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Manual de Formação

Curso: Mundo dos sons

Código: UFCD 4265

Formador:

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Conteúdo

1. Importância da música para o desenvolvimento global dos indivíduos .......................... 4

2. A música na educação infantil .......................................................................................................... 7

3. Dimensões da educação artística .................................................................................................. 10

4. Conceitos de Educação Musical ..................................................................................................... 13

5. Géneros e estilos musicais ............................................................................................................... 16

6. Atividades de Expressão Musical .................................................................................................. 18

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Objetivos:

 Reconhecer a importância da música para o desenvolvimento global

 Identificar os conceitos básicos da Educação Musical.

 Colaborar na organização de atividades de expressão musical.

 Identificar os diferentes géneros e estilos musicais.

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1. Importância da música para o
desenvolvimento global dos indivíduos
A música está presente em nosso cotidiano desde a antiguidade e exerce grande influência nos
indivíduos, pois sempre estará associada à cultura e as tradições de um povo e de sua época. Ao longo do tempo
essas preferências musicais podem se alterar devido ao desenvolvimento tecnológico e grande influência que os
meios de comunicação têm na sociedade.
A música é um recurso didático na sala de aula e possibilita diversas atividades para se trabalhar com os
pequenos: [...] a música é uma linguagem universal, mas, com muitos dialetos, que variam de cultura, envolvendo
a maneira de tocar, de cantar, de organizar os sons e de definir as notas básicas e seus intervalos (JEANDOT,1997,
p.12). Sendo uma atividade indispensável no processo de desenvolvimento da criança, a música pode auxiliar no
seu desenvolvimento cognitivo e, por isso, deve ser valorizada no âmbito escolar a fi m de potencializar a
imaginação, a linguagem, a atenção, a memória e outras habilidades, além de contribuir de forma eficaz no
processo de ensino-aprendizagem. Gordon (2000) enfatiza que por intermédio da música, as crianças passam a
se conhecer melhor e também aos outros.

A música torna capaz o desenvolvimento da imaginação e da criatividade audaz. Ainda que se passe um
dia, de uma maneira ou de outra, em que as crianças não ouçam ou participem da música, se faz necessário que
a entendam. Só então, poderão compreender que a música é boa e é por meio desse saber que a vida ganha
mais sentido.

A linguagem musical deve estar presente nas atividades [...] de expressão física, através de exercícios
ginásticos, rítmicos, jogos, brinquedos e roda cantada, em que se desenvolve na criança a linguagem corporal,
numa organização temporal, espacial e energética. A criança comunica principalmente através do corpo e,
cantando, ela é ela mesma, ela é seu próprio instrumento (ROSA,1990, pp.22-23). O gesto e o movimento
corporal estão intimamente ligados e conectados ao trabalho musical. A realização musical implica tanto em
gesto como em movimento, porque o som é, também, gesto e movimento vibratório, e o corpo traduz em
movimentos os diferentes sons que percebe. Os movimentos de flexão, balanço, torção, estiramento etc., e os
de locomoção como andar, saltar, correr, saltitar, galopar etc., estabelecem relações diretas com os diferentes

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gestos sonoros (BRASIL,1998, p.61). Portanto, a música pode proporcionar contatos com outras culturas e
momentos alegres e prazerosos, nos quais transforma o espaço escolar num ambiente adequado à
aprendizagem, além de estimular nos alunos o ritmo e a coordenação motora, favorecendo a sua autonomia e
interação com o grupo. De que forma se pode utilizar a música para ajudar no desenvolvimento cognitivo das
crianças? Como o educador pode utilizar esse método para ensinar os pequenos de maneira prazerosa e lúdica?
Como a música deve ser usada como recurso didático? O envolvimento das crianças com o universo sonoro
começa ainda antes do nascimento, pois na fase intrauterina os bebés já convivem com um ambiente de sons
provocados pelo corpo da mãe, como o sangue que flui nas veias, a respiração e a movimentação dos intestinos.
A voz materna também constitui material sonoro especial e referência afetiva para eles (BRITO, 2003, p.35).

Se a criança já tem este contato com a música desde o útero da mãe, percebe-se que a música também
é um fator importante para o desenvolvimento cognitivo da mesma. A voz da mãe, com as suas melodias e seus
toques, é pura música, ou é aquilo que depois continuaremos para sempre a ouvir na música: uma linguagem
onde se percebe o horizonte de um sentido que, no entanto não se discrimina em signos isolados, mas que só se
intui como uma globalidade em perpétuo recuo não verbal, intraduzível, mas, à sua maneira, transparente
(WISNIK,1998,p.27). São diversas as atividades que podem ser trabalhadas com as crianças de educação infantil,
explorando o seu universo musical e construindo a sua aprendizagem de maneira lúdica e de fácil entendimento.
Conforme diz Jeandot (1990, p.19) “as crianças gostam de acompanhar as músicas com movimentos corporais,
como palmas, sapateados, danças” etc. O que facilita a forma como o educador pode utilizá-las em sala de aula.

A razão de se pesquisar a música como processo de desenvolvimento cognitivo da criança tem como
intenção trazer mais prazer e ludicidade à forma de aprendizagem infantil, afastando da sala de aula o mito de
que a aprendizagem é um processo chato e cansativo e deixando claro que pode se dar de maneira prazerosa.
Existem diferentes maneiras e momentos propícios para que os professores e profissionais da educação possam-
se utilizar da música para estimular a aquisição de conhecimento, e como mais um meio de ensino-
aprendizagem. Há um instante mágico na vida em que, nem mesmo sabendo por que, ficamos envolvidos num
jogo. Num jogo de aprender e ensinar. Fazemos parcerias. Não só com os outros, mas também parcerias internas
nos propondo desafios. Porém, só ficamos nesse estado de total cumplicidade com o saber se este tem sentido
para nós. Caso contrário, somos apenas espectadores do saber do outro (MARTINS et al.,1998, p.127). A partir
das leituras constatou-se que:

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 Para a criança, o lúdico é fundamental no processo de ensino-aprendizagem;
 A música facilita a memorização, estimula o processo sensório-motor e ainda traz prazer para a criança;
 A possibilidade de ela ter uma aprendizagem musical torna o aprendizado mais rico;
 A criança pode obter nesse processo de ensino um excelente equilíbrio;
 O contentamento fica mais explícito nas atividades que envolvam musicalidade.

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2. A música na educação infantil
A música pode possibilitar no imaginário da criança a passagem para um mundo desconhecido, sabe-se
que, é da própria natureza da música nos encantarmos com grandes fantasias e imaginações, ou seja, tudo isso
pode ocorrer com o simples fato de ouvi-la. Ela surge por meio dos sons e está inserida no cotidiano das pessoas,
ou seja, na fala, nos objetos que se utiliza no dia a dia, no movimento, entre outros exemplos.

A música consegue tornar qualquer ambiente mais agradável, mais leve, mais prazeroso, ela se faz
presente no universo infantil desde muito cedo, e com isso consegue encantá-las com seus diversos elementos,
como a melodia, a harmonia e o ritmo. Conforme observa Nicole Jeandot: O conceito da música varia de cultura
para cultura. Embora a linguagem verbal seja um meio de comunicação e de relacionamento entre os povos,
constatamos que ela não é universal, pois cada povo tem sua própria maneira de expressão através da palavra,
motivo pelo qual há milhares de línguas espalhadas pelo globo terrestre (JEANDOT,1997,p.12). Por isso a música
tem sua própria linguagem, o que diferencia é o modo como será tocada, se o músico seguirá uma partitura ou
se ele irá mudar a melodia ou o ritmo, assim desenvolverá um som diferente do que foi proposto a ele, o que é
denominado improviso. Desse modo, essa cultura musical é também uma linguagem que expressa emoções,
saberes e ideias.
Na vida infantil o ensino da música vem como forma de compreensão de mundo. Ao nascer, a criança
vai se desenvolvendo, com a ação de falar, cantarolar, explorando assim esse universo sonoro com sons que
podem ser produzidos por ela própria. Pode, por exemplo, explorar algum objeto como um chocalho, até mesmo
um balão rasgado, sem que seja necessário a orientação de um adulto, pois a criança, por si mesma, através do
manuseio do objeto percebe que ele produz sons dependendo da maneira que ela o mexa. E, simultaneamente,
ela acompanha cantarolando, fazendo seu ritmo e sua melodia. Esses são os primeiros passos da criança em
relação à música, por meio dos sons e movimentos que são produzidos por ela mesma, pois ela é um ser que
vive em constante interação com o corpo. A criança não é um ser estático, ela interage o tempo todo com o meio
e a música, tem esse caráter de provocar interação, pois, ela traz em si ideologias, emoções, histórias, que muitas
vezes se identificam com as de quem ouvem (GONÇALVES et al.,2009, p.2): Dessa maneira, a música não precisa
ser usada apenas relacionada aos conteúdos, pois ela fala por si mesma e é de fundamental importância na
formação do ser humano. Mas, mesmo sendo uma forma autónoma de se promover é necessário que exista uma
mediação e cabe ao professor estimular, orientar, para que haja mudanças nos movimentos das crianças a partir

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do som e do ritmo. O ritmo tem um papel fundamental na formação e equilíbrio do sistema nervoso, isso porque
toda expressão musical ativa age sobre a mente favorecendo a descarga emocional, a relação motora e aliviando
as tensões (CONSONI, 2009, p.3).
As crianças relacionam a música com conhecimentos que elas já possuem do seu cotidiano com sua
família, com os seus amigos e todos os que as cercam, o que possibilita ainda mais a aprendizagem. Elas adquirem
conhecimento quando este passa a ser concreto, ou seja, quando elas passam a experimentá-lo. Portanto, nas
situações do dia a dia, quanto mais elas receberem estímulos, mais desenvolverão seu intelecto. Quanto maior
o número de atividades como: cantar, dançar, fazer gestos, bater palmas, movimentos com o corpo, pés e mãos,
mais favorecido será o senso rítmico e a sua coordenação motora, o que para os anos iniciais do ensino
fundamental é importantíssimo, pois auxilia também na alfabetização. Estímulos colocam a inteligência em
prática, pois: O estímulo sonoro aumenta as conexões entre os neurónios e, de acordo com cientistas de todo o
mundo, quanto maior a conexão entre os neurónios, mais brilhante será o ser humano. (BRITTO apud CONSONI,
2009, p.3).

As práticas escolares visam estimular o desenvolvimento cognitivo e para esse objetivo é fundamental
entender o processo no qual o cognitivo se relaciona com a música. Através de estudos pôde-se perceber que o
desenvolvimento musical, envolvendo a reação do ser humano ao ouvir músicas, mostra as várias etapas que o
sujeito percorre, como alegria, tristeza, euforia, relaxamento, e isso pode ser percebido nas crianças através das
suas reações, pois cada uma reage a sua maneira, umas batem palmas, outras mexem as pernas, outras a cabeça
etc. O som e o ritmo empregados juntos, despertam e refinam a sensibilidade da criança, provocam cordialidade
e entusiasmo, prendem a atenção e estimulam, auxiliando na ação educativa (WEIGEL,1988,p.12). Em se
tratando de formas de expressão humana, a música justifica o seu papel na educação, principalmente na
educação infantil, pois através dela a criança compreende o mundo em que vive e desenvolve aptidões como
criatividade e expressão. O uso da música em escolas como auxiliar no desenvolvimento infantil tem revelado a
sua importância singular, pois através das canções vive, explora, o meio circundante e cresce do ponto de vista
emocional, afetivo e cognitivo, cria e recria situações que ficam gravadas em sua memória e que poderão ser
realizadas quando adultos (BEBER, 2009, p.4). Lembrando que a participação efetiva do aluno em atividades em
grupo contribui para a socialização e aumenta sua autoconfiança, tornando-o um ser mais crítico e autónomo,
as atividades com música na escola trazem muitos benefícios à aprendizagem. A música tem como finalidade
auxiliar o professor nas suas tarefas diárias. Ajuda o aluno no seu desenvolvimento intelectual, motor e social.
Também ajuda a combater a agressividade, pois canaliza o excesso de energia; ajuda a enfrentar o isolacionismo;

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desenvolve o espírito de iniciativa e funciona como higiene mental. Portando, a música é um grande benefício
para a formação, o desenvolvimento do equilíbrio, da personalidade, tanto da criança como do adolescente
(ZABOLI,1998, p.96). O ensino de música nas escolas pode ter como objetivo garantir um espaço para a
construção de um ensino e aprendizado baseado em tudo que pode auxiliar no desenvolvimento da cognição,
da sensibilidade e do sensório motor. Por outro lado, deve-se considerar que a música é um ótimo recurso para
ampliar o conhecimento dos discentes, quando explorada no sentido de garantir um contato diferenciado,
inovador em relação ao ensino tradicionalista, e com este método possibilitará também a inclusão dos alunos
que poderão se expressar e se fazerem ouvir.

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3. Dimensões da educação artística
A atividade artística, em todas as suas vertentes, faz parte da educação da maioria dos sistemas
académicos. Isto significa que ao longo da formação de um indivíduo na sua fase escolar terá contato com uma
série de atividades artísticas: desenho, pintura, música, dança, cinema, teatro, entre outras.
A formação de um indivíduo é completa quando abrange diversas áreas: línguas, história, ciências e arte.
Todas essas áreas do conhecimento são necessárias e por isso estão integradas nos diversos sistemas educativos.
Em relação à arte, podemos falar de duas dimensões: uma teórica e outra prática. Deve-se conhecer a história
da arte e as suas características, mas também a sua dimensão prática. Neste sentido, é preciso recordar uma
evidência: que a aprendizagem se assimila praticando e no caso da educação artística o estudante aprende
exercitando suas destrezas musicais, de desenho e dança.
O objetivo da educação artística é evidente: incentivar a criatividade, a sensibilidade, os valores estéticos
e o gosto pela beleza. Assim como certos saberes têm uma dimensão teórica (por exemplo, a matemática) que
se projetam de maneira concreta e prática (por exemplo, a engenharia industrial), a educação artística tem algo
particular que não pode ser simplificado por incorporar uma parte teórica e outra prática. Dentro desta linha,
deve-se ressaltar que o artístico tem um componente de emancipação e liberdade para o indivíduo. Em outras
palavras, não dançamos, cantamos ou desenhamos porque temos algum benefício direto, mas porque estas
atividades enriquecem o espírito humano. Este enriquecimento através do artístico não nasce espontaneamente
e por isso deve fazer parte da educação em suas diversas etapas.
Se não tivéssemos a educação artística como um dos ramos da arte, certamente não teríamos
sensibilidade para valorizar a beleza, por outro lado, nossa vida seria mais pobre espiritualmente. Entretanto,
não podemos deixar de lembrar que a aprendizagem de uma atividade artística é dirigida pela formação do
artista. Vamos ver o exemplo de um estudante das Belas Artes. Este é um aluno que aprende várias técnicas que
lhe servem para poder ser um professor no futuro, assim como é possível optar por outro caminho: ser um artista.
O artista é um comunicador de sua própria arte que transmite ideias, sentimentos e paixões aos demais. O artista
é educado academicamente conhecendo certas matérias como a história e os estilos de arte. Por último, cada
artista torna-se uma referência de sua atividade, um ícone para o público que valoriza a sua mensagem criativa.
Assim o artista é educado e por sua vez também educa.

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A área da artística pressupõe uma prática sistemática, progressiva e gradual, de modo a promover um
desenvolvimento de capacidades individuais e coletivas. Assim, nesta proposta, estruturaram-se três eixos
interdependentes:
Fruição – Contemplação; Interpretação – Reflexão; Experimentação – Criação.

■ Fruição – Contemplação
Apreciação estética e artística, através do desenvolvimento dos processos de observação, descrição, análise,
síntese e juízo crítico, de uma forma sistemática, organizada e globalizante, através do contacto com diferentes
universos coreográficos.

■ Interpretação – Reflexão
Desenvolvimento das capacidades de expressão, comunicação e criatividade e a apropriação de conhecimentos
da linguagem elementar da dança e da sua compreensão no contexto.

■ Experimentação – Criação
Pretende-se que a criança, nas suas explorações e atividades expressivas, vá integrando intencionalmente
materiais, meios, técnicas e conhecimentos que lhe proporcionem ocasiões de resolução de problemas.

Dimensões
■ Discursos sobre os Universos Coreográficos
Procura-se desenvolver as capacidades para a construção de um discurso sobre o que se sente e se transmite
partindo das vivências e descobertas de cada criança/aluno (observar/apreciar).

■ As Técnicas e a Expressividade

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Visam a aprendizagem dos saberes de técnicas de dança para que a criança possa identificar e interpretar, com
um vocabulário específico e adequado, conceitos, personagens e temáticas (desempenhar/interpretar).

■ Da Improvisação à Composição
Pretende-se despoletar uma (re) invenção de soluções para a criação de novas possibilidades (construir/criar).

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4. Conceitos de Educação Musical

O que é o som?
O som é um fenómeno acústico. Sons são ondas produzidas pela vibração de um corpo qualquer, transmitida
por um meio (gasoso, sólido ou líquido), por meio de propagação de frequências regulares ou não, que são
captadas pelos nossos ouvidos e interpretadas pelos nossos cérebros.

Como os sons são produzidos?


Todos os sons conhecidos são produzidos por vibrações. Quando agitamos ou tocamos algum instrumento, uma
parte dele vibra. As vibrações produzidas deslocam-se formando ondas sonoras que são captadas por nossos
ouvidos. Essa propagação é semelhante às ondulações que se formam na água de um lago quando atiramos uma
pequena pedra.
Cada instrumento possui uma característica diferente, por isso são tocados de formas diferentes. Os
instrumentos podem ser dedilhados, percutidos, sacudidos, soprados ou produzidos por interferência eletrónica.

Elementos Formais
Os elementos formais são características próprias que dão forma à música, percebidas pelos nossos ouvidos. São
cinco os elementos formadores do som, e é articulando esses cinco elementos que se criam músicas:

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O Timbre é a “cor” do som. Aquilo que distingue a qualidade do tom ou voz de um instrumento ou cantor, por
exemplo, a flauta do clarinete, o soprano do tenor. Cada objeto ou material possui um timbre que é único, assim
como cada pessoa possui um timbre próprio de voz, tão individual quanto as impressões digitais.

A Intensidade é a força do som, também chamada de sonoridade. É uma propriedade do som que permite ao
ouvinte distinguir se o som é fraco (baixa intensidade) ou se o som é forte (alta intensidade) e ela está relacionada
à energia de vibração da fonte que emite as ondas sonoras. Ao se propagar, as ondas sonoras transmitem
energias que se espalham em todas as regiões. Quanto maior é a energia que a onda transporta, maior é a
intensidade do som que o nosso ouvido percebe. É semelhante ao que habitualmente chamamos de volume. A
intensidade sonora é a força com que as ondas sonoras empurram o ar e é medida em uma unidade chamada
bel, em homenagem ao cientista inglês Granham Bell, o qual fez estudos que culminaram com a invenção do
telefone. No entanto, os submúltiplos do bel são mais utilizados: 1 decibel = 1dB = 0,1 bel. A partir de 140db
aparece o chamado limite da dor ao ouvido humano: o som é dificilmente suportável pelo ouvido e pode causar
lesões no sistema auditivo.

É por meio da Altura que podemos distinguir um som agudo (fininho, alto), de um grave (grosso, baixo). A altura
de um som musical depende do número de vibrações. As vibrações rápidas produzem sons agudos e os lentos
sons graves. São essas vibrações que definem cada uma das notas musicais: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si; assim, a
velocidade da onda sonora determina a altura do som, por isso cada nota tem sua frequência (número de
vibrações por segundo). A altura de um som pode ser caracterizada como definida ou indefinida. Em ambos os
casos, os sons podem ser agudos ou graves. Os instrumentos de altura indefinida são incapazes de produzir uma
melodia, visto que a maioria deles emite um só som, que a voz humana ou outro instrumento de altura definida
não conseguem imitar.

A Densidade sonora é a qualidade que estabelece um maior ou menor número de sons simultâneos. Quando
ouvimos um grande conjunto de timbres simultaneamente dizemos que a música em questão tem uma grande
densidade sonora.

A Duração é o tempo que o som permanece em nossos ouvidos, isto é, se o som é curto ou longo. É a
característica que revela o tempo de emissão de um som. Depende do tempo que duram as vibrações do objeto
que os produz. As diversas durações são utilizadas em combinação com uma regularidade básica chamada de

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pulso ou pulsação. Essas variações são comumente chamadas de ritmo. Alguns sons possuem ressonância curta,
isto é, continuam soando por um breve período de tempo, como o som dos tambores, e outros tem ressonância
longa, como os sons dos sinos que permanecem soando por um período de tempo maior.

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5. Géneros e estilos musicais
Entre diversos meios de cultura, como literatura e cinema, a música é hoje uma das mais presentes em
nosso cotidiano.
Através dos anos, a música acompanhou a transformação cultural do homem, motivou novos
pensamentos e se multiplicou em diversos géneros e tipos. Observamos que cada época tem seu estilo marcante
e que predomina no gosto de grande parte da população. Vimos a grande ascensão do Rock & Roll dos anos 50, a
música hippie dos anos 60, ou as discotecas dos anos 70.
Com o nascimento da música moderna, o género que mais predomina nos jovens é denominado pop. O
termo, que tem sua origem em 1926, refere-se às músicas “com um apelo popular”, normalmente com refrões
marcantes e fáceis de serem memorizados. O pop sofreu diversas mudanças, até chegar ao que é hoje. O pop
já passou de música romântica para a dançante que observamos hoje.
A origem da palavra ‘música’ vem do grego mousikê, que significa “arte das musas”. A música pode
ser definida como “arte e ciência de combinar harmoniosamente os sons”. Não é possível definir exatamente
quando a música surgiu. Ao longo da história inúmeros géneros e estilos musicais foram produzidos. Da época
medieval, passando pela renascentista, barroca, clássica e romântica, nomes como Bach, Vivaldi, Mozart,
Beethoven, Chopin, Wagner e Villa-Lobos são personagens desse mundo da musicalidade. Na fase moderna, Jazz,
Samba, Chorinho, Blues, Bossa Nova, Rock, Pop, Tropicália, Soul Music, Reggae e MPB foram movimentos que
marcaram época e tornaram inesquecíveis nomes como Louis Armstrong, Cartola, João Gilberto, Beatles,
Madonna, Caetano Veloso, Bob Marley, Tom Jobim, Caetano Veloso, Elis Regina e muitos outros. Na antiguidade,
a música era utilizada com a finalidade de reverenciar Deus, sendo classificada como Divina (religiosa). Com o
tempo a primeira arte saiu do âmbito sagrado, alcançou as massas, o lucro e a fama, sendo chamada de profana
ou pagã. A música influencia comportamentos, épocas e atitudes. Os roqueiros e punks são exemplos de tribos
urbanas ‘rotuladas’ através do seu estilo musical preferido. De acordo com as últimas descobertas da ciência, a
música também possui um grande poder curativo. Ela estimula, acalma, alegra, entristece, cura.
Possui uma profunda ligação com nossos sentimentos. O ser humano tem contato desde muito cedo
com a música. As mães mimam os seus bebés, as crianças aprendem cantigas de roda e os adultos ouvem a rádio
no carro ou adquirem o costume de cantarolar no banho. Como se pode notar a música está em todo o lugar: no
carro, no banho, na igreja, na rua, no computador. Não existem fronteiras para a melodia. Não há como pensar

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num mundo sem música, pois a própria natureza através do barulho dos pássaros, vento e outros elementos
faria o papel de compositora e, assim, o homem de alguma forma seria estimulado a assobiar, compor, cantar…
A música é a principal arte em todo o mundo. Desde tribos indígenas, até às grandes cidades, a música
é em especial uma forte presença artística na cultura. O feito de cantar ou escutar uma canção pode desencadear
efeitos emocionais numa pessoa. Tristeza, alegria, nostalgia, raiva, muitos são os sentimentos que vêm aos
ouvintes da música.
Estes sentimentos, quando contidos em várias pessoas, podem gerar movimentos sociais. Como exemplo, os
movimentos: punk, grunge, alternativo e emotivo. Muitos movimentos buscavam como meta uma maior
liberdade de expressão e uma melhor qualidade de vida na sociedade.
Portanto, a música pode ser considerada uma das artes que mais influenciam na sociedade.
A música, no que concerne ao repertório, pode ser classificada em géneros e estilos, a partir
dos elementos musicológicos específicos considerados (a saber, por exemplo: instrumentação e tessitura vocal;
forma e estrutura; fórmula de compasso; ritmo; andamento; harmonia e contraponto; etc.), isso quando não se
consideram, mais além, a forma ou o conteúdo do texto aplicado (letra ou libreto, no caso específico da música
vocal), a funcionalidade (eis, por exemplo, o caso tanto das bandas sonoras para produções cinematográficas ou
televisivas quanto dos jingles e vinhetas publicitárias para veículos de radiodifusão) ou mesmo a data histórica
em que a peça musical foi escrita (concernente à escola musical).
Referidas classificações são, não raro, arbitrárias e controversas, implicando, quase sempre, discussões
e até mesmo polémicas, não só nos círculos sociais especializados (a citar, por exemplo, os círculos académicos
ou de musicólogos), mas igualmente entre o público ouvinte ou espectador.
Tamanha dificuldade quanto à classificação do repertório musical em géneros e estilos acentua-se ainda
mais a partir do início do século XX, quando a partir do advento da música eletrónica (música que se
utiliza também de recursos eletrónicos, fazendo ou não uso dos recursos acústicos), dadas maiores
possibilidades criativas e interpretativas, os géneros e estilos musicais, quantitativamente, multiplicam-se
incontavelmente, mormente dentro da música popular.

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6. Atividades de Expressão Musical

Selecionaram-se um conjunto de atividades que poderão contribuir para o desenvolvimento dos diferentes tipos
de trabalho de acordo com estas orientações programáticas. Os exemplos apresentados constituem-se como
indicadores, não esgotando as possibilidades que se colocam aos professores, às escolas e comunidades de
encontrarem outras formulações.

A preocupação subjacente a cada atividade centra-se numa questão específica do fenómeno musical, a sua
ligação com o desenvolvimento da audição, de práticas vocais e instrumentais, de práticas de experimentação e
criação musical, bem como a interligação com outras artes e áreas do saber.

Exemplos de atividades a realizar

Prática Vocal (a voz, o canto, as práticas corais): desenvolvimento de competências em torno da utilização da
voz e da interpretação da música vocal;

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Prática Instrumental (a música e os instrumentos tradicionais): desenvolvimento de competências em torno da
utilização de instrumentos tradicionais e da interpretação de música instrumental e vocal tradicional;

Histórias com música (perceção e expressão musical): audição, interpretação e criação de música com
caráter descritivo e programático;

A música teatral (música, movimento e drama): interpretação e/ou criação de um espetáculo músico-
teatral que interligue a música e outras formas de arte e tecnologias.

Os modos de operacionalização de cada atividade pressupõem uma interligação entre diferentes pressupostos,
conceitos, vocabulários e práticas. As temáticas poderão ser desenvolvidas através de subtemas que melhor se
enquadrem no desenvolvimento cognitivo, físico-motor e musical dos diferentes contextos onde as crianças se
inserem e de acordo com os objetivos gerais e as metas a atingir. O nível de aprofundamento de cada tema
deverá estar de acordo com os desenvolvimentos e preparação das crianças. No final de cada atividade a
apresentação pública do trabalho também deverá constituir um procedimento natural e normal no âmbito
da aprendizagem de uma arte performativa como é a música. Esta apresentação poderá decorrer na sala de aula,
no interior da escola ou noutros espaços existentes na comunidade onde a escola se insere. De preferência
deverá ser apresentado em diferentes espaços.

Cada atividade está organizada em torno de sete domínios estruturantes do trabalho a desenvolver:

O primeiro, Pressupostos da atividade, refere-se aos aspetos considerados essenciais que, sob o ponto de vista
musical, deverão ser desenvolvidos ao longo do trabalho, devidamente articulados e com níveis de complexidade
diferenciados.

O segundo, Objetivos de aprendizagem, está relacionado com o que é que a criança deve aprender ao longo do
trabalho.

O terceiro, Aprendizagens a desenvolver, compreende alguns exemplos de aprendizagens que a criança


deve desenvolver. Os exemplos utilizados são indicativos das possibilidades de trabalho não esgotando contudo

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as possibilidades existentes e que se devem adequar aos diferentes contextos e temáticas.

O quarto, Enriquecimento das aprendizagens, apresenta algumas sugestões para os docentes e as crianças
desenvolverem o trabalho no decurso da atividade. Estas sugestões devem ser realizadas, adaptadas e
aprofundadas de acordo com os diferentes contextos educativos, sociais e culturais.

O quinto, Vocabulário musical, está relacionado com o conjunto de conceitos, códigos, convenções e
terminologias específicas que são necessárias mobilizar e contextualizar de acordo com os diferentes tipos de
música a interpretar e/ou a criar. O vocabulário apresentado deve ser visto como um indicador dos diferentes
tipos de conceitos a desenvolver.

O sexto, Recursos, diz respeito às diferentes possibilidades que o docente e a criança têm para desenvolver o
trabalho que se propõe. Recursos entendidos de uma forma abrangente e que se encontram disponíveis na sala
de aula, na escola/comunidade e na Internet.

Por último, o sétimo domínio, Competências a adquirir, refere-se aos diferentes pontos de chegada das
aprendizagens da criança. O pressuposto é que todas as crianças conseguem desenvolver competências no
domínio musical, embora em patamares diferenciados. Ou seja, todas as crianças podem desenvolver o mesmo
tipo de competência. A diferenciação situa-se nos diferentes níveis de aprofundamento alcançados.

 Prática vocal: voz, canto e práticas corais

Pressupostos da atividade
Esta atividade está centrada no desenvolvimento de competências nos domínios da voz e do canto bem como
na interpretação de diferentes tipos de música a uma ou mais vozes. Por outro lado, possibilita o
desenvolvimento de outro tipo de competências essenciais relacionadas com a perceção e discriminação
auditiva, a memória e a leitura musical.

Objetivos de aprendizagem
Ao longo do trabalho a criança deve aprender:
• a cantar com consciência da pulsação, com sentido rítmico, melódico e afinadamente;

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• a desenvolver o sentido da frase musical;
• a interpretar, controlando aspetos relacionados com a agógica e a dinâmica;
• a ouvir e a desenvolver a memória auditiva, memorizando padrões, sequências e canções;
• a relacionar os sons e os símbolos que os representam.

Aprendizagens a desenvolver
Ao longo desta atividade as aprendizagens a desenvolver pela criança incluem:
• a utilização da voz para produzir diferentes efeitos sonoros para ilustrar, p. ex., histórias, poemas;
• a interpretação de canções com géneros, estilos e temáticas diferentes;
• a interpretação de canções em diferentes tonalidades, modos e outras organizações sonoras;
• a compreensão do papel do silêncio na música;
• a prática monódica e polifónica.

Enriquecimento das aprendizagens


Os processos de aprendizagem podem ser enriquecidos através:
• da assistência a concertos dados por diferentes grupos em que a voz tem participação ativa;
• do convite a cantores para irem à escola de modo a partilhar informação sobre diferentes técnicas vocais;
• da criação de um grupo vocal na escola;
• da realização de concertos na escola e na comunidade.

Vocabulário musical
No decurso do trabalho a criança compreenderá, utilizará e desenvolverá vocabulário apropriado relacionado
com:
• a utilização da voz;
• postura, respiração, dicção e outras técnicas vocais;
• conceitos, códigos e convenções;
• a função da voz em diferentes contextos.

Recursos a utilizar

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Os recursos para esta atividade podem incluir:
• canções, obras corais, poesias, contos; lengalengas, trava-línguas, documentários;
• tecnologias – programas de computador para manipular a voz, gravadores, vídeo;
• repertório – p. ex., O Natal do Anjinho Dorminhoco, Constança Capdeville; O Ratinho Ra-Tu-Di, Fernando
Correia de Oliveira; As cançõezinhas da Tila, Fernando Lopes Graça; Cinco Cantigas de Bichos e Sete Cantigas de
Bichos, Sérgio Azevedo; Guia Prático, Heitor Villa-Lobos.

Competências a adquirir
No final do trabalho desta atividade a criança:
• utiliza a sua voz com controlo e afinadamente;
• reconhece as dimensões de uma frase musical;
• canta com sentido de pulsação e controlo rítmico e melódico
• canta sozinha e em grupo, a uma ou mais vozes com expressão;
• memoriza frases musicais e canções;
• relaciona os sons e os símbolos que os representam;
• identifica canções de diferentes estilos e culturas musicais.

 Prática instrumental: a música e os instrumentos tradicionais

Pressupostos da atividade
Esta atividade está centrada no desenvolvimento de competências no domínio da prática instrumental de
instrumentos
populares portugueses bem como na interpretação e identificação de diferentes tipos de música portuguesa
tradicional. Possibilita ainda o desenvolvimento de outras competências relacionadas com a perceção e
discriminação auditiva, a memória e a leitura musical.

Objetivos de aprendizagem
Ao longo das atividades a criança deve aprender:

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• a identificar e caracterizar diferentes tipos de instrumentos tradicionais portugueses;
• a desenvolver técnicas de execução melódica e harmónica;
• a tocar diferentes tipos de instrumentos e de reportório, individualmente e coletivamente;
• a desenvolver técnicas simples de harmonização;
• a reconhecer a diversidade do panorama musical de tradição oral;
• a conhecer o trabalho desenvolvido no âmbito da recolha e divulgação de música de tradição oral.

Aprendizagens a desenvolver
As aprendizagens a desenvolver pela criança compreendem:
• a manipulação e utilização de diferentes técnicas instrumentais (p. ex. rasgado, dedilhado);
• a interpretação de diferentes músicas tradicionais;
• a audição e a análise de música tradicional;
• a harmonização de melodias tradicionais;
• a apresentação pública do trabalho realizado.

Enriquecimento das aprendizagens


Os processos de aprendizagem podem ser enriquecidos através:
• da assistência a espetáculos de música de tradicional;
• do convite a músicos e grupos para tocarem na escola;
• da visita a museus, associações e outras instituições relacionadas com a cultura tradicional;
• da realização de intercâmbios com grupos de outras escolas.

Vocabulário musical
No decurso das atividades a criança compreenderá, utilizará e desenvolverá vocabulário apropriado relacionado
com:
• as diferentes técnicas instrumentais;
• conceitos, códigos e convenções;
• a função dos instrumentos tradicionais em diferentes contextos.

Recursos a utilizar
Os recursos para esta atividade podem incluir:

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• convite a músicos amadores para tocarem na escola, visionamento de documentários e filmes, leitura de
contos
tradicionais;
• instrumentos – p. ex. cavaquinho, braguesa, viola de arame.
• repertório – p. ex. A Canção Popular Portuguesa de Fernando Lopes Graça; Cancioneiro Popular Português,
Michel
Giacometti.

Competências a adquirir
No final das atividades a criança:
• utiliza técnicas instrumentais simples;
• interpreta diferentes tipos de música tradicional;
• harmoniza canções e melodias tradicionais;
• conhece instrumentos e repertório tradicional de diferentes zonas do país.

 Histórias com Música: perceção e expressão musical

Pressupostos da atividade
Esta atividade centra-se no desenvolvimento de competências nos domínios da audição, interpretação e
composição com obras musicais com características descritivas e programáticas.

Objetivos de aprendizagem
Ao longo do trabalho a criança deve aprender:
• a ouvir identificando as qualidades musicais do som;
• a combinar alturas, durações, dinâmicas, tempos e texturas para descrever determinados tipos de situações;
• a interpretar peças musicais diferenciadas seguindo com rigor as indicações expressas;
• a compor pequenas peças musicais, vocais e instrumentais, utilizando diferentes tipos de pressupostos,
musicais e
não musicais.

Aprendizagens a desenvolver

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As atividades de aprendizagem a desenvolver pela criança ao longo deste atividade compreendem:
• escuta musical ativa incluindo perceção e expressão;
• a utilização de sons de modo mais estruturado e expressivo;
• a exploração e combinação de diferentes tipos de instrumentos para produzir determinados efeitos;
• a manipulação dos símbolos, convencionais e não convencionais, como suporte ao desenvolvimento das ideias
musicais;
• a gravação das interpretações e composições para análise, discussão e avaliação utilizando vocabulário
apropriado;
• a apresentação pública, na escola e/ou comunidade, do trabalho realizado.

Enriquecimento das aprendizagens


Os processos de aprendizagem desta atividade podem ser enriquecidos através:
• da utilização de vocabulário diferenciado para descrever e analisar a música;
• da assistência a concertos e o convite a músicos e grupos musicais para tocarem na escola;
• da visita a exposições de pintura, visualização de filmes e documentários;
• do convite a compositores para escreverem música a partir de uma pintura, poema utilizado na turma;
• do convite a outros artistas, p. ex., pintores e escritores, dramaturgos, para pintarem e escreverem a partir das
músicas da turma.

Vocabulário musical
No decurso do trabalho a criança compreenderá, utilizará e desenvolverá vocabulário apropriado relacionado
com:
• conceitos, códigos, convenções.

Recursos a utilizar
Os recursos para esta atividade incluem:
• pontos de partida – animais, tempo, pinturas, poemas, histórias, sentimentos, música;
• fontes sonoras – voz, instrumentos musicais de altura definida e indefinida;
• repertório – p. ex, Jogos de crianças de G. Bizet; História de Babar de F. Poulenc ; Fernando de Alan Ridout;
Vlatava, B.
Smetana; Álbum para a Juventude de P. Tchaikowsky; Catálogo dos Pássaros, Olivier Messsiaen; O Livro de Maria

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Fredericade Frederico de Freitas.

Competências a adquirir
No final do trabalho desta atividade a criança:
• identifica características descritivas na música e em outras formas de arte;
• reconhece como é que os diferentes parâmetros musicais são utilizados e combinados para a descrição de
situações diversificadas;
• seleciona instrumentos para criar sons e texturas diferenciadas;
• compõe e interpreta música, em grupos de dimensão variável, para descrever determinadas pinturas, histórias
ou ideias.

 Música teatral: música, movimento e drama

Pressupostos da atividade
Esta atividade centra-se no desenvolvimento de competências no campo da audição, interpretação e criação de
obras musicais que interliguem música, movimento, drama, artes plásticas e literatura. Ao longo desta atividade,
a criança aprende a interligar diferentes formas de arte, a produzir e a realizar e interpretar um espetáculo
músico-teatral.
O trabalho final pode resultar da criação de material original composto e interpretado pela turma e/ou escola,
pela colaboração com compositores ou pela interpretação de uma obra pré-existente em parceria com outras
instituições.

Objetivos de aprendizagem
Ao longo do trabalho a criança deve aprender:
• a identificar as diferentes componentes de um espetáculo músico-teatral;
• a integrar sons, ideias, palavras, imagens, movimento e drama na criação de um espetáculo músico-teatral;
• a interpretar uma obra musical que interligue as várias dimensões;
• a realizar, produzir e apresentar publicamente um espetáculo.

Aprendizagens a desenvolver

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As atividades de aprendizagem a desenvolver pela criança ao longo deste atividade compreendem:
• a visualização e comentários de óperas para crianças;
• a criação de uma peça musical que interligue música, movimento e drama;
• a realização plástica de um espetáculo;
• a produção e difusão de um espetáculo.

Enriquecimento das aprendizagens


Os processos de aprendizagem desta atividade podem ser enriquecidos através:
• da assistência a espetáculos músico-teatrais que promovam a perceção da forma como a música, movimento
e drama
são utilizados em conjunto;
• do convite a compositores para criarem obras que articulem a teatralização musical;
• do convite a grupos de dança, música, teatro, dança para apresentação de espetáculos na escola e conversarem
acerca dos diferentes modos como se concebe, realiza, produz e apresenta um espetáculo;
• da colaboração com outras escolas de música para a realização de um espetáculo músico-teatral.

Vocabulário musical
No decurso do trabalho a criança compreenderá, utilizará e desenvolverá vocabulário apropriado relacionado
com:
• teatro musical.

Recursos a utilizar
Os recursos para esta atividade incluem:
• pontos de partida – palavras, imagens, óperas, espetáculos de teatro musical;
• fontes sonoras – instrumentos musicais acústicos, eletrónicos, existentes na sala de aula ou das próprias
crianças;
• tecnologias – computadores, gravadores, vídeos;
• repertório – p. ex. Let’s Make an Opera, Benjamin Britten; A Floresta, Eurico Carrapatoso; Hensel und Gretel,
Engelbert Humperdinck; A Donzela Guerreira, Maria de Lourdes Martins; The Two Fiddlers, Peter Maxwell
Davies.

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Competências a adquirir
No final do trabalho desta atividade a criança:
• combina de sons, narração, movimento e teatralização musical;
• compreende as diferentes dimensões que compõem um espetáculo músico-teatral;
• reconhece diferentes tipos de espetáculo músico-teatrais de épocas, estilos e culturas;
• identifica as características de diferentes espetáculos no âmbito das artes performativas e visuais;
• canta, toca e representa com precisão musical e dramática.

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