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CONSCIÊNCIA NEGRA

INTRODUÇÃO
Nossa história é de um Brasil cujos territórios foram desenhados
através do comércio de escravos. Onde a violência, a submissão e o lucro
impuseram suas rotas. A escravidão não começou no Brasil. Trata-se de uma
tragédia mais antiga que acontece desde os primórdios da humanidade,
porém suas raízes tornaram-se a nossa história, e dela devemos lembrar hoje.
A partir do século VII e por mais de mil anos, o continente Africano,
foi o epicentro de uma forma global de tráfico humano. Mais de 20 milhões
de africanos foram deportados, vendidos e escravizados. Esse sistema
criminoso mudou nosso mundo e a nossa história.
É difícil saber quantos africanos foram trazidos para o Brasil ao longo
de três séculos de tráfico negreiro. Muitos registros que poderiam tornar os
dados mais precisos foram perdidos ou destruídos. As estimativas indicam
que entre 3.300.000 e oito milhões de pessoas desembarcaram nos portos
brasileiros para serem vendidas como escravas, de meados do século XVI
até 1850, quando o tráfico foi efetivamente abolido pela Lei Eusébio de
Queiroz.
Seu alcance foi tão vasto que, por muito tempo, foi impossível explicar
todos os seus mecanismos, mas hoje vamos voltar às rotas do comércio
escravo afro-brasileiro.
As quatro principais rotas dos navios negreiros que ligaram o
continente africano ao Brasil foram as da Guiné, Mina, Angola e
Moçambique. Elas concentravam o comércio de seres humanos que, na
maioria dos casos, eram aprisionados em guerras feitas por chefes tribais,
reis ou sobas africanos para esse fim. Os traficantes, principalmente
portugueses, mas também de outras nações europeias e posteriormente
brasileiros, obtinham os prisioneiros em troca de armas de fogo, tecidos,
espelhos, utensílios de vidro, de ferro, tabaco e aguardente, entre outros. Os
navios, dependendo do tipo, traziam de 300 a 600 cativos por vez. Entre 10%
e 20% deles morriam na viagem.
Dentre os países que serviram de portos, experimentos e tiveram seus
povos massacrados, hoje iremos citar.

Grupo Cabo Verde: Rota de Guiné


A República de Cabo Verde, é um país insular localizado num
arquipélago formado por dez ilhas vulcânicas na região central do Oceano
Atlântico. A cerca de 570 quilómetros da costa da África Ocidental, as ilhas
cobrem uma área total de pouco mais de 4000 quilómetros quadrados
No século XVI, a Alta Guiné foi o principal núcleo de obtenção de
africanos para serem escravizados pelos traficantes portugueses. De Cabo
Verde, saíam navios com cativos vindos principalmente da região onde hoje
se situam Guiné-Bissau, Senegal, Mauritânia, Gâmbia, Serra Leoa, Libéria e
Costa do Marfim. Essa área era habitada por diferentes povos, entre os quais
os balantas, fulas, mandingas, manjacos, diolas, uolofes e sereres.
A posição estratégica das ilhas nas rotas que ligavam Portugal
ao Brasil e ao resto da África contribuiu para o facto de essas serem
utilizadas como entreposto comercial e de aprovisionamento.

Grupo Sudão: Rota de Mina


A República do Sudão, é um país, limitado a norte pelo Egito, a leste
pelo Mar Vermelho, por onde faz fronteira com a Arábia Saudita,
pela Eritreia e pela Etiópia, a sul pelo Sudão do Sul e a oeste pela República
Centro-Africana, Chade e Líbia. O Rio Nilo divide o país em duas metades:
a oriental e a ocidental.
A fortaleza de São Jorge da Mina foi erguida pelos portugueses por
volta de 1482 na costa da atual Gana, para proteger o comércio de ouro na
região. Embora tomada pelos holandeses em 1632, ela se tornaria, ainda no
século XVII, um importante entreposto do tráfico de africanos escravizados
para o Brasil e outros países.
Os africanos embarcados na Mina e nos outros portos do Golfo da
Guiné eram principalmente dos grupos axanti, fanti, iorubá, hauçá, ibô, fon,
ewe-fon, bariba e adjá pertencentes ao Sudão além destes, eram trazidos dos
atuais territórios de Burkina Faso, Benim, Togo, Nigéria, sul do Níger, Chad,
norte do Congo e norte do Gabão.

Grupo Angola: Rota de Angola


A República de Angola, é um país da costa ocidental da África, cujo
território principal é limitado a norte e a nordeste pela República
Democrática do Congo, a leste pela Zâmbia, a sul pela Namíbia e a oeste
pelo Oceano Atlântico.
Essa rota forneceu cerca de 40% dos 10 milhões de africanos trazidos
para as Américas. No caso do Brasil, os navios que partiam da costa dos
atuais territórios do Congo e de Angola se destinavam principalmente aos
portos de Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Os povos da África Central
Atlântica, como os ovimbundos, bacongos, ambundos e muxicongos,
pertenciam ao chamado grupo linguístico banto, que reúne cerca de 450
línguas.
O tráfico dessa região para o Brasil começou ainda no século XVI. Foi
inicialmente marcado pela aliança entre os portugueses e o reino do Congo.
Mas, para escapar do monopólio do rei congolês no fornecimento de
africanos escravizados, Portugal passou a concentrar esforços na região mais
ao sul, onde hoje se situa Angola. De lá, veio a maior parte dos africanos que
entraram no Brasil, principalmente pelo Rio de Janeiro, no período colonial.

Grupo Moçambique: Rota de Moçambique


A República de Moçambique, é um país localizado no sudeste do
Continente Africano, banhado pelo Oceano Índico a leste e que faz fronteira
com a Tanzânia ao norte; Malawi e Zâmbia a noroeste; Zimbabwe a oeste
e Suazilândia e África do Sul a sudoeste.
No início do século XIX, a Inglaterra passou a pressionar Portugal no
sentido de acabar com o tráfico negreiro, o que resultou nos tratados de 1810
entre os dois países. Para escapar ao controle britânico na maior parte do
Atlântico, muitos traficantes se voltaram para uma rota até então pouco
explorada, que partia da África Oriental. Os navios saíam principalmente dos
portos de Lourenço Marques (atual Maputo), Inhambane e Quelimane, em
Moçambique, e se dirigiam ao Rio de Janeiro.
Africanos embarcados nesses portos pertenciam a uma diversidade de
povos, entre os quais os macuas, swazis, macondes e ngunis, e ganhavam no
Brasil a designação geral de "moçambiques". Entre 18% a 27% da população
africana no Rio do século XIX era de moçambiques. No entanto, nem todos
vinham da colônia portuguesa e, sim, de regiões vizinhas – onde hoje estão
Quênia, Tanzânia, Malauí, Zâmbia, Zimbábue, África do Sul e Madagascar.
O grupo linguístico majoritário era o banto.

CONCLUSÃO
Embora recentes em nossa sociedade, as discussões sobre as
desigualdades sócio raciais tem suscitado por partes de nossas instituições
democráticas.
Visando promover alterações na realidade da população negra, o
processo de reeducação das relações étnico raciais, passa a ser a questão
central, na busca para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Deste modo, a educação de hoje passas a ter um importante papel na
construção de mecanismos e transformação, para uma melhor cidadania
brasileira no futuro.