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A Expansão Portuguesa

Padrão dos Descobrimentos

Trabalho realizado por: Joana Da Silva Neto


Nº12
10ºL
No século XV os Portugueses partiram em caravelas, à descoberta do mundo desconhecido.
Venceram as suas dificuldades e o seus medos, conheceram outras regiões e povos muito
diferentes. Foi graças aos conhecimentos náuticos transmitidos por outros povos, à sua
coragem, esforço e sabedoria, que conseguiram “dar novos mundos ao mundo”.

Ao longo dos séculos XV e XVI, os descobrimentos e as navegações transoceânicas vão


proporcionar ao nosso país um enorme desenvolvimento técnico-científico. Com efeito, as
inovações registadas ao nível das técnicas náuticas e da representação cartográfica da terra,
bem como os resultados da observação e discrição da natureza, levadas a cabo pelos
portugueses, vão contribuir decisivamente para o alargamento do conhecimento do mundo.

Quais as condições que explicam a prioridade portuguesa no processo da expansão


marítima?

Os descobrimentos portugueses foram o resultado de um conjunto de circunstâncias sociais,


económicas, políticas, técnicas e religiosas que possibilitaram a descoberta de novas terras,
essas necessidades económicas nomeadamente a escassez de alimentos como os cereais
e a falta de ouro, no início do século XV levaram os portugueses a procurar soluções além-
mar. Com o fim da guerra entre Portugal e Castela e a submissão da nobreza à coroa, surgiu
o apoio as viagens marítimas. Portugal tinha experiência marítima assim como conhecimento
dos instrumentos náuticos, então Portugal era o encaixe perfeito para realizar o trabalho de
expansão do mundo.

Em relação os instrumentos náuticos, Portugal despunha de um grande conhecimento. A


divulgação de instrumentos de navegação, primeiro usados no Mediterrâneo pelos
genoveses e venezianos também pelos marinheiros maiorquinos que, em contacto com os
árabes, conheciam a bússola, a ampulheta ou relógio de areia. Estes instrumentos tornaram-
se um precioso auxiliar de navegação por rumo e estima sempre com aproximação à vista da
costa, medindo o tempo de percurso em ligação com o rumo que se definia.

Astrolábio: Era constituído por aro graduado, com um eixo no centro,


seguro por uma armação em cruz, e mira ou alidade que roda nesse
eixo. Este instrumento era usado para medir a altura de astros,
sobretudo a da Estrela Polar ou a do Sol ao meio-dia.

Astrolábio Náutico | Bestnet Leilões


Bússola: A bússola foi alvo de aperfeiçoamentos que se
traduziram na aplicação da agulha magnética numa caixa, a
que se juntou a rosa dos ventos, foi introduzida na Europa
pelos Árabes, a agulha magnética permitia a orientação
através da indicação do Norte e era usada pelos portugueses
nos primeiros anos dos quatrocentos.

HISTÓRIA A 10 ALFÂNDEGA DA FÉ: BÚSSOLA

Quadrante: Instrumento composto por um quarto de círculo em


madeira ou latão, com o arco dividido em graus e frações, duas
perfuradas, por onde se observavam as estrelas, em particular
a Estrela Polar. Um fio de prumo, preso no seu ângulo,
permitia fazer a medição numa escala graduada.

Quadrant horaire

Balestilha: adaptação do “báculo de Jacob”; era um instrumento


formado por uma travessa de madeira, o virote, ao longo da qual
corriam uma ou mais peças móveis, as corrediças, através das quais
se observavam e mediam as alturas das estrelas.

BALESTILHA by Julia Leandro on Prezi

Na medida que a navegação ia avançando no Atlântico, as técnicas


náuticas foram evoluindo, tal como se foi aperfeiçoando a arte de marear. Existiam vários
problemas dos quais os portugueses tiveram de enfrentar como os ventos alísios e as
correntes marítimas de norte e nordeste que dificultavam a navegação costeira nas viagens
de regresso da Guiné. A solução para este problema era a necessidade de navegar à bolina
que motivou mudanças estruturais na construção dos barcos. Deu origem ao surgimento da
Caravela, um barco mais veloz e mais manobrável, como as velas são triangulares permitiam
um melhor aproveitamento de todas as direções do vento. Outro problema das viagens era a
sua duração em direção à África, oriente e América que impunham a construção de navios
mais resistentes e de maior porte, a solução encontrada para este problema foi a invenção
da Nau e do Galeão, que possuíam um casco em U, velas quadrangulares e tinham uma boa
capacidade de artilharia.
Nau Portuguesa Santa Cruz a caminho de Macau A batalha do galeão Nossa Senhora do Rosário

A invenção da caravela foi crucial para o desenvolvimento da expansão marítima. A caravela


foi utilizada para avançar para o sul, ao longo da costa Africana, adaptando o uso da vela
triangular que permitia manobrar o barco contra o vento e correntes, em ziguezague, ou seja,
navegando à bolina. Para além da utilização da caravela, a barca e a nau eram outros meios
usados durantes a época dos descobrimentos.

Caravela Vera Cruz a navegar no rio Tejo, Lisboa.

Quais os grupos sociais interessados pela expansão?

Todos. O clero, a nobreza e o próprio rei pretendiam novas terras e mais mão-de-obra; o clero
queria também evangelizar; a burguesia procurava o ouro e os produtos do Oriente; o povo
queria melhorar as suas condições de vida.

A cartografia:

O conhecimento existente na altura do mundo era muito vago e muito longe da realidade.
Com o contributo dos Portugueses para a expansão do mundo, conseguimos chegar a uma
realidade nova muito mais realista.

A cartografia medieval era incipiente e simplista. Exemplos disso são: o planisfério T-O (em
que a terra aparecia representada como um disco plano, com 3 continentes rodeados por um
oceano); planisférios que decompunham a terra em zonas; e ainda representações
influencias pelas conceções de Ptolomeu.
Mapa Múndi de Al-Idrisi (árabe 1154) Mapa de Henricus Martellus (C. 1469)

A maior parte destas representações eram puramente simbólicas ou, pelo menos, feita sem
qualquer critério científico no que concerne à forma, dimensão ou posição relativa dos
oceanos e continentes.

Planisfério de Heinrich Bunting Planisfério de 3 continentes

Com a evolução da cartografia foram revistas as conceções geográficas medievais, os


contornos de mares e terras que adquiriam um traçado mais rigoroso e as escalas
aproximaram-se mais da realidade. Em 1490, suspende-se a edição da obra de Ptolomeu,
pois já não correspondia à real configuração dos continentes. Em 1489 foi elaborado o
primeiro planisfério onde era representado o cabo da Boa esperança (que foi fruto da viagem
de Bartolomeu Dias, 1488). Em 1502 no planisfério de Cantino foi traçado pela primeira vez
o continente Africano.

A observação da natureza que foi possibilitada pelas viagens portuguesas de descoberta


contribuiu para o questionamento das ideias defendida pelas antigos e promoveu o exercício
do espírito crítico e a ideia de que só devia ser aceite aquilo que fosse considerado verdade,
mediante a observação direta.

Os navegadores portugueses e os homens ligados ao experiencialismo (tipo de saber que


assenta no conhecimento empírico, obtido através da observação direta, isto é, da
experiência. Conceito de experiencialismo, manuais “linhas da História p3, pág. 40), possibilitado pelo
conhecimento resultante da observação direta dos descobrimentos, produziram para além da
cartografia, uma série de obras de literatura de viagem e de literatura científica que estavam
relacionadas com a discrição e o conhecimento da natureza em vários domínios.
Pormenor do Atlas de Lopo Homem-Reinéis (1519) Carta de Lázaro Luís (1563)

Duarte Pacheco Pereira foi o autor da obra Esmeraldo de Situ Orbis


(1506-08), Duarte era um defensor da experiência como meio de
conhecimento, pelo que criticava a autoridade de saber livresco que,
ao seu ver, devia ser confrontado com a experiência prática. Duarte
Pacheco Pereira defendeu que a observação da realidade constituía
a fonte do conhecimento. “a experiência que é madre das cousas, nos
desengana e de toda a dúvida nos tira.” - Manual “linhas da História” P3, pág.
42, DOC 12.

Duarte Pacheco pereira

D. João de Castro, foi o 13.º governador da Índia, era um homem


dotado de uma grande cultura e destacou-se pelo seu espírito científico.
Nos seus roteiros, evidenciou os seus conhecimentos geográficos e o
espírito de investigação científico. Foi responsável pela elaboração do
primeiro guia de navegação do mar vermelho.

D. João de Castro

Garcia de Orta foi um naturalista e médico de D. João III, foi autor da


obra Colóquios dos Simples e Drogas e coisas Medicinais da Índia, nesta
obra estudou as plantas usadas na medicina e aplicou novas formas de
obter o conhecimento, distanciando-se da tradição dos autores antigos.
Graças a sua obra foi possível alargar os conhecimentos da botânica e
farmacopeia que também deu a chegada desse conhecimento à europa.

Garcia de Orta
Pedro nunes contribuiu como cosmógrafo-mor, centrou-se no
desenvolvimento dos conhecimentos da navegação científica, da
astronomia e da matemática, adotou princípios matemáticos na
explicação da realidade (“seduziu-me o intento de explicar claramente
este assunto mediante os princípios certíssimos da matemática” -

Manual “Linhas da História P3, Pág. 44 DOC.17). Foi inventor do nónio, um


instrumento destinado a ser usado na navegação, permitindo obter
uma maior precisão de medição de escalas.

Pedro Nunes

O Nónio

Quais as principais etapas da expansão portuguesa?

O arranque da expansão deu-se com a conquista de Ceuta no ano de 1415, foi a partir dessa
data que o processo de descobertas começou. Em primeiro lugar foram os arquipélagos
atlânticos que receberem a presença dos portugueses. Em 1418 os navegadores
portugueses chegaram à ilha de Porto Santo e, logo no ano seguinte, à ilha da Madeira. Em
1427, foram atingidas as ilhas dos Açores.

A colonização destes arquipélagos foi vantajosa pois, foram explorados o trigo, o açúcar e o
vinho na Madeira e nos Açores, o trigo e o gado foram os mais importantes, sem esquecer
as plantas tintureiras.
A expansão Marítima Portuguesa.

No ano de 1434, Gil Eanes passou o cabo bojador, abrindo assim caminho à descoberta da
costa ocidental africana com um ritmo mais acelerado. Até 1443, o comercio na costa africana
podia ser realizado por particulares que eram obrigados ao pagamento do quinto à coroa. No
entanto, a partir desse ano o infante D. Henrique passou a deter o monopólio do comércio a
sul do Bojador. A morte do infante em 1460, abrandou o ritmo das viagens que foram
entregues à iniciativa de particulares pelo rei D. Afonso V.

A etapa decisiva nas viagens de descoberta foi realizada por


Bartolomeu Dias, que em 1487, dobrou o cabo das tormentas, depois
designado como cabo da Boa Esperança. No reinado de D. Manuel
(1469-1521), a armada de vasco da Gama, partiu em direção a Índia,
passaram o cabo da Boa Esperança e atravessaram o oceano Índico.
Em 1498, Vasco de Gama aportou em Calecute e só em 1499
regressou a Lisboa.

Bartolomeu Dias dobra o cabo da boa esperança

“Era a D. João II que, já desde 1474, cabia a liderança da política expansionista. A ele se
deve a instituição da política de mare clausum e a assinatura do tratado de Alcáçovas-Toledo
(1479-1480), mediante o qual Portugal garantia o direito sobre o território africano até então
descoberto.” - retirado do manual “Linhas da História 10ºano, pág. 29
As viagens de exploração realizadas em busca do caminho marítimo para a Índia fizeram
provavelmente, suspeita da existência da terra na latitude onde viria a ser descoberto o Brasil.
Na segunda viagem ao Atlântico foi alargada para ocidente e assim Pedro Álvares Cabral
aportou na terra de Vera Cruz em Abril de 1500. A partir de 1503 foi denominada Brasil (cor
de brasa de fogo) devido a cor avermelhada da madeira ali existente, o chamado “pau brasil”.

Pedro Alvares Cabral descobre o Brasil

Os portugueses conseguiram assegurar o monopólio do comércio no Índico graças a


superioridade da artilharia e das técnicas náuticas, alargando mesmo os contactos com a
longínqua China e com o Japão de forma muito contida e cautelosa fase ás diferenças
culturais e religiosas, não deixando de promover o comercio e a evangelização que muitas
vezes foi mal recebida.

Os meios náuticos portugueses empreenderam importantes viagens realizadas ao serviço


dos reis de Espanha, como a viagens de Cristóvão Colombo (1451-1506) e ainda a viagem
de circum-navegação de Fernão de Magalhães (1521).

Os descobrimentos representam uma mudança no modo como a Europa fazia o comércio e


conhecia o mundo, e contribuíram para a formação dos primeiros impérios coloniais
português e espanhol.

Concluindo este trabalho, os descobrimentos foram importantes para o crescimento e


desenvolvimento do mundo. Portugal contribuiu da maneira eficaz no processo dos
descobrimentos, foram corajosos em se aventurar no mar desconhecido à procura de um
novo mundo.
Bibliografia:

• Alexandra Fontes; Fátima Freitas Gomes; José Fortes. Linhas da História P3. Areal
Editores, 2019
• Paulo David Coutinho. Resumos História A 10.º Ano. Porto Editora, 2018

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