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Cap 1- Retificador Controlado de Silício (SCR)

1.1. Análise do SCR (silicon controlled rectifier - thyristor) ao nível das junções – modelo
equivalente ao transistor .................................................................... pág. 2

1.2. Curva característica Ia x VAC ............................................................. pág. 4

1.3. Princípio de disparo ........................................................................... pág. 4

1.4. Efeito di/dt ......................................................................................... pág. 5

1.5. Efeito dv/dt ........................................................................................ pág. 5

1.6. Parâmetros importantes da folha de dados ........................................ pág. 6

1.7. Análise térmica do módulo tiristorizado ........................................... pág. 6

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1.1. Análise do SCR (silicon controlled rectifier - thyristor) ao nível das junções –
modelo equivalente ao transistor

Seja o modelo em camadas do SCR:

Este modelo pode ser decomposto em dois transistores interconectados: T1 é PNP e


T2 é NPN.

Com a aplicação de IG, a corrente Ib2 aumenta. Logo, Ic2 aumenta, pois Ic2 = Ib1 e Ie2
também aumenta. Mas, Ic2 = Ib1, logo Ic1 aumenta e Ie1 também. Mas , Ib2 = Ic1 + IG, ou seja, o
processo se repete de maneira cíclica, até que IG seja retirado. Notemos que as junções EB e
Bc de ambos os transistores estão polarizadas diretamente, o que corresponde ao estado de
saturação dos mesmos. Se garantirmos que IG seja aplicada até que ocorra a saturação dos
transistores (relacionado a corrente de engatamento – IL), a mesma pode ser retirada, pois o
processo se mantém por realimentação.

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Vamos analisar então, os estado de cada junção nas seguintes situações:

- no estado de bloqueio reverso (VAC < 0): neste caso, haverá duas junções
(J1 e J3) polarizadas reversamente, ou seja, há o aparecimento de duas regiões de
depleção (áreas hachuradas na figura). Sendo assim, a única corrente que flui pelo
dispositivo (do catodo para o anodo) é uma corrente devido aos portadores minoritários.
Esta corrente é chamada de corrente repetitiva de fuga reversa, cujo símbolo é IRRM.
Seu valor é da ordem de 100 [mA] para uma temperatura de junção T j = 125 [°C]. A
máxima tensão reversa que o SCR pode suportar antes que ele seja danificado é
chamada de máxima tensão repetitiva reversa (VRRM) e deve ser escolhida como VRRM
= KS * VpicoSCR, onde 2 <= KS <= 4,5.

- no estado de bloqueio direto (V AC > 0): já neste caso, teremos apenas uma
junção (J2) polarizada reversamente. Novamente, a única corrente que flui pelo
dispositivo (do anodo para o catodo) é uma corrente de portadores minoritários,
chamada de corrente repetitiva de fuga direta, cujo símbolo é IDRM. Seu valor é da
ordem de 100 [mA] para uma temperatura de junção Tj = 125 [°C]. A máxima tensão
direta que o SCR pode suportar antes que ele seja danificado é chamada de máxima
tensão repetitiva direta(VDRM) e sua escolha é feita da mesma forma que para a
polarização reversa: VDRM = KS * VpicoSCR

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- no estado de condução (VAC  0): na realidade, para o estado de saturação


visto anteriormente, VAC(SAT) = 0,9 [V]. Para se fazer o bloqueio do SCR, após sua
respectiva condução, a corrente Ia deve ser menor que a corrente IH (holding current ou
corrente de manutenção), que é a mínima corrente que garante a saturação direta da
junção J2. Um outro modo de se bloquear o SCR é aplicando uma tensão reversa (via
fonte externa) entre anodo e catodo (efeito sweep out).

1.2.Curva característica Ia x VAC

1.3. Princípio de disparo

O disparo do SCR deve ser feito através de um pulso de corrente aplicado em seu
terminal de gate. Para obtermos esta corrente de gate IG, procedemos da seguinte maneira:

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1.3.1. através da comparação com uma tensão de sincronismo (rede) geramos uma rampa
com amplitude V e período igual à metade do período da tensão de sincronismo;
1.3.2. através de um potenciômetro, aplicamos a um outro comparador um valor constante
de tensão (definido pela posição do potenciômetro) e a rampa gerada anteriormente.
Quando a amplitude da rampa for maior que a tensão de referência, um pulso será
produzido. O atraso entre este pulso e o instante que a tensão de sincronismo passa
pelo zero (zero crossing) é o valor do ângulo de disparo do SCR.
Vejamos:

1.4. Efeito di/dt

O efeito di/dt é uma medida da variação do módulo da corrente que passa pelo
dispositivo. Em outras palavras, é a taxa de crescimento da corrente no instante de
chaveamento. Caso este valor seja muito grande, o dispositivo poderá ser danificado,
aparecendo áreas carbonizadas chamadas hot spots.
Para se proteger o tiristor contra este tipo de efeito, ou seja, para conter o
crescimento da corrente no instante de chaveamento, basta inserir um indutor L S em série
com o SCR.
Por exemplo, para o T – 99N da AEG – Telefunken, o valor de di/dt, de acordo com
a folha de dados é de 800 A/s.

1.5. Efeito dv/dt

Estando o SCR polarizado diretamente sem a aplicação de uma corrente de gatilho,


a junção J2 estará reversamente polarizada (vide item 1.1). Em conseqüência disto, há o
aparecimento de um efeito capacitivo nesta junção. Se a variação da tensão V AC for muito
grande, irá aparecer uma corrente de circulação por este capacitor dada por: iC = Cj * dv/dt,
além da corrente IDRM que já existe. Se a corrente total se aproximar do valor da corrente de
engatamento IL, poderá haver um disparo indesejado do tiristor.

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Para se proteger o SCR contra este efeito, ou seja, para diminuir a variação da
tensão VAC é inserido em paralelo com tiristor o chamado circuito snubber ou circuito
amortecedor, que consiste em um capacitor em série com um resistor.
Por exemplo, para o T – 99N da AEG – Telefunken, o valor de dv/dt é de50 V/s.

1.6. Parâmetros importantes da folha de dados

O SCR é um dispositivo controlado por corrente. É uma chave do tipo 2, ou seja,


possui somente o comando para ligar pelo terminal do gate.Analisaremos o significado dos
parâmetros mais importantes e as respectivas faixas de variação e/ou valores
máximos/mínimos/nominais para o SCR T-99N fabricado pela AEG – Telefunken.

- VDRM e VRRM: são, respectivamente, as máximas tensões repetitivas direta e


reversa (tensões suportadas no estado de bloqueio). Para o T-99 elas variam de 400 a
1800 [V].

- IT(RMS)M : valor eficaz da máxima corrente que o tiristor pode conduzir. Seu
valor é de 220 [A].

- IT(AV)M : valor médio da máxima corrente que o tiristor pode conduzir. Seus
valores são: 140 [A] para tC = 62°C; 100 [A] para tC = 85°C; usando o dissipador KL 91
com ventilação natural e tA = 45°C, 72 [A] e usando o dissipador KL 91 com ventilação
forçada e tA = 35°C, 139 [A].

- IL: máxima corrente de engatamento: 620 [mA].

- IH: máxima corrente de manutenção: 200 [mA].

- IDRM e IRRM: são, respectivamente, as máximas correntes repetitivas de fuga


direta e reversa (correntes que atravessam o dispositivo no estado de bloqueio). Para o
T-99, considerando VAC = VD/RRM, IDRM = IRRM = 25 [mA].

- toff: tempo de desligamento. De acordo com a tensão, variam de 80 a 160


[s].

- Rjc: resistência térmica entre a junção e a base. Para sinais DC seu valor é
de 0,25 [°C/W] e para  = 180° (senóide) seu valor é de 0,26 [°C/W].

- Rca: resistência térmica entre a base e o meio ambiente. Considerando o


dissipador KL 91, com ventilação natural seu valor é de 0,6 [°C/W] e com ventilação
forçada seu valor é de 0,15 [°C/W].

1.7.Análise térmica do módulo tiristorizado

Iremos fazer esta análise através de alguns exemplos:

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Exemplo 1) Considerando o T – 99N operando com dissipador KL 91 com natural cooling


e Ta = 45 °C, calcular a temperatura da junção para as ondas abaixo:

a)

Da folha de dados, para uma onda DC e ventilação natural, temos: Rjc = 0,25
[°C/W] e Rca = 0,6 [°C/W].
Neste caso, o valor médio da onda é o próprio valor de pico (sinal DC), ou seja,
IT(AV) = ID = 80 [A]. Recorrendo-se às curvas 6 e 7 da folha de dados, temos que: P AV = 92
[W] e TC(AV) = 103 °C, respectivamente. Do circuito térmico:

T j  Tc ( AV )  R jc ( DC )  PAV
T j  103  0, 25  92
T j  126 °C

De outra forma:

T j  Ta  ( R jc ( DC )  R ca )  PAV  (0, 25  0, 6)  92  45
T j  123, 2 °C
Notemos que a primeira forma envolve dois valores tirados de gráfico, o que pode
introduzir erros maiores.

b)

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Da folha de dados, para uma onda  = 180° e ventilação natural, temos: Rjc = 0,26
[°C/W] e Rca = 0,6 [°C/W].
T 180
Para uma onda com  = 180°: IT ( AV )  I D  ON  140   70 [A] . Então, do
T 360
gráfico, tira-se que PAV = 90 [W]. Logo:

T j  Ta  ( R jc  R ca )  PAV  (0, 26  0, 6)  90  45
T j  122, 4 °C

c)

TON 120
Para uma onda com  = 120°: IT ( AV )  I D   195   65 [A] . Então, do
T 360
gráfico, tira-se que PAV = 88 [W]. Logo:

T j  Ta  ( R jc  R ca )  PAV  (0, 26  0, 6)  88  45
T j  120, 7 °C

Exemplo 2) Obter para o exemplo anterior os valores limites da corrente de pico.


Recalcular Tj para cada um destes casos.

a) Para Ta = 45 °C e sinal DC, da curva 8 tiramos que I T(AV)M = IDM = 82 [A]. Entrando-se
com este valor na curva 6, temos que PAVM = 96 [W]. Então:

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T j  Ta  ( R jc ( DC )  R ca )  PAV  (0, 25  0, 6)  96  45
T j  126, 6 °C

b) Para Ta = 45 °C e sinal com  = 180°, da curva 8 tiramos que IT(AV)M = IDM / 2 = 73


[A].Logo, IDM = 146 [A]. Entrando-se com o valor de IT(AV)M na curva 6, temos que PAVM
= 96 [W]. Então:

T j  Ta  ( R jc  R ca )  PAV  (0, 26  0, 6)  96  45
T j  127, 6 °C

c) Para Ta = 45 °C e sinal com  = 120°, da curva 8 tiramos que IT(AV)M = IDM / 3 = 67


[A].Logo, IDM = 201 [A]. Entrando-se com o valor de IT(AV)M na curva 6, temos que PAVM
= 96 [W]. Então:

T j  Ta  ( R jc  R ca )  PAV  (0, 26  0, 6)  96  45
T j  127, 6 °C

Destes resultados tiramos a conclusão de que a temperatura máxima de trabalho da


junção do tiristor T – 99N é de aproximadamente 125 °C.

Exemplo 3) Considerando as mesmas formas de onda do exemplo 1, recalcular a


temperatura da junção, considerando-se o T – 99N operando com o KL 91 com refrigeração
forçada (6 [m/s]) e temperatura ambiente de 35 °C.

a) Da folha de dados, para uma onda DC e ventilação forçada, temos: R jc = 0,25
[°C/W] e Rca = 0,15 [°C/W]. Neste caso, o valor médio da onda é o próprio valor de
pico (sinal DC), ou seja, IT(AV) = ID = 80 [A]. Recorrendo-se à curva 6 da folha de dados,
temos que: PAV = 92 [W]. Logo:

T j  Ta  ( R jc ( DC )  R ca )  PAV  (0, 25  0,15)  92  35


T j  71,8 °C

b) Da folha de dados, para uma onda  = 180° e ventilação forçada, temos: R jc = 0,26
[°C/W] e Rca = 0,15 [°C/W]. Para uma onda com  = 180°:
T 180
IT ( AV )  I D  ON  140   70 [A] . Então, do gráfico, tira-se que PAV = 90 [W]. Logo:
T 360

T j  Ta  ( R jc ( DC )  R ca )  PAV  (0, 26  0,15)  90  35


T j  71,9 °C

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TON 120
c) Para uma onda com  = 120°: IT ( AV )  I D   195   65 [A] . Então, do
T 360
gráfico, tira-se que PAV = 88 [W]. Logo:

T j  Ta  ( R jc ( DC )  R ca )  PAV  (0, 26  0,15)  88  35


T j  71,1 °C

Exemplo 4) Para o T – 99 N com KL 91, forced cooling (6 [m/s]), T a = 35 °C, obter os


valores limites para cada corrente de pico e recalcular a temperatura da junção.

a) Para Ta = 35 °C e sinal DC, da curva 9 tiramos que I T(AV)M = IDM = 175 [A].
Entrando-se com este valor na curva 6, temos que PAVM = 220 [W]. Então:

T j  Ta  ( R jc ( DC )  R ca )  PAV  (0, 25  0,15)  220  35


T j  123 °C

b) Para Ta = 35 °C e sinal com  = 180°, da curva 9 tiramos que IT(AV)M = IDM / 2 = 142
[A].Logo, IDM = 284 [A]. Entrando-se com o valor de IT(AV)M na curva 6, temos que PAVM
= 205 [W]. Então:

T j  Ta  ( R jc  R ca )  PAV  (0, 26  0,15)  205  35


T j  119,1 °C

c) Para Ta = 35 °C e sinal com  = 120°, da curva 9 tiramos que IT(AV)M = IDM / 3 = 125
[A].Logo, IDM = 375 [A]. Entrando-se com o valor de IT(AV)M na curva 6, temos que PAVM
= 200 [W]. Então:

T j  Ta  ( R jc  R ca )  PAV  (0, 26  0,15)  200  35


T j  117 °C

Destes resultados novamente tiramos a conclusão de que a temperatura máxima de


trabalho da junção do tiristor T – 99N é de aproximadamente 125 °C.

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Cap 2- Circuitos básicos com SCR’s

2.1. Definição de zero-crossing e ângulo de disparo ............................. pág. 12

2.2. Retificador controlado de meia-onda ............................................... pág. 12

2.3. Controlador de potência CA ............................................................. pág. 13

2.4. Controlador de potência CA com disparo pelo zero-crossing .......... pág. 15

2.5. Retificador controlado de meia-onda com carga RL ........................ pág. 19

2.6. Retificador controlado de meia-onda com carga RL e FCEM ......... pág. 24

2.7. Controlador de potência CA com carga RL ..................................... pág. 27

2.7.1. Soft start ou easy start ............................................................ pág. 33

2.8. Compensador Estático de Reativos .................................................. pág. 36

2.9. Circuitos de disparo com o CI TCA – 785 ....................................... pág. 36

2.9.1. O amplificador de pulsos ........................................................ pág. 38


2.9.2. O CI TCA – 785 ...................................................................... pág. 38
2.9.3. Circuito de disparo para o controlador de potência CA .......... pág. 39
2.9.4. Circuito de disparo para o controlador de potência CA com disparo pelo zero-
crossing .................................................................................... pág. 39

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2.1. Definição de zero-crossing e ângulo de disparo

Zero-crossing é definido como sendo o instante em que a tensão entre anodo e


catodo do tiristor VAC troca de polaridade (passa de negativa para positiva), ou seja, é o
instante em que o SCR passa a ficar polarizado diretamente. O ângulo de disparo  é o
atraso entre o zero-crossing e a aplicação do pulso de corrente no gate do SCR.

2.2. Retificador controlado de meia-onda

O retificador controlado de meia-onda, o qual é mostrado na figura abaixo, converte


CA em CC:

Para um ângulo de disparo  = 45° temos as seguintes formas de onda:

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Vamos fazer o cálculo dos valores de tensão, corrente e potência para o circuito
mostrado acima:

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A tensão da rede CA é dada por: v 2  Vm  sen(  t )  2 127  sen(377  t )


2  V2
A tensão média na carga será igual a: Vo(AV)   (1  cos( ))
2 
2 127
 Vo(AV)   (1  cos(45))  48,8 [V]
2 
Como se trata de uma carga puramente resistiva, temos que:
Vo(AV) 48,8
Io(AV)    9, 76 [A]
R 5
1/ 2
I    1 
O valor eficaz da corrente é dado por: Io(RMS)  m    sen(2   )  e
2   2  
Im
o valor médio é dado por: Io(AV)   (cos( )  1).
2 
Io(AV)  2   9, 76  2  
 Im    35,92 [A]
cos( )  1 cos(45)  1

1/ 2
35,92    ( / 4) 1 
 Io(RMS)     sen( / 2)   17,13 [A]
2   2  

A potência dissipada é: PR  R  I 2 o(RMS)  5 17,132  1467 [W]

2.3. Controlador de potência CA

O controlador de potência CA realiza uma transformação de CA/CA, com a saída


possuindo a mesma freqüência da rede, porém tendo o valor eficaz controlado de acordo
com o ângulo de disparo . A figura a seguir ilustra o circuito:

Para um ângulo de disparo  = 90° temos as seguintes formas de onda:

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Vamos fazer o cálculo dos valores de tensão, corrente, potência e fator de potência,
bem como o dimensionamento do sistema para o circuito mostrado acima:
Neste caso, o valor médio da tensão sobre a carga é nulo e, conseqüentemente, o valor
médio da corrente também o será. O valor da tensão eficaz na carga é dado por:

1/ 2
   1 
Vo(RMS)  V2     sen(2   ) 
  2  

1/ 2
   ( / 2) 1 
 Vo(RMS)  220     sen( )   155, 6 [V]
  2  

Vo(RMS) 155, 6
A corrente eficaz é dada por: Io(RMS)    31,11 [A].
R 5

A potência entregue é: PR  R  I 2 o ( RMS )  5  31,112  4840 [W]


PR PR 4840
O fator de potência será dado por: fp     0, 707
Stransf V2  I o ( RMS ) 220  31,11

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Para o dimesionamento do transformador, devemos considerar a condição nominal,


na qual  =0° , pois é nela que a maior potência deve ser fornecida. Sendo assim:
 V2  220 [V]

V2 220
Para  =0°, temos que: Io(RMS)max    44 [A].
R 5

 Stransf  V2  I o ( RMS ) max  220  44  9680 [VA]

Para o dimensionamento dos tiristores utilizamos as seguintes relações:

 VDRM  VRRM  K S  2  V2  2  2  220  K S  4,5  2  220

Cada tiristor deve suportar uma corrente:

Im I 2  V2 2  220
 Io(AV)max   (cos(0)  1)  m    19,80 [A]
2    R  5

1/ 2
I   0 1  Im 2  V2 2  220
 Io(RMS)max  m    sen(2  0)  =    31,11 [A]
2   2   2 2 R 25

2.4. Controlador de potência CA com disparo pelo zero-crossing

Controlador de potência CA com disparo pelo zero-crossing é um circuito


largamente utilizado em sistemas de aquecimento, os quais geralmente requerem altas
correntes. Poderia utilizar-se o controlador de potência CA visto anteriormente, porém, o
fato do mesmo ‘recortar’ a onda poderia causar problemas de distorção e harmônicos
relevantes, devido à amplitude das componentes da corrente. A filosofia utilizada no
Controlador de potência CA com disparo pelo zero-crossing consiste em estabelecer um
certo número de ciclos (m + n) e deixar que os tiristores conduzam um número m de ciclos
e fiquem em estado de bloqueio por n ciclos. Assim, variando-se os valores de m e n pode-
se controlar o valor da potência dissipada em uma carga resistiva. O circuito tem o mesmo
aspecto do controlador de potência CA com uma ligeira modificação no módulo de disparo
que será abordada mais tarde.
Abaixo apresentamos um exemplo das formas de onda de corrente e tensão,
sobrepostas a tensão da rede, encontradas para m + n = 10 ciclos e m = 6.

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400
Vrede
IR
VR
300

200

100

-100

-200

-300
m*T n*T

-400
0 0.05 0.1 0.15 0.2 0.25 0.3 0.35

Multiplicando-se a corrente pela tensão na carga teremos a forma de onda da


potência instantânea, a qual é mostrada abaixo. Junto com ela, mostramos também o valor
da potência média em m ciclos (Po) e o valor da potência média total vista pela carga em m
+ n ciclos (PoT):
4
x 10
2
po(t)

1.8

1.6

1.4

1.2

1
Po

0.8

PoT
0.6

0.4

0.2

0
0 0.05 0.1 0.15 0.2 0.25 0.3 0.35

17
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A tensão anodo – catodo sobre cada tiristor é mostrada abaixo juntamente com a
parcela de corrente que cada um dos tiristores conduz. Notemos que a tensão VAC contém n
ciclos.

Tensão e corrente sobre o tiristor T1


400
IT1
Vac1

200

-200

-400
0 0.05 0.1 0.15 0.2 0.25 0.3 0.35

Tensão e corrente sobre o tiristor T2


400
IT2
Vac2

200

-200

-400
0 0.05 0.1 0.15 0.2 0.25 0.3 0.35

V2
Em ' m ' ciclos: I o ( RMS ) 
RL
V2 2
 Po  RL  I o2( RMS ) 
RL
1
 m T  2
No período visto pela carga: I o ( RMS )T  I o ( RMS )   
 ( m  n)  T 
m T m
 PoT  Po   Po 
( m  n)  T mn

Exemplo: Seja um circuito com V2 = 220 [V]. Imaginando a operação com disparo pelo
zero – crossing e carga resistiva RL = 5 [], calcular a corrente total no período visto pela
carga, considerando m + n = 50 ciclos de 60 [Hz], para:

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- 25% de consumo de potência:

V2 220
Em ' m ' ciclos: I o ( RMS )    44 [A]
RL 5
V2 2 2202
 Po  RL  I o2( RMS )    9680 [W]
RL 5
m
No período visto pela carga: PoT  0, 25  Po e PoT  Po 
mn
m
  0, 25
mn
 m  0, 25  (m  n)  0, 25  50  12,5  13 (se bloquearmos os pulsos de gatilho do tiristor
no meio de um ciclo ele já terá disparado; logo usa-se o inteiro maior). Assim, m=13 e n=37.

1 1
 m 2  13  2
 I o ( RMS )T  I o ( RMS )    44   50   22, 44 [A]
 m  n 

m 13
 PoT  Po   9680   2517 [W]
mn 50
- 50% de consumo de potência:

V2 220
Em ' m ' ciclos: I o ( RMS )    44 [A]
RL 5
V2 2 2202
 Po  RL  I o2( RMS )    9680 [W]
RL 5
m
No período visto pela carga: PoT  0,5  Po e PoT  Po 
mn
m
  0,5
mn
 m  0,5  (m  n)  0,5  50  25. Assim, m=25 e n=25.

1 1
 m 2  25  2
 I o ( RMS )T  I o ( RMS )     44   50   31,11 [A]
m n  

m 25
 PoT  Po   9680   4840 [W]
mn 50

- 75% de consumo de potência:

19
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 20 17/06/2021

V2 220
Em ' m ' ciclos: I o ( RMS )    44 [A]
RL 5
V2 2 2202
 Po  RL  I 2
o ( RMS )    9680 [W]
RL 5
m
No período visto pela carga: PoT  0, 75  Po e PoT  Po 
mn
m
  0, 75
mn
 m  0, 75  (m  n)  0, 75  50  37,5  38 (se bloquearmos os pulsos de gatilho do tiristor
no meio de um ciclo ele já terá disparado; logo usa-se o inteiro maior). Assim, m=38 e n=12.

1 1
 m 2  38  2
 I o ( RMS )T  I o ( RMS )    44   50   38,36 [A]
 m  n 

m 38
 PoT  Po   9680   7357 [W]
mn 50

2.5. Retificador controlado de meia-onda com carga RL

Ao adicionarmos um indutor em série com a resistência de carga do retificador


controlado de meia – onda modificam-se os formatos das formas de onda de tensões e
correntes. O circuito é mostrado a seguir:

L = 27 [mH]

20
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 21 17/06/2021

di
Para este circuito: Vo  V2  VL  VR ou 2  V2  sen(  t )  L 
 R i
dt
Sabe-se que em um indutor não pode haver descontinuidade de corrente, então:
i (t )  iN (t )  iF (t ), onde:
 iN (t ) : componente natural (resposta do circuito, em regime, a excitação v 2 )
 iN (t ) : componente forçada ou transitória (garante que i(  t   )  0)
R
2  V2 t
A corrente i será do tipo: i(t )   sen(  t   )  A  e L
Z
 
Em relação a parcela transitória, para   t   : i (t )  i    0
 

t   to

Substituindo estas condições na equação geral de i(t) vem que:

R 
  2 V2 
i   0   sen(   )  A  e L 
  Z

R
 2  V2 
 A  sen(   )  e L 
Z

Substituindo 'A' na equação geral de i(t) obtém-se:

2  V2   t  
R  

i (t )    sen(  t   )  sen(   )  e L     , onde:


Z  

 V2 : valor RMS da rede


L 
   arctg  
 R 
 Z  R 2  (  L) 2

21
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 22 17/06/2021

Para t = :

di
OBS.: vL  L   devido ao SCR a corrente i(t) é sempre unidirecional
dt

Em realção a v L , tensão no indutor, temos que a energia absorvida é igual a energia


devolvida, ou seja, as áreas acima e abaixo do eixo horizontal no gráfico de v L são iguais.
Logo, VL(AV) =0.
Na página 11 da apostila, figura 4, temos os gráficos normalizados para as correntes
média e eficaz em função dos ângulos de disparo ( ) e de condução ( ), pois a equação ge-
ral de i(t) é uma equação transcendental.
2  V2
A corrente base será: I b 
Z
R  
i (t )   t 
 it ( PU )   sen(  t   )  sen(   )  e L   
Ib

1 T
T 0
 valor médio normalizado: I N   it ( PU )  d t
1
1 T 2
 valor eficaz normalizado: I RN     (it ( PU ) ) 2  dt 
T 0 

22
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 23 17/06/2021

Lembremos que, neste caso, não é válida a relação: Vo ( RMS )  Z L  I RN  I b (as ondas
não são senoidais).
Para as tensões:

2  V2
Vo ( AV )    cos( )  cos(  ) 
2 

1
2 V2     1 2
Vo ( RMS )      s en(2   )  s en(2   )  
2   2  

OBS.:  deve ser obtido da figura 4.a para um dado  e um  . Assim:      .

Analisaremos os três casos gerais:

     i F (t )  0 : não existe componente transitória da corrente para esta condição par-


ticular e a corrente i(t) é puramente senoidal, com ângulo de condução  =180° e a tensão vo
será a própria tensão de entrada. Equipamentos do tipo partida suave (soft / easy start) utili-
zam esta propriedade para o MIT em regime permanente:

2  V2
io   sen(  t   )
Z

     i F (t )  0 :i(t) tem ângulo de condução   180°

     i F (t )  0 :i(t) tem ângulo de condução   180°


Exemplo: No circuito mostrado acima, V2 = 127 [V], R = 10 [], f = 60 [Hz] e L = 27
[mH]. Sendo  = 30°, calcular Vo(AV), Vo(RMS), Io(AV) e Io(RMS) e plotar as formas de onda
de vo, io, vL e vAC. Calcular também o fator de potência do circuito.

23
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 24 17/06/2021

Temos que:
L  2    60  27 103 
  arctg    arctg    45
 R   10 
Z  R 2  (  L)2  102  (2    60  27 10 3 ) 2  14, 26 []

A corrente base é obtida de:


2 V2 2 127
Ib    12,59 [A]
Z 14, 26

Do gráfico da figura 4.a, para   30 e   45, temos que   197. Logo:
      197  30  227

Assim, os valores de tensão média e eficaz ficam:


2  V2 2 127
Vo ( AV )    cos( )  cos(  )     cos(30)  cos(227) 
2  2 
Vo ( AV )  44, 25 [V]

1
2 V2     1 2
Vo ( RMS )      s en(2   )  s en(2   )  
2   2  
1
2 127  (227   /180)  ( / 6) 1 2
Vo ( RMS )      s en(60)  s en(454)  
2   2  
Vo ( RMS )  93, 04 [V]

Das figuras 4.b e 4.c, para   30 e   45, obtém-se, respectivamente:


I N  0,36  I o ( AV )  I N  I b  0,36 12,59  4,53 [A]
I RN  0,53  I o ( RMS )  I RN  I b  0,53 12,59  6, 68 [A]

Finalmente:
PR  R  I 2 o ( RMS )  10  6, 682  446, 22 [W]
S  V2  I o ( RMS )  127  6, 68  848,36 [VA]
PR 446, 22
Logo: fp    0,53
S 848,36

24
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 25 17/06/2021

Tensão da rede, tensão e corrente sobre a carga RL


200
v2
io
100 vo

-100

-200
0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025 0.03 0.035
Tensão sobre o indutor
100

50

-50

-100

-150
0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025 0.03 0.035
Tensão anodo-catodo do tiristor
100

-100

-200

-300
0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025 0.03 0.035

2.6. Retificador controlado de meia-onda com carga RL e FCEM

O modelo da carga RL em série com uma força contra – eletromotriz, mostrado


abaixo, representa um motor de corrente contínua, cuja equação é:
VC  K   N , onde:   é o fluxo produzido pelo circuito de campo
 N é a velocidade do motor CC

Notemos que para haver o disparo, v2 > VC.

25
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 26 17/06/2021

Exemplo: Para o circuito acima, com V2(RMS) = 220 [V], VC = 155 [V], R = 10 [] e f = 60
[Hz], calcular Vo(RMS), Io(RMS), potência entregue ao MCC e o fator de potência. Plotar as
formas de ondas de vo, io e vac. A indutância L deve ser calculada para  = 30°.

a)  = 30°(ângulo mínimo para o disparo)


L
Primeiramente,   arctg  
 R 
R  tan( ) 10  tan(30)
L   15,31 [mH]
 377
2  V2 2  220 2  220
Por outro lado: I b     26,94 [A]
Z R  (  L)
2 2
10  (2    60 15,31 103 ) 2
2

Dos gráficos da página 17, para  =30° e  =30°, temos:


VC 155
m   0, 498
2 V2 2  220

- gráfico 6.a: com o valor de m e de  , temos   150


- gráfico 6.b: com o valor de m e de  , temos I N  0,12
- gráfico 6.c: com o valor de m e de  , temos I RN  0, 22

Assim:
 I o ( AV )  I N  I b  0,12  26,94  3, 24 [A]
 I o ( RMS )  I RN  I b  0, 22  26,94  5,93 [A]

Logo, temos que: Vo ( AV )  VC  R  I o ( AV )  155  10  3, 24  187,33 [V]

A potência entregue ao MCC é dada por: PMCC  VC  I o ( AV )  155  3, 24  502, 2 [W]

PR  PMCC R  I o ( RMS )  VC  I o ( AV )
2

O fator de potência do circuito fica: fp  


S2 V2  I o ( RMS )
10  5,932  502, 2
 fp   0, 65
220  5,93
As formas de onda da tensão e corrente sobre a carga são mostradas a seguir:

26
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 27 17/06/2021

Tensão da rede e tensão sobre a carga


400

200

-200

-400
0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025 0.03 0.035

Corrente na carga
15

10

-5
0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025 0.03 0.035

Tensão anodo catodo do tiristor


200

-200

-400

-600
0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025 0.03 0.035

b)  = 90°
Dos gráficos da página 17, para  =30° e  =90°, temos:
VC 155
m   0, 498
2 V2 2  220

- gráfico 6.a: com o valor de m e de  , temos   80


- gráfico 6.b: com o valor de m e de  , temos I N  0, 06
- gráfico 6.c: com o valor de m e de  , temos I RN  0,12

Assim:
 I o ( AV )  I N  I b  0, 06  26,94  1, 62 [A]
 I o ( RMS )  I RN  I b  0,12  26,94  3, 23 [A]

Logo, temos que: Vo ( AV )  VC  R  I o ( AV )  155  10 1, 62  171, 2 [V]

A potência entregue ao MCC é dada por: PMCC  VC  I o ( AV )  155 1, 62  251,1 [W]
PR  PMCC R  I o ( RMS )  VC  I o ( AV )
2

O fator de potência do circuito fica: fp  


S2 V2  I o ( RMS )
10  3, 232  251,1
 fp   0,5
220  3, 23

27
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 28 17/06/2021

Tensão da rede e tensão sobre a carga


400
v2
vo
200

-200

-400
0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025 0.03 0.035
Corrente na carga
10

-5
0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025 0.03 0.035
Tensão anodo catodo do tiristor
200

-200

-400

-600
0 0.005 0.01 0.015 0.02 0.025 0.03 0.035

2.7. Controlador de potência CA com carga RL / Soft - Start

O controlador de potência CA com carga RL tem uma análise bastante parecida


com o retificador controlado de meia onda com carga RL.

Abaixo, é apresentado um gráfico com as formas de onda típicas de tensão e


corrente sobre a carga. Notemos que ao entrar em regime permanente, os valores médios de
tensão e corrente são iguais a zero (as áreas abaixo e acima do eixo horizontal são iguais).
O valor eficaz da tensão vo é dado por:

1
 1 2
Vo ( RMS )  V2      sen(2   )  sen(2  (   ))  
 2  

28
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 29 17/06/2021

Do gráfico acima, pode-se notar que: io  iT 1  iT 2 . Logo:

I o ( RMS )  IT 1( RMS )  IT 2( RMS )

Mas: IT 1( RMS )  IT 2( RMS ) , cujos valores podem ser retirados dos gráficos normalizados
2  V2
da página 11, sendo: I b  .
Z
Exemplo 1: No circuito acima, considere R = 0 [] e L = 27 [mH] para uma tensão V 2(RMS)
= 220 [V] e f = 60 [Hz].
a) Para  = 120° calcular Vo(RMS) e Io(RMS). Plotar as formas de onda de vo, io, iT1/T2 e vAC;

29
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 30 17/06/2021

Para   120 e   90, temos que:  =120° e I RN  0, 22. Assim:


2  V2 2  220
Ib    30,57 [A]
Z 2    60  27 103

1
 1 2
 Vo ( RMS )  V2      sen(2   )  sen(2  (   ))  
 2  
1
 (2   / 3) 1 2
 Vo ( RMS )  220      sen(240)  sen(480)  
  2  
 Vo ( RMS )  137,57 [V]

Para a corrente eficaz: IT 1( RMS )  IT 2( RMS )  0, 22  30,57  6, 72 [A]. Logo:


I o ( RMS )  IT 1( RMS )  IT 2( RMS )  13, 45 [A]

As formas de onda solicitadas ficam:

30
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 31 17/06/2021

b) Para  = 90° calcular Vo(RMS) e Io(RMS). Plotar as formas de onda de vo, io, iT1/T2 e vAC.

Para   90 e   90, temos que:  =180° e I RN  0,5. Assim:


2  V2 2  220
Ib    30,57 [A]
Z 2    60  27 103

1
 1 2
 Vo ( RMS )  V2      sen(2   )  sen(2  (   ))  
 2  
1
 1 2
 Vo ( RMS )  220      sen(180)  sen(540)  
 2  
 Vo ( RMS )  220 [V]

Para a corrente eficaz: IT 1( RMS )  IT 2( RMS )  0,5  30,57  15,3 [A]. Logo:
I o ( RMS )  IT 1( RMS )  IT 2( RMS )  30,57 [A]

As formas de onda solicitadas ficam:

31
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 32 17/06/2021

Exemplo 2: No circuito acima, considere R = 10 [] e L = 27 [mH] para uma tensão


V2(RMS) = 220 [V] e f = 60 [Hz].

a) Para  = 90° calcular Vo(RMS), Io(RMS), Po(AV), S e fp. Plotar as formas de onda de v o, io,
iT1/T2 e vAC;
Primeiramente, temos:
2 V2 2  220 2  220
Ib     21,8 [A]
Z R  (  L)
2 2
10  (2    60  27 10 3 ) 2
2

L  2    60  27 103 
  arctg    arctg    45
 R   10 
Para   90 e   45, temos que:  =130° e I RN  0,32. Assim:

1
 1 2
 Vo ( RMS )  V2      sen(2   )  sen(2  (   ))  
 2  
1
 (130   /180) 1 2
 Vo ( RMS )  220      sen(180)  sen(440)  
  2  
 Vo ( RMS )  165, 44 [V]

Para a corrente eficaz: IT 1( RMS )  IT 2( RMS )  0,32  21,8  6,98 [A]. Logo:
I o ( RMS )  IT 1( RMS )  IT 2( RMS )  13,95 [A]

Finalmente:
PR  R  I 2 o ( RMS )  10 13,952  1946 [W]
S  V2  I o ( RMS )  220 13,95  3069 [VA]
PR 1946
Logo: fp    0, 63
S 3069

As formas de onda solicitadas ficam:

32
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 33 17/06/2021

b) Para  = 45° calcular Vo(RMS), Io(RMS), Po(AV), S e fp. Plotar as formas de onda de v o, io,
iT1/T2 e vAC;

Para   45 e   45, temos que:  =180° e I RN  0,5. Assim:


1
 1 2
 Vo ( RMS )  V2      sen(2   )  sen(2  (   ))  
 2  
1
 1 2
 Vo ( RMS )  220      sen(90)  sen(450)  
 2  
 Vo ( RMS )  220 [V]

Para a corrente eficaz: IT 1( RMS )  IT 2( RMS )  0,5  21,8  10,9 [A]. Logo:
I o ( RMS )  IT 1( RMS )  IT 2( RMS )  21,8 [A]

Finalmente:
PR  R  I 2 o ( RMS )  10  21,82  4752, 4 [W]
S  V2  I o ( RMS )  220  21,8  4796 [VA]
PR 4752, 4
Logo: fp    0,99
S 4796

33
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 34 17/06/2021

As formas de onda solicitadas ficam:

2.7.1. Soft start ou easy start

Sabe-se que o motor de indução trifásico é a máquina elétrica de maior uso na


indústria. Isto se deve a sua simplicidade e baixa taxa de manutenção. Porém, ele traz
consigo um grande inconveniente: sua alta corrente de partida, que dependendo do tamanho
e potência da máquina, pode causar sérios problemas de afundamento de tensão, tanto para
o consumidor que está partindo o motor como para os outros consumidores ligados àquele
barramento.
Uma solução encontrada para a redução da corrente de partida, que em alguns
motores podem chegar até a 10 vezes o valor da corrente nominal foi o soft start, que é
baseado no controlador de potência CA com carga RL e na propriedade que este tem de que
tensão e corrente sobre a carga serão senoidais, quando os tiristores são disparados com um
ângulo  = , onde  é o ângulo da impedância.
Para o MIT: Te  k Vo ( RMS ) , então, variando-se o valor da tensão eficaz aplicada
2

sobre o motor o torque varia de maneira quadrática. A curva do torque elétrico em função
da velocidade do motor é mostrada a seguir:

34
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 35 17/06/2021

Temos que: 1   2   3  ...   n .


Se  n  n   n  180 e i o (t ) é uma senóide pura.
Na figura TL é o conjugado de carga, proporcional ao quadrado da velocidade, que é
característica típica de cargas como bombas, ventiladores e sopradores. Para estas cargas, po-
demos partir o motor com tensões bem reduzidas, pois na partida, o conjugado resistente é
nulo.
O princípio de funcionamento é o seguinte: estabelece-se um limite de corrente
(geralmente deseja-se que o motor tenha corrente nominal na partida). Sendo assim, a
lógica de controle calcula o ângulo de disparo i que fornecerá uma tensão Vo(RMS)i, que
aplicado a impedância de partida do motor solicitará uma corrente de 1 pu. À medida que o
motor vai se acelerando, a impedância do mesmo vai aumentando e a tensão aplicada a ele
deve ser aumentada gradualmente para manter a corrente nominal. Os diversos ângulos de
disparo necessários para isso são fornecidos pela lógica de controle. Ao atingir a velocidade
nominal, o circuito de controle deverá fornecer um ângulo de disparo n igual ao ângulo da
impedância nominal do motor n, o que garante que a tensão aplicada sobre o motor será a
tensão da rede e a corrente será senoidal.

35
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 36 17/06/2021

Abaixo, apresentamos o aspecto construtivo de um soft start, onde se pode notar a


presença de um controlador de potência CA em cada fase. O bloco chamado ‘lógica de
controle’ faz todo o controle dos diversos ângulos de disparo e apresenta uma lógica muito
complicada, a qual não será discutida aqui.

36
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 37 17/06/2021

2.8. Compensador Estático de Reativos

Abaixo é mostrado o circuito equivalente ao compensador estático de reativos. Ele é


composto por N bancos de capacitores e 1 banco de indutores. Para os bancos de
capacitores, o ângulo de disparo dos SCR’s deve ser fixo em 90°, pois assim, garante-se
que o disparo seja feito no momento em que a corrente é nula. Então, o que se faz é
bloquear ou não os pulsos de gatilho de cada banco. Sendo assim, a cada banco que entra
no barramento, temos a introdução de uma parcela Q C de potência reativa. Caso este valor
QC seja excessivo, o banco de indutores se encarrega de fazer o ajuste fino através da
variação do ângulo de disparo L, mantendo assim, a tensão do barramento constante
(lembrar que se Q torna-se mais capacitiva a tensão aumenta e se Q torna-se mais indutiva a
tensão diminui).
Suponhamos que precisemos corrigir uma carga de 1,5 * QL. Porém, só podemos
entrar com N * QC, no caso com N = 2. Assim, o excesso, 0,5 * Q C, é compensado através
do ajuste do ângulo de disparo do banco de indutores.

2.9. Circuitos de disparo com o CI TCA – 785

O princípio de sincronismo e disparo dos tiristores já foi brevemente discutido no


capítulo1. Agora, voltaremos a tratar deste assunto mais detalhadamente, começando por
uma simulação feita no MatLab. Essa simulação engloba todos os passos realizados pelos
CI’s disponíveis para controle de disparo no mercado, mais particularmente o CI TCA –
785. O diagrama de blocos usado para a simulação é mostrado abaixo:

37
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 38 17/06/2021

Primeiramente, através de um transformador disponibilizamos uma tensão de


referência que é a própria tensão da rede, reduzida. Esta tensão é aplicada a um detector de
zero, ou seja, sempre que esta tensão for maior que zero o comparador satura em um
determinado valor. O análogo é feito para o semiciclo negativo. O resultado é mostrado
abaixo:

Ambos os sinais são levados a integradores, tanto como entradas como sinais de
reset por edge negativo. No trecho em que o sinal tem nível alto uma rampa é gerada e ao
ocorrer à mudança de nível um reset é dado no sistema. O bloco de ganho é adicionado para
gerar uma amplitude máxima de acordo com a necessidade. As saídas dos integradores são
somadas resultando em um sinal ‘dente de serra’ de período T = 8,33 [ms] e amplitude de

38
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 39 17/06/2021

10 [V]. Este sinal é levado a um comparador juntamente com o sinal de referência que varia
de zero a 10 [V], proporcionalmente ao ângulo de disparo . O resultado da comparação
são os pulsos de gatilho dos tiristores, os quis são separados pela operação AND com os
sinais resultantes do zero detector. O resultado final é mostrado abaixo, com os pulsos de
gatilho já separados e modulados por um sinal de alta freqüência. Isto é necessário, pois os
pulsos devem ser amplificados antes de serem aplicados aos gates dos tiristores e o
amplificador de pulsos (o qual será abordado mais adiante) necessita de um sinal de uma
certa freqüência para fornecer uma resposta mais uniforme.

2.9.1. O amplificador de pulsos

O circuito amplificador de pulsos, como o próprio nome já diz, tem a finalidade de


amplificar os pulsos vindos do circuito de disparo para um nível de corrente adequado para
que ocorra o disparo dos SCR’s. Tal circuito, como mostrado logo abaixo, é composto de
alguns transistores, que têm o papel de fazer a amplificação propriamente dita e um
transformador de pulsos, que serve para desacoplar o circuito de potência do circuito
eletrônico.

Inserir figura 46 da página 25 (cap. 1).cap pt tirist pag26

2.9.2. O CI TCA – 785

O CI TCA – 785 é um circuito integrado de 16 pinos, cujo diagrama em blocos e


topologia externa são mostrados a seguir:
Inserir figura da página avulsa e pinagem do data sheet da Siemens.

39
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 40 17/06/2021

De acordo com a tabela acima, faremos uma breve discussão de alguns pinos do CI:

 Pino 5: é responsável pelo sincronismo do circuito. Então, deve-se aplicar a ele


uma tensão vinda da rede, usando-se de um circuito grampeador.
 Pino 6: quando este pino é conectado ao terra do circuito, ele inibe os pulsos dos
pinos 14 e 15. Quando ligado a +V ele libera os pulsos. A conexão ao terra deve ser
feita através de um transistor NPN. Este pino tem grande utilidade como proteção do
circuito e como será visto logo a seguir, para a implementação do circuito de disparo do
controlador de potência CA com disparo pelo zero crossing.
 Pino 8: estabilizador de tensão. Geralmente é levado ao terra por meio de um
capacitor.
 Pino 9: resistor de rampa. Determina o valor da corrente constante que carregará o
capacitor C10 para geração da rampa.
 Pino 10: capacitor de rampa. Capacitor responsável pela formação da rampa para a
comparação com o sinal de referência.
 Pino 11: tensão de controle. Tensão que deve variar de 0 volts até o valor de pico
da rampa, ou seja, é a tensão que determina o valor do ângulo .
 Pino 12: extensão de pulso. A duração dos pulsos das saídas 14 e 15 pode ser
controlada por um capacitor colocado no pino 12. Se este pino for conectado ao terra,
um pulso entre  e 180° é gerado.
 Pino 13: pulso longo. Usado da mesma forma que o pino 12, só que para prolongar
os pulsos das saídas 2 e 4 (saídas 14 e 15 invertidas).

Assim, passaremos ao desenvolvimento de um circuito de disparo para o


controlador de potência CA, o qual pode ser generalizado para o controlador de potência
CA com disparo pelo zero crossing e como será visto no próximo capítulo, através da
adição de mais dois circuitos e alguns defasadores, eles servirão para o disparo das diversas
pontes trifásicas.

2.9.3. Circuito de disparo para o controlador de potência CA

Para o nosso projeto, temos as seguintes especificações:

 Período do sinal de rampa (Trampa): 8,33 [ms]


 Tensão máxima de rampa (VrampaM): 10 [V]
 Corrente no capacitor C10 (IC10): 100 [A]

40
Eletrônica de potência I
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VREF  K
De acordo com o data sheet do TCA - 785: I C10  , onde:
R9
 K: constante do CI  K  1, 25 (valor típico)
VREF : tensão interna de referência  VREF  3,1 [V] (valor típico)

VREF  K 3,1 1, 25


 R9    38, 75 [k]
I C10 100 106

VREF  K  t
Por outro lado: V10  , onde:
R9  C10
 t: largura de pulso de gatilhamento  t  30 [ s]

VREF  K  t 3,1 1, 25  30 10 6


 C10    300 [ F ]
R9  V10 38750 10

Utilizando-se valores comerciais, temos: R9  38, 75 [k] e C10  330 [ F ].

Conforme dito anteriormente, temos a necessidade de fazermos a amplificação dos


pulsos. Para uma melhor resposta do transformador de pulsos, o sinal vindo dos pinos 14 e
15 deve ser modulado com um sinal de alta freqüência. Para isto, devemos elaborar um
circuito oscilador que produza uma onda quadrada com uma freqüência próxima de 30
[kHz]. O circuito escolhido neste caso foi o oscilador baseado no CI 555 com duty cicle de
50%. O cálculo deste circuito fica:

1
Para a freqüência de 30 [kHz], temos que: f  . Mas t1  t2 (50% ligado e 50%
t1  t2
desligado).
1 1
 t1  t2    1, 67 105 [s]
2  f 2  30 10 3

Para o oscilador baseado no CI 555 com duty cicle de 50%, usando uma capacitância
C = 10 [nF], temos que:

t1  0, 693  RA  C
t1 1, 67 105
 RA    2405 []
0, 693  C 0, 693 10 10 9

41
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 42 17/06/2021

RA  RB  R  2  RA 
Por outro lado: t2   C  ln  B 
RA  RB  2  RB  RA 
 RB  1018 []
Usando valores comerciais, temos: RA  2, 4 [k] e RB  1, 0 [k].

De posse dos valores calculados, podemos, agora, montar o nosso circuito de


disparo, o qual é mostrado na figura abaixo.

2.9.4. Circuito de disparo para o controlador de potência CA com disparo pelo zero
crossing

O circuito de disparo para o controlador de potência CA com disparo pelo zero


crossing usa o mesmo circuito desenvolvido acima e um circuito adicional de controle que
é introduzido no pino 6 (Inhibit) para liberação ou retenção dos pulsos dos pinos 14 e 15. O
ângulo de disparo é fixado em 0°; sendo assim o circuito que fornece a tensão de controle
pode ser suprimido, bastando para isto ligar o pino 11 ao terra. Caso este circuito seja
mantido temos uma maior versatilidade, pois poderemos controlar tanto o ângulo de

42
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 43 17/06/2021

disparo  como o número de ciclos de condução (em geral, não se usam os dois controles
simultaneamente).
O princípio de funcionamento deste circuito já foi discutido e, em resumo, é o
seguinte: estabelece-se um número m + n de ciclos; deste número fixo de ciclos, em m
deles haverá a condução dos tiristores, ou seja, os pulsos de gatilho vindos do TCA 785 são
liberados; nos restantes n ciclos os pulsos são retidos. A figura abaixo esclarece:

O circuito utilizado para criar a rampa de período (m + n)T utiliza novamente o CI


555. Ele é mostrado na figura abaixo:

43
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 44 17/06/2021

Cap 3 – Pontes trifásicas

3.1. Introdução ......................................................................................... pág. 44

3.2. Ponte trifásica não controlada – sistema de 6 e 12 pulsos ................ pág. 44

3.2.1. Sistema de 6 pulsos .................................................................. pág. 45


3.2.2. Sistema de 12 pulos ................................................................. pág. 52

3.3. Ponte trifásica semicontrolada ......................................................... pág. 55

3.3.1. Operação Free – Wheeling ....................................................... pág. 66

3.4. Ponte trifásica controlada .................................................................. pág. 70

3.4.1. Operação como retificadora ..................................................... pág.


3.4.2. Operação como inversora ........................................................ pág.
3.4.3. Comutação ou overlap ............................................................. pág.

3.5. Operação anormal da ponte tiristorizada ........................................... pág. 15

44
Eletrônica de potência I
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3.1. Introdução

Até agora, vimos somente circuitos monofásicos, os quais realizavam as seguintes


ações:

 Conversão AC/AC:
1. Controlador de potência CA: fazia o controle da potência pelo controle do
valor RMS da tensão sobre a carga;
2. Controlador de potência CA com disparo pelo zero crossing: fazia o controle
da potência pelo controle do número de ciclos em que os SCR’s conduziam.

 Conversão AC/DC:
1. Retificadores de meia onda: faziam a conversão de uma onda senoidal de
tensão em uma onda de tensão contínua pulsada. Não é muito eficiente, pois
metade do ciclo da senóide é desperdiçado.

Passaremos a analisar agora, a conversão de corrente alternada em corrente contínua


de maneira mais eficiente, na qual a partir de um sistema trifásico obteremos um sinal
contínuo, que pode ser utilizado em transmissão em corrente contínua, em acionamento e
controle de velocidade de motores de corrente contínua, enfim, em qualquer lugar onde seja
necessário o uso de corrente contínua. Vale lembrar que atualmente o uso de geradores de
corrente contínua praticamente se extinguiu, restando apenas algumas antigas unidades. As
pontes trifásicas, apesar de seu alto custo de instalação, requerem muito menos manutenção
do que as máquinas de corrente contínua e por isso acabam sendo mais eficientes e menos
dispendiosas a longo prazo.

3.2. Ponte trifásica não controlada – sistema de 6 e 12 pulsos

Este tipo de sistema utiliza diodos de potência em vez de SCR’s. Como se tratam de
chaves do tipo I, esta ponte não possui a flexibilidade de controlarmos o ângulo de disparo
dos semicondutores e por isto constitui-se do sistema mais simples, uma vez que um
circuito eletrônico para a realização do disparo não é necessário. Os diodos possuem
características bastante semelhantes as dos SCR’s e por isso não entraremos em detalhes,
tais como os parâmetros importantes da sua folha de dados (máximas tensões e correntes),
bem como a análise térmica, pois tudo o que foi desenvolvido para os SCR’s pode ser
estendido aqui.
Serão vistos aqui os sistemas de 6 e 12 pulsos: o sistema de 6 pulsos é o mais
simples deles, mas tem o inconveniente de introduzir uma parcela maior de harmônicos no
sistema ao qual está ligado. Já o sistema de 12 pulsos, que na realidade é composto de duas
pontes conectadas em série e alimentadas por um transformador Yyd, reduz a quantidade de
harmônicos introduzidos na rede, porém, com o inconveniente de ser um sistema mais caro.
Sendo assim, uma solução de compromisso deve ser cuidadosamente estudada.

45
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 46 17/06/2021

3.2.1. Sistema de 6 pulsos

A configuração típica de uma ponte trifásica não controlada de 6 pulsos é mostrada


a seguir. Ela é composta por seis diodos dispostos dois a dois em série, sendo que cada um
destes ramos é ligado em uma fase.

No circuito acima, cada diodo começará a conduzir quando sua tensão anodo-catodo
(vAC) tornar-se positiva, ou seja: para os diodos ligados ao pólo P haverá a condução
quando a tensão sobre o anodo for mais positiva que a tensão sobre o catodo. Para o pólo N,
quando a tensão sobre o anodo for menos negativa que a tensão sobre o catodo. Desta
forma, teremos as seguintes tensões nos pólos P e N:

46
Eletrônica de potência I
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Cada trecho mostrado na figura acima pode ser mais bem visualizado se fizermos
alguns circuitos equivalentes:

i) t0 – t1: no instante t0 a tensão An passa a ser mais positiva que a


tensão Cn, logo o diodo 1 passa a conduzir, levando a tensão do pólo P a ser igual à
An. O diodo 6 já estava conduzindo, fazendo com que a tensão do pólo N seja igual
à Bn. Assim, a tensão vd  vpn  vnn  An  Bn  AB.

47
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 48 17/06/2021

ii) t1 – t2: no instante t1 a tensão Cn passa a ser mais negativa que a


tensão Bn, logo o diodo 2 passa a conduzir e o diodo 6 entra no estado de bloqueio,
levando a tensão do pólo N a ser igual à Cn (vale lembrar que por um pequeno
instante de tempo, os diodos 2 e 6 estarão conduzindo). O bloqueio do diodo 6 pode
ser entendido da seguinte maneira: o seu catodo está ligado a tensão Bn; no instante
t1 a tensão do pólo N e, conseqüentemente, a tensão do anodo do diodo 6 passam a
ser iguais a Cn, que é mais negativa do que Bn. Assim, a tensão vAC6 fica negativa.
O diodo 1 já estava conduzindo, fazendo com que a tensão do pólo P seja igual à
An. Assim, a tensão vd  vpn  vnn  An  Cn  AC.

iii) t2– t3: no instante t2 a tensão Bn passa a ser mais positiva que a
tensão An, logo o diodo 3 passa a conduzir e diodo 1 entra no estado de bloqueio,
levando a tensão do pólo P a ser igual à Bn. O diodo 2 já estava conduzindo,
fazendo com que a tensão do pólo N seja igual à Cn. Assim, a tensão
vd  vpn  vnn  Bn  Cn  BC .

48
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 49 17/06/2021

iv) t3– t4: no instante t3 a tensão An passa a ser mais negativa que a
tensão Cn, logo o diodo 4 passa a conduzir e diodo 2 entra no estado de bloqueio,
levando a tensão do pólo N a ser igual à An. O diodo 3 já estava conduzindo,
fazendo com que a tensão do pólo P seja igual à Bn. Assim, a tensão
vd  vpn  vnn  Bn  An  BA.

v) t4– t5: no instante t4 a tensão Cn passa a ser mais positiva que a


tensão Bn, logo o diodo 5 passa a conduzir e diodo 3 entra no estado de bloqueio,
levando a tensão do pólo P a ser igual à Cn. O diodo 4 já estava conduzindo,
fazendo com que a tensão do pólo N seja igual à An. Assim, a tensão
vd  vpn  vnn  Cn  An  CA.

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Eletrônica de potência I
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vi) t5– t0: no instante t5 a tensão Bn passa a ser mais negativa que a
tensão An, logo o diodo 6 passa a conduzir e diodo 4 entra no estado de bloqueio,
levando a tensão do pólo N a ser igual à Bn. O diodo 5 já estava conduzindo,
fazendo com que a tensão do pólo N seja igual à Cn. Assim, a tensão
vd  vpn  vnn  Cn  Bn  CB.

Logo, mostramos a seguir as tensões resultantes em diversos pontos do circuito. A


tensão em verde (vd) é a tensão logo na saída do conversor, que pode ser facilmente
visualizada somando-se os diversos trechos dos circuitos equivalentes acima. Da mesma
forma, as tensões sobre os diodos 1 (azul) e 4 (roxo) são obtidas somando-se os diversos
trechos dos circuitos acima. A tensão em vermelho (V d), chamada de tensão alisada, é a
tensão contínua que é realmente aplicada sobre a carga. Ela é obtida pela filtragem da
tensão vd feita com o indutor de alisamento (indutor de alta indutância):

50
Eletrônica de potência I
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Temos que: vd  Vd   vdN , onde:
N 2

a0
 Vd   valor médio
2

 v
N 2
dN  harmônicos (responsável pelo ripple)

A tensão sobre a carga para uma dada harmônica de ordem N é dada por:
X LLN
VdN   vdN , onde:
X LLN  X LdN
 X LLN é a reatância da carga para uma dada harmônica de ordem N
 X LdN é a reatância da bobina de alisamento para uma dada harmônica de ordem N

Sendo assim, se X LdN  X LLN  VdN  0.


a0
Para a componente DC de vd : X LLN  0  Vd  .
2
Como para as harmônicas de ordem superior, N  f  N  60
 X LdN  2    f N  Ld , ou seja, a bobina de alisamento retém as componentes sobre
ele, deixando passar somente a componente DC.

Por fim, o valor médio da tensão contínua na carga será:

Vd  1,35  E2 f  f  2,34  E2 f n

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Eletrônica de potência I
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As correntes conduzidas por cada diodo são mostradas abaixo, seguindo a ordem
V
em que cada um começa a conduzir. O módulo destas correntes é dado por: I d  d .
R

52
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A corrente na fase A (i2a) é mostrada acima. Ela é composta pelas correntes que
passam pelos diodos 1 e 4 (que são ligados nesta fase), sendo a corrente do diodo 4 com
sinal negativo, pois esta retorna para a rede. Juntamente com i2a é mostrada a corrente na
carga Id, que é unidirecional e é composta pela soma das correntes nos diodos 1, 3 e 5
(notar na figura acima, que quando o diodo 1 deixa de conduzir, o diodo 3 passa a conduzir
e assim por diante).
O dimensionamento dos componentes é feito da seguinte maneira:
 diodos:

Id Id
I ( AV )  e I ( RMS ) 
3 3

VRRM =K S  2  E2 f  f , com 2  K S  4,5

 carga:

Vd  1,35  E2 f  f  2,34  E2 f  n
Vd
Id 
R
Pd  Vd  I d

 transformador:

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Eletrônica de potência I
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S  3  E2 f  n  I 2  1, 047 Vd  I d
2 Vd
I2   Id e E2 f  n 
3 2,34

3.2.2. Sistema de 12 pulsos

Conforme dito anteriormente, o retificador não controlado de 12 pulsos é mais


eficiente no que diz respeito à injeção de corrente harmônica na rede. Se observarmos o
gráfico da corrente na fase A para o conversor de 6 pulsos, veremos que em meio período
do ciclo da rede temos um pulso quadrado, o qual possui uma grande quantidade de
componentes de freqüência elevada. Esta corrente distorcida, dependendo de sua magnitude
e da capacidade de curto-circuito do sistema, poderá implicar em distorções na tensão do
barramento, prejudicando assim outros equipamentos mais sensíveis ligados a ele. Veremos
logo a seguir, que o sistema de 12 pulsos introduz um conteúdo harmônico menor, ou seja,
a possível distorção causada na tensão do barramento será menor.
O sistema de 12 pulsos é basicamente constituído por duas pontes de diodos ligadas
em série, sendo uma alimentada pelo secundário em estrela do transformador e a outra pelo
terciário em delta. Com isto, consegue-se uma defasagem de 30° entre os dois sistemas. Em
resumo: os dois sistemas são análogos, com a diferença que um está defasado do outro de
30°; a superposição destes dois sistemas faz com que a tensão possua 12 pulsos e a corrente
tenha uma quantidade menor de componentes harmônicas. O esquema abaixo exemplifica o
sistema:

54
Eletrônica de potência I
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Abaixo são apresentadas as tensões de saída de cada conversor. Notemos que cada
uma possui 6 pulsos conforme foi visto para o conversor anterior, porém encontram-se
defasadas de 30°. A tensão resultante do conversor é dada por: vd  vd 1  vd 2 . Cada uma
destas tensões tem seu valor médio dado por: Vd 1  Vd 2  1,35  E2 f  f  2,34  E2 f n . Então, o
valor médio total da tensão contínua aplicada a carga será:
Vd  Vd 1  Vd 2  2 1,35  E2 f  f  2  2,34  E2 f n . Sendo assim:

Vd  2, 7  E2 f  f  4, 68  E2 f n

Logo, a tensão resultante terá 12 pulsos e amplitude igual ao duas vezes o valor da
tensão de saída de cada conversor. Os gráficos abaixo mostram essa propriedade:

55
Eletrônica de potência I
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Conforme foi dito, a principal vantagem do conversor de 12 pulsos é a de reduzir o


conteúdo harmônico da onda de corrente, o que pode ser notado abaixo. Esta onda
aproxima-se muito mais de uma senóide que a onda do conversor de 6 pulsos. A corrente
na carga em regime permanente, também é mostrada a seguir e tem seu valor dado por:
V
Id  d .
R

56
Eletrônica de potência I
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OBS.: o dimensionamento dos componentes é feito de maneira análoga ao da ponte de 6


pulsos.

3.3. Ponte trifásica semicontrolada

Na ponte trifásica não controlada não há a possibilidade de controlarmos o valor


médio da tensão sobre a carga. Logo, sua utilização fica restrita a cargas que necessitem de
tensão contínua constante. Para o controle de velocidade de motores de corrente contínua,
necessita-se de uma tensão variável, pois a velocidade dos mesmos é proporcional a tensão
aplicada à armadura. Sendo assim, é necessário que seja desenvolvido um circuito que traga
esta flexibilidade, o que é conseguido com o conversor semicontrolado e com o conversor
totalmente controlado, conforme será visto a seguir.
A ponte semicontrolada possui este nome por ser composta por 3 diodos (chaves do
tipo I – não possui comando para ligar) e por 3 SCR’s (chaves do tipo II – possuem
comando para ligar). A configuração básica é mostrada logo abaixo:

57
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 58 17/06/2021

Rl = 22,6 []

A análise desta ponte é feita de forma análoga àquela feita para a ponte não
controlada de 6 pulsos, considerando os diodos como um caso particular de um SCR que
dispara sempre com  = 0°. Sendo assim, apresentamos abaixo as tensões resultantes no
pólo P e no pólo N, para a partir delas fazermos algumas considerações:

Consideremos o instante de tempo entre t 0 e t1, cujo circuito equivalente é mostrado


logo abaixo:

58
Eletrônica de potência I
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 p / t  t0  v AC1  0
Na figura acima, temos que: v AC1  An  Cn  . Logo, o zero
 p / t  t0  v AC1  0
crossing para o tiristor T1 é dado pelo cruzamento de An com Cn, ou seja, o tiristor T1 está
habilitado a receber os pulsos de gatilho a partir do instante em que a tensão An passa ser
maior que Cn. Sendo assim, temos uma nova definição de zero crossing para as pontes
trifásicas.
O circuito de disparo para uma ponte trifásica semicontrolada e para uma totalmente
controlada baseia-se no circuito de disparo para os circuitos monofásicos vistos
anteriormente. Para cada par de tiristores ligados a uma fase é utilizado um circuito
semelhante àquele já visto, tomando o cuidado de se introduzir as devidas defasagens. No
caso da ponte semicontrolada, utiliza-se apenas metade de cada circuito.
No gráfico apresentado acima, pode-se notar que o zero crossing para o tiristor 1
está atrasado de 30° do instante em que a onda cruza o eixo horizontal. O mesmo acontece
para os outros tiristores. Sendo An  V 0 e Cn  V 120  AC  3  V   30 , ou seja,
a tensão AC cruza o eixo horizontal 30° depois de An tê-lo feito. Logo, podemos usar a
tensão AC como sincronismo para o nosso circuito de disparo. Para as fases B e C utiliza-
se um circuito defasador, que introduz uma defasagem de 120° e 240°, respectivamente, na
tensão de sincronismo AC. O circuito defasador é mostrado a seguir junto com suas
equações:

59
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 60 17/06/2021

Vo
 1
Vi
   2  arctan(2    f  R  C )

R
 2
tan 
2   f  C
 Ri  R f  2  R

Os circuitos devem ser inseridos em cascata conforme a figura abaixo (o primeiro


circuito é um filtro passa baixa, que elimina os ruídos):

O diagrama de blocos co circuito de disparo é mostrado a seguir:

60
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 61 17/06/2021

Os pulsos de gatilho resultantes para os SCR’s são mostrados a seguir:

Agora, tendo-se o circuito de disparo, façamos os circuitos equivalentes para cada


período de operação de acordo com o gráfico de tensões mostrado anteriormente:

61
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 62 17/06/2021

i) t0 – t1: tiristor 5 e diodo 6 em


condução.

iv) t3 – t4: tiristor 3 e diodo 2 em


condução.

ii) t1 – t2: tiristor 1 e diodo 6 em


condução.

v) t4 – t5: tiristor 3 e diodo 4 em


condução.

iii) t2 – t3: tiristor 1 e diodo 2 em vi) t5 – t6: tiristor 5 e diodo 4 em


condução. condução.

62
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 63 17/06/2021

vii) t6 – t1: tiristor 5 e diodo 6 em


condução.

Resulta no seguinte diagrama de tensões no qual: vd  v pn  vnn . A tensão Vd é


tensão aplicada à carga, a qual foi alisada pelo indutor de alisamento. Estas tensões são
obtidas pela superposição dos diversos instantes de tempo dos circuitos equivalentes
mostrados acima.

63
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 64 17/06/2021

O valor médio da tensão vd é dado por:

Vd  v pn  vnn  1,17  E2 f n  cos    1,17  E2 f n  cos 0 

Logo:

Vd  1,17  E2 f n  (1  cos  )

As correntes que circulam em cada semicondutor, bem como a corrente na fase A e


a corrente sobre a carga resistiva são mostradas na figura abaixo:

64
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 65 17/06/2021

Vd 1,17 127  (1  cos 30) 277,3


Vale lembrar que: I d     12, 2 [A] .
RL 22, 6 22, 6
O dimensionamento dos componentes é feito da seguinte maneira:

 diodos/SCR’s:

65
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 66 17/06/2021

Id Id
I ( AV )  e I ( RMS ) 
3 3

VDRM =VRRM =K S  2  E2 f  f , com 2  K S  4,5

 carga:

Vd  1,17  E2 f n   1  cos  


Vd
Id 
R
Pd  Vd  I d

 transformador:

Stranf  3  E2 f n  I 2  1, 047  Vd 0  I d
2 Vd 0
I2   Id e E2 f  n 
3 2,34
V I
fp  d d
S

Para uma máquina de corrente contínua, temos as seguintes relações:

Ea  FCEM
Ea  K    N R , onde K   é dado em [V / rpm] (constante da
máquina).
O torque da máquina de corrente contínua é proporcional à
corrente e é dado por:

TMCC  K    I d

A potência para a máquina de corrente contínua é dada por:

PMCC  Ra  I d2  Ea  I d

66
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 67 17/06/2021

Mas, PMCC  PDC


 1,17  E2 f  n   1  cos    Ra  I d  K    N R

Assim, a equação de controle para uma ponte semicontrolada fica:

1,17  E2 f  n   1  cos    Ra  I d
NR 
K 

Exemplo: Considerando a ponte trifásica semicontrolada, para  = 45°:

a) Plote as formas de onda de vpn, vnn, Ig1, Ig3, Ig5, Id1, ..., Id6, i2a, vd, Vd, vAC1 e vAC4.

b) Se a tensão da rede é de 220 [V], qual é a tensão CC aplicada ao motor.

c) Para um motor com Ra = 0,5 [], corrente de 10 [A], calcular a velocidade para o
ângulo de disparo  dado acima e tensão da rede de 220 [V]. Considere uma relação
de 0,18 [V/rpm] da FCEM para a velocidade.

Solução:

a) As formas de onda solicitadas estão mostradas na página seguinte.

b) De acordo com equação desenvolvida anteriormente temos:

Vd  1,17  E2 f n  (1  cos  )


 Vd  1,17 127  (1  cos 45)
 Vd  253, 7 [V]

c) Já a equação de controle para a velocidade é dada por:

1,17  E2 f  n   1  cos    Ra  I d
NR 
K 
1,17 127   1  cos 45   0,5 10
 NR 
0,18
 N R  1381 [rpm]

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Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 68 17/06/2021

68
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 69 17/06/2021

3.3.1. Operação Free – Wheeling

Observando as figuras abaixo podemos notar que a partir de  = 60°, a tensão do


pólo P passa a ser igual à tensão do pólo N por um certo período de tempo. Este estado
corresponde à chamada operação free – wheeling, na qual dois semicondutores ligados a
uma mesma fase conduzem simultaneamente. Neste instante de tempo, a corrente que
circula na carga é mantida pelo indutor de alisamento, pois a tensão de saída do conversor é
nula ( v pn  vnn ). Em conseqüência disto, a corrente da fase na qual ocorre a operação free –
wheeling também é nula.

Exemplo: Considerando a ponte trifásica semicontrolada, para  = 90°:

a) Plote as formas de onda de vpn, vnn, Ig1, Ig3, Ig5, Id1, ..., Id6, i2a, vd, Vd, vAC1 e vAC4.

b) Se a tensão da rede é de 220 [V], qual é a tensão CC aplicada ao motor.

c) Para um motor com Ra = 0,5 [], corrente de 10 [A], calcular a velocidade para o
ângulo de disparo  dado acima e tensão da rede de 220 [V]. Considere uma relação
de 0,18 [V/rpm] da FCEM para a velocidade.

d) Fazer os circuitos equivalentes para um período de operação de 360°.

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Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 70 17/06/2021

Solução:

a) As formas de onda solicitadas estão mostradas na página seguinte.

b) De acordo com equação desenvolvida anteriormente temos:

Vd  1,17  E2 f n  (1  cos  )


 Vd  1,17 127  (1  cos 90)
 Vd  148, 6 [V]

c) Já a equação de controle para a velocidade é dada por:

1,17  E2 f  n   1  cos    Ra  I d
NR 
K 
1,17 127   1  cos 90   0,5 10
 NR 
0,18
 N R  798 [rpm]

d) Os circuitos equivalentes são apresentados logo após as formas de onda obtidas.

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Eletrônica de potência I
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71
Eletrônica de potência I
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i) t0 – t1: tiristor 5 e diodo 6 em


condução. iv) t3 – t4: tiristor 1 e diodo
4 em condução.

ii) t1 – t2: tiristor 5 e


v) t4 – t5: tiristor 3 e diodo
diodo 2 em condução.
4 em condução.

iii) t2 – t3: tiristor 1 e


diodo 2 em condução. vi) t5 – t6: tiristor 3 e diodo
6 em condução.

72
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 73 17/06/2021

vii) t6 – t1: tiristor 5 e diodo


6 em condução.

3.4. Ponte trifásica controlada

A ponte trifásica controlada (totalmente controlada) ou ponte trifásica tiristorizada é


obtida pela substituição dos diodos da ponte semicontrolada por SCR’s. Ela tem a
vantagem de podermos controlar o ângulo de disparo de ambos os pólos (pólo P e pólo N).
A figura abaixo mostra uma ponte trifásica totalmente controlada:

Neste tipo de ponte distingue-se dois modos de operação: o modo retificador e o


modo inversor, os quais serão vistos separadamente. Por fim será discutido o fenômeno da
comutação ou overlap, o qual deve ser considerado na elaboração de um projeto, pois reduz
a tensão média de saída do conversor.

73
Eletrônica de potência I
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3.4.1. Operação como retificadora

A análise da ponte tiristorizada operando como inversora é bastante semelhante


àquela feita para a ponte semicontrolada, tomando-se o cuidado de lembrar que ambos os
pólos são constituídos de SCR’s. Agora, usamos o circuito de disparo completo,
considerando o semiciclo positivo e negativo, ao contrário do que tínhamos feito para a
ponte semicontrolada, na qual somente a metade do circuito de disparo era utilizado. Um
diagrama esquemático ilustra este fato:

74
Eletrônica de potência I
Varlei de Oliveira Página 75 17/06/2021

Todas as considerações feitas para o circuito de disparo da ponte semicontrolada,


tais como o motivo de se usar a tensão AC como sincronismo e a nova definição de zero-
crossing são válidas aqui.
A operação como retificadora, conforme já foi visto para as outras pontes, consiste
em tomarmos tensões alternadas e transformarmos em tensão contínua, sendo o fluxo de
potência do lado AC para o lado DC. A ponte tiristorizada garante esta operação para
ângulos de disparo entre 0° até 90° (0°    90°). Conforme veremos a seguir
Vd  2,34  E2 f n  cos  , então para  = 90°, Vd  0 e para  > 90°, Vd torna-se negativo.
Assim, estando a ponte alimentando uma carga passiva deveria haver a inversão do sentido
da corrente, o que é impossível devido à condução unidirecional dos SCR’s.

0°    90°

75
Eletrônica de potência I
Sendo assim, as formas de onda padrão para as pontes trifásicas são mostradas logo
a seguir para  = 45°:

Os pulsos de gatilho gerados pelo circuito de disparo são mostrados a seguir.


Notemos que a seqüência de disparo dos SCR’s é sempre obedecida (123456):

76
Os circuitos elétricos equivalentes para cada período de operação são apresentados
logo abaixo:

viii) t0 – t1: tiristor 5 e diodo 6 em xi) t3 – t4: tiristor 3 e diodo 2 em


condução. condução.

ix) t1 – t2: tiristor 1 e diodo 6 em xii) t4 – t5: tiristor 3 e diodo 4 em


condução. condução.

x) t2 – t3: tiristor 1 e diodo 2 em xiii) t5 – t6: tiristor 5 e diodo 4 em


condução. condução.

77
xiv) t6 – t1: tiristor 5 e diodo 6 em
condução.

De acordo com os circuitos equivalentes acima, obtemos o seguinte diagrama de


tensões, onde são mostradas as tensões vd, Vd, vACT1 e vACT4:

O valor médio da tensão vd é dado por:

Vd  v pn  vnn  1,17  E2 f n  cos    1,17  E2 f n  cos  

Logo:
Vd  2,34  E2 f n  cos   1,35  E2 f  f  cos 

78
As correntes que circulam em cada semicondutor, bem como a corrente na fase A e
a corrente sobre a carga resistiva são mostradas na figura abaixo:

Vd 1,35  220  cos 45 210


Vale lembrar que: I d     9,3 [A] . Podemos notar
RL 22, 6 22, 6
também que a corrente na fase A (e nas demais fases) é simétrica, ao contrário do que
ocorria com a ponte semicontrolada.
Da mesma forma que a feita para  = 45°, abaixo mostramos as formas de onda
resultantes para  = 75°:

79
80
Nestes gráficos nota-se que a tensão média sobre a carga Vd diminuiu e que a
tensão de saída do conversor vd possui uma pequena parte negativa. Ao chegar em  = 90°
estas duas partes se igualam, fazendo com que o valor médio seja igual a zero.

O balanço de energia para a conversão CA/CC é feito levando-se em consideração a


seguinte figura:

Temos as seguintes relações:

Vd  2,34  E2 f  n  cos   1,35  E2 f  f  cos 

2 3  
1 
 I d   sen    t       1   sen  6  N  1     t     
N
i2 a 
  N 2 6  N 1 
  
I pico fundamental harmônicos

e2 a  2  E2 f n  sen    t 

1 T
T 0
Assim: PAV   v(t )  i (t )  d t  VRMS  I RMS  cos  , onde v(t ) e i (t ) são componen-

tes de mesma freqüência e  é o ângulo de defasagem entre v(t ) e i (t ).

81
1 T
T 0
 v(t )  iN (t )  d t  0 
Sendo v(t ) uma onda senoidal: P( AV ) N 

Fazendo-se o balanço de potências, temos: PAC  PDC


 3  E2 f  n  I 21  cos   Vd  I d
Porém, para a ponte tiristorizada:    . Logo:

3  E2 f  n  I 21  cos   Vd  I d , onde I 21 é a componente fundamental de i 2a

2  3 Id
Para confirmarmos: 3  E2 f  n    cos   2,34  E2 f  n  I d  cos 
 2
 2,34  E2 f  n  I d  cos   2, 34  E2 f  n  I d  cos 
 PAC  PDC

Quando a ponte tiristorizada alimenta um motor de corrente contínua, a equação de


controle fica:
2,34  E2 f  n  cos   Ra  I d
NR 
K 

3.4.2. Operação como inversora

Conforme havíamos dito no item anterior, para valores de  maiores que 90° a
tensão Vd passa a ser negativa e caso a ponte esteja alimentando uma carga passiva, como
uma resistência, haverá um mau funcionamento, pois a corrente terá que percorrer o sentido
inverso ao usual, o que não é permitido pelos SCR’s. Porém, se ao invés de uma resistência
conectarmos aos terminais da ponte um gerador de corrente contínua, de modo que a tensão
de seus terminais tenha a mesma polaridade da tensão dos terminais da ponte faremos com
que a ponte passe a operar no chamado modo inversor, ou seja, estaremos injetando
potência DC em um sistema AC, onde a mesma se torna potência ativa AC. Este tipo de
sistema é utilizado nos sistemas HVDC (High voltage direct current), o qual geralmente é
utilizado para interligar dois sistemas CA de freqüência diferentes (como no caso do
Paraguai com o Brasil). Nestes sistemas há a transformação de potência ativa CA em CC e
em seguida a transformação de potência CC em potência ativa CA. As figuras abaixo
esclarecem:

82
90°    180°

Para este caso temos a seguinte relação: Vd   Ea  Ra  I d . Então:

2,34  E2 f n  cos    K    N R  Ra  I d

Assim, para um dado ângulo de disparo  > 90° a velocidade em que deve ser
acionado o gerador é dada por:
2,34  E2 f n  cos   Ra  I d
NR 
K  

O balanço de potência fica: Ea  I d  Ra  I d  2,34  E2 f n  I d  cos  , onde:


2

 Ea  I d : potência gerada pelo gerador (DC)


 Ra  I d2 : potência dissipada na resistência de armadura
 2,34  E2 f n  I d  cos  : potência absorvida pela rede AC

Abaixo é mostrado um diagrama com as formas de onda padrão para a ponte


tiristorizada operando como inversora para  = 150°:

83
84
3.4.3. Comutação ou overlap

3.5. Operação anormal da ponte tiristorizada

Na.

3.6. Operação anormal da ponte tiristorizada

85

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