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MODAL AÉROVIÁRIO

O modal de transporte aéreo consiste no transporte de pessoas ou mercadorias


através de aeronaves (tráfego aéreo), podendo ser nacional ou internacional.
A partir da Segunda Guerra Mundial a aviação comercial assistiu a um grande
desenvolvimento, transformando o avião em um dos principais meios de transporte
de passageiros e mercadorias no contexto mundial.

Atualmente, no transporte aéreo, a carga pode ser transportada por dois tipos de
empresas aéreas: mistas ou exclusivamente cargueiras. No serviço misto, as
empresas transportam a carga nos porões, proporcionando um complemento de
receita às provenientes pela operação do transporte de passageiros. Já as
operações cargueiras se caracterizam pela realização de operações inteiramente
dedicadas. Além disso, as empresas cargueiras podem se constituir como
integradoras, isto é, quando o transporte da carga pode ser realizado por mais de
um modal, de tal modo que a empresa se responsabiliza por todas as etapas da
logística porta a porta (possuindo frotas terrestres ou ainda marítimas em adição ao
modal aéreo). Ou de outro modo, as empresas cargueiras podem operar apenas o
trecho aéreo. As empresas integradoras são chamadas ainda de empresas de
entregas expressas, devido à necessidade de agilidade na entrega da mercadoria.
Também são típicos dos serviços oferecidos por estas empresas, o rastreamento do
produto e a garantia da entrega. O desenvolvimento deste serviço vem suprir a
demanda do sistema de produção just in time, que requer a operação de uma
logística eficiente e implica a redução de custos de armazenamento, espaço e
pessoal.
O comércio exterior mundial é o principal vetor propulsor para o crescimento do
transporte de carga aérea, não só de produtos finais, como também de insumos,
sejam esses últimos comercializados entre empresas ou no âmbito de cadeias de
produção das companhias globais.
As vantagens associadas ao transporte aéreo de carga fazem com que esse tipo de
transporte tenha um maior valor percebido por seus usuários em comparação aos
modais terrestre, marítimo e ferroviário. Como pontos fortes da utilização do modal
aéreo, tem se:
 A rapidez do transporte (especialmente para longas distâncias como as
intercontinentais);
 Segurança;
 Baixo risco de perda ou danificação da mercadoria transportada.
No entanto, o transporte aéreo possui algumas desvantagens em relação aos seus
competidores:
 Maior custo por tonelada transportada;
 Limitação de tamanho e peso dos produtos;
 Menor capacidade de carga, se comparado aos outros modais, ganhando
apenas do rodoviário;
 Valor do frete mais elevado em relação aos outros modais.
 Impossibilidade de transporte de carga a granel, como por exemplo, minérios,
petróleo, grãos e químico;
 Existência de severas restrições quanto ao transporte de artigos perigosos.
O transporte aéreo é o único dentro de sua característica, sua atividade, devido à
velocidade, envolve com facilidade e rapidez vários países. Pode ser dividido em:

 Internacional – transporte envolvendo aeroportos de diferentes países, isto


é, aquele que representa operações de comércio exterior.

 Nacional – denominado de transporte doméstico ou de cabotagem, embora


este termo não seja muito utilizado, que faz a ligação entre aeroportos de um
mesmo país.

Embora diferentes nos seus conceitos, as duas assemelham-se quanto à segurança


e operacionalidade. Seguem os mesmos princípios, tanto para as cargas
domésticas, quanto às cargas internacionais, e são baseados em normas da IATA
(international Air Transport association) e em acordos e convenções internacionais.

TIPOS DE AERONAVES 
As aeronaves subdividem-se em:

 All Cargo ou Full Cargo: uso exclusivo para transporte de carga, pois


apresenta uma capacidade maior de transporte de mercadorias, utilizando o deck
superior e inferior.
 Combi: transporte misto. Utilizadas para transporte conjunto de passageiros
e cargas, podendo ser tanto no andar inferior quanto no superior.
 Full Pax: avião de passageiros. O deck superior é utilizado exclusivamente
para transporte de passageiros, e o inferior, destinado ao transporte de bagagem.
Na eventual sobra de espaço é preenchido com carga.

CONHECIMENTO DE EMBARQUE AÉREO


O Conhecimento de embarque tem a finalidade de provar que a carga foi entregue
pelo embarcador ao transportador, servindo como um recibo de entrega da
mercadoria e evidenciando a existência de um contrato de transporte entre o usuário
e o transportador e dados da mercadoria, descrição do vôo, tipos de tarifa e cálculo
de seu valor e como certificado de seguro, nos casos em que a mercadoria é
segurada através da companhia aérea.

O AWB é composto de três originais: o primeiro original fica com o transportador; o


segundo, acompanha a mercadoria durante o transporte e é entregue ao
destinatário; o terceiro é dado ao expedidor, comprovando o embarque da
mercadoria.

Tipos de Conhecimento de Embarque:

 AWB (Air Waybill): trata-se de um Conhecimento da companhia aérea,


emitido diretamente por ela ou por seu agente para o exportador, em caso de
cargas não consolidadas.
 MAWB (Máster Air Waybill): é o documento emitido para a companhia aérea
em casos de cargas consolidadas pelo agente. Representa a totalidade da carga
entregue por diversos embarcadores e consolidadas em um único embarque. O
MAWB não é entregue aos embarcadores, pois estes receberão os HAWBs
emitidos pelo agente para suas cargas individuais.

As negociações de serviços de transporte de carga aérea, via de regra, se


apresentam por meio de contratos de longo prazo, em que empresa de carga e
fornecedor estabelecem determinado volume e regularidade do serviço; e pelo
mercado spot, em que o contrato para transporte da carga se firma de forma avulsa,
com fretes pré-determinados de acordo com a natureza, peso e volume da carga.
São ainda formas utilizadas para a comercialização do transporte de carga aérea o
wet lease de aeronaves, feito por empresas de logística, e a terceirização da carga
de porão por empresas que não têm interesse de gerenciar o negócio; as empresas
low-cost são um exemplo desse último caso.
O transporte de carga via modal aéreo é mais caro que os seus substitutos.
Segundo um estudo do Banco Mundial30, ele é quatro a cinco vezes o custo do
transporte terrestre e de doze a dezesseis vezes o custo do transporte marítimo.
Principais Custos:
 Custo de capital das aeronaves, como depreciação e amortização da compra de
aeronaves e alugueis por leasing de aeronaves;
 Custos diretos de operação como combustível, manutenção, tripulação e seguros;
 Taxas de navegação e de aeroporto: pouso e permanências (baseadas no peso da
aeronave) e, no caso de taxas de navegação, na extensão do sobrevoo sobre o país
que cobra as taxas;
 Taxas de capatazia;
 Custos de administração da empresa aérea.
Principais produtos transportados via aérea:
 Documentos como modelos de produtos, projetos e desenhos técnicos;
 Amostras de produção;
 Produtos perecíveis provenientes da agricultura como flores cortadas, frutas
frescas e vegetais;
 Produtos do mar, principalmente produtos frescos do mar;
 Bens eletrônicos de consumo;
 Produtos farmacêuticos de curta validade;
 Peças de vestuários de moda;
 Produtos de luxo: ouro, joias, carros e obras de arte.
BRASIL
O transporte aéreo brasileiro permite a conexão da indústria nacional com o resto do
mundo de forma a expandir a atuação do nosso comércio exterior. É um setor sólido,
empregando mais de 1,1 milhão de pessoas, com uma contribuição bastante
expressiva no PIB nacional: US$ 32,9 bilhões. É um dos cinco maiores mercados
domésticos no mundo neste modal.

Uma das principais tendências é que, por meio dos acordos bilaterais com outros
países, o mercado internacional seja mais aquecido. Gerando a necessidade de
transporte com melhor custo-benefício entre os países. Com isso, a exigência do
uso do modal aéreo aumenta. Além do aumento do serviço, isso significa também a
oportunidade de novos negócios. Assim, as empresas que souberem explorar essa
possibilidade poderão contar com parceiros novos em outros países, expandindo
suas atividades. E se o crescimento do setor já vinha ocorrendo nos últimos anos, a
tendência é que esse movimento persista não só no Brasil, mas em todo o mundo.
Segundo a Seabury, uma das consultorias globais mais respeitadas do mundo, entre
2019 e 2022 ocorrerá um aumento médio de 3,5% ao ano.

Além disso, o leilão dos aeroportos nacionais também deve aquecer o setor de
transporte potencializando esses números nos próximos anos. Isso porque, com as
concessões, abre-se a possibilidade para novos investimentos. Trazendo
competitividade e modernidade para o setor como um todo.
Por exemplo, permite-se a adesão de novas tecnologias que permitem um maior
desenvolvimento do mercado e uma melhor relação com os clientes intermediários e
final.

No entanto, o que deveria ser uma vantagem acaba não se concretizando na prática
por causa da burocracia. As cargas, de fato, são transportadas rapidamente de um
ponto ao outro. Porém, ao chegarem ao segundo aeroporto, acabam ficando
“presas”, esperando conferência e liberação legal.

Em outros países continentais, como China e Estados Unidos, esse processo


demora normalmente 8 horas, ou seja, tudo é resolvido no mesmo dia. No Brasil, as
cargas podem ficar até 1 semana no aeroporto antes de uma resolução.

SITUAÇÃO ATUAL

O aumento das exportações brasileiras de produtos básicos e a queda na venda de


bens industriais têm refletido diretamente na participação do transporte aéreo de
cargas no comércio exterior. De acordo com estudo da Confederação Nacional da
Indústria (CNI), o percentual de cargas transportadas por aviões passou de 18,7%
em 2000 para 11,1% em 2018. Um valor bem inferior ao dos Estados Unidos, por
exemplo, onde esse modal representa 27,5%. Na União Europeia, a
representatividade é ainda maior e salta para 33,1%.
Assim como outras reduções, esse não é um bom sinal para a economia brasileira,
já que o valor médio de cada quilo exportado pelo modal aéreo é de US$ 9,4,
enquanto no marítimo cai para US$ 0,3 e, no rodoviário, US$ 2,2. O impacto ainda é
maior quando focado no setor industrial, que mais utiliza o transporte aéreo para
envio de produtos de maior valor agregado, e foi o mais afetado com essa queda. 

Referências
https://calhambequi.wordpress.com/2013/05/10/transporte-aereo/
https://logisticaeomundo.wordpress.com/2017/08/21/modal-aereo/
https://portoenoticias.com.br/interna/logistica-e-transporte/transporte-aereo-perde-
representatividade-no-comercio-exterior-brasileiro
https://www.prestex.com.br/blog/logistica-nacional-problemas-e-solucoes/
https://www.anac.gov.br/assuntos/setor-regulado/empresas/envio-de-
informacoes/base-de-dados-estatisticos-do-transporte-aereo