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O MEIO AMBIENTE E A RELIGIÃO

ATITUDES HUMANAS COM RELAÇÃO À NATUREZA


Veneração - Antes da revolução neolítica, o homem via a natureza como uma força
incontrolável e temível. As forças da natureza eram vistas como divindades que
podiam ser controladas com rituais religiosos ou mágicos.

Submissão - Com o desenvolvimento da agricultura, os seres humanos passaram


a depender da natureza. Os ciclos anuais tornaram-se uma realidade a que eles
não podem escapar. Aquele que não se submetesse a essa realidade estaria
sujeito à morte, pois todos os homens passaram a depender dos caprichos da
natureza. Algumas horas de tempestade, por exemplo, poderiam acabar com o trabalho de um ano inteiro.

Obediência - Durante a Idade Média, o geocentrismo determinava a Terra como o centro do Universo. A
natureza e tudo o que existia estava a serviço do homem, sua principal criatura e para quem tudo havia sido
criado. Como a natureza estava a serviço do homem, ele deveria submetê-la, e não tinha para com ela
nenhum respeito sagrado.

Do princípio ao fim? - A partir da Modernidade e nos dias atuais (contemporâneo), o relacionamento do ser
humano com a natureza pode ser assim resumido:

a) Descobrimento - No Renascimento, o homem toma consciência de sua autonomia e superioridade


sobre a natureza. O mundo é algo que deve ser descoberto e conquistado.

b) Administração - Na Idade Moderna, a natureza não é mais um objeto de admiração, mas de interesse
intelectual. Deus é visto como o relojoeiro divino que, depois de criar o mundo, cruzou os braços e foi
contemplar o funcionamento de sua criação. Ao ser humano caberia, então, administrar o Universo, de
acordo com regras que ele deveria desvendar.

c) Transformação - As inovações tecnológicas da Idade Contemporânea são o resultado do


desenvolvimento incessante de novas técnicas. Os homens trocam a natureza pela fábrica, o campo pela
cidade, a fé em Deus pela confiança na máquina. O mundo é considerado uma mina ou um laboratório.

d) Secularização - No mundo secularizado de hoje, não há espaço para Deus na Terra. O homem deve
dispor dos recursos e matérias-primas da natureza para o seu bem-estar. A exploração da natureza é o
orgulho do homem. Produção e consumo condicionam o êxito do humano em sua existência no cosmos.

e) Ecologia - A natureza é nossa casa. O homem também é parte da natureza. A valorização da natureza
se concretiza na ideia de conservação: é necessário defender a natureza das agressões que acabam
com os recursos que tornam possível a vida na Terra.

ATIVIDADE
1. Qual a diferença entre a idade moderna e contemporânea?

2. Na Idade Média, como o homem enxergava a natureza?

3. Você acredita que as inovações tecnológicas prejudicam a natureza? Por quê?

4. Para você, como a religião poderia contribuir para a preservação da natureza?

(EF08ER01) Discutir como as crenças e convicções podem influenciar escolhas e atitudes pessoais e
coletivas.
O QUE TEM A VER RELIGIÃO COM MEIO AMBIENTE?

Uma pequena análise de como a questão ambiental é tratada nas principais


religiões do mundo. Ainda há quem estranha quando questões ambientais são
discutidas no meio religioso. O líder espiritual Chico Xavier, afirmou que "Ambiente
limpo não é o que mais se limpa e sim o que menos se suja". O movimento
ambiental não pode recusar a força que o movimento religioso tem.
Ciência e religião unidas para defender a TERRA. Em boa parte das tradições
religiosas a humanidade seria responsável por cuidar da Terra e de todas as
outras criaturas vivas para o Criador. O Homo sapiens seria uma espécie
privilegiada pela razão, e por isso teria essa predominância sobre as demais
criaturas.

BUDISMO - O Budismo defende uma atitude simples e não agressiva para com a
natureza. Os conceitos de Karma e Renascimento apontam uma conexão entre todas as formas de vida
sencientes. Na visão do monge tailandês Buddhadasa Bhikkhu (1906-1993), o Cosmo inteiro é uma
cooperativa. O Sol, a Lua e as estrelas vivem juntos, e o mesmo é verdadeiro para os seres humanos e
animais, árvores e a Terra.

CRISTIANISMO - A dominação do homem não poderia ser tomada como licença para abusar, esbanjar ou
destruir o que foi criado por Deus. De acordo com o catolicismo do papa Francisco, a humanidade deveria
mostrar responsabilidade por lugares e espécies, ser o “mordomo” da continuidade da vida, cuidar da Terra
como criação de Deus, ser responsável pelo bem comum e para as gerações futuras, promover uma visão de
consumo de recursos menos predatória.

HINDUÍSMO - Para o Hinduísmo, todas as vidas têm a mesma importância e desempenham papéis fixos,
mas em conjunto. Se algum elo dessa cadeia é perdido, todo o equilíbrio ecológico será perturbado. Todos os
tipos de vida – insetos, pássaros e animais em geral – contribuem para a manutenção do equilíbrio ecológico.
No entanto, todos os animais desempenham suas funções sem precisar refletir sobre o que estão fazendo.
Por isso, a contribuição da humanidade nessa cadeia deveria ser maior. O ambiente natural também tem
destaque nas antigas escrituras hindus. Florestas e bosques são considerados sagrados. Assim como
animais foram associados com deuses e deusas, plantas e árvores também foram relacionadas ao panteão
hindu. O Mahabharata, texto sagrado monumental em tamanho e importância no hinduísmo, diz que, “mesmo
se houver apenas uma árvore cheia de flores e frutos em uma aldeia, esse lugar se torna digno de adoração
e respeito”. Um antigo ditado hindu diz: “A Terra é nossa mãe e todos nós somos seus filhos. A Terra
alimenta, abriga e veste. Sem ela não nos é possível sobreviver. Se a humanidade, como filha, não cuidar
dela, ela diminuirá sua capacidade de cuidar dos seres humanos”.

ISLAMISMO - Para o Islamismo, o papel da humanidade na Terra é de um “curador” de Deus. A Terra


pertence a Deus, e à humanidade foi confiada a sua guarda. Manter a integridade da Terra seria, então,
tarefa do homem como guardião do planeta. A humanidade deve preservar o equilíbrio. Em virtude de nossa
inteligência, o homem deveria ser a única criação de Deus com a responsabilidade global de manter o planeta
no equilíbrio ecológico encontrado quando da criação da Terra.

JUDAÍSMO - A narrativa da criação, que abre a Torá, é bem clara nesse sentido: “Preserve este belo mundo
para seus descendentes, porque, se você deixar de fazê-lo, não haverá mais chances para restaurá-lo”. Deus
situa o homem no jardim e diz a ele para trabalhá-lo e vigiá-lo. Estas seriam as implicações desse domínio.
Tal mandamento, de vigiar o jardim, caracterizaria a Terra como propriedade de Deus, não dos homens.

KARDECISMO - Segundo o Espiritismo, quando o planeta adoece, o projeto evolutivo fica comprometido.
Emmanuel, em O Consolador, diz que o meio ambiente influi no espírito. A Espiritualidade alerta que o
materialismo exacerbado, que o “ter por ter”, cada vez mais presente em nosso modelo de desenvolvimento
econômico, não é ecológico, pois acelera a degradação, a exaustão dos recursos naturais. Quando se ataca
a biodiversidade, subtrai a vida de espécies importantes para que o equilíbrio em escala planetária seja
possível. Cada pequena espécie por mais insignificante que seja, colabora para que esse equilíbrio exista. É
fundamental que o alerta contra o consumismo seja entendido como uma dupla proteção: ao meio ambiente,
e ao espírito imortal, já que, de acordo com a Doutrina Espírita, uma das características predominantes dos
mundos inferiores da Criação é justamente a atração pela matéria. Nesse sentido, não há distinção entre
consumismo e materialismo.

WICCANISMO - Sendo a Wicca uma religião da natureza, não é de espantar o seu interesse pelas questões
ambientais. A preservação da natureza/Gaia não tem apenas um interesse enquanto base material da vida
humana, mas adquire uma dimensão sagrada. O Paganismo interpreta com maior profundidade as questões
ecológicas, uma vez que considera a natureza e qualquer dos seus elementos tão sagrados como o Deus ou
a Deusa. O respeito pela natureza é assim um valor intrínseco e fundamental no Paganismo. O Homem e
todas as outras criaturas viventes bem como os espaços onde habitam são tidos como sagrados. O esforço é,
portanto, dirigido simultaneamente no sentido da salvaguarda da natureza e no melhoramento da condição
humana. A união e o respeito com a natureza são aspectos fundamentais para os praticantes. Os wiccanos
buscam a harmonia e creditam muitas curas ao poder da natureza e dos animais. A preocupação com o meio
ambiente é uma das bandeiras levantadas pelo grupo.

TAOISMO - Para o taoísmo, a natureza apresenta um equilíbrio inato. Parte do princípio de que a natureza é,
intrinsecamente, perfeita e harmoniosa: nesse sentido, qualquer ação nossa, mesmo que seja bem-
intencionada, tende a perturbar essa harmonia. Para nos harmonizarmos, basta, portanto, contemplarmos a
natureza e tomá-la como referência em nossas atitudes e pensamentos. O melhor que temos a fazer é
procurar minimizar ao máximo nossas ações no universo.

XINTOÍSMO - O homem vive graças à natureza, a tudo quanto ela lhe fornece, pelo que a sua atitude deve
ser de profunda gratidão e reverência, deve reconhecer a sua humildade, num espírito de coexistência
pacífica. Promover a integração com a natureza, uma forma de purificação, elevação espiritual, e
oportunidade para reflexão e meditação. Toda a natureza descende de kami assim como a humanidade, fica
claro que tudo está interligado tendo como origem em comum um ancestral divino. Assim sendo o ser
humano e a natureza, seus elementos, minerais, vegetais e animais, são parentes.

ANIMISMO/XAMANTISMO - É a cosmovisão em que entidades não humanas (animais, plantas, objetos


inanimados ou fenômenos) possuem uma essência espiritual. Algumas lendas e mitos das religiões tribais
nos falam que Deuses, animais ou espíritos ensinaram aos homens a usar as plantas para cura, divinação e
contato com o mundo espiritual. Cada pessoa é diferente uma da outra, a alma continuava a viver após a
morte, deixando o corpo para morar em árvores, rochas, rios, etc... Não há separação entre o mundo
espiritual e o mundo físico, e de que existem espíritos, não só em seres humanos, mas também em alguns
outros animais, plantas, rochas, montanhas, rios, ou em outras entidades do meio ambiente natural, como o
trovão, o vento e as sombras. Há respeito por tudo que é natural, é sagrado.
O pensamento animista procura atribuir características pessoais e humanas antropomórficas a elementos da
natureza como o mar, a floresta, o céu, estrelas, os animais, etc... Já o Xamanismo é o conjunto de práticas
religiosas animistas primitivas que envolvem curas, transes e possíveis contatos com espíritos, muitas vezes
auxiliadas pelo uso de elementos extraídos de fontes naturais de efeito psicoativo ou enteógeno.

As cinco maiores religiões do mundo (Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo, Judaísmo e Budismo), no ano de
1986, assinaram a Declaração de Assis, que visa uma reavaliação dos seus ensinamentos religiosos em
respeito à natureza e sua destruição. Esse acordo foi um grande passo das religiões em busca da
preservação do meio ambiente. Qual afirmativa INCORRETA que não se relaciona a essa afirmação?
a) Essas grandes religiões congregam por meio de seus fiéis a maior parte da população mundial.
b) Elas exercem importantíssimo impacto sobre a economia e o meio ambiente na atualidade.
c) Onde todos os fiéis de cada religião tem a obrigação de cuidar e preservar o meio ambiente.
d) Que meio ambiente não é assunto religioso para ser discutido nas religiões.

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