Você está na página 1de 11

PSICOSES – ESQUIZOFRENIA

F20-F29 Esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes

Este agrupamento reúne a esquizofrenia, a categoria mais importante deste grupo de


transtornos, o transtorno esquizotípico e os transtornos delirantes persistentes e um grupo
maior de transtornos psicóticos agudos e transitórios. Os transtornos esquizoafetivos foram
mantidos nesta seção, ainda que sua natureza permaneça controversa.

F20 Esquizofrenia

Os transtornos esquizofrênicos se caracterizam em geral por distorções fundamentais e


características do pensamento e da percepção, e por afetos inapropriados ou embotados.
Usualmente mantém-se clara a consciência e a capacidade intelectual, embora certos déficits
cognitivos possam evoluir no curso do tempo. Os fenômenos psicopatológicos mais
importantes incluem o eco do pensamento, a imposição ou o roubo do pensamento, a
divulgação do pensamento, a percepção delirante, idéias delirantes de controle, de influência
ou de passividade, vozes alucinatórias que comentam ou discutem com o paciente na terceira
pessoa, transtornos do pensamento e sintomas negativos.

A evolução dos transtornos esquizofrênicos pode ser contínua, episódica com ocorrência de
um déficit progressivo ou estável, ou comportar um ou vários episódios seguidos de uma
remissão completa ou incompleta. Não se deve fazer um diagnóstico de esquizofrenia quando
o quadro clínico comporta sintomas depressivos ou maníacos no primeiro plano, a menos que
se possa estabelecer sem equívoco que a ocorrência dos sintomas esquizofrênicos fosse
anterior à dos transtornos afetivos. Além disto, não se deve fazer um diagnóstico de
esquizofrenia quando existe uma doença cerebral manifesta, intoxicação por droga ou
abstinência de droga. Os transtornos que se assemelham à esquizofrenia, mas que ocorrem no
curso de uma epilepsia ou de outra afecção cerebral, devem ser codificados em F06.2; os
transtornos que se assemelham à esquizofrenia, mas que são induzidos por drogas psicoativas
devem ser classificados em F10-F19 com quarto caractere comum .5.

F20.0 Esquizofrenia paranóide

A esquizofrenia paranóide se caracteriza essencialmente pela presença de idéias delirantes


relativamente estáveis, freqüentemente de perseguição, em geral acompanhadas de
alucinações, particularmente auditivas e de perturbações das percepções. As perturbações do
afeto, da vontade, da linguagem e os sintomas catatônicos, estão ausentes, ou são
relativamente discretos.

Esquizofrenia parafrênica

F20.1 Esquizofrenia hebefrênica

Forma de esquizofrenia caracterizada pela presença proeminente de uma perturbação dos


afetos; as idéias delirantes e as alucinações são fugazes e fragmentárias, o comportamento é
irresponsável e imprevisível; existem freqüentemente maneirismos. O afeto é superficial e
inapropriado. O pensamento é desorganizado e o discurso incoerente. Há uma tendência ao
isolamento social. Geralmente o prognóstico é desfavorável devido ao rápido desenvolvimento
de sintomas “negativos”, particularmente um embotamento do afeto e perda da volição. A
hebefrenia deveria normalmente ser somente diagnosticada em adolescentes e em adultos
jovens.
Esquizofrenia desorganizada

Hebefrenia

F20.2 Esquizofrenia catatônica

A esquizofrenia catatônica é dominada por distúrbios psicomotores proeminentes que podem


alternar entre extremos tais como hipercinesia e estupor, ou entre a obediência automática e
o negativismo. Atitudes e posturas a que os pacientes foram compelidos a tomar podem ser
mantidas por longos períodos. Um padrão marcante da afecção pode ser constituído por
episódios de excitação violenta. O fenômeno catatônico pode estar combinado com um estado
oniróide com alucinações cênicas vívidas.

F20.3 Esquizofrenia indiferenciada

Afecções psicóticas que preenchem os critérios diagnósticos gerais para a esquizofrenia mas
que não correspondem a nenhum dos subtipos incluídos em F20.0-F20.2, ou que exibam
padrões de mais de um deles sem uma clara predominância de um conjunto particular de
características diagnósticas.

Esquizofrenia atípica

F20.4 Depressão pós-esquizofrênica

Episódio depressivo eventualmente prolongado que ocorre ao fim de uma afecção


esquizofrênica. Ao menos alguns sintomas esquizofrênicos “positivos” ou “negativos” devem
ainda estar presentes mas não dominam mais o quadro clínico. Este tipo de estado depressivo
se acompanha de um maior risco de suicídio. Se o paciente não apresenta mais nenhum
sintoma esquizofrênico, deve-se fazer um diagnóstico de episódio depressivo (F32.-). Se os
sintomas esquizofrênicos ainda são aparentes e proeminentes, deve-se manter o diagnóstico
da forma clínica apropriada da esquizofrenia (F20.0-.3).

F20.5 Esquizofrenia residual

Estádio crônico da evolução de uma doença esquizofrênica, com uma progressão nítida de um
estádio precoce para um estádio tardio, o qual se caracteriza pela presença persistente de
sintomas “negativos” embora não forçosamente irreversíveis, tais como lentidão psicomotora;
hipoatividade; embotamento afetivo; passividade e falta de iniciativa; pobreza da quantidade e
do conteúdo do discurso; pouca comunicação não-verbal (expressão facial, contato ocular,
modulação da voz e gestos), falta de cuidados pessoais e desempenho social medíocre.

Defeito esquizofrênico (Restzustand)

Esquizofrenia indiferenciada crônica

Estado esquizofrênico residual

Restzustand (esquizofrênico)

F20.6 Esquizofrenia simples

Transtorno caracterizado pela ocorrência insidiosa e progressiva de excentricidade de


comportamento, incapacidade de responder às exigências da sociedade, e um declínio global
do desempenho. Os padrões negativos característicos da esquizofrenia residual (por exemplo:
embotamento do afeto e perda da volição) se desenvolvem sem serem precedidos por
quaisquer sintomas psicóticos manifestos.

F21 Transtorno esquizotípico

Transtorno caracterizado por um comportamento excêntrico e por anomalias do pensamento


e do afeto que se assemelham àquelas da esquizofrenia, mas não há em nenhum momento da
evolução qualquer anomalia esquizofrênica manifesta ou característica. A sintomatologia pode
comportar um afeto frio ou inapropriado, anedonia; um comportamento estranho ou
excêntrico; uma tendência ao retraimento social; idéias paranóides ou bizarras sem que se
apresentem idéias delirantes autênticas; ruminações obsessivas; transtornos do curso do
pensamento e perturbações das percepções; períodos transitórios ocasionais quase psicóticos
com ilusões intensas, alucinações auditivas ou outras e idéias pseudodelirantes, ocorrendo em
geral sem fator desencadeante exterior. O início do transtorno é difícil de determinar, e sua
evolução corresponde em geral àquela de um transtorno da personalidade.

Esquizofrenia:

·    “borderline”

·    latente

·    pré-psicótica

·    prodrômica

·    pseudoneurótica

·    pseudopsicopática

Reação esquizofrênica latente

Transtorno esquizotípico da personalidade

Esquizofrenia é uma perturbação mental caracterizada por comportamento social fora do


normal e incapacidade de distinguir o que é ou não real.[1] Entre os sintomas mais comuns
estão delírios, pensamento confuso ou pouco claro, alucinações auditivas, diminuição da
interação social e da expressão de emoções e falta de motivação

As causas da esquizofrenia incluem fatores ambientais e genéticos.[3] Entre os possíveis fatores


ambientais estão o crescimento em ambientes urbanos, o consumo de cannabis, determinadas
infeções, a idade dos pais e má nutrição durante a gravidez.[3][11] Entre os fatores genéticos
estão uma série de variações genéticas.[12] O diagnóstico tem por base a observação do
comportamento da pessoa, a descrição que faz das experiências pessoais e o seu
contexto cultural. À data de 2013 ainda não existia um teste específico. [4] A esquizofrenia não
implica ter "personalidade dupla" ou várias personalidades, condições com as quais é
confundida na perceção da generalidade das pessoas.

A esquizofrenia caracteriza-se essencialmente por uma fragmentação da estrutura básica dos


processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre
experiências internas e externas. Embora primariamente uma doença
orgânica neuropsiquiátrica que afeta os processos cognitivos, seus efeitos repercutem também
no comportamento e nas emoções.
Os sintomas da esquizofrenia podem variar de pessoa para pessoa, podendo aparecer de
forma insidiosa e gradual ou, pelo contrário, manifestar-se de forma explosiva e instantânea.
Podem ser divididos em duas grandes categorias: sintomas positivos e negativos.

Sintomas positivos[editar | editar código-fonte]

Os sintomas positivos estão presentes com maior visibilidade na fase aguda da doença e são as
perturbações mentais "muito fora" do normal, como que "acrescentadas" às funções psíquico-
orgânicas da pessoa. Entende-se como sintomas positivos

 delírios (ideias delirantes, pensamentos irreais, "ideias individuais do paciente que não


são partilhadas por um grande grupo",[19] como, por exemplo, um indivíduo que acha
que está a ser perseguido pela polícia secreta e acha que é o responsável
pelas guerras do mundo);

 alucinações, percepções irreais de audição, visão, paladar, olfato ou tacto, sendo mais


frequentes as alucinações auditivas e visuais;

 pensamento e discurso desorganizado (confusão mental), elaboração de frases sem


qualquer sentido ou invenção de palavras;

 alterações visíveis do comportamento, ansiedade excessiva, impulsos ou agressividade


constante na fase de crise.

Sintomas negativos[editar | editar código-fonte]

Os sintomas negativos são o resultado da perda ou diminuição das capacidades mentais,


"acompanham a evolução da doença e refletem um estado deficitário ao nível da motivação,
das emoções, do discurso, do pensamento e das relações interpessoais (não confundir
com esquizoidia",[19]) como a falta de vontade ou de iniciativa; isolamento social (não confundir
com a esquizoidia); apatia; indiferença emocional total e não transitória; pobreza do
pensamento".

Estes sinais não se manifestam todos da mesma forma, na pessoa esquizofrênica. Algumas
pessoas vêem-se mais afetadas do que outras, ao ponto de muitas vezes impossibilitar-lhes
uma vida normal. No entanto, alguns sintomas podem oscilar, aparecer e desaparecer em
ciclos de recidivas e remissões.

"Não há, contudo, sinais nem  sintomas  patognomônicos  da doença, podendo-se de alguma
forma fazer referência a um quadro prodrómico que são em grande parte sintomas negativos,
como, por exemplo, inversão do  ciclo de sono, isolamento, perda de interesse por atividades
anteriormente agradáveis, apatia, descuido com a  higiene pessoal, ideias bizarras,
comportamentos poucos habituais, dificuldades escolares e profissionais, entre outras.
Posteriormente a esta fase inicial, surgem os sintomas positivos".[20]

"Diz-se que os primeiros sinais e sintomas de esquizofrenia são insidiosos. O primeiro sintoma
de sossego/calma e afastamento, visível num adolescente, normalmente passa despercebido
como tal, pois se remete o facto para "é uma fase". Pode inclusivamente ser um enfermeiro de
saúde escolar ou um conselheiro a começar a notar estas mudanças. (…) É importante dizer-se
que é muito fácil interpretar incorretamente estes comportamentos, associando-os à idade."

Classificação[editar | editar código-fonte]
A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde
(CID), na CID-10, publicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), conclui que "num certo
número de casos, que varia segundo as culturas e as populações, a evolução dirige-se para
uma cura completa ou quase completa". [28]

O diagnóstico da esquizofrenia, como sucede com a grande maioria dos transtornos mentais e
demais psicopatologias, não se pode efetuar através da análise de parâmetros fisiológicos ou
bioquímicos e resulta apenas da observação clínica cuidadosa das manifestações do transtorno
ao longo do tempo. Quando do diagnóstico, é importante que o médico exclua outras doenças
ou condições que possam produzir sintomas psicóticossemelhantes (uso
de drogas, epilepsia, tumor cerebral, alterações metabólicas). O diagnóstico da esquizofrenia é
por vezes difícil.

Para além do diagnóstico, é importante que o profissional identifique qual é o subtipo de


esquizofrenia em que o paciente se encontra. Atualmente, segundo o DSM IV, existem cinco
tipos:[29]

 Paranoide — é a forma que mais facilmente é identificada com a doença e na qual


predominam os sintomas positivos. O quadro clínico é dominado por um delírio
paranoide relativamente bem organizado. Os doentes de esquizofrenia paranoide são
desconfiados, reservados, podendo ter comportamentos agressivos.[30]

 Desorganizado — em que os sintomas afetivos e as alterações do pensamento são


predominantes. As ideias delirantes, embora presentes, não são organizadas. Em
alguns doentes pode ocorrer uma irritabilidade associada a comportamentos
agressivos. Existe um contacto muito pobre com a realidade. [30]

 Catatônico — caracterizado pelo predomínio de sintomas motores e por alterações da


atividade, que podem variar desde um estado de cansaço e acinesia até à excitação.[30]

 Indiferenciado — que apresenta habitualmente um desenvolvimento insidioso com


um isolamento social marcado e uma diminuição no desempenho laboral e intelectual.
Observa-se nestes doentes uma certa apatiae indiferença relativamente ao mundo
exterior.[30]

 Residual — em que existe um predomínio de sintomas negativos: os doentes


apresentam um isolamento social marcado por um embotamento afetivo e uma
pobreza ao nível do conteúdo do pensamento. [30]

Existe também a denominada esquizofrenia hebefrênica, que incide desde a adolescência, com


o pior dos prognósticos em relação às demais variações da doença e com grandes
probabilidades de prejuízos cognitivos e sócio-comportamentais.

Atualmente todos os tipos de esquizofrenia foram fundidos em um diagnóstico denominado


de espectro esquizofrênico (de acordo com o DSM-5 e organização mundial da saúde).
PSICOES – TRANSTORNO BIPOLAR

transtorno afetivo bipolar (TAB) (português brasileiro) é uma perturbação mental caracterizada pela


alternância entre períodos de depressão e períodos de ânimo intenso.[2][3] O ânimo intenso é
denominado mania ou hipomania, dependendo da gravidade ou se estão ou não presentes
sintomas de psicose. Durante o período de mania a pessoa comporta-se ou sente-
se anormalmente enérgica, contente ou irritável.[2] Os doentes geralmente realizam decisões
irrefletidas ou sem noção das consequências. Durante as fases maníacas a necessidade de
sono tende a ser menor.[3] Durante as fases depressivas a pessoa pode chorar, encarar a vida
de forma negativa e evitar o contacto ocular com outras pessoas. [2] O risco de suicídio entre as
pessoas com a doença é elevado, sendo superior a 6% no prazo de vinte anos. Entre 30 e 40%
das pessoas com a condição praticam automutilação.[2] Estão geralmente associados à
perturbação bipolar outros problemas mentais, como perturbação de ansiedade e perturbação
por abuso de substâncias.[2]

As causas ainda não são totalmente compreendidas, mas tanto


fatores ambientais como genéticos têm influência.[2] Muitos genes de pequeno efeito
contribuem para aumentar o risco.[2][5]Os fatores ambientais incluem antecedentes de abuso
infantil e stresse de longa duração.[2] A doença divide-se em "perturbação bipolar do tipo 1",
quando existe pelo menos um episódio maníaco, e "distúrbio bipolar do tipo 2", quando existe
pelo menos um episódio hipomaníaco e um episódio depressivo maior. Em pessoas com
sintomas menos graves e de longa duração pode-se estar na presença de ciclotimia. Quando
esta condição tem origem em problemas médicos é classificada à parte. [3] Podem também
estar presentes outras condições, incluindo perturbação de hiperatividade com défice de
atenção, perturbações de personalidade, perturbação por abuso de substâncias e uma série de
condições médicas.[2] O diagnósticonão requer exames médicos. No entanto, podem ser
realizadas análises ao sangue e exames imagiológicos para descartar outros problemas.[6]

O tratamento geralmente consiste em psicoterapia e medicamentos como os estabilizadores


de humor e antipsicóticos. Entre os estabilizadores de humor mais comuns estão
o lítio e anticonvulsivos. Em pessoas que são uma ameaça para si próprias ou para outros e
que recusam o tratamento pode ser necessário o internamento em hospital psiquiátrico.
Muitos dos problemas comportamentais podem ser tratados com antipsicóticos de curta ação
ou benzodiazepinas. Durante os períodos maníacos é recomendada a interrupção dos
antidepressivos. Quando os antidepressivos são usados durante os períodos de depressão,
devem ser administrados em conjunto com um estabilizador de humor. Em pessoas que não
respondem a outro tipo de tratamento pode ser considerada a possibilidade de terapia
eletroconvulsiva. No caso do tratamento necessitar de ser interrompido, recomendada-se que
isto seja feito de forma gradual. Muitas pessoas com perturbação bipolar têm problemas
financeiros, sociais ou laborais causados pela doença. Estas dificuldades estão presentes, em
média, entre um quarto a um terço do tempo. O risco de morte por causas naturais em
doentes bipolares é o dobro do da população em geral. Isto deve-se a escolhas de vida menos
acertadas e aos efeitos secundários da medicação. [2]

Estima-se que cerca de 3% da população norte-americana tenha tido uma perturbação bipolar
em determinado momento da vida.[4] Em outros países, a prevalência é menor, chegando a 1%.
A idade mais comum em que os sintomas se começam a manifestar é aos 25 anos. [2] A
prevalência aparenta ser igual em homens e mulheres. [7] O custo económico da doença é
elevado, estimando-se que seja a causa de 50 dias de trabalho perdidos por ano por doente.
[8]
 As pessoas com distúrbio bipolar muitas vezes enfrentam o problema do estigma social.
Classificação

A depressão maníaca foi inicialmente descrita em fins do século XIX pelo psiquiatra Emil


Kraepelin, que descreveu seus estudos em seu Textbook of Psychiatry. Existem inúmeras
variações do distúrbio bipolar, definidas como espectro bipolar. As :

 TIPO I: Predomínio da fase maníaca (eufórica) com depressão mais leve (distimia).

 TIPO II: Predomínio da fase depressiva com mania mais leve (hipomania).

 MISTA: Quando os episódios possuem várias características tanto de mania quanto de


depressão simultaneamente.[10]

 CICLOS RÁPIDOS: Quando os episódios de variações de humor duram menos de uma


semana.

 CICLOTIMIA: Os sintomas são persistentes por pelo menos dois anos, períodos em que
sintomas de hipomania são leves e depressão ou distimia não são tão profundos para
ser qualificados como depressão maior.[11]

Na classificação internacional de doenças da OMS (CID-10) deve-se também informar se no


momento da consulta o paciente possui sintomas psicóticos, e se estava em um episódio
depressivo, maníaco, hipomaníaco, mista ou em remissão.[12]

Classificação antiga

Muitos termos foram usados para se referir a esse transtorno: loucura circular, loucura


alternante, loucura intermitente, melancolia maníaca, mas principalmente o termo de Emil
Kraepelin psicose maníaco-depressiva[13]. Esses termos foram substituídos quase
completamente por terminologias menos estigmatizantes e mais comprometidas com o
diagnóstico e tratamento médico.[14]

Os casos de psicose com episódios maníacos e depressivos são atualmente classificados


como transtorno esquizoafetivo.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

O transtorno bipolar é caracterizado por mudanças extremas e intensas de humor que


ocorrem em tempos distintos, chamados de episódios de humor. Esses episódios geralmente
duram pelo menos quatro dias ou vários meses. Entre um episódio e outro pode haver
períodos de normalidade. Raramente os episódios de mania e depressão tem a mesma
regularidade e intensidade, de modo que é possível ter muitos episódios de euforia e poucos
de depressão (bipolar tipo I) ou muitos episódios de depressão e poucos de euforia (bipolar
tipo II).[15]

Os episódios de humor, também chamados de fases, são caracterizados por: [15]

 Fase maníaca: Período de constante bom humor, extroversão ou irritabilidade, que


dura pelo menos uma semana. Há um aumento inusual da energia e dedicação a
atividades e estudos, impulsividade, distração, impaciência e ritmo. A mudança de
humor deve ser suficientemente severa para causar dificuldade perceptível no
trabalho, na escola ou em atividades sociais ou relacionamentos; ou para exigir a
hospitalização; ou para provocar uma perda de contato com a realidade (psicose).
 Fase hipomaníaca: Similar à mania, mas com menor duração e prejuízo às atividades
diárias. Pelo menos quatro dias consecutivos.

 Fase depressiva: Período de constante desânimo, quase todos os dias, com perda de
interesse em atividades que antes geravam prazer. Sentimento de tristeza, vazio,
desesperança ou irritabilidade. Aumento ou diminuição do sono e fome. Dura pelo
menos uma semana e deve ser suficientemente severo para causar dificuldade
perceptível no trabalho, na escola ou em atividades sociais ou relacionamentos; ou
para exigir a hospitalização.

 Fase distímica: Similar à depressiva, mas com menor intensidade e maior duração.
Causa menos prejuízos nas atividades diárias, mas dura pelo menos um mês.

Causas[editar | editar código-fonte]

As causas são tanto genéticas e/ou congênitas quanto psicossociais com 50% dos portadores
apresentando pelo menos um familiar afetado, e com filhos de portadores apresentam risco
aumentado de desenvolver a doença, quando comparados com a população.

Influências genéticas, acredita-se que são responsáveis por 60-80% do risco de desenvolver a
doença, indicando uma forte componente hereditário. No geral a hereditariedade do espectro
bipolar foi estimada em 71%. Os estudos de gêmeos têm sido limitados por amostras
relativamente pequenas, mas indicaram uma contribuição genética substancial, bem como a
influência ambiental. A relativamente baixa concordância entre gêmeos dizigóticos criados
juntos sugere que efeitos ambientais familiares partilhada são limitadas, embora a capacidade
de detectá-los tem sido limitada pelo pequeno tamanho das amostras. 

Genéticas[editar | editar código-fonte]

Estudos genéticos sugerem que muitas regiões cromossômicas e genes candidatos por serem


responsáveis estão relacionados com a suscetibilidade a doença bipolar com cada gene
exercendo um efeito de leve a moderado. O risco de desordem bipolar é quase dez vezes mais
elevada em parentes de primeiro grau de pessoas afetadas com transtorno bipolar, quando
comparado com a população em geral; Da mesma forma, o risco de desordem depressiva
principal é três vezes maior em familiares das pessoas com doença bipolar, quando comparado
com a população em geral. 

Embora a primeira ligação genética  para mania foi encontrada em 1969,  os estudos de ligação
têm sido inconsistentes.  O maior e mais recente estudo de associação do genoma não
conseguiu encontrar qualquer lugar especial, que exerce um grande efeito, reforçando a ideia
de que nenhum único gene é responsável por transtorno bipolar na maioria dos casos. 

Achados apontam fortemente para heterogeneidade, com diferentes genes implicados em


famílias diferentes.  Associações significativas do genoma, robustos e replicáveis
demonstraram vários  polimorfismos de nucleotídeo único, incluindo variantes dentro dos
genes CACNA1C, ODZ4, e NCan. 

A idade paterna avançada tem sido associada a um pequeno aumento da chance de transtorno


bipolar na prole, consistente com a hipótese de aumento de novas mutações genéticas. 

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Episódio maníaco[editar | editar código-fonte]


Segundo o DSM-V, Episódio maníaco é caracterizado por pelo menos três dos seguintes
sintomas por pelo menos uma semana[16]:

 Autoestima elevada: Sentimento de grandiosidade e intenso bem estar com si mesmo;

 Necessidade de sono diminuída: Sente-se pronto para o trabalho depois de apenas


poucas horas de sono;

 Verborragia: Falar mais, mais rápido e mais alto que o habitual;

 Fuga de ideias: Pensamentos acelerados, incontroláveis, resultando em dificuldade de


se expressar claramente e rapidamente esquecendo ideias e assuntos anteriores;

 Facilmente distraído: Atenção constantemente desviada para estímulos externos,


resultando em muitos trabalhos concomitantes e incompletos;

 Inquietude: Gerando aumento no número de atividades feitas no trabalho ou escola;

 Impulsividade: Falta de autocontrole, impaciência e ansiedade;

 Comportamentos de risco: Correr mais riscos que o usual, por exemplo, dirigir
perigosamente, consumir álcool em excesso, usar drogas ilícitas, não usar
preservativo, gastar as economias...

Hipomania

A hipomania é um episódio de mania menos prejudicial e que dura menos tempo,


característico do bipolar tipo II. Classifica-se como hipomania se existem pelo menos três
sintomas de mania mas[15]:

 A mudança de humor e funcionamento deve ser diferente da característica e suficiente


para ser perceptível por outras pessoas;

 Não é suficientemente grave para causar dificuldade considerável no trabalho, na


escola ou em atividades sociais ou relacionamentos;

 Não requer hospitalização nem provoca perda de contato com a realidade;

 Os sintomas não são causados por drogas, toxinas ou outra condição médica.

Tratamento

Medicamentoso

O tratamento de transtorno bipolar pode ser tentado com várias classes de medicação,
incluindo sais de lítio, anticonvulsivantes, antipsicóticos, antidepressivos e
eletroconvulsoterapia. Porém, o tratamento frequentemente é caracterizado por persistência
de alguns sintomas e por altos índices de recaídas e internações.[19]

O tratamento adequado do TBH pode ser feito com um ou mais estabilizante de humor como
carbonato de lítio (medicação com a melhor evidência),ácido valproico/valproato de
sódio/divalproato de sódio, lamotrigina, carbamazepina ou oxcarbazepina). A associação de
antidepressivos (de diferentes classes) e de antipsicóticos (em especial os de segunda geração
como risperidona, olanzapina, quetiapina, ziprasidona, aripiprazol) pode ser necessária para o
controle de episódios de depressão e de mania.[20]

Psicoterapêutico

O tratamento psicoterápico pode ajudar[19]:

Aumentando a adesão ao tratamento;

Reduzindo dos sintomas residuais;

Prevenindo recaídas/recorrências;

Reduzindo o número e períodos de hospitalizações;

Prevenindo suicídio;

Melhorando a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares;

Melhorando as habilidades sociais e o desempenho e;

Melhorando a capacidade de lidar com situações estressantes em suas vidas.

Eletroconvulsoterapia

Em alguns casos, quando a medicação e psicoterapia não são suficientes, uma alternativa
eficiente, segura é o uso de eletroconvulsoterapia (ECT). A ECT utiliza uma corrente eléctrica
breve aplicada ao couro cabeludo, enquanto o paciente está sob anestesia. O processo leva
cerca de 15 minutos e é feito duas a três vezes por semana durante um período de seis a doze
semanas.[21] Em uma revisão bibliográfica do uso da ECT para tratar episódios maníacos ao
longo de um período de 50 anos, quase 80% dos 589 pacientes maníacos tiveram melhoras
significativas, inclusive os que não responderam aos medicamentos.[22]

Prognóstico

O TBH acarreta incapacitação e grave sofrimento para os portadores e suas famílias. Dados da
Organização Mundial de Saúde, ainda na década de 1990, evidenciaram que o TBH foi a sexta
maior causa de incapacitação no mundo. Estimativas indicam que um portador que desenvolve
os sintomas da doença aos 20 anos de idade, por exemplo, pode perder 9 anos de vida e 14
anos de produtividade profissional, se não tratado adequadamente.

A mortalidade dos portadores de TBH é elevada, e o suicídio é a causa mais frequente de


morte, principalmente entre os jovens. Estima-se que até 50% dos portadores tentem o
suicídio ao menos uma vez em suas vidas e 15% efetivamente o cometem. Também doenças
clínicas como obesidade, diabetes, e problemas cardiovasculares são mais frequentes entre
portadores de Transtorno Bipolar do que na população geral. A associação com a dependência
de álcool e drogas não apenas é comum (41% de dependência de álcool e 12% de dependência
de alguma droga ilícita), como agrava o curso e o prognóstico do TAB, piora a adesão ao
tratamento e aumenta em duas vezes o risco de suicídio.É importante ressaltar que nem todos
os portadores do Transtorno Bipolar são dependentes de álcool ou drogas ilícitas.

O início dos sintomas na infância e na adolescência é cada vez mais descrito e, em função de
peculiaridades na apresentação clínica, o diagnóstico é difícil. Não raramente as crianças
recebem outros diagnósticos, o que retarda a instalação de um tratamento adequado. Isso
tem consequências devastadoras, pois o comportamento suicida pode ocorrer em 25% dos
adolescentes portadores de TBH

Você também pode gostar