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Como iniciar uma peça de 2ª fase da OAB - Constitucional?

Caro OABeiro, sabemos que a


segunda fase do Exame de Ordem
da OAB é bastante temida pela
gigantesca maioria dos candidatos,
isto porque, exige um conhecimento
que muitas vezes não é adquirido de
forma eficaz durante a graduação de

direito. Pensando nisto, trouxemos


este breve material a fim de oferecermos uma visão geral da prova da OAB, com dicas para
iniciar sua peça, dando um ponto final a qualquer medo e insegurança sob a prova. Fica
ligado!

 Leia atentamente ao enunciado


Além de voltar toda a sua atenção à construção do enunciado, é importante sublinhar
pontos-chaves, e anotar todas as fundamentações e artigos que você for identificando
ao longo da leitura, assim, estes tópicos facilitarão na construção do pensamento, e
consequentemente da sua peça.
Lembre-se, você terá 5 (cinco) horas para realizar a prova prático-profissional e responder
04 (quatro) questões discursivas. Sendo assim, é imprescindível que saiba gerir seu
tempo. Por isso, acreditamos que este método será eficaz para que seu desempenho
seja satisfatório.

Observe o enunciado retirado do XXI Exame de Ordem Unificado, da disciplina de


Direito Constitucional:
Deste enunciado, podemos anotar ou sublinhar os seguintes pontos-chaves, por
exemplo:

 Associação Constituída há 03 anos;


 Defesa do Patrimônio Social e Direito à saúde dos idosos;
 Negativa do Posto de Saúde, gerido pelo Município Beta;
 Argumento da reserva do possível dado pelo Secretário;
 Espera de repasse dos recursos públicos federais;
 Obras públicas de lazer continuaram a ser realizadas, por meio de recursos
públicos municipais, em detrimento dos serviços de laboratório;
 Providências imediatas (pedido de liminar ou antecipação de tutela);
 A demanda exigirá dilação probatória.

A partir destes principais pontos, podemos começar a raciocinar qual seria a peça
processual cabível. Observe que a FGV apresenta algumas informações na intenção de
findar qualquer controvérsia sobre o cabimento da peça. No caso narrado, alguns
candidatos poderiam achar que o instituto cabível seria o “Mandado de Segurança”,
porém, a banca deixa claro ao fim do enunciado que “a demanda exigirá dilação
probatória”, o que afasta completamente o Mandado de Segurança, visto que sua prova
é pré-constituída. Por isso, fique atento às “dicas” oferecidas pela FGV.
Nesta explicação, não vamos levar em consideração as particularidades do
Direito Constitucional, pois nossa intenção é mostrar-lhe o passo a passo a ser
realizado em toda e qualquer peça de segunda fase, independentemente da
disciplina.
Preste atenção no gabarito comentado disponibilizado pela FGV, e perceba como os
pontos acima anotados foram considerados as principais questões a serem destrinchadas
durante a peça:
Viu? Não é difícil iniciar uma peça prático-profissional após utilizar esse passo a
passo. É evidente que o aluno, além de ler e interpretar muito bem o enunciado, precisa
ter estudado a disciplina, a estrutura de suas peças e esteja dominando o uso do Vade
Mecum. Neste sentido, aí vão mais algumas dicas sobre sua prova:

 Trace um plano de estudos


Desde o início da preparação, é importante ter um plano de estudos. Durante a
preparação para a primeira fase, é possível agregar os estudos para a segunda fase por
meio da produção de resumos com pequenos textos, explicando com suas palavras o
conteúdo estudado ou resolvendo as questões objetivas, especialmente as que
contiverem casos práticos, produzindo textos discursivos explicando a temática.
Isso o auxiliará a fixar o conteúdo e, além disso, a praticar sua escrita fundamentada
e a argumentação.

 Atenção às regras gramaticais


Mesmo que o conhecimento de ortografia, semântica e sintaxe não seja o foco
principal da correção da prova, esses aspectos sempre serão relevantes. Pode ocorrer de
o examinador tirar pontos dos candidatos que apresentam respostas com erros
gramaticais.
 Caligrafia e organização do texto
Não adianta escrever um texto de excelente conteúdo se sua letra é ilegível. Analise
se você escreve com uma fonte muito grande ou pequena, muito ou pouco
espaçada/inclinada. Peça para alguém ler seus textos e corrija o que for necessário. Na
dúvida, opte por letra de forma, diferenciando maiúsculas de minúsculas.

 Realize simulados
Faça treinos simulados de redação, peças e questões discursivas, considerando a
mesma quantidade de tempo e a permissão/vedação à consulta de legislação. Treine
para que no dia da prova você tenha segurança para escrever diretamente na folha de
resposta, pois transcrever o texto do rascunho tomará bastante tempo, e você correrá o
risco de não finalizar a tempo.

 Mantenha a rotina de estudos


Depois que a prova da primeira fase passar, não pare de estudar. Despender muito
tempo sem estudar e revisar temáticas pode fazer com que o conteúdo aprendido seja
esquecido e o ritmo de estudos perdido.

O conjunto destas ações será revertido numa prova tranquila, consciente e


bem formulada!
PEÇA-DESAFIO!

A partir das dicas dadas acima, elabore a peça-prático profissional solicitada no


enunciado abaixo:

Maria Antonieta, brasileira, casada, com trinta e dois anos de idade, foi diagnosticada com
osteomielite, um quadro inflamatório que está afetando diversos ossos e tecidos de seu
corpo, causando-lhe muitas dores, febre e calafrios. Apesar de a doença não ser curável,
há tratamentos específicos que ajudam a minimizar os seus efeitos, e Maria precisa,
urgentemente, iniciar a medicação indicada pelos médicos que, conforme prescrição, deve
ser feita pelo uso contínuo de Hidrox XMLO, de 850 mg, por dois meses. Em posse dos
laudos médicos e prescrição que comprovam a necessidade do uso de tal remédio, por
não possuir recursos para adquiri-lo, estando desempregada, Maria Antonieta os solicitou
à Secretaria de Saúde do Estado da Aprovação, tendo o Secretário de Saúde se manifestado
por escrito na semana passada, negando a medicação, por não fazer parte do Programa
de Medicamentos Excepcionais do SUS, alegando, ainda, a cláusula da reserva do possível.
Maria Antonieta procura, então, o seu escritório de advocacia, objetivando ingressar com
ação para obter, com urgência, o referido medicamento. Em face dessa situação hipotética,
na qualidade de advogado contratado, redija a petição inicial da ação cabível, de
procedimento célere, com pedido de gratuidade de justiça, para a defesa dos interesses de
sua cliente. (Valor: 5,00)

Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados
para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não
confere pontuação.
Gabarito – Formulação da Peça

Exmo. Sr. Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Aprovação

(o endereçamento “ao Juízo” também pontua)

(pular aproximadamente 5 linhas em todas as petições iniciais)

Maria Antonieta, brasileira, casada, desempregada, portadora do RG n°... e do CPF n° ...,


endereço eletrônico..., residente e domiciliada..., nesta cidade, por seu advogado infra-
assinado, conforme procuração anexa ..., com escritório ..., endereço que indica para os fins
do art. 77, V, do CPC, com fundamento nos termos do art. 5º, LXIX da CRFB/88 e da Lei
nº 12.016/09, vem impetrar

MANDADO DE SEGURANÇA

OU

MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL

OU

MANDADO DE SEGURANÇA REPRESSIVO

em face do Secretário de Saúde do Estado da Aprovação, que pode ser encontrado na


sede funcional... e do Estado da Aprovação.
I – DO PEDIDO DE GRATUIDADE DE JUSTIÇA

Com base no art. 99 do CPC, a Impetrante requer a V. Exª. a concessão do benefício da


gratuidade de justiça, tendo em vista que está sem condições de arcar com as custas
processuais sem prejuízo do sustento próprio e de sua família, estando desempregada.

II – TEMPESTIVIDADE

A presente ação é tempestiva, tendo em vista que o prazo entre a resposta ao


requerimento de Maria Antonieta e a impetração da ação foi inferior a 120 (cento e vinte)
dias, satisfazendo assim o requisito exigido pelo art. 23 da Lei 12.016/09.

III – DA PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA

O direito líquido e certo da Impetrante é comprovado mediante os documentos que


seguem em anexo, já que o próprio Secretário de Saúde do Estado da Aprovação indeferiu,
em resposta administrativa proferida na semana passada, o requerimento formulado por
Maria Antonieta, cumprindo o requisito da prova pré-constituída, exigido pelo art. 6º, caput,
da Lei 12.016/09.

IV – SÍNTESE DOS FATOS

Maria Antonieta foi diagnosticada com osteomielite, um quadro inflamatório que está
afetando diversos ossos e tecidos de seu corpo, causando-lhe muitas dores, febre e
calafrios, precisando iniciar, urgentemente, a medicação indicada pelos médicos que,
conforme precrição, deve ser feita pelo uso contínuo de Hidrox XMLO, de 850 mg, por dois
meses, pois apesar de a doença não ter cura, o tratamento ajuda a minimizar os seus
efeitos.
A ora impetrante, em posse dos laudos médicos e prescrição que comprovam a
necessidade do uso de tal remédio e, por não possuir recursos para adquiri-lo, estando
desempregada, os solicitou à Secretaria de Saúde do Estado da Aprovação.

Em resposta administrativa proferida na semana passada, o Secretário de Saúde negou


a medicação, por não fazer parte do Programa de Medicamentos Excepcionais do SUS,
sustentando, também, a cláusula da reserva do possível, gerando, portanto, a necessidade
de ingressar com o presente remédio constitucional.

V – TUTELA DE URGÊNCIA

A previsão para concessão da tutela de urgência no mandado de segurança está


presente no art. 7º, III da Lei 12.016/09 e tem natureza de medida cautelar.

O fumus boni iuris reside nos argumentos de fato e de direito apresentados na presente
e comprovados mediante a documentação anexa.

Já o periculum in mora também se encontra demonstrado tendo em vista a urgência da


situação, já que a Impetrante precisa iniciar o tratamento com a medicação prescrita pelos
médicos urgentemente, para que sejam minimizados os efeitos da doença.

VI – FUNDAMENTOS JURÍDICOS

Na forma do art. 5º, LXIX da CRFB/88, o mandado de segurança será concedido para
proteger direito líquido e certo, não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data",
quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente
de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.

O mandado de segurança também está regulamentado pela Lei 12.016/09, que em seu
art. 1º reforça a natureza residual do instituto.

A legitimidade ativa de Maria Antonieta decorre do fato de ter sido negado o seu direito
a obter o medicamento necessário para garantia de sua saúde e vida, sendo titular do
direito que postula. A legitimidade passiva do Secretário de Saúde do Estado da Aprovação,
por sua vez, é justificada pelo fato de ser o responsável pela negativa do medicamento.

Importante destacar que há o direito líquido e certo ao medicamento da Impetrante,


conforme art. 5°, LXIX da CRFB/88, posto que é necessário para minimizar os efeitos de sua
doença, garantindo o seu direito à saúde e à vida.

Deve-se ressaltar, ainda, que a saúde é um direito fundamental, de acordo com os arts.
6º e 196 e ss da Constituição da República, e o texto constitucional traz, ainda, o direito à
vida, em seu art. 5º, caput, e o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana, extraído do art.
1°, III, da CRFB/88, como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil.

E, também, deve ser elencado o Princípio do mínimo existencial, norteador da proteção


aos direitos sociais, pois ele corresponde ao conjunto de situações materiais indispensáveis
à existência humana digna, e uma vez violado esse mínimo, há também total desrespeito
à dignidade da pessoa humana.

VII – DOS PEDIDOS

Ante todo o exposto, requer-se:

a) a concessão da medida liminar para que a autoridade coatora forneça o medicamento


pleiteado pela Impetrante, com base no art. 7º, III, da Lei 12.016/09;

b) a notificação da autoridade coatora, Secretário de Saúde do Estado da Aprovação,


para que preste as informações que entender pertinentes do caso, na forma do no art. 7º,
I, da Lei 12.016/09;

c) que seja dada ciência do feito ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica
interessada, conforme art. 7º, II da Lei 12.016/09;

d) a intimação do Representante do Ministério Público, na forma do art. 12 da Lei


12.016/09;

e) a condenação dos impetrados em custas processuais;


f) a juntada dos documentos anexos, conforme art. 6º da Lei 12.016/09 e/ou art. 320 do
CPC;

g) que ao final seja julgado procedente o pedido, com confirmação da concessão da


ordem, atribuindo-se caráter definitivo à tutela liminar.

Valor da causa de acordo com o art. 291 do CPC.

Ou

Valor da causa de acordo com o art. 319 do CPC.

Ou

Valor da causa de acordo com o art. 319, V, do CPC.

Termos em que,

Pede deferimento.

Local... e data...

Advogado

OAB nº ...

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