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1.

Fundamentos em Ciência e Engenharia dos Materiais

A ciência dos materiais tem como objetivo básico: obtenção de conhecimentos básicos
sobre estrutura interna, propriedades e processamentos de materiais.
A engenharia dos materiais serve para a utilização de conhecimentos básicos e aplicados
acerca de materiais de modo que possam ser transformados em um produto necessário
ou desejado pela humanidade.

1.1. Tipos de materiais

Metálicos, poliméricos e cerâmicos (categorias básicas)


Compósitos e eletrônicos (segundo processamento e aplicação – grande importância na
engenharia)

1.1.1. Metálicos

Substâncias inorgânicas (1 ou mais elementos metálicos – podendo ter não metálicos)


Exemplos elementos metálicos: ferro, alumínio, cobre, níquel, titânio, etc.
Exemplos elementos não metálicos: carbono, nitrogênio e oxigênio.
Átomos dispostos de maneira ordenada (estrutura cristalina)
Bons condutores térmicos e elétricos
Relativamente resistentes e dúcteis à temperatura ambiente (grande maioria)
Alguns se mantém resistentes até em altas temperaturas
Ligas e metais ferrosos (grande percentagem de ferro) e ligas e metais não ferrosos
(nenhuma ou pouca percentagem de ferro) – alumínio, cobre, zinco, titânio e níquel.
Áreas: aeroespacial, biomédica, semicondutores, eletrônica, energia, construção civil e
transportes.

1.1.2. Poliméricos

Longas cadeias ou redes moleculares que tem base um material orgânico (contém
carbono)
Grande parte dos materiais poliméricos não possui estrutura cristalina (alguns
apresentam uma mistura)
Resistência e ductilidade variam muito
São maus condutores de eletricidade e bons isolantes
Nylon deve ser competitivo quanto aos metais
Proteção contra corrosão, ambientes quimicamente agressivos, choque térmico, impacto
e desgaste.

1.1.3. Cerâmicos

Materiais inorgânicos constituídos por elementos metálicos e não metálicos


quimicamente ligados.
Podem ser cristalinos, não cristalinos ou mistura de ambos.
Em maioria tem alta resistência mecânica em altas temperaturas.
Tendem a ser quebradiços.
Vantagens na engenharia: baixo peso, grande resistência e dureza, boa resistência ao
calor e ao desgaste, atrito reduzido e propriedades isolantes.
Melhorias com as novas cerâmicas avançadas – alumina, nitreto e carboneto.

2. Estrutura cristalina dos materiais

Lei das proporções múltiplas – um átomo de substância pura é diferente de outro átomo
de outra substância pura e, ao serem combinados, em determinadas proporções, formam
compostos diferentes.
Lei da conservação da massa – uma reação química pode ser explicada pela separação,
combinação e rearranjo dos átomos e uma reação não conduz à criação ou destruição da
matéria.
Estrutura cristalina: relacionada à organização dos átomos de forma geométrica.
Metais, sais e maior parte dos minerais possuem uma estrutura cristalina.
Tipos de ligação: direcionais (dipolo-dipolo e covalentes) e não-direcionais (metálicas,
iônicas e van der Walls).
Formas:
- Cúbica (todos os ângulos são iguais a 90º)
- Tetragronal (todos os ângulos são iguais a 90º)
- Ortorrômbico (todos os ângulos são iguais a 90°)
- Monoclínico (dois ângulos iguais a 90º e dois ângulos diferentes de 90º)
- Triclínico (todos os ângulos são diferentes e nenhum é 90º)
- Hexagonal (dois ângulos são iguais a 90º e um ângulo é 120º)
- Romboédrico (todos os ângulos são iguais, mas diferentes de 90º)
Polimorfismo: o mesmo elemento apresenta diferentes formas cristalinas de
acordo com a condição de pressão e/ou temperatura.
Características de estruturas cristalinas: piezoeletricidade (gera corrente elétrica
se houver pressão mecânica), ferroeletricidade (desenvolve polarização
espontânea para utilização de campo elétrico externo mesmo sem gerar corrente
elétrica), efeito piroelétrico (aumento da temperatura causa polarização que pode
ser convertida em um campo elétrico na superfície do material) e são
semicondutores.
3. Defeitos/imperfeições nos sólidos

Defeitos cristalinos: imperfeições que ocorrem no arranjo periódico regular dos


átomos/íons em um cristal.
Número de defeitos depende: do tipo de material, da “história” de processamento do
material, do meio ambiente.
Todo cristal apresenta defeitos.
Defeitos modificam comportamentos (mecânicos, elétricos, químicos, óticos, etc).
Possível desenvolver novos materiais com a inserção e controle de defeitos.
Tipos de defeito:
- Defeitos pontuais: associados com um ou duas posições atômicas. São eles: vacâncias
(lacunas) – ausência de átomos, impurezas intersticiais – átomos diferentes ocupando
interstícios, impurezas substitucionais – átomos diferentes ocupando uma vacância, e
auto-intersticial – quando um átomo da própria rede ocupa um interstício.
- Impurezas nos metais (soluções sólidas) – o elemento de menor concentração é o
soluto, o de maior é o solvente. Solução sólida intersticial – átomos de soluto ocupam
interstícios existentes no reticulado (interfere na condutividade elétrica e movimento
dos átomos) (liga mais dura e forte). Solução sólida substitucional – átomos de soluto
substituem parte dos átomos de solvente no reticulado. (mais forte e mais dura, porém
com condutividade elétrica reduzida).
- Defeitos pontuais em cerâmicas: defeito de frenkel – lacuna de cátion e um par cátion-
intersticial. Não há mudança global na carga. Defeito de schottky – lacuna de cátion e
lacuna de ânion.
- Defeitos Lineares: são discordâncias ou deslocamentos unidimensionais de origem
térmica, mecânica e supersaturação de defeitos pontuais. São eles: discordâncias em
cunha ou aresta (ocorre ao longo da aresta da linha extra do átomo) e discordância em
hélice ou espiral (produz distorção em rede).
- Defeitos planares: defeitos que apresentam em duas dimensões, estendendo-se ao
longo da estrutura e gerando imperfeições de superfície. São eles: superfície livres
(átomos não estão completamente ligados. O estado de energia na superfície é maior
que no interior dos cristais), falhas de empilhamento (ocorre quando há interrupção na
sequência de empilhamento), contornos de grão (ancora o movimento de discordâncias,
sendo um obstáculo. A energia interfacial total é menor em materiais com grãos grandes
ou grosseiros que em grãos finos), maclas ou twins (defeito espelhado, quando o cristal
deforma através de deslocamento atômico produzido pela aplicação de uma força ou por
tratamento térmico).
- Defeitos volumétricos: defeitos no volume do sólido. Ocorrem em estruturas amorfas e
não-cristalinas. São eles: vazios, fraturas, inclusões e outras fases.

4. Diagrama de fases/Transformações de fases


O diagrama de fases leva em conta as transformações sofridas pela matéria na presença
de variações de pressão e temperatura. A curva azul divide a região sólida da gasosa,
chamada de curva de ressublimação. A curva preta separa a região sólida da líquida,
comumente conhecida como linha de solidificação. A curva vermelha divide a região
líquida da gasosa, também denominada linha de condensação. O ponto triplo representa
o ponto no qual a matéria se apresenta nos três estados (sólido, líquido e gasoso).

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