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Tecnologia da Informação e Comunicação para a Gestão do

Conhecimento: relações com a estratégia organizacional

Jane Lucia Silva Santos (PPEGC/UFSC) janejlss@gmail.com


Gregorio Varvakis (PPEGC/UFSC) grego@egc.ufsc.br

Resumo: O objetivo deste trabalho é identificar e apresentar Tecnologias da Informação e


Comunicação (TIC) que podem ser utilizadas para facilitar ou auxiliar os processos Gestão
do Conhecimento (GC), considerando a importância do alinhamento com a estratégia da
organização. Para tanto, é realizada uma análise de diferentes abordagens que tratam das
tecnologias de GC a fim de identificar relações entre TIC, GC e Estratégia Organizacional.
Os conceitos e características dos estudos foram agrupados em uma estrutura semântica a
fim de apresentar essas relações por meio de um mapa conceitual, uma vez que pode ser
usado para facilitar o compartilhamento da compreensão e do conhecimento sobre um
determinado assunto. O estudo identificou três grupos de TIC para GC: tecnologias
componentes (aquelas que constituem os sistemas de GC), sistemas de GC (aplicações para
GC) e tecnologias aplicadas no negócio. Além disso, verificou-se que essas tecnologias
podem apoiar os processos de GC dependendo do contexto onde são utilizadas e contribuir
para sustentação da estratégia organizacional de acordo com a perspectiva adotada de GC.
Recomenda-se a realização de pesquisas empíricas utilizando um contexto específico para
estudar na prática como as TIC podem dar suporte à GC apoiando a Estratégia
Organizacional.
Palavras-chave: Tecnologia; Gestão do Conhecimento; Estratégia.

1. Introdução
Nos últimos anos muitos estudos e trabalhos têm sido desenvolvidos na tentativa de
apresentar a importância do entendimento e da implementação dos conceitos, princípios,
modelos e ferramentas de Gestão do Conhecimento (GC) como um novo paradigma para a
boa gestão e o sucesso das organizações.
Para Bowman (2002), uma das explicações para o crescente interesse pelo assunto
pode estar relacionada ao acelerado ritmo que acontecem as mudanças no mundo dos
negócios. Essas mudanças colocam o conhecimento na posição de principal fonte de
vantagem competitiva sustentável, tornando-o um grande diferencial para as organizações.
As organizações bem sucedidas têm buscado alinhar sua estratégia de gestão do
conhecimento com as suas outras estratégias, resultando em diversas possibilidades para criar
valor e promover diferencial. Assim, dependendo do foco dado pela organização, têm se
destacado as participações das áreas de tecnologia da informação, de planejamento e de
recursos humanos como facilitadoras do processo de criação, disseminação,
compartilhamento e utilização do conhecimento (PAIXÃO, 2004).
Estudiosos têm defendido não apenas a integração e alinhamento da gestão do
conhecimento com a estratégica organizacional, como têm apresentado diversos fatores
identificados como indispensáveis para a prática da GC nas organizações (EARL, 2001;
HANSEN et al., 1999; ZACK, 1999), e a Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) é
certamente um deles.

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Todavia, em geral, os estudos não consideram uma descrição das tecnologias que
podem apoiar os processos de criação, disseminação e aplicação do conhecimento, limitando-
se a apenas um desses processos e descrevendo as tecnologias de GC sem relacioná-las
diretamente à estratégia organizacional. Segundo Saito et al. (2007) isso acontece em parte
devido a dinâmica das tecnologias em geral, que têm aumentado em um ritmo acelerado tanto
em número como diversidade nas diferentes áreas, mas também à própria complexidade do
campo da GC, que inclui perspectivas conflitantes sobre conhecimento e como geri-lo.
Em termos de aplicação no negócio, percebe-se que algumas organizações passam a
utilizar TIC sem considerar a estrutura e a estratégia organizacional, além de desconsiderar
aspectos relacionados às pessoas. Acreditam que a simples utilização da tecnologia é bastante
para a eficiência e competitividade organizacional. Tal quadro retrata como resultado um
“relacionamento” complexo entre os modelos de negócio da organização e o uso da
tecnologia. Torna-se, portanto, relevante a compreensão sobre as TIC e sua aplicabilidade de
acordo com os objetivos estratégicos da organização.
Este estudo busca apresentar algumas TIC que podem ser utilizadas para facilitar ou
auxiliar os processos da GC, considerando a importância do alinhamento com a estratégia
organizacional. Para tanto, é realizada uma análise de diferentes abordagens que tratam das
tecnologias de GC a fim de identificar relações entre TIC, GC e Estratégia Organizacional.
Este trabalho está estruturado em sete partes, incluindo esta introdução e as referências
utilizadas. A parte dois apresenta algumas perspectivas sobre GC. Na ausência de modelos
consensuais sobre GC, este trabalho considera a perspectiva que relaciona GC à estratégia
organizacional, entendendo que a GC deve adotar estratégias que focalizem o conhecimento
como fator competitivo para as organizações; A parte três faz uma breve apresentação de
diferentes abordagens de processos de GC, mostrando algumas abordagens teóricas acerca das
relações com TIC e estratégia organizacional; Na parte quatro, são apresentadas algumas TIC
utilizadas em cada um desses processos; Na parte cinco é apresentado um mapa conceitual da
relação entre TIC, GC e Estratégia Organizacional a partir das abordagens estudadas; E, na
parte seis são feitas algumas considerações finais.
2. Diferentes Perspectivas sobre Gestão do Conhecimento Organizacional
Estudar as diversas TIC que podem apoiar a GC nas organizações requer compreender
as diferentes perspectivas sobre o assunto. Pois, dependendo da maneira que a GC é
considerada, a forma de identificação, apresentação e associação das TIC podem diferenciar
entre si.
De forma simplificada, é possível apontar, entre outros, pelo menos três campos de
estudos da GC: (1) como processo, (2) como criação do conhecimento organizacional e (3)
como gestão de ativos intangíveis (BOFF, 2000; TEXEIRA FILHO, 2000; SPRENGER,
1995; HARRIS et al., 1999; DIEPSTRATEN, 1996; NONAKA e TAKEUCHI, 1997;
DAVENPORT e PRUSAK, 1998; WEGGEMAN, 1997).
Para Diepstraten (1996), a GC é um processo que compreende sete fases: extração de
conhecimento para adicionar valor aos clientes, desenvolvimento de um novo conhecimento,
disseminação, associação de diferentes conhecimentos, documentação de conhecimento para
disponibilizar, distribuição e uso de conhecimento e aquisição de conhecimento.
Nessa mesma perspectiva, Boff (2000) define GC como um processo formado por um
conjunto de estratégias para criar, adquirir, compartilhar ativos de conhecimento, bem como
estabelecer fluxos que garantam a informação necessária, a fim de auxiliar na geração de
idéias, solução de problemas e tomada de decisão.

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Enfim, a GC é caracterizada por um processo cíclico que consiste na aquisição, no
estabelecimento, na disseminação, no desenvolvimento e na aplicação do conhecimento.
Adquirir conhecimento é incorporar novo conhecimento à organização. Para tanto, apenas
conhecimentos estratégicos são importantes, uma vez que contribui para a execução das
atividades centrais do negócio e para o desenvolvimento das competências-chave da
organização (ZOLINGEN, et al., 2001).
Já a perspectiva da GC como criação do conhecimento organizacional, considera que o
conhecimento organizacional pode ser criado a partir da interação contínua e dinâmica entre o
conhecimento tácito e o explícito. O conhecimento tácito é pessoal, relativo ao contexto e
difícil de ser formulado e transferido. Já o explícito refere-se ao conhecimento transmissível
em linguagem formal e sistemática. A interação entre os dois tipos de conhecimentos é
realizada pelas mudanças em diferentes modos de conversão do conhecimento que, por sua
vez, são induzidos por vários fatores (NONAKA e TAKEUCHI, 1997).
Em outra perspectiva, Davenport e Prusak (1998) consideram a GC como gestão de
ativos intangíveis. Nesse caso, refere-se à geração consciente e intencional do conhecimento
(as atividades e iniciativas específicas que as organizações empreendem para aumentar seu
estoque de conhecimento corporativo). Assim, é necessário reconhecer o conhecimento como
ativo corporativo e entender a necessidade de geri-lo e cercá-lo dos mesmos cuidados
dedicados aos ativos tangíveis.
Sem desconsiderar as diferentes perspectivas, uma vez que elas se complementam,
este estudo utiliza com maior ênfase a perspectiva que conceitua o termo “Gestão do
Conhecimento” como um processo que considera a missão, a visão, os objetivos e as
estratégias organizacionais como as forças que geram uma rede de valor que estabelece o
conhecimento conforme a estratégia da organização, identifica os conhecimentos disponíveis,
desenvolve e compartilha conhecimento, aplica e avalia o valor do conhecimento
(WEGGEMAN, 1997). Logo, pode-se definir GC como um processo cíclico, contínuo e
flexível de capturar e/ou criar, disseminar e aplicar conhecimento conforme a estratégia
organizacional considerando o contexto onde a organização está inserida buscando agregar
valor e garantir a competitividade.
3. Tecnologias da Informação e Comunicação para Gestão do Conhecimento
Organizacional
Uma das abordagens mais utilizadas na literatura para descrever as TIC que podem dar
suporte à GC, chamadas de Tecnologias de GC, é aquela que focaliza os processos do
conhecimento (ALAVI e LEIDNER, 2001; BECERRA-FERNANDEZ et al., 2004;
JASHAPARA, 2004; NONAKA, et al., 2003). Logo, os estudos que utilizam esta abordagem
geralmente adotam uma perspectiva específica de GC e associa o uso dessas tecnologias com
os processos do conhecimento, como por exemplo, de criar, codificar, armazenar, recuperar,
disseminar e aplicar conhecimento. Esses processos são caracterizados como cíclicos e
contínuos identificados pela literatura como Ciclos de Gestão do Conhecimento (tabela 1).
O objetivo desses estudos é identificar o conjunto de processos principais para a GC e
a sua contribuição está no fato de descrever as tecnologias que podem ser utilizadas para
apoiá-los. De acordo com Saito et al. (2007), alguns deles demonstram que realmente as
tecnologias podem dar apoio à GC ou ilustram como um modelo específico de GC pode ser
executado com o uso de uma tecnologia. Significa que tais estudos fornecem uma relevante
explanação de como as TIC podem ser utilizadas para a GC.
Alavi e Leidner (2001) buscam o equilíbrio entre os aspectos sociais e técnicos para
estudar as tecnologias de GC, concentrando-se nos processos de criar, armazenar, recuperar,

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transferir e aplicar conhecimento. Enquanto Becerra-Fernandez et al. (2004) adotam uma
inclinação técnica voltada para a Engenharia do Conhecimento com uma abordagem
focalizada nos processos de descobrir, capturar, compartilhar e aplicar conhecimento.

TABELA 1 - Ciclos de Gestão do Conhecimento: processos do conhecimento na literatura


Autores Processos do Conhecimento
Alavi e Leidner (2001) Criar, armazenar e recuperar, transferir, aplicar
Becerra-Fernandez et al. (2004) Descobrir, capturar, compartilhar, aplicar
Bukowitz e Williams (2003) Adquirir, usar, aprender, contribuir, acessar, construir e suportar,
redirecionar
Daverport e Prusak (1998) Gerar, codificar, transferir
Hoffmann (2001) Criar, armazenar, distribuir, aplicar
Jashapara (2004) Organizar, capturar, avaliar, compartilhar, estocar e atualizar
Maier (2004) Descobrir, publicar, colaborar, aprender
Meyer e Zack (1996) Adquirir, refinar, estocar e recuperar, distribuir, atualizar
Nickols (1999) Adquirir, organizar, especializar, estocar e acessar, recuperar,
distribuir, conservar, disponibilizar
Rao (2005) Criar, codificar, recuperar, aplicar, distribuir, validar, localizar,
personalizar
Wiig (1993) Criar, procurar, compilar, transformar, disseminar
Wong e Aspinwall (2004) Adquirir, organizar, compartilhar, aplicar
Fonte: Adaptado de Saito et al. (2007) e Dalkir (2005)

Os processos do conhecimento utilizados por cada autor deixam evidentes que a


depender da perspectiva de GC adotada, as tecnologias de GC são identificadas e
caracterizadas de maneiras distintas (tabela 1). Por exemplo, quando Alavi e Tiwana (2003)
identificam e-learning como uma tecnologia para a criação de conhecimento estão
focalizando o nível individual, isto é, o conhecimento criado por cada indivíduo. Todavia se
e-learning for vista no nível do grupo ela pode ser considerada como uma tecnologia para
disseminação do conhecimento (SAITO et al., 2007).
Ainda que as tecnologias de GC sejam classificadas diferentemente a depender da
visão que se tem de GC e dos processos envolvidos, percebe-se que o entendimento e
classificação dessas tecnologias estão diretamente ligados ao contexto específico onde são
utilizadas. Tentar classificá-las sem considerar o contexto onde são aplicadas pode ser,
portanto, um equívoco.
Dessa forma, uma busca de tentar identificar e classificar as TIC a partir da
perspectiva de GC no contexto da Estratégia Organizacional deve considerar a compreensão
dos processos do conhecimento em um contexto específico.

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FIGURA 1 – Utilização das TIC como apoio para o ciclo da GC em uma integração com a Estratégia
Organizacional
Como pode ser observado na Figura 1, as TIC podem dar suporte a GC nos seus
diversos processos, seja em capturar e/ou criar, disseminar e aplicar conhecimento. Vale
enfatizar que a definição desses processos depende da abordagem adotada do que é GC, como
mencionado anteriormente (tabela 1). Se a estratégia organizacional tiver o conhecimento
como fator estratégico, isto é, considerar o ciclo da GC como processo que busca garantir a
competitividade da organização, as TIC para GC, ou “tecnologias de GC” poderão facilitar ou
auxiliar as ações desenvolvidas em cada um desses processos agregando valor ao negócio.
4. Tecnologias que Apóiam os Processos do Conhecimento de Acordo com a Estratégia
Organizacional
Uma análise detalhada das TIC para Gestão do Conhecimento é uma tarefa desafiante,
uma vez que há uma variedade significativa e uma quantidade surpreendente. Uma relação
com os processos do conhecimento e sua integração com a estratégia organizacional torna a
tarefa ainda mais difícil.
A fim de tentar minimizar o problema de se identificar e estudar as tecnologias que
apóiam os processos de GC, este trabalho adota a relação conceitual baseada na proposta de
Saito et al. (2007) para relacionar TIC, GC e Estratégia Organizacional. Assim, as três
categorias básicas de tecnologias são agrupadas em tecnologias componentes (aquelas que
constituem os Sistemas de GC), sistemas de GC (aplicações para GC) e tecnologias aplicadas
no negócio.
4.1. Tecnologias Componentes
A tabela abaixo apresenta uma lista de algumas tecnologias agrupadas de acordo com
a funcionalidade para facilitar a compreensão. Algumas dessas tecnologias são
razoavelmente comuns e conhecidas pelas organizações, as quais são denominadas por Saito
et al. (2007) como tecnologias de infra-estrutura. Outras são mais específicas, implementadas
algumas vezes em outras aplicações ou adaptadas para uma determinada necessidade.

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TABELA 2 – Tecnologias componentes e suas funcionalidades
Funcionalidade Algumas Tecnologias
Armazenamento Databases (bases de dados), repositórios, file-servers, data warehouses, data marts
Conectividade Internet, segurança, autenticação, rede sem fio, computador móvel, peer-to-peer
Comunicação E-mail, mailing lists, grupos de discussão, chat (bate-papo), instant messaging,
audio/video conferencia, voz sobre IP
Distribuição Web, intranets, extranets, portais corporativos
Busca Search engines, agentes de busca, indexing, glossários, enciclopédias, taxonomias,
ontologias, collaborative filtering
Workflow Modelagem de processos, process engines
E-learning Multimídia interativos (treinamento por computador, CBT), simulações, learning
objects, etc.
Colaboração Calendaring, file sharing, meeting support, aplicativos compartilhados, suporte à
decisão em grupo, etc..
Comunidade Gestão da comunidade, web logs, wikis, social networks analysis
Criatividade Mapeamento Cognitivo, geração da idéia
Mineração de dados Data mining, Técnicas estatísticas, redes neurais
Mineração de texto Análise semântica, natural language processing
Visualização Navegação 2D e 3D, mapeamento geográfico
Organização Desenvolvimento de ontologia, aquisição de ontologia, taxonomias, glossários,
enciclopédias
Raciocínio Sistemas baseados em regras, raciocínio baseado em casos, bases de conhecimento,
aprendizagem de máquina, lógica fuzzy
Fonte: Baseado em Saito et al. (2007)
Estas diversas tecnologias podem apoiar a GC de maneiras múltiplas. De acordo com
Saito et al. (2007), elas podem apoiar a estratégia organizacional tanto na colaboração como
na disseminação, descoberta e armazenagem do conhecimento. Também, podem apoiar os
processos do conhecimento de acordo com o contexto onde são utilizadas. Quando forem
utilizadas no contexto adequado em termos funcionais essas tecnologias servirão para apoiar a
estratégia organizacional.
4.2. Sistemas de Gestão do Conhecimento
Os Sistemas de GC integram geralmente diversas tecnologias componentes e possuem
funcionalidades bem definidas. Na Tabela 3 são descritos alguns sistemas com suas
respectivas funções na GC.
Embora cada tipo de Sistema de GC tenha alguma funcionalidade específica sua
aplicação segundo a estratégia organizacional depende dos objetivos que se quer atingir. Além
disso, percebe-se que tem havido a integração de diversos sistemas para atender a finalidade
estratégica do negócio.

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TABELA 3 – Sistemas de GC e suas descrições e funções na GC
Sistemas de GC Descrições e Funções na Gestão do Conhecimento
Gestão de Automatiza e controla documentos eletrônicos e todo seu ciclo de vida. Provê funções
Documentos tais como o histórico e arquivo, categorização, navegação e busca, verificação e
controle de acesso. Alguns permitem a digitalização dos originais de papel.
Gestão de Gerencia a escrita de processos de publicações na Web (Web publishing). Gerencia
Conteúdo autores e o processo da criação do conteúdo, separa por índice de conteúdo com uma
disposição estruturada de saída, repositórios de suporte multimídia, geração
automática de páginas através dos moldes, e a plataforma conteúdo.
Gestão de Conhecida também como o workflow. Automatiza o fluxo das tarefas e das
Processos informações através dos processos do negócio. Inclui workflow engines para
“handlines cases” e ferramentas para modelar processos (aplicações externas de
acesso) e monitorar e gerenciar operações.
Suporte a Grupo Conhecido também como “groupware”, suporte ao trabalho dos grupos e das equipes.
Inclui ferramentas para uma comunicação (síncrona e assíncrona), a coordenação
(como “calendaring”, “meeting support” e “workflow”), e a colaboração (repositórios
da arquivos, tomada de decisão do grupo).
Gestão de Projeto Suporte a gestão de atividades e de recursos do projeto. Inclui funções para definição e
organização de atividades e tarefas, atribuição de responsabilidades e prazos, alocação
de pessoal e outros recursos.
Suporte às Interação coordenada de grupos grandes. Inclui ferramentas para uma comunicação e a
Comunidades interação (síncronas e assíncronas), gerência de níveis da participação, incluindo
Virtuais conduzir e facilitar a papéis, a identificação dos participantes e a tomada de decisão
coletiva.
Suporte à Decisão Conhecido também como “inteligência de negócio”, integra uma série das ferramentas
para a tomada de decisão. Inclui relatórios de dados operacionais, de controle e análise
gerencial, como o “balance scorecard” e modelos e técnicas para decisão e para
situações estruturadas e desestruturadas.
Descoberta e Suporte a identificação dos testes padrões e das associações em quantidades grandes
Mineração de de dados, incluindo ferramentas para a limpeza e organização de dados em armazéns
Dados dos dados (warehouses), e uma série de técnicas analíticas e de ferramentas de
visualização. Usado em uma variedade de domínios: finanças, comportamento do
cliente, navegação na Web, entre outros.
Busca e Facilita o acesso e organiza o conteúdo por uma estrutura compreensível. Identifica as
Organização palavras-chave e os tópicos nos originais das diversas fontes; gera índices e
taxonomias automaticamente, categoriza os tópicos originais de acordo com a
relevância, e use ontologias de domínio-específicos para a classificação especializada.
Portais Integra o acesso a uma larga escala de informação e de sistemas em um único ponto de
Corporativos entrada. Permite acesso controlado às aplicações operacionais e gerencial, e a
apresentação personalizada do índice, junto com a gerência do workflow, a
comunicação e a colaboração.
Gestão de Suporte de desenvolvimento e entrega de cursos online em uma variedade de
aprendizagem formatos, em ritmo individual ou em grupo com condução de um instrutor. Inclui
funções como a criação e gerência de satisfação, comunicação e interação e relatório
da avaliação e do desempenho.
Gestão de Fornece um gerenciamento de especialistas em grandes comunidades. Inclui funções
Especialistas como a identificação e perfil dos especialistas; ferramentas de comunicação para
questionamentos e respostas; avaliação das respostas e especialistas; e repositórios
para contribuições de reuso.
Fonte: Baseado em Saito et al. (2007)

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4.3. Tecnologias Aplicadas no Negócio
Os sistemas de GC podem também focalizar em processos e em funções específicas do
negócio. Na ultima década os módulos dos sistemas integrados da empresa conquistaram as
organizações. O primeiro destes foi o chamado Enterprise Resource Planning (ERP) buscando
o controle integrado das operações, desde compras, manufatura até vendas, incluindo back
office que funciona como finanças e recursos humanos. Após, surgiram “Gerência do
Relacionamento com o Cliente” (Customer Relationship Management – CRM), integrando o
marketing, as vendas e o serviço ao cliente; “Gerência da Cadeia de Suprimento (Supply
Chain Management – SCM), integrando na cadeia de fornecedores, fabricantes e varejistas. E
mais recentemente, “Inteligência de Negócio” (Business Intelligence – BI), integrando
controle gerencial e tomada de decisão (SAITO et al., 2007; ALAVI e LEIDNER, 2001;
TURBAN et al., 2002).
Conforme Saito et al. (2007), esses grandes sistemas integrados da empresa não são
por si mesmos Sistemas de GC, mas incluem a funcionalidade de GC em alguns de seus
módulos e/ou subsistemas. Um pacote completo de CRM, por exemplo, pode contribuir para a
GC nos processos de descobrir, disseminar e aplicar conhecimento a fim de apoiar a estratégia
organizacional.
• Descoberta do conhecimento: CRM analítico coleta a informação de todos os
pontos de vendas em um armazém dos dados, permitindo a análise e a mineração dos
dados para identificar o perfil dos clientes e/ou fazer segmentação de mercado.
• Disseminação do conhecimento: uma home page trabalhando como um portal
corporativo, oferecendo informações personalizadas e alertas por E-mail, junto com
alguns sistemas de escritório envolvidos, como o inventário, a logística e a carteira de
clientes.
• Aplicação e colaboração do conhecimento: o departamento de marketing pode
fazer análise da vantagem em utilizar comunidades de usuários ou grupos de discussão
para pesquisa de mercado, conduzindo grupos de foco na Internet para detectar
preferências de consumidores ou testar conceitos.
A funcionalidade da GC em aplicações de negócio, conseqüentemente, está
relacionada sempre a um domínio particular do conhecimento, representado geralmente por
um processo do negócio ou por uma função organizacional. Aqui mais uma vez é evidenciada
a influência da abordagem de GC adotada.
5. Mapa Conceitual: relacionando TIC, GC e Estratégia Organizacional
A compreensão de diferentes abordagens fornece a base conceitual para apresentar as
relações entre TIC, GC e Estratégia Organizacional. É importante mencionar que a escolha e a
utilização das tecnologias de GC pela organização podem ou deveriam estar ligadas à
concepção estratégica da GC.
De acordo com Davenport e Prusak (1998) e Zack (1999) é necessário haver uma
relação prática entre a gestão do conhecimento e a estratégia organizacional. Da mesma
maneira que acontece com os ativos tangíveis (como, dinheiro e equipamentos), os ativos do
conhecimento só valem a pena ser cultivados no contexto da estratégia. Não é possível criar e
gerenciar conhecimento sem saber o que está tentando fazer com ele (STEWART, 1998).
Segundo Earl (2001), a formulação da GC alinhada à gestão estratégica acontece
quando o conhecimento está evidenciado na declaração da visão da organização e as
iniciativas para gerir conhecimento podem reduzir ou eliminar problemas de desempenho
organizacional.

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A GC, portanto, é considerada estratégica se houver uma estratégia do conhecimento
na organização que defina os propósitos do conhecimento apoiando a estratégia competitiva
baseada no conhecimento (SAITO et al., 2007). Significa que a organização deve considerar o
conhecimento como fator estratégico principal para sua competitividade, o que na prática
implica um conjunto de ações de GC que apóiem diretamente ou indiretamente os objetivos
pretendidos com a utilização de “um certo” conhecimento.
É possível compreender o relacionamento entre as TIC utilizadas na GC alinhada à
estratégia do negócio analisando alguns conceitos e características. Para tanto, a utilização do
mapa conceitual serve para relacionar os conceitos que envolvem as relações entre TIC, GC e
estratégia organizacional. Acredita-se que a utilização do mapa conceitual pode contribuir
para a aprendizagem e para implementações práticas que dizem respeito ao assunto estudado.
Mapas conceituais são organizadores gráficos, em níveis de tópicos ou idéias centrais
que geram uma estrutura visual associada a um determinado modelo mental (NOVAK, 1998).
Esta cadeia de idéias e conceitos facilita a compreensão e aplicabilidade do que está sendo
discutido.
Para Fialho (2001), o conhecimento que se tem sobre os seres e objetos está
constituído pelo que se chama de conceitos. A categorização de conceitos pode ser feito por
mapas conceituais em duas operações: (1) definir/delimitar a classe e (2) definir as relações
entre esta classe com outras classes
Os conceitos são “nós” e os “arcos” são as relações entre esses conceitos (rotulados
com os nomes das relações), constituindo uma rede semântica. A figura 2 apresenta a
estrutura básica do mapa conceitual, o qual é representado por um diagrama que apresenta
dois conceitos (A e B), conectados por meio de ações representadas por uma unidade
semântica (FIALHO, 2001; NOVAK, 1998).

Conceito Conceito
A Ação/Proposição B

FIGURA 2 – Representação Básica de um Mapa Conceitual


Para este trabalho, serão adotadas as seguintes etapas para elaboração do mapa
conceitual:
a) Identificação dos termos chaves e dos conceitos
b) Identificação dos relacionamentos desses termos chaves e conceitos
c) Representação da estrutura semântica
Fazendo uso do mapa conceitual, foram identificados na literatura os termos chaves e
as definições que ligam GC à estratégia organizacional e à utilização das TIC para GC. Então
foram estudados os relacionamentos entre eles, resultando na estrutura conceitual apresentada
na figura 3.

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FIGURA 3 – Mapa Conceitual das relações entre TIC, GC e Estratégia Organizacional
É possível compreender as relações entre TIC, GC e Estratégia Organizacional
analisando as ligações mapeadas na Figura 3. A partir da estratégia organizacional, que deve
considerar o contexto, constituído pelo ambiente interno (exemplos: negócio, recursos,
cultura, empregados, competências, visão, missão, objetivos estratégicos) e pelo ambiente
externo (mercado, clientes, fornecedores, posicionamento, concorrentes, entre outros) é
definida a estratégia da GC que pode ser entendida como “estratégia do conhecimento”, isto
é, a competitividade da organização baseada no conhecimento; ou, em termos práticos, como
uma “estratégia de implementação de GC” que consiste em fornecer alguns direcionamentos
para a tomada de decisão e alcance dos objetivos das práticas de GC. O enfoque será
conforme a perspectiva de GC que foi adotada pela organização. A partir daí os processos
de GC (por exemplo, criação, disseminação e aplicação do conhecimento) são definidos e
posteriormente melhorados em um ciclo contínuo, sempre alinhados à estratégia
organizacional e definidos de acordo com a abordagem de GC. Alguns instrumentos de GC
são usados para suportar a estratégia do conhecimento, também de acordo com a perspectiva
de GC. Um desses instrumentos são as TIC para GC que devem ser selecionadas conforme o
contexto onde serão utilizadas com o objetivo de apoiar os processos da GC. Conforme o
objetivo estratégico, essas TIC (tecnologias componentes, sistemas de GC e aplicações no
negócio) apóiam a estratégia organizacional.
Nesse contexto caracterizado por uma gestão estratégica do conhecimento, onde ações
de GC apóiam uma estratégia do conhecimento, as TIC utilizadas passam a possuir valor
estratégico.
6. Considerações Finais
Por meio deste estudo foi possível perceber que apesar de existirem diversas
perspectivas sobre a GC, percebe-se que há uma convergência para a relação entre tecnologia,
GC e estratégia organizacional. A abordagem adotada da GC e o contexto interno e externo da

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organização são os delineadores do uso das TIC para apoiar a estratégia organizacional e
servir de suporte aos diversos processos do conhecimento.
Verificou-se que é possível identificar e descrever as TIC que podem dar suporte à GC
e apoiar a estratégia organizacional na criação, disseminação e aplicação do conhecimento.
Essas tecnologias foram classificadas como tecnologias componentes, sistemas de GC e
tecnologias aplicadas no negócio. Sua utilização pode ser integrada, isto é, os sistemas de GC
são constituídos por tecnologias componentes e quando integrados para atender necessidades
de processos e funções de negócio são classificadas como tecnologias aplicadas no negócio.
As quais podem desempenhar um papel estratégico dependendo dos objetivos que se quer
atingir.
Entretanto, verificou-se que não é possível associar as TIC segundo os processos de
GC (criação, disseminação e aplicação do conhecimento) sem considerar o contexto onde são
utilizadas. Por isso, sua classificação pode ser diferente em contextos específicos e
dependente da perspectiva de GC.
A utilização das TIC deve integrar as pessoas, considerar e estratégia organizacional e
de GC. No entanto, o uso dessas tecnologias não garante a competitividade da organização,
porém servem como importantes instrumentos de apoio à GC. Todavia, o papel das TIC para
GC deve ser estratégico no sentido de apoiar o desenvolvimento do conhecimento como fator
competitivo para a organização, uma vez que a implementação da estratégia organizacional e
da GC depende da utilização das ferramentas adequadas.
A utilização do mapa conceitual para integração das TIC com GC e Estratégia
Organizacional contribuiu para uma compreensão das relações entre elas e suas implicações
para a organização.
Incorporar a GC ao processo estratégico, portanto, requer destacar o conhecimento
como fator indispensável para remover gaps a fim de garantir a competitividade sustentável
de longo prazo em um ciclo contínuo e flexível seguido da reestruturação sucessiva do fluxo
informacional para criar, disseminar e aplicar conhecimento organizacional.
Pesquisas empíricas poderão ser realizadas para estudar a utilização das TIC para GC
alinhada à Estratégia Organizacional segundo uma abordagem teórica em um contexto
específico (como melhoria de processos de produção, educação corporativa, entre outros).

Referências
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