TIPO CULPOSO Culpa é a inobservância do dever de cuidado objetivo manifestada numa conduta produtora de um resultado não querido, objetivamente

previsível. (Bitencourt) Em que consiste a inobservância do dever de cuidado objetivo? A todos, no convívio social, é determinada a obrigação de realizar condutas de forma a não produzir danos a terceiros. É o denominado cuidado objetivo. A conduta torna-se típica a partir do instante em que não corresponda ao comportamento que teria adotado uma pessoa dotada de discernimento e prudência, colocada nas mesmas circunstâncias que o agente. A inobservância do cuidado objetivo é elemento do tipo. A tipicidade do crime culposo, se verifica assim: é típica toda conduta que infringe o “cuidado objetivo”. Para resolver a questão da tipicidade do fato, não é suficiente o processo de adequação típica, uma vez que o tipo culposo é um tipo aberto, isto é, apenas uma parte da figura criminosa é descrita pelo tipo, enquanto uma outra parte deve ser formada por complementação valorativa do juiz. O juiz, então tem de estabelecer um critério para considerar típica a conduta: “toda ação que, com um resultado suscetível de constituir o fato delituoso, não apresenta características do ‘cuidado a observar-se nas relações com os demais’, é ação típica do crime culposo”. Para saber se o sujeito deixou de observar o cuidado objetivo necessário é preciso comparar a sua conduta com o comportamento que teria “uma pessoa dotada de discernimento e de prudência coloca na mesma situação do agente”. O cuidado objetivo será a conduta que teria essa pessoa-modelo nas circunstâncias em que se viu o sujeito. Há então duas condutas comparadas: a conduta concreta do sujeito e a conduta que teria a pessoa-modelo. Diante da situação, qual seria o cuidado exigível de um homem dotado de discernimento e prudência? Surge, então, o que denomina previsibilidade objetiva: é de se exigir a diligência necessária objetiva quando o resultado produzido era previsível para um homem comum, nas circunstâncias em que o sujeito realizou a conduta. A previsibilidade objetiva, é um elemento do tipo de conduta que não corresponde ao cuidado devido. O cuidado necessário deve ser objetivamente previsível. É típica a conduta que deixou de observar o cuidado necessário objetivamente previsível. A imprevisibilidade objetiva exclui a tipicidade. A verificação da tipicidade do fato constitui indício da antijuridicidade. Por outro lado, nada impede que uma conduta seja tipicamente culposa e, no entanto, não seja antijurídica. Pode o agente realizar uma conduta culposa típica, mas encontra-se ao abrigo de uma excludente de antijuridicidade. Por exemplo, o corpo de bombeiros, chamado com urgência para estancar um grande incêndio em uma refinaria, no percurso, atinge, involuntariamente, e sem tê-lo previsto, um pedestre, ferindo-o gravemente. À evidência que se encontrava em estado de necessidade. A culpabilidade no delito culposo decorre da previsibilidade subjetiva. Enquanto na previsibilidade objetiva é questionada a possibilidade de antevisão do resultado por uma pessoa comum, na previsibilidade subjetiva é questionada a possibilidade de o sujeito, “segundo suas aptidões pessoais e na medida de seu poder individual”, prever o resultado. Quando o resultado era previsível para o sujeito, temos a reprovabilidade da conduta, a culpabilidade. A estrutura do tipo culposo é diferente da do tipo doloso: neste, é punida a conduta dirigida a um fim ilícito, enquanto no tipo culposo pune-se a conduta mal dirigida, normalmente destinada a um fim penalmente irrelevante, quase sempre lícito. O núcleo do tipo nos delitos culposos consiste na divergência entre a ação efetivamente praticada e a que devia realmente ter sido realizada, em virtude da observância do dever objetivo de cuidado.

nexo de causalidade. não se pode imputar a este o resultado (morte do suicida). inobservância do cuidado objetivo. que por previsibilidade se deve entender a possibilidade de se prever. não se poderá falar em crime culposo. embora não colidentes e não excludentes. Falta.O tipo culposo. independentemente da ação descuidada do agente. nem aceito. CONDUTA O fato se inicia com a realização voluntária de uma conduta de fazer ou não fazer. Com efeito. tipicidade. pois. É a inobservância do cuidado objetivo exigível do agente que torna a conduta antijurídica. PRODUÇÃO DE UM RESULTADO Em si mesma. tem uma estrutura completamente diferente do tipo doloso. prever o curso causal e o . no momento da conduta. uma característica normativa aberta: o desatendimento ao cuidado objetivo exigível ao autor”. Enfatize-se. quando for observado o dever de cautela. Por fim. em outros termos. porém. Aquela contém esta. o fato será doloso. nas condições em que o sujeito se encontrava. Previsibilidade é a possibilidade que o agente tem de. se assim for. A conduta inicial pode ser positiva ou negativa. não contendo o chamado tipo subjetivo. O tipo culposo apresenta os seguintes elementos constitutivos: conduta. não houver resultado lesivo. apesar da ação descuidada do agente. INOBSERVÂNCIA DO CUIDADO OBJETIVO A inobservância do cuidado objetivamente devido resulta da comparação da direção finalista real com a direção finalista exigida para evitar as lesões dos bens jurídicos. Por exemplo. A condição mínima da culpa é a previsibilidade. Só haverá delito culposo. é indispensável que o resultado seja conseqüência da inobservância do cuidado devido. não se confundem. E mais: que a previsão não exclui a previsibilidade. ou. em razão da natureza normativa da culpa. se alguém se atira sob as rodas do veículo que é dirigido pelo motorista na contramão. pelo agente. quando houver um resultado. Seguindo essa orientação. Juarez Tavares sustenta que “o delito culposo contém. No entanto. produção de um resultado. nas circunstâncias em que se encontrava. Só haverá ilícito penal culposo se da ação contrária ao cuidado resultar lesão a um bem jurídico. não haverá crime culposo. que este seja a causa daquele. Se. Exige-se que o agente. a inobservância do dever de cuidado não constitui conduta típica porque é necessário outro elemento do tipo culposo: o resultado. em lugar do tipo subjetivo. previsibilidade objetiva do resultado. e ainda assim o resultado ocorrer. pudesse prever o resultado de seu ato. PREVISIBILIDADE OBJETIVA DO RESULTADO A previsibilidade é a possibilidade de ser antevisto o resultado. Não haverá crime culposo mesmo que a conduta contrarie os cuidados objetivos e se verifica que o resultado se produziria da mesma forma. com o dever de diligência exigido pela norma. A inevitabilidade do resultado exclui a própria tipicidade. ela não existe se o resultado vai além da previsão. para precisar os conceitos. mas se distinguem as duas situações. Ou no correto dizer Magalhães Noronha: “ a previsão contém a previsibilidade. e este resultado não pode ser desejado. O agente não pretende praticar um crime nem expor interesses jurídicos de terceiros a perigo de dano. Previsão é o desenvolvimento natural e quase em grau mais intenso da previsibilidade.

É típica a ação que provocou o resultado quando se observa que não atendeu o agente ao cuidado e à atenção adequados às circunstâncias. E a previsão é elemento do dolo. mas sim dolosa. não que preveja o extraordinário. TIPICIDADE Nos crimes culposos a ação não está descrita como nos crimes dolosos. não se pergunta o que o homem prudente deveria fazer naquele momento.. mas sim o que era exigível do sujeito nas circunstâncias em que se viu envolvido. mas em face do homem prudente e de discernimento colocado nas condições concretas. a previsibilidade deve ser apreciada. normal dos homens. se continuar a marcha e feri-lo não ira responder por lesão corporal culposa. A previsibilidade objetiva se projeta no campo da tipicidade. que nem tudo pode ser previsto. Daí. em qualquer acidente automobilístico. Previsão é a militância efetiva no espírito do agente. não do ponto de vista do sujeito que realiza a conduta. O legislador exige que o sujeito preveja o que normalmente pode acontecer. só é típica a conduta culposa quando se puder estabelecer que o fato era possível de ser previsto pela perspicácia comum. São normalmente tipos abertos que necessitam de complementação de uma norma de caráter geral. ex. a subjetiva . teria uma pessoa de discernimento e prudência ordinários. que estão fora do tipo penal dos delitos culposos os resultados que estão fora da previsibilidade objetiva de um homem razoável. Se um motorista dirige veículo em rua movimentada com excesso de velocidade e prevê que vai atropelar o transeunte. De ver-se. A tipicidade nos crimes culposos determina-se através da comparação entre a conduta do agente e o comportamento presumível que. Suponha-se que o agente dirija veículo na contramão de direção. Há a possibilidade de serem antevistas a vinda de outro veículo em sentido contrário. Então. que se encontra fora do tipo. p. não estamos no terreno da culpa. o sujeito seria culpável. ser o previsto obviamente previsível. e mesmo de elementos do tipo doloso correspondente. É que o resultado era previsível e foi por ele previsto. Assim. mas no do dolo (salvo a exceção que veremos). mas não foi previsto pelo sujeito. Objetiva-se que a previsibilidade é ilimitada. a representação de que da sua conduta pode decorrer o evento. GRAUS DE CULPA: A doutrina tradicional gradua a culpa em: a) culpa grave b) leve . em sua mão de direção. O resultado era previsível. Daí falar-se que a culpa é a imprevisão do previsível. pelo que haveria culpa em todos os casos de produção de resultados involuntários. Ausência de Previsão É necessário que o sujeito não tenha previsto o resultado. deve ser aferida tendo em vista as condições pessoais do sujeito. nas circunstâncias. não sendo culposo o ato quando o resultado só teria sido evitado por pessoa extremamente prudente. Se o previu. quando se dirige um automóvel é previsível a ocorrência de acidentes. porém. De acordo com o critério objetivo. Nos termos do critério subjetivo. e a ocorrência de um acidente com vítima? O resultado (lesão ou morte da vítima) era perfeitamente previsível. na culpabilidade. Há dois critérios de previsibilidade: a objetiva e a subjetiva. Assim.evento. o excepcional Diz-se então. bem como do decurso até colimar-se o resultado.

a pena cominada pela norma incriminadora é a mesma. FORMAS DA CULPA: São formas de manifestação da inobservância do cuidado necessário: Imprudência. . também chamada culpa previsão. o engenheiro. Nem sempre. mas confia convictamente que ele não ocorra. Seja grave. a censurabilidade da conduta á maior do que na culpa inconsciente. Imperícia é a falta de aptidão para o exercício de arte ou profissão. necessitam de aptidão teórica e prática para o exercício de suas atividades. em imperícia. no desempenho de suas atividades. ofício. o motorista. segundo a doutrina dominante. De observar-se que o sujeito realiza uma conduta fora de sua arte. porém é fácil fazer a distinção. Espécies de Culpa O CP brasileiro não distingue culpa consciente e culpa inconsciente para o fim de dar-lhes tratamento diverso. também está presente a imprudência de dirigi-lo naquelas circunstâncias. essas pessoas.: dirigir veículo em rua movimentada com excesso de velocidade. II. Culpa Inconsciente A ação sem previsão do resultado previsível constitui a chamada culpa inconsciente. quando o agente. leve ou levíssima. Culpa Consciente Há culpa consciente. Daí a correta observação de Basileu Garcia de que a rigor a palavra negligência seria suficiente para ministrar todo o substrato da culpa. Ex. mas em imprudência ou negligência. não se fala em imperícia. No fato de o agente deixar arma ao alcance de uma criança. o médico. É possível que. incluindo a imprudência e a imperícia. Fala-se. quando o agente deu causa ao resultado por imprudência. culpa ex. Enquanto na negligência o sujeito deixa de fazer alguma coisa que a prudência impõe. negligência ou imperícia’. em que a negligência residiria na inobservância do dever de consertá-lo antes. não se pode dizer que não agiu. espera sinceramente que este não se verifique. do CP vigente: “Diz-se o crime culposo.c) levíssima Em relação à pena abstrata. A imprudência é a prática de um fato perigoso. venham a causar dano a interesses jurídicos de terceiros. ignorantia. O químico. o farmacêutico etc. A negligência é a ausência de precaução ou indiferença em relação ao ato realizado. negativa ( o sujeito deixa de fazer algo imposto pela ordem jurídica). Na culpa consciente. A doutrina ensina que a imprudência é positiva (o sujeito realiza uma conduta) e a negligência. Na conduta de quem dirige veículo em más condições de funcionamento. previsível. estar-se-á diante de culpa consciente e não de dolo eventual. Ex. deixando de observar a diligência a que estava obrigado. não há distinção quantitativa da culpa. visto que esta é produto de mera desatenção. prevê um resultado. Negligência e Imperícia. “previsível é o fato cuja possível surperveniência não escapa a perspicácia comum”. na imprudência ele realiza uma conduta que a cautela indica que não deve ser realizada. em face de ausência de conhecimento técnico ou de prática. As formas de culpa encontram-se descritas no art.: deixar arma de fogo ao alcance de uma criança. então. 18. No dizer de Hungria. embora prevendo o resultado. profissão. Quando o agente. o eletricista.

A imprevisibilidade desloca o resultado para o caso fortuito ou força maior. concorrência e excepcionalidade do crime culposo A compensação de culpas. Há entre ambos um traço comum: a previsão do resultado proibido. a importância negativa da previsão do resultado é. em vez de renunciar à ação. mesmo correndo o risco da produção do resultado. Na culpa inconsciente . concorra a culpa da vítima. Suponha-se um crime automobilístico em que. A culpa do ofendido não exclui a culpa do agente: não se compensam. que é vítima. a par da culposa conduta do agente. . desatenção ou simples desinteresse. ao contrário. se estivesse convencido de que o resultado poderia ocorrer. DOLO EVENTUAL e CULPA CONSCIENTE Os limites fronteiriços entre dolo eventual e culpa consciente constituem um dos problemas mais tormentosos da Teoria do Delito. Compensação. silencia a respeito da culpa. para o agente. Por isso. repele a hipótese de superveniência do resultado. é incabível em matéria penal. No dolo eventual. há referência expressa à figura culposa. na culpa consciente. a regra é de que as infrações penais sejam imputadas a título de dolo. produzindo-se ferimentos nos motoristas e provando-se que agiram culposamente. quando o sujeito pratica o fato culposamente e a figura típica não admite a forma culposa. menos importante do que o valor positivo que atribui à prática da ação.A previsibilidade do resultado é o elemento identificador das duas espécies de culpa. não há crime. a distinção entre dolo eventual e culpa consciente resume-se à aceitação ou rejeição da possibilidade de produção do resultado. mais forte do que o valor positivo que atribui à prática da ação. Já. na esperança convicta de que este não ocorrerá. sendo A o ofendido. enquanto na culpa consciente o faz por leviandade. na culpa consciente. enquanto no dolo eventual o agente anui ao advento desse resultado. constata-se este fenômeno: quando o Código admite a modalidade culposa. Por fim. assumindo o risco de produzi-lo. Na hipótese de dolo eventual. a qualquer custo. Trata-se de concorrência de culpas. sem dúvida. 18 parágrafo único). Por isso. quando expressamente prevista na modalidade culposa da figura delituosa (art. A culpa inconsciente caracteriza-se pela audiência absoluta de nexo psicológico entre o autor e o resultado de sua ação. Só não responde o sujeito pelo resultado se a culpa é exclusiva da vítima A questão da compensação de culpas não se confunde com a concorrência de culpas. no entanto. não há a previsão por descuido. e só excepcionalmente a título de culpa e. apesar da presença da previsibilidade. O motorista A é sujeito ativo do crime em relação a B. dever-se-á concluir pela solução menos grave: pela culpa consciente. As legislações modernas adotam o princípio da excepcionalidade do crime culposo. Mas. o agente decide agir por egoísmo. quando não a admite. por não ter refletido suficientemente. Os dois respondem por crime de lesão corporal culposa. Persistindo a dúvida entre um e outra. nesse caso. opta pela segunda alternativa. ele é sujeito ativo do crime. o valor negativo do resultado possível é. calcula mal e age. Por isso. isto é. entre desistir da ação ou praticá-la. desistiria da ação. Com a simples análise da norma penal incriminadora. que existe no Direito Privado. para o agente. Suponha-se que dois veículos se choquem num cruzamento. em relação à conduta de B. Não estando convencido dessa possibilidade.

Crime exaurido O crime consumado não se confunde com o exaurido. que o crime se diz consumado. Quando são preenchidos todos os elementos do tipo objetivo. Mas nem todas as fases dessa evolução interessam ao Direito Penal. o crime de extorsão mediante seqüestro consuma-se com o arrebatamento da vítima e exaure-se com o recebimento do resgate etc. tentado e exaurido Determina o art. Na tentativa há prática de ato de execução. chama-se iter criminis e compõe-se de uma fase interna (cogitação) de uma fase externa (atos preparatórios. desde o momento da concepção até aquele em que ocorre a consumação. a corrupção passiva. O iter criminis se encerra com a consumação. E a questão é determinar exatamente em que ponto o agente penetra propriamente no campo da . distinção entre consumado. ou seja. pois reflete no termo a quo da prescrição e na competência territorial. 14. Essa afirmação. executórios e consumação). “quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal”.Do crime Consumado e da Tentativa Conceito. que se consuma com a solicitação. A tentativa é o crime que entrou em execução. ocorre a consumação. Na tentativa o movimento criminoso pára em uma das fases da execução. pelo fato natural. após a consumação. iter criminis. ITER CRIMINIS Iter crimins é o conjunto de fases pelas quais passa o delito. A esse itinerário que o crime percorre. O crime pode estar consumado e dele não haver resultado o dano que o agente previra e visara. Determinar o momento consumativo do crime é operação que tem suma importância. do modelo descrito na lei. quando o fato concreto se subsume no tipo abstrato da lei. outros resultados lesivos ocorrem. exclui que acontecimentos posteriores possam ter influência sobre a valorização do fato praticado Não se confunde a consumação com o crime exaurido. A figura típica não se completa. exaure-se com o recebimento da vantagem indevida. do CP. Consuma-se o crime quando o tipo está inteiramente realizado. até aquele em que se consuma no ato final. desde o momento em que germina. impedindo o agente de prosseguir no seu desiderato por circunstâncias estranhas ao seu querer. no espírito do agente. A noção da consumação expressa a total conformidade do fato praticado pelo agente com a hipótese abstrata descrita pela norma penal incriminadora. pois neste. Compõe-se das seguintes etapas: a) cogitação b) atos preparatórios c) execução d) consumação Há um caminho que o crime percorre. A tentativa é a realização incompleta do tipo penal. mas no seu caminho para a consumação é interrompido por circunstâncias acidentais. I. em regra. Consuma-se o crime quando o agente realiza todos os elementos que compõem a descrição do tipo legal. como idéia. Assim. mas o sujeito não chega à consumação por circunstâncias independentes de sua vontade.

o bando ou quadrilha (art. Nessa fase ainda não se iniciou a agressão ao bem jurídico. prevê. ou seja. punindo. a intenção. então. é que se pode falar em fato típico. por si mesmos. Preparação: prática dos atos imprescindíveis à execução do crime. ou a intenção revelada de vir a praticá-lo. mas sim porque se associa para tal fim. p. que seria apenas a preparação da simulação de casamento (art. Nessa fase o agente inicia a realização do núcleo do tipo.ilicitude. que não ingressa no processo de execução do crime. que. ou seja marcar a linha divisória entre a preparação e a execução. mas sim de atos preparatórios de um crime. no entanto. 239) etc. em relação à própria perigosidade da ação ou simplesmente à perigosidade do agente. A cogitação não constitui fato punível. Todavia. Não se cuida de cogitação punível. a cogitação que não constitui fato punível é a que não se projeta no mundo exterior. De sorte que esses atos. como sucede com a conspiração. algumas vezes o legislador transforma esses atos preparatórios em tipos penais especiais. antevê. 291). constituem. e o crime já se torna punível. como exemplos de atos preparatórios. Execução: o bem jurídico começa a ser atacado. que seria apenas ato preparatório do crime de moeda falsa (art. e materializa-se concretamente a ação. Enquanto encerrada nas profundezas da mente humana.. porque é a partir daí que o seu atuar constitui um perigo de violação ou violação efetiva de um bem jurídico e que começa a realizar-se a figura típica do crime. Exemplos: “petrechos para falsificação de moeda (art. mas de voluntas sceleris extremada através de atos sensíveis. De regra.289). planeja. Nessa fase o crime é impunível. por si só. Cogitação: o agente apenas mentaliza. O legislador levou em consideração o valor do bem por esses atos ameaçados. o projeto criminoso”. O grande problema é saber diferenciar um ato preparatório de um ato executório. em última análise. 288) e ainda outros. representa mentalmente a prática do crime. que teoricamente seriam preparatórios. os atos preparatórios não são puníveis. o crime ainda não pode ser punido. logo. totalmente irrelevante para o Direito Penal.14. no dizer de Mirabete. o Código não pune cada um dos agentes por pensar em se reunir a três outras pessoas para o fim de cometimento de crimes. “atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento” (art. que o legislador resolveu punir como atos executórios de outro. O agente não começou a realizar o verbo constante da definição legal (o núcleo do tipo). 286). idealiza. temos: a aquisição de arma para a prática de um homicídio ou a de uma chave falsa para o delito de furto. a incitação ao crime (art. Observa Magalhães Noronha que há casos em que já constitui delito“ o desígnio ou propósito de vir a cometê-lo. Somente quando se rompe o claustro psíquico que a aprisiona. o estudo do local mais adequado ou a hora mais favorável para a realização do crime etc.I do CP). ex. a conduta é um nada. são os dirigidos diretamente à prática do crime. 238). deseja. figuras delituosas. todos os elementos que se encontram descritos no tipo penal foram realizados . Os casos apontados não são de simples cogitatio. Na quadrilha ou bando. antecipa-se e não espera que ele se verifique. Atos de execução. já representa uma ameaça atual à segurança do direito. pois cada um pode pensar o que bem quiser. em que há o propósito delituoso. Assim. fugindo à regra geral. A impaciência do legislador. Consumação: verifica-se a consumação quando no crime se reúnem todos os elementos de sua definição legal (art.

ex. 148). a consumação ocorre com a produção do resultado naturalístico. Se o crime é de “lesão corporal seguida de morte” (art. atirando contra ela (execução) e lhe produzindo a morte (consumação). adquire um revólver e se posta de emboscada à sua espera (atos preparatórios). com a obtenção da vantagem ilícita em prejuízo alheio.. ou comissivos por omissão. Momento consumativo segundo teoria do crime A consumação nas várias espécies de crimes O momento consumativo varia segundo a natureza do crime. É exemplo da mãe que mata o filho de inanição. Portanto. Nos crimes de mera conduta. ex. 154 (violação de segredo profissional). a consumação ocorre com a morte da vítima. ou seja. esta condiciona sua existência integral. consuma-se o homicídio com a morte da vítima. Antes se sua ocorrência o crime não reúne “todos os elementos de sua definição legal” (art. § 3). p. No estelionato. Atos Preparatórios. Assim. E nos crimes qualificados pelo resultado o momento consumativo ocorre no instante da produção do evento. se consuma com a simples inatividade. a consumação se verifica com a produção do resultado. que constitui um evento naturalístico. de descrição típica positiva (“matar alguém”). mas o evento não se realizar. No delito do art. o momento consumativo (privação ou restrição da liberdade de locomoção da vítima) perdura até que o ofendido recupere a sua liberdade. o momento consumativo é o da produção do resultado. Ex:. a consumação ocorre com a simples atividade. atinge-se o momento consumativo com a simples revelação do segredo. p. Nos crimes culposos. a consumação se dá com a simples ação. não haverá crime. deixar de socorrer). independentemente da efetiva produção de dano de outrem. Nos delitos omissivos impróprios. o momento consumativo é aquele em que se verifica a morte da vítima. Nos crimes materiais. 14. Nos crimes formais e de mera conduta a consumação ocorre com a própria ação. Assim. Neste caso. Os crimes permanentes apresentam uma característica particular: a consumação se protrai no tempo desde o instante em que se reúnem os seus elementos até que cesse o comportamento do agente. no homicídio culposo. Desta forma. Se houver inobservância do dever de cuidado. a consumação do crime se considera realizada no momento e no lugar de . 129. Ex: omissão de socorro. com intenção de matar a vítima (cogitação).. já que não se exige resultado naturalístico. No cárcere privado (art. em que o tipo não faz menção ao evento. No aborto. Nos crimes formais. não nos parece que se verifique no momento em que a mãe “deixou de efetuar o que deveria efetuar” (dever de alimentação do filho). pode ser cometido através de omissão. independentemente da produção do resultado descrito no tipo. em que a simples conduta negativa (ou ação diversa) não os perfaz. exigindo-se um evento naturalístico posterior. de ação e resultado. Execução e Consumação.O agente. uma das formas de consumação é a simples entrada. Na violação de domicílio. a consumação ocorre no local e no momento em que o sujeito ativo deveria agir e não o fez. a ordem cronológica do iter criminis é: Cogitação. I) Quando concorre uma circunstância qualificadora. o crime de homicídio. o momento consumativo ocorre com a morte do feto. Quando se consumam os crimes omissivos? Nos crimes omissivos próprios . Assim.

Nesse caso. para a consumação do crime de “perigo de desastre ferroviário” (art. independente do resultado e) permanentes: o momento consumativo se protrai no tempo f) omissivos próprios: coma a abstenção do comportamento devido g )omissivos impróprios: com a produção do resultado naturalístico h) qualificados pelo resultado: com a produção do resultado agravador Conceito. Teoria Adotada: a objetiva. Trata-se. Assim. do CP. Sem a norma de extensão (art. É conceito extraído do art. cria novos mandamentos proibitivos. “tentar subtrair. ao determinar que o crime se diz tentado. em seu tipo simples. por exemplo. Assim.. mas o efetivo percurso objetivo do iter crimins.”etc. A tentativa constitui ampliação temporal da figura típica. Não se pune a intenção. pois o que vale é a intenção do agente. enquanto o eventual desastre é qualificadora (§§1o e 2o). A tipicidade da tentativa decorre da conjugação do tipo penal com o dispositivo que a define e prevê a sua punição. por exemplo. um tipo penal incompleto. não de consuma. Quanto mais próximo o agente chegar da consumação. transformando em puníveis fatos que seriam atípicos. A norma contida no art.II). 14. iniciada a execução. se ocorre o desastre. Critério para a redução da pena: a pena do crime tentado será a do consumado. uma vez que por força dele é que se amplia a proibição contida nas normas penais incriminadoras a fatos que o agente realiza de forma incompleta. é necessário e suficiente que surja o perigo. por força do princípio da reserva legal. porque objetivamente produziu um mal menor. Não têm razão. mas um tipo penal. é o momento de sua verificação que assinala a consumação do delito agravado.14. II. “quando. Teorias: a) Subjetiva: a tentativa deve ser punida da mesma forma que o crime consumado. Na verdade.. natureza jurídica. 260). Natureza jurídica A tentativa (conatus) constitui ampliação temporal da figura típica . a norma incriminadora. É uma regra secundária que se conjuga com a regra principal. de caráter extensivo. 14. que tem eficácia extensiva. de um dos casos de tipicidade indireta. a tentativa de homicídio. por circunstâncias alheias à vontade do agente”. Não existe nenhuma norma incriminadora tipificando a conduta de “tentar matar alguém”. b) Objetiva ou realísitca: a tentativa deve ser punida de forma mais branda que o crime consumado. seria um fato atípico. que não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. II. a tentativa é a realização incompleta da figura típica. diminuída de 1/3 a 2/3. e vice-versa. na tentativa branca a redução será sempre maio do . Muitos doutrinadores consideram a tentativa como um crime autônomo. A tentativa é um tipo ampliado. teorias e elementos da tentativa Conceito: é a execução iniciada de um crime. ESQUEMA: a) materiais: com a produção do resultado naturalístico b) culposos: com a produção do resultado naturalístico c) de mera conduta: com a ação ou omissão delituosa d) formais: com a simples atividade. trata-se de um dos casos de adequação típica de subordinação mediata (o outro está no concurso de agentes).sua produção. menor será a redução.

É necessário que o agente tenha intenção de produzir um resultado mais grave do que aquele a que vem efetivamente conseguir. Pode ser qualquer causa interruptiva da execução. A tentativa só é punível a partir do momento em que a ação penetra na fase de execução. deve querer a ação e o resultado final que concretize o crime perfeito e acabado. Na segunda hipótese estará configurada a tentativa. que também serão examinadas. b) Não-consumação do crime por circunstâncias independentes(alheias) da vontade do agente Iniciada a execução de um crime. isto é. ou seja. 352 do CP (“evadir-se ou tentar evadirse”). bem como a teoria sintomática. exigindo o início da execução de um fato típico. a tentativa.que naquela em que a vítima sofre ferimentos graves. O legislador brasileiro recusou a teoria subjetiva. sem a diminuição legal. mas também subjetivamente. deixando incompleto o fato não somente objetiva. na segunda. A tentativa é constituída dos seguintes elementos: a) Início da execução O Código adotou a teoria objetiva. que se satisfaz com a exteriorização da vontade através da prática de atos preparatórios. mais de uma vez. exige a existência de uma ação que penetre na fase executória do crime. Que significa a expressão “salvo disposição em contrário” do parágrafo único do art. possui um elemento subjetivo: o dolo. Ex: art. 11 da lei de segurança nacional (“ tentar desmembrar parte do território nacional”) etc Elementos da Tentativa A tentativa é a figura truncada de um crime. Na primeira hipótese teríamos a chamada tentativa imperfeita e.II do CP. 14 do CP? Significa que há casos em que a tentativa é punida com a mesma pena do crime consumado. . ela pode ser interrompida por dois motivos: 1) pela própria vontade do agente 2) por circunstâncias estranhas a ela. Na primeira hipótese poderá haver desistência voluntária ou arrependimento eficaz. Deve possuir tudo o que caracteriza o crime.737. ou em lugar de outrem”). Uma atividade que se dirija no sentido da realização de um tipo penal. Tal critério é fruto de construção jurisprudencial. art. desde que estranha à vontade do agente. 4. 14. 309 da lei n. ou tentar votar. Assim. O agente deve agir dolosamente. de 15-7-1965 ” votar. Podem obstar o autor de prosseguir na realização da conduta atuando em certo sentido psicofísico. Só então se pode precisar a direção do atuar voluntário do agente no sentido de determinado tipo penal. que se contenta com a manifestação da periculosidade subjetiva. Elemento Subjetivo Conforme o art. a tentativa perfeita. é a vontade do agente que fornece o elemento subjetivo final para a configuração da tentativa. que serão examinados mais adiante. ou impedem seja completado o tipo por ser absolutamente alheias à sua vontade. menos a consumação. não obstante tenha realizado todo o necessário para a produção do resultado. art.

Dependendo do momento em que a atividade criminosa cessar. art. descarrega sua arma na vítima. Formas de Tentativas Iniciada a fase executória. o agente quer ou assume o risco de produzir o resultado. atingindo-a mortalmente. como dizia Asúa. A fase executória realiza-se integralmente. A execução se conclui. que o sujeito não quis e nem assumiu o risco de sua produção. c) chegar à consumação. intenção sem resultado. o agente desenvolve toda a atividade necessária à produção do resultado. Tem-se em vista o evento. por interferência externa. Tentativa Perfeita ou Crime Falho Por outro lado.Não existe dolo especial de tentativa. ou. o resultado não se verifica por mero acidente. mas o resultado visado não ocorre. na tentativa. Quem mata age com o mesmo dolo de quem tenta matar. no segundo. A tentativa. Assim. sem. devia tê-lo previsto. contudo. Importante notar que a tentativa branca pode ser perfeita ou imperfeita. diz-se que há tentativa perfeita ou crime falho. II). a execução é interrompida sem a que a vítima seja atingida (após o primeiro disparo errado. mas o crime não se consuma. conseguir ferir a vítima (erra todos os tiros). doutrinariamente denominadas tentativas imperfeita. A circunstância impeditiva da produção do resultado é eventual no que se refere ao agente. No primeiro caso. no crime culposo há evento sem intenção de provocá-lo. mas este não ocorre por circunstâncias alheias à sua vontade. mas que ocorreu porque.. quando o agente realiza todo o necessário para obter o resultado. por circunstâncias estranhas à sua vontade. Concluindo. O dolo da tentativa é o mesmo do delito consumado. ocorrerá uma das três figuras. Daí ser impossível tentativa de crime culposo. o agente é desarmado) . mas esta é salva por intervenção médica Branca ou incruenta: a vítima não é atingida. Tentativa Imperfeita Quando o agente não consegue praticar todos os atos necessários à consumação. não chega a realizar todo os atos executórios necessários à produção do resultado inicialmente pretendido. B) parar na execução completa. mas mesmo assim não o atinge. diz-se que há tentativa imperfeita ou tentativa propriamente dita. o agente realiza a conduta integralmente. mas este não sobrevém. Na tentativa imperfeita o agente não exaure toda a sua potencialidade lesiva. como por exemplo “o agressor é seguro quando está desferindo os golpes na vítima para matá-la”. na tentativa perfeita. como por exemplo. negligência ou imperícia (CP. O crime culposo admite tentativa? Há crime culposo quando o agente dá causa ao resultado por intermédio de uma conduta em que manifesta imprudência. ou seja. diferente daquele que informa o elemento subjetivo do crime consumado. nem vem a sofrer ferimentos. sendo previsível. por circunstâncias alheias à vontade do agente. tentativa perfeita e crime consumado. o crime é subjetivamente consumado em relação ao objeto ou pessoa contra o qual se dirigia. O processo executório é interrompido por circunstâncias estranhas à vontade do agente . o movimento criminoso pode: a) interromper-se no curso do execução. 18. Aqui.

como a participação em suicídio (CP. ou se já exaurida a atividade executiva. se o sujeito interrompe a execução do tipo. voluntariamente. crime continuado. tendo o agente iniciado a execução do tipo. Ex: no latrocínio tentado. inexiste crime tentado. o resultado morte era querido pelo agente. vindo a lesionar-se.: cárcere privado praticado por quem não liberta aquele que está em seu poder. Os crimes plurissubsistentes admitem o conatus. a ordem. Ex.II). (ou há a habitualidade e o delito se consuma. f)os crimes que a lei só pune somente quando ocorre o resultado. Ex: injúria verbal. art. 15 do CP. o juiz deve levar em consideração a espécie de tentativa no momento de dosar a pena. quanto mais próxima da consumação.170/83. haverá tentativa. pois o evento de maior gravidade objetiva. art. 14. crimes definidos no art. . como o descrito no art. menor será a redução.: “tentar mudar. com emprego de violência ou grave ameaça. ou não há e inexiste crime). in verbis: “o agente que. (capez: salvo a culpa imprópria. Assim. evita a produção do resultado. O crime permanente que possui fase inicial comissiva admite tentativa. g)os crimes habituais. Infrações que não admitem a tentativa Não admitem a figura da tentativa: a)os crimes culposos. não a admite. só é admissível a tentativa dos crimes que o compõem. e o delito se consuma. 17 caput). 230. 4o a tentativa não é punida). é punido a título de culpa. art. para parte da doutrina) b)os crimes preterdolosos ou preterintencionais. pois é inconcebível tentativa de tentativa. lesionandoa). É o que se denomina tentativa abandonada. o crime não se consuma por circunstâncias alheias à sua vontade (art. É o que diz o art. h)os crimes permanentes de forma exclusivamente omissiva. Ex: omissão de socorro (CP. e)os crimes unisubsistentes (materiais. No crime continuado. esse delito só poderá ser preterdoloso quando consumado) c)as contravenções penais (LCP. só responde pelos atos praticados”. Tentativa qualificada Só há tentativa quando. O todo. Ex. pois. desiste da consumação do crime ou impede que o resultado se produza. Ao contrário.Cruenta: a vítima é atingida. Do mesmo modo. e não se pode falar em crime. o agente vem a ser desarmado) ou na perfeita ( o autor descarrega a arma na vítima. Os crimes omissivos impróprios ou comissivos por omissão admitem tentativa. Desistência Voluntária. 122). d)os crimes omissivos próprios: ou o indivíduo deixa de realizar a conduta. formais ou de mera conduta) que se realizam por único ato. ou a realiza. não querido pelo agente. a tentativa ocorre com o começo de execução do delito inicia a formação da figura típica ou com a realização de um dos crimes que o integram. o regime vigente ou o Estado de Direito” (Lei de Segurança Nacional Lei n 7. Arrependimento eficaz e Desistência voluntária e arrependimento eficaz. i)os crimes de atentado. se a desistência ou o arrependimento forem involuntários. 135).898/65 (crimes de abuso de autoridade) etc. 3o da Lei n 4. Obs. embora qualificado pelo resultado. que não possuem um iter. art.: Embora não haja distinção quanto à pena abstratamente cominada no tipo. pode ocorrer tentativa cruenta na tentativa imperfeita ( a vítima é ferida. e logo em seguida. logo. No crime complexo.

Assim. repugnância pela conduta.. O arrependimento eficaz tem lugar quando o agente. Como vimos. Suponha-se que o sujeito. pois. a desistência é . Assim. o agente se arrepende. tanto a desistência quanto a resipiscência precisam ser voluntárias para a produção de efeitos jurídicos. Pode acontecer nos crimes materiais ou formais. O importante é que sua conduta seja voluntária. tendo já ultimado o processo de execução do crime. o arrependimento ativo tem natureza positiva: exige o desenvolvimento de nova atividade. dentro da residência da vítima e prestes a subtrair-lhe valores. bastando a voluntariedade. Não se exige que o abandono da empreitada criminosa seja espontâneo. só é possível na tentativa perfeita ou crime falho e nos delitos materiais ou causais. atua para impedi-lo.. piedade. dando-lhe um antídoto que a salva. decepção com a vantagem do crime. Não se trata de arrependimento ativo. pois nos crimes comissivos por omissão a desistência se concretiza através de conduta positiva. nestes. De acordo com a lição de Frank. mas mesmo assim aproveita ao agente. Isso significa que a renúncia pode não ser espontânea. remorso. ou por qualquer outra razão. sendo somente cabível na tentativa imperfeita ou inacabada. Segundo se depreende do art. EX. desiste da consumação do crime. 15. desenvolvendo nova atividade (aplicação do antídoto). ao perceber que seus movimentos são atentamente seguidos por outrem. Em conseqüência. Nos dois casos. Essa é a regra. sendo voluntária. se o sujeito só desiste de seu intento de cometer o crime diante do perigo de ser preso em flagrante. desejando evitar a produção do evento. E só há arrependimento ativo quando o agente esgota os meios de execução (tentativa perfeita). receio de ser descoberto. aproveita. já na residência da vítima para praticar furto. embora possa prosseguir na execução. antes da amamentação. uma vez que nela o sujeito esgota os atos de execução. o arrependimento ativo verifica-se quando o agente ultimou a fase executiva do delito e. quando reza: “ ou impede que o resultado se produza”. Ex: após ministrar veneno na alimentação da vítima. não determinada por circunstância alheia à sua vontade.O art.: o ladrão. uma vez que a norma penal considera atípico o processo executivo em relação ao crime que pretendia inicialmente praticar. Desta forma. não importa a natureza do motivo: pode desistir ou arrepender-se por medo. a mãe não havia empregado todos os meios a seu alcance para produzir a morte do filho. Desiste da consumação e alimenta a criança. desenvolve nova atividade impedindo a produção do resultado. que é o comportamento que havia sido omitido. No caso. No caso. A atipicidade fundamenta-se em razões de política criminal. consistindo em o agente não continuar a atividade inicialmente visada. só ocorre antes de o agente esgotar o processo executivo. A desistência não é espontânea. A desistência voluntária consiste numa abstenção de atividade: o sujeito cessa o seu comportamento delituoso. o agente não esgota todo o processo executivo do delito. Há o interesse social de criar uma ponte de ouro para o agente que abandona o seu propósito delitivo. o sujeito impede a consumação do homicídio.” Cuida do arrependimento eficaz na segunda. É impossível na tentativa perfeita. Por outro lado. mas de desistência voluntária. voluntariamente. porém não nos de mera conduta. depois de praticar ato idôneo à produção do evento morte. 15 faz referência à desistência voluntária em sua primeira parte: “o agente que. desiste de consumar o furto e se retira. na desistência voluntária. Ex: a mãe suspende a amamentação do filho a fim de causar sua morte. não há falar-se em desistência voluntária. o início de execução já constitui consumação. o sujeito não responde por tentativa. desista da consumação em face de violenta dor causada por infecção dentária. Enquanto a desistência voluntária tem caráter negativo.

e é involuntária quando tem de dizer: “ não posso prosseguir. e não consegue salvá-la. desiste de consumar o furto. 129) se antes ferira a vítima. fazendo-o suspender a prática dos atos executivos. senão para os efeitos do art. faz apenas um disparo contra a vítima. põe-se em fuga. dispondo de vários projéteis no tambor de seu revólver. uma vez que o comportamento que a constitui exterioriza a irrevogabilidade de sua intenção criminosa. dispara um só contra a vítima. Entendemos que há desistência voluntária. fortuitas ou não. É o que denomina tentativa qualificada. embora pudesse fazê-lo”. é que existe tentativa. dispondo de mais projéteis. embora podendo continuar a atirar. responde por lesão corporal (art. Assim. ou quando interferem circunstâncias outras independentes de sua vontade. E se é apenas erroneamente suposto o obstáculo que faz com que o sujeito desista de continuar a cometer o delito? Ex: um animal provoca barulho ao esbarrar numa porta. o resultado se verificou. desistindo de repetir os atos de execução do crime de homicídio. não obstante a desistência voluntária e o arrependimento eficaz. não repetiria os atos executivos do homicídio. portanto. Não há desistência voluntária quando o agente apenas suspende a execução do crime e continua a praticá-lo posteriormente. 133 do CP (aplicação da pena). Enquanto está na simples fase de “adiamento” da empresa criminosa. Aquele que dispunha de um só projétil não efetuou outros disparos porque não podia proceder de outra forma e é mera suposição dizer que. para que não ocorra a causa de exclusão da adequação típica é imprescindível que ele renove ou se aproveite dos atos já executados. responde por homicídio. 150). Ele não se valeu de todos os meios de que dispunha. Todavia. É evidente que só responde pelos atos praticados quando relevantes para o Direito Penal. se o ladrão. É o ensinamento de Vannini. Para tornar atípicos os atos executivos que iriam realizar a tentativa o arrependimento precisa ser eficaz. ainda que o quisesse”. É o problema da não-repetição dos atos de execução. dá prova evidente de que assim procede voluntariamente. desistindo da prática do furto. se o agente ministra antídoto à vítima que antes envenenara. aproveitando-se dos atos já cometidos. art. Diz a última parte do art. uma vez que a desistência é involntária. o arrependimento operoso do réu se tornou ineficaz. no sentido de que. dentro da casa da vítima.voluntária quando o agente pode dizer: “não quero prosseguir. não há desistência de propósito. Supondo o agente que é a vítima que vem surpreendê-lo. malgrado toda boa vontade. Há tentativa. não poderia tal arrependimento favorecer ao culpado. cessando a atividade. em caso de dispor de outros. No caso. Questão interessante é saber se responde por tentativa de homicídio o agente que. Somente quando o agente é impedido. O agente que. que se aplica ao nosso Código: “Se. Desta forma. criando e mantendo um estado de perigo ao bem penalmente tutelado. Assim. responde por violação de domicilio (CP. retiram a tipicidade dos atos somente com referência ao crime cuja execução o agente iniciou. 15 que. Se desiste de consumar o homicídio. . há desistência voluntária. o agente responde pelos atos já praticados.

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