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A Filosofia de Hegel e sua Dialética Temporal.

1.1 Introdução.

Com o filósofo Hegel, podemos dizer que a filosofia começa a ser vista como a
ciência que tem como objetivo mostrar-nos a verdade sobre o mundo em que vivemos;
e, mais do que isso, na filosofia de Hegel vemos outro aspecto de fundamental
importância, ou seja, a ideia de que a filosofia serve para o progresso humano. Desse
modo, nesta filosofia está presente a ideia de Verdade e de Progresso.

Hegel inicia seu estudo e pensamento filosófico em um Seminário, na cidade que


hoje conhecemos como Berlim. Neste espaço de pensamento, encontra duas maneiras
de se pensar o mundo: a primeira em que a tradição, isto é, o pensamento medieval se
faz presente, com uma função religiosa, politica e ideológica: perpetuar a piedade, o
conformismo, e espirito feudal, a obediência; e a segunda em que o Iluminismo começa
a transformar o pensamento da época, pois inicia-se, desse modo, um pensamento em
que está preocupado em torna o homem livre, em que a Razão aparece como o fator que
permite o homem compreender o mundo. Não nos esquecemos de que Hegel está
inserido em um contexto diretamente influenciado pela Revolução Francesa e pela
consequência que a mesma acarreta, ou seja, uma transformação na hierarquia social até
então dominante.

Como dito acima, se a Razão aparece como o fator primordial no pensamento desse
filosofo, podemos classifica-lo como racionalista, da qual há uma preocupação que dá
ao tempo uma centralidade, ou seja, começa a se pensar a história através do tempo.
Para esses filósofos toda história está ordenada, nada pode ser deixada ao acaso, há um
principio organizador: o Tempo.

Assim, podemos perceber a diferença que Hegel nos mostra entre o Tempo na
natureza e o Tempo na História. Para ele o Tempo na Natureza é cíclico e repetitivo; já
na História, o Tempo tem uma finalidade, para o homem (ser consciente) há um caráter
único e estável, ou seja, há uma capacidade de transformação para o melhor, da qual a
perfectibilidade se apresenta como a característica a ser alcançada, sendo esta a
liberdade. Desse modo, o espírito1 está em luta consigo mesmo.

1.2 Definição sobre o que é a Dialética.

Define-se dialética como o movimento racional que nos permite superar uma
contradição. Não é um método, mas um movimento conjunto do pensamento e do real:
"Chamamos de dialética o movimento racional superior em favor do qual esses termos
na aparência separados (o ser e o nada) passam espontaneamente uns nos outros, em
virtude mesmo daquilo que eles são, encontrando-se eliminada a hipótese de sua
separação".

Hegel, diz que para pensarmos a história, importa-nos concebê-la como sucessão
de momentos, cada um deles formando uma totalidade, momento este que só se
apresenta opondo-se ao momento que o precedeu: ele o nega manifestando suas
insuficiências e seu caráter parcial; e o supera na medida em que eleva a um estágio
superior, para resolver os problemas não resolvidos. E na medida em que afirma uma
propriedade comum do pensamento e das coisas, a dialética pretende ser a chave do
saber absoluto: do movimento do pensamento. 2

Dando sequência a esse pensamento dialético, abaixo segue o quadro dialético de


Hegel:

TESE (em si): A determinação do espírito, pois se encontra no plano das ideias, é
apenas uma afirmação da possibilidade.

ANTÍTESE (por si): Na sua realização há uma exteriorização, que se encontra no


espírito objetivo, assim, há a manifestação do desejo e da vontade.

SÍNTESE (para si): Como resultado da tese e da antítese, na exteriorização do espírito


há como consequência a realização de seu conceito, portanto, a manifestação da
consciência, possibilitando este (o espírito) alcançar a sua essência, que é a liberdade.

1
Como dito em aula, entendemos a denominação Espírito como Movimento, aquele que dá ordens às
coisas, que ordena o Tempo. Tudo que está em movimento é chamado de Espírito.
2
Pessoal, essa explicação nada mais é do que o exemplo simples que eu dei para vocês, isto é, como eu
sendo professor sou um antes de entrar na sala, outro dando aula, e por fim, serei outro a sair da sala.
1.3 O Papel do Estado para Hegel.

O autor, dando sequência ao seu pensamento, afirma que só há existência de


história onde há Estado, pois esse é o responsável por promover a estabilidade de
interesses conflitantes, sendo assim, o Estado aparece como o agente da liberdade.

Destarte, Hegel cita exemplos de povos que para ele não possuem história por
não possuírem Estado. Essas sociedades que estão ainda em estado natural ficam à
mercê de conflitos, tendo como consequência a incapacidade de se progredirem, como
exemplo a Índia, sua sociedade possui a vontade da liberdade, mas estão dependentes de
leis naturais, isto é, a hierarquia imposta pelas Castas.

1.4 Conclusão.

Diante do trabalho exposto, percebe-se que através da ideia de tempo, Hegel


propõe um sistema do qual é possível pensar a realidade. Esse sistema obedece ao
método da Dialética, sendo essa, temporal. O tempo na história é entendido como
possuidor de uma finalidade e como princípio organizador da sociedade.

Desse modo, o Espírito aparece com grande importância em sua Filosofia,


Espírito esse que pode ser definido como o movimento, nesse momento há a
especificação da Dialética como conceito, ou seja, na sua tríade: tese, afirmação;
antítese, negação e/ou concretização da possibilidade; síntese, resultado da tese e da
antítese, constituindo-se como uma consequência.

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