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Nota Técnica 24625

Data de criação: 07/01/2021 13:52:13


Data de conclusão: 07/01/2021 13:56:00

Paciente

Idade:
42 anos

Sexo:
Masculino

Cidade:
Salvador/BA

Dados do Processo

Vara/Serventia:
2ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE SALVADOR

Diagnóstico

Diagnóstico:
Osteoartrose de joelhos

CID:
M22.4 - Condromalácia da rótula

Meio(s) confirmatório(s) do diagnóstico já realizado(s):


Relatório médico.

Descrição da Tecnologia

Tipo da Tecnologia:
Medicamento

Princípio Ativo:
Ácido hialurônico

Via de administração:
Intra-articular

Posologia:
Padrão

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Uso contínuo?
-

Duração do tratamento:
dia(s)

Registro na ANVISA?
Sim

Situação do registro:
Ativo

Indicação em conformidade com a aprovada no registro?


Sim

Oncológico?
Não

Previsto em Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde para a


situação clínica do demandante?
Não

O medicamento está disponível no SUS?


-

Outras Tecnologias Disponíveis

Tecnologia:
Ácido hialurônico

Descrever as opções disponíveis no SUS/Saúde Suplementar:


A ANS, bem como o Planserv, não preveem a cobertura assistencial obrigatória da aplicação
intra-articular de ácido hialurônico. Alternativamente, o Planserv possui cobertura assistencial
de injeção intra-articular de corticoides.

Em caso de medicamento, descrever se existe Genérico ou Similar:


Não se aplica.

Custo da Tecnologia

Tecnologia:
Ácido hialurônico

Laboratório:
-

Marca Comercial:
-

Apresentação:
-

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Preço de Fábrica:
-

Preço Máximo de Venda ao Governo:


-

Preço Máximo ao Consumidor:


-

Custo da Tecnologia - Tratamento Mensal

Tecnologia:
Ácido hialurônico

Dose Diária Recomendada:


-

Preço Máximo de Venda ao Governo:


-

Preço Máximo ao Consumidor:


-

Fonte do custo da tecnologia:


-

Evidências e resultados esperados

Tecnologia:
Ácido hialurônico

Evidências sobre a eficácia e segurança da tecnologia:


A injeção de derivados do ácido hialurônico (AH) exógeno nas articulações sinoviais, processo
denominado de viscossuplementação, é uma área ativa de investigação em relação ao
tratamento da osteoartrose. Efeitos analgésicos, anti-inflamatórios e condroprotetores figuram
entre os seus possíveis benefícios, porém, apesar de aprovado pelo FDA e pela ANVISA, a
eficácia da aplicação de AH intra-articular no tratamento da artrose de joelho ainda permanece
controversa, devido aos resultados conflitantes alcançados por várias revisões sistemáticas e
meta-análises, variando de clara eficácia (redução da dor e melhora da função da articulação) à
ausência de diferença significativa quando comparado à injeção de placebo. Até o momento,
os dados permanecem heterogêneos e isso se reflete na ausência de consenso e diferentes
posicionamentos entre as sociedades médicas.
A Proposta da Diretriz Brasileira Para o Tratamento Não Cirúrgico da Osteoartrite de Joelho
apresentada pela CONITEC (1), em novembro de 2017, não recomendou a administração de
injeções intra-articulares de ácido hialurônico para tratamento de OA de joelho, pois concluiu
que:
“As evidências sobre a viscosuplementação são insuficientes para identificar, apropriadamente,
os pacientes que podem obter o maior benefício com a administração intra-articular de AH na
OA de joelho, pois seu benefício é bastante controverso. A evidência suporta apenas um
limitado efeito na redução da dor e melhora da função. Algumas evidências sugerem que os

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pacientes com doença mais grave ou avançada, com significativa redução do espaço articular
podem ser ainda menos propensos a se beneficiar do tratamento.”

As recentes diretrizes da ESCEO (4) apóiam o uso das injeções de ácido hialurônico como
segunda linha de tratamento, referindo-se a elas como “manejo farmacológico avançado”,
indicado para pacientes com dor moderada a intensa que não respondem a analgésicos e / ou
condroprotetores comuns.
Também recentes, as diretrizes do Colégio Americano de Reumatologia (5) posicionaram-se
condicionalmente contra o uso das injeções de ácido hialurônico na osteoartrose (OA) de
joelho, baseado na seguinte argumentação:
“Em revisões sistemáticas anteriores, foram relatados benefícios aparentes das injeções de
ácido hialurônico na OA. Essas revisões, no entanto, não levaram em consideração o risco de
viés dos estudos primários individuais. Nossa revisão mostrou que o benefício estava restrito
aos estudos com maior risco de viés: quando limitado a ensaios com baixo risco de viés, a
metanálise mostrou que o tamanho do efeito das injeções de ácido hialurônico em comparação
às injeções de solução salina (placebo) se aproxima de zero.
[…] Na prática clínica, a escolha do uso de injeções de ácido hialurônico no paciente com OA
de joelho que teve uma resposta inadequada a terapias não farmacológicas, anti-inflamatórios
não esteroides (AINEs) tópicos e orais e corticoides intra-articulares pode ser vista mais
favoravelmente do que não oferecer intervenção alguma.”

Segundo revisão da revista eletrônica Uptodate, o uso de qualquer formulação de ácido


hialurônico intra-articular não é amplamente recomendado e não é rotineiramente utilizado no
tratamento de osteoartrite de joelhos devido à falta de evidências robustas que demonstrem
benefícios clinicamente relevantes sobre o placebo intra-articular. As evidências de estudos
grandes, duplo-cegos e de alta qualidade indicam que o AH intra-articular tem um benefício
pequeno e clinicamente irrelevante sobre o placebo intra-articular. Além disso, o AH intra-
articular está associado a altos custos e possíveis efeitos colaterais, como surtos de dor e
infecção articular, embora este último seja uma complicação rara. (7)

Benefício/efeito/resultado esperado da tecnologia:


Redução da dor e melhora da função da articulação.

Recomendações da CONITEC para a situação clínica do demandante:


Não avaliado

Conclusão

Conclusão Justificada:
Não favorável

Conclusão:
Apesar de o medicamento prescrito “ Synvisc one® (hilano G-F 20)" ter registro na ANVISA
com uso aprovado para o tratamento da osteoartrite do joelho (doença do autor), até o
momento, os dados científicos acerca da eficácia das injeções intra-articulares de ácido
hialurônico são heterogêneos, conflitantes e seu uso permanece controverso. Portanto, embora
pertinente, do ponto de vista técnico, não é possível afirmar que se trate de procedimento
imprescindível. Os tratamentos opcionais incluem a aplicação intra-articular de
corticoesteroides e a cirurgia (artroplastia). Não se configura urgência e/ou emregência médica,

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trata-se do manejo de doença crônica.
A ANS, bem como o Planserv, não preveem a cobertura assistencial obrigatória da aplicação
intra-articular de ácido hialurônico. Alternativamente, o Planserv possui cobertura assistencial
de injeção intra-articular de corticoides.

Há evidências científicas?
Não se aplica

Justifica-se a alegação de urgência, conforme definição de Urgência e Emergência do


CFM?
Não

Referências bibliográficas:
1. CONITEC. Proposta de Diretriz Brasileira para o tratamento não cirúrgico
da Osteoartrite de Joelho. Disponível
em
http://conitec.gov.br/images/Relatorios/2017/Recomendacao/Relatorio_PCDT_Osteoartrite_de
_Joelho_CP_66_2017.pdf
2. Arden, N.K., Perry, T.A., Bannuru, R.R. et al. Non-surgical management of knee
osteoarthritis: comparison of ESCEO and OARSI 2019 guidelines. Nat Rev Rheumatol (2020).
https://doi.org/10.1038/s41584-020-00523-9
3. Bruyere, O. et al. An algorithm recommendation for the management of knee osteoarthritis in
Europe and internationally: a report from a task force of the European Society for Clinical and
Economic Aspects of Osteoporosis and Osteoarthritis (ESCEO). Semin. Arthritis Rheum. 44,
253–263 (2014).
4. Bruyere, O. et al. An updated algorithm recommendation for the management of knee
osteoarthritis from the European Society for Clinical and Economic Aspects of Osteoporosis,
Osteoarthritis and Musculoskeletal Diseases (ESCEO). Semin. Arthritis Rheum. 49, 337–350
(2019).
5. Kolasinski, S. L. et al. 2019 American College of Rheumatology/Arthritis Foundation guideline
for the management of osteoarthritis of the hand, hip, and knee. Arthritis Rheumatol. 72,
220–233 (2020).
6. Arden, N.K., Perry, T.A., Bannuru, R.R. et al. Non-surgical management of knee
osteoarthritis: comparison of ESCEO and OARSI 2019 guidelines. Nat Rev Rheumatol (2020).
https://doi.org/10.1038/s41584-020-00523-9
7. Management of knee osteoarthritis. Disponível em www.uptodate.com. Acesso em
10/12/2020.

NATS/NAT-Jus Responsável:
NAT-JUS TJBA

Instituição Responsável:
TJBA

Nota técnica elaborada com apoio de tutoria?


Não

Outras Informações:
Nota técnica migrada manualmente do sistema NAT-JUS local para o e-NatJus para atendimento do
Provimento CNJ n. 84/2019.

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