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Resenha

O culto do amador: como blogs, myspace, yotube e a pirataria digital estão


destruindo nossa economia, cultura e valores
(Andrew Keen. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2009)

Gessica Naiara Chaves Cavalcante1

Andrew Keen é um escritor norte-americano conhecido por suas criticas ao


fenômeno da web 2.0. É também um empreendedor pioneiro do vale do silício. Seus
escritos sobre mídia, cultura e tecnologia são publicados nos periódicos Los Angeles
Times, Wall Street journal, Guardian, Independent, Forbs, Weekly, Standard, prospect e
Fast company, entre outros. A pesar de ter sido alvo de muitas polêmicas essa obra já
foi publicada em 12 línguas e tem ganhado espaço entre os livros mais lidos do mundo.
As preocupantes conseqüências da web 2.0 e sua ameaça a nossa cultura, valores e
criatividade é o tema do livro O culto do amador, abordando especificamente o cenário
dos blogs, myspace, youtube e Wikipédia.
Como exemplo, na introdução do livro o autor Andrew Keen faz uma analogia
histórica da atual situação com o “teorema do macaco infinito” do biólogo evolucionista
do séc. XIX T.H. Huxley, a qual afirma que se fornecermos a um número infinito de
máquinas de escrever a um número infinito de macacos, alguns macacos em algum
lugar vão acabar criando uma obra prima- uma peça de Shakespeare ou um diálogo de
Platão “já a tecnologia de hoje vincula todos aqueles macacos a todas aquelas maquinas.
Com a diferença de que em nosso mundo web 2.0 as máquinas de escrever não são mais
maquinas de escrever, e sim computadores pessoais conectados em rede, e os macacos
não são exatamente macacos, mas usuários da internet que ao invés de criarem obras
primas criam intermináveis florestas de mediocridade”.
A problemática do livro gira em torno do questionamento se a revolução digital
traz impactos destrutivos a nossa cultura, economia e valores ou não. Kenn acredita que
sim, ele diz que essa revolução “é uma mistura de ignorância com egoísmo, mau gosto e

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Graduanda do Curso de Comunicação Social, habilitação Radialismo pela UFPB.

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ditadura das massas”. O livro está organizado em oito capítulos nos quais trata
principalmente as questões do amadorismo na internet, da confiabilidade das
informações oferecidas, das verdades e mentiras sobre esse mundo, da pirataria digital,
da desordem moral e soluções para conciliar o avanço da tecnologia e a cultura.
No primeiro capítulo “A grande sedução” keen faz uma confição, onde diz que
foi um dos pioneiros na corrida do ouro na internet. Por ter o sonho de transformar o
mundo em um lugar mais musical fundou o audiocafe.com um dos primeiros sites de
música digital, ele queria ouvir musicas de Bob Dylan no laptop e ser capaz de baixar
músicas clássicas no telefone celular. O autor diz que passou de crente para cético
quando leu um verbete errado na Wikipédia sobre T.H. Huxley e teve uma epifania
quando fez uma busca sobre ele mesmo no Google. Ele confeçou também que fez parte
do culto do vale do silício (empreendedores que acreditam nos benefícios econômicos e
culturais da tecnologia), mas depois abandonou, em setembro de 2004, quando a nova
versão da internet, a web 2.0 surgiu para democratizar a grande mídia e a grande
empresa. Fazendo com que seu sonho fracassasse, pois ele queria usar a tecnologia para
levar mais cultura às massas, mas “a nova internet tinha a ver com música feita pelo
próprio usuário, publico e autor haviam se tornado uma coisa só, transformando cultura
em cacofonia”.
A nova internet iria democratizar até mesmo os grandes especialistas,
transformando-os em “nobres amadores” que é sobre o que fala o segundo capitulo.
Para ele as conseqüências desse culto ao amadorismo são muito graves. Quando
blogueiros e autores de vídeos anônimos, sem qualquer padrão profissional ou filtro
editorial, podem manipular a opinião pública, a verdade torna-se uma mercadoria a ser
comprada, vendida e reinventada. É sobre isso que Keen fala no terceiro capitulo, sobre
as verdades e mentiras desse mundo cibernético, segundo ele, blogs e sites como o
myspace e Wikipédia são um terreno para a prática de diversos crimes. No caso da
Wikipédia acredita-se que por ser uma “enciclopédia livre”, na qual qualquer um
internauta possa editar seu conteúdo, seus verbetes, não tenha exatidão na veracidade.
Além disso, não existe qualquer tipo de controle, é livre o plágio, calunias e quantidades
enormes de coisas ilícitas. Já o myspace e os blogs não têm um atestado de qualidade
dos seus conteúdos, pois geralmente é criado para a sua autopromoção esse uso

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incorreto da rede facilita a ação de predadores sexuais, pedófilos, fraudadores de cartão
de crédito, os quais escondem suas verdadeiras intenções, e sua verdadeira identidade.
Os temas abordados no quarto e quinto capítulo respectivamente são as
transformações na indústria fonográfica e de cinema. Keen acredita que depois da
revolução da web 2.0 as nossas mais valiosas instituições culturais, especificamente a
música e a mídia impressa estão perdendo espaço para uma grande quantidade de
conteúdo amador, gratuito, gerado pelo próprio usuário. A pirataria digital, um mal que
tomou grandes proporções e ameaça a indústria da musica, do cinema e do livro devido
à disponibilização totalmente gratuita de noticias publicada em blogs, rádios online e
sites de downloads (onde é possível “baixar” músicas, filmes de qualquer época e
livros). Já levaram a falência famosas lojas de discos, produtoras de filmes como as de
Hollywood e causou prejuízo nos grandes jornais americanos por causa da queda da
circulação. Segundo Keen a hora em que as pessoas puderem baixar mais filmes pela
internet não irão mais ao cinema.
Andrew Keen ressalta ainda a forma escandalosa em que a nova versão da
internet está comprometendo a moral e valores de muitos da sociedade devido a seus
conteúdos impróprios. É esse comprometimento que ele chama de “desordem moral”.
No penúltimo capitulo intitulado 1984(2.0) o autor fala que devido à revolução na
internet temia que o direito à expressão individual desaparecesse, mas, no mundo atual,
aconteceu justamente o oposto: a abundancia de autores e de opiniões, que não se
importavam com os direitos autorais o que era um horror para ele.
Em seu ultimo capítulo “soluções” o autor tenta justamente oferecer soluções
concretas que permitiriam frear de maneira construtiva a web 2.0, tentando ao invés de
matar, enriquecer os nossos valores, cultura e economia. Keen aborda ainda questões
como segurança das crianças ao navegar na internet, ele evolui melhor suas idéias nessa
ultima estância, quando diz que a dinâmica dos sites deve caminhar para o meio termo,
nem muita e nem pouca abertura. A pesar de ser um livro com duras criticas a web 2.0
Andrew keen deixa claro que não é contra os avanços tecnológicos, afinal facilitam a
vida de todos se usada com coerência e responsabilidade, é sim, contra o amadorismo
digital.

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