃO

Nome completo: ____________________________________________


Data de Nascimento_________________________________________
Grau de escolaridade_________________________________________
Profissão (última) ___________________________________________
Morada_____________________________ Código Postal__________

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2. BREVE CARACTERIZAÇÃO FAMILIAR DO IDOSO
Composição do agregado familiar:
______________________________________________________________________
Se vive só, diga qual é o seu apoio?

3. RESPOSTAS SOCIAIS
O idoso encontra-se a usufruir das seguintes respostas sociais:
(Assinale com um x)
□ Apoio domiciliário - Indique qual o estabelecimento?
□ Centro de dia
□ Centro de convívio
□ Centro de noite
□ Lar de idosos
□ Outros - Especifique qual, assim como o estabelecimento

4. DEPENDÊNCIA DO IDOSO
Grau de dependência global do idoso
(Assinale com um x)
□ Autónomo, não necessita de apoio
□ Necessita de pequenos apoios na vida quotidiana e no apoio à mobilidade
□ Necessita de apoio na higiene pessoal, tarefas de vida quotidiana e na mobilidade
□ Totalmente dependente para a satisfação das necessidades básicas (alimentação; higiene; etc.)
Deficiência
(assinale com um x)
Mental □ Visual □ Motora □ Auditiva □
Descreva, o tipo de deficiência que assinalou –
________________________________________________________________________________________________
____________________________________________
5. ACTIVIDADES QUOTIDIANAS
Actividades que realiza ou gostaria de fazer
(Assinale com um x)
□ Higiene Pessoal
□ Higiene Habitacional
□ Tratamento de roupas
□ Cozinhar

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□ Ver Televisão
□ Ouvir rádio
□ Cuidar de um animal doméstico
□ Cuidar de plantas
□ Passear
□ Conversar
□ Ir às compras
□ Ir ao médico
□ Ir ao cabeleireiro ou barbeiro
□ Ir ao café
□ Outras - Quais?

6. ACTIVIDADES SOCIOCULTURAIS
Actividades nas quais gostaria de participar ou desenvolver
(Assinale com um x)
□ Lúdico – recreativas – Jogos; trabalhos manuais; crochet; bordar; tricotar, etc.
□ Culturais – cinema; teatro; concertos; museus; exposições.
□ Desportivas – ginástica de manutenção; natação; hidroginástica; caminhadas; cicloturismo;
□ Espiritual ou religiosa – ir à missa, rezar, participar em procissões, etc.
□ Intelectual ou formativa -participar em aulas nas universidades ou academias seniores, conferências;
palestras, seminários, leitura.
□ Sociais – participar em passeios ou em actividades realizadas por outras instituições; bailes; cantares ou
danças.
□ Datas Festivas – Natal, Carnaval, Páscoa, Aniversários, entre outras
□ Outras - Quais?

7. OUTRAS QUESTÕES
Para si o que é ser uma pessoa idosa?
________________________________________________________________________________________________
__________________________________________
Como acha que os seus familiares ou pessoas próximas vêem a pessoa idosa?
________________________________________________________________________________________________
__________________________________________
Quais as tradições e costumes locais, que gostaria que fossem de novo recuperados?

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________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________________
_______________

Trabalho de grupo

As técnicas de grupo podem ser definidas como “um conjunto de medidas e procedimentos que
aplicados numa situação de grupo, servem para atingir um duplo objectivo: produtividade e
gratificação grupal”.

Assim, tendo em conta a análise de diversas definições, podemos concluir que as técnicas de
animação de grupos procuram organizar e desenvolver a actividade do grupo com base nos
conhecimentos ministrados pela teoria da Dinâmica de Grupos.

O uso adequado das técnicas de grupo, no momento oportuno, permite motivar as pessoas,
estimular os processos comunicativos e conduzir o grupo à concretização dos objectivos
propostos.

Por este motivo, as técnicas não devem ser consideradas como um fim em si mesmas, mas sim
como um instrumento ou meio para conseguir a verdadeira finalidade do grupo: alcançar as
finalidades propostas e possibilitar que cada elemento obtenha benefícios pessoais.

Actividades no exterior

Excursões

As actividades de promoção do Turismo para Seniores corresponde plenamente aos desafios


colocados pela evolução demográfica que aponta para uma tendência de rápido envelhecimento

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da população e pela emergência de uma nova relação tempo livre/tempo de trabalho, fundada
nas autenticas revoluções tecnológica e demográfica, em curso, à escala mundial, em que o tempo
livre ganhará importância económica e peso social ocupando um lugar novo na vida quotidiana
dos cidadãos.

 Contribuir para dar resposta aos modernos desafios da exclusão e integração sociais;
 Criar condições de acesso aos benefícios do Turismo ao Maior número de cidadãos
trabalhadores;
 Desempenhar um papel activo no reforço da economia e na criação de emprego
constituindo-se como factor de coesão social;
 Conciliar desenvolvimento turístico, protecção do ambiente e respeito pela identidade
cultural das comunidades locais.

No que se refere à programação, é importante transmitir aos passageiros todas as informações


que possam vir a ser necessárias ao bom aproveitamento da viagem. È preferível pecar pelo
excesso de dados do que pela falta deles.

Os principais itens a serem mencionados são:


Informações sobre o trajecto, a distância a ser percorrida, tempo de percurso aproximado, tempo
e local previstos para a próxima parada;
Meio de transporte utilizado;
Horário de saída e horário previsto de chegada;
Procedimentos em caso de atrasos e tolerância máxima;
Equipamentos necessários ao programa (calçado apropriado, roupa de banho ou mais formal,
protector solar, toalhas, repelentes de insectos, etc.);
O que está ou não incluído no pacote (refeições, bebidas, entradas em museus, etc.);
Quais são e quais não são passeios ou visitas opcionais;
Paragens técnicas – onde, duração e motivo.

A mesma actividade realizada com sucesso para determinado grupo pode não ser dinamizada com
o mesmo grau de satisfação para outro grupo. Não se pode passar a imagem de que uma
actividade dirigida a um grupo possa sempre ser utilizada por outro distinto.

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Assim, a equipa responsável pela animação deve preocupar-se com a obtenção de vários dados
dos participantes:
 O género;
 A idade ou o grupo da faixa etária;
 O local onde habitam;
 O escalão social;
 Os hábitos culturais e desportivos;
 Etc.

Tipo de actividades a desenvolver/ experiências a promover:

 Gastronomia/ Degustação
 Artes e Ofícios Tradicionais da Região
 Estabelecimentos tradicionais de convívio, de educação e de comércio
 Feiras, Festas e Romarias
 Rotas Temáticas e Expedições Panorâmicas e Fotográficas
 Passeios a Pé, de Barco, a Cavalo e de Bicicleta
 Jogos Tradicionais e Parques de Merendas
 Meios de Transporte Tradicionais

Recomendações para a actuação de guias orientadores de passeios e excursões:


 Saudar o grupo, a presentar-se e dar as boas-vindas, de forma informal;
 Transmitir informação geral sobre a actividade a realizar: duração, grau de dificuldade,
recomendações de comportamento, de forma clara, segura e firme
 Estabelecer comunicação e interagir com o grupo
 Criar interesse sobre o tema,
 O mais importante é a experiência. Quanto mais se interpreta, mais se aprende;
 Nunca deixar de aprender sobre o recurso que queremos interpretar;
 Promover a participação dos visitantes, que expressem as suas opiniões e ideias;

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 Usar exemplos que estejam relacionados com a audiência;
 Não usar nomes científicos e demasiado específicos, a menos que seja estritamente
necessário;
 Fornecer a informação logística (duração do evento, necessidades, etc.) no princípio.

Guiar é sinónimo de comunicar


 Tratar de aclarar as ideias antes de comunicar
 Examinar o verdadeiro propósito de cada acto de comunicação
 Considerar o meio físico e humano em torno do qual se estabelece a comunicação
 Consultar os outros, quando for conveniente, ao planificar o que se vai comunicar
 Assegurar-se que as suas acções reflectem as suas comunicações
 Procurar não só ser compreendido mas também compreender: seja um bom ouvinte.

Colónias de férias

A Colónia de Férias destinada à satisfação de necessidades de lazer e de quebra de rotinas


representa uma resposta social essencial ao equilíbrio físico, psicológico e social dos seus
utilizadores, sobretudo os que se encontram em situação de maior vulnerabilidade, a quem as
dificuldades da vida diária nem sempre proporcionam as condições para o gozo de férias.

A Colónia de férias é uma resposta social destinada à satisfação de necessidades de lazer e de


quebra da rotina, essencial ao equilíbrio físico, psicológico e social dos seus utilizadores.

São objectivos da Colónia de Férias proporcionar aos seus utentes:


 Estadias fora do quadro habitual de vida;
 Contactos com comunidades e espaços diferentes;
 Vivências em grupo, como formas de integração social;
 Promoção do desenvolvimento do espírito de interajuda;
 Fomento da capacidade criadora e no espírito de iniciativa.

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As actividades a desenvolver devem corresponder aos interesses e potencialidades dos grupos a
que se destinam, constituindo-se novas experiências e aprendizagens, através da valorização dos
recursos do meio e do estimulo à sua utilização.

Funções do animador:
 Participar na programação das actividades e no trabalho de equipa a realizar na colónia de
férias;
 Zelar pela segurança do grupo a seu cargo responsabilizando-se pelo seu bem- -estar;
 Estimular as capacidades dos utilizadores da colónia de férias;
 Zelar pelo cumprimento do regulamento interno, com vista ao bom funcionamento da
colónia de férias;
 Informar o director e o adjunto do director de factos relevantes da saúde e/ou
comportamento dos utilizadores;
 Zelar pela conservação e correcta utilização do material pedagógico;

Programação de actividades
As actividades servem para atingir objectivos ou para satisfazer o grupo. Mas em qualquer dos
casos temos de ser coerentes com o objectivo da nossa actuação. Não organizaremos actividades
competitivas se um dos nossos propósitos for o de melhorar as atitudes de cooperação entre os
membros de um grupo.

Condução e dinamização do grupo

 Os animadores devem ajudar o grupo na preparação e realização de actividades. As actividades


são quase sempre preparadas pelos animadores, mas devemos tentar, com firmeza e persistência,
que o grupo assuma, também, a responsabilidade de preparar e realizar actividades com o
propósito de fomentar a sua autonomia e a coesão.

Para um bom desenvolvimento da actividade é necessário:


 Facilitar a explicação das regras;

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 Permitir a compreensão de todos os participantes através de demonstrações, se for
necessário;
 Favorecer o bom desenvolvimento e estimular a iniciativa por parte dos participantes;
 Evitar protestos;
 Se o jogo incluir pontos ou golos, deve facilitar-se a compreensão das regras sobre a
marcação ou obtenção dos mesmos.

A comunicação entre o animador e o grupo tem de ser directa, objectiva e interactiva. É


necessário focar os aspectos mais importantes e intervir de forma clara. A explicação ao grupo dos
objectivos pretendidos pode passar pela explicação oral ou por uma demonstração do movimento
ou da acção.
A boa comunicação pode evitar a confusão na percepção por parte dos participantes e
permitir que a actividade se realize sem grandes interrupções.

Espectáculos

Enquanto lugares de socialização secundária, as instituições culturais são indispensáveis


para a criação de práticas culturais estruturantes, ancoradas no entrelaçamento com os públicos
através de actos identitários dinâmicos e catalizadores de relações de pertença inovadoras.
São espaços onde se experimentem e se cristalizem identidades colectivas dinâmicas,
formas diferenciadas de relacionamento com as artes, experimentações culturais híbridas e
práticas sociais inovadoras.
O papel do animador relativamente aos serviços e equipamentos culturais existentes no
território, da perspectiva da dinamização comunitária, deverá reger-se por um modo de
intervenção com as características seguintes:
 Dar protagonismo real aos sujeitos e aos grupos, a partir das necessidades e acções que
surjam deles mesmos;
 Não conceber a intervenção apenas como democratização cultural, mas também como
exercício de participação real das pessoas em sejam eles mesmos os protagonistas do
desenvolvimento comunitário;

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 As intervenções posicionam-se a partir de uma visão sistémica, não como soma das partes,
mas como a interconexão e influência de cada uma delas no total do sistema. Para isso,
requer-se trabalho interdisciplinar e em equipa, onde todos os agentes, que voluntários
quer profissionais, trabalhem sistematica e coordenadamente;

O auditório municipal é um espaço onde se pretende manter uma actividade regular em


vários domínios culturais, artísticos e outros, estando preparado para uma utilização polivalente
em funções, tais como exposições, seminários, conferências, congressos, cinema, teatro e outros
eventos para os quais se adaptem as referidas instalações.

Exposições

Um Museu é uma instituição de carácter permanente, com ou sem personalidade jurídica, sem
fins lucrativos, dotada de uma estrutura organizacional que lhe permite:
a) Garantir um destino unitário a um conjunto de bens culturais e valorizá-los
através da investigação, incorporação, inventário, documentação, conservação,
interpretação, exposição e divulgação, com objectivos científicos, educativos e
lúdicos;
b) Facultar acesso regular ao público e fomentar a democratização da cultura, a
promoção da pessoa e o desenvolvimento da sociedade.

Tipos de museus
Existe uma grande diversidade de museus, os quais podemos agrupar nas seguintes
tipologias principais:
 Museus arqueológicos/ etnográficos
 Museus históricos
 Museus de Ciências Naturais
 Museus de ciência e tecnologia
 Museus de Arte

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O museu possui uma importância relevante no desenvolvimento do idoso como sujeito
social, histórico e cultural. Este local apresenta-se como espaço privilegiado do desenvolvimento
do idoso porque permite a realização de elos e associações a partir das suas experiências.

O museu tem o dever de proporcionar aos idosos a recriação do tempo livre que estes
possuem, desenvolvendo actividades que estimulem as suas capacidades afectivas, sociais e
cognitivas promovendo um sentimento de utilidade e realização.

Os museus podem oferecer aos idosos o desenvolvimento da compreensão da sua cultura e


da história da qual fizeram parte. A relação entre o museu e o idoso é flagrante: ambos são o
centro da memória cultural local neste tempo de mobilidade constante, ambos podem ser o ponto
de equilíbrio deste mundo em movimento.

Efectivamente, o museu assume-se como um importante motor de realização pessoal,


compreensão do meio circundante e participação na vida comunitária.

Para além disso, através do museu, é permitido ao idoso estimular a educação permanente,
desfrutar da cultura, estabelecer as bases para que os conhecimentos sejam partilhados de
maneira flexível, enriquecedora e amena, enfim, propiciar e criar atitudes e meios para gozar a
vida plenamente.

Em suma, trata-se de fazer do museu um processo gerador de convivência, participação e


desfrute do ócio e da cultura.

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Bibliografia

Webgrafia

 http://www.anigrupos.org
 http://www.apdasc.com
 http://www.jogostradicionais.org
 http://www.socialgest.pt

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