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Aquele Que Começou a Boa

Obra a Completará”?
Daniel Conegero

A Bíblia diz que Aquele que começou boa obra em nós irá aperfeiçoá-la até o dia
de nosso Senhor Jesus Cristo. Isso significa que os crentes estão debaixo da
maravilhosa preservação divina. A salvação não repousa sobre nossas próprias
forças ou qualquer mérito de nossa vontade, mas sobre a obra da graça de Deus
segundo o beneplácito de Sua vontade soberana.

Ao dar ações de graças a Deus pela vida dos crentes filipenses, o apóstolo Paulo foi
quem escreveu: “Estou convencido de que aquele que começou a boa obra em vocês,
vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:6).

Aquele que começou a boa obra


Dois pontos principais precisam ser esclarecidos na frase: “Aquele que começou a
boa obra”. Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que Aquele que começou a
boa obra obviamente não é outro se não o próprio Deus.
Em segundo lugar, é preciso saber qual é a boa obra que Ele começou. Alguns
intérpretes sugerem que a expressão “boa obra” está conectada ao verso anterior
quando Paulo fala da cooperação dos filipenses da evangelização (Filipenses 1:5).
Então a “boa obra” seria os esforços daqueles crentes que, impelidos pelo Senhor,
compartilharam seus recursos para a propagação do Evangelho.
Contudo, a melhor interpretação sem dúvida é aquela que aplica esse texto à
salvação e à vida cristã. Isso significa que a boa obra que Deus começou na vida do
crente é a obra da salvação – incluindo todas as bênçãos inerentes a ela. Além
disso, essa interpretação não exclui totalmente a primeira. Ora, o verdadeiro
engajamento com a proclamação do Evangelho não é algo decorrente da salvação
operada por Deus no crente?

Portanto, a frase: “Aquele que começou a boa obra” nos ensina uma importa lição: a
salvação é obra de Deus; somente d’Ele. A palavra “começou” traduz um verbo
grego que significa literalmente “fazer um começo”. Além de Filipenses 1:6, esse
verbo aparece somente outra vez no Novo Testamento (Gálatas 3:3). Em ambas as
vezes ele se refere à salvação como uma obra que não depende do esforço
humano (cf. Gálatas 3:3).
Como diz John Gill, essa obra é uma “boa obra”, isto é, uma obra excelente, pois é
obra do Deus Triúno. Essa boa obra não é movida pelas obras dos homens, mas
pela boa vontade, prazer, graça e misericórdia divinas.

Vai completá-la até o dia de Cristo Jesus


Não apenas a origem da salvação está em Deus, como também sua consumação.
Por isso Paulo tinha certeza de que Aquele que começou a boa obra nos crentes
filipenses também haveria de completá-la até o dia de Cristo Jesus. A expressão
“vai completá-la” significa “a apresentará completa”.

Isso quer dizer que o mesmo Deus que começa a boa obra da salvação na vida do
indivíduo não o abandona a própria sorte; ao contrário, Ele continua a trabalhar
nele por meio de Seu Santo Espírito. Warren Wiersbe explica que a salvação pode
ser compreendida numa obra tripla: 1) a obra que Deus realiza por nós – a salvação
em si; 2) a obra que Deus realiza em nós – santificação; 3) a obra que Deus realiza
por meio de nós – o serviço.
Então basicamente o versículo que diz: “Aquele que começou a boa obra em vós, vai
completá-la até o dia de Cristo” aponta para a segurança eterna do cristão que é
preservado pela graça de Deus. É realmente um grande conforto saber que Aquele
que começou a boa obra na vida de cada um dos redimidos irá completá-la até o
grande dia da volta do Senhor Jesus.

A certeza da boa obra de Deus no crente


Alguém pode perguntar: É certo mesmo que Deus irá guardar e aperfeiçoar os
redimidos até o fim? Veja que Paulo diz estar “plenamente certo” disso. Ele tem
certeza que Deus não deixará inacabada a boa obra que Ele mesmo começou (cf. 1
Coríntios 1:8).

Deus não é como os homens, Deus é imutável. Ele não faz nada pela metade. Ele
tem um propósito que ninguém é capaz de frustrar (cf. Jó 42:2). Deus é fiel a Sua
Palavra a qual garante a preservação de Seus filhos. Em seu comentário do Novo
Testamento, William Hendriksen cita algumas dessas promessas (C.N.T. Efésio e
Filipenses, paginas 417 e 418). Ele observa que o ensino bíblico nos fala de:
• Uma fidelidade que jamais será tirada (Salmos 89:33; 138:8).

• Uma vida que jamais terá fim (João 3:16).

• Uma fonte de água que jamais deixará de borbulhar do coração daquele


que a bebe (João 4:14).

• Um dom que jamais será perdido (João 6:37,39).

• Uma mão da qual a ovelha do bom Pastor jamais será arrebatada (João
10:28).

• Uma corrente que jamais será partida (Romanos 8:29,30).

• Um amor do qual jamais nos separaremos (Romanos 8:39).

• Uma vocação que jamais será cancelada (Romanos 11:29).

• Um fundamento que jamais será destruído (2 Timóteo 2:19).

• Uma herança que jamais será desfeita (1 Pedro 1:4,5).

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Se Aquele que começou a boa obra a


completará, qual é a nossa
responsabilidade?
É preciso dizer que a garantia da preservação divina não anula a responsabilidade e
a perseverança humanas. É fácil perceber que antes de dizer que Aquele que
começou a boa obra nos crentes filipenses também haveria de completá-la, Paulo
elogiou o empenho e o trabalho deles em prol da obra de Deus (Filipenses 1:5).

Além disso, no capítulo seguinte o apóstolo coloca essas duas verdades lado a lado
de forma ainda mais clara ao dizer: “Assim também operai a vossa salvação com
temor e tremor, porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar,
segundo a Sua boa vontade” (Filipenses 2:12,13).
Isso significa que a boa obra operada por Deus do começo ao fim no crente o
capacita para uma vida de serviço em Sua obra. No Reino de Deus não há espaço
para ociosidade. Sobre isso, Hendriksen explica que ainda que seja verdade que
Deus inicia sua obra para completá-la, também é verdade que, uma vez que Deus
tenha começado Sua obra nos homens, estes jamais permanecem como meros
instrumentos passivos.
Na boa obra operada por Deus o entendimento do homem é iluminado, a
inclinação de seu coração é transformada quando ele recebe vida espiritual, e seu
caráter é moldado à semelhança de Cristo. Concordo com John Gill quando diz que
essa operação da graça de Deus na vida do homem o habilita e o qualifica para
realizar boas obras, as quais sem a graça ele não poderia fazer. A graça faz do
homem uma habitação adequada para Deus, e dá-lhe satisfação pela herança
celestial.

Então saber que Aquele que começou a boa obra em nós há completá-la até o dia
de Cristo Jesus, jamais deve ser um incentivo à negligência espiritual. Na verdade
esse ensino deve nos encorajar a trabalhar ainda mais na causa do Evangelho,
sabendo que o próprio Deus é quem está operando em nós a Sua boa obra.