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UMA REFLEXÃO SOBRE O ENSINO DE ARTE NOS ANOS INICIAIS

DO ENSINO FUNDAMENTAL: DESAFIOS E POSSIBILIDADES1

Vivian Cristina Belter Lunardi2


Maristela Cristina Heck²

As crianças, ao exercitarem a imaginação por meio das linguagens artísticas, ampliam


a capacidade de pensar, criar, expressar e comunicar. E a melhor forma de pensar este espaço
de humanização é a partir destas vivências, experiências artísticas e estéticas em que eles vivem,
que nas palavras de Rosa Iavelberg (2003, p. 43):

O que as crianças precisam aprender...de arte, em primeiro lugar, é viver a arte.


Quando digo viver arte me refiro a ter uma prática artística criadora, a desenvolver
um percurso de criação próprio, com uma marca pessoal. A capacidade de desfrutar
do universo da arte com competência também é decorrência da aprendizagem.

Nota-se com isso, que a bagagem cultural que estes sujeitos carregam é extremamente
diversificada, sendo de grande importância valorizar o fazer de cada um, tanto no seu fazer,
quanto no compreender, pois estes, também apresentam ritmos diferentes de aprendizagem,
cada qual tem o seu tempo, pois não há um aluno melhor que o outro no que se refere aos
resultados, cada um deve ter a sua oportunidade.
O trabalho com arte na escola tem a ver com o lugar que esta é colocada em seu
currículo. Desta forma, no Centro de Educação Básica Francisco de Assis, os alunos do 1º ao
5º ano, para além das oportunidades ofertadas pela professora regente, possuem uma hora
semanal com professora formada na área que, por meio de um plano de trabalho, fomenta
as diferentes linguagens que a arte apresenta em nosso meio, de forma interdisciplinar,
tomando corpo nos projetos de trabalho.
A investigação deu-se- por meio de análise qualitativa com crianças dos anos iniciais,
buscando perceber como estes vêm realizando suas leituras e produções entre as diferentes
linguagens artísticas. Há muitas reflexões sobre ensinar arte na escola, mas não compactuamos
com uma prática distanciada da pesquisa e da crença que todos podem aprender. É uma

1
Relato de Experiência em Educação Básica.
2
Professora de Arte no Centro de Educação Básica Francisco de Assis – EFA e na rede pública de ensino em Ijuí
/RS. Especialista em Arte, Educação e Empreendimento. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Práticas
Socioculturais e Desenvolvimento Social da UNICRUZ. vivian.belter@unijui.edu.br.
2
Pedagoga. Especialista em Organização do Trabalho Escolar. Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil e
Anos Iniciais do Centro de Educação Básica Francisco de Assis – EFA e vice-diretora da E.E.E.F. 24 de Fevereiro.
maristela.heck@unijui.edu.br
oportunidade para mostrar que não existe um jeito único de representar e, sim, inúmeras
maneiras de ver, interpretar e representar, possibilitando expor suas ideias, interagir com grupos
e, consequentemente, respeitar a opinião dos demais, trabalhando com a oralidade, percepção,
observação, oportunizando, desta forma, a inserção em seu contexto cultural e artístico.
O objetivo do trabalho é analisar a prática pedagógica do professor das séries iniciais e
de que forma está sendo trabalhada essa disciplina na sala. Bem como, acerca da contribuição
da disciplina na aprendizagem do aluno, ressaltando a importância metodológica da disciplina
no currículo escolar para o ensino de artes envolvendo as quatro linguagens, (artes visuais,
dança, música e teatro).
Como procedimento, tem-se a pesquisa-ação que traz uma visão investigativa da
realidade social com questionamentos epistemológicos importantes, propondo novas
perspectivas e conclusões baseadas no sujeito, parte deste processo, que realiza a ação de sua
prática e seu discurso, conforme Thiollent (2011). Da mesma forma, Barbosa (1990) enfatiza
que o papel da arte na educação é grandemente afetado pelo modo como o professor e a aluno
veem a função desta fora da escola. Desde os anos iniciais, é indispensável refletir que ensinar
arte na escola não significa buscar soluções, mas provocar, gestar pessoas com saberes plurais
e, ao mesmo tempo, singulares, com identidades que se constroem em diferentes contextos,
reinventando a educação, a arte, o mundo e as relações sociais.
Partindo do pressuposto instituído pela Doutora Ana Mae Barbosa, em sua Abordagem
Triangular de ensino-aprendizagem da Arte na escola, que se sustenta em “conhecer a história”,
“fazer a leitura de uma obra de arte” e “produzir arte” - seja por meio da releitura ou mesmo da
criação – chega-se às bases de uma ação extensionista, para que fosse possível desenvolver um
trabalho de inter-relação entre conhecimentos teóricos e as práticas aplicadas na educação não
formal.
Nesta perspectiva, acredita-se que a incumbência do professor seja a de “inspirar”
positivamente no desenvolvimento cultural dos educandos por meio do ensino-aprendizagem,
inserindo-se no lugar ao qual pertencem, reforçando a ampliando seus espaços de mundo, como
construtores de suas próprias histórias.
O trabalho com arte na escola tem a ver com o lugar que esta é colocada em seu
currículo. Desta forma, no Centro de Educação Básica Francisco de Assis, os alunos do 1º ao
5º ano têm a oportunidade de trabalhar uma hora semanal com uma professora formada na área.
A qual, por meio de um plano de trabalho, engloba e fomenta as diferentes linguagens
que a arte apresenta em nosso meio.
E, diante do amplo leque de possibilidades, experimentações poéticas, propostas
e intervenções estéticas que são oferecidos a estes sujeitos destacamos algumas: a
incorporação do ritmo com brincadeiras e jogos musicais, o percurso criador pelo
fazer/produzir artisticamente, ler/reler imagens de obras de arte, vivências com
diferentes suportes, materiais e espaços, representação dramática de cenas cotidianas e
tantas outras formas de fazer uso desta linguagem.
Nos desafiamos a criar oportunidades de exercícios para a imaginação e instigamos para
a leitura crítica, frente a enxurrada de imagens com as quais as crianças têm contato todos os
dias. Como um mediador entre o aluno e o conhecimento, é fundamental que o educador
mantenha-se informado e possibilite a interação em diferentes espaços. Assim, propomos a
utilização da sala de multimeios, sala de aula, sala de artes, pátio da escola e tantos outros, com
vista a despertar o gosto e promover uma aprendizagem significativa com questões teóricas e
práticas, pois tudo tem uma intenção de ser, de acontecer, “os temas de arte são as questões
humanas expressas sob os mais diversos aspectos e formas” (MAZZAMATI, 2012, p. 148)
Quem trabalha com arte tem consciência dos inúmeros benefícios que a sua prática e o
conhecimento que ela proporciona podem trazer ao nosso aluno futuramente, assim como seu
importante papel para o indivíduo e a sociedade em que estes estão inseridos. Em uma realidade
social como a nossa, este espaço se faz cada vez mais necessário, resgatando e valorizando
várias dimensões do ser humano, sejam elas: afetiva, cognitiva, social entre outras.
As propostas aqui descritas fazem parte de algumas aulas que aconteceram no decorrer
do ano, mostram situações de aprendizagem evidenciadas na escola. Diferentes propostas,
alternativas e meios de se explorar a riqueza que há por traz da linguagem artística e o pouco
que dela podemos explorar para que nossos alunos exercitem e sejam protagonistas de suas
produções e, consequentemente, de sua história.
Por traz destas práticas, existem as situações teóricas de aprendizagem que seguem o
que a Base Nacional Comum Curricular propõe, propiciando condições para que estas
atividades possam ser adequadamente desenvolvidas e que, ao longo das diferentes etapas da
Educação Básica, ampliem-se as habilidades e autonomia das práticas artísticas.
Nota-se uma diferença de quando a escola abre um espaço de destaque para estas
linguagens através dos saberes, com profissionais qualificados, do que quando este fica restrito
apenas ao professor regente da turma, que além desta linguagem, tem outras que se fazem
necessárias e obrigatórias. Para Zagonel (2008, p. 29), “Por meio da Arte é possível desenvolver
a capacidade crítica, permitindo ao indivíduo analisara realidade e desenvolver a criatividade
de maneira a mudar a realidade que foi analisada”.
As artes visuais tornam-se importantíssimas neste nível de ensino, na medida que nosso
aluno tenha a liberdade em poder se expressar, criar sua poética pessoal fazendo uso do seu
conhecimento, imaginação e criatividade e, consequentemente, conquistar um domínio sempre
crescente sobre os instrumentos de criação e as linguagens artísticas.
Contudo, é possível dizer que a arte também alfabetiza. Quando possibilitamos a estes
sujeitos o acesso a uma multiplicidade de materiais, instrumentos e registros, fazendo com que
este realize suas leituras de mundo, ampliando a linguagem verbal e visual, por meio dos signos
e códigos, recriando suas vivências e tornando-as significativas em seu meio.
Em uma perspectiva otimista, pode-se concluir que existe ao alcance da sociedade, a
possibilidade de apreciar a arte como instrumento de sensibilização e conhecimento e é na
escola, que a arte ganha força e pode ser ensinada, aprendida e difundida.

Palavras-chave: Arte-Educação; Ensino-Aprendizagem.

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Ana Mae. Inquietações e mudanças no ensino da arte. São Paulo: Cortez, 2002.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Base Nacional Comum


Curricular. Brasília, 2015.

IAVELBERG, Rosa. Para gostar de aprender arte: sala de aula e formação de professores.
Porto Alegre: Artmed, 2003.

MAZZAMATI, Suca Mattos. Ensino de desenho nos anos iniciais do ensino fundamental:
reflexões e propostas metodológicas. São Paulo: Edições Somos Mestres, 2012.

THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez, 18ª ed. 2011.

ZAGONEL, Bernadete. Arte na Educação Escolar. Curitiba: Ibpex, 2008.

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