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Índice

1. Introdução..................................................................................................................1

1.1. Objectivos do trabalho............................................................................................1

1.1.1. Objectivo geral....................................................................................................1

1.2. Objectivos específicos............................................................................................1

1.3. Metodologia do trabalho.........................................................................................1

2. Quadro Conceptual.....................................................................................................2

3. Organização ou constituição económica....................................................................3

3.1. Funções da constituição económica.......................................................................4

3.2. Sistema económico.....................................................................................................4

3.2. Relação entre organização económica e sistema jurídico económico....................4

3.3. Diferentes modelos de sistema jurídico económico...............................................5

3.3.1. Modelo Jurídico de Estado Liberal.....................................................................5

3.3.2. Modelo Jurídico de Estado Social......................................................................6

3.4. Sistemas económicos abstractos e concretos..........................................................7

3.4.1. Sistemas económicos abstractos.........................................................................8

3.4.2. Sistemas económicos concretos..........................................................................8

4. Sistema jurídico moçambicano na Constituição Económica de 1990.......................9

4.1. Modelo económico.................................................................................................9

5. Conclusão.................................................................................................................10

6. Referência Bibliográfica..............................................................................................11

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1. Introdução
O trabalho que se segue, debruça em torno do tema: Actividade e Organização da
Economia na Constituição de 1990. Para a materialização do trabalho, devagamos nas
diferentes fontes para tornar factível e cientifico o estudo. Há que referir, que o trabalho
enquadra-se num complexo contexto do campo da ciência jurídica, em que a tónica da
discussão reside na norma jurídica que regula a vida dos homens em sociedade. É
importante salientar que o Direito Económico nos últimos anos tem se destacado como
ramo do Direito que regula o normativo jurídico da vida económica do Estado, isto é,
através da Constituição Económica (actividade e organização da economia), o objecto
de estudo do Direito Económico. No presente trabalho procuramos estudar a
organização ou constituição económica e o regime jurídico económico, deste modo
poder-se-á perceber as doutrinas a volta da intervenção do Estado na economia e os
princípios gerais fundamentais que constituem a base de diferentes modelos de
organização económica.

1.1. Objectivos do trabalho

1.1.1. Objectivo geral


 Analisar a organização constitucional da economia e o sistema jurídico da
economia moçambicana na perspectiva da Constituição de 1990.

1.2. Objectivos específicos


 Definir o conceito da organização ou constituição económica e sisema jurídico
económico;

 Estabelecer a relação entre a constituição económica e sistema jurídico


económico e,

 Explicar a organização da actividade económica de Moçambique na


Constituição de 1990.

1.3. Metodologia do trabalho


A metodologia é um instrumento de diretrizes que orientam a investigação científica, ou
seja, um conjunto de abordagens, técnicas e processos utilizados pela ciência para
formular e resolver problemas de aquisição objectiva do conhecimento de uma maneira
sistemática, Gil (1999). De acordo com Marconi e Lakatos (2003), a especificação da
metodologia da pesquisa é um fundamento de vital importância no ciclo do
desenvolvimento de determinado estudo, visto que esta abrange maior número de itens
ao responder a um só tempo, às questões como? Com quê? Onde? Quanto? Corresponde
aos componentes como (métodos e técnicas). Deste modo, seria metodologia na óptica
de Minayo (2007), a discussão epistemológica sobre o “caminho do pensamento” que o
tema ou o objecto de investigação requer, como a apresentação adequada e justificada
dos métodos, técnicas e dos instrumentos operativos que devem ser utilizados para as
buscas relativas às indagações da investigação.

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Para a realização desse trabalho teve como suportes metodológicos os seguintes técnicas
de pesquisa: bibliográfica e documental.

Técnica bibliográfica

Segundo Gil (1999), esta técnica explica um problema fundamentando-se apenas nas
contribuições secundarias, ou seja, nas informações ou dados extraídos em livros de
leitura corrente de referencias de diversos autores que versam sobre o tema
seleccionado para o estudo.Esta técnica tem a ver com o facto de que para a nossa
pesquisa consultamos livros científicos relacionados com o tema e com as teorias
usadas.

Técnica documental

Para Marconi e Lakatos (2003), consiste na colecta de dados nos documentos, escritos
ou não. Esta técnica auxiliou na leitura, análise crítica e interpretativa das
documentações, com vista a garantir a credibilidade e autenticidade da informação.

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2. Quadro Conceptual

Direito: é a ciência jurídica que estabelece um conjunto de normas que norteiam a vida
em sociedade, assistido de uma protecção coactiva.

Economia: “(...) é o estudo da forma como as sociedades utilizam recursos escassos


para produzir bens com valor e como os distribuem entre pessoas diferentes
(...)”(Nordhaus,2005:4).

Por um lado tem-se o direito que estabelece um conjunto de normas, e por outro tem-se
a economia que estuda a gestão dos recursos escassos. Essas duas ciências precisam
ambas uma da outra, ou seja, existe a necessidade duma interpenetração entre o direito e
economia.

Isto implica que, segundo Moncada (2003:97), os juristas que criam, interpretam ou
aplicam as normas de direito público da economia, devem conhecer as áreas nucleares
das ciências económicas, pois só assim poderão prever as repercussões económicas das
orientações jurídicas adoptadas.

Direito Económico
Para Alfredo (2010) citado por Nobela (2017), Direito Económico é “um conjunto de
normas jurídicas que regulam a actividade económica na perspectiva do interesse da
sociedade através das relações que se estabelecem entre o Estado e os privados, tendo
como fim último o bem-estar social”. Ferreira (2001), afirma que Direito Económico “é
um sistema de disposições jurídicas que estuda poder públicos, privados e de natureza
mista, no âmbito de uma função normativa de enquadramento global da actividade
económica, ordenando-a e regulando-a para garantir o interesse económico geral”.
Portanto, o Direito Económico pode ser conceituado com um sistema que estabelece
normas jurídicas destinadas a regular as relações estabelecidas entre os agentes
económicos quer sejam eles públicos ou privados, a salvaguarda dos interesses da
sociedade.

3. Organização ou constituição económica


De acordo com Waty (2011), o conceito de constituição económica é consagrado, de
modo pioneiro, pela constituição política de Weimer, Alemanha. É esta constituição que
insere no seu texto normas e princípios fundamentais da organização e da actividade
económica. Contudo, a Constituição Económica seria conceituada como o conjunto de
normas e princípios constitucionais relativos a economia.

Trata-se de normas que conferem ao Direito o exercício da actividade económica e


anunciam restrições gerais a esse mesmo direito e colocam a disposição do Estado um
conjunto de instrumentos que lhe permitem regular o processo económico e definir os
objectivos que essa regulação deve obedecer. (Idem).

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Ao passo que, Nobela (2017) define a constituição económica como “o conjunto de
normas e princípios constitucionais relativos à economia, ou seja, à ordem
constitucional da economia”. “Pode ainda definir-se constituição económica como o
conjunto de princípios fundamentais que determinam as relações entre o poder político e
a economia ou, mais amplamente, o conjunto de princípios que regulam a relação entre
a economia, o Estado e os cidadãos”, (Idem).

Resumindo, a organização ou constituição económica pode ser entendida como a parte


económica da constituição do Estado e outros diplomas subordinados a constituição,
onde está contido o ordenamento essencial da actividade económica desenvolvida pelos
indivíduos, pessoas colectivas ou pelo Estado.

3.1. Funções da constituição económica


Nobela (2017), aponta como as principais funções que as Constituições Económicas
podem realizar, as seguntes:
a) Garantia dos direitos, liberdades e garantias no domínio económico;
b) Delimitação dos poderes do Estado, das entidades menores e dos grupos sociais
no domínio económico;
c) Delimitação de objectivos sócio-económicos a prosseguir pelo Estado ou por
outras entidades;
d) Definição dos elementos jurídicos do sistema económico e do regime económico,
bem como dos princípios gerais da ordem jurídica económica;
e) Formulação de tarefas económicas gerais do Estado e de critérios jurídicos para
selecção dos objectivos da política económica;
f) Definição de modelos de reformas estruturais (reforma fiscal, descentralização,
etc.) e,
g) Formulação de um processo de evolução histórica que visa a construção de novos
sistemas económicos.

3.2. Sistema económico


Para Waty (2011), “sistemas económicos são estruturas de enquadramento da
constituíção económica”, isto é, sistemas económicos são formas típicas e globais de
organização e funcionamento da economia, baseadas em princípios fundamentais que
regem economias com estruturas diversas. Pode-se falar de sistemas abstractos e
sistemas concretos, consoante a concepção dos respectivos princípios, como modelos de
diferentes realidades sociais, (Ibid).

3.2. Relação entre organização económica e sistema jurídico económico


Na óptica de Waty (2011), a relação que existe entre sistema jurídico económico e
organização económica, resulta do facto que, o sistema jurídico económico é
determinado em primeira linhagem pela constituição económica, isto é, enquanto
regime jurídico fundamental, que estabelece os princípios e normas fundamentais do
Direito Económico, a organização económica tem como objecto a regulação dos
aspectos jurídicos do sistema económico.

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Portanto, encontramos aqui uma forte ligação entre a temática da organização
económica e o sistema jurídico económico, este facto é notável, por um lado, através do
estudo da organização económica conseguimos chegar a conclusões quanto ao tipo de
Sistema Económico vigente em determinado espaço jurídico e, por outro lado, a
organização económica pode reflectir, na regulação de aspectos jurídicos que compõem
o sistema económico. Por exemplo, com a Constituição Económica de 1975 pode se
reflectir o tipo e sistema adoptado pelo Estado de Moçambique, ou seja, um sistema
orientado para o socialismo.

3.3. Diferentes modelos de sistema jurídico económico


Segundo Cordeiro (1986), o sistema jurídico económico é a forma típica de organização
e funcionamento da economia, de um determinado espaço, tendo em consideração o
conjunto normativo regulador da relação e exercício da economia, que resulta da
combinação de vários factores de diferentes naturezas, baseados em certos princípios
fundamentais que regem economias com estruturas diversas. Os aspectos jurídicos dos
sistemas económicos podem ser subdivididos em dois:

 Modelo jurídico de intervenção do Estado na economia; e

 Princípios gerais fundamentais que constituem a base de diferentes modelos de


organização da economia.

No primeiro modelo, a intervenção do Estado na economia faz-se presente na vida


económica de determinado ordenamento jurídico. Está em causa, portanto, encontrar, a
partir de um determinado regime jurídico, princípios fundamentais para perceber como
actua o Estado na economia e, para responder a esta questão, é necessário ter em conta o
regime jurídico fundamental e os princípios fundamentais.

De referir que, a presença ou a abstenção do Estado na conformação da actividade


económica corresponde a um determinado modelo jurídico e a uma determinada
ideologia, estes podem ser:

 Modelo jurídico de Estado liberal;

 Modelo jurídico de Estado social.

3.3.1. Modelo Jurídico de Estado Liberal


Na concepção de Waty (2011), o modelo liberal esta assente em dois postulados e nas
seguintes características:

 Separação absoluta entre Direito Público e Direito Privado: entende-se que a


actividade económica é uma actividade privada que deve ser regida pelos
quadros do Direito Civil, orientados pelo princípio de igualdade e de liberdade.
A decisão económica neste modelo é deixada aos sujeitos privados.

 Primado da autonomia da vontade privada, como aspecto essencial da actividade


económica: este modelo liberal entende que toda actividade económica deve

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reger-se no quadro do Direito Civil, por isso, uma base de liberdade sendo as
decisões económicas tomadas pelos agentes económicos que se auto-determinam
de acordo com seus interesses, não fazendo sentido subordinação da actividade
económica à vontade do Estado que conduziria.

Segundo esta concepção, o Estado não deve imiscuir-se na decisão económica


porque as regras de livre concorrência, nomeadamente, vão originar uma
situação de bem-estar colectivo, resultante de um número crescente de “bem-
estar individual” e da mão invisível da Adam Smith.

A presença do Estado na vida económica, entende-se neste modelo, é algo que


não faz sentido e pode conduzir a tirania e ao irracionalismo, pois equivale a
retirar à esfera da liberdade individual um domínio de aplicação essencial para a
plena realização, suprimindo a liberdade individual em nome da arbitrariedade
dos poderes públicos que conduz ao desperdício dada a sua insensibilidade ao
lucro, único critério racional da actividade económica.

 Modelo contratualista da vida jurídica: o modelo de Estado Liberal assenta num


modelo contratualista da vida jurídica uma vez que o critério de legitimação da
actividade jurídica, quer no domínio público, quer no domínio privado, é o
contrato. No domínio privado, o contrato aparece como elemento essencial do
desenvolvimento da actividade económica, que se desenvolve num ambiente de
relações jurídicas inter-subjectivas.

No domínio público o poder e a autoridade do Estado também têm como critério


de legitimação a ideia de contrato social pois entende-se que esse poder resulta
de uma cedência livremente feita pelos cidadãos a favor de uma entidade supra-
individual que é o Estado […]. O Estado não se caracteriza pelo fim o qual deve
ser sempre o bem-estar económico e social sendo isso que significa o contrato
social, os cidadãos celebram o contrato se isso os puder beneficiar, se isso lhes
causar o bem-estar económico e social.

 Concepção liberal do Estado: o Estado atinge a sua perfeição na medida que


garante as condições externas para o desenvolvimento da liberdade para cada
cidadão atingir os seus próprios fins individuais, segundo as suas capacidades e
talento, sem se preocupar com a virtude nem com o bem económico.

O Estado deve estar preocupado e centrado não na oferta da felicidade mas na


criação de condições necessárias para cada cidadão alcançar o bem-estar e a
felicidade que pretende o que, mais claramente, impõe que o Estado remova os
obstáculos para o desiderato de cada cidadão através dos meios e capacidades
pessoais, pondo-se na condição de Estado-protector.

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3.3.2. Modelo Jurídico de Estado Social
Para Cordeiro (1986), neste modelo o Estado surge como agente de realizações no
domínio económico, responsável pela sua condução e operatividade e uma alavanca da
sociedade, suportando-se em causas políticas social. O modelo de Estado Social tem
como traços essenciais: esbatimento da separação entre Direito público e Direito
privado; funcionalização da autonomia privada no interesse público; e o papel da norma
na vida económica e social.

 Esbatimento da separação entre Direito público e Direito privado: de acordo


com este modelo não há uma separação clara entre o domínio público e o
domínio privado sendo as áreas reservadas ao domínio privado bastante restritas
a actividades económicas passa a ser vista como uma área que deve estar sujeita
também à conformação dos poderes públicos, suscitando, por isso, o que pode
caracterizar-se por publicitação da actividade económica. Desta feita, não se
verifica uma clara distinção entre esses dois domínios.

De referir que este cenário não é só quanto a produção das normas, como
também, quanto ao desempenho nas realizações da actividade económica, pois,
frequentemente vemos entidades públicas a prosseguirem fins privados através
mesmo de mecanismos privados, no quadro do Direito civil. E o inverso também
se verifica, ou seja, empresas privadas a prosseguirem fins públicos.

 Funcionalização da autonomia privada no interesse público: no modelo social a


economia privada já não aparece como uma das mais importantes manifestações
da vontade, sofrendo as liberdades contratuais limitações, pois entende-se que
através dela se consiga chegar, natural e espontaneamente ao bem-estar
económico, social e geral, nem se quer a solução dos conflitos em presença.
Entende-se, neste modelo que da mão invisível passa-se para mão visível do
Estado, onde o Estado impõe taxas de juro máximo e função social de
propriedade privada. O Estado neste modelo, conduz a autonomia e liberdade
num certo sentido que considere necessário à realização dos seus fins.

Quanto às características, do Estado social pode se notar que:

a) não é exclusivamente jurídico no sentido de que a sua actuação não se confina a


definição do regime jus-económico, mas vai também pela própria realização da
actividade económica;
b) tendencialmente é centralizado, gozando de uma máquina administrativa forte
que lhe permite ter uma actuação económica desejada;
c) neste modelo as normas jurídicas aparecem como conformadoras da actividade
dos agentes económicos e por isso tem um fim determinado que visem
prosseguir, através do direito positivo do Estado.

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d) O papel da norma na vida económica e social: a norma jurídica no Estado social,
intervencionista, assume um conteúdo económico e social sem a neutralidade
axiológica característica da do Estado Liberal.

3.4. Sistemas económicos abstractos e concretos


Os sistemas económicos podem ser vistos sob dois prismas: sistema económico
abstracto e sistema económico concreto.

3.4.1. Sistemas económicos abstractos


Segundo Waty (2011) citando Franco (1983), os sistemas económicos abstractos são
tipos ideais de organização da economia, ao menos implicitamente, contem critérios de
funcionamento e não exclusivamente de organização. Apesar de parecerem opostos
estes dois princípios que tratam de resolver os três problemas económicos: o que
produzir, como produzir e para quem produzir. Procuram responder problemas de
consumo, da produção e da repartição, que estão ligados com a direcção central e o da
economia livre.

a) Princípio da direcção central da economia


Este principio parte da premissa de que existe uma autoridade central e é essa
autoridade que determina previamente toda a actividade económica, limitando-se os
agentes económicos a cumprir essa determinação. Assim, quanto ao consumo: é a
autoridade central que interpreta as necessidades dos sujeitos económicos, quais os tipos
de bens a produzir e em que quantidades, e quais as prioridades de produção; quanto à
produção: é a autoridade central que fixa as quotas de produção que serão atribuídas a
cada região, sector, factor de produção e sujeitos económicos; quanto a repartição: é a
autoridade central que fixa as quotas de resultados de produção que são atribuídos por
cada região, sector e sujeito económico, (Ibid).

b) Princípio da economia livre


Segundo este princípio a economia desenvolve-se pela actuação livre dos agentes
económicos como se não existe-se Estado. Não há qualquer autorização central a
determinar previamente essa actuação. Para o consumo, produção e repartição são os
agentes económicos e o mercado que os determina, (Idem).

3.4.2. Sistemas económicos concretos


Os sistemas económicos concretos caracterizam-se a partir do sistema abstracto, ou seja,
do princípio fundamental que o inspira, das instituições fundamentais da vida
económica e social, da técnica dominante de produção, da motivação que domina o
comportamento dos agentes económicos. Dentre os sistemas económicos concretos
existentes os que maior se notabilizam são: sistema capitalista e sistema socialista,
(Cordeiro, 1986).

a) Sistema capitalista
Este sistema é inspirado no princípio de economia livre e no modelo jurídico de
intervenção do Estado Liberal. O sistema caracteriza-se pelas suas instituições-quadro

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jurídico-sociais, nomeadamente: o mercado; o capital; e a empresa. Como instituições
jurídicas de enquadramento podem identificar-se: a liberdade económica; a propriedade
privada; a iniciativa privada; e a liberdade de consumo.

b) Sistemas socialistas
O sistema socialista tem como objectivo a transformação das instituições capitalistas, na
forma de reforma ou mesmo ruptura, preocupando-se assim em eliminar os conflitos e
desequilíbrios originados por esse sistema. Trata-se de encontrar na base do sistema
socialista, a reaçao às desigualdades causadas pelo capitalismo pois entende-se que para
alcançar a felicidade dos cidadãos não é tão importante a liberdade, mas sim a
igualdade, sendo isto entendido mais moderadamente como igualdade de oportunidade
ou de forma mais radical como igualdade efectiva, (Waty, 2011).

Outro postulado que caracteriza este sistema é a prevalência do interesse público sobre
o individualismo, o bem-estar colectivo é o que determina o regime jurídico económico
nesse sistema. A nível das instituições, nota-se uma apropriação pública pelo
desaparecimento tendencial de liberdade económica, isto é, desaparecimento da
propriedade privada e de liberdade de iniciativa privada.

As principais características desse sistema são: o mercado funciona não livremente, mas
de acordo com os ditames da gestão administrativa da economia; a empresa existe como
uma unidade de produção mas é pública ou mista ou intervencionada; o capital é
público; a economia deve ser dirigida pelos trabalhadores e não pelos capitalistas ou
proprietários do sistema capitalista, (Waty, 2011).

4. Sistema jurídico moçambicano na Constituição Económica de 1990


Os aspectos ligados a regulação da vida económica em Moçambique encontram-se
distribuídos ao longo da Constituição, ou seja, diferentes partes do texto constitucional,
a saber:

 Título III - Direitos, deveres e liberdades fundamentais, concretamente no


Capítulo V que versa sobre os direitos e deveres económicos, sociais e culturais;

 Titulo IV - Organização económica, social, financeira e fiscal, situando-se no


Capitulo I - Princípios gerais;

 Titulo V, referente aos órgãos do Estado, as normas que permitem aferir a


distribuição e competências para a definição da política económica pelos órgãos
de soberania.

É notável a importância ao longo da Constituição da República de Moçambique, dos


aspectos ligados aos direitos e deveres económicos e sociais – delimitando-se a esfera
de liberdades e a protecção de que dispõem os diferentes intervenientes ou destinatários
do processo económico, neste caso, os cidadãos que compõem o processo económico e
as normas de organização económica, compondo nisto, o enquadramento jurídico básico
do processo económico nas mais variadas dimensões.

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4.1. Modelo económico
Na ordem do sistema jurídico da Constituição Económica de 1990 está contido o
ordenamento essencial da actividade e organização económica dos indivíduos, das
pessoas colectivas e do Estado, o conjunto de normas que conferem o direito ao
exercício de actividade económica, das restrições gerais, de instrumentos reguladores do
processo económico e a definição dos objectivos da regulação a disposição do Estado.
A Constituição de 1990 consagra um modelo de economia misto, ou seja, de economia
subjacente de equilíbrio entre a economia de mercado e o interesse público e social,
proclamando, no Titulo IV (organização económica, social, financeira e fiscal), que
(númeo 1, do artigo 96) a politica económica do Estado é dirigida a construção das
bases fundamentais do desenvolvimento, á melhoria das condições de vida do povo, ao
reforço da soberania do Estado e a consolidação da unidade nacional, através da
participação dos cidadãos, bem como da utilização eficiente dos recursos humanos e
materiais e que, (número 2, do artigo 96) sem prejuízo do desenvolvimento equilibrado,
o Estado garante a distribuição da riqueza nacional, reconhecendo e valorizando o papel
das zonas produtoras.
A Constituição de 1990 preconiza seis abordagens muito bem evidenciadas no que se
refere a organização económica, nomeadamente:
 Princípios e objectivos fundamentais;
 Direitos, liberdades e garantias;
 Direito de propriedade;
 Os direitos dos trabalhadores;
 Os direitos dos consumidores; e o
 O direito ao ambiente.
Esta Constituição acentuou um novo enquadramento para o Sector Público e uma nova
moldura jurídica para as nacionalizações; por consequência, o Estado tem pedido, desde
então, diminuir o peso da intervenção directa, afastando-se de uma presença excessiva
como agente económico, sem prejuízo de, ao nível de intervenção indirecta, ter visto
reforçada a sua autoridade na Constituição em vigor; na verdade, não só o vasto elenco
de alíneas do artigo 81 exige uma intervenção minuciosa e traduzida sobretudo na
prática de actos legislativos, como a matéria correspondente às Políticas Económicas
deixa supor uma programação interventiva de amplo alcance ao nível do enquadramento
do processo produtivo.

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5. Conclusão
É notório que os Estados detêm uma Constituição na qual está previsto o ordenamento
jurídico dos aspectos relativos a Economia. A constituição económica do modelo de
intervenção do Estado na economia pode ser considerada de capitalista, se o mercado é
que determina as regras de jogo da economia; socialista se o Estado toma ao seu favor a
regulação plena da actividade económica; e ainda a intervenção do Estado na economia
pode ser considerada de mista, onde encontramos aspectos ligados aos dois modelos
anteriores, ou seja, o Estado liberta a economia e ao mesmo tempo impõe normas que
garantem a protecção social contra o capitalismo.

Outro aspecto que deve ser considerado no regime jurídico económico, é a concepção
da actividade e organização económica estar estritamente ligado a constituição
normativa económica, em que são as normas constitucionalmente consagradas que
ditam o regime jurídico económico de um determinado Estado.

Em Moçambique, pela disposição da Constituição Económica, pode se afirmar a


existência de um regime económico do tipo misto, onde vigoram princípios liberais da
economia como o livre funcionamento do mercado e ao mesmo tempo vigoram também
princípios do modelo social de intervenção, marcado por uma protecção do bem-estar
social.

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6. Referência Bibliográfica
a) Livros

Cordeiro, M. (1986), Direito da Economia. Associação Académica.

Ferreira, E. (2001), Direito da Economia. AAFDL: Lisboa.

Figueiredo, L. (2006), Direito económico. MP Ed: São Paulo.


Marconi, Marina de Andrade e Eva Maria Lakatos (2003), Fundamentos de
Metodologia Científica, 5a ed., atlas: São Paulo.

Nobela, A. (2017), Apontamentos do Direito Económico, Maputo - Moçambique;

Nordhans, S. (2005), Economia; 18ª ed., MCGRAW-HILL: Rio de Janeiro;

Waty, T. (2011), Direito Económico; 1ª ed.; UEM: Maputo.

b) Legislação

Constituição da República de Moçambique (1990), Imprensa Nacional.

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