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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

EXERCÍCIOS COMENTADOS
1. (INSTITUTO AOCP) Em relação à Lei nº 5.553/1968,
que dispõe sobre a apresentação e uso de documen-
LEI Nº 5.553, DE 1968 E LEI Nº 12.037, tos de identificação pessoal, assinale a alternativa
incorreta.
DE 2009
a) A nenhuma pessoa física, bem como a nenhuma pes-
A Lei nº 5.553/68 trata sobre o uso e a apresentação soa jurídica, de direito público ou de direito privado, é
de documentos que identifiquem a pessoa: lícito reter qualquer documento de identificação pes-
soal, ainda que apresentado por fotocópia autenticada
Art. 1º A nenhuma pessoa física, bem como a ou pública-forma, inclusive comprovante de quitação
nenhuma pessoa jurídica, de direito público ou de com o serviço militar, título de eleitor, carteira profis-
direito privado, é lícito reter qualquer documento sional, certidão de registro de nascimento, certidão de
de identificação pessoal, ainda que apresentado casamento, comprovante de naturalização e carteira
por fotocópia autenticada ou pública-forma, inclu- de identidade de estrangeiro.
sive comprovante de quitação com o serviço mili- b) Quando à infração for praticada por preposto ou agen-
tar, título de eleitor, carteira profissional, certidão te de pessoa jurídica, considerar-se-à responsável
de registro de nascimento, certidão de casamento, quem houver ordenado o ato que ensejou a retenção,
comprovante de naturalização e carteira de identi- a menos que haja, pelo executante, desobediência
dade de estrangeiro.
ou inobservância de ordens ou instruções expressas,
quando, então, será este o infrator.
c) Constitui contravenção penal, punível com pena de
Pela letra da lei, todas as pessoas, sejam elas físicas
prisão simples de 1 (um) a 3 (três) meses ou multa
ou jurídicas, de direito público ou de direito privado,
de NCR$ 0,50 (cinquenta centavos) a NCR$ 3,00 (três
não possuem o direito de reter documentos de identi- cruzeiros novos), a retenção de qualquer documento a
ficação pessoal (ex. RG). Quando, para a realização de que se refere esta Lei.
determinado ato, for exigida a apresentação de docu- d) Quando o documento de identidade for indispensável
mento de identificação, a pessoa que fizer a exigência para a entrada de pessoa em órgãos públicos ou parti-
fará extrair, no prazo de até 5 (cinco) dias, os dados culares, serão seus dados anotados no ato e devolvido
que interessarem devolvendo em seguida o documen- o documento imediatamente ao interessado.
to ao seu exibidor (art. 2). e) Quando, para a realização de determinado ato, for exi-
gida a apresentação de documento de identificação, a
pessoa que fizer a exigência fará extrair, no prazo de
5 dias
Apresentação do Documento Devolução até 25 (vinte e cinco) dias, os dados que interessarem
devolvendo em seguida o documento ao seu exibidor.
Qualquer intervenção diferente precisa de ordem
Quando, para a realização de determinado ato, for
judicial. Ex.: retenção do documento por mais tempo.
exigida a apresentação de documento de identifica-
ção, a pessoa que fizer a exigência fará extrair, no
Dica prazo de até 5 (cinco) dias, os dados que interessa-
rem devolvendo em seguida o documento ao seu exi-
Quando o documento de identidade for indispen-
bidor. Logo, a questão E é a incorreta, uma vez que
sável para a entrada de pessoa em órgãos públi- se refere a prazo diferente do trazido pela lei (art. 2).
cos ou particulares, serão seus dados anotados documento ao seu exibidor. Resposta: Letra E.
no ato e devolvido o documento imediatamente
ao interessado (art. 2, § 2º). 2. (VUNESP – 2018) Considerando o previsto na Lei n°
5.553/68 acerca da carteira de identidade, assinale a
Por fim, a lei determina que a retenção de docu- alternativa correta.
mento que vier a contrariar este ordenamento jurídi-
co configura uma contravenção penal: a) Quando o documento de identidade for indispensável
para a entrada de pessoa em órgãos públicos ou par-
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ticulares, serão os dados anotados, podendo o agente


Art. 3º Constitui contravenção penal, punível com
público reter o documento até a saída da pessoa do
pena de prisão simples de 1 (um) a 3 (três) meses ou
estabelecimento.
multa de NCR$ 0,50 (cinqüenta centavos) a NCR$
b) Constitui crime, punível com pena de prisão simples
3,00 (três cruzeiros novos), a retenção de qualquer
de 1 (um) a 3 (três) meses ou multa, a retenção de
documento a que se refere esta Lei. qualquer documento a que se refere a Lei n° 5.553/68.
Parágrafo único. Quando a infração for praticada c) Somente por ordem judicial ou do Ministério Público,
por preposto ou agente de pessoa jurídica, poderá ficar retido qualquer documento de identifica-
considerar-se-á responsável quem houver ordenado ção pessoal.
o ato que ensejou a retenção, a menos que haja , d) Quando o documento de identidade for indispensável
pelo executante, desobediência ou inobservância para a entrada de pessoa em órgãos públicos ou parti-
de ordens ou instruções expressas, quando, então, culares, serão seus dados anotados no ato e devolvido
será este o infrator. o documento imediatamente ao interessado. 1
e) Constitui crime, punível com pena de detenção de 3 Essa é a regra, porém, em casos especiais, o ECA
(três) meses a 1 (um) ano e multa, a retenção de qual- poderá ser aplicado a pessoas entre 18 a 21 anos de
quer documento a que se refere a Lei n° 5.553/68. idade.

Se o documento de identidade é indispensável para z Casos especiais: entre 18 a 21.


a entrada de determinada pessoa em órgãos públi-
cos ou particulares, serão seus dados anotados no A diferenciação entre criança e adolescente é
ato e devolvido o documento imediatamente ao inte- importante quando se trata da aplicação de medidas
ressado (Art. 2o, § 2o). Perceba, a devolução, neste de proteção pela prática de um ato infracional.
caso é imediata. Resposta: Letra D. Além das medidas “cautelares” prevê também o
ECA que as pessoas por ele tutelados (crianças e ado-
lescentes) têm todos os direitos fundamentais como
sistema de isonomia transformando a criança e ado-
lescente em sujeito de direitos.
LEI Nº 8.069, DE 1990 E SUAS
ALTERAÇÕES Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à
criança e ao adolescente.
Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta
Na maioria das vezes a cobrança em provas de
Lei, a pessoa até doze anos de idade, incompletos,
legislação limita-se ao texto de lei, suas interpretações
e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de
e alterações. Pensando nisso, ao escrevermos sobre idade.
essa legislação, contemplamos de forma compilada, Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, apli-
os pontos mais importantes do Estatuto da Criança e ca-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas
do Adolescente (ECA, Lei nº 8.069, de 13 de julho de entre dezoito e vinte e um anos de idade.
1990), sem, contudo, limita-lo ao texto de lei. Desse
modo, comentaremos os princípios e artigos nele con- O ECA tem três princípios fundamentais:
tidos com maior probabilidade de serem cobrados em
eventuais questões na sua prova. z Princípio da prioridade absoluta: é dever da
Abrangeremos, de modo aprofundado, os aspec- família, da comunidade, da sociedade em geral e do
tos mais relevantes de cada tópico do conteúdo exi- Poder Público assegurar, com absoluta prioridade,
gido, evitando-se, porém, discussões doutrinárias a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde,
desnecessárias. à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à
O conhecimento sobre as Normas Básicas do ECA profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respei-
está diretamente relacionado com a práxis do Agente to, à liberdade e à convivência familiar e comunitá-
ria. A garantia de prioridade compreende:
de Segurança Pública e, por isso, está presente no seu
edital.
a) primazia de receber proteção e socorro em quais-
Atente-se para as recentes alterações nos seus
quer circunstâncias;
estudos:
b) precedência do atendimento nos serviços públicos
ou de relevância pública;
z Inclusão do art. 8º pela Lei 13.798/2019; c) preferência na formulação e na execução das polí-
z Alteração no art. 53 pela Lei 13.715/2018; ticas sociais públicas;
z Inclusão do art. 53-A pela Lei 13.840/2019; d) destinação privilegiada de recursos públicos nas
z Alterações no art. 83 pela Lei 13.812/2019; áreas relacionadas com a proteção à infância e à
z Alterações no art. 123 pela Lei 13.824/2019; juventude.
z Inclusão do artigo 227-A pela Lei 13.869/2019.
z Princípio da dignidade: a criança e o adolescente
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES gozam de todos os direitos fundamentais inerentes
à pessoa humana, sem prejuízo da proteção inte-
O título I do ECA”, contido nos arts. 1º a 6º, aborda gral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por
as regras e princípios que irão nortear as demais dis- lei ou por outros, meios, todas as oportunidades
posições estatutárias, devendo estas serem invariavel- e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvi-
mente interpretadas e aplicadas visando a proteção mento físico, mental, moral, espiritual e social, em
integral em benefício das crianças e adolescentes. condições de liberdade e de dignidade.
A proteção integral indica que nada deve faltar à
criança e ao adolescente em todas suas necessidades Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será obje-
to de qualquer forma de negligência, discrimina-
essenciais.
ção, exploração, violência, crueldade e opressão,
Na interpretação dos dispositivos do ECA, é neces-
punido na forma da lei qualquer atentado, por ação
sário levar em conta os fins sociais a que ela se diri- ou omissão, aos seus direitos fundamentais.
ge, as exigências do bem comum, os direitos e deveres
individuais e coletivos e a condição peculiar da criança z Princípio da não discriminação: os direitos enun-
e do adolescente como pessoas em desenvolvimento. ciados nesta Lei aplicam-se a todas as crianças e
Mas quem são crianças e quem são adolescentes? adolescentes, sem discriminação de nascimento,
O ECA conceitua de forma objetiva quem é quem: situação familiar, idade, sexo, raça, etnia ou cor,
religião ou crença, deficiência, condição pessoal de
z Criança: até 12 anos incompletos. desenvolvimento e aprendizagem, condição eco-
2 z Adolescente: entre 12 a 18 anos. nômica, ambiente social, região e local de moradia
ou outra condição que diferencie as pessoas, as perinatal e pós-natal integral no âmbito do Sistema
famílias ou a comunidade em que vivem Único de Saúde.
§ 1° O atendimento pré-natal será realizado por
Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em profissionais da atenção primária.
conta os fins sociais e a que ela se dirige, as exi- § 2° Os profissionais de saúde de referência da ges-
gências do bem comum, os direitos e deveres indivi- tante garantirão sua vinculação, no último trimestre
duais e coletivos, e a condição peculiar da criança e da gestação, ao estabelecimento em que será realiza-
do adolescente como pessoas em desenvolvimento. do o parto, garantido o direito de opção da mulher.
§ 3° Os serviços de saúde onde o parto for realizado
Podemos ainda sintetizar esquematicamente os assegurarão às mulheres e aos seus filhos recém-
principais pontos relacionados aos princípios e regras -nascidos alta hospitalar responsável e contrarrefe-
gerais norteadores do ECA: rência na atenção primária, bem como o acesso a
outros serviços e a grupos de apoio à amamentação.
§ 4º Incumbe ao poder público proporcionar assis-
z Art. 1°: estabelece a Proteção Integral à Criança e
tência psicológica à gestante e à mãe, no período
ao Adolescente como princípio balizador do ECA.
pré e pós-natal, inclusive como forma de prevenir
z Art. 2°: definição de criança e adolescente. ou minorar as consequências do estado puerperal.
z Art. 3°: estabelece o princípio da isonomia, previs- § 5° A assistência referida no § 4 o deste artigo deve-
to no art. 5º da CF/88 rá ser prestada também a gestantes e mães que
z Art. 4°: estabelece os Deveres da Família, da Comu- manifestem interesse em entregar seus filhos para
nidade, Da Sociedade e do Estado. adoção, bem como a gestantes e mães que se encon-
z Art. 5°: estabelece as Proteções a favor das crian- trem em situação de privação de liberdade.
ças e adolescentes § 6° A gestante e a parturiente têm direito a 1 (um)
z Art. 6°: estabelece demais princípios norteadores acompanhante de sua preferência durante o perío-
do Estatuto, como os Fins Sociais, o bem comum, do do pré-natal, do trabalho de parto e do pós-parto
direitos e deveres individuais e coletivos e a con- imediato. 
dição peculiar da criança e do adolescente como § 7° A gestante deverá receber orientação sobre
pessoas em desenvolvimento. aleitamento materno, alimentação complementar
saudável e crescimento e desenvolvimento infantil,
DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS bem como sobre formas de favorecer a criação de
vínculos afetivos e de estimular o desenvolvimento
Do Direito à Vida e à Saúde integral da criança. 
§ 8° A gestante tem direito a acompanhamento sau-
dável durante toda a gestação e a parto natural cui-
O Estado, em todas as suas esferas (federal, estadual
dadoso, estabelecendo-se a aplicação de cesariana e
e municipal), tem o dever de fomentar políticas públi-
outras intervenções cirúrgicas por motivos médicos. 
cas voltadas à proteção integral da saúde de crianças e § 9° A atenção primária à saúde fará a busca ativa
adolescentes, em regime da mais absoluta prioridade. da gestante que não iniciar ou que abandonar as
Para tanto, devem ser destinados percentuais consultas de pré-natal, bem como da puérpera que
mínimos em política social básica de saúde com foco não comparecer às consultas pós-parto.
na criança e adolescente. Não é possível respeitar § 10 Incumbe ao poder público garantir, à gestante
direitos fundamentais sem destinação mínima. Tais e à mulher com filho na primeira infância que se
recursos devem ser aplicados à luz do princípio da encontrem sob custódia em unidade de privação de
máxima eficiência. E nesse sentido o ECA prevê que: liberdade, ambiência que atenda às normas sanitá-
rias e assistenciais do Sistema Único de Saúde para
Art. 7º A criança e o adolescente têm direito a pro- o acolhimento do filho, em articulação com o sis-
teção à vida e à saúde, mediante a efetivação de tema de ensino competente, visando ao desenvolvi-
políticas sociais públicas que permitam o nasci- mento integral da criança. 
mento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em Art. 8º-A  Fica instituída a Semana Nacional de
condições dignas de existência. Prevenção da Gravidez na Adolescência, a ser rea-
lizada anualmente na semana que incluir o dia 1º
Com relação à proteção à vida, todas as legislações de fevereiro, com o objetivo de disseminar informa-
consagram tal direito como aquele necessário a conse- ções sobre medidas preventivas e educativas que
cução dos demais. contribuam para a redução da incidência da gravi-
No tocante à saúde, o Estado tem o dever de imple- dez na adolescência. 
mentar políticas públicas voltadas à proteção integral Parágrafo único.  As ações destinadas a efetivar o
da saúde de crianças e adolescentes, devendo prio- disposto no  caput  deste artigo ficarão a cargo do
poder público, em conjunto com organizações da
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rizar a alocação de recursos orçamentários para tal


finalidade, como prevê o disposto no art. 198, da CF sociedade civil, e serão dirigidas prioritariamente
ao público adolescente. 
(com a nova redação que lhe deu a Emenda Consti-
tucional nº 29/2000, de 13/09/2000), que determina os
percentuais mínimos do produto da arrecadação dos A primeira infância compreende o período entre
impostos que devem ser utilizados para a implemen- os primeiros 6 anos completos ou 72 meses de vida
tação da política social básica de saúde, cujo planeja- da criança.
mento e ações priorizem crianças e adolescentes. Uma alteração recente do ECA instituiu a Semana
Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência,
Art. 8º É assegurado a todas as mulheres o acesso a ser realizada anualmente na semana que incluir
aos programas e às políticas de saúde da mulher e o dia 1º de fevereiro, com o objetivo de disseminar
de planejamento reprodutivo e, às gestantes, nutri- informações sobre medidas preventivas e educativas
ção adequada, atenção humanizada à gravidez, que contribuam para a redução da incidência da gra-
ao parto e ao puerpério e atendimento pré-natal, videz na adolescência. 3
adequada, enquanto a mãe permanecer na unidade
Importante! hospitalar, utilizando o corpo técnico já existente.
Art. 11. É assegurado acesso integral às linhas de
As ações destinadas a efetivar a Semana Nacio- cuidado voltadas à saúde da criança e do adoles-
nal ficarão a cargo do poder público, em conjunto cente, por intermédio do Sistema Único de Saúde,
com organizações da sociedade civil e serão diri- observado o princípio da equidade no acesso a
gidas prioritariamente ao público adolescente ações e serviços para promoção, proteção e recu-
peração da saúde.

O aleitamento materno, cujos benefícios para as O acesso universal não derroga a necessidade de
crianças, ao menos até o sexto mês de vida, dispensam metodologia própria para o enfrentamento das diver-
comentários, deve ser estimulado por meio de campa- sas demandas e situações peculiares que estão sujei-
nhas de orientação: tos os recém-nascidos, de acordo com o artigo 11:

Art. 9º O poder público, as instituições e os empre- §1° A criança e o adolescente com deficiência serão
gadores propiciarão condições adequadas ao alei- atendidos, sem discriminação ou segregação, em
tamento materno, inclusive aos filhos de mães suas necessidades gerais de saúde e específicas de
submetidas a medida privativa de liberdade. habilitação e reabilitação. (Redação dada pela Lei
§ 1° Os profissionais das unidades primárias de saú- nº 13.257, de 2016)
de desenvolverão ações sistemáticas, individuais §2° Incumbe ao poder público fornecer gratuita-
ou coletivas, visando ao planejamento, à implemen- mente, àqueles que necessitarem, medicamentos,
tação e à avaliação de ações de promoção, proteção órteses, próteses e outras tecnologias assistivas
e apoio ao aleitamento materno e à alimentação relativas ao tratamento, habilitação ou reabilita-
complementar saudável, de forma contínua.  ção para crianças e adolescentes, de acordo com
§ 2° Os serviços de unidades de terapia intensiva as linhas de cuidado voltadas às suas necessidades
neonatal deverão dispor de banco de leite humano
específicas.  (Redação dada pela Lei nº 13.257, de
ou unidade de coleta de leite humano.
2016)
§3° Os profissionais que atuam no cuidado diário
A CLT prevê que os estabelecimentos em que tra- ou frequente de crianças na primeira infância rece-
balharem pelo menos 30 mulheres com mais de 16 berão formação específica e permanente para a
anos de idade, deverão ter local apropriado onde seja detecção de sinais de risco para o desenvolvimento
permitido às empregadas guardar sob vigilância os psíquico, bem como para o acompanhamento que
seus filhos no período de amamentação. se fizer necessário. (Incluído pela Lei nº 13.257, de
Visando o crescimento sadio como direito de todos 2016)
os menores. No caso das presidiárias, essas também Art. 12. Os estabelecimentos de atendimento à
possuem o direito de amamentar. O caráter tutelar saúde, inclusive as unidades neonatais, de terapia
do ECA garante os direitos da criança que não podem intensiva e de cuidados intermediários, deverão
ser suprimidos pela situação em que se encontra sua proporcionar condições para a permanência em
genitora, como consequência da proteção integral aos tempo integral de um dos pais ou responsável, nos
mesmos. casos de internação de criança ou adolescente.
Ex.: Maria foi presa por roubo e está grávida. A
condição que coloca Maria como presidiária não Os estabelecimentos que atendam as gestantes
interfere no direito da criança, ao nascer, receber o deverão proporcionar condições para a permanência
leite materno. em tempo integral de um dos pais ou responsável,
Além disso o ECA, visando tutelar o recém-nascido, nos casos de internação de criança ou adolescente. Os
trouxe uma série de regras aos estabelecimentos de pais ou responsável poderão fiscalizar o atendimento
saúde que atendem gestantes: que está sendo dispensado ao seu filho e esse por sua
Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção vez se sentirá seguro facilitando sua recuperação.
à saúde de gestantes, públicos e particulares, são obri-
gados a (art. 10): Art. 13. Os casos de suspeita ou confirmação de
castigo físico, de tratamento cruel ou degradante
I – manter registro das atividades desenvolvidas, e de maus-tratos contra criança ou adolescente
através de prontuários individuais, pelo prazo de serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho
dezoito anos; Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de
II – identificar o recém-nascido mediante o regis- outras providências legais.
tro de sua impressão plantar e digital e da impres- § 1° As gestantes ou mães que manifestem interesse
são digital da mãe, sem prejuízo de outras formas em entregar seus filhos para adoção serão obriga-
normatizadas pela autoridade administrativa toriamente encaminhadas, sem constrangimento, à
competente; Justiça da Infância e da Juventude. 
III – proceder a exames visando ao diagnóstico e § 2° Os serviços de saúde em suas diferentes portas de
terapêutica de anormalidades no metabolismo do entrada, os serviços de assistência social em seu com-
recém-nascido, bem como prestar orientação aos ponente especializado, o Centro de Referência Espe-
pais; cializado de Assistência Social (Creas) e os demais
IV – fornecer declaração de nascimento onde cons- órgãos do Sistema de Garantia de Direitos da Criança
tem necessariamente as intercorrências do parto e e do Adolescente deverão conferir máxima priorida-
do desenvolvimento do neonato; de ao atendimento das crianças na faixa etária da
V – manter alojamento conjunto, possibilitando ao primeira infância com suspeita ou confirmação de
neonato a permanência junto à mãe. violência de qualquer natureza, formulando projeto
VI – acompanhar a prática do processo de ama- terapêutico singular que inclua intervenção em rede
4 mentação, prestando orientações quanto à técnica e, se necessário, acompanhamento domiciliar. 
Não incumbe ao Conselho Tutelar a investigação O art. 17 trata do direito ao respeito que consiste
criminal acerca da efetiva ocorrência de maus-tratos. em três pilares:
A ocorrência deve ser encaminhada ao Ministério
Público que decidirá ou não pela propositura de ação z Inviolabilidade da Integridade Física;
judicial. z Inviolabilidade Psíquica;
A necessidade de encaminhamento da mãe à Jus- z Integridade Moral.
tiça tem o objetivo de coibir práticas ilegais, abusivas
e mesmo criminosas como a “adoção à brasileira” e a Esses valores abrangem a preservação da imagem,
entrega de filho com vista à adoção mediante paga ou da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e
promessa de recompensa. crenças, dos espaços e objetos pessoais.
Além dos programas de assistência médica, de
acordo com o art. 14, o Sistema Único de Saúde pro- Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da
moverá programas de assistência odontológica para a criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qual-
prevenção das enfermidades que ordinariamente afe- quer tratamento desumano, violento, aterrorizan-
te, vexatório ou constrangedor.
tam a população infantil, e campanhas de educação
sanitária para pais, educadores e alunos.
Todo cidadão tem o dever de agir em sua defesa,
Ainda, em seus respectivos parágrafos:
diante de qualquer ameaça ou violação. A inércia,
§1° É obrigatória a vacinação das crianças nos casos
em tais casos, pode mesmo levar à responsabilização
recomendados pelas autoridades sanitárias.  daquele que se omitiu.
§2° O Sistema Único de Saúde promoverá a atenção O direito à imagem reveste-se de duplo conteúdo:
à saúde bucal das crianças e das gestantes, de forma moral, porque direito de personalidade; patrimonial,
transversal, integral e intersetorial com as demais porque assentado no princípio segundo o qual a nin-
linhas de cuidado direcionadas à mulher e à criança.  guém é lícito locupletar-se à custa alheia.
§3° A atenção odontológica à criança terá função Em se tratando de direito à imagem, a obrigação da
educativa protetiva e será prestada, inicialmente, reparação decorre do próprio uso indevido do direito
antes de o bebê nascer, por meio de aconselhamen- personalíssimo, não havendo de cogitar-se da prova da
to pré-natal, e, posteriormente, no sexto e no déci- existência de prejuízo ou dano, nem a consequência do
mo segundo anos de vida, com orientações sobre uso, se ofensivo ou não. Independe de prova do pre-
saúde bucal. juízo a indenização pela publicação não autorizada de
§4° A criança com necessidade de cuidados odonto- imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.
lógicos especiais será atendida pelo Sistema Único
de Saúde.  Art. 18-A A criança e o adolescente têm o direito de
§5° É obrigatória a aplicação a todas as crianças, ser educados e cuidados sem o uso de castigo
nos seus primeiros dezoito meses de vida, de proto- físico ou de tratamento cruel ou degradante,
colo ou outro instrumento construído com a finali- como formas de correção, disciplina, educação ou
dade de facilitar a detecção, em consulta pediátrica qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integran-
de acompanhamento da criança, de risco para o tes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos
seu desenvolvimento psíquico.  agentes públicos executores de medidas socioedu-
cativas ou por qualquer pessoa encarregada de cui-
Do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade dar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los.

Art. 15. A criança e o adolescente têm direito à Vale apontar que ao descumprir, dolosa ou culposa-
liberdade, ao respeito e à dignidade como pes- mente, os deveres inerentes ao pátrio poder familiar ou
soas humanas em processo de desenvolvimento e decorrente de tutela ou guarda, fere assim determina-
como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais ção da autoridade judiciária ou Conselho Tutelar.
garantidos na Constituição e nas leis. Para os fins do ECA, considera-se:

O princípio da dignidade da pessoa humana é uni- I - castigo físico: ação de natureza disciplinar ou
versalmente consagrado, sendo inerente a todo ser punitiva aplicada com o uso da força física sobre a
humano, independentemente da idade, sexo, cor, raça criança ou o adolescente que resulte em:
e etnia. a) sofrimento físico; ou
No art. 16 podemos encontrar expresso o direito à b) lesão;
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liberdade, que compreende os seguintes aspectos: II - tratamento cruel ou degradante: conduta ou


forma cruel de tratamento em relação à criança ou
Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguin- ao adolescente que:
tes aspectos: a) humilhe; ou
I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços b) ameace gravemente; ou
comunitários, ressalvadas as restrições legais; c) ridicularize
II - opinião e expressão;
III - crença e culto religioso; Inclusive, sendo considerada infração adminis-
IV - brincar, praticar esportes e divertir-se; trativa o ato de divulgar, total ou parcialmente, sem
V - participar da vida familiar e comunitária, sem autorização devida, por qualquer meio de comunica-
discriminação; ção, nome, ato ou documento de procedimento poli-
VI - participar da vida política, na forma da lei; cial, administrativo ou judicial relativo à criança ou
VII - buscar refúgio, auxílio e orientação. adolescente a que se atribua ato infracional. 5
E, não administrativa, mas também crime, com a § 6°  A mãe adolescente será assistida por equipe
conduta de subtrair criança ou adolescente ao poder de especializada multidisciplinar.
quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem
judicial, com o fim de colocação em lar substituto: Cuidado para não confundir os prazos de reavalia-
Pena - multa de três a vinte salários de referência, ção e período de acolhimento:
aplicando-se o dobro em caso de reincidência.

Do Direito à Convivência Familiar e Comunitária REAVALIAÇÃO A cada 3 meses

Trata-se de um dos direitos fundamentais a serem


assegurados a todas as crianças e adolescentes com ACOLHIMENTO Até 18 meses
a mais absoluta prioridade, tendo a lei criado meca-
nismos para, de um lado (e de forma preferencial),
permitir a manutenção e o fortalecimento dos víncu-
los com a família natural (ou de origem) e, de outro, Prorrogado por
quando por qualquer razão isto não for possível, pro- interesse superior
porcionar a inserção em família substituta de forma
criteriosa e responsável, procurando evitar os efeitos
deletérios tanto da chamada “institucionalização” A gestante ou mãe que manifeste interesse em
quanto de uma colocação familiar precipitada, desne- entregar seu filho para adoção, antes ou logo após
cessária e/ou inadequada. o nascimento, será encaminhada à Justiça da Infân-
Toda criança ou adolescente tem direito de ser cia e da Juventude, conforme é disposto no artigo
criado e educado no seio de sua família e, excepcio- 19-A, em seus respectivos parágrafos:
nalmente, em família substituta, assegurada a con-
vivência familiar e comunitária, em ambiente que z A gestante ou mãe será ouvida pela equipe inter-
garanta seu desenvolvimento integral profissional da Justiça da Infância e da Juventude,
que apresentará relatório à autoridade judiciária,
considerando inclusive os eventuais efeitos do
Importante! estado gestacional e puerperal. 
z De posse do relatório, a autoridade judiciária
Todos os filhos havidos fora do casamento, bem
poderá determinar o encaminhamento da gestan-
como os filhos adotados terão os mesmos direi-
te ou mãe, mediante sua expressa concordância,
tos e qualificações dos demais.
à rede pública de saúde e assistência social para
atendimento especializado. 
O menor colocado em programa de acolhimento z A busca à família extensa, conforme definida nos
familiar ou institucional terá o direito: termos do parágrafo único do art. 25 desta Lei, res-
peitará o prazo máximo de 90 (noventa) dias, pror-
§ 1° Toda criança ou adolescente que estiver inseri- rogável por igual período. 
do em programa de acolhimento familiar ou insti- z Na hipótese de não haver a indicação do genitor e
tucional terá sua situação reavaliada, no máximo, de não existir outro representante da família exten-
a cada 3 (três) meses, devendo a autoridade judiciá- sa apto a receber a guarda, a autoridade judiciária
ria competente, com base em relatório elaborado competente deverá decretar a extinção do poder
por equipe interprofissional ou multidisciplinar, familiar e determinar a colocação da criança sob
decidir de forma fundamentada pela possibilida- a guarda provisória de quem estiver habilitado a
de de reintegração familiar ou pela colocação em adotá-la ou de entidade que desenvolva programa
família substituta, em quaisquer das modalidades de acolhimento familiar ou institucional. 
previstas no art. 28 desta Lei
z Após o nascimento da criança, a vontade da mãe
§ 2° A permanência da criança e do adolescente em
ou de ambos os genitores, se houver pai registral
programa de acolhimento institucional não se pro-
longará por mais de 18 (dezoito meses), salvo com- ou pai indicado, deve ser manifestada na audiên-
provada necessidade que atenda ao seu superior cia a que se refere o § 1° do art. 166 desta Lei,
interesse, devidamente fundamentada pela autori- garantido o sigilo sobre a entrega.
dade judiciária. z Na hipótese de não comparecerem à audiência
§ 3° A manutenção ou a reintegração de criança ou nem o genitor nem representante da família exten-
adolescente à sua família terá preferência em rela- sa para confirmar a intenção de exercer o poder
ção a qualquer outra providência, caso em que será familiar ou a guarda, a autoridade judiciária sus-
está incluída em serviços e programas de proteção, penderá o poder familiar da mãe, e a criança será
apoio e promoção, nos termos do § 1° do art. 23, colocada sob a guarda provisória de quem esteja
dos incisos I e IV do caput do art. 101 e dos incisos habilitado a adotá-la.
I a IV do caput do art. 129 desta Lei.  z Os detentores da guarda possuem o prazo de 15
§ 4°  Será garantida a convivência da criança e do
(quinze) dias para propor a ação de adoção, con-
adolescente com a mãe ou o pai privado de liberda-
tado do dia seguinte à data do término do estágio
de, por meio de visitas periódicas promovidas pelo
responsável ou, nas hipóteses de acolhimento insti- de convivência. 
tucional, pela entidade responsável, independente- z Na hipótese de desistência pelos genitores - manifes-
mente de autorização judicial.  tada em audiência ou perante a equipe interprofis-
§ 5° Será garantida a convivência integral da crian- sional - da entrega da criança após o nascimento, a
ça com a mãe adolescente que estiver em acolhi- criança será mantida com os genitores, e será deter-
6 mento institucional.  minado pela Justiça da Infância e da Juventude o
acompanhamento familiar pelo prazo de 180 (cento será mantido em sua família de origem, a qual deverá
e oitenta) dias. obrigatoriamente ser incluída em serviços e progra-
z § 9° É garantido à mãe o direito ao sigilo sobre o nas- mas oficiais de proteção, apoio e promoção.
cimento, respeitado o disposto no art. 48 desta Lei.  § 2º  A condenação criminal do pai ou da mãe NÃO
z Serão cadastrados para adoção recém-nascidos e implicará a destituição do poder familiar, exceto na
crianças acolhidas não procuradas por suas famí- hipótese de condenação por crime doloso sujeito à
lias no prazo de 30 (trinta) dias, contado a partir do pena de reclusão contra outrem igualmente titular do
dia do acolhimento. mesmo poder familiar ou contra filho, filha ou outro
descendente.
As crianças e os adolescentes em programa de aco-
lhimento institucional ou familiar poderão participar
de programa de apadrinhamento.  Importante!
z O apadrinhamento consiste em estabelecer e pro- O parágrafo §2º foi acrescentado pela Lei 13.715,
porcionar à criança e ao adolescente vínculos de 2018 e vem sendo cobrado pelas bancas:
externos à instituição para fins de convivência A condenação criminal do pai ou da mãe NÃO
familiar e comunitária e colaboração com o seu implicará a destituição do poder familiar, exceto
desenvolvimento nos aspectos social, moral, físico, na hipótese de condenação por crime doloso
cognitivo, educacional e financeiro.  sujeito à pena de reclusão contra outrem igual-
z Podem ser padrinhos ou madrinhas pessoas maio-
mente titular do mesmo poder familiar ou contra
res de 18 (dezoito) anos não inscritas nos cadastros
de adoção, desde que cumpram os requisitos exi- filho, filha ou outro descendente.
gidos pelo programa de apadrinhamento de que
fazem parte. 
Da Família Natural
z Pessoas jurídicas podem apadrinhar crian-
ça ou adolescente a fim de colaborar para o seu
Art. 25. Entende-se por família natural a comu-
desenvolvimento. 
nidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus
z O perfil da criança ou do adolescente a ser apadri-
descendentes.
nhado será definido no âmbito de cada programa
de apadrinhamento, com prioridade para crianças
ou adolescentes com remota possibilidade de rein- Já a família extensa ou ampliada tem um conceito
serção familiar ou colocação em família adotiva. mais amplo se estendendo para além da unidade pais
z Os programas ou serviços de apadrinhamento e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes
apoiados pela Justiça da Infância e da Juventude próximos com os quais a criança ou adolescente con-
poderão ser executados por órgãos públicos ou por vive e mantém vínculos de afinidade e afetividade.
organizações da sociedade civil.
z Se ocorrer violação das regras de apadrinhamen- FAMÍLIA
to, os responsáveis pelo programa e pelos serviços NATURAL Pai/Mãe Filhos
de acolhimento deverão imediatamente notificar a
autoridade judiciária competente. FAMÍLIA Pai/Mãe Filhos Pai/Mãe
AMPLIADA
Art. 20. Os filhos, havidos ou não da relação do
casamento, ou por adoção, terão os mesmos direi-
Art. 26. Os filhos havidos fora do casamento pode-
tos e qualificações, proibidas quaisquer designa-
rão ser reconhecidos pelos pais, conjunta ou sepa-
ções discriminatórias relativas à filiação.
radamente, no próprio termo de nascimento, por
testamento, mediante escritura ou outro documen-
O ECA repete a disposição constitucional e tem
to público, qualquer que seja a origem da filiação.
como objetivo eliminar o azedume de filhos tidos no
passado como ilegítimos ou bastardos. Parágrafo único. O reconhecimento pode preceder
o nascimento do filho ou suceder-lhe ao falecimen-
Art. 21. O poder familiar será exercido, em igual- to, se deixar descendentes.
dade de condições, pelo pai e pela mãe, na forma do Art. 27. O reconhecimento do estado de filiação é
que dispuser a legislação civil, assegurado a qual- direito personalíssimo, indisponível e imprescrití-
quer deles o direito de, em caso de discordância, vel, podendo ser exercitado contra os pais ou seus
recorrer à autoridade judiciária competente para a herdeiros, sem qualquer restrição, observado o
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

solução da divergência. segredo de Justiça.

A perda e a suspensão do poder familiar poderão O reconhecimento dos filhos tidos fora do casa-
ser decretadas judicialmente, em procedimento con- mento é irrevogável e pode ser feito a qualquer tem-
traditório, nos casos previstos na legislação civil, bem po, ou seja, antes ou depois de sua morte e nas formas
como na hipótese de descumprimento injustificado do art. 1.609 do Código Civil, no registro do nasci-
dos deveres e obrigações: mento, por escritura pública ou escrito particular,
a ser arquivado em cartório, por testamento, ainda
Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais
não constitui motivo suficiente para a perda ou a sus- que incidentalmente manifestado e por manifestação
pensão do poder familiar. direta e expressa perante o juiz, ainda que o reconhe-
§ 1 o Não existindo outro motivo que por si só autori- cimento não haja sido o objeto único e principal do
ze a decretação da medida, a criança ou o adolescente ato que o contém. 7
Da Família Substituta da criança ou adolescente a terceiros ou a entidades
governamentais ou não-governamentais, sem autori-
A colocação em família substituta far-se-á median- zação judicial.
te guarda, tutela ou adoção, independentemente da
Além disso, importa saber que a colocação em
situação jurídica da criança ou adolescente.
família substituta estrangeira constitui medida excep-
Sempre que possível, a criança ou o adolescente
cional, somente admissível na modalidade de adoção
será previamente ouvido por equipe interprofis-
sional, respeitado seu estágio de desenvolvimento e
grau de compreensão sobre as implicações da medida, Da Guarda
e terá sua opinião devidamente considerada, confor-
me é apresentado no artigo 28: Confere à criança ou adolescente a condição de
dependente, para todos os fins e efeitos de direi-
z Tratando-se de maior de 12 anos de idade, será to, inclusive previdenciários. Obriga à prestação de
necessário seu consentimento, colhido em audiência. assistência material, moral e educacional à criança
z Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de
grau de parentesco e a relação de afinidade ou de opor-se a terceiros, inclusive aos pais. Pode ser deferi-
afetividade, a fim de evitar ou minorar as conse- da nos procedimentos de Tutela e adoção.
quências decorrentes da medida.
z Os grupos de irmãos serão colocados sob adoção, Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência
tutela ou guarda da mesma família substituta, res- material, moral e educacional à criança ou adoles-
salvada a comprovada existência de risco de abu- cente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se
so ou outra situação que justifique plenamente a a terceiros, inclusive aos pais.
excepcionalidade de solução diversa, procurando- § 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de
-se, em qualquer caso, evitar o rompimento defini- fato, podendo ser deferida, liminar ou incidental-
tivo dos vínculos fraternais. mente, nos procedimentos de tutela e adoção, exce-
z A colocação da criança ou adolescente em família to no de adoção por estrangeiros.
substituta será precedida de sua preparação gra- § 2º Excepcionalmente, deferir-se-á a guarda, fora
dativa e acompanhamento posterior, realizados dos casos de tutela e adoção, para atender a situa-
pela equipe interprofissional a serviço da Justiça ções peculiares ou suprir a falta eventual dos pais
da Infância e da Juventude, preferencialmente ou responsável, podendo ser deferido o direito de
com o apoio dos técnicos responsáveis pela execu- representação para a prática de atos determinados.
ção da política municipal de garantia do direito à § 3º A guarda confere à criança ou adolescente a
convivência familiar. condição de dependente, para todos os fins e efeitos
de direito, inclusive previdenciários.
Em se tratando de criança ou adolescente indíge- § 4º Salvo expressa e fundamentada determinação
na ou proveniente de comunidade remanescente de em contrário, da autoridade judiciária competente,
quilombo, é ainda obrigatório: ou quando a medida for aplicada em preparação
para adoção, o deferimento da guarda de criança
z I - que sejam consideradas e respeitadas sua identi- ou adolescente a terceiros não impede o exercício
dade social e cultural, os seus costumes e tradições, do direito de visitas pelos pais, assim como o dever
bem como suas instituições, desde que não sejam de prestar alimentos, que serão objeto de regula-
incompatíveis com os direitos fundamentais reco- mentação específica, a pedido do interessado ou do
nhecidos por esta Lei e pela Constituição Federal; Ministério Público.
z II - que a colocação familiar ocorra prioritariamen-
te no seio de sua comunidade ou junto a membros Para estimular que a criança e o adolescente sejam
da mesma etnia; inseridos em uma família substituta e não tenha que
z III - a intervenção e oitiva de representantes do ser levados para uma instituição de menores o Poder
órgão federal responsável pela política indigenis- Público está obrigado por lei a conceder incentivos fis-
ta, no caso de crianças e adolescentes indígenas, e
cais e subsídios à família candidata a acolhe-lo.
de antropólogos, perante a equipe interprofissio-
E a guarda é em caráter definitivo e irrevogável?
nal ou multidisciplinar que irá acompanhar o caso.
Não! A guarda poderá ser revogada a qualquer tem-
Ao assumir a guarda ou a tutela, o responsável po, mediante ato judicial fundamentado, ouvido o
prestará compromisso de bem e fielmente desempe- Ministério Público.
nhar o encargo, mediante termo nos autos.
O ambiente familiar é de suma importância para Da Tutela
boa formação do menor. É nesse ambiente que a
criança e o adolescente vão moldar sua personalidade O objetivo precípuo da tutela é o de conferir pode-
e tornar-se aptos para o convívio social. Para que isso res necessários a um representante legal à criança ou
ocorra não se deferirá colocação em família substitu- adolescente para que possa protege-lo.
ta a pessoa que revele, por qualquer modo, incompa-
tibilidade com a natureza da medida ou não ofereça Art. 36. A tutela será deferida, nos termos da lei
ambiente familiar adequado. civil, a pessoa de até 18 anos incompletos.
Uma decisão judicial colocará o menor em deter- Parágrafo único: O deferimento da tutela pressu-
minada família substituta e somente outra decisão põe a prévia decretação da perda ou suspensão do
judicial poderá tirá-lo dessa família. Assim, a coloca- poder familiar e implica necessariamente o dever
8 ção em família substituta não admitirá transferência de guarda.
Os pais podem nomear em conjunto um tutor ao § 5º Nos casos do § 4o deste artigo, desde que
filho menor e fazer essa nomeação constar de um demonstrado efetivo benefício ao adotando, será
documento idôneo como um testamento ou qualquer assegurada a guarda compartilhada, conforme
outro documento autêntico, essa é a dicção do art. previsto no art. 1.584 da Lei no 10.406, de 10 de
1.729, parágrafo único do Código Civil. janeiro de 2002 - Código Civil.
§ 6º A adoção poderá ser deferida ao adotante que,
após inequívoca manifestação de vontade, vier a
Art. 37. O tutor nomeado por testamento ou qualquer
falecer no curso do procedimento, antes de prola-
documento autêntico, conforme previsto no parágra-
tada a sentença.
fo único do, deverá, no prazo de 30 (trinta) dias após a
abertura da sucessão, ingressar com pedido destina-
Em regra, a adoção será deferida quando apre-
do ao controle judicial do ato, observando o procedi-
sentar reais vantagens para o adotando e fundar-se
mento previsto nos arts. 165 a 170 desta Lei.
Parágrafo único. Na apreciação do pedido, serão
em motivos legítimos e dependerá do consentimento
observados os requisitos previstos nos arts. 28 e 29 dos pais ou do representante legal do adotando, salvo
desta Lei, somente sendo deferida a tutela à pessoa nos casos cujos pais sejam desconhecidos ou tenham
indicada na disposição de última vontade, se restar sido destituídos do poder familiar. Em se tratando de
comprovado que a medida é vantajosa ao tutelando adotando maior de doze anos de idade, será também
e que não existe outra pessoa em melhores condi- necessário o seu consentimento.
ções de assumi-la. No caso de tutor ou curador, se houver interesse
em adotar seu pupilo ou curatelado, terá que primeiro
A destituição da tutela será decretada quando o prestar contas do seu exercício como tutor ou cura-
tutor for negligente, prevaricador ou incurso em inca- dor, saldar eventuais débitos do patrimônio do mes-
pacidade, ou quando deixar de cumprir injustificada- mo, a fim de que possa adota-los. Intenciona a lei que
mente os deveres de prestar total assistência ao menor. os objetivos da adoção não sejam desvirtuados pela
ganância do homem.
Da Adoção
Art. 45. A adoção depende do consentimento dos
pais ou do representante legal do adotando.
A adoção é medida excepcional e irrevogável, à § 1º O consentimento será dispensado em relação à
qual se deve recorrer apenas quando esgotados os criança ou adolescente cujos pais sejam desconhe-
recursos de manutenção da criança ou adolescente na cidos ou tenham sido destituídos do poder familiar.
família natural ou extensa. A adoção não poderá ser § 2º Em se tratando de adotando maior de doze
feita por procuração (documento legal que transfere a anos de idade, será também necessário o seu
alguém o poder de agir em seu nome). consentimento.

O consentimento dos pais ou do representante


Importante! legal do menor como tutor ou curador é condição de
deferimento da adoção, exceto se os pais da criança e
Em caso de conflito entre direitos e interesses do adolescente forem desconhecidos ou tenham sido
do adotando e de outras pessoas, inclusive seus destituídos do poder familiar. O consentimento será
pais biológicos, devem prevalecer os direitos e expresso, colhido em audiência e perante a autorida-
os interesses do adotando. de judiciária.
A adoção será precedida de estágio de convivência
com a criança ou adolescente, pelo prazo máximo de
Art. 40. O adotando deve contar com, no máximo, 90 (noventa) dias, observadas a idade da criança ou
dezoito anos à data do pedido, salvo se já estiver adolescente e as peculiaridades do caso. 
sob a guarda ou tutela dos adotantes. O vínculo da adoção constitui-se por sentença
Art. 41. A adoção atribuiu a condição de filho ao judicial, que será inscrita no registro civil mediante
adotado, com os mesmos direitos e deveres, inclu-
mandado do qual não se fornecerá certidão, conforme
sive sucessórios, desligando-o de qualquer vín-
é disposto no artigo 47:
culo com pais e parentes, salvo os impedimentos
matrimoniais.
§ 1º A inscrição consignará o nome dos adotantes
Podem adotar os maiores de 18 anos, independen-
como pais, bem como o nome de seus ascendentes.
temente do estado civil.
§ 2º O mandado judicial, que será arquivado, cance-
§ 1º Não podem adotar os ascendentes e os irmãos
lará o registro original do adotado.
do adotando. § 3º A pedido do adotante, o novo registro poderá
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

§ 2º Para adoção conjunta, é indispensável que ser lavrado no Cartório do Registro Civil do Muni-
os adotantes sejam casados civilmente ou mante- cípio de sua residência.
nham união estável, comprovada a estabilidade da § 4º Nenhuma observação sobre a origem do ato
família. poderá constar nas certidões do registro. 
§ 3º O adotante há de ser, pelo menos, dezesseis § 5º A sentença conferirá ao adotado o nome do
anos mais velho do que o adotando. adotante e, a pedido de qualquer deles, poderá
§ 4º Os divorciados, os judicialmente separados e os determinar a modificação do prenome.
ex-companheiros podem adotar conjuntamente, con- §6º Caso a modificação de prenome seja requerida pelo
tanto que acordem sobre a guarda e o regime de visi- adotante, é obrigatória a oitiva do adotando, observa-
tas e desde que o estágio de convivência tenha sido do o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 28 desta Lei.
iniciado na constância do período de convivência e § 7º A adoção produz seus efeitos a partir do trân-
que seja comprovada a existência de vínculos de afini- sito em julgado da sentença constitutiva, exceto na
dade e afetividade com aquele não detentor da guar- hipótese prevista no § 6° do art. 42 desta Lei, caso
da, que justifiquem a excepcionalidade da concessão. em que terá força retroativa à data do óbito. 9
§ 8º O processo relativo à adoção assim como outros III - direito de contestar critérios avaliativos, poden-
a ele relacionados serão mantidos em arquivo, do recorrer às instâncias escolares superiores;
admitindo-se seu armazenamento em microfilme IV - direito de organização e participação em enti-
ou por outros meios, garantida a sua conservação dades estudantis;
para consulta a qualquer tempo.       V - acesso à escola pública e gratuita, próxima de
§ 9º Terão prioridade de tramitação os processos de sua residência, garantindo-se vagas no mesmo
adoção em que o adotando for criança ou adoles- estabelecimento a irmãos que frequentem a mesma
cente com deficiência ou com doença crônica etapa ou ciclo de ensino da educação básica.
§ 10º O prazo máximo para conclusão da ação de Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis
adoção será de 120 (cento e vinte) dias, prorrogável ter ciência do processo pedagógico, bem como par-
uma única vez por igual período, mediante decisão ticipar da definição das propostas educacionais.
fundamentada da autoridade judiciária. Art. 53-A É dever da instituição de ensino, clubes
e agremiações recreativas e de estabelecimentos
Ademais, podemos verificar o disposto no artigo 48: congêneres assegurar medidas de conscientização,
prevenção e enfrentamento ao uso ou dependência
Art. 48. O adotado tem direito de conhecer sua ori- de drogas ilícitas.
gem biológica, bem como de obter acesso irrestrito ao
processo no qual a medida foi aplicada e seus even-
tuais incidentes, após completar 18 (dezoito) anos.  Importante!
O art. 39, § 1° do ECA apresenta o princípio da irre- Atenção para o 53-A, incluído pela Lei 13.840/2019,
vogabilidade da adoção, que possui a finalidade de que diz: “É dever da instituição de ensino, clubes
criar um vínculo jurídico com a família biológica, opor- e agremiações recreativas e de estabelecimentos
tunidade em que não será restabelecido, nem mesmo congêneres assegurar medidas de conscienti-
que ocorra o falecimento dos pais adotivos. Com isso, zação, prevenção e enfrentamento ao uso ou
não existirá mais laços familiares com os pais naturais dependência de drogas ilícitas.”
encerrando o poder familiar, mesmo que não possa ser
recobrado com a morte dos pais adotivos.
No que tange aos interessados em adotar, deverá Com relação a esses direitos, cabe ao Estado, asse-
preencher alguns requisitos intrínsecos e extrínsecos, gurar à criança e ao adolescente, de acordo com o art.
entabulados na lei como os que constam nos arts. 165 54 do ECA:
e 174-A do ECA. Preenchidos os requisitos serão sub-
metidos a entrevistas pela equipe interprofissional I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito,
dos órgãos técnicos do juizado com a apreciação pelo inclusive para os que a ele não tiveram acesso na
Ministério Público, sendo geralmente realizados por idade própria;
uma equipe de psicólogos. II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gra-
Portanto, os requisitos legais a preencher são os tuidade ao ensino médio;
que estão no art. 29, não podendo existir incompatibi- III - atendimento educacional especializado aos
lidade da medida, ou assim, deverá gostar de conviver portadores de deficiência, preferencialmente na
com crianças ou adolescente e ter um local apropriado rede regular de ensino;
para acolhimento da criança. Com isso, serão arguidos IV – atendimento em creche e pré-escola às crian-
ças de zero a cinco anos de idade; 
quanto a seu passado, pretensões quanto ao futuro e
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da
a afinidade envolvendo outros membros da família.
pesquisa e da criação artística, segundo a capaci-
Ademais, os candidatos a adotar, deverão ser pre-
dade de cada um;
parados por uma equipe de apoio à adoção, com a
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às
finalidade de ensinar, e adequar sua convivência com condições do adolescente trabalhador;
a criança. Nesses encontros, irão ser realizadas pales- VII - atendimento no ensino fundamental, através de
tras, trocas de informações com outros participantes programas suplementares de material didático-es-
que já adotaram, tendo como escopo, a grande finali- colar, transporte, alimentação e assistência à saúde.
dade de os preparar ao que está envolvido em colocar § 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é
uma criança na família substituta. direito público subjetivo.
§ 2º O não oferecimento do ensino obrigatório pelo
Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao poder público ou sua oferta irregular importa res-
Lazer ponsabilidade da autoridade competente.
§ 3º Compete ao poder público recensear os educan-
Os arts. 205 e 206 da CF/88 estabelecem que a edu- dos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e
cação, direito de todos e dever do Estado e da família, zelar, junto aos pais ou responsável, pela frequência
será promovida e incentivada com a colaboração da à escola.
sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pes-
soa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua Os pais ou responsável têm a obrigação de matri-
qualificação para o trabalho. cular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino.

Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à Art. 56. Os dirigentes de estabelecimentos de ensi-
educação, visando ao pleno desenvolvimento de no fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar
sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e os casos de:
qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes: I - maus-tratos envolvendo seus alunos;
I - igualdade de condições para o acesso e perma- II - reiteração de faltas injustificadas e de evasão
nência na escola; escolar, esgotados os recursos escolares;
10 II - direito de ser respeitado por seus educadores; III - elevados níveis de repetência.
Correspondente ao poder público, ele deverá esti- Tudo com o fito de assegurar-lhes o pleno desen-
mular as pesquisas, conhecimentos e propostas rela- volvimento de suas habilidades, distanciando-os
tivas a calendário, seriação, currículo, metodologia, assim do crime e da delinquência.
didática e avaliação, tendo como a finalidade de vistas Vale frisar que as normas relativas à prevenção de
à colocação de crianças e adolescentes excluídos do situações potencialmente lesivas aos interesses infan-
ensino fundamental obrigatório. to-juvenis são aplicáveis mesmo em relação a jovens
No que tange, o processo educacional deverá ser emancipados.
acatado os valores culturais, artísticos e históricos
próprios do contexto social da criança e do adolescen- Dos Produtos e Serviços
te, devendo proteger e garantir a estes a liberdade da
criação e o acesso às fontes de cultura. Conforme artigo 82: é proibida a hospedagem de
criança ou adolescente em hotel, motel, pensão ou esta-
Do Direito à Profissionalização e à Proteção no belecimento congênere, salvo se autorizado ou acom-
Trabalho panhado pelos pais ou responsável.

A Legislação, apresenta que é vedado qualquer Da Autorização para Viajar


trabalho a menores de quatorze anos de idade.
No entanto, há uma exceção, que corresponde Em regra, nenhuma criança poderá viajar para
aos casos em que o adolescente está em condição de fora da comarca onde reside, desacompanhada dos
aprendiz. pais ou responsáveis, sem a devida autorização judi-
Assim sendo, a idade mínima para o trabalho regu- cial. Entretanto há exceções, todas contidas no art. 83:
lar, constante do presente dispositivo, foi alterada de
14 (quatorze) para 16 (dezesseis) anos. Art. 83. Nenhuma criança ou adolescente menor
A remuneração percebida pelo adolescente apren- de 16 (dezesseis) anos poderá viajar para fora da
diz chamar-se-á bolsa de aprendizagem. Já para os comarca onde reside desacompanhado dos pais
maiores de 16 são assegurados todos os direitos traba- ou dos responsáveis sem expressa autorização
lhistas e previdenciários. judicial.
Os adolescentes empregados, aprendizes, em regi- § 1º A autorização não será exigida quando:
me familiar de trabalho, alunos de escola técnica ou a) tratar-se de comarca contígua à da residência da
aqueles assistidos em entidade governamental ou não criança ou do adolescente menor de 16 (dezesseis)
governamental, estão sujeitos às seguintes vedações anos, se na mesma unidade da Federação, ou incluí-
relacionadas ao trabalho, que não pode ser: da na mesma região metropolitana
b) a criança ou o adolescente menor de 16 (dezes-
Art. 67. (...) seis) anos estiver acompanhado: 
I - noturno, realizado entre as vinte e duas horas de 1) de ascendente ou colateral maior, até o terceiro
um dia e as cinco horas do dia seguinte; grau, comprovado documentalmente o parentesco;
II - perigoso, insalubre ou penoso; 2) de pessoa maior, expressamente autorizada pelo
III - realizado em locais prejudiciais à sua formação pai, mãe ou responsável.
e ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e § 2º A autoridade judiciária poderá, a pedido dos
social; pais ou responsável, conceder autorização válida
IV - realizado em horários e locais que não permi- por dois anos.
tam a frequência à escola.
Com isso, sem a prévia e expressa autorização judi-
Além disso, o adolescente tem direito a profissio- cial, não poderá nenhuma criança ou adolescente nas-
nalização e à proteção no trabalho por meio do respei- cido em território nacional, sair do País em companhia
to à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento de estrangeiro residente ou domiciliado no exterior.
e capacitação profissional adequada ao mercado de Para viagens ao exterior é necessário o acompanha-
trabalho. mento de ambos os pais ou responsáveis. No caso de
O programa social que tenha por base o trabalho serem estrangeiros os acompanhantes da criança ou ado-
educativo, sob responsabilidade de entidade gover- lescente brasileira, será obrigatória a autorização judicial.
namental ou não-governamental sem fins lucrativos,
deverá assegurar ao adolescente que dele participe DA POLÍTICA DE ATENDIMENTO
condições de capacitação para o exercício de ativida-
de regular remunerada. Das Entidades de Atendimento
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Da Prevenção As entidades de atendimento, foi criada com o


intuído da criação de responsáveis pela manutenção
Diferente do que se imagina, cabe a toda sociedade das próprias unidades, bem como pelo planejamen-
a prevenção da ocorrência ou ameaça a violação dos to e execução de programas que visam a proteção e
direitos das crianças e dos adolescentes. medidas socioeducativas destinados a crianças e ado-
Deve-se por todos os meios legais garantir-lhes o lescentes, em regime de: 
direito à:
z Orientação e apoio sociofamiliar;
z Informação; z Apoio socioeducativo em meio aberto;
z Cultura; z Colocação familiar;
z Lazer; z Acolhimento institucional;
z Esportes; z Prestação de serviços à comunidade;
z Diversões e espetáculos. z Liberdade assistida; 11
z Semiliberdade; e Com base no artigo 91, § 2º. O registro terá valida-
z Internação. de máxima de 4 (quatro) anos, cabendo ao Conselho
Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente,
As entidades governamentais e não governamentais, periodicamente, reavaliar o cabimento de sua reno-
possuem o dever de realizar à inscrição de seus progra- vação, observado o disposto acima.
mas, devendo especificar os regimes de atendimento, As entidades, públicas ou privadas, que abriguem
além de no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e ou recepcionem crianças e adolescentes, ainda que em
do Adolescente, que deverá manter os registros das ins- caráter temporário, devem ter, em seus quadros, pro-
crições e de suas alterações, do que fará comunicação ao fissionais capacitados a reconhecer e reportar ao Con-
Conselho Tutelar e à autoridade judiciária. selho Tutelar suspeitas ou ocorrências de maus-tratos. 
Com relação aos recursos, deveremos analisar o §
2º do artigo 90: Da Fiscalização das Entidades

Art. 90. § 2º  Os recursos destinados à implemen- Conforme artigo 97, § 2º As pessoas jurídicas de
tação e manutenção dos programas relacionados direito público e as organizações não governamentais
neste artigo serão previstos nas dotações orçamen- responderão pelos danos que seus agentes causarem
tárias dos órgãos públicos encarregados das áreas às crianças e aos adolescentes, caracterizado o des-
de Educação, Saúde e Assistência Social, dentre cumprimento dos princípios norteadores das ativida-
outros, observando-se o princípio da prioridade des de proteção específica.
absoluta à criança e ao adolescente preconizado
pelo caput do art. 227 da Constituição Federal  e
DAS MEDIDAS DE PROTEÇÃO
pelo caput e parágrafo único do art. 4º desta Lei. 
As medidas de proteção à criança e ao adolescen-
Os programas em execução serão reavaliados
te são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos
pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do
nesta Lei forem ameaçados ou violados:
Adolescente, no máximo, a cada 2 (dois) anos, consti-
tuindo-se critérios para renovação da autorização de
z por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
funcionamento, conforme é disposto no artigo 90, § 3º:
z por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável;
z em razão de sua conduta.
Art. 90. § 3  o  Os programas em execução serão
reavaliados pelo Conselho Municipal dos Direitos
da Criança e do Adolescente, no máximo, a cada 2 Das Medidas Específicas de Proteção
(dois) anos, constituindo-se critérios para renova-
ção da autorização de funcionamento: As medidas previstas neste Capítulo poderão ser
I - o efetivo respeito às regras e princípios desta Lei, aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como
bem como às resoluções relativas à modalidade de substituídas a qualquer tempo.
atendimento prestado expedidas pelos Conselhos Na aplicação das medidas levar-se-ão em conta
de Direitos da Criança e do Adolescente, em todos as necessidades pedagógicas, preferindo-se aquelas
os níveis; que visem ao fortalecimento dos vínculos familiares
II - a qualidade e eficiência do trabalho desenvolvi- e comunitários.
do, atestadas pelo Conselho Tutelar, pelo Ministério A aplicação das medidas deve observar uma série
Público e pela Justiça da Infância e da Juventude;  de princípios:
III - em se tratando de programas de acolhimento
institucional ou familiar, serão considerados os Art. 100. [...] Parágrafo único.  São também princí-
índices de sucesso na reintegração familiar ou de pios que regem a aplicação das medidas: 
adaptação à família substituta, conforme o caso. I - condição da criança e do adolescente como sujei-
tos de direitos: crianças e adolescentes são os titu-
Com isso entidades não-governamentais, apenas lares dos direitos previstos nesta e em outras Leis,
funcionarão depois de registradas no Conselho Muni- bem como na Constituição Federal; 
cipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, a qual II - proteção integral e prioritária: a interpretação e
será responsável pela comunicação ao registro ao aplicação de toda e qualquer norma contida nesta Lei
Conselho Tutelar e à autoridade judiciária da respec- deve ser voltada à proteção integral e prioritária dos
tiva localidade. direitos de que crianças e adolescentes são titulares; 
Mas, nem toda entidade poderá ser cadastrada. III - responsabilidade primária e solidária do poder
Será negado o registro à entidade que: público: a plena efetivação dos direitos assegura-
dos a crianças e a adolescentes por esta Lei e pela
Constituição Federal, salvo nos casos por esta
z Não ofereça instalações físicas em condições ade-
expressamente ressalvados, é de responsabilidade
quadas de habitabilidade, higiene, salubridade e
primária e solidária das 3 (três) esferas de governo,
segurança;
sem prejuízo da municipalização do atendimento
z Não apresente plano de trabalho compatível com e da possibilidade da execução de programas por
os princípios desta Lei; entidades não governamentais; 
z Esteja irregularmente constituída; IV - interesse superior da criança e do adolescen-
z Tenha em seus quadros pessoas inidôneas. te: a intervenção deve atender prioritariamente
z Não se adequar ou deixar de cumprir as resoluções aos interesses e direitos da criança e do adolescen-
e deliberações relativas à modalidade de atendi- te, sem prejuízo da consideração que for devida a
mento prestado expedidas pelos Conselhos de Direi- outros interesses legítimos no âmbito da pluralida-
12 tos da Criança e do Adolescente, em todos os níveis. de dos interesses presentes no caso concreto; 
V - privacidade: a promoção dos direitos e proteção § 2  o  Sem prejuízo da tomada de medidas emergen-
da criança e do adolescente deve ser efetuada no ciais para proteção de vítimas de violência ou abu-
respeito pela intimidade, direito à imagem e reser- so sexual e das providências a que alude o art. 130
va da sua vida privada;  desta Lei, o afastamento da criança ou adolescente
VI - intervenção precoce: a intervenção das auto- do convívio familiar é de competência exclusiva da
ridades competentes deve ser efetuada logo que a autoridade judiciária e importará na deflagração, a
situação de perigo seja conhecida;  pedido do Ministério Público ou de quem tenha legí-
VII - intervenção mínima: a intervenção deve ser exer- timo interesse, de procedimento judicial contencio-
cida exclusivamente pelas autoridades e instituições so, no qual se garanta aos pais ou ao responsável
cuja ação seja indispensável à efetiva promoção dos legal o exercício do contraditório e da ampla defesa. 
direitos e à proteção da criança e do adolescente;  § 3  o  Crianças e adolescentes somente poderão ser
VIII - proporcionalidade e atualidade: a interven- encaminhados às instituições que executam pro-
ção deve ser a necessária e adequada à situação de gramas de acolhimento institucional, governamen-
perigo em que a criança ou o adolescente se encon- tais ou não, por meio de uma Guia de Acolhimento,
tram no momento em que a decisão é tomada;  expedida pela autoridade judiciária, na qual obri-
IX - responsabilidade parental: a intervenção deve gatoriamente constará, dentre outros: 
ser efetuada de modo que os pais assumam os seus I - sua identificação e a qualificação completa de
deveres para com a criança e o adolescente;  seus pais ou de seu responsável, se conhecidos; 
X - prevalência da família: na promoção de direitos II - o endereço de residência dos pais ou do respon-
e na proteção da criança e do adolescente deve ser sável, com pontos de referência; 
dada prevalência às medidas que os mantenham ou III - os nomes de parentes ou de terceiros interessa-
dos em tê-los sob sua guarda; 
reintegrem na sua família natural ou extensa ou, se
IV - os motivos da retirada ou da não reintegração
isso não for possível, que promovam a sua integra-
ao convívio familiar. 
ção em família adotiva; 
§ 4o  Imediatamente após o acolhimento da criança
XI - obrigatoriedade da informação: a criança e o
ou do adolescente, a entidade responsável pelo pro-
adolescente, respeitado seu estágio de desenvolvi-
grama de acolhimento institucional ou familiar ela-
mento e capacidade de compreensão, seus pais ou
borará um plano individual de atendimento, visando
responsável devem ser informados dos seus direi-
à reintegração familiar, ressalvada a existência de
tos, dos motivos que determinaram a intervenção e
ordem escrita e fundamentada em contrário de auto-
da forma como esta se processa;  ridade judiciária competente, caso em que também
XII - oitiva obrigatória e participação: a criança e deverá contemplar sua colocação em família subs-
o adolescente, em separado ou na companhia dos tituta, observadas as regras e princípios desta Lei. 
pais, de responsável ou de pessoa por si indicada, § 5  o  O plano individual será elaborado sob a res-
bem como os seus pais ou responsável, têm direito ponsabilidade da equipe técnica do respectivo pro-
a ser ouvidos e a participar nos atos e na definição grama de atendimento e levará em consideração a
da medida de promoção dos direitos e de proteção, opinião da criança ou do adolescente e a oitiva dos
sendo sua opinião devidamente considerada pela pais ou do responsável. 
autoridade judiciária competente, observado o dis- § 6 o Constarão do plano individual, dentre outros: 
posto nos §§ 1° e 2° do art. 28 desta Lei.  I - os resultados da avaliação interdisciplinar; 
II - os compromissos assumidos pelos pais ou res-
Verificada qualquer das medidas, a autoridade ponsável; e 
competente poderá determinar, dentre outras, as III - a previsão das atividades a serem desenvolvi-
seguintes medidas: das com a criança ou com o adolescente acolhido e
seus pais ou responsável, com vista na reintegração
Art. 101. (...) familiar ou, caso seja esta vedada por expressa e
I - encaminhamento aos pais ou responsável, fundamentada determinação judicial, as providên-
mediante termo de responsabilidade; cias a serem tomadas para sua colocação em famí-
II - orientação, apoio e acompanhamento temporários; lia substituta, sob direta supervisão da autoridade
III - matrícula e freqüência obrigatórias em estabe- judiciária. 
lecimento oficial de ensino fundamental; § 7o  O acolhimento familiar ou institucional ocor-
IV - inclusão em serviços e programas oficiais ou rerá no local mais próximo à residência dos pais
comunitários de proteção, apoio e promoção da ou do responsável e, como parte do processo de
reintegração familiar, sempre que identificada a
família, da criança e do adolescente; 
necessidade, a família de origem será incluída em
V - requisição de tratamento médico, psicológico ou
programas oficiais de orientação, de apoio e de pro-
psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial;
moção social, sendo facilitado e estimulado o con-
VI - inclusão em programa oficial ou comunitário
tato com a criança ou com o adolescente acolhido. 
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e


§ 8o Verificada a possibilidade de reintegração familiar,
toxicômanos;
o responsável pelo programa de acolhimento familiar
VII - acolhimento institucional; 
ou institucional fará imediata comunicação à autori-
VIII - inclusão em programa de acolhimento
dade judiciária, que dará vista ao Ministério Público,
familiar; 
pelo prazo de 5 (cinco) dias, decidindo em igual prazo. 
IX - colocação em família substituta.  § 9o Em sendo constatada a impossibilidade de rein-
tegração da criança ou do adolescente à família de
Tome nota: origem, após seu encaminhamento a programas
oficiais ou comunitários de orientação, apoio e
§1o O acolhimento institucional e o acolhimento fami- promoção social, será enviado relatório fundamen-
liar são medidas provisórias e excepcionais, utilizáveis tado ao Ministério Público, no qual conste a des-
como forma de transição para reintegração familiar crição pormenorizada das providências tomadas
ou, não sendo esta possível, para colocação em família e a expressa recomendação, subscrita pelos técni-
substituta, não implicando privação de liberdade.  cos da entidade ou responsáveis pela execução da 13
política municipal de garantia do direito à convi- Dos Direitos Individuais
vência familiar, para a destituição do poder fami-
liar, ou destituição de tutela ou guarda.  No que tange à relação a privação de liberdade,
§ 10 Recebido o relatório, o Ministério Público terá apenas acontecerá em caso de flagrante ou por ordem
o prazo de 15 (quinze) dias para o ingresso com do juiz. Com isso, todos os direitos pertencentes aos
a ação de destituição do poder familiar, salvo se maiores de 18 anos se aplicam ao adolescente e outros
entender necessária a realização de estudos com- mais. Trago como exemplo o artigo 106:
plementares ou de outras providências indispensá-
veis ao ajuizamento da demanda.  Art. 106. Nenhum adolescente será privado de
§ 11 A autoridade judiciária manterá, em cada sua liberdade senão em flagrante de ato infracional
comarca ou foro regional, um cadastro conten- ou por ordem escrita e fundamentada da autorida-
do informações atualizadas sobre as crianças e de judiciária competente.
adolescentes em regime de acolhimento familiar e Parágrafo único. O adolescente tem direito à iden-
institucional sob sua responsabilidade, com infor- tificação dos responsáveis pela sua apreensão,
mações pormenorizadas sobre a situação jurídica devendo ser informado acerca de seus direitos.
de cada um, bem como as providências tomadas
para sua reintegração familiar ou colocação em Tratando exclusivamente dos adolescentes, nota-
família substituta, em qualquer das modalidades mos que o artigo garante seus direitos individuais no
previstas no art. 28 desta Lei.  mesmo sentido do que está assegurado a todas as pes-
§ 12 Terão acesso ao cadastro o Ministério Público, soas de que ninguém será preso senão em flagrante
o Conselho Tutelar, o órgão gestor da Assistência delito ou por ordem escrita e fundamentada da auto-
Social e os Conselhos Municipais dos Direitos da ridade judiciária competente.
Criança e do Adolescente e da Assistência Social, Com relação à apreensão de qualquer adolescente
aos quais incumbe deliberar sobre a implementa- e o local onde se encontra recolhido serão incontinen-
ção de políticas públicas que permitam reduzir o ti comunicados à autoridade judiciária competente e
número de crianças e adolescentes afastados do à família do apreendido ou à pessoa por ele indicada.
convívio familiar e abreviar o período de perma- Portanto, examinar-se-á, o mais breve possível e
nência em programa de acolhimento.  sob pena de responsabilidade, a possibilidade de libe-
ração imediata.
As medidas de proteção de que trata este Capítulo O adolescente civilmente identificado não pode-
serão acompanhadas da regularização do registro civil.  rá ser submetido a identificação compulsória pelos
órgãos policiais, de proteção e judiciais, salvo para
z Verificada a inexistência de registro anterior, o efeito de confrontação, havendo dúvida fundada.
assento de nascimento da criança ou adolescen-
te será feito à vista dos elementos disponíveis, Art. 108. A internação, antes da sentença, pode ser
mediante requisição da autoridade judiciária. determinada pelo prazo máximo de quarenta e
z Os registros e certidões necessários à regulariza- cinco dias.
ção de que trata este artigo são isentos de mul- Parágrafo único. A decisão deverá ser fundamen-
tas, custas e emolumentos, gozando de absoluta tada e basear-se em indícios suficientes de autoria
e materialidade, demonstrada a necessidade impe-
prioridade.
riosa da medida.
z Caso ainda não definida a paternidade, será defla-
grado procedimento específico destinado à sua
Portanto, falamos de um prazo improrrogável
averiguação, conforme previsto pela Lei nº 8.560,
para a duração da medida socioeducativa de interna-
de 29 de dezembro de 1992. 
ção antes de prolatada a sentença a ser proferida no
z Nas hipóteses previstas no § 3  o deste artigo, é dis-
procedimento de apuração do ato infracional.
pensável o ajuizamento de ação de investigação de
paternidade pelo Ministério Público se, após o não Das garantias processuais
comparecimento ou a recusa do suposto pai em
assumir a paternidade a ele atribuída, a criança Nenhum adolescente será privado de sua liberdade
for encaminhada para adoção.  sem o devido processo legal. Nem se cogita da privação
z Os registros e certidões necessários à inclusão, a de liberdade de crianças acusadas da prática de ato infra-
qualquer tempo, do nome do pai no assento de cional, deverão ser encaminhadas ao Conselho Tutelar.
nascimento são isentos de multas, custas e emolu-
mentos, gozando de absoluta prioridade. Das Medidas Socioeducativas
z São gratuitas, a qualquer tempo, a averbação
requerida do reconhecimento de paternidade no Medidas socioeducativas são medidas aplicáveis
assento de nascimento e a certidão correspondente.  a adolescentes autores de atos infracionais e estão
previstas no art. 112 do Estatuto da Criança e do Ado-
DA PRÁTICA DE ATO INFRACIONAL lescente (ECA). Apesar de configurarem resposta à
prática de um delito, apresentam um caráter predo-
Ato infracional é a conduta definida como crime ou minantemente educativo e não punitivo.
contravenção penal. Por serem penalmente inimputá- As medidas são aplicadas por um Juiz da Infância e
veis, os menores de dezoito anos estão sujeitos apenas às Juventude a pessoas na faixa etária entre 12 e 18 anos,
medidas previstas nesta Lei. Para todos os efeitos, deve podendo, excepcionalmente, ser aplicado a jovens
14 ser considerada a idade do adolescente à data do fato. com até 21 anos incompletos.
Advertência: é uma repreensão judicial, verbal I - São obrigatórias a escolarização e a profissiona-
e reduzida a termo, com o objetivo de sensibilizar e lização, devendo, sempre que possível, ser utiliza-
esclarecer o adolescente sobre as consequências de dos os recursos existentes na comunidade.
uma reincidência infracional. II - A medida não comporta prazo determinado
aplicando-se, no que couber, as disposições relati-
Obrigação de Reparar o Dano: é o ressarcimento
vas à internação.
por parte do adolescente do dano ou prejuízo econô-
mico causado à vítima.
Internação: é medida socioeducativa privativa da
liberdade, adotada pela autoridade judiciária quando
Da Prestação de Serviços à Comunidade –
o ato infracional praticado pelo adolescente se enqua-
drar nas situações previstas no art. 122, incisos I, II e
Art. 117. A prestação de serviços comunitários
III, do ECA.
consiste na realização de tarefas gratuitas de inte-
resse geral, por período não excedente a seis meses,
Art. 121. A internação constitui medida privativa
junto a entidades assistenciais, hospitais, escolas e
da liberdade, sujeita aos princípios de brevidade,
outros estabelecimentos congêneres, bem como em excepcionalidade e respeito à condição peculiar
programas comunitários ou governamentais. de pessoa em desenvolvimento. A internação pode
Parágrafo único: As tarefas serão atribuídas con- ocorrer em caráter provisório ou estrito.
forme as aptidões do adolescente, devendo ser
cumpridas durante jornada máxima de oito horas
É dever do Estado zelar pela integridade física e
semanais, aos sábados, domingos e feriados ou em
mental dos internos, cabendo-lhe adotar as medidas
dias úteis, de modo a não prejudicar a frequência à
adequadas de contenção e segurança.
escola ou à jornada normal de trabalho.
z Será permitida a realização de atividades exter-
Liberdade: é o acompanhamento, auxílio e orien-
nas, a critério da equipe técnica da entidade, sal-
tação do adolescente em conflito com a lei por equipes vo expressa determinação judicial em contrário.
multidisciplinares, por período mínimo de seis meses, A determinação judicial mencionada poderá ser
objetivando oferecer atendimento nas diversas áreas revista a qualquer tempo pela autoridade judiciária.
de políticas públicas, como saúde, educação, cultura, z A medida não comporta prazo determinado,
esporte, lazer e profissionalização, com vistas à sua devendo sua manutenção ser reavaliada, median-
promoção social e de sua família, bem como inserção te decisão fundamentada, no máximo a cada seis
no mercado de trabalho. meses.
z Em nenhuma hipótese o período máximo de inter-
Art. 118. A liberdade assistida será adotada sempre nação excederá a três anos.
que se afigurar a medida mais adequada para o fim z Atingido o limite estabelecido no parágrafo ante-
de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente. rior, o adolescente deverá ser liberado, colocado em
§1º A autoridade designará pessoa capacitada para regime de semiliberdade ou de liberdade assistida.
acompanhar o caso, a qual poderá ser recomenda- z A liberação será compulsória aos vinte e um anos
da por entidade ou programa de atendimento. de idade.
§2º A liberdade assistida será fixada pelo prazo
mínimo de seis meses, podendo a qualquer tempo Em qualquer hipótese a desinternação será pre-
ser prorrogada, revogada ou substituída por outra
cedida de autorização judicial, ouvido o Ministério
medida, ouvido o orientador, o Ministério Público
Público.
e o defensor.
Em nenhuma hipótese será aplicada a internação,
Art. 119 Incumbe ao orientador, com o apoio e a
havendo outra medida adequada. A medida de inter-
supervisão da autoridade competente, a realização
nação só poderá ser aplicada quando:
dos seguintes encargos, entre outros:
I - promover socialmente o adolescente e sua famí-
I - tratar-se de ato infracional cometido mediante
lia, fornecendo-lhes orientação e inserindo-os, se
grave ameaça ou violência a pessoa;
necessário, em programa oficial ou comunitário de
II - por reiteração no cometimento de outras infra-
auxílio e assistência social;
ções graves;
II - supervisionar a frequência e o aproveitamento III - por descumprimento reiterado e injustificá-
escolar do adolescente, promovendo, inclusive, sua vel da medida anteriormente imposta. O prazo de
matrícula; internação nessa hipótese não poderá ser superior
III - diligenciar no sentido da profissionalização do a 3 meses, devendo ser decretada judicialmente
adolescente e de sua inserção no mercado de trabalho; após o devido processo legal.
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

IV - apresentar relatório do caso.


A internação deverá ser cumprida em entidade
Do Regime de Semiliberdade: é a vinculação do exclusiva para adolescentes, em local distinto daque-
adolescente a unidades especializadas, com restrição le destinado ao abrigo, obedecida rigorosa separação
da sua liberdade, possibilitada a realização de ativida- por critérios de idade, compleição física e gravidade
des externas, sendo obrigatórias a escolarização e a da infração. Durante o período de internação, inclusi-
profissionalização ve provisória, serão obrigatórias atividades pedagógi-
cas. Em nenhum caso haverá incomunicabilidade.
Art. 120. O regime de semi-liberdade pode ser
determinado desde o início, ou como forma de tran- Art. 124. São direitos do adolescente privado de
sição para o meio aberto, possibilitada a realiza- liberdade, entre outros, os seguintes:
ção de atividades externas, independentemente de I - entrevistar-se pessoalmente com o representante
autorização judicial. do Ministério Público; 15
II - peticionar diretamente a qualquer autoridade; Estende-se o impedimento do conselheiro, na for-
III - avistar-se reservadamente com seu defensor; ma deste artigo, em relação à autoridade judiciária e
IV - ser informado de sua situação processual, sem- ao representante do Ministério Público com atuação
pre que solicitada; na Justiça da Infância e da Juventude, em exercício na
V - ser tratado com respeito e dignidade; comarca, foro regional ou distrital.
VI - permanecer internado na mesma localidade ou
naquela mais próxima ao domicílio de seus pais ou Do acesso à justiça
responsável;
VII - receber visitas, ao menos, semanalmente; É uma proteção o acesso de qualquer criança ou
VIII - corresponder-se com seus familiares e amigos; adolescente à Defensoria Pública, ao Ministério Públi-
IX - ter acesso aos objetos necessários à higiene e co e ao Poder Judiciário, por qualquer de seus órgãos.
asseio pessoal; Conforme artigo 141, § 1º a assistência judiciária
X - habitar alojamento em condições adequadas de gratuita será prestada aos que dela necessitarem,
higiene e salubridade; através de defensor público ou advogado nomeado.
XI - receber escolarização e profissionalização; Com relação às ações judiciais da competência da
XII - realizar atividades culturais, esportivas e de Justiça da Infância e da Juventude serão desobrigas
lazer: do pagamento de custas e emolumentos, ressalvada a
XIII - ter acesso aos meios de comunicação social; hipótese de litigância de má-fé.
XIV - receber assistência religiosa, segundo a sua
crença, e desde que assim o deseje; Dos Serviços Auxiliares
XV - manter a posse de seus objetos pessoais e dis-
por de local seguro para guardá-los, recebendo Cabe ao Poder Judiciário, na elaboração de sua
comprovante daqueles porventura depositados em proposta orçamentária, prever recursos para manu-
poder da entidade; tenção de equipe interprofissional, destinada à asses-
XVI - receber, quando de sua desinternação, os sorar a Justiça da Infância e da Juventude.
documentos pessoais indispensáveis à vida em
sociedade.
Dos Procedimentos

Das medidas pertinentes aos pais ou responsável No que tange aos procedimentos, aplicar-se-á sub-
sidiariamente as normas gerais previstas na legisla-
Os pais também são punidos sempre que os direi- ção processual pertinente.
tos reconhecidos da criança e do adolescente forem Conforme artigo 152, § 1º é assegurada, sob pena
ameaçados ou violados em razão de ação ou omissão de responsabilidade, prioridade absoluta na trami-
da sociedade ou do Estado, ou por falta, omissão ou tação dos processos e procedimentos previstos nesta
abuso dos pais ou responsável, em razão da conduta Lei, assim como na execução dos atos e diligências
do menor. A aplicação das medidas é de competência judiciais a eles referentes.
do Conselho Tutelar. Com relação aos prazos entabulados na Lei em
comento serão aplicáveis aos seus procedimentos, oca-
DO CONSELHO TUTELAR sião em que serão contados em dias corridos, excluído
o dia do começo e incluído o dia do vencimento, sendo
O Conselho Tutelar é órgão permanente e autô- proibido o prazo em dobro para a Fazenda Pública e o
nomo, não jurisdicional, encarregado pela socieda- Ministério Público. 
de de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança
e do adolescente. Da Perda e da Suspensão do Poder Familiar
Atenção para o artigo 132 que teve sua redação
pela Lei 13.824, de 2019: O procedimento para a perda ou a suspensão
do poder familiar terá início por provocação do Minis-
Art. 132. Em cada Município e em cada Região tério Público ou de quem tenha legítimo interesse. 
Administrativa do Distrito Federal haverá, no míni-
mo, 1 (um) Conselho Tutelar como órgão integrante Da Destituição da Tutela
da administração pública local, composto de 5 (cin-
co) membros, escolhidos pela população local para Na destituição da tutela, observar-se-á o procedi-
mandato de 4 (quatro) anos, permitida recondução mento para a remoção de tutor previsto na lei proces-
por novos processos de escolha sual civil e, no que couber, o disposto na seção anterior.

Das atribuições do conselho Da Colocação em Família Substituta

O artigo 136 do ECA apresenta o rol taxativo de atribui- São requisitos para a concessão de pedidos de colo-
ções do Conselho Tutelar no desempenho de suas funções cação em família substituta (art. 165):
administrativas e assistenciais. As decisões do Conselho
I  - qualificação completa do requerente e de seu
Tutelar somente poderão ser revistas pela autoridade
eventual cônjuge, ou companheiro, com expressa
judiciária a pedido de quem tenha legítimo interesse. anuência deste;
São impedidos de servir no mesmo Conselho mari- II - indicação de eventual parentesco do requerente
do e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e gen- e de seu cônjuge, ou companheiro, com a criança
ro ou nora, irmãos, cunhados, durante o cunhadio, tio ou adolescente, especificando se tem ou não paren-
16 e sobrinho, padrasto ou madrasta e enteado. te vivo;
III - qualificação completa da criança ou adolescen-
te e de seus pais, se conhecidos; Importante!
IV  - indicação do cartório onde foi inscrito nasci-
A infiltração de agentes de polícia na internet
mento, anexando, se possível, uma cópia da respec-
não será admitida se a prova puder ser obtida
tiva certidão;
por outros meios.
V - declaração sobre a existência de bens, direitos ou
rendimentos relativos à criança ou ao adolescente.
Da Apuração de Irregularidades em Entidade de
Da Apuração de Ato Infracional Atribuído a Atendimento
Adolescente
O processo de apuração de irregularidades em enti-
O adolescente que for apreendido por força de dade governamental e não-governamental começará
ordem judicial será encaminhado à autoridade com a portaria da autoridade judiciária ou represen-
judiciária. tação do Ministério Público ou do Conselho Tutelar,
Ademais, vejamos: onde conste, necessariamente, resumo dos fatos.
No caso da não liberação, a autoridade policial No caso de existir motivo grave, poderá (apresen-
deverá encaminhar, o adolescente ao representante tando uma faculdade e não um dever) a autoridade
do Ministério Público, levando consigo a cópia do auto judiciária, ouvido o Ministério Público, decretar limi-
de apreensão ou boletim de ocorrência. narmente o afastamento provisório do dirigente da
Vale dispor que sendo impossível a apresentação entidade, mediante decisão fundamentada.
imediata, a autoridade policial deverá encaminhar o
adolescente à entidade de atendimento, que ocorrerá Dos Recursos
a apresentação ao representante do Ministério Públi-
co no prazo de vinte e quatro horas. Nos procedimentos afetos à Justiça da Infância e
da Juventude, inclusive os relativos à execução das
Da infiltração de agentes de polícia para a medidas socioeducativas, adotar-se-á o sistema recur-
investigação de crimes contra a dignidade sexual de sal da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código
de Processo Civil), com as seguintes adaptações: 
criança e de adolescente
z Os recursos serão interpostos independentemen-
Art. 190-A A infiltração de agentes de polícia na
te de preparo, por tanto, não necessitará do reco-
internet com o fim de investigar os crimes previstos
nos arts. 240 , 241 , 241-A , 241-B , 241-C e 241-D des-
lhimento das custas ou do valor para recorrer da
ta Lei e nos arts. 154-A , 217-A , 218 , 218-A e 218-B
sentença.
do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 z Em todos os recursos, salvo nos embargos de decla-
(Código Penal)  , obedecerá às seguintes regras:  ração, o prazo para o Ministério Público e para a
(Incluído pela Lei nº 13.441, de 2017) defesa será sempre de 10 (dez) dias, sendo vedado
I - será precedida de autorização judicial devida- o prazo em dobro.
mente circunstanciada e fundamentada, que esta-
belecerá os limites da infiltração para obtenção de No que corresponde aos embargos, poderão ser
prova, ouvido o Ministério Público;  (Incluído pela opostos para sanar uma obscuridade, omissão e/ou
Lei nº 13.441, de 2017) contradição.
II - dar-se-á mediante requerimento do Ministério
Público ou representação de delegado de polícia e z Os recursos terão preferência de julgamento e dis-
conterá a demonstração de sua necessidade, o alcan- pensarão revisor;
ce das tarefas dos policiais, os nomes ou apelidos das z Antes de determinar a remessa dos autos à supe-
pessoas investigadas e, quando possível, os dados de rior instância, no caso de apelação, ou do instru-
conexão ou cadastrais que permitam a identificação mento, no caso de agravo, a autoridade judiciária
dessas pessoas (Incluído pela Lei nº 13.441, de 2017) proferirá despacho fundamentado, mantendo ou
III - não poderá exceder o prazo de 90 (noventa) reformando a decisão, no prazo de cinco dias;
dias, sem prejuízo de eventuais renovações, desde z Mantida a decisão apelada ou agravada, o escrivão
que o total não exceda a 720 (setecentos e vinte) remeterá os autos ou o instrumento à superior ins-
dias e seja demonstrada sua efetiva necessidade, a tância dentro de vinte e quatro horas, independente-
critério da autoridade judicial. (Incluído pela Lei nº mente de novo pedido do recorrente; se a reformar,
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

13.441, de 2017) a remessa dos autos dependerá de pedido expresso


da parte interessada ou do Ministério Público, no
Para os fins acima, consideram-se (art. 190-A, §2°): prazo de cinco dias, contados da intimação.

I - dados de conexão: informações referentes a Do Ministério Público


hora, data, início, término, duração, endereço de
Protocolo de Internet (IP) utilizado e terminal de O Ministério Público é instituição constitucional-
origem da conexão; mente autônoma incumbida da defesa da ordem jurí-
II - dados cadastrais: informações referentes a nome dica, do regime democrático e dos interesses sociais e
e endereço de assinante ou de usuário registrado ou individuais indisponíveis.
autenticado para a conexão a quem endereço de IP, O Art. 201 do ECA enumera as funções da institui-
identificação de usuário ou código de acesso tenha ção, as quais serão exercidas nos termos da respectiva
sido atribuído no momento da conexão. lei orgânica. 17
A forma de atuação do MP se dá em duas vertentes: VIII  - de escolarização e profissionalização dos
adolescentes privados de liberdade.
z Autor da ação; IX - de ações, serviços e programas de orientação,
z Fiscal da lei. apoio e promoção social de famílias e destinados
ao pleno exercício do direito à convivência familiar
por crianças e adolescentes. (Incluído pela Lei nº
Quando é autor, não resta dúvidas sobre a sua
12.010, de 2009) Vigência
atuação. Há de se discutir quando atuará como fiscal,
X - de programas de atendimento para a execução
apenas.
das medidas socioeducativas e aplicação de medi-
Nos termos da presente lei, nos processos e procedi- das de proteção. (Incluído pela Lei nº 12.594, de
mentos em que não for parte, atuará obrigatoriamente 2012)
o Ministério Público na defesa dos direitos e interes- XI - de políticas e programas integrados de atendi-
ses de que cuida o ECA, hipótese em que terá vista dos mento à criança e ao adolescente vítima ou teste-
autos depois das partes, podendo juntar documentos e munha de violência. (Incluído pela Lei nº 13.431, de
requerer diligências, usando os recursos cabíveis. 2017) (Vigência)
Conforme artigo 204. A falta de intervenção do §1° As hipóteses previstas neste artigo não excluem
Ministério Público acarreta a nulidade do feito, que da proteção judicial outros interesses individuais,
será declarada de ofício pelo juiz ou a requerimento de difusos ou coletivos, próprios da infância e da
qualquer interessado. adolescência, protegidos pela Constituição e pela
Lei. (Renumerado do Parágrafo único pela Lei nº
Do Advogado 11.259, de 2005)

No que tange ao Advogado, é importante destacar Ademais, vamos analisar o artigo 208, parágrafo 2:
que a criança ou o adolescente, seus pais ou responsá-
vel, e qualquer pessoa que tenha legítimo interesse na § 2o A investigação do desaparecimento de crianças
solução da lide poderão (apresentando uma faculdade ou adolescentes será realizada imediatamente após
e não um dever) intervir nos procedimentos de que notificação aos órgãos competentes, que deverão
comunicar o fato aos portos, aeroportos, Polícia
trata esta Lei, por meio de advogado, o qual será inti-
Rodoviária e companhias de transporte interesta-
mado para todos os atos, pessoalmente ou por publi-
duais e internacionais, fornecendo-lhes todos os
cação oficial, respeitado o segredo de justiça.
dados necessários à identificação do desaparecido.
Por outro lado, quando o interessado não tiver condi-
ções de contratar um advogado, a lei garante a assistência
DOS CRIMES E DAS INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS
judiciária, a qual será prestada pela Defensoria Pública.
Com relação aos crimes e das infrações adminis-
Art. 206. (...)
Parágrafo único. Será prestada assistência trativas que abrange as condutas criminosas prati-
judiciária integral e gratuita àqueles que dela cados contra a criança e o adolescente, por ação ou
necessitarem. omissão, sem prejuízo do disposto na legislação penal.

Da Proteção Judicial dos Interesses Individuais, Art. 226. Aplicam-se aos crimes definidos nesta Lei
Difusos e Coletivos as normas da Parte Geral do Código Penal e, quan-
to ao processo, as pertinentes ao Código de Proces-
so Penal.
Com base no artigo 208, regem-se pelas disposições
desta Lei as ações de responsabilidade por ofensa aos
Os crimes definidos nesta Lei são de ação pública
direitos assegurados à criança e ao adolescente, refe-
incondicionada, ou seja, carecem de representação da
rentes ao não oferecimento ou oferta irregular:
vítima ou de seu responsável legal.
Atenção para o artigo 227-A que foi incluído pela
Art. 208. Regem-se pelas disposições desta Lei as
ações de responsabilidade por ofensa aos direitos Lei 18.869/2019:
assegurados à criança e ao adolescente, referentes
ao não oferecimento ou oferta irregular: Art. 227-A  Os efeitos da condenação prevista
I - do ensino obrigatório; no inciso I do caput do art. 92 do Decreto-Lei nº
II  - de atendimento educacional especializado aos 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal),
portadores de deficiência; para os crimes previstos nesta Lei, praticados por
III - de atendimento em creche e pré-escola às crian- servidores públicos com abuso de autoridade, são
ças de zero a seis anos de idade; condicionados à ocorrência de reincidência.    
(Revogado) Parágrafo único.  A perda do cargo, do mandato ou
III  – de atendimento em creche e pré-escola às da função, nesse caso, independerá da pena aplica-
crianças de zero a cinco anos de idade; (Redação da na reincidência.   
dada pela Lei nº 13.306, de 2016)
IV - de ensino noturno regular, adequado às condi- Dos Crimes em Espécie
ções do educando;
V - de programas suplementares de oferta de mate- Art. 241.  Vender ou expor à venda fotografia,
rial didático-escolar, transporte e assistência à saú- vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo
de do educando do ensino fundamental; explícito ou pornográfica envolvendo criança ou
VI  - de serviço de assistência social visando à adolescente: 
proteção à família, à maternidade, à infância e à Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e
adolescência, bem como ao amparo às crianças e multa. 
adolescentes que dele necessitem; Art. 241-A Oferecer, trocar, disponibilizar, trans-
18 VII - de acesso às ações e serviços de saúde; mitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer
meio, inclusive por meio de sistema de informática modificação de fotografia, vídeo ou qualquer outra
ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro forma de representação visual: 
que contenha cena de sexo explícito ou pornográfi- Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
ca envolvendo criança ou adolescente: Parágrafo único.  Incorre nas mesmas penas quem
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.  vende, expõe à venda, disponibiliza, distribui, publi-
§ 1° Nas mesmas penas incorre quem:  ca ou divulga por qualquer meio, adquire, pos-
I – assegura os meios ou serviços para o armaze- sui ou armazena o material produzido na forma
namento das fotografias, cenas ou imagens de que do caput deste artigo.
trata o caput deste artigo;  Art. 241-D Aliciar, assediar, instigar ou constran-
II – assegura, por qualquer meio, o acesso por rede ger, por qualquer meio de comunicação, criança,
de computadores às fotografias, cenas ou imagens com o fim de com ela praticar ato libidinoso:
de que trata o caput deste artigo. Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
§ 2° As condutas tipificadas nos incisos I e II do § Parágrafo único.  Nas mesmas penas incorre quem: 
1  o  deste artigo são puníveis quando o responsável I – facilita ou induz o acesso à criança de material
legal pela prestação do serviço, oficialmente noti- contendo cena de sexo explícito ou pornográfica
ficado, deixa de desabilitar o acesso ao conteúdo com o fim de com ela praticar ato libidinoso;
II – pratica as condutas descritas no  caput  deste
ilícito de que trata o caput deste artigo.
artigo com o fim de induzir criança a se exibir de
Art. 241-B Adquirir, possuir ou armazenar, por
forma pornográfica ou sexualmente explícita. 
qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de
Art. 241-E Para efeito dos crimes previstos nesta
registro que contenha cena de sexo explícito ou por-
Lei, a expressão “cena de sexo explícito ou porno-
nográfica envolvendo criança ou adolescente: 
gráfica” compreende qualquer situação que envol-
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 
va criança ou adolescente em atividades sexuais
§ 1° A pena é diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços)
explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos
se de pequena quantidade o material a que se refere órgãos genitais de uma criança ou adolescente
o caput deste artigo para fins primordialmente sexuais.
§ 2° Não há crime se a posse ou o armazenamento Art. 242. Vender, fornecer ainda que gratuitamente
tem a finalidade de comunicar às autoridades com- ou entregar, de qualquer forma, a criança ou ado-
petentes a ocorrência das condutas descritas nos lescente arma, munição ou explosivo:
arts. 240, 241, 241-A e 241-C desta Lei, quando a Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos. 
comunicação for feita por: Art. 243.  Vender, fornecer, servir, ministrar ou
I – agente público no exercício de suas funções;  entregar, ainda que gratuitamente, de qualquer for-
II – membro de entidade, legalmente constituída, ma, a criança ou a adolescente, bebida alcoólica ou,
que inclua, entre suas finalidades institucionais, o sem justa causa, outros produtos cujos componen-
recebimento, o processamento e o encaminhamen- tes possam causar dependência física ou psíquica: 
to de notícia dos crimes referidos neste parágrafo;  Pena - detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e mul-
III – representante legal e funcionários responsáveis ta, se o fato não constitui crime mais grave.
de provedor de acesso ou serviço prestado por meio Art. 244. Vender, fornecer ainda que gratuitamente
de rede de computadores, até o recebimento do mate- ou entregar, de qualquer forma, a criança ou ado-
rial relativo à notícia feita à autoridade policial, ao lescente fogos de estampido ou de artifício, exceto
Ministério Público ou ao Poder Judiciário.  aqueles que, pelo seu reduzido potencial, sejam
§ 3° As pessoas referidas no § 2° deste artigo deve- incapazes de provocar qualquer dano físico em
rão manter sob sigilo o material ilícito referido.  caso de utilização indevida:
Pena - detenção de seis meses a dois anos, e multa.
Quanto ao crime previsto no Art. 241-A (divulgação Art. 244-A Submeter criança ou adolescente, como
de imagem pornográfica de adolescente via WhatsApp tais definidos no caput do art. 2° desta Lei, à prosti-
tuição ou à exploração sexual: 
e Facebook, a competência para julgamento, em regra,
Pena – reclusão de quatro a dez anos e multa, além
é da justiça estadual.
da perda de bens e valores utilizados na prática cri-
Todavia, será da Justiça Federal nas hipóteses em que minosa em favor do Fundo dos Direitos da Criança
estiver evidenciada a internacionalidade da conduta. e do Adolescente da unidade da Federação (Estado
ou Distrito Federal) em que foi cometido o crime,
ressalvado o direito de terceiro de boa-fé.
Importante! § 1  o Incorrem nas mesmas penas o proprietário, o
gerente ou o responsável pelo local em que se veri-
Compete à Justiça Federal a condução do inqué- fique a submissão de criança ou adolescente às prá-
rito que investiga o cometimento do delito previs- ticas referidas no caput deste artigo. 
to no art. 241-A do ECA nas hipóteses em que há § 2  o  Constitui efeito obrigatório da condenação a
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

a constatação da internacionalidade da conduta cassação da licença de localização e de funciona-


e à Justiça Estadual nos casos em que o crime mento do estabelecimento. 
é praticado por meio de troca de informações Art. 244-B Corromper ou facilitar a corrupção de
menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando
privadas, como nas conversas via Whatsapp ou
infração penal ou induzindo-o a praticá-la: 
por meio de chat na rede social Facebook. CC Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
150.564-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fon- § 1° Incorre nas penas previstas no  caput  deste
seca, por unanimidade, julgado em 26/4/2017, artigo quem pratica as condutas ali tipificadas uti-
DJe 2/5/2017. Informativo STJ 603. lizando-se de quaisquer meios eletrônicos, inclusive
salas de bate-papo da internet.
§ 2° As penas previstas no caput deste artigo são
Art. 241-C Simular a participação de criança ou aumentadas de um terço no caso de a infração
adolescente em cena de sexo explícito ou porno- cometida ou induzida estar incluída no rol do art.
gráfica por meio de adulteração, montagem ou 1 o da Lei n o 8.072, de 25 de julho de 1990 .  19
Súmula 500 do STJ A configuração do crime previsto 3. (CEBRASPE - 2020) Julgue o item a seguir conside-
no artigo 244-B (corrupção de menores) do Estatuto da rando o texto acima.
Cabe ao serviço público de saúde proporcionar assis-
Criança e do Adolescente independe da prova da efeti-
tência psicológica a Flávia, no período pós-natal,
va corrupção do menor, por se tratar de delito formal.
inclusive como forma de prevenir ou minorar as con-
sequências do estado puerperal.

( ) CERTO  ( ) ERRADO


EXERCÍCIOS COMENTADOS
A questão está de acordo com o ECA, pois é assegu-
1. (CEBRASPE - 2020) Flávia, com vinte e três anos de rado a todas as mulheres o acesso aos programas
idade, deu entrada no hospital estadual de sua cidade e às políticas de saúde da mulher e de planejamen-
em trabalho de parto, acompanhada de uma amiga à to reprodutivo e, às gestantes, nutrição adequada,
qual comunicou sua decisão de entregar o filho para atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puer-
adoção logo após o nascimento. Do início ao final do pério e atendimento pré-natal, perinatal e pós-natal
parto, a jovem falou ao médico sobre sua decisão, integral no âmbito do Sistema Único de Saúde. Além
mas nada foi feito pelo profissional em questão. Flá- de incumbir ao poder público  proporcionar assis-
via está desempregada, encontra-se em situação de tência psicológica à gestante e à mãe, no período
pré e pós-natal, inclusive como forma de prevenir
extrema pobreza e alega que, além disso, não conta
ou minorar as consequências do estado puerperal.
com o apoio de familiares. Segundo ela, o pai da crian-
Ademais, a assistência referida, deverá ser prestada
ça, seu ex-companheiro, está envolvido com tráfico também a gestantes e mães que manifestem interes-
de drogas e não reúne condições psicossociais para se em entregar seus filhos para adoção, bem como a
criar a criança, uma vez que é agressivo e apresenta gestantes e mães que se encontrem em situação de
atitudes com as quais Flávia não concorda, como, por privação de liberdade. Resposta: Certa.
exemplo, entregar com frequência sua arma de fogo,
como se fosse um brinquedo, para um sobrinho de 4. (CEBRASPE - 2020) De acordo com as disposições
oito anos de idade que mora com ele. do Estatuto da Criança e do Adolescente, promover e
Considerando essa situação hipotética, julgue o acompanhar ações de destituição do poder familiar é
item que se segue, à luz do Estatuto da Criança e do competência
Adolescente.
Caso não haja indicação do ex-companheiro de Flávia a) do conselho tutelar.
b) da Defensoria Pública.
e não exista outro representante da família extensa
c) do centro de referência especializado de assistência
apto a receber a guarda do recém-nascido, a autori- social.
dade judiciária competente deverá decretar a extinção d) da vara da infância e da juventude.
do poder familiar. e) do Ministério Público.

( ) CERTO  ( ) ERRADO Nos termos do ECA, a competência descrita cabe ao


MP, a conduta de promover e acompanhar as ações
Segundo o § 4  do Art. 19-A, na hipótese de  não de alimentos e os procedimentos de suspensão e des-
haver a indicação do genitor e de não existir outro tituição do poder familiar, nomeação e remoção de
representante da família extensa apto a receber a tutores, curadores e guardiães, bem como oficiar em
guarda, a autoridade judiciária competente deverá todos os demais procedimentos da competência da
decretar a extinção do poder familiar e determinar Justiça da Infância e da Juventude. Resposta: Letra E.
a colocação da criança sob a guarda provisória de
5. (CEBRASPE - 2020) De acordo com as disposições do
quem estiver habilitado a adotá-la ou de entidade
Estatuto da Criança e do Adolescente, a garantia da
que desenvolva programa de acolhimento familiar prioridade absoluta compreende
ou institucional. Resposta: Certo.
a) a corresponsabilidade da família, do Estado e da
2. (CEBRASPE - 2020) Julgue o item a seguir conside- sociedade em assegurar a efetivação dos direitos fun-
rando o texto acima. damentais a crianças e adolescentes.
Ao não comunicar o caso à autoridade judiciária, o b) a primazia de receber proteção e socorro em quais-
médico de Flávia cometeu infração administrativa, quer circunstâncias.
passível de pena de multa. c) a efetivação de direitos especiais em razão da condi-
ção peculiar de pessoa em desenvolvimento.
( ) CERTO  ( ) ERRADO d) o alcance dos direitos a todas as crianças e adoles-
centes, sem qualquer distinção.
É considerado uma infração administrativa, pois, e) a implementação de políticas públicas de forma
descentralizada.
deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabe-
lecimento de atenção à saúde de gestante de efetuar
De acordo com o ECA, a garantia da prioridade
imediato encaminhamento à autoridade judiciária absoluta compreende a primazia de receber prote-
de caso de que tenha conhecimento de mãe ou ges- ção e socorro em quaisquer circunstâncias.
tante interessada em entregar seu filho para ado- Art. 4º É dever da família, da comunidade, da socie-
ção, terá a pena multa de R$ 1.000,00 (mil reais) a dade em geral  e do  poder público  assegurar,
20 R$ 3.000,00 (três mil reais). Resposta: Certa. com  absoluta prioridade, a efetivação dos direitos
referentes à vida, à saúde, à alimentação, à edu- d) caracterizar-se como uma entidade de atendimen-
cação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, to direto, pelo fato de ser um órgão autônomo e não
à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à jurisdicional.
convivência familiar e comunitária. e) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educa-
Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende: ção, serviço social, previdência, trabalho e segurança.
a) primazia de receber proteção e socorro em quais-
Faz parte da atribuição do Conselho Tutelar requisi-
quer circunstâncias;
tar serviços públicos nas áreas de saúde, educação,
b) precedência de atendimento nos serviços públicos
serviço social, previdência, trabalho e segurança.
ou de relevância pública;
Art. 136 São atribuições do Conselho Tutelar:
c) preferência na formulação e na execução das polí-
[...]
ticas sociais públicas;
III - promover a execução de suas decisões, podendo
d) destinação privilegiada de recursos públicos nas
para tanto:
áreas relacionadas com a proteção à infância e à a) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde,
juventude. Resposta: Letra B. educação, serviço social, previdência, trabalho e
segurança;
6. (CEBRASPE - 2019) O pai que usa de força física con- b) representar junto à autoridade judiciária nos
tra seu filho menor de idade para discipliná-lo incide casos de descumprimento injustificado de suas deli-
no que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) berações. Resposta: Letra E.
denomina
9. (FCC - 2019) O Estatuto da Criança e do Adoles-
a) tratamento degradante. cente assegura o direito à liberdade, ao respeito e à
b) tratamento cruel. dignidade,
c) vexame.
d) violência doméstica. a) inclusive o da preservação da imagem.
e) castigo físico. b) inclusive o de trabalhar em qualquer idade.
c) exceto o de participar da vida política, na forma da lei.
A questão se refere a castigo físico e para os fins des- d) exceto o de brincar, praticar esportes e divertir-se.
ta Lei, considera-se castigo físico: ação de natureza e) exceto o de buscar refúgio, auxílio e orientação.
disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força
física sobre a criança ou o adolescente que resulte Apenas a opção A está correta.
em sofrimento físico ou lesão. Resposta: Letra E. Art. 16 do ECA. O direito à liberdade compreende os
seguintes aspectos:
7. (CEBRASPE - 2019) A medida socioeducativa de inter- I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços
nação será legítima na hipótese de comunitários, ressalvadas as restrições legais;
II - opinião e expressão;
a) o juiz constatar gravidade em abstrato da prática de III - crença e culto religioso;
ato infracional. IV - brincar, praticar esportes e divertir-se;
b) o menor ter praticado ato infracional análogo ao tráfi- V - participar da vida familiar e comunitária, sem
co de drogas. discriminação;
c) o menor ser reincidente na prática de ato infracional. VI - participar da vida política, na forma da lei;
d) o menor ter cometido reiteradamente infrações graves. VII - buscar refúgio, auxílio e orientação.
e) o menor já ter sido submetido ao regime de semiliberdade. Art.  17 do ECA. O  direito ao respeito  consiste na
inviolabilidade da integridade física, psíquica e
moral da criança e do adolescente, abrangendo
A medida será aplicada no caso de reiterada ações
a  preservação da imagem, da identidade, da auto-
graves.
nomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e
122 A medida de internação só poderá ser aplicada
objetos pessoais. Resposta: Letra A.
quando:
I -  tratar-se de ato infracional cometido mediante
10. (CEBRASPE - 2019) Assinale a opção que indica medi-
grave ameaça e violência a pessoa;
da de proteção à criança e ao adolescente prevista no
II - por reiteração no cometimento de outras infra- ECA e aplicável quando os direitos reconhecidos des-
ções graves; Resposta: Letra D. se grupo social forem ameaçados ou violados.
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

8. (FCC - 2019) De acordo com a legislação, o Conse- a) colocação da criança ou do adolescente em família
lho Tutelar é um órgão permanente e autônomo, não substituta
jurisdicional, encarregado de zelar pelo cumprimento b) intervenção mínima
dos direitos da criança e do adolescente. Faz parte da c obrigação de reparar o dano
atribuição desse órgão d) internação da criança ou do adolescente em estabele-
cimento educacional
a) prestar assistência direta às crianças, aos adolescen-
tes e suas famílias. Na hipótese, será colocada em família substituta.
b) constituir-se como um programa de atendimento às Art. 101 Verificada qualquer das hipóteses previstas
crianças e aos adolescentes. no art. 98, a autoridade competente poderá determi-
c) configurar-se como executor da prestação direta de nar, dentre outras, as seguintes medidas:
serviços necessários à efetivação dos direitos da IX -  colocação em família substituta. Resposta:
criança e do adolescente. Letra A. 21
z o
crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de
LEI Nº 8.072, DE 1990 E SUAS uso proibido.
ALTERAÇÕES z o crime de comércio ilegal de armas de fogo.
z o
crime de tráfico internacional de arma de fogo,
Com o crescimento dos níveis de violência no País acessório ou munição
houve a necessidade de estabelecer regramentos para
agravar crimes que pela repercussão e maior reprova- � o crime de organização criminosa, quando dire-
ção social são considerados mais graves, por desperta- cionado à prática de crime hediondo ou equiparado.
rem na sociedade a sensação de repulsa e injustiça.
Neste sentido, em 25 de julho de 1990, foi publica- CRIMES EQUIPARADOS A HEDIONDOS
da a Lei de Crimes Hediondos. Antes de adentrar nos
crimes hediondos propriamente ditos, é necessário z Tortura
estabelecer distinção entre estes e os crimes equipara- z Tráfico ilícito de entorpecentes, exceto o privilegiado.
dos a hediondos. Mas, por que isto é importante para z Terrorismo
sua prova?
A verdade é que são hediondos todos os crimes Dica rápida: TTT.
que estão expressos na Lei de Crimes Hediondos,
contudo há crimes que a legislação equiparou para Foi exposto acima o rol de crimes hediondos e
todos os efeitos como hediondos, isto quer dizer não equiparados, mas como dito anteriormente, a Lei de
são propriamente hediondos, mas terão a incidência Crimes Hediondos veio para agravar os crimes de
desta lei. maior reprovação pela sociedade.
Com efeito, o artigo 2º da aludida lei trouxe algu-
CRIMES HEDIONDOS mas medidas, tais como: a impossibilidade da conces-
são de anistia – espécie de perdão geral concedido
pelo Congresso Nacional, através de lei e que exclui
z h
omicídio quando praticado em atividade típica
o próprio crime –, graça – espécie de perdão indivi-
de grupo de extermínio (Inciso I, do art. 1º, da Lei
dual requerido pelo Presidente da República, concedi-
z homicídios qualificados (§ 2º, do art. 121, do CP) do pelo juiz e que substitui apenas a condenação – e
z l esão corporal dolosa de natureza gravíssima e indulto – espécie de perdão coletivo requerido pelo
seguida de morte quando praticadas contra autori- Presidente da República, mas que pode ser concedido
dade ou agente de Segurança Pública, seu cônjuge, de ofício pelo juiz e que substitui apenas a condena-
companheiro ou parente consanguíneo até tercei- ção –, aplicação de fiança, início do cumprimento de
ro grau, em decorrência da condição de agente ou pena em regime fechado e, ainda, dispôs que a prisão
autoridade (art. 129, §§ 2º e 3º, do CP). temporária no caso destes crimes terá o prazo de 30,
z r oubo circunstanciado pela restrição de liberdade prorrogáveis por igual período.
da vítima (art. 157, § 2º, inciso V). Atente-se ao fato de que o Supremo Tribunal Fede-
ral decretou a inconstitucionalidade do § 1º, do art.
z r oubo circunstanciado pelo emprego de arma de
2º, que dispunha sobre a fixação de regime inicial em
fogo (art. 157, § 2º-A, inciso I).
regime fechado. Determinando, em consonância com
z r oubo pelo emprego de arma de fogo de uso proibi- o princípio da individualização da pena, que o magis-
do ou restrito (art. 157, § 2º-B). trado deveria fixar o regime inicial em observância ao
z r oubo qualificado pelo resultado lesão corporal que dispõe o Código Penal e a Lei de Execução Penal.
grave ou morte (art. 157, § 3º). Outro assunto que merece destaque são as alte-
z e
xtorsão qualificada pela restrição da liberdade da rações recentes advindas do Pacote Anticrime (Lei
vítima (art. 158, § 3º). 13.964/2019), que revogou o § 2º, do art. 2º, da Lei de
Crimes Hediondos:
z e
xtorsão qualificada pela ocorrência de lesão cor-
poral (art. 158, § 3º). § 2º A progressão de regime, no caso dos condenados
z extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 3º). pelos crimes previstos neste artigo, dar-se-á após
z e
xtorsão mediante sequestro e na forma qualifica- o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se
da (art. 159, caput, e §§ lo, 2o e 3o); o apenado for primário, e de 3/5 (três quintos), se
reincidente, observado o disposto nos §§ 3º e 4º
z e
stupro simples e qualificado (art. 213, caput e §§ do art. 112 da Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984
1º e 2º). (Lei de Execução Penal). (Redação dada pela Lei nº
z e
stupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1º, 2º, 13.769, de 2018)
3º e 4º);
z epidemia com resultado morte (art. 267, § 1º). A forma de progressão de regime foi então regula-
da pela Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984):
z f alsificação, corrupção, adulteração ou alteração
de produto destinado a fins terapêuticos ou medi- Art. 112. A pena privativa de liberdade será exe-
cinais (art. 273, caput e § 1º, § 1º-A e § 1º-B). cutada em forma progressiva com a transferência
z f avorecimento da prostituição ou de outra forma para regime menos rigoroso, a ser determinada
de exploração sexual de criança ou adolescente ou pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos:
de vulnerável (art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º) I - 16% (dezesseis por cento) da pena, se o apenado
for primário e o crime tiver sido cometido sem vio-
z f urto qualificado pelo emprego de explosivo ou
lência à pessoa ou grave ameaça;
de artefato análogo que cause perigo comum (art. II - 20% (vinte por cento) da pena, se o apenado for
155, § 4º-A). reincidente em crime cometido sem violência à pes-
22 z o crime de genocídio. soa ou grave ameaça;
III - 25% (vinte e cinco por cento) da pena, se o ape- COMPETÊNCIAS
nado for primário e o crime tiver sido cometido
com violência à pessoa ou grave ameaça; Ademais, o Decreto entabulou algumas competên-
IV - 30% (trinta por cento) da pena, se o apenado cias, sendo elas:
for reincidente em crime cometido com violência à
pessoa ou grave ameaça;
Art. 1º I - realizar o patrulhamento ostensivo, exe-
V - 40% (quarenta por cento) da pena, se o apenado
for condenado pela prática de crime hediondo ou cutando operações relacionadas com a segurança
equiparado, se for primário; pública, com o objetivo de preservar a ordem, a
VI - 50% (cinquenta por cento) da pena, se o ape- incolumidade das pessoas, o patrimônio da União
nado for: e o de terceiros;
a) condenado pela prática de crime hediondo ou
equiparado, com resultado morte, se for primário, Atenção, pois o patrulhamento abrange o policia-
vedado o livramento condicional;
mento, no entanto, o policial deverá estar fardado.
b) condenado por exercer o comando, individual
ou coletivo, de organização criminosa estruturada
para a prática de crime hediondo ou equiparado; ou Art.  1º  II - exercer os poderes de autoridade de
c) condenado pela prática do crime de constituição polícia de trânsito, cumprindo e fazendo cumprir
de milícia privada; a legislação e demais normas pertinentes, inspe-
VII - 60% (sessenta por cento) da pena, se o apena- cionar e fiscalizar o trânsito, assim como efetuar
do for reincidente na prática de crime hediondo ou convênios específicos com outras organizações
equiparado;
similares;
VIII - 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado
for reincidente em crime hediondo ou equiparado com
resultado morte, vedado o livramento condicional. Nesse caso, abrange que a Polícia Rodoviária Fede-
ral poderá proteger os direitos oriundo ao Código de
Observe que o inciso VIII, do artigo supracitado Trânsito Brasileiro, podendo estabelecer convênios
vedou expressamente o livramento condicional aos com demais órgãos para a proteção dos direitos basi-
condenados por crimes hediondos ou equiparados lares envolvendo o trânsito.
com resultado morte. Outra novidade importante que
afeta a Lei de Crimes Hediondos foi a alteração con- Art. 1º III - aplicar e arrecadar as multas impostas
solidada pelo Pacote Anticrime na Lei de Execução
por infrações de trânsito e os valores decorrentes
Penal, que deixou de considerar como hediondo ou
da prestação de serviços de estadia e remoção de
equiparado a figura do tráfico privilegiado, aquele em
que o agente que comete o crime é primário, goza de veículos, objetos, animais e escolta de veículos de
bons antecedentes e não se dedica a atividades crimi- cargas excepcionais;
nosas, tampouco integra alguma organização crimi-
nosa (§ 4º, do art. 33, da Lei 11.343/06). Muitas vezes, a Polícia Rodoviária Federal poderá
Por fim, a Lei de Crimes Hediondos ainda positi- realizar alguns serviços, como por exemplo, escol-
vou uma norma estabelecendo que a União deverá tar um caminhão que esteja transportado uma peça
manter estabelecimentos penais de segurança máxi- gigante para uma usina.
ma destinados aos condenados de alta periculosidade.
Art.  1º  IV - executar serviços de prevenção, aten-
dimento de acidentes e salvamento de vítimas nas
rodovias federais;
DECRETO Nº 1.655, DE 1995
Um exemplo tradicional é os acidentes causa-
O Decreto 1.655/1995 apresenta sua vertente de dos nas Rodovias Federais, devendo prevenir outros
estrutura central à disposição sobre a competência da
acidentes, realizar a sinalização, atender as pessoas
Polícia Rodoviária Federal.
Com base no artigo 1º, a Polícia Rodoviária Federal envolvidas no acidente e se possível salvar as vítimas.
é um órgão permanente, integrante da estrutura regi- Lembrem-se, estamos tratando de Rodovias
mental do Ministério da Justiça, no âmbito das rodo- Federais.
vias federais.
Portanto, a Polícia Rodoviária Federal faz parte da Art.  1º  V - realizar perícias, levantamentos de
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

estrutura regimental do Ministério da Justiça. locais boletins de ocorrências, investigações, testes


de dosagem alcoólica e outros procedimentos esta-
Dica belecidos em leis e regulamentos, imprescindíveis à
elucidação dos acidentes de trânsito;
O Ministério da Justiça nada mais é que um
órgão da administração pública federal direta,
Com isso, é uma atribuição da Polícia Rodoviária
suas principais competências são:
� A defesa da ordem jurídica, dos direitos políti- Federal realizar as perícias oriundas a locais de cri-
cos e das garantias constitucionais; mes e acidentes.
� A coordenação do Sistema Único de Seguran- Exemplo: Imagine um acidente de trânsito em que
ça Pública; que ocorreu uma batida frontal entre um caminhão
� A defesa da ordem econômica nacional e dos e um carro. No caso, caberá à Polícia analisar quem
direitos do consumidor. estava errado, as condições da pista, dos veículos etc. 23
Art. 1º  VI - credenciar os serviços de escolta, fisca- O policiamento rodoviário federal ostensivo, realizado
lizar e adotar medidas de segurança relativas aos por meio da presença policial ostensiva, constitui ativi-
serviços de remoção de veículos, escolta e transpor- dade cotidiana e especial da PRF.
te de cargas indivisíveis;
( ) CERTO  ( ) ERRADO
Portanto, os serviços de escoltas deverão ser solici-
tados à Polícia Rodoviária Federal. Conforme o artigo 1, inciso I do Decreto 1.655/1995,
realizar o patrulhamento ostensivo, executando
Art.  1º VII - assegurar a livre circulação nas operações relacionadas com a segurança pública,
rodovias federais, podendo solicitar ao órgão com o objetivo de preservar a ordem, a incolumida-
rodoviário a adoção de medidas emergenciais, bem de das pessoas, o patrimônio da União e o de tercei-
como zelar pelo cumprimento das normas legais ros. Resposta: Certo.
relativas ao direito de vizinhança, promovendo a
interdição de construções, obras e instalações não
2. (IDIB - 2020) Fiscalizar o nível de emissão de poluen-
autorizadas;
tes e ruído produzidos pelos veículos automotores ou
pela sua carga, além de dar apoio, quando solicitado,
Protegendo o direito de ir e vir, zelando para que,
às ações específicas dos órgãos ambientais é uma
por exemplo, não ocorra de um particular interditar a
competência
pista solicitando a cobrança de passagem para poder
transita-la.
a) da Polícia Federal.
b) da Polícia Rodoviária Federal.
Dica c) dos Departamentos Estaduais de Trânsito.
No exemplo não está sendo tratado de pedágio, d) das Polícias Militares dos Estados e Distrito Federal.
mas sim de um particular que interdita a rodovia
para se beneficiar. Conforme o artigo 1, inciso II do Decreto 1.655/1995,
que concede a competência de exercer os poderes
Art. 1°. VIII - executar medidas de segurança, pla- de autoridade de polícia de trânsito, cumprindo e
nejamento e escoltas nos deslocamentos do Presi- fazendo cumprir a legislação e demais normas per-
dente da República, Ministros de Estado, Chefes de tinentes, inspecionar e fiscalizar o trânsito, assim
Estados e diplomatas estrangeiros e outras autori- como efetuar convênios específicos com outras
dades, quando necessário, e sob a coordenação do organizações similares. Resposta: Letra B.
órgão competente;
3. (CESPE / CEBRASPE - 2015) A respeito do direciona-
Como a própria atribuição apresenta, poderá ser mento estratégico-organizacional, do sistema e das
realizada a escolta do Presidente da República. atividades operacionais da Polícia Rodoviária Federal
(PRF), julgue o item a seguir.
Art.  1°. IX - efetuar a fiscalização e o controle do
tráfico de menores nas rodovias federais, adotando O documento de identidade funcional dos servido-
as providências cabíveis contidas na  Lei n° 8.069 res policiais da PRF lhes garante livre porte de arma
de 13 junho de 1990  (Estatuto da Criança e do e franco acesso a locais sob fiscalização do órgão,
Adolescente); assegurando-lhes, quando em serviço, prioridade
em todos os tipos de transporte e de comunicação.
O grande enfoque é evitar o tráfico de crianças
e adolescentes, e para isso realiza-se a fiscalização e ( ) CERTO  ( ) ERRADO
controle, reduzindo e tentando proteger o que dispõe
no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Conforme o artigo 2 do Decreto 1.655/1995, o docu-
mento de identidade funcional dos servidores poli-
Art.  1°. X - colaborar e atuar na prevenção e
ciais da Polícia Rodoviária Federal confere ao seu
repressão aos crimes contra a vida, os costumes, o
patrimônio, a ecologia, o meio ambiente, os furtos e portador livre porte de arma e franco acesso aos
roubos de veículos e bens, o tráfico de entorpecentes locais sob fiscalização do órgão, nos termos da
e drogas afins, o contrabando, o descaminho e os legislação em vigor, assegurando-lhes, quando em
demais crimes previstos em leis. serviço, prioridade em todos os tipos de transporte
Art. 2°. O documento de identidade funcional dos e comunicação. Resposta: Certo.
servidores policiais da Polícia Rodoviária Federal
confere ao seu portador livre porte de arma e fran- 4. (CESPE / CEBRASPE - 2016) Com relação ao direcio-
co acesso aos locais sob fiscalização do órgão, nos namento estratégico organizacional da PRF, julgue o
termos da legislação em vigor, assegurando-lhes, item a seguir.
quando em serviço, prioridade em todos os tipos de A execução de serviços de prevenção, o atendimento
transporte e comunicação. de acidentes e o salvamento de vítimas nas rodovias
federais são competências da PRF.

EXERCÍCIOS COMENTADOS ( ) CERTO  ( ) ERRADO

1. (CESPE -2020) Com relação às competências institu- Conforme o artigo 1, inciso IV do Decreto 1.655/1995,
cionais, aos tipos de policiamento, aos indicadores de executar serviços de prevenção, atendimento de aci-
avaliação e demais atividades operacionais da PRF, jul- dentes e salvamento de vítimas nas rodovias fede-
24 gue o item a seguir. rais. Resposta: Certo.
5. (CESPE / CEBRASPE -2015) No que tange ao direito da Fazenda e aos extintos Ministérios da Justiça e da
administrativo, julgue o item que se segue. Segurança Pública:
Compete à PRF coordenar e executar medidas de
segurança, planejamento e escoltas nos deslocamen-
tos do presidente da República, quando isso se fizer RESPONSABILIDADES DO MINISTÉRIO DA
necessário. JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA

Elaboração Remanejamen- Atos decorren-


( ) CERTO  ( ) ERRADO
dos relatórios to dos recursos tes de contra-
de gestão, de orçamentários tos, convênios
Conforme o artigo 1, inciso VIII do Decreto
acordo com e financeiros e e instrumentos
1.655/1995, compete executar medidas de seguran-
orientações da das transferên- congêneres.
ça, planejamento e escoltas nos deslocamentos do
Controladoria- cias de bens
Presidente da República e não coordenar. Resposta:
-Geral da União; patrimoniais
Errado.
Continuando o decreto em comento, é importante
seu conhecimento sobre o artigo 10-A:

DECRETO Nº 9.662, DE 2019 Art. 10-A. A transferência de que trata o art. 77 da


Medida Provisória nº 870, de 1º de janeiro de 2019,
O Decreto 9.662/2019 aprova a Estrutura Regimen- será operacionalizada até 31 de janeiro de 2020.       
tal e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão § 1º Até a data estabelecida no caput, os órgãos e
e das Funções de Confiança do Ministério da Justiça e as entidades da administração pública envolvidos
Segurança Pública. Além disso, remaneja cargos em atuarão em regime de cooperação mútua e presta-
comissão e funções de confiança, assim como, trans- rão o apoio técnico e administrativo necessário ao
exercício de suas competências
forma cargos em comissão do Grupo-Direção e Asses-
§ 2º O regime de cooperação mútua implicará a rea-
soramento Superiores - DAS.
lização de atos administrativos pelo Ministério de
A Lei em si não é muito cobrada, o ponto mais rele- onde se originaram as competências em benefício
vante, encontra-se no anexo I. daquele que as houver recebido, inclusive quanto
ao disposto no Decreto nº 7.689, de 2 de março de
Art. 1º  Ficam aprovados a Estrutura Regimental e 2012, e incluirá, dentre outros temas:         
o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão
e das Funções de Confiança do Ministério da Justiça Portanto, o Ministério da Justiça e Segurança Públi-
e Segurança Pública, na forma dos Anexos I e II. ca possui a faculdade de elaborar plano de trabalho
para tratar da transferência progressiva de processos
Ademais, é importante destacar que os ocupantes administrativos aos órgãos e às entidades envolvidos
dos cargos comissionados e das funções de confian- no regime de cooperação mútua.
ça que deixam de existir na Estrutura Regimental dos Com isso, existirá uma faculdade e não um dever,
extintos Ministérios da Justiça e da Segurança Pública onde haja o regime de cooperação mútua.
por força deste Decreto ficando automaticamente exo- A cooperação mútua visa uma melhor facilidade,
nerados ou dispensados. agilidade, proteção dos direitos básicos.
No que tange o artigo 10-A, parágrafo 4º, os contra-
tos administrativos que não puderem ser transferidos
Dica e que atendam às necessidades de funcionamento e
Não se aplica aos cargos em comissão alocados de operação dos órgãos e das entidades da adminis-
tração pública federal cujas competências tenham
atualmente na Defensoria Pública da União. sido absorvidas ou cedidas pelo Ministério da Justi-
ça e Segurança Pública poderão ser compartilhados,
Tendo como base o artigo 6º, vale apontar que o por meio da descentralização orçamentária e finan-
Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública ceira, e serão geridos pelo órgão responsável pela
poderá editar regimento interno, podendo englobar contratação.
todas as unidades administrativas integrantes de sua Também devemos analisar o disposto no artigo
estrutura regimental, ou regimentos internos específi- 10-A, parágrafo 5º, apresentando que as descentrali-
cos abrangendo uma ou mais unidades ou subunida- zações orçamentárias e as transferências financeiras
des administrativas. Diante disso, é preciso que seja entre os órgãos cujas competências tenham sido absor-
detalhado às unidades administrativas integrantes da vidas ou cedidas pelo Ministério da Justiça e Segu-
Estrutura Regimental do Ministério da Justiça e Segu- rança Pública serão realizadas sem a necessidade de
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

rança Pública, as suas competências e as atribuições formalização de termo de execução descentralizada.


Continuando, podemos verificar o artigo 10-B:
de seus dirigentes.
Com base no artigo 6º, parágrafo único. Os regis-
Art. 10-B.  As delegações de competências realiza-
tros referentes ao regimento interno serão realizados
das no âmbito dos órgãos e das entidades da admi-
no sistema informatizado do Sistema de Organização
nistração pública federal envolvidos nas alterações
e Inovação Institucional do Governo Federal - Siorg de estruturas regimentais e de competências absor-
até a data de entrada em vigor do regimento interno vidas ou cedidas pelo Ministério da Justiça e Segu-
ou de suas alterações. rança Pública permanecerão válidas até a edição
Com relação à responsabilidade do Ministério da de ato da autoridade máxima do órgão competente.  
Justiça e Segurança Pública, com relação à Coordenação-
Geral de Imigração e ao Conselho Nacional de Imigração Com isso, depois da validade da edição de ato da
do extinto Ministério do Trabalho, ao Conselho de autoridade máxima do órgão competente, não serão
Controle de Atividades Financeiras do extinto Ministério mais válidas as delegações de competências realizadas 25
no âmbito dos órgãos e das entidades da administração pública federal envolvidos nas alterações de estruturas
regimentais e de competências absorvidas ou cedidas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

DEC. 9.662/2019 – Anexo I

Estrutura Regimental do Ministério da Justiça e Segurança Pública

DA NATUREZA E DA COMPETÊNCIA

O decreto 9.662/2019 aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e
das Funções de Confiança do Ministério da Justiça e Segurança Pública, remaneja cargos em comissão e funções
de confiança e transforma cargos em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores – DAS e com isso
trouxe o anexo I, apresentando a organização e a competência dos órgãos.
Conforme artigo 1º. O Ministério da Justiça e Segurança Pública, órgão da administração pública federal dire-
ta, tem como área de competência os seguintes assuntos:

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA

Competência Assunto

Defesa da ordem jurídica Direitos políticos e das garantias constitucionais;

� Judiciária;
� Nacional de arquivos;
Política � Organização e manutenção da polícia civil, polícia militar e corpo de bombeiros militar.
� Drogas de difusão de conhecimento sobre crimes e combate ao tráfico de drogas e crimes
conexos.

� Ordem econômica nacional;


Defesa � Direitos do consumidor;
� Bens próprios da União e da administração pública indireta.

Nacionalidade, imigração
---------------------------------------
e estrangeiros;

� Consumidor;
Ouvidoria-geral
� Polícias federais

� À corrupção,
Prevenção e combate � À lavagem de dinheiro
� Financiamento ao terrorismo.

� Ações de combate a infrações penais;


� Promoção da integração da segurança pública no território nacional;
Coordenação
� Sistema Único de Segurança Pública;
� Articulação com os órgãos e as entidades.

� A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estrutura-
do em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais
� Apurar infrações penais contra a ordem política e social.
Artigo 144, §1º e §2º da
� Infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional;
Constituição Federal
� Prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas;
� Exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras;
� Exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.
Planejamento, coorde-
nação e administração
---------------------------------------
da política penitenciária
nacional

Integração e da cooperação entre os órgãos e com os órgãos e as entidades de coordenação e


Promoção
supervisão das atividades de segurança pública;

Os órgãos de elaboração de planos e programas integrados de segurança pública, com o obje-


Estímulo e propositura
tivo de previnir e reprimir a violência e a criminalidade;

Estratégia comum baseada em modelos de gestão e de tecnologia que permitam a integração


Desenvolvimento e a interoperabilidade dos sistemas de tecnologia da informação dos entes federativos;

Incluído o acompanhamento das ações de saúde desenvolvidas em prol das comunidades


Direitos dos índios
indígenas

Assistência Presidente da República em matérias não afetas a outro Ministério.


26
DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL z Secretaria de Operações Integradas: 

Esse tópico relaciona-se aos órgãos que fazem „ D iretoria de Operações; e 


parte do Ministério da Justiça e Segurança Pública. „ Diretoria de Inteligência;
Pode ser localizado esse tópico no artigo 2,
dispondo:
z Departamento Penitenciário Nacional:
Art. 2º O Ministério da Justiça e Segurança Pública
„ iretoria-Executiva; 
D
tem a seguinte estrutura organizacional:
„ Diretoria de Políticas Penitenciárias;
Para te ajudar, vou apresentar os principais e, logo „ Diretoria do Sistema Penitenciário Federal; e   
em seguida, vamos ampliar essa ramificação. „ Diretoria de Inteligência Penitenciária;  
Possuindo a base central, podemos adentrar na
ramificação. z Polícia Federal:
Órgãos de assistência direta e imediata ao Ministro
de Estado da Justiça e Segurança Pública, é composta „ D iretoria-Executiva;
por, conforme é disposto no artigo 2º, inciso I do ane- „ Diretoria de Investigação e Combate ao Crime
xo I: Organizado;  
„ Corregedoria-Geral de Polícia Federal;
� Assessoria Especial de Controle Interno; „ Diretoria de Inteligência Policial;
z Assessoria Especial de Assuntos Federativos e „ Diretoria Técnico-Científica; 
Parlamentares; „ Diretoria de Gestão de Pessoal;
z Assessoria Especial de Assuntos Legislativos; „ Diretoria de Administração e Logística Policial; e 
z Assessoria Especial Internacional; „ Diretoria de Tecnologia da Informação e Inovação;
z Gabinete;
z Consultoria Jurídica; z Polícia Rodoviária Federal;
z Secretaria-Executiva:
z Subsecretaria de Administração; „ iretoria-Executiva;        
D
z Subsecretaria de Planejamento e Orçamento; „ Diretoria de Administração e Logística;          
z Diretoria de Tecnologia da Informação e Comuni-
„ Diretoria de Operações;         
cações; e
„ Diretoria de Inteligência;         
„ Corregedoria-Geral;          
Com base no artigo 2º, inciso II do anexo I, os
órgãos específicos singulares, são: „ Diretoria de Gestão de Pessoas; e          
„ Diretoria de Tecnologia da Informação e Comunicação;
z Secretaria Nacional de Justiça: „ Arquivo Nacional;

„ Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Correspondentes aos órgãos colegiados, nos ter-
Jurídica Internacional; mos doinciso III, do artigo 2º, do anexo I, temos os
„ Departamento de Migrações; e seguintes órgãos:
„ Departamento de Promoção de Políticas de Justiça;
z Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa dos
z Secretaria Nacional do Consumidor: Direitos Difusos;
z Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Deli-
„ D epartamento de Proteção e Defesa do Consumidor; e tos contra a Propriedade Intelectual;
„ Departamento de Projetos e de Políticas de Direitos z Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas;
Coletivos e Difusos compete; z Conselho Nacional de Política Criminal e
Penitenciária;
z Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas: z Conselho Nacional de Segurança Pública;
z Conselho Gestor do Fundo Nacional de Segurança
„ D iretoria de Gestão de Ativos; e
Pública;
„ Diretoria de Políticas Públicas e Articulação
z Conselho Nacional de Imigração;   
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Institucional;
z Conselho Nacional de Arquivos;    
z Secretaria Nacional de Segurança Pública: z Conselho Nacional de Política Indigenista.

„ D iretoria de Políticas de Segurança Pública; E, por fim, o artigo 2º, inciso IV do anexo I, temos as
„ Diretoria de Gestão e Integração de Informações; e entidades vinculadas:
„ Diretoria da Força Nacional de Segurança Pública;
z Conselho Administrativo de Defesa Econômica;
� Secretaria de Gestão e Ensino em Segurança z Fundação Nacional do Índio - Funai. 
Pública:
São diversos órgãos, mas lembre-se que a Polícia
„ D iretoria de Gestão; e Rodoviária Federal, encontra-se na classe dos órgãos
„ Diretoria de Ensino e Pesquisa; específicos singulares. 27
DAS COMPETÊNCIAS DA POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL

A polícia rodoviária federal é um órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em car-
reira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.

Importante!
O patrulhamento abrange o policiamento, no entanto, o policial deverá estar fardado.

Ademais, conforme artigo 47, do anexo I, possui especificamente a competência para:

POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL


Competência Assunto
� Policiamento, a prevenção e a repressão de crimes nas rodovias federais
e nas áreas de interesse da União;
Planejar, coordenar e executar
� Serviços de prevenção de acidentes e salvamento de vítimas nas rodo-
vias e estradas federais.
Exercer  Poderes de autoridade de trânsito nas rodovias e nas estradas federais.
Policiamento, a fiscalização e a inspeção do trânsito e do transporte de
Executar 
pessoas, cargas e bens.
Boletins de ocorrências, perícias de trânsito, testes de dosagem alcoólica
Realizar levantamentos de locais e outros procedimentos, além de investigações imprescindíveis à elucida-
ção dos acidentes de trânsito.
Livre circulação nas rodovias e estradas federais, especialmente em casos
Assegurar 
de acidentes de trânsito, manifestações sociais e calamidades públicas.
Órgãos de trânsito, transporte, segurança pública, inteligência e defesa
Manter articulação
civil, para promover o intercâmbio de informações.
Atividades de orientação e educação para a segurança no trânsito, além
Executar, promover e participar de desenvolver trabalho contínuo e permanente de prevenção de acidentes
de trânsito.
Sobre as condições da via, da sinalização e do tráfego que possam com-
Informar ao órgão de
prometer a segurança do trânsito, além de solicitar e adotar medidas emer-
infraestrutura
genciais à sua proteção.
Credenciar, contratar, conveniar, Relativas aos serviços de recolhimento, remoção e guarda de veículos e
fiscalizar e adotar medidas de animais e escolta de transporte de produtos perigosos, cargas superdi-
segurança mensionadas e indivisíveis.
Medidas de segurança para a escolta dos deslocamentos do Presidente
da República, do Vice-Presidente da República, dos Ministros de Estado,
Planejar e executar dos Chefes de Estado, dos diplomatas estrangeiros e de outras autorida-
des, nas rodovias e nas estradas federais, e em outras áreas, quando soli-
citado pela autoridade competente.
Lavrar Termo circunstanciado.
Nível de emissão de poluentes e ruído produzidos pelos veículos
Fiscalizar  automotores ou pela sua carga, além de dar apoio, quando solicitado, às
ações específicas dos órgãos ambientais.

Avançando, os órgãos que integram a Polícia Rodoviária Federal, sendo eles:


Portanto todos os órgãos previstos no mapa mental fazem parte da ramificação da Polícia Rodoviária Federal,
vamos trabalhar um por um, vendo a competência pertinente.

Diretoria-Executiva

A grande função da Diretoria-Executiva, consiste na competência de coordenar, planejar, dirigir e avaliar


algumas atividades.
28 E quais são essas atividades?
Essas atividades podem ser localizadas no artigo 48, em seus respectivos incisos, consistindo em:

z Articulação e alinhamento das ações entre as Diretorias, Superintendências, Delegacias e instâncias colegia-
das, observada a estratégia da instituição.
z Elaboração, atualização, detalhamento, implementação e monitoramento do planejamento estratégico da
Polícia Rodoviária Federal.
z Governança corporativa, governança da aprendizagem e do conhecimento e gestão do conhecimento.
z Análise técnica, instrução processual, padronização de procedimentos internos e edição de atos norma-
tivos, de forma a subsidiar a deliberação posterior da Direção-Geral.
z Controle interno, orientação técnica e acompanhamento da elaboração da prestação de contas anual,
do relatório de gestão e das recomendações e das determinações oriundas do Sistema de Controle Interno do
Poder Executivo Federal e dos órgãos de controle externo.
z Monitoramento do desempenho institucional, gestão de riscos e recomendação de medidas de qualifica-
ção da governança com caráter preventivo e corretivo.
z Articulação com outros órgãos e entidades com vistas ao intercâmbio de informações e à realização de
ações conjuntas e integradas, e promoção de criação de redes de aprendizagem interagências.
z Comunicação social e imagem institucional.
z Sistema de educação corporativa e cidadã, incluída a formação e a qualificação profissional, o ensino, a
pesquisa, a inovação e o desenvolvimento de pessoas e de lideranças.
z Promoção e disseminação da cultura da integridade, da ética, da transparência, e fortalecimento interno dos
sistemas de ouvidoria e de acesso à informação.
z Orientação e implementação das diretrizes nacionais para as redes de governança e gestão, de comunica-
ção institucional, de análise técnica e de educação corporativa.

Diretoria de Administração e Logística

A Diretoria de Administração e Logística, versa na competência de coordenar, planejar, dirigir e avaliar algu-
mas atividades, conforme é apresentado no artigo 49, anexo I.
Sendo elas:

DIRETORIA DE ADMINISTRAÇÃO E LOGÍSTICA

Competência Assunto

Sistemas federais de planejamento e de orçamento, de administração financeira,


Relacionamento de contabilidade, de informação de custos, de serviços gerais, de gestão de docu-
mentos de arquivo

Proposta plurianual, de diretrizes orçamentárias e do orçamento anual, inclusive


Planejamento e consolidação
quanto à descentralização de recursos às suas unidades gestoras.

Orçamentária, financeira, de logística, compras e de gestão documental, inclusive


Gestão 
quanto ao planejamento anual das aquisições de materiais e serviços;.

Descentralizada de convênios, termos, acordos de cooperação técnica ou outros


Pactuação e execução
instrumentos congêneres

Ordenadores de despesa e, no âmbito da sede nacional da Polícia Rodoviária Fe-


 Tomadas de contas deral, dos demais responsáveis por bens e valores públicos e de todo aquele que
der causa a perda, extravio ou irregularidade de que resulte danos ao erário

Orientação e implementação Diretrizes nacionais para as redes de administração e logística

Gestão, fiscalização e
Contratos administrativos
acompanhamento 
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Diretoria de Administração e Logística

Correspondente à Diretoria de Operações, versa na competência de coordenar, planejar, dirigir e avaliar algu-
mas atividades.
Podemos localizar as competências no artigo 50 e seus respectivos incisos, sendo elas:

z Gestão operacional, policiamento, inspeção, segurança e fiscalização de trânsito, atendimento, regis-


tro, investigação, perícia, prevenção e redução de acidentes de trânsito, levantamento de dados estatísticos e
transitometria;
z Competência das autoridades de trânsito nas Superintendências e exercer, em âmbito nacional, os pode-
res de autoridade de trânsito cabíveis à Polícia Rodoviária Federal; 
z Operações aéreas e terrestres, de forma a autorizar as operações que envolvam mais de uma unidade
descentralizada. 29
z Autuação e notificação de infrações e de procedimentos relativos à aplicação de penalidades de trânsito e
controle de multas
z Credenciamento de empresas de escoltas de transporte de produtos perigosos, cargas superdimensiona-
das e indivisíveis, recolhimento, remoção, guarda e leilão de veículos e animais.
z Organização da circunscrição das Superintendências e Delegacias da Polícia Rodoviária Federal.
z Auxílio às demais instituições de segurança pública na prevenção e no enfrentamento ao crime, no
âmbito de competência da Polícia Rodoviária Federal.
� Orientação e implementação das diretrizes nacionais para a rede de policiamento.

Diretoria de Inteligência

Correspondente à Diretoria de Inteligência, versa na competência de coordenar, planejar, dirigir e avaliar


algumas atividades. A Diretoria de Inteligência possui apenas quatro competências, tendo como atividades cen-
trais a conduta de inteligência, representação, assessoramento e orientação.

Corregedoria-Geral da Polícia Rodoviária Federal

Correspondente à Corregedoria-Geral da Polícia Rodoviária Federal, consiste na competência de coordenar,


planejar, dirigir e avaliar algumas atividades.

Diretoria de Gestão de Pessoas

Correspondente à Diretoria de Gestão de Pessoas, consiste na competência de coordenar, planejar, dirigir e


avaliar algumas atividades.

DIRETORIA DE GESTÃO DE PESSOAS

Competência Assunto

Relacionamento Demais órgãos do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal.

� Pessoas e aplicação da legislação de pessoal no âmbito da Polícia Rodoviária Federal,


observadas as normas do órgão central de gestão de pessoas do Poder Executivo federal.
Gestão 
� Força de trabalho e definição do quadro de lotação de servidores nas unidades da Polícia
Rodoviária Federal.

Organização e
Concurso público para a Polícia Rodoviária Federal
realização

Benefícios, licenças, afastamentos, pensão, aposentadoria, abono de permanência, van-


Concessão tagens, gratificações, adicionais, remoção, redistribuição, aproveitamento e reversão de
servidores.

Promoção  Saúde integral dos servidores.

Orientação e
Diretrizes nacionais para a rede de gestão de pessoas
implementação

Diretoria de Tecnologia da Informação e Comunicação

E, por fim, a Diretoria de Tecnologia da Informação e Comunicação, consiste na competência de coordenar,


planejar, dirigir e avaliar algumas atividades.
Com base no artigo 50-D, são elas:

z Tecnologia da informação e comunicação, com a proposição de metodologia de governança e de plano de


inovação tecnológica;          
z Relacionamento com os sistemas e as instâncias federais de tecnologia da informação e comunicação;            
z Cooperação técnica de compartilhamento de dados, sistemas e aprimoramento tecnológico; e       
z Orientação e implementação das diretrizes nacionais para a rede de tecnologia da informação e comunicação.

EXERCÍCIOS COMENTADOS
1. (CESPE / CEBRASPE - 2019) A respeito das principais ações da PRF em defesa do meio ambiente, julgue o item a seguir.
A fiscalização da emissão de gases poluentes dos veículos, de qualquer categoria, que trafeguem diariamente nas
rodovias do país, é atribuição da PRF.

30 ( ) CERTO  ( ) ERRADO


Há dois erros na questão, o primeiro, é que a regra
aplica-se somente a veículo automotores, e segundo, LEI Nº 9.099, DE 1995 E SUAS
é apenas nas Rodovias Federais. Resposta: Errado. ALTERAÇÕES
2. (CESPE / CEBRASPE - 2020) Acerca da história da A Lei 9.099/1995 é a grande responsável pela disposi-
PRF, da sua atuação na época atual e dos poderes
ção referente aos Juizados Especiais Cíveis e Criminais.
administrativos por ela abrangidos, julgue o próximo
Para iniciarmos, é de suma importância seu conhe-
item.
Em razão de empecilhos meramente legais, a atuação cimento referente ao disposto no texto constitucional,
articulada da PRF com outros órgãos governamentais em especial, no inciso I e parágrafo 1°, do artigo 98:
se resume ao cenário nacional, sendo vedada a assi-
natura de acordos internacionais de cooperação. Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territó-
rios, e os Estados criarão:
( ) CERTO  ( ) ERRADO I - juizados especiais, providos por juízes togados,
ou togados e leigos, competentes para a concilia-
Pode celebrar acordos internacionais, inclusive é ção, o julgamento e a execução de causas cíveis de
competência da Diretoria de Inteligência a Repre- menor complexidade e infrações penais de menor
sentação da instituição nas temáticas da atividade potencial ofensivo, mediante os procedimentos oral
de inteligência, inclusive em comitês, conselhos, e sumariíssimo, permitidos, nas hipóteses previstas
eventos e missões nacionais e internacionais Res- em lei, a transação e o julgamento de recursos por
posta: Errado. turmas de juízes de primeiro grau; (...)
§ 1º Lei federal disporá sobre a criação de juizados
3. (CESPE / CEBRASPE - 2015) Com relação ao Sistema especiais no âmbito da Justiça Federal. (...)
Correcional do Poder Executivo Federal e sua aplica-
ção no âmbito do Departamento de Polícia Rodoviária
Nota que para disciplinar o texto constitucional,
Federal, julgue o item subsequente.
A PRF, em matéria disciplinar, integra o Sistema Cor- criou-se a Lei 9.099/1995.
recional do Poder Executivo Federal na condição de Diante da base constitucional, podemos adentrar
unidade setorial, vinculando-se, para a apuração de na Lei em comento, em especial, no artigo 1°:
ilícitos disciplinares e administrativos, às normatiza-
ções adotadas pela Controladoria-Geral da União. Art. 1º Os Juizados Especiais Cíveis e Criminais,
órgãos da Justiça Ordinária, serão criados pela
( ) CERTO  ( ) ERRADO União, no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos
Estados, para conciliação, processo, julgamento e
São diversos órgãos, mas lembre-se que a Polí- execução, nas causas de sua competência.
cia Rodoviária Federal, encontra-se na classe dos
órgãos específicos singulares. Resposta: ERRADO. Com isso, orientar-se-á os processos, pelos crité-
rios da simplicidade, oralidade, economia processual,
4. (CESPE / CEBRASPE - 2016) Com relação ao direcio-
informalidade, celeridade, buscando, sempre que
namento estratégico organizacional da PRF, julgue o
possível, a conciliação ou a transação, para te ajudar,
item a seguir.
A execução de serviços de prevenção, o atendimento montamos um fluxograma:
de acidentes e o salvamento de vítimas nas rodovias
federais são competências da PRF.
Critérios
( ) CERTO  ( ) ERRADO

Encontra-se incorreto, pois é uma atribuição da Informalidade Simplicidade


Corregedoria-Geral da Polícia Rodoviária Federal
a instauração, análise e instrução dos procedimen-
tos administrativos disciplinares, no âmbito de sua
competência. Resposta: Errado.
Economia
5. (NOVA CONCURSOS – 2021 ) No que tange o Decreto Oralidade
Processual
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

9.662/2019, julgue O item que se segue.


É responsabilidade do Ministério da Justiça e Segu-
rança Pública, a elaboração dos relatórios de gestão,
Celeridade
de acordo com orientações da Controladoria-Geral da
União;
O critério da simplicidade acima apontado, refle-
( ) CERTO  ( ) ERRADO
te, dentre outras características, a desnecessidade de
expedição de cartas precatórias para realizar diligên-
A resposta encontra-se no artigo 8º, inciso I, sendo
uma responsabilidade do Ministério da Justiça e cias em localidades distintas. Outro ponto importante
Segurança Pública, a elaboração dos relatórios de é que o procedimento dos juizados especiais dispen-
gestão, de acordo com orientações da Controlado- sa a citação por edital, ou seja, a citação será sempre
ria-Geral da União. Resposta: Certo. pessoal 31
DOS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS o lugar em que foi praticada a ação e não a ocorrência
do resultado.
O Juizado Especial Criminal será composto por Para te ajudar, trouxe um exemplo, imagine que
juízes leigos ou togados que possuem competência
Pedregundo, imputável, escreve uma carta em Casca-
para julgamento, conciliação e execução das infrações
vel/PR, com palavras injuriosas, contra Frenesvalda,
penais, que possuam menor potencial ofensivo, res-
que mora em Foz de Iguaçu/PR. Em ato contínuo, o
peitadas as regras de conexão e continência.
sujeito ativo (Pedregundo) remete a carta ao destina-
tário, ou seja, para moça (Frenesvalda) que é sujeito
Dica passivo do crime de injúria. Verifica-se, portanto, que
Juiz Togado: É o magistrado de carreira lotado Pedregundo praticou a ação em Cascavel/PR e a justi-
no Juizado Especial. ça competente é o Juizado Especial Criminal de Casca-
Juiz Leigo: É o auxiliar da Justiça, recrutado, vel/PR, tendo em vista, que o crime de injúria é uma
sendo advogados com mais de cinco anos de infração de menor potencial ofensivo, por ter uma
experiência, em regra. pena de detenção de um a seis meses.

Na reunião de processos, perante o juízo comum Dos Atos Processuais


ou o tribunal do júri, decorrentes da aplicação das
regras de conexão e continência, observar-se-ão os Serão validados os atos processuais, sempre que
institutos da transação penal e da composição dos existirem e preencherem as finalidades para as quais
danos civis, conforme é dito no parágrafo único, do foram realizados, valendo ressaltar, que deverão
artigo 60. atender os critérios de oralidade, simplicidade, infor-
Portanto, qual a composição do Juizado Especial
malidade, economia processual e celeridade.
Criminal?
Lembrem-se, juízes Leigos e Togados.
Artigo 65 [...]
§ 1º Não se pronunciará qualquer nulidade sem que
Competência do Juizado Especial Criminal
tenha havido prejuízo. Poderá ser solicitado por
qualquer meio hábil de comunicação, a prática de
Com relação à competência do Juizado especial
atos processuais, como por exemplo, correios.
criminal, trata-se de uma atribuição, visando o julga-
mento, a execução e a conciliação das infrações penais
Ademais, em regra, será objeto de registro escri-
que possuam o menor potencial ofensivo, claro, res-
peitadas as regras de conexão e continência. to exclusivamente os atos havidos por essenciais, no
Consideram-se infrações penais de menor poten- entanto, possuímos uma exceção que corresponde a
cial ofensivo os crimes em que a Lei apresente pena audiência de instrução e julgamento, que autoriza que
máxima não superior a 2 anos, cumulada ou não o ato seja gravado em fita magnética ou equivalente.
com multa, além disso, têm as contravenções penais. Com relação à citação do acusado, ela se dará de
Para te ajudar, montamos uma tabela: forma pessoal e far-se-á no próprio Juizado, claro,
quando existir a possibilidade de sua realização em
cartório, no entanto, quando não for possível, será
INFRAÇÃO DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO
realizada por meio de oficial de justiça.
Crimes com pena máxima
até dois anos Art. 65 [...]
Exemplo: Desacato Art. Parágrafo Único: Não encontrado o acusado para
331 - Desacatar funcioná- ser citado, o Juiz encaminhará as peças existentes
As Contravenções Penais
rio público no exercício da ao Juízo comum para adoção do procedimento pre-
Exemplo: Jogo do bicho.
função ou em razão dela: visto em lei.
Pena - detenção, de seis
meses a dois anos, ou A intimação será expedida na forma de corres-
multa. pondência, devendo conter o aviso de recebimento
pessoal ou, no caso de pessoa jurídica ou firma indi-
Ademais, é de suma importância ver os critérios vidual, será efetuado mediante entrega ao encarrega-
orientadores do Juizado Especial Criminal, que será do da recepção, que deverá de forma obrigatória ser
guiado pelo critério da informalidade, simplicidade, identificado, ou, sendo necessário, por oficial de jus-
oralidade, economia processual, celeridade proces- tiça, no entanto, independentemente de mandado ou
sual, tendo como grande enfoque, a reparação dos
carta precatória, ou ainda por qualquer meio idôneo
danos que foram sofridos pelas vítimas, tendo como
de comunicação, conforme dispõe o art. 67. Os atos
consequência e a aplicação de pena não privativa de
praticados em audiência considerar-se-ão desde logo
liberdade.
cientes as partes, os interessados e defensores.
Competência Territorial do Juizado Especial Criminal Com relação a conduta de intimação do autor do
fato e do mandado de citação do acusado, deverá ser
A competência do Juizado, deverá ser determina- constado a necessidade do comparecimento, além de
da pelo lugar em que foi praticada a infração penal, uma informação referente a conduta de levar advoga-
conforme artigo 63. Portanto, a teoria adotada para a do, com a finalidade de ser acompanhado, tendo como
fixação da competência dos juizados especiais crimi- a advertência de que, na sua falta, ser-lhe-á designado
32 nais é a teoria da atividade, ou seja, leva-se em conta defensor público, vide art. 68.
Da Fase Preliminar Art. 75 [...]
arágrafo único. O não oferecimento da represen-
Com relação a fase preliminar, consoante dispõe o tação na audiência preliminar não implica deca-
art. 69, a autoridade policial ao tomar conhecimento dência do direito, que poderá ser exercido no prazo
da ocorrência, deverá lavrar o termo circunstancia- previsto em lei.
do e enviá-lo imediatamente ao Juizado, com o autor
do fato e a vítima, providenciando-se as requisições No caso de existir a representação ou tratando-
dos exames periciais necessários. -se de crime de ação penal pública incondicionada,
Em se tratando de termo circunstanciado, faz-se não sendo caso de arquivamento, poderá o Minis-
necessário mencionar que a PRF é competente para tério Público, propor a aplicação imediata de pena
lavrar o TCO. Foi entendido que a lavratura do termo restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na
circunstanciado não configura atividade investiga- proposta.
tiva, mas mera peça informativa, sendo assim, não Súmula Vinculante 35 do STF: A homologação da
compete exclusivamente à polícia judiciária. transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995
Verifica-se, que não é necessário a lavratura do não faz coisa julgada material e, descumpridas suas
auto de prisão em flagrante e nem a instauração de cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitan-
inquérito, bastando que seja lavrado um termo cir- do-se ao Ministério Público a continuidade da perse-
cunstanciado de ocorrência. cução penal mediante oferecimento de denúncia ou
No caso do autor do fato que, após a lavratura do requisição de inquérito policial.
termo, for imediatamente encaminhado ao juizado Vale destacar que o Juiz poderá reduzir até a meta-
ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não de a pena multa.
se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança. Ademais, não será admitida a proposta se ficar
Em caso de violência doméstica, o juiz poderá deter- comprovado
minar, como medida de cautela, seu afastamento do
lar, domicílio ou local de convivência com a vítima, z Inadimissão da proposta:
vide parágrafo único do art. 69. Caso o suposto autor
do fato não queira assinar o termo circunstanciado de „ Ter sido o autor da infração condenado, pela
ocorrência, será lavrado o auto de prisão em flagrante. prática de crime, à pena privativa deliberdade,
No caso de comparecer o autor do fato e a vítima, por sentença definitiva;
e não sendo possível a realização imediata da audiên- „ Ter sido o agente beneficiado anterior mente,
cia preliminar, será designada data próxima, da qual no prazo de cinco anos, pela aplicação de pena
ambos sairão cientes. restritiva ou multa, nos termos deste artigo;
No caso de não ser possível a realização imediata „ Não indicarem os antecedentes, a conduta
da audiência preliminar, na hipótese de estarem pre- social e a personalidade do agente, bem como
sentes o autor do fato e a vítima, será designada data os motivos e as circunstâncias, ser necessária e
próxima, da qual ambos sairão cientes. suficiente a adoção da medida
Caso ocorra a ausência do comparecimento de
qualquer dos envolvidos, será providenciado pela Será submetido à apreciação do Juiz, a aceitação
Secretaria a intimação e, se for o caso, a do respon- da proposta pelo autor da infração e seu defensor.
sável civil. No caso de ser acolhida a proposta do Ministério
Ademais, na audiência preliminar, quando esti- Público e for aceita pelo autor da infração, o Juiz apli-
ver presente o representante do Ministério Público, cará a pena restritiva de direitos ou multa, que não
a vítima e o autor do fato, se possível, o responsável importará em reincidência, sendo registrada apenas
civil, serão acompanhados por seus advogados, o Juiz, para impedir novamente o mesmo benefício no prazo
realizará o esclarecimento sobre a possibilidade da de cinco anos, cabendo apelação, vide o § 4º, do art. 76.
autocomposição, referente aos danos e da aceitação A imposição da sanção, não constará de certidão
da proposta de aplicação imediata de pena não priva- de antecedentes criminais, salvo para os fins previstos
tiva de liberdade, vide art. 72. no mesmo dispositivo, e não terá efeitos civis, caben-
Conforme artigo 73. A conciliação será conduzida do aos interessados propor ação cabível no juízo cível,
pelo Juiz ou por conciliador sob sua orientação. de acordo com o § 6º, do art. 76.
Os conciliadores são auxiliares da Justiça, recru-
tados, na forma da lei local, preferentemente entre Do Procedimento Sumaríssimo
bacharéis em Direito, excluídos os que exerçam fun-
ções na administração da Justiça Criminal. Com relação a ação penal de iniciativa pública,
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Com relação a composição dos danos civis, será quando não existir aplicação de pena, correspondente
apresentada escrita e, homologada pelo Juiz, que fará a ausência do autor do fato, o Ministério Público rea-
sentença irrecorrível, além de possuir eficácia de títu- lizará a oferta ao Juiz, de imediato, além de denúncia
lo executivo judicial, podendo ser cobrado no juízo oral, se acaso não existir necessidade de diligências
civil competente. imprescindíveis.
No entanto, quando envolver ação penal pública
condicionada à representação ou ação penal de ini- Art. 77 [...]
ciativa privada, o acordo homologado acarretará a § 1º Para o oferecimento da denúncia, deverá ser
renúncia ao direito de queixa ou representação. elaborada com base no termo de ocorrência, tendo
No caso de não ocorrer a composição dos danos dispensa do inquérito policial, prescindir-se-á do
civis, será concedida de forma imediata ao ofendido exame do corpo de delito quando a materialidade
a oportunidade de exercer o direito de representação do crime estiver medida por prova equivalente ou
verbal, que deverá ser reduzida a termo. boletim médico. 33
No caso da complexidade ou circunstâncias do Dentre os pressupostos recursais é de suma impor-
caso não autorizarem a formulação da denúncia, o tância salientar que a apelação será interposta no
Ministério Público, terá o direito de requerer ao Juiz o prazo de dez dias, que iniciaram da data ciência da
encaminhamento das peças existentes. sentença pelo Ministério Público, pelo réu e seu defen-
Já na ação penal de iniciativa do ofendido poderá sor, através de petição escrita, da qual constarão as
ser oferecida queixa oral, no entanto, caberá ao razões e o pedido do recorrente.
Juiz, a conduta de verificar se a complexidade e as Depois disso, o recorrido deverá ser intimado para
circunstâncias do caso determinam a adoção das oferecer resposta escrita no prazo de dez dias.
providências. Ademais, as partes serão intimadas da data da ses-
No caso de oferecimento da denúncia ou queixa, são de julgamento pela imprensa.
deverá ser reduzida a termo, entregando-se cópia ao
acusado, que na mesma ocasião ficará citado e cien- § 5º Se a sentença for confirmada pelos próprios
tificado que houve a designação de dia e hora para fundamentos, a súmula do julgamento servirá de
a audiência de instrução e julgamento, oportunidade acórdão.
em que também tomarão ciência o ofendido, o Minis-
tério Público, o responsável civil e seus advogados, Ademais, a Lei trouxe o cabimento dos embar-
nos termos do art. 78. gos de declaração nos casos em que a sentença ou
Se ocorrer a ausência do acusado, será realizado o acórdão, apresentem obscuridade, contradição ou
a citado e cientificado por carta ou oficial de justi- omissão. 
ça, da data da audiência de instrução e julgamento,
devendo apresentar suas testemunhas ou apresen-
tar requerimento para intimação, no mínimo cinco Importante!
dias antes de sua realização. Destaca-se que inexiste
Obscuridade: quando a sentença ou acórdão
a possibilidade de citação por edital nos juizados
não estejam claros suficientes. Exemplo: uma
especiais, conforme vimos anteriormente.
No caso de não estarem presentes o ofendido e o sentença que usa termos tão rebuscados e com
responsável civil, serão intimados para comparece- fundamentação confusa que não é possível
rem à audiência de instrução e julgamento. compreender se houve a condenação ou
Já no dia e hora designados para a audiência de absolvição do Réu.
instrução e julgamento, se na fase preliminar não Contradição: Usa preposições inconciliáveis,
tiver havido possibilidade de tentativa de conciliação indo de encontro com a próprio entendimento.
e de oferecimento de proposta pelo Ministério Público, Exemplo: na fundamentação o Juiz absolve o
poderá dar-se na audiência de instrução e julgamento. Réu, mas do dispositivo o condena a pena de
multa, houve com isso uma contradição.
Art. 80. Nenhum ato será adiado, determinando o Omissão: Ocorreu a negativa da prestação juris-
Juiz, quando imprescindível, a condução coercitiva dicional, esquecendo de se manifestar sobre
de quem deva comparecer.
uma tese. Trarei um exemplo do processo civil
para facilitar sua compreensão: O indivíduo
Ocorrendo a abertura de audiência, será concedi-
ingressa com uma ação pedindo duas coisas, a)
da a palavra para o defensor, que deverá responder
danos morais e b) danos materiais, ocorre que
à acusação, após isso, o Juiz dirá se receberá ou não
denúncia ou queixa, em caso de haver o recebimento, na sentença o Juiz se posicionou apenas com
serão ouvidas a vítima e as testemunhas de acusação relação aos danos materiais, portanto, houve
e defesa, sendo realizado o interrogatório a seguir o uma sentença omissa, faltando o debate sobre
acusado, se presente, passando-se imediatamente aos os danos morais.
debates orais e à prolação da sentença.
Com relação aos embargos de declaração serão
Art. 81 [...]
§ 1º Todas as provas serão produzidas na audiência
opostos por escrito ou oralmente, no prazo de cinco
de instrução e julgamento, podendo o Juiz limitar dias, contados da ciência da decisão.
ou excluir as que considerar excessivas, imperti-
nentes ou protelatórias. Art. 83 [...]
§ 2º Os embargos de declaração interrompem o
Tudo o que acontecer na audiência deverá ser prazo para a interposição de recurso.
lavrado termo, assinado pelo Juiz e pelas partes, con-
tendo breve resumo dos fatos relevantes ocorridos em Eivado dos princípios da celeridade e informali-
audiência e a sentença. dade, poderão os erros materiais serem corrigidos de
ofício.
Art. 81 [...]
§ 3º A sentença, dispensado o relatório, menciona- Da Execução
rá os elementos de convicção do Juiz.
Realizar-se-á através do pagamento na Secretaria
Caberá apelação no caso de decisão de rejeição do Juizado, o cumprimento da pena de multa.
da queixa ou denúncia, que poderá ser julgada por No caso de ser realizado o pagamento, o Juiz decla-
turma recursal, que será composta de três Juízes em rará extinta a punibilidade, e determinará que a con-
exercício no primeiro grau de jurisdição, sendo reuni- denação não fique constando nos registros criminais,
34 dos na sede do Juizado. no entanto, exceto para os fins de requisição judicial.
Quando não ser efetuado o pagamento de multa, „ Proibição de ausentar-se da comarca onde resi-
poderá ser feita a conversão em pena privativa da de, sem autorização do Juiz;
liberdade, ou restritiva de direitos. „ Compare cimento pessoal e obrigatório — ajuí-
zo, mensalmente, para informar e justificar
Art. 86. A execução das penas privativas de liber- suas atividades.
dade e restritivas de direitos, ou de multa cumulada
com estas, será processada perante o órgão compe- Ademais, poderá o magistrado especificar outras
tente, nos termos da lei. condições a que fica subordinada a suspensão, mas
para isso, serão necessárias formas adequadas ao fato
Das Despesas Processuais e à situação pessoal do acusado.
Com relação à suspensão, ela será revogada se, no
Nos casos em que ocorrer a homologação do acor- curso do prazo, o beneficiário vier a ser processado
do civil e aplicação de pena multa ou a pena restritiva por outro crime ou não efetuar, sem motivo justifica-
de direitos ou, as despesas processuais serão reduzi- do, a reparação do dano.
das, conforme dispuser lei estadual, portanto, cada
estado, será responsável por disciplinar essa regra, Art.89 [...]
vide art. 87. § 4º A suspensão poderá ser revogada se o acusado
vier a ser processado, no curso do prazo, por con-
Das Disposições Finais travenção, ou descumprir qualquer outra condição
imposta.
Dependerá de representação a ação penal relativa
aos crimes de lesões culposas e lesões corporais leves, O Juiz declarará extinta a punibilidade, nos casos
além das hipóteses do Código Penal e da legislação de expirados os prazos sem revogação. Não correrá a
especial. prescrição durante o prazo de suspensão do processo.
Os crimes de lesões corporais leves e culposas Tendo essa base, podemos adentrar na Doutrina
passaram a ser de ação penal pública condicionada a para tratar do ponto da suspensão condicional do
representação. Antes, com a vigência do Código Penal processo.
de 1940, os tipos de ação penal para esses delitos, eram Conforme o professor Renato Brasileiro:
de ação penal pública incondicionada. Com advento
da lei 9.099/1995, mudou para ação penal pública con- Cuida-se, a suspensão condicional do processo, pre-
dicionada à representação. vista no art.89 da lei 9.099/1995, de importante ins-
Cabe atentar que com o advento da lei 11.340/2006 tituto despenalizador por meio do qual se permite
a suspensão do processo por um período de prova
(Lei Maria da Penha), em seu artigo 41, essa mencio-
que pode variar de 2 a 4 anos, desde que observado
na para não se aplicar a lei 9.099/1995, ou seja, tem
o cumprimento de certas condições.
que ser aplicado o regramento anterior e os crimes
de lesões corporais leves e culposas voltaram a ser de
E, quais são os requisitos de admissibilidade da
ação penal pública incondicionada quando ocorrer
suspensão condicional do processo?
a violência doméstica, segundo o Supremo Tribunal
São ao todo, três requisitos:
Federal (STF).
Com relação a suspensão condicional do processo,
z Crimes com pena mínima cominada igual ou infe-
nos crimes em que a pena mínima cominada for igual
rior a 1 ano, abrangidos ou não pela lei nº 9.099 de
ou inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o
1995, ressalvadas as hipóteses de violência domés-
Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá pro-
tica e familiar contra a mulher.
por a suspensão do processo, por dois a quatro anos,
desde que o acusado não esteja sendo processado ou z Não estar sendo processado ou não ter sido conde-
não tenha sido condenado por outro crime, presentes nado por outro crime.
os demais requisitos que autorizariam a suspensão z Presença dos demais requisitos que autorizam a
condicional da pena, conforme dispõem o artigo 89. suspensão condicional da pena.
Um exemplo de crime que caiba a suspensão con-
dicional do processo é o crime de furto simples, cuja a Já com relação à suspensão condicional do pro-
pena mínima não ultrapassa 1 ano, conforme o artigo cesso em crimes de ação penal de iniciativa privada,
155 do Código Penal: prevalece o entendimento doutrinário de que pode
ocorrer a suspensão condicional do processo em cri-
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa mes de ação penal de iniciativa privada.
alheia móvel: No que tange à iniciativa de proposta de suspen-
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. são condicional do processo, nos crimes de ação penal
pública a iniciativa de oferecer a suspensão condicio-
Sendo aceita a proposta pelo acusado e seu defen- nal do processo é do ministério público. Caso presente
sor, na presença do Juiz, este, recebendo a denúncia, os requisitos e o membro do ministério público não
poderá suspender o processo, submetendo o acusado ofereça a proposta o juiz deve aplicar por analogia
a período de prova, sob as seguintes condições, con- o art. 28 do CPP, encaminhando os autos para o pro-
forme artigo 89, § 1°: curador geral de justiça, a fim de que este ofereça ou
não a proposta. Já nos crimes de ação penal privada a
z Condições: iniciativa é do ofendido ou de seu representante legal.
Correspondente ao momento para aceitação da
„ Reparação do dano. salvo impossibilidade de proposta, a oportunidade processual correta para o
fazê-lo; oferecimento da proposta de suspensão condicional
„ Proibição de frequentar determinados lugares; do processo é imediatamente antes da designação da 35
audiência una de instrução e julgamento, caso afasta- E, por fim, temos o artigo 95, dispondo:
da a possibilidade de absolvição sumária do acusado.
Art. 95. Os Estados, Distrito Federal e Territórios
criarão e instalarão os Juizados Especiais no prazo
Importante! de seis meses, a contar da vigência desta Lei.
Parágrafo único.  No prazo de 6 (seis) meses, conta-
A aceitação da proposta gera a suspensão con- do da publicação desta Lei, serão criados e instala-
dicional do processo, que é ato bilateral, que dos os Juizados Especiais Itinerantes, que deverão
dirimir, prioritariamente, os conflitos existentes
pressupõe a concordância clara e inequívoca do
nas áreas rurais ou nos locais de menor concentra-
acusado. ção populacional. 

O Recurso em Sentido Estrito, será a ferramenta


essencial contra a decisão homologatória da decisão.
As condições de suspensão condicional do proces-
EXERCÍCIOS COMENTADOS
so são: 1. (CESPE – 2018). A polícia civil de determinado
município deflagrou operação a fim de investigar a
z Reparação do dano, salvo impossibilidade de exploração ilícita de jogo do bicho, promovida pelos
fazê-lo; denominados banqueiros. Constatou-se que os cha-
z Proibição de freqüentar determinados lugares; mados recolhedores usavam motocicletas para cole-
tar apostas em municípios vizinhos. Identificadas as
z Proibição de ausentar-se da comarca onde reside,
motocicletas usadas, o Ministério Público estadual
sem autorização do Juiz; requereu a busca e apreensão dos veículos, o que foi
z Comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, deferido pelo juízo competente. Intimado, Antônio,
mensalmente, para informar e justificar suas dono de uma das motocicletas e recolhedor de apos-
atividades. tas, compareceu à delegacia, ocasião em que firmou
compromisso de posterior comparecimento ao juízo
O Juiz poderá especificar outras condições a que criminal e entregou o veículo, após lavratura do com-
fica subordinada a suspensão, desde que adequadas petente termo circunstanciado. Na audiência prelimi-
ao fato e à situação pessoal do acusado. nar, o representante do Ministério Público apresentou
proposta de transação penal a Antônio: pagamento de
No que tange a revogação da suspensão condicio-
dez cestas básicas a uma instituição de caridade. A
nal do processo, dar-se-á de duas maneiras:
proposta foi aceita e devidamente homologada pelo
juízo. Comprovado o cumprimento da proposta, foi
z Revogação obrigatória: A suspensão será revoga- proferida sentença extintiva da punibilidade de Antô-
da se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser nio. Na mesma sentença, o magistrado acolheu mani-
processado por outro crime ou não efetuar, sem festação do Ministério Público e decretou o confisco
motivo justificado, a reparação do dano. da motocicleta de Antônio
Com referência a essa situação hipotética, julgue o
z Revogação facultativa: A suspensão poderá ser
item a seguir, considerando os institutos inerentes
revogada se o acusado vier a ser processado, no
à Lei n.º 9.099/1995 e o entendimento dos tribunais
curso do prazo, por contravenção, ou descumprir superiores acerca da matéria.
qualquer outra condição imposta. A homologação de transação penal faz coisa julgada
material e, dessa forma, mesmo que cláusulas acor-
Art. 90-A. As disposições desta Lei não se aplicam dadas sejam descumpridas, inviabiliza a ocorrência de
no âmbito da Justiça Militar. posterior requisição de inquérito policial.

Nos casos em que esta Lei passa a exigir repre- ( ) CERTO  ( ) ERRADO
sentação para a propositura da ação penal pública,
o ofendido ou seu representante legal será intimado Com base na súmula vinculante 35 do STF, a homo-
para oferecê-la no prazo de trinta dias, sob pena de logação da transação penal prevista no artigo 76
decadência. da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material e,
E, por fim, aplicar-se-á os Códigos Penal e de Pro- descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação
cesso Penal de forma subsidiária, desde que, não anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a
forem incompatíveis com esta Lei. continuidade da persecução penal mediante ofereci-
mento de denúncia ou requisição de inquérito poli-
Das Disposições Finais Comuns cial. Resposta: Errado.

2. (CESPE – 2018) Em cada item a seguir, é apresenta-


Ademais, a Lei Estadual disporá sobre o Sistema
da uma situação hipotética seguida de uma assertiva
de Juizados Especiais Cíveis e Criminais, sua organiza-
a ser julgada acerca de procedimentos dos juizados
ção, composição e competência. especiais criminais e de apuração de ato infracional.
Os serviços de cartório poderão ser prestados, e as Em fiscalização de rotina, policiais militares constata-
audiências realizadas fora da sede da Comarca, em ram que Rebeca conduzia em seu veículo dois papa-
bairros ou cidades a ela pertencentes, ocupando insta- gaios capturados em floresta próxima, sem licença ou
lações de prédios públicos, de acordo com audiências autorização de autoridade competente. Rebeca e os
36 previamente anunciadas. animais foram conduzidos à delegacia de polícia mais
próxima. Nessa situação, o delegado deverá apreen-
der os animais e, caso Rebeca se comprometa a com- LEI Nº 9.455, DE 1997 E SUAS
parecer, em dia e horário marcados, perante o juizado ALTERAÇÕES
especial criminal, ele deverá lavrar termo circunstan-
ciado da ocorrência e conceder liberdade a Rebeca, A Lei 9.455/1997 define os crimes de tortura, mas
independentemente de fiança. antes de adentrarmos ao disposto na Lei, é necessário
entender o surgimento.
( ) CERTO  ( ) ERRADO Vamos discorrer sobre a Lei, mas para você ter
uma base introdutória, apresento o artigo 1º:
Com base no artigo 61 e 69, consideram-se infrações
penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos Art. 1º Constitui crime de tortura:
I - constranger alguém com emprego de violência
desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que
ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico
a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois)
ou mental:
anos, cumulada ou não com multa e a autoridade a) com o fim de obter informação, declaração ou
policial que tomar conhecimento da ocorrência confissão da vítima ou de terceira pessoa;
lavrará termo circunstanciado e o encaminhará b) para provocar ação ou omissão de natureza
imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a criminosa;
vítima, providenciando-se as requisições dos exa- c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
mes periciais necessários.  Resposta: Certa II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou
autoridade, com emprego de violência ou grave
ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental,
3. (CESPE- 2015) No que concerne ao direito penal, jul- como forma de aplicar castigo pessoal ou medida
gue o próximo item. de caráter preventivo.
É vedada a prisão em flagrante do autor de contravenção Pena - reclusão, de dois a oito anos.
penal de menor potencial ofensivo, cujo procedimento
apuratório é inaugurado mediante a lavratura de termo Vamos abordar todos, mas para começar devemos
circunstanciado. entender sobre o termo de tortura, que veio apresen-
tado pela Convenção Contra a Tortura e Outros Trata-
( ) CERTO  ( ) ERRADO mentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes,
que foi promulgada pelo decreto de nº 40/1991, apre-
Conforme o parágrafo único, do artigo 69, o autor sentando que:
do fato que, após a lavratura do termo circuns-
1. Para os fins da presente Convenção, o termo
tanciado, for imediatamente encaminhado ao
“tortura” designa qualquer ato pelo qual dores ou
juizado ou assumir o compromisso de a ele compa- sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infli-
recer, não se imporá prisão em flagrante, nem gidos intencionalmente a uma pessoa a fim de
se exigirá fiança. Em caso de violência doméstica, obter, dela ou de uma terceira pessoa, informações
o juiz poderá determinar, como medida de cautela, ou confissões; de castigá-la por ato que ela ou uma
seu afastamento do lar, domicílio ou local de convi- terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de
vência com a vítima. Resposta: Certa ter cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou
outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em
discriminação de qualquer natureza; quando tais
4. (CESPE – 2011) As contravenções penais e os crimes
dores ou sofrimentos são infligidos por um funcio-
a que a lei comine pena máxima não superior a dois nário público ou outra pessoa no exercício de fun-
anos, desde que não cumulada com multa, são consi- ções públicas, ou por sua instigação, ou com o seu
derados infrações penais de menor potencial ofensivo, consentimento ou aquiescência. Não se considerará
para fins de aplicação da lei de regência. como tortura as dores ou sofrimentos que sejam con-
sequência unicamente de sanções legítimas, ou que
sejam inerentes a tais sanções ou delas decorram.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
Poderá utilizar o termo tortura limpa, nos casos
Conforme artigo 61, consideram-se infrações penais
de torturas mentais, porque durante sua prática, não
de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta
deixa vestígios.
Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei A Constituição, com a finalidade da proteção dos
comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos,
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

direitos fundamentais, elencou nos incisos III e XLIII,


cumulada ou não com multa. Resposta: Errado. do no artigo 5º, o repúdio a tortura:

5. (CESPE – 2011) As disposições da Lei n. o 9.099/1995 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção
aplicam-se no âmbito da justiça militar para o processo de qualquer natureza, garantindo-se aos brasilei-
e julgamento das infrações penais militares de menor ros e aos estrangeiros residentes no País a inviola-
potencial ofensivo. bilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade,
à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
( ) CERTO  ( ) ERRADO
III - ninguém será submetido a tortura nem a trata-
mento desumano ou degradante; (...)
Com base no artigo 90-A, as disposições desta Lei XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e
não se aplicam no âmbito da Justiça Militar. Respos- insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortu-
ta: Errado. ra, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, 37
o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, E, por fim, a tortura crime, previsto no inciso II,
por eles respondendo os mandantes, os executores alínea b, com o intuito de provocar ação ou omissão
e os que, podendo evitá-los, se omitirem; (...) de natureza criminosa.

Portanto, crimes de tortura são inafiançáveis, z Tortura-Pena ou Tortura-Castigo: intenso sofri-


insuscetíveis de Graça e insuscetíveis de anistia. mento físico ou mental, no ato de submeter alguém,
Vejamos essas terminologias: sob sua guarda, poder ou autoridade, com empre-
go de violência ou grave ameaça, como forma
z Inafiançáveis: não poderá ser arbitrado fiança. de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter
z Graça: para MASSON, Cleber, Direito Penal, pág. preventivo.
897. 2013, competência é do Presidente da Repú-
Ex.: pais, curadores, tutores professores etc.
blica por meio de Decreto, podendo ser delegado,
atinge somente os efeitos principais da conde- z Tortura-Prova ou Tortura Probatória ou Tortu-
nação, subsistindo os demais. Ocorrendo após o ra-Persecutória: Conduta haja sido praticada com
trânsito em julgado da sentença condenatória, pos- o fim de obter informação, declaração ou con-
suindo benefício individual, podendo ser requeri- fissão da vítima ou de terceira pessoa e que haja
do ao juiz e gerará reincidência. causado sofrimento físico ou mental, independen-
z Anistia: para MASSON, Cleber, Direito Penal, pág. temente de sua gravidade ou sua intensidade.
897. 2013, competência é do Presidente da Repú- Ex.: Vemos muito em filmes de ação, que o indiví-
blica por meio de Decreto, podendo ser delegado, duo realiza a tortura para obter uma confissão ou
atinge somente os efeitos principais da conde- o paradeiro de uma determinada pessoa.
nação, subsistindo os demais. Ocorrendo após o
trânsito em julgado da sentença condenatória, z Tortura-crime:Provocar ação ou omissão de natu-
possuindo benefício coletivo, podendo ser realiza- reza criminosa.
do de ofício pelo juiz e gerará reincidência. Ex.: líder de um grupo criminoso, constrange um
membro do grupo, que se recusasse a praticar
O Crime de tortura não é imprescritível, podendo determinado crime.
ser processado e julgado a qualquer tempo, não extin-
z Tortura-Racismo ou Tortura-Discriminatória ou
guindo a punibilidade pelos efeitos da prescrição.
Tortura-Preconceiturosa: Em razão de discrimi-
Para a Lei 9.455/1997, constitui crime de tortura o
nação racial ou religiosa.
seguinte:
Ex.: indivíduo que constrange alguém com empre-
Art. 1º Constitui crime de tortura: go de sofrimento físico a vítima pela razão dela ser
I - constranger alguém com emprego de violência católica.
ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico
ou mental:
a) com o fim de obter informação, declaração ou Importante!
confissão da vítima ou de terceira pessoa;
b) para provocar ação ou omissão de natureza Na modalidade de Tortura-Pena ou Tortura-Cas-
criminosa; tigo, trata-se de um crime próprio (somente será
c) em razão de discriminação racial ou religiosa; realizado por pessoa específica), porque nota-
II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou mos que somente será realizado por pessoa
autoridade, com emprego de violência ou grave que tenha guarda, poder ou autoridade sobre a
ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, vítima.
como forma de aplicar castigo pessoal ou medida
de caráter preventivo.
CARACTERÍSTICAS DOS CRIMES DE TORTURA
MODALIDADES DO CRIME DE TORTURA
A tortura prevista no artigo primeiro, inciso I, é
A doutrina e os Tribunais, visando aplicar a sanção crime formal, vez que para se consumar não requer a
cabível, diferenciou os crimes de tortura em modali- obtenção do resultado almejado pelo agente!
dades. Temos como exemplo a REsp nº 1.580.470/PA,
j. 24/08/2018, em que o Superior Tribunal de Justiça Art. 1º Constitui crime de tortura:
apresentou o seguinte: I - constranger alguém com emprego de violência
ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico
Diversamente do previsto no tipo do inciso II do ou mental:
artigo 1º da Lei 9.455/97, definido pela doutri- a) com o fim de obter informação, declaração ou
na como tortura-pena ou tortura-castigo, a qual
confissão da vítima ou de terceira pessoa;
requer intenso sofrimento físico ou mental, a tortu-
b) para provocar ação ou omissão de natureza
ra-prova, do inciso I, alínea ‘a’, não traz o tormen-
criminosa;
to como requisito do sofrimento causado à vítima.
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
Basta que a conduta haja sido praticada com o fim
de obter informação, declaração ou confissão da
vítima ou de terceira pessoa e que haja causado Já a tortura castigo (inciso II, do art.1º, da lei
sofrimento físico ou mental, independentemente de 9455/1997) é a tortura propriamente dita (§1º, do
sua gravidade ou sua intensidade. Art.1º, da lei 9455/1997), sendo crimes materiais quan-
to ao resultado. A primeira se consuma com o intenso
Existe também a tortura racismo, que é constituí- sofrimento físico e a segunda com o sofrimento físico
38 do em razão de discriminação racial ou religiosa. e mental.
Art. 1º Constitui crime de tortura:(...) CONDUTA PENA
II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou
autoridade, com emprego de violência ou grave
ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, Crime de Tortura 02 a 08 anos.
como forma de aplicar castigo pessoal ou medida
de caráter preventivo.
Quem submete pessoa
[...]
presa ou sujeita a
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa
medida de segurança
presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimen-
a sofrimento físico ou
to físico ou mental, por intermédio da prática de
mental, por intermédio 02 a 08 anos.
ato não previsto em lei ou não resultante de medida
da prática de ato não
legal. [...]
previsto em lei ou não
resultante de medida
Não se admite arrependimento eficaz (desiste de legal
prosseguir na execução ou impede que o resultado se
produza) e nem arrependimento posterior (reparado o Aquele que se omite em
dano ou restituída a coisa, por ato voluntário do agente). face dessas condutas,
01 a 04 anos.
E, por fim, a ação penal pública incondicionada quando tinha o dever de
ocorre quando é promovida pelo Ministério Público evitá-las ou apurá-las
sem que haja necessidade de manifestação de vonta- Se resulta lesão corporal
de da vítima ou de outra pessoa. de natureza grave ou 04 a 10 anos.
gravíssima
PENA DO CRIME DE TORTURA
Se resulta morte 08 a 16 anos.
Conforme artigo 1º a pena do crime de tortura é
reclusão, de dois a oito anos. Importa dizer ainda que
Aumento de pena
com base no art.1º, § 1º, na mesma pena incorre quem
submete pessoa presa ou sujeita à medida de seguran-
A lei 9.455/1997, trouxe as hipóteses aumentativas
ça ao sofrimento físico ou mental, por intermédio da
prática de ato não previsto em lei ou não resultante de um sexto a um terço da pena e são elas:
de medida legal.
Ademais, aquele que se omite em face dessas con- Aumento da Pena (1/6 a 1/3):
dutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las,
incorre na pena de detenção de um a quatro anos. z Se o crime for cometido por agente público;
z Se o crime for cometido contra criança, gestante,
Art. 1º [...] portador de deficiência, adolescente ou maior de
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, 60 anos;
quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las,
z Se o crime for cometido mediante sequestro.
incorre na pena de detenção de um a quatro anos.

A omissão dita preenche o disposto no artigo 13, Agentes públicos


§ 2º do Código Penal, em que elenca que a omissão
é penalmente relevante quando o omitente devia e Podemos adotar o conceito do Código Penal, em
podia agir para evitar o resultado. especial do artigo 327, apresentando que funcioná-
rio público, para os efeitos penais, quem, embora
Art. 13 [...] transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo,
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o emprego ou função pública.
omitente devia e podia agir para evitar o resultado.
No que tange ao sequestro, relaciona-se quando a
O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou tortura é realizada durante o sequestro.
vigilância; 
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de Condenação de agente público
impedir o resultado; 
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

c) com seu comportamento anterior, criou o risco A condenação de agente público, poderá ser locali-
da ocorrência do resultado.  zada no § 5º, do artigo 1º, da Lei 9.455/1997, apresen-
tando a seguinte redação:
Se o crime de tortura, resultar lesão corporal de
natureza grave ou gravíssima, qual será a pena? A
Art. 1º (...)
pena será de reclusão de quatro a dez anos, valendo
§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo,
ressaltar que o crime de tortura que não precisa do
função ou emprego público e a interdição para seu
emprego de violência pode conter apenas o elemento
da grave ameaça. exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.
Se o crime de tortura resultar morte, qual será a
pena? A reclusão será de oito a dezesseis anos. O efeito da condenação é automático, significa
Veja na tabela o resumo dos prazos de acordo com dizer que o juiz não precisa motivar a decisão para
o tipo de tortura: que ocorra esse efeito. 39
Condenado pelo crime de tortura Temos outro julgado:

A Lei 9.455/1997, elenca que o condenado por cri- Decisão: Vistos. Trata-se de pedido de exten-
me de tortura, salvo a hipótese de que se omite em são apresentado por Ramon Roberto de Olivei-
face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá- ra nos autos do habeas corpus impetrado pela
-las ou apurá-la, iniciará o cumprimento da pena em Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo
regime fechado. em favor de Edmar Lopes Feliciano, buscando
Mas, o Supremo Tribunal Federal estipulou que igual fixação do regime inicial semiaberto para
não é obrigatório que o condenado por crime de tortu- o cumprimento da pena imposta ao paciente.
ra inicie o cumprimento da pena em regime fechado: Sustenta o requerente, em síntese, haver sido
processado e condenado à pena de um (1) ano
DIREITO PENAL. REGIME INICIAL DE CUMPRI- e oito (8) meses de reclusão, em regime inicial-
MENTO DE PENA NO CRIME DE TORTURA. mente fechado, por infração ao disposto no art.
Não é obrigatório que o condenado por crime de 33 da Lei nº 11.343/06, fazendo jus ao cumpri-
tortura inicie o cumprimento da pena no regime mento inicial em regime semiaberto. Examinado
prisional fechado. Dispõe o art. 1º, § 7º, da Lei os autos, decido. O pedido de extensão é manifes-
9.455/1997 – lei que define os crimes de tortura tamente incabível. Observo, de início, que não se
e dá outras providências – que “O condenado cuida o requerente de corréu no mesmo processo
por crime previsto nesta Lei, salvo a hipóte- a que alude o HC nº 111.840/ES, mas de pessoa
se do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em que, dizendo haver sido condenado por crime de
regime fechado”. Entretanto, cumpre ressaltar tráfico de entorpecentes, e apenado a pena cor-
que o Plenário do STF, ao julgar o HC 111.840- poral inferior a quatro anos, faria jus ao cum-
ES (DJe 17.12.2013), afastou a obrigatoriedade primento de sua pena em regime inicial aberto,
do regime inicial fechado para os condenados razão pela qual inaplicável, à espécie, o disposto
por crimes hediondos e equiparados, devendo- no art. 580 do CPP, ensejando a situação, quan-
-se observar, para a fixação do regime inicial de do muito, a impetração perante Tribunal com-
cumprimento de pena, o disposto no art. 33 c/c o petente, de habeas autônomo, para o que não se
art. 59, ambos do CP. Assim, por ser equiparado presta a excêntrica petição (anexo de instrução
23). Ademais, além de totalmente desprovida de
a crime hediondo, nos termos do art. 2º, caput e
elementos mínimos a demonstrar a aventada
§ 1º, da Lei 8.072/1990, é evidente que essa inter-
condenação por tráfico, segundo informações
pretação também deve ser aplicada ao crime
prestadas pelo Juízo das Execuções Criminais da
de tortura, sendo o caso de se desconsiderar a
Comarca de Franco da Rocha/SP, o requerente
regra disposta no art. 1º, § 7º, da Lei 9.455/1997,
encontra-se preso em razão da prática de crimes
que possui a mesma disposição da norma decla- de roubo qualificado, à pena de sete (7) anos,
rada inconstitucional. Cabe esclarecer que, um (1) mês e dezesseis (16) dias de reclusão, em
ao adotar essa posição, não se está a violar a regime inicial fechado, bem como em quinze (15)
Súmula Vinculante n.º 10, do STF, que assim dis- dias-multa. Ante o exposto, com fundamento no
põe: “Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 21, § 1º, do RISTF, nego seguimento ao pedi-
art. 97) a decisão de órgão fracionário de tribu- do, por ser flagrantemente inadmissível. Publi-
nal que, embora não declare expressamente a que-se. Arquive-se. Brasília, 21 de fevereiro de
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo 2013. Ministro Dias Toffoli Relator Documento
do poder público, afasta sua incidência, no todo assinado digitalmente
ou em parte”. De fato, o entendimento adotado (STF - HC: 111840 ES, Relator: Min. DIAS TOF-
vai ao encontro daquele proferido pelo Plenário FOLI, Data de Julgamento: 21/02/2013, Data de
do STF, tornando-se desnecessário submeter tal Publicação: DJe-037 DIVULG 25/02/2013 PUBLIC
questão ao Órgão Especial desta Corte, nos ter- 26/02/2013)
mos do art. 481, parágrafo único, do CPC: “Os
órgãos fracionários dos tribunais não submete- Territorialidade
rão ao plenário, ou ao órgão especial, a argui-
ção de inconstitucionalidade, quando já houver O disposto na Lei 9.455/1997, aplica-se ainda quando
pronunciamento destes ou do plenário do Supre-
o crime não tenha sido cometido em território nacional,
mo Tribunal Federal sobre a questão”. Portanto,
sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente
seguindo a orientação adotada pela Suprema
em local sob jurisdição brasileira. Apresentado na dou-
Corte, deve-se utilizar, para a fixação do regime
inicial de cumprimento de pena, o disposto no trina como extraterritorialidade incondicionada.
art. 33 c/c o art. 59, ambos do CP e as Súmulas
440 do STJ e 719 do STF. Confiram-se, a propósi-
to, os mencionados verbetes sumulares: “Fixada EXERCÍCIOS COMENTADOS
a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabe-
lecimento de regime prisional mais gravoso do 1. (CESPE - 2020) No que se refere ao uso diferenciado
que o cabível em razão da sanção imposta, com da força, julgue o item a seguir.
base apenas na gravidade abstrata do delito.” Se um policial rodoviário federal, com o objetivo de
(Súmula 440 do STJ) e “A imposição do regime obter confissão de uma pessoa que tenha sido flagrada
de cumprimento mais severo do que a pena apli- cometendo infração, praticar intencionalmente algum
cada permitir exige motivação idônea.” (Súmula ato para causar sofrimento mental a essa pessoa, essa
719 do STF). Precedente citado: REsp 1.299.787- conduta poderá ser caracterizada como tortura.
PR, Quinta Turma, DJe 3/2/2014. HC 286.925-RR,
Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 13/5/2014. ( ) CERTO  ( ) ERRADO
(STJ - HC: 286925 RR 2014/0010114-2, Relator:
Ministra LAURITA VAZ, Data de Julgamento: Com base na alínea “a”, do inciso I, do artigo 1º, da
13/05/2014, T5 - QUINTA TURMA, Data de Publi- Lei 9.455/1997, constitui crime de tortura a conduta
40 cação: DJe 21/05/2014) de constranger alguém com emprego de violência
ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou
mental com o fim de obter informação, declaração ou LEI Nº 9.605, DE 1998 E SUAS
confissão da vítima ou de terceira pessoa. Resposta: ALTERAÇÕES
Certo.
Antes de iniciarmos a análise da referida legislação,
2. (CESPE - 2020) A respeito da Lei de Crimes de Tortura cabe apontar de imediato o seu fundamento constitu-
(Lei n.º 9.455/1997), julgue o próximo item. cional. Preceitua o artigo 225, caput, da Constituição
A Lei de Crimes de Tortura, ao prever sua incidência Federal de 1998: “Todos têm direito ao meio ambiente
mesmo sobre crimes que tenham sido cometidos fora ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo
do território nacional, estabelece hipótese de extrater- e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao
ritorialidade incondicionada. Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.
( ) CERTO  ( ) ERRADO No § 3º estipula-se: “As condutas e atividades con-
sideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infra-
O disposto na Lei 9.455/1997, aplica-se ainda quan- tores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e
do o crime não tenha sido cometido em território administrativas, independentemente da obrigação de
nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando- reparar os danos causados.”
-se o agente em local sob jurisdição brasileira. Apre- Conforme se depreende, a nossa Carta Magna
autorizou expressamente a responsabilização penal
sentado na doutrina como extraterritorialidade
da pessoa jurídica, sendo seguida nessa linha pela Lei
incondicionada. Resposta: Certo.
de crimes ambientais (LCA), vide seu artigo 3º:
3. (CESPE - 2018) Tendo como referência a legislação As pessoas jurídicas serão responsabilizadas
penal extravagante e a jurisprudência das súmulas administrativa, civil e penalmente conforme o
dos tribunais superiores, julgue o item que se segue. disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja
A condenação pela prática de crime de tortura acarre- cometida por decisão de seu representante legal ou
tará a perda do cargo, função ou emprego público e a contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse
interdição para o seu exercício por prazo igual ao da ou benefício da sua entidade.
pena aplicada.
Surge, então, o primeiro ponto relevante da nossa
( ) CERTO  ( ) ERRADO matéria. Vale dizer que há possibilidade de a Pessoa
Jurídica ser responsabilizada por um crime. É que até
A condenação acarretará a perda do cargo, função ou a edição da LCA, a norma contida no § 3º, do art. 225
emprego público e a interdição para seu exercício pelo (de eficácia limitada) carecia de integração infracons-
dobro do prazo da pena aplicada. Resposta: Errado. titucional, não possuindo, desta forma, condições de
produzir todos os seus efeitos. Entretanto, a partir da
promulgação da LCA a norma constitucional, agora já
4. (CESPE - 2018) Se, com o objetivo de obter confis-
integrada, complementada, passou a ter o condão de
são, determinado agente de polícia, por meio de gra-
gerar seus efeitos, isto é, a responsabilização penal
ve ameaça, constranger pessoa presa, causando-lhe
das pessoas jurídicas passou a ser possível, produ-
sofrimento psicológico:
zindo, desta forma, muita controvérsia na doutrina.
De imediato, inúmeros penalistas se posicionaram
a) e a vítima for adolescente, o crime será qualificado. contra a responsabilização penal das PJ, pois que essa
b) estará configurada uma causa de aumento de pena. hipótese não seria possível diante da teoria Finalista
c) a critério do juiz, a condenação poderá acarretar a per- do crime. É que, como você mesmo viu quando do
da do cargo. estudo da Teoria do Crime, para que alguém possa
d) provado o fato, a pena será de detenção. cometer um delito/crime, deve ter cometido um Fato
e) quem presenciar o crime e se omitir, incorrerá na mes- Típico, Ilícito e Culpável. Sendo que o Fato típico, por
ma pena do agente. sua vez, seria decomposto em: Conduta consciente e
voluntária (dolosa ou culposa), Resultado, Nexo Cau-
Considera-se aumento de pena, pois foi praticada por sal e Tipicidade (formal e material). Como se vê, a con-
agente público, tomem cuidado! Resposta: Letra B. duta deve ser consciente e voluntária, sendo que esses
requisitos seriam inerentes às pessoas. Consciência e
5. (CESPE - 2015) Com base na Lei Antitortura e na Lei vontade não se afinariam com as pessoas jurídicas,
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

contra Abuso de Autoridade, julgue o item subsequente. pois estas seriam ficções criadas pelo direito (Teoria
Situação Hipotética: Um servidor público federal, no da ficção jurídica de Savigny) e não pessoas de fato.
exercício de atividade carcerária, colocou em perigo a Porém, caro aluno, essa não pode ser a nossa posi-
saúde física de preso em virtude de excesso na impo- ção. A banca CESPE já deixou claro em inúmeras ques-
sição da disciplina, com a mera intenção de aplicar tões que não está nem aí para esses argumentos. Em
medida educativa, sem lhe causar sofrimento. suma se atém à letra fria da lei, se alinhando aqueles
Assertiva: Nessa situação, o referido agente responde- que não veem qualquer empecilho à responsabiliza-
ção penal das pessoas jurídicas.
rá pelo crime de tortura.

( ) CERTO  ( ) ERRADO


Importante!
Pois não há os elementos básicos do crime de tortu- Os sujeitos ativos dos crimes ambientais podem
ra que é o sofrimento. Resposta: Errado. ser pessoas físicas ou jurídicas. 41
Veja, a propósito, como a seguinte assertiva já foi omissivos próprios, que são aqueles em que o tipo
cobrada em provas de concurso: penal incriminador expressamente prevê uma
“A empresa poderá ser responsabilizada penalmente inação. Como, por exemplo, no crime de omissão de
caso pratique ato ilícito, podendo ser desconsiderada a socorro, previsto na parte especial do Código Penal.
pessoa jurídica se a personalidade for obstáculo ao res- In verbis:
sarcimento de prejuízos causados ao meio ambiente.”
Obs.: Quanto à desconsideração de personalidade Art. 135. Deixar de prestar assistência, quando
jurídica falaremos mais a frente quando da análise do possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança aban-
art. 4º. donada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou feri-
Superado esse primeiro ponto. Vamos à Lei 9.605! da, ao desamparo ou em grave e iminente perigo;
ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade
Art. 2º. Quem, de qualquer forma, concorre para a pública.
prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas
penas a estes cominadas, na medida da sua culpa- Seguindo:
bilidade, bem como o diretor, o administrador, o
membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o Art. 3º. As pessoas jurídicas serão responsabiliza-
gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídi- das administrativa, civil e penalmente conforme o
ca, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja
deixar de impedir a sua prática, quando podia agir cometida por decisão de seu representante legal ou
para evitá-la. contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse
ou benefício da sua entidade.
A primeira parte da regra em apreço versa sobre a Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas
possibilidade de concurso de agentes no âmbito da Lei jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras,
de crimes ambientais. Na verdade, poderíamos dizer co-autoras ou partícipes do mesmo fato.
que tal previsão é desnecessária, pois é idêntica à pre-
visão feita no art. 29 do Código Penal, que como norma Conforme exposto anteriormente, sacramenta-se,
geral penal se aplica a toda legislação penal especial e por meio deste artigo, a possibilidade de as pessoas
extravagante. Cabe aqui apenas um lembrete, futuro jurídicas serem responsabilizadas penalmente, por
policial, para que fique caracterizado o concurso de crimes ambientais.
pessoas deve estar presente os seus quatro requisitos: Prevê-se, também, a responsabilidade da PJ
nas esferas civil, penal e administrativa, de forma
z Pluralidade de agentes e de condutas; independente.
z Relevância causal de cada conduta; Outro ponto que merece destaque é a exigência legal
z Liame subjetivo de vontades (vínculo psicológico); feita na última parte do dispositivo em análise, vale
z Identidade de infrações. dizer, a decisão do representante legal/contratual ou
do órgão colegiado deve ir ao encontro dos interes-
Já a segunda parte do texto normativo, impõe, ses da sociedade ou beneficiá-la de alguma forma.
expressamente, aos sujeitos ali enumerados o dever de Esse detalhe já foi objeto de questão da CESPE.
agir para evitar o resultado danoso ao meio ambiente, No ensejo, urge abordarmos tema dos mais rele-
sob pena de serem responsabilizados penalmente por vantes, qual seja: pode a pessoa jurídica cometer cri-
sua omissão. Veja que é como se o artigo em tela fosse mes, independentemente de se apurar qual pessoa
um complemento ao rol do § 2º, do art. 13, do CP, in física (representante legal, por exemplo) tomou a
verbis: decisão que deu causa ao delito ambiental?
Seria possível atribuir um crime a uma empresa
Art. 13 [...] mesmo que não se conseguisse provar quem deu cau-
§ 2º A omissão é penalmente relevante quando o sa às práticas delituosas? Ou os crimes perpetrados
omitente devia e podia agir para evitar o resultado. por empresas contra o meio ambiente ‘seriam de con-
O dever de agir incumbe a quem:
curso necessário entre estas e seus funcionários?
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou
Há, no mínimo, dois posicionamentos bem defini-
vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de dos ao derredor do tema.
impedir o resultado; A primeira corrente entende que os delitos ambien-
c) com seu comportamento anterior, criou o risco tais praticados por pessoas jurídicas seriam de con-
da ocorrência do resultado. curso necessário. Em apertada síntese, para que
determinada empresa, que por ventura tenha causado
Assim, além das pessoas acima enumeradas, pos- danos à fauna marinha, responda por delito ambiental
suem igualmente o dever de agir para evitar o resulta- seria imprescindível apontar qual pessoa física teria
do “o diretor, o administrador, o membro de conselho agido em seu nome e benefício. É a aplicação do pos-
e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou tulado nullum crimen sine actio humana. Em outras
mandatário de pessoa jurídica”, quando do cometi- palavras, dever-se-ia, necessariamente, demonstrar o
mento de delitos ambientais. concurso de agentes. No caso, entre a pessoa física e a
Vale ressaltar que essas hipóteses, em que o agente jurídica. Trata-se da Teoria Da Dupla Imputação.
não age para evitar o resultado, quando devia e podia Para esta segunda corrente não há a necessidade
fazê-lo, nos moldes do Art. 13 do CP e do Art. 2º da de se imputar, concomitantemente, a responsabilida-
Lei 9.605, são denominadas como crimes omissivos de penal a uma pessoa física e a uma jurídica. Pode até
impróprios, nos quais o agente não é propriamente o ser que em determinado caso concreto se consiga apu-
autor da ação descrita no tipo penal. Sua responsabi- rar a responsabilidade de um representante legal e a
lização advém de sua condição de garantidor legal- responsabilidade da empresa, de forma a configurar
42 mente pré-estabelecida. Diferem assim, dos crimes o concurso de agentes, entretanto essa condição não
se impõe à persecução penal. Assim, responderá, a PJ, Não se está querendo dizer com isso que o juiz
mesmo que não se descubra qual foi pessoa física que deve descartar as circunstancias do artigo 59 do CP. De
tomou a decisão causadora do delito ambiental. Para forma alguma. O que estamos querendo dizer é que as
esta corrente então, os crimes ambientais praticados circunstâncias previstas na legislação ambiental, por
por empresas seriam então de concurso eventual. estarem no bojo de norma especial, deverão prepon-
derar em relação às da parte geral do CP, quando do
Art. 4º. Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídi- cometimento de delitos ambientais.
ca sempre que sua personalidade for obstáculo ao Quanto à situação econômica do autor do fato deli-
ressarcimento de prejuízos causados à qualidade tuoso, nenhuma novidade em relação ao quanto dis-
do meio ambiente. posto no CP, eis que este, preceitua:

Trata-se da Teoria Da Desconsideração Da Per- Art. 60. Na fixação da pena de multa o juiz deve
sonalidade Jurídica, matéria mais afeta ao direito atender, principalmente, à situação econômica do
Empresarial do que ao Penal. Para sua prova, bas- réu.
ta saber que a desconsideração acima visa atacar o
patrimônio dos sócios, sempre que a pessoa jurídica Nesse contexto, a CESPE já abordou o tema da
não puder ressarcir o prejuízo causado pelo crime seguinte forma:
ambiental, e que essa desconsideração se dará de for- Na fixação da pena por delitos ambientais, o juiz
ma episódica, isto é, a Pessoa Jurídica não deixará de deverá levar em conta, de forma preponderante, os
existir. Em outras palavras, sua autonomia existencial bons ou maus antecedentes ambientais do infrator e,
será desconsiderada apenas para alcançar o patrimô- apenas supletivamente, os outros antecedentes.
nio de seus sócios em um determinado procedimento A banca considerou correta a alternativa ao men-
judicial. Após, sua personalidade (distinta da de seus cionar antecedentes ambientais, ou seja, a banca quis
sócios) volta a ser considerada normalmente. se referir exatamente ao Art. 6º, II.
Antes de avançarmos, cabe um breve apontamento.
Da aplicação da pena O candidato não pode confundir as circunstâncias
judiciais (Art. 6º LCA e Art. 59, CP) com aquelas pre-
Art. 6º. Para imposição e gradação da penalidade, vistas mais a frente nos artigos 14 e 15 da LCA. Estas
a autoridade competente observará:
são circunstâncias legais. Devem ser consideradas
I - a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da
pelo magistrado no segundo momento da aplicação da
infração e suas consequências para a saúde pública
e para o meio ambiente; pena (conforme o critério trifásico adotado pelo Códi-
II - os antecedentes do infrator quanto ao cumpri- go Penal em seu artigo 69). As circunstâncias judiciais,
mento da legislação de interesse ambiental; ao contrário, deverão ser consideradas no primeiro
III - a situação econômica do infrator, no caso de momento da aplicação da pena.
multa.

Como se sabe, o juiz (autoridade competente), ao Importante!


aplicar a pena prevista no preceito secundário do tipo
Cuidado com o bis in idem.
penal incriminador, deve fazê-lo de forma a adequá-
-la à situação concreta delituosa. Trata-se de home-
No atual estágio de evolução em que se encon-
nagem ao princípio da igualdade em sua dimensão tra nosso estado democrático de direito não se
substancial. Pois para cada crime existem circuns- pode permitir, de forma alguma, que um mesmo
tâncias específicas que deverão ser ponderadas pelo fato ou circunstância possa ser considerado
magistrado. Nenhum crime será idêntico a outro, em duas vezes para punir o agente de forma dupli-
todas suas particularidades. cada, ou agravar duplamente sua pena em um
O artigo em apreço parece-se muito com o Art. 59 mesmo contexto fático. É o repelido bis in idem
do Código Penal, que trata das circunstâncias judiciais. (repetição sobre o mesmo)
Veja o que diz a norma do diploma repressivo:

Art. 59. O juiz, atendendo à culpabilidade, aos Assim, por exemplo, se o juiz se encontra diante
antecedentes, à conduta social, à personalidade de um réu que possui maus antecedentes ambientais,
do agente, aos motivos, às circunstâncias e conse- por já ter cometido outras infrações desta natureza
quências do crime, bem como ao comportamento (inciso II, do art. 6º, LCA), não pode levar essa cir-
da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e cunstância em consideração no primeiro momento da
suficiente para reprovação e prevenção do crime:
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

aplicação da pena e em seguida voltar a considerá-la


I - as penas aplicáveis...” com o fim de agravar novamente a pena, com base,
agora, no inciso I, do art. 15, LCA). Deve optar por
Nota-se que o disposto nos incisos I e II ,do art. 6º, considerar a circunstância em apreço em apenas
da LCA, encontra-se parcialmente contido no disposto uma das fases.
no art. 59 do CP, diferindo quanto a este, por prever
que a gravidade do fato e os antecedentes do autor Art. 7º. As penas restritivas de direitos são autô-
do crime ambiental deverão ser levados em conside- nomas e substituem as privativas de liberdade
ração tendo em vista o contexto especial que envolve quando:
o Meio Ambiente e a legislação pertinente. I - tratar-se de crime culposo ou for aplicada a pena
Podemos chegar, então, à conclusão de que sempre privativa de liberdade inferior a quatro anos;
que estivermos diante de crimes ambientais, as cir- II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta
cunstâncias previstas na lei especial devem preva- social e a personalidade do condenado, bem como
lecer sobre aquelas da parte geral do código penal. os motivos e as circunstâncias do crime indicarem 43
que a substituição seja suficiente para efeitos de z Ou ainda no caso de interdição temporária de
reprovação e prevenção do crime. direitos, visto que a própria Lei Ambiental regula
Parágrafo único. As penas restritivas de direitos a o seu prazo de aplicação mais a frente (art. 10).
que se refere este artigo terão a mesma duração da
pena privativa de liberdade substituída. z Lado outro, haverá vezes em que se poderá aten-
der o mandamento contido no art. 6º, PU. Pense
Um ponto que não pode passar despercebido é na hipótese da pena alternativa de PRESTAÇÃO
o disposto no inciso I. Para que o magistrado possa DE SERVIÇOS A COMUNIDADE. Aqui não have-
substituir a pena privativa de liberdade pela restriti- rá nenhum obstáculo a sua fixação pelo mesmo
va de direitos, o crime deve ter sido cometido em sua tempo da pena privativa de liberdade imposta ao
modalidade culposa, ou dolosa, desde que, nesse últi- condenado.
mo caso, a pena prevista abstratamente no tipo penal
seja inferior a 4 anos. Art. 8º. As penas restritivas de direito são:
É aqui que mora o perigo, pois o código penal tam- I - prestação de serviços à comunidade;
bém cuidou dos requisitos para a aplicação de penas II - interdição temporária de direitos;
alternativas. Todavia, o fez de forma um pouco dife- III - suspensão parcial ou total de atividades;
rente. Veja o que diz o CP: IV - prestação pecuniária;
V - recolhimento domiciliar.
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autô-
nomas e substituem as privativas de liberdade, Trata-se do rol das penas alternativas destinadas
quando: à pessoa física. As penas alternativas para a pessoas
I – aplicada pena privativa de liberdade não supe- jurídicas encontram-se nos artigos 21 a 23 da Lei
rior a quatro anos e o crime não for cometido com 9605(LCA). 
violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer
que seja a pena aplicada, se o crime for culposo. Art. 9º. A prestação de serviços à comunidade con-
siste na atribuição ao condenado de tarefas gratui-
Repare na diferença. Enquanto a Lei de Crimes tas junto a parques e jardins públicos e unidades de
Ambientais exige que a pena prevista no preceito conservação, e, no caso de dano da coisa particu-
secundário do tipo penal seja inferior a 4 anos, o lar, pública ou tombada, na restauração desta, se
Código Penal prevê a possibilidade de aplicação de possível.
penalidades alternativas, desde que a pena em abstra-
to seja, no máximo, igual a 4 anos. A prestação de serviços à comunidade dar-se-á em
Possibilidade de substituição de penas privati- parques e jardins públicos, bem como em áreas de
vas de liberdade por restritivas de direitos. conservação.
Fique atento, pois o Código Penal também prevê a
z Crimes em geral: até 4 anos. pena de prestação de serviços à comunidade, porém
z Crimes ambientes: inferior à 4 anos. assevera que o serviço gratuito se dará em entidades
assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e outros
No que tange ao parágrafo único, cabe ressaltar estabelecimentos congêneres, em programas comuni-
que as penas alternativas serão executadas levando-
tários ou estatais.
-se em consideração o quantum da pena prevista no
A banca pode querer induzir o candidato ao erro
tipo penal. Imagine que determinado agente tenha
trocando os locais da prestação das tarefas gratuitas.
sido condenado pelo delito do art. 49 desta lei, o qual
Então, lembre-se, quando a assertiva estiver tratan-
prevê: “Destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qual-
do da aplicação da pena alternativa de prestação de
quer modo ou meio, plantas de ornamentação de logra-
douros públicos ou em propriedade privada alheia; serviços à comunidade, no contexto de cometimento
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, ou de crimes ambientais, o serviço gratuito se dará em
ambas as penas cumulativamente.” parques, jardins públicos, áreas de conservação.
Imagine, ainda, que o magistrado entendeu por Antes de prosseguimos chamo a atenção para a
bem a substituição da pena privativa de liberdade por possibilidade de o condenado trabalhar na restaura-
uma medida alternativa, tendo em vista que a pena ção de coisas danificadas, particulares, públicas ou
máxima para o delito cometido é de 1 ano (inferior a tombadas. Trata-se de inovação feita pela lei de cri-
4 anos) e que a substituição seria suficiente para pre- mes ambientais. Previsão antes inédita no nosso orde-
venção e reprovação do crime. namento jurídico.
Nesse caso, indaga-se: Por quanto tempo o conde-
nado terá de cumprir a medida alternativa? A respos- Art. 10. As penas de interdição temporária de
ta poderá variar conforme a pena alternativa imposta. direito são a proibição de o condenado contratar
Embora o Parágrafo único do art. 6º tenha previsto com o Poder Público, de receber incentivos fiscais
que “as penas restritivas de direitos a que se refere ou quaisquer outros benefícios, bem como de par-
este artigo terão a mesma duração da pena priva- ticipar de licitações, pelo prazo de cinco anos, no
tiva de liberdade substituída”, haverá situações em caso de crimes dolosos, e de três anos, no de crimes
que a pena alternativa – restritiva de direitos – não culposos.
poderá se dar pelo mesmo tempo que a pena privativa
de liberdade se daria. Proibição de o condenado contratar, licitar ou
Por exemplo: receber incentivos do poder público.

z A pena de prestação pecuniária. Hipótese na qual z Crimes dolosos: 5 anos.


44 a quantia será paga de uma só vez. z Crimes culposos: 3 anos.
Essa proibição refere-se à pessoa física.  Art. 14. São circunstâncias que atenuam a pena:
A pena de proibição de contratar e licitar destina- I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;
da à Pessoa Jurídica encontra-se no Art. 22, possuin- II - arrependimento do infrator, manifestado pela
do, inclusive, prazo diverso. espontânea reparação do dano, ou limitação signi-
Atenção: Caso o condenado já esteja no meio da ficativa da degradação ambiental causada;
execução de um contrato, ou já tenha ganhado uma III - comunicação prévia pelo agente do perigo imi-
licitação, a proibição não poderá ter efeitos retroa- nente de degradação ambiental;
tivos, isto é, deve-se respeitar o contrato já celebrado IV - colaboração com os agentes encarregados da
vigilância e do controle ambiental.
ou a licitação já concluída. Caso sofra essa proibição, o
agente só ficará impedido de celebrar novos contratos
ou de participar de novas licitações. Veja no exemplo:

Art. 11. A suspensão de atividades será aplicada


quando estas não estiverem obedecendo às prescri-
ções legais. EXERCÍCIO COMENTADO
Conforme dito linhas atrás, as penas alternativas 1. (CEBRASPE – 2013) Um cidadão que cometer crime
previstas no Art. 8º aplicam-se às pessoas físicas. Digo contra a flora estará isento de pena se for comprovado
isso, pois existe certa tendência em se achar que a que ele possui baixa escolaridade. 
pena de suspensão total ou parcial de atividades seria
aplicável apenas às pessoas jurídicas (vide o inciso I, ( ) CERTO  ( ) ERRADO
do art. 22, da LCA), o que não é verdade.
Quanto à redação do artigo em comento, nota-se Conforme antes exposto, a presença das atenuantes
que apenas expõe quando será aplicada a pena de sus- do art. 14, LCA somente terão o condão de diminuir
pensão de atividades. a quantidade da pena imposta ao agente. E nunca o
isentar de pena! Resposta: Errado.
Art. 12. A prestação pecuniária consiste no paga-
mento em dinheiro à vítima ou à entidade pública Ainda sobre o Art. 14, mister fazermos algumas
ou privada com fim social, de importância, fixada ponderações sobre o Inciso II:
pelo juiz, não inferior a um salário mínimo nem “Arrependimento do infrator, manifestado pela
superior a trezentos e sessenta salários mínimos. O espontânea reparação do dano, ou limitação significa-
valor pago será deduzido do montante de eventual tiva da degradação ambiental causada”
reparação civil a que for condenado o infrator. É que precisa ficar claro na cabeça do candidato
que o arrependimento do qual trata a regra em aná-
Perceba, candidato, que a lei não exige que a enti- lise não se confunde com outros dois institutos de
dade pública ou privada, a qual irá receber a presta- direito penal. Quais sejam: Arrependimento Eficaz e
ção pecuniária (MULTA), tenha como fim social algum Desistência Voluntária.
objetivo relacionado às questões ambientais.
Outro ponto que merece destaque é a parte final Desistência voluntária
do texto. Como vimos no início da análise desta Lei, a
responsabilização do autor de crime ambiental será
O agente encontra-se na fase de execução do crime
realizada nas esferas civil penal e administrativa.
e antes de esgotar todos os atos tendentes à consuma-
Logo, se, por exemplo, Tício provocar um incêndio
ção desiste voluntariamente de continuar a tentar
em mata ou floresta, vindo a ser condenado na esfera
alcançar o resultado. Aqui a desistência se dá antes
penal a pagar determinada quantia, e posteriormente,
do término dos atos executórios. Responde o agente
vir a ser condenado, civilmente, a pagar uma indeni-
somente pelo que já praticou. 
zação ao ente responsável pela propriedade da flores-
Ex.: Tício, o famoso meliante, agindo com animus
ta ou mata, essa indenização será subtraída do valor
necandi (intenção de matar), vai até a casa de Mévio,
já pago a título de condenação penal.
seu desafeto, com uma pistola carregada com 20
Veja como a CESPE já cobrou o assunto:
munições. Chegando lá, efetua 19 disparos contra o
O valor pago em dinheiro à vítima ou à entidade
alvo, acertando-lhe 2 tiros apenas, 1 em cada perna.
pública ou privada com fim social, em razão da apli-
Vendo seu inimigo no chão, caído, sem poder algum
cação da pena restritiva de direitos de prestação pecu-
de reação, aproxima-se e encosta sua pistola (que ain-
niária, prevista na Lei dos Crimes Ambientais, não
da possui uma munição) na cabeça de Mévio. Todavia,
poderá ser deduzido do montante de eventual repara-
no último instante, Tício acaba sendo tomado por um
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

ção civil a que for condenado o infrator.


sentimento de compaixão e desiste voluntariamente
Alternativa errada, pois:
de praticar o homicídio.
Art. 13. O recolhimento domiciliar baseia-se na
Pergunta-se: Responderá Tício por tentativa de
autodisciplina e senso de responsabilidade do homicídio?
condenado, que deverá, sem vigilância, trabalhar, Não. Nesse caso, o agente responderá somente
frequentar curso ou exercer atividade autorizada, pelos atos já praticados, vale dizer, os dois disparos
permanecendo recolhido nos dias e horários de fol- efetuados nas pernas de Mévio. Ou seja, responderá
ga em residência ou em qualquer local destinado apenas por Lesão Corporal, consumada.
a sua moradia habitual, conforme estabelecido na Note que temos aqui, claramente, uma opção de
sentença condenatória. política legislativa. Despreza-se o dolo inicial do agen-
te punindo-o por crime menos severo.
Nada a comentar sobre essa pena alternativa. Para E o que se ganha com isso? A intenção é incentivar o
sua prova basta a leitura atenta do dispositivo. agente a interromper a empreitada criminosa, fazendo 45
com que desista de alcançar o resultado inicialmente I - reincidência nos crimes de natureza ambiental;
pretendido (morte de Mévio), recebendo do estado o
benefício de responder por delito menos grave. Para que reincidência tenha o condão de agravar
a pena deverá ter se dado especificamente em crime
Arrependimento Eficaz ambientais. Assim se Tício, condenado por sentença
transitada em julgado por Furto, vem a ser condena-
do, agora por um delito ambiental, aquela condena-
O agente já praticou todos os atos de execução que
ção anterior não servirá para agravar a sua pena.
estavam ao seu alcance para alcançar a consumação do IPC O Agente não será considerado reincidente
crime. A fase de execução do iter criminis já se encerrou. se entre a data do cumprimento ou extinção da pena
Porém, antes que o resultado seja alcançado, antes relativa ao delito anterior e a infração posterior tiver
que o delito se consume, o agente se arrepende. Mas decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos
não basta o mero arrependimento. É preciso que seu (vide o II, do art. 64, CP).
arrependimento é eficaz para evitar a consumação do Veja o que dispõe o inciso II, do art. 15, da LCA:
delito inicialmente pretendido.
II - ter o agente cometido a infração:
Ex.: Tício, com dolo de matar, armado com a mes-
a) para obter vantagem pecuniária;
ma pistola, carregada com as mesmas 20 munições, b) coagindo outrem para a execução material da
vai até a casa de Mévio. Chegando lá, efetua 20 dispa- infração;
ros contra seu alvo, acertando apenas dois tiros, um
em cada perna. Entretanto após os disparos, vendo A coação de que trata a alínea b pode ser tanto a
Mévio inconsciente, sangrando no chão, arrepende- moral quanto a física.
-se e imediatamente o coloca em seu carro e o leva ao Nesses casos, o coator (aquele que coage) poderá
hospital. Nesse caso, se Mévio sobreviver (lembre-se ser considerado autor mediato, além de sofrer agra-
vamento na sua pena.
que o arrependimento deve ser eficaz) Tício respon-
Quanto ao coagido, poderá beneficiar-se pela
derá apenas por lesão corporal consumada.
excludente de culpabilidade, em caso de coação moral
Note que, embora a solução no final das contas irresistível ou pela atipicidade da conduta, no caso de
tenha sido a mesma, os institutos são diferentes. No coação física absoluta.
primeiro exemplo Tício ainda tinha um cartucho na
arma e podia prosseguir na execução, mas não quis. c) afetando ou expondo a perigo, de maneira gra-
Já no segundo exemplo (Arrependimento eficaz) Tício ve, a saúde pública ou o meio ambiente;
não possuía mais nenhum cartucho. A fase de exe-
cução tinha terminado. Em outras palavras, já havia Exige-se que haja afetação grave do bem jurídi-
co tutelado pela norma penal incriminadora ou sua
esgotado todos os atos disponíveis para alcançar o
exposição à perigo grave. 
resultado.
Cuidado com o bis in idem: A previsão contida
Qual a implicação no art. 14? nesta alínea repete o disposto no Art. 6º, I, desta lei, o
qual trata das circunstâncias judiciais específicas do
arrependimento do infrator, manifestado pela contexto dos crimes ambientais. Veja:
espontânea reparação do dano, ou limitação signi-
ficativa da degradação ambiental causada (inciso Art. 6º. Para imposição e gradação da penalidade,
II, do art. 14, da LCA): a autoridade competente observará:
I - a gravidade do fato, tendo em vista os motivos
Embora o texto legal use o termo arrependimen- da infração e suas consequências para a saúde
pública e para o meio ambiente;
to, não podemos de forma alguma confundi-lo com
o arrependimento eficaz previsto no Art. 15 CP. Se
analisarmos com cuidado as expressões “reparação Importante!
do dano” e “limitação significativa da degradação
ambiental causada” contidas no inciso II, do art. 14 da Uma mesma circunstância não pode ser leva-
LCA, fatalmente chegaremos à conclusão que o dano da duas vezes em consideração para agravar
e a degradação ambiental já existem. Se já existem é
a situação do réu. Ainda que o momento de as
considerar, quando da aplicação da pena, seja
porque o crime já se consumou. Logo não há se falar
diverso.
em arrependimento eficaz.
Nesse caso, já consumado o crime o agente respon-
derá pelo delito que quis cometer. d) concorrendo para danos à propriedade alheia;
A única benesse será a consideração de seu
arrependimento como circunstância atenuante no A agravante só terá aplicabilidade caso os danos à pro-
momento de imposição da pena. priedade alheia tenham se dado de forma culposa. Caso o
agente concorra dolosamente para danos à propriedade
Caso as circunstâncias abaixo listadas também
de outra pessoa deverá responder, em concurso formal,
façam parte da redação típica do crime ambiental, não
pelo crime ambiental e pelo crime de dano Art. 163 CP.
poderão ser consideradas como agravantes. Caso con- Lado outro, quando o resultado danoso tenha se dado a
trário estar-se-ia a praticar o já mencionado bis in idem. título de culpa, não resta outra solução senão o agrava-
O mesmo se diga em relação às circunstâncias abai- mento da pena. Isso porque o crime de dano previsto no
46 xo, quando qualifiquem determinado delito ambiental. Código Penal não é punido a título de culpa.
e) atingindo áreas de unidades de conservação ou para seu abate ou captura. Aumenta-se nesse caso a
áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a regime pena do agente.
especial de uso; Perceba que essa agravante só tem aplicação no
que tange aos crimes ambientais perpetrados contra a
Norma penal em branco: para identificar o real fauna, previstos na SEÇÃO I do CAPÍTULO V, desta lei.
alcance desta norma penal é necessário recorremos à
legislação extrapenal, a fim de verificar quais seriam n) mediante fraude ou abuso de confiança;
as unidades de conservação e as áreas sujeitas a regi-
me especial de uso.  Fraude é o expediente malicioso, a artimanha uti-
lizada, pelo agente, como meio à consecução do resul-
f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assenta- tado pretendido.
mentos humanos; Por exemplo: O agente se passa por veterinário de
órgão oficial com o fim de ingressar em área protegida
Imagine o exemplo daquele que comete o crime do para realizar atos de caça (art. 52), apenas obtendo suces-
Art. 41 desta lei: “Provocar incêndio em mata ou flores- so em virtude do expediente malicioso do qual se utilizou.
ta”. Caso o fogo atinja algum vilarejo ou qualquer outro Abuso de confiança: para que haja abuso de con-
assentamento humano, o agente terá sua pena agravada. fiança é imprescindível que o agente seja, antes, obje-
to da confiança alheia. Em outras palavras, só pode
g) em período de defeso à fauna; abusar da confiança depositada em si aquele que
tinha a confiança de alguém.
Exemplo: Piracema, isto é, período de ovada dos Por exemplo: Empregado de longa data em uma
peixes, quando eles sobem os rios até suas nascentes fazenda, e que contava com a confiança total do
para desovar. patrão, é descoberto danificando a floresta nativa de
preservação permanente ali localizada (art. 38).
h) em domingos ou feriados;
o) mediante abuso do direito de licença, permissão
Repare que as causas de aumento de pena aqui ou autorização ambiental;
se referem apenas a domingos e feriados, dias nos
quais a vigilância dos órgãos públicos é menos inten- Abusa do direito, aquele que, inicialmente
sa, aumentando-se assim o grau de reprovabilidade amparado por norma legal, exerce-o de forma a
da conduta do agente. extrapolar os limites condizentes com o fim socioam-
biental daquele direito.
i) à noite;
Por exemplo: Determinado agente que, embora
legalmente autorizado à atividade de pesca, se utiliza
Justifica-se a causa agravante pela menor vigi-
de dispositivos explosivos para conseguir incremen-
lância social que se exerce sobre as coisas durante o
tar seus “lucros”. (Art. 35 LCA).
período de repouso noturno.
Como critério para a definição do que vem a ser
p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou
repouso noturno, sugiro que o candidato utilize o pre- parcialmente, por verbas públicas ou beneficiada
dominante na doutrina: do nascer do sol ao crepúscu- por incentivos fiscais;
lo, período no qual não há iluminação natural.
Aumenta-se a reprovabilidade pelo fato de o delito
j) em épocas de seca ou inundações;
ser praticado no interesse de Pessoa Jurídica que rece-
be dinheiro do Estado.
Nesse período, muitos animais estão fugindo de
seu habitat, o que os torna presas mais fáceis para q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em rela-
aqueles que cometem crimes contra a fauna, aumen- tórios oficiais das autoridades competentes;
tando-se, desta feita, a reprovabilidade sobre o com-
portamento criminoso. Norma penal em branco: é preciso a análise
No que tange aos delitos contra a flora, cometidos, dos relatórios oficiais para saber quais as espécies
por exemplo, em um período de seca, estes podem ameaçadas.
tomar maiores proporções. A ilustrar: o crime de pro-
vocar incêndio em mata ou floresta. (art. 41, LCA). r) facilitada por funcionário público no exercício de
suas funções.
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

l) no interior do espaço territorial especialmente


protegido;
Importante!
Norma penal em branco: faz-se necessário o
conhecimento da legislação extrapenal para saber O cargo do funcionário público deve ter relação
quais seriam esses espaços especialmente protegidos com atividade de fiscalização do meio ambiente
pelo poder público. para que haja nexo causal entre a facilitação e o
delito ambiental.
m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou
captura de animais;
Outro ponto: Perceba que provavelmente este fun-
Método cruel é aquele meio de execução que infli- cionário público terá praticado algum outro crime
ge ao animal sofrimento maior do que o necessário contra a administração pública. 47
Exige-se que a facilitação tenha se dado no exer- A regra expressa no caput é autoexplicativa, logo
cício da função pública. dispensa maiores comentários. Fica apenas o alerta
quanto a parte acima grifada: “sempre que possível”.
Art. 16. Nos crimes previstos nesta Lei, a suspen- Quanto ao parágrafo único, trata-se da prova
são condicional da pena pode ser aplicada nos emprestada. Prova que já fora produzida em pro-
casos de condenação a pena privativa de liberdade cesso civil, e que pode ser usada no processo penal. A
não superior a três anos. ressalva fica por conta da necessidade de se respeitar
o contraditório no processo penal. Vale dizer, o réu
Trata-se do sursis ambiental. Sugiro muita aten- deverá ter a oportunidade de influenciar efetivamen-
ção ao prazo de três anos, visto que o Código Penal te no convencimento do juiz da causa penal.
também conta com dispositivo parecido a regular a
possibilidade de suspensão da aplicação da pena fora Art. 20. A sentença penal condenatória, sempre
do contexto ambiental. que possível, fixará o valor mínimo para reparação
A diferença é que no CP, para que ocorra os “sur- dos danos causados pela infração, considerando
sis” a pena cominada para o crime não pode ultrapas- os prejuízos sofridos pelo ofendido ou pelo meio
sar a 2 anos. ambiente.
Parágrafo único. Transitada em julgado a senten-
Os requisitos para a suspensão da aplicação da
ça condenatória, a execução poderá efetuar-se pelo
pena (sursis) nos crimes em geral encontram-se no
valor fixado nos termos do caput, sem prejuízo da
Código Penal (art. 77, I, II, III). liquidação para apuração do dano efetivamente
Importante fixar: sofrido.

z Sursis ambiental: até 3 anos. Este artigo é uma decorrência natural do artigo 19,
z Sursis penal: até 2 anos. que trata da perícia realizada para apuração da mate-
rialidade do delito ambiental (extensão dos danos
Art. 17. A verificação da reparação a que se refe- causados ao meio ambiente). E em seu parágrafo úni-
re o  § 2º do art. 78 do Código Penal  será feita co versa sobre a formação do título executivo judi-
mediante laudo de reparação do dano ambiental, cial em decorrência da sentença penal condenatória.
e as condições a serem impostas pelo juiz deverão
relacionar-se com a proteção ao meio ambiente.
Art. 21. As penas aplicáveis isolada, cumulativa ou
alternativamente às pessoas jurídicas, de acordo
Trata do sursis especial, no qual o autor do cri- com o disposto no art. 3º, são:
me deve respeitar as condições postas no Art. 78, § 2. I - multa;
Neste caso, reparado o dano pelo agente, dispensa-se II - restritivas de direitos;
o autor do fato de cumprir as condições previstas no III - prestação de serviços à comunidade.
Art. 78, § 1º.
Impõe a necessidade de ser feito o laudo pericial a Conforme salientei, quando da análise do artigo 8º,
comprovar a integral reparação do dano ambiental a lei de Crimes Ambientais (9.605), cuidou de enumerar
como condição prévia à suspensão condicional da pena. em momentos diferentes quais seriam as penas apli-
A exceção fica por conta do disposto no Art. 78, cáveis às pessoas físicas (Art. 8º) e quais teriam como
§ 2, vale dizer: “salvo comprovada impossibilidade destinatárias as pessoas jurídicas (Art. 21, art. 22).
de o fazer”.
Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa
Art. 18. A multa será calculada segundo os crité- jurídica são:
rios do Código Penal; se revelar-se ineficaz, ainda I - suspensão parcial ou total de atividades;
que aplicada no valor máximo, poderá ser aumen- Previsão idêntica à do art. 8º, III.
tada até três vezes, tendo em vista o valor da van- II - interdição temporária de estabelecimento, obra
tagem econômica auferida. ou atividade;
Nesse caso não se suspende a atividade da pessoa
Atente para o parâmetro utilizado pela lei de cri- jurídica como um todo. Aqui, a interdição recai-
rá sobre determinado estabelecimento obra ou
mes ambientais para a exasperação da pena (aumento
serviço.
até o triplo).
III - proibição de contratar com o Poder Público,
Deverá ser levado em conta o valor da vantagem bem como dele obter subsídios, subvenções ou
econômica auferida pelo agente com a prática do deli- doações.
to ambiental. Esse ponto merece muito cuidado, pois o
Código penal tem dispositivo parecido, que, entretanto, Penalidade semelhante àquela imputada as pes-
possui como parâmetro a situação econômica do réu. soas físicas (art. 8º, II; art. 10, LCA), valendo a ressalva
Então não se esqueça: Na lei de crime ambien- de que o prazo da proibição destinado ás pessoas jurí-
tais o parâmetro utilizado para o aumento da pena de dicas é diferente (vide § 3º abaixo).
multa em até 3 x é o proveito econômico auferido
pelo agente com o crime ambiental. § 1º A suspensão de atividades será aplicada quan-
do estas não estiverem obedecendo às disposições
Art. 19. A perícia de constatação do dano ambien- legais ou regulamentares, relativas à proteção do
tal, sempre que possível, fixará o montante do pre- meio ambiente.
juízo causado para efeitos de prestação de fiança e § 2º A interdição será aplicada quando o estabe-
cálculo de multa. lecimento, obra ou atividade estiver funcionando
Parágrafo único. A perícia produzida no inquérito sem a devida autorização, ou em desacordo com a
civil ou no juízo cível poderá ser aproveitada no concedida, ou com violação de disposição legal ou
48 processo penal, instaurando-se o contraditório. regulamentar.
§ 3º A proibição de contratar com o Poder Público DA APREENSÃO DO PRODUTO E DO INSTRUMENTO
e dele obter subsídios, subvenções ou doações não DE INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA OU DE CRIME
poderá exceder o prazo de dez anos.
Art. 25. Verificada a infração, serão apreendidos
O § 1º e o § 2º complementam os incisos I e II, expli- seus produtos e instrumentos, lavrando-se os res-
citando quando tais modalidades de penas alternati- pectivos autos.
vas poderão ser aplicadas.
Quanto ao § 3º, estabelece durante quanto tempo Este artigo trata das medidas processuais de
determinada pessoa jurídica que tenha cometido um apreensão do produto e dos instrumentos do crime.
crime ambiental ficará privada de contratar com o Nada de novo. O código de processo penal tem disposi-
poder público, ou obter recursos públicos. tivos no inciso II, do Art. 6º e nos arts. 124 e seguintes.
Note que o prazo é bem maior do que o estabeleci- De resto, basta a leitura atenta do dispositivo aci-
do para as pessoas físicas no artigo 8º, II. ma. Não há porque nos aprofundarmos mais.
Veja o que dispõe o §1º, do art. 25, da LCA:
Art. 23. A prestação de serviços à comunidade pela
pessoa jurídica consistirá em: § 1° Os animais serão prioritariamente libertados
I - custeio de programas e de projetos ambientais; em seu habitat ou, sendo tal medida inviável ou não
II - execução de obras de recuperação de áreas recomendável por questões sanitárias, entregues a
degradadas; jardins zoológicos, fundações ou entidades asseme-
III - manutenção de espaços públicos; lhadas, para guarda e cuidados sob a responsabili-
IV - contribuições a entidades ambientais ou cultu- dade de técnicos habilitados.    
rais públicas.
A regra é autoexplicativa. Se possível, os animais
Como penas alternativas, a serem aplicadas em serão libertados em seu habitat natural. Caso contrá-
substituição às privativas de liberdade, estas formas rio, poderão ser entregues às instituições e pessoas
de prestação de serviço à comunidade deverão obser- acima listadas.
var a quantidade da pena de reclusão ou detenção
encontrada pelo juiz ao final do critério trifásico da § 2°  Até que os animais sejam entregues às insti-
aplicação da pena. tuições mencionadas no § 1° deste artigo, o órgão
Por exemplo: Digamos que a empresa XYZ, tenha autuante zelará para que eles sejam mantidos em
sido condenada pelo crime do Art. 45 desta lei: condições adequadas de acondicionamento e trans-
“Cortar ou transformar em carvão madeira de lei, porte que garantam o seu bem-estar físico. 
assim classificada por ato do Poder Público, para fins
industriais, energéticos ou para qualquer outra explo- Previsão bastante óbvia.
ração, econômica ou não, em desacordo com as deter-
minações legais: Pena - reclusão, de 1 A 2 ANOS, e multa. § 3º Tratando-se de produtos perecíveis ou madei-
Assim, se, por ventura, o magistrado, após a con- ras, serão estes avaliados e doados a instituições
denação da empresa, for substituir a pena privativa científicas, hospitalares, penais e outras com fins
de liberdade, que conforme vimos não se compati- beneficentes.
biliza com a essência da Pessoa Jurídica, por uma
das espécies de prestação de serviço à comunidade, Tratando-se de produtos perecíveis (a madeira
deverá fazê-lo pelo mesmo prazo da pena privativa também é produto sujeito ao perecimento), impõe-se
de liberdade decretada. Se condenou a empresa a 1 a sua imediata destinação às entidades acima listadas.
ano de reclusão, a prestação de serviços dar-se-á por
1 ano. Lado outro, caso tenha condenado à ré a 2 anos § 4° Os produtos e subprodutos da fauna não pere-
de reclusão, a prestação de serviços à comunidade cíveis serão destruídos ou doados a instituições
deverá se dar pelo prazo de 2 anos. científicas, culturais ou educacionais.

Art. 24. A pessoa jurídica constituída ou utilizada, Podemos citar como produto da fauna: o animal
preponderantemente, com o fim de permitir, facilitar morto e empalhado; e como subproduto: o dente do
ou ocultar a prática de crime definido nesta Lei terá Tigre abatido em atividade de caça ilegal. O chifre de
decretada sua liquidação forçada, seu patrimônio determinado espécime ilegalmente abatido.
será considerado instrumento do crime e como tal
perdido em favor do Fundo Penitenciário Nacional. § 5º Os instrumentos utilizados na prática da infra-
ção serão vendidos, garantida a sua descaracteri-
O artigo em comento estabelece verdadeira pena zação por meio da reciclagem.
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

acessória a ser aplicada às Pessoas Jurídicas quando


estas tenham sido constituídas ou utilizadas, preponde- Muitas vezes os instrumentos do crime ambiental
rantemente com o fim de participar no cometimento de são máquinas sofisticadas e caras que podem mui-
delitos ambientais. Qual seja: Sua Liquidação forçada. to bem ser utilizadas para fins lícitos. Quando assim
Outro ponto relevante no texto legal acima, é a sua o for, deverão ser vendidos. Do contrário, isto é, caso
parte final. Note que o patrimônio das empresas cons- esses instrumentos sejam coisas de fabrico, uso, porte
tituídas para fins ilícitos será considerado instru- ou alienação ilegais, não se prestando para fins lícitos,
mento do crime, sendo desta feita perdido em favor deverão ser descaracterizados por meio da reciclagem.
do Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN).
Este ponto merece atenção, pois o perdimento de DA AÇÃO E DO PROCESSO PENAL
valores relacionados a delitos ambientais em favor de
um órgão correlato ao sistema penitenciário trata-se Art. 26. Nas infrações penais previstas nesta Lei, a
de solução no mínimo curiosa. ação penal é pública incondicionada. 49
Trata-se de previsão desnecessária. pois, conforme Culpabilidade. Trata-se da Teoria tripartida/tripartite
consagrado no artigo 100 do código penal, a regra é do crime.
que a ação penal seja pública, salvo se o tipo penal a Para essa corrente a punibilidade seria, apenas,
declarar privativa do ofendido, o que não ocorre em um requisito para aplicação da pena. Logo a sua ausên-
nenhum crime desta lei. cia não teria o condão de afastar a existência do crime.
Veja o que diz o art. 100, CP: a ação penal é pública, Essa percepção é importante, pois a banca pode
salvo quando a lei expressamente a declara privativa tentar induzi-lo ao erro afirmando que suspenso o
do ofendido. processo e finalizado o período de prova sem revo-
Quando estivermos diante de crimes ambien- gação, o crime deixará de existir.
tais não se esqueça: a ação penal será pública e
incondicionada. I - a declaração de extinção de punibilidade, de que
trata o § 5° do artigo referido no caput, depende-
Art. 27. Nos crimes ambientais de menor potencial rá de laudo de constatação de reparação do dano
ofensivo, a proposta de aplicação imediata de pena ambiental, ressalvada a impossibilidade prevista
restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 no inciso I do § 1° do mesmo artigo;
da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, somen-
te poderá ser formulada desde que tenha havido a A declaração de extinção de punibilidade, depen-
prévia composição do dano ambiental, de que trata derá, além do transcurso do período de prova sem
o art. 74 da mesma lei, salvo em caso de comprova- revogação, de laudo de constatação de reparação
da impossibilidade. integral do dano ambiental, ressalvada a impossibi-
lidade de fazê-lo, prevista no inciso I do, § 1° ,do art.
A regra em apreço trata do instituto da transação 89, da Lei 9.099/90. Logo, além de se “comportar direi-
penal, regulado pelo artigo 76 da lei 9009/95. é que tinho”, o agente deverá reparar o dano até o final do
quando estivermos diante de um crime ao qual a lei período de prova, salvo se impossibilitado de fazê-lo.
comine pena máxima não superior a dois anos o
ministério público poderá, desde que atendidos certos II - na hipótese de o laudo de constatação com-
requisitos, propor ao autor do fato a aplicação imedia- provar não ter sido completa a reparação, o pra-
ta de pena restritiva de direitos ou multa em lugar de zo de suspensão do processo será prorrogado, até
prosseguir na persecução criminal. o período máximo previsto no artigo referido no
O importante aqui é atentarmo-nos à condição caput, acrescido de mais um ano, com suspensão
específica à transação, imposta no contexto desta do prazo da prescrição;
lei: a composição do dano ambiental. Assim, o autor
do delito ambiental deverá ter realizado a composição Como vimos, a suspensão condicional do proces-
civil dos danos causados ao meio ambiente anterior- so poderá se dar pelo período de 2 a 4 anos. A regra
mente a proposta de transação penal, salvo compro- em comento permite que, não tendo sido integralmen-
vada impossibilidade de fazê-lo. te reparado o dano, o magistrado prorrogue o prazo
Cabe aqui realizar o seguinte apontamento: o ins- inicialmente estabelecido por até mais 4 anos, poden-
tituo da transação penal acima exposto não pode ser do ainda acrescê-lo de mais 1 ano.
confundido com a suspensão condicional da pena. Um exemplo pode ilustrar melhor: imagine que o
Na sursis, o Ministério Público oferece a denún- magistrado tenha, em determinado processo, fixado
cia, processo penal inicia-se e a instrução probatória, inicialmente o prazo de 2 anos de suspensão condi-
o contraditório regular e a decisão judicial condenató- cional do processo, recaindo sobre o réu a obrigação
ria ocorrem. É nesse momento, após a condenação do de reparação do dano ambiental. Ao final, realizado o
réu, que o juiz pode suspender a aplicação da pena. laudo técnico, constata-se que o agente não conseguiu
No que toca a transação penal, o processo penal reparar integralmente o dano ambiental. Qual seria a
não chega a se desenvolver regularmente. O MP, antes solução? Pode o juiz, então, prorrogar o prazo por até
de oferecer a denúncia, já propõe de imediato a apli- mais 5 anos (4 +1), cumulando, desta forma, num total
cação de pena alternativa. de 7 anos de suspensão do processo.
Ainda no contexto do exemplo acima, imagine que
Art. 28. As disposições do art. 89 da Lei nº 9.099, de o prazo inicialmente estipulado tivesse sido de 4 anos.
26 de setembro de 1995, aplicam-se aos crimes de Nesse caso, prorrogado o prazo por mais 5 anos (4+1)
menor potencial ofensivo definidos nesta Lei, com poderemos ter um total de 9 anos de suspensão condicio-
as seguintes modificações: nal do processo no âmbito da lei de crimes ambientais.
Vejamos (inciso III, do art. 28, LCA):
O artigo acima se refere aos crimes em que a pena
mínima cominada for igual ou inferior a um ano. III - no período de prorrogação, não se aplicarão
Nestes casos o Ministério Público, ao oferecer a as condições dos incisos II, III e IV do § 1° do artigo
denúncia, poderá propor ao réu a suspensão condi- mencionado no caput;
cional do processo.
Aceita a proposta pelo réu, este passará por um Diante da não reparação integral do dano ambien-
período de prova que poderá levar de 2 à 4 anos. tal, e uma vez prorrogado o prazo de suspensão con-
Finalizado o período de prova sem revogação, isto é, dicional do processo, o réu ficará desobrigado de
tendo o réu se comportado de maneira exemplar, a comparecer pessoalmente a juízo, mensalmente, para
punibilidade será extinta. informar e justificar suas atividades. Cessará também
Cabe aqui uma pequena digressão à Parte Geral do CP. a proibição de frequentar determinados lugares, bem
Para a maioria da nossa doutrina o crime seria como a proibição de ausentar-se da comarca onde
50 composto de 3 elementos: Fato Típico, Ilicitude e reside, sem autorização do Juiz.
A única obrigação que persistirá após a prorroga- A consumação, por sua vez ocorre quando o bem
ção será a de reparar integralmente o dano ambiental. jurídico objeto da tutela normativa é atingido, danifi-
Veja o que dispõe o inciso IV, do art. 28, LCA: cado, pelo comportamento proibido.

IV - findo o prazo de prorrogação, proceder-se-á a Crimes de perigo abstrato


lavratura de novo laudo de constatação de repa-
ração do dano ambiental, podendo, conforme seu O dolo do agente, aqui, é o chamado dolo de peri-
resultado, ser novamente prorrogado o período de go. não age com a intenção de atingir o bem jurídico
suspensão, até o máximo previsto no inciso II deste tutelado. Sua intenção é de apenas expor a perigo o
artigo, observado o disposto no inciso III; bem jurídico tutelado. nessas infrações a consumação
se dá com a simples prática da conduta proibida, pois
“Prorrogação Da Prorrogação”: finda a primeira a lei presume que a simples prática do comportamen-
prorrogação, e tendo sido constatado pelo laudo que to incriminado terá o condão de expor o bem tutelado
o agente não conseguiu, novamente, reparar os danos a um risco de lesão.
decorrentes de sua infração, o juiz poderá prorrogar o Diferencia-se dos crimes de dano pois naqueles a
prazo da suspensão condicional do processo por mais consumação se dá com a lesão ao bem jurídico ao passo
5 anos (4+1). que nestes consuma-se a infração penal com a simples
Desta forma, ao final de todas essas prorrogações prática mesmo que, no caso concreto, o bem jurídico
poderemos ter um total de até 14 anos de suspensão não seja efetivamente lesado ou exposto a risco de lesão.
condicional do processo dependendo do caso concreto.
Por fim, leciona o inciso V, do art. 28, da LCA: Dos Crimes contra a Fauna

V - esgotado o prazo máximo de prorrogação, a São crimes contra a fauna:


declaração de extinção de punibilidade dependerá
de laudo de constatação que comprove ter o acu-
Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utili-
sado tomado as providências necessárias à repara-
zar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em
ção integral do dano.
rota migratória, sem a devida permissão, licença
ou autorização da autoridade competente, ou em
Não havendo mais possibilidade de prorrogação desacordo com a obtida:
da suspensão do processo (a lei só permite 2 prorro- Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa.
gações), faz-se imprescindível a constatação, por meio § 1º Incorre nas mesmas penas:
de laudo, da integral reparação do dano. Só após esta I - quem impede a procriação da fauna, sem licença,
constatação será extinta a punibilidade. autorização ou em desacordo com a obtida;
Essas hipóteses de prorrogação do prazo de sus- II - quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo
pensão condicional só se aplicarão caso o réu tenha ou criadouro natural;
condições financeiras de reparar o dano. III - quem vende, expõe à venda, exporta ou adqui-
Caso contrário, a extinção da punibilidade se dará re, guarda, tem em cativeiro ou depósito, utiliza
após o fim do período de prova inicialmente imposto, ou transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna
caso o réu cumpra com as demais obrigações. silvestre, nativa ou em rota migratória, bem como
Não faria sentido prorrogar o prazo da suspen- produtos e objetos dela oriundos, provenientes
são a fim de que determinado agente sem condições de criadouros não autorizados ou sem a devida
permissão, licença ou autorização da autoridade
econômicas reparasse o dano ambiental, pois ao final
competente.
da prorrogação, fatalmente, não conseguiria cumprir
§ 2º No caso de guarda doméstica de espécie silves-
com sua obrigação.
tre não considerada ameaçada de extinção, pode o
Alguns doutrinadores chamam a suspensão condi- juiz, considerando as circunstâncias, deixar de apli-
cional do processo de sursis processual. car a pena.
§ 3° São espécimes da fauna silvestre todos aque-
DOS CRIMES CONTRA O MEIO AMBIENTE les pertencentes às espécies nativas, migratórias
e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que
Antes de iniciarmos a análise dos crimes ambien- tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorren-
tais, faz-se imprescindível enfrentarmos um tema do dentro dos limites do território brasileiro, ou
muito relevante. Cuidaremos agora de conceituar o águas jurisdicionais brasileiras.
que são crimes de perigo abstrato. Isso se fará extre- § 4º A pena é aumentada de metade, se o crime é
mamente necessário, porque todos os crimes previs- praticado:
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

tos nesta lei possuem esta característica. I - contra espécie rara ou considerada ameaçada de
Pois bem, os crimes previstos em nosso ordena- extinção, ainda que somente no local da infração;
mento jurídico podem ser divididos em delitos de II - em período proibido à caça;
III - durante a noite;
dano ou delitos de perigo, sendo que as principais
IV - com abuso de licença;
diferenças se relacionam com a espécie de dolo com
V - em unidade de conservação;
que atua o agente, bem como com o momento em que
VI - com emprego de métodos ou instrumentos
a infração penal se consuma. capazes de provocar destruição em massa.
VI - com emprego de métodos ou instrumentos
Crimes de dano capazes de provocar destruição em massa.
§ 5º A pena é aumentada até o triplo, se o crime
O dolo do agente é o dolo de dano, isto é, atua com decorre do exercício de caça profissional.
o ânimo de lesionar o bem jurídico tutelado pela nor- § 6º As disposições deste artigo não se aplicam aos
ma penal. Ex.: art. 121 CP. atos de pesca. 51
Art. 30. Exportar para o exterior peles e couros de IV - por ser nocivo o animal, desde que assim carac-
anfíbios e répteis em bruto, sem a autorização da terizado pelo órgão competente.
autoridade ambiental competente:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. Dos Crimes contra a Flora
Art. 31. Introduzir espécime animal no País, sem
parecer técnico oficial favorável e licença expedida São crimes contra a flora:
por autoridade competente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Art. 38. Destruir ou danificar floresta considerada
Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou
de preservação permanente, mesmo que em forma-
mutilar animais silvestres, domésticos ou domesti-
ção, ou utilizá-la com infringência das normas de
cados, nativos ou exóticos:
proteção:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza expe-
ambas as penas cumulativamente.
riência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que
Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena será
para fins didáticos ou científicos, quando existirem
reduzida à metade.
recursos alternativos.
Art. 38.-A Destruir ou danificar vegetação primá-
§ 1º-A Quando se tratar de cão ou gato, a pena
ria ou secundária, em estágio avançado ou médio
para as condutas descritas no caput deste arti-
de regeneração, do Bioma Mata Atlântica, ou utili-
go será de reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos,
zá-la com infringência das normas de proteção:      
multa e proibição da guarda.   
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, ou multa,
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se
ou ambas as penas cumulativamente.     
ocorre morte do animal.
Art. 33. Provocar, pela emissão de efluentes ou car- Parágrafo único.  Se o crime for culposo, a pena
reamento de materiais, o perecimento de espécimes será reduzida à metade.      
da fauna aquática existentes em rios, lagos, açudes, Art. 39. Cortar árvores em floresta considerada de
lagoas, baías ou águas jurisdicionais brasileiras: preservação permanente, sem permissão da autori-
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou dade competente:
ambas cumulativamente. Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas: ambas as penas cumulativamente.
I - quem causa degradação em viveiros, açudes ou Art. 40. Causar dano direto ou indireto às Unidades
estações de aquicultura de domínio público; de Conservação e às áreas de que trata o art. 27 do
II - quem explora campos naturais de invertebrados Decreto nº 99.274, de 6 de junho de 1990, indepen-
aquáticos e algas, sem licença, permissão ou auto- dentemente de sua localização:
rização da autoridade competente; Pena - reclusão, de um a cinco anos.
III - quem fundeia embarcações ou lança detritos § 1°  Entende-se por Unidades de Conservação de
de qualquer natureza sobre bancos de moluscos ou Proteção Integral as Estações Ecológicas, as Reser-
corais, devidamente demarcados em carta náutica. vas Biológicas, os Parques Nacionais, os Monumen-
Art. 34. Pescar em período no qual a pesca seja tos Naturais e os Refúgios de Vida Silvestre.
proibida ou em lugares interditados por órgão § 2° A ocorrência de dano afetando espécies amea-
competente: çadas de extinção no interior das Unidades de Con-
Pena - detenção de um ano a três anos ou multa, ou servação de Proteção Integral será considerada
ambas as penas cumulativamente. circunstância agravante para a fixação da pena.      
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem: § 3º Se o crime for culposo, a pena será reduzida à
I - pesca espécies que devam ser preservadas ou metade.
espécimes com tamanhos inferiores aos permitidos; Art. 40.-A (VETADO)     
II - pesca quantidades superiores às permitidas, ou § 1°  Entende-se por Unidades de Conservação de
mediante a utilização de aparelhos, petrechos, téc- Uso Sustentável as Áreas de Proteção Ambien-
nicas e métodos não permitidos; tal, as Áreas de Relevante Interesse Ecológico, as
III - transporta, comercializa, beneficia ou indus- Florestas Nacionais, as Reservas Extrativistas, as
trializa espécimes provenientes da coleta, apanha Reservas de Fauna, as Reservas de Desenvolvimen-
e pesca proibidas. to Sustentável e as Reservas Particulares do Patri-
Art. 35. Pescar mediante a utilização de: mônio Natural.       
I - explosivos ou substâncias que, em contato com a § 2° A ocorrência de dano afetando espécies amea-
água, produzam efeito semelhante; çadas de extinção no interior das Unidades de
II - substâncias tóxicas, ou outro meio proibido pela Conservação de Uso Sustentável será considerada
autoridade competente: circunstância agravante para a fixação da pena.        
Pena - reclusão de um ano a cinco anos. § 3° Se o crime for culposo, a pena será reduzida à
Art. 36. Para os efeitos desta Lei, considera-se pesca metade.      
todo ato tendente a retirar, extrair, coletar, apanhar, Art. 41. Provocar incêndio em mata ou floresta:
apreender ou capturar espécimes dos grupos dos Pena - reclusão, de dois a quatro anos, e multa.
peixes, crustáceos, moluscos e vegetais hidróbios, Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de
suscetíveis ou não de aproveitamento econômico, detenção de seis meses a um ano, e multa.
ressalvadas as espécies ameaçadas de extinção, Art. 42. Fabricar, vender, transportar ou soltar
constantes nas listas oficiais da fauna e da flora. balões que possam provocar incêndios nas flores-
Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando tas e demais formas de vegetação, em áreas urba-
realizado: nas ou qualquer tipo de assentamento humano:
I - em estado de necessidade, para saciar a fome do Pena - detenção de um a três anos ou multa, ou
agente ou de sua família; ambas as penas cumulativamente.
II - para proteger lavouras, pomares e rebanhos da Art. 44. Extrair de florestas de domínio público ou
ação predatória ou destruidora de animais, desde consideradas de preservação permanente, sem pré-
que legal e expressamente autorizado pela autori- via autorização, pedra, areia, cal ou qualquer espé-
52 dade competente; cie de minerais:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. Da Poluição e outros Crimes Ambientais
Art. 45. Cortar ou transformar em carvão madeira
de lei, assim classificada por ato do Poder Público, São crimes de poluição e outros crimes ambientais:
para fins industriais, energéticos ou para qualquer
outra exploração, econômica ou não, em desacordo Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em
com as determinações legais: níveis tais que resultem ou possam resultar em
Pena - reclusão, de um a dois anos, e multa. danos à saúde humana, ou que provoquem a mor-
Art. 46. Receber ou adquirir, para fins comerciais tandade de animais ou a destruição significativa da
ou industriais, madeira, lenha, carvão e outros flora:
produtos de origem vegetal, sem exigir a exibição Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
de licença do vendedor, outorgada pela autorida- § 1º Se o crime é culposo:
de competente, e sem munir-se da via que deverá Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
acompanhar o produto até final beneficiamento: § 2º Se o crime:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. I - tornar uma área, urbana ou rural, imprópria
para a ocupação humana;
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem
II - causar poluição atmosférica que provoque a
vende, expõe à venda, tem em depósito, transporta
retirada, ainda que momentânea, dos habitantes
ou guarda madeira, lenha, carvão e outros produ-
das áreas afetadas, ou que cause danos diretos à
tos de origem vegetal, sem licença válida para todo
saúde da população;
o tempo da viagem ou do armazenamento, outor-
III - causar poluição hídrica que torne necessária a
gada pela autoridade competente.
interrupção do abastecimento público de água de
Art. 48. Impedir ou dificultar a regeneração natu- uma comunidade;
ral de florestas e demais formas de vegetação: IV - dificultar ou impedir o uso público das praias;
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. V - ocorrer por lançamento de resíduos sólidos,
Art. 49. Destruir, danificar, lesar ou maltratar, por líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substân-
qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação cias oleosas, em desacordo com as exigências esta-
de logradouros públicos ou em propriedade priva- belecidas em leis ou regulamentos:
da alheia: Pena - reclusão, de um a cinco anos.
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, § 3º Incorre nas mesmas penas previstas no pará-
ou ambas as penas cumulativamente. grafo anterior quem deixar de adotar, quando
Parágrafo único. No crime culposo, a pena é de um assim o exigir a autoridade competente, medidas
a seis meses, ou multa. de precaução em caso de risco de dano ambiental
Art. 50. Destruir ou danificar florestas nativas ou grave ou irreversível.
plantadas ou vegetação fixadora de dunas, proteto- Art. 55. Executar pesquisa, lavra ou extração de
ra de mangues, objeto de especial preservação: recursos minerais sem a competente autorização,
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. permissão, concessão ou licença, ou em desacordo
Art. 50.-A Desmatar, explorar economicamente ou com a obtida:
degradar floresta, plantada ou nativa, em terras de Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
domínio público ou devolutas, sem autorização do Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem
órgão competente:      deixa de recuperar a área pesquisada ou explora-
Pena - reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e multa.         da, nos termos da autorização, permissão, licença,
§ 1° Não é crime a conduta praticada quando neces- concessão ou determinação do órgão competente.
sária à subsistência imediata pessoal do agente ou Art. 56. Produzir, processar, embalar, importar,
de sua família.        exportar, comercializar, fornecer, transportar,
§ 2° Se a área explorada for superior a 1.000 ha (mil armazenar, guardar, ter em depósito ou usar pro-
hectares), a pena será aumentada de 1 (um) ano por duto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à
milhar de hectare.        saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo
Art. 51. Comercializar motosserra ou utilizá-la em com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus
regulamentos:
florestas e nas demais formas de vegetação, sem
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
licença ou registro da autoridade competente:
§ 1° Nas mesmas penas incorre quem:       
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
I - abandona os produtos ou substâncias referidos
Art. 52. Penetrar em Unidades de Conservação
no  caput  ou os utiliza em desacordo com as nor-
conduzindo substâncias ou instrumentos próprios
mas ambientais ou de segurança;        
para caça ou para exploração de produtos ou
II - manipula, acondiciona, armazena, coleta, trans-
subprodutos florestais, sem licença da autoridade
porta, reutiliza, recicla ou dá destinação final a
competente:
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

resíduos perigosos de forma diversa da estabeleci-


Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. da em lei ou regulamento.         
Art. 53. Nos crimes previstos nesta Seção, a pena é § 2º Se o produto ou a substância for nuclear ou
aumentada de um sexto a um terço se: radioativa, a pena é aumentada de um sexto a um
I - do fato resulta a diminuição de águas naturais, a terço.
erosão do solo ou a modificação do regime climático; § 3º Se o crime é culposo:
II - o crime é cometido: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
a) no período de queda das sementes; Art. 58. Nos crimes dolosos previstos nesta Seção,
b) no período de formação de vegetações; as penas serão aumentadas:
c) contra espécies raras ou ameaçadas de extinção, I - de um sexto a um terço, se resulta dano irreversí-
ainda que a ameaça ocorra somente no local da vel à flora ou ao meio ambiente em geral;
infração; II - de um terço até a metade, se resulta lesão corpo-
d) em época de seca ou inundação; ral de natureza grave em outrem;
e) durante a noite, em domingo ou feriado. III - até o dobro, se resultar a morte de outrem. 53
Parágrafo único. As penalidades previstas nes- Dos Crimes contra a Administração Ambiental
te artigo somente serão aplicadas se do fato não
resultar crime mais grave. São crimes contra a administração ambiental e
Art. 60. Construir, reformar, ampliar, instalar suas respectivas penas:
ou fazer funcionar, em qualquer parte do territó-
rio nacional, estabelecimentos, obras ou serviços Art. 66. Fazer o funcionário público afirmação fal-
potencialmente poluidores, sem licença ou auto- sa ou enganosa, omitir a verdade, sonegar informa-
rização dos órgãos ambientais competentes, ou ções ou dados técnico-científicos em procedimentos
contrariando as normas legais e regulamentares de autorização ou de licenciamento ambiental:
pertinentes: Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa, ou Art. 67. Conceder o funcionário público licença,
ambas as penas cumulativamente.
autorização ou permissão em desacordo com as
Art. 61. Disseminar doença ou praga ou espécies
normas ambientais, para as atividades, obras ou
que possam causar dano à agricultura, à pecuária,
serviços cuja realização depende de ato autorizati-
à fauna, à flora ou aos ecossistemas:
vo do Poder Público:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de três
Dos Crimes contra o Ordenamento Urbano e o
meses a um ano de detenção, sem prejuízo da multa.
Patrimônio Cultural
Art. 68. Deixar, aquele que tiver o dever legal ou
contratual de fazê-lo, de cumprir obrigação de rele-
São crimes contra o ordenamento urbano e o patri-
vante interesse ambiental:
mônio cultural e suas respectivas penas:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
Art. 62. Destruir, inutilizar ou deteriorar: Parágrafo único. Se o crime é culposo, a pena é de
I - bem especialmente protegido por lei, ato admi- três meses a um ano, sem prejuízo da multa.
nistrativo ou decisão judicial; Art. 69. Obstar ou dificultar a ação fiscalizadora
II - arquivo, registro, museu, biblioteca, pinacoteca, do Poder Público no trato de questões ambientais:
instalação científica ou similar protegido por lei, Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
ato administrativo ou decisão judicial: Art. 69.-A Elaborar ou apresentar, no licenciamen-
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. to, concessão florestal ou qualquer outro procedi-
Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena é mento administrativo, estudo, laudo ou relatório
de seis meses a um ano de detenção, sem prejuízo ambiental total ou parcialmente falso ou enganoso,
da multa. inclusive por omissão: 
Art. 63. Alterar o aspecto ou estrutura de edifica- Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.      
ção ou local especialmente protegido por lei, ato § 1° Se o crime é culposo:       
administrativo ou decisão judicial, em razão de seu Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos.       
valor paisagístico, ecológico, turístico, artístico, § 2°  A pena é aumentada de 1/3 (um terço) a 2/3
histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográ- (dois terços), se há dano significativo ao meio
fico ou monumental, sem autorização da autorida-
ambiente, em decorrência do uso da informação
de competente ou em desacordo com a concedida:
falsa, incompleta ou enganosa.        
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
Art. 64. Promover construção em solo não edificável,
DA INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA
ou no seu entorno, assim considerado em razão de
seu valor paisagístico, ecológico, artístico, turístico,
histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográ- Além dos atos considerados crimes pela lei em
fico ou monumental, sem autorização da autoridade comento, existem infrações administrativas ambientais.
competente ou em desacordo com a concedida: Considera-se infração administrativa ambiental toda
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. ação ou omissão que viole as regras jurídicas de uso, gozo,
Art. 65. Pichar ou por outro meio conspurcar edifi- promoção, proteção e recuperação do meio ambiente.
cação ou monumento urbano:        São autoridades competentes para lavrar auto de
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e infração ambiental e instaurar processo administrativo
multa. os funcionários de órgãos ambientais integrantes do Sis-
§ 1° Se o ato for realizado em monumento ou coisa tema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA), designados
tombada em virtude do seu valor artístico, arqueo- para as atividades de fiscalização, bem como os agentes
lógico ou histórico, a pena é de 6 (seis) meses a 1 das Capitanias dos Portos, do Ministério da Marinha.
(um) ano de detenção e multa.      
Vale notar que qualquer pessoa, constatando
§ 2°  Não constitui crime a prática de grafite realiza-
infração ambiental, poderá dirigir representação às
da com o objetivo de valorizar o patrimônio público
autoridades relacionadas no parágrafo anterior, para
ou privado mediante manifestação artística, desde
efeito do exercício do seu poder de polícia.
que consentida pelo proprietário e, quando couber,
pelo locatário ou arrendatário do bem privado e, no A autoridade ambiental que tiver conhecimento
caso de bem público, com a autorização do órgão de infração ambiental é obrigada a promover a sua
competente e a observância das posturas municipais apuração imediata, mediante processo administrativo
e das normas editadas pelos órgãos governamentais próprio, sob pena de corresponsabilidade.
responsáveis pela preservação e conservação do O processo administrativo para apuração de infração
54 patrimônio histórico e artístico nacional. ambiental deve observar os seguintes prazos máximos:
Para o pagamento de multa, contados da Art. 25. Verificada a infração, serão apreendidos
5 Dias seus produtos e instrumentos, lavrando-se os res-
data do recebimento da notificação.
pectivos autos.
Para o infrator oferecer defesa ou impugna- § 1° Os animais serão prioritariamente libertados
20 Dias ção contra o auto de infração, contados da em seu habitat ou, sendo tal medida inviável ou não
data da ciência da autuação; recomendável por questões sanitárias, entregues a
Para o infrator recorrer da decisão conde- jardins zoológicos, fundações ou entidades asseme-
natória à instância superior do Sistema Na- lhadas, para guarda e cuidados sob a responsabili-
cional do Meio Ambiente - SISNAMA, ou à dade de técnicos habilitados.      
20 Dias § 2°  Até que os animais sejam entregues às insti-
Diretoria de Portos e Costas, do Ministério da
Marinha, de acordo com o tipo de autuação; tuições mencionadas no § 1° deste artigo, o órgão
autuante zelará para que eles sejam mantidos em
condições adequadas de acondicionamento e trans-
Para a autoridade competente julgar o auto porte que garantam o seu bem-estar físico. 
de infração, contados da data da sua la- § 3º Tratando-se de produtos perecíveis ou madei-
30 Dias
vratura, apresentada ou não a defesa ou ras, serão estes avaliados e doados a instituições
impugnação científicas, hospitalares, penais e outras com fins
beneficentes.       
§ 4° Os produtos e subprodutos da fauna não pere-
As infrações administrativas são punidas com as
cíveis serão destruídos ou doados a instituições
seguintes sanções: científicas, culturais ou educacionais.       
§ 5º Os instrumentos utilizados na prática da infra-
Art. 72. As infrações administrativas são punidas ção serão vendidos, garantida a sua descaracteri-
com as seguintes sanções, observado o disposto no zação por meio da reciclagem.        
art. 6º:
I - advertência; z Suspensão, embargo e demolição: as sanções
II - multa simples; serão aplicadas quando o produto, a obra, a ativi-
III - multa diária; dade ou o estabelecimento não estiverem obede-
IV - apreensão dos animais, produtos e subprodutos cendo às prescrições legais ou regulamentares.
da fauna e flora, instrumentos, petrechos, equipa-
mentos ou veículos de qualquer natureza utilizados
§ 8º As sanções restritivas de direito são:
na infração; I - suspensão de registro, licença ou autorização;
V - destruição ou inutilização do produto; II - cancelamento de registro, licença ou
VI - suspensão de venda e fabricação do produto; autorização;
VII - embargo de obra ou atividade; III - perda ou restrição de incentivos e benefícios
VIII - demolição de obra; fiscais;
IX - suspensão parcial ou total de atividades; IV - perda ou suspensão da participação em linhas
X – (VETADO) de financiamento em estabelecimentos oficiais de
XI - restritiva de direitos. crédito;
V - proibição de contratar com a Administração
Pública, pelo período de até três anos.
Importante!
Valores arrecadados em pagamento de multas por
Se o infrator cometer, simultaneamente, duas ou
infração ambiental serão revertidos ao Fundo Nacio-
mais infrações, ser-lhe-ão aplicadas, cumulativa- nal do Meio Ambiente, criado pela Lei nº 7.797, de 10
mente, as sanções a elas cominadas. de julho de 1989, Fundo Naval, criado pelo Decreto nº
20.923, de 8 de janeiro de 1932, fundos estaduais ou
municipais de meio ambiente, ou correlatos, confor-
z Advertência: a advertência será aplicada pela
me dispuser o órgão arrecadador (art. 73).
inobservância das disposições desta Lei e da legis-
A multa terá por base a unidade, hectare, metro
lação em vigor, ou de preceitos regulamentares,
cúbico, quilograma ou outra medida pertinente, de
sem prejuízo das demais sanções previstas neste
acordo com o objeto jurídico lesado (art. 74).
artigo. O valor da multa será fixado no regulamento desta
z Multa: a multa simples será aplicada sempre que o Lei e corrigido periodicamente, com base nos índices
agente, por negligência ou dolo: advertido por irre- estabelecidos na legislação pertinente, sendo o míni-
gularidades que tenham sido praticadas, deixar de mo de R$ 50,00 (cinquenta reais) e o máximo de R$
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

saná-las, no prazo assinalado por órgão competen- 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) (art. 75).
te do SISNAMA ou pela Capitania dos Portos, do O pagamento de multa imposta pelos Estados, Muni-
Ministério da Marinha; opuser embaraço à fiscali- cípios, Distrito Federal ou Territórios substitui a multa
zação dos órgãos do SISNAMA ou da Capitania dos federal na mesma hipótese de incidência (art. 76).
Portos, do Ministério da Marinha.
z Multa simples: A multa simples pode ser converti- DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL PARA A
da em serviços de preservação, melhoria e recupe- PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE
ração da qualidade do meio ambiente.
z Multa diária: A multa diária será aplicada sempre Resguardados a soberania nacional, a ordem
que o cometimento da infração se prolongar no pública e os bons costumes, o Governo brasileiro pres-
tempo. tará, no que concerne ao meio ambiente, a necessária
z Apreensão: A apreensão e destruição referidas cooperação a outro país, sem qualquer ônus, quando
acima obedecerão ao disposto no art. 25 desta Lei. solicitado para (art. 77): 55
I - produção de prova; atingidas;  (Redação dada pela Medida Provisória
II - exame de objetos e lugares; nº 2.163-41, de 2001)
III - informações sobre pessoas e coisas; IV  -  as multas que podem ser aplicadas à pessoa
IV - presença temporária da pessoa presa, cujas física ou jurídica compromissada e os casos de
declarações tenham relevância para a decisão de rescisão, em decorrência do não-cumprimento das
uma causa; obrigações nele pactuadas; (Redação dada pela
V - outras formas de assistência permitidas pela Medida Provisória nº 2.163-41, de 2001)
legislação em vigor ou pelos tratados de que o Bra- V  -  o valor da multa de que trata o inciso IV não
sil seja parte. poderá ser superior ao valor do investimento pre-
visto;  (Redação dada pela Medida Provisória nº
A solicitação de que trata este artigo será dirigi- 2.163-41, de 2001)
da ao Ministério da Justiça, que a remeterá, quando VI - o foro competente para dirimir litígios entre as
necessário, ao órgão judiciário competente para deci- partes.  (Incluído pela Medida Provisória nº 2.163-
dir a seu respeito, ou a encaminhará à autoridade 41, de 2001)
capaz de atendê-la. § 2°  No tocante aos empreendimentos em curso até
o dia 30 de março de 1998, envolvendo construção,
§ 2º A solicitação deverá conter: instalação, ampliação e funcionamento de estabe-
I - o nome e a qualificação da autoridade solicitante; lecimentos e atividades utilizadores de recursos
II - o objeto e o motivo de sua formulação; ambientais, considerados efetiva ou potencialmente
III - a descrição sumária do procedimento em curso poluidores, a assinatura do termo de compromisso
no país solicitante; deverá ser requerida pelas pessoas físicas e jurídi-
IV - a especificação da assistência solicitada; cas interessadas, até o dia 31 de dezembro de 1998,
V - a documentação indispensável ao seu esclareci- mediante requerimento escrito protocolizado junto
mento, quando for o caso. aos órgãos competentes do SISNAMA, devendo ser
Art. 78. Para a consecução dos fins visados nesta Lei firmado pelo dirigente máximo do estabelecimento.      
e especialmente para a reciprocidade da cooperação §  3°  Da data da protocolização do requerimento
internacional, deve ser mantido sistema de comuni- previsto no § 2°  e enquanto perdurar a vigência
cações apto a facilitar o intercâmbio rápido e seguro do correspondente termo de compromisso, ficarão
de informações com órgãos de outros países. suspensas, em relação aos fatos que deram causa à
celebração do instrumento, a aplicação de sanções
DISPOSIÇÕES FINAIS administrativas contra a pessoa física ou jurídica
que o houver firmado.       
Art. 79. Aplicam-se subsidiariamente a esta Lei as § 4° A celebração do termo de compromisso de que
disposições do Código Penal e do Código de Proces- trata este artigo não impede a execução de even-
so Penal. tuais multas aplicadas antes da protocolização do
requerimento.      
Para o cumprimento do disposto nesta Lei, os § 5° Considera-se rescindido de pleno direito o ter-
mo de compromisso, quando descumprida qual-
órgãos ambientais integrantes do SISNAMA, respon-
quer de suas cláusulas, ressalvado o caso fortuito
sáveis pela execução de programas e projetos e pelo
ou de força maior.        
controle e fiscalização dos estabelecimentos e das
§  6°  O termo de compromisso deverá ser firmado
atividades suscetíveis de degradarem a qualidade
em até noventa dias, contados da protocolização
ambiental, ficam autorizados a celebrar, com força de do requerimento.
título executivo extrajudicial, termo de compromis- § 7° O requerimento de celebração do termo de com-
so com pessoas físicas ou jurídicas responsáveis pela promisso deverá conter as informações necessárias
construção, instalação, ampliação e funcionamen- à verificação da sua viabilidade técnica e jurídica,
to de estabelecimentos e atividades utilizadores de sob pena de indeferimento do plano.       
recursos ambientais, considerados efetiva ou poten- §  8°  Sob pena de ineficácia, os termos de compro-
cialmente poluidores.        misso deverão ser publicados no órgão oficial com-
O termo de compromisso destinar-se-á, exclusi- petente, mediante extrato.        
vamente a permitir que as pessoas físicas e jurídicas Art. 80. O Poder Executivo regulamentará esta
mencionadas  possam promover as necessárias cor- Lei no prazo de noventa dias a contar de sua
reções de suas atividades, para o atendimento das publicação.
exigências impostas pelas autoridades ambientais
competentes, sendo obrigatório que o respectivo ins-
trumento disponha sobre: 
EXERCÍCIOS COMENTADOS
I - o nome, a qualificação e o endereço das partes
compromissadas e dos respectivos representantes 1. (CEBRASPE - 2019) Considerando-se os dispositivos
legais;  (Redação dada pela Medida Provisória nº da Lei n.º 9.605/1998 — crimes contra o meio ambiente
2.163-41, de 2001) —, é correto afirmar que a pena para crimes ambientais
II  -  o prazo de vigência do compromisso, que, em será atenuada se
função da complexidade das obrigações nele fixa-
das, poderá variar entre o mínimo de noventa dias
a) o agente tiver cometido o crime sozinho.
e o máximo de três anos, com possibilidade de pror-
rogação por igual período;        (Redação dada pela b) o agente não tiver obtido qualquer vantagem pecuniá-
Medida Provisória nº 2.163-41, de 2001) ria com a prática do crime.
III  -  a descrição detalhada de seu objeto, o valor c) somente a propriedade do agente tiver sido atingida
do investimento previsto e o cronograma físico pelo dano ambiental.
de execução e de implantação das obras e ser- d) o crime tiver sido praticado em domingos ou feriados.
56 viços exigidos, com metas trimestrais a serem e) o agente tiver baixo grau de instrução ou escolaridade.
Entre as circunstâncias atenuadoras, está a de c) concedida em parte para permitir visitas da família ao
quando o agente tem baixo grau de instrução ou cativeiro do animal.
escolaridade. d) concedida em parte para permitir a permanência do
Art. 14.. São circunstâncias que atenuam a pena: animal com a família por mais 02 (dois) anos.
I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agen- e) negada com fundamento no princípio da pessoalidade
te; Resposta: Letra E. da sanção.

2. (VUNESP - 2019) Nos termos da Lei n° 9.605/98, é cir- De acordo com da Lei n. 9.605/98, comete crime
cunstância que agrava a pena, quando não constitui ambiental aquele que adquire animal silvestre de
ou qualifica o crime ambiental, ter o agente cometido origem ilícita.
a infração Art. 29 Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar
espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota
a) possuindo baixo grau de instrução ou escolaridade. migratória, sem a devida permissão, licença ou
b) para obter vantagem pecuniária. autorização da autoridade competente, ou em desa-
c) e, após arrependimento, manifestar-se pela espontâ- cordo com a obtida:
Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa.
nea reparação do dano, ou limitação significativa da
§ 1º Incorre nas mesmas penas: (modalidade equi-
degradação ambiental causado.
parada) [...]
d) aos sábados, domingos ou feriados.
III -  quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire,
e) no interesse de pessoa jurídica somente mantida
guarda, tem em cativeiro ou depósito, utiliza ou trans-
parcialmente, por verbas públicas ou beneficiada por
porta ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nati-
incentivos fiscais.
va ou em rota migratória, bem como produtos e objetos
dela oriundos, provenientes de criadouros não autori-
Entre as circunstâncias agravantes, está a obter
zados ou sem a devida permissão, licença ou autoriza-
vantagem pecuniárias.
ção da autoridade competente. Resposta: Letra A.
Art. 15.. São circunstâncias que agravam a pena,
quando não constituem ou qualificam o crime:
5. (VUNESP - 2019) A Lei nº 9.605/1998, referente aos
II - ter o agente cometido a infração:
crimes ambientais, estabelece que os crimes contra o
a) para obter vantagem pecuniária; Resposta: Letra B.
meio ambiente, tais como matar, perseguir, caçar, apa-
nhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou
3. (CEBRASPE - 2019) No que se refere à Lei dos Crimes
em rota migratória, sem a devida licença, terá como
contra o Meio Ambiente e à legislação nacional acerca
pena a detenção por seis meses a um ano e multa,
do tráfico de pessoas, julgue o próximo item.
sendo aumentada na metade se o crime for praticado
Situação hipotética: João foi autuado por policial rodo-
viário federal, por supostamente ter praticado conduta
a) contra espécies exóticas.
prevista como crime contra a fauna.
b) com emprego de métodos capazes de provocar des-
Assertiva: Nessa situação, João necessariamente res-
truição em massa.
ponderá pela conduta praticada.
c) para alimentação de subsistência.
d) fora das unidades de conservação.
( ) CERTO  ( ) ERRADO e) durante os domingos e feriados.

Segundo o Art. 70, cabe ao SISNAMA lavrar o auto Segundo o Art. 29 da lei de crimes ambientais, o des-
de infração. Nesse contexto, o auto foi lavrado por crito no enunciado se trata de crimes contra a fauna.
autoridade incompetente (PRF). Veja o que dispõe, o §4º do citado artigo:
Art. 70 Considera-se infração administrativa “§ 4º A pena é aumentada de metade, se o crime é
ambiental toda ação ou omissão que viole as regras praticado:
jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recupe- I - contra espécie rara ou considerada ameaçada de
ração do meio ambiente. extinção, ainda que somente no local da infração;
§ 1º São autoridades competentes para lavrar auto II - em período proibido à caça;
de infração ambiental e instaurar processo admi- III - durante a noite;
nistrativo os funcionários de órgãos ambientais IV - com abuso de licença;
integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente V - em unidade de conservação;
- SISNAMA, designados para as atividades de fiscali- VI - com emprego de métodos ou instrumentos capazes
zação, bem como os agentes das Capitanias dos Por- de provocar destruição em massa”. Resposta: Letra B.
tos, do Ministério da Marinha. Resposta: Errado.
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

4. (FCC – 2020) Em mandado de segurança impetrado


contra ato de fiscal ambiental que apreendeu animal
silvestre (papagaio-verdadeiro) adquirido irregular- LEI Nº 10.826, DE 2003 E SUAS
mente, o impetrante confessa a origem ilícita da ave, ALTERAÇÕES
mas alega que a adquiriu para sua filha pequena há
01 (um) ano, sendo a ave um verdadeiro membro da A Lei 10.826/2003 dispõe sobre registro, posse e
família. Alega, por fim, que a menina sente muita falta comercialização de armas de fogo e munição, sobre o
do papagaio. A ordem deverá ser Sistema Nacional de Armas (Sinarm).
O Sistema Nacional de Armas (Sinarm) foi insti-
a) negada, diante da origem ilícita do animal silvestre. tuído pelo Ministério da Justiça, no âmbito da Polícia
b) concedida, tendo em vista a adaptabilidade do animal Federal, tendo por sua vez circunscrição em todo o
ao convívio humano. território nacional. 57
COMPETÊNCIA O bem jurídico tutelado é a incolumidade pública,
e de acordo com o Superior Tribunal de Justiça, além
O Sistema Nacional de Armas possui diversas da incolumidade pública, há também a paz social.
competências: A natureza dos crimes é de perigo abstrato, além
de existir a presunção de que com a prática da condu-
Art. 2º Ao Sinarm compete:
ta o bem jurídico é violado. Lembrando que o estatu-
I – identificar as características e a propriedade de
armas de fogo, mediante cadastro; to do desarmamento é uma norma penal em branco
II – cadastrar as armas de fogo produzidas, impor- heterogênea.
tadas e vendidas no País;
III – cadastrar as autorizações de porte de arma de DO REGISTRO
fogo e as renovações expedidas pela Polícia Federal;
IV – cadastrar as transferências de propriedade, É obrigatório o registro de arma de fogo no órgão
extravio, furto, roubo e outras ocorrências susce- competente, sendo que as armas de fogo de uso restri-
tíveis de alterar os dados cadastrais, inclusive as
to serão registradas no Comando do Exército, visando
decorrentes de fechamento de empresas de segu-
o controle de armas no território brasileiro.
rança privada e de transporte de valores;
V – identificar as modificações que alterem as carac- Há alguns questionamentos, referente à conduta
terísticas ou o funcionamento de arma de fogo; de adquirir uma arma, e o legislador definiu que para
VI – integrar no cadastro os acervos policiais já adquirir arma de fogo de uso permitido o interessado
existentes; deverá, além de declarar a efetiva necessidade, aten-
VII – cadastrar as apreensões de armas de fogo, der aos seguintes requisitos presentes no art. 4º:
inclusive as vinculadas a procedimentos policiais e
judiciais; Art. 4o Para adquirir arma de fogo de uso permiti-
VIII – cadastrar os armeiros em atividade no do o interessado deverá, além de declarar a efetiva
País, bem como conceder licença para exercer a
necessidade, atender aos seguintes requisitos:
atividade;
I - comprovação de idoneidade, com a apresentação
IX – cadastrar mediante registro os produtores,
de certidões negativas de antecedentes criminais
atacadistas, varejistas, exportadores e importa-
dores autorizados de armas de fogo, acessórios e fornecidas pela Justiça Federal, Estadual, Militar
munições; e Eleitoral e de não estar respondendo a inquéri-
X – cadastrar a identificação do cano da arma, as to policial ou a processo criminal, que poderão ser
características das impressões de raiamento e de fornecidas por meios eletrônicos; (Redação dada
microestriamento de projétil disparado, conforme pela Lei nº 11.706, de 2008)
marcação e testes obrigatoriamente realizados II – apresentação de documento comprobatório de
pelo fabricante; ocupação lícita e de residência certa;
XI – informar às Secretarias de Segurança Públi- III – comprovação de capacidade técnica e de aptidão
ca dos Estados e do Distrito Federal os registros psicológica para o manuseio de arma de fogo, atesta-
e autorizações de porte de armas de fogo nos res- das na forma disposta no regulamento desta Lei.
pectivos territórios, bem como manter o cadastro
atualizado para consulta. Para que isso ocorra o Sinarm expedirá autori-
zação de compra de arma de fogo após atendidos os
É importante ter atenção em 4 competências: requisitos anteriormente estabelecidos, em nome do
requerente e para a arma indicada, sendo intrans-
z Cadastrar os armeiros em atividade no País, bem
ferível esta autorização, consoante dispõe o §1º, do
como conceder licença para exercer a ativida-
art. 4º.
de, portanto, que concede as licenças é o Sistema
E para que seja adquirida a munição deverá ser
Nacional de Armas;
z Já o ato de cadastrar as apreensões de armas de feita no calibre correspondente à arma registrada e
fogo, inclusive as vinculadas a procedimentos na quantidade estabelecida, vide o §2º.
policiais e judiciais, geralmente são vinculadas É importante destacar que, de acordo com o §3º, a
ao inquérito policial e cadastradas no Sinarm; empresa que comercializar arma de fogo em territó-
z Cadastrar a identificação do cano da arma, as rio nacional é obrigada a comunicar a venda à auto-
características das impressões de raiamento e de ridade competente, como também a manter banco de
micro estriamento de projétil disparado, confor- dados com todas as características da arma e cópia
me marcação e testes obrigatoriamente realizados dos documentos.
pelo fabricante. O micro estriamento, são as mar- Já a empresa que comercializa armas de fogo,
cas que ficam nos projeteis; acessórios e munições responde legalmente por essas
z E outra competência do Sinarm, é informar às mercadorias, ficando registradas como de sua pro-
Secretarias de Segurança Pública dos Estados e priedade enquanto não forem vendidas.
do Distrito Federal os registros e autorizações de
porte de armas de fogo nos respectivos territórios,
bem como manter o cadastro atualizado para con- Importante!
sulta, tendo como objetivo finalistico o controle.
A comercialização de armas de fogo, acessórios
e munições entre pessoas físicas somente será
As disposições deste artigo não alcançam as armas
de fogo das Forças Armadas (Marinha, Exército e efetivada mediante autorização do Sinarm, que
Aeronáutica) e Auxiliares (Bombeiro e Polícia Militar será concedida, ou recusada com a devida fun-
Dos Estados e do DF), bem como as demais que cons- damentação, no prazo de 30 (trinta) dias úteis, a
58 tem dos seus registros próprios. contar da data do requerimento do interessado.
Torna-se de suma importância que estará dispen- z Os integrantes das Forças Armadas (marinha,
sado das exigências de Comprovação de capacidade exército e aeronáutica).
técnica e de aptidão psicológica para o manuseio de
arma de fogo, atestadas na forma disposta, na forma É importante destacar que terão direito de portar
do regulamento, o interessado que adquirir arma de arma de fogo de propriedade particular ou fornecida
fogo de uso permitido que comprove estar autorizado pela respectiva corporação ou instituição, mesmo fora
a portar arma com as mesmas características daquela de serviço, com validade em âmbito nacional.
a ser adquirida.
z Os integrantes da polícia federal, polícia rodoviá-
DO CERTIFICADO DE REGISTRO DE ARMA DE FOGO ria federal, polícia ferroviária federal, polícias
civis, polícias militares e corpos de bombeiros
Art. 5º O certificado de Registro de Arma de Fogo, militares e os da Força Nacional de Segurança
com validade em todo o território nacional, auto- Pública (FNSP).
riza o seu proprietário a manter a arma de fogo
exclusivamente no interior de sua residência ou Vale salientar que terão direito de portar arma
domicílio, ou dependência desses, ou, ainda, no seu de fogo de propriedade particular ou fornecida pela
local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o respectiva corporação ou instituição, mesmo fora de
responsável legal pelo estabelecimento ou empresa. serviço, com validade em âmbito nacional.

Aos residentes em área rural considera-se residên- z Os integrantes das guardas municipais das capitais
cia ou domicílio toda a extensão do respectivo imóvel dos Estados e dos Municípios com mais de 500.000
rural. (quinhentos mil) habitantes.
O certificado de registro de arma de fogo será
expedido pela Polícia Federal e será precedido de Ademais, terão direito de portar arma de fogo de
autorização do Sinarm. propriedade particular ou fornecida pela respectiva
É de suma importância, lembrar-se que os requisi- corporação ou instituição, mesmo fora de serviço.
tos três requisitos descritos no tópico anterior, deve- Além disso, deverá ter autorização para o porte de
rão ser comprovados periodicamente, em período arma de fogo das guardas municipais, que está condi-
não inferior a 3 (três) anos, preenchido os requisitos cionada à formação funcional de seus integrantes em
ocorrerá a renovação do Certificado de Registro de estabelecimentos de ensino de atividade policial e à exis-
Arma de Fogo. tência de mecanismos de fiscalização e de controle inter-
Com relação ao §3º, artigo 5º da Lei 10826/2003, no, nas condições estabelecidas no regulamento desta
apresentou uma regra, dizendo que proprietário de Lei, observada a supervisão do Comando do Exército.
arma de fogo com certificados de registro de proprie- É importante dizer que aos integrantes das guar-
dade expedido por órgão estadual ou do Distrito Fede- das municipais dos Municípios que integram regiões
ral até a data da publicação da Lei (22 de dezembro de metropolitanas, serão autorizados portar de arma de
2003) que não optar pela entrega espontânea, deverá fogo, quando em serviço.
renová-lo mediante o pertinente registro federal, até
o dia 31 de dezembro de 2008, ante a apresentação de z Os integrantes das guardas municipais dos Muni-
cípios com mais de 50.000 (cinquenta mil) e menos
documento de identificação pessoal e comprovante de
de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, quando
residência fixa, ficando dispensado do pagamento de
em serviço, chamo a atenção de vocês para a ADI
taxas e do cumprimento das demais exigências cons-
5948 MC / DF:
tantes, esse artigo tornou-se obsoleto, mas continua
em vigor.
ADI 5948 MC / DF Diante do exposto, nos termos
Importante informar que, de acordo com o §4º do dos arts. 10, § 3º, da Lei 9.868/99 e 21, V, do RISTF,
artigo 5º, para fins de cumprimento do §3º, do artigo CONCEDO A MEDIDA CAUTELAR PLEITEADA, ad
5º da Lei 10826/2003, o proprietário de arma de fogo referendum do Plenário, DETERMINANDO A IME-
poderá obter, no Departamento de Polícia Federal, DIATA SUSPENSÃO DA EFICÁCIA das expressões
certificado de registro provisório, expedido na rede das capitais dos Estados e com mais de 500.000
mundial de computadores - internet, na forma do regu- (quinhentos mil) habitantes , no inciso III, bem
lamento e obedecidos os procedimentos a seguir: como o inciso IV, ambos do art. 6º da Lei Federal
nº 10.826/2003 . Intimem-se o Presidente da Repú-
Emissão de certificado de registro provisório pela blica e o Congresso Nacional para ciência e cum-
internet, com validade inicial de 90 (noventa) dias; e primento desta decisão, bem como para fornecer
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Revalidação pela unidade do Departamento de Polí- informações pertinentes, no prazo máximo de 10


cia Federal do certificado de registro provisório pelo (dez) dias. Após este prazo, dê-se vista ao Advoga-
prazo que estimar como necessário para a emissão do-Geral da União e ao Procurador-Geral da Repú-
definitiva do certificado de registro de propriedade. blica, sucessivamente, no prazo de 5 (cinco) dias,
para que cada qual se manifeste na forma do art. 12
da Lei 9.868/99. Nos termos do art. 21, V, do Regi-
DO PORTE mento Interno do Supremo Tribunal Federal, peço
dia para julgamento, pelo Plenário, do referendo da
Porte é cobrado em prova, e pode-se dizer porte o medida ora concedida. Publique-se. Brasília, 29 de
ato de portar ou transportar algo. junho de 2018. Ministro Alexandre de Moraes Rela-
Já adentrando a Lei 10.826/2003, de acordo com tor Documento assinado digitalmente.
o artigo 6º, podemos dizer que é proibido o porte de
arma de fogo em todo o território nacional, salvo para Muito cuidado, porque a referida ADI, é muito
os casos previstos em legislação própria e para: cobrada em prova. 59
Ademais, deverá ter autorização para o porte de do regulamento desta Lei, observando-se, no que
arma de fogo das guardas municipais, que está condi- couber, a legislação ambiental.
cionada à formação funcional de seus integrantes em z Integrantes das Carreiras de Auditoria da Recei-
estabelecimentos de ensino de atividade policial e à ta Federal do Brasil e de Auditoria-Fiscal do
existência de mecanismos de fiscalização e de contro- Trabalho, cargos de Auditor-Fiscal e Analista
le interno, nas condições estabelecidas no regulamen- Tributário.
to desta Lei, observada a supervisão do Ministério da
Justiça, consoante dispõe o §3º, do art. 6º, da Lei em Com isso a autorização para o porte de arma de fogo
questão. aos integrantes, está condicionada à comprovação do
É de suma importância que os integrantes das requisito de comprovação de capacidade técnica e de
guardas municipais dos Municípios que integram aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo.
regiões metropolitanas, serão autorizados portar de
arma de fogo, quando em serviço. z De acordo com o inciso XI, art. 6º , os tribunais do
Os agentes operacionais da Agência Brasileira de Poder Judiciário que são o Supremo Tribunal Fede-
Inteligência e os agentes do Departamento de Segu- ral, o Conselho Nacional de Justiça, o Superior Tri-
rança do Gabinete de Segurança Institucional da Pre- bunal de Justiça, o Tribunal Superior do Trabalho,
sidência da República, visando a proteção. os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais,
os Tribunais e Juízes do Trabalho, os Tribunais e
z É notória a observação de que terão direito de por- Juízes Eleitorais, os Tribunais e Juízes Militares, os
tar arma de fogo de propriedade particular ou for- Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal
necida pela respectiva corporação ou instituição, e Territórios e os Ministérios Públicos da União e
mesmo fora de serviço com validade em âmbito dos Estados, para uso exclusivo de servidores de
nacional. seus quadros pessoais que efetivamente estejam
no exercício de funções de segurança, na forma de
É de suma importância, que a autorização para o regulamento a ser emitido pelo Conselho Nacional
porte de arma de fogo aos integrantes, está condicio- de Justiça - CNJ e pelo Conselho Nacional do Minis-
nada à comprovação do requisito de comprovação tério Público - CNMP.
de capacidade técnica e de aptidão psicológica para o
manuseio de arma de fogo. As armas de fogo utilizadas pelos servidores das
instituições serão de propriedade, responsabilidade e
z Os integrantes dos órgãos policiais da câmara dos guarda das respectivas instituições, somente poden-
deputados e do senado da Constituição Federal, do ser utilizadas quando em serviço, devendo estas
tendo como a finalidade a proteção dos integrantes observar as condições de uso e de armazenagem esta-
e o público das casas. belecidas pelo órgão competente, sendo o certificado
de registro e a autorização de porte expedidos pela
Polícia Federal em nome da instituição.
É importante destacar que terão direito de portar
Vale ressaltar que a autorização para o porte de
arma de fogo de propriedade particular ou fornecida
arma de fogo que abrange esse ponto, independe do
pela respectiva corporação ou instituição, mesmo fora
pagamento de taxa.
de serviço com validade em âmbito nacional.
Destaca-se ainda, no parágrafo §2º, que o presi-
A autorização para o porte de arma de fogo aos
dente do tribunal ou o chefe do Ministério Público
integrantes, está condicionada à comprovação do
designará os servidores de seus quadros pessoais no
requisito de comprovação de capacidade técnica e de
exercício de funções de segurança que poderão portar
aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo.
arma de fogo, respeitado o limite máximo de 50%
(cinquenta por cento) do número de servidores
z Os integrantes do quadro efetivo dos agentes e
que exerçam funções de segurança.
guardas prisionais, os integrantes das escoltas de
Já o porte de arma pelos servidores das institui-
presos e as guardas portuárias. ções, ficam condicionados à apresentação de docu-
mentação comprobatória do preenchimento dos
Lembrem-se de que poderão portar arma de fogo requisitos já ditos no tópico anterior, bem como à
de propriedade particular ou fornecida pela respecti- formação funcional em estabelecimentos de ensino
va corporação ou instituição, mesmo fora de serviço, de atividade policial e à existência de mecanismos de
desde que estejam: submetidos a regime de dedicação fiscalização e de controle interno.
exclusiva; sujeitos à formação funcional, nos tempos É de suma importância que a listagem dos servido-
do regulamento; subordinados a mecanismo de fisca- res das instituições deverá ser atualizada semestral-
lização e de controle interno. mente no Sinarm.
Além disso, deverá ocorrer a autorização para o E, por fim, as instituições são obrigadas a regis-
porte de arma de fogo aos integrantes, está condicio- trar ocorrência policial e a comunicar à Polícia Fede-
nada à comprovação do requisito de comprovação ral eventual perda, furto, roubo ou outras formas de
de capacidade técnica e de aptidão psicológica para o extravio de armas de fogo, acessórios e munições que
manuseio de arma de fogo. estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte e
quatro) horas depois de ocorrido o fato.
z As empresas de segurança privada e de transporte
de valores constituídas, devendo a empresa reali-
zar o devido cadastro; Importante!
z Para os integrantes das entidades de desporto
legalmente constituídas, cujas atividades esporti- Muita atenção, pois deverão estar efetivamente
60 vas demandem o uso de armas de fogo, na forma no exercício de funções de segurança.
Os integrantes das Forças Armadas, das polí- Art. 7º [...]
cias federais e estaduais e do Distrito Federal, bem §2º A empresa de segurança e de transporte de
como os militares dos Estados e do Distrito Federal, valores deverá apresentar documentação compro-
ficam dispensados do cumprimento dos requisitos, batória do preenchimento dos requisitos já ditos,
você lembra quais são? Para te ajudar trouxe o mapa quanto aos empregados que portarão arma de fogo.
já apresentado.
No que corresponde a listagem dos empregados
Art. 4° Para adquirir arma de fogo de uso permiti- das empresas, deverá ser atualizada semestralmente
do o interessado deverá, além de declarar a efetiva junto ao Sinarm, trazendo novamente mais uma com-
necessidade, atender aos seguintes requisitos: petência do Sistema.
I - comprovação de idoneidade, com a apresentação Vale ressaltar que, em consonância com o artigo 8º,
de certidões negativas de antecedentes criminais as armas de fogo utilizadas em entidades desportivas
fornecidas pela Justiça Federal, Estadual, Militar legalmente constituídas devem obedecer às condições
e Eleitoral e de não estar respondendo a inquéri- de uso e de armazenagem estabelecidas pelo órgão
to policial ou a processo criminal, que poderão ser competente, respondendo o possuidor ou o autoriza-
fornecidas por meios eletrônicos; do a portar a arma pela sua guarda.
II – apresentação de documento comprobatório de E, por fim, a Lei 10.826/2003 trouxe a competência
ocupação lícita e de residência certa; ao Ministério da Justiça para a autorização do porte
III – comprovação de capacidade técnica e de aptidão de arma para os responsáveis pela segurança de cida-
psicológica para o manuseio de arma de fogo, atesta-
dãos estrangeiros em visita ou sediados no Brasil e,
das na forma disposta no regulamento desta Lei.
ao Comando do Exército, além do registro e a conces-
são de porte de trânsito de arma de fogo para colecio-
Já com relação aos residentes em áreas rurais,
nadores, atiradores e caçadores e de representantes
maiores de 25 (vinte e cinco) anos que comprovem
estrangeiros em competição internacional oficial de
depender do emprego de arma de fogo para prover
tiro realizada no território nacional.
sua subsistência alimentar familiar será concedi-
do pela Polícia Federal o porte de arma de fogo, na
PORTE CIVIL
categoria caçador para subsistência, de uma arma de
uso permitido, de tiro simples, com 1 (um) ou 2 (dois)
Esse tópico tratará especificadamente do porte
canos, de alma lisa e de calibre igual ou inferior a 16
civil, apresentando que a autorização para o porte
(dezesseis), desde que o interessado comprove a efeti-
de arma de fogo de uso permitido, em todo o territó-
va necessidade em requerimento ao qual deverão ser
rio nacional, é de competência da Polícia Federal e
anexados os seguintes documentos:
somente será concedida após autorização do Sinarm.
A autorização poderá ser concedida com eficá-
z Documento de identificação pessoal;
cia temporária e territorial limitada, nos termos
z Comprovante de residência em área rural;
de atos regulamentares do art. 10º, e dependerá de o
z Atestado de bons antecedentes.
requerente:
No que tange ao caçador que para subsistência der
Art. 10 [...]
outro uso a sua arma de fogo, independentemente de I – demonstrar a sua efetiva necessidade por exercí-
outras tipificações penais, responderá, conforme o cio de atividade profissional de risco ou de ameaça
caso, por porte ilegal ou por disparo de arma de fogo à sua integridade física;
de uso permitido.  II – atender às exigências previstas no art. 4o desta
Já as armas de fogo utilizadas pelos empregados Lei;
das empresas de segurança privada e de transporte III – apresentar documentação de propriedade de
de valores, serão de propriedade, responsabilidade arma de fogo, bem como o seu devido registro no
e guarda das respectivas empresas, somente poden- órgão competente.
do ser utilizadas quando em serviço, devendo essas
observar as condições de uso e de armazenagem esta- É importante saber que a autorização de porte de
belecidas pelo órgão competente, sendo o certificado arma de fogo, perderá automaticamente sua eficácia
de registro e a autorização de porte expedidos pela caso o portador dela seja detido ou abordado em esta-
Polícia Federal em nome da empresa. do de embriaguez ou sob efeito de substâncias quími-
O proprietário ou diretor responsável de empre- cas ou alucinógenas.
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

sa de segurança privada e de transporte de valores


responderá pelo crime de deixarem de registrar ocor- DAS COBRANÇAS DE TAXAS E OUTROS
rência policial e de comunicar à Polícia Federal perda,
furto, roubo ou outras formas de extravio de arma As taxas são fixadas nos anexos da Lei. Em provas
de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua é raro que caiam os valores das taxas, pois estão sem-
guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois pre em mudança.
de ocorrido o fato., sem prejuízo das demais sanções O ponto importante deste tópico relaciona-se à
administrativas e civis, se deixar de registrar ocorrên- prestação dos serviços que geram as taxas e são eles:
cia policial e de comunicar à Polícia Federal perda,
furto, roubo ou outras formas de extravio de armas z Registro de arma de fogo;
de fogo, acessórios e munições que estejam sob sua z Renovação de registro de arma de fogo;
guarda, nas primeiras 24 (vinte e quatro) horas depois z Expedição de segunda via de registro de arma de
de ocorrido o fato. fogo; 61
z Expedição de porte federal de arma de fogo; acessórios da mesma, e sim, sua parte integrante, ou
z Renovação de porte de arma de fogo; melhor dizendo, a arma em seu original.
z Expedição de segunda via de porte federal de arma Logo, se um agente for surpreendido pela polícia
de fogo. em seu escritório com um ferrolho de uma arma de
fogo de uso permitido, o fato será atípico, por falta de
Os valores arrecadados destinam-se ao custeio e previsão legal, devendo ser respeitado o princípio da
à manutenção das atividades do Sinarm, da Polícia reserva legal.
Federal e do Comando do Exército, no âmbito de suas O acessório, por si só, não apresenta lesividade
respectivas responsabilidades. jurídica, porém, a legislação visou coibir qualquer
objeto que desenvolvesse uma facilidade para a utili-
z São isentas do pagamento das taxas: zação da arma de fogo, desestimulando, dessa forma,
o seu uso.
„ Integrantes das Forças Armadas; Cartucho é formado pelo estojo, espoleta, pólvora
„ Integrantes do quadro efetivo dos agentes e
e projétil, unidos em um único objeto. Se esses compo-
guardas prisionais, os integrantes das escoltas
nentes forem apreendidos separadamente, o fato será
de presos e as guardas portuárias;
„ Integrantes das Carreiras de Auditoria da atípico, por falta de previsão legal.
Receita Federal do Brasil e de Auditoria-Fiscal O sujeito ativo no crime poderá ser qualquer pes-
do Trabalho, cargos de Auditor-Fiscal e Analis- soa, sendo considerado crime comum. Sujeito passivo,
ta Tributário é a coletividade, considerado crime vago.
„ Residentes em áreas rurais, maiores de 25 (vin- A conduta será a de possuir, ou seja, ter a pronta
te e cinco) anos que comprovem depender do disponibilidade da arma. Não é necessário ter contato
emprego de arma de fogo para prover sua sub- físico (ex.: se a arma estiver na gaveta do armário já
sistência alimentar familiar. se considera posse).
Os objetos materiais são armas de fogo, acessórios
O Ministério da Justiça disciplinará a forma e as e munições.
condições do credenciamento de profissionais pela
Polícia Federal para comprovação da aptidão psicoló- DECRETO Nº 10.030, DE 30 DE SETEMBRO DE
gica e da capacidade técnica para o manuseio de arma 2019
de fogo.
Vale ressaltar que na comprovação da aptidão psi- z Arma de fogo: arma que arremessa projéteis
cológica, o valor cobrado pelo psicólogo não poderá
empregando a força expansiva dos gases, gerados
exceder ao valor médio dos honorários profissionais
pela combustão de um propelente confinado em
para realização de avaliação psicológica constante do
uma câmara, normalmente solidária a um cano,
item 1.16 da tabela do Conselho Federal de Psicologia.
Já na comprovação da capacidade técnica, o valor que tem a função de dar continuidade à combus-
cobrado pelo instrutor de armamento e tiro não tão do propelente, além de direção e estabilidade
poderá exceder R$ 80,00 (oitenta reais), acrescido ao projétil.
do custo da munição. z Arma de fogo automática: arma em que o carre-
E, por fim, a cobrança de valores superiores, impli- gamento, o disparo e todas as operações de fun-
cará o descredenciamento do profissional pela Polícia cionamento ocorrem continuamente enquanto o
Federal. gatilho estiver sendo acionado.
z Arma de fogo de repetição: arma em que a recar-
DOS CRIMES E DAS PENAS ga exige a ação mecânica do atirador sobre um
componente para a continuidade do tiro.
Posse irregular de arma de fogo de uso permitido z Acessório de arma de fogo: artefato que, acopla-
do a uma arma, possibilita a melhoria do desem-
Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de penho do atirador, a modificação de um efeito
fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em
secundário do tiro ou a modificação do aspecto
desacordo com determinação legal ou regula-
mentar, no interior de sua residência ou dependên- visual da arma.
cia desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde
que seja o titular ou o responsável legal do estabele-
cimento ou empresa, é considerado crime e poderá Importante!
gerar uma pena de detenção, de 1 (um) a 3 (três)
anos, e multa.
As partes da arma de fogo desmontada não são
acessórias. O coldre também não é acessório
Arma tanto pode ser a própria ou imprópria. A porque não melhora o desempenho do tiro.
primeira é a que cumpre a função de ataque ou de
defesa (arma de fogo, v.g.). Fala-se em arma imprópria
quando a sua finalidade precípua não se consubstan- O acessório, por si só, não apresenta lesividade
cia em um ataque ou em uma defesa, mas com outra jurídica, porém, a legislação visou coibir qualquer
finalidade qualquer, a exemplo de uma barra de ferro objeto que desenvolvesse uma facilidade para a utili-
ou de uma faca. zação da arma de fogo, desestimulando, dessa forma,
As peças componentes da arma de fogo oriundas da o seu uso.
fábrica (cano, punho, carregador, percussor, ferrolho, Cartucho é formado pelo estojo, espoleta, pólvora
62 gatilho, alça e maça de mira etc.) não são consideradas e projétil, unidos em um único objeto.
ALGUNS TIPOS DE PROJÉTEIS
5. Recurso em habeas corpus provido para trancar
a Ação Penal n. 019/2.17.0004175-9 (CNJ 0009712-
EXPANSIVA 05.2017.8.21.0019), em trâmite na 3ª Vara Criminal
CANTO SEMI CANTO
OGIVAL PONTA OCA VIVO da Comarca de Novo Hamburgo/RS.
VIVO

z Elemento espacial do tipo: no interior de sua


residência ou dependência desta, ou, ainda no seu
local de trabalho, desde que seja o titular ou o res-
TIPOS DE MUNIÇÃO (CARTUCHO)
ponsável legal do estabelecimento ou empresa.
FOGO CENTRAL FOGO CIRCULAR z Diferença entre posse e porte: a posse ocorre no
interior da residência do infrator ou no local de
PROJÉTIL trabalho do infrator, desde que ele seja o proprie-
CÁPSULA OU tário ou responsável do estabelecimento. O porte
ESTOJO em qualquer outro local que não seja estes.
PROPELENTE z Elemento normativo do tipo: em desacordo com
ESPOLETA determinação legal ou regulamentar.

Posse legal x Posse Ilegal:

Se esses componentes forem apreendidos separa- z Posse legal: Arma com registro pela Polícia Federal
damente, o fato será atípico, por falta de previsão legal. após autorização do Sinarm: Fato atípico.
Temos um julgado nesse caso, de suma importância: z Posse ilegal: A posse ilegal de arma é aquela
sem registro expedido pela Polícia Federal. Em
DE DEFLAGRÁ-LAS. MÍNIMA OFENSIVIDADE DA 23/12/2003 até 31/12/2009 houve “abolitio crimi-
CONDUTA. ATIPICIDADE MATERIAL. ANÁLISE nis”, “vacatio legis indireta ou especial”, vez que,
DO CASO CONCRETO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO sucessivas leis conferiram prazos para regulariza-
DA INSIGNIFICÂNCIA. ABSOLVIÇÃO. PRECEDEN- ção da posse ilegal de arma e munição. Deste modo,
TES DA QUINTA E SEXTA TURMAS DESTA CORTE. a conduta somente passou a ser considerada crime
RECURSO PROVIDO. 1. Nos termos do entendi- a partir de 01/01/2010, desse período em diante,
mento consolidado desta Corte, o trancamento da aplica-se o art. 32 do estatuto do desarmamento.
ação penal por meio do habeas corpus é medida
excepcional, que somente deve ser adotada quan- A consumação do crime ocorrerá com a prática da
do houver inequívoca comprovação da atipicidade
conduta e o resulto será considerado Crime de Mera
da conduta, da incidência de causa de extinção da
Conduta.
punibilidade ou da ausência de indícios de autoria
ou de prova sobre a materialidade do delito.
Precedentes. Omissão de cautela
2. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a possi-
bilidade de incidência do princípio da insignificân- Outro crime é o de deixar de observar as cautelas
cia a casos de apreensão de quantidade reduzida necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito)
de munição de uso permitido, desacompanhada anos ou pessoa portadora de deficiência mental se
de arma de fogo, tendo concluído pela total ine- apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou
xistência de perigo à incolumidade pública (RHC que seja de sua propriedade (crime culposo), penali-
143.449/MS, Rel. Ministro RICARDO LEWANDO- zando o indivíduo com a pena de detenção, de 1 (um)
WSKI, SEGUNDA Turma, DJe 9/10/2017), vindo a a 2 (dois) anos, e multa
ser acompanhado por ambas as Turmas que com- Sujeito ativo: possuidor ou proprietário da arma
põem a Terceira Seção desta Corte. 3. Saliente-se de fogo (Crime Próprio).
que, para que exista, de fato, a possibilidade de Sujeito passivo: Coletividade (Imediata), de forma
incidência do princípio da insignificância, deve-se
secundária o menor de 18 anos e o deficiente mental.
examinar o caso concreto, afastando-se o critério
meramente matemático. Isso porque, é evidente
que a aplicação ou não do princípio da bagatela
está diretamente relacionada às circunstâncias do
Importante!
flagrante, sendo imperioso o vislumbre imediato da Ocorre o crime mesmo que o menor de 18 anos
ausência de lesividade da conduta, o que não ocor- já tenha adquirido a capacidade civil absoluta
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

re, por exemplo, quando a apreensão está atrelada


pela emancipação.
à prática de outros delitos, ou mesmo quando há o
acompanhamento das munições por arma de fogo,
apta a preencher a tipicidade material do delito. z Conduta: deixar de observar as cautelas necessá-
4. No caso em apreço, a conduta de o agente
rias (é quebra do dever de objetivo de cuidado).
possuir dez munições de arma calibre 38, des-
tituídas de potencialidade lesiva, desacompa-
nhadas de armamento capaz de deflagrá-las, É crime culposo: Objeto material: qualquer arma
não gera perigo de lesão ou probabilidade de de fogo pode ser objeto material do crime (arma de
dano aos bens jurídicos tutelados, permitin- uso permitido ou proibido). A espécie de arma será
do-se o reconhecimento da atipicidade mate- considerada na aplicação da pena.
rial, uma vez analisada a situação concreta,
afastado o critério meramente matemático. z Consumação: a consumação se dar pelo apodera-
Precedentes. mento da vítima, não precisando se lesionar 63
O crime é material ou formal? z Sujeito ativo: Qualquer pessoa (crime comum).
z Sujeito passivo: Coletividade (crime vago).
z 1ª corrente: para alguns o crime é material porque z Conduta: Crime de conteúdo variado/ tipo misto
exige o resultado naturalístico do apoderamento alternativo, crime de ação múltipla (crime único).
da arma, (FERNANDO CAPEZ), entendimento que z Objeto Material – arma de fogo. Acessório ou
prevalece. munição de uso permitido.
z 2ª corrente: Para outros o crime é formal porque o z Consumação – A consumação se dar com a prática
resultado naturalístico é a lesão ou morte da vítima de qualquer conduta prevista no tipo.
que não precisa ocorrer para o crime estar consu- z Tentativa – É possível a tentativa no porte ilegal
mado ou para alguns é de mera conduta (NUCCI). de arma (ex.:tentar adquirir).

Esse crime admite a modalidade dolosa? QUESTÕES CONTROVERTIDAS


Admite, trata-se de crime de omissão de cautela
por equiparação, sendo que nas mesmas penas incor- Porte Simultâneo
rem o proprietário ou diretor responsável de empresa
de segurança e transporte de valores que deixarem de Processo AgRg no AREsp 1515023 / GO AGRAVO
registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPE-
Federal perda, furto, roubo ou outras formas de CIAL 2019/0162272-2 Relator(a) Ministro JORGE
extravio de arma de fogo, acessório ou munição MUSSI (1138) Órgão Julgador T5 - QUINTA TURMA
Data do Julgamento 24/09/2019 Data da Publica-
que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vin-
ção/Fonte DJe 10/10/2019
te quatro) horas depois de ocorrido o fato.
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECUR-
z Sujeito ativo: proprietário (pode ser também ape- SO ESPECIAL. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO
nas o proprietário da arma de fogo ou proprietário DE USO PERMITIDO E POSSE IRREGULAR DE
da empresa) ou diretor responsável de empresa de ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO. PRINCÍPIO
segurança e transporte de valores (Crime Próprio). DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE. BEM JURÍ-
z Sujeito passivo: Estado, porque se não cumpri- DICOS DIVERSOS. CONCURSO FORMAL. RECURSO
rem a comunicação, não há possibilidade do con- PROVIDO.
trole de armas. 1. O princípio da consunção é aplicado para resol-
z Condutas: deixar de registrar ocorrência policial ver o conflito aparente de normas penais quando
e deixar de comunicar a polícia federal (a falta um crime menos grave é meio necessário ou fase
de qualquer uma dessas comunicações constitui de preparação ou de execução do delito de alcance
crime). mais amplo, de tal sorte que o agente só será res-
ponsabilizado pelo último, desde que se constate
z Objeto material: arma de fogo, acessório e muni-
uma relação de dependência entre as condutas pra-
ção (deixar de comunicar qualquer um deles res-
ticadas. Precedentes.
ponderá pelo crime. Tanto faz ser de uso permitido 2. É inaplicável o princípio da consunção entre os
ou proibido. delitos de porte ilegal de arma de fogo de uso per-
z Consumação: a consumação só ocorre depois de mitido e posse irregular de arma de fogo de uso
24 horas depois do fato (a doutrina lê depois de 24 restrito, por tutelarem condutas e bem jurídi-
horas da ciência do fato, porque antes de tomar cos diversos.
ciência do fato não tem como comunicar.). Consi- 3. Agravo regimental provido, a fim de afastar a
derado crime a prazo. consunção entre os crimes previstos no art. 14
z Tentativa: não é cabível, crime omissivo próprio – e 16 da Lei n. 10.826/03 e redimensionar a pena
crimes de mera conduta. do recorrido para 3 anos e 6 meses de reclusão e
multa, mantidos os demais termos da sentença
Para facilitar o seu entendimento: condenatória.
Processo HC 467756 / RJ HABEAS CORPUS
2018/0228883-4 Relator(a) Ministro REYNALDO
„ Art. 13 caput: é crime culposo.
SOARES DA FONSECA (1170) Órgão Julgador T5 -
„ Art. 13, Parágrafo único: é crime doloso.
QUINTA TURMA Data do Julgamento 09/04/2019
Data da Publicação/Fonte DJe 06/05/2019
Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido Ementa
PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE
Art. 16. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, RECURSO PRÓPRIO. VIA INADEQUADA. NÃO
ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gra- CONHECIMENTO. RECEPTAÇÃO, FORMAÇÃO DE
tuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter QUADRILHA
sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou ARMADA E PORTE DE ARMAS DE FOGO DE USO
munição, de uso permitido, sem autorização e em RESTRITO E PERMITIDO. DOSIMETRIA. PLEITO
desacordo com determinação legal ou regulamen- DE APLICAÇÃO DA REGRA DO CONCURSO FOR-
tar, é considerado crime e possui a pena – reclusão, MAL ENTRE OS
de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. DELITOS DOS ARTS. 14 E 16, DA LEI N. 10.826/2003.
BENS JURÍDICOS DISTINTOS. MESMO CONTEXTO
FÁTICO E TEMPORAL. POSSIBILIDADE. APLICA-
Importante! ÇÃO DA FRAÇÃO DE 1/6 PELO CONCURSO FOR-
MAL DE CRIMES. NÚMERO DE
O crime é afiançável, pois o dispositivo que DELITOS. CORREÇÃO DA REPRIMENDA. HABEAS
declarava inafiançável foi considerado inconsti- CORPUS NÃO CONHECIDO. ORDEM
64 tucional (Adin 3.112-1). CONCEDIDA, DE OFÍCIO.
- O Superior Tribunal de Justiça, seguindo o enten- fático-probatória, providência inadmissível na via
dimento firmado pela Primeira Turma do Supremo eleita, nos termos da Súmula 7/STJ.
Tribunal Federal, não tem admitido a impetração 3. Agravo regimental improvido
de habeas corpus em substituição ao recurso pró- Porte ilegal de arma de fogo e o crime de roubo
prio, prestigiando o sistema recursal ao tempo que Processo AgRg no AREsp 1395908 / MG
preserva a importância e a utilidade do habeas cor- AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO
pus, visto permitir a concessão da ordem, de ofício, ESPECIAL
nos casos de flagrante ilegalidade. 2018/0299481-0 Relator(a) Ministro NEFI CORDEI-
-A dosimetria da pena insere-se dentro de um juízo RO (1159) Órgão Julgador T6 - SEXTA TURMA Data
de discricionariedade do julgador, atrelado às par- do Julgamento 05/09/2019 Data da Publicação/Fon-
ticularidades fáticas do caso concreto e subjetivas te DJe 12/09/2019
do agente, somente passível de revisão por esta Ementa
Corte no caso de inobservância dos parâmetros AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.
legais ou de flagrante desproporcionalidade. CRIME DE ROUBO MAJORADO E LATROCÍNIO
-As condutas de possuir arma de fogo e munições TENTADO. CRIME PRATICADO CONTRA DIVERSAS
de uso permitido e de uso restrito, apreendidas em VÍTIMAS MEDIANTE
um mesmo contexto fático, configuram concurso UMA SÓ AÇÃO. CONCURSO FORMAL DE CRIMES.
formal de delitos. CRIME DE RECURSO PROVIDO.
-O art. 16, do Estatuto do Desarmamento, além da PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. DELITO DE PORTE
paz e segurança públicas, também protege a serie- DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO. POSSIBI-
dade dos cadastros do Sistema Nacional de Armas, LIDADE. GARRUCHA.22. APREENSÃO LOGO APÓS
sendo inviável o reconhecimento de crime único, A PRÁTICA DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO.
pois há lesão a bens jurídicos diversos. Também DEPENDÊNCIA CONFIGURADA. DELITO PRATI-
não é adequada a aplicação da regra do concurso CADO NO MESMO CONTEXTO FÁTICO. AGRAVO
material ou do concurso formal impróprio, não PROVIDO.
havendo a demonstração da existência de desígnios 1. Não obstante configurado concurso formal
autônomos. impróprio, e não concurso material, quando prati-
-Nos termos da jurisprudência desta Corte, o cado os crimes de roubo e latrocínio tentado em um
aumento decorrente do concurso formal deve se mesmo contexto fático, mediante uma só ação, con-
dar de acordo com o número de infrações. Na espé- tra vítimas diferentes, inexiste reflexo na dosimetria
cie, cometidas duas infrações, é adequada a escolha da pena, por ser idêntica à regra do concurso mate-
da fração de aumento de 1/6. rial, nos termos do art. 70, segunda parte, do CP.
-Habeas corpus não conhecido. Contudo, ordem 2. Aplica-se o princípio da consunção ao crime de
concedida, de ofício, para reduzir as penas do porte ilegal de arma de fogo e aos delitos contra
paciente ao novo patamar de 7 anos de reclusão o patrimônio ocorridos no mesmo contexto fático,
e 30 dias-multa, mantidos os demais termos da quando presente nexo de dependência entre as con-
condenação. dutas, considerando-se o porte crime-meio para a
execução do roubo e do latrocínio tentado. 3. Não
Porte ilegal de arma de fogo e homicídio incide a Súmula 7/STJ quando os fatos se encon-
tram delimitados pelo acórdão recorrido, sendo
Processo AgRg no AREsp 1186399 / MS AGRAVO necessária nova valoração jurídica da prova, e não
REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPE- reexame fático-probatório, uma vez que a conduta
CIAL 2017/0264937-8 do réu se apresenta incontroversa.
Relator(a) 4. Agravo regimental provido para redimensionar
Ministro NEFI CORDEIRO (1159) a pena.
Órgão Julgador
T6 - SEXTA TURMA Porte de munição desacompanhando da arma de fogo
Data do Julgamento
03/05/2018 STF - HABEAS CORPUS 154.390 SANTA CATARINA
Data da Publicação/Fonte RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI PACTE.(S) :JOR-
DJe 15/05/2018 GE LUIZ DA SILVA IMPTE.(S) :FLUVIA SAMUEL
Ementa DE ALMEIDA E OUTRO ( A / S ) COATOR ( A / S)
PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGI- (ES ) : SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA EMENTA
MENTAL NO AGRAVO EM RECURSO Habeas corpus. Penal. Posse ilegal de munição de uso
ESPECIAL. HOMICÍDIO E PORTE DE ARMA DE restrito. Artigo 16 da Lei nº 10.826/03. Condenação
FOGO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. transitada em julgado. Impetração utilizada como
NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO E SUBORDINA- sucedâneo de revisão criminal. Possibilidade em hipó-
ÇÃO ENTRE AS CONDUTAS. teses excepcionais, quando líquidos e incontroversos
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

IDENTIDADE DE CONTEXTO FÁTICO. ALTERAÇÃO os fatos postos à apreciação da Corte. Precedente da


DA CONCLUSÃO REALIZADA PELO Segunda Turma. Cognoscibilidade do habeas corpus.
TRIBUNAL DO JÚRI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Pretendido reconhecimento do princípio da insignifi-
7/STJ. INCIDÊNCIA. AGRAVO IMPROVIDO. cância. Possibilidade, à luz do caso concreto. Paciente
1. A absorção do crime de porte ilegal de arma que guardava em sua residência uma única munição
de fogo pelo de homicídio exige que as condutas de fuzil (calibre 762). Ação que não tem o condão de
tenham sido praticadas no mesmo contexto, guar- gerar perigo para a sociedade, de modo a contundir
dando relação de dependência ou subordinação, o bem jurídico tutelado pela norma penal incrimina-
de modo que o porte tenha como fim unicamente a dora. Precedentes. Atipicidade material da conduta
prática do delito de homicídio. reconhecida. Ordem concedida.
2. A reversão das premissas fáticas deduzidas no Processo AgRg no AREsp 1452104 / PR AGRAVO
acórdão de apelação - que manteve a condenação REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPE-
pela prática de homicídio e de porte ilegal de arma CIAL 2019/0051812-7 Relator(a) Ministra LAURI-
de fogo, em concurso material – implica revisão TA VAZ (1120) Órgão Julgador T6 - SEXTA TURMA 65
Data do Julgamento 05/09/2019 Data da Publica- Recepção em concurso com o porte ilegal de arma
ção/Fonte DJe 17/09/2019 de fogo
PROCESSO PENAL. RECURSO EM HABEAS COR-
PUS. POSSE ILEGAL DE MUNIÇÃO. TRANCA- O indivíduo responde pela receptação, com a con-
MENTO DA AÇÃO PENAL. CRIME DE PERIGO duta de adquirir, respondendo pela receptação pró-
ABSTRATO. APREENSÃO DE 10 MUNIÇÕES DE pria (artigo 180, do CP).
ARMA DE CALIBRE 38, DESACOMPANHADAS DE
ARMAMENTO CAPAZ DE DEFLAGRÁ-LAS. MÍNI- DISPARO DE ARMA DE FOGO
MA OFENSIVIDADE DA CONDUTA. ATIPICIDA-
DE MATERIAL. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição
APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. em lugar habitado ou em suas adjacências, em
ABSOLVIÇÃO. PRECEDENTES DA QUINTA E SEX- via pública ou em direção a ela, desde que essa
TA TURMAS DESTA CORTE. RECURSO PROVIDO.
conduta não tenha como finalidade a prática de
1. Nos termos do entendimento consolidado desta
outro crime, terá uma pena de reclusão, de 2 (dois)
Corte, o trancamento da ação penal por meio do
a 4 (quatro) anos, e multa, poderá existir o arbitra-
habeas corpus é medida excepcional, que somente
mento de fiança pela autoridade policial.
deve ser adotada quando houver inequívoca com-
provação da atipicidade da conduta, da incidência
de causa de extinção da punibilidade ou da ausên-
cia de indícios de autoria ou de prova sobre a mate-
Importante!
rialidade do delito. O crime é afiançável, pois o dispositivo que
Precedentes. declarava inafiançável foi considerado inconsti-
2. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a possi- tucional (Adin 3.112-1).
bilidade de incidência do princípio da insignificân-
cia a casos de apreensão de quantidade reduzida
de munição de uso permitido, desacompanhada Sujeito Ativo: qualquer pessoa (Crime Comum).
de arma de fogo, tendo concluído pela total ine- Sujeito Passivo: coletividade (Crime Vago).
xistência de perigo à incolumidade pública (RHC Conduta: disparar arma de fogo ou acionar muni-
143.449/MS, Rel. Ministro RICARDO LEWANDO- ção sem disparo, trago como exemplo o indivíduo dar
WSKI, SEGUNDA Turma, DJe 9/10/2017), vindo a um tiro e a munição falha é considerado crime de
ser acompanhado por ambas as Turmas que com- acionar munição).
põem a Terceira Seção desta Corte. Elemento Espacial: em lugar habitado ou em suas
3. Saliente-se que, para que exista, de fato, a possi- adjacências, em via pública ou em direção a ela (e o
bilidade de incidência do princípio da insignificân-
disparo ocorrer em local ermo não ocorrerá o crime).
cia, deve-se examinar o caso concreto, afastando-se
Consumação: com o disparo da arma de fogo ou o
o critério meramente matemático. Isso porque, é
acionamento da munição.
evidente que a aplicação ou não do princípio da
bagatela está diretamente relacionada às circuns-
Tentativa: é cabível, exemplo quando iria desferir
tâncias do flagrante, sendo imperioso o vislumbre o realizar os disparos e alguém o impede.
imediato da ausência de lesividade da conduta, o É um crime doloso, deverá existir a título de dolo!
que não ocorre, por exemplo, quando a apreensão
está atrelado à prática de outros delitos, ou mesmo ART. 15 LEI 10826/2003 DOUTRINA
quando há o acompanhamento das munições por
arma de fogo, apta a preencher a tipicidade mate-
O art. 15 não se aplica se
rial do delito. o disparo tem a finalidade
4. No caso em apreço, a conduta de o agente O dispositivo não se aplica de outro crime mais grave,
possuir dez munições de arma calibre 38, des- se o disparo tem por finali- se o disparo tem a finalida-
tituídas de potencialidade lesiva, desacompa- dade a prática de outro cri- de de crime menos grave
nhadas de armamento capaz de deflagrá-las, me (mais grave ou menos (não pode absorver crime
não gera perigo de lesão ou probabilidade de grave) mais grave – princípio da
dano aos bens jurídicos tutelados, permitin- consunção) ou de igual
do-se o reconhecimento da atipicidade mate- gravidade
rial, uma vez analisada a situação concreta,
afastado o critério meramente matemático.
Precedentes.
Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito
5. Recurso em habeas corpus provido para trancar
a Ação Penal n. 019/2.17.0004175-9 (CNJ 0009712- Considera-se crime, de acordo com o art. 16, pos-
05.2017.8.21.0019), em trâmite na 3ª Vara Criminal suir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em
da Comarca de Novo Hamburgo/RS. depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente,
emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guar-
Arma quebrada da ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de
uso restrito, sem autorização e em desacordo com
Arma inapta para realizar o disparo configura cri- determinação legal ou regulamentar, tendo a conduta
me impossível, hipótese do artigo 17, do Código Penal, a pena de reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
sendo uma causa de excludente de tipicidade.
z Sujeito ativo: qualquer pessoa (crime comum).
Arma de brinquedo z Sujeito passivo: coletividade (crime vago).
z Conduta: crime de conteúdo variado ou tipo misto
É uma conduta atípica e não responde pelo porte alternativo ou crime de ação múltipla.
de arma, porque não se encaixa ao conceito de arma z Objeto material: arma de fogo. Acessório ou
66 de fogo. munição de uso de restrito ou proibido.
z Consumação: a consumação se dar com a prática II – modificar as características de arma de fogo, de
de qualquer conduta prevista no tipo. forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso
z Tentativa: é possível a tentativa no porte ilegal de proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de
arma (exemplo de tentar adquirir). qualquer modo induzir a erro autoridade policial,
z Crime hediondo: o parágrafo único, do art. 1º, da perito ou juiz;
Lei 8072/1990: Consideram-se também hediondos III – possuir, detiver, fabricar ou empregar arte-
o crime de genocídio previsto nos arts. 1o, 2o e 3o fato explosivo ou incendiário, sem autorização
da Lei no 2.889, de 1o de outubro de 1956, e o de ou em desacordo com determinação legal ou
posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso res- regulamentar;
IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou for-
trito, previsto no art. 16 da Lei no 10.826, de 22 de
necer arma de fogo com numeração, marca ou
dezembro de 2003, todos tentados ou consumados.
qualquer outro sinal de identificação raspado,
suprimido ou adulterado;
As modalidades equiparadas do parágrafo único,
V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gra-
do art. 16, também terão incidência da Lei de Crimes
tuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou
Hediondos de acordo com o Superior Tribunal de
explosivo a criança ou adolescente; e
Justiça? VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autoriza-
ção legal, ou adulterar, de qualquer forma, muni-
HC 526.916-SP, Rel. Min. Nefi ção ou explosivo.
Cordeiro, Sexta Turma, por
PROCESSO
unanimidade, julgado em Veja de forma detalhada:
01/10/2019, DJe 08/10/2019
RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL z Suprimir ou alterar marca, numeração ou qual-
quer sinal de identificação de arma de fogo ou
Art. 16 da Lei n. 10.826/2003 artefato, lembrem-se pune quem faz a adultera-
(Estatuto do Desarmamento).
ção e o objeto material também é o artefato.
Delito considerado hediondo.
z Modificar as características de arma de fogo, de
TEMA Lei n. 8.072/1990 alterada
forma a torná-la equivalente a arma de fogo de
pela Lei n. 13.497/2017. Alte-
uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar
ração legislativa que abrange
ou de qualquer modo induzir a erro autoridade
o caput e o parágrafo único.
policial, perito ou juiz;

DESTAQUE Este crime se prevalece sobre o crime de fraude


processual (art. 347) princípio da especialidade, sua
A qualificação de hediondez aos crimes do art. 16 da
consumação ocorrerá com a simples modificação, ain-
Lei n. 10.826/2003, inserida pela Lei n. 13.497/2017,
abrange os tipos do  caput  e as condutas equiparadas da que a finalidade seja alcançada e a tentativa é per-
previstas no seu parágrafo único. feitamente possível.

z Possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato


INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR explosivo ou incendiário, sem autorização ou
em desacordo com determinação legal ou regu-
O art. 16 da Lei n. 10.826/2003 (Estatuto do desar-
lamentar; Objeto material: artefato explosivo ou
mamento) prevê gravosas condutas de contato com
incendiário (granada, bomba caseira etc.).
“arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido
z Portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer
ou restrito”, vindo seu parágrafo único a acrescer figu-
ras equiparadas – em gravidade e resposta criminal. arma de fogo com numeração, marca ou qualquer
Dessa forma, ainda que algumas das condutas equipa- outro sinal de identificação raspado, suprimido ou
radas possam ser praticadas com armas de uso per- adulterado, portanto, puni quem porta, adquire,
mitido, o legislador as considerou graves ao ponto de fornece etc.
torná-las com reprovação criminal equivalente às con- z Vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuita-
dutas do  caput. No art. 1º, parágrafo único, da Lei n. mente, arma de fogo, acessório, munição ou explo-
8.072/1990, com redação dada pela Lei n. 13.497/2017, sivo a criança ou adolescente.
o legislador limitou-se a prever que o delito descrito no
art. 16 da Lei n. 10.826/2003 é considerado hediondo. ART. 16, PARÁGRAFO
ART. 242 DO ECA (LEI
Assim, como a equiparação é tratamento igual para to- ÚNICO, V, DA LEI
8069/90)
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

dos os fins, considerando equivalente o dano social e 10826/2003


equivalente também a necessária resposta penal, salvo
ressalva expressa, ao ser qualificado como hediondo o Continua em vigor contra
Aplica-se para arma de
art. 16 da Lei n. 10.826/2003, as condutas equiparadas arma branca (ex. entregar
fogo (pistola)
devem receber igual tratamento. um soco inglês)

Vale ressaltar que na mesma pena, incorre (art. 16, z Produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização
da Lei 10.826/2003): legal, ou adulterar, de qualquer forma, munição
ou explosivo.
Art. 16 [...]
I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qual- É importante destacar que se envolverem arma de
quer sinal de identificação de arma de fogo ou fogo de uso proibido, a pena é de reclusão, de 4 (qua-
artefato; tro) a 12 (doze) anos. 67
COMÉRCIO ILEGAL DE ARMA DE FOGO
ART. 318 DO CP
ESTATUTO DO (FACILITAÇÃO DE
Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, con-
DESARMAMENTO CONTRABANDO OU
duzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar,
DESCAMINHO)
remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou
de qualquer forma utilizar, em proveito próprio
Crime comum: que
ou alheio, no exercício de atividade comercial ou Crime funcional: quando
pode ser praticado
industrial, arma de fogo, acessório ou munição, é praticado no exercício
por qualquer
sem autorização ou em desacordo com determina- da função (funcionário
pessoa funcionário
ção legal ou regulamentar terá uma pena de reclu- público)
público ou não
são, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, e multa.

z Objeto material: Arma de fogo, acessório e muni-


Importante!
ção, não fala do explosivo.
Equipara-se à atividade comercial ou industrial, z Consumação: Com a importação ou Exportação
qualquer forma de prestação de serviços, fabri- ou Favorecimento.
cação ou comércio irregular ou clandestino, z Tentativa: É cabível.
inclusive o exercido em residência. z Passou a ser considerado crime hediondo, artigo
1º, IV, da Lei 8.072/1990 (uso permitido, restrito ou
proibido).
Incorre na mesma pena quem vende ou entrega z Causa de aumento de pena: a pena é aumentada
arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização da metade se a arma de fogo, acessório ou muni-
ou em desacordo com a determinação legal ou regu- ção forem de uso proibido ou restrito.
lamentar, a agente policial disfarçado, quando pre- z Observação: Nos crimes previstos nos arts. 14, 15,
sentes elementos probatórios razoáveis de conduta 16, 17 e 18, a pena é aumentada da metade se:
criminal preexistente.
„ Forem praticados por integrante dos órgãos e
z Sujeito ativo: comerciante ou industrial (Crime empresas referidas nos arts. 6º, 7º e 8º desta
Próprio). Lei; ou
z Sujeito passivo: coletividade (Crime Vago). „ O agente for reincidente específico em crimes
z Conduta: crime de conteúdo variado ou tipo misto dessa natureza. (Incluído pela Lei nº 13.964, de
alternativo ou crime de ação múltipla. 2019).
„ Os crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18 são
z Objeto material: arma de fogo, acessório e
insuscetíveis de liberdade provisória, foi consi-
munição.
derado inconstitucional (Adin 3.112-1).
z Consumação: a consumação se dar com qualquer
das condutas prevista no tipo, sendo crime de
É importante saber que todos os crimes do Esta-
mera conduta.
tuto do Desarmamento são suscetíveis de liberdade
z Tentativa: é perfeitamente possível (ex.: verbo
provisória. O único que é inafiançável é o crime de
adquirir e desmontar.)
posse ou pote
z Causa de aumento de pena: a pena é aumentada ilegal de arma de fogo uso restrito proibido, tendo
da metade se a arma de fogo, acessório ou muni- em vista ser crime hediondo, na forma do artigo 1º, §
ção forem de uso proibido ou restrito. único, da lei 8072/1990.

TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO DISPOSIÇÕES GERAIS E FINAIS

É importante destacar que se trata de crime de De acordo com o artigo 22, o Ministério da Justiça
Genuinamente de competência da Justiça Federal poderá celebrar convênios com os Estados e o Distrito
Federal para o cumprimento da Lei.
Art. 18. importar, exportar, favorecer a entrada ou Já no que tange à classificação legal, técnica e
saída do território nacional, a qualquer título, de geral, presente no artigo 23, bem como à definição das
arma de fogo, acessório ou munição, sem autori- armas de fogo e demais produtos controlados, de usos
zação da autoridade competente, tendo a pena de proibidos, restritos, permitidos ou obsoletos e de valor
reclusão, de 8 (oito) a 16 (dezesseis) anos, e multa. histórico serão disciplinadas em ato do chefe do Poder
Executivo Federal, mediante proposta do Comando do
Incorre na mesma pena quem vende ou entrega Exército.
arma de fogo, acessório ou munição, em operação de Vale ressaltar que todas as munições comercializa-
importação, sem autorização da autoridade compe- das no País deverão estar acondicionadas em emba-
tente, a agente policial disfarçado, quando presentes lagens com sistema de código de barras, gravado na
elementos probatórios razoáveis de conduta criminal caixa, visando possibilitar a identificação do fabrican-
preexistente. te e do adquirente, entre outras informações defini-
das pelo regulamento desta Lei.
z Sujeito ativo: Qualquer pessoa (Crime Comum). Já para os órgãos, somente serão expedidas auto-
z Sujeito passivo: Estado. rizações de compra de munição com identificação do
68 z Condutas: Importar ou Exportar ou Favorecer. lote e do adquirente no culote dos projéteis.
Art. 23. [...] de uso restrito, semestralmente, da relação de armas
§3° As armas de fogo fabricadas a partir de 1 (um) acauteladas em juízo, mencionando suas característi-
ano da data de publicação da Lei conterão disposi- cas e o local onde se encontram.
tivo intrínseco de segurança e de identificação, gra-
vado no corpo da arma, definido pelo regulamento Art. 26. São vedadas a fabricação, a venda, a
desta Lei, exclusive para os órgãos, tornando-se comercialização e a importação de brinquedos,
uma regra obsoleta. réplicas e simulacros de armas de fogo, que com
§4º As instituições de ensino policial e as guardas estas se possam confundir.
municipais, poderão adquirir insumos e máquinas Parágrafo único: Excetuam-se da proibição as
de recarga de munição para o fim exclusivo de supri- réplicas e os simulacros destinados à instrução, ao
mento de suas atividades, mediante autorização adestramento, ou à coleção de usuário autorizado,
concedida nos termos definidos em regulamento. nas condições fixadas pelo Comando do Exército.

Excetuadas as atribuições já apresentadas, con- Deverá destacar que caberá ao Comando do Exérci-
soante dispõe o artigo 24, compete ao Comando do to autorizar, excepcionalmente, a aquisição de armas
Exército autorizar e fiscalizar a produção, exportação, de fogo de uso restrito, não se aplicando às aquisições
importação, desembaraço alfandegário e o comércio dos Comandos Militares.
de armas de fogo e demais produtos controlados,
inclusive o registro e o porte de trânsito de arma de Art. 28. É vedado ao menor de 25 (vinte e cinco)
fogo de colecionadores, atiradores e caçadores. anos adquirir arma de fogo, ressalvados os inte-
Veja o que dispõe o art. 25 da citada lei: grantes das entidades já apresentadas.

Art. 25. As armas de fogo apreendidas, após Com relação às autorizações de porte de armas
a elaboração do laudo pericial e sua juntada aos de fogo já concedidas expirar-se-ão 90 (noventa) dias
autos, quando não mais interessarem à perse- após a publicação da Lei, sendo outro dispositivo que
cução penal serão encaminhadas pelo juiz compe- se encontra obsoleto.
tente ao Comando do Exército, no prazo de até 48 O detentor de autorização com prazo de validade
(quarenta e oito) horas, para destruição ou doa-
superior a 90 (noventa) dias poderá renová-la, peran-
ção aos órgãos de segurança pública ou às Forças
te a Polícia Federal, no prazo de 90 (noventa) dias após
Armadas.
sua publicação, sem ônus para o requerente.
Já, de acordo com o artigo 30 da Lei, os possuido-
Com isso, de acordo com o §1º do referido artigo, as
res e proprietários de arma de fogo de uso permitido
armas de fogo encaminhadas ao Comando do Exército
ainda não registrada deveriam solicitar seu registro
que receberem parecer favorável à doação, obedecidos
até o dia 31 de dezembro de 2008, mediante apresen-
o padrão e a dotação de cada Força Armada ou órgão
tação de documento de identificação pessoal e com-
de segurança pública, atendidos os critérios de priori-
provante de residência fixa, acompanhados de nota
dade estabelecidos pelo Ministério da Justiça e ouvido
fiscal de compra ou comprovação da origem lícita da
o Comando do Exército, serão arroladas em relatório
posse, pelos meios de prova admitidos em direito, ou
reservado trimestral a ser encaminhado àquelas insti-
declaração firmada na qual constem as características
tuições, abrindo prazo para manifestação de interesse.
da arma e a sua condição de proprietário, ficando este
Já com relação as armas de fogo e munições
dispensado do pagamento de taxas e do cumprimento
apreendidas em decorrência do tráfico de drogas de
das demais exigências.
abuso, ou de qualquer forma utilizadas em ativida-
Para fins do cumprimento, o proprietário de arma
des ilícitas de produção ou comercialização de dro-
de fogo poderia obter, no Departamento de Polícia
gas abusivas, ou, ainda, que tenham sido adquiridas
Federal, certificado de registro provisório.
com recursos provenientes do tráfico de drogas de
Já os possuidores e proprietários de armas de fogo
abuso, perdidas em favor da União e encaminhadas
adquiridas regularmente poderão, a qualquer tem-
para o Comando do Exército, devem ser, após perícia
po, entregá-las à Polícia Federal, mediante recibo e
ou vistoria que atestem seu bom estado, destinadas
indenização.
com prioridade para os órgãos de segurança pública
Os possuidores e proprietários de arma de fogo
e do sistema penitenciário da unidade da federação
poderão entregá-la, espontaneamente, mediante reci-
responsável pela apreensão.
bo, e, presumindo-se de boa-fé, serão indenizados, na
Portanto, o Comando do Exército encaminhará a
forma do regulamento, ficando extinta a punibilida-
relação das armas a serem doadas ao juiz competente,
de de eventual posse irregular da referida arma.
que determinará o seu perdimento em favor da insti-
Vale destacar que será aplicada multa de R$
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

tuição beneficiada.
100.000,00 (cem mil reais) a R$ 300.000,00 (trezentos
mil reais), conforme especificar:
Importante!
z À empresa de transporte aéreo, rodoviário, fer-
O transporte das armas de fogo doadas será de roviário, marítimo, fluvial ou lacustre que deli-
responsabilidade da instituição beneficiada, que beradamente, por qualquer meio, faça, promova,
procederá ao seu cadastramento no Sinarm ou facilite ou permita o transporte de arma ou muni-
no Sigma. ção sem a devida autorização ou com inobservân-
cia das normas de segurança;
z À empresa de produção ou comércio de armamen-
No que tange ao Poder Judiciário instituirá instru- tos que realize publicidade para venda, estimulan-
mentos para o encaminhamento ao Sinarm ou ao Sig- do o uso indiscriminado de armas de fogo, exceto
ma, conforme se trate de arma de uso permitido ou nas publicações especializadas. 69
Com relação aos promotores de eventos em locais Parágrafo único. Excetuam-se da proibição as réplicas
fechados, com aglomeração superior a 1000 (um mil) e os simulacros destinados à instrução, ao adestramen-
pessoas, adotarão, sob pena de responsabilidade, as to, ou à coleção de usuário autorizado, nas condições
providências necessárias para evitar o ingresso de fixadas pelo Comando do Exército. Resposta: Letra E.
pessoas armadas, ressalvados os eventos garantidos
pela Constituição Federal. 2. (FAFIPA - 2020) Nos termos da Lei n.º 10.826/03,
As empresas responsáveis pela prestação dos ser- quem favorece a entrada ou saída do território nacio-
viços de transporte internacional e interestadual de nal, a qualquer título, de arma de fogo, acessório ou
passageiros adotarão as providências necessárias
munição, sem autorização da autoridade competente,
para evitar o embarque de passageiros armados.
comete o crime de:
Art. 34-A Os dados relacionados à coleta de regis-
tros balísticos serão armazenados no Banco Nacio- a) Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.
nal de Perfis Balísticos. b) Porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
§1º O Banco Nacional de Perfis Balísticos tem como c) Omissão de cautela.
objetivo cadastrar armas de fogo e armazenar d) Comércio ilegal de arma de fogo.
características de classe e individualizadoras de e) Tráfico internacional de arma de fogo.
projéteis e de estojos de munição deflagrados por
arma de fogo. A questão encontra base legal no artigo 18º:
§2º Banco Nacional de Perfis Balísticos será cons-
Tráfico internacional de arma de fogo
tituído pelos registros de elementos de munição
deflagrados por armas de fogo relacionados a cri- Art. 18 Importar, exportar, favorecer a entrada ou
mes, para subsidiar ações destinadas às apurações saída do território nacional, a qualquer título, de
criminais federais, estaduais e distritais. arma de fogo, acessório ou munição, sem autoriza-
§3º O Banco Nacional de Perfis Balísticos será geri- ção da autoridade competente: Resposta: Letra E.
do pela unidade oficial de perícia criminal.
§4º Os dados constantes do Banco Nacional de 3. (GUALIMP - 2020) Para fins de aquisição de arma de
Perfis Balísticos terão caráter sigiloso, e aquele fogo de uso permitido e de emissão do Certificado de
que permitir ou promover sua utilização para fins
Registro de Arma de Fogo, o interessado NÃO deverá:
diversos dos previstos nesta Lei ou em decisão judi-
cial responderá civil, penal e administrativamente.
a) Ter, no mínimo, trinta e cinco anos de idade.
b) Apresentar original e cópia de documento de identifi-
Importante! cação pessoal.
c) Comprovar a idoneidade moral e a inexistência de
É vedada a comercialização, total ou parcial, inquérito policial ou processo criminal, por meio de
da base de dados do Banco Nacional de Perfis certidões de antecedentes criminais das Justiças
Balísticos. Federal, Estadual, Militar e Eleitoral.
d) Apresentar documento comprobatório de ocupação
A formação, a gestão e o acesso ao Banco Nacional lícita e de residência fixa.
de Perfis Balísticos serão regulamentados em ato do
Poder Executivo federal. A questão encontra base legal no artigo 28º:
Art. 28 É vedado ao menor de 25 (vinte e cinco) anos
adquirir arma de fogo, ressalvados os integrantes
das entidades constantes dos incisos I, II, III, V, VI, VII
EXERCÍCIOS COMENTADOS e X do caput do art. 6° desta Lei. Resposta: Letra A.

1. (FCC - 2013) Em conformidade com o disposto na Lei 4. (GUALIMP - 2020) Com base no Estatuto do desarma-
Federal no 10.826/2003, são vedadas a fabricação, a mento e sua regulamentação estabelecida pela Lei nº
venda, a comercialização e a importação de brinque- 10.826 de 2003, a autorização para o porte de arma de
dos, réplicas e simulacros de armas de fogo, que com fogo de uso permitido, em todo o território nacional, é
estas se possam confundir, excetuando-se os desti- de competência:
nados à instrução, ao adestramento, ou à coleção de
usuário autorizado, nas condições fixadas: a) Do Exército e somente será concedida após autoriza-
ção da Polícia Federal.
a) pela Polícia Militar Estadual. b) Do Sinarm e somente será concedida após autoriza-
b) pela Polícia Federal.
ção do Exército.
c) pela Secretaria de Segurança Pública do Estado.
c) Da Polícia Federal e somente será concedida após
d) pelo Governador dos Estados da Federação e do Dis-
autorização do Sinarm.
trito Federal.
e) pelo Comando do Exército. d) Do Exército e somente será concedida após autoriza-
da pelo Ministério Público Federal.
A questão encontra base legal no parágrafo único,
do artigo 26º: A questão encontra base legal no artigo 10º:
Art. 26 São vedadas a fabricação, a venda, a comer- Art. 10 A autorização para o porte de arma de fogo
cialização e a importação de brinquedos, réplicas e de uso permitido, em todo o território nacional, é de
simulacros de armas de fogo, que com estas se pos- competência da Polícia Federal e somente será conce-
70 sam confundir. dida após autorização do Sinarm. Resposta: Letra C.
5. (CESPE / CEBRASPE - 2019) Com base no disposto prevenção do uso indevido, atenção e reinserção
na Lei n.º 10.826/2003 — conhecida como Estatuto do social de usuários e dependentes de drogas, estabele-
Desarmamento — e suas alterações, assinale a opção cendo, portanto, normas para repressão à produção
correta.: não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas.
a) Todo cidadão pode portar até uma arma de fogo.
b) O certificado de registro de arma de fogo autoriza o pro-
Importante!
prietário da arma a portá-la em todo o território nacional.
c) Cabe ao juiz, com prévia autorização do Sistema Consideram-se como drogas as substâncias ou
Nacional de Armas, a expedição do certificado de os produtos capazes de causar dependência,
registro de arma de fogo. assim especificados em lei ou relacionados em
d) Os residentes em área rural podem manter arma regis- listas atualizadas periodicamente pelo Poder
trada em toda a extensão do respectivo imóvel rural.
Executivo da União.
e) Os residentes em área urbana somente podem manter
arma em sua residência.
Podemos destacar que a lei de drogas é uma norma
A questão encontra base legal no artigo 5º, parágra- penal em branco, ou seja, ela necessita de um comple-
fo 5º que aos residentes em área rural, para os fins mento que traga a definição do que são drogas. Essa
do disposto no caput deste artigo, considera-se resi- complementação e a portaria SVS/MS de nº 344 de 12 de
dência ou domicílio toda a extensão do respectivo
maio de 1998, que traz os princípios ativos das substân-
imóvel rural. Resposta: Letra B.
cias que poderão ser enquadradas como drogas e con-
sequentemente a tipificação da conduta do agente nos
6. (CESPE - 2019) A respeito dos delitos tipificados na
crimes elencados nesta lei. A previsão legal de que a lei
legislação extravagante, julgue o item a seguir, consi-
11.343/2006 é uma norma penal em branco heterogênea
derando a jurisprudência dos tribunais superiores.
O porte de arma de fogo sem autorização e em desa- é o artigo 1º, parágrafo único, c/c art. 66 do diploma legal
cordo com determinação legal ou regulamentar, ainda mencionado. Abaixo segue o art. 66 da lei de drogas:
que a arma esteja desmuniciada ou comprovadamen-
te inapta a realizar disparos, configura delito de porte Art. 66.  Para fins do disposto no parágrafo úni-
ilegal de arma de fogo. co do art. 1o  desta Lei, até que seja atualizada a
terminologia da lista mencionada no preceito,
denominam-se drogas substâncias entorpecentes,
( ) CERTO   ( ) ERRADO
psicotrópicas, precursoras e outras sob controle
especial, da Portaria SVS/MS no 344, de 12 de maio
A Arma quebrada: Arma inapta para realizar o dis-
de 1998.
paro, configura crime impossível, hipótese do artigo
17 do Código Penal, sendo uma causa de excludente
de tipicidade. Resposta: Errado. Consoante ao artigo segundo da lei 11.343/2006, as
substâncias psicotrópicas derivadas das plantas de uso
7. (CESPE - 2019) No item a seguir é apresentada uma estritamente ritualístico-religioso são ressalvas, para
situação hipotética seguida de uma assertiva a ser jul- que ocorra o enquadramento do agente nos crimes
gada considerando-se o Estatuto do Desarmamento, previstos nesta lei, quando for utilizada para essa fina-
o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Sistema lidade. Exemplos de plantas, com substâncias psicotró-
Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas. picas, sendo usadas para ritual religioso: Ayahuasca 
Em uma operação da PRF, foram encontradas, no veí- Portanto, podemos extrair, segundo o artigo 2º da
culo de Sandro, munições de arma de fogo de uso referida Lei, que ficam  proibidas, em todo o território
permitido e, no veículo de Eurípedes, munições de nacional, as drogas, bem como o plantio, a cultura, a
uso restrito. Nenhum deles tinha autorização para o colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais
transporte desses artefatos. Nessa situação, consi- possam ser extraídas ou produzidas drogas, ressalvada
derando-se o previsto no Estatuto de Desarmamento, a hipótese de autorização legal ou regulamentar, bem
Sandro responderá por infração administrativa e Eurí- como o que estabelece a Convenção de Viena, das Nações
pedes responderá por crime. Unidas, sobre Substâncias Psicotrópicas, de 1971, a res-
peito de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso.
( ) CERTO   ( ) ERRADO Pode a União autorizar o plantio, a cultura e a
colheita dos vegetais referidos no caput deste artigo,
Ambos responderão por crime, Sandro (Porte ilegal
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

exclusivamente para fins medicinais ou científicos,


de arma de fogo de uso permitido) e Eurípedes (Pos- em local e prazo predeterminados, mediante fiscaliza-
se ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito). ção, respeitadas as ressalvas supramencionadas.
Resposta: Errado.
DO SISTEMA NACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS
SOBRE DROGAS

LEI Nº 11.343, DE 2006 E SUAS Entende-se por Sisnad o conjunto ordenado de


ALTERAÇÕES princípios, regras, critérios e recursos materiais e
humanos que envolvem as políticas, planos, progra-
A Lei 11.343/2006 apresenta sua vertente de estru- mas, ações e projetos sobre drogas, incluindo-se nele,
tura central o Sistema Nacional de Políticas Públi- por adesão, os Sistemas de Políticas Públicas sobre
cas sobre Drogas – Sisnad, prescreve medidas para Drogas dos Estados, Distrito Federal e Municípios. 71
O Sisnad tem a finalidade de articular, integrar, XI - a observância às orientações e normas emana-
organizar e coordenar as atividades relacionadas com: das do Conselho Nacional Antidrogas - Conad.

Possuindo o conhecimento dos princípios, pode-


A prevenção do uso
mos adentrar aos objetivos do Sisnad:
indevido, a atenção e
a reinserção social de
z Contribuir para a inclusão social do cidadão,
usuários e dependentes
visando a torná-lo menos vulnerável a assumir
de drogas;
comportamentos de risco para o uso indevido de
Sisnad drogas, seu tráfico ilícito e outros comportamentos
correlacionados;
z Promover a construção e a socialização do conhe-
A repressão da produção cimento sobre drogas no país;
não autorizada e do z Promover a integração entre as políticas de pre-
tráfico ilícito de drogas. venção do uso indevido, atenção e reinserção
social de usuários e dependentes de drogas e de
repressão à sua produção não autorizada e ao
Vale destacar que o Sisnad atuará em articulação tráfico ilícito e as políticas públicas setoriais dos
com o Sistema Único de Saúde - SUS, e com o Sistema órgãos do Poder Executivo da União, Distrito Fede-
Único de Assistência Social - SUAS.     ral, Estados e Municípios;
z Assegurar as condições para a coordenação, a inte-
DOS PRINCÍPIOS E DOS OBJETIVOS DO SISTEMA gração e a articulação das atividades.
NACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS SOBRE
DROGAS Possuindo os princípios e objetivos, podemos
afirmar que a organização do Sisnad assegura a
São onze princípios centrais, que estruturam o Sis- orientação central e a execução descentralizada das
tema Nacional de Políticas sobre Drogas, de acordo atividades realizadas em seu âmbito, nas esferas fede-
com o artigo 4º: ral, distrital, estadual e municipal e se constitui maté-
ria definida no regulamento desta Lei.
I - o respeito aos direitos fundamentais da pessoa
humana, especialmente quanto à sua autonomia e DAS COMPETÊNCIAS
à sua liberdade;
II - o respeito à diversidade e às especificidades Compete à União:
populacionais existentes;
III - a promoção dos valores éticos, culturais e de I - formular e coordenar a execução da Política
cidadania do povo brasileiro, reconhecendo-os Nacional sobre Drogas;
como fatores de proteção para o uso indevido de II - elaborar o Plano Nacional de Políticas sobre
drogas e outros comportamentos correlacionados; Drogas, em parceria com Estados, Distrito Federal,
IV - a promoção de consensos nacionais, de ampla Municípios e a sociedade;
participação social, para o estabelecimento dos III - coordenar o Sisnad;
fundamentos e estratégias do Sisnad; IV - estabelecer diretrizes sobre a organização e fun-
V - a promoção da responsabilidade compartilhada cionamento do Sisnad e suas normas de referência;
entre Estado e Sociedade, reconhecendo a impor- V - elaborar objetivos, ações estratégicas, metas,
tância da participação social nas atividades do prioridades, indicadores e definir formas de finan-
Sisnad; ciamento e gestão das políticas sobre drogas;
VI - o reconhecimento da intersetorialidade dos VIII - promover a integração das políticas sobre
fatores correlacionados com o uso indevido de dro- drogas com os Estados, o Distrito Federal e os
gas, com a sua produção não autorizada e o seu Municípios;
tráfico ilícito; IX - financiar, com Estados, Distrito Federal e Muni-
VII - a integração das estratégias nacionais e inter- cípios, a execução das políticas sobre drogas, obser-
nacionais de prevenção do uso indevido, atenção e vadas as obrigações dos integrantes do Sisnad;
reinserção social de usuários e dependentes de dro- X - estabelecer formas de colaboração com Estados,
gas e de repressão à sua produção não autorizada Distrito Federal e Municípios para a execução das
e ao seu tráfico ilícito; políticas sobre drogas;
VIII - a articulação com os órgãos do Ministério XI - garantir publicidade de dados e informações
Público e dos Poderes Legislativo e Judiciário visan- sobre repasses de recursos para financiamento das
do à cooperação mútua nas atividades do Sisnad; políticas sobre drogas;
IX - a adoção de abordagem multidisciplinar que XII - sistematizar e divulgar os dados estatísticos
reconheça a interdependência e a natureza com- nacionais de prevenção, tratamento, acolhimento,
plementar das atividades de prevenção do uso reinserção social e econômica e repressão ao tráfi-
indevido, atenção e reinserção social de usuários e co ilícito de drogas;
dependentes de drogas, repressão da produção não XIII - adotar medidas de enfretamento aos crimes
autorizada e do tráfico ilícito de drogas; transfronteiriços;
X - a observância do equilíbrio entre as atividades XIV - estabelecer uma política nacional de controle
de prevenção do uso indevido, atenção e reinserção de fronteiras, visando a coibir o ingresso de drogas
social de usuários e dependentes de drogas e de no País.
repressão à sua produção não autorizada e ao seu
tráfico ilícito, visando a garantir a estabilidade e o Lembre-se que os estabelecimentos financeiros
72 bem-estar social; estaduais, o serviço de vigilância ostensiva poderá ser
desempenhado pelas Polícias Militares, a critério z Auxiliar na elaboração de políticas sobre drogas;
do Governo da respectiva Unidade da Federação. z Colaborar com os órgãos governamentais no
planejamento e na execução das políticas sobre
DA FORMULAÇÃO DAS POLÍTICAS SOBRE DROGAS drogas, visando à efetividade das políticas sobre
drogas; 
Do Plano Nacional de Políticas sobre Drogas z Propor a celebração de instrumentos de coopera-
ção, visando à elaboração de programas, ações,
São objetivos do Plano Nacional de Políticas sobre atividades e projetos voltados à prevenção, trata-
Drogas, dentre outros:  mento, acolhimento, reinserção social e econômi-
ca e repressão ao tráfico ilícito de drogas;    
z Promover a interdisciplinaridade e integração z Promover a realização de estudos, com o objetivo
de subsidiar o planejamento das políticas sobre
dos programas, ações, atividades e projetos dos
drogas;       
órgãos e entidades públicas e privadas nas áreas
z Propor políticas públicas que permitam a integra-
de saúde, educação, trabalho, assistência social,
ção e a participação do usuário ou dependente de
previdência social, habitação, cultura, desporto e
drogas no processo social, econômico, político e
lazer, visando à prevenção do uso de drogas, aten-
cultural no respectivo ente federado;       
ção e reinserção social dos usuários ou dependen- z Desenvolver outras atividades relacionadas às
tes de drogas;      políticas sobre drogas em consonância com o Sis-
z Viabilizar a ampla participação social na formu- nad e com os respectivos planos.
lação, implementação e avaliação das políticas
sobre drogas;    DO ACOMPANHAMENTO E DA AVALIAÇÃO DAS
z Priorizar programas, ações, atividades e projetos POLÍTICAS SOBRE DROGAS
articulados com os estabelecimentos de ensino,
com a sociedade e com a família para a prevenção De acordo com o artigo 16, as instituições com
do uso de drogas; atuação nas áreas da atenção à saúde e da assistên-
z Ampliar as alternativas de inserção social e eco- cia social que atendam usuários ou dependentes de
nômica do usuário ou dependente de drogas, drogas devem comunicar ao órgão competente do
promovendo programas que priorizem a melhoria respectivo sistema municipal de saúde os casos aten-
de sua escolarização e a qualificação profissional;      didos e os óbitos ocorridos, preservando a identida-
z Promover o acesso do usuário ou dependente de de das pessoas, conforme orientações emanadas da
drogas a todos os serviços públicos; União.
z Estabelecer diretrizes para garantir a efetivida- Já com relação aos dados estatísticos nacionais de
de dos programas, ações e projetos das políticas repressão ao tráfico ilícito de drogas integrarão siste-
sobre drogas;  ma de informações do Poder Executivo.
z Fomentar a criação de serviço de atendimento
telefônico com orientações e informações para DAS ATIVIDADES DE PREVENÇÃO DO USO
apoio aos usuários ou dependentes de drogas; INDEVIDO, ATENÇÃO E REINSERÇÃO SOCIAL DE
z Articular programas, ações e projetos de incen- USUÁRIOS E DEPENDENTES DE DROGAS
tivo ao emprego, renda e capacitação para o
trabalho, com objetivo de promover a inserção Da prevenção
profissional da pessoa que haja cumprido o plano
individual de atendimento nas fases de tratamento Constituem atividades de prevenção do uso inde-
ou acolhimento;        vido de drogas, para efeito desta Lei, aquelas direcio-
z Promover formas coletivas de organização para o nadas para a redução dos fatores de vulnerabilidade e
trabalho, redes de economia solidária e o coope- risco e para a promoção e o fortalecimento dos fatores
rativismo, como forma de promover autonomia ao de proteção
usuário ou dependente de drogas egresso de trata- As atividades de prevenção do uso indevido de
mento ou acolhimento, observando-se as especifi- drogas devem observar os seguintes princípios e
diretrizes:
cidades regionais;         
z Propor a formulação de políticas públicas que
I- o reconhecimento do uso indevido de drogas
conduzam à efetivação das diretrizes e princípios;         
como fator de interferência na qualidade de
z Articular as instâncias de saúde, assistência social vida do indivíduo e na sua relação com a comuni-
e de justiça no enfrentamento ao abuso de drogas; dade à qual pertence;
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

z Promover estudos e avaliação dos resultados das II - a adoção de conceitos objetivos e de fundamen-
políticas sobre drogas. tação científica como forma de orientar as ações
dos serviços públicos comunitários e privados e de
O plano terá duração de 5 (cinco) anos a contar de evitar preconceitos e estigmatização das pes-
sua aprovação e o poder público deverá dar a mais soas e dos serviços que as atendam;
ampla divulgação ao conteúdo do Plano Nacional de III - o fortalecimento da autonomia e da respon-
Políticas sobre Drogas. sabilidade individual em relação ao uso indevi-
do de drogas;
IV - o compartilhamento de responsabilidades e a
Dos Conselhos de Políticas sobre Drogas colaboração mútua com as instituições do setor
privado e com os diversos segmentos sociais,
Os conselhos de políticas sobre drogas, constituí- incluindo usuários e dependentes de drogas e res-
dos por Estados, Distrito Federal e Municípios, terão pectivos familiares, por meio do estabelecimento
os seguintes objetivos:  de parcerias; 73
V - a adoção de estratégias preventivas dife- vida e à redução dos riscos e dos danos associados ao
renciadas e adequadas às especificidades socio- uso de drogas.
culturais das diversas populações, bem como das Ademais, as atividades de reinserção social do
diferentes drogas utilizadas; usuário ou do dependente de drogas e respectivos
VI - o reconhecimento do “não-uso”, do “retar- familiares, para efeito desta Lei, aquelas direcionadas
damento do uso” e da redução de riscos como
para sua integração ou reintegração em redes sociais.
resultados desejáveis das atividades de natureza
As atividades de atenção e as de reinserção social do
preventiva, quando da definição dos objetivos a
serem alcançados; usuário e do dependente de drogas e respectivos familia-
VII - o tratamento especial dirigido às parcelas res devem observar os seguintes princípios e diretrizes:
mais vulneráveis da população, levando em
consideração as suas necessidades específicas; I - respeito ao usuário e ao dependente de drogas,
VIII - a articulação entre os serviços e organiza- independentemente de quaisquer condições, obser-
ções que atuam em atividades de prevenção do uso vados os direitos fundamentais da pessoa humana,
indevido de drogas e a rede de atenção a usuários os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde
e dependentes de drogas e respectivos familiares; e da Política Nacional de Assistência Social;
IX - o investimento em alternativas esporti- II - a adoção de estratégias diferenciadas de aten-
vas, culturais, artísticas, profissionais, entre ção e reinserção social do usuário e do dependente
outras, como forma de inclusão social e de melho- de drogas e respectivos familiares que considerem
ria da qualidade de vida; as suas peculiaridades socioculturais;
X - o estabelecimento de políticas de formação III - definição de projeto terapêutico individualiza-
continuada na área da prevenção do uso indevi- do, orientado para a inclusão social e para a redu-
do de drogas para profissionais de educação nos 3 ção de riscos e de danos sociais e à saúde;
(três) níveis de ensino; IV - atenção ao usuário ou dependente de dro-
XI - a implantação de projetos pedagógicos de gas e aos respectivos familiares, sempre que pos-
prevenção do uso indevido de drogas, nas insti- sível, de forma multidisciplinar e por equipes
tuições de ensino público e privado, alinhados às multiprofissionais;
Diretrizes Curriculares Nacionais e aos conheci- V - observância das orientações e normas emana-
mentos relacionados a drogas; das do Conad;
XII - a observância das orientações e normas ema- VI - o alinhamento às diretrizes dos órgãos de con-
nadas do Conad; trole social de políticas setoriais específicas.
XIII - o alinhamento às diretrizes dos órgãos de VII - estímulo à capacitação técnica e profissional;
controle social de políticas setoriais específicas. VIII - efetivação de políticas de reinserção social
voltadas à educação continuada e ao trabalho;         
As atividades de prevenção do uso indevido de IX - observância do plano individual de atendimen-
drogas dirigidas à criança e ao adolescente deverão to na forma do art. 23-B desta Lei;   
estar em consonância com as diretrizes emanadas X - orientação adequada ao usuário ou dependente
pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e de drogas quanto às consequências lesivas do uso
do Adolescente - Conanda. de drogas, ainda que ocasional.      

Da Semana Nacional de Políticas Sobre Drogas As pessoas atendidas por órgãos integrantes do
Sisnad terão atendimento nos programas de educação
Criou-se a Semana Nacional de Políticas sobre Dro- profissional e tecnológica, educação de jovens e adul-
gas, comemorada anualmente, na quarta semana de tos e alfabetização.
junho, data em que visa a intensificação de ações de: É importante destacar que a Lei 11.343/2006 abor-
dou que as redes dos serviços de saúde da União, dos
z Ações: Estados, do Distrito Federal, dos Municípios desenvol-
verão programas de atenção ao usuário e ao depen-
„ Difusão de informações sobre os problemas decor- dente de drogas, no entanto, deverá ser obrigatória a
rentes do uso de drogas; previsão orçamentária adequada.
„ Promoção de eventos para o debate público sobre as
Vale ressaltar que o tratamento do usuário ou
políticas sobre drogas;
dependente de drogas deverá ser ordenado em uma
„ Difusão de boas práticas de prevenção, trata- rede de atenção à saúde, com prioridade para as
mento, acolhimento e reinserção social e eco-
modalidades de tratamento ambulatorial, incluindo
nômica de usuários de drogas;
„ Divulgação de iniciativas, ações e campanhas de pre- excepcionalmente formas de internação em unida-
venção do uso indevido de drogas; des de saúde e hospitais gerais nos termos de normas
„ Mobilização da comunidade para a participação nas dispostas pela União e articuladas com os serviços de
ações de prevenção e enfrentamento às drogas; assistência social e em etapas que permitam:
„ Mobilização dos sistemas de ensino, na realização de
atividades de prevenção ao uso de drogas. z Articular a atenção com ações preventivas que
atinjam toda a população;
DAS ATIVIDADES DE PREVENÇÃO, TRATAMENTO, z Orientar-se por protocolos técnicos predefinidos,
ACOLHIMENTO E DE REINSERÇÃO SOCIAL E baseados em evidências científicas, oferecendo
ECONÔMICA DE USUÁRIOS OU DEPENDENTES DE atendimento individualizado ao usuário ou depen-
DROGAS dente de drogas com abordagem preventiva e,
sempre que indicado, ambulatorial;      
É essencial destacar que as atividades de atenção z Preparar para a reinserção social e econômica,
ao usuário e dependente de drogas e respectivos fami- respeitando as habilidades e projetos individuais
74 liares, aquelas que visem à melhoria da qualidade de por meio de programas que articulem educação,
capacitação para o trabalho, esporte, cultura e Todas as internações e altas, deverão ser infor-
acompanhamento individualizado; madas, em, no máximo, 72 (setenta e duas) horas, ao
z Acompanhar os resultados pelo SUS, Suas e Sisnad, Ministério Público, à Defensoria Pública e a outros
de forma articulada.   órgãos de fiscalização, por meio de sistema informati-
zado único, sendo garantido o sigilo das informações
Portanto, caberá à União dispor sobre os protoco- disponíveis no sistema e o acesso será permitido ape-
los técnicos de tratamento, em âmbito nacional. Já a nas às pessoas autorizadas a conhecê-las, sob pena de
internação de dependentes de drogas somente será responsabilidade, de acordo com o § 7º.
realizada em unidades de saúde ou hospitais gerais, É vedada a realização de qualquer modalidade de
dotados de equipes multidisciplinares e deverá ser internação nas comunidades terapêuticas acolhedoras.
obrigatoriamente autorizada por médico devidamen- Já o planejamento e a execução do projeto terapêuti-
te registrado no Conselho Regional de Medicina - CRM co individual deverão observar a Lei nº 10.216, de 6 de
do Estado onde se localize o estabelecimento no qual abril de 2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos
se dará a internação, vide o § 2º, do art. 23-A. das pessoas portadoras de transtornos mentais e redi-
É importante destacar que há dois tipos de inter- reciona o modelo assistencial em saúde mental. 
nação, sendo elas
DO PLANO INDIVIDUAL DE ATENDIMENTO
z Internação voluntária – aquela que se dá com o
consentimento do dependente de drogas. O plano individual de atendimento visa o atendi-
z Internação involuntária – aquela que se dá, sem mento ao usuário ou dependente de drogas na rede de
o consentimento do dependente, a pedido de fami- atenção à saúde e dependerá de:
liar ou do responsável legal ou, na absoluta falta
deste, de servidor público da área de saúde, da z Avaliação prévia por equipe multidisciplinar e
assistência social ou dos órgãos públicos integran- multissetorial.
tes do Sisnad, com exceção de servidores da área z Elaboração de um Plano Individual de Atendimen-
de segurança pública, que constate a existência de to – PIA.
motivos que justifiquem a medida.
A avaliação prévia da equipe técnica subsidiará a
Precisamos nesse ponto, aprofundar mais, vamos lá? elaboração e execução do projeto terapêutico indivi-
dual a ser adotado, levantando no mínimo o tipo de
Internação voluntária: droga e o padrão de seu uso o risco à saúde física e
mental do usuário ou dependente de drogas ou das
pessoas com as quais convive.    
Deverá ser precedida Já o PIA deverá contemplar a participação dos
de declaração escrita familiares ou responsáveis, os quais têm o dever de
da pessoa solicitante contribuir com o processo, sendo esses, no caso de
de que optou por este
crianças e adolescentes, passíveis de responsabiliza-
regime de tratamento;
ção civil, administrativa e criminal, além de ser ini-
cialmente elaborado sob a responsabilidade da equipe
Internação
Seu término dar-se-á técnica do primeiro projeto terapêutico que atender o
Voluntária
por determinação do usuário ou dependente de drogas e será atualizado ao
médico responsável longo das diversas fases do atendimento.
ou por solicitação Preenchido os requisitos, deverá constar no plano
escrita da pessoa que individual, o rol exemplificativo de no mínimo:
deseja interromper o
tratamento. z Os resultados da avaliação multidisciplinar;
z Os objetivos declarados pelo atendido;
Já a internação involuntária, de acordo com o § 5º: z A previsão de suas atividades de integração social
ou capacitação profissional;
z Deve ser realizada após a formalização da decisão z Atividades de integração e apoio à família;
por médico responsável;  z Formas de participação da família para efetivo
z Será indicada depois da avaliação sobre o tipo cumprimento do plano individual;
de droga utilizada, o padrão de uso e na hipótese z Designação do projeto terapêutico mais adequado
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

comprovada da impossibilidade de utilização de para o cumprimento previso no plano;


outras alternativas terapêuticas previstas na rede z As medidas específicas de atenção à saúde do
de atenção à saúde;         atendido.
z Perdurará apenas pelo tempo necessário à desin-
toxicação, no prazo máximo de 90 dias, tendo seu
término determinado pelo médico responsável;         Importante!
z A família ou o representante legal poderá, a qual- O PIA será elaborado no prazo de até 30 (trinta)
quer tempo, requerer ao médico a interrupção do dias da data do ingresso no atendimento.
tratamento.

A internação, em qualquer de suas modalidades, Já as informações produzidas na avaliação e as


só será indicada quando os recursos extra-hospitala- registradas no plano individual de atendimento são
res se mostrarem insuficientes. consideradas sigilosas. 75
A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municí- 1ª corrente – O art. 28 tem natureza jurídica de crime.
pios poderão conceder benefícios às instituições pri-
Fundamentos:
vadas que desenvolverem programas de reinserção
no mercado de trabalho, do usuário e do dependente
a) O comportamento do usuário está inserido no
de drogas encaminhados por órgão oficial, de acordo
capítulo III intitulado “dos crimes”.
com o Art. 24.
b) O art. 28, §4º, fala em reincidência.
Vale destacar, segundo o Art. 25, as instituições da
c) O art.30 fala em prescrição criminal.
sociedade civil, sem fins lucrativos, com atuação nas
d) O art.5º, XLVI, CRFB/1988, prevê outras penas,
áreas da atenção à saúde e da assistência social, que
além das de reclusão e detenção.
atendam usuários ou dependentes de drogas poderão
receber recursos do Funad, condicionados à sua dis-
2ª corrente – A natureza jurídica do art.28 é de
ponibilidade orçamentária e financeira.
infração penal “sui generis” (Luiz Flávio Gomes).
E, por fim, o usuário e o dependente de drogas que, em
Fundamentos:
razão da prática de infração penal, estiverem cumprindo
pena privativa de liberdade ou submetidos a medida de
segurança, têm garantidos os serviços de atenção à sua a) O fato de o comportamento está no capítulo 3,
saúde, definidos pelo respectivo sistema penitenciário. intitulado dos crimes não significa que é cri-
me, pois não raras vezes o legislador intitula
DO ACOLHIMENTO EM COMUNIDADE como crime infrações diversas (por exemplo dec.
TERAPÊUTICA ACOLHEDORA lei 201/1967, chama de crime infrações política
– administrativas);
O acolhimento do usuário ou dependente de dro- b) A expressão reincidência não é exclusiva de crime
gas na comunidade terapêutica acolhedora caracteri- presentes também nas infrações administrativas,
za-se, de acordo com o Art. 26-A, por: disciplinares;
c) Prescrição também não é exclusiva de crimes,
I- oferta de projetos terapêuticos ao usuário ou cabendo nos ilícitos civis, atos infracionais, etc...
dependente de drogas que visam à abstinência; d) A lei de introdução ao código penal fala em reclu-
II - adesão e permanência voluntária, formalizadas são e detenção para crimes e prisão simples para
por escrito, entendida como uma etapa transitória contravenção. Não tendo o art.28 qualquer dessas
para a reinserção social e econômica do usuário ou penas, caracteriza infração penal “sui generis”;
dependente de drogas; e) O art.48, § 2º, da lei 11343/2006, determina que o
III - ambiente residencial, propício à formação de usuário seja levado ao juiz e não à delegacia.
vínculos, com a convivência entre os pares, ativi-
dades práticas de valor educativo e a promoção do É o mesmo tratamento dado para o menor infrator.
desenvolvimento pessoal, vocacionada para aco- 3ª corrente – O art.28 não configura infração
lhimento ao usuário ou dependente de drogas em penal, mas fato atípico sujeito das medidas educati-
vulnerabilidade social; vas. (Alice Bianchini).
IV - avaliação médica prévia;
Fundamentos:
V - elaboração de plano individual de atendimento
na forma do art. 23-B desta Lei;
a) A lei 11.343/2006 ao invés de punir prefere falar
VI - vedação de isolamento físico do usuário ou
dependente de drogas. em medidas educativas para o usuário;
b) O não cumprimento das medidas não gera conse-
Não são elegíveis para o acolhimento as pessoas quência penal. Ex.: Se o condenado não cumprir, o
com comprometimentos biológicos e psicológicos de juiz pode dobrar e se o delinquente continuar des-
natureza grave que mereçam atenção médico-hospi- cumprindo o máximo que o magistrado pode fazer é
talar contínua ou de emergência, caso em que deve- impor multa cominatória por dia de trabalho faltado;
rão ser encaminhadas à rede de saúde. c) Princípio da intervenção mínima;
d) A saúde individual é um bem jurídico disponível.
DOS CRIMES E DAS PENAS
O STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu sobre a
As penas, poderão ser aplicadas isolada ou cumu- despenalização da posse de drogas para uso pessoal,
lativamente, bem como substituídas a qualquer tem- embora a conduta não tenha deixado de ser conside-
po, ouvidos o Ministério Público e o defensor. rada criminosa.

Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósi- z Bem jurídico tutelado ou objetividade jurídica: A
to, transportar ou trouxer consigo, para consumo Saúde Pública colocada em risco pelo comportamen-
pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo to do usuário. Não se pune o porte da droga para o
com determinação legal ou regulamentar será sub- uso próprio, em função da proteção à saúde do agen-
metido às seguintes penas: te, mas em razão do mal potencial que pode gerar a
coletividade.
z Tem o preceito primário (conteúdo criminoso); z Sujeito ativo – Aquele que pratica a conduta pre-
z Tem o preceito secundário (consequência jurídica). vista como crime. Pode ser qualquer pessoa, ou
seja, crime comum.
Caso de pena alternativa e não substitutiva z Sujeito passivo – Aquele que sofre a conduta pre-
Existe algumas correntes doutrinarias, vamos vista como crime. É a coletividade, ou seja, crime
76 analisá-las? vago.
z Conceito de crime vago – É aquele que tem por congêneres, públicos ou privados sem fins lucrativos,
sujeito passivo uma entidade destituída de persona- que se ocupem, preferencialmente, da prevenção do
lidade jurídica, como a sociedade, o público, a famí- consumo ou da recuperação de usuários e dependen-
lia etc... tes de drogas, segundo § 5º, do referido artigo.
z Uso pretérito – Não se pune o agente se for sur- O § 6º dita que para garantia do cumprimento das
preendido usando ou logo depois de usar a droga, medidas educativas, a que injustificadamente se recu-
sem possibilidade de se usar a droga em seu poder.
se o agente, poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente
z Elemento subjetivo – O crime é punido a título de
a admoestação verbal e/ou multa.
dolo mais fim especial (consumo próprio).
z Consumação – Consuma-se com prática de qual- Ademais, o juiz determinará ao Poder Público que
quer um dos núcleos: quem adquirir, guardar, coloque à disposição do infrator, gratuitamente, esta-
tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo. belecimento de saúde, preferencialmente ambulato-
z Crime de Perigo Abstrato – Para a maioria o cri- rial, para tratamento especializado.
me é de perigo abstrato (crime absolutamente pre- Correspondente a imposição da medida educativa
visto em lei). de multa, o juiz, atendendo à reprovabilidade da con-
duta, fixará o número de dias-multa, em quantidade
O eminente jurista, Guilherme de Souza Nucci, nunca inferior a 40 (quarenta) nem superior a 100
rotula o art.28 da lei 11.343/2006 como de “ínfimo (cem), atribuindo depois a cada um, segundo a capaci-
potencial ofensivo”, tendo em vista que, mesmo sen- dade econômica do agente, o valor de um trinta avos
do inviável no caso concreto a transação penal, ainda até 3 (três) vezes o valor do maior salário mínimo, sen-
que reincidente o agente e com maus antecedentes do creditados à conta do Fundo Nacional Antidrogas.
ou péssima conduta social, jamais será aplicada a
A prescrição ocorrerá em 2 (dois) anos a imposição
pena privativa liberdade, mas penas alternativas com
e a execução das penas, observado, no tocante à inter-
medidas assecuratórias de cumprimento.
Já no que corresponde as penas: rupção do prazo.

DA REPRESSÃO À PRODUÇÃO NÃO AUTORIZADA E


AO TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS
Advertência sobre os
efeitos das drogas; Art. 31. É indispensável a licença prévia da auto-
ridade competente para produzir, extrair, fabricar,
transformar, preparar, possuir, manter em depósi-
to, importar, exportar, reexportar, remeter, trans-
portar, expor, oferecer, vender, comprar, trocar,
ceder ou adquirir, para qualquer fim, drogas ou
Penas Prestação de serviços à
matéria-prima destinada à sua preparação, obser-
comunidade;
vadas as demais exigências legais

A previsão legal da destruição das plantações ilíci-


tas está no artigo 32 e da destruição das drogas ilícitas
Medida educativa de no artigo 50, todos da lei 11.343/2006.
comparecimento à A destruição das drogas apreendidas sem a ocor-
programa ou curso rência de prisão em flagrante será feita por incinera-
educativo. ção, no prazo máximo de 30 (trinta) dias contados da
data da apreensão, guardando-se amostra necessária
à realização do laudo definitivo.
Art. 28[...]
§ 1º Às mesmas medidas submete-se quem, para seu Art. 32. As plantações ilícitas serão imediatamente
consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destruídas pelo delegado de polícia, que recolhe-
destinadas à preparação de pequena quantidade de rá quantidade suficiente para exame pericial, de
substância ou produto capaz de causar dependên- tudo lavrando auto de levantamento das condições
cia física ou psíquica.
encontradas, com a delimitação do local, assegura-
§ 2º Para determinar se a droga se destinava a
das as medidas necessárias para a preservação da
consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

quantidade da substância apreendida, ao local e prova.


às condições em que se desenvolveu a ação, às cir-
cunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta Abaixo montamos uma tabela trazendo as diferen-
e aos antecedentes do agente. ças e a literalidade dos artigos mencionados.

No que tange às penas de prestação de serviços à PLANTAÇÕES ILÍCITAS DROGAS ILÍCITAS


comunidade, medida educativa de comparecimento à
programa ou curso educativo, serão aplicadas pelo pra- Quem Poderá Destruir? Quem Poderá destruir?
zo máximo de 5 (cinco) meses e em caso de reincidên- R.: Delegado De Polícia R.: Delegado De Polícia
cia, será aplicado pelo prazo máximo de 10 (dez) meses.
Precisa-Se de Precisa-Se De
A prestação de serviços à comunidade será cum-
Autorização Judicial? Autorização Judicial?
prida em programas comunitários, entidades educa-
R.: Não R.: Sim
cionais ou assistenciais, hospitais, estabelecimentos 77
PLANTAÇÕES ILÍCITAS DROGAS ILÍCITAS Sujeito ativo – Qualquer pessoa (crime comum).
Sujeito passivo – A coletividade (crime vago).
Quando Que Ocorrerá a
Destruição? Vender substância geradora de dependência para
R.: Depois da criança ou adolescente:
Determinação Judicial a
Quando que ocorrerá a 1ª hipótese – Substância prevista na portaria 344
Autoridade Policial tem
destruição? SVS/MS, art. 33 da lei 11.343/2006, por exemplo: maco-
um Prazo De 15 Dias
R.: Imediatamente nha, vai incidir a majorante do art.40, inc. VIII, da lei
Para Destruir A Droga Na
Presença Do Ministério 11.343/2006.
Público E Da Autoridade 2ª hipótese – Substância não prevista na portaria
Sanitária. 344 SVS/MS, art. 243 do ECA (lei 8.069/1990), por exem-
plo: cola de sapateiro, thinner, etc.
Conduta – O artigo 33 da lei 11343/2006 possui 18
Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade de condutas, sendo considerado pela doutrina como cri-
polícia judiciária fará, imediatamente, comunica- me de ação múltipla ou conteúdo variado e também
ção ao juiz competente, remetendo-lhe cópia do auto crime plurinuclear.
lavrado, do qual será dada vista ao órgão do Ministé-
Importante – Mesmo que o agente pratique, no
rio Público, em 24 (vinte e quatro) horas.
mesmo contexto fático e sucessivamente, mais de uma
Já para os efeitos da lavratura do auto de prisão
ação típica (Ex.: importa, guarda e vende), por força do
em flagrante e estabelecimento da materialidade do
princípio da alternatividade responderá por crime úni-
delito, é suficiente o laudo de constatação da natureza
co. O juiz deve considerar a pluralidade de núcleos na
e quantidade da droga, firmado por perito oficial ou,
fixação da pena. Faltando proximidade comportamen-
na falta deste, por pessoa idônea.
No que tange ao perito que subscrever o laudo de tal entre as várias condutas haverá concurso de crimes.
constatação da natureza e quantidade da droga, não Equivale à ausência de autorização o desvio de
ficará impedido de participar da elaboração do laudo autorização, ainda que regularmente concedida.
definitivo. A jurisprudência, posiciona-se no seguinte sentido
Recebida cópia do auto de prisão em flagrante, o – Dificuldade de subsistência por meios lícitos decor-
juiz, no prazo de 10 (dez) dias, certificará a regulari- rentes de doença, embora grave, não justifica apelo ao
dade formal do laudo de constatação e determinará recurso ilícito, moralmente reprovável e socialmente
a destruição das drogas apreendidas, guardando-se perigoso, de se entregar o agente ao comércio de drogas.
amostra necessária à realização do laudo definitivo. 
No que compreende a destruição das drogas será Circunstâncias indicativas do tráfico:
executada pelo delegado de polícia competente no
prazo de 15 (quinze) dias na presença do Ministério a) Quantidade e natureza da subsistência
Público e da autoridade sanitária.  b) Local e as condições e em que se desenvolva a ação
O local deverá ser vistoriado antes e depois de efe- criminosa
tivada a destruição das drogas referida no § 3o, sendo c) Circunstâncias da prisão
lavrado auto circunstanciado pelo delegado de polí- d) A conduta, a qualificação e os antecedentes do
cia, certificando-se neste a destruição total delas.  agente.
Em caso de ser utilizada a queimada para destruir
a plantação, observar-se-á, além das cautelas neces- Elemento Subjetivo – É o dolo.
sárias à proteção ao meio ambiente, no que couber, Consumação – Consuma-se com a prática dos
dispensada a autorização prévia do órgão próprio do núcleos (não se exigindo efetivo ato de tráfico – Ex.:
Sistema Nacional do Meio Ambiente - Sisnama. guardar para o tráfico).
Alguns núcleos configuram crime permanente
(Ex.: guardar, manter em depósito, etc...).
Importante!
As glebas cultivadas com plantações ilícitas Tentativa:
serão expropriadas.
1ª corrente – A multiplicidade de condutas incri-
minadas inviabiliza a tentativa.
DOS CRIMES 2ª corrente – Admite-se a tentativa como na hipó-
tese de tentar adquirir (Decisões do STJ nesse sentido).
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, pro- Concurso de crimes – É possível o concurso de
duzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, ofe- crimes. Exemplo: tráfico de drogas mais furto. Sub-
recer, ter em depósito, transportar, trazer consigo,
traiu 200 quilos de drogas da Unioeste; Ex.: tráfico de
guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo
drogas mais receptação. Comprador de drogas ofere-
ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem
autorização ou em desacordo com determinação ce um relógio produto de roubo como forma de paga-
legal ou regulamentar, terá uma pena de reclusão mento do traficante.
de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 Embora seja possível haver o concurso de crimes,
(quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa. a prática de mais de uma conduta prevista no art. 33
não acarreta concurso de crimes, por se tratar de um
Bem jurídico tutelado ou objetividade jurídica – tipo penal misto alternativo.
Saúde pública (tutela imediata); saúde individual das É possível concurso de tráfico de drogas e sonega-
78 pessoas que integram a sociedade (tutela imediata). ção fiscal?
A primeira turma do STF, no HC 94.240 (23/08/2011), Elemento subjetivo – Dolo.
por maioria de votos, decidiu pela possibilidade do Consumação – Com a prática dos núcleos (atenção
princípio do non olet no direito penal, isto é, a incidên- – cultivar é crime permanente), sendo considerado
cia de tributação sobre valores arrecadados em virtu- um crime de perigo abstrato.
de de atividade ilícita, consoante ao art.118 do CTN (O O inciso III, do § 1º, do art. 33 apresenta que na
Min. Marco Aurélio, vencido, defendeu a tese de que o mesma pena incorre quem utiliza local ou bem de
recolhimento de tributo pressupõe atividade legítima). qualquer natureza de que tem a propriedade, posse,
Vale destacar, de acordo com o § 1º do art. 33, que administração, guarda ou vigilância, ou consente que
nas mesmas penas incorre quem importa, expor- outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem
ta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à autorização ou em desacordo com determinação legal
venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas.
traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem Elemento subjetivo – Crime é punido a título de
autorização ou em desacordo com determinação legal dolo mais a finalidade de servir seu bem móvel ou
ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto imóvel ao tráfico
químico destinado à preparação de drogas; Cuidado: Se a conduta do agente visa facilitar o
Para te ajudar a diferenciar: uso por terceiro não caracteriza o inciso III, do § 1º, do
art.33, mas o § 2º, do art.33
Atenção: Não exige a finalidade de lucro.
ART.33 DA CAPUT ART.33, § 1º, INC. I
Na primeira modalidade (o agente utiliza) o crime
Objeto material se consuma com o efetivo proveito do bem ou do local.
a) Matéria prima: Destina- Na segunda modalidade (consentir), bastando a mera
do à produção de drogas. permissão.
b) Insumo. No que corresponde ao inciso IV, do § 1º, do art.
Objeto material drogas 33, vender ou entregar drogas ou matéria-prima,
c) Produto químico desti-
nado à produção de drogas insumo ou produto químico destinado à preparação
(Ex.: éter, ácido sulfúrico e de drogas, sem autorização ou em desacordo com a
acetona). determinação legal ou regulamentar, a agente policial
disfarçado, quando presentes elementos probatórios
razoáveis de conduta criminal preexistente.
Compreende as substâncias destinadas, exclusiva- Vamos avançar, agora para o § 2º, do artigo 33,
mente, à preparação da droga, como as que, eventual- a Lei 11.343/2006 apresenta que induzir, instigar ou
mente, prestem-se a esta finalidade. auxiliar alguém ao uso indevido de droga, poderá ter
Também depende de perícia para analisar a poten- uma pena de detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e
cialidade lesiva do produto. multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa.
Outro ponto importante:
De acordo com a maioria da doutrina, o crime dis- Sujeito ativo – Qualquer pessoa (crime comum).
pensa a vontade de querer empregar à produção de Sujeito passivo:
drogas, bastando o conhecimento de sua capacidade
para tanto. z Primário: Estado.
Consumação – Com a prática de qualquer dos z Secundário: Indivíduo induzido, instigado ou auxi-
núcleos, dispensando a efetiva preparação da droga. liado ao uso.
Sendo considerado um crime de perigo abstrato.
Tentativa – É admitida. Induzir – Fazer nascer a ideia.
Já o artigo 33, parágrafo 1º, inciso II, apresenta Instigar – Reforçar ideia já existente.
que na mesma pena incorre quem semeia, cultiva ou Auxiliar – Assistência material (emprestar dinhei-
ro para alguém adquirir droga).
faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar, de plantas que
se constituam em matéria-prima para a preparação
Importante!
de drogas; (plantio para uso próprio).
A marcha da maconha não configura este crime
ART.33 ART.33, § 1º, ART.33, § 1º, (liberdade de manifestação de pensamento),
CAPUT INC.I INC.II pois o que se pretende com a manifestação é a
descriminalização do uso da maconha – enten-
Objeto Objeto material: Objeto
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

dimento do STF.
material: Material:
a) Matéria prima.
Drogas b) Insumo. Plantas que se Elemento subjetivo – Dolo.
c) Produto químico. constituem em Consumação:
matéria prima
1º Corrente – O crime se consuma com o simples
induzimento, instigação ou auxílio, mesmo que a víti-
Com o advento da lei 11.343/2006, pode configurar ma não faça uso da droga, bastando a potencialidade
o inc. II, do §1º, do art.33 (média ou grande quantida- lesiva. (Crime formal)
de de plantas, mesmo para uso próprio), ou § 1º , do 2ª Corrente – O crime se consuma quando a pes-
art.28 (plantas destinadas à preparação de pequena soa incentivada faz efetivo uso da droga (crime mate-
quantidade de drogas), da lei. rial). Corrente defendida por Vicente Greco Filho e a
Tem que haver perícia. maioria da doutrina. 79
CESSÃO GRATUITA DE DROGA PARA CONSUMO Observação: A vedação da substituição da pena
CONJUNTO privativa de liberdade por restritivas de direitos foi
julgada inconstitucional pelo STF (HC 97256)
Cessão gratuita de droga para consumo conjun-
to, pode ser localizado no § 3º, do artigo 33, da Lei DIMINUIÇÃO DE PENA
11.343/2006, dispondo que oferecer droga, eventual-
mente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacio- 1ª Corrente – O privilégio deve retroagir para
namento, para juntos a consumirem, terá uma pena de alcançar os fatos pretéritos, observando, contudo,
detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de pena mínima de 1 ano de 8 meses.
700 (setecentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa. 2ª Corrente – O privilégio deve retroagir para
Para te ajudar, trouxemos um quadro comparati- alcançar os fatos pretéritos, dispensando saldo míni-
vo, vamos vê-lo: mo (Entendimento do STJ).

ANTES DEPOIS TRÁFICO DE DROGAS OU MATÉRIA-PRIMA


1ª corrente – que confi-
gurava tráfico de drogas Pode configurar: Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar,
Fundamento – A lei a) Art.33, “caput”. Ou oferecer, vender, distribuir, entregar a qualquer
tipifica como tráfico8 a b) §3º, do art.33, tráfico de título, possuir, guardar ou fornecer, ainda que gra-
cessão gratuita, não im- menor potencial ofensivo. tuitamente, maquinário, aparelho, instrumento ou
portando se haverá ou Requisitos: qualquer objeto destinado à fabricação, prepara-
não consumo conjunto 1) Oferecer droga ção, produção ou transformação de drogas, sem
2ª corrente – Art.12 eventualmente; autorização ou em desacordo com determinação
da lei 6368/1976 deixa 2) Sem objetivo de lucro legal ou regulamentar terá uma pena de reclusão,
de ser equiparado por direto ou indireto de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 1.200
ausência de finalidade 3) A pessoa de seu (mil e duzentos) a 2.000 (dois mil) dias-multa
de lucro relacionamento
3ª corrente – deve ser � Requisitos cumulativos Objeto Material – Tráfico de maquinários, apa-
tratado como usuário relhos, instrumentos ou qualquer objeto destinado à
fabricação da droga.
É considerado pela doutrina como subsidiário, ou
TRÁFICO PRIVILEGIADO
seja, praticando o agente, no mesmo contexto fático,
tráfico de drogas e de maquinário, deve responder
Pode ser localizado o tráfico privilegiado no § 4º,
somente pelo art.33, ficando o art.34 absorvido.
do artigo 33, apresentando que nos delitos definidos
Consumação – Consuma-se com a prática de qual-
no caput e no § 1o deste artigo, as penas poderão ser
quer um dos núcleos do tipo (independente da efetiva
reduzidas de um sexto a dois terços, desde que o agen-
produção da droga).
te seja primário, de bons antecedentes, não se dedique
Cuidado: Tem modalidades permanentes (ex.:
às atividades criminosas nem integre organização
transportar, possuir, guardar).
criminosa. 
Tentativa – De acordo com a maioria admite
tentativa.
Requisitos:
Agente primário e de bons antecedentes:
1. Agente primário de bons antecedentes;
2. Não se dedique a atividades criminosas; ART.33 ART.34
3. Não integre organização criminosa (não precisa § 4º Redução de pena De Não existe previsão de
ser necessariamente organizações criminosas vol- 1/6 A 2/3 redução de pena
tadas para a prática do crime de tráfico de drogas,
mas sim toda e qualquer organização criminosa). Pena de 5 a 15 Anos de
Reclusão
Pena de 3 a 10 Anos
Faltando um desses requisitos esqueça a possibili- Pode Chegar a 1 Ano e 8
dade do privilégio. Meses
Natureza jurídica – Causa especial de diminuição
de pena (1/6 a 2/3)
Tem doutrina aplicando o art.33, § 4º, ao art.34
A redução deve considerar quais circunstâncias?
analogicamente em parte.
1ª Corrente – A redução da pena varia de acordo
com o tipo e a quantidade da droga; ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO
2ª Corrente – A segunda turma do STF, no
HC107.857 (23/08/2011) reafirmou a orientação no sen- Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para
tido de que a quantidade da droga deve ser considera- o fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer
da na fixação da pena base (art.42 da lei 11343/2006, dos crimes, terá pena de reclusão, de 3 (três) a 10
sendo impróprio invocá-lo por ocasião do art. 33, §4º, (dez) anos, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.200
sob pena de “BIS IN IDEM”). (mil e duzentos) dias-multa.
3º Corrente – A redução deve variar conforme o Nas mesmas penas do caput deste artigo incorre
art.59 do código penal (Guilherme de Souza Nucci). quem se associa para a prática reiterada do crime
definido na conduta de financiar ou custear a prá-
Atenção – Presentes os requisitos, a redução da tica de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33,
80 pena é direito subjetivo do réu (é o que prevalece). caput e § 1º, e 34 desta Lei.
Para facilitar, montamos um quadro comparativo: Lei, tendo como pena a reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis)
anos, e pagamento de 300 (trezentos) a 700 (setecen-
ART.288 (ASSOCIAÇÃO ART.35 (ASSOCIAÇÃO tos) dias-multa.
CRIMINOSA) DO PARA O TRÁFICO) DA Objetividade jurídica – É a tutela da saúde públi-
CÓDIGO PENAL LEI 11.343/2006 ca. Secundariamente, a vida e a saúde de cada pessoa.
Sujeito ativo – Qualquer pessoa.
Requisitos: Requisitos: Sujeito passivo – O Estado. Secundariamente, o
a) Pluralidade de agentes a) Pluralidade de agentes consumidor da droga.
(mínimo de 3). (mínimo de 2 agentes); Conduta – Vem representada pelos verbos “cola-
b) Reunião estável e b) Reunião estável e borar”, que significa ajudar, auxiliar, trabalhar em
permanente. permanente; conjunto. Deve o agente colaborar como informante
c) visando a prática de c) Visando a prática de com o grupo ou associação criminosa.
crimes. qualquer dos crimes Partícipe ou coautor do tráfico – O agente deve
previstos nos artigos 33, atuar somente como informante. Se participar do cri-
“caput”, § 1º e 34 da lei me de alguma outra forma, será partícipe ou coautor
11.343/2006. do tráfico.
Informante funcionário público – As penas são
Objetividade jurídica – É a tutela da saúde públi- aumentadas de um sexto a dois terços, se o agente pra-
ca. Secundariamente, a vida e a saúde de cada pessoa. ticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no
Sujeito ativo – Qualquer pessoa. desempenho de missão de educação, poder familiar,
Sujeito passivo – O Estado. Secundariamente, o guarda ou vigilância.
consumidor da droga. Colaboração e corrupção passiva – Se o informan-
Conduta – vem representada pelo verbo “associar- te na qualidade de funcionário público solicitar, receber
-se”, que significa agregar-se, unir-se. Requer, o dispo- ou aceitar promessa de vantagem indevida para prestar
sitivo, que duas ou mais pessoas se associem para o a colaboração, estará configurado o crime de corrupção
fim de, reiteradamente ou não, praticar os delitos dos passiva, crime formal, (art. 317 do Código Penal) em con-
arts.33, caput e § 1º, e 34 da lei 11343/2006. curso com o crime do art. 37 da lei 11.343/2006.
Elemento subjetivo – Dolo.
Consumação – com a efetiva associação indepen-
Consumação – com a efetiva colaboração, como
dentemente da prática dos crimes previstos no art.33,
informante, independentemente da prática de qual-
caput e § 1º, e 34 da lei 11343/2006. Essa associação
quer ato pelo grupo, associação ou organização
deve ter um mínimo de estabilidade.
criminosa.
Tentativa – Não se admite.
Tentativa – Admite-se.
Com relação ao artigo 36, considera-se crime a con-
Crime habitual – Não se trata de crime habitual,
duta de financiar ou custear a prática de qualquer
uma única colaboração como informante já caracteri-
dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 des-
za o crime.
ta Lei, tendo pena de reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte)
Correspondente ao artigo 38 da Lei 11.343/2006, a
anos, e pagamento de 1.500 (mil e quinhentos) a 4.000
conduta de prescrever ou ministrar, culposamente,
(quatro mil) dias-multa.
drogas, sem que delas necessite o paciente, ou fazê-lo
Objetividade jurídica – É a tutela da saúde públi-
em doses excessivas ou em desacordo com determina-
ca. Secundariamente, a vida e a saúde de cada pessoa. ção legal ou regulamentar, tendo como pena a deten-
Sujeito ativo – Qualquer pessoa. ção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de
Sujeito passivo – O Estado. Secundariamente, o 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) dias-multa.
consumidor da droga. O juiz comunicará a condenação ao Conselho Fede-
Conduta – vem representada pelos verbos “finan- ral da categoria profissional a que pertença o agente
ciar”, que significa prover as despesas de alguma Objetividade jurídica – É a tutela da saúde públi-
atividade, e ‘custear” que significa correr com as des- ca. Secundariamente, a vida e a saúde de cada pessoa.
pesas de algo. O financiamento e o custeio devem ser Sujeito ativo – Trata-se de crime próprio, em que
da prática dos delitos do art.33, caput e § 1º e 34 da lei somente podem ser sujeitos ativos médicos, farma-
11343/2006. cêuticos, dentista ou profissional da enfermagem.
Financiador – É quem emprega capital em bus- Observação.: Vicente Greco Filho questiona: Prescre-
ca de retorno financeiro, participando dos riscos da vendo droga para um ser humano, um veterinário, não
atividade estará abrangido, responderá pelo art. 33 (tráfico doloso).
Financiamento e tráfico – O financiador não Pois esse profissional só pode prescrever para animais.
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

pode participar do tráfico de drogas. Se assim o fizer Sujeito passivo – O Estado. Secundariamente,
estará configurado um único crime: o de tráfico com aquele que a droga é prescrita ou ministrada.
aumento de pena do art.40, inc. VII, da lei 11.343/2006. Conduta – Prescrever (indicar, receitar); ministrar
Consumação – com o efetivo financiamento ou (dar, fornecer, administrar).
custeio da atividade ilícita. Elemento subjetivo – Culpa – imprudência, impe-
Tentativa – Admite-se. rícia e negligência. Se a conduta for dolosa estará con-
Causa de aumento de pena – As penas são aumen- figurado o crime do art. 33 da lei 11.343/2006.
tadas de um sexto a dois terços, se o agente financiar Consumação – Com a realização de algumas con-
ou custear a prática do crime. dutas incriminadas.
Já com relação ao artigo 37 da Lei 11.343/2006, Tentativa – Não se admite. Vicente Greco Filho
colaborar, como informante, com grupo, organização ressalva a hipótese de envio de receita pelo correio,
ou associação destinados à prática de qualquer dos que vem a ser interceptada pelas autoridades, caso
crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 desta em que seria possível a tentativa. 81
Efeito da condenação – Como efeito da condena- Para ocorrer a incidência da causa de aumento
ção, prevê parágrafo único do artigo que o juiz comu- de pena transportes públicos, o sujeito ativo deverá
nicará ao Conselho Federal da categoria profissional comercializar a droga ilícita dentro do transporte,
que pertencer o agente. caso ele utilize o meio de deslocamento, apenas, para
Com relação ao artigo 39 da Lei 11.343/2006, é ir ao local de destino da comercialização não será apli-
considerado crime o ato de conduzir embarcação cada a causa de aumento de pena, conforme o enten-
ou aeronave após o consumo de drogas, expondo a dimento pacífico do STF (Supremo Tribunal Federal) e
dano potencial a incolumidade de outrem, possuindo STJ (Superior Tribunal de Justiça)
a pena de detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos,
além da apreensão do veículo, cassação da habilitação z O crime tiver sido praticado com violência, grave
respectiva ou proibição de obtê-la, pelo mesmo prazo ameaça, emprego de arma de fogo, ou qualquer
da pena privativa de liberdade aplicada, e pagamento processo de intimidação difusa ou coletiva;
de 200 (duzentos) a 400 (quatrocentos) dias-multa. z Caracterizado o tráfico entre Estados da Federação
Objetividade jurídica – É a proteção da incolumi- ou entre estes e o Distrito Federal, para que ocor-
dade pública ra a aplicação dessa causa de aumento de pena
Sujeito ativo – Qualquer pessoa. não precisa a transposição da fronteira, de acor-
Sujeito passivo – A coletividade. do com o HC 122791/MS, REL.MIN DIAS TOFFOLI,
Conduta – Vem representado pelo verbo ‘condu- 17/11/2015. STF, transcrito abaixo:
zir” que significa controlar, dirigir. Deve o condutor
ter consumido drogas, não exigindo a lei esteja dro- “A incidência da causa de aumento de pena previs-
gado. É necessário, ainda, que a conduta do condutor ta na Lei 11.343/2006 [“Art. 40. As penas previstas
que consumiu drogas que exponha a dano potencial a nos artigos 33 a 37 desta Lei são aumentadas de
incolumidade de outrem. um sexto a dois terços, se: (...) V - caracterizado o
Perigo concreto – Trata-se de crime de perigo con- tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e
creto, que deve ser demonstrado em cada caso. o Distrito Federal”] não demanda a efetiva transpo-
Embarcação ou aeronave – O tipo penal restringe sição da fronteira da unidade da Federação. Seria
os veículos a embarcação (barcos, navios, lanchas, jet suficiente a reunião dos elementos que identifi-
ski, etc...) ou aeronave (aviões de qualquer porte, pla- cassem o tráfico interestadual, que se consumaria
nadores, ultraleves, helicópteros, etc...). Se a conduta instantaneamente, sem depender de um resultado
for de veículo automotor, estará configurado o crime externo naturalístico. Esse é o entendimento da Pri-
meira Turma, que, em conclusão de julgamento e
do art.306 do Código de Trânsito Brasileiro.
por maioria, denegou a ordem em “habeas corpus”
Veículo de Transporte de passageiros – Se o
no qual se sustentava a não incidência da mencio-
veículo (embarcação ou aeronave) for destinado a
nada majorante, porque o agente teria adquirido a
transporte coletivo de passageiros, a pena de prisão e
substância entorpecente no mesmo Estado em que
multa, aplicada cumulativamente com a apreensão do fora preso. Segundo o Colegiado, existiriam provas
veículo e com a cassação da habilitação respectiva ou suficientes quanto à finalidade de consumar a ação
proibição de obtê-la, será de 4 a 6 anos. típica, a saber: a) o paciente estava no interior de
Elemento subjetivo – Dolo ônibus de transporte interestadual com bilhete
Consumação – Com a efetiva condução da embar- cujo destino final seria outro Estado da Federação;
cação ou aeronave após o consumo da droga. e, b) a fase da intenção e a dos atos preparatórios
Trata-se de crime formal. teriam sido ultrapassadas no momento em que o
Tentativa – Não se admite. agente ingressara no ônibus com a droga, a aden-
trar a fase de execução do crime. O fundamento da
CAUSAS DE AUMENTO DE PENA punição de todos os atos de execução do delito res-
ponderia ao fim político-criminal e preventivo que
As causas de aumento de pensa, encontram-se pre- presidiria o Direito Penal. Essa a razão porque a
vista no artigo 40, estabelecendo que as penas previs- tentativa seria punível, em atenção à necessidade
tas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um político-criminal de estender a ameaça ou comi-
sexto a dois terços, se: nação penal, prevista para os tipos delitivos con-
sumados, também às condutas que, embora não
z A natureza, a procedência da substância ou do consumassem o delito, estariam próximas da con-
sumação e se realizariam com a vontade de obter
produto apreendido e as circunstâncias do fato
essa efetividade. Consoante a dogmática penal, o
evidenciarem a transnacionalidade do delito.
âmbito do fato punível começaria quando o sujei-
z O agente praticar o crime prevalecendo-se de fun-
to iniciasse a execução do delito diretamente por
ção pública ou no desempenho de missão de edu-
fatos exteriores, ainda que não fosse necessário o
cação, poder familiar, guarda ou vigilância.
efetivo começo da ação tipificada no verbo nuclear
z A infração tiver sido cometida nas dependências ou do tipo penal. Assim, o transporte da droga, uma
imediações de estabelecimentos prisionais, de ensi- vez iniciado, se protrairia no tempo, a revelar crime
no ou hospitalares, de sedes de entidades estudantis, de consumação permanente. Isso permitiria o fla-
sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou benefi- grante durante a execução desse transporte. Venci-
centes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde do o Ministro Marco Aurélio, que afastava a causa
se realizem espetáculos ou diversões de qualquer de aumento versada no inciso V do art. 40 da Lei
natureza, de serviços de tratamento de dependentes 11.343/2006. Apontava que haveria distorção no
de drogas ou de reinserção social, de unidades milita- fato de se ter como consumado crime interestadual
82 res ou policiais ou em transportes públicos. e tentado quanto à causa de aumento de pena”.
z Sua prática envolver ou visar a atingir criança DO PROCEDIMENTO PENAL
ou adolescente ou a quem tenha, por qualquer
motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de Art. 48. O procedimento relativo aos processos por
crimes definidos, aplica-se, subsidiariamente, as
entendimento e determinação;
disposições do Código de Processo Penal e da Lei de
z O agente financiar ou custear a prática do crime.
Execução Penal.
§ 1º O agente de qualquer das condutas de quem
OUTRAS INFORMAÇÕES adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou
trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas
Art. 41. O indiciado ou acusado que colaborar volun- sem autorização ou em desacordo com determina-
tariamente com a investigação policial e o processo ção legal ou regulamentar será submetido às seguin-
criminal na identificação dos demais coautores ou tes penas, salvo se houver concurso com os crimes
partícipes do crime e na recuperação total ou parcial previstos nos arts. 33 a 37 desta Lei, será processa-
do produto do crime, no caso de condenação, terá do e julgado na forma dos arts. 60 e seguintes
pena reduzida de um terço a dois terços. da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, que dis-
põe sobre os Juizados Especiais Criminais.
No que tange ao juiz, na fixação das penas, con- § 2º Tratando-se da conduta dita no parágrafo
siderará, com preponderância sobre a aplicação da anterior, não se imporá prisão em flagran-
pena, a natureza e a quantidade da substância ou do te, devendo o autor do fato ser imediatamente
produto, a personalidade e a conduta social do agente, encaminhado ao juízo competente ou, na falta
deste, assumir o compromisso de a ele com-
tendo em vista o disposto no art. 42.
parecer, lavrando-se termo circunstanciado
Já na fixação da multa, o juiz, determinará o núme-
e providenciando-se as requisições dos exames e
ro de dias-multa, atribuindo a cada um, segundo as perícias necessários.
condições econômicas dos acusados, valor não infe- § 3º Se ausente a autoridade judicial, as providên-
rior a um trinta avos nem superior a 5 (cinco) vezes o cias serão tomadas de imediato pela autoridade
maior salário-mínimo. policial, no local em que se encontrar, vedada a
As multas, que em caso de concurso de crimes detenção do agente. 
serão impostas sempre cumulativamente, podem ser § 4º Concluídos os procedimentos, o agente será
aumentadas até o décuplo se, em submetido a exame de corpo de delito, se o requerer
virtude da situação econômica do acusado, con- ou se a autoridade de polícia judiciária entender
siderá-las o juiz ineficazes, ainda que aplicadas no conveniente, e em seguida liberado.
máximo. § 5º Para os fins do disposto no  art. 76 da Lei nº
9.099, de 1995, que dispõe sobre os Juizados Espe-
Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 a
ciais Criminais, o Ministério Público poderá propor
37 desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis,
a aplicação imediata de pena de quem adquirir,
graça, indulto, anistia e liberdade provisória, vedada guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer
a conversão de suas penas em restritivas de direitos, consigo, para consumo pessoal, drogas sem autori-
podendo dar-se o livramento condicional após o cum- zação ou em desacordo com determinação legal ou
primento de dois terços da pena, vedada sua conces- regulamentar será submetido às seguintes penas, a
são ao reincidente específico. ser especificada na proposta.
Vale ressaltar, de acordo com o art. 45, que é isento Art. 49. Tratando-se de condutas tipificadas nos arts.
de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob 33, caput e § 1º, e 34 a 37 desta Lei, o juiz, sempre que
o efeito, proveniente de caso fortuito ou força maior, de as circunstâncias o recomendem, empregará os instru-
droga, era, ao tempo da ação ou da omissão, qualquer mentos protetivos de colaboradores e testemunhas.
que tenha sido a infração penal praticada, inteiramen-
te incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de DA INVESTIGAÇÃO
determinar-se de acordo com esse entendimento.
Art. 50. Ocorrendo prisão em flagrante, a autorida-
de de polícia judiciária fará, imediatamente, comu-
Parágrafo único: Quando absolver o agente, reco-
nicação ao juiz competente, remetendo-lhe cópia do
nhecendo, por força pericial, que este apresentava,
auto lavrado, do qual será dada vista ao órgão do
à época do fato previsto neste artigo, as condições
Ministério Público, em 24 (vinte e quatro) horas.
referidas no caput deste artigo, poderá determinar
§ 1º Para os efeitos da lavratura do auto de prisão
o juiz, na sentença, o seu encaminhamento para
em flagrante e estabelecimento da materialidade do
tratamento médico adequado.
delito, é suficiente o laudo de constatação da natu-
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

reza e quantidade da droga, firmado por perito ofi-


Já as penas podem ser reduzidas de um terço a cial ou, na falta deste, por pessoa idônea.
dois terços se o agente não possuir, ao tempo da ação
ou da omissão, a plena capacidade de entender o cará- Ademais, o perito que subscrever o laudo de constata-
ter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com ção da natureza e quantidade da droga, não ficará impe-
esse entendimento. dido de participar da elaboração do laudo definitivo.

Art. 47. Na sentença condenatória, o juiz, com base § 3º Recebida cópia do auto de prisão em flagran-
em avaliação que ateste a necessidade de encami- te, o juiz, no prazo de 10 (dez) dias, certificará a
nhamento do agente para tratamento, realizada regularidade formal do laudo de constatação e
por profissional de saúde com competência espe- determinará a destruição das drogas apreendidas,
cífica na forma da lei, determinará que a tal se guardando-se amostra necessária à realização do
proceda. laudo definitivo 83
Já a destruição das drogas será executada pelo operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo
delegado de polícia competente no prazo de 15 (quin- da ação penal cabível.
ze) dias na presença do Ministério Público e da auto-
ridade sanitária Na hipótese da não-atuação policial sobre os porta-
dores de drogas, seus precursores químicos ou outros
§ 5º O local será vistoriado antes e depois de efeti- produtos utilizados em sua produção, que se encon-
vada a destruição das drogas, sendo lavrado auto trem no território brasileiro, com a finalidade de iden-
circunstanciado pelo delegado de polícia, certifi-
tificar e responsabilizar maior número de integrantes
cando-se neste a destruição total delas.     
de operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo
Art. 50-A. A destruição das drogas apreendidas
sem a ocorrência de prisão em flagrante será fei- da ação penal cabível, a autorização será concedida
ta por incineração, no prazo máximo de 30 (trinta) desde que sejam conhecidos o itinerário provável e a
dias contados da data da apreensão, guardando-se identificação dos agentes do delito ou de colaborado-
amostra necessária à realização do laudo definitivo.              res, vide art. 53, II.

No que corresponde ao inquérito policial será con- DA INSTRUÇÃO CRIMINAL


cluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o indiciado esti-
ver preso, e de 90 (noventa) dias, quando solto. Art. 54. Recebidos em juízo os autos do inquérito
Os prazos a que se referem este artigo podem ser policial, de Comissão Parlamentar de Inquérito ou
duplicados pelo juiz, ouvido o Ministério Público, median- peças de informação, dar-se-á vista ao Ministério
te pedido justificado da autoridade de polícia judiciária. Público para, no prazo de 10 (dez) dias, adotar uma
Findos os prazos, a autoridade de polícia judiciá- das seguintes providências:
ria, remetendo os autos do inquérito ao juízo:

INQUÉRITO Requerer o
arquivamento;
Relatará sumariamente
as circunstâncias do
fato, justificando as
razões que a levaram
à classificação do Requisitar as
delito, indicando a Providências diligências que
quantidade e natureza entender necessárias
Requererá sua devolução
da substância ou do
para a realização de
produto apreendido, o
diligências necessárias.
local e as condições
em que se desenvolveu
Oferecer denúncia,
a ação criminosa, as
arrolar até 5 (cinco)
circunstâncias da prisão,
testemunhas e
a conduta, a qualificação
requerer as demais
e os antecedentes do
provas que entender
agente.
pertinentes

A remessa dos autos far-se-á sem prejuízo de


Art. 55. Oferecida a denúncia, o juiz ordenará a
diligências complementares e necessárias ou úteis à
notificação do acusado para oferecer defesa prévia,
plena elucidação do fato, cujo resultado deverá ser
por escrito, no prazo de 10 (dez) dias.
encaminhado ao juízo competente até 3 (três) dias
§1º Na resposta, consistente em defesa preliminar
antes da audiência de instrução e julgamento e neces-
e exceções, o acusado poderá arguir preliminares
sárias ou úteis à indicação dos bens, direitos e valores
e invocar todas as razões de defesa, oferecer docu-
de que seja titular o agente, ou que figurem em seu
mentos e justificações, especificar as provas que
nome, cujo resultado deverá ser encaminhado ao juí-
pretende produzir e, até o número de 5 (cinco),
zo competente até 3 (três) dias antes da audiência de
arrolar testemunhas.
instrução e julgamento.
Vale destacar que em qualquer fase da persecu-
ção criminal relativa aos crimes previstos nesta Lei,
são permitidos, além dos previstos em lei, mediante
Importante!
autorização judicial e ouvido o Ministério Público, os As exceções serão processadas em apartado.
seguintes procedimentos investigatórios:

z A infiltração por agentes de polícia, em tarefas de Já se a resposta não for apresentada no prazo, o juiz
investigação, constituída pelos órgãos especializa- nomeará defensor para oferecê-la em 10 (dez) dias,
dos pertinentes; concedendo-lhe vista dos autos no ato de nomeação.
z A não-atuação policial sobre os portadores de dro-
gas, seus precursores químicos ou outros produtos § 4º Apresentada a defesa, o juiz decidirá em 5 (cin-
utilizados em sua produção, que se encontrem no co) dias.
território brasileiro, com a finalidade de identificar § 5º Se acaso entender imprescindível, o juiz, no
84 e responsabilizar maior número de integrantes de prazo máximo de 10 (dez) dias, determinará a
apresentação do preso, realização de diligências, § 1º A moeda estrangeira apreendida em espécie
exames e perícias. deve ser encaminhada a instituição financeira, ou
Art. 56. Recebida a denúncia, o juiz designará dia equiparada, para alienação na forma prevista pelo
e hora para a audiência de instrução e julgamento, Conselho Monetário Nacional.
ordenará a citação pessoal do acusado, a intima- § 2º Na hipótese de impossibilidade da alienação, a
ção do Ministério Público, do assistente, se for o moeda estrangeira será custodiada pela instituição
caso, e requisitará os laudos periciais. financeira até decisão sobre o seu destino.
§ 3º Após a decisão sobre o destino da moeda
Quando tratar das condutas tipificadas como infração estrangeira, caso seja verificada a inexistência de
do disposto nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 a 37 desta Lei, valor de mercado, seus espécimes poderão ser des-
o juiz, ao receber a denúncia, poderá decretar o afasta- truídos ou doados à representação diplomática do
mento cautelar do denunciado de suas atividades, se for país de origem.    
funcionário público, comunicando ao órgão respectivo.
A audiência será realizada dentro dos 30 (trinta) dias Contudo, a apreensão de veículos, embarcações,
seguintes ao recebimento da denúncia, salvo se determi- aeronaves e quaisquer outros meios de transporte e
nada a realização de avaliação para atestar dependên- dos maquinários, utensílios, instrumentos e objetos
cia de drogas, quando se realizará em 90 (noventa) dias. de qualquer natureza utilizados para a prática dos
crimes definidos nesta Lei será imediatamente comu-
Art. 57. Na audiência de instrução e julgamento, nicada pela autoridade de polícia judiciária responsá-
após o interrogatório do acusado e a inquirição das vel pela investigação ao juízo competente, vide art. 61.
testemunhas, será dada a palavra, sucessivamente,
ao representante do Ministério Público e ao defen-
Art. 61
sor do acusado, para sustentação oral, pelo prazo
[...]
de 20 (vinte) minutos para cada um, prorrogável
§ 1º O juiz, no prazo de 30 (trinta) dias contado da
por mais 10 (dez), a critério do juiz.
comunicação, determinará a alienação dos bens
apreendidos, excetuadas as armas, que serão reco-
Após proceder ao interrogatório, o juiz indagará
lhidas na forma da legislação específica.  
das partes se restou algum fato para ser esclarecido,
formulando as perguntas correspondentes se o enten-
O Ministério Público deve fiscalizar o cumpri-
der pertinente e relevante.
mento, além de aplicar-se a todos os tipos de bens
Encerrados os debates, proferirá o juiz sentença de
confiscados.
imediato, ou o fará em 10 (dez) dias, ordenando que os
Já a alienação será realizada em autos apartados,
autos para isso lhe sejam conclusos.
dos quais constará a exposição sucinta do nexo de ins-
Já nos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e
34 a 37 desta Lei, o réu não poderá apelar sem reco- trumentalidade entre o delito e os bens apreendidos, a
lher-se à prisão, salvo se for primário e de bons antece- descrição e especificação dos objetos, as informações
dentes, assim reconhecido na sentença condenatória. sobre quem os tiver sob custódia e o local em que se
encontrem. 
DA APREENSÃO, ARRECADAÇÃO E DESTINAÇÃO
DE BENS DO ACUSADO § 3º O juiz, ele determinará a avaliação dos bens
apreendidos, que será realizada por oficial de justi-
Art. 60. O juiz, a requerimento do Ministério ça, no prazo de 5 (cinco) dias a contar da autuação,
Público ou do assistente de acusação, ou mediante ou, caso sejam necessários conhecimentos especia-
representação da autoridade de polícia judiciária, lizados, por avaliador nomeado pelo juiz, em prazo
poderá decretar, no curso do inquérito ou da ação não superior a 10 (dez) dias.
penal, a apreensão e outras medidas assecurató- §4º Feita a avaliação, o juiz intimará o órgão gestor
rias nos casos em que haja suspeita de que os bens, do Funad, o Ministério Público e o interessado para
direitos ou valores sejam produto do crime ou cons- se manifestarem no prazo de 5 (cinco) dias e, diri-
tituam proveito dos crimes. midas eventuais divergências, homologará o valor
atribuído aos bens.   
Já na hipótese do acusado, citado por edital, não § 11 Os bens móveis e imóveis devem ser vendidos
comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspen- por meio de hasta pública, preferencialmente por
sos o processo e o curso do prazo prescricional, poden- meio eletrônico, assegurada a venda pelo maior
do o juiz determinar a produção antecipada das provas lance, por preço não inferior a 50% (cinquenta por
consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão cento) do valor da avaliação judicial. 
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

preventiva, o juiz poderá determinar a prática de atos


necessários à conservação dos bens, direitos ou valores. Com isso o juiz ordenará às secretarias de fazen-
A ordem de apreensão ou sequestro de bens, direi- da e aos órgãos de registro e controle que efetuem as
tos ou valores poderá ser suspensa pelo juiz, ouvido o averbações necessárias, tão logo tenha conhecimento
Ministério Público, quando a sua execução imediata da apreensão.
puder comprometer as investigações. Ademais, na alienação de veículos, embarcações
Outro ponto importante é que se as medidas asse- ou aeronaves, a autoridade de trânsito ou o órgão
curatórias, recaírem sobre moeda estrangeira, títulos, congênere competente para o registro, bem como as
valores mobiliários ou cheques emitidos como ordem secretarias de fazenda, devem proceder à regulariza-
de pagamento, será determinada, imediatamente, a ção dos bens no prazo de 30 (trinta) dias, ficando o
sua conversão em moeda nacional. arrematante isento do pagamento de multas, encar-
Neste sentido, veja o que dispõe os §§ 1º, 2º e 3º, gos e tributos anteriores, sem prejuízo de execução
do art. 33: fiscal em relação ao antigo proprietário.  85
A autoridade de trânsito ou o órgão congênere em pagamento definitivo, respeitados os direitos de
competente para o registro poderá emitir novos iden- eventuais lesados e de terceiros de boa-fé.    
tificadores dos bens. Os valores devolvidos pela Caixa Econômica Fede-
Eventuais multas, encargos ou tributos pendentes ral, por decisão judicial, devem ser efetuados como
de pagamento não podem ser cobrados do arrematan- anulação de receita do Funad no exercício em que
te ou do órgão público alienante como condição para ocorrer a devolução.         
regularização dos bens.    A Caixa Econômica Federal deve manter o controle
Já com relação ao comprovado o interesse público dos valores depositados ou devolvidos.     
na utilização de quaisquer dos bens de que trata o art. Os valores devolvidos pela Caixa Econômica Fede-
61, os órgãos de polícia judiciária, militar e rodoviária
ral, por decisão judicial, devem ser efetuados como
poderão deles fazer uso, sob sua responsabilidade e
anulação de receita do Funad no exercício em que
com o objetivo de sua conservação, mediante autori-
ocorrer a devolução.             
zação judicial, ouvido o Ministério Público e garantida
Continuando o tópico, ao proferir a sentença, o
a prévia avaliação dos respectivos bens.    
Nesse caso, o juízo deve cientificar o órgão gestor juiz decidirá sobre: 
do Funad para que, em 10 (dez) dias, avalie a existên- Decidirá:
cia do interesse público e indique o órgão que deve
receber o bem. z O perdimento do produto, bem, direito ou valor
Tem prioridade, os órgãos de segurança pública apreendido ou objeto de medidas assecuratórias;
que participaram das ações de investigação ou repres- z O levantamento dos valores depositados em conta
são ao crime que deu causa à medida.
remunerada e a liberação dos bens utilizados.
Já a autorização judicial de uso de bens deverá
conter a descrição do bem e a respectiva avaliação e
Art. 63 [...]
indicar o órgão responsável por sua utilização.
§ 1º Os bens, direitos ou valores apreendidos em
O órgão responsável pela utilização do bem deverá
decorrência dos crimes tipificados nesta Lei ou
enviar ao juiz periodicamente, ou a qualquer momen-
objeto de medidas assecuratórias, após decretado
to quando por este solicitado, informações sobre seu
seu perdimento em favor da União, serão reverti-
estado de conservação. 
dos diretamente ao Funad.  
Vale destacar que quando a autorização judicial
§ 2º O juiz remeterá ao órgão gestor do Funad
recair sobre veículos, embarcações ou aeronaves, o juiz
relação dos bens, direitos e valores declarados per-
ordenará à autoridade ou ao órgão de registro e contro- didos, indicando o local em que se encontram e a
le a expedição de certificado provisório de registro e entidade ou o órgão em cujo poder estejam, para
licenciamento em favor do órgão ao qual tenha deferi- os fins de sua destinação nos termos da legislação
do o uso ou custódia, ficando este livre do pagamento vigente.
de multas, encargos e tributos anteriores à decisão de § 3º Transitada em julgado a sentença condenató-
utilização do bem até o trânsito em julgado da decisão ria, o juiz do processo, de ofício ou a requerimento
que decretar o seu perdimento em favor da União. do Ministério Público, remeterá à Senad relação
Já na a hipótese de levantamento, se houver indi- dos bens, direitos e valores declarados perdidos em
cação de que os bens utilizados na forma deste artigo favor da União, indicando, quanto aos bens, o local
sofreram depreciação superior àquela esperada em em que se encontram e a entidade ou o órgão em
razão do transcurso do tempo e do uso, poderá o inte- cujo poder estejam, para os fins de sua destinação
ressado requerer nova avaliação judicial.     nos termos da legislação vigente.

Antes de encaminhar os bens ao órgão gestor do


Importante! Funad, o juiz deve:
Constatada a depreciação, o ente federado ou a
entidade que utilizou o bem indenizará o deten- z Ordenar às secretarias de fazenda e aos órgãos
tor ou proprietário dos bens. de registro e controle que efetuem as averbações
necessárias, caso não tenham sido realizadas
quando da apreensão;
Com relação ao depósito, em dinheiro, de valores z Determinar, no caso de imóveis, o registro de pro-
referentes ao produto da alienação ou a numerários priedade em favor da União no cartório de registro
apreendidos ou que tenham sido convertidos deve de imóveis competente, afastada a responsabilida-
ser efetuado na Caixa Econômica Federal, por meio de
de de terceiros, bem como determinar à Secreta-
documento de arrecadação destinado a essa finalidade.
ria de Coordenação e Governança do Patrimônio
Já os depósitos, devem ser transferidos, pela Cai-
da União a incorporação e entrega do imóvel, tor-
xa Econômica Federal, para a conta única do Tesouro
nando-o livre e desembaraçado de quaisquer ônus
Nacional, independentemente de qualquer formali-
dade, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, contado para sua destinação.          
do momento da realização do depósito, onde ficarão à
disposição do Funad.  No caso do levantamento dos valores depositados
Na hipótese de absolvição do acusado em decisão em conta remunerada e a liberação dos bens utilizados,
judicial, o valor do depósito será devolvido a ele pela decorridos 360 (trezentos e sessenta) dias do trânsito em
Caixa Econômica Federal no prazo de até 3 (três) dias julgado e do conhecimento da sentença pelo interessa-
úteis, acrescido de juros. do, os bens apreendidos, os que tenham sido objeto de
Com relação a decretação do seu perdimento em medidas assecuratórias ou os valores depositados que
86 favor da União, o valor do depósito será transformado não forem reclamados serão revertidos ao Funad.
Ademais, nenhum pedido de restituição será de trânsito ou o órgão congênere competente para o
conhecido sem o comparecimento pessoal do acusa- registro poderá emitir novos identificadores dos bens. 
do, podendo o juiz determinar a prática de atos neces-
sários à conservação de bens, direitos ou valores. Art. 63-C [...]
O juiz determinará a liberação total ou parcial § 7º A Senad, do Ministério da Justiça e Segurança
dos bens, direitos e objeto de medidas assecurató- Pública, pode celebrar convênios ou instrumentos
rias quando comprovada a licitude de sua origem, congêneres com órgãos e entidades da União, dos
mantendo-se a constrição dos bens, direitos e valores Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem
necessários e suficientes à reparação dos danos e ao como com comunidades terapêuticas acolhedoras,
pagamento de prestações pecuniárias, multas e custas a fim de dar imediato cumprimento.
decorrentes da infração penal. § 8º Observados os procedimentos licitatórios pre-
Continuando, compete à Senad, do Ministério da vistos em lei, fica autorizou-se a contratação da
Justiça e Segurança Pública, proceder à destinação iniciativa privada para a execução das ações de ava-
liação, de administração e de alienação dos bens.
dos bens apreendidos e não leiloados em caráter cau-
Art. 63-D. Compete ao Ministério da Justiça e Segu-
telar, cujo perdimento seja decretado em favor da
rança Pública regulamentar os procedimentos rela-
União, por meio das seguintes modalidades:
tivos à administração, à preservação e à destinação
dos recursos provenientes de delitos e atos ilícitos
Licitação; e estabelecer os valores abaixo dos quais se deve
proceder à sua destruição ou inutilização.           
Art. 63-E. Produto da alienação dos bens apreendi-
Doação com encargo dos ou confiscados será revertido integralmente ao
a entidades ou Funad, nos termos do parágrafo único do art. 243 da
Alienação, órgãos públicos, bem Constituição Federal, vedada a sub-rogação sobre o
mediante como a comunidades valor da arrematação para saldar eventuais multas,
terapêuticas
encargos ou tributos pendentes de pagamento.
acolhedoras que
Incorporação contribuam para
ao patrimônio o alcance das
Modalidades de órgão da finalidades do Importante!
administração Funad;
pública, observadas Não prejudica o ajuizamento de execução fiscal
as finalidades do em relação aos antigos devedores.
Funad ; Venda direta

Destruição; Na hipótese de condenação por infrações às quais


esta Lei comine pena máxima superior a 6 (seis) anos
de reclusão, poderá ser decretada a perda, como pro-
Inutilização duto ou proveito do crime, dos bens correspondentes
à diferença entre o valor do patrimônio do condenado
Art. 63-C [...] e aquele compatível com o seu rendimento lícito.        
§ 1º A alienação por meio de licitação deve ser realiza- Com relação a decretação da perda, fica condi-
da na modalidade leilão, para bens móveis e imóveis, cionada à existência de elementos probatórios que
independentemente do valor de avaliação, isolado ou indiquem conduta criminosa habitual, reiterada ou
global, de bem ou de lotes, assegurada a venda pelo profissional do condenado ou sua vinculação a orga-
maior lance, por preço não inferior a 50% (cinquenta nização criminosa.     
por cento) do valor da avaliação. Para os efeitos da perda, entende-se por patrimô-
§ 2º O edital do leilão, será amplamente divulgado em nio do condenado todos os bens:
jornais de grande circulação e em sítios eletrônicos
oficiais, principalmente no Município em que será z De sua titularidade, ou sobre os quais tenha domí-
realizado, dispensada a publicação em diário oficial. nio e benefício direto ou indireto, na data da infra-
§ 3º Nas alienações realizadas por meio de sistema
ção penal, ou recebidos posteriormente;
eletrônico da administração pública, a publicidade
z Transferidos a terceiros a título gratuito ou
dada pelo sistema substituirá a publicação em diá-
mediante contraprestação irrisória, a partir do iní-
rio oficial e em jornais de grande circulação.      
§ 4º Na alienação de imóveis, o arrematante fica cio da atividade criminal. 
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

livre do pagamento de encargos e tributos anterio-


res, sem prejuízo de execução fiscal em relação ao Vale destacar que o condenado poderá demonstrar
antigo proprietário.  a inexistência da incompatibilidade ou a procedência
lícita do patrimônio.             
Com relação a alienação de veículos, embarcações E, por fim, a União, por intermédio da Senad, pode-
ou aeronaves deverão ser observadas as embarcações rá firmar convênio com os Estados, com o Distrito Fede-
ou aeronaves, a autoridade de trânsito ou o órgão ral e com organismos orientados para a prevenção do
congênere competente para o registro, bem como as uso indevido de drogas, a atenção e a reinserção social
secretarias de fazenda, devem proceder à regulariza- de usuários ou dependentes e a atuação na repressão à
ção dos bens no prazo de 30 (trinta) dias, ficando o produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas,
arrematante isento do pagamento de multas, encar- com vistas na liberação de equipamentos e de recursos
gos e tributos anteriores, sem prejuízo de execução por ela arrecadados, para a implantação e execução de
fiscal em relação ao antigo proprietário e a autoridade programas relacionados à questão das drogas. 87
DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
Determinar,
Art. 65. De conformidade com os princípios da imediatamente à ciência
não-intervenção em assuntos internos, da igualda- da falência ou liquidação,
sejam lacradas suas
de jurídica e do respeito à integridade territorial
instalações;
dos Estados e às leis e aos regulamentos nacionais
em vigor, e observado o espírito das Convenções
das Nações Unidas e outros instrumentos jurídicos Ordenar à autoridade
internacionais relacionados à questão das drogas, sanitária competente
Incumbe ao a urgente adoção das
de que o Brasil é parte, o governo brasileiro presta-
juízo medidas necessárias ao
rá, quando solicitado, cooperação a outros países
recebimento e guarda,
e organismos internacionais e, quando necessário,
em depósito, das drogas
deles solicitará a colaboração, nas áreas de:
arrecadadas;
Intercâmbio de informações sobre legislações,
experiências, projetos e programas voltados para
atividades de prevenção do uso indevido, de aten- Dar ciência ao órgão do
ção e de reinserção social de usuários e dependen- Ministério Público, para
tes de drogas; acompanhar o feito.
Intercâmbio de inteligência policial sobre produção
e tráfico de drogas e delitos conexos, em especial o
tráfico de armas, a lavagem de dinheiro e o desvio Com relação a licitação para alienação de substân-
de precursores químicos; cias ou produtos não proscritos, só podem participar
Intercâmbio de informações policiais e judiciais pessoas jurídicas regularmente habilitadas na área de
sobre produtores e traficantes de drogas e seus pre-
saúde ou de pesquisa científica que comprovem a des-
cursores químicos.
tinação lícita a ser dada ao produto a ser arrematado.
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
Art. 69 [...]
§ 2º Ressalvada a presente hipótese, o produto não
Art. 66. Para fins desta Lei, consideram-se como
drogas as substâncias ou os produtos capazes de arrematado será, ato contínuo à hasta pública, des-
causar dependência, assim especificados em lei truído pela autoridade sanitária, na presença dos
ou relacionados em listas atualizadas periodica- Conselhos Estaduais sobre Drogas e do Ministério
mente pelo Poder Executivo da União, até que seja Público.
atualizada a terminologia da lista mencionada no § 3º Figurando entre o praceado e não arremata-
preceito, denominam-se drogas substâncias entor- das especialidades farmacêuticas em condições de
pecentes, psicotrópicas, precursoras e outras sob emprego terapêutico, ficarão elas depositadas sob a
controle especial, da Portaria SVS/MS nº 344, de 12 guarda do Ministério da Saúde, que as destinará à
de maio de 1998. rede pública de saúde.
Art. 67. A liberação dos recursos, em favor de Esta-
dos e do Distrito Federal, dependerá de sua adesão
e respeito às diretrizes básicas contidas nos convê- Importante!
nios firmados e do fornecimento de dados neces-
sários à atualização do sistema, pelas respectivas O processo e o julgamento dos crimes previstos
polícias judiciárias. nos arts. 33 a 37 da Lei 11.343/2006, se carac-
Art. 67-A. Os gestores e entidades que recebam terizado ilícito transnacional, são da competên-
recursos públicos para execução das políticas
cia da Justiça Federal. Com relação aos crimes
sobre drogas deverão garantir o acesso às suas
praticados nos Municípios que não sejam sede
instalações, à documentação e a todos os elemen-
tos necessários à efetiva fiscalização pelos órgãos de vara federal serão processados e julgados na
competentes.         vara federal da circunscrição respectiva.
Art. 68. A União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios poderão criar estímulos fiscais e outros,
destinados às pessoas físicas e jurídicas que colabo- Ademais, encerrado o processo criminal ou arqui-
rem na prevenção do uso indevido de drogas, aten- vado o inquérito policial, o juiz, de ofício, mediante
ção e reinserção social de usuários e dependentes representação da autoridade de polícia judiciária, ou
e na repressão da produção não autorizada e do a requerimento do Ministério Público, determinará a
tráfico ilícito de drogas. destruição das amostras guardadas para contraprova,
Art. 69. No caso de falência ou liquidação extra- certificando nos autos.   
judicial de empresas ou estabelecimentos hospita-
E, por fim, a União poderá estabelecer convênios
lares, de pesquisa, de ensino, ou congêneres, assim
com os Estados e o com o Distrito Federal, visando à pre-
como nos serviços de saúde que produzirem, ven-
derem, adquirirem, consumirem, prescreverem ou venção e repressão do tráfico ilícito e do uso indevido de
fornecerem drogas ou de qualquer outro em que drogas, e com os Municípios, com o objetivo de prevenir
existam essas substâncias ou produtos, incumbe ao o uso indevido delas e de possibilitar a atenção e reinser-
88 juízo perante o qual tramite o feito: ção social de usuários e dependentes de drogas.   
5. (CESPE-CEBRASPE – 2020) Quanto a conceitos e
EXERCÍCIOS COMENTADOS definições legais relativos ao tráfico ilícito de drogas e
afins e a fatores que o impulsionam no contexto brasi-
1. (INSTITUTO CONSULPLAN – 2019) O art. 33,  caput, leiro, julgue o item a seguir.
da Lei n. 11.343/2006, que define o crime de tráfico, Conforme previsão legal, com vistas a fortalecer a
é um tipo de conteúdo variado porque contém vários atividade repressiva, para fins de apreensão policial, o
verbos (núcleos), e por isso sua aplicação permite conceito de droga deve ser o mais amplo possível.
interpretação analógica.
( ) CERTO  ( ) ERRADO
( ) CERTO  ( ) ERRADO
Consideram-se como drogas as substâncias ou os
O artigo 33 da lei 11.343/2006 possui 18 condutas, sen- produtos capazes de causar dependência, assim
do considerado pela doutrina como crime de ação múl- especificados em lei ou relacionados em listas atua-
tipla ou conteúdo variado e também crime plurinuclear. lizadas periodicamente pelo Poder Executivo da
Importante – Mesmo que o agente pratique, no mes- União. Resposta: Errado.
mo contexto fático e sucessivamente, mais de uma
ação típica (Ex.: importa, guarda e vende), por força
do princípio da alternatividade responderá por cri-
me único. O juiz deve considerar a pluralidade de LEI Nº 12.850, DE 2013 E SUAS
núcleos na fixação da pena). Resposta: Errado. ALTERAÇÕES
2. (CESPE-CEBRASPE – 2016) Acerca das organizações A Lei 12.850/2013 é a grande responsável por defi-
criminosas e do disposto em legislação vigente aplicá- nir a organização criminosa e dispor sobre a investiga-
vel no combate e na repressão ao tráfico de drogas e ção criminal, os meios de obtenção da prova, infrações
de armas de fogo no Brasil, julgue o item a seguir. penais correlatas e o procedimento criminal.
Entre as circunstâncias que geram o aumento de pena É de suma importância seu conhecimento referen-
para o tráfico de drogas, são de constatação comum no te ao disposto no texto constitucional, em especial, no
cotidiano operacional da PRF aquelas que evidenciam artigo 1:
a transnacionalidade do delito e o tráfico entre estados
da Federação ou entre estes e o Distrito Federal. Art. 1  Esta Lei define organização criminosa e
dispõe sobre a investigação criminal, os meios de
( ) CERTO  ( ) ERRADO obtenção da prova, infrações penais correlatas e o
procedimento criminal a ser aplicado.
A resposta está correta e encontra embasamen-
to legal nos incisos I e V, do artigo 40, da Lei De acordo com o §1°, do art. 1°, uma Organização
11.343/2006. Resposta: Certo. Criminosa é definida como:

Art. 1° [...]
3. (CESPE-CEBRASPE – 2015) De acordo com o que dis-
§1° associação de 4 (quatro) ou mais pessoas
põem os artigos da Lei n.º 11.343/2006, definidora de estruturalmente ordenada e caracterizada pela
crimes e medidas para a prevenção do uso indevido de divisão de tarefas, ainda que informalmente, com
drogas, julgue o item subsequente. objetivo de obter, direta ou indiretamente, vanta-
A transnacionalidade do delito, a prática da conduta gem de qualquer natureza, mediante a prática de
delituosa pelo agente do crime prevalecendo-se de infrações penais cujas penas máximas sejam supe-
função pública e o cometimento do crime nas depen- riores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter
dências ou imediações de estabelecimentos prisio- transnacional.
nais ou em transportes públicos são, entre outras,
circunstâncias que resultam no aumento de um sexto Com relação a aplicabilidade da Lei, de acordo
a dois terços da pena do crime de tráfico de drogas. com o §2°, do art. 1°, temos o seguinte:

( ) CERTO  ( ) ERRADO


APLICABILIDADE DA LEI 12.850/2013
A resposta está correta e encontra embasamen-
Às infrações penais pre- Às organizações terroristas,
to legal nos incisos II e III, do artigo 40, da Lei
vistas em tratado ou entendidas como aquelas
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

11.343/2006. Resposta: Certo.


convenção internacional voltadas para a prática
quando, iniciada a execu- dos atos de terrorismo
4. (CESPE-CEBRASPE – 2020) A respeito de tóxicos e ção no País, o resultado legalmente definidos.
entorpecentes, julgue o item que se segue. tenha ou devesse ter ocor-
O laudo preliminar, requisito para lavratura do auto de rido no estrangeiro, ou
prisão em flagrante de crimes relacionados ao tráfico reciprocamente;
de drogas, deverá ser assinado por, pelo menos, um
perito oficial.
De acordo com o art. 2° da referida lei, em caso de
( ) CERTO  ( ) ERRADO integrar, constituir, financiar ou promover, por inter-
posta pessoa ou pessoalmente, organização criminosa,
Os §§ 1º e 2º, do art. 50, da lei 11343/2006. Resposta: responderá com a penalidade de reclusão, no prazo
Errado. de 3 anos a 08 anos, e multa, sem existir prejuízo das 89
penas que estão correspondentes às demais infrações do Estado, apenas podendo ser alterado com ação
penais praticadas. rescisória.
Portanto, a conduta consiste em promover (traba- Existindo indícios de participação de policial, será
lhar a favor), constituir (formar), financiar (custear instaurada pela Corregedoria de Polícia, inquérito
despesas) ou integrar (fazer parte), pessoalmente ou policial, sendo realizada a comunicação ao Ministério
por interposta pessoa (indireta) organização crimino- Público, que será o responsável por designar membro
sa, para configurar o crime tem que ter pluralidades para acompanhar o feito até a sua conclusão, con-
de agentes, estrutura ordenada e divisão de tarefas, soante dispõe o §7°, do art. 2°.
se acaso não ocorrer, encaixa-se no artigo 288 do CP
(Associação Criminosa). Dica
Já com relação à consumação, se dará com a
sociedade criminosa, sendo indispensável estrutura Art. 2 [...]
ordenada com divisão de tarefas, sendo, infração per- § 8º As lideranças de organizações criminosas
manente, a sua consumação se prolonga enquanto não armadas ou que tenham armas à disposição
cessada a permanência, não se admitindo tentativa. deverão iniciar o cumprimento da pena em esta-
É um crime autônomo/ caso praticado o outro cri- belecimentos penais de segurança máxima.    
me o agente responderá em concurso de crimes § 9º O condenado expressamente em sentença
É imprescindível que a reunião seja efetivada por integrar organização criminosa ou por crime
antes do crime. praticado por meio de organização criminosa
Conforme o § 1°, do art. 2°, nas mesmas penas
não poderá progredir de regime de cumprimen-
incorre quem impede ou, de qualquer forma, emba-
to de pena ou obter livramento condicional ou
raça a investigação de infração penal que envolva
organização criminosa, a consumação, se dará com outros benefícios prisionais se houver elemen-
a conduta de impedir, dando-se com a efetiva obs- tos probatórios que indiquem a manutenção do
trução, admitindo a tentativa. Embaraçar, dispensa vínculo associativo.  
resultado naturalístico com qualquer conduta, como
o empecilho. Além disso, não poderá progredir de regime de
De acordo com o §2°, do art. 2°, aumentar-se-á a cumprimento de pena e muito menos livramento
metade das penas, acaso seja constatada na autuação condicional ou outros benefícios prisionais se houver
da organização criminosa, existir o emprego de arma elementos probatórios que indiquem a manutenção
de fogo. do vínculo associativo, no caso em que o condenado
em sentença por pratica a conduta de integrar organi-
Art. 2° zação criminosa ou por crime praticado por meio de
[...] organização criminosa.
§ 3° A pena é agravada para quem exerce o coman-
do, individual ou coletivo, da organização crimino- DA INVESTIGAÇÃO E DOS MEIOS DE OBTENÇÃO DA
sa, ainda que não pratique pessoalmente atos de PROVA
execução.
Com relação a investigação e dos meios de obten-
De acordo com o § 4° aumentará a pena de 1/6 (um ção da prova, fará necessária a leitura do artigo 3°:
sexto) a 2/3 (dois terços), quando:
Art. 3º Em qualquer fase da persecução penal,
§ 4º[...] serão permitidos, sem prejuízo de outros já previs-
I - se há participação de criança ou adolescente; tos em lei, os seguintes meios de obtenção da prova:
II - se há concurso de funcionário público, valendo- I - colaboração premiada;
se a organização criminosa dessa condição para a II - captação ambiental de sinais eletromagnéticos,
prática de infração penal; ópticos ou acústicos;
III - se o produto ou proveito da infração penal des- III - ação controlada;
tinar-se, no todo ou em parte, ao exterior; IV - acesso a registros de ligações telefônicas e tele-
IV - se a organização criminosa mantém cone- máticas, a dados cadastrais constantes de bancos
xão com outras organizações criminosas de dados públicos ou privados e a informações elei-
independentes; torais ou comerciais;
V - se as circunstâncias do fato evidenciarem a V - interceptação de comunicações telefônicas e
transnacionalidade da organização. telemáticas, nos termos da legislação específica;
VI - afastamento dos sigilos financeiro, bancário e
Existindo os indícios suficientes na organização fiscal, nos termos da legislação específica;
criminosa, possua um funcionário público, poderá o VII - infiltração, por policiais, em atividade de
juiz realizar o afastamento cautelar do cargo, função investigação, na forma do art. 11;
ou emprego, sem existir prejuízo da remuneração, VIII - cooperação entre instituições e órgãos fede-
quando a medida se fizer necessária à investigação ou rais, distritais, estaduais e municipais na busca de
instrução processual, é o que rege o §5°, do art. 2°. provas e informações de interesse da investigação
De acordo com o §6°, do art. 2°, ocorrendo o trânsi- ou da instrução criminal.
to em julgado na decisão de condenação, acarreta ao
funcionário público a perda do cargo, emprego, fun- De acordo com o § 1°, do art. 3°, existindo a neces-
ção ou mandato eletivo e ocorrerá a interdição para sidade de manter sigilo sobre a capacidade investi-
o exercício de função ou cargo público pelo prazo de gatória de forma justificada, poderá ser realizada a
8 anos subsequentes ao cumprimento da pena, pois dispensada de licitação para a contratação de serviços
diante do trânsito em julgado será abarcada os efei- técnicos especializados, além da locação ou aquisição
90 tos da coisa julgada, sendo uma garantia da prestação de equipamentos destinados à polícia judiciária para
o rastreamento e obtenção de provas previstas na cap- procedimento de colaboração e suas tratativas ou fir-
tação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou mada pessoalmente pela parte que pretende a colabo-
acústicos e interceptação de comunicações telefônicas ração e seu advogado ou defensor público.
e telemáticas, nos termos da legislação específica.
Com isso, tendo em vista o disposto no § 2°, fica-
rá dispensada a publicação do contrato  de licitação, Importante!
devendo ser comunicado o órgão de controle interno
da realização da contratação Art. 3°-C [...]
§1° Nenhuma tratativa sobre colaboração pre-
Da Colaboração Premiada miada deve ser realizada sem a presença de
advogado constituído ou defensor público.
Esse ponto é muito interessante, pois foi incluído
de forma integral, pela Lei nº 13.964, de 2019. Vamos
começar? Deverá ser o celebrante realizar a solicitação de
O acordo de colaboração premiada, nada mais é do presença de outro advogado ou a participação de
que um negócio jurídico processual, que poderá ser defensor público, nos casos e conflitos de interesses,
utilizado também como um meio de obtenção de pro- ou de colaborador hipossuficiente, conforme dispõe o
va, pressupondo a utilidade e interesse públicos, de §2°, do art. 3°-C.
acordo com o art. 3°-A. De acordo com o §3°, do art. 3°-C, o colaborador
Com relação ao recebimento da proposta para for- deve narrar todos os fatos ilícitos para os quais con-
malização de acordo de colaboração, este demarca o correu e que tenham relação direta com os fatos
início das negociações e constitui também marco de investigados.
confidencialidade, configurando violação de sigilo e Portanto, incumbirá à defesa, realizar a instrução
quebra da confiança e da boa-fé a divulgação de tais da proposta de colaboração e os anexos com os fatos
tratativas iniciais ou de documento que as formalize, adequadamente descritos, devendo apresentar todas
até o levantamento de sigilo por decisão judicial, con- as circunstâncias, indicando as provas e os elementos
forme é disposto no artigo 3º-B. de corroboração, vide o §4°, art. 3°-C.
De acordo com o § 1°, do art. 3°-B, a proposta pode- Conforme artigo 4°, o juiz poderá, a requerimen-
rá ser sumariamente indeferida, a proposta de acordo to das partes, conceder o perdão judicial, reduzir em
de colaboração premiada, devendo inclusive ser justi- até 2/3 (dois terços) a pena privativa de liberdade
ficada, cientificando-se o interessado. ou substituí-la por restritiva de direitos daquele que
Na hipótese de não ocorrer o indeferimento sumá- tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a
rio, deverá ser firmado, Termo de Confidencialidade investigação e com o processo criminal, desde que
para prosseguimento das tratativas entre as partes, o dessa colaboração advenha um ou mais dos seguintes
que gerará um vínculo entre os órgãos envolvidos na resultados:
negociação, ocasião em que impedirá o indeferimento
posterior sem justa causa, vide o § 2°, do art. 3°-B. Art. 4°[...]
Tendo em vista o disposto no §3 °, do art. 3°-B, o I - A identificação dos demais coautores e partícipes
recebimento de proposta de colaboração para análi- da organização criminosa e das infrações penais
se ou o Termo de Confidencialidade, não implicará, por eles praticadas;
a suspensão da investigação, exceto se o acordo em II - A revelação da estrutura hierárquica e da divi-
contrário quanto à propositura de medidas proces- são de tarefas da organização criminosa;
suais penais cautelares e assecuratórias, bem como III - A prevenção de infrações penais decorrentes
medidas processuais cíveis admitidas pela legislação das atividades da organização criminosa;
processual civil em vigor. IV - A recuperação total ou parcial do produto ou
Poderá ser precedida de instrução o acordo de do proveito das infrações penais praticadas pela
colaboração premiada, quando existir a necessidade organização criminosa;
de complementação ou identificação de seu objeto, V - A localização de eventual vítima com a sua inte-
sua definição jurídica, dos fatos narrados, utilidade, gridade física preservada.
relevância e interesse público, de acordo com o § 4°,
do art. 3°-B. Ademais, na concessão do benefício, não impor-
Rege o § 6°, do art. 3°-B, que serão elaborados e tando as circunstâncias, levará em conta a natureza e
assinados pelo celebrante, defensor público, advo- a personalidade do colaborador, além das circunstân-
gado, os termos de confidencialidade e os termos de cias, a gravidade e a repercussão social do fato crimi-
recebimento de proposta de colaboração. noso e a eficácia da colaboração, é o que dispõe o §1°,
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

do art. 4°.
Art. 3°-B
[...] Art. 4°[...]
§ 6° Na hipótese de não ser celebrado o acordo por § 2º Considerando a relevância da colaboração
iniciativa do celebrante, esse não poderá se valer de prestada, o Ministério Público, a qualquer tempo,
nenhuma das informações ou provas apresentadas e o delegado de polícia, nos autos do inquérito poli-
pelo colaborador, de boa-fé, para qualquer outra cial, com a manifestação do Ministério Público,
finalidade. poderão requerer ou representar ao juiz pela con-
cessão de perdão judicial ao colaborador, ainda
De acordo com o art. 3°-C, a proposta de colabora- que esse benefício não tenha sido previsto na pro-
ção também será instruída com procuração do interes- posta inicial, aplicando-se, se, no que couber, o art.
sado a proposta de colaboração premiada, desde que, 28 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941.
esteja possuindo poderes específicos para começar o (Código de Processo Penal) 91
Poderá ser suspenso por até 6 (seis) meses o prazo As previsões de renúncia ao direito de impugnar
para oferecimento de denúncia ou o processo, relati- a decisão homologatória, são consideradas nulas de
vos ao colaborador, no entanto, esse prazo é passível pleno direito.
de prorrogação por igual período, até que sejam cum- O magistrado poderá recusar a homologação da
pridas as medidas de colaboração, realizando a sus- proposta que não atender aos requisitos legais, no
pensão do respectivo prazo prescricional, de acordo entanto, deverá fundamentar e devolver às partes
com o §3°, do art. 4°. para que promovam as adequações necessárias, vide
Também poderá, de acordo com o §4°, ser incum- o § 8°, do art. 4°.
bido ao Ministério Público, o ato de deixar de ofere- Poderá o colaborador, segundo o §9°, depois de
cer denúncia se a proposta de acordo de colaboração homologado o acordo, sempre que acompanhado pelo
referir-se à infração de cuja existência não tenha pré- seu defensor, ser ouvido pelo membro do Ministério
vio conhecimento e o colaborador não for o líder da Público ou pelo delegado de polícia responsável pelas
organização criminosa ou for o primeiro a prestar efe- investigações.
tiva colaboração.
Em consonância ao §5°, do art. 4°, a pena poderá Dica
ser reduzida, com o limite de até a metade ou poderá
ser admitida a progressão de regime ainda que ausen- Art. 4 [...]
tes os requisitos objetivos, se ocorrer a colaboração de § 10. As partes podem retratar-se da proposta,
forma posterior à sentença. caso em que as provas autoincriminatórias pro-
duzidas pelo colaborador não poderão ser utili-
Art.4 [...] zadas exclusivamente em seu desfavor.
§ 6º O juiz não participará das negociações realiza-
das entre as partes para a formalização do acordo De acordo com o § 10-A, do art. 4°, em todas as
de colaboração, que ocorrerá entre o delegado de fases do processo, deve-se garantir ao réu delatado a
polícia, o investigado e o defensor, com a manifes- oportunidade de manifestar-se após o decurso do pra-
tação do Ministério Público , ou, conforme o caso,
zo concedido ao réu que o delatou.
entre o Ministério Público e o investigado ou acusa-
Como garantia, poderá ocorrer em qualquer fase
do e seu defensor
do processo, o direito ao réu delatado, a cabimento de
se manifestar após o decurso do prazo, sendo concedi-
No caso de realização do acordo, as peças serão re-
do ao réu que o delatou.
metidas ao juiz, que realizara a análise, do respectivo
Será apreciada os termos do acordo homologado e
termo, além das declarações do colaborador e cópia
sua eficácia, através de sentença.
da investigação, eivando-se de um dever ao juiz ouvir
De acordo com o §11, do art. 4°, ainda que aconteça
de maneira sigilosa o colaborador, acompanhado de
do beneficiado por perdão judicial ou não denuncia-
seu defensor, ocasião em que analisará os seguintes
do, o colaborador poderá ser ouvido em juízo a reque-
aspectos na homologação, conforme §7°, do artigo 4:
rimento das partes ou por iniciativa da autoridade
§ 7º [...] judicial.
I - Regularidade e legalidade;    Com relação aos atos de colaboração e ao regis-
II - Adequação dos benefícios pactuados àqueles tro das tratativas, deverá ser realizado por meios ou
previstos no  caput  e nos §§ 4º e 5º deste artigo, recursos de gravação magnética, digital, estenotipia
sendo nulas as cláusulas que violem o critério de ou técnica similar, até mesmo audiovisual, que serão
definição do regime inicial de cumprimento de pena destinadas a obter maior fidelidade das informações,
do art. 33 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezem- sendo assim, garantido a disponibilização de cópia do
bro de 1940 (Código Penal), as regras de cada um material ao colaborador, vide §13º.
dos regimes previstos no Código Penal e na Lei nº
7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução §14º Nos depoimentos que prestar, o colaborador
Penal) e os requisitos de progressão de regime não renunciará, na presença de seu defensor, ao direito
abrangidos pelo § 5º deste artigo;    ao silêncio e estará sujeito ao compromisso legal de
III - Adequação dos resultados da colaboração aos dizer a verdade.
resultados mínimos exigidos nos incisos I, II, III, IV
e V do caput deste artigo;
Com relação a totalidade de atos de negociação,
IV - Voluntariedade da manifestação de vontade,
execução da colaboração e confirmação, o colabora-
especialmente nos casos em que o colaborador está
ou esteve sob efeito de medidas cautelares. 
dor deverá estar assistido por defensor, vide §15, do
art. 4.
Avançando, com relação ao § 16, do artigo 4°,
Temos a disposição do § 7-A, do artigo 4°:
nenhuma das seguintes medidas será decretada ou
Art. 4° [...]
proferida com fundamento apenas nas declarações
§ 7º-A O juiz ou o tribunal deve proceder à análise do colaborador: 
fundamentada do mérito da denúncia, do perdão
judicial e das primeiras etapas de aplicação da § 16 [...]
pena, nos termos do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de I - Medidas cautelares reais ou pessoais;     
dezembro de 1940 (Código Penal)  e do  Decreto- II - Recebimento de denúncia ou queixa-crime;     
Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de III - Sentença condenatória. 
Processo Penal), antes de conceder os benefícios
pactuados, exceto quando o acordo prever o não O acordo homologado poderá ser rescindido
oferecimento da denúncia na forma dos §§ 4º e 4º-A em caso de omissão dolosa sobre os fatos objeto da
92 deste artigo ou já tiver sido proferida sentença. colaboração.
Art. 4° [...] Da Ação Controlada
§ 18. O acordo de colaboração premiada pressupõe
que o colaborador cesse o envolvimento em condu- De acordo com o art. 8°, trata-se de uma técnica
ta ilícita relacionada ao objeto da colaboração, sob especial de investigação por meio do qual é retarda-
pena de rescisão. do o momento da intervenção dos órgãos estatais res-
ponsáveis pela persecução penal, que deve ocorrer
Agora, vamos tratar um pouco sobre os direitos do no momento mais oportuno sob o ponto de vista da
colaborador que são: investigação criminal.

Art. 5° [...] Art. 8° [...]


I - usufruir das medidas de proteção previstas na §1°: O retardamento da intervenção policial ou
legislação específica; administrativa será previamente comunicado ao
II - ter nome, qualificação, imagem e demais infor- juiz competente que, se for o caso, estabelecerá os
mações pessoais preservados; seus limites e comunicará ao Ministério Público.
III - ser conduzido, em juízo, separadamente dos
demais coautores e partícipes;
Será realizada a comunicação de forma sigilo-
IV - participar das audiências sem contato visual
sa, incluindo a distribuição, de forma a não conter
com os outros acusados;
V - não ter sua identidade revelada pelos meios de
informações que possam demonstre a operação a ser
comunicação, nem ser fotografado ou filmado, sem efetuada.
sua prévia autorização por escrito; Até ser finalizada a diligência, o acesso ao processo
VI - cumprir pena ou prisão cautelar em estabe- será restrito ao Ministério Público, ao juiz e ao dele-
lecimento penal diverso dos demais corréus ou gado de polícia, como forma de garantir o êxito das
condenados.     investigações. Com o encerramento da diligência, ela-
borar-se-á auto circunstanciado acerca da ação con-
Possuindo em mãos os direitos do colaborar, deve- trolada, vide §§ 3, 4°, do art. 8°.
mos também ter conhecimento com relação ao termo Se a ação controlada envolver transposição de
de acordo da colaboração premiada deverá ser feito fronteiras, o retardamento da intervenção policial ou
por escrito e conter, que poderá ser encontrada no administrativa somente poderá ocorrer com a coope-
artigo 6, dispondo: ração das autoridades dos países que figurem como
provável itinerário ou destino do investigado, de
Art. 6° O termo de acordo da colaboração premia- modo a reduzir os riscos de fuga e extravio do produ-
da deverá ser feito por escrito e conter: to, objeto, instrumento ou proveito do crime, confor-
I - o relato da colaboração e seus possíveis me é apresentado no art. 9°.
resultados;
II - as condições da proposta do Ministério Público
Da Infiltração de Agentes
ou do delegado de polícia;
III - a declaração de aceitação do colaborador e de
seu defensor; Trata-se de uma técnica especial de investigação
IV - as assinaturas do representante do Ministério por meio do qual um agente é introduzido dissimu-
Público ou do delegado de polícia, do colaborador e ladamente em uma organização criminosa, passando
de seu defensor; agir como um de seus integrantes, ocultando sua ver-
V - a especificação das medidas de proteção ao cola- dadeira identidade, com o objetivo precípuo de identi-
borador e à sua família, quando necessário. ficar fontes de prova e obter elementos de informação
capazes de permitir a desarticulação da referida asso-
Será sigilosamente distribuído o pedido de homo- ciação, tendo em vista o disposto no art. 10.
logação de acordo, devendo conter apenas as infor- Possuindo das características de:
mações que não possam identificar o colaborador e o
seu objeto, em consonância com o art. 7°. z Agente Policial
Decidirá no prazo de 48 horas, o juiz que recair z Atuação Dissimulada
a distribuição das informações pormenorizadas da z Prévia Autorização Judicial
colaboração. z Inserção De Forma Estável
z Identificação de fontes de prova
Art.7° [...]
§ 2° O acesso aos autos será restrito ao juiz, ao Antes de decidir, o juiz ouvirá o Ministério Públi-
Ministério Público e ao delegado de polícia, como
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

co, quando tratar-se de representação do delegado de


forma de garantir o êxito das investigações, assegu-
polícia. Será admitida a infiltração se houver indícios
rando-se ao defensor, no interesse do representado,
amplo acesso aos elementos de prova que digam de infração penal, e se a prova não puder ser produ-
respeito ao exercício do direito de defesa, devida- zida por outros meios disponíveis, a infiltração será
mente precedido de autorização judicial, ressalva- autorizada pelo prazo de até 6 (seis) meses, sem pre-
dos os referentes às diligências em andamento. juízo de eventuais renovações, desde que comprovada
sua necessidade, de acordo com o §2 e §3º, do art. 10.
Serão mantidos em sigilo o acordo de colabora-
ção premiada e os depoimentos do colaborador, até z Responsabilidade criminal do agente infiltrado:
o momento em que ocorrer o recebimento da queixa- Caso, a determinada conduta estivesse acobertada
-crime ou denúncia, inclusive, sendo proibido ao juiz por decisão judicial autorizando.
decidir por sua publicidade em qualquer hipótese, z Estrito cumprimento do dever legal: As condutas
tendo em vista o disposto no §3°, do art. 7°. que não estiverem autorizadas por decisão judicial 93
Findo o prazo de seis meses, será apresentado ao Conforme artigo 10-B, em especial, no parágrafo
magistrado competente o relatório circunstanciado, único, antes da conclusão da operação, o acesso aos
que imediatamente cientificará o Ministério Público, autos será reservado ao juiz, ao Ministério Público
vide §4°, do art. 10. e ao delegado de polícia responsável pela operação,
De acordo com o §5°, do art. 10, no curso do inqué- com o objetivo de garantir o sigilo das investigações.
rito policial, o delegado de polícia poderá determinar
aos seus agentes, e o Ministério Público, a autorização Art. 10-C Não comete crime o policial que oculta a
para requisitar, a qualquer tempo, relatório da ativi- sua identidade para, por meio da internet, colher
dade de infiltração. indícios de autoria e materialidade dos crimes de
organização criminosa e dispõe sobre a investiga-
Avançando, é de suma importância a leitura do
ção crimina.    
artigo 10-A:
Só cuidado, pois se o agente agir com o excesso,
Art. 10-A. Será admitida a ação de agentes de
responderá pela parte que ultrapassou.
polícia infiltrados virtuais, obedecidos os requi-
sitos do  caput  do art. 10, na internet, com o fim
Todos os atos que forem eletrônicos, sendo pratica-
de investigar os crimes previstos nesta Lei e a eles dos durante a operação, deverão ser gravados, regis-
conexos, praticados por organizações criminosas, trados, armazenados e enviados ao Ministério Público
desde que demonstrada sua necessidade e indicados e ao juiz, juntamente com relatório circunstanciado,
o alcance das tarefas dos policiais, os nomes quando concluída a investigação, de acordo com art.
ou apelidos das pessoas investigadas e, quando 10-D.
possível, os dados de conexão ou cadastrais que Com isso os atos eletrônicos registrados citados,
permitam a identificação dessas pessoas.    serão juntados em autos apartados e apensados ao
processo criminal juntamente com o inquérito poli-
Com base no artigo 10-A, podemos extrair os dados cial, assegurando-se a preservação da identidade do
de conexão e os dados cadastrais. Para te auxiliar, agente policial infiltrado e a intimidade dos envolvi-
montei uma tabela de comparação: dos, vide parágrafo único do art. 10-D. 

Art. 11 O requerimento do Ministério Público ou a


DADOS DE CONEXÃO DADOS CADASTRAIS representação do delegado de polícia para a infil-
tração de agentes conterão a demonstração da
São informações referen- São informações referen- necessidade da medida, o alcance das tarefas dos
tes a hora, data, início, tér- tes a nome e endereço de agentes e, quando possível, os nomes ou apelidos
mino, duração, endereço assinante ou de usuário das pessoas investigadas e o local da infiltração.
de Protocolo de Internet registrado ou autenticado
(IP) em que seja utilizado para a conexão a quem
Dica
e terminal de origem da endereço de IP, identifica-
conexão. ção de usuário ou códi- Com base no artigo 11, parágrafo único. Os
go de acesso tenha sido órgãos de registro e cadastro público poderão
atribuído no momento da incluir nos bancos de dados próprios, mediante
conexão. procedimento sigiloso e requisição da autorida-
de judicial, as informações necessárias à efetivi-
Antes de decidir nos casos de representação do dade da identidade fictícia criada, nos casos de
delegado de polícia, o magistrado ouvirá o Ministério infiltração de agentes na internet.
Público, de acordo com o §1º, do art. 10.
Ademais, será aceitada a infiltração se houver indí- Com relação ao pedido de infiltração, será realiza-
cios de infração penal e se as provas não puderem ser da a distribuição de forma sigilosa, com a intenção de
produzidas por outros meios disponíveis. Será autori- não conter informações ou dados que possam indicar
zada pelo prazo de até 6 (seis) meses a infiltração, no a operação a ser efetivada ou o agente que será infil-
entanto, será sem prejuízo de eventuais renovações, trado, vide o art. 12.
ocasião em que se dará através de ordem judicial fun- De acordo com o §1°, do art. 12, serão dirigidas
damentada e que o total não ultrapasse a 720 dias e diretamente ao juiz competente, as informações quan-
seja comprovada sua necessidade, vide §§ 2º e 3º, do to à necessidade da operação de infiltração, ocasião
art. 10.    em que o Juiz, decidirá no prazo de 24 (vinte e qua-
Encerrando-se o prazo, os atos eletrônicos pratica- tro) horas, após manifestação do Ministério Público,
dos durante a operação e relatório circunstanciado, nos casos em que ocorra a representação do delegado
deverão ser registrados, gravados, armazenados e de polícia, devendo, contudo, ser adotada as medidas
apresentados ao juiz competente, que imediatamente necessárias para o êxito das investigações e a seguran-
cientificará o Ministério Público.       ça do agente infiltrado.
Poderá o delegado de polícia, no andamento do Acompanharão a denúncia do Ministério Públi-
inquérito policial, determinar que os seus agentes, co, os autos contendo as informações da operação de
juntamente com o Ministério Público e o juiz, a qual- infiltração, que serão disponibilizados à defesa, asse-
quer tempo, requisitar relatório da atividade de infil- gurando-se a preservação da identidade do agente,
tração, de acordo com o § 5º. vide §2°, do art. 12.
Quando houver indícios da operação ser perigosa
Art. 10-B As informações oriundas das operações ao agente, será sustada a operação, mediante a requi-
de infiltração, deverão ser enviadas diretamente ao sição do delegado de polícia ou pelo Ministério Públi-
juiz responsável pela autorização da medida, que co, dando-se imediata ciência à autoridade judicial, de
94 zelará por seu sigilo.     acordo com o §3°, do art. 12.
Quando o agente que não guardar, em sua atua- A conduta, está relacionada a prática de revelar,
ção, a devida proporcionalidade com a finalidade da fotografar e filmar (imprescindível sem prévia autori-
investigação, responderá pelos excessos praticados, zação por escrito).
consoante dispõe o art. 13. Já o Elemento subjetivo é o dolo que sabe ser o
Conforme o parágrafo único, do art. 13, não é agente colaborador.
punível, no âmbito da infiltração, a prática de crime A consumação se dará com a prática de qualquer
pelo agente infiltrado no curso da investigação, um dos núcleos, não sendo admitida tentativa.
quando inexigível conduta diversa. Com relação ao artigo 19:
E, por fim, o agente possuiu direito, sendo eles:
Art. 19. Imputar falsamente, sob pretexto de cola-
boração com a Justiça, a prática de infração penal
Art. 14. São direitos do agente: a pessoa que sabe ser inocente, ou revelar informa-
I - recusar ou fazer cessar a atuação infiltrada; ções sobre a estrutura de organização criminosa
II - ter sua identidade alterada, aplicando-se, no que que sabe inverídicas:
couber, o disposto no art. 9º da Lei nº 9.807, de 13 Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
de julho de 1999, bem como usufruir das medidas de
proteção a testemunhas; As condutas, estão relacionadas a prática de cola-
III  - ter seu nome, sua qualificação, sua imagem, boração caluniosa e colaboração fraudulenta.
sua voz e demais informações pessoais preservadas O elemento subjetivo será o dolo, já a consuma-
durante a investigação e o processo criminal, salvo ção é a de crime formal, se consumando com a falsa
se houver decisão judicial em contrário; imputação ou informações inverídicas, sendo admiti-
IV - não ter sua identidade revelada, nem ser foto- da tentativa.
Tocante ao artigo 20:
grafado ou filmado pelos meios de comunicação,
sem sua prévia autorização por escrito.
Art. 20. Descumprir determinação de sigilo das
investigações que envolvam a ação controlada e a
Do Acesso a Registros, Dados Cadastrais, infiltração de agentes:
Documentos e Informações Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Art. 15 O delegado de polícia e o Ministério Público A consumação se dará com o descumprimento da


terão acesso, independentemente de autorização manutenção do sigilo, sendo possível a consumação
judicial, apenas aos dados cadastrais do investi- quando a prática se der por ação.
gado que informem exclusivamente a qualificação E, por fim, o artigo 21:
pessoal, a filiação e o endereço mantidos pela Jus-
tiça Eleitoral, empresas telefônicas, instituições Art. 21. Recusar ou omitir dados cadastrais, regis-
financeiras, provedores de internet e administrado- tros, documentos e informações requisitadas pelo
ras de cartão de crédito. juiz, Ministério Público ou delegado de polícia, no
curso de investigação ou do processo:
Terão acesso, não dependo de autorização aos Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e
dados cadastrais do investigado que informem exclu- multa.
sivamente a qualificação pessoal, endereço mantidos Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem, de
forma indevida, se apossa, propala, divulga ou faz
pela Justiça Eleitoral, instituições financeiras empre-
uso dos dados cadastrais de que trata esta Lei.
sas telefônicas, administradoras de cartão de crédito e
provedores de internet, além da filiação, os delegados Será realizada a punição ao agente que se recusar
de polícia e o Ministério Público, conforme rege o art. ou omitir dados, possuindo como elemento subjetivo
15. o dolo
As empresas de transporte realizarão a possibi- Ademais, a consumação se dará com a recusa ou
lidade, pelo prazo de 5 (cinco) anos, o devido acesso com a omissão.
direto e permanente do Ministério Público, juiz ou do
delegado de polícia aos bancos de dados de reservas e DISPOSIÇÕES FINAIS
registro de viagens, de acordo com o art. 16.
Serão apurados mediante ao Código de Processo
Art. 17. As concessionárias de telefonia fixa ou Penal, todos os crimes previstos na Lei em comento.
móvel manterão, pelo prazo de 5 (cinco) anos, à dis-
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

posição das autoridades mencionadas no art. 15, Art. 22, parágrafo único: a instrução criminal
registros de identificação dos números dos termi- deverá ser encerrada em prazo razoável, o qual
nais de origem e de destino das ligações telefônicas não poderá exceder a 120 (cento e vinte) dias quan-
internacionais, interurbanas e locais. do o réu estiver preso, prorrogáveis em até igual
período, por decisão fundamentada, devidamente
Dos Crimes Ocorridos na Investigação e na Obtenção motivada pela complexidade da causa ou por fato
procrastinatório atribuível ao réu.
da Prova
Art. 23 O sigilo da investigação poderá ser decre-
tado pela autoridade judicial competente, para
Um dos crimes, encontra-se nas condutas do artigo 18: garantia da celeridade e da eficácia das diligên-
cias investigatórias, assegurando-se ao defensor,
Art. 18. Revelar a identidade, fotografar ou filmar o no interesse do representado, amplo acesso aos
colaborador, sem sua prévia autorização por escrito: elementos de prova que digam respeito ao exercí-
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. cio do direito de defesa, devidamente precedido de 95
autorização judicial, ressalvados os referentes às c) ao menos um dos criminosos seja funcionário público.
diligências em andamento. d) exista participação de funcionário de instituição
Parágrafo único: Determinado o depoimento do financeira.
investigado, seu defensor terá assegurada a prévia e) ao menos mais um criminoso integre o grupo.
vista dos autos, ainda que classificados como sigi-
losos, no prazo mínimo de 3 (três) dias que ante- Conforme o § 1º, do artigo 1, considera-se organiza-
cedem ao ato, podendo ser ampliado, a critério da ção criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais
autoridade responsável pela investigação. pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada
pela divisão de tarefas, ainda que informalmente,
com objetivo de obter, direta ou indiretamente, van-
tagem de qualquer natureza, mediante a prática de
EXERCÍCIOS COMENTADOS infrações penais cujas penas máximas sejam supe-
riores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter
1. (IBFC – 2020) Leia abaixo o que dispõe o parágrafo 6º transnacional. Resposta: Letra A
do artigo 2º da Lei de Organizações Criminosas (Lei nº
12.850 de 2013): 4. (VUNESP - 2019) As penas do crime de promover,
Art. 2º. § 6º A condenação com trânsito em julgado constituir, financiar ou integrar organização criminosa,
acarretará ao funcionário público ______ do cargo, fun- do art. 2° da Lei n° 12.850/13, são aumentadas de 1/6
ção, emprego ou mandato eletivo e _____ pelo prazo a 2/3, nos termos do parágrafo 4°, se
_____ ao cumprimento da pena.
Assinale a alternativa que preencha correta e respecti- a) houver impedimento ou, de qualquer forma, embara-
vamente as lacunas. çar-se a investigação de infração penal cometida no
seio da organização criminosa.
a) a perda / a suspensão dos direitos políticos / de 8 b) na atuação da organização criminosa houver emprego
(oito) a 10 (dez) anos subsequentes. de arma de fogo.
b) a perda / a interdição para o exercício de função ou c) houver concurso de funcionário público, valendo-se a
cargo público / de 8 (oito) anos subsequentes organização criminosa dessa condição para a prática
c) a demissão a bem do serviço público / a interdição de infração penal.
para o exercício de função ou cargo público / de 8 d) o acusado exercer o comando, individual ou coletivo,
(oito) a 10 (dez) anos subsequentes da organização criminosa, ainda que não pratique pes-
d) a demissão a bem do serviço público / a suspensão soalmente atos de execução.
dos direitos políticos / de 8 (oito) anos subsequentes e) das ações diretas ou indiretas da organização crimino-
sa resultar morte.
Com base no §6°, do artigo 2, a condenação com
trânsito em julgado acarretará ao funcionário públi- Conforme o inciso inciso II, do § 4º, do artigo 2, a
co a perda do cargo, função, emprego ou mandato pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois ter-
eletivo e a interdição para o exercício de função ou ços) se existir o concurso de funcionário público,
cargo público pelo prazo de 8 (oito) anos subsequen- valendo-se a organização criminosa dessa condição
tes ao cumprimento da pena. Resposta: Letra B para a prática de infração penal. Resposta: Letra C

2. (SELECON – 2020) Abel é investigador da Polícia 5. (IDIB - 2019) De acordo com a Lei nº 12.850/2013,
Federal, sendo integrante de equipe que trabalha em considera-se Organização Criminosa:
inquérito sobre organizações criminosas. Como orien-
tação da chefia do setor especializado, busca utilizar a) A associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estru-
todas as autorizações legais para produzir provas. turalmente ordenada e caracterizada pela divisão de
Nos termos da Lei nº 12.850/2013, um dos meios de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de
obtenção de prova consiste em: obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer
natureza, mediante a prática de infrações penais cujas
a) investigação social penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos,
b) decisão judicial prévia ou que sejam de caráter transnacional.
c) colaboração premiada b) A associação de 3 (três) ou mais pessoas estrutural-
d) ato de execução mente ordenada e caracterizada pela divisão de tare-
fas, ainda que informalmente, com objetivo de obter,
Com base no inciso I, do artigo 3°, em qualquer fase direta ou indiretamente, vantagem de qualquer nature-
da persecução penal, serão permitidos, sem prejuízo za, mediante a prática de infrações penais cujas penas
de outros já previstos em lei, os seguintes meios de máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que
obtenção da prova colaboração premiada. Respos- sejam de caráter transnacional.
ta: Letra C c) A associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estru-
turalmente ordenada e caracterizada pela divisão de
3. (UFPR – 2020) João, Mário, Nicolau e José praticam, tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de
em conjunto, uma  série de crimes. Para que essa obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer
empreitada criminosa possa ser considerada “organi- natureza, mediante a prática de infrações penais cujas
zação criminosa”, é necessário que: penas máximas sejam superiores a 8 (oito) anos, ou
que sejam de caráter transnacional.
a) exista divisão de tarefas, ainda que de maneira d) A associação de 3 (três) ou mais pessoas estrutu-
informal. ralmente ordenada e caracterizada pela divisão de
b) ao menos um dos crimes tenha sido praticado contra tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de
96 a Administração Pública. obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer
natureza, mediante a prática de infrações penais cujas DA POLÍTICA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA E
penas máximas sejam superiores a 8 (oito) anos, ou DEFESA SOCIAL (PNSPDS)
que sejam de caráter transnacional.
A Políticas de Segurança Pública e Defesa
e) A associação de pessoas estruturalmente ordena-
Social,são de competência da União, imponto a esta,
da e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que
o dever de regulamentá-la e constituí-la. Mas, e os
informalmente, com objetivo de obter, direta ou indi-
demais órgãos da Administração Pública Direta?
retamente, vantagem de qualquer natureza, mediante Simples, o Distrito Federal, Municípios e Estados
a prática de infrações penais cujas penas máximas possuem competência para constituir as respectivas
sejam superiores a 8 (oito) anos, ou que sejam de políticas, devendo se pautar nas diretrizes da políti-
caráter transnacional. ca nacional, tendo como grande enfoque, a análise e
enfrentamento dos riscos, visando à harmonia da con-
Com base no § 1º, do artigo 1, considera-se orga- vivência social, em especial às situações de emergên-
nização criminosa a associação de 4 (quatro) ou cia e aos crimes interestaduais e transnacionais.
mais pessoas estrut caracterizada pela divisão de Diante do exposto, podemos adentrar aos princí-
tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de pios que são apresentados pelo artigo 4°:
obter, direta ou indiretamente, vantagem de qual-
quer natureza, mediante a prática de infrações Art. 4º São princípios da PNSPDS:
penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 I - respeito ao ordenamento jurídico e aos direitos e
garantias individuais e coletivos;
(quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacio-
II - proteção, valorização e reconhecimento dos
nal. Resposta: Letra A profissionais de segurança pública;
III - proteção dos direitos humanos, respeito aos
direitos fundamentais e promoção da cidadania e
da dignidade da pessoa humana;
LEI Nº 13.675, DE 2018 IV - eficiência na prevenção e no controle das infra-
ções penais;
V - eficiência na repressão e na apuração das infra-
A Lei 13.675/2018 é responsável pelo funcionamento
ções penais;
e organização dos órgãos responsáveis pela segurança VI - eficiência na prevenção e na redução de riscos
pública apresentados no § 7°, do artigo 144, da Cons- em situações de emergência e desastres que afetam
tituição Federal. Esta lei cria e desenvolve a Política a vida, o patrimônio e o meio ambiente;
Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNS- VII - participação e controle social;
PDS), instituindo o Sistema Único de Segurança Públi- VIII - resolução pacífica de conflitos;
ca (Susp). IX - uso comedido e proporcional da força;
É de suma importância o conhecimento referente X - proteção da vida, do patrimônio e do meio
ambiente;
ao disposto no texto constitucional, em especial, do §
XI - publicidade das informações não sigilosas;
7°, do artigo 144: XII - promoção da produção de conhecimento sobre
segurança pública;
Art. 144 XIII - otimização dos recursos materiais, humanos
[...] e financeiros das instituições;
§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento XIV - simplicidade, informalidade, economia pro-
dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de cedimental e celeridade no serviço prestado à
maneira a garantir a eficiência de suas atividades. sociedade;
XV - relação harmônica e colaborativa entre os
Nota-se que para disciplinar o texto constitucional, Poderes;
criou-se a Lei 13.675/2018. XVI - transparência, responsabilização e prestação
de contas.
Diante da base constitucional, podemos adentrar
na Lei em comento:
De acordo com o art. 5º são diretrizes da PNSPDS:
Art. 1º Esta Lei institui o Sistema Único de Segu-
z Atendimento imediato ao cidadão;
rança Pública (Susp) e cria a Política Nacional de
z Planejamento estratégico e sistêmico;
Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS), com
z Fortalecimento das ações de prevenção e resolução
a finalidade de preservação da ordem pública e da
pacífica de conflitos, priorizando políticas de redu-
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

incolumidade das pessoas e do patrimônio, por


ção da letalidade violenta, com ênfase para os gru-
meio de atuação conjunta, coordenada, sistêmica e
pos vulneráveis;
integrada dos órgãos de segurança pública e defesa
z Atuação integrada entre a União, os Estados, o Dis-
social da União, dos Estados, do Distrito Federal e
trito Federal e os Municípios em ações de segurança
dos Municípios, em articulação com a sociedade.
pública e políticas transversais para a preservação
da vida, do meio ambiente e da dignidade da pessoa
Com isso, é importante destacar que é responsa- humana;
bilidade de todos, mas dever do Estado, a proteção z Coordenação, cooperação e colaboração dos órgãos
e realização da segurança pública. Nasce, assim, o e instituições de segurança pública nas fases de pla-
dever da Administração Pública Direta (União, Esta- nejamento, execução, monitoramento e avaliação
dos, Distrito Federal e Municípios) proteger esse direi- das ações, respeitando-se as respectivas atribuições
to constitucional, respeitando atribuições legais de legais e promovendo-se a racionalização de meios
cada órgão. com base nas melhores práticas; 97
z Formação e capacitação continuada e qualificada patrimônio, do meio ambiente e de bens e
dos profissionais de segurança pública, em conso- direitos;
nância com a matriz curricular nacional; III - incentivar medidas para a moderniza-
z Fortalecimento das instituições de segurança públi- ção de equipamentos, da investigação e da
ca por meio de investimentos e do desenvolvimento perícia e para a padronização de tecnologia
de projetos estruturantes e de inovação tecnológica; dos órgãos e das instituições de segurança
z Sistematização e compartilhamento das informa- pública;
ções de segurança pública, prisionais e sobre dro- IV - estimular e apoiar a realização de ações de
gas, em âmbito nacional; prevenção à violência e à criminalidade, com prio-
z Atuação com base em pesquisas, estudos e diagnós- ridade para aquelas relacionadas à letalidade da
ticos em áreas de interesse da segurança pública; população jovem negra, das mulheres e de outros
z Atendimento prioritário, qualificado e humanizado grupos vulneráveis;
às pessoas em situação de vulnerabilidade; V - promover a participação social nos Conselhos
z Padronização de estruturas, de capacitação, de tec- de segurança pública;
nologia e de equipamentos de interesse da seguran- VI - estimular a produção e a publicação de estudos
ça pública; e diagnósticos para a formulação e a avaliação de
z Ênfase nas ações de policiamento de proximidade, políticas públicas;
com foco na resolução de problemas; VII - promover a interoperabilidade dos sistemas de
z Modernização do sistema e da legislação de acordo segurança pública;
com a evolução social; VIII - incentivar e ampliar as ações de prevenção,
z Participação social nas questões de segurança controle e fiscalização para a repressão aos crimes
pública; transfronteiriços;
z Integração entre os Poderes Legislativo, Executivo IX - estimular o intercâmbio de informações de
e Judiciário no aprimoramento e na aplicação da inteligência de segurança pública com institui-
legislação penal; ções estrangeiras congêneres;
z Colaboração do Poder Judiciário, do Ministério X - integrar e compartilhar as informações de segu-
Público e da Defensoria Pública na elaboração de rança pública, prisionais e sobre drogas;
estratégias e metas para alcançar os objetivos desta XI - estimular a padronização da formação, da
Política; capacitação e da qualificação dos profissionais de
z Fomento de políticas públicas voltadas à reinserção segurança pública, respeitadas as especificidades
social dos egressos do sistema prisional; e as diversidades regionais, em consonância com
z Incentivo ao desenvolvimento de programas e pro- esta Política, nos âmbitos federal, estadual, distri-
jetos com foco na promoção da cultura de paz, na tal e municipal;
segurança comunitária e na integração das políti- XII - fomentar o aperfeiçoamento da aplicação e do
cas de segurança com as políticas sociais existentes cumprimento de medidas restritivas de direito e de
em outros órgãos e entidades não pertencentes ao penas alternativas à prisão;
sistema de segurança pública; XIII - fomentar o aperfeiçoamento dos regimes de
z Distribuição do efetivo de acordo com critérios cumprimento de pena restritiva de liberdade em
técnicos; relação à gravidade dos crimes cometidos;
z Deontologia policial e de bombeiro militar comuns, XV - racionalizar e humanizar o sistema peniten-
respeitados os regimes jurídicos e as peculiaridades ciário e outros ambientes de encarceramento;
de cada instituição; XVI - fomentar estudos, pesquisas e publicações
z Unidade de registro de ocorrência policial; sobre a política de enfrentamento às drogas e de
z Uso de sistema integrado de informações e dados redução de danos relacionados aos seus usuários e
eletrônicos; aos grupos sociais com os quais convivem;
z Incentivo à designação de servidores da carreira XVII - fomentar ações permanentes para o combate
para os cargos de chefia, levando em consideração a ao crime organizado e à corrupção;
graduação, a capacitação, o mérito e a experiência XVIII - estabelecer mecanismos de monitoramento
do servidor na atividade policial específica; e de avaliação das ações implementadas;
z Celebração de termo de parceria e protocolos com XIX - promover uma relação colaborativa entre os
agências de vigilância privada, respeitada a lei de órgãos de segurança pública e os integrantes do sis-
licitações. tema judiciário para a construção das estratégias e
o desenvolvimento das ações necessárias ao alcan-
Ademais, as Políticas de Segurança Pública e Defe- ce das metas estabelecidas;
sa Social possuem objetivos. Esses objetivos quando XX - estimular a concessão de medidas protetivas
cobrados pela banca apresentam literalidade de Lei, em favor de pessoas em situação de vulnerabilidade;
portanto, não aprofundaremos, sendo importante XXI - estimular a criação de mecanismos de prote-
apenas a leitura que será um grande diferencial. Dei- ção dos agentes públicos que compõem o sistema
xarei em negrito as redações que já foram cobradas nacional de segurança pública e de seus familiares;
em provas: XXII - estimular e incentivar a elaboração, a exe-
cução e o monitoramento de ações nas áreas de
Art. 6º São objetivos da PNSPDS: valorização profissional, de saúde, de qualidade de
I - fomentar a integração em ações estratégicas vida e de segurança dos servidores que compõem o
e operacionais, em atividades de inteligência de sistema nacional de segurança pública;
segurança pública e em gerenciamento de crises e XXIII - priorizar políticas de redução da letalidade
incidentes; violenta;
II - apoiar as ações de manutenção da ordem XXIV - fortalecer os mecanismos de investigação de
98 pública e da incolumidade das pessoas, do crimes hediondos e de homicídios;
XXV - fortalecer as ações de fiscalização de armas municipal, agente penitenciário e órgãos que sejam
de fogo e munições, com vistas à redução da violên- estratégicos e operacionais, tendo os órgãos como
cia armada; escopo os limites de suas competências, de forma coo-
XXVI - fortalecer as ações de prevenção e repressão perativa, sistêmica e harmônica.
aos crimes cibernéticos. Para te ajudar a entender um pouco a composi-
ção do Sistema Único de Segurança Pública (Susp),
Dica vou montar uma tabela com os os órgãos integrantes
estratégicos e operacionais, conforme artigo 9:
Note que todos os objetivos da PNSPDS têm
seus verbos no início da oração e no infinitivo
SISTEMA ÚNICO DE SEGURANÇA PÚBLICA
(terminados em AR, ER, IR). Utilize disso para
diferenciá-los das diretrizes e dos princípios. Órgãos Integrantes

Os objetivos,deverão guiar a formulação do Plano União, os Estados, o Distrito Federal e os


Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, que Municípios, por intermédio dos respecti- Estratégico
será formalizado através de documento que colocará vos Poderes Executivos
as estratégias, os indicadores, as metas e as ações para Conselhos de Segurança Pública e De-
o atingir esses objetivos. Estratégico
fesa Social dos três entes federados.
Outro ponto interessante é que o do Plano Nacio-
nal de Segurança Pública e Defesa Social terá como Polícias Federal Operacional
estrutura basilar estratégias visando garantir a coor-
denação, cooperação federativa e integração, intero- Polícia Rodoviária Federal Operacional
perabilidade, liderança situacional, modernização da Polícias Civis Operacional
gestão das instituições de segurança pública, valori-
zação e proteção dos profissionais, complementari- Polícias Militares Operacional
dade, dotação de recursos humanos, diagnóstico dos
problemas a serem enfrentados, excelência técnica, Corpos de Bombeiros Militares Operacional
avaliação continuada dos resultados e garantia da Guardas Municipais Operacional
regularidade orçamentária para execução de planos e
programas de segurança pública, possuindo essa con- Órgãos do Sistema Penitenciário Operacional
sistência o artigo 7°.
Institutos Oficiais de Criminalística,
Tornam-se instrumentos e maneiras para o Plano Operacional
Medicina Legal e Identificação
Nacional de Segurança Pública e Defesa Social:
Secretaria Nacional de Segurança
Art. 8 [...] Operacional
Pública
I- os planos de segurança pública e defesa social;
II- o Sistema Nacional de Informações e de Gestão Secretarias Estaduais de Segurança
Operacional
de Segurança Pública e Defesa Social, que inclui: Pública ou Congêneres
a. Sistema Nacional de Acompanhamento e Ava-
liação das Políticas de Segurança Pública e Defesa Secretaria Nacional de Proteção e De-
Operacional
Social (Sinaped); fesa Civil
b. Sistema Nacional de Informações de Segurança
Pública, Prisionais, de Rastreabilidade de Armas Secretaria Nacional de Política sobre
Operacional
e Munições, de Material Genético, de Digitais e de Drogas
Drogas (Sinesp); Agentes De Trânsito Operacional
c. Sistema Integrado de Educação e Valorização
Profissional (Sievap); Guarda Portuária Operacional
d. Rede Nacional de Altos Estudos em Segurança
Pública (Renaesp);
e. Programa Nacional de Qualidade de Vida para Art. 9 [...]
Profissionais de Segurança Pública (Pró-Vida); §4°, os sistemas estaduais, distrital e municipais
III - (VETADO); serão responsáveis pela implementação dos res-
IV - o Plano Nacional de Enfrentamento de Homicí- pectivos programas, ações e projetos de segu-
dios de Jovens; rança pública com liberdade de organização e
V - os mecanismos formados por órgãos de pre- funcionamento.
venção e controle de atos ilícitos contra a Admi-
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

nistração Pública e referentes a ocultação ou Dando continuidade na Lei, temos que analisar o
dissimulação de bens, direitos e valores. funcionamento do Sistema Único de Segurança Públi-
ca (Susp), tendo como base a coordenação e integração
DO SISTEMA ÚNICO DE SEGURANÇA PÚBLICA dos seus órgãos, que entabula os limites de competên-
cias. Para ater-se aos limites, possuímos o artigo 10,
Com a regulamentação da Lei, tornou-se necessá- que informa sobre o funcionamento do Susp, que se
ria a criação do Sistema Único de Segurança Pública dará
(Susp),, que possui o Ministério Extraordinário da
Segurança Pública como órgão central. z Operações com planejamento e execução
Faz parte do Susp a polícia federal, polícia rodoviá- integrados;
ria federal, polícia ferroviária federal, polícias civis, z Estratégias comuns para atuação na prevenção e
polícias militares e corpos de bombeiros militares e no controle qualificado de infrações penais;
as polícias penais federal, estaduais e distrital, guarda z Aceitação mútua de registro de ocorrência policial; 99
z Compartilhamento de informações, inclusive com II - as atividades periciais serão aferidas mediante
o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin); critérios técnicos emitidos pelo órgão responsável
z Intercâmbio de conhecimentos técnicos e pela coordenação das perícias oficiais, conside-
científicos; rando os laudos periciais e o resultado na produ-
z Integração das informações e dos dados de segu- ção qualificada das provas relevantes à instrução
rança pública por meio do Sinesp. criminal;
III - as atividades de polícia ostensiva e de pre-
servação da ordem pública serão aferidas, entre
Dica outros fatores, pela maior ou menor incidência de
O Ministério Extraordinário da Segurança Públi- infrações penais e administrativas em determinada
ca, será o órgão responsável pela coordenação área, seguindo os parâmetros do Sinesp;
do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). IV - as atividades dos corpos de bombeiros militares
serão aferidas, entre outros fatores, pelas ações de
prevenção, preparação para emergências e desas-
Com relação as operações planejadas, desencadea-
tres, índices de tempo de resposta aos desastres e
das e combinadas em equipe, a lei traz a possibilida-
de recuperação de locais atingidos, considerando-
de de serem investigativas, ostensivas, mistas ou de -se áreas determinadas;
inteligência. V - a eficiência do sistema prisional será aferida
Podendo, para tanto, receber a participação de com base nos seguintes fatores, entre outros:
órgãos integrantes do Susp, vale ressaltar que nos a) o número de vagas ofertadas no sistema;
limites de suas competências com o Sisbin e outros b) a relação existente entre o número de presos e a
órgãos dos sistemas da Administração pública direta, quantidade de vagas ofertadas;
não necessitando de vínculo direto com os órgãos de c) o índice de reiteração criminal dos egressos;
segurança pública e defesa social. d) a quantidade de presos condenados atendidos
Quando tratar-se de enfrentamento a organiza- de acordo com os parâmetros estabelecidos pelos
ções criminosas, a coordenação e ao planejamento incisos do caput deste artigo, com observância de
das operações será praticado conjuntamente pelos critérios objetivos e transparentes.
participantes.
Além disso, será realizado de forma eletrônica o Com isso será considerado os relativos aspectos à
compartilhamento de informações, devendo possuir equipamentos e trabalhos físicos, tendo como enfo-
o acesso recíproco aos bancos de dados, no entanto, que a aferição.
deve-se atentar às regras entabuladas pelo Ministério A aferição das atividades de polícia judiciária e de
Extraordinário da Segurança Pública, nos termos do apuração das infrações penais serão aferidas, entre
§4º, do art. 10. outros fatores, pelos índices de elucidação dos delitos,
a partir dos registros de ocorrências policiais, espe-
Art.10 [...] cialmente os de crimes dolosos com resultado em mor-
§5°. O intercâmbio de conhecimentos técnicos e te e de roubo, pela identificação, prisão dos autores e
científicos para qualificação dos profissionais de
cumprimento de mandados de prisão de condenados
segurança pública e defesa social dar-se-á, entre
a crimes com penas de reclusão, e pela recuperação
outras formas, pela reciprocidade na abertura de
vagas nos cursos de especialização, aperfeiçoa- do produto de crime em determinada circunscrição,
mento e estudos estratégicos, respeitadas as pecu- deverá distinguir as autorias definidas em razão de
liaridades e o regime jurídico de cada instituição, e prisão em flagrante das autorias resultantes de dili-
observada, sempre que possível, a matriz curricu- gências investigatórias, conforme e apresentado no
lar nacional. §2°, do artigo 12, .
Outro ponto importante encontra-se no artigo 13,
O Ministério Extraordinário da Segurança Pública, apontando que Ministério Extraordinário da Segu-
de acordo com o artigo 11, será o grande responsá- rança Pública, é o grande, responsável pelo Sistema
vel por estabelecer às metas de excelência no âmbito Único de Segurança Pública, mas além disso, possui
das respectivas competências. Contudo, deverá ser de como enfoque a conduta de acompanhar e orientar os
maneira anual, buscando à repressão e à prevenção órgãos que fazem parte do Susp, possuindo também a
das infrações administrativas e penais, além da pre- competência para promover ações visando:
venção dos desastres, utilizando de indicadores públi-
cos que demonstrem de forma objetiva os resultados z Apoiar os programas de aparelhamento e moder-
que pretende atingir. nização dos órgãos de segurança pública e defesa
Para entendermos a aferição de metas, trago a social do País;
redação do artigo 12: z Implementar, manter e expandir, observadas as
restrições previstas em lei quanto a sigilo, o Siste-
Art. 12 . A aferição anual de metas deverá observar ma Nacional de Informações e de Gestão de Segu-
os seguintes parâmetros: rança Pública e Defesa Social;
I - as atividades de polícia judiciária e de apuração z Efetivar o intercâmbio de experiências técnicas
das infrações penais serão aferidas, entre outros
e operacionais entre os órgãos policiais federais,
fatores, pelos índices de elucidação dos delitos, a
estaduais, distrital e as guardas municipais;
partir dos registros de ocorrências policiais, espe-
cialmente os de crimes dolosos com resultado em z Valorizar a autonomia técnica, científica e funcio-
morte e de roubo, pela identificação, prisão dos nal dos institutos oficiais de criminalística, medici-
autores e cumprimento de mandados de prisão de na legal e identificação, garantindo-lhes condições
condenados a crimes com penas de reclusão, e pela plenas para o exercício de suas funções;
recuperação do produto de crime em determinada z Promover a qualificação profissional dos inte-
100 circunscrição; grantes da segurança pública e defesa social,
especialmente nas dimensões operacional, ética e Executivos direcionadas e enviadas aos respectivos
técnico-científica; Poderes Legislativos.
z Realizar estudos e pesquisas nacionais e consoli- Portanto, os Conselho Nacionais de Segurança
dar dados e informações estatísticas sobre crimi- Pública e Defesa Sociais têm atribuição além do fun-
nalidade e vitimização; cionamento e composição prevista em regulamento,
z Coordenar as atividades de inteligência da segu- possuindo, ainda, a participação da Administração
rança pública e defesa social integradas ao Sisbin; Pública Direta.
z Desenvolver a doutrina de inteligência policial.
Art. 19 [...]
Em meio as tantas competências, nascem as res- § 2º Os Conselhos de Segurança Pública e Defesa
ponsabilidades do Ministério Extraordinário da Segu- Social congregarão representantes com poder de
rança Pública. decisão dentro de suas estruturas governamentais
e terão natureza de colegiado, com competência
Art. 14. É de responsabilidade do Ministério Extraor- consultiva, sugestiva e de acompanhamento social
dinário da Segurança Pública: das atividades de segurança pública e defesa social,
I - disponibilizar sistema padronizado, informatizado respeitadas as instâncias decisórias e as normas de
e seguro que permita o intercâmbio de informações organização da Administração Pública.
entre os integrantes do Susp;
II - apoiar e avaliar periodicamente a infraestru- Podemos destacar que os Conselhos de Segurança
tura tecnológica e a segurança dos processos, das Pública e Defesa Social poderão exercer o acompa-
redes e dos sistemas; nhamento das instituições e realizar a recomendação
III - estabelecer cronograma para adequação dos de providências legais às autoridades competentes.
integrantes do Susp às normas e aos procedimentos Com relação ao §4°, artigo 20, é apresentado a
de funcionamento do Sistema. seguinte redação:

Há casos em que nem os Estados, Distrito Federal e Art. 20 [...]


os Municípios possuem condições para dispuserem de § 4º O acompanhamento de que trata o § 3º deste
técnicas, e muito menos condições operacionais para artigo considerará, entre outros, os seguintes
à implementação do Susp, para isso, poderá a União, aspectos:
auxiliar e apoiar-los, visando a implementação do I - as condições de trabalho, a valorização e o
Susp. É o que rege o artigo 15 da referida lei. respeito pela integridade física e moral dos seus
integrantes;
Art. 16. Os órgãos integrantes do Susp poderão II - o atingimento das metas previstas nesta Lei;
atuar em vias urbanas, rodovias, terminais rodo- III - o resultado célere na apuração das denúncias
viários, ferrovias e hidrovias federais, estaduais, em tramitação nas respectivas corregedorias;
distrital ou municipais, portos e aeroportos, no IV - o grau de confiabilidade e aceitabilidade do
âmbito das respectivas competências, em efetiva órgão pela população por ele atendida.
integração com o órgão cujo local de atuação esteja
sob sua circunscrição, ressalvado o sigilo das inves- Os Conselhos possuem atribuições para apresen-
tigações policiais tarem diretrizes relacionadas às políticas públicas de
segurança pública e defesa social, em vistas à repres-
Além do exposto, vale destacar que será discipli- são e prevenção da criminalidade e da violência.
nado através de regulamento os critérios de aplicação O Poder Executivo será o responsável por realizar
de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública o funcionamento, a organização e a competência dos
(FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen). Conselhos, através dos regulamentos, respeitando as
Respeitando-se sempre a atribuição constitucional dos diretrizes e limites da Lei em comento.
órgãos que integram o Susp, os aspectos geográficos, Já os Conselhos Estaduais, Distritais e Municipais
populacionais e socioeconômicos dos entes federados, de Segurança Pública e Defesa Sociais contarão tam-
bem como o estabelecimento de metas e resultados a bém com representantes da sociedade civil organiza-
serem alcançados, conforme é apresentado no artigo da por representantes dos trabalhadores, de forma
17. descentralizados ou congregados por região para
Os órgãos integrantes do Susp poderão realizar a melhor atuação e intercâmbio comunitário.
aquisição de serviços e bens. Todavia, terão que atin- Com relação à composição, podemos adentrar no
gir os objetivos de forma eficiente, obedecendo aos artigo 21, que expõe que os Conselhos serão compos-
critérios relacionados à resistência, modernidade, tos por:
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

qualidade e eficiência, observadas as normas de lici-


tação e contratos, vide art. 18. z Representantes de cada órgão ou entidade inte-
grante do Susp;
DOS CONSELHOS DE SEGURANÇA PÚBLICA E z Representante do Poder Judiciário;
DEFESA SOCIAL z Representante do Ministério Público;
z Representante da Ordem dos Advogados do Brasil
A formação do conselho de segurança pública e (OAB);
defesa social dar-se-á através a da estrutura conside- z Representante da Defensoria Pública;
rada formal do Sistema Único de Segurança Pública. z Representantes de entidades e organizações da
De acordo com o art. 20, a Lei criou os Conselhos sociedade cuja finalidade esteja relacionada com
de Segurança Pública e Defesa Social, abarcando e políticas de segurança pública e defesa social;
colocando-os no âmbito da Administração Pública z Representantes de entidades de profissionais de
Direta, mediante proposta dos chefes dos Poderes segurança pública. 101
Com relação aos representantes das entidades para a execução de programas ou ações de segurança
e organizações da sociedade, além das  entidades de pública e defesa social.
profissionais de segurança pública, serão eleitos, Deverá existir ampla divulgação do conteúdo das
através de processo aberto a todas entidades, em Políticas e dos Planos de segurança pública e defesa
conformidade com a convocação pública e critérios social, sendo tal atribuição de competência do Poder
objetivos previamente definidos pelos Conselhos. Público.
Todo conselheiro terá direito a 1 suplente, que Com base no artigo 23, a União, em articulação
realizará a substituição do titular em caso de ausência com os Estados, Distrito Federal e os Municípios, rea-
ou afastamento. lizará avaliações anuais sobre a implementação do
Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social,
Dica com o objetivo de verificar o cumprimento das metas
estabelecidas e elaborar recomendações aos gestores
Tendo como base o §3°, do artigo 21, os man- e operadores das políticas públicas.
datos eletivos dos membros representantes das A primeira avaliação do Plano Nacional de Segu-
entidades e organizações da sociedade, bem rança Pública e Defesa Social realizar-se-á no segundo
como das entidades de profissionais de seguran- ano de vigência desta Lei, cabendo ao Poder Legislati-
ça pública e a designação de seus demais mem- vo Federal acompanhá-la.
bros, terão a duração de 2 (dois) anos, permitida Com relação as diretrizes serão e deverão ser
apenas uma recondução ou reeleição. observas pelos a agentes públicos na realização da
execução de planos, as seguintes regras (art. 24):
No caso de ocorrer a ausência de um dos represen-
tantes das entidades ou dos órgãos, será realizada a I - adotar estratégias de articulação entre órgãos
representação. públicos, entidades privadas, corporações policiais
e organismos internacionais, a fim de implantar
parcerias para a execução de políticas de seguran-
DA FORMULAÇÃO DOS PLANOS DE SEGURANÇA
ça pública e defesa social;
PÚBLICA E DEFESA SOCIAL II - realizar a integração de programas, ações, ati-
vidades e projetos dos órgãos e entidades públi-
O  Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa cas e privadas nas áreas de saúde, planejamento
Social terá duração de 10 anos, a contar da publica- familiar, educação, trabalho, assistência social,
ção, e será instituído com intuito de articular as ações previdência social, cultura, desporto e lazer, visan-
que compreendem o poder público, possuindo como do à prevenção da criminalidade e à prevenção de
finalidade: desastres;
III - viabilizar ampla participação social na formu-
z Promover a melhora da qualidade da gestão das lação, na implementação e na avaliação das políti-
políticas sobre segurança pública e defesa social; cas de segurança pública e defesa social;
z Contribuir para a organização dos Conselhos de IV - desenvolver programas, ações, atividades
Segurança Pública e Defesa Social; e projetos articulados com os estabelecimentos
z Assegurar a produção de conhecimento no tema, de ensino, com a sociedade e com a família para
a prevenção da criminalidade e a prevenção de
a definição de metas e a avaliação dos resultados
desastres;
das políticas de segurança pública e defesa social;
V - incentivar a inclusão das disciplinas de pre-
z Priorizar ações preventivas e fiscalizatórias de venção da violência e de prevenção de desastres
segurança interna nas divisas, fronteiras, portos e nos conteúdos curriculares dos diversos níveis de
aeroportos. ensino;
VI - ampliar as alternativas de inserção econômica
Portanto, não se restringem aos integrantes do e social dos egressos do sistema prisional, promo-
Susp as políticas públicas de segurança, pois deve- vendo programas que priorizem a melhoria de sua
rá ser levado em conta o contexto social de maneira escolarização e a qualificação profissional;
ampla, com abrangência de outras áreas do serviço VII - garantir a efetividade dos programas, ações,
público, devendo, ainda, respeitar as atribuições e as atividades e projetos das políticas de segurança
finalidades de cada área do serviço público. pública e defesa social;
Diante do exposto, qual será a prioridade do plano? VIII - promover o monitoramento e a avaliação das
A grande prioridade do plano será a de realizar políticas de segurança pública e defesa social;
atividades de prevenção à criminalidade. IX - fomentar a criação de grupos de estudos for-
mados por agentes públicos dos órgãos integrantes
do Susp, professores e pesquisadores, para produ-
Art. 22. A União instituirá Plano Nacional de Segu-
ção de conhecimento e reflexão sobre o fenômeno
rança Pública e Defesa Social, destinado a articular
da criminalidade, com o apoio e a coordenação dos
as ações do poder público, com a finalidade de:
órgãos públicos de cada unidade da Federação;
I - promover a melhora da qualidade da gestão das
X - fomentar a harmonização e o trabalho conjunto
políticas sobre segurança pública e defesa social;
dos integrantes do Susp;
XI - garantir o planejamento e a execução de políti-
Os Municípios, Distrito Federal e Estados deverão cas de segurança pública e defesa social;
ter como pilar central o Plano Nacional de Segurança XII - fomentar estudos de planejamento urbano
Pública e de Defesa Social, objetivando a implantação para que medidas de prevenção da criminalidade
e elaboração de planos em até 2 (dois) anos a partir da façam parte do plano diretor das cidades, de forma
publicação do documento nacional. Importante res- a estimular, entre outras ações, o reforço na ilumi-
saltar que acaso desreipeitem o disposto, incorrerão nação pública e a verificação de pessoas e de famí-
102 na pena de não poderem receber recursos da União lias em situação de risco social e criminal.
Com base no artigo 25, com relação as metas, serão A apuração dos resultados da avaliação, conforme
definidas anualmente, pelos integrantes do Susp, res- o §1º, do art. 27, serão utilizados para:
peitando as competências de cada órgão, visando à
prevenção e à repressão de infrações penais e admi- Art. 27 [...]
nistrativas e à prevenção de desastres. I - planejar as metas e eleger as prioridades para
Veja o que dispõe o aludido artigo: execução e financiamento;
II - reestruturar ou ampliar os programas de pre-
z Planejar, pactuar, implementar, coordenar e venção e controle;
supervisionar as atividades de educação gerencial, III - adequar os objetivos e a natureza dos progra-
técnica e operacional, em cooperação com as uni- mas, ações e projetos;
dades da Federação; IV - celebrar instrumentos de cooperação com
z Apoiar e promover educação qualificada, conti- vistas à correção de problemas constatados na
avaliação;
nuada e integrada;
V - aumentar o financiamento para fortalecer o sis-
z Identificar e propor novas metodologias e técnicas
tema de segurança pública e defesa social;
de educação voltadas ao aprimoramento de suas
VI - melhorar e ampliar a capacitação dos opera-
atividades; dores do Susp.
z Identificar e propor mecanismos de valorização
profissional;
Depois de finalizado o relatório de avaliação, será
z Apoiar e promover o sistema de saúde para os pro-
encaminhado aos respectivos Conselhos de Segurança
fissionais de segurança pública e defesa social;
Pública e Defesa Social.
z Apoiar e promover o sistema habitacional para os
Diante disso, existe o dever das entidades, autori-
profissionais de segurança pública e defesa social.
dades, gestores, órgãos envolvidos com a segurança
pública e defesa social de colaborarem com processo
Ademais, com base no artigo 26, criou-se no âmbi-
de avaliação, devendo ajudar e facilitar o acesso às
to do Susp o Sistema Nacional de Acompanhamento e
suas dependências, além de fornecer as documenta-
Avaliação das Políticas de Segurança Pública e Defesa
ções e todos os elementos que se tornem necessários
Social (Sinaped), que terá como objetivo:
ao seu efetivo cumprimento.
z Contribuir para organização e integração dos
Art. 29. O processo de avaliação das políticas de
membros do Susp, dos projetos das políticas de
segurança pública e defesa social deverá contar
segurança pública e defesa social e dos respec- com a participação de representantes dos Poderes
tivos diagnósticos, planos de ação, resultados e Legislativo, Executivo e Judiciário, do Ministério
avaliações; Público, da Defensoria Pública e dos Conselhos de
z Assegurar o conhecimento sobre os programas, Segurança Pública e Defesa Social, observados os
ações e atividades e promover a melhora da quali- parâmetros estabelecidos nesta Lei.
dade da gestão dos programas, ações, atividades e
projetos de segurança pública e defesa social; Portanto, nasce o dever acompanhar as avaliações
z Garantir que as políticas de segurança pública e do respectivo ente federado, sendo esta a atribuição
defesa social abranjam, no mínimo, o adequado do Poder Legislativo.
diagnóstico, a gestão e os resultados das políticas e Ademais, o Sinaped deverá assegura a metodolo-
dos programas de prevenção e de controle da vio- gia a ser empregada, segundo o art. 31:
lência, com o objetivo de verificar:
Art. 31 [...]
„ A compatibilidade da forma de processamento I - a realização da autoavaliação dos gestores e das
do planejamento orçamentário e de sua execu- corporações;
ção com as necessidades do respectivo sistema II - a avaliação institucional externa, contemplando
de segurança pública e defesa social; a análise global e integrada das instalações físicas,
„ A eficácia da utilização dos recursos públicos; relações institucionais, compromisso social, ativi-
„ A manutenção do fluxo financeiro, considera- dades e finalidades das corporações;
das as necessidades operacionais dos progra- III - a análise global e integrada dos diagnósticos,
mas, as normas de referência e as condições estruturas, compromissos, finalidades e resultados
previstas nos instrumentos jurídicos celebra- das políticas de segurança pública e defesa social;
dos entre os entes federados, os órgãos gestores IV - o caráter público de todos os procedimentos,
e os integrantes do Susp; dados e resultados dos processos de avaliação.
„ A implementação dos demais compromissos
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

assumidos por ocasião da celebração dos ins- Já com relação à avaliação dos objetivos e das metas
trumentos jurídicos relativos à efetivação das do Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social,
políticas de segurança pública e defesa social; estas serão coordenadas por comissão permanente e
„ A articulação interinstitucional e intersetorial realizadas por comissões temporárias, compostas por-
das políticas. no mínimo 3 (três) membros, na forma do regulamento
próprio, conforme é apresentado no artigo 32.
Além disso, ao termino das avaliações do Plano Vale ressaltar que será vedada à comissão perma-
Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, deverá nente a conduta de designar avaliadores que sejam
ser criado um relatório. Nesse relatório conterá o his- servidores ou titulares dos órgãos que atuam como
tórico e caracterização do trabalho, além dos prazos e gestores avaliados. Caso em que deverá se observar a
possíveis recomendações para que ocorra o cumpri- relação de parentesco até terceiro grau com titulares
mento, além disso, poderá ser inserido outros elemen- ou servidores dos órgãos gestores avaliados e estejam
tos estabelecidos em Lei. respondendo a processo criminal ou administrativo. 103
DO CONTROLE E DA TRANSPARÊNCIA Art. 37
[...]
Aos órgãos de correição, que sejam beneficiados § 2º O integrante que deixar de fornecer ou atua-
com a autonomia nas atividades de suas competên- lizar seus dados e informações no Sinesp poderá
cias, poderá realizar o gerenciamento, além da reali- não receber recursos nem celebrar parcerias com a
zação dos procedimentos e processos de apuração de União para financiamento de programas, projetos
responsabilidade funcional, devendo com isso, serem ou ações de segurança pública e defesa social e do
instaurados através de sindicância e/ou processo sistema prisional, na forma do regulamento.
administrativo disciplinar, e inclusive com a proposi-
ção de subsídios, visando o aperfeiçoamento das ativi- O Ministério Extraordinário da Segurança Públi-
dades dos órgãos de segurança pública e defesa social, ca é autorizado a celebrar convênios com órgãos
de acordo com o artigo 33. do Poder Executivo que não integrem o Susp, com o
A Administração Pública Direta, possui o dever Poder Judiciário e com o Ministério Público, para com-
criar órgãos de ouvidoria, tendo independência e patibilização de sistemas de informação e integração
autonomia no exercício de suas atribuições. de dados, ressalvadas as vedações constitucionais de
Com isso à ouvidoria terá a competência de rece- sigilo e desde que o objeto fundamental dos acordos
bimento e tratamento de representações, elogios e seja a prevenção e a repressão da violência, conforme
sugestões de qualquer pessoa sobre as ações e ativida- o § 2°, do artigo 37.
des dos profissionais e membros integrantes do Susp, Gerará a responsabilidade administrativa ao agen-
devendo encaminhá-los ao órgão com atribuição para te público, quando ocorrer a omissão no fornecimen-
as providências legais e a resposta ao requerente, con- to das informações legais.
forme artigo 34, parágrafo único.
Vamos avançando na Lei e falaremos de mais um DA CAPACITAÇÃO E DA VALORIZAÇÃO DO
órgão que foi instituído, com a seguinte nomenclatu- PROFISSIONAL EM SEGURANÇA PÚBLICA E
ra, Sistema Nacional de Informações de Segurança DEFESA SOCIAL
Pública, Prisionais, de Rastreabilidade de Armas e
Munições, de Material Genético, de Digitais e de Dro- A Lei instituiu o Sistema Integrado de Educação e
gas (Sinesp), que possuiu como objetivo a conduta de Valorização Profissional (Sievap), que tem sua finali-
armazenar, integrar e tratar dados e informações, dade atribuída no artigo 38:
visando ajudar na implementação, formulação, acom-
panhamento, execução e avaliação das seguintes polí- Art. 38 [...]
ticas, de acordo com o artigo 35: I - planejar, pactuar, implementar, coordenar e
supervisionar as atividades de educação gerencial,
I - segurança pública e defesa social; técnica e operacional, em cooperação com as uni-
II - sistema prisional e execução penal; dades da Federação;
III - rastreabilidade de armas e munições; II - identificar e propor novas metodologias e téc-
IV - banco de dados de perfil genético e digitais; nicas de educação voltadas ao aprimoramento de
V - enfrentamento do tráfico de drogas ilícitas. suas atividades;
III - apoiar e promover educação qualificada, conti-
nuada e integrada;
E, quais são os objetivos do Sinesp?
IV - identificar e propor mecanismos de valorização
Para responder-lhe, trago o disposto no artigo 36: profissional.

Art. 36. O Sinesp tem por objetivos:


Ademais, há programas que constitui o Sievap sen-
I - proceder à coleta, análise, atualização, sistemati-
do eles:
zação, integração e interpretação de dados e infor-
mações relativos às políticas de segurança pública e
defesa social; z M atriz curricular nacional;
II - disponibilizar estudos, estatísticas, indicadores z Rede Nacional de Altos Estudos em Segurança
e outras informações para auxiliar na formulação, Pública (Renaesp);
implementação, execução, monitoramento e ava- z Rede Nacional de Educação a Distância em Segu-
liação de políticas públicas; rança Pública (Rede EaD-Senasp);
III - promover a integração das redes e sistemas de z Programa nacional de qualidade de vida para
dados e informações de segurança pública e defesa segurança pública e defesa social.
social, criminais, do sistema prisional e sobre drogas;
IV - garantir a interoperabilidade dos sistemas de Art. 38, § 2º Os órgãos integrantes do Susp terão
dados e informações, conforme os padrões defini- acesso às ações de educação do Sievap, conforme
dos pelo conselho gestor. política definida pelo Ministério Extraordinário da
Segurança Pública.
Com isso, o Sinesp, manterá padrões de disponibi-
lidade, integridade, confiabilidade, tempestividade  e Avançando, conforme artigo 39, a matriz curricu-
confidencialidade dos sistemas informatizados do lar nacional constitui-se em referencial teórico, meto-
governo federal. dológico e avaliativo para as ações de educação aos
Todos os entes federados, integraram o Sinesp, por profissionais de segurança pública e defesa social e
intermédio de órgãos designados ou criados para esse deverá ser observada nas atividades formativas de
fim, ademais, é importante destacar, que o Sinesp, ingresso, aperfeiçoamento, atualização, capacitação e
deverá manter padronizados e classificados as infor- especialização na área de segurança pública e defesa
mações e os dados, tendo os integrantes do Sinesp a social, nas modalidades presencial e a distância, res-
atribuição de fornecer e atualizar as informações e os peitados o regime jurídico e as peculiaridades de cada
104 dados. instituição.
Com isso, a matriz deverá ser pautada nos princí-
pios da andragogia, direitos humanos e teorias que
EXERCÍCIOS COMENTADOS
apresentam o enfoque no processo de construção do
1. (IBFC – 2019) A Política Nacional de Segurança Pública
conhecimento.
e Defesa Social (PNSPDS) será implementada por estra-
Já os programas voltados a educação, terão o dever
tégias que garantam integração, coordenação e coo-
de estarem em consonância aos princípios da matriz
peração _____, interoperabilidade, liderança situacional,
curricular nacional. modernização da gestão das instituições de segurança
Com relação ao artigo 40 a Renaesp, integrada por pública, valorização e proteção dos profissionais, com-
instituições de ensino superior, observadas as normas plementaridade, dotação de recursos _____, diagnóstico
de licitação e contratos, tem como objetivo: dos problemas a serem enfrentados, excelência técnica,
avaliação continuada dos resultados e garantia da regu-
Art. 40. A Renaesp, integrada por instituições de laridade orçamentária para execução de planos e progra-
ensino superior, observadas as normas de licitação mas de segurança pública.
e contratos, tem como objetivo: Assinale a alternativa que preencha correta e respecti-
I - promover cursos de graduação, extensão e pós- vamente as lacunas.
-graduação em segurança pública e defesa social;
II - fomentar a integração entre as ações dos pro- a) política / financeiros
fissionais, em conformidade com as políticas nacio- b) pública / públicos
nais de segurança pública e defesa social; c) federativa / humanos
III - promover a compreensão do fenômeno da d) social / monetários
violência;
IV - difundir a cidadania, os direitos humanos e a Com base no artigo 7, a PNSPDS será implementada
educação para a paz; por estratégias que garantam integração, coorde-
V - articular o conhecimento prático dos profissio- nação e cooperação federativa, interoperabilidade,
nais de segurança pública e defesa social com os liderança situacional, modernização da gestão das
conhecimentos acadêmicos; instituições de segurança pública, valorização e
VI - difundir e reforçar a construção de cultura de proteção dos profissionais, complementaridade,
segurança pública e defesa social fundada nos para- dotação de recursos humanos, diagnóstico dos pro-
digmas da contemporaneidade, da inteligência, da blemas a serem enfrentados, excelência técnica,
informação e do exercício de atribuições estratégicas,
avaliação continuada dos resultados e garantia da
técnicas e científicas;
regularidade orçamentária para execução de pla-
VII - incentivar produção técnico-científica que con-
nos e programas de segurança pública. Resposta:
tribua para as atividades desenvolvidas pelo Susp.
Letra C.

Dica 2. (IBFC – 2019) Em relação aos princípios da PNSPDS,


analise as afirmativas abaixo e dê valores Verdadeiro
A Rede EaD-Senasp é escola virtual destinada
(V) ou Falso (F).
aos profissionais de segurança pública e defesa
social e tem como objetivo viabilizar o acesso ( ) Respeito ao ordenamento jurídico e aos direitos e
aos processos de aprendizagem, independen- garantias individuais e coletivos.
temente das limitações geográficas e sociais ( ) Eficiência na prevenção e no controle das infrações
existentes, com o propósito de democratizar a penais.
educação em segurança pública e defesa social. ( ) Modernização do sistema e da legislação de acordo
com a evolução social.
Já o Programa Nacional de Qualidade de Vida para
Profissionais de Segurança Pública (Pró-Vida) tem por Assinale a alternativa que apresenta a sequência cor-
objetivo elaborar, implementar, apoiar, monitorar reta de cima para baixo.
e avaliar, entre outros, os projetos de programas de
atenção psicossocial e de saúde no trabalho dos pro- a) F, V, F
fissionais de segurança pública e defesa social, bem b) V, V, F
como a integração sistêmica das unidades de saúde c) V, F, V
dos órgãos que compõem o Susp, possuindo base no d) F, V, V
artigo 42.
A Modernização do sistema e da legislação de acor-
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

do com a evolução social é considerada diretriz,


DISPOSIÇÕES FINAIS
conforme inciso XIII, conforme artigo 5. Resposta:
Letra B
Deverão ser padronizados por ato do Ministro de
Estado Extraordinário da Segurança Pública, os docu- 3. (SELECON - 2020) Nelson é profissional especialista
mentos de identificação funcional dos profissionais em temas de segurança pública, tendo atuado em for-
da área de segurança pública e defesa social, além de ças de elite e realizado mestrado em Ciência Política.
possuírem fé pública e validade em todo o território Em 2018, foi convidado para assessorar o município
nacional. Tebas na organização de um sistema de prêmios aos
A cada 5 anos, deverão ser realizadas conferên- agentes que se destacassem na proteção do patrimô-
cias, visando o debate de diretrizes dos planos nacio- nio público e dos cidadãos locais. Nos termos da Lei
nal, estaduais e municipais de segurança pública e Federal nº 13.675/2018, esse sistema premial se coa-
defesa social. duna com o princípio do: 105
a) Organismo Art. 1°. Esta Lei define os crimes de abuso de auto-
b) Pretendido ridade, cometidos por agente público, servidor ou
c) Reconhecimento não, que, no exercício de suas funções ou a pretex-
d) Progresso to de exercê-las, abuse do poder que lhe tenha sido
atribuído.
Conformeo o inciso II,  do artigo 4, é princípio da
PNSPDS a proteção, valorização e reconhecimento Para melhorar a sua interpretação, montamos um
dos profissionais de segurança pública. Resposta: esquema do que a Lei 13.869/2019 estabelece:
Letra C.

4. (SELECON - 2020) Enéas foi designado para organi-


zar, no município Z, uma lista de órgãos capazes de
receber presos em regime semiaberto para auxiliar o
Poder Judiciário local no cumprimento da pena. Nos
termos da Lei federal nº 13.675/2018, esse ato realiza
uma das suas diretrizes que busca para o egresso sua
reinserção:

a) pessoal
b) peculiar
c) pública
d) social

Conforme o inciso XVII, do artigo 5, é considerado


diretriz da PNSPDS, o fomento de políticas públicas Note que se trata de crime próprio, pois somente
voltadas à reinserção social dos egressos do siste- poderá ser praticado por agente público.
ma prisional. Resposta: Letra D.
Art. 1°. [...]
5. (SELECON - 2020) Marceli é engenheira e especiali- § 1° As condutas descritas nesta Lei constituem cri-
zou-se em educação para projetar construções mais me de abuso de autoridade quando praticadas pelo
adequadas a escolas públicas e privadas. Com base agente com a finalidade específica de prejudicar
nessa experiência, foi convidada a organizar progra- outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou,
mas, em comunidades carentes, para criar espaços ainda, por mero capricho ou satisfação pessoal.
de relacionamento com o objetivo de ocupar o tempo
ocioso das crianças que não seria preenchido pelas Nesse contexto, apenas restará caracterizado cri-
atividades escolares regulares. Nos termos da Lei me de abuso de autoridade quando o ato for praticado
federal nº 13.675/2018, os agentes devem, como dire- pelo agente com a finalidade específica de prejudicar
trizes gerais, observar, junto a estabelecimentos de outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, ain-
ensino e a sociedade, projetos para a prevenção da: da, por mero capricho ou satisfação pessoal.

a) Criminalidade
b) Pobreza Importante!
c) Moralidade
A divergência na interpretação de lei ou na ava-
d) Decadência
liação de fatos e provas não configura abuso de
Com base no inciso XII, do artigo 24, os agentes autoridade.
públicos deverão observar as seguintes diretrizes na
elaboração e na execução dos planos para fomentar
SUJEITOS DO CRIME
estudos de planejamento urbano para que medidas
de prevenção da criminalidade façam parte do pla-
A lei 13.869/2019 elencou quais são os sujeitos do
no diretor das cidades, de forma a estimular, entre
crime:
outras ações, o reforço na iluminação pública e a
verificação de pessoas e de famílias em situação de
Art. 2° É sujeito ativo do crime de abuso de auto-
risco social e criminal. Resposta: Letra A.
ridade qualquer agente público, servidor ou não,
da administração direta, indireta ou fundacional
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal, dos Municípios e de Território,
LEI Nº 13.869, DE 2019 compreendendo, mas não se limitando a:
I - Servidores públicos e militares ou pessoas a eles
A Lei 13.869/2019, também conhecido como Lei equiparadas;
de Abuso de Autoridade, apresenta sua vertente de II - Membros do Poder Legislativo;
estrutura central os crimes de abuso de autoridade, III - Membros do Poder Executivo;
cometidos por agente público, servidor ou não, que, IV - Membros do Poder Judiciário;
no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê- V - Membros do Ministério Público;
106 -las, abuse do poder que lhe tenha sido atribuído. VI - Membros dos tribunais ou conselhos de contas.
Esse rol é exemplificativo e pode cometer o crime II- A inabilitação para o exercício de cargo, man-
qualquer agente público, servidor ou não, da adminis- dato ou função pública, pelo período de 1 (um) a 5
tração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos (cinco) anos.
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos III- A perda do cargo, do mandato ou da função
Municípios e de Território. Segundo o parágrafo único pública.
do art. 2°:
É importante destacar que a inabilitação e a perda
Art 2° [...] do cargo não possuem efeitos automáticos e, portanto,
Parágrafo único. Reputa-se agente público, todo deverão ser expressamente declarados na sentença
aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou pelo juiz.
sem remuneração, por eleição, nomeação, designa-
ção, contratação ou qualquer outra forma de inves- DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS
tidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou
função em órgão ou entidade descrita nesse tópico. O artigo 5°, da lei 13.869/2019, apresenta as penas
restritivas de direitos e são elas:
DA AÇÃO PENAL
z Prestação de serviços à comunidade ou a entida-
Os crimes previstos no artigo são de ação des públicas.
penal pública incondicionada, ou seja, carecem de z Suspensão do exercício do cargo, da função ou do
representação da vítima. mandato, pelo prazo de 1 (um) a 6 (seis) meses,
com a perda dos vencimentos e das vantagens.
Art. 3° [...]
§ 1° Será admitida ação privada se a ação penal
pública não for intentada no prazo legal, cabendo ao Importante!
Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e ofere-
cer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos As penas restritivas de direitos podem ser aplica-
do processo, fornecer elementos de prova, interpor das de forma autônoma ou cumulativa.
recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do
querelante, retomar a ação como parte principal.
§ 2° A ação privada subsidiária será exercida no As penas restritivas de direito têm a finalidade de
prazo de 6 (seis) meses, contado da data em que se substituir as penas restritivas de liberdade.
esgotar o prazo para oferecimento da denúncia. Pode ser aplicada de forma isolada. Por exemplo:
aplicar somente a pena de prestação de serviços à
Caso o MP se mantenha inerte e não proponha a comunidade.
ação penal, será admitida ação penal privada intenta- Já de forma cumulativa, aplicam-se mais de uma
da por particular. pena em conjunto..

z Ministério Público:
DAS SANÇÕES DE NATUREZA CIVIL E
„ Aditar a queixa. ADMINISTRATIVA
„ Repudiá-la.
„ Oferecer denúncia substitutiva. Antes de adentrarmos no assunto, é importante
„ Intervir em todos os temi os do processo. discutir sobre o as três esferas de responsabilidade: a)
„ Fornecer elementos de prova. Administrativa; b) Civil; c) Penal.
„ Interpor recurso. Conforme artigo 6°. As penas previstas nesta Lei
„ A todo tempo: no caso de serão aplicadas independentemente das sanções de
„ Negligência do querelante..retomar a ação como natureza civil (Exemplo: um ressarcimento de dano)
parte principal ou administrativa cabíveis (Exemplo Multa).
Podemos extrair, portanto, que as notícias de cri-
Com base § 2, do artigo 3, da Lei n° 13.869/2019, a mes previstos nesta Lei, que descreverem falta funcio-
ação privada subsidiária será exercida no prazo de 6 nal, serão informadas à autoridade competente para a
(seis) meses, contado da data em que se esgotar o prazo apuração de eventual responsabilidade.
para oferecimento da denúncia. O artigo 7°, da Lei 13.869/2019, apresenta a seguin-
É de suma importância o entendimento de que se te redação:
trata de prazo decadencial impróprio, pois mesmo
que esgotado o prazo o Ministério Público poderá
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Art. 7° As responsabilidades civil e administrati-


ingressar com a denúncia. va são independentes da criminal, não se podendo
mais questionar sobre a existência ou a autoria do
DOS EFEITOS DA CONDENAÇÃO fato quando essas questões tenham sido decididas
no juízo criminal.
O artigo 4°, da lei 13.869/2019, elenca os efeitos da
condenação e apresenta os seguintes: Imagine que um agente penitenciário realiza a
conduta de constranger um preso mediante violência
Art. 4° São efeitos da condenação: dentro da cela. A conduta do agente gerará penalida-
I- Tornar certa a obrigação de indenizar o dano de nas três esferas: administrativa (abrirá um Proces-
causado pelo crime, devendo o juiz, a requerimento so Administrativo Disciplinar, podendo ser demitido);
do ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para civil (Processo judicial para ressarcimento a vítima,
reparação dos danos causados pela infração, consi- por danos morais e/ou materiais); e penal (Processo
derando os prejuízos por ele sofridos. Judicial, aplicando-se uma pena). No entanto, se o 107
agente penitenciário for absolvido na esfera penal, c) A terceira conduta, podemos localizar no artigo 12:
este não poderá ser condenado nas esferas adminis-
trativa e civil. Art. 12. Deixar injustificadamente de comunicar prisão
Cuidado! Quando a esfera penal decidir, não pode- em flagrante à autoridade judiciária no prazo legal:
rá haver mais questionamentos sobre a existência ou Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos,
a autoria do fato, quando essas questões já tiverem e multa.
sido decididas.
É de notória relevância o artigo 8°, da Lei No tocante à quarta disposição, podemos extraí-la
13.869/2019: do artigo 13:

Art. 8° Faz coisa julgada em âmbito cível, assim Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante
como no administrativo-disciplinar, a sentença violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade
de resistência, a:
penal que reconhecer ter sido o ato praticado em
Exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à
estado de necessidade, em legítima defesa, em estri-
curiosidade pública;
to cumprimento de dever legal ou no exercício regu-
Submeter-se a situação vexatória ou a constrangi-
lar de direito.
mento não autorizado em lei;
Produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro.
DOS CRIMES E DAS PENAS

A lei 13.869/2019 elenca diversos crimes, vamos d) A quarta disposição consiste no ato de constran-
trabalhar um por um. ger o preso ou o detento, mediante violência, grave
ameaça ou redução de sua capacidade de resistên-
a) O primeiro (artigo 9°) está relacionado ao ato de cia, a exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exi-
decretar medida privativa de liberdade em mani- bido à curiosidade pública. Isto é, submetendo-o a
festa desconformidade com as hipóteses legais, a situação vexatória ou a constrangimento não auto-
pena é de detenção de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e rizado em lei, ou, ainda, a produzir prova contra
multa. si mesmo ou contra terceiro. A pena do presente
crime é a de detenção de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
Art 9° [...] multa, sem prejuízo da pena cominada à violência.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena a autori-
dade judiciária que, dentro de prazo razoável, dei- z Exibir ou ter seu corpo ou parte dele exibido à
xar de: curiosidade pública. Por exemplo, o agente que
I - Relaxar a prisão manifestamente ilegal exibe uma marca de nascença do preso, mediante
II - Substituir a prisão preventiva por medida cau- a violência, para sanar a curiosidade pública.
telar diversa ou de conceder liberdade provisória, z Submeter o preso à situação vexatória ou à cons-
quando manifestamente cabível
trangimento não autorizado em lei. Por exemplo,
III - Deferir liminar ou ordem de  habeas corpus,
quando um agente faz o detento tirar sua roupa
quando manifestamente cabível
para os presos, falando que se ele não tirar irá
matá-lo.
É interessante salientar que os sujeitos ativos deste z Produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro,
crime são os Ministros, desembargadores e juízes, é uma previsão constitucional que veda ao deten-
pois eles são os responsáveis por decretarem medida to ou ao preso a obrigação de produzir prova que
privativa de liberdade. Já o sujeito passivo será a lhe prejudique. Exemplo: uma confissão mediante
pessoa que ficou privada de liberdade. Trata-se de um grave ameaça.
crime formal, pois não há necessidade do resultado para a
sua consumação.
Note que o crime amolda-se ao preso ou detento-
que é constrangido mediante violência, grave ameaça
b) A outra conduta encontra-se no artigo 10 e tem a ou redução de sua capacidade de resistência.
seguinte redação:
e) O quinto crime, encontra-se no artigo 15, dispondo:
Art. 10. Decretar a condução coercitiva de testemunha
ou investigado manifestamente descabida ou sem Art. 15. Constranger a depor, sob ameaça de prisão,
prévia intimação de comparecimento ao juízo: pessoa que, em razão de função, ministério, ofício
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e ou profissão, deva guardar segredo ou resguardar
multa. sigilo:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
A conduta deste crime consiste no ato de levar a multa.
testemunha para depor, mesmo contra a sua vontade.
Diferente do crime anterior, esse não pode ser pra- Trago como um exemplo o advogado que explana,
ticado apenas por juízes, desembargadores ou minis- com a finalidade de constranger seu cliente, quando
tros, mas sim, por membros do Ministério Público ou possuía o dever de guardar segredo ou resguardar
por autoridades policiais. sigilo, em razão da profissão.
Vale ressaltar que para a existência do crime em Incorre na mesma pena quem prossegue com o
questão, a condução coercitiva deve ser descabida ou interrogatório:
sem prévia intimação para comparecimento em juízo,
prejudicando, portanto, o comparecimento espontâ- z Pessoa que tenha decidido exercer o direito ao
108 neo da testemunha. silêncio; ou
z Pessoa que tenha optado por ser assistida por Apesar disso, não se pode afirmar que houve a
advogado ou defensor público, sem a presença de modificação do horário para todos os crimes do Códi-
seu patrono. go Penal, isto porque se trata de uma legislação espe-
cial, que somente se aplica aos crimes de abuso de
autoridade.
f) Já o artigo 16, dispõe:
h) O ao oitavo crime está localizado no artigo 19:
Art. 16. Deixar de identificar-se ou identificar-se
falsamente ao preso por ocasião de sua captura Art. 19. Impedir ou retardar, injustificadamente,
ou quando deva fazê-lo durante sua detenção ou o envio de pleito de preso à autoridade judiciária
prisão: competente para a apreciação da legalidade de sua
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, prisão ou das circunstâncias de sua custódia:
e multa. Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
multa.

Importante! Importa dizer que incorre na mesma pena o


magistrado que, ciente do impedimento ou da demo-
Esse crime possui escopo constitucional (inciso ra, deixa de tomar as providências tendentes a saná-
LXIV, do art. 5°, da CF), disponso que o preso -los ou, não sendo competente para decidir sobre a
prisão, deixa de enviar o pedido à autoridade judiciá-
tem direito à identificação dos responsáveis por
ria competente.
sua prisão ou por seu interrogatório policial. Vale ressaltar, é extremante importante analisar a
competência do juízo, isto porque se o juízo for incom-
petente pode ser desconstituído o ato.
Incorre na mesma pena quem, responsável pelo
interrogatório em sede de procedimento investiga- i) Em relação ao artigo 20 da Lei 13.869/2019:
tório, deixa de identificar-se ao preso ou atribui a si
mesmo falsa identidade, cargo ou função. Art. 20.  Impedir, sem justa causa, a entrevista
pessoal e reservada do preso com seu advogado: 
g) O sétimo crime apresenta a seguinte redação (art. Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos,
e multa.
18):
Esse direito possui base constituicional, sendo
Art. 18. Submeter o preso a interrogatório policial
considerado como uma garantia fundamental (inciso
durante o período de repouso noturno, salvo se LXIII, art. 5º, da CF), que dispõe que o preso será infor-
capturado em flagrante delito ou se ele, devidamente mado de seus direitos, entre os quais o de permanecer
assistido, consentir em prestar declarações: calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e de advogado.
e multa. Ademais, podemos citar o inciso IX, do art. 41, da
Lei de Execução Penal:
Portanto, é vedado realizar interrogatório durante
o período de repouso noturno. Art. 41 - Constituem direitos do preso:
[...]
Por exclusão, subtende-se que mediante determi- IX - entrevista pessoal e reservada com o advogado;
nação judicial (mandado judicial) somente é possível
o cumprimento durante o dia. Mas, o que se com- Incorre na mesma pena quem impede o preso,
preende como dia? É majoritário da doutrina o enten- o réu solto ou o investigado de conversar pessoal e
dimento que dia é o período compreendido entre reservadamente com seu advogado ou defensor, por
6:00h e 18:00h. prazo razoável, antes da audiência judicial.
Bem como, quem o impede de sentar-se ao seu
Recentemente a Nova Lei de Abuso de Autoridade
lado do seu advogado ou defensor, para com ele
(13.869/19) tratou sobre este assunto, inovando quan-
comunicar-se durante a audiência, salvo no curso de
to ao horário: interrogatório ou no caso de audiência realizada por
videoconferência.
Art. 22. Invadir ou adentrar, clandestina ou astu-
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

ciosamente, ou à revelia da vontade do ocupante, j) No tocante ao artigo 21 da Lei 13.869/2019:


imóvel alheio ou suas dependências, ou nele per-
manecer nas mesmas condições, sem determinação Art. 21. Manter presos de ambos os sexos na mesma
judicial ou fora das condições estabelecidas em lei: cela ou espaço de confinamento:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
multa.
multa.
§ 1° Incorre na mesma pena, na forma prevista no
É imprescindível resguardar a segurança e as
caput deste artigo, quem: condições básicas dos detentos e por isso é de suma
[...] importância a separação de sexos.
III - cumpre mandado de busca e apreensão domi- Incorre na mesma pena quem mantém, na mesma
ciliar após as 21h (vinte e uma horas) ou antes das cela, criança ou adolescente na companhia de maior
5h (cinco horas). de idade ou em ambiente inadequado. 109
k) Com relação ao décimo primeiro crime (art. 22): Exemplo, é o policial que realiza o constrangimen-
to do médico de um determinado hospital, com a fina-
Art. 22. Invadir ou adentrar, clandestina ou lidade de alterar o momento do crime.
astuciosamente, ou à revelia da vontade do ocupante,
imóvel alheio ou suas dependências, ou nele n) No tocante ao décimo quarto crime, o artigo 25, da
permanecer nas mesmas condições, sem determinação Lei 13.869/2019:
judicial ou fora das condições estabelecidas em lei:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e Art. 25. Proceder à obtenção de prova, em
multa. procedimento de investigação ou fiscalização, por
meio manifestamente ilícito:
Outro crime que tem como escopo a proteção dos Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
direitos fundamentais previstos na Constituição Fede-
ral (inciso XI, art. 5°), que elenca que a casa é asilo Exemplo clássico da doutrina, é a obteção de pro-
inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo pene- vas por meio de escuta telefônica não autorizada.
trar sem consentimento do morador. O imóvel alheio Segundo o artigo 25, parágrafo único. Incorre na
é impenetrável, salvo em caso de flagrante delito ou mesma pena quem faz uso de prova, em desfavor do
desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, investigado ou fiscalizado, com prévio conhecimento
por determinação judicial. de sua ilicitude.
Segundo o § 2°, do art. 22, da Lei 13.869/2019, não
haverá crime se o ingresso for para prestar socorro, o) No que tange ao artigo 27, da Lei 13.869/2019, loca-
ou quando houver fundados indícios que indiquem lizamos mais um crime, sendo ele:
a necessidade do ingresso em razão de situação de
Art. 27. Requisitar instauração ou instaurar
flagrante delito ou de desastre.
procedimento investigatório de infração penal ou
Vale pontuar que incorre na mesma pena, quem:
administrativa, em desfavor de alguém, à falta
de qualquer indício da prática de crime, de ilícito
z Coage alguém, mediante violência ou grave amea- funcional ou de infração administrativa:
ça, a franquear-lhe o acesso a imóvel ou suas Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos,
dependências e multa.
z Cumpre mandado de busca e apreensão domiciliar
após as 21h (vinte e uma horas) ou antes das 5h Podemos analisar que o referido texto traz a esfera
(cinco horas). administativa e a esfera penal, tendo a finalidade de
evitar a instauração de procedimento investogatória
Muita atenção aos horários de: após 21h (vinte e com a falta de indicíos da prática do crime.
uma horas) ou antes das 5h (cinco horas).

Art. 23. Inovar artificiosamente, no curso de Importante!


diligência, de investigação ou de processo, o
estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com
O artigo 27, parágrafo único. Não há crime quan-
o fim de eximir-se de responsabilidade ou de do se tratar de sindicância ou investigação pre-
responsabilizar criminalmente alguém ou agravar- liminar sumária, devidamente justificada.
lhe a responsabilidade:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
Vale destacar que a investigação preliminar sumá-
multa.
ria, constitui procedimento administrativo, e tem
como objetivo o caráter preparatório, informal e de
Um exemplo clássico é o do Policial que altera a
acesso restrito, que visa a coleta de elementos de auto-
cena de um crime, por exemplo colocando drogas no
ria e materialidade, dados relevantes para a instaura-
local, com a finalidade de agravar a responsabilidade
ção de procedimento correcional acusatório.
do acusado.
Ademais,  incorre na mesma pena quem pratica a
p) Outro crime, podemos localizar no artigo 28, da
conduta com o intuito de: Lei 13.869/2019:

z Eximir-se de responsabilidade civil ou administra- Art. 28. Divulgar gravação ou trecho de gravação
tiva por excesso praticado no curso de diligência; sem relação com a prova que se pretenda produzir,
z Omitir dados ou informações ou divulgar dados ou expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo
informações incompletos para desviar o curso da a honra ou a imagem do investigado ou acusado:
investigação, da diligência ou do processo. Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
multa.
m) Com relação ao artigo 24, da Lei 13.869/2019, é con-
siderado crime: Grande finalidade desse crime é evitar a divul-
gação da vida privada do investigado ou acusado,
Art. 24. Constranger, sob violência ou grave ameaça, valendo destacar que nesse crime é necessário que
funcionário ou empregado de instituição hospitalar a gravação ou trecho de gravação decorra de uma
pública ou privada a admitir para tratamento pessoa interceptação legal, sem relação com a prova que se
cujo óbito já tenha ocorrido, com o fim de alterar local pretenda produzir.
ou momento de crime, prejudicando sua apuração:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e mul- q) Podemos localizar mais um crime no artigo 30, da
110 ta, além da pena correspondente à violência. Lei 13.869/2019, dispondo que:
Art. 30. Dar início ou proceder à persecução penal, competência de polícia judiciária, digam respeito
civil ou administrativa sem justa causa fundamentada ao exercício do direito de defesa.
ou contra quem sabe inocente:  (Promulgação par-
tes vetadas)  O acesso aos autos de investigação preliminar limi-
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e ta-se aos autos já documentados, não englobando, por
multa. conseguinte, aqueles em curso de investigação.
O autor da conduta, deverá saber que o indivíduo
era inocente, se o autor não souber e enquadrar-se u) O artigo 33, da Lei 13.869/2019, traz outro crime,
nos requisitos do artigo 27 (instaurar procedimen- qual seja:
to com à falta de indício), responderá por aquele
crime. Art. 33. Exigir informação ou cumprimento de
obrigação, inclusive o dever de fazer ou de não
r) O décimo oitavo crime, encontra-se entabulado no fazer, sem expresso amparo legal:
artigo 29, da Lei 13.869/2019: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos,
e multa.
Art. 29. Prestar informação falsa sobre procedimento Incorre na mesma pena quem se utiliza de cargo
judicial, policial, fiscal ou administrativo com o fim de ou função pública ou invoca a condição de agente
prejudicar interesse de investigado: público para se eximir de obrigação legal ou para
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, obter vantagem ou privilégio indevido.
e multa.
v) Podemos localizar mais um crime no artigo 36, da
O grande enfoque está no ato de prestar informa- Lei 13.869/2019:
ção falsa visando prejudicar o interesse do investiga-
do, bem como prejudicar a apuração dos fatos. Art. 36.    Decretar, em processo judicial, a indis-
ponibilidade de ativos financeiros em quantia que
s) Com relação ao artigo 31 da Lei 13.869/2019: extrapole exacerbadamente o valor estimado para
a satisfação da dívida da parte e, ante a demonstra-
ção, pela parte, da excessividade da medida, deixar
Art. 31. Estender injustificadamente a investigação,
de corrigi-la:
procrastinando-a em prejuízo do investigado ou
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e
fiscalizado:
multa.
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos,
e multa.
A conduta típica tem como sujeito ativo o Poder
Judiciário que por meio de atos processuais coloca em
O grande enfoque dessa conduta consiste em gerar
indisponibilidade os bens do sujeito passivo, extrapo-
prejuízo ao investigado pela procastinação da autori-
lando exarcebadamente o valor estimado para quita-
dade responsável, no entanto, nem sempre a demo-
ção da dívida. No entanto, para a existência do crime
ra no procedimento constitui abuso de autoridade,
é necessário que o Poder Judiciário deixe de corrigir o
devendo-se atentar aos princípios da razoabilidade e vício, quando ciente.
proporcionalidade.
Incorre na mesma pena quem, inexistindo prazo w) No que tange ao art. 37, da Lei 13.869/2019, é consi-
para execução ou conclusão de procedimento, o esten- derado crime o ato de:
de de forma imotivada, procrastinando a investigação
em prejuízo do investigado ou do fiscalizado. Art. 37. Demorar demasiada e injustificadamente no
exame de processo de que tenha requerido vista em
t) Outro crime encontra-se no artigo 32, da Lei órgão colegiado, com o intuito de procrastinar seu
13.869/2019: andamento ou retardar o julgamento:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos,
Art. 32. Negar ao interessado, seu defensor ou e multa.
advogado acesso aos autos de investigação preliminar,
ao termo circunstanciado, ao inquérito ou a qualquer Nesse ponto englobam-se as turmas recursais ou
outro procedimento investigatório de infração penal, órgãos colegiados, que retardam demasiada e injus-
civil ou administrativa, assim como impedir a obtenção tificadamente o exame do processo, objetivando
de cópias, ressalvado o acesso a peças relativas a procrastinar o seu regular andamento ou retardar o
diligências em curso, ou que indiquem a realização de julgamento.
diligências futuras, cujo sigilo seja imprescindível:
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, X) E, por fim, o último crime encontra-se no artigo 38,
e multa. da Lei 13.869/2019, sendo ele:

Este crime consiste na conduta de negar, prejudi- Art. 38. Antecipar o responsável pelas investigações,
cando a defesa e a proteção dos direitos fundamentais por meio de comunicação, inclusive rede social,
do acusado. atribuição de culpa, antes de concluídas as apurações
Vale ressaltar o que dispõe a súmula de n° 14, do e formalizada a o: (Promulgação partes vetadas)
Supremo Tribunal Federal: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos,
e multa.
Súmula Vinculante 14. É direito do defensor, no
interesse do representado, ter acesso amplo aos Exemplo: quando a autoridade manda uma mensa-
elementos de prova que, já documentados em pro- gem pelo WhastAap para o acusado, antecipando o
cedimento investigatório realizado por órgão com resultado das investigações. 111
PROCEDIMENTO Exatamente, todos os efeitos elencados na questão,
amoldam-se aos referidos no artigo 4°, incisos I, II e
Aplicam-se ao processo e ao julgamento dos delitos III da Lei 13.869/2019. Resposta: Certo.
previstos na lei em comento, no que couber, as dispo-
sições do Código de Processo Penal e da Lei dos Juiza- 5. (NOVA CONCURSOS – 2020) Com base na Lei
dos Especiais Cíveis e Criminais (9.099/95). 13.869/2019, analise o item abaixo:
Frenesvaldo, é agente público e deixou injustificada-
mente de comunicar prisão em flagrante à autoridade
judiciária no prazo legal, com isso, Frenesvaldo, prati-
EXERCÍCIOS COMENTADOS ca um crime e poderá ter detenção, de 6 (seis) meses
a 2 (dois) anos, e multa.
1. (NOVA CONCURSOS – 2020) Com base na Lei
13.869/2019, analise o item abaixo: ( ) CERTO  ( ) ERRADO
A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de
fatos e provas não configura abuso de autoridade. A base legal, encontra-se no artigo 12 da Lei
13.869/2019, considerado como crime o ato deixar
( ) CERTO  ( ) ERRADO injustificadamente de comunicar prisão em flagran-
te à autoridade judiciária no prazo legal, tendo
Com base no artigo 1°, parágrafo 2° da Lei detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
13.869/2019, a divergência na interpretação de lei ou Resposta: Certo.
na avaliação de fatos e provas não configura abuso
de autoridade. Resposta: Certo

2. (NOVA CONCURSOS – 2020) Com base na Lei


HORA DE PRATICAR!
13.869/2019, analise o item abaixo:
1. (CESPE – 2019) Com base no Estatuto da Criança e do
Os crimes previstos na Lei 13.869/2019, são de ação
Adolescente, julgue o item subsequente.
penal pública condicionada. É permitido que menor de quatorze anos de idade
trabalhe, na condição de aprendiz, em atividade com-
( ) CERTO  ( ) ERRADO patível com o seu desenvolvimento, devendo-lhe ser
garantidos o acesso e a frequência obrigatória ao
Cuidado, essa questão é uma pegadinha! Todos os ensino regular e horário especial para o exercício das
crimes previstos na Lei 13.869/2019, são de ação atividades.
penal pública incondicionada. Resposta: Errado
( ) CERTO  ( ) ERRADO
3. (NOVA CONCURSOS – 2020) Com base na Lei
13.869/2019, analise o item abaixo: 2. (CESPE – 2019) No que tange a atos infracionais e
A ação privada subsidiária será exercida no prazo de medidas socioeducativas, assinale a opção correta,
12 (doze) meses, contado da data em que se esgotar com base no ECA e na jurisprudência do STJ.
o prazo para oferecimento da denúncia.
a) A superveniência da maioridade penal interfere na
( ) CERTO  ( ) ERRADO apuração de ato infracional cometido antes dos
dezoito anos completos e na aplicabilidade de medi-
Lembre-se de cuidar dos prazos, muitas bancas, tro- da socioeducativa em curso.
cam para te induzirem ao erro. b) É ilegal a determinação de cumprimento da medida
A ação privada subsidiária será exercida no prazo socioeducativa de liberdade assistida antes do trânsito
de 6 (seis) meses, contado da data em que se esgotar em julgado da sentença condenatória.
o prazo para oferecimento da denúncia. Resposta: c) O ato infracional análogo ao tráfico de drogas autoriza,
Errado por si só, a imposição de medida socioeducativa de
internação do adolescente em razão da gravidade da
conduta delitiva.
4. (NOVA CONCURSOS – 2020) Com base na Lei
d) Por ser uma consequência natural do processo de res-
13.869/2019, analise o item abaixo:
socialização, a progressão da medida socioeducativa
prescinde do juízo de convencimento do magistrado,
São efeitos da condenação:
que fica vinculado ao relatório multidisciplinar indivi-
dual do adolescente.
I. Tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado e) É possível a aplicação de medida socioeducativa de
pelo crime, devendo o juiz, a requerimento do ofendi- liberdade assistida no caso de ato infracional análo-
do, fixar na sentença o valor mínimo para reparação go a furto qualificado, porém essa medida deve aten-
dos danos causados pela infração, considerando os der à atualidade, observando-se a necessidade e a
prejuízos por ele sofridos; adequação.
II . A inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou
função pública, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) 3. (CESPE – 2019) Acerca de políticas, diretrizes, ações e
anos; desafios na área da família, da criança e do adolescen-
III. A perda do cargo, do mandato ou da função pública. te, julgue o item subsecutivo.
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece
112 ( ) CERTO  ( ) ERRADO a advertência e a obrigação de reparar o dano como
medidas protetivas aplicáveis à criança que tenha 6. (CESPE – 2019) A Defensoria Pública (DP) apresen-
cometido atos infracionais. tou defesa em processo no qual foi proferida, pelo juiz,
sentença homologatória de remissão cumulada com
( ) CERTO  ( ) ERRADO medida socioeducativa de liberdade assistida, conce-
dida a adolescente pelo Ministério Público (MP), na
4. (CESPE – 2019) André, com dezessete anos de idade, ocasião de oitiva informal, alegando o que se afirma
foi apreendido pela prática de ato infracional análo- nos itens a seguir.
go ao crime de tráfico de drogas. Depois de ter sido
conduzido à delegacia de polícia especializada, o I. Nulidade da oitiva informal do MP por ausência da
adolescente foi apresentado ao Ministério Público. defesa técnica.
O promotor de justiça que o entrevistou ofereceu-
II. Nulidade da sentença homologatória dos termos
-lhe remissão cumulada com medida socioeducativa
determinados pelo MP em razão da ausência da defe-
de semiliberdade. O magistrado indeferiu a remissão
sa técnica.
ministerial, sob o fundamento de que a aplicação de
III. Impossibilidade de o MP conceder remissão cumulada
medida socioeducativa ao adolescente por ato infra-
cional é de competência exclusiva do juiz, e abriu vista com medida socioeducativa de liberdade assistida.
ao Ministério Público para que apresentasse repre-
sentação contra André no prazo de 24 horas. Dian- Considerando essa situação hipotética, assinale a
te da negativa de homologação judicial e do retorno opção correta acerca das alegações da DP.
dos autos, o promotor ofereceu representação contra
André e o magistrado manteve a internação provisó- a) Apenas o item I está certo.
ria, designou audiência de apresentação e determinou b) Apenas o item II está certo.
a citação do adolescente. Na sentença, o magistrado c) Apenas os itens I e III estão certos.
determinou a internação, fundamentando que a con- d) Apenas os itens II e III estão certos.
duta do adolescente era grave, embora não houvesse e) Todos os itens estão certos.
qualquer outra anotação em sua folha de passagem.
Com relação a essa situação hipotética, julgue o 7. (CESPE – 2019) Considerando o disposto na Lei n.º
seguinte item, de acordo com a legislação pertinente e 9.099/1995, assinale a opção correta a respeito do
a jurisprudência dos tribunais superiores. princípio do contraditório e da ampla defesa no juizado
Embora não houvesse qualquer outra anotação na especial criminal.
folha de passagem de André, a atitude do magistrado
de determinar a internação do adolescente foi correta,
a) O réu poderá comparecer em audiência sem advogado.
pois a gravidade do fato praticado por ele basta para
b) Em favor da defesa é assegurada a morosidade
justificar a aplicação da medida socioeducativa de
processual.
internação, conforme jurisprudência do STJ.
c) A não citação do réu acarretará a extinção do processo.
d) O princípio do contraditório assegura que a parte seja
( ) CERTO  ( ) ERRADO
efetivamente ouvida.
5. (CESPE – 2019) André, com dezessete anos de idade, e) É assegurado ao réu o direito de ser ouvido e manifes-
foi apreendido pela prática de ato infracional análo- tar-se antes do autor da ação.
go ao crime de tráfico de drogas. Depois de ter sido
conduzido à delegacia de polícia especializada, o 8 (CESPE – 2020) Luís foi denunciado pela prática de
adolescente foi apresentado ao Ministério Público. crime de menor potencial ofensivo em um juizado
O promotor de justiça que o entrevistou ofereceu- especial criminal de Belém – PA, mas não foi encon-
-lhe remissão cumulada com medida socioeducativa trado para ser citado pessoalmente.
de semiliberdade. O magistrado indeferiu a remissão Nessa situação hipotética,
ministerial, sob o fundamento de que a aplicação de
medida socioeducativa ao adolescente por ato infra- a) será determinada a citação por edital, com prazo de
cional é de competência exclusiva do juiz, e abriu vista cinco dias.
ao Ministério Público para que apresentasse repre- b) será nomeado defensor dativo para representar Luís na
sentação contra André no prazo de 24 horas. Dian- audiência de conciliação.
te da negativa de homologação judicial e do retorno c) o processo ficará suspenso até que Luís seja
dos autos, o promotor ofereceu representação contra encontrado.
André e o magistrado manteve a internação provisó- d) o processo será encaminhado ao juízo comum.
ria, designou audiência de apresentação e determinou
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

e) a vítima será intimada para informar o endereço atuali-


a citação do adolescente. Na sentença, o magistrado
zado de Luís.
determinou a internação, fundamentando que a con-
duta do adolescente era grave, embora não houvesse
qualquer outra anotação em sua folha de passagem. 9. (CESPE – 2019) A respeito de ação penal e do dispos-
Com relação a essa situação hipotética, julgue o to na Lei de Juizados Especiais Cíveis e Criminais (Lei
seguinte item, de acordo com a legislação pertinente e n.º 9.099/1995), julgue o item seguinte.
a jurisprudência dos tribunais superiores. Conforme o rito da Lei de Juizados Especiais Cíveis
Eventual recurso contra a sentença proferida pelo e Criminais, não sendo o denunciado encontrado para
magistrado deverá adotar o sistema recursal do Códi- citação pessoal ou por mandado, os autos devem ser
go de Processo Civil, com as adaptações previstas no remetidos ao juízo comum, que procederá à citação
Estatuto da Criança e do Adolescente. por edital.

( ) CERTO  ( ) ERRADO ( ) CERTO  ( ) ERRADO 113


10. (CESPE – 2019) Acerca da competência e dos atos Apesar de a perícia ter atestado a presença de fenol,
processuais dos juizados especiais criminais, assinale ferro e manganês no riacho, que expõem a saúde
a opção correta.
humana a perigo, não existem provas de que essa
a) A competência do juizado será determinada pela resi- água seria destinada ao consumo de pessoas. Houve,
dência do autor. contudo, a destruição de parte das nascentes do ria-
b) A prática de atos processuais será realizada, exclusiva- cho pela ação da indústria.
mente, no juizado especial competente.
c) Os atos processuais serão públicos e devem ser reali-
zados em horário diurno, em qualquer dia da semana. Considerando a situação hipotética precedente, julgue
d) A intimação das partes será pessoal e no próprio juízo. o item a seguir.
e) Os atos processuais realizados em audiência de ins- A personalidade jurídica da indústria poderá ser des-
trução e o julgamento podem ser gravados em fita
considerada, caso isso seja um obstáculo ao ressar-
magnética.
cimento de prejuízos causados à qualidade do meio
11. (CESPE – 2019) De acordo com a Lei n.º 9.099/1995 e ambiente.
o posicionamento doutrinário dominante, a citação do
autor de delito pelos juizados especiais criminais ( ) CERTO  ( ) ERRADO

a) poderá ser feita por carta rogatória.


b) será exclusivamente pessoal. 9 GABARITO
c) poderá ser feita por edital.
d) poderá ser feita por via postal.
e) poderá ser feita por meio eletrônico. 1 CERTO

2 E
12. (CESPE – 2019) A competência do juizado especial
criminal será determinada pelo 3 ERRADO

a) domicílio do autor da infração penal. 4 ERRADO


b) lugar em que foi praticada a infração penal. 5 CERTO
c) lugar em que foi encontrado o autor do fato.
d) lugar em que se consumou a infração penal. 6 B
e) domicílio da vítima da infração penal.
7 D
13. (CESPE – 2019) Tendo como referência a Lei n.º 8 D
9.099/1995 — Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Cri-
minais —, assinale a opção correta, acerca da suspen- 9 CERTO
são condicional do processo.
10 E
a) A existência de ações penais em curso contra o denun- 11 B
ciado não impede a concessão da suspensão condi-
cional do processo. 12 B
b) A causa de aumento de pena decorrente de crime con-
tinuado será desconsiderada para fins de concessão 13 E
da suspensão condicional do processo. 14 CERTO
c) Presentes os pressupostos leg